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o Salto dei Angel, na Venezuela, é a queda d'água mais alta da Terra.

A cascata salta de
978 m de altura a partir do topo plano de uma mesa composta por arenitos de 1,7 bilhão
de anos.' [Michael K. Nichols/National Geographic/Getly Images]
"J.Ô~'fíLíxos e os reservatórios 314 s geólogos especializados na éiênçia·da hidrolo-
.c;'7(
gia estudalll osfluxos eascaracteflsticas da água
",A"hidtologia e o clima 316
S'ii .. tanto na superfície comomL§Jibsliperffcie.A água
é essencial para muitosprocessosgeológicQs. Os rios e o
A hidrolb~i~' do escoamento superficial gelei glacial são os principais ag~ntes de erosão, ajudando
k. . 318
'\',.:.:;
a esculpir a paisagem doscontinentes. A água é essencial,
Aâgua subterrânea 320 também, ao intemperisnio,éoIllo solvente dos minerais
das rochas e do solo Ou como um agente de transporté que
Osrecursos hídricosdt>s principais carrega para longe materiais dissolvidos .e alterados. A
aqüífe~os 328 água que se infiltra nos mát~Jiaissuperficiais forma imen-
sos reservatórios subterrâneos; ela também tem o papel de
A erosâo pela água subterrânea 328
lubrificar os materiais envolvidos em escorregamentos e
A qualidaâe da água 330 outros movimentos de massa. Além disso, a água quente
que circula em corpos ígneos ou nas dorsais mesoceânicas
A água nas profundezas da crosta 333
produz depósitos de minério hidrotermal.
A água é vital para toda a vida do planeta. Os huma-
nos não podem sobreviver mais do que poucos dias sem
ela e, mesmo nos desertos mais secos, as plantas e os animais precisam de um pou-
co desse líquido. Imensas quantidades de água são utilizadas na indústria, na agri-
cultura e em sistemas de abastecimento das cidades. Nos Estados Unidos, um dos
maiores usuários de água no mundo, tem havido um aumento constante do con uma
desse bem desde o século XIX. Num intervalo de apenas 35 anos, entre 1950 e 1985,
o uso da água aproximadamente triplicou, indo de 129 bilhões para cerca_de 3' 1 bi-
lhões de litros por dia. Em 1990, apenas cinco anos depois, esse número quase qua-
druplicou, indo para 1,283 trilhão de litros por dia. Apenas parte do aumento deve-
se ao crescimento populacional. Nesse país, o consumo de água, quando r alcula-
do com base na quantidade consumida por pessoa, na verdade caiu cerca de _0% de
1980 a 1995. Os países desenvolvidos começaram a enfatizar a nece idade de um
uso mais eficiente deste recurso finito que é a água.
A hidrogeologia está se tornando importante para todos nós à medida que há um
aumento da demanda de um estoque de água limitado. Para proteger es es estoques
e, ao mesmo tempo, atendermos nossas necessidades, devemos saber não só onde
encontrar mais água, mas também como seus estoques se rena "amoCom esse conhe-
.~
31 4 Para Entender a Terra

imento, poderemos usar e dispor da água de modo a não os vários reservatórios. Se cobrirmos com esse volume o te~
omprometer o abastecimento futuro. tório dos Estados Unidos, todos os 50 estados ficariam SUbIll~-
Este capítulo fará um levantamento da água contida na sos numa lâmina de água com cerca de 145 quilômetros de p. -
Terra. fundidade. Esse volume é constante, embora o fluxo de um :=-
servatório para o outro possa variar diariamente, ano a ano
até, em períodos de séculos. Durante esses intervalos de terrç
geologicamente CUltos,não há nenhum ganho ou perda de ág
uxos e os reservatórios para fora ou para o interior da Terra, nem qualquer perda
água da atmosfera para o espaço exterior.
Podemos ver a água fluindo nos rios superficiais, e também ob-
servá-Ia em lagos e oceanos. Mas é mais difícil observar as
imensas quantidades de água armazenadas na atmosfera e no
o ciclo hidrológico:
subsolo e os mecanismos pelos quais ela flui para esses locais um componente do sistema Terra
de armazenamento e depois sai deles. Quando a água evapora, A água na superfície terrestre e abaixo dela circula entre o ~-
ela desaparece na atmosfera como vapor. Quando a água da versos reservatórios: dos oceanos, da atmosfera e dos contin~·
chuva infiltra-se no subsolo, toma-se subterrânea - a massa de teso O movimento cíclico da água - do oceano para a atmos:::-
água armazenada sob a superfície terrestre. ra pela evaporação, de volta para a superfície por meio da ~
Cada lugar onde a água é armazenada constitui um reser- va e, então, para os rios e aqüíferos por meio do escoamento
vatório. Os principais reservatórios naturais da Terra são os perficial, retomando aos oceanos - é o ciclo hidrológico. A
oceanos, as geleiras e o gelo polar, os aqüíferos, os lagos e os gora 13.2 é uma ilustração simplificada da incessante circ
rios, a atmosfera e a biosfera. A Figura 13.1 mostra a distri- ção da água e das quantidades movimentadas. O ciclo hidm
buição da água nesses reservatórios. Os oceanos são, de lon- gico é um componente do sistema Terra e, assim, interage
ge, os maiores repositórios de água do planeta. Embora a os componentes da atmosfera, do oceano e da paisagem.
quantidade total de água nos rios e lagos seja relativamente uma abordagem pormenorizada, ver Capítulo 23.)
pequena, esses reservatórios são importantes para a população Dentro dos limites de temperatura encontrados na supe;::;
humana porque contêm água doce. A quantidade de água no cie terrestre, a água muda entre os três estados da matéria:
subsolo é cem vezes maior que aquela dos rios e lagos, mas a quido (água), gasoso (vapor d'água) e sólido (gelo). E
maior parte dela não é utilizável porque contém grandes quan- transformações impulsionam parte dos principais fluxos de
tidades de material dissolvido. reservatório para outro no ciclo hidrológico. O mecanismc
Os reservatórios ganham água pelos influxos, como o plu- calor externo da Terra, movido pelo Sol, controla o ciclo me:-
vial e o fluvial, e a perdem pelos defluxos, como a evaporação lógico, principalmente pela evaporação da água do ocean~
e o defluxo fluvial. Se o influxo é igual ao defluxo, o tamanho transportando-a como vapor d'água na atmosfera. Sob ce~
do reservatório permanece constante, mesmo quando a água es- condições de temperatura e umidade, o vapor d' água conde
tá continuamente entrando e saindo. Esses fluxos implicam a se em minúsculas gotas que formam as nuvens e, então, pre
permanência, no reservatório, de uma dada quantidade de água pita-se como chuva ou neve sobre os oceanos e continen:=
durante um certo tempo médio, chamado de tempo de residên- Parte da água que se precipita nos continentes encharca o
cia. Abordaremos os reservatórios e os tempos de residência solo pela infiltração, o processo pelo qual a água penetra na
mais profundamente no Capítulo 24. cha ou no solo pelos espaços das juntas ou dos pequenos
entre as partículas. Parte dessa água do subsolo evapora am :::
do solo superficial. Outra parte é absorvida pelas raÍze 2-
Qual a quantidade plantas, transportada para as folhas e retomada à atmosfera -;
de água existente na Terra? meio da transpiração - a liberação de vapor d'água pelas p1
A quantidade total de água disponível no mundo é imensa - tas. Outra parte da água subterrânea pode, ainda, retomar à __
cerca de 1,46 bilhão de quilômetros cúbicos distribuídos entre perfície pelas nascentes que jorram para os rios e lagos.

Geleiras e gelo polar 2,97'70


Oceanos e mares (4,34 x 107 km3)
(1,4SALGADA
ÁGUA x 109 km3)
95'96~0 Água subterrânea
ÁGUA 1,05'70
DOCE 4,04'70
(1,54 x 107 km3)
Lagos e rios 0,009'70
(1,27 x 105 km3) Figura 13.1 A distribuição de água na Terra. [Revi52::=
Atmosfera 0,001 '70 de Peixoto, J. P., Kettani, M. A. The contrai of water cy :.
(1,5 x 104 km3) Scientific American (April, 1973):46; Berner, E. K., Ber.=
Biosfera 0,0001 '70 R. A. Clobal Environment. Upper Saddle River, N. J.:
(2 x 103 km3) Prentice Hall, 1996, p. 2-4]
CAPíTULO 13 • O Ciclo Hidrológico e a Água Subterrânea 131 5

36 Escoamento superficial do 434 Evaporação 107 Precipitação 107 Precipitação


continente - 398 Precipitação - 71 Evaporação - 36 Escoamento superficial
- :=38 Precipitação sobre o mar 36 Excedente transfe- 36 Escoamento superficial para o oceano
-:54 Evaporação rido para o continen~- - para o oceano 71 Evaporação
fluxo e o defluxo dos oceanos são te via precipitação
~ensos e quase equilibrados devi-
:: ao saldo entre a evaporação e a
-;ecipitação s.obre o próprio oceano. Precipitação
Evaporação 107'
~d'""

O O excedente é movido pa- 71


O A precipitação escoa su-
perficialmente para os
~ ra o continente e precipi- lagos, rios e oceanos ...
ta-se (saldo da precipita-
ção sobre o continente).
//
Evaporação Precipitação
434 398

... ou infiltra-se no solo e


nas rochas, onde se move
como água subterrânea.

13.2 O ciclo hidrológico. A água vai para a atmosfera pela evaporação dos oceanos e continentes e deixa-a pela precipitação
chuva e neve. A água perdida pela evaporação dos oceanos é contrabalançada pela água ganha do escoamento superficial dos
" entes e pela chuva sobre os próprios oceanos. As quantidades do fluxo da água são da ordem de milhares de quilômetros
:os por ano. [Fonte: Berner, E. K., and Berner, R. A. Global Environment. Upper Saddle River, N. j.: Prentice Hall, 1996, p. 3]

.• água da chuva que não se infiltra no solo escoa superfi- observar na Figura 13.2, a quantidade de água que evapora dos
-ente, sendo gradualmente coletada pelos rios e lagos. A oceanos é superior à que se precipita neles como chuva. Essa
"dade total de água da chuva que flui sobre a superfície, perda é compensada pela água que retoma como escoamento
. do a fração que pode temporariamente infiltrar-se nas superficial dos continentes. Assim, o tamanho de cada reserv~
- ções próximas à superfície e em seguida retomar para tório permanece constante.
~ chamada de escoamento superficial.2 Parte do escoa-
superficial pode, posteriormente, infiltrar-se no solo ou
Quanta água está disponível
'"7 rar dos rios e lagos, mas a maior quantidade move-se
_ os oceanos. para o uso?
.-~neve pode ser convertida em gelo nas geleiras, o qual re- À medida que a ameaça da escassez de água se avulta, o uso
'" aos oceanos como água pelo degelo e pelo escoamento da mesma entra para a arena do debate das políticas públicas
-eUicial e para a atmosfera pela sublimação, a transformação (ver Figura 13.1). O ciclo hidrológico global é o que definiti-
sólido (gelo) diretamente em gás (vapor d'água). A vamente controla a oferta de água. Quase toda a água que uti-
parte da água que evapora dos oceanos retoma para eles lizamos é doce. A dessalinização (remoção do sal) da água do
chuva e neve, comumente referidas juntas como precipi- mar produz um pequeno mas constante aumento da quantida-
- ,3 O restante precipita-se sobre os continentes e, então, ou de de água doce em áreas como o árido Oriente Médio.4 o
--::o()ra ou retoma para os oceanos. mundo natural, entretanto, a água doce é fomecida somente
_.:.,Figura 13.2 mostra o balanço do fluxo total entre os re- pela chuva, pelos rios e lagos e, em parte, pelas águas subter-
órios no ciclo hidrológico. A superfície continental, por râneas e pelo degelo das neves ou geleiras continentais. Todas
10, ganha água pela precipitação e perde a mesma quan- essas águas provêm originariamente da precipitação. Portan-
-~ pela evaporação e pelo escoamento superficial. O ocea- to, a quantidade máxima de água doce natural que podemos
?Jlba água pelo escoamento superficial e pela precipitação pensar em usar é aquela constantemente fomecida aos conti-
e a mesma quantidade pela evaporação. Como você pode nentes pela precipitação.
31 61 Para Entender a Terra

• Embora os estados ocidentais dos Estados Unidos rece-


13.1. A água é um bem precioso:
bam um quarto das chuvas do país, têm um uso per capita
quem tem acesso a ela?
(grande parte para a irrigação) 10 vezes maior que aquele
dos estados orientais e a um custo bem menor. Na Califór-
AtéUnidos
recentemente,
considerava a maioria
que das pessoas de
o abastecimento noságua
Estados
esti- nia, por exemplo, que importa a maior parte de sua água,
vesse garantido. As análises científicas da oferta disponível e 85'1'0 dela são utilizados para a irrigação, 10% pelos municí-
das demandas dos usuários, entretanto, indicam que muitas pios e 5'1'0 pela indústria. Uma redução de 15'1'0 no uso para
áreas daquele país vão sofrer escassez de água mais freqüen- a irrigação quase dobraria a quantidade de água disponível
temente. Essas carências criarão conflitos entre os diversos para o uso nas cidades e indústrias.
setores de consumidores - residencial, industrial, agrícola e • A maneira tradicional de aumentar o abastecimento de
recreacional - para saber qual deles tem mais direito ao água, tal como a construção de barragens e reservatórios e
abastecimento. poços, tornou-se extremamente cara, porque a maioria dos
Nos últimos anos, as secas amplamente noticiadas e as melhores locais (e, portanto, mais baratos) já foi utilizada. A
restrições legais ao uso da água - tais como as que ocorre- construção de mais barragens para formar grandes reserva-
ram na Califórnia, na Flórida, no Colorado e em muitos ou- tórios traz custos ambientais, como a inundação de áreas
tros lugares - alertaram o público de que aquele país enfren- despovoadas, mudanças prejudiciais no fluxo dos rios a ju-
ta um grande problema de abastecimento de água. Entretan- sante e a montante das barragens, e a perturbação da ictio-
to, o envolvimento do público oscila, aumentando e dimi- fauna e dos hábitats silvestres. A avaliação de todos esses fa-
nuindo à medida qi.Je os períodos de seca e abundância de tores tem causado o adiamento ou a rejeição das propostas
chuvas alternam-se e os governos não adotam soluções du- de construção de novas barragens.
radouras com a urgência que o caso mereceria. Aqui estão • A água doce usada nos Estados Unidos retoma ao ciclo
alguns fatos que devem ser ponderados: hidrológico, mas pode retomar a reservatórios que não es-
• Uma pessoa pode sobreviver com aproximadamente 2 li- tejam bem localizados para o uso humano e sua qualidade
ÚOs de água por dia. Nos Estados Unidos, o uso per capita, pode estar degradada. Depois de utilizada para irrigação, a
considerando-se todos os setores, é próximo a 6 mil litros água freqüentemente se torna mais salgada e fica contami-
•...
por dia . nada com pesticidas. As águas poluídas das cidades chegam
• A indústria usa cerca de 38% e a agricultura, 43% da até os oceanos.
água suprida pelos reservatórios desse país. • As mudanças climáticas globais podem ocasionar a redu-
• O uso doméstico per capita nos Estados Unidos é duas a ção das chuvas no oeste norte-americano, acentuando os
três vezes maior que o da Europa Ocidental, onde os consu- problemas dessa região e tornando as soluções de longo
midores pagam cerca de 350'1'0 a mais pela sua água. prazo ainda mais urgentes.

)., )
Onde quer que se viva, o clima e a geologia da região -
.4drologia e o clima fluenciam fortemente a quantidade de água que circula de
reservatório para outro. Os geólogos estão especialmente ÍG::
Em muitos aspectos práticos, a hidrologia local (que é a quanti- ressados em saber como as mudanças na precipitação e na e-~
dade de água existente numa região e a forma como ela flui de poração afetam o abastecimento de água devido à alteração
um reservatório para outro) é mais importante que a hidrologia quantidade infiltrada e escoada superficialmente, o que, por '"":....
global. O fator que exerce a mais forte influência na hidrologia vez, determina os níveis da água subterrânea. Se o nível do IG.....
local é o clima, que inclui a temperatura e a precipitação. Em re- subir como resultado de um aquecimento global, a água sub~
giões quentes, onde as chuvas são freqüentes durante todo o ano, rânea nas terras baixas das regiões costeiras poderá tornar-
o estoque de água superficial e subterrânea é abundante. Em re- salgada, à medida que a água do mar for invadindo os aqüÍD _
giões áridas ou semi-áridas quentes, raramente chove, e a água é que eram inicialmente de água doce.
um recurso inestimável. As pessoas que vivem em climas frios
contam com a água do degelo da neve e das geleiras. Em algu-
mas partes do mundo, estações de chuvas intensas, chamadas Umidade, chuva e paisagem
monções, alternam-se com longas estações secas, nas quais a Muitas diferenças no clima estão relacionadas com a tempG_
oferta de água cai, os solos secam e a vegetação murcha. tura do ar e com a quantidade de vapor d'água que ele conté;:;:
CAPíTULO 13 • O Ciclo Hidrológico e a Água Subterrânea 131 7

'dade relativa é a quantidade de vapor d'água no ar, ex- va. Há uma zona de sombra pluvial no lado leste das Montanhas
>a como uma percentagem da quantidade total de água que Cascade, em Oregon (EUA). A maior parte do vento que sopra
-:;x:>deriasuportar numa dada temperatura, se estivesse satu- do Oceano Pacífico choca-se com a vertente oeste das monta-
_Quando a umidade relativa do ar é de 50% e a temperatu- nhas, causando pesadas chuvas.5 A vertente leste, no outro lado
= ~ "OC,por exemplo, a quantidade de umidade no ar é a me- da cordilheira, na zona de sombra pluvial, é seca e árida.
= da quantidade máxima que o ar poderia carregar a 15°C. Diferentemente dos climas tropicais, os climas polares ten-
-' ar quente pode carregar muito mais vapor d' água do que dem a ser muito secos. Os oceanos polares e o ar sobre eles são
~o. Quando o ar quente não-saturado, com uma determi- frios, de modo que a evaporação da superfície marinha é mini-
- . umidade relativa esfria o suficiente, ele se torna supersa- mizada e o ar pode carregar pouca umidade. Entre os extremos
..; e parte do vapor se condensa como gotas d'água. As go- tropical e polar estão os climas temperados, onde as chuvas e as
::= água condensada formam as nuvens. Podemos observar temperaturas são moderadas.
·-ens porque elas são constituídas de gotas de água visí-
_enquanto o vapor d'água é invisível. Quando se condensa As secas
- ~ente umidade nas nuvens, as gotas aumentam e podem fi-
~sadas demais. Então, caem como chuva, por não conse- As secas - períodos de meses ou anos em que a precipitação é
-=ill permanecer suspensas nas correntes de ar. muito mais baixa que o normal - podem ocorrer em todos os
_-:.maioria das chuvas precipita-se em regiões úmidas e climas. As regiões áridas são especialmente vulneráveis pela
- s próximas ao equador, onde o ar e as águas superficiais diminuição do seu estoque de água durante as secas prolonga-
xeanos são quentes. Sob essas condições, uma grande por- das. Como a reposição da água a partir da precipitação não
ia água do oceano evapora, resultando numa umidade alta. ocorre, os rios podem diminuir e secar, os reservatórios podem
-!:1do a água carregada pelos ventos a partir dessas regiões evaporar e o solo pode ressecar e fender-se enquanto a vegeta-
.:::!.;:ricas
ascende próxima aos continentes, o ar esfria e torna- ção morre. À medida que a população cresce, a demanda por
"'- rsaturado. O resultado é uma chuva pesada sobre o con- reservatórios também aumenta, e a ocorrência de seca pode re-
- , mesmo a grandes distâncias da costa. duzir o já precário abastecimento de água.
.:,.paisagem pode alterar os padrões de precipitação. Por Há poucas décadas, secas extremamente severas afetaram
.:;::uplo,as cordilheiras de montanhas formam uma zona de regiões próximas ao bordo sul do deserto do Saara, onde deze-
ra pluvial, que consiste em uma área de baixa precipita- nas de milhares de vidas foram perdidas pelo flagelo da fome.
encostas de sotavento (declive no sentido do vento). O Essa longa seca fez com que o deserto se expandisse e efetiva-
~egado de umidade que ascende nas altas montanhas res- mente destruiu fazendas e pastagens da região.
- ,-se e a chuva precipita-se na encosta frontal ao vento. Com Outra seca prolongada, mas menos trágica, afetou grande
o ar perde grande parte da sua umidade antes de alcançar a parte da Califórnia de 1987 até fevereiro de 1993, quando ocor- J
SUl de sotavento (Figura 13.3). O ar aquece-se novamente reram chuvas torrenciais. Durante esse período, os níveis da
- o desce até as elevações inferiores do outro lado da cordi- água subterrânea e dos reservatórios caíram para os menores
de montanhas. A umidade relativa declina porque o ar valores em 15 anos. Algumas medidas de controle foram insti-
;..e::;.e pode suportar mais umidade antes de ficar saturado. ls- tuídas, mas um movimento para diminuir o uso extensivo dos
;ur sua vez, diminui a umidade do ar disponível para a chu- estoques de água em irrigação encontrou fortes resistências po-

::s ventos predominantes Quando o ar úmido encontra o resultado é um chuva Quando a massa de ar passa sobre as
-:=.nsportam o ar quente as encostas das montanhas, na encosta frontal ao montanhas, o ar frio - agora com a
-bre os oceanos, onde ele ele ascende, esfria e condensa-se, vento. umidade reduzida - mergulha e se
::= ha umidade na forma de precipitando chuva ou neve. aquece. Sua umidade relativa diminui ...
'=;l0r d'água.

. .. e uma encosta seca de


sotavento, ou uma sombra
pluvial, é formada.

13.3 Zonas de sombra pluvial são áreas de baixa precipitação nas encostas de sotavento (declive no sentido vento) de uma
::;meira de montanhas.
31 8 Para Entender a Terra

(a) Precipitação média anual

,0

Havaí
(a precipitação varia

-- ----
de 40 a 1.000 em)

<5 5 12 20 30 40 50 60 70 >100
Precipitação (em)

(b) Escoamento superficial médio anual

O 2.5
Escoamento
---
5 50
superficial
100
(em)
>100

Figura 13.4 (a) Precipitação média anual nos Estados Unidos. [Dados do Departamento de Comércio dos
Estados Unidos, Ciímatíc Atlas af the Uníted States, 1968] (b) Escoamento superficial médio anual nos
Estados Unidos. [Dados do U. S. Geological Survey, Professíanal Paper 1240-A, 1979]

\,!
líticas dos fazendeiros e da agroindústria (ver Reportagem em
destaque 13.1).
edrologia do escoamento
O Meio-Oeste dos Estados Unidos e parte do Canadá ex- perficial
perimentaram uma forte seca, mas de curta duração, em 1988,
quando o estoque de água superficial diminuiu e o Rio Mis- Um exemplo impressionante de como a precipitação afeta o =
sissipi esteve com seus níveis muito baixos e fechado para o coamento dos rios pode ser observado quando as previsões -
tráfego hidroviário. Em 1989, a precipitação na região voltou máticas anunciam inundações rápidas depois de chuvas to~
ao normal. ciais. Quando os níveis de precipitação e escoamento supe:::::
CAPíTULO 13 • O Ciclo Hidrológico e a Água Subterrânea 131 9

são medidos numa vasta área (tal como toda a região dre-
por um grande rio) e durante um longo período de tempo
Q'uadro 13.1 Vazão de alguns dos maiores rios
- ano, digamos), a conexão é menos evidente, mas ainda
~mada. Os mapas de precipitação e escoamento superficial,
175.000
17.500
Vazão
79.300
21.800
39.600
18.700
19.800
(m3/s)
_ ados na Figura 13.4, ilustram essa relação. Quando com-
Rio
os, observamos Mississipi,
que emÁfrica
Ganges,
Congo,
Yangtze, áreas
La Plata,6
Ásia
Brahmaputra,
Ásia de baixa
América
Ásia precipitação - co-
Sul
do Norte
Amazonas,
;]0 Sul da Califórnia, América
no Arizona e nodoNovo
Sul México - so-
--Ie uma pequena fração da água da chuva acaba como es-
ento superficial. Em regiões secas, boa parte da precipita-
é perdida pela evaporação e infiltração. Em áreas úmidas,
~ no Sudeste dos Estados Unidos, uma proporção muito
r da precipitação escoa superficialmente para os rios. Um
~ e rio pode carregar uma enorme quantidade de água de
área chuvosa para uma com pouca precipitação. O rio Co-
o, por exemplo, nasce numa área de chuva moderada no
rado e, então, carrega sua água através de áreas áridas do
__~ do Arizona e do Sul da Califórnia.
J principais rios transportam grande parte do escoamento
::erficial do mundo. Os milhões de pequenos e médios rios
->portam cerca de metade do escoamento total do planeta, e
de 70 grandes rios carregam a outra metade. Desta última O escoamento superficial é coletado e armazenado em la-
-~ (ou seja, quase um quarto do total), o rio Amazonas, na gos naturais e em reservatórios artificiais criados pelo represa-
-~ca do Sul, carrega quase a metade. O Amazonas trans- mento dos rios. As terras úmidas, como pântanos e banhados,
~ cerca de 10 vezes mais água que o Mississipi, que é o também atuam como depósitos de armazenagem do escoamen-
r rio da América do Norte (Quadro 13.1). to superficial (Figura 13.5). Se esses reservatórios são sufi-

PERíODO SECO: BAIXO ESCOAMENTO PERíODO ÚMIDO: ALTO ESCOAMENTO

13.5 Como num lago natural ou num reservatório artificial de uma barragem, uma terra úmida (como um pântano ou
--:ado) armazena água durante o período de rápido escoamento para lançá-Ia lentamente durante os períodos de escoamento baixo.
320 I Para Entender a Terra

cientemente grandes, eles podem absorver influxos de curta du- poucos. Porém, grandes quantidades de espaços poroso:
ração das principais chuvas, retendo parte da água que, de ou- mais freqüentes em arenitos e calcários. Podemos lembm:.
tro modo, extravasaria das margens dos rios. Durante as esta- Capítulo 8, que a quantidade de espaço poroso nas rochas.
ções menos úmidas ou secas prolongadas, os reservatórios lan- solos ou em sedimentos é a poros idade - a percentagem di:!
çam água para os rios ou para os sistemas de água construídos lume total que é ocupada pelos poros. A porosidade depen .~
para o uso humano. Esses reservatórios suavizam os efeitos das tamanho e da forma dos grãos e de como eles estão con'
variações sazonais ou anuais do escoamento superficial e regu- mente empacotados. Quanto mais aberto o empacotamemc
larizam a vazão da água rio abaixo, ajudando a controlar as partículas, maior o espaço dos poros entre os grãos. Em m
inundações. Por essa razão, alguns geólogos lutam para deter a arenitos, a porosidade é tão alta que chega a 30% (fig
drenagem artificial das terras úmidas causada pela ocupação 13.7). Os minerais que cimentam os grãos reduzem a poros
imobiliária. A destruição das terras úmidas também ameaça a de. Quanto menores as partículas e mais variadas as suas .=
diversidade biológica, pois nesses lugares ocorre a procriação mas, mais firmemente elas se ajustam. A porosidade é mais
de muitas espécies de pássaros e invertebrados.7 ta em sedimentos e rochas sedimentares (l 0-40%) do que
O desaparecimento das terras úmidas está ocorrendo rapi- rochas ígneas e metamórficas (até 1-2%). O espaço poro
damente, como conseqüência da ocupação do solo. Nos Esta-
dos Unidos, mais da metade das tenas úmidas originais desapa-
receu. Na Califórnia e em Ohio restaram apenas 10% das tenas
úmidas originais. O movimento de proteção das terras úmidas
gerou acalorado debate. A definição legal de terra úmida vem
sendo debatida há anos e tomou-se motivo de um acinado con-
fronto político. Em 1995, os estudos científicos da questão fei-
tos pela Academia Nacional de Ciências foram atacados como
sendo "políticos" pelos oponentes à regulamentação. Certos
políticos, que se contrapõem à regulamentação dos projetos de
proteção dessas terras, pediram para que a extensão das tenas
úmidas federais reguladas fosse reduzida em 50%.

.. ua subterrânea

A água subtenânea forma-se quando as gotas de chuva se infil-


tram no solo e em outros materiais superficiais não-consolida-
dos, penetrando até mesmo em rachaduras e fendas do substra-
to rochoso. Ela é extraída pela perfuração de poços e bombea-
mento para a superfície. Os perfuradores de poços de regiões
com clima temperado sabem que é mais provável encontrar um
bom estoque de água se furarem as camadas de areia ou arenito
não muito profundas em relação à superfície. As camadas que
armazenam e transmitem a água subterrânea em quantidade su-
ficiente para o abastecimento são chamadas de aqüíferos.
Os imensos reservatórios de água subterrânea armazenam
cerca de 25,9% de toda a água doce, sendo o restante acumula-
do em lagos e rios, geleiras, gelo polar e atmosfera. Por milha-
res de anos, as pessoas têm extraído esse recurso, seja pela esca-
vação de poços rasos ou pelo armazenamento da água que flui
para a superfície em olhos d' água. Estes últimos são a evidência
direta do movimento da água sob a superfície (Figura 13.6).

Como a água flui através


do solo e da rocha
Quando a água se move para e através do solo, o que detelTllina
onde e em que taxas ela flui? Com exceção das cavernas, não
existem grandes espaços abertos para piscinas ou rios de água Figura 13.7 A água subterrânea flui para a superfície em um
subtenânea. O único espaço disponível para a água é aquele penhasco em Vasey'sParadise, no Cânion Marble, no Parque
dos poros entre os grãos de areia e outras partículas, que cons- Nacional do Grand Canyon, Arizona (EUA).Esse é um exemplo
tituem o solo e o substrato rochoso, e aquele das fraturas. Todo impressionante de uma nascente formada onde o relevoacidenta::.::
tipo de rocha e solo tem poros, mesmo que sejam pequenos e permite que a água do subsolo aflore na superfície. [LarryUlrich:
CAPíTULO 13 • O Ciclo Hidrológico e a Água Subterrânea 1321

MAIS POROSO <: VS. :> MENOS POROSO raso A maior poros idade - mais de 40% do volume - é encon-
·-nito não-cimentado Arenito cimentado trada em solos e camadas de areia e cascalho soltos.
Embora a porosidade nos diga quanta água uma rocha pode
[Grão de areia ~ '\
reter se todos os seus poros estiverem preenchidos, ela não nos
fornece nenhuma informação sobre a rapidez com que a água
pode fluir através desses poros. A água desloca-se no material
poroso com uma trajetória sinuosa entre os grãos e através das
fissuras. Quanto menores os espaços porosos e mais tortuo o o
caminho, mais lentamente a água o percorre. A permeabilida-
Arenito mal selecionado de é a capacidade que um sólido tem de deixar que um fluido
7 atravesse seus poros. Geralmente, a permeabilidade aumenta
com o aumento da porosidade. A perrneabilidade também de-
pende da forma dos poros, do quão bem conectados estão e do
quão tortuoso é o caminho que a água deve percorrer para pas-
sar através do material.
Tanto a porosidade como a permeabilidade são fatores im-
portantes quando se está procurando um reservatório de água
Folhelho não-fraturado
subterrânea. Em geral, um bom reservatório de água subterrâ-
nea é um corpo de rocha, sedimento ou solo com alta porosida-
de (de modo que possa reter grande quantidade de água) e alta
permeabilidade (de sorte que a água possa ser bombeada dele
mais facilmente). Uma rocha com alta porosidade, mas baixa
permeabilidade, pode conter uma boa quantidade de água, mas
como esta flui muito lentamente, toma-se difícil bombeá-Ia da
"; a Pequena quan- Grãos Argila rocha. O Quadro 13.2 resume a porosidade e a perrneabilidade
-:::>ermeável tidade de espa- de silte Quantidade muito peque- de vários tipos de rocha.
ço poroso nas na de espaço poroso entre
fissuras
grãos de argila e silte
A superfície freática
=::ra 13.7 Os poros das rochas são, em geral, parcial ou Quanto maior a profundidade alcançada pelos poços perfura-
-::-amentepreenchidos com água. (Os poros de arenitos e dos no solo e na rocha, mais úmidas as amostras trazidas para
.:irias portadores de petróleo ou gás são preenchidos com a superfície. Em profundidades pequenas, o material não é sa-
-= fluidos.) turado - parte dos poros contém ar e não é completamente
preenchida com água. Esse intervalo é chamado de zona não-
saturada (freqüentemente denominada também de zona va-
dosa). Abaixo dela está a zona saturada, o intervalo no qual
, .os varia, dependendo de quantos poros foram criados por os poros do solo ou da rocha estão completamente preenchi-
lução pela água subterrânea ou durante o intemperismo. dos com água. As zonas saturada e não-saturada podem estar
.;naioria dos folhelhos fraturados, a porosidade é bem menor em material inconsolidado ou no substrato rochoso (Figura
: 10%. As rochas fraturadas podem conter apreciável espaço 13.8). O limite entre essas duas zonas é a superfície freáti-
w -o - na ordem de 10% do volume - em suas diversas fissu-
ca,8 geralmente chamada apenas de "nível d'água" (abrevi-

uadro 13.2 Porosiélaà~'e ·pérmeabilidaêJe'de·ti~os de aqüíferos'


Porosidade Permeabilidade
(espaço poroso que (propriedade que permite
Tipo de rocha pode reter fluido) que um fluido atravesse o meio)

Cascalho Muito alta Muito alta

Areia grossa a média Alta Alta


Areia fina e silte Moderada Moderada a baixa
.-\renito, moderadamente cimentado Moderada a baixa Baixa
:i'"olhelhofraturado ou rochas metamórficas Baixa Muito baixa
:i'"olhelhonão-fraturado Muito baixa Muito baixa
3221 Para Entender a Terra

(ver Figura 13.9). Os rios que recarregam a água subte -


dessa forma são chamados de rios influentes, sendo mais
racterísticos em regiões áridas, onde a superfície freática é
funda. A descarga é a saída da água subterrânea para a su •
cie, sendo o oposto da recarga. Quando o canal de um rio' -~
cepta a superfície freática, há aí a descarga de água subterr' ~
Solo Tal rio efluente é típico de áreas úmidas e continua a fluir ::
muito tempo após o término do escoamento superficial, -
Substrato
rochoso Zona não-saturada alimentado pela água subterrânea. Assim, o reservatório
alterado água subterrânea pode ser aumentado pelos rios influentes
Substrato duzido pelos efluentes.
poroso
(arenito)
Os aqüíferos9
A água pre- A água subterrânea pode fluir em aqüíferos não-confinado:
enche todos
confinados. Em aqüíferos não-confinados, a água pe
os espaços
porosos através de camadas de permeabilidade mais ou menos ~
1 7 me, que se estendem até a superfície, tanto em áreas de de
'fi ~~ ga corno de recarga. O nível do reservatório num aqüífero -
confinado corresponde à altura da superfície freática.
~~""~,'
~~~~ Muitos aqüíferos permeáveis, tipicamente de arenito. -
'\
4~v-)' ~
conectados acima e abaixo por camadas de baixa permeabi:l:-
de, como folhelhos. Essas camadas relativamente impellL::.c
Figura 13.8 A superfície freática é o limite entre a zona não- veis são aqüicludes 10 e a água subterrânea não pode peI'
saturada e a zona saturada. Essas zonas podem estar tanto em los ou o faz muito lentamente. Quando os aqüicludes situarr::-
materiais inconsolidados como no substrato rochoso. tanto sobrepostos corno sotopostos a um aqüífero, forma-se
aqüífero confinado.
As camadas impermeáveis sobrepostas a um aqüífero
ação NA). Quando um buraco é perfurado abaixo da superfí- finado evitam que a água da chuva infiltre-se diretamente
cie freática, a água da zona saturada flui para ele e o preenche o mesmo e, assim, os aqüíferos confinados são recarreg~-
até atingir o mesmo nível. pela precipitação sobre a área de recarga, freqüentemente _
A água subterrânea move-se sob a força da gravidade e, racterizada por rochas aflorantes em regiões de maior alti
desse modo, parte da água da zona não-saturada pode se mo- e morfologicamente elevadas. Nesses locais, a água da cL
ver para níveis inferiores, até atingir a superfície freática. Urna pode infiltrar-se no solo porque não há um aqüiclude im.::
fração da água, entretanto, permanecerá na zona não-saturada, dindo a percolação. A água, então, desce para o aqüífero _=--
retida nos pequenos espaços porosos pela tensão superficial - terrâneo (Figura 13.10). A água num aqüífero confina
a atração entre as moléculas de água e a superfície das partícu- conhecido como aqüífero artesiano - está sob pressão. -=
las. A tensão superficial, como você deve lembrar do Capítulo qualquer ponto do aqüífero, a pressão é equivalente ao -
12, mantém úmida a areia da praia, mesmo que haja espaços de toda a água do aqüífero que está acima dele.
mais abaixo para os quais a água poderia se deslocar pela gra- Se a elevação da superfície do solo, onde perfuramo
vidade. A evaporação da água nos espaços porosos da zona poço num aqüífero confinado, for menor que o nível freáti
não-saturada é retardada tanto pelo efeito da tensão superficial área de recarga, então a água fluirá espontaneamente acimê.
corno pela umidade relativa do ar nesses poros, a qual pode es- boca do poço. Esse tipo de poço, chamado de artesiano, é =-
tar próxima a 100%. tremamente desejável, pois não necessita de energia para
Se perfurarmos poços em vários lugares e medirmos a pro- bear a água até a superfície. A água é levada para cima pela _
fundidade da água de cada um deles, poderemos construir um pria pressão.
mapa da superfície freática, corno representado pelo bloco- Em ambientes geológicos mais complexos, a posição do
diagrama da Figura 13.9. A superfície freática acompanha a vel freático pode ser menos evidente. Por exemplo, se há
forma geral da superfície do relevo, mas sua declividade é camada de argila relativamente impermeável - um aqüiclu -~-
mais suave, e chega até a superfície nos leitos dos rios e lagos intercalada numa formação arenosa permeável, o aqüiclude ::
e em nascentes. Sob a influência da gravidade, a água subter- de situar-se abaixo do nível freático de um aqüífero raso e:
rânea move-se declive abaixo desde urna área onde a elevação
da superfície freática é grande - sob um morro, por exemplo-,
até lugares de elevações menores, corno em nascentes, onde a
água sai para a superfície.
A água entra e sai da zona saturada por meio de recarga e Figura 13.9 Dinãmica da superfície freática numa formação
descarga. A recarga é a infiltração da água em qualquer forma- permeável rasa, em clima temperado. A profundidade da
ção subsuperficial, freqüentemente pela água da chuva ou do superfície freática flutua em resposta ao equilíbrio entre a águ.:
degelo da neve. A recarga também pode ocorrer no leito de um adicionada pela precipitação (recarga) e a água perdida pela
rio onde o canal está mais elevado do que a superfície freática evaporação e por poços, nascentes e rios (descarga).
CAPíTULO 13 • O Ciclo Hidrológico e a Água Subterrânea 1323

D A água da chuva infiltra-se na


porosidade do solo e da rocha ...

A Zona não-saturada

fi ...e percolao subsolo


em direção aos lagos
e rios.

D Durante os períodos
úmidos, a superfície
freática sobe.

11...e a água subterrãnea é


descarregada enquanto se
move para os lagos e rios.

fJ Durante os períodos secos,


a evaporação descarrega a
água subterrãnea dos solos, ...

D...as nascentes d'água pa-


ram de fluir, os rios secam, ...

D...a superfície freáti-


ca desce, os poços
rasos secam ...

I ... e a água dos rios e lagos


infiltra-se e recarrega o
solo e a rocha superficiais.
3241 Para Entender a Terra

o Um aqüífero confinado está situado entre


dois aqüicludes (camadas de baixa
permeabilidade).

fi em
A água de um poço artesiano flui espontaneamente
resposta a uma diferença natural na pressão entre
a altura do nível freático na área de recarga e do
fundo do poço.

Se o poço estivesse na mesma profundidade


da superfície freática na área de recarga, não A diferença de pressão existente, que controla a ascenção
haveria nenhuma diferença de pressão e, assim, da água até a superfície, é a diferença de elevação entre
a água não fluiria espontaneamente. o nível freático e o nível d'água no poço.

Figura 13.10 Um aqüífero passa a ser confinado quando está situado entre dois aqüicludes (camadas de baixa permeabilidade).

mesmo tempo, acima do nível freático de um aqüífero profun- mida da superfície freática. Se o cone de depressão rebaixar ~
do (Figura 13.11). O nível freático do aqüífero raso é chamado ra além do fundo do poço, então o poço ficará seco. eon -
de nível freático suspenso, pois se situa acima do nível freáti- se o fundo do poço estiver acima da base do aqüífero, pode- -
co principal do aqüífero inferior. Muitos lençóis freáticos sus- perfurar mais e aumentar a sua profundidade dentro do aq" '.
pensos são pequenos, com somente alguns metros de espessura ro, o que poderá permitir que mais água seja extraída, me~
e numa área restrita, mas alguns estendem-se por centenas de com uma taxa de bombeamento alta e contínua. Entretanto.
quilômetros quadrados. a taxa de bombeamento é mantida e a profundidade do POÇ'(" =
aumentada até atingir toda a espessura do aqüífero, o cone
depressão poderá alcançar a base do aqüífero e exauri-lo. _
Balanço de recarga e descarga aqüífero recuperar-se-á somente se a taxa de bombeamento ~
Quando a recarga e a descarga estão equilibradas, o reservatório reduzida o suficiente para que haja tempo de recarga.
de água subterrânea e a superfície freática permanecem constan- A extração excessiva de água não apenas reduz o aqüífe-
tes, mesmo quando a água está continuamente percolando atra- mas também pode causar outros efeitos ambientais inde =:_
vés do aqüífero. Para que a recarga se equilibre com a descarga, veis. Quando a pressão da água no espaço poroso cai, a sup=;
a chuva deve ser freqüente o suficiente para igualar-se à soma do fície do solo sobre o aqüífero pode afundar, criando depr;:-
escoamento para os rios e para as nascentes e poços. sões semelhantes a crateras de abatimento ou dolinas (Fi~
Mas a recarga e a descarga nem sempre serão iguais, pois a 13.13). Quando a água em alguns sedimentos é removida.
chuva varia de estação para estação. Tipicamente, a superfície sedimentos se compactam e a perda de volume é manifesra:...
freática desce em estações secas e sobe durante períodos úmi- pelo abatimento da superfície. A subsidência causada por -
dos. Uma diminuição na recarga, tal como em secas prolonga- cesso de bombeamento ocorreu na cidade do México e em =
das, será seguida por um intervalo longo de desequillbrio e um neza, na Itália, bem como em muitas outras regiões em _
nível freático baixo. essa prática é intensa, como no Vale de San Joaquin, na CL-
Um aumento na descarga, geralmente a partir do aumento fórnia (EUA). Nesses lugares, a taxa de subsidência da su
do bombeamento no poço, pode produzir o mesmo desequilí- fície atingiu quase 1 m a cada três anos. Embora alguns exp:
brio. Poços rasos podem terminar secando, tornando-se uma rimentos tenham tentado reverter a subsidência pela injeçi
zona não-saturada. Quando o bombeamento de água de um po- de água no sistema de água subterrânea, eles não tiveram ~
ço é mais rápido que a sua recarga, o nível d'água do aqüífero é to sucesso. Isso se deu porque a maior parte do material c --
rebaixado sob a forma de um cone que se localiza numa área no pactado não se expandiu facilmente para seu estado anteG
entorno do poço, chamada de cone de depressão (Figura A melhor medida para interromper a subsidência é a restri,:
13.12). O nível d'água no poço é rebaixado até a posição depri- do bombeamento.
CAPíTULO 13 • O Ciclo Hidrológico e a Água Subterrânea 1325

Uma lente de lamito intercala-


da num arenito tem uma per-
meabilidade muito baixa. Isso
forma um aqüiclude local...

: ra 13.11 Um nível freático suspenso forma-se em situações geologicamente complexas - no caso aqui ilustrado,
'"' xorre no aqüiclude de folhelho situado acima da superfície freática principal do aqüífero de arenito. A dinâmica de
=-= a e descarga do nível freático suspenso pode ser diferente daquela do nível principal. Neste exemplo, o nível
=-::ico principal pode ser recarregado somente em sua região aflorante na encosta inferior.

As pessoas que vivem próximas à orla oceânica podem en-


frentar problemas diferentes quando as taxas de bombeamento
são altas em relação à reCarga: a incursão de água salgada para
o poço. 11 Próximo à linha de costa ou um pouco mais desloca-
do em direção ao mar, um limite subterrâneo separa a água sal-
gada sob o leito do mar da água doce sob a superfície da costa.
A partir da linha de costa, esse limite inclina-se e estende-se em
direção ao continente, de modo que a água salgada passa a ficar
embaixo da água doce do aqüífero costeiro (Figura 13.14). Sob
muitas ilhas oceânicas, uma lente de água doce subterrânea
(com a forma semelhante a uma lente biconvexa simples) flutua
sobre o nível de água salgada. A água doce flutua porque é me-
nos densa que a salgada (1,00 g/cm3 versus 1,02 g/cm3, uma di-
ferença pequena, mas significativa). Normalmente, a pressão da
água doce mantém a margem com a água salgada um pouco
afastada da linha de costa.
O balanço entre a recarga e a descarga em aqüíferos de água
doce mantém estável esse limite entre a água doce e a salgada.
Enquanto a recarga pela água da chuva é, pelo menos, igual à
descarga por bombeamento, o poço fornece água doce. Entre-
tanto, se a extração de água é mais rápida que a recarga, um co-
ne de depressão desenvolve-se no topo do aqüífero. Na base do
reservatório de água doce, forma-se então um outro cone, sime-
tricamente invertido, que eleva o limite inferior entre a água do-
_ ra 13.12 O excesso de bombeamento intensivo em relação ce e a água salgada. O cone de depressão na parte superior do
=:erga causa rebaixamento da superfície freática, que assume a aqüífero dificulta o bombeamento de água doce, e o cone inver-
'" de um cone de depressâo ao redor do poço. O nível d'água tido inferior causa entrada de água salgada no fundo do poço
::oço desce até a posição deprimida da superfície freática. (ver Figura 13.14). As pessoas que vivem próximas à praia são
3261 Para Entender a Terra

ma nossos depósitos de água subterrânea. Se a água subt ~


nea se movesse tão rápido como os rios, os aqüíferos rap~
mente secariam após um período de tempo sem chuva, da JJ::e
ma forma como geralmente ocorre em muitos cursos d"::
pequenos. O lento movimento do fluxo da água subte
também torna impossível uma recarga rápida se os nÍ'_
d'água forem rebaixados pelo bombeamento excessivo.
Embora todo o fluxo de água subterrânea através dos .-
feros seja lento, alguns são mais demorados que outros. Na--
tade do século XIX, Remi Darcy,12 engenheiro civil de Di~
na França, propôs uma explicação para a diferença das taxas
diferentes fluxos. Enquanto estudava o abastecimento de '.:
da cidade, Darcy mediu as profundidades do nível d'água_
vários poços e mapeou as diversas elevações da superfície f:r-=:
tica da região. Calculou então as distâncias que a água perc
de um poço para outro e mediu a permeabilidade dos aqüíf~
Estes foram os resultados de suas descobertas:

• Para um aqüífero específico e para uma determinada di_~-


cia percorrida, a taxa na qual a água flui de um ponto para ~
tro é diretamente proporcional ao desnível da superfície f
ca entre os dois pontos. Quando o desnível aumenta, a tax
fluxo também aumenta.

• A taxa do fluxo de um aqüífero específico, que tem um c


desnível, é inversamente proporcional à distância perco
pelo fluxo da água. Isto é, com o aumento da distância, a '-
diminui. O quociente entre o desnível e a distância percoc_
pelo fluxo é chamado de gradiente hidráulico. Da mesma:
ma que uma bola desce com maior velocidade um declive
inclinado, também a água subterrânea flui mais rapidam
Figura 13.13 No Vale Antelope, Califórnia (EUA), o num gradiente hidráulico maior. Em geral, ao se movimenta::
bombeamento intensivo da água subterrânea ocasionou fissuras e água subterrânea não acompanha a mesma declividade do l~
depressões de abatimento (semelhantes a dolinas) no leito do çol freático: ela segue o gradiente hidráulico do fluxo, que ~ -
Lago Rogers, na Base da Força Aérea de Edwards. Esta fissura, de percorrer várias trajetórias abaixo da superfície freática.
formada em janeiro de 1991, tinha cerca de 625 m de
• Darcy deduziu que a relação entre o fluxo e o gradiente ---
comprimento. [James W. Borchers/USGS)
dráulico da água em um aqüífero de arenÍto poroso deveria =~
idêntica àquela da água que corre em um cano aberto. Você --
deria supor que a água se move mais rapidamente num cano -
que através dos caminhos irregulares dos poros de um aqüíf
as primeiras a serem afetadas. Algumas cidades no Cabo Cod,
Darcy reconheceu essa possibilidade e incluiu uma medida ==
em Massachusetts (EUA), em Long Island, em Nova York, e
permeabilidade em sua equação final. Desse modo, como _
em muitas outras áreas costeiras têm denunciado que sua água
outras variáveis permanecem idênticas, ele concluiu que qm:=:-
potável contém mais sal do que é considerado saudável pelos
to maior a permeabilidade, maior a facilidade de movimento ~
órgãos ambientais. Não há outra solução imediata para esse
portanto, mais rápido o fluxo.
problema a não ser diminuir o bombeamento ou, em alguns lo-
cais, recarregar o aqüífero artificialmente por meio de injeção A lei de Darcy, a qual resume essas relações, pode ser~-
do escoamento superficial para o solo. pressa numa simples equação (Figura 13.15): o volume :c
Você pode concluir que a subida do nível do mar, que tem água fluindo num certo tempo (Q) é proporcional à distân
sido prevista como resultado do aquecimento global, alteraria vertical (h) dividida pela distância percorrida (1). Os dois '--
significativamente a linha de costa. Quando o nível do mar so- bolos restantes são A, que é a área da secção transversal do _-
be, a margem também sobe. A água do mar pode invadir os xo da água, e K, a condutividade hidráulica (uma medida =-
aqüíferos costeiros e deixar a água doce salgada. permeabilidade). (Ktambém depende das propriedades do fl -
do, especialmente densidade e viscosidade, as quais são im
A velocidade do fluxo da água subterrânea tantes ao lidar-se com outros fluidos que não a água.)
A velocidade na qual a água se move no solo afeta intensamen- h
te o balanço entre descarga e recarga. A maior parte da água Q =A(Kx-)
l
subterrânea move-se lentamente, um processo natural que for-
CAPíTULO 13 • O Ciclo Hidrológico e a Água Subterrânea 1327

- mite entre a água subterrânea doce e a salgada ao


go da linha de costa é determinado pelo balanço
e a recarga e a descarga dos aqüíferos de água doce. Do bombeamento intensivo diminui a pressão
da água doce, permitindo que o limite com
a água salgada migre em direção ao continente.
(

... como um cone de depressão invertido, que


fi Normalmente, a pressão da água doce leva a água salgada até o poço. Um poço que ini-
cialmente bombeava água doce passa, agora, a
mantém o limite entre a água doce e a salgada
levemente em direção a costa afora. bombear água salgada.

_ ra 13.14 O balanço entre a recarga e a descarga mantém na mesma posição o limite


-:::: a água salgada e a água doce.

Figura 13.15 A lei de Darcy


descreve a taxa do fluxo da

água subterrânea entre um


ponto com elevação A e outro
com elevaçâo B. O volume de
água fluindo num certo tempo
(O) é proporcional à altura
vertical (h) entre o ponto
mais alto e o ponto mais
baixo do declive (que é aqui
representado como um
desnível da superfície freática
Elevação B: entre os dois pontos),
Superfície freática = dividida pela distância
I Volume LEI DE DARCY 415 m acima do

--~I
nível do mar percorrida pelo fluxo (o
de água........ h
gradiente hidráulico, ~ e por
/A(K x T~ K, uma constante
I Secção transversal Distância percorrida pelo fluxo proporcional à
do fluxo
permeabilidade do aqüífero.
Permeabilidade O símbolo A representa a
(condutividade área da secção transversal
hidráulica) onde se dá o fluxo da água.
328 Para Entender a Terra

As velocidades calculadas pela lei de Darcy foram confir- longe poderia preenchê-los, de modo que as reservas estão -
madas experimentalmente ao medir-se quanto tempo um pig- do reduzidas (ver Figura 13.2).
mento não-prejudicial introduzido num poço levou para alcan- Os esforços para reduzir a descarga excessiva têm sido
çar um outro. Na maioria dos aqüíferos, a água subterrânea mo- plementados pela tentativa de aumentar artificialmente a
ve-se numa taxa de poucos centímetros por dia. Em camadas de ga dos aqüíferos de algumas áreas. Em Long Island, em _-
cascalho muito permeáveis próximas à superfície, a água sub- York (EUA), por exemplo, o órgão de abastecimento de '.:
terrânea pode percorrer até 15 cm/dia. (Essa velocidade ainda é perfurou um grande sistema de poços de recarga para i.n~~
muito baixa quando comparada com a dos rios, cujo fluxo tem água da superfície no aqüífero. Esses poços bombearam _
uma velocidade típica de 20 a 50 cm/s.) usada para o solo, tendo sido previamente tratada e purifi ,;;
O órgão de abastecimento de água também construiu c--
des bacias rasas sobre as áreas de recarga natural para a
tar a infiltração das águas superficiais, pela coleta e des"i
z
'ecursos hídricos escoamento superficial, incluindo a drenagem pluvial e á§
utilizadas pela indústria. Os funcionários públicos respon -
OS principais aqüíferos pelo programa sabiam que o desenvolvimento urbano po ~
minuir a recarga ao interferir na infiltração da água superfi~
Grande parte da América do Norte conta com água subterrânea
À medida que a urbanização progride, os materiais impe
para todas as necessidades da população. A demanda por recur- veis utilizados para pavimentar grandes áreas de ruas, cal>
sos de água subterrânea tem crescido com o aumento da popula-
e estacionamentos impedem a infiltração da água no solo. ~
ção e com a expansão dos usos, como para a irrigação (Figura contrapartida, a água do escoamento superficial aumenta e _
13.16). Muitas áreas da região das Planícies Centrais e outras do
minuição da infiltração natural para o solo pode plivar os .
Meio-Oeste situam-se em formações areníticas, a maiOlia das
feros de grande parte de sua recarga. Uma solução é coleL
quais são aqüíferos confinados, como aquele mostrado na Figu-
utilizar o escoamento pluvial num programa sistemático d~-=
ra 13.10. Milhares de poços têm sido perfurados nessas forma-
carga artificial, como foi feito pelo órgão de abastecimentu
ções, na maioria das quais a água é transportada por centenas de
água em Long Island. Os múltiplos esforços das autoridad =
quilômetros, constituindo-se numa grande fonte desse recurso.
abastecimento de água ajudaram a restabelecer o aqüífe
Os aqüíferos são recarregados em suas áreas aflorantes nos pla-
Long Island, embora sem atingir os níveis originais.
naltos do oeste, alguns dos quais muito próximos ao sopé das
Montanhas Rochosas. A partir de lá, a água subterrânea desloca-
se para as altitudes inferiores do leste.
A lei de Darcy nos diz que, num aqüífero, a água flui com ~~ - pe I"a agua su bt erranea
fOSaO A

taxas proporcionais ao declive entre sua área de recarga e um


dado poço. Nas planícies do oeste, as declividades são suaves e Todos os anos, milhares de pessoas visitam cavernas, seja em _
a água move-se lentamente pelos aqüíferos, recarregando-os cursões que visam a atrações populares, como a Caverna ~
em taxas baixas. Inicialmente, muitos desses poços eram arte- moth, em Kentucky (EUA), seja em explorações de aventura
sianos e a água fluía livremente. À medida que mais poços fo- cavernas pouco conhecidas. Esses grandes espaços subterr~
ram perfurados, o nível da água caiu e ela precisou ser bombea- são produzidos pela dissolução de caleário, ou, raramente, de _
da para a superfície. O bombeamento intensivo retirou a água tras rochas solúveis, como os evaporitos, pela água subte ~ ~
de alguns aqüíferos mais rápido que a lenta recarga vinda de Imensas quantidades de calcário foram dissolvidas para forr:;:;
algumas cavernas. A Caverna Mammoth, por exemplo, tem .
zenas de quilômetros de grandes e pequenas câmaras interco
tadas e o grande salão da Caverna de Carlsbad, no Novo Mé.
11 Rural (EUA), tem mais de 1.200 m de comprimento, 200 m de larg:=
-;-100 • Industrial e 100 m de altura. As formações de calcário são comuns na
'õ i Abastecimento
(5 ção supelior da crosta, mas as cavernas formam-se somente
a. público
Vl de essas rochas relativamente solúveis estão na superfície ou
e • Irrigação
xirnas a ela, em locais onde quantidades suficientes de águas -
~
<li
"'C
cas em dióxido de carbono ou de enxofre infiltram-se para
Vl
<li
solver extensas áreas de calcário.
'o Como vimos no Capítulo 7, o dióxido de carbono atm
==
:.c; férico contido na água da chuva acentua a dissolução do _
E
~ cário. A água que se infiltra no solo pode captar ainda m '-
o dióxido de carbono produzido por raízes de vegetais, ba ..
,,,,
U"
e rias e outros organismos que vivem no solo. Quando -
.•..
x água rica em dióxido de carbono infiltra-se no nível freári~
UJ o
1950 1955 1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 da zona não-saturada para a saturada, origina espaços à m -
Ano da que dissolve os minerais carbonáticos. Esses espaços
mentam devido à dissolução do calcário ao longo das junte ~
Figura 13.16 Extração de água subterrãnea nos Estados Unidos fraturas, formando uma rede de salões e passagens. Tais re -
de 1950 a 1995. [Fonte: U. S. Geological Survey] formam-se intensivamente na zona saturada, onde, pelo f; -
CAPíTULO 13 • O Ciclo Hidrológico e a Água Subterrânea 1329

13.2 Quando a água subterrânea se / ,


tornará um recurso não-renovável? r-·-._ Dakota r- _
I
'- do Sul) --
Wyoming , - - ..•.....
'l/I
or mais de 100 anos, a água do aqüífero Ogallala, uma I

formaçâo de areia e cascalho, supriu grande parte das


cidades, povoados e fazendas e granjas do sudoeste dos
-.-.-.1
-,
I
\,
,,
)
lowa

i
~tados Unidos (ver mapa). A populaçâo da regiâo aumen- I Nebraska "-_
:ou de poucos milhares no final do século XIX para cerca ,- -·_c_ c.
Colorado I ---'-----l...
..1e 1 milhão nos dias atuais. O aqüífero Ogallala continua /

2. suprir a água de irrigaçâo necessária para desenvolver a


I _________ Aqüífero Ogallala<::~
I
I"C
agricultura, que é a atividade econômica principal da re- /
I
Kansas j ~
siâo, mas a pressâo da água nos poços tem diminuído J
! .~

constantemente e a superfície freática sofreu um rebaixa- 1·-·...;..

~ ~---
;nento de 30 m ou mais. /
Novo I
A recarga natural do aqüífero Ogallala nas planícies me- México I

idionais é muito lenta, pois a chuva é esparsa. o grau de eva- I


I

'Joraçâo é alto e a área de recarga é pequena. O bombea- I


:nento, inicialmente para a irrigação, tem sido tâo intenso I
cerca de 6 bilhões de metros cúbicos de água por ano, de i Lubbock
I •
:.1mtotal de 170 mil poços) que a recarga não pode ser man- J

I
Texas
:ida. Nas taxas atuais de recarga, se todo o bombeamento - - -_i
:osse interrompido, seriam necessários milhares de anos pa-
CI que a superfície freática recuperasse seu nível original e a
'Jressão dos poços fosse restaurada. Alguns cientistas fize-
Clm tentativas de recarregar o aqüífero artificialmente pela
- jeção de água a partir de lagos rasos que se formam na es-
:ação úmida no planalto. Esses experimentos têm aumenta- Grande parte da região sudoeste situa-se sobre o aqüífero
o a recarga, mas o aqüífero ainda continuará em situação Ogallala, representado no mapa pela área em azul. A principal
e perigo por um longo tempo. região de recarga do aqüífero está localizada ao longo de sua
Estima-se que a água remanescente no Ogallala seja margem oeste. lU. s. Geological Survey]
:uficiente apenas para os primeiros anos do presente sé-
culo. Quando esse inestimável reservatório de água sub- Outros aqüíferos nas planícies setentrionais e outros
:errânea estiver exaurido, cerca de 20,6 mil km2 de área ir- lugares da América do Norte estão numa situação similar.
igada no oeste do Texas e no leste do Novo México es- Em três importantes áreas dos Estados Unidos - no Ari-
:arão secos - comprometendo, com isso, 12% da produ- zona, nos planaltos e na Califórnia - o abastecimento de
ção norte-americana de algodão, milho, sorgo e trigo e água subterrânea está reduzido. À medida que o uso da
ma significativa porção dos campos de engorda dos reba- água aumenta, devemos adotar práticas de conservação
hos de gado do país. sensatas.

~ avernas estarem preenchidas com água, a dissolução subterrânea menos solúvel e cada gota de água que cai deixa
~ em todas as superfícies, incluindo os assoalhos, as pa- precipitada uma pequena quantidade de carbonato de cálcio no
-- e os tetos. teto. Esses depósitos acumulam-se, exatamente como cresce
?odemos explorar as cavernas que uma vez estiveram abai- um pingente de gelo, num espigão estreito e alongado, suspen-
~ uperfície freática mas que, hoje, encontram-se na zona so no teto, chamado de estalactite. Quando parte da água cai
-5aturada devido ao rebaixamento do nível da água subter- no chão da caverna, mais dióxido de carbono escapa e outra pe-
- _ essas cavernas, agora preenchidas pelo ar, a água satu- quena quantidade de carbonato de cálcio fica ali precipitada,
~m carbonato de cálcio pode gotejar no teto. Quando ca- bem embaixo da estalactite. Esses depósitos também se acumu-
=xa de água pinga do teto, parte de seu dióxido de carbono lam, formando uma estalagmite. Eventualmente, uma estalac-
.yido evapora, escapando para a atmosfera da caverna. A tite e uma estalagmite podem crescer juntas e formar uma colu-
_ ação torna o carbonato de cálcio em solução na água na (Figura 13.17).
330 I Para Entender a Terra

Figura 13.17 Teatro Chinês, na Caverna Carlsbad, no Novo Figura 13.18 Uma enorme dolina formou-se pelo colapso c=
México (EUA). As estalactites do teto e as estalagmites do uma caverna subterrânea rasa. Tais colapsos podem ocorrer - =
assoalho uniram-se para formar uma coluna. [David Muench) repentinamente que carros movendo-se numa rodovia podem -=
soterrados. Parque Winter, na Flórida (EUA). [Leif Skoogfors/
Woodfin Camp)

."

Espécies rarÍssimas de bactérias foram descobertas em


tais cavernas. Alguns geólogos consideram que as Cavernas
1.1 alidade da água
Carlsbad foram formad'ls por bactérias que produzem ácido A maioria dos habitantes do Canadá e dos Estados Unido
sulfúrico.
põem que a água doce de seu sistema de abastecimento seja:_
Em alguns lugares, a dissolução pode adelgaçar de tal mo-
ra. Uma parte crescente da população, entretanto, tem receio_
do o teto de uma caverna de calcário que ele colapsa repentina-
existência de contaminantes na água e está comprando água ~
mente, produzindo uma dolinal3 - uma depressão pequena e
garrafada de fontes ou instalando sistemas de purificação
íngreme na superfície, acima de formações calcárias caverno-
suas casas. Quase todo o sistema de abastecimento de águE -
sas (Figura 13.18). As do linas são características de uma pai-
América do Norte é isento de contaminação por bactérias =
sagem típica, conhecida como carste (pronuncia-se [k'arste)),
maior parte dele é livre o suficiente de contarninantes quírni
denominação de uma região do norte da antiga Iugoslávia. 14 O
para que a água seja consumida com segurança. Anteriorme--
relevo cárstico é um terreno acidentado irregular caracterizado
discutimos o problema da incursão da água do mar em aq - --
por dolinas, cavernas e ausência de rios superficiais (Figura
ros que fornecem água para algumas comunidades costei;:
13.19). No carste, os canais de drenagem subterrânea substi-
resultando em níveis inaceitáveis de sódio na água. Um pr
tuem o sistema de drenagem superficial de pequenos e grandes
ma mais comum é a poluição dos rios e aqüíferos por resí
rios. Os cursos d'água curtos e escassos freqüentemente termi-
tóxicos resultantes de depósitos de lixo na superfície.
nam em dolinas, sumindo no subterrâneo 15 e, às vezes, reapare-
cendo quilômetros adiante. O relevo cárstico é encontrado em
regiões com as seguintes características: A contaminação da água potável
1. um clima de chuvas intensas, com abundante vegetação (for- Poluição com chumbo O chumbo é um poluente bem co -
necendo águas ricas em dióxido de carbono); cido produzido pelos processos industriais que lançam co
minantes na atmosfera. Quando o vapor d'água se conden a
2. fOlmações calcárias intensamente fraturadas; atmosfera, o chumbo é incorporado nas gotas da chuva. _
3. gradientes hidráulicos apreciáveis. quais transportam-no para a superfície telTestre. O chum
rotineiramente eliminado da água do sistema de abastecime-
Os terrenos cársticos freqüentemente têm problemas am- público por meio de tratamento químico, antes que ela seja
bientais, incluindo subsidência superficial a partir de colapsos tribuída pela rede de água. Em casas mais antigas com cano
no espaço subterrâneo e desmoronamentos potencialmente ca- chumbo, a água pode lixiviar esse elemento. Em Boston, :-
tastróficos. Nas Américas do Norte e Central, o relevo cárstico exemplo, um assustador índice de 41 % das 174 amostras
é encontrado em terrenos calcários de Indiana, Kentucky e Fló- água da torneira obtidas na primeira vez que foram abertas . .:..
rida e na Península de Yucatán, no México. O carste é bem de- manhã, tinham níveis perigosos de chumbo. Mesmo nas co- •...
senvolvido em calcários coralíferos, que foram soerguidos em truções mais novas, as soldas de chumbo utilizadas para con~ -
telTenos cenozóicos tardios de arcos insulares vulcanogênicos tar canos de cobre e metais usados nas torneiras são fonte --
em clima tropical. 16 contaminação. A substituição dos velhos canos de chumbo r
CAPíTULO 13 • O Ciclo Hidrológico e a Água Subterrânea 1331

Algumas cavernas podem estar


inteiramente na zona saturada e
ser preenchidas com água, As cavernas rasas, acima
dependendo da profundidade da da superfície freática,
superfície freática. estão preenchidas com ar.

- _:.Jra 13.19 Algumas das principais feições do relevo cárstico são as cavernas, as dolinas e os rios que desaparecem.

- 5 de plástico duráveis pode reduzir a contaminação. Até Outros contaminantes químicos Como estamos vendo, as
;;;.smo o ato de deixar a água correr por poucos minutos, para atividades humanas podem contaminar a água subterrânea
~ os canos, pode ajudar. (Figura 13.20). A disposição de sol ventes clorados - como o
tricloroetileno (TCE),17 muito utilizado como solvente em
'duos radioativos Não há uma solução fácil para o proble- processos industriais - traz um terrível problema. Esses sol-
:ti contaminação com resíduos radioativos. Quando o resíduo ventes persistem no meio ambiente porque são difíceis de ser
ootivo é enterrado no subsolo, ele pode ser lixiviado pela removidos das águas contaminadas. Os tanques subterrâneos
-:-_ ubterrânea e encontrar um modo de alcançar aqüíferos que de armazenagem de gasolina podem vazar. 18 O sal espalhado
~ ~ em água. Os tanques e os depósitos subterrâneos de fábri- nas estradas e ruasl9 inevitavelmente infiltra-se no solo até al-
de armas nucleares em Oak Ridge, no Tennessee (EUA), e cançar, por fim, um aqüífero. A água da chuva pode lavar do
Hanford,Washington (EUA), já tiveram vazamento de resí- solo os pesticidas, herbicidas e fertilizantes agrícolas. A par·
= radioativos em águas subterrâneas rasas (ver Figura 22.1). tir do solo, eles percolam até os aqüíferos. Em algumas área
agrícolas onde os fertilizantes de nitrato são intensamente uti-
rganismos na água subterrânea Aprendemos nas últimas
lizados, a água subterrânea pode conter altas quantidades de -
s que, ao contrário de todas as expectativas, as bactérias po- se contaminante. Um estudo recente mostrou que 21 % das
e vivem em enormes profundidades (até vários milhares de
amostras de poços rasos, que forneciam água potável, exce-
_ s) nas águas subterrâneas, constituindo uma imensa biomas-
diam a quantidade máxima de nitrato (10 ppm) permitida no
_~maioria dessas bactérias é sustentada por nutrientes de maté-
Estados Unidos. Esse nível elevado de nitrato traz o perigo da
~ânica soterrada com o sedimento original, mas os geólogos síndrome do "bebê azul" (a inabilidade de manter nívei au·
::obriram, recentemente, uma bactéria que retira energia do hi-
dáveis de oxigênio), que atinge crianças com até sei meses
~nio das rochas. O hidrogênio é gerado pelas reações quími- de idade).
entre a água subterrânea e as rochas, como o basalto. Essas
~"Ões, além de servirem como fonte de energia para as bactérias, Revertendo a contaminação Podemos reverter a contamina-
- uam o processo de intemperismo no subsolo. ção da água potável? A resposta é, enfaticamente, sim, mas o
.-\5 fossas sépticas, amplamente utilizadas em algumas áreas processo apresenta custos elevadíssimos e é muito lento. Quan·
~vidas de redes de coleta de esgoto, são tanques subterrâ- to mais rápida for a recarga de um aqüífero, mais fácil será o
= instalados em profundidades rasas, nos quais os resíduos processo de descontaminação. Se a recarga é rápida, uma vez
..:Cosdo esgoto doméstico são decompostos por bactérias. Pa- que cessam as fontes de contaminação, a água doce move-se
7""'venir a contaminação da água potável, os tanques sépticos para o aqüífero e, num curto período de tempo, a qualidade da
::TIl ser instalados a uma distância adequada dos poços de água é restaurada.2o Mesmo uma rápida recuperação, entretan-
._ de aqüíferos rasos. to, pode levar alguns anos.
3321 Para Entender a Terra

Tanque enterrado para


armazenamento de gasolina
ou produtos químicos industriai
Poço para
abastecimento ..
doméstico

--Aqüífero (água salgada)

Figura 13.20 As atividades humanas podem contaminar a água subterrânea. Os contaminantes de fontes superficiais, tais como
aterros sanitários, e subsupernciais, como tanques sépticos, entram no aqüífero através do fluxo normal da água subterrânea. Os
contaminantes podem ser introduzidos no abastecimento de água durante o bombeamento de poços. Os poços para disposiçâo dE
resíduos sâo destinados a bombear contaminantes em aqüíferos salinos profundos, mas podem ter vazamentos acidentais nos
aqüíferos de água doce mais superficiais. [Modificado da Agência de Proteçâo Ambiental dos Estados Unidos)

A contaminação de reservatórios com recarga lenta é mais de da água, a partir de estudos médicos. Esses estudos
difícil de ser revertida. A taxa de fluxo da água subterrânea po- centraram-se nos efeitos da ingestão de quantidades m'
de ser tão lenta que a contaminação a partir de uma fonte distan- de água contendo várias quantidades de elementos e comp<_
te pode levar muito tempo para ser identificada. Quando ocorre tos contaminantes. Por exemplo, a Agência de Proteção _--
a identificação, já é muito tarde para uma recuperação rápida. biental dos Estados Unidos21 estabeleceu que a concentr ,-
Mesmo com recargas para limpeza, certos reservatórios conta- máxima permitida de arsênico, um veneno cuja naturez.:.
minados, que são profundos e distam centenas de quilômetros bem conhecida, é de 0,05 ppm.
da área de recarga, podem não responder por muitas décadas. A água subterrânea é quase sempre isenta de partículas :
Quando as fontes de água do abastecimento público estão lidas quando verte para um poço a partir de aqüíferos em
poluídas, podemos bombear a água e, então, tratá-Ia quimica- ou arenitos. Os tortuosos corredores dos poros da rocha Ol! _
mente para torná-Ia potável, mas esse é um procedimento de areia atuam como um filtro fino, removendo pequenas partí _
custo elevado. Alternativamente, podemos tentar tratar a água Ias de argila e de outros sólidos e, mesmo, removendo bacté-
enquanto ela ainda está no subsolo. Num procedimento experi- e vírus de grande tamanho. Os aqüíferos em calcários po ~
mental de sucesso moderado, a água contaminada foi escoada ter poros grandes e, assim, não podem filtrar eficientemente=:
para um grande tanque cheio de raspas de ferro que desconta- água. Qualquer contaminação bacteriana encontrada no f'u::2,
minaram a água pelas reações com os contaminantes. Essas de um poço é, quase sempre, introduzida a partir da superfí~-
reações produziram um novo composto, atóxico, que se fixou seja pelo equipamento de bombeamento, seja pela proxirni
por si mesmo nas raspas de ferro. da disposição subterrânea de esgotos, freqüentemente, quan:..
os tanques sépticos estão nas adjacências da extração da ágc:..
Certas águas subterrâneas, embora saudáveis para be _
Pode-se beber a água subterrânea? têm um sabor desagradáveL Algumas têm um sabor ruim =-
A água que tem um sabor agradável e não causa danos à saúde "ferro" ou são levemente azedas. A água subterrânea, qUan:l
é chamada de água potáveL As quantidades de substâncias dis- passa através do calcário, dissolve os minerais carbonáticos
solvidas na água potável são muito pequenas, geralmente medi- carrega Íons de cálcio, magnésio e bicarbonato, tornandc
das como pesos em partes por milhão (ppm). As águas subter- água "dura". A água dura pode ter um bom sabor, mas não ~
râneas potáveis e de boa qualidade contêm tipicamente algo em pu ma facilmente quando usada com sabão. A água que p -
torno de 150 ppm de sólidos totais dissolvidos. Mesmo a mais através de florestas alagadas ou solos pantanosos pode COL::::
pura água natural contém alguma substância dissolvida deriva- compostos orgânicos dissolvidos e sulfeto de hidrogênio.
da do intemperismo. Somente a água destilada contém menos Como essas diferenças no sabor e na qualidade resultam
de 1 ppm de substâncias dissolvidas. ma água potável saudável? Algumas fontes de água com a
A grande quantidade de casos de contaminação da água lhor qualidade e sabor para o abastecimento público provêm ....::
subterrânea levou ao estabelecimento de padrões de qualida- lagos e reservatórios artificiais de superfície, muitos dos q
CAPíTULO 13 • O Ciclo Hidrológico e a Água Subterrânea 1333

-- illnplesmente locais de coleta da água da chuva. Algumas dissolver até mesmo os minerais muito insolúveis das rochas
_ - subterrâneas têm um sabor no limite da agradabilidade e pelas quais percola.23 Assim, essas águas enriquecem-se em
~ -entemente são águas que passaram através de rochas pou- materiais dissolvidos mais que a dos aqüíferos superficiais,
_teradas. Já os arenitos, por exemplo, são constituídos pre- tomando-se impróprias para o consumo. Por exemplo, as
. antemente por quartzo, que contribui pouco com subs- águas subterrâneas que perco Iam camadas de sal, as quais se
::ias dissolvidas, e, assim, as águas que passam por eles têm dissolvem rapidamente, tendem a conter grandes concentra-
= bor agradável. ções de cloreto de sódio.
Como vimos, a contaminação das águas subterrâneas em Em profundidades maiores que 12 a 15 km, nas zonas pro-
---eros relativamente rasos é um problema e a recuperação é fundas do embasamento de rochas ígneas e metamórficas, que
-::i1. Mas, existem águas subterrâneas mais profundas, que está sotoposto às formações sedimentares situadas na parte su-
-criam ser utilizadas? perior da crosta, a porosidade e a permeabilidade são muito bai-
xas. Os únicos espaços porosos dessas rochas do embasamento
estão distribuídos ao longo de pequenas fissuras e bordas entre

y'ua nas profundezas


os cristais. Embora sejam saturados, eles contêm muito pouca
da crosta água, porque sua poros idade é bem baixa (Figura 13.21). Em
algumas das regiões mais profundas da crosta, como ao longo
- - as rochas abaixo da superfície freática são saturadas das zonas de subducção, as águas quentes contendo dióxido de
água. Mesmo nos poços de extração de petróleo mais carbono dissolvido desempenham um papel importante nas
_-!lildos,perfurados até atingirem 8 ou 9 km, sempre en- reações químicas do metamorfismo. Essas águas ajudam a dis-
os água em formações permeáveis. Nessas profundi- solver alguns minerais e a precipitar outros (ver Capítulo 9).
- -. a água se move tão devagar - provavelmente, menos de Presume-se que mesmo certas rochas do manto contenham
:entímetro por ano - que dispõe de bastante tempo para água, embora em quantidades muito diminutas.

A maior parte da
água encontra-se
na superfície ou
em rochas sedi-
mentares soter-
radas em pouca
profundidade.

A porosidade e a
quantidade de
Embasamento água geralmente
diminuem com o
~
Rochas com porosidade ' aumento da pro-
extremamente baixa; fundidade e da
intensidade da
quantidade
água de
muito baixa ~ ).....J deformação estru-
tural.

'Cl 13.21 Distribuição da água numa secção típica da crosta continental. A maioF-parte da água encontra-se na superfície ou em
ci sedimentares soterradas em profundidades rasas. A poros idade e a quantidade de água geralmente diminuem com o aumento
ndidade e com a deformação estrutural mais intensa.
3341 Para Entender a Terra

Figura 13.22 A circulação de água na proximidade de um


corpo magmático produz gêiseres ou fontes quentes.

o A água meteórica embebe


o solo e percola as rochas
permeáveis.

As fontes quentes ocorrem


onde a água subterrânea
aquecida é descarregada na
superfície.

A água num gêiser segue por


uma rede irregular de poros
e fraturas, as quais diminuem
e complicam o fluxo da água.
O vapor e a água ferventes
são lançados à superfície
sob pressão, resultando em
erupções intermitentes.

nesses ambientes, onde podem contribuir para a formação :.::


"1
., crostas de carbonato de cálcio. Enquanto ainda perman ~
abaixo da superfície, as águas hidrotermais, quando esfri
também depositam parte dos minérios metálicos mais abuncE:.-
tes do mundo, como veremos no Capítulo 22.
A maioria das águas hidrotermais dos continentes oc;:.-
nou-se das águas superficiais que percolaram até regiões re.:::..
profundas da crosta (Figura 13.22). Essas águas superfi~
originam-se, inicialmente, de águas meteóricas - chuva, llE"=
fi Quando a água se aproxima ou outras formas de água derivadas da atmosfera (do grego -
téaran, "fenômeno no céu", que também origina a palavra
do magma, aquece-se e
fica menos densa; assim, dá tearalagia). As águas meteóricas podem ser bem antigas. Já:
início a um sistema de circu-
determinado, por exemplo, que a água de Rot Springs, no _-~-
lação que a faz retomar para
a superfície.
kansas (EUA), derivou das águas da chuva e da neve que
ram há mais de 4 mil anos e lentamente se infiltraram no
As águas do aqüífero Ogallala podem ser mais antigas aine =
foram infiltradas há cerca de 10 mil anos, durante o último Çl:-
sódio de glaciação continental, quando o clima era mais úlIli:..
nas Grandes Planícies.
Fontes quentes naturais são encontradas no Parque Nacio- A água que escapa do magma também pode juntar- e_
nal de Yellowstone; em Rot Springs, no Arkansas (EUA); em águas hidrotermais. Em áreas de atividade ígnea, as águas ITê-
Banff Sulfur Springs, em Alberta (Canadá); em Reykjavík, na teóricas que se infiltram são aquecidas quando encontram ~
Islândia; na Nova Zelândia e em muitos outros lugares. As fon- sas de rochas quentes. As águas meteóricas quentes mist~
tes quentes existem onde as águas hidrotermais - águas quen- se, então, com a água proveniente do magma. As águas hi<t::-
tes das zonas profundas da crosta - migram rapidamente para termais retomam para a superfície como fontes quentes ou ~-
cima, sem perder muito calor, e emergem na superfície, às ve- seres. As fontes quentes fluem constantemente; os gêiseres ~
zes em temperatura de ebulição. çam água quente e vapor intermitentemente.
As águas hidrotermais estão carregadas de substâncias quí- A teoria que explica as erupções intermitentes dos gêise:=:
micas dissolvidas das rochas em altas temperaturas. Enquanto a é um exemplo de dedução geológica. Não se pode observar --
água permanece quente, o mineral dissolvido fica em solução. retamente o processo, pois a dinâmica do sistema de ág::...
Entretanto, quando as águas hidrotermais alcançam a superfície quente do subsolo é inacessível para a visão por ocorrer a =-
e esfriam rapidamente, podem precipitar vários minerais, como a tenas de metros de profundidade. Os gêiseres são, prova'-f'-
opala (uma forma de sílica) e a calcita ou a aragonita (formas de mente, conectados à superfície por um sistema de fratura - -
carbonato de cálcio). As crostas produzidas pelo carbonato de tuosas e muito irregulares, receptáculos e passagens - em
cálcio, em algumas fontes quentes, estruturam-se para formar traste com as fraturas mais regulares e diretamente conect
travertino,24 uma rocha apreciada por sua beleza quando polida. das fontes quentes. A conexão irregular do gêiser seqüe
Surpreendentemente, microrganismos que podem resistir a tem- parte da água em receptáculos, de modo que isso ajuda a imp::
peraturas acima do ponto de ebulição da água foram descobelios dir que as águas do fundo se misturem com as que estão ~
CAPíTULO 13 • O Ciclo Hidrológico e a Água Subterrânea 1335

:opo e então esfriem. As águas do fundo são aqueci das pelo duzem fluxos artesianos e espontaneamente fluem em poços ar-
to com a rocha quente. Quando elas alcançam o ponto de tesianos. A lei de Darcy descreve a taxa do fluxo da água subter-
';:0, o vapor inicia a ascensão e aquece as águas mais rasas, rânea em relação ao desnível da superfície freática e à permeabi-
-entando a pressão e disparando uma erupção. Depois que a lidade do aqüífero.
--ão é aliviada, o gêiser toma-se inativo, enquanto as fratu-
Quais fatores governam o uso dos recursos de água subterrâ-
~~Dtae irregularmente são preenchidas com água.
nea? Com o crescimento populacional, a demanda por água
~ 1997, geólogos noticiaram os resultados de uma nova
subterrânea aumenta muito, em particular onde a irrigação é in-
'ea para entender os gêiseres. Eles introduziram uma mi-
tensamente usada. Muitos aqüíferos, como aqueles das planícies
a de câmara de vídeo a cerca de 7 m abaixo da superfí-
do Oeste da América do Norte, têm taxas de recarga tão lentas
- ie um gêiser e descobriram que o duto deste era estreitado que o bombeamento continuado verificado no último século re-
_ ele ponto. Mais abaixo, o duto abria-se para uma enorme
duziu a pressão dos poços artesianos. Como a descarga do bom-
a contendo uma turbulenta mistura em ebulição de va-
beamento continua a exceder a recarga, tais aqüíferos estão en-
- água e de algo que pareciam ser bolhas de dióxido de car-
do reduzidos e, por muitos anos, não haverá perspectiva de reno-
. Essas observações diretas confirmaram, de forma im-
vação. A recarga artificial pode ajudar a renovar certos aqüíferos.
-sionante, a teoria previamente formulada de como os gêi-
_- funcionam. mas a conservação é necessária para preservar todos os outro . A
contaminação da água subterrânea por esgotamento doméstico.
JS geólogos têm se voltado para as águas hidrotermais em
efluentes industriais e resíduos radioativos reduz a potabilidade
de fontes de energia limpa. O norte da Califórnia, a Islân- de certas águas e limita nossos recursos.
a Itália e a Nova Zelândia já vêm utilizando o vapor produ-
pela atividade hidrotermal em fontes quentes e gêiseres Que processos geológicos são afetados pela água subterrâ-
_ movimentar turbinas geradoras de eletricidade. As águas nea? A erosão pela água subterrânea em terrenos de calcário
- termais poderão, em breve, ser extensivamente utilizadas úmidos produz o relevo de carste, com cavernas, dolinas e rios
_ produzir energia, como será abordado no Capítulo 22. que desaparecem. O aquecimento das águas meteóricas que per-
~bora as águas hidrotermais sejam importantes para a ge- colam em zonas profundas, causado por corpos magmáticos,
- de energia e depósitos de minérios, elas não contribuem origina a circulação que conduz as águas hidrotermais para a su-
~ o abastecimento de água superficial, principalmente por perfície como gêiseres e fontes quentes. A grandes profundida-
~rem material dissolvido em demasia. des da crosta (até mais de 15 km), as rochas contêm quantidades
extremamente pequenas de água, porque suas porosidades são
significativamente reduzidas. Essa extrema redução da porosi-
dade resulta do imenso peso das rochas sobrejacentes.
UMO

o a água se move na superfície e no subsolo da Terra du- I Conceitos e termos-chave


o cicIo hidrológico? O movimento da água mantém um
::smte equillbrio entre os principais reservatórios de água pró-
- - à superfície da Terra. Entre esses reservatórios, pode-se ci- • água hidrotennal (p. 334) • hidrologia (p. 313)
_- oceanos, os lagos e os rios; as geleiras e o gelo polar; e a • água meteórica (p. 334) • infiltração (p. 314)
_-" subterrânea. A evaporação dos oceanos, a evapotranspira- • água potável (p. 332) • lei de Darcy (p. 326)
- dos continentes e a sublimação das geleiras transferem a
_....-:.
para a atmosfera. A precipitação como chuva e neve retor- • água subterrânea (p. 314) • nível freático (p. 322)
-'-água da atmosfera para o oceano e para a superfície conti- • aqüiclude (p. 322) • nível freático suspenso
. O escoamento superficial dos rios retoma uma parte da • aqüífero (p. 320) (p.324)
=:::pitação sobre os continentes de volta para o oceano. O res- • penneabilidade (p. 321)
~ infiltra-se no solo para tomar-se água subterrânea. Diferen- • aqüífero confinado (p. 322)
:limas produzem variações locais no equilíbrio entre evapo- • poço artesiano (p. 322)
• aqüífero não-confinado
- . precipitação, escoamento superficial e infiltração. (p.322) • recarga (p. 322)
o a água se move no subsolo? A água subterrânea forma- • aqüífero artesiano (p. 322) • relevo cárstico (p. 330)
_ :t><U1irda infiltração da água da chuva na superfície e percola • ciclo hidrológico (p. 314) • reservatório (p. 314)
_ és dos espaços porosos do solo, do sedimento ou da rocha
• descarga (p. 322) • rio efluente (p. 322)
- -~rvem como aqüífero. A água move-se através da zona su-
não-saturada e do nível freático na zona saturada. A água • dolina (p. 330) • rio influente (p. 322)
:anânea move-se declive abaixo sob a influência da gravida- • escoamento superficial • sombra pluvial (p. 317)
?lr fim emergindo como nascente, onde a superfície freática (p. 315) • superfície freática (p. 321)
~pta a superfície do solo. Em longo prazo, a recarga e a des-
.=;_ da água de um aqüífero estão em equilíbrio dinâmico. A
• estalactite (p. 329) • umidade relativa (p. 317)
-c=- ubterrânea pode fluir em aqüíferos não-confinados, os • estalagmite (p. 329) • zona não-saturada (p. 321)
-=::; são contíguos à superfície, ou em aqüíferos confinados,
• gradiente hidráulico (p. 326) • zona saturada (p. 321)
- são limitados por aqüicludes. Os aqüíferos confinados pro-
3361 Para Entender a Terra

sa rocha, disse que tem aberto poços com muita água. Que arg
I Exercícios tos poderiam ser utilizados para que um convencesse o outro?

Este ícone indica que há uma animação disponível no sítio ele- 9. Qual poderia ser a diferença quantitativa entre o ciclo hi~
trônico que pode ajudá-Io na resposta. lógico atual e o ciclo hidrológico de 19 mil anos atrás, no máxiIDíl_
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glaciação, quando uma grande parte dos continentes esteve co
1. Quais são os principais reservatórios de água na superfície terrestre de gelo?
ou próximos a ela?
10. Você está explorando uma caverna e observa um pequeno _
2. Como as montanhas formam sombras de chuva? de água fluindo no assoalho da mesma. De onde a água poderia
vindo?
3. O que é um aqüífero?
4. Qual a diferença entre as zonas saturada e não-saturada de água
subterrânea?

5. Como os aqüicludes podem formar um aqüífero confinado? Roteiro de pesquisa:


6. Como o equilíbrio entre a recarga e a descarga torna estável investigue com seus colegas
o nível freático?
7. Como a lei de Darcy relaciona o movimento da água subterrânea Inundação
com a permeabilidade? No Senado e na Câmara de Representantes25 dos Estados Unido=- ::
8. Como a dissolução do caleário se relaciona com o relevo de carste? cém-formados de cursos universitários trabalham como assessores ~

9. Quais são as origens da água em fontes quentes? gislativos. Seu trabalho principal é fazer resenhas, para senadores
deputados, de matérias da imprensa que uma autoridade pública =
10. Cite alguns dos contaminantes mais comuns da água subterrânea. saber para votar informada.
11. Defina nível freático. Você e um colega são assistentes legislativos de um senado:;-
Dakota do Sul. Ele foi procurado pelos eleitores da cidade de Pi~
situada na margem leste do Rio Missouri, que corre para o sul, e __
sante da Barragem Oahe. Os habitantes de Pierre têm sofrido prOC-
Questões para pensar mas sistemáticos com as inundações de inverno. O Corpo de E-_
nheiros do Exército diz que as inundações ocorrem porque o Rio ~
Este ícone indica que há uma animação disponível no sítio ele- que atravessa uma área com grande concentração de fazendas a~
trônico que pode ajudá-Io na resposta. Ias e de pecuária, e que deságua no Rio Missouri, recolhe grande
CONECTARWEB

tidade de sedimentos e deposita-os na confluência dos dois rios.


1. Se a Terra se aquecesse, causando um grande aumento da eva- nando essa área muito rasa. No inverno, blocos espessos de gelo
poração dos oceanos, como o ciclo hidrológico atual seria alterado?

2. Se você vivesse próximo ao litoral oceânico e começasse a obser-


vem-se lentamente no Rio Missouri, e a água líquida só pode fluir
vés de uma estreita zona horizontal (paralela ao fundo do canal)
os sedimentos acumulados e o gelo espesso. Quando a água é lan.
=
var que a água de seu poço adquiriu um sabor levemente salgado, co- do alto da barragem para gerar eletricidade, fica retida na estreita =-
mo explicaria essa mudança na qualidade da água?
sagem e inunda a cidade de Pierre. A única sugestão dos engenheb
3. Por que você não recomenda a ocupação e a urbanização intensiva para prevenir a inundação é construir diques ao longo das margeilS
na área de recarga de um aqüífero que abastece sua comunidade? Missouri. O senador quer saber:

4. Se fosse descoberto que resíduos radioativos infiltraram-se na água


1. Os sedimentos do Rio Bad são realmente a causa do probl=
Justifique sua resposta.
subterrânea a partir de uma fábrica de processamento nuclear, de que
tipo de informação você precisaria para predizer quanto tempo seria 2. O que pode ser feito para reduzir a sedimentação?
necessário para que a radioatividade se manifestasse num poço de 3. A construção de diques seria uma solução de longo prazo p=
água a 10 km de distância do local do acidente? problema? Justifique.
5. Que processos geológicos poderiam estar ocorrendo sob a superfí- 4. Seria a simples dragagem de sedimentos acumulados, aprofun -
cie do Parque Nacional de Yellowstone (EUA), conhecido pela grande do o canal do Rio Missouri, uma solução de longo prazo?
quantidade de fontes quentes e gêiseres? 5. Que outras soluções existem além da dragagem e da construção ::...
6. Por que as comunidades deveriam se assegurar de que os tanques diques marginais?
sépticos são mantidos em boas condições de funcionamento? 6. Se os engenheiros do Exército têm sido hábeis para control2::"
inundação ao longo do Rio Mississipi, isso não significa que pode;"
7. Por que cada vez mais as comunidades de climas frios restringem o
dar conta desse problema em Dakota do Sul?
uso de sal para derreter a neve e o gelo nas auto-estradas?
O senador quer essas questões resolvidas num documento co
~~ 8. A sua casa nova está construída sobre um solo que cobre um so de duas a três páginas. Para preparar as respostas para o sen~
embasamento granítico. Embora você pense que a prospecção para sua equipe precisaria investigar a natureza e a qualidade do trablLJ.
perfurar um poço tenha pouca probabilidade de sucesso, devido ao empreendido pelos engenheiros do Exército e entender a nat=
embasamento granítico, o perfurador de poços, familiarizado com es- geológica do problema próximo a Pierre.
CAPíTULO 13 • O Ciclo Hidrológico e a Água Subterrânea 1337

negat, R., Porto, M. L., Carraro, C. C. e Femandes, L. A. D. (coords.).


Sugestões de leitura 1998. Atlas ambiental de Porto Alegre. Porto Alegre: Editora da Uni-
versidade UFRGS.
Dolan, R., and Goodell, H. G. 1986. Sinking cities. American
_;ntist,74:38-47.
Dunne, T, and Leopold, L. B. 1978. Water in environmental plan-
5. San Francisco: W. H. Freeman. I Notas de tradução
Frederick, K. D. 1986. Scarce Water and Institutional Change.
:!Si:rington,D. C.: Resources for the Future. I o Salto deI Angel situa-se no Maciço das Guianas que, na \ enezue-
Freeze, R. A., and Cherry, J. A. 1979. Groundwater. Englewood Ia, tem o nome de La Gran Sábana. É formado por mesas de rochas
-ª, N. J.: Prentice Hall. sedimentares, cujas escarpas, ao sul, constituem-se em uma frontei-
Heath, R. C. 1983. Basic Groundwater Hydrology. U. S. Geologi- ra natural com o Brasil. Na região de Roraima, atinge as maiores al-
-urvey, Water-Supply Paper, 2.220. titudes, com 2.771 metros.
Jennings, J. N. 1983. Karst landforms. American Scientist, 71:578- 2 Em inglês, runoJ!. A expressão "escoamento superficial" é também
conhecida na literatura técnica brasileira por outros termos, como:
:"-eopold, L. B. 1977. Water, Rivers, and Creeks. Sausalito, CaliL lençol de escoamento superficial, filete de rolamento, água de rola-
, -ersity Science Books. mento, água de escoamento superficial e fluxo laminar, entre outros.
_-ational Research Council. 1993. Solid-Earth Sciences and Soci-
3A água que resulta de precipitação, como chuva, neve, granizo, etc ..
Washington, D. c.: National Academy Press. é referida, também, como água meteórica.
C S. Geological Survey. 1990. Hydrology Events and Water Sup- 4 Os dessalinizadores são usados em muitos povoados do semi-árido
~d Use. National WaterSummary, 1987. U. S. Geological Survey,
do Nordeste, para tratar a água salobra proveniente de poços.
=-r-Supply Paper, 2.350.
5 Este fenômeno, denominado de chuva orográfica, ocorre com mui-
ta freqüência nas regiões semi-áridas do Nordeste do Brasil, onde os
relevos residuais, mesmo com pouca diferença de altitude em rela-
ção aos planaltos adjacentes, atuam como barreiras, gerando regiões
gestões de leitura em português de clima subúmido e até úmido, com florestas estacionais nas en-
costas e nos topos das elevações, em meio à caatinga adjacente. É o
Ílirata, R. 2000. Recursos hídricos. ln: Teixeira, W., Toledo, M. C.
caso das Serras de lbiapaba e de Jacobina, da Chapada Diamantina
~, Fairchild, T R. e Taioli, F. (orgs.) 2000. Decifrando a Terra.
e outras, onde, graças a esse processo, originam-se as nascentes dos
- Paulo: Oficina de Textos. p. 421-444.
poucos rios perenes da região.
:sarmann, L 2000. Ciclo da água, água subterrânea e sua ação geo-
~:a. ln: Teixeira, W., Toledo, M. C. M. de, Fairchild, T R., e Taioli, 6 O La Plata não é um rio, mas um estuário comum dos rios Paraguai-
Paraná e Uruguai, além de outros menores, onde são acolhidas as
- "Ygs.) 2000. Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos. p.
~-:38. águas de uma área com cerca de 4 milhões de km2, na qual se situam
ecorregiões importantes como o Chaco e grande parte do Pantanal,
Suguio, K. 1998. Dicionário de geologia sedimentar e áreas afins.
2e Janeiro: Bertrand Brasil. do Planalto Meridional Brasileiro e do Pampa.
Setti, A. A. 1994. A necessidade do uso sustentável dos recursos 7 As áreas úmidas são fundamentais, também, para a procriação de
~cos. Brasília: IBAMA. répteis, mamíferos, peixes e anfíbios, como ocorre no Pantanal e no
Chaco úmido.
-ilva, D. D. e Pruski, F. F. (eds.). 2000. Gestão de recursos hídri-
aspectos legais, econômicos, administrativos e sociais. Brasília: S A "superfície freática" também é conhecida na literatura técnica
aaria de Recursos Hídricos; Viçosa: Universidade Federal de Vi- brasileira como: "superfície de água subterrânea", "nível de água
- Porto Alegre: ABRH. subterrânea" (abreviada como NA) e "nível freático".
Garcez, L. N. e Alvarez, G. A. 1988. Hidrologia. São Paulo: Edgar 9 Em bibliografias técnicas mais antigas, pode-se eventualmente en-
_-:ter. contrar, entre outras, as seguintes designações equivalentes a
Pinto, N. L. S., Holtz, A. C. T; Martins, J. A. e Gomide, F. L. S. "aqüífero": "lençol aqüífero", "lençol d'água subterrâneo". "len-
-5_ Hidrologia. São Paulo: Edgar Blücher. çol freático".
Christofolleti, A. 1974. Geomorfologia. São Paulo: Edgar Blü- 10 Reserva-se o termo "aqüiclude" para as unidades que têm baixa a-
. Edusp. pacidade de transmitir água, embora possam estar saturadas: "aqüi-
Cbristofolleti, A. 1981. Geomorfologiafluvial. São Paulo: Edgar fuga", para as unidades que não têm conectividade entre os poros e
~::er; Edusp. não absorvem nem transmitem água; e "aqüitarde" para designar
hbouças, A. c., Braga, B. e Tundisi, J. G. 1999. Águas doces no unidades que, num dado contexto, têm baixa produção de água rela-
:l: capital ecológico, uso e conservação. São Paulo: Escrita. tivamente a outras, chamadas de "aqüíferas".
~Ianoel Filho, 1. e Feitosa, F. M. C. 1997. Hidrogeologia: concei- 11 Na literatura mais antiga, esse evento era designado por" ontarni-
i! aplicações. Fortaleza: CPRM; Recife: LABHID. nação do poço por água salgada". Mais recentemente. "em sendo
Tucci, E. M. 1997. Hidrologia: ciência e aplicações. Porto Alegre: empregada a expressão "intrusão salina" para esse fenômeno.
=:'rRGS /ABRH. 12 Darcy estudou na Ecole des Ponts et Chaussées C'pontes e calça-
-uguio, K. e Bigarella, 1. J. 1979. Ambientefluvial. Curitiba: UFPR. das"), tendo recebido seu diploma de engenheiro em 1826. Em
_ Ienegat, R., Brito, E., Lima, C. B. da S., Fuentefria, 1. G. e Mar- 1834, publicou o relatório Como prover os recursos hídricos para a
E da C. 1998. Atividades impactantes do sistema urbano. ln: Me- cidade de Dijon.
3381 Para Entender a Terra

13 As dolinas, conhecidas também como crateras de abatimento, po- Assim, a água ajuda a derreter mais neve do caminho, até elirrr:::;..
dem variar desde algumas dezenas de centímetros até quase mil me- Ia, diminuindo os riscos de acidentes.
tros de diâmetro e desde algumas dezenas de centímetros até próxi- 20 A visão dos autores apresenta-se otimista, ou mesmo esperan>
mo a cem metros de profundidade. Contudo, a descontaminação de solos e águas subterrâneas é um:..
14 A região de terrenos calcários e dolomíticos dos Alpes Dináricos, grandes desafios técnico-científicos. Muitos contaminantes,
que acompanha a faixa litorânea do Mar Adriático, outrora perten- os hidrocarbonetos, têm desdobramentos pouco conhecidos. H2:
cente à antiga Iugoslávia, faz parte, hoje, da Eslovênia, Croácia e Iu- caso notório, embora ocorrido na superfície: o derrame de 41
goslávia. As designações das feições geomorfológicas desses terre- lhões de litros petróleo pelo navio Exxon Valdez, no Alasca.. _
nos derivam dessa região e, comumente, não têm sido traduzidas em 1989. Passados 14 anos do acidente, a revista Science (deze .
português e, também, em outras línguas, como a palavra "carste", 2003) publicou os resultados do investimento para a desconta.nE;:;;..
forma aportuguesada do vocábulo alemão karst, que, por sua vez, ção (em torno de 2 bilhões de dólares) feito nesse período, des
deriva da denominação local dada à paisagem daquela região. Na li- do que: a) as populações de animais perderam sua fertilidade e --
teratura brasileira mais antiga, eventualmente, encontra-se na forma dão sinais de recuperação; b) os hidrocarbonetos se decompu ~"
"karst", como é grafada em inglês. em novos e mais terríveis contaminantes, sendo essa decompo.: >-
15 O rio que perde sua água na rocha calcária é chamado de "rio sumi- pouco conhecida. Na subsuperfície, os problemas tendem a se
do" e o curso que prossegue sob a superfície é denominado de "rio plexificar ainda mais.
subterrâneo" . 21 Em inglês, Environmental Protection Agency.
16 No Brasil, aproximadamente 7% do território é constituído por rele- 22 A maioria dos calcários que existem no Brasil foi metamorfizad:.:::
vo cárstico, com predomínio de calcário e dolomito, sendo mais sig- portanto, apresenta porosidade e permeabilidade baixas. Os aqi!!:;=
nificativas as seguintes regiões de exposição: a) do Grupo Bambuí ros nessas rochas localizam-se, basicamente, em cavernas subo
(Neoproterozóico), no noroeste de Minas Gerais, leste de Goiás, su- neas ou em zonas fraturadas e, portanto, com tendência a terem
deste do Tocantins e oeste da Bahia; b) do Grupo Una (Neoprotero- alto o risco de contaminação.
zóico), na porção central da Bahia. A caverna mais extensa, com 23 Isso pode ocorrer em aqüíferos de rochas fraturadas, em re~'-
cerca de 80 krn, localiza-se em Campo Formoso (BA). Também com pouca chuva e baixa recarga. As águas permanecem isol -
ocorrem terrenos cársticos nos estados de São Paulo, Paraná, Mato nas fraturas e em contato prolongado com a rocha e o solo, enri _ -
Grosso e Mato Grosso do Sul. Neste estado, situam-se as singulares cendo-se em sais até um ponto em que se tomam impróprias p=
cavernas e paisagens do município de Bonito. consumo humano. É o caso de muitas áreas no Nordeste do Bras:..
17 O TCE, com fórmula química C2HC13, também é usado na lavagem 24 Essa rocha é utilizada em edificações na Itália. Também referi<E-
de roupas a seco. literatura como tufo calcário ou sínter calcário.
18 O tempo útil de um tanque de combustível subterrâneo é de 10 a 15 25 A Câmara de Representantes (House of Representatives) equi_ -
anos. Depois disso, a probabilidade de ocorrer vazamento passa a no sistema parlamentar dos Estados Unidos, à Câmara de Dep
ser muito grande. dos, no Brasil.
19 Prática comum nos países em que há fortes nevadas. O sal entra em
solução na água da neve, aumentando seu ponto de congelamento.

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