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Universidade Federal de Minas Gerais

Escola de Engenharia
Departamento de Transportes e Geotecnia
Fundações e Estruturas de Contenção
Professora Ecidineia Pinto Soares

Notas de aula de Aline Anacleto relativas ao semestre 2017/1


Todo o conteúdo ministrado na disciplina. A ordem geral dos assuntos não foi alterada, mas
algumas informações foram realocadas para facilitar o entendimento. Algumas informações
relevantes foram acrescentadas além do conteúdo exposto, e estão indicadas nas
referências bibliográficas.

Sumário
1. INTRODUÇÃO............................................................................................................................. 3
1.1. Escolha do tipo de fundação .............................................................................................. 3
1.2. Fundações - definição ......................................................................................................... 4
2. ENSAIOS DE INVESTIGAÇÃO DO SUBSOLO ................................................................... 4
2.1. SPT – Standard Penetration Test ..................................................................................... 4
2.1.1. Energia do ensaio ......................................................................................................... 5
2.1.2. Relatório.......................................................................................................................... 5
2.1.3. Estado das areias ......................................................................................................... 6
2.1.4. Resistência das argilas ................................................................................................ 7
2.2. SPT-T – Standard Penetration Test with Torque Measurement ................................. 7
2.3. CPT – Cone Penetration Test ............................................................................................ 7
2.4. Vane Test (ensaio de palheta)........................................................................................... 8
2.5. DMT – Dilatômetro de Marchetti........................................................................................ 8
2.6. Pressiômetro – Por Fang e Menard.................................................................................. 8
2.7. Ensaios de carregamento de placa (importantíssimo).................................................. 8
2.7.1. Instalação ....................................................................................................................... 9
2.8. Ensaios geofísicos ............................................................................................................... 9
2.9. Outras observações ............................................................................................................. 9
3. FUNDAÇÕES RASAS, DIRETAS OU SUPERFICIAIS ....................................................... 9
3.1. Bloco ..................................................................................................................................... 10
3.1.1. Dimensionamento ....................................................................................................... 11
3.2. Sapatas ................................................................................................................................ 12
3.2.1. Sapata isolada ............................................................................................................. 13
3.2.2. Sapata corrida ............................................................................................................. 13
3.2.3. Sapata associada ....................................................................................................... 13
3.2.4. Sapata de divisa.......................................................................................................... 13
3.2.5. Dimensionamento ....................................................................................................... 13
3.3. Radier ................................................................................................................................... 13
1
3.4. Dimensionamento geométrico ......................................................................................... 13
4. Guia para a primeira prova...................................................................................................... 18
5. CAPACIDADE DE CARGA ..................................................................................................... 23
5.1. Métodos teóricos ................................................................................................................ 23
5.1.1. Fórmula de Terzaghi .................................................................................................. 23
5.1.2. Fórmula de Meyerhof ................................................................................................. 25
5.2. Influência do lençol freático na capacidade de carga de uma fundação ................ 25
5.2.1. Lençol freático acima da cota de assentamento .................................................. 25
5.2.2. Lençol freático abaixo da cota de assentamento ................................................. 26
5.3. Métodos empíricos ............................................................................................................. 26
5.4. Recalques em fundações rasas ...................................................................................... 27
5.5. Recalques em solos arenosos......................................................................................... 28
5.6. Compressibilidade edométrica ........................................................................................ 28
5.7. Estimativa da tensão admissível ..................................................................................... 28
6. FUNDAÇÕES PROFUNDAS .................................................................................................. 31
6.1. Tubulão................................................................................................................................. 31
6.1.1. Tubulões a céu aberto ............................................................................................... 33
6.1.2. Tubulões a ar comprimido......................................................................................... 33
6.2. Estacas ................................................................................................................................. 33
6.2.1. Estacas escavadas ou perfuradas .......................................................................... 33
6.2.2. Estacas cravadas........................................................................................................ 36
6.3. Definição do estaqueamento ........................................................................................... 37
7. CAPACIDADE DE CARGA PARA FUNDAÇÕES PROFUNDAS ................................... 42
7.1. Formulação clássica de Terzaghi ................................................................................... 42
7.2. Ensaios de laboratório....................................................................................................... 42
7.3. Ensaio de SPT .................................................................................................................... 42
7.4. Método de Aoki-Velloso .................................................................................................... 43
7.5. Método de Decourt-Quaresma ........................................................................................ 43
8. CÁLCULO DE ARMAÇÃO DE ESTACAS ........................................................................... 56
9. ESTACA PRANCHA E ANCORAGEM ................................................................................. 56
9.1. CÁLCULO DE FICHA ........................................................................................................ 57

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1. INTRODUÇÃO

Projeto:
 Arquitetura
 Mapa de cargas
 Investigações geotécnicas: ensaios SPT, CPT, sondagem.

Estrutura considera apoios indeslocáveis, com forças verticais, horizontais e momentos.

Fundações solicitam o terreno, que se deformará e as cargas iniciais irão mudar, resultando
em deslocamentos verticais, horizontais e rotações. O projeto de fundações consiste na
interação da estrutura com o solo, área de estudo da Geotecnia. Para determinar a melhor
solução, é necessário investigar a estratigrafia e características geológico-geotécnicas do
maciço. Também é importante determinar as influência da água presente no subsolo (lençol
freático, artesianismo, etc). Conhecendo o ambiente em questão, a resistência do material
do solo pode ser estimada.

Opções:
 Perfuração e amostragem
 Ensaios in situ intrusivos e não intrusivos.

Poços e trincheiras
 Possibilitam a inspeção visual do terreno
 Facilidade de coleta de amostras (deformadas ou indeformadas
 Desvantagens/dificuldades em terrenos instáveis, escoramentos e abaixo do nível
d’água (N.A.)

Sondagens à trado
 Profundidade entre 3 e 5 metros (média)
 Estudos iniciais de projeto e avaliações de áreas de empréstimo
 Dificuldade de avanço em situações abaixo do N.A.
 Amostras deformadas ou indeformadas

Não se deve apoiar fundações em solo de aterro pela natureza duvidosa da sua
compacidade e modo de adensamento. Também não deve ser contabilizado o atrito lateral
nessa camada, uma vez que, caso a camada adense, peso extra será adicionado à
fundação.

Antes de determinar a fundação, é preciso investigar as fundações vizinhas (bulbo de


pressão) e fazer vistoria nas edificações próximas (por exemplo, se houver uma casa antiga
com rachadura, o proprietário pode acusar o seu processo construtivo de ter causado
aquilo).

1.1. Escolha do tipo de fundação


 Depende das características do solo
 Projeto estrutural (mapa de cargas)
 Equipamentos de mão de obra disponíveis
 Custo e execução

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1.2. Fundações - definição
São elementos estruturais que tem como função transmitir carga da estrutura ao solo, cujos
recalques possam ser absorvidos (NBR 6122).

2. ENSAIOS DE INVESTIGAÇÃO DO SUBSOLO


SPT, SPT-T, CPT, CPT-U (poropressão), VANE test, pressiômetro, dilatômetros de
marchetti, ensaios de carregamento de placa (provas de carga), cross hole (ensaios
geofísicos). Normas NBR 7259, NBR 6502, NBR 6484, NBR 8036.

O objetivo dos ensaios é a determinação de características geotécnicas, N.A., coesão,


ângulo de atrito, tensão admissível, adensamento, entre outros parâmetros do solo. Uma
representação de alguns ensaios caiu na prova 1 como apresentado na Figura 1: Ensaios
de investigação em campoFigura 1.

Figura 1: Ensaios de investigação em campo

2.1. SPT – Standard Penetration Test


Sondagem de simples reconhecimento à percussão. Tem como finalidade a exploração por
perfuração e amostragem do solo e medidas do índice de resistência à penetração, para
fins de reconhecimento do subsolo (NBR 6484). Possui profundidade mínima de 8m, além
de outros critérios de paralisação de sondagem.

É o mais executado na maioria dos países. Sua aplicação é ideal para regiões de clima
tropical, onde os solos são predominantemente heterogêneos e o processo de
intemperização é intenso.
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Lavagem com circulação de água, com trépano, é feita quando o avanço a trado não é
possível, devido à alta resistência do solo ou presença de água. Quando encontra material
com resistência exagerada (impenetrável), é realizada lavagem por tempo. Consiste na
aplicação de água por 30 minutos, anotando os avanços obtidos a cada 10 minutos. Quando
os avanços forem inferiores a 5 cm em 3 períodos consecutivos de 10 minutos, o material
será considerado impenetrável à lavagem por tempo.

NSPT = soma do número de golpes para o amostrador descer os 30 cm finais da penetração.

Locação do furo (NBR 8036):


 No mínimo 3 furos em geral
 Mínimo de 1 sondagem a cada 200 m2 até 1200 m2 de área total
 Mínimo de 1 sondagem a cada 400 m2 para áreas entre 1200 m2 e 2400 m2
 Acima de 2400 m2, o número de sondagens deve ser fixado de acordo com o plano
particular da construção

Quando em uma perfuração ocorre um material impenetrável a uma profundidade menor


que 8 metros, o furo deverá ser deslocado de 1 metro até 3 vezes.

Critérios de paralização (NBR 6484):


 Penetrações maiores que 45 golpes por 15 cm (45/15) em 3 metros sucessivos
 Penetrações maiores que 45 golpes por 30 cm (45/30) em 4 metros
 Outros critérios
 Importante: não pode ser a critério do cliente!

2.1.1. Energia do ensaio


Qualquer mudança nas condições padronizadas (tipo de haste e martelo, não uso de coxim
de madeira, uso de cabo de aço, sistema mecanizado de acionamento do martelo) que
altere o nível de energia incidente disponível para cravação do amostrador padrão, só deve
ser aceito se acompanhada de respectiva correlação obtida pela medida da energia
incidente através de sistema devidamente aferido (célula de carga acompanhada ou não
por acelerômetro), instalado na composição de cravação.

2.1.2. Relatório
Retirado da NBR 6484
Os resultados das sondagens devem ser apresentados em relatórios numerados, datados,
em formato A4 e assinados por responsável técnico (com CREA). Devem ser desenhadas
na escala 1:1000. Escalas reduzidas podem ser empregadas nos casos de sondagem
profunda e em subsolos muito homogêneos. Deve conter as seguintes informações:
 Nome do interessado;
 Local e natureza da obra
 Descrição sumária do método e dos equipamentos empregados na realização das
sondagens;
 Total perfurado, em metros;
 Declaração de que foram obedecidas as normas brasileiras relativas ao assunto;
 Outras observações e comentários, se julgados importantes;
 Referências aos desenhos constantes do relatório.

Anexo ao relatório, deve ser anexado desenho com:

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 Planta do local da obra, cotada e amarrada a referências facilmente encontradas e
pouco mutáveis (logradouros públicos, acidentes geográficos, marcos topográficos,
etc.), de forma a não deixar dúvidas quanto a sua localização;
 Localização das sondagens cotadas e amarradas a elementos fixos e bem definidos
do terreno.
 Posição de referência de nível (RN) tomada par o nivelamento de topo das
sondagens, bem como a descrição sumária do elemento físico tomado como RN.

Os resultados das sondagens devem apresentar:


 Nome da firma executora, nome do interessado, local da obra, indicação do número
do trabalho, e os vistos dos desenhistas e do engenheiro ou geólogo responsável;
 Diâmetro do tubo de revestimento e do amostrador utilizados;
 Número(s) da(s) sondagem(ns);
 Cota(s) da(s) boca(s) de furo(s) de sondagem, com precisão de 10 mm;
 Linhas horizontais cotadas a cada 5m em relação à referência de nível;
 Posição das amostras colhidas, devendo ser indicadas as amostras não recuperadas
e os detritos colhidos por sedimentação;
 As profundidades das transições das camadas e do final das sondagens;
 Os índices de resistência à penetração, calculadas como sendo a soma do número
de golpes necessários à penetração dos 30 cm finais do amostrador; o resultado do
ensaio penetrométrico será apresentado na forma de frações ordinárias, sendo o
numerador o número de golpes e o denominador as penetrações (cm) obtidas;
 Identificação dos solos amostrados, segundo a NBR 6502, com as respectivas
convenções gráficas nas camadas;
 A posição do N.A. e data. Indicar se houve pressão ou perda de água durante a
perfuração;
 Datas de início e término de cada sondagem;
 Indicação dos processos de perfuração empregados (TH – trado helicoidal, CA –
circulação de água) e respectivos trechos, bem como as posições sucessivas do
tubo de revestimento.

2.1.3. Estado das areias


 Índice de vazios (e) natural ou extremos
 Compacidade relativa (CR): fofa ou compacta
 “e” natural próximo do máximo = areia fofa
 “e” natural próximo do mínimo = areia compacta
𝑒𝑚𝑎𝑥 − 𝑒𝑛𝑎𝑡
𝐶𝑅 =
𝑒𝑚𝑎𝑥 − 𝑒𝑚𝑖𝑛

Alguns valores típicos de índices de vazios

Tabela 1: Valores típicos de emax e emin


Descrição da areia e min emax
Areia uniforme de grãos angulares 0,7 1,1
Areia bem graduado de grãos angulares 0,45 0,75
Areia uniforme de grãos arredondados 0,45 0,75
Areia bem graduado de grãos arredondados 0,35 0,65

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Em geral, as areias são siltosas ou argilosas. A granulometria e forma dos grãos é de difícil
compreensão.

Tabela 2: estados de compacidade de solos não coesivos (segundo Mitchell, 1981, ou manual de
Geotecnia – IPT/SP)
Compacidade NSPT CR
Muito fofa 0a4
Fofa 4 a 10 CR < 0,33
Medianamente compacta 10 a 30 0,33 < CR < 0,66
Compacta 30 a 50 CR > 0,66
Muito compacta > 50

2.1.4. Resistência das argilas


A resistência das argilas depende da estrutura (arranjo entre os grãos) e do índice de vazios
em que ela se encontra. Quando a argila no seu arranjo natural (argila indeformada) tem
um certo valor de resistência e este valor diminui após o manuseio (argila amolgada) a
argila é considerada sensível. Sensibilidade é a relação entre a resistência da argila no
estado indeformado (Ri) e a resistência da argila amolgada (Rs ) e reconstituída nas mesmas
condições, isto é, com o mesmo valor de índice de vazios e umidade. A consistência das
argilas é dada pelo índice de consistência
𝑤𝑙 − 𝑤𝑛𝑎𝑡
𝐼𝐶 =
𝑤𝑙 − 𝑤𝑝

Alguns valores de resistência, resultado de SPT e índice de consistência:

Tabela 3: estado de consistência de solos coesivos (argilas)


Consistência Resistência (kgf/cm2) NSTP IC
Muito mole < 0,25 0a2
Mole 0,25 a 0,50 2a4 < 0,5
Média 0,50 a 1,00 4a8 0,5 a 0,75
Rija 1,00 a 2,00 8 a 15 0,75 a 1,0
Muito rija 2,00 a 4,00 15 a 30 > 1,0
Dura > 4,00 > 30

2.2. SPT-T – Standard Penetration Test with Torque Measurement


Consiste na introdução de torque nos ensaios SPT. A medida de torque, quando solicitada,
é efetuada no término de cada ensaio de penetração SPT. Cravado os 45 cm do amostrador
padrão, conforme NBR 6484: retira-se a cabeça de bater, acopla-se o adaptador de torque,
verifica-se a medida de torque máximo e torque residual através do torquímetro
devidamente calibrado (em kgf.m), para posterior medição do atrito lateral do solo.

2.3. CPT – Cone Penetration Test


Ensaio de penetração estática, ensaio de penetração contínua, diepsondering. Consiste na
cravação à velocidade lenta e constante (estática ou quase estática) de uma haste de ponta
cônica medindo-se a resistência de ponta e lateral. Não são retiradas amostras do solo,
logo deve ser associado com um ensaio SPT. É mais aplicável em solos temperados e
uniformes.

Os resultados são apresentados em:


 Gráficos com resistência de ponta e atrito lateral;
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 Razão entre atrito lateral e ponta (R);
 Poropressões medidas no ensaio (CPT-U); nas areias, a poropressão é próxima da
hidrostática.

2.4. Vane Test (ensaio de palheta)


Utilizado para caracterizar argilas moles. Apresenta informação sobre coesão não drenada.
A resistência não drenada da argila (S u) é obtida considerando que a ruptura ocorre na
superfície do cilindro de diâmetro “d” e altura “h” da palheta. Mede também o torque (T) ou
momento (M) necessário para causar esta ruptura.

𝑀
𝑆𝑢 =
𝑑2∗ ℎ 𝑑3
𝜋 ∗( + )
2 6

2.5. DMT – Dilatômetro de Marchetti


Ensaio portátil e de fácil manuseio, no qual se medem tensões e módulos característicos
dos solos. A forma delgada do dilatômetro minimiza os distúrbios gerados no solo durante
a sua inserção, promovendo deformações volumétricas de aproximadamente 1/3 em
relação ao ensaio de cone. Na profundidade desejada, é introduzido ar comprimido até que
a membrana passe.

2.6. Pressiômetro – Por Fang e Menard


Equipamento que aplica pressão hidráulica (líquido ou gás) às paredes de um furo de
sondagem por meio de uma membrana flexível. Consiste na expansão de uma sonda ou
célula (normalmente de borracha) cilíndrica instalada em um furo. A célula expande com a
inserção de água pressurizada e a variação de volume é medida na superfície do terreno
com a pressão aplicada.

Fornece dados sobre as tensões iniciais (tensão horizontal e coeficiente de empuxo no


repouso), propriedades de deformações elásticas no solo (tensão ou deformação
controladas). Existem vários tipos de pressiômetros, e a interpretação do ensaio depende
não somente do tipo de solo.

2.7. Ensaios de carregamento de placa (importantíssimo)


Consiste na aplicação de esforços de compressão ao terreno através de uma placa de área
conhecida. Os esforços são transmitidos por meio de macacos, adicionando carga no topo.
“É como se fosse o ensaio triaxial, só que in situ”. Determina a curva carga/deformação e
a capacidade de carga do solo, entre outros parâmetros. Determina também o módulo de
deformação (E) e o módulo de rigidez (K). São também conhecidos como ensaios de
adensamento, pois medem esta característica para determinadas cargas.

Prova de carga pode ser imposta devido à alta complexidade do projeto, mas deve ser
sempre atrelada a ensaios SPT. Devem ser alocadas onde as cargas são maiores (de
acordo com o mapa de cargas), caso o relatório de SPT for relativamente uniforme, ou onde
o SPT indicar baixa resistência (bolsões de argila, por exemplo).

Dificuldade de execução está na demora, pois tem que esperar a deformação ficar
relativamente constante, e isso pode demorar até 1 mês. O ensaio também é perigoso, pois
se o tirante arrebentar ou a carga virar, acidentes graves com a equipe podem acontecer.

 Pressão aplicada x recalque medido (deflectômetro)


 Curva pressão x recalque (dois casos extremos)
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∆𝑒
Coeficiente de compressibilidade: 𝑎𝑣 = ′
∆𝜎
𝑎𝑣
𝑚𝑣 =
1 + 𝑒0
Permeabilidade: 𝑘 = 𝑐𝑣 ∗ 𝑚 𝑣 ∗ 𝛾𝑤

Ruptura do solo:
 σr bem definido: solos resistentes (argilas rijas e areias compactas)
 σr sem definição: solos de baixa resistência (argilas moles e areias fofas); considera-
se que a ruptura ocorre a 20% da deformação.

>> Colocar gráficos de recalque vs pressão <<


>> Colocar exemplos de resultados <<

2.7.1. Instalação
Retirado da NBR 6489
 Executar na cota da base da sapata futura
 Placa rígida de área maior que 0,5 m²;
 Solo nivelado, placa ocupando a área total do fundo;
 A relação entre a largura e a profundidade do poço deve ser a mesma que a da
fundação;
 Evitar alteração no grau de umidade e amolgamento;
 Em torno da placa, o terreno deverá ser aplainado e não haver cargas aplicadas a,
no mínimo, o diâmetro ou lado da placa.
 Aplicação da carga vertical, central e sem choques ou trepidações;
 Recalques medidos por extensômetros densíveis a 0,1 mm colocados em

(...)

2.8. Ensaios geofísicos


Investigações não intrusivas, em geral utilizadas para solos homogêneos.

Cross hole: medida de velocidade de ondas sísmicas entre dois furos de sondagem. Um
dos furos é energizado a uma certa profundidade, e a energia recebida é medida em outro
furo com geofone tridimensional. Os dois furos devem ser bem revestidos e cimentados.

2.9. Outras observações


 Ensaios que não trazem amostras necessitam de um SPT para confirmar as
informações.
 Em solo residual (produto final da rocha sã intemperizada pelo processo químico) o
NSPT tende a crescer com a profundidade.
 Em solo transportado (solo residual transportado por diversos agentes como água,
vento, gravidade) pode haver matéria orgânica em sua composição. São geralmente
identificados quando ocorrem camadas de baixo NSPT entre camadas mais
existentes.

3. FUNDAÇÕES RASAS, DIRETAS OU SUPERFICIAIS


Na introdução deste item, tudo foi retirado da NBR 6122

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Elementos de fundação em que a carga é transmitida ao terreno, predominantemente
pelas pressões distribuídas sob a base da fundação, e em que a profundidade de
assentamento em relação ao terreno adjacente é inferior a duas vezes a menor dimensão
da fundação. Incluem-se neste tipo de fundação as sapatas, os blocos, os radier, as
sapatas associadas, as vigas de fundação e as sapatas corridas.

Em planta, as sapatas ou os blocos não devem ter dimensão inferior a 60 cm. A base de
uma fundação deve ser assente a uma profundidade tal que garanta que o solo de apoio
não seja influenciado pelos agentes atmosféricos e fluxos d’água. Nas divisas com
terrenos vizinhos, salvo quando a fundação for assente sobre rocha, tal profundidade não
deve ser inferior a 1,5 m.

Em fundações que não se apoiam sobre rocha, deve-se executar anteriormente à sua
execução uma camada de concreto simples de regularização de no mínimo 5 cm de
espessura, ocupando toda a área da cava da fundação, chamada de Lastro. Nas
fundações apoiadas em rocha, deve-se executar um enchimento de concreto de modo a
se obter uma superfície plana e horizontal. O concreto a ser utilizado deve ter resistência
compatível com a pressão de trabalho da sapata.

Figura 2: Fundação superficial

3.1. Bloco
Elemento de fundação superficial de concreto simples ou ciclópico, dimensionado de modo
que as tensões de tração nele produzidas possam ser resistidas pelo concreto, sem
necessidade de armadura. Pode ter suas faces verticais, inclinadas ou escalonadas e
apresentar normalmente em planta seção quadrada ou retangular (NBR 6122). Pode ter
base escalonada ou reta. Não resistem a esforços de tração elevados pois não são
armados). A altura do N.A. é um fator limitante.

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Figura 3: Bloco de fundação (Alonso, 2010)

ℎ 𝑎 − 𝑎0
𝑡𝑔 𝛼 = ↔ℎ= ∗ 𝑡𝑔 𝛼
(𝑎 − 𝑎 0 )/2 2

É necessário fazer um fundo com 5 cm de concreto magro para regularização da base. O


rodapé mínimo é de 30 cm.

3.1.1. Dimensionamento

Feitopor tentativas:
 Estima-se o peso próprio (PP). Um bom começo é 5% da carga do pilar.
 Dimensiona-se o bloco.
 Verifica se o PP estimado condiz com a realidade. Se for maior que o estimado,
aumenta as dimensões e repete a operação.
 Dimensionamento da base:
1,05 ∗ 𝑃
𝐴=
𝜎𝑠
 Dimensionamento do bloco:
𝑓𝑐𝑘 ⁄25
𝜎𝑡 ≤ {
0,8 𝑀𝑁⁄ 𝑚2 𝑜𝑢 8 𝑘𝑔𝑓⁄𝑐𝑚2
 Tensão admissível no solo
𝑃𝑝𝑖𝑙𝑎𝑟 + 𝑃𝑏𝑙𝑜𝑐𝑜
𝜎𝑠 =
𝐴𝑏𝑎𝑠𝑒
 Com σs e σt → ábaco de α x σs /σt → encontrar α

11
Figura 4: Ábaco de α x σs/σt (Alonso, 2010)

3.2. Sapatas
Elemento de fundação superficial de concreto armado, dimensionado de modo que as
tensões de tração nele produzidas não sejam resistidas pelo concreto, mas sim pelo
emprego da armadura. Pode possuir espessura constante ou variável, sendo sua base em
planta normalmente quadrada, retangular ou trapezoidal (NBR 6122). Possuem menor
altura em relação aos blocos.

Processo de execução:
 Abertura da cava;
 Apiloamento do fundo;
 Execução do lastro (5 cm);
 Montagem das formas da parede da sapata com, no mínimo, 2 cm de capitel para
apoiar a forma do pilar, quando este for construído;
 Colocação da forma do pilar para concretagem;
 Retirada da forma e realização do aterro compactado em volta.

Figura 5: Sapata isolada (Alonso, 2010)

12
Observações
 A sapata não deverá ter nenhuma dimensão menor que 0,6 m;
 Rodapé mínimo de 30 cm;
 Pilar de seção quadrada: a sapata mais indicada será com base quadrada;
 Pilar de seção transversal retangular: a base da sapata será também retangular,
preservando as seguintes relações:
a – b = a 0 – b0
a – a0 = 2d
b – b0 = 2d

3.2.1. Sapata isolada


Um elemento de fundação isolado para um pilar. São, em geral, a opção mais barata de
fundação superficial.

3.2.2. Sapata corrida


Cargas distribuídas linearmente

3.2.3. Sapata associada


Caracterizada por uma única sapata que serve de fundação para dois ou mais pilares.
Empregada quando pilares estão muito próximos e não é possível projetar sapatas isoladas
para cada um. Restrições construtivas. São consideradas o segundo método mais
econômico.

3.2.4. Sapata de divisa


Quando a locação dos pilares impede que o centro de carga do pilar coincida com o centro
de carga da sapata, sendo necessária uma viga de equilíbrio (ou alavanca) para correção
da excentricidade. Neutralização do momento.

3.2.5. Dimensionamento
 O centro de gravidade da sapata deve coincidir com o centro de carga do pilar, no
caso de a sapata estar submetida apenas a cargas verticais;
 Sempre que possível, as dimensões da sapata devem ser escolhidas condicionando
a forma da sapata à forma do pilar, ou de modo que a relação entre a e b esteja entre
2,0 e 2,5;
 Área da sapata: A = 1,05 P / σ s
 Condição mais econômica = balanços iguais “d”
 a x b = P / σs

3.3. Radier
Elemento de fundação superficial que abrange todos os pilares da obra ou carregamentos
distribuídos (por exemplo: tanques, depósitos, silos, etc.) (NBR 6122). É uma espécie de
laje, sendo, geralmente, calculada pelo engenheiro estrutural. Ver radier rígido, flexível e
paraboloide hiperbólico.

3.4. Dimensionamento geométrico


Consiste na primeira etapa do projeto. Necessidade de determinar as tensões admissíveis
(σs ) do solo. σs = σrup /F.S.

Dimensionamento estrutural econômico é aquele que conduz a momentos


aproximadamente iguais nas duas abas.

13
Vide item 6.2 da NBR 6122.

14
15
16
Observação: os exercícios do Alonso devem ser feitos, mas não exclusivamente.

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4. Guia para a primeira prova
Caiu na prova 2016/2 e 2017/1
As eficiências do ensaio SPT variam entre si. Isso altera o estudo de fundação? Não. Uma
vez decidida a finalidade da obra e se os parâmetros do SPT são suficientes para a mesma,
(NA, NSPT a cada metro, estratigrafia, etc.), sabendo que foram realizados respeitando a
normatização, e especificando se o ensaio é manual o mecânico, isso não altera o estudo
da fundação. A norma define parâmetros considerando o ensaio manual, mas existem
ábacos e tabelas que correlacionam os valores obtidos no ensaio mecanizado com o
manual. Resumindo, quando o bem realizado o SPT é um ensaio bom, dentro de suas
limitações.

Qual ensaio constitui em uma das melhores maneiras ou para determinação das
características de deformação do solo? O ensaio de carregamento de placa, pois esse
ensaio simula a situação de adensamento "in situ", fornecendo parâmetros de tensão x
recalque. Fornece curvas que apresentam características de compacidade em areias e
consistência em argilas, devido a deformação impressa pela dissipação da poropressão.

Caiu na prova 2017/1


Saber características de todos os ensaios e os parâmetros que eles fornecem. Ver Figura
1. Ver também as imagens a seguir, que são um bom guia.

18
Prova 2016/2: Dimensionamento de sapata existente. A taxa no solo é 0,2 MN/m².
 Em S1: carga 150 tf = 1500 kN
 Em S2: carga 190 tf = 1900 kN

19
Resolução
Em S1:
2,20
𝑒= − 0,3
2
𝑑 = 4,8 − 0,8; 𝑑 é 𝑎 𝑑𝑖𝑠𝑡â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒 𝑜𝑠 𝑐𝑒𝑛𝑡𝑟𝑜𝑠 𝑑𝑎𝑠 𝑠𝑎𝑝𝑎𝑡𝑎𝑠 .
0,8
∆𝑃 = . 1500 = 300 𝑘𝑁
4
𝑅 = 1500 + 300 = 1800 𝑘𝑁
1800 . 103 𝑁
𝐴= = 9𝑚2
0,2 . 10 6 𝑁⁄𝑚2
𝑎 = 𝐴⁄𝑏
𝑎 = 9⁄ = 4,10 𝑚
2,2; 𝑑𝑎𝑑𝑜 𝑛𝑜 𝑒𝑥𝑒𝑟𝑐í𝑐𝑖𝑜
𝑎⁄ ≤ 2,5 ∴ 4,10⁄
𝑏 2,20 = 1,86 𝑜𝑘
Em S2:
𝑅2 = 𝑃2 − ∆𝑃⁄2

𝑅2 = 1900 − 300⁄2 = 1750 𝑘𝑁


1750 . 103 𝑁
𝐴= = 8,75𝑚2
0,2 . 10 6 𝑁⁄𝑚2
𝑎 = 𝐴⁄𝑏
𝑎 = 8,75⁄ = 2,35 𝑚
3,8; 𝑑𝑎𝑑𝑜 𝑛𝑜 𝑒𝑥𝑒𝑟𝑐í𝑐𝑖𝑜
𝑎⁄ ≤ 2,5 ∴ 3,8⁄
𝑏 2,35 = 1,62 𝑜𝑘

20
Prova 2016/2: Dimensionar as fundações em sapatas para o solo de taxa 0,4 MN/m²:
(Praticamente idêntico ao exercício 12 do PDF do Alonso)

Figura 6: Exercício prova 2016/2

Figura 7: Exercício do livro do Alonso

Fazendo um pequeno teste, observa-se que não é possível que as sapatas sejam isoladas.
Então as sapatas P2 e P3 serão sapatas corridas, e P1 será alavancada na mesma:

Em P1:
2550 . 103 𝑁
2𝑏 2 = = 6,375 𝑚2 → 𝑏 = 1,80 𝑚
0,4 . 10 6 𝑁⁄𝑚2
1,80 − 0,2
𝑒= = 0,8 𝑚
2

1700 . 15 + 1500 . 45
𝑥= = 29 𝑐𝑚;
3200
1700 . 35 + 1500 . (70 + 85 + 15)
𝑦= = 98 𝑐𝑚
3200

𝑑 = 3,5 − 0,1 − 0,8 + 0,29


= 2,89 𝑚 → 𝐷𝑖𝑠𝑡â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑒𝑛𝑡𝑟𝑒 𝑜 𝑐𝑒𝑛𝑡𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎 𝑑𝑎𝑠 𝑑𝑢𝑎𝑠 𝑠𝑎𝑝𝑎𝑡𝑎𝑠
0,8
∆𝑃 = 2550 . = 706 𝑘𝑁
2,89
𝑅 = 2550 + 706 = 3256 𝑘𝑁

21
3256 . 103 𝑁
𝐴= = 8,14𝑚2
0,4 . 106 𝑁⁄ 2
𝑚
𝑎 = 8,14⁄1,80 = 4,52
𝑎⁄ ≤ 2,5 ∴ 4,52⁄
𝑏 1,80 = 2,52 → 𝑛ã𝑜 𝑜𝑘

Com b = 2 m:
2,00 − 0,2
𝑒= = 0,9𝑚
2
𝑑 = 3,5 − 0,1 − 0,9 + 0,29 = 2,79 𝑚
0,9
∆𝑃 = 2550 . = 823𝑘𝑁
2,79
𝑅 = 2550 + 823 = 3373 𝑘𝑁
3373 . 103 𝑁
𝐴= = 8,44 𝑚2
0,4 . 106 𝑁⁄ 2
𝑚
𝑎= 8,44 ⁄2,00 = 4,25 𝑚
𝑎⁄ ≤ 2,5 ∴ 4,25⁄ = 2,10 → 𝑜𝑘
𝑏 2
Sapata Corrida:
𝑅 = 1700 + 15000 − 823⁄2 = 2789,5 𝑘𝑁
2790 . 103 𝑁
𝐴= = 6,97 𝑚2
0,4 . 10 6 𝑁⁄𝑚2

Adotando o parâmetro do exercício 6, que faz a/2 como sendo a dimensão do centro de
carga até a face do pilar mais afastado, somando uma folga temos:
𝑎⁄ = 0,98 + 𝑓𝑜𝑙𝑔𝑎 = 1,40 𝑚 → 𝑎 = 2,80 𝑚
2
𝑏 = 6,97⁄2,80 = 2,50 𝑚
𝑎⁄ ≤ 2,5 ∴ 2,8⁄
𝑏 2,5 = 1,12 → 𝑜𝑘

Prova 2017/2
Exercício de calcular a capacidade de carga ou dimensões de uma sapata (não lembro), só
que sem calculadora. Acho que era sapata de divisa. Não precisava calcular armadura.

22
5. CAPACIDADE DE CARGA
Tensão de ruptura σr e tensão admissível σs com a aplicação do coeficiente de segurança
adequado à tensão de ruptura e às deformações excessivas do solo.
Projetos de recuperação de estruturas.

Ver livro do Braja página 576 do pdf.

O coeficiente de segurança visa absorver as incertezas devido à natureza do solo. É de


difícil escolha e de grande responsabilidade. Métodos determinísticos (tensões
admissíveis/equilíbrio limite) x probabilísticos (coeficientes de segurança parciais).

Sobrecargas excessivas podem resultar em recalques excessivos ou rupturas por


cisalhamento no solo.

NBR 6489, item 7.3: determinação da tensão admissível. Dispõe sobre provas de carga
sobre placa, métodos teóricos e métodos semi-empíricos.

NBR 6122: No dimensionamento de fundação superficial, a área comprimida deve ser no


mínimo 2/3 da área total. Deve-se assegurar, ainda, que a tensão máxima de borda seja
menor ou igual à tensão σ a, onde:

𝜎𝑎 = 𝛾 ∗ 𝐻 ∗ 𝜅𝑎 − 2 ∗ 𝑐 ∗ √𝜅𝑎 + 𝑞 ∗ 𝜅𝑎
𝜙′ 2
𝜅𝑎 = tan(45 − )
2

Determinação das características geomecânicas do solo e profundidade da fundação.


Eventual necessidade de alteração das características do solo (expansíveis, colapsíveis,
etc.) devido a agentes externos (encharcamento, alívio das tensões, etc.)

5.1. Métodos teóricos


Tensão de ruptura σr = σs / FS. Geralmente o FS adotado é 3. Análise do recalque para
determinar se o critério foi satisfeito ou não. Se negativo, reiniciar o processo.

5.1.1. Fórmula de Terzaghi


Aplica-se a solos coesivos ou mistos (c’, ϕ’), não coesivos ou granulares, e puramente
coesivos (ϕ’ = 0). Aplicação da fórmula de capacidade de carga de um solo homogêneo que
suporta uma fundação corrida e superficial. Considera casos de base lisa ou rugosa.
Origem nas rupturas plásticas dos materiais por puncionamento.

 Ruptura generalizada ou brusca → C1


 Ruptura localizada, com grandes deformações e crescentes → C2
 O solo abaixo da fundação se desloca em forma de cunha verticalmente com a
fundação.

Aplicável para:
 Comprimento L do elemento de fundação bem maior que a largura B (L/B > 5);
 Profundidade de assentamento inferior à largura da sapata (h ≤ B), significando a
desconsideração da resistência ao cisalhamento da camada de solo sobrejacente à
cota de assentamento da sapata;
 O maciço caracteriza-se por apresentar ruptura generalizada.

23
Figura 8: Superfície potencial de ruptura para o maciço de solo submetido à ação de uma
fundação superficial

A superfície potencial de ruptura do solo é composta por três diferentes regiões:


 Região I: cunha imediatamente abaixo do elemento de fundação, onde a superfície
de ruptura apresenta um trecho reto;
 Região II: caracterizada pela superfície potencial de ruptura apresentar a forma de
uma espiral logarítmica, e estar submetida a um estado de tensões passivas de
Rankine;
 Região III: caracterizada pela superfície potencial de ruptura apresentar um trecho
reto, e pela cunha formada também estar submetida a um estado de tensões
passivas de Rankine.

A capacidade de carga do solo (σ r) é dada por:

𝜎𝑟 = 𝑐 ∗ 𝑁𝑐 + 1⁄2 ∗ 𝛾 ∗ 𝐵 ∗ 𝑁𝛾 + 𝑞 ∗ 𝑁𝑞

 c = coesão;
 γ = peso específico do solo de apoio da fundação
 B = menor largura da fundação
 q = pressão efetiva do solo na cota de apoio da fundação, ou seja, a pressão
geostática (peso do solo na condição geostática);
 Nc , Nγ , Nq = fatores de carga em função do ângulo de atrito. Linhas cheias
correspondem à ruptura geral e linhas pontilhadas à ruptura local. Usar 2/3 da
coesão;

24
Figura 9: Fatores Nc, Nγ, Nq

5.1.2. Fórmula de Meyerhof


Introduziu à formula de Terzaghi os fatores de forma.

𝜎𝑅 = 𝑐 ∗ 𝑁𝑐 ∗ 𝑆𝑐 + 1⁄2 ∗ 𝛾 ∗ 𝐵 ∗ 𝑁𝛾 ∗ 𝑆𝛾 + 𝑞 ∗ 𝑁𝑞 ∗ 𝑆𝑞

 c = coesão;
 γ = peso específico do solo de apoio da fundação
 B = menor largura da fundação
 q = pressão efetiva do solo na cota de apoio da fundação, ou seja, a pressão
geostática (peso do solo na condição geostática);
 Nc , Nγ , Nq = fatores de carga em função do ângulo de atrito. Linhas cheias
correspondem à ruptura geral e linhas pontilhadas à ruptura local. Usar 2/3 da
coesão;
 Sc , Sγ , Sq = fatores de forma.

Fatores de forma
Forma da Fundação
Sc Sy Sq
Corrida 1,0 1,0 1,0
Quadrada 1,3 0,8 1,0
Circular 1,3 0,6 1,0
Retangular 1,1 0,9 1,0

5.2. Influência do lençol freático na capacidade de carga de uma fundação

5.2.1. Lençol freático acima da cota de assentamento


De acordo com a imagem abaixo, cálculo da tensão efetiva (q) deve ser:
𝑞 = 𝛾 ∗ ℎ 1 + (𝛾𝑠𝑎𝑡 − 𝛾𝑤 ) ∗ ℎ 2

25
Figura 10: Posição do NA acima da cota de assentamento da fundação

5.2.2. Lençol freático abaixo da cota de assentamento

Figura 11: Posição do NA abaixo da cota de assentamento da fundação

Se NA em profundidade fora do bulbo de pressão, considerar apenas o valor de γ normal.


Se NA no meio do bulbo de pressão, fazer γ ponderado
γ ∗ a + γ′ ∗ b
γ=
𝑎+𝑏

Se NA estiver na região de sobrecarga, ou seja, em uma distância d < B da cota de


assentamento, considerar o seguinte valor de γ:
𝑑
𝛾′ = (𝛾𝑠𝑎𝑡 − 𝛾𝑤 ) + (𝛾 − 𝛾𝑠𝑎𝑡 + 𝛾𝑤 )
𝐵

>> Inserir exemplos de exercício <<

5.3. Métodos empíricos


Estima as propriedades dos solos com correlações após aplicadas as fórmulas teóricas.
Tabelas de tensões admissíveis servem para orientação inicial.

Baseados na experiência e ensaios de SPT e Cone, devido à resistência de penetração em


sondagens. Valor médio do SPT (na profundidade de ordem de grandeza igual a 2x a
largura estimada para a fundação). Recomendações de Terzaghi e Peck. σs = 0,2 Mpa para
solos com 5 ≤ NSPT ≤ 20.

Com base no valor médio do SPT


26
Fundações não devem ser apoiadas em solo com NSPT < 5

σs =NSPT/5 para sapatas, blocos e radier;


σs = NSPT/4 para tubulões.

Tabela 4: Valores de tensão admissíveis para tipos de solo (NBR 6122)


Valores
Classe Descrição
(Mpa)
1 Rocha sã, maciça, sem laminação ou sinal de decomposição 3,0
2 Rochas laminadas, com pequenas fissuras, estratificadas 1,5
3 Rochas alteradas ou em decomposição 3,0
4 Solos granulares conglomerados 1,0
5 Solos com pedregulhos compactos a muito compactos 0,6
6 Solos com pedregulhos fofos 0,5
7 Areias muito compactas 0,5
8 Areias compactas 0,4
9 Areias medianamente compactas 0,2
10 Argilas duras 0,3
11 Argilas rijas 0,2
12 Argilas médias 0,1
13 Siltes duros (muito compactos) 0,3
14 Siltes rijos (compactos) 0,2
15 Siltes médios (medianamente compactos) 0,1

>> Exemplo <<

5.4. Recalques em fundações rasas


Solo submetido a um carregamento provocará redução de volume, com deformação rápida
(solos não coesivos) ou lenta. Representado por ρ, em milímetros Movimento vertical
descendente de um elemento estrutural é representado com sinal positivo (+). Quando o
movimento é descendente, denomina-se levantamento, e o sinal é negativo.

O recalque é a variação do índice de vazios. A compressão dos grãos, água e ar são


desprezíveis. O que ocorre é a expulsão de água e ar. A capacidade de drenagem depende
do solo. Em solos arenosos, a capacidade de drenagem é alta, logo o recalque ocorre logo
após aplicação das cargas.

Recalque admissível é o valor máximo que a estrutura pode suportar, dependendo do nível
de aceitação. Pode causar danos estruturais, danos arquitetônicos (sem risco), danos
funcionais (utilização, declividades, etc).

Rebaixamento do lençol freático: caso haja presença de solo compressível, ocorre aumento
das pressões geostáticas nessa camada, independente da aplicação de carregamentos
externos.

Solos colapsíveis: elevadas porosidades que, quando em contato com a água, ocorre a
quebra da cimentação intergranular, resultando em contato súbito.

Escavações em áreas adjacentes à fundação: mesmo com paredes ancoradas, podem


ocorrer movimentos que ocasionam recalques nas construções vizinhas.
27
Vibrações, escavações de túneis, heterogeneidade do solo.

Fatores que dificultam a estimativa de recalques:


 Heterogeneidade do subsolo;
 Variação das cargas previstas;
 Método de cálculo

Recalque diferencial específico Δ/L ou distorção angular


 1/300 → trincas na alvenaria
 1/500 → trincas na estrutura, não se admitem trincas (?)

5.5. Recalques em solos arenosos


Em solos arenosos, recalques ocorrem imediatamente após a aplicação das cargas. O
recalque elástico imediato da fundação (S) apoiada no topo da camada pode ser estimado
a partir da equação obtida na teoria da elasticidade (somente aplicada a um meio uniforme
e em solos arenosos):
1 − 𝜐2
𝑆= 𝑞∗𝐵∗ 𝐼𝑤
𝐸
 q = tensão aplicada na camada;
 B = menor largura da fundação;
 E = módulo de elasticidade do solo. Pode variar ao longo da profundidade (e
geralmente varia). Pode ser determinado pelo ensaio de carregamento de placa;
 ν = módulo de Poisson do solo. É estimado, caso não tenha informação sobre o solo
→ ν = 0,3;
 Iw = fator de influência, dependendo da forma da superfície carregada e da aplicação
das pressões (elemento rígido ou flexível). Se a sapata for rígida, Iw não faz diferença
se for no centro ou canto.

5.6. Compressibilidade edométrica


Também conhecido como compressão confinada, é um ensaio usado para determinar a
compressibilidade de um solo. Indica o componente de deformação volumétrica. Em solos,
a relação carga x deformação são relativamente menos precisas.

Quando o recalque fica constante, dobra-se o carregamento.

5.7. Estimativa da tensão admissível


Pode ser feita se houver um gráfico da tensão e o índice de vazios. A tensão admissível é
o menor valor entre σ10 e σ25 / 2, onde σ10 corresponde ao índice de vazios e = 10.

𝐻 − 𝐻𝑠 Δ𝑒 ∗ 𝐻
𝑒𝑖 = → Δ𝐻 =
𝐻𝑠 1 + 𝑒𝑖

Δ𝑒
𝐶𝑐 =
Δ log 𝜎′
𝐶𝑐 𝜎2
Δ𝐻 = ∗ 𝐻 ∗ log
1 + 𝑒𝑖 𝜎1

A equação de ΔH permite o cálculo do recalque sem utilizar diretamente o resultado do


ensaio de adensamento. Esse aparece indiretamente, através do índice de compressão.

28
Entretanto, isso só pode ser feito quando o solo se encontra na situação da reta virgem
(solo normalmente adensado), ou seja σ v ’ = σa’.

Estimativa de C c por skempton, para solo normalmente adensado.


𝐶𝑐 = 0,009 ∗ (𝐿𝐿 − 10)

Ensaios de caracterização do solo tem uma boa aproximação do índice de liquidez (LL).
Solos arenosos possuem LL baixo, logo não usar a teoria de Skempton.

Para solos pré adensados (σ v ’ < σa’), em que o carregamento se inicia no trecho anterior a
σa’ e a pressão final ultrapassa σ a’, o recalque será parte por recompressão (C r) e parte
correspondente à reta virgem (C c ). O índice de recompressão (C r) é dado por
Δ𝑒𝑟𝑒𝑐𝑎𝑙𝑞𝑢𝑒 Δ𝑒
𝐶𝑟 = ′ =
Δ log 𝜎𝑟𝑒𝑐𝑜𝑚𝑝𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜 𝜎′
log( 𝐴′ )
𝜎1

Se a tensão de pré adensamento não for ultrapassada


𝐶𝑅 𝜎𝐴′
Δ𝐻 = ∗ 𝐻 ∗ log ′
1 + 𝑒𝑖 𝜎1

Quando o carregamento ultrapassa a tensão de pré adensamento, considerar as duas


situações (antes, e quando passa de σ a’)
𝐻 𝜎𝐴′ 𝜎2′
Δ𝐻 = (𝐶 ∗ log ′ + 𝐶𝑐 ∗ log ′ )
1 + 𝑒𝑖 𝑅 𝜎1 𝜎𝐴

Imediatamente após a aplicação do carregamento, os acréscimos de poropressão, em


qualquer ponto da argila, serão iguais à sobrecarga aplicada
𝐶𝑣
𝑇𝑣 =
𝐻 ∗ 𝑑2

No recalque por adensamento, a variável tempo é de extrema importância.

Método de Casagrande
𝑇50 ∗ 𝐻 ∗ 𝑑 2
𝐶𝑣 =
𝑡50

Quando a carga é centrada, admite-se distribuição uniforme e constante das tensões. Com
a ação do vento, geralmente os pilares transmitem momento, resultado em cargas
excêntricas. Deve ser considerada a flexão normal oblíqua, fazendo com que as tensões
no solo não sejam constantes. A distribuição depende do ponto de aplicação da carga em
relação ao centro. σmax >= σadm do solo.

A área comprimida deve ser no mínimo 2/3 da área total. Se a resultante cair dentro do
terço médio, não tem tração. Se estiver fora do terço médio, terá tração.
∑𝑉 6∗𝑒
𝜎= ∗ (1 ± )
𝐿 𝐿

Se e > L/6 a resultante passa fora do núcleo central. No caso de dupla excentricidade,
verificar para as duas direções.

29
Altura máxima do muro de arrimo na ordem de 4m. Acima disso não fica econômico.

>> Cálculo de muro de arrimo <<

30
6. FUNDAÇÕES PROFUNDAS

Elemento de fundação que transmite a carga ao terreno pela base (resistência de ponta),
por sua superfície lateral (resistência de fuste) ou por uma combinação das duas. Sua base
está assentada em profundidade superior ao dobro de sua menor dimensão em planta, e
no mínimo 3m, salvo justificativa.

Cota de arrasamento é o nível que deve ser deixado o topo da estaca ou tubulão para que
o elemento de fundação e sua armadura penetrem no bloco de coroamento.

O levantamento é o movimento vertical ascendente de uma fundação.

Atrito negativo é quando o recalque do solo é maior que o recalque da estaca ou tubulão.
Esse fenômeno ocorre quando o solo está em processo de adensamento, provocado pelo
seu peso próprio, por sobrecargas lançadas na superfície, por rebaixamento do lençol
freático, pelo amolgamento da camada mole compressível decorrente de execução de
estaqueamento, entre outros.

É entendido como rocha friável aquelas que são facilmente intemperáveis. Exemplo é o
filito.

A escolha de uma fundação depende das condições técnicas e econômicas da obra. Carga
admissível e espaçamento mínimo entre eixos podem ser adotados com base nas
especificações. A carga admissível é Força adotada em projeto que aplicada sobre a estaca
ou sobre o tubulão isolado atende, com coeficientes de segurança pré-determinados, aos
estados limites último (ruptura) e de serviço (recalques, vibrações, etc.), quando os esforços
forem fornecidos em valores característicos (NBR 6122).

6.1. Tubulão
Elemento de fundação profunda, cilíndrico, em que, pelo menos na sua etapa final, há
descida de operário. Pode ser feito a céu aberto ou sob ar comprimido (pneumático) ter ou
não base alargada. Pode ser executado com ou sem revestimento, podendo este ser de
aço ou de concreto. No caso de revestimento de aço (camisa metálica), este poderá ser
perdido ou recuperado. (NBR 6122)

Não deve-se colocar um tubulão para dois pilares. Se não houver investigações do subsolo,
um bom estudo preliminar é a abertura de uma trincheira. Não precisa deixar 2,5 cm da
base até a divisa pois não tem forma.

Determinação empírica da tensão admissível do solo na cota de assentamento da base de


tubulões com resultados de SPT. Correlação entre o Nspt e σs adm:
 Tubulões “longos” (mais de 7m): σ s adm = SPTmédio / 0,03 (kN/m2)
 Tubulões “curtos” (até 7m): σ s adm = SPTmédio / 0,04 (kN/m2)
 SPTmédio = média aritimética dos Nspt na região de influência da carga (bulbo de
pressão)
 L = profundidade do bulbo de pressão (2B <= L <= 3B)

Procedimento de cálculo em tubulões excêntricos:


 A base pode ser de seção circular de diâmetro “b” ou em falsa elipse, com raio de
curvatura “b” e parte reta “x”, sendo a = b + x. A falsa elipse é utilizada quando há

31
restrições construtivas. A base deverá ter rodapé de 20 cm, altura “H” e ângulo
mínimo α.
 Deixar 10 cm entre as bases dos Tubulões, mas se a restrição construtiva permitir,
não tem problema encostar. A base dos tubulões próximos deve estar na mesma
cota.
 Determina-se x;
 A relação a/b deve ser menor que 2,5.
 Verifica-se a dimensão b. Não é recomendável valores elevados para b/2, uma vez
que grandes excentricidades resultam em uma viga de equilíbrio grande e que pode
ser antieconômica;
 O centro de gravidade do fuste e da base devem estar sobre o eixo da viga de
equilíbrio;
 Pilar de alinhamento: avanço máximo de 1 m do fuste e do bloco de coroamento
(quando houver). Na base do tubulão não existe restrição.
 Quando houver mais de uma estaca para o mesmo bloco é necessário fazer uma
cinta de travamento para aumentar a rigidez

>> Exercícios <<

32
6.1.1. Tubulões a céu aberto
São executados acima do nível d’água. Em casos especiais, podem ser feitos em terrenos
saturados onde seja possível bombear água sem riscos de desmoronamento. A
concretagem pode ser revestida ou não. O concreto não pode ser lançado do alto por risco
de segregação, formação de espaços vazios no fuste e o impacto com o solo das paredes
pode causar desmoronamento e contaminação do concreto. Em geral, não tem como fazer
vibração do concreto. Diâmetro mínimo do fuste de 80 cm.

Se o carregamento atuar apenas na vertical, não precisa de armação, somente ferragem


no topo para ligação do mesmo com o bloco de coroamento. Ancoragem da armação
mínima de 10 cm. Se houver momento, é necessário estender as armações até o ponto
onde M=0. Armadura mínima é calculada da seguinte forma: se o diâmetro do fuste é 90
cm, a armadura são 9 + 1 fios de 12,5 mm. A armadura deve ter espaçadores e deve ser
presa no alto até a cura do concreto.

6.1.2. Tubulões a ar comprimido


O ar comprimido permite que o tubulão seja executado abaixo do nível d’água. É feito em
solos onde não é viável bombear a água ou em que haja riscos de desmoronamento. A
escavação do fuste é realizada sempre com o auxílio de revestimento, que pode ser de
metal ou concreto (se for poroso, tem chance de entrar água). O ar comprimido é inserido
na abertura da base e na concretagem.

Existe legislação trabalhista específica em decorrência do ambiente com ar comprimido (>


0,15 MPa). O operário trabalha 4 horas e espera 4 horas. Necessário equipe de socorro
médico na obra. Necessário câmara de descompressão. Compressores e reservatórios de
ar reserva. Renovação de ar garantida quando houver operário dentro. Pressão máxima
permitida de 20 mca.

6.2. Estacas
Elemento de fundação profunda executado inteiramente por equipamentos ou ferramentas,
sem que, em qualquer fase de sua execução, haja descida de operário. Os materiais
empregados podem ser: madeira, aço, concreto pré-moldado, concreto moldado in situ ou
mistos (NBR 6122). São elementos esbeltos, colocados no solo por cravação ou
perfuração.

Grandes deslocamentos: cravadas, de ponta fechada, pré-fabricadas maciças (madeira e


pré-moldados de concreto) ou ocas (tubuladas, caixão de aço, pode ser de concreto),
moldadas in situ.

Pequenos deslocamentos: perfis de aço I ou H, estacas trilho, tubulares de aço com ponta
aberta, não considerando a bucha que se forma durante a cravação.

6.2.1. Estacas escavadas ou perfuradas


Estaca executada preenchendo-se, com concreto ou argamassa, perfurações previamente
executadas no terreno (NBR 6122). São consideradas estacas sem deslocamento. As
paredes podem ser suportadas (revestimento) ou não suportadas (fluido estabilizante).

6.2.1.1. Estaca escavada mecanicamente


Estaca executada por perfuração do solo através de trado mecânico, sem emprego de
revestimento ou fluido estabilizante, para que, em seguida, o furo seja preenchido com
concreto que é vertido a partir da superfície com auxílio de um funil. Um caso particular da
estaca escavada mecanicamente é a estaca broca executada por perfuração com trado
33
manual, na maioria das vezes, e posterior concretagem através do lançamento do concreto
a partir da superfície (NBR 6122). Utilizado trado mecânico, sem emprego de revestimento
ou fluido estabilizante.

Caso: estaca broca executada com perfuração manual. Usado quando o solo não
desmorona, nível d’água encontra-se abaixo da estaca e as cargas são pequenas.

6.2.1.2. Estaca raiz


Estaca armada e preenchida com argamassa de cimento e areia, moldada in loco.
Executada através de perfuração rotativa ou retropercussiva, revestida integralmente, no
trecho em solo, por um conjunto de barras ou tubos metálicos recuperáveis. Os vazios do
furo são preenchidos com calda de cimento ou argamassa.

A extração da coluna de perfuração é feita com aplicação de ar comprimido. Imediatamente


após a moldagem do fuste, é aplicada pressão no topo, com ar comprimido, uma ou mais
vezes durante a retirada do tubo de revestimento. Não se usa tubo de válvulas múlti plas,
mas usam-se pressões baixas (inferiores a 0,5 MPa) que visam apenas garantir a
integridade da estaca (NBR 6122). A pressão do concreto é um parâmetro de projeto.
Possui fuste de 15 a 40 ~ 50 cm.

É de rápida execução e há percolação de parte do concreto no solo pois a injeção é feita


sob pressão. Vantagem é a compacidade do equipamento. Desvantagem é o preço.

6.2.1.3. Estaca Strauss


Estaca executada por perfuração do solo com uma sonda ou piteira e revestimento total
com camisa metálica, realizando-se o lançamento do concreto e retirada gradativa do
revestimento com simultâneo apiloamento do concreto. (NBR 6122). O lançamento e
apiloamento do concreto é feito juntamente com a retirada gradativa do revestimento. Ás
vezes joga água para facilitar a entrada do tubo.

Cuidados: ao retirar o revestimento, não subir até acima do nível do concreto ou solo pode
entrar no furo e seccionar o fuste. É possível verificar se houve seccionamento através de
ensaio de onda.

6.2.1.4. Estaca escavada com fluido estabilizante


Estaca moldada in loco sendo a estabilidade da parede da perfuração assegurada pelo uso
de lama bentonítica, fluído estabilizante ou revestimento metálico total ou parcial. Recebe
a denominação de estaca escavada quando a perfuração é feita por uma caçamba
acoplada a uma perfuratriz, e estaca barrete quando a seção for retangular e escavada com
utilização de “clam-shell” (NBR 6122). Utilizada para grandes cargas.

A lama bentonítica é uma mistura de cimento e água que, quando em repouso, forma uma
espécie de gelatina (cake) e impede a entrada de água. Tem que ficar 1,5 m acima do nível
d’água. Controle da quantidade de lama e hidrociclones que medem a contaminação da
lama (com solo). Cuidados devem ser tomados em relação à pressão hidrostática (, que deve
ser) positiva dentro da escavação. Não deixar o furo aberto por mais de 48 horas.

A armadura (gaiola) é inserida antes da concretagem. É necessária aplicação de pressão


para que o concreto sujo mais a lama subam e o concreto do fuste seja de qualidade, sem
solo misturado. Multiplicar o volume de concreto da estaca por 1,2 para contabilizar o que
será retirado no topo.

34
6.2.1.5. Estaca hélice contínua monitorada
Estaca de concreto moldada in loco, executada mediante a perfuração do terreno com a
introdução, por rotação, de um trado helicoidal contínuo e injeção de concreto pela própria
haste central do trado simultaneamente com a retirada do mesmo, sendo que a armadura
é colocada após a concretagem da estaca (NBR 6122). Retira o solo sem deslocamentos,
logo não há perturbações nos terrenos vizinhos. Pode ser executado em solos coesivos ou
arenosos, com ou sem a presença de nível d’água.

Sua execução é relativamente rápida e limpa. O monitoramento e controle da execução é


feito pelo equipamento Taracord. O trado é único e a execução é feita de uma só vez, sem
pausas. Isso garante que não tem alívio de tensões laterais. Se houver emendas do trado
durante a execução, perde a característica de hélice contínua. A retirada do trado é feita
com rotação lenta no mesmo sentido ou sem girar. Se o trado for muito grande, a logística
pode ser um limitador (dimensões do terreno, vizinhança, transporte, disponibilidade de
equipamento).

Controles feitos pelo painel do Taracord: profundidade, tempo, inclinação da torre,


velocidade de penetração do trado, velocidade de retirada da hélice, torque e pressão de
contato. O torque pode variar com o avanço da profundidade.

A armadura é inserida imediatamente após o fim da concretagem, com profundidade


mínima de 6m. O prumo da gaiola deve ser garantido e o concreto não pode ter iniciado o
tempo de pega; a armação pode sanfonar. O concreto deve ser bem fluido. Pode usar um
trator par içar e inserir a armadura.

Atenção especial com:


 Ponta em areia saturada e argila saturada, pois tendem a mudar de resistência;
 A ponta do trado pode ter (ou tem, obrigatoriamente?) uma tampa para não entrar
solo. Para abrir, usar a pressão do concreto;
 Camadas sem nível d’água podem absorver água do concreto;
 Prova de carga estática ou dinâmica (equação de onda);
 Não pode usar emendas! -> alívio de tensões;
 Deve ser concretada até o nível do terreno e depois realizar o arrasamento. Isso
evita a contaminação do concreto e a estabilidade do furo na colocação da armadura;
 Sanfonamento da armadura;
 Se o giro da retirada for contrário ao de entrada, pode haver mistura de solo com
concreto;
 Profundidade máxima de aproximadamente 27 m;
 Fustes de 35 a 120 cm;

6.2.1.6. Estaca hélice de deslocamento monitorado


Estaca de concreto moldada in loco que consiste na introdução de um trado apropriado no
terreno, por rotação, sem que haja retirada de material, o que ocasiona um deslocamento
do solo junto ao fuste e à ponta. A injeção de concreto é feita pelo interior do tubo central
em torno do qual estão colocadas as aletas do trado simultaneamente a sua retirada por
rotação (NBR 6122). Devem ser tomados cuidados com a ponta.

Em comparação com a hélice contínua convencional, tem mais atrito, logo provoca
vibrações. Livro do Alonso -> dividir a ponta por 2 ou não? Problemas: se a execução for
muito rápida ou muito lenta pode haver alívio de tensões excessivas e deformar a armadura
(comprimir lateralmente).
35
6.2.2. Estacas cravadas
Estaca introduzida no terreno por golpes de martelo de gravidade, de explosão, hidráulico
ou martelo vibratório (NBR 6122). O controle de cravação de estacas cravadas é feito pela
nega e pelo repique elástico. A prova de carga pode ser estática ou dinâmica. Se o Nspt >
30 não usar estaca cravada pois vai quebrar.

A nega é a medida da penetração permanente de uma estaca, causada pela aplicação de


um golpe de martelo ou pilão, sempre relacionada com a energia de cravação. Dada a sua
pequena grandeza, em geral é medida para uma série de dez golpes (NBR 6122). É critério
de paralização para não quebrar a estaca ou equipamento. A cravação de uma estaca é
um processo dinâmico (além da resistência estática do solo há mobilização de resistência
dinâmica (que?)). Se a nega não fechar, a estaca pode suportar a carga apenas com o atrito
lateral, e é chamada de estaca flutuante.

O repique elástico é a parcela elástica do deslocamento máximo de uma seção da estaca


decorrente da aplicação de um golpe do martelo ou pilão. É o tanto que “volta” do elemento
cravado (o solo expulsa, devido à sua característica elástica).

6.2.2.1. Estaca de reação (mega ou prensada)


Também chamadas de estacas cravadas por prensagem ou estacas de deslocamento. A
estaca ou molde é introduzido no terreno através de macaco hidráulico, reagindo contra
uma estrutura existente ou criada especificamente para esta finalidade. Usada para reforço
de estruturas.

6.2.2.2. Estaca Franki


Estaca moldada in loco executada pela cravação, por meio de sucessivos golpes de um
pilão, de um tubo de ponta fechada sobre uma bucha seca de pedra e areia previamente
firmada na extremidade inferior do tubo por atrito. Esta estaca possui base alargada e é
integralmente armada (NBR 6122).

6.2.2.3. Estaca metálica ou de aço


Estaca constituída de elemento estrutural metálico produzido industrialmente, podendo ser
de perfis laminados ou soldados, simples ou múltiplos, tubos de chapa dobrada ou
calandrada, tubos com ou sem costura, e trilhos (NBR 6122). Sua resistência é
predominantemente devido ao atrito lateral.

O prumo da estaca deve ser rigorosamente assegurado. Se houver desvios pode empurrar
outros elementos de fundações ou estruturas. A área útil é menor do que a área do perfil.
A norma determina algumas peculiaridades: a área da seção deve ser 1,5mm a menos em
geral e 40% menor se for trilho usado. A carga admissível é 25% menor para trilhos. O
controle se dá por prova de carga estática, dinâmica, nega e repique elástico.

Vantagens:
 Processo de cravação “fácil, rápido e eficiente”;
 As peças são leves, melhorando o processo de logística e estocagem;
 Alta rigidez à flexão;
 Grande capacidade de carga;
 Facilidade em atravessar camadas resistentes;
 Pode chegar a grandes profundidades;

36
 Pequenos deslocamentos do solo, gerando menor risco para fundações e estruturas
existentes;
 Pode ser usada como contenção.

Desvantagens:
 Produz muita vibração no processo de cravação;
 Assegurar o prumo da estaca;
 Dependendo das dimensões, pode ser difícil transportar e içar em áreas urbanas;
 Barulho e trepidação durante a cravação;
 Em trechos desenterrados ou imerso em aterro contaminado é obrigatório ter
proteção contra corrosão;
 A deterioração das peças pode variar com a umidade, textura e composição do solo.

6.2.2.4. Estaca tubada ou pré-moldada


Cravação com bate estaca, escavação em solo natural ou rocha (perfuratriz hidráulica).
Escavação interna manual ou mecânica. Pode haver abertura de base sob ar comprimido
ou não (mas isso não seria tubulão?) . Chapas de aço (6,3 a 9,5 mm) calandradas (chapa tubada
costurada).

6.3. Definição do estaqueamento


Um conjunto de duas ou mais estacas destinadas a receber a carga proveniente da
estrutura e transmiti-la ao solo deve ser associado por um bloco de coroamento. O ideal é
que sejam executadas estacas de mesmo tipo e mesmo diâmetro em um mesmo bloco.

O centro de carga deve coincidir com o centro do conjunto de fundações profundas, quando
não houver restrições de espaço. O número de estacas necessárias é a razão entre a carga
no pilar e a carga admissível na estaca. A distância entre o eixo da estaca e a divisa
depende do tipo de estaca e o equipamento de execução.

O procedimento de projeto de pilares com carga vertical é feito por tentativas. Um


estaqueamento inicial é considerado e, a partir daí, a carga atuante na estaca é calculada.
O esquema é aceito se a carga nas estacas forem menores que as cargas admissíveis de
compressão e de tração (quando houver). A carga admissível pode ser determinada pela
resistência da estaca ou pela resistência do solo (interação estaca-solo).

37
38
39
O espaçamento mínimo entre estacas deve ser obedecido entre estacas do mesmo
estaqueamento e entre estaqueamentos vizinhos.
40
A disposição das estacas deve ser feita, sempre que possível, de modo a conduzir blocos
de menor volume, no sentido da maior dimensão do pilar. Quando há superposição de
estacas de dois ou mais pilares, esses podem ser unidos em um só bloco. No caso de
blocos com duas estacas para dois pilares, deve-se evitar a posição da estaca embaixo dos
pilares. É recomendável que para blocos de até duas estacas ocorra a sua amarração com
outros blocos da obra. No bloco, deixar 10 cm de “beirada” (para fora da última estaca).

Para a situação onde há carga vertical e momento, a carga em cada estaca é calculada
somando-se separadamente os efeitos da carga vertical e dos momentos. Para isto é
necessário que os eixos x e y sejam os eixos principais de inércia, e que as estacas sejam
verticais, do mesmo tipo, diâmetro e comprimento.

41
Se uma das estacas quebrar, as novas estacas não precisam respeitar a distância “d” até
a estaca quebrada.

7. CAPACIDADE DE CARGA PARA FUNDAÇÕES PROFUNDAS


7.1. Formulação clássica de Terzaghi
Cálculo análogo ao que já foi exposto para o cálculo da capacidade de carga das sapatas.
No dimensionamento dos tubulões, só é levada em consideração a sua resistência de
ponta, uma vez que o seu peso próprio (do concreto) compensa o atrito lateral. No
dimensionamento de estacas, é levada em consideração ambas as resistências (ponta e
fuste).

7.2. Ensaios de laboratório


No caso das argilas, a tensão admissível pode ser adotada como:
σs = pa
Onde: pa = tensão de pré-adensamento das argilas;

7.3. Ensaio de SPT


Com base no valor médio da resistência à penetração medida no ensaio SPT numa
profundidade igual a duas vezes o diâmetro da base, a partir da cota de assentamento do
tubulão:
σs = NSPT / 30 (Mpa)

42
7.4. Método de Aoki-Velloso
A carga na ruptura (P R) é dada pela soma das parcelas de atrito lateral ao longo do fuste
(PL) e a parcela de resistência de ponta (P P):
PR = PL + PP
PL = U * L * rL
Pp = A * rP

U é o perímetro da seção transversal do fuste, em metros. L é o trecho onde a parcela de


atrito lateral é constante (rL). A é a área de ponta, dada em m2 (para estaca Franki, usar a
seção transversal da esfera).
rL = α * K * Nspt / F2
rp = K * Nspt / F1

F1, F2, K e α são obtidos através de tabelas de acordo com o tipo de terreno.
>> Tabelas<<

A profundidade da base corresponde a uma carga de ruptura mínima de 2 vezes a carga


admissível, ou seja, FS = 2. As estacas Franki possuem tabelas com o diâmetro do fuste e
a capacidade de carga que ela suporta. Cada diâmetro possui um volume de bulbo usual,
mas podem ser adotados outros
>> Tabelas estaca Franki <<

7.5. Método de Decourt-Quaresma


Trata-se de um método semi-empírico desenvolvido por Luciano Decourt e Artur Quaresma
baseado em correlações diretas com os índices de penetração do amostrador padrão do
ensaio de “SPT”.

O método foi lançado originalmente no 6º Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e


Engenharia de Fundações em 1978 na cidade do Rio de Janeiro com aplicações para
estacas de deslocamento (cravadas). Em 1996, Decourt estendeu a formulação para
estacas escavadas com a introdução de coeficientes de ponderação para estes tipos de
estacas.

A capacidade de carga na ruptura (P R) é dada pela soma das parcelas de atrito lateral ao
longo do fuste (P L) e a parcela de resistência de ponta (P P):
Qu = QL + QP

QU = capacidade de carga ou carga de ruptura total na interação “solo-estaca”


QL = capacidade de carga ou carga de ruptura de atrito lateral - interação “solo-estaca”
QP = capacidade de carga ou carga de ruptura de ponta na interação “solo-estaca”

Carga admissível (QADM) da estaca na interação “solo-estaca”:


Q Q
Q ADM  AL  P
1,3 4
Q
Q ADM  U
2

Capacidade de carga por atrito lateral é dada pelo produto da área lateral do fuste por metro
linear da estaca e a resistência ao longo do fuste:
Q AL  A' L q L

43
A' L  P eq. 1.3E

P = perímetro do fuste da estaca – função de DF - (m)

qL = resistência lateral por metro ao longo do fuste da estaca obtida a partir de formula empírica

baseada nos índices de penetração do Ensaio “SPT” e tipo de estaca (tf/m).

j
q L    i  q lI  Li  para cada camada atravessada eq. 1.3F
1

j = nº de camadas atravessadas

i = coeficiente de ponderação da resistência de atrito de acordo com o tipo de

estaca e solo (Decourt, 1996)

TABELA 1.3A – Coeficientes 

Tipo de Solo 
Areia Silte Argila
Tipo de Estaca

Cravadas 1,0 1,0 1,0

Escavada sem Lama 0,5 0,65 0,8

Escavada com Lama 0,6 0,75 0,9

Hélice Contínua 1,0* 1,0* 1,0*

Raiz 1,5* 1,5* 1,5*

Presso-ancoragem 3,0* 3,0* 3,0*

Micro-estaca injetada 3,0* 3,0* 3,0*

* Valores apenas orientativos devido ao reduzido número de dados disponíveis.

Li = comprimento da estaca em cada camada atravessada (m)

44
 n SPTi 
 n 
q Li     1 (tf / m 2 ) equação empírica
1 i
eq. 1.3G
 3 
 
 

SPT i = índices do amostrador padrão da sondagem a percussão ao longo do

fuste da estaca em cada camada atravessada não se considerando o “SPT”

referente ao metro imediatamente acima da ponta da estaca. Os autores

recomendam que os “SPTs” adotados sejam limitados ao intervalo 3  SPT  50

(para estacas cravadas) no intervalo 3  SPT  15 (para estacas escavadas –

apud Velloso, D. e Alonso, U. - 2000)

ni = somatório do número de “SPTs” um metro acima da ponta da estaca ao

longo do fuste em cada camada atravessada. O metro imediatamente acima da

ponta da estaca não deve ser considerado.

Capacidade de Carga de Ponta

QP  AP  q P eq. 1.3H

QP = capacidade de carga ou carga de ruptura de ponta - interação “solo-estaca” (tf)

AP = área de ponta da base da estaca

  DP2
AP  (conforme definições de DP abaixo) eq. 1.3I
4
DP = diâmetro da ponta da estaca ou base (cm)

Para estacas sem base com pontas circulares:

DP  DF

DF (diâmetro do fuste) = DP (diâmetro da ponta)

Para estacas com base:

4
VP     R3
3
Volume e Raio da esfera fictícia eq. 1.3J
3  V
R3 P

4

VP = volume da base (m³)

R = raio da base (m)

DP = diâmetro da ponta fictícia da base


45
Para estacas com pontas de geometria quaisquer:

DP = diâmetro do círculo de área equivalente

Por exemplo, estaca com ponta quadrada de lado ”L”:

 D P2
 L2
4
4
DP  L2

qP = resistência de ponta obtida por correlação entre o “SPT” e a resistência de ponta do ensaio de

cone transformada pelo coeficiente “” que considera o método executivo da estaca, ou seja, o tipo

de estaca. (tf/m²)

q P   i qCi AP
qC  K i SPTi  P  MÉDIO eq. 1.3K
q P   i K i SPTi  P  MÉDIO

K = coeficiente que correlaciona a resistência de ponta unitária no Ensaio “CPT” com os índices de

penetração do amostrador padrão do ensaio “SPT”

TABELA 1.3B – Coeficiente K

Tipo de Solo K (tf/m²)

Argila 12

Silte Argiloso 20

Silte Arenoso 25

Areia 40

 = coeficiente que correlaciona a resistência de ponta unitária no Ensaio “CPT” com o tipo de solo

e tipo de estaca.

TABELA 1.3C – Coeficientes 

Tipo de Solo 
Areia Silte Argila
Tipo de Estaca

Cravadas 1,0 1,0 1,0

Escavada sem Lama 0,5 0,6 0,85

Escavada com Lama 0,5 0,6 0,85

46
Hélice Contínua 0,3* 0,3* 0,3*

Raiz 0,5* 0,6* 0,85*

Presso-ancoragem 1,0* 1,0* 1,0*

Micro-estaca injetada 1,0* 1,0* 1,0*

* Valores apenas orientativos devido ao reduzido número de dados disponíveis.

SPT i-P-MÉDIO = média dos índices do amostrador padrão da sondagem a

percussão na ponta da estaca (um metro acima, um metro abaixo, e na ponta).

Os autores recomendam que os “SPTs” adotados sejam limitados a valores de

no máximo “50golpes/cm” e mínimos de “3golpes/cm”

47
___________________________________________________________________

EXEMPLO 1.3A:

Estimar a capacidade de carga e a carga admissível das estacas para as condições a seguir e o perfil

geotécnico da figura abaixo.

a) Para um carregamento axial de compressão e estaca tipo pré-moldada cilíndrica de concreto vazado

com DF = 200mm.

b) Para um carregamento axial de compressão e estaca tipo Strauss com D F = 320mm.

c) Para um carregamento axial de compressão e estaca tipo Franki com DF = 600mm e base injetada

com 300 litros.

d) Para um carregamento axial de compressão e estaca tipo pré-moldada quadrada de concreto maciço

com lado de 300mm.

e) Para um carregamento axial de tração e estaca tipo pré-moldada cilíndrica de concreto vazado com

DF = 330mm.

48
SOLUÇÃO (a):

Estaca Pré-moldada de concreto de seção circular:

Capacidade de Carga por Atrito Lateral:

Q AL  0,63  40,63  25,60 tf (na eq. 1.3D)

A' L    0,20  0,63m (na eq. 1.3E)

DF = 0,20m

Na eq. 1.3F para cada camada atravessada:

2
q L   1,0  4,66  4  1,0  7,33  3  40,63 tf / m
1

Para a camada de argila arenosa:

Li = 4,0m  na camada de argila arenosa

i = 1,0  estaca cravada - argila (da TABELA 1.3A)

  (8  10  15)  
 
  3 
q Li   1  4,66 tf / m 2 (na eq. 1.3G)
 3 
 
 
Para a camada de silte arenoso:

Li = 3,0m  na camada de silte arenoso

i = 1,0  cravada argila (da TABELA 1.3A)

  (18  20)  
 
  2 
q Li   1  7,33 tf / m 2 (na eq. 1.3G)
 3 
 
 

Capacidade de Carga de Ponta

QP  0,0314  800  25,12 tf (na eq. 1.3H)

  0,2 2
AP   0,0314 m 2 (na eq. 1.3I)
4

DP  DF =0,20m

25  35  38
SPTi  P  MÉDIO   32
3
(da eq. 1.3K)
q P  1,0  25  32  800 tf / m 2

49
K = 25 tf/m²  camada de silte arenoso (da TABELA 1.3B)

 i = 1,0  estaca cravada - silte (da TABELA 1.3C)

Capacidade de Carga:

QU  25,60  25,12  51,72 tf ( na eq. 1.3A)

Carga Admissível:

25,60 25,12
Q ADM    25,97 tf (na eq. 1.3B)
1,3 4

51,72
Q ADM   25,86 tf (na eq. 1.3C)
2,0

 A carga admissível é 25,86 tf.

___________________________________________________________________

SOLUÇÃO (b):

Estaca Strauss (escavada sem revestimento)

Capacidade de Carga por Atrito Lateral:

Q AL  1,01  26,61  26,88 tf (na eq. 1.3D)

A' L    0,32  1,01m (na eq. 1.3E)

DF = 0,20m

Na eq. 1.3F para cada camada atravessada:

2
q L   0,8  4,66  4  0,65  6,0  3  26,61 tf / m
1

Para a camada de argila arenosa:

Li = 4,0m  na camada de argila arenosa

i = 0,8  estaca escavada sem lama - argila (da TABELA 1.3A)

  (8  10  15)  
 
  3 
q Li   1  4,66 tf / m 2 (na eq. 1.3G)
 3 
 
 

Para a camada de silte arenoso:

Li = 3,0m  na camada de silte arenoso

50
i = 0,65  estaca escavada sem revestimento – silte arenoso (da TABELA

1.3A)

  (15  15)  
 
 2 
q Li    1  6,0 tf / m 2 (na eq. 1.3G)
 3 
 
 
Capacidade de Carga de Ponta:

QP  0,0804  480  38,59 tf (na eq. 1.3H)

  0,32 2
AP   0,0804 m 2 (eq. 1.3I)
4

DP  DF =0,32m

25  35  38
SPTi  P  MÉDIO   32
3
(da eq. 1.3K)
q P  0,6  25  32  480 tf / m 2

K = 25 tf/m²  camada de silte arenoso (da TABELA 1.3B)

 i = 0,6  estaca escavada sem lama – silte (da TABELA 1.3C)

Capacidade de Carga:

QU  26,88  38,59  65,47 tf ( na eq. 1.3A)

Carga Admissível:

26,88 38,59
Q ADM    30,32 tf (na eq. 1.3B)
1,3 4

68,09
Q ADM   34,05 tf (na eq. 1.3C)
2,0

 A carga admissível é 30,32 tf.

___________________________________________________________________

SOLUÇÃO (c):

Estaca Franki com base alargada:

Capacidade de Carga por Atrito Lateral:

Q AL  1,88  40,63  76,38 tf (na eq. 1.3D)


51
A' L    0,60  1,88m (na eq. 1.3E)

DF = 0,60m

Na eq. 1.3F para cada camada atravessada:

2
q L   1,0  4,66  4  1,0  7,33  3  40,63 tf / m
1

Para a camada de argila arenosa:

Li = 4,0m  na camada de argila arenosa

i = 1,0  estaca cravada - argila (da TABELA 1.3A)

  (8  10  15)  
 
 3 
q Li    1  4,66 tf / m 2 (na eq. 1.3G)
 3 
 
 
Para a camada de silte arenoso:

Li = 3,0m  na camada de silte arenoso

i = 1,0  estaca cravada – silte arenoso (da TABELA 1.3A)

  (18  20)  
 
 2 
q Li    1  7,33 tf / m 2 (na eq. 1.3G)
 3 
 
 

Capacidade de Carga de Ponta

QP  0,541  800  432,80 tf / m 2 (na eq. 1.3H)

  0,83 2
AP   0,541 m 2 (na eq. 1.3I)
4
Para a estaca com base:

3  0,300
R3  0,415m Raio da esfera fictícia (na eq. 1.3J)
4

VP = 300l = 0,300m³

DP = 2R = 0,415 x 2 =0,83m (diâmetro da ponta fictícia da

base)

52
25  35  38
SPTi  P  MÉDIO   32
3
(da eq. 1.3K)
q P  1,0  25  32  800 tf / m 2

K = 25 tf/m²  camada de silte arenoso (da TABELA 1.3B)

 i = 1,0  estaca cravada - silte (da TABELA 1.3C)

Capacidade de Carga:

QU  76,38  432,80  509,18 tf ( na eq. 1.3A)

Carga Admissível:

76,38 432,80
Q ADM    166,95 tf (na eq. 1.3B)
1,3 4

509,18
Q ADM   254,59 tf (na eq. 1.3C)
2,0

 A carga admissível é 166,95 tf.

___________________________________________________________________

SOLUÇÃO (d):

Estaca Pré-moldada de concreto de seção quadrada:

Capacidade de Carga por Atrito Lateral:

Q AL  1,20  40,63  48,76 tf (na eq. 1.3D)

A' L  4  0,30  1,20m (na eq. 1.3E)

DF = 0,30m

Na eq. 1.3F para cada camada atravessada:

2
q L   1,0  4,66  4  1,0  7,33  3  40,63 tf / m
1

Para a camada de argila arenosa:

Li = 4,0m  na camada de argila arenosa

i = 1,0  estaca cravada - argila (da TABELA 1.3A)

53
  (8  10  15)  
 
 3 
q Li    1  4,66 tf / m 2 (na eq. 1.3G)
 3 
 
 

Para a camada de silte arenoso:

Li = 3,0m  na camada de silte arenoso

i = 1,0  cravada - argila (da TABELA 1.3A)

  (18  20)  
 
 2 
q Li    1  7,33 tf / m 2 (na eq. 1.3G)
 3 
 
 
Capacidade de Carga de Ponta

QP  0,0907  800  72,56 tf (na eq. 1.3H)

  0,34 2
AP   0,0907 m 2 (na eq. 1.3I)
4
Para ponta com geometria quadrada:

L = 30 cm

4
DP   0,30 2  0,34 m

25  35  38
SPTi  P  MÉDIO   32
3
(da eq. 1.3K)
q P  1,0  25  32  800 tf / m 2

K = 25 tf/m²  camada de silte arenoso (da TABELA 1.3B)

 i = 1,0  estaca cravada - silte (da TABELA 1.3C)

Capacidade de Carga:

QU  48,76  72,56  121,32 tf ( na eq. 1.3A)

Carga Admissível:

48,76 72,56
Q ADM    55,65 tf (na eq. 1.3B)
1,3 4

54
121,32
Q ADM   60,66 tf (na eq. 1.3C)
2,0

 A carga admissível é 55,65 tf.

___________________________________________________________________

SOLUÇÃO (e):

Estaca Pré-moldada de concreto submetida à tração:

Capacidade de Carga por Atrito Lateral:

Q AL  1,04  40,63  42,26 tf (na eq. 1.3D)

A' L    0,33  1,04m (na eq. 1.3E)

DF = 0,33m

Na eq. 1.3F para cada camada atravessada:

2
q L   1,0  4,66  4  1,0  7,33  3  40,63 tf / m
1

Para a camada de argila arenosa:

Li = 4,0m  na camada de argila arenosa

i = 1,0  estaca cravada - argila (da TABELA 1.3A)

  (8  10  15)  
 
  3 
q Li   1  4,66 tf / m 2 (na eq. 1.3G)
 3 
 
 

Para a camada de silte arenoso:

Li = 3,0m  na camada de silte arenoso

i = 1,0  cravada - argila (da TABELA 1.3A)

  (18  20)  
 
 2 
q Li    1  7,33 tf / m 2 (na eq. 1.3G)
 3 
 
 
Capacidade de Carga de Ponta

QP  0 tf / m 2 pois a estaca está submetida a arrancamento

Capacidade de Carga:

QU  42,26 tf ( na eq. 1.3A)

55
Carga Admissível:

42,26
Q ADM   32,51 tf (na eq. 1.3B)
1,3

42,26
Q ADM   21,23 tf (na eq. 1.3C)
2,0

 A carga admissível é 21,23 tf.

___________________________________________________________________

8. CÁLCULO DE ARMAÇÃO DE ESTACAS


Excentricidade e = Mmax / N

v1 = Nd / (fc h² )
Onde h é a dimensão da seção da estaca
Ábacos de flexão composta são gráficos de (v1) x (v1 * e / h). Encontra-se w.
 Para w≠0
ρ = w * fc / fyd
As = ρ * π * h² / 4
 Para w=0
??

9. ESTACA PRANCHA E ANCORAGEM


São classificadas como estaca prancha peças de madeira, concreto armado ou metálicas,
cravadas no terreno formando, por justaposição, as cortinas (planas ou curvas) utilizadas
em obras de contenção de água ou maciços de solo. A cortina é um elemento esbelto (de
15 a 30 cm), como se fosse uma laje na vertical.

De madeira: uso limitado por ter comprimento relativamente pequeno (de 4 a 5m),
problemas na presença de água.

Metálicas: peças de aço laminado (perfils transversais laminados) com maior facilidade de
cravação, possibilidade de recuperação, maior regularidade, grande variedade de módulos
de resistência, grandes profundidades, etc.

A ancoragem diminui, consideravelmente, a ficha de uma cortina. Os tirantes são fios ou


cordoalhas de aço ou monobarra metálica. Pode ser protendido (ativo, aplica força na
estrutura) ou não protendidos (passivos, só atuam quando o maciço acrescenta carga na
cortina). 0Os tirantes pressionam a cortina contra o talude.

A cortina pode ter extremidade livre ou fixa.


 Livre: problema de estática. Conhecida a ficha e o esforço no tirante, calcula o
momento fletor máximo.
 Fixa: a parte cravada da cortina é considerada engastada. É feito o método da viga
equivalente, considerando a cortina como sendo uma viga rígida sobre dois apoios.
O cálculo do esforço do tirante é feito dividindo-se o diagrama de pressões (série de
cargas/reações A e R)

56
9.1. CÁLCULO DE FICHA
Distribuição das pressões ativas e passivas, considerando que o ângulo de atrito entre o
solo e a cortina é zero. A flexibilidade é desconsiderada, para simplificar.
1. Definição da envoltória de resistência para cada tipo de solo
γ = Peso específico do solo (tf / m³)
c = coesão do solo (tf / m²)
ϕ’ = ângulo de atrito do solo

2. Definição das solicitações (sobrecargas)


h = altura da contenção (m)
q = sobrecarga (tf / m²)

3. Diagrama de referência
d = ficha (distância da base da contenção até a base do elemento de contenção)

4. Para cada ponto marcado no diagrama, calcula-se a pressão ativa


𝑃𝑎 = γ h 𝑘𝑎 − 2 c √𝑘𝑎 + 𝑞 𝑘𝑎
ϕ’
𝑘𝑎 = tg²(45 − )
2

5. Para cada ponto marcado no diagrama, calcula-se a pressão passiva


𝑃𝑝 = γ h 𝑘𝑝 + 2 c √𝑘𝑝
ϕ’
𝑘𝑝 = tg²(45 + )
2

6. Indicar, em cada ponto no diagrama, as respectivas pressões calculadas


 A pressão ativa atua nos pontos A, B e C, à direita.
 A pressão passiva atua nos pontos B e C, à esquerda.
 Qualquer valor negativo será indicado no lado contrário das respectivas
pressões.

7. Conhecidas as pressões, divide-se em figuras geométricas conhecidas (geralmente,


retângulos e triângulos)
8. Altura crítica onde P a = 0.
9. Cálculo das reações, a partir das figuras geométricas.
10. Com as reações, calcula-se o momento na base da estrutura de contenção e, assim,
o valor de d. O valor final deverá ser acrescentado de FS=1,2.

Prova 3

Calcular ficha

Calcular a capacidade de uma estaca com camadas

Calcular carga em cada estaca com força normal e momento

BIBLIOGRAFIA

ALONSO, U. R. (2010) Exercícios de Fundações. 2ª edição. São Paulo: Blucher.


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BRASIL (2010) NBR 6122/2010 – Projeto e execução de fundações.
BRASIL (1980) NBR 6484/1980 – Execução de sondagens de simples reconhecimento dos
solos.
DÉCOURT, L. (1986) Análise e Projeto de Fundações Profundas: Estacas. In: HACHICH,
W, et al. – Fundações Teoria e Prática. p. 265-301, ABMS, ABEF, PINI, São Paulo.
PRESA, E. P., POUSADA, M. C. (2004) Retrospectiva e Técnicas Modernas de Fundações
em Estacas. p. 72-73, 2a Edição Ampliada – Edição ABMS – Núcleo Regional da
Bahia, Salvador, Brasil.
VELLOSO, D. A., ALONSO, U. R. (2000) Previsão, Controle e Desempenho de Fundações.
In: NEGRO, A. J., et al. - Previsão de Desempenho - Comportamento Real. p. 119-
120, Edição ABMS – Núcleo Regional de São Paulo, São Paulo, Brasil.

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