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UFCD IMPOSTO SOBRE O

0576 RENDIMENTO - IRC


ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Índice

Contents
Introdução ................................................................................................................... 3

Âmbito do manual ..................................................................................................................................... 3

Conteúdos programáticos ...................................................................................................................... 3

Carga horária .............................................................................................................................................. 4

1.Incidência do IRC...................................................................................................... 5

1.1.Incidência real ou objetiva .................................................................................................................... 5

1.2.Incidência pessoal ou subjetiva ............................................................................................................ 6

1.3.Base do imposto ...................................................................................................................................... 7

1.4.Entidades que exercem a título principal uma atividade industrial, comercial ou agrícola ........ 11

1.5.Entidades não residentes com estabelecimento estável em território português ....................... 11

2. Isenções do IRC ..................................................................................................... 14

2.1.Isenções reais ........................................................................................................................................ 14

2.2.Isenções pessoais ................................................................................................................................. 15

3.1. Lucro tributável das entidades que exercem a título principal uma atividade de natureza
comercial, industrial e agrícola e das entidades não residentes com estabelecimento estável em
território português ..................................................................................................................................... 21

3.2. Rendimentos ......................................................................................................................................... 22

3.3. O regime dos subsídios ao equipamento ......................................................................................... 23

3.4. Variações patrimoniais positivas ........................................................................................................ 24

3.5. Mais-valias ............................................................................................................................................ 25

3.6. Regime do reinvestimento das mais-valias realizadas ................................................................... 26

3.7. Lucros distribuídos por entidades participadas ............................................................................... 27

3.8. Lucros distribuídos e o regime do crédito de imposto por dupla tributação económica ........... 28

3.9. Lucros distribuídos por entidades não residentes e o crédito de imposto por dupla tributação
internacional ................................................................................................................................................. 29

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3.10. Gastos – regime dos ajustamentos e das provisões .................................................................... 31

3.11. Periodização do lucro tributável ...................................................................................................... 33

3.12. Regime da transparência fiscal ........................................................................................................ 36

3.13. Regime das depreciações e amortizações ..................................................................................... 39

3.14. Limitações aos gastos ....................................................................................................................... 41

3.15. Regime dos demais encargos .......................................................................................................... 43

3.16. Variações patrimoniais negativas .................................................................................................... 46

3.17. Derrama .............................................................................................................................................. 46

3.18. Tributações autónomas .................................................................................................................... 48

3.19. Reporte de prejuízos ......................................................................................................................... 49

3.20. Benefícios Fiscais ............................................................................................................................... 50

4.Liquidação e pagamento ......................................................................................... 56

4.1.Cálculo do Imposto ............................................................................................................................... 57

4.2.Deduções à coleta ................................................................................................................................. 58

4.3.Retenções na fonte ............................................................................................................................... 59

4.4.Dispensa de retenção na fonte ........................................................................................................... 61

4.5.Pagamentos por conta ......................................................................................................................... 63

4.6.Pagamento especial por conta ............................................................................................................ 65

Bibliografia ................................................................................................................. 65

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Introdução

Âmbito do manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de curta
duração nº 0419 – Expedição em armazém, de acordo com o Catálogo Nacional de
Qualificações.

Objetivos

 Descrever, interpretar e aplicar os conceitos afetos ao imposto sobre o rendimento


de pessoas coletivas (IRC)

Conteúdos programáticos

 Incidência do IRC
o Incidência real ou objetiva
o Incidência pessoal ou subjetiva
o Base do imposto
o Entidades que exercem a título principal uma atividade industrial, comercial
ou agrícola
o Entidades não residentes com estabelecimento estável em território português
 Isenções do IRC
o Isenções reais
o Isenções pessoais
 Apuramento da matéria coletável
o Lucro tributável das entidades que exercem a título principal uma atividade
de natureza comercial, industrial e agrícola e das entidades não residentes
com estabelecimento estável em território português

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o Rendimentos
o O regime dos subsídios ao equipamento
o Variações patrimoniais positivas
o Mais-valias
o Regime do reinvestimento das mais-valias realizadas
o Lucros distribuídos por entidades participadas
o Lucros distribuídos e o regime do crédito de imposto por dupla tributação
económica
o Lucros distribuídos por entidades não residentes e o crédito de imposto por
dupla tributação internacional
o Gastos – regime dos ajustamentos e das provisões
o Periodização do lucro tributável
o Regime da transparência fiscal
o Regime das depreciações e amortizações
o Limitações aos gastos
o Regime dos demais encargos
o Variações patrimoniais negativas
o Derrama
o Tributações autónomas
o Reporte de prejuízos
o Benefícios Fiscais
 Liquidação e pagamento
o Cálculo do Imposto
o Deduções à coleta
o Retenções na fonte
o Dispensa de retenção na fonte
o Pagamentos por conta
o Pagamento especial por conta

Carga horária

 50 horas

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1. Incidência do IRC

A incidência em termos fiscais corresponde à fixação dos pressupostos, que dão origem à
obrigação jurídico-fiscal. Em termos simples corresponde à identificação do “Quê” e do
“Quem” fica sujeito a imposto.
No primeiro caso fala-se em incidência real ou objetiva, e no segundo caso fala-se em
incidência pessoal ou subjetiva.

1.1.Incidência real ou objetiva

Os artigos 1º e 3º do CIRC determinam os pressupostos da incidência real do IRC, uma vez


que nelas está definido o que é passível de imposto, ou seja os lucros e os rendimentos.
Assim, e com vista à determinação do lucro tributável, o código faz uma primeira
segmentação dos sujeitos passivos, em função da residência.

Quanto aos residentes, subdivide-os em função do objeto social, isto é, saber se exercem ou
não uma atividade comercial, industrial ou agrícola a título principal.
Quanto aos não residentes subdivide-os em função de saber se têm ou não estabelecimento
estável.

Assim:
a. As entidades residentes que exercem a título principal, uma atividade de natureza
comercial, industrial ou agrícola, como é o caso por exemplo das sociedades
comerciais ou civis sob a forma comercial, das cooperativas e das empresas públicas,
a base do imposto é o lucro.

Entende-se por lucro a diferença entre os valores do património líquido no fim e no


início do período de tributação, tidas em conta as correções fiscais.

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b. As entidades residentes que não exercem, a título principal, uma atividade de


natureza comercial, industrial ou agrícola, a base do imposto é o Rendimento
Global.

Entende-se por rendimento global a soma algébrica dos rendimentos líquidos das
diversas categorias, como tal consideradas para efeitos de IRS.

1.2.Incidência pessoal ou subjetiva

O IRC é um imposto direto sobre o rendimento das pessoas coletivas, ainda que estes sejam
provenientes de atos ilícitos (art.º 1.º do Código do IRC).

O IRC incide sobre todas as pessoas coletivas de direito público ou privado com sede ou
direção efetiva em território português, denominados residentes, a obrigação aqui é total e
pessoal porque o imposto incide sobre a globalidade dos rendimentos, os obtidos em
território nacional, e os obtidos em território estrangeiro (world wide income principle).

São, ainda, sujeitos passivos de IRC, as entidades com sede ou direção efetiva em território
português mas sem personalidade jurídica, e que apresentam rendimentos que não são
tributados em sede de IRS ou em sede de IRC.

O IRC aplica-se, também, às entidades, com ou sem personalidade jurídica, que embora não
tendo sede ou direção efetiva em território português, nele obtenham rendimentos, não
sujeitos a IRS, são os denominados não residentes, que por sua vez podem ser estabelecidos
ou não estabelecidos, a obrigação aqui configura-se como parcial e real, uma vez que apenas
incide sobre parte do rendimento, que é tributado em obediência ao princípio da tributação
territorial (source principle).

Os não residentes estabelecidos são tributados pelo rendimento imputado ao


estabelecimento estável. Os não residentes não estabelecidos são tributados de acordo com

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os rendimentos das diversas categorias de IRS.

A regra da incidência subjetiva ou pessoal, está definida no art. 2º do CIRC, segundo o qual
os sujeitos passivos definidos em função do critério de residência. Assim temos:

1º-Entidades Residentes

a. Pessoas coletivas, tais como sociedades comerciais, ou civis sob a forma comercial,
cooperativas, empresas públicas e demais pessoas coletivas de direito público ou
privado.
b. Entidades sem personalidade jurídica, cujos rendimentos não sejam tributados em
IRS ou IRC “diretamente na titularidade de pessoas singulares ou coletivas”.

2º-Entidades não residentes, com ou sem personalidade jurídica e cujos rendimentos


sejam obtidos em território nacional, e não estejam sujeitos a IRS na titularidade dos sócios
ou membros.

1.3.Base do imposto

O imposto sobre o rendimento das pessoas coletivas incide sobre os rendimentos obtidos,
no período de tributação, pelos respetivos sujeitos passivos. A disposição, contida no art. 1.º
CIRC consagra os pressupostos da incidência dos quais a lei faz depender o surgimento da
relação jurídica do imposto. Trata-se de pressupostos de natureza objetiva (a obtenção de
rendimentos), subjetiva (por um sujeito passivo) e temporal (no período de tributação).

Lucro da empresa

Conceito: trata-se de um conceito extensivo de rendimento que adota o conceito de


rendimento-acréscimo o qual abrange todo e qualquer incremento patrimonial (art. 3.º 2).
Consiste na diferença entre os valores do património líquido no fim e no início do período de
tributação, com as correções estabelecidas no Código.

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Além do lucro, o art. 3.º 1 CIRC fixa como base do imposto:

o O rendimento global (entidades residentes que não exerçam a título principal uma
atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola). Considera-se rendimento
global a soma algébrica dos rendimentos das diversas categorias consideradas para
efeitos de IRS.

o O rendimento das diversas categorias consideradas para efeitos de IRS (não


residentes sem estabelecimento estável em território português ou, possuindo-o os
rendimentos não lhe sejam imputáveis).

Esta distinção não é apenas terminológica. Na verdade, enquanto que no primeiro caso, e
embora o rendimento global se refira igualmente aos rendimentos das diversas categorias
do IRS, ele corresponde à sua soma algébrica com referência a todo o período de tributação,
enquanto que no segundo caso, o IRC incidirá sobre os rendimentos individualizados
daquelas categorias no momento e à medida em que eles forem sendo auferidos.

Concluindo, enquanto que no art. 2.º CIRC, se distinguem os vários tipos de sujeitos passivos,
no art. 3.º CIRC, determina-se que a base de incidência do imposto que não é a mesma para
todos eles.

Procede-se, desta forma, a uma discriminação qualitativa dos diversos sujeitos passivos em
função da sua natureza específica, fazendo-se incidir o imposto sobre realidades distintas
consoante a especificidade do respetivo sujeito passivo:
o O lucro,
o O rendimento global, e
o Os rendimentos das diversas categorias.

Esta diferenciação dos sujeitos passivos e da base do imposto assume especial relevância
em toda a restante estrutura do Código.

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Assim, foram concebidas regras próprias para os diferentes tipos de sujeitos passivos, na
determinação da matéria coletável, nas taxas, na liquidação e no pagamento do IRC.

SUJEITOS PASSIVOS Base do imposto

Exerçam a título
principal uma
atividade de natureza
comercial, industrial Lucro
ou agrícola
RESIDENTES
(Obrigação pessoal)
Não exerçam a título
principal uma
atividade de natureza Rendimento global
comercial, industrial
ou agrícola

Lucro imputável ao
Com estabelecimento estabelecimento estável
estável em Portugal situado em Portugal

NÃO RESIDENTES
(obrigação real)
Sem estabelecimento
estável em Portugal, Rendimento das
ou com rendimentos diversas categorias do
que não lhe sejam IRS
imputáveis

O imposto a pagar é calculado com base no lucro tributável anual apresentado por estas
empresas ou relativo à atividades desenvolvidas em Portugal. Por sua vez, o lucro tributável
é apurado com base na contabilidade da empresa.

O lucro tributável é o resultado obtido com o desenvolvimento da atividade durante cada


exercício fiscal. A este valor serão deduzidos determinados gastos, prejuízos ou benefícios

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que permitirão obter a matéria coletável. É a este resultado que será aplicada a taxa de
imposto (atualmente 23%), determinando o montante do imposto a pagar ao Estado.

O valor do lucro tributável é obtido pela diferença entre os rendimentos e os gastos do


exercício, corrigida pelas variações patrimoniais positivas ou negativas. Para apurar este valor
analisam-se as receitas e as despesas e observam-se as regras e procedimentos fiscais.

As parcelas a deduzir ao lucro tributável para achar a matéria coletável variam consoante a
empresa e, para este efeito, a contabilidade da empresa deve estar devidamente organizada,
registar todos as suas operações e refletir a sua situação.

Rendimentos da empresa
Constituem rendimentos da empresa, os valores obtidos em resultado de operações de
qualquer natureza, em consequência de uma ação normal ou ocasional, básica ou meramente
acessória, nomeadamente rendimentos direta ou indiretamente resultantes da sua atividade,
designadamente provenientes de:

o Vendas ou prestações de serviços.

o Descontos, bónus e abatimentos, comissões e corretagens.

o Rendimentos de imoveis.

o Rendimentos financeiros, como juros, dividendos, descontos, diferenças cambiais,


prémios de emissão, entre outros.

o Royalties e outros rendimentos da propriedade industrial.

o Prestações de serviços de carater científico ou técnico.

o Resultantes da aplicação do justo valor em instrumentos financeiros ou em ativos


biológicos consumíveis (que não sejam explorações silvícolas plurianuais).

o Mais-valias realizadas.

o Indemnizações recebidas por qualquer motivo.

o Subsídios ou subvenções de exploração.

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1.4. Entidades que exercem a título principal uma atividade industrial, comercial ou agrícola

Para estas entidades a matéria coletável tem por base o Lucro Tributável, ao qual é de
deduzir os Prejuízos Fiscais (PF) e os Benefícios Fiscais (BF).

RC = LT – (Pf + Bf)

Por sua vez o Lucro Tributável corresponde ao Resultado Liquido Contabilístico, adicionado
das Variações Patrimoniais Positivas (VPP) e deduzido Variações Patrimoniais Negativas
(VPN) e ainda adicionadas das Correções Fiscais (CF) por força de aplicação das regras do
CIRC:

LT = RL + VPP – VPN + CF

RL = Resultado Liquido Contabilístico


VPP = Variações patrimoniais Positivas
VPN = Variações patrimoniais Negativas
CF = Correções Fiscais

1.5.Entidades não residentes com estabelecimento estável em território português

Conceito: estabelecimento estável consiste em qualquer instalação fixa ou representação


permanente através da qual seja exercida uma atividade de natureza comercial, industrial ou
agrícola.

Este conceito inclui um local de direção, uma sucursal, um escritório, uma fábrica, uma oficina
ou uma mina, um poço de petróleo ou de gás, uma pedreira ou qualquer outro local de
extração de recursos naturais situado em território português.

Também se considera que os sujeitos passivos não residentes possuem estabelecimento


estável em território português quando aqui possuem um local ou um estaleiro de construção,

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de instalação ou de montagem, as atividades de coordenação, fiscalização e supervisão em


conexão com os mesmos ou as instalações, plataformas ou barcos de perfuração utilizados
para a prospeção ou exploração de recursos naturais, se a sua duração e a duração da obra
ou da atividade exceder seis meses.

Não é considerado estabelecimento estável aqueles relacionados com atividades de carácter


preparatório ou auxiliar.

As entidades não residentes com estabelecimento estável em território português são


tributadas sobre o lucro imputável ao estabelecimento estável, sendo o lucro tributável
calculado de forma idêntica ao de entidades residentes que exerçam a título principal uma
atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola.

A matéria coletável obtém-se pela dedução, a este lucro tributável, os prejuízos e benefícios
fiscais.

Para efeitos do cálculo do lucro, consideram-se imputáveis ao estabelecimento estável:

o Todos os rendimentos obtidos por seu intermédio.

o Todos os outros rendimentos obtidos em território português resultantes de


atividades idênticas ou similares àquelas que foram realizadas através do
estabelecimento estável.

Consideram-se obtidos em território português os rendimentos imputáveis a um


estabelecimento estável e os que, não sendo imputáveis ao estabelecimento estável e os
que, não se encontrando nessas condições, consubstanciem:

a. Rendimentos relativos a imóveis situados no território português, incluindo os ganhos


resultantes da sua transmissão onerosa;
b. Ganhos resultantes da transmissão onerosa de partes representativas do capital de
entidades com sede ou direção efetiva em território português ou de outros valores
mobiliários.

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c. Rendimentos a seguir mencionados cujo devedor tenha residência, sede ou direção


efetiva em território português ou cujo pagamento seja imputável a um
estabelecimento estável nele situado:

o Rendimentos de capitais.
o Remunerações auferidas na qualidade de membros de órgãos estatutários de
pessoas coletivas.
o Prémios de jogo, lotarias, rifas, totoloto e apostas mútuas, sorteios ou concursos.
o Rendimentos provenientes da intermediação na celebração de quaisquer
contratos (comissões).
o Rendimentos derivados de outras prestações de serviços realizados (com exceção
dos relativos a transportes, comunicações e atividades financeiras) realizados em
território português, bem como os realizados integralmente fora de Portugal
desde que respeitem a bens situados neste território ou estejam relacionados com
estudos, projetos, apoio técnico à gestão, serviços de contabilidade ou auditoria
e serviços de consultadoria, organização, investigação e desenvolvimento em
qualquer domínio.
o Rendimentos provenientes de operações relativas a instrumentos financeiros
derivados;

d. Rendimentos derivados do exercício em território português da atividade de


profissionais de espetáculos ou desportistas.
e. Incrementos patrimoniais derivados de aquisições a título gratuito respeitantes a:
o Direitos reais sobre bens imóveis situados em território português.
o Bens móveis registados ou sujeitos a registo em Portugal.
o Partes sociais e outros valores mobiliários cuja entidade emissora tenha sede ou
direção efetiva em território português.

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2. Isenções do IRC

Conceito: existem determinadas realidades que, embora se encontrem de acordo com o


pressuposto de incidência de IRC, são afastadas dessa incidência parcialmente ou na sua
totalidade.

Constituem uma exceção à regra da incidência, isto é, a “pessoa” ou a “coisa”, não estão
fora do campo da tributação, mas em contrapartida é-lhe dado um tratamento de exceção
mais ou menos temporário que neste caso equivale a aplicar a “taxa zero”. As isenções são
além disso, autênticos benefícios fiscais, uma vez que beneficiam a entidade, que a tal
aproveita.

Enquanto as normas de incidência tributária positiva ou material estabelecem a previsão dos


factos tributários (factos constitutivos da obrigação de imposto) e determinam os sujeitos
passivos da obrigação tributária, as normas de isenção fiscal vêm prever um outro facto
(isenção de imposto), cuja verificação impede a produção dos efeitos do facto constitutivo
da obrigação de imposto prevista na norma de incidência.

Isto é, na isenção existe o facto constitutivo, mas o mesmo torna-se ineficaz porque a
produção dos seus efeitos (a obrigação de imposto) se encontra paralisada pela verificação
da isenção.

2.1.Isenções reais

Conceito: As isenções reais visam criar um benefício a certas atividades, e não às pessoas
coletivas em si mesmo. Assim, o legislador procurou criar um regime de exceção, para as
atividades Desportivas, Culturais e Recreativas, ao criar um benefício fiscal de isenção para
os rendimentos provenientes dessas atividades.

Nessa conformidade o artigo 11º do CIRC explicita dois aspetos fundamentais:

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a. Os rendimentos de tais atividades ficam isentos, desde que, não haja distribuição de
resultados e os diretores não tenham qualquer interesse no resultado e ao mesmo
tempo entidade deve dispor de uma contabilidade ou escrituração, de tais
rendimentos.
b. Tipifica um conjunto de rendimentos, que embora conexos com tais atividades, não
os considera rendimentos da atividade desportiva enquanto tal, e por isso os excluiu
do campo da isenção. É o caso por exemplo publicidade, patrocínios, bares, direitos
respeitantes a qualquer forma de transmissão, bens imóveis, aplicações financeiras e
jogo do bingo etc.

Quando na determinação da isenção, a qualidade do sujeito passivo que aufere o rendimento


isento, é igualmente relevante para esse efeito, dizemos que estamos perante uma isenção
mista.

Não se consideram rendimentos diretamente derivados do exercício das atividades indicadas,


para efeitos da isenção aí prevista, os provenientes de qualquer atividade comercial,
industrial ou agrícola exercida, ainda que a título acessório, em ligação com essas atividades
e, nomeadamente, os provenientes de publicidade, direitos respeitantes a qualquer forma de
transmissão, bens imóveis, aplicações financeiras e jogo do bingo.

2.2.Isenções pessoais

Conceito: as isenções pessoais, tal como o próprio nome indica, são de natureza
essencialmente pessoal ou subjetiva e atendem apenas à qualidade do sujeito passivo.

A isenção fiscal não se confunde com a exclusão tributária. As situações de exclusão


tributária, ao invés da isenção, não são uma exceção às regras de incidência porquanto os
factos abrangidos se situarem fora do âmbito genérico da sujeição.

Tratam-se de situações de não sujeição que por vezes constituem delimitações negativas
expressas face às normas de incidência, como é o caso, por exemplo, dos partidos políticos.

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Nestes casos, não se chegam a verificar os factos constitutivos da obrigação de imposto, ao


contrário da isenção em que existe o facto constitutivo. O que acontece na isenção é que ele
se torna ineficaz na produção dos seus efeitos (a obrigação de imposto). Por isso, é costume
afirmar-se, que só podem estar isentas as situações ou as pessoas que antes estejam
sujeitas.

As isenções são contempladas nos art. 9.º e 10.º CIRC (e no Estatuto dos Benefícios Fiscais),
e podem ser automáticas ou requeridas pelos interessados.

Isenções automáticas
O art. 9.º CIRC, isenta de IRC:

o O Estado, as Regiões Autónomas, as autarquias locais e qualquer dos seus serviços,


estabelecimentos e organismos, ainda que personalizados, incluindo os institutos
públicos, as associações e federações de municípios e as associações de freguesia
que não exerçam atividades comerciais, industriais ou agrícolas.

o As instituições de segurança social e as instituições de previdência referidas no artº


79 da Lei 28/84, de 14 de Agosto.

Esta isenção não se aplica aos rendimentos de capitais, exceto, no que diz respeito ao Estado
que, quando atuando através do Instituto de Gestão de Crédito Público, está igualmente
isento de IRC relativamente a rendimentos de capitais decorrentes de operações de swap e
de operações cambiais a prazo.

Isenções a requerimento dos interessados


Nos termos do art. 10.º CIRC estão isentas de IRC:

o As pessoas coletivas de utilidade pública administrativa, bem como as de mera


utilidade pública que prossigam fins científicos ou culturais, de caridade assistência,
beneficência ou solidariedade social.

o As instituições particulares de solidariedade social e entidades anexas, bem como as


pessoas coletivas àquelas legalmente equiparadas.

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Estas isenções serão reconhecidas pelo Ministro das Finanças e pelo membro do Governo
que tenha a seu cargo o sector respetivo, a requerimento dos interessados, mediante
despacho conjunto publicado no Diário da República, o qual definirá a amplitude da isenção
de harmonia com os objetivos prosseguidos por aquelas entidades, e as informações oficiais
dos serviços competentes da DGCI e outras julgadas necessárias.

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3. Apuramento da matéria coletável

Conceito: como matéria coletável entende-se o lucro tributável, ou seja, o resultado líquido
do exercício (diferença entre proveitos e custos), acrescido das variações patrimoniais
positivas e negativas, que tenham ocorrido no mesmo período e não tenham sido refletidas
no resultado, bem como as correções fiscais.

À semelhança do que ocorre com a base do imposto, a matéria coletável é determinada de


forma diferente em função a natureza dos sujeitos passivos

a) Relativamente às pessoas coletivas seguintes:

o Sociedades comerciais ou civis sob forma comercial, as cooperativas, as empresas


públicas e as demais pessoas coletivas de direito público ou privado, com sede ou
direção efetiva em território português;

o Entidades desprovidas de personalidade jurídica, com sede ou direção efetiva em


território português, cujos rendimentos não sejam tributáveis em imposto sobre o
rendimento das pessoas singulares (IRS) ou em IRC diretamente na titularidade de
pessoas singulares ou coletivas;

o Entidades, com ou sem personalidade jurídica, que não tenham sede nem direção
efetiva em território português e cujos rendimentos nele obtidos não estejam sujeitos
a IRS;

A matéria coletável obtém-se pela dedução ao lucro tributável, dos montantes


correspondentes a prejuízos fiscais e benefícios fiscais eventualmente existentes que
consistam em deduções naquele lucro.

b) Relativamente às pessoas coletivas e entidades que não exerçam, a título principal,


uma atividade de natureza comercial, industrial ou agrícola, a matéria coletável

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obtém-se pela dedução ao rendimento global, incluindo os incrementos patrimoniais obtidos


a título gratuito, dos seguintes montantes:

1. Custos comuns e outros imputáveis aos rendimentos sujeitos a imposto e não isentos.

2. Benefícios fiscais eventualmente existentes que consistam em deduções naquele


rendimento.

c) Relativamente às entidades não residentes com estabelecimento estável em


território português, a matéria coletável obtém-se pela dedução ao lucro tributável imputável
a esse estabelecimento, dos montantes correspondentes a:

1. Prejuízos fiscais imputáveis a esse estabelecimento estável, com as necessárias


adaptações, bem como os anteriores à cessação de atividade por virtude de deixarem
de situar-se em território português a sede e a direção efetiva, na medida em que
correspondam aos elementos patrimoniais afetos e desde que seja obtida a
autorização do diretor-geral dos Impostos mediante requerimento dos interessados
entregue até ao fim do mês seguinte ao da data da cessação de atividade, em que
se demonstre aquela correspondência;

2. Benefícios fiscais eventualmente existentes que consistam em deduções naquele


lucro;

d) Relativamente às entidades não residentes que obtenham em território


português rendimentos não imputáveis a estabelecimento estável aí situado, a
matéria coletável é constituída pelos rendimentos das várias categorias e, bem assim, pelos
incrementos patrimoniais obtidos a título gratuito.

Métodos e competência para a determinação da matéria coletável

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Por imperativo constitucional, a tributação das empresas é efetuada sobre o rendimento


real. Assim, a matéria coletável é, em regra, determinada com base em declaração do
contribuinte, sem prejuízo do seu controlo pela Administração Fiscal.

Na falta de declaração, compete à Direcção-Geral dos Impostos, quando for caso disso, a
determinação da matéria coletável.

A determinação da matéria coletável por avaliação direta, quando seja efetuada ou objeto
de correção pelos serviços da Direcção-Geral dos Impostos, é da competência do Diretor de
Finanças da área da sede, direção efetiva ou estabelecimento estável do sujeito passivo, ou
do diretor dos Serviços de Prevenção e Inspeção Tributária nos casos que sejam objeto de
correções efetuadas por esta no exercício das suas atribuições, ou por funcionário em que
por qualquer deles seja delegada competência.

A avaliação indireta só pode ser feita nos casos especialmente previstos e, enquanto
subsidiária da avaliação direta, podem ser utilizados quaisquer indícios, presunções ou outros
elementos que permitam induzir com razoável grau de probabilidade o valor da matéria
coletável.

Taxas
A taxa de IRC é de 23% com as particularidades regionais previstas na seguinte tabela:
Taxa (%)
Entidades Continente Madeira Açores
Entidades residentes e
estabelecimentos estáveis
23 23 18,4
de entidades não
residentes

Entidades residentes e 17 (para os primeiros 17 (para os primeiros 13,6 (para os primeiros


estabelecimentos estáveis 15.000€ de matéria 15.000€ de matéria 15.000€ de matéria
de entidades não coletável) coletável) coletável)
residentes, classificadas
como pequena ou média 23 (para matéria coletável 23 (para matéria coletável 18,4 (para matéria
empresa remanescente) remanescente) coletável remanescente)

Entidades residentes que


não exerçam, a título 21,5 21,5 17,2
principal, atividade

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

comercial, industrial ou
agrícola

Tratando-se de rendimentos de entidades que não tenham sede nem direção efetiva em
território português e aí não possuam estabelecimento estável ao qual os mesmos sejam
imputáveis, a taxa do IRC é de 25%, exceto relativamente aos seguintes rendimentos:

o Prémios de rifas, totoloto, jogo de loto, e afins, em que a taxa é de 35%;

o Rendimentos de capitais quando pagos ou colocados à disposição em contas


abertas em nome de um ou mais titulares mas por conta de terceiros não
identificados, em que a taxa é de 35%.

o Rendimentos de capitais obtidos por entidades não residentes em território


português, que sejam domiciliadas em país, território ou região sujeitas a um regime
fiscal claramente mais favorável, em que a taxa é de 35 %.

3.1. Lucro tributável das entidades que exercem a título principal uma atividade de natureza
comercial, industrial e agrícola e das entidades não residentes com estabelecimento estável
em território português

As entidades que exercem a título principal uma atividade de natureza comercial, industrial
e agrícola, determina o art. 15º do CIRC que a matéria coletável tem por base o Lucro
Tributável, ao qual é de deduzir os Prejuízos Fiscais (PF) e os Benefícios Fiscais (BF).
RC = LT – (Pf + Bf)

Por sua vez o Lucro Tributável previsto corresponde ao Resultado Liquido Contabilístico,
adicionado das Variações Patrimoniais Positivas (VPP) e deduzido Variações Patrimoniais
Negativas (VPN) e ainda adicionadas das Correções Fiscais (CF) por força de aplicação das
regras do CIRC.

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Relativamente às entidades não residentes, que obtenham em território português


rendimentos não imputáveis a estabelecimento estável aí situado, a matéria coletável é
constituída pelos rendimentos das várias categorias e, bem assim, pelos incrementos
patrimoniais obtidos a título gratuito.

3.2. Rendimentos

Os proveitos para efeitos fiscais são os provenientes da atividade de qualquer natureza, e


não apenas os da atividade normal ou operacional.

Assim conforme art. 20º nº1 do CIRC.


a. Os relativos a vendas ou prestações de serviços, descontos, bónus e abatimentos,
comissões e corretagens;
b. Rendimentos de imóveis;
c. De natureza financeira, tais como juros, dividendos, descontos, ágios, transferências,
diferenças de câmbio, prémios de emissão de obrigações e os resultantes da aplicação
do método do juro efetivo aos instrumentos financeiros valorizados pelo custo
amortizado;
d. Rendimentos da propriedade industrial ou outros análogos;
e. Prestações de serviços de carácter científico ou técnico;
f. Rendimentos resultantes da aplicação do justo valor em instrumentos financeiros;
g. Rendimentos resultantes da aplicação do justo valor em ativos biológicos consumíveis
que não sejam explorações silvícolas plurianuais;
h. Mais-valias realizadas;
i. Indemnizações auferidas, seja a que título for;
j. Subsídios à exploração.

De referir que não concorre para a formação do lucro tributável do associante, na associação
à quota, o rendimento auferido da sua participação social correspondente ao valor da
prestação por si devida ao associado.

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

3.3. O regime dos subsídios ao equipamento

Conceito: os subsídios de equipamento destinam-se a comparticipar a aquisição ou


construção de bens do ativo imobilizado. O princípio geral é que tais subsídios devem ser
considerados como proveitos na medida (no mesmo exercício) em que devam ser relevados
os custos a eles associados (art. 22.º IRC).

Assim, se respeitarem a bens do ativo imobilizado sujeitos a reintegração ou amortização,


em cada exercício será considerada como proveito a fração do subsídio correspondente à
quota de amortização relevada como custo.

Se respeitarem a bens não sujeitos a reintegração ou amortização (ex. subsídio para compra
de um terreno), será considerada proveito de cada exercício a fração resultante da divisão
do respetivo montante pelo número de anos em que o bem em causa é inalienável (por força
de lei ou do contrato ao abrigo do qual o subsídio foi concedido) ou, na falta de tal exigência
de inalienabilidade, ao longo de dez exercícios, sendo o primeiro o do seu recebimento.

Esta regra, além de procurar traduzir corretamente o princípio da especialização dos


exercícios (a correlação temporal que o mesmo impõe entre custos e benefícios), evita a
ocorrência de um efeito financeiro negativo para a empresa, que reduziria o efeito útil da
concessão do subsídio como proveito do exercício em que foi concedido, teria,
provavelmente, nesse ano, um lucro tributável mais elevado, teria que pagar mais imposto.
Isto porque a consideração dos custos associados (e a consequente diminuição da matéria
coletável do imposto) apenas acontecerá de forma diferida no tempo, ao longo do período
de amortização do bem em causa.

De acordo com o CIRC, a inclusão no lucro tributável dos subsídios relacionados com ativos
não correntes obedece às seguintes regras:
a. Quando os subsídios respeitem a ativos depreciáveis ou amortizáveis, deve ser
incluída no lucro tributável uma parte do subsídio atribuído, independentemente do
recebimento, na mesma proporção da depreciação ou amortização calculada sobre o
custo de aquisição ou de produção, sem prejuízo do disposto a seguir;

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

b. Quando os subsídios não respeitem a ativos referidos na alínea anterior, devem ser
incluídos no lucro tributável, em frações iguais, durante os períodos de tributação em
que os elementos a que respeitam sejam inalienáveis, nos termos da lei ou do
contrato ao abrigo dos quais os mesmos foram concedidos, ou, nos restantes casos,
durante 10 anos, sendo o primeiro o do recebimento do subsídio.

Nos casos em que a inclusão no lucro tributável dos subsídios ou subvenções não destinados
à exploração se efetue, nos termos da alínea a), em proporção da reintegração ou
amortização calculada sobre o valor de aquisição, tem como limite mínimo a que
proporcionalmente corresponder à quota mínima de reintegração ou amortização nos termos
do 30.º 6.

3.4. Variações patrimoniais positivas

O apuramento do lucro tributável é efetuado, tendo como ponto de partida o resultado líquido
do período, acrescido ou deduzido das variações patrimoniais positivas e negativas,
respetivamente, bem como por outros ajustamentos – positivos e negativos – de natureza
fiscal.

Variações patrimoniais positivas (artigo 21.º do CIRC)


Concorrem para a formação do lucro tributável as variações patrimoniais positivas não
refletidas no resultado líquido do período de tributação, exceto:
a) As entradas de capital, incluindo os prémios de emissão de ações, as coberturas de
prejuízos, a qualquer título, feitas pelos titulares do capital, bem como outras
variações patrimoniais positivas que decorram de operações sobre instrumentos de
capital próprio da entidade emitente, incluindo as que resultem da atribuição de
instrumentos financeiros derivados que devam ser reconhecidos como instrumentos
de capital próprio;
b) As mais-valias potenciais ou latentes, ainda que expressas na contabilidade, incluindo
as reservas de reavaliação ao abrigo de legislação de carácter fiscal;

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

c) c) As contribuições, incluindo a participação nas perdas do associado ao associante,


no âmbito da associação em participação e da associação à quota;
d) d) As relativas a impostos sobre o rendimento.

Para efeitos da determinação do lucro tributável, considera-se como valor de aquisição dos
incrementos patrimoniais obtidos a título gratuito o seu valor de mercado, não podendo ser
inferior ao que resultar da aplicação das regras de determinação do valor tributável previstas
no Código do Imposto do Selo.

3.5. Mais-valias

Apenas concorrem para a formação do lucro tributável as mais-valias realizadas.

São consideradas mais-valias realizadas os ganhos decorrentes de transmissões onerosas,


de sinistros ou de afetações permanentes a outras atividades que não aquela(s) efetivamente
exercida(s) pelas entidades em causa, que respeitem a ativos fixos tangíveis, ativos
intangíveis, bem como ativos biológicos que não sejam consumíveis e propriedades de
investimento, ainda que quaisquer destes ativos tenham sido reclassificados como ativo não
corrente detido para venda, bem como instrumentos financeiros, com exceção dos
reconhecidos a justo valor, exceto quando os instrumentos financeiros sejam reconhecidos
ao justo valor por resultados e as variações de justo valor tenham concorrido para a formação
do lucro tributável.

Acresce que as mais-valias fiscais diferem usualmente das mais-valias contabilísticas e são
quantificadas do seguinte modo:

Mais-valia / Valor de Realização – (Valor de Aquisição – Amortizações Acumuladas – Perdas por


Menos-valia = Imparidade)
fiscal x Coeficiente de Desvalorização da Moeda

São equiparadas a transmissões onerosas:


o A promessa de compra e venda ou de troca, logo que verificada a tradição dos bens;

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

o As mudanças do modelo de valorização que decorram de reclassificação contabilística


de instrumentos financeiros ao justo valor por resultados, cujas variações de justo
valor tenham concorrido para a formação do lucro tributável;
o A transferência de elementos patrimoniais no âmbito de operações de fusão, cisão ou
entrada de ativos, realizadas pelas sociedades fundidas, cindidas ou contribuidoras;
o A extinção ou entrega pelos sócios das partes representativas do capital social das
sociedades fundidas, vendidas ou adquiridas no âmbito de operações de fusão, cisão
ou permuta de partes sociais;
o A anulação das partes de capital detidas pela sociedade beneficiária nas sociedades
fundidas ou cindidas em consequência de operações de fusão ou cisão;
o A remição e amortização de participações sociais com redução de capital;
o A anulação das partes de capital por redução de capital social destinada à cobertura
de prejuízos de uma sociedade quando o respetivo sócio, em consequência da
anulação, deixe de nela deter qualquer participação.

3.6. Regime do reinvestimento das mais-valias realizadas

A diferença positiva entre as mais-valias e as menos-valias realizadas mediante a transmissão


onerosa (ou em consequência de sinistros ocorridos) de ativos fixos tangíveis, ativos
intangíveis e ativos biológicos que não sejam consumíveis, detidos por um período não
inferior a um ano, é considerada em metade do seu valor quando o valor de realização
destes ativos seja reinvestido na aquisição, produção ou construção de ativos fixos
tangíveis, de ativos intangíveis ou, de ativos biológicos que não sejam consumíveis, no
período de tributação anterior ao da realização, no próprio período de tributação ou até ao
fim do segundo período de tributação seguinte.

Não se consideram bens objeto de reinvestimento os adquiridos em estado de uso a sujeito


passivo de IRS/IRC com o qual existam relações especiais, ou que sejam detidos por um
período inferior a um ano contado do final do período de tributação em que ocorra o
reinvestimento ou, se posterior, a realização.

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

O regime do reinvestimento não é igualmente aplicável às mais e menos-valias realizadas


pelas sociedades fundidas, cindidas ou contribuidoras no âmbito de operações de fusão, cisão
ou entrada de ativos, bem como às mais e menos-valias realizadas na afetação permanente
de bens a fins alheios à atividade exercida pelo sujeito passivo ou realizadas pelas sociedades
em liquidação.

Ao reinvestimento parcial, corresponderá um benefício proporcional ao do reinvestimento


efetuado.

No caso de não ter ocorrido reinvestimento total, a diferença (ou a parte proporcional da
mesma) não incluída no lucro tributável será considerada como rendimento do segundo
período de tributação seguinte ao da realização, majorada em 15%.

3.7. Lucros distribuídos por entidades participadas

Os lucros são tributados na empresa participada, enquanto base para a determinação da sua
matéria coletável de IRC, e na empresa participante, pois a distribuição dos lucros da
participada é considerada pela participante como um rendimento, tendo desta forma impacto
no seu resultado, aumentando-o, e logo sobre a sua matéria coletável de IRC.

O art. 51º do CIRC contempla um regime para o tratamento fiscal dos lucros distribuídos que
concede um benefício fiscal total e que dá o nome ao artigo do código, é o da “eliminação
da dupla tributação económica de lucros distribuídos”.

Este regime tem como requisitos gerais para a sua aplicação, que:

o A sociedade que distribui os lucros tenha a sua sede ou direção efetiva em território
português, e esteja sujeita e não isenta de IRC ou esteja sujeita a imposto especial
de jogo;
o A entidade beneficiária não seja abrangida pelo regime da transparência fiscal; e

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

o A entidade beneficiária possua diretamente uma participação no capital da sociedade


que distribui os lucros não inferior a 10% e a mesma tenha permanecido na sua
titularidade, de modo ininterrupto, durante o ano anterior à data da colocação à
disposição dos lucros ou, se detida há menos tempo, desde que a participação seja
mantida durante o tempo necessário para completar aquele período.

Verificando-se cumulativamente estes requisitos que constituem condição essencial para a


aplicação do regime e, se a entidade beneficiária for uma sociedade comercial ou civil sob a
forma comercial, cooperativa ou empresa pública com sede ou direção efetiva em território
Português, pode a mesma efetuar a dedução total ao seu lucro tributável dos referidos
rendimentos, provenientes dos lucros distribuídos por uma participada, que estão incluídos
na sua base tributável.

3.8. Lucros distribuídos e o regime do crédito de imposto por dupla tributação económica

Conceito: o regime do crédito de imposto por dupla tributação económica consiste em


deduzir à coleta do IRC determinada quantia de imposto já paga no outro país com o limite
daquela que seria liquidada em território nacional.

Este prevê uma dedução à coleta da menor das seguintes importâncias:

a. Imposto sobre o rendimento pago no estrangeiro;


b. Fração do IRC, calculado antes da dedução, correspondente aos rendimentos brutos
que no país em causa possam ser tributados, líquidos dos gastos direta ou
indiretamente suportados para a sua obtenção.

Para efeitos de cálculo da fração de IRC que seria devida em território nacional deve
considerar-se a derrama.

Quando existir convenção para eliminar a dupla tributação celebrada por Portugal e o país
onde o rendimento foi obtido, a dedução a efetuar não pode ultrapassar o imposto pago no

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

estrangeiro nos termos previstos no acordo internacional. Resulta que a utilização dos
acordos internacionais para eliminação da dupla tributação prevalece sobre o crédito de
imposto, isto é, este mecanismo só será utilizado após o previsto nos acordos internacionais,
quando estes existam.

Esta dedução deve ser calculada por cada país, com exceção dos rendimentos imputáveis a
estabelecimento estável de entidades residentes situados fora do território português cuja
dedução é calculada isoladamente.

3.9. Lucros distribuídos por entidades não residentes e o crédito de imposto por dupla
tributação internacional

Os lucros ou rendimentos obtidos por entidades não residentes em Portugal e sujeitas a um


regime fiscal claramente mais favorável são imputados aos sujeitos passivos de IRC
residentes em território português, quando estes detenham, direta ou indiretamente e ainda
que através de mandatário, fiduciário ou interposta pessoa, pelo menos 25% das partes de
capital, dos direitos de voto ou dos direitos sobre os rendimentos ou os elementos
patrimoniais dessas entidades.

Nos casos em que, pelo menos 50% das partes de capital, dos direitos de voto ou dos direitos
sobre os rendimentos ou os elementos patrimoniais sejam detidos, direta ou indiretamente,
mesmo que através de mandatário, fiduciário ou interposta pessoa, por sujeitos passivos de
IRC ou IRS residentes em território português, a referida percentagem é de 10%.

Para efeitos de determinação das percentagens de detenção, são igualmente tidas em


consideração as partes de capital e os direitos detidos, direta e indiretamente, por entidades
com as quais o sujeito passivo residente em Portugal tenha relações especiais.

A imputação dos lucros ou rendimentos obtidos por entidades não residentes e sujeitas a um
regime de tributação claramente mais favorável é feita quer com base na proporção do

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

capital, quer com base nos direitos sobre os rendimentos, quer com base nos elementos
patrimoniais detidos, direta ou indiretamente, pelo sujeito passivo residente em Portugal.

A imputação dos lucros ou rendimentos obtidos por entidades não residentes e sujeitas a um
regime de tributação claramente mais favorável é feita quer com base na proporção do
capital, quer com base nos direitos sobre os rendimentos, quer com base nos elementos
patrimoniais detidos, direta ou indiretamente, pelo sujeito passivo residente em Portugal.

Considera-se que uma entidade está submetida a um regime fiscal claramente mais favorável
quando:
o O território de residência conste da lista aprovada por portaria do membro do Governo
responsável;
o Aquela esteja isenta ou não sujeita a um imposto sobre o rendimento idêntico ou
análogo ao IRC ou;
o A taxa de imposto que lhe é aplicável seja inferior a 60% da taxa de IRC aplicável se
a entidade fosse residente em Portugal.

Quando houver lugar a distribuição de lucros ou rendimentos ao sujeito passivo residente


em Portugal por parte de uma entidade sujeita a um regime claramente mais favorável, serão
deduzidos à base tributável do exercício em que tais lucros ou rendimentos sejam
distribuídos, até à sua concorrência, os valores que o sujeito passivo demonstre que já foram
imputados para efeitos de determinação do lucro tributável de períodos de tributação
anteriores. Aos referidos lucros ou rendimentos deverá ser deduzido o imposto sobre o
rendimento a que houver lugar de acordo com o regime fiscal aplicável no estado de
residência da entidade não residente.

Encontram-se excluídas deste regime as entidades não residentes em Portugal quando


estejam verificadas cumulativamente as seguintes condições:

o Os respetivos lucros ou rendimentos provenham em, pelo menos, 75% do exercício


de uma atividade agrícola ou industrial no território onde estão estabelecidos ou do

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

exercício de uma atividade comercial, ou de prestação de serviços, que não esteja


dirigida predominantemente ao mercado português;

o A atividade principal da entidade não residente não consista em:


(i) operações próprias da atividade bancária ou da atividade seguradora;
(ii) operações relativas a partes sociais representativas de menos de 5% do capital
social ou dos direitos de voto, ou quaisquer participações detidas em entidades com
residência ou domicílio em país, território ou região sujeitos a um regime fiscal
claramente mais favorável, constante de lista aprovada por portaria do membro do
Governo responsável, ou outros valores mobiliários, a direitos de propriedade
intelectual ou industrial, à prestação de informações respeitantes a uma experiência
adquirida no setor industrial, comercial ou científico ou à prestação de assistência
técnica;
(iii) locação de bens, exceto de bens imóveis situados no território de residência.

Acresce que as regras de imputação dos lucros ou rendimentos obtidos por entidades não
residentes em território português e submetidos a um regime fiscal claramente mais
favorável acima referidas não se aplicam às entidades residentes noutro Estado membro da
União Europeia ou noutro Estado membro do Espaço Económico Europeu, desde que, neste
último caso, esse Estado esteja vinculado a cooperação administrativa no domínio da
fiscalidade equivalente à estabelecida no âmbito da União Europeia, e o sujeito passivo
demonstre que a constituição e funcionamento da entidade correspondem a razões
económicas válidas e que esta desenvolve uma atividade económica de natureza agrícola,
comercial, industrial ou de prestação de serviços.

3.10. Gastos – regime dos ajustamentos e das provisões

Conceito: consideram-se gastos para efeitos fiscais, os comprovadamente indispensáveis à


obtenção dos custos, ou à manutenção da fonte produtora, tal como tipifica o art. 23º do
CIRC:

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Assim temos:
o Os relativos à produção ou aquisição de quaisquer bens ou serviços, tais como
matérias utilizadas, mão-de-obra, energia e outros gastos gerais de produção,
conservação e reparação;
o Os relativos à distribuição e venda e outros.
o De natureza financeira, tais como juros de capitais alheios aplicados na exploração,
descontos, ágios, transferências, diferenças de câmbio, gastos com operações de
crédito, cobrança de dívidas e emissão de obrigações e outros títulos, prémios de
reembolso e os resultantes da aplicação do método do juro efetivo aos instrumentos
financeiros valorizados pelo custo amortizado;
o De natureza administrativa, tais como remunerações, incluindo as atribuídas a título
de participação nos lucros, ajudas de custo, material de consumo corrente,
transportes e comunicações, rendas, contencioso, seguros etc.
o Os relativos a análises, racionalização, investigação e consulta;
o De natureza fiscal e parafiscal;
o Depreciações e amortizações;
o Ajustamentos em inventários, perdas por imparidade e provisões;
o Gastos resultantes da aplicação do justo valor em instrumentos financeiros;
o Gastos resultantes da aplicação do justo valor em ativos biológicos consumíveis que
não sejam explorações silvícolas plurianuais;
o Menos-valias realizadas;
o Indemnizações resultantes de eventos cujo risco não seja segurável.

Por outro lado não são custos fiscais:


a. Os gastos as despesas ilícitas, designadamente as que decorram de comportamentos
que fundadamente indiciem a violação da legislação penal portuguesa
b. Os gastos do período de tributação os suportados com a transmissão onerosa de
partes de capital, quando detidas pelo alienante por período inferior a três anos e
desde que:
b.1) As partes de capital tenham sido adquiridas a entidades com as quais
existam relações especiais, nos termos do n.º 4 do artigo 63.º;

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

b.2) As partes de capital tenham sido adquiridas a entidades residentes em


território português sujeitas a um regime especial de tributação.
c. Os gastos do período de tributação suportados com a transmissão onerosa de partes
de capital, sempre que a entidade alienante tenha resultado de transformação,
incluindo a modificação do objeto social, de sociedade à qual fosse aplicável regime
fiscal diverso relativamente a estes gastos e tenham decorrido menos de três anos
entre a data da verificação desse facto e a data da transmissão.
d. Os gastos do período de tributação suportados com a transmissão onerosa de partes
de capital, a entidades com as quais existam relações especiais, nos termos do n.º 4
do artigo 63.º, ou a entidades residentes em território português sujeitas a um regime
especial de tributação, bem como as menos-valias resultantes de mudanças no
modelo de valorização relevantes para efeitos fiscais, nos termos do n.º 9 do artigo
18.º, que decorram, designadamente, de reclassificação contabilística ou de
alterações nos pressupostos referidos na alínea a) do n.º 9 deste artigo.

3.11. Periodização do lucro tributável

Art 18.

1 — Os rendimentos e os gastos, assim como as outras componentes positivas ou negativas


do lucro tributável, são imputáveis ao período de tributação em que sejam obtidos ou
suportados, independentemente do seu recebimento ou pagamento, de acordo com o regime
de periodização económica.
2 — As componentes positivas ou negativas consideradas como respeitando a períodos
anteriores só são imputáveis ao período de tributação quando na data de encerramento das
contas daquele a que deviam ser imputadas eram imprevisíveis ou manifestamente
desconhecidas.

3 — Para efeitos de aplicação do disposto no n.º 1:

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

a) Os réditos relativos a vendas consideram-se em geral realizados, e os correspondentes


gastos suportados, na data da entrega ou expedição dos bens correspondentes ou, se
anterior, na data em que se opera a transferência de propriedade;
b) Os réditos relativos a prestações de serviços consideram-se em geral realizados, e os
correspondentes gastos suportados, na data em que o serviço é concluído, exceto tratando-
se de serviços que consistam na prestação de mais de um ato ou numa prestação continuada
ou sucessiva, que são imputáveis proporcionalmente à sua execução;
c) Os réditos e os gastos de contratos de construção devem ser periodizados tendo em
consideração o disposto no artigo 19.º
4 — Para efeitos do conceito de rédito nas vendas, não se tomam em consideração eventuais
cláusulas de reserva de propriedade, sendo assimilada a venda com reserva de propriedade
a locação em que exista uma cláusula de transferência de propriedade vinculativa para ambas
as partes.
5 — Os réditos relativos a vendas e a prestações de serviços são imputáveis ao período de
tributação a que respeitam pela quantia nominal da contraprestação.
6 — A determinação de resultados nas obras efetuadas por conta própria vendidas
fracionadamente é efetuada à medida que forem sendo concluídas e entregues aos
adquirentes, ainda que não sejam conhecidos exatamente os custos totais das mesmas.
7 — Os gastos das explorações silvícolas plurianuais podem ser imputados ao lucro tributável
tendo em consideração o ciclo de produção, caso em que a quota-parte desses gastos,
equivalente à percentagem que a extração efetuada no período de tributação represente na
produção total do mesmo produto, e ainda não considerada em período de tributação
anterior, é atualizada pela aplicação dos coeficientes constantes da portaria a que se refere
o artigo 47.º
8— Os rendimentos e gastos, assim como quaisquer outras variações patrimoniais, relevados
na contabilidade em consequência da utilização do método da equivalência patrimonial não
concorrem para a determinação do lucro tributável, devendo os rendimentos provenientes
dos lucros distribuídos ser imputados ao período de tributação em que se adquire o direito
aos mesmos.
9 — Os ajustamentos decorrentes da aplicação do justo valor não concorrem para a formação
do lucro tributável, sendo imputados como rendimentos ou gastos no período de tributação

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

em que os elementos ou direitos que lhes deram origem sejam alienados, exercidos, extintos
ou liquidados, exceto quando:
a) Respeitem a instrumentos financeiros reconhecidos pelo justo valor através de
resultados, desde que, tratando-se de instrumentos do capital próprio, tenham um
preço formado num mercado regulamentado e o sujeito passivo não detenha, direta
ou indiretamente, uma participação no capital superior a 5% do respetivo capital
social; ou seja, tais ajustamentos em participações relevantes não concorrem para a
formação do lucro tributável.
b) Tal situação esteja expressamente previsto no CIRC.
10 — O cálculo do nível percentual de participação indireta no capital a que se refere o
número anterior são aplicáveis os critérios previstos no artigo 483.º 2 do Código das
Sociedades Comerciais.
11 — Os pagamentos com base em ações, efetuados aos trabalhadores e membros dos
órgãos estatutários, em razão da prestação de trabalho ou de exercício de cargo ou função,
concorrem para a formação do lucro tributável do período de tributação em que os respetivos
direitos ou opções sejam exercidos, pelas quantias liquidadas ou, se aplicável, pela diferença
entre o valor dos instrumentos de capital próprio atribuídos e o respetivo preço de exercício
pago.
12 — Exceto quando estejam abrangidos pelo disposto no artigo 43.º relativo a realizações
de utilidade social, os gastos relativos a benefícios de cessação de emprego, benefícios de
reforma e outros benefícios pós emprego ou a longo prazo dos empregados que não sejam
considerados rendimentos de trabalho dependente, nos termos da primeira parte do n.º 3)
da alínea b) do n.º 3 do artigo 2.º do Código do IRS, são imputáveis ao período de tributação
em que as importâncias sejam pagas ou colocadas à disposição dos respetivos beneficiários.
Ou seja, caso satisfaçam as condições do art. 43.º são considerados custos no período em
que são despendidos.

Exemplo
No final do período de tributação n, uma empresa vendeu um determinado bem dos seus
inventários a crédito (prazo de dois anos), sem juros, por € 400.000.

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Sabendo que o justo valor da contraprestação é de € 380.000 e que nos anos n+1 e n+2
reconheceu, em partes iguais, o rédito de juros, refira quais as consequências deste
procedimento em termos fiscais.

Quantia nominal ou bruta da retribuição – 400.000


Justo valor da retribuição – 380.000

Contabilisticamente
Ano n – Reconhece como rédito 380.000
Ano n+1 – Reconhece como rédito (juro) 10.000
Ano n+2 – Reconhece como rédito (juro) 10.000

Fiscalmente
Ano n Acresce 20.000 no Q.07
Ano n+1 Deduz 10.000 no Q. 07
Ano N+2 Deduz 10.000 no Q.07

3.12. Regime da transparência fiscal

A transparência fiscal consiste na imputação da tributação aos membros de determinadas


entidades constantes do Código do IRC. Este regime de transparência fiscal é obrigatório
para as entidades constantes dos nºs. 1 e 2 do artigo 6º.

O regime de transparência fiscal a que se sujeita certo tipo de entidades (entidades


transparentes) surge como forma de alcançar três objetivos:

1. Neutralidade fiscal;
2. Combate à evasão fiscal;
3. Eliminação de denominada dupla tributação económica dos lucros distribuídos aos
sócios.

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Objetivos
O objetivo da neutralidade consiste em não subordinar a tributação à forma jurídica adotada
pelos sujeitos passivos, ou não contribuir pela via fiscal para a opção por determinada forma
jurídica de exercício de qualquer atividade.

O combate à evasão fiscal por este meio, traduz-se na preocupação de evitar a


disponibilidade dos sujeitos passivos na opção pelo regime societário com a finalidade única
de evitar ou atenuar a sua tributação.

A eliminação da dupla tributação económica dos lucros distribuídos, encontra neste regime
um dos seus métodos mais privilegiados.
A este propósito, é de assinalar que o CIRC consagra três formas de evitar a dupla tributação
económica:

1) O regime da transparência fiscal (art. 6º).


2) A dedução de lucros anteriormente tributados (art. 51º).
3) A tributação pelo lucro consolidado (art. 69 a 71º).

O regime da transparência fiscal permite eliminar totalmente a dupla tributação, na medida


em que se atinge uma integração total do IRC e do IRS excluindo-se as entidades
transparentes da obrigação de pagamento do IRC, apenas se tributando as pessoas
singulares ou coletivas que as constituem.

Obrigatoriedade do regime
Entidades sujeitas
O art. 6º distingue dois tipos de entidades obrigatoriamente sujeitas a este regime:

no nº 1:
o Sociedades Civis não constituídas sob forma comercial;
o Sociedades de profissionais;
o Sociedade de simples administração de bens.
no nº 2:

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

o Agrupamentos Complementares de empresas (ACE);


o Agrupamentos Europeus de interesse económico (AEIE).

Todos com sede ou direção efetiva em território português e, quanto aos do nº 2, que se
constituam e funcionem nos termos legais.

A razão fundamental desta distinção entre entidades transparentes reside no objeto da


imputação:
- nos casos do nº 1, imputa-se aos respetivos apenas a matéria coletável daquelas
sociedades;
- nos casos do nº 2, imputa-se o lucro ou o prejuízo do exercício do ACE ou do AEIE aos
respetivos membros.

Nesta última hipótese, o resultado apurado do exercício é totalmente imputado, quer seja
positivo (lucro) quer seja negativo (prejuízo).

Nos casos do nº 1 é objeto de imputação a matéria coletável, se a houver.


Existindo prejuízo fiscal, ele manter-se-á dentro da esfera da sociedade que o poderá deduzir
aos seus lucros tributáveis, havendo-os, de um ou mais dos seis exercícios posteriores – o
reporte de prejuízos compete à própria sociedade transparente e não aos seus sócios.

As entidades transparentes, não obstante a subordinação a este regime, não perdem a


qualidade de sujeitos passivos de IRC. A sujeição passiva é necessária, mas é também
meramente instrumental face à sujeição das pessoas singulares ou coletivas que integram a
entidade transparente.

A sujeição passiva das entidades transparentes é necessária porque a sociedade ou o


agrupamento funciona como centro de referência para efeitos de cálculo do valor que irá
posteriormente ser imputado aos sócios ou membros respetivos.

Este valor (matéria coletável, num caso, lucro ou prejuízo, no outro) é determinado nos
termos das disposições do CIRC, como se de qualquer outro sujeito passivo se tratasse.

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Seguidamente proceder-se-á à imputação do valor, assim determinado, aos respetivos sócios


ou membros e, neste sentido, a sujeição da entidade transparente é também meramente
instrumental, porquanto constitui um meio indireto (mas adequado, face aos objetivos
visados) de tributação na pessoa dos sócios ou membros da sociedade ou agrupamento
transparente e na medida dos valores que lhes sejam imputados.

Para além da determinação da matéria coletável, ou do lucro ou prejuízo, consoante os casos,


- observando as regras do CIRC, incluindo as possibilidades de correção e reporte de prejuízos
(art. 47º), - a natureza instrumental desta sujeição revela-se ainda no cumprimento das
restantes obrigações acessórias, por parte da sociedade transparente como sujeito passivo
de IRC, tais como:
- todas as obrigações em matéria de contabilidade necessárias ao correto apuramento da
situação tributária; e
- apresentação de todas as declarações:
a) de inscrição; de alteração; ou de cancelamento no registo dos sujeitos passivos
b) periódicas de rendimentos (art. 109º).

Concluindo:
Em consequência deste método de sujeição meramente instrumental, as sociedades e
agrupamentos abrangidos pelo regime de transparência fiscal não são sujeitos passivos
(conforme art. 12º do CIRC) da obrigação tributária principal - o pagamento do imposto,
cujo cumprimento é transferido, como vimos para as pessoas dos respetivos sócios ou
membros na sua sede própria, i.e., sob a forma de IRC ou IRS.

Desta forma a entidade transparente será exonerada do pagamento do IRC que lhe
competiria se não estivesse abrangida por aquele regime.

3.13. Regime das depreciações e amortizações

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Conceito: tradicionalmente define-se Depreciação de um ativo, o valor (teórico),


correspondente à perda de valor ou desgaste do bem, quer ocorra pela mera passagem do
tempo quer pelo seu uso ou utilização. As normas contabilísticas definem-na como a
imputação sistemática a gastos do exercício da quantia depreciável de um ativo ao longo da
sua vida útil.

O valor do ativo é valorizado pelo custo de aquisição ou produção, considerados a valores


nominais (iniciais) ou a valores constantes (atualizados).

A vida útil do bem corresponde ao período que se espera que o bem possa ser usado pela
empresa, no seu processo técnico-produtivo.

Decreto Regulamentar nº 25/2009 de 14 Setembro


Este diploma regulamenta todo o regime fiscal das amortizações.

Artigo 1º Condições gerais de aceitação das depreciações e amortizações


Artigo 2º Valorimetria dos elementos reintegráveis
Artigo 3º Período de vida útil
Artigo 4º Métodos de cálculo das depreciações
Artigo 5º Método das quotas constantes
Artigo 6º Método das quotas degressivas
Artigo 7º Depreciações e amortizações por duodécimos
Artigo 8º Utilização uniforme dos métodos de depreciação
Artigo 9º Regime intensivo de utilização dos bens patrimoniais
Artigo 10º Desvalorizações excecionais ativo fixo tangível
Artigo 11º Depreciações de imóveis
Artigo 12º Depreciações de viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, barcos de recreio e
aviões de turismo
Artigo 13º Ativos revertíveis
Artigo 14º Locação financeira
Artigo 15º Peças ou componentes de substituição ou reserva
Artigo 16º Depreciações de bens reavaliados

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Artigo 17º Amortizações de imobilizações incorpóreas


Artigo 18º Despesas de investigação e desenvolvimento
Artigo 19º Quotas mínimas de depreciação e amortização
Artigo 20º Elementos de reduzido valor
Artigo 21º Regularização de depreciações e amortizações tributadas
Artigo 21º-A Bens em que se tenha concretizado reinvestimento
Artigo 22º Mapas de depreciações e amortizações
Artigo 23º Norma transitória

3.14. Limitações aos gastos

O Orçamento do Estado para 2013 introduziu novas regras de limitação à dedutibilidade de


gastos de financiamento, tendo os mesmos sofrido alteração nos termos da reforma da
tributação das sociedades (2014).

A limitação decorre de uma intenção do legislador em tentar proceder a uma desalavancagem


das empresas situadas em Portugal, permitindo um maior equilíbrio entre o endividamento
a terceiros e a estrutura de capital próprio.

Regra de dedutibilidade:
Os gastos de financiamento líquidos são dedutíveis até à concorrência do maior dos seguintes
limites:

o 1.000.000€; ou
o 30% do resultado antes de depreciações, gastos de financiamento líquidos e
impostos.

Os gastos de financiamento considerados excessivos num determinado período de tributação


podem ser dedutíveis nos cinco períodos seguintes, após os gastos de financiamento líquidos
desse mesmo período, desde que não ultrapassem os limites acima referidos.

41
ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Por outro lado, quando os gastos de financiamento deduzidos sejam inferiores ao limite de
30% do resultado antes de depreciações, gastos de financiamento líquidos e impostos, a
parte não utilizada acresce para efeitos da determinação do montante máximo dedutível, até
ao quinto período de tributação posterior.

Para efeitos da identificação dos gastos de financiamento líquidos passíveis de reporte, bem
como da parte não utilizada do limite que se deva acrescer ao montante máximo dedutível,
ambos durante os cinco períodos subsequentes, consideram-se, em primeiro lugar, os gastos
de financiamento líquidos e a parte do limite não utilizada que tenham sido apurados há mais
tempo.

O reporte dos montantes anteriormente referidos poderá ser limitado em casos de alteração
da titularidade de mais de 50% do capital social ou da maioria dos direitos de voto do sujeito
passivo.

Conceito de gastos de financiamento líquidos:

Correspondem aos encargos associados à remuneração de capitais alheios, deduzidos dos


rendimentos de idêntica natureza, tais como:

o Juros de descobertos bancários;


o Juros de empréstimos obtidos a curto e longo prazos;
o Juros de obrigações e outros títulos assimilados;
o Amortizações de descontos ou de prémios relacionados com empréstimos obtidos;
o Amortizações de custos acessórios incorridos em ligação com a obtenção de
empréstimos;
o Encargos financeiros relativos a locações financeiras; e
o Diferenças de câmbio provenientes de empréstimos em moeda estrangeira.

Conceito de resultado antes de depreciações, amortizações, gastos de


financiamento líquidos e impostos:

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Corresponde ao resultado antes de depreciações, amortizações, gastos de financiamento


líquidos e impostos apurado na contabilidade, corrigido de:
o Ganhos e perdas resultantes de alterações de justo valor que não concorram para a
determinação do lucro tributável;
o Imparidades e reversões de investimentos não depreciáveis ou amortizáveis;
o Ganhos e perdas resultantes da aplicação do método de equivalência patrimonial ou,
no caso de empreendimentos conjuntos que sejam sujeitos passivos de IRC, do
método de consolidação proporcional;
o Rendimentos ou ganhos relativos a partes de capital às quais seja aplicável o regime
de “participation exemption”;
o Rendimentos ou gastos imputáveis a estabelecimento estável situado fora do
território português relativamente ao qual seja exercida a opção prevista no n.º 1 do
artigo 54.º-A;
o A contribuição extraordinária sobre o setor energético.

Entidades excluídas do âmbito de aplicação da nova regra:

Entidades sujeitas à supervisão do Banco de Portugal e do Instituto de Seguros de Portugal;


Sucursais em Portugal de instituições de crédito e outras instituições financeiras ou empresas
de seguros, e às sociedades de titularização de créditos constituídas nos termos do Decreto-
Lei n.º 453/99, de 5 de novembro.

3.15. Regime dos demais encargos

Créditos incobráveis

Os créditos incobráveis podem ser diretamente considerados gastos ou perdas do período de


tributação na medida em que tal resulte de processo de insolvência e de recuperação de
empresas, de processo de execução ou de procedimento extrajudicial de conciliação para
viabilização de empresas em situação de insolvência ou em situação económica difícil
mediado pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

(IAPMEI), quando relativamente aos mesmos não tenha sido admitida perda por imparidade
ou, sendo-o, esta se mostre insuficiente.

Realizações de utilidade social

São também dedutíveis os gastos do período de tributação, incluindo depreciações ou


amortizações e rendas de imóveis, relativos à manutenção facultativa de creches, lactários,
jardins-de-infância, cantinas, bibliotecas e escolas, bem como outras realizações de utilidade
social como tal reconhecidas pela Direcção-Geral dos Impostos, feitas em benefício do
pessoal ou dos reformados da empresa e respetivos familiares, desde que tenham carácter
geral e não revistam a natureza de rendimentos do trabalho dependente ou, revestindo-o,
sejam de difícil ou complexa individualização relativamente a cada um dos beneficiários.

São igualmente considerados gastos do período de tributação, até ao limite de 15% das
despesas com o pessoal escrituradas a título de remunerações, ordenados ou salários
respeitantes ao período de tributação, os suportados com contratos de seguros de doença e
de acidentes pessoais, bem como com contratos de seguros de vida, contribuições para
fundos de pensões e equiparáveis ou para quaisquer regimes complementares de segurança
social, que garantam, exclusivamente, o benefício de reforma, pré-reforma, complemento de
reforma, benefícios de saúde pós-emprego, invalidez ou sobrevivência a favor dos
trabalhadores da empresa.

Não são dedutíveis para efeitos da determinação do lucro tributável os seguintes


encargos, mesmo quando contabilizados como gastos do período de tributação:

a) O IRC e quaisquer outros impostos que direta ou indiretamente incidam sobre os


lucros;
b) Os encargos evidenciados em documentos emitidos por sujeitos passivos com
número de identificação fiscal inexistente ou inválido ou por sujeitos passivos cuja
cessação de atividade tenha sido declarada oficiosamente nos termos do art. 8.º 6;
c) Os impostos e quaisquer outros encargos que incidam sobre terceiros que o sujeito
passivo não esteja legalmente autorizado a suportar;

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

d) As multas, coimas e demais encargos pela prática de infrações, de qualquer


natureza, que não tenham origem contratual, incluindo os juros compensatórios;
e) As indemnizações pela verificação de eventos cujo risco seja segurável;
f) As ajudas de custo e os encargos com compensação pela deslocação em viatura
própria do trabalhador, ao serviço da entidade patronal, não faturados a clientes,
escriturados a qualquer título, sempre que a entidade patronal não possua, por cada
pagamento efetuado, um mapa através do qual seja possível efetuar o controlo das
deslocações a que se referem aqueles encargos, designadamente os respetivos locais,
tempo de permanência, objetivo e, no caso de deslocação em viatura própria do
trabalhador, identificação da viatura e do respetivo proprietário, bem como o número
de quilómetros percorridos, exceto na parte em que haja lugar a tributação em sede
de IRS na esfera do respetivo beneficiário;
g) Os encargos não devidamente documentados;
h) Os encargos com o aluguer sem condutor de viaturas ligeiras de passageiros ou
mistas, na parte correspondente ao valor das depreciações dessas viaturas que, nos
termos do artigo 34.º 1 c) e e), não sejam aceites como gastos;
i) Os encargos com combustíveis na parte em que o sujeito passivo não faça prova
de que os mesmos respeitam a bens pertencentes ao seu ativo ou por ele utilizados
em regime de locação e de que não são ultrapassados os consumos normais;
j) Os juros e outras formas de remuneração de suprimentos e empréstimos feitos
pelos sócios à sociedade, na parte em que excedam o valor correspondente à taxa
de referência Euribor a 12 meses do dia da constituição da dívida ou outra taxa
definida por portaria do Ministro das Finanças que utilize aquela taxa como indexante;
l) As menos-valias realizadas relativas a barcos de recreio, aviões de turismo e
viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, que não estejam afetos à exploração de
serviço público de transportes nem se destinem a ser alugados no exercício da
atividade normal do sujeito passivo, exceto na parte em que correspondam ao valor
fiscalmente depreciável nos termos do artigo 34.º 1 e) ainda não aceite como gasto;
m) Os gastos relativos à participação nos lucros por membros de órgãos sociais e
trabalhadores da empresa, quando as respetivas importâncias não sejam pagas ou
colocadas à disposição dos beneficiários até ao fim do período de tributação seguinte;

45
ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

n) Sem prejuízo da alínea anterior, os gastos relativos à participação nos lucros por
membros de órgãos sociais, quando os beneficiários sejam titulares, direta ou
indiretamente, de partes representativas de, pelo menos, 1% do capital social, na
parte em que exceda o dobro da remuneração mensal auferida no período de
tributação a que respeita o resultado em que participam.
o) A contribuição sobre o sector bancário.

3.16. Variações patrimoniais negativas

Nas mesmas condições referidas para os gastos, concorrem ainda para a formação do lucro
tributável as variações patrimoniais negativas não refletidas no resultado líquido do período
de tributação, exceto:

a. As que consistam em liberalidades ou não estejam relacionadas com a atividade do


contribuinte sujeita a IRC;
b. As menos-valias potenciais ou latentes, ainda que expressas na contabilidade;
c. As saídas, em dinheiro ou em espécie, em favor dos titulares do capital, a título de
remuneração ou de redução do mesmo, ou de partilha do património, bem como
outras variações patrimoniais negativas que decorram de operações sobre
instrumentos de capital próprio da entidade emitente ou da sua reclassificação;
d. As prestações do associante ao associado, no âmbito da associação em participação.
e. As relativas a impostos sobre o rendimento.

Refira-se que as mesmas não influenciam o lucro tributável da empresa, na medida em que
têm origem em atos que saem do âmbito da sua atividade. Por esse fato, uma vez que se
pretende tributar o rendimento gerado pela empresa, não deverão ser deduzidas ao resultado
do exercício.

3.17. Derrama

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Ao IRC devido pode acrescer a Derrama, a qual é receita municipal. A taxa geral de Derrama,
lançada pelos diferentes municípios, pode ascender até 1,50%, podendo coexistir uma taxa
reduzida de Derrama para empresas com volume de negócios inferior a 150.000€ no exercício
anterior.

A derrama e um imposto municipal cujo lançamento depende da deliberação anual das


Assembleias Municipais.
Alem de optar pelo lançamento ou não, deste imposto, os Municípios tem também de
deliberar qual a taxa aplicável, que tem um limite máximo de 1,5% aplicável sobre o lucro
tributável do IRC, que corresponde à proporção do rendimento gerado na sua área
geográfica.

Por outro lado, os municipios podem fixar uma taxa reduzida para pequenas e medias
empresas cujo volume de negocios nao tenha ultrapassado 150.000 euros.

Exemplo
Se o lucro tributável de IRC corresponder a 625.870 euros e o município onde a empresa se
encontra instalada cobrar a derrama máxima de 1,5% de derrama, o valor a pagar
corresponde a 938.81 euros. apurado da seguinte forma:
625.870 x 1,5% = 9388,05 euros

A derrama é devida no município onde a empresa tem a sua sede ou direção efetiva.
No entanto, se a empresa tiver escritórios, lojas ou outro tipo de representações em mais do
que um município devera analisar-se o lucro tributável de cada um.

Assim, relativamente aos estabelecimentos cujo lucro tributável seja superior a 50.000 euros,
a derrama, caso seja aplicada, e paga ao município onde se localiza o estabelecimento, pela
taxa por este fixada.
Neste caso, a taxa aplica-se ao lucro tributável gerado na área daquele município.

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Este valor corresponde à proporção do montante total dos ordenados e outras remunerações
pagas ao pessoal do estabelecimento em relação ao montante pago ao pessoal de toda a
empresa, incluindo os estabelecimentos ou representações situados em todo o território
nacional.

No caso de não residentes, a derrama e paga ao município onde se localize o estabelecimento


estável do não residente.

Recorde-se que o atual regime da derrama entrou em vigor no exercício de 2007. No regime
anterior este imposto incidia sobre a matéria coletável do IRC, e a taxa anual que incidia
sobre aquele valor, podia ser fixada ate ao máximo de 10%.
A mudança das regras de tributação deste imposto alargou a base de incidência (da coleta
para o lucro tributável), e reduziu a taxa máxima de 10% para 1,5%.

Quando seja aplicável o Regime Especial de Tributação dos Grupos de Sociedades, a Derrama
incide sobre o lucro tributável individual de cada uma das sociedades do grupo.

A Derrama incide sobre o lucro tributável do exercício, antes da dedução de prejuízos fiscais
reportáveis.

3.18. Tributações autónomas

Conceito: são uma tributação que incide sobre determinados encargos de sujeitos passivos
de IRC e são entendidas como um pagamento independente da existência ou não de matéria
coletável.

Incidem sobre despesas consideradas duvidosas quanto à mais-valia da necessidade das


mesmas, em prol da produção da empresa. Ou seja, incidem sobre aquelas despesas que
facilmente se transpõem da esfera empresarial para a esfera pessoal dos sócios. É através
da tributação autónoma que se procura dissuadir o abuso deste tipo de despesas.

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Taxas de tributação autónoma


Determinados encargos de sujeitos passivos de IRC são objeto de tributação autónoma, às
taxas subsequentemente indicadas.

Taxa (%)

Descrição 2014 2013

Encargos com viaturas ligeiras de passageiros, motos ou motociclos 10 / 27,5 / 35 10 / 20

Despesas de representação 10 10
Despesas não documentadas 50 / 70 50 / 70
Pagamentos a entidades residentes em regime fiscal claramente mais favorável 35 / 55 35 / 55
Ajudas de custo e deslocações em viatura própria não faturadas a clientes 5 5
Gastos ou encargos relativos a indemnizações decorrentes da cessação de funções
35 35
de gestor, administrador e gerente
Gastos ou encargos relativos a bónus e outras remunerações variáveis pagas a
35 35
gestores, administradores e gerentes
Lucros distribuídos a sujeitos passivos que beneficiam de isenção total ou parcial de
23 25
IRC

3.19. Reporte de prejuízos

Os prejuízos fiscais apurados a partir de 1 de janeiro de 2012 até 31 de dezembro de 2013


podem ser reportados por um período de 5 anos.

Os prejuízos fiscais gerados em exercícios iniciados em ou após de 1 de janeiro de 2014


podem ser reportados por um período de 12 anos.

Desde 1 de janeiro de 2014, a dedução de prejuízos fiscais, incluindo os prejuízos fiscais


apurados antes de 1 de janeiro de 2014, encontra-se limitada a 70% do lucro tributável
apurado no exercício em que seja realizada a dedução.

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

3.20. Benefícios Fiscais

Descrevem-se, sumariamente, alguns dos principais benefícios fiscais disponíveis para


sujeitos passivos de IRC.

Benefícios fiscais contratuais ao investimento produtivo


Pode ser concedido um crédito entre 10% e 20% da coleta de IRC, e concedidas isenções
ou reduções de IMT, IMI e Imposto do Selo, aos projetos de investimento (de valor igual ou
superior a 3.000.000€), realizados até 31 de dezembro de 2020, desde que relevantes para
o desenvolvimento dos sectores considerados de interesse estratégico para a economia
nacional e para a redução das assimetrias regionais, que induzam a criação de postos de
trabalho e que contribuam para impulsionar a inovação tecnológica e a investigação científica
nacional.

Sistema de incentivos em investigação e desenvolvimento empresarial


O SIFIDE II vigora até 2020. Nos termos do SIFIDE II, são dedutíveis à coleta, em
determinadas condições, as despesas com investigação e desenvolvimento, nas seguintes
percentagens:

o 32,5% das despesas realizadas no exercício;


o 50% do acréscimo das despesas do exercício relativamente à média dos 2 exercícios
anteriores, até ao limite de 1.500.000€;
o a percentagem de 32,5% é majorada em 15% no caso de PME que não beneficiem
da taxa incremental de 50% por não terem ainda completado 2 exercícios de
atividade.

As empresas deverão obter uma declaração comprovativa emitida por entidade nomeada
pelo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Regime Fiscal de Apoio ao Investimento (RFAI)

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

O RFAI é aplicável a investimentos relevantes realizados nos exercícios de 2013 a 2017 em


determinado imobilizado corpóreo e incorpóreo.
Prevê-se uma dedução à coleta, até à concorrência de 50% da mesma, para:

o Investimentos até 5.000.000€, dedução de 20% do investimento relevante;


o Investimentos superiores a 5.000.000€, dedução de 10% do investimento relevante.

A dedução que não possa ser efetuada integralmente por insuficiência de coleta, poderá sê-
lo, nas mesmas condições, até ao quinto exercício seguinte.
São ainda concedidas isenções de IMI, IMT e Imposto do Selo relativamente a aquisição de
prédios que constituam investimento relevante.

Criação líquida de empregos


As empresas que aumentem o número de empregados por via da admissão de jovens com
idade superior a 16 anos e inferior a 35 anos, inclusive, com exceção dos jovens com menos
de 23 anos, que não tenham concluído o ensino secundário, e que não estejam a frequentar
uma oferta de educação-formação que permita elevar o nível de escolaridade ou qualificação
profissional para assegurar a conclusão desse nível de ensino, ou de desempregados de longa
duração, por contrato sem termo, poderão majorar em 50% o custo fiscal relativo aos
correspondentes encargos. Essa majoração poderá ser efetuada durante um período de 5
anos, a contar do início da vigência do contrato de trabalho.

O montante máximo da majoração anual, por posto de trabalho, é de 14 vezes a retribuição


mínima mensal garantida.
A majoração em 50% dos encargos suportados com o mesmo colaborador passa, a partir de
2011, a poder ser aplicável a mais do que uma entidade patronal, desde que entre estas não
existam relações especiais.
Este regime não é cumulável com outros incentivos de apoio ao emprego, aplicáveis ao
mesmo trabalhador ou posto de trabalho.

Mecenato

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

São considerados como gasto fiscal (dentro de determinados limites e, em determinadas


circunstâncias, com majoração) os donativos concedidos a determinadas entidades cuja
atividade consista predominantemente na realização de iniciativas nas áreas social, cultural,
ambiental, científica ou tecnológica, desportiva e educacional.

Crédito por dupla tributação internacional


É concedido crédito por dupla tributação internacional, correspondente à menor das
seguintes importâncias:

o Imposto sobre o rendimento pago no estrangeiro; ou


o Fração do IRC, calculado antes da dedução, correspondente aos rendimentos que no
país em causa possam ser tributados, líquidos dos custos ou perdas, direta ou
indiretamente, suportados para a sua obtenção.

Quando existir convenção para eliminar a dupla tributação celebrada por Portugal, a dedução
referida não pode ultrapassar o imposto pago no estrangeiro nos termos previstos pela
convenção.

Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM)


As entidades licenciadas para operar no CINM até 30/06/2014 são tributadas em IRC à taxa
reduzida de 5%, entre 1 de janeiro de 2013 e 31 de dezembro de 2020 – estas taxas aplicam-
se a plafonds de matéria coletável, variáveis de acordo com o número de postos de trabalho
criado.
As entidades licenciadas no CINM estão isentas de Imposto do Selo sobre documentos, livros,
papéis, contratos, operações, atos e produtos previstos na Tabela Geral do Imposto do Selo,
desde que os intervenientes não sejam residentes em território português.

Região Autónoma dos Açores


As entidades aí residentes beneficiam de uma dedução à coleta, entre 20% e 40%, em caso
de reinvestimento dos respetivos lucros em ativo fixo afeto à exploração.

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Serviços financeiros a entidades públicas


O Estado, Associações de Direito Público e Instituições de Segurança Social, quando realizem
operações de financiamento a empresas com recurso a fundos obtidos de empréstimo junto
de instituições de crédito, ficam sujeitas a tributação, relativamente a esses rendimentos,
pela diferença, verificada em cada exercício, entre os juros e outros rendimentos de capitais
de que sejam titulares relativamente a essas operações e os juros devidos a essas
instituições, com dispensa de retenção na fonte de IRC.

Empresas armadoras da marinha mercante nacional


Apenas 30% dos lucros resultantes exclusivamente da atividade de transporte marítimo são
tributados.
Isenção de imposto do selo nas operações de financiamento externo para aquisição de
navios, contentores e outro equipamento para navios, contratados por empresas armadoras
da marinha mercante, ainda que essa contratação seja feita através de instituições
financeiras nacionais.

Entidades gestoras de sistemas integrados de gestão de fluxos específicos de


resíduos
Ficam isentas de IRC, exceto quanto aos rendimentos de capitais, tal como são definidos
para efeitos de IRS, durante todo o período correspondente ao licenciamento, relativamente
aos resultados que, durante esse período, sejam reinvestidos ou utilizados para a realização
dos fins que lhes sejam legalmente atribuídos.

Coletividades desportivas, de cultura e recreio


Os rendimentos das coletividades desportivas, de cultura e recreio, ficam isentos de IRC,
desde que a totalidade dos seus rendimentos brutos sujeitos a tributação, e não isentos, não
exceda o montante de 7.500€. As importâncias investidas pelos clubes desportivos em novas
infraestruturas, não provenientes de subsídios, podem ser deduzidas à matéria coletável até
ao limite de 50% da mesma, sendo o eventual excesso deduzido até ao final do segundo
exercício seguinte ao do investimento.

Associações e confederações

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

As pessoas coletivas públicas, de tipo associativo, criadas por lei para assegurar a disciplina
e representação do exercício de profissões liberais e as confederações e associações
patronais e sindicais ficam isentas de IRC, exceto no que respeita a rendimentos de capitais
e a rendimentos comerciais, industriais ou agrícolas, tal como são definidos para efeitos de
IRS.

Ficam também isentos de IRC os rendimentos das associações sindicais e das pessoas
coletivas públicas, de tipo associativo, criadas por lei para assegurar a disciplina e
representação do exercício de profissões liberais, derivados de ações de formação prestadas
aos respetivos associados no âmbito dos seus fins estatutários.
Ficam igualmente isentos de IRC os rendimentos obtidos por associações de pais derivados
da exploração de cantinas escolares.

Baldios e comunidades locais


Estão isentas de IRC as comunidades locais, quanto aos rendimentos derivados dos baldios,
incluindo os resultantes da cessão de exploração, bem como os da transmissão de bens ou
da prestação de serviços comuns aos compartes, quando, em qualquer caso, aqueles
rendimentos sejam afetos, de acordo com o plano de utilização aprovado, com os usos ou
costumes locais, ou com as deliberações dos órgãos competentes dos compartes, em
investimento florestal ou outras benfeitorias no próprio baldio ou, bem assim, em
melhoramentos junto da comunidade que os possui e gere, até ao fim do quarto exercício
posterior ao da sua obtenção, salvo em caso de justo impedimento no cumprimento do prazo
de afetação, notificado à Direcção-Geral dos Impostos, acompanhado da respetiva
fundamentação escrita, até ao último dia útil do 1.º mês subsequente ao termo do referido
prazo.

Não são abrangidos pelas isenções referidas os rendimentos de capitais, tal como são
definidos para efeitos de IRS, e as mais-valias resultantes da alienação, a título oneroso, de
áreas do baldio.

Incentivos à aquisição de empresas em situação económica difícil

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Os adquirentes de empresas em situação económica difícil, no âmbito do Sistema de


Incentivos à Revitalização e Modernização do Tecido empresarial (SIRME) aprovados pelo
Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento (IAPMEI), podem
deduzir ao seu lucro tributável, os prejuízos fiscais gerados e ainda não deduzidos pela
empresa adquirida nos cinco períodos de tributação anteriores, mediante prévia autorização
do Ministério das Finanças e o cumprimento de um conjunto de requisitos (nomeadamente,
aquisição de uma participação de, pelo menos, 50%). Este regime é aplicado na proporção
da participação no capital social da sociedade adquirida, com o limite anual de 60% do lucro
tributável da sociedade adquirente, e desde que não se ultrapasse o período de reporte de
prejuízos fiscais.

Dedução por lucros retidos e reinvestidos (DLRR)


A dedução por lucros retidos e reinvestidos (DLRR) constitui um regime de incentivos fiscais
ao investimento em favor de pequenas e médias empresas, que permite a dedução à coleta
do IRC de 10% dos lucros retidos que sejam reinvestidos, em ativos elegíveis, no prazo de
dois anos contados a partir do termo do período de tributação a que correspondam os lucros
retidos, com o máximo de dedução anual de 25% da coleta do IRC.

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

4. Liquidação e pagamento

Conceito de liquidação: é a operação aritmética de aplicação de uma taxa à matéria


coletável, para determinação do montante exato de imposto devido pelo sujeito passivo
(coleta). Naqueles impostos em que a lei prevê a possibilidade de deduções à coleta, a
liquidação abrange também os cálculos decorrentes destas deduções.

Hoje generaliza-se a tendência para agrupar sob a mesma designação "liquidação", quer as
operações de liquidação propriamente ditas que acabámos de referir, quer as operações de
lançamento mencionadas no ponto anterior. Ao usar agora a expressão "liquidação",
distingue-se entre uma liquidação em sentido estrito (a operação aritmética de aplicação de
uma taxa à matéria coletável) e uma liquidação em sentido amplo, que abarca tanto a dita
operação aritmética, a liquidação em sentido estrito, como todas as outras operações de
lançamento.

A liquidação do imposto processa-se da seguinte forma:


o Pelo próprio contribuinte, nas declarações a que se referem os artigos 96º e 97º do
CIRC, caso em que a liquidação terá por base a matéria coletável que delas conste;
o Na falta de apresentação de declaração periódica de rendimentos, a liquidação é feita
pela administração fiscal, com base na totalidade da matéria coletável do exercício
mais próximo que se encontre determinada ou outros elementos.
o Na falta de liquidação nos termos acima enunciados, a mesma terá por base os
elementos de que a administração fiscal disponha.”

Competência para a liquidação

A liquidação do imposto deve ser efetuada pelo contribuinte e processa-se nos seguintes
termos:

a. Quando a liquidação deva ser feita pelo sujeito passivo, tem por base a matéria
coletável que delas conste.

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

b. Na falta de apresentação da declaração, a liquidação é efetuada até 30 de Novembro


do ano seguinte àquele a que respeita ou até ao fim do 6.º mês seguinte ao do termo
do prazo para apresentação da declaração aí mencionada e tem por base o valor
anual da retribuição mínima mensal ou, quando superior, a totalidade da matéria
coletável do exercício mais próximo que se encontre determinada.
c. Na falta de liquidação nos termos das alíneas anteriores, a mesma tem por base os
elementos de que a administração fiscal disponha.

Para contribuintes sem sede nem direção efetiva ou estabelecimento estável em Portugal, ao
qual os rendimentos sejam imputáveis, a liquidação faz-se de acordo com as regras acima
referidas, apenas serão de efetuar as deduções relativas à coleta da contribuição autárquica
e às retenções na fonte quando estas tenham a natureza de imposto por conta do IRC.

Para contribuintes a quem seja aplicável o regime simplificado de determinação do lucro


tributável não há lugar às deduções gerais previstas para a liquidação.

Conceito de Pagamento: cobrança e pagamento são expressões que traduzem a mesma


realidade jurídica. A primeira assumida do ponto de vista da administração fiscal, que cobra
o imposto; a segunda encarada do ponto de vista do contribuinte, que o paga. É a fase final
da vida do imposto, para que tende toda a relação jurídica fiscal. Com a cobrança
(pagamento) os valores correspondentes ao imposto vão dar entrada nos cofres do Estado
e com isso a relação jurídica fiscal, normalmente, extinguir-se-á.

Se o pagamento não for efetuado no prazo legal serão devidos os respetivos juros
compensatórios.

4.1. Cálculo do Imposto

Para calcular a tributação há que obedecer a algumas regras. O ponto de partida será sempre
o Resultado Líquido da empresa, que está registado na contabilidade da mesma. Ao resultado

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

líquido deduz-se ou acresce-se as variações patrimoniais e procede-se a eventuais correções


fiscais, caso estejam previstas.

Chega-se assim ao - Lucro Tributável - ao qual se deduzirá os prejuízos e os benefícios fiscais,


obtendo a Matéria Coletável – é sobre esta que se irá aplicar a taxa de imposto, obtendo
assim a – Coleta do IRC.

A fim de apurar se a empresa tem IRC a pagar ou a recuperar há ainda que ter em
consideração os pagamentos especiais por conta e os pagamentos por conta já efetuados e
que irão abater à Coleta, a derrama municipal e estadual, tributações autónomas e juros
compensatórios que irão acrescer ao valor obtido.

Em síntese obtemos o seguinte esquema:

Resultado Lucro tributável Matéria Coleta do IRC


líquido coletável

•+variações •-prejuízos •multiplicar •- PEC


patrimoniais fiscais pela taxa •- Retenções
positivas •- benefícios na fonte
•- variações fiscais •- pagamento
patrimoniais por conta
negativas •+ derrama
•+/- correções •+ tributações
fiscais autónomas
•+ outros

4.2.Deduções à coleta

Ao montante apurado mediante a aplicação das taxas à matéria coletável, são efetuadas as
seguintes deduções, pela ordem indicada conforme art. 90.º 2:

o A correspondente à dupla tributação internacional;

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

o A relativa a benefícios fiscais;


o A relativa ao pagamento especial por conta a que se refere o artigo 106.º;
o A relativa a retenções na fonte não suscetíveis de compensação ou reembolso nos
termos da legislação aplicável.

4.3.Retenções na fonte

O IRC é objeto de retenção na fonte relativamente aos seguintes rendimentos obtidos em


território português:

a. Rendimentos provenientes da propriedade intelectual ou industrial e bem assim da


prestação de informações respeitantes a uma experiência adquirida no sector
industrial, comercial ou científico.
b. Rendimentos derivados do uso ou da concessão do uso de equipamento agrícola,
industrial, comercial ou científico.
c. Rendimentos de aplicação de capitais não abrangidos nas alíneas anteriores e
rendimentos prediais, tal como são definidos para efeitos de IRS, quando o seu
devedor seja sujeito passivo de IRC ou quando os mesmos constituam encargo
relativo à atividade empresarial ou profissional de sujeitos passivos de IRS que
possuam ou devam possuir contabilidade.
d. Remunerações auferidas na qualidade de membro de órgãos estatutários de pessoas
coletivas e outras entidades.
e. Prémios de jogo, lotarias, rifas e apostas mútuas, bem como importâncias ou prémios
atribuídos em quaisquer sorteios ou concursos.
f. Rendimentos obtidos por entidades não residentes em território português, quando
o devedor dos mesmos seja sujeito passivo de IRC ou quando os mesmos constituam
encargo relativo à atividade empresarial ou profissional de sujeitos passivos de IRS
que possuam ou devam possuir contabilidade.
g. Rendimentos provenientes da intermediação na celebração de quaisquer contratos e
rendimentos de outras prestações de serviços realizados ou utilizados em território
português, com exceção dos relativos a transportes, comunicações e atividades
financeiras.

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

As retenções na fonte têm a natureza de imposto por conta, exceto nos seguintes casos
em que têm carácter definitivo:

a. Quando se excluam da isenção de IRC todos ou parte dos rendimentos de capitais.


b. Quando, não se tratando de rendimentos prediais, o titular dos rendimentos seja
entidade não residente que não tenha estabelecimento estável em território
português ou que, tendo-o, esses rendimentos não lhe sejam imputáveis.

c. Quando se trate de rendimentos de capitais que sejam pagos ou colocados à


disposição em contas abertas em nome de um ou mais titulares mas por conta de
terceiros não identificados, exceto quando seja identificado o beneficiário efetivo,
termos em que se aplicam as regras gerais.

A obrigação de efetuar a retenção na fonte de IRC ocorre na data que estiver estabelecida
para obrigação idêntica no Código do IRS ou, na sua falta, na data da colocação à disposição
dos rendimentos, devendo as importâncias retidas ser entregues ao Estado até ao dia 20 do
mês seguinte àquele em que foram deduzidas e essa entrega ser feita nos termos
estabelecidos no CIRS ou legislação complementar.

Taxas de retenção na fonte

Retenção na fonte
Taxa (%)
Não
Rendimento Residentes
residentes
Remunerações dos órgãos estatutários 21,5 25
Comissões - 25
Prestação de serviços - 25
Aluguer de equipamento agrícola, industrial, comercial ou científico - 25
Assistência técnica - 25
Dividendos 25 25
Juros de depósitos 25 25
Juros de suprimentos 25 25
Juros de títulos de dívida 25 25

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Rendimentos de capitais pagos ou colocados à disposição de entidades residentes


N/A 35
em paraísos fiscais
Rendimentos de capitais pagos ou colocados à disposição em contas abertas em
35 35
nome de um ou mais titulares mas por conta de terceiros não identificados
Rendimentos de operações de reporte 25 25
Royalties 25 25
-
Rendimentos de unidades de participação em fundos de capital de risco 10

Rendimentos de unidades de participação em fundos de investimento imobiliário -


10
em recursos florestais
Outros rendimentos de capitais 25 25
Rendimentos prediais 25 25

4.4.Dispensa de retenção na fonte

Dispensa de retenção na fonte sobre rendimentos auferidos por residentes

Não existe obrigação de efetuar a retenção na fonte de IRC, quando este tenha a natureza
de imposto por conta, nos seguintes casos:

a. Juros e quaisquer outros rendimentos de capitais, com exceção de lucros distribuídos,


de que sejam titulares instituições financeiras sujeitas, em relação aos mesmos, a
IRC, embora dele isentas.
b. Juros ou quaisquer acréscimos de crédito pecuniário, resultantes da dilação do
respetivo vencimento ou de mora no seu pagamento, quando aqueles créditos sejam
consequência de vendas ou prestações de serviços de pessoas coletivas ou outras
entidades sujeitas, em relação aos mesmos, a IRC, embora dele isentas.
c. Lucros obtidos por entidades a que seja aplicável o regime de eliminação da dupla
tributação económica de lucros distribuídos, desde que a participação no capital tenha
permanecido na titularidade da mesma entidade, de modo ininterrupto, durante o
ano anterior à data da sua colocação à disposição.
d. Os seguintes rendimentos, quando obtidos por pessoas coletivas ou outras entidades
sujeitas, relativamente aos mesmos, a IRC, embora dele isentas:

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

o Rendimentos derivados do uso ou da concessão do uso de equipamento agrícola,


industrial, comercial ou científico;
o Rendimentos provenientes da intermediação na celebração de quaisquer
contratos e rendimentos de outras prestações de serviços realizados ou utilizados
em território português, com exceção dos relativos a transportes, comunicações
e atividades financeiras.
e. Rendimentos obtidos por sociedades tributadas segundo o Regime especial de
tributação dos grupos de sociedades, de que seja devedora sociedade do mesmo
grupo abrangida por esse regime, desde que esses rendimentos respeitem a períodos
a que o mesmo seja aplicado e, quando se trate de lucros distribuídos, estes sejam
referentes a resultados obtidos em períodos em que tenha sido aplicado aquele
regime;
f. Remunerações auferidas na qualidade de membro de órgãos estatutários de pessoas
coletivas e outras entidades, quando auferidas por sociedades de revisores oficiais de
contas que participem nos órgãos aí indicados;
g. Rendimentos prediais, quando obtidos por sociedades que tenham por objecto a
gestão de imóveis próprios e não se encontrem sujeitas ao regime de transparência
fiscal, bem assim, quando obtidos por fundos de investimento imobiliários;
h. Rendimentos obtidos por sociedades gestoras de participações sociais (SGPS), de que
seja devedora sociedade por elas participada durante pelo menos um ano e a
participação não seja inferior a 10% do capital com direito de voto da sociedade
participada, quer por si só, quer conjuntamente com participações de outras
sociedades em que as SGPS sejam dominantes, resultantes de contratos de
suprimento celebrados com aquelas sociedades ou de tomadas de obrigações
daquelas.

Não existe ainda obrigação de efetuar a retenção na fonte de IRC, no todo ou em parte,
consoante os casos, quando os sujeitos passivos beneficiem de isenção, total ou parcial,
relativa a rendimentos que seriam sujeitos a essa retenção na fonte, feita que seja a prova,
perante a entidade pagadora, da isenção de que aproveitam, até ao termo do prazo
estabelecido para a entrega do imposto que deveria ter sido deduzido.

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Quando não seja efetuada a prova, fica o substituto tributário obrigado a entregar a
totalidade do imposto que deveria ter sido deduzido nos termos da lei.
4.5. Pagamentos por conta

Entidades que exercem, a título principal, atividades de natureza comercial, industrial ou


agrícola e as não residentes com estabelecimento estável em território português, o
pagamento é feito do seguinte modo:

o Três pagamentos por conta, com vencimento nos meses de Julho, Setembro e
Dezembro do ano em que os rendimentos foram obtidos.

Estes pagamentos são calculados com base no imposto liquidado deduzido das
retenções na fonte que lhe foram efetuadas relativamente ao exercício imediatamente
anterior àquele em que se devam efetuar esses pagamentos, cujo montante varia em
função do volume de negócios do sujeito passivo.

Acresce ainda, com exceção dos contribuintes abrangidos pelo regime simplificado,
um pagamento especial por conta, a efetuar durante o mês de Março, ou em duas
prestações, durante os meses de Março e Outubro do ano a que respeita ou, caso
adotem um período de tributação não coincidente com o ano civil, no 3º mês e 10º
mês do período de tributação respetivo.

o Até ao último dia útil do prazo fixado para o envio ou apresentação da declaração
periódica de rendimentos, pela diferença que existir entre o imposto total aí calculado
e as importâncias entregues por conta.
o Até ao dia da apresentação da declaração de substituição, pela diferença que existir
entre o imposto total aí calculado e as importâncias já pagas.

Os contribuintes são dispensados de efetuar pagamentos por conta quando o imposto do


exercício de referência para o respetivo cálculo for inferior a 199.52 euros.

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As entidades que não exerçam, a título principal, atividade comercial, industrial ou agrícola
e que sejam obrigadas a enviar ou apresentar a declaração periódica de rendimentos, devem
pagar integralmente o imposto até ao último dia útil do prazo estabelecido para o envio ou
apresentação daquela ou, em caso de substituição, até ao dia do seu envio ou apresentação.

As entidades que exerçam, a título principal, atividades de natureza comercial, industrial ou


agrícola e as entidades não residentes com estabelecimento estável em Portugal devem
efetuar três pagamentos por conta, no próprio período de tributação a que respeita o lucro
tributável, com vencimento em julho, setembro e 15 de dezembro (ou no 7.º, 9.º e dia 15
do 12.º mês do respetivo período de tributação, no caso de entidades cujo período de
tributação não corresponda ao ano civil).

Os pagamentos por conta são calculados com base no imposto liquidado relativamente ao
período de tributação imediatamente anterior àquele em que se devam efetuar esses
pagamentos, líquido de retenções na fonte sofridas não suscetíveis de compensação ou
reembolso.

Relativamente ao período que se inicia em 1 de janeiro de 2014, o montante dos pagamentos


por conta deverá ser calculado da seguinte forma:

Volume de negócios Cálculo do Pagamento por Conta

≤ 500.000 (Coleta de IRC 2013 – retenções na fonte 2013) x 80%

> 500.000 (Coleta de IRC 2013 – retenções na fonte 2013) x 95%

Caso o montante dos pagamentos por conta efetuado exceda o IRC que seria devido, há
lugar a reembolso pela diferença.

Se o sujeito passivo verificar que o montante já pago é igual ou superior ao IRC que será
devido com base na matéria coletável do período de tributação em causa, pode deixar de
efetuar o terceiro pagamento por conta.

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ufcd 0576 – Imposto sobre o rendimento (IRC)

Caso se verifique, com a entrega da Declaração de Rendimentos Modelo 22, que, em


consequência da suspensão do terceiro pagamento por conta, deixou de ser paga uma
importância superior a 20% da que deveria ter sido entregue em condições normais, são
devidos juros compensatórios, calculados desde o termo do prazo em que a entrega deveria
ter sido efetuada até ao termo do prazo para o envio da declaração ou até à data do
pagamento da autoliquidação, se anterior.

4.6.Pagamento especial por conta

As entidades que exerçam, a título principal, atividade de natureza comercial, industrial ou


agrícola, e as entidades não residentes com estabelecimento estável em território português,
poderão estar sujeitas ao regime dos pagamentos especiais por conta.

Estas entidades devem efetuar um Pagamento Especial por Conta (PEC) a liquidar em março
de cada ano (ou em 2 prestações em março e em outubro ou no 3º e 10º mês do período
de tributação, caso este não seja coincidente com o ano civil), conforme abaixo:

1% volume negócios período de tributação anterior – pagamentos por conta período de


PEC =
tributação anterior

Este pagamento é dedutível à coleta do próprio período de tributação ou, caso a coleta se
revele insuficiente, até ao 6.º período de tributação seguinte. A parte que não puder ser
deduzida (após os seis períodos de tributação) por insuficiência de coleta poderá ser
reembolsável a pedido da empresa, mediante apresentação de requerimento.

Quando seja aplicável o regime especial de tributação dos grupos de sociedades (RETGS), é
devido um PEC por cada uma das empresas que compõem o grupo, líquidos dos pagamentos
por conta que seriam devidos por cada uma das respetivas empresas, caso este regime não
fosse aplicável.

O PEC não é aplicável no período de início de atividade e no seguinte.

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Para alguns sujeitos passivos existe a possibilidade de dispensar do regime do PEC (ex:
isenção total de IRC, sujeito passivos em processo de insolvência ou recuperação de
empresas, cessação de atividade).

Os sujeitos passivos que tenham deixado de se qualificar para a utilização do regime


simplificado de determinação da matéria coletável, ao falharem os requisitos do montante
anual ilíquido de rendimentos (200.000€) ou o critério do Balanço (inferior a 500.000 euros),
devem efetuar o pagamento especial por conta até ao fim do 3º mês do período de tributação
seguinte.

Exemplificando, uma empresa que obteve 200 000 € de vendas em 2008, e efetuou
pagamentos por conta de 250 €, temos que em 2015 deverá pagar:

1% x 200 000= 2 000 como é superior a 1000 utiliza este valor acrescido de 20% da
diferença, tendo como limite 70 000.

Assim temos:
1000+20%(2000-1000) - 250 = 950
Poderá pagar aquele valor em duas prestações. Março e Outubro.

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Bibliografia

Rui Duarte Morais – Apontamentos ao IRC, Almedina 2009

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Termos e condições de utilização

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