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11/05/2018

Relembrando

Direito de Família
Direito Civil V
Há família de uma pessoa só?
Aula 14 - 16/03/2018
Aula 11 – trabalho; 12 – GQ1; 13 – Entrega e
correção de GQ1 e conteúido (união estável)

Prof. Márcio Benício

Objetivos da aula Conteúdo


Conhecer o instituto jurídico da União estável – elementos
união estável (continuação) constitutivos (cont.)

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11/05/2018

União estável
União estável MONOGAMIA x relações multiplas

EMENTA: DIREITO DE FAMÍLIA. UNIÃO ESTÁVEL.


ELEMENTOS DA UNIÃO ESTÁVEL: RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. DEVER DE
2º - Ausência de impedimento FIDELIDADE INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE ANIMUS DE
CONSTITUIÇÃO DE FAMÍLIA. RECURSO DESPROVIDO. Além
Art. 1.724, § 1º - impedimentos descaracteriza da dualidade de sexos, da publicidade, da continuidade, da
união estável. durabilidade, do propósito de constituir família e da ausência de
MONOGAMIA - Atenção: 1.521, VI (se impedimentos ao casamento, o reconhecimento da união
estável exige que entre os companheiros exista lealdade,
separados de fato, não desconfigura a união respeito e assistência mútuos, bem como compromisso com a
estável !) guarda, o sustento e a educação dos filhos. Não tem o objetivo
Art. 1.727 - CONCUBINATO de constituir família quem, ao arrepio dos valores sociais e
morais próprios de uma legítima entidade familiar, mantém
Art. 1.724, § 2º - causas suspensivas não relacionamentos afetivos simultâneos e paralelos, descambando
impede união estável para a infidelidade.

União estável União estável


Suas testemunhas (fls. 190/191), por outro lado, não deixam de atestar a
STJ : RECURSO ESPECIAL No 1.348.458 - MG (2012/0070910-1) convivência entre ela e o falecido.
Três dos réus (V.L., C.L. e F.), de fato, afirmaram em juízo 'que não Todavia, nos autos também constam: declaração firmada em Cartório
iriam contestar o feito, pois, realmente, o finado irmão J.A.C., que não onde dois cidadãos dão conta de que o falecido viveu maritalmente com
teve filhos e morreu solteiro, viveu com a autora como se casados L.M.S. de 2000 até sua morte (fl. 77); que L. também é pensionista do
fossem de julho de 2007 ate seu falecimento, em 30/11/2008 (fl.89) falecido junto ao INSS (fls. 78/79); que L. recebeu o PIS e o FGTS
deixado pelo falecido (fls. 80/81); que o falecido era dependente de L. em
Além disso, a apelante trouxe documentos provando: que o falecido empresa de assistência médica (fl. 82); que L. também era dependente
era locatário do imóvel em que residiam (fls. 17/28); que mantinham do falecido noutra seguradora (fl. 84); que L. e o falecido recebiam
cartão de crédito vinculado à mesma conta bancária (fl. 33/36); que foi correspondência bancária no mesmo endereço (fls. 87/88); que em seus
registrada pelo falecido como sua beneficiária, na qualidade de atendimentos médicos, laboratoriais e hospitalares, o falecido
cônjuge, em seguro de vida (fls. 37/38); que outra irmã do falecido apresentava o mesmo endereço da residência de L., inclusive
(M.C.) declarou expressamente a convivência marital (fl. 44); que declarando-a, em suas internações, como cônjuge (fls. 125/134); que
restou fotograficamente registrado seu relacionamento com o falecido também há registro fotográfico do relacionamento do falecido com L. (fls.
e seus familiares (fls. 45/48); e, no decorrer do feito, que conseguiu se 158/161 e 170/181); que os demonstrativos de pagamento dos salários do
inscrever como pensionista do falecido junto ao INSS (fls. 109/110 e falecido estavam em poder de L. (fls. 163/165), assim como 'dois jogos de
120/121). uniforme da empresa' onde ele trabalhava (fl. 166); e que testemunhas
também atestaram a convivência marital do falecido com L. (fls. 192/196).

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07.Com efeito, uma sociedade que apresenta como elemento
(...) estrutural a monogamia não pode atenuar o dever de
Neste contexto, inevitável concluir que o falecido não tinha fidelidade – que integra o conceito de lealdade e respeito mútuo
convivência marital única e exclusiva com a apelante, posto, – para o fim de inserir no âmbito do Direito de Família relações
manter, paralelamente, antiga convivência com a apelada (e- afetivas paralelas e, por consequência, desleais, sem descurar
STJ fls. 319/320). que o núcleo familiar contemporâneo tem como escopo a busca
03.Como se verifica, ficou demonstrada a existência de dois da realização de seus integrantes, vale dizer, a busca da
relacionamentos simultâneos do falecido. O primeiro, com felicidade.
L.M.S., desde 2000; e o segundo, com a recorrente, desde 21.Isso não significa dizer que a relação mantida entre a
2007. A questão que se coloca, portanto, é relativa à recorrente e o de cujus mereça ficar sem qualquer amparo
possibilidade de, apesar disso, ser declarada a união jurídico. Com efeito, ainda que, na hipótese, ela não tenha
estável entre o de cujus eHBDEF. logrado êxito em demonstrar, nos termos da legislação vigente,
a existência da união estável com o recorrido, poderá pleitear,
em processo próprio, o reconhecimento de uma eventual uma
sociedade de fato entre eles.

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ELEMENTOS DA UNIÃO ESTÁVEL: “A lei não exige tempo mínimo nem convivência
3º Notoriedade e publicidade sob o mesmo teto, mas não dispensa outros
Segredo - desconhecida no meio social. requisitos para identificação da união estável
Notoriedade ou publicidade - os companheiros como entidade ou núcleo familiar, quais sejam:
convivência duradoura e pública, ou seja, com
apresentem-se à coletividade como se fossem
notoriedade e continuidade, apoio mútuo, ou
marido e mulher (more uxorio). Relações
assistência mútua, intuito de constituir família,
clandestinas, não constituem união estável com os deveres de guarda, sustento e de
educação dos filhos comuns, se houver, bem
Dispensa de convivência sob o mesmo como os deveres de lealdade e respeito.” (STJ -
teto – excepcionalidade. REsp 1194059 / SP – 06/11/2012)

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CASAMENTO RELIGIOSO e UNIÃO ESTÁVEL
I - Não obstante o código penal prever como forma de ELEMENTOS DA UNIÃO ESTÁVEL:
extinção da punibilidade, nos crimes contra os costumes, 4 º Continuidade e durabilidade
o casamento civil da vítima com terceiro, deve-se admitir,
para o mesmo efeito, a figura jurídica da união estável.
(Precedentes do STF e desta Corte).
sem interrupções ( não se confude com
II - Hipótese em que a vítima do crime de estupro,
desavenças e desentendimentos)
cometido mediante violência presumida, casou-se com o não há tempo determinado.
réu somente no âmbito religioso, restando configurada a
união estável e, portanto, extinta a punibilidade.
(STJ 2003 - REsp 493149 AC 2002/0166880-0)

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Não há um tempo determinado. Exemplo 1: 6 anos - AgRg no AGRAVO EM
Lei nº. 8.971/94 – 5 anos (comcubinado puro) RECURSO ESPECIAL No 649.786 - GO
Lei nº 9.276/96 – não definia tempo (convivência (2015/0004603-7)
duradoura, pública e contínua, de um homem e “Em suas razões, sustenta a agravante que o Desembargador
do recurso de apelação "utilizou-se exclusivamente, senão com
de uma mulher, estabelecida com o objetivo de peso significativamente maior que as outras provas constantes
constituição de família.) dos autos, da coabitação como requisito fundamental para a
2 anos de vida em comum, por analogia - ao configuração da união estável". Afirma, a propósito, que não
foram devidamente valoradas "as provas testemunhais e
tempo para concessão do divórcio. fotográficas, pois ao dar mais importância à coabitação,
subordinou as demais provas, limitando-se a dizer que eram
frágeis em razão da ausência de coabitação" (e-STJ, fl. 517).

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No tocante aos 6 (seis) anos "de convivência
De mais a mais, nos termos do artigo 1o da Lei n.
marital, portanto, duradoura, pública, notória e
9.278/96, a coabitação, de fato, não constitui requisito
logicamente com intenção de constituir família, legal para a configuração da união estável, devendo
[...] só foram seis anos devido a morte precoce encontrar-se presente, necessariamente, outros
do de cujus, em acidente aéreo, portanto tratou- relevantes elementos que denotem o imprescindível
se dos últimos seis anos de vida do de cujus, intuito de constituir uma família. Na espécie,
onde possuíam planos futuros, de construir sua entretanto, a coabitação foi reconhecida como ato de
própria casa, fazerem tratamentos para a mera conveniência, esclarecendo o sentenciante que,
infertilidade tão logo encerrassem o cursinho ao retornarem à Anápolis, cada parte voltou a residir
com seu genitor, ostentando apenas um
jurídico e os concursos públicos aos quais se relacionamento de namoro.
dedicavam" (e-STJ, fl. 519)

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EXEMPLO 3 – 60 DIAS
Exemplo 2: 12 meses EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO
Ementa: UNIÃO ESTÁVEL. REQUISITOS. CÍVEL Nº 5020161-85.2010.404.7100/RS
CARACTERIZAÇÃO. Inobstante a exigüidade do “Em primeiro lugar veja-se que os autores não negam
relacionamento " doze meses ", mostra-se impositivo o a existência de convívio marital entre Tânia e César,
reconhecimento da união estável, pois, durante esse ressalvando, porém, que perdurou por 60 dias, tempo
período, o casal viveu sob o mesmo teto, em manifesto que consideram insuficiente para configurar união
embaralhamento de vidas e patrimônio, como se estável.
casados fossem. Inteligência do art. 1.723 do Código
Todavia tal entendimento não encontra respaldo na
Civil. Apelo provido. (SEGREDO DE JUSTIÇA)
legislação pertinente e tampouco na jurisprudência, a
(Apelação Cível Nº 70015324247, Sétima Câmara
qual entende que o elemento crucial para a
Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Maria
constatação de uma união estável não está na sua
Berenice Dias, Julgado em 13/09/2006)
duração temporal, mas no intuito dos interessados na
formação de uma unidade familiar.”

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CONCLUSÃO
“À vista disso, a alegação de que o convívio entre Tânia e
César teve pouca duração não é suficiente para afastar a
conclusão do INSS na via administrativa de que ambos
viviam em união estável na data do óbito e da qual decorreu Não há um tempo determinado.
o alcance do benefício à co-ré.
Coabitação é não imprescindível.
O ato concessório teve por base, no que tange ao início de
prova material, a comprovação de que: 1) o casal residia A intenção de constituir família é elemento
sob o mesmo teto na Av. Getúlio Vargas, 4.332, ap. 203, em essencial !
Canoas-RS (fl. 338), imóvel locado por César, sendo seus
pais os fiadores (fls. 38-41); 2) a autora custeou o túmulo
onde César foi enterrado (fl. 339); 3) César constitui a co-ré
como sua procuradora para fins de venda de automóvel
pouco antes do óbito (fl. 340).”

Bibliografia básica
1. GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil
Brasileiro - Direito de Família. 11a ed. São
Paulo: Saraiva, 2014. 1a ed. São Paulo: Saraiva,
2014, vol. 6 (digital);
2. GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONE
FILHO, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil.
4a ed. São Paulo: Saraiva, 2014, vol. 6 (digital).
3. DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil
Brasileiro - Família. 29a ed. São Paulo:
SARAIVA, 2014, vol. 5;