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Terceirização da Logística de Distribuição

As atividades de distribuição, que ocorrem após a produção são as áreas de negócios infeli
mais desprezadas e mais promissoras na América .
A frase acima, de Peter Drucker, retrata bem a importância dada pelas empresas em
geral ao processo de distribuição. Terceirização da logística de distribuição é o processo
stão pelo qual se repassam as atividades de distribuição para empresas especializadas,
com os quais se estabelece obrigatoriamente uma relação de parceria.
Muito ouvimos de operadores logísticos, que o objetivo da terceirização das atividades
de logística e transportes é que a empresa possa ficar concentrada apenas em tarefa
s essencialmente ligadas a atividade fim ao negócio em que atua. Na verdade, isso é
apenas uns dos benefícios da terceirização. A atividade fim de qualquer empresa é o lucr
o, pois sem este não existe empresa. Para tanto não basta apenas terceirizar, se ess
a terceirização não gerar redução de custos e/ou agregar valor ao produto da empresa contr
atante.
Algumas vantagens da terceirização:
* Gera a desburocratização, simplificando as atividades logísticas;
* Alivia a estrutura organizacional;
* Melhora a qualidade dos serviços, como tempo de entrega, redução de avarias, seg
urança da carga;
* Gera a economia de recursos: Humanos, materiais, econômicos e financeiros.
A terceirização vem a ser um casamento entre a empresa fornecedora
do serviço e a empresa que a contrata, sendo que esta união só irá se
concretizar se ambos entenderem que as duas empresas precisam de lucro e que o o
bjetivo principal é o de atender e satisfazer o cliente final. De nada adianta con
cretizar um negócio por um preço recorde em que o prestador não consiga contemplar todos
os custos, inclusive os financeiros, e ter lucro. Sem isso ele não conseguirá sobre
viver, tão pouco investir na manutenção de uma operação de excelência.
Para que haja a terceirização deve ser prestado um serviço no mínimo igual, ou melhor, d
o que a empresa executa internamente, a um preço justo. Deve ser exigido da tercei
rização rapidez, qualidade, e execução em um tempo satisfatório. O fornecedor de serviços n
pode ter no seu cliente sua única fonte de renda, sendo assim as partes deve se co
mportar como de fossem sócios. Para que isso tudo aconteça, cabe ao contratante esta
belecer alguns pré-requisitos que lhe permitem optar pela melhor empresa especiali
zada, contratada de acordo com suas necessidades: como capacidade de absorver as
atividades a serem terceirizadas, lista de clientes e tipos de trabalho desenvo
lvidos, número de funcionários e técnicos habilitados para a prestação de serviços, capacid
de empreendedora, uso de tecnologia e busca de aprimoramento. Com relação às atividade
s terceirizadas: treinamento e desenvolvimento do seu pessoal e política de treina
mento de funcionários do contratante, metodologia de trabalho com ênfase na transferên
cia de tecnologia se for o caso, processos e programas de qualidade e produtivid
ade empregados em atividades assemelhadas a serem controladas, flexibilidade e a
gilidade do prestador de serviços em se adaptar as condições do cliente, responsabilid
ades no cumprimento de prazos, números de funcionários alocados, equipamento e mater
iais envolvidos.
O Contrato
Definido o prestador de serviço, deverá obrigatoriamente ser proposto a assinatura d
e um contrato, que dará o aspecto formal à relação entre as partes.
Com a prática da terceirização a formalização contratual se torna um
instrumento de apoio e suporte da operação, responsabilizando o prestador de serviços,
estabelecendo regras de relacionamento, e dando uma base
juridicamente adequada à relação. Devem-se definir bem as obrigações e
direitos de ambos (contratante e contratado) bem como atividades fins, porque de
vem diferir para que não haja vínculo empregatício. Não deve haver
posicionamento equilibrado para que não haja subordinação de uma parte ou
outra, é sempre bom incluir no contrato, uma cláusula prevendo o risco do
tomador de vir a ser interpelado judicialmente por uma obrigação trabalhista
não cumprida pelo prestador, nesta mesma cláusula o contratante poderá
interpelar judicialmente o prestador para que haja ressarcimento dos prejuízos.
Por isso o contrato de prestação deve conter Introdução, objetivo, as partes
envolvidas, obrigações, participação das partes, prazo de vigência, preço no
período, condições de reajuste, forma de pagamento, execução das tarefas, as técnicas, uso
ecnológico, treinamento e desenvolvimento, parâmetros de
medição da qualidade, itens de controle operacional, forma de rescisão,
garantias, risco responsabilidade das partes, reparação de danos, inovação
tecnológica e redução de custos para garantir aumento de competitividade, o
foro, assinaturas, data, e testemunhas. O percentual de negócios que envolvem cont
ratos ainda é muito pequeno, e isso se deve muito por parte dos transportadores, q
ue muitas vezes não percebem que o contrato também é vantajoso para a contratada, pois
é possível determinar prêmios, faturamento mínimo, exclusividade, entre outros.
Operadores Logísticos
O operador logístico é um fornecedor de serviços logísticos integrados
(transporte, armazenagem, gestão de estoques, informação) que busca atender com total
eficácia as necessidades logísticas de seus clientes de forma individualizada. A ten
dência rumo a uma maior competitividade nesse mercado global, está forçando as empresa
s a desenvolverem estratégias para adequarem seus produtos para competirem com mai
s eficácia e eficiência, maximizando os recursos no processo produtivo. A logística de
ssas organizações deve ser orientada de fato como um elo que perpassa estrategicamen
te pelas áreas da empresa e, desta forma, ser uma importante ferramenta para norte
ar os planos corporativos, que visam gerar ativos como resultados finais. E ness
e processo existe a figura dos operadores logísticos como uma tendência de logística e
mpresarial moderna suprindo as demandas de forma integrada e personalizada. Esse
s operadores podem ser baseados em ativos como também em informação e gestão. Os primeir
os são aqueles possuidores de investimentos em transportes, armazéns, máquinas e equip
amentos diversos. Já os últimos são aqueles que vendem conhecimento, ou seja, tem know
how de gerenciamento das operações logísticas. Esse surgimento pode se dar tanto pela
ampliação de serviços quanto pela diversificação das atividades.
No entanto, a decisão de terceirizar cabe a alta administração, conforme
suas estratégias de negócios. Porém, isso não se dá de forma tão simples. São necessárias d
quanto a fazer internamente ou fora da empresa. No caso de se pensar em contrat
ar o operador, o que vem a cabeça é a redução de custos e a melhoria do nível de serviços,
ois permite ao contratante reduzir seus investimentos em ativos, ter o foco cent
rado no seu negócio, uma maior flexibilidade operacional, redução dos custos de armaze
nagem, estocagem, frota e tecnologia da informação. Em contrapartida, verticalizando
essas ações permitem aumentar o controle sobre as operações, avaliar e monitorar todo o
processo de uma forma mais eficiente. No Brasil, estudo sobre Prestadores de Se
rviços Logísticos (PSL), realizado conjuntamente pela Associação Brasileira de Logística,
Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Associação Brasileira de Movimentação e Logística, e public
a revista Tecnologística (fevereiro / 1999) define operador logístico como sendo o fo
rnecedor de serviços logísticos nas várias fases da cadeia de abastecimento dos seus c
lientes e que tenha competência para, no mínimo, prestar simultaneamente serviços nas
três atividades básicas de controle de estoques, armazenagem e gestão de transportes.
Os demais serviços, que por ventura sejam oferecidos, funcionam como diferenciais
de cada operador . O operador logístico veio para atender a uma necessidade imposta
pelo mercado consumidor que procura organizações ágeis, em resposta para atender a uma
demanda que pode surgir a qualquer momento e em qualquer lugar.
Toda a organização que tem um planejamento estratégico e deseja adotar uma abordagem i
novadora para serviços logísticos, deve contratar um operador logístico para manter e
ampliar sua vantagem competitiva.
A terceirização da operação logística nas empresas brasileiras, já é uma
realidade. A especialização dos PSL tem atraído cada vez mais embarcadores, que delega
m esse serviço a terceiros, para focar em seu core business, ganhar competitividad
e e reduzir custos e ativos. Segundo o único estudo disponível no Brasil, realizado
com as 93 maiores empresas brasileiras, que indica como os embarcadores avaliam
os operadores logístico e divulgado em 2004, pelo centro de estudos logísticos (CEL)
, do COPPEAD/UFRJ, que mediu a satisfação dos embarcadores com a terceirização, indica q
ue 81% estão satisfeitos.
O mesmo estudo revela os serviços mais terceirizados pelas empresas (embarcadores)
brasileiras:
Transporte de distribuição 89%
Transporte de transferência 81%
Desembaraço aduaneiro 80%
Transporte de suprimentos 77%
Armazenagem 20%
Já as atividades que exigem mais know-how e conhecimento, têm uma
participação ainda muito pequena.
Gerenciamento de transporte Intermodal - 28%
Montagem de Kits 18%
Milk Run 15%
Gestão de estoques 4%
Apesar de todo avanço Registrado no setor de PSL, existem lacunas
que geram muita insatisfação do embarcador em relação ao serviço prestado
pelos operadores logísticos. Ainda sobre o mesmo estudo, das empresas
pesquisadas, 70% já trocaram de PSL pelo menos uma vez. Os motivos da mudança são list
ados no quadro abaixo:
Má qualidade dos serviços 92%
Preços altos 68%
Pouca capacitação técnica 31%
Fragilidade financeira 24%
Problemas éticos 23%
Questões de segurança 21%
Cabe às empresas contratantes e contratadas formarem negócios com menos oportunismos
e que cada vez mais prevaleça a mentalidade de que todos precisam ganhar na cadei
a, pois de outra forma, toda a operação pode ser abalada e quem perde é o consumidor f
inal. Que foco no cliente não seja apenas um clichê nas entrelinhas da visão das empresa
s, e sim uma realidade.

(Aécio Dalacorte)