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O CONHECIMENTO NO CONTEXTO DOS CONFLITOS AMBIENTAIS

E A PEDAGOGIA DO TERRITÓRIO COMO PRÁXIS ACADÊMICA


EMANCIPATÓRIA

Fernando Leão / Núcleo Tramas - UFC

Redenção – CE
Maio de 2017
O Núcleo Tramas
Territórios de atuação

Chapada do Apodi

Santa Quitéria
Os territórios apontam percepções acerca dos conflitos

(a) Os conflitos ambientais trazem em seu bojo outros tipos de


conflitos
o Territoriais;
o Sociais;
o Cognitivos;
o Éticos;

(b) O campo científico hegemônico em sua ação diante de tais


conflitos apresentam
o Limites (incertezas, indeterminâncias e ignorâncias)
o Contradições (oculta valores e afirma neutralidade)
Perguntamos:
Como pesquisar e intervir nos conflitos
ambienais, com sujeitos vulnerabilizados por
situações de injustiças ambientais, de modo a
politizar o debate e construir um
conhecimento, de forma compartilhada, com
responsabilidade ética e solidariedade àqueles
que têm sido, historicamente, destituídos de
poder?
A pedagogia do território: uma práxis
“A Pedagogia do Território não teve um ‘a priori’,
não foi fruto de uma teoria que se fez ato, não foi
um ‘braço’ da universidade que se estendeu às
comunidades. O conceito foi fomentado na
experiência concreta de vivências nos territórios
em conflito ambiental, no olhar que viu diante de
si as injustiças e na aprendizagem-ensino que
brotou do diálogo com outros saberes e sujeitos,
notadamente os movimentos sociais e as
populações vulnerabilizadas por um modelo de
desenvolvimento excludente”.
O que a Pedagogia do Território tem
proporcionado aos integrantes do
Tramas?
a) Processos de desalienação, por meio do diálogo com culturas
silenciadas e invisibilizadas historicamente (comunidades e
movimentos sociais);
b) Aprendizagens a partir da experiência, do sentir e do agir;
c) O reconhecimento da Interdisciplinaridade e da Ecologia de
Saberes como necessidade e prática cotidiana / a discussão
acerca da complementaridade dos saberes no campo científico;
d) Uma nova concepção do tripé acadêmico / ressignificação dos
métodos de pesquisa (construção compartilhada de
conhecimentos), das práticas formativas (formação ampla) e da
intervenção social (co-labor-ação social);
e) A busca por outras linguagens e por outras formas para a
validação e a para a comunicação do conhecimento co-
construído;
f) O exercício da função social da universidade;
“A Pedagogia do Território possibilita construir coerência entre a
visão crítica que temos sobre a ciência e o desenvolvimento
(orientação ético-política) e as nossas práticas acadêmicas (opção
teórico-metodológica), marcando nosso papel no campo científico,
enquanto profissionais, docentes e pesquisadoras/es
comprometidos/as com um saber-emancipação, ressignificando
também o papel da universidade em novas bases, tensionando por
uma universidade democrática, referenciada pela Ecologia de
Saberes e pelas necessidades e aspirações de conhecimento e
formação da maior parte da população, historicamente silenciada e
invisibilizada (RIGOTTO; ROCHA, 2014. RIGOTTO, 2016)”.
Elementos da práxis:
1. CONSTRUÇÃO DIALOGADA DOS
PROBLEMAS DE ESTUDO
CONSTRUÇÃO DIALOGADA DOS PROBLEMAS DE ESTUDO

Objetivos:
• Ampliar a compreensão do conflito ambiental instalado
no território, por meio do diálogo com sujeitos e saberes
locais;
• Direcionar o estudo para a construção de um
conhecimento emancipatório, considerando os
propósitos dos sujeitos em luta;

Onde se dá:
• TCCs (em nível de graduação e pós-graduação lato
sensu)
• Dissertações e teses
• Projetos de pesquisa e de extensão
• Demais ações que tenham o intuito de construir
conhecimento de forma compartilhada
Das águas que calam às águas que falam: opressão e
resistência no curso das representações da água na
Chapada do Apodi (Dissertação – Prodema – ROCHA, 2013)
Elementos da práxis:
2. Grupo de Pesquisa Ampliado
GRUPO DE PESQUISA AMPLIADO

Objetivos:
• Refletir acerca da complexidade dos problemas
ambientais, dos riscos para a saúde das populações,
e, em especial, da saúde dos trabalhadores
empregados nos empreendimentos do agronegócio
ou da mineração;
• Construir conhecimentos de maneira compartilhada,
refletindo sobre as possibilidades de ação para que os
sujeitos locais ajam sobre determinantes dos
processos de vulnerabilização que os ameaçam;
• Apoiar e fortalecer os movimentos de resistência nos
territórios;
Painel Acadêmico-Popular e GPA “Vigilância Popular em
Saúde e Ambiente” (Santa Quitéria) (Diversas dissertações)
Elementos da práxis:
3. Engajamento solidário na luta
dos sujeitos vulnerabilizados
Engajamento solidário na luta dos sujeitos vulnerabilizados

Objetivos:
Incidir sobre a assimetria de poder e fortalecer a autonomia das
comunidades – por meio do aporte de conhecimento e capital
simbólico da universidade;

Onde se dá:
• Participação em audiências públicas, elaboração de laudos,
representações jurídicas e contrapareceres, organização conjunta de
jornadas e seminários, condução de atividades em ações organizadas
pelas associações comunitárias e movimentos sociais, cessão de
entrevistas para videodocumentários e programas de rádio e
televisão;
• em debates, seminários, oficinas, cursos de média e longa duração,
intercâmbios e vivências em territórios e com sujeitos diversos.
Projeto de Extensão: ‘Meio Ambiente, Saúde,
Comunicação e Cultura - Transformações Territoriais e
a Juventude no Sertão Central Cearense’
Elementos da práxis:
4. Validação e comunicação do
conhecimento co-produzido
Validação e comunicação do conhecimento co-produzido

Objetivos:
• Submeter os resultados das pesquisas à avaliação dos sujeitos dos
territórios;
• Mensurar a repercussão das contribuições das pesquisas para o
enfrentamento dos problemas vividos nos territórios em conflito;
• Criar espaços para o diálogo sobre os resultados das pesquisas e as
formas mais adequadas e contextualizadas de comunicá-los;
• Construir materiais de comunicação que ampliem a apropriação
dos resultados e que contribuam com as reflexões dos sujeitos
sobre os conflitos;
• Reconhecer os sujeitos enquanto construtores de conhecimentos
e produtores de sentidos;

Onde se dá:
Construção de materiais de comunicação dos resultados de nossas
pesquisas em linguagens e formas adaptadas aos contextos dos
territórios para que sejam facilmente apropriados e apropriáveis
pelos sujeitos.
Vídeo-documentário e caderno de formação do Projeto de
pesquisa Estudo sobre exposição e impactos dos agrotóxicos
na saúde das mulheres camponesas da região do Baixo
Jaguaribe, apoiado pelo CNPq e pela Secretaria de Políticas
para as Mulheres
“(...) los actos míos
son más míos si son también de todos,
para que se pueda ser he de ser otro,
salir de mí, buscarme entre los otros,
los otros que no son si yo no existo,
los otros que me dan plena existencia” (Octavio Paz)
Grat@s pela atenção de tod@s!