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Os estudos de Linguística Cognitiva do Português*

Augusto Soares da Silva


Universidade Católica Portuguesa – Braga
assilva@braga.ucp.pt

Abstract:

This paper presents a description of the linguistic studies about the European and Bra-
zilian varieties of Portuguese, in the framework of Cognitive Linguistics. After a brief
overview of the foundational tenets and the research trends in this new fast-developing
paradigm, I identify landmarks and centers for cognitive linguistic studies of Portuguese
both in Portugal and Brazil and elsewhere. Cognitive Linguistics is still a minor linguistic
trend in these countries. I also offer a systematic view of the main research projects and
published literature involving the two national varieties. The longed-for development of a
Cognitive Linguistics of Portuguese requires greater attention to grammatical phenomena
and collaborative work by the few Portuguese linguists and the Brazilian linguists already
organized in an Association.

Keywords: Cognitive Linguistics, European Portuguese, Brazilian Portuguese.

1. Visão geral da Linguística Cognitiva

A Linguística Cognitiva constituiu-se institucionalmente como para-


digma científico há pouco mais de 15 anos, mas os primeiros estudos sur-

*
Este texto retoma e amplia a comunicação “Situación actual de la Lingüística Cognitiva
Portuguesa” que apresentámos no XXXV Simpósio Internacional da Sociedade Espanhola de
Linguística, realizado em 2005 na Universidade de León, publicada em versão electrónica nas
respectivas Actas (ver Silva 2006e). Para além de várias actualizações, e procurando uma
visão de conjunto dos estudos cognitivos do Português nas duas variedades nacionais, são
agora apresentados os estudos de Linguística Cognitiva no Brasil e outros estudos cognitivos
do Português fora dos países lusófonos. Queremos, deste modo, assinalar o espaço aqui aberto
à Linguística Cognitiva há 10 anos, no 1º número da RPH (ver Silva 1997), que tem sido conti-
nuamente preenchido com vários estudos da língua portuguesa.

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gem no início dos anos 80 tanto nos EUA como nalguns países da Europa.
Os seus fundadores são os linguistas norte-americanos Ronald Langacker,
George Lakoff e Leonard Talmy. Ao contrário de outros movimentos linguís-
ticos, este toma a forma mais de um arquipélago do que de uma ilha: não
há um único fundador nem um único território claramente delimitado,
mas um conglomerado de centros de investigação mais ou menos exten-
sos espalhados pelos EUA, pela Europa e mais recentemente pela Ásia,
que partilham de uma perspectiva geral comum e desenvolvem distintos
programas e teorias linguísticas (ainda) não redutíveis a uma única e
uniforme teoria da linguagem.
Apesar da sua diversidade teórica e metodológica, a Linguística Cognitiva
assume que a linguagem é parte integrante da cognição (e não um “módulo”
separado), se fundamenta em processos cognitivos, sócio-interaccionais e
culturais e deve ser estudada no seu uso (orientação baseada no uso) e no
contexto da conceptualização, da categorização, do processamento mental,
da interacção e da experiência individual, social e cultural. Diferentemente
de outras “linguísticas cognitivas”, que também estudam a linguagem como
um fenómeno mental, como a Gramática Generativa, a Linguística Cognitiva
toma a linguagem, não como objecto, mas como meio da relação epistemoló-
gica e procura saber como é que a linguagem contribui para o conhecimento
do mundo.
Mais especificamente, a Linguística Cognitiva assume que toda a lin-
guagem é acerca do significado e o significado é perspectivista (não
reflecte objectivamente o mundo, mas modela-o, constrói-o de determinada
maneira ou perspectiva e, assim, de muitas perspectivas diferentes), enci-
clopédico (intimamente associado ao conhecimento do mundo e, por isso
mesmo, não autónomo nem separado de outras capacidades cognitivas),
flexível (dinâmico e adaptável às mudanças inevitáveis do nosso mundo e
das nossas circunstâncias) e baseado na experiência e no uso (na nossa
experiência individual corpórea ou biológica e na nossa experiência colec-
tiva, social e cultural e, sempre, na experiência do uso actual da língua).
No panorama da linguística contemporânea, tem sido uns dos movimentos
que mais sistematicamente tem contribuído para a recontextualização da
Gramática ou recuperação das várias dimensões contextuais da linguagem
rejeitadas pelo movimento chomskyano. Isso tem sido feito na forma de qua-
tro processos recontextualizadores: assunção da centralidade do significado,
reintrodução do léxico na gramática, restabelecimento da ligação da gramá-
tica à performance (ao discurso e à interacção) e o interesse na construção
sócio-cultural do significado e da linguagem.
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Destes princípios e métodos, resultam as seguintes principais linhas de


investigação em Linguística Cognitiva:1 Semântica Cognitiva (Lakoff 1987;
Langacker 1987, 1991; Talmy 2000); Gramática Cognitiva (Langacker 1987,
1991, 1999) e Gramática de Construções (Goldberg 1995, 2006; Croft 2001;
Östman & Fried 2005); Teoria do Protótipo (Taylor 1995, Geeraerts 1997)
e os modelos de rede radial (“radial network”, Lakoff 1987) e rede esque-
mática (“schematic network”, Langacker 1987) de descrição semântica,
com particular incidência no fenómeno da polissemia; Teoria da Metáfora
Conceptual (Lakoff & Johnson 1980, 1999; Lakoff 1993; Kövecses 2002), da
metonímia conceptual (Panther & Radden 1999) e dos esquemas imagé-
ticos (“image schemas”, Johnson 1987, Hampe 2005); Teoria dos Quadros
Conceptuais (“Frame Semantics”, Fillmore 1985, 2003) e sua implementa-
ção descritiva no projecto “FrameNet” <http://framenet.icsi.berkeley.edu/>;
Teoria dos Espaços Mentais (Fauconnier 1985, 1997) e Teoria da Integra-
ção (ou Mesclagem) Conceptual (“Blending Theory”, Fauconnier & Turner
2002), complementar da teoria da metáfora conceptual e de grande alcance
no discurso e na gramática; Teoria dos Modelos Culturais e o desenvolvi-
mento da Linguística Cultural (Palmer 1996, Lakoff 1996, Tomasello 1999,
Kövecses 2005), de estudos comparativos e tipológicos (M. Bowerman, S.
Levinson e D. Slobin) e da Sociolinguística Cognitiva (Kristiansen & Dir-
ven 2006); Teoria da Gramaticalização (Hopper & Traugott 1993, Traugott &
Dasher 2002) e Teoria da Subjectificação (Athanasiadou, Canakis & Cornillie
2006); Teoria Neural da Linguagem (Lakoff 2003) e o ramo da Linguística
Neurocognitiva, mais especificamente envolvida na vasta área das Neuroci-
ências. Na obra recente de Kristiansen et al. (2006), pode encontrar-se uma

1
As referências que se seguem são necessariamente sumárias. São já várias as intro-
duções à Linguística Cognitiva: entre outras, ver Ungerer & Schmid (1996), Cuenca &
Hilferty (1999), Taylor (2002), Dirven & Verspoor (2004), Croft & Cruse (2004), Evans
& Green (2006) e o guia de Geeraerts (2006); para um manual bastante completo, ver
Geeraerts & Cuyckens (no prelo). Publicam-se duas revistas, Cognitive Linguistics
(Mouton de Gruyter) e Annual Review of Cognitive Linguistics (John Benjamins), e
cinco colecções: Cognitive Linguistic Research, Applications of Cognitive Linguistics
(ambas por Mouton de Gruyter), Human Cognitive Processing, Cognitive Linguistics
in Practice e Constructional Approaches to Language (por John Benjamins). Anual-
mente, publica-se uma base de dados bibliográficos em suporte electrónico, que já conta
com mais de 7000 entradas (Cognitive Linguistics Bibliography, Mouton de Gruyter).
Outras informações podem encontra-se no sítio da International Cognitive Linguistics
Association (ICLA), em <http://www.cogling.org>.
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visão de conjunto de aplicações actuais, perspectivas futuras e domínios de


investigação interdisciplinar envolvendo a Linguística Cognitiva e as áreas da
Psicologia, Antropologia, Poética Cognitiva, Ciências da Comunicação, Inte-
ligência Artificial e Ciências da Computação.

2. A Linguística Cognitiva em Portugal

Tomando o primeiro trabalho que se inscreve na perspectiva da Linguís-


tica Cognitiva – a dissertação de doutoramento de José Pinto de Lima sobre
o significado avaliativo, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade
de Lisboa em 1989 –, a Linguística Cognitiva em Portugal tem tantos anos
quantos os da institucionalização internacional do paradigma. Mas não tem
seguramente a projecção já alcançada em diversos países dos quatro cantos
do mundo, organizados em associações nacionais de Linguística Cognitiva
(são 12 as filiadas na Associação Internacional). Os linguistas cognitivos por-
tugueses contam-se pelos dedos das mãos. Mesmo assim, poderá dizer-se
que a Linguística Cognitiva em Portugal já passou a fase da infância e andará
na adolescência ou um pouco mais adiante (Batoréo 2005b).
Depois do marco inicial do estudo de Lima (1989), inspirado em Witt-
genstein e na teoria do protótipo, só a partir da segunda metade dos anos
90 é que surgem outros trabalhos cognitivos com o mesmo estatuto de teses
de doutoramento: Almeida (1995), com um estudo prototípico-analogista
sobre as concepções de ‘abrir e de ‘cortar’ em português e alemão, e Batoréo
(1996), com um estudo linguístico e psicolinguístico sobre a expressão do
espaço em português (publicado em 2000), ambas da Faculdade de Letras
de Lisboa; Silva (1997), da Faculdade de Filosofia da Universidade Cató-
lica Portuguesa, com um estudo sincrónico e diacrónico sobre a semântica
do verbo deixar e suas implicações ao nível da causatividade e da polisse-
mia (publicado em 1999); e dois anos mais tarde Teixeira (1999, publicado
em 2001), da Universidade do Minho, sobre modelos mentais da dimensão
espacial da frontalidade (frente/trás) e Coimbra (1999), da Universidade de
Aveiro, sobre a linguagem metafórica nos títulos da imprensa portuguesa.
Recentemente, as dissertações de Mineiro (2006) sobre a metáfora na ter-
minologia náutica, Morais (2007) sobre marcadores discursivos e Abrantes
(2007) sobre poética cognitiva.
Datam também dos meados dos anos 90 os primeiros textos introdu-
tórios de divulgação do paradigma: Silva (1995) sobre a Gramática Cogni-
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tiva e Silva (1997) sobre a Linguística Cognitiva em geral. A divulgação mais


recente é de Batoréo (2004e) num CD intitulado “A Língua Portuguesa:
Abordagem Cognitiva”.
A Linguística Cognitiva está presente em algumas universidades por-
tuguesas: Faculdade de Letras de Lisboa (com Isabel Hub Faria, José Pinto
de Lima e Clotilde Almeida), Universidade Aberta (Hanna Batoréo), Facul-
dade de Letras do Porto (Mário Vilela), Faculdade de Letras de Coimbra
(Ana Cristina Macário Lopes e Maria da Felicidade Morais), Universidade
de Aveiro (Rosa Lídia Coimbra), Universidade do Minho (José Teixeira)
e Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (UCP) em
Braga (Augusto Soares da Silva). Foi inicialmente acolhida em Lisboa e no
Porto: na Faculdade de Letras de Lisboa, no seio do Grupo de Estudos de
Linguagem e Cognição criado, em 1988, por Isabel Hub Faria e, posterior-
mente, no Laboratório de Psicolinguística, dirigido pela mesma; na Facul-
dade de Letras do Porto, com os estudos semântico-lexicais de Mário Vilela.
Nos últimos anos, tem tido expressão significativa na Faculdade de Filosofia
da UCP, em Braga.
Nos finais de 1998, abre na Faculdade de Filosofia da UCP o primeiro (e
único até à data) Curso de Mestrado em Linguística Portuguesa – Perspec-
tiva Cognitiva. Deste curso saíram 6 teses: Abrantes (2001, publicado em
2002) sobre o eufemismo nos relatos de imprensa da guerra do Kosovo, Pires
(2001) sobre a semântica do desejo, Novais (2002) sobre a semântica do dimi-
nutivo, Dionísio (2002) sobre as metáforas de ‘comer’ e ‘beber’, Carvalho (2003)
sobre as configurações espaciais de cima e Mendes (2005) sobre a causação
sinergética dos verbos derivados de -duzir. Na mesma instituição, é criado em
2001 o Mestrado em Ciências Cognitivas (curso interdisciplinar cruzando as
áreas da Filosofia da Mente, da Linguística Cognitiva e das Neurociências), do
qual saíram já várias teses, sobretudo na área das Neurociências.
Outras presenças da Linguística Cognitiva ao nível da formação pós-gra-
duada são os seminários inseridos em diversos cursos de mestrado, nome-
adamente na Faculdade de Letras de Lisboa e na Faculdade de Letras do
Porto, na Universidade Aberta e na Universidade do Minho, dos quais resul-
taram as teses de mestrado (referindo apenas as que se ocupam da língua
portuguesa) de Fernandes (1998), Florescu Becken (2002), Pinto (2004),
Ferrão (2005), Costa (2006), Espadeiro (2006), Soares (2006), Casadinho
(2007) (na Faculdade de Letras de Lisboa têm sido apresentadas teses de
mestrado relativas à língua alemã).
Outras afirmações da Linguística Cognitiva em Portugal fazem-se através
de encontros e congressos. Até ao momento, realizaram-se três grandes reu-
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niões científicas de nível internacional. A primeira, denominada 1º Encontro


Internacional de Linguística Cognitiva, teve lugar na Faculdade de Letras
da Universidade do Porto, em 1998, sendo as respectivas actas publicadas
um ano depois por Vilela & Silva (1999). A segunda foi promovida pela Asso-
ciação Portuguesa de Linguística, como Encontro sobre Linguagem e Cog-
nição: A Perspectiva da Linguística Cognitiva, e realizou-se, em 2000, na
Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa, em Braga. As
actas foram publicadas no ano seguinte por Silva (2001). A última foi organi-
zada pela mesma Faculdade de Filosofia de Braga, em 2003, com a dimensão
de um congresso internacional: Linguagem, Cultura e Cognição: Con-
gresso Internacional de Linguística Cognitiva. O congresso contou
com a presença dos três fundadores da Linguística Cognitiva (Ronald
Langacker, George Lakoff e Leonard Talmy), para além de outras figuras
representativas, e reuniu em Braga 250 congressistas. Foram apresen-
tadas perto de uma centena de comunicações, cobrindo quase todas as
áreas dos estudos linguísticos. As actas foram publicadas um ano depois
por Silva, Torres & Gonçalves (2004). O congresso de Braga foi, no plano
internacional, dos primeiros a explorar as relações entre linguagem, cul-
tura e cognição na perspectiva da Linguística Cognitiva (anterior aos con-
gressos sobre a mesma temática realizados em Portsmouth em 2004 e em
Paris em 2006).

3. Os estudos de Linguística Cognitiva do Português Europeu

Segue-se uma apresentação sumária dos trabalhos de investigação estri-


tamente inscritos no quadro da Linguística Cognitiva que se desenvolveram
em Portugal sobre o Português Europeu. De quase todas as linhas de investi-
gação em Linguística Cognitiva acima referidas temos exemplos. Os estudos
existentes pertencem a quatro domínios: Semântica Cognitiva, Gramática
Cognitiva, Gramaticalização e Discurso e estudos interdisciplinares.

3.1. Semântica Cognitiva

É nesta área que temos o maior número de estudos; na sua maioria, são
estudos de semântica lexical e de lexicologia. Os temas e fenómenos anali-
sados são os seguintes:
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• significado lexical e a polissemia (fenómeno redescoberto pela Semân-


tica Cognitiva e que está na base do seu próprio desenvolvimento):
Lima (1989) sobre o significado avaliativo e a polissemia/vaguidade de
expressões avaliativas como bom, mentira, roubo, assassínio, trai-
ção; Almeida (1995) sobre os verbos de ‘abrir’ e de ‘cortar’ em portu-
guês e em alemão e Almeida (2002); Silva (1999a, 2003a, d) sobre o
verbo deixar e a polissemia do verbo, Silva (2006a) sobre as questões
da polissemia e do significado linguístico e outras categorias polissémi-
cas, nomeadamente o sufixo diminutivo, o marcador discursivo pronto,
o objecto indirecto e a entoação descendente e ascendente, e Silva
(2007) sobre o aparente paradoxo da polissemia antonímica. Estes tra-
balhos e outros, como Batoréo (2000a, b, 2004e) e Teixeira (2001a,
2005b, d), tratam temas e questões da Teoria do Protótipo: caracterís-
ticas da categorização linguística, natureza dos protótipos e efeitos de
prototipicidade na estrutura e no uso das categorias linguísticas.
• conceptualização e expressão linguística de relações espaciais (uma
das temáticas centrais dos estudos cognitivos): Batoréo (2000a), com
base na tipologia espacial desenvolvida por Talmy (2000), analisa os
padrões de lexicalização do espaço expressos num vasto e diverso
conjunto de marcadores espaciais (preposições e locuções preposi-
tivas, expressões deícticas, advérbios, vários verbos) e, do ponto de
vista psicolinguístico, estuda a aquisição e produção textual (narrati-
vas provocadas); Teixeira (2001a) analisa, com base na Teoria do Caos,
os marcadores da frontalidade, retirando daí algumas implicações para
as relações entre espacialidade e temporalidade. Ver outros trabalhos
de Batoréo e de Teixeira, bem como os estudos de Almeida (1995),
Carvalho (2003), Londrim (2006) num estudo contrastivo português-
norueguês sobre o percurso e o modo do movimento, Casadinho (2007)
e Batoréo (2007) sobre verbos de movimento em água, Ferreira (em
preparação) sobre várias estratégias de localização e orientação.
• metáfora e metonímia conceptuais, sobretudo no quadro da popular
Teoria da Metáfora Conceptual: Vilela (1996) sobre a linguagem da
economia e Vilela (2002) sobre expressões idiomáticas e provérbios;
Lima (1999) sobre a explicação metafórica e metonímica na formação
de conceitos; Silva (1999a, b) sobre conceitos permissivos e proibitivos
e Silva (2006a) na análise da semântica das categorias acima referidas;
Almeida (1999a) num estudo contrastivo português-alemão; Coim-
bra (1999) sobre os títulos de imprensa; Abrantes (2002) e Batoréo
(2004b) sobre metáforas da guerra; Dionísio (2002) sobre o sistema de
metáforas dos conceitos básicos ‘comer’ e ‘beber’; Ferrão (2005) sobre
o discurso político; Mineiro (2006) sobre a metáfora na terminologia
náutica; Costa (2006) sobre o discurso religioso católico; Espadeiro
(2006) e Soares (2006), bem como trabalhos de Coimbra (1999, 2000)
196 Revista Portuguesa de Humanidades | Estudos Linguísticos

e Teixeira (2006), sobre a publicidade; Silva (2003b, 2004b) para uma


discussão crítica da teoria cognitiva da metáfora e da metonímia.
• mesclagem conceptual na linha da Teoria da Integração Conceptual:
Almeida (2003a, 2004, 2005, 2006) sobre formação de palavras e cons-
truções; Coimbra (1999) sobre linguagem jornalística.
• conceptualização e verbalização de emoções (outra temática popular
nos estudos cognitivos): Faria (1999) sobre emoções e expressões
idiomáticas, Abrantes (1999) sobre a raiva/fúria, Pires (2001) sobre o
desejo, Florescu (2002) sobre a alegria e estudos de Batoréo.
• expressões idiomáticas: Faria (1999) e Vilela (2002).
• verbos causativos e “dinâmica de forças” (sistema cognitivo exemplar-
mente estudado por Talmy 1988, 2000): Silva (1999a; 2003a; 2004c, e,
f, 2005e, no prelo 1) e Mendes (2005, 2007).
• semântica morfológica: Silva (2000a) e Novais (2002) sobre o diminutivo.
• mudança semântica: Silva (1998, 1999a, 2005a, 2006a) sobre causas,
tipos e fenómenos de mudança lexical, tanto semasiológica como ono-
masiológica, e vários estudos de Lima no âmbito da gramaticalização,
que a seguir especificaremos.
• variação lexical: projecto de sociolexicologia quantitativa sobre Con-
vergência e Divergência no Léxico do Português (CONDIVport),
dirigido por Augusto Soares da Silva, que pretende saber se nos últi-
mos 50 anos o Português Europeu e o Português Brasileiro estão
envolvidos num processo de convergência ou divergência lexical e ao
mesmo tempo comparar a estratificação lexical de cada uma das varie-
dades nacionais (Silva 2006c, d). Espera-se que o projecto CONDIV,
financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Refª POCTI/
LIN/48575/2002), possa continuar e estender-se ao nível da gramática,
como projecto de sociolinguística cognitiva das duas variedades nacio-
nais do Português.

3.2. Gramática Cognitiva

Este é um domínio que entre nós ainda conta com poucos estudos. Os
trabalhos existentes seguem principalmente o modelo gramatical de Langa-
cker (1987, 1991, 1999). Os temas estudados da Gramática do Português são
os seguintes:

• transitividade e construções transitivas: estudo contrastivo português-ale-


mão de Almeida (1995, 1999b); Silva (1999c) sobre a construção ditransi-
tiva e o complemento indirecto; Ferreira (em preparação) sobre a transi-
tividade enquanto processo geral de relação de duas entidades.
Os estudos de Linguística Cognitiva do Português 197

• causação e construções causativas: Silva (1999a; 2000b; 2004c, d, e,


f; 2005b, e) sobre aspectos semânticos, cognitivos e culturais da cau-
sação do tipo ‘deixar’ e do tipo ‘fazer’ e sobre a gramática das cons-
truções causativas; Faria (2003) sobre a categorização da causalidade;
e Mendes (2005, 2007) sobre a semântica e a gramática da causação
sinergética dos verbos derivados de -duzir.
• construções perceptivas: Silva (2005b) e Vesterinen (2007b).
• infinitivo flexionado: Silva (no prelo 2) sobre o significado e a distribui-
ção desta peculiaridade da nossa língua.
• subordinação adverbial: estudos de Vesterinen (2006, 2007a, c) sobre
a variação entre construções finitas e infinitivas, de modo indicativo e
conjuntivo e construções com o clítico se e explicação dos seus facto-
res conceptuais com base nas teorias dos espaços mentais e da subjec-
tificação.
• construções possessivas e existenciais: estudo diacrónico de Jacinto
(em preparação) centrado nos verbos ter e haver e suas gramaticali-
zações (Jacinto 2007) e estudo de Afonso (no prelo) sobre as constru-
ções existenciais como estratégia de impessoalização.
• construções impessoais: estudos de Afonso (2007, no prelo) sobre
construções de -se, anticausativas, de agente não especificado, passiva
sintáctica e a construção existencial com haver.
• processos de interacção entre o significado do verbo e do significado da
construção, no quadro da Gramática de Construções: Silva (2003c).
• projecto Gramática e Cognição desenvolvido na Faculdade de Letras de
Lisboa, entre 1996 e 2000, por Isabel Hub Faria e Hanna Batoréo (da área
de estudos sobre Linguagem e Cognição) e Inês Duarte e Gabriela Matos
(da área de estudos em Gramática Generativa), no âmbito do projecto
luso-brasileiro “A Gramaticalização das Relações Espácio-Temporais em
Português”. Deste projecto resultaram alguns artigos sobre represen-
tações espácio-temporais e expressão da causatividade publicados na
Revista Veredas da Universidade Federal de Juiz de Fora.

3.3. Gramaticalização e Discurso

• estudos diacrónicos de Lima (1997, 1998, 1999, 2001, 2002) sobre os


conectores embora, mal e pois e sobre a génese e a evolução do futuro
com o verbo ir, e trabalhos de Silva (1996, 1999a, b) sobre verbos auxi-
liares (aspectuais, modais e causativos).
• estudos sincrónicos de Lopes & Morais (2000), Lopes (2004a, b), Morais
(2004), Lopes & Amaral (no prelo) sobre os conectores de facto, bem,
agora, já agora, então, antes, depois; Silva (2002b, 2006b) sobre
o marcador discursivo pronto; e a dissertação de doutoramento de
198 Revista Portuguesa de Humanidades | Estudos Linguísticos

Morais (2007) sobre os marcadores discursivos no processamento cog-


nitivo do texto.
• discurso narrativo: Batoréo (1998d, 2000a, 2004a, 2005d, 2006a, b) e
Morais (em preparação).
• discurso publicitário e jornalístico: Coimbra (1999, 2000), Abrantes
(2002), Espadeiro (2006), Soares (2006) e Teixeira (2006, no prelo).

3.4. Estudos interdisciplinares

• estudos psicolinguísticos de Isabel Hub Faria, como directora do Labo-


ratório de Psicolinguística da Faculdade de Letras de Lisboa, e o já
referido de Batoréo (2000a).
• estudos neurolinguísticos de Alexandre Castro Caldas, enquanto direc-
tor da Unidade de Neurociências da Faculdade de Medicina de Lisboa e
do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa
em Lisboa (ver Caldas 1999).
• estudos de poética cognitiva: Abrantes & Harenberg (2005) e a disser-
tação de doutoramento de Abrantes (2007).
• estudos computacionais e de Inteligência Artificial: estudo de Pereira
(2007), propondo um modelo computacionalmente plausível de criati-
vidade no quadro da Teoria da Integração Conceptual.

4. A Linguística Cognitiva no Brasil


e o estudo do Português Brasileiro

Tal como em Portugal, também no Brasil a Linguística Cognitiva tem


uma expressão ainda minoritária.2 Todavia, desde 2003 que se realizam anu-
almente congressos nacionais sobre “Lingüística e Cognição”, promovidos
pelo “Grupo de Trabalho de Lingüística e Cognição da ANPOLL”3, reunindo

2
A colectânea organizada por Mussalim & Bentes (2004) oferece um roteiro sobre a
génese e o desenvolvimento de várias correntes da Linguística Contemporânea, inclusive
no Brasil. Sobre o “cognitivismo” em geral, ver os capítulos de Ingedore Koch & Maria
Luiza Cunha-Lima e Edson Françozo & Eleanora Albano, bem como a introdução de Luiz
Marcuschi & Margarida Salomão.
3
Os 4 congressos realizados tiveram lugar na UNICAMP de São Paulo (2003 e 2005),
na Universidade Federal de Juiz de Fora (2004) e na Universidade Federal de Minas Gerais
Os estudos de Linguística Cognitiva do Português 199

algumas dezenas de investigadores de diferentes formações. Este GT inter-


disciplinar tem por objectivo principal promover o diálogo entre diferentes
modelos teóricos centrados na problemática das relações entre linguagem e
cognição, procurando identificar a inserção da Linguística no amplo conti-
nente das Ciências da Cognição. Em Agosto de 2007, aquando da realização
da “IV Conferência de Lingüística e Cognição”, na Universidade Federal de
Minas Gerais, em Belo Horizonte, foi fundada a Associação Brasileira de Lin-
guística Cognitiva, presidida por Maria Margarida Salomão, da Universidade
Federal de Juiz de Fora, pioneira nos estudos de Linguística Cognitiva no
Brasil. Hoje a Linguística Cognitiva está consolidada no Brasil, exprimindo-
se tanto em diversas linhas de investigação como em vários programas de
pós-graduação.
Estão constituídos 13 grupos de investigação, convergentes, em grande
parte, com os programas de investigação em Linguística Cognitiva acima
referidos:

• Gramática e Cognição, na Universidade Federal de Juiz de Fora,


liderado por Maria Margarida Salomão e de que fazem parte Neusa
Salim Miranda, Luiz Matos Rocha e, da Universidade Federal do Rio de
Janeiro, Maria Lúcia Leitão de Almeida e Lilian Ferrari.
• Indeterminação e Metáfora, na Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo, liderado por Mara Zanotto e, da Universidade Federal de
Santa Catarina, Heronides Moura.
• Fala e Escrita, na Universidade Federal de Pernambuco, por Luiz
Antonio Marcuschi, responsável por outros projectos de investigação
cognitiva.
• Práticas discursivas, processos de significação e afasia (relações
entre linguagem, cérebro e mente e factores de significação) na UNI-
CAMP em São Paulo, por Edwiges Morato e Rosana Novaes Pinto.
• Modelamento de texto e sinal acústico em Português, na mesma
instituição, por Eleonora Albano.
• Oralidade e Letramento, na Universidade Nacional Estado de São
Paulo, por Lourenço Chacon Jurado Filho.
• Cognição e Lingüística e Metáfora e Cognição, na Universidade

(2007). Para mais informações sobre este Grupo de Trabalho (GT) da Associação Nacional
de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Lingüística (ANPOLL), ver <http://www.gtling-
cog.ufjf.br>. Agradeço a Neusa Salim Miranda, coordenadora deste GT, e às comissões
organizadoras da II e IV “Conferências de Lingüística e Cognição” as informações disponi-
bilizadas e a oportunidade de conhecer no local os trabalhos dos colegas brasileiros.
200 Revista Portuguesa de Humanidades | Estudos Linguísticos

Federal do Ceará e na Universidade Estadual do Ceará, liderados por


Ana Cristina Macedo e Paula Lenz Lima, respectivamente, e de que
fazem parte Emília Farias e Aline Bussons.
• Cognição, Linguagem e Cultura, na Universidade Federal de Minas
Gerais, por Cristina Magro.
• INCOGNITO - Interfaces Linguagem, Cognição e Cultura, na
mesma instituição, liderado por Heliana Mello e de que fazem parte
Tommaso Raso, Maria Luiza Lima, Adriana Tenuta, Ulrike Schroeder e
Jânia Ramos.
• Metáforas, Gêneros Discursivos e Argumentação, na Universidade
Federal de Pernambuco, por Lucienne Espíndola.
• Indeterminação e metáfora no discurso, na Universidade Federal
Fluminense, liderado por Solange Vereza e de que fazem parte Sergio
Nascimento, Ricardo Almeida, Luiz Souza, Solange Faraco, Lucilene
Bronzato e Carmen Lima.
• Processos cognitivos de leitura em língua materna e língua estran-
geira, na Universidade de Santa Cruz do Sul, por Márcia Zimmer.
• Língua, Sociedade e Cognição, na Universidade de Caxias do Sul,
liderado por Heloisa Moraes Feltes e de que fazem parte Carina Gran-
zoto, Morgana Kich e Gabriela Vial.

Referência a outros membros do mesmo GT e com trabalhos de Lin-


guística Cognitiva: Edson Françozo, Inês Signorini, Ingedore Koch e Anna
Christina Bentes, da UNICAMP; Helena Franco Martins e Margarida Basilio,
da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Não sendo possível, dentro dos limites do presente texto, fazer uma
resenha tão completa quanto possível dos inúmeros estudos publicados,
faremos referência a seguir apenas a projectos de investigação e a livros
(individuais ou colectivos) publicados sobre o Português Brasileiro que mais
estritamente se inscrevem nos princípios e programas da Linguística Cogni-
tiva (mesmo assim, o elenco não é exaustivo). Trabalhos seleccionados de
três dos congressos acima referidos estão publicados nas revistas Veredas
10 (Universidade Federal Juiz de Fora) 2003, Cadernos de Estudos Lin-
güísticos 45 (UNICAMP) 2004 e Estudos da Linguagem, no prelo (Belo
Horizonte - Universidade Federal Minas Gerais) e na colectânea Lingüística
e Cognição, organizada por Miranda & Name (2005).

• Gramática Cognitiva, Gramática de Construções e Mesclagem Con-


ceptual (Grupo Gramática e Cognição): estudo pioneiro de Salomão
(1990) sobre aspecto e modalidade; integração conceptual na sintaxe
e no léxico, bases metafóricas da gramática, a construção modal com
Os estudos de Linguística Cognitiva do Português 201

dar, construções superlativas, construções epistémicas e condicionais,


formação de palavras e cruzamento vocabular, preposições e locuções
prepositivas (Almeida 2006); aplicação ao Português do projecto “Fra-
meNet”.
• Metáfora Conceptual, Espaços Mentais e Mesclagem Conceptual (o
domínio mais popular no Brasil, presente em vários dos Grupos acima
referidos): estudos sobre metáfora e metonímia conceptuais, metá-
foras primárias, a linguagem figurada em geral, metáfora e discurso
persuasivo, a indeterminação metafórica, a experiência corpórea na
geração de metáforas primárias, metáforas da vida interior e da moral,
a construção metafórica da sociedade, metáfora e ensino de línguas; as
colectâneas de Paiva (1998) e Macedo & Bussons (2006) e as disser-
tações de Oliveira (1995) e Lima (1999) sobre a metáfora, o trabalho
de Vereza (2007) sobre sentido literal e metáfora na metalinguagem e
um muito útil glossário de metáforas conceptuais a cargo de Paula Lenz
Lima; podem também aqui situar-se os estudos de Semântica Cogni-
tiva, em particular o recente trabalho de Feltes (2007), aplicando a
Teoria dos Modelos Cognitivos Idealizados de G. Lakoff na análise de
conceitos da vida interior (felicidade, amor, liberdade, violência) e
outros como religião ou trabalho.
• gramaticalização e mudança linguística: enorme quantidade de estudos
sobretudo no quadro da teoria funcionalista, a que acresce o recente
trabalho de Castilho (2005), propondo uma teoria multissistémica da
gramaticalização e da mudança linguística em geral, apoiada em princí-
pios da Linguística Cognitiva.
• estudos sobre o Discurso e o Texto: referenciação e discurso na obra
de Koch, Morato & Bentes (2005), figuratividade no discurso persua-
sivo (Solange Vereza), esquematicidade discursiva e instanciação em
narrativas (Heliana Mello), processos cognitivos e textualidade (Már-
cia Zimmer), metáfora, géneros discursivos e argumentação (Lucienne
Espíndola), o trabalho de Tenuta (2006) sobre a estrutura narrativa e
espaços mentais.
• estudos psicolinguísticos e neurolinguísticos, com maior expressão na
UNICAMP: estudos sobre competência pragmática e metalinguagem
no contexto de afasias e neurodegenerescências e sobre a dimensão
multimodal de práticas linguístico-interaccionais (Edwiges Morato);
estudos de psicolinguística computacional e relações entre cérebro,
mente e linguagem (Edson Françozo); estudos sobre leitura e escrita.
202 Revista Portuguesa de Humanidades | Estudos Linguísticos

5. Estudos do Português fora do espaço lusófono

Existem alguns trabalhos de investigação e programas de pós-gradu-


ação sobre o Português desenvolvidos e orientados por linguistas estran-
geiros e por linguistas portugueses e brasileiros.4 Nos países nórdicos, os
estudos já referidos de Rainer Vesterinen, do Departamento de Espanhol,
Português e Estudos Latino-Americanos da Universidade de Estocolmo, e
Graciete Londrim, da Universidade de Oslo. Na Alemanha, Vera Ferreira e
Annette Endruschat orientam seminários de Linguística Cognitiva do Por-
tuguês (ver a recente introdução à Linguística Portuguesa de Endruschat
& Schmidt-Radefeldt 2006 e o estudo de doutoramento acima mencionado
de Vera Ferreira). Na Inglaterra, Susana Afonso prepara a sua dissertação
de doutoramento sobre as construções impessoais no Português Europeu
na Universidade de Manchester (sob orientação de William Croft); Vera da
Silva Sinha, Wany Sampaio e Chris Sinha (figura destacada da Linguística
Cognitiva), do Departamento de Psicologia da Universidade de Portsmouth,
desenvolvem estudos sobre o Português Brasileiro e, em particular, sobre
a língua Amondawa do estado brasileiro da Rondónia (Sampaio, Sinha &
Silva Sinha 2004, no prelo). Na secção de Estudos Portugueses das univer-
sidades polacas de Varsóvia e Lublin, têm sido apresentadas algumas teses
de licenciatura inspiradas na perspectiva cognitiva (Englert 1998, Kosako-
wska 2006). Nos EUA, Patrick Farrell, do Departamento de Linguística da
Universidade da Califórnia (Davis), estuda o Português Brasileiro (Farrell
1995, 1998, 2004, 2006) e Ana Margarida Abrantes e Joana Jacinto preparam
estudos doutorais e pós-doutorais no Departamento de Ciência Cognitiva da
Case Western Reserve University (com Per Aage Brandt e Mark Turner) e
no Departamento de Linguística da Rice University (com Michel Achard e
Suzanne Kemmer), respectivamente.

4
Os elementos de que dispomos, mesmo restringidos a núcleos (relativamente)
permanentes de estudo do Português (excluindo portanto as várias dissertações de dou-
toramento, sobretudo de linguistas brasileiros, realizadas nos EUA e nalguns países da
Europa), serão provavelmente incompletos.
Os estudos de Linguística Cognitiva do Português 203

6. Um balanço possível

Em jeito de balanço, destacaremos alguns aspectos que, do nosso ponto


de vista, caracterizam a (ainda pouca) investigação realizada e aqueles que
podem contribuir para o seu desenvolvimento.
Em primeiro lugar, os estudos existentes, embora em número ainda
relativamente reduzido, abrangem vários programas de investigação em
Linguística Cognitiva e centram-se no estudo da língua portuguesa em
várias das suas áreas (léxico, gramática e discurso). O seu principal con-
tributo tem sido a nível da Semântica, particularmente lexical: novas
perspectivas no estudo do léxico (categorias, estruturas prototípicas e
radiais, semasiológicas e onomasiológicas, variação e mudança lexicais,
interacção entre significado lexical e significado construccional), análise
de importantes fenómenos tradicionalmente pouco estudados (polisse-
mia, metáfora e metonímia, esquemas imagéticos, espaços mentais e
mesclagem conceptual, padrões de lexicalização, relações e tipologias
espaciais expressas em verbos, preposições e advérbios, causalidade,
semântica do verbo e das preposições, mudança semântica, gramatica-
lização e subjectificação, conectores e marcadores discursivos, pragmá-
tica lexical), mas também a exploração da interface conceptual entre
léxico e gramática, semântica e sintaxe, semântica e discurso, entre
factores conceptuais, discursivos e variacionais e, como característica
geral, a assunção da centralidade do significado na arquitectura da lín-
gua portuguesa.
Em segundo lugar, tem sido promovido o diálogo intradisciplinar sobre-
tudo com a linguística funcionalista e o diálogo interdisciplinar com as ciên-
cias cognitivas e as ciências sociais para a exploração das relações entre
linguagem, cognição e cultura. Tudo isto tem contribuído para o desenvol-
vimento dos estudos sobre aquisição da linguagem e patologia linguística e,
em certa medida, também dos estudos tipológicos, comparativos e socio-
linguísticos (repondo no centro do debate as questões do relativismo e dos
universais conceptuais).
Em terceiro lugar, é tempo de os linguistas cognitivos portugueses
e brasileiros darem mais atenção à Gramática, particularmente à Sintaxe
do Português. O modelo de Gramática Cognitiva de R. Langacker e o
modelo de Gramática das Construções de A. Goldberg, W. Croft e outros
– já aplicados na análise de alguns fenómenos (construções transitivas,
causativas, epistémicas, existenciais e possessivas, impessoais, adver-
biais, infinitivas e de infinitivo flexionado) –, permitem perspectivas mais
204 Revista Portuguesa de Humanidades | Estudos Linguísticos

compreensivas dos muitos fenómenos estudados em termos formais na


óptica generativa. Por outro lado, o recente desenvolvimento da linguís-
tica de corpus do Português garante a opção metodológica pela análise
gramatical baseada no uso. Será importante desenvolver um programa
sócio-cognitivo que inclua a análise variacionista e a correlação entre fac-
tores conceptuais, discursivos e variacionais e com ele a sociolinguística
cognitiva, incipiente entre nós.
Finalmente, o esperado desenvolvimento da Linguística Cognitiva do
Português passa necessariamente pelo trabalho conjunto de linguistas por-
tugueses, em número ainda muito reduzido, e brasileiros, em número bem
superior e já organizados na Associação Brasileira de Linguística Cognitiva,
e pelo intercâmbio com linguistas cognitivos de outros países, sobretudo no
contexto dos congressos bi-anuais da Associação Internacional de Linguís-
tica Cognitiva, na qual todos esperamos que a Associação Brasileira venha a
filiar-se tão breve quanto possível.

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