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COMEÇANDO DO ZERO

Direito Processual Civil – Aula 10


Sabrina Dourado

PROCEDIMENTO COMUM – parte II


Verificando a existência de irregularidades ou de ví-
REVELIA cios sanáveis, o juiz determinará sua correção em
prazo nunca superior a 30 (trinta) dias.
Se o réu não contestar a ação, será considerado re- Cumpridas as providências preliminares ou não ha-
vel e presumir-se-ão verdadeiras as alegações de vendo necessidade delas, o juiz proferirá julgamento
fato formuladas pelo autor. conforme o estado do processo, observando o que
A revelia não produz o efeito mencionado no art. dispõe o Capítulo X.
344 se:
- havendo pluralidade de réus, algum deles contestar JULGAMENTO CONFORME O ESTADO DO PRO-
a ação; CESSO
- o litígio versar sobre direitos indisponíveis;
- a petição inicial não estiver acompanhada de instru- Extinção do Processo
mento que a lei considere indispensável à prova do
ato; Ocorrendo qualquer das hipóteses previstas
- as alegações de fato formuladas pelo autor forem nos arts. 485 e 487, incisos II e III, o juiz proferirá
inverossímeis ou estiverem em contradição com sentença.
prova constante dos autos. A decisão a que se refere o artigo 354 pode dizer res-
Os prazos contra o revel que não tenha patrono nos peito a apenas parcela do processo, caso em que
autos fluirão da data de publicação do ato decisório será impugnável por agravo de instrumento.
no órgão oficial.
O revel poderá intervir no processo em qualquer fase, Julgamento Antecipado do Mérito
recebendo-o no estado em que se encontrar.
O juiz julgará antecipadamente o pedido, proferindo
PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES E DO SANEA- sentença com resolução de mérito, quando:
MENTO - não houver necessidade de produção de outras pro-
vas;
Findo o prazo para a contestação, o juiz tomará, con- - o réu for revel, ocorrer o efeito previsto no art. 344 e
forme o caso, as providências preliminares constan- não houver requerimento de prova, na forma do art.
tes abaixo. 349.

Não Incidência dos Efeitos da Revelia Julgamento Antecipado Parcial do Mérito

Se o réu não contestar a ação, o juiz, verificando a O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou
inocorrência do efeito da revelia previsto no art. 344, mais dos pedidos formulados ou parcela deles:
ordenará que o autor especifique as provas que pre- - mostrar-se incontroverso;
tenda produzir, se ainda não as tiver indicado. - estiver em condições de imediato julgamento, nos
Ao réu revel será lícita a produção de provas, contra- termos do art. 355.
postas às alegações do autor, desde que se faça re- A decisão que julgar parcialmente o mérito poderá re-
presentar nos autos a tempo de praticar os atos pro- conhecer a existência de obrigação líquida ou ilí-
cessuais indispensáveis a essa produção. quida.
A parte poderá liquidar ou executar, desde logo, a
Fato Impeditivo, Modificativo ou Extintivo do Di- obrigação reconhecida na decisão que julgar parcial-
reito do Autor mente o mérito, independentemente de caução,
ainda que haja recurso contra essa interposto.
Se o réu alegar fato impeditivo, modificativo ou extin- A liquidação e o cumprimento da decisão que julgar
tivo do direito do autor, este será ouvido no prazo de parcialmente o mérito poderão ser processados em
15 (quinze) dias, permitindo-lhe o juiz a produção de autos suplementares, a requerimento da parte ou a
prova. critério do juiz.
A decisão proferida com base neste artigo é impug-
Alegações do Réu nável por agravo de instrumento.

Se o réu alegar qualquer das matérias enumeradas Saneamento e da Organização do Processo


no art. 337, o juiz determinará a oitiva do autor no
prazo de 15 (quinze) dias, permitindo-lhe a produção
de prova.

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Não ocorrendo nenhuma das hipóteses acima, de- verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a de-
verá o juiz, em decisão de saneamento e de organi- fesa e influir eficazmente na convicção do juiz.
zação do processo:
- resolver as questões processuais pendentes, se Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte,
houver; determinar as provas necessárias ao julgamento do
- delimitar as questões de fato sobre as quais recairá mérito. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada,
a atividade probatória, especificando os meios de as diligências inúteis ou meramente protelatórias.
prova admitidos;
- definir a distribuição do ônus da prova, observado O juiz apreciará a prova constante dos autos, inde-
o art. 373; pendentemente do sujeito que a tiver promovido, e
- delimitar as questões de direito relevantes para a indicará na decisão as razões da formação de seu
decisão do mérito; convencimento. Ele poderá admitir a utilização de
- designar, se necessário, audiência de instrução e prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o
julgamento. valor que considerar adequado, observado o contra-
ditório.
Realizado o saneamento, as partes têm o direito de
pedir esclarecimentos ou solicitar ajustes, no prazo O ônus da prova incumbe:
comum de 5 (cinco) dias, findo o qual a decisão se
torna estável. - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;
As partes podem apresentar ao juiz, para homologa-
ção, delimitação consensual das questões de fato e - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, mo-
de direito a que se referem os incisos II e IV, a qual, dificativo ou extintivo do direito do autor.
se homologada, vincula as partes e o juiz.
Se a causa apresentar complexidade em matéria de Nos casos previstos em lei ou diante de peculiarida-
fato ou de direito, deverá o juiz designar audiência des da causa relacionadas à impossibilidade ou à ex-
para que o saneamento seja feito em cooperação cessiva dificuldade de cumprir o encargo ou à maior
com as partes, oportunidade em que o juiz, se for o facilidade de obtenção da prova do fato contrário, po-
caso, convidará as partes a integrar ou esclarecer derá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso,
suas alegações. desde que o faça por decisão fundamentada, caso
Caso tenha sido determinada a produção de prova em que deverá dar à parte a oportunidade de se de-
testemunhal, o juiz fixará prazo comum não superior sincumbir do ônus que lhe foi atribuído. A decisão
a 15 (quinze) dias para que as partes apresentem rol acima mencionada não pode gerar situação em que
de testemunhas. a desincumbência do encargo pela parte seja impos-
Na hipótese acima as partes devem levar, para a au- sível ou excessivamente difícil.
diência prevista, o respectivo rol de testemunhas.
O número de testemunhas arroladas não pode ser A distribuição diversa do ônus da prova também pode
superior a 10 (dez), sendo 3 (três), no máximo, para ocorrer por convenção das partes, salvo quando:
a prova de cada fato.
O juiz poderá limitar o número de testemunhas le- - recair sobre direito indisponível da parte;
vando em conta a complexidade da causa e dos fatos
individualmente considerados. - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercí-
Caso tenha sido determinada a produção de prova cio do direito.
pericial, o juiz deve observar o disposto no art. 465 e,
se possível, estabelecer, desde logo, calendário para A convenção pode ser celebrada antes ou durante o
sua realização. processo.
As pautas deverão ser preparadas com intervalo mí-
nimo de 1 (uma) hora entre as audiências. Não dependem de prova os fatos:

PROVAS - notórios;

Provas são os instrumentos utilizados pela parte para - afirmados por uma parte e confessados pela parte
o convencimento judicial. contrária;

As partes têm o direito de empregar todos os meios - admitidos no processo como incontroversos;
legais, bem como os moralmente legítimos, ainda
que não especificados neste Código, para provar a

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- em cujo favor milita presunção legal de existência - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou
ou de veracidade. evitar o ajuizamento de ação.

O juiz aplicará as regras de experiência comum sub- A produção antecipada da prova é da competência
ministradas pela observação do que ordinariamente do juízo do foro onde esta deva ser produzida ou do
acontece e, ainda, as regras de experiência técnica, foro de domicílio do réu. A produção antecipada da
ressalvado, quanto a estas, o exame pericial. prova não previne a competência do juízo para a
ação que venha a ser proposta.
ATENÇÃO! A parte que alegar direito municipal, es-
tadual, estrangeiro ou consuetudinário provar-lhe-á o O juízo estadual tem competência para produção an-
teor e a vigência, se assim o juiz determinar. tecipada de prova requerida em face da União, de
entidade autárquica ou de empresa pública federal
A carta precatória, a carta rogatória e o auxílio direto se, na localidade, não houver vara federal.
suspenderão o julgamento da causa no caso previsto
no art. 313, inciso V, alínea “b”, quando, tendo sido Aplicam-se às disposições acima àquele que preten-
requeridos antes da decisão de saneamento, a prova der justificar a existência de algum fato ou relação ju-
neles solicitada for imprescindível. rídica para simples documento e sem caráter conten-
cioso, que exporá, em petição circunstanciada, a sua
A carta precatória e a carta rogatória não devolvidas intenção.
no prazo ou concedidas sem efeito suspensivo pode-
rão ser juntadas aos autos a qualquer momento. Na petição, o requerente apresentará as razões que
justificam a necessidade de antecipação da prova e
Ninguém se exime do dever de colaborar com o Po- mencionará com precisão os fatos sobre os quais a
der Judiciário para o descobrimento da verdade. prova há de recair.

Preservado o direito de não produzir prova contra si O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da
própria, incumbe à parte: parte, a citação de interessados na produção da
- comparecer em juízo, respondendo ao que lhe for prova ou no fato a ser provado, salvo se inexistente
interrogado; caráter contencioso. Ele não se pronunciará sobre a
- colaborar com o juízo na realização de inspeção ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre as
judicial que for considerada necessária; respectivas consequências jurídicas.
- praticar o ato que lhe for determinado.
Os interessados poderão requerer a produção de
Incumbe ao terceiro, em relação a qualquer causa: qualquer prova no mesmo procedimento, desde que
- informar ao juiz os fatos e as circunstâncias de que relacionada ao mesmo fato, salvo se a sua produção
tenha conhecimento; conjunta acarretar excessiva demora.
- exibir coisa ou documento que esteja em seu po-
der. Neste procedimento, não se admitirá defesa ou re-
curso, salvo contra decisão que indeferir totalmente
Poderá o juiz, em caso de descumprimento, determi- a produção da prova pleiteada pelo requerente origi-
nar, além da imposição de multa, outras medidas in- nário.
dutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogató-
rias. Os autos permanecerão em cartório durante 1 (um)
mês para extração de cópias e certidões pelos inte-
PRODUÇÃO ANTECIPADA DA PROVA ressados. Findo o prazo, os autos serão entregues
ao promovente da medida.
A produção antecipada da prova será admitida nos
casos em que: ATA NOTARIAL

- haja fundado receio de que venha a tornar-se im- Em linhas gerais, a ata notarial é um instrumento pú-
possível ou muito difícil a verificação de certos fatos blico, lavrado por tabelião de notas (Lei Federal nº
na pendência da ação; 8.935/94, art. 7º, III) a requerimento de pessoa inte-
ressada, que se destina a atestar (através dos senti-
- a prova a ser produzida seja suscetível de viabilizar dos do próprio notário) e documentar a existência ou
a autocomposição ou outro meio adequado de solu- o modo de existir de algum fato jurídico. O exemplo
ção de conflito; mais palpável na atualidade talvez seja a prova das

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situações documentadas na internet e, principal- - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guar-
mente, nas redes sociais. dar sigilo;
- acerca dos quais não possa responder sem de-
De acordo com o art. 384 a existência e o modo de sonra própria, de seu cônjuge, de seu companheiro
existir de algum fato podem ser atestados ou docu- ou de parente em grau sucessível;
mentados, a requerimento do interessado, mediante - que coloquem em perigo a vida do depoente ou das
ata lavrada por tabelião. Dados representados por pessoas referidas acima.
imagem ou som gravados em arquivos eletrônicos
poderão constar da ata notarial. EXCEÇÃO! Esta disposição não se aplica às ações
de estado e de família.
DEPOIMENTO PESSOAL
CONFISSÃO
Depoimento pessoal é o ato praticado pela parte, me-
diante provocação da parte contrária, de comparecer Há confissão, judicial ou extrajudicial, quando a parte
em juízo quando convocada pelo juiz, a fim de prestar admite a verdade de fato contrário ao seu interesse
esclarecimentos sobre os fatos de interesse da e favorável ao do adversário.
causa.
Vale ressaltar que a confissão judicial pode ser es-
Cabe à parte requerer o depoimento pessoal da outra pontânea ou provocada. Ademais, a confissão es-
parte, a fim de que esta seja interrogada na audiência pontânea pode ser feita pela própria parte ou por re-
de instrução e julgamento, sem prejuízo do poder do presentante com poder especial. Já a confissão pro-
juiz de ordená-lo de ofício. vocada constará do termo de depoimento pessoal.
Se a parte, pessoalmente intimada para prestar de-
poimento pessoal e advertida da pena de confesso, A confissão judicial faz prova contra o confitente, não
não comparecer ou, comparecendo, se recusar a de- prejudicando, todavia, os litisconsortes. Ela tem ca-
por, o juiz aplicar-lhe-á a pena. ráter personalíssimo.

ATENÇÃO! É vedado a quem ainda não depôs as- Nas ações que versarem sobre bens imóveis ou di-
sistir ao interrogatório da outra parte. reitos reais sobre imóveis alheios, a confissão de um
cônjuge ou companheiro não valerá sem a do outro,
O depoimento pessoal da parte que residir em co- salvo se o regime de casamento for o de separação
marca, seção ou subseção judiciária diversa daquela absoluta de bens.
onde tramita o processo poderá ser colhido por meio
de videoconferência ou outro recurso tecnológico de ANOTE! Não vale como confissão a admissão, em
transmissão de sons e imagens em tempo real, o que juízo, de fatos relativos a direitos indisponíveis.
poderá ocorrer, inclusive, durante a realização da au-
diência de instrução e julgamento. A confissão será ineficaz se feita por quem não for
capaz de dispor do direito a que se referem os fatos
CUIDADO! Quando a parte, sem motivo justificado, confessados. Quando ela é feita por um represen-
deixar de responder ao que lhe for perguntado ou tante somente é eficaz nos limites em que este pode
empregar evasivas, o juiz, apreciando as demais cir- vincular o representado.
cunstâncias e os elementos de prova, declarará, na
sentença, se houve recusa de depor. Ademais, ela é irrevogável, mas pode ser anulada se
decorreu de erro de fato ou de coação.
A parte responderá pessoalmente sobre os fatos ar-
ticulados, não podendo servir-se de escritos anterior- A legitimidade para a ação prevista acima é exclusiva
mente preparados, permitindo-lhe o juiz, todavia, a do confitente e pode ser transferida a seus herdeiros
consulta a notas breves, desde que objetivem com- se ele falecer após a propositura.
pletar esclarecimentos.
A confissão extrajudicial, quando feita oralmente, só
QUESTÃO DE PROVA! terá eficácia nos casos em que a lei não exija prova
literal. Ela é, em regra, indivisível, não podendo a
A parte não é obrigada a depor sobre fatos: parte que a quiser invocar como prova aceitá-la no
tópico que a beneficiar e rejeitá-la no que lhe for des-
- criminosos ou torpes que lhe forem imputados; favorável, porém cindir-se-á quando o confitente a

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ela aduzir fatos novos, capazes de constituir funda- Se ele descumprir a ordem, o juiz expedirá mandado
mento de defesa de direito material ou de reconven- de apreensão, requisitando, se necessário, força po-
ção. licial, sem prejuízo da responsabilidade por crime de
desobediência, pagamento de multa e outras medi-
EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU COISA das indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-ro-
gatórias necessárias para assegurar a efetivação da
O juiz pode ordenar que a parte exiba documento ou decisão.
coisa que se encontre em seu poder.
A parte e o terceiro se escusam de exibir, em juízo, o
O pedido formulado pela parte conterá: documento ou a coisa se:
- a individuação, tão completa quanto possível, do - concernente a negócios da própria vida da família;
documento ou da coisa; - sua apresentação puder violar dever de honra;
- a finalidade da prova, indicando os fatos que se re- - sua publicidade redundar em desonra à parte ou ao
lacionam com o documento ou com a coisa; terceiro, bem como a seus parentes consanguíneos
- as circunstâncias em que se funda o requerente ou afins até o terceiro grau, ou lhes representar pe-
para afirmar que o documento ou a coisa existe e se rigo de ação penal;
acha em poder da parte contrária. - sua exibição acarretar a divulgação de fatos a cujo
respeito, por estado ou profissão, devam guardar se-
O requerido dará sua resposta nos 5 (cinco) dias sub- gredo;
sequentes à sua intimação. Se o requerido afirmar - subsistirem outros motivos graves que, segundo o
que não possui o documento ou a coisa, o juiz permi- prudente arbítrio do juiz, justifiquem a recusa da exi-
tirá que o requerente prove, por qualquer meio, que bição;
a declaração não corresponde à verdade. - houver disposição legal que justifique a recusa da
exibição.
O juiz não admitirá a recusa se:
- o requerido tiver obrigação legal de exibir; PROVA DOCUMENTAL
- o requerido tiver aludido ao documento ou à coisa,
no processo, com o intuito de constituir prova; Documento é todo e qualquer objeto que possa cris-
- o documento, por seu conteúdo, for comum às par- talizar, que possa tornar duradouro o registro de um
tes. fato efêmero, passageiro.
Ao contrário do que comumente se pensa, docu-
Ao decidir o pedido, o juiz admitirá como verdadeiros mento não é só o objeto formado pela palavra escrita,
os fatos que, por meio do documento ou da coisa, a já que diversas são as formas de se registrar um fato.
parte pretendia provar se: Assim, no direito processual, o conceito do que seja
- o requerido não efetuar a exibição nem fizer ne- documento abrange objetos diversificados.
nhuma declaração no prazo do art. 398;
- a recusa for havida por ilegítima. FORÇA PROBANTE DOS DOCUMENTOS

Sendo necessário, o juiz pode adotar medidas indu- O documento público faz prova não só da sua forma-
tivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias ção, mas também dos fatos que o escrivão, o chefe
para que o documento seja exibido. de secretaria, o tabelião ou o servidor declarar que
ocorreram em sua presença.
Quando o documento ou a coisa estiver em poder de
terceiro, o juiz ordenará sua citação para responder Quando a lei exigir instrumento público como da
no prazo de 15 (quinze) dias. Se o terceiro negar a substância do ato, nenhuma outra prova, por mais
obrigação de exibir ou a posse do documento ou da especial que seja, pode suprir-lhe a falta.
coisa, o juiz designará audiência especial, tomando-
lhe o depoimento, bem como o das partes e, se ne- QUESTÃO DE PROVA! O documento feito por ofi-
cessário, o de testemunhas, e em seguida proferirá cial público incompetente ou sem a observância
decisão. Se o terceiro, sem justo motivo, se recusar das formalidades legais, sendo subscrito pelas
a efetuar a exibição, o juiz ordenar-lhe-á que proceda partes, tem a mesma eficácia probatória do docu-
ao respectivo depósito em cartório ou em outro lugar mento particular.
designado, no prazo de 5 (cinco) dias, impondo ao
requerente que o ressarça pelas despesas que tiver. As declarações constantes do documento particular
escrito e assinado ou somente assinado presumem-

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se verdadeiras em relação ao signatário. Quando, to- Se se tratar de fotografia publicada em jornal ou re-
davia, contiver declaração de ciência de determinado vista, será exigido um exemplar original do periódico,
fato, o documento particular prova a ciência, mas não caso impugnada a veracidade pela outra parte.
o fato em si, incumbindo o ônus de prová-lo ao inte-
ressado em sua veracidade. Aplica-se o disposição acima à forma impressa de
mensagem eletrônica.
A data do documento particular, quando a seu res-
peito surgir dúvida ou impugnação entre os litigantes, As reproduções dos documentos particulares, foto-
provar-se-á por todos os meios de direito. gráficas ou obtidas por outros processos de repeti-
ção, valem como certidões sempre que o escrivão ou
No art. 411 sinaliza que considera-se autêntico o do- o chefe de secretaria certificar sua conformidade com
cumento quando: o original.

 o tabelião reconhecer a firma do signatário; A cópia de documento particular tem o mesmo valor
 a autoria estiver identificada por qualquer outro probante que o original, cabendo ao escrivão, intima-
meio legal de certificação, inclusive eletrônico, das as partes, proceder à conferência e certificar a
nos termos da lei; conformidade entre a cópia e o original.
 não houver impugnação da parte contra quem foi
produzido o documento. Tratando-se de cópia digital de título executivo extra-
judicial ou de documento relevante à instrução do
O documento particular de cuja autenticidade não se processo, o juiz poderá determinar seu depósito em
duvida prova que o seu autor fez a declaração que cartório ou secretaria.
lhe é atribuída. Ele é admitido expressa ou tacita-
mente é indivisível, sendo vedado à parte que pre- O juiz apreciará fundamentadamente a fé que deva
tende utilizar-se dele aceitar os fatos que lhe são fa- merecer o documento, quando em ponto substancial
voráveis e recusar os que são contrários ao seu inte- e sem ressalva contiver entrelinha, emenda, borrão
resse, salvo se provar que estes não ocorreram. ou cancelamento.

O telegrama, o radiograma ou qualquer outro meio Cessa a fé do documento público ou particular


de transmissão tem a mesma força probatória do do- sendo-lhe declarada judicialmente a falsidade.
cumento particular se o original constante da estação
expedidora tiver sido assinado pelo remetente. A ARGUIÇÃO DE FALSIDADE
firma do remetente poderá ser reconhecida pelo ta-
belião, declarando-se essa circunstância no original A falsidade deve ser suscitada na contestação, na ré-
depositado na estação expedidora. plica ou no prazo de 15 (quinze) dias, contado a partir
da intimação da juntada do documento aos autos.
O telegrama ou o radiograma presume-se conforme Uma vez arguida, a falsidade será resolvida como
com o original, provando as datas de sua expedição questão incidental, salvo se a parte requerer que o
e de seu recebimento pelo destinatário. juiz a decida como questão principal, nos termos do
inciso II do art. 19.
VALE ANOTAR! A parte arguirá a falsidade expondo os motivos em
que funda a sua pretensão e os meios com que pro-
Qualquer reprodução mecânica, como a fotográfica, vará o alegado.
a cinematográfica, a fonográfica ou de outra espécie,
tem aptidão para fazer prova dos fatos ou das coisas Depois de ouvida a outra parte no prazo de 15
representadas, se a sua conformidade com o docu- (quinze) dias, será realizado o exame pericial. Não se
mento original não for impugnada por aquele contra procederá ao exame pericial se a parte que produziu
quem foi produzida. o documento concordar em retirá-lo.

As fotografias digitais e as extraídas da rede mundial A declaração sobre a falsidade do documento,


de computadores fazem prova das imagens que re- quando suscitada como questão principal, constará
produzem, devendo, se impugnadas, ser apresen- da parte dispositiva da sentença e sobre ela incidirá
tada a respectiva autenticação eletrônica ou, não também a autoridade da coisa julgada.
sendo possível, realizada perícia.

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