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Programa de Educação

Continuada a Distância

Curso de
Interdisciplinaridade na Escola

Aluno:

EAD - Educação a Distância


Parceria entre Portal Educação e Sites Associados
Curso de
Interdisciplinaridade na Escola

MÓDULO I

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para
este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização do
mesmo. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores
descritos na Bibliografia Consultada.

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SUMÁRIO

Introdução

Interdisciplinaridade na escola

Escola pública e o contexto social

Práticas escolares e a interdisciplinaridade

Compartilhando práticas para construir o coletivo


Disciplinaridade

Multidisciplinaridade

Interdisciplinaridade na Escola

Transdisciplinaridade

Didática e interdisciplinaridade

Contexto da sala de aula e a organização das condições de aprendizagem

Planejamento de ensino numa perspectiva crítica

A importância do planejamento das aulas

Tipologia e etapas do planejamento

Formulação de objetivos de ensino-aprendizagem

Recursos didáticos - Para que servem/ Como utilizá-los

A prática pedagógica no processo de ação reflexão

Teorias de aprendizagem e a mediação do professor

Perspectivas críticas da didática

Didática multidiferencial

Didática e interdisciplinaridade

Socioconstrutivismo e didática

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Pensamento sistêmico e complexo

Pensamento sistêmico

Teoria da complexidade

Metodologia de pesquisa em educação

Educação básica e pesquisas

Temas transversais em educação

Tipologia

Bibliografia Consultada

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MÓDULO I

INTRODUÇÃO

Nosso objetivo primordial é possibilitar a


compreensão da Interdisciplinaridade em seus
fundamentos, possibilitando o conhecimento da sua
existência no mundo dos educadores.

Para conceituar Interdisciplinaridade é


preciso definir algumas tarefas que são bastante
complexas, uma vez que esta palavra envolve uma
diversidade de equívocos e possibilidades. Para
trabalharmos a compreensão da
interdisciplinaridade, podemos recorrer a uma
metáfora: o conhecimento é uma sinfonia. Para a
sua execução será necessária a presença de muitos elementos: os instrumentos, as
partituras, os aparelhos eletrônicos, etc. A orquestra está estabelecida. Todos os
elementos são fundamentais, descaracterizando, com isso, a hierarquia de
importância entre os membros.

O primeiro ponto que deve ser considerado refere-se à questão da


insegurança, pois ela faz parte do novo paradigma emergente do conhecimento. Tal
como no caso da ciência moderna, em que se tinha exercido a dúvida em vez de
sofrer, é preciso que se faça o mesmo na ciência pós-moderna, assumindo a
insegurança em vez de postergá-la. Mas assumir a insegurança pressupõe o fato de
exercê-la com responsabilidade. É necessário tomar conhecimento desses estudos,
antes de empreender o caminho da ação interdisciplinar, pois uma reflexão

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epistemológica cuidadosa possibilita consideráveis avanços. E tais avanços poderão
permitir a visualização de projetos concretos de investigação que em parte possam
corresponder ao novo paradigma emergente de conhecimento, embora precise ficar
claro que em termos de conhecimentos estamos ainda em fase de transição.
Estamos bastante divididos entre um passado que negamos, um futuro que
vislumbramos e um presente que está muito arraigado dentro de nós. Com o intuito
de atender à questão da “Interdisciplinaridade na Escola”, acerca do
desenvolvimento expressivo do seu desenvolvimento com o meio ambiente e suas
relações com o mundo, pode-se compreender melhor os caminhos da sua
manifestação.

A INTERDISCIPLINARIDADE NA ESCOLA

“Ser mestre não é apenas lecionar. Ensinar não é


apenas transmitir matérias. Ser mestre é ser
instrutor, amigo, guia e companheiro. É caminhar
com o aluno passo a passo, é transmitir a ele o
segredo da caminhada.”
Piaget

O processo vital de desenvolvimento é formador da personalidade. Assim, a


Educação não se confunde com a mera adaptação do indivíduo ao meio. Antes
disso, é atividade criadora e abrange o homem em todos os seus aspectos. Começa
na família, continua na escola e se prolonga por toda a existência humana. A
Educação é, pois, o processo pelo qual uma pessoa ou grupo adquirem
conhecimentos gerais, científicos, artísticos, técnicos ou especializados com o
objetivo de desenvolver sua capacidade ou aptidões.

Na Grécia Antiga a Educação visava preparar os jovens para as relações


com a Cidade ou Estado. Cada Estado tinha suas características e os sistemas
educacionais deviam adaptar-se a elas para preparar adequadamente a juventude.

Quando os romanos conquistaram a Grécia, existia em Roma um sistema

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educacional decadente. O pai tinha poder ilimitado sobre os filhos e era
publicamente censurado quando fracassava no ensino dos preceitos morais.

Destacaram-se na Idade Média o trivium (gramática, dialética e retórica) e o


quadrevirum (geometria, aritmética, música, astronomia). Além disso, tem-se a
filosofia e, na dramaturgia, as doutrinas da igreja e das escrituras. Já durante o
Humanismo – no século XI – o norte da Itália apresentava o maior progresso
material cultural da Europa.

A Educação nos século XVIII e XIX teve caráter marcadamente aristocrático.

Com os movimentos intelectuais do século XX, a Educação contemporânea


trouxe teorias educacionais destinadas a renovar os métodos da escola tradicional.

A nova escola e a escola antiga abarcaram várias correntes pedagógicas. A


Educação em liberdade aboliu a hierarquia professor/aluno e, portanto, a relação de
autoridade na experiência pedagógica é rompida, encaminhando a criança à
autoeducação de acordo com seu ritmo e movimento.

Além das referidas abordagens, tem-se, ainda, a Educação socialista, que


no século XX elaborou uma doutrina marxista para a educação; a Educação
libertadora, que, no Brasil, deveria estar pautada na liberação do oprimido, dando-
lhe meios para transformar a realidade social a sua volta mediante a conscientização
e o conhecimento crítico do mundo; e a Educação e tecnologia, enfatizando o
desenvolvimento tecnológico no âmbito da educação.

Nos tempos atuais, destacam-se alguns Ramos Especiais:

• Educação artística;

• Educação física;

• Educação para adultos;

• Educação especial;

• Ensino religioso;

• Ciências da educação;

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• Filosofia da educação;

• Educação comparada;

• Biologia da educação;

• Economia da educação (psicologia da educação, sociologia da educação,


didática).

A Educação no Brasil, no período colonial, empregava o sistema de ensino


dos jesuítas. No tempo de D. João VI passou-se por um período de decadência,
desagregação e descentralização do ensino básico (1834), cuja organização passou
a ser responsabilidade das assembléias provinciais.

Na República Velha, após a primeira Guerra Mundial, a “Escola Nova“


penetrou no Brasil com algumas figuras centrais: Antônio Sampaio Dória, em São
Paulo (1920); Lourenço Filho, no Ceará (1923); Anísio Teixeira, na Bahia(1925);
Francisco Campos e Mário Casassanta, em Minas Gerais (1927); Fernando de
Azevedo, no Distrito Federal (1928); todos tentaram reorganizar os sistemas
educacionais.

Foi nesse período que a escola passou a viver o principal objetivo dos
centros de formação escolar e transmitir conhecimento especialmente aos jovens,
como forma de perpetuar a cultura, desenvolver a personalidade individual e
estimular a sociabilidade.

Assim, a educação escolar deve por em prática a concepção de vida como


um dos principais mecanismos de socialização. Nesse contexto, a escola tem a
função de desempenhar e transmitir conhecimentos, estimular a aprendizagem e
preparar para o convívio social. A escola, na estrutura geral da sociedade, funciona
simultaneamente como órgão de socialização e mecanismos de controles sociais.

Quando a escola surgiu entre os povos da antiguidade oriental (Egito, China


e Índia) tinha cunho religioso. Privilegiava-se a formação de pessoas letradas, que
seriam responsáveis pela manutenção dos cultos. Na antiguidade clássica (Grécia e
Roma) a escola adotou duas linhas opostas, mas complementares: a pedagogia da

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personalidade, que visava à formação individual, e a pedagogia dos humanistas, que
procurava desenvolver o indivíduo dentro de um sistema educacional representativo
da realidade social.

No século XX a escola pública passou a ser gratuita e seus regimes


diferenciados:

• Quanto ao sexo Masculino /Feminino /MISTA;

• Quanto a Idade Pré-Escola, primária, média ou secundária / pré-


Universitária, / Superior/ Supletivo normal;

• Quanto ao tipo de educação especialização (deficientes físicos ou


mentais);

• Quanto ao caráter religioso;

• Confessional;

• Multiconfessional.

A nova concepção de escola ministrava ensinamentos de caráter


memorizado, intelectualista e literário. Posteriormente, evoluiu para chegar a incluir,
na atualidade, grande diversidade de matérias: ciências, línguas, artes, técnicas, etc.
Cada vez mais a escola procura tornar-se integradora, isto é, constitui uma
comunidade em que se busca a interação entre alunos e professores.

Chama-se escola nova as instituições educativas nas quais se promove a


renovação educacional por meio de internato para pequenos grupos que ficam a
cargo dos professores e de suas famílias.

Na psicologia aplicada à educação mostra-se o conceito de disciplinar ou


interdisciplinar, e não há punição dentro dessa nova perspectiva. O que se procura é
o incentivo à liberdade das forças produtivas que constituem o potencial do ser
humano.

Analisando a questão de disciplina destacam-se:

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1. Possibilidade de punição injusta, com a mediata instalação de cargos de
hostilidade no punido;

2. O excessivo relevo concedido a um aspecto indesejável da conduta do


punido quando mais bem se justificaria a concessão de destaque a um aspecto
positivo;

3. A eventual conexão entre a medida punitiva e uma outra atividade


qualquer, totalmente diferente da que se pretendeu inibir;

4. A preocupação com o bloqueio de certo padrão de conduta, ao invés de


se estimular a resposta positiva.

Para entender como a Interdisciplinaridade pode ser desenvolvida na escola


é preciso que se conheça a formação e a estrutura escolar, o avanço da educação e
suas dificuldades. Não seria possível, portanto, trabalhar sem conhecimento da
causa, sem visão adequada em sua formação. Para qualquer posicionamento que
precise alcançar, busque o conhecimento enraizado, assim conseguirá efeitos
positivos, e caso o negativo persista em aparecer, será mais fácil detectar os
problemas encontrados. Percebe-se que ninguém sobe uma escada começando
pelo meio, o primeiro degrau é sempre o contato direto com a realidade.

A interdisciplinaridade surgiu da necessidade de se desenvolver estudos que


relacionem as temáticas estudadas, buscando um bom resultado no mercado de
trabalho, mostrando-se a produção do conhecimento escolar pautada na inter-
relação das diversas áreas do conhecimento.

O conhecimento da interdisciplinaridade não parece um processo assim tão


simples. Diante da multiplicidade de formas e conteúdos, podemos avaliar por
quantos caminhos, critérios e métodos tivemos que passar para chegarmos a
acreditar que as inovações seriam necessárias, quando voltamos para um estudo de
pesquisas em que se conhece a formação de estrutura educacional desde a sua
formação física até o desenvolvimento pedagógico. Retomando os caminhos que
foram percorridos para se chegar a todas as mudanças, podemos entender a

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importância de considerar que tem sido incidente na bibliografia específica sobre
interdisciplinaridade o emprego, a indicação e a citação do termo em inúmeras
produções científicas exclusivas da área de educação.

Quando nos dedicamos à tarefa da educação não é possível precisar


exatamente há quanto tempo estamos nela. Aqueles que se dedicam à tarefa da
educação, desde há muito, estão na escola (qualquer que seja ) bem antes de virem
a se tornar profissionais dela.

Por isso é difícil, senão impossível, precisar exatamente quando deixamos


de ser “alunos” para nos tornarmos “professores” ou, por outro lado, quando e por
quantas vezes, já no exercício do magistério e/ou nas funções técnicas e
administrativas da escola continuamos sendo “alunos”.

A experiência prática e profissional de que se dispõe, acrescida do fato de


ser pedagogo, representa necessariamente grande compromisso diante de tal
circunstância, em especial pelo fato de representar exatamente uma prioridade ou
como diriam alguns, uma efetiva necessidade: a atitude interdisciplinar que, uma vez
percebida, acaba por nos conduzir à percepção de outras tantas contradições da
visão fragmentária enraizada em nossa prática.

Finalmente, então, queremos registrar aqui estudos sobre a


Interdisciplinaridade que demonstrem tanto a visão fragmentada do cotidiano
escolar, como a produção de uma perspectiva que melhore o processo de educação
interdisciplinar nas formas concebidas de sua existência de conhecer para
novamente se comunicar. Nessa perspectiva, a educação tem sido considerada em
dois níveis: o nível do esclarecimento sobre a compreensão das totalidades sociais,
e da educação econômica; e o nível específico das discussões de temas e
problemas educacionais.

O desafio parece configurar-se diante da impossibilidade e inconveniência


de serem alterados componentes da infraestrutura. As impossibilidades dificultam o
processo, numa análise mais aprofundada, que acaba sendo entendida como
elemento típico na maioria das situações em que o educador atua e, portanto, acaba
por se constituir um dos maiores motivos de termos aceito os desafios.

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O trabalho participativo e interdisciplinar seria a grande preocupação dos
professores que pretendiam no currículo do curso (Pedagogia) estabelecer nos
primeiros anos um elenco muito variado de disciplinas, o que nos parece fragmentar
o repasse ao aluno. Na verdade, o que vem a ser preocupante é a posição do
pedagogo quanto a sua especialidade, em comparação com os outros professores
que têm áreas específicas. Segundo essa concepção, procura-se encontrar meios
que superem essa fragmentação encontrada na formação do educador para
desenvolver um trabalho para o educando. Daí aquele grupo composto por
professores de tendências e posturas diversas frente à educação, que se conhece e
procura definir suas diferenças, traduzindo suas preocupações pelo
desenvolvimento em nível de curso.

No entanto, o lema deveria emergir da análise cotidiana escolar por parte do


docente para os discentes, buscando a coerência entre a teoria e a prática
procurando entender e transformar a concepção encontrada numa escola melhor.

O trabalho interdisciplinar é um trabalho participativo, ainda que realizado


em diferentes posturas e visões educacionais, no qual se encontra hesitação e
consequentes críticas a uma concepção única na formação do pedagogo.

Sobre o assunto, Ivani Fazenda (1999, p. 70) comenta:

Hoje, diríamos trabalho interdisciplinar porque participativo. Trabalho


interdisciplinar porque realizado por grupo heterogêneo de professores
bastante heterogêneos e por grupo também heterogêneo de alunos,
diríamos hoje, com muita convicção. A visão fragmentada do conhecimento,
no curso de Pedagogia, com currículo que apresentava elenco bastante
variado de disciplina. E ainda acrescentávamos até com certa insegurança:
trabalho interdisciplinar porque preocupado com um “tipo “ de
interdisciplinaridade a interdisciplinaridade interna daquele currículo.

Já presenciamos nos dias de hoje um trabalho disposto a superar essa


fragmentação, muito mais disposto a enfrentar barreiras entre a teoria e a prática,
que parecia ser diferente do exercício para aplicação da prática. Nesses casos, o
trabalho interdisciplinar, sem qualquer tipificação interna ou externa, especifica-se no
desenvolvimento entre as áreas do conhecimento trabalhado.

Para a escola, o esboço do entendimento pedagógico é o trabalho

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diversificado em áreas de profissionais atuantes capazes de desenvolver uma
metodologia dentro do seu contexto de experiências adquiridas ao longo de sua
formação.

É viável que se pense dessa forma, mas que se olhe também por outro
ângulo, analisando caminhos e direções. Acredita-se que o pedagogo não tenha
somente uma direção, mas direções para serem desenvolvidas e as experiências
irão conduzi-los para isto.

Para se integrar a um trabalho conjunto é preciso se utilizar de uma


ferramenta muito comum: o “entendimento” para uma atuação participativa.

Na visão que se pretende formar diante da problemática encontrada, pode-


se vislumbrar a experiência vivida como educação travada em direção da
aprendizagem. É necessário que se olhe não somente para o que encontramos, mas
para o que vamos encontrar. A prática parece um pouco árdua, mas nada que não
possa ser especificamente moldado. A especialidade generaliza e contribui para a
ampliação dos conhecimentos existentes que, muitas vezes, a escola não gosta de
conhecer senão na teoria, pois na sua prática cotidiana só sabe se ocupar com a
reprodução do conhecimento existente.

Os exercícios levam a questionar e avaliar a postura da teoria e prática,


cujos grupos de estudo sobre a Interdisciplinaridade, mais que tudo, demonstram a
perspectiva de substituição. No cotidiano da escola, das visões fragmentadas e/ou
dicotômicas pelo que se chama de convergência em termos, denominados de saber,
alegria, participação, aspectos que, combinados, formam a Interdisciplinaridade.

Para os educadores a Educação seria impotente e ideológica se ignorasse o


objetivo de adaptação e não preparasse os homens para se orientarem no mundo.
Porém, ela seria igualmente questionável se ficasse nisto, produzindo pessoas
ajustadas, em consequência do que a situação existente se impõe precisamente no
que tem de pior. Nestes termos, desde o início existe no conceito de Educação uma
ambiguidade para a consciência e para a racionalidade. Talvez não seja possível
superá-la, mas certamente não é possível desviar dela.

Anteriormente fez-se referência à posição encontrada no profissional que

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atua e que também analisa a posição da Educação em uma relação dialética.
Evidentemente, a aptidão para se orientar no mundo é impensável sem adaptações.
Mas ao mesmo tempo impõe-se equipar o indivíduo de um modo tal que mantenha
suas qualidades pessoais. E essa tarefa de reunir na educação princípios individuais
e sociais simultaneamente, adaptando a resistência particular, é difícil para o
pedagogo no estilo vigente. Procura-se mostrar que quem deseja educar para a
democracia precisa esclarecer com muita precisão as debilidades da mesma. A
educação constitui necessariamente um procedimento dialético, porque só podemos
viver na democracia quando se dá conta igualmente de seus defeitos e de suas
vantagens. Para que se firme confiante no processo ensino-aprendizagem em
perspectiva da interdisciplinaridade (paradigmas emergentes da educação); exige-se
que esse “paradigma”, como melhor pode ser denominado, possa ser
profundamente conhecido pelo homem e que se faça vivido pelos educadores. Pode
ser comunicado, reproduzido e produzido para, por meio de outras formas, ser
concebido em sua sempre nova existência. Dar-se-ia, novamente, conhecer e,
novamente, comunicar, para formação de uma escola que favoreça um ambiente de
aprendizagem voltado para a qualidade.

ESCOLA PÚBLICA E CONTEXTO SOCIAL

A escola, por vezes, será dedicada a uma realidade na confluência da

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sociedade civil e da sociedade política. Sendo o local da luta ideológica, do
entrechoque das idéias e das convicções, apraz-nos colocar a escola como
organismo da sociedade civil. Em seu interior manifestam-se as tensões e as
correlações de forças que atravessam todo o tecido social. Sendo também, por
natureza, o território da persuasão e não o de coerção, mas ainda é possível
convencer-se da validade da localização da escola no conjunto das instituições da
sociedade civil.

Em se tratando da escola pública brasileira, no entanto, não nos é possível


desconsiderar o fato de que ela se integra efetivamente ao conjunto dos aparelhos
para reeditar a discussão, a essa altura, dos teóricos como reprodução. Isso conduz
à análise da questão da competência que vem sendo realizada em inúmeros
trabalhos que apontam para uma necessidade de formar profissionais
comprometidos com a eficácia do exercício de suas funções. Quando se fala em
profissionais competentes estamos indiretamente rotulando quem já alcançou seu
objetivo, porém esquecemos-nos de quem ainda está somando experiências,
calculando objetivos para desenvolver-se, em qualquer segmento que for.

Procuramos responder às questões levantadas por meio da exposição de


um estudo de caso. A competência da Interdisciplinaridade é uma forma de fazer
com que se busque o aperfeiçoamento cada vez mais. Não basta somente “ser”, é
preciso “fazer”. E esse “fazer” vem munido de objetivos de entendimentos que
envolvem perspectivas para aprender, e não levem ao envolvimento do caso sem
causa.

Quando se procura que dentro das escolas se aprimore uma didática aberta,
é previsto naquele momento a transformação do outro sem impor ou ditar ordens. A
autoridade do conhecimento se faz pela maneira como pretendem conduzir os
conteúdos e o resultado que querem obter.

Existem fatos que somente podem ser analisados não tendo a capacidade
de sentir. É conveniente descrever o que será apreendido durante o tempo em que
será desenvolvida a teoria. Acredita-se, porém, que ninguém consegue somente
escrever sem ver a cena, ou somente falar sem nunca ter visto a realidade como de

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fato acontece.

Há professores que não conseguem realizar o trabalho de seus conteúdos


no âmbito de sua profissão, devido à questão da indisciplina, ou seja, tinha a
oportunidade de realizar sua didática e não tinha a competência, faltava o brilho, que
refletisse no exercício e desenvolvesse no aluno vontade em aprender.

A construção do conhecimento se fez num movimento que foi se


completando e integrando a partir da compreensão do trabalho desenvolvido na
organização da instituição para o conhecimento. A comunicação dos dados permitiu
entender que o fio condutor que dirige a trajetória de vida de um docente se dá pelo
registro de sua busca, juntamente com o equilíbrio que vai constituindo uma marca
fortalecida na construção, influenciando desde seus primeiros contatos na formação
escolar.

O posicionamento do confronto obtido nos alunos é o que leva a análise do


crescimento, que decorre de uma visão para atingir o processo de aprendizagem.

O foco da margem reflexiva envolve a vida em escolha, germina atitudes de


compromisso com trabalhos que estão sujeitos ao conhecimento que pode ser
vivenciado.

O contato com a sala de aula é o reflexo do trabalho. Lá está o registro para


levantamento de dados do desenvolvimento didático dos profissionais que atuam.
Os receptores se estendem e mostram o quanto se absorveu ou não. O equilíbrio da
ação teórica e prática está presente no compromisso do programa em que se
cumpra o planejamento, buscando-se o conhecimento da prática para embasamento
do todo.

Pode-se analisar que o desenvolvimento da ação reflexiva do docente está


presente no modo de agir e pensar interdisciplinarmente. Da mesma forma, a
concepção revela uma postura estática, cuja função docente está claramente
caracterizada por ele(ela) professor.

Sendo ele o articulador da aprendizagem que ocorre, serão nestes ângulos


que se registram os depoimentos que favorecem a busca das soluções e

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conhecimentos de casos.

A descontração das aulas deixa escapar se a autoridade flui ou não. É uma


história bastante complexa, porque cada um tem sua maneira de ver e analisar a
situação. A consciência clara dos docentes permite que eles expressem a
profundidade do cotidiano da sala de aula que investiga o aluno em todas as
circunstâncias.

A questão da escola no seu ângulo social vem registrar a participação de


cada um, desde:

• Nível socioeconômico dos alunos que diferem em alguns casos e que


dificulta a aprendizagem, pelo fato deles mesmos se excluírem do ambiente
para aprender e conhecer ( valorização do capitalismo);

• A responsabilidade do professor em fazer com que a imaturidade dos


alunos seja superada;

• Dificuldades no exercício da função, que desestimula o profissional;

• Muitas vezes, o professor se sente solitário. Não tem com quem discutir
sua didática e isso o desvia emocionalmente.

A todas essas colocações dar-se a entender a preocupação do professor


com o aluno. A questão do acompanhamento do professor, na participação do seu
dia-a-dia, trocar idéias, fazer viver uma história na prática, pois nisto está a realidade
de cada um e deve-se buscar uma preocupação maior com a qualidade do ensino e
com a escola na sua função social, sendo necessário que se trabalhe a problemática
do professor. Entretanto, encontram-se docentes que no âmbito de sua função,
pelos desgastes enfrentados, são desorganizados, tomam medidas sem pensar,
trabalham contrariados e toda essa carga negativa automaticamente é repassada
para os alunos.

O compromisso se faz pela consciência histórica de como o professor se


constitui na vida. A luta pela busca de identidade pessoal e profissional se fez com
muita determinação. A função social da escola é propiciar a busca da maximização

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dos resultados, trazendo benefícios como um todo.

Quando o corpo escolar desenvolve projetos, todos estão querendo atingir


um processo que favoreça a agilidade, as decisões e as implementações que fluem.
Descobrir o caminho certo compreende os desafios encontrados, que são muitos,
mas os obstáculos ajudam a impulsionar para se obter soluções, prevalecendo os
objetivos gerais em detrimento dos pessoais. Elimina-se o medo do novo e o conflito.

O estímulo do crescimento individual e coletivo em conjunto irá dar espaço


às necessidades da comunidade escolar (educadores/educando), aliado à busca
das alternativas da capacitação para o enfrentamento dos novos desafios.

Assim, pode-se dizer que a escola busca desafios estando aberta ao novo.
Os PCNs delineiam a concepção de uma nova educação e de um novo educador,
de um novo educando e de uma nova escola. A escola tradicional, pautada na
crença que o conhecimento é algo pronto, acabado, perfeito, no qual o capital
cultural pertence apenas aos que detêm inteligência e competência está
ultrapassada. Essa concepção em que o aluno é visto como tabula rasa, uma folha
de papel em branco, e que trazia uma preocupação excessiva com o treino de
habilidades, com a memorização, com a repetição e a imitação, está inadequada
para a atual realidade.

Atualmente a escola precisa rever suas crenças e contrapor a antiga visão


sobre quando se procede à aquisição do conhecimento com a atual visão que
considera um conhecimento constante na construção coletiva a partir das
concepções prévias dos educandos, seu cotidiano, suas dúvidas, problemas.
Problemas esses que, se devidamente explorados, permitem o desenvolvimento da
criatividade, sensibilidade, intuição, senso crítico, capacidade de análise, formulação
e resolução de problemas.

A escola estará apta a desenvolver as habilidades e competências em seus


educandos para que eles possam se adequar ao atual contexto tecnológico e
globalizado.

A Instituição escolar é um agente cultural, mas também é agente


socioeconômico, pois interage com o mercado de trabalho (educadores/funcionários

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em geral ), com o mercado consumidor ( alunos e pais ) e com o setor público (MEC;
Diretoria regional).

Então, no contexto social a escola necessita adaptar-se à realidade presente


para que sobreviva. As resistências às mudanças existem e não pode ser
responsável por perda de oportunidades. A falta de informação tem levado inúmeros
educadores a pronunciarem frases como: “A escola não tem jeito”, “Os alunos não
estão nem aí”, “É o fim da educação”. Mas é preciso pensar além disso tudo: O que
está afetando a nossa escola? Qual a origem interna e externa? Qual a natureza do
problema? Quais fogem do alcance da escola? Será que os educandos são mesmo
desinteressados? Quem realmente precisa aprender, nós ou eles?

Todos os questionamentos têm uma razão comum: a escola precisa


atualizar-se, compreender a linguagem dos jovens, e isso está atrelado às
oportunidades e às ameaças que a escola enfrenta no presente e poderá enfrentar
no futuro. O fato concreto é que os aspectos que permitirão à escola sucesso no
futuro, de forma contextualizada, apontam para uma visão clara do macroambiente.
A partir daí tem-se um passo para a busca de possíveis encontros de caminhos que
possibilitem avanços na qualidade e eficácia da educação como um todo, e que seja
um projeto que visem à resolução rápida de problemas.

A escola é uma instituição social, e como tal é fruto de uma cultura com suas
crenças e valores, que determinam normas, regras de comportamentos. Os valores
sociais formam o sustentáculo da escola. Quando os valores são claros e aceitos, os
conflitos diminuem no cotidiano escolar e são fundamentais para que uma escola
funcione harmonicamente.

Os educadores e todos os profissionais ligados à educação, bem como os


educandos e seus familiares de acordo com sua formação, trazem influências
próprias que repercutem nas crenças e valores da escola, cristalizando dessa forma
sua cultura.

No quadro avaliativo nota-se a importância dos VALORES culturais da escola:

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Qual o perfil do nosso educador?

Qual o perfil do nosso educando?

Qual o perfil do nosso coordenador?

Qual o perfil do diretor?

No que somos melhores?

Quais as crenças e os valores que cultivamos?

Quais seriam as possíveis causas do nosso sucesso ou fracasso?

Por que a escola existe?

O que explica a sua existência?

Qual seria a função resumida da escola?

Qual seria a função da cultura da escola formada pelo conjunto de


crenças e valores de todos os que dela fazem parte?

O que esperam alcançar os que dela participam?

De que precisam os que dela participam?

Todas essas questões levam a acreditar que a escola é uma junção de


critérios que precisam ser moldados e analisados para receber o principal integrante
a ser trabalhado para egresso social e exercício da cidadania.

Uma escola pública é um local de trabalho único. Não é, necessariamente,


um local de trabalho unitário. Em seu interior seus trabalhadores produzem uma
passagem do mundo iletrado ao mundo letrado, das primeiras letras ao universo do

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discurso; de uma linguagem informal às linguagens sistematizadas; da cultura
popular à cultura erudita; da instituição pessoal ao saber historicamente organizado.

Em todas essas passagens e em outras que poderiam ser enumeradas, as


ideias forçam o propósito implícito ou manifesto que é o da elevação. Uma escola,
qualquer que seja, existe com a função de elevar seus alunos, para passá-los de um
momento de vida insuficiente, insatisfatório, incompleto para outros momentos que
se desdobrarão em direção a um horizonte vislumbrado e em permanente
construção.

Um ambiente escolar deve proporcionar aos seus trabalhadores que possam


se reunir no seu interior, não apenas para produzir passagens que significam
elevações individuais. Eles têm que socializar a passagem num contexto voltado
para a realização efetiva da educação. Nesse sentido a escola é única. Ela apenas
se incumbe de pensar e realizar a educação em conjunto da população; de conceber
e promover a materialização do interesse coletivo.

A construção social que a escola constrói a si mesma irá formar, ao mesmo


tempo, os instrumentos de seu trabalho único. Para entender melhor é preciso
revisar teorias, categorias e conceitos. Porém, a finalidade da escola no seu
contexto social é buscar transmitir dentro da construção de conhecimentos
adquiridos pelos seus educadores a formação do cidadão enquanto integrante do
sistema de ensino. A sua participação ativa na vida dos educandos se faz desde
suas primeiras descobertas, levando em conta a capacidade de cada um na
formação cognitiva do aprendizado aplicado. A questão inerente às relações escola
e trabalhos têm sido objetivo de discussão intensa e continuada em todos os
debates educacionais, preparando para um aspecto de planejamento em que se
coloca em discussão a função social da escola.

É necessário conhecer as formas históricas que o trabalho assume diante da


sociedade de classes para que se possa estabelecer a impropriedade da adoção
dessas mesmas formas no interior da escola. Não se trata apenas de retirar a
subordinação da escola ao mundo capitalista. Trata-se também, e principalmente, de
uma organização do trabalho escolar em consonância com a natureza mesma das

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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
atividades que aí devem desenvolver-se. O mecanismo dessas relações sociais
ajuda a esclarecer a passagem das tarefas dialeticamente concebidas e assumidas.
Acredita-se que a formação organizacional esteja direcionada para o educando,
enquanto membro integrante do ensino nela desenvolvido.

A repercussão da aceitação social qualifica o tipo de escola e a desenvoltura


dos seus trabalhos ao longo da vida do estudante quando vem atuar no mercado
promissor.

As diversas expressões do desenvolvimento da escola na vida do estudante


são o que a diferenciam de suas formas e expressões criadas pelo homem como
possibilidades diferenciadas ao dialogar com o mundo. Esses diferentes domínios de
significados constituem espaços de criação, transgressão, formação de sentidos
significados que fornecem aos sujeitos, autores ou contempladores novas formas de
inteligibilidade, comunicação e relação com a vida, reproduzindo-a e tornando-a
objeto de reflexão. Sendo assim, a formação social começa desde cedo até a
adolescência, na qual as práticas pedagógicas cotidianas são incorporadas no seu
currículo escolar.

A escola tem uma missão muito importante que é expressar suas diferentes
formas, disciplinar de forma interdisciplinar para adaptação do ensino e
enriquecimento da aprendizagem. É importante salientar as práticas desenvolvidas
por mais simples que sejam seus exercícios técnicos e treinamentos psicomotores
nos primeiros anos de escolaridade.

De fato, o nosso desafio parece configurar-se diante das situações


encontradas e possibilidades alcançadas, um agrupamento de ideias que vêm ser
trabalhadas na experiência pedagógica acrescida de um compromisso diante das
circunstâncias, que vêm qualificar a sua possibilidade de inclusão social, de forma a
questionar para melhorar. Saber o quanto e quantos caminhos percorrer para
efetuar a junção dos conceitos educacionais que se estendem ao educando e às
respostas que têm recebido nos últimos anos.

A educação vem para ser trabalhada de maneira interdisciplinar e motiva os


grandes desafios que são realizados no cotidiano por meio de empenhos e

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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
descrições de atividades. Questionar o conhecimento representa uma oportunidade
simples de elaborar com os alunos individualmente ou em pequenos grupos
questões de conhecimentos existentes em termos teóricos para o exercício da
prática. A relação social da escola vem garantir as mudanças das relações de
trabalho no interior de uma função democrática, desenvolvidas com seus atores
(professor e alunos).

O interesse em escala ascendente reveste-se de significados, estudos


importantes para o futuro educacional social nacional. É evidente que podem
marchar mais corajosamente na direção de um profissionalismo que as leis de
ensino começam a sugerir e incentivar. O momento reflete uma perspectiva de
conquistas realizadas com cuidado, visto que o professor é um ator de múltiplas
facetas, devotado a se mudar, a se transmutar, a se transvestir, em todas as épocas
que forem necessárias diante das circunstâncias conhecidas e descobertas
diariamente.

A experiência acumulada por seus profissionais é naturalmente a base para


a reflexão e a elaboração de um projeto educativo escolar, de forma clara e com
valores coletivos assumidos. Cada escola encontra uma realidade, uma trama, um
conjunto de circunstâncias de pessoas, e para isso é preciso encontrar incentivos do
poder público para o desenvolvimento e elaboração das questões realizadas.

PRÁTICAS ESCOLARES E A INTERDISCIPLINARIDADE

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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
Antes do trabalho do aluno com atividades propostas, ou seja, com
atividades escritas, faz-se necessário um amplo trabalho do professor com material
concreto e vivências de experiências. Os estudos das práticas escolares e a
interdisciplinaridade nos levam a conhecer conceitos e informações importantes que
levam o professor a desenvolver suas habilidades de formas coerentes e modos
satisfatórios. A sala de aula é o lugar intermediário entre a teoria e a prática que
surgem com suas mudanças e conceitos de práticas pedagógicas estabelecidas pelo
professor no exercício de sua didática. É preciso uma mudança total na concepção
do objetivo da aprendizagem, do sujeito que aprende e, forçosamente, do professor.

Trata-se de compreender o processo que se está vivendo a cada momento,


o conhecimento de uma série de fatos vinculados à evolução psicológica, que será
preciso pensar em outros termos de intervenção pedagógica ligada às ideias do
processo evolutivo.

A prática tradicional leva o aluno a saber ou não saber, poder ou não poder ,
equivocar-se ou acertar. Isso torna muito difícil compreender que está sendo
apresentada uma evolução e que certas coisas são normais dentro da evolução,
ainda que se cometam “erros” em relação ao desenvolvimento do aluno em sua
prática aprendiz (disciplinas).

A interpretação do professor faz a produção interpretativa do aprender

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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
respeitar o produtor (aluno), mostrando por meio de seus esforços o que está sendo
feito para se compreender o sistema de uma didática de entendimento.

Procure retratar fatos que povoam momentos importantes no caminho de


formação da caminhada do professor para o seu desenvolvimento.

Compartilhando práticas para construir o


coletivo

Neste material estará um pouco da minha


experiência, pois vejo a necessidade de abordá-la.
A experiência obtida em educação ao longo da
trajetória leva a registrar fatos que marcaram a
minha caminhada como educadora.

O interesse do professor flui de acordo


com a receptividade do aluno. Ouvi de muitos
professores frases como: “os alunos não querem,
já fiz minha obrigação”, “você não vai chegar a
lugar algum”. Não se permitiam saber que os alunos que estavam ali tinham consigo
diferentes histórias de vida e cada um era único, tinham interesses específicos,
possibilidades distintas, experiências individualizadas, que não eram consideradas
no dia-a-dia em sala de aula. E, ainda mais, não percebiam que esses interesses,
essas possibilidades e experiências individualizadas podiam ser trabalhados
coletivamente.

A prática de “dar aulas” é a forma mais correta de encontrar as dificuldades


de cada aluno, quando são conferidas algumas atividades dos exercícios propostos
no desempenho da linguagem escrita e da linguagem oral. Nota-se que aquela
prática estava bloqueando a desenvoltura do aprendizado do aluno. Ao término da
experiência como estagiária, comecei a lecionar e sabendo onde estava a
dificuldade comecei a inovação das minhas aulas. Descobri que o livro didático vem

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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
com o material pronto, mas que a realidade encontrada muitas vezes impede que o
conteúdo seja repassado.

Então, cheguei a trabalhar a realidade com o que tinha e que favorecia a


aprendizagem. Notei que as minhas interrogações surgidas no período do estágio no
exercício da minha função foram desaparecendo. Julgava a deficiência do aluno e
quando comecei a trabalhar descobri que ambos têm que comungar, falar a mesma
língua, seguir os mesmos conceitos. Para isso, vem a questão da indisciplina, a
doação do professor e aceitação do aluno e a colaboração da direção escolar. A
prática escolar é um conjunto de todos os segmentos voltados para a qualidade do
processo de ensino-aprendizagem. Assim, comecei a trabalhar a questão da
interdisciplinaridade com os meus alunos.

A prática foi ganhando forma dentro dos projetos educacionais


desenvolvidos com os alunos e quando notei toda a escola estava envolvida de
forma coletiva. A resposta veio desde a Educação Infantil até o Fundamental II. As
regras estabelecidas nos planos de aula (Gramática, conhecimento da História/
Geografia / Ciências / Matemática / Artes e religião ), e estavam ganhando uma nova
roupagem nas quais a socialização do aluno vinha sendo demonstrada nas
apresentações das equipes, participação em seminários e atividades extraclasse.
Durante nosso convívio era necessário que cada um participasse com o que tinha no
seu conteúdo programático, mas de forma diversificada (idéias claras e prazerosas)
para aprender.

A prática leva a preparar o aluno para melhorar o desempenho nas


atividades escritas e darão suporte durante todo o processo de conhecimento:

O trabalho intenso com os nomes dos alunos vem destacar as letras


iniciais e atividades variadas com fichas, crachás e alfabeto móvel;

Contato com farto e variado material escrito - revistas, jornais, cartazes,


livros, jogos, rótulos embalagens, textos do professor e dos alunos, músicas
poesias, parlendas, entre outros;

Observação do ato de leitura e escrita;

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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
Audição de leitura com e sem imagens - notícias, propagandas, histórias,
cartas, bilhetes, etc.;

Atividades escritas espontâneas;

Bingos, memórias de letras, baralhos de nomes, Jogos de cartas.

O professor tem uma missão muito importante que é passar a teoria,


exercitando a prática. E nas idéias apresentadas, surge à valorização da capacidade
do professor em transformar a teoria na riqueza confeccionada para prática da sala
de aula. A ela se deve o conhecimento interdisciplinar que exige do aluno o
raciocínio lógico, a memorização dos fatos nas instruções previamente selecionadas
para as atividades dos alunos.

O professor precisa ler sempre os enunciados, verificando o entendimento e


trabalhando as atividades. Durante as atividades desempenhadas, avalie a
capacidade do aluno naquele momento (avanços e dificuldades). Aproveite as
oportunidades para relacionar atividades com as experiências de vida do aluno e
seu universo imaginário dando-lhe oportunidades para revelar gostos e interesses
dos conhecimentos, pois assim a expressão das opiniões vem dar asas à
imaginação. Ninguém procura conhecer o novo sem conhecer-se a si mesmo. É
preciso saber sua realidade e seus limites.

Para manter uma relação favorável com o aluno é necessário abrir um


espaço em que ele se sinta à vontade e volte-se para a prática interdisciplinar
expressando seus diálogos, enriquecendo-se nos livros, descrevendo nos murais,
trabalhando com gravuras, fantoches, plantas, pequenos animais domésticos e
coleções diversas. Como não há como se distanciar desta realidade, todos os
profissionais da educação sentem a necessidade de refletir sobre suas ações
pedagógicas no que diz respeito a conhecer e reconhecer a importância do sujeito
da aprendizagem, a entender o que pode facilitar ou impedir que se aprenda,
auxiliando professores e todos aqueles envolvidos com a questão do aprender.

A ciência nova se destina a buscar as causas dos fracassos escolares e

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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
resgatar o prazer de aprender numa visão multidisciplinar, podendo orientar as
instituições escolares e seus professores e atender a pais e alunos na perspectiva
de transformar as relações com o aprendizado (psicopedagogo). A intervenção
psicopedagógica realizada pelo professor no processo de aprendizagem e
desenvolvimento cognitivo é feita com todos os alunos, até mesmo com os que
apresentam dificuldades (a esses o trabalho deve ser específico) por tratar-se de
uma prática de construção do conhecimento que, às vezes fica escondida na Zona
de Desenvolvimento Proximal (ZDP) da criança.

O grau de orientação e ajuda do professor dependerá da competência ou


dificuldades para realizar a tarefa de uma forma autônoma. Maior será a
necessidade de guiar, dirigir e apoiar o processo de aprendizagem que realiza,
procurando até mesmo metodologias de ensino mais estruturadas e direcionadas
aos alunos quanto mais as atividades de intervenção do educador tiverem como
ponto de partida as experiências do cotidiano, tendo como vista o seu universo
cultural.

Dessa forma, considerando os conhecimentos prévios do aluno, é possível


organizar situações de aprendizagens mais significativas. Quando se propicia um
ambiente favorável a intenção é descobrir que de acordo com a planilha orientada
para evolução nos níveis psicogenéticos e cognitivos visa-se também o seu
desenvolvimento integral e criativo.

A partir do que foi exposto estabelece-se um paralelo entre a forma de


produção de um conhecimento dentro da realidade vivenciada em sala de aula em
oposição à que procura produzir conhecimentos numa abordagem funcionalista.

DISCIPLINARIDADE

A luta pelo direito à escolarização é a luta pelo acesso ao conhecimento e


faz-se uma estratégia global da luta das classes e da construção de uma nova
sociedade. Mas não é suficiente nesta luta que se tenha uma renovação de

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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
conteúdos e métodos sem que se permita a apropriação do verdadeiro
conhecimento.

Coloca-se, pois, o problema de continuidade de transformação do saber


recebido e transmitido. O saber não pode ser simplesmente transmitido, com todas
as distorções ideológicas, que apresenta um saber fechado histórico e crítico. A
seleção desses conteúdos devem ser desveladoras e não mascarem a realidade,
revelando o seu caráter contraditório e transitório.

A verdade não deve ser apresentada como universal e atemporal dissociada


do problema de classe. A verdade de hoje é superada pela verdade de amanhã. A
verdade de hoje traz o conhecimento dos problemas apresentados que se colocam
numa educação que procura transformar-se em termos de apropriação, redefinida a
criação do ponto de vista da educação. Apossa-se desse saber e cria-se um novo
saber, que recupera a relatividade histórica do domínio das condições por meio de
uma sociedade educativa que vem criar o novo.

O ponto de partida vem trazendo um conceito real de experiências de vida e


observações de funções educativas para modificação de como e aonde foram
repassados. A ideologia global necessita de um sentido novo que venha destacar
uma qualidade das expressões que surgem com a formação humana global e que
se produz em uma integração básica destacada nas inclinações, das barreiras
encontradas na educação.

Compreendemos que a sociedade ensina e ao mesmo tempo se contradiz


quanto à postura educativa. Isso ocorre quando tal sociedade se reflete nos
problemas da escola que não são técnicos e pedagógicos para apoiar-se em
conteúdos e critérios de avaliação que relacionam um conceito afirmativo na
construção de identidade e personalidade integral. Avista-se um futuro
aparentemente sem saída e se evidencia a necessidade de buscar um caminho a
trilhar.

A educação hoje vive e respira a atmosfera do questionamento e jamais


deve esquecer que as dúvidas metódicas fazem parte da vida de cada educador e
educando. O questionamento muitas vezes afasta o fantasma que mostra as

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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
verdades feitas que apenas começam a ser assimiladas pelos espíritos superficiais
de uma consistência intelectual na qual se pressupõe a contínua busca do sentido
que sempre foge do olhar mediador de uma educação atribuída ao ensino.
Passando pelas transformações cotidianas, não é de hoje que se procuram
respostas sobre o futuro da educação. Analisa-se a burocracia pedagógica e nota-se
um aspecto de trabalho que implica uma ação direta e individualizada, ou seja, a
atuação centrada no aluno.

A esta perspectiva temos uma atuação que assenta a visão basicamente


corretiva na linha de atendimento aos problemas educacionais. A esta perspectiva
espera-se direcionamento e controle das interferências que outros agentes
educacionais, como a família, vem desenvolvendo no sentido de modificar o
contexto que se espera alcançar diante das possibilidades. As influências podem ser
reconhecidas diante das articulações geométricas dos currículos e programas, na
repetição de erros metodológicos que sempre recebem novas roupagens.

A colocação aqui é descrever o que inevitavelmente se afirma sobre as


competências educacionais em um linguajar espesso que se baseia na pobreza de
conteúdo e mesmo de expressões vistas como esclarecedoras (colocar onde e em
que termos?). Mas não é somente a teoria que as relações educacionais
disciplinares vêm mostrar em uma realidade social enfocada. A compreensão crítica
da relação disciplinar é preocupante. Sobre isso, um grupo de pesquisadores de
escolas, em colaboração com a UNESCO, buscou estruturar o Centro Internacional
de Pesquisas e Estudos Transdisciplinares em 1995.

De lá para cá prosseguiram os encontros de que daremos alguma notícia


para clarear o que nos desafia. A discussão coletiva dos pensamentos complexos é
um imperativo do avanço significativo que evidencia as demais questões específicas
da escola e procuram ampliar a relação escola e sociedade. A disciplinaridade supõe
uma clara definição dos contornos dos diversos saberes. Respira a tranquilidade e a
coragem de um saber com fronteiras definitivas, e em obediência a uma metodologia
com limites igualmente demarcados. É a física, a química, a matemática, o
português, a literatura, etc.

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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
A verdade se revela bem na medida em que o aprofundamento de uma
questão prevalece sobre outra área do saber e, com isso, se vê significativamente
iluminada. A complexidade emergente gera o fenecimento da hierarquia. Em
decorrência disso, surge a era em que não há autoridade investida, imposta por si
mesmo, mas terá de competir com a autoridade de quem sabe mais. E quem sabe
muito? A resposta é: ninguém.

Assim, é visto surgir um inédito capítulo da história humana, que implica na


fragilidade do centro decisório que definia e separava as áreas do saber. Não mais
se podem deter os conhecimentos amplos e variados que o processo decisório exige
para que surjam os autoconceitos nas estratégias globais da capacidade do
aprender. Dar voz ao mundo do aluno, porém, não significa calar-se. É do confronto
que a disciplinaridade vem professar mudanças para o entendimento da realidade
de vivenciar. Quando procuram adequar, buscam-se meios que ampliem as
experiências imediatas e profundas aos conhecimentos possuídos e encorajados na
realidade do saber.

O acúmulo da história da educação que preocupa quanto a sua


transparência atual leva às condições de construção de novos conhecimentos. E
estes buscam aprimorar os nossos enfoques acumulados que vêm ser transmitidos
pelos alunos, buscando uma transformação para o novo saber. Não que mude os
conteúdos, mas a maneira como vão ser repassados a partir do entendimento
disciplinar.

As compreensões da realidade, por sua vez, provocam novas necessidades


de compreender. As respostas dadas aos desafios suscitam novos desafios e,
portanto, novas respostas. Daí que o conhecimento não pode ser e nem é absoluto.
Conhece-se perfeitamente, e quanto mais se conhece, mais aumenta a necessidade
de conhecer melhor. Esta permanência do conhecimento vai tornando durável a
educação. Nenhuma educação autêntica pode estar presa a um tempo, um espaço,
um programa, por causa do ir e vir também permanente dos tempos, dos espaços,
dos programas, das coisas etc.

Compete a cada articulador a sua responsabilidade de entender as relações

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fundamentais de formas claras nas relações de transmissão e criação de
transformação do saber para o saber do aluno. Essa responsabilidade de mudança
aspira uma segurança e um estudo centrado no conteúdo repassado em sala de
aula. Poder-se-ia imaginar que a pluridiscipinaridade estaria à disposição, mas ela
não se afasta inteiramente da disciplinaridade, uma vez que se trata de um estudo
que envolve várias ciências a partir de uma única direção do processo. É um
enriquecimento do estudo, mas não uma abertura plena à sua compreensão. Já a
interdisciplinaridade vai mais longe. Ela concerne à transferência de métodos.
Exemplo: os métodos da física nuclear podem beneficiar o tratamento do câncer,
que, como duas ciências, ao se aproximarem, geram uma nova.

A educação para a libertação tem como fundamento a problematização.


Essa, por sua vez, tem seu instrumento na criticidade, levando os educandos a
aprofundarem seus conhecimentos na realidade em que estão inseridos. E na
medida em que se conhecem e se descobrem, mas capazes se tornam para darem
respostas transformadoras mediante seus fazeres transformadores. E quanto mais
respondem, tanto mais irão modificando, criando e recriando, transformando a
realidade conhecida numa nova realidade. A isso se adiciona o condimento da
complexidade e estarão ante um novo universo cognitivo à espera da luminosidade
do homem a lhe decifrar os enigmas.

Cabe ao homem contemporâneo acreditar que se impõe, gradativamente, o


itinerário fecundo do aprender, do fazer e do conviver. É por esta razão que a
emergência da indisciplinaridade precisa se ajustar aos mecanismos capazes de
fazer desembocar nos altiplanos da paz, da convivência e do respeito mútuo entre
homens, instituições e povos. Longe de tais pensadores estabelecerem
compartimentos estanques entre a pluridisciplinaridade, a interdisciplinaridade e a
transdisciplinaridade podem e devem conviver pacificamente e abrir espaços à
compreensão de sentido do real. Sem prejuízo da densidade criativa do ideal, do
ficcional, do imaginário que tanto opulentam o olhar perplexo do homem ante a
magnitude do desafio de simplesmente captar os sinais vitais de tudo o que o
envolve, sobre ele atua e lhe oferece um mundo para se conviver – vivendo.

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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
MULTIDISCIPLINARIDADE

A especificação do tema pretende desvendar, no universo da sala de aula, o


processo de uma prática pedagógica que introduz a construção do conhecimento
significativo no qual o lúdico favoreça a apreensão de novos conceitos. A
desenvoltura do contexto vem sintetizar uma dinâmica que possa atuar um processo
construtivo e informativo na educação. Entretanto, a orientação leva à formação do
espírito consciente, crítico, que toma as decisões rápidas e eficazes no convívio
social.

A multidisciplinaridade corresponde à estrutura tradicional de currículo nas


escolas, o qual se encontra fragmentado em várias disciplinas. De acordo com o
conceito de multidisciplinaridade recorre-se a informações de várias matérias para
estudar um determinado elemento, sem a preocupação de interligar as disciplinas
entre si. Assim, cada matéria contribuiu com informações próprias do seu campo de
conhecimento, sem considerar que existe uma integração entre elas. Essa forma de
relacionamento entre as disciplinas é considerada pouco eficaz para a transferência
de conhecimentos, já que impede uma relação entre os vários conhecimentos.

A qualidade do trabalho se dá pela experiência vivida e por isso, procurei


desenvolver ao longo de minha carreira como educadora a origem e formação do
que se pretende estudar e repassar. Portanto, comecei pela realidade interiorana do
sertão semiárido nordestino. Uma cidadezinha pequena, mas que traz consigo o
retrato de uma história de luta e determinação. A fé católica que conduz o contexto
da história de sua fundação povoa o cenário inspirador da religiosidade que,
envolvem seguimentos da cidade, desde comércio varejista, ambulantes, até as

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bandas com suas músicas regionais.

Quanta beleza se retrata diante de uma paisagem climática preocupante,


que vem mostrar um cartão-postal de seu povo. Porém, as atividades escolares
transcorrem normalmente e revendo a sua cultura procuramos seus principais fatos
históricos que trazem estudos entre disciplinas aparentemente distantes como a
Educação Física e Português, História e Matemática.

A multidisciplinaridade tornou-se muito importante quando começamos a


desenvolver na escola trabalho com projetos, nos quais conseguíamos integrar as
disciplinas. A multidisciplinaridade foi considerada importante para acabar com um
ensino extremamente especializado, concentrado em uma única disciplina. A origem
da multidisciplinaridade encontra-se na ideia de que o conhecimento pode ser
dividido em partes (disciplinas). Resultado da visão cartesiana e depois cientificista
na qual a disciplina é um tipo de saber específico e possui um objeto determinado e
reconhecido, bem como conhecimentos e saberes relativos a este objeto e métodos
próprios.

Ao apresentar as pesquisas que ora vinham sendo trabalhadas em sala de


aula, sugerimos que os alunos fizessem uma exposição oral a partir do que foi
explicado e levassem seus entendimentos para o pátio da escola. No pátio da escola
os alunos começavam a registrar suas ideias por meio de confecção de cartazes e
faixas, para uma grande caminhada pela comunidade de seu bairro. O resultado foi
acima do esperado. O trabalho ia ganhando corpo e formas que começaram a levar
o conhecimento até suas casas. Com o projeto “Cuidado com o Lixo” as famílias
começaram a se integrar na escola. Acompanhei cada passo. E a cada organização
ocupávamos a sala de aula com investimento do conhecimento diferenciado para
promover as diferenças.

Resgatamos a história do passado dessa comunidade, relacionando a


disciplina de história com a matemática, numa teoria e prática do estudo da história e
formação econômica (desenvolvimento dos trabalhos que sustentam a comunidade,
como a Agricultura, com participação e depoimentos dos pais).

A transformação sobre a trajetória realizada aproximou duas disciplinas que

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costumam caminhar separadamente – Matemática e História. Nos trabalhos
confeccionados em sala os alunos montaram um painel das profissões com sua
história e quanto se ganhava. Nessas comparações observávamos as roupas de
épocas, estilo de vida, alimentação, etc.

Quando conhecíamos a história e sua economia (fonte de renda), voltamos


para a questão da saúde pública, unindo Ciências com Geografia. Abordamos os
problemas de saúde pública desde o início do século. Em mapas e gráficos
observamos a distribuição e as formas de prevenção das epidemias como: sarampo,
hanseníase, doenças de chagas, etc.

O objetivo do projeto desenvolvido era mostrar o cenário da saúde pública


no passado e no presente. Para entender melhor os temas estudados, os alunos
fizeram uma pesquisa na comunidade e juntaram dados da Secretaria Municipal de
Saúde sobre as condições de higiene das crianças da mesma idade (zona rural e
zona urbana). A estatística sobre a incidência das doenças mais comuns nessa faixa
tornou-se gráficos informativos regionalizados, o que facilitava a informação dos
casos, conseqüências, cuidados e prevenção.

As aulas de Educação Física ganharam uma nova vida. O jornal do


estudante criado nas aulas de português deu oportunidade para despertar o gosto
pelos assuntos esportivos. Os alunos pesquisavam histórias do futebol, escreviam
textos relatando fatos ocorridos, de vitórias até a questão dos óbitos ocorridos nos
últimos meses. A eles era dada uma atenção maior porque os mesmos textos
produzidos pelos alunos voltavam para a sala de aula para serem estudados em
uma visão explicativa ( gramática / produção textual).

Quanto aos exercícios físicos aplicados, buscávamos retratar as


modalidades quanto aos conceitos e utilidades para fins específicos dentro do limite
de cada um, com conhecimento de cultura e ritmos musicais. A cada música
trabalhada valorizavam-se suas letras e as mesmas voltavam para sala de aula
como paródias, poemas, e frases. Sem fugir do contexto das aulas de Educação
Física, mas voltados para união dos saberes do fazer acontecer para crescer.

Como toda experiência narrada aconteceu no eixo semi-árido, buscamos

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parceria com a Secretaria Municipal de Agricultura para entendermos a evolução
teórica da agricultura e fracasso da prática, e os impactos ambientais (queimadas).
As informações foram chegando, trazidas pelo interesse despertado nos alunos, que
preocupados com a poluição e o meio Ambiente se voltavam sobre a teoria
estudada e o conhecimento da prática. Foi quando lançamos a campanha de
conservação e cuidados (casas, ruas e bairros).

Os alunos sentiam-se muito envolvidos e nas aulas de artes confeccionavam


maquetes que retratavam sua experiência e sua visão de futuro. Essa comparação
determinava a subdivisão de um domínio específico do conhecimento. Surgiu a
tentativa de estabelecer relações entre as disciplinas, o que daria origem à chamada
interdisciplinaridade.

A multidisciplinaridade difere-se da pluridisciplinaridade porque essa, apesar


de também considerar um sistema de disciplinas de um só nível, possui disciplinas
justapostas situadas geralmente ao mesmo nível hierárquico e agrupadas de modo a
fazer aparecer às relações existentes entre elas. A interdisciplinaridade, tão falada,
mas tão pouco praticada, não apenas leva à formação mais completa do estudante e
do cidadão, preparando-o para interagir com as informações esparsas e construir
seu conhecimento, como também permite uma compreensão mais profunda das
próprias questões especializadas.

Já se definiu inteligência como a capacidade de formular analogias; compete


à escola ser o ambiente que forme tais competências, criando projetos de estudo
multidisciplinares. Em todo este trabalho aplicado é possível entender que a
educação é uma mistura de conhecimentos trabalhados. Suas conquistas levam
imediatamente ao mundo prático da vida cotidiana não só porque daí se deriva e se
impulsiona, mas, sobretudo, porque para o imediato reflui com suas múltiplas
incidências nos processos de produção do conhecimento inovado.

Com as rápidas transformações nos meios e nos modos de produção,


resultado da revolução tecnológica e científica, está entrando em uma nova era da
humanidade. A natureza do trabalho e a relação econômica entre as pessoas e as
nações sofreram enormes transformações, mudando a natureza do que hoje se

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Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados aos seus respectivos autores
entende por profissão. Neste quadro a educação não apenas tem que se adaptar às
novas necessidades como, principalmente, tem que assumir um papel de ponta
nesse processo.

O mérito abordado traz a comprovação de um imenso desafio que, por sua


vez, se constitui em um trabalho no qual se permite um mundo fantástico articulado
no conhecimento que vem possibilitar a compreensão. É abrir oportunidades para
criar, fazer o aluno pensar, entender e viver o seu conhecimento na teoria e vivencia
prática.

INTERDISCIPLINARIDADE NA ESCOLA

Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem


ensino. Esses que fazeres se encontram um no
corpo do outro. Enquanto ensino contínuo
buscando, reprocurando. Ensino porque busco,
porque indaguei, porque indago e me indago.
Pesquiso para constatar, constatando intervenho
educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que
ainda não conheço e comunicar ou anunciar a
novidade.
(Paulo Freire)

A interdisciplinaridade é um conceito novo e tem como objetivo principal


manter um diálogo permanente entre os conhecimentos, que pode ser de
questionamentos, de ampliação, negociação, iluminação e de confirmação. Desta
maneira fica fácil constatar que algumas disciplinas se identificam e se aproximam,
outras se diferenciam e se distanciam como, por exemplo, pelo tipo de habilidades
que mobilizam naqueles que a investigam, conhece, ensina ou aprende.

A cidadania é um assunto bastante rico e uma necessidade dos nossos dias.


Num projeto pedagógico interdisciplinar, ela poderá ser enfocada por todas as
disciplinas sob vários pontos de vista. O importante é que os alunos aprendam a
olhar o mesmo objeto de estudo sob perspectivas diferentes. Nesse desafio a escola
e professor têm um eixo integrador que pode ser um objeto de conhecimento, um

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projeto de investigação que vai surgindo diante da necessidade da comunidade
escolar.

A interdisciplinaridade é um tesouro didático a espera do futuro. Para


desenvolver o tema é preciso conhecer a cápsula do tempo. Ela vem surgindo muito
lentamente e suas pesquisas vão dando as coordenadas do que se vai precisar.
Essa triagem do conhecimento histórico, a posição especial, vem refletindo sobre a
interdisciplinaridade como categoria indispensável para se repensar o processo da
educação na sociedade atual.

O nosso ensino tem se mostrado útil, mantendo ainda mais a dominação


que exemplifica o crepúsculo que descreve a análise do discurso das práticas
escolares.

Quando se dedicar à tarefa educação procure entender que esta abordagem


possibilita a percepção dos valores individuais (sentimentos próprios) dos outros
(seres humanos) grupos (ali valorizados).

Torna-se possível que o ser que está sendo educado entenda primeiramente
a importância de seus valores gerados; que representam o vínculo entre o individual
e o social, ao serem projetados na cultura mediante o fazer pessoal.

A compreensão deste processo, por sua vez, permite que a realidade “valor”
seja desvendada. Com isto, pode-se perceber que os valores podem expressar as
experiências da pessoa (suas vivências, as necessidades do contexto social e
cultural), como também na estrutura da personalidade. Para isso, precisa transitar
por todas as disciplinas, escolhendo temas que diferenciem e que, algumas vezes,
ampliam e questionem muitas vezes a qualidade e a habilidade de cada um.

O caminho da interdisciplinaridade é longo e amplo no contexto que revela


um quadro que precisa de atenção voltada para a redefinição e ampliação dos
conhecimentos educativos. A interdisciplinaridade perpassa os elementos do
conhecimento pressupondo a integração entre eles. Porém, é errado concluir que
ela apenas se resume a isso. Ela está marcada por um movimento ininterrupto,
criando ou recriando outros pontos para discussão. Já na integração, apesar do
valor, trabalha-se sempre com os mesmos pontos sem a possibilidade de que sejam

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reinventados. Quem trabalha na apreensão da atitude interdisciplinar garante uma
prática elevada de maturidade.

É preciso ter segurança, adquirir ao longo de sua experiência a vontade de


querer mudar, fazer do pensamento a sua realidade, e da realidade o seu caminho
para descobrir o novo e nele permanecer. Não se faz com mágica, mas com magia e
encantamento pelos projetos adaptados na conquista dos alunos.

A interdisciplinaridade mexe, arruma, exige e reconhece o envolvimento do


exercício, na forma de encarar e de pensar os acontecimentos, que são diversos.
Aprende-se com a interdisciplinaridade que um fato ou uma solução nunca está
isolado, mas é consequência da relação entre muitos e muitos outros.

A interdisciplinaridade é sinônimo de desafio. A sua função tem


interdependência entre educação e o mundo do trabalho, é clara a necessidade de
reconstrução de paradigmas e sabido que o modelo de escola que se conhece está
inserido na crença de que o conhecimento é algo pronto, acabado e perfeito.

Para muitos estudiosos, a interdisciplinaridade é um caminho rumo à busca


de soluções, pois ela convida os educadores, os psicólogos, enfim todos os
profissionais da educação a navegarem no oceano de elementos teóricos e práticos.
Levamos um século para construir a maneira pela qual concebemos a vida, a ciência
a educação e essas crenças são frutos da construção coletiva dos cérebros do
passado. Em função da alta tecnologia, essas crenças, essas verdades, foram e
serão constantemente revistas e muitas vezes superadas.

A interdisciplinaridade quebra todas as crenças e deixa claro que todas as


disciplinas podem desenvolver competências e habilidades. Certamente, a
interdisciplinaridade é uma proposta que permite o adeus ao ensino tradicional, a
educação conteudista. Abre a partir de agora os braços para uma educação que
permite a criação, a articulação de conhecimentos, sentimentos, ideias e ideais.

A essa temática propõe-se anunciar que os educadores estão sendo


desafiados a mudar e inovar. Inovar com o intuito de atender às expectativas da
atual sociedade. Mudanças para adquirir novas técnicas metodológicas capazes de
transformar o espaço – escola do aprendiz em algo dinâmico, significativo e

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participativo, aproximando a teoria da prática com uma postura interdisciplinar e
permitindo assim, a criação de destrezas para uma vida.

Hoje o educador vivencia muitas mudanças e a cada dia a exigência do


sistema educativo coloca à prova a capacidade de atuação do educador em suas
novas metodologias. Os recursos e meios disponíveis de tempo destinam-se à
educação. Mas, infelizmente, a realidade demonstra educadores com suas cargas-
horárias dobradas e isso vai dificultando a sua atualização. Não foi por acaso que a
Interdisciplinaridade surgiu, procurando frisar o seu maior objetivo que é unir as
ideias disciplinares, repassar os conteúdos para o aluno de forma que o professor
possa repensar seus conceitos e posturas educativas quanto educando.

A dificuldade encontrada nas salas de aulas na questão “interesse do aluno”


levou os educadores a introduzir um sabor a mais no seu contexto didático
metodológico, em benefício da aprendizagem. Mas ela não vem centrada somente
no aluno, muito mais que isso, ela procura resgatar do professor a capacidade de
ampliar suas habilidades pedagógicas de modo geral.

Trabalhar a interdisciplinaridade na sala de aula é encontrar, por exemplo,


uma sala indisciplinada e levar para eles a palavra educação, e transformá-la nos
conceitos da linguagem escrita, matemática, ciências, geografia, história e artes.
Quando a sala de aula está envolvida com as transformações educativas, surgidas a
partir das ideias do educando, o aluno sente e se envolve. A forma como a turma se
adapta aos projetos educativos leva o educando a trabalhar sua teoria, levando-o
para a prática, motivando-se em suas disciplinas.

O aluno se sente integrante e participativo. A interdisciplinaridade prepara a


socialização, melhora a autoestima do educando e do educador, exige o
pensamento lógico e a postura determinante no que se pretende realizar. Não é só
uma ideia, é a realidade que encontram hoje. Existem realidades escolares em que a
evasão acontece em massa e se o professor não se preparar para criar nesses
alunos o gosto pela escola, pela leitura, pelos livros, o que se poderá esperar da
educação? Pense no compromisso como educador, desde a origem da formação
profissional até a história da comunidade escolar na qual foi preparado, para moldar

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diante dos termos educativos a formação do aluno egresso para a sociedade que o
espera.

A interdisciplinaridade vem preparar o professor para adaptação no seu


cronograma, para a criação e execução de projetos, favorecendo subsídios
centrados nas necessidades do educando e em conformidade com os Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCN). Considera-se, pois, que esta prática possa
transformar o educador em um comunicador arrojado, inovador, com fundamentos
teóricos sólidos, capaz de unir teoria e prática com autonomia e autodeterminação.

TRANSDISCIPLINARIDADES

“Para isso existem as escolas: não para ensinar as


respostas, mas para ensinar as perguntas. As
respostas nos permitem andar sobre a terra firme.
Mas somente as perguntas nos permitem entrar
pelo mar desconhecido”.
Rubens Alves

A transdisciplinaridade é um modelo de organização do conhecimento que


procura entender-se às diferenças culturais formadas pela solidariedade e
integração à natureza humana. Em 1970, no “I seminário Internacional sobre pluri e
interdisciplinaridade”, realizado na Universidade de Nice, Jean Piaget disse que a
transdisciplinaridade tratava de uma etapa sucedida. Entendemos que o prefixo faz
a diferença: ‘além das’ disciplinas. Por se tratar de um conhecimento, a proposta do
rompimento entre o sujeito e o objeto vem diferir os níveis de percepção
correspondentes. A transdisciplinaridade vem propor uma alternância sobre a razão
sensível, a razão experiencial e razão prática. Entretanto, o paradigma da
transdisciplinaridade surge numa proporção do universo fechado da ciência em
trazer à tona conhecimentos e reconhecimentos produzidos dentro das velhas e
novas experiências. A transdisciplinaridade não procura construir um sistema
filosófico que combina princípios de diversos sistemas entre a ciência e tradição
prática radicalmente diferente das metodologias das ciências modernas, mas formar

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uma concepção que venha gerar uma civilização em escala planetária na
integridade do ser.

No final do século XX, a expressão “direitos humanos” assumiu o significado


exato de direitos do homem, de acordo com a formulação nas últimas décadas. Os
direitos humanos são a designação genérica dos direitos que dizem respeito
diretamente ao indivíduo em decorrência de sua condição humana e em
consonância com a lei natural. As fronteiras disciplinares começam por se cruzarem
permitindo uma ponte por meio da qual se estuda os fenômenos que se situam fora
e além das disciplinas que existem. A transdisciplinaridade não é uma prova de
domínio sobre várias outras disciplinas, mas a abertura de todas elas àquilo que as
atravessa e as ultrapassa para o conhecimento real.

Seguimos valores que precisam ser preservados e resgatados, estando eles


a procura de uma contribuição para um mundo melhor. Diante da valorização
humana o ser humano se doa pela solidariedade e o vínculo aos outros indivíduos.
O homem tem direitos à vida, à liberdade e à segurança pessoal. Mas o que
encontramos atualmente? As inúmeras obras sucessivas e mutações educacionais
dos últimos anos nos levam a pensar sobre tal questionamento.

A discussão sobre a nova concepção de educação, de educador e de


educando, delineados nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), inclui a
interdisciplinaridade, a contextualização, a transdisciplinaridade, os distúrbios de
aprendizagens. Os educadores de forma geral navegam sem bússola e estão sendo
confrontados com a realidade atual, automatizados, sendo diagnosticados como
defasados, pois temem dar passos além da dúvida. A discussão do ponto de vista
conceitual, como, por exemplo, a da sua relação com a concepção de
interdisciplinaridade, está bastante difundida no campo discursivo. Deve-se analisar
como estão sendo destinados momentos da escolaridade de possibilidades
delineadas pela forma de pensamentos no que se dispõe de um desenvolvimento
construtivo.

O conhecimento é o resultado de um complexo e intricado processo de


modificação da reorganização e construção utilizado pelos que assimilam e

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interpretam os conteúdos escolares (alunos). No conhecimento da Carta da
transdisciplinaridade, produzida pela UNESCO com fundamento do CIRET, em
1994, temos uma definição do conceito transdisciplinar:

Artigo 1: "qualquer tentativa de reduzir o ser humano a uma mera


definição e de dissolvê-lo nas estruturas formais, sejam elas quais forem, é
incompatível com a visão transdisciplinar";

Artigo 2: "(...) qualquer tentativa de reduzir a realidade de um único nível


regido por uma única lógica não se situa no campo da transdisciplinaridade";

Artigo 3: "(...) a transdisciplinaridade não procura o domínio sobre várias


outras disciplinas, mas a abertura de todas elas àquilo que as atravessa e as
ultrapassa (...)";

Artigo 4: "(...) ela pressupõe uma racionalidade aberta por um novo olhar
sobre a relativa definição das noções de definição e objetividade (...)";

Artigo 5: "(...) a visão disciplinar é deliberadamente aberta, na medida


em que ela ultrapassa o domínio das ciências exatas (...)"

Artigo 7: “A transdisciplinaridade não constitui nem uma nova religião,


nem uma nova filosofia, nem uma nova metafísica, nem uma ciência das
ciências”.

O que se pode observar é que tanto na educação quanto no mundo do


trabalho a transdiciplinaridade pode ajudar educadores e líderes a reverem suas
posições sobre os seres humanos. Na escola busca-se uma profunda mudança nas
relações sociais e políticas lá experimentadas. Essa estrutura que divide o tempo em
aulas de 50 minutos e que utiliza os professores horistas está caduca. A escola
precisa aprender a movimentar-se em outros espaços, não fazendo da sala aula o
único caminho do conhecimento.

A aprendizagem significativa implica sempre alguma ousadia: diante do


problema posto o aluno precisa elaborar hipóteses e experimentá-los. Fatores e
processos afetivos motivacionais e relacionais são importantes nesse momento. Os

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conhecimentos gerados na história pessoal e educativa têm um papel determinante
na expectativa que o aluno tem da escola, a motivação do professor em seu
autoconceito e em sua autoestima. Nesse processo de interação com o objeto a ser
conhecido, o sujeito constrói representações que funcionam como verdadeiras
explicações e se orientam por uma lógica interna que por mais que possa parecer
incoerente aos olhos de outros, faz sentido para o sujeito.

O entendimento da transdisciplinariade no âmbito acadêmico, já no século


XX, tem o intuito de unir o mundo "não universitário" ao universitário, cuja separação
se dá primordialmente pela hiperespecialização profissional. Com grande número de
disciplinas que não acompanham todo o desenvolvimento, principalmente na área
tecnológica, tem-se um aprofundamento na utilização deste conceito, visando formar
profissionais cada vez mais completos, compatíveis com as exigências do mercado
de trabalho que encontrarão.

A transdisciplinaridade resgata um conceito que em muitas realidades


parece ter caído no esquecimento humano. Ao longo da experiência, o estudo dos
casos foi me convencendo de que a aprendizagem significativa provoca uma
modificação no comportamento do indivíduo, na orientação da ação futura que
escolherá, na sua atitude e na sua personalidade. Na formação da história da
educação a presença avassaladora e impertinente do positivismo no geral, chegou a
fazer uma divisão e classificação da ciência que só serviu para elitizar a escola.

Com isso, tornaram-se elite também aqueles que a procuravam e a


vivenciavam. Hierarquizou-se a sociedade. Mas não se trata apenas de uma visão
passageira do contexto em si. O que leva a entender a transdisciplinaridade
educativa é adentrar às suas teorias, que vêm centradas ao conhecimento,
conduzindo às alterações, visto que ela é muito mais que uma teoria. Nela retrata-se
uma postura aplicativa do ser de dentro para fora, na adaptação do contexto
disciplinar e desenvolvimento sociocultural próprio do ser humano. O complexo tem-
se mostrado na transdisciplinaridade, que por ser tão sutil, sobrepõe-se como uma
linha tênue que une e serve de limite entre o comprometimento e o individualismo de
cada disciplina. Não há uma definição exata, e ao mesmo tempo é um dos mais

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necessários conceitos quando se trata de formação e educação. Quando se trabalha
a educação volta-se para a disciplina do desenvolvimento escrito e falado, assim
como para a postura do ser na integração da sociedade.

O ser humano vive dentro de uma contribuição de conceitos de uma nova


construção de conhecimentos, e nessas misturas de saberes surge a importância
dos métodos transferidos diante das várias disciplinas que ora se apresentam em
sala de aula. A transdisciplinaridade faz parte da construção do conhecimento
cognitivo íntimo do ser humano. Quando se trabalham em uma disciplina contextos
que se misturam às outras, mostra-se para os alunos que o ser humano é composto
por grupos que se unem conforme objetivos diversos. E essas metodologias buscam
despertar dentro do conhecimento repassado a solidariedade e valorização do ser
humano diante do que vai se desenvolvendo.

Busca-se dentro da realidade mostrar nas ações diárias das escolas a


contribuição proveniente da capacidade que cada ser humano tem em participar da
integração dos seus valores reais diante da sua postura e da vivencia no meio em
que está inserido.

----------------FIM DO MÓDULO I----------------

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