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FACULDADE SÃO BASÍLIO MAGNO


BACHARELADO EM FILOSOFIA
DISCIPLINA DE FILOSOFIA DA RELIGIÃO I
PROFESSOR DR. ROGÉRIO MIRANDA DE ALMEIDA
MARCO ANTÔNIO PENSAK

TRABALHO DISCENTE EFETIVO

Em que consiste o fenômeno da secularização a partir da concepção de Dietrich


Bonhöeffer?

Primeiramente, faz-se necessário entendermos qual é o sentido da palavra


“secularização”. Esta palavra, que procede do termo latino saeculum, significa, antes de tudo,
raça, mas, com o tempo, passou a significar a duração de uma raça ou de uma geração. Mais
tarde, este termo passou a significar um tempo indefinido e, depois, o período de 100 anos.
Contudo, no mundo cristão, o saeculum não se refere somente ao tempo, mas também ao
mundo, isto é, aos que estão no mundo e não fazem parte da sociedade religiosa/clerical.
No início da Modernidade, por volta do século XIV, a Igreja Católica estava
começando a perder, gradativamente, a sua hegemonia. Isso se iniciou, mais especificamente,
com a derrota do Papa Bonifácio VIII para Felipe IV, o Belo, rei da França, nas portas de
Roma. Os Estados europeus começaram a ser configurados e reurbanizados, pressupondo,
portanto, uma nova atitude, um novo agir humano, o nascimento de novas profissões liberais
e, evidentemente, a valorização da retórica. Isto significa dizer que um universo simbólico
começa, pouco a pouco, a ceder espaço para outras simbolizações: a liberdade, a emancipação
da Igreja e a autonomia da razão. Portanto, a perda gradual dos símbolos religiosos que
sustentavam a Igreja e, consequentemente, a vida religiosa naquilo que ela tinha de
fundamentação religiosa, cristã, simbólica para a sociedade civil e a tudo o que vimos
anteriormente, podemos chamar de secularização. Em outras palavras, podemos dizer que a
secularização é a perda do sentido do sagrado da Igreja na sociedade moderna.
Este processo de secularização, portanto, para Dietrich Bonhöeffer, é considerado
como um fenômeno tipicamente europeu que conduziu à expulsão de Deus do mundo. Ele faz
uma análise, essencialmente teológica, afirmando que Deus está cada vez mais perdendo
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espaço neste mundo para a técnica. Porém, Bonhöeffer, assevera que o indivíduo religioso
deve, justamente, procurar a Deus mesmo em meio a técnica. Em outros termos, para
Bonhöeffer, Deus sempre deve ser oculto e o indivíduo deve procurar descobrir a apreensão
do divino mesmo neste mundo marcado pela tecnologia, pela transformação, pela
racionalização e, consequentemente, pela perda de toda a carga simbólica da revelação.