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Expansão Marítima

Durante o período de apogeu do feudalismo – entre os séculos XI e XIII – o


comércio e as cidades se desenvolveram (renascimento comercial e urbano),
por conseguinte fruto desse processo surgiu nas cidades medievais (os burgos
e/ou comunas) uma nova classe social: a burguesia. Essa nova classe social,
atuava principalmente nas atividades comerciais e era responsável pelo
abastecimento de produtos de luxo consumidos pelos senhores feudais.
Acontece que esses produtos de luxo vinham principalmente do Oriente e
custavam muito caro, visto que o transporte era muito alto já que os produtos
vinham principalmente de regiões distantes como a China, Índia e Oriente
Médio. Quando ocorre a queda do Império Bizantino em 1453, o Império Turco-
Otomano estabelece taxas maiores das caravanas árabes que vinham do
Oriente mais distante, de maneira que os preços dos produtos de luxo crescem
mais ainda.

No período de crise do século XIV os senhores feudais – vendo seus


rendimentos caírem – tentaram aumentar seus rendimentos a partir da
exploração dos servos (a chamada reação feudal), acontece que reagindo a
isso uma parte significativa dos servos fugiram para as cidades, onde os
camponeses que morassem no mínimo 10 anos no local tornavam-se livres (“o
ar das cidades liberta!”). Assim, os senhores feudais foram obrigados a ceder a
determinados reivindicações dos camponeses, principalmente ao de
pagamento de uma taxa (paga em espécie ou em dinheiro) em troca de prestar
serviços. De maneira que, a servidão começou a dar espaço ao arrendamento
(aluguel da terra).

Sendo assim, as principais causas da expansão marítima são: em primeiro


lugar, a busca de novos mercados, tanto a compra de produtos de luxo e
demais matérias-primas, quanto a venda de produtos manufatureiros
produzidos nas cidades europeias; em segundo lugar, a procura por metais
preciosos, visto que a sociedade europeia – com o advento do capitalismo –
progressivamente se monetarizava; e por último, um certo “espírito” de
cruzadas e de expansão do cristianismo ao desconhecido;

Em suma, as grandes navegações representaram o surgimento do capitalismo


e o advento da burguesia. Uma nova sociedade estava surgindo, sobre os
escombros da sociedade feudal surgia a sociedade burguesa. Nesse sentido é
que clímax das grandes navegações é marcado pela cultura do Renascimento
e Humanismo nas grandes cidades e, depois, as Reformas atuando contra o
principal pilar da ideologia medieval: a Igreja Católica.

Os países ibéricos foram pioneiros nesse processo, principalmente Portugal


(hegemonia ibérica). Mas por quê? Em primeiro lugar, pela posição da
geográfica, já que a Península Ibérica é a região mais próxima do Atlântico na
Europa; em segundo lugar, pelo processo de centralização (ocorrido em
Portugal com a Revolução de Avis em 1385 e na Espanha durante o século
XV, terminando com a unificação da Espanha em 1492) e aproximação dos
estados com a burguesia comercial; e em terceiro lugar, a relação que os
povos possuíam com o mar (Portugal vivia da pesca e Aragão possuía uma
atividade mercantil intensa no Mediterrâneo).

O objetivo principal de Portugal era conquistar o caminho para a Índia, de modo


que pudesse comprar os produtos de luxo mais baratos e revender na Europa.
Para isso, realizou o famoso périplo africano, ou seja, contornou toda o litoral
atlântico e indico da África. Grandes navegadores ficaram famosos nesse
período: em um primeiro momento, Don Henrique iniciou as navegações pela
parte atlântica da África, a partir da conquista de Ceuta em 1415; em um
segundo momento, Bartolomeu Dias, em 1488, conseguiu ultrapassar o
extremo sul da África, conhecido antes como Cabo das Tormentas, tornou-se
Cabo da Boa Esperança; e em um terceiro momento, Vasco da Gama em 1498
chegou as Índias.

Em 1500, com o intuito de estabelecer feitorias no Oriente, Pedro Álvares


Cabral “descobriu” o Brasil. Não se sabe direito se o primeiro nome do país foi
Terra/Ilha da Vera Cruz ou Terra da Santa Cruz, de qualquer modo vigorou o
nome Brasil (vindo do pau brasil), que por sua vez vinha da mitologia celta que
dizia que existia uma região mais para o ocidente da Europa chamada Brasil
(em celta, “terra afortunada”).

O objetivo principal da Espanha foi a conquista de metais preciosos,


principalmente o ouro e a prata. Em 1492, o genovês Cristovão Colombo
descobria a América, chegando na região do Caribe. Colombo tinha o intuito de
chegar até a Índia seguindo pelo Oeste e não realizando a volta pela África,
como faziam os demais mercadores. Nesse sentido, acabou descobrindo um
novo continente, atingindo a região do Caribe e norte da América do Sul.
Contudo, quem descobriria a parte continental da América, seria o navegador
veneziano Américo Véspucio que daria nome ao novo continente: a América.

Em 1494, sob atuação papal, Portugal e Espanha assinam o Tratado de


Tordesilhas que dividia o mundo entre ambos os países. Uma linha a 370
léguas de Cabo Verde dividia o mundo: oeste para Espanha e leste para
Portugal.