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OÃÇACUDEiP.MIRQTESACETOILBIB

^1200

sPetrópoli

SVOZE

AEDITOR^

oEducaçãmespós-críticasPesquisa

?currículomurqueequI

aCorazzaSandr

,ós-currículo"

sastodaeda

squaisabso,

,sinando

aoand

murlançae

aaracteriz

mued

edapesquis

o"Aquil:éet

oprecisé,aber

odoã

odsCN

oGovernod

oRiodrla

aebr

adiscursivead

orojet

"til-cidadão

spelooad

sNacionaisre

equ,mental

edoositiv

LaeNinoEl

lFederaeidad

.l

schamada

lta,ça"

smorfismo

amedicin

,penalanci

snologia

sescolasna

aesobres

ar

snovosmais

meoduaçã

eded

odtis,

ença

atemáticare

satividadesa

.currículoo

edse

,textos

viver,devontadeproporcionameque

escrever.lutar,

amado,Hugo,Ao

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885.326.2587-NISB

aCunh.MoOtavianliterária:org.eração

.Editoraadaescrit

aarquivaduo)gravaçãoeafotocópioincluind

opermissãmsesdadoedobancuoasistemre

adestepartaNenhum.reservadossdireitos

rpoatransmitiduoareproduzidrseáoder

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lBrasi

812,pós-currículomurpooManifest.6

314bibliográficas,Referências

79,hibridismo

22,currículooesobrrpodeedsOlho.2

65,infantilodosubjetivaçãedomodocomoCurrícul.3

77,nacionalocurrículodlmoraeGovernamentalidad.4

od)risco(s)o(s:alternativos-oficiaissCurrículo.5

9,currículo?murqueequO.1

oSumári

-geneapel,VozesadlculturarEdito,Perettioi

edestocomposiçãanuresultoequ,"desafio"o

.interlocuçãoedepluralidad

edsparceriasváriaspela,SilvaaduTadezma

.currículoedsestudoso:esta,quaissaedentr

oapoiopel,CNPqeSFAPERG,OPESQ/UFRGS

.pesquisaào

-NaoAssociaçãad,CurrículoTGodscolegas

apel,EducaçãomeaPesquiseoPós-Graduaçã

ço

9

-currícumua""linguajeiraocondiçãaessratribuioA

-arbiéediscursividadasuedanaturezaequsdizemo,lo

-cons,currículood""metafóricaaumedodomínioN -pós-eseaestruturalistmlinguageadsteoriaspelaatituíd ""éocurrículmuequoequrpensaspodemo,liuturalista

aumocomocurrículmurconcebeoA.linguagemaum0

,significados,significantessidentificamoenel,linguagem

-discursisposiçõe,língua,falas,conceitos,imagens,sons

-in,ironias,metonímias,metáforas,representações,vas

,fluxos,venções

.construcionistaeeminentementrCiirííte

muedsdotamooocommAssi.cortes

mUcurrículo?umquerqueO:esteéolivredotítuleQu

aestarrespondeedsAnte?coisaaalgum""querocurrícul

,contasedlafina,queO-:perguntaroprecisé,questão

malguáSer?coisaaalgumrquereapar,currículomu"é"

-consad,conhecimentoodosujeit,pessoa,indivíduo,eu

áEstar?inconscienteod,ciênciaad,direitood,ciência

-antropospredicadoedocurrículmuodotandotítuleest

sostodoedrhumanizado,modernoomodoa,mórficos

m"eroperaoescolhidolivreestáTer?universoodssere

-espéaummcooanimando-,currículomumco"espelho

-habitaé,distomalé,que,humanaeindividualidadedeci

?quereres,vontades,anseios,apetitesrpoad

É

1

?currículomurqueequO

11

.enredadoáestlquaan,lugareaépocasu

,alhuresmuaasuspensesempráestspalavrameapress

-signifiedaincompletacadeiaum,invariavelmente,éequ

aprópriasueremet,adia,suspendeequaCadei.cantes

-interminavelmassie,enunciadoooutrmuaosignificaçã

-linanadesej,falanterseocom,currículomueS.mente

,-mlinguageadoefeitmuodesejuseosend-mguage

,faltaacoisaalgumeS.coisaaalgumefaltelheporquéoãn

equapalavraúltimaumé,currículomuedmlinguagean

lquaaapar,plenaosignificaçãaumamesmismeatrag

.necessárioaserismaiardizemnenhu

-funciooaparosilogismmurpropo,agora,Podemos

:falanterseocomosignificad,currículomuedonament

equoesabonãocurrículmu,falaocurrículmueond,lá

mueond,Lá.querocurrículmu,falaocurrículmueS.diz

edmlinguageA.querequoesabonãeel,querocurrícul

-algurimputaaparedispõeelequedotudéocurrículmu

mu,querequozdioquand,Mas.outrossaoevontadam

.outrossdessesexpectativasamcooconfunde-ocurrícul

éocurrículmurqueequo,outroesempr,modoeDest

-tam,outrossseuso,elese,falaçõesssuaedoefeitsapena

-"GranoesomentéePorqu.dizemequomsabeonãméb

epodmque,linguagemadotesourodrluga,Outro"ed

.dizequoocurrículmuarensina

rsenhoeoamanuncéonãocurrículmu,assimoSend

,linguagemaprópriadoCativ.fazequodmne,dizequod

-"prormaiouseoocomavê-ledzincapaéocurrículmu

-linguaaoutilizandáestequapens,falaoQuand.blema"

zdiesempreutiliza^Eloequmlinguageaésma,gem

aoutresemprzdi,tempoomesmoa,erqueequodsmai

,próprioisedmaléolevadéocurrículmu,falaroAccoisa

edmlinguageaneencontra-szdiequodosentidospoi

lo-oterceireestmne,todamlinguageaesteexistonãequ

sseus/suasomne,currículomuedafalamneéonãequcus,

.interlocutores/as

-exocurrículmuequodaquilosignificaçãa,issorPo

asistemmued:sejauo,"toda"mlinguageadosm

-fion,seraimaginocurrículmuequ,linguagem

éaproblemO.linguajeirossesforçosseuedot

-linguaedesaber-poder-verdadodispositivmuo

ocurrículmuequrimaginaoabsurdmnenhuéo

-falanr"seedeespéciaumocomopensadeovist

lplausíveetorna-smTambé.partemeoficçãéóso

,currículomuequ,freudo-lacanianosstermome

spodemoequoistrpoE.querolog,falaeqursem

vuoi?Che-:desejoodapsicanalíticaperguntae

.querequordizesnoivaocurrículmu,resposta

rqueequO?dizendoáestequO-:retrucaremos

?querêvocequO?dizendoáestequoistm

,Culturaadomundopeladerramequ,ala-ação

rqualqueocom,currículomu,Escolaadeaogi

-funcioopeloregidocomoconcebidrseepod,te

-Psicaapeloformuladéocomlta,linguagemad

-sigasuesempraesperaenunciequoaquil,ntão

,maisaoenunciadmued,lugarooutrmalgued

-construíesocialmenteahistóricrserpo,iccional

-mastantasdaaumsapenaefornecodiscursuse

e,mundoorinterpretaed,mundoorformulae

mtêasemânticeesintaxasueQu.sentidoseir-lh

osendocomaenunciequodaquilaconstitutivoçã

-inclusie,"pedagogia","professor/a","aluno/a"

autilizocurrículmuequspalavrasaeQu.culo"

""sujeitos,"realidade","fatos","coisas"sarmea

-significaeduo,significaçãoedasistemuseedsuto

ocom,currículomueQu^sistemassoutromcoadisput

-não-discursieadiscursiv,socialapráticaumé,m

,normas,saberes,instituiçõesmeacorporifices

,relações,programas,regulamentos,moraisse

&.sujeitorseedsmodo

31

.pesquisaequenaquela/avoltedebat,bumeranguemuot

-currícumuedsconhecidosditosdoopartidotend,Então

aparotrabalhand,metáforaaaremanejaperguntaest,lo

aconsideravapesquisador/ao/equo""estranhortorna

oefeitoCom.currículomuedmlinguagean""familiar

edocondiçãapelocriad,metafóricooinvestimentedest

-compelié)pesquisaedogrupou(oaum/acad,pesquisa

mumco)nóss(queremooquerueequO-:indagaraado/

rfaze)(podemosopossequO?falanterseocom,currículo

-deequ,metáfora"aboa"epersegue-s,Assim?istomco

-constisdizereesfazere,quereressnossoranalisaamand

.currículomuedofuncionamentodstuidore

-pesaum/rpensameaimpliconãequ,Funcionamento

-intencionaliasupremaumedadotado/ocomaquisador/

-qualedefinalidadeefontrseed,emancipatóriaedad

eeconscienteagentuo,transcendentalosignificadrque

smai,Mas.revolucionárialsociaapráticaalgumedelivr

equoeocurrículmuranalisarpodeme,humildemente

-etica,educadoras/esoenquant,elemcooquerendsvimo

-conseeofuncionament,criaçãoapelsresponsáveiement

.linguagemasuedsquência

-consesaequaevitonã,claro,queeResponsabilidad

eque,abertasesemprmresteocurrículmuedsquência

equspretendíamoequodsmaiesempradigocurrículmu

-tíonãequoecri,fazeradeveriequodsmaiafaç,dissesse

oaquilotudmtambéacompreendeQu.previstosnhamo

-in-signi,sem-sentido,não-sujeitoéaaind,nósapar,que

-in-de,im-previsto,in-descritível,ini-maginável,ficante

.in-dizível,in-narrável,im-penetrável,terminado

-linguaaumrserpo,inefávelrcaráteuseedessmAlé

-coletisprática,ideiaszprodumtambéocurrículmu,gem

-feiquer

?,queO-apergunta,metaforicidadeaNess

-interrogaa,currículo"m"usvárioaafaládapesquisador/

adous-ometafóricroperadomuetorna-sodesejodoçã

.ricocheteedsefeitomco,-""métodoocomametáfor

sna,pode-se,linguagemauméocurrículmueu

arformula,escolareaacadémicapesquiseds

aparscondiçõercria,fazê-laoa,Equer

,Currículo"o"esobronãetrabalhapesquisador/

aumademandariequ,currículosedoconjuntm

,currículo"m"uotermorenfatiza,Mas.unívoca

-enconosãequsrespostasdaediversidadarfica

acad,pesquisaedotipenest,Se.investigaçõess

?queO-:

.criadaanaturezasu

aprópriasuedogerativoaspectoérdescobri

-comprea,mesmoisapar,obscurece,Assim.m

oalgasignificesemprocurrículmu,agiroambé

.significaequodediferentoalgzfaezfaequode

saeentreexistentorelaçãanodadé"diferenteo

ssignosoeocurrículmuedsfazeresnosgnificada

-especifirseepodósorelaçãlTa.significá-lasaar

ifoequmeolinguísticomododoidentificaçãa

soanomeisquaisomco,signosedasistemood

-linasuedoinscriçãedesuperfíciampovoaequ

mne,podeonãocurrículmuequ,daíaDeriv

"pé

rquerer-dizeodeequivocidadaéeexistequO.te

-consssignificaçõessuarpoafornecid,urrículo

.diferidasent

rfalaapar,usaocurrículmuequslinguísticasrma

rPo.realidadeansespecíficosreferentemtêoã

edomod""seuoesomentequéesabonãeeleu

-episocamp""seuoasancioneapossibilitequé

-enunciaedsestratégiaesatividade""suaseoc

mlinguageasueqursaberquemneeelequeec

-tamsma,coisassdaomundo""representasna

-modalidaae,coisassprópriasa,mundoeestaic

onãocurrículmuequO.coisassaeentrselaçõe

o"aeesteporqu,letra"adépo"aotomad

51

-sujeiede"vontadaess,inconscienteodmordeadesempr

lTa."inconsciente"anadmeéonãocurrículmued"to

-funcionamenopróprionepositiva-seedefine-sevontad

""Quer.querequosujeitoarealizequ,linguagemasuedot

eocurrículedaquelosujeit:factívelrsemuoCom?como

.currículoeàquelosujeit

-corresequ,perenesssujeitoáhonãequéaproblemO

-linguaasueporqu,currículomuedspalavrasàmponda

omesmosujeitoaisolequmlinguageaUm.opacaémge

-pensa,discursouseedouniversododentr,criaerqueequ

esabonãocurrículmuequéaproblemO.açãoeoment

oatmuéodiscursivocampuseedoconstituiçãaequanunc

edoespecíficodomínimuedocriaçãoenquant,"poético"

-ocorrênadeterminadaumedofinitoDomíni.objetivação

-mossancionadoesprotocoladoosãlquaon,ficcionalaci

-relaedesconteúdoed,representaçãoedsespecíficosdo

.formuladosmneesexcluídoosãsoutrooenquant,ções

-necurrículo?umquerqueOapesquismque,issorPo

adaconstruíd""coisidadeàeeopacidadàrindagaacessit

muées,sujeitomurqueeS-:currículomuedmlinguage

,cartesianoO?esteéosujeitequ,queridoéequosujeit

-rood,modernismoodosujeitO?husserliano,kantiano

-máaUm?pós-modernismood,psicanálisead,mantismo

-poder-saedsrelaçõesdaadiscursiveredanacalizad

.falanteocomiconstituelhequoéequ,ber-subjetividade

m"usmuitomcoapesquisedotrabalhootodme,Mas

sdaeiterabilidadaumrencontralpossíveé,currículo"

,assim,Ousa-se.forneceocurrículacadequsresposta

.desconstruídarseaparadadéequ,geralarespostaum

-cosocurrículmu,perguntadooquand,Invariavelmente

apermitelhequ,sujeito"m"urqueequrrespondeatum

eelasej,currículorqualque,istorPo.neleereconhecer-s

apar,ditorseepod-"sujeitoede"vontadmte,forlqua

.Nietzscherlembra

éequ,Psicanáliseadodesejodocontrárioa,queóS

-minterrogaelhoquand,linguagemedrsemuo

-lo,particulararespostasuaádocurrículmu,-

.currículomuedslinguajeira

smaionã,intimidademse,Hoje.linguagemad

rsemU.autêntico,verdadeiro,fundamentalme

-reaexperimenteQu.profundidademseeaênci

edspedaçoedrredooasconstruída,acionadas

,coisarqualquerse)(pode?epodeQu.umacad

,vaieondaparsmaiesabonãeQu.momentorque

-saoquerend,frentemeacontinu,assimomesm

samproduzeequ,políticaseshistóricasondiçõe

emsofre,vivem,existemequssujeito,dividuais

rpooatravessadzproduesequomundmnu,se

-econômisaedesdovãequ,relaçõesedsredesa

mfioA.transferenciaisesamorosastramasaéats

ssomo,linguagemedrseocom,currículomu,o

-lo,género,raça,geraçãoocomslinguajamoequ

oorientaçã,outridade'ecologia,,religião,ucional

-posequO.desejoedsfluxo,geopolíticooerritóri

me,inconsciênciaedmtambée,consciênciaed

e,legadasmforasnoequosujeitedsposiçõesà

.pamos

esdizemoequoéocurrícul

éequepresento,veioequopassadonossE.nele

-mudasqueremoequofuturoe,limiteeaoblem

mU.espaçoeetemporalidadanossedoompressã

-exprie,outrossnossosostodoaeremetequ,o"

-currícumU.linguagemad""Outrooaosujeiçãa

spolimorfoesmultifacéticosseresdoeecariedad

,contemporâneamlinguageaprópriaNoss.os

-faequ,"não-eus"ede""eusedapletoraumititu

.currículomumessilenciadoo

eoefeit,nósocom,falantersemu:currículomué

,elemco.fazemos

71

o"dapesquisasmaizfaonã,Educaçãoadoterritórion

,requeriaequaPesquis.globalosentidon,Currículo"

sunificadoraestotalizantesexplicaçõe,resultadosocom

sExplicaçõe.Currículoodoverdadeiroeeverdadaesobr

-costuequ,Currículood"Práticaa"uo"Teoriaa"esobr

-pretensiosasMeno.partilharqualquemserreinammava

-vicissitusaaanalisapós-crítico/apesquisador/ao/,mente

mlinguageadsacidentesoeosujeitmurpoodesejodsde

equ,específico"currículom"uedaquel:currículoacaded

-tam,tempoomesmoa,sendo-rinvestigaaparuescolhe

-consubstanesequsEscolha.elarpo""escolhido/améb

edmlinguageaoutrme,trabalhoedaéticaoutrmemcia

-próasued"verdadea"mcosrelaçõesoutramee,crítica

.pesquisaapri

aotantarejeitocurrículmuedapós-críticapesquisA

everdadadstotalizadoraeempiricidadaoquantalógic

edest"verdadeedafalta"ézdiaelequO.Currículo"o"d

,pós-críticassteoriasamcoatrabalh,nósocom,Quem

eVerdad

?ditosmnesto

-GéneO,ClasseA,NaçãoA,HumanidadeA,Deusocom

ocapitalísticoliberalismodosujeitmU?LinguagemA,ro

rbiopodeodspositivosmaisefeitosdomU?burguesiaad

stodaedohumanismodoinvençãaUm?biopolíticaade

aum,individualidadeaUm?humanasessociaisciênciasa

-normaadrdisciplinaodispositivopelscriada,totalidade

stecnologiasdaoderivadoindivídumU?modernaolizaçã

-derrisóosujeitmU?neoliberaissEstadosdoogoverned

-eseconseguonãequ,loucomU?maltratado,abjecto,rio

-diseincessantasuedmnee,MalignooEspíritodrcapa

-arranmu,tornar-semu,devirmU?sujeitoocomorupçã

?desejoodomaquíniceoenunciaçãedocoletivojament

-curmuedodiscursodomodoequ,sujeito"eda"nadmU

-visrsempodeonãequsseresdoolimboaacondenorícul

-indisoeinterpelequosujeitmu""querocurrícul

,AbsolutooSujeitmuassujeitá-loapar,oncretos

?desconheceequsforçarpoompulsionad

apromovequ,autónomorsemu""querocurrícul

rpoaAnsei?fraternoseslivre,iguaisedeciedad

-inteaalmaumedoDotad?responsávellmoraent

-inconspaixõerpoahabitad,misteriosaeafund

otã,próximooaramoopelomovidosujeitmU?

-prioeQu?próprioisrpomteequramoooquant

mU?racionalidadeadsinvéoa,moralontiment

-emorpooconstituíd,essencialuemuipossueu

?ensas

-afâme,clivado,divididorsemu""querocurrícul

-coraedoilusãapelarespondequ,eumU?pétua

?pulsionaladinâmicadojogonamantid,pessoal

-submeanecessitequ,siaparodesconhecidoeit

?autoconhecimentoedeeauto-examedstécnica

ós,interioreverdadeesexualidadanoimbricad

-veraabusceQu?euodahermenêuticaumrpos

asuedmalérestarpo,escapaelhesemprequ,si

-movimeesemprrestaaoforçadosujeitmU?cia

?próspero,produtivo,

zfaeQu?comparando,quantificando,anotando

soacontrométodo,emoçãoaacontrrtriunfao

muadesejocurrículmU?arteaacontraciência,s

asejeQu?progressooeencarnequ,progressista

-próonainventesequ,produçãoedeautopoies

?ontecendo

?éolog,pensaequosujeitmu""querocurrícul

?conheceredecapacidadasuedéat,tudoedavid

-cerarteepod,estratégicaadúvidasuaestrpoot

mU?autotransparenteelautocognoscíveéequ

-raedeasistemáticoobservaçãedecapacidadmo

-tirâniod,místicood,erroodoliberad,rigoroso

-consasuadeuniversalidadapelomovid,atua

91

sabertoeencontram-s""resultadossseuso,issorPo

-respondeequ,linguagenssoutraedspossibilidadespela

-diferenomodedcurrículo?umquerqueOaperguntàorã

esquestõeosendmContinua.disseminado,múltiplo,te

-perma,Estão.resultadosonã,pesquisaedsproblemática

-linguaadsdissonantesdetalhesaosatento,nentemente

posteriori,auseedetemporalidadà,currículomuedmge

-Mes.depoisósssentidomganhassignificaçõesaequme

sambuscaaaind""resultadosstai,obtidosedsdepoiom

mu-oestudedoobjetuseoeentrscomplexasarticulaçõe

-desrfalaaparausadapós-críticmlinguageae-ocurrícul

-entendi,palavraeacois,linguagemeoObjet.objetoet

.sempre,retratamemrefleteesequsprocessoocomsdo

-en,currículomuedapós-críticapesquisarrealizaoA

-enconoabuscapesquisador/ao/,linguagemocomotendid

-conseonãaele/equ,semidizermumcoofaltosesemprotr

-signiaaBusc.lacunaocomosenã,discursoonrdesignaegu

esempraaquele,esquecidaosidrteapoderiequoficaçã

aAquel.fixadaedefinitivamentmne,esgotadasjamai,nova

-atriosidrteapudersanteanunceporqu,sim,escaparaequ

-anterisformaspela,permitidauoapossibilitadmne,buída

-enunciasoaTom.Currículo"o"dapesquisarfazeedsore

sujeitoQuequer?currículoumqueO?currículouméque0

ed,responderaaprotestapós-críticapesquisAquer?ele

aprópriadenomme,questõessessaa,"verdadeiro"omod

-exrpo,questõesosãsEssa.analisasaequmcomlinguage

.apoiouseeoferecaalgum""evidênciasquaisaapar,celência

eaerequorsabeedatratavesoquanded,Diferentemente

essjamai,CurrículoodaPráticauoaTeoriaaqueriequo

,pós-críticaapesquisaaPar.respostassdessaosegura/áest

-atrieslquaoa,"mistério"muanadmeéonãocurrículmu

apesquislTa.mentirauoomistificaçãedotantmuabuí

-"esconedeespéciaumocomocurrículmuaidentificonã

rqueequoD.nãouoonefast,algoadissimulariequ,derijo"

-veraumaformulonãapós-críticapesquisa,currículomu

.parciaisesempr""verdadessma,absolutaedad

.remediarápoderapesquisahum

oNã."imperfeita"asejapós-críticapesquisaequ

-pesaumequ,imperfeiçãoedmordeaumaatenç

-per,temposmaied,sistemáticasmai,aplicadasai

aprópriaocomafuncioneporqu,Mas.preencher

-saepermitonãeqursabemu:pós-críticorsabee

smairpo,quessabereaelaborapós-críticapesquisA.

-experimen,criaçõesrseedmdeixaonã,sejamequso

,não-sabermusmaiomuitmsignificaequsSabere

esabequ,pesquisador/aàao/anecessáriaorânci

.pesquisá-lo

otantarenunciapós-crítico/apesquisador/ao/,m

-conheedoacervopróprioaoquantoconsolidadr

-incessante,E.investigaçõesssuarposobtidos

,WittgensteinedeDiferent.novoedotudacomeç

oprecisé,falarepodesonãequedo"aquilme

apeledefine-sapós-críticapesquisedooperaçãa,

é,saberepodesonãequedoAquil-:impossível

-pós-crítiapesquisadaextraíd,verdadeaequerr

eporqu,posiçãoanessrfuncionaedscondiçõemte

-verarpesquisaaparausad-oteorizaçãadmage

zdimne,pretendeonã-ocurrículmuedaguajeir

-pós-crímlinguageadacaracterísticadestacausro

-semimuesempréapesquisadaresultequeerdad

muáH.todaaditrseepodonãequeverdadam

,pesquisaesequmcomlinguagean,dizeredlve

.encarnaaesquis

.verdade

-condiequme,Como-:indagarrpo,investigação

-relasasQuai?verdadeirarseauchegoeverdadat

-verltaedoconstruçãampossibilitaraequrpode

aelequosujeitoesobreverdadedsefeitososQuai

ao/,questõessestaaerespondoquand,queóS?a

asuadaderivad,"verdade"aumaformulaador/

-pomerfuncionaeeinstalar-séatendênciacuj,a

12

aum/acad,pesquisador/arseapar,quemtambéeExig

an:éequoodireitesabonãequodapenumbraneoper

-pereQu.linguagemadasimbólicaeficáciadapenumbr

-fertiao/equ,culturaisssignificaçõesdasrizomasoacorr

-poéaformedleducacionaapesquisarpraticaapar,lizam

,Arriscar.palavraaumme,viver:Pesquisar-poetar.tica

-rea,assim,E.viva/orestaéequ,morteadoriscorassumi

mse,viva/o,mundoonrestaedosituaçãeasinasurliza

.acabadooprodutmueconsiderar-s

.não-faz-sentido,esforçossdorapesa,queo

-pesquiado/oatençãamorientaspós-críticaseoria

-forneelhonãsma,analíticassunidadescertaapar

-consiáestequsproblemasoapar""soluçãoanhum

aparssentidosoutroosãrsurgimfazeselaequO.

soutrasamcoscotejadorseovã,depois,que,ículo

ugramueexigapesquisedapráticlTa.sentidoed

-represen,académica""frustraçãoàatolerânciedl

osoluçãedafalhapel;verdadeadsincertezasla

-qualedoesgarçamentopel;pesquisadoaproblem

-suporedecapacidadapele;resultadossdoeidad

.objetoo

,"invenção"edapesquisauméapós-críticasquis

aSu.sistematizadoifoájequod""comprovação

rpolaproveitáverseedasapenaéocontribuiçãl

ed""sementeiraaumocom,pesquisadores/ass

lconsensuaasistemoeimplodaEl.imprevistoss

-fala,compreendemosehabitualmentequmesma

edoImplosã.curricularmlinguageaumsscutamo

aaindaestavequo""saltarzfa,mínimoon,ques

-prinasuoCom.a-significanteaerequo,nificado

-transforrqueapós-críticapesquisa,políticaaref

an,currículomuedmlinguageadouncionament

,enunciaçãoedscondiçõessuasarmodificaed

.possíveisedsinfinitosplanoendo-lh

sarestudaoprecisé,pesquisaedotipltarrealiza

eprovisoriamentspô-la,depois,para,pós-críticas

àrDeixa.teoriassamseoobjetodoencontroarI.

-originalidaad,quemcorfazeapar,aprendidoo

.novosssentidoso,"rãzinhas"ocom,saltemobjet

-sigsnovamcornominaepodapesquisador/acad

-adápoder,distoofunçãme,queoobjetuseose

-surapossídaequaparmtambéE.sentidossutro

-teoriaeentrojunçãadaemerjequ,teoriaanov

.significaçãoedsredesoutra,es

des-e,avessoopelaanalisequscurricularesdiscurso

32

iindicare,-didáticasContinuidades-epartasegundaN

-reaummeoencontrad,primeiroo:seguimentooduplmu

uo,conseguiráotexteestequacoisaalguméoisssMa

-prian,orarPofinal.useoaeocursusemerproduzi,não

murpoooperaçãaiiniciare,-costumeseUsos-epartameir

-DessPareceresdoaavaliativapráticadssimpleoelement

-coses"usosseuedodescriçãebrevaumrpo,éoist;critivos

-musredesdasintegrantesescolamesinvestigado,tumes"

.AlegreoPortedecidadadoensinedlestaduaelnicipa

.sociaissgruposseuescriançasa,curricularaprátic

edeespécianummentrareasolharestaiiObrigare

sestranhá-lo)1:aelevsnoequ,foucaultianoomodoa,jogo

edsinstrumentooenquantsdesnaturalizá-lo,istorpo,e -desseuedescriançasdaodescriçãehumanizantaum

rpo,olhossoutromcosolhá-lo)2;escolaresssempenho

-educaatecnologiaestratégicaumedelentamcosfocá-lo -diseonormalizaçã,regulação,controle,poderedlciona

mesenunciá-lo)3;infância-escolaradlmoraociplinament

-geoinspiraçãedsma,essencializadaonã,linguagemaum

-resatuaisaaparsimplicaçõessuamerpensa)4;nealógica

asurle)5;podereesubjetividad,currículoeentrslaçõe

-produsdiscriminatóriasmaisdaaumocom,textualidade

-evisarreinterroga)6;escolarabiopolíticadsculturaisçõe

aapareverdadersabe,poderedsefeitosseuedsdência

ssuame,pós-estruturalistaoconceitualizaçãaeDesd

-consti,currículoodateoriadocampoaparscontribuiçõe

-operasalgumarrealizaapar""óticolinstrumentaoituire

oformadointerdiscursivoconjuntoesobrsanalíticasçõe

o,didáticoodiscurso:sejamsquai,positividadesstrêrpo

.penalajurisprudênciadodiscursoeaclínicamedicinad

-dessoperaçõesa,interpositividadeedoregiãaestaCriad

mproduzeematravessaaequsisomorfismosoocreverã

ssuaedesescritospareceresdosavaliativastecnologiasa

.auto-avaliaçãoaeoobservaçãa,correlatas

oPortRealidade.&Educaçãoarevistapel,primeiramente,publicadofoi

.46-70:jan.-jun./1996,n.l,21.v,Educação/UFRGSedeFaculdad

.Pareceressdorfalaerensa

-desmuaevisibilidadaoutrrdaábuscarotrabalh

-avaliati)1979,Foucault.(cfodispositivodo-sre

esocom,queoDispositiv.DescritivossParecere

sescolaresinstituiçõemeoutilizadeamplament

-progresaformaumocomovalorizadesporânea

-proorrealizaedaemancipatóriéate,mocrática

edoatribuiçãaPel.estudantessdas/ooavaliaçãe

eentr,incluaequravaliaedaformaum,nificados

rseacostum,DescritivossParecereso,trumentos

squaisa,prescindesdeleequsformasàquelaaost

-au,repressoras,conservadorassconsideradaosã

-quaashabituadas/osestamoocomojeitoéeEst.s

.outrasedonãe,culturaisorepresentaçã

asalaneaescolanscriançasaaolharequ""olhos

,desinteressadosrseque,isentosanuncosãonã

-curricumseja-""olharessSeu.descritivosseno

,sociológicos,psicológicos,pedagógicos,idáticos

-comehistoricamentoestã-santropológicos,

erpoder-sabeedsrelaçõesdeterminadamesdo

-identidaedspolíticascertaedoconstituiçãansdo

2

*currículooesobrrpodeedsOlho

52OEDUCAÇÃEOLSETORIAABIBLIOTEC

SGRFU

mconsistesescolaresdocumentostaiequrdizeesuficient

-professospelas/oapreenchid,individualfichaaumme

acadedrescolaodesempenhodaacercsdadomco,ras/es

.letivooperíododeterminadmume,alunaeoalun

osãonãsParecereso,escolaropedagógicodiscursoN

eds"instrumentooenquantsmesmoismesconsiderado

equáj,-sexame,testes,provassaocomstai-"avaliação

,distozvemE.criançassaravaliaapar""servemonãsele

rEscolamBoletiodacategoriamesmansclassificadoosã

adsresultadosdooexpressãeds"instrumentooenquant

-boodotextoprópriodepartrfazeopodend,avaliação"

.parteàafolhaumme,eleasanexadorviuo,letim

esescolaspelaspraticadoessignificadoosã,Assim

-somen,utilizadorseaoinstrumentmuocomsprofessora

,avaliaçãoedoprocessootodedorealizaçãa""após,te

-próseleonãequsinstrumentosoutroedomeirpoofeit

sao-rcomunicaedoéodeclaradopropósituSe.prios

-essalgumame,eacriançapelsresponsáveiuospais/mãe

so-adiretiveequipàmtambéeacriançapróprià,colas

-sugesrfornece,individuaissdificuldadesaesprogresso

sresultadosorapontaocommbe,melhorarocomedstõe

.aprendizagemedoprocessodsparciais/finai

-mecasalgunedoimplementaçãaiencontre,Porém

-apeequ,avaliativooprocessoedurantsutilizadosnismo

omassispareceresdooadoçãaeporqu""funcionamsna

sdescritivosregistroesauto-avaliaçõe)a:comostai,exige

-ano)b;desempenhossseuesobrsalunas/ospelas/osleito

sfeita-smensaiessemanai,diárias-ssistemáticastaçõe

-regiseond,ClasseedsDiáriosseumesprofessoraspela

)c;criançassaesobresprópriaisesobrsobservaçõemtra

rposrealizado,finaisuosparciai,pareceresedaescrit

;alunos/asspelos/asresponsáveiesfamiliare,mães,pais

sescritauo-spedagógicasreuniõeaparsescritasficha)d

é,DescritivossPareceresdoodescriçãebrevaumaPar

scostumeesUso

.InfantiloEducaçãadorrícul

anossos,osforemseSóinocentes?Olhosme,almente

santeriorespartesdasóticasrupturaspequenasa

rprosseguiapar,issootudedêporquoesobrie

-pespráticaessignificaçõescostumeirasaoend

-asofazendrioa,E.DescritivossPareceresdosa

-difeopoucmuoalgodizendeoolhandrntinua

-inequ,"olhos"sdesseoprodutivrpodeodaerc

-so""espichadoséate,abertosmbermanteesm

.mesmooconsigrinfantil-escolamu

iRe-descrevere.saber","veredsanálogasprática

-aproesamodernapedagogiasquaispelosmodo

edsmédicaspositividadesaureterritorializoe

sorfuncionaarpôercriaapar,saberrproduzied

eoauto-avaliaçã,observaçãoadsavaliativosivo

.escritosse

normativa,penalizaçãodeDispositivoaintituladepart openalizaçãedaformaeentrscorrelaçõeicere

-escooavaliaçãae)1987b,(Foucaultamodernav

amcoeinterpositividadedoregiãaestoculand

sarmostraaparoistiFare.clínicassformaçõesda,

-constituíequsnão-discursivaesdiscursivasdade

-normaliedsescolarestecnologiasatuaisdasuma

edsrelaçõesamestabeleceequsmesmasa,sejau

edsintegrantestextomeafeit,didáticaaliteratura -braseducadoras/esdas/osconhecidambessiçõe -DidáaelTradicionaaDidática,sejamsquai-so

-refe,segundooe;-)1985,Candau.(cflndamenta

saeestendequ,contínuaalinhaumedaexistênci

saéatapesquisadrescolaapráticansvistasaçõe

.didáticosstextospelosfornecidasçõe

-dessaiacompanhare,-saberVer,-epartaterceir

-peesexperiênciasdaaacerc)(1987atFoucauled

-anaedmfia,clínicorpoder-sabeodsprodutoras

sformaçõespelaoconstituídlintertextuaoconjunt

mcolocasquaisa,pedagogiaadeamedicinadsva

72

asuesprofessoraspelaspareceresdooelaboraçãA

amseguesresponsáveiesfamiliaresaoaentregrposterio

rescolaotempododivisã,bimestralrescolaeperiodicidad

-meuosmaiáh,brasileiroopúblicasistemonedominant

uosnotasamacompanhasescritosEste.anosatrintsno

sdaocasoifoocom,substituemsoomesmesconceito

oRion,FundamentaloEnsinodssériesprimeirasdua

,decidissemmassies,escolassaequme,SulodeGrand

:aereferem-ssitenso,tipoonoutroquantmnuoTant

-maomcoeaaparênciamcoocuidad;responsabilidade

-pontua;professoraescolegamcosrelaçõe;escolarlteria

-disciplinas/áresnaoaproveitament;assiduidadeeelidad

-desenvolvi;aulassnaoparticipaçã;conhecimentoedsa

.higieneedshábito;psicomotor,afetivo,cognitivooment

sprofessorasa,ocultassagendassuarpoeOrientando-s

scomportamentoeduosáreaedssugestõeialmencontra

-padronisfraseedsmodeloomesme,observadosmserea

useedeacriançadodescriçãanmauxiliasaequ,zadas

.escolarorendiment

.professorasspelaerecenteanális

-escoodesempenh""verdadeiroordescreveapar"ótimas

.aluna/oacadedrla

a,ocultas"s"agendaedstiposdoisencontradomFora

)1:pareceressorescreveedomomentonsseguidamsere

afeiterecentoproduçãedsaquelaosãotipoprimeirodsa rpo,solitárioomodeduo,professorassprópriaspela -escosna,paralelassclasseedsreuniõemeuo;umaacad -imequsnaeepluridocentoatendimentmmantêequsla -sisteeoorganizadopedagógicotrabalhmumplementa

-pas"fichamemconsisteotiposegundodsa)2;mático

edsitenrposintegrada,amarelecidas)á(j"dronizadas

-reegénesacuj,observáveisscomportamentoesconduta

,setentasanosdoatecnicistoperíododadataconhecid

ocomelegitimidadeavigênciaplenmmantêaaindequsma

edoobjetosidmtenhaonãaembor,avaliaçãoedsguia

-profesapeleindividualmentsescritorsemtuma

-produziosã,entãouO.turmaacadrpolponsáve

-manequsescolasnaquela,ClasseedsConselho

-sunidocentesturmaaparaavaliativainstância

-peda,administrativossetoresdosprofessoras/eo

anocommbe;sérieamesmaumedsprofessorasae

-turamesmaumaepluridocentoatendimented

snaoencontradifoocom,Atividadesrpoourrícul

adsescolasalgumame,FundamentaloEnsinods

.ensinoedlunicipa

-escrieaparecequodoconteúdo,escolassalguma

ocritériaeexclusivamentaficsDescritivosarecere

-pedaocoordenaçãa,outrasmE.classeedaessor

,elaboraçãoasuesobrsgeraisorientaçõeefornec

memestejaspareceresoequedenecessidadaod

-estasmínimosconteúdoesobjetivosomcoanci

-efetivasaquelemcouo,ensinoedsplanosnos

rsemacreditasprofessorasA.aulamesrabalhado

-ocorsdascontinuadosregistrorrealizalindíve

-indiviscomportamentosdoeaauledasalme

,gradual-oacúmulltaed,queaPar.criançassa

,-ocooperativ,preferênciaed,eocumulativ,te

s"condiçõeedmdotesaequ,evidênciasrretira

.infantissdos/aosubjetivaçãe

-sDescritivosPareceresdooutilizaçãa,modoes

-expressão/comuedoinstrumentomermuement

-modificaaprovoc-oavaliaçãadsresultadosdo

e,escolaroavaliaçãedaformaneotiponsncreta

-obsresultadoso""comunicauo""expressaement

-funematerialidadasumE.mecanismossoutroro

-comuniemexpressaesomentonãsparecereso

-avasinstrumentoesmeiomproduzeeativamentsa

-objetiedsprocedimento,regulaçãoedsexercício

.aluno/aacadeaturma,aulaedasaledo

oesobrsapontamentoocontend-orealizaçãasue

92

.DescritivossPareceresdooçã

aEscoladateoriaifo,(1989)sMartinaPureConform

savaliativosprocedimentosoumodificoequaaquelaNov

sdoo"evocaçãadsdeslocando-o,TradicionalaEscolad

-"inedsatravéarealizad,memorizados"sconhecimento

aapar"escritosstrabalhoesprova,oraiss(errogatório

uoatrintsúltimosdoabrasileiradidáticaliteraturanerec

sdoesprovasdamalé,encontraremos,-sanoaquarent

esinstrumentosoutro,formas)sdiversassuam(esteste

-auto-avalia,observação:comostai,avaliaçãoedstécnica

,sociometria,questionário,casoedoestud,entrevista,çao

.padronizadassficha,categoriasedasistem,anedotário

-entrecruuseme,analisarapar,instrumentossDesse

-"obaidestaque,DescritivossPareceresomcoozament

-proapelacriançadodesempenhodacontinuadoservaçã

mcoafrequênciadofunçãme,"auto-avaliação"ae"fessora

otant,presentesrestamcostuma,alinhadaaformed,que

-escoapedagógicapráticanoquantsdidáticostextosno

sambome,encontradassindicaçõespelaocommbe;lar

-instrumensdoisomconstituesesteequed,domíniossO

-produatecorreaadequadaumaparsimprescindíveisto

-apaocomlta-oAvaliaçãadatemospercorrermoeS

sdidáticasContinuidade

.lanceopróximoiconstitusgunta

-comuniapelolegitimad,didáticoodiscursone,Mas

saoorelaçãmeoditéequo,educacionalacientíficedad

-rup,dissonânciaaalgumíaáHaver?DescritivossParecere

sfalado,costumes"es"usosouO?descontinuidades,turas

ltamcoshomologadorsempode,pesquisadassescolasna

é,discursoomesmedestodentr:maisaAind?discurso

-didáaumedstextosoeentrsdiferençarconstatalpossíve

-primeiaspôequ,outraaumedsaqueleeltradicionaatic

-persestaaarespostaalgumedabuscA?questãomear

.escola

-escomesencontráveiefacilmentsevidênciaosãsa

-progressissditaspedagogiasdaocamponshada

sda""Evidências.emancipatórias,nscientizadoras

-reaedodeixand,poucoomuitoocupadsnosemo

on,possaequadiferenciadapós-críticeanálisam

eestequmcoefamiliaridadeinsistentardissipa,o

-instituciooespaçonorealizadosendmveaprátic

-cursno,quesprofessoraspelaoreferidifommbé

sfaculdadesnaasej,realizadosselarpooformaçã

sparecereso,Magistérioedsescolasnauooucaçã

edodesempenhordescreveaparsutilizadomeras

ouo,disciplinaadoavaliaçãa,professoras/essu

-acredi,exercícioeestmCo.aproveitamentooópri

-fusas/oequ-sprofessoras/esas/oesprópriasela-

meoinstrumentltamincorporariaseducadoras/es

-democratizaneoaperfeiçoando-,pedagógicaatic

.maiseempr

-consimtambéosã,Pareceres)edracompanhamfaze

msereedsdignaomesméate-savançadaebastants

-refeesequon,-"cidadãss"escolaedacategoriansa

.avaliaçãoasuedodemocráticraráte

-ParecesomconsiderasIniciaisSériesdasprofessora

""impiedosossaoorelaçãmesavançadoebastantom

sprecariedadesàorelaçãmeomesme,notassdaso

mtrabalhaequ,escolassaE.conceitossdosinativa

uo,conceitosuosnotamcoedsinvéo(asPareceres

.ensinoedasistemodssérie

-EducaedlEstaduaaSecretariàoautorizaçãmava

-sesaapare,1989edesd,sériessprimeirasaapar

-aperemitiaparsliberadaoficand,-0199edesd,s

lfinaoa,eoletivoanoedurantsDescritivosarecere

-"Reprovauo""Aprovadoifooaluna/oa/esrindica

-avaliadsresultadosorexpressaedenecessidadme

saaparsobrigatório,ConceitosuosNotaedstravé

"auto-avaliação e a observação do comportamento do aluno" (ib.: 56).

Turr a et alii (1980) dedicam nina cx-

Nesta direção ,

tensa parte de seu prestigiado livro aos instrumentos <• .1 técnica da observação , afirmand o <|ue esla se constitui como "uma importante técnica de compreensão, possibi-

litando o conhecimento do aluno e do grupo de alunos" (ao fornecer dados para a "avaliação diagnostica, lorniat i- va e somativa"); além de ser uma técnica de "investiga-

ção"

e també m de "ensino", cujas vantagens seriam as

de

"estudar os fenómeno s em sua variedade", permitir "<>

re-

gistro de dados enquanto ocorrem", e nã o requerer "co-

é observado" (ih.: 199). Para

estas autoras, a "história do uso da observação remonta ao início dos tempos", sendo o "mais universal dos atos mentais d o homem " (ib.: 202), empregado no campo educacional "para relatar várias atividades e característi- cas de crianças, adolescentes e adultos" (ib.: 20IJ).

operaçã o po r parte de quem

Nérici (1985), outro "clássico" da literatura cliclálica

tradicional, enfatiza a auto-avaliação para verificação da

ca-

paz de levar o educando a relletir sobre si mesmo e a to- ma r consciência da sua realidade com o estudante" (ib.:

453). Calcada na operação de "tomada de consciência", o autor indica que a auto-avaliação deve ter como objelivos educativos levar o educando a conscientizar-se de: um conjunto de valores; sua realidade humana; sua partici- paçã o na realização da sua própri a vida; seus deveres de estudante ; suas deficiência s escolares , po r falta de- apti - dões, de preparo anterior ou de insuficiente atenção dis- pensada aos estudos (ib.: 453-454); e assim por diante.

aprendizagem , como u m "meio altamente educativo,

Dentre as fichas de auto-avaliação, a serem preenchi- das pelas/os alunas/os sobre seus próprios comportamen- tos e atitudes, Nérici indica as fichas de: "Comportamen- to Pessoal e Social", "Disciplina,ou Área de Estudo", "Dis-

30

ciplina após um a Prova" e "Trabalho em Grupo " (ib.:

455-458). Quanto à observação dos alunos feita pelo pro- fessor, sugere a "Ficha do Professor", enfatizando a con- veniênci a de que a ficha contenh a dados referentes aos se- guintes aspectos: 1) comportamento inicial do educando em u m curso ou ano letivo, do qual cita como exemplos de questões a serem feitas: "É introvertido ou extrovertido?" "Que aspectos negativos apresenta?"; 2) suas aspirações e aptidões, com interrogações como: "Qual seu nível mental?" "E ambicioso?" ; 3) comportamento e rendimento escolar atuais, perguntando: "Interessa-se pela disciplina?" "Os resultados obtidos estão de acordo com as expectativas?" "Nota-se algo perturbando-o?" (ib.: 458-460).

Para nã o ficar apenas no "setor de conhecimentos",

] que de mês

em mê s ou dois em dois meses també m fosse apreciado o comportamento d o educando. E nad a impediri a que se es- tabelecesse u m critério de notas mensais ou bimensais que incluísse, também , o comportamento" (ib.: 492). Sugere que a nota final seja dada "com base em 60% sobre a verifi- cação de conhecimentos e 40% sobre a avaliação do com- portamento". Os aspectos do comportamento a serem ava- liados consistiriam em: "respeito e consideração pelos co- legas; cooperação; altruísmo; atitudes morais (veracidade, solidariedade, honorabilidade, etc); ordem nos trabalhos; pontualidade; senso de responsabilidade; perseverança; controle emocional; hábitos higiénicos" (ib.: 493-497).

Nérici recomenda que seria "interessante [

Acerca da expressão do aproveitamento do/a aluno/a, encontramos em Schmitz (1984) a relegação a segundo plano "da forma como este aproveitamento é registrado (seja nota, seja menção)", e o primad o de que "tanto o professor como cada aluno e a família tomem conheci- mento da situação real". Como afirma: "Melhor do que uma comunicação vaga e indeterminada é relatar-lhes o que de fato representa o aproveitamento do educando. A incerteza, a dúvida são piores do que a comunicação clara

31

e definida do nível em que o aluno se encontra na realida- de" (ib.: 159).

No sentido de evitar tais incertezas e dúvidas, Selimil/. orienta o/a professor/a para que comunique "com sinceri- dade e clareza, aos alunos e seus pais, os pontos cm que

eles estão be m e aqueles nos

forço e trabalho". Para atingir tais propósitos, esta comu- nicação deve ser "simplificada, fazendo-se tanto quanto possível da mesma forma, fácil de interpretar e suficien- temente descritiva, para que os responsáveis entendam o que significa". E enfatiza: "Deveria ser acompanhada de parecer descritivo" (ib.: 160).

quais necessitam de mais es-

J á no campo da inicialmente chamada Didática Fun- damental, Kenski (1989) d á prosseguimento ãs posições da Didática Tradicional, ao atribuir grande importância à auto-avaliação, aqui ligada à "opção por um ensino trans- formador", o que implica, conform e a autora, que essa ca- pacidade - a de auto-avaliar-se - "se volte para dentr o de si mesmo nas suas relações com o conhecimento e com os outros, através da auto-crítica, da auto-avaliação" (//;.: MO).

També m Mizukami (1980), ao caracterizar a "aborda-

gem sociocultural" do processo de ensino, reitera estas posições ao afirmar: " A verdadeira avaliação do processo consiste na auto-avaliação e/ou avaliação mútua e perma-

| No

processo de avaliação proposto, tanto os alunos quanto os professores saberão quais suas dificuldades, quais seus progressos" (ib.: 102).

nente da prática educativa por professor e alunos. |

Dentro do paradigma construtivista, I loílmann (1991) ressalta o papel e o valor da obsci-vação o da expressão de seus resultados aos pais e responsáveis, ao elaborar uma "Proposta de Avaliação" para a Pré-Escola. Tal proposta deve estar baseada "na análise dos princípios inerentes a uma proposta construtivista de educação (a partir da leo-

32

ria psicogenética de Jean Piaget), coerente com uma peda- gogia libertadora, conscientizadora das diferenças sociais e culturais", e na "teoria das medidas referenciadas a crité- rio " de Herald o Marellin Viann a (ib.: 23-24).

um a avaliação a ser realizada com o processo de desenvolvimento", po r

meio de: "observação da criança, fundamentada no co- nhecimento de suas etapas de desenvolvimento"; "opor- tunização de novos desafios com base na observação e re- flexão teórica"; "registro das manifestações das crianças e de aspectos significativos de seu desenvolvimento"; "diá-

logo frequente e sistemático entre os adultos que lidam com a criança e os pais o u responsáveis" (ib.: 104). Para

operacionalizar tais processos avaliativos, sugere os "rela- tórios de avaliação", cujas anotações devem ser "frequen- tes, sobre o cotidiano de cada criança, de modo a subsidi-

ar permanentemente o trabalho junt o a

caminhos ao educador para ajudá-la a ampliar suas con- quistas" (ib.: 107).

Hoffmann propõ e "acompanhamento no

ela, desvelando

Krame r et alii (1989) fornecem três tipos de estratégias para realizar a avaliação em uma Pré-Escola, cuja educa- ção esteja "voltada para a cidadania" (ib.: 104), quais se- jam: 1) "análises e discussões periódicas sobre o trabalho pedagógico"; 2) "observações e registros sistemáticos"; 3) "arquivos contendo planos e materiais referentes aos te- mas, relatórios das crianças" (ib.: 96).

Indicam como instrumentos para a realização das ob- servações: 1) "caderno de observações", para registro li - vre, pela professora, de "acontecimentos novos", "con- quistas e/ou mudanças, de determinadas crianças", e ano- tações de "algumas interpretações sobre suas próprias atitudes e sentimentos"; 2) "relatórios de avaliação" indi- viduais, nos quais a professora registra anotações feitas diariamente de "três a cinco crianças", que posteriormen- te serão discutidos "com a supervisora" e entregues aos

33

pais; 3) "calendários mensais", para as atividades realiza-

os "calendários mensais

individuais", "onde cada criança escreve ou desenha dia-

das na turm a e, em outra versão,

riamente o que faz ou a atividade preferida do dia, ele."

(ib.:

97).

Assim como nas produções didáticas consideradas tra- dicionais, também no tipo de texto da Didática Renovada, o trabalho com as famílias é destacado como uma estraté-

gia importante para conhecer melho r as/os alunas/os: " lius-

camos [

conhecimento das crianças e, portanto, uma maior quali-

dade para o trabalho pedagógico " (ib.: 102).

Percorrendo por alguns textos da Didática Tradicio- nal e da Didática Renovada, foi possível configurar suas respectivas posições acerca dos Pareceres Descritivos (e dos correlatos instrumentos de observação e auto-avalia- ção). Posições que tornaram visível nã o uma ruptura sig- nificativa, mas uma coesa unidade de discurso, expressa na forte valorização dos mesmos inslruinenlos/técnicas e na importância de divulgar às famílias e responsáveis pe- las crianças os registros produzidos po r sua aplicação.

o intercâmbio escola-famílias, visando o melhor

]

As duas tendências didáticas que, a princípio, signiíica- ram-se como antagónicas, confronlando-sc nos anos 80, denotaram (ao menos na revisão feita) estarem afinal ala- vancadas por u m mesmo enunciado: aquele do discurso educacional e pedagógico da Modernidade, que sustenta a prática de que quanto mais se conhece, melhor se educa.

Foi verificada, também, a presença desla linha contí- nua estendida entre os postulados/orientações dos textos didáticos e as práticas escolares com os Pareceres Descri- tivos. Nestes três domínios discursivos, as justificaiivas apre- sentadas, para a utilização dos instrumentos da observa- ção, auto-avaliação e pareceres, possuíam um mesmo

sentido: seu caráter progressista, participativo, humani- zador e pleno de cidadania.

Continuidade dupla, sem dúvida sustentada pela vi-

do

que aquele que pensamos (ou queremos) que seja novo ou renovado, no campo da prática teórica didática, bem com o da prática escolar, qual seja: Conheç a mais e me- lhor a criança-escolar, para mais e melhor governá-la.

gência de u m imperativo pedagógico mais duradouro

É possível ainda fazer aparecer, na regularidade da formação discursiva (cf. Foucault, 1972) pedagógica con- temporânea -j á aqui, de maneira nã o tão explícita - , ou-

tras continuidades . Pois,

se, entre u m registro de discurso

didático e o outro (assim como entre tais registros e a prá- tica escolar), existem mudança s sim, e m relação aos for-

encontrei quaisquer

matos das fichas e registros, nã o

transformações no que se refere ao seguinte:

1) Operaçã o realizada, qual seja, a prática discursiva de que as professoras observem as crianças para melhor descrevê-las, preferencialmente registrando "tudo" o que "vêem", sem deixar nada de fora. O u então, no mesmo diapasão, levar as crianças a se auto-observarem, através da prática da auto-avaliação, para que melhor possam descrever-se. Dizendo e escrevendo como são, do que gostam e do que nã o gostam, o que sentem, como agem em diferentes situações, o que amam e o que odeiam, o que esperam, em que acreditam, o que temem, como gos- tariam que o mundo , as coisas, as pessoas fossem, como são suas relações com os outros. Exemplar desta posição é a seguinte "Ficha de Auto-Avaliação Bimestral" aplicada em 1994 a uma turma de 4 a série, de uma escola estadual de Porto Alegre:

Ficha de Auto-Avaliação

Bimestral

Como sou

Sempre

Nunca

As

vezes

1) Presto auxílio aos outros quando me pedem.

 

2) Sinto prazer em participar do meu grupo.

3) Quando tenho algo a dizer, levanto a mão e espero minha vez de falar.

4) Em aula, falo baixo para não atrapalhar os outros.

5) Considero-me um bom companheiro de grupo.

Como cuido do meu estudo

\ Compareço às aulas com todo material necessário.

11 Apresento os temas nas datas marcadas.

1 5 i Sou assíduo e pontual às aulas.

- 1 PTCS;O atenção quando a professora explica.

1 5) Participo das aulas dando opiniões.

6) Gosto de vir para a aula.

Como cuido

do meu

ambiente

Sempre

Nunca

As

vezes

1) Sinto que esta escola também é minha, por isto cuido dela.

 

2) Uso o banheiro e bebedouro antes de entrar e no recreio, cuidando da higiene.

3) Coloco o lixo nos locais adequados.

4) Na hora da merenda, no refeitório, mostro educação.

Como meus colegas são comigo

Péssimo

Regular

Bom

Como minha família é comigo

Como minha professora é comigo

Como me saí neste bimestre - Por quê?

2) Opções teóricas, j á que, na tríplice tcxlualidade pesquisada, a escolha recai sobre aquilo mesmo que é fundamento da pedagogia moderna, o u seja, a necessida- de de "conhecer": esquadrinhando, categorizando, clas- sificando, expondo, identificando, descrevendo, caracte- rizando, narrando, contando minuciosamente. Km suma, ativamente produzindo, ao representar e lixar a identi-

dade do infantil-escolar (e, por decorrência, de suas cul- turas e grupos sociais), para poder e saber educá-lo. Como se "existisse" verdadeiramente u m "ser-inlanlil" em si-mesmo, apartado do que dele "os outros" dizem, do que dele "os outros" representam , d o que a ele "os ou - tros" atribuem como sendo sua subjetividade particular e

identidade social. O u seja, com o se pudesse "existir" "ser" que fosse independente, livre, autónom o de ser

social. O u seja, com o se pudesse "existir" "ser" que fosse independente, livre, autónom o

u m

u m

ser da linguagem , narrado e representado conforme de- terminadas políticas culturais e de representação (cl. Co- razza, 1995a; 1995b; 1995c; 1990).

3) Posição e papel da professora, enquanto aquela

profissional que, de posse de uma grade (visível ou invisí- vel) de comportamentos e atitudes, anota, segundo u m código ali constante, para decifrá-lo antes, durante e de-

pois. Ou , dito de outro modo: o que é observado

estabelecido, pelo fato mesmo da seleção do que seria ob- servado haver sido antecipadamente feita, em função das práticas e ideais culturais vigentes.

4) "Endereço" para onde vão aqueles relatórios, regis- tros, notas, produzidos no espaço da instituição escolar, cujos destinatários são, a princípio, outros adultos e, em seguida, a própria criança. Criança que, de modo irreme- diável, através de mecanismos parentais de prémio ou de castigo, aí deve se reconhecer, ver sua verdade representa- da, identificar-se consigo mesma, reencontrar seu si-mes- ma. Porque criança nã o fala, é falada; nã o se representa, é representada; nã o tem desejos, quereres, "estares a fim", mas é desejada, querida, "ficada a fim " (ou não). Assim

já estava

38

como outros grupos sociais ou subjetividades em desvan- tagem ou forclusão cultural.

5) Conteúdo dos aspectos observados (e/ou auto-ava- liados), os quais dizem respeito a atitudes, sentimentos,

comportamentos, etapas de desenvolvimento, caracterís- ticas, níveis de consciência, aspirações, aptidões, prefe- rências, emoções, capacidades de adaptação, desejos. Em suma, que inscrevem aspectos morais, constituidores de uma verdadeira ontologia-escolar (cf. Larrosa, 1994) es-

pecífica.

(mesmo porque este nã o existe), mas produz uma essên- cia de infantil-escolar, u m universal e genérico sujeito, dotando-o de qualidades em nada alheias àquelas habili- dades, atitudes, condutas, que, supostamente, estavam apenas sendo observadas, para depois serem simples- mente descritas.

Ontologia que nã o descreve u m infantil essencial

Tanto no discurso da Didática Tradicional e da Didáti- ca Renovada quanto na prática escolar com ele transversa- lizada, nã o encontrei diferenças nem rupturas nos enunci- ados que sustentam as práticas avaliativas da observação, da auto-avaliação e dos Pareceres, no que concerne a:

1) Objeto: é u m único e mesmo objeto discursivo so- bre o qual se elaboram essas séries de enunciados didáti- cos, qual seja, a criança-de-escola.

2) Forma e tipo de encadeamento: repete-se uma cons-

conjunto de regras,

que torna m possíveis as descrições (e autodescrições) esco- lares, mediatizadas por prescrições, instrumentos, proto- colos padronizados, regulamentações institucionais.

3) Sistema dos conceitos: produzidos por uma mesma arquitetura conceituai, ou seja, aquela construída po r con- ceitos morais e escolares.

4) Identidade e persistência dos temas: existência de uma mesma unidade temática, expressa por aquilo que é

tância da enunciação descritiva e u m

39

e que deve ser a criança, cuja identidade foi, é, e continua sendo estabelecida pela escola.

Dou po r suspenso este exercício de identificação das continuidades didáticas, o qual descreveu tanto a obseiva-

ção (e um a sua versão, a auto-avaliação) quanto

res Descritivos, que realizam investimentos no corpo polí-

tico das crianças, ao operarem como tecnologias de domi- nação, vigilância e normalização. Com isto, ficamos libera- das/os para prosseguir nossas operações analíticas, sob o registro do "Ver" e do "Saber", a fim de tornar possível uma redescrição de como a pedagogia moderna se apro- priou e reterritorializou as modalidades médicas de olhar

e de produzir saber, objetivando constituir alguns de seus

dispositivos pedagógicos de avaliação, por colocar em jogo

os Parece-

a positividade do olhar e do registro descritivo.

Ver, saber

Encontrando-se incorporada a quase todos os campos do conhecimento científico, a técnica da observação é

considerada u m dos mais importantes instrumentos para identificação e descrição da dita realidade física e natural,

e também da assim chamada realidade social e cultural.

Erigida como central pelo paradigma positivista da ciên- cia moderna, sua legitimação embasou-se na concepção

de que existem tais realidades, constituídas por seus múl-

tiplos elementos, os quais j á têm ali uma existência con-

creta, esperando para serem descobertos e reconhecidos. Elementos que dã o a ver sua verdade, justamente por meio dos atos de observação, desde que realizados de

modo científico pelo sujeito consciente e unitário da Ra- zão. Integra este postulado a ideia de que a linguagem

humana nada mais é do que

u m instrumento que expres-

sa e representa as coisas existentes, e delas afirma, elabo- ra categorias, classifica-as e as discrimina em suas verda-

deiras substâncias.

També m para a prática moderna da avaliação esco- lar, a observação adquiriu u m alto valor e elevado estatu- to de verdade. Por isto, importa analisar as aproximações deste dispositivo escolar a dispositivos de outro campo discursivo, o da medicina - que ocupa u m lugar determi- nante na "arquitetura de conjunto das ciências huma- nas", porque mais do que qualquer outro, está próxim o "da disposição antropológica que as fundamenta" (Fou- cault, 1987a: 228). Indicarei algumas modalidades que tal deslocamento assume na prática curricular, levan- do-nos a pensar como os dois diferentes tipos de discur- so, no que se refere à observação, pode m ter sido forma- dos a partir de regras análogas.

Consultando textos médicos dos séculos XVII I e XIX ,

Foucault tratará do lugar privilegiado concedido pela clí-

aos saberes da í derivados.

Indicará que o primeiro olhar clínico que observa é aque-

le que se abstém de qualquer intervenção, pois que é mudo e sem gesto, j á que nada busca de oculto, de outras coisas que nã o aquelas ali presentes: "Hipócrates só se ateve à observação, desprezando todos os sistemas. So- mente seguindo seus passos a medicina pôd e ser aperfei- çoada" (Foucault, 1987a: 121).

nica modern a à observação e

Na temática do clínico, a pureza do olhar estava liga- da a u m certo silêncio que permitia escutar, porque este pressupunha a interrupção dos discursos loquazes dos sistemas, a suspensão de toda teoria, à beira do leito do doente. Era tal modo de olhar que permitia reduzir os propósitos da imaginação, j á que estes sempre antecipa- vam aquilo que se percebia, descobriam relações ilusórias, e faziam falar o que era inacessível aos sentidos.

Essa form a d é observaçã o - espontâne a e ocasional - não podia coexistir com a experimentação, desde que aquele que observava, lia a natureza; enquanto aquele que fazia a experiência, a interrogava. Embora nã o se pu-

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desse confundir a observação com a experimentação - pois esta era o resultado ou o efeito, enquanto aquela era o meio ou a causa - , elas nã o se excluíam, j á que a obser- vação conduzia, naturalmente, à experiência.

Mas, se isto devia suceder, a experiência licava obriga- da a interrogar apenas no vocabulário c no interior da lin- guagem que lhe haviam sido propostos pelas coisas obser-

vadas. De maneira tal, que as questões a serem leilas só po- deriam ser fundadas caso fossem respostas a uma questão sem pergunta, a uma resposta absoluta que nã o implicava

nenhum a linguage m

trito, a primeira palavra. Assim conformou-se o inaugural olhar analítico que, embora estivesse isento de toda inter- venção, reconstituía a génese da composição. Porque esta génese nada mais era do que a sintaxe da linguagem, que as própria s coisas falavam em seu silêncio originário.

anterio r porqu e era, em sentido es-

Somente com a organização a institucionalização de dois domínios conjugados - o hospitalar e o pedagógico - , é que ocorreram transformações no olhar clínico que apenas olhava, sem intervir. N o domíni o hospitalar, o es- petáculo que se dava a ver - reunindo em um mesmo lu- gar, muitos doentes - criou condições de possibilidade para que fossem colocadas à parte as modificações pelas quais passavam as doenças: em termos de regiões, esta- ções, naturezas diferenciadas de tratamentos, ele. K, a par disso, para que fossem buscadas suas constAnciãs, as quais garantiriam os graus certos de previsão e de certezas.

Antes de ser institucionalizada, a doença era, em cada família e comunidade, tratada com determinados cuida- dos, dentro de u m regime especial, e tomada na singula- ridade das condições físicas particulares onde aparecia, o que fazia de cada um a algo incomparável à outra. Desde que o conhecimento médico deíiniu-se em termos de constância e frequência, as particularidades acabaram sendo significadas como inconvenientes e negativas. Para

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que fosse possível a comparação , o novo saber passou a exigir u m domínio neutro e homogéne o em todas as suas partes. Assim como exigiu u m domínio aberto, sem prin- cípio de seleção ou de exclusão a qualquer forma de ocor- rência patológica.

As enfermarias ofereceram este domínio, em que tam- b é m foi formado o domínio pedagógico, ocupado pelo

professor e seus alunos, onde o ato de reconhecer e o es- forço de conhecer realizar-se-ão em u m único movimen-

que ignora-

va, mas aquele que descobria e aqueles diante dos quais se descobria. A clínica hospitalar possibilitou a manifestação da verdade médica, j á que, mesmo nã o sendo transparen- te à verdade, a refração que lhe era própria permitia, por sua constância, a análise desta verdade.

to. Nã o existia mais aquele que sabia e aquele

Como o que nos interessa analisar aqui é o olhar pe- dagógico, que se vale da observação e da auto-observação para executar o trabalho descritivo do infantil-escolar, cabe apontar algumas analogias entre tais montagens clí- nicas e as nossas, escolares. Se tomarmos a produção mo- derna do sentimento de infância, investigado por Aries (1981), é possível pensar que o olhar medieval, dirigido ao pequeno adulto - que simplesmente ainda nã o havia crescido e que transitava, indistintamente, pelo espaço público - , constituiu este primeiro modo de observar. O u seja, que era u m olhar puro , mudo , sem gestos, anterior a toda intervenção, e fiel ao imediatamente sensível.

Com o aparecimento do domínio escolar - concomi- tante ao da família conjugal burguesa - e dos saberes a ele correlacionados, um a outra configuração passou a ser produzida. Se temos muitas e diversas crianças juntas - um a "coleção d é crianças", portant o - , as variações ficam como que anuladas e os efeitos das repetições é que vão delinear os fundamentos da verdade sobre cada criança da educação moderna, que ali começava a ser conjugada,

43

sua condição de enunciabilidade, e a ser olhada, em sua nova situação de visibilidade.

Para isto, fora preciso situar esta criança em um espa- ço coletivo e homogéneo, u m espaço neutro e aberto, que reorganizasse o campo de sua educação e onde o saber pedagógico se instaurasse, ao mesmo tempo em que ins- taurava e redefinia o estatuto social do novo sujeilo-infan- til. Fora necessário criar outro espaço social, em muito si- milar ao da enfermaria, para que o olhar pedagógico não cessasse mais de objetivar tal sujeito, penetrando em seus espaços mais íntimos e inesperados, transformando-o em foco de sua observação, e investindo seu corpo de poder, ao tomá-lo como objeto de saber.

Esse novo olhar educacional é u m olhar que ilumina

em

um sujeito nascente, saído de trevas indefinidas. I Im olhar que conhece u m sujeito desconhecido, até então mera có- pia em carbono do adulto. E, claro, um olhar que liberta este sujeito indistinto da carência de infância, ao modo da experiência visual do Iluminismo, pois que é o olhar lan-

çad o pel o sujeit o adult o social também racional.

Vejamos, u m pouco mais detidamente, as análises da clínica e do saber médicos realizadas por Foucault, quan- to ao entrecruzamento do olhar e das questões a ele com- binadas, em correlação com os dispositivos de avaliação pedagógica: a observação, a auto-avaliação e os parece- res escritos.

racional , integrant e <le u m corp o

Em tal direção, para que a escola moderna estabele- cesse e legitimasse esses novos dispositivos, podemos pensar que foram requeridos os mesmos meios necessári- os para a constituição do poder médico, dentro do domí- nio que Foucault chama de "medicina dos sintomas". Quais sejam:

1) Alternância dos momentos falados e dos momentos percebidos em uma observação.

44

Deparamo-nos aqui com o inquérito ideal, delineado por Pinel, para o qual se tratava, no início, de apenas ob- servar, olhando o estado atual da doença em suas mani- festações. [Outro nã o é o índice geral da aproximação da professora à criança. E m seu primeiro contato com a cri- ança, o momento é preferencialmente visual.] Após este momento ótico, o clínico que seguisse a Pinel tomava no-

tas no interior do mesmo

exame. [N a prática pedagógica ,

a professora que segue as orientações fornecidas, tanto

pela escola quanto pela literatura didática, anota tudo

aquilo que atingiu seus sentidos de observadora. Para,

logo depois - como o clínico - , interrogar a criança sobre

si mesma, usualmente sob a forma da auto-avaliação.] E m

tais inquéritos ideais, tem-se, portanto, um a forma mista do percebido e do falado, da questão e da observação, da pergunta e do visto.

O segundo momento da observação ficava colocado sob o signo da linguagem e també m da rememoraçã o dos desenvolvimentos e das incidências sucessivas, onde se tratava [tanto para o doente e seus familiares, na clínica,

quanto para a criança e seus familiares, na escola] de relatar

o que foi, em dado momento, perceptível sobre si-mes-

ma, sobre seus hábitos, sua vida passada. [É impossível não lembrar da prática rotineira, principalmente na Edu- cação Infantil, de realizar entrevistas preliminares com os pais/mães/responsáveis pela criança. Bem como da práti- ca, cada vez mais frequente, de professoras das Séries Ini- ciais proporem , ao início do ano letivo, como um a das ati- vidades, a produção das chamadas "Histórias de Vida". Histórias em que a criança, auxiliada po r sua família, res- gata aspectos integrantes de seu nascimento e primeira infância, através de fotografias, álbuns de memória, teste- munhos dos adultos, de irmãos e irmãs mais velhos/as, re- gistros de lembranças, etc]

No movimento pendular dessa alternância, o terceiro momento é novamente u m momento percebido, pois é

45

necessário dar conta, dia após dia, do progresso da doença na clínica [bem como do estado do infantil-aprendiz na sala de aula]. Progresso que se refere à sua evolução, ao aparecimento eventual de novos fenómenos, ao estágio de

aos eleitos

suas atitudes, aos efeitos da doenç a [na clínica] e do ensino [no desenvolvimento da/o aprendi/.].

Por fim, no último tempo, chegava-se à palavra, a (mal,

para o clínico,

sar suas prescrições para o regim e de convalescença do doente. [Enquanto que, para a professora, na escola, con- siste naquela palavra que enuncia prescrições (cf. Coraz- za, 1995a: 51-52) endereçadas à criança e seus familiares, e que é materializada nos Pareceres Descritivos.]

Fazendo equivaler "doença" à "criança", teremos en- contrado uma das muitas similaridades do dispositivo da observação, no saber clínico e no saber pedagógico, to- mando a liberdade de usar a seguinte afirmação de Fou- cault (1987a: 127): "Nesta pulsação regular da palavra e do olhar, a doença [a criança] pouco a pouco pronuncia sua verdade; verdade que ela d á a ver e a ouvir, e cujo tex- to, que no entanto só tem u m sentido, nã o pode ser resti- tuído , e m sua totalidade indubitável, a nã o sei- po r dois sentidos: o que olha e o que escuta".

de

correlação entre o olhar e a linguagem.

O problema teórico e prático colocado para os clíni-

podemos pensar, també m para as professo-

ras] foi o de saber se seria possível lazer entrai em uma representação, espacialmente legível e conceilualmente coerente, aquilo que era visto pelo olhar - a sintomatolo- gia visível - e o que era dito na análise verbal.

Trabalhando com abscissas e ordenadas, na clínica, foram feitas diversas tentativas para correlacionar o visí- vel e o enunciável, pois este problema se manifestava em uma dificuldade técnica, bastante reveladora das rxigên-

deveria ser um a palavra capaz de expres-

2) O esforço

para

definir

uma

forma estatutária

cos [e, como

46

cias do pensamento clínico, isto é, o "quadro". [Da mes- ma forma como, no campo educacional, os quadros teóri- cos hegemónicos da pedagogia devem fornecer, à profes- sora-que-observa, os indicadores técnicos da situação da criança. Aqui pode servir de exemplo paradigmático "o quadro" do desenvolvimento cognitivo infantil, produzi- do pela epistemologia genética piagetiana, o qual possi-

bilita que, a cada segmento visível observado, seja atribuí-

do u m valor significativo, quando

então o mesmo quadro

passa a ter também uma função de análise, operando como critério de avaliação do desenvolvimento da criança e de seu desempenho curricular.]

Porém, a estrutura analítica [tanto da clínica quanto da escola] nã o é dada pelo quadro, mas é anterior a ele, porque a correlação entre o visível e o enunciável j á esta-

va fixada e m u m a priori essencial, fornecid o pela configu- ração conceituai que engendrou o próprio quadro. Deste modo, tal quadro só tem como função repartir o que é vi- sível, no interior de uma configuração previamente dada. [Na escola, o que a professora observa de visível na crian- ça está enquadrado nas categorias, etapas, níveis, ordens,

fixados

pelo a priori essencial aos enunciados. É po r isto

que tal

quadro nã o

faz conhecer, mas permite, quando

muito, reconhecer.]

3) O ideal de uma descrição exaustiva.

Por ser dotado de u m aspecto arbitrário e tautológico, o quadro vai conduzir o saber clínico [e também o saber peda- gógico] a um outro problema: o de correlacionar o visível e o enunciável, po r meio de um a descrição que seja dupla- mente fiel. De u m lado, fiel em relação a seu objeto e, de ou- tro, em relação à linguagem utilizada para descrevê-lo.

Quanto ao objeto, nã o pode haver lacunas, e quanto à

linguagem, nã o deve

ção do objeto. A esta última cabe uma dupla função: ser exata, ao estabelecer uma correlação rigorosa entre cada

existir nenhum desvio na transcri-

47

setor do visível e u m elemento enunciável que lhe corres- ponda o mais possível. E, ao mesmo tempo, por operar assim, com u m vocabulário constante e fixo, precisa exer- cer uma função denominadora que autorize a compara- ção, a generalização e a colocação no interior de u m con- junto. E a descrição - ou melhor, o labor implícito da lin- guagem na descrição - que, mais seguramente do que o quadro, garante, na clínica, a transformação do sintoma em signo, a passagem do doente à doença, o acesso do in - dividual ao conceituai.

Torna-se possível pensar que, no caso pedagógico, é o trabalho implícito da linguagem na descrição dos Parece- res Descritivos que garante a transformação dos sintomas - representados pelos ditos "problemas de aprendizagem" - em signos. Signos que realizam a passagem do infantil à criança-de-escola, e o acesso do singular ao conceituai, isto é, à categoria de infância-escolar normal, por autori- zar a comparação, a generalização e a colocação do indi- vidual no interior de u m conjunto.

Como deixar de ver aqui a montagem feita pelas pe- dagogias modernas em direção ao "ver" a criança, e ao mesmo tempo, dela "saber"? Como não reconhecer as formas de experiência visual pedagógica, as quais, previa- mente apontadas, dã o a impressão que se está a conhecer, quando na verdade, no máximo se "reconhece" aquilo que no quadro j á estava estabelecido e legitimado como conhecido? Como nã o encontrar - na observação, na au- to-avaliação e nos pareceres - este "olho que fala", objeti- vante e examinador? Olho que, ao olhar e falar, enuncia a verdade da criança-de-escola, genérica e universal, con- ceitualmente normalizada e des-singularizada. K, como duas faces da mesma moeda, u m olh o que, ao mesmo tempo olha e fala de u m corpo particular, sobre o qual se exerce a força normalizadora desse genérico.

pedagógi-

po r um a (ida. E m

U m

modo de olhar - curricular, didático,

co, investigador , etc. - eme é ensinad o

parte, a nossa, que educa educadoras/es. Que transmite tecnologias de governo e formas de subjetivação do in-

"mestres da verdade" so-

bre a infância-escolar, ao exigir sua descritibilidade total

ensina - às/aos professoras/es,

aos pais/mães, aos grupos e às próprias crianças - quem são as "crianças", de quais qualidades e características são dotadas, po r quais etapas deverã o passar, para, finalmen- te, transformarem-se naquele sujeito "normal' requerido pela escola, pela cultura, pela sociedade.

É desse modo que a linguagem dos Pareceres Descri- tivos ensina: olhando analítica e racionalmente o que era invisível da criança - em palavras clínicas, a seus sinto- mas. Levando-a a interrogar a si-mesma e interrogando os/as adultos/as que com ela vivem. Enunciando, na mes- ma linguagem , seus atributos finalmente visíveis. E, ao agir assim, transmitind o a nova arquitetura de u m ser que, na escola da Modernidade, acabara de nascer.

fantil, a fim de que sirvam com o

e exaustiva. Um a fala que

Dispositivo de penalização normativa

Quase terminando este ensaio, é possível continuar pensando os Pareceres Descritivos como u m dos disposi- tivos constituidores da penalização normativa da escola. Dispositivo que deve, tal como aconteceu na jurispru- dência penal moderna, atuar sobre o coração, o intelec- to, a vontade, as disposições, e nã o mais tripudiar sobre o corpo, com o era própri o do antigo suplício fazer (cf. Foucault, 1987b).

Este transvasamento só é descritível por saber-se que a passagem dos suplícios do corpo criminoso - próprios da época clássica -.para o controle, regulação e modifica- ção da alma criminosa moderna realizou u m trajeto que deixou de enfocar o próprio ato transgressor do código, e passou a focar as sombras, escondidas por trás dos ele-

mentos da causa. Ta l como a medicina dos sintomas obri- gou-se a trocar de olhar, para enfim saber, cientificamen- te, das sombras da doença.

Tratemos de alguns movimentos desta prática jurídi- ca, em relação com a atual penalização normativa peda- gógica, primeiramente, por nos situar na escola dos casti-

gos corporais. Nesta - em suas versões da palmatória, ajoe- lhar em grãos de milho, ter as orelhas puxadas, ver-se en- cerrado no quarto escuro, ser beliscado/a, surrado/a o que ainda operava era uma forma de jurisprudência pe-

nal-escolar, baseada na

nalização exercido por meio da lei.

Pouco a pouco, tal jurisprudência vai dar lugar ao "chapéu de burro", ao "ficar sem recreio", à assinatura no "livro de ocorrências", à ironia e à humilhação públicas. As correções passam a ser enfaticamente morais, porque moral é a tónica da nova escola, e morais serão entã o suas penalidades.

Essa "suavização" punitiva somente pode ser entendi- da a partir de outra configuração, estabelecida por novas visibilidades e por novos enunciados. |Tanibém aqui, como na clínica, é de transformações no visível e no enun- ciável de que se trata.] A reorganização espacial da escola de massas e sua verbalização pediam uma outra objetiva- ção: aquela que devia ir de um/a a um/a, para formar u m conjunto, distribuindo-os/as em espaços quadriculariza- dos, e aí buscar suas regularidades, estabelecer classifica- ções, fundar padrões [assim como no hospi(al|. Uma ob- jetivação que nã o definisse apenas a fornia originária de toda verdade, mas que principalmente prescrevesse as re- gras de exercício pertinentes a tal verdade.

De que/quem era a necessidade de ser objetivado pelo

ser falado e prescrito de outro modo? Justo de u m

corpo que passava a ser enunciado como eminentemente cognitivo, regido por uma alma moral. Enquanto que na

proibição, isto é, u m modo de pe-

olhar,

50

escola dos castigos físicos o objeto declarado era o conhe-

e sua meta a aqui-

sição deste saber, na escola nova, ativa e epistemofílica, objeto passa a ser o corpo cognitivo/alma moral, e a nor- malidade destes é que se torna o desiderato da nova arte de educar.

o

cimento acumulado pela humanidade

Outra aliança entre o ver e o dizer fazia-se presente. Não era mais u m olhar esgazeado, baço, lento e vago que observava; mas, sim, u m olhar loquaz que esquadrinhava o corpo visível e a alma invisível - tanto do criminoso quanto do doente, e também da criança -, trazendo-os à luz, fazendo-os existir no preciso, e precioso, momento de fulguração do seu embate com o poder de conhecer. U m olhar que, mais do que examinar, fundava u m sujeito e, em torno dele, organizava uma linguagem racional. Olhar que se tornava o depositário e a fonte da clareza. E tinha o poder de trazer à luz uma verdade que ele só rece- bia à medida que lhe dava à luz. O qual, ao abrir-se, abria a verdade de uma primeira abertura.

Inaugurara-se, assim, a vigilância aberta à evidência dos conteúdos visíveis, dados a ver pelo corpo, e a sanção normalizadora, dada a saber pela alma. Em função de ne-

cessidades práticas sociais, e dos investimentos feitos por

todos os saberes das ciências humanas, estabeleceu-se,

este olhar, mais do que u m ideal, u m padrão: o da norma- lidade - clínica, penal e escolar.

po r

À sua aplicação nã o era suficiente o que esse olhar via, mas também era preciso interrogar o que ele nã o via. Era preciso nã o mais somente ler o visível, mas também des-

doença, do crime e da in -

fância. Para que esse olhar moderno pudesse pronunciar sobre o indivíduo discursos de estrutura científica, que fornecessem dele uma descritibilidade cristalina. Luz e sombra, visível e invisível, alma e corpo: estes são os regis- tros que conformaram os saberes médicos, penais e peda-

cobrir os segredos das almas: da

i m s

BIBLIOTECA SETORIAL DE EDUCAÇÃO

gógicos e que ainda definem, respectivamente, o doente, o criminoso e a criança-de-escola.

É assim que a instituição escolar, auxiliada pelas ciên- cias da educação, passa a perguntar pelo que ainda estava nas sombras, o u seja, pelas causas que levam a criança a ser o que é, a fazer o que faz, a dizer o que diz, a sentir o que sente. Se, para julga r a verdade de u m crime, o in - quérito clássico buscava determinar quem era seu autor e aplicar-lhe uma sanção legal, para o julgamento penal moderno havia uma questão bem diferente do que seria a verdade de u m crime: interrogar sobre o processo causal que o produziu. Nã o mais, simplesmente, se o fato estava comprovado, se era delituoso, mas também: "O que é re- almente esse fato, o que significa essa violência ou esse crime? Em que nível ou em que campo da realidade deve- rá ser colocado? Fantasma, reação psicótica, episódio de delírio, perversidade?" (Foucault, 1987b: 23).

Pouco a pouco, vamos entrando em uma escola que abandona a penalização por meio da lei para penalizar através da norma. É ela que indagará pelas causas do que via como "delitos escolares", em relação àquela criança que nã o se adequava ao padrão de normalidade estabele-

cido pelos saberes educacionais. Para esta instituição, ser- virão as mesmas perguntas que Foucault atribui à busca da verdade penal moderna, quais sejam: Que medida to-

prever a evolução do su-

ma r que seja apropriada? Com o

jeito? De que modo será ele mais seguramente corrigido?

Isto nos coloca diante de todo um conjunto de julga- mentos apreciativos, diagnósticos, prognósticos, norma- tivos. Caímos aqui, de cheio, em uma "escola dos sinto-

mas e das causas" (similar à

risprudência penal causal], que chega como uma de nos- sas herança s at é os tempo s d e hoje . I leranç a apenas tor - nada possível pela produção das ciências humanas, que objetificam o humano, levando-o a perguntar sobre si pró -

medicina dos sintomas e à ju -

prio. U m passo mais será dado pelo saber clínico, através da ordem "Abram alguns cadáveres" (Foucault, 1987a:

141-168), que inaugura a medicina anátomo-patológica, onde a morte, de invisível se faz visível: " O que era funda- mentalmente invisível se oferece, subitamente, à clarida- de do olhar, em u m movimento aparentemente tão sim- ples, tão imediato, que parece a recompensa natural de um a experiênci a mais be m realizada" (ib.: 225). [ O "pas- so-a-mais" para a pedagogia moderna terá sido, certa- mente, nã o o de abrir o cérebro daquele corpo cognitivo, mas o de descrever, até a exaustão, seu desenvolvimento epistêmico: trabalho muito bem feito pelas psicologias epistemológicas.]

Olhos inocentes? se forem os nossos

Chega a hora de indagar: por que será que pude li - bertar algumas analogias entre práticas discursivas e não-discursivas - à primeira vista, inteiramente diferen- tes (como o saber clínico, o discurso jurídico, a pedago- gia) - , que acabaram conjugando os mesmos elementos da observação, da auto-avaliação e dos pareceres? Como

foi possível mostrar alguns isomorfísmos entre tais práti-

que seus elementos avaliati-

vos podem ter sido formados a partir de regras análogas? Quais as necessidades e interesses que foram colocados em jogo e que movimentaram a investidura e a ressignifi- cação destes mecanismos de uma prática discursiva e não-discursiva para outras? O u ainda, por que será que a escola tem sistematicamente silenciado sobre a história genealógica de seus instrumentos avaliativos, obliterando os procedimentos táticos e estratégicos da constituição de subjetividades e de identidades sociais?

cas e, assim

fazendo, aponta r

Múltiplas respostas são possíveis, por certo. Porém, no registro deste ensaio, cabe pontuar a urgência da insti- tuição escolar em controlar, regular e normalizar a popu-

geral.

em

que a escola aparece, també m estava sendo problematiza-

da, po r um a necessidade inelutável de ser integrada, rigida, governada.

cor-

Segmento

lação infantil, parcela

considerável

da população

no

populacional infantil,

que,

momento

Para isso, era necessário produzir de um a vez este novo sujeito social: o infantil-escolar. Produção inserida na vontade de poder e de verdade das (psico)pedagogias emergentes, que se pretendiam científicas. Era prático e estrategicamente necessário constituir, sobre a base da escola, relações de poder-saber (cf. Foucault, 1988), ma- nifestas na disposição de agir para estruturar o campo possível de ações de tal sujeito. Fechando suas portas a to- das as outras possibilidades, que nã o aquelas definidas pelas relações de poder-saber atuantes na sociedade oci- dental adulta, machista, branca, heterossexual, burguesa, judaico-cristã, eurocêntrica, colonialista.

E tal sociedade que, desde então, se autoriza como fundamentalmente clínica em relação ao humano, como normalizadora e reabilitadora das patologias individuais. Esta sociedade que prossegue, com pequenas variações, sendo a mesma onde nos educaram e onde educamos nossos/as alunos/as. E ela que fabrica o dispositivo dos Pa- receres Descritivos: prática discursiva e não discursiva que persiste na produção do corpo-alma da criança-esco- lar, fundada no padrão de normalidade estabelecido pelo entrelaçamento dos saberes científicos e das técnicas (psi- co)pedagógicas.

Os Pareceres constituem este conjunto de poderes e verdades curriculares que tornam visível e enunciável o que nã o era, sem eles. Pois, em que outr o dispositivo es- colar é possível tornar visíveis as causas e as origens dos delitos e, ao mesm o tempo , també m explica r sua sinto- matologia? Os Pareceres consistem em uma prática da vontade e do poder de disciplinar, corrigir, comparar,

54

medir, decifrar e, também, de punir e penalizar; realizan- do, desta forma, um a das mais sofisticadas sínteses entre os dispositivos da jurisprudência penal e os da penaliza- ção pela norma.

Instituídos por este novo complexo científico-peda- gógico, os Pareceres Descritivos exercem u m novo poder de julgar, por colocar a criança em processo permanente

de claridade, de produção, de normalização e patologiza-

mesma interiorize sua própri a transpa-

rência e possa se tornar um civilizado indivíduo ocidental auto-normalizado. A suavidade de seu olhar, dita huma- nizante, está investida como técnica de poder, e é isto que o discurso educacional contemporâneo prossegue, reite- radamente, escamoteando. Até quando continuará olhan- do para esses olhos de poder sobre o currículo, de manei- ra inocente?

ção, até que ela

3

Currículo como modo de subjetivação do infantil

As teorias pós-críticas em Educação nos levam a questio- nar as subjetividades de personagens por demais familia- res. A perguntar, po r exemplo: De que modo e por que, nisso que chamamos "o Ocidente", o humano foi objetiva- do como infantil, aluno, mulher, anormal, homem, bran- co, doente, homossexual, louca, criminoso, brasileira? Tais teorias nos fazem suspender a naturalidade a-histórica com que postulamos uma antropologia constitutiva ou qualquer ontologia transcendental. A duvidar da certeza dos sistemas de representação que definem identidade e diferença. A negar as evidências culturais e sociais de gera- ção, classe, sexo, género, raça, etnia, nacionalidade

as

teorias pós-críticas nã o apontam nenhu m tetos perfeccio-

Em

sua contestação das subjetividades modernas,

nista, salvacionista o u progressista. Elas nã o supõe m uma exegese, pela qual buscariam a interpretação mais coinci- dente com o sujeito "real". Não constituem uma doutrina

é "bom ser", nem u m corpo de princí-

pios imutáveis do que é "certo fazer". Tampouco norma- tizam as condutas humanas, escorando-as em verdades

geral sobre o que

seguras ou em fundamentos racionais.

Porque nã o formulam qualquer política subjetivadora prescritiva, essas teorias convidam-nos a expo r a astúcia do autoconhecimento, renunciando às práticas que nos aprisionam às próprias identificações. Incitam-nos a fa- zer um a ontologia histórica e crítica das subjetividades, tornando-as "estranhas"; a desmascarar a contingência de suas verdades fixadas; a desenterrar suas raízes histó- ricas; a descobrir o funcionamento dos processos de sub- jetivaçã o que ocorre m e m u m domíni o particula r de sa- ber-poder.

No campo da Teoria do Currículo - "um saber espe-

cializado sobre os nexos entre o próprio saber e a subjeti-

vidade" (Silva, 1995a: 192) - , esse é u m projeto

lho que diz respeito ao que somos, ao que fazemos e como

nenhuma proposta de

mudança dos comportamentos ou dos sentimentos, cal- cada em ideais regulatórios, mas de uma problematiza- ção da cultura que vivemos, do currículo que desenvolve- mos e do tipo de individualização que ambos supõem. Projeto, no qual a crítica do que estivéramos fazendo e pensando demande, a u m só tempo, a análise histórica de nossos limites e um a experimentaçã o das possibilidades de transgredi-los. Trabalho intelectual e político, articu- lador de novas formas de subjetividade que disputam e se opõem às individualidades dogmáticas que acreditáva- mos serem as nossas.

nos significamos. Nã o se trata de

de traba-

currícul o com o modo de subjetivação impli -

ca analisar seus conhecimentos, linguagens, formas de ra- ciocínio, ciências, tipos de experiência, técnicas normati- vas, enquanto vinculados às relações de saber e de poder que atravessam os corpos para gravar-se nas consciências. Investigar o currículo com o prática subjetivadora exige iso- lar e reconceptualizar uma dimensão específica, derivada

Conceber o

desses poderes e saberes, mas que nã o depende deles

nem

Ao nos propor a pesquisar tal dimensão, podemos operar no território da "ética de si" - configurado pela produçã o d o chamado "últim o Foucault" (cf. Bernauer 8c Rasmussen, 1991). Essa ética faz co m que deixemos de to-

lerar nossas condições subjetivadoras, coligando-nos na ação e na reflexão críticas; com que percebamos a violên- cia das auto-identificações, nos desprendamos de nossas individualidades, expondo os custos de havei' podido, até

então, dizer a verdade sobre

mos em aberto sua rejeição (cf. Rajchman,

abandonar "o valor" das subjetividades plenas, unificadas e soberanas - bem como o de suas condutas diante do Bem e do Mal - , articulamos nã o mais regras codificadas do saber, nem regras coercitivas do poder, mas "regras facultativas" na relação a si (cf. Deleu/.e, 1992a: 123; 1992b: 141), éticas e estéticas, que produzem a invenção de novas possibilidades e de novos estilos de vida.

a eles se reduz: a dimensão da subjetividade.

nó s mesmas/os, e coloque-

1993). A o

Se o estudo d a moral

do

currículo, at é então , julgava

nossas ações e intenções, referindo-as a valores transcen- dentes, a ética do currículo - n o sentid o de ética de si - pode, agora, avaliar o que fazemos e dizemos, em função do modo de existência que isto implica. Lutando contra a submissão das subjetividades modernas, tanto a teoria quanto a prática do currículo podem , assim, cruzar suas fronteiras morais para lidar com novas e improváveis for- mas de subjetivação, estabelecer novas e impensadas rela- ções e efetuar outra experimentação ética.

Ética e subjetividade

O conceito de "ética", para Foucault, está articulado à história dos diferentes modos <le objelivação que iransfor-

58

mam os humanos em sujeitos. Tend o analisado a constitui- ção do sujeito do discurso e nas práticas divisoras - corres- pondentes, respectivamente, aos eixos do saber e do poder - , no domínio ético, Foucault (1984; 1985; 1990a; 1991; 1994b; 1995a; 1995b; 1996; 1997) trabalha com a objetivação do sujeito na relação de si consigo próprio.

Para isso, distingue na história das morais:

1) Código moral - E m primeir o lugar, po r mora l enten -

propostos

aos indivíduos e aos grupos, po r intermédi o de aparelhos prescritivos diversos, como a família, as instituições edu-

cativas, as igrejas, etc. Acontece dessas regras e valores se-

numa doutrina coerente e nu m ensina-

mento explícito; mas, acontece, também, de serem trans- mitidos de maneira difusa, sem formarem u m conjunto sistemático. Pode-se chamar "código moral " a esse con- junto prescritivo.

de-se u m conjunto de valores e regras de ação

rem formulados

2) Moralidade dos comportamentos - Por mora l enten- de-se o comportamento efetivo dos indivíduos em rela-

ção às regras e valores que lhe são propostos. Designa-se

a maneira pela qual eles se submetem mais o u menos a

um princípio de conduta, obedecem ou resistem a uma interdição ou a uma prescrição, respeitam ou nã o u m conjunto de valores. O estudo deste aspecto da moral de- termina de que maneira, e com que margens de variação ou de transgressão, os indivíduos ou os grupos se condu-

zem em referência a u m sistema prescritivo, que é explíci-

ta ou implicitamente dado em sua cultura, e do qual eles

têm um a consciência mais ou menos clara. Esse nível é o

que se chama a "moralidade dos comportamentos".

3) Cuidado de si - Um a coisa é um a regra de conduta; outra, a conduta que se pode medir em relação às regras. Mas, outra coisa ainda é a maneira pela qual é necessário conduzir-se". Isto é, a maneira pela qual cada um/a se

59

deve constituir a si mesmo/a como "sujeito moral", agin-

do em referência aos elementos prescritivos do código moral. Este terceiro nível é o do "cuidado de si", ou o do "relacionamento consigo próprio " -rapportà soi - , e m que

o sujeito realiza u m determinado modo de sujeição, efetu-

ando trabalhos sobre si mesmo - as "práticas de si" - , me- diante os quais é incitado a adquirir uma natureza moral

e a se constituir como sujeito moral de suas ações.

Os elementos do código, o comportamento efetivo dos indivíduos e os elementos das práticas de si coexistem, re- lacionam-se, tê m uma relativa autonomia, ora u m é enfati- zado e m detriment o de outro . Sendo que o jog o entre es- sas relações , afastamentos, dominaçõe s é eme determina m as ações "boas" ou "más". Por isto, a ética de si é construída na história, por cada formação histórica; está imersa em relações de poder-saber; é resultado de uma determinada correlação de forças em uma dada sociedade; e está desti- nada a constituir u m certo tipo de subjetividade.

ou no

N ã o se trata - com o nas filosofias da consciência

humanismo - de opor o sujeito ao código repressivo dos sistemas de legislação moral; e, portanto, de esperar que

"as questõe s éticas" os códigos, o u pela

de perceber os modos de produção deste sujeito, através das transformações das relações consigo mesmo, com seu

arcabouço técnico e seus efeitos de poder e de saber.

O "sujeito" aparece como uma derivada, como o pro- duto de uma subjetivação. Ele é constituído em práticas "verdadeiras", o u seja: em práticas historicamente anali- sáveis. Estas práticas - necessárias para a constituição do sujeito - pode m ser encontradas em todas as culturas, de formas diferentes. Estão sujeitas a múltiplas combina- ções, dão-se em ritmo s diversos, e suas variações consti- tuem os modos de subjetivação. Elas operam po r sob os

sejam resolvidas pela revolta contra retirada de seus interditos. Trata-se

60

códigos e regras do saber e do poder, juntam-se a eles e se desdobram, produzindo outras práticas. As práticas

de si nã o são "inventadas" pelos indivíduos,

tuem esquemas que eles encontram em sua cultura e que lhe são propostos, sugeridos, impostos pela sociedade e grupos sociais.

mas consti-

As condições das práticas variam com a história; isto, nã o são apodícticas, mas problemáticas. E m cada

As condições das práticas variam com a história; isto, nã o são apodícticas, mas problemáticas. E

por

for-

mação histórica, o que estas condições apresentam é a ma- neira através da qual os seguintes problemas se colocam:

1) Que posso eu saber? O que posso ver e enunciar em tais condições de luz e de linguagem? 2) Que posso fazer? A que poder visar e que resistências opor? 3) Que posso ser? Como me produzir como sujeito? Nas três questões, o "Eu" não designa u m sujeito universal, mas u m conjunto de posições singulares ocupadas num "Fala-se/Vê-se, Com- bate-se, Vive-se" (cf. Deleuze, 1991: 122).

O

"sujeito"

nã o h á sujeito, mas produ-

ções de subjetividade. Se existe algum "sujeito", este nã o tem identidade. Por isto mesmo, a subjetividade tem de ser produzida, em diferentes momentos e em diferentes quadros institucionais, como objeto de conhecimento pos- sível, desejável e indispensável.

Em tal configuração ética

Aqui, o sujeito nã o integr a nenhum a teoria a priori

fundamento,

um universal. Nã o possui nenhuma natureza humana mo-

de

sujeito. Nã o é u m dado, um a essência, u m

nolítica isolada. Nã o tem um a natureza teórica ou natu-

ral. Nã o é dotado de qualquer natureza

seja

intrínseca,

ontológica,

deontológica,

ascética,

teleológica,

o u esca-

to-teológica.

O sujeito nã o é uma unidade indivisível. Nã o é uma

particularidade. Nã o é a exemplificação de uma natureza

61

comum. Nele, a ontogênese nã o repete a filogênese da

espécie. Nã o h á na subjetividade

cável a todos/as. Nela, nada de privado. O sujeito indi- vidual e o social nã o se opõe m entre si como entidades absolutas, cada qual exigindo a dissolução do outro, mas estão vinculados numa história comum: a da individua- ção, seja ela coletiva ou particular.

uma forma única, apli-

O sujeito é uma "forma", nem sempre idêntica a si

mesma. Existem relações e interferências entre as dife-

rentes formas de sujeito, mas

mo tipo de sujeito. Em cada caso - na relação educacio- nal, sexual, económica, amorosa, etc. - , estabelecem-se, em relação a si mesmo, formas de relações diferentes. O que interessa é a constituição histórica dessas diferentes formas de sujeito, em relação com o poder e com os jogos de verdade.

nã o estamos diante do mes-

As "histórias dos sujeitos" nã o dependem de uma feno- menologia, articulada por relações dialéticas entre si e o outro, mas das múltiplas formas que o si-mesmo pode to- mar. As histórias dos processos de subjetivação não depen- dem de jogos intersubjetivos, e sim das condições pelas quais se pode problematizar uma liberdade que se sustenta em u m sujeito. J á que a liberdade é certa forma de relação do indivíduo consigo mesmo (cf. Rajchman, 1987).

O sujeito é constituído pela liberdade e também pela verdade. Em u m mesmo e único nível de análise, institui- ções, poderes e saberes vínculam-se com formas de reco- nhecimento, isto é, com um certo tipo de subjetivação. Subjetivação que se constitui, e é efeito de experiências reais que experimentam o sujeito; constituição que de- pende da forma que o sujeito assume no jogo de verdade, em um momento histórico dado.

Acerca das relações entre sujeito e verdade, cabe in -

parle de um a determinad a re-

de

dagar: Com o o sujeito faz

presentação

da verdade? Como ele entra

nos jogos

62

verdade? Quer sejam jogos que adotam a forma de uma ciência, ou de u m modelo científico? Quer sejam aqueles

que pode m ser encontrados em instituições o u em práti- cas de controle? Respondendo a isso, pode-se encontrar

é u m dos efeitos dos procedi-

que o conceito de sujeito

mentos de verdade, pelos quais ele se fez necessário.

Modos de

subjetivação

A subjetivação é a relação consigo que renasce sem- pre, em vários lugares e sob múltiplas formas. Afetando a si, a fórmula geral da subjetivação consiste em produzir efeitos sobre si mesmo/a. Estes efeitos nã o são reflexos passivos das experiências humanas, mas têm , articulados aos códigos morais, um a eficácia constitutiva, subjetiva- dora e de governo.

Os indivíduos são a matéria sobre a qual se realiza o

Eles nã o são "nada" sem a for-

ma na qual a experiência ética os modela, e nã o tê m ver- dadeiramente "ser", independente deste trabalho de sub-

H á sujeitos porque certo tipo de relação com o

si-mesmo foi constituído em uma cultura, e também por- que os indivíduos prestam a si uma determinada forma de atenção, nela reconhecendo-se como sujeitos.

trabalho de subjetivação.

jetivação.

Para estudar a dimensão da subjetividade, é impor- tante investigar as práticas de subjetivação, do mesmo modo como é necessário estudar e comparar as técnicas de produção de objetos e de direção dos humanos através do governo. Mas é difícil estudar estas técnicas de si, po r dois motivos: I o ) elas nã o exigem o mesmo aparelho ma- terial que a produção de objetos e são, portanto, técnicas frequentemente invisíveis; 2 o ) na maioria das vezes, estão ligadas às técnicas de direção dos outros.

O que nã o se pode perder de vista é que o sujeito sujei-

tado ao saber, ao poder e à verdade de seu tempo é, por isto mesmo, u m sujeito moral. Sujeito, cujas experiências

63

de si destinam-se a manifestar um a verdade e sua adesão a esta verdade. Sujeito que, ao exercer ações - onde é, ao mesmo tempo, o objetivo, o domínio em que elas se apli- cam, e o sujeito que age - , implica-se no governo de si po r si, em articulação com as relações com os outros. Sujeito, cuja "arte de governo" destina-se a dirigir a própria con- duta e as dos outros.

Para a Teori a do Currículo , enfatizar a ética - e nã o a moral - implica pesquisar a questão das práticas formado- ras do indivíduo na relação com a cultura, com a educa-

ção e com a pedagogia modernas. Para realizar a genea- logia de "suas" subjetividades, o currículo precisa histori- cizar as formas de subjetivação moral e as práticas de si que se destinam a assegurar tais formas. Para fazer com

que

culo torne-se suscetível de uma história, nã o basta com- provar que existem múltiplas - e, às vezes, contraditórias - doutrinas do sujeito no campo curricular. Mas, de modo mais radical, demonstrar que, ali, o sujeito se constitui. Pesquisar as forças subjetivadoras do currículo visa res- ponder à seguinte questão: - Pelo funcionamento de u m determinado currículo, como e por que "suas" subjetivi- dades se constituíram de certo modo, através de u m nú- mero determinado de práticas de si, que são jogos de ver- dade, práticas de poder, relações de saber?

a ontologia das subjetividades que compõe m o currí-

Analisando o tipo de relação que cada subjetividade

manté m consigo mesma, podemos então

um indivíduo reconhecido pelo currículo - e reconhecen- do-se no currículo - constituiu-se como sujeito moral. E desse mod o que um a ética do currículo nos lega a tarefa de formula r um a teoria histórica e social da subjetividade, que combine os eixos da constituição e da subjetivação. E nos atribu i a responsabilidade pela realização de um a história das práticas de subjetividade, articulada às relações de pode r e às formas de saber curriculares.

descrever como

"Crise" da experiência subjetivante do infantil

Vinculados/as à ética, através das práticas de si, nos convertemos em sujeitos morais, a partir de certa relação de cada um/a consigo mesmo/a e, em consequência, com os/as outros/as. Para o currículo, concebido com o modo de subjetivação, o ser-si acha-se codificado e recodificado pelo saber educacional. E, mais do que isto, torna-se o que está em jogo no poder pedagógico: ele é diagramatizado de modo moral.

O infantil é um a das várias subjetividades diagramati- zadas po r nossos currículos, de maneira que sua subjeti- vação se transforma em sujeição, nos dois modos de assu- jeitamento foucaultiano: I o ) sujeito aos outros, pelo con- trole e pela dependência, com todos os procedimentos de individuação que o poder disciplinar instaura, atingindo a interioridade daqueles que ele chama "seus sujeitos"; 2 o ) sujeito a si mesmo e apegado à própria identidade, mediante a consciência e o conhecimento de si, com to- das as técnicas das ciências humanas e morais que for- mam "um saber do sujeito".

Entretanto, quando formulei uma história da infanti- lidade, em minha tese de doutorado (Corazza, 1998b), isolei uma "crise de subjetivação" desse infantil. Isto é, uma "dificuldade ética", na maneira como o infantil de nosso tempo se constitui como sujeito moral de suas con- dutas. Ta l dificuldade encontra-se consubstanciada no chamado "fim-de-infância". Derivadas dessa história, as

questões são as seguintes: - Quem é e como é o infantil de

agora? Com o podemos caracterizar sua infantilidade,

seu

modo de ser infantil? Com o podemos dizer e pensar forma-sujeito? De quais "nomes" podemos chamá-la?

sua

Ao ensaiar algum a resposta a essas questões, este tra- balho - a partir deste ponto - integra uma "ficção ou fan- tasia educacional", ao modo de Green & Bigum (1995). Aproveitando-se do desenho ficcional, fantasioso, argu-

65

menta que está emergindo, em nossas práticas culturais, uma nova subjetividade infantil, com uma constituição radicalmente diferente daquela desenhada pelo currícu- lo. Tal argumento dá a pensar que, talvez, na prática e na teoria curriculares, estejamos empregando modos de sub- jetivação para u m infantil que nã o é o mesmo deste nosso tempo presente.

Aponta também que, em nossas relações com esta nova subjetividade, é possível que tenha chegado a hora de es- quecer os velhos poderes, que nã o se exercem mais; os ve- lhos saberes, que nã o são mais úteis; as velhas crenças, nas quais nem cremos mais; e os velhos modos de nos produzir como sujeitos, que nã o correspondem mais às subjetivida- des que vimos constituindo (cf. Deleuze, 1991).

Sugere, em função disso, que, lá de dentro de nossos currículos, o infantil zomba de nós. Talvez, porque ele sai- ba que nós somos aqueles e aquelas que ainda acham que as coisas se passam como se os modos de subjetivação tives- sem vida longa. Talvez, porque perceba que nós o escuta-

fosse um a subjetividade que ainda

brinca de ser grega, cristã

enquanto o que ele vem ar-

mos e olhamos, com o se

, mando é o exercício de novas práticas de liberdade.

História

da infantilidade

Estudando u m dos modos que torna u m ser humano "sujeito", a história da infantilidade escolheu este mesmo domínio para descrever a racionalidade específica pela qual o humano foi objetivado e aprendeu a se reconhecer como u m sujeito-infantil.

Na Idade Clássica, todas as forças do humano eram referidas a uma força de representação que extraía o que nele havia de elevável ao infinito. De maneira que o con- junto das forças compusessem Deus, nã o o humano, e que este só pudesse aparecer entre ordens de infinito. Para surgir como u m composto específico, foi preciso que as

66

forças do humano entrassem em relação com novas for- ças, que se esquivassem à da representação e a destituís- sem. N o século XIX , estas forças foram as da vida, do tra- balho e da linguagem: as forças da finitude que promove- ram, po r seu conjunto, "o humano". Tais forças entraram em relação com outras, de modo a compor uma outra coi- sa ainda, que nã o fosse mais Deus, ne m o humano , e para que a morte deste, concatenada com a de Deus, formasse novos compostos.

O infantil moderno integrou a forma composta desse novo ser antropologizado como uma das estratégias para afirmar sua finitude e negá-la totalmente. Se recordava a cada humano as limitações do que vive, trabalha e fala, a u m só tempo, era o espelho que refletia o sonho de sua presunção infinita. Como o Mesmo e o Outro, o Próximo e o Longínquo, este infantil ingressou no diagrama disci- plinar, tomando parte das medidas da Razão, do trabalho da Verdade e das tecnologias de Poder.

Movido por forças de atração e de repulsão, o infantil não foi nunca um "outro" qualquer, mas o próximo im -

plicado por uma ambiguidade. A quem se constituiu como diferente, mas de quem se quis sempre livrar, por ser o

e

ser, no subterrâneo, nós-mesmos/as. A ideia desse "ou- tro" do/a adulto/a foi objeto de teorias, que disseram a

verdade de sua subjetividade, e de práticas de governo, destinadas a modificar sua economia no real e a muda r seu futuro.

mais familiar e o mais estranho, po r nã o ser o mesmo

Tema de operações políticas, de intervenções econó- micas, de campanhas de moralização, escolarização, vaci- nação , o infantil foi , po r muit o tempo , nosso Fort-Da. Jogo de carretel que mostrava a face do Mesmo - subja- cente a tudo que somos, guardião do segredo mais pro- fundo de nossa essência, de nossa definição e funciona-

67

mento - , ao qual rogávamos atribuição de sentido, deco-

dificação e domínio. Jogo de vai-e-vem, que trazia o pe- queno-outro, condenado à exclusão, do qual nos esforçá- vamos por conjurar o perigo interior de devoramento; ao qual precisávamos educar, para lhe reduzir a perigosa al- teridade; e definíamos, para regulá-lo.

Na última década do século XX , u m certo sentimento

de calamidade generalizada fez-se implicar em sensações

de

infância". Aqui-e-agora, soa u m alerta: - Nã o existe mais este "outro"! Um a urgência: - E preciso libertar o infantil da modelagem adulta! Fazê-lo ser infantil de novo! E u m clamor: - Asseguremos seu direito a um a infância feliz!

Lutemos pela

Afirm a esse diagnóstic o d o fim-de-infância que o in -

fantil entrou em decadência moral, está desonrado,

rompido , desregrado, pervertido: encontra-se out ofjoint (cf. Derrida , 1994). A infância nã o anda bem , vai mal, nã o funciona, nã o se passa direito, nã o anda como deveria an- dar. E u m desastre, u m fracasso, uma inadequação. Facil- mente nos deslocamos do infantil moralmente desajusta- do ao que é injusto: à injustiça da imoralidade de uma in - fância roubada, perdida, negada.

cor-

alarm e e desassossego social para enunciar "o fim da

infância-sem-fim!

O dispositivo de infantilidade deveria consertar este tempo de infância que anda de revés. Deveria fazer justi-

ça, endireitar as coisas, a história, o mundo , a sociedade,

a nova orde m mundial , a época, o tempo, os/as adul-

tos/as, as relações. Colocar o infantil do lado direito, no

reto caminho, recolocar nos eixos uma infância descon- juntada. Afi m de que, em conformidade com as regras de seu just o funcionamento, a infância avance direito, e se- gundo o direito, na direção certa: um infantil com uma infância-sem-fim.

forte para consertar o in -

fantil errado, fazê-lo entrar em retidão, corrigir sua dire- ção, repará-lo, restituir a infantilidade que lhe pertence, vingá-lo, desforrá-lo. Castigar o mundo , o tempo e o so-

cial que dele roubam a infância que é, que deve ser a sua.

Tornar ajuntar, recolocar na ordem, pô r no lugar,

gir a tortuosidade da infância. Todas tarefas das tecnolo- gias de Estado, das técnicas de governo de si e dos/as ou- tros/as, da atividade educacional, pedagógica, curricular, e de todas as relações disciplinares que supõem formas de controle ou direcionamento.

corri-

A infantilização deveria ser

experiênci a d o fim-de-infância. Para

onde vai a infância se tudo continuar como está? E neces- sária um a grand e conjuraçã o contra o fim-de-infância. Nova mobilização para lutar contra este fim, e contra tudo o que ele representa e continuará a representar. Para o combater, exorcizando-o, atos de decidir, de assu- mir cada um/a e todos/as a responsabilidade de salvar a infância, de comprometer-se com ela de modo performa- tivo. Na realização dessa escatologia messiânica, é neces- sária uma Santa Aliança, que opere o advento da Terra Prometida de uma infância-sem-fim.

Nó s vivemos a

U m dos feitiços - encantação mágica - destinado a

evocar, a fazer vir o infantil que nã o está presente, é o "A-B-C". E m nossos dias, de uma infância profanada, é o

ser

amadurecida, o feitiço foi o da educação prescrita como um sistema de suplência, destinado a reconstituir o mais naturalmente possível o edifício da Natureza. Nos dois

tempos, que constituem uma mesma série histórica, a in- fância é a primeira manifestação da deficiência que cha- ma a suplência.

da Escola. Nos dias de Rousseau, de um a infância a

A pedagogia e o currículo esclarecem os paradoxos

tal suplemento: é preciso ajudar os infantis a suprir o que

de

17

stiranizadaosãonã;Escolaàmforaanunc,lermsabeoãN

mtêmne,televisãomassisteonã,midiáticaaculturapel

ocomplexmnenhurresolvemprecisaoNã.computador

sexpropriadaosãoNã.mãemneipamtêonã,Édipoed

.brincamonãequéateparec;violentadasmne

edlocidentaosentimentouinaugurosJesuoMeninO esoMeninedoceess,depoissanosQuatrocento.infância .Pacíficooesobravermelhamanchaummeatransform enomomcoobatizadifoofenómenlta,XVIIIoséculoN -jesueàquelrtemoeareverênciedomistmnuNino,Eled edaumequ,monstruosoelterríveotãéNifioEl.zinho ;Terraadorotaçãardesaceleraésestrepoliasúltimassua svidasnossaedadiacad,anooúltimon,quemcoofazend

-segunedomilésimedsdécimo6edoacréscimmuasofr

-cosanteoprecisé,delarfalaaPar.irmãasuéNinaLa.do

áH.elemseeexistonãaeleporquNino,Elémquernhece

ságuasaaresfriaMeninANino.Anti-Eledechamamque

.hojeedsmal-educadasmaiscriançasaosãsela,Afinal

.modernaeinfantilidadad

-aponeinfantilidadadahistóriadepresentomomentO

edomodonovmuedezluanovaumedoadventoat

ElosãsemblemáticafigurassSua.infantilodoenunciaçã

sno,prosaanossme-mdemarcaaeleeElNina.LaeNino

afratura-scoisasdaaescritaneomundonossedslimite

subjetividadenovaA

-utiliaSu?infantilodamodernfinalidadeaePerdeu-s-

-tanocapturadaterilforma-infantiA?funçãoaSu?dade

-infantiliedooperaçãaumequrporpodeedsrelaçõesta

-judi,pedagógicamordean,produziu-seacontínuozaçã

-inteaumaovisand,sexual,familiar,económica,ciária

apelasubjetivadocomlta,formaaessuO?globalograçã

-enriqueeseodesidentificandesaestari,Modernidade

?identificaçõessdiversaesnovaedocend

-anunci,antropológicoelimitocom,infantilodfim

-humaodmliodsdepoilocidentaopensamentoa

.fimuseedeinfinidadatelos:useedeinfinidadoom

ocertmuedmfioesomentéonãfim"o"esrunta

-coisaeporqu-rcomplicaoprecisE.fácilomuitéoeit

aesquemoopoucmu-ssimplemsereedelongostã

:interessaequ""fimodrindagaapar,diagnósticossi

,Infinitofinito.eoinfinit,tempoósmua,élideaess

-con,E.prazoolongaatendênciaumepermaneceu

-históasue,idealocom,jáuaconteceeporqu,finito

.descontínua,entãoedesd,estáeinfantilidade

fini-ahistóriaumedmlioomarcad,Modernossmpo

m-sem-fiinfânciaadlideaeest,vemequoaabertur

edopóleoinfinitrreguladolideamuocomopropost

adlideao,Pois.acontecimentomuéfim:mseataref

-apresentaateriesáj,acontecidoateriájm-ficia-sem

edesd,teriaoacontecimenteEst.idealedaformasum

otudmeasej,forçameasej,inteligênciameasej,falta

oeducaçãadolempooTod.moralenecessidadrfoe

-necessálmaeeslrposregidoosãoorganizaçãasuaa

-HumaniadeoportunidadaéaEst.faltaequorupri

-subanenhumeanadrfaltaonãesadeláserequO.

?suprirequaedad

orecuperadlinfantioe,porvirod,infância-por-vir

edomod,dependência,educabilidade,sexuaçãoau

,penhoradaoinjunçãauniedsacontecimentoosã

aumedaformabso,mesmooistrvirfazeeprescrev

:determinadaaformeainfinitaPromess.plenaanç

-desresomexigeeporqu,menosoquand,tentáveis

aEsper.outroodealteridadeesingularidadapel

sastodamcoeHospitalidad.esperaedehorizont

-deboas-vinosignmseoCumpriment.devidassiçõe

strabalhoso-reiniciaiedeve-s,imediatoed,Porque

.isjunção

37

-conmuedesapareconãepresentahistórianossmE

esoNã.infânciaedoconceitmumnelinfantiedoceit

odireçãmeaultrapassesequeexistentlinfantimuaafast

aultrapassesequainfânciaummne,super-infantilmua

-comodaéonãoquestãA.pós-infânciaaumaodireçãme

-enunelperceptíve,existenteuolconceptua,infantilopost

-subjeadestscomponentesforçasdaaéoquestãA.ciável

oélquaemcombinaessforçasoutrasquaimco:tividade

?advémsdelaequocompost

aluteaDespedid

odeverdadsmaie"semprod,infância"smaie"semprod

,inventarE.fadaramsnosséculostantolquaa,infantil"

mcoavidedomodmue,éticaaum,relaçãoaum,ZaAed

-deteraumaacabeond,Aqui.indizíveisaaind,infantisso

eprecisament,infantil"e"dahistóricocondiçãaminad

NinaLa.começaeinfantilidadadahistórianovaum,aqui

snossaed"auroraa"novaumedoanúncioosãNinoEle

.assimssaudadestantassentiremoonãlquaad,vidas

,ladeiraadasubidarinterrompeedstenhamo,Talvez

adanostálgicaarmaduranaescorando-,-asexuad,cada

."Identidade"

-enaareiedfiguraauméeEl.acabou"infantem"boO

ocomposiçãaUm.montanteaoutreevazantémaraumetr

oequopassadmueda:outrassduaeentreaparecósequ

O.maisáreconheceroonãequofuturmueda,ignorava

-radicaliA?infanteeestmseomodernohumanoáfarequ

edspráticasdiferenterpromoveaimplicefinitudadozaçã

-subjetisfomosquaispelosmodosdorredooa,liberdade

aacontralutedsformasnovaE.infantisocomsvados/a

-subsnoesnóauligosnoequ,adulto-infantilomodelizaçã

."Sujeito-Verdadeiro"odapalavràerolhaoaumete

-oriepodequ,sentidoedarupturaumoissotudáSer

aáIndicar?auto-referenciaçãoedsmutantesfocor

-oredafeitrsea,subjetividadeanossedoplexificaçã

,dúvidamse,precáriaoCondiçã?inusitadassstraçõe

me,quesreativaaforçedslinhaspelaaameaçadequ

-edu,adulta,dependente-"infânciaa"mpreserva,co

.fomeedotipomesmeestrproduziedra

-conhecisrelaçõesaodesequilibrandoestãNinosLos

-revisitaainfânciaumedsbrumasnaeDissipando-s

-transsfunçõemse,experiência-limiteaumoRealizand

esaomoded,nósedeisedeDesgarrando-s.dentais

amisériaoMostrand.sujeitos-outrosocommetivare

opão"rdaabastonãequoApontand.familiarlnfanti

onecessáriéequsma,delaefommtemquea"nfância

edoexcessmuucrioeinfantilidadedodispositivO

rperdeaohumanoolevand,espelhossnootificaçã

-esfaceooProvocand.objetivaçãoedfigurasssuaed

oconvulsãaeoconfusãa,"eu"useedmimageadoent

fi-linfantioedeaconteces,Pois.representaçõesssua

-desvamoequéocom,nósaocoladedemasiadament

ossomoequrapreendeapar,pequeno-outroeestr

?nde-Outro

sduaosã-omasculinonsditoaaind-""MeninossEsse

oquestãaum,previsãoaSu.fenómenoomesmmueds

,melhorsconhecê-loéodesafiegrandO.morteuoaid

omodomesmod-sgoverná-lo,condutasssuartrola

osãNinosLos.modernos"meninoss"omcosfizemoo

-negatiomDesenha.hoje,infantiléequodsignificante

mEncerra.Modernidadead"Criançaado"Mundod

ainocênciamcooiniciad,problematizaçõesedocicl

mementrasflageloesfuroresSeu.menino-mortoeuel

.razoáveisstornadoonãaaind,conhecimentossso

.Planetaodstrocadasõe

meequós,secasesinundaçõesmaiotrazend,oceano

57SGRFU

-oanti-religioseoantidialéticoDança-jogo-sonh

-ir,pueril,gracioso,inocente,ubíquo,aéreo,móvel,leve

.brinquedossseumco,Dionísio-Criançaed-ereverent

.políticoodoregistrooutr

,(1974aeNietzschaparocom,político-trágicomueD

-ananeresidentoNã.s.d.);1991c;1991b;1991a;1974b

-perdieunidadadanostalgianmne,tristezaanuoagústi

,depreciação,compensaçãoedoresultad,Tampouco.da

,descontentamento,condenação,falta,queixa,acusação

ad,medood,doradlmoraosoluçãmNe.ressentimento

-resad,crimeod,culpaad,errood,doençaad,piedade

-multiplianedefinindo-s,Mas.pecadood,ponsabilidade

on,pluralaalegrian,afirmaçãoadediversidadan,cidade

.devirodrseodealegroris

edoespecíficoconceitocertmuatermineond,Aqui

,aqui;limiteomesmon,lugaromesmon,subjetividade

useedahistóricocondiçãadeterminadaumaacabeond

-histósnova,aquieprecisament;reconhecimentoervalo

aaagormtêocurrículodssubjetividadesA.começamsria

-recoed,prometer-seed,anunciar-seedeoportunidad

edapesquisaeS.outraehumanidadaocom:meçar-se

uanuloeuneutralizo,aferrolhoucurrículodomoralaum

edaformaoutraumrpensaedetrata-s,historicidadeasu

mecurrículo,doéticaadoterritórionaescritrsea:história

-mosindivíduoedoporçãapel,aconteceequoisséeS.des

edaformarprosseguispodemo,somosaaindequsderno

-subsnoesmesmas/osnóaaligsnoequoaquilacontralut

-forsa,sujeiçãoaacontrsluta:outrossao,modoedest,mete

.subjetividadeanossedosubmissãedeosubjetivaçãedsma

oaeliberdadedspráticasnovarpromove,então,Podemos

eque,subjetivadas/ossfomosquaispelasformasdarredo

-revisrelaçõestaimE.séculosstantoáhsimpostamforasno

-pa-linfantioocom-scurricularessubjetividadesa,vidas

.contemporâneassarmamcorlutamrece

on,E.despedidaadahoraochegadatenhequrseeod

muedeeluminosidadaumedoadvento,momentoom

-reconherpomacabe,finalmente,queoenunciaçãedo

-subjetividasastodaedesingularidadaediversidada

.rostossprópriosoesobrstatuadosdesenhospena

,subjetividadesed""morteaequrpensalpossíve

,Talvez.morteadocontrárioasej,familiaressdemai

ssuafinalmentemlibere""matá-lasaparsfeitasática

ocantooCom.mutismouseedrexterioon,uagens

,abremequovazionaconsistoseduçãasuztalve,sereias

equsnaqueles/amprovocaequefascinantemobilidad

-expresmsesrostome,pedraedeImobilidad.cutam

aumsapenaosãequ,bocasmeoSilênci.olhosmsee

smaimqueiraonã,talvez,quesbocaesOlhofina.a

?existênciaadaestéticeaéticaoutrmes

-prátisnossarposfabricadassubjetividadesastodaesE

-cosrelaçõesaodesequilibrandmestiveresducacionai

-Dessubjetivan?dissociando-se,Aniquilando-se?idas

ed,siedmdesgarrasaequ,experiênciassnovamee

-eseS?talocom"sujeitoo"smaimconstituíreonãao

aoutrooperandeorevelandmestiveresubjetividade

-especuorelaçãaneatuantaàquelacontrári,forçaeda

s"maisnossoesE?padrão-ocidentalesubjetividadamo

-miaomostrandmestivereocurrículodssujeito"idos

memteimaequ,subjetivaçãoedsmodosseuedmoral

-impliedsinvéoa,"errados"uo""certosocoms-lo

-preocurrícuLoeapedagogia,educaçãoaoQuand

massi-linfantiodaperdideunidadarreconstituime

-esonã-mproduzeequssubjetividadesoutrasdao

-gramáaessignoso,marcassaoextremoaolevando

aEmbor?precedentessséculosdoosãequsinfantied

-rei,sujeitossnovoesilhuetas.dsaehorizontonminhe

aparojust,modernasosubjetivaçãedspráticassuam

?necessáriootã,ainda,émqueedodispersãara

77

Cur-apesquisadorealizaçãamnortearasquestõesEssa -(Coinfantildosubjetivaçãodemodospós-estruturalismo:erículo

oarticul,Nele.trabalhoeestaderivlquaad,1998a),razza

e""governamentalidadeedsfoucaultianosconceitoso ocurrículodlmoraarproblematizaapar,"subjetivação" Parâmetros-sPCNspelooformuladoCurrícul.nacional

;1997b;1997a,(Brasilsériea4aaI-NacionaisCurriculares

-governamentaliedaformaumocomoentendid,-)1997c

-Governamentali.populaçãoadeoindivíduacadedozaçã

-brasioEstadodapolíticeracionalidadapelaoperadozaçã

.psicomoralexpertiseadlempresariaatécnicàaaliad,leiro

-específiorepresentaçãaumrrealizarpo,"funciona"equE

iInstitu?"moral"mteobrasileirlnacionaocurrículO

equoaIndic?moraladoutrinaum,sistemamu,códigomu

-parâeEstabelec?sentir,pensar,dizerumaéequoemboé

odembeodediantahumanacondutarjulgaaparsmetro

aparsnecessário,açãoedsregraesvaloreaApont?mal

eocoerçãedstécnicaaFormul?boaemoralmentavidaum

esindivíduormoralizaapar,autoconstituiçãoedsprática

aumeprescrevlnacionaocurrículO?escolarizadossgrupo

asuaéotipequed,afirmativoocasmE?moraloeducaçã

sfinalidadeesverdade,leisssuaosãsQuai?moralidade

?moralizarepretendequosujeitoémQue?morais

odlmoraeGovernamentalidad

lnacionaocurrícul

4

-esocomucéoneAriadnmco,ionísio-Constelação

-Dionísio-Senhor-do-Eterno-RetoreD.dançante

-kantiaesíntesadocoraçãonodiversozreprodueu

areunidrpodeedevontadapel,diferençaaeepet

-adiaaaContrari.acasoopelorelaçãmespostasrça

aacim,E.equilíbrioedoelterminaoestadoaNeg

Princí-,custosootãe,caroonossaeopõe-s,issood

Identidade.e

.Estadoodaeorazãaprópri

-go""lógicaadoderivativmuocomsPCNsoiPense

sdasnacionaiscurrículosostodoeregequ,vernamental

státicasdaaumocom:sejauo,(neo)liberaissdemocracia

-goverada"eranossadestogovernedscontemporânea

adsatravé,infantilodaepistemologiacertaumeinvest

edscritério,didáticassatividade,objetivosedmlistage

atransformequeRacionalidad.etc,conteúdos,avaliação

-calcu,conhecível:"objeto"mumeoescolarizadlinfantio

,linguísticaooperaçãamesman,E.administrávelelláve

-conasurteedevequ,"sujeito"mumeatransformoequ

-naocurrículonsprescritascondutaspelaaconduzidadut

.moralmenterconduziesaomoded,cional

sdomlinguageaequonsmenoeconcentrei-m,Assim ragierpensaequmesmaiomuite,"representa"sPCN -insoequapossibilitaelequssonhososquai,conectaael ,Rose.(cfrfazeaeimpelsoaelequoe,sonhemsfanti

-cosPCNsdomlinguageaicompreend,sumamE.1997)

,Foucault.(cfofoucaultianosentidon,"discurso"muom

-mateoaspectusemeodiscurseessitome,istorPo.1972)

stecnologiaasintegradosDito."ditos"sseume,éoist,rial

rdizeerpensaamlevasoequ,infantissdoogoverned

,autogovernoedstécnicaamtambée;particularesscoisa

-natuacertaummadquiresinfantisosquaisdaomeirpo

.moralarez

-linscomponentesseuedematerialidadadrpartiA

scomposto,"signos"ocomsmenossignificado-sguístico

ocomsmaie,significantesessignificadoeentrsrelaçõerpo

ocomsPCNsoiconceb,-spráticaedoinscriçãedsmarca

equeGovernant.infantilopopulaçãad""governantemu

acorporificesmne,políticoogrupuooindivídumuéonã

.burocráticoomecanismuolcentraeentidadaalgumme

-gover:fortementesmai,Mas.aconteceréatepodoIss

-conforapráticasurterpo,governareconseguequenant

-conmuae,políticassforçaedadiagramocertmuaamad

asumenunciaequ,administrativasstecnologiaedojunt

-governamentaadodiscursivrcaráteedessrtrataaar

-esoatençãaumíatribu,1993),Rose&rMille.(cfed

iprocureadelequo,Mas.PCNssdomlinguageàla

equeRacionalidad.políticaeracionalidadasuaiforai

.infantissdolmoraacondutadrexto-conduto

asobjetivaçõesoutramexistisse,dúvidamse,Embora

aifo""infantil-moralodoproduçãa,analisadasm

-Bus.PCNssdoodiscursonrpesquisauinteressoem

edrpodeuseme,palavrasssuaedafoiçardistingui

-expeedsparticularestipomvivereasinfantisorlita

edstiposdeterminadomtornareesae,moraissia

equoatransform""línguaasuaocomrVerifica.tos

-toresmpodeequo,modoedest,ersempodesfanti

somtornaequ,verdadeedsasserçõessuarExamina

ofunçãasurEntende.governáveisemoralmentsti

-conforequ,dispositivomuocom:assim,rnamental

-cren,emoções,corpossseu,infantissoemoralment

ocom:texiualidadeasumassirLe.comportamentos

.discursivaapráticasumeociad

-desmeuconsistioinvestigaçãanoutilizadométodO

-pressuonãmee,"faz"sPCNsdoodiscursoequore

sintençõemexisteequrpressupoonãmE.maisanad

,causa-efeitoedsrelaçõe,idealizadassconduta,ícitas

-ci,professor,alunoochamad"naturalo"objetrque

-naciosparâmetro,moraloeducaçã,democracia,o

-diseestequoésPCNsdoapráticaequiConsidere

sindivíduosoocomedaacerczdiequonaobjetivo

erelacionar-smdeveocom,fazermdeveequo,serm

-conduailequmassiiFo.mesmosoconsigeeociedad

eefetivamentéequopel:PCNssdoogovernedaátic

lmoraocurrículorleapar"método

ocurrículmuasprópriasobjetivaçõerinscreve,morala

.moralosujeitmurconstituiela

namentalidade" (cf. Foucault, 1990b). Forma de governo que faz o Estado brasileiro integrar os PCNs ao conjunto de práticas que atuam, de modo supletivo, nas institui- ções tradicionais. Mentalidade e linguagem de governo que levam o Estado a expressar-se nesta gramática gover- namental: a do "currículo nacional". Analisei o texto dos PCNs como uma função-lugar de linguagem governa- mental, que estrutura formas calculadas de ação sobre as forças, atividades e relações de cada indivíduo e da popu- lação, para atingir fins sociais e políticos (cf. Rose, 1998).

Desse modo, nã o "critiquei" o Governo que escreveu o currículo nacional, em sua ideologia, interesses de clas-

- embora reco-

nheça o valor desse tipo de crítica. Operei uma "pós-críti- ca", ao examinar como os PCNs funcionam para o Gover- no que os escreveu: enquanto uma das formas privilegia- das de governamentalizar o Estado. Forma disposta po r técnicas de poder, modos de saber e efeitos de verdade, que positivam a educação moral dos/as escolarizados/as; fazem da administração de sua subjetividade um a impor - tante tecnologia de governo; e transformam o campo do currículo numa nova, abrangente e eficaz tática de gover- no do Estado.

Em função dessa perspectiva, nunca acreditei no ob- "infantil-cidadão" - que queria analisar - , j á que este

jeto

não passa de u m correlato da prática de governo dos PCNs.

Prática que cria, dentre outros, também o "objeto natu-

Parâmetros Curriculares Nacionais. Objeto que, po r sua

vez, nã o passa de u m correlato das práticas de governo do Governo que o formula. Governo que, analisado do pon- to de vista de sua racionalidade governamental - como todo liberalismo dito "avançado" - , do que mais necessita é maximizar a governamentalização de seu Estado. E que, para isto, se utiliza, dentre outros, do dispositivo cur- ricular, posto a funcionar em todo o território nacional, e aplicado a todos os indivíduos escolarizados.

se, pode r económico , formas de produçã o

ral "

80

Devido a esse métod o de leitura consegui neutralizar alguns "fantasmas" da linguagem curricular que insistem em separar o domínio da teoria e da prática, ou o currícu- lo formal do currículo em ação, apontando que é preciso verificar se aquilo que aparece escrito nos PCNs é, "de

fato", aplicado nas escolas. Ou , que defendem que o texto dos PCNs foi escrito para ser lido pelos/as professores/as

e que, portanto, nã o pode subjetivar qualquer

adultos/as

aluno/a infantil, j á que nenhum o lerá. Ou, que se esfor-

çam em afirmar que os

escolas brasileiras, tal como "deveriam". O u mesmo, que negam a esse currículo seu caráter de positividade e fun- ção constitutiva da realidade e dos sujeitos.

PCNs nã o estão

sendo usados nas

Para justificar toda a pesquisa, adotei, centralmente, o argumento que afirma que, para se compreender as for- mas contemporâneas da governamentalização liberal, é necessário analisar nã o apenas seus grandes esquemas

políticos, operações económicas, o mercado livre, a glo-

balização excludente

temente "humildes", que tornam possível governar (cf. Miller & Rose, 1993). Por isso, examinei como, através de

um desses mecanismos - no caso, os PCNs - , a vontade

governo do Estado incide sobre os infantis nacionais que são, sem dúvida, uma de suas preocupações de governo.

mas também mecanismos aparen-

de

Preparado, escrito, editado e divulgado pelo Estado

brasileiro, o currículo nacional é uma de suas formas pri- vilegiadas de controle e regulação, funcionando como princípio e método para racionalizar as próprias práticas governamentais. Princípio e método, que fazem dos in - fantis, ao mesmo tempo, objetos da ação governamental, bem como parceiros voluntários de seu governo (cf. Bur-

chell, 1996). Currículo nacional de u m

Estado (neo)libe-

ral, que conduz as condutas humanas, em nome da liber- dade e autonomia daquelas/es que são governadas/os, fun- damentalmente, como "eus" psicomorais.

81

38

.públicaemoralidadàoçã

odispositivmuocomacidadaniarsignificalpossíveÉ adestrescreveopermitidefosses-""cidadanidadeed -sécuodoliberalismodoinvençãaumoenquant,-aform -refleocomonãocompreendid""Liberalismo.XIXol ,governaredeartaesobrfilosóficasesnormativasxõe -racioaumocommsie,sociedadeedotipmuocommne

;1994,Hunter;1991,Gordon.(cfogovernedenalidad

esériaumrpoaproduzideRacionalidad.1996a),Rose

edegovernabilidadàsrelativo,práticossproblemaed

-Pro.capital,mercados,população,famílias,indivíduos

enecessidadadsderivado,racionalidadeaumedsblema

àorelaçãme,políticaeautoridadàslimiterestabeleceed

edspúblicasliberdadesà;industrialeaeconómicavid

-religioapráticà;pensamentoodoexpressãeodiscussã

aessrpooobjetivadosujeitO.familiareautoridadàeas

-individuaemoralidadaumedoatribuídéeracionalidad

-oposime,asseguradarseedevanaturezacuj,lizadora

"cidadanidade"deDispositivo

.deveresesdireitoedolític

,anterioroobjetivaçãadessaDerivad.Governoodapolític

-Escoa,EstadooequrdispoaaautorizesoGovernoequé

-moralisagenteocomsconstituídomsejaoCurrículoeal

,cidadãosspequenososelemseja-""infantissdoszadore

.brasileiraopopulaçãauo

oobjetmuéonã""infantil-cidadãooequrafirmaoA

rcurriculaapráticapelocriad,época"e"dsma,natural

-atisaequrconstata,simplesmente,bastaonã,PCNssdo

ahistórian,variaramlinfantiodediantseducativastude

-distinopreciséequ,simE.CurrículoodeaPedagogiad

aaparsnecessáriamforaequogovernedspráticasargui

-prátieEncontram-s.específicooobjetedessaemergênci

e,objetivaramequ,localizadasesdatadambeomuit,cas

-poosujeitmuocom:modoedestlinfantio,subjetivaram

-objeocomopercebidasejlinfantioequapar,Porém

-teuescreveoequoGovernoequoprecisé,governo

-governasseus/suasos/astodos/aoobjetivad,antes

-conasurpo-equoPov."povo-infantil"muocomsa

,moralizadoeoeducadrseedev-einfantilidadedo

edoexercícioapar,governoedstáticasváriaedsvé

apráticapelaobjetivadaelmtambé,cidadaniaacert

.objetoltaadetermin

oEducaçãesobrseducacionaislegislaçõesda,ente

,1961,1942,1909,1826edla

-enocurrículmuedediantáestesonã,modoeDess

-"cauocomotomad,infantil"o"objetodoocomoid

,Mas.NacionaloEducaçãad"últimom"fie"rimeira

on,poder-saber-verdadesrelaçõeedocurrículm

-"infantil-cidaoocriadé,objetossoutroedentr,

ainiciativardeterminaaparecerilinfantieesteS.

-justa,é,nacionalocurrículmurproduziedoovern

ocurrículeestrproduziedoGovernodaprática,te

.PCNssdoe.1971

-"obspequenoosãeporqu,sabemonãequmsabeoãN

,vistossjamai,raros:1995),Veyne.(cf"épocaed

-discurocriaçãapelefossonã.imaginados

ofeitéequoosãequsObjeto.nacionalocurrículod

rpoe,correlacionadassobjetivaçõesmúltiplarpo,s edoConstituiçãadsa:heterogéneassdiscursivasca

-AdoodeaCriançadoEstatutod,9.394/96BLDad,

sdanteac

.sabemonãequmsabeonãsEla.elasaeimpõem-s

,alunos/as,Cidadania

-curotextopróprioe.infância

apelsexpressascondutaesexistênciassuamtêrla

-enunciaosã""coisassEssa.PCNssdolmoraaátic

-técnisregramcooacorded,ligadasmpermanecee

-históspráticasdeterminadarposproduzida,sociais

-reespráticasaequmsabeonãscoisastai,Porém.

época""detos

linfantiodlmoraamatéria:adania

58

sargovernaaparsliberaisprojetosdessemuaCad

sgovernados/asdos/aesubjetividadarobjetivaesconduta

osurgimentoarlugardaapar,totalmenteeextinguesoãn

spráticamestransformada,reflexãoedsformasnovaed

edsvariaçõe,continuidadesáh,eleseEntr.governoed

.rupturasmexistamtambéaembor,cruzamentos,ênfases

ogovernedlliberaeracionalidadaessifo,modootodeD

-saúasuequmcozfeeQu."infantil-cidadão"oucrioequ

oasligadomestivesseoeducaçãeocriaçã,bem-estar,de

-coaEl.Estadossdosresponsabilidadesàeopensament

-gosaspiraçõesàlinfantieess,inextricavelmente,nectou

.to-realização

e,exterioridadeanenhummse,"social"muedsnormasla

-prosperidaezpa,segurançaeentronexopelogovernad

.SocialrBem-EstaedoEstadopelsafiançada,de

sestratégicasmudança,XXoséculodsmeadoeDesd -diState,Welfareeessasfeitascríticarposcanalizadaosã -indisdireitosdoscamposnosfalhassupostassuaedeant -demosA.públicassfinança,privadosscostume,viduais ,taisoenquanteconstituem-ssavançadasliberaiscracia mdesgovernamentalizasEla.críticassessaoincorporand .governoedssociaispráticassuamdesestatizaeoEstado sdoeautoridadadoenfraquecimentmu,assim,Provocam -incremen,Paralelamente.políticoogovernedsaparelho ,moraleatécnic,científicaexpertiseadeautoridadamta sàe,sociaissobjetivoedaampliadagamaumaorelaçãme ,civilidadeasuabuscequ,indivíduoacadedsaspiraçõe

osujeitO.1996a),Rose.(cfoprogresseoaperfeiçoament

onã,"neoliberal"uo,avançado"l"liberaocomoobjetivad

edomembrE."sociedade"àoreferenciadeaquelsmaié

-admiequ,heterogéneaefidelidaded,"comunidade"aum

esindivíduosoeentrsmoraisrelaçõesaareguleanistr

ogeridsmaiosendoNã.populaçãoadssegmentosoeentr

-autoasurpoogovernadaagoréoindivíduo,socialopel

-autodomí,ativaoresponsabilizaçã,reguladaonomizaçã

-au,autopromoção,autocapacitação,auto-satisfação,nio

mumelliberaoEstadoatransformodeslocamentla

-ca,constroemequsforçaedroperado,polimorfoo

-distansindivíduoescomportamentomcontrolaema

-diresregrasapenaeestabeleconãequ,pluraloentr

-ousma,gruposeduolindividuaacondutarguiaaar

oroperaaparexperts,edevariedadaumaeautoridad

éogovernedestosujeitO.socialodonormalizadorn

esatitude,necessidadesedosujeitmuocomognificad

-peoproduzid,"social"ocomoobjetivadoSujeit.ões

.formalogovernedoaparelhoa

-opeetornar-sadeveri""socialodogoverno,issoaar -tamsma,Estadoedopolíticoaparelhusemeósonã aesobrscalculadasaçõeoorganizand:distância"à" odsatravé,populaçãoadeoindivíduacadedaut

-sancioafórmulaEst.1996a),Rose.(cfoespaçodeo

edoreivindicaçãanacalcad,"autoridade"edotipmu

aumuCrio.socialaeficácieeneutralidad,ecimento

e,humanosescientíficossaberespeloainvestidtise,

sindivíduosvárioedsatividadesdarredooaanizad

-liapermaneciatécnicelmoraeautoridadacuj,uídos

fór-anovaumeemerg,XXoséculodoinícioeesd -governansO.liberalogovernodoexercícioapar amaceitareasimpelidoosã,"sociedade"adenomm avidadsindesejáveisefeitosoradministraedoaçã .urbanooespaçodeoassalariadotrabalhod,strial ,impõeesoentãequ,socialacondutadogoverno eopúbliceentrooposiçãalinviolávertornaabastav -gomtambéoprecisaEr.civilesociedadeoEstad,do .socialmordeadeemoralidadadsinteressesnora scondutasamadaptasseequ,governaraparsregrar apelaForm.normalizadoraaformaumasndivíduo sgraça,mesmaisaparlvisíveetornassesesociedada ,auto-referênciaedoprincípiorigorosmuedooçã -indivíacadedafazi,comportamentosapadronizav -reesdesviosostodoaregistrave,outroodamedida

.1993),Ewald.(cfsncia

78

-empresárias/os-técnisas/o,ameaçaadesslvernamenta

snovamcriaspalavrassuaequmdescobreCMEodscas/o

sinvestimentoedstécnicasnovaespolíticastecnologia

rguiaaraprendemdevesinfantisosquaispela,pessoais

.condutasssua

-re,infantis-cidadãossdolmoraoformaçãamoperareoA

-empresários/as-técnisos/a,Estadoedogovernopelaquerid

muocomrfuncionalnacionaocurrículomfazescos/a

-moadapúblicoregulaçãedomaquínicoconjuntegrand

apróprianeaEscolan,sociedadeaneagequ,ralidade

-racionalidaamesmadsProvidos/a.infantilesubjetividad

-apemdispõeonãsempresários/asesses/a,Governooded

-mecaedsma,dominaçãoedotécnicknow-howmuedsna

-raciooautogovernompossibilitaequ,sujeiçãoedsnismo

.infantissdolna

asu)o2;70):1997a,(Brasilabrasileiresociedadadotuos

-valosdooabstratr"caráteo)o3;democrática"a"naturez

oRelacionand.72)(ib.:ocurrículopelstransmitido"res

sas/o,infantissqualidadeesatributosaoemoralidadaess

,tempoósmua,produzem-sesPCNsomescreveequ

ads"técnicas/oocome"moraiss"empresárias/oocom

-investie-omodedestsObjetivadas/o.subjetividade"

oprópriopelofunçãrcomplementaeadupladesssdas/o

-empresários/as-técsesses/a,-lnacionaocurrículodotext

-governamentaliadaforçedslinhasamaumentasnicos/a

lgovernamentaeautoridadamampliae,Estadoodozaçã

-famíssuamcosrelaçõesnasinfantisoesobrocurrículod

.mesmosoconsige,grupos,lias

-moraliedatarefasumerempenhaesonãaEscolaeS

opróprio][

apar,prejudicadoeseriamentáseracidadaniadoexercíci

-proedaameaçaessbSo.73)(ib.:"impossível,dizeroãn

linfantilmoraadocurricularizaçãa,nacionaissporçõe

scondutaescapacidaderestabeleceaparlcruciaetorna-s

-racionaliamcoaconsonâncimemestejaequ,individuais

-goaforçapelsEnvolvidos/a.neoliberalogovernededad

,paíseestmcompõeequs"indivíduosorza

a"parsimprescindíveispontostrêmdestacasPCNsO

-preconceionã"moralo"núcleo)oI:moralmente"rca

subjetividadedaempresarialica

.liberaissinfantis

-tornalinfantiacidadaniaequmeotempomesmoA

-participa,igualdadeedsprincípiosdooefeitrpo-e

mtambéaadquiri,estataloencargmu-acidadanie

-implicalinfantiodocidadanizaçãA.subjetivaaform

-superfíaumocom,psiquismouseedoconheciment

-subjetiviadstécnicosdoshabilidadesdaoaplicaçãed

meetransmudando-s,estatizava-seacidadaniA.e

edaformeogovernedomod,então,Feita."psi"aéri

-disepotentmurfuncionaaepõacidadania,etivação

-cidadaniequeaquel:podereeverdad,saberedotiv

.político

edoalvmueaideiaumocomainfânciarinstituioA

oextensãapelufuncionolliberaeracionalidada,erno

-igualdaedonoçãaoAssociand.infantiloaaidadani

-visibianovaess,totaloparticipaçãedàabásicauman

.sociedadeadomembrocomlinfantiouobjetivoed

sdalmoraeocognitivodesenvolvimentoomovend

aifoaobrigatórieluniversaoeducaçãa,geraçõessa

sdeveresoesdireitosorestabeleceaparadecisivaic

,"cidadãos"edequalidadasinfantisaouconferiaEl.ntis

-posasgarantiu-lhee,"cidadania"edanaturezau-lhes

-poodoexercícionagradativoparticipaçãedelidad

-proje,programassDispô.autoridadessdasnamentai

finan-,médicassprática,socialaassistênci,legislação

,sanitáriaavigilânci,mentos

-govereintensamentsmaisdomíniosdomuainfânci -tecuViabilizo.Ocidenteonlpessoaaexistênciadso sseu,infantissdoavidamabriraequ,governoedsogia essociaispoderesao,subjetividade,famílias,ientes

.1991),Rose.(cfstico

rfazeapar.escolarização

98

.responsávelacidadaniadelmoraatonomi

ocom,tecnologiassessarposobjetivadossujeitosO

-proedsmerecedoreosã,modernos"scidadãos"pequeno

,Rose;1994,Edwards8crUshe.(cfsgovernamentai

-inselneoliberaoEstadodogovernedevontadA.1996b)

-"cientíedarubricabso,curricularotextonexpertiseltaer

-inamtambé,Mas.técnicorcaráteedainvestindo-fica",

soesubmetequ,governamentalapráticocomztrodu

asuavigi,currículoodlmoraàsinfantiscomportamento

.transgressõessaepuneaobediênci

edstécnicamestransformada,psisteoriasaoUsand -moraliocódigmumeeconstituem-ssPCNso,governo -tecnolóaformacuj,normalizadorasistemmumeeezant ragiaparstempoesespaço,mecanismoseestabelecagic eoauto-regulaçãedsformamProduze.condutassaesobr mresolvereasinfantisomincitaequ,moraiseautocontrol oéticonãuoE":comolta,específicosssociaisproblema rsalvaapar,inacessíveléopreçocuj,remédiomurrouba -disinfantisorcolocaoA"morreria?,elemse,quemalgué ''vidarvaloor"privilegia-"morala"dilemedesteant -privae'propriedadrvaloouo)morteadmalguér(salva

o,-)69:1997a,(Brasil"roubar)onãedosentido(n'da

edaautonomiàeeliberdadàaapellnacionaocurrícul

adlsociaaproblemordecidiecabmquea,indivíduoacad

.particularlmoraadilemmuefossesocom,públicaesaúd

eojulgamentedsprática,legaisspodereoEspalhand

-psishumanastecnologiasessa,normalizaçãoedspauta

sverdademproduzasinfantisoequmcomfazescomorai

-valorieoconsigoidentificaçãamative,mesmosisesobr

egrandooCom.autoconhecimentoedaexperiênciamze

sPCNso,infantilesubjetividadadlnaciona""empresário

-goveruseedatécnicocondiçãaipsmlinguageadmfaze

aimportmlinguageltaequomodedestE.racionalon

oaeFornec.neoliberalacidadaniadoconstruçãaapar

-determieosubjetivaçãedopráticomecanismmuoEstad

-auadeagentmuocomlinfantiodoautoconstituiçãaan

omoralizaçãedeurgentenecessidadaoPrescrevend

-Ciêna,negadaainfânciasuotendmvêequ,infantis

sdos/astécnicas-empresariaisaspiraçõesaeuniPs

odsparticipantesgruposdossociaistemoresaoerts

edaforçaobrasileiroEstadoa,então,Fornece.verno

etornsoeestequapar,normasessaberesseuededad

-reivindisaaapoiopsicológicocientismodaretóricA

.nacionalocurrículodexpertssdos/aeverdadedsõe

sazproduequ,"epistêmica"aaliadlinestimáveasué

-escreocomlta,infantissdoogovernoaparsdiçõe

][

soesobrrdizeamteaPsicológicaCiênciaequore -vaed,indivíduoodepartrpo,legitimaçãoedscesso

aCiênciaEst.73):1997a,(Brasil"moraissregraese

-senmvêabrasileiresociedadaesfamíliasaequanci rproporcionaslheonãoa,infantissaosprejudiciai aEl.familiarelsocia,psíquicorbem-estaedsdiçõe -soa"sintomodaacercehojedlmoraopânicoacerb linfantiopopulaçãalquaopel,fim-de-infânciaed"l ,Corazza.(cfssociaisansiedadeedoconjuntmuaarn

aparopânicltaaredimensioneaAproveit.2000a);98b

-moraliaesobroEstadodogovernoraumentaerifica

.brasileirossinfantisdoed

opreciséemoralmentreducaocomrsabea"Par:

psicomoraiseres

.mesma/oisedogovernoesoutras/os/o

ansnormatizaçõessuarfundamentampareçaaEmbor éósaest,infantissdo""realidadeaprópriadadênci ""olhá-laocomesab,elas/esocom,quemaparedent

-regulatósestratégiaedovocabuláriuSe.1997),Rose

sas/omdescreveempensasquaisamcospalavrasa,s

sseumformulaocomsmodoso,cidadãs/ãossquenas/o

-sasdosretiradoosãssoluçõesamprescreveesblema

-articuequsSabere.atuaissmaispsicopedagógicose

ogovernoeentrscirculareescomplexasrelaçõesa

19

-morali,infantissdosnecessidadesaaadministrlnaciona

,moraissdilemasseuegereeestabelec,condutasssuaaz

.moralidadeasumconstrangeequsverdadeasindexa-o

oconhecimentedoobjetmulinfantiodzfaocurrículO

""matrizaum,simultaneamente,esoutros/asos/aapar

-cidadaadapráticaPel.próprioisarcompreendeapar

equ,moraloeducaçãedoespecíficotipmuzprodu,nia

aefetulinfantiosquaisamco,siedstecnologiaeestabelec

aomoded,desejoseocorpuseesobrsoperaçõescerta

-"ciedlmoraoestadonragie,mesmoisaetransformar-s

.dadanidade"

-inodoconstituiçãedoontológicotrabalho,PCNssNo -si,moralosujeitodeterminadmurconstruiapar,fantil samcoodominaçãedstécnicasdaointersecçãanetua-s

muoensejand,1995b);1994a,(Foucaultueodstecnologia

-mesoA.autogovernoeogovernedorecíprocomoviment

,Estadoododominaçãampromoveequmeotempom

so,infantissoesobrocurrículodesprofessores/asdos/a

satravé,subjetivaçãoedsmodominstituemtambésPCN

-coedsestruturasàeintegram-sueodstécnicasasquaisdo

adestE.escolarizaçãoadeadocênciad,Governoodoerçã

oaoassujeitando-:infantilomtratasPCNsoequamaneir

eecontrolopel,currículooae,escolaà,brasileirooEstad

-mesisaosujeitando-e;cidadãocondiçãasuedoregulaçã

.cidadãoopequenedeidentidadasuàoapegopel,mo

equooprescrevend,infantissomdisciplinasPCNsO

edmagireasinduzindo-o,cidadãosocomrfazemdeve

-democráscódigosdoaarticuladmbeesériamcooacord

-eneocurrículododentrmmovimenteesequapar,ticos

-conssinfantis-cidadãosO.Nacional"oEducaçãa"mcarne

apar,administraocurrículoequopopulaçãaummtitue

amcoeconformidadmeadesenvolvesacidadaniasuequ

rcurriculaapolíticaprópriaeque,neoliberalesociedad

ocurrículo,físico-políticasstécnicassuaedomeirPo

infantilOntologia

.solidariedadeedaausênciadeoeit

-remuiconstróobrasileiroEstado,PNCssdosAtravé

-pesdas/osvidasaagovernlquaodomeirpo,morale

-objetiscurricularespráticasSua.cidadãs/ãossnas/o

,educadoraseseducadore,nósae,povo-cidadãomu

-suonsApoiada.povoedest""governantesocommbé

sa,cidadaniaarexerceaparsespecíficastécnicasdaet

mdecompõeemcompõeoEstadodscurricularesica

-hierar,classificam,selecionam,medem,vigiam,as

ssuaedofunçãmesdesviosompuneemgratifica,am

s"almaocomstodaestodomObjetiva.moraissma

-fascinanesestreitospelosguiadarsemdeveequ,ais"

odssalva:bemodeevirtudad,cidadaniaadsaminho

edafaltad,injustiçaad,discriminaçãoad,onceito

.currículoopelelh

-intelecesemocionai,subjetivasscapacidadesamco

sinfra-estataisformassuaedaumoCom.infantissdos

-anátomo-posinvestimentomexecutasPCNso,oder

aumodesencadeand,infantilopopulaçãaesobrso

meotrabalhadrsea,corpo-espécieacadedaologi

a,pedagogiaa,epistemologiaa,psicologiaaaTod

eestesobreincidlnacionaocurrículodacultura,tica

sO.governados/assdos/aemoralidadan:pontooc

,governoedatemmulinfantiemoralidadadmfazesN

É.Estadoedstáticaesestratégiassuamoperaeelebr

,moralidadeltaagovernequoEstadodopolíticrode

-moscondutasdaapúblicoregulamentaçãaoculand

.72):7a

mprecisa,trocame,Mas.nacionaisoeducaçãedeoã

-determinaaumedssujeitoocomspróprioisarjetiva

-jus,diálogo,respeito,cooperação,deveresed:forma

,liberdade,solidariedade,escolhas,participação,

-constimdeve,sumamE.etc,pluralidade,sciência

oGovernodssujeitosostodoequomodomesmode-s

-subjetispráticasdasalvo,governoedsobjeto:liberal

-goveroprópriuseedsativosagenteeoEstadodsora

,(Brasil"todosedmbeo"ogarantidfiqueequapar-

39

rescolaecomunidadàapertençasuacontmeoLevand

isaaformádlinfantiolquaapelamaneira,sociedadeàe

amatéria-primaéacidadaniA.forma-cidadãoaéomesm

-cirseedlmorarvaloodasurgid-lmoraacondutasued

ágovernareseEl.talocomaaceitlinfantioequ,-odadã

.valoredessorespeitalessenciaeconsiderequoosegund

j-ousdoogovernoelinfantiodisedogoverno,PCNssNo

Iscorrespondenteeapráticapelspossíveiosãesomentstro

-aspecolQua-:perguntaàrrespondeepodlinfantioequ

éequ,comportamentoumeoduo,mimedepartauoot

|isedocampo,PCNssNo?moralacondutàorelacionad

-moaapareimportantsmaioéequ-linfantiodomesm

-comodepartA.cidadãoocampoé-rcurriculaoralizaçã

aé-lmoraacondutàorelacionad-linfantioportament

me-linfantiosujeitodaéticasubstânciA.cidadãepart

aé-omesmisedelestataeverdadadojogomcoorelaçã

atrabalhadlinfantiodlmoraamatériaéaEst.cidadania

-comportauseedepartaúnicaE.nacionalocurrículopel

-Estaodogovernamentalizaçãaaparaimportequoment

.currículoodomoralizaçãaapareod

acidadaniadapráticàereferindo-sE.infantilod)1995a

-sujeiedstécnicasinúmeraedomãrlança,condutassarla

sma,infantilemoralidadaagovernsPCNsdootexto,ção

adseconómicoessociaisfatoresosinquestionadoadeix

equ,brasileirooEstadodapolíticogovernamentalizaçã

,duploomovimentenessE.morais"s"malesomdispõe

,moralização"eda"cruzadasumorganizasPCNsoequ

sdosaspiraçõesàeliga-sopopulaçãadogovernoequme

,progressooefetivsmai,segurançarmaiorposindivíduo

.plenaademocracieacidadaniaperfeitsmai

-ouedaextremeprodutividad,ladomuedaProfilaxi ,queorapreendeepode-s,cidadaniaedonoçãapel:tro iedotrabalhopel-oreconhecidifo,nacionalocurrículon

!,1990a,Foucault.(cf"éticaa"substânciaocom-apesquis

-obesconselhorfornece,restriçõeseslimiterimpooA

-controaparsnormaesregrarestabelece,atingirasjetivo

.governamentais

-populaadesindivíduosdoogovernodaproblemo

scondutasdaogovernopel,neutralizaeEl.brasileira

-privaepropriedada,riquezaaacontrsameaçasa,ais

epropõeseEl.ambientalodestruiçãa,sexualoabuso

,espiritualelmateriaapobreza,rouboo,crimeorita

-multipliesequsdescalabrosostodo,violênciaa,ícios

-masaooprofiláticepretendeseEl.modernaavidan

arconduzi-oaçãedoprofiláticomodmuesm