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TRABALHO DE INTRODUÇÃO AO DIREITO (IED I)

Livro: O que é Direto – Roberto Lyra Filho

A) Direito e Lei são a mesma coisa? Explique

Não. O vocabulário jurídico nos dá a especial significação do vocábulo


DIREITO, derivado do latim directum, do verbo diregere (dirigir, ordenar,
endireitar), etimologicamente, significa o que é reto, o que não se desvia. A
LEI, derivado latim Lex, do verbo legere (escrever), no conceito jurídico, em
seu sentido originário, é a regra jurídica escrita, instituída pelo legislador.

De acordo com o autor, temos as seguintes definições, as leis emanam do


Estado, que normalmente é controlado pela classe dominante. A legislação,
feita pelos homens, pode infelizmente não favorecer um Direito realmente justo,
reto e correto, devendo, pois, ser examinada com senso crítico e não com a
própria expressão do Direito.

No Direito temos muito mais que as Leis, em uma concepção mais próxima de
sua “essência”, têm que se levar em conta os direitos conquistados durante
todo o processo histórico, onde nem sempre a legalidade coincidiu com a
legitimidade. Se o Direito é reduzido à pura legalidade, já representa
dominação ilegítima. O Direito como ciência verdadeira, não pode se restringir
a “dogmas”. Pois as Leis mudam com o tempo e conforme as circunstâncias, o
Direito surge desta inconstante e em sua diversidade, resultando de um
conjunto de normas estatais (impostos pelo Estado) e de padrões de condutas
(impostos pela sociedade).

B) Quais são as ideologias (e as suas subespécies) mencionadas pelo autor do


texto? Explique cada uma delas.

O termo ideologia em seu primeiro significado é entendido como o estudo da


origem e fundamento das ideias, em relação aos signos que as representam.
Hoje temos tal termo como uma serie de opiniões que correspondem à
realidade. As ideologias jurídicas que são mencionadas pelo autor, são: o
Positivismo (ligado à ordem posta) e o Jurisnaturalismo (ligado à justiça). O
Positivismo subdivide-se em três: o Positivismo legalista, o Positivismo
historicista ou sociologista e o Positivismo psicologista.

O positivismo legalista volta-se para a legislação, à lei, dando a ela total


superioridade, mesmo quando a mesma incorpora costumes.

O positivismo historicista ou sociologista volta-se às formações jurídicas pré-


legislativas, anteriores à lei, como se fosse produto espontâneo do “espírito do
povo”. Porém, esses costumes são sempre do grupo dominante (dominação
classistica ou de classes), e o Estado seria o porta voz dessa situação.
Segundo o autor, o Estado usaria a sua estrutura “legal” para manter esta
ordem inalterada.

O positivismo psicologista, onde haverá, segundo o autor, pretensões


“românticas” em relação ao Direito, a parte psicológica (o sentimento do direito)
e ideológica (que é peculiar a cada classe e seu grupo), trabalham a fim de se
voltar a mesma essência, o Direito seria descoberto na “alma” de seus
pesquisadores, onde a ideologia brota como uma flor, idealizando
romanticamente a dominação, e por fim amadurecendo nos mesmos frutos
repressivos. Para um Jurisnaturalista consciente, isso é mais do que ele pode
aceitar, já que grandes tiranos podem se esconder atrás da legalidade. O
Jurisnaturalismo ou Direito Natural apresenta-se em três formas, que procuram
estabelecer o padrão jurídico, ou explicar o porquê da não validade das
normas, são eles o Direito Natural Cosmológico, o Direito Natural Teológico e o
Direito Natural Antropológico.

O Direito Natural Cosmológico tem origem na “natureza das coisas”, na ordem


cósmica, na natureza. Tal ideologia é o que justificaria uma ordem social
estabelecida, como por exemplo: a escravidão em algumas sociedades
antigas, que é tida como “natural”.

O Direito Natural Teológico pretende deduzir o Direito Natural à Lei Divina,


sobre a Igreja, os soberanos e finalmente o povo, a quem cumpria aceitar,
acreditar e obedecer, incentivava o sofrimento, a paciência (prevaleceu na
Idade Media).

O Direito Natural Antropológico, direito ao qual a burguesia recorreu quando


conquistado o poder econômico e político, rompe com o catolicismo e o
capitalismo, juntando-se ao protestantismo para procurar um espaço, chegando
ao poder, descarta o jurisnaturalismo e passa a defender a tese positivista.
Com a máquina de fazer leis em mãos, passa a ser positivista.

Em conclusão o autor relata que isso é insustentável, deve haver complemento


com o que se busca no Direito Natural.

C) Você identifica o Direito brasileiro, tal como se apresenta hoje, com


alguma(s) da(s) ideologia(s) indicada(s) pelo autor? Explique com suas
palavras.

Ao analisarmos o Direito brasileiro em seu quadro atual podemos perceber que


suas bases atuais estão no positivismo historicista ou sociologista. Em primeiro
momento tivemos como base para o Direito brasileiro as ideologias do
positivismo legalista, bases estas que entram cada vez em conflitos, abrindo
espaço para novas formas de se analisa e pensar em lei. Partindo de uma
primeira ideologia onde só a Lei, era a forma da interpretação do direito,
começou a ser insuficiente se ter uma única forma de interpretação para o
direito. Hoje se podem perceber as ideologias do positivismo historicista, que é
uma corrente do pensamento jurídico que defende que, da mesma forma que a
cultura, o Direito de forma peculiar a cada povo e está ligado aos fatos sociais.
Como por exemplo, o reconhecimento da união homoafetiva, apesar de alguns
contestarem que tal decisão vai contra o texto da constituição, o STF, tem em
seu entendimento que não, pois a CF se limita a dizer que é “reconhecida à
união estável entre homem e mulher”. Não diz, portanto,que apenas tal união
(entre homem e mulher) será reconhecida. Assim podemos verificar uma
mudança na ideologia do país.

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