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Aula 06

Jurisprudências STF e STJ: Leis Penais, Direito Penal e Processo Penal p/ Carreiras
Policiais

Professores: Alexandre Herculano, Vinicius Silva


Jurisprudências (STF e STJ) L. Penais, D. Penal e D. Processual Penal p/ Carreiras Policiais.
Teoria e Exercícios
Professores - Alexandre Herculano e Vinícius Silva Aula 06

Aula 06 – Teoria Geral da Pena (parte 2), Prisões (parte


2), Lei 9.455/97 (Lei de Tortura) e Lei nº 4.898/65
(Abuso de Autoridade).

SUMÁRIO PÁGINA
1. Prisões (parte 2) 1
2. Teoria Geral da Pena (Parte 2) 9
3. Lei 9.455/97 (Lei de Tortura) 17
4. Lei nº 4.898/65 (Abuso de Autoridade) 28
5. Questões propostas 35
6. Questões comentadas 46
7. Gabarito 74

1. Prisões e Liberdade provisória (parte 2)


1.1 Prisão em Flagrante
Vamos iniciar a aula de hoje falando sobre prisão em flagrante,
essa que certamente a que mais é cobrada em provas de concursos,
quando o assunto é prisão e liberdade provisória.
Vamos verificar inicialmente onde está especificada a prisão em
flagrante e quais os principais julgados e entendimentos jurisprudenciais
acerca do tema.
Após essa introdução vamos tecer os nossos comentários acerca
de um tema muito bom, que é a audiência de custódia, que teve a sua
constitucionalidade questionada no STF, que foi obrigado a se manifestar
acerca desse novo instituto trazido à baila pelo CNJ, em uma resolução
que busca regulamentar o Convenção Americana de Direitos Humanos –
CADH.
1.1.1 Conceito e espécies de flagrante.
A palavra flagrante vem de “flagrare”, ou seja, “fumegando”,
sua origem nos remete a ideia de queimar. Dizemos que há flagrante

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quando o crime ainda está queimando, fumegando, de acordo com a


etimologia da palavra.
Mas a sua previsão legal no direito brasileiro está no art. 302, do
CPP, vejamos.
Art. 302. Considera-se em flagrante delito
quem:

I - está cometendo a infração penal;


II - acaba de cometê-la;
III - é perseguido, logo após, pela
autoridade, pelo ofendido ou por qualquer
pessoa, em situação que faça presumir ser
autor da infração;
IV - é encontrado, logo depois, com
instrumentos, armas, objetos ou papéis que
façam presumir ser ele autor da infração.

Veja que temos 4 possibilidades de flagrante, que são classificadas


pela doutrina e jurisprudência de acordo com o quadro abaixo:

Espécie de flagrante Previsão Legal


Próprio Art. 302, I e II
Impróprio Art. 302, III
Presumido Art. 302, IV

Existem uma diversidade enorme de classificação de flagrantes, no


entanto, vamos nos omitir de mencioná-las por fugir à proposta desse
curso, que deve focar nos entendimentos jurisprudenciais acerca do
flagrante.
Vamos então à análise de um julgado que nos remete à
possibilidade de flagrante e a perseguição do autor do delito. Muitos

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alunos ficam na dúvida em relação ao flagrante impróprio quanto ao


tempo em que ainda podemos considerar como em situação de flagrância.
O STJ já decidiu acerca do tema. Vejamos.
...Não há como reconhecer qualquer ilegalidade no flagrante, visto
que não houve interrupção da perseguição do paciente, que
também foi preso em flagrante na posse de documentos falsos...
(HC 124.172 – RN, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 18.02.10 –
6ª Turma) (Informativo 423 – STJ)

Veja que para o STJ, e para a maioria da doutrina, enquanto não


cessar a perseguição estaremos diante de uma situação de flagrância,
sendo, portanto, válido o flagrante em situações dessa natureza.

Passando adiante, podemos observar mais um julgado envolvendo a


prisão em flagrante, desta feita veiculado no informativo 487, do STJ.

USO. DOCUMENTO FALSO. AUTODEFESA. IMPOSSIBILIDADE.


A Turma, após recente modificação de seu entendimento, reiterou que a
apresentação de documento de identidade falso no momento da prisão
em flagrante caracteriza a conduta descrita no art. 304 do CP (uso de
documento falso) e não constitui um mero exercício do direito de
autodefesa. Precedentes citados STF: HC 103.314-MS, DJe
8/6/2011; HC 92.763-MS, DJe 25/4/2008; do STJ: HC 205.666-
SP, DJe 8/9/2011. REsp 1.091.510-RS, Rel. Min. Maria Thereza de
Assis Moura, julgado em 8/11/2011.

Veja que para o STJ a eventual utilização de documento falso não


caracteriza exercício de autodefesa, e isso significa que a prisão não está
eivada de ilegalidade e mais, naquele momento o agente delituoso
comete mais um crime, que é aquele tipificado no art. 304, do CP.

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Vistos esses dois entendimento, vamos verificar do que se trata a


tão comentada nos últimos meses audiência de custódia, a qual estão
obrigados todos os magistrados a quem for apresentado um preso em
flagrante.
Audiência de custódia é o direito que a pessoa presa em flagrante
possui levada), em um curto intervalo de tempo, à presença de uma
autoridade judiciária para que seja analisado se os direitos fundamentais
dessa pessoa foram respeitados, ou seja, se ela não foi presa em
flagrante forjado, preparado ou se não foi submetida à tratamento cruel
ou tortura.

A audiência de custódia ainda possui o condão de verificar e decidir


no ato se o flagrante foi legal ou se a prisão deve ser relaxada, nos
termos do art. 310, I, do CPP, em caso de ilegalidade.

A audiência de custódia também se presta a decidir se há a


necessidade de prisão cautelar (preventiva - art. 310, II) ou se o preso
poderá receber a liberdade provisória (art. 310, III) ou ainda para a
decretação de medida cautelar diversa da prisão (art. 319).

Veja que a finalidade é bem ampla e quando da sua realização a


audiência acaba por resolver a prisão.

A audiência de custódia é prevista precipuamente na Convenção


Americana de Direitos Humanos (CADH), que ficou conhecida como "Pacto
de San Jose da Costa Rica", promulgada no Brasil pelo Decreto 678/92.

Vejamos o teor do art. 7º, item 5, da Convenção:

Artigo 7º - Direito à liberdade pessoal


(...)

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5. Toda pessoa presa, detida ou retida deve


ser conduzida, sem demora, à presença de
um juiz ou outra autoridade autorizada por
lei a exercer funções judiciais (...)

O STF já se pronunciou acerca da hierarquia normativa dos tratados


internacionais sobre direitos humanos.

De acordo com o STF, os tratados internacionais de direitos


humanos que o Brasil foi signatário incorporam-se em nosso ordenamento
jurídico com status de norma jurídica supralegal (RE 349.703/RS, DJe de
5/6/2009).

Cumpre ressaltar que na época em que foi incorporado ao


ordenamento jurídico brasileiro, ainda não havia a previsão constitucional
do art. 5º, §3º, da CF88, em que poderia haver a possibilidade de essa
convenção ser incorporada como norma de hierarquia constitucional.

Portanto, para o STF, a Convenção Americana de Direitos Humanos


é norma jurídica no Brasil, hierarquicamente acima de qualquer lei
ordinária ou complementar, só estando abaixo, portanto, das normas
constitucionais.

Ainda não possuímos uma lei ordinária que regulamente tal


procedimento previsto na convenção, não obstante haver um projeto de
lei tramitando no Congresso Nacional (PLS nº 554/2011) com esse
intuito.

Diante desse cenário, e a fim efetivar e operacionalizar a previsão


da convenção, recentemente, alguns Tribunais de Justiça, incentivados
pelo CNJ, passaram a regulamentar a audiência de custódia por meio de

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atos internos exarados pelos próprios Tribunais (provimentos e


resoluções).

De acordo com o CNJ, o procedimento para a realização da audiência de


custódia deve respeitar a seguinte sequência:

Ocorre a Prisão em flagrante;

O custodiado é apresentado ao Delegado de Polícia

O delegado lavra o auto de prisão em flagrante

O juiz marca audiência de custódia (se o flagranteado declinou


nome de advogado, este deverá ser intimado da data marcada; se
não informou advogado, a Defensoria Pública será intimada, se
não houver defensoria pública, deverá ser nomeado defensor
dativo);

O custodiado é apresentado ao juiz;

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O juiz concede um tempo razoável para a entrevista reservada do


preso com seu advogado ou Defensor Público (dativo);

Início da audiência de custódia, que deverá ter a participação do


preso, do juiz, do membro do MP e da defesa (advogado
constituído ou Defensor Público ou dativo);

O membro do Ministério Público manifesta-se sobre o caso;

O custodiado é interrogado pelo juiz e pelo membro do MP;

A defesa manifesta-se sobre o caso, devendo arguir perguntas


apenas acerca da dinâmica do flagrante;

O magistrado profere uma decisão das decisões abaixo:

a) Relaxamento de eventual prisão ilegal (art. 310, I, do CPP);


b) Concessão de liberdade provisória, com ou sem fiança (art.
310, III);

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c) Substituição da prisão em flagrante por medidas cautelares


diversas (art. 319);
d) Conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva (art.
310, II);
e) Análise da consideração do cabimento da mediação penal,
evitando a judicialização do conflito, corroborando para a
instituição de práticas restaurativas.

Em relação ao tempo que deve ser levado em conta para a


marcação e agendamento da audiência, devemos entender o tempo como
um tempo razoável, não existindo na CADH um tempo específico.

A doutrina majoritária defende, contudo, que esse prazo deve ser


de 24 horas, aplicando-se, subsidiariamente, a regra do § 1º do art. 306
do CPP.

Esse foi o prazo adotado pelo PLS nº 554/2011, em tramitação no


Congresso Nacional.

Vamos agora verificar o ato que foi objeto de controle de


constitucionalidade.

O TJSP, no início de 2015 editou o Provimento Conjunto nº 03/2015


regulamentando a audiência de custódia no âmbito daquele Tribunal. Veja
alguns dispositivos do Provimento:

Ocorre que a Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol)


ajuizou ADI contra o Provimento Conjunto nº 03/2015, do TJSP,
defendendo que a audiência de custódia somente poderia ter sido criada
por lei federal e jamais por intermédio de tal provimento autônomo, já
que a competência para legislar sobre a matéria é da União (art. 22, I, da
CF/88), por meio do Congresso Nacional.

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Essa celeuma foi levada ao STF, que assim decidiu:

A Suprema Corte afirmou que o artigo 7º, item 5, da Convenção


Americana de Direitos Humanos, acima especificado e já visto, por ter
caráter supralegal, sustou os efeitos de toda a legislação ordinária
conflitante com esse preceito convencional.
Ou seja, o próprio Decreto que incorporou a convenção no direito
brasileiro já incorporou também a previsão da audiência de custódia.
Assim, o STF entendeu que o Provimento Conjunto do TJSP, ou qualquer
outro que venha a regulamentar o procedimento da audiência de
custódia, não inovou na ordem jurídica, mas apenas explicitou conteúdo
normativo já existente em diversas normas da CADH e do CPP.
Por fim, o STF afirmou que não há que se falar em violação ao princípio
da separação dos poderes porque não foi o Provimento Conjunto que
criou obrigações para os delegados de polícia, mas sim a citada
convenção e o CPP.
STF. Plenário. ADI 5240/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em
20/8/2015 (Info 795).

2. Teoria Geral da Pena (parte 2)

Vamos continuar estudando a teoria da pena, agora vamos dar


algumas dicas acerca da jurisprudência envolvida na segunda fase da
dosimetria da pena.
Lembrando que a segunda fase da dosimetria da pena envolve a
incidência de atenuantes e agravantes.
As agravantes genéricas estão previstas na parte geral do CP, e
estão topograficamente nos arts. 61 e 62, do CP.

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Circunstâncias agravantes

Art. 61 - São circunstâncias que sempre


agravam a pena, quando não constituem ou
qualificam o crime:(Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

I - a reincidência; (Redação dada pela Lei nº


7.209, de 11.7.1984)

II - ter o agente cometido o crime: (Redação


dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

a) por motivo fútil ou torpe;

b) para facilitar ou assegurar a execução, a


ocultação, a impunidade ou vantagem de
outro crime;

c) à traição, de emboscada, ou mediante


dissimulação, ou outro recurso que dificultou
ou tornou impossível a defesa do ofendido;

d) com emprego de veneno, fogo, explosivo,


tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou
de que podia resultar perigo comum;

e) contra ascendente, descendente, irmão ou


cônjuge;

f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-


se de relações domésticas, de coabitação ou

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de hospitalidade, ou com violência contra a


mulher na forma da lei específica; (Redação
dada pela Lei nº 11.340, de 2006)

g) com abuso de poder ou violação de dever


inerente a cargo, ofício, ministério ou
profissão;

h) contra criança, maior de 60 (sessenta)


anos, enfermo ou mulher grávida; (Redação
dada pela Lei nº 10.741, de 2003)

i) quando o ofendido estava sob a imediata


proteção da autoridade;

j) em ocasião de incêndio, naufrágio,


inundação ou qualquer calamidade pública,
ou de desgraça particular do ofendido;

l) em estado de embriaguez preordenada.

Agravantes no caso de concurso de pessoas

Art. 62 - A pena será ainda agravada em


relação ao agente que: (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

I - promove, ou organiza a cooperação no


crime ou dirige a atividade dos demais
agentes; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

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II - coage ou induz outrem à execução


material do crime; (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

III - instiga ou determina a cometer o crime


alguém sujeito à sua autoridade ou não-
punível em virtude de condição ou qualidade
pessoal; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

IV - executa o crime, ou nele participa,


mediante paga ou promessa de
recompensa.(Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

Vejam que o próprio art. 61 menciona que as circunstâncias são


tidas como agravantes apenas quando não qualificam o crime ou
constituem o tipo penal.
Por exemplo, no homicídio qualificado por motivo fútil ou torpe essa
circunstância torna o crime de homicídio como qualificado, o que significa
dizer que o motivo torpe não vai ser utilizado como agravante genérica na
segunda fase da dosimetria da pena.
O primeiro julgado versando sobre o tema de segunda fase da
dosimetria da pena que vamos trazer para vocês é o contido no
informativo 735, do STF.
As circunstâncias agravantes genéricas não se aplicam aos crimes
culposos, com exceção da reincidência.
STF. 1a Turma. HC 120165/RS, rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
11/2/2014.

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Veja que o julgado contido no informativo é categórico em prever


que apenas no caso de reincidência teremos uma agravante genérica do
CP, em casos de crimes culposos.
Apesar de existir um precedente antigo do STF versando sobre o
tema (HC 70362, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgado em 05/10/1993),
oportunidade em que se afirma ser possível a incidência das demais
espécies de agravantes em caso de crime culposo.
Entretanto, o entendimento atual da Corte Suprema é no sentido de
que, em regra as agravantes genéricas aplicam-se no caso de
cometimento de crime culposo, a exceção fica para o caso da
reincidência.

AGRAVANTES NO CASO DE CRIME CULPOSO


Regra Exceção
Não se aplicam Reincidência (HC 120165/RS,
11/2/2014

O próximo julgado é constante do informativo nº. 541, do STJ e


também versa sobre os casos de incidência de agravantes e a possível
ocorrência de crime doloso/culposo/preterdoloso.
Vejamos o teor:
É possível a aplicação das agravantes genéricas do art. 61 do CP aos
crimes preterdolosos.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.254.749-SC, Rel. Min. Maria Thereza de
Assis Moura, julgado em 6/5/2014.

Lembre-se de que o crime preterdoloso é um crime que é cometido


com dolo no antecedente e culpa no consequente.
O entendimento do STJ é no sentido de que como há dolo na
conduta-base então não precisa analisar o fato de ser culposo o
consequente, ou o resultado.

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Portanto, o crime é fundamentalmente doloso, pois tem a sua


conduta-base dolosa e isso é suficiente para configurar a incidência das
agravantes genéricas.
Agora vamos comentar um pouco sobre um assunto muito cobrado
e muito rico na jurisprudência do STF e STJ. O assunto é reincidência.
A reincidência ocorre quando um agente delituoso comete uma
infração penal dentro do prazo de depuração, ou seja, dentro dos cinco
anos seguintes à extinção da pena e esse conceito deve ser anotado de
acordo com os arts. 63, do CP e 7º, da LCP. Vejamos.

Reincidência
Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o
agente comete novo crime, depois de
transitar em julgado a sentença que, no País
ou no estrangeiro, o tenha condenado por
crime anterior. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

Na Lei de Contravenções penais:


Art. 7º Verifica-se a reincidência quando o
agente pratica uma contravenção depois de
passar em julgado a sentença que o tenha
condenado, no Brasil ou no estrangeiro, por
qualquer crime, ou, no Brasil, por motivo de
contravenção.
Assim, de acordo com o que foi mencionado nos dois dispositivos
legais, podemos montar um quadro que é muito comum nas obras de
Direito Penal.

Condenada Nova prática Efeito


definitivamente por:

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CRIME (no Brasil ou CRIME REINCIDÊNCIA


exterior)
CRIME (no Brasil ou CONTRAVENÇÃO (no REINCIDÊNCIA
exterior) Brasil)
CONTRAVENÇÃO (no CRIME NÃO HÁ reincidência.
Brasil) Falha legislativa, no
entanto, gera maus
antecedentes.
CONTRAVENÇÃO (no CONTRAVENÇÃO (no REINDICÊNCIA
Brasil) Brasil)
CONTRAVENÇÃO (no CRIME ou NÃO HÁ reincidência,
Estrangeiro) CONTRAVENÇÃO uma vez que
contravenção no
estrangeiro não gera
reincidência.

Entendido o que é a reincidência, lembre-se de que quando o


agente delituoso é reincidente na prática de crime, quando da dosimetria
da pena do segundo delito, o juiz vai valorar a sua reincidência de forma
negativa na segunda fase, nos termos doa art. 61, do CP.
A pergunta que pode ser feita é se essa valoração negativa pode
durar para sempre.
A resposta é negativa e isso vai ao encontro de um estado
democrático de Direito, onde um instituto não pode ser eternizado,
principalmente se é um instituto desvalorizador para quem comete delitos
e cumpre as penas respectivas.
Vejamos a previsão do art. 64, I, do CP:
Art. 64 - Para efeito de reincidência:
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
I - não prevalece a condenação anterior, se
entre a data do cumprimento ou extinção da

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pena e a infração posterior tiver decorrido


período de tempo superior a 5 (cinco) anos,
computado o período de prova da suspensão
ou do livramento condicional, se não ocorrer
revogação; (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
Nesse caso veja que o sistema adotado pelo nosso CP é da
temporalidade, pois os efeitos negativos da condenação duram apenas 5
anos, ou seja, passados os 5 anos previstos no CP, então caso cometa
crime o agente deixa de ser reincidente.
Contudo a pergunta mais aprofundada que a jurisprudência
responde é se em casos como esse aquele crime já passado pelo período
depurador ainda pode gerar mais antecedentes, que é o que está previsto
no art. 59, do CP, ou seja, na fixação da pena-base.
O STJ e o STF se dividem nessa matéria e temos que conhecer o
entendimento dos dois tribunais nesse tipo de situação.
Observemos a tabela a seguir:

SIM. POSIÇÃO DO STJ NÃO. POSIÇÃO DO STF

Argumento doutrinário: “apesar de Argumento do STF: “O homem não


desaparecer a condição de pode ser penalizado eternamente
reincidente, o agente não por deslizes em seu passado, pelos
readquire a condição de primário, quais já tenha sido condenado e
que é como o pecado original; tenha cumprido a reprimenda que
desaparece, mas deixa sua lhe foi imposta em regular
mancha, servindo, por exemplo, processo penal.
como antecedente criminal Faz jus ao denominado ‘direito ao
(BITENCOURT, Cezar Roberto. esquecimento’, não podendo
Código Penal Comentado. São perdurar indefinidamente os
Paulo: Saraiva 2007, p.238. efeitos nefastos de uma
condenação anterior, já

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regularmente extinta”. (Min. Dias


Toffoli).
Reincidência: vigora o princípio da Reincidência e Maus Antecedentes:
temporariedade. princípio da temporariedade.
Maus antecedentes: vigora o
princípio da perpetuidade
STJ 5ª Turma. HC 238.065/SP, STF 1ª Turma. HC 119.200, Rel.
Rel. Min. Marilza Maynard (Des. Min. Dias Toffoli, julgado em
Conv. TJSE), julgado em 11/02/2014
18/04/2013. STF 2ª Turma. HC 110191, Rel.
STJ 6ª Turma. HC 240.022/SP, Min. Gilmar Mendes, julgado em
Rel. Min Maria Thereza de Assis 23/04/2013.
Moura, Julgado em 11/03/2014.

3. Lei 9.455/97 (Lei de Tortura)

A Constituição Federal, em seu art. 5º, XLIII, dispôs que “a lei


considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a
prática de tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o
terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo
os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem”
Assim, não se trata de crime imprescritível, uma vez que somente
são considerados como tal o racismo e as ações de grupos armados,
civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado
Democrático, não se admitindo nenhuma outra exceção em nosso
ordenamento jurídico. Visto isso, vamos aos tipos na Lei.
De acordo com o disposto no art. 1º, I, “constitui crime de tortura
constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça,
causando-lhe sofrimento físico ou mental”. Esse inciso possui três alíneas,
as quais funcionam como elemento subjetivo do tipo, vejamos:

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 com o fim de obter informação, declaração ou confissão da


vítima ou de terceira pessoa;
 para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
 em razão de discriminação racial ou religiosa.

O primeiro tipo objetivo, a doutrina classifica como tortura-


persecutória ou tortura-prova - "constranger alguém com emprego de
violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental,
com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de
terceira pessoa". Já no segundo, temos a tortura-crime - constranger
alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe
sofrimento físico ou mental, para provocar ação ou omissão de natureza
criminosa, e no terceiro crime a tortura-racismo - constranger alguém
com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento
físico ou mental, em razão de discriminação racial ou religiosa.
O bem jurídico protegido por este crime é a integridade corporal e
a saúde física e psicológica das pessoas. No caso de o crime ser praticado
por agente público, tutela-se também, secundariamente, a Administração
Pública.
Quanto a consumação, o crime se consuma no momento em que
são empregados os meios que implicam violência (choques, afogamentos,
etc.) ou a grave ameaça, isto é, com a produção do resultado
naturalístico, pois o tipo penal exige, como elemento normativo
extrajurídico, que do constrangimento resulte sofrimento físico ou mental,
independentemente de lograr obter a informação, declaração ou confissão
da vítima ou terceira pessoa; ou de provocar ação ou omissão de
natureza criminosa.
Já no art. 1º, II, da Lei da chamada tortura-castigo. Assim, dispõe
que constitui tortura “submeter alguém, sob sua guarda, poder ou
autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso
sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou
medida de caráter preventivo. Pena – reclusão de 2 a 8 anos”.

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A integridade corporal ou a saúde mental da pessoa sujeita a


guarda, poder ou autoridade de outrem são a objetividade jurídica,
quanto ao tipo objetivo, a ação nuclear típica consubstancia-se no verbo
submeter, isto é, reduzir à obediência, sujeitar, subjugar alguém que se
encontre sob sua guarda, poder ou autoridade. O crime é praticado
mediante o emprego de violência ou grave ameaça. No entanto, não é
qualquer violência ou grave ameaça que configura a tortura, mas, sim,
aquela que provoque intenso sofrimento físico ou mental, isto é, uma
dor profunda na vítima. Convém notar que a tortura, no caso, é
empregada como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter
preventivo. Este crime se consuma no momento em que a vítima é
submetida a intenso sofrimento físico ou mental. Tentativa, em tese, é
admissível, quando, empregada a violência ou grave ameaça, a vítima
não vem a padecer de sofrimento, por circunstâncias alheias à vontade do
agente.

Seguindo, dispõe o art. 1º, § 1º, da Lei de Tortura: “Na mesma


pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de
segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato
não previsto em lei ou não resultante de medida legal”.
No caso acima a vítima está legalmente presa ou submetida a
medida de segurança, mas o constrangimento é criminoso. Mesmo o
homem desfigurado pela prática do crime e afastado do convívio com a
sociedade, mediante recolhimento ao cárcere, merece ter sua integridade
física e sua dignidade preservadas. A pena imposta limita-se à privação
da liberdade, não podendo ser acompanhada de outras medidas aflitivas,
nem de humilhações. O crime em questão não se confunde com aquele
previsto na Lei de Abuso de Autoridade, "submeter pessoa sob sua guarda
ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei", pois
não se trata de submeter o detido a um simples vexame, mas de impor a

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sofrimento, isto é, intensa dor física ou mental. Assim, expor uma


pessoa algemada, sem que haja necessidade do uso da algema
configura abuso de autoridade e não tortura.
No art. 1º, § 2º "aquele que se omite em face dessas condutas,
quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de
detenção de um a quatro anos", pratica o crime aquele que tem o dever
jurídico de apurar a prática de tortura, por exemplo, policial, delegado de
polícia, agente penitenciário etc. O legista que intencionalmente, em seu
laudo, omite a prática de tortura também comete esse crime. Consuma-
se o crime com a omissão. A conduta omissiva inadmite a tentativa, uma
vez que o crime se parfaz em um único ato.
Já no art. 1º, § 3º, da Lei “Se resulta lesão corporal de natureza
grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de 4 a 10 anos; se resulta
morte, a reclusão é de 8 a 16 anos”. O § 3º prevê circunstâncias
qualificadoras que, agregadas aos tipos fundamentais, agravam a
sanção penal. São condições de maior punibilidade.
Temos, também, a causa de aumento de pena – art. 1º, § 4º, da
Lei, assim, "a pena é aumentada de 1/6 até 1/3: se o crime for cometido
por agente público (inciso I); se o crime é cometido contra criança,
gestante, portador de deficiência, adolescente ou maior de 60 anos (inciso
II); e se o crime é cometido mediante sequestro (inciso III): a lei se
refere ao sequestro prolongado, uma vez que aquele que tiver a duração
estritamente necessária para a realização da tortura restará por esta
absorvido.
No caso dessa Lei, trata-se de ação penal pública
incondicionada. A inércia do Ministério Público autoriza a propositura da
ação penal privada subsidiária, nos termos dos arts. 29 do CP e 5º, LIX,
da CF.
Outra informação importante é que segundo o § 5º da Lei, a
condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a
interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada,
assim, essa punição aplica-se aos funcionários públicos que cometerem

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aqueles crimes. A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ)


confirmou o entendimento de que não é necessária motivação na
sentença de condenação por crime de tortura.
Quanto ao regime de cumprimento, diz o § 7º "O condenado por
crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento
da pena em regime fechado.", entretanto, o STF vem dizendo que todas
as Leis que prevêem o início das penas em regime fechado ferem a
Constituição e devem ser analisado o caso em concreto.
Na sequência, a Lei dispõe no art. 1º, § 1º, da Lei de Tortura: “Na
mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de
segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato
não previsto em lei ou não resultante de medida legal”.
O tipo acima, em analise, se parece muito com o art. 136 do CP,
assim, o conflito das normas deve ser resolvido pelo princípio da
especialidade. Apesar de algumas diferenças, cabe destacar a questão do
dolo. O delito do Código Penal (art. 136) tem caráter educativo e o dolo
do agente é a repreensão a uma disciplina e se aperfeiçoa com a simples
exposição a perigo de vida ou saúde da vítima, em razão de excesso no
uso dos meios de correção e disciplina. Já no delito de tortura o dolo é
causar padecimento à vítima, causando-lhe sofrimento físico e mental,
sem nenhum cunho educativo. Outra diferença é que o delito do
Código Penal é de perigo, ao passo que o delito de tortura é de
dano.
No caso acima (art. 1º, § 1º, da Lei de Tortura) a vítima está
legalmente presa ou submetida a medida de segurança, mas o
constrangimento é criminoso. Mesmo o homem desfigurado pela prática
do crime e afastado do convívio com a sociedade, mediante recolhimento
ao cárcere, merece ter sua integridade física e sua dignidade preservadas.
A pena imposta limita-se à privação da liberdade, não podendo ser
acompanhada de outras medidas aflitivas, nem de humilhações. O crime
em questão não se confunde com aquele previsto na Lei de Abuso de
Autoridade, "submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a

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constrangimento não autorizado em lei", pois não se trata de submeter o


detido a um simples vexame, mas de impor a
sofrimento, isto é, intensa dor física ou mental. Assim, expor uma
pessoa algemada, sem que haja necessidade do uso da algema
configura abuso de autoridade e não tortura.

Vejamos, agora, um julgado importante do STJ:


TORTURA. PRESO. LESÕES GRAVES.
A vítima encontrava-se detida sob responsabilidade de agentes estatais
(delegacia da polícia civil) por ter ameaçado a vida de um terceiro.
Contudo, lá apresentou comportamento violento e incontido: debatia-se
contra as grades, agredia outros detentos e dirigia impropérios contra os
policiais. Após, os outros detentos foram retirados da cela e a vítima foi
algemada, momento em que passou a provocar e ofender o policial que a
guardava, que, em seguida, adentrou a cela e lhe desferiu vários golpes
de cassetete, o que lhe causou graves lesões (constatadas por laudo
pericial), agressão que somente cessou após a intervenção de outro
policial. Então, é inegável que a vítima, enquanto estava detida, foi
submetida a intenso sofrimento físico por ato que não estava previsto em
lei, nem resultava de medida legal, o que configurou a tortura prevista
no art. 1º, § 1º, da Lei n. 9.455/1997. Essa modalidade de tortura,
ao contrário das demais, não exige especial fim de agir por parte
do agente para configurar-se, bastando o dolo de praticar a
conduta descrita no tipo objetivo. Já o Estado democrático de
direito repudia o tratamento cruel dispensado por seus agentes a
qualquer pessoa, inclusive presos. Conforme o art. 5º, XLIX, da
CF/1988, os presos mantêm o direito à intangibilidade de sua integridade
física e moral. Desse modo, é inaceitável impor castigos corporais aos
detentos em qualquer circunstância, sob pena de censurável violação dos
direitos fundamentais da pessoa humana. Anote-se, por último, que a
revaloração de prova ou de dados explicitamente admitidos e delineados

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no decisório recorrido, quando suficientes para a decisão da questão, tal


como se deu na hipótese, não implica reexame da matéria probatória
vedada na via especial (Súm. n. 7-STJ). No especial, não se pode
examinar mera quaestio facti ou error facti in iudicando, contudo não há
óbice ao exame do error iuris in iudicando (tal qual o equívoco na
valoração de provas) e o error in procedendo. Com esse entendimento, a
Turma, ao prosseguir o julgamento, por maioria, deu provimento ao
especial. Precedente citado: REsp 184.156-SP, DJ 9/11/1998. REsp
856.706-AC, Rel. originária Min. Laurita Vaz, Rel. para acórdão Min. Felix
Fischer, julgado em 6/5/2010.

No art. 1º, § 2º "aquele que se omite em face dessas condutas,


quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de
detenção de um a quatro anos", pratica o crime aquele que tem o dever
jurídico de apurar a prática de tortura, por exemplo, policial, delegado de
polícia, agente penitenciário etc. O legista que intencionalmente, em seu
laudo, omite a prática de tortura também comete esse crime. Consuma-
se o crime com a omissão. A conduta omissiva inadmite a tentativa, uma
vez que o crime se perfaz em um único ato.
Pessoal, o dever de evitar consiste no dever de impedir a
ocorrência da prática de qualquer modalidade de tortura, aqui, o agente
deve ter um vínculo legal com a vítima da tortura, sendo, portanto,
agente garantidor, ok? Já no dever de apurar, reside no dever de
averiguar, investigar a ocorrência da prática de qualquer modalidade de
tortura descrita na Lei.
Vejamos uma questão de prova sobre esse assunto:

(CESPE - Delegado de Polícia - PC-BA-2013) Determinado policial


militar efetuou a prisão em flagrante de Luciano e o conduziu à delegacia
de polícia. Lá, com o objetivo de fazer Luciano confessar a prática dos
atos que ensejaram sua prisão, o policial responsável por seu

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interrogatório cobriu sua cabeça com um saco plástico e amarrou-o no


seu pescoço, asfixiando-o. Como Luciano não confessou, o policial
deixou-o trancado na sala de interrogatório durante várias horas,
pendurado de cabeça para baixo, no escuro, período em que lhe dizia
que, se ele não confessasse, seria morto. O delegado de polícia, ciente
do que ocorria na sala de interrogatório, manteve-se inerte. Em
depoimento posterior, Luciano afirmou que a conduta do policial lhe
provocara intenso sofrimento físico e mental.
O delegado não pode ser considerado coautor ou partícipe da conduta do
policial, pois o crime de tortura somente pode ser praticado de forma
comissiva.
Comentários:
Segundo o art. 1º, §2º da Lei, aquele que se omite, quando tinha o dever
de evitar ou apurar as condutas deferidas como tortura, incorre na pena
de detenção de um a quatro anos. Notem que o crime de tortura também
poderá ser praticado de forma omissiva, também definida como
imprópria ou atípica.
Gabarito: E.

Já no art. 1º, § 3º, da Lei “Se resulta lesão corporal de natureza


grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de 4 a 10 anos; se resulta
morte, a reclusão é de 8 a 16 anos”. O § 3º prevê circunstâncias
qualificadoras que, agregadas aos tipos fundamentais, agravam a
sanção penal. São condições de maior punibilidade.
Tais resultados sempre acontecerão por culpa do agente, por
tratar-se de delito preterdoloso, que é aquele em que o agente age com
dolo na conduta, gerando um resultado qualificador mais grave à título de
culpa. Entretanto, se o agente tiver dolo em relação à lesão corporal ou à
morte, aplica-se o concurso de crimes entre as condutas.
Seguindo, temos, também, a causa de aumento de pena – art. 1º,
§ 4º, da Lei, assim, "a pena é aumentada de 1/6 até 1/3: se o crime for
cometido por agente público (inciso I); se o crime é cometido contra

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criança, gestante, portador de deficiência, adolescente ou maior de 60


anos (inciso II); e se o crime é cometido mediante sequestro (inciso III):
a lei se refere ao sequestro prolongado, uma vez que aquele que tiver a
duração estritamente necessária para a realização da tortura restará por
esta absorvido.
Pessoal, não sei qual será o nível da prova de vocês, assim, não
podemos dispensar nada! Esse parágrafo traz causas de aumento de
pena, que devem incidir na terceira fase do critério trifásico de aplicação
da pena. São aplicáveis a todas as modalidades de tortura. Outra coisa,
para caracterização do inciso I, considera-se agente público toda pessoa
que possua um vínculo formal com o Estado para o exercício de cargo,
emprego ou função na administração pública direta ou indireta.
Fiquem atentos, pois esse aumento não se aplica ao delito
previsto no art. 1º, § 1º e §2º (segunda parte), já que pode
ocorrer incidência em bis in idem, pois a condição de agente
público já figura como elemento daqueles tipos penais.
Pessoal, quanto à ação penal, a Lei em estudo, trata-se de ação
penal pública incondicionada. A inércia do Ministério Público autoriza a
propositura da ação penal privada subsidiária, nos termos dos arts. 29 do
CP e 5º, LIX, da CF.
Outra informação importante é que segundo o § 5º da Lei, a
condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a
interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada,
assim, essa punição aplica-se aos funcionários públicos que cometerem
aqueles crimes. Conforme já vimos, a Quinta Turma do Superior Tribunal
de Justiça (STJ) confirmou o entendimento de que não é necessária
motivação na sentença de condenação por crime de tortura.
O § 6º menciona que "o crime de tortura é inafiançável e
insuscetível de graça ou anistia". Logo, a proibição de concessão de fiança
trazida pelo legislador está em perfeita compatibilidade com a vedação
constitucional, bem como a vedação da anistia e da graça. Vejamos uma
questão de prova:

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(CESPE - Técnico de Apoio Especializado - Segurança - MPU-2010)


O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.
Gabarito: C.

Quanto ao regime de cumprimento, diz o § 7º "O condenado por


crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento
da pena em regime fechado.", entretanto, o STF entende que o início das
penas em regime fechado fere a Constituição por violar o princípio
constitucional da individualização da pena. Vejamos um recente julgado
do STJ:

DIREITO PENAL. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA NO CRIME


DE TORTURA.
Não é obrigatório que o condenado por crime de tortura inicie o
cumprimento da pena no regime prisional fechado. Dispõe o art.
1º, § 7º, da Lei 9.455/1997 – lei que define os crimes de tortura e dá
outras providências – que “O condenado por crime previsto nesta Lei,
salvo a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em regime
fechado”. Entretanto, cumpre ressaltar que o Plenário do STF, ao
julgar o HC 111.840-ES (DJe 17.12.2013), afastou a
obrigatoriedade do regime inicial fechado para os condenados por
crimes hediondos e equiparados, devendo-se observar, para a fixação
do regime inicial de cumprimento de pena, o disposto no art. 33 c/c o
art. 59, ambos do CP. Assim, por ser equiparado a crime hediondo, nos
termos do art. 2º, caput e § 1º, da Lei 8.072/1990, é evidente que essa
interpretação também deve ser aplicada ao crime de tortura, sendo o
caso de se desconsiderar a regra disposta no art. 1º, § 7º, da Lei
9.455/1997, que possui a mesma disposição da norma declarada
inconstitucional. Cabe esclarecer que, ao adotar essa posição, não se

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está a violar a Súmula Vinculante n.º 10, do STF, que assim dispõe:
"Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art. 97) a decisão de órgão
fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua
incidência, no todo ou em parte". De fato, o entendimento adotado vai ao
encontro daquele proferido pelo Plenário do STF, tornando-se
desnecessário submeter tal questão ao Órgão Especial desta Corte, nos
termos do art. 481, parágrafo único, do CPC: "Os órgãos fracionários dos
tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a arguição
de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do
plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão". Portanto,
seguindo a orientação adotada pela Suprema Corte, deve-se utilizar, para
a fixação do regime inicial de cumprimento de pena, o disposto no art. 33
c/c o art. 59, ambos do CP e as Súmulas 440 do STJ e 719 do STF.
Confiram-se, a propósito, os mencionados verbetes sumulares: "Fixada a
pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de regime
prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta,
com base apenas na gravidade abstrata do delito." (Súmula 440 do STJ)
e "A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena
aplicada permitir exige motivação idônea." (Súmula 719 do STF).
Precedente citado: REsp 1.299.787-PR, Quinta Turma, DJe 3/2/2014. HC
286.925-RR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 13/5/2014

Para fecharmos essa Lei, cabe destacar que o art. 2º deixa


evidente que " O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não
tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima brasileira ou
encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira". Aqui foi
adotado o princípio da personalidade passiva, segundo o qual a lei penal
brasileira aplica-se fora do seu território, quando a vítima do crime for
brasileira. Assim, cabe destacar um recente julgado do STJ envolvendo a
competência no caso acima, vejamos:

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Crime de tortura praticado contra brasileiro no exterior: trata-se de


hipótese de extraterritorialidade incondicionada (art. 2º da Lei 9.455⁄97).
No Brasil, a competência para julgar será da Justiça Estadual.
O fato de o crime de tortura, praticado contra brasileiros, ter
ocorrido no exterior, não torna, por si só, a Justiça Federal
competente para processar e julgar os agentes estrangeiros. Isso
porque a situação não se enquadra, a princípio, em nenhuma das
hipóteses do art. 109 da CF/88.
STJ. 3ª Seção. CC 107.397-DF, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em
24/9/2014 (Info 548).

4. Lei nº 4.898/65 (Abuso de Autoridade)

Então meus amigos, o nosso país como uma nação democrática,


tem em sua Constituição Federal que:

"Art.5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de


qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e a propriedade."

Dessa forma, nenhuma forma de abuso de autoridade pode ser


aceito impunemente em um país defensor das garantias individuais como
o Brasil.
O Abuso de Autoridade é um crime que pode ser praticado por
praticamente todos os integrantes da Administração Pública, estando em
um cargo de autoridade ou não, desde que tenham poder funcional para
determinar alguma conduta. Assim, é um delito amplo, com grandes
possibilidades de punição aos autores das condutas típicas.

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Apesar dessa amplitude, notamos que os abusos de autoridade


que ocorrem com mais frequência são os praticados pelas autoridades
policiais, principalmente os ligados à liberdade individual, como no caso
de buscas e apreensões, abordagens pessoais e operações policiais fora
dos parâmetros legais.
O abuso será caracterizado quando a autoridade praticar, omitir
ou retardar ato, no exercício da função pública, para embaraçar ou
prejudicar os direitos fundamentais do cidadão garantidos na Constituição
Federal, como, por exemplo, a liberdade individual, a integridade física e
moral, a intimidade, a vida privada e a inviolabilidade do domicílio.
A norma deixa claro que o direito de representação e o
processo de responsabilidade administrativa civil e penal, contra as
autoridades que, no exercício de suas funções, cometerem abusos, são
regulados por ela. Logo, cabe destacar que os bens jurídicos tutelados
pela Lei são dois, o primeiro é o regular funcionamento da Administração
Pública, e o segundo são os direitos e as garantias fundamentais previstos
na CF/88. Quanto ao sujeito ativo é a autoridade pública, já o sujeito
passivo, o primeiro é o Estado, conhecido como o sujeito passivo mediato,
indireto ou permanente. O segundo é a vítima do abuso, conhecido como
sujeito passivo imediato, direto ou eventual.

A lei menciona que o direito de representação será exercido


por meio de petição:
 dirigida à autoridade superior que tiver competência legal
para aplicar, à autoridade civil ou militar culpada, a
respectiva sanção;
 dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver competência
para iniciar processo-crime contra a autoridade culpada.

Assim, a representação será feita em duas vias e conterá a


exposição do fato constitutivo do abuso de autoridade, com todas

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as suas circunstâncias, a qualificação do acusado e o rol de testemunhas,


no máximo de três, se as houver.

Pessoal, os crimes de abuso de autoridade encontram-se


dispostos nos arts. 3° e 4° da lei nº 4.898/65. Esses crimes consumam-se
com o atentado aos direitos e às garantias fundamentais previstos no
art. 3º e por meio das ações ou omissões descritas pelo art. 4º,
bastando o perigo de dano. Assim, o art. 3º da Lei dispõe que:
Constitui abuso de autoridade qualquer atentado:
 à liberdade de locomoção;
 à inviolabilidade do domicílio;
 ao sigilo da correspondência;
 à liberdade de consciência e de crença;
 ao livre exercício do culto religioso;
 à liberdade de associação;
 aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício
do voto;
 ao direito de reunião;
 à incolumidade física do indivíduo;
 aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício
profissional.

Pessoal, é muito importante saber, para o melhor entendimento


dessa legislação, que, nos termos do art. 5º, § 1º, da CF, as normas
definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata,
independentemente da criação de ordenamento infraconstitucional.
Assim, vamos perceber que os crimes envolvidos na Lei são os direitos e
garantias individuais, os quais foram erigidos em cláusulas pétreas
(núcleo constitucional imodificável), uma vez que há uma limitação
material explícita ao poder constituinte derivado de reforma. Neste
sentido, o art. 60, § 4º, IV, é expresso, ao dispor que não será objeto de
deliberação a proposta de emenda tendente a abolir os direitos e

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garantias individuais. Assim, só podem ser ampliados; do contrário, serão


imodificáveis.
Nossa Constituição deu enorme relevância aos direitos e garantias
fundamentais, assegurando-os de maneira quase absoluta. No entanto,
há situações em que o próprio constituinte autorizou exceção ao
Estado Democrático de Direito (estado de normalidade constitucional).
Fundamentalmente, podemos citar três situações:
• intervenção federal (art. 34);
• estado de defesa (art. 136);
• estado de sítio (art. 137).

O estado de defesa consiste em uma situação na qual se


organizam medidas destinadas a debelar ameaças à ordem pública ou à
paz social. Desse modo, quando há grande calamidade pública ou
situação que coloca em risco a estabilidade das instituições democráticas
num ponto restrito do território nacional, o Presidente da República
decreta o estado de defesa, estabelecendo restrições aos direitos
fundamentais de: reunião; sigilo de correspondência; sigilo de
comunicação telegráfica e telefônica (art. 136, § 1º, I). Depois de
decretado, será submetido à apreciação do Congresso Nacional. Isso
também ocorre no estado de sítio.
No tocante aos destinatários dos direitos e garantias fundamentais,
o Supremo Tribunal Federal fixou a seguinte interpretação para a redação
do caput do art. 5º: “o qualificativo residentes no País não é qualificativo
do substantivo estrangeiro e sim do sujeito composto brasileiros e
estrangeiros. Desse modo, significa que a Constituição Federal
assegura o exercício daqueles direitos, indistintamente, a
brasileiros e estrangeiros nos limites da nossa soberania”.
O art. 5º destina-se principalmente às pessoas físicas, mas as
pessoas jurídicas também são beneficiárias de muitos dos direitos e
garantias ali elencados, tais como o princípio da isonomia, o princípio da
legalidade, o direito de resposta, o direito de propriedade, o sigilo de

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correspondência, a garantia de proteção ao direito adquirido, ao ato


jurídico perfeito e à coisa julgada e o direito de impetrar mandado de
segurança.
Pessoal, isso tudo passa a ser importante para vocês verem que os
direitos e garantias constitucionais não são absolutos e sim relativos.
E, ao mencionar as violações descritas na Lei de Abuso de Autoridade, o
examinador pode colocar algumas dessas exceções e tentar confundir o
candidato, ok?
Seguindo, é importante, também, saber que o Abuso de
Autoridade é um crime que pode ser praticado por praticamente todos os
integrantes da Administração Pública, estando em um cargo de
autoridade ou não, desde que tenham poder funcional para determinar
alguma conduta. Assim, é um delito amplo, com grandes possibilidades
de punição aos autores das condutas típicas.
Apesar dessa amplitude, notamos que os abusos de autoridade
que ocorrem com mais frequência são os praticados pelas autoridades
policiais, principalmente os ligados à liberdade individual, como no caso
de buscas e apreensões, abordagens pessoais e operações policiais fora
dos parâmetros legais.
O abuso será caracterizado quando a autoridade praticar, omitir
ou retardar ato, no exercício da função pública, para embaraçar ou
prejudicar os direitos fundamentais do cidadão garantidos na Constituição
Federal, como, por exemplo, a liberdade individual, a integridade física e
moral, a intimidade, a vida privada e a inviolabilidade do domicílio.
Meus caros, quando o abuso for cometido por agente de
autoridade policial, civil ou militar, de qualquer categoria, poderá ser
cominada a pena autônoma ou acessória, de não poder o acusado exercer
funções de natureza policial ou militar no município da culpa, por prazo
de um a cinco anos.
Não abrange as pessoas que trabalha para a empresa prestadora
de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica
da Administração Pública.

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A representação não constitui condição de procedibilidade


para a ação penal, que é pública incondicionada, não podendo ser obstada
pela ausência de representação. Esta tem natureza de notícia do fato
criminoso. A Lei 5.249/67 foi editada com o único objetivo de esclarecer
que os crimes de abuso de autoridade são de ação penal pública
incondicionada.
O particular pode ser sujeito ativo do crime de abuso de
autoridade, desde pratique a conduta em concurso com a autoridade
pública, e saiba da condição do autor.
No caso flagrante impróprio, em que autor de crime é preso em
perseguição, haverá crime de abuso de autoridade na conduta dos
policiais de ingressar dentro do domicílio do criminoso? Sim. No caso da
prisão em flagrante, leciona Guilherme de Souza Nucci, “deve o flagrante
ser próprio (art. 302, I e II, CPP), não nos parecendo correto ampliar a
possibilidade de invasão para as hipóteses de flagrante impróprio ou
presumido (art. 302, III – perseguido logo após; e IV – encontrado logo
depois, CPP).”
O descumprimento de prazo em favor de adolescente privado de
liberdade, cumprindo medida de interdição pelo cometimento de ato
infracional, em face do princípio da especialidade, não configura crime de
abuso de autoridade, mas sim crime do ECA, previsto no art. 235 da lei
n.º 8.069/90.
Outra coisa que vocês devem saber é que as sanções aplicadas
aos crimes de abuso de autoridade são determinadas em três esferas
diferentes e autônomas: a civil, a administrativa e a penal. Sendo
assim, fica claro que um indivíduo pode só sofrer uma sanção
administrativa e não sofrer uma penal ou mesmo ter aplicada apenas uma
penalização civil em determinado caso. Assim, são autônomas e
cumulativas.
Pessoal, muito cuidado com os procedimentos (ação e o processo
penal) descritos na legislação, pois, os crimes previstos na Lei de Abuso
de Autoridade seguiam o procedimento sumaríssimo previsto nos artigos

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do diploma Legal (Lei de Abuso de Autoridade), entretanto, a partir da Lei


nº 9.099/95, com as modificações operadas pela Lei nº 11.313, de 28 de
junho de 2006, todos os crimes da Lei nº 4.898/65 passaram a sujeitar-
se ao seu procedimento sumaríssimo, bem como aos demais institutos
previstos nesse diploma legal (Juizados Especiais Cíveis e Criminais),
conforme decisão do STJ!
Seguindo, e aprofundando mais na legislação, disse na aula
passada que o direito de representação e o processo de
responsabilidade administrativa civil e penal, contra as autoridades
que, no exercício de suas funções, cometerem abusos, são regulados pela
própria Lei em questão. Logo, cabe destacar que os bens jurídicos
tutelados pela Lei são dois, o primeiro é o regular funcionamento da
Administração Pública, e o segundo são os direitos e as garantias
fundamentais previstos na CF/88, por isso fizemos aquele estudo no
início.
Quanto ao sujeito ativo é a autoridade pública, já o sujeito
passivo, o primeiro é o Estado, conhecido como o sujeito passivo mediato,
indireto ou permanente. O segundo é a vítima do abuso, conhecido como
sujeito passivo imediato, direto ou eventual.
O art. 2º disciplina o exercício do direito constitucional de
representação. Assim, qualquer pessoa que se sentir vítima de abuso de
poder poderá, direta, pessoalmente e sem a necessidade de advogado,
encaminhar sua delação à autoridade civil ou militar competente para a
apuração e a responsabilização do agente. De acordo com o mencionado
dispositivo legal, o direito de representação será exercido por meio de
petição:
 dirigida à autoridade superior que tiver competência legal
para aplicar, à autoridade civil ou militar culpada, a
respectiva sanção;
 dirigida ao órgão do Ministério Público que tiver competência
para iniciar processo-crime contra a autoridade culpada.

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Assim, a representação será feita em duas vias e conterá a


exposição do fato constitutivo do abuso de autoridade, com todas
as suas circunstâncias, a qualificação do acusado e o rol de testemunhas,
no máximo de três, se as houver.
Além de regular o direito de representação, a Lei nº 4.898/65
define os crimes de abuso de autoridade e estabelece a forma de
apuração das responsabilidades administrativa, civil e penal, conforme
disse no início. A finalidade da Lei nº 4.898/65 é prevenir os abusos
praticados pelas autoridades, no exercício de suas funções.

Bom, por hoje, estamos finalizando a parte teórica da nossa aula


e vamos resolver algumas questões versando sobre os temas trabalhados
hoje na nossa aula.

5. Questões propostas

01. (PCES – IBFC – Agente de Polícia Judiciária - 2014) Suponha


que determinada mulher acaba de tomar ciência de que o seu marido a
está traindo. Impelida por uma forte emoção, a esposa resolve atentar
contra a vida do marido. Para tanto, desfere um tiro contra ele enquanto
este dormia e foge do local. Nesse momento, um vizinho, que acabara de
escutar o disparo, chama a polícia e a autoridade policial imediatamente
se dirige até o local do fato. No local do homicídio, o delegado de polícia
colhe algumas informações preliminares e se dirige até onde

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supostamente a autora se encontraria. Ao chegar no destino indicado


encontra a autora chorando e desolada, não oferecendo resistência à
prisão. Imediatamente, a imprensa se dirige ao local e passa a
acompanhar o desfecho da ocorrência. A respeito do caso hipotético,
assinale a alternativa correta:

a) O delegado de polícia deve imediatamente se dirigir ao juiz de plantão,


pois somente este pode autorizar a prisão em flagrante da autora
mediante ordem escrita e fundamentada.

b) Caso o delegado de polícia faça uso de algemas sem que a autora


ofereça resistência, a prisão em flagrante poderá ser anulada, sem
prejuízo da responsabilidade da autoridade policial.

c) O delegado de polícia está autorizado a fazer uso de algemas, pois a


brutalidade do crime, por si só, justificaria a medida.

d) O delegado de polícia deve preferencialmente fazer uso de algemas


nesse caso, pois a imprensa noticiará a imagem da prisão da autora e
passará uma mensagem positiva à população de que o crime não
compensa.

02. (FUNCAB - PCMT – Investigador – 2014) Considera-se em


flagrante delito:

a) aquele que é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou


por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser ele autor da
infração, ou ainda, o que é encontrado, logo depois com instrumentos,
armas, objetos ou papeis que façam presumir ser ele autor da infração.

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b) aquele que é perseguido, em até 48 horas, pela autoridade, pelo


ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser ele
autor da infração.

c) aquele que é perseguido, em até 24 horas, pela autoridade, pelo


ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser ele
autor da infração.

d) aquele que é encontrado, em até 24 horas, com instrumentos armas,


objetos ou papeis que façam presumir ser ele autor da infração.

e) aquele que é encontrado, em até 48 horas, com instrumentos armas,


objetos ou papeis que façam presumir ser ele autor da infração.

03. (CESPE – PCDF – Agente – 2013) Após a prisão em flagrante, a


autoridade policial deverá entregar ao preso a nota de culpa em até vinte
e quatro horas, pois não é permitido que alguém fique preso sem saber o
motivo da prisão.

04. (MP-GO – Promotor de Justiça – 2016) Sobre o regime jurídico


da prisão provisória e das medidas cautelares pessoais no ordenamento
jurídico pátrio, segundo orientação doutrinária e jurisprudencial, é correto
afirmar que:

a) Inquéritos policiais e processos em andamento não tem o condão de


exasperar a pena-base no momento da dosimetria da pena e, tampouco,
em razão do princípio da presunção de inocência, são elementos aptos a
demonstrar fundamentação suficiente para a decretação da prisão
preventiva.

b) A prisão preventiva se mostra ilegítima nos casos em que a sanção


abstratamente prevista ou imposta na sentença condenatória recorrível

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não resulte em constrição pessoal, por força do princípio da


homogeneidade.

c) O quebramento injustificado da fiança importará na perda de metade


do seu valor, cabendo ao juiz decidir sobre a imposição de outras medidas
cautelares, não se permitindo a decretação da prisão preventiva.

d) Em qualquer fase da persecução criminal caberá a prisão preventiva


decretada pelo juiz, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público, do
querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial,
conforme alteração trazida pela Lei n. 12.403/2011 ao CPP.

05. (TRF3 – Juiz Federal da 3ª Região) Assinale a alternativa correta:


a) Pode ser considerado em flagrante delito quem integra organização
criminosa;
b) Crimes inafiançáveis não comportam liberdade provisória, sem fiança;
c) A autoridade policial só pode decretar fiança, em caso de crimes
apenados com detenção;
d) A autoridade policial pode aplicar medidas cautelares diversas da
prisão.

06. (VUNESP – SP – TJRJ – Juiz de Direito – 2016) X, flagrado


portando maconha para uso próprio, pode

a) ser conduzido ao Distrito Policial, livrando-se solto, haja vista tratar-se


de infração de menor potencial ofensivo.

b) ignorar a determinação policial no sentido de que se conduza ao


Distrito Policial, uma vez que esta conduta não prevê pena privativa de
liberdade.

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c) ser conduzido ao CAPS – Centro de Atenção Psicossocial –, para ser


submetido a tratamento compulsório, dado que a lei prevê medidas
alternativas à prisão.

d) ser preso, em flagrante delito.

e) ser liberado, mediante pagamento de fiança.

07. (UEG – PCGO – Delegado de Polícia – 2013) Em tema de


aplicação e execução da pena, julgue os itens a seguir:

7.1 o aumento na segunda fase de aplicação da pena, no crime de roubo


circunstanciado, exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para
a sua exasperação a mera indicação do número de majorantes.

7.2 a falta grave não interrompe o prazo para obtenção do livramento


condicional.

7.3 é inadmissível a fixação de pena substitutiva como condição especial


ao regime aberto.

7.4 é admissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a


majorante do roubo.

08. (FCC – TJSC – Juiz de Direito – 2015) Sobre a utilização de


inquéritos policiais ou as ações penais em curso como fundamento para
aumentar a pena, é correto afirmar:

a) É cabível na segunda fase e terceira fase de individualização da pena,


mas não pode intervir sobre a fixação da pena-base.

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b) Embora não esteja expressamente prevista como circunstância


agravante, pode ser considerada agravante genérica com especial
permissão de emprego no processo individualizador da pena.
c) Integra espectro compreendido no chamado princípio do livre
convencimento do juiz que pode utilizá-la como causa geral de aumento
de pena.
d) É considerada circunstância agravante expressamente prevista no art.
61 do Código Penal.
e) Não é reconhecida pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça
que editou, inclusive, súmula sobre o tema.

09. (FCC – DPE-CE – Defensor Público – 2014) As circunstâncias


atenuantes
a) sempre preponderam sobre as circunstâncias agravantes, no caso de
concurso entre umas e outras.
b) constituem fatores de redução da pena estabelecidos em quantidades
fixas.
c) não devem ser consideradas na fixação da pena-base.
d) podem ser reconhecidas ainda que não previstas expressamente em
lei, mas apenas se anteriores ao crime.
e) permitem a redução da pena abaixo do mínimo legal, segundo
entendimento sumulado.

10. (VUNESP – SP – Juiz de Direito – TJSP – 2014) Analise estas


duas hipóteses isoladas: 1.º) o agente matou o indivíduo que estuprou
sua filha menor e 2.º) o agente, que é traficante de drogas, matou seu
concorrente para dominar o comércio de drogas no bairro. Relativamente
ao crime de homicídio, escolha a opção que indique, respectivamente, o
que, em tese, cada uma destas situações poderia significar num eventual
Júri:

a) atenuante genérica; agravante genérica.

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b) atenuante genérica; causa de aumento de pena.


c) causa de diminuição de pena; qualificadora.
d) causa de diminuição de pena; agravante genérica.

11. (CESPE - 2012 - PC-AL - Escrivão de Polícia) Acerca dos crimes


de abuso de autoridade e de tortura, julgue os itens
subsequentes.
Há concurso de crimes de abuso de autoridade e de tortura se, em um
mesmo contexto, mas com desígnios autônomos, dois agentes torturam
preso para que ele confesse a autoria de delito e, em seguida, o exibem,
sem autorização, para as redes de televisão como suposto autor confesso
do crime.

12. (CESPE - 2012 - TJ-AC - Técnico Judiciário - Área Judiciária)


Acerca das leis penais extravagantes, julgue os itens
subsecutivos, de acordo com o magistério doutrinário e
jurisprudencial dominantes.
Suponha que João, penalmente capaz, movido por sadismo, submeta
Sebastião, com emprego de violência, a contínuo e intenso sofrimento
físico, provocando-lhe lesão corporal de natureza gravíssima. Nessa
situação, João deverá responder pelo crime de tortura e, se condenado,
deverá cumprir a pena em regime inicial fechado.

13. (2015 - FGV - TJ-PI - Analista Judiciário -Escrivão Judicial)


Ressalvada a situação daquele que se omite, quando tinha dever
de evitar ou apurar, os condenados por crime de tortura, na forma
da Lei nº 9.455/97, devem cumprir a pena em regime:
A) integralmente fechado;
B) inicialmente fechado;
C) inicialmente semiaberto;
D) inicialmente semiaberto, no caso de tortura vindicativa;

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E) aberto.

14. (CESPE - 2012 - Polícia Federal - Agente da Polícia Federal) A


respeito das leis especiais, julgue os itens a seguir.
O policial condenado por induzir, por meio de tortura praticada nas
dependências do distrito policial, um acusado de tráfico de drogas a
confessar a prática do crime perderá automaticamente o seu cargo, sendo
desnecessário, nessa situação, que o juiz sentenciante motive a perda do
cargo.

15. (CESPE - 2013 - PG-DF - Procurador) Com referência às penas


e à sua aplicação, julgue os seguintes itens.
Se um integrante de corporação policial militar for processado penalmente
pela prática de tortura ao submeter agente preso por sua guarnição a
sofrimento físico intenso com a intenção de obrigá-lo a delatar os
comparsas, o julgamento do processo deverá ocorrer na justiça comum, e
a eventual condenação implicará, automaticamente, a perda do cargo,
função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo dobro do
prazo da pena aplicada, como efeito automático da condenação,
dispensando-se motivação circunstanciada.

16. (MPE-SC - 2013 - MPE-SC - Promotor de Justiça - Manhã)


Analise cada um dos enunciados das questões abaixo e assinale
"certo" (c) ou "errada" (e),
Para fins da Lei n. 9.455/97, a perda do cargo público, função ou
emprego público é efeito extrapenal da sentença condenatória; e em se
tratando de condenação de oficial da Polícia Militar pela prática do crime
de tortura, a competência para decretar a perda do oficialato, como efeito
da condenação, é da Justiça Comum.

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17. (2015 – CESPE – AGU - Advogado da União) No que se refere a


crime de abuso de autoridade e ao seu processamento, julgue o
próximo item.
O crime de abuso de autoridade, em todas as suas modalidades, é
infração de menor potencial ofensivo, sujeitando-se seu autor às medidas
despenalizadoras previstas na lei que dispõe sobre os juizados especiais
cíveis e criminais, desde que preenchidos os demais requisitos legais.

18. (CESPE - 2014 - Câmara dos Deputados - Técnico Legislativo -


Agente de Polícia Legislativa) Em relação aos crimes previstos na
parte especial do Código Penal, ao crime de abuso de autoridade e
ao que dispõem o Estatuto do Idoso e a Lei contra o Preconceito,
julgue os próximos itens.
No que se refere ao crime de abuso de autoridade, admitem-se as
modalidades dolosa e culposa.

19. (CESPE - 2014 - Câmara dos Deputados - Técnico Legislativo -


Agente de Polícia Legislativa) Em relação aos crimes previstos na
parte especial do Código Penal, ao crime de abuso de autoridade e
ao que dispõem o Estatuto do Idoso e a Lei contra o Preconceito,
julgue os próximos itens.
O agente que retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício
para satisfazer a interesse ou sentimento pessoal cometerá o crime de
abuso de autoridade.

20. (2016 - CESPE - TRT - 8ª Região - Analista judiciário - Oficial


de Justiça Avaliador Federal) Com base na legislação penal,
assinale a opção correta.
A) A representação prevista na lei que trata dos crimes de abuso de
autoridade é mera notícia do fato criminoso, inexistindo condição de
procedibilidade para a instauração da ação penal.

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B) É facultado ao juiz determinar a cassação da licença de funcionamento


do estabelecimento onde se verifique a submissão de criança ou
adolescente à prostituição ou à exploração sexual, sem prejuízo das
demais penas previstas para o crime.
C) A perda do cargo ou função pública constitui efeito automático da
condenação do servidor público acusado da prática de crimes resultantes
de preconceito de raça ou cor.
D) A coabitação entre os sujeitos ativo e passivo é condição necessária
para a aplicação da Lei Maria da Penha no âmbito das relações íntimas de
afeto.

21. (2016 - CESPE - TJ-AM - Juiz Substituto) Com base no disposto


na Lei n.° 4.898/1965, que trata do crime de abuso de autoridade,
e na jurisprudência do STJ, assinale a opção correta.
A) A pessoa física, mas não a pessoa jurídica, pode ser sujeito passivo do
crime de abuso de autoridade.
B) De acordo com o STJ, pode caracterizar abuso de autoridade a
negativa infundada do juiz em receber advogado, durante o expediente
forense, quando este estiver atuando em defesa do interesse de seu
cliente.
C) A representação da vítima, dirigida ao MP, é condição de
procedibilidade para a instauração da ação penal referente ao crime de
abuso de autoridade.
D) Constitui abuso de autoridade submeter pessoa sob sua guarda ou
custódia a vexame ou a constrangimento, ainda que o procedimento
adotado pela autoridade policial esteja previsto em lei.
E) Constitui crime de abuso de autoridade qualquer atentado à
incolumidade física, psíquica e moral do indivíduo.

22. (2016 - CESPE - TJ-DF - Juiz) A respeito do crime de abuso de


autoridade, assinale a opção correta à luz da atual legislação de
regência.

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A) Em caso de abuso de autoridade cometido por agente de autoridade


policial, civil ou militar, poderá ser cominada pena autônoma ou
acessória, consistente em não poder o acusado exercer funções de
natureza policial pelo prazo de um a cinco anos.
B) O sujeito ativo do crime de abuso de autoridade é toda autoridade
pública, considerada como tal o funcionário público que exerça cargo,
emprego ou função em caráter efetivo e remunerado.
C) O mesário eleitoral exerce múnus público, motivo pelo qual não pratica
o crime de abuso de autoridade, pois o encargo que lhe incumbe não é
típico de autoridade pública.
D) O particular não pode ser sujeito ativo do crime de abuso de
autoridade, salvo se praticar o fato criminoso em concurso com o
funcionário público e se tiver consciência dessa condição elementar.
E) As ações penais relativas aos crimes de abuso de autoridade são
públicas, condicionadas à representação da vítima.

23. (CESPE - Juiz do trabalho - TRT 5ª Região) No que se refere ao


crime de abuso de autoridade, eventual falha na representação, ou sua
falta, não obsta a instauração da ação penal.

24. (CESPE - Juiz do trabalho - TRT 5ª Região) No que se refere ao


crime de abuso de autoridade, compete à justiça militar processar e julgar
crime de abuso de autoridade praticado por policial militar em serviço.

25. (CESPE - 2012 - PC-AL - Escrivão de Polícia) Acerca dos crimes


de abuso de autoridade e de tortura, julgue os itens
subsequentes.
Há concurso de crimes de abuso de autoridade e de tortura se, em um
mesmo contexto, mas com desígnios autônomos, dois agentes torturam
preso para que ele confesse a autoria de delito e, em seguida, o exibem,
sem autorização, para as redes de televisão como suposto autor confesso
do crime.

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26. (CESPE - 2011 - PC-ES - Escrivão de Polícia - Específicos) Com


relação à legislação especial, julgue o item que se segue.
Os crimes de abuso de autoridade serão analisados perante o Juizado
Especial Criminal da circunscrição onde os delitos ocorreram, salvo nos
casos em que tiverem sido praticados por policiais militares.

27. (CESPE -2010 - Defensor Público - DPU) Considere que um


militar, no exercício da função e dentro de unidade militar, tenha
praticado crime de abuso de autoridade, em detrimento de um civil.
Nessa situação, classifica-se a sua conduta como crime propriamente
militar, porquanto constitui violação de dever funcional havida em recinto
sob administração militar.

6. Questões Comentadas

01. (PCES – IBFC – Agente de Polícia Judiciária - 2014) Suponha


que determinada mulher acaba de tomar ciência de que o seu marido a
está traindo. Impelida por uma forte emoção, a esposa resolve atentar
contra a vida do marido. Para tanto, desfere um tiro contra ele enquanto
este dormia e foge do local. Nesse momento, um vizinho, que acabara de
escutar o disparo, chama a polícia e a autoridade policial imediatamente
se dirige até o local do fato. No local do homicídio, o delegado de polícia
colhe algumas informações preliminares e se dirige até onde
supostamente a autora se encontraria. Ao chegar no destino indicado
encontra a autora chorando e desolada, não oferecendo resistência à
prisão. Imediatamente, a imprensa se dirige ao local e passa a
acompanhar o desfecho da ocorrência. A respeito do caso hipotético,
assinale a alternativa correta:

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a) O delegado de polícia deve imediatamente se dirigir ao juiz de plantão,


pois somente este pode autorizar a prisão em flagrante da autora
mediante ordem escrita e fundamentada.

b) Caso o delegado de polícia faça uso de algemas sem que a autora


ofereça resistência, a prisão em flagrante poderá ser anulada, sem
prejuízo da responsabilidade da autoridade policial.

c) O delegado de polícia está autorizado a fazer uso de algemas, pois a


brutalidade do crime, por si só, justificaria a medida.

d) O delegado de polícia deve preferencialmente fazer uso de algemas


nesse caso, pois a imprensa noticiará a imagem da prisão da autora e
passará uma mensagem positiva à população de que o crime não
compensa.

Resposta: item B.

Comentário:

A questão versa sobre o teor da Súmula Vinculante nº 11, STF.

Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio


de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do
preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena
de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e
de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo
da responsabilidade civil do Estado.

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Item A: Incorreto, pois o delegado de polícia não precisa pedir


autorização do juiz para proceder à prisão em flagrante, desde
configurada uma das hipóteses do art. 302, do CPP.

Item C: Incorreto, pois a brutalidade do crime, por si só não gera a


necessidade de utilização de tal recurso, nos termos da súmula já
mencionada.

Item D: Incorreto, pois a mídia televisiva não tem o condão de influenciar


na utilização ou não das algemas por parte do agente público.

02. (FUNCAB - PCMT – Investigador – 2014) Considera-se em


flagrante delito:

a) aquele que é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou


por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser ele autor da
infração, ou ainda, o que é encontrado, logo depois com instrumentos,
armas, objetos ou papeis que façam presumir ser ele autor da infração.

b) aquele que é perseguido, em até 48 horas, pela autoridade, pelo


ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser ele
autor da infração.

c) aquele que é perseguido, em até 24 horas, pela autoridade, pelo


ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser ele
autor da infração.

d) aquele que é encontrado, em até 24 horas, com instrumentos armas,


objetos ou papeis que façam presumir ser ele autor da infração.

e) aquele que é encontrado, em até 48 horas, com instrumentos armas,


objetos ou papeis que façam presumir ser ele autor da infração.

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Resposta: item A.

Comentário:
N os termos do CPP, encontra-se em flagrante delito:

Art. 302. Considera-se em flagrante delito


quem:
I - está cometendo a infração penal;
PRÓPRIO
II - acaba de cometê-la; TAMBÉM PRÓPRIO
III - é perseguido, logo após, pela
autoridade, pelo ofendido ou por qualquer
pessoa, em situação que faça presumir ser
autor da infração; IMPRÓPRIO ou QUASE
FLAGRANTE
IV - é encontrado, logo depois, com
instrumentos, armas, objetos ou papéis que
façam presumir ser ele autor da infração.

O caso em questão é o do chamado flagrante FICTO OU PRESUMIDO,


ou seja, presume-se que o agente delituoso encontra-se em situação
flagrancial.

Quanto aos intervalos de tempo mencionados nas demais alternativas,


entendemos que a jurisprudência não se posiciona fixando prazo para que
esteja configurado o flagrante. O que deve ocorrer é a perseguição
contínua, sem interrupção daqueles que supostamente foram os autores
do crime perpetrado.

03. (CESPE – PCDF – Agente – 2013) Após a prisão em flagrante, a


autoridade policial deverá entregar ao preso a nota de culpa em até vinte

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e quatro horas, pois não é permitido que alguém fique preso sem saber o
motivo da prisão.

Resposta: item correto.

Comentário:

Primeiramente vamos entender o que é Nota de Culpa.

Nota de Culpa é o instrumento pelo qual é dada ciência ao preso do


motivo de sua prisão, bem como daqueles que foram os responsáveis pela
sua prisão.

É um requisito extrínseco do APF (Ação de Prisão em Flagrante), sendo


que a sua falta irá ocasionar o relaxamento da prisão:
Segundo o Art. 306 do CPP, o prazo será de 24 horas.

A jurisprudência, por sua vez, entende que se aplica, por analogia, o Art.
306 à hipótese prevista no Art. 5º, LXII, da CF que diz que toda prisão
deverá ser comunicada imediatamente ao Juiz.

Art. 306. Dentro em 24 (vinte e quatro)


horas depois da prisão, será dada ao preso
nota de culpa assinada pela autoridade, com
o motivo da prisão, o nome do condutor e os
das testemunhas.
Parágrafo único. O preso passará recibo da
nota de culpa, o qual será assinado por duas
testemunhas, quando ele não souber, não
puder ou não quiser assinar.

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04. (MP-GO – Promotor de Justiça – 2016) Sobre o regime jurídico


da prisão provisória e das medidas cautelares pessoais no ordenamento
jurídico pátrio, segundo orientação doutrinária e jurisprudencial, é correto
afirmar que:

a) Inquéritos policiais e processos em andamento não tem o condão de


exasperar a pena-base no momento da dosimetria da pena e, tampouco,
em razão do princípio da presunção de inocência, são elementos aptos a
demonstrar fundamentação suficiente para a decretação da prisão
preventiva.

b) A prisão preventiva se mostra ilegítima nos casos em que a sanção


abstratamente prevista ou imposta na sentença condenatória recorrível
não resulte em constrição pessoal, por força do princípio da
homogeneidade.

c) O quebramento injustificado da fiança importará na perda de metade


do seu valor, cabendo ao juiz decidir sobre a imposição de outras medidas
cautelares, não se permitindo a decretação da prisão preventiva.

d) Em qualquer fase da persecução criminal caberá a prisão preventiva


decretada pelo juiz, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público, do
querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial,
conforme alteração trazida pela Lei n. 12.403/2011 ao CPP.

Resposta: item B.

Comentário:
Quanto ao item A, que está incorreto, vajamos esse julgado:
“inquéritos policiais e processos em andamento, embora não tenham o
condão de exasperar a pena-base no momento da dosimetria da pena,

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são elementos aptos a demonstrar eventual reiteração delitiva,


fundamento suficiente para a decretação da prisão preventiva”
Superior Tribunal de Justiça: RHC 055365, Rel. Ministro Jorge
Mussi, 5ª Turma, Julgado em 17/03/2015, DJE 06/04/2015.

Item B: correto. É pacífico na doutrina e na jurisprudência o


entendimento de que deve haver proporcionalidade na medida, devemos
evitar que o agente, que provavelmente iniciará o cumprimento de sua
pena em regime semiaberto ou aberto, inclusive com possibilidade de
substituição de pena privativa de liberdade por restritivas de direitos,
venha a ficar preso cautelarmente durante o processo.

Nessa toada, o chamado princípio da homogeneidade visa impedir que o


magistrado, com a decretação prisão preventiva, inflija ao acusado um
tratamento mais cruel do que a eventual condenação.

No dizer de Renato Brasileiro de Lima:

"Em todas essas hipóteses, a decretação de


uma prisão cautelar merece atenção
redobrada do magistrado, ante a
probabilidade de que, ao final do processo,
não seja imposto ao acusado o efetivo
cumprimento de pena privativa de liberdade.
Impõe-se uma verificação da homogeneidade
da medida adotada, sob pena de o mal
causado durante o curso do processo – prisão
cautelar - ser bem mais gravoso do que
aquele que, possivelmente, poderia ser
infligido ao acusado quando de seu término -
benefícios despenalizadores da Lei n°
9.099/95, penas restritivas de direitos, etc".

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Em relação ao item C: a prisão preventiva pode ser decretada nesses


casos, desde que estejam presentes os pressupostos de cabimento e
cautelaridade.

Por fim, o item D contém uma pegadinha, pois não é em qualquer fase da
persecução penal que o juiz pode decretar a prisão preventiva, de ofício.
Na fase de inquérito, é vedado ao juiz decretar a preventiva.

05. (TRF3 – Juiz Federal da 3ª Região) Assinale a alternativa correta:


a) Pode ser considerado em flagrante delito quem integra organização
criminosa;
b) Crimes inafiançáveis não comportam liberdade provisória, sem fiança;
c) A autoridade policial só pode decretar fiança, em caso de crimes
apenados com detenção;
d) A autoridade policial pode aplicar medidas cautelares diversas da
prisão.

Resposta: item A.

Comentário:

a) CORRETO. O informativo 809, STF, é importantíssimo para responder a


essa questão.

Esse item tem como base a prisão do Senador Delcídio de Amaral, que foi
preso, e, apesar de o MP ter pedido sua prisão preventiva, em afronta ao
disposto na CF88, uma vez que um Senador somente pode ser preso em
flagrante delito - única hipótese de prisão cautelar, ou sentença judicial).

Apesar do pedido do MP, o STF entendeu que a prisão se deu pelo fato de
que o crime de organização criminosa se protrai no tempo, sendo crime

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permanente, e, portanto, a prisão pode ser feita em qualquer momento


enquanto não cessar a permanência.

b) INCORRETO. Esse tipo de crime comporta a liberdade provisória, só


não pode ser utilizada a fiança como forma de se obter a liberdade
provisória.

c) INCORRETO. A autoridade policial só pode decretar fiança, em caso de


crimes apenados com detenção; Poderá decretar fiança em crimes cuja
penas máximas não excedam 04 anos.
d) INCORRETO. Cuidado, pois o item deve ser analisado com suas
ressalvas, uma vez que a autoridade policial pode decretar a fiança, de
ofício, nos casos em que seja possível a ela decretar sem intervenção
judicial, mas em regra a autoridade policial não pode decretar medidas
cautelares diversas da prisão, apenas a autoridade judiciária pode fazê-lo.

06. (VUNESP – SP – TJRJ – Juiz de Direito – 2016) X, flagrado


portando maconha para uso próprio, pode

a) ser conduzido ao Distrito Policial, livrando-se solto, haja vista tratar-se


de infração de menor potencial ofensivo.

b) ignorar a determinação policial no sentido de que se conduza ao


Distrito Policial, uma vez que esta conduta não prevê pena privativa de
liberdade.

c) ser conduzido ao CAPS – Centro de Atenção Psicossocial –, para ser


submetido a tratamento compulsório, dado que a lei prevê medidas
alternativas à prisão.

d) ser preso, em flagrante delito.

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e) ser liberado, mediante pagamento de fiança.

Resposta: item A.

Comentário:
Vejamos o que prevê a lei de drogas em casos dessa natureza.
Art. 48, lei 11.343/06 (Lei de Drogas) - O procedimento relativo aos
processos por crimes definidos neste Título rege-se pelo disposto neste
Capítulo, aplicando-se, subsidiariamente, as disposições do Código de
Processo Penal e da Lei de Execução Penal.
§ 1o O agente de qualquer das condutas previstas no art. 28 desta Lei,
salvo se houver concurso com os crimes previstos nos arts. 33 a 37 desta
Lei, será processado e julgado na forma dos ARTS. 60 e seguintes da Lei
nº 9.099/95, que dispõe sobre os Juizados Especiais Criminais.
§ 2o Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta Lei, não se imporá
prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente
encaminhado ao juízo competente ou, na falta deste, assumir o
compromisso de a ele comparecer, lavrando-se termo circunstanciado e
providenciando-se as requisições dos exames e perícias necessários.

07. (UEG – PCGO – Delegado de Polícia – 2013) Em tema de


aplicação e execução da pena, julgue os itens a seguir:

7.1 o aumento na segunda fase de aplicação da pena, no crime de roubo


circunstanciado, exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para
a sua exasperação a mera indicação do número de majorantes.

7.2 a falta grave não interrompe o prazo para obtenção do livramento


condicional.

7.3 é inadmissível a fixação de pena substitutiva como condição especial


ao regime aberto.

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7.4 é admissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a


majorante do roubo.

Comentário:

Item 1. incorreto. Vajamos o teor da Súmula nº 443, do STJ:

O aumento na terceira fase de aplicação da


pena no crime de roubo circunstanciado
exige fundamentação concreta, não sendo
suficiente para a sua exasperação a mera
indicação do número de majorantes.

Item 2. correto. Vejamos o teor da Súmula nº 441, do STJ:

A falta grave não interrompe o prazo para


obtenção de livramento condicional.

Item 3. correto. Vejamos o teor da Súmula 493, do STJ:

É inadmissível a fixação de pena substitutiva


(art. 44 do CP) como condição especial ao
regime aberto.

Item 4. incorreto. Vejamos o teor da Súmula 442, do STJ:


É inadmissível aplicar, no furto qualificado,
pelo concurso de agentes, a majorante do
roubo.

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08. (FCC – TJSC – Juiz de Direito – 2015) Sobre a utilização de


inquéritos policiais ou as ações penais em curso como fundamento para
aumentar a pena, é correto afirmar:

a) É cabível na segunda fase e terceira fase de individualização da pena,


mas não pode intervir sobre a fixação da pena-base.
b) Embora não esteja expressamente prevista como circunstância
agravante, pode ser considerada agravante genérica com especial
permissão de emprego no processo individualizador da pena.
c) Integra espectro compreendido no chamado princípio do livre
convencimento do juiz que pode utilizá-la como causa geral de aumento
de pena.
d) É considerada circunstância agravante expressamente prevista no art.
61 do Código Penal.
e) Não é reconhecida pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça
que editou, inclusive, súmula sobre o tema.

Resposta: item E.

Comentário:

Nessa questão, basta lembrar da aplicação da Súmula 444, do STJ ao


caso:
É vedada a utilização de inquéritos policiais e
ações penais em curso para agravar a pena-
base.
09. (FCC – DPE-CE – Defensor Público – 2014) As circunstâncias
atenuantes
a) sempre preponderam sobre as circunstâncias agravantes, no caso de
concurso entre umas e outras.

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b) constituem fatores de redução da pena estabelecidos em quantidades


fixas.
c) não devem ser consideradas na fixação da pena-base.
d) podem ser reconhecidas ainda que não previstas expressamente em
lei, mas apenas se anteriores ao crime.
e) permitem a redução da pena abaixo do mínimo legal, segundo
entendimento sumulado.

Resposta: item C.

Comentário:

Item A – Incorreto. Vejamos o que diz o Código Penal no seu art. 67:
Concurso de circunstâncias agravantes e
atenuantes
Art. 67 - No concurso de agravantes e
atenuantes, a pena deve aproximar-se do
limite indicado pelas circunstâncias
preponderantes, entendendo-se como tais as
que resultam dos motivos determinantes do
crime, da personalidade do agente e da
reincidência.
Item B – Incorreto:
Juiz é livre para decidir esses percentuais, de acordo com a
individualização da pena.

Item C – Correto:
Devem ser consideradas na fixação da Pena Intermediária (2ª Fase), e
não na primeira fase, pena – base, conforme Art. 68, CP.

Item D – Incorreto:

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Podem ser reconhecidas ainda que não previstas expressamente em lei,


ainda que posteriores ao crime, com base no art. 66, CP:

Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada


em razão de circunstância relevante, anterior
ou posterior ao crime, embora não prevista
expressamente em lei.
Item E – Incorreto:
Vejamos o teor da Súmula 231 do STJ:

A incidência da circunstância atenuante não


pode conduzir à redução da pena abaixo do
mínimo legal.

10. (VUNESP – SP – Juiz de Direito – TJSP – 2014) Analise estas


duas hipóteses isoladas: 1.º) o agente matou o indivíduo que estuprou
sua filha menor e 2.º) o agente, que é traficante de drogas, matou seu
concorrente para dominar o comércio de drogas no bairro. Relativamente
ao crime de homicídio, escolha a opção que indique, respectivamente, o
que, em tese, cada uma destas situações poderia significar num eventual
Júri:

a) atenuante genérica; agravante genérica.


b) atenuante genérica; causa de aumento de pena.
c) causa de diminuição de pena; qualificadora.
d) causa de diminuição de pena; agravante genérica.

Resposta: item C.

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Comentário:

Vejamos cada um dos casos separadamente:

Primeiro caso:
Homicídio simples

Art. 121. Matar alguém:


Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Caso de diminuição de pena
§ 1º Se o agente comete o crime impelido por
motivo de relevante valor social ou moral, ou
sob o domínio de violenta emoção, logo em
seguida a injusta provocação da vítima, ou
juiz pode reduzir a pena de um sexto a um
terço.
O segundo caso:

Circunstâncias agravante

Art. 61 - São circunstâncias que sempre


agravam a pena, quando não constituem ou
qualificam o crime

Homicídio qualificado

§ 2° Se o homicídio é cometido:

I - mediante paga ou promessa de


recompensa, ou por outro motivo torpe;
II - por motivo futil;

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Para concluir, vejamos os conceitos de motivo torpe e motivo fútil:

Motivo Torpe: é o homicídio praticado por um sentimento vil,


repugnante, que demonstra imoralidade do agente.

Motivo fútil: é aquele que, por sua mínima importância, não é causa
suficiente para o crime insignificante, desproporcional entre a causa e o
crime perpetrado.

11. (CESPE - 2012 - PC-AL - Escrivão de Polícia) Acerca dos crimes


de abuso de autoridade e de tortura, julgue os itens
subsequentes.
Há concurso de crimes de abuso de autoridade e de tortura se, em um
mesmo contexto, mas com desígnios autônomos, dois agentes torturam
preso para que ele confesse a autoria de delito e, em seguida, o exibem,
sem autorização, para as redes de televisão como suposto autor confesso
do crime.

Comentários:

O STF e STJ pacificaram o entendimento de que o crime de abuso


de autoridade não absorve nem é absorvido por nenhum crime.
Prevalece na doutrina que a tortura absorve o crime de abuso de
autoridade. Há posicionamento divergente, minoritário (esse caso da
questão), no sentido de que pode cumular. Assim, seguimos para a sua
prova, o posicionamento do STF e STJ. O CESPE, em 2010, considerou
errada a seguinte questão: “O crime de tortura praticado, em qualquer de
suas modalidades, por agente público no exercício de suas funções
absorve, necessariamente, o delito de abuso de autoridade”.

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Gabarito: C.

12. (CESPE - 2012 - TJ-AC - Técnico Judiciário - Área Judiciária)


Acerca das leis penais extravagantes, julgue os itens
subsecutivos, de acordo com o magistério doutrinário e
jurisprudencial dominantes.
Suponha que João, penalmente capaz, movido por sadismo, submeta
Sebastião, com emprego de violência, a contínuo e intenso sofrimento
físico, provocando-lhe lesão corporal de natureza gravíssima. Nessa
situação, João deverá responder pelo crime de tortura e, se condenado,
deverá cumprir a pena em regime inicial fechado.

Comentários:
Pessoal, segue o entendimento de Guilherme de Souza Nucci,
quanto ao crime de tortura, nos seguintes termos:
" Elemento subjetivo: exige-se o dolo, não existindo a forma
culposa; Há elemento subjetivo específico: "obter informação,
declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa";
"provocar ação ou omissão de natureza criminosa"; "por
motivo de discriminação racial ou religiosa". Limitou-se,
indevidamente, o alcance do tipo da tortura. Aquele que, por
exemplo, torturar alguém por sadismo, não poderá ser
inserido nesta figura criminosa, o que é incompreensível."
Gabarito: E.

13. (2015 - FGV - TJ-PI - Analista Judiciário -Escrivão Judicial)


Ressalvada a situação daquele que se omite, quando tinha dever
de evitar ou apurar, os condenados por crime de tortura, na forma
da Lei nº 9.455/97, devem cumprir a pena em regime:
A) integralmente fechado;
B) inicialmente fechado;
C) inicialmente semiaberto;

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D) inicialmente semiaberto, no caso de tortura vindicativa;


E) aberto.

Comentários:

O texto da lei menciona, no seu art.1º § 7º que será inicialmente


fechado. Entretanto, o STF já se posicionou que é inconstitucional a Lei
que impõe o regime inicial fechado para os crimes hediondos e
equiparados.
Em um julgado recente, o Ministro Marco Aurélio mencionou que o
art. 1º, § 7º, da Lei nº 9.455/1997 seria constitucional, ou seja, seria
legítima a regra que impõe o regime inicial fechado para o crime de
tortura. Vejamos o julgado!
"O condenado por crime de tortura iniciará o cumprimento da pena
em regime fechado, nos termos do disposto no § 7º do art. 1º da Lei
9.455/1997 - Lei de Tortura. Com base nessa orientação, a Primeira
Turma denegou pedido formulado em “habeas corpus”, no qual se
pretendia o reconhecimento de constrangimento ilegal consubstanciado
na fixação, em sentença penal transitada em julgado, do cumprimento
das penas impostas aos pacientes em regime inicialmente fechado.
Alegavam os impetrantes a ocorrência de violação ao princípio da
individualização da pena, uma vez que desrespeitados os artigos 33, § 3º,
e 59 do CP. Apontavam a existência de similitude entre o disposto no
artigo 1º, § 7º, da Lei de Tortura e o previsto no art. 2º, § 1º, da Lei de
Crimes Hediondos, dispositivo legal que já teria sido declarado
inconstitucional pelo STF no julgamento do HC 111.840/ES (DJe de
17.12.2013). Salientavam, por fim, afronta ao Enunciado 719 da Súmula
do STF. O Ministro Marco Aurélio (relator) denegou a ordem.
Considerou que, no caso, a dosimetria e o regime inicial de
cumprimento das penas fixadas atenderiam aos ditames legais.
Asseverou não caber articular com a Lei de Crimes Hediondos,

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pois a regência específica (Lei 9.455/1997) prevê expressamente


que o condenado por crime de tortura iniciará o cumprimento da
pena em regime fechado, o que não se confundiria com a
imposição de regime de cumprimento da pena integralmente
fechado. Assinalou que o legislador ordinário, em consonância
com a CF/1988, teria feito uma opção válida, ao prever que,
considerada a gravidade do crime de tortura, a execução da pena,
ainda que fixada no mínimo legal, deveria ser cumprida
inicialmente em regime fechado, sem prejuízo de posterior
progressão. Os Ministros Roberto Barroso e Rosa Weber acompanharam
o relator, com a ressalva de seus entendimentos pessoais no sentido do
não conhecimento do “writ”. O Ministro Luiz Fux, não obstante entender
que o presente “habeas corpus” faria as vezes de revisão criminal, ante o
trânsito em julgado da decisão impugnada, acompanhou o relator. HC
123316/SE, rel. Min. Marco Aurélio, 9.6.2015. (HC-123316)"'
Gabarito: B.

14. (CESPE - 2012 - Polícia Federal - Agente da Polícia Federal) A


respeito das leis especiais, julgue os itens a seguir.
O policial condenado por induzir, por meio de tortura praticada nas
dependências do distrito policial, um acusado de tráfico de drogas a
confessar a prática do crime perderá automaticamente o seu cargo, sendo
desnecessário, nessa situação, que o juiz sentenciante motive a perda do
cargo.

Comentários:

Segundo a Lei n.º 9.455/1997: Art. 1º, § 5º - A condenação acarretará a


perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu
exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada.

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Só que, consoante a jurisprudência do STJ, “a pena acessória de perda do


cargo não é efeito automático da condenação – exceção feita ao crime de
tortura.” (HC 89.752/SP,Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA,
julgado em 09/11/2010, DJe 17/)
Gabarito: C.

15. (CESPE - 2013 - PG-DF - Procurador) Com referência às penas


e à sua aplicação, julgue os seguintes itens.
Se um integrante de corporação policial militar for processado penalmente
pela prática de tortura ao submeter agente preso por sua guarnição a
sofrimento físico intenso com a intenção de obrigá-lo a delatar os
comparsas, o julgamento do processo deverá ocorrer na justiça comum, e
a eventual condenação implicará, automaticamente, a perda do cargo,
função ou emprego público e a interdição para seu exercício pelo dobro do
prazo da pena aplicada, como efeito automático da condenação,
dispensando-se motivação circunstanciada.

Comentários:

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou o


entendimento de que não é necessária motivação na sentença de
condenação por crime de tortura.
Gabarito: C.

16. (MPE-SC - 2013 - MPE-SC - Promotor de Justiça - Manhã)


Analise cada um dos enunciados das questões abaixo e assinale
"certo" (c) ou "errada" (e),
Para fins da Lei n. 9.455/97, a perda do cargo público, função ou
emprego público é efeito extrapenal da sentença condenatória; e em se
tratando de condenação de oficial da Polícia Militar pela prática do crime

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de tortura, a competência para decretar a perda do oficialato, como efeito


da condenação, é da Justiça Comum.

Comentários:

Boa questão! Trata-se de competência da Justiça comum.


"EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE
INSTRUMENTO. MATÉRIA CRIMINAL. POLICIAL MILITAR.
CRIME DE TORTURA. LEI 9.455/1997. CRIME COMUM. PERDA
DO CARGO. EFEITO DA CONDENAÇÃO. COMPETÊNCIA DA
JUSTIÇA COMUM. INAPLICABILIDADE DO ART. 125, § 4º, DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE
TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA.
Em se tratando de condenação de oficial da Polícia Militar pela
prática do crime de tortura, sendo crime comum, a
competência para decretar a perda do oficialato, como efeito
da condenação, é da Justiça Comum."
Gabarito: C.

17. (2015 – CESPE – AGU - Advogado da União) No que se refere a


crime de abuso de autoridade e ao seu processamento, julgue o
próximo item.
O crime de abuso de autoridade, em todas as suas modalidades, é
infração de menor potencial ofensivo, sujeitando-se seu autor às medidas
despenalizadoras previstas na lei que dispõe sobre os juizados especiais
cíveis e criminais, desde que preenchidos os demais requisitos legais.

Comentários:
Ao analisar a pena máxima do delito de abuso de autoridade,
verifica-se que é inferior a 2 anos, assim, trata-se de infração de menor
potencial ofensivo. Pois, consideram-se infrações penais de menor

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potencial ofensivo, para os efeitos Lei 9.099/95, as contravenções penais


e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos,
cumulada ou não com multa.
Gabarito: C.

18. (CESPE - 2014 - Câmara dos Deputados - Técnico Legislativo -


Agente de Polícia Legislativa) Em relação aos crimes previstos na
parte especial do Código Penal, ao crime de abuso de autoridade e
ao que dispõem o Estatuto do Idoso e a Lei contra o Preconceito,
julgue os próximos itens.
No que se refere ao crime de abuso de autoridade, admitem-se as
modalidades dolosa e culposa.

Comentários:

O crime só é punido na forma dolosa! Não vamos errar isso! Não


existe abuso de autoridade culposo. O dolo tem que abranger também a
consciência por parte de quem está cometendo o abuso. Portanto, além
do dolo é exigida a finalidade específica de abusar, de agir com
arbitrariedade. Desse modo, se a autoridade, na justa intenção de
cumprir seu dever e proteger o interesse público acaba cometendo algum
excesso, o ato é ilegal, mas não há crime de abuso de autoridade, ok?
Gabarito: E.

19. (CESPE - 2014 - Câmara dos Deputados - Técnico Legislativo -


Agente de Polícia Legislativa) Em relação aos crimes previstos na
parte especial do Código Penal, ao crime de abuso de autoridade e
ao que dispõem o Estatuto do Idoso e a Lei contra o Preconceito,
julgue os próximos itens.

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O agente que retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício


para satisfazer a interesse ou sentimento pessoal cometerá o crime de
abuso de autoridade.

Comentários:
Negativo, tal tipo está elencado no Código Penal, trata-se do crime
de prevaricação, vejamos:
"Prevaricação
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de
ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para
satisfazer interesse ou sentimento pessoal:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa."
Gabarito: E.

20. (2016 - CESPE - TRT - 8ª Região - Analista judiciário - Oficial


de Justiça Avaliador Federal) Com base na legislação penal,
assinale a opção correta.
A) A representação prevista na lei que trata dos crimes de abuso de
autoridade é mera notícia do fato criminoso, inexistindo condição de
procedibilidade para a instauração da ação penal.
B) É facultado ao juiz determinar a cassação da licença de funcionamento
do estabelecimento onde se verifique a submissão de criança ou
adolescente à prostituição ou à exploração sexual, sem prejuízo das
demais penas previstas para o crime.
C) A perda do cargo ou função pública constitui efeito automático da
condenação do servidor público acusado da prática de crimes resultantes
de preconceito de raça ou cor.
D) A coabitação entre os sujeitos ativo e passivo é condição necessária
para a aplicação da Lei Maria da Penha no âmbito das relações íntimas de
afeto.

Comentários:

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É equívoco pensar que a representação a que o dispositivo faz


menção é uma condição objetiva de procedibilidade, a representação não
tem tal natureza. Trata-se do direito de petição, por meio do qual se leva
ao conhecimento das autoridades públicas qualquer abuso de poder.
Dessa forma, a representação tem natureza jurídica de notitia criminis.
Quanto a letra "B", O Eca menciona que constitui efeito obrigatório da
condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do
estabelecimento. Já na letra "C" a perda do cargo, apesar de constituir
efeito da condenação, não será automática. Na letra "D", independe de
coabitação.
Gabarito: A.

21. (2016 - CESPE - TJ-AM - Juiz Substituto) Com base no disposto


na Lei n.° 4.898/1965, que trata do crime de abuso de autoridade,
e na jurisprudência do STJ, assinale a opção correta.
A) A pessoa física, mas não a pessoa jurídica, pode ser sujeito passivo do
crime de abuso de autoridade.
B) De acordo com o STJ, pode caracterizar abuso de autoridade a
negativa infundada do juiz em receber advogado, durante o expediente
forense, quando este estiver atuando em defesa do interesse de seu
cliente.
C) A representação da vítima, dirigida ao MP, é condição de
procedibilidade para a instauração da ação penal referente ao crime de
abuso de autoridade.
D) Constitui abuso de autoridade submeter pessoa sob sua guarda ou
custódia a vexame ou a constrangimento, ainda que o procedimento
adotado pela autoridade policial esteja previsto em lei.
E) Constitui crime de abuso de autoridade qualquer atentado à
incolumidade física, psíquica e moral do indivíduo.

Comentários:

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A negativa infundada do juiz em receber advogado durante o


expediente forense, quando este estiver atuando em defesa do interesse
de seu cliente, configura ilegalidade e pode caracterizar abuso de
autoridade. Esse é um posicionamento do STJ e a orientação do CNJ que,
ao analisar consulta formulada por magistrado em hipótese similar,
estabeleceu a seguinte premissa: ‘o magistrado é sempre obrigado a
receber advogados em seu gabinete de trabalho, a qualquer momento
durante o expediente forense, independentemente da urgência do
assunto, e independentemente de estar em meio à elaboração de
qualquer despacho, decisão ou sentença, ou mesmo em meio a uma
reunião de trabalho.
Gabarito: B.

22. (2016 - CESPE - TJ-DF - Juiz) A respeito do crime de abuso de


autoridade, assinale a opção correta à luz da atual legislação de
regência.
A) Em caso de abuso de autoridade cometido por agente de autoridade
policial, civil ou militar, poderá ser cominada pena autônoma ou
acessória, consistente em não poder o acusado exercer funções de
natureza policial pelo prazo de um a cinco anos.
B) O sujeito ativo do crime de abuso de autoridade é toda autoridade
pública, considerada como tal o funcionário público que exerça cargo,
emprego ou função em caráter efetivo e remunerado.
C) O mesário eleitoral exerce múnus público, motivo pelo qual não pratica
o crime de abuso de autoridade, pois o encargo que lhe incumbe não é
típico de autoridade pública.
D) O particular não pode ser sujeito ativo do crime de abuso de
autoridade, salvo se praticar o fato criminoso em concurso com o
funcionário público e se tiver consciência dessa condição elementar.

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E) As ações penais relativas aos crimes de abuso de autoridade são


públicas, condicionadas à representação da vítima.

Comentários:
No caso da letra "A" está errada, pois a norma menciona que,
quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial, civil ou
militar, de qualquer categoria, poderá ser cominada a pena autônoma ou
acessória, de não poder o acusado exercer funções de natureza policial ou
militar no município da culpa, por prazo de um a cinco anos. A letra "B"
está também errada, pois, considera-se autoridade, para o efeito desta
lei, quem exerce cargo, emprego ou função pública de natureza civil,
militar, ainda que na transitoriedade e sem remuneração. A letra "C" está
também errada, pois equipara-se a funcionário público quem exerce
cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para
empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução
de atividade típica da Administração Pública. E o mesário se enquadra
aqui! Já na letra "D", nossa resposta, é preciso saber que o particular
sozinho jamais poderá responder por abuso de autoridade. Entretanto, é
admitido se ele praticar o fato em concurso com funcionário público e
souber dessa condição elementar de funcionário público do outro. E para
fechar, a letra "E" está errada, pois a ação penal nos crimes tratados pela
Lei 4.898/65 é pública incondicionada.
Gabarito: D.

23. (CESPE - Juiz do trabalho - TRT 5ª Região) No que se refere ao


crime de abuso de autoridade, eventual falha na representação, ou sua
falta, não obsta a instauração da ação penal.

Comentários:
Segundo pacífico entendimento jurisprudencial, a falha na representação,
ou mesmo sua falta, não é suficiente para obstar a ação penal.
Gabarito: C.

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24. (CESPE - Juiz do trabalho - TRT 5ª Região) No que se refere ao


crime de abuso de autoridade, compete à justiça militar processar e julgar
crime de abuso de autoridade praticado por policial militar em serviço.

Comentários:
A questão vai de encontro com a súmula 172, do STJ:
"Compete à Justiça comum processar e julgar militar por
crime de abuso de autoridade, ainda que praticado em
serviço."
Gabarito: E.

25. (CESPE - 2012 - PC-AL - Escrivão de Polícia) Acerca dos crimes


de abuso de autoridade e de tortura, julgue os itens
subsequentes.
Há concurso de crimes de abuso de autoridade e de tortura se, em um
mesmo contexto, mas com desígnios autônomos, dois agentes torturam
preso para que ele confesse a autoria de delito e, em seguida, o exibem,
sem autorização, para as redes de televisão como suposto autor confesso
do crime.

Comentários:

Quanto ao crime de tortura, prevalece na doutrina que o abuso de


autoridade fica sempre absorvido pela tortura. Entretanto, não é esse o
entendimento do STJ que reconhece a possibilidade de concurso entre
abuso de autoridade e tortura. De acordo com alguns doutrinadores, em
alguns casos, o abuso de autoridade é meio de execução da tortura, e
nesse caso, não há dúvida que haverá absorção. Exemplo: Torturar preso

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para obter confissão o abuso fica absorvido pela tortura. O mais


importante é vocês saberem que a banca considerou correto!
Gabarito: C.

26. (CESPE - 2011 - PC-ES - Escrivão de Polícia - Específicos) Com


relação à legislação especial, julgue o item que se segue.
Os crimes de abuso de autoridade serão analisados perante o Juizado
Especial Criminal da circunscrição onde os delitos ocorreram, salvo nos
casos em que tiverem sido praticados por policiais militares.

Comentários:
Realmente, todos os crimes da Lei nº 4.898/65 passaram a sujeitar-se ao
seu procedimento sumaríssimo, bem como aos demais institutos previstos
nesse diploma legal, conforme decisão do STJ, entretanto, não há essa
ressalva para os militares, estes serão julgados na justiça comum!
Gabarito: E.

27. (CESPE -2010 - Defensor Público - DPU) Considere que um


militar, no exercício da função e dentro de unidade militar, tenha
praticado crime de abuso de autoridade, em detrimento de um civil.
Nessa situação, classifica-se a sua conduta como crime propriamente
militar, porquanto constitui violação de dever funcional havida em recinto
sob administração militar.

Comentários:
É pacífico na jurisprudência que compete à Justiça Comum processar e
julgar militar por crime de abuso de autoridade, ainda que praticada em
serviço. Assim é consolidado na súmula 172 do STJ.
Gabarito: E.

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01.B 02.A 03.C 04.B 05.A


06.A 07.ECCE 08.E 09.C 10.C
11.C 12.E 13.B 14.C 15.C
16.C 17.C 18.E 19.E 20.A
21.B 22.D 23.C 24.E 25.C
26.E 27.E

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