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As feridas cirúrgicas são, por sua própria natureza,

feridas intencionais

 Têm tendência à regressão espontânea e


completa,
 Com poucas variações individuais,
 Dentro de um prazo mais ou menos
preestabelecido,
 Podem ser planejadas e realizadas de modo a
reduzir os riscos de complicações (BORGES, 2008).
 Portanto, como podem ser classificadas?

 Durante as primeiras semanas de cicatrização, o


tecido cicatricial é delicado, possuindo
aproximadamente, 10% da força normal da pele.

Assim, ao final da cicatrização, qual


seria a força de tensão (original)
recuperada?
 Identificar o método de fechamento;
 Observar o uso de drenos;
 Observar sinais de complicação.

Um dos aspectos dos cuidados de


enfermagem é monitorar o progresso
da ferida, para que haja uma
identificação precoce de quaisquer
problemas.
 A principal meta do fechamento da ferida
cirúrgica: restaurar a função e a integridade física
com o mínimo de deformidade e sem infecção
(DEALEY, 2008).
 Primeira intenção – curativo simples (ilha) no final
da operação – após 24-48h não é preciso ser
substituído.

 Segunda intenção – medir a ferida para monitorar


os índices de cicatrização e observar sinais de
infecção;

 Terceira intenção – pode-se utilizar drenos para


auxiliar na remoção de exsudato.
HEMATOMA
O hematoma é uma coleção de sangue sob a
pele, na ferida cirúrgica, que resulta em formação
de coágulo que pode levar horas. O sangramento
pode advir de
 uma hemostasia inadequada,

 doenças apresentadas pelo paciente ou

 algum distúrbio de coagulação.


HEMATOMA
Hematomas pequenos e superficiais – tom azulado
da pele ao redor da ferida.
 Reabsorção pelo organismo, sem apresentar
transtornos.

Hematomas profundos e volumosos –


abaulamento e aumento da temperatura na
região (taquicarida, hipotensão e diminuição do
hematócrito).
 Precisam ser removidos sob condições estéreis.
INFECÇÃO
 Pode-se considerar como infecção cirúrgica o
processo inflamatório da ferida ou cavidade
operatória que drene secreção purulenta, com ou
sem cultura positiva.

 Pode ser circunscrita à incisão ou envolver


estruturas adjacentes à ferida.

A infecção da ferida cirúrgica é a causa


mais frequente de morbidade em
pacientes hospitalizados.
INFECÇÃO
Conforme o tipo de comprometimento, as
infecções podem ser classificadas em:

 Infecção cirúrgica incisional – ocorre nos primeiros


30 dias após a cirurgia;

 Infecção cirúrgica profunda – ocorre nos primeiros


30 dias após a cirurgia (sem implante local);
quando ocorre implante, ela se desenvolve no
primeiro ano;

 Infecção cirúrgica de órgãos e espaços – difere


da anterior por envolver a anatomia de órgãos e
espaços que não a incisão.
INFECÇÃO
Classificação das feridas cirúrgicas quanto ao
potencial de contaminação:

 LIMPA - resultante de procedimento eletivo, não


traumático, não infectada e que não houve
transgressão da técnica cirúrgica e que não
penetrou no trato respiratório, alimentar,
geniturinário e cavidade orofaríngea;

 POTENCIALMENTE CONTAMINADA– intervenções


no trato respiratório, alimentar, geniturinário; em
condições controladas (técnica correta) e sem
contaminação;
INFECÇÃO
Classificação das feridas cirúrgicas quanto ao
potencial de contaminação:

 CONTAMINADA – ferida abertas acidentais.


Cirurgias com maiores falhas técnicas ou
extravasamento de líquido do trato intestinal e
incisões com inflamações não purulentas agudas;

 INFECTADAS – cirurgias traumáticas antigas com


tecido desvitalizado e aquelas que envolvem
infecção clinica prévia ou vísceras perfuradas.
INFECÇÃO
Evolução da infecção

Infecção da
Celulite Abscesso
ferida

Necrose Trombose de Linfagite/


séptica e pequenos
gangrena vasos Linfadenite

Bacteremia/
Óbito
Septicemia
 O uso de curativo tradicional e curativo oclusivo
na ferida operatória apresenta os mesmos riscos
de complicações no sítio cirúrgico (nível de
evidência II).

 Não há recomendações quanto a cobrir a incisão


após 48h nem sobre o tempo apropriado de tomar
banho descoberta (SILVA; BORGES; LIMA, 2008).
DEISCÊNCIA
A deiscência é uma abertura parcial ou total
dos planos do abdome. A incidência é de 1 a 3% nas
cirurgias abdominais e está associada a uma taxa de
mortalidade de 15 a 20%.

 Parcial – ruptura de um plano de sutura superficial


(eventração);

 Total – forma mais grave com exteriorização das


vísceras (evisceração).
DEISCÊNCIA
DEISCÊNCIA
Fatores predisponentes:

 Desnutrição;
 Hipoproteinemia;
 Obesidade;
 Distensão abdominal;
 Êmese;
 Idade;
 Técnica cirúrgica.
DEISCÊNCIA
Tratamento pode ser:

 Cirúrgico, com a realização de segundo


fechamento;

 Conservador, com aplicação de coberturas


oclusivas e ataduras;

 Evisceração – campos ou compressas estéreis,


umedecidos com soro fisiológico.
 Suturas simples - entre o 6º e 7º dias de pós-
operatório, com pontos separados.

 Suturas intradérmicas contínuas com fios não


absorvíveis - devem permanecer por até 12 dias.

 Em condições adversas (infecção, desnutrição,


neoplasias, diabetes, etc) - os pontos devem ser
removidos mais tardiamente, entre o 10º e 12º dias
de pós-operatório (TAZIMA; VICENTE; MORIYA,
2008).
 BORGES, E. L.Assistência a pacientes com ferida cirúrgica complexa. In:
BORGES, E. L. et al. Feridas: como tratar. Belo Horizonte: Coopmed; 2008. p.
95-111.

 DEALEY C. Cuidando de feridas: um guia para as enfermeiras. 3. ed. São


Paulo: Atheneu; 2008.

 SILVA, P. S.; BORGES, E. L.; LIMA, M. P. Fatores de risco para complicações


das feridas cirúrgicas abdominais: uma revisão sistemática da literatura. Rev.
Min. Enferm, v. 12, n. 4, p. 539-546, jan./mar., 2008.

 TAZIMA, M. F. G. S.; VICENTE, Y. A. M. V. A.; MORIYA, T. Biologia da ferida e


cicatrização. Medicina (Ribeirão Preto), v. 41, n. 3, p. 259-64, 2008.

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