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FÁBRICA DAS VERDADEIRAS QUEIJADAS DA SAPA


18MAI

“Um dia gostava de fazer um site sobre a história das queijadas”

As queijadas de Sintra são ícones gastronómicos desta região, sendo que consta que a receita destes doces
nasceu no Convento da Penha Longa, pelas mãos do frei João da Anunciação.

É em plena Volta do Duche que se encontra a mais antiga marca de queijadas de Sintra, a Fábrica das
Verdadeiras Queijadas da SAPA, uma das 5 marcas de queijadas que foram oficialmente reconhecidas pela
Câmara de Sintra.

Originalmente instalada em Ranholas, onde se encontravam a maior parte dos fabricantes de queijadas da
região, foi com a inauguração dos caminhos-de-ferro, no ano de 1887, que a Fábrica das queijadas da SAPA
se veio a instalar na Vila de Sintra.

Rui Neves Soares é quem assume agora o negócio da família Neves, e é quem nos começa por contar que “a
primeira referência à marca das queijadas da SAPA ocorreu no ano de 1756”. No ano de 1895, com a morte de
Francisco Neves, da casa SAPA a fábrica torna-se Viúva Neves e Filho (Angelina Conceição Neves e António
Francisco Neves).
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Nas últimas décadas, o negócio foi ficando na família Neves “quando o meu avô faleceu, em 2004, o negócio
estava cedido a uns primos direitos, mas no ano de 2007 a minha mãe agarrou novamente no negócio, e agora
avança a geração seguinte” (Rui), revelando-nos ainda que a origem do nome vem da “Maria Sapa” uma
comerciante de Ranholas que se dedicava ao fabrico das queijadas.

Já no interior do espaço da casa SAPA, Rui mostra-nos algumas das fotografias de vários familiares, que
estiveram ligados ao negócio, bem como alguns excertos de documentos que comprovam alguns factos
históricos ligados à SAPA, como por exemplo uma curiosidade literária expressa num livro de Camilo Castelo
Branco “Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado”, editado em 1863, no qual escreveu “Basílio levava na
algibeira do albornoz um embrulho de queijadas da Sapa”.

Quando olhamos para a área do balcão do café é impossível ficarmos indiferentes à fotografia do Avô do Rui,
Francisco Barreto das Neves, que ilustra a sua dedicação à confecção e fabrico das queijadas “esta é uma
fotografia emblemática e muito conhecida, tendo inclusive sido publicada num guia turístico, nesta altura as
queijadas eram feitas neste piso, era tudo feito aqui nesta cozinha” (Rui).

Na fábrica de queijadas da SAPA a receita de fabrico tem passado de geração em geração, cruzando várias
famílias, e tendo sempre como preocupação a manutenção da receita original dos seus antepassados “a fábrica
funciona no nosso espaço, as queijadas são feitas aqui”.

Rui recorda os seus tempos de infância passados neste espaço “nós vivíamos aqui, no 1º andar, e o meu avô
vivia neste piso térreo, nós crescemos aqui… todos os meus amigos se lembram de comer aqui as queijadas,
quando éramos miúdos”.

A produção das queijadas da SAPA continua a ser feita de modo muito artesanal “de modo a mantermos o
equilíbrio e uma qualidade consistente deste produto preferimos continuar assim, não queremos perder a
qualidade” (Rui).

Para os habituais clientes da SAPA existem caras novas no atendimento, já que conforme nos disse o Rui “de
modo a poder dar continuidade ao negócio familiar, decidimos ceder a exploração do café”, mas não se
preocupem que a SAPA “não alterou nada no modo de confeção e fabrico, porque as queijadas são feitas à
mesma na nossa fábrica, e somos nós que as confecionamos, exatamente da mesma forma”.

A preocupação foi assegurar que a exploração do café fosse entregue a pessoas de confiança, que
conhecessem a casa e surgiu essa oportunidade com as irmãs Maria Alexandra Coutinho e Teresa Azevedo
Coutinho, que agarraram o desafio de explorar o café da SAPA, “já conhecia porque vínhamos aqui ajudar,
desde janeiro que estamos à frente da exploração do café, eu sempre tive vontade de aceitar este projeto, achei
que se contasse com a minha irmã teria muito mais graça, ela achou que era uma aposta interessante
propusemos e eles aceitaram” (Teresa e Alexandra).
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Alexandra não tem dúvidas que o espaço SAPA “é tão diferente e tão querido que dá vontade de estar aqui, os
clientes são habituais e Sintra é fantástica, não me custa nada estar aqui”.

O facto de serem caras novas na casa causou, no início, alguma estranheza nos clientes “no início houve
alguma resistência porque estavam habituados a ver aqui uma família, mais tradicional, mas mantivemos tudo
da mesma forma, apenas com pequenos apontamentos, para não descaracterizar o que já existia, e o que as
pessoas conheciam como as queijadas da SAPA, o produto em si é ótimo, as pessoas experimentam e ficam
fãs, não há melhor cartão-de-visita, há bom ambiente familiar, a boa disposição e as coisas resultam” (Teresa e
Alexandra).

As irmãs realçam a importância de dar continuidade a um negócio de cariz familiar e por isso mesmo
convidaram mais uma irmã para dar uma ajuda no espaço ”é muito bom ver o interesse dos estrangeiros num
produto da zona, e mantermos as ligações com a família, e termos a certeza que vamos manter a casa como ela
deveria ser, há negócios que com o tempo vão morrendo, porque as pessoas são mais novas e querem outras
coisas, mas somos uma pequenina casa, mas temos um ótimo produto e mostramos que a nossa geração pode
mostrar um Portugal com tudo o que tem de bom, e podermos também perpetuar este negócio” (Teresa e
Alexandra).

As queijadas têm um prazo de validade de cerca de 15 dias, o que condiciona a comercialização para outros
pontos do País, mas atualmente a SAPA vende sobretudo para lojas gourmet, quer na zona de Sintra quer em
Lisboa.

Quem conhece as queijadas da SAPA ainda se lembra dos doces suspiros “no tempo do meu avô faziam-se
suspiros para aproveitar as claras, que não são usadas nas queijadas, só a gema de ovo, mas como este produto
não tinha muita saída deixámos de os fazer” (Rui), as irmãs, para já, optaram por trazer para a SAPA uma
pastelaria mais requintada introduzindo as tortas de Azeitão ou as tartes de maçã e esperam, com o tempo,
conseguir introduzir a oferta de mais produtos.

A próxima vez que visitar a Vila não deixe de provar as Queijadas da SAPA na Fábrica mais antiga de
queijadas de Sintra.

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