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MEMORIAL DO CONVENTO – ORAL

 CAPÍTULO V – DESCRIÇÃO DO AUTO DE FÉ


No capítulo V, José Saramago, descreve o Auto de Fé que decorre no Rossio,
onde são de salientar os seguintes aspetos:
O Rossio está cheio de assistência; a população em festa porque é domingo e
porque vai assistir a um auto de fé, pois já passaram dois anos após o último
evento deste tipo. O narrador revela a sua dificuldade em perceber se o povo
gosta mais de autos de fé ou de touradas, evidenciando com esta afirmação a
sua ironia crítica perante um povo que revela um gosto sanguinário e procura
nas emoções fortes uma forma de preencher o vazio da sua existência.
A assistência feminina, á janela, exibe as suas toilettes, preocupa-se com
pormenores fúteis relativos à sua aparência e aproveita a ocasião para se
entregar a jogos de sedução com os pretendentes que se passeiam em baixo.
A proximidade da morte dos condenados constitui o motivo do ambiente de
festa; esta contatação suscita, mais uma vez, a crítica do narrador – na
realidade, o facto de as pessoas saberem que alguns dos sentenciados iriam,
em breve, arder nas fogueiras não as inibia de se refrescarem com água,
limonada e talhadas de melancia e de se consolarem com tremoços, pinhões,
tâmaras e queijadas.
Sai a procissão onde, á frente, se encontram os dominicanos e depois os
inquisidores.
Percebe-se a distinção entre os vários sentenciados através do gorro e
sambetino, assim como o crucifixo de costas voltadas, para as mulheres que
irão arder na fogueira, como Sebastiana Maria de Jesus, mãe de Blimunda.
Neste local, ocorre o início da relação entre Baltasar e Blimunda.
Por fim, ocorre a punição dos condenados pelo Santo Ofício e o povo dança em
frente das fogueiras.

 CAPÍTULO VI – DESCRIÇÃO DO PADRE BARTOLOMEU


O padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão representa as novas ideias que
causavam estranheza na inculta sociedade portuguesa. Estrangeirado,
Bartolomeu de Gusmão tornou-se um alvo apetecido de chacota da corte e da
Inquisição, apesar da proteção real. Homem curioso e grande orador sacro ( a
sua fama aproxima-o do padre António Vieira). Bartolomeu de Gusmão
evidenciou, ao longo da obra, uma profunda crise de fé, a que as leituras
diversificadas e a postura “antidogmática” não serão alheios, numa busca
incessante do sabor. A sua personagem risível – era conhecido por “Voador” –
torna-o elemento catalisador do voo da passarola, conjuntamente com
Baltasar e Blimunda. A tríade corporiza o sonho e o empenho tornados
realidade, a par da desgraça, também ela, partilhada. Vive num mundo de
utopia e acredita que quem deseja muito alcançar alguma coisa, sempre o
conseguirá. Ele enlouquece quanto toma consciência das imperfeições e
fracassos do seu projeto. Transtornado com a perseguição da Inquisição,
refugia-se em Toledo, onde acaba por falecer.

 CAPÍTULO VII – FALTA DE DINHEIRO DE BALTASAR E


TRABALHO
No início do sétimo capítulo, a falta de dinheiro impede a construção da
passarola pois, segundo o padre Bartolomeu, para fazer voar a passarola seria
necessário comprar ímanes que, ainda por cima, terão de vir do estrangeiro.
Enquanto não pode continuar a construção da passarola, o padre Bartolomeu
ajuda Baltasar a arranjar trabalho no açougue do Terreiro do Paço. No
açougue, Baltasar tinha um trabalho cansativo e um pouco sujo, pois tinha
que transportar grandes quantidades de carne, porém no fim do trabalho era
compensado, pois conseguia trazer sobras de carne, satisfazendo a sua fome
juntamente com Blimunda.