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TJCE – PROVA ORAL 2015


(Questões respondidas pelos candidatos do TJRN e
TJPE 2015)

Divisão dos pontos


 Raphael: 02, 03, 04, 05, 06, 07, 08, 09, 11, 12, 13, 14

 Maria Cristina / Viviam: 15, 16, 17, 18, 19, 20, 22, 23, 24, 25, 26, 27

 Makson: 28, 29, 30, 32, 33, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41

 Silvério: 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 47, 50, 51, 52, 54

 Vládia: 60, 61, 62, 63, 65, 66, 69, 70, 71, 73, 75

 TJPE: 77 (Carla Mandetta), 78 (João Eduardo), 79 (Torricelli), 80 (Augusto


Cezar), 81 (João Paulo), 82 (Viviam), 83 (Tatiana), 84 (Natália), 85 (Marina),
86 (Pablo), 88 (Anastácio), 89 (Marcus Vinicius)

 Juliana: 90, 91, 92, 93, 94, 95, 96, 97, 99, 100, 101, 102, 103

 Larissa: 104, 107, 108, 109, 113, 114, 115, 116, 117, 118, 119

 Breno: 121, 122, 123, 124, 125, 126, 127, 128, 129

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QUESTÕES POR TEMA


Divisão dos pontos _____________________________________________________ 1
QUESTÕES POR TEMA __________________________________________________ 2
PENAL ______________________________________________________________ 13
1. Princípios constitucionais penais.___________________________________________ 13
2. Aplicação da lei penal. ___________________________________________________ 16
3. Crime. Conceito. Elementos._______________________________________________ 19
4. Tipicidade. Elementos. Causas de exclusão. __________________________________ 20
5. Relação de causalidade. __________________________________________________ 24
6. Consumação, tentativa, crime impossível, desistência voluntária e arrependimento
eficaz. ___________________________________________________________________ 26
7. Arrependimento posterior.________________________________________________ 29
8. Dolo e culpa. ___________________________________________________________ 31
9. Culpabilidade. Pressupostos. Causas de exclusão. _____________________________ 39
11. Coação irresistível e obediência hierárquica. ________________________________ 41
12. Ilicitude. Causas de exclusão. _____________________________________________ 42
13. Imputabilidade penal. ___________________________________________________ 45
14. Concurso de pessoas. ___________________________________________________ 48
15. Penas privativas de liberdade. ____________________________________________ 50
16. Penas restritivas de direitos. _____________________________________________ 54
17. Pena de multa _________________________________________________________ 56
19. Aplicação das penas. ____________________________________________________ 57
20. Concurso de crimes _____________________________________________________ 58
21. Conflito aparente de normas _____________________________________________ 64
25. Livramento Condicional _________________________________________________ 65
28. Medidas de segurança __________________________________________________ 71
29. Ação Penal ____________________________________________________________ 74
30. Extinção da punibilidade _________________________________________________ 75
31. Crimes contra a pessoa __________________________________________________ 85
32. Crimes contra o patrimônio ______________________________________________ 96
34. Crimes contra a dignidade sexual _________________________________________ 102
36. Crimes contra a fé pública ______________________________________________ 104
37. Crimes contra a administração pública ____________________________________ 105
39. Execução penal. _______________________________________________________ 107
44. Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/90) _______________________________________ 109

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49. Crimes de menor potencial ofensivo. Juizado especial criminal (Lei nº 9.099/95) __ 111
51. Crimes de trânsito (Lei nº 9.503/97) ______________________________________ 113
52. Crimes ambientais (Lei nº 9.605/98) ______________________________________ 115
55. Violência doméstica (Lei nº 11.340/06). ___________________________________ 117
56. A lei antidrogas (Lei nº 11.343/06) ________________________________________ 118
PROCESSO PENAL ____________________________________________________ 125
1. Princípios constitucionais do processo penal. ________________________________ 125
2. Aplicação da lei processual no tempo, no espaço e em relação às pessoas. ________ 129
3. Inquérito policial. ______________________________________________________ 131
4. Ação penal: conceito, condições, pressupostos processuais. Ação penal de iniciativa
pública. Titularidade, condições de procedibilidade. Denúncia: forma e conteúdo;
recebimento e rejeição. Ação penal de iniciativa privada: Titularidade. Queixa. Renúncia.
Perdão. Decadência. Perempção. Extinção da punibilidade. ______________________ 134
5 - Ação civil ex delicto. ____________________________________________________ 138
7. Das questões e processos incidentes. ______________________________________ 139
8. Da prova: conceito, princípios básicos, objeto, meios, espécies, ônus, procedimento
probatório, limitações constitucionais das provas, sistemas de apreciação. __________ 140
9. Sujeitos processuais: do juiz, do Ministério Público, do acusado e defensor, dos
assistentes e auxiliares da Justiça. Vítima no processo penal. _____________________ 144
10. Da prisão, das medidas cautelares e da liberdade provisória. __________________ 145
12. Das citações e intimações. Forma, lugar e tempo dos atos processuais. __________ 149
13. Processo e procedimento. Pressupostos processuais. Formas procedimentais.
Procedimento comum. Instrução criminal. Procedimento ordinário. Procedimento
sumário. Procedimento sumaríssimo. Juizados Especiais Criminais. Procedimento relativo
ao Tribunal do Júri. Procedimentos especiais, inclusive de leis especiais. ____________ 151
18. Das nulidades. ________________________________________________________ 164
19. Dos recursos em geral: princípios, modalidades, recursos em espécie e fungibilidade.
_______________________________________________________________________ 167
21. Das ações de impugnação. Da revisão criminal. Do habeas corpus. Do mandado de
segurança. Das exceções. Do desaforamento. __________________________________ 173
22. Lei n.º 7.210/84. Da execução das penas em espécie. Dos incidentes da execução
penal. __________________________________________________________________ 182
29. Ação Penal ___________________________________________________________ 191
CIVIL ______________________________________________________________ 193
1. Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro; Aplicação da Lei no Tempo e no
Espaço. Interpretação e Integração da Lei. Analogia. Princípios Gerais do Direito e
Equidade. Usos e Costumes. ________________________________________________ 193
2. Das pessoas. Das pessoas naturais. Das pessoas jurídicas. Do domicílio. __________ 199
3. Ausência. Direitos da Personalidade. _______________________________________ 202

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4. Dos bens. Dos bens considerados em si mesmo. Dos bens reciprocamente considerados.
Dos bens públicos. Do bem de família. _______________________________________ 206
5. Dos fatos jurídicos. Do negócio jurídico. Dos atos jurídicos lícitos. Dos atos ilícitos. Da
prescrição e da decadência. Da prova. ________________________________________ 212
6. Do direito das obrigações. Das modalidades das obrigações. Da transmissão das
obrigações. Do adimplemento e extinção das obrigações. Do inadimplemento das
obrigações ______________________________________________________________ 228
7. Dos contratos em geral. Das várias espécies de contrato. Dos atos unilaterais. _____ 239
8. Dos títulos de crédito. ___________________________________________________ 261
9. Da responsabilidade civil em geral. Responsabilidade subjetiva e objetiva. Abuso do
direito. _________________________________________________________________ 263
12. Da posse: aquisição, efeitos, perda. Os interditos possessórios. Usucapião. _______ 269
13. Dos direitos reais. Da propriedade. Do condomínio. Da superfície. Das servidões. Do
usufruto. Do uso. Da habitação. Do direito do promitente comprador. Do penhor, da
hipoteca e da anticrese. ___________________________________________________ 272
14. Do direito de família. Casamento. Do direito pessoal. Do direito patrimonial. Da união
estável. Da tutela e da curatela. _____________________________________________ 287
15. Do direito das sucessões. Da sucessão em geral. Da sucessão legítima. Da sucessão
testamentária. Do inventário e da partilha ____________________________________ 321
17. Legislação Especial: Registros públicos. (Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973). Da
alienação fiduciária (Decreto-Lei nº 911, de 1º de outubro de 1969). Lei nº 9.514, de 20 de
novembro de 1997. Do condomínio em edificações e as incorporações imobiliárias (Lei nº
4.591, de 16 de dezembro de 1964), Lei nº 10.931, de 2 de agosto de 2004. Do Estatuto do
Idoso (Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003). Da locação de imóveis urbanos (Lei nº
8.245, de 18 de outubro de 1991). Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078, de 11 de
setembro de 1990. _______________________________________________________ 342
EMPRESARIAL _______________________________________________________ 352
1. Do Direito de Empresa. Do Empresário. Da caracterização e da inscrição. Da capacidade.
_______________________________________________________________________ 352
2. Da Sociedade. Disposições gerais. Da sociedade não personificada. Da sociedade em
comum. Da sociedade em conta de participação. Da sociedade personificada. Da
sociedade simples. Da sociedade em nome coletivo. Da sociedade em comandita simples.
Da sociedade limitada. Da sociedade anônima. Da sociedade em comandita por ações. Da
sociedade cooperativa. Das sociedades coligadas. ______________________________ 354
3. Da liquidação da sociedade. Da transformação, da incorporação, da fusão e da cisão das
sociedades. Da sociedade dependente de autorização. __________________________ 372
4. Do Estabelecimento. Disposições gerais. ____________________________________ 379
5. Dos Institutos Complementares: Do registro. Do nome empresarial. Dos prepostos. Da
escrituração. ____________________________________________________________ 383
7. Da Recuperação Judicial, Extrajudicial e a Falência do Empresário e da Sociedade
Empresária (Lei nº 11.101, de 09 de fevereiro de 2005). __________________________ 391
8. Da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (Lei Complementar nº 123, de 14 de
dezembro de 2006) _______________________________________________________ 393

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9. Da Letra de Câmbio e da Nota Promissória (Decreto nº 2.044, de 31 de dezembro de


1908, Decreto nº 57.663, de 24 de janeiro de 1966). 10 - Do Cheque (Lei nº 7.357, de 02 de
setembro de 1985). Da Duplicata (Lei nº 5.474, de 18 de julho de 1968). ____________ 395
10. Do Cheque (Lei nº 7.357, de 02 de setembro de 1985). Da Duplicata (Lei nº 5.474, de 18
de julho de 1968). ________________________________________________________ 398
11 - Do Protesto de Títulos (Lei nº 9.492, de 10 de setembro de 1997).______________ 401
12. Dos Títulos de Crédito Comercial (Lei nº 6.840, de 03 de novembro de 1980). _____ 405
CONSUMIDOR ______________________________________________________ 410
1. Do Código de Defesa do Consumidor. Dos direitos do consumidor. Das disposições
gerais. Dos direitos básicos do consumidor. ___________________________________ 410
2. Da qualidade de produtos e serviços. Da preservação e da reparação de danos (da
proteção à saúde e segurança). _____________________________________________ 412
3. Da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço. Da responsabilidade por vício
do produto e do serviço ___________________________________________________ 413
4. Da decadência e da prescrição. ___________________________________________ 416
5. Da desconsideração da personalidade jurídica. _______________________________ 418
6. Das práticas comerciais (das disposições gerais). Da oferta. Da publicidade. Das práticas
abusivas. Da cobrança de dívidas. ___________________________________________ 419
7. Da proteção contratual: disposições gerais. Das cláusulas abusivas. Dos contratos de
adesão. ________________________________________________________________ 426
8. Da defesa do consumidor em juízo. Das disposições do Código de Defesa do
Consumidor relacionadas à defesa do consumidor em juízo. ______________________ 430
10. Das ações de responsabilidade do fornecedor de produtos e serviços. ___________ 432
12. Da sentença. Da coisa julgada. Da liquidação da sentença coletiva ______________ 435
14. Sanções administrativas e penais: Da competência concorrente. multa, apreensão,
inutilização, cassação de registro, proibição de fabricação, suspensão temporária de
atividade, revogação ou cassação de concessão ou permissão, da interdição. Da
Contrapropaganda. _______________________________________________________ 436
15. O sistema nacional de defesa do consumidor: A política nacional de relações de
consumo – SNDC e PROCON. _______________________________________________ 438
CRIANÇA E ADOLESCENTE _____________________________________________ 440
1. Aspectos Gerais do Direito da Criança e do Adolescente. A proteção da infância no
Brasil. O Direito Penal do menor. Situação irregular. ____________________________ 440
2. O Direito de ser Criança e Adolescente. Retrospectiva Histórica. A proteção integral. O
Princípio do Melhor Interesse da Criança. _____________________________________ 441
3. A Trilogia da Proteção Integral. Aspectos Legais e Constitucionais. Convenção
Internacional sobre os Direitos da Criança - ONU 1989. __________________________ 444
4. Responsabilidade Civil. Danos Causados por Crianças e Adolescentes. ____________ 446
6. Direito Fundamental à Convivência Familiar e Comunitária. Parentesco. Poder Familiar.
Aspectos gerais, constitucionais e legais.______________________________________ 447

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7. Colocação em Família Substituta: Guarda, Tutela e Adoção. Abrigo e alternativas de


acolhimento familiar. _____________________________________________________ 450
8. Direito Fundamental à Educação e Cultura. Fundamentos constitucionais e legais. Os
direitos infanto-juvenis na LDB (Lei nº 11.525/2007). ____________________________ 455
9. O Direito à Profissionalização e a Proteção do Trabalho Urbano e Rural do Adolescente
_______________________________________________________________________ 458
11. A Justiça da Infância e Juventude. Aspectos Processuais e Procedimentos Especiais. O
Ministério Público na Lei nº 8.069/90. Suspensão e perda do poder familiar. Colocação em
família substituta. Apuração de irregularidades nas entidades de atendimento ______ 459
12. A prevenção geral e especial no Estatuto. Formas de controle. A ação civil pública. 461
13. Crimes e Infrações Administrativas contra a Criança e o Adolescente: Código Penal,
Estatuto e Legislação Especial. Aspectos constitucionais e legais . __________________ 463
14. Ato Infracional. Garantias Processuais. Aplicação de Medidas de Proteção e Medidas
Socioeducativas. _________________________________________________________ 465
15. Conselho Tutelar. Fundo da Infância e Adolescência. _________________________ 468
16. Lei nº 12.594/2012. ____________________________________________________ 469
PROCESSO CIVIL _____________________________________________________ 470
1. Teoria Geral do Direito Processual Civil. Normas processuais civis. Fontes do Direito
Processual Civil. Aplicação e interpretação da lei processual civil. Da norma processual no
tempo e no espaço. Código de Organização e Divisão Judiciárias do Estado de
Pernambuco. ____________________________________________________________ 470
2. Da Jurisdição.__________________________________________________________ 472
4. Processo. Conceito. Classificação. Natureza Jurídica. Princípios informativos do processo
civil. Princípios constitucionais do processo civil. As garantias constitucionais do processo
civil. A relação processual. Características da relação processual. Sujeitos da relação
jurídica: Sujeitos principais. Sujeitos secundários. Sujeitos Especiais. Pressupostos
Processuais _____________________________________________________________ 473
5. Das partes e dos procuradores. Da capacidade processual. Legitimação ordinária.
Legitimação extraordinária. A substituição processual. Dos deveres das partes e dos
procuradores. Do litisconsórcio. Da assistência. Da intervenção de terceiros. Da oposição.
Da nomeação à autoria. Da denunciação da lide. Chamamento ao Processo. _________ 479
6. Do procedimento. Procedimento comum ordinário. Procedimento sumário. _______ 496
7. Dos atos processuais. Definição. Características dos atos processuais. Princípios dos
atos processuais. Classificação dos atos processuais. Atos do Juiz. Atos das partes. Atos
dos auxiliares das partes. Atos processuais simples e complexos. Documentação dos atos
processuais. Local da prática dos atos processuais. Da forma dos atos processuais. Tempo
para a prática dos atos processuais. Das comunicações dos atos processuais. Das cartas.
Das citações. Das intimações. Das nulidades. De outros atos processuais. Da distribuição e
do registro. Do valor da causa. Dos prazos. Conceito. Classificação. Princípios. Contagem.
Prazos especiais. Preclusão. Espécies de Preclusão. O juiz: poderes, deveres e
responsabilidades. O Ministério Público e os Auxiliares da justiça. _________________ 496
8. Formação, suspensão e extinção do processo. Do Procedimento ordinário. Petição
inicial: conceito, requisitos. Do pedido: espécies, modificação, cumulação. Causa de pedir.
Dos documentos necessários à propositura da ação. Despacho inicial: objeto, natureza. Do

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julgamento liminar de improcedência das ações repetitivas. Do recurso cabível e seu


procedimento. Da decretação de ofício da prescrição. Emenda da inicial. Do indeferimento
liminar da petição inicial. Do recurso cabível e seu procedimento. Da antecipação dos
efeitos da tutela de mérito. Requisitos. Da fungibilidade entre a tutela antecipada e as
medidas cautelares. ______________________________________________________ 516
9. Da citação. Dos efeitos da citação. Da resposta do réu: contestação, exceções
(incompetência, impedimento e suspeição), reconvenção. Da revelia. Dos efeitos da
revelia. A revelia e os direitos indisponíveis. Da declaração incidente. Dos fatos
impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor. Das alegações do réu. ___ 532
10. Do julgamento conforme o estado do processo. Da extinção do processo sem
resolução do mérito. Do julgamento antecipado da lide. Da resolução do mérito. Da
audiência preliminar. Das provas: conceito, modalidades, princípios gerais, objeto, ônus,
procedimentos. Da audiência de instrução e julgamento. Da sentença. Requisitos e efeitos
da sentença. Classificação da sentença. Publicação. Intimação das partes e dos
procuradores. Sentença em audiência e início do prazo recursal. Condenação do devedor
na emissão de declaração de vontade. Coisa julgada. Conceito. Limites objetivos e
subjetivos. Coisa julgada formal e coisa julgada material. Princípio do deduzido e do
dedutível. Reexame da sentença. Liquidação da sentença. _______________________ 539
11. Cumprimento da sentença. Procedimento. Títulos executivos judiciais. Impugnação.
Execução provisória. Competência para o cumprimento da sentença. Cumprimento da
sentença condenatória na indenização por ato ilícito. Ação Rescisória. _____________ 565
12. Recursos. Conceito, fundamentos, princípios, classificação, pressupostos intrínsecos e
extrínsecos de admissibilidade, efeitos, juízo de mérito. Súmula impeditiva do recurso.
Apelação. Agravo. Lei nº 11.187, de 19.10.2005. Embargos infringentes. Embargos de
divergência. Embargos de declaração. Recurso de terceiro prejudicado. Recurso pelo
Ministério Público. Recurso adesivo. Recurso extraordinário. Requisitos. Repercussão
Geral. Recurso Especial. Requisitos. Prova da divergência. Agravo de Instrumento ao STF
ou ao STJ. Recurso Ordinário. Da ordem dos processos no Tribunal. Poderes do relator no
julgamento dos recursos. Hipóteses para a concessão do efeito suspensivo, pelo relator.
_______________________________________________________________________ 579
13. Processo de execução. Princípios. Das partes. Da competência. Dos requisitos
necessários para realizar qualquer execução. Do inadimplemento do devedor. Espécies de
execução. Execução para entrega de coisa certa e incerta. Execução das obrigações de
fazer e não fazer. Da execução Fiscal. Da execução por quantia certa contra devedor
solvente. Da penhora, avaliação e expropriação. Da citação do devedor e da indicação de
bens. Da penhora e do depósito. Da avaliação. Da adjudicação. Da alienação por iniciativa
particular. Da alienação em hasta pública. Do Pagamento ao credor. Da Execução contra a
Fazenda Pública. Da execução da Prestação Alimentícia. Dos embargos do à execução.
Prazos para embargos. Natureza jurídica. Legitimidade e procedimento. Dos embargos à
execução contra a Fazenda Pública. Dos embargos na execução por carta. Da execução por
quantia certa contra devedor insolvente. Da suspensão e extinção do processo. Do
Processo Cautelar. Das disposições gerais. Dos procedimentos cautelares específicos. _ 597
14. Dos procedimentos especiais. Dos Procedimentos Especiais de Jurisdição contenciosa.
Dos procedimentos especiais de jurisdição voluntária ___________________________ 609
15. Juizados Especiais Cíveis (Lei nº 9.099/95). _________________________________ 617
CONSTITUCIONAL ____________________________________________________ 618

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1. Constituição: fontes; conceito; objeto; classificações estrutura Supremacia da


Constituição. Aplicabilidade e interpretação das normas constitucionais. Vigência e
eficácia das normas constitucionais. _________________________________________ 618
2. Poder constituinte. _____________________________________________________ 626
3. Controle de constitucionalidade. Sistemas. Ação direta de inconstitucionalidade. Ação
declaratória de constitucionalidade. Arguição de descumprimento de preceito
fundamental. Ação direta de inconstitucionalidade por omissão. Efeitos da decisão no
controle abstrato. A fiscalização abstrata no plano estadual. A Fiscalização incidental.
Controle de constitucionalidade das leis municipais. A ação direta de
inconstitucionalidade no âmbito estadual e o problema da norma repetida. _________ 635
4. Estado Federal. ________________________________________________________ 648
5. Princípios fundamentais. ________________________________________________ 654
6. Direitos e garantias fundamentais. Dos direitos e deveres individuais e coletivos.
Tratados e convenções sobre direitos humanos. A razoável duração do processo. Direitos
sociais. Direitos políticos. Partidos políticos. Direitos de nacionalidade. Tutela
constitucional dos direitos e das liberdades. Mandado de segurança, individual e coletivo.
Mandado de Injunção. Habeas corpus. Habeas data. Ação popular. ________________ 660
7. Organização do Estado Brasileiro: União; Estados federados; Municípios; Distrito
Federal e Territórios. Organização político-administrativa. Repartição de competências.
Bens públicos ____________________________________________________________ 666
8. Intervenção nos Estados e nos Municípios. __________________________________ 671
9. Administração pública. Disposições gerais. Servidores públicos. Regime Jurídico dos
Servidores Públicos Civis do Estado do Rio Grande do Norte. _____________________ 676
10. Organização dos Poderes na Constituição Federal. Poder Executivo. Competências,
estrutura e responsabilidade. Ministros de Estado. Poder Legislativo. Imunidade
parlamentar. Processo legislativo. Poder Judiciário. Supremo Tribunal Federal.
Competência. Recurso Extraordinário. Repercussão Geral. Súmula vinculante. Superior
Tribunal de Justiça. Competência. Recurso Especial. Conselho Nacional de Justiça. Dos
Tribunais e Juízes dos Eleitorais. Dos Tribunais e Juízes dos Estados. Direitos e Deveres da
Magistratura. Garantias da magistratura. LOMAN (LC no 35/79). Funções essenciais à
Justiça. Do Ministério Público. Da Advocacia Pública. Da Advocacia e da Defensoria
Pública. ________________________________________________________________ 677
11. Poder Executivo do Estado do Pernambuco. Atribuições e responsabilidades do
Governador e do Prefeito. _________________________________________________ 681
12. Poder Legislativo do Estado do Pernambuco. Imunidade dos deputados estaduais e
dos vereadores. Processo legislativo estadual. Fiscalização contábil, financeira e
orçamentária. Tribunal de Contas do Estado. __________________________________ 688
13. Poder Judiciário do Estado do Pernambuco. Organização Judiciária. Regimento Interno
do Tribunal de Justiça do Estado do Pernambuco. ______________________________ 691
14. Ordem econômica e financeira. Princípios gerais da atividade econômica. Da Política
Urbana. Tributação e orçamento. Do Sistema Tributário Nacional. Das Finanças Públicas.
_______________________________________________________________________ 695
15. Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas. Emenda Constitucional no 45/04
– Reforma do Judiciário. Emendas Constitucionais. _____________________________ 700
ADMINISTRATIVO ___________________________________________________ 704

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1. Origens, objeto e conceito do Direito Administrativo. _________________________ 704


2. Função administrativa. Regime jurídico administrativo. Aplicação do regime jurídico
administrativo a entidades da Administração Indireta, entidades de colaboração e
particulares. _____________________________________________________________ 707
3. Poderes da Administração. Poder normativo e regulamentar. Poder de polícia. Poder
discricionário. Poder hierárquico. ___________________________________________ 710
4. Princípios da Administração Pública _______________________________________ 713
5. Organização Administrativa. Descentralização. Desconcentração. Órgãos públicos. _ 715
6. Entidades da Administração Indireta e seu regime jurídico. Entidades de colaboração e
seu regime jurídico. _______________________________________________________ 717
7. Improbidade administrativa (Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992) _______________ 718
8. Ato administrativo. _____________________________________________________ 722
9. Processo administrativo (Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999). ________________ 726
10. Licitações e contratos administrativos (Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993). ____ 729
11. Convênios e consórcios administrativos. ___________________________________ 731
12. Serviços públicos: caracterização, titularidade, regime jurídico e delegação a
particulares. _____________________________________________________________ 732
13. Intervenção do Estado no domínio econômico. Exercício de atividade econômica pelo
Estado. Regulação. _______________________________________________________ 735
14. Intervenção do Estado sobre a propriedade privada. _________________________ 739
15. Bens públicos: caracterização, titularidade, regime jurídico, aquisição, alienação e
utilização dos bens públicos pelos particulares. ________________________________ 741
16. Agentes públicos. Cargos, empregos e funções públicas. Regime constitucional e legal.
Responsabilidade dos agentes públicos. Regime previdenciário dos agentes públicos. Lei
Estadual nº 6.123, de 20 de julho de 1968 e alterações. Lei Estadual nº 28, de 14 de janeiro
de 2000 e alterações. _____________________________________________________ 742
17. Responsabilidade extracontratual do Estado. _______________________________ 746
18. Controle administrativo, legislativo e judicial da Administração. Acesso à informação
pública pelo cidadão. Combate à corrupção na Administração Pública. _____________ 751
19. Mandado de Segurança individual. Mandado de Segurança Coletivo. Ação Popular.
Ação Civil Pública. Mandado de Injunção. Habeas Data. _________________________ 756
20. Prescrição e decadência nas relações jurídicas envolvendo a Administração. ______ 759
21. A reforma do Estado: disciplina e efeitos. Formas de parceria com a iniciativa privada.
Parceria Público-Privada. Terceirização. Fomento. Consórcios Públicos. _____________ 760
22. Infrações e sanções administrativas. ______________________________________ 761
TRIBUTÁRIO ________________________________________________________ 765
2. Sistema Tributário Nacional. Princípios constitucionais tributários. Competência
legislativa e Competência Tributária. Limitações da competência tributária. Discriminação,
repartição, destinação e vinculação constitucional da receita tributária. Fundos de
participação. ____________________________________________________________ 765

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P á g i n a | 10

3. Fontes do direito tributário. Hierarquia das normas. Vigência e aplicação da legislação


tributária no tempo e no espaço. Legislação tributária. Conceitos. Lei ordinária e lei
complementar, Lei Delegada, Decretos Legislativos, Resoluções do Senado, Atos
Normativos de Autoridade Administrativa, Decretos e Despachos Normativos do
Executivo, Resoluções Administrativas, Portarias, Decisões Administrativas e Consultas.
Matérias reservadas à previsão por Lei Complementar. Medida provisória. Tratados e
convenções internacionais. Convênios do CONFAZ. _____________________________ 768
5. Obrigação tributária. Obrigação principal e acessória. Fato Gerador: ocorrência,
aspectos materiais, temporal e espacial. Elementos valorativos: base de cálculo e alíquota.
Efeitos, consequências, validade e invalidade dos atos jurídicos. Sujeito ativo e passivo da
obrigação tributária: contribuinte e responsável. Solidariedade. A imposição tributária e
as convenções particulares. Capacidade tributária. Domicílio tributário. Fato gerador.
Hipótese de Incidência: noção, aspectos. _____________________________________ 771
6. Decadência e Prescrição em matéria tributária (prescrição intercorrente judicial e
administrativa). __________________________________________________________ 772
7. Responsabilidade tributária: sucessores, terceiros, responsabilidade por infrações,
responsabilidade pessoal. Responsabilidade supletiva. Substituição tributária. Pagamento
indevido: Compensação e Repetição de Indébito. ______________________________ 774
8. Crédito tributário: constituição, lançamento, natureza jurídica. Caráter vinculado da
atividade de lançamento, efeitos e modalidades. Suspensão, extinção e exclusão do
crédito tributário. Garantias e privilégios do crédito tributário. ___________________ 775
9. Tributos. Conceito. Natureza jurídica. Classificação: impostos, taxas, contribuições de
melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições sociais. Contribuições: espécies e
natureza jurídica. Pedágio. Tributação dos ganhos de capital: tendências do sistema e seus
fundamentos. Tributação sobre o valor agregado: tendências do sistema e seus
fundamentos. ___________________________________________________________ 778
10. Administração tributária: fiscalização, sigilo, auxílio da força pública, excesso de
exação. Dívida ativa: inscrição, presunção de certeza e de liquidez e consectários.
Certidões. Fiscalização. Arrecadação _________________________________________ 784
11. Processo administrativo fiscal: consulta, contencioso administrativo. Processo judicial
Tributário. Ações de iniciativa do fisco: execução fiscal, cautelar fiscal. Ações de iniciativa
do contribuinte: anulatória do débito fiscal, declaratória, de consignação em pagamento,
de repetição de indébito, mandado de segurança. ______________________________ 789
12. Tributação internacional. Acordos para evitar a dupla tributação. Aspectos tributários
da OMC, MERCOSUL, ALADI e ALCA. Incentivos fiscais. Legislação. Análise crítica do
sistema e de seus reflexos no desenvolvimento do País. Evasão e elisão tributárias. ___ 793
14. Ilícito tributário. Ilícito e sanção. Ilícito administrativo tributário. Ilícito penal
tributário: crimes contra a ordem tributária, apropriação indébita. Sanção administrativa
e sanção penal. Responsabilidade penal. Sanções pessoais e patrimoniais. __________ 794
15. Sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e
das empresas de pequeno porte (Lei Complementar nº 123/2006). ________________ 794
AMBIENTAL ________________________________________________________ 796
1. Meio Ambiente. Teoria Geral do Direito ambiental. Conceito. Natureza. Fontes e
Princípios. ______________________________________________________________ 796
3. Direito Ambiental Constitucional. O artigo 225 da Constituição Federal. Competências
legislativa e material em matéria ambiental. Lei Complementar no 140/2011. _______ 798

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4. Bens Ambientais. Águas, cavidades naturais subterrâneas. Energia. Espaços territoriais


protegidos e seus componentes: Fauna, Flora, Florestas, Ilhas, Paisagem, Mar Territorial,
Praias fluviais, Praias marítimas. Recursos naturais da plataforma continental. Recursos da
zona econômica exclusiva. Sítios arqueológicos e pré-históricos ___________________ 798
5. Política Nacional do Meio Ambiente. Princípios da PNMA. Objeto. Finalidade.
Instrumentos da PNMA. ___________________________________________________ 800
6. SISNAMA – Sistema Nacional do Meio Ambiente. Objeto. Órgãos integrantes. Órgão
Superior. Conselho de Governo. _____________________________________________ 807
7. Órgão Consultivo e Deliberativo (CONAMA). Órgão Central – Ministério do Meio
Ambiente. Recursos Hídricos e Amazônia legal. Órgão executor – IBAMA. Órgãos Setoriais.
Órgãos Seccionais e órgãos locais. Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA).
Licenciamento Ambiental. Sistema de Licenciamento. ___________________________ 808
9. Conceito jurídico de impacto ambiental. Exigência Constitucional dos Estudos de
Impacto Ambiental. O EIA na legislação nacional. Competência Legislativa sobre o EIA.
Competência para exigir o EIA. Estados e Municípios. Competência do CONAMA para
estabelecer as diretrizes sobre o EIA. Normas Gerais. Conteúdo do EIA. RIMA. Audiência
Pública. As licitações e o EIA. _______________________________________________ 812
10. Conceito de Zoneamento Ambiental. Finalidade. Natureza jurídica. Zoneamento
Ambiental Urbano. Zonas de Uso Industrial – ZUI. Zonas de Uso Estritamente Industrial –
ZUEI. Zona de Uso Predominantemente Industrial – ZUPI. Zona de Uso Diversificado –
ZUD. Zoneamento Ambiental Agrícola e Zoneamento Ambiental Costeiro. __________ 813
11. O Dano Ambiental. Apuração do Dano Ambiental. Reparação do Dano Ambiental.
Responsabilidade Administrativa, Civil e Penal por danos ao Meio Ambiente. Infrações
Administrativas Ambientais. Sanções para as infrações administrativas ambientais. O
Poder de Polícia e Direito Ambiental _________________________________________ 814
12. Meios processuais para a defesa ambiental. Ação Popular. Ação Civil Pública (Lei no
7.347/85). Competência para o processamento e julgamento das ações civis públicas por
danos ao meio ambiente. Legitimidade ativa. Mandado de Segurança Coletivo.
Desapropriação. Tombamento. A tutela inibitória em matéria de proteção ao meio
ambiente. A tutela de urgência no direito ambiental. O acesso coletivo à tutela
jurisdicional em matéria ambiental. _________________________________________ 816
13. Crimes contra o meio ambiente (Lei nº 9.605/98). Responsabilidade penal ambiental.
Responsabilidade penal da pessoa jurídica. Ação e processo penal. Competência para
julgar os crimes contra o meio ambiente. Crimes contra a fauna. Crimes contra a flora.
Crimes contra o ordenamento urbano e patrimônio cultural. Crimes de poluição. ____ 817
14. O Direito Ambiental Internacional. Conceito. Fontes do Direito ambiental
internacional. Princípios gerais do direito ambiental internacional. MERCOSUL e Direito
Ambiental Internacional. Procedimentos administrativos de prevenção de dano ambiental
nacional transfronteiriço. As Organizações Não-Governamentais. ONGs. ____________ 818
15. Conceito de Poluição. Poluição das águas. Poluição Atmosférica. Poluição por resíduos
sólidos. Poluição por rejeitos perigosos. Poluição por agrotóxicos. Poluição sonora. Áreas
de Preservação Permanente e Unidades de Conservação: Fundamento Constitucional.
Mudança do Clima e Mercado de Carbono. ____________________________________ 818
ELEITORAL _________________________________________________________ 822

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1. Dos órgãos da Justiça Eleitoral. Do Tribunal Superior Eleitoral. Dos Tribunais Regionais
Eleitorais. Dos Juízes Eleitorais. Das Juntas Eleitorais. Composição e atribuições. Do
Ministério Público Eleitoral. ________________________________________________ 822
2. Do Alistamento Eleitoral: ato e efeitos da inscrição, transferência e encerramento.
Cancelamento e exclusão do eleitor. Do domicílio eleitoral. ______________________ 822
3. Do Sistema Eleitoral: Sistema Majoritário e Sistema Proporcional. _______________ 824
4. Do registro de candidatos. Elegibilidade e inelegibilidade. Impugnação de registro de
candidatos. _____________________________________________________________ 825
5. Da votação: atos preparatórios, início e encerramento. Dos lugares de votação, das
seções eleitorais e das mesas receptoras. Da polícia e da fiscalização perante as mesas
receptoras. Da apuração. __________________________________________________ 826
6. Das impugnações perante as juntas eleitorais. Da proclamação e da diplomação dos
eleitos. _________________________________________________________________ 827
7. Dos recursos eleitorais. Pressupostos de admissibilidade. Efeitos e prazos. Recursos
perante as Juntas e Juízos Eleitorais e Tribunais Regionais. _______________________ 828
8. Dos partidos políticos: registro e funcionamento partidário. Da filiação partidária. Das
finanças e contabilidade dos partidos. Prestação de contas _______________________ 830
10. Da ação de impugnação de mandato eletivo. Da investigação judicial eleitoral. Do
Mandado de Segurança. ___________________________________________________ 831
11. Dos crimes eleitorais. Conceito, natureza e classificação. Tipos previstos na legislação
eleitoral. _______________________________________________________________ 832
12. Do Processo Penal Eleitoral. Investigação criminal eleitoral. Ação Penal. Competência
em matéria criminal eleitoral. Rito processual penal eleitoral. Invalidação e nulidade de
atos eleitorais. ___________________________________________________________ 832
13. Lei nº 9.504, de 30.9.97 (Lei das Eleições). __________________________________ 833
14. Condutas vedadas aos agentes públicos em campanhas Eleitorais. ______________ 833

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PENAL
* O examinador dessa matéria foi Dr. Vico Mañas

1. Princípios constitucionais penais.


[TJCE]. Princípios constitucionais penais, quais são os explícitos?
Os princípios constitucionais servem de orientação para a produção legislativa
ordinária, atuando como garantias diretas e imediatas aos cidadãos, funcionando
como critério de interpretação e integração do texto constitucional. Nesse sentido
podemos destacar como princípios constitucionais explícitos os seguintes
responsabilidade pessoal, legalidade, anterioridade e individualização da pena.

Na obra de Nucci percebemos uma distinção entre princípios constitucionais


explícitos e implícitos:

OBS:O esquema é resumido e limitei a trasncrever os dispositivos que se referem aos


princípios constitucionais explícitos. Quanto aos implícitos só coloquei quais são.

A - Explícitos: B - Implícitos:

1) Legalidade (ou reserva legal) - Art 5° , 1) Inervenção Mínima e princípios paralelos e


XXXIX da CF - - não há crime sem lei anterior corolários da subsidiariedade, fragmentaridade
que o defina, nem pena sem prévia cominação e ofensividade.
legal;
2) Taxatividade
2) Anterioridade - Art 5° , XXXIX da CF - não
há crime sem lei anterior que o defina, nem pena 3) Proporcionalidade
sem prévia cominação legal;
4) Vedação da Dupla Punição pelo mesmo fato
3) Retroatividade da Lei penal mais benéfica -
Art 5°, XL da CF - a lei penal não retroagirá, 5) Culpabilidade
salvo para beneficiar o réu;

4) Humanidade - XLVII - não haverá penas: (a)


de morte, salvo em caso de guerra declarada,
nos termos do art. 84, XIX; (b) de caráter
perpétuo; (c) de trabalhos forçados; (d) de
banimento; (e) cruéis; XLIX - É assegurado aos
presos o respeito a integridade física e moral;

5) Personalidade ou da responsabilidade pessoal


-Art. 5°, XLV da CF - nenhuma pena passará da
pessoa do condenado, podendo a obrigação de
reparar o dano e a decretação do perdimento de
bens ser, nos termos da lei, estendidas aos
sucessores e contra eles executadas, até o limite
do valor do patrimônio transferido;

6) Individualização da Pena - Art 5°, XLVI da


CF- a lei regulará a individualização da pena e
adotará, entre outras, as seguintes:

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[TJCE]. Legalidade e reserva legal são a mesma coisa?


NÃO. A legalidade é mais ampla.

MASSON, 2015 - De fato, se tais denominações fossem sinônimas não existiria


razão para o texto constitucional utilizar dois incisos do seu art. 5.º para se referir ao
mesmo princípio. Em verdade, no inc. II encontra-se o princípio da legalidade
(“ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude
de lei”), enquanto no inc. XXXIX repousa o princípio da reserva legal, atribuindo à
lei em sentido estrito o monopólio na criação de crimes e na cominação das penas.

A doutrina consagrou, corretamente, as expressões reserva legal e estrita legalidade,


pois somente se admite lei em sentido material (matéria constitucionalmente
reservada à lei) e formal (lei editada em consonância com o processo legislativo
previsto na Constituição Federal). Contudo, o termo legalidade (SOMENTE) não é
correto, pois nele se enquadram quaisquer das espécies normativas elencadas pelo
art. 59 da Constituição Federal, e não apenas a lei.

[TJCE]. Princípio da jurisdicionalidade - o que é?


MASSON, 2015 - Ferrajoli assenta seu sistema garantista (também chamado de
cognitivo ou de legalidade estrita) em dez axiomas ou princípios axiológicos
fundamentais, dentre eles Nulla culpa sine judicio (princípio da
jurisdicionalidade).

Para deixar nítido o entendimento deste principio o Professor Aury Lopes Júnior,
com genialidade que lhe é peculiar apresenta a seguinte observação:

“A garantia da jurisdicionalidade deve ser vista no contexto das garantias orgânicas


da magistratura, de modo a orientar a inserção do juiz no marco institucional da
independência, pressuposto da imparcialidade, que deverá orientar sua relação com
as partes no processo. Ademais, o acesso à jurisdição é premissa material e lógica
para a efetividade dos direitos fundamentais. (Direito Processual Penal, 10ª ed. p.
164-165)

Fica evidente que o juiz deve absorver os inocentes e apresentar a pena aos
considerados “culpados” sempre de forma adequada e proporcional, com a
observância da tripla função punitiva:

1- Prevenção geral: está presente antes da prática da infração penal, reparem nos
tipos penais incriminadores em abstrato.

2- Prevenção Especial: é a retribuição ao réu pelo mal que causou.

3- Reeducação: a pena deve buscar a reinserção do condenado ao convívio social.

Para a aplicação da pena torna-se imprescindível a atuação de um “Poder livre” com


representantes que atuarão de maneira imparcial. É neste ponto que se faz necessário
a presença do Magistrado com todas suas garantias.

[TJCE]. O que é o instituto da reincidência? O que o STF decidiu sobre


reincidência?

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MASSON, 2015 - Em conformidade com o art. 63 do Código Penal: “Verifica-se a


reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a
sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior”.

Cuida-se, assim, da prática de novo crime depois da condenação definitiva, no Brasil


ou no exterior, pela prática de crime anterior.

O que o STF decidiu recentemente: A teor do disposto no art. 67 do Código Penal,


a circunstância agravante da reincidência, como preponderante, prevalece sobre a
confissão (STF. 2ª Turma. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em
18/03/2014)

[TJCE]. O princípio da intervenção mínima decorre de qual princípio


constitucional?
MASSON, 2015 - No campo penal, o princípio da reserva legal não basta para
salvaguardar o indivíduo. O Estado, respeitada a prévia legalidade dos delitos e das
penas, pode criar tipos penais iníquos e instituir penas vexatórias à dignidade da
pessoa humana.

Assim, é (...) legítima a intervenção penal apenas quando a criminalização de um fato


se constitui meio indispensável para a proteção de determinado bem ou interesse, não
podendo ser tutelado por outros ramos do ordenamento jurídico. E, nesse contexto,
já decidiu o Superior Tribunal de Justiça:

A missão do Direito Penal moderno consiste em tutelar os bens jurídicos mais relevantes.
Em decorrência disso, a intervenção penal deve ter o caráter fragmentário, protegendo
apenas os bens jurídicos mais importantes e em casos de lesões de maior gravidade.

[TJCE]. Qual o conteúdo político do princípio da intervenção mínima?


Creio que seja o chamado direito penal mínimo.

MASSON, 2015 - A intervenção mínima tem como destinatários principais o


legislador e o intérprete do Direito. Àquele, recomenda moderação no momento de
eleger as condutas dignas de proteção penal, abstendo-se de incriminar qualquer
comportamento. Somente deverão ser castigados aqueles que não puderem ser
contidos por outros ramos do Direito. Como enfatiza Claus Roxin, “é evidente que
nada favorece tanto a criminalidade como a penalização de qualquer bagatela”.

Mas não é só. Ao operador do Direito exige não proceder à operação de tipicidade
quando constatar que a pendência pode ser satisfatoriamente resolvida com a atuação
de outros ramos do sistema jurídico, em que pese a criação, pelo legislador, do tipo
penal incriminador.

É utilizado para amparar a corrente do direito penal mínimo. Vale ressaltar, contudo,
que a compreensão daquilo que se entende por intervenção mínima varia de acordo
com as correntes penais e com a interpretação dos operadores do Direito.

[TJCE]. Princípio da proporcionalidade deriva de outro princípio ou tem expressão


constitucional? Esse princípio vincula apenas o juiz, ou também o legislador? Se o
legislador desrespeitar esse princípio?
O princípio da proporcionalidade tem expressão constitucional, sendo considerado
princípio implícito.

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MASSON, 2015 - (...) possui três destinatários: o legislador (proporcionalidade


abstrata), o juiz da ação penal (proporcionalidade concreta), e os órgãos da execução
penal (proporcionalidade executória).

Na proporcionalidade abstrata (ou legislativa), são eleitas as penas mais


apropriadas para cada infração penal (seleção qualitativa), bem como as respectivas
graduações – mínimo e máximo (seleção quantitativa). Na proporcionalidade
concreta (ou judicial), orienta-se o magistrado no julgamento da ação penal,
promovendo a individualização da pena adequada ao caso concreto. Finalmente, na
individualização executória (ou administrativa) incidem regras inerentes ao
cumprimento da pena, levando-se em conta as condições pessoais e o mérito do
condenado.

Desrespeito ao princípio: responderia caber controle de constitucionalidade, em


razão da forca normativo dos princípios. Aliás, recentemente (2015) tivemos decisão
do STJ (não foi do STF) declarando inconstitucional o preceito secundário de uma
pena.

A Corte Especial do STJ, ao apreciar um habeas corpus, decidiu que o preceito


secundário do art. 273, § 1º-B, inciso V, do CP é inconstitucional por ofensa aos
princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. AI no HC 239.363-PR, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 26/2/2015, DJe 10/4/2015 (Info 559).

2. Aplicação da lei penal.


[TJCE]. Qual é o juízo competente para a aplicação da lei penal mais benigna? É
possível na revisão criminal?
Raphael. Se o processo já se encontrar sentenciado, e na fase executória, a
competência será do juízo das execuções. Em se tratando de processo em curso, quem
aplicará é o juiz de primeiro grau ou o de segundo grau, conforme o caso. Creio que
não seja possível na revisão criminal porque esta pressupõe erro judicial, e não
retroação de lei. De todo caso, o condenado não será prejudicado, haja vista a
possibilidade de o juízo da execução proceder de tal forma.

Art. 621. A revisão dos processos findos será admitida:

I – quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal ou à


evidência dos autos;

II – quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos, exames ou documentos


comprovadamente falsos;

III – quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do condenado


ou de circunstância que determine ou autorize diminuição especial da pena.

[TJCE]. Qual a teoria adotada para o tempo do crime? O resultado repercute?


A doutrina aponta 3 teorias para explicar o momento do crime. São elas, a saber:
teoria da atividade, teoria do resultado e teoria da ubiquidade ou mista.

A teoria da atividade considera que o crime foi praticado no momento da conduta


comissiva ou omissiva.

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Já a teoria do resultado reputa que o crime é perpetrado no momento da produção do


resultado.

Por fim, a teoria da ubiquidade ou mista considera o crime praticado no momento da


conduta e no momento do resultado.

Segundo o aplaudido Prof. Fernando Capez, nosso Código Penal, quanto ao momento
do crime, abraçou a teoria da atividade, que tem como consequência primordial a
imputabilidade do agente que deve ser aferida no exato momento da prática do delito,
pouco importando a data em que o resultado venha se efetivar (CAPEZ, Fernando.
Curso de direito penal - parte geral. Volume I. 11ª Edição rev. e atual. - São Paulo:
Saraiva, 2007, p. 67).

[TJCE]. E quanto ao lugar do crime?


Da leitura do citado artigo 6º, do CP, depreende-se que foi adotada a Teoria da
Ubiquidade pelo nosso diploma penal.

Ainda assim há que se atentar para o fato de que essa teoria, trazida pelo CP, somente
se aplica aos chamados crimes à distância, isto é, aqueles em que a conduta criminosa
é praticada em um país, e o resultado vêm a ser produzido em outro.

Cuidado: ao contrário do que enganosamente possa parecer, crimes à distancia não


são os delitos que ocorrem em diversas comarcas. Exige-se, necessariamente,
pluralidade de países.

Desta feita, a regra do artigo 6º, do CP, aplica-se a situações em que a prática do
crime começa em um país e termina em outro. Vale dizer, pode a ação criminosa
começar no Brasil e terminar em outro; ou começar em outro país e terminar no
Brasil.

A título de exemplo, imagina-se a clássica hipótese em que o agente desfere dois tiros
na vítima em solo brasileiro, sendo que esta atravessa a Ponte da Amizade e vem a
falecer no Paraguai.

A adoção da Teoria da Ubiquidade implica o entendimento de que o lugar do crime


tanto pode ser o Brasil, como o Paraguai.

[TJCE]. Como se conta o prazo penal? Adota-se qual calendário? Considera-se os


dias?
O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os
anos pelo calendário comum. Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas
restritivas de direitos, as frações de dia, e, na pena de multa, as frações de cruzeiro.

[TJCE]. Qual a natureza do prazo de decadência?


A decadência, em se tratando de direito criminal, consiste na perda do direito de ação,
pelo ofendido, ante sua inércia, em razão do decurso de certo tempo fixado em lei. A
consequência do reconhecimento da decadência é a extinção da punibilidade, nos
termos do artigo 107, inciso IV, segunda figura, do Código Penal.

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Para CAPEZ, “a decadência está elencada como causa de extinção da punibilidade,


mas, na verdade, o que ela extingue é o direito de dar início a persecução penal em
juízo. O ofendido perde o direito de promover a ação e provocar a prestação
jurisdicional e o Estado não tem como satisfazer seu direito de punir”. E continua
afirmando que “a decadência não atinge diretamente o direito de punir, pois este
pertence ao Estado e não ao ofendido; ela extingue apenas o direito de promover a
ação ou de oferecer a representação” (p. 569).

Ainda sobre o prazo decadencial, sua natureza é peremptória (art. 182 CPC), ou
seja, é fatal e improrrogável e não está sujeito a interrupção ou suspensão. Assim,
esse lapso temporal não pode ser dilatado (a pedido do ofendido ou do Ministério
Público) e não prorroga para dia útil (caso termine em final de semana ou feriado).
Ao contrário do prazo prescricional, não há causas interruptivas ou suspensivas na
decadência.

[TJCE]. Qual a natureza do prazo de prescrição?


A prescrição é causa de extinção da punibilidade prevista no art. 107, IV, 1.ª figura,
do Código Penal.

A infração penal por ela atingida, portanto, permanece íntegra e inabalável.


Desaparece tão somente a punibilidade, compreendida como consequência, e não
como elemento de um crime ou de uma contravenção penal

[TJCE]. Qual a natureza do prazo de SURSI?


Causa extintiva da pena. Expirado o período de prova sem que tenha havido a
revogação da suspensão condicional da pena, considera-se extinta a sanção privativa
de liberdade aplicada, conforme art. 82 do CP. A extinção opera-se de pleno direito,
independentemente de expressa declaração judicial.

Se o período de prova termina sem que haja ocorrido motivo para a revogação, não
mais se executa a pena privativa de liberdade, art. 82. Assim, expirado o prazo de
suspensão ou de prorrogação, sem que tenha havido motivo para a revogação o juiz
deve declarar extinta a pena privativa de liberdade. Trata-se de sentença declaratória
da extinção parcial da punibilidade, não de natureza constitutiva. Em face disso, a
extinção da pena ocorre na data do termino do período de prova e não na em que o
juiz profere a decisão, ainda que seja muito tempo depois.

Ocorrido o termino deverá o juiz declarar a extinção. Se não o fizer, já que a extinção
independe de despacho judicial, a pena estará igualmente extinta.

Uma vez extinta a pena pelo decurso do prazo, ainda que se venha a constatar que o
beneficiário não fazia jus ao período de prova obtido, não será revogável a suspensão.

[TJCE]. O que é princípio da taxatividade? Como se deve interpretar as normas


penais?
O princípio da taxatividade implica que as condutas típicas, merecedoras de punição,
devem ser claras e bem elaboradas. Os tipos penais não podem ser dúbios e
repletos de termos valorativos, pois isto poderia dar ensejo ao abuso do Estado.
Princípio dirigido ao legislador.

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Espécies de Interpretação

Declaratória Extensiva Restritiva

O intérprete não amplia nem A lei disse menos do que A lei disse mais do que
restringe o conteúdo da lei, desejava, por isso amplia-se desejava, por isso restringe-
mas apenas declara a sua o seu alcance, buscando se o seu alcance, buscando
vontade. amoldar-se a real vontade do amoldar-se a real vontade do
legislador. legislador.
Ex: Art. 141, III do CP –
“várias pessoas” significam Ex: Art. 157, §2º, I do CP – Ex: Art. 28, II do CP –
pelo menos 3 pessoas. “arma” compreende não só quando se diz que a
instrumentos bélicos, mas embriaguez, voluntária ou
quaisquer artefatos aptos a culposa, não extingue a
causar danos à integridade culpabilidade, não está se
física do ser humano. referindo à embriaguez
patológica.

A interpretação de uma norma não depende de ela ser benéfica ou não ao réu, pois
em ambos os casos quaisquer espécies interpretativas podem ser utilizadas. Por
exemplo, segundo a doutrina e a jurisprudência majoritária, não há problema em
utilizarmos a interpretação extensiva contra o réu, pois o que se veda é a analogia in
malam partem.

Para se chegar a real vontade do legislador, o intérprete deverá agir de acordo com o
princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, sob pena de chegarmos a
interpretações arbitrárias, como na hipótese de aplicarmos a majoração do crime de
roubo pelo emprego de arma na hipótese o agente possuir unhas grandes.

[TJCE]. É possível combinação de leis penais? Qual a razão jurídica para isso? O
que a súmula do STJ inovou na nova lei de drogas, na combinação de eis?
NÃO. Não se admite combinações de leis, nem mesmo para beneficiar o réu, a
combinação de dispositivos de leis diversas, criando uma terceira norma (lex tertia)
não estabelecida pelo legislador, sob pena de violação aos princípios da legalidade,
da anterioridade da lei penal (art. 1º do Código Penal) e da separação de poderes. A
matéria se encontra sumulada.

Súmula 501 do STJ: “É cabível a aplicação retroativa da Lei 11.343/2006, desde que o
resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do
que o advindo da aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis”.

3. Crime. Conceito. Elementos.


[TJCE]. Qual a definição de crime e seus elementos?
a) Material (substancial): refere-se ao conteúdo do ilícito penal, com análise da
conduta danosa e sua consequência social. Nesse sentido, crime é o comportamento
humano que causa lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico.

b) Formal (formal sintético): conceito sob o aspecto da contradição do fato à norma


penal, ou seja, é toda a conduta (ação ou omissão) proibida por lei sob ameaça de
pena.

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c) Analítico (dogmático ou formal analítico): enfoca os elementos ou requisitos do


crime. O delito é concebido como conduta típica, antijurídica e culpável (conceito
tripartido), ou apenas como conduta típica e antijurídica (conceito bipartido).

[TJCE]. A punibilidade é elementar ou não do crime? O que são causas de exclusão


da punibilidade?
Entende Rogério Sanches, que a base de entendimento para a punibilidade está
voltada para uma consequência do crime, ou seja, existindo a punibilidade, significa
dizer que um crime aconteceu, todavia inexistindo este elemento ou de alguma forma
extinguindo-se o critério de fato ou autor punível, em nada quer dizer que o crime
deixou também de existir.

A punibilidade vem como resultado da responsabilidade penal do réu pelo crime que
cometeu, dela decorre o direito de o Estado fazer cumprir a pena. “A punição é a
consequência natural da realização da ação típica, antijurídica e culpável. Porém,
após a prática do fato delituoso podem ocorrer as chamadas causas extintivas, que
impedem a aplicação ou execução da sanção respectiva.” (BITENCOURT, Cezar
Roberto. Código Penal Anotado, 2.ª Ed., Editora Revista dos Tribunais, pág. 394,
1999).

Em corolário a isso, a extinção da punibilidade resulta na supressão do direito do


Estado de impor a pena, não havendo como ele querer vê-la cumprida. As
circunstâncias mais relevantes para tanto estão condensadas no artigo 107 do Código
Penal, mas a legislação pode criar outras.

[TJCE]. É correto dizer que, para a teoria finalista, a culpabilidade não é elemento
do crime?
A teoria finalista possui duas vertentes. Prevalece no Brasi a teoria tripartite finalista,
cuja culpabilidade faz parte do tipo. Para a teoria bipartite, a culpabilidade não integra
a estrutura do crime. A culpabilidade não é substrato do crime, mas sim um juízo de
censura, pressuposto de aplicação da pena.

[TJCE]. Quem criou o princípio da adequação social? Casos que foi reconhecida a
exclusão da culpabilidade por adequação social? Admissão da inexigibilidade de
conduta diversa.
De acordo com esse princípio, não pode ser considerado criminoso o comportamento
humano que, embora tipificado em lei, não afrontar o sentimento social de Justiça. É
o caso, exemplificativamente, dos trotes acadêmicos moderados e da circuncisão
realizada pelos judeus.

Advirta-se, porém, que a autorização legal para o exercício de determinada profissão


não implica, automaticamente, na adequação social dos crimes praticados em seu
bojo. Já decidiu o Superior Tribunal de Justiça que, em crime de descaminho
praticado por camelô, a existência de lei regulamentando tal atividade não conduz ao
reconhecimento de que o descaminho é socialmente aceitável.

Adequação social está relacionada a tipicidade. Exigibilidade de contuda diversa se


relaciona com culpabilidade.

4. Tipicidade. Elementos. Causas de exclusão.

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[TJCE]. O que é tipicidade objetiva e subjetiva?


- Tipicidade objetiva: 1 - conduta humana / 2 - resultado naturalístico / 3 - nexo de
causalidade / 4 - adequação típica

- Tipicidade subjetiva: Dolo e culpa

[TJCE]. Falar da tipicidade Formal. O juízo de tipicidade formal admite alguma


valoração?
Tipicidade formal é o juízo de subsunção entre a conduta praticada pelo agente no
mundo real e o modelo descrito pelo tipo penal (“adequação ao catálogo”).

É a operação pela qual se analisa se o fato praticado pelo agente encontra


correspondência em uma conduta prevista em lei como crime ou contravenção penal.
A conduta de matar alguém tem amparo no art. 121 do Código Penal. Há, portanto,
tipicidade entre tal conduta e a lei penal.

Creio que não se admita valoração.

[TJCE]. O que é tipicidade material? Critérios de exclusão da tipicidade material?


Adequação social? Admitida essa hipótese, o que seria excluída?
A tipicidade, elemento do fato típico, divide-se em formal e material.

De seu turno, tipicidade material (ou substancial) é a lesão ou perigo de lesão ao


bem jurídico penalmente tutelado em razão da prática da conduta legalmente descrita.
Atualmente, segundo predomina na doutrina penal e na jurisprudência do STF e STJ,
para que ocorra o fato típico não basta a adequação típica legal (aspecto formal/legal
da tipicidade), devendo ainda ser analisada a tipicidade em seu aspecto material
consistente na valoração da conduta e do resultado. Ou seja: TIPICIDADE =
tipicidade formal + tipicidade material. Segundo o STF, "O Direito Penal não se deve
ocupar de condutas que produzam resultado, cujo desvalor – por não importar em
lesão significativa a bens jurídicos relevantes – não represente, por isso mesmo,
prejuízo importante, seja ao titular do bem jurídico tutelado, seja à integridade da
própria ordem social" (HC 84.412).

Exemplo: 'A', com intenção de matar, desfere uma facada no coração de 'B',
resultando em ferimentos que o levaram à morte. Esse fato (matar alguém
dolosamente) se amolda ao art. 121 do CP (tipicidade formal); a conduta criou um
risco proibido e se materializou em lesão ao bem jurídico vida (tipicidade material).

"A tipicidade material surgiu para limitar a larga abrangência formal dos tipos penais,
impondo que, além da adequação formal, a conduta do agente gere também relevante
lesão ou perigo concreto de lesão ao bem jurídico tutelado"
(Magistratura/MG/2009); "O princípio da insignificância revela uma hipótese
de a tipicidade material da conduta" (Delegado de Polícia/RJ/2009); "A
tipicidade material do fato depende, dentre outros requisitos, da existência de
resultado jurídico relevante e da imputação objetiva da conduta"
(Promotor/MPG0/2010).

A adequação social exclui a tipicidade MATERIAL.

[TJCE]. Quais os princípios que norteiam a tipicidade material? O que é o princípio


da lesividade e da subsidiariedade? O que é o princípio da fragmentariedade?

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A tipicidade material relaciona-se intimamente com o princípio da ofensividade (ou


lesividade) do Direito Penal, pois nem todas as condutas que se encaixam nos
modelos abstratos e sintéticos de crimes (tipicidade formal) acarretam dano ou perigo
ao bem jurídico. É o que se dá, a título ilustrativo, nas hipóteses de incidência do
princípio da insignificância, nas quais, nada obstante a tipicidade formal, não se
verifica a tipicidade material.

Lesividade: Não há infração penal quando a conduta não tiver oferecido ao menos
perigo de lesão ao bem jurídico. Este princípio atende a manifesta exigência de
delimitação do Direito Penal, tanto em nível legislativo como no âmbito
jurisdicional.

Subsidiariedade: De acordo com o princípio da subsidiariedade, a atuação do Direito


Penal é cabível unicamente quando os outros ramos do Direito e os demais meios
estatais de controle social tiverem se revelado impotentes para o controle da ordem
pública.

Fragmentariedade: Estabelece que nem todos os ilícitos configuram infrações penais,


mas apenas os que atentam contra valores fundamentais para a manutenção e o
progresso do ser humano e da sociedade. Em resumo, todo ilícito penal será também
ilícito perante os demais ramos do Direito, mas a recíproca não é verdadeira.

[TJCE]. Quais são as causas excludentes da tipicidade material?


Princípio da insignificância

[TJCE]. Qual o parâmetro da insignificância no campo penal?


→ A jurisprudência do STF consagrou o MARI como os requisitos clássicos para a
aplicação do princípio da insignificância. Porém, tais requisitos são visualizados
apenas sob a ótica do autor da conduta:

a) a mínima ofensividade da conduta do agente;

b) a nenhuma periculosidade social da ação;

c) o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento;

d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada.

→ Dessa forma, coube à jurisprudência do STJ deu um “plus” ao referido princípio,


aplicando além dos requisitos MARI, a relevância da lesão do bem jurídico sob a
ótica da vítima do delito.

[TJCE]. O que é desvalor da ação e do resultado?


A tipicidade material é composta por três juízos valorativos. Conforme lição de Luiz
Flávio Gomes, os três juízos valorativos são: 1º) juízo de desaprovação da conduta
(cabe ao juiz verificar o desvalor da conduta, ou seja, se o agente, com a sua conduta,
criou ou incrementou um risco proibido relevante); 2º) juízo de desaprovação do
resultado jurídico (isto é, desvalor do resultado que consiste na ofensa desvaliosa ao
bem jurídico) e 3º) juízo de imputação objetiva do resultado (o resultado deve ser a
reação do risco criado ou incrementado).

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[TJCE]. Pode ser absolvido réu reincidente por crime que estejam caracterizados
como insignificantes?
A reincidência, por si só, não impede a aplicação do princípio da insignificância,
segundo o STJ/STF. No entanto, caso se verifique que a habitualidade criminosa, não
prevalecerá a aplicação do princípio.

Para STJ, reincidência não afasta aplicação do princípio da insignificância. “Nem a


reincidência nem a reiteração criminosa, tampouco a habitualidade delitiva, são
suficientes, por si sós e isoladamente, para afastar a aplicação do denominado
princípio da insignificância”, afirmou o ministro Sebastião Reis Júnior, relator do
habeas corpus impetrado por um homem que tentou furtar oito barras de chocolate.

No STJ, o ministro Sebastião Reis Júnior entendeu pela concessão do habeas corpus.
Segundo ele, para o reconhecimento da insignificância devem ser levadas em
consideração todas as peculiaridades do caso concreto.

O ministro citou precedente do Supremo Tribunal Federal (RHC 113.773) no qual


também ficou consolidado o entendimento da necessidade do “juízo de ponderação
entre o dano causado pelo agente e a pena que lhe será imposta como consequência
da intervenção penal do estado”.

“Não obstante a certidão de antecedentes criminais indique uma condenação


transitada em julgado em crime de mesma natureza, não creio que a conduta do
agente (condenado por tentativa de furto) traduza a lesividade efetiva e concreta ao
bem jurídico tutelado. Também não acredito que a incidência do mencionado
princípio fomente a atividade criminosa. São outros e mais complexos fatores que,
na verdade, têm instigado a prática delitiva na sociedade moderna”, disse o relator.

A Turma, por unanimidade, votou pela concessão da ordem para extinguir a ação
penal. Com informações da Assessoria de Comunicação do Superior Tribunal de
Justiça.

[TJCE]. O que se entende por tipo objetivo? Qual o elemento do tipo que o
caracteriza? E o que é o verbo? E o que é o elemento normativo? No furto há
elemento normativo?
Trata-se do elemento objetivo do tipo (conduta, resultado nexo de causalidade). O
mesmo se compõe de:

- elementos objetivos (tipo objetivo):

- objetivos descritivos (objetivos propriamente ditos): descrevem os aspectos


materiais da conduta, como objetos, animais, coisas, tempo, lugar, forma de
execução. São atos perceptíveis pelos sentidos e não exigem nenhum juízo de
valor para compreensão de seu significado.

- objetivos normativos: são descobertos por intermédio de um juízo de valor.


Expressam-se em termos jurídicos (ex.: funcionário público, documento, cheque,
duplicata), extrajurídicos ou em expressões culturais (ex.: decoro, pudor, ato
obsceno).

Chute: Verbo é o núcleo do tipo ensejador da conduta penalmente relevante. Criei


que no furto só haja elementos descritivos aliados aos elementos subjetivos.

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[TJCE]. Em que consiste o tipo subjetivo? O que é o elemento subjetivo do tipo?


- elementos subjetivos (tipo subjetivo):

- elemento subjetivo geral (dolo): ocorre quando o agente quer o resultado ou


assume o risco de produzi-lo.

- elementos subjetivos especiais (elemento subjetivo do injusto): são dados que se


referem ao estado anímico do autor (intenção específica distinta do dolo). O tipo
contém como elemento uma finalidade específica do agente. Esses elementos
indicam o especial fim ou motivo de agir do agente. Exemplos: para si ou para
outrem; com o fim de obter; em proveito próprio ou alheio; por motivo de; para
fim libidinoso etc.

[TJCE]. Como era chamado na teoria antiga causalista?


Tipo anormal. Classificação antiga que tem pertinência no causalismo, pois os
causalistas é quem dividiam o tipo penal em “normal” e “anormal”. Assim, para o
causalista, tipo normal é composto apenas por elementos objetivos descritivos
(exemplo: art. 121/CP); já o tipo anormal é composto também por elementos
objetivos normativos ou subjetivos (exemplos: artigos 154 e 299, ambos do CP).

[TJCE]. Por que o furto de uso não é crime? Falta qual elemento ao tipo?
Para a configuração do crime de furto é imprescindível a presença do elemento
subjetivo diverso do dolo “para si ou para outrem”. Nossa lei penal comum não
tipifica o furto de uso.

5. Relação de causalidade.
[TJCE]. Qual a teoria adotada no CP para imputar uma infração penal?
Ao dispor que causa é a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido,
nota-se que Código adotou a teoria da equivalência das condições ou conditio sine
qua non. Assim, em regra, o art. 13, caput, do CP adota a teoria da causalidade
simples, que generaliza as condições, é dizer, todas as causas concorrentes se põem
no mesmo nível de importância, equivalendo-se em valor. Excepcionalmente, o CP
adota, no §1º do art. 13, a teoria da causalidade adequada (causa seria o antecedente
não só necessário, mas adequado à produção do resultado).

[TJCE]. O que é concausa?


Concausa é a convergência de uma causa externa à vontade do autor da conduta,
influindo na produção do resultado naturalístico. Podem ser absoluta (que não se
originam da conduta do agente) ou relativamente independentes (a causa se origina,
direta ou indiretamente, da causa concorrente).

[TJCE]. Relação de causalidade diz respeito a qual tipo de crime? Aplica aos crimes
omissivos?
A relação de causalidade diz respeito aos crimes materiais. O nexo causal só tem
relevância nos crimes cuja consumação depende do resultado naturalístico. Aplica-
se aos crimes omissivos impróprios, pois apesar de não haver um nexo causal físico,
a omissão é um nada e o nada não causa coisa alguma; entretanto, para fins de
responsabilização penal, por uma ficção jurídica, a lei considera existir um elo entre
o omitente e o resultado naturalístico sempre que estiver presente o dever jurídico de

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agir, de modo que, havendo dolo ou culpa, responderá pelo evento. (ou seja, há
relação causal porque há o dever de agir).

[TJCE]. Qual a teoria adotada na relação de casualidade?


Ao dispor que causa é a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido,
nota-se que Código adotou a teoria da equivalência das condições ou conditio sine
qua non. Assim, em regra, o art. 13, caput, do CP adota a teoria da causalidade
simples, que generaliza as condições, é dizer, todas as causas concorrentes se põem
no mesmo nível de importância, equivalendo-se em valor. Excepcionalmente, o CP
adota, no §1º do art. 13, a teoria da causalidade adequada (causa seria o antecedente
não só necessário, mas adequado à produção do resultado).

[TJCE]. Condicio sine qua non o que significa?


Significa “condição sem a qual”. Em verdade, representa toda e qualquer conduta
pretérita sem a qual o resultado não teria ocorrido naquele momento.

[TJCE]. Causa, condição e concausa há diferença?


O Código Penal brasileiro não distingue entre causa, concausa e condição. Tudo o
que contribui para o crime é causa, concausa ou condição.

[TJCE]. Como eu sei se uma ação foi causa? O que o intérprete deve fazer para
identificar se é causa ou não ?
Para se aferir se determinada conduta é causa ou não de um resultado, deve-se fazer
o juízo hipotético de eliminação, que consiste na supressão mental de determinada
ação ou omissão dentro de toda a cadeia de condutas presentes no contexto do crime.
Se, eliminada, o resultado desaparecer, pode-se afirmar que aquela conduta é causa.
Caso contrário, ou seja, se a despeito de suprimida, o resultado ainda assim existir,
não será considerada conduta.

Atente-se para o fato de que ser causa do resultado não é bastante para ensejar a
responsabilização penal. É preciso, ainda, verificar se a conduta do agente
considerada causa do resultado foi praticada mediante dolo ou culpa, pois nosso
Direito Penal não se coaduna com a responsabilidade objetiva. (Finalismo)

[TJCE]. Qual teoria exige a criação de um risco proibido? Se o risco for permitido?
A teoria da imputação objetiva exige além do nexo causal, o nexo normativo, que é
composto de: criação ou incremento de um risco não permitido, realização do risco
no resultado, abrangência do resultado pelo tipo penal.

Se o risco criado for permitido, haveria tipicidade de acordo com essa teoria.

Merece destaque dentro desse contexto de risco permitido, o PRINCÍPIO DA


CONFIANÇA, não praticando conduta típica quem, agindo de acordo com as regras
legais, envolve-se em situação em que terceiro, descumprindo com o seu dever de
cuidado, permite a produção do resultado.

Tal teoria, que reduz sobremaneira a cadeia do nexo causal, além de não ter sido
adotada por nosso Código Penal, ainda não se encontra total e seguramente
construída, haja vista a falta de consenso entre seus próprios defensores, recebendo,
por isso, a conotação de arbitrária por alguns. Sua aplicação é muito tímida pelos
Tribunais.

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[TJCE]. O artigo 13 se refere a que crimes? Na causalidade? Apenas os crimes


materiais? Nenhum omissivo?
A relação de causalidade diz respeito aos crimes materiais. O nexo causal só tem
relevância nos crimes cuja consumação depende do resultado naturalístico. Aplica-
se também aos crimes omissivos impróprios, pois apesar de não haver um nexo
causal físico, a omissão é um nada e o nada não causa coisa alguma; entretanto, para
fins de responsabilização penal, por uma ficção jurídica, a lei considera existir um
elo entre o omitente e o resultado naturalístico sempre que estiver presente o dever
jurídico de agir, de modo que, havendo dolo ou culpa, responderá pelo evento. (ou
seja, há relação causal porque há o dever de agir).

[TJCE]. Relação de causalidade entre omissão e o evento?


Sendo a relação de causalidade ligada aos crimes materiais, não há que se falar em
relação de causalidade me crimes omissivos próprios ou puros, que não alojam em
seu bojo um resultado naturalístico. Aqui a omissão é descrita pelo próprio tipo penal,
e o crime se consuma com a simples inércia do agente.

Diferentemente, ocorre nos crimes omissivos impróprios ou impuros, aqueles em que


o tipo penal descreve uma ação, mas a inércia do agente, que podia e devia agir para
impedir o resultado naturalístico, conduz à sua produção. São crimes materiais.

6. Consumação, tentativa, crime impossível, desistência voluntária e


arrependimento eficaz.
[TJCE]. O que é desistência voluntária e arrependimento eficaz? Espontâneo difere
de voluntário?
Desistência Voluntária se dá quando “o agente, voluntariamente, abandona seu
intento durante a realização dos atos executórios” (CUNHA, 2010, p. 69).

Desse conceito, pode-se extrair que para a ocorrência da desistência voluntária é


necessária a paralisação concreta da execução do fato delituoso (critério objetivo) e
que essa desistência seja voluntária (critério subjetivo). Havendo a cessação
(abstenção) da execução do crime, por deliberação própria do agente, ele só
responderá pelos atos até então praticados, se infrações penais forem considerados
tais atos.

Espontâneo difere de voluntário. Não é necessário ser espontâneo (a iniciativa pode


advir de terceira pessoa, por exemplo), mas é necessário ser voluntário, ou seja, livre
de coação física ou moral.

Arrependimento Eficaz (ou arrependimento ativo) ocorre “quando o agente, tendo já


ultimado o processo de execução do crime, desenvolve nova atividade impedindo a
produção do resultado” (JESUS, 2006, p. 343/344). Exige uma ação positiva do
agente, pois “o processo de execução do delito se encontra esgotado (ação típica
realizada)” (PRADO, 2010, p. 84), com a finalidade de evitar a produção do
resultado.

Destarte, para que se configure o arrependimento eficaz é imperioso que haja o


impedimento eficaz do resultado (critério objetivo) e que seja de forma voluntária
(critério subjetivo).

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[TJCE]. Defina tentativa.


É o início de execução de um crime que somente não se consuma por circunstâncias
alheias à vontade do agente.

A tentativa constitui-se em causa obrigatória de diminuição da pena. Incide na


terceira fase de aplicação da pena privativa de liberdade, e sempre a reduz. A
liberdade do magistrado repousa unicamente no quantum da diminuição, balizando-
se entre os limites legais, de 1(um) a 2/3 (dois terços). E, para tanto, o critério decisivo
é a maior ou menor proximidade da consumação, é dizer, a distância percorrida do
iter criminis, ou seja, tanto maior será a diminuição quanto mais distante ficar o
agente da consumação, bem como tanto menor será a diminuição quanto mais se
aproximar o agente da consumação do delito.

[TJCE]. Em qual fase a tentativa passa a ser punível?


O iter criminis é composto das seguintes fases: interna (cogitação do crime) e externa
(atos preparatórios, atos de execução e consumação).

No Brasil o Código Penal em seu artigo 14, inciso II (o crime se diz tentado quando
iniciada a execução, esta não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do
agente), adotou a teoria objetiva ou formal para tentar diferenciar atos executórios de
atos preparatórios. Assim, exige-se que o autor tenha realizado de maneira efetiva
uma parte da própria conduta típica, adentrando no núcleo do tipo. É punivel como
tentativa.

[TJCE]. Como se caracteriza os atos de execução? Quando o agente ingressa nessa


fase?
O autor tenha realizado de maneira efetiva uma parte da própria conduta típica,
adentrando no núcleo do tipo.

[TJCE]. Crime Impossível: Qual a sua natureza? Quais seus requisitos?


É causa de exclusão de tipicidade. Também denominado tentativa inidônea,
inadequada ou impossível.

O crime impossível somente se caracteriza quando o agente, após a prática do fato,


jamais poderia consumar o crime pela ineficácia absoluta do meio empregado ou pela
absoluta impropriedade do objeto material, nos termos do art. 17 do CP. O momento
adequado para aferir a inidoneidade absoluta é após a prática da conduta com qual se
deseja consumar o crime.

[TJCE]. Crime impossível x delito putativo são iguais?


Não. Delito putativo, também chamado de imaginário ou erroneamente suposto, é o
que existe apenas na mente do agente, que acredita violar a lei penal, quando, na
verdade o fato por ele concretizado não possui adequação típica (atípico).

Podem ser de três espécies: por erro de tipo (o agente acredita ofender lei penal
incriminadora, mas na sua conduta faltam elementos da definição típica), por erro de
proibição (erro recai sobre a ilicitude do fato, não há previsão legal) e por obra do
agente provocador (ou crime de ensaio/crime de experiência/flagrante provocado,
ocorre quando alguém insidiosamente, induz outra pessoa a cometer uma conduta
criminosa e, simultaneamente, adota medidas para impedir sua consumação.

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No crime impossível, o agente, mesmo com a intenção de cometer o delito, não


consegue fazê-lo por ter se utilizado de meio de execução absolutamente ineficaz ou
ter direcionado sua conduta a objeto material absolutamente impróprio.

No crime putativo, o agente, embora acredite praticar um fato típico, realiza um


indiferente penal.

[TJCE]. Flagrante preparado leva ao crime impossível?


Não. Existe delito putativo.

[TJCE]. Quando se consuma os crimes de acordo com a sua classificação?


Quanto ao momento que o crime se consuma, estes podem ser divididos em:

 Crimes instantâneos: são aqueles que se consumam num momento


determinado, sem continuidade no tempo.
 Crimes permanentes: são aqueles cuja consumação se prolonga do tempo, por
vontade do agente.
 Crimes instantâneos de efeitos permanentes: são aqueles cujos efeitos
subsistem após a consumação, independentemente da vontade do agente. Ex:
bigamia
 Crimes habituais: São aqueles que dependem da reiteração de atos
reveladores de um modo de vida do agente. O crime habitual impróprio exige
apenas a um ato, sendo os demais mera reiteração do mesmo crime, ex. gestão
fraudulenta.
 Crimes a prazo: aquele cuja consumação exige a fluência de certo período.
Ex: lesão corporal de natureza grave por incapacidade por mais de 30 dias.

[TJCE]. Quando se consuma os crimes omissivos?


Nos crimes omissivos próprios ou puros, em que não há produção de resultado
naturalístico, a omissão é descrita pelo próprio tipo penal, e o crime se consuma com
a simples inércia do agente.

Diferentemente ocorre nos crimes omissivos impróprios ou impuros, cujo tipo penal
descreve uma ação, mas a inércia do agente, que podia e devia agir para impedir o
resultado naturalístico, conduz à sua produção. São crimes materiais e se consumam
quando o resultado naturalístico ocorre.

[TJCE]. Quais crimes exigem o resultado naturalístico para a sua consumação?


Crimes materiais.

[TJCE]. Os crimes omissivos possuem resultado naturalístico?


Apenas os crimes omissos impróprios, cujo tipo penal descreve uma ação, mas a
inércia do agente, que podia e devia agir para impedir o resultado naturalístico,
conduz à sua produção.

[TJCE]. Os crimes que não tem resultado naturalístico admitem tentativa?


Sim. Em verdade, os crime dolosos são compatíveis com a tentativa, sejam materiais,
formais ou de mera conduta. A admissibilidade ou não da tentativa tem a ver com o
caráter plurissubsistente do delito, ou seja, a composição da conduta em diversos atos
executórios, podendo, consequentemente, ser fracionada.

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Logo, o fato de ser crime de mera conduta (o qual o tipo penal não contém resultado
naturalístico), por exemplo, não obsta a tentativa.

[TJCE]. A extorsão é crime formal ou material?


Formal.

[TJCE]. A extorsão admite tentativa?


Sim. Nas lições de Nelson Hungria encontramos o seguinte: “No tocante à extorsão
(art.158) apesar de se tratar de crime formal, admite-se a tentativa, pois não se perfaz
único actu, apresentando-se um iter a ser percorrido. Assim toda vez que deixa de
ocorrer a pretendida ação, tolerância ou omissão da vítima, não obstante a idoneidade
do meio de coação deixa este, já em execução, de se ultimar...” Isto que dizer que se
o agente não conseguir que uma pessoa tenha uma conduta positiva ou negativa não
conseguiu consumar o crime.

[TJCE]. E a corrupção de menores é crime formal ou material? É possível tentativa?


Existe súmula?
Crime formal. É possível tentativa uma vez que é delito plurissubsistente. Segundo a
Súmula 500 do STJ: “A configuração do crime do art. 244-B do ECA independe da
prova da efetiva corrupção do menor, por se tratar de delito formal”.

7. Arrependimento posterior.
[TJCE]. Defina e dê a natureza jurídica do arrependimento posterior. Cabe para
crimes culposos?
MASSON, 2015 - Arrependimento posterior é a causa pessoal e obrigatória de
diminuição da pena que ocorre quando o responsável pelo crime praticado sem
violência à pessoa ou grave ameaça, voluntariamente e até o recebimento da denúncia
ou queixa, restitui a coisa ou repara o dano provocado por sua conduta.

Conforme dispõe o art. 16 do Código Penal: “Nos crimes cometidos sem violência
ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento
da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de 1
(um) a 2/3 (dois terços)”.

Trata-se de causa pessoal e obrigatória de diminuição da pena. Tem incidência,


portanto, na terceira fase de aplicação da pena privativa de liberdade.

Em caso de violência culposa, é cabível o arrependimento posterior. Não houve


violência na conduta, mas sim no resultado. É o que se dá, por exemplo, na lesão
corporal culposa, crime de ação penal pública condicionada em que a reparação do
dano pode, inclusive, acarretar na renúncia ao direito de representação se celebrada
a composição civil, na forma do art. 74 e parágrafo único da Lei 9.099/1995.

[TJCE]. A reparação do dano no arrependimento posterior inclui o dano moral?


MASSON, 2015 - Embora com alguma controvérsia, prevalece o entendimento de
que a reparação do dano moral enseja a aplicação do arrependimento posterior. Nos
crimes contra a honra, a título ilustrativo, a indenização pelos prejuízos causados
autorizaria a diminuição da pena. Confira-se, a propósito, o trabalho de GARCIA,
Waléria Garcelan Loma. Arrependimento posterior. Belo Horizonte: Del Rey, 1997.
p. 81 e ss.

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[TJCE]. Se a reparação do dano ocorrer depois haverá alguma repercussão?


MASSON, 2015 - Se a reparação do dano for concretizada após o recebimento da
denúncia ou da queixa, mas antes do julgamento, aplica-se a atenuante genérica
prevista no art. 65, III, “b”, parte final, do Código Penal. STF: HC 99.803/RJ, rel.
Min. Ellen Gracie, 2.ª Turma, j. 22.06.2010.

[TJCE]. Voluntariedade e espontaneidade são sinônimos?


MASSON, 2015 - NÃO. Para o arrependimento posterior, basta que a reparação seja
voluntária, no sentido de ser realizada sem coação física ou moral. Pode se dar,
assim, em razão de orientação de familiares, do advogado, ou mesmo por receio de
suportar rigorosa sanção penal. Não se exige, contudo, espontaneidade. É
prescindível tenha surgido a ideia livremente na mente do agente

[TJCE]. No concurso de agentes, a reparação do dano feita por um deles aproveita


o outro?
MASSON, 2015 - SIM. A reparação do dano ou restituição da coisa tem natureza
objetiva. Consequentemente, comunica-se aos demais coautores e partícipes do
crime, na forma definida pelo art. 30 do Código Penal. Como destacado pelo Superior
Tribunal de Justiça:

Uma vez reparado o dano integralmente por um dos autores do delito, a causa de
diminuição de pena do arrependimento posterior, prevista no art. 16 do CP, estende-se
aos demais coautores, cabendo ao julgador avaliar a fração de redução a ser aplicada,
conforme a atuação de cada agente em relação à reparação efetivada. De fato, trata-se
de circunstância comunicável, em razão de sua natureza objetiva. Deve-se observar,
portanto, o disposto no art. 30 do CP, segundo o qual “não se comunicam as
circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime”.
REsp 1.187.976/SP, rel. Min. Sebastião Reis Júnior, 6.ª Turma, j. 07.11.2013,
noticiado no Informativo 531.

Nas infrações penais em que a reparação do dano ou restituição da coisa por um dos
agentes inviabiliza igual atuação por parte dos demais, a todos se estende o benefício.
Na receptação (CP, art. 180), a propósito, entendimento diverso prejudicaria o autor
do crime antecedente, que estaria impossibilitado de reparar um dano já satisfeito.

[TJCE]. Para reduzir a pena, quais os critérios que devem ser adotados pelo juiz?
MASSON, 2015 - A redução da pena dentro dos parâmetros legais (um a dois terços)
deve ser calculada com base na celeridade e na voluntariedade da reparação do dano
ou da restituição da coisa. Quanto mais rápida e mais verdadeira, maior será a
diminuição da pena (2/3); quanto mais lenta – desde que até o recebimento da
denúncia ou queixa – e menos sincera, menor a diminuição (1/3).

Contudo, ao admitir a reparação parcial do dano ou a restituição parcial da coisa, o


Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que a diminuição da
pena leva em conta a extensão do ato reparador do agente. Nesse contexto, se a
reparação do dano ou a restituição da coisa for total, a pena será reduzida de 2/3; se
parcial, a diminuição incidirá em menor percentual.

[TJCE]. O que é arrependimento posterior? Quais seus efeitos? Natureza jurídica?


É a causa pessoal e obrigatória de diminuição da pena (aplicável na terceira fase da
dosimetria) que ocorre quando o responsável pelo crime praticado sem violência ou
grave ameaça à pessoa (a violência contra a coisa e a violência culposa à pessoa não

3
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exclui o benefício), voluntariamente, e até o recebimento da denúncia ou da queixa,


restitui ou repara o dano provocado por sua conduta (pessoal e integralmente).

[TJCE]. É possível crimes culposos com violência?


Sim. Não há óbice. No caso não há violência na conduta, mas sim no resultado. EX:
lesão corporal culposa

[TJCE]. A reparação do dano aqui inclui o dano moral?


O dano resultante do delito pode ser patrimonial ou extra-patrimonial (dano moral).
A lei não limita a aplicação do benefício aos delitos de que resulta apenas
dano patrimonial. Assim, num crime de que não resulte dano patrimonial, a
reparação do dano moral, pela compensação pecuniária do sofrimento da
vítima, justifica a aplicação do benefício (É a corrente que prevalece). Por extensão,
a reparação não é integral se não há compensação do dano moral.

[TJCE]. Se a reparação do dano ocorrer depois do recebimento da denúncia?


Aplica-se a atenuante genérica prevista no art. 65, III, b do CP.

[TJCE]. O ato precisa ser voluntário?


Sim. A reparação deve ser voluntária, pessoal e integral.

[TJCE]. Voluntariedade e espontaneidade é a mesma coisa?


Espontâneo difere de voluntário. Não é necessário ser espontâneo (a iniciativa pode
advir de terceira pessoa, por exemplo), mas é necessário ser voluntário, ou seja, livre
de coação física ou moral.

[TJCE]. Crimes em concursos de agentes, havendo reparação, se estende aos demais


autores?
A reparação do dano ou restituição da coisa tem natureza objetiva,
consequentemente, comunica-se aos demais coautores e partícipes do crime, na
forma definida do art. 30 do CP.

[TJCE]. Quais os critérios deve seguir o magistrado para adotar a redução?


A redução da pena deve ser calculada com base na celeridade e na voluntariedade da
reparação do dano ou da restituição da coisa.

8. Dolo e culpa.
[TJCE]. A culpa integra qual elemento do crime? Representa qual elemento do
crime?
Para a Teoria Clássica ou Causal, o dolo e a culpa integram a culpabilidade. Já pela
Teoria Finalista, o dolo e a culpa integram o fato típico, pois inerentes à conduta.
Welzel, em sua concepção finalista da ação, teve o mérito de levar para o tipo penal
o aspecto subjetivo do crime, retirando o dolo e a culpa da culpabilidade, passando a
integrar o fato típico. Essa é a teoria majoritariamente aceita pela doutrina nacional.

[TJCE]. Ainda se pode falar com a consagração da Teoria Finalista?


A Teoria Finalista, segundo a qual a ação típica deve ser concebida como um ato de
vontade com conteúdo, ou seja, o dolo e a culpa são retirados da culpabilidade e
passam a integrar o fato típico, é aceita majoritariamente pela doutrina nacional, mas
atualmente é complementada por novas tendências constitucionais. Apesar da

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contribuição de Welzel, a teoria finalista continuou estranha a sentidos e valores, da


mesma forma que a teoria causalista da ação, impossibilitando, segundo parte da
doutrina, a realização da justiça no caso concreto ou de cumprir as finalidades do
direito penal.

Assim, outras teorias, como as funcionalistas, desenvolvidas por Roxin


(funcionalismo moderado) e Jakobs (funcionalismo radical), surgiram a fim de saber
qual a função que o direito penal pode desenvolver na sociedade. Nesse ponto,
destacam-se os estudos acerca da imputação objetiva e do resultado jurídico
relevante.

[TJCE]. O que configura culpa?


Consiste numa conduta voluntária que realiza o fato ilícito não querido pelo o agente,
mas que foi por ele previsto (culpa consciente) ou lhe era previsível (culpa
inconsciente), e que poderia ter sido evitado se o agente atuasse com o devido
cuidado. Inobservância de um dever objetivo de cuidado.

Elementos da culpa:

• Conduta – pode ser uma ação ou omissão. Na conduta dolosa, como regra, existe
uma finalidade ilícita, e na conduta culposa a finalidade é quase sempre lícita – os
meios escolhidos e empregados pelo agente para atingir a finalidade lícita é que
foram inadequados ou mal utilizados;

• Violação de um dever de cuidado objetivo – é a previsibilidade objetiva. O agente


atua em desacordo com o que esperado pela lei e pela sociedade. Cada membro da
sociedade parte do princípio de que esse dever de cuidado objetivo será observado
pelo seu semelhante. Quem precisa de norma expressa para considerar perigosa a
conduta daquele que coloca um pesado vaso de flores no parapeito de uma janela
localizada no 13º andar de um prédio? Tal conduta e outras do gênero devem ser
evitadas porque infringem um dever de cuidado objetivo. Caso contrário, isto é, caso
o agente as pratique e, em consequência, venha a produzir resultados lesivos, terá de
responder por eles. A palavra “objetivo” é usada para designar um padrão –
comportamento de pessoa de mediana prudência e discernimento. Se alguém agir
sem observar tal dever de cuidado, praticará a conduta culposa. Tal elemento nada
mais é do que a caracterização da imprudência, negligência e imperícia;

Formas de violação do dever de cuidado (a doutrina chama isso de “modalidades de


culpa”):

§ Imprudência – é a afoiteza. É a conduta positiva; prática de um ato


perigoso sem os cuidados que o caso requer;

§ Negligência – é a falta de precaução. É um deixar de fazer aquilo que a


diligência normal impunha;

§ Imperícia – é a falta de aptidão técnica para o exercício de arte, ofício ou


profissão.

• Resultado naturalístico – alteração física no mundo exterior. Assim, em regra,


crime culposo é sempre material (o tipo penal descreve a conduta mais o resultado
naturalístico, sendo este indispensável para a consumação, ex.: homicídio).

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No crime formal, o tipo descreve a conduta mais o resultado naturalístico, sendo este
dispensável (o crime já se consumou com a conduta – crime de consumação
antecipada – acontecendo o resultado, ocorrerá mero exaurimento, ex.: extorsão).

No crime de mera conduta, o tipo descreve apenas uma conduta (não há resultado
naturalístico descrito), ex.: violação de domicílio.

Exceção (crime culposo que dispensa resultado naturalístico): art. 38 da lei de drogas
– prescrição de droga errada ou em alta dose, por médico – FLÁVIO MONTEIRO
DE BARROS – consuma-se independentemente da ingestão da droga pelo o
paciente;

• Nexo causal;

• Previsibilidade – é a possibilidade que tinha o agente de conhecer o perigo (não


se confunde com “previsão” – nesta, você conhece o perigo).

Exceção de crime culposo que não tem previsibilidade: culpa consciente (conhece-
se o perigo, mas acha que poderá evitar, logo, há algo mais do que previsibilidade;
há previsão). Se o fato escapar totalmente à previsibilidade do agente, o resultado
não lhe poderá ser atribuído, mas sim ao caso fortuito ou à força maior. É previsível
o fato, sob o prisma penal, quando a previsão do seu advento, no caso concreto, podia
ser exigida do homem normal, do homo medius, do tipo comum de sensibilidade
ético-social. Tal previsibilidade leva em conta critérios comuns de experiência
(coisas que normalmente acontecem – quod plerumque accidit). É “objetiva” porque
indica um padrão que não é outro senão aquele conhecido (padrão de uma pessoa de
mediana prudência e discernimento).

Consequência da imprevisibilidade objetiva do resultado – o fato será atípico. A


previsibilidade subjetiva do resultado é trabalhada dentro da culpabilidade.

Consequência da imprevisibilidade subjetiva do resultado – falta de culpabilidade.


Previsibilidade objetiva seria aquela, conceituada por HUNGRIA, em que o agente,
no caso concreto, deve ser substituído pelo chamado “homem médio, de prudência
normal”. Se, uma vez levada a efeito essa substituição hipotética, o resultado ainda
assim persistir, é sinal de que o fato havia escapado ao âmbito da previsibilidade do
agente, porque dele não se exigia nada além da capacidade normal dos homens. Na
previsibilidade subjetiva não existe essa substituição hipotética: não há a troca do
agente pelo homem médio para saber se o fato escapava ou não à sua previsibilidade;
o que é levado em consideração são as condições particulares, pessoais do agente,
quer dizer, consideram-se, na previsibilidade subjetiva, as limitações e as
experiências daquela pessoa cuja previsibilidade está se aferindo em um caso
concreto;

• Tipicidade – art. 18, parágrafo único, do CP – no silêncio, o crime é doloso. O


dolo é a regra; a culpa, a exceção. Sim, porque de acordo com o princípio da
intervenção mínima somente as infrações penais mais graves é que merecerão a
atenção da lei penal (são perfeitamente aplicáveis aos delitos culposos os conceitos
do princípio da insignificância).

[TJCE]. O dever de cuidado deve ser um exigido de todos?

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Sim. Entretanto, a depender das circunstancias pessoais do agente, o dever de cuidado


será exigido com maior ou menor intensidade.

[TJCE]. Todo crime admite previsão culposa?


De acordo com o princípio da intervenção mínima somente as infrações penais mais
graves é que merecerão a atenção da lei penal (são perfeitamente aplicáveis aos
delitos culposos os conceitos do princípio da insignificância), de modo que apenas
crimes que atentem contra bens jurídicos de grande relevância devem trazer a
previsão culposa.

[TJCE]. O que distingue a culpa própria e imprópria?


Culpa própria - é a culpa que aqui se estuda (imprudência, negligência, imperícia).

Culpa imprópria - É aquela em que o agente, por erro evitável, fantasia certa situação
de fato, supondo estar acobertado por uma excludente de ilicitude (descriminante
putativa), e, em razão disso, provoca intencionalmente o resultado ilícito, apesar de
a ação ser dolosa, o agente responde por culpa por razões de política criminal (art.
20, parágrafo 1º, segunda parte, do CP).

Há três sinônimos de culpa imprópria: culpa por equiparação ou assimilação ou


extensão.

[TJCE]. Tentativa de crime culposo é possível? Não é cabível porque?


Tentativa nos delitos culposos – Não cabe. Parte da doutrina, contudo, aceita a
possibilidade de tentativa nos crimes culposos, quando da ocorrência da chamada
culpa imprópria (culpa por extensa, por assimilação), quando o agente, nos casos de
erro evitável nas descriminantes putativas, atua com dolo, mas responde pelo
resultado causado com as penas correspondentes ao delito culposo.

No crime culposo o agente não direciona sua conduta para a prática do ato ilícito;
não há dolo de consumação. O agente não persegue o resultado, isto é, não se pode
tentar o que não se quer.

Na culpa imprópria há uma conduta dolosa em que houve erro, a exemplo do caçador,
que pensando atirar em um animal para matar, atira em um ser humano, mas não o
mata. A depender do caso o erro de tipo exclui o dolo e permite a condenação a título
culposo, mas percebe-se que há intenção da prática do ato, da forma como ele ocorreu
(mesmo que induzido por erro).

[TJCE]. Há concurso de agentes em crimes culposos ? E participe? E co autoria?


1ª corrente: admite-se coautoria, mas não participação – tese majoritária. O crime
culposo é normalmente definido por um tipo penal aberto, e nele se encaixa todo
comportamento que viola dever objetivo de cuidado.

2ª corrente: admite-se coautoria e participação – não é o que prevalece (o passageiro


que induziu a alta velocidade do motorista é partícipe).

A doutrina nacional admite a coautoria nos crimes culposos, desde que dois ou mais
indivíduos, agindo vinculados subjetivamente, atuem de forma negligente,
imprudente ou imperita. No caso, o liame subjetivo não envolve, obviamente, o
resultado, não querido, mas a própria conduta.

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ROGÉRIO GRECO, lembrando as lições de Magalhães Noronha, explica (e


exemplifica) o tema:

"Os princípios mostram ser possível a cooperação no crime culposo. Com efeito, neste a
ação causal é voluntária e o evento previsível. Ora, se se admite isso para um agente,
por que não se admitir para outro ? Suponha-se o caso de dois pedreiros que, numa
construção, tomam uma trave e a atiram à rua, alcançando um transeunte. Não há falar
em autor principal e secundário, em realização e instigação, em ação e auxílio etc.

Oficiais do mesmo ofício, incumbia-lhes aquela tarefa, só realizável pela conjugação


das suas forças . Donde a ação única - apanhar e lançar o madeiro - e o resultado -
lesões ou morre da vítima, também uno, foram praticados por duas pessoas, que
uniram seus esforços e vontades, resultando, assim, coautoria. Para ambos houve
vontade atuante e ausência de previsão".

[TJCE]. Que repercussão têm a culpa concorrente da vítima na ação penal?


Não existe no Direito Penal a compensação de culpas. Cada qual responderá pela sua
conduta, independentemente do fato de ter a outra pessoa também contribuído para
a produção desse mesmo resultado. Todavia, a culpa concorrente da vítima pode
atenuar a responsabilidade do agente (art. 59 do CP).

[TJCE]. E a concorrência de culpas?


Responde FLÁVIO MONTEIRO DE BARROS:

"Dá-se a concorrência de culpas quando dois ou mais agentes, culposamente, contribuem


para a eclosão do resultado naturalístico.

Todos respondem pelo evento lesivo, por força da teoria da conditio sine qua non.

Não se confunde a coautoria, em que diversos agentes realizam de comum acordo a


conduta culposa, com a concorrência de culpas, em que diversos agentes realizam a
conduta culposa sem que haja entre eles qualquer liame psicológico".

[TJCE]. O dolo integra qual elemento do crime? Sempre foi assim?


Atualmente predomina o entendimento de que o dolo integra o primeiro elemento do
crime: a tipicidade. Nem sempre foi assim, trata-se de uma evolução, antigamente o
dolo se localizava na culpabilidade.

[TJCE]. Quais as formas de dolo indireto? É sinônimo de eventual?


Dolo indireto ou indeterminado – o agente, com sua conduta, não busca realizar
resultado determinado. Ele se subdivide em duas espécies:

• Alternativo – o agente prevê pluralidade de resultados, dirigindo sua conduta na


realização de qualquer um deles. Agente quer a lesão ou quer o homicídio (“querer
qualquer um deles”).

Quando a alternatividade do dolo disser respeito ao resultado, fala-se em


alternatividade objetiva; quando a alternatividade se referir à pessoa contra qual o
agente dirige sua conduta, a alternatividade será subjetiva.

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Ex. de dolo alternativo quanto à pessoa: o agente, a certa distância, efetua disparos
com sua arma de fogo contra duas pessoas, querendo matar uma ou outra. Como se
percebe, aqui também encontramos um misto de dolo direto com eventual;

• Eventual – o agente prevê pluralidade de resultados, dirigindo sua conduta na


realização de um, mas aceitando o outro. Há intensidade diferente comparado ao
alternativo.

Eventual é um dos tipos de dolo indireto.

[TJCE]. O que é dolo alternativo?


É o outro tipo de dolo indireto, conforme acima explicitado.

[TJCE]. Diferença entre dolo eventual e culpa consciente?


Culpa consciente - culpa consciente é a culpa com previsão. É aquela em que o
agente, embora prevendo o resultado, não deixa de praticar a conduta acreditando,
sinceramente, que este resultado não venha a ocorrer (risco do resultado não
assumido pelo o agente).

No dolo eventual, o resultado não querido é eventualmente possível (assume-se o


risco do resultado ocorrer).

Percebe-se que a principal diferença reside na assunção do risco.

CONSCIÊNCIA VONTADE

DOLO DIRETO Previsão do resultado Querer

DOLO EVENTUAL Previsão do resultado Assumir risco (aceitar)

CULPA CONSCIENTE Previsão do resultado Não quer/não aceita


(acreditar poder evitar)

CULPA INCONSCIENTE Previsibilidade Não quer/não aceita


(possibilidade de prever)

O Brasil adotou a teoria da vontade quando fala em dolo direto e a do assentimento


quando fala do dolo eventual – art. 18, I, do CP.

[TJCE]. O que você acha da tendência em tipificar crimes culposos em dolosos


eventuais?
Não conheço essa tendência, mas lá no final ele faz outra pergunta neste sentido.

Se ele estiver falando de crimes como os de trânsito, em que há divergência sobre a


classificação, eu diria que depende muito das circunstâncias do caso concreto, visto
que somente elas podem indicar qual o elemento subjetivo que animou a conduta do
agente.

Exemplo comum na doutrina é o caso do sujeito que foi ao bar com a família e se
embriagou. Não obstante, foi dirigir, causou um grave acidente no qual foram vitimas

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seus familiares. É demasiadamente improvável que, ao dirigir embriagado, o sujeito


tenha agido com dolo eventual, assumindo o risco do resultado e muito provável que
tenha sido a culpa consciente a direcionar sua decisão.

A tendência de tipificar esses casos como dolo eventual me parece perigosa, visto
que o julgador não se pode deixar levar pelos clamores da população, que, em sua
maioria, não entende as particularidades necessárias para o enquadramento jurídico
adequado, se deixando levar apenas pelo apelo emocional do caso.

[TJCE]. É impossível dolo eventual em crime de trânsito?


É plenamente possível o dolo eventual em crimes de trânsito. No caso dos crimes
ocorridos quando da realização de “rachas” (disputa não autorizada de veículo
automotor no trânsito), predomina o entendimento de que se trata de dolo eventual.

[TJCE]. É comum a elevação da pena pela intensidade do dolo? É correto isso?


Como seria a expressão técnica?
Assevera Guilherme Nucci que não se despreza a denominada intensidade do dolo
ou grau de culpa. Mas, para tanto, esses dados devem ser verificados no cenário da
personalidade do agente, nos motivos ou circunstâncias do crime.

Para Luiz Flávio Gomes e Antonio Molina, deve ser observada pelo juiz "a posição
do agente frente ao bem jurídico violado: (a) de menosprezo total (que se dá no dolo
direto); (b) de indiferença (que ocorre no dolo eventual) e de (c) descuido (que está
presente nos crimes culposos)" (Direito Penal. Parte Gera/. Vai. 2, p. 5 14).

No que tange à intensidade do dolo, a Quinta Turma do STJ decidiu que "A valoração
negativa da culpabilidade não se mostra idônea, porque o fato de o paciente ter tido
intenso dolo no momento da prática do crime não serve para elevar a pena-base como
circunstância judicial do art. 59 do Código Penal, por se referir à própria tipicidade
do delito" (HC 161.389/PE, Quinta Turma, julgado em 17/06/2010). A Sexta Turma,
por sua vez, já decidiu que "Não há ilegalidade se a magistrada fundamentou a
valoração negativa da culpabilidade, dos antecedentes e da conduta social do réu,
demonstrando concretamente a intensidade do dolo, os maus antecedentes e a
conduta social desfavorável, por ser o paciente pessoa violenta" (HC 83.242/PB,
Sexta Turma, julgado em 20/05/2010).

No STF: "A culpabilidade deve ser analisada em sua intensidade quando se trata de
verificar a profundidade e extensão do dolo, segundo autoriza o caput do art. 59 do
Código Penal" (HC 100902, ia T, j. 09/03/2010).

[TJCE]. A expressão técnica seria valoração das circunstâncias judiciais do art. 59,
do CP?
Sim.

[TJCE]. É correto falar em dolo genérico e específico?


Dolo genérico: o agente tem vontade de realizar a conduta descrita no tipo penal, sem
um fim específico (ex: art. 121, CP, "Matar alguém") . Trata-se de denominação
utilizada no âmbito da teoria causalista, dizendo-se genérico porque o tipo penal não
indicava finalidade nenhuma por parte do agente. Com a adoção da teoria finalista,
passou-se a tratar o dolo genérico apenas como dolo.

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Dolo específico: o agente tem vontade de realizar a conduta, visando um fim


específico que é elementar do tipo penal (ex: art. 159, CP, "Sequestrar pessoa com o
fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do
resgate'). Esta denominação também é relativa à teoria causalista e indicava que o
tipo penal trazia destacado o especial fim de agir. Atualmente, sob a égide da teoria
finalista, a expressão cede lugar a elemento subjetivo do tipo ou do injusto.

[TJCE]. Elemento normativo vs subjetivo do tipo?


Estão presentes no dolo:

- Elementos descritivos (objetivos propriamente ditos): descrevem os aspectos


materiais da conduta, como objetos, animais, coisas, tempo, lugar, forma de
execução. São atos perceptíveis pelos sentidos e não exigem nenhum juízo de valor
para compreensão de seu significado.

- Elementos normativos: são descobertos por intermédio de um juízo de valor.


Expressam-se em termos jurídicos (ex.: funcionário público, documento, cheque,
duplicata), extrajurídicos ou em expressões culturais (ex.: decoro, pudor, ato
obsceno).

b) elementos subjetivos (tipo subjetivo):

- elemento subjetivo geral (dolo): ocorre quando o agente quer o resultado ou assume
o risco de produzi-lo.

- elementos subjetivos especiais (elemento subjetivo do injusto): são dados que se


referem ao estado anímico do autor (intenção específica distinta do dolo). O tipo
contém como elemento uma finalidade específica do agente. Esses elementos
indicam o especial fim ou motivo de agir do agente.

Exemplos: para si ou para outrem; com o fim de obter; em proveito próprio ou alheio;
por motivo de; para fim libidinoso etc.

Exemplo na EXTORSÃO:

Elemento normativo do tipo: obtenção de “indevida” vantagem econômica. Se for


devida, configura-se o crime de exercício arbitrário das próprias razões (art. 345, do
CP). Assim, se o credor ameaçar o devedor a divulgar fatos difamatórios sobre este
caso ele não lhe pague a quantia devida, responderá pelo crime previsto no art. 345,
do CP, em que pese o emprego da ameaça, pois a vantagem almejada é devida.

Elemento subjetivo – É o dolo, consubstanciado na vontade de constranger outrem,


mediante o emprego de violência ou grave ameaça, a fazer, tolerar que se faça ou
deixar de fazer alguma coisa. Além do dolo, é necessário um fim especial de agir,
consistente no intuito de obter vantagem econômica. Ausente essa finalidade
econômica, o fato pode constituir outro crime, como, por exemplo, o delito de
constrangimento ilegal.

[TJCE]. Tentativa de crime por dolo eventual é possível?

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É divergente. Grande parte da doutrina não admite a tentativa nestes crimes, pois o
art. 14 fala em vontade de produzir o resultado e no dolo eventual o agente apenas
assume o risco, não tem vontade.

Rogério Sanches, 2015 - Apesar de haver doutrina lecionando não ser possível
tentativa no dolo eventual, argumentando que, nessa espécie, o agente não tem
vontade de realizar o resultado (apenas o aceita como possível), prevalece a tese em
sentido contrário. A lei equiparou, em termos de vontade, o dolo eventual ao dolo
direto, sendo possível o conatus nos dois casos. Nesse sentido, explica Hungria: "Se
o agente aquiesce no advento do resultado específico do crime, previsto como
possível, é claro que este entra na órbita de sua volição: logo, se, por circunstâncias
fortuitas, tal resultado não ocorre, é inegável que o agente deve responder por
tentativa. É verdade que, na prática, será difícil identificar-se a tentativa no caso de
dolo eventual, notadamente quando resulta totalmente improfícua (tentativa branca).
Mas, repita-se: a dificuldade de prova não pode influir na conceituação de tentativa".

[TJCE]. Aqueles que ocorrem crimes específicos, é possível tentativa por dolo
eventual em lesão corporal culposa?
Não é possível tentativa em qualquer crime culposo. O dolo eventual é incompatível
com o crime culposo, onde estiver presente o dolo (mesmo eventual), há crime
doloso.

9. Culpabilidade. Pressupostos. Causas de exclusão.


[TJCE]. Defina Culpabilidade?
Culpabilidade é um elemento integrante do conceito definidor do crime. É o terceiro
substrato do conceito analítico de delito

[TJCE]. É elemento do crime?


É tida como elemento do crime.

[TJCE]. Para a teoria finalista da ação, é correto dizer que a culpabilidade não é
elemento do crime?
Para a teoria finalista dissidente, crime é fato típico e ilícito, sendo que a
culpabilidade não integra seu conceito, sendo considerada pressuposto de aplicação
da pena.

[TJCE]. O que é culpabilidade? É um elemento do crime?


Conceitua-se a culpabilidade como o juízo de reprovação que recai na conduta típica
e ilícita que o agente se propõe a realizar. Trata-se de um juízo relativo à necessidade
de aplicação da sanção penal.

1ª corrente: a culpabilidade não é requisito do crime, mas sua consequência,


pressuposto de aplicação da pena, juízo de reprovação ou censurabilidade – trata-se
da corrente bipartite (crime é formado por Fato típico e ilícito).

2ª corrente: a culpabilidade é um terceiro substrato do crime. Juízo de reprovação


indispensável para configurar a infração penal (“se o ato não é reprovável, não há
crime”) – corrente tripartite – é a que prevalece.

[TJCE]. A teoria tripartite é pacífica?

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Não é pacífica, mas é majoritária.

[TJCE]. Quais os pressupostos da culpabilidade?


Em relação à culpabilidade, o Código Penal adotou a teoria normativa pura, baseada
na teoria finalista da conduta. Nessa concepção, a culpabilidade é composta dos
seguintes elementos:

1) imputabilidade;

2) potencial consciência da ilicitude;

3) exigibilidade de conduta diversa.

[TJCE]. Quais as causas legais de exclusão? E de inexigibilidade de conduta diversa?


Excludentes da imputabilidade:

- Doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado

- Causas legais de inexigibilidade de conduta diversa: coação moral irresistível e


obediência hierárquica.

- Menoridade

- Embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior (ou seja,


embriaguez acidental ou involuntária.

Excludente da potencial consciência da ilicitude:

- erro de proibição ou erro sobre a ilicitude do fato inevitável, invencível ou escusável


(art. 21, caput)

Excludente da exigibilidade de conduta diversa:

- coação moral irresistível

- obediência hierárquica

[TJCE]. Qual a natureza jurídica do exercício regular do direito?


Causa legal de exclusão da ilicitude.

[TJCE]. Causa legal de desconhecimento da ilicitude?


Suponho que essa pergunta foi em razão da resposta dada pelo candidato.

[TJCE]. Por inimputabilidade?


Não entendi a pergunta. Suponho que foi em razão da resposta dada pelo candidato.

[TJCE]. Embriaguez completa e voluntária?


Resposta abaixo.

[TJCE]. Embriaguez patológica? Dependência química?


Patológica – é a doentia – será tratada nos termos do art. 26 do CP. Pode ser completa
ou semi-completa. É considerada doença mental e pode ser enquadrado como tal.
Dependência química também. Não se pode falar em Actio in Libera Causa.

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[TJCE]. A conduta é atípica por agente que está embriagado?


É atípica apenas no caso de embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou
força maior (ou seja, embriaguez acidental ou involuntária, a qual exclui a
imputabilidade e, por consequência, a culpabilidade (para a teoria tripartite).

No caso de embriaguez completa, não seja proveniente de caso fortuito ou de força


maior, embora não tenha o agente se embriagado com o fim de praticar qualquer
infração penal, mesmo que não possua a menor consciência daquilo que faz, ainda
sim será responsabilizado pelos seus atos. Isso porque o art. 28, II, do CP determina
que não excluirá a imputabilidade penal a embriaguez voluntária ou culposa, pelo
álcool ou substância de efeitos análogos.

O agente é responsabilizado pelos resultados ocorridos em virtude do ato de querer,


voluntariamente, embriagar-se, ou mesmo em razão de ter, culposamente, chegado
ao estado de embriaguez – teoria da actio libera in causa – se a ação foi livre na causa
(ato de fazer a ingestão de bebidas alcoólicas, por ex.) deverá o agente ser
responsabilizado pelos resultados dela decorrentes.

11. Coação irresistível e obediência hierárquica.


[TJCE]. O que é coação irresistível? Quais os efeitos? Coação física e moral,
diferenças. Qual o efeito para o coator? Se a coação for resistível? Coação moral
irresistível putativa é possível? Obediência hierárquica é o que? Qualquer pessoa
pode se sujeitar? Se houver excessos à ordem?
É uma dirimente da culpabilidade, ocorrida quando o coator, para alcançar o
resultado ilícito, desejado, ameaça o coagido e este, por medo, realiza a conduta
criminosa. Ela afasta a culpabilidade do coagido, mas a conduta permanece típica,
respondendo por ela o coator como autor mediato (em concurso material com o crime
de tortura). Se a coação for resistível, remanesce a culpabilidade do coagido, que
responderá com o coator pelo delito em concurso de agentes; contudo, sua pena
deverá ser atenuada. A coação física torna o fato atípico em virtude da ausência de
vontade e o coagido não responde por crime algum, enquanto na coação moral
irresistível a culpabilidade é excluída, por o coagido age com vontade, embora esta
seja viciada. pode ocorrer a hipótese de coação moral irresistível putativa, em que o
sujeito coagido, por erro, achava estar sofrendo coação, inexigindo comportamento
diverso, como exemplo de um empregado que recebe um bilhete dizendo que se não
ajudasse a subtrair objetos da empresa, seu filho iria morrer, porém, o bilhete estava
sendo direcionado para outro funcionário.

A obediência hierárquica, por sua vez, consiste em uma causa de exclusão da


culpabilidade, fundada na inexigibilidade de conduta diversa que ocorre quando um
funcionário publico subalterno pratica uma infração penal em decorrência o
cumprimento de ordem, não manifestamente ilegal, emitida pelo superior
hierárquico. É admitida somente se houver uma relação de direito publico, e se
houver excessos à ordem haverá a exclusão da dirimente, respondendo o executor
pelo crime em concurso com o mandante.

[TJCE]. O que é coação irresistível? Quais os efeitos? Coação física e moral,


diferenças? Quais os efeitos para o coautor? Se a coação for resistível? Coação moral
irresistível putativa é possível?

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A coação moral se apresenta sob forma de ameaça feita pelo coator ao autor, que é
compelido a praticar ação a delituosa, sob pena de suportar um prejuízo maior.

A doutrina fala que nessas hipóteses não há culpabilidade, pois, verificada a


inexigibilidade de conduta diversa.

Para que a culpabilidade do autor não se estabeleça, contudo, a coação deve ser
irresistível, invencível.

A coação física irresistível exclui a própria conduta, a tipicidade, por tirar a


voluntariedade do movimento. Já a coação moral irresistível exclui a culpabilidade,
por tornar conduta diversa inexigível.

A responsabilidade penal incidirá apenas sobre o coautor.

Tratando-se de coação moral resistível não há exclusão da culpabilidade. Se o autor


do fato puder resistir ou se opor à coação, é excluída a incidência do artigo 20 do
Código Penal, remanescendo, no máximo, a atenuante do artigo 65, inciso III, "c",
do Código Penal (cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em
cumprimento de ordem de autoridade superior, ou sob a influência de violenta
emoção, provocada por ato injusto da vítima).

Sua forma putativa ocorre quando o agente imagina encontrar-se sob coação moral
irresistível por erro. Neste caso, haverá exclusão da culpabilidade.

Exemplo: Um trabalhador recebe um bilhete que consta uma ameaça exterminar seu
filho, que supostamente fora sequestrado, obrigando-o a colaborar num roubo contra
a empresa; posteriormente descobre que o bilhete era endereçado a um colega.

[TJCE]. O que é obediência hierárquica? Qualquer pessoa pode suscitar (se sujeitar)
se houver excessos à ordem?
A ordem de superior hierárquico é a manifestação de vontade de um titular de função
a um funcionário que lhe é subordinado, no sentido de que realize uma determinada
conduta, omissiva ou comissiva.

Para que o subordinado cumpra a ordem e se exclua a culpabilidade, é necessário que


aquela:

a) Seja emanada da autoridade competente.

b) Tenha o agente atribuições para a prática do ato.

c) Não seja a ordem manifestamente ilegal.

Quando a ordem for ilegal, mas não manifestamente, o subordinado que a cumpre
não agirá com culpabilidade, por ter avaliado incorretamente a ordem recebida,
incorrendo numa espécie de erro de proibição.

Se a ordem do superior tem por objeto a prática de ato manifestamente criminoso, ou


há excesso nos atos ou na forma da execução, é punível também o inferior.

12. Ilicitude. Causas de exclusão.

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[TJCE]. O que é ilicitude?


Ilicitude e a contrariedade entre o fato típico praticado por alguém e o ordenamento
jurídico, capaz de lesionar ou expor a perigo de lesão bens jurídico penalmente
tutelado.

[TJCE]. Quais as excludentes de ilicitude?


Existem as excludentes de ilicitude da parte geral do CP que são as do art. 23, estado
de necessidade, legitima defesa, estrito cumprimento do dever legal, ou exercício
regular do direito. Há ainda as excludentes de ilicitude contidas na parte especial do
CP e as que estão fora do CP, tais como, as do art. 128 (aborto) e do art. 10 da lei
6536/98, respectivamente.

[TJCE]. Quais as supralegais?


Consentimento do ofendido

[TJCE]. O que é ilícito é típico?


Nem todo ilícito é típico, há ilicitude atípica, mas toda tipicidade é ilícita.

[TJCE]. O consentimento do ofendido pode excluir a própria tipicidade?


Sim, é possível, na hipótese de bem jurídico disponível, é possível que o
consentimento do ofendido afaste a tipicidade da conduta relativamente aos tipos
penais em que se revela como requisito, expresso ou tácito, que o comportamento
humano se realize contra ou sem a vontade do sujeito passivo.

É o que ocorre nos crimes de sequestro ou cárcere privado (art. 148, do CP), violação
de domicílio (art. 150, do CP) e estupro (art. 213, do CP), entre outros.

[TJCE]. Qual a diferença de legitima defesa para estado de necessidade?


Na legitima defesa, o perigo provem de uma agressão ilícita do homem, e a reação
se dirige contra seu autor. No estado de necessidade, pode ser agressivo, contra quem
não causou o perigo ou dano, ou defensivo, contra quem causou o perigo ou o dano,
além do que, o estado de necessidade a reação dirige-se contra a coisa da qual resulta
o perigo e não contra a pessoa que provocou a situação perigosa. Por fim o estado de
necessidade pode ocorrer sem que o outro tenha provocado o perigo. Exemplo: A e
B estão perdidos no deserto, e a agua que carregavam somente saciará a sede de um
deles. A em estado de necessidade furta a agua de B, o qual, para salvar-se, mata em
estado de necessidade seu companheiro.

[TJCE]. Quais os requisitos da legítima defesa? Qualquer bem jurídico pode ser
protegido pela da legítima defesa? Qual a diferença entre legítima defesa e estado
de necessidade? Estado de Necessidade o perigo pode ser outras ofensas sem ser
humano?
No estado de necessidade há conflito entre vários bens jurídicos diante de uma
situação de perigo, que não pode ser prevista, em que o perigo decorre de
comportamento humano, animal ou ainda por evento da natureza. Deste modo, o
perigo não tem destinatário certo e os interesses em conflito são legítimos. Encontra
previsão legal no artigo 23, I, do Código Penal, sendo exemplificado no artigo 24 do
mesmo Código. Portanto, o estado de necessidade exclui o caráter antijurídico de
uma conduta criminosa.

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Já na legítima defesa, há ameaça ou ataque por pessoa imputável, a um bem jurídico,


podendo este ser de outrem. Trata-se, portanto, de agressão humana, que possui
destinatário certo e os interesses do agressor são ilegítimos. Tem como requisito
subjetivo o conhecimento da situação de fato justificante e como requisitos objetivos
a proteção de direito próprio ou alheio, uso moderado dos meios necessários (não
adiantando encontrar o meio necessário e sim usá-lo moderadamente, ou seja, de
maneira suficiente a repelir a agressão), que seja injusta a agressão e que ela esteja
ocorrendo ou prestes a ocorrer, conforme preceitua o Código Penal em seu artigo 25.

Certo é que, na legítima defesa temos uma ação defensiva com aspectos agressivos,
enquanto que no estado de necessidade a ação é agressiva com o intuito defensivo.

O art. 28, inciso I, estabelece que o criminoso que, movido pela emoção ou paixão,
praticar crime, não terá sua imputabilidade penal excluída. Cuida a legislação de uma
pena especialmente diminuída, se se tratar de homicídio privilegiado (CP, art. 121,
§1º) ou atenuada, se o crime for cometido sob a influência de violenta emoção
provocada por ato injusto da vítima (CP, art. 65, III, c, última parte).

[TJCE]. Legítima defesa de honra conjugal?


Não existe essa "honra conjugal", pois a honra é pessoal, própria de cada um dos
cônjuges. O adultério, portanto, não configura o estado de legítima defesa, pela sua
incompatibilidade com os requisitos do art. 25 do CP

[TJCE]. Excesso na legítima defesa, o que configura?


Fala-se em excesso na legítima defesa quando a reação ultrapassa, dolosa ou
culposamente, os limites legais estabelecidos para a excludente, ou porque
desnecessário o meio defensivo escolhido (poderia o agente valer-se de meio de igual
eficácia para cessar o ataque menos lesivo do que o escolhido, que se mostra, assim,
"desnecessário" frente à gravidade da agressão), ou porque, apesar da adequada
escolha, o uso do meio foi além do necessário para cessar a agressão e evitar a lesão
ao bem jurídico injustamente agredido (o agente deveria defender-se atuando de
forma proporcionada à agressão).

No excesso doloso, o agente só será punido pelo ato que gerou o excesso. O excesso
da legítima defesa culposa faz com que o agente responda pelo crime cometido,
contudo há redução obrigatória da pena.

[TJCE]. O que são ilicitudes e quais as suas causas de exclusão? A lei define o que é
ilícito? Tudo que é ilícito é tipo? Quais as excludentes que a lei prevê para a exclusão
da ilicitude? Quais as hipóteses extralegais?
São contrariedades entre uma conduta e o ordenamento jurídico, viabilizando,
consequentemente, a incidência dos requisitos do crime. É o segundo substrato
jurídico do crime.

As causas de exclusão estão previstas no artigo 23 do Código Penal.

Exclusão de ilicitude:

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:

I - em estado de necessidade;

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II - em legítima defesa

III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.

A Lei não define o que é ilícito. O conceito é definido pela Doutrina.

O ordenamento prevê situações em que, apesar de serem típicas, estão acobertadas


por excludentes de ilicitude do agente. Na mesma linha de raciocínio, o fato pode ser
antijurídico, mas não típico, tal como ocorre no princípio da insignificância, onde há
a exclusão da tipicidade penal, mais especificamente a tipicidade material. Não há
crime, pois o fato é atípico.

[TJCE]. O ofendido pode excluir a tipicidade da conduta?


Sim. Em alguns crimes, o consentimento do ofendido pode excluir a tipicidade. Se o
tipo penal exige o dissenso da vítima enquanto um dos requisitos objetivos formais
necessários à completude da figura incriminadora, é claro que o válido consentimento
do ofendido exclui a tipicidade. Exemplo: crimes de violação de domicílio — artigo
150 do Código Penal (se alguém permite ou tolera que terceiro ingresse em sua casa,
ausente estará a tipicidade da conduta) e estupro — artigo 213 do Código Penal (se
a mulher consente na relação sexual, inexiste tipicidade).

[TJCE]. Diferença entre legítima defesa e estado de necessidade.


No estado de necessidade há conflito entre vários bens jurídicos diante de uma
situação de perigo, que não pode ser prevista, em que o perigo decorre de
comportamento humano, animal ou ainda por evento da natureza. Deste modo, o
perigo não tem destinatário certo e os interesses em conflito são legítimos. Encontra
previsão legal no artigo 23, I, do Código Penal, sendo exemplificado no artigo 24 do
mesmo Código. Portanto, o estado de necessidade exclui o caráter antijurídico de
uma conduta criminosa.

Já na legítima defesa, há ameaça ou ataque por pessoa imputável, a um bem jurídico,


podendo este ser de outrem. Trata-se, portanto, de agressão humana, que possui
destinatário certo e os interesses do agressor são ilegítimos. Tem como requisito
subjetivo o conhecimento da situação de fato justificante e como requisitos objetivos
a proteção de direito próprio ou alheio, uso moderado dos meios necessários (não
adiantando encontrar o meio necessário e sim usá-lo moderadamente, ou seja, de
maneira suficiente a repelir a agressão), que seja injusta a agressão e que ela esteja
ocorrendo ou prestes a ocorrer, conforme preceitua o Código Penal em seu artigo 25.

13. Imputabilidade penal.


[TJCE]. Defina imputabilidade?
Possibilidade de se atribuir a autoria ou responsabilidade por fato criminoso a
alguém, ou por circunstâncias lógicas ou por ausência de impossibilidades jurídicas.

[TJCE]. É um elemento do crime?


A imputabilidade é elemento da culpabilidade

[TJCE]. Além da imputabilidade, quais os outros pressupostos da culpabilidade?


Potencial consciência da antijuridicidade, exigibilidade de conduta diversa.

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[TJCE]. A emoção e a paixão excluem a culpabilidade?


Segundo o art. 28 do CP, a emoção e a paixão não excluem a culpabilidade.

[TJCE]. A emoção pode atuar em outra circunstância?


Pode atuar como causa de diminuição de pena como o do art. 121, § 1º do CP.

[TJCE]. Defina imputabilidade penal?


Possibilidade de se atribuir a autoria ou responsabilidade por fato criminoso a
alguém, ou por circunstâncias lógicas ou por ausência de impossibilidades jurídicas.

[TJCE]. É elemento do crime?


A imputabilidade é elemento da culpabilidade

[TJCE]. E a culpabilidade é elemento do crime?


Entendimento majoritário diz que a culpabilidade é pressuposto de aplicação de pena.
Contudo, há entendimento que a culpabilidade pode ser tratada como elemento do
crime, tanto para os simpatizantes da teoria clássica da conduta, como também para
um partidário do sistema finalista, desde que se adote um conceito finalista do crime.

[TJCE]. Quais os elementos da culpabilidade?


Potencial consciência da antijuridicidade, exigibilidade de conduta diversa e
imputabilidade.

[TJCE]. O que significa coação moral irresistível?


Se apresenta sob forma de ameaça feita pelo coator ao autor, que é compelido a
praticar ação a delituosa, sob pena de suportar um prejuízo maior. A doutrina fala
que nessas hipóteses não há culpabilidade, pois verificada a inexigibilidade de
conduta diversa. Para que a culpabilidade do autor não se estabeleça, contudo, a
coação deve ser irresistível, invencível.

[TJCE]. Quais as cláusulas legais que excluem a imputabilidade?


A doença mental ou desenvolvimento mental completo ou retardado era, ao tempo
da ação ou omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento (art. 26 do CP); os menores de 18
anos (art. 27 do CP); a embriaguez completa, decorrente de caso fortuito ou força
maior, era, ao tempo da ação ou omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (art. 28, § 1º,
do CP).

[TJCE]. Como se apura a imputabilidade decorrente de doença mental?


Pelo procedimento de insanidade mental previsto nos arts. 149 a 154 do CPP.

[TJCE]. O juiz pode indeferir um incidente de doença mental?


Sim, quando não houver duvida sobre a integridade mental do acusado. Art. 149 do
CPP.

[TJCE]. Réu semi-imputável, o que levaria a decidir entre a internação e a prisão?


Art. 98 do CP, quando o juiz observar que o semi-imputável, necessita de tratamento
curativo, o juiz pode substituir a pena, por medida de segurança.

[TJCE]. Defina imputabilidade. É um elemento do crime?

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Imputabilidade penal é a condição ou qualidade que possui o agente de sofrer a


aplicação de pena. E, por sua vez, só sofrerá pena aquele que tinha ao tempo da ação
ou da omissão capacidade de compreensão e de autodeterminação frente o fato.
Assim, imputabilidade é a capacidade de o agente, no momento da ação ou da
omissão, entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se frente tal fato.

A imputabilidade é elemento e/ou pressuposto da culpabilidade, e, não elemento do


crime.

[TJCE]. Além da imputabilidade, quais são os outros pressupostos da


culpabilidade?
Exigibilidade de conduta diversa e a potencial consciência da ilicitude

[TJCE]. A emoção e a paixão excluem a culpabilidade?


Infere-se do dispositivo do artigo 28 do Código penal que a emoção e a paixão não
excluem a imputabilidade. Noutros termos, elas não servem para escudar a tese de
inimputabilidade penal.

A emoção é uma alteração afetiva importante, mas temporária, passageira, que pode
consistir no susto, na raiva, na alegria etc.

A paixão, por sua vez, é uma alteração duradoura do estado psíquico da pessoa, tem-
se como exemplo o ciúme, o amor, o ódio etc.

[TJCE]. A emoção pode atuar em outra circunstância?


Nenhum desses estados de espírito fundamenta a inimputabilidade do autor. Sem
embargo, contudo, eles podem afetar a dosimetria da pena na forma dos arts. 65,
inciso III, "a" e "c", do Código Penal, por exemplo ou podem caracterizar um
privilégio, a depender do caso concreto, valendo-se como causa de diminuição de
pena (homicídio privilegiado). Impende ressaltar ainda que se a emoção ou a paixão
tiverem caráter patológico, ou seja, se puderem se caracterizar como doença mental
que retire a capacidade de entendimento ou de autodeterminação do sujeito, a
hipótese enquadra-se no art. 26 e seu parágrafo único, do CP.

[TJCE]. Defina Imputabilidade penal? É um elemento de crime? Quais requisitos


integrantes da culpabilidade? O que significa coação moral irresistível? Quais as
causas legais que excluem a culpabilidade? Como se apura a imputabilidade
decorrente de doença mental? Réu semi-imputável o que levaria a decidir entre a
aplicação da medida de segurança ou da pena? Dúvida quanto à maioridade do réu.
Imputabilidade penal é a condição ou qualidade que possui o agente de sofrer a
aplicação de pena. E, por sua vez, só sofrerá pena aquele que tinha ao tempo da ação
ou da omissão capacidade de compreensão e de autodeterminação frente o fato.
Assim, imputabilidade é a capacidade de o agente, no momento da ação ou da
omissão, entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se frente tal fato.

A imputabilidade é elemento e/ou pressuposto da culpabilidade, e, não elemento do


crime.

Elementos da culpabilidade são: imputabilidade, exigibilidade de conduta diversa e


a potencial consciência da ilicitude.

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A coação moral irresistível se apresenta sob forma de ameaça feita pelo coator ao
autor, que é compelido a praticar ação a delituosa, sob pena de suportar um prejuízo
maior.

A doutrina fala que nessas hipóteses não há culpabilidade, pois, verificada a


inexigibilidade de conduta diversa.

Causas legais que excluem a culpabilidade: doença mental, conforme artigo 26 do


CP; desenvolvimento mental incompleto por presunção legal, do menor de 18 anos
(menoridade), artigo 27 do CP e retardado, pelo artigo 26; embriaguez completa e
fortuita, artigo 28 § 1º.

O incidente de insanidade mental visa perquirir se o indivíduo, no momento da ação


ou omissão, tinha capacidade de entender a ilicitude do fato e agir de acordo com
este entendimento. Objetiva, assim, aferir sua higidez mental, declarando-o
imputável ou inimputável. Caso seja considerado inimputável, um dos elementos da
culpabilidade estará afastado, não podendo se falar em aplicação de pena.

Configurado semi-imputável, o juiz optaria entre a aplicação da pena ou da medida


de segurança, de acordo com o caso. Portanto, enquanto o fundamento para a
aplicação da pena é a culpablidade, a medida de segurança encontra embasamento na
periculosidade aliada à inimputabilidade (ou semi-imputabilidade) do indivíduo.

Se houver dúvida acerca da maioridade do réu à época do fato, aplica-se o princípio


in dubio pro reo, com o reconhecimento da inimputabilidade.

14. Concurso de pessoas.


[TJCE]. Qual a diferença entre coautoria e participação?
Na coautoria o núcleo do tipo é praticado por mais de uma pessoa. Já a participação
o sujeito não realiza diretamente o núcleo do tipo penal, mas de qualquer modo
concorre para o crime.

[TJCE]. A participação pode se dar de que forma?


A participação se dar induzindo, instigando ou auxiliando terceira pessoa.

[TJCE]. Dê exemplo de participação material?


Levar o autor ao local da emboscada com a finalidade de assegurar a prática de um
crime de homicídio.

[TJCE]. O participe pratica atos típicos?


Não, a conduta do participe tem natureza acessória, pois não realiza o núcleo do tipo
penal. Sem a conduta principal, praticada pelo autor, a atuação do participe, em regra
é irrelevante.

[TJCE]. O que é a teoria do domínio do fato?


A teoria do domínio do fato afirma que é autor, e não mero partícipe, a pessoa que,
mesmo não tendo praticado diretamente a Infração penal, decidiu e ordenou sua
prática a subordinado seu, o qual foi efetivamente o agente que diretamente a praticou
em obediência ao primeiro. O mentor da infração não é mero partícipe, pois seu ato
não se restringe a induzir ou instigar o agente infrator, pois havia relação de
hierarquia e subordinação entre ambos, não de mera influência resistível

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[TJCE]. Qual a natureza jurídica da participação de menor importância?


Tem natureza de causa de diminuição de pena. Art. 29, § 1º, do CP.

[TJCE]. Coautor faria juiz à teoria da participação de menor importância?


Não, pois o coautor pratica o núcleo do tipo, ele sempre tem papel decisivo no
deslinde da infração penal. Entendimento esse em conformidade com o STJ.

[TJCE]. Como se dá o concurso de pessoas nos crimes monosubjetivos?


O concurso de pessoas desenvolveu-se para solucionar os problemas envolvendo
crimes unissubjetivos, nesses delitos, a culpabilidade dos envolvidos é fundamental,
sob pena de caracterização de autoria mediata. Exige-se também um vínculo
subjetivo entre os agentes.

[TJCE]. Cabe nos crimes plurisubjetivos?


Nos crimes plurissubjetivos o concurso de pessoas é necessário, pois o tipo exige a
realização da conduta por dois ou mais agentes, a culpabilidade de todos os coautores
ou participes é prescindível, não se faz necessária à utilização da norma de extensão
no art. 29, caput, do CP, pois é garantida pelo próprio tipo penal.

[TJCE]. Cooperação dolosamente diversa, essa cooperação admite participação?


Também chamada de desvios subjetivos entre os agentes ou participação em crime
menos grave, esta descrita pelo art. 29, § 2º do CP.

Neste caso não existe participação, mesmo sendo previsível o resultado mais grave.
Respondendo de forma autônoma pelo crime que queria cometer, mesmo que de
forma aumentada.

[TJCE]. Cabe ao coautor participação de menor importância?


Não, pois o coautor pratica o núcleo do tipo, ele sempre tem papel decisivo no
deslinde da infração penal. Entendimento esse em conformidade com o STJ.

[TJCE]. É a mesma coisa que cooperação dolosa?


Cooperação dolosa é a mesma coisa que coautoria.

[TJCE]. Quais os requisitos do concurso de pessoas?


Pluralidade de agentes culpáveis, relevância causal das condutas para a produção do
resultado, vínculo subjetivo, unidade de infração penal para todos os agentes,
existência de fato punível.

[TJCE]. Sempre ocorre identidade de delitos?


via de regra o CP adotou a teoria monista na qual todos os coautores e participes se
sujeitam a um único tipo penal. Excepcionalmente, contudo, o CP abre espaço para
a teoria pluralista, pela qual se separam as condutas, com a criação de tipos penais
diversos para os agentes que buscam um mesmo resultado. Como por exemplo nos
crimes de aborto provocado por terceiro com consentimento da gestante, bigamia,
corrupção ativa e passiva, falso testemunho e falsa pericia. Neste caso cada agente
responde por um crime portanto.

[TJCE]. É possível nos crimes próprios?


Os crimes próprios podem ser praticados em coautoria. Tanto os coautores podem
ser dotadas da condição especial reclamada pela lei, como apenas um deles sendo os
demais conhecedores dessa condição especial.

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[TJCE]. O que é crime próprio?


São aqueles em que o tipo penal exige uma situação de fato ou de direito diferenciada
por parte do sujeito ativo. Apenas quem reúne as condições especiais previstas na lei
pode pratica-las.

[TJCE]. A condição de funcionário público se estende ao particular?


Sim, se ele sabia dessa condição.

[TJCE]. Os crimes de mão própria admite concurso?


Via de regra os crimes de mão própria são incompatíveis com a coautoria, mas há a
exceção no caso de crime de falsa perícia, praticado em concurso por dois ou mais
peritos.

[TJCE]. Na autoria mediata há concurso de pessoas?


Não há concurso de pessoas, pois a pessoa atua sem o discernimento, seja por
ausência de culpabilidade, seja pela falta de dolo ou culpa, funciona como mero
instrumento do crime.

15. Penas privativas de liberdade.


[TJCE]. Quais os critérios para adoção de regime inicial?
O regime inicial é adotado de acordo com a pena aplicada.

[TJCE]. Em termos de quantidade?


Sim, art. 32, § 2º, do CP.

[TJCE]. Os critérios do artigo 59 devem ser seguidos na escolha do regime prisional?


Sim, de acordo com o art. 33, § 3º do CP.

[TJCE]. Pode o juiz fixar acima do mínimo e aplicar o regime mais gravoso em vez
daquele previsto?
Sim, desde que seja com fundamentação idônea.

[TJCE]. Existe entendimento sumulado?


Sumula 719 do STF.

[TJCE]. O réu reincidente com condenação inferior a quatro anos deve iniciar em
que regime prisional?
Cumprirá no regime semiaberto se favoráveis às circunstancias judiciais. Súmula 269
do STJ.

[TJCE]. A gravidade do crime justifica a aplicação de regime mais gravoso?


Não, inclusive há duas sumulas tratando do tema. Súmula 718 do STF e 440 do STJ.

[TJCE]. As penas privativas de liberdade: quais são?


R: As penas privativas de liberdade são: reclusão e detenção

“Art. 33, CP: A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semiaberto ou
aberto. A de detenção, em regime semiaberto, ou aberto, salvo necessidade de
transferência a regime fechado.”

[TJCE]. Quais são os requisitos para progressão de regime?

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R: - Requisitos

1) Sentença condenatória definitiva;

Não precisa mais ser definitiva.

Súmula 716 do STF.

Resolução 113 do CNJ: admite-se execução penal provisória.

2) Cumprimento de 1/6 da pena;

Atenção: Crime hediondo ou equiparado  2/5 da pena (se primário);

3/5 da pena (se reincidente)

Ex.: Condenado por 3 homicídios a uma pena de 60 anos. O máximo da pena a


cumprir no Brasil é de 30 anos (art. 75, CP). O cumprimento será de 1/6 da pena
imposta (60 anos) ou do máximo da pena a cumprir (30 anos)? Da pena imposta na
sentença.

Art. 75 - O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser
superior a 30 (trinta) anos.

Depende do cumprimento de 1/6, 2/5 ou 3/5 da pena imposta na sentença.

Súmula 715 do STF: “A pena unificada para atender ao limite de trinta anos de
cumprimento, determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é considerada para a
concessão de outros benefícios, como o livramento condicional ou regime mais favorável
de execução”.

3) Bom comportamento carcerário durante a execução;

Atenção: cometida falta grave pelo condenado no curso do cumprimento da pena,


inicia-se a partir de tal data a nova contagem da fração como requisito da progressão
(prevalece no STF e STJ).

Cuidado: prevalece o in dubio pro societate.

4) Oitiva do MP;*

Atenção: o STJ entende que a falta de intervenção ministerial gera nulidade.

5) Oitiva da defesa (advogado ou Defensoria Pública);*

* Para estabelecer o contraditório.

6) No caso de crime cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, faculta-se a


realização de exame criminológico;

7) Crime contra a Administração Pública;

Art. 33, § 4º, CP: reparação do dano ou restituição da coisa.

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Art. 33, § 4o: O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão
de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à
devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais.

[TJCE]. O juiz pode determinar exame criminológico em qualquer situação?


R: 6) No caso de crime cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, faculta-
se a realização de exame criminológico;

Lei 10.729/03

Antes Depois

Exame criminológico era obrigatório. Exame criminológico é facultativo.

Súmula 439 do STJ.

Súmula 439 do STJ: “Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso,


desde que em decisão motivada”.

Caso o juiz determine a realização de exame criminológico sem fundamentar a


decisão, considerando as características daquele condenado e do crime que ele
praticou, há constrangimento ilegal.

[TJCE]. É possível progressão por salto? E regressão per saltum?


R: Prevalece na doutrina o entendimento de que não existe “progressão em saltos”.

Cuidado: é entendimento dominante no STJ a possibilidade da “progressão em salto”


quando a demora na progressão for culpa do Estado.

É perfeitamente possível “regressão em saltos”.

Art. 118. A execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita à forma regressiva,
com a transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado:

Prevalece na jurisprudência ser possível regressão preventiva ou cautelar. O juiz,


dentro do seu poder geral de cautela, não só pode como deve determinar de imediato
o retorno do sentenciado ao regime mais severo, observando a fumaça do bom direito
e o perigo da demora.

[TJCE]. Quais os requisitos para progressão de regime dos crimes hediondos? Os


condenados por crimes hediondos podem ser concedido livramento condicional?
R: Crime hediondo ou equiparado  2/5 da pena (se primário); 3/5 da pena (se
reincidente).

No caso de crime hediondo é possível o livramento, atendido os seguintes

a) Objetivos

- A pena a ser cumprida deve ser privativa de liberdade;

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2
P á g i n a | 53

Não existe livramento condicional em penas alternativas.

- A pena concreta deve ser igual ou superior a 2 anos;

- Cumprimento:

mais de 2/3 da pena (crime hediondo ou equiparado, desde que não reincidente
específico).

- Reparação do dano causado.

b) Subjetivos

- Comportamento carcerário satisfatório;

- Bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído;

- Aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto;

- No caso de crimes com violência (física ou moral): constatação de condições


pessoais que façam presumir que o liberado não voltará a delinquir (o exame
criminológico é facultativo).

[TJCE]. Quem pode obter o regime aberto? E a prisão domiciliar?


R: Regime aberto, art 33, § 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser
executadas em forma progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os
seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais
rigoroso:

c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos,
poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.

Prisão domiciliar do art. 117, LEP Prisão domiciliar do art. 318, CPP

Substitui casa do albergado (regime Substitui prisão preventiva;


aberto);

Prisão-pena. Medida cautelar.

Hipóteses de cabimento

1) Condenado maior de 70 anos (não 1) Pessoa maior de 80 anos;


foi alterado pelo Estatuto do Idoso);

2) Condenado acometido de doença 2) Pessoa extremamente debilitada


grave (doença cujo tratamento ou a por doença grave;
cura fica impossibilitado no regime
prisional)

3) Condenada com filho menor ou 3) Pessoa com filho menor de 6 anos


deficiente (art. 5º, I, CF  abrange ou deficiente;

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P á g i n a | 54

condenado, desde que comprove a


dependência do filho);

4) Condenada gestante. 4) Gestante no 7º mês ou gravidez de


risco.

[TJCE]. É possível pena restritiva de direito como condição para cumprimento de


regime aberto?
R: Não, súmula 493, STJ: “É inadmissível a fixação de pena substitutiva (artigo 44
do CP) como condição especial ao regime aberto”

16. Penas restritivas de direitos.


[TJCE]. Quando podem ser aplicadas as penas restritivas de direito?
Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de
liberdade, quando: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)

I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for
cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada,
se o crime for culposo;(Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)

II – o réu não for reincidente em crime doloso; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)

III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado,


bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente.
(Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)

[TJCE]. Quando elas são autônomas?


Pois uma vez substituídas, não podem ser cumuladas com a pena privativa de
liberdade.

[TJCE]. A análise de sursis é anterior à aplicação da pena?


Não pois é preciso saber o quantum da pena para saber se é possível ou não a
aplicação do sursis, conforme art. 77 do CP.

[TJCE]. É possível substituir pena nos crimes de tráfico?


Em regra não é possível a aplicação da substituição das penas no caso do trafico de
drogas, pois sua pena varia de 5 a 15 anos, afastando a sua aplicação. Contudo, no
caso do trafico privilegiado (art. 33,§ 4º da Lei 11343/2006), há a possibilidade da
aplicação da substituição, pois a pena poderá ser reduzida de 1/6 a 2/3, podendo ficar
abaixo do teto de quatro anos.

[TJCE]. A pena privativa de liberdade quando cabem?


Em regra cabem quando aplicada pena de reclusão, detenção ou prisão simples.

[TJCE]. Uma pena de até um ano, como pode ser substituída?


Art.44, § 2o Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser feita por
multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a um ano, a pena privativa de
liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas
restritivas de direitos. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998).

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[TJCE]. A pena de prestação de serviço à comunidade pode ser imposta em quais


situações?
Art. 46. A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas é aplicável às
condenações superiores a seis meses de privação da liberdade. (Redação dada pela Lei
nº 9.714, de 1998).

[TJCE]. O juiz pode determinar que se cumprisse em menor tempo?


Art. 46, § 4o Se a pena substituída for superior a um ano, é facultado ao condenado
cumprir a pena substitutiva em menor tempo (art. 55), nunca inferior à metade da pena
privativa de liberdade fixada. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998).

[TJCE]. As penas restritivas de direito prescrevem em que prazo?


Prescrevem no prazo da pena privativa de liberdade substituída.

[TJCE]. Quais as penas restritivas de direito?


Art. 43. As penas restritivas de direitos são: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)

I - prestação pecuniária; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

II - perda de bens e valores; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)

III - limitação de fim de semana. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)

IV - prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas; (Incluído pela Lei nº


9.714, de 25.11.1998)

V - interdição temporária de direitos; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 25.11.1998)

VI - limitação de fim de semana. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 25.11.1998)

[TJCE]. O que é interdição temporária de direitos?


A Interdição Temporária de Direitos também consiste em pena alternativa à prisão,
que se consubstancia na proibição dada ao condenado, de em tempo igual ao da pena
restritiva de liberdade decretada em sentença, ser privado de exercer atividade
pública, assim como mandado eletivo; exercício de atividade ou profissão que
necessite de habilidade específica; suspensão do direito de dirigir e proibição de
frequentar determinados lugares, conforme previsto no artigo 47 do Código Penal.

[TJCE]. Pode ser aplicada nos crimes de trânsito?


A interdição temporária de direitos, relativa à suspensão de autorização ou
habilitação para dirigir veiculo, aplica-se somente aos crimes culposos de trânsito
(CP, art. 57). Mas, como tais crimes encontram-se atualmente previstos em sua
maioria no CTB, lei 9503/97, esse dispositivo foi por ele tacitamente revogado.
(Cleber Masson).

[TJCE]. Em que consiste a perda de bens e valores?


Cuida-se de pena restritivas de direitos que consiste na retirada de bens e valores
integrantes do patrimônio licito do condenado, transferindo-os ao Fundo
Penitenciário Nacional.

[TJCE]. Em que consiste a pena de prestação pecuniária?

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Consiste no pagamento em dinheiro a vítima, a seus dependentes, ou a entidade


pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não
inferior a um salário-mínimo, nem superior a 360 salários-mínimos (art. 45, § 1º, 1ª
parte.

[TJCE]. Em que consiste a pena de limitação de fim de semana?


Art. 48 - A limitação de fim de semana consiste na obrigação de permanecer, aos sábados
e domingos, por cinco (cinco) horas diárias, em casa de albergado ou outro
estabelecimento adequado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Parágrafo único - Durante a permanência poderão ser ministrados ao condenado cursos


e palestras ou atribuídas atividades educativas.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984).

[TJCE]. É cabível a substituição em crimes culposos?


Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de
liberdade, quando: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)

I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for
cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena
aplicada, se o crime for culposo; (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)

[TJCE]. É cabível a substituição na reincidência?


Art. 44, § 3o Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde
que, em face de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a
reincidência não se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime. (Incluído pela
Lei nº 9.714, de 1998)

17. Pena de multa


[TJCE]. Como se calcula a pena de multa?
De acordo com o art. 49 do CP, é calculada em dias-multa e será no mínimo dez e,
no máximo, de trezentos e sessenta dias-multa. O valor da multa será fixado pelo juiz
não podendo ser inferior a um trigésimo do salário mínimo ao tempo do fato, nem
superior a cinco vezes esse salário.

[TJCE]. Pena de multa pode ser substituída?


Não, pois só as penas privativas de liberdade podem ser substituídas, conforme o art.
44 do CP.

[TJCE]. Se for decorrente de violência doméstica?


Como já explicado a apena de multa não pode ser substituída e falando sobre
violência doméstica, a lei 10340/2003, no art. 17 dispõe que: é vedado a substituição
que implique o pagamento isolado de multa.

[TJCE]. Se ela for cominada diretamente no título?


Não entendi essa pergunta.

[TJCE]. A prestação pecuniária é uma pena de multa?


Não, a pena de multa é pena, cujo valor é destinado ao fundo penitenciário.

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Já a prestação pecuniária é uma pena restritiva de direito substitutiva de pena


privativa de liberdade e tem como destinatário a vítima ou seus dependentes, entidade
pública ou privada com finalidade social.

[TJCE]. A quem se destina a multa e a prestação pecuniária?


A pena de multa o valor é destinado ao fundo penitenciário estadual. Já a prestação
pecuniária, o valor é destinado à vítima ou seus dependentes, entidade pública ou
privada com finalidade social.

[TJCE]. Qual o prazo prescricional no caso de multa substitutiva?


O prazo prescricional da prestação pecuniária é o prazo prescricional da pena
privativa de liberdade substituída.

[TJCE]. Em não pagamento de multa o que ocorre?


De acordo com o art. 51 do CP, o não pagamento da pena de multa, será considerado
dívida de valor, aplicando as normas relativas à dívida ativa da Fazenda Pública.

19. Aplicação das penas.


[TJCE]. Quais os critérios para a fixação da pena-base?
Art. 68 - A pena-base será fixada atendendo-se ao critério do art. 59 deste Código; em
seguida serão consideradas as circunstâncias atenuantes e agravantes; por último, as
causas de diminuição e de aumento.

Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à


personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem
como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente
para reprovação e prevenção do crime.

[TJCE]. É possível ao juiz fixar regime menos gravoso do que o cominado para a
condenação?
Sim, através da aplicação da detração penal quando cabível.

[TJCE]. O que é detração penal?


Consiste a detração no abatimento na pena privativa de liberdade e na medida de
segurança, do tempo em que o sentenciado sofreu prisão provisória, prisão
administrativa ou internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, ou
mesmo em outro estabelecimento similar. Através da detração penal permite-se
descontar, na pena ou na medida de segurança, o tempo de prisão ou de internação
que o condenado cumpriu antes da condenação. A detração a ser realizada pelo juiz
de conhecimento, conforme determinado pela nova lei, é apenas para fins de regime
de pena, em relação tão-somente ao início de cumprimento da reprimenda. Se este
não for alterado, não pode haver cálculos para diminuir a reprimenda. Nesse caso, o
juiz disporá que deixa de aplicar a detração prevista no § 2º, do art. 387 do Código
de Processo Penal, vez que o regime não será modificado, não obstante o período de
prisão preventiva do sentenciado.

[TJCE]. Como se dá o concurso entre agravantes e atenuantes?


Art. 67 - No concurso de agravantes e atenuantes, a pena deve aproximar-se do limite
indicado pelas circunstâncias preponderantes, entendendo-se como tais as que resultam
dos motivos determinantes do crime, da personalidade do agente e da reincidência.

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[TJCE]. Como se dá o concurso entre causas de aumento e diminuição?


Artigo 68. PU - No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte
especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo,
todavia, a causa que mais aumente ou diminua. Se o concurso for entre causa de aumento
com causa de diminuição, há entendimento doutrinário que primeiro deve se aumentar a
pena para depois diminuir e há entendimento que primeiro se diminui para depois
aumentar a pena.

[TJCE]. É possível compensação?


O STJ entende que pode haver compensação entre a atenuante da confissão e a
agravante da reincidência.

20. Concurso de crimes


[TJCE]. Quais os requisitos para o crime continuado?
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais
crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e
outras semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro,
aplica-se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas,
aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços.

Requisitos:

1°) pluralidade de condutas

2°) pluralidade de crimes da mesma espécie: lº posicionamento (dominante):


crimes da mesma espécie são os previstos no mesmo tipo penal. 2º posicionamento:
crimes da mesma espécie são referentes ao mesmo bem jurídico.

3°) Similitude de circunstâncias objetivas: tempo: não superior a trinta dias


(orientação jurisprudencial); - lugar: mesma cidade ou cidades próximas; maneira de
execução: mesmo modus operandi. outras semelhantes: existem decisões no sentido
de ser exigida a conexão ocasional, sendo que para haver crime continuado deve o
agente aproveitar as mesmas oportunidades ou relações surgidas com o crime
anterior.

[TJCE]. O que é pluralidade de condutas? Requisitos objetivos e subjetivos?


Pluralidade de condutas faz referência à prática de mais de uma ação ou omissão por
parte do agente. Com relação aos requisitos objetivos e subjetivos, há duas teorias:

1 - Teoria puramente objetiva: O crime continuado é verificado apenas da análise de


elementos objetivos, como tempo, lugar, maneira de execução e outros semelhantes.

2 - Teoria objetivo-subjetiva: Para configurar o crime continuado deverão estar


reunidos os elementos objetivos, como tempo, lugar, maneira de execução, bem
como o elemento subjetivo, consistente na unidade de desígnio. Deve haver uma
relação subjetiva entre os crimes. Inexistente, ocorrerá a 'reiteração criminosa' e não
continuidade criminosa. Assim a jurisprudência:

"I. Para a caracterização da continuidade delitiva, é imprescindível o preenchimento de


requisitos de ordem objetiva - mesmas condições de tempo, lugar e forma de execução -
e subjetiva - unidade de desígnios ou vínculo subjetivo entre os eventos (art. 71 do CP)

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(Teoria Mista ou Objetivo-subjetiva). 2. Constatada a reiteração criminosa, e não a


continuidade delitiva, inviável acoimar de ilegal a decisão que negou a incidência do art.
71 do CP, pois, na dicção do Supremo Tribunal Federal, a habitualidade delitiva afasta
o reconhecimento do crime continuado" (STJ-HC 166.534/SP, 5ª T., j. 19/05/201 1).
Precedente do STF: HC 98681, 2ª T., j. 05/04/2011.

[TJCE]. O que são crimes de mesma espécie? Nos crimes contra a dignidade sexual
se aplica?
A doutrina e a jurisprudência se dividem ao conceituar o que são crimes da mesma
espécie, existindo duas correntes em torno do assunto. A primeira corrente defende
que são crimes da mesma espécie aqueles previstos no mesmo tipo legal. Dessa
forma, seriam da mesma espécie, por exemplo, os delitos de homicídio simples,
homicídio qualificado, homicídio privilegiado e homicídio culposo, vez que todos se
encontram previstos no artigo 121 do Código Penal. Por outro lado, os delitos de
aborto provocado pela gestante, aborto provocado por terceiro sem o consentimento
da gestante, e aborto provocado por terceiro com o consentimento da gestante não
poderiam configurar a continuidade delitiva, pois que previstos em artigos diversos
do CP (124,125 e 126, respectivamente).

Outros argumentam que o próprio texto, ao admitir crimes a que são cominadas
“penas diversas”, não estaria cingindo-se a crimes previstos no mesmo tipo penal,
pois, aos previstos no mesmo tipo, as penas cominadas seriam as mesmas. Podem
ocorrer de crimes não previstos no mesmo tipo legal, mas praticados contra o
mesmo bem jurídico, pela mesma pessoa, e que se assemelham pelas mesmas
circunstâncias de tempo, lugar e maneira de execução, os quais deveriam ser havidos
como da mesma espécie, para aplicação da regra do crime continuado.

Luiz Regis Prado observa que “O Código Penal brasileiro adota a teoria da ficção
jurídica para efeitos de aplicação da pena. Por medida de política criminal, é aceita
essa teoria – embora haja pluralidade de crimes, a lei presume a existência de crime
único. Essa presunção, entretanto, só tem relevância na aplicação da pena” (...)
“Crimes da mesma espécie: por crimes da mesma espécie entendem-se aqueles que,
embora não necessariamente descritos pelo mesmo tipo legal, ofendem o mesmo
bem jurídico”.

Tanto o STJ quanto o STF vem admitindo continuidade delitiva no crime de estupro,
mesmo com a nova redação, basta imaginarmos o agente que teve conjunção carnal
com a vítima em um determinado dia e posteriormente praticou atos de libidinagem.
É claro que a decisão dependerá da análise dos requisitos subjetivos e objetivos do
art. 71, do CP. Assim diante das decisões e de uma análise teorizada, podemos
concluir que o crime de estupro é crime de ação plurinuclear, ou seja, a prática de um
ou de vários núcleos do tipo penal resultará na prática de delito único. Senão vejamos:

AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO. ATENTADO VIOLENTO


AO PUDOR. ADVENTO DA LEI N. 12.015/09. CONTINUIDADE
DELITIVA.OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS OBJETIVOS E SUBJETIVOS.
POSSIBILIDADE.INSURGÊNCIA DESPROVIDA.1. A Lei n.º 12.015/2009 promoveu
sensível modificação nos dispositivos que disciplinam os crimes contra os costumes, ao
reunir em um só tipo penal as condutas antes descritas nos artigos 213 (estupro) e 214
(atentado violento ao pudor), ambos do Código Penal.2. Com as inovações trazidas pelo
referido diploma normativo, os crimes de estupro e atentado violento ao pudor são,
agora, do mesmo gênero - crimes contra a liberdade sexual - e também da mesma espécie

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- estupro -, razão pela qual, preenchidos os requisitos de ordem objetiva (mesmas


condições de tempo, lugar e forma de execução) e subjetiva (unidade de desígnios ou
vínculo subjetivo entre os eventos), não haveria qualquer óbice ao reconhecimento da
continuidade delitiva. Precedentes.3. Agravo regimental desprovido.(AgRg no REsp
1324621/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em
16/04/2015, DJe 28/04/2015)

[TJCE]. Qual o critério para aplicar a elevação de pena na continuidade delitiva?


De acordo com o STJ, deve-se levar em consideração o número de infrações, bem
como as circunstâncias judiciais, no caso de crime continuado específico. senão
vejamos:

CONSTITUCIONAL. PENAL. HABEAS CORPUS IMPETRADO EM SUBSTITUIÇÃO A


RECURSO PRÓPRIO. ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR (POR QUATRO
VEZES).DOSIMETRIA. CRITÉRIO PARA AUMENTO DA PENA EM FACE DA
CONTINUIDADE DELITIVA (CP, ART. 71). NÚMERO DE INFRAÇÕES. HABEAS
CORPUS NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA, DE OFÍCIO. (…) 02. "Em se
tratando de aumento de pena referente à continuidade delitiva, aplica-se a fração de
aumento de 1/6 pela prática de 2 infrações; 1/5, para 3 infrações; 1/4, para 4 infrações;
1/3, para 5 infrações; 1/2, para 6 infrações e 2/3, para 7 ou mais infrações" (HC
258.328/ES, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 24/02/2015;
HC 273.262/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Quinta Turma, julgado em
06/11/2014).(HC 195.872/RJ, Rel. Ministro NEWTON TRISOTTO (DESEMBARGADOR
CONVOCADO DO TJ/SC), QUINTA TURMA, julgado em 21/05/2015, DJe 27/05/2015)

HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. CONTINUIDADE


DELITIVA ESPECÍFICA. QUANTUM DE AUMENTO. ART. 71, PARÁGRAFO ÚNICO,
CÓDIGO PENAL - CP. NÚMERO DE DELITOS E CIRCUNSTÂNCIAS
JUDICIAIS.COMETIMENTO DE 4 (QUATRO) DELITOS COM DESVALOR DA
CULPABILIDADE.ACRÉSCIMO DE 3/4 JUSTIFICADO. FLAGRANTE ILEGALIDADE
NÃO EVIDENCIADA.REPRIMENDA MANTIDA. PREJUDICADO O PEDIDO DE
FIXAÇÃO DE REGIME MAIS BRANDO. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO.- O
Superior Tribunal de Justiça - STJ, seguindo a posição sedimentada pelo Supremo
Tribunal Federal - STF, uniformizou o entendimento no sentido de ser inadmissível o
conhecimento de habeas corpus substitutivo de recurso previsto para a espécie,
ressalvada a possibilidade da existência de flagrante ilegalidade que justifique a
concessão de ordem de ofício.- A jurisprudência desta Corte Superior sedimentou-se no
sentido de que a fixação do quantum de aumento decorrente da continuidade delitiva,
nos termos do art. 71, parágrafo único do Código Penal, deve considerar tanto o número
de infrações cometidas como as circunstâncias judiciais do delito.(HC 310.445/PR, Rel.
Ministro ERICSON MARANHO (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP),
SEXTA TURMA, julgado em 28/04/2015, DJe 06/05/2015)

[TJCE]. Quando se aplica a regra do artigo 71, parágrafo único, crime continuado
específico?
Parágrafo único - Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com
violência ou grave ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os
antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as
circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se
diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único do art. 70 e do art. 75
deste Código.

[TJCE]. Primeira conduta em uma lei e segunda conduta em outra lei mais gravosa,
qual lei deve aplicar?

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No contexto da continuidade delitiva, deve-se aplicar a lei mais gravosa. Sumula 711
do STF: a lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime
permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da
permanência.

[TJCE]. O que consiste o princípio da legalidade em matéria penal?


O princípio da legalidade também é chamado de legalidade estrita, reserva legal ou
intervenção legalizada. Para a definição de crime e cominação de pena é necessária
uma lei (aprovada pelo Congresso Nacional).

Parte da doutrina faz a correta observação acerca da distinção entre "princípio da


legalidade" e "princípio da reserva legal". Legalidade abrange várias espécies
normativas, como leis ordinárias, complementares, delegadas, medidas provisórias,
decretos legislativos e resoluções. Seria, neste sentido amplo, o princípio consagrado
no art. 5°, II, da Constituição Federal (princípio da legalidade em sentido amplo). Por
sua vez, o princípio da reserva legal (legalidade estrita) possui um sentido restrito, já
que abrange apenas lei ordinária ou complementar aprovada pelo Congresso
Nacional. O princípio da legalidade possui algumas funções fundamentais:

1ª) Lei estrita: a competência para criar crimes e cominar penas é do Poder
Legislativo (CF, a rt. 22, I), por meio de lei.

2ª) Lei escrita: os costumes não têm a força de criar crimes e cominar
sanções penais, uma vez que a lei deve ser escrita, ou seja, é proibido o
costume incriminador;

3ª) Lei certa: os tipos penais devem ser de fácil entendimento pelo cidadão,
justamente para que possa se orientar daquilo que é certo ou errado. Desse
modo, decorre a proibição da criação de tipos penais vagos e
indeterminados.

4ª) Lei prévia: proibição da aplicação da lei penal incriminadora a fatos -


não considerados crimes - praticados antes de sua vigência. Trata-se do
princípio da anterioridade.

[TJCE]. Quais as formas de concurso de crimes prevista no CP?


Concurso material:

Art. 69 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais
crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade
em que haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de
detenção, executa-se primeiro aquela.

§ 1º - Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de
liberdade, não suspensa, por um dos crimes, para os demais será incabível a substituição
de que trata o art. 44 deste Código.

§ 2º- Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá


simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais.

Concurso formal:

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Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais
crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais,
somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas
aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes
concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.

Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69
deste Código

[TJCE]. Concurso Formal e Material: quais as suas consequências práticas?


No concurso material, aplica-se o sistema do cúmulo material, em que cada delito
corresponde a uma pena, que será somada com as demais.

No concurso formal, aplica-se o sistema da exasperação da pena, em que a pena a ser


aplicada deve ser a do delito mais grave, mas aumentada em certa quantidade.

Adotado pelo art. 70, caput, 1ª parte. No caso de desígnios autônomos, art. 70, caput,
2ª parte, há a aplicação do sistema do cúmulo material.

[TJCE]. Em que consiste o concurso material benéfico?


Nos termos do art. 70, parágrafo único, não poderá a pena exceder a que seria cabível
pela regra do artigo 69 do Código Penal. Trata-se do chamado concurso material
benéfico.

[TJCE]. Que critério deve nortear o juiz para aumentar a pena no concurso formal?
O critério de aumento varia de acordo com a quantidade de crimes. Nesse sentido:
STJ-HC 162.306/DF, 5ª T., j. 15/02/201i. Geralmente se utiliza a seguinte técnica:

2 crimes: aumento de 1/6;

3 crimes: aumento de 1/5;

4 crimes: aumento de 1/4;

5 crimes: aumento de 1/3;

6 ou mais crimes: aumento de 1/2

[TJCE]. O que é unidade de desígnios?


O agente quis praticar apenas um único crime. Seu propósito é único, mas, na
realidade, praticou mais de um delito no mesmo contexto tático, tendo em vista a
diversidade das vítimas.

[TJCE]. Caso: Um agente entra e uma loja e pratica um roubo. Na saída, ele se
desentende com um cliente e mata 2 pessoas. Responderá por quantos crimes?
VLÁDIA: Responderá por roubo e homicídio em concurso material, pois acredito
que não ser aplicável o concurso formal, já que, a meu ver existem duas ações
independentes, sem liame fático.

[TJCE]. Defina concurso formal próprio.

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Ocorre quando o agente, mediante uma só ação ou om1ssao, pratica dois ou mais
crimes, idênticos ou não, desde que a ação ou omissão não seja dolosa e os crimes
concorrentes não resultem de desígnios autônomos (art. 70, caput, 1ª parte).

[TJCE]. Caso: Um agente entra em um estabelecimento e mata duas pessoas sem


nada levar deles. Haverá concurso formal? Temos quantos crimes? Quantos
latrocínios? Qual o bem jurídico protegido? Quantos foram lesados?
SÚMULA 610 do STF - Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda
que não realize o agente a subtração de bens da vítima.

1ª posição: Se em apenas um contexto (unidade de subtração patrimonial) decorrer


mais de uma morte, paira divergência se haverá crime único ou pluralidade de
infrações. Orientações: 1a) concurso formal impróprio. Precedente:

STJ : PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO ESPECIAL DO MINISTÉRIO


PÚBLICO E AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL DO RÉU. LATROCÍNIO. ART. 157,
§ 3º, DO CÓDIGO PENAL E ART. 288, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CÓDIGO PENAL.
RÉU QUE, MEDIANTE UMA SÓ AÇÃO, ATINGIU DOIS RESULTADOS, COM A
MORTE DE DUAS PESSOAS. CONCURSO FORMAL IMPRÓPRIO. PRECEDENTES
DO STJ. AUSÊNCIA DE RATIFICAÇÃO DO RECURSO ESPECIAL DO RÉU, APÓS A
PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
EXTEMPORANEIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA 418/STJ. RECURSO ESPECIAL
DO MINISTÉRIO PÚBLICO CONHECIDO E PROVIDO. AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL DO RÉU IMPROVIDO.I. Segundo a jurisprudência desta Corte, "tipifica-se
a conduta do agente que, mediante uma só ação, dolosamente e com desígnios
autônomos, pratica dois ou mais crimes, obtendo dois ou mais resultados, no art. 70, 2ª
parte, do Código Penal - concurso formal impróprio, aplicando-se as penas
cumulativamente. Na compreensão do Superior Tribunal de Justiça, no caso de latrocínio
(artigo 157, parágrafo 3º, parte final, do Código Penal), uma única subtração
patrimonial, com quatro resultados morte, caracteriza concurso formal impróprio" (STJ,
HC 165.582/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA
TURMA, DJe de 06/06/2013).

2ª posição: Haverá apenas um único delito de latrocínio, devendo ser as


consequências apreciadas como circunstancias judiciais. Nesse sentido, STF:

Ementa: HABEAS CORPUS. PENAL. LATROCÍNIO. ART. 157, § 3º, DO CÓDIGO


PENAL. PLURALIDADE DE VÍTIMAS NA EXECUÇÃO DO DELITO. UNIDADE
PATRIMONIAL. CRIME ÚNICO. ORDEM CONCEDIDA. EXTENSÃO DO HABEAS
CORPUS AO CORRÉU. ART. 580 DO CPP. 1. Segundo entendimento acolhido por esta
Corte, a pluralidade de vítimas atingidas pela violência no crime de roubo com resultado
morte ou lesão grave, embora único o patrimônio lesado, não altera a unidade do crime,
devendo essa circunstância ser sopesada na individualização da pena, que, no caso, é de
20 (vinte) a 30 (trinta) anos. Precedentes. 2. Desde que a conduta do agente esteja
conscientemente dirigida a atingir mais de um patrimônio, considerado de forma
objetiva, como requer o fim de proteção de bens jurídicos do Direito Penal, haverá
concurso de crimes. Essa conclusão, todavia, somente pode ser alcançada mediante a
análise das circunstâncias que envolvem a prática do ato delitivo. 3. No caso dos autos,
não restou demonstrada, de modo inequívoco, a vontade do agente de atingir mais de um
patrimônio. A própria denúncia, aliás, considera os bens subtraídos como pertencendo
a um único patrimônio (= do supermercado). 4. Ordem parcialmente concedida para
afastar o concurso de crimes, com a extensão dos efeitos ao corréu (CPP, art. 580), e
determinar ao juízo competente que considere a circunstância da pluralidade de vítimas
na fixação da pena-base (CP, art. 59), respeitado o limite do ne reformatio in pejus. (HC

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96736, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Segunda Turma, julgado em


17/09/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-193 DIVULG 01-10-2013 PUBLIC 02-
10-2013).

O bem jurídico protegido no latrocínio é o mesmo do crime de roubo, tratando-se de


crime pluriofensivo, pois ofende a propriedade, posse e a integridade física e
psíquica. No caso em, comento, não foi lesado o bem jurídico posse e propriedade;
no entanto foi lesada a integridade física das vítimas, violando o bem jurídico vida.

[TJCE]. Caso: Se um agente entra em uma residência e subtrai bens de várias


pessoas, temos quantos furtos?
Responderá por furto em concurso formal, devendo a pena ser aumentada em razão
do número de infrações cometidas.

[TJCE]. Que critérios deve ser utilizado pelo juiz para aplicação do concurso
formal? deve ser aplicada a pena de multa?
Deve ser utilizado o número de infrações.

Art. 72 - No concurso de crimes, as penas de multa são aplicadas distinta e integralmente.

[TJCE]. O acréscimo do concurso formal interfere na prescrição?


Para fins de calcular a prescrição, o juiz considera a pena aplicada para cada um dos
delitos, isoladamente. Assim, não se calcula a prescrição com o aumento imposto
pelo concurso formal. O objetivo é que seja mais benéfico ao réu.

CP/Art. 119. No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a


pena de cada um, isoladamente.

21. Conflito aparente de normas


[TJCE]. Quando há conflito aparente de normas?
Dá-se o chamado conflito aparente de leis penais quando, em tese, duas ou mais leis
penais (ou dois ou mais artigos de lei) vigentes são aplicáveis para a mesma infração.
Requisitos do conflito aparente de leis penais: só se pode falar em conflito aparente
de leis penais, portanto, quando temos: (a) fato único (não importa se se trata de crime
simples ou complexo); e (b) duas ou mais leis (vigentes) aparentemente aplicáveis.
O conflito, ademais, é só aparente porque, no final, uma só das leis terá incidência
no caso concreto.

[TJCE]. Quais as formas de conflito aparente?


Princípios que resolvem o conflito aparente de leis penais: três são os princípios
válidos para resolver o conflito aparente de leis penais: (a) especialidade; (b)
subsidiariedade (expressa ou tácita); e (c) consunção ou absorção.

[TJCE]. O que é o princípio da especialidade? Ocorre no homicídio culposo?


Pelo princípio da especialidade a lei especial derroga a lei geral. Uma lei é especial
em relação a outra quando contém todos os requisitos descritivos típicos da lei geral
e mais um ou alguns (chamados requisitos especializantes, que conduzem a uma
distinção em abstrato dos injustos penais considerados). Para que se possa aplicar
esse princípio deve haver, em suma, relação de gênero e espécie entre as figuras
típicas consideradas. No conflito entre um tipo penal especifico e um tipo penal

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genérico, prevalece o específico. O tipo penal específico (que pode estar contido no
Código Penal ou na legislação penal especial) contém todos os elementos do tipo
penal genérico e outros que caracterizam a especialidade. Existe urna relação de
gênero e espécie. Esses elementos específicos são chamados de especializantes, os
quais podem tornar o fato mais grave ou mais benéfico ao agente. É possível a
aplicação ao homicídio culposo. Ex: Tipo geral: homicídio culposo (art. 121, §3º do
CP); Tipo especial: homicídio culposo na direção de veículo automotor (art. 302 do
CTB)

[TJCE]. O que é o princípio da subsidiariedade? Qual norma prevalece?


O tipo subsidiário (norma subsidiária) descreve um crime autônomo com cominação
de pena menos grave que a prevista em outro tipo penal, chamado de norma primária.
A norma subsidiária funciona como um "soldado de reserva" (expressão cunhada por
Nélson Hungria), aplicando-se quando não houver incidência da norma primária. A
subsidiariedade pode ser: a) subsidiariedade expressa: a própria lei determina que só
será aplicada a lei mais branda se o fato não constituir crime mais grave. Exs.: artigos
132, 238, 314, 325 e 337, todos do CP. b) subsidiariedade tácita: quando as
elementares de um ti po estão contidas na forma de elementares ou de circunstâncias
acidentais de outro tipo. Ex. : a ameaça (art. 147) integra o crime de constrangimento
ilegal (art. 146), de sorte que o agente, cometendo o crime de constrangimento ilegal
mediante grave ameaça, não responderá também por esta. Assim prevalece, na
subsidiariedade, a norma de pena mais grave.

[TJCE]. O que é o princípio da consunção? Decorre de qual teoria? Qual crime


absorve qual?
Conforme ensinamento do professor Bitencourt, a norma definidora de um crime
constitui MEIO necessário ou FASE NORMAL (etapa) de preparação ou execução
de outro crime. Na relação consuntiva, os fatos não se apresentam em relação de
gênero e espécie, mas de continente e conteúdo. A consunção é utilizada quando a
intenção criminosa é alcançada pelo cometimento de mais de um tipo penal, devendo
o agente, no entanto, por questões de justiça e proporcionalidade de pena (política
criminal), ser punido por apenas um delito.Duas são as regras que podemos extrair,
quais sejam:- o fato de maior entidade consome ou absorve o de menor graduação
(lex consumens derogat lex consumptae);- o crime-fim absorve o crime-meio.

25. Livramento Condicional


[TJCE]. Livramento Condicional. Quando é cabível? Por que há o parâmetro de
dois anos?
Considera-se livramento condicional o benefício que permite ao condenado a pena
privativa de liberdade igual ou superior a dois anos a liberdade antecipada,
condicional e precária, desde que cumprida parte da reprimenda imposta e que sejam
observados os demais requisitos legais.

Diz-se que a liberdade é antecipada porque o indivíduo retorna ao convívio social


antes do cumprimento integral da pena privativa de liberdade; é condicional porque
fica ele sujeito, durante o período restante da pena (período de prova ou período de
experiência), ao cumprimento das condições fixadas na decisão que concedeu o
benefício; é, por fim, precária pelo fato de que pode ser revogada se, no seu curso,
ocorrerem as situações mencionadas nos arts. 86 e 87 do Código Penal.

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Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa


de liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que:

I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime


doloso e tiver bons antecedentes;

II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso;

III - comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom


desempenho no trabalho que lhe foi atribuído e aptidão para prover à própria
subsistência mediante trabalho honesto;

IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela


infração;

V - cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo,
prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o
apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza.

Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave
ameaça à pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação
de condições pessoais que façam presumir que o liberado não voltará a delinquir.

[TJCE]. Quais os requisitos temporais para a concessão do livramento condicional?


Quais os subjetivos?
A concessão do livramento condicional pressupõe a satisfação de requisitos objetivos
e subjetivos, os primeiros relacionados à pena (espécie, quantidade e tempo mínimo
de cumprimento) e à reparação do dano, e os demais, pertinentes às condições
pessoais do condenado. Esses requisitos estão contemplados no art. 83 do Código
Penal.

São requisitos objetivos do livramento condicional: 1) Natureza da pena imposta:


Depreende-se do art. 83, caput, do Código Penal que poderão fazer jus ao livramento
condicional os condenados à pena privativa de liberdade, seja esta de reclusão,
detenção ou prisão simples. Portanto, inviável cogitar da concessão do benefício a
quem cumpre pena restritiva de direito, muito menos à hipótese de condenação a
pena de multa. 2) Quantidade de pena imposta: O mesmo art. 83, caput, do Estatuto
Repressivo dispõe que o livramento condicional é permitido aos condenados a pena
privativa de liberdade igual ou superior a dois anos. Veja-se que, de acordo com o
art. 84 do Código Penal, “as penas que correspondem a infrações diversas devem
somar-se para efeito do livramento”. Isso significa que poderá fazer jus ao benefício
tanto o indivíduo condenado, por exemplo, à pena de quatro anos pela prática de um
só crime, como aquele que restou condenado por dois crimes de menor gravidade,
recebendo para cada um a pena de um ano e seis meses, já que, somadas, tais
condenações perfazem três anos (superior a dois anos, portanto). 3) Cumprimento de
tempo mínimo de pena privativa de liberdade: A satisfação do requisito temporal
vincula-se às condições do condenado e à natureza do crime que cometeu. Outro
aspecto a observar é o de que, na verificação do lapso mínimo de cumprimento de
pena, deve-se considerar o período em que o apenado esteve custodiado em razão de
prisão provisória ou administrativa, bem como o tempo de internação em hospital
psiquiátrico (art. 42 do CP). Ainda, deve ser levado em conta o tempo remido pelo
trabalho ou pelo estudo (art. 128 da LEP). Pois bem, de acordo com o art. 83 do CP,

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são os seguintes os lapsos de pena cumprida a serem observados pelo condenado para
a obtenção do benefício: a) Condenado não reincidente em crime doloso e com bons
antecedentes: É suficiente o cumprimento de mais de um terço de pena, operando-se
aqui o chamado livramento condicional simples (art. 83, I, do CP). b) Condenado
reincidente em crime doloso: É necessário o cumprimento de mais da metade da
pena, operando-se nesse caso o denominado livramento condicional qualificado (art.
83, II, do CP). A exigência de lapso maior de pena cumprida decorre da consideração
de que o condenado reincidente em crime doloso revela maior periculosidade, sendo
exigível, portanto, maior rigor penal, já que a condenação anterior não foi suficiente
para reprimir a prática de novo delito. c) Condenado pela prática de crime hediondo
ou equiparado (tráfico de drogas, tortura e terrorismo): Exige-se o cumprimento de
mais de dois terços da pena, desde que não se trate de indivíduo reincidente específico
em crimes dessa natureza, operando-se aqui o chamado livramento condicional
específico (art. 83, V, do CP). 4) Reparação do dano causado pela infração.

Por outro lado, são requisitos subjetivos do livramento condicional:

1) Bom comportamento carcerário: Muito embora o art. 83, III, 1ª parte, do Código
Penal refira-se à necessidade de “comportamento satisfatório durante a execução da
pena”, o art. 112, caput e § 2º, da LEP, alterado pela L. 10.792/2003, faz menção à
necessidade de ostentar o preso “bom comportamento carcerário” (há maior rigor,
portanto, nessa aferição).

Esse requisito deve ser comprovado mediante atestado emitido pelo diretor do
estabelecimento prisional com base no agir do apenado após o início da execução de
sua pena. Ressalte-se, entretanto, a existência de posição no sentido de que é
suficiente o “comportamento satisfatório”, tal como regrado no art. 83, III, do CP, o
que implica exigir menos rigor na apreciação da conduta do sentenciado.

2) Bom desempenho no trabalho que lhe for atribuído: O requisito está previsto
no art. 83, III, 2ª parte, do Código Penal. Partiu o legislador do princípio de que o
trabalho do preso é obrigatório (art. 31, caput, da LEP). A recusa injustificada em
prestá-lo, além de importar no cometimento de falta grave (art. 50, VI, c/c o art. 39,
V, ambos da LEP), acarreta vedação à concessão do benefício da liberdade
condicional. Muito embora o dispositivo refira-se ao bom desempenho no trabalho
que lhe for atribuído (o que sugere a prestação de trabalho interno pelo preso), parece
evidente que a regra abrange também o trabalho externo, vale dizer, aquele prestado
extramuros pelo preso.

3) Aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto: Trata-


se do pressuposto exigido pelo art. 83, III, última parte, do Código Penal. Note-se
que a condição legal refere-se à aptidão do indivíduo para exercer o trabalho, não
implicando na exigência de que a obtenção do benefício condicione-se à apresentação
prévia de proposta de emprego.

4) Constatação de condições pessoais que façam presumir que o liberado não


voltará a delinquir, no caso de condenado por crime doloso, cometido com
violência ou grave ameaça à pessoa: Esse requisito é previsto no Código Penal
apenas em relação ao condenado pela prática de crime doloso, cometido com
violência ou grave ameaça à pessoa.

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5) Não se tratar de condenado reincidente específico nos crimes hediondos e


equiparados: A interpretação a contrario sensu do art. 83, V, última parte, do Código
Penal permite concluir que, sendo o condenado reincidente específico em delitos
hediondos e assemelhados, descabe a liberdade condicional, devendo ele cumprir
integralmente a pena imposta.

[TJCE]. Pode determinar exame criminológico?


A constatação das condições pessoais que façam presumir que o liberado não voltará
a delinquir pode ser alcançada mediante a elaboração de exame criminológico, que
constitui inequivocamente instrumento relevante de prognóstico da vida futura do
condenado, especialmente a partir de considerações sobre a introjeção da terapêutica
prisional, presença de consciência crítica sobre os atos criminosos praticados,
sentimento de culpa perante os danos causados a terceiros, vulnerabilidade à
patologia delitiva etc.

Deve-se referir, entretanto, a existência de forte entendimento no sentido de que a


constatação das condições pessoais do condenado prevista no art. 83, parágrafo
único, do CP e a possibilidade de submetê-lo a exame criminológico teriam sido
revogadas pela nova redação dada ao art. 112, caput e § 2º, da LEP pela L.
10.792/2003, dispositivo esse que teria passado a exigir, tanto para fins de livramento
condicional quanto para a progressão de regime, apenas o implemento do fator
temporal e o bom comportamento carcerário atestado pelo diretor do presídio.

Não concordamos, porém, com essa posição e compartilhamos do entendimento de


que, embora a nova redação do art. 112 da LEP tenha dispensado a obrigatoriedade
o exame criminológico para a concessão da progressão de regime e do livramento
condicional, faculta-se ao juiz, fundamentando sua decisão nas peculiaridades do
caso concreto, determinar a realização desse exame, especialmente nas hipóteses de
crimes cometidos com violência ou grave ameaça à pessoa.

Nesse sentido, aliás, é a orientação dominante na jurisprudência pátria e também a


Súmula 439 ao dizer que “admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do
caso, desde que em decisão motivada”.

[TJCE]. É um estágio de cumprimento da pena privativa de liberdade?


O livramento condicional é a antecipação provisória da liberdade do condenado. Art.
141da LEP: Se a revogação for motivada por infração penal anterior à vigência do
livramento, computar-se-á como tempo de cumprimento da pena o período de prova,
sendo permitida, para a concessão de novo livramento, a soma do tempo das 2 (duas)
penas. Art. 142. No caso de revogação por outro motivo, não se computará na pena
o tempo em que esteve solto o liberado, e tampouco se concederá, em relação à
mesma pena, novo livramento. Art. 146. O Juiz, de ofício, a requerimento do
interessado, do Ministério Público ou mediante representação do Conselho
Penitenciário, julgará extinta a pena privativa de liberdade, se expirar o prazo do
livramento sem revogação.

[TJCE]. É possível livramento condicional sem que haja progressão de pena?


Para fins de obtenção da liberdade condicional, não importa o regime de pena a que
está submetido o condenado, podendo ele encontrar-se no regime fechado,
semiaberto ou aberto.

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[TJCE]. Há vedação de livramento condicional ao condenado por crime hediondo


ou reincidente? Como solucionar essa incoerência?
Depois de cumpridos mais de 2/3 da pena em regime fechado, se o apenado não for
reincidente específico em crimes hediondos, poderá fazer jus ao livramento
condicional.

Trata-se de regra prescrita no artigo 83, V , do Código Penal que dispõe: O juiz
poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade
igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que:

(...)V - cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime
hediondo, prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo,
se o apenado não for reincidente em crimes dessa natureza.

Mesmo diante da decisão proferida no Plenário do Supremo Tribunal Federal no dia


23 de fevereiro de 2006, quando se declarou a inconstitucionalidade do regime
integral fechado previsto no § 1º do art. 2º da Lei 8.072/90 e se passou a permitir
progressão de regime no cumprimento de pena decorrente da prática de crime
hediondo ou assemelhado, o inc. V do art. 83 do Código Penal não sofreu
modificação.

O requisito objetivo para o livramento condicional em se tratando de condenação


pela prática de crime hediondo ou assemelhado (mais de dois terços da pena) está
mantido. Também continua vedado o livramento em caso de reincidência específica
“em crimes dessa natureza”.

Não há inconstitucionalidade no dispositivo legal que estabelece prazo maior de


cumprimento de pena para obtenção do livramento, tampouco quando impõe
vedação. Permitida a progressão e por meio dela, o executado sairá do regime
fechado para o semiaberto, e deste para o aberto, por etapas, de forma escalonada,
quando satisfeitos os requisitos. Estando a cumprir pena no regime aberto, em casa
de albergado ou estabelecimento adequado, poderá beneficiar-se com livramento
condicional após o cumprimento de mais de 2/3 (dois terços) da pena aplicada, salvo
na hipótese em que vedado o benefício (reincidência específica).

Assim, sendo o sujeito reincidente específico em tais crimes, não é admissível o


livramento condicional. Há reincidência específica, para efeito da disposição, quando
o sujeito, já tendo sido irrecorrivelmente condenado por qualquer um dos delitos
relacionados, vem novamente a cometer um deles, observado o art. 64, I, do CP.
Exemplos: tráfico de drogas e estupro; latrocínio e latrocínio; latrocínio e tortura;
terrorismo e extorsão mediante sequestro etc. Nesses casos, a pena deve ser cumprida
integralmente em regime fechado.

[TJCE]. O que é melhor ao sentenciado: regime aberto ou livramento condicional?


De acordo com o art. 36 do CP, o regime aberto baseia-se na autodisciplina e senso
de responsabilidade do condenado. O condenado deverá, fora do estabelecimento e
sem vigilância, trabalhar, frequentar curso ou exercer outra atividade autorizada,
permanecendo recolhido durante o período noturno e nos dias de folga. Já o
livramento condicional é a antecipação provisória da liberdade do condenado pelo
juiz da Vara das Execuções Criminais, quando presente os requisitos legais. O
sentenciado fica sujeito a certas obrigações.

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Entre os requisitos indispensáveis, está o cumprimento de mais de 1/3 da pena se o


condenado não for reincidente em crime doloso e apresentar bons antecedentes.

Art. 132 da LEP: Deferido o pedido, o Juiz especificará as condições a que fica
subordinado o livramento.

§ 1º Serão sempre impostas ao liberado condicional as obrigações seguintes:

a) obter ocupação lícita, dentro de prazo razoável se for apto para o trabalho;

b) comunicar periodicamente ao Juiz sua ocupação; c) não mudar do território da


comarca do Juízo da execução, sem prévia autorização deste.

§ 2° Poderão ainda ser impostas ao liberado condicional, entre outras obrigações, as


seguintes:

a) não mudar de residência sem comunicação ao Juiz e à autoridade incumbida da


observação cautelar e de proteção;

b) recolher-se à habitação em hora fixada;

c) não frequentar determinados lugares. Minha opinião: Considerando que o livramento


condicional há uma antecipação da liberdade, não existindo a obrigação de recolhimento
noturno e aos finais de semana, entendo que este é mais benéfico ao réu.

[TJCE]. Revogado o livramento, o tempo de prova é computado na pena?


Tratando-se de um benefício precário, o livramento condicional poderá ser revogado
a qualquer tempo, bastando que ocorram as situações previstas nos arts. 86 e 87 do
Código Penal, correspondentes, respectivamente, a causas de revogação obrigatória
e facultativa (art. 140, caput, da LEP).

A condenação irrecorrível, por crime cometido na vigência do livramento


condicional, é causa de revogação obrigatória do benefício (inciso I do artigo 86 do
Código Penal). Revogado o livramento condicional pela prática delitiva durante o
período de prova, não se conta como tempo de pena cumprida o lapso temporal em
que o condenado ficou em liberdade.

Art. 141da LEP: Se a revogação for motivada por infração penal anterior à vigência do
livramento, computar-se-á como tempo de cumprimento da pena o período de prova,
sendo permitida, para a concessão de novo livramento, a soma do tempo das 2 (duas)
penas.

Art. 88 do Código Penal: Revogado o livramento, não poderá ser novamente concedido,
e, salvo quando a revogação resulta de condenação por outro crime anterior àquele
benefício, não se desconta na pena o tempo em que esteve solto o condenado.

[TJCE]. Livramento condicional: Quando é cabível? Quais os requisitos?


Considera-se livramento condicional o benefício que permite ao condenado a pena
privativa de liberdade igual ou superior a dois anos a liberdade antecipada,
condicional e precária, desde que cumprida parte da reprimenda imposta e que sejam
observados os demais requisitos legais.

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Diz-se que a liberdade é antecipada porque o indivíduo retorna ao convívio social


antes do cumprimento integral da pena privativa de liberdade; é condicional porque
fica ele sujeito, durante o período restante da pena (período de prova ou período de
experiência), ao cumprimento das condições fixadas na decisão que concedeu o
benefício; é, por fim, precária pelo fato de que pode ser revogada se, no seu curso,
ocorrerem as situações mencionadas nos arts. 86 e 87 do Código Penal.

Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa


de liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que:

I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime


doloso e tiver bons antecedentes;

II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso;

III - comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena, bom


desempenho no trabalho que lhe foi atribuído e aptidão para prover à própria
subsistência mediante trabalho honesto;

IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela


infração;

V - cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo,
prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o
apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza.

Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave
ameaça à pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação
de condições pessoais que façam presumir que o liberado não voltará a delinquir.

[TJCE]. Primário e Maus antecedentes: qual o tempo que tem cumprir para o
livramento? Que critério a se adotar?
Art. 83 - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa
de liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que:

I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime


doloso e tiver bons antecedentes;

II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso.

[TJCE]. É possível ir do regime fechado para o livramento condicional da pena?


Pode progressão per saltum?
Para fins de obtenção da liberdade condicional, não importa o regime de pena a que
está submetido o condenado, podendo ele encontrar-se no regime fechado,
semiaberto ou aberto.

Súmula 491 STJ: É inadmissível a chamada progressão per saltum de regime prisional.

28. Medidas de segurança


[TJCE]. Medidas de segurança podem ser impostas em que tipo de sentença? Pode
em contravenção penal?

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A medida de segurança é uma providência do Estado, fundamentada no jus puniendi,


imposta ao agente inimputável ou semi-imputável que pratica um fato típico e ilícito,
com base no grau de periculosidade deste.

As MS têm uma finalidade diversa da pena, pois se destinam à cura, ou, pelo menos,
ao tratamento daquele que praticou um fato típico e ilícito. Tem por pressuposto a
periculosidade do agente. Aquele que for reconhecidamente declarado inimputável
deverá ser absolvido porque diz o art. 26 do CP que é isento de pena o agente que,
por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao
tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do
fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. A sentença que absolve
o agente, mas lhe deixa a sequela da MS, é conhecida como sentença absolutória
imprópria. A doutrina estrangeira entende que há condenação.

Contudo, segundo Tourinho Filho, não há razão, para, no nosso CP, dizer o mesmo,
já que nele a MS está entre as sentenças absolutórias, ou absolutórias impróprias. Em
relação ao semi-imputável, há uma condenação com pena diminuída, que pode ser
substituída pela MS, quando a perícia constatar sua periculosidade e necessidade de
especial tratamento curativo. A Lei das Contravenções Penais não dispõe acerca das
medidas de segurança; então, pelo artigo 12 do Código Penal, aplica-se a regra geral
subsidiariamente. Logo, contravenção penal admite medida de segurança.

[TJCE]. Quais as espécies de medida de segurança? Estão sujeitas à prescrição?


Como são calculadas?
As MS podem ser a internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico –
ou, à falta, em outro estabelecimento adequado – e a sujeição a tratamento
ambulatorial (art. 96). As medidas de internação são conhecidas como MS detentivas.
As de tratamento ambulatorial são as MS restritivas. O art. 97 do CP estipula que as
MS detentivas (internação) são aplicáveis aos crimes puníveis com reclusão, ao passo
que as MS restritivas (tratamento ambulatorial) são aplicáveis aos crimes puníveis
com detenção.

A medida de segurança, embora não seja uma pena, é espécie de sanção penal. De
acordo com o STJ, embora a medida de segurança não seja pena, ela tem caráter
sancionatório, logo deve obedecer aos critérios de prescritibilidade aplicáveis às
penas, previstas no código penal.

[TJCE]. As medidas de segurança tem prazo determinado? Podem perdurar por


mais de 30 anos?
A princípio, MS não tem prazo certo de duração, persistindo enquanto houver
necessidade de tratamento destinado à cura ou à manutenção da saúde mental do
inimputável. Perdurará enquanto não houver a chamada cessação de periculosidade
do agente, podendo, não raro, ser mantida até o falecimento do paciente.

ATENÇÃO:

STF = aplica para a MS o limite de 30 anos para a pretensão


executória, previsto no art. 75 do CP.

STJ = aplica o limite máximo da pena abstratamente cominada ao


delito, fundamentando no princípio da isonomia e da

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proporcionalidade. E, no caso de MS substitutiva (caso do semi-


imputável), o limite seria a duração da pena imposta na sentença.

[TJCE]. Qual a razão de não absolver sumariamente quando há inimputável?


A vedação legal de não absolvição sumária para os inimputáveis, na verdade refere-
se única e exclusivamente ao doente mental, que na verdade não necessita de uma
absolvição, mas sim de um tratamento.

Indiretamente, a medida de segurança faz-se necessária não só para enfermo mental,


como também para a toda a coletividade, haja vista que conforme foi dito, ela se
justifica na periculosidade do agente, seja em relação a ele mesmo como também em
relação a toda sociedade.

A ressalva do art. 397 não se aplica à inimputabilidade em razão de menoridade, já


que o menor de 18 (dezoito) anos, nem crime pratica sendo sua conduta encarada
como um fato análogo, um ato infracional e o seu processar deve observar as regras
do ECA.

Entendeu por bem, ainda, o legislador colocar como inimputável aquele que pratica
uma infração sob os efeitos da embriaguez. Assim, restando comprovado que o
indivíduo praticou uma infração penal dominado por um estado de embriaguez, no
seu sentido lato, acidental e completa, é perfeitamente possível que o agente, neste
caso inimputável, seja absolvido sumariamente na forma que prevê o artigo 397,
inciso II do CPP c/c artigo28, inciso II, § 1º do CP.

[TJCE]. Qual a natureza jurídica das medidas de segurança? Tem a mesma


finalidade da pena? Tem função retributiva?
As Medidas de Segurança possuem natureza de sanção penal, sendo, no entanto,
diversas da Penas, tendo àquele como elemento caracterizador à “periculosidade do
agente” (que é a potencialidade para a prática de ações lesivas) e nestas a
“culpabilidade” do agente (que é a possibilidade de se considerar alguém culpado
pela prática de uma infração penal). A finalidade da medida de segurança seria a
adequada reintegração social de um indivíduo considerado perigoso para a própria
sociedade. As penas têm caráter retributivo-preventivo; as medidas de segurança têm
natureza eminentemente preventiva.

[TJCE]. Quais as espécies de medida de segurança? Quais os critérios de aplicação?


Em casos de doenças mentais supervenientes? A medida de segurança substitutiva
tem prazo?
As MS podem ser a internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico –
ou, à falta, em outro estabelecimento adequado – e a sujeição a tratamento
ambulatorial (art. 96). As medidas de internação são conhecidas como MS detentivas.
As de tratamento ambulatorial são as MS restritivas. O art. 97 do CP estipula que as
MS detentivas (internação) são aplicáveis aos crimes puníveis com reclusão, ao passo
que as MS restritivas (tratamento ambulatorial) são aplicáveis aos crimes puníveis
com detenção.

- Substituição da pena por medida de segurança para o semi-imputável:

Art. 98 - Na hipótese do parágrafo único do art. 26 deste Código e necessitando o


condenado de especial tratamento curativo, a pena privativa de liberdade pode ser

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substituída pela internação, ou tratamento ambulatorial, pelo prazo mínimo de 1 (um) a


3 (três) anos, nos termos do artigo anterior e respectivos §§ 1º a 4º.

[TJCE]. As medidas de segurança e sua pena máxima?


STF = aplica para a MS o limite de 30 anos para a pretensão executória, previsto no
art. 75 do CP.

STJ = aplica o limite máximo da pena abstratamente cominada ao delito,


fundamentando no princípio da isonomia e da proporcionalidade. E, no caso de MS
substitutiva (caso do semi-imputável), o limite seria a duração da pena imposta na
sentença.

[TJCE]. Quando é possível desinternação? É definitiva? Se a desinternação não é


definitiva, ela é condicionada?
Art. 97 (…) § 3º - A desinternação, ou a liberação, será sempre condicional devendo ser
restabelecida a situação anterior se o agente, antes do decurso de 1 (um) ano, pratica
fato indicativo de persistência de sua periculosidade.

§ 4º - Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, poderá o juiz determinar a


internação do agente, se essa providência for necessária para fins curativos.

29. Ação Penal


[TJCE]. Quando é cabível a ação penal pública condicionada?
Dentre as ações penais públicas, a regra é a ação penal pública incondicionada, as
exceções, se autorizadas por lei, a ação penal pública condicionada a representação
do ofendido e a ação penal pública condicionada a requisição do Ministro da Justiça.

[TJCE]. A representação exige alguma formalidade?


Não há formalismo para a elaboração da peça, bastando que seja possível apurar a
intenção do ofendido de instaurar a persecução penal contra o ofensor.

Apenas por cautela é que ela deve ser colhida por termo.

[TJCE]. Há prazo para a representação?


Prazo: 6 meses contados do conhecimento da autoria.

[TJCE]. Admite interrupção?


Por ser prazo decadencial (penal), ele é contado nos termos do artigo 10 do CP:
inclui-se o dia do começo e exclui-se o do vencimento. Além disso, ele não se
interrompe, não se suspende, nem se prorroga.

[TJCE]. Admite retratação?


Cabe retratação da representação até antes do oferecimento da denúncia. Contudo,
nos crimes praticados mediante a violência doméstica e familiar contra a mulher, a
retratação da representação pode ser feita até o recebimento da denúncia, exigindo-
se que ela seja feita perante o juiz, em audiência especial para esse fim, ouvido o
Ministério Público.

[TJCE]. Qual a natureza jurídica da retratação?


Trata-se de causa de extinção da punibilidade do agente, conforme previsão no artigo
107, VI, CP.

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[TJCE]. O funcionário público violado em sua honra, como deve proceder?


Embora o artigo 145, parágrafo único, do Código Penal informe que, em havendo
crime contra a honra de funcionário público praticado no exercício de suas funções,
a ação é penal pública condicionada a representação do ofendido, a súmula 714 do
STF afirma que haverá um caso de legitimidade concorrente, podendo o próprio
funcionário público ingressar com a ação penal privada, sem prejuízo da legitimidade
conferida ao Ministerio Público para oferecer a ação penal pública condicionada a
representação do ofendido.

Se o funcionário público optar por representar ao Ministério Público, estará preclusa


a possibilidade de oferecimento da ação penal privada.

[TJCE]. Nos casos de violência doméstica, qual a ação penal?


Segue a regra do código penal. No entanto, quando ocorrer a prática do crime de
lesão corporal leve ou culposa contra a mulher a ação penal será incondicionada, já
que de acordo com o art. 41 da Lei Maria da Penha, aos crimes praticados com
violencia domestica e familiar contra mulher, independetemente da pena prevista,
nao se aplica a lei 9099/95.

[TJCE]. A quem se aplica a lei Maria da Penha?


A lei Maria da Penha se aplica a mulher sob violência doméstica e familiar.

[TJCE]. O que é um crime complexo?


O crime complexo em sentido estrito: é aquele que reúne condutas típicas distintas.
Ex: artigo 159: extorsão mediante sequestro, que consiste na fusão dos crimes de
extorsão e sequestro.

O crime complexo em sentido amplo: reunião de conduta típica e outras


circunstâncias. Ex: constrangimento ilegal (ameaça + outro fato não tipificado).

[TJCE]. O que são atos preparatórios?


São atos necessários para o agente iniciar a execução do delito. São impuníveis, salvo
quando, por si sós, configurarem outro delito e este não seja absorvido pelo crime-
fim.

30. Extinção da punibilidade


[TJCE]. Há causas de extinção da punibilidade fora do art. 107 do Código Penal
Brasileiro?
A punibilidade é o direito que tem o Estado de aplicar a sanção penal prevista na
norma incriminadora, contra quem praticou a infração penal. Não integra o conceito
analítico de crime, sendo sua consequência jurídica.

O artigo 107 do Código Penal apresenta um rol meramente exemplificativo de causas


extintivas da punibilidade, o que significa que outras normas podem dispor sobre o
tema.

Admite-se, inclusive causa supralegal de extinção da punibilidade, citando-se como


exemplo a Súmula 554 do STF (“O pagamento de cheque emitido sem provisão de
fundos, após o recebimento da denúncia, não obsta ao prosseguimento da ação
penal”), cuja interpretação contrario sensu conduz à inteligência de que o pagamento

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do cheque sem fundos antes do recebimento da denúncia é causa que extingue o


direito de punir.

[TJCE]. Na Lei nº 9.099/95, quais são as hipóteses?


A Lei nº 9.099/95 têm como causas de extinção da punibilidade:

- art. 74, parágrafo único: nos crimes de iniciativa privada ou de ação pública
condicionada à representação, de competência dos juizados especiais, a composição
civil extingue a punibilidade do autor do fato;

- art. 89, §5º: término do período de prova, sem revogação, da suspensão condicional
do processo.

[TJCE]. Crimes contra a administração pública?


- Peculato culposo: extingue-se a punibilidade do agente que repara o dano, no
peculato culposo, antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória (art.
312, §3º, do CP).

- Sonegação de contribuição previdenciária: é extinta a punibilidade se o agente,


espontaneamente, declara e confessa as contribuições, importâncias ou valores e
presta as informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou
regulamento, antes do início da ação fiscal. (art. 337-A, §1º, do CP).

- Falso testemunho ou falsa perícia: extingue-se a punibilidade se, antes da sentença


no processo em que ocorreu o ilícito, o a gente se retratar ou declarar a verdade.

[TJCE]. Crimes fiscais?


Em relação aos crimes contra a ordem tributária (sonegação fiscal):

- o art. 9º, §2º, da Lei nº 10.684/03 trouxe a possibilidade de o pagamento integral do


tributo suprimido ou reduzido, inclusive acessórios, extinguir a punibilidade,
dispondo que “Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos neste artigo (arts. 1º
e 2º da Lei 8.137/90) quando a pessoa jurídica relacionada com o agente efetuar o
pagamento integral dos débitos oriundos de tributos e contribuições sociais,
inclusive acessórios”.

- a Lei nº 12.382/11 alterou o art. 83, §4º, da Lei nº 9.430/96 conferindo-lhe a seguinte
redação: “Extingue-se a punibilidade dos crimes referidos no caput (arts. 1º e 2º da
Lei 8.137/90) quando a pessoa física ou a pessoa jurídica relacionada com o agente
efetuar o pagamento integral dos débitos oriundos de tributos, inclusive acessórios,
que tiverem sido objeto de concessão de parcelamento” .

Assim, há a extinção da punibilidade no caso de crimes contra a ordem tributária


(arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137/90) quando houver o pagamento do tributo, desde que
seja realizado antes do trânsito em julgado da sentença condenatória (STF, HC
116.828).

[TJCE]. Como se dá a anistia? Qual o ato normativo? Quais os seus efeitos?


Anistia é a exclusão, por meio de lei ordinária com efeitos retroativos, de um ou
mais fatos criminosos do campo de incidência do Direito Penal, por razoes de
clemência, política, social etc.

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A clemência estatal é concedida por meio de lei ordinária editada pelo Congresso
Nacional (CF, arts. 21, XVII, e 48, VIII) e sancionado pelo Presidente da República.

A anistia extingue todos os efeitos penais, principais e secundários. Permanecem


íntegros, entretanto, os efeitos civis da sentença penal condenatória, que, por esse
motivo, subsiste como título executivo judicial no campo civil.

[TJCE]. A anistia afasta a reincidência?


A anistia tem efeitos ex tunc, apagando todos os efeitos penais. Rescinde até
mesmo a condenação. Portanto, se no futuro o agente praticar nova infração penal,
não será atingido pela reincidência.

[TJCE]. Diferença entre graça e indulto. Qual o juiz que concede, o da execução?
O indulto é modalidade de clemencia concedida a todo o grupo de condenados
que preencherem os requisitos apontados pelo decreto. Não depende de provocação
da parte interessada

A graça (ou indulto individual), por outro lado, visa o benefício de pessoa
determinada. Em regra, depende de provocação da parte interessada.

[TJCE]. O indultado pode ser reincidente?


O indulto alcança apenas o cumprimento da pena, na forma realçada pelo decreto
presidencial, restando íntegros os efeitos penais secundários e também os efeitos de
natureza civil. Portanto, se no futuro o agente praticar nova infração penal, poderá
ser considerado reincidente.

[TJCE]. A prescrição sempre afasta a reincidência?


Não, apenas no caso da prescrição da pretensão punitiva é que haverá a exclusão
de todos os efeitos de eventual sentença penal condenatória já proferida, principal ou
secundários, penais ou extrapenais.

No caso da prescrição da pretensão executória, subsiste a condenação (impede o


Estado de executar a punição) e, consequentemente, os efeitos secundários da
sentença, entre eles, o da reincidência.

[TJCE]. Defina prescrição?


É a perda, em face do decurso do tempo, do direito de o Estado punir ou executar
uma punição já imposta. Em resumo, é a perda da pretensão punitiva ou executória.
Por mais grave que seja o delito, ordinariamente ele prescreve, pois a prescrição é a
garantia do cidadão contra o poder punitivo eterno.

Há duas exceções de imprescritibilidade, previstas no art. 5º da CF/88:

Racismo.

Ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado


Democrático (dentre outros, o terrorismo).

Art. 5º.

XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena


de reclusão, nos termos da lei;

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XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou


militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;

Essas são as duas exceções, devendo-se levar em conta, ademais, que o legislador
ordinário não pode criar outras espécies de crimes imprescritíveis.

[TJCE]. Pergunta-se: o crime de tortura prescreve?


Para a CRFB/88, o delito de tortura é prescritível. O Tratado de Roma (TPI), contudo,
dispõe que a tortura é imprescritível. O referido tratado foi aprovado com quórum
comum, possuindo status supralegal. A respeito do tema, temos as seguintes
correntes:

1ª C - Considerando que a CF/88 rotulou a tortura como um delito prescritível;


considerando que o Tratado de Roma, documento que torna a tortura imprescritível,
tem status supralegal, deve prevalecer a CF. Logo: tortura é prescritível;

2ª C - Considerando que no conflito entre a CF/88 e os tratados de direitos humanos


deve prevalecer a norma que melhor atende os direitos do homem (princípio pro
homine), prevalece a norma do tratado, que torna a tortura delito imprescritível;

3ª C - A imprescritibilidade trazida pelo tratado é incompatível com o direito penal


moderno e com o Estado Democrático de Direito. Para Gilmar Mendes, a tortura é
prescritível.

Mas atente: o STJ e STF, no âmbito cível (reparação dos danos pela Ditadura
Militar), entende ser a tortura imprescritível.

Rogério Sanches (2015): Majoritariamente, contudo, compreende-se que o Estatuto


de Roma é tratado com status de norma supralegal, sem força suficiente para afastar
a garantia implícita constitucional da prescritibilidade.

[TJCE]. O prazo prescricional admite suspensão? Em que hipóteses?


As causas de suspensão estão no artigo 116 do Código Penal. Resolvida a causa
suspensiva, a prescrição torna a correr, considerando-se o tempo já decorrido.

A primeira hipótese de causa suspensiva da prescrição da pretensão punitiva está


prevista no artigo 116, I, do Código Penal, que estabelece que o prazo fatal não corre
enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o
reconhecimento da existência do crime. São as chamadas questões prejudiciais,
previstas nos artigos 92 a 94 do CPP.

O exemplo clássico é o do réu que, processado por bigamia, questiona no juízo cível
a validade do primeiro casamento.

Apesar de o presente inciso referir-se apenas à questão prejudicial obrigatória, é


entendimento prevalente na doutrina aplicar-se também para a hipótese de questão
prejudicial facultativa, desde que o Juiz decida acatá-la.

A segunda causa suspensiva da prescrição da pretensão punitiva está prevista no


inciso II, dispondo que há paralisação da prescrição enquanto o agente cumpre pena
no estrangeiro.

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O rol do artigo 116 não comporta analogia (que seria, necessariamente, in malam
partem, vedada entre nós). Por outro lado, não podemos caracterizá-lo como rol
taxativo já que há outras causas suspensivas em nosso ordenamento jurídico, a
exemplo do:

• artigo 53, §§ 3º a 5°, da CF/88, que disciplina a suspensão de processo contra


parlamentares;

• artigo 89, §6°, da lei no 9.099/95, que trata da suspensão condicional do processo e
consequente suspensão da prescrição, nos casos que especifica;

• artigo 366 do CPP, que regula a citação por edital no processo penal, devendo ficar
suspenso o curso prescricional durante este lapso (entende o STJ, conforme súmula
n° 415, que este período de suspensão é regulado pelo máximo da pena cominada);

• artigo 386 do CPP, que regula a suspensão do prazo prescricional em caso de carta
rogatória, quando o acusado se encontra no estrangeiro;

• artigo 87, da Lei n° 12.529/2011, que prevê como causa suspensiva o acordo de
leniência, nos crimes contra a ordem econômica tipificados na Lei n° 8.137/90 e nos
demais crimes diretamente relacionados à prática de cartel, tais como os tipificados
na Lei n° 8.666/93 e os tipificados no Código Penal.

• artigo 83, §2°, da lei n° 9.430/96, (redação dada pela Lei n° 12.382/2011), que
determina a suspensão da pretensão punitiva estatal em caso de parcelamento dos
débitos tributários relativos aos crimes contra a ordem tributária (arts. 1 ° e 2° da Lei
n° 8 . 1 37/90) e contra a previdência social (arts. 168-A e 337-A, CP) .

O parágrafo único do artigo 116 disciplina outra causa suspensiva da prescrição, que
se aplica à prescrição da pretensão executória.

Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre:

(...) Parágrafo único - Depois de passada em julgado a sentença condenatória, a


prescrição não corre durante o tempo em que o condenado está preso por outro motivo.

Resolvida a causa suspensiva a prescrição volta a correr, considerando-se o tempo já


transcorrido.

[TJCE]. A suspensão é indefinida, no caso de suspensão do processo por revelia do


réu? Entendimento sumulado? Pacificação dos tribunais superiores? Existe revelia
no processo penal? Vide arts. 366 e 367 do CPP.
O acusado é citado por edital e o processo fica suspenso. Assim, se o acusado não
comparecer, nem constituir defensor, ficará suspenso o processo e também a
prescrição (ocorre a citação por edital). Já o art. 367 diz que o processo seguirá sem
a presença do acusado.

Art. 367 - citação ou intimação pessoal: se o acusado não comparecer, será decretada
a sua revelia. A revelia, no processo penal, não tem o efeito de presunção de
veracidade dos fatos alegados. O único efeito prático da revelia, no processo penal,
é a desnecessidade de intimação dos acusados para a prática dos atos processuais,

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salvo em relação à sentença condenatória. Nesse caso, se o acusado não for


encontrado, deverá ser intimado por edital.

Segundo o artigo 366 do CPP, que regula a citação por edital no processo penal:

Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado,
ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar
a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão
preventiva, nos termos do disposto no art. 312.

- CPP, art. 366: processos em que o acusado, citado por edital, não comparece nem
constitui advogado. Já decidiu o STF que a suspensão da prescrição se dá por prazo
indeterminado (RE 46o971/RS, 13.2.2007).

O STJ, por sua vez, possui decisão em sentido diverso, veja-se: “o período máximo
de suspensão da fluência do prazo de prescrição, na hipótese do art. 366 do CPP,
corresponde ao que está fixado no art. 109 do CP, observada a pena máxima
cominada para a infração penal." (RT 754/575). Foi editada Súmula nesse sentido:
"O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo da pena
cominada" (Súmula 415 do STJ). Após este prazo a prescrição volta a correr. Na
prática está se dobrando o prazo de prescrição.

[TJCE]. No artigo 366 do CPP volta ao início o começa de onde parou? Considera o
período anterior?
Considerando que se trata de hipótese de suspensão do prazo prescricional, o prazo
recomeça a correr de onde havia parado, considerando-se o período anterior.

Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado,
ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar
a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão
preventiva, nos termos do disposto no art. 312.

[TJCE]. Qual a diferença entre suspensão e interrupção?


Resolvida a causa suspensiva a prescrição volta a correr, considerando-se o tempo já
transcorrido. Com a interrupção da prescrição, o prazo recomeça a correr
integralmente do dia da interrupção.

Ademais, a interrupção da PPP produz efeito relativamente a todos os autores do


crime. Nos crimes conexos , que sejam objeto do mesmo processo, estende-se aos
demais a interrupção relativa a qualquer deles.

[TJCE]. Prescrição admite interrupção? Em que situação?


Sim, a prescrição admite interrupção. As causas de INTERRUPÇÃO da PPPA
constam do artigo 117, incisos I a IV. Segundo o dispositivo, o curso da prescrição
interrompe-se:

Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se:

I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa;

II - pela pronúncia;

III - pela decisão confirmatória da pronúncia;

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IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis;

V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena;

VI - pela reincidência.

§ 1º - Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo, a interrupção da prescrição


produz efeitos relativamente a todos os autores do crime. Nos crimes conexos, que sejam
objeto do mesmo processo, estende-se aos demais a interrupção relativa a qualquer
deles.

§ 2º - Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do inciso V deste artigo, todo o prazo


começa a correr, novamente, do dia da interrupção.

Os incisos V e VI reportam-se a prescrição da pretensão executória.

[TJCE]. A reincidência interrompe?


A reincidência não interrompe a PPP, somente interrompe a prescrição da pretensão
executória.

Não se deve confundir a reincidência anterior, que provoca o aumento do prazo


prescricional (art. 110 do CP), com a reincidência posterior à condenação, que é
causa interruptiva da prescrição executória.

[TJCE]. A sentença interrompe? O acórdão?


A publicação da sentença ou acórdão CONDENATÓRIOS recorríveis interrompem
a PPP (prescrição da pretensão punitiva), conforme previsão expressa do art. 117,
IV, do CPP.

Se, porventura, a primeira sentença penal condenatória vier a ser anulada pelo
tribunal, deixará de interromper a prescrição. Neste caso, a interrupção ocorrerá com
a publicação da nova decisão.

Segundo Rogério Greco, a sentença concessiva do perdão judicial, por ter uma
natureza meramente declaratória de extinção da punibilidade, nos termos da súmula
18 do STJ, não interrompe a prescrição.

Se o juiz condenar e o tribunal confirmar a condenação, o acórdão confirmatório não


interrompe a prescrição (ele apenas confirma, não condena). O acordão que reduz a
pena imposta também não serve como marco interruptivo (Info 708).

A publicação da sentença condenatória recorrível também interrompe o prazo


prescricional, ainda que total ou parcialmente reformada pelo Tribunal. "Publicação"
não deve ser confundida com divulgação na imprensa oficial, sendo compreendida
nos termos do artigo 389 do Código de Processo Penal.

CPP. Art. 389. A sentença será publicada em mão do escrivão, que lavrará nos autos o
respectivo termo, registrando-a em livro especialmente destinado a esse fim.

Desse modo, considera-se publicada a sentença quando o escrivão procede à juntada


desta aos autos – na sentença ou acórdão proferidos na própria audiência ou sessão,
a publicação ocorre neste ato.

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STJ: "Para efeito de configuração do marco interruptivo do prazo prescricional a que se


refere o art. 117, IV, do CP, considera-se como publicado o "acórdão condenatório
recorrível” na data da sessão pública de julgamento, e não na data de sua veiculação no
Diário da Justiça ou em meio de comunicação congênere" (HC 233.594, Sexta Turma,
Rel. Min. Alderita Ramos de Oliveira, j.16/04/2013)

STJ: A publicação em diário oficial deflagra o prazo recursal, mas não tem interfere na
contagem do prazo prescricional (Info 521).

É preciso deixar claro que, diferentemente do que ocorre nos crimes da competência
do júri popular, a confirmação da sentença condenatória pelo tribunal não representa
nova interrupção da prescrição, ainda que o acórdão altere a pena imposta na decisão
monocrática. Tal não se confunde com a hipótese de a condenação surgir em segundo
grau, em face de recurso voluntário da acusação, caso em que a prescrição será
interrompida.

Sintetizando este entendimento, transcreve-se aresto do Superior Tribunal de Justiça:

"O acórdão confirmatório da condenação, ainda que modifique a pena fixada, não
interrompe o curso do prazo prescricional”. STJ - Sexta Turma - AgRg no REsp 901.292
- Rel. Min. Assusete Magalhães - DJe 01/03/2013.

O tema, todavia, não é pacífico. Parte dos doutrinadores, dentre os quais PAULO
Queiroz, entende que o acórdão interrompe a prescrição, ainda quando confirmatório.
Dissertando sobre a divergência doutrinária, explica GUILHERME DE Souza Nucci:

“Quanto ao acórdão que agrava a pena, como causa interruptiva da prescrição,


sempre houve três posições: a) serve para interromper a prescrição, uma vez que traz
novo patamar para a pena em concreto; b) não serve para interromper a prescrição,
tendo em vista não estar expressamente inserido no art. 117. É a melhor posição, a
despeito de a primeira buscar sanar uma lacuna que já deveria ter sido corrigida e ser
majoritária na jurisprudência; c) somente serve para interromper a prescrição se for
"não unânime”, portanto, sujeito a embargos infringentes. Esse ponto de divergência,
em nosso entendimento, permanece, pois o acórdão que confirma a condenação,
apenas elevando a pena, não é propriamente a decisão condenatória. Logo, não se
pode interpretar o conteúdo do art. 117, IV, do Código Penal, em prejuízo do réu.
Aliás, fosse para abranger qualquer acórdão, bastaria a inserção, como causa
interruptiva da prescrição, do "acórdão" , sem menção à sua essência (condenatória
recorrível, como foi feito)".

[TJCE]. O que se entende por prescrição antecipada/virtual? É admitida? Violaria


qual princípio?
Por prescrição antecipada entende-se o reconhecimento antecipado da prescrição em
razão da pena em perspectiva, ou seja, é a extinção da punibilidade em razão de uma
pena futura hipotética, onde seria reconhecida a prescrição. Tal prescrição não é
admitida no ordenamento jurídico, seja por ausência de previsão legal, seja em razão
do entendimento dos tribunais superiores, como se verifica do teor da súmula 438 do
STJ: é inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva

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com fundamento na pena hipotética, independentemente da existência ou sorte do


processo penal.

Conforme explicitado, a prescrição virtual não possui previsão no ordenamento


jurídico, o que tornaria a sua aplicação em uma clara afronta ao princípio da
legalidade.

[TJCE]. Caso o tribunal venha a anular uma sentença, atendendo a recurso


exclusivo da defesa, qual a pena base da prescrição?
Augusto Cezar

[TJCE]. O que é prescrição retroativa? É prescrição punitiva ou da execução?


A prescrição retroativa é a modalidade de prescrição que é calculada com base na
pena aplicada na sentença, com trânsito em julgado para a acusação, sendo contada
a partir da data do recebimento da denúncia até a data da sentença/acórdão
condenatórios.

[TJCE]. Reconhecida a prescrição, caso o réu volte a delinquir, pode ser considerado
reincidente?
A extinção da punibilidade é a perda do direito do Estado de punir o agente autor de
fato típico e ilícito, ou seja, é a perda do direito de impor sanção penal. Neste sentido,
uma vez que o estado não pode punir sequer a conduta objeto da extinção da
punibilidade, não poderá considerar o réu reincidente, uma vez que não há
condenação anterior.

Tal entendimento resta consolidado no STF, conforme se verifica de passagem do


HC 112.907, de relatoria da Min. Rosa Weber:

O reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva extirpa a condenação anterior,


ficando extintos todos os seus efeitos criminais, como se nunca tivesse o paciente
delinquido. Não gera, portanto, reincidência.

[TJCE]. É possível a prescrição entre o oferecimento e o recebimento da denúncia?


Uma vez que o primeiro ato judicial capaz de ocasionar a interrupção da
prescrição é o recebimento da denúncia, creio que é possível a prescrição entre
o oferecimento e o recebimento. Ex: prescrição de 10 anos e a denúncia foi
oferecida em 2004, ao ser recebida em 2015 haverá prescrição.

(Augusto Cezar: se alguém souber algo concreto, avisa).

[TJCE]. Causas de extinção de punibilidade tocante às ações privadas e públicas


condicionadas
Como regra, os institutos da renúncia ao direito de queixa e perdão aceito (CP, 107,
V) não são causas extintivas da punibilidade referente aos crimes de ação penal
pública condicionada à representação, mas tão somente em relação aos crimes cuja
persecução penal se dá mediante ação exclusivamente privada e ação privada
personalíssima (também não aplicável às ações penais privadas subsidiárias da
pública).

Sendo assim, apenas a decadência possui aplicação exclusiva às ações penais


privadas e pública condicionadas à representação. Dispõe o art. 38 do CPP que salvo
disposição em sentido contrário, o ofendido, ou seu representante legal, decairá do

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direito de queixa ou de representação, se não o exercer dentro do prazo de 06 (seis)


meses, contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do
art. 29 (ação privada subsidiária da pública), do dia em que se esgotar o prazo para
oferecimento da denúncia (05 dias preso ou 15 dias acusado solto).

[TJCE]. A remição é cabível na ação penal pública condicionada?


A remição (perdão) é ato bilateral e voluntário, pelo qual o querelante ou seu
representante legal desiste de prosseguir com o processo (já em andamento),
perdoando o seu ofensor, com a consequente extinção da punibilidade, caso o perdão
seja aceito. O exercício do perdão implica na aplicação do princípio da
Disponibilidade da ação penal. Sendo assim, resta claro a sua incompatibilidade com
a ação penal pública condicionada, já que quanto a essa, vigora o princípio da
indisponibilidade (CPP, 42).

[TJCE]. Na lei dos juizados há previsão de renúncia?


Renúncia é ato unilateral e voluntário do ofendido ou de seu representante legal, por
meio do qual abre mão do direito de queixa (CPP, 49). Sendo assim, em regra, não
cabe renúncia ao direito de representação (ação penal pública condicionada).
Entretanto, há expressa previsão legal a respeito da renúncia ao direito de
representação na hipótese de composição civil dos danos nos Juizados (Art. 74,
parágrafo único, da Lei 9.099/95).

Art. 74: A composição civil dos danos será reduzida a escrito e, homologada pelo juiz
mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado o juízo civil
competente.

Parágrafo único: Tratando-se de ação penal privada ou de ação penal pública


condicionada à representação, o acordo homologado acarreta a RENÚNCIA ao direito
de queixa ou representação.

[TJCE]. Em que momento se dá a renúncia ao direito de queixa? Renúncia Expressa


e Tática?
A renúncia somente se manifesta antes do exercício do direito de queixa (antes do
início do processo).

Há duas espécies de renúncia (CP, 104): i) expressa é aquela realizada por declaração
inequívoca do ofendido (CPP, 50); ii) tácita decorrente da prática de ato incompatível
com a vontade de processar (convite para ser padrinho de casamento).

[TJCE]. O recebimento de indenização implica em renúncia?


Em regra, não. Dispõe o art. 104, parágrafo único do CP que não implica (renúncia),
todavia, o fato de receber o ofendido a indenização do dano causado pelo crime.
Entretanto, vale destacar a previsão do art. 74 da Lei 9.099/95 prevendo que o acordo
homologado (composição civil dos danos) reduzido a termo e homologado pelo juiz
implica em renúncia ao direito de queixa ou representação.

[TJCE]. Diferença entre renúncia e perdão do ofendido? Se o perdão do ofendido é


oferecido a um dos querelados? E por um dos querelantes? O perdão pode ser
tácito? O perdão judicial qual a sua natureza? É cabível em qualquer crime?
A renúncia é ato unilateral e voluntário por meio do qual ofendido abre mão do seu
direito de queixa, portanto deve ser oferecido antes do exercício do direito de queixa
(antes do início do processo). Já o perdão é ato bilateral (depende de anuência do

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querelado), pelo qual o querelante ou seu representante legal desiste de prosseguir


com o processo já em andamento, perdoando o seu ofensor, com a consequente
extinção punibilidade caso o perdão seja aceito. O perdão pode ser concedido durante
o processo até a sentença condenatória transitada em julgado, pois a execução é
matéria de Estado que o querelante não pode dispor.

Por conta do princípio da indivisibilidade da ação penal privada, o perdão concedido


a um dos coautores estende-se aos demais, mas desde que haja aceitação. O perdão
oferecido por um dos querelantes não obriga os demais, já que se trata de
manifestação do princípio da disponibilidade e um querelante não pode dispor sobre
direito de outrem.

É possível o perdão tácito decorrente da prática de ato incompatível com a vontade


de prosseguir na ação. Igualmente, a aceitação do perdão também pode ser tácita
decorrente do silêncio do querelado pelo prazo de 03 (três) dias (CPP, 58) devendo,
por conseguinte, o juiz julgar extinta a punibilidade.

O perdão do ofendido não se confunde com o perdão judicial apesar de ambos serem
causas extintivas da punibilidade. Contudo, o perdão judicial é concedido pelo juiz
quando as consequências do crime atingirem o acusado de forma tão grave que a
sanção penal se torne desnecessária. Não é cabível em qualquer crime, uma vez que
se faz necessário expressa previsão legal para que o juiz possa aplicar o perdão
judicial.

31. Crimes contra a pessoa


[TJCE]. Crimes contra a vida. O que é homicídio privilegiado?
Trata-se de uma causa de diminuição de pena, e não de um tipo derivado. É
privilegiado pois prevê determinadas causas, TODAS ELAS SUBJETIVAS, as
quais, se presentes, reduzirão a pena de 1/6 a 1/3. São elas:

Motivo de relevante valor moral: o valor moral deve ser avaliado a partir do ponto
de vista interno do agente, dos motivos pessoais que o levaram a cometer o crime;

Motivo de relevante valor social: valor social é a motivação externa ao agente que o
leva a cometer o homicídio, tal como a morte de uma pessoa que tenha praticado
crime de grande apelo negativo na sociedade;

Sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima:


não se trata de injusta agressão, caso contrário haveria legítima defesa. Considera-se
injusta agressão, v.g., o adultério, xingamento ou traição. O agente deve ser súbita e
imediatamente tomado por uma emoção extremamente forte e a sua reação deve ser
imediata. Importante que a emoção seja tal que domine o agente, e não apenas
influencie no seu agir. Elimina o privilégio o passar do tempo, tendo o agente
condições de ponderar sobre sua atitude e sobre seus sentimentos.

Preenchidos os requisitos o privilegio é um direito subjetivo do réu.

[TJCE]. O que é relevante valor moral?


O valor moral deve ser avaliado a partir do ponto de vista interno do agente, dos
motivos pessoais que o levaram a cometer o crime. A jurisprudência exclui a

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existência da legítima defesa da honra como causa excludente de ilicitude; entretanto,


a ofensa à honra pode configurar o privilégio do motivo de relevante valor moral.

[TJCE]. É possível reconhecer na pronúncia o homicídio privilegiado?


Resposta retirada do voto proferido no REsp 896948 / CE.

A sentença de pronúncia, à luz do art. 408 do CPP, deve, sob pena de nulidade, cingir-
se, motivadamente, à materialidade e aos indícios de autoria, visto se tratar de mero
juízo de admissibilidade da acusação.

Cumpre observar ainda que, consoante preceitua o art. 416 do Código de Processo
Penal, a sentença de pronúncia "especificará todas as circunstâncias qualificativas do
crime e somente poderá ser alterada pela verificação superveniente de circunstância
que modifique a classificação do delito", razão pela qual o juiz não está autorizado,
nesse momento processual, a emitir juízo de valor acerca de circunstâncias do crime,
tais como agravantes e atenuantes.

Com relação à causa especial de diminuição da pena, há expressa vedação legal de


sua inclusão na decisão de pronúncia, nos termos do que prescreve o art. 7º do
Decreto-Lei 3.931/42 (Lei de Introdução ao Código de Processo Penal), litteris: "O
juiz da pronúncia, ao classificar o crime, consumado ou tentado, não poderá
reconhecer a existência de causa especial de diminuição da pena".

Confira-se, a propósito, a lição de Júlio Fabbrini Mirabete, in "Código de Processo


Penal Interpretado" – 11ª ed. São Paulo: Atlas, 2003, p. 1.092: A parte classificatória
da sentença deve enunciar apenas o dispositivo legal em que o réu é pronunciado,
incluindo as qualificadoras, mas não deve fazer outras referências às circunstâncias
do crime, tais como as causas de diminuição de pena, as agravantes, as atenuantes
etc., pois tais assuntos dizem respeito à fixação da pena, no âmbito do libelo e do
plenário, dentro da esfera de competência dos jurados. Por expressa disposição da
lei, não pode reconhecer causa especial de diminuição de pena (art. 7º da LICPP).

De igual modo leciona Guilherme de Souza Nucci, in "Código de Processo Penal


Comentado" – 6ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2007, p. 690-691: 27.
Circunstâncias componentes do tipo penal incriminador: devem ser declaradas, na
decisão de pronúncia, as elementares (tipo básico, que consta no caput do tipo penal
incriminador), as circunstâncias de aumento de pena específicas (constantes no tipo
derivado, ou seja, nos parágrafos do tipo incriminador), bem como as circunstâncias
qualificadoras (constantes no tipo derivado, vale dizer, nos parágrafos). Não se
incluem as circunstâncias genéricas de aumento ou diminuição da pena, isto é, as
previstas na Parte Geral, que servem para auxiliar o juiz a fixar a pena e não a definir
o tipo penal no qual está incurso o réu. Assim, evita-se na pronúncia a inclusão de
agravantes, atenuantes e menções ao concurso de crimes. Nessa linha: TJSP: "A
Pronúncia não pode fazer referência ao art. 69 do Código Penal, que implica critério
de fixação de penas, matéria desbordante dos limites deliberativos do Conselho de
Sentença" (RSE 285.914-3, Ribeirão Preto, 3ª C., rel. Luiz Pantaleão, 03.10.2000,
v.u., JUBI 55/01). Usa-se, no entanto, a tentativa, a omissão penalmente relevante ou
o concurso de pessoas, quando for o caso, porque se trata de tipicidade por extensão,
integrante do tipo fundamental. 28. Impossibilidade de inclusão de causas de
diminuição da pena: embora façam parte do tipo penal, como ocorre com o disposto
no art. 121, § 1º, do Código Penal (relevante valor social ou moral e violenta emoção,

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seguida de injusta provocação da vítima), há expressa vedação para a sua inclusão na


decisão de pronúncia. Preceitua o art. 7º da Lei de Introdução ao Código de Processo
Penal (Dec.-lei 3.931/41) que "o juiz da pronúncia, ao classificar o crime, consumado
ou tentado, não poderá reconhecer a existência de causa especial de diminuição da
pena".

[TJCE]. É possível falar em homicídio qualificado-privilegiado?


Trata-se da possibilidade de se combinar a causa de diminuição de pena do privilégio
com o tipo qualificado do homicídio previsto no § 2º. É plenamente possível, desde
que a qualificadora seja de cunho objetivo (quanto aos meios e modos de execução).
Para a aplicação da pena nessa hipótese, a pena-base deverá ser calculada sob o
intervalo previsto para o homicídio qualificado, aplicando-se a causa de diminuição
apenas na terceira fase da dosimetria penal.

Não se trata de crime hediondo, já que a Lei nº 8.072/90 não o previu. Lembrar que,
no Brasil, se adotou o critério formal para a taxação de determinada conduta
tipificada como hedionda.

Em relação ao Júri, o juiz-presidente não deve fazer qualquer menção ao privilégio


na fase de pronúncia.

EMENTA: HABEAS CORPUS. TRIBUNAL DO JÚRI. ALEGAÇÃO DE NULIDADE.


INCOMPATIBILIDADE ENTRE A CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA E O
PRIVILÉGIO. INEXISTÊNCIA DO INTERVALO TEMPORAL NECESSÁRIO PARA A
CONFIGURAÇÃO DA QUALIFICADORA. AUSÊNCIA DE QUESITO REFERENTE À
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA. TENTATIVA DE HOMICÍDIO. 1. A jurisprudência do
STF admite a possibilidade de homicídio privilegiado-qualificado, desde que não haja
incompatibilidade entre as circunstâncias do caso. O recurso utilizado para atingir a
vítima "é realidade objetiva, pertinente à mecânica do agir do infrator" (HC 77.347, HC
69.524, HC 61.074). Daí a INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO NO
RECONHECIMENTO DA QUALIFICADORA, CUJO CARÁTER É OBJETIVO (MODO
DE EXECUÇÃO DO CRIME), E DO PRIVILÉGIO, AFINAL RECONHECIDO
(SEMPRE DE NATUREZA SUBJETIVA). 2. Na tentativa de homicídio, respondido
afirmativamente que o agente só não consumou o delito por circunstâncias alheias à sua
vontade, não há lógica em se questionar de desistência voluntária, que somente se
configura quando o agente "voluntariamente desiste de prosseguir na execução" (art. 15
do Código Penal). Habeas corpus indeferido. (STF, HC 89921, Relator(a): Min.
CARLOS BRITTO, Primeira Turma, julgado em 12/12/2006, DJe-004 DIVULG 26-04-
2007 PUBLIC 27-04-2007 DJ 27-04-2007 PP-00068 EMENT VOL-02273-02 PP-00411)

[TJCE]. O que são qualificadoras objetivas?


Dizem respeito ao meio de execução, como o instrumento de que se serve o agente
para a prática da ação delituosa, e modo de execução, sendo a forma da conduta,
como ele desenvolve a empreitada criminosa.

Com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou
cruel, ou que possa representar perigo comum: trata-se de qualificadora que prevê
meios de execução diferenciados e agravadores.

Emprego de veneno: venefício. Deve ser inoculado na vítima sem que ela o perceba.
Se ela perceber ou se o veneno for inoculado forçadamente, ocorre o meio cruel.
Poderá ser considerada venenosa a substância inofensiva ao homem comum, mas que

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não o seja para a vítima, desde que o agente o saiba (por exemplo, dar açúcar
conscientemente ao diabético para que esse morra).

Se o meio for absolutamente ineficaz (tentativa inidônea ou crime impossível), o


agente não responde por crime algum. Se for relativamente ineficaz, responde por
tentativa de homicídio qualificado. Como saber ser o meio é absoluta ou
relativamente ineficaz? Com o alcance do resultado. Se alcançou o resultado morte,
é eficaz. Se não alcançou, mas colocou a pessoa em um estado grave, em coma, por
exemplo, é relativamente. Se nada causou à vítima e nem potencialmente poderia, é
absolutamente.

Emprego de fogo: se, além de causar a morte da vítima, o fogo ou explosivo danificar
bem alheio, o agente só responderá por homicídio qualificado, desde que o dano não
advenha de desígnio autônomo.

Asfixia: trata-se da causação da morte por impedimento da função respiratória.

Emprego de tortura ou qualquer meio insidioso ou cruel: meio cruel é o que causa
sofrimento desnecessário à vítima ou o que revela uma brutalidade incomum. É o
sadismo do agente. Não se configurará se a vítima já estiver morta quando do
emprego, pois deve ser o meio causador do óbito. Também tem-se caso aqui de
interpretação analógica.

Tortura não se confunde com o crime de tortura com resultado morte. A diferença
está no elemento subjetivo. No homicídio qualificado, o agente quer a morte da
vítima e se utiliza do meio cruel para alcançá-la. No crime de tortura com resultado
morte, esta é culposa (preterdolosa).

À traição, de emboscada ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou


torne impossível a defesa do ofendido: trata-se de qualificadora quanto ao modo de
execução. Nela, o agente esconde a sua ação e intenção de matar, agindo de forma
inesperada, surpreendendo a vítima que estava descuidada ou confiava no agente,
dificultando ou impedindo sua defesa.r

A qualificadora será afastada sempre que o agente não lograr esconder o seu
propósito criminoso.

Traição: ocorre quando a vítima deposita confiança no agente. A corrente majoritária


diz que a traição se configura quando há a quebra de fidelidade e lealdade entre a
vítima e o agente.

Emboscada ou tocaia: aguardar escondido a passagem da vítima por um determinado


local para matá-la. Não basta, v.g., que a pessoa aguarde a passagem da vítima por
um beco, expondo sua presença a ela. O agente tem de estar escondido.

Dissimulação: é a ocultação da intenção hostil, para acometer a vítima de surpresa.


Poder ser material¸ quando o agente usa de disfarce, fantasia ou métodos análogos
para se aproximar da vítima; moral, quando a pessoa usa da palavra, dá falsas provas
de amizade ou de apreço.

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Qualquer outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da vítima: trata-se
de qualificadora genérica, como matar a pessoa que está dormindo. Também lança o
Código Penal, aqui, mão da interpretação analógica.

Para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:


trata-se de qualificadora conexa a outro crime, sempre tendo este como pressuposto
ou consequente. Pode ser:

Teleológica: quando a morte visa a assegurar a execução de outro crime (logo, o


outro crime ainda não foi praticado). Haverá concurso material entre o homicídio
qualificado e o outro delito.

Consequencial: neste caso, o homicídio é praticado após a ocorrência de um crime,


mas com ele conexo. Ocorrerá o crime subsequente para que se evite que alguém
conheça o autor de um crime, para que se evite a descoberta de um crime ou para que
se garanta a fruição do produto do outro crime.

Ambos são casos de concurso material com o outro crime, já que são delitos
autônomos. Se o agente visa à garantia da execução, a ocultação, a impunidade ou
vantagem de uma contravenção, será aplicada a qualificadora do motivo fútil.

Além disso, é irrelevante à qualificação do homicídio que o crime-fim tenha sido


consumado ou tentado. Se tiver sido tentado, obviamente que incidirá a diminuição
referente à tentativa.

Nos crimes conexos, a extinção da punibilidade de um deles não impede, quanto aos
outros, a agravação da pena decorrente da conexão.

[TJCE]. Se reconhecidas duas causas de aumento de pena, isso interfere no cálculo


da pena?
Existindo duas causas de aumento de pena, pode uma delas ser utilizada na primeira
fase da dosimetria e a segunda na terceira fase, não havendo que se falar em bis in
idem.

[TJCE]. O que é motivo torpe?


Torpeza significa motivo vil, ignóbil, abjeto, repugnante. Exemplo: crime praticado
mediante paga ou promessa de recompensa. É o chamado homicídio mercenário. O
legislador deu exemplo de torpeza seguido de uma fórmula genérica – trata-se de um
caso de interpretação analógica.

[TJCE]. A vingança é motivo torpe?


Ciúme é motivo torpe? O ciúme por si só não é torpe, é necessário averiguar o que
gerou o ciúme. O mesmo se aplica para a vingança.

[TJCE]. O que é motivo fútil?


Motivo fútil é o motivo insignificante, de pequena importância. É a pequeneza do
motivo, real desproporção entre o delito e sua causa moral.

A existência de uma discussão “forte” precedente ao crime, ainda que tenha se


originado de motivo de pequena importância, afasta o motivo fútil. Seria motivo fútil,
v.g., alguém matar outrem por ser chamado de flamenguista (apesar de que eu
considero isso uma afronta gravíssima).

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Motivo fútil não se confunde com motivo injusto. O motivo injusto é elemento
integrante de todo e qualquer crime.

[TJCE]. Ausência de motivo é motivo fútil?


→1ª Corrente: a ausência de motivo equipara-se ao pretexto fútil, pois seria um
contrassenso conceber que o legislador punisse com pena mais grave aquele que mata
por futilidade, permitindo que o que age sem qualquer motivo receba sanção mais
branda (jurisprudência).

→2ª Corrente: a equiparação da ausência de motivo ao pretexto fútil ofende o


princípio da legalidade (Bittencourt). – Deve ser adotado em concursos da Defensoria
Pública.

[TJCE]. Ciúmes configura motivo fútil?


HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. CIÚMES E VINGANÇA. MOTIVO
TORPE. CARACTERIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DO CONSELHO DE SENTENÇA.
EMPREGO DE RECURSO QUE DIFICULTOU A DEFESA DO OFENDIDO.
EXISTÊNCIA DE ANIMOSIDADE PRÉVIA ENTRE O PACIENTE E A VÍTIMA.
EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. ORDEM DENEGADA. 1. É da competência do
conselho de sentença decidir se o paciente praticou o ilícito motivado por ciúme ou
vingança, bem como se tais sentimentos, na análise do caso concreto, constituem o
motivo torpe que qualifica o crime de homicídio. 2. O fato de existir prévia animosidade
entre o paciente e a vítima não exclui, por si só, a qualificadora do emprego de recurso
que dificultou a defesa do ofendido, tendo em vista que esta deve ser analisada de acordo
com os fatos narrados na denúncia, com o apoio do conjunto fático-probatório produzido
no âmbito do devido processo legal. 3. Ordem denegada. (STJ, HC 104.097/RS, Rel.
Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 13/08/2009, DJe 13/10/2009)

[TJCE]. No que se refere à lesão, o que é INTEGRIDADE CORPORAL? Qual é o


alcance disso?
O artigo 129 do CP, que define o crime de lesão corporal, tem como bem jurídico
protegido a integridade corporal ou a saúde de outrem. A integridade corporal é
expressão genérica que abrange o corpo humano e a sua funcionalidade normal, quer
do ponto de vista anatômico, quer do ponto de vista fisiológico ou mental. Assim,
caso a vítima sofra algum dano em seu corpo, alterando-se interna ou externamente,
ou qualquer modificação prejudicial à sua saúde, transfigurando-se qualquer função
orgânica ou causando-lhe abalos psíquicos comprometedores, considera-se ofendida
a sua integridade corporal, estando consumado o delito de lesão corporal. Deve haver,
portanto, alguma alteração física no corpo da pessoa, interna ou externa (ponto de
vista anatômico), alteração orgânica (ponto de vista fisiológico) ou alteração mental.
Tudo isso faz parte do conceito genérico e abrangente do bem jurídico tutelado
“integridade corporal”.

[TJCE]. A dor é requisito do crime de lesão corporal?


Não. A dor não é requisito para a configuração do crime de lesão corporal. Não é
preciso que a vítima sinta dor para que o delito se consuma. Em regra, a lesão produz
dor; porém, esta não figura como elementar do tipo, sendo dispensável.

[TJCE]. A autolesão é punível?


Não. Majoritariamente se entende que a autolesão não é punível, sendo um
irrelevante penal.

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Destaca Cezar Roberto Bitencourt, contudo, que se um inimputável, menor, ébrio ou


por qualquer razão incapaz de entender ou de querer, por determinação de outrem,
praticar em si mesmo uma lesão, quem o conduziu à autolesão responderá pelo crime,
na condição de autor mediato. Algo semelhante ocorre quando alguém, agredido por
outrem, para defender-se, acaba se ferindo. A causa do ferimento foi a ação do
agressor; logo, deverá responder pelo resultado lesivo. Convém atentar, ademais, que
o ato d vítima ferir-se ao defender-se do ataque constitui uma causa superveniente
relativamente independente, mas que não produziu, por si só, o resultado. Com efeito,
afastando-se a causa anterior, isto é, a agressão, a autolesão também desapareceria;
logo, esse fato anterior é causa e, portanto, o agressor deve responder pela lesão
(Trecho extraído do Livro Manual de Direito Penal de Rogério Sanches Cunha,
2014).

[TJCE]. Quais as hipóteses de lesão corporal grave?


Estão descritas no artigo 129, §1º, do CP.

Lesão corporal de natureza grave

§ 1º Se resulta: I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; II


- perigo de vida; III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; IV -
aceleração de parto: Pena - reclusão, de um a cinco anos.

As lesões corporais previstas no §2º são gravíssimas, recebendo, portando, uma


maior sanção penal, se comparadas às lesões corporais de natureza grave.

§ 2° Se resulta: I - Incapacidade permanente para o trabalho; II - enfermidade incurável;


III - perda ou inutilização do membro, sentido ou função; IV - deformidade permanente;
V - aborto: Pena - reclusão, de dois a oito anos.

As lesões graves são qualificadas pelo resultado, podendo o evento ser querido ou
aceito pelo agente do crime (dolo direto ou eventual) ou ser culposamente provocado
(culpa), hipótese em que se configura o delito preterdoloso. Porém, um dos resultados
agravadores é punido somente a título de preterdolo, pois, se doloso, outro será o
crime praticado (é o que ocorre com o resultado PERIGO DE VIDA).

Explicando cada um dos resultados configuradores da lesão corporal grave, tem-se


que:

A) Incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias – Entende-se por


ocupação habitual qualquer atividade corporal costumeira, tradicional, não
necessariamente ligada ao trabalho ou ocupação lucrativa, podendo ser econômica,
intelectual, esportiva. A lesão será auferida por laudo medico complementar, a ser
realizado logo após o 30º dia, contado da data do crime. Não havendo possibilidade
de realização de perícia médica, a prova pode ser suprida por outros meios, tal como
a prova testemunhal.

B) Perigo de vida – O perigo deve ser real, presente, concreto, consistente na


probabilidade séria, concreta e imediata do êxito letal. A região da lesão não justifica,
por si só, a presunção do perigo. Essa qualificadora só admite o preterdolo. Se o
ofensor considerou, por um momento apenas, a possibilidade de matar a vítima,
configura-se o crime de homicídio tentado.

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C) Debilidade permanente de membro, sentido ou função – Se do crime resulta


diminuição (redução) ou enfraquecimento da capacidade funcional de membro,
sentido ou função cuja recuperação seja incerta e por tempo indeterminado (não
significa perpetuidade), a lesão será de natureza grave, não importando que o
enfraquecimento possa se atenuar ou se reduzir com aparelhos de próteses.

D) Aceleração de parto – Nesse caso, o feto é expulso, COM VIDA, antes do tempo
normal. Se o feto é expulso sem vida, ou mesmo se com vida logo vem a morrer em
razão das lesões corporais, o crime será de natureza gravíssima. O abortamento deve
ser sempre praticado a título de culpa, havendo nesse caso um crime preterdoloso
(dolo na lesão corporal e culpa no aborto). Se o neonato falecer posteriormente ao
parto, mas em decorrência das lesões sofridas por sua genitora, o agente responderá
por homicídio culposo e lesão grave. Se o agente desde sempre quis a morte do feto,
provocando sua morte, responde por lesão corporal e pelo crime de aborto. Para que
se configure a qualificadora em tela, é indispensável que o agente saiba ou pudesse
saber estar a mulher grávida. Caso não tenha ciência da condição da ofendida,
responde pelo crime de lesão corporal leve.

Todas as qualificadoras que configuram lesão corporal de natureza grave são de


natureza objetiva.

[TJCE]. O que é deformidade? O que é função? O que é sentido?


A deformidade é qualificadora que se consubstancia em lesão corporal de natureza
gravíssima, desde que ela seja permanente. A deformidade permanente consiste no
dano estético, aparente, considerável, irreparável pela própria força da natureza e
capaz de provocar impressão vexatória (desconforto para quem olha e humilhação
para a vítima). A idade, o sexo e a condição social da vítima devem ser tomados em
consideração no apreciar a deformidade. Não se pode exigir que a vítima se submeta
à cirurgia para encobrir os ferimentos. Contudo, optando pela cirurgia para correção
da deformidade, e sendo esta um sucesso, fica afastada a circunstância qualificadora.
A lei penal brasileira considera a existência da qualificadora não apenas nos casos de
lesão no rosto, abrangendo todo o corpo, mesmo que atingindo região visível somente
em momentos de maior intimidade.

Sentido é a faculdade de experimentar certa classe de sensações e de perceber as


coisas externas e o meio pelo qual essa faculdade se exercita (visão, audição, tato,
paladar e olfato). A função consiste na atividade própria ou natural de um órgão
(função respiratória, circulatória, digestiva, sexual, etc).

[TJCE]. O que é lesão corporal privilegiada?


É aquela prevista no artigo 129, §4º, do CP. É causa de diminuição de pena, devendo
ser aplicada, se presente no caso concreto, na terceira fase da dosimetria da pena.
Artigo 129, §4°. Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor
social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta
provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço.

Motivo de relevante valor social diz respeito aos interesses de toda uma coletividade,
sendo, portanto, nobre e altruístico. Exp: Lesionar um traidor da pátria. O relevante
valor moral, por sua vez, liga-se aos interesses individuais, particulares do agente,
entre eles o sentimento de piedade, compaixão, misericórdia.

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Por fim, sabe-se que a responsabilidade penal não fica afastada pela emoção ou
paixão. Entretanto, em caso de lesão corporal praticada sob o domínio de violenta
emoção, em que o agente, logo em seguida a injusta provocação da vítima, reage, sob
choque emocional intenso, capaz de anular sua capacidade de autocontrole durante o
cometimento do crime, pode haver a incidência da minorante prevista no §4º do
artigo 129 do CP.

[TJCE]. A ação penal no crime de lesão corporal é de qual natureza? E na lesão


culposa, a ação penal é de que natureza?
Em regra, a ação penal no crime de lesão corporal é pública incondicionada. Porém,
no caso de lesão corporal dolosa de natureza leve ou de lesão corporal culposa, a ação
penal será pública condicionada à representação da vítima ou do seu representante
legal (artigo 88 da Lei 9099/95).

Se a lesão for praticada no âmbito da violência doméstica e familiar e a vítima for


HOMEM, a ação penal será pública condicionada à representação do ofendido, desde
que ela (a lesão) seja leve ou culposa. Se a lesão praticada for de natureza grave,
gravíssima ou seguida de morte, a ação penal será pública incondicionada.

Tratando-se de vítima mulher, se a lesão for de natureza grave, gravíssima ou seguida


de morte, a ação penal será pública incondicionada. HAVENDO SOMENTE
LESÕES LEVES OU CULPOSAS, a doutrina diverge acerca da natureza da ação
penal.

Sabe-se que no caso de lesão corporal dolosa de natureza leve ou lesão corporal
culposa, como dito acima, a ação deixou de ser pública incondicionada e passou a ser
pública condicionada à representação da vítima ou de seu representante legal, em
face do artigo 88 da Lei 9099/95. Entretanto, a Lei Maria da Penha (Lei 11340/06),
proíbe, aos crimes contra a mulher, praticados no ambiente doméstico e familiar, a
aplicação dos dispositivos da Lei 9099/95. Diante da diferença de tratamento, uma
primeira corrente vai sustentar que, ainda que a vítima da lesão corporal leve ou
culposa praticada no ambiente doméstico e familiar seja mulher, a ação penal será
pública condicionada. Defende essa corrente que, em casos de violência doméstica e
familiar, deve se aguardar a consciente manifestação de vontade da vítima, pois, na
maioria das vezes, se percebe rápida conciliação entre os envolvidos. Uma segunda
corrente, majoritária, e hoje completamente pacificada na jurisprudência dos
Tribunais Superiores, sustenta que, após o advento da Lei Maria da Penha, a lesão
corporal, praticada contra a mulher, no ambiente doméstico e familiar, ainda que leve
ou culposa, deve ser perseguida mediante AÇÃO PENAL PÚBLICA
INCONDICIONADA.

Importante mencionar que o STF, em sede de controle concentrado de


constitucionalidade (ADI 4424), pacificou a questão, reconhecendo que o artigo 41
da Lei 11340/06 (que proíbe a aplicação da Lei 9099 aos crimes praticados pela
mulher no ambiente doméstico e familiar) não viola a Carta Magna. Decidiu o STF,
na mesma ADI, que a ação penal nos crimes de lesão corporal dolosa (mesmo que de
natureza leve) e de lesão corporal culposa cometidos contra a mulher no ambiente
doméstico e familiar é pública incondicionada, dispensando, assim, a representação
da vítima ou do seu representante legal.

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[TJCE]. Crimes contra a honra: qual a diferença entre eles? Qual deles exige que a
imputação seja de fato certo? A relação que exclui o dolo nos crimes contra a honra?
Qualquer palavra ofensiva é danosa à honra? É imprescindível que chegue ao
conhecimento de terceiros? Quais admitem exceção da verdade? É possível
retratação? Qual a natureza da ação penal nesses crimes?
O CP aparece como Norma Geral no que diz respeito aos Crimes Contra a Honra,
havendo Leis Especiais que dizem respeito a tais crimes, senão vejamos: Lei nº
7.173/83: Lei de Segurança Nacional que traz Crimes Contra a Honra com Motivação
Política; Lei nº 4.735/65: Código Eleitoral: Aqui é necessário mencionar que, os
crimes contra a honra (Calúnia; Difamação e Injúria) no CE são de Ação Penal
Pública Incondicionada e terão lugar quando houver motivação eleitoral; Decreto-
Lei nº 1.001/69: Código Penal Militar (se houver interesse militar).

OBS: Como a Lei de Imprensa foi considerada Não Recepcionada pelo STF, os
Crimes Contra a Honra (Calúnia, Injúria e Difamação), por meio da Imprensa, caem
no disciplinamento da Regra Geral do CP.

Os crimes contra a honra são calúnia (art. 138, CP), difamação (art. 139, CP) e
injúria (art. 140, CP). Na calúnia, tem-se a imputação de fato determinado previsto
como crime, sabidamente falso – protege-se a honra objetiva; na difamação, tem-se
a imputação de fato determinado desonroso (não criminoso), não importando se
verdadeiro ou falso – também se protege a honra objetiva; já a injúria é a atribuição
de qualidade negativa à vítima – protege-se a honra subjetiva.

Vale dizer, na calúnia e na difamação há a imputação de um fato concreto, que na


primeira (calúnia) deve ser falso e definido como crime, requisitos não exigidos na
segunda (difamação); na injúria, a acusação é genérica, encerrando, em tese, um
vício, um defeito ou uma qualidade negativa da vítima, menoscabando-a. Na calúnia
e na difamação, a frase desonrosa deve chegar ao conhecimento de terceiro; já na
injúria, dispensa-se o conhecimento por terceiros.

ATENÇÃO: Quando se imputa determinado fato previsto como crime, sabidamente


verdadeiro, o fato é atípico.

Prevalece na doutrina que, nos crimes contra a honra, além do dolo, os tipos penais
exigem o elemento subjetivo especial do tipo (também chamado pelos doutrinadores
clássicos de dolo específico), consistente no firme propósito de ofender (animus
caluniandi; animus diffamandi; e animus injuriandi).

Desse modo, não configura o delito quando o agente possui apenas animus narrandi
(intenção de narrar o fato), criticandi (intenção de criticar de forma justa), defendendi
(intenção de defender-se), corrigendi (intenção de corrigir, como ocorre na educação
dada aos filhos pelos pais) ou jocandi (intenção de gracejar).

OBS.: Por outro lado, se o agente está convencido da veracidade da imputação, não
responde pelo crime de calúnia, havendo, no caso, erro de tipo essencial. Portanto,
trata-se de fato atípico.

A palavra ofensiva será danosa à honra quando ofender a dignidade da vítima


(sentimento atinente a valores morais) ou seu decoro (sentimento de respeitabilidade

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social). Deve-se registrar que, por ser a honra um bem jurídico disponível, eventual
consentimento do ofendido excluirá o crime.

No ponto, importante destacar a diferença entre injúria absoluta e injúria relativa.


Aquela se dá quando a expressão tem, por si mesma e para qualquer um, significado
ofensivo à dignidade ou ao decoro de alguém, de modo constante e unívoco,
independentemente do lugar, do modo de execução e da pessoa da vítima. Já na
injúria relativa, tem-se que a expressão somente é tomada como ofensiva à dignidade
e ao decoro se se proferida em determinadas circunstâncias ou condições de forma,
tom, modo, lugar, tempo, pessoa etc.

Admite-se a exceção da verdade na calúnia e na difamação, não sendo ela possível


na injúria.

Na calúnia, a regra é admitir a prova da verdade e a consequência é a atipicidade da


conduta, porque a falsidade é elementar do crime. Excepcionalmente, não se admite
a exceção da verdade na calúnia quando: se, constituindo o fato imputado crime de
ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível; se o fato é
imputado à pessoa do Presidente da República ou Chefe de Governo Estrangeiro; ou
se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença
irrecorrível (art. 138, § 3º, CP).

Já na difamação, é o contrário: a regra é não admitir; excepcionalmente se admite. A


consequência aqui não é atipicidade, porque a falsidade não integra o tipo, sendo
causa especial de exclusão da ilicitude, pelo exercício regular de direito. Na
difamação, admite-se a exceção da verdade em um caso: se o ofendido é funcionário
público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções (ofensa propter officium).

Nos termos do art. 143 do CP, o querelado que, antes da sentença, se retrata
cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento de pena. Assim, a retratação
somente é possível nos crimes de calúnia e difamação, já que somente nesses há a
imputação de fatos. Na injúria, é incabível, pois eventual reconsideração poderia
acarretar danos ainda maiores à honra subjetiva do ofendido.

A retratação é causa de extinção de punibilidade (art. 107, VI, do CP) e para ser
aplicada deve ser cabal, ou seja, completa e inequívoca.

Conforme art. 145 do CP, nos crimes contra a honra a regra é a ação penal de
iniciativa privada (Queixa Crime). Exceções:

1ª) Injúria Real + Violência + Lesão (Ação Penal Pública Incondicionada).

Cuidado: Injúria Real + Vias de Fato continua a ser processada por Ação Penal de
Iniciativa Privada, já que o artigo fala apenas em “lesão corporal”.

2ª) Crime Contra a Honra do Presidente da República ou Chefe de Governo


Estrangeiro (Ação Penal Pública Condicionada à Requisição do Ministro da Justiça).

3ª) Injúria Qualificada pelo Preconceito (Ação Penal Pública Condicionada à


Representação da Vítima).

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4ª) Crime Contra a Honra de Funcionário Público, Relacionado ao Exercício da


Função (Ação Penal Pública Condicionada à Representação da Vítima).

Atenção com a Súmula 714/STF: “É concorrente a legitimidade do ofendido,


mediante queixa, e do Ministério Público, condicionada à representação do ofendido,
para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício
de suas funções.” Esta súmula garante ao funcionário público o direito de opção. De
acordo com o STF, se o servidor optar pela representação ao MP, fica-lhe preclusa a
ação penal privada.

32. Crimes contra o patrimônio


[TJCE]. Quais os requisitos para o furto privilegiado? Ao agente primário com
maus antecedentes reconhecidos se aplica o privilégio?
Na esteira do art. 155, § 2º do CP, para a aplicação do furto privilegiado é necessário
que o agente seja primário e de pequeno valor a coisa furtada. Há uma corrente
doutrinária e jurisprudencial que reclama, além da primariedade, a não ostentação de
maus antecedentes pelo agente, porém trata-se de posição minoritária, uma vez que
o dispositivo legal não faz essa exigência, devendo-se respeitar a legalidade.

[TJCE]. Furto privilegiado afasta a incidência do princípio da insignificância?


Há que se fazer uma distinção entre coisa de valor ínfimo ou insignificante e coisa
de pequeno valor. Verificando-se a primeira como objeto do furto, tem lugar a
aplicação do princípio da insignificância, excluindo a tipicidade material da conduta;
em caso de crime patrimonial envolvendo a segunda, não há que se falar em aplicação
do princípio da insignificância, mas em mera incidência da figura privilegiada do
furto.

[TJCE]. Cabe o furto privilegiado nas figuras qualificadas?


Sim. Tanto o STF como o STJ assim entendem. Este último tribunal inclusive
sumulou o entendimento na sua súmula de n. 511: “É possível o reconhecimento do
privilégio previsto no § 2º do art. 155 do CP nos casos de crime de furto qualificado,
se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a
qualificadora for de ordem objetiva. “

[TJCE]. O que é o furto noturno?


É causa de aumento de pena do crime do furto simples ou qualificado relativa ao
cometimento do delito patrimonial no intervalo que medeia dois períodos: aquele em
que as pessoas se recolhem, e, posteriormente, o outro no qual despertam para a vida
cotidiana.

[TJCE]. O que se deve entender por noite?


Noite, para fins de incidência da majorante em debate, é o intervalo que medeia dois
períodos: aquele em que as pessoas se recolhem, e, posteriormente, o outro no qual
despertam para a vida cotidiana.

[TJCE]. Qual o objeto material do delito de furto? Bem imóvel?


R- A objetividade jurídica do crime de furto é o “patrimônio”, no entanto prevalece
que a vítima pode ser o proprietário, o possuidor ou detentor.

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O objeto material do delito é a coisa alheia móvel. Prevalece que deve ser dotada de
valor econômico, excluindo-se a de valor meramente sentimental.

Entende-se por coisa móvel aquela que pode ser deslocada. Assim, ainda que para o
Direito Civil alguns bens passíveis de deslocamento sejam considerados imóveis,
para o direito penal são considerados bens móveis pelo princípio da especialidade,
sendo objeto de furto. Ex: Navio, aeronave, objetos temporariamente separados da
construção para emprego posterior.

[TJCE]. Energia é objeto? Subtração de sinal de TV? Furto sêmen?


R- Para o CP, a energia dotada de valor econômico é equiparada à coisa móvel,
embora não seja coisa corpórea (art. 155, § 3º, CPP). Ex: Energia elétrica, a
radioatividade, térmica, energia genética de reprodutor (sêmem), etc. Assim, furto de
sêmem é fato típico (energia genética).

De acordo com o STF (HC 97261), o sinal de TV a cabo não é energia, concluindo
pela atipicidade da conduta de ligação clandestina de sinal de TV a cabo. Ressaltou-
se não ser admitido em direito penal a analogia “in malam partem”.

[TJCE]. Como se dá a consumação de crimes de furto? O rompimento do obstáculo


para subtração de coisa tem repercussão?
R- Sobre a consumação, 4 correntes: a) “Contrectatio”, o crime se consuma com o
simples contato do agente com a coisa alheia, dispensando deslocamento; b)
“Amotio”, a consumação do delito se dá no momento da inversão da posse da coisa,
sendo irrelevante o deslocamento ou posse mansa e pacífica. Prevalece - STJ e STF;
c) “Ablatio”, o crime se consuma quando o agente, depois de apoderar-se da coisa,
consegue deslocá-la para outro lugar; d) “Ilatio”, a coisa deve ser deslocada para o
lugar desejado pelo agente a fim de mantê-la a salvo.

O rompimento do obstáculo para subtração da coisa é circunstância qualificadora,


agravando a pena em abstrato (art. 155, § 4º, CP).

[TJCE]. Tentativa de furto qualificado pela destreza é possível? Em qualquer


hipótese?
R- Depende. O furto é crime material, exigindo para consumação resultado
naturalístico. Por isso, é possível a tentativa, como regra. Entende-se por destreza
uma habilidade física ou manual com a qual o agente subtrai o bem sem que a vítima
o perceba. Ex: batedor de carteira ou punguista.

A jurisprudência condiciona a presença da qualificadora à vítima trazer o bem junto


ao corpo, pressuposto lógico para avaliar a habilidade do punguista.

Para os adeptos da teoria da “amotio”, não é possível a tentativa no furto qualificado


por destreza, uma vez que só podem acontecer duas situações: a) quando o agente se
apodera da coisa, resta consumado o crime qualificado, independente de conseguir
se evadir ou não do local, por ato da vítima ou terceiro; b) caso não consiga a posse
momentânea da coisa, conclui-se logicamente que não o fez por falta de habilidade,
afastando a qualificadora, configurando tentativa de furto “simples”. Assim, ou a) o
crime se consuma na forma qualificada; ou b) ocorrerá tentativa de furto “simples”.

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Para a corrente da “ablatio” é possível a tentativa de furto qualificado pela destreza,


devendo ser a qualificadora analisada sob a ótica da vítima: a) se a vítima pressente
a ação do agente e impede que este empreenda a fuga com a coisa, o crime não se
consuma, ocorrendo tentativa de furto “simples”, uma vez que a percepção da vítima
decorre da inabilidade do agente, afastando a qualificadora; b) Se após o
apoderamento da coisa pelo agente, quem impede o deslocamento é um terceiro, resta
configurada a tentativa de furto qualificado pela “destreza”, posto que a vítima não
percebera a ação em face da habilidade do larápio.

[TJCE]. Qual a diferença entre furto qualificado pela fraude e estelionato?


No furto mediante fraude, o agente emprega fraude para que ele tenha facilidade na
subtração, sendo que a vontade de alterar a posse é unilateral. No estelionato, o agente
emprega a fraude para fazer com que a vítima lhe entregue espontaneamente o bem,
sendo que a vontade alterar a posse é bilateral.

[TJCE]. O que é o abuso de confiança que qualifica o crime? Mera relação de


emprego?
R: Abuso de confiança: [1] é captada propositalmente para facilitar ou [2] existia
anteriormente. Ex. parentesco, amizade ou relação de emprego, desde que a
confiança facilite a subtração (exceção: contratado para proteger patrimônio
responde sempre pela qualificadora. Ex. segurança, vigia). Há 2 requisitos para se
configurar [1] há especial confiança entre agente e vítima (por isso que não é sempre
que o empregado furta - ato chamado de famulato - que incidirá. Ex. empregado de
multinacional [deve gozar de especial confiança]) + [2] furto praticado com o agente
se valendo de facilidade causada pela relação de confiança (ex. ter chave da casa, ser
visita na casa).

No caso de abuso de confiança, presume-se que haja, antes do crime, uma relação de
confiança entre o agente e a vítima.

O simples fato de haver vínculo empregatício entre agente e vítima não gera o abuso
de confiança. O abuso de confiança estará caracterizado quando a função exercida
pelo empregado, por sua natureza, pressupõe ser necessária a existência de confiança
nele depositada (ex: chefe do estoque de uma loja).Se o agente estabeleceu uma
relação de confiança com a vítima com a finalidade de se aproveitar dessa relação e
praticar o furto, não haverá abuso de confiança, e sim fraude.

[TJCE]. Há receptação quando alguém adquire produto de subtração praticado por


menor?
1ª corrente: a lei se refere somente a crime, sendo a receptação de ato infracional
fato atípico (Fragoso).

2ª corrente: a lei se refere a fato previsto como crime. O ato infracional não deixa
de ser um fato previsto como crime praticado por menor infrator. A receptação de
ato infracional é crime (Noronha).

[TJCE]. O que é receptação qualificada? Pode ser clandestino o comércio? Porque


esse tipo abriu a questão da constitucionalidade?
R: Segue trecho de um acórdão do TJ-SP sobre a matéria: “Consoante entendimento
majoritário desta C. Câmara, a conduta em tela, classificada erroneamente pelo
legislador como receptação qualificada, configura, na verdade, crime autônomo de

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receptação. Os conceitos “saber” e “deve saber” evidentemente não se sobrepõem,


pois expressam graus diversos de conhecimento. Alberto Silva Franco e outros
salientam que “'saber' significa, no tipo de receptação, o conhecimento direto, que
tem o autor, da realidade de um determinado estado de coisas. 'Deve saber'
representa, na receptação qualificada, não o conhecimento integral, não a certeza
sobre a realidade de um determinado estado de coisas, mas, sim, o reconhecimento
de um juízo de dúvida a respeito dessa realidade, diante do qual o agente não fica
inerte, antes põe em marcha a conduta possibilitadora da produção do resultado e
entre o renunciar à conduta e o risco de com ela concretizar o tipo, prefere essa
última em detrimento daquela. Isto quer dizer que o agente opera com dolo eventual”
(Código Penal de sua Interpretação Jurisprudencial, RT, 1997, p. 2.815).

Diante disso, concluem os mesmos autores que, tendo “por diretriz o princípio da
proporcionalidade, não há como admitir, sob o enfoque constitucional, que o
legislador ordinário estabeleça um preceito sancionatório mais gravoso para a
receptação qualificada quando o agente atua com dolo eventual e mantenha, para a
receptação do 'caput' do art. 180, um comando sancionador sensivelmente mais
brando, quando, no caso, o autor pratica o fato criminoso com dolo direto. As duas
dimensões de subjetividade 'dolo direto' e 'dolo eventual' podem acarretar reações
iguais, ou até mesmo, reações penais menos rigorosas em relação ao 'dolo eventual'.
O que não se pode reconhecer é que a ação praticada com 'dolo eventual' seja três
vezes mais grave é o mínimo legal que detecta o entendimento do legislador sobre a
gravidade do fato criminoso do que quase a mesma atividade delituosa, executada
com dolo direto. Aí, o legislador penal afrontou, com uma clareza solar, o princípio
da proporcionalidade” (op. cit., p. 2.816).

Dessa forma, a despeito de a conduta do réu ajustar-se ao disposto no art. 180, § 1º,
do Código Penal, a ele deveriam ser aplicadas, em obediência ao princípio
constitucional da proporcionalidade, as sanções previstas no “caput” do mesmo
dispositivo.

Note-se que, para tanto, seria desnecessária a instauração de incidente de


constitucionalidade. Consoante o disposto no art. 481, parágrafo único, do CPC, o
procedimento só caberia se, em relação à posição ora adotada, ainda não houvesse
manifestação deste E. Tribunal ou do Supremo Tribunal Federal. Ocorre que o
Pretório Excelso igualmente já consagrou entendimento de que padece de
inconstitucionalidade a norma que afrontar o princípio da proporcionalidade.

Nessa linha, por exemplo, considerando que o “legislador brasileiro, ao cominar pena
mais leve a um delito mais grave (CP, art. 180, caput) e ao punir, com mais
severidade, um crime revestido de menor gravidade (CP, art. 180, § 1º), atuou de
modo absolutamente incongruente, com evidente transgressão ao postulado da
proporcionalidade”, o Ministro Celso de Mello entendeu plausível a tese de
inconstitucionalidade e, em 31.03.08, concedeu liminar nos autos do HC 92.525-
1/RJ, suspendendo os efeitos de condenação criminal.

Conforme salientado na decisão, o STF tem reiterado que o Poder Legislativo, à


maneira do que fez no tocante à chamada receptação qualificada, não pode incorrer
em imoderação ou formular regras dissociadas dos padrões de razoabilidade. Por
conta disso, na perspectiva da Corte, a proporcionalidade configura categoria
fundamental de limitação dos excessos emanados do Estado e, na medida em que

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viabiliza o devido processo legal (art. 5º, LIV, da Carta Magna) em sua dimensão
substantiva, constitui verdadeiro parâmetro de aferição da constitucionalidade
material das normas. “A jurisprudência constitucional do STF, bem por isso, tem
censurado a validade jurídica de atos estatais que, desconsiderando as limitações que
incidem sobre o poder normativo do Estado, veiculam prescrições que ofendem os
padrões de razoabilidade e que se revelam destituídas de causa legítima,
exteriorizando abusos inaceitáveis e institucionalizando agravos inúteis e nocivos aos
direitos das pessoas”, ressaltou o Ministro.

A fim de eliminar tal incompatibilidade da lei com a Constituição, como acentuado


por Celso de Mello, o STF tem autorizado a substituição da pena correspondente ao
preceito incriminador por outra com a qual guarde relação de proporcionalidade. A
técnica, segundo já decidido pela Corte, não exorbita das atribuições constitucionais
do Poder Judiciário quando restrita a situações de absoluto e insuperável
antagonismo de normas, tal qual se dá entre os dispositivos em exame. (TJ/SP -
Apelação nº 0000191-53.2006.8.26.0093)

[TJCE]. Admite-se receptação privilegiada? Responde alguém que guarda coisa do


furtador para futura devolução?
R: Nos termos do art. 180, CP:

Art. 180. Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou


alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a
adquira, receba ou oculte:

Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa.

§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o
valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio
criminoso

Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou ambas as penas.

§ 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime


de que proveio a coisa.

§ 5º - Na hipótese do § 3º, se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em consideração


as circunstâncias, deixar de aplicar a pena. Na receptação dolosa aplica-se o disposto
no § 2º do art. 155. Essa é a receptação privilegiada

Quem guarda coisa objeto de furto, pode responder pelo crime de favorecimento real
(art. 349, CP) que é crime formal, se consuma no momento em que recebe a coisa,
independentemente de futura intenção de devolvê-la ao furtador.

[TJCE]. Qual a diferença entre roubo e extorsão? Quais os tipos de objetivos desses
crimes?
R: No roubo, a subtração ocorre mediante violência ou grave ameaça, sendo
irrelevante para a consumação do crime a colaboração da vítima, pois que o delito é
praticado mesmo sem a sua participação. Já na extorsão exige-se a colaboração da
vítima, pois sem ela seria impossível a obtenção da vantagem econômica indevida.

Além disso, no roubo a coação é absoluta, na extorsão a coação é relativa.

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Ademais, no roubo o objeto material é coisa alheia móvel, enquanto na extorsão o


objeto material é qualquer vantagem econômica indevida, que pode ser, inclusive,
imóvel, sendo, portanto, mais amplo o seu objeto.

No roubo, o núcleo do tipo é o verbo subtrair, o mesmo do furto. A diferença são os


meios de execução que no roubo próprio são: violência contra pessoa, grave ameaça
ou violência imprópria. No que pertine a extorsão o tipo objetivo é constranger, que
significa retirar de alguém sua liberdade de autodeterminação, em razão do emprego
de violência à pessoa ou grave ameaça.

[TJCE]. A extorsão admite tentativa? A extorsão mediante sequestro é crime formal


ou material?
R: A extorsão admite tentativa, tanto para quem considera crime formal, quanto para
quem considera material. Isso porque em regra a extorsão é um crime
plurissubsistente.

A súmula 96 do STJ afirma que o crime de extorsão consuma-se independentemente


da obtenção da vantagem indevida. Logo, é crime formal. Basta o constrangimento
imposto à vítima para se consumar esse delito.

Para Nucci, apesar de defender que o crime é formal para ele a extorsão tem três
estágios e não se consumaria com o mero constrangimento que é o primeiro estágio
e sim quando a vítima age (segundo estágio), ainda que o agente não consiga a
vantagem almejada. Para ele, com o mero constrangimento haveria apenas tentativa.

Há corrente, no entanto, que entende ser o crime de extorsão material, exigindo o


resultado naturalístico, qual seja, a redução do patrimônio da vítima.

Já a extorsão mediante sequestro é delito formal, de consumação antecipada ou de


resultado cortado. Consuma-se com a privação da liberdade da vítima,
independentemente da obtenção da vantagem pelo agente. O pagamento do resgate é
mero exaurimento do crime.

[TJCE]. Quais são as causas de aumento de pena no crime de roubo?


Art. 157. §2º - A pena aumenta-se de um terço até metade:

I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;

II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;

III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal


circunstância.

IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro
Estado ou para o exterior;

V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.

[TJCE]. Qual a diferença entre restrição e privação de liberdade? O agente que


constrange a vítima, rouba e pega o cartão com a senha pratica qual conduta
criminosa é essa?

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ART. 157 (ROUBO) ART. 158 (EXTORSÃO) ART. 159 (EXTORSÃO


MEDIANTE SEQUESTRO)

Subtrair com violência. Constranger com violência. Sequestrar.

Dispensa a colaboração da A colaboração da vítima é A vantagem depende de


vítima. indispensável. comportamento de terceiro.

Roubo + privação da Extorsão + restrição da A privação da liberdade da


liberdade da vítima = §2º, liberdade da vítima = §3º vítima é elementar do tipo.
Inciso V. (qualificadora).

Obs. Não se fala em privação


da liberdade, pois, caso assim
seja, haverá extorsão
mediante sequestro.

No exemplo citado, o agente responde por extorsão mediante restrição da liberdade


da vítima ou sequestro-relâmpago. Este crime, além de atentar contra o patrimônio
alheio, também viola a liberdade de locomoção. Aqui não há privação de liberdade,
mas sim restrição de liberdade. Pois do contrário, estaria configurado o crime de
extorsão mediante sequestro (art. 159, CP).

34. Crimes contra a dignidade sexual


[TJCE]. A pratica de conjunção carnal e ato libidinoso em uma só ação, qual crime
ocorre? É possível reconhecer crime continuado em vítimas diferentes e condutas
semelhantes? É um crime continuado comum ou específico?
Antes da Lei n.° 12.015/2009, o STF e o STJ entendiam que, se além da conjunção
carnal, o agente praticava outro ato libidinoso independente (ex: coito anal), deveria
responder por estupro (art. 213) e por atentado violento ao pudor (art. 214) em
concurso material (art. 69).

Exceção: se o ato de libidinagem estava ligado necessariamente com a conjunção


carnal (não era independente), esse ato era classificado como um “prelúdio do coito”
(praeludia coiti) e haveria crime único. Ex: estuprador que, para realizar o coito
vaginal, tocou e segurou nas coxas e nádegas da vítima. Esses “toques” eram
considerados como preparação para o coito e, apesar de serem atos libidinosos,
haveria apenas um único crime de estupro (art. 213) consumado.

[TJCE]. Após a Lei n.° 12.015/2009, quando o agente pratica, além da conjunção
carnal (coito vaginal), outro ato libidinoso independente (ex: coito anal), no mesmo
contexto fático e contra a mesma vítima, realiza mais de um crime?
NÃO. Trata-se de CRIME ÚNICO. O STJ definiu que o art. 213 do CP, com redação
dada pela Lei n.° 12.015/2009 é tipo penal misto ALTERNATIVO.

Logo, se o agente, no mesmo contexto fático, pratica conjunção carnal e outro ato
libidinoso contra uma só vítima, pratica um só crime do art. 213 do CP.

Vale ressaltar que havia divergência entre as Turmas do STJ sobre o tema, mas já foi
superada, tendo ambas adotado o entendimento do crime único. Nesse sentido: STJ.
5ª Turma. AgRg no REsp 1262650/RS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em

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05/08/2014. STJ. 6ª Turma. HC 212.305/DF, Rel. Min. Marilza Maynard (Des. Conv.
TJ/SE), julgado em 24/04/2014.

Se o agente pratica conjunção carnal e outros atos libidinosos contra vítimas


diferentes ou, então, contra uma só vítima, mas em contextos fáticos diferentes (ex:
em dois dias seguidos), haverá continuidade delitiva ou até concurso material, a
depender do caso concreto.

[TJCE]. Nos casos com trânsito em julgado, onde se reconheceu o crime continuado
na legislação de crimes contra a dignidade sexual caberá recurso?
É possível reconhecer o crime único, aplicando retroativamente a Lei
n.° 12.015/2009, mesmo que já tenha havido o trânsito em julgado nos termos do
enunciado 611 do STF:

Súmula 611-STF: Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das


execuções a aplicação de lei mais benigna.

Assim, caberá ao Juízo da Execução proceder a nova dosimetria da pena,


reconhecendo que se trata de crime único por força da Lei n.° 12.0156/2009. Vale
lembrar que, nessa nova dosimetria, o magistrado deverá considerar a pluralidade de
condutas como sendo aspecto negativo para o fim de aumentar a pena-base
(culpabilidade e circunstâncias são negativas).

[TJCE]. Quem é o sujeito passivo de assédio sexual?


R: No crime de assédio sexual, o sujeito passivo pode ser homem ou mulher, desde
que o sujeito ativo se prevaleça de sua hierarquia ou ascendência no exercício de
emprego público, cargo ou função, pública ou particular.

Assim dispõe o art. 216-A do Código Penal: Art. 216-A. Constranger alguém com o
intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da
sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de
emprego, cargo ou função. Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.

Este tipo penal protege a liberdade sexual da pessoa, quando o titular está submetido
a outrem numa relação de poder, em decorrência da relação de trabalho ou
administrativa.

É um crime bipróprio, isto é, exige uma situação especial tanto do sujeito ativo como
do sujeito passivo. Assim ensina o ilustre profº Mirabete: "Para a sua
caracterização, é necessário que o agente seja superior hierárquico ou tenha
ascendência com relação ao ofendido, estando, portanto, em posição de mando com
relação à vítima. É indispensável que haja a referida superioridade, ou seja, de
poder, decorrente de uma relação administrativa ou de uma ascendência própria de
relação trabalhista. O agente pode ser homem ou mulher".( Mirabete, Julio Fabbrini.
Manual de Direito Penal, Vol. II, Atlas, 25º edição, São Paulo 2007. pág. 421).

[TJCE]. Nos crimes contra dignidade sexual, qual a natureza das ações? Há alguma
exceção? E se o fato foi praticado antes da alteração no CP? Quando há emprego de
violência real?

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Lei 12.015/09

Antes Depois

Regra: ação penal privada. Regra: ação penal pública


condicionada.
Exceções:
Exceções:
1) Vítima pobre: APP condicionada.
1) Vítima menor de 18 anos: APP
2) Abuso de poder: APP incondicionada;
incondicionada;
2) Vítima vulnerável: APP
3) Resultado lesão grave ou morte: incondicionada.
APP incondicionada;

4) Súmula 608 do STF: APP


incondicionada.

[TJCE]. Hoje é crime manter relação sexual consentida com pessoa de 14 a 18 anos?
R: A conduta de praticar ato libidinoso consistente em conjunção carnal, com vítima
de 14 anos, não se amolda ao delito previsto no art. 213 do CP, face o consentimento
daquela, mas, igualmente, não se enquadra no fato típico delineado no art. 218 do
Estatuto Repressivo (corrupção de menor), dada a referência no acórdão vergastado
de que a vítima já teria, anteriormente, mantido relações sexuais com outras pessoas.
Assim, conforme já decidiu esta Corte: "(...)a anterior inocência moral do menor se
presume iuris tantum como pressuposto fático do tipo. Quem já foi corrompido não
pode ser vítima do delito sob exame. " (REsp 822977/RJ, 5ª Turma, de minha
relatoria, DJ de 12/11/2007). Ex positis, nego provimento ao recurso

[TJCE]. Houve “abolitio criminis” do atentado violento ao pudor?


NÃO, não houve abolitio criminis, mas sim continuidade normativo-típica,
considerando que a Lei n. 12.015/2009, ao revogar o referido art. 214, inseriu a
mesma conduta no art. 213. Ocorreu, então, apenas uma mudança no local onde o
delito era previsto, mantendo-se, contudo, a previsão de que essa conduta se trata de
crime.

O princípio da continuidade normativa ocorre “quando uma norma penal é revogada,


mas a mesma conduta continua sendo crime no tipo penal revogador, ou seja, a
infração penal continua tipificada em outro dispositivo, ainda que topologicamente
ou normativamente diverso do originário.” (Min. Gilson Dipp, em voto proferido no
HC 204.416/SP).

36. Crimes contra a fé pública


[TJCE]. Agente que exibe documento falsificado por ele à polícia responde por qual
crime?
Súmula 522: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é
típica, ainda que em situação de alegada autodefesa.

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Poderá ser condenado por uso de documento falso. Esse é o entendimento do STF e
STJ (art. 304, CP)

[TJCE]. E no caso de habilitação falsa apresentada em uma blitz?


R: Na hipótese retratada, também poderá ser condenado por uso de documento falso.
Esse é o entendimento do STF e STJ. O fato de o agente apresentar à polícia
documento falso, configura o crime do art. 304 do Código Penal. Havendo adequação
entre a conduta e a figura típica concernente ao uso de documento falso, não cabe
cogitar de que a atribuição de identidade falsa para esconder antecedentes criminais
consubstancia autodefesa.

[TJCE]. E se o documento é apreendido em revista pessoal?


R: A simples posse de documento falso não basta para caracterizar o crime previsto
no artigo 304 do Código Penal (que dispõe sobre uso de documento falso). Para que
o crime tenha efeitos jurídicos é preciso que o documento falso seja efetivamente
utilizado.

[TJCE]. Agente que altera fotografia em RG , qual crime seria? Fotocópia


falsificada é crime?
R: Falsificação de documento público Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte,
documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena - reclusão, de
dois a seis anos, e multa. § 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime
prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte. § 2º - Para os efeitos
penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o
título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os
livros mercantis e o testamento particular.

A fotocópia simples de documento não será considerada documento. Contudo, se


houver autenticação, passa a ter o mesmo valor probatório do original, de modo que
será considerada documento.

[TJCE]. Há falsidade ideológica se o advogado falsifica comprovante de endereço


para fixar uma competência?
R: Neste caso, o advogado poderá responder pelos arts. 304 c/c 298, CP. Indivíduo
que ostenta o qualificativo de advogado têm o dever de "atuar com destemor,
independência, honestidade, decoro, veracidade, lealdade, dignidade e boa-fé".

[TJCE]. Quando se consuma o uso de documento falso? Admite tentativa?


R: Ex: João é parado em uma blitz da PM e, sabendo que havia um mandado de
prisão contra si expedido, apresenta a cédula de identidade de seu irmão com sua foto
no lugar. Isso é permitido? Não. Na hipótese retratada, João poderia ser condenado
por uso de documento falso. Esse é o entendimento do STF e STJ.

37. Crimes contra a administração pública


[TJCE]. Todos os crimes contra a administração pública são próprios? Nos crimes
impróprios, pode ter concorrência de particular?
R: Não, os crimes contra administração podem ser próprios ou impróprios.

Crime funcional próprio Crime funcional impróprio

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- Faltando a condição de servidor do - Faltando a condição de servidor do


agente, o fato deixa de ser crime. agente, o fato deixa de ser crime
funcional (ajustando-se a outro tipo
- Atipicidade absoluta. incriminador).

Ex.: Art. 317 (corrupção passiva), 319 - Atipicidade relativa.


(prevaricação).
Ex.: Art. 312 (peculato) - pode ser
furto, apropriação indébita...

Art. 316 (concussão) - pode ser


extorsão.

[TJCE]. Qual a natureza jurídica da concussão? O excesso de exação é um crime


tributário?
R: Prevalece que a vantagem pode ser de qualquer natureza. A vantagem pode ser
até mesmo sexual (se ele conquistar essa vantagem responderá pelos dois).

[TJCE]. E se a vantagem exigida for devida?


Depende da natureza da vantagem.

a) Tratando-se de tributo ou contribuição social  excesso de exação (art. 316, § 1º).

b) Qualquer outra vantagem  abuso de autoridade.

O excesso de exação é um crime contra a administração pública e não um crime


tributário. Pune a conduta do funcionário que exige tributo ou contribuição social ,
sabendo ser indevido, ou, se devido, o cobra de maneira vexatória.

Art. 316, § 2º: possui a forma qualificada, ocasião em que o funcionário cobra o
indevido ou de forma vexatória e desvia o valor para si. Na prática, sua aplicação é
rara. Sua pena é inconstitucional, por ser desproporcional.

§ 2º - Se o funcionário desvia, em proveito próprio ou de outrem, o que recebeu


indevidamente para recolher aos cofres públicos:

[TJCE]. A corrupção passiva admite tentativa?


R: A doutrina admite a tentativa no “solicitar” por escrito.

[TJCE]. O que é condescendência criminosa? E patrocínio infiel? E advocacia


administrativa?
Condescendência criminosa:

Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que


cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o
fato ao conhecimento da autoridade competente:

Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa.

Advocacia administrativa:

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Art. 321 - Patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração


pública, valendo-se da qualidade de funcionário:

Pena - detenção, de um a três meses, ou multa

Patrocínio infiel

Art. 355 - Trair, na qualidade de advogado ou procurador, o dever profissional,


prejudicando interesse, cujo patrocínio, em juízo, lhe é confiado:

Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa.

[TJCE]. Delegado de polícia que não cumpre por determinação do juiz, responde
por desobediência?
R: O funcionário público, porém, também pode ser sujeito ativo quando a ordem não
guarda relação com as suas funções. Nesses casos, ele age como se particular fosse.
Todavia, se a ordem desobedecida guardar relação com as suas funções, não haverá
desobediência, mas eventualmente prevaricação.

39. Execução penal.


[TJCE]. Quais as hipóteses na LEP para autorização de saída?
Permissão de saída e saída temporária.

[TJCE]. A permissão de saída se destina a quê?


Art. 120, LEP. Os condenados que cumprem pena em regime fechado ou semi-aberto e
os presos provisórios poderão obter permissão para sair do estabelecimento, mediante
escolta, quando ocorrer um dos seguintes fatos:

I - falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou


irmão;

II - necessidade de tratamento médico (parágrafo único do artigo 14).

[TJCE]. Quantos dias? Quantas vezes ao ano?


Quanto à permissão de saída:

Art. 121, LEP. A permanência do preso fora do estabelecimento terá a duração


necessária à finalidade da saída.

Quanto à saída temporária:

Art. 124, LEP. A autorização será concedida por prazo não superior a 7 (sete) dias,
podendo ser renovada por mais 4 (quatro) vezes durante o ano.

[TJCE]. Quando cabe a autorização de saída (temporária)?


Art. 122. Os condenados que cumprem pena em regime semi-aberto poderão obter
autorização para saída temporária do estabelecimento, sem vigilância direta, nos
seguintes casos:

I - visita à família;

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II - frequência a curso supletivo profissionalizante, bem como de instrução do 2º grau ou


superior, na Comarca do Juízo da Execução;

III - participação em atividades que concorram para o retorno ao convívio social.

Parágrafo único. A ausência de vigilância direta não impede a utilização de


equipamento de monitoração eletrônica pelo condenado, quando assim determinar o juiz
da execução. (Incluído pela Lei nº 12.258, de 2010)

Art. 123, LEP. A autorização será concedida por ato motivado do Juiz da execução,
ouvidos o Ministério Público e a administração penitenciária e dependerá da satisfação
dos seguintes requisitos:

I - comportamento adequado;

II - cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena, se o condenado for primário, e 1/4
(um quarto), se reincidente;

III - compatibilidade do benefício com os objetivos da pena.

"Súmula 520, STJ: O benefício de saída temporária no âmbito da execução penal é


ato jurisdicional insuscetível de delegação à autoridade administrativa do
estabelecimento prisional."

[TJCE]. Computa-se o período que cumpriu em regime fechado?


Súmula 40 STJ: “para obtenção dos benefícios de saída temporária e trabalho externo,
considera-se o tempo de cumprimento da pena no regime fechado”.

[TJCE]. Qual o intervalo entre elas?


Quando se tratar de frequência a curso profissionalizante, de instrução de ensino
médio ou superior, o tempo de saída será o necessário para o cumprimento das
atividades discentes.

Nos demais casos, as autorizações de saída somente poderão ser concedidas com
prazo mínimo de 45 (quarenta e cinco) dias de intervalo entre uma e outra. (art. 124,
parágrafos 2 e 3, LEP).

[TJCE]. Quais obrigações são impostas ao preso que terá o benefício da saída
temporária?
Art. 124, § 1o , LEP. Ao conceder a saída temporária, o juiz imporá ao beneficiário as
seguintes condições, entre outras que entender compatíveis com as circunstâncias do
caso e a situação pessoal do condenado:

I - fornecimento do endereço onde reside a família a ser visitada ou onde poderá ser
encontrado durante o gozo do benefício; (Incluído pela Lei nº 12.258, de 2010)

II - recolhimento à residência visitada, no período noturno;

III - proibição de frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos congêneres.

[TJCE]. Há período de recolhimento ao preso que sair?


Art. 124, § 1o , LEP. Ao conceder a saída temporária, o juiz imporá ao beneficiário as
seguintes condições, entre outras que entender compatíveis com as circunstâncias do
caso e a situação pessoal do condenado: (Incluído pela Lei nº 12.258, de 2010)

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II - recolhimento à residência visitada, no período noturno;

[TJCE]. É possível monitoração eletrônica?


Sim.

Art. 122, Parágrafo único. A ausência de vigilância direta não impede a utilização de
equipamento de monitoração eletrônica pelo condenado, quando assim determinar o juiz
da execução.

Art. 146-B. O juiz poderá definir a fiscalização por meio da monitoração eletrônica
quando:

II - autorizar a saída temporária no regime semiaberto;

[TJCE]. Em que consiste a remição? Computa-se qual fração?


Art. 126, LEP. O condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semiaberto poderá
remir, por trabalho ou por estudo, parte do tempo de execução da pena.

§ 1o A contagem de tempo referida no caput será feita à razão de:

I - 1 (um) dia de pena a cada 12 (doze) horas de frequência escolar - atividade de ensino
fundamental, médio, inclusive profissionalizante, ou superior, ou ainda de requalificação
profissional - divididas, no mínimo, em 3 (três) dias;

II - 1 (um) dia de pena a cada 3 (três) dias de trabalho.

44. Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/90)


[TJCE]. Em que regime deve cumprir pena condenado em crime hediondo e
equiparado?
Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal concedeu, durante
sessão extraordinária realizada no dia 27 de junho de 2012 o Habeas Corpus nº.
111840 e declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo
2º da Lei nº. 8.072/90, com redação dada pela Lei 11.464/07, o qual prevê que a pena
por crime hediondo (inclusive tráfico de drogas) será cumprida, inicialmente, em
regime fechado. Assim, atualmente, com base no princípio da individualização da
pena, o juiz fixará, na sentença condenatória, o regime inicial de cumprimento da
pena, orientando-se pelas normas do Código Penal referentes à matéria.

[TJCE]. O juiz pode ordenar o cumprimento em regime diverso do fechado?


Sim (ver resposta da questão anterior).

[TJCE]. É possível progressão? Em que bases?


Art. 2º, Lei 8.072/90. Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de
entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de: (Vide Súmula
Vinculante)

I - anistia, graça e indulto;

II - fiança. (Redação dada pela Lei nº 11.464, de 2007)

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§ 1o A pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime
fechado. (Redação dada pela Lei nº 11.464, de 2007) (STF no Habeas Corpus nº.
111840 declarou incidentalmente sua inconstitucionalidade).

§ 2o A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes previstos neste artigo,
dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for primário,
e de 3/5 (três quintos), se reincidente. (Redação dada pela Lei nº 11.464, de 2007)

[TJCE]. Crimes anteriores a 2007 como ficam?


Súmula 471, STJ: “Os condenados por crimes hediondos ou assemelhados cometidos
antes da vigência da Lei n. 11.464/2007 sujeitam-se ao disposto no artigo 112 da Lei n.
7.210/1984 (Lei de Execução Penal) para a progressão de regime prisional”.

[TJCE]. Condenado por crime hediondo faz jus a livramento condicional?


Sim. Depois de cumpridos mais de 2/3 da pena em regime fechado, se o apenado não
for reincidente específico em crimes hediondos, poderá fazer jus ao livramento
condicional.

Trata-se de regra prescrita no artigo 83 , V , do Código Penal que dispõe:

O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de


liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que:

V - cumprido mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo,
prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo, se o
apenado não for reincidente em crimes dessa natureza.

[TJCE]. Todos os crimes previstos na lei de drogas são equiparados a hediondos?


Não. Interpretando-se o art. 44 da Lei 11.343//06 a contrario sensu, não podem ser
rotuladas como tráfico de drogas e a ele equiparadas as figuras dos arts. 28, 33,
parágrafo 2, 39, daquela mesma lei.

[TJCE]. Todos os crimes previstos na lei de tortura são equiparados a hediondos?


O crime de omissão tratado no § 2° do art. 1° da Lei 9.455/97 não pode se assemelhar
a crime hediondo, pois o legislador cominou pena de detenção, a qual possui o regime
semiaberto, sendo que o § 7º da Lei de Tortura excepciona o crime de omissão
previsto no §2º do regime inicial fechado.

[TJCE]. Associação para o tráfico é equiparado?


Renato Brasileiro assinala que não é crime equiparado ao tráfico (conforme
entendimento predominante à época da vigência da Lei 6.378/76). Porém, o mesmo
autor ressalta que o art. 44 da Lei 11.343/06 estende ao crime de associação para o
tráfico uma série de vedações típicas dos crimes hediondos e equiparados. Questão
é polêmica.

[TJCE]. O tráfico privilegiado é hediondo? Admite suspensão da pena?


"Súmula 512, STJ: A aplicação da causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º,
da Lei n. 11.343/2006 não afasta a hediondez do crime de tráfico de drogas."

Art. 44, Lei 11.343/06. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 a 37 desta Lei
são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, graça, indulto, anistia e liberdade provisória,
vedada a conversão de suas penas em restritivas de direitos.

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O art. 44 não faz menção ao 33, §4o. Logo, a contrário sensu, o “traficante” primário,
de bons antecedentes, que não se dedica à atividades criminosas nem integra
organização criminosa, e preso com pequena quantidade de entorpecente (embora
não conste na lei, entendo que a pequena quantidade e a natureza da droga
apreendida é elemento necessário para caracterização do chamado tráfico-
privilegiado) pode ser agraciado com o sursis.

[TJCE]. É possível a concessão de liberdade provisória para quem praticou crime


hediondo?
A lei nº 11.464/07 possibilitou a concessão de liberdade provisória sem arbitramento
de fiança, no caso de cometimento de crimes hediondos ou equiparados. No que
concerne aos crimes de tráfico de drogas, o art. 44 da Lei n.º 11.343/06 veda de
maneira expressa a concessão de liberdade provisória sem fixação de fiança aos
delitos em comento. Porém, o STF, em julgamento de 10/05/2012, declarou a
inconstitucionalidade incidenter tantum da expressão “e liberdade provisória” do
caput do art. 44 da Lei 11.343/06. Portanto, a segregação cautelar demanda não se
impõe de forma obrigatória e antecipada, demandando fundamentação judicial.

[TJCE]. O que sobrou na lei de crimes hediondos? O que diferencia os crimes


hediondos dos demais?
A categoria de crime hediondo, prevista no art. 5º, XLIII da Constituição, baseia-se
na ideia de que algumas condutas são tão graves que merecem um tratamento mais
duro que as demais.

Regulamentada na Lei 8.072/1990, a classificação como crime hediondo tem


consequências como a proibição de graça, indulto, anistia e fiança; a possibilidade
de um prazo maior de prisão temporária (30 dias em vez de 5 dias); e a maior
dificuldade para a progressão de regime (a partir do cumprimento de 2/5 ou 3/5 da
pena total em vez de 1/6 como nos demais crimes).

O texto original da lei previa outras restrições, como a proibição da liberdade


provisória e a exigência de que a pena fosse cumprida toda em regime fechado, mas
elas foram derrubadas por mudanças na própria lei ou por entendimento do Supremo
Tribunal Federal.

49. Crimes de menor potencial ofensivo. Juizado especial criminal (Lei


nº 9.099/95)
[TJCE]. A composição cível dos danos repercute na ação penal no juizado?
Art. 74, Lei 9.099/95. A composição dos danos civis será reduzida a escrito e,
homologada pelo Juiz mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser
executado no juízo civil competente.

Parágrafo único. Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação penal


pública condicionada à representação, o acordo homologado acarreta a renúncia ao
direito de queixa ou representação.

[TJCE]. Quando cabe transação penal? Quais os requisitos? O oferecimento é


direito subjetivo do réu?

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Art. 76, Lei 9.099/95. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal
pública incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá
propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas, a ser especificada
na proposta.

§ 1º Nas hipóteses de ser a pena de multa a única aplicável, o Juiz poderá reduzi-la até
a metade.

§ 2º Não se admitirá a proposta se ficar comprovado:

I - ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa de
liberdade, por sentença definitiva;

II - ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de cinco anos, pela aplicação
de pena restritiva ou multa, nos termos deste artigo;

III - não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem


como os motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da medida.

§ 3º Aceita a proposta pelo autor da infração e seu defensor, será submetida à apreciação
do Juiz.

§ 4º Acolhendo a proposta do Ministério Público aceita pelo autor da infração, o Juiz


aplicará a pena restritiva de direitos ou multa, que não importará em reincidência, sendo
registrada apenas para impedir novamente o mesmo benefício no prazo de cinco anos.

§ 5º Da sentença prevista no parágrafo anterior caberá a apelação referida no art. 82


desta Lei.

§ 6º A imposição da sanção de que trata o § 4º deste artigo não constará de certidão de


antecedentes criminais, salvo para os fins previstos no mesmo dispositivo, e não terá
efeitos civis, cabendo aos interessados propor ação cabível no juízo cível.

Preenchidos tais requisitos legais, é direito subjetivo do réu o oferecimento da


transação. Havendo recusa por parte do parte do MP, há aplicação subsidiária do art.
28, CPP.

[TJCE]. A que crimes não são aplicáveis os institutos despenalizadores da Lei n.


9.099?
Art. 90-A, Lei 9.099/95. As disposições desta Lei não se aplicam no âmbito da Justiça
Militar. (Artigo incluído pela Lei nº 9.839, de 27.9.1999)

Art. 41, Lei 11.340/06. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra
a mulher, independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei no 9.099, de 26 de
setembro de 1995.

Súmula 536, STJ: “A suspensão condicional do processo e a transação penal não se


aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha” (HC 173.426).

OBS. Apenas lembrei dessas duas hipóteses, mas pode haver outras.

[TJCE]. Quem julga os recursos nos juizados? Quem compõe?


Art. 41, Lei 9.099/95. Da sentença, excetuada a homologatória de conciliação ou laudo
arbitral, caberá recurso para o próprio Juizado.

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§ 1º O recurso será julgado por uma turma composta por três Juízes togados, em
exercício no primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado.

[TJCE]. O que são crimes de menor potencial ofensivo? E quais são?


Art. 61, Lei 9.099/95. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para
os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima
não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa. (Redação dada pela Lei nº
11.313, de 2006)

[TJCE]. Em concursos de crime o que fazer para saber se o crime é de competência


do juizado?
No caso de concurso de crimes, a pena considerada para fins de fixação da
competência do Juizado Especial Criminal será o resultado da soma, no caso de
concurso material, ou a exasperação, na hipótese de concurso formal ou crime
continuado, das penas máximas cominadas aos delitos. Com efeito, se desse
somatório resultar um apenamento superior a 02 (dois) anos, fica afastada a
competência do Juizado Especial. Deve-se atentar para o art. 60 da Lei 9.099/95:

Art. 60. O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados ou togados e leigos,
tem competência para a conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de
menor potencial ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência. (Redação
dada pela Lei nº 11.313, de 2006)

Parágrafo único. Na reunião de processos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri,


decorrentes da aplicação das regras de conexão e continência, observar-se-ão os
institutos da transação penal e da composição dos danos civis. (Incluído pela Lei nº
11.313, de 2006)

[TJCE]. Pode o promotor se recusar de oferecer a transação penal?


Preenchidos os requisitos da transação penal, há direito subjetivo do réu, não
podendo o promotor de justiça optar livremente pelo oferecimento da proposta.
Havendo recusa injustificada, aplica-se subsidiariamente o art. 28, CPP.

[TJCE]. Realizada a transação, se o autor do fato vier a descumprir um acordo,


quais as consequências? Se cumprido o acordo, quantas vezes é proposta a transação
penal?
Súmula Vinculante 35: A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da
Lei 9.099/1995 não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas,
retoma-se a situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade
da persecução penal mediante oferecimento de renúncia ou requisição de inquérito
policial.

51. Crimes de trânsito (Lei nº 9.503/97)


[TJCE]. Para configurar crimes de embriaguez ao volante exige quantidade mínima
de álcool no sangue? Para configurar esse crime é necessário que o condutor se
revele potencialmente grave?
- De acordo com as alterações provocadas pela Lei n. 12.760/2012, a alteração da
capacidade psicomotora caracteriza-se: a) pela presença de uma quantidade igual ou
superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou a 0,3 miligramas por litro de
ar expirado; ou b) por sinais exteriores que evidenciem sua redução. No primeiro
caso, será indispensável a prova pericial, consistente no exame de sangue ou emprego

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do etilômetro, vulgarmente conhecido por bafômetro (aparelho destinado à medição


do teor alcoólico do ar expirado pela boca e proveniente dos alvéolos pulmonares).
A prova técnica será o único meio de aferição do nível de alcoolemia, pois não há
maneira de saber a exata quantidade de álcool mandando o agente “fazer o quatro”
ou “dar uma voltinha”. Na segunda hipótese, a infração penal poderá ser
demonstrada por qualquer outro meio de prova em direito admitido, por exemplo,
exame clínico, vídeo e prova testemunhal (CTB, art. 306, § 2º).

- Consuma-se o crime no momento em que o agente, com sua capacidade


psicomotora alterada, em razão de álcool ou substância psicoativa geradora de
dependência, conduz o veículo automotor em via pública ou não (a Lei n.
12.760/2012 alterou a redação do art. 306 do CTB e suprimiu essa exigência).
Também não é mais necessário que a conduta do agente exponha a dano
potencial a incolumidade de outrem, bastando que dirija embriagado. Assim,
não se exige a comprovação de que o sujeito conduzia o veículo de forma anormal,
de modo a colocar em risco a segurança viária. Basta a prova da embriaguez, a qual
decorre não apenas da concentração de no mínimo 6 decigramas de álcool por litro
de sangue ou 0,3 miligramas de álcool por litro de ar expirado dos alvéolos
pulmonares, mas também da demonstração de sinais exteriores que revelem a
alteração de sua capacidade psicomotora. A tentativa é inadmissível: ou o sujeito
coloca o veículo em movimento ou não existe o crime.

[TJCE]. Art. 305 CTB há inconstitucionalidade?


- Art.305, CTB. Segundo a doutrina de RICARDO ANDREUCCI: o disposto neste
artigo, obrigando o condutor do veículo responsável pelo acidente a permanecer no
local, não estaria ferindo o princípio da não autoincriminação, já que ninguém está
obrigado a fazer prova contra si mesmo (nemo tenetur se detegere)? Cremos que sim.
Isso porque qualquer criminoso pode fugir do local do crime, menos o autor de delito
de trânsito, que seria obrigado a permanecer no local do acidente para ser
responsabilizado criminalmente e civilmente. O Setor de Recursos Extraordinários e
Especiais da Procuradoria-Geral de Justiça do Estado de São Paulo tem a Tese 333 a
respeito do assunto, do seguinte teor: “CRIMES DE TRÂNSITO – FUGA À
RESPONSABILIDADE – ARTIGO 305 DA LEI N. 9.503/97 –
CONSTITUCIONALIDADE – O crime de fuga à responsabilidade não ofende o
inciso LXIII, do artigo 5º, da Constituição da República, eis que o suposto direito à
fuga não pode prevalecer sobre o interesse do Estado na identificação dos envolvidos
no evento de trânsito” (DOE, 4-5-2011, p. 137).

[TJCE]. Crime de lesão corporal decorrente de veículo automotor aplica-se a lei


9.099/95?
- O art. 291, caput, do Código de Trânsito Brasileiro estabelece a aplicação da Lei n.
9.099/95 aos crimes de trânsito, “no que couber”. Assim, atendendo ao conceito de
infrações penais de menor potencial ofensivo estabelecido pelo art. 61 da Lei do
Juizado Especial Criminal, com a redação que lhe deu a Lei n. 11.313/2006 (“as
contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2
(dois) anos”).Forçoso é concluir que se aplicam as disposições da Lei n. 9.099/95,
inclusive relativas à transação (art. 76), a praticamente todos os crimes de trânsito, à
exceção do homicídio culposo (art. 302), cuja pena máxima em abstrato cominada é
de 4 (quatro) anos de detenção.

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Recentemente, entretanto, a Lei n. 11.705/2008, que, dentre outras disposições, deu


nova redação ao § 1º do art. 291 do Código de Trânsito Brasileiro, vedou
expressamente a aplicação do rito do juizado especial criminal aos crimes de trânsito
de lesão corporal culposa quando o agente estiver:

a) sob a influência de álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine


dependência;

b) participando, em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística, de


exibição ou demonstração de perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada
pela autoridade competente;

c) transitando em velocidade superior à máxima permitida para a via em 50 km/h


(cinquenta quilômetros por hora).

Por consequência, a aplicação das disposições da Lei n. 9.099/95 aos crimes de lesão
corporal culposa na direção de veículo automotor somente será possível se
inexistentes qualquer das hipóteses acima elencadas.

52. Crimes ambientais (Lei nº 9.605/98)


[TJCE]. Crimes: Quais as penas das pessoas jurídicas? Quais penas podem ser as
restritivas de direito? Quando cabe a suspensão e a interdição? Como se dá a
prestação de serviços à comunidade?
- A Lei n. 9.605/98 abandonou a chamada teoria da ficção, criada por Savigny e
tradicional em nosso sistema penal, segundo a qual as pessoas jurídicas são pura
abstração, carecendo de vontade própria, consciência e finalidade, imprescindíveis
para o fato típico, bem como de imputabilidade e capacidade para ser culpáveis. São,
por isso, incapazes de delinquir.

Contrariando essa corrente, nosso legislador filiou-se à teoria da realidade ou da


personalidade real, preconizada por Otto Gierke. Para esse entendimento a pessoa
jurídica não é um ser artificial, criado pelo Estado, mas sim um ente real,
independente dos indivíduos que a compõem. Sustenta que a pessoa coletiva possui
uma personalidade real, dotada de vontade própria, com capacidade de ação e de
praticar ilícitos penais. É, assim, capaz de dupla responsabilidade: civil e penal. Essa
responsabilidade é pessoal, identificando-se com a da pessoa natural. Em síntese, a
pessoa jurídica é uma realidade que possui vontade e capacidade de deliberação,
devendo-se, então, reconhecer-lhe a capacidade criminal, a ela se aplicando os
princípios da responsabilidade pessoal e da culpabilidade. No que tange aos delitos
praticados contra o meio ambiente, a Constituição Federal, em seu art. 225, § 3º, foi
explícita ao admitir a responsabilização criminal dos entes jurídicos, ao estatuir: “As
condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores,
pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente
da obrigação de reparar os danos causados”. Desse modo, a Lei n. 9.605/98 apenas
atendeu ao comando emergente da Carta Magna.

Art. 21. As penas aplicáveis isolada, cumulativa ou alternativamente às pessoas


jurídicas, de acordo com o disposto no art. 3º, são: I - multa; II - restritivas de direitos;
III - prestação de serviços à comunidade.

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Art. 22. As penas restritivas de direitos da pessoa jurídica são: I - suspensão parcial ou
total de atividades; II - interdição temporária de estabelecimento, obra ou atividade; III
- proibição de contratar com o Poder Público, bem como dele obter subsídios,
subvenções ou doações.

§1º A suspensão de atividades será aplicada quando estas não estiverem obedecendo às
disposições legais ou regulamentares, relativas à proteção do meio ambiente.

§ 2º A interdição será aplicada quando o estabelecimento, obra ou atividade estiver


funcionando sem a devida autorização, ou em desacordo com a concedida, ou com
violação de disposição legal ou regulamentar.

§ 3º A proibição de contratar com o Poder Público e dele obter subsídios, subvenções ou


doações não poderá exceder o prazo de dez anos.

- Para pessoa jurídica: Art. 23. A prestação de serviços à comunidade pela pessoa
jurídica consistirá em: I - custeio de programas e de projetos ambientais; II - execução
de obras de recuperação de áreas degradadas; III - manutenção de espaços públicos;
IV - contribuições a entidades ambientais ou culturais públicas.

Obs. Para pessoa física: Art. 9º A prestação de serviços à comunidade consiste na


atribuição ao condenado de tarefas gratuitas junto a parques e jardins públicos e
unidades de conservação, e, no caso de dano da coisa particular, pública ou tombada,
na restauração desta, se possível.

[TJCE]. Cabe SURSI no crime ambiental?


- Sim, cabe sursis penal. Art. 16. Nos crimes previstos nesta Lei, a suspensão
condicional da pena pode ser aplicada nos casos de condenação a pena privativa de
liberdade não superior a três anos.

[TJCE]. Cabe suspensão condicional do processo?


- Sim, cabe sursis processual. Art. 28. As disposições do art. 89 da Lei nº 9.099, de
26 de setembro de 1995, aplicam-se aos crimes de menor potencial ofensivo
definidos nesta Lei, com as seguintes modificações: I - a declaração de extinção de
punibilidade, de que trata o § 5° do artigo referido no caput, dependerá de laudo de
constatação de reparação do dano ambiental, ressalvada a impossibilidade prevista
no inciso I do § 1° do mesmo artigo; II - na hipótese de o laudo de constatação
comprovar não ter sido completa a reparação, o prazo de suspensão do processo
será prorrogado, até o período máximo previsto no artigo referido no caput,
acrescido de mais um ano, com suspensão do prazo da prescrição; III - no período
de prorrogação, não se aplicarão as condições dos incisos II, III e IV do § 1° do
artigo mencionado no caput; IV - findo o prazo de prorrogação, proceder-se-á à
lavratura de novo laudo de constatação de reparação do dano ambiental, podendo,
conforme seu resultado, ser novamente prorrogado o período de suspensão, até o
máximo previsto no inciso II deste artigo, observado o disposto no inciso III; V -
esgotado o prazo máximo de prorrogação, a declaração de extinção de punibilidade
dependerá de laudo de constatação que comprove ter o acusado tomado as
providências necessárias à reparação integral do dano.

[TJCE]. Quando o abate de animal não é crime? O que é animal nocivo?


- Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando realizado: I - em estado de necessidade,
para saciar a fome do agente ou de sua família; II - para proteger lavouras, pomares e

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rebanhos da ação predatória ou destruidora de animais, desde que legal e expressamente


autorizado pela autoridade competente; III – (VETADO) ;IV - por ser nocivo o animal,
desde que assim caracterizado pelo órgão competente.

- Por ser nocivo o animal, desde que assim caracterizado pelo órgão competente – o
órgão competente para verificação acerca da nocividade do animal é o IBAMA.
Aliás, será considerado nocivo o animal que atente contra a saúde individual ou
pública, gerando perigo atual ou iminente.

Para Fernando Capez: Animal nocivo é aquele que pode causar danos, prejudicar a
saúde do homem. Importante lembrar que, como bem salientou Carlos Ernani
Constantino: “Só poderão ser exterminados espécimes nocivos, assim caracterizados
pelo órgão competente, quando se aproximarem de áreas urbanas ou outros
agrupamentos humanos, gerando desta maneira, um perigo atual ou iminente à saúde
individual ou pública”.

55. Violência doméstica (Lei nº 11.340/06).


[TJCE]. Violência doméstica. Qual o tipo de ação penal. Especificar. Lesão leve,
ameaça, lesão leve contra homem? Ação penal? Audiência. É preciso realizar tal
audiência na Lei Maria da Pena? - Violência contra homem – cabe a lei 9099/95? -
Se o réu desrespeitou a medida protetiva, há crime de desobediência?
- Por força do art. 88 da Lei nº 9.099/95, os crimes de lesão corporal leve e de lesão
corporal culposa, que antes eram de ação penal pública incondicionada, passaram a
depender de representação. Se, no entanto, tais delitos forem praticados no contexto
de violência doméstica e familiar contra a mulher (Lei nº 11 .340/06, arts. 5° e 7°),
havia, até bem pouco tempo atrás, intensa controvérsia doutrinária acerca da espécie
de ação penal - pública condicionada à representação ou pública incondicionada -,
haja vista uma aparente antinomia entre os arts. 16 e 41 da Lei Maria da Penha. no
julgamento da Ação Direta de Inconstitucional idade nº 4.424, o Supremo deu
interpretação conforme a Constituição aos arts. 12, I, 16 e 41, todos da Lei nº 11
.340/06, para assentar a natureza incondicionada da ação penal em casos de lesão
corporal leve e/ou culposa envolvendo violência doméstica e familiar contra a
mulher.

- STF. Entendeu-se não ser aplicável às hipóteses de violência doméstica e familiar


contra a mulher o disposto na Lei 9.099/95, independentemente da pena prevista, de
maneira que, em se tratando de lesões corporais, mesmo que de natureza leve ou
culposa, praticadas contra a mulher em âmbito doméstico, a ação penal cabível seria
pública incondicionada. Quanto ao art. 16 (audiência para representação) da Lei
Maria da Penha, concluiu o Supremo que subsiste a necessidade de representação
para crimes dispostos em leis diversas da 9.099/95, como o de ameaça (CP, art. 147,
parágrafo único) e os cometidos contra a dignidade sexual (CP, art. 225, ca put).

- Especificamente em relação ao sujeito passivo da violência doméstica e familiar ,


há uma exigência de uma qualidade especial: ser mulher. Por isso, estão protegidas
pela Lei Maria da Penha não apenas esposas, companheiras, amantes, namoradas ou
ex-namoradas, como também filhas e netas do agressor, sua mãe, sogra, avó, ou
qualquer outra parente do sexo feminino com a qual haja uma relação doméstica,
familiar ou íntima de afeto. Como deixa entrever o art. 5º da Lei nº 11.340/06, a mens
legis da Lei Maria da Penha foi coibir e reprimir toda ação ou omissão contra o gênero

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mulher capaz de causar morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico.


Portanto, revela-se inviável a aplicação da Lei Maria da Penha nas hipóteses de
violência contra pessoas do sexo masculino, mesmo quando originadas no ambiente
doméstico ou familiar. Portanto, aplica-se a Lei 9099/95 para violência contra os
homens .

- O descumprimento de medida protetiva de urgência prevista na Lei Maria da Penha


(art. 22 da Lei 11.340/2006) não configura crime de desobediência (art. 330 do CP).
STJ. 5ª Turma. REsp 1.374.653-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
11/3/2014 (Info 538). STJ. 6ª Turma. RHC 41.970-MG, Rel. Min. Laurita Vaz,
julgado em 7/8/2014 (Info 544). Não há crime de desobediência quando a pessoa
desatende a ordem e existe alguma lei prevendo uma sanção civil, administrativa ou
processual penal para esse descumprimento, sem ressalvar que poderá haver também
a sanção criminal.

56. A lei antidrogas (Lei nº 11.343/06)


[TJCE]. Lei de drogas – o que é o tráfico privilegiado? Quando se configura?
Dispõe a Lei de Drogas ( 11.343/2006):

Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender,
expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar,
prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente,
sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500


(mil e quinhentos) dias-multa.

§ 4o Nos delitos definidos no caput e no § 1o deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de
um sexto a dois terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos, desde que o
agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem
integre organização criminosa.

[TJCE]. Qual a natureza jurídica da Lei Antidrogas? Houve abolitio crime quando
no porte ao porte de drogas para consumo pessoal? Quais as penas impostas ao
consumo pessoal?
- A Lei nº 11 .343/06 instituiu o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas
-SISNAD -, que tem a finalidade de articular, integrar, organizar e coordenar as
atividades relacionadas com a prevenção do uso indevido, a atenção e a reinserção
social de usuários e dependentes de drogas, assim como a repressão da produção não
autorizada e do tráfico ilícito de drogas. Entre os arts. 3° e 17, a Lei de Drogas trata
não apenas das finalidades do SISNAD, como também de seus princípios e objetivos,
de sua composição e organização, regulamentada pelo Decreto nº 5.91 2/2006, e da
coleta, análise e disseminação de informações sobre drogas.

- Tese de que o art. 28 não seria crime. Assim que a Lei de Drogas foi editada, Luis
Flávio Gomes defendeu a tese de que o porte/posse de droga para consumo pessoal
havia deixado de ser crime. Em outras palavras, LFG sustentou que o art. 28 não
traria a definição de crime já que ele não prevê pena privativa de liberdade nem multa.
Logo, estaria “fora” do conceito de crime trazido pela Lei de Introdução ao Código
Penal (DL 3.914/1941): Art. 1º Considera-se crime a infração penal que a lei comina
pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou

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cumulativamente com a pena de multa; contravenção, a infração penal a que a lei


comina, isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou ambas. alternativa ou
cumulativamente.

O STF aceitou essa tese? NÃO. O STF decidiu o art. 28 da Lei de Drogas, mesmo
sem prever pena privativa de liberdade, continua sendo crime. Assim, não houve
uma descriminalização da conduta (abolitio criminis), mas sim uma
despenalização. A despenalização ocorre quando o legislador prevê sanções
alternativas para o crime que não sejam penas privativas de liberdade.

- Agora dispõe o artigo 28 da Lei nº 11.343, de 23-08-2006, o seguinte: Art.


28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para
consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal
ou regulamentar será submetido às seguintes penas:

I - advertência sobre os efeitos das drogas;

II - prestação de serviços à comunidade;

III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.

Como se vê, a parte sancionatória do artigo 28 da Lei Antidrogas não prevê mais
qualquer pena corporal. Este tipo penal pune o infrator somente com penas
alternativas (advertência sobre os efeitos das drogas, prestação de serviços à
comunidade e medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo).

[TJCE]. Condenado por isso, pode ser considerado reincidente se cometer outro
consumo?
- A condenação por porte de drogas para consumo próprio (art. 28 da Lei
11.343/2006) transitada em julgado gera reincidência. Isso porque a referida conduta
foi apenas despenalizada pela nova Lei de Drogas, mas não descriminalizada
(abolitio criminis). STJ. 6ª Turma. HC 275.126-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado
em 18/9/2014 (Info 549).

[TJCE]. O que consiste associação para tráfico de droga?


- Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente
ou não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei: Pena
- reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.200 (mil
e duzentos) dias-multa. Parágrafo único. Nas mesmas penas do caput deste artigo
incorre quem se associa para a prática reiterada do crime definido no art. 36 desta
Lei.

[TJCE]. O financiador é um crime autônomo?


Financiar é crime autônomo. Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer
dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei: Pena - reclusão, de 8
(oito) a 20 (vinte) anos, e pagamento de 1.500 (mil e quinhentos) a 4.000 (quatro mil)
dias-multa.

- Associação. Em que consiste o crime: A pessoa comete esse crime quando se junta
com outra(s) pessoa(s), de forma estável e permanente, com o objetivo de praticar:

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tráfico de drogas (caput do art. 33); condutas equiparadas a tráfico de drogas (§ 1º


do art. 33); ou tráfico de maquinários para drogas (art. 34).

Duas ou mais pessoas que se unem para financiar/custear o tráfico (crime do art. 36):
Podem responder pelo art. 35 se essa reunião for para a prática reiterada do art. 36.
“É colaborador aquele que transmite informação relevante, útil ou necessária, para o
êxito das atividades do grupo, associação ou organização criminosa, que visam à
prática de crimes previstos na Lei de Drogas” (Min. Marco Aurélio Bellizze).

Sujeito ativo: pode ser praticado por qualquer pessoa (crime comum).

Sujeito passivo: coletividade (crime vago).

Bem jurídico: saúde pública.

Crime autônomo: O art. 35 é um crime autônomo. Isso significa que ele pode se
consumar mesmo que os delitos nele mencionados acabem não ocorrendo e fiquem
apenas na cogitação ou preparação. Assim, se João e Antônio se juntam, de forma
estável e permanente, para praticar tráfico de drogas, eles terão cometido o crime do
art. 35, ainda que não consigam perpetrar nenhuma vez o tráfico de drogas.

Se João e Antônio conseguirem praticar o tráfico de drogas, eles responderão pelos


dois delitos, ou seja, pelo art. 35 em concurso material com o art. 33 da Lei n.
11.343/2006.

Associação = reunião estável e permanente. É muito importante ressaltar que


associação significa uma reunião (junção) estável e permanente (duradoura) de
pessoas. A isso se dá o nome de societas sceleris. “É necessário que fique
demonstrado o ânimo associativo, um ajuste prévio referente à formação do vínculo
permanente e estável, para a prática dos crimes que enumera.” (Min. Marco Aurélio
Bellizze).

[TJCE]. Se não houver estabilidade haverá Associação? Se o concurso for eventual?


Se essa associação for eventual ou acidental, não haverá o crime do art. 35, sendo
apenas caso de concurso de pessoas. Ex: João e Antônio encontram-se em uma festa
e, além de consumirem êxtase (uma espécie de droga sintetizada), decidem vender
juntos ali mesmo as pílulas que sobraram. Terão cometido tráfico de drogas (art. 33,
caput) em concurso de agentes. Não poderão ser condenados por associação (art. 35),
considerando que a reunião para o projeto criminoso não tinha um caráter duradouro
e estável, sendo uma junção ocasional.

[TJCE]. Associação para o tráfico é crime hediondo?


- Não é hediondo. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO.
DESCABIMENTO. EXECUÇÃO PENAL. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO.
CRIME NÃO INCLUÍDO NO ROL DOS DELITOS HEDIONDOS OU
EQUIPARADOS. PROGRESSÃO DE REGIME. LAPSO DE 1/6 A SER
APLICADO. FLAGRANTE ILEGALIDADE EVIDENCIADA. HABEAS
CORPUS NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. - O Superior
Tribunal de Justiça, seguindo o entendimento do Supremo Tribunal Federal, passou
a inadmitir habeas corpus substitutivo de recurso próprio, ressalvando, porém, a
possibilidade de concessão da ordem de ofício nos casos de flagrante

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constrangimento ilegal. - O Superior Tribunal de Justiça entende que o delito de


associação para o tráfico de drogas não possui natureza hedionda, por não estar
expressamente previsto nos arts. 1º e 2º, da Lei n. 8.072/90. - Afastada a
hediondez do delito descrito no art. 35 da Lei n. 11.343/06, deve ser cumprido o
lapso de 1/6 de pena para a progressão de regime, não se aplicando o disposto no
art. 2º, § 2º da Lei n. 8.072/90. Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida de
ofício, para determinar que o Juízo das Execuções, analisando o caso concreto, avalie
a possibilidade de concessão ao paciente da progressão de regime, afastando-se a
condição de hediondo do delito de associação para o tráfico. (STJ - HC: 294935 SP
2014/0117692-3, Relator: Ministro ERICSON MARANHO (DESEMBARGADOR
CONVOCADO DO TJ/SP), Data de Julgamento: 12/02/2015, T6 - SEXTA
TURMA, Data de Publicação: DJe 26/02/2015).

[TJCE]. O que consiste em tráfico privilegiado?


Art . 33 § 4o Nos delitos definidos no caput e no § 1o deste artigo, as penas poderão ser
reduzidas de um sexto a dois terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos,
desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades
criminosas nem integre organização criminosa. (Vide Resolução nº 5, de 2012)

[TJCE]. Em que fase de dosimetria está inserida?


As circunstâncias relativas à natureza e à quantidade de drogas apreendidas com um
condenado por tráfico de entorpecentes só podem ser usadas, na fase da dosimetria
da pena, na primeira ou na terceira etapa do cálculo, e sempre de forma não
cumulativa. Esse entendimento foi adotado pela maioria dos ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF) presentes à última sessão plenária de 2013, realizada na
manhã desta quinta-feira (19).

[TJCE]. Que critérios como o Juiz permite utilizar para aplicar meios como menor
índice de aumento de pena?
A natureza e a quantidade da droga NÃO podem ser utilizadas para aumentar a pena-
base do réu e também para afastar o tráfico privilegiado (art. 33, § 4º) ou para,
reconhecendo -se o direito ao benefício, conceder ao réu uma menor redução de pena.
Haveria, nesse caso, bis in idem. STF. 2ª Turma. RHC 122684/MG, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgado em 16/9/2014 (Info 759).

Renato Brasileiro: Como a aplicação da minorante depende da presença cumulativa


de todos esses requisitos, é evidente que o preenchimento desses pressupostos, por si
só, não autoriza a aplicação da causa de diminuição em seu patamar máximo. Fosse
assim, toda vez que o acusado fizesse jus ao be nefício legal por preencher todos os
4 (quatro) requisitos, a causa de diminuição de pena seria aplicada no máximo legal
- 2/3 (dois terços), tornando inócua a previsão legal de um patamar mínimo e
máximo. Por isso, o quantum de diminuição deve ser fixado pelo magistrado com
base em critérios diversos daqueles necessários para a aplicação da minorante.

Nesse contexto, como se pronunciou o Supremo,

"o juiz não está obrigado a aplicar o máximo da redução prevista, quando presentes os
requisitos para a concessão desse benefício, tendo plena discricionariedade para aplicar·
a redução no patamar que entenda necessário e suficiente para reprovação e prevenção
do crime, segundo as peculiaridades de cada caso concreto. Do contrário, seria inócua
a previsão legal de um patamar mínimo e um máximo".

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Para fins de determinar o quantum de diminuição da pena, o juiz deve se valer dos
critérios constantes do art. 42 da Lei de Drogas - natureza e quantidade da droga,
personalidade e conduta social do agente -, tendo plena autonomia para aplicar a
redução no quantum reputado adequado de acordo com as peculiaridades do caso
concreto, desde que o faça de maneira fundamentada.

Nesse caso, não se pode objetar que haveria bis in idem pelo fato de uma mesma
circunstância ser levada em consideração duas vezes, ora na primeira fase de
individualização da pena, ora para fixar o quantum de diminuição da pena-base. Se
o Supremo Tribunal Federal entende que o agravamento da pena pela reincidência
não ofende o princípio da individualização da pena, nem tampouco caracteriza bis in
id em, podendo esta mesma circunstância agravante também ser utilizada para a
vedação de outros benefícios legais (v. g., transação e suspensão condicional do
processo),115 não há dupla valoração quando ocorrer o aumento da pena-base por
um dos fundamentos do art. 42 da Lei de Drogas, sendo estes mesmos fundamentos
posteriormente utilizados para mensurar o quantum de diminuição de pena previsto
no art. 33, §4°, haja vista a diversidade de incidência (primeiro como critério de
aumento da pena-base e, depois, como fixação do quantum de diminuição).

Em sentido diverso, há precedentes da 2ª Turma do Supremo com o entendimento de


que a fixação do quantum de redução não pode utilizar os mesmos argumentos
adotados em outras fases da dosimetria da pena. Logo, como a natureza e a
quantidade da droga apreendida são circunstâncias que devem ser sopesadas na
primeira fase de individualização da pena, nos termos do art. 42 da Lei 11 .343/2006,
revela-se impróprio invocá-las por ocasião de escolha do fator de redução previsto
no § 4° do art. 33, sob pena de indevido bis in id em.117

[TJCE]. O tráfico privilegiado é crime hediondo?


SIM. O tráfico de drogas, ainda que privilegiado, é hediondo. Essa foi a conclusão
do julgamento do HC nº 161.135/MS, relatado pelo Ministro Gilson Dipp (Quinta
Turma do STJ – julgamento em 14.04.11).

[TJCE]. Proíbe uso de restritiva de direito?


NÃO. Em sua redação original, o art. 33, §4°, vedava a conversão da pena privativa
de liberdade em restritiva de direitos, ainda que a pena definitiva aplicada ao agente
ficasse em patamar não superior a 4 (quatro) anos em virtude da incidência da ref
erida minorante. Ocorre que, nos autos do HC 97 .256, o Plenário do Supremo
Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dessa restrição. Não por outro
motivo, o Senado Federal acabou suspendendo a execução da expressão "vedada a
conversão em penas restritivas de direitos" por meio da Resolução nº 5 de 2012,
valendo-se da competência prevista no art. 52, inciso X, da Constituição Federal

[TJCE]. Obriga fixar regime fechado?


A Lei n.° 8.072/90, em sua redação original, determinava que os condenados por
crimes hediondos ou equiparados (TTT) deveriam cumprir a pena em regime
integralmente fechado:

Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e


drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de: (...)

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§ 1º A pena por crime previsto neste artigo será cumprida integralmente em regime
fechado.

Em 23/02/2006, o STF declarou inconstitucional este § 1º do art. 2º por duas razões


principais, além de outros argumentos:

a) A norma violava o princípio constitucional da individualização da pena (art. 5º,


XLVI, CF) já que obrigava o juiz a sempre condenar o réu ao regime integralmente
fechado independentemente do caso concreto e das circunstâncias pessoais do réu;

b) A norma proibia a progressão de regime de cumprimento de pena, o que


inviabiliza a ressocialização do preso.

PENA - REGIME DE CUMPRIMENTO - PROGRESSÃO - RAZÃO DE SER. A


progressão no regime de cumprimento da pena, nas espécies fechado, semi-aberto e
aberto, tem como razão maior a ressocialização do preso que, mais dia ou menos dia,
voltará ao convívio social.

PENA - CRIMES HEDIONDOS - REGIME DE CUMPRIMENTO - PROGRESSÃO -


ÓBICE - ARTIGO 2º, § 1º, DA LEI Nº 8.072/90 - INCONSTITUCIONALIDADE -
EVOLUÇÃO JURISPRUDENCIAL. Conflita com a garantia da individualização da pena
- artigo 5º, inciso XLVI, da Constituição Federal - a imposição, mediante norma, do
cumprimento da pena em regime integralmente fechado. Nova inteligência do princípio
da individualização da pena, em evolução jurisprudencial, assentada a
inconstitucionalidade do artigo 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90. (HC 82959, Relator: Min.
MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/02/2006)

Diante dessa decisão, o Congresso Nacional editou a Lei n.° 11.464/2007


modificando o § 1º do art. 2º da Lei n° 8.072/90:

Redação dada pela Lei 11.464/2007

§ 1º A pena por crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime
fechado.

Para os crimes anteriores à Lei n.° 11.464/2007, como o antigo § 1º era


inconstitucional, as regras são as seguintes:

• É possível a progressão de regime cumprido 1/6 da pena (art. 112 da LEP) (Súm.
471-STJ);

• Não existe regime inicial obrigatório. O regime inicial é fixado segundo as normas
do art. 33, § 2º do CP.

Para os crimes posteriores à Lei n.° 11.464/2007 as regras legais são as seguintes:

• A nova redação do § 1º passou a permitir a progressão de regime para crimes


hediondos, conforme os requisitos previstos no § 2º do art. 2º (2/5 se primário e 3/5
se reincidente);

• A nova redação do § 1º continuou a impor ao juiz que sempre fixe o regime inicial
fechado aos condenados por crimes hediondos e equiparados.

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Segundo entendeu o STF, essa nova redação dada pela Lei n.° 11.464/2007 somente
é válida para os crimes praticados após a sua vigência (29.03.2007).

Assim, a Lei n.° 11.464/2007 é irretroativa considerando que, segundo o STF, trata-
se de lei posterior mais grave. Isso porque depois da decisão do STF reconhecendo a
inconstitucionalidade da vedação de progressão para crimes hediondos (prevista na
redação original do § 1º), os condenados por crime hediondos e equiparados
passaram a poder progredir com o requisito de 1/6, mais favorável que o critério da
Lei n.º 11.464/07 (RHC 91300/DF, rel. Min. Ellen Gracie, 5.3.2009).

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PROCESSO PENAL
* O examinador dessa matéria foi Dr. Vico Mañas

1. Princípios constitucionais do processo penal.


[TJCE]. O juiz pode presidir audiência com réu preso algemado? Manutenção de
algemas sem motivação, qual a consequência prática desse ato? Qual o fundamento
dessa decisão?
Em regra não, pois fere a dignidade do preso. Assim, entende-se que a contenção de
presos sem justificativa é ilegal, gerando anulações de processos e de condenações,
com reflexos na segurança pública.

Doutor em direito penal, Aury Lopes Junior defende a seguinte posição:

Não está proibida a algema, apenas deve ser justificada, pois, inegavelmente, causa uma
impressão negativa frente aos jurados e, ainda, às testemunhas do processo. Isso é muito
prejudicial à defesa. Ademais é extremamente constrangedor e humilhante.

Nesse sentido, súmula vinculante 11:

Só é lícito uso de algemas em casos de resistência e de receio de fuga ou de perigo à


integridade física, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por
escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da
autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual, sem prejuízo da
responsabilidade civil do Estado.

[TJCE]. A desnecessidade de advogados no procedimento administrativo se mantém


em atos que possam repercutir na esfera penal? O STF já estabeleceu os limites da
súmula? Ela se aplica na execução penal?
RENATO BRASILEIRO, 2014. Acerca do assunto, o Superior Tribunal de Justiça
editou o verbete sumular de n° 343, segundo o qual é obrigatória a assistência de
advogado em todas as fases do processo administrativo disciplinar, de forma a
assegurar a garantia constitucional do contraditório.

Ocorre que, após a edição da súmula 343 do STJ, o Supremo Tribunal Federal
manifestou-se no sentido de que, em relação às punições disciplinares, o exercício da
ampla defesa abrange: a) o direito de informação sobre o objeto do processo: obriga
o órgão julgador a informar à parte contrária dos atos praticados no processo e sobre
os elementos dele constantes; b) o direito de manifestação: assegura ao defendente a
possibilidade de se manifestar oralmente ou por escrito sobre os elementos fáticos e
jurídicos contidos no processo; c) o direito de ver os seus argumentos contemplados
pelo órgão incumbido de julgar: exige do julgador capacidade de apreensão e isenção
de ânimo para contemplar as razões apresentadas. Todavia, concluiu a Suprema
Corte que não se faz necessária a presença de advogado no processo administrativo
disciplinar.56 Exatamente em virtude dessa conclusão, foi firmado pelo Supremo
Tribunal Federal o enunciado da Súmula Vinculante n° 5, segundo a qual: “A falta
de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a
Constituição”.

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A despeito do teor da Súmula Vinculante 5, tal verbete é aplicável apenas em


procedimentos de natureza cível e não em procedimento administrativo
disciplinar promovido para averiguar o cometimento de falta grave no curso da
execução penal, tendo em vista estar em jogo a liberdade de ir e vir. Logo, na
hipótese de o Juízo das Execuções decretar a regressão de regime de cumprimento
de pena sem que o condenado seja assistido por defensor durante procedimento
administrativo disciplinar instaurado para apurar falta grave, há de se reconhecer a
nulidade do feito, haja vista a violação aos princípios do contraditório e da ampla
defesa’.

[TJCE]. Haveria afronta a algum princípio, a exigência de custas para recorrer no


âmbito penal?
O art. 806, § 2.º, do CPP estabelece que a ausência de preparo importa em deserção
do recurso.

Esta regra aplica-se apenas aos casos de ação penal privada e destina-se, única e
exclusivamente, ao querelante, não se aplicando aos demais legitimados recursais.
Afinal, em primeiro lugar, quanto ao Ministério Público, obviamente, este não está
sujeito a pagamento de custas em nenhuma das esferas perante as quais atua (cível,
criminal, infância e juventude etc.). No que tange ao assistente de acusação, a
despeito de existirem controvérsias, a verdade é que não existe previsão legal de
preparo.

Por outro lado, quanto ao recurso da defesa, chegou a ser discutida a necessidade
de preparo. Não obstante, na atualidade, a posição majoritária, inclusive no Superior
Tribunal de Justiça, é a de que “a interposição de recurso, nas ações penais públicas,
não está sujeita à deserção por falta de preparo, à luz dos princípios constitucionais
da não culpabilidade e da ampla defesa” (STJ, HC 91.097, DJ 06.04.2009).
Destarte, o réu apenas deverá ser intimado para o pagamento das custas após o
trânsito em julgado da sentença condenatória, isto mesmo se não lhe tiver sido
assegurado, na própria sentença, o benefício da assistência judiciária gratuita

[TJCE]. Defina contraditório.


O contraditório e a ampla defesa constituem cláusula pétrea, disposta no art. 5º, LV
da CRFB/88, que nos diz:

"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:(...)

LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são


assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;(...)"

Maria Sylvia Zanella Di Pietro esclarece em breves linhas sobre tais princípios,
mostrando que:

"O princípio do contraditório, que é inerente ao direito de defesa, é decorrente da


bilateralidade do processo: quando uma das partes alega alguma coisa, há de ser ouvida
também a outra, dando-se-lhe oportunidade de resposta. Ele supõe o conhecimento dos
atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação. Exige: 1-
notificação dos atos processuais à parte interessada; 2- possibilidade de exame das

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provas constantes do processo; 3- direito de assistir à inquirição de testemunhas; 4-


direito de apresentar defesa escrita."

Como bem esclarece Gilmar Ferreira Mendes, o contraditório e a ampla defesa não
se constituem em meras manifestações das partes em processos judiciais e
administrativos, mas, e principalmente uma pretensão à tutela jurídica.

Insere-se nesta tutela, assim como visto na doutrina alemã a pretensão à tutela
jurídica (Anspruch auf rechtliches Gehör), os direitos de informação, de
manifestação e o direito em ver seus argumentos devidamente apreciados.

José Afonso da Silva nos ensina que o devido processo legal está baseado em três
princípios, quais sejam: o acesso à justiça, o contraditório e a plenitude de defesa.

[TJCE]. É possível utilizar prova emprestada? Ainda que o réu não tenha
participado da produção da prova no primeiro processo? Isso fere o princípio do
contraditório?
Em regra, a prova que será utilizada pelas partes e pelo juiz no processo é produzida
dentro do próprio processo. É possível, no entanto, que uma prova que foi produzida
em um processo seja levada (“transportada”) para ser utilizada em outro processo. A
isso a doutrina chama de “prova emprestada”.

“Prova emprestada é a prova de um fato, produzida em um processo, seja por


documentos, testemunhas, confissão, depoimento pessoal ou exame pericial, que é
trasladada para outro processo sob a forma documental.” (DIDIER JR. Fredie;
BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael. Curso de Direito Processual Civil. Vol. 2.
Salvador: Juspodivm, 2013, p. 52).

Fundamentos de aceitação da prova emprestada: • Princípio da economia processual;


• Princípio da busca da verdade possível uma vez que nem sempre será possível
produzir a prova novamente.

“A utilização de prova já produzida em outro processo responde aos anseios de economia


processual, dispensando a produção de prova já existente, e também da busca da verdade
possível, em especial quando é impossível produzir novamente a prova.” (NEVES,
Daniel Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Método, 2013, p.
430).

A prova que veio de outro processo entra no processo atual como “prova
documental”, independentemente da natureza que ela tinha no processo originário.
Ex1: foi colhido o depoimento de uma testemunha no processo 1. Trata-se de prova
testemunhal. Se essa inquirição for “emprestada” (trasladada) para o processo 2, ela
ingressará no feito como prova documental (e não mais como prova testemunhal).

Ex2: a perícia realizada no processo 1, se for emprestada para o processo 2, ingressará


como prova documental (e não mais como prova pericial).

De acordo com a doutrina majoritária, a utilização da prova emprestada só é possível


se aquele contra quem ela for utilizada tiver participado do processo onde essa prova
foi produzida, observando-se, assim, os princípios do contraditório e da ampla
defesa. Só se pode considerar como prova emprestada, portanto, aquela que foi
produzida, no primeiro processo, perante aquele que terá que se sujeitar a seus efeitos

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no segundo, com a possibilidade de ter contado, naquele, com todos os meios


possíveis de contrariá-la. Assim, sua admissibilidade é legítima com preenchimento
dos seguintes requisitos: a) identidade de partes. B) identidade de objeto da lide; c)
observância do contraditório na colheita da prova; e d) licitude da prova produzida.

ATENÇÃO!

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. PROVA EMPRESTADA ENTRE PROCESSOS COM


PARTES DIFERENTES. É admissível, assegurado o contraditório, prova emprestada de
processo do qual não participaram as partes do processo para o qual a prova será
trasladada. A grande valia da prova emprestada reside na economia processual que
proporciona, tendo em vista que se evita a repetição desnecessária da produção de prova
de idêntico conteúdo. Igualmente, a economia processual decorrente da utilização da
prova emprestada importa em incremento de eficiência, na medida em que garante a
obtenção do mesmo resultado útil, em menor período de tempo, em consonância com a
garantia constitucional da duração razoável do processo, inserida na CF pela EC
45/2004. Assim, é recomendável que a prova emprestada seja utilizada sempre que
possível, desde que se mantenha hígida a garantia do contraditório. Porém, a prova
emprestada não pode se restringir a processos em que figurem partes idênticas, sob pena
de se reduzir excessivamente sua aplicabilidade sem justificativa razoável para isso.
Assegurado às partes o contraditório sobre a prova, isto é, o direito de se insurgir contra
a prova e de refutá-la adequadamente, o empréstimo será válido. EREsp 617.428-SP,
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 4/6/2014. STJ, Corte Especial.

[TJCE]. O que o juiz deve fazer em uma audiência, diante de uma delação entre dois
réus, em que um acusa o outro, não estando o réu acusado presente quando da coleta
da prova? Usar essa prova para embasar condenação fere o princípio do
contraditório?
Professor Guilherme de Souza Nucci aponta a necessidade da existência do
contraditório na situação, e o faz nos seguintes termos, ad litteram" havendo, nas
declarações de co-réu, referência à conduta de co-autor, para existir a possibilidade
de o juiz utilizar tais dados contra quem foi incriminado,é essencial que seja
permitido às partes participarem da colheita de provas. (…) quando um co-réu
incriminar outro, deve ser permitido pelo juiz que as partes façam perguntas
reperguntas e esclareçam. Do contraditório será uma prova totalmente inquisitiva,
que irá produzir danos a quem dela não participar" [08]. Conclui, por fim, de forma
brilhante, admoestando que, in verbis:" melhor afetar a lei ordinária (o Código de
Processo Penal, que não permite reperguntas [09], nem a presença de co-réu em
interrogatório do seu comparsa), do que a Constituição (princípios do contraditório
e da ampla defesa)".

No mesmo sentido, a Professora Ada Pellegrini Grinover, citada por Antônio


Scarance Fernandes: "a palavra de um acusado, com relação aos demais, é
testemunho e consequentemente, meio de prova: e prova alguma pode ser colhida
senão sob o pálio do contraditório". Arremata, então, ponderando que a proibição de
reperguntas ao corréu, que delata o outro irrogado, durante o interrogatório, enseja
gritante ofensa ao texto constitucional, tanto mais quando a delação serve como único
fundamento para condenação.

[TJCE]. A prova pericial admite contraditório?


Todas as provas devem ser submetidas ao contraditório, devendo também ser
produzidas diante do juiz, na instrução. Todavia, em algumas ocasiões se faz

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necessária a imediata produção da prova pericial, antes do encerramento da fase de


investigação, a fim de comprovar-se cabalmente a materialidade do delito e
identificação de sua autoria. Em virtude disso, quando da realização das provas de
natureza cautelar não será possível a participação da defesa, sob o risco de ser
inviabilizada a persecução penal.

Nesse sentido, quando da produção da prova pericial, o contraditório somente será


realizado em juízo (artigo 155, caput, CPP), limitando-se ao exame acerca da
idoneidade do profissional responsável pela perícia, e, também, das conclusões
alcançadas, quando já perecido o material periciado. Em consequência disso, o objeto
da prova, na maioria das vezes, será a qualidade técnica do laudo, e, especialmente,
o cumprimento das normas legais a ele pertinentes, por exemplo, a exigência de
motivação, de coerência, de atualidade e idoneidade dos métodos, dentre outros.

[TJCE]. Vigora no processo penal o princípio da identidade física do juiz?


Sim, desde a reforma de 2008 do CPP.

Art. 399, CPP. Recebida a denúncia ou queixa, o juiz designará dia e hora para a
audiência, ordenando a intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e,
se for o caso, do querelante e do assistente. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008).

§ 2o O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença. (Incluído pela Lei nº
11.719, de 2008).

2. Aplicação da lei processual no tempo, no espaço e em relação às


pessoas.
[TJCE]. A lei processual penal é irretroativa? Dentro da regra quais os atos são
válidos ou não?
Dispõe o artigo 2º do Código de Processo Penal que a lei processual penal aplicar-
se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei
anterior.

Assim, para as normas genuinamente processuais o princípio adotado é o


da aplicação imediata da lei processual, preservando-se os atos até então praticados.
As normas genuinamente processuais são as leis que cuidam de procedimentos, atos
processuais, técnicas do processo etc. A lei a ser aplicada é a lei vigente ao tempo da
prática do ato (tempus regit actum).

Com relação às normas processuais materiais ou de natureza mista, há duas correntes


sobre conceito das mesmas.

Uma primeira corrente (restritiva) diz que, embora as normas processuais materiais
estejam disciplinadas em diplomas processuais penais, dispõem sobre o conteúdo da
pretensão punitiva, tais como direito de queixa ou de representação, prescrição,
decadência, perempção etc. Assim, a eficácia no tempo deverá seguir o regramento
do artigo 2º, caput e parágrafo único do Código Penal. Em se tratando de uma norma
mais favorável ao réu, deverá retroagir em seu benefício; se prejudicial, aplica-se a
lei já revogada.

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A segunda corrente (ampliativa) diz que as normas processuais materiais são aquelas
que estabelecem condições de procedibilidade, meios de prova, liberdade
condicional, prisão preventiva, fiança, modalidades de execução da pena e todas as
demais normas que produzam reflexos no ius libertatis do agente, aplicando-se então
é o critério da irretroatividade da lei mais gravosa.

Assim, aplica-se o critério da irretroatividade da lei mais gravosa, seja qual for a
corrente adotada.

[TJCE]. Se for uma lei mista?


Norma processual mista em sentido estrito é a que conta, num único dispositivo, com
dois comandos normativos: um penal e outro processual. Exemplo: art. 88 da
Lei 9.099/95 (lei dos juizados especiais). A partir da sua vigência os crimes de lesões
corporais leves e lesões culposas passaram a exigir representação (manifestação de
vontade da vítima). A representação é instituto eminentemente processual. Mas ela
deve ser exercida dentro de um prazo, que é decadencial. O instituto da decadência
tem nítido caráter penal. Para crimes novos (cometidos depois da Lei 9.099/95) a
aplicação da lei é imediata. Ou seja: a parte processual (exigência de representação)
é imediata. Para crimes antigos (antes da lei), a parte penal é retroativa, por se tratar
de lei penal nova mais benéfica (a própria lei resolveu o tema, no art. 91, ao
determinar a intimação da vítima para manifestar sua vontade em 30 dias). Lei penal
nova benéfica retroage. Em síntese: na norma mista a parte penal retroage se benéfica
e não retroage se maléfica. Mas isso não impede a aplicação imediata da parte
processual.

[TJCE]. Qual lei foi utilizada? (Art.366, CPP). Qual a solução se deu a essa
controvérsia?
O objetivo do art. 366 é garantir que o acusado que não foi pessoalmente citado não
seja julgado à revelia.

A nova redação do art. 366 dispõe que: “Se o acusado, citado por edital, não
comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do
prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada de provas
consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do
art. 312 ”. É notoriamente uma norma de caráter híbrido, pois amalgama aspectos de
direito penal (prescrição) e de caráter processual (suspensão do processo). Aí reside
a grande dificuldade para a aplicação deste artigo, pois ele abraça, na sua
principiologia, aspectos disjuntos como a irretroatividade da lei penal mais gravosa
e o “tempus regit actum” como princípio da aplicação imediata da lei processual.

De acordo com o STJ o período de suspensão do prazo prescricional, decorrente da


aplicação do art. 366 do CPP, é regulado pela norma do art. 109, do Código Penal,
observado o máximo da pena cominada para a infração penal.

[TJCE]. Como devem ser interpretadas as normas processuais?


Ela deve ser interpretada sempre a favor do réu.

[TJCE]. É possível o emprego da analogia?


Art. 3º. A lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica,
bem como o suplemento dos princípios gerais de direito.

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Quanto à analogia no Direito Processual Penal, Guilherme de Souza Nucci diz: "No
processo penal, a analogia pode ser usada contra ou a favor do réu, pois não se trata
de norma penal incriminadora, protegida pelo princípio da reserva legal, que exige
nítida definição do tipo em prévia lei." (2014, p. 38).

- Analogia em Direito Penal não pode, só se for in bonam partem.

- Analogia em Direito Processual Penal pode, inclusive se for in malam partem.

- Analogia e interpretação analógica não são a mesma coisa!!! A primeira é método


de integração da norma e a outra de interpretação.

[TJCE]. Pode o réu requerer nulidade com o não cumprimento da regra da lei de
drogas concedendo o réu para apresentar defesa preliminar?
De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo
Tribunal Federal, a inobservância do rito procedimental previsto no art. 38 da Lei n.
10.409 /2002, que determina a apresentação de defesa preliminar antes do
recebimento da denúncia, constitui nulidade relativa, devendo ser arguida em
momento oportuno e comprovado o prejuízo.

3. Inquérito policial.
[TJCE]. Qual é o prazo de conclusão do Inquérito Policial? Passando o prazo e
estando o réu preso, qual é o resultado prático?
Solto Preso

CPP 30 10

Inq. pol. federal 30 15 + 15

CPPM 40 20

Lei de Drogas 90 + 90 30 + 30

Economia popular 10 dias 10 dias

Prisão temporária -
Crimes hediondos e
equiparados Não se aplica 30 + 30

Em se tratando de investigado solto, é possível a prorrogação do prazo. A maioria


entende que se o investigado estiver preso, o prazo não poderá ser prorrogado.

Em se tratando de investigado solto, esse prazo é de natureza processual.

OBS.: Prazo de natureza processual:

 o dia do início não é computado (se o inquérito foi instaurado hoje, o prazo para
conclusão começará a fluir a partir de amanhã);
 se o prazo termina em um sábado, domingo ou feriado, será prorrogado até o
próximo dia útil.

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Em se tratando de investigado preso, há certa controvérsia quanto à natureza do


prazo.

 1ª corrente: prazo de natureza penal (NuCC/02);


 2ª corrente: prazo processual (Mirabete).

Para o prof. Renato, a segunda posição é mais acertada. Não se pode confundir o
prazo da prisão, que tem natureza penal, com o prazo para a conclusão do inquérito,
que tem natureza processual

[TJCE]. O que se deve fazer com os instrumentos do crime? Delegado pode restituir
coisas apreendidas?
Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial
deverá:

II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos
criminais;

Art. 120. A restituição, quando cabível, poderá ser ordenada pela autoridade policial ou
juiz, mediante termo nos autos, desde que não exista dúvida quanto ao direito do
reclamante.

[TJCE]. Autoridade policial pode conceder fiança? Em que casos?


Art. 322. A autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração
cuja pena privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 (quatro) anos

[TJCE]. O indiciamento é responsabilidade de quem?


R: Atribuição privativa da autoridade policial.

[TJCE]. O delegado pode instaurar inquérito quando? Ao delegado cabe reconhecer


a atipicidade dos fatos?
R: Ação penal pública incondicionada pode iniciar de ofício (princípio da
obrigatoriedade)

Independentemente de provocação, se o delegado toma o conhecimento de uma


prática delituosa, ele é obrigado a instaurar o inquérito policial.

Peça inaugural: Portaria do delegado (descreve como tomou conhecimento do fato,


qual é o fato delituoso e quais diligências devem ser tomadas).

O reconhecimento da atipicidade dos fatos é atividade privativa do magistrado, não


podendo o delegado de polícia realizá-la.

[TJCE]. O que significa o trancamento do IP?


A jurisprudência é pacífica no sentido de que somente caberá o trancamento do
inquérito policial quando o fato for atípico, quando verificar-se a ausência de justa
causa, quando o indiciado for inocente ou quando estiver presente causa extintiva da
punibilidade (HC 20121/MS, Rei. Ministro Hamilton Carvalhido,6ª Turma,STJ).

[TJCE]. Quem determina e quais os meios?


Makson

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[TJCE]. Há nulidade no IP?


Não há que se falar em nulidade do inquérito policial, que é mera peça administrativa,
destinada à investigação preliminar de um fato. (STF e STJ): para os tribunais
superiores, como os vícios do IP ocorrem dentro de um procedimento dispensável,
eles estão adstritos ao próprio IP, e NÃO terão o condão de contaminar o futuro do
processo (posição majoritária).

[TJCE]. Há contraditório no IP?


No IP não há contraditório ou ampla defesa.

Posição Minoritária defende a processualização dos procedimentos – segundo


Miguel Calmon, devemos aplicar o Princípio do Devido Processo Legal aos
procedimentos investigativos e a sua respectiva carga axiológica (valorativo), com
isso permitiremos o contraditório e a ampla defesa na fase investigativa, na dosagem
adequada para preservação dos direitos e garantias fundamentais.

De acordo com a doutrina, fala-se em contraditório diferido no âmbito do inquérito


policial, quando da necessidade de produção de provas urgentes. Apesar de não
existir contraditório no IP, diz-se que, em relação às provas urgentes (exame de corpo
de delito, por exemplo.), opera-se o chamado contraditório diferido. Estas provas
devem ser produzidas imediatamente (mesmo no âmbito do IP), pois, do contrário, a
ação do tempo poderia torná-las inúteis. No entanto, as partes, durante o processo,
estão autorizadas a se manifestar sobre essas provas assim produzidas, daí o nome:
contraditório diferido.

[TJCE]. O que a defesa pode requerer no IP?


A autoridade policial age com certa discricionariedade quanto às diligências
requeridas pelo investigado, possuindo autonomia de decisão.

O arbítrio de decisão da autoridade policial traduz-se em um caráter inquisitivo do


procedimento. Podendo o delegado iniciar a investigação de ofício, sem precisar de
provocação do juízo ou mesmo de requisição do Ministério Público ou do particular,
tais como o pedido de oitiva de testemunhas. Pode também deferir ou indeferir
qualquer solicitação de ambas as partes, seja esta da acusação ou mesmo do suspeito,
sem precisar fundamentar a uma ou outra decisão.

No entanto, conforme o Art. 84 do CPP, esta discricionariedade não alcança o exame


de corpo de delito, já que este, se requerido por qualquer dos envolvidos, não poderá
ser indeferido. Ademais, já há jurisprudência do STJ em que assenta o poder do
indiciado de impetrar recurso no caso de recusa do delegado em proceder à diligência
requisitada.

[TJCE]. Contra as decisões do delegado de polícia, cabe recurso?


Havendo denegação do Delegado caberá Recurso Administrativo (Recurso
Inominado) endereçado ao chefe de polícia.

[TJCE]. Qual a natureza jurídica do inquérito policial? Por que existe o inquérito
policial? É dispensável? Como se inicia o inquérito policial? O delegado pode
instaurar inquérito em crime de ação penal privada? O que é indiciamento? Qual a
repercussão na ação penal? É possível indiciamento após a abertura da ação penal?
O ip tem rito? O inquérito é sigiloso?

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O inquérito policial possui natureza jurídica de procedimento administrativo,


existindo com o intuito de elucidar infrações penais. Em que pese sua importância na
construção da carga probatória processual, o inquérito é dispensável, podendo a ação
ser instruída com provas obtidas de formas diversas, como em uma investigação
efetuada pelo ministério público.

O inquérito policial pode ser iniciado por portaria, por meio de flagrante ou
requisição da autoridade competente.

No caso de ação penal privada, a abertura do inquérito policial está condicionada à


demonstração de interesse da vítima, uma vez que é desta o maior interesse na
elucidação do caso. Por indiciamento entende-se o ato da autoridade policial que,
colhendo evidências suficientes, imputa a prática criminal a alguém. (Augusto
Cezar: não sei as repercussões). Quanto à possibilidade de indiciamento após a
abertura da ação penal, as cortes brasileiras vêm entendendo pela impossibilidade,
uma vez que seria desnecessária tal situação, conforme se verifica do voto do ex-
ministro Joaquim Barbosa no HC 115.015:

ultimada a persecutio criminis (persecução criminal) pré-processual e promovida a


pertinente ação penal, desnecessária é a superveniência do indiciamento formal, haja
vista que os agentes envolvidos na prática delituosa deixam de ser meros suspeitos,
objetos da investigação, e passam a ostentar a condição de réus, sujeitos da relação
processual-penal.

Quanto à existência de rito próprio, embora existam regras legais e constitucionais


que devem ser respeitadas, a resposta é negativa. Já em relação ao sigilo, entende-se
que como o inquérito busca elucidar atos criminosos, suas informações deverão ser
resguardadas, no intuito que não se tornem de conhecimento público e frustrem os
esforços policiais.

http://www2.tjce.jus.br:8080/esmec/wp-content/uploads/2010/03/inquarito-policial-novo-texto.pdf

4. Ação penal: conceito, condições, pressupostos processuais. Ação penal


de iniciativa pública. Titularidade, condições de procedibilidade.
Denúncia: forma e conteúdo; recebimento e rejeição. Ação penal de
iniciativa privada: Titularidade. Queixa. Renúncia. Perdão.
Decadência. Perempção. Extinção da punibilidade.

# AÇÃO PENAL DE INICIATIVA PRIVADA.


[TJCE]. Quais são as causas de extinção da punibilidade na ação penal pública?
R: São causas extintivas da punibilidade aplicáveis à ação penal pública: morte,
abolitio criminis, prescrição, anistia, graça, indullto.

[TJCE]. E na ação penal privada? Pode haver renúncia na ação penal privada? E
relacionada a quais tipos de ações? A renúncia pode ser expressa? E tácita? A
renúncia é unilateral? E o perdão? O perdão pode ocorrer antes do oferecimento da
queixa? A renúncia pode ocorrer no curso da ação penal?

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R: São causas extintivas da punibilidade relativas à ação penal exclusivamente


privada e personalíssima:

1 - Renúncia

Conceito: É o ato unilateral e voluntário por meio do qual o ofendido abre mão do
seu direito de queixa.

Está relacionada ao princípio da oportunidade ou conveniência.

Momento: antes do início do processo.

É possível renúncia da representação nos casos de composição civil dos danos (Lei
9.099/95, art. 74, § único).

Ato unilateral: não depende de aceitação.

Princípio da indivisibilidade: a renúncia concedida a um dos coautores estende-se


aos demais.

A renúncia feita por uma das vítimas não prejudica o direito das demais.

A renúncia pode ser:

Expressa: se dá através de uma declaração inequívoca do ofendido, assinada por ele


ou por seu representante legal.

Tácita: resulta de ato incompatível com a vontade de processar. Ex.: convidar o autor
para ser padrinho de casamento.

Recebimento de indenização não acarreta a renúncia, salvo na hipótese de


composição civil dos danos.

Art. 104, CP: O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa ou
tacitamente.

Parágrafo único: Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato


incompatível com a vontade de exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de receber o
ofendido a indenização do dano causado pelo crime.

2 -Perdão do ofendido

Conceito: É o ato bilateral e voluntário, por meio do qual o querelante resolve não
prosseguir com o processo em andamento, perdoando o querelado.

Não se confunde com o perdão judicial.

O perdão está relacionado ao princípio da disponibilidade.

Momento: durante o curso do processo, até o trânsito em julgado de sentença penal


condenatória.

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Art. 106, § 2º, CP: Não é admissível o perdão depois que passa em julgado a sentença
condenatória.

Ato bilateral: depende de aceitação.

Art. 58, CPP: Concedido o perdão, mediante declaração expressa nos autos, o querelado
será intimado a dizer, dentro de três dias, se o aceita, devendo, ao mesmo tempo, ser
cientificado de que o seu silêncio importará aceitação.

Princípio da indivisibilidade: o perdão concedido a um dos acusados estende-se aos


demais, mas desde que haja aceitação.

O perdão concedido por um dos querelantes não prejudica o direito dos demais.

3 - Perempção

Conceito: perda do direito de prosseguir no exercício da ação penal privada em


virtude da negligência do querelante.

Acarreta a extinção da punibilidade nos crimes de ação penal exclusivamente privada


e personalíssima.

Art. 60, CPP: Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á
perempta a ação penal:

I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo


durante 30 dias seguidos;

II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer


em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer
das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36;

III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato
do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação
nas alegações finais;

IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor.

# DENÚNCIA, FORMA E CONTEÚDO. RECEBIMENTO E REJEIÇÃO.


[TJCE]. Quais os requisitos da denúncia?
Dispõe o art. 41, do Código de Processo Penal, que a denúncia ou queixa conterá a
exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias, a qualificação do
acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do
crime e, quando necessário, o rol de testemunhas.

[TJCE]. A denúncia deve importar circunstâncias agravantes e atenuantes? O juiz


pode reconhecer um agravante /atenuante que não esteja na denúncia?
A resposta simplista para a indagação encontraria fácil solução com a leitura do art.
385 do CPP. No dispositivo em questão está dito, às escâncaras, que o juiz pode
reconhecer agravantes embora “nenhuma tenha sido alegada”. Porém, assim não
entendo. Elas devem vir narradas para que o réu tenha conhecimento de qualquer fato

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que possa refletir em eventual condenação pois, não há negar, que as agravantes
genéricas refletem na aplicação da pena.

Dessa maneira, para que a dialética processual possa desenvolver-se em toda a


sua plenitude, realizando um processo justo, a narrativa do fato incriminador
da agravante deve constar da inicial. Da mesma forma, as atenuantes integrarão
a descrição fática da denúncia, pois o Ministério Público está interessado na
obtenção de uma prestação jurisdicional justa.

O reconhecimento pode se dar, desde que a agravante/atenuante seja extraída do


contexto dos fatos.

[TJCE]. O réu deve ser identificado na denúncia, qualificado, como endereço,


nome?
Via de regra sim. Mas caso não seja possível a inclusão do novo, deve-se proceder
aos elementos que permitam sua perfeita identificação.

[TJCE]. Quando ela é inepta? Casos de autoria coletiva? Quando deve ser rejeitada?
A denúncia e a queixa serão ineptas quando não contiverem os seus requisitos
essenciais, dentre os quais se incluem a descrição do fato criminoso com todas as
suas circunstâncias e a individualização do acusado ou referências pelos quais se
possa identificá-lo (art. 41 do CPP). Trata-se, como se vê, de questões de natureza
processual.

Os crimes de autoria coletiva, é prescindível a descrição minuciosa e individualizada


da ação de cada acusado, bastando a narrativa das condutas delituosas e da suposta
autoria, com elementos suficientes para garantir o direito à ampla defesa e ao
contraditório. A falta de respeito a essas balizas torna a denúncia inepta.

[TJCE]. O que é falta de justa causa pela atipicidade do fato?


Não há justa causa para a ação penal quando não justificável, no caso concreto, o
desencadeamento do processo criminal. Justa causa é suporte probatório mínimo em
que se deve lastrear a acusação, e que obrigatoriamente deve estar presente, tendo
em vista que a simples instauração do processo penal já atinge o status dignitatis do
imputado.

Logo, havendo a imputação de fato atípico, não há interesse de agir e, via de


consequência, inexiste justa causa para ação penal. Do mesmo modo, na atribuição
de um crime prescrito ou sem que haja qualquer elemento indiciário que fundamente
a acusação.

[TJCE]. É possível rejeição parcial? Casos? O juiz pode desclassificar a capitulação


da denúncia? Havendo excesso na acusação?
É perfeitamente possível a rejeição parcial da denúncia pelo Juiz, desde que alguns
dos fatos nela descritos encontrem respaldo no artigo 395 do Código de Processo
Penal. A obrigatoriedade sempre do recebimento ou da rejeição total da denúncia
acarretaria ou a impunidade de alguns criminosos ou um procedimento judicial penal
obrigatório para alguns inocentes. Medidas estas que não se coadunam com a nossa
legislação que, ao permitir "o mais" (rejeição total), permite, por principio lógico, "o
menos" (rejeição parcial).

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Desclassificação da capitulação da denúncia pode ser feita pelo juiz. É o chamado


emendatio libelli. Segundo a jurisprudência majoritária do STF e do STJ, é a sentença
o momento processual oportuno para a emendatio libelli, a teor do art. 383 do CPP.

Vale destacar, contudo, que existe importante corrente doutrinária e jurisprudencial


que afirma ser possível, excepcionalmente, a correção do enquadramento típico logo
no ato de recebimento da denúncia ou queixa em dois casos:

• para beneficiar o réu; ou

• para permitir a correta fixação da competência ou do procedimento a ser adotado.


STJ. 6ª Turma. HC 241.206-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 11/11/2014
(Info 553).

[TJCE]. Extinção de punibilidade é correto absolvição? Pode rejeitar denúncia por


isso?
NÃO. A diferença entre as duas interpretações é a de que a extinção da punibilidade
por si só não exclui os efeitos processuais. Ou seja, a tentativa de furto ficaria
registrada e poderia pesar contra o acusado caso ele venha ser reincidente, na
qualidade de maus antecedentes. Ao ser absolvido, todavia, o acusado volta a ser
considerado primário caso seja réu posteriormente em outra ação.

Raphael: creio que a denúncia não pode ser rejeitada de plano quando verificada
causa extintiva da punibilidade porque os efeitos penais persistem e, como tais,
necessitam do contraditório.

[TJCE]. Qual recurso na rejeição da denúncia? Qual recurso do recebimento da


denúncia?
Da decisão que rejeita denúncia cabe o recurso em sentido estrito, nos termos de
previsão expressa da lei processual penal. Inteligência do art. 581, inciso I, do CPP.
Em relação ao recebimento da denúncia não há recurso previsto, muito embora se
admita habeas corpus.

5 - Ação civil ex delicto.


[TJCE]. O que é ação ex delicto? Qual a diferença entre a ação ex-delicto e na ação
de execução acerca do pedido e causa de pedir?
A ação civil ex delicto é a execução, na esfera cível, de uma indenização por dano
moral ou material reconhecido em sede criminal, ou seja, é cabível quando a infração
criminal também vier a repercutir na esfera cível, encontrando-se prevista entre os
art. 63 e 68 do Código de Processo Penal. A principal diferença entre a ação de
execução comum e a ação ex delicto reside na origem do título a ser executado, a
causa de pedir. Enquanto na primeira a execução é decorrência da existência de um
título executivo judicial, derivado de uma relação civil, ou de um título executivo
extrajudicial, devidamente previsto no Código de Processo Civil, na ação ex delicto
o título a ser executado é uma sentença criminal, ou seja, ocorre uma verdadeira
comunicação entre os ramos do direito.

OBS: Raphael - não encontrei o ponto no edital de PROCESSO CIVIL, mas a


pergunta foi feita por Levada.

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7. Das questões e processos incidentes.


[TJCE]. Como as coisas apreendidas no processo penal podem ser liberadas?
Em regra, antes de transitar em julgado a sentença final, as coisas apreendidas não
poderão ser restituídas enquanto interessarem ao processo (art. 118, CPP). Porém, a
restituição, quando cabível, poderá ser ordenada pela autoridade policial ou juiz,
mediante termo nos autos, desde que não exista dúvida quanto ao direito do
reclamante (art. 120, CPP).

[TJCE]. A instauração de incidente de restituição é imprescindível?


Não. Somente é imprescindível se houver dúvida quanto ao direito do reclamante ou
se as coisas forem apreendidas com terceiro de boa fé.

Art. 120. § 1o Se duvidoso esse direito, o pedido de restituição autuar-se-á em apartado,


assinando-se ao requerente o prazo de 5 (cinco) dias para a prova. Em tal caso, só o juiz
criminal poderá decidir o incidente. § 2o O incidente autuar-se-á também em apartado
e só a autoridade judicial o resolverá, se as coisas forem apreendidas em poder de
terceiro de boa-fé, que será intimado para alegar e provar o seu direito, em prazo igual
e sucessivo ao do reclamante, tendo um e outro dois dias para arrazoar.

[TJCE]. Quais coisas não podem ser restituídas?


As coisas a que se referem os arts. 74 e 100 do Código Penal não poderão ser
restituídas, mesmo depois de transitar em julgado a sentença final, salvo se
pertencerem ao lesado ou a terceiro de boa-fé (art. 119, CPP).

Art. 91, CP. São efeitos da condenação:

II - a perda em favor da União, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-


fé: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienação,
uso, porte ou detenção constitua fato ilícito;

b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo
agente com a prática do fato criminoso.

§ 1º Poderá ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou


proveito do crime quando estes não forem encontrados ou quando se localizarem no
exterior.

[TJCE]. Quando é imprescindível a instauração?


Art. 120, CPP. A restituição, quando cabível, poderá ser ordenada pela autoridade
policial ou juiz, mediante termo nos autos, desde que não exista dúvida quanto ao direito
do reclamante.

§ 1o Se duvidoso esse direito, o pedido de restituição autuar-se-á em apartado,


assinando-se ao requerente o prazo de 5 (cinco) dias para a prova. Em tal caso, só o juiz
criminal poderá decidir o incidente.

§ 2o O incidente autuar-se-á também em apartado e só a autoridade judicial o resolverá,


se as coisas forem apreendidas em poder de terceiro de boa-fé, que será intimado para
alegar e provar o seu direito, em prazo igual e sucessivo ao do reclamante, tendo um e
outro dois dias para arrazoar.

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[TJCE]. É imprescindível a manifestação do MP?


Sobre o pedido de restituição será sempre ouvido o Ministério Público (art. 120,
parágrafo 3, CPP).

[TJCE]. Se não for possível identificar o proprietário do bem, o que deve ocorrer?
Em caso de dúvida sobre quem seja o verdadeiro dono, o juiz remeterá as partes para
o juízo cível, ordenando o depósito das coisas em mãos de depositário ou do próprio
terceiro que as detinha, se for pessoa idônea (art. 120, parágrafo 4, CPP).

[TJCE]. A decisão que põe fim ao incidente de restituição é recorrível? Qual o


recurso? Qual a natureza da decisão? Pode ser impugnada por mandado de
segurança?
A decisão é recorrível.

Se a decisão aprecia mero pedido de restituição, mediante termos nos autos, terá
natureza de decisão interlocutória simples (contra a qual se vislumbra a possibilidade
de mandado de segurança).

Se a decisão é exarada em incidente de restituição, terá natureza de decisão


interlocutória mista, para a qual não há previsão de recurso de recurso em sentido
estrito (581 do CPP). Assim, entende-se que caberá recurso de apelação, nos termos
do art. 593, III, do CPP. Há, entretanto, precedentes do STJ a aceitar a impetração de
mandado de segurança em casos excepcionais.

[TJCE]. Quais exceções podem ser opostas no CPP?


Art. 95, CPP. Poderão ser opostas as exceções de:

I - suspeição; II - incompetência de juízo; III - litispendência; IV - ilegitimidade de


parte; V - coisa julgada.

[TJCE]. Quando se dá a suspeição?


Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por
qualquer das partes:

I - se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles; II - se ele, seu cônjuge,
ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo
caráter criminoso haja controvérsia; III - se ele, seu cônjuge, ou parente, consanguíneo,
ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou responder a processo que
tenha de ser julgado por qualquer das partes; IV - se tiver aconselhado qualquer das
partes; V - se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes; Vl - se for
sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo.

8. Da prova: conceito, princípios básicos, objeto, meios, espécies, ônus,


procedimento probatório, limitações constitucionais das provas,
sistemas de apreciação.

# DA PROVA.
[TJCE]. O juiz pode colher elementos na fase investigatória?

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Sim, quando a prova for cautelar, não repetíveis e urgentes segundo o art. 155 do
CPP. Nestes casos, não são considerados elementos de informação, pois existe o
contraditório e a ampla defesa.

[TJCE]. Nenhuma prova colhida no Inquérito Policial pode ser usada?


Art. 155 do CPP. Pode se não for fundamentado exclusivamente nos elementos
informativos, ou sendo as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.

[TJCE]. Mesmo sem a previsão do art. 155 do CPP, pode ser sustentado o uso de
elementos colhidos no inquérito policial?
Nesta pergunta acho q o examinador estava tentando fazer o candidato responder
certo, com base no contexto das perguntas anteriores, pois esta insistindo na colheita
de prova pelo magistrado na fase do inquérito policial.

O art. 155 é expresso que o juiz pode utilizar elementos colhidos no inquérito policial
desde que não fundamentados exclusivamente neles.

[TJCE]. O assistente técnico pode apresentar quesitos?


Sim, art.159, § 3º.

[TJCE]. Há participação efetiva do assistente técnico na pericia? Só há acesso ao


laudo?
Segundo o art. 159, § 4º o assistente atuará só após a conclusão do laudo.

[TJCE]. A confissão é uma modalidade de prova?


Sim, a confissão esta disposta no CPP como uma das modalidades de prova. Disposto
nos arts. 197 a 200 do CPP.

[TJCE]. O juiz pode condenar com base na confissão? O que seria necessário caso
não seja suficiente? E o silencio pode gerar condenação?
Art. 197 do CPP e art. 198 do CPP.

Art. 197. O valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para os outros
elementos de prova, e para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-la com as demais
provas do processo, verificando se entre ela e estas existe compatibilidade ou
concordância.

Art. 198. O silêncio do acusado não importará confissão, mas poderá constituir elemento
para a formação do convencimento do juiz.

[TJCE]. O Juiz pode considerar provas colhidas no inquérito para a condenação?


Nenhuma prova? O juiz não está autorizado a condenar em provas unicamente do
inquérito? Assistente técnico pode oferecer quesitos? A confissão é uma prova? O
juiz pode condenar apenas na confissão do sistema brasileiro?
Os elementos colhidos no inquérito policial podem influir na formação do livre
convencimento do juiz para a decisão da causa quando complementados por outros
indícios e provas obtidos na instrução judicial.

Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em
contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos
elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não
repetíveis e antecipadas.

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Art. 159, §5º, CPP: Durante o curso do processo judicial, é permitido às partes, quanto
à perícia: II - indicar assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres em prazo a
ser fixado pelo juiz ou ser inquiridos em audiência. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008).

A lei nº 11.690/08 possibilitou a formulação de quesitos e indicação de assistente


técnico, pelo Ministério Público (titular exclusivo da ação penal), assistente de
acusação (ingressa no processo com interesse pela obtenção à reparação do dano), o
ofendido (titular do bem jurídico ameaçado), o querelante (titular da ação de
iniciativa privada) e o acusado (violador da norma penal incriminadora) a partir de
sua admissão pelo juiz e após a conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos
peritos oficiais, sendo as partes intimadas desta decisão (§ 4º, do art. 159, CPP).

Não há a possibilidade de acatar a confissão do arguido como único meio de prova.


Isto posto, tal prova teve seu valor relativizado nos dias atuais, haja vista que, a
mesma não pode ser considerada de forma incontestável, mas também não poderá
ser desprezada, pois no nosso ordenamento jurídico ela é tida como um meio de
prova.

[TJCE]. Quem pode ser testemunha?


Testemunha é uma terceira pessoa (não é a vitima, nem o acusado) que depõe sobre
um fato. Toda pessoa pode ser testemunha, inclusive o incapaz (art. 202, CPP).

[TJCE]. Quem pode se eximir de testemunhar?


Segundo o art. 206, a testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor.
Poderão, entretanto, recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente, o afim em
linha reta, o cônjuge, ainda que desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo
do acusado, salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a
prova do fato e de suas circunstâncias. O CPP também prescreve em seu art. 207
que são proibidas de depor as pessoas que, em razão de função, ministério, ofício ou
profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada,
quiserem dar o seu testemunho.

Por fim, o CPP também disciplina as hipóteses em que a pessoa será impedida de
firmar compromisso. (art. 208. Não se deferirá o compromisso a que alude o art. 203
aos doentes e deficientes mentais e aos menores de 14 (quatorze) anos, nem às
pessoas a que se refere o art. 206.)

[TJCE]. O juiz pode ouvir outras testemunhas além das arroladas pelas partes?
Sim. Nada obsta que o juiz proceda a oitiva das testemunhas não arroladas. Neste
sentido, o art. 209 do CPP expressamente autoriza a ouvida de outras testemunhas
além das arroladas pelas partes. (Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, poderá
ouvir outras testemunhas, além das indicadas pelas partes). São chamadas de
testemunhas do juízo (art. 209, §1o, CPP). Serão extranumerárias, ou seja, não
contarão para fins de limitação legal e prestarão compromisso regularmente, salvo se
constantes de uma das exceções (art. 208, CPP).

[TJCE]. Há cerceamento de defesa quando o advogado indica uma testemunha, mas


sua ouvida é negada pelo magistrado?
Não. Segundo posição consolidada do STF, não constitui cerceamento de defesa a
negativa de diligências, quando julgadas desnecessárias a critério do magistrado.
Ademais o próprio CPP em seu art. 400, § 1º, confere ao julgador a faculdade de

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indeferir os pedidos de provas consideradas irrelevantes, impertinentes ou


protelatórias. Ressalte-se, neste aspecto, que a decisão que negar a oitiva da
testemunha indicada pelas partes deverá ser devidamente fundamentada, não
podendo ser arbitrária, sob pena de nulidade.

[TJCE]. Testemunha pode conferir anotações?


Nos termos do art. 204, o depoimento será prestado oralmente, não sendo permitido
à testemunha trazê-lo por escrito. No entanto, seu parágrafo único permite seja feita
breve consulta a apontamentos.

[TJCE]. As testemunhas podem ser ouvidas umas na presença de outras? Há


nulidade nisso?
As testemunhas devem ser ouvidas de per si, separadamente, para que umas não
tomem conhecimento do teor do depoimento das outras, o que reduziria a
credibilidade desse meio de prova (art. 210, caput, do CPP). Nessa esteira, o art. 210,
parágrafo único, do CPP, determina que seja disponibilizado espaço reservado para
a garantia da incomunicabilidade das testemunhas. Corrente doutrinária entende que
se uma testemunha entrar em contato com outra haverá mera irregularidade do feito.
No entanto, prevalece que se trataria de verdadeira nulidade processual exigindo a
jurisprudência, para tanto, a demonstração da efetiva lesão à defesa, no
comprometimento da cognição do magistrado. Por outro lado, também é certo que
na seara das nulidades, cabe à parte que alega eventual vício na produção da prova
demonstrar o seu prejuízo, na forma do brocardo pas de nulite sans grief. A
necessidade de demonstração do prejuízo é imprescindível tanto nas nulidades de
natureza relativa quanto nas de natureza absoluta, segundo posição do STF.

[TJCE]. Quem faz perguntas as testemunhas? O juiz pode indeferir perguntas?


Até bem pouco tempo vigorava no procedimento comum o sistema presidencialista,
no qual as perguntas eram feitas inicial e diretamente pelo juiz, e, depois, pelas partes,
através do magistrado, sempre passando pelo crivo judicial. Atualmente, no entanto,
vigora o sistema “Cross Examination”, no qual as perguntas são formuladas
diretamente pelas partes à testemunha, não admitindo o juiz aquelas que puderem
induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de
outra já respondida. Sobre os pontos não esclarecidos, é que o juiz poderá
complementar a inquirição (art. 212 do CPP). Ou seja, a atuação do magistrado
passou a ter como nota característica a subsidiariedade, superando-se o antigo
protagonismo, tudo em obediência ao principio da imparcialidade. Saliente-se que
inversão da ordem de perguntas estabelecida no art. 212, CPP, caracteriza nulidade
relativa, a depender de comprovação do prejuízo e alegação oportuna, sob pena de
preclusão (STF: HC 103.525/PE; STJ: AgRg no HC 238.263/RS). Ressalte-se, por
fim, que no que tange ao INTERROGATORIO do acusado, ainda se adota o sistema
PRESIDENCIALISTA (art. 188, CPP).

[TJCE]. Testemunhas podem manifestar informações de cunho pessoal? Esse


depoimento pode ser considerado?
Nos termos do art. 213 do CPP, o juiz não permitirá que a testemunha manifeste suas
apreciações pessoais, salvo quando inseparáveis da narrativa do fato. Ou seja, em
regra, não será admissível a manifestação de informações de cunho pessoal por parte
da testemunha, apenas se estas foram indissociáveis da própria narrativa fática é que
o magistrado deverá considera-lo para formação de seu convencimento.

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9. Sujeitos processuais: do juiz, do Ministério Público, do acusado e


defensor, dos assistentes e auxiliares da Justiça. Vítima no processo
penal.

# SUJEITOS PROCESSUAIS.
[TJCE]. Sujeitos processuais – até que momento se admite o assistente?
O assistente será admitido enquanto não passar em julgado a sentença e receberá a
causa no estado em que se achar (art. 269, CPP).

[TJCE]. O MP tem que ser ouvido?


O Ministério Público será ouvido previamente sobre a admissão do assistente (art.
272, CPP).

[TJCE]. O corréu pode ser admitido como assistente de acusação?


O corréu no mesmo processo não poderá intervir como assistente do Ministério
Público (art. 270, CPP).

[TJCE]. Do despacho que nega a assistência cabe recurso? Outra ação?


Do despacho que admitir, ou não, o assistente, não caberá recurso, devendo,
entretanto, constar dos autos o pedido e a decisão (art. 273, CPP). Aventa-se a
possibilidade de impetrar mandado de segurança.

[TJCE]. Se o defensor não comparecer o que o juiz deve fazer?


Art. 265, CPP. O defensor não poderá abandonar o processo senão por motivo
imperioso, comunicado previamente o juiz, sob pena de multa de 10 (dez) a 100 (cem)
salários mínimos, sem prejuízo das demais sanções cabíveis. (Redação dada pela Lei nº
11.719, de 2008).

§ 1o A audiência poderá ser adiada se, por motivo justificado, o defensor não puder
comparecer. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

§ 2o Incumbe ao defensor provar o impedimento até a abertura da audiência. Não o


fazendo, o juiz não determinará o adiamento de ato algum do processo, devendo nomear
defensor substituto, ainda que provisoriamente ou só para o efeito do ato. (Incluído pela
Lei nº 11.719, de 2008).

[TJCE]. O advogado não pode renunciar ao mandato?


O advogado pode renunciar ao mandato desde que observe o teor do art. 265, CPP.

[TJCE]. A multa cabe ao advogado em que caso?


Art. 264, CPP. Salvo motivo relevante, os advogados e solicitadores serão obrigados,
sob pena de multa de cem a quinhentos mil-réis, a prestar seu patrocínio aos acusados,
quando nomeados pelo Juiz.

[TJCE]. Se o advogado deixa de comparecer, o juiz deve adiar o ato?


Art. 265, CPP. O defensor não poderá abandonar o processo senão por motivo
imperioso, comunicado previamente o juiz, sob pena de multa de 10 (dez) a 100 (cem)
salários mínimos, sem prejuízo das demais sanções cabíveis. (Redação dada pela Lei nº
11.719, de 2008).

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§ 1o A audiência poderá ser adiada se, por motivo justificado, o defensor não puder
comparecer. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

§ 2o Incumbe ao defensor provar o impedimento até a abertura da audiência. Não o


fazendo, o juiz não determinará o adiamento de ato algum do processo, devendo nomear
defensor substituto, ainda que provisoriamente ou só para o efeito do ato. (Incluído pela
Lei nº 11.719, de 2008).

10. Da prisão, das medidas cautelares e da liberdade provisória.


[TJCE]. O que é flagrante próprio? O que seria flagrante impróprio? Presumido?
Quando ocorre cada uma? Esperado é ilegal? Havendo prova de flagrante
preparado, quais os ilícitos? Há crime impossível? Flagrante forjado, quais os seus
efeitos? A guarda civil pode prender em flagrante?
O flagrante próprio ocorre quando o agente é flagrado no exato momento em que
executa a ação delituosa ou acaba de cometê-la, enquanto o impróprio ocorre quando
há uma perseguição logo após a pratica do crime; o presumido acontece quando
alguém é encontrado com objetos que façam presumir ser ele o autor da infração. O
flagrante esperado é legal, uma vez que não há indução à pratica de delito, limitando-
se a autoridade policial a aguardar a pratica do crime. É diferente do flagrante
preparado, em que o agente induz a pratica do delito, tornando o crime impossível e
causando o relaxamento da prisão. No flagrante forjado, policiais ou particulares
criam provas de um crime inexistente com o fim de legitimar uma prisão em flagrante
manifestamente ilegal, ensejando o seu relaxamento. A guarda civil, assim como
qualquer particular, pode prender em flagrante, sendo este facultativo (art. 301 do
CPP).

[TJCE]. Qual prazo para comunicação da prisão em flagrante?


A lei fala que a prisão deve ser comunicada IMEDIATAMENTE ao juiz competente,
MP e à família do preso ou à pessoa por ele indicada (art. 306 do CPP). E a lei aponta
ainda o prazo de 24 h após a realização da prisão, para o encaminhamento ao juiz
competente do auto de prisão em flagrante e, caso o autuado não informe o nome de
seu advogado, de cópia integral para a Defensoria Pública.

[TJCE]. Quem deve ser comunicado?


Juiz competente, MP e família do preso ou pessoa por ele indicada. Caso o preso
não tenha advogado, a DP deve ser comunicada.

[TJCE]. O que o juiz deverá fazer de posse da comunicação?


De acordo com previsão legal (art. 310 do CPP), o juiz poderá: relaxar a prisão ilegal,
converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos
constantes do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as
medidas cautelares diversas da prisão ou conceder liberdade provisória, com ou sem
fiança.

[TJCE]. Diferença entre relaxamento e liberdade provisória.


A liberdade provisória incide sobre uma prisão legal, mas cabível porque o juiz
verifica que ela não é necessária. Incide nos casos de prisão em flagrante.
Restauração da liberdade de forma vinculada com o compromisso de
comparecimento a todos os atos do processo.

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O relaxamento da prisão, por sua vez, incide na prisão ilegal e não só na prisão em
flagrante . Restauração total da liberdade.

Ressalte-se que a revogação de prisão é instituto distinto e ocorre quando uma prisão
legal deixa de ser necessária.

[TJCE]. O que é audiência de custódia? Há previsão em nossa legislação? Foi


implantada no Brasil?
A audiência de custódia trata-se de uma audiência imediatamente após a prisão (em
até 24h), que possibilite o encontro entre a pessoa presa e o juiz. Seu fundamento é a
prevenção e combate à tortura, além de um efetivo controle judicial das prisões
provisórias.

Não há previsão em nossa legislação. A implementação das audiências de custódia


está prevista em pactos e tratados internacionais assinados pelo Brasil, como o Pacto
Internacional de Direitos Civis e Políticos e a Convenção Interamericana de Direitos
Humanos, conhecida como Pacto de San Jose. [ art. 7o, §5°, do Decreto n° 678/92
(Pacto de São José da Costa Rica) e no art. 9o, §3°, do Decreto n° 592/92 (Pacto
Internacional sobre Direitos Civis e Políticos de Nova Iorque), que conferem ao
indivíduo preso o direito de ser conduzido, sem demora, à presença de um juiz ou de
autoridade que detenha atribuição judiciária.

O CNJ lançou o projeto em fevereiro de 2015 e está sendo implantada de forma


gradativa em alguns Tribunais.

[TJCE]. Quais os requisitos da prisão preventiva?


O artigo 312 do Código de Processo Penal aponta os requisitos que podem
fundamentar a prisão preventiva, sendo eles: a) garantia da ordem pública e da ordem
econômica (impedir que o réu continue praticando crimes); b) conveniência da
instrução criminal (evitar que o réu atrapalhe o andamento do processo, ameaçando
testumunhas ou destruindo provas); c) assegurar a aplicação da lei penal
(impossibilitar a fuga do réu, garantindo que a pena imposta pela sentença seja
cumprida).

Também é necessária a presença de:

- Fumus boni juris (fumus comissi delicti), fumaça do cometimento do crime;

- periculum in mora (periculum libertatis), quando a liberdade do acusado oferece


perigo;

- proporcionalidade (homogeneidade, adequação e real necessidade da prisão, não


sendo suficiente medida cautelar pessoal distinta);

- pressupostos (indícios de autoria e prova da materialidade) e;

- os requisitos específicos do art. 313 - crimes dolosos punidos com pena provativa
de liberdade máxima superior a 4 anos, reincidente em crime doloso, crime
envolvendo violência doméstica contra mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo
ou deficiente, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência (salvo,
segundo Pacelli, na hipótese de inobservância de cautelares pessoais distintas, em
que se dispensa o art. 313).

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[TJCE]. A gravidade em abstrato justifica a prisão preventiva?


A gravidade abstrata do delito, por si só, não é fundamento suficiente para supor risco
à ordem pública. Assim já decidiu o Supremo Tribunal Federal (HC 110844,
19/06/2012)

[TJCE]. É necessária a justificativa de prisão no momento da sentença?


Sim, conforme previsão do art. 387, §1º do CPP:

Art. 387- O juiz, ao proferir sentença condenatória: (...)

§ 1º O juiz decidirá, fundamentadamente, sobre a manutenção ou, se for o caso, a


imposição de prisão preventiva ou de outra medida cautelar, sem prejuízo do
conhecimento de apelação que vier a ser interposta.

[TJCE]. Preso em flagrante, comunica em quantas horas? Quem comunica? Qual


possibilidade se abre ao juiz?
A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados
imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e à família do preso ou à
pessoa por ele indicada.

Obs: Em até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, será encaminhado
ao juiz competente o auto de prisão em flagrante e, caso o autuado não informe o
nome de seu advogado, cópia integral para a Defensoria Pública. No mesmo prazo,
será entregue ao preso, mediante recibo, a nota de culpa, assinada pela autoridade,
com o motivo da prisão, o nome do condutor e os das testemunhas.

Quem comunica: autoridade policial.

Possibilidade aberta ao magistrado: ao magistrado caberá aferir a legalidade da


prisão em flagrante, e a presença dos seus requisitos autorizadores (art. 302 do CPP).
Se constatar que a prisão é licita, deve homologar o auto respectivo. Ao analisar as
circunstâncias do fato, a gravidade do crime e as circunstâncias pessoais do
capturado, poderá conceder liberdade provisória, impor medida cautelar ou decretar
a prisão preventiva. Sendo ilícita a captura, é de rigor o relaxamento prisional.

[TJCE]. Qual a diferença entre relaxamento e liberdade provisória?


- legalidade da prisão: a liberdade provisória incide sobre uma prisão legal, mas
cabível porque o juiz verifica que ela não é necessária. O relaxamento da prisão, por
sua vez, incide na prisão ilegal. E a revogação da prisão ocorre quando uma prisão
legal deixa de ser necessária.

- momento: a liberdade provisória é pedido que se faz contra prisão em flagrante, já


que se preso preventivamente, a medida adequada é o relaxamento ou a revogação.
Estas duas últimas medidas distinguem-se, neste ponto, vez que o relaxamento é
cabível quando a prisão é ilegal, enquanto que a revogação na preventiva e na
temporária.

- delitos: embora haja decisões do Supremo em sentido contrário, e este seja o nosso
posicionamento, ainda prevalece que o tráfico de drogas não permite liberdade
provisória. Já o relaxamento da prisão e sua revogação podem se dar em qualquer
delito. Neste sentido: Súm. 697, STF – A proibição de liberdade provisória nos

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processos por crimes hediondo não veda o relaxamento da prisão processual por
excesso de prazo.

- competência: a liberdade provisória pode ser concedida pelo delegado ou pelo juiz.
Confira-se a nova redação do artigo 322, CPP:

Art. 322. A autoridade policial somente poderá conceder fiança nos casos de infração
cuja pena privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 (quatro) anos. (Redação
dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

Parágrafo único. Nos demais casos, a fiança será requerida ao juiz, que decidirá em 48
(quarenta e oito) horas. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

O relaxamento da prisão somente pelo juiz e a revogação o mesmo juiz que


anteriormente decretou a medida.

[TJCE]. O que é a audiência de custódia?


Consiste na garantia da rápida apresentação do preso a um juiz nos casos de prisões
em flagrante. A ideia é que o acusado seja apresentado e entrevistado pelo juiz, em
uma audiência em que serão ouvidas também as manifestações do Ministério
Público, da Defensoria Pública ou do advogado do preso.

Durante a audiência, o juiz analisará a prisão sob o aspecto da legalidade, da


necessidade e da adequação da continuidade da prisão ou da eventual concessão de
liberdade, com ou sem a imposição de outras medidas cautelares. O juiz poderá
avaliar também eventuais ocorrências de tortura ou de maus-tratos, entre outras
irregularidades.

[TJCE]. Requisitos da prisão preventiva? O juiz deve se manifestar da manutenção


em regime fechado?
▪ Só é possível quando houver prova da materialidade e indícios de autoria (fumus
comissi delicti) e, ainda, desde que haja perigo na liberdade do acusado (periculum
libertatis), de modo que ela só pode ser decretada:

a) Como garantia da ordem pública ou econômica.

b) Por conveniência da instrução criminal.

c) Para assegurar a aplicação da lei penal.

▪ Além disso, a prisão preventiva só é possível:

a) Nos crimes dolosos com pena MÁX maior que 04 ANOS.

b) Se o acusado tiver sido condenado por outro crime doloso.

c) Para assegurar o cumprimento das medidas protetivas de urgência


da Lei Maria da Penha.

d) Quando houver dúvida sobre a identidade civil do acusado.

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▪ Desde 2011, há uma nova possibilidade autorizadora da prisão preventiva –


quando o acusado descumprir outras medidas cautelares que tenham sido
impostas.

▪ Se houver indícios de que o acusado praticou o fato sob o manto de uma


excludente de ilicitude, não será cabível a prisão preventiva.

12. Das citações e intimações. Forma, lugar e tempo dos atos processuais.

# DAS CITAÇÕES E INTIMAÇÕES.


[TJCE]. O que é citação?
Citação é o ato de comunicação processual por meio do qual se dá ciência ao acusado
do recebimento da peça acusatória, chamando-o para se defender. A citação é o ato
processual mais importante, porque conjuga a ciência do acusado e seu chamamento
para se defender, concretizando dois princípios constitucionais: o contraditório e a
ampla defesa. Ciência do acusado (contraditório) + chamamento para se defender
(ampla defesa)

[TJCE]. É ato essencial?


É ato essencial já que viabiliza a efetiva participação do réu no processo, garantindo-
lhe o contraditório e a ampla defesa.

[TJCE]. E a sua falta?


Eventual vício da citação é causa de nulidade absoluta, que pode ser arguida mesmo
após o trânsito em julgado de sentença condenatória ou absolutória imprópria (pode
ser utilizado tanto o habeas corpus, como a revisão criminal). A citação viciada é
chamada de circundução. Quando a citação é anulada, temos a citação circunduta.

[TJCE]. Como deve se dar?


Citação pode ser pessoal (real) ou ficta.

Art. 6º, Lei 11.419/06: a citação por meio eletrônico é expressamente vedada para o
processo penal e nos casos de processos por ato infracional do ECA.

[TJCE]. É possível por hora certa?


Ela foi introduzida no CPP pela Lei 11.719/08. Art. 362, CPP. Verificando que o réu
se oculta para não ser citado, o oficial de justiça certificará a ocorrência e procederá
à citação com hora certa, na forma estabelecida nos arts. 227 a 229 da Lei no 5.869,
de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil. Parágrafo único. Completada
a citação com hora certa, se o acusado não comparecer, ser-lhe-á nomeado defensor
dativo.

[TJCE]. É cabível por precatória?


Sim. Pode ser realizada quando o acusado reside em comarca distinta, em local certo
e sabido. Ex.: O processo tramita em São Paulo e o acusado reside no Rio de Janeiro.
Art. 353, CPP. Quando o réu estiver fora do território da jurisdição do juiz
processante, será citado mediante precatória.

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Carta precatória itinerante (355, § 1º): ocorre quando a carta precatória chega em uma
comarca, mas o oficial de justiça toma conhecimento de que o acusado mudou-se
para outra comarca. Não precisa devolver a carta precatória, ela já vai diretamente
para a outra comarca.

[TJCE]. O réu preso tem que ser citado? E se for apenas requisitado, sendo citado
no dia da audiência?
Art. 360. Se o réu estiver preso, será pessoalmente citado. (Redação dada pela Lei nº
10.792, de 1º.12.2003).

[TJCE]. Por que tem que ser citado com antecedência?


A antecedência é necessária à preparação adequada de sua defesa, não sendo razoável
se admitir a surpresa quanto à acusação que ocorreria mediante simples requisição
de sua presença no dia da audiência.

Há alguns julgados que corroboram tal posicionamento. Vejamos:

"o réu preso há de ser necessária e obrigatoriamente citado, para que possa preparar a
sua defesa e constituir, se for o caso, defensor... Se admitida apenas e tão somente a
requisição e não a citação do réu preso, estaria este em uma situação processual não
apenas anômala, mas também totalmente diferenciada e inferiorizada processualmente
relativamente ao réu solto." (TJSP, Ap. Crim. 118.395-3/8)

"a surpresa não se coaduna com a moralidade exigida pelo processo penal e ela surge
quando se requisita sem citação." (TACrimSP, Ap. 425-743-1)

"A regra do art. 360, CPP, diz respeito à regularidade da administração penitenciária,
não afastando, em absoluto, a realização da citação por mandado do réu preso,
providência imprescindível para o pleno exercício de defesa, em consonância com o
princípio do devido processo legal." (STJ, Resp 44.153-SP)

[TJCE]. Citação por edital. Quais as consequências?


Se o acusado é citado por edital e não comparece nem constitui advogado, é aplicado
o art. 366 do CPP: Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir
advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o
juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o
caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312. Nesse caso há a
suspensão do processo e da prescrição.

[TJCE]. É sempre possível a produção antecipada de provas?


Durante a suspensão do processo, a regra é não haver antecipação de produção de
provas. Somente em casos devidamente justificados, é que o magistrado ordenará tal
antecipação, que será produzida com a prévia intimação do MP, do querelante e do
defensor público ou dativo.

[TJCE]. A suspensão deve perdurar por tempo certo ou não tem prazo?
Súmula 415 STJ: “O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo
máximo da pena cominada”.

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13. Processo e procedimento. Pressupostos processuais. Formas


procedimentais. Procedimento comum. Instrução criminal.
Procedimento ordinário. Procedimento sumário. Procedimento
sumaríssimo. Juizados Especiais Criminais. Procedimento relativo ao
Tribunal do Júri. Procedimentos especiais, inclusive de leis especiais.

# PROCEDIMENTO COMUM. INSTRUÇÃO CRIMINAL. PROCEDIMENTO ORDINÁRIO.


[TJCE]. No procedimento Ordinário quando é iniciada a ação? Após recebida a
defesa necessita ratificar a denúncia?
- Conforme previsto no art. 394, § 1.º, I, do CPP, o procedimento comum ordinário
deve ser aplicado ao processo criminal quando tiver por objeto crime cuja sanção
máxima cominada for igual ou superior a quatro anos de pena privativa de liberdade,
desimportando tratar-se de reclusão ou detenção.

- A maioria da doutrina entende que o processo começa com o recebimento da peça


acusatória (art.363 CPP). Mas há corrente doutrinária que entende que o processo
tem inicio com o oferecimento da peça acusatória (Nucci), pois havendo rejeição da
peça acusatória e interposição de RESE o acusado deverá ser intimado para
apresentar contrarrazões, logo, já haveria processo.

[TJCE]. Qual momento se opera a interrupção da Prescrição?


A interrupção da prescrição ocorre com Recebimento pelo magistrado, nos termos
do art. 396 CPP. Momento processual importante, eis que constitui marco
interruptivo da prescrição (art. 117, I, do CP), não afetando esta regra o fato de dispor
o art. 363 do CPP que o processo terá completada a sua formação quando realizada
a citação do acusado.

[TJCE]. Quando pode rejeitar a denúncia ou absolvição sumária? Identificada


prescrição o que o Juiz deverá fazer ao receber a denúncia?
- As hipóteses da rejeição da Denúncia estão prevista no art. 395 CPP. Art. 395. A
denúncia ou queixa será rejeitada quando: I - for manifestamente inepta; (Incluído
pela Lei nº 11.719, de 2008). II - faltar pressuposto processual ou condição para o
exercício da ação penal; ou III - faltar justa causa para o exercício da ação penal.
(Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

- As hipóteses de absolvição sumária estão prevista no art. 397 CPP: Art. 397. Após
o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá
absolver sumariamente o acusado quando verificar: I - a existência manifesta de
causa excludente da ilicitude do fato; II - a existência manifesta de causa excludente
da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade; III - que o fato narrado
evidentemente não constitui crime; IV - extinta a punibilidade do agente.

- A prescrição é uma das causas de extinção de punibilidade prevista no art. 107 do


CP. Assim, nos termos da legislação processual (art.397) seria caso do juiz absolver
sumariamente. Crítica do Professor Noberto Avena: verifica-se, aqui, um verdadeiro
paradoxo jurídico, considerando o legislador causa de absolvição o fato de já se
encontrar extinta a punibilidade, por exemplo, pela prescrição. Tecnicamente, tal
situação não pode ser objeto de decisão absolutória, mas sim de pronunciamento

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autônomo incidental ao processo criminal, acarretando-lhe a extinção prematura e o


consequente arquivamento. Imagine-se, por exemplo, a morte do réu no curso do
processo. Ora, a morte do agente é causa extintiva da punibilidade, como se infere
do art. 107, I, do CP. E, logicamente, não seria razoável cogitar que pudesse o
magistrado, diante da certidão de óbito do acusado que lhe tenha sido apresentada
pelo advogado junto com a resposta a que alude o art. 396 do CPP, absolver
sumariamente o réu morto com base no art. 397, IV. Neste contexto, é evidente que,
constatando a ocorrência de causa extintiva da punibilidade, deve o juiz,
simplesmente, declará-la nos autos, independente de um veredicto absolutório.

[TJCE]. O que é falta de justa causa?


- Faltar justa causa para o exercício da ação penal: respeita, em linhas gerais, à
existência de um lastro probatório mínimo que torne idônea a imputação realizada na
denúncia ou na queixa. Não haverá justa causa para ação penal, por exemplo, quando
intentada sem que haja prova da materialidade do crime ou quando ausentes indícios
de autoria.

[TJCE]. Quando o procedimento comum é adotado?


O procedimento comum é a regra, sendo aplicado a todos os processos, salvo
disposições em contrário do CPP ou de lei especial.

Nos termos do artigo 394, do CPP (Lei 11.719/08), o procedimento será COMUM
ou ESPECIAL: PROCEDIMENTO COMUM – ordinário – sumário ou sumaríssimo;
PROCEDIMENTO ESPECIAL: previsto no CPP (honra, responsabilidade dos
servidores públicos) ou em Lei Especial (Drogas – Tribunais).

[TJCE]. Quando cabe o ordinário e o sumário? Quantas testemunhas cabe em cada


rito?
Ordinário - Cabimento = quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima
cominada for igual ou superior a 4 anos de pena privativa de liberdade (394, § 1º, I).
Cabem 8 testemunhas para a defesa e para a acusação. Nesse número não se
compreendem as que não prestem compromisso e as referidas.

Sumário - Cabimento = quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada
for inferior a 4 anos de pena privativa de liberdade (394, § 1º, II). Cabem 5
testemunhas para a defesa e para a acusação

[TJCE]. Oferecida a denúncia, qual o próximo passo?


O juiz se não a rejeitar liminarmente, irá recebe-la.

[TJCE]. Recebida a denúncia, qual o próximo passo?


Ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10
dias.

[TJCE]. O juiz recebe a denúncia antes ou depois da resposta do réu?


A questão a respeito do momento de recebimento da Denúncia ganhou destaque após
a edição da Lei 11.719/08, que reformou o Código de Processo Penal. Isto porque,
aparentemente, teria a referida norma previsto dois momentos de recebimento da
Denúncia, sendo um antes e um depois da resposta à acusação. Vejamos:

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Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz,
se não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para
responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias

(…)

Art. 399. Recebida a denúncia ou queixa, o juiz designará dia e hora para a audiência,
ordenando a intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o
caso, do querelante e do assistente

Debruçando-se sobre esta controvérsia, decidiu o Superior Tribunal de Justiça –


acertadamente – que a Denúncia é recebida ANTES de o réu ser citado para
oferecimento da resposta à acusação. Após a resposta à acusação, apresentada depois
do recebimento da Denúncia, o Juiz poderá absolver, ou não, o réu sumariamente.

Neste sentido, citamos:

FURTO (ARTIGO 155 DO CÓDIGO PENAL). FALTA DE MOTIVAÇÃO DA DECISÃO


QUE DEU PROSSEGUIMENTO À AÇÃO PENAL. AFASTAMENTO DAS HIPÓTESES
DE ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA DO ARTIGO 397 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL.
DESNECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO COMPLEXA. POSSIBILIDADE DE
MANIFESTAÇÃO JUDICIAL SUCINTA. NULIDADE NÃO CARACTERIZADA. 1. Após
a reforma legislativa operada pela Lei 11.719/2008, o momento do recebimento da
denúncia se dá, nos termos do artigo 396 do Código de Processo Penal, após o
oferecimento da acusação e antes da apresentação de resposta à acusação, seguindo-se
o juízo de absolvição sumária do acusado, tal como disposto no artigo 397 do aludido
diploma legal. (…) (STJ, HC243687, Rel. Min. Jorge Mussi, p. 23/08/13)

A importância prática é enorme. Afinal, o recebimento da Denúncia é o primeiro


marco de interrupção da prescrição de pretensão punitiva.

Porém, cuidado! É preciso ficar atento para o fato de que alguns procedimentos
especiais preveem, aí sim, uma fase de defesa preliminar antes do próprio
recebimento da denúncia, como são as hipóteses dos crimes de responsabilidade dos
funcionários públicos (art. 514, CPP), da Lei de Drogas (art. 54, Lei n. 11.343/06),
dos crimes de responsabilidade de prefeitos (art. 2º, I, Decreto-Lei n. 201/67).

Em arremate, podemos concluir que:

(a) No procedimento comum, a Denúncia é recebida antes do oferecimento


de resposta à acusação; e

(b) Portanto, a resposta à acusação não tem a mesma natureza jurídica da


defesa preliminar (prévia), esta sim anterior à própria análise do
recebimento da Denúncia.

[TJCE]. Pode haver juízo de retratação, ou seja, em vez de absolvição sumária ele
recebe a denúncia?
Conforme entendimento jurisprudencial, não cabe juízo de retratação da decisão que
recebe a denúncia, tendo em vista o exaurimento do poder decisório acerca das
condições e da justa causa da ação penal. Ocorre a chamada preclusão pro judicato.
Uma vez instaurada, a ação penal só pode ser finalizada com a prolação da sentença,
que deve ocorrer no momento oportuno, sob pena de causar insegurança jurídica.

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[TJCE]. Na resposta à acusação o réu pode alegar o quê? Quando cabe absolvição
sumária? Pode absolvição sumária em réus inimputáveis?
Reza o novo artigo 396-A do CPP

"Art. 396-A. Na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo o que
interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas
pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando
necessário."

Chamada por alguns doutrinadores de julgamento antecipado da lide, a absolvição


sumária no procedimento comum ocorre nas seguintes hipóteses:

a) Existência manifesta de causa excludente da ilicitude.

b) Existência manifesta de causa excludente da culpabilidade, salvo


inimputabilidade.

Não é possível, portanto, absolvição sumária imprópria. Apesar de a medida de


segurança não ser pena, possui nítido caráter de sanção penal, e assim deve se
permitir ao acusado que se defenda ao longo do processo para demonstrar sua
inocência.

Observação: No procedimento do júri, o inimputável pode ser absolvido


sumariamente, desde que esta seja sua única tese defensiva.

c) Quando o fato narrado não constitui crime (atipicidade formal ou


material).

d) Causa extintiva da punibilidade. O perdão judicial é a única hipótese de


causa extintiva da punibilidade que não pode ser concedida nesse
momento, pois pressupõe reconhecimento de culpa.

CPP, Art. 397: Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste
Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar:

I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;

II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo


inimputabilidade;

III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou

IV - extinta a punibilidade do agente.

# PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO. JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS.


[TJCE]. Como se determina a competência dos juizados?
A competência é determinada pela pena inferior ou igual há dois anos (infrações de
menor potencial ofensivo), conforme arts. 60 e 61 da lei 9009/95.

[TJCE]. Como é feita a citação?

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Art. 351, do CPP. A citação via de regra, se fará por mandado, quando o réu estiver
no território sujeito à jurisdição do juiz que a houver ordenado.

[TJCE]. Em que horários?


A citação no processo penal pode ser feita a qualquer hora.

[TJCE]. As intimações?
Regra geral as intimações do defensor constituído, do advogado do querelante e do
assistente far-se-á por públicação no órgão incumbido da publicidade dos atos
judiciais da comarca, incluindo sob pena de nulidade, o nome do acusado (art. 370,
§1º, do CPP). A intimação do MP e do defensor nomeado será pessoal. (§ 4º, do art.
370, do CPP).

[TJCE]. Se for pessoas jurídicas quem pode receber por pessoa jurídica?
A citação da pessoa jurídica se dá por seu representante legal, conforme
entendimento do STJ.

[TJCE]. Contra decisão que recebe denúncia no procedimento sumaríssimo existe


recurso?
Como não há recurso para o recebimento da denuncia, os tribunais superiores e a
doutrina vêm entendendo que neste caso caberia HC.

[TJCE]. Da decisão final cabe recurso?


Da decisão final cabe apelação, conforme art. 82 da lei 9099/95.

[TJCE]. Quem julga esses recursos contra as decisões das turmas recursais?
Contra as decisões das turmas recursais caberia somente recurso extraordinário, se
presente seus pressupostos. Que seria julgado no STF.

[TJCE]. Cabem quais recursos?


Como já afirmado, caberia Recurso Extraordinário.

[TJCE]. O TJRN não julga esses recursos?


Não, o TJRN não julga recurso de decisão de turma recursal.

[TJCE]. Os embargos de declaração nos juizados tem efeito suspensivo?


Segundo o art. 82, § 3º, quando opostos em sentença os embargos suspendem o prazo
para recurso.

[TJCE]. Como se determina a competência dos juizados?


Os Juizados Especiais Criminais são competentes para o processo e julgamento das
infrações penais de menor potencial ofensivo, entendidas como os crimes e
contravenções penais cujas penas máximas não sejam superiores a 2 (dois) anos de
privação de liberdade.

[TJCE]. Em que horários?


Art. 64. Lei nº 9.099/95: Os atos processuais serão públicos e poderão realizar-se em
horário noturno e em qualquer dia da semana, conforme dispuserem as normas de
organização judiciária.

[TJCE]. Como é feita a citação?

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Art. 66. A citação será pessoal e far-se-á no próprio Juizado, sempre que possível, ou
por mandado.

Parágrafo único. Não encontrado o acusado para ser citado, o Juiz encaminhará as
peças existentes ao Juízo comum para adoção do procedimento previsto em lei (Não cabe
citação por edital).

Enunciado 110 – No Juizado Especial Criminal é cabível a citação com hora certa.

[TJCE]. As intimações?
Art. 67. A intimação far-se-á por correspondência, com aviso de recebimento pessoal ou,
tratando-se de pessoa jurídica ou firma individual, mediante entrega ao encarregado da
recepção, que será obrigatoriamente identificado, ou, sendo necessário, por oficial de
justiça, independentemente de mandado ou carta precatória, ou ainda por qualquer meio
idôneo de comunicação.

Parágrafo único. Dos atos praticados em audiência considerar-se-ão desde logo cientes
as partes, os interessados e defensores.

Art. 68. Do ato de intimação do autor do fato e do mandado de citação do acusado,


constará a necessidade de seu comparecimento acompanhado de advogado, com a
advertência de que, na sua falta, ser-lhe-á designado defensor público.

[TJCE]. Se for pessoas jurídicas quem pode receber por pessoa jurídica?
Com relação à pessoa jurídica, impende aduzir que a jurisprudência possui
entendimento no sentido de que é válida a citação realizada na pessoa que se
identifica como funcionário da empresa e que a recebe sem qualquer ressalva a
respeito da falta de poderes para tanto (Teoria da Aparência).

[TJCE]. Contra decisão que recebe denúncia no procedimento sumaríssimo existe


recurso? Da decisão final cabe recurso? Quem julga esses recursos contra as
decisões das turmas recursais? Cabem quais recursos? O TJRN não julga esses
recursos? Os embargos de declaração nos juizados têm efeito suspensivo?
Não cabe recurso em sentido estrito da decisão que recebe a denúncia, eventualmente
cabe HC, sucedâneo recursal.

Os recursos serão julgados por turma composta de três Juízes em exercício no


primeiro grau de jurisdição, reunidos na sede do Juizado.

A Lei 9.099/95 faz referência apenas à apelação e aos embargos declaratórios,


todavia, não exclui a possibilidade de interposição de outros recursos, tais como:
RESE, Embargos Infringentes, entre outros, eis que o artigo 92 da mesma lei
determina a aplicação subsidiária das disposições do CPP e CP em não havendo
incompatibilidade com esses diplomas normativos.

Caberão embargos de declaração quando, em sentença ou acórdão, houver


obscuridade, contradição, omissão ou dúvida.

Quando opostos contra sentença, os embargos de declaração suspenderão o prazo


para o recurso.

# PROCEDIMENTO DO TRIBUNAL DO JÚRI.

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# PROCEDIMENTO RELATIVO AO TRIBUNAL DO JÚRI.


[TJCE]. Quando é cabível o desaforamento?
Art. 427, CPP. Se o interesse da ordem pública o reclamar ou houver dúvida sobre a
imparcialidade do júri ou a segurança pessoal do acusado, o Tribunal, a requerimento
do Ministério Público, do assistente, do querelante ou do acusado ou mediante
representação do juiz competente, poderá determinar o desaforamento do julgamento
para outra comarca da mesma região, onde não existam aqueles motivos, preferindo-se
as mais próximas.

[TJCE]. Quem determina o desaforamento?


O Tribunal.

[TJCE]. Quem pode requerer?


Ministério Público, assistente, querelante ou acusado ou o juiz competente.

[TJCE]. A defesa precisa ser ouvida? Se não for, é caso de nulidade?


Súmula 712, STF. É nula a decisão que determina o desaforamento de processo da
competência do Júri sem audiência da defesa.”

[TJCE]. Deve ser uma medida excepcional?


O desaforamento é medida excepcional e somente se afigura legítima se,
rigorosamente, estiverem presentes os motivos taxativamente previstos pelo
legislador. Somente é admitido o desaforamento em razão do interesse da ordem
pública; por haver suspeita de imparcialidade dos jurados; risco à segurança do
acusado; ou, ainda, conforme dispõe, em sequência, o artigo 428 do CPP, em razão
do comprovado excesso de prazo se o julgamento não puder ser realizado no prazo
de seis meses do trânsito em julgado da decisão de pronúncia.

[TJCE]. Quando se deve considerar excesso de trabalho? O excesso de serviço


autoriza o desaforamento? Quando pode requerer?
Art. 428, CPP. O desaforamento também poderá ser determinado, em razão do
comprovado excesso de serviço, ouvidos o juiz presidente e a parte contrária, se o
julgamento não puder ser realizado no prazo de 6 (seis) meses, contado do trânsito em
julgado da decisão de pronúncia.

Eventuais atrasos no julgamento que não caracterizem uma demora excessiva e que
não seja provocada por desídia, ou que o atraso seja decorrente da complexidade da
causa ou de excessivo número de processo, não ensejam, por si só, que o processo
seja transferido para outra comarca.

Neste sentido, veja-se:

PLURALIDADE DE AGENTES, DE VÍTIMAS E DE CRIMES. INCIDENTES


PROCESSUAIS. DESAFORAMENTO. PEDIDO JÁ JULGADO. JÚRI EM VIAS DE SE
REALIZAR. TRÂMITE REGULAR DO FEITO. AUSÊNCIA DE DESÍDIA DA
AUTORIDADE JUDICIÁRIA. OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE.
ILEGALIDADE AUSENTE.

1. Os prazos para a conclusão da instrução criminal não são peremptórios, podendo ser
flexibilizados diante das peculiaridades do caso concreto, em atenção e dentro dos
limites da razoabilidade.

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2. Não se constata indícios de desídia quanto ao processamento da ação penal, que segue
seu curso normal, em que se apura a prática de cinco crimes, envolvendo cinco réus e
com pluralidade de vítimas, em que houve a necessidade de expedição de precatórias,
dado o encarceramento dos acusados em comarca distante, e incidentes processuais,
como o exame do pedido de desaforamento ajuizado, já julgado.

3. As particularidades havidas no trâmite do feito exigiram maior tempo para a solução


da causa, demonstrando a sua complexidade e a ausência de excesso
injustificado, principalmente quando há informações de que o julgamento popular está
em vias de ocorrer.

4. Habeas corpus não conhecido, com a recomendação de que seja conferida prioridade
ao julgamento do paciente pelo Júri.

Processo HC 276732 / AM

HABEAS CORPUS 2013/0295765-2

Relator(a) Ministro JORGE MUSSI (1138)

Órgão Julgador T5 - QUINTA TURMA

Data do Julgamento 06/05/2014

Data da Publicação/Fonte DJe 14/05/2014

[TJCE]. A partir de quando se conta o prazo?


Contam-se os seis meses da data do trânsito em julgado da pronúncia.

[TJCE]. Qual é a natureza da decisão que encerra a 1ª fase do Júri? Quais são os
meios de impugnação de cada uma?
R: A decisão que encerra a 1ª fase do Júri pode ser concluída com a prolação de uma
das seguintes decisões: impronúncia, desclassificação, absolvição sumária,
pronúncia.

Impronúncia e absolvição sumária: apelação

Desclassificação e pronúncia: RESE

[TJCE]. Quais são os efeitos da pronúncia e da impronúncia? Na pronúncia, o juiz


pode excluir qualificadoras? Decisão de pronúncia deve se referir aos privilégios?
R: A decisão de impronúncia só faz coisa julgada formal (imutabilidade da decisão
dentro do mesmo processo).

A pronúncia encerra um juízo de admissibilidade da acusação de crime doloso contra


a vida. Decisão interlocutória mista não terminativa. (não julga o mérito; encerra a 1ª
fase e não põe fim ao processo).

O juiz não pode excluir as qualificadoras, deve mencioná-las:

Art. 413, § 1o: A fundamentação da pronúncia limitar-se-á à indicação da materialidade


do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação, devendo o
juiz declarar o dispositivo legal em que julgar incurso o acusado e especificar as
circunstâncias qualificadoras e as causas de aumento de pena.

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Não deve constar:

1. Causas de diminuição de pena, salvo a tentativa  pode ser sustentada em Plenário

2. Agravantes/atenuantes matéria do juiz-presidente

3. Concurso de crimes

[TJCE]. Qual a natureza da decisão que encerra a primeira fase do júri? Que cautela
deve ter o magistrado ao proferir essa decisão, em termos de linguagem?
Pronúncia é a decisão interlocutória mista, que julga admissível a acusação,
remetendo o caso à apreciação do Tribunal do Júri. Trata-se de decisão de natureza
mista, pois encerra a fase de formação da culpa, inaugurando a fase de preparação do
plenário, que levará ao julgamento de mérito.

Embora seja uma decisão interlocutória, mantém a estrutura formal de uma sentença
na sua composição, ou seja, deve possuir relatório, fundamentação e dispositivo. A
pronúncia julga apenas a admissibilidade da acusação, sem qualquer avaliação de
mérito. Assim, é indispensável que seja prolatada em termos sóbrios, sem colocações
incisivas, evitando-se considerações pessoais no tocante ao réu e constituindo a
síntese da racionalidade e do equilíbrio prudente do juiz.

[TJCE]. Como é chamado o excesso na pronúncia? E quais os seus efeitos?


A expressão “eloquência acusatória” está relacionada com o Júri. Trata-se do excesso
de linguagem, proibido no âmbito da decisão de pronúncia. Caso contenha termos
injuriosos ao acusado (ex.: marginal perigoso, facínora cruel, despudorado
mentiroso, entre outros), frases de efeito contra a defesa ou acusação (ex.: “é
evidente” que o réu matou; “parece-nos que é inocente”, mas cabe ao júri decidir),
ingressos inoportunos no contexto probatório (ex.: a prova indica “com clareza” ter
havido um crime bárbaro) ou qualquer outro ponto que seja contundente na inserção
do mérito, deve provocar, como consequência, a sua anulação.

Não se pode conceber que a decisão, nesses termos proferida, seja lida pelos jurados,
de modo a influir na formação do seu convencimento.

É preciso destacar que os membros do Conselho de Sentença levam em grande conta


as palavras proferidas pelo juiz presidente, a pessoa que lhes parece mais imparcial
no Tribunal do Júri, razão pela qual a moderação na pronúncia é inafastável, sob pena
de se colocar em risco a própria soberania dos veredictos. Soberano não pode ser o
jurado nitidamente influenciado pelo juiz togado.

[TJCE]. Quais as ações que o juiz pode tomar, ao fim da primeira fase? Ele pode
alterar a capitulação da conduta? Pode desclassificar?
O juiz pode pronunciar o réu ou, ausentes os requisitos da prova da existência do fato
descrito como crime e indícios suficientes de autoria ou participação, impronunciar
o réu. Pode ainda absolver sumariamente.

Descreve o art. 418, do CPP, a hipótese prevista no art. 383, caput, do mesmo
Código, ou seja, a emendatio libelli. Não está o magistrado, realmente, adstrito à
classificação feita pelo órgão acusatório, até mesmo por que o réu se defende dos
fatos e não da definição jurídica dada na denúncia ou queixa. Quando ocorre a

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pronúncia, o juiz indica o tipo penal no qual está incurso o réu (ex.: tentativa de
homicídio, homicídio simples, homicídio qualificado).

Há, no entanto, a possibilidade de correção da classificação original, diante de


circunstância superveniente à pronúncia, capaz de impelir à modificação da
tipicidade. Não cabe ao magistrado, ao elaborar o juízo de admissibilidade da
acusação, em relação aos crimes dolosos contra a vida, analisar se é procedente ou
não a imputação feita pelo órgão acusatório no tocante aos delitos conexos.

Havendo infração penal conexa, incluída na denúncia ou queixa, devidamente


recebida, pronunciando o réu pelo delito doloso contra a vida, deve o juiz remeter a
julgamento pelo Tribunal Popular os conexos, sem proceder a qualquer análise de
mérito ou de admissibilidade quanto a eles. O juiz somente desclassificará a infração
penal, cuja denúncia ou queixa foi recebida como delito doloso contra a vida, em
caso de cristalina certeza quanto à ocorrência de crime diverso daqueles previstos no
art. 74, § 1.°, do Código de Processo Penal (homicídio doloso, simples ou
qualificado; induzimento, instigação ou auxílio a suicídio; infanticídio ou aborto).

[TJCE]. O juiz competente se vincula à capitulação do juízo do júri?


O juiz, no Tribunal do Júri, não deve fundamentar a decisão condenatória, pois isso
coube aos jurados, que, votando em sigilo, estão desatrelados do dever de motivar o
veredicto. Cabe-se, apenas, fixar a sanção. Para tanto, respeitará o sistema trifásico
(art. 68 do CP):

a) estabelece a pena-base (art. 59, CP);

b) insere as agravantes e atenuantes;

c) considera os aumentos e diminuições da pena. O juiz presidente


deve, também, deliberar sobre os efeitos da condenação (arts. 91 e 92
do Código Penal).

Se houver absolvição imprópria, ou seja, o reconhecimento da inimputabilidade,


impõe-se, neste caso, medida de segurança, conforme dispõe o art. 26, caput, do
Código Penal (art. 492, II, c, CPP).

Pode ser internação, para crimes apenados com reclusão, ou a opção entre internação
e tratamento ambulatorial, para crimes apenados com detenção. Lavrada a sentença,
com todos os presentes em pé, solenemente, o juiz presidente procede à sua leitura
em plenário. Acompanharão o ato as partes e o réu. Este, no entanto, pode ser retirado
de plenário caso se manifeste agressivamente ou resolva interromper o juiz para
protestar. Por outro lado, se alguma das partes, chamada para o ato, não comparecer,
lê o magistrado a sentença para os que estiverem em plenário, sem qualquer
irregularidade. É direito da acusação ou da defesa estar presente, mas não uma
obrigação.

[TJCE]. O jurado recebe cópia da decisão de pronúncia? Qual o prazo máximo para
uso de novas provas no Júri? Qual o momento de arguição do procedimento do Júri?
Nulidade na formulação dos quesitos? Em que momento a parte deve se manifestar
da nulidade no Júri

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Art. 472. Formado o Conselho de Sentença, o presidente, levantando-se, e, com ele, todos
os presentes, fará aos jurados a seguinte exortação: Parágrafo único. O jurado, em
seguida, receberá cópias da pronúncia ou, se for o caso, das decisões posteriores que
julgaram admissível a acusação e do relatório do processo.

- Judicium Causae: inicia-se essa segunda etapa com a preparação para o julgamento.
No momento em que receber os autos que indicam a necessidade de realização de
julgamento em Plenário, o juiz-presidente intimará o Ministério Público ou o
querelante e o defensor do acusado para, no prazo de cinco dias, arrolar um máximo
de cinco testemunhas para deporem em Plenário, bem como juntar documentos e
requerer diligências, visto que, como bem exige o art. 479, “durante o julgamento
não será permitida a leitura de documento ou a exibição de objeto que não tiver sido
juntado aos autos com a antecedência mínima de três dias úteis, dando-se ciência à
outra parte”

- Quesitação. Sistema adotado pelo CPP de perguntas formuladas aos jurados acerca
da materialidade, autoria, eventual absolvição do acusado, causa de diminuição de
pena, qualificadoras e causas de aumento de pena.

- Nulidades ocorridas na fase posterior à pronúncia e antes do júri deverão ser


invocadas logo depois de anunciado o julgamento e apregoadas as partes. Este
raciocínio decorre da interpretação do art. 571, V, do CPP, que não restou
prejudicado com a alteração legislativa ditada pela Lei 11.689/2008. - E se a nulidade
relativa ocorrer na própria decisão de pronúncia? Neste caso, deverá o vício ser
arguido mediante a interposição de recurso em sentido estrito contra essa decisão
(art. 581, IV, do CPP), mesmo porque não podem as partes postular a anulação da
decisão pelo próprio juiz que a proferiu, dependendo essa solução do pronúnciamento
de um órgão jurisdicional superior. Neste sentido: “Não é possível conhecer da
pretensão de nulidade da sentença de pronúncia, por suposta inobservância do
princípio da consunção, haja vista que esse vício não foi suscitado em recurso
próprio” (art. 581, IV, do CPP), restando, pois, preclusa a matéria (HC 81.161/SP,
DJ 03.11.2008).

Nulidades verificadas no curso do julgamento pelo júri deverão ser suscitadas logo
depois que ocorrerem. Aplica-se, in casu, o art. 571, VIII, do CPP64. A título de
exemplo de nulidades previstas no Código de Processo Penal, sujeitas a ocorrerem
no curso da sessão de julgamento, o art. 478 do CPP, introduzido pela Lei
11.689/2008, proibiu às partes de fazerem referência, durante os debates, à decisão
de pronúncia, às decisões posteriores que julgaram admissível a acusação ou à
determinação do uso de algemas, bem como ao silêncio do acusado ou à ausência de
seu interrogatório. Note-se que, neste aspecto, não está pacificada a jurisprudência
quanto à natureza das nulidades decorrentes da infringência à norma legal. Pensamos
que devam ser consideradas relativas, sujeitas, portanto, à arguição oportuna e à
demonstração de efetivo prejuízo para serem declaradas. Por exemplo, se o trecho da
pronúncia lido aos jurados pelo Ministério Público não possuir qualquer autoridade
para interferir no convencimento íntimo dos jurados e prejudicar o réu, não há razão
para ser reconhecida a nulidade do julgamento, o qual poderá manter-se íntegro

Nulidades ocorridas após a decisão de primeira instância deverão ser invocadas em


preliminares de razões recursais ou logo depois de anunciado o julgamento da
impugnação pelo tribunal competente e apregoadas as partes. Trata-se, aqui, da

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literalidade do art. 571, VII, do CPP. Ressalte-se que, conquanto o dispositivo em


exame seja expresso às nulidades relativas posteriores à decisão de primeira
instância, também as anteriores a essa decisão poderão integrar as preliminares das
razões recursais, desde que, arguidas em tempo certo, não tenham sido atingidas pela
preclusão. É o caso, por exemplo, de uma nulidade relativa suscitada perante o juiz-
presidente no momento oportuno, não sendo, porém, acolhida por ele. Ora, nada
impede que essa vertente seja trazida, agora, à apreciação do tribunal em preliminar
da apelação interposta contra a sentença. Por fim, é evidente que, também com base
no art. 571, VII, poderão ser arguidas as nulidades da própria sentença, v.g., a
nulidade da sentença do juiz-presidente que não considera, na fixação da pena,
determinada qualificadora reconhecida pelos jurados por ocasião da votação dos
quesitos.

[TJCE]. Como devem ser formulados e quais são os quesitos no Tribunal do Júri?
Conforme redação do Art. 482, o Conselho de Sentença será questionado sobre
matéria de fato e se o acusado deve ser absolvido.

Em seu parágrafo único, determina como devem ser formulados os quesitos:

Parágrafo único. Os quesitos serão redigidos em proposições afirmativas, simples e


distintas, de modo que cada um deles possa ser respondido com suficiente clareza e
necessária precisão. Na sua elaboração, o presidente levará em conta os termos da
pronúncia ou das decisões posteriores que julgaram admissível a acusação, do
interrogatório e das alegações das partes.

Ordem:

1) Quesito ligado à materialidade.

2) Quesito relativo à autoria ou a participação.

Sustentada a tese de crime tentado ou de desclassificação, deve ser formulado quesito


após aquele referente à autoria.

3) O jurado absolve o acusado?

4) Causa de diminuição da pena alegada pela defesa. Essa tese deve ser
individualizada.

5) Qualificadoras ou causas de aumento de pena. Esse quesito deve ser formulado de


maneira individualizada.

As agravantes e atenuantes não são quesitadas aos jurados, sendo sua aplicação da
competência do juiz presidente.

A súmula 156 do STF continua válida, a qual possui o seguinte verbete: “É absoluta
a nulidade do julgamento pelo júri, por falta de quesito obrigatório”.

[TJCE]. Cada tese de defesa deve corresponder um quesito?


As regras do CPP sobre a quesitação no Tribunal do Júri foram alteradas pela Lei n.°
11.689/2008. Assim, atualmente, ao contrário do que era no passado, não há mais
quesitos específicos sobre cada uma das teses de absolvição (quesito para legítima

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defesa, quesito para estado de necessidade, quesito para inexigibilidade de conduta


diversa etc.). Agora, todas as teses defensivas estão reunidas em um único quesito
obrigatório que tem a seguinte redação: “O jurado absolve o acusado?” (art. 483, III
e § 2º, do CPP).

[TJCE]. Mesmo que a defesa não peça absolvição, esta deve ser um quesito? O Júri
pode absolver mesmo no caso de não ter sido ventilada a absolvição?
Sim. Trata-se de quesito obrigatório, conforme previsão do art. 483, III, CPC.

A ausência de quesito obrigatório acarreta a nulidade do julgamento, conforme


Súmula 156 do Supremo Tribunal Federal: É absoluta a nulidade do julgamento, pelo
Júri, por falta de quesito obrigatório.

[TJCE]. Se houver pluralidade de teses de diminuição de pena, deve haver quesitos


para todos? E no caso de agravantes e atenuantes?
Sim, deve haver quesitos para todas as teses de diminuição de pena. Por mais que se
queira buscar a simplificação dos quesitos, tratando-se de causas de diminuição ou
de aumento de pena e de qualificadoras não é possível formular um quesito
"genérico" sobre elas. Significa dizer que devem ser quesitadas as causas de
diminuição de pena efetivamente alegadas pela defesa, como destacado no próprio
inciso IV do art. 483.

O magistrado não quesitará agravantes ou atenuantes, bem como não quesitará


também tipo de concurso ou continuidade delitiva. Todas essas são questões relativas
à aplicação da pena, cuja competência é do Juiz-Presidente, que as apreciará,
fundamentadamente, na sentença.

[TJCE]. De acordo com o STF, o juiz-presidente do Tribunal do Júri, ao elaborar a


sentença, pode reconhecer a atenuante da confissão ainda que esta não tenha sido
debatida no Plenário (o réu confessou, mas nem a defesa nem a acusação pediram
que fosse reconhecida esta circunstância)?
SIM. Veja o que diz o art. 492:

Art. 492. Em seguida, o presidente proferirá sentença que:

I – no caso de condenação:

b) considerará as circunstâncias agravantes ou atenuantes alegadas nos debates;

Apesar do texto da lei, o STF e o STJ possuem julgados aceitando que o juiz-
presidente reconheça e aplique a confissão espontânea mesmo sem que a defesa ou o
MP tenha pedido isso expressamente no Plenário:

(...) Pode o Juiz Presidente do Tribunal do Júri reconhecer a atenuante genérica atinente
à confissão espontânea, ainda que não tenha sido debatida no plenário, quer em razão
da sua natureza objetiva, quer em homenagem ao predicado da amplitude de defesa,
consagrado no art. 5º, XXXVIII, “a”, da Constituição da República.

2. É direito público subjetivo do réu ter a pena reduzida, quando confessa


espontaneamente o envolvimento no crime.

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3. A regra contida no art. 492, I, do Código de Processo Penal, deve ser interpretada em
harmonia aos princípios constitucionais da individualização da pena e da
proporcionalidade. (...) (HC 106376, Rel. Min. Cármen Lúcia, Primeira Turma,
julgado em 01/03/2011)

(...) Esta Corte possui o entendimento de que a Lei 11.689/2008, alterando a redação do
art. 492 do CPP, conferiu ao juiz presidente do Tribunal do Júri a atribuição de aplicar
as atenuantes e agravantes alegadas nos debates.

3. O juiz presidente deve considerar como "alegada nos debates" ou "debatidas em


Plenário" tanto a defesa técnica quanto a autodefesa realizada pelo acusado no momento
do interrogatório, de forma que ambas são legítimas para ensejar o reconhecimento de
atenuantes e agravantes. (...) (STJ. 5ª Turma. HC 161.602/PB, Rel. Min. Gurgel De
Faria, julgado em 18/11/2014).

[TJCE]. E nos casos de aumento de pena? O juiz deve considerar todas as causas de
aumento?
Sim, deve considerar todas. As qualificadoras e as causas de aumento de pena para
poderem ser sustentadas pela acusação em plenário precisam ter sido reconhecidas
na pronúncia, como expressamente exige o art. 413, § 1º.

Art. 413. O juiz, fundamentadamente, pronunciará o acusado, se convencido da


materialidade do fato e da existência de indícios suficientes de autoria ou de
participação.

§1º A fundamentação da pronúncia limitar-se-á à indicação da materialidade do fato e


da existência de indícios suficientes de autoria ou de participação, devendo o juiz
declarar o dispositivo legal em que julgar incurso o acusado e especificar as
circunstâncias qualificadoras e as causas de aumento de pena.

Também neste caso, como já se destacou acima, não é possível formular um quesito
"genérico" sobre qualificadoras e causas de aumento de pena. Assim, devem ser
quesitadas as qualificadoras e causas de aumento de pena efetivamente reconhecidas
na pronúncia.

[TJCE]. Pode haver reconhecimento de privilégio na decisão de pronúncia?


Não. É do Júri a competência para apreciar a alegação, prescrevendo o art. 7º da Lei
de Introdução ao Código de Processo Penal que "o juiz da pronúncia, ao classificar
o crime, consumado ou tentado, não poderá reconhecer a existência de causa especial
de diminuição da pena" (STJ - REsp nº 896.948/CE, 5ª Turma, Relator: Min.
ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 24.11.2008).

[TJCE]. Quem deve reconhecer um homicídio privilegiado? Júri ou juiz?


Júri.

18. Das nulidades.


[TJCE]. Diferença entre nulidade relativa e absoluta.
Nulidade relativa possui as seguintes características:

a) Deve ser arguida no momento oportuno, sob pena de preclusão (geralmente o


momento é o de resposta à acusação, por parte da defesa, através de uma exceção de
incompetência; no caso da acusação é antes do oferecimento da peça acusatória);

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b) O prejuízo deve ser comprovado.

STF Súmula nº 706 - Nulidade Relativa - Competência Penal por Prevenção: É relativa
a nulidade decorrente da inobservância da competência penal por prevenção.

Nulidade absoluta:

a) Não está sujeita à preclusão. Ou seja: pode ser arguida a qualquer momento.
Porém, em se tratando de sentença condenatória ou absolutória imprópria, a nulidade
pode ser arguida mesmo após o trânsito em julgado, mediante HC ou revisão criminal
(revisão só se for favorável ao réu). Ada Pelegrini entende que a sentença proferida
por juiz incompetente é sentença inexistente. Esse entendimento é minoritário, pois
para a maioria e o STF tal sentença é capaz de transitar em julgado.

b) Não é necessária a comprovação do prejuízo, pois este é presumido. Atenção


(informativo STF): decisão absolutória ou extintiva da punibilidade, ainda que
prolatada com suposto vício de incompetência, é capaz de transitar em julgado e
produzir efeitos, impedindo que o acusado seja novamente processado pela mesma
imputação perante a Justiça competente (STF, HC 86606).

ATENÇÃO: a incompetência relativa também pode ser declarada de ofício,


diferente do que ocorre no campo do processo civil. A súmula 33 do STJ (“a
incompetência relativa não pode ser declarada de ofício”) não se aplica no processo
penal.

[TJCE]. As nulidades relativas devem ser arguidas em que momento? E as


absolutas? Citar uma nulidade absoluta.
Geralmente o momento para arguição de nulidade relativa é a primeira oportunidade
subsequente que a parte tiver para se manifestar no processo.

Em se tratando de uma nulidade relativa, a nulidade relativa deve ser arguida


oportunamente sob pena de preclusão. Ou seja, se não arguir a nulidade no momento
oportuno haveria a preclusão.

Ex: leitura dos quesitos: o juiz pergunta se as partes têm alguma impugnação. Se a
pate ficar calada a jurisprudência entende que haveria preclusão.

Em se tratando de sentença condenatória ou absolutória imprópria (absolve o


inimputável sujeitando-o a medida de segurança), uma nulidade absoluta pode ser
arguida mesmo após o trânsito em julgado por meio de revisão criminal ou HC.

A regra é que com o trânsito em julgado não se pode mais arguir nem mesmo a
nulidade absoluta. Mas na sentença condenatória e absolutória imprópria o
ordenamento jurídico coloca instrumentos capazes de questionar essa nulidade
absoluta (exceção à assertiva de que o trânsito em julgado seria uma sanatória geral
em relação às nulidades absolutas).

Hipóteses de nulidades absolutas:

Súmula 523 do STF: “No processo penal, a falta de defesa constitui nulidade absoluta,
mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu”.

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[TJCE]. A requisição do réu preso supre a citação?


A redação original do art. 360 do CPP previa que, se o acusado estivesse preso,
bastava sua requisição ao diretor do presídio. Isso era alvo de críticas pela doutrina,
pois a lei parecia dizer que, se ele estava preso, não precisava ser citado, deveria
simplesmente ser apresentado em juízo (muitas vezes ele nem sabia o teor da
acusação).

Lei 10.792/03 alterou o art. 360, que passou a prever que se o acusado está preso,
deverá ser citado pessoalmente.

Art. 360. Se o réu estiver preso, será pessoalmente citado.

Atualmente entende-se que deve ser realizada a citação, não sendo suprida pela
requisição. Não obstante, não havendo prejuízo, pode se considerar suprida a citação
pelo comparecimento do réu, devidamente representado.

EMENTA: HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. REQUISIÇÃO DE RÉU PRESO,


SEM CITAÇÃO. NULIDADE DO INTERROGATÓRIO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO.
FIXAÇÃO DA PENA AQUÉM DO MÍNIMO LEGAL. MATÉRIA NÃO SUBMETIDA A
EXAME DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.

1. A requisição de réu preso e seu interrogatório, na presença de defensor, suprem a


exigência de citação para o ato processual. A defesa, no caso, não demonstrou prejuízo.

2. Pena aquém do mínimo legal. Questão não submetida a exame do Superior Tribunal
de Justiça, implicando supressão de instância seu conhecimento nesta Corte. Habeas
corpus conhecido, em parte, denegada a ordem nessa extensão.

(HC 95179, Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma, julgado em 02/09/2008,
DJe-241 DIVULG 18-12-2008 PUBLIC 19-12-2008 EMENT VOL-02346-07 PP-01528)

[TJCE]. A citação no dia da audiência é possível?


A citação deve ser feita pelo menos 24 horas antes do momento em que o acusado
deverá ser interrogado, não se tem admitido à citação no mesmo dia em que o acusado
deva ser interrogado.

[TJCE]. A deficiência da defesa é causa de nulidade? Diferenciar a deficiência da


inexistência da defesa.
Súmula 523 do STF: No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta,
mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu.

Defesa inexistente é aquela que nem chegou a ocorrer, diferindo da defesa deficiente,
que existe, mas foi formulada de modo prejudicial aos interesses do réu, por ser
incompleta ou de má qualidade.

[TJCE]. É válida a citação por edital se o réu estiver preso?


A redação original do art. 360 do CPP previa que, se o acusado estivesse preso,
bastava sua requisição ao diretor do presídio. Isso era alvo de críticas pela doutrina,
pois a lei parecia dizer que, se ele estava preso, não precisava ser citado, deveria
simplesmente ser apresentado em juízo (muitas vezes ele nem sabia o teor da
acusação).

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Lei 10.792/03 alterou o art. 360, que passou a prever que se o acusado está preso,
deverá ser citado pessoalmente.

Art. 360. Se o réu estiver preso, será pessoalmente citado.

Súmula 351, STF: É nula a citação por edital de réu preso na mesma unidade da
federação em que o juiz exerce a sua jurisdição.

Essa súmula deve ser lida com cuidado. O que ela está dizendo é que se o acusado
está preso no Estado de SP, o juiz de SP não pode citá-lo por edital. E se ele estiver
preso em outra unidade da federação? Como fica? Pela súmula, a citação dele pode
ser feita por edital. Mas essa súmula foi criada antes da Lei 10.792/03. A doutrina,
diante da nova redação do art. 360 (que não faz distinção do local em que esteja
preso), diz que se o acusado está preso, deve ser citado pessoalmente, pouco
importando a localidade da prisão. Então, para a doutrina, essa Súmula 351 está
ultrapassada (entendimento do Prof. Renato Brasileiro). O Banco Nacional de
Mandados de Prisão, criado pelo CNJ, ajuda a saber se a pessoa está presa. Mas os
Tribunais Superiores entendem que a Súmula 351 continua válida (HC 162.339,
julgado de 2011).

19. Dos recursos em geral: princípios, modalidades, recursos em espécie


e fungibilidade.

# DOS RECURSOS EM GERAL.


[TJCE]. O tribunal em recurso apenas da defesa, aplica-se a mutatio libeli e a
emendatio libeli?
Aplica-se a emendatio libeli desde que não haja reformatio in pejus. A mutatio libeli
não é possível em segundo grau porque haveria supressão de instância.

[TJCE]. O tribunal pode entender de forma mais gravosa sem que altere a pena
codificada?
Não, pois mesmo que não altere a pena não pode haver reformatio in pejus quando o
recurso é apenas da defesa, entendimento esse dado recentemente pela jurisprudência
dos tribunais superiores

[TJCE]. MP interpõe em sentido menor e nas razões em sentido maior, é possível


reconhecimento?
Sim, mas vai conhecer aquilo que pediu na petição, pois o efeito devolutivo é
limitado pelo o que pedido na petição e não nas razões recursais.

[TJCE]. Defesa recorre para questionar a pena para o tribunal, o TJ pode absolver?
Sim, pelo efeito devolutivo dos recursos, a interposição do recurso pela defesa
devolve ao tribunal a análise de toda a matéria referente ao recurso, podendo o TJ
entender pela absolvição do réu. Outro caso que também é possível é que o tribunal
pode aplicar HC de ofício quando entender que se trata de decisão desproporcional e
desarrazoada, absolvendo o réu. Pois o que é vedado é o reformatio in pejus quando
o recurso é apenas da defesa.

[TJCE]. MP quer elevar a pena e TJ só absolve, é possível?

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Sim, pelas mesmas razões da questão anterior, pois o que é vedado é o reformatio in
pejus quando o recurso é apenas da defesa. Quando o recurso é do MP, não há
vedação para que o TJ aplique a reformatio in melius.

[TJCE]. Quando é cabível o Recuso em Sentido Estrito? Qual diferença da


Apelação?
R: Recurso em sentido estrito é o recurso cabível para impugnar as decisões
interlocutórias do magistrado criminal. O rol do artigo 581 é taxativo.

Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença:

I - que não receber a denúncia ou a queixa;

II - que concluir pela incompetência do juízo;

III - que julgar procedentes as exceções, salvo a de suspeição;

IV – que pronunciar o réu; (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)

V - que conceder, negar, arbitrar, cassar ou julgar inidônea a fiança, indeferir


requerimento de prisão preventiva ou revogá-la, conceder liberdade provisória ou
relaxar a prisão em flagrante; (Redação dada pela Lei nº 7.780, de 22.6.1989)

VII - que julgar quebrada a fiança ou perdido o seu valor;

VIII - que decretar a prescrição ou julgar, por outro modo, extinta a punibilidade;

IX - que indeferir o pedido de reconhecimento da prescrição ou de outra causa extintiva


da punibilidade;

X - que conceder ou negar a ordem de habeas corpus;

XIII - que anular o processo da instrução criminal, no todo ou em parte;

XIV - que incluir jurado na lista geral ou desta o excluir;

XV - que denegar a apelação ou a julgar deserta;

XVI - que ordenar a suspensão do processo, em virtude de questão prejudicial;

XVIII - que decidir o incidente de falsidade;

Obs: os incisos XI, XII, XVII, XIX, XX, XXI, XXII, XXIII e XXIV foram regovados
pelo art. 197, LEP, sendo cabível, nestas hipóteses, agravo em execução.

Ademais, quanto ao inciso XIV, CPP, há entendimento de que não é mais cabível
RESE. Agora, cabe reclamação por qualquer do povo art. 426, caput, CPP).

Difere da apelação, pois esta cabe contra decisão ou sentença contra a qual não caiba
Recurso em Sentido Estrito.

[TJCE]. No Júri, quais decisões são passíveis de RESE?


R: Contra decisão de pronúncia e desclassificação.

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[TJCE]. Se houver recusa ao Sursis, qual o recurso cabível?


R: Concedido ou negado o sursis, cabe recurso em sentido estrito e também agravo
em execução, dependendo do momento processual. Se for na própria sentença, a rigor
seria recurso em sentido estrito, mas em face do art. 593, par. 4°, do CPP, cabe
apelação.

[TJCE]. Contra decisão que concede ou nega HC cabe recurso?


R: Se conceder ou negar habeas corpus, cabe recurso em sentido estrito. Cabe
também o recurso de ofício de decisão concessiva com base no art. 574, I, do CPP.

[TJCE]. E contra a negativa de livramento condicional? Quem decide sobre essas


questões?
R: Quando conceder ou revogar livramento condicional cabe agravo em execução
com base no art. 197 da LEP. Julgamento pelo juízo da execução.

[TJCE]. Contra a decisão que denegar o RESE cabe algum recurso?


R: Carta testemunhável, a depender do regimento interno de cada Tribunal.

[TJCE]. Quando cabe apelação?


Art. 416, CPP. Contra a sentença de impronúncia ou de absolvição sumária caberá
apelação. (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)

Art. 593, CPP. Caberá apelação no prazo de 5 (cinco) dias: (Redação dada pela Lei nº
263, de 23.2.1948)

I - das sentenças definitivas de condenação ou absolvição proferidas por juiz


singular; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

II - das decisões definitivas, ou com força de definitivas, proferidas por juiz singular nos
casos não previstos no Capítulo anterior; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

III - das decisões do Tribunal do Júri, quando: (Redação dada pela Lei nº 263, de
23.2.1948)

a) ocorrer nulidade posterior à pronúncia; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

b) for a sentença do juiz-presidente contrária à lei expressa ou à decisão dos


jurados; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

c) houver erro ou injustiça no tocante à aplicação da pena ou da medida de


segurança; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

d) for a decisão dos jurados manifestamente contrária à prova dos autos. (Redação dada
pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

§ 1o Se a sentença do juiz-presidente for contrária à lei expressa ou divergir das


respostas dos jurados aos quesitos, o tribunal ad quem fará a devida
retificação. (Incluído pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

§ 2o Interposta a apelação com fundamento no no III, c, deste artigo, o tribunal ad


quem, se Ihe der provimento, retificará a aplicação da pena ou da medida de
segurança. (Incluído pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

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§ 3o Se a apelação se fundar no no III, d, deste artigo, e o tribunal ad quem se convencer


de que a decisão dos jurados é manifestamente contrária à prova dos autos, dar-lhe-á
provimento para sujeitar o réu a novo julgamento; não se admite, porém, pelo mesmo
motivo, segunda apelação. (Incluído pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

§ 4o Quando cabível a apelação, não poderá ser usado o recurso em sentido estrito,
ainda que somente de parte da decisão se recorra. (Parágrafo único renumerado pela
Lei nº 263, de 23.2.1948)

[TJCE]. Exemplos de decisões definitivas incidentais?


Trata-se de decisão que resolve questão incidente que envolve aspecto de direito
material. Exemplos: decisão que concede livramento condicional; decisão que
reconhece a unificação das penas no âmbito de uma execução criminal.

[TJCE]. Recursos para decisão de pronúncia e impronúncia?


Art. 416, CPP. Contra a sentença de impronúncia ou de absolvição sumária caberá
apelação. (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)

Art. 581, CPP. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença:

IV – que pronunciar o réu; (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)

[TJCE]. Quais os efeitos da apelação?


Devolutivo, suspensivo (em caso de decisão condenatória ou absolutória imprópria),
extensivo/expansivo (em hipótese de concurso de agentes, quanto a circunstâncias
objetivas), translativo, dilatório-procedimental.

Art. 596, CPP. A apelação da sentença absolutória não impedirá que o réu seja posto
imediatamente em liberdade. (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948)

Parágrafo único. A apelação não suspenderá a execução da medida de segurança


aplicada provisoriamente. (Redação dada pela Lei nº 5.941, de 22.11.1973)

Art. 597, CPP. A apelação de sentença condenatória terá efeito suspensivo, salvo o
disposto no art. 393, a aplicação provisória de interdições de direitos e de medidas de
segurança (arts. 374 e 378), e o caso de suspensão condicional de pena.

[TJCE]. A defesa tem legitimidade para apelar de sentença absolutória? Em que


casos?
É facultado ao réu interpor recurso de apelação da sentença objetivando seja
declarada sua absolvição por um dos fundamentos previstos nos incisos I, IV e VI,
do artigo 386 do Código de Processo Penal, que modo a afastar, categoricamente,
qualquer obrigação de indenizar ou mesmo a imposição de sanção disciplinar em
procedimento administrativo pelas mesmas circunstâncias apuradas na ação penal.

A propósito do tema no sentindo do interesse do réu em recorrer provocando o juízo


a quo à modificação do fundamento da sentença absolutória, são os julgados abaixo
cujas ementas seguem transcritas:

“PROCESSO PENAL. RECURSO CRIMINAL EM SENTIDO ESTRITO. INTERESSE


RECURSAL NA INTERPOSIÇÃO DE APELAÇÃO DA DEFESA CONTRA SENTENÇA
ABSOLUTÓRIA. Há interesse recursal na alteração do fundamento absolutório para a
hipótese prevista no inciso I do artigo 386 do Código de Processo Penal (“estar provada

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a inexistência do fato”), haja vista a possibilidade de a nova decisão afastar os efeitos


extrapenais decorrentes da sentença recorrida. Precedentes. (TRF4, RSE 0005519-
25.2006.404.7201, Oitava Turma, Relator Victor Luiz dos Santos Laus, D.E.
01/12/2011)”.

“PROCESSO PENAL. USO DE DOCUMENTO FALSO. ART. 304 DO CP. SENTENÇA


ABSOLUTÓRIA. AUSÊNCIA DE PROVAS SUFICIENTES À CONDENAÇÃO (ART.
386, VII, DO CPP). RECURSO DA DEFESA. MUDANÇA NO FUNDAMENTO DA
ABSOLVIÇÃO. POSSIBILIDADE. ERRO DE TIPO CARACTERIZADO. 1. Possível
conhecer de recurso da defesa contra a sentença absolutória, quando busca modificar o
fundamento da decisão para algum dos incisos do art. 386 do CPP, que certificam
determinada situação (incisos I, IV e VI). 2. Hipótese em que a acusada incidiu em erro
sobre elementar do tipo, qual seja, a falsidade contida no documento, ou, no mínimo,
evidenciada a existência de fundada dúvida quanto à excludente do crime, de modo que
autorizada a absolvição da ré com fulcro no art. 386, VI, do CPP, com a redação dada
pela Lei 11.690/2008. (TRF4, ACR 0000239-02.2008.404.7202, Sétima Turma, Relator
Tadaaqui Hirose, D.E. 20/01/2011)”.

Quando apenas a acusação recorre para elevação de pena, sem que a defesa se
manifeste, pode o tribunal absolver, melhorar a coordenação? Se fosse decisão do
tribunal de júri?

Tema polêmico, porém parece prevalecer a possibilidade de reformatio in mellius,


conforme decisões abaixo colacionadas.

Quanto ao júri, entendo que, em princípio haveria ressalva, em vista da soberania dos
veredictos assegurada na CRFB/88.

STJ - RECURSO ESPECIAL REsp 628971 PR 2004/0019615-8 (STJ)

Data de publicação: 12/04/2010

Ementa: RECURSO ESPECIAL. PROCESSO PENAL. RECURSO EXCLUSIVO DA


ACUSAÇÃO. CONCESSÃO DE HABEAS CORPUS DE
OFÍCIO REFORMATIO INMELLIUS. POSSIBILIDADE. 1. Esta Corte firmou
compreensão no sentido de que é admitida a reformatio in melius, em sede de recurso
exclusivo da acusação, sendo vedada somente a reformatio in pejus. 2. A concessão da
ordem, de ofício, para absolver o Réu, não se deu por meio da análise do recurso
constitucional, mas sim nos autos de recurso de apelação. Divergência jurisprudencial
não comprovada. 3. Ademais, é permitido à instância revisora o exame integral da
matéria discutida na demanda, face ao amplo efeito devolutivo conferido ao recurso de
apelação em matéria penal. 4. Recurso especial a que se nega provimento.

Encontrado em: DA ACUSAÇÃO - REFORMATIO IN MELIUS STJ - RESP 730337 -RS,


RESP 241777 -BA RECURSO ESPECIAL REsp 628971 PR 2004/0019615-8 (STJ)
Ministro OG FERNANDES

STJ - AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL AgRg no REsp 666732 RS


2004/0085918-3 (STJ)

Data de publicação: 23/11/2009

Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL AO QUAL FOI NEGADO


SEGUIMENTO. PROCESSUAL PENAL. RECURSO EXCLUSIVO DA ACUSAÇÃO.
OCORRÊNCIA DA REFORMATIOIN MELLIUS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA

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DE VEDAÇÃO LEGAL. 1. A jurisprudência desta Casa se firmou no sentido de que o


art. 617 do Código de Processo Penal impede apenas a reformatio inpejus, portanto
inexiste óbice legal à reformatio in mellius em recurso exclusivo da acusação.
(Precedentes) 2. Agravo Regimental não provido.

RECURSO ESPECIAL. PENAL. FURTO TENTADO. REFORMATIO IN


MELIUS.RECURSO EXCLUSIVO DA ACUSAÇÃO. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO
ART. 155,§ 4, IV, DO CP. REEXAME DE PROVA. ENUNCIADO SUMULAR
7/STJ.DOSIMETRIA DA PENA. EXISTÊNCIA DE DUAS CONDENAÇÕES
TRANSITADAS EMJULGADO EM DESFAVOR DO RÉU. MAUS ANTECEDENTES E
REINCIDÊNCIA. .VIOLAÇÃO DO ART. 61, I, DO CP CONFIGURADA. RECURSO
PARCIALMENTECONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, PROVIDO.

1. A mais recente jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido deque o art. 617 do
CPP proíbe, apenas, a reformatio in pejus, nãohavendo nenhuma vedação à reformatio
in melius em recurso exclusivoda acusação, uma vez que este devolve toda a matéria ao
Tribunal.

2. Tendo o acórdão afirmado não haver elementos seguros daparticipação de suposto


co-réu no cometimento do delito, a pretensãorecursal encontra óbice no enunciado
sumular 7/STJ.

3. Nos termos da jurisprudência desta Corte, "Condenações diversas,transitadas em


julgado, singularmente apreciadas, podem ser levadasem consideração, pelo julgador,
para efeito de maus antecedentes ede reincidência, desde que, como in casu ocorre, sejam
distintos oselementos geradores. O que não se admite é a valoração, em
momentosdiversos, durante a fixação da pena, de um mesmo fato" (REsp736.345/RS, Rel.
Min. LAURITA VAZ, Quinta Turma, DJ de 19/12/2005).

4. A Corte a quo, efetivamente, negou vigência ao art. 61, I, doCódigo Penal, que prevê
a reincidência como circunstância legal quesempre deverá agravar a pena, sendo esta,
portanto, norma denatureza cogente, ou seja, de aplicação obrigatória.

5. Recurso parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido paradeterminar que o


Tribunal de origem redimensione a pena imposta aoréu ANDRÉ DE OLIVEIRA MELO
DOS SANTOS.

O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do HABEAS CORPUS nº 106.068 MINAS


GERAIS, manifestou-se a favor da reformatio in melius:

“De outro norte, entendo que, in casu, seja possível a reforma dasentença em benefício
do acusado (reformatio in mellius), ainda que setrate de recurso exclusivo da acusação,
com vistas à sua absolvição.”

“Acerca do tema, confiram-se os pertinentes comentários daProfessora Cláudia


Carvalho Queiroz em seu artigo 'Admissibilidadeda 'reformatio in melius' publicado na
Revista 'InConslulex'Editora Consulex, nº 153, em abril de 2004.

'Permissa vênia, em que pese a posição sufragada pela CorteMáxima de que a reformatio
in melius ofende aos princípios dotantum devolutum quantum appelatum e da coisa
julgada para adefesa, entendemos perfeitamente admissível, em recurso exclusivo
daacusação, a reforma da decisão em favor do réu, haja vista que aimpugnação
interposta pelo Ministério Público, a teor do que sesubentende do art. 617 do CPP, tem
efeito devolutivo amplo,devolvendo ao Tribunal a análise de toda a matéria meritória
eprobatória. A bem da verdade, isso se verifica porque o Parquet não éum órgão

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acusador por excelência, mas sim um legítimo representantee defensor da ordem jurídica
e da sociedade (art. 127 da CF/88), tendopor interesse maior a busca de uma solução
justa para a lide penal enão a impreterível condenação do réu'. (Grifo nosso).”

[TJCE]. No procedimento comum quais os efeitos do recurso do MP? É correto falar


em deserção do recurso?
Efeitos do recurso já foram indicados acima.

Não se fala em deserção quanto ao recurso interposto pelo MP.

21. Das ações de impugnação. Da revisão criminal. Do habeas corpus.


Do mandado de segurança. Das exceções. Do desaforamento.

# DA REVISÃO CRIMINAL.
[TJCE]. Quais decisões são objeto de revisão criminal?
Art. 621, CPP. A revisão dos processos findos será admitida:

I - quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal ou à


evidência dos autos;

II - quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos, exames ou documentos


comprovadamente falsos;

III - quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do condenado


ou de circunstância que determine ou autorize diminuição especial da pena.

[TJCE]. Quem julga?


Art. 624. As revisões criminais serão processadas e julgadas: (Redação dada pelo
Decreto-lei nº 504, de 18.3.1969)

I - pelo Supremo Tribunal Federal, quanto às condenações por ele proferidas; (Redação
dada pelo Decreto-lei nº 504, de 18.3.1969)

II - pelo Tribunal Federal de Recursos, Tribunais de Justiça ou de Alçada, nos demais


casos. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 504, de 18.3.1969)

§ 1o No Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Federal de Recursos o processo e


julgamento obedecerão ao que for estabelecido no respectivo regimento
interno. (Incluído pelo Decreto-lei nº 504, de 18.3.1969)

§ 2o Nos Tribunais de Justiça ou de Alçada, o julgamento será efetuado pelas câmaras


ou turmas criminais, reunidas em sessão conjunta, quando houver mais de uma, e, no
caso contrário, pelo tribunal pleno. (Incluído pelo Decreto-lei nº 504, de 18.3.1969)

§ 3o Nos tribunais onde houver quatro ou mais câmaras ou turmas criminais, poderão
ser constituídos dois ou mais grupos de câmaras ou turmas para o julgamento de revisão,
obedecido o que for estabelecido no respectivo regimento interno. (Incluído pelo
Decreto-lei nº 504, de 18.3.1969)

[TJCE]. E se ocorrer a prescrição?

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Em se tratando de prescrição da pretensão punitiva abstrata, não terá havido o trânsito


em julgado, nesse caso, pois, não é cabível a revisão criminal. Contudo, se o caso for
de prescrição da pretensão executória, em que terá havido o trânsito em julgado, será
cabível revisão criminal.

[TJCE]. O que pode ser requerido em revisão criminal?


Busca-se mediante Revisão Criminal um dos seguintes objetivos: Alterar a
classificação dainfração; Absolver o acusado; Modificar a quantidade de pena;
Anular o processo.

Também se pode requerer indenização pelos prejuízos causados: Art. 630, CPP. O
tribunal, se o interessado o requerer, poderá reconhecer o direito a uma justa
indenização pelos prejuízos sofridos.

[TJCE]. É possível propor revisão criminal com base em alteração da


jurisprudência?
Não achei nada específico sobre o assunto na doutrina. Mas os autores falam que as
hipóteses legais que ensejam a revisão criminal são taxativas, então, em princípio,
entendo pelo não cabimento.

Abaixo alguns julgados sobre o tema.

Ementa: REVISÃO CRIMINAL. AUSÊNCIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO NA


AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO. NULIDADE. Não há nulidade a ser reconhecida pela
ausência do Ministério Público na audiência, desde que regularmente intimado.
AVALIAÇÃO DA PROVA. SUFICIÊNCIA. Ainda que já existentes julgados expressando
entendimento de que a ausência do Promotor de Justiça gera insuficiência de prova, pois
a acusação não se desincumbiu se sua tarefa principal, trata-se
de orientação jurisprudencial ainda incipiente.E simples mudança de
jurisprudência não autoriza ação de revisão. REVISÃO CRIMINALIMPROCEDENTE.
POR MAIORIA. (Revisão Criminal Nº 70052685559, Terceiro Grupo de
Câmaras Criminais, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Ivan Leomar Bruxel, Julgado
em 23/01/2014)

TJ- DF - Revisão Criminal RVC 20140020328718 DF 0033402-18.2014.8.07.0000 (TJ-


DF)

Data de publicação: 26/03/2015

Ementa: PENAL E PROCESSUAL. REVISÃO CRIMINAL. DOSIMETRIA DA PENA –


EXASPERAÇÃO DA FRAÇÃO DE AUMENTO NO CRIME DE ROUBO EM PATAMAR
SUPERIOR AO MÍNIMO COM BASE EXCLUSIVA NA INDICAÇÃO DO NÚMERO DE
MAJORANTES RECONHECIDAS – ENUNCIADO 443 DA SÚMULA DO STJ
REDIMENSIONAMENTO DA PENA – IMPOSSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Se, à
época em que foi prolatada a sentença o juiz consignou entendimento possível à luz da
jurisprudência e em conformidade com a lei, a mudança de orientaçãojurisprudencial a
respeito da interpretação de determinado dispositivo legal, nãoautoriza a procedência
de pedido formulado em ação de revisão criminal, remédio à disposição, entre outras
hipóteses arroladas no código de ritos, quando a sentença condenatória for contrária a
texto expresso da lei. Precedentes.

[TJCE]. Qual é a natureza jurídica da Revisão Criminal? Porque não seria um


recurso?

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R: Ação autônoma de impugnação. Apesar de colocada no CPP dentro do Capítulo


que trata dos recursos, a revisão criminal não é um recurso (que pressupõe o
desenvolvimento do processo na mesma relação jurídica processual de que provém
a decisão impugnada). Quando se ajuíza revisão criminal, na verdade se está fazendo
surgir uma nova relação jurídica processual.

[TJCE]. Quem julga a revisão criminal? Quando cabe revisão criminal? Em que
momento se produz a prova nova? Cabe produção de prova na revisão criminal?
Como se respeita o contraditório? Utiliza-se ação de justificação?
R: Trata-se de ação da competência originária dos Tribunais, pelo menos em regra.
A decisão do Tribunal substituirá a decisão anterior.

No âmbito dos Juizados Especiais Criminais, apesar de não se admitir ação rescisória,
tem-se admitido revisão criminal. No entanto, nesse caso, a revisão criminal deve ser
apreciada pela Turma Recursal (onde ela esteja constituída; se não tiver Turma
Recursal, quem irá apreciar a revisão criminal será o próprio Tribunal).

As hipóteses de cabimento estão previstas no artigo 621, CPP:

I - Contrariedade ao texto expresso da lei penal ou à evidência dos autos

Quando se verifica que aquela decisão é manifestamente contrária ao texto expresso


da lei penal ou à evidência dos autos.

“Lei penal”: a doutrina e a jurisprudência dizem que não seria apenas a lei material;
se pode ajuizar revisão criminal também se há contrariedade à lei processual e à
própria CF.

Essa contrariedade tem que ser uma contrariedade manifesta, evidente, porque os
Tribunais dizem que se a discussão disser respeito a uma dúvida, a uma controvérsia,
aí não cabe revisão criminal.

STF, Súmula 343: “Não cabe ação rescisória (nem revisão criminal) por ofensa a literal
disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de
interpretação controvertida nos tribunais”.

Os Tribunais também dizem que, ainda que haja uma interpretação controvertida, se
depois de algum tempo pacificar-se o entendimento jurisprudencial num determinado
sentido, se poderia ajuizar a revisão criminal.

Ex.: Durante muitos anos prevaleceu o entendimento de que era possível que o
acusado fosse privado do duplo grau de jurisdição pelo fato de não ter se recolhido à
prisão para apelar. Então, se o juiz reconhecia que ele não era primário e não tinha
bons antecedentes, se ele não se apresentasse à prisão, ele não tinha direito de
recorrer. Muitos acusados se viam condenados na primeira instância porque eles
estavam foragidos. Então o juiz certificava o trânsito em julgado e ele não tinha o
direito de apelar. Hoje, essa interpretação mudou: entende-se que, ainda que o réu
não seja primário, ainda que não tenha bons antecedentes, tem direito ao duplo grau.
Então, hoje seria cabível a revisão criminal com base nisso, podendo dizer que aquela
decisão condenatória seria manifestamente contrária ao texto do CPP, que passou a
admitir o duplo grau e também ao texto da Convenção Americana, que admite o

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duplo grau, querendo que o Tribunal rescinda o trânsito em julgado, para que se possa
ter direito de interpor uma apelação.

II - Depoimentos, exames ou documentos comprovadamente falsos como fundamento


da sentença

Às vezes a sentença se baseia em depoimentos, exames e documentos que depois


acabam se revelando falsos.

Você pode tentar provar essa falsidade no bojo da própria revisão criminal ou quando
ajuíza uma justificação.

Cuidado: só será deferido o pedido da revisão quando visualizado que o documento


falso funcionou como fundamento da sentença, pois pode ser que nos autos do
processo tenha sido juntado algum documento falso, mas pode ser que essa prova
falsa não tenha exercido qualquer influência na sentença.

Daí a necessidade de se analisar se aquela prova foi fundamental ou não para a


condenação.

Se visualizarmos que sim, que a prova em que se baseou a condenação é falsa, aí


evidentemente, o acusado deverá ser absolvido.

Mas, se visualizarmos que aquela prova falsa não teria sido relevante para o decreto
condenatório, aí não deve ser deferido o pedido na revisão criminal.

III - Existência de provas novas em favor do acusado

Pode acontecer de, depois do trânsito em julgado de sentença condenatória, surgirem


provas novas favoráveis ao acusado.

Ex.: Os irmãos Naves foram condenados por um suposto crime de homicídio na


cidade de Araguari. Ficaram presos muitos anos e depois, um dia a suposta vítima
aparece na cidade, ou seja, claramente uma prova nova capaz de absolvê-los. Nesse
caso, é cabível a revisão criminal.

Art. 621, CPP:

Art. 621. A revisão dos processos findos será admitida:

I - quando a sentença condenatória for contrária ao texto expresso da lei penal


ou à evidência dos autos;

II - quando a sentença condenatória se fundar em depoimentos, exames ou


documentos comprovadamente falsos;

III - quando, após a sentença, se descobrirem novas provas de inocência do


condenado ou de circunstância que determine ou autorize diminuição especial da pena.

Obs.: A prova nova pode ser uma prova capaz de inocentar o acusado, mas ela
também servirá se for uma prova capaz de determinar ou autorizar a diminuição da
pena.

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Os Tribunais e a doutrina têm interpretado que prova nova não é apenas uma prova
nova que não teria constado do primeiro processo, mas também pode ser uma nova
análise da mesma prova que já havia sido produzida. Às vezes, se tem uma prova
produzida no processo sob um ponto de vista, mas depois, com o avanço da
tecnologia, se poderia submeter aquela mesma prova a um reexame, agora sob
técnica mais avançada.

Ex.: Possibilidade de utilização do exame de DNA.

Cuidado: para que seja cabível a revisão criminal, é preciso ter provas novas. A
revisão criminal não se presta à reapreciação do conjunto probatório, pois para isso
é que serviu a apelação.

STJ, REsp 763. 283: a revisão criminal não se presta quando não apresentada
nenhuma nova prova apta a determinar o reexame a nova avaliação do conjunto
probatório (não se pode utilizar a revisão criminal para buscar uma segunda, uma
terceira avaliação do conjunto probatório).

Essa prova nova poderá ser comprovada no bojo de um processo de justificação


prévia ou no curso da própria revisão criminal.

[TJCE]. Quem pode requerer a revisão criminal?


R: A legitimidade é do acusado e do seu defensor.

Mesmo um acusado preso pode pedir para que sua decisão condenatória seja revista
e o Tribunal acolherá isso como se fosse uma interposição de uma revisão criminal.
Para assegurar a ampla defesa, nomeia um defensor dativo ou manda os autos para a
Defensoria Pública, para apresentar a motivação dessa revisão criminal.

Os dois podem ajuizar a revisão criminal.

No caso de morte, se a ação ainda não tiver sido proposta: a legitimação será
transferida ao CADI (cônjuge, ascendente, descendente e irmão).

# DO HABEAS CORPUS.
[TJCE]. O que é o habeas corpus? Qual a natureza jurídica?
É uma ação peal não condenatória, é uma ação constitucional destinada
especificamente à proteção da liberdade de locomoção quando ameaçada ou violada
por ilegalidade ou abuso de poder.

[TJCE]. O HC é pra qualquer ilegalidade e abuso de poder?


Não, como o próprio texto traz, quando essa ilegalidade ou abuso de poder for contra
a liberdade de locomoção.

[TJCE]. Qual a diferença de HC para MS?


O MS visa proteger direito liquido e certo não amparado por HC, ou seja, quando
não se referir à liberdade de locomoção e quando o responsável pela ilegalidade e
abuso for autoridade pública, ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições
públicas.

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[TJCE]. Quando cabe HC?


Quando alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência em sua liberdade de
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.

[TJCE]. É possível concessão de liminar em HC?


Sim é possível.

[TJCE]. É possível outro HC em caso de indeferimento de liminar?


O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão assentada no sentido de não caber
habeas corpus contra decisão que denega liminar, a não ser que reste demonstrada
flagrante ilegalidade, o que não ocorre na espécie.

[TJCE]. O querelante/assistente de acusação pode intervir no HC do querelado?


O STF admite sim a intervenção do querente no habeas corpus, por ser interessado
direto no desfecho do writ que, em tese, poderá atingir o seu direito deduzido em
juízo.

[TJCE]. Cabe HC depois de transitado em julgado?


A jurisprudência admite, como regra, a utilização do habeas corpus mesmo após o
trânsito em julgado da condenação, se o impetrante alegar vícios insanáveis, que
podem ser constatados sem necessidade de outras provas que não as documentais e
desde que a pena ainda não tenha sido integralmente cumprida. O HC funciona, neste
caso, como uma forma de substituição da revisão criminal.

[TJCE]. Cabe HC contra ato do MP? Onde se processa?


Sim, se aquele ato for ilegal ou abusivo e gerar violência à liberdade de locomoção
pode sim haver HC contra ato de MP que será jugado pelo tribunal de justiça,
conforme entendimento jurisprudencial.

[TJCE]. É possível discutir provas no HC?


Não há produção de provas em HC, às provas já devem ser documentadas, não
precisando de lastro probatório.

[TJCE]. Pode HC pra reconhecer nulidade?


Sim, o STJ tem o entendimento que é possível reconhecer nulidade por via do HC,
no caso julgado se reconheceu a nulidade absoluta de uma sentença transitada em
julgado pela via do HC.

[TJCE]. Quando cabe HC?


Quando alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência em sua liberdade de
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.

[TJCE]. Quais as suas espécies?


Habeas Corpus Preventivo: Haverá impetração de Habeas Corpus Preventivo
quando há uma ameaça séria e efetiva de violência ou há uma ameaça séria e efetiva
de coação à liberdade de locomoção. Disso, pode-se concluir que, a privação ainda
não foi efetivada, mas, dadas as circunstâncias, sua imposição é iminente. Portanto,
como a própria denominação evidencia, a impetração é anterior à privação à
liberdade. Após a sua concessão, será expedido salvo-conduto, que terá o condão de
impedir a prática da ilegalidade que conduziria a segregação da liberdade do paciente.

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Habeas Corpus Repressivo: Também chamado de Habeas Corpus Liberatório, será


impetrado em face de coação ilegal ou abuso de poder, já praticados, portanto, a
privação à liberdade já está materializada. Nessa hipótese, haverá a expedição de
alvará de soltura com vistas ao restabelecimento da situação anterior, qual seja a de
liberdade.

Habeas Corpus Suspensivo: ocorre quando já existe constrangimento ilegal, mas o


sujeito ainda não foi preso. Neste caso, emite-se contramandado de prisão, haja vista
que se cuida “de uma ameaça efetiva à liberdade, mas o sujeito não esta preso.

Habeas Corpus Profilático: Trata-se de modalidade indicada por parcela da


doutrina, que o dispõe como modalidade de Habeas Corpus tendente a impedir a
prática de atos processuais que possam ensejar a decretação de prisão ilegal, com
aparência de prisão legal. Como hipótese prática, podemos entender a oitiva de
determinada pessoa por uma comissão parlamentar de inquérito, na qualidade de
testemunha, quando, no decorrer dos fatos, restará evidenciado que essa testemunha
agiu na qualidade de coautor. Todos tem ciência que a testemunha tem a obrigação
legal de indicar todos os elementos aos quais teve acesso, ao passo que, em respeito
ao princípio da plenitude de defesa, os autores, coautores e partícipes não tem a
obrigação de realizar referidos apontamentos. Nessas circunstâncias, haveria o
desrespeito ao princípio da plenitude de defesa, e posteriormente, já na condição de
réu, aquele que atuou como testemunha poderia ser preso.

Apesar da relevância acadêmica, essa modalidade de Habeas Corpus é semelhante


ao preventivo, por tanto, não havendo necessidade de diferenciá-los

[TJCE]. E aplicação?
A aplicação de cada uma das espécies já consta na resposta da questão anterior.

Art. 648, quando não houver justa causa

[TJCE]. O que é justa causa?


Nestor Távora, em seu livro, explica que o conceito de justa causa pode ser
subdividido em “justa causa para ordem proferida, que resultou coação contra
alguém” e “justa causa para a existência de processo ou investigação contra alguém”.
Na primeira hipótese, a justa causa para a prisão está diretamente relacionada com o
art. 5º, LXI, da CF, que dispõe sobre a necessidade de ordem fundamentada para a
realização da prisão, salvo em caso de flagrante delito. Deste modo, não haverá justa
causa quando a coação exercida sobre a liberdade do individuo estiver desamparada
legalmente. Quanto à segunda hipótese, deve-se ressaltar que é ela o fundamento para
o trancamento de inquéritos e ações penais, admitido pelo STF excepcionalmente
quando o fato não constitui infração penal, quando não há indícios suficientes de
autoria ou quando extinta a punibilidade do agente. Da mesma forma, quando não
subsista lastro probatório mínimo de sustentabilidade procedimental.

[TJCE]. Cabe HC para reconhecer nulidade?


Sim, o STJ tem o entendimento que é possível reconhecer nulidade por via do HC,
no caso julgado se reconheceu a nulidade absoluta de uma sentença transitada em
julgado pela via do HC.

[TJCE]. Para declarar extinta a punibilidade?

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Sim, art. 648, VII, do CPP.

[TJCE]. Cabe HC contra ato de particular?


Esse tema é polêmico e foi estudado por Sérgio Demoro, em seu artigo nominado "O
HABEAS CORPUS CONTRA ATO DE PARTICULAR". De acordo com o autor,
não cabe habeas corpus contra decisão de particular.

Entretanto, o entendimento atual de nossos tribunais e de nossa doutrina é de que o


coator pode ser tanto uma autoridade quanto o particular. Nesse ponto, esclarece
Norberto Avena: "a Constituição Federal, ao tratar do habeas corpus, estabeleceu a
possibilidade de seu cabimento 'sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de
sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso
de poder'. Ora, se, por um lado, apenas a autoridade pode abusar do poder que detém
ou lhe é delegado, por outro a ilegalidade pode ser cometida tanto pela autoridade
quanto por particular."

Portanto, apesar de muitas vezes a privação da liberdade de locomoção de alguém


ser crime, o mesmo fato também pode ser objeto de habeas corpus.

Exemplo:

“HABEAS CORPUS" PREVENTIVO - Impetração contra ato de particular -


Paciente que se diz na de iminência de ser internado em clínica psiquiátrica por sua
esposa - Conhecimento - Ordem, porém, denegada - Constrangimento não
comprovado - Inteligência dos arts. 153, § 20, da CF, 647 do CPP e 1.182 do CPC
(Ement.) RT 552/323

[TJCE]. Contra punição penal militar?


Apesar do art. 142, § 2º, da CF, vedar o manejo do HC contra punição disciplinar,
esta vedação é adequada para os casos em que se pretenda invadir o mérito do ato
administrativo punitivo, pondo-se em risco a própria hierarquia militar. Agora é
possível o HC quando a punição extrapola os parâmetros permitidos pela autoridade
competente, sendo neste caso cabível contra a ilegalidade da punição.

[TJCE]. Promotor de justiça pode impetrar HC?


Art. 654 do CPP. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu
favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público

[TJCE]. Quais os requisitos da petição de HC?


§ 1o do art. 654 do CPP. A petição de habeas corpus conterá:

a) o nome da pessoa que sofre ou está ameaçada de sofrer violência ou coação e o de


quem exercer a violência, coação ou ameaça;

b) a declaração da espécie de constrangimento ou, em caso de simples ameaça de


coação, as razões em que funda o seu temor;

c) a assinatura do impetrante, ou de alguém a seu rogo, quando não souber ou não puder
escrever, e a designação das respectivas residências.

[TJCE]. E se o HC não estiver assinado?

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E o Habeas Corpus possa ser impetrado por qualquer pessoa, independentemente da


assistência de Advogado, a ausência da assinatura na petição inicial, por si só,
inviabiliza o conhecimento da impetração.

[TJCE]. O que é HC? Qual a sua natureza jurídica? Qual a diferença entre HC e
MS? É possível concessão de medida liminar em HC? Cabe HC da negativa de HC?
O querelante e ou assistente de acusação pode intervir no HC do querelado? Cabe
HC após o trânsito em julgado? Cabe HC contra ato do MP? Onde se processa?
O habeas Corpus é ação autônoma de impugnação, constituído através de previsão
constitucional – Artigo 5º, inciso LXVIII, da Constituição Federal -, tendo como
objetivo evitar a prática de atos atentatórios à liberdade de locomoção ou restabelecê-
la, quando ilegalmente violada ou ameaçada.

O Habeas Corpus tem natureza de ação autônoma de impugnação, e não natureza


recursal, conclusão a qual poderíamos chegar após a leitura do Título II do Livro III.
Referida natureza decorre de algumas circunstâncias inerentes ao Habeas Corpus que
são mais amplas que as características dos recursos, como a possibilidade de sua
impetração a qualquer momento, inclusive mesmo antes de existir, efetivamente,
uma ação penal, ou, a possibilidade de impetração após o trânsito em julgado da
sentença.

Como medida cautelar excepcional, a liminar em habeas corpus, exige requisitos: o


periculum in mora ou perigo na demora, quando há probabilidade de dano irreparável
e o fumus boni iuris ou fumaça do bom direito, quando os elementos da impetração,
indiquem a existência de ilegalidade.

O MS é uma ação judicial, de rito sumário especial, a ser utilizada quando direito
líquido e certo do indivíduo for violado por ato de autoridade governamental ou de
agente de pessoa jurídica privada que esteja no exercício de atribuição do Poder
Público. É sempre ação de natureza civil, ainda quando impetrado contra ato de juiz
criminal, praticado em processo penal.

O MS é ação de natureza residual, subsidiária, pois somente é cabível quando o


direito líquido e certo a ser protegido não for amparado por outros remédios judiciais
(habeas corpus, habeas data, ação popular, etc.)

O MS é cabível contra o chamado “ato de autoridade”, entendido como qualquer


manifestação ou omissão do Poder Público ou de seus delegados no desempenho de
atribuições públicas. Ressalte-se que as omissões das autoridades também podem
violar direito líquido e certo do indivíduo, legitimando a impetração do mandado de
segurança.

Porém, nem todo o direito é amparado pela via do mandado de segurança: a


Constituição exige que o direito invocado seja líquido e certo. Direito líquido e certo
é aquele demonstrado de plano através de prova documental, e sem incertezas, a
respeito dos fatos narrados pelo declarante. É o que se apresenta manifesto na sua
existência, delimitado na sua extensão e apto a ser exercitado no momento da
impetração. Se a existência do direito for duvidosa; se a sua extensão ainda não
estiver delimitada; se o seu exercício depender de situações e fatos ainda
indeterminados, não será cabível o mandado de segurança.

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No contexto de racionalização do emprego do habeas corpus, é inadmissível a sua


utilização como sucedâneo recursal, salvo nos casos de flagrante ilegalidade ou abuso
de poder na denegação da tutela de eficácia imediata, sob pena de supressão de
instância. Súmula 606, STF, NÃO CABE "HABEAS CORPUS" ORIGINÁRIO
PARA O TRIBUNAL PLENO DE DECISÃO DE TURMA, OU DO PLENÁRIO,
PROFERIDA EM "HABEAS CORPUS" OU NO RESPECTIVO RECURSO.

O STJ não tem admitido, em habeas corpus, a intervenção de assistente da acusação


ou qualquer outro interessado em desfecho desfavorável ao paciente, por se cuidar o
writ de ação-garantia de natureza constitucional destinada exclusivamente à tutela da
liberdade.

Todavia, em habeas corpus oriundo de ação penal privada, cabe permitir,


excepcionalmente, a intervenção do querelante no julgamento do writ, porquanto a
decisão repercute em seu interesse de agir.

2ª Turma, HC 93942 (06/05/2008): O habeas corpus constitui remédio hábil para


arguição e pronúncia de nulidade do processo, ainda que já tenha transitado em
julgado a sentença penal condenatória.

Compete ao Tribunal de Justiça o processo e julgamento de habeas corpus


impetrado contra ato de Promotor de Justiça (1ª Turma, RE 418852, j.
06/12/2005).

[TJCE]. Pode-se discutir provas em HC?


Não cabe o HC se houver a necessidade de dilação probatória. O HC pressupõe o
direito líquido e certo à liberdade de locomoção com a demonstração documental de
que há ilegal ou abusiva ameaça ou violação a esse direito. As provas devem estar
pré-constituídas. Se houver a necessidade de comprovação das provas, de perícias,
tomada de testemunhos etc., incabível o HC, haja vista o caráter sumaríssimo de seu
rito procedimental, entendimento confirmado pelo STF no julgamento do HC 82.191.

[TJCE]. Habeas Corpus pode ser usado para se reconhecer a nulidade?


É entendimento firmado pelo STJ no sentido de ser "possível, em sede de habeas-
corpus, o afastamento do trânsito em julgado para verificação de nulidade absoluta".

22. Lei n.º 7.210/84. Da execução das penas em espécie. Dos incidentes
da execução penal.
[TJCE]. Qual a natureza jurídica da execução penal? Sendo uma atividade
jurisdicional implica em que, no direito do preso?
Não é pacífica na doutrina a natureza jurídica da execução penal, havendo, por um
lado, quem defenda seu caráter puramente administrativo e, por outro, quem sustente
sua natureza eminentemente jurisdicional.

Prevalece, contudo, a orientação de que a execução penal encerra atividade


complexa, que se desenvolve tanto no plano administrativo como na esfera
jurisdicional, sendo regulada por normas que pertencem a outros ramos do direito,
especialmente o direito penal e o direito processual penal. Renato Marcão, entretanto,
adverte que “a execução penal é de natureza jurisdicional, não obstante a intensa
atividade administrativa que envolve”.

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Considera ele que, “embora não se possa negar tratar-se de atividade complexa, não
é pelo fato de não prescindir de certo rol de atividades administrativas que sua
natureza se transmuda; prevalece a atividade jurisdicional, não só na solução dos
incidentes da execução. Sendo atividade jurisdicional é garantido ao apenado o
acesso ao Poder Judiciário e a todas as garantias que lhe são inerentes (ampla defesa,
contraditório, devido processo, imparcialidade do juiz, direito à produção probatória,
direito de audiência etc.).

[TJCE]. Não aplicação da súmula vinculante número 9? Por quê?


Em sua redação original, dispunha o art. 127 da LEP que “o condenado que for
punido por falta grave perderá o direito a tempo remido, começando o novo período
a partir da data da infração disciplinar”.

Tal normatização foi alvo de intenso debate na doutrina e jurisprudência, muitos se


inclinando no sentido da sua inconstitucionalidade, ao fundamento de que implicava
violação ao princípio da proporcionalidade, ao direito adquirido e à coisa julgada.
Para resolver o impasse e uniformizar a interpretação da lei federal perante a
Constituição da República, editou o Supremo Tribunal Federal, em 12 de junho de
2008, a Súmula Vinculante 9, estabelecendo que: “o disposto no art. 127 da Lei
7.210/1984 (Lei de Execução Penal) foi recebido pela ordem constitucional vigente,
e não se lhe aplica o limite temporal previsto no caput do art. 58”.

Não obstante a disciplina sumular, sobreveio, em 29 de junho de 2011, a L. 12.433,


alterando a redação do art. 127 da LEP, passando este a dispor que, “em caso de falta
grave, o juiz poderá revogar até 1/3 (um terço) do tempo remido, observado o
disposto no art. 57, recomeçando a contagem a partir da data da infração
disciplinar”.

Com esse regramento, restou parcialmente superada a precitada Súmula Vinculante


9 do STF (fenômeno conhecido como “superação sumular normativa” ou
overruling), que, de resto, permaneceu válida apenas no aspecto em que afirma a
constitucionalidade da perda de dias remidos em decorrência de falta grave.

Estabeleceu-se, enfim, que a penalidade consistente na perda de dias remidos não


mais incide sobre a totalidade do tempo remido, mas apenas até o limite de 1/3 (um
terço) desse montante, cabendo ao Juízo das Execuções, com certa margem de
discricionariedade, aferir o quantum (pode determinar a perda de 1/4, 1/5, 1/6...),
levando em conta a natureza, os motivos, as circunstâncias e as consequências do
fato, bem como a pessoa do faltoso e seu tempo de prisão, conforme o disposto no
art. 57 da LEP.

Com isso, restou mais uma vez firmado o entendimento de que o instituto da remição,
como prêmio concedido ao apenado em razão do tempo dedicado ao trabalho ou
estudo, está sujeito à cláusula rebus sic stantibus, gerando apenas expectativa de
direito. Sua concessão, em outras palavras, não produz coisa julgada material,
podendo ocorrer revogação de dias remidos diante do reconhecimento da prática de
falta grave pelo apenado.

[TJCE]. Como são apuradas as faltas graves? Sendo uma atividade jurisdicional, a
apuração de falta grave fica a cargo do diretor do presídio?

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Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar, no âmbito da execução


penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor
do estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por
advogado constituído ou defensor público nomeado.

No âmbito da execução penal, a atribuição de apurar a conduta faltosa do detento,


assim como realizar a subsunção do fato à norma legal, ou seja, verificar se a conduta
corresponde a uma falta leve, média ou grave, e aplicar eventual sanção disciplinar é
do diretor do estabelecimento prisional, em razão de ser o detentor do poder
disciplinar (Seção III do Capítulo IV da LEP).

Não se olvida, entretanto, que, em razão do cometimento de falta de natureza grave,


determinadas consequências e sanções disciplinares são de competência do juiz da
execução penal, quais sejam, a regressão de regime (art. 118, I), a revogação de saída
temporária (art. 125), a perda dos dias remidos (art. 127) e a conversão de pena
restritiva de direitos em privativa de liberdade (art. 181, § 1º,d, e § 2º).

A propósito, o art. 48 estabelece que a autoridade administrativa “representará” ao


juiz da execução penal para adoção dessas sanções disciplinares de competência do
juiz da execução penal.

Dessa forma, constata-se que a LEP não deixa dúvida ao estabelecer que todo o
"processo" de apuração da falta disciplinar (investigação e subsunção), assim como
a aplicação da respectiva punição, é realizado dentro da unidade penitenciária, cuja
responsabilidade é do seu diretor. Somente se for reconhecida a prática de falta
disciplinar de natureza grave pelo diretor do estabelecimento prisional, é que será
comunicado ao juiz da execução penal para que aplique determinadas sanções, que o
legislador, excepcionando a regra, entendeu por bem conferir caráter jurisdicional.

[TJCE]. Quem determina a anotação da falta grave? O juiz deve ouvir o preso?
Todo o "processo" de apuração da falta disciplinar (investigação e subsunção), assim
como a aplicação da respectiva punição, é realizado dentro da unidade penitenciária,
cuja responsabilidade é do seu diretor. Somente se for reconhecida a prática de falta
disciplinar de natureza grave pelo diretor do estabelecimento prisional, é que será
comunicado ao juiz da execução penal para que aplique determinadas sanções. Na
apuração da falta grave, é indispensável assegurar ao apenado o direito à ampla
defesa e ao contraditório, sob pena de nulidade da punição eventualmente aplicada,
devendo, portanto ser ouvido. No tocante à formalização dessa sequência de atos
concernentes à apuração da conduta faltosa do detento e aplicação da respectiva
sanção, o art. 59 da LEP é expresso ao determinar que: “praticada a falta disciplinar,
deverá ser instaurado o procedimento para a sua apuração, conforme regulamento,
assegurado o direito de defesa”. E mais, mesmo sendo a referida lei do ano de 1984,
portanto, anterior à CF de 1988, ficou devidamente assegurado o direito de defesa do
preso, que abrange não só a autodefesa, mas também a defesa técnica, a ser realizada
por profissional devidamente inscrito nos quadros da OAB. Não por outro motivo o
legislador disciplinou expressamente nos arts. 15, 16 e 83, § 5º, da LEP, a
obrigatoriedade de instalação da Defensoria Pública nos estabelecimentos penais, a
fim de assegurar a defesa técnica daqueles que não possuírem recursos financeiros
para constituir advogado. Ademais, vale ressaltar que o direito de defesa garantido
ao sentenciado tem assento constitucional, mormente porque o reconhecimento da
prática de falta disciplinar de natureza grave acarreta consequências danosas que

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repercutem, em última análise, em sua liberdade. Com efeito, os incisos LIV e LV


do art. 5º da CF respaldam a obrigatoriedade da presença de defensor regularmente
constituído na OAB, em procedimento administrativo disciplinar, no âmbito da
execução da pena.

[TJCE]. Quais as consequências para o preso da prática de uma falta grave?


Interfere em todos os benefícios?
A prática de falta grave representa marco interruptivo para obtenção de progressão
de regime e outros benefícios da execução. Assim, a data-base para a contagem do
novo período aquisitivo é a do cometimento da última infração disciplinar grave,
computado do período restante de pena a ser cumprido.

O cometimento de falta grave implica na regressão de regime prisional, com esteio


no que preceitua o art. 118, I, da Lei nº 7.210/84. Na esteira da Súmula Vinculante
nº 9/STF, a falta grave homologada tem por efeito a perda dos dias remidos, sendo
que, com o advento da Lei nº 12.433/11, limitou-se a detração ao patamar máximo
de 1/3 (um terço) do seu total.

Súmula 441 do STJ: A falta grave não interrompe o prazo para obtenção do livramento
condicional. Entende o STJ que, por ausência de previsão legal, a prática de falta grave
não interrompe o lapso temporal para aferição do requisito objetivo ao deferimento de
comutação de pena.

Resumindo: Segundo o STJ, a prática de falta grave interrompe o prazo para a


progressão de regime - acarretando a modificação da data-base e o início de nova
contagem do lapso necessário para o preenchimento do requisito objetivo -, não
havendo a interrupção para fins de obtenção de livramento condicional, indulto e
comutação de pena, salvo disposição expressa em contrário no decreto presidencial.

[TJCE]. As faltas graves se submetem ao princípio da legalidade?


O art. 50 da LEP estabelece o rol de condutas que se classificam como faltas de
natureza grave praticadas por condenados que cumprem pena privativa de liberdade,
e que se estendem, no que couber, também ao preso provisório (art. 50, parágrafo
único). De acordo com a jurisprudência, esse rol estabelecido pela Lei de Execução
Penal é taxativo, não podendo ser ampliado por outros atos normativos, como
resoluções, portarias, decretos etc.

Assim, submete-se ao princípio da legalidade. Logicamente, a taxatividade que se


estabelece em relação ao art. 50 da LEP não impede que legislação federal de igual
ou superior hierarquia estabeleça condutas caracterizadoras como falta disciplinar de
natureza grave.

[TJCE]. A Súmula Vinculante nº 5 se aplica à execução penal


A Súmula Vinculante 5, a qual dispõe que “a falta de defesa técnica por advogado
no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição”, não se aplica à
execução penal.

Primeiro, porque todos os precedentes utilizados para elaboração do aludido verbete


sumular são originários de questões não penais, onde estavam em discussão
procedimentos administrativos de natureza previdenciária (RE 434.059); fiscal (AI

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207.197); disciplinar-estatutário militar (RE 244.027); e tomada de contas especial


(MS 24.961).

Segundo, porque, conforme mencionado, na execução da pena está em jogo a


liberdade do sentenciado, o qual se encontra em situação de extrema vulnerabilidade,
revelando-se incompreensível que ele possa exercer uma ampla defesa sem o
conhecimento técnico do ordenamento jurídico, não se podendo, portanto, equipará-
lo ao indivíduo que responde a processo disciplinar na esfera cível-administrativa.

Ademais, observa-se que o Regulamento Penitenciário Federal, aprovado pelo Dec.


6.049/2001 que disciplina as regras da execução da pena em estabelecimento
prisional federal, seguindo a diretriz traçada pela Lei 7.210/1984 (LEP) –, determina
expressamente a obrigatoriedade de instauração de procedimento administrativo para
apuração de falta disciplinar, bem como a imprescindibilidade da presença de
advogado.

Seria, portanto, um verdadeiro contrassenso admitir que o preso que cumpre pena em
estabelecimento penal federal, regido pelo aludido Decreto, possua mais direitos e
garantias em relação àquele que esteja cumprindo pena em presídio estadual.

[TJCE]. Execução de pena privativa de liberdade - quando se dá a regressão de


regime?
Art. 118. A execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita à forma regressiva,
com a transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado:

I - praticar fato definido como crime doloso ou falta grave;

II - sofrer condenação, por crime anterior, cuja pena, somada ao restante da pena em
execução, torne incabível o regime (artigo 111).

§ 1° O condenado será transferido do regime aberto se, além das hipóteses referidas nos
incisos anteriores, frustrar os fins da execução ou não pagar, podendo, a multa
cumulativamente imposta.

§ 2º Nas hipóteses do inciso I e do parágrafo anterior, deverá ser ouvido previamente o


condenado.

Art. 119. A legislação local poderá estabelecer normas complementares para o


cumprimento da pena privativa de liberdade em regime aberto (artigo 36, § 1º, do Código
Penal).

Falta Grave.

Art. 50. Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que:

I - incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a disciplina;

II - fugir;

III - possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem;

IV - provocar acidente de trabalho;

V - descumprir, no regime aberto, as condições impostas;

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VI - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei.

VII - tiver em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou similar, que
permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo. (Incluído pela Lei
nº 11.466, de 2007)

[TJCE]. Se soma permitir que continue no mesmo regime, ainda que há outra
condenação em regime menos gravoso?

[TJCE]. É possível regressão cautelar de regime até o fim da apuração da falta? A


LEP autoriza isso?
NÃO. A possibilidade de regressão de regime prevista no artigo 118 da Lei de
Execução Penal deve obedecer a procedimento em que se assegure a oitiva do
apenado, somente devendo ser levada a efeito após seu trâmite regular, não se
mostrando razoável a sustação cautelar da transferência do condenado para o regime
apropriado sem observância do regular trâmite.

Nesse mesmo sentido se manifestou o STJ julgar um recuso ordinário em Habeas


Corpus, sendo que, assim se manifestaram:

PROCESSUAL PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO


PENAL. COMETIMENTO DE FALTA GRAVE. REGRESSÃO DE REGIME.
INEXISTÊNCIA DE OITIVA PRÉVIA DO CONDENADO. LEI No 7.210/84, ART. 118, §
2o. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO
DEVIDO PROCESSO LEGAL. PREJUÍZO DEMONSTRADO. RECURSO PROVIDO.
Configura constrangimento ilegal a decisão que determina a regressão de regime
prisional fundada em procedimento regular instaurado para a apuração da prática de
falta disciplinar, não obstante a inexistência de oitiva do réu pelo Juízo das Execuções.
É de rigor a regra do art. 118, § 2o, da LEP, no sentido de se entender imprescindível
a audiência pessoal do condenado, pelo Juiz, antes de imposição da regressão. In casu,
sendo a decisão regressão definitiva a determinar a medida mais gravosa,
imprescindível a prévia oitiva do réu que, em tese, cometeu falta grave, propiciando-se,
assim, a oportunidade da ampla defesa do condenado. Recurso PROVIDO. (STJ - RHC:
17924 PR 2005/0096400-4, Relator: Ministro PAULO MEDINA, Data de Julgamento:
18/08/2005, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJ 12.09.2005 p. 370RT vol. 843
p. 536).

Portanto, diante do quanto verificado no julgado acima mencionado, percebe-se que


as decisões exaradas pelos magistrados de primeiro grau em que determinam a
regressão do cumprimento de regime de pena do penitente de forma cautelar, “fere
de morte” a determinação legal do parágrafo segundo constante no artigo 118 da lei
de execuções penais, portanto, tais decisum, devem ser considerados ilegais, ou
melhor, devem os magistrados se absterem de proferir decisões neste sentido,
mormente quando requeridos pelos representantes do Ministério Público, pois, a
ilegalidade passa-se a tornar-se inconstitucional em violação ao devido processo
legal.

Ao final, merece destacar que não encontra respaldo legal a medida cautelar em
regressão de regime de cumprimento de pena, pois, tal situação foi uma construção
doutrinária e jurisprudencial e não deve ser repassada pelos magistrados, pois, estes
tem o dever legal de aplicar o comento da lei no caso concreto e a função de um

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magistrado é guardar lealdade com a imparcialidade e com o devido processo legal


e não se agarrar a construções pífias de teses inexpressivas.

[TJCE]. A falta grave interromperá o prazo de concessão de regime?


SIM. o cometimento de falta grave interrompe o prazo para a concessão de regime
prisional. Vamos entender.

Os regimes prisionais são três. O sujeito, cumprindo pena no regime fechado ou, no
semiaberto, a partir de um determinado momento da execução, preenchidos alguns
requisitos, tem direito à progressão de regime, ou seja, tem direito à mudança para
um regime menos gravoso. Isto ocorre por conta do princípio da individualização da
pena, que deve ser ajustada ao condenado desde a sentença até a execução, sofrendo,
inclusive, modificações.

Para a progressão do regime, o condenado deve cumprir alguns requisitos, elencados


nos artigos 112 da LEP (Lei n. 7210) e no artigo 33, § 2o do CP, quais sejam:

1. Cumprimento de 1/6 da pena privativa de liberdade (requisito objetivo)

2. Ostentar bom comportamento carcerário, atestado pelo diretor do


presídio (requisito subjetivo)

3. Mérito do condenado (requisito subjetivo).

Para os crimes hediondos, desde 2006, após a decisão do STF em controle incidental
(HC. 82.959), admite-se a progressão de regime. Em 2007, após a alteração
legislativa na lei dos crimes hediondos (lei n. 11.464/2007), o prazo para progressão
de regime é de 2/5, para condenados não reincidentes, e 3/5 para os reincidentes.

Ainda falando em progressão de regime, a sumula 439 do STJ veio sanar a dúvida
com relação ao exame criminológico: trata-se de procedimento facultativo, que pode
ser admitido no caso concreto, atendidas as peculiaridades da situação específica.

Pois bem. No caso de cometimento de falta grave, cujo conceito se encontra no artigo
50 da LEP, o condenado perde o direito ao tempo já cumprido da pena. Em outros
termos, reinicia-se a contagem a partir do zero, e o condenado deve cumprir,
novamente, a quantidade necessária da pena para obter a progressão de regime
(1/6, 2/5 ou 3/5, a depender do caso).

Importa lembrar que essa interrupção se restringe à progressão de regime. No


livramento condicional, que consiste na antecipação da liberdade, desde que
cumpridos alguns requisitos, a falta grave não interrompe o tempo necessário, por
força da sumula 441, STJ.

[TJCE]. O que é a remição? O preso deve estar em que regime? O preso que está
em regime aberto pode remir a pena por estudo de ensino a distância, não
presencialmente?
R: Art. 126, LEP, “O condenado que cumpre a pena em regime fechado ou
semiaberto poderá remir, por trabalho ou por estudo, parte do tempo de execução da
pena”

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§ 6o O condenado que cumpre pena em regime aberto ou semiaberto e o que usufrui


liberdade condicional poderão remir, pela frequência a curso de ensino regular ou de
educação profissional, parte do tempo de execução da pena ou do período de prova,
observado o disposto no inciso I do § 1o deste artigo

As atividades de estudo poderão ser desenvolvidas de forma presencial ou a distância.

[TJCE]. Qual é o limite máximo e o mínimo da remição? Os dias remidos são


considerados dias cumpridos?
R: art. 126, § 1o, LEP: A contagem de tempo referida no caput será feita à razão de:
(Redação dada pela Lei nº 12.433, de 2011)

I - 1 (um) dia de pena a cada 12 (doze) horas de frequência escolar - atividade de ensino
fundamental, médio, inclusive profissionalizante, ou superior, ou ainda de requalificação
profissional - divididas, no mínimo, em 3 (três) dias; (Incluído pela Lei nº 12.433, de
2011)

II - 1 (um) dia de pena a cada 3 (três) dias de trabalho. (Incluído pela Lei nº 12.433, de
2011)

O tempo de remissão é considerado para todos os benefícios de execução penal

[TJCE]. Quando é cabível o RDD?


- RDD. Não se trata o regime disciplinar diferenciado de uma quarta modalidade de
cumprimento da pena privativa de liberdade além das já existentes (regime fechado,
semiaberto e aberto), mas sim de uma forma especial de cumprimento da pena no
regime fechado, caracterizada pela permanência do preso em cela individual,
limitação do direito de visita e redução do direito de saída da cela. Quanto a sua
natureza, apresenta-se o RDD, ora como uma sanção disciplinar, ora como uma
medida cautelar: sanção disciplinar, na hipótese regrada pelo art. 52, caput, da LEP,
que prevê sua imposição para o condenado que cometer fato definido como crime
doloso que ocasione subversão da ordem e da disciplina da casa prisional; e medida
cautelar no caso do art. 52, §§ 1º e 2º, ao estabelecer a inserção no RDD dos
condenados que apresentem alto risco para a ordem e segurança do estabelecimento
penal ou da sociedade, bem como para aquele em relação ao qual recaiam fundadas
suspeitas de envolvimento em organização criminosa ou associação criminosa (este
último o nomen juris atribuído pela L. 12.850/2013 ao crime do art. 288 do CP, antes
rotulado de “quadrilha ou bando”.

- RDD, direitos e Garantias Art. 52. A prática de fato previsto como crime doloso
constitui falta grave e, quando ocasione subversão da ordem ou disciplina internas,
sujeita o preso provisório, ou condenado, sem prejuízo da sanção penal, ao regime
disciplinar diferenciado, com as seguintes características: I - duração máxima de
trezentos e sessenta dias, sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de
mesma espécie, até o limite de um sexto da pena aplicada; II - recolhimento em cela
individual; III - visitas semanais de duas pessoas, sem contar as crianças, com
duração de duas horas; IV - o preso terá direito à saída da cela por 2 horas diárias
para banho de sol.

[TJCE]. Quando falta grave? Quem pode determinar? É necessário a oitiva da


defesa? Por quanto tempo? Quais garantias o preso perde? Quais os direitos do
preso? É possível para preso provisório? O que distingue as colônias agrícolas para

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as penitenciárias? que tipo de pena se destina? A quem é reservado a prisão


domiciliar? A visita íntima é preservada em que regime?
- RDD, Falta grave, preso provisório.

Art. 50. Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que:

I - incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a disciplina;

II - fugir;

III - possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem;

IV - provocar acidente de trabalho;

V - descumprir, no regime aberto, as condições impostas;

VI - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei.

VII – tiver em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou similar,
que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo.

Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao preso provisório.

Art. 51. Comete falta grave o condenado à pena restritiva de direitos que:

I - descumprir, injustificadamente, a restrição imposta;

II - retardar, injustificadamente, o cumprimento da obrigação imposta;

III - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei.

- Competência para aplicar e oitiva da defesa. Art. 54. As sanções dos incisos I a IV
do art. 53 serão aplicadas por ato motivado do diretor do estabelecimento e a do
inciso V (RDD), por prévio e fundamentado despacho do juiz competente. § 1o A
autorização para a inclusão do preso em regime disciplinar dependerá de
requerimento circunstanciado elaborado pelo diretor do estabelecimento ou outra
autoridade administrativa. § 2o A decisão judicial sobre inclusão de preso em regime
disciplinar será precedida de manifestação do Ministério Público e da defesa e
prolatada no prazo máximo de quinze dias.

Art. 91. A Colônia Agrícola, Industrial ou Similar destina-se ao cumprimento da pena


em regime semiaberto.

Art. 92. O condenado poderá ser alojado em compartimento coletivo, observados os


requisitos da letra a, do parágrafo único, do artigo 88, desta Lei. Parágrafo único. São
também requisitos básicos das dependências coletivas:

a) a seleção adequada dos presos;

b) o limite de capacidade máxima que atenda os objetivos de individualização da pena.

Art. 87. A penitenciária destina-se ao condenado à pena de reclusão, em regime fechado.

Parágrafo único. A União Federal, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios


poderão construir Penitenciárias destinadas, exclusivamente, aos presos provisórios e

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condenados que estejam em regime fechado, sujeitos ao regime disciplinar diferenciado,


nos termos do art. 52 desta Lei.

Art. 88. O condenado será alojado em cela individual que conterá dormitório, aparelho
sanitário e lavatório.

Parágrafo único. São requisitos básicos da unidade celular:

a) salubridade do ambiente pela concorrência dos fatores de aeração, insolação e


condicionamento térmico adequado à existência humana;

b) área mínima de 6,00m2 (seis metros quadrados).

- Prisão domiciliar. Art. 117. Somente se admitirá o recolhimento do beneficiário de


regime aberto em residência particular quando se tratar de: I - condenado maior de
70 (setenta) anos; II - condenado acometido de doença grave; III - condenada com
filho menor ou deficiente físico ou mental; IV - condenada gestante.

- Art. 41 - Constituem direitos do preso: X - visita do cônjuge, da companheira, de


parentes e amigos em dias determinados; Parágrafo único. Os direitos previstos nos
incisos V, X e XV poderão ser suspensos ou restringidos mediante ato motivado do
diretor do estabelecimento. Art. 42 - Aplica-se ao preso provisório e ao submetido à
medida de segurança, no que couber, o disposto nesta Seção.

Os defensores do direito à visita íntima se apoiam principalmente no princípio


constitucional da dignidade da pessoa humana que não deve ser suprimido em
nenhuma hipótese. Outro posicionamento comumente defendido é de que a
castidade forçada, no caso da impossibilidade do contato íntimo do preso com seu
conjuge ou companheiro não faz parte da pena, que deve ser restritiva de liberdade
de ir e vir, mas não engloba tal direito. A supressão do contato afetivo com o conjuge
e os demais familiares do preso se revela desencadeador de reações de violência,
facilmente contidas com a possibilidade desse contato, que serve ao indivíduo
encarcerado como referência no processo de ressocialização, na medida que o mesmo
mantém seu contato com o mundo exterior e desenvolve um propósito para sua
própria existência.

29. Ação Penal


[TJCE]. Quando é cabível a ação penal privada?
A ação penal privada é aquela em que a titularidade da persecução criminal pertence
ao particular ofendido. Portanto, difere a ação privada da ação pública pelo titular da
legitimidade ativa para agir. Ao passo que nas ações públicas a legitimidade ativa é
exclusiva do Ministério Público, nas ações privadas esta legitimidade é conferida ao
particular. Na ação penal privada essa sobreposição do interesse da vítima ao
interesse do Estado em punir a infração é ainda mais acentuada. Por razões de política
criminal, escolhem-se alguns crimes para os quais se permite que a vítima decida se
lhe causa maior dano a impunidade do criminoso ou o escândalo do processo
(streptus judicii).

[TJCE]. Qual o prazo de oferecimento da queixa-crime? Quais os requisitos


formais? É necessária a outorga de poderes especiais ao advogado? Há prazo para
correção da procuração?

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Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante legal, decairá
no direito de queixa ou de representação, se não o exercer dentro do prazo de seis meses,
contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do
dia em que se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia. Art.39. O direito de
representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes
especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério
Público, ou à autoridade policial.

§1o A representação feita oralmente ou por escrito, sem assinatura devidamente


autenticada do ofendido, de seu representante legal ou procurador, será reduzida a
termo, perante o juiz ou autoridade policial, presente o órgão do Ministério Público,
quando a este houver sido dirigida.

§2o A representação conterá todas as informações que possam servir à apuração do fato
e da autoria.

Art.41.A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas
circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa
identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.

Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais, devendo
constar do instrumento do mandato o nome do querelante e a menção do fato criminoso,
salvo quando tais esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser previamente
requeridas no juízo criminal.

- De acordo com o STJ, o vício do instrumento procuratório pode ser sanado a


qualquer tempo, sendo independente do prazo decadencial determinado pela lei
processual para a propositura da queixa-crime.

[TJCE]. Se o lesado optar pela instauração do IP, isso suspende o prazo decadencial?
Não. Por se tratar de prazo decadencial, não se admite a suspensão.

[TJCE]. Se a vítima for menor de 18 anos e o acusado for seu pai, quem irá
representá-lo?
Art. 33. Se o ofendido for menor de 18 anos, ou mentalmente enfermo, ou retardado
mental, e não tiver representante legal, ou colidirem os interesses deste com os daquele,
o direito de queixa poderá ser exercido por curador especial, nomeado, de ofício ou a
requerimento do Ministério Público, pelo juiz competente para o processo penal.

[TJCE]. O que significa o princípio da indivisibilidade da ação penal privada?


O princípio da indivisibilidade da ação penal privada está expresso no art. 48 do CPP:

Art. 48. A queixa contra qualquer dos autores do crime obrigará ao processo de todos, e
o Ministério Público velará pela sua indivisibilidade.

Portanto, embora a vítima possa escolher entre propor ou não a ação (oportunidade)
e possa perdoar o querelado (disponibilidade), não lhe é dado escolher a qual dos
ofensores irá processar. Ou a ação é proposta contra todos ou não o é contra nenhum.

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CIVIL
* O examinador dessa matéria foi Dr. Nestor Duarte

1. Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro; Aplicação da Lei


no Tempo e no Espaço. Interpretação e Integração da Lei. Analogia.
Princípios Gerais do Direito e Equidade. Usos e Costumes.

# APLICAÇÃO DA LEI NO ESPAÇO. ANALOGIA


[TJCE]. Em matéria sucessória aplica-se a lei do domicílio do de cujus ou da
abertura da sucessão? Se for eu de outro país?
▪ A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em do último domicílio
do de cujus ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens.

▪ Já as regras de VOCAÇÃO HEREDITÁRIA para suceder bens de ESTRANGEIRO


situados no BRASIL serão as nacionais, desde que não sejam mais favoráveis ao
cônjuge e aos filhos do casal as normas do último domicílio.

[TJCE]. Quando os negócios jurídicos celebrados no estrangeiro produzem efeitos


no Brasil? E a prova produzida no estrangeiro?
Existem uma série de casos em que a LINDB autoriza a produção de efeitos dos
negócios celebrados no estrangeiro: Por exemplo: se é competente a autoridade
judiciária brasileira, quando o réu for domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser
cumprida a obrigação. 02. Só à autoridade judiciária brasileira compete conhecer
das ações relativas a imóveis situados no Brasil. 03. A autoridade judiciária
brasileira cumprirá, concedido o exequatur e segundo a forma estabelecida pela lei
brasileira, as diligências deprecadas por autoridade estrangeira competente,
observando a lei desta, quanto ao objeto das diligências.

▪ A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro é regida pela lei que nele vigorar,
quanto ao ônus e aos meios de produção.

▪ Os tribunais brasileiros não admitirão provas que a lei brasileira desconheça.

[TJCE]. O que é analogia? Citar um caso em que se usa a analogia. Analogia é


julgamento de semelhante por semelhante?
A analogia é a aplicação de uma norma próxima ou de um conjunto de normas
próximas, não havendo uma norma prevista para um determinado caso concreto.
Dessa forma, sendo omissa uma norma jurídica para um dado caso concreto, deve o
aplicador do direito procurar alento no próprio ordenamento jurídico, permitida a
aplicação de uma norma além do seu campo inicial de atuação.

Como exemplo de aplicação da analogia, prevê o art. 499 do CC que é lícita a venda
de bens entre cônjuges quanto aos bens excluídos da comunhão. Como a norma não
é, pelo menos diretamente, restritiva da liberdade contratual, não há qualquer óbice
de se afirmar que é lícita a compra e venda entre companheiros quanto aos bens
excluídos da comunhão. Destaque-se que, em regra, o regime de bens do casamento

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é o mesmo da união estável, qual seja, o da comunhão parcial de bens (arts. 1.640 e
1.725 do CC) (TARTUCE, 2015).

Analogia é INTEGRAÇÃO, ou seja, preenchimento de lacunas através da utilização


de normas semelhantes.

[TJCE]. Em todos os ramos do direito é possível aplicar?


SIM. A analogia é cabível em todos os ramos do direito. Lado outro, oportuno
lembrar, que as normas de exceção ou excepcionais não admitem analogia ou
interpretação extensiva, como é o caso das normas que restringem a autonomia
privada, salvo para proteger vulnerável ou um valor fundamental. Não sendo possível
a utilização da analogia, deve-se recorrer aos costumes.

[TJCE]. Qual a diferença entre aplicação subsidiária e analogia? Sociedade de


direito e união estável anterior ao reconhecimento da união estável
Analogia significa integrar, preencher lacunas. A aplicação subsidiária não pressupõe
lacunas. Explicando melhor: muitas vezes, o fato de certas situações específicas não
serem reguladas especificamente pela legislação indica apenas a submissão dessa
hipótese às regras gerais do sistema, que normalmente são identificadas com um
direito geral de liberdade (no campo privado) e o princípio da legalidade (no campo
público). Nesses casos, não se deve falar de lacuna, pois a regra aplicável já fazia
parte do sistema jurídico desde o início. No máximo, pode-se falar de aplicação
subsidiária do Código Civil, mas não de analogia propriamente dita.

A União Estável evoluiu em nosso ordenamento jurídico de relação espúria, passando


por sociedade de direito (contendas resolvidas na vara cível), até alcançar o atual
status de entidade familiar. O regramento levava em consideração analogia.

[TJCE]. Analogia se confunde com a equidade?


Equidade significa o bom, o justo, o virtuoso. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra
(Aristóteles). A ideia de equidade é altamente subjetiva. Em razão disso, o
ordenamento somente permite ao juiz utilizar a equidade nos casos previstos em lei.
Exemplo: arbitramento de pensão alimentícia, CLT, CDC (equidade em favor do
consumidor), fixação de honorários advocatícios (art. 20, §4º do CPC). O art. 413 do
CC diz que o juiz pode reduzir equitativamente a multa quando a obrigação foi
cumprida parcialmente ou quando se mostrar excessiva.

A analogia é a aplicação de uma norma próxima ou de um conjunto de normas


próximas, não havendo uma norma prevista para um determinado caso concreto.
Dessa forma, sendo omissa uma norma jurídica para um dado caso concreto, deve o
aplicador do direito procurar alento no próprio ordenamento jurídico, permitida a
aplicação de uma norma além do seu campo inicial de atuação.

[TJCE]. O juiz pode julgar com equidade?


Sim é possível. São casos em que há a possibilidade de julgamento por equidade:

a) jurisdição voluntária (art. 1.109 do CPC), já que o magistrado não


está vinculado à legalidade estrita;

b) justiça do trabalho (art. 8º da CLT);

c) no direito tributário (inciso IV do art. 108 do CTN);

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d) nas relações de consumo (art. 7º da Lei n. 8.078/90); e) nos juizados


especiais (art. 6º da Lei n. 9.099/95); f) na arbitragem (art. 2º da Lei
n. 9.307/96).

[TJCE]. Distinção entre situações análogas e semelhantes?


Não encontrei a resposta. Creio que não haja diferença. Talvez o candidato no dia da
arguição tenha se atrapalhado e deu azo à pergunta.

[TJCE]. O que justifica o uso da analogia?


O sistema jurídico constitui um sistema aberto, no qual há lacunas, conforme elucida
Maria Helena Diniz em sua clássica obra “As lacunas no direito”. Entretanto, de
acordo com as suas lições, as lacunas não são do direito, mas da lei, omissa em alguns
casos. Há um dever do aplicador do direito de corrigir as lacunas (vedação do não
julgamento ou do non liquet), extraído do art. 126 do Código de Processo Civil, pelo
qual “O juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando lacuna ou obscuridade
da lei. No julgamento da lide caber-lhe-á aplicar as normas legais; não as havendo,
recorrerá à analogia, aos costumes e aos princípios gerais de direito” (TARTUCE,
2015).

[TJCE]. O que é analogia legis e analogia juris?


A analogia pode ser assim classificada, na esteira da melhor doutrina:

a) Analogia legal ou legis – é a aplicação de somente uma norma próxima, como


ocorre nos exemplos citados (regime de bens e suas limitações na união estável).

b) Analogia jurídica ou iuris – é a aplicação de um conjunto de normas próximas,


extraindo elementos que possibilitem a analogia. Exemplo: aplicação por analogia
das regras da ação reivindicatória para a ação de imissão de posse (TJMG, Agravo
Interno 1.0027.09.183171-2/0011, Betim, 16.ª Câmara Cível, Rel. Des. Wagner
Wilson, j. 12.08.2009, DJEMG 28.08.2009)

[TJCE]. Inexistindo lei sobre matéria, pode o julgador aplicar analogia?


O art. 4.º da Lei de Introdução enuncia que quando a lei for omissa, o juiz decidirá o
caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito
(TARTUCE, 2015).

O uso da analogia pressupõe lei semelhante aplicável para caso semelhante. Na


situação de ausência total de lei, a integração pode se dar através dos costumes e dos
princípios gerais do direito (Raphael).

# ANALOGIA.
[TJCE]. O que é analogia?
Significa julgar pelas semelhanças dos fatos, ou seja, usando essa lógica no direito
seria o mesmo que aplicar a norma existente no ordenamento jurídico a um caso não
previsto na norma jurídica, desde que eles guardem semelhanças reais.

A lei de Introdução do Código Civil em seu art. 4º prevê o uso da analogia como um
meio de integração do direito desde que o caso em concreto obedeça alguns requisitos
tais quais:

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- inexistência de dispositivo legal prevendo ou disciplinando a hipótese do caso


concreto.

- semelhança entre o caso concreto e a situação não regulada.

- identidade de fundamentos lógico/jurídico no ponto comum às duas situações.

[TJCE]. Analogia é o julgamento de semelhante por semelhante?


Significa julgar pela semelhança dos fatos. O fato deve ser semelhante à norma
aplicada.

[TJCE]. O que há de semelhança entre a convivência e o casamento, referente à


analogia?
O próprio CC/02 em seu art. 1725 determina aplicar as regras do casamento à união
estável no que couber. Portanto no regime de bens da união estável por determinação
legal, cabe a aplicação por analogia das regras do regime de bens do casamento.

[TJCE]. Onde há a analogia?


O próprio art. 1725 do CC determina a aplicação analógica entre a união estável e o
casamento.

[TJCE]. O que é analogia iuris?


Na analogia iuris, a norma é retirada de um caso singular, mas abstraída de todo o
sistema ou de parte dele; baseia-se em um conjunto de normas para obter elementos
que permitam sua aplicação ao caso pendente, não previsto, mas similar.

[TJCE]. O juiz pode priorizar o uso da analogia em detrimento da lei?


Sim, quando aquela lei não tiver mais a eficácia á que se dispôs ou quando aquela lei
for inconstitucional.

[TJCE]. O que é analogia? Analogia é o julgamento de semelhante por semelhante?


Quando não havia união estável em que se adotava sociedade de fato para união de
homem e mulher isso é usar analogia? Onde está a semelhança? O que é analogia
juris? O juiz pode priorizar o uso de analogia à lei?
A analogia consiste na aplicação da norma reguladora de um determinado caso a
outro semelhante, mas que não possua regulamentação legal. A Analogia é o
julgamento de semelhante por semelhante. E tentando integrar o Direito à realidade
social, em razão das transformações ocorridas na sociedade, acabou-se por usar em
sua fundamentação Princípios Gerais do Direito, utilizando-se igualmente de
analogias.

A união estável se assemelha ao casamento civil pois têm o mesmo status de


"entidades familiares", com o objetivo de constituir família, previstas na Constituição
Federal.

A analogia propriamente dita é conhecida por analogia legis. Na analogia iuris, a


norma é retirada de um caso singular, mas abstraída de todo o sistema ou de parte
dele.

No julgamento da lide caber-lhe-á aplicar as normas legais; não as havendo, recorrerá


à analogia, aos costumes e aos princípios gerais de direito. Logo, não pode priorizar
a analogia em detrimento da lei.

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# PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO.


[TJCE]. Brocardos jurídicos, o que são?
Brocardo é um princípio ou axioma jurídico, particularmente escrito em latim, e que
expressa concisamente um conceito ou regra maior.

Sãomáximas jurídicas, constituem um pensamento sintetizado em uma única


sentença, que expressa uma conclusão reconhecida como verdade consolidada. Os
brocardos assemelham-se aos provérbios, estes traduzindo a sabedoria popular,
aqueles as máximas colhidas na prática do Direito. O prestígio dos brocardos varia
conforme o tempo e o lugar.

Miguel Reale ensina com clareza “que, se nem sempre traduzem princípios gerais
ainda subsistentes, atuam como ideias diretoras, que o operador de Direito não pode a
priori desprezar” (Lições Preliminares de Direito, Saraiva, p. 315).

Assim também conclui Orlando Gomes, ao afirmar que os brocardos jurídicos


“representam uma condensação tradicional de princípios gerais” (Introdução à
Ciência do Direito, Forense, p. 50).

[TJCE]. Princípio geral de direito podem se sobrepor à lei?


Sim.

[TJCE]. As pertenças seguem o principal?


Não. São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de
modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro.

[TJCE]. Se a lei for contrária a um princípio, o que prevalece?


Dada à densa carga axiológica dos princípios, uma lei poderá ser afastada quando
contrária a um princípio e, inclusive, ser entendida como inconstitucional em sede de
controle difuso, o qual pode ser realizado por qualquer magistrado.

É de bom alvitre ressaltar que leis com lacunas, o princípio poderá prevalecer diante
de uma omissão legal (art. 4º da LINDB).

O art. 5º da LINDB estabelece que “na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins
sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum”. Assim, O magistrado não
está adstrito de forma alguma a subsunção puramente ao texto literal da lei, eis que
não estamos diante de um ciência exata em que uma simples fórmula básica resolve
a questão.

Dessa forma é um dever do julgador interpretar sempre a norma jurídica de acordo


com as peculiaridades de cada caso em concreto.

De acordo com o Princípio do livre convencimento motivado, o juiz pode até deixar
de aplicar a norma, sem, contudo, se desgarrar da legalidade de tal decisão, desde
que o fundamente, uma vez que isto é uma exigência constitucional (art. 93, IX da
CF).

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# EQUIDADE
[TJCE]. O que é equidade?
Aristóteles considerava a equidade como o corretivo do justo legal, ou seja,
adequação da norma ao caso concreto da forma mais equânime e razoável possível.
Ou seja, é a correção da norma quando esta se mostra omissa ou não razoável,
fazendo que esta atinja o fim social a que fora destinada. A equidade se manifesta no
plano concreto, no ato de aplicação da norma pelo juiz, que diz o que diria o
legislador se ali estivesse diante do caso particular e concreto.

[TJCE]. O juiz pode decidir por equidade?


Sim, nos casos expressos em lei.

O ordenamento jurídico brasileiro não faz menção genérica ao uso da equidade, seja
como fonte de direito, seja como instrumento integrador. O já mencionado art. 4º da
LICC não prevê a possibilidade do uso da equidade em casos de omissões
legislativas, restringindo-se ao uso da analogia, costumes e princípios gerais de
direito. No entanto, o art. 5º desse mesmo dispositivo legal diz que, “na aplicação da
lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum”.
Então, o legislador tacitamente, ao estabelecer tal norma, conduz o magistrado à
busca de decisões equitativas com o escopo de se atingir o bem comum e aos fins
sociais pretendidos pela ordem jurídica, viabilizando o uso da equidade como
parâmetros de uma decisão razoável.

O recurso à equidade não deverá ultrapassar os limites legais impostos pelo


legislador, para que sua utilização não se torne instrumento do livre e desmedido
arbítrio do juiz, sendo utilizado apenas quando o ordenamento jurídico não oferece
alternativa na solução do litígio levado à cognição do magistrado, e para que não se
torne um princípio contrário à justiça, mas um complemento desta que a torna plena.

[TJCE]. Dê um exemplo de julgamento por equidade?


Na arbitragem, as partes podem requerer que o árbitro se utilize da equidade. (art. 2º
da Lei 9307/96: Art. 2º - A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a critério
das partes.)

[TJCE]. O julgamento com equidade precisa sempre ser autorizado pela lei ou é de
aplicação geral?
O julgamento COM equidade é diferente do julgamento POR equidade, apenas nesse
último é necessário a autorização da lei. O juiz sempre deve julgar COM equidade,
ou seja, deve o juiz, por meio da equidade, amoldar os fatos às normas jurídicas de
tal modo que se ajustem perfeitamente, para assim se observar a justiça no caso
concreto.

[TJCE]. Nos julgamentos de processo arbitral precisa de autorização legal para


equidade?
A Lei de Arbitragem já traz a possibilidade de julgamento por equidade no art. 2º. A
arbitragem poderá ser realizada por equidade ou de direito, ou ainda levando-se em
consideração ambos os critérios, que não são antagônicos. As partes devem, desde
logo, anuir à forma que desejam, com a condição de não violar os bons costumes e a
ordem pública. Elas podem, porém, delegar ao árbitro ou ao tribunal regular o
procedimento.

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2. Das pessoas. Das pessoas naturais. Das pessoas jurídicas. Do


domicílio.

# PESSOAS NATURAIS.
[TJCE]. Qual a proteção jurídica dada ao nascituro?
O nascituro é aquele já concebido, mas ainda não nascido. Vale dizer, é o ente
concebido e de vida intrauterina. Neste sentido, o ordenamento jurídico brasileiro
vem em uma evolução no que se refere ao nascituro, protegendo direitos desde a sua
concepção (art. 2, CC/02) e atribuindo, em certos casos, obrigações. Ex:
Responsabilidade tributária decorrente de doação.

Tal discussão ganha relevância no que tange ao momento em que a pessoa adquire
personalidade jurídica, existindo 3 correntes, sendo elas:

 Teoria Natalista: “sustenta que a personalidade jurídica somente seria


adquirida a partir do nascimento com vida, de maneira que, em essência, o
nascituro não seria considerado pessoa gozando de mera expectativa de
Direito”.
 Teoria condicionada: “para a segunda teoria, o nascituro, desde a
concepção, titularizaria determinados direitos personalíssimos (como o
direito à vida), mas apenas consolidaria outros direitos materiais ou
patrimoniais, sob a condição de nascer com vida. Trata-se de uma teoria, na
prática muito aplicada pela jurisprudência, mas que nos conduz a um certo
inconveniente, na medida em que o nascituro, aparentemente, teria duas
personalidades: uma formal (adquirida na concepção para o gozo de direitos
personalíssimos) e uma material (para o gozo de direitos materiais, sob a
condição de nascer com vida)”;

Exemplo: Mulher engravida e pai morre antes do nascimento. A mulher não


receberia os direitos de herança do filho sobre os bens do pai.

 Teoria Concepcionista: nascituro é uma pessoa quer para direitos


personalíssimos ou materiais está ganhando força, apesar de não ser
amplamente admitida. STj vem admitindo que o nascituro pode sofrer danos
morais pela morte do pai por causa de um crime (esse é um dano moral
inequívoco). “Finalmente, a terceira teoria sustenta que o nascituro teria
personalidade jurídica plena, desde a concepção, inclusive para o gozo de
direitos materiais. Nos últimos anos, esta teoria vem ganhando força (ler a
Tutela Civil do Nascituro de Silmara Chinelato), a exemplo do
reconhecimento do direito aos alimentos e da própria possibilidade de sofrer
dano moral

Os direitos dos nascituros vêm sendo protegidos pelas cortes brasileiras, conforme
se verifica dos seguintes julgados: i) O STJ admite o direito à reparação por dano
moral em favor do nascituro (REsp 399028SP, REsp 931556RS); ii) o nosso
direito positivo já admite o direito aos alimentos em favor do nascituro (Lei
nº11804/08, dos Alimentos Gravídicos); o ST, no noticiário de 15 de maio de
2011 admite que pais podem ser indenizados pela morte de um nascituro,
razão pela qual teriam direito ao seguro DPVAT (3ª turma do STJ).

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# PESSOAS JURÍDICAS.
[TJCE]. Em que se diferencia fundação de associação?
A associação não prescinde de capital. Nasce da motivação de pessoas em prol de
um determinado objetivo, seja ele social ou não (art. 53 do CC). A fundação nasce
com capital, por meio da dotação de seu(s) fundador (es) e sua vocação
obrigatoriamente terá de ser moral, religiosa, assistencial ou cultural (art. 62),
segundo o novo Código Civil (Lei nº 10.460/02).

[TJCE]. Como pode ser instituída a fundação?


Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou
testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e
declarando, se quiser, a maneira de administrá-la.

[TJCE]. Se o instituidor não transferir os bens?


Art. 64. Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o instituidor é
obrigado a transferir-lhe a propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados,
e, se não o fizer, serão registrados, em nome dela, por mandado judicial.

[TJCE]. O que difere sociedade de associação?


Sociedade: "Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se
obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica
e a partilha, entre si, dos resultados." (art. 981 do CC)

Associação: "Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem


para fins não econômicos." (art. 53 do CC).

A sociedade difere da associação e fundação quanto a sua finalidade que é lucrativa.


Em que pese a Associação ter finalidade semelhante a da fundação, aquela se
caracteriza por reunião de pessoas (universitas personarum), enquanto esta, sobre um
patrimônio, reunião de bens (universitas bonarum).

Também há diferença quanto à forma do instrumento de constituição, sendo que para


a Sociedade e a Associação, tanto pode ser por instrumento particular ou público,
enquanto que a fundação somente por escritura pública ou testamento.

[TJCE]. Quando se inicia a personalidade jurídica de uma pessoa jurídica?


Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a
inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de
autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as
alterações por que passar o ato constitutivo.

[TJCE]. E se for uma sociedade empresaria?


Art. 985. A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no registro
próprio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos (arts. 45 e 1.150).

[TJCE]. Condomínio é pessoa jurídica?


O Código Civil estabelece na sua parte geral os tipos de pessoas existentes em nosso
ordenamento jurídico. As pessoas naturais somos nós. As pessoas jurídicas são as de
direito público, interno ou externo e as de direito privado. As pessoas jurídicas de
direito público são: a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, os

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Municípios, as autarquias, e as demais entidades de caráter público criadas por lei.


Já as de direito privado são as associações, as sociedades, as fundações, as
organizações religiosas e os partidos políticos.

Verifica-se que não está no rol das pessoas jurídicas o condomínio edilício (assim
como também dele não fazem parte o espólio e a massa falida de uma empresa).
Assim, pela lei civil, condomínio edilício não é pessoa jurídica.

Entretanto, mesmo antes da edição da lei 4.591/64 (a lei do condomínio e


incorporações imobiliárias) a doutrina e a jurisprudência já entendiam que, apesar de
não ser pessoa jurídica, o condomínio é capaz de contrair obrigações e adquirir
direitos. Sabe-se que os condomínios admitem funcionários, assinam contratos,
assumem dívidas e têm capacidade postulatória em Juízo (ações de cobrança, entre
outras).

Mas continuam não sendo pessoa jurídica, e por isso não declaram e pagam imposto
de renda próprio, assim como não podem comprar imóveis, por exemplo.

# DO DOMICÍLIO
[TJCE]. Quais pessoas têm domicílio necessário? O preso devedor de alimentos terá
domicílio na prisão?
Domicílio necessário ou legal: é o imposto pela lei, a partir de regras específicas que
constam no art. 76 do Código Civil. Deve ficar claro que o domicílio necessário não
exclui o voluntário, sendo as suas hipóteses, de imposição normativa:

 O domicílio dos absolutamente e relativamente incapazes (arts. 3.º e 4.º do CC) é


o mesmo dos seus representantes;

 O domicílio do servidor público ou funcionário público é o local em que exercer,


com caráter permanente, as suas funções;

 O domicílio do militar é o do quartel onde servir ou do comando a que se encontrar


subordinado (sendo da Marinha ou da Aeronáutica);

 O domicílio do marítimo ou marinheiro é o do local em que o navio estiver


matriculado;

 O domicílio do preso é o local em que cumpre a sua pena.

Obs: O preso também está sujeito ao domicílio legal, no local onde cumpre a
sentença. Se o preso ainda não tiver sido condenado, seu domicílio será o voluntário.

Em relação ao devedor de alimentos eu não encontrei a resposta, mas deve ser o seu
domicílio voluntario. Questionei no Master Magis e os colegas responderam que o
domicílio do devedor de alimentos segue as regras gerais, podendo ser ainda
necessário; mas não em relação à prisão, mas sim quanto a outros fatores, a exemplo
de um servidor público.

[TJCE]. O que é domicílio plural?

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Ocorre quando uma pessoa tem dois ou mais domicílios. Exemplo: Uma pessoa mora
em São Paulo, porém as primeiras semanas de todo mês e vai trabalhar em Brasília.
Ou seja, ela tem o domicílio que ela mora e o domicílio de Brasília (o local que ela
trabalha).

[TJCE]. Domicílio de pessoa jurídica que realizou contratos com várias agências
bancárias, ela pode escolher qualquer lugar para demandar?
Em regra, o domicílio civil da pessoa jurídica de direito privado é a sua sede, indicada
em seu estatuto, contrato social ou ato constitutivo equivalente. É o seu domicílio
especial.

Se não houver essa fixação, a lei atua supletivamente, ao considerar como seu
domicílio “o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações”, ou,
então, se possuir filiais em diversos lugares, “cada um deles será considerado
domicílio para os atos nele praticados” (art. 35, IV e § 3.º, do CC-16 e art. 75, IV e §
1.º, do CC-02). Aliás, o Supremo Tribunal Federal já assentou entendimento no
sentido de que “a pessoa jurídica de direito privado pode ser demandada no
domicílio da agência ou do estabelecimento em que se praticou o ato” (Súmula
363) (STOLZE, 2015).

REPONDENDO AGORA: o domicílio da pessoa jurídica pode ser o das agências


bancarias a serem demandadas, desde que lá praticados os atos. Ou a sede que consta
do estatuto social (que seria a regra geral).

3. Ausência. Direitos da Personalidade.

# AUSÊNCIA: CURADORIA DOS BENS DE AUSENTES, SUCESSÃO PROVISÓRIA E SUCESSÃO


DEFINITIVA.

[TJCE]. O que significa ausente? Com o desaparecimento se presume a morte?


Quem é o ausente? E se o ausente deixar um procurador? O que é a arrecadação de
seus bens? Quem nomeia curador? Precisa publicar edital na ausência? Quando se
considera aberta a sucessão provisória? Quando se abre a sucessão definitiva? O
ausente é considerado morto na ausência definitiva? E se o ausente retornar após a
sucessão definitiva?
O ausente traduz a situação de pessoa natural que desapareceu do seu domicílio,
sem deixar corpo presente (morte real), não havendo indícios, notícias ou razões do
seu desaparecimento. É hipótese de morte presumida (no CC/16 o ausente era tratado
como absolutamente incapaz) – presunção legal relativa (juris tantum).

Com o desaparecimento não se presume a morte, é necessário que esse estado seja
declarado judicialmente, por meio de procedimento próprio regulado a partir do art.
22 do CC/02. Três são as fases relativas à declaração de ausência: curadoria dos bens
do ausente (arts. 22 a 25 do CC/02); sucessão provisória (arts. 26 a 36 do CC/02); e
sucessão definitiva (arts. 37 a 39 do CC/02). A sentença que reconhece aberta a
sucessão definitiva não é registrada no Livro de Óbito no cartório, mas em livro
especial, no Livro E.

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O procedimento tem início com a fase da curadoria dos bens do ausente. Nesse
sentido, nos termos do art. 22 do CC/02, desaparecendo uma pessoa do seu domicílio
sem dela haver notícia, se não houver deixado representante ou procurador a quem
caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado ou do
MP, declarará a ausência, e nomear-lhe-á curador. Também se declarará a ausência,
e se nomeará curador, quando o ausente deixar mandatário que não queira ou não
possa exercer ou continuar o mandato, ou se os seus poderes forem insuficientes (art.
23 do CC/02).

Se tiver deixado procurador, representante ou mandatário que queira, possa e


possua poderes suficientes para administrar os bens do ausente, não será nomeado
curador, pois os bens já estariam protegidos pelo representante e não necessitam da
proteção de um curador de bens.

Conforme art. 24 do CC/02, a nomeação do curador cabe ao juiz, que também


fixará os seus poderes e obrigações, devendo ser aplicadas as regras previstas para a
tutela e para a curatela (arts. 1.728 a 1.783 do CC/02). A teor do art. 25 do CC/02,
cabe ao cônjuge do ausente (ou companheiro – Enunciado 97 da I JDC) a condição
de curador legítimo, sempre que não esteja separado judicialmente ou de fato há mais
de 02 anos. Na falta o cônjuge, o encargo incumbe aos pais ou aos descendentes,
nesta ordem, não havendo impedimento que os iniba de exercer o cargo. Entre os
descendentes, os mais próximos precedem os mais remotos. Na falta das pessoas
mencionadas, compete ao juiz a escolha de um curador, entre pessoas idôneas de sua
confiança.

O juiz, ao declarar a ausência, mandará arrecadar os bens do ausente, que ficarão


sob a responsabilidade do curador nomeado. A arrecadação dos bens do ausente é o
arrolamento desses, que deve ser feito pelo curador, com a descrição das suas
características, incumbindo-se àquele (o curador) sua administração, preservação e
guarda do patrimônio do ausente, pelo que receberá uma gratificação e terá ressarcido
o que gastou no exercício da curadoria. É vedado ao curador adquirir bens do ausente.

Feita a arrecadação, o juiz mandará publicar editais durante um ano, de dois em


dois meses, anunciando a arrecadação e chamando o ausente a retomar na posse de
seus bens, nos termos dos arts. 1.160 e 1.161, ambos do CPC.

Nos termos do art. 26 do CC/02, decorrido 01 ano da arrecadação dos bens do


ausente, ou, se ele deixou representante ou procurador, em se passando 03 anos,
poderão os interessados requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente
a sucessão. Conforme art. 28 do CC/02, a sentença que determinar a abertura da
sucessão provisória só produzirá efeito 180 dias depois de publicada pela imprensa;
mas, logo que passe em julgado, proceder-se-á à abertura do testamento, se houver,
e ao inventário e partilha dos bens, como se o ausente fosse falecido.

Findo o prazo a que se refere o art. 26, e não havendo interessados na sucessão
provisória, cumpre ao MP requerê-la ao juízo competente. Não comparecendo
herdeiro ou interessado para requerer o inventário até 30 dias depois de passar em
julgado a sentença que mandar abrir a sucessão provisória, proceder-se-á à
arrecadação dos bens do ausente pela forma estabelecida nos arts. 1.819 a 1.823 do
CC/02 (herança jacente).

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Por sua vez, preceitua o art. 38 do CC/02 que 10 anos depois de passada em
julgado a sentença que concede a abertura da sucessão provisória, poderão os
interessados requerer a sucessão definitiva e o levantamento das cauções prestadas.
Pode-se requerer, também, provando-se que o ausente conta 80 anos de idade, e que
de 05 datam as últimas notícias dele (art. 39 do CC/02).

Após o trânsito em julgado da sentença que concede a sucessão definitiva dos


bens, declara-se a morte presumida do ausente.

Nos termos do art. 39 do CC/02, regressando o ausente nos 10 anos seguintes à


abertura da sucessão definitiva, ou algum de seus descendentes ou ascendentes,
aquele ou estes haverão só os bens existentes no estado em que se acharem, os sub-
rogados em seu lugar, ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem
recebido pelos bens alienados depois daquele tempo.

Se, nos referidos 10 anos, o ausente não regressar, e nenhum interessado promover
a sucessão definitiva, os bens arrecadados passarão ao domínio do Município ou do
DF, se localizados nas respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da
União, quando situados em território federal.

Atenção: a morte também pode ser presumida sem a declaração de ausência nas
hipóteses do art. 7º do CC/02: I – se for extremamente provável a morte de quem
estava em perigo de vida; II – se alguém, desaparecido em campanha ou feito
prisioneiro, não for encontrado até 02 anos após o término da guerra. A declaração
da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida depois de esgotadas
as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento.
Aqui, também há a necessidade de a morte ser declarada judicialmente, não se dando
com o simples desaparecimento. Essa sentença é registrada no Livro de Óbito.

# MORTE PRESUMIDA SEM DECLARAÇÃO DE AUSÊNCIA


[TJCE]. Quais os casos em que se pode declarar ausência?
R – Com a morte ocorre a extinção da personalidade da pessoa natural. A morte pode
ser real ou presumida. A morte presumida pode se dar COM declaração de ausência
e sucederá nas hipóteses em que a lei autoriza a abertura da sucessão definitiva (art.
6º, CC), ou SEM declaração de ausência (art. 7º, CC). Ausente é aquele que
desaparece do seu domicílio sem deixar notícia (art. 22, CC). Trata-se de presunção
legal relativa da morte.

[TJCE]. Se uma pessoa desaparece em uma aeronave é possível pedir ausência?


R – Não. A jurisprudência vem decidindo que em tais situações deve ser aplicada a
regra do art. 7º, I, CC e art. 88, Lei 6.015/73 1, que trata da hipótese de morte
presumida SEM declaração de ausência.

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Art. 7o, CC - Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência: I - se for
extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida;
Art. 88, LRP - Poderão os Juízes togados admitir justificação para o assento de óbito de pessoas
desaparecidas em naufrágio, inundação, incêndio, terremoto ou qualquer outra catástrofe, quando

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[TJCE]. A partir de quando os interessados podem requerer?


R - A declaração de morte presumida, nesse caso, somente poderá ser requerida
depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença que a declarar fixar
a data provável do evento (parág. único, art. 7º, CC).

[TJCE]. O cônjuge do declarado morto pode casar?


R- Sim. Conforme visto acima, nas situações e na forma previstas no art. 7º, CC será
declarada a morte presumida do desaparecido, que possui os mesmos efeitos da morte
real. O art. 1.571, I, CC dispõe que a morte é causa de extinção da sociedade conjugal,
autorizando o cônjuge sobrevivente a contrair novas núpcias.

[TJCE]. Após a justificação o juiz expede a certidão de óbito?


R – Não, caso se entenda que a “certidão de óbito” é ato do oficial de registro do
lugar do falecimento, lavrado em vista de atestado médico (arts. 16 e 77, LRP). O
juiz, por outro lado, expedirá mandado judicial com cópia da sentença declaratória
da morte presumida, que será levado a registro (art. 9º, IV,CC).

Obs: Anastácio - Pesquisei muito e não encontrei uma resposta direta ao


questionamento acima.

[TJCE]. O inventário pode ser aberto imediatamente?


Sim. Cristiano Chaves2 entende que a partir da interpretação dos arts. 7º, CC e 88,
Lei 6.015/73, em se tratando de morte presumida SEM declaração de ausência, deve-
se concluir pela possibilidade de aplicação da regra da abertura imediata da sucessão
definitiva, na forma do art. 1.784, CC.

Nesta hipótese, em que pese a morte ser presumida, há uma razoável certeza do
evento, uma vez que o juiz decidirá mediante “prova” da presença da pessoa
desaparecida no local do desastre (acidentes, catástrofes, incêndios, terremotos, etc.),
nos termos do art. 88, Lei 6.015/73

Lado outro, tal não ocorre em relação à ausência, em razão da previsão legal de
procedimento trifásico (declaração de ausência, sucessão provisória e sucessão
definitiva).

[TJCE]. Há possibilidade de arrecadação de bens como na declaração de ausência?


R- Não. A arrecadação de bens visa à proteção do patrimônio do ausente, que está
em lugar incerto e não sabido. Isto porque ainda não se sabe se de fato está morto.
Somente após o cumprimento das formalidades legais, com decurso do tempo nela
previsto (10 anos - art. 37, CC), é que se concluirá por seu provável falecimento, a
autorizar o requerimento de sucessão definitiva por parte de seus herdeiros. A
declaração de ausência enseja presunção relativa da morte.

Em caso de morte presumida SEM declaração de ausência, há razoável certeza acerca


da morte, por isso os bens do falecido serão imediatamente transmitidos aos herdeiros

estiver provada a sua presença no local do desastre e não for possível encontrar-se o cadáver para
exame. (Renumerado do art. 89 pela Lei nº 6.216, de 1975).
Parágrafo único. Será também admitida a justificação no caso de desaparecimento em campanha, provados a
impossibilidade de ter sido feito o registro nos termos do artigo 85 e os fatos que convençam da ocorrência
do óbito.
2 Cristiano Chaves. Código Civil para Concursos, 2ªEd., 2014, p. 1222

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por força da saisine (art. 1.784, CC), ficando a administração do espólio a cargo do
administrador provisório ou inventariante (art. 1.797, CC e art. 985, CPC).

4. Dos bens. Dos bens considerados em si mesmo. Dos bens


reciprocamente considerados. Dos bens públicos. Do bem de família.

# DOS BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS.


[TJCE]. O que significa a divisão em bens reciprocamente considerados e bens em
si mesmo? O que são bens principais e acessórios? O que são pertença? As pertenças
seguem ou não o principal? O que são benfeitorias? Benfeitorias voluptuárias
seguem o imóvel? Benfeitorias úteis e necessárias? O que é direito de retenção
- Com base no Novo Código Civil (arts. 79 a 103), podemos apresentar, de forma
mais técnica e abrangente, a seguinte classificação da matéria:

1) Bens considerados em si mesmos: 1.1. bens imóveis e móveis; 1.2. bens


fungíveis e infungíveis; 1.3. bens consumíveis e inconsumíveis; 1.4. bens divisíveis
e indivisíveis; 1.5. bens singulares e coletivos

2) Bens reciprocamente considerados: 2.1. bem principal e bens acessórios;


2.1.1. bens acessórios: a) frutos; b) produtos; c) rendimentos; d) benfeitorias
(necessárias, úteis e voluptuárias) 3) Bens públicos e particulares

Este critério de classificação leva em conta o liame jurídico existente entre o bem
jurídico principal e o acessório.

- Principal é o bem que possui autonomia estrutural, ou seja, que existe sobre si,
abstrata ou concretamente, ao passo que acessório é aquele cuja existência supõe a
do principal (arts. 58 e 59 do CC-16 e 92 do CC-02).

A regra geral é que o acessório segue sempre a sorte do principal, inclusive no campo
do Direito das Obrigações (o contrato de fiança, por exemplo, é acessório em face do
contrato principal de compra e venda). Cuida-se da aplicação da máxima accessorium
sequitur suum principale. Por isso também o acessório adquire a natureza da coisa
principal. São bens acessórios: a) os frutos; b) os produtos; c) os rendimentos (frutos
civis); d) as pertenças; e) as benfeitorias; f) as partes integrantes.

- Na trilha de pensamento de ORLANDO GOMES, as pertenças são “coisas


acessórias destinadas a conservar ou facilitar o uso das coisas principais, sem que
destas sejam parte integrante” (ex.: as máquinas utilizadas em uma fábrica, os
implementos agrícolas, as provisões de combustível, os aparelhos de ar
condicionado). Tal categoria foi consagrada expressamente no Novo Código Civil,
art. 93: “São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam,
de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro”. São
caracteres da pertença: um vínculo, material ou ideal, mas sempre intencional,
estabelecido por quem faz uso da coisa e o fim em virtude do qual a põe a serviço da
coisa principal; um destino não transitório da coisa principal; uma destinação de fato
e concreta da pertença colocada a serviço do bem principal

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- Pode-se definir a benfeitoria como sendo a obra realizada pelo homem, na estrutura
da coisa principal, com o propósito de conservá-la, melhorá-la ou embelezá-la.
Consideram-se necessárias as benfeitorias realizadas para evitar um estrago iminente
ou a deterioração da coisa principal (ex.: reparos realizados em uma viga). Úteis,
aquelas empreendidas com o escopo de facilitar a utilização da coisa (ex.: a abertura
de uma nova entrada que servirá de garagem para a casa). E, finalmente, voluptuárias,
quando empreendidas para mero deleite ou prazer, sem aumento da utilidade da coisa
(a decoração de um jardim) (arts. 63 do CC-16 e 96 do CC-02)

Pode-se dizer que o direito de retenção seria a permissão, concedida pela norma ao
credor, de conservar em seu poder coisa alheia, que já detém legitimamente, além do
momento em que a deveria restituir se o seu crédito não existisse e, normalmente, até
a extinção deste. Funda-se esse direito num princípio de equidade, que se manifesta
sempre que o crédito do possuidor for conexo com a obrigação de restituir.

[TJCE]. Bens individualmente considerados x Bens considerados em si mesmo.


Diferencie.
Bens individuais ou singulares são aqueles que, embora reunidos, possam ser
considerados de per si, independentemente dos demais.

Bens considerados em si mesmo reflete uma classificação que independe da análise


de outro bem, tais como se o bem é imóvel ou móvel; consumíveis, fungíveis,
singulares, divisíveis.

[TJCE]. Bens reciprocamente considerados, o que são?


São aqueles que, na sua classificação, deve-se considerar, necessariamente a sua
dependência ou não a outro. Ex: bem principal x bem acessório.

[TJCE]. O que são pertenças?


São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo
duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro. Ex: quadros de uma
casa, trator de uma fazenda.

[TJCE]. O que são benfeitorias?


Benfeitoria é toda obra realizada pelo homem na estrutura de uma coisa com o
propósito de conservá-la, melhorá-la ou embelezá-la. Assim, não existe benfeitoria
natural, todas são artificiais e trabalhadas no corpo da coisa principal, portanto, não
há aumento do bem, diferentemente da acessão, que além de aumentar é modo de
aquisição da propriedade.

[TJCE]. O que é o direito de retenção?


É o direito que a lei concede ao possuidor de boa-fé com o fim de assegurar o
ressarcimento das benfeitorias necessárias e úteis, por via do qual ele conserva a coisa
em seu poder, até que indenizado seja do que lhe é devido.

DINIZ (v. 3, 2002, p.115): Pode-se dizer que o direito de retenção seria a permissão,
concedida pela norma ao credor, de conservar em seu poder coisa alheia, que já detém
legitimamente, além do momento em que a deveria restituir se o seu crédito não
existisse e, normalmente, até a extinção deste. Funda-se esse direito num princípio
de equidade, que se manifesta sempre que o crédito do possuidor for conexo com a
obrigação de restituir.

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[TJCE]. O que são bens fungíveis, infungíveis e consumíveis?


Bens fungíveis são os móveis que podem ser substituídos por outros da mesma
espécie, qualidade e quantidade (art. 85 do CC). São exemplos de bens fungíveis os
metais preciosos, o dinheiro, os cereais, etc.

Bens infungíveis são os que não têm o atributo de poder ser substituídos por outros
da mesma espécie, qualidade e quantidade. Isto ocorre porque são encarados de
acordo com as suas qualidades individuais, como o quadro de um pintor célebre, uma
escultura famosa, etc.

Bens consumíveis são os que terminam logo no primeiro uso, havendo imediata
destruição de sua substância (art. 86 do CC). Ex.: Os alimentos, o dinheiro etc.

[TJCE]. Os bens móveis são fungíveis?


Nem sempre os bens móveis serão fungíveis. A fungilidade é própria dos bens
móveis, pois os bens fungíveis são os que podem ser substituídos por outros da
mesma espécie, qualidade, quantidade.

[TJCE]. O que são bens indivisíveis por natureza? Serve para imóveis urbanos? Há
leis que estabeleçam limitação?
Os bens indivisíveis por natureza são os que se não podem fracionar sem alteração
na sua substância, diminuição considerável de valor ou prejuízo do uso a que se
destinam. São exemplos de bens indivisíveis por natureza, um computador, uma
mesa, um automóvel, etc. A indivisibilidade, nesse caso, é física ou material.

Os imóveis urbanos podem ser divididos se observados os limites do plano diretor


(lei municipal), como, por exemplo, no caso de “desdobro”, que é a divisão da área
do lote para formação de novo ou de novos lotes. Estes devem atender às exigências
mínimas de dimensionamento e índices urbanísticos para sua edificação.

[TJCE]. O livro é infungível?


Um livro, à primeira vista, é um bem fungível, pois é possível recorrer a uma livraria
e adquirir outro do mesmo título e edição. Mas se ele se torna, de alguma forma,
único para o dono (com anotações pessoais etc), então ele se torna insubstituível,
portanto infungível.

[TJCE]. O livro na biblioteca é consumível?


Não, é não consumível. O livro, enquanto na livraria, é um bem consumível, pois
destina-se à alienação. Todavia, depois de comprado, o livro é bem não consumível,
pois seu uso (leitura) não importa na sua destruição.

[TJCE]. Qual a natureza jurídica da energia elétrica?


A energia elétrica é considerada bem móvel por determinação legal (art. 83, I do CC).

[TJCE]. Um testador pode impor a indivisibilidade de um bem?


Sim. Um bem pode se tormar indivisível por vontade das partes (art. 88 do CC). Se
a indivisão for estabelecida pelo doador ou testador, não poderá exceder de 5 anos
(art. 1320, §2º - CC).

[TJCE]. Exemplifique e conceitue bens singulares e bens coletivos.


Bens singulares são aqueles que, embora reunidos, não perdem sua singularidade (art.
89 do CC). Exemplo: um lápis, um livro. Bens coletivos ou universalidades – são

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aqueles que, em conjunto, formam um todo homogêneo (universalidade da fato – um


rebanho, uma biblioteca; universalidade de direito – o patrimônio, a herança), arts.
90 e 91 do CC.

[TJCE]. O que é uma universalidade de bens?


São aqueles que, em conjunto, formam um todo homogêneo.

[TJCE]. A herança é um bem móvel ou imóvel? E as ações deixadas de herança?


A herança é, por ficção jurídica, tratada como imóvel, obedecendo às peculiaridades
relativas a esta espécie de bens. Apresentando- se como uma universalidade de
direitos (universitas juris – art.91 CC/02 ), considera- se um patrimônio único e
indivisível, sobre o qual os herdeiros exercem um condomínio, até a partilha ou
adjudicação dos bens, quando se desfaz a comunhão forçada (art.1791 CC/02)

Ainda que a herança seja composta apenas de móveis (como, p ex, ações), ela será
considerada um bem imóvel. Neste caso, o que se considera imóvel não é o direito
aos bens componentes da herança, mas o direito a esta, como uma unidade.

[TJCE]. Se o herdeiro quiser doar parte da herança?


Sim, a cessão (que pode ser gratuita ou onerosa) pode ser total ou parcial, quando
envolver todo o quinhão do cedente ou parte dele. Entretanto, não é possível a doação
de bem da herança considerado singularmente (art. 1793, §2º do CC).

Também deve ser observados as seguintes regras: É ineficaz a transmissão de bem


certo sem prévia autorização do juiz; Necessário respeitar o direito de preferência
dos coerdeiros; (até 180 dias para o herdeiro impugnar, desde que deposite o preço –
art. 1795 do CC); Cessão deve ser feita mediante escritura pública; Autorização do
cônjuge, se casado for.

# BENS PÚBLICOS.
[TJCE]. O que são terras devolutas?
Terras devolutas são aquelas que não estão aplicadas a qualquer uso público ou
inseridas no domínio privado. Porém, são bens, dependendo da localização, da União
ou dos Estados conforme dispõe a Constituição da República nos artigos:

Art. 20. São bens da União:

(...) II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e


construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental,
definidas em lei;

Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:

(...) IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.

[TJCE]. Qual a diferença das terras devolutas dos bens dominicais?


Bens dominicais são aqueles não estão destinados nem a uma finalidade comum e
nem a uma especial. “Constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito
público, como objeto de direito pessoal ou real, de cada uma dessas entidades” (art.
99, III do CC). Os bens dominicais representam o patrimônio disponível do Estado,

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pois não estão destinados e em razão disso o Estado figura como proprietário desses
bens. Ex: Terras devolutas.

Algumas terras devolutas não são disponíveis, como, por ex, as terras devolutas na
União, que se destinam à defesa das fronteiras e à preservação ambiental.

[TJCE]. Qual a origem dessas terras?


Da época do Império e das sesmarias improdutivas, a Lei das Terras de 1850 veio
legitimar as posses que estavam sendo utilizadas de maneira úti e, estabelecer que as
demais terras seriam consideradas “terras devolutas” de titularidade do Império.

[TJCE]. O Estado pode ter terras devolutas?


Sim. Inclusive a regra é que as terras devolutas sejam do Estado.

Art. 26 da CF: Incluem-se entre os bens dos Estados:

(…) IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.

[TJCE]. Terras devolutas podem ser usucapidas?


Em regra não, uma vez que são consideradas bens dominicais.

Entretanto, não é pacificada a jurisprudência sobre o tema de usucapião de terras


devolutas. O ordenamento jurídico impede sua incidência em bens públicos. A
maioria dos doutrinadores entende que as terras devolutas são todas as terras públicas
que fazem parte dos bens dominicais, assim sendo são bens públicos não possíveis
de serem usucapidos.

[TJCE]. O que é desafetação do bem?


A desafetação consiste na perda da destinação pública de um bem de uso comum ou
de uso especial para caracterizá-lo como bem dominical, visto que somente os bens
dominicais podem ser alienados, pois não tem destinação específica.

[TJCE]. Um museu é bem dominical?


Não. Possui uma finalidade específica, ligado à promoção da cultura, por exemplo.
Deve ser considerado um bem de uso especial.

[TJCE]. Bens comuns do povo podem ser desafetados?


Pode. Caso seja de interesse da Administração, poderá ser desafetado.

[TJCE]. Herança vacante irá para que ente?


Município ou Distrito Federal, se localizados nas respectivas circunscrições,
incorporando-se ao domínio da União quando situados em território federal (art.
1822 do CC).

Herança Vacante é quando o bem é devolvido à fazenda pública por se ter verificado
não haver herdeiros que se habilitassem no período da jacência.

# BEM DE FAMÍLIA NO CÓDIGO CIVIL E NA LEI Nº 8.009/90


[TJCE]. Como se institui um bem de família? Existe limite ao patrimônio do
instituidor? Um terceiro pode instituir bem de família? Há exceção a

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impenhorabilidade ao bem da família? O arrendamento rural? A cédula


hipotecária?
R: O bem de família deve ser instituído por meio de lavratura da escritura pública,
prenotada no Registro de Imóveis. Após o registro, deve ser autuada e publicada na
imprensa (para dar publicidade). Se houver impugnação, remete-se à autoridade
judicial para decisão. Se não houver impugnação, registra-se a escritura no Livro 3
(Livro de Registro Auxiliar) e averba-se no Livro 2 (Livro de Matrícula).

O bem de família deve incidir em no máximo 1/3 do patrimônio líquido existente ao


tempo da instituição (art. 1711, CC/02). O controle se dá por declaração. Será levado
em conta o valor de referência (VR) do imóvel.

Art.1.711 § único, CC/02: “O terceiro poderá, igualmente, instituir bem de família por
testamento ou doação, dependendo a eficácia do ato de aceitação expressa de ambos os
cônjuges beneficiados ou da entidade familiar beneficiada".

O bem de família é impenhorável por dívidas em geral, nos termos da Lei 8.009/90.
Porém essa regra não abrange:

- dívidas do financiamento do imóvel

- dívidas tributárias

- dívidas condominiais

- dívidas com empregados domésticos

- fiança

- hipoteca

- alienação fiduciária

[TJCE]. Como se institui o bem de família voluntariamente? Pode ser constituídos


de outros bens ou só imóvel? Há limitação ao patrimônio total do instituidor?
Art. 1.711 CC. Podem os cônjuges, ou a entidade familiar, mediante escritura pública ou
testamento, destinar parte de seu patrimônio para instituir bem de família, desde que não
ultrapasse um terço do patrimônio líquido existente ao tempo da instituição, mantidas as
regras sobre a impenhorabilidade do imóvel residencial estabelecida em lei especial.

Art. 1.712. O bem de família consistirá em prédio residencial urbano ou rural, com suas
pertenças e acessórios, destinando-se em ambos os casos a domicílio familiar, e poderá
abranger valores mobiliários, cuja renda será aplicada na conservação do imóvel e no
sustento da família.

[TJCE]. O bem de família pode integrar o inventário? Como ele fica havendo a
morte de um dos cônjuges? O que ocorre se houver alienação do bem de família?
Art. 1771. Paragrafo único: O terceiro poderá igualmente instituir bem de família por
testamento ou doação, dependendo a eficácia do ato da aceitação expressa de ambos os
cônjuges beneficiados ou da entidade familiar beneficiada.

Art. 1.721. A dissolução da sociedade conjugal não extingue o bem de família.

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Parágrafo único. Dissolvida a sociedade conjugal pela morte de um dos cônjuges, o


sobrevivente poderá pedir a extinção do bem de família, se for o único bem do casal.

5. Dos fatos jurídicos. Do negócio jurídico. Dos atos jurídicos lícitos. Dos
atos ilícitos. Da prescrição e da decadência. Da prova.

# NEGÓCIO JURÍDICO: NULIDADE E ANULABILIDADE.


[TJCE]. O que significa dizer que a nulidade absoluta são ex tunc e as relativas são
ex nunc? A partir de quando?
Significa que os efeitos da sentença que reconhece a nulidade absoluta retroagem e
os efeitos da sentença anulatória não retroagem.

[TJCE]. Essa ação (sobre nulidades) é declaratória? Está sujeita algum prazo
prescricional? Essa ação é desconstitutiva? Que natureza tem esses prazos?
A ação anulatória é decidida por sentença de natureza desconstitutiva, de efeitos ex
nunc, aproveitando exclusivamente aos que a alegarem, não tendo efeitos erga
omnes, ressalvados os casos de solidariedade ou indivisibilidade;

A anulabilidade somente pode ser arguida pela via judicial, em prazos decadenciais
de 4 (quatro) anos, em regra, ou de 2 (dois) a nos, excepcionalmente.

Segundo o artigo 178 do Código Civil, é de 4 (quatro) anos o prazo de decadência


para pleitear a anulação do negócio jurídico, contados: a) no caso de coação, do dia
em que ela cessar; b) no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou
lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; c) no de atos de incapazes, do
dia em que cessar a incapacidade. Há, contudo, uma regra supletiva para situações
não abrangidas pelo referi do preceito legal. De efeito, conforme reza o artigo 179
do mesmo Código Civil, quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem
estabelecer prazo para se pleitear a anu lação, será esse de dois anos, a contar da data
da conclusão do ato.

Exemplo da incidência do artigo 179 acima indicado está no artigo 496 do Código
Civil, o qual aduz ser "anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os
outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido",
sem, contudo indicar o prazo para tanto. Aplica-se, como dito, a regra supletiva,
sendo o prazo decadencial de 2 (dois) anos, contados da conclusão do ato.

[TJCE]. Para nulidade absoluta é constitutiva ou declaratória ação?


Declaratória, com efeitos ex tunc e contra todos (erga omnes).

[TJCE]. A simulação determina nulidade absoluta ou relativa?


Absoluta. CC, Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se
dissimulou, se válido for na substância e na forma.

[TJCE]. A venda simulada esconde o quê?


É casuístico, pode simular uma doação, pode simular uma compra e venda em valor
maior ou menor do que o simulado, uma permuta, etc.

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# DOS ATOS ILÍCITOS.


[TJCE]. Há lesão ao patrimônio alheio que não configure ato ilícito?
Sim. Resposto abaixo.

[TJCE]. O estado de necessidade cabe nesta hipótese?


Sim. Resposta abaixo.

[TJCE]. Hipótese em que a indenização não será devida em estado de necessidade?


Estado de necessidade. Proporcionalidade na fixação de indenização. O estado de
necessidade, embora não exclua o dever de indenizar, fundamenta a fixação das
indenizações segundo o critério da proporcionalidade. REsp 1.292.141-SP, rei. Min.
Nancy Andrighi, 4.12.12. 3° T. (Info 513)

O ato praticado em estado de necessidade é lícito, conforme previsto no art. 188, II,
do CC:

Art. 188. Não constituem atos ilícitos:

I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido;

II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover


perigo iminente.

Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo somente quando as
circunstâncias o tornarem absolutamente necessário, não excedendo os limites do
indispensável para a remoção do perigo.

No entanto, mesmo sendo lícito, não afasta o dever do autor do dano de indenizar a
vítima quando esta não tiver sido responsável pela criação da situação de perigo. É o
que preconiza o art. 929 do CC:

Art. 929. Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do inciso II do art. 188, não
forem culpados do perigo, assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo que sofreram.

Desse modo, o causador do dano, mesmo tendo agido em estado de necessidade,


deverá indenizar a vítima e, depois, se quiser, poderá cobrar do autor do perigo aquilo
que pagou:

Art. 930. No caso do inciso II do art. 188, se o perigo ocorrer por culpa de terceiro,
contra este terá o autor do dano ação regressiva para haver a importância que tiver
ressarcido ao lesado.

Repare que se trata de algo bem interessante: o autor do dano agiu de forma LÍCITA,
uma vez que estava sob o manto do estado de necessidade, no entanto, mesmo assim
tem o dever de indenizar. E qual é o fundamento jurídico para este dever?

O Min. Sanseverino (no Resp 1.278.627-SC) explica que o fundamento para essa
opção legislativa é a equidade, aplicando-se a chamada teoria do sacrifício, bem
desenvolvida pelo doutrinador português J.J. Gomes Canotilho (O problema da
responsabilidade do estado por actos lícitos. Coimbra: Almedina, 1974).

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Pela teoria do sacrifício, diante de uma colisão entre os direitos da vítima e os do


autor do dano, estando os dois na faixa de licitude (os dois comportamentos são
lícitos), o ordenamento jurídico opta por proteger o mais inocente dos interesses em
conflito (o da vítima), sacrificando o outro (o do autor do dano).

Vale ressaltar, no entanto, que o estado de necessidade, embora não exclua o dever
de indenizar, fundamenta a fixação das indenizações segundo o critério da
proporcionalidade.

Em outras palavras, a pessoa que agiu em estado de necessidade deverá indenizar


caso tenha causado prejuízo à vítima que não deu causa ao perigo. No entanto, o valor
desta indenização deverá ser fixado com proporcionalidade, evitando-se a imposição
de valores abusivos (desproporcionais) para alguém que estava agindo de forma
lícita. Terceira Turma. REsp 1.292.141-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em
4/12/2012.

[TJCE]. O que é abuso de direito?


Ao definir o abuso de direito, em seu artigo 187, o codificador consagrou uma
ilicitude objetiva, dispensando a culpa e o dolo e preferindo um critério finalístico de
análise.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede
manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou
pelos bons costumes.

37 da I JDC – Art. 187: a responsabilidade civil decorrente do abuso do direito


independe de culpa e fundamenta-se somente no critério objetivo-finalístico.

[TJCE]. O que significa “manifestamente” na expressão “quando o agente excede


manifestamente”?
Manifesto é o excesso indubitável, claro, visível, evidente.

[TJCE]. O excesso estabelecido em lei é uma palavra desnecessária? Qual o efeito


do excesso?
Não se trata de palavra desnecessária, pois é justamente o manifesto excesso dos
limites que transforma o ato, a principio lícito, em ilícito.

Exemplo de ato abusivo que comporte indenização.

Responsabilidade civil por donos decorrentes de abuso do direito de ação executiva.

O advogado que ajuizou ação de execução de honorários de sucumbência não só contra


a sociedade limitada que exclusivamente constava como sucumbente no título judicial,
mas também, sem qualquer justificativa, contra seus sócios dirigentes, os quais tiveram
valores de sua conta bancária bloqueados sem aplicação da teoria da desconsideração
da personalidade jurídica, deve aos sócios indenização pelos danos materiais e morais
que sofreram. Com efeito, a lei não faculta ao exequente escolher quem se sujeitará à
ação executiva, independentemente de quem seja o devedor vinculado ao título executivo.
Ressalte-se que, tendo as sociedades de responsabilidade limitada vida própria, não se
confundem com as pessoas dos sócios. No caso de as cotas de cada um estarem
totalmente integralizadas, o patrimônio pessoal dos sócios não responde por dívidas da
sociedade. Portanto, a regra legal a observar é a do princípio da autonomia da pessoa
coletiva, distinta da pessoa de seus sócios ou componentes, distinção que só se afasta

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provisoriamente e tão só em hipóteses pontuais e concretas. REsp 1.245.112-MT, rel.


Min. João Otávio de Noronha, 1 1.3.14. 3° T. (lnfo 539)

# PRESCRIÇÃO.
[TJCE]. O que é prescrição?
A prescrição consiste na perda da pretensão, em virtude da inércia do seu titular, no
prazo previsto em lei. Por pretensão, entenda-se o “poder de exigir de outrem
coercitivamente o cumprimento de um dever jurídico, vale dizer, é o poder de exigir
a submissão de um interesse subordinado (do devedor da prestação) a um interesse
subordinante (do credor da prestação) amparado pelo ordenamento jurídico”. Não é
recomendável, pois, segundo o critério científico adotado pelo novo Código, dizer-
se que a prescrição ataca a ação, mas sim, a “pretensão” (Pablo Stolze). Nesse
diapasão, e seguindo a melhor técnica, dispõe o novo Código Civil:

Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela
prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206.

[TJCE]. Quando se inicia o marco prescricional?


A partir da violação do direito, com o surgimento da pretensão.

Art. 189, CC/02. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue,
pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206.

[TJCE]. Ações constitutiva/declaratória se submetem à prescrição?


As ações de natureza condenatória, por meio das quais pretende o autor obter do réu
uma prestação (o cumprimento de um direito subjetivo, direito este suscetível de
violação), estão sujeitas a prazo PRESCRICIONAL. Já as ações constitutivas
representam meios de exercício de direitos potestativos (que não são suscetíveis de
violação) e, portanto, estão sujeitos à decadência quando a lei prevê determinados
prazos.

Concluímos, então, o seguinte: em se tratando de ação condenatória o prazo será


sempre prescricional e em se tratando de ações constitutivas (positivas ou negativas),
o prazo será decadencial.

Já as ações anulatórias em geral (anulação do contrato por erro, em razão de


incapacidade relativa do agente), estão sujeitas à decadência.

Agora, em se tratando de ação declaratória pela qual se busca apenas uma certeza
jurídica, tal ação não está sujeita à prescrição, nem à decadência. Simplesmente tais
ações não sofrem a influência do tempo. Um exemplo disto é a ação que declara nulo
o contrato celebrado por absolutamente incapaz ou nulo um casamento de irmãos
(José Fernando Simão).

[TJCE]. A interrupção se estende aos outros? E a suspensão?


Art. 204, CC/02. A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros;
semelhantemente, a interrupção operada contra o co-devedor, ou seu herdeiro, não
prejudica aos demais coobrigados.

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§ 1o A interrupção por um dos credores solidários aproveita aos outros; assim como a
interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros.

§ 2o A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica


os outros herdeiros ou devedores, senão quando se trate de obrigações e direitos
indivisíveis.

§ 3o A interrupção produzida contra o principal devedor prejudica o fiador.

Art. 201. Suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, só aproveitam


os outros se a obrigação for indivisível.

[TJCE]. Qual a diferença entre divisibilidade e indivisibilidade?


As obrigações divisíveis são aquelas que admitem o cumprimento fracionado ou
parcial da prestação; as indivisíveis, por sua vez, só podem ser cumpridas por inteiro.

A divisibilidade ou indivisibilidade das obrigações só oferecerão interesse jurídico


havendo pluralidade de credores ou de devedores. Havendo unidade, as obrigações
são, em regra, indivisíveis, porque nem o credor é obrigado a receber pagamentos
parciais, nem o devedor a fazê-los, se outra coisa foi negociada.

Por oportuno, transcrevem-se os arts. 257 e 258 do CC, respectivamente, que


disciplinam o tema:

Art. 257, CC/02. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação


divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os
credores ou devedores.”

Art. 258, CC/02. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa
ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica,
ou dada a razão determinante do negócio jurídico.

[TJCE]. No curso da ação de evicção corre prescrição?


Não.

Art. 199. Não corre igualmente a prescrição:

III - pendendo ação de evicção.

[TJCE]. A condição suspensiva suspende aquisição de direito?


Art. 125, CC/02. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva,
enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa.

[TJCE]. Interrompida a prescrição contra a Fazenda Pública, retorna em que


prazo?
Art. 3º, Lei 4.597/42. A prescrição das dívidas, direitos e ações a que se refere o Decreto
nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932, somente pode ser interrompida uma vez, e recomeça
a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu, ou do último do
processo para a interromper; consumar-se-á a prescrição no curso da lide sempre que a
partir do último ato ou termo da mesma, inclusive da sentença nela proferida, embora
passada em julgado, decorrer o prazo de dois anos e meio.

[TJCE]. O que significa a “Ação prescreve no mesmo prazo da pretensão”?

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Significa que se o titular do direito permanecer inerte, tem como pena a perda da
pretensão que teria por via judicial.

Na prescrição, nota-se que ocorre a extinção da pretensão; todavia, o direito em si


permanece incólume, só que sem proteção jurídica para solucioná-lo. Tanto isso é
verdade que, se alguém pagar uma dívida prescrita, não pode pedir a devolução da
quantia paga, já que existia o direito de crédito que não foi extinto pela prescrição.
Nesse sentido, prevê o art. 882 do CC que “não se pode repetir o que se pagou para
solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível.”.

[TJCE]. O que é prescrição?


A prescrição constitui um benefício a favor do devedor, pela aplicação da regra de
que o direito não socorre aqueles que dormem, diante da necessidade do mínimo de
segurança jurídica nas relações negociais.

A prescrição extintiva, fato jurídico em sentido estrito, constitui, nesse contexto, uma
sanção ao titular do direito violado, que extingue tanto a pretensão positiva quanto a
negativa (exceção ou defesa). Trata-se de um fato jurídico stricto sensu justamente
pela ausência de vontade humana, prevendo a lei efeitos naturais, relacionados com
a extinção da pretensão. A sua origem está no decurso do tempo, exemplo típico de
fato natural.

[TJCE]. Atinge as ações constitutivas e as declaratórias?


O Código de 2002 adota quanto a esse instituto a tese de Agnelo Amorim Filho, que
associou os prazos de prescrição às ações condenatórias, particularmente àquelas
relativas à cobrança de valores ou à reparação de danos, mantendo uma relação com
os direitos subjetivos.

Por outro lado, a decadência está associada a direitos potestativos e às ações


constitutivas, sejam elas positivas ou negativas.

Por fim, as ações meramente declaratórias, como aquelas que buscam a nulidade
absoluta de um negócio, são imprescritíveis, ou melhor, tecnicamente, não estão
sujeitas à prescrição ou a decadência. A imprescritibilidade dessa ação específica está
também justificada porque a nulidade absoluta envolve ordem pública, não
convalescendo pelo decurso do tempo (art. 169 do CC).

[TJCE]. Contra o pródigo corre prescrição? E contra o menor?


A simples condição de pródigo (que é incapaz relativamente a certos atos) não
impede o curso da prescrição. Só não correria se ele se enquadrasse em alguma das
hipóteses elencadas no Código Civil. Do mesmo modo ocorre com o menor de
dezoito anos, mas maior de dezesseis, contra quem a prescrição corre normalmente.

Contra o menor de dezesseis anos não corre a prescrição, por ser absolutamente
incapaz (Art. 3º c/c 198, ambos do CC).

[TJCE]. Interrompe e suspende o prazo prescricional, quando?


Das Causas que Impedem ou Suspendem a Prescrição

Art. 197. Não corre a prescrição:

I - entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal;

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II - entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar;

III - entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores, durante a tutela ou


curatela.

Art. 198. Também não corre a prescrição:

I - contra os incapazes de que trata o art. 3º (ABSOLUTAMENTE INCAPAZES);

II - contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados ou dos


Municípios;

III - contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra.

Art. 199. Não corre igualmente a prescrição:

I - pendendo condição suspensiva;

II - não estando vencido o prazo;

III - pendendo ação de evicção.

Art. 200. Quando a ação se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não
correrá a prescrição antes da respectiva sentença definitiva.

Art. 201. Suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, só aproveitam


os outros se a obrigação for indivisível.

Seção III - Das Causas que Interrompem a Prescrição

Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-se-á:

I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se o interessado a


promover no prazo e na forma da lei processual;

II - por protesto, nas condições do inciso antecedente;

III - por protesto cambial;

IV - pela apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de


credores;

V - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; (Notificação extrajudicial
não interrompe prescrição).

VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe reconhecimento
do direito pelo devedor.

[TJCE]. Existe hipótese de interrupção em que o prazo não começa pela


integralidade?
O lapso prescricional aplicável nas demandas contra o Poder Público é de cinco anos;
e, uma vez havendo interrupção desse prazo, voltará ele a correr pela metade, e não
em sua integralidade.

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# DECADÊNCIA.
[TJCE]. Decadência. Que classe de ações se sujeita à decadência?
Ações constitutivas, uma vez que estas estão ligadas a direitos potestativos.

Existem direitos potestativos sem prazo para o seu exercício, a exemplo do direito de
divórcio. No entanto, sempre que houver prazo para o exercício de um direito
potestativo, este prazo será decadencial. Os prazos de prescrição, como visto, estão
nos arts. 205 e 206. Todos os demais (exceto os da prescrição aquisitiva da
usucapião) são de decadência.

Critérios científicos de Agnelo Amorim Filho: os prazos decadenciais estão


relacionados com direitos potestativos, bem como com aquelas ações que visam a
constituir positiva ou negativamente atos e negócios jurídicos, como no caso da ação
anulatória de negócio jurídico.

[TJCE]. Ação de revogação de doação se sujeita a prazo decadencial? Esse prazo


decadencial admite suspensão e interrupção? Prorroga-se?
Revogação da doação: é sempre por ato judicial. Ninguém pode revogar a doação por
declaração de vontade. Todo doador tem direito indisponível de ajuizar ação de
revogação de doação.

Pode ser por descumprimento de encargo ou por ingratidão do donatário.

O prazo para a revogação da doação consta do art. 559 do CC, cuja redação merece
transcrição, para os aprofundamentos necessários:

“Art. 559. A revogação por qualquer desses motivos deverá ser pleiteada dentro de um
ano, a contar de quando chegue ao conhecimento do doador o fato que a autorizar, e de
ter sido o donatário o seu autor”.

[TJCE]. Pois bem, a grande dúvida que surge do dispositivo é a seguinte: o prazo
decadencial previsto no art. 559 do CC aplica-se tanto à revogação por ingratidão
quanto ao caso de inexecução do encargo?
Flávio Tartuce: Entende que sim, pois o dispositivo, ao mencionar “qualquer desses
motivos”, está fazendo referência ao art. 555 do CC. Reforçando, a ação de revogação
é de natureza constitutiva negativa, fundada em direito potestativo, o que justifica o
prazo decadencial. Isso porque o encargo é um ônus, sendo o contrato unilateral
imperfeito.

Mas há quem entenda, amparado em entendimento jurisprudencial, que o prazo para


revogar a doação por inexecução do encargo é prescricional de 10 anos em virtude
da aplicação do art. 205 do CC. A corrente sustenta que o encargo é dever, havendo
um direito subjetivo de exigi-lo, já que o contrato é bilateral (nesse sentido, pela
incidência do prazo geral de prescrição, ver: STJ, REsp 69.682/MS, Rel. Min. Ruy
Rosado de Aguiar, 4.ª Turma, j. 13.11.1995, DJ 12.02.1996 p. 2.432).

De toda sorte, fica o esclarecimento de que se trata de uma das questões mais
controvertidas para o Direito Civil Brasileiro.

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Sendo um prazo decadencial legal, conforme o art. 207 do CC/2002, salvo disposição
legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem
ou interrompem a prescrição.

Extra Entretanto, constam algumas exceções no próprio Código Civil, como a do


artigo subsequente (art. 208 do CC/2002), pelo qual a prescrição não corre contra os
absolutamente incapazes apresentados no art. 3.º do Código (menores de 16 anos,
enfermos, doentes mentais e pessoas que por uma causa transitória ou definitiva não
puderem manifestar sua vontade). Aplicando o último dispositivo, ilustre-se com
decisão do STJ, publicada no seu Informativo n. 482:

“Alegam os recorrentes que, à época, por serem menores absolutamente incapazes, não
fluía contra eles prazo, nem de decadência nem de prescrição. Admitido o REsp, o Min.
Relator entendeu que o prazo para o ajuizamento da ação rescisória é de decadência
(art. 495, CPC), por isso se aplica a exceção prevista no art. 208 do CC/ 2002, segundo
a qual os prazos decadenciais não fluem contra os absolutamente incapazes. Esse
entendimento foi acompanhado pelos demais Ministros, que deram provimento ao REsp
e determinaram o prosseguimento da ação rescisória” (STJ, REsp 1.165.735/MG, Rel.
Min. Luis Felipe Salomão, j. 06.09.2011).

[TJCE]. É possível falar em decadência convencional?


As partes não podem criar prazos prescricionais. Os prazos decadenciais, todavia,
poderão ser legais (a exemplo do prazo para se exercer o direito potestativo de anular
um contrato, previsto no art. 178 do CC) ou convencionais, ajustados pelas próprias
partes (a exemplo do prazo previsto no contrato para se exercer o direito potestativo
de desistir do negócio). Assim, a prescrição é sempre legal. Já a decadência pode ser
legal ou convencional.

[TJCE]. O juiz pode reconhecer de ofício a decadência?


A decadência legal poderá ser reconhecida de ofício pelo juiz. A convencional não
(a parte tem de alegá-la, segundo seu interesse).

# DA PROVA: PROVA DOCUMENTAL E PERÍCIA.


[TJCE]. A presunção de veracidade de documento na escritura pública se refere ao
negócio ou ao bem? E negócios simulados?
Faz prova quanto à formação do negócio. Dispõe o art. 364 do CPC, “o documento
público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o
tabelião ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença”. Em razão da fé
pública que reveste os atos estatais, sempre que o documento for produzido por
funcionário público lato sensu, haverá uma presunção de veracidade quanto à sua
formação e quanto aos fatos ocorridos em sua presença.

Segundo o art. 364 do CPC, o documento público faz prova da sua formação e
também dos fatos que o escrivão, tabelião ou funcionário declarar que
ocorreram em sua presença.

Essa presunção é relativa, podendo ser afastada por outras provas produzidas no
processo. Em relação aos negócios simulados estes são nulos de pleno direito (CC,
167), tal vício pode ser alegado por qualquer interessado, ou pelo Ministério Público,
quando lhe couber intervir na demanda ou até mesmo de ofício pelo magistrado (CC,

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168 c/c parágrafo único). Vale salientar que o negócio simulado é insuscetível de
confirmação ou convalidação pelo decurso do tempo (CC, 169). Sendo assim,
havendo provas que o negócio jurídico descrito na escritura pública é simulado, deve
o magistrado declará-lo nulo e desconstituir o negócio jurídico.

[TJCE]. Declaração meramente declarativa qual a natureza da declaração?


ACHO que a pergunta era relacionada às ações meramente declaratórias.

A tutela meramente declaratória resolve uma crise de certeza, ao declarar a


existência, inexistência ou modo de ser de uma relação jurídica (art. 4º, I do CPC e
Súmula 181 do STJ) e, excepcionalmente, de um fato (art. 4º, II do CPC).

Importante salientar que é admissível ação declaratória, ainda que tenha ocorrido a
violação do direito (art. 4º, parágrafo único do CPC). Neste caso, tal pretensão é
imprescritível e possui efeitos ex tunc. Entretanto, há de se registrar que a pretensão
condenatória decorrente da violação do direito submete-se a prazo prescricional, uma
vez que estamos diante de uma tutela condenatória.

São exemplos de ações meramente declaratórias: ação declaratória de união estável;


ação declaratória de inexistência de débito tributário; ação de usucapião.

[TJCE]. A recusa em submeter-se a perícia médica gera presunção absoluta ou


relativa? Admite prova a cargo de quem? Quem tem que provar?
A recusa em submeter-se a perícia médica gera presunção relativa. A Súmula 307 do
STJ dispõe que “em ação investigatória, a recusa do suposto pai a submeter-se ao
exame de DNA induz presunção iuris tantum de paternidade”. No mesmo sentido vai
o art. 232 do CC/02 “a recusa à perícia médica ordenada por juiz poderá suprir a
prova que se pretendia obter como exame”.

O Ministério Público, quando lhe competir intervir (a exemplo das ações envolvendo
incapazes), ou qualquer parte interessada poderá requerer a produção probatória.
Entretanto, há de se levar em consideração as regras dispostas no art. 333 do CPC
quanto ao ônus da prova e suas consequências relativamente à procedência dos
pedidos.

A regra do ônus da prova é a regra que atribui a responsabilidade pela falta de prova
de determinado fato. Ou seja, determina quem vai sofrer as consequências se
determinado fato não for provado. Caso o fato não seja provado, quem arca com isso
é quem tinha o dever de provar. Cumpre salientar que quem tem o ônus da prova não
é quem tem que provar, mas sim quem arca com a falta da prova do fato, portanto
estimula a parte a correr atrás da prova.

Ônus da prova é uma regra que só se aplica na hora do julgamento e somente se não
for mais possível produzir prova. O juiz somente pode aplicar o ônus da prova se não
houver prova e não houver mais como produzir, pois, se ainda houver a possibilidade
de produção o juiz deve, de ofício, determinar sua produção. Assim, a regra de ônus
da prova é uma regra de julgamento e de aplicação subsidiária.

Vigora no Brasil a regra Estática do ônus da prova (CPC, 333). É chamado de regra
estática por se tratar de regra fixa, imutável, não flexibilizada pelo legislador. É assim
inclusive nas causas de consumo (a regra de provar é de quem alega). Todavia, há

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casos em que a prova é diabólica (impossível ou excessivamente onerosa). Diante


disso, a doutrina e a jurisprudência começaram a defender a tese de que as regras de
ônus da prova devem poder ser flexibilizadas de acordo com as peculiaridades do
caso concreto, de modo que o ônus coubesse a quem pudesse suportá-lo. A essa teoria
foi dado o nome de teoria da distribuição dinâmica do obus da prova. O juiz terá que
dar uma decisão nesse sentido. Essa decisão é conhecida como “inversão do ônus da
prova”. Assim, inverter o ônus da prova é redistribuí-lo. Tal inversão deve ser feita
antes da sentença (o ideal é fazê-la na fase de saneamento do processo), para permitir
que a parte que recebeu o ônus possa tentar se desincumbir dele. Essa teoria foi criada
para ser aplicada a qualquer processo, desde que haja prova diabólica.

A inversão do ônus da prova está prevista legalmente no CDC. É a consagração da


distribuição dinâmica (caso a caso) do ônus da prova nas causas de consumo.
Todavia, essa distribuição somente pode ser feita em favor do consumidor. Assim,
nas causas de consumo, a regra é o ônus da prova ser de quem alega, todavia, sendo
o consumidor hipossuficiente técnico e verossímil as alegações, pode o juiz inverter
o ônus da prova em seu favor.

[TJCE]. Se alguém se recusa e, em função disso, não se encontre outra prova pode
requerer a procedência do pedido?
De acordo com o art. 231 do CC/02 “aquele que se nega a submeter-se a exame
médico necessário não poderá aproveitar-se de sua recusa”. O Código de Processo
Civil é claro ao tratar do tema das provas que o ônus da prova incumbe ao autor
quanto ao fato constitutivo de seu direito (art. 333, I do CPC), sendo assim, ausente
outros meios de prova, o autor que se recusa a submeter-se à perícia não pode
requerer a procedência do pedido.

Vale salientar que em ação negatória de paternidade, o não comparecimento do filho


menor de idade para submeter-se ao exame de DNA não induz, por si só, presunção
de inexistência de paternidade.

A Súmula 301 do STJ induz presunção relativa, de modo que a mera recusa à
submissão ao exame não implica automaticamente reconhecimento da paternidade
ou seu afastamento, pois deve ser apreciada em conjunto com os demais elementos
probatórios.

O sistema de provas no processo civil brasileiro permite que sejam utilizados todos
os meios legais e moralmente legítimos para comprovar a verdade dos fatos. Assim,
o exame genético, embora de grande proveito, não pode ser considerado o único meio
de prova da paternidade. A recusa ao DNA não pode, por si só, resultar na
procedência do pedido formulado em investigação ou negação de paternidade, pois
a prova genética não gera presunção absoluta.

Cabe ao autor comprovar a possibilidade de procedência do pedido por meio de


outras provas. Em outras palavras, além da recusa a exame, deve haver indícios de
que aquilo que foi alegado é verdadeiro.

# DA PROVA: PROVA TESTEMUNHAL.

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[TJCE]. Todo negócio jurídico pode ser provado por testemunha? Existe exceção?
Em negócios com valores superiores a 10 salários mínimos exige só testemunha?
Respostas na literalidade do Código Civil:

Art. 227. Salvo os casos expressos, a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos
negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente
no País ao tempo em que foram celebrados.

Parágrafo único. Qualquer que seja o valor do negócio jurídico, a prova testemunhal é
admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito.

[TJCE]. A testemunha pode escusar-se de depor? Em que hipótese pode haver


recusa?
Código Civil:

Art. 229. Ninguém pode ser obrigado a depor sobre fato:

I - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar segredo;

II - a que não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge, parente em grau
sucessível, ou amigo íntimo;

III - que o exponha, ou às pessoas referidas no inciso antecedente, a perigo de vida, de


demanda, ou de dano patrimonial imediato.

[TJCE]. Médico pode ser compelido a depor sobre doença de um paciente? Se ele se
recusasse você obrigará a depor?
Código Civil:

Art. 229. Ninguém pode ser obrigado a depor sobre fato:

I - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar segredo;

Nesse caso, há dever de não revelar os fatos e quem descumprir esse dever sem justa
causa será responsabilizado criminalmente, além de eventuais consequências cíveis
e sanções administrativas.

Pelo mesmo diapasão vai o CPC quando trata do tema. Primeiro, dispõe em seu artigo
347:

“A parte não é obrigada a depor de fatos:

(...) II – a cujo respeito, por estado ou profissão deva guardar sigilo.”.

Em segundo lugar, em seu artigo 363, o CPC determina:

“A parte e o terceiro se escusam de exibir, em juízo, o documento ou a coisa:

(...) III – se a publicidade do documento redundar em desonra à parte ou ao terceiro,


bem como a seus parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau; ou lhes representar
perigo de ação penal;

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IV – se a exibição acarretar a divulgação de fatos, a cujo respeito, por estado ou


profissão, devam guardar segredo;”.

E, em terceiro lugar, no seu artigo 406, 0 CPC nos diz:

“A testemunha não é obrigada a depor de fatos:

(...) II – a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo”.

Portanto, no processo civil, tanto as partes, testemunhas, como terceiros, no caso do


médico, estão desobrigados de testemunhar revelando dados do paciente, ou seja,
violando o segredo médico.

Para os profissionais médicos temos o Código de Ética Médica (Resolução CFM nº


1931/2009) que estabelece o seguinte:

É vedado ao médico:

Art. 73. Revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão,
salvo por motivo justo, dever legal ou consentimento, por escrito, do paciente.

Parágrafo único. Permanece essa proibição: a) mesmo que o fato seja de conhecimento
público ou o paciente tenha falecido; b) quando de seu depoimento como testemunha.
Nessa hipótese, o médico comparecerá perante a autoridade e declarará seu
impedimento; c) na investigação de suspeita de crime, o médico estará impedido de
revelar segredo que possa expor o paciente a processo penal.

(...)

Art. 89. Liberar cópias do prontuário sob sua guarda, salvo quando autorizado, por
escrito, pelo paciente, para atender ordem judicial ou para a sua própria defesa.

Na área penal há uma maior flexibilidade sobre o tema. Há antigo precedente do STF
(RE 91.218/SP), no seguinte sentido:

"Segredo profissional. A obrigatoriedade do sigilo profissional do médico não tem


caráter absoluto. A matéria, pela sua delicadeza, reclama diversidade de tratamento
diante das particularidades de cada caso.

A revelação do segredo médico em caso de investigação de possível abortamento


criminoso faz-se necessária em termos, com ressalvas do interesse do cliente. Na espécie
o hospital pôs a ficha clínica à disposição de perito médico, que "não estará preso ao
segredo profissional, devendo, entretanto, guardar sigilo pericial" (art. 87 do Código de
Ética Médica).

[TJCE]. Determinar a prova pericial em ficha médica é possível?


Para os profissionais médicos temos o Código de Ética Médica (Resolução CFM nº
1931/2009) que estabelece o seguinte:

Art. 89. Liberar cópias do prontuário sob sua guarda, salvo quando autorizado, por
escrito, pelo paciente, para atender ordem judicial ou para a sua própria defesa.

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§ 1º Quando requisitado judicialmente o prontuário será disponibilizado ao perito


médico nomeado pelo juiz.

[TJCE]. Qual a idade mínima para depor?


Dezesseis anos (Art.228, I, CC), mas para a prova de fatos que só elas conheçam,
pode o juiz admitir seu depoimento.

Art. 228. Não podem ser admitidos como testemunhas:

I - os menores de dezesseis anos;

Parágrafo único. Para a prova de fatos que só elas conheçam, pode o juiz admitir o
depoimento das pessoas a que se refere este artigo.

Item considerado correto pela CESPE: “Considere que Pedro seja filho de Lúcia e
primo de Maria e que ele pretenda provar determinado fato jurídico. Nessa situação
hipotética, Maria poderá testemunhar, mas Lúcia somente poderá ser testemunha se
for a única conhecedora do fato além de Pedro.”.

[TJCE]. Testemunhas suspeitas e impedidas qual a diferença?


O impedimento é mais grave do que a suspeição. São impedidos de depor como
testemunhas o cônjuge, ascendente e descendente em qualquer grau, ou colateral até
o terceiro grau de qualquer das partes, por consanguinidade ou afinidade.

O impedimento cessa quando exigir o interesse público ou nas ações de estado da


pessoa, quando a prova for decisiva e não puder ser produzida de outra forma.

Também são impedidos de depor as partes na causa e o sujeito que intervém em


nome de uma parte, como o tutor na causa do menor, o representante legal da pessoa
jurídica, o juiz, o advogado e outros que assistam ou tenham assistido as partes.

São suspeitos para depor como testemunhas: o condenado definitivo por crime de
falso testemunho; o que, por seus costumes, não for digno de fé; o inimigo capital ou
amigo íntimo da parte, e não do juiz ou do advogado; o que tiver interesse no litígio,
entendendo-se que o interesse deve ser jurídico.

Sendo estritamente necessário, o que significa dizer que a prova não tem outra forma
de ser produzida, o art. 405, § 4.º, do CPC permite ao juiz a oitiva dos sujeitos
impedidos e suspeitos de depor, hipótese na qual estarão dispensados de prestar
compromisso e seus depoimentos serão apreciados com o valor que possam merecer.

[TJCE]. Qualquer amigo e qualquer inimigo (para fins de suspeição)?


Apenas o inimigo capital da parte ou seu amigo intimo.

No novo CPC não há mais necessidade de o inimigo da parte ser seu “inimigo capital”
para ser suspeito de depor.

[TJCE]. O que é testemunha instrumentária?


A testemunha imprópria, instrumentária ou fedatária é a que assiste aos atos escritos,
quer sejam eles públicos ou particulares formulados num instrumento cuja validade
depende da sua presença e respectiva assinatura para confirmar e garantir a
veracidade ou autenticidade do fato.

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[TJCE]. No testamento, é instrumentária? Vigora o mesmo? Vigora a mesma data?


Pode ser o funcionário do cartório?
Respostas: Sim. Não entendi a pergunta (provavelmente relacionada à resposta do
candidato na hora da prova). Não entendi a pergunta. Sim.

Registros Públicos - Teoria e Prática -Luiz Guilherme Loureiro – 2014:

“O fato de se tratar de ato personalíssimo não impede que haja intervenção ou


colaboração de terceiro quando da outorga do testamento. A lei expressamente admite
que, se o testador não souber assinar, assinará por ele, e a seu rogo, uma das
testemunhas instrumentárias (art. 1.865, CC). É possível, ainda, no caso do testamento
cerrado, que a cédula seja escrita por outra pessoa, a pedido do testador (art. 1.868,
CC). Obviamente, o escrito deve observar estritamente a vontade livre e consciente do
testador. Também o testador surdo que não puder ler será auxiliado por terceiro, que
lerá o testamento público, em seu lugar, perante as testemunhas (art. 1.866, CC).”

“Segundo o art. 1.865 do CC, quando o testador não souber ou não puder assinar (v.g.,
por estar com o braço fraturado), o tabelião ou substituto legal fará menção de tal
circunstância no ato e providenciará que uma das testemunhas instrumentárias assine a
rogo, ou seja, a pedido do testador.”

“Ao contrário do que sucede com o testamento feito por quem não sabe ou não pode
assinar, em que uma terceira pessoa, diversa das testemunhas, deve ler o ato, o
testamento feito pelo cego deverá ser lido por uma das testemunhas instrumentárias,
escolhida pelo testador.”

Tartuce: Superado tal aspecto, se o testador não souber, ou não puder assinar, o
tabelião ou seu substituto legal assim o declarará, assinando, neste caso, pelo
testador, e, a seu rogo (pedido), uma das testemunhas instrumentárias (art. 1.865 do
CC)

Impedimentos não há que o funcionário do cartório, testamenteiro nomeado, parentes


afins do testador, representantes das pessoas jurídicas atuem como testemunhas
testamentárias, suas participações não viciam o testamento, uma vez que as
incompatibilidade não se aplicam em situações que não estejam legalmente previstas.

# DA PROVA: CONFISSÃO.
[TJCE]. O que significa confissão?
A confissão é um meio de prova. Materialmente, tem natureza jurídica de ato jurídico
em sentido estrito. Trata-se de um acontecimento emanado da vontade humana –
livre e desembaraçada – que tende a produzir os efeitos desejados e previstos em lei.

Confissão é o ato realizado, em juízo ou fora dele, pelo titular de um direito,


admitindo a veracidade de um fato ou situação contrária ao seu interesse, em tese
favorável a outrem.

A confissão tem sempre por objeto fatos que interessam ao mundo jurídico, não
direitos; somente se a admite quando se tratar de direitos disponíveis.

São requisitos da confissão:

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 Disponibilidade do direito;
 Declaração de vontade do confitente, livre, consciente e desembaraçada;
 Inexigibilidade de forma especial para a prova do fato que se confessa;
 Capacidade civil, genérica e especial: a especial se trata da titularidade do
direito substantivo que se confessa.

A confissão pode ser expressa ou presumida (ficta), espontânea ou provocada.

[TJCE]. Só parte pode confessar?


O CC/02 permite confissão pelo representante, limitada, porém, à extensão dos
poderes conferidos pelo mandato. A confissão promovida sem poderes para tanto é
ineficaz como ato jurídico, mas poderá ser posteriormente ratificada pelo titular do
direito.

[TJCE]. Confissão e reconhecimento jurídico do pedido são a mesma coisa?


A confissão é um ato jurídico em sentido estrito, enquanto o reconhecimento é um
negócio jurídico unilateral. Ela tem por objetivo um fato e dispensa sua prova,
gerando presunção de veracidade. Já este tem por objeto o pedido da outra parte e
por efeito a resolução do mérito da causa por autocomposição. É errado definir o
reconhecimento jurídico do pedido como ato que só pode emanar do réu ou seus
litisconsortes, já que nas ações dúplices poderá o autor reconhecer o pedido da parte
contrária, assim como nas ações declaratórias incidentais.

A confissão está limitada aos fatos. Se a parte concorda com os fatos e com o direito
alegado pela parte contrária ocorre o reconhecimento jurídico do pedido e não a
confissão. O reconhecimento jurídico do pedido é homologado, acaba com o
processo (artigo 269, II do CPC), enquanto a confissão é um mero substrato para o
juiz decidir o processo.

[TJCE]. O juiz pode julgar contrariamente à confissão?


O valor probante da confissão é relativo, submetendo-se ao livre convencimento do
juiz. De acordo com STJ, a confissão é mero meio de prova a ser analisado pelo juiz
diante do contexto probatório colacionado aos autos, não implicando presunção
absoluta de veracidade dos fatos.

[TJCE]. O confitente pode se beneficiar do próprio ato?


A confissão judicial faz prova contra o confitente, não prejudicando, todavia, os
litisconsortes. Entretanto, pelo princípio da comunhão da prova, a confissão será
valorada pelo juiz, destinatário direto da mesma, e poderá servir de base para a
formação de seu convencimento, sendo ilógico admitir a possibilidade de o juiz
considerar que o fato confessado ocorreu para o confitente e não ocorreu para os
demais.

NAS AÇÕES QUE VERSAREM SOBRE BENS IMÓVEIS OU DIREITOS SOBRE


IMÓVEIS ALHEIOS, A CONFISSÃO DE UM CÔNJUGE NÃO VALERÁ SEM A
DO OUTRO, SALVO SE O REGIME DE BENS FOR DE SEPARAÇÃO TOTAL
OU PARTICIPAÇÃO FINAL NOS AQUESTOS.

[TJCE]. A confissão pode ser anulada?


A confissão é irrevogável. A revogação é ato unilateral e potestativo da parte,
independente de autorização.

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Porém, o CC/02, no art. 214, admite a sua invalidação quando maculada por vício de
consentimento, violando a liberdade da parte. A anulação se dá sempre
judicialmente:

 Por ação rescisória: após o trânsito em julgado da decisão;


 Por ação anulatória: se não houve trânsito em julgado ou se a confissão foi
extrajudicial.

A anulação da confissão só é possível com base no erro de fato e na coação, sendo


inviável quando houver erro de direito ou dolo do confitente.

6. Do direito das obrigações. Das modalidades das obrigações. Da


transmissão das obrigações. Do adimplemento e extinção das
obrigações. Do inadimplemento das obrigações

# MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES: OBRIGAÇÃO DE FAZER E DE NÃO FAZER.


[TJCE]. A obrigação personalíssima dispõe de uma tutela específica?
Dispõe da tutela específica processual do artigo 461, CPC – cumprimento forçado da
obrigação (inadimplemento com culpa do devedor).

Se não houver culpa, a obrigação se extingue sem perdas e danos.

[TJCE]. Descumprida a obrigação de fazer pode o credor, por si, resolver?


Sim. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor manda-lo
executar a custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da
indenização cabível.

Em caso de urgência, poderá o credor, independentemente de autorização judicial,


executar ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido.

# MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES: OBRIGAÇÕES SOLIDÁRIAS


[TJCE]. Ocorrendo perdas e danos permanece a obrigação solidária?
Se a obrigação é convertida em perdas e danos, a solidariedade persiste, pois emana
da lei ou da vontade das partes (artigos 265 e 271).

[TJCE]. Em relação aos herdeiros do credor, interrompendo em relação a um dos


demais, os outros se beneficiam?
Se houve solidariedade passiva, a interrupção da prescrição promovida pelo credor
contra um devedor solidário se estende aos demais e aos seus herdeiros.

Art. 277. O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida
não aproveitam aos outros devedores, senão até à concorrência da quantia paga ou
relevada.

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[TJCE]. Interrompida a prescrição contra um dos devedores, fica estendida aos


demais?
R: Conforme art. 204, 2ª parte, CC/02: (...); semelhantemente, a interrupção operada
contra o co-devedor, ou seu herdeiro, não prejudica aos demais coobrigados.

2o A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica


os outros herdeiros ou devedores, senão quando se trate de obrigações e direitos
indivisíveis.

§ 3o A interrupção produzida contra o principal devedor prejudica o fiador.

[TJCE]. Ajuizada ação de cobrança, pode o credor ajuizar outra ação contra outro
devedor?
R: Neste caso, deve-se analisa se a obrigação é ou não solidária.

Se não for solidária, permite-se a ação, conforme o art. 204, CC/02:

“A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros; semelhantemente,


a interrupção operada contra o co-devedor, ou seu herdeiro, não prejudica aos demais
coobrigados.”

Já se a obrigação envolvida for solidária, não se pode ajuizar outra ação: “§ 1o A


interrupção por um dos credores solidários aproveita aos outros; assim como a
interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros.”

[TJCE]. Demandado um devedor, ele pode alegar oposição de outros devedores?


Art. 281, CC/02: “O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem
pessoais e as comuns a todos; não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro
codevedor”.

# MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES: OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS.


[TJCE]. O que se entende por uma obrigação divisível e indivisível?
As obrigações divisíveis são aquelas que admitem o cumprimento fracionado ou
parcial da prestação; as indivisíveis, por sua vez, só podem ser cumpridas por inteiro.

A divisibilidade ou indivisibilidade das obrigações só oferecerão interesse jurídico


havendo pluralidade de credores ou de devedores. Havendo unidade, as obrigações
são, em regra, indivisíveis, porque nem o credor é obrigado a receber pagamentos
parciais, nem o devedor a fazê-los, se outra coisa foi negociada.

Art. 257, CC/02. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação


divisível, esta presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os
credores ou devedores.

Art. 258, CC/02. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa
ou um fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica,
ou dada a razão determinante do negócio jurídico.

[TJCE]. Obrigação divisível é diferente de obrigação solidária?

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As obrigações solidárias e indivisíveis têm consequências práticas semelhantes, mas


são obrigações diferentes, vejamos:

- a obrigação indivisível é impossível pagar por partes, pois resulta da natureza da


prestação (ex: cavalo, lote urbano, diamante, barco, fazer um quadro, etc). Já a
obrigação solidária até poderia ser paga por partes, mas por força de contrato não
pode, tratando-se de uma garantia para favorecer o credor. Na solidariedade cada
devedor deve tudo, na indivisibilidade cada devedor só deve uma parte, mas tem que
pagar tudo diante da natureza da prestação. Pelas suas características a solidariedade
não se presume, decorre de contrato ou da lei (265). Exemplo de solidariedade
decorrente de lei é a patroa que responde pelos danos causados a terceiros por sua
empregada doméstica (932, III, 942 e pú).

- pode haver obrigação solidária de coisa divisível (ex: dinheiro), de modo que todos
os devedores vão responder integralmente pela dívida, mesmo sendo coisa divisível.
Tal solidariedade nas coisas divisíveis serve para reforçar o vínculo e facilitar a
cobrança pelo credor.

- o devedor a vários credores de coisa indivisível precisa pagar a todos os credores


juntos (260, I), mas o devedor a vários credores solidários se desobriga pagando a
qualquer deles (269).

- se a coisa devida em obrigação solidária perece, converte-se em perdas e danos,


torna-se divisível, mas permanece a solidariedade (271 e 279). Se a coisa devida em
obrigação indivisível perece, converte-se em perdas e danos e os co-devedores
deixam de ser responsáveis pelo todo (263).

- o devedor de obrigação solidária que paga sozinho a dívida ao credor, vai cobrar
dos demais co-devedores a quota de cada um, sem solidariedade que não se presume
(265 e 283). Então A, B e C devem solidariamente dinheiro a D. Se A pagar a dívida
toda ao credor, A vai cobrar a quota de B e C sem solidariedade entre B e C.

[TJCE]. Quanto à obrigação indivisível: Pode haver litisconsórcio necessário?


Art. 47, CPC. Há litisconsórcio necessário, quando, por disposição de lei ou pela
natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir a lide de modo uniforme para todas
as partes; caso em que a eficácia da sentença dependerá da citação de todos os
litisconsortes no processo.

Parágrafo único. O juiz ordenará ao autor que promova a citação de todos os


litisconsortes necessários, dentro do prazo que assinar, sob pena de declarar extinto o
processo.

Daniel Assunção aponta que a obrigatoriedade da formação do litisconsórcio pode


decorrer de expressa determinação legal ou da natureza indivisível da relação de
direito material, em vista do que pode se enquadrar na hipótese a obrigação
indivisível.

[TJCE]. O devedor pode pagar a um só?


Art. 261, CC/02. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um dos
outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total.

[TJCE]. Perdas e danos extinguem?

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Art. 263, CC/02. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas
e danos.

[TJCE]. A suspensão da prescrição em relação a um aplica-se em relação aos outros?


Art. 201, CPC. Suspensa a prescrição em favor de um dos credores solidários, só
aproveitam os outros se a obrigação for indivisível.

[TJCE]. Na obrigação indivisível o credor pode cobrar de um dos devedores a


dívida toda?
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será
obrigado pela dívida toda.

[TJCE]. Quando a obrigação for divisível será possível cobrar a dívida toda de um
devedor apenas?
Art. 257. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível,
esta presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou
devedores.

[TJCE]. Há obrigação indivisível em razão da natureza econômica?


Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um
fato não suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou
dada a razão determinante do negócio jurídico.

# DA TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES


[TJCE]. Quais são os modos de transmissão de obrigação?
R: As obrigações podem ser transmitidas por cessão de crédito ou cessão de débito
ou assunção de dívidas.

[TJCE]. O que é expromissão?


R: Ocorre no caso da assunção de dívida, no caso em que terceira pessoa assume
espontaneamente o débito da outra, sendo que o devedor originário não toma
parte nessa operação. Essa forma de assunção pode ser: liberatória, quando o devedor
primitivo se exonera da obrigação; e cumulativa, quando o expromitente entra na
relação como novo devedor, ao lado do devedor primitivo.

[TJCE]. A cessão de crédito é sempre possível ou necessita do consentimento do


devedor?
R: A cessão independe da anuência do devedor (cedido), que não precisa consentir
com a transmissão.

Vale lembrar a regra do Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se
opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula
proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar
do instrumento da obrigação.

[TJCE]. Crédito com garantia hipotecária, uma vez cedida, a garantia acompanha?
Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangem-se todos os
seus acessórios.

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[TJCE]. O cessionário que adquire um crédito com essa garantia, o que ele tem que
fazer?
Art. 289. O cessionário de crédito hipotecário tem o direito de fazer averbar a cessão no
registro do imóvel.

[TJCE]. O crédito penhorado pode ser cedido?


Art. 298. O crédito, uma vez penhorado, não pode mais ser transferido pelo credor que
tiver conhecimento da penhora; mas o devedor que o pagar, não tendo notificação dela,
fica exonerado, subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiro.

[TJCE]. Quais as modalidades para transmitir obrigações?


- Conforme lembra Maria Helena Diniz, a obrigação não traz um vínculo imóvel,
uma vez que “a transmissão da obrigação é uma conquista do direito moderno,
representando uma sucessão ativa, se em relação ao credor, ou passiva, se atinente
ao devedor, que não altera, de modo algum, a substância da relação jurídica, que
permanecerá intacta, pois impõe que o novo sujeito (cessionário) derive do sujeito
primitivo (cedente) a relação jurídica transmitida” (Curso..., 2002, p. 410). Sendo
muito comum a sua ocorrência no meio social, principalmente em casos envolvendo
transações empresariais, não se pode afastar a importância prática do tema.

Assim, o Direito Civil Brasileiro admite três formas de transmissão das obrigações:
a) Cessão de crédito. b) Cessão de débito. c) Cessão de contrato, em que crédito e
débito são cedidos ao mesmo tempo

- A cessão de débito ou assunção de dívida é um negócio jurídico bilateral, pelo qual


o devedor, com a anuência do credor e de forma expressa ou tácita, transfere a um
terceiro a posição de sujeito passivo da relação obrigacional. Seu conceito pode ser
retirado também do art. 299 do CC, pelo qual “é facultado a terceiro assumir a
obrigação de devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado
o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor
ignorava”.

[TJCE]. O que seria expromição? Corresponde assunção de dívida? Há previsão


expressa para delegação? O cedente se responsabiliza pela solvência? Pagamento ao
credor primitivo? Crédito penhorado pode ser cedido? Havendo fiança? Existe
algum modo para resolver essas garantias?
Não se pode confundir a cessão de débito com a novação subjetiva passiva. Enquanto
na cessão de débito mantém-se a integridade da relação obrigacional, isso não ocorre
na novação subjetiva, situação em que uma dívida é substituída por outra. Porém, a
cessão de débito recebe a mesma classificação da novação subjetiva passiva, qual
seja:

a) Assunção por expromissão – é a situação em que terceira pessoa assume


espontaneamente o débito da outra, sendo que o devedor originário não toma parte
nessa operação. Essa forma de assunção pode ser: liberatória, quando o devedor
primitivo se exonera da obrigação; e cumulativa, quando o expromitente entra na
relação como novo devedor, ao lado do devedor primitivo, conforme tratamento dado
pelo já comentado Enunciado n. 16 do CJF/STJ (DINIZ, Maria Helena. Curso...,
2002, p. 424).

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b) Assunção por delegação – é a situação em que o devedor originário, denominado


delegante, transfere o débito a terceiro (delegatário), com anuência do credor
(delegado). Essa classificação é normalmente utilizada pela doutrina. Entretanto,
entendemos ser mais pertinente utilizá-la somente para a novação subjetiva passiva,
como era de costume antes do Código Civil de 2002. De qualquer forma, na prática,
podem tais expressões ser utilizadas tanto para a novação quanto para a assunção da
dívida.

- Note-se que a lei não admite a exoneração do devedor se o terceiro, a quem se


transmitiu a obrigação, era insolvente e o credor o ignorava. Não se exige, no caso,
a má-fé do cedente, bastando que o credor não saiba do estado de insolvência
preexistente à cessão de débito, para se restabelecer a obrigação do devedor
primitivo. Por isso, é de boa cautela dar ciência ao credor do estado de solvabilidade
do novo devedor.

- Não, somente o crédito hipotecado pode ser objeto de cessão por expressa previsão
legal. O adquirente de um imóvel hipotecado poderá assumir o débito garantido pelo
imóvel. Em tal hipótese, se o credor hipotecário, notificado, não impugnar em trinta
dias a cessão do débito, entender-se-á válido o assentimento. Trata-se de uma
exceção, admitida pela própria lei, à regra geral de que o credor deve anuir sempre
de forma expressa. Razões superiores, inclusive sociais — lembre-se do
constitucional direito à moradia —, aconselham, no caso, a assunção do débito,
podendo o cessionário (adquirente do imóvel) pagar a dívida, sub-rogando-se nos
direitos do credor em relação ao cedente (devedor original), consoante já estudamos
(art. 303 do CC-02).

- No caso das garantias e da fiança, o código civil assim trata: Art. 300. Salvo
assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da
assunção da dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor.
Art. 301. Se a substituição do devedor vier a ser anulada, restaura-se o débito, com
todas as suas garantias, salvo as garantias prestadas por terceiros, exceto se este
conhecia o vício que inquinava a obrigação.

[TJCE]. O que é repromissão?


A expromissão se revela como a substituição do devedor primitivo por terceiro,
independente do consentimento daquele, em virtude de novação subjetiva por
substituição do devedor (ou novação passiva - art. 363 do CC: Se o novo devedor for
insolvente, não tem o credor, que o aceitou, ação regressiva contra o primeiro, salvo
se este obteve por má-fé a substituição).

[TJCE]. O devedor primitivo precisar concordar?


Art. 362. A novação por substituição do devedor pode ser efetuada
independentemente de consentimento deste.

[TJCE]. Em que casos?


Makson

[TJCE]. Na cessão de créditos quem o devedor tem que pagar?


Ao cessionário (novo credor). No entanto, o art. 292 do CC estabelece que: “Art.
292. Fica desobrigado o devedor que, antes de ter conhecimento da cessão, paga
ao credor primitivo, ou que, no caso de mais de uma cessão notificada, paga ao

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cessionário que lhe apresenta, com o título de cessão, o da obrigação cedida;


quando o crédito constar de escritura pública, prevalecerá a prioridade da
notificação”.

Todavia, em sentido oposto, se, após ser devidamente notificado, pagar ao cedente,
o devedor não se desonerará da obrigação, posto que, quem paga mal, paga duas
vezes.

O artigo 292 em análise, ainda traz outra hipótese pela qual o cedido será
exonerado da obrigação, qual seja, no caso de mais de uma cessão notificada, paga
ao cessionário que lhe apresenta, com o título de cessão, o da obrigação cedida.
Isso quer dizer que, se o cedido receber mais de uma notificação e pagar ao
cessionário que lhe apresente o título comprobatório da obrigação, esse ficará
desonerado.

Flávio Tartuce, apresenta o seguinte conceito acerca da cessão de crédito:

A cessão de crédito pode ser conceituada como um negócio jurídico bilateral ou


sinalagmático, gratuito ou oneroso, pelo qual o credor, sujeito ativo de uma obrigação,
transfere a outrem, no todo ou em parte, a sua posição na relação obrigacional. Aquele
que realiza a cessão a outrem é denominado cedente. A pessoa que recebe o direito do
credor é o cessionário, enquanto o devedor é denominado cedido

[TJCE]. O cedente responde pela solvabilidade do devedor? Se quem assume a


dívida for insolvente?
Art. 296. Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do
devedor.

# DO ADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES: PAGAMENTO.


[TJCE]. O que quer dizer dívida quérable e portable?
A doutrina classifica as dívidas em quesível (querable) e portável (portable): nesta,
cabe ao devedor ir pagar no domicílio do credor, sob pena de juros e multa (= mora,
assunto do final do semestre, 395). Já na dívida querable cabe ao credor ir exigir o
pagamento no domicílio do devedor, a iniciativa é do credor, sob pena de mora do
credor (394, 400).

[TJCE]. O pagamento feito em local diferente do acordado?


Art. 330 do CC. O pagamento feito reiteradamente em outro local, faz presumir a
renúncia do credor quanto ao local acordado.

[TJCE]. O terceiro não interessado se sub-roga no direito do credor?


Art. 305 do CC. Se pagar em nome próprio, tem o direito de reembolsar-se do que pagar,
mas não se sub-roga no direito do credor.

[TJCE]. Se o fiador paga?


O fiador é terceiro interessado, portanto se sub-roga no direito do credor.

[TJCE]. Se o pai paga a dívida do filho é terceiro interessado?


O pai não é terceiro interessado pois o terceiro interessado tem um vinculo
obrigacional com o devedor, como o fiador, o pai, tem um vinculo social.

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[TJCE]. O pagamento tem que ser em dinheiro?


Não, o próprio Código Civil traz outras formas de pagamento, como a dação em
pagamento, a compensação e o pagamento em consignação.

# DO ADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES: COMPENSAÇÃO.


[TJCE]. Compensação o que é?
Quando duas pessoas são credoras e devedoras uma da outra, as duas obrigações se
extinguem, até onde se compensarem (art.368 do CC)

[TJCE]. Legal ou judicial?


A compensação legal é a que decorre do art. 368 e seguintes do CC.

A compensação judicial não recebe esse nome apenas por ser pronunciada por juiz.
A compensação convencional e legal também podem ser pronunciadas por juiz.
Ocorre que nesses casos (convencional e legal) o juiz apenas declara a compensação,
enquanto que na compensação judicial o juiz a constitui, mesmo não havendo a
liquidez dos créditos envolvidos.

[TJCE]. O juiz faz de ofício?


Para Pablo Stolze Gagliano, a provocação do interessado é necessária, não podendo
o juiz determinar a compensação legal de ofício. Em regra, ocorre como defesa
indireta de mérito, o que não deve ser reconhecido de ofício pelo juiz.

[TJCE]. O fiador pode alegar compensação? E os demais terceiros?


Art. 371 do CC. O devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe dever;
mas o fiador pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado.

[TJCE]. As coisas fungíveis são compensáveis entre si?


Art. 369. A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis.

[TJCE]. A causa da dívida traz impedimentos à compensação?


Art. 373. A diferença de causa nas dívidas não impede a compensação, exceto:

I - se provier de esbulho, furto ou roubo;

II - se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos;

III - se uma for de coisa não suscetível de penhora.

[TJCE]. Dívidas de alimentos?


Via de regra não pois elas fogem do caráter patrimonial privado.

[TJCE]. Dívidas ilíquidas?


Não, pois não se pode compensar o que não se sabe precisar o seu valor. Além do
que o próprio art. 369 do CC dispõe que as dívidas devem ser liquidas.

[TJCE]. Compensação como forma de extinção de uma obrigação?


É uma forma de extinção das obrigações, em que as partes são reciprocamente
credoras e devedoras uma da outra, extinguindo a obrigação até o ponto em que se
encontrarem (art.368, CC).

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Art. 368, CC/02. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra,
as duas obrigações extinguem-se, até onde se compensarem.

[TJCE]. Qual o limite para a extinção da obrigação? Até que limites se extinguem
as obrigações?
As obrigações se extinguem até onde se compensarem (art. 368, CC/02).

[TJCE]. Diferença entre compensação legal e compensação judicial?


Compensação legal é aquela em que, reunidos os requisitos de lei (art. 369, CC),
caberá ao juiz, uma vez provocado, declará-la. A compensação legal é a que mais
interessa ao Direito Civil, é uma defesa indireta de mérito do réu (o réu vai se
defender dizendo que está sendo cobrado, só que os requisitos da compensação legal
estão sendo observados, e por isso vai pedir que o juiz declare a compensação). O
juiz não deve conhecer a compensação legal de oficio, ele deve ser provocado (o réu
tem que apresentar/alegar a compensação legal em sua defesa).

Compensação judicial é aquela que se opera no próprio processo, por ato do juiz. Ex.:
art. 21 do CPC (a compensação judicial é uma compensação processual, ela se opera
por ato do juiz no trâmite do processo). Ex.: quando duas partes num processo são,
ao mesmo tempo, vencedor e vencida. Nesse caso, o juiz pode determinar a
compensação judicial do ônus e das despesas processuais Essa compensação judicial
interessa mais ao processo civil.

[TJCE]. Dívidas líquidas e ilíquidas na compensação?


É requisito da compensação legal a liquidez das dívidas. Portanto, estas devem ser
liquidas (valor determinado) e certas (existência certa).

Art. 369, CC/02. A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas
fungíveis.

[TJCE]. O prazo de favor obsta a compensação?


Art. 372. Os prazos de favor, embora consagrados pelo uso geral, não obstam a
compensação.

[TJCE]. Coisas fungíveis se compensam entre si/podem ser compensadas?


As dívidas passíveis de compensação legal devem ser homogêneas, fungíveis, devem
ter a mesma natureza. Para que se opere a compensação legal, as dividas tem que ter
a mesma natureza.

OBS.: O art. 370 do CC determina, para que haja compensação legal, que as
prestações devem ter a mesma natureza, inclusive quanto à qualidade. Ex.: Pablo tem
um crédito com Renata de 100 cabeças de gado nelore e ajuíza uma ação de cobrança
contra Renata. Renata tem um credito contra Pablo de 100 cabeças de gado holandês.
Na contestação, Renata não pode alegar a compensação dessas duas prestações.
Convencionalmente, à luz da autonomia privada, os requisitos da compensação legal
podem ser flexibilizados. Então nada impede que, por meio de um acordo, se
compense um crédito de gado bovino com gado holandês, um crédito de café com
um crédito de soja, mas para isso tem que ter acordo. Só compensa dívidas que não
seja da mesma natureza se houver acordo.

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Art. 369, CC/02. A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas
fungíveis.

Art. 370, CC/02. Embora sejam do mesmo gênero as coisas fungíveis, objeto das duas
prestações, não se compensarão, verificando-se que diferem na qualidade, quando
especificada no contrato.

[TJCE]. A parte pode escolher o que compensar?


Da Imputação do Pagamento

Art. 352, CC/02. A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um
só credor, tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento, se todos forem
líquidos e vencidos.

Art. 353, CC/02. Não tendo o devedor declarado em qual das dívidas líquidas e vencidas
quer imputar o pagamento, se aceitar a quitação de uma delas, não terá direito a
reclamar contra a imputação feita pelo credor, salvo provando haver ele cometido
violência ou dolo.

Art. 354, CC/02. Havendo capital e juros, o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros
vencidos, e depois no capital, salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a
quitação por conta do capital.

Art. 355, CC/02. Se o devedor não fizer a indicação do art. 352, e a quitação for omissa
quanto à imputação, esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se
as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo, a imputação far-se-á na
mais onerosa.

[TJCE]. É possível a compensação de um título com mais de um?


Sim, aplicando-se as regras de imputação do pagamento.

Art. 379. Sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis, serão
observadas, no compensá-las, as regras estabelecidas quanto à imputação do
pagamento.

[TJCE]. Onde estão previstas essas regras?


CC/02.

# DO ADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES: DO PAGAMENTO EM CONSIGNAÇÃO.


[TJCE]. O que é pagamento em consignação e quais os seus requisitos de validade?
De acordo com Maria Helena Diniz, o pagamento e consignação é o meio indireto
do devedor exonerar-se do liame obrigacional, consistente no deposito em juízo ou
em estabelecimento bancário de coisa devida, nos casos e formas legais.

Seus requisitos de validade são: Art. 336. Para que a consignação tenha força de
pagamento, será mister concorram, em relação às pessoas, ao objeto, modo e tempo,
todos os requisitos sem os quais não é válido o pagamento.

[TJCE]. A partir de que momento cessa os juros?


Concretizado o deposito da quantia ou coisa devida, estará o devedor desobrigado
dos juros, se a ação ao final for julgada procedente.

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[TJCE]. O credor pode levantar esse dinheiro se for julgado improcedente?


Sim, inexiste óbice que o credor levante o dinheiro se a consignação em pagamento
foi julgada improcedente e os valores são incontroversos.

[TJCE]. O deposito pode ser em qualquer banco?


O depósito pode ser feito em qualquer estabelecimento da rede bancária do País, pois
o texto legal deve assim ser entendido: “em estabelecimento bancário, oficial onde
houver, situado...”. Nas localidades onde não houver, pode ser efetuado em qualquer
banco privado”.

[TJCE]. Quem paga as despesas do contrato na consignação (transporte do bem a


outro lugar) em casos de duvida a quem pagar?
Se julgada procedente : Credor

Se julgada improcedente : Devedor

Artigo 343-C.C.

Art. 343. As despesas com o depósito, quando julgado procedente, correrão à conta do
credor, e, no caso contrário, à conta do devedor.

[TJCE]. O terceiro interessado e não interessado pode promover a consignação?


Sim, pois a consignação em pagamento é uma forma de pagamento, seguindo as
mesmas regras para pagamento de interessado e não interessado, mas tanto um como
o outro podem fazer a consignação.

# INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES: ARRAS.


[TJCE]. O que são arras? Cabe em qualquer contrato?
Também denominadas de sinal, tratam-se as arras de uma disposição convencional
pela qual uma das partes entrega à outra bem móvel (geralmente dinheiro) em
garantia de uma obrigação pactuada. É o bem móvel que uma parte entrega à outra
em garantia. São cabíveis em contratos bilaterais, onerosos.

[TJCE]. Qual a diferença de arras confirmatórias e penitenciais?


As arras confirmatórias são aquelas que, quando prestadas, marcam o início da
execução do contrato, firmando a obrigação pactuada, de maneira a não permitir
direito de arrependimento. Por não permitir o direito de arrependimento, cabe
indenização suplementar, valendo as arras como taxa mínima.

Art. 417. Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der à outra, a título de
arras, dinheiro ou outro bem móvel, deverão as arras, em caso de execução, ser
restituídas ou computadas na prestação devida, se do mesmo gênero da principal.

Art. 418. Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por
desfeito, retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu
haver o contrato por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização
monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de
advogado.

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Art. 419. A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo,
valendo as arras como taxa mínima.

Pode, também, a parte inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e danos,
valendo as arras como o mínimo da indenização. As arras penitenciais, quando
estipuladas, garantem o direito de arrependimento e possuem um condão unicamente
indenizatório. Nas arras penitenciais, exercido o direito de arrependimento, não
haverá direito a indenização suplementar.

Art. 420. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das
partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu
perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o
equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar.

Súmula 412/STF. No compromisso de compra e venda com cláusula de arrependimento,


a devolução do sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dobro, por quem o recebeu,
exclui indenização maior, a título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os
encargos do processo.

[TJCE]. Se existir cláusula de imediatibilidade, as arras podem ser abatidas?


Se o contrato é regularmente cumprido e concluído pelas partes, as arras podem ser
devolvidas, ou abatidas do valor a pagar no contrato, conforme o que tenha sido
estipulado pelos interessados.

7. Dos contratos em geral. Das várias espécies de contrato. Dos atos


unilaterais.

# CONTRATOS: RESOLUÇÃO, RESCISÃO E RESILIÇÃO DOS CONTRATOS.


[TJCE]. O que é resolução, resilição e rescisão do contrato?
Resolução é o meio de dissolução do contrato em caso de inadimplemento culposo
ou fortuito. Quando há descumprimento do contrato, ele deve ser tecnicamente
resolvido.

Rescisão é uma palavra com plurissignificados, podendo inclusive ter o significado


de resolução em caso de inadimplemento. Há também o sentido de ser a extinção do
contrato em caso de nulidade (lesão ou estado de perigo).

Resilição é o desfazimento de um contrato por simples manifestação de vontade, de


uma ou de ambas as partes. Ressalte-se que não pode ser confundido com
descumprimento ou inadimplemento, pois na resilição as partes apenas não querem
mais prosseguir. A resilição pode ser bilateral (distrato, art. 472 , CC) ou unilateral
(denúncia, art. 473 , CC).

[TJCE]. O que é resolução por onerosidade excessiva? Caberia culpa?


De acordo com a teoria da imprevisão, a onerosidade excessiva caracteriza-se diante
da ocorrência de fato superveniente à celebração do contrato, imprevisível e
extraordinário para as partes, tornando a obrigação extremamente onerosa para uma
delas ao mesmo tempo em que há um ganho exagerado para a outra.

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A teoria tem aplicabilidade quando uma situação nova e extraordinária aparece no


curso da execução de um contrato, colocando um dos contratantes em extrema
dificuldade. Diante dessa situação, o vínculo contratual poderia ser revisto ou
resolvido.

Quer dizer que o contrato é celebrado dentro de uma situação fática determinada, a
partir da qual é ajustado, de acordo com a vontade das partes. Desse modo, se essa
situação fática se altera profundamente, sem que haja culpa de qualquer das partes e
se se tratar de contrato cujas prestações sejam continuadas ou diferidas, então a base
inicial do negocio desapareceria, ensejando assim, dependendo do caso, sua alteração
ou resolução.

Assim, o artigo 478 estabelece o conceito e os pressupostos da teoria.

A) Contrato de execução continuada ou diferida;

B) Fato superveniente;

C) Acontecimento extraordinário e imprevisível;

D) Onerosidade excessiva da prestação de uma das partes;

E) Vantagem extrema para outra parte.

[TJCE]. Na rescisão há culpa de alguma das partes?


Rescisão comporta dois sentidos:

- TEORIA CLÁSSICA (FRANCESCO MESSINEO): opera-se quando houver


LESÃO ou ESTADO DE PERIGO.

- TEORIA PRAGMÁTICA (jurisprudência brasileira): mesmo sentido de resolução.

Vislumbra-se culpa de uma das partes na hipótese de resolução por inadimplemento,


por exemplo.

[TJCE]. Quem pode pedir judicialmente a rescisão?


Terá interesse em pedir judicialmente a rescisão a parte prejudicada pela culpa da
outra parte ou pela lesão/estado de perigo.

[TJCE]. O que é resilição bilateral?


A resilição ocorre quando a extinção se dá por vontade de um ou de ambos os
contratantes. Pode assumir a forma de DISTRATO quando todas as partes que
firmaram o contrato estão de acordo em extingui-lo (resolução bilateral). O distrato,
então, é fruto de um consenso, como de resto, também é o próprio contrato. O Código
Civil informa que o distrato deve ser feito pela forma exigida para o contrato (art.
472). Assim, se a fiança exige forma escrita, o distrato deve ser feito por escrito (art.
819). Também, se a compra e venda de imóveis cujo valor supere a soma de 30
salários mínimo só vale por instrumento público (art. 108), deve o distrato assumir
tal forma. Contrario sensu, se o contrato não tem forma prescrita em lei como
elemento de sua validade, o distrato pode assumir forma livre.

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[TJCE]. Um contrato celebrado por escritura pública deve obedecer paralelismo de


forma?
O Código Civil informa que o distrato deve ser feito pela forma exigida para o
contrato (art. 472). Assim, se a fiança exige forma escrita, o distrato deve ser feito
por escrito (art. 819). Também, se a compra e venda de imóveis cujo valor supere a
soma de 30 salários mínimo só vale por instrumento público (art. 108), deve o distrato
assumir tal forma. Contrario sensu, se o contrato não tem forma prescrita em lei
como elemento de sua validade, o distrato pode assumir forma livre.

Art. 472. O distrato faz-se pela mesma forma exigida para o contrato.

[TJCE]. Quem vai aferir a conveniência da proposta de resolução do contrato?


Art. 475, CC/02. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato,
se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização
por perdas e danos.

# VÍCIO REDIBITÓRIO.
[TJCE]. Vício Redibitório: o vício é oculto ou aparente? Sujeita-se a decadência?
Vícios redibitórios são defeitos estruturais em uma coisa adquirida onerosamente,
tornando-a imprópria para o uso ou diminuindo o seu valor econômico. São defeitos
que retiram o valor econômico ou afetam a natureza de um bem adquirido
onerosamente. O CC/02 estabelece alguns requisitos para o reconhecimento dos
vícios redibitórios: [TJCE]. Onerosidade do contrato: só há vício redibitório em se
tratando de contrato oneroso.

Existem DUAS EXCEÇÕES a esta regra:

i) doação para fins de casamento;

ii) doação remuneratória (contraprestação voluntária para uma


obrigação que não teria exigibilidade; ex.: guardador de carros).

1. Existência de um defeito que torna a coisa imprópria para o uso ou subtrai o seu
valor econômico.

2. Existência do defeito ao tempo da tradição: o defeito deve existir no momento em


que a coisa foi efetivamente entregue.

3. Descoberta do defeito após a tradição: o defeito deve existir no momento da


tradição, mas a sua descoberta deve ser posterior, superveniente; deve ser, portanto,
um DEFEITO OCULTO. Isso significa que defeito visível, aparente, não caracteriza
vício redibitório.

4. Inexistência de cláusula excludente da garantia: o CC/02 permite que as partes,


por cláusula expressa, excluam a garantia dos vícios redibitórios. Lembre-se que essa
cláusula é NULA nos contratos de consumo ou de adesão. Somente os contratos
paritários a admitem.

5. Reclamação do vício, por meio das ações edilícias. Sujeita-se à decadência. Prazos
decadenciais para a propositura de ações edilícias.

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Vício redibitório de fácil constatação: prazo contado da tradição (entrega da coisa):

Bem móvel: 30 dias;

Bem imóvel: 01 ano.

Vício redibitório de difícil constatação: prazo contado da descoberta do vício:

Bem móvel: 180 dias;

Bem imóvel: 01 ano.

Vício redibitório sobre animais: o prazo será previsto em lei especial (federal), que
ainda não foi editada. Como essa lei ainda não foi editada, o prazo será o dos usos e
costumes do lugar, e, não havendo usos e costumes, o prazo será o de difícil
constatação (180 dias, contados da descoberta do vício).

Ressalte-se que, no caso de animal comprado em pet shop, aplicam-se os prazos do


CDC, por se tratar de uma relação de consumo.

[TJCE]. Qual a natureza da ação redibitória?


A ação redibitória possui natureza constitutiva negativa, o prazo estipulado no
art.445 do CC é de natureza decadencial. Ações Edilícias são ações que têm por
objetivo a reclamação de vícios redibitórios. Podem ser de quatro tipos (sendo que
uma se aplica apenas aos contratos de consumo ou de adesão):

a) Ação redibitória: visa à rejeição da coisa viciada. Tem por objetivo


resolver o contrato.

b) Ação estimatória (ou quanti minoris): visa ao abatimento do preço. O


adquirente quer ficar com a coisa, mas com uma redução do seu preço.

c) Ação ex empto: visa à complementação de área quando,


especificamente, o vício redibitório for de falta de medida (de extensão).
Aplica-se somente aos NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS.

d) Ação de substituição de produto ou serviço: cabível tão somente nos


contratos de consumo ou de adesão.

[TJCE]. Cabe alegação de vício redibitório em contrato de doação?


É possível em duas situações: i) doação para fins de casamento; ii) doação
remuneratória (contraprestação voluntária para uma obrigação que não teria
exigibilidade; ex.: guardador de carros).

[TJCE]. Qual o prazo para alegação de vício redibitório em coisa móvel? E em


imóveis?
 Bem móvel: 30 dias
 Bem imóvel: 01 ano

Vício redibitório de difícil constatação: prazo contado da descoberta do vício:

 Bem móvel: 180 dias;

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 Bem imóvel: 01 ano.

# DAS DIVERSAS ESPÉCIES DE CONTRATO: FIANÇA.


[TJCE]. O que é fiança? Qual o tipo de garantia? Porque a fiança se diz fidejussória?
A fiança é uma espécie de contrato, necessariamente escrito (art. 819 do CC), no
qual uma pessoa, o fiador, garante com seu patrimônio a satisfação de um credor,
caso o devedor principal não solva a obrigação no seu vencimento (art. 818 do CC).
Trata-se de verdadeira garantia pessoal ou fidejussória lastreada pela confiança
existente entre as partes, embora seja o patrimônio do terceiro que garanta o
pagamento do débito. Neste aspecto se difere da garantia real, que vincula
determinado bem de propriedade do devedor ao cumprimento da obrigação.

[TJCE]. O que é beneficio de ordem?


Um dos principais efeitos decorrentes do contrato de fiança é o benefício de ordem
ou benefício de excussão. Este benefício configura-se no direito de requerer que
primeiramente sejam alcançados os bens do devedor para, posteriormente, atingir os
do fiador. Ou seja configura a possibilidade de o fiador, quando demandado, indicar
os bens livres e desembaraçados do devedor para que sejam excutidos antes dos seus.
No entanto, só poderá requerer tal benefício quanto aos bens existentes antes da
contestação e desde que estes sejam suficientes para saldar a dívida. Sua finalidade é
justamente permitir que o fiador resguarde seus bens de eventuais constrições, dada
a própria natureza acessória e subsidiária de sua obrigação. O artigo 828, do Código
Civil, por sua vez, estabelece que "não aproveita este benefício ao fiador: I - se ele o
renunciou expressamente; II - se se obrigou como principal pagador, ou devedor
solidário; III - se o devedor for insolvente, ou falido".

[TJCE]. E o benefício de divisão?


Outro benefício oferecido ao fiador é o da divisão, conforme alude o artigo 829, do
CC, ao prever que "a fiança conjuntamente prestada a um só débito por mais de uma
pessoa importa o compromisso de solidariedade entre elas, se declaradamente não se
reservarem o benefício de divisão". O parágrafo único deste mesmo artigo institui
que "estipulado este benefício, cada fiador responde unicamente pela parte que, em
proporção, lhe couber no pagamento". Percebe-se que a finalidade do instituto é
justamente evitar a solidariedade entre os cofiadores que garantirem uma mesma
obrigação, respondendo, caso façam a opção pelo beneficio, cada um
proporcionalmente pela parte que lhe couber no pagamento.

[TJCE]. Algum deles é presumido?


Apenas o beneficio de ordem será presumido, uma vez que a própria lei o admite
como eficaz independentemente de qualquer manifestação de vontade do fiador neste
sentido. Apenas se houver renúncia expressa é que tal benefício será afastado (art.
828, inc I do CC). O benefício de divisão, por outro lado, exige a expressa
manifestação do fiador para surtir efeitos, ou seja, trata-se de instituto, neste aspecto,
diametralmente oposto ao benefício de ordem, uma vez que a lei exige a expressa
declaração do fiador para se usufruir dos efeitos da divisão, evitando-se a
solidariedade entre fiadores.

[TJCE]. Quais são as hipóteses de exclusão? Se cair em insolvência?

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Dispõe o artigo 839, do CC, que se por negligência do credor, após ter sido requerido o
benefício de ordem, o devedor principal se tornar insolvente, os bens do fiador não
responderão por tal débito, ficando, por consequência, exonerado do encargo. Para ocorrer
tal exoneração, deve-se demonstrar que, ao tempo da penhora, os bens indicados pelo fiador
eram suficientes para a satisfação da dívida. Noutras palavras, se o fiador, valendo-se do
beneficio de ordem, indicar bens do devedor principal para quitação do débito e retardando-
se a execução, estes bens indicados forem dissipados, tornando o devedor principal
insolvente, o fiador restará exonerado da obrigação, vez que cumpriu seu dever de indicar
bens que se fossem excutidos oportunamente, ou seja, no momento em que indicados pelo
fiador, seriam aptos a adimplir integralmente a obrigação.

[TJCE]. Quem são as partes no contrato de fiança?


Nos termos do art. 818 e seguintes do CC, o contrato de fiança é firmado entre o
credor da obrigação principal no polo ativo e o fiador no polo passivo. Não há no
contrato de fiança a participação do devedor principal, não obstante sua natureza
jurídica, segundo prevalece na doutrina, ser acessória e subsidiária, dependendo e
seguindo, em regra, a sorte do contrato principal.

[TJCE]. Pode ser realizado contra a vontade?


(creio que o examinador tenha intentado saber se o contrato de fiança necessita da anuência do
devedor principal - João Eduardo)

A fiança pode ser estipulada ainda que sem o consentimento do devedor principal ou
mesmo contra a sua vontade, segundo expressa dicção legal (art. 820 do CC).

[TJCE]. Pode ser superior ao valor garantido?


Nos termos do art. 823 do CC, a fiança pode ser de valor inferior ao da obrigação
principal e contraída em condições menos onerosas, no entanto, quando exceder o
valor da dívida, ou for mais onerosa que ela, não valerá senão até ao limite da
obrigação afiançada.

[TJCE]. Fiança de negócio simulado é possível?


Segundo o art. 167 do CC, a simulação é causa de nulidade contratual. Assim,
considerando o caráter acessório da fiança, uma vez configurada a nulidade do
contrato principal a fiança desaparecerá, a não ser que esta nulidade decorra da
incapacidade pessoal do devedor, salvo nos casos de mútuo feito à menor (art. 824
do CC). Ou seja, se a nulidade resultar apenas de incapacidade pessoal do devedor,
a fiança persiste. Exceção da exceção fica por conta do mútuo feito a menor que
seguindo a regra principal é insuscetível de fiança.

[TJCE]. Como se dá a fiança entre pessoas casadas com separação final nos
aquestos?
Nos termos do art. 1647, inc III do CC, a outorga conjugal é necessária para se prestar
fiança nos regimes da comunhão parcial de bens, da comunhão universal de bens e
da participação final nos aquestos. O dispositivo legal apenas descarta tal exigência
para o regime de separação absoluta de bens. Por outro lado, o art. 1.656 do CC
estabelece uma exceção especifica do regime de participação final nos aqüestos,
determinando que no pacto antenupcial poder-se-á convencionar a livre disposição
dos bens imóveis, desde que particulares.

# DAS DIVERSAS ESPÉCIES DE CONTRATO: TRANSAÇÃO.

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# Hoje se pode dizer que a transação é um contrato?


Divergem os autores sobre a natureza jurídica da transação. Entendem uns ter
natureza contratual; outros, porém, consideram-na meio de extinção de obrigações,
não podendo ser equiparada a um contrato, que tem por fim gerar obrigações. Aliás,
o Código Civil de 1916 tratou a transação como meio de extinção de obrigações.

A polêmica, porém, está superada com o Código Civil de 2002, que, reconhecendo a
natureza contratual da transação, retira-a do elenco dos meios indiretos de pagamento
para incluí-la no título dedicado às “varias espécies de contratos”.

Portanto, trata-se de contrato bilateral, oneroso, consensual e comutativo (Flávio


Tartuce e Pablo Stolze).

# O que significa dizer que a transação é indivisível?


Importante característica da transação é a indivisibilidade. Deva ela formar um só
todo, sem fracionar-se, mesmo abrangendo os vários aspectos do negócio.

Em decorrência da indivisibilidade adotada pelo Código Civil no art. 848, sendo nula
qualquer cláusula da transação, nula será toda ela.

Porém, prevê o parágrafo único do art. 848 que, na hipótese em que a transação versar
sobre direitos contestados e independentes entre si, o fato de não prevalecer em
relação a um não prejudicará os demais. Ou seja, a nulidade de um direito não pode
atingir outros havendo independência entre eles.

# Dê um exemplo em que uma nulidade não afetaria a transação?


Prevê o parágrafo único do art. 848 que, na hipótese em que a transação versar sobre
direitos contestados e independentes entre si, o fato de não prevalecer em relação a
um não prejudicará os demais. Ou seja, a nulidade de um direito não pode atingir
outros havendo independência entre eles.

Como exemplo, transação realizada sobre a propriedade de um terreno e a compra e


venda de um automóvel, negócios independentes entre si, ainda que este último
negócio venha a ser anulado por coação, a transação não seria afetada em relação à
propriedade do terreno.

#Defina transação.
A transação consiste no contrato pelo qual as partes pactuam a extinção de uma
obrigação por meio de concessões mútuas ou recíprocas, o que também pode ser
verificado de forma preventiva (Flávio Tartuce).

A transação é um negócio jurídico pelo qual os interessados, denominados


transigentes, previnem ou terminam um litígio, mediante concessões mútuas,
conceito este extraído da própria previsão legal do art. 840 do CC (Pablo Stolze e
Rodolfo Pamplona).

Constitui negócio jurídico bilateral, pelo qual as partes previnem ou terminam


relações jurídicas controvertidas, por meio de concessões mútuas (Carlos Roberto
Gonçalves).

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A transação é negócio jurídico bilateral, pelo qual as partes integrantes, fazendo-se


concessões mútuas, previnem ou extinguem obrigações litigiosas ou duvidosas
(Maria Helena Diniz).

# Quem pode transigir?


A pessoa maior e capaz poderá transigir. Entretanto, por importar em renúncia de
direitos, exige-se não somente a capacidade genérica para a vida civil, mas também
a legitimação para alienar, ou seja, a capacidade de disposição, por ser necessário
que o transigente (ou transator) a tenha, visto que a transação constitui modo especial
de extinção de dívidas, envolvendo renúncia de direitos.

# Os pais podem transigir sobre direitos dos filhos? O Ministério Público deve
participar?
Não tem capacidade para transigir os absoluta ou relativamente incapazes, salvo se
representados ou assistidos por seus representantes legais, devidamente autorizados
pelo juiz e com intervenção do Ministério Público, tendo em vista a regra do art. 82,
inciso I, do Código de Processo Civil.

Desse modo, os pais podem transigir sobre os direitos dos filhos, na condição de
representantes legais destes, sendo imprescindível a participação do Ministério
Público.

# Erro de direito pode ser arguido para anular transação? Dê exemplo de um erro
de direito na transação.
A transação não poderá ser anulada por erro de direito resultante da não aplicação da
lei por desconhecimento ou interpretação equivocada e relativo à questão que foi
objeto de controvérsia entre as partes. Apenas é anulável transação oriunda de erro
de fato, isto é, de vício do negócio na indicação a que refere a declaração de vontade.

Exemplo de erro de direito: locatário de imóvel comercial que celebra transação


sobre o valor do aluguel, mais oneroso, pois pensa que perdeu o prazo para a ação
renovatória. Sendo leigo no assunto, o locatário assim o fez para proteger o seu ponto
empresarial.

Exemplo de erro de fato: discussão entre os transigentes sobre a questão da


propriedade de uma obra de arte, que depois descobrem ser falsa.

* Resposta extraída do livro de Maria Helena Diniz.

# DO DIREITO DO PROMITENTE COMPRADOR.


[TJCE]. O promitente-comprador tem direito real?
A promessa de compra e venda configura-se em direito real, porque o adquirente tem
a utilização da coisa e pode dispor do direito mediante cessão. Desfruta, ainda,
da,sequela, podendo reivindicar a coisa em poder de quem quer que a detenha (Art.
1418, CC). Pode, também, opor-se à ação de terceiros que coloquem obstáculos ao
exercício do direito, havendo oponibilidade erga omnes. Por fim, trata-se de direito
real a aquisição de imóvel, conforme inteligência do art. 1417, CC.

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[TJCE]. Onde se dá o registro? Se não for registrado qual o efeito?Se o promitente-


vendedor se negar como será pleiteado o título? Será de adjudicação compulsória?
Pode ajuizar uma ação de obrigação de fazer?
O registro se dá no Cartório de Registro de Imóveis( Art. 1417, CC). Tal providência
só é necessária para a produção de efeitos no âmbito de terceiros, sendo que, na
ausência da mesma, o compromisso de compra e venda somente reverbera suas
consequências jurídicas entre as partes. Assim, o promitente-comprador ainda terá,
nas circunstâncias em debate, direito à adjudicação compulsória do imóvel perante o
promitente-vendedor no caso de negativa do mesmo em transferí-lo, conforme
orientação da Súmula 239 do Superior Tribunal de Justiça. não podendo, entretanto,
prejudicar os direitos de terceiros que entrementes hajam adquirido o imóvel e obtido
o devido registro, em seu nome, no ofício imobiliário. Por fim, possibilita-se ao
promitente-comprador não investido em direito real o ajuizamento de ação de
obrigação de fazer, conforme inteligência do art. 639 do CPC, cujos dizeres são: “se
aquele que se comprometeu a concluir um contrato não cumprir a obrigação, a outra
parte, sendo isso possível e não excluído pelo título, poderá obter uma sentença que
produza o mesmo efeito do contrato a ser firmado.”

[TJCE]. Se o promitente-vendedor vender o bem a terceira pessoa?


Caso esteja o compromisso de compra e venda de imóveis registrado no Cartório
com atribuições para tal, os seus efeitos atingirão terceiros(erga omnes)tendo o
promitente-comprador direito de sequela, ou seja, de perseguir o bem no domínio de
terceiros. Em caso de ausência de registro, não poderá prejudicar os direitos de
terceiros que entrementes hajam adquirido o imóvel e obtido o devido registro, em
seu nome, no ofício imobiliário.

[TJCE]. Se o promitente-comprador não pagar pode ser rescindido por


descumprimento pelo promitente-vendedor? Sendo a promessa irretratável pode se
valer da rescisão?O promitente vendedor pode reaver o imóvel?

Se o compromissário comprador deixar de cumprir a sua obrigação, atrasando o


pagamento das prestações, poderá o vendedor pleitear a resolução do contrato,
cumulada com pedido de reaver o imóvel por meio de ação de reintegração de posse,
desde que antes tenha constituído a parte contratual inadimplente em mora.. Pontue-
se que mesmo sendo irretratável a promessa , poderá o promitente-vendedor se faler
da rescisão caso o promitente-comprador seja inadimplente.

[TJCE]. O promitente-comprador pode reaver o imóvel? Pode purgar a mora e, em


caso positivo, qual o prazo?
Sim, poderá reaver o imóvel. Terá o prazo de trinta dias para purgar a mora, se se
tratar de imóvel loteado (Lei n. 6.766/79, art. 32), ou de quinze dias, se for imóvel
não loteado (Dec.-Lei n. 745/69), ainda que no contrato conste cláusula resolutiva
expressa.

# DAS VÁRIAS ESPÉCIES DE CONTRATO: COMPRA E VENDA.


[TJCE]. O contrato de compra e venda, transmite-se o domínio do bem?

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O contrato de compra e venda trata-se de contrato translativo, mas que por si só não
transfere a propriedade necessitando da tradição, se for bem móvel, ou do registro no
cartório de registro imobiliário, se for bem imóvel.

[TJCE]. O preço deve ser fixado em dinheiro?


Conforme o art. 315 do CC, o preço deve ser certo e determinado e em moeda
nacional corrente, pelo valor nominal.

[TJCE]. Pode ser fixada a taxa de mercado?


Sim, o atr. 486 do CC, dispõe e permite que seja fixado pela taxa de mercado.

[TJCE]. O pai se pretende vender um bem para um dos filhos, precisa de


autorização dos outros?
Sim, art. 496 precisa de consentimento dos outros descendentes sob pena de
anulação.

[TJCE]. Se o outro filho for menor?


Neste caso o filho menor será representado ou assistido.

[TJCE]. O que é venda sobre documentos?


Art. 529 do CC. A tradição da coisa é substituída pela entrega do seu título
representativo ou dos outros documentos exigidos pelo contrato ou, no silencio deste,
pelos usos.

[TJCE]. O que é retrovenda?


Art. 505 do CC. O vendedor de coisa imóvel pode reserva-se o direito de recobra-la
no prazo máximo decadencial de três anos, restituindo o preço recebido e
reembolsando as despesas do comprador.

[TJCE]. O que é venda sobre pessoa a declarar?


Disposto no art. 467 a 471 do CC. Trata-se de umas das partes reservar-se a faculdade
de indicar a pessoa que deve adquirir os direitos e assumir as obrigações dele
decorrentes.

# DAS VÁRIAS ESPÉCIES DE CONTRATO: DOAÇÃO.


[TJCE]. O que é doação remuneratória?
A doação remuneratória é aquela em que, sob aparência de mera liberalidade, há
firme propósito do doador de pagar serviços prestados pelo donatário ou alguma
outra vantagem que haja recebido dele. Na verdade, não é uma doação, é uma
remuneração por prestação de serviços. Podemos citar como exemplo o pai que dá
um carro ao médico que salvou a vida do filho. Não tem efetivo caráter de
liberalidade. Entretanto, se o valor da recompensa superar o valor do benefício
recebido, caracteriza-se a liberdade. Código Civil

Art. 540 A doação feita em contemplação do merecimento do donatário não perde o


caráter de liberalidade, como não o perde a doação remuneratória, ou a gravada, no
excedente ao valor dos serviços remunerados ou ao encargo imposto.

[TJCE]. Pode ser revogada por ingratidão?


Não. Art. 564, I, do CC.

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[TJCE]. Doação por encargo?


Doação modal: se sujeita a encargo. Encargo é um ônus imposto nas liberalidades,
seja uma doação, seja um testamento. Doação modal é doação onerosa, pois existe
uma obrigação/incumbência por parte do donatário, mas é uma pequena
contraprestação para não descaracterizar a doação (ex: doo uma fazenda com o ônus
de construir uma escola para os filhos dos trabalhadores; doo um carro com o ônus
de fazer feira toda semana, etc.).

[TJCE]. Se não cumprir o encargo o donatário?


Art. 562, do CC. A doação onerosa pode ser revogada por inexecução do encargo, se o
donatário incorrer em mora. Não havendo prazo para o cumprimento, o doador poderá
notificar judicialmente o donatário, assinando-lhe prazo razoável para que cumpra a
obrigação assumida.

[TJCE]. A ação de revogação está sujeita a algum prazo?


Art. 559. A revogação por qualquer desses motivos deverá ser pleiteada dentro de um
ano, a contar de quando chegue ao conhecimento do doador o fato que a autorizar, e de
ter sido o donatário o seu autor.

[TJCE]. Ascendente que faz doação a descendente está sujeito à aprovação?


Não, pois neste caso é considerado antecipação de herança, conforme o art. 544, do
CC.

[TJCE]. Quando é calculada a legitima no caso de doador?


Art. 1.847. Calcula-se a legítima sobre o valor dos bens existentes na abertura da
sucessão, abatidas as dívidas e as despesas do funeral, adicionando-se, em seguida, o
valor dos bens sujeitos a colação.

# DAS VÁRIAS ESPÉCIES DE CONTRATO: EMPRÉSTIMO MÚTUO E COMODATO.


[TJCE]. O qu