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FUNDAÇÃO PRESIDENTE ANTÔNIO CARLOS

FACULDADE PRESIDENTE ANTÔNIO CARLOS DE TEÓFILO OTONI

ROTEIRO DE ESTUDOS

1. DIREITO DO CONSUMIDOR

1.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA


O direito do consumidor evoluiu-se no decorrer do tempo, antigamente, as relações de
consumo eram equilibradas, uma vez que fornecedor e consumidor conjuntamente estabeleciam
as cláusulas que regeriam o contrato, como preço, qualidade, quantidade, entre outros aspectos
do produto adquirido ou serviço a ser prestado.
Três momentos marcaram a evolução histórica do direito do consumidor no mundo e são
as seguintes:
a) Marco inicial: Revolução industrial (meados de 1760 e 1840), quando a população
começou a migrar para os grandes centros urbanos, trazendo com isso uma procura por novos
produtos e serviços, criando um novo modelo de produção, conhecido como “produção em
série”, “produção em larga escala”.
b) Período pós 2ª guerra: Com a eclosão da revolução tecnológica, reafirmando a
massificação da produção.
c) Era da informatização/globalização: Atualmente, este novo modelo em que se preza
mais pela quantidade do que pela qualidade e com a massificação do produto, o consumidor
passa a ser um desconhecido pelo fornecedor, surgindo defeitos e problemas a serem sanados,
além da situação de vulnerabilidade do consumidor e desequilíbrio na relação de consumo.

2. LEGISLAÇÃO
Diante da situação de vulnerabilidade do consumidor, houve uma imensa necessidade de
criação de leis específicas que dispusessem sobre a defesa e proteção desta parte
hipossuficiente.
Inicialmente, a Constituição Federal trouxe vários dispositivos reafirmando a garantia da
defesa do consumidor, em seus artigos 5º, XXXII, art. 170 e art 48, ADCT.
Posteriormente, adveio o Código de Defesa do Consumidor, criado pela Lei Ordinária nº
8.078, de 11 de setembro de 1990, que caracterizou um marco no ordenamento jurídico
brasileiro ao trazer dispositivos e normais fundamentais para a efetiva proteção e defesa do
consumidor. Lei 8.078/90 – Código de Defesa do Consumidor.
Importante: NATUREZA JURÍDICA DO CDC – O art. 1º do CDC dispõe que os dispositivos
do Código são de Ordem Publica e de Interesse Social e, por isso, ele é de natureza
jurídica Cogente (obrigação imperativa e obrigatória pelo juiz). Em sendo assim, o
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Contato: Cavalcanti.ebc@gmail.com / (33) 984385525 / Whatsapp (33) 988247287 Março 2018.
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consumidor não precisa requerer a inversão do ônus da prova, devendo o juiz aplica-la de
oficio. Da mesma forma a declaração unilateral do fornecedor de que não se
responsabiliza por danos causados ao consumidor (reputa-se não escrita).

2.1 ASPECTOS CONSTITUCIONAIS


O Art. 1º do CDC aponta os dispositivos da CF que norteiam Constitucionalmente a
Proteção do Consumidor, quais sejam:
a) Art. 5º, XXXII – O Estado promoverá, na forma da Lei a proteção do Consumidor.
b) Art. 170, V A defesa do consumidor é um dos princípios da ordem econômica,
fundamentada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com a finalidade
de assegurar a todos a existência digna, conforme os ditames da justiça social.
c) Art. 48 do ADCT (Ato das disposições Constitucionais Transitórias) – O Congresso
nacional, dentro de 120 dias da promulgação da Constituição Federal, deve elaborar o
Código de Defesa do Consumidor.
A Constituição garantiu proteção ao Consumidor, porque ele é parte vulnerável na relação
de consumo.
Em razão da vulnerabilidade, necessita o consumidor de proteção especial por parte do
constituinte.
Essa proteção, segundo o art. 5º, XXXII, é dever do Estado, abrangendo o Poder
Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
Ademais, é lembrada a atuação do Ministério Público para a defesa do Consumidor nas
ações coletivas.
O Direito do Consumidor é limitador da ordem econômica, já que a exploração do capital,
fundada na livre iniciativa, deve observância, dentre outros, ao princípio da defesa do
consumidor.
O Código de Defesa do Consumidor é constituído por normas de ordem pública que não
aditem renúncia. O interesse social está presente na regulação da economia, na circulação de
riquezas e no atendimento das necessidades do consumidor.
Por se tratar de norma de ordem publica, eventual violação ao seu conteúdo, pode ser
reconhecida de ofício pelo juiz, considerando-se nulas de pleno direito as cláusulas contratuais
abusivas.
As cláusulas são interpretadas em favor do consumidor, aplicando a teoria do
aproveitamento do contrato quando a invalidação de uma cláusula não impica no contrato
todo.

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Vige, nas relações de consumo, o princípio da boa-fé objetiva, que retrata um padrão de
conduta imposto a todo e qualquer fornecedor, não se levando em consideração as condições
do consumidor, do contratante ou do fornecedor.

2.2 CARACTERÍSTICAS:
a) Sistema Multidisciplinar: Significa que em seu bojo existem regras de Direito Civil,
constitucional, processo civil, entre outros ramos do Direito. Dir. Civil: Art.12 (responsabilidade
pelo fato do produto e do serviço) e Art. 26 (decadência e prescrição) Processo Civil: Art.101
(regras de propositura de ação de responsabilidade do fornecedor) Direito Penal: Art. 61 e
seguintes (infrações penais)
b) Lei Principiológica: O CDC traz princípios fundamentais, que contribuem para a proteção e
defesa do consumidor, possibilitando o equilíbrio nas relações de consumo. Ex: Princípio da
vulnerabilidade (art. 4º, I, CDC)
c) Normas de ordem pública e interesse social: O Código de Defesa do Consumidor é uma
lei com função social e como tal não poderia deixar de trazer normas de ordem pública e
interesse social. As normas de ordem pública, também conhecidas como cogentes, imperativas
e coercitivas, são aquelas que devem ser cumpridas obrigatoriamente, não podem ser alteradas
por vontades das partes. Assim, o consumidor não pode abrir mão, por exemplo, da prerrogativa
constante art. 47 do CPC, que dispõe que as cláusulas contratuais serão interpretadas de modo
mais favorável ao consumidor.
As normas de interesse social são aquelas que atingem à sociedade como um todo.
Assim, o objetivo principal dela é atingir a coletividade dos consumidores, garantindo a
sua proteção e, via de consequência, garantindo o interesse individual destes.

3. RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO


A relação jurídica de consumo é aquela estabelecida entre o fornecedor e o consumidor,
com o objetivo deste de adquirir produtos e serviços e daquele de vender tais produtos ou
oferecer tais serviços. João Batista de Almeida: Diz que “as Relações de Consumo são
bilaterais, pressupondo de um lado a existência do fornecedor, como aquele que se dispõe a
oferecer bens e serviços, e, de outro lado, o consumidor, que se subordina às condições
impostas pelo fornecedor no atendimento de suas necessidades”. Verifica-se assim o
surgimento de duas figuras importantes dentro do CDC: - Consumidor: - Fornecedor:

3.1. CONSUMIDOR
O CDC traz quatro conceitos de consumidor, um em stricto sensu e outras três definições
de consumidor por equiparação.

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Consumidor em sentido estrito/standart: O Conceito de consumidor em sentido estrito


encontra-se previsto no art. 2º, caput, do Código e dispõe que: “consumidor é toda pessoa física
ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final”. É uma noção mais
objetiva do que seja consumidor.
Entretanto, existe uma restrição dentro desta definição de consumidor que é a expressão
DESTINATÁRIO FINAL.
Consumidor por equiparação: temos 3 hipóteses.
Art, 2º, parágrafo único – é a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis que haja
intervindo nas relações de consumo.
Art. 17 – também são equiparados a consumidor as vítimas do acidente de consumo.
Art. 29 – equiparam-se a consumidores todas as pessoas determináveis ou não, expostas às
práticas comerciais. Não é preciso que haja identificação das pessoas, assim como ocorre no
parágrafo único do art. 2º.
O CDC quedou-se inerte na conceituação desta expressão, gerando uma celeuma neste
assunto. - Questiona-se: A pessoa jurídica, que adquire o bem profissionalmente e para
revenda, com intenção de lucro, pode ser considerada consumidor? Dessa maneira, para
esclarecer essa questão surgiram três correntes doutrinárias: Corrente Finalista, Corrente
Maximalista e Corrente Finalista Aprofundada. 1ª. Corrente ou Teoria Finalista: Segundo a
qual, o destinatário final seria aquele destinatário fático e econômico. Além de retirar o bem do
mercado, para ser consumidor deverá ser destinatário final ECONÔMICO, ou seja, não adquirir
o bem para uso profissional e para revender. Para esta corrente, o consumo deve ser para uso
próprio ou de sua família.
Tal corrente tem uma posição mais restritiva e se fundamenta num dos princípios
basilares do CDC – Princípio da Vulnerabilidade -, uma vez que o objetivo do CDC é
garantir/tutelar a defesa de um grupo da sociedade que é mais vulnerável. São adeptos dessa
teoria: Cláudia Lima Marques, Maria Antonieta Donato e Filomeno Brito.
2ª. Corrente ou Teoria Maximalista: Para esta corrente, a definição de consumidor destinatário
final deve ser interpretada objetivamente e de maneira mais ampla.
Portanto, basta a destinação final fática do bem/produto, pouco importando a questão
econômica (se é para revenda, uso profissional ou não). Ou seja, basta que o consumidor retire
o bem do mercado de consumo para assim ser considerado, não sendo levado em consideração
o objetivo de auferir lucro ou não daquela relação negocial. São adeptos desta corrente: João
Batista de Almeida, Rizzato Nunes e Roberto Senise.
3ª. Corrente Finalista Aprofundada: Atualmente, a jurisprudência vem adotando a teoria
finalista aprofundada, também conhecida como Teoria Finalista Temperada, Mitigada ou
Atenuada.

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A crítica de alguns juristas com relação à nomenclatura é bastante presente, uma vez
que, na realidade, esta corrente mescla elementos da Corrente finalista e da maximalista ao
mesmo tempo, não podendo ser considerada como Finalista Aprofundada, mas acredita-se que
a nomenclatura mais plausível seja TEORIA MISTA.
Para esta vertente doutrinária, o consumidor – destinatário final seria aquela pessoa que
adquire o produto ou o serviço para o uso privado ou de sua família, porém, admitindo-se esta
utilização em atividade de produção, com a finalidade de desenvolver atividade comercial ou
profissional, desde que seja provada a vulnerabilidade desta pessoa física ou jurídica que está
adquirindo o produto ou contratando o serviço.

Importante: O STJ admite pessoa jurídica como consumidora desde que demonstre no
caso concreto sua vulnerabilidade.

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