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FUNDAÇÃO PRESIDENTE ANTÔNIO CARLOS

FACULDADE PRESIDENTE ANTÔNIO CARLOS DE TEÓFILO OTONI

DIREITO DO CONSUMIDOR - APOSTILA - I


ROTEIRO DE ESTUDO
Prof.: Emerson Barrack Cavalcanti

1. DIREITO DO CONSUMIDOR
1.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA
O direito do consumidor evoluiu-se no decorrer do tempo, antigamente, as relações de consumo
eram equilibradas, uma vez que fornecedor e consumidor conjuntamente estabeleciam as cláusulas que
regeriam o contrato, como preço, qualidade, quantidade, entre outros aspectos do produto adquirido ou
serviço a ser prestado.
Três momentos marcaram a evolução histórica do direito do consumidor no mundo e são as
seguintes:
a) Marco inicial: Revolução industrial (meados de 1760 e 1840), quando a população começou a
migrar para os grandes centros urbanos, trazendo com isso uma procura por novos produtos e serviços,
criando um novo modelo de produção, conhecido como “produção em série”, “produção em larga escala”.
b) Período pós 2ª guerra: Com a eclosão da revolução tecnológica, reafirmando a massificação da
produção.
c) Era da informatização/globalização: Atualmente, este novo modelo em que se preza mais pela
quantidade do que pela qualidade e com a massificação do produto, o consumidor passa a ser um
desconhecido pelo fornecedor, surgindo defeitos e problemas a serem sanados, além da situação de
vulnerabilidade do consumidor e desequilíbrio na relação de consumo.

2. LEGISLAÇÃO
Diante da situação de vulnerabilidade do consumidor, houve uma imensa necessidade de criação
de leis específicas que dispusessem sobre a defesa e proteção desta parte hipossuficiente.
Inicialmente, a Constituição Federal trouxe vários dispositivos reafirmando a garantia da defesa do
consumidor, em seus artigos 5º, XXXII, art. 170 e art 48, ADCT.
Posteriormente, adveio o Código de Defesa do Consumidor, criado pela Lei Ordinária nº 8.078, de
11 de setembro de 1990, que caracterizou um marco no ordenamento jurídico brasileiro ao trazer
dispositivos e normais fundamentais para a efetiva proteção e defesa do consumidor. Lei 8.078/90 –
Código de Defesa do Consumidor.
Importante: NATUREZA JURÍDICA DO CDC – O art. 1º do CDC dispõe que os dispositivos do
Código são de Ordem Publica e de Interesse Social e, por isso, ele é de natureza jurídica Cogente
(obrigação imperativa e obrigatória pelo juiz). Em sendo assim, o consumidor não precisa requerer
a inversão do ônus da prova, devendo o juiz aplica-la de oficio. Da mesma forma a declaração
unilateral do fornecedor de que não se responsabiliza por danos causados ao consumidor (reputa-
se não escrita).

2.1 ASPECTOS CONSTITUCIONAIS


O Art. 1º do CDC aponta os dispositivos da CF que norteiam Constitucionalmente a Proteção do
Consumidor, quais sejam:
a) Art. 5º, XXXII – O Estado promoverá, na forma da Lei a proteção do Consumidor.
b) Art. 170, V A defesa do consumidor é um dos princípios da ordem econômica, fundamentada na
valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com a finalidade de assegurar a todos a
existência digna, conforme os ditames da justiça social.

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c) Art. 48 do ADCT (Ato das disposições Constitucionais Transitórias) – O Congresso nacional, dentro
de 120 dias da promulgação da Constituição Federal, deve elaborar o Código de Defesa do
Consumidor.
A Constituição garantiu proteção ao Consumidor, porque ele é parte vulnerável na relação de
consumo.
Em razão da vulnerabilidade, necessita o consumidor de proteção especial por parte do
constituinte.
Essa proteção, segundo o art. 5º, XXXII, é dever do Estado, abrangendo o Poder Executivo, o
Legislativo e o Judiciário.
Ademais, é lembrada a atuação do Ministério Público para a defesa do Consumidor nas ações
coletivas.
O Direito do Consumidor é limitador da ordem econômica, já que a exploração do capital, fundada
na livre iniciativa, deve observância, dentre outros, ao princípio da defesa do consumidor.
O Código de Defesa do Consumidor é constituído por normas de ordem pública que não aditem
renúncia. O interesse social está presente na regulação da economia, na circulação de riquezas e no
atendimento das necessidades do consumidor.
Por se tratar de norma de ordem publica, eventual violação ao seu conteúdo, pode ser reconhecida
de ofício pelo juiz, considerando-se nulas de pleno direito as cláusulas contratuais abusivas.
As cláusulas são interpretadas em favor do consumidor, aplicando a teoria do aproveitamento do
contrato quando a invalidação de uma cláusula não impica no contrato todo.
Vige, nas relações de consumo, o princípio da boa-fé objetiva, que retrata um padrão de conduta
imposto a todo e qualquer fornecedor, não se levando em consideração as condições do consumidor, do
contratante ou do fornecedor.

2.2 CARACTERÍSTICAS:
a) Sistema Multidisciplinar: Significa que em seu bojo existem regras de Direito Civil, constitucional,
processo civil, entre outros ramos do Direito. Dir. Civil: Art.12 (responsabilidade pelo fato do produto e do
serviço) e Art. 26 (decadência e prescrição) Processo Civil: Art.101 (regras de propositura de ação de
responsabilidade do fornecedor) Direito Penal: Art. 61 e seguintes (infrações penais)
b) Lei Principiológica: O CDC traz princípios fundamentais, que contribuem para a proteção e defesa do
consumidor, possibilitando o equilíbrio nas relações de consumo. Ex: Princípio da vulnerabilidade (art. 4º, I,
CDC)
c) Normas de ordem pública e interesse social: O Código de Defesa do Consumidor é uma lei com
função social e como tal não poderia deixar de trazer normas de ordem pública e interesse social. As
normas de ordem pública, também conhecidas como cogentes, imperativas e coercitivas, são aquelas que
devem ser cumpridas obrigatoriamente, não podem ser alteradas por vontades das partes. Assim, o
consumidor não pode abrir mão, por exemplo, da prerrogativa constante art. 47 do CPC, que dispõe que
as cláusulas contratuais serão interpretadas de modo mais favorável ao consumidor.
As normas de interesse social são aquelas que atingem à sociedade como um todo.
Assim, o objetivo principal dela é atingir a coletividade dos consumidores, garantindo a sua
proteção e, via de consequência, garantindo o interesse individual destes.

3. RELAÇÃO JURÍDICA DE CONSUMO


A relação jurídica de consumo é aquela estabelecida entre o fornecedor e o consumidor, com o
objetivo deste de adquirir produtos e serviços e daquele de vender tais produtos ou oferecer tais serviços.
João Batista de Almeida: Diz que “as Relações de Consumo são bilaterais, pressupondo de um lado a
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existência do fornecedor, como aquele que se dispõe a oferecer bens e serviços, e, de outro lado, o
consumidor, que se subordina às condições impostas pelo fornecedor no atendimento de suas
necessidades”. Verifica-se assim o surgimento de duas figuras importantes dentro do CDC: - Consumidor:
- Fornecedor:

3.1. CONSUMIDOR
O CDC traz quatro conceitos de consumidor, um em stricto sensu e outras três definições de
consumidor por equiparação.
Consumidor em sentido estrito/standart: O Conceito de consumidor em sentido estrito encontra-
se previsto no art. 2º, caput, do Código e dispõe que: “consumidor é toda pessoa física ou jurídica que
adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final”. É uma noção mais objetiva do que seja
consumidor.
Entretanto, existe uma restrição dentro desta definição de consumidor que é a expressão
DESTINATÁRIO FINAL.
3.1.1Consumidor por equiparação
É proteção jurídica da figura do consumidor equiparado, alcançando assim outras pessoas físicas ou
jurídicas, não contempladas pelo artigo 2º da Lei Consumerista, independentemente da realização
concreta de um ato de consumo.
O CDC equipara àqueles, que indiretamente estão na relação de consumo frente ao fornecedor e que
tenha sofrido algum dano nessa relação, ou seja, são todos aqueles que não participaram da relação de
consumo diretamente, não adquiriram qualquer produto ou quaisquer serviços, mas sofreram alguma
espécie de lesão e merecem a proteção do Código de defesa do consumidor, como se consumidores
fossem.
3.1.1.1Hipóteses de Consumidor por Equiparação
Art, 2º, parágrafo único – é a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis que haja intervindo nas
relações de consumo.
Art. 17 – também são equiparados a consumidor as vítimas do acidente de consumo.
Art. 29 – equiparam-se a consumidores todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas
comerciais. Não é preciso que haja identificação das pessoas, assim como ocorre no parágrafo único do
art. 2º.
O CDC quedou-se inerte na conceituação desta expressão, gerando uma celeuma neste assunto. -
Questiona-se: A pessoa jurídica, que adquire o bem profissionalmente e para revenda, com intenção de
lucro, pode ser considerada consumidor? Dessa maneira, para esclarecer essa questão surgiram três
correntes doutrinárias: Corrente Finalista, Corrente Maximalista e Corrente Finalista Aprofundada. 1ª.
Corrente ou Teoria Finalista: Segundo a qual, o destinatário final seria aquele destinatário fático e
econômico. Além de retirar o bem do mercado, para ser consumidor deverá ser destinatário final
ECONÔMICO, ou seja, não adquirir o bem para uso profissional e para revender. Para esta corrente, o
consumo deve ser para uso próprio ou de sua família.
Tal corrente tem uma posição mais restritiva e se fundamenta num dos princípios basilares do CDC
– Princípio da Vulnerabilidade -, uma vez que o objetivo do CDC é garantir/tutelar a defesa de um grupo da
sociedade que é mais vulnerável. São adeptos dessa teoria: Cláudia Lima Marques, Maria Antonieta
Donato e Filomeno Brito.
2ª. Corrente ou Teoria Maximalista: Para esta corrente, a definição de consumidor destinatário final deve
ser interpretada objetivamente e de maneira mais ampla.
Portanto, basta a destinação final fática do bem/produto, pouco importando a questão econômica
(se é para revenda, uso profissional ou não). Ou seja, basta que o consumidor retire o bem do mercado de
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consumo para assim ser considerado, não sendo levado em consideração o objetivo de auferir lucro ou
não daquela relação negocial. São adeptos desta corrente: João Batista de Almeida, Rizzato Nunes e
Roberto Senise.
3ª. Corrente Finalista Aprofundada: Atualmente, a jurisprudência vem adotando a teoria finalista
aprofundada, também conhecida como Teoria Finalista Temperada, Mitigada ou Atenuada.
A crítica de alguns juristas com relação à nomenclatura é bastante presente, uma vez que, na
realidade, esta corrente mescla elementos da Corrente finalista e da maximalista ao mesmo tempo, não
podendo ser considerada como Finalista Aprofundada, mas acredita-se que a nomenclatura mais plausível
seja TEORIA MISTA.
Para esta vertente doutrinária, o consumidor – destinatário final seria aquela pessoa que adquire o
produto ou o serviço para o uso privado ou de sua família, porém, admitindo-se esta utilização em
atividade de produção, com a finalidade de desenvolver atividade comercial ou profissional, desde que
seja provada a vulnerabilidade desta pessoa física ou jurídica que está adquirindo o produto ou
contratando o serviço.
Importante: O STJ admite pessoa jurídica como consumidora desde que demonstre no caso
concreto sua vulnerabilidade.

3.2. FORNECEDOR
Art. 3º, caput, CDC:
“Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os
entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção,
transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de
serviços”.
*Entes Despersonalizados (Massa falida, espólio)
São fornecedores todos aqueles que de forma direta ou indireta, colocam produtos ou prestam serviços no
mercado de consumo.
*A expressão “desenvolve” utilizada ela Lei, deve ser entendida como habitualidade no desempenho da
atividade.
*Os fornecedores sujeitos a participar do polo passivo da relação jurídica de responsabilidade civil podem
ser classificados como fornecedor real, fornecedor aparente, e fornecedor presumido.
a) Fornecedor real – É aquele que participa do processo de fabricação ou produção do produto acabado,
de parte componente, inclusive a matéria prima. É o caso do fabricante, produtor e construtor.
b) Fornecedor aparente – É aquele, que embora não tenha participado diretamente do processo produtivo,
apresenta-se como tal pela aposição do seu nome, marca ou outro sinal distintivo no produto final.
c) Fornecedor Presumido – É aquele que adquire ou vende produtos sem identificação de seu fabricante,
produtor, importador ou construtor. Geralmente são importadores e comerciantes.

3.3. PRODUTOS:
O § 1° do art.3º do CDC define produto como: “Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou
imaterial”.
É toda mercadoria colocada a venda no comércio: Sendo qualquer bem imóvel (casa, lote, apartamento,
terrenos, casas), ou móvel (automóvel, livros, objetos, etc), material ou imaterial (programas de
computador).
O produto pode ser de dois tipos (art. 26, incisos I e II do CDC):
Produto durável que é aquele que não desaparece com o seu uso, levando certo tempo para se
desgastar, que variará conforme a qualidade da mercadoria, os cuidados que lhe são emprestados pelo
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usuário, o grau de utilização e o meio ambiente no qual inserido. (Por exemplo: um automóvel, um fogão,
uma casa, livro...; etc)
Produto não durável que é aquele que acaba logo após o uso. Se extingue em um único ato de consumo
ou vai se extinguindo conforme utilizado. (Por exemplo, os alimentos, uma pasta de dente, remédios,
combustível, caneta etc.)
Importante:
O produto, não exige a contraprestação em dinheiro. Assim o produto que for entregue ao consumidor
como amostra grátis, está submetido a proteção de todas as garantias do CDC. Isso significa dizer que, se
do consumo da amostra grátis, resultar algum dano ao consumidor, o fornecedor será responsabilizado
pelo evento danoso.
Art. 39 CDC - Nos termos do art. 39, parágrafo único, do CDC, os serviços prestados e os produtos
remetidos ou entregues ao consumidor, sem solicitação prévia, equiparam-se às amostras grátis,
inexistindo obrigação de pagamento.
Atenção: Classifica o produto descartável como sendo produto durável, como exemplo, plásticos e pratos
de papelão.
Afirma RIZZATO NUNES, que um produto descartável é o durável de baixa durabilidade ou que somente
pode ser utilizado uma vez.
O Produto é o elemento subjetivo da relação de consumo.

3.4. SERVIÇOS:
O §2º, do art. 3º, do CDC, define serviço como: “Qualquer atividade fornecida no mercado de consumo,
mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as
decorrentes das relações de caráter trabalhista”.
*Súmula 469 – “Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de Plano de Saúde.”
*Não se aplica as regras do CDC nas relações de locação de imóveis, entre locador e locatário, uma vez
que estes não se encaixam nas figuras de fornecedor e consumidor, além de serem amparados por lei
específica: Lei nº 8.245/91.
Os serviços podem ser duráveis e não duráveis. (Art. 26, Incisos I e II do CDC):
Serviço durável – É aquele que tem continuidade no tempo em razão de uma estipulação contratual
(serviços escolares, planos de saúde, etc) e aquele que deixa como resultado um produto, embora típico
de não durabilidade (pintura de uma casa, instalação de um carpete).
Serviço não durável – É aquele que se exerce, uma vez prestado. (serviço de transporte, hospedagem).
Serviços públicos: Os serviços públicos remunerados mediante preço público ou taxa serão considerados
objetos da relação jurídica, como por exemplo, os serviços de energia elétrica, água e transporte coletivo.
Entretanto, aqueles remunerados através de impostos não o serão (como saúde e segurança pública).
O serviço público fornecido ao usuário deve ser adequado, eficiente, seguro e, quanto ao essencial,
contínuo. No caso de descumprimento, total ou parcial, dessas obrigações, o Poder Público será
compelido a cumpri-las e a reparar os danos causados, na forma prevista pelo CDC.
Serviços públicos X consumidor inadimplente
O CDC, em seu art. 22, trata de serviços públicos de qualidade e quando essenciais devem ser contínuos.
É possível a suspensão do fornecimento em caso de inadimplemento por parte do consumidor em se
tratando de serviços públicos essenciais?
1ª Corrente (minoritária): Entende que o consumidor inadimplente não pode ter o serviço público essencial
suspenso, sob pena de infringir o art. 22 e 42 do CDC.

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2ª Corrente (majoritária): Entende que sim, desde que haja um aviso prévio ao consumidor, bastando,
inclusive, apenas provar a emissão do aviso e não o recebimento do mesmo. O fundamento legal dessa
corrente encontra-se previsto no art. 6º, §3ª, II, Lei 8.987/95:
“§ 3º: Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em situação de emergência
ou após prévio aviso, quando:
I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e,
II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade”.
* - Serviços bancários: O CDC é claro que aos serviços e atividades bancárias se aplicarão as normas
nele esculpidas.
* - Súmula 297 – “O CDC é aplicável às Instituições Financeiras.” “As instituições financeiras estão TODAS
ELAS alcançadas pela incidência da normas veiculadas pelo CDC”.

4. POLÍTICA NACIONAL DAS RELAÇÕES DE CONSUMO


A Política Nacional de Relações de Consumo pode ser entendida como sendo “ o Conjunto de ações,
iniciativas, planos e estratégias que devem ser interpretadas pelo Estado, em conjunto com a coletividade,
com o sentido de proteger o consumidor e fomentar o consumo consciente, atendendo ao mandamento
constitucional constante do art. 5º XXXII, da CF.*

4.1 Ojetivos:
O art. 4º do CDC estabelece os objetivos da P.N.R.C, que são os seguintes:
1. Atendimento das necessidades dos consumidores;
2. Respeito à dignidade, saúde e segurança dos consumidores
3. Proteção dos interesses econômicos dos consumidores;
4. Melhoria da qualidade de vida dos consumidores; e
5. Transparência e harmonia das relações de consumo.

4.2 Princípios Norteadores:


Para se alcançar os objetivos estabelecidos na Política Nacional de Relações de Consumo devem ser
observados os seguintes princípios norteadores do CDC.
4.2.1. Princípio da Transparência (Art. 4º, caput)
“Transparência significa informação clara e correta sobre o produto a ser vendido, sobre o contrato a ser
firmado, significa lealdade, respeito nas relações entre fornecedor e consumidor, mesmo na fase pré-
contratual, isto é, na fase negocial dos contratos de consumo.”
4.2.2. Princípio da Vulnerabilidade do Consumidor (Art, 4º, I)
O Consumidor é parte frágil na relação de consumo, uma vez que o fornecedor é o detentor dos meios de
produção. Esse desequilíbrio de forças entre consumidor e fornecedor justifica a tutela especial de
proteção e defesa do consumidor para a garantia de uma adequada e igualdade material.
A doutrina parcela a vulnerabilidade em quatro aspectos a saber:
a) Técnica: O consumidor não possui conhecimentos técnicos específicos sobre o objeto que está
adquirindo e, portanto, é facilmente enganado quanto às características do bem ou serviço contratado.:
b) Jurídica ou Científica: O consumidor não detém conhecimentos jurídicos para compreender os termos
do contrato e suas implicações ou conhecimento de contabilidade e economia, para conferir, por exemplo,
os juros fixados no produto ou serviços.
O consumidor intermediário, ou seja, aquele que adquiriu o produto ou serviço para sua atividade
empresarial poderá ser beneficiado da aplicação do CDC, desde que comprovada a sua vulnerabilidade.

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c) Fática ou Socioeconômica: O Consumidor não é detentor de poder econômico no mercado de consumo,


e sim, o fornecedor;
d) Informacional: O Consumidor não detém a informação completa e suficiente sobre produtos e serviços
ofertados no mercado de consumo, é a ausência de dados sobre o produto ou serviços capazes de
influenciar no processo decisório de compra.
IMPORTANTE:
* - “Vulnerabilidade é o fenômeno de direito material, com presunção absoluta; já a hipossuficiência é o
fenômeno de direito processual, com presunção relativa.
Desta forma, no plano de direito material, todos os consumidores pessoas físicas são considerados
vulneráveis, mas na via processual, nem todas são hipossuficientes, devendo a fragilidade ser
demonstrada no caso concreto. É o que ocorre com a inversão do ônus da prova.”
* - Identifica-se hoje, também uma série de leis especiais que regulam as situações de vulnerabilidade
potencializada, especial ou agravada, de grupo de pessoas (idosos, crianças e adolescente, índios,
estrangeiros, pessoas com necessidades especiais, doentes, etc.) e estes grupos de pessoas também
atuam como consumidores na sociedade, resultando na chamada hipervulnerabilidade.
*De acordo com Herman Benjamin, o surgimento dessa hipervulnerabilidade do consumidor está
associado com a esfera globalizada em que vivemos. (Ex: Informações vagas sobre produtos eletrônicos).
*Para o consumidor, pessoa física, a vulnerabilidade é presumida, enquanto para o consumidor, pessoa
jurídica, a vulnerabilidade deve ser comprovada.
4.2.3. Princípio da Intervenção do Estado (Art. 4º, II)
Consiste na ação Governamental de proteger efetivamente o consumidor, observados os princípios
previstos no art. 170 da CF que norteiam a Ordem Econômica.
A atuação do Estado pode se dar da seguinte forma:
a) Iniciativa Direta – Por meio de Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON); por meio da
atuação do Ministério Público.
b) Iniciativa indireta – *Por incentivos à criação e desenvolvimento de associações representativas, como o
IDEC, (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).
*- Pela presença do Estado no mercado de consumo para limitar o poder econômico (ANATEL ANVISA,
ANAC, ANEL, etc.), agências reguladoras que têm como finalidade, dentre outras, regular e/ou fiscalizar a
prestação de serviços públicos executados por empresas privadas, mediante prévia concessão, permissão
ou autorização.
*- Pela garantia dos produtos e serviços com padrões adequados de qualidade, segurança, durabilidade e
desempenho, como o Sistema de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – SINMETRO,
constituído pelo CONMETRO e INMETRO.
4.2.4. Princípio da harmonia dos interesses ( Art. 4º, III)
Consiste em equilibrar a relação de consumo e compatibilizar a proteção do consumidor com a necesside
de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a
ordem econômica (art. 170, CF), sempre com base na boa-fé.
4.2.5. Princípio da boa-fé objetiva (Art. 4º, III)
Consiste em uma regra de comportamento na qual as partes devem agir com lealdade, honestidade
cooperação mútua para obterem o justo equilíbrio na relação de consumo e verem atendidos seus
legítimos interesses e expectativas decorrentes da relação jurídica firmada.
O Princípio da boa-fé objetiva importa em reconhecimento de um direito a cumprir em favor do titular
passivo da obrigação, pensa-se em um comportamento fiel, leal.
4.2.6. Princípio do equilíbrio ( Art. 4º, III)

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Consiste n reconhecimento da posição desfavorável do consumidor em razão de sua vulnerabilidade


diante do fornecedor e, por isso, pretende alcançar a igualdade real (e não apenas formal) de direitos e
deveres no contrato, antes, durante e após a execução, para harmonia dos interesses das partes.
Mais do que o cumprimento do contrato, deve ser observada se sua execução, por exemplo, coloca o
consumidor em desvantagem exagerada, ou seja, incompatível com a boa-fé ou equidade (Art. 51, IV
CDC).
4.2.7 Princípio da educação e informação (Art. 4º, IV)
Consiste na conscientização dos fornecedores e consumidores quanto a seus direitos e deveres,
reduzindo, por consequência, os conflitos entre as partes e contribuindo para a melhora da relação de
consumo.
Merecem destaque: Leis, nº 12291/2010, nº 12741/2012 e nº 13.445/2017
4.2.8 Princípio de controle de qualidade e segurança e solução de conflitos como mecanismos alternativos
(Art. 4º, V)
Consiste no incentivo à criação pelos fornecedores de meios eficientes de controle de qualidade e
segurança de produtos e serviços com o Serviço de Atendimento ao Consumidor – SAC, assim como de
mecanismos alternativos de solução de conflitos de consumo, como por exemplo os juizados Especiais
Cíveis ou arbitragem.
4.2.9. Princípio da Coibição e repressão dos abusos (Art. 4º, VI)
Esse princípio diz respeito à preocupação do legislador ordinário em coibir e reprimir de forma eficiente
todos os abusos praticados no mercado de consumo, inclusive a concorrência desleal e utilização indevida
de inventos e criações industriais das marcas e nomes comerciais e signos distintivos, que possam causar
prejuízos aos consumidores.
4.2.10. Princípio da racionalização e melhoria dos serviços públicos (Art. 4º VII)
Consiste no dever do Estado de racionalizar e melhorar os serviços públicos prestados, tais como água,
energia elétrica, telefonia, gás, etc.
4.2.11. Princípio do Estudo constante das modificações do mercado de consumo (Art. 4º, VIII)
Consiste na avaliação permanente do mercado de consumo e suas alterações para que a lei consumerista
seja sempre atual e acompanhe a evolução social.

4.3 EXECUÇÃO DA POLÍTICA NACIONAL DAS RELAÇÕES DE CONSUMO


O Poder Público contará com os seguintes instrumentos, entre outros, para a implementação de políticas
de proteção ao consumidor (ART. 5º, I, II, III, IV, V do CDC)
*- Manutenção de assistência jurídica, integral e gratuita para o consumidor carente. Que garante ao
hipossuficiente o efetivo acesso ao judiciário;
*- Instituição de Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor, no âmbito do Ministério Público, uma
vez que entre as atribuições institucionais do Ministério Público está a proteção de direitos e interesses
difusos, coletivos e individuais homogêneos (art. 129, inciso III, CF e arts. 81 e 82, CDC);
*- Criação de delegacias de polícia especializadas no atendimento de consumidores vítimas de infrações
penais de consumo;
*- Criação de Juizados especiais de pequenas causas e Varas Especializadas para a solução de litígios de
consumo;
*- Concessão de estímulos à criação e desenvolvimento das Associações de Defesa do Consumidor.

“Pois EU sou o SENHOR, o seu DEUS, que o segura pela mão e lhe diz:
Não tema; EU o ajudarei.”
Isaías 41:13
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