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INSS

INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL

TÉCNICO DO SEGURO SOCIAL

3ª Edição

Ética no Serviço Público


Regime Jurídico Único
Noções de Direito Constitucional
Noções de Direito Administrativo
Língua Portuguesa
Raciocínio Lógico
Noções de Informática
Conhecimentos Específicos
01/2015 – Editora Gran Cursos
GS1: 789 860 535 0 407

GG EDUCACIONAL EIRELI
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AUTORES:

Rebeca Guimarães
Ivan Lucas
J.W. Granjeiro / Rodrigo Cardoso
Bruno Pilastre / Márcio Wesley
Roberto Vasconcelos
Henrique Sodré
Gláucio Diniz

PRESIDÊNCIA: Gabriel Granjeiro

DIRETORIA EXECUTIVA: Rodrigo Teles Calado

CONSELHO EDITORIAL: Bruno Pilastre e João Dino

DIRETORIA COMERCIAL: Ana Camila Oliveira

SUPERVISÃO DE PRODUÇÃO: Marilene Otaviano

DIAGRAMAÇÃO: Oziel Candido da Rosa e Washington Nunes Chaves

REVISÃO: Juliana Garcês, Luciana Silva e Sabrina Soares

CAPA: Pedro Wgilson

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS – De acordo com a Lei n. 9.610, de 19.02.1998, nenhuma parte
deste livro pode ser fotocopiada, gravada, reproduzida ou armazenada em um sistema de recuperação de
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consentimento do detentor dos direitos autorais e do editor.
Sumário.........................................................................................................................................................999

ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO

CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO SERVIDOR PÚBLICO CIVIL DO PODER EXECUTIVO FEDERAL:


DECRETO N. 1.171/94 E DECRETO 6.029/2007...............................................................................................6
DECRETO N. 1.171, DE 22 DE JUNHO DE 1994 IV – A remuneração do servidor público é custeada
pelos tributos pagos direta ou indiretamente por todos, até
Aprova o Código de Ética Profis- por ele próprio, e por isso se exige, como contrapartida, que
sional do Servidor Público Civil do a moralidade administrativa se integre no Direito, como ele-
Poder Executivo Federal. mento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade,

ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO


erigindo-se, como consequência, em fator de legalidade.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribui- V – O trabalho desenvolvido pelo servidor público
ções que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, e ainda tendo perante a comunidade deve ser entendido como acréscimo
em vista o disposto no art. 37 da Constituição, bem como ao seu próprio bem-estar, já que, como cidadão, integrante
nos arts. 116 e 117 da Lei n. 8.112, de 11 de dezembro de da sociedade, o êxito desse trabalho pode ser considerado
1990, e nos arts. 10, 11 e 12 da Lei n. 8.429, de 2 de junho como seu maior patrimônio.
de 1992, VI – A função pública deve ser tida como exercício pro-
fissional e, portanto, se integra na vida particular de cada
DECRETA: servidor público. Assim, os fatos e atos verificados na con-
duta do dia a dia em sua vida privada poderão acrescer ou
Art. 1º Fica aprovado o Código de Ética Profissional do diminuir o seu bom conceito na vida funcional.
Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, que com VII – Salvo os casos de segurança nacional, investiga-
este baixa. ções policiais ou interesse superior do Estado e da Adminis-
Art. 2º Os órgãos e entidades da Administração Pública tração Pública, a serem preservados em processo previa-
Federal direta e indireta implementarão, em sessenta dias, mente declarado sigiloso, nos termos da lei, a publicidade de
as providências necessárias à plena vigência do Código qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e
de Ética, inclusive mediante a Constituição da respectiva moralidade, ensejando sua omissão comprometimento ético
Comissão de Ética, integrada por três servidores ou empre- contra o bem comum, imputável a quem a negar.
gados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente. VIII – Toda pessoa tem direito à verdade. O servidor
Parágrafo único. A constituição da Comissão de Ética não pode omiti-la ou falseá-la, ainda que contrária aos inte-
será comunicada à Secretaria da Administração Federal da resses da própria pessoa interessada ou da Administração
Presidência da República, com a indicação dos respectivos Pública. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se
membros titulares e suplentes. sobre o poder corruptivo do hábito do erro, da opressão ou
Art. 3º Este decreto entra em vigor na data de sua da mentira, que sempre aniquilam até mesmo a dignidade
publicação. humana quanto mais a de uma Nação.
IX – A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo
ANEXO dedicados ao serviço público caracterizam o esforço pela
CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO SERVIDOR PÚBLICO disciplina. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos
CIVIL DO PODER EXECUTIVO FEDERAL direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral.
Da mesma forma, causar dano a qualquer bem perten-
CAPÍTULO I cente ao patrimônio público, deteriorando-o, por descuido
ou má vontade, não constitui apenas uma ofensa ao equi-
Seção I pamento e às instalações ou ao Estado, mas a todos os
Das Regras Deontológicas homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência,
seu tempo, suas esperanças e seus esforços para cons-
I – A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a cons- truí-los.
ciência dos princípios morais são primados maiores que X – Deixar o servidor público qualquer pessoa à
devem nortear o servidor público, seja no exercício do cargo espera de solução que compete ao setor em que exerça
ou função, ou fora dele, já que refletirá o exercício da voca- suas funções, permitindo a formação de longas filas, ou
ção do próprio poder estatal. Seus atos, comportamentos e qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço,
atitudes serão direcionados para a preservação da honra e não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de
da tradição dos serviços públicos. desumanidade, mas principalmente grave dano moral aos
II – O servidor público não poderá jamais desprezar o usuários dos serviços públicos.
elemento ético de sua conduta. Assim, não terá que decidir XI – O servidor deve prestar toda a sua atenção às
somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o con- ordens legais de seus superiores, velando atentamente
veniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas por seu cumprimento, e, assim, evitando a conduta negli-
principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante gente. Os repetidos erros, o descaso e o acúmulo de des-
as regras contidas no art. 37, caput, e §4º, da Constituição vios tornam-se, às vezes, difíceis de corrigir e caracteri-
Federal. zam até mesmo imprudência no desempenho da função
III – A moralidade da Administração Pública não se limita pública.
à distinção entre o bem e o mal, devendo ser acrescida da XII – Toda ausência injustificada do servidor de seu
ideia de que o fim é sempre o bem comum. O equilíbrio entre local de trabalho é fator de desmoralização do serviço
a legalidade e a finalidade, na conduta do servidor público, público, o que quase sempre conduz à desordem nas rela-
é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo. ções humanas.

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XIII – O servidor que trabalha em harmonia com a p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas ade-
estrutura organizacional, respeitando seus colegas e cada quadas ao exercício da função;
concidadão, colabora e de todos pode receber colabora- q) manter-se atualizado com as instruções, as normas
ção, pois sua atividade pública é a grande oportunidade de serviço e a legislação pertinentes ao órgão onde exerce
para o crescimento e o engrandecimento da Nação. suas funções;
r) cumprir, de acordo com as normas do serviço e as
Seção II instruções superiores, as tarefas de seu cargo ou função,
REBECA GUIMARÃES

Dos Principais Deveres do Servidor Público tanto quanto possível, com critério, segurança e rapidez,
mantendo tudo sempre em boa ordem.
XIV – São deveres fundamentais do servidor público: s) facilitar a fiscalização de todos atos ou serviços por
a) desempenhar, a tempo, as atribuições do cargo, quem de direito;
função ou emprego público de que seja titular; t) exercer com estrita moderação as prerrogativas
b) exercer suas atribuições com rapidez, perfeição funcionais que lhe sejam atribuídas, abstendo-se de fazê-
e rendimento, pondo fim ou procurando prioritariamente -lo contrariamente aos legítimos interesses dos usuários
resolver situações procrastinatórias, principalmente diante do serviço público e dos jurisdicionados administrativos;
de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na presta- u) abster-se, de forma absoluta, de exercer sua
ção dos serviços pelo setor em que exerça suas atribui- função, poder ou autoridade com finalidade estranha ao
ções, com o fim de evitar dano moral ao usuário; interesse público, mesmo que observando as formalidades
c) ser probo, reto, leal e justo, demonstrando toda a legais e não cometendo qualquer violação expressa à lei;
integridade do seu caráter, escolhendo sempre, quando v) divulgar e informar a todos os integrantes da sua
estiver diante de duas opções, a melhor e a mais vanta- classe sobre a existência deste Código de Ética, estimu-
josa para o bem comum; lando o seu integral cumprimento.
d) jamais retardar qualquer prestação de contas, con-
dição essencial da gestão dos bens, direitos e serviços da Seção III
coletividade a seu cargo;
Das Vedações ao Servidor Público
e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços
aperfeiçoando o processo de comunicação e contato com
XV – E vedado ao servidor público;
o público;
a) o uso do cargo ou função, facilidades, amizades,
f) ter consciência de que seu trabalho é regido por
tempo, posição e influências, para obter qualquer favoreci-
princípios éticos que se materializam na adequada presta-
mento, para si ou para outrem;
ção dos serviços públicos;
b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros
g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e aten-
servidores ou de cidadãos que deles dependam;
ção, respeitando a capacidade e as limitações individuais
c) ser, em função de seu espírito de solidariedade, coni-
de todos os usuários do serviço público, sem qualquer
vente com erro ou infração a este Código de Ética ou ao
espécie de preconceito ou distinção de raça, sexo, nacio-
Código de Ética de sua profissão;
nalidade, cor, idade, religião, cunho político e posição
d) usar de artifícios para procrastinar ou dificultar o
social, abstendo-se, dessa forma, de causar-lhes dano
exercício regular de direito por qualquer pessoa, causando-
moral;
h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor -lhe dano moral ou material;
de representar contra qualquer comprometimento indevido e) deixar de utilizar os avanços técnicos e científicos ao
da estrutura em que se funda o Poder Estatal; seu alcance ou do seu conhecimento para atendimento do
i) resistir a todas as pressões de superiores hierárqui- seu mister;
cos, de contratantes, interessados e outros que visem obter f) permitir que perseguições, simpatias, antipatias,
quaisquer favores, benesses ou vantagens indevidas em caprichos, paixões ou interesses de ordem pessoal interfi-
decorrência de ações imorais, ilegais ou aéticas e denunciá- ram no trato com o público, com os jurisdicionados admi-
-las; nistrativos ou com colegas hierarquicamente superiores ou
j) zelar, no exercício do direito de greve, pelas exigên- inferiores;
cias específicas da defesa da vida e da segurança cole- g) pleitear, solicitar, provocar, sugerir ou receber qual-
tiva; quer tipo de ajuda financeira, gratificação, prêmio, comissão,
l) ser assíduo e frequente ao serviço, na certeza de doação ou vantagem de qualquer espécie, para si, familiares
que sua ausência provoca danos ao trabalho ordenado, ou qualquer pessoa, para o cumprimento da sua missão ou
refletindo negativamente em todo o sistema; para influenciar outro servidor para o mesmo fim;
m) comunicar imediatamente a seus superiores todo h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva
e qualquer ato ou fato contrário ao interesse público, exi- encaminhar para providências;
gindo as providências cabíveis; i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite
n) manter limpo e em perfeita ordem o local de traba- do atendimento em serviços públicos;
lho, seguindo os métodos mais adequados à sua organi- j) desviar servidor público para atendimento a interesse
zação e distribuição; particular;
o) participar dos movimentos e estudos que se rela- l) retirar da repartição pública, sem estar legalmente
cionem com a melhoria do exercício de suas funções, autorizado, qualquer documento, livro ou bem pertencente
tendo por escopo a realização do bem comum; ao patrimônio público;

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m) fazer uso de informações privilegiadas obtidas no 2. É dever do servidor tratar cuidadosamente os usuários
âmbito interno de seu serviço, em benefício próprio, de dos serviços, aperfeiçoando o processo de comunica-
parentes, de amigos ou de terceiros; ção e contato com o público.
n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele
habitualmente; 3. A Administração Pública Federal indireta não está
obrigada a criar comissão de ética profissional do

ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO


o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente
contra a moral, a honestidade ou a dignidade da pessoa servidor; por outro lado, todos os órgãos e entidades da
humana; administração pública federal direta estão obrigados
p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu a criar tal comissão.
nome a empreendimentos de cunho duvidoso.
4. As penas aplicáveis ao servidor público por comissão
CAPÍTULO II de ética são as mesmas que qualquer comissão de
DAS COMISSÕES DE ÉTICA processo administrativo disciplinar pode sugerir, ou
seja, advertência, suspensão e demissão.
XVI – Em todos os órgãos e entidades da Administra-
ção Pública Federal direta, indireta autárquica e fundacional, 5. Para fins de apuração do comprometimento ético, enten-
de-se por servidor público todo aquele que, por força de
ou em qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições
lei, contrato ou de qualquer ato jurídico, preste serviços
delegadas pelo poder público, deverá ser criada uma Comis-
de natureza permanente, temporária ou excepcional,
são de Ética, encarregada de orientar e aconselhar sobre a
ainda que sem retribuição financeira, desde que ligado
ética profissional do servidor, no tratamento com as pessoas
direta ou indiretamente a qualquer órgão do poder estatal,
e com o patrimônio público, competindo-lhe conhecer con-
como as autarquias, as fundações públicas, as entidades
cretamente de imputação ou de procedimento susceptível
paraestatais, as empresas públicas e as sociedades de
de censura.
economia mista, ou em qualquer setor onde prevaleça o
XVII – (Revogado pelo Decreto n. 6.029, de 2007)
interesse do Estado.
XVIII – À Comissão de Ética incumbe fornecer, aos
organismos encarregados da execução do quadro de car-
6. Não apenas a preocupação acerca do legal e do ilegal,
reira dos servidores, os registros sobre sua conduta ética,
do justo e do injusto, do conveniente e do inconvenien-
para o efeito de instruir e fundamentar promoções e para
te deve nortear as decisões do servidor público, mas,
todos os demais procedimentos próprios da carreira do ser-
principalmente, a preocupação com o honesto e o de-
vidor público. sonesto, de acordo com os parâmetros constitucionais.
XIX – (Revogado pelo Decreto n. 6.029, de 2007)
XX – (Revogado pelo Decreto n. 6.029, de 2007) 7. Salvo os casos de segurança nacional, investigações
XXI – (Revogado pelo Decreto n. 6.029, de 2007) policiais ou interesse superior do Estado e da admi-
XXII – A pena aplicável ao servidor público pela Comis- nistração pública, a serem preservados em processo
são de Ética é a de censura e sua fundamentação constará previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a pu-
do respectivo parecer, assinado por todos os seus integran- blicidade de qualquer ato administrativo constitui regra
tes, com ciência do faltoso. que deve ser seguida, sob pena de comprometimento
XXIII – (Revogado pelo Decreto n. 6.029, de 2007) ético contra o bem comum.
XXIV – Para fins de apuração do comprometimento
ético, entende-se por servidor público todo aquele que, por 8. A função pública deve ser tida como exercício profissio-
força de lei, contrato ou de qualquer ato jurídico, preste ser- nal e, portanto, os fatos e atos verificados na conduta
viços de natureza permanente, temporária ou excepcional, do dia a dia do servidor, em sua vida privada, não po-
ainda que sem retribuição financeira, desde que ligado direta derão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida
ou indiretamente a qualquer órgão do poder estatal, como as funcional.
autarquias, as fundações públicas, as entidades paraesta-
tais, as empresas públicas e as sociedades de economia 9. Em todos os órgãos e entidades da Administração Pú-
mista, ou em qualquer setor onde prevaleça o interesse do blica Federal direta, indireta autárquica e fundacional,
Estado. ou em qualquer órgão ou entidade que exerça atribui-
XXV – (Revogado pelo Decreto n. 6.029, de 2007) ções delegadas pelo poder público, deverá ser criada
uma comissão de ética, que pode instaurar procedi-
EXERCÍCIOS mento do qual, ao seu fim, pode resultar pena de cen-
sura ou suspensão.
Julgue os itens a seguir, acerca do Código de Ética
Profissional do Servidor Público Civil do Poder 10. Considera-se a função pública como integrada à vida
Executivo Federal. particular do servidor, devido ao seu caráter de exercício
profissional.
1. É dever do servidor público ter respeito à hierarquia,
razão pela qual ele não deve representar contra seus 11. A conivência com o erro no serviço público é possível
superiores mesmo em situação em que estes compro- em situações em que o espírito de solidariedade entre
metam a estrutura em que se funda o poder estatal. os colegas deva prevalecer.

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12. A participação do servidor público em estudos que vi- 26. A publicidade de todo e qualquer ato administrativo
sem à melhoria dos serviços prestados tem como obje- constitui requisito de eficácia e moralidade, sendo que
tivo prioritário o seu aperfeiçoamento profissional. sua omissão enseja comprometimento ético contra o
bem comum, imputável a quem negar.
13. É condição indispensável para o exercício da função
pública o respeito à hierarquia, em qualquer circuns- 27. O servidor público que permite a formação de longas
tância. filas na repartição está atentando contra a moral e a
REBECA GUIMARÃES

ética no serviço público.


14. É vedado ao servidor público sugerir qualquer tipo de
prêmio para o cumprimento da sua missão. 28. É dever fundamental do servidor público participar dos
movimentos e estudos que se relacionem com a me-
15. O trabalho do servidor público segue princípios éticos, lhoria do exercício de suas funções, tendo por escopo
assim, a eficácia na prestação dos serviços seria a ma- a realização do bem comum.
terialização desses princípios.
29. É dever do servidor público abster-se, de forma abso-
16. Embora contrário aos interesses da gestão pública, o luta, de exercer sua função, poder ou autoridade com
servidor não poderá usar de falsidade na relação com finalidade estranha ao interesse público, mesmo que
o usuário. observando as formalidades legais e não cometendo
qualquer violação expressa à lei.
17. O servidor público, no exercício de suas funções, deve
decidir sobre o que é oportuno e o que é inoportuno, 30. Não constitui ato imoral ao serviço público o servidor
mas, em relação ao que é honesto ou não, deve ser que embriaga-se habitualmente fora do serviço.
consoante à cultura do ambiente em que atua.
31. Tadeu, funcionário de um órgão de atendimento ao
18. A conduta do servidor público, ao equilibrar a legali- público, exerce suas atribuições com agilidade e cor-
dade e a finalidade do ato administrativo, consolida a reção e procura prioritariamente atender aqueles usu-
moralidade na Administração Pública. ários mais necessitados, conforme a sua avaliação.
Nessa situação Tadeu apresenta comportamento anti-
19. Causar danos por descuido a bens do patrimônio pú- ético, pois privilegia uns em detrimento de outros.
blico não constitui uma ofensa ao Estado, mas aos que
construíram esses bens. 32. Márcio, servidor público, na certeza de que sua ausên-
cia provoca danos ao trabalho e reflete negativamen-
20. José, chefe de uma repartição, utilizando-se das suas te em todo o sistema do órgão, é assíduo, pontual e
prerrogativas e com o objetivo de tornar pública todas produtivo. Nessa situação, Márcio apresenta conduta
as benfeitorias, obras e serviços realizados por ele no ética adequada ao serviço público.
órgão, lançou uma campanha publicitária para promo-
ver-se, nessa circunstância José agiu de acordo com a 33. Francisco, no exercício de cargo público, presenciou
ética no serviço público. fraude praticada por seu chefe imediato no ambiente or-
ganizacional. Nessa situação, por ter consciência de que
21. É assegurado o acesso dos usuários a registros ad- seu trabalho é regido por princípios éticos, Francisco
ministrativos e a informações sobre atos de governo. agiu corretamente ao delatar seu chefe aos superiores.

22. O servidor deve atender com presteza o público em 34. Adriana, competente nos aspectos técnicos e compor-
geral, prestando todas as informações requeridas. tamentais, frequentemente utiliza as prerrogativas de
seu cargo público em razão de interesses pessoais.
23. A dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciên- Nessa situação, Adriana faz uso dos direitos do funcio-
cia dos princípios morais são primados maiores que nalismo público e age eticamente.
devem nortear o servidor público, somente no exercí-
cio do cargo ou função pública, no âmbito profissional. 35. Lucas é servidor público do setor de atendimento do
poder judiciário. Ele tem muitos afazeres e, por isso,
24. A moralidade da Administração Pública deve ser pau- deixa os clientes à espera de atendimento enquanto
tada na distinção entre o bem e o mal. resolve os problemas internos do setor. Nessa situa-
ção, o comportamento dele caracteriza conduta con-
25. O servidor que não tem uma conduta moral na sua trária à ética no serviço público.
vida particular, porém é um excelente profissional den-
tro do serviço cumpre com a ética no serviço público, 36. Uma das formas de se avaliar se é ético um comporta-
já que o essencial é exercer com zelo e dedicação as mento profissional é verificar como o servidor contribui
atribuições do cargo, sempre com vistas a atender o para que a população tenha uma visão positiva a respei-
fim público. to da organização.

8
37. O servidor público deve abster-se de exercer sua fun-
GABARITO
ção, poder, ou autoridade com finalidade estranha ao
interesse público, mesmo não cometendo qualquer 1. E 24. E
violação expressa à lei. 2. C 25. E
3. E 26. E

ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO


38. A cortesia no atendimento de qualquer usuário do ser- 4. E 27. C
viço público é fundamental para o desenvolvimento 5. C 28. C
profissional do serviço dentro da instituição. 6. C 29. C
7. C 30. E
39. O servidor público pode retirar da repartição documento 8. E 31. C
pertencente ao patrimônio público, sem prévia autoriza- 9. E 32. C
10. C 33. C
ção da autoridade competente, se exercer cargo de con-
11. E 34. E
fiança ou função à qual esse documento esteja relacio-
12. E 35. C
nado.
13. E 36. C
14. C 37. C
40. O respeito à hierarquia e a disciplina não impede que
15. C 38. C
o servidor público represente contra ato que caracte- 16. C 39. E
rize omissão ou abuso de poder, ainda que esse ato 17. E 40. C
tenha emanado de superior hierárquico. 18. C 41. E
19. E 42. C
41. A adequada prestação dos serviços públicos está re- 20. E 43. E
lacionada à questões de ordem técnica, sem, neces- 21. C 44. E
sariamente caracterizar-se por uma atitude ética no 22. E
trabalho. 23. E
42. Sueli, servidora pública, apresenta um bom desem-
penho e tem boas relações interpessoais no traba-
lho. Devido a seus vínculos de amizade no ambiente
de trabalho, Sueli, algumas vezes, acoberta irregu-
laridades, de diversas naturezas, praticadas pelos
seus colegas. Nessa situação, a conduta de Sue-
li é antiética, pois privilegia aspectos pessoais em
detrimento de aspectos profissionais e da ética no
serviço público.

43. Ricardo, servidor público, enquanto participava da


preparação de um edital de licitação para contrata-
ção de fornecimento de refeições para o órgão em
que trabalha, antecipou algumas das regras que
iriam fazer parte do edital para Carlos, dono de uma
empresa de fornecimento de marmitas, famosa pela
qualidade e os ótimos preços dos seus produtos,
a fim de que esse pudesse adequar alguns proce-
dimentos de sua empresa ao edital. A iniciativa de
Ricardo deveu-se somente ao fato de ele conhecer
bem os produtos da empresa de Carlos, não lhe tra-
zendo qualquer vantagem pecuniária. Nessa situa-
ção, é correto afirmar que Ricardo agiu em prol do
interesse coletivo e que não fere a ética no serviço
público.

44. Marcos é servidor público e para aumentar sua ren-


da, comercializa, em seu ambiente de trabalho, mas
fora do horário normal de expediente, cópias de CDs
e DVDs. Nessa situação, a conduta de Cláudio não
pode ser considerada imprópria ao serviço público,
pois envolve uma atividade que não guarda relação
direta com as atribuições do cargo.

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REGIME JURÍDICO ÚNICO

S U M ÁRI O

LEI N. 8.112/90 E ALTERAÇÕES POSTERIORES, DIREITOS E DEVERES DO SERVIDOR PÚBLICO. O


SERVIDOR PÚBLICO COMO AGENTE DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL......................................................16
LEI N. 8.112/1990 sujeitos à gerência de grupos de pessoas. A vitaliciedade
decorre da Constituição, e essa contemplou como detentor de
INTRODUÇÃO cargos vitalícios os magistrados (art. 95, I, CF), os membros
do Ministério Público (art. 128, §5º, I, a, CF) e os membros
A presente seção tem como objetivo detalhar os dis- dos Tribunais de Conta da União (art. 73, §3º, CF).
positivos constitucionais referentes ao servidor público e,
O cargo efetivo é provido mediante concurso, por esse
também, abordar as disposições legais referentes aos ser-
motivo tem característica de permanência. Já os cargos em
vidores públicos estatutários federais contidas na Lei n.
comissão são de ocupação transitória. O titular do cargo
8.112/1990.
em comissão pode ser exonerado a qualquer momento pela
Cabe lembrar que os entes políticos (União, Estados, autoridade que o nomeou (exoneração ad nutum). Não há
Distrito Federal e Municípios) podem criar seu regime esta- que se falar em estabilidade para o detentores de cargo em
tutário. O regime adotado na União é a Lei n. 8.112/90, no comissão, são de livre nomeação e exoneração.
Distrito Federal a Lei Complementar n. 840/11, no Estado de As funções de confiança são destinadas a servidores
Goiás é a Lei n. 10.460/88. Cada ente pode criar seu pró- titulares de cargos de provimento efetivo. Tanto a função de
prio regime. Como já foi dito, neste capítulo estudaremos o confiança como o cargo em comissão são destinados às atri-
regime estatutário dos servidores civis federais (União). buições de direção, chefia e assessoramento. No entanto,
as funções de confiança são destinadas apenas a servido-
REGIME ESTATUTÁRIO res efetivos, enquanto os cargos comissionados podem ser
ocupados por servidores efetivos ou não.
Regime estatutário é o conjunto de regras que disci- É oportuno registrar que o art. 5º da Lei n. 8.112/1990
plinam a relação jurídica funcional entre o servidor público estabelece os seguintes requisitos para a investidura do cargo:
estatutário e o Estado. Cada ente federativo tem a prerroga- I – a nacionalidade brasileira; II – o gozo dos direitos políticos;
III – a quitação com as obrigações militares e eleitorais; IV – o
tiva de adotar regime estatutário próprios para disciplinar a
nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo; V – a
relação funcional entre o ente e o servidor. É de saber que os
J. W. GRANJEIRO / RODRIGO CARDOSO

idade mínima de dezoito anos; VI – aptidão física e mental.


estatutos devem obediência à Constituição Federal quando
Por fim, o § 1º do art. 5 autoriza a exigência de outros
esta regulamenta assuntos relacionados a servidores. requisitos: “As atribuições do cargo podem justificar a exi-
O regime estatutário é um regime legal (não contra- gência de outros requisitos estabelecidos em lei”. Decorre
tual). Não há contrato, qualquer alteração na lei altera o então que a lei pode fixar outros requisitos, tais como exame
regime jurídico, logo alterado unilateralmente. Portanto, não psicotécnico, investigação social, limite de idade etc.
há direito adquirido pela manutenção do regime.
A dúvida é a seguinte: a Lei n. 8.112/1990 abrange Para fixar:
apenas os servidores ocupantes de cargo efetivo (aquele Com base no Regime Jurídico dos Servidores Civis
provido mediante concurso público)? A resposta é negativa. da União, instituído pela Lei n. 8.112/1990, julgue os
O regime estatutário alcança os cargos de provimento em itens subsequentes.
comissão (aquele de livre nomeação e exoneração). Dessa (CESPE/ 2008/ STJ/ TÉCNICO JUDICIÁRIO) A re-
forma, grande parte das determinações da Lei n. 8.112/1990 ferida lei estabeleceu, para algumas carreiras espe-
são direcionadas aos ocupantes de cargo em comissão cíficas, denominadas carreiras de Estado, o direito
como, por exemplo: nomeação, posse, exercício, regime dis- à vitaliciedade e à inamovibilidade.
ciplinar etc. Vale lembrar que, alguns direitos garantidos ao
servidor ocupante de cargo efetivo não são estendidos aos Justificativa: Foi visto que a vitaliciedade é prerroga-
tiva de cargos definidos na Constituição. Servidor regido
ocupantes de cargo em comissão como, por exemplo: estabi-
pela Lei n. 8.112/1990 não tem a garantia à vitaliciedade e à
lidade, algumas licenças, os afastamentos, a previdência etc.
inamovibilidade. Vale registrar que tais garantias são prerro-
gativas dos juízes conforme consta no art. 95, CF. Gabarito:
CARGO PÚBLICO errado.

(CESPE / TRE-ES/ ANALISTA JUDICIÁRIO/


Cargo público é o conjunto de atribuições e responsa- 2011) Cargo público é o conjunto de atribuições e
bilidades previstas na estrutura organizacional que devem responsabilidades que, previstas na estrutura orga-
ser cometidas a um servidor (art. 3º da Lei n. 8.112/1990). nizacional, devem ser cometidas a um servidor.
Os cargos públicos podem ser: de carreira ou isolada.
Cargo de carreira é aquele em que há progressão funcional Justificativa: Esse é o conceito de cargo público.
dos servidores através de diversas classes. Essa progres- Gabarito: certo.
são funcional se dá por meio de promoção. Já o cargo iso-
lado não admite a promoção, tem natureza estanque. ACUMULAÇÃO DE CARGO PÚBLICO
Outra característica dos cargos públicos é que podem
ser: vitalícios, efetivos ou em comissão. Segundo o texto constitucional, a regra é a proibição da
acumulação de cargos públicos. No entanto, se houver com-
Os cargos vitalícios são aqueles que os ocupantes têm
patibilidade de horários e se for observada a remuneração
maior garantia de permanência. Consiste em uma prerroga-
do teto constitucional estabelecido pela CF no inciso XI do
tiva para seus titulares. À vitaliciedade é necessária para que
art. 37, poderá haver acumulação de cargos públicos.
seus ocupantes tenham maior independência, sem que sejam

12
O inciso XVI, do art. 37, da CF, tem a seguinte redação: dades máximas dos órgãos envolvidos autorizarem,
o servidor poderá exercer um cargo efetivo com o
XVI – é vedada a acumulação remunerada de car- outro em comissão ou função de confiança.
gos públicos, exceto, quando houver compatibili-
dade de horários, observado em qualquer caso o Para fixar:
disposto no inciso XI.
a) a de dois cargos de professor;
(CESPE /TJ-ES/ ANALISTA JUDICIÁRIO/ 2011) A
b) a de um cargo de professor com outro técnico
CF veda a acumulação ilegal de cargos públicos.
ou científico;
No entanto, permite que um servidor venha a acu-
c) a de dois cargos ou empregos privativos de pro-
mular um cargo efetivo com uma função de confian-
fissionais de saúde, com profissões regulamenta-
das; ça.

Outros casos de acumulação, permitidos, previstos Justificativa: Em regra é vedada a acumulação de


na Constituição Federal: cargos públicos. É permitida a acumulação de cargo efetivo
com uma função de confiança, quando autorizados pelos
• Art. 38, III – vereador com cargo público (havendo órgãos envolvidos. Gabarito: certo.
compatibilidade com horário);
• Art. 95, parágrafo único, inciso I – juiz e magistério; (TRE-ES/ TÉCNICO JUDICIÁRIO/ ÁREA: ADMINIS-
• Art. 128, §5º, II, d – membros do Ministério Público TRATIVA/ 2010) Ainda que interinamente, é vedado
e magistério. ao servidor público exercer mais de um cargo em
comissão.
A proibição de acumular estende-se a empregos e fun-
ções, e abrange autarquias, fundações, empresas públicas,
Justificativa: Foi visto que interinamente o servidor
sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e socieda-
pode exercer mais de um cargo em comissão. Gabarito:
des controladas, direta ou indiretamente pelo Poder Público
(XVII do art. 37 da CF). Por força desse mandamento, temos errado.
como exemplo a proibição de acumular cargos em uma

REGIME JURÍDICO ÚNICO


empresa pública estadual e em um Ministério; ou em uma
autarquia federal e em uma prefeitura. CONCURSO PÚBLICO

ACUMULAÇÃO DE CARGO EM COMISSÃO Os cargos públicos ou empregos públicos devem ser


preenchidos após prévia aprovação em concurso público.
Segundo o art. 119, da Lei n. 8.112/1990, o servidor não Trata-se de regra constante no art. 37, II, da Constituição,
poderá exercer mais de um cargo em comissão, pois o cargo a saber:
comissionado é de dedicação exclusiva. No entanto, o ser-
vidor ocupante de cargo em comissão ou de natureza espe-
II – a investidura em cargo ou emprego público de-
cial poderá ser nomeado para ter exercício, interinamente,
pende de aprovação prévia em concurso público de
em outro cargo de confiança, sem prejuízo das atribuições
de que atualmente se ocupa, hipótese em que deverá optar provas ou de provas e títulos, de acordo com a na-
pela remuneração de um deles durante o período da inte- tureza e a complexidade do cargo ou emprego, na
rinidade (parágrafo único do art. 9º da Lei n. 8.112/1990). forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações
Vale registrar que a lei não estabeleceu prazos mínimos ou para cargo em comissão declarado em lei de livre
máximos para a permanência do interino em suas funções, o nomeação e exoneração.
bom senso nos leva a um prazo razoável/necessário.
Pode ocorrer que o servidor que acumular dois cargos Com efeito, os cargos em comissão podem ser ocu-
de maneira lícita seja nomeado em um cargo em comissão. pados por servidores não detentores de cargo público. Os
Nesse caso, o art. 120 da Lei n. 8.112/1990 disciplina que
ocupantes de cargo em comissão são de livre nomeação e
o servidor que acumular licitamente dois cargos efetivos,
exoneração – ad nutum – decorre então que a permanência
quando investido em cargo de provimento em comissão,
ficará afastado de ambos os cargos efetivos, salvo na hipó- fica vinculada a critérios subjetivos – conforme a vontade/
tese em que houver compatibilidade de horário e local com arbítrio – da autoridade competente.
o exercício de um deles, declarada pelas autoridades máxi- O concurso será de provas ou de provas e títulos. O art.
mas dos órgãos ou entidades envolvidos. 12, da Lei n. 8.112/1990, estabelece que o concurso público
terá validade de até dois anos, podendo ser prorrogado uma
Simplificando: única vez, por igual período. O prazo de validade do con-
• servidor não poderá exercer mais de um cargo em curso é contado de sua homologação, que é o ato admi-
comissão; nistrativo mediante o qual a autoridade competente certifica
• servidor ocupante de cargo em comissão poderá que o procedimento do concurso foi legal/legítimo.
ser nomeado para ter exercício, interinamente, em
Exemplo: considere que determinado concurso tenha
outro cargo de confiança;
• servidor que acumular dois cargos licitamente e for prazo de validade fixado em edital de um ano. Se a Adminis-
nomeado para um outro cargo em comissão, ficará tração achar conveniente a sua prorrogação (discricionarie-
afastado dos dois efetivos. No entanto, se as autori- dade administrativa), poderá prorrogá-lo por mais um ano.

13
Características ocupar determinado cargo público. A nomeação para cargos
• o edital do concurso deverá ser publicado no mínimo de provimento efetivo depende de prévia habilitação em
um vez no Diário Oficial da União e em jornal de concursos público obedecidos a ordem de classificação e o
grande circulação (art. 12, §1º, da Lei n. 8.112/1990); prazo de sua validade.
• não se abrirá novo concurso enquanto houver O §1º, do art. 13, estabelece que a posse ocorrerá no
candidato aprovado em concurso anterior com prazo de trinta dias contados da publicação do ato de provi-
prazo de validade não expirado (art. 12, §2º da Lei mento (nomeação). O ato de provimento (nomeação) será tor-
n. 8.112/1990). Esse dispositivo proíbe que seja rea- nado sem efeito se a posse não ocorre no prazo previsto, ou
lizado um novo concurso enquanto houver candida- seja, em até 30 dias.
tos aprovados em concurso anterior. Deve-se lem-
brar que esse dispositivo é válido para a contratação IMPORTANTE
de servidores públicos federais;
• o inciso IV, do art. 37, da CF, estabelece que “durante A Administração, necessariamente, terá de nomear todos os
o prazo improrrogável previsto no edital de convo- candidatos aprovados dentro do número de vagas previstas no
cação, aquele aprovado em concurso público de edital. A posição tradicional do STF sustentava que o candidato
provas ou de provas e títulos será convocado com tinha mera expectativa de direito à nomeação, ou seja, fica a
prioridade sobre novos concursados para assumir critério da Administração nomear o número de candidatos
cargo ou emprego, na carreira”. que achasse necessário. Por esse posicionamento, se o edital
constasse 100 vagas, poderia a Administração nomear dez, vinte,
ou mesmo não nomear ninguém. No entanto, o posicionamento
IMPORTANTE
atual mudou de modo à existência de direito subjetivo (direito
A Constituição apenas estabeleceu prioridade para a nomeação de exigir a nomeação) à nomeação quando o candidato for
de aprovados em concurso anterior – ainda dentro do prazo de classificado dentro do número de vagas previstas no edital.
validade – sobre os aprovados no novo concurso para o mesmo Temos como exemplo as decisões: RMS 19.478-SP, 6ª Turma,
J. W. GRANJEIRO / RODRIGO CARDOSO

cargo ou emprego. Assim, não é proibida a abertura de um Rel. Min. NILSON NAVES, em 06.05.2008; RMS 15.420-PR
novo concurso público para cargo ou emprego dentro do prazo (jul. 17.04.2008); RMS 15.345-GO (DJ 24.04.2007).
de validade de um concurso anterior realizado pela mesma
administração. A exigência é que apenas sejam nomeados os
antigos aprovados. Para fixar:

(CESPE/ MPE) Candidato aprovado em concurso


Devemos ressaltar que a Lei n. 8.112/1990 não ofende público dentro do número de vagas previsto no edi-
a Constituição ao disciplinar a não abertura de concurso tal possui o direito subjetivo à nomeação, segundo
no prazo de validade, mesmo no prazo improrrogável. Se entendimento do Supremo Tribunal Federal.
esse tema for cobrado em provas de concursos o candidato
deverá observar se a banca examinadora está abordando o Justificativa: Foi visto que o aprovado dentro do número
tema conforme a Constituição ou conforme o estabelecido na de vagas oferecidas em edital de concurso tem direito subje-
Lei n. 8.112/1990. tivo (de exigir) sua nomeação. Gabarito: certo.

RESERVA DE PERCENTUAL DE CARGOS E EMPREGOS PÚBLI- POSSE


COS AOS PORTADORES DE DEFICIÊNCIAS
A investidura em cargo público ocorrerá com a posse
Primeiro é importante registrar que a Constituição de (art. 7º da Lei n. 8.112/1990). A partir da posse se passa
1988, com vista a promover ações à garantia dos direitos da a ser servidor público. A posse ocorrerá no prazo de trinta
pessoa portadora de necessidades especiais, assegura que dias contados da publicação do ato de provimento (nomea-
“a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos ção). Se não for assinado o termo de posse dentro do prazo
para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os crité- de trinta dias, após a nomeação, o ato de nomeação será
tornado sem efeito. Após a assinatura do termo de posse o
rios de sua admissão” (CF, art. 37, VIII).
servidor terá quinze dias para entrar em exercício, se assim
Com o objetivo de regulamentar esse tema na esfera
não o fizer, será exonerado de ofício.
federal, a Lei n. 8.112/1990, estabelece que “às pessoas por-
tadoras de deficiência é assegurado o direito de se inscrever
QUESTÕES REFERENTES À POSSE
em concurso público para provimento de cargo cujas atribui-
ções sejam compatíveis com a deficiência de que são porta-
• A posse poderá dar-se mediante procuração espe-
doras; para tais pessoas serão reservadas até 20% (vinte por
cífica (§3º do art. 13 da Lei n. 8.112/1990).
cento) das vagas oferecidas no concurso (art. 5º, §2º).
• Súmula n. 226 do STJ: “o diploma de habilitação
legal para o exercício do cargo deve ser exigido na
NOMEAÇÃO
posse, e não na inscrição para o concurso público”.
• A posse dependerá de prévia inspeção médica ofi-
Para Cavalcante Filho (2008, p. 32), a nomeação é o
cial e, só poderá ser empossado aquele que for jul-
ato unilateral da Administração por meio do qual o Estado
gado apto física e mentalmente para o exercício do
demonstra interesse em que determinada pessoa passe a
cargo.

14
O §2º do art. 13 da Lei n. 8.112/1990 autoriza a prorro- ESTABILIDADE. AVALIAÇÃO. DESEMPENHO.
gação da posse quando o nomeado já for servidor público LICENÇA. PRAZO. Quando, dentro do período de
três anos, a avaliação de desempenho do servidor
e se encontrar em licença ou nas hipóteses legais de afas-
(art. 41 da CF/1988, com a redação dada pela EC
tamento, sendo que o prazo para posse (30 dias contados n. 19/1998) for impossibilitada em razão de afasta-
do ato de provimento) será contado do término do impe- mentos pessoais, esse prazo deverá ser prorroga-
dimento. Diante disso, o prazo da posse será prorrogado do pelo mesmo lapso de tempo em que perdurar
quando o nomeado estiver de: licença por motivo de doença o afastamento ou licença, de modo a permitir a
referida avaliação, pois o efetivo exercício da fun-
em pessoa da família, para o serviço militar, para capacita- ção é-lhe condição. Mostra-se, portanto, impossível
ção, à gestante, à adotante, à paternidade, por motivo de aproveitar aqueles períodos de licença ou afasta-
acidente em serviço ou doença profissional, bem como nos mento. Precedentes citados: RMS 9.931-PR, DJ
afastamentos em virtude de férias, de pós-graduação stricto 15.10.2001, e REsp 173.580-DF, DJ 17.12.1999.
RMS 19.884-DF, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em
sensu no país e para participar em competição desportiva.
08.11.2007.

Para fixar: Em síntese: considere que um servidor já tenha cum-


prido um ano de exercício para fins de contagem de tempo
(CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/POLÍCIA
para aquisição da estabilidade. Contudo, o servidor preci-
LEGISLATIVA/ 2014) Um cidadão aprovado no car-
sou pedir licença para acompanhar cônjuge que foi remo-
go de técnico legislativo da Câmara dos Deputados
vido para outro ponto do território nacional. Nesse caso,
que não possa comparecer à sua posse por motivos
suspende a contagem para aquisição da estabilidade até o
de foro pessoal poderá tomar posse mediante pro-
retorno do servidor a seu cargo. Afinal, o STJ entende que
curação específica.
apenas o efetivo exercício no cargo permite a “referida ava-
liação, pois o efetivo exercício da função é-lhe condição”.
Justificativa: foi visto que a posse poderá ocorrer
A estabilidade é alcançada apenas pelos servidores
mediante procuração específica. Gabarito: certo estatutários, não há que se falar em estabilidade para servi-
dores ocupantes de cargo comissionado ou para emprega-

REGIME JURÍDICO ÚNICO


EXERCÍCIOS dos públicos (CLT).

O exercício representa o efetivo desempenho das atri- ESTÁGIO PROBATÓRIO


buições do cargo público. Conforme o §1º do art. 15 da Lei n.
8.112/1990 “é de quinze dias o prazo para o servidor empos- O art. 20 da Lei n. 8.112/1990 regulamenta o estágio
sado em cargo público entrar em exercício, contados da probatório nos seguintes termos:
data da posse”. Vimos que o servidor empossado que não
entrar em exercício no prazo de quinze dias será exonerado Art. 20. Ao entrar em exercício, o servidor nomeado
de ofício. Após entrar em exercício, o servidor fará jus à retri- para cargo de provimento efetivo ficará sujeito a es-
buição pecuniária referente ao cargo, iniciam-se a contagem tágio probatório por período de 24 (vinte e quatro)
meses, durante o qual a sua aptidão e capacidade
do período do estágio probatório e do da estabilidade.
serão objeto de avaliação para o desempenho do
cargo, observados os seguinte fatores: (vide EMC
ESTABILIDADE n. 19)
I – assiduidade;
São estáveis após três anos de efetivo exercício os ser- II – disciplina;
vidores nomeados para cargo de provimento efetivo em vir- III – capacidade de iniciativa;
tude de concurso público (art. 41 da CF). A estabilidade é a IV – produtividade;
V – responsabilidade.
garantia constitucional de permanência no serviço público
outorgada ao servidor após três anos de efetivo exercício.
Questão a ser destacada é em relação ao prazo do
O §4º do art. 41 da CF disciplina que é condição obrigató-
estágio probatório. Vimos que o estatuto dos servidores
ria para a aquisição da estabilidade avaliação especial de
públicos federais estabelece que o estágio probatório é de
desempenho por comissão. Portanto, a estabilidade não
vinte e quatro meses. Nesse período é avaliado se o ser-
é alcançada por mero decurso temporal, pois é exigido que
vidor tem aptidão para o cargo ao qual desempenha suas
o servidor seja avaliado por comissão de avaliação criada
funções.
com essa finalidade. No entanto, a doutrina dominante advoga que o do
Conforme consta no art. 41, da CF, é requisito obje- art. 20 da Lei n. 8.112/1990 não foi recepcionado pela nova
tivo para a aquisição da estabilidade o efetivo exercício do redação do art. 41 introduzida pela EC n. 19/1998, ou seja, o
servidor no cargo para o qual foi nomeado. Desse modo, o estágio probatório deve ser de três anos para coincidir com
STJ já se pronunciou que se o servidor afastar do seu cargo o prazo da estabilidade.
efetivo em razão de licenças ou afastamentos, o prazo Hely Lopes Meirelles (2008, p. 451-452) leciona que
da contagem da estabilidade será suspenso, só iniciando estágio probatório de três anos “é o período de exercício do
novamente a contagem após o retorno do servidor em suas servidor durante o qual é observado e apurada pela Adminis-
atividades. É o que consta no seguinte julgado do Superior tração a conveniência ou não de sua permanência no ser-
Tribunal de Justiça: viço público (...)”.

15
Merece destacar que o STF atualmente acolhe a (CESPE / TCE-ES/ PROCURADOR/ 2009) Con-
forme recente entendimento do STJ, o prazo do
orientação segundo a qual o estágio probatório é o perí-
estágio probatório não foi alterado, com o advento
odo compreendido entre o início do cargo e a aquisição de da Emenda Constitucional n. 19/1998, que fixou o
estabilidade no serviço público, que se dá após três anos prazo para aquisição da estabilidade em três anos.
(Informativo/STF n. 317).
(CESPE/TCU/ANALISTA DE CONTROLE EXTER-
Vale destacar que, apesar de a doutrina e de a jurispru- NO/ 2009) Conforme recente entendimento do STJ,
dência disciplinarem que a estabilidade e o estágio devem o prazo do estágio probatório dos servidores públi-
ter períodos iguais, são institutos totalmente diversos: o cos é de 24 meses, visto que tal prazo não foi altera-
do pela Emenda Constitucional n. 19/1998, que tra-
estágio probatório tem como objetivo avaliar a aptidão ta apenas da estabilidade dos referidos servidores.
do servidor para o exercício do cargo e a estabilidade é
caracterizada como expectativa de permanência no serviço (CESPE / ANALISTA DE CORREIOS/ 2011) Ao en-
trar em exercício, o servidor nomeado para cargo de
público, que se adquire com três anos de efetivo exercício, provimento efetivo ficará sujeito a estágio probatório
desde que seja aprovado em avaliação especial de desem- por período de vinte e quatro meses, durante o qual
penho por comissão instituída para essa finalidade (CF, art. sua aptidão e sua capacidade serão objetos de ava-
liação para o desempenho do cargo, observados os
41, e §4º). seguinte fatores: assiduidade, disciplina, capacida-
de de iniciativa, produtividade e responsabilidade.
Para fixar:
Justificativa: Todas as questões estão erradas, pois
(CESPE/ TRF/ JUIZ/ 2009) Conforme recente enten- vimos que a jurisprudência orienta que o prazo do está-
dimento do STJ, o prazo do estágio probatório é de gio deve ser o mesmo da estabilidade. Entende-se que a
24 meses, não tendo sido modificado ante a altera- Emenda Constitucional n. 19/1998, que alterou a redação
do o art. 41da CF, revogou tacitamente o art. 20, caput, da
J. W. GRANJEIRO / RODRIGO CARDOSO

ção constitucional que fixou o prazo de 3 anos como


requisito objetivo para a obtenção da estabilidade. Lei n. 8.112/1990.

PARA FIXAR
Criação do cargo por lei edital do concurso realização da prova homologação

posse exercício estágio probatório (3 estabilidade (3 anos,


nomeação
(30 dias, contados da nomeação) (15 dias, contados da posse) anos, segundo o STF) art. 41 da CF)

16
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

S U M ÁRI O

DIREITOS E DEVERES FUNDAMENTAIS: DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS; DIREITO


À VIDA, À LIBERDADE, À IGUALDADE, À SEGURANÇA E À PROPRIEDADE; DIREITOS SOCIAIS;
NACIONALIDADE; CIDADANIA; GARANTIAS CONSTITUCIONAIS INDIVIDUAIS; GARANTIAS DOS
DIREITOS COLETIVOS, SOCIAIS E POLÍTICOS...............................................................................................48
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (ARTIGOS DE 37 A 41, CAPÍTULO VII, CONSTITUIÇÃO FEDERAL)...........88
a. função social da propriedade.

EXERCÍCIOS b. liberdade individual.
c. igualdade material.
1. (FCC/ TRT - 6ª Região (PE)/ Técnico Judiciário/ Área d. inviolabilidade domiciliar.
Administrativa/ 2012) A Constituição Federal reconhe- e. segurança jurídica.
ce que são Poderes da União, independentes e har-
mônicos entre si, APENAS o 5. (FCC/ TRF - 2ª REGIÃO/ Técnico Judiciário/ Segu-
a. Legislativo e o Executivo. rança e Transporte/ 2012) Quanto às relações inter-
b. Judiciário e o Legislativo. nacionais, o Brasil rege-se, segundo expressamente
c. Executivo, o Legislativo e o Judiciário. disposto no artigo 4º da Constituição Federal brasileira
d. Legislativo, o Executivo, o Judiciário e o Ministério de 1988, pelo princípio
Público. a. do juiz natural.
e. Executivo, o Legislativo, o Judiciário, o Ministério b. do efeito mediato.
Público e a Defensoria Pública. c. da sucumbência.
d. da igualdade entre os Estados.
2. (FCC/ TRT - 6ª Região-(PE)/ Técnico Judiciário/ Se- e. da concentração.
gurança/ 2012) No que concerne à organização dos
Poderes da União, é correto afirmar, com base na 6. (FCC/ TRE-SP/ Técnico Judiciário/ Área Administrati-
Constituição Federal, que va/ 2012) O mecanismo pelo qual os Ministros do Su-
a. o Judiciário é hierarquicamente superior ao Exe- premo Tribunal Federal são nomeados pelo Presidente
cutivo e ao Legislativo, na medida em que àquele da República, após aprovação da escolha pelo Sena-
incumbe decisão final sobre a constitucionalidade do Federal, decorre do princípio constitucional da
das normas vigentes.
a. separação de poderes.
b. são independentes e harmônicos entre si, impon-
b. soberania.
do- se influências e limitações recíprocas que se
c. cidadania.
prestam à limitação do poder estatal.
d. inafastabilidade do Poder Judiciário.
c. o Executivo é hierarquicamente superior ao Legis-
e. solução pacífica dos conflitos.
lativo, na medida em lhe é autorizado legislar por
meio de medidas provisórias.
7. (FCC/ TRE-PR/ Técnico Judiciário/ Área Administrati-
d. o Legislativo é hierarquicamente superior ao Exe-
va/ 2012) A Carta Africana dos Direitos do Homem e
cutivo, na medida em que pode derrubar o veto do
dos Povos, assinada por Estados do continente africa-
Chefe do Executivo a determinada lei, tornando-a
vigente. no em 1981, enuncia, em seu artigo 20, que todo povo
tem um direito imprescritível e inalienável, pelo qual
e. são independentes e harmônicos, não se relacio-
determina livremente seu estatuto político e garante
nando entre si, devendo eventual conflito ser diri-
seu desenvolvimento econômico e social pelo caminho
mido por organismo supranacional.
que livremente escolheu.
Na Constituição da República Federativa do Brasil, o
3. (FCC/ TRT - 6ª Região/ 2012) Analista Judiciário/ Exe-
teor de referido enunciado encontra equivalência no
cução de Mandados) O voto é uma das principais ar-
princípio de regência das relações internacionais de
mas da Democracia, pois permite ao povo escolher os
responsáveis pela condução das decisões políticas de a. repúdio ao terrorismo e ao racismo.
um Estado. Quem faz mau uso do voto deixa de ze- b. construção de uma sociedade livre, justa e solidária.
lar pela boa condução da política e põe em risco seus c. erradicação da pobreza e da marginalização.
próprios direitos e deveres, o que afeta a essência do d. autodeterminação dos povos.
Estado Democrático de Direito. Dentre os fundamen- e. concessão de asilo político.
tos da República Federativa do Brasil, expressamente
previstos na Constituição, aquele que mais adequada- 8. (FCC/ TRT - 14ª Região/ Técnico Judiciário/ Área Ad-
mente se relaciona à ideia acima exposta é a ministrativa/ 2011) NÃO constitui objetivo fundamental
IVAN LUCAS

a. soberania. da República Federativa do Brasil, previsto expressa-


b. prevalência dos direitos humanos. mente na Constituição Federal,
c. cidadania. a. construir uma sociedade livre, justa e solidária.
d. independência nacional. b. garantir o desenvolvimento nacional.
e. dignidade da pessoa humana. c. erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
desigualdades sociais e regionais.
4. (FCC/ TRT - 6ª Região/ Analista Judiciário/ Área Ju- d. captar tributos mediante fiscalização da Receita
diciária/ 2012) O princípio constitucional, relacionado Federal.
aos direitos fundamentais, que embasa a “Lei Maria e. promover o bem de todos, sem preconceitos de
da Penha”, permitindo que a mulher receba um trata- origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras
mento jurídico preferencial em relação ao homem nas formas de discriminação.
situações de violência doméstica e familiar, é o da

18
9. (FCC/ TRF - 1ª REGIÃO/ Técnico Judiciário/ Área Ad- 14. (FCC/ TRF - 5ª REGIÃO/ Analista Judiciário/ Tecno-
ministrativa/ 2007) Dentre as proposições abaixo, é logia da Informação/ 2008) Nas suas relações inter-
INCORRETO afirmar que a República Federativa do nacionais, a República Federativa do Brasil rege-se,
Brasil tem como fundamentos, dentre outros, dentre outros, pelo princípio da
a. a cidadania e o pluralismo político. a. dependência nacional e do pluralismo político.
b. a soberania e a dignidade da pessoa humana. b. intervenção e da cidadania.
c. o pluralismo político e a valorização social do tra- c. autodeterminação dos povos.
balho. d. solução bélica dos conflitos e da soberania.
d. a dignidade da pessoa humana e o valor da livre
e. vedação de asilo político.
iniciativa.
e. a autonomia e a dependência nacional.
15. (FCC/ TRF - 5ª REGIÃO/ Técnico Judiciário/ Seguran-
ça e Transporte/ 2008) NÃO constitui princípio funda-
10. (FCC/ TRF - 4ª REGIÃO/ Analista Judiciário/ Taquigra-
mental da República Federativa do Brasil
fia/ 2010) NÃO constitui princípio que rege a República
Federativa do Brasil nas suas relações internacionais, a. o valor social do trabalho e da livre iniciativa.
previsto na Constituição Federal: b. a soberania.
a. concessão de asilo político. c. a dignidade da pessoa humana.
b. independência nacional. d. a determinação dos povos.
c. repúdio ao terrorismo e ao racismo. e. o pluralismo político.
d. autodeterminação dos povos.
e. busca de integração econômica. 16. (FCC/ TRF - 1ª REGIÃO/ Técnico Judiciário/ Área Ad-
ministrativa/ 2006) Dentre as proposições abaixo, é
11. (FCC/ AL-SP/ Agente Técnico Legislativo Especializa- INCORRETO afirmar que a República Federativa do
do/ Direito/ 2010) No Brasil, as funções atípicas, rela- Brasil, nas suas relações internacionais, rege-se pelo
cionadas à teoria da separação de poderes, princípio da
a. são consideradas inconstitucionais, pois ferem a a. independência nacional.
harmonia e a independência dos Poderes. b. vedação ao asilo político.
b. só poderão ser realizadas mediante expressa pre- c. não intervenção.
visão legal.
d. prevalência dos direitos humanos.
c. possibilitam ao Senado Federal julgar o Presidente
e. autodeterminação dos povos.
da República por crime de responsabilidade.
d. permitem aos Tribunais Superiores aprovar súmula
17. (FCC/ TCE-GO/ Técnico de Controle Externo/ Área
com efeito vinculante em relação aos demais ór-
Administrativa/ 2009) Considere as seguintes afirma-
gãos do Poder Judiciário. ções sobre os princípios fundamentais da Constituição
e. garantem ao Poder Executivo prerrogativa para da República:
apurar fato determinado e por prazo certo com I – A República Federativa do Brasil é formada pela
poderes de investigação próprios das autoridades união indissolúvel dos Estados, Municípios e Dis-
judiciais. trito Federal.
II – Todo o poder emana do povo, que o exerce por
12. (FCC/ AL-SP/ Agente Legislativo de Serviços Técnicos meio de representantes ou diretamente, nos termos
e Administrativos/ 2010) Constitui um dos fundamen- da Constituição.
tos da República Federativa do Brasil, de acordo com III – Constituem objetivos fundamentais da República
a Constituição Federal de 1988, Federativa do Brasil, dentre outros, a construção de
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

uma sociedade livre, justa e solidária e a garantia


a. a garantia do desenvolvimento nacional.
do desenvolvimento nacional.
b. a não intervenção. Está correto o que se afirma em
c. a defesa da paz. a. I, II e III.
d. a igualdade entre os Estados. b. I, apenas.
e. o pluralismo político. c. II, apenas.
d. III, apenas.
13. (FCC/ MPU/ Analista/ Orçamento/ 2007) A República e. I e II, apenas.
Federativa do Brasil rege-se, nas suas relações inter-
nacionais, pelo princípio, dentre outros, 18. (FCC/ DPE-SP/ Defensor Público/ 2006) Quanto ao
a. do pluralismo político. federalismo é correto afirmar:
b. da garantia do desenvolvimento nacional. a. Consiste na divisão de poder entre governo central
e governos regionais na qual cada ente federativo,
c. da erradicação da marginalidade e redução das de-
definido geograficamente, mantém sua soberania.
sigualdades sociais.
b. É uma forma de Estado freqüente: há mais de duas
d. da dignidade da pessoa humana.
vezes estados federais que unitários.
e. da não-intervenção.

19
c. Não permite diferentes formas de governo entre as 22. (FCC/ TJ-GO – Juiz/ 2012) Relativamente à desapro-
unidades regionais ou locais componentes da fede- priação por interesse social, para fins de reforma agrária,
ração e as unidades centrais. a. as benfeitorias necessárias serão indenizadas em
d. É costumeiro em países relativamente extensos ou dinheiro, mas não as úteis.
aqueles de menor diversidade social e cultural. b. o decreto que declarar o imóvel como de interesse
e. A autonomia federativa assenta-se na existência social, para fins de reforma agrária, autoriza o Mu-
de órgãos governamentais próprios e com compe- nicípio a propor a ação de desapropriação.
tências exclusivas. c. cabe à lei ordinária estabelecer procedimento con-
traditório especial, de rito sumário, para o processo
19. (FCC/ DPE-SP/ Defensor Público/ 2006) Em relação à judicial de desapropriação.
dignidade da pessoa humana, prevista pela Constitui- d. o orçamento fixará a cada dois anos o volume total
ção Federal de 1988 como fundamento da República de títulos da dívida agrária, assim como o montante
Federativa do Brasil, é possível afirmar: de recursos para atender ao programa de reforma
a. É um direito público subjetivo expresso numa nor- agrária no biênio.
ma regra. e. são isentas de impostos federais, estaduais e mu-
b. Por ser fundamento e princípio constitucional es- nicipais as operações de transferência de imóveis
truturante é densificada ao longo do texto consti- desapropriados para fins de reforma agrária.
tucional.
c. Por ser uma norma programática a sua efetivação 23. (FCC/ TRF - 2ª REGIÃO/ Técnico Judiciário/ Contabili-
dependerá de políticas públicas que venham a ser dade/ 2012) Caio, Pompeu, Cesar, Flávio e Otaviano,
adotadas pelos governantes. são, respectivamente, policial civil, delegado de polí-
d. É suficiente para sua realização o respeito aos di- cia, promotor de justiça, juiz de direito e jornalista. Jú-
reitos individuais clássicos: direito à vida, à liberda- lio, sem estar em estado de fragrante delito, foi preso
de, à igualdade, à segurança e à propriedade. no interior de casa durante o dia por policiais militares
e. Exprime um conceito extremamente vago que que, sem autorização do morador, arrebentaram a por-
comporta ampla discricionariedade judicial, deven- ta de entrada e efetuaram sua prisão. No caso, para
do, portanto, ser evitado em demandas judiciais. que a prisão de Júlio seja válida, é necessária a prévia
determinação de
20. (FCC/ MPE-AP/ Técnico Administrativo/ 2009) A Cons- a. Cesar
tituição Federal, no capítulo reservado aos princípios b. Pompeu.
fundamentais, estabelece que a República Federativa c. Caio.
do Brasil rege-se nas suas relações internacionais, d. Otaviano.
dentre outras hipóteses, pelo princípio da e. Flávio
a. não intervenção. 24. (FCC/ TRF - 2ª REGIÃO/ Técnico Judiciário/ Conta-
b. dependência nacional condicionada. bilidade/ 2012) O sindicato dos aeroviários realizou
passeata pacífica e sem armas na Lagoa Rodrigo de
c. determinação dos povos quanto à dignidade da
Freitas, na Cidade Rio de Janeiro. Essa reunião será
pessoa humana.
considerada lícita desde que
d. solução bélica e não arbitral dos conflitos.
a. tenha sido previamente autorizada pela autoridade
e. vedação de asilo e de exílio político-partidário.
competente e não seja vinculada a greve ilegal.
b. tenha sido previamente autorizada pela autoridade
21. (FCC/ TRT - 4ª REGIÃO/ Juiz do Trabalho/ 2012) Ten-
competente, apenas.
do sido noticiado pela imprensa que haviam sido for- c. não tenha frustrado outra reunião anteriormente
muladas denúncias contra si perante a Corregedoria- convocada para o mesmo local, sendo apenas exi-
-Geral da União, as quais afirma serem inverídicas, um gido prévio aviso à autoridade competente.
indivíduo formula pedido junto ao órgão para obter, por d. não critique os atos administrativos dos Estados e
meio de certidão, a identificação dos autores das refe- dos Municípios, apenas.
ridas denúncias, a fim de que a certidão em questão e. não critique os atos administrativos da União, apenas.
IVAN LUCAS

possa ser utilizada, na defesa de direitos, como meio


de prova em processo judicial. O pedido para obtenção 25. (FCC/ DPE-SP/ Defensor Público/ 2012) A respeito dos
da certidão é indeferido. Em tal situação, a fim de ver direitos e das garantias fundamentais pré-vistos na or-
sua pretensão acolhida perante o órgão correicional, dem constitucional brasileira vigente, é correto afirmar:
poderá o indivíduo valer-se judicialmente da impetra- a. As pessoas presas, ainda que provisoriamente, em
razão de processo penal, têm seus direitos políti-
ção de
cos suspensos, não podendo, inclusive, exercer
a. mandado de injunção.
direito de voto.
b. ação popular.
b. Para efeitos do disposto no artigo 5º, XI, da Cons-
c. habeas corpus.
tituição Federal de 1988, o conceito normativo de
d. habeas data. “casa” deve ser entendido de forma abrangente, de
e. mandado de segurança. forma a alcançar qualquer compartimento privado

20
não aberto ao público, onde alguém exerce profis- III – um suspeito, ao ser detido, poderá solicitar a iden-
são ou atividade, mas não deve ser estendido a tificação de seus detentores; contudo, os vigilantes
“barracos” construídos irregularmente, por exem- não são obrigados a fazê-la;
plo, em áreas públicas. IV – um meliante, ao ser detido pela segurança de uma
c. Segundo entendimento consolidado do Supremo
instituição, deverá ser informado de seus direitos,
Tribunal Federal, ao contrário da busca domiciliar e
inclusive o de permanecer calado, se assim o de-
da decretação da prisão, ressalvada a situação de
flagrância penal, não se considera cláusula cons- sejar;
titucional de reserva de jurisdição a interceptação V – a prática de tortura contra presos, com o fim de ob-
telefônica, podendo esta ser determinada, inclu- tenção de informações ou confissão, será conside-
sive, por Comissão Parlamentar de Inquérito, nos rada crime inafiançável, por ela respondendo não
termos do artigo 58, §3º , da Constituição Federal só os executantes, mas também os mandantes e
de 1988. os que, tendo conhecimento e podendo evitá-la, se
d. A prática de racismo, a ação de grupos armados, omitiram.
civis ou militares, contra a ordem constitucional e o
Estado Democrático e a prática do tráfico ilícito de Estão corretas APENAS as afirmações
a. I e III.
entorpecentes e de drogas afins são considerados
b. I, IV e V.
crimes imprescritíveis.
c. II, III e IV.
e. O disposto no artigo 5º, XXXVI, da Constituição
d. II, III e V.
Federal de 1988, segundo o qual “a lei não pre- e. II, IV e V.
judicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito
e a coisa julgada”, não proibiu a retroatividade da 28. (CESGRANRIO/ BACEN/ Técnico do Banco Central/
lei, mas, apenas, protegeu o direito adquirido, o ato Area 1/ 2010) Juan, cidadão argentino residente no
jurídico perfeito e a coisa julgada de eventual ação Brasil, dirigiu-se ao Banco Central a fim de encami-
retroativa de lei. nhar uma petição dirigida a determinada autoridade,
reclamando sobre a conduta abusiva de um funcioná-
26. (CESGRANRIO/ TJ-RO/ Técnico Judiciário/ 2008) O rio. Nesse caso, a Constituição
chamado princípio do Juiz Natural assegura que a. condiciona o exercício deste direito ao pagamento
a. a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário de taxa correspondente ao serviço.
lesão ou ameaça a direito. b. permite a Juan exercer tal direito.
b. ninguém será processado nem sentenciado, senão c. assegura esse direito apenas aos brasileiros (natos
ou naturalizados).
pela autoridade competente.
d. assegura esse direito apenas aos brasileiros no
c. ninguém será preso, senão em flagrante delito ou
gozo dos direitos políticos.
por ordem escrita e fundamentada de autoridade
e. não assegura tal direito.
judiciária competente.
d. nenhum brasileiro será extraditado, salvo o natura- 29. (CESGRANRIO/ BACEN/ Analista do Banco Central/
lizado, em caso de crime comum, praticado antes Todas as áreas/ 2010) Na hipótese de o Banco Central
da naturalização, ou de comprovado envolvimento vir a praticar ato manifestamente ilegal e lesivo ao pa-
em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. trimônio público, um cidadão brasileiro, indignado com
e. aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o ocorrido e com o propósito de anular o referido ato,
são assegurados o contraditório e a ampla defesa. pode ajuizar
a. ação popular.
27. (CESGRANRIO/ BACEN/ Técnico do Banco Central/ b. ação civil pública.
NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL

Área 2/ 2010) A Constituição Federal de 1988, em seu c. mandado de segurança coletivo.


Art. 5º, estabelece os direitos e deveres individuais do d. mandado de injunção coletivo.
cidadão: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção e. habeas data.
de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e
aos estrangeiros residentes no país, a inviolabilidade 30. (CESGRANRIO/ TJ-RO/ Oficial de Justiça/ 2008) A
Constituição afirma que “a casa é asilo inviolável do
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à seguran-
indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem o con-
ça e à propriedade.” Tendo como base este artigo da
sentimento do morador” (Art. 5, XI). A esse respeito,
Constituição, pode-se afirmar que
considere as afirmativas a seguir.
I – qualquer pessoa, detida pela segurança, deverá ser
I – É permitido penetrar na casa, a qualquer hora do
imediatamente entregue aos órgãos policiais, não dia, mesmo sem o consentimento do morador, des-
podendo ser submetida a nenhum tipo de maltrato de que haja autorização judicial para tanto.
ou humilhação; II – É permitido penetrar na casa, a qualquer hora do
II – a prática de racismo constitui crime inafiançável dia, em caso de desastre ou para prestar socorro.
e somente será tolerada em comunidades de imi- III – É permitido penetrar na casa quando houver fla-
grantes, em cuja cultura essa prática seja permitida; grante delito, mas somente durante o dia.

21
IV – O conceito de casa deve ser interpretado de forma órgão competente, vedadas ao Poder Público a in-
restritiva, não incluindo, por exemplo, quarto de hotel. terferência e a intervenção na organização sindical.
b. Ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interes-
Tendo em vista o direito fundamental citado, de acordo ses coletivos ou individuais da categoria, inclusive
com a própria Constituição, e com a jurisprudência do em questões judiciais ou administrativas.
STF, é (são) correta(s) APENAS a(s) afirmativa(s) c. Ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se
a. II filiado a sindicato.
b. III d. É vedada a criação de mais de uma organização
c. I e IV sindical, em qualquer grau, representativa de ca-
d. I, II e IV tegoria profissional ou econômica, na mesma base
e. I, III e IV territorial, que será definida pelos trabalhadores ou
empregadores interessados, não podendo ser infe-
31. (CESGRANRIO/ TJ-RO/ Oficial de Justiça/ 2008) Caso rior à área de um município.
uma determinada autoridade administrativa se recu- e. A participação dos sindicatos nas negociações co-
sasse (ilegalmente) a fornecer certidão de tempo de letivas de trabalho é facultativa.
serviço, requerida por funcionário público que dela ne-
cessitasse, a fim de solicitar sua aposentadoria, seria 35. (CONSULPLAN/ TRE-RS/ Técnico Administrativo/
2008) Sobre os direitos e deveres individuais e coleti-
cabível ajuizar
vos previstos na Constituição da República Federativa
a. Habeas Data.
do Brasil, marque a alternativa INCORRETA:
b. Ação Civil Pública.
a. A lei estabelecerá o procedimento para desapro-
c. Ação Popular.
priação por necessidade ou utilidade pública, ou
d. Mandado de Injunção. por interesse social, mediante justa e prévia indeni-
e. Mandado de Segurança. zação em dinheiro, ressalvados os casos previstos
na Constituição da República.
32. (CONSULPLAN/ TSE/ Técnico Judiciário/ Área Admi- b. No caso de iminente perigo público, a autoridade
nistrativa/ 2012) Perigosa quadrilha de narcotrafican- competente poderá usar de propriedade particular,
tes em determinada cidade brasileira planeja execu- assegurada ao proprietário indenização anterior, se
tar uma série de atentados, com real possibilidade de houver dano.
produzir mortes entre civis, com o intuito de espalhar c. Aos autores pertence o direito exclusivo de utili-
pânico nesta cidade. Gasparzinho, integrante da fac- zação, publicação ou reprodução de suas obras,
ção criminosa é preso e, em interrogatório, por meio transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei
da técnica do “waterboarding” (afogamento simulado) fixar.
aplicada pela autoridade policial, confessa e fornece d. É assegurado a todos o acesso à informação e res-
detalhes sobre o plano terrorista. Tal fato possibilita a guardado o sigilo da fonte, quando necessário ao
ação preventiva das forças de segurança daquela uni- exercício profissional.
dade da federação que, assim, conseguem impedir a e. A propriedade atenderá a sua função social.
execução dos eventos. A respeito da situação descrita,
é correto afirmar que
a. é amparada pela supremacia do interesse público. GABARITO
b. viola o princípio da individualização da pena.
c. ponderando os bens jurídicos em oposição, é am-
parada pelo princípio da proporcionalidade.
1. c 20. a
d. viola o devido processo legal.
2. b 21. e
3. c 22. e
33. (CONSULPLAN/ Prefeitura de Campo Verde – MT/
4. c 23. e
Contador/ 2010) A Constituição da República Federa-
5. d 24. c
tiva do Brasil de 1988 estabelece como crime inafian-
6. a 25. e
çável, EXCETO:
7. d 26. b
IVAN LUCAS

a. Prática do racismo.
8. d 27. b
b. Prática de tortura.
9. e 28. b
c. Crime político.
10. e 29. a
d. Tráfico ilícito de entorpecentes.
11. c 30. a
e. Terrorismo.
12. e 31. e
13. e 32. d
34. (CONSULPLAN/ Prefeitura de Campo Verde – MT/
14. c 33. c
Contador/ 2010) Nos termos da Carta Constitucional
15. d 34. e
de 1988, é livre a associação profissional ou sindical,
16. b 35. b
observado que, EXCETO:
17. a
a. A lei não poderá exigir autorização do Estado para
18. e
a fundação de sindicato, ressalvado o registro no
19. b

22
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO

S U M ÁRI O

ESTADO, GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: CONCEITOS, ELEMENTOS, PODERES E


ORGANIZAÇÃO; NATUREZA, FINS E PRINCÍPIOS......................................................................................124
DIREITO ADMINISTRATIVO: CONCEITO, FONTES E PRINCÍPIOS...............................................................126
ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DA UNIÃO; ADMINISTRAÇÃO DIRETA E INDIRETA..........................136
AGENTES PÚBLICOS: ESPÉCIES E CLASSIFICAÇÃO; PODERES, DEVERES E PRERROGATIVAS;
CARGO, EMPREGO E FUNÇÃO PÚBLICOS; REGIME JURÍDICO ÚNICO: PROVIMENTO, VACÂNCIA,
REMOÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO; DIREITOS E VANTAGENS; REGIME DISCIPLINAR;
RESPONSABILIDADE CIVIL, CRIMINAL E ADMINISTRATIVA / (Vide Módulo Regime Jurídico Único)..........167
PODERES ADMINISTRATIVOS: PODER HIERÁRQUICO; PODER DISCIPLINAR; PODER
REGULAMENTAR; PODER DE POLÍCIA; USO E ABUSO DO PODER...........................................................154
ATO ADMINISTRATIVO: VALIDADE, EFICÁCIA; ATRIBUTOS; EXTINÇÃO, DESFAZIMENTO E
SANATÓRIA; CLASSIFICAÇÃO, ESPÉCIES E EXTERIORIZAÇÃO; VINCULAÇÃO E DISCRICIONARIEDADE.. 170
SERVIÇOS PÚBLICOS; CONCEITO, CLASSIFICAÇÃO, REGULAMENTAÇÃO E CONTROLE; FORMA,
MEIOS E REQUISITOS; DELEGAÇÃO: CONCESSÃO, PERMISSÃO, AUTORIZAÇÃO....................................221
CONTROLE E RESPONSABILIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO: CONTROLE ADMINISTRATIVO;
CONTROLE JUDICIAL; CONTROLE LEGISLATIVO; RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. LEI
N. 8.429/1992 E ALTERAÇÕES POSTERIORES (DISPÕE SOBRE AS SANÇÕES APLICÁVEIS AOS AGENTES
PÚBLICOS NOS CASOS DE ENRIQUECIMENTO ILÍCITO NO EXERCÍCIO DE MANDATO, CARGO,
EMPREGO OU FUNÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DIRETA, INDIRETA OU FUNDACIONAL E
DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS)......................................................................................................................205
LEI N. 9.784/1999 E ALTERAÇÕES POSTERIORES (LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO).........................234
ESTADO, GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Assim, o vocábulo administrar abrange todas as atividades,
desde a de planejamento, de direção, de comando, como
ELEMENTOS DO ESTADO as atividades de execução, que nesse aspecto não têm
caráter decisório.
J. W. GRANJEIRO / RODRIGO CARDOSO

Podemos sintetizar o conceito de Estado em relação


A Administração Pública em sentido amplo engloba
à interpretação constitucional, ou seja, é pessoa jurídica
todos esses verbos, ou seja, abrange a função de execu-
territorial soberana. O Estado é pessoa jurídica de Direito
tar as diretrizes governamentais quanto ao planejamento
Público Interno. É formado pelos elementos: Povo, Território
e Governo soberano. das metas do Governo. Assim, temos a Administração
a) Povo: elemento humano (nato ou naturalizado). É em sentido amplo, que abrange a função política e a
diferente de população, pois esta é composta por administrativa (sentido objetivo) e os órgãos governa-
nacionais e estrangeiros. mentais (Governo) e os órgãos administrativos (sentido
b) Território: é a base física. subjetivo).
Governo soberano: poder de auto-organização, O objeto do nosso estudo será delimitar a Administra-
sem gerências externas. Organizar-se de forma so- ção Pública em sentido estrito, que abrange a função tipica-
berana de vontade. mente administrativa incumbida de executar o planejamento
governamental (Governo) e os órgãos administrativos.
FORMA DE ESTADO
Desse modo, faz-se necessário entender a distinção
Quando falamos em forma de Estado, devemos sempre entre Administração Pública (função administrativa) e Governo
nos lembrar da organização política territorial. Nesse (atividade política). A Administração pratica conduta hierarqui-
sentido, temos o Estado Federado e o Estado Unitário. zada, enquanto o Governo pratica atividade política. A Admi-
O Brasil é um Estado Federado, pois coexistem poderes nistração não pratica atos de governo, apenas executa opções
políticos distintos (União, os Estados, o DF e os Municípios) políticas do governo.
todos com autonomia política, administrativa e financeira. A função administrativa (em sentido estrito e objetivo)
Já os Estados que adotam a forma unitária, ou seja, os compreende serviço público, a intervenção, o fomento e a polí-
Estados Unitários, têm como característica a centralização cia administrativa. Conforme leciona Di Pietro (2009, p. 51),
política. Nessa forma, o poder político central dita de forma
são exemplos de atos praticados na função política da Admi-
exclusiva todas as decisões políticas e planos governamentais.
nistração (ato de governo): a convocação extraordinária do
Temos como exemplo de Estado que adota a forma de poder
político central (unitário) o Uruguai. Congresso Nacional, a nomeação de Comissão Parlamentar
A forma federativa no Brasil é cláusula pétrea (CF, art. de Inquérito, as nomeações de Ministros de Estado, as rela-
60, §4º, I). ções com Estados estrangeiros, a declaração de guerra e de
Art. 60. [...] paz, a permissão para que forças estrangeiras transitem pelo
§4º Não será objeto de deliberação a proposta de território do Estado, a declaração de estado de sítio e de emer-
emenda tendente a abolir:
gência, a intervenção federal nos Estados, os atos decisórios
I – a forma federativa de Estado;
que implicam a fixação de metas, de diretrizes ou de planos
UNIÃO FEDERAL governamentais. Os atos políticos se inserem na função
política do governo e serão executados pela Administração
A República Federativa do Brasil, ou seja, o país Pública (em sentido estrito), no exercício da função adminis-
Brasil, é composto pela União, Estados, Distrito Federal e trativa propriamente dita.
os Municípios.
A União é formada pela reunião dos Estados-mem- ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: SENTIDOS
bros, Distrito Federal e Municípios. Já a República Fede-
rativa do Brasil é formada pela reunião da União, Estados-
A Administração Pública é estudada sob dois sentidos:
-membros, Distrito Federal e os Municípios, todos como
a) em sentido formal, subjetivo ou orgânico: nesse
autônomos.
A República Federativa do Brasil é soberana no plano aspecto, é entendida como os entes que desenvol-
internacional, enquanto a União, os Estados-membros, o vem a função administrativa. Representa as pesso-
Distrito Federal e os Municípios têm autonomia entre si. as jurídicas, os órgãos e os agentes públicos incum-
A União é pessoa jurídica de direito público interno. bidos de exercer a função administrativa do Estado.
Tem autonomia financeira, administrativa e política. b) em sentido material, objetivo ou funcional: é a
A República Federativa do Brasil tem personalidade própria atividade administrativa. Representa o
jurídica de Direito Público Internacional. conjunto de atividades administrativas desempe-
nhadas pelo Estado.
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Em síntese, em sentido subjetivo reportamos as


Tema de alta relevância para o entendimento de todo
conteúdo referente ao Direito Administrativo. A palavra pessoas jurídicas, órgãos e agentes públicos e em sentido
administrar significa dirigir, comandar, planejar, executar. objetivo as atividades administrativas.

24
SENTIDO FORMAL, SUBJETIVO OU ORGÂNICO SENTIDO MATERIAL, OBJETIVO OU FUNCIONAL

A Administração pública em sentido formal, subjetivo ou A atividade administrativa é desempenhada em


maior grau pelo Poder Executivo. Essa função administra-

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO


orgânico é o conjunto de sujeitos (órgão e pessoas jurídicas)
tiva abrange o fomento, a polícia administrativa, o serviço
que exercem a atividade administrativa. Adota-se como refe- público e a intervenção. Nesse tema, adotamos as lições da
rência “quem” realiza a atividade. Dessa forma, compõem a Prof. Maria Sylvia Zanella Di Pietro.
Administração Pública, em sentido subjetivo, os órgãos que a) Fomento: “abrange a atividade administrativa de
integram as pessoas políticas – administração direta – e as incentivo à iniciativa privada de utilidade pública”. Note que
entidades administrativas, que compõem a Administração não é o incentivo a qualquer iniciativa privada, mas àquelas
indireta do Estado. de utilidade pública. Outros exemplos da atividade de fomento
são: os financiamentos, os favores fiscais, concessão de
O Decreto-Lei n. 200/1967 enumera os sujeitos que
benefícios e as subvenções.
compõem a Administração Pública, a saber: b) Polícia administrativa: exercida para impor limita-
ções aos direitos individuais em benefício da coletividade.
Art. 4º A Administração Federal compreende: É conferida à administração por lei e compreende: ordens,
I – A Administração Direta, que se constitui dos serviços notificações, autorizações, fiscalizações e sanções.
integrados na estrutura administrativa da Presidência c) Serviço público: “é toda atividade que a Administra-
ção Pública executa, diretamente ou indiretamente, para satis-
da República e dos Ministérios.
fazer a necessidade coletiva, sob regime jurídico predomi-
II – A Administração Indireta, que compreende as
nantemente público”. É certo que quando o Estado pratica ou
seguintes categorias de entidades, dotadas de mesmo quando delega a prática de serviços públicos aos par-
personalidade jurídica própria: ticulares, está exercendo uma atividade administrativa.
Autarquias; d) Intervenções: compreende a regulamentação e
Empresas Públicas; fiscalização da atividade econômica de natureza privada
Sociedades de Economia Mista; (intervenção indireta) como, por exemplo: as atividades
desempenhadas pelas agências reguladoras. Outra moda-
fundações públicas. (Incluído pela Lei n. 7.596, de 1987)
lidade de intervenção ocorre quando o Estado realiza uma
desapropriação ou mesmo o tombamento – intervenção na
A expressão Administração Pública em sentido subje- propriedade privada.
tivo é grafada com iniciais maiúsculas, enquanto no sentido
objetivo deve ser grafada em minúsculo. Para fixar:

(CESPE/POLÍCIA CIVIL/ES/ DELEGADO/ 2011)


Segue a questão abaixo para análise:
Em sentido material ou objetivo, a Administração
Pública compreende o conjunto de órgãos e pessoas
(CESPE/ TRE-MT/ ANALISTA JUDICIÁRIO/ 2010) jurídicas encarregadas, por determinação legal, do
Assinale a opção correta com relação às noções sobre exercício da função administrativa do Estado.
Estado e administração pública.
a. Administração pública em sentido subjetivo compre- Justificativa: em sentido material ou objetivo, a admi-
ende as pessoas jurídicas, os órgãos e os agentes nistração compreende o conjunto de atividades desempe-
nhadas pelas entidades, órgão e agentes públicos. Logo, a
que exercem a função administrativa.
questão está errada.
b. A administração pública direta, na esfera federal,
compreende os órgãos e as entidades, ambos (CESPE/ ABIN/ OFICIAL DE INTELIGÊNCIA/ 2010)
dotados de personalidade jurídica, que se inserem A Administração Pública é caracterizada, do ponto
na estrutura administrativa da Presidência da Repúbli- de vista objetivo, pela própria atividade administrati-
ca e dos ministérios. va exercida pelo Estado, por meio de seus agentes
c. O Estado Federal brasileiro é integrado pela União, e órgãos.

pelos estados-membros e pelo Distrito Federal, mas


Justificativa: sob o sentido objetivo a Administração
não pelos municípios, que, à luz da CF, desfrutam Pública compreende o conjunto de atividades integrantes da
de autonomia administrativa, mas não de autonomia função administrativa. Questão: certa.
financeira e legislativa.
d. A prerrogativa de criar empresas públicas e socie- (CESPE/ ECT/ ADVOGADO/ 2011) Em sentido sub-
dades de economia mista pertence apenas à União, jetivo, a Administração Pública compreende o con-
junto de órgãos e de pessoas jurídicas ao qual a
não dispondo os estados, o Distrito Federal e os
lei confere o exercício da função administrativa do
municípios de competência para tal.
Estado.
e. As autarquias e as fundações públicas, como entes
de direito público que dispõem de personalidade Justificativa: foi visto que em sentido subjetivo (orgânico
jurídica própria, integram a administração direta. ou formal) a Administração Pública compreende o conjunto de
órgãos e pessoas jurídicas que realizam a função administrativa.
Como já lecionado, o item correto é a letra “a”. Questão certa.

25
NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO da União), a Lei n. 9.784/1999 (estabelece regras para o
Processo Administrativo Federal), as características dos
Seja bem-vindo ao curso de Direito Administrativo órgãos públicos, das entidades etc.
(teoria e questões). O Objetivo do nosso material é prepará-
J. W. GRANJEIRO / RODRIGO CARDOSO

-lo para a conquista da aprovação em concurso público. A Regime Jurídico Administrativo


propósito, este material foi escrito pelos professores José
Wilson Granjeiro & Rodrigo Cardoso, professores de Direito Qual a importância desse tema? A expressão “Regime
Administrativo do Gran Cursos. São autores do livro “Direito Jurídico Administrativo” é utilizada no Direito Administrativo
Administrativo Simplificado”, que pode ser adquirido pelo para abranger o conjunto de regras que coloca a Administra-
site www.livrariagrancursos.com.br ção Pública em posição privilegiada em relação aos admi-
Caro leitor: o curso a seguir tem objetivo de explicar o nistrados.
Direito administrativo de maneira simples e objetiva. Sinta- Característica marcante desse Regime é a desigual-
-se como se estivesse em sala de aula, escutando e dia- dade na relação em favor do Estado. Essa relação vertical
logando diretamente com os professores autores do curso. é justamente em razão da supremacia do interesse pú­blico
Vamos lá! sobre os interesses privados. E não poderia ser diferente,
pois o interesse da coletividade deve prevalecer sobre inte-
DIREITO ADMINISTRATIVO: CONCEITO, FONTES,
resses particulares.
PRINCÍPIOS
O Regime Jurídico Administrativo baseia-se em duas
acepções: prerrogativas e sujeições. Como prerrogativas,
Inicialmente é necessário entender porque o Direito
pode-se citar: o poder de desapropriar, o de requisitar bens,
Administrativo é tão cobrado em concurso público. Veja só:
o de aplicar sanções às cláusulas exorbitantes dos contratos
com certeza, você leitor, será aprovado em concurso público
administrativos, os atos de poder de polícia etc. Em relação
e, por consequência, logo será nomeado para ocupar um
às sujeições, temos como exemplos a obrigatoriedade da
cargo público. Assim, a sua nomeação interessa para o
realização de concurso para contratação efetiva, o dever de
Direito Administrativo, pois corresponde à prática de um ato
licitar (em regra), a observância dos princípios ao agir etc.
administrativo. Ainda, o órgão ao qual você irá trabalhar não
é capaz de produzir tudo o que consome para exercer suas As prerrogativas efetivam uma relação vertical entre a
atividades, como por exemplo: têm que comprar material de Administração e o ad­ministrado. Essa supremacia perante o
expediente, computadores etc. O órgão para realizar com- particular tem como objetivo atingir o bem comum, já as res-
pras deve licitar, ou seja, realizar uma competição isonômica trições impõem limites para a atividade administrativa.
entre todos os interessados em ter contrato com a Adminis- Para Bandeira de Mello todo o sistema de Direito Admi-
tração Pública. O procedimento licitatório interessa para o nistrativo se constrói sobre a consagração de dois princí-
Direito Administrativo. Outro exemplo: considere que deter- pios, denominados pelo autor como as “pedras de toque”,
minado condutor de um veículo estacione em local proibido. a saber:
Desse modo, o condutor poderá ser multado. A aplicação a) supremacia do interesse público sobre o privado;
de multa de trânsito interessa para o Direito, pois, tem-se b) indisponibilidade, pela Administração, dos interes-
a prática de um ato, a possibilidade de recurso, processo ses públicos.
administrativo etc.
Então, esse ramo do Direito é muito importante para o A supremacia do interesse coletivo sobre o do
convício social e, consequentemente para o Estado. particular é pressuposto de uma ordem social estável.
Para definir Direito Administrativo, foram usadas Significa que o Poder Público se encontra em condição de
várias escolas e critérios para caracterizar o seu objetivo. au­toridade em relação aos particulares. Essa situação é
Hely Lopes Meirelles conceitua Direito Administrativo como indispensável para garantir os interesses públicos colocados
“conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem os em confronto.
órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a rea- A indisponibilidade dos interesses públicos significa
que os interesses coleti­ vos não se encontram à livre
lizar concreta, direta e imediatamente os fins desejados pelo
disposição de quem quer que seja. Na administração, os
Estado”.
bens e os interesses não estão à livre disposição da vontade
Então professor, tenho que memorizar o conceito de
do administrador.
Direito Administrativo? Com certeza não! O importante é
você entender o objetivo da disciplina.
QUESTÃO DE CONCURSO
Entenda: o Direito Administrativo é um conjunto de
normas (leis/atos normativos) e princípios (legalidade, mora-
(CESPE/ MPU/ ANALISTA ADMINISTRA-
lidade, publicidade etc.) que regem os órgãos, entidades,
TIVO/ 2010) As prerrogativas do Regime
os agentes públicos e as atividades (serviço público, polí-
Jurídico Administrativo conferem poderes à
cia administrativa etc.) desempenhadas ou controladas pelo
administração, colocada em posição de su-
Estado. Então, em nosso curso, estudaremos os sujeitos
que compõe o Estado (órgãos, entidades e agentes públi- premacia sobre o particular; já as sujeições
cos) e as atividades realizadas por estes sujeitos. Por favor, servem de limites à atuação administrativa,
não decore nada. Entenda! como garantia do respeito às finalidades pú-
Por essas razões que temos que estudar a Lei blicas e também dos direitos do cidadão.
n. 8.112/1990 (estabelece regras para os Servidores Civis Questão Certa.

26
Funções do Estado administração pública. Os poderes do Estado
reproduzem o célebre modelo proposto por
É sabido que o Estado tem três funções: a legislativa Montesquieu: Legislativo, Executivo e Judici-
(editar normas gerais a serem observadas por toda socie- ário. Estes poderes, nos termos da Constitui-

NOÇÕES DE DIREITO ADMINISTRATIVO


dade); a executiva (aplicar as normas gerais ao caso con- ção da República, são independentes e har-
creto) e a judiciária (função de julgar os conflitos advindos da mônicos entre si, existindo, para tanto, uma
execução das normas gerais aos casos concretos). Assim, clara e rígida separação das atribuições e fun-
temos a figura do Poder Judiciário, Legislativo e Executivo. ções que cada um deles desenvolveu.
No entanto, houve época dessa tripartição dos poderes
não existir, ou seja, havia concentração do exercício de tais (CESPE/ ADMINISTRAÇÃO/ ANALISTA DE
funções na figura de uma única pessoa, o soberano (geral- CORREIOS/ 2011) A clássica teoria da tripar-
mente rei ou imperador), que detinha todo poder do Estado, tição dos Poderes do Estado, concebida por
uma vez que editava a lei (função legislativa), aplicava-a Montesquieu e adotada no Brasil, não é abso-
no caso concreto (função execu­tiva) e também resolvia luta, visto que a própria Constituição Federal
os litígios eventualmente decorrentes da aplicação da lei de 1988 autoriza o desempenho, por Poder
(função judiciária). diverso, de funções que originalmente perten-
Montesquieu (1748), em sua obra “Espírito das Leis”, cem a determinado Poder.
inovou no sentido de propor que o exercício dessas funções
deveria ser desempenhado por órgãos dis­tintos, autônomos Justificativa: Após os comentários já realizados é fácil
e independentes entre si. Assim, a partir das lições de Mon- entender porque a pri­meira questão é errada, pois não há
tesquieu difundiu-se a “teoria da tripartição dos Poderes”. uma “... clara e rígida separação das atribui­ções e funções
É importante enfatizar que por meio da teoria desen- que cada um deles desenvolveu”. Já a segunda questão
volvida por Montesquieu, cada órgão exercia apenas sua está correta, visto que a Constituição “... autoriza o desem-
penho, por Poder diverso, de funções que originalmente per-
função típica, não permitindo mais um único órgão exercer
tencem a determinado Poder”.
as três funções do Estado, como ocorria no Regime Abso-
lutista.
Fontes do Direito Administrativo
Diante dessa nova proposta de Estado, as ativida-
des de legislar, administrar e julgar passam a ser realiza-
O Direito Administrativo possui quatro fontes: a lei, a
das independentemente por cada órgão. Essa sistemática é
doutrina, a jurisprudência e os costumes.
conhecida como sistema dos freios e contrapesos.
I –  lei, em sentido amplo, abran­gendo esta expressão
Teoria da tripartição dos poderes na visão da dou-
desde a Constituição até os atos normativos.
trina atual
II – A doutrina, que representa os estudos realizados
pelos cientistas do Direito. Em vários momentos do
Pode-se dizer que atualmente tem-se um abranda-
nosso curso iremos citar alguns autores, como por
mento da divisão rígida das funções do Estado como pro-
exemplo: Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Celso
posto inicialmente por Montesquieu. Assim, além das fun- Antônio Bandeira de Mello, José dos Santos Car-
ções típicas dos órgãos de cada Poder, há também outras valho Filho etc.
funções consideradas atípicas. III – A jurisprudência, traduzindo as reiteradas deci-
Em síntese: a função típica do Poder Legislativo é sões dos Tribunais em um mesmo sentido.
legislar e fiscalizar, contu­do realiza licitação, contratos,
nomeia servidores, concede férias a estes (atividade execu- Ex.: a jurisprudência orienta que o aprovado dentro do
tiva), como também apresenta função de natureza jurisdicio- número de vagas propostas em edital de concurso público
nal quando o art. 52, I, da CF, estabelece que: é competên- tem direito à nomeação. Note que esse direito do aprovado
cia do Senado julgar o Presidente da Repú­blica nos crimes não consta em lei. É o entendimento (jurisprudência) do STF
de responsabilidades. Outro exemplo: o Chefe do Executivo sobre o tema.
tem competência para editar medida provisória (art. 62, CF),
que tem força de lei, assim note que a natureza da atividade IV – O costume, em razão da deficiência da legislação
é legislativa, logo se considera uma função atípica do Exe- e da prática administrativa, vêm suprindo o texto es-
cutivo. crito, sedimentado na consciência dos administra­
Por fim, vale dizer que a doutrina constitucionalista dores e administrados. Representa a praxe da ad-
leciona que a expressão “tripartição de Poderes” chega a ministração.
ser uma contradição em termos. Isso porque o poder é uno
indivisível. Assim, o Poder não se reparte, não se triparte, o PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
que se divide são suas funções.
Esse tema é de extrema importância para o Direito
QUESTÃO DE CONCURSO Administrativo e, por consequência, para provas de
concurso.
(CESPE/ HEMOBRÁS/ ADMINISTRADOR/ Princípios são os alicerces da ciência. No imenso
2009) Julgue o item a seguir a respeito da “prédio” jurídico, ou seja, no ordenamento jurídico, os prin-

27
cípios formam a base. Imagine que o nosso ordenamento QUESTÃO DE CONCURSO
jurídico seja um prédio, sendo as janelas as leis e a base
desse prédio, os princípios. Se a lei ferir um princípio, o (CESPE / ANEEL / TÉCNICO ADMINISTRA-
prédio estará em ruínas. Desse modo, os princípios chegam TIVO / 2010) De acordo com o princí­pio da
J. W. GRANJEIRO / RODRIGO CARDOSO

a ser mais importantes do que a própria lei. Se a lei ferir um legalidade, a administração pública somente
princípio, será ilegal. pode fazer o que a lei lhe permite.
Os princípios administrativos devem ser observados
por toda a Administração Pública em seus diversos níveis Justificativa: como vimos, a administração só pode
ou pessoas: seja pelos órgãos, entidades ou pelos agentes agir quando a lei autorizar. Questão certa.
públicos que desempenhem qualquer função pública. Assim
que você iniciar suas atividades na Administração Pública,
com certeza terá que atender todos os princípios que orien- (CESPE / CFO-PMDF / 2010) Pelo princípio
tam as atividades públicas. da legalidade, aplicável no âmbito da adminis-
Para Bandeira de Mello, “violar um princípio é muito tração pública, o administrador público pode
mais grave que transgredir uma norma qualquer. A desaten- praticar todas as condutas que não estejam
ção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico expressamente proibidas em lei.
mandamento obrigatório, mas a todo o sis­tema de coman-
dos. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstituciona- Justificativa: vimos que o administrador só pode
lidade [...]”. praticar alguma conduta se a lei autorizar. A questão afirma
Os princípios orientam todo o nosso ordenamento. que o agente pode praticar todas as condutas que não estejam
Desse modo, se a lei con­trariar um princípio esta não poderá expressamente proibidas em lei. Questão errada.
produzir efeitos jurídicos.
Tradicionalmente, os princípios são divididos em: prin-
cípios expressos na Constituição e princípios não expressos
(ou implícitos). Então, vamos detalhar o tema!

PRINCÍPIOS EXPRESSOS

Presentes no texto Constitucional. O art. 37, caput, da


Constituição assim dispõe:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de


qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, mora-
lidade, publicidade e eficiência [...].

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE

Toda ação do administrador público deve ser pautada


na lei. Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer
alguma coisa senão em virtude de lei (CF, art. 5º, II). Só a lei
tem a prerrogativa de inovar no mundo jurídico, só a lei pode
trazer novos direitos ou restrições.
Atenção: a principal diferença entre a legalidade admi-
nistrativa e a aplicada ao particular é que o administrador
público só pode fazer o que a lei autoriza, enquanto o
particular pode fazer tudo o que a lei não proíbe.
O administrador só pode agir quando a lei autoriza
(produção de atos discricio­nários) ou quando ela exige sua
atuação (produção de atos vinculados). Se a Administração
praticar um ato que não atenda a lei, este deverá ser anu-
lado pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário, se
provocado.
É importante compreender que o princípio da lega-
lidade é uma exigência que decorre do Estado de Direito,
que impõe a necessidade de submissão ao império da lei.
Desse modo, a Administração Pública somente poderá atuar
quando autorizada por lei.

28
LÍNGUA PORTUGUESA

S U M ÁRI O

COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS.........................................................................................250


TIPOLOGIA TEXTUAL...................................................................................................................................263
ORTOGRAFIA OFICIAL.................................................................................................................................285
ACENTUAÇÃO GRÁFICA.............................................................................................................................297
EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS.......................................................................................................305
EMPREGO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE.............................................................................................313
SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO.......................................................................................................308
PONTUAÇÃO...............................................................................................................................................325
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL......................................................................................................309
REGÊNCIAS NOMINAL E VERBAL................................................................................................................311
SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS...................................................................................................................277
REDAÇÃO DE CORRESPONDÊNCIAS OFICIAIS...........................................................................................335
CIRCULAR d. Denomina-se circular o instrumento de comunica-
ção que se envia a vários destinatários simultane-
Tem como finalidade o tratamento de assuntos oficiais amente, com vistas à transmissão de instruções,
que serão encaminhados a mais de um destinatário. Pode ordens, esclarecimento de conteúdo de leis, regu-
ser: lamentos etc.
• interna: segue o modelo do memorando. Também e. Os fechos Atenciosamente e Respeitosamente são
chamada de memorando-circular (Mem. Circ.); adequados para um ofício.
• externa: segue o modelo do ofício. Também cha-
mada de ofício-circular (Of. Circ.).
ATA

Obs.: Note-se que a circular é um caso de memorando


Ata é um documento em que são registrados, de
ou de ofício.
forma resumida e objetiva, os fatos ocorridos durante uma
reunião.
QUESTÕES SOBRE CIRCULAR
A ata deve ser redigida, se possível, enquanto ocorre
a reunião, por isso é usual que o secretário, que a redige,
Joaquim, aprovado em concurso público, tomou pos-
seja uma pessoa não envolvida nas discussões e delibe-
se no MDIC. Na seção em que está lotado, o rapaz é
rações a serem tomadas pelos participantes. Ou seja, o
solicitado a preparar correspondência a ser enviada
para o secretário-geral da presidência da República, secretário deve ser apenas um observador e narrador fiel
para responder a consulta sobre determinada ques- dos fatos.
tão relativa a comércio exterior.
• FORMA E CONTEÚDO DA ATA: No quadro a seguir,
1. Com base na situação hipotética acima, julgue os estão as partes básicas constituintes de uma ata.
itens subsequentes.
1) A consulta à seção em que Joaquim trabalha deve PARTE Conteúdo
BRUNO PILASTRE

ter sido encaminhada por meio de circular.


N. Da ata e especificação da reu-
2) A correspondência recebida pela seção em que INTRODUÇÃO (OU
nião (ex.: Assembleia geral ordiná-
Joaquim está lotado estaria de acordo com as CABEÇALHO)
ria)
normas técnicas de redação oficial contemporâ-
Data (por extenso), hora, local, tipo
neas caso não apresentasse fecho.
de reunião, nome completo da enti-
3) O vocativo a ser usado na correspondência diri- ABERTURA
dade, forma de convocação para a
gida ao secretário-geral da presidência da Repú- reunião.
blica é Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo
Registro do número de presentes
em questão. VERIFICAÇÃO
e se ele é suficiente para a realiza-
4) No endereçamento da correspondência a ser DE PRESENÇA
ção da reunião, segundo a lei ou os
(QUORUM)
enviada a esse tipo de autoridade, está abolida estatutos da entidade.
a fórmula Excelentíssimo, sendo usado tão so-
Nome dos indicados para dirigir a
mente o tratamento Senhor. reunião (presidente/coordenador
DEFINIÇÃO DA MESA
5) O texto, assinado pelo chefe da seção, ou por Jo- e secretário(s)) e forma de esco-
DIRETORA
aquim, no caso de ser o chefe, será um ofício. lha (aclamação/votação etc.) (Ver
observação, abaixo).

2. Assinale a opção incorreta a respeito de correspon- Assuntos tratados, decisões, opini-


dência oficial. TEXTO ões dos presentes, considerações,
interrupções etc.
a. O resumo do assunto, na correspondência oficial,
é chamado de ementa. Frase-padrão do tipo “nada mais
b. Se a forma de tratamento ou destinatário da cor- ENCERRAMENTO
havendo a tratar, encerraram-se os
respondência for Vossa Excelência ou Vossa Se- trabalhos e a presente ata foi assi-
nada por ........”.
nhoria, por força da concordância exigida para os
pronomes pessoais que a ele se referem, não se
pode usar vosso e suas flexões. Obs.:
 O(s) presidente(s)/coordenador(es) e o(s)
c. Introduzir um ofício usando frases como Viemos, secretário(s) devem, necessariamente, assinar a ata.
por intermédio do presente, acusar recebimen-
to da petição e levar ao conhecimento de V. Sa. Quanto à comprovação da presença dos outros mem-
que... é sinal de elegância, concisão, correção lin- bros participantes, pode ser adotado um dos seguintes pro-
guística e respeito. cedimentos:

30
• os participantes assinam a ata; Exemplo de ata:
• junta-se a ela uma lista com as assinaturas dos
participantes; ATA N. 58
• dispensam-se as assinaturas dos participantes
Assembleia Geral Extraordinária
(esse procedimento precisa ser registrado no
encerramento da ata).

Aos dezesseis dias do mês de fevereiro de mil novecentos e


Dependendo da constituição da entidade, a ata noventa e três, às nove horas, na sede social, na avenida
pode ser um documento com valor jurídico. Por isso, Comendador Flávio Evaristo Ribeiro, 326, 6o. andar, nesta
nesses casos, é imprescindível tomar certos cuidados cidade, reuniram-se em Assembleia Geral Extraordinária
os acionistas da Empresa Transportadora Fast-Carga S/A,
com sua redação. Entre esses cuidados, destacam-se: devidamente convocados por editais publicados no Diário Oficial
• A redação deve ser compacta, isto é, não se do Estado, edições de 6, 7 e 8 de fevereiro de 1993, e no jornal
O Estado de S. Paulo, edições das mesmas datas. Verificando
deixam parágrafos nem linhas em branco (Esse o Livro de Presenças, o diretor, Sr. Carlos Baldera, constatou
procedimento impede que, no futuro, sejam a presença de número suficiente de acionistas, conforme os
Estatutos da Empresa, razão pela qual, havendo número lega,
feitos acréscimos ao texto original da ata). declarou instalada a Assembleia e em condições de deliberar
• Os números importantes devem ser escritos sobre o objeto da convocação. Em seguida o Sr. Carlos Baldera
por extenso ou em algarismos e repetidos por convidou os presentes a indicarem a mesa que deveria dirigir
a assembleia, recaindo a indicação, por aclamação, no próprio
extenso entre parênteses. Exemplo: “... eleitos Sr. Carlos para presidente e em mim, Celina Valigni, para
por um período de dois anos...” ou “... eleitos secretária. Composta a mesa, declarou o senhor presidente que,
como era do conhecimento geral, os assuntos que deveriam ser
por um período de 2 (dois) anos...” debatidos na presente assembléia versavam sobre a seguinte
• Não pode apresentar rasuras ou borrões. Se, ordem do dia: a) leitura e aprovação da ata da reunião anterior;
b) constituição e eleição do novo Conselho de Administração.
durante a redação, ocorrer algum erro, deve-se Feita a leitura da ata da reunião anterior e integralmente
empregar a palavra “digo” e escrever a forma aprovada sem ressalvas, iniciaram-se as discussões sobre
qual seria a estrutura ideal e as funções do novo Conselho de
correta. Exemplo: “... ficando indicado o Sr.
Administração. Por se tratar de um órgão ainda inexistente na
José Pasquini para diretor, digo, supervisor da empresa, o senhor presidente solicitou a opinião dos Srs. Dr.

LÍNGUA PORTUGUESA
nova seção...” Cláudio Feitosa e Aquiles Araújo Neto, aos quais, na reunião
anterior, havia sido solicitado que se inteirassem como funciona
o referido Conselho em outras empresas do mesmo porte que a
Quando o erro só for percebido depois que a ata já Fast-Carga. Após os relatos dos referidos senhores e discussão
das ideias por eles apresentadas, foram acrescidas as sugestões
estiver redigida, emprega-se a seguinte expressão cor- dos Srs. Natanael Oliveira, Carlos Urtega e Anamaria Lorenzo.
retiva: “Em tempo: onde se lê... leia-se...” Após uma longa e proveitosa discussão, o senhor presidente
propôs que, em função da importância da decisão a ser tomada,
• Exemplo: Em tempo, onde se lê realinhar a seria conveniente que se marcasse uma nova assembléia, em
antiga fábrica, leia-se reativar a antiga fábrica. que seriam apresentados alguns esboços de constituição do
referido conselho para apreciação dos acionistas e também
seriam escolhidos os futuros componentes desse conselho. Por
Pode-se também empregar a expressão “em tempo” aclamação unânime, a proposta foi aceita. Nada havendo mais
para se fazerem acréscimos depois que a ata já estiver a tratar, foram encerrados os trabalhos, lavrando-se a presente
ata que, lida e aprovada por todos, vai ser assinada pela mesa
pronta. diretora e pelos acionistas que compareceram. Assinaturas:
• Exemplo: Em tempo: A reunião da diretoria com
os novos supervisores das regionais que, a prin- QUESTÕES SOBRE ATA
cípio, estava marcada para maio ficou adiada
para o início de julho. 1.

O LIVRO DE ATAS ATA DA SALA 25

Realizou-se, na sala vinte e cinco, do prédio das


O livro de atas é um volume especialmente desti- 1 Relações Humanas, da Escola Martin Luther
nado à lavratura (redação) das atas de uma entidade. King, em Brasília, Distrito Federal, dia primeiro
Cabe à pessoa responsável (secretário, diretor de junho de dois mil e três, das quinze horas às
dezoito horas e trinta minutos, portanto, com três
etc.) conferir ou colocar a paginação de todas as folhas horas e meia de duração, esta prova (anexa) de
5
do livro e rubricá-las uma a uma (em geral a rubrica é Conhecimentos Gerais e Específicos para o Cargo
de Técnico Judiciário, do Tribunal de Justiça do
colocada no canto superior direito). Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), conforme
• Termo de abertura: A mesma pessoa que rubrica diz o Edital um de dois mil e três, tendo comparecido
10 todos os candidatos inscritos e, portanto, o índice
as páginas do livro deve redigir, na 1 a. página, o de abstensão foi de zero candidatos. Nada mais
termo de abertura. havendo a constar, eu, MARIA DAS GRAÇAS
• Termo de encerramento: Quando todas as suas LUZ FLORES, chefe de sala, lavrei esta ata que
será assinada por mim, exprimindo a verdade dos
páginas já estiverem utilizadas pelos registros 15 fatos, sob o testemunho da fiscal de sala. Brasília,
das atas, é necessário redigir, na última página, 1º/6/2003, Maria das Graças Luz Flores e Thomásia
Aparecida Silva. XXXXXXXXXXXXX
o termo de encerramento.

31
Assinale a opção incorreta a respeito do texto acima. 3. A respeito do expediente acima, assinale a opção cor-
a. A redatora da ata respeitou os requisitos formais reta.
para a redação do documento, conforme os pre- a. Trata-se de um relatório técnico, incompleto, pois
ceitos dessa tipologia de correspondência oficial. falta a listagem nominal e por número de inscrição
b. A redatora, ao escrever por extenso os números da de todos os que compareceram, mas cuja omissão
sala, das horas, da duração da prova e do edital justifica-se pela listagem nominal referida.
cometeu erros de grafia e de adequação ao tipo de b. Trata-se de uma ata circular, feita antecipadamen-
documento. te, que deve ser entregue a cada um dos candi-
c. A grafia do vocábulo “abstensão” (ℓ. 10) está incor- datos presentes, ao término do expediente, a qual
reta, pois deveria ter sido escrito abstenção. documentará o comparecimento, para fins de abo-
d. A passagem “exprimindo a verdade dos fatos” (ℓ. 13- nação da falta ao serviço particular.
14) pode ser suprimida do texto, uma vez que essa c. Trata-se de um relatório administrativo, cujo teor,
informação deve estar pressuposta em toda corres- por equívoco, foi registrado inadequadamente, por
pondência oficial. desconhecimento dos princípios da redação oficial,
e. O preenchimento do restante da linha após a última por parte do relator, que se esqueceu de registrar
assinatura visa evitar que outras pessoas possam os cargos dos auxiliares.
adulterar o final do texto. d. Trata-se de uma ata convencional, que apresenta
os seguintes erros, entre outros: grafia inadequada
“Ao oitavo dia do mês de setembro do ano de 1988, do numeral um, ausência da data, que deveria an-
às 20h30m, em segunda e última chamada, reuniram- teceder a assinatura.
-se na sala de reuniões do Banco Jota os acionistas e. Trata-se de uma prestação de contas de um servi-
relacionados no livro de presença, na folha 14, verso, ço realizado por uma equipe, a fim de ser efetuado
para deliberarem sobre assuntos constantes no edital o pagamento da tarefa; como tal, não apresenta er-
de convocação, o qual foi previamente distribuído a
ros graves, exceto o destaque em negrito do nome
todos. [...]”
do evento e do cargo, desnecessários para tal fim.

2. Pelo teor do trecho inicial do texto oficial reproduzido


4. Assinale a opção que apresenta uma definição correta
acima, conclui-se que se trata de um(a).
BRUNO PILASTRE

de ata.
a. ata.
a. Resumo escrito que constitui registro de fatos,
b. relatório.
ocorrências, resoluções, decisões e deliberações
c. circular.
de uma assembleia, sessão ou reunião.
d. memorando.
b. Ato administrativo de correspondência entre agen-
e. requerimento.
tes de uma mesma repartição, no qual, de maneira
simples e direta, são tratados assuntos de rotina
Texto para responder à questões 3 e 4.
para conhecimento interno. Dispensa fórmulas de
cortesia e demais formalidades.
Aos quatro dias de novembro de dois mil e um, na
sala do Diretor Central da escola Presidente Prudente, c. Exposição circunstanciada de atividade administra-
às quinze horas, conforme a publicação na página qua- tiva, ou relato mais ou menos minudente que se faz
renta e seis do Diário do Poder judiciário do Estado de por escrito, por ordem de autoridade superior ou
Roraima, do dia vinte e seis de outubro do mesmo ano, no desempenho das funções do cargo que exerce.
deu-se início à aplicação das provas objetivas do con- d. Documento específico de solicitação, no qual o
curso público para provimento das vagas em cargos indivíduo expõe a matéria objeto do pedido. Com-
de nível superior do Tribunal de justiça do Estado de põe-se de vocativo (título funcional do destinatá-
Roraima. Dos cento e sessenta candidatos inscritos rio), preâmbulo (nome, nacionalidade, estado civil,
para o cargo de biblioteconomista, indicados para ocu- idade, residência e profissão do peticionário), con-
parem esse local, faltaram quatro num percentual de texto (objeto da solicitação) e fecho (fórmula termi-
noventa e sete e meio por cento de comparecimento. nal, data e assinatura).
Os faltantes foram os candidatos cujos nomes e núme- e. Declaração firmada por alguém em razão do seu
ros de inscrição estão discriminados a seguir: Marcolino ofício, na qual afirma a verdade de um fato ou esta-
Medeiros de Menezes – 12.345; Joema da Cruz Figuei- do, ou a existência de uma obrigação, e que, forne-
ras – 23.567; Nadiantunes Xavier Salgado – 38.990 e cida a outrem, serve a este de documento.
Julianes Bacheira da Silva Só – 47.001. Os trabalhos
ocorreram no esperado clima de tranquilidade, não 5. A respeito da redação oficial, é correto afirmar:
havendo qualquer intercorrência desabonadora do a. No livro de atas, a pessoa que numera e rubrica as
evento. Após três horas e trinta minutos de duração páginas deve também redigir o termo de abertura e
foram recolhidos os materiais pertinentes, esvaziando o de encerramento.
a sala . Então foi lavrado este documento o qual será b. Em geral impessoal nos expedientes públicos, a
assinado por mim, Manuel Maria Morais, fiscal de sala e linguagem no atestado pode ser afetiva, uma vez
pelos meus dois auxiliares, dando por concluída a tarefa que esta espécie de comunicação destina-se a
para a qual fui especialmente contratado. uma pessoa em especial.

32
c. Dirigido a ocupante de cargo hierarquicamente Só recebem essa designação aqueles documentos que
inferior ou superior, no mesmo órgão público, o apresentam certas características formais e estilísticas pró-
memorando é dito interno; dirigido a ocupante de prias: título, abertura (origem, data, vocativo etc.) e fecho
um cargo qualquer, em outro órgão público, o me- (saudações protocolares e assinatura).
morando é dito externo.
d. Logo após a data, obedecendo ao devido espaça- Estrutura do relatório
mento, seria correto assim iniciar um memoran-
do: Ao Sr. Chefe do Almoxarifado. Compreende, além da abertura e do fecho:
e. No alto e na mesma linha, nas correspondências I – Introdução: indicação do fato investigado, do ato ou
oficiais, figuram sempre, na margem esquerda, o da autoridade que determinou a investigação e da
número do documento e a sigla que identifica sua pessoa ou funcionário disso incumbido. Enuncia,
origem e, na margem direita, a data. portanto, o propósito do relatório.
II – Desenvolvimento (texto, núcleo ou corpo do relató-
6. rio): relato minudente dos fatos apurados, indican-
do-se:
TEXTO –– a data;
–– o local;
–– o processo ou método adotado na apuração;
O Banco Iniciador de Melhoramentos acaba de iniciar
–– discussão: apuração e julgamento dos fatos.
um melhoramento que vem mudar essencialmente a com-
III – Conclusão e recomendações de providências ou
posição das atas das assembleias gerais de acionistas.
medidas cabíveis.
[...]
Tal é o melhoramento a que aludo. A ata que aquela
Alguns relatórios costumam incluir ainda material ilus-
associação publicou esta semana é um modelo novo, de
trativo: diagramas, mapas, gráficos, desenhos etc., que
extraordinário efeito. Nada falta do que se disse, e pela podem vir incorporados no texto ou sob a forma de apêndice
boca de quem disse, à maneira dos debates congressio- e anexos.
nais. – “Peço a palavra pela ordem.” – “Está encerrada a
discussão e vai-se proceder à votação. Os senhores que Exemplo de um relatório simples

LÍNGUA PORTUGUESA
aprovam queiram ficar sentados.” Tudo assim, qual se
passou, se ouviu, se replicou e se acabou.
TIMBRE
[...] RELATÓRIO DE INVESTIGAÇÃO
Machado de Assis. In: A Semana I. Rio de Janeiro, 26 de outubro de 2000.
Editora Globo, 1997 (com adaptações).
Senhor Diretor,

Tendo como referência o texto acima e as disposições


1. Tendo sido designado para apurar a denúncia de irregu-
acerca de redação oficial, julgue os itens subsequentes.
laridades ocorridas no Departamento dos Correios e Te-
1) Para ser considerada válida, uma ata referente a légrafos, submeto à apreciação de V. Sa., para os devidos
reunião de órgão da administração pública deve fins, o relatório das diligências que, nesse sentido, efetuei.
veicular integralmente os fatos transcorridos na 2. Em 10 de setembro de 2000, dirigi-me ao chefe da
sessão a que se refere, sob pena de descumpri- Seção “A”, para inquirir os funcionários X e Y, acusados
mento do princípio da publicidade. do extravio de valores endereçados à firma S e L, desta
2) Na redação de atas de reuniões em instituições praça.
públicas, deve-se evitar o modelo das narrações 3. Ambos negaram a autoria da violação da
literárias. mala da correspondência, conforme termos constantes
3) As atas devem conter o resumo sucinto da pauta das declarações anexas.
discutida e das deliberações tomadas na reunião 4. No inquérito a que se procedeu, ressalta a
a que se refere. culpabilidade do funcionário X, sobre quem recaem as
4) Para se gerir bem o tempo, é lícito que, nas atas mais fortes acusações.
de reuniões em entidades da administração públi- 5. O segundo , apesar de não se poder considerar manco-
munado com o primeiro, tem parcela de responsabilidade,
ca, sejam ignoradas as formalidades legais.
pois agiu por omissão, sendo negligente no exercício de
5) Para descrever a fala de cada um dos presentes suas funções. Como chefe de turma, devia estar presente,
a uma reunião, recomenda-se que, na ata, sejam na ocasião da abertura da mala em apreço – o que não
registradas, na forma de discurso direto, as ex- ocorreu, conforme depoimento de fls.
pressões na primeira pessoa, tal como “Peço a 6. Do exposto resulta que somente o inquérito policial
palavra pela ordem”, dado o direito à liberdade de poderá esclarecer o crime perpetrado com a violação da
expressão, assegurado pela CF. mala de correspondência da Seção “A”.
7. Impõe-se instauração imediata de processo
RELATÓRIO administrativo. É o que me cumpre levar ao conhecimento
de V. Sa.
Respeitosamente,
Contém informações sobre tarefas executadas e/ou
sobre fatos ou ocorrências, inquéritos e sindicâncias. Nome cargo do signatário

33
QUESTÕES SOBRE RELATÓRIO É emitida por pessoa física, por órgão público e por
empresa ou instituição privada.
1. Assinale a opção INCORRETA sobre relatório. Características enquanto o atestado costuma ser
a. Por ser mais expositivo do que propriamente uma expedido em favor de alguém, a declaração é feita em
correspondência oficial, o relatório dispensa aber- relação a alguém, podendo ou não ser-lhe favorável;
tura e fecho. a. a estrutura da declaração é praticamente igual à
b. Em seu desenvolvimento, a apuração dos fatos do atestado;
constitui descrição de objeto, ao passo que o julga- b. se o declarante for pessoa física, o papel dispensa
mento dos fatos constitui argumentação. timbre e carimbo, mas é exigido RG e CIC, além
c. Incluem-se, às vezes, ilustrações como mapas, do reconhecimento da firma em cartório.
gráficos e desenhos.
d. A regra da impessoalidade não é desrespeitada Exemplo de declaração
quando, na conclusão, sugerem-se medidas e pro-
vidências.
e. Como nas demais correspondências, há numera- DECLARAÇÃO
ção dos parágrafos a partir do primeiro.

2. Segundo a estrutura do relatório, assinale a opção


Eu, Ivan Linse, RG 69696969, SSP/SP, CPF 11111111111,
que ordene corretamente as partes listadas abaixo: DECLARO que o senhor Marcos Paccalollo, RG
42424242, SSP/RS, CPF 242424242424, trabalhou
1) Senhor Diretor, como cozinheiro-chefe no Restaurante Flor do Pequi, em
Pelotas-RS, de 24 de agosto de 2000 a 11 de março de
2) Do exposto resulta que será necessário instaurar 2004., desempenhando com louvor e dedicação extrema
suas tarefas.
processo administrativo para apurar irregularidades
nesta licitação e punir os responsáveis. Pelotas – RS, 24 de agosto de 2004.
3) De 20 de outubro a 10 de novembro de 2001, com- Ivan Linse
parei documentos relativos à licitação com as exi-
BRUNO PILASTRE

gências constantes da lei 8666. Gerente do Restaurante

4) Tendo sido designado para apurar a suspeita de irre-


gularidades ocorridas na concorrência pública para ATESTADO
construção do viaduto da Gávea, apresento a V. As.
O relatório das diligências que realizei. É o documento em que se confirma ou assegura a
existência ou inexistência de uma situação de direito, de
5) Neste confronto constatei desobediências à lei, que se tem conhecimento, referente a alguém ou a respeito
como o evidente favorecimento de uma das empre- de algum fato ou situação.
sas concorrentes. Consiste em dizer por escrito, afirmando ou negando,
que determinada coisa ou algum fato referente a alguém
6) Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 2001.
corresponde à verdade e responsabilizar-se, assinando o
7) Respeitosamente, documento.

8) Em 30 de outubro, ao inquirir os funcionários X e Y, Características no serviço público, o atestado é fir-


suspeitos das irregularidades, constatou-se a culpa- mado por funcionário que, em razão de seu ofício ou
bilidade de ambos, conforme declarações anexas. função, tem reconhecida credencial para fornecê-lo;
a. na empresa particular, o atestado é fornecido por
9) É o que cumpre levar ao conhecimento de V. Sa.
alguém que exerce posição de chefia compatível
com a afirmação que prestar e com a destinação
a. 1, 6, 4, 8, 3, 5, 2, 9, 7.
do documento;
b. 1, 6, 4, 3, 5, 8, 2, 9, 7.
b. o papel em que é redigido o atestado deve conter
c. 6, 1, 4, 3, 5, 8, 2, 9, 7.
d. 6, 1, 4, 8, 3, 5, 2, 9 ,7. o timbre ou carimbo do órgão público ou da empre-
e. 6, 1, 8, 3, 5, 2, 4, 9, 7. sa que o expede;
c. o atestado, diferentemente da declaração, cos-
DECLARAÇÃO E ATESTADO tuma ser expedido em atendimento à solicitação
do(s) interessado(s), formulada por escrito ou ver-
DECLARAÇÃO balmente;
d. a redação de um atestado apresenta comumente
Dá-se o nome de declaração ao documento em que a seguinte ordem:
se afirma ou nega alguma coisa a respeito de determinado
assunto. I – título, isto é, a palavra atestado, em maiúsculas;

34
II – nome e identificação da autoridade que emite (que
Os alunos da turma TJDFT MH1, abaixo assinados,
também podem ser expressos no final, após a assi- sabedores da urgência em concluir o conteúdo
natura) e da pessoa ou órgão que solicita; programático do curso em vista da prova que se aproxima,
III – texto, sempre sucinto, claro e preciso, contendo e de acordo com a cláusula nona do contrato de prestação
aquilo que se está confirmando ou assegurando; de serviços, solicitam ao senhor coordenador do Curso
IV – local e data, na margem direita do texto; XYJ aula no feriado de Sete de Setembro de 2007.
V – assinatura, nome e cargo ou função de quem ates- Nome assinatura matrícula
ta, à direita ou no centro.
QUESTÕES GERAIS
Em geral, o atestado é emitido em favor de alguém,
declarando algo sobre essa pessoa.
1. Cada um dos itens seguintes apresenta um fragmento
de correspondência oficial, seguido de uma proposta
PROSPEC-SOLO FUNDAÇÕES S/A de classificação (entre parênteses) desse fragmento
Av. Brasil, 453 – Campinas/SP – Tel.: 414390 quanto ao tipo de correspondência. Julgue-os quanto
ATESTADO ao aspecto gramatical e quanto à classificação propos-
ta.
ATESTAMOS que Geralda Antônia, RG 116924 1) Atestado – Ao analisar a proposta, observam que
SSP/PE estagiou no Depto. de Sondagens e Fundações é necessário explicar que fica proibido ao servidor
desta empresa de engenharia no período de 3/4/1994 a
6/11/1995, desenvolvendo suas funções com seriedade, receber brindes de valor superior a R$ 100,00 e
competência e profissionalismo. que diretor de autarquia que se utilizar de jatinho
de empreiteira expõe a processo judicial.
Campinas, 20 de março de 1996. 2) Os abaixo-assinados têm a honra de dirigir-se a
V.S.ª para solicitar a recontagem dos pontos do
José M. F. Fontanelle
Eng. Supervisor de Sondagens concurso público realizado para cargos desse mi-
CREA – 5.459/SP nistério. (abaixo-assinado)
Wilson Castilho Penha

LÍNGUA PORTUGUESA
Chefe do Depto. de Pessoal 2.

REQUERIMENTO
Brasília, 1º de junho de 2003.
Requerimento é um documento encaminhado por um Para a Coordenação de Concursos do CESPE/UnB,
particular a uma autoridade ou a um órgão público para soli-
citar (= requerer) algo a que julga ter direito legal. Requerimento:
Sempre que possível, é conveniente citar a lei, decreto
JOSÉ DA SILVA DOS SANTOS REIS, devidamente
ou ato administrativo que justifica legalmente o que se está
inscrito no concurso para TÉCNICO JUDICIÁRIO do
requerendo. Tribunal de Justiça do Distrito Federal, com a inscrição
n. 197.542/2003, VENHO, POR DIREITO E MUI
Exemplo de requerimento: RESPEITOSAMENTE, solicitar a Vocês a emissão de uma
certidão de comparecimento nesta prova realizada nesta
data supracitada, uma vez que hoje estou trabalhando em
turnos e preciso comprovar meu afastamento do serviço
REQUERIMENTO no período da tarde, para realizar o referido exame.
Nesses termos, peço aceitação do meu pedido e
Senhor Prefeito de Mauá da Serra, AGUARDO DEFERIMENTO.

Clayton Noel Rosa, brasileiro, casado, residente na Atenciosamente,


Rua Mato Dentro, 1541, portador de CI n. 247.550-8 e José da Silva dos Santos Reis.
CPF n. 338.400.529, funcionário público municipal PO-2,
requer, na forma da Lei Municipal 123 de 1996, adicional Com respeito ao texto, assinale a opção correta.
de 5% (cinco por cento) em seus vencimentos, por ter
a. O lugar correto para a colocação da data é à es-
completado cinco anos de serviço.
querda, e não à direita, como se encontra no do-
Nestes termos, cumento.
Pede deferimento. b. O tipo de documento adequado para tal finalidade
não é o requerimento e, sim, o ofício.
Mauá da Serra, 3 de fevereiro de 2000.
Clayton Noel Rosa c. Em vez do pronome de tratamento “Vocês”, o re-
dator deveria ter empregado Vossas Excelências.
d. O candidato deveria ter solicitado uma declaração,
ABAIXO-ASSINADO
e não uma certidão.
É o requerimento coletivo, ou seja, o requerimento assi- e. O fechamento “Atenciosamente” deveria constar
nado por vários peticionários. Exemplo: antes do pedido de deferimento.

35
3. Tanto no memorando quanto na declaração, as 3) A ata é um instrumento que registra os fatos e as
informações relativas ao local e à data de expedição deliberações de uma reunião, sessão ou assem-
do documento devem ser expressas no canto superior bleia. Esse documento deve ser assinado por todos
direito da página. os presentes ao encontro, sem exceção à regra.

Considere que a carta que se segue tenha sido dirigida 6. Considerados os padrões definidos para comunica-
ao presidente da República. ções oficiais, é correto afirmar:
a. Estão em conformidade com o padrão de “Ofício”
Senhor Presidente as seguintes partes de uma comunicação oficial:
Permita-me que lhe escreva esta carta.
Sei que não tem tempo para a ler, mas quero acreditar A Sua Excelência o Senhor
que alguém lhe dará conhecimento dela. Mário dos Santos Barbosa
Senhor Presidente: a nossa terra já exportou escravos,
Ministro de Estado das Relações Exteriores
ouro, marfim, madeira, tanta coisa! Como sabe, escrevi nos
Assunto: Seminário sobre Segurança Pública
manuais de História de Moçambique, nos anos 80, como
tudo isso se passou. Agora, Presidente, parece que estamos
Senhor Ministro,
regressando aos séculos da pilhagem.
.....................................................................................
As nossas florestas estão sendo dilapidadas. E floresta,
.....................................................................................
Presidente, é raiz, floresta é o conjunto das nossas raízes,
Atenciosamente,
desta terra amada, mas desta terra cada vez mais desma-
tada. Margarida Sousa Dias
Presidente: corremos o risco de perdermos as raízes. Ministra de Estado da Justiça
Permita-me sugerir-lhe uma coisa: a nomeação ime-
diata de uma comissão de inquérito dirigida pelo decano dos b. O vocativo a ser empregado em texto dirigido a
nossos cientistas, Professor Engenheiro Carmo Vaz. autoridade que não exerce a função de Chefe de
Poder é Excelentíssimo Senhor, como em “Exce-
E é tudo, Presidente. lentíssimo Senhor Senador da República”.
BRUNO PILASTRE

c. Em correspondência encaminhada ao Presidente


A luta continua. do Congresso Nacional, como a qualquer outro
Chefe de Poder, é indispensável o tratamento dig-
Carlos Serra níssimo, como expressão do apreço pelo atributo
Centro de Estudos Africanos pessoal do destinatário.
d. São fechos adequados a todas as modalidades de
Internet: <oficinadesociologia.blogspot.com> (com
comunicação oficial, independentemente da hierar-
adaptações).
quia envolvida, “Respeitosamente” e “Atenciosa-
4. Com base no documento acima apresentado e consi- mente”, mas adotado um, ou outro, na dependên-
derando as normas relativas à redação de correspon- cia do assunto tratado.
dências oficiais, julgue os seguintes itens. e. É desejável que o texto de um encaminhamento
1) Uma vez que o texto em questão foi dirigido a uma simples de documento observe a seguinte fórmu-
autoridade, deveria ter sido escrito com rigor formal la, com adequação aos dados específicos daquilo
e impessoalidade. que se encaminha: “Honra-nos encaminhar anexa,
2) Para atender às normas estabelecidas para esse em atendimento à solicitação feita, com a presteza
tipo de correspondência, o pronome de tratamento habitual, pelo Sr. Chefe do Departamento de Ad-
adequado ao vocativo deveria ser “Excelentíssimo ministração, cópia do telegrama de 2 de março de
Senhor Presidente da República”. 2005, do Presidente da Confederação Nacional de
3) Para atender às formalidades exigidas nesse tipo Atletas, a respeito de projeto de atendimento a jo-
de comunicação, o fecho da carta, com que se fi- vens em situação de risco.
naliza o texto e se saúda o destinatário, deveria ser
Atenciosamente. 7. Desconsiderando a necessidade do espaçamento pa-
drão, assinale a opção correta a respeito da simulação
5. Com relação à redação de correspondências oficiais, de escrita de documentos oficiais.
julgue os itens subsequentes. a. Vocativo de ofício:
1) O ofício é um tipo de correspondência utilizada
Prezado Senhor Manuel de Manuel,
somente para a comunicação entre os órgãos da
Chefe de gabinete do deputado Carlos de Carlos:
administração pública.
b. Fecho de memorando:
2) Em correspondências oficiais, para imprimir clare-
Atenciosamente,
za à comunicação, é recomendável o uso de recur-
Maurício de Maurício
sos gráficos como negrito e sublinha em trechos do
Maurício de Maurício
texto referentes ao assunto tratado.
Chefe de Serviços Gerais

36
c. Cabeçalho de ofício: 12. Considere as afirmativas abaixo.
Ofício no. 1234/DAJ/2006
[Timbre do MINISTÉRIO DA MÚSICA] I – Ofício é modalidade de comunicação oficial que tem
Brasília, 29 de abril de 2006 como finalidade o tratamento de assuntos oficiais
d. Texto de memorando: pelos órgãos da Administração Pública entre si.
De acordo com entendimento telefonico já II – Relatório é uma exposição oral ou escrita, poden-
mantido solicito providências urgentes para o
do conter narração de fatos, descrição de objetos
arrancamento das cercas invasoras de minha pro-
em geral, e análises e juízos desses mesmos ele-
priedade.
mentos.
A seção de Agnaldo encarregou-o de preparar matéria III – Atestado é um documento em que se declara algo
jornalística escrita sobre as conclusões da VIII Confe- e, na correspondência oficial, seu emprego é fre-
rência Ibero-Americana, ocorrida em 2005, na Espa- quente nos serviços policiais.
nha, para divulgação oficial no MDIC. Posteriormente,
Agnaldo apresentou no próprio ministério, o resultado É(São) correta(s) a(s) afirmativa(s):
de sua pesquisa sobre turismo e patrimônio cultural e a. I, apenas.
recebeu elogio por ter realizado a pesquisa. b. I e II, apenas.
c. I e III, apenas.
8. Considerando a situação hipotética acima e com base d. II e III, apenas.
na redação oficial, julgue os itens que se seguem. e. I, II e III.
1) Agnaldo deve ter tomado conhecimento, por meio
de aviso, da atividade para a qual foi indicado. 13. Em relação à redação de correspondências oficiais,
2) O ministro do MDIC poderá ter recebido comunica-
considere as afirmações abaixo.
do a respeito da VIII Conferência Ibero-Americana
por meio de nota diplomática.
I – As comunicações oficiais, incluindo as assinadas
3) O encaminhamento da informação sobre a matéria

LÍNGUA PORTUGUESA
jornalística às seções / divisões do MDIC poderá pelo Presidente da República, devem trazer o nome
ser feito, internamente, por circular. e o cargo da autoridade que as expede, abaixo do
local da assinatura.
9. Assinale a opção em que o pronome pessoal de II – No ofício, além do nome e do cargo da pessoa a
tratamento referente ao cargo NÃO deve ser abreviado. quem é dirigida a comunicação, deve-se incluir
a. Presidente da República e Papa. também o endereço.
b. Cônsul e Deputado. III – No memorando, o destinatário deve ser menciona-
c. Ministro de Estado e Reitor de Universidade. do pelo cargo que ocupa.
d. Chefe de empresa e Prefeito.
e. Representante militar e Embaixador. Está(ão) correta(s) a(s) afirmação(ões):
a. I, apenas.
10. Assinale a explicação correta quanto ao tipo de cor- b. III, apenas.
respondência.
c. I e II, apenas.
a. Requerimento – vocativo, contexto, fecho, data e
d. I e III, apenas.
assinatura são as partes de um requerimento.
e. II e III, apenas.
b. Circular – sua finalidade é esclarecer sobre de-
terminado assunto, lei ou regulamento (não pode GABARITO
complementar ou retificar atos oficiais).
c. Ata – é redigida sem deixar espaço, sem fazer pa- CIRCULAR
rágrafo para impossibilitar acréscimos.
d. Memorando – trata-se de correspondência utiliza- 1. E E E E C
da na circulação interna e externa. 2. c
e. Declaração – é um documento no qual a pessoa
que assina manifesta sua opinião ou observação a ATA
respeito de um assunto ou pessoa.
1. b
11. Assinale a correlação INCORRETA entre o cargo/título 2. a
e o referido pronome de tratamento. 3. d
a. Papa: Vossa Santidade. 4. a
b. Reitor: Vossa Magnificência. 5. d
c. Senador: Vossa Excelência. 6. ECCEE
d. Príncipe: Vossa Majestade.
e. Diretor de escola: Vossa Senhoria. RELATÓRIO

37
1. a
2. c

GERAIS

1. EC
2. d
3. E
4. CCC
5. EEE
6. a
7. b
8. EECC
9. a
10. c
11. d
12. e
13. e
BRUNO PILASTRE

38
RACIOCÍNIO LÓGICO

S U M ÁRI O

CONCEITOS BÁSICOS DE RACIOCÍNIO LÓGICO: PROPOSIÇÕES; VALORES LÓGICOS DAS


PROPOSIÇÕES; SENTENÇAS ABERTAS; NÚMERO DE LINHAS DA TABELA VERDADE; CONECTIVOS;
PROPOSIÇÕES SIMPLES; PROPOSIÇÕES COMPOSTAS...............................................................................356
TAUTOLOGIA...............................................................................................................................................357
OPERAÇÃO COM CONJUNTOS..................................................................................................................367
CÁLCULOS COM PORCENTAGENS.............................................................................................................378
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE LÓGICA 1ª) Todas as proposições compostas e somente elas
apresentam conectivo lógico.
CONCEITOS INICIAIS 2ª) Conectivo lógico é um operador lógico que se liga
a uma ou mais proposições simples, transformando-as em
proposição composta. Os conectivos são: “e” ; “ou” ; “ou ...
Proposição ou”; “se ... então”; “se e somente se”; e “não”.
3ª) O valor lógico de uma proposição composta formada
É qualquer afirmação que dependendo de um contexto por duas ou mais preposições simples depende do valor
pode receber um dos dois valores lógicos: Verdadeiro ou lógico dessas proposições bem como do conectivo utilizado.
Falso.
Tabelas Veritativas
Exemplos:
São utilizadas para valorar as proposições compostas
a partir dos conectivos lógicos anteriormente mencionados.
a) 4 é ímpar.
b) 100 =10 . 1) Conectivo “e” (∧).
c) Brasília é a capital do Brasil.
d) João é médico. p q p∧q
e) Maria é morena.
V V V
P Q
V F F
 Obs.: Não são Proposições:
F V F
a) X é ímpar. (Sentença aberta) F F F
b) A cidade “X” é a capital do Brasil. (Sentença aberta)
c) X + 5 = 8. (Sentença aberta) A proposição “p ∧ q” é verdadeira sempre que “p” for
d) Qual é o seu nome? (Sentença interrogativa) verdadeira e “q” também for verdadeira. Nos demais casos a
proposição “p ∧ q” será falsa.
e) Feche a porta. (Sentença imperativa)
f) Que dia lindo! (Sentença exclamativa) 2) Conectivo “ou” (∨).

 Obs.: As proposições se dividem em 2 grupos: simples e p q p∨q


compostas.
V V V
P Q
Proposição Simples V F V
F V V
É aquela que não pode ser subdividida, isto é, não
F F F
podemos extrair uma parte dela que seja considerada uma
nova proposição. Também é chamada de proposição atô-
mica. A proposição “p ∨ q” será falsa quando a proposição “p”
for falsa e a proposição “q” também for falsa. Nos demais
casos a proposição “p ∨ q” será sempre verdadeira.
Proposição Composta
ROBERTO VASCONCELOS

3) Conectivo “ou...ou” (∨)


É aquela que pode ser subdividida, isto é, podemos
extrair uma parte dela que seja considerada uma nova
p q p∨q
proposição. Também é chamada de proposição molecular.
V V F
P Q
Exemplos: V F V

F V V
a) 4 é par. (Proposição simples) F F F
b) 7 é ímpar. (Proposição simples)
c) Ou 4 é par ou 7 é ímpar. (Proposição composta) A proposição “p ∨ q” é verdadeira sempre que apenas
d) Se João é médico então Maria é dentista. (Proposi- uma das duas proposições simples for verdadeira, sendo
ção composta) falsa nos demais casos.

40
4) Conectivo “se...então” (→) I: 4 é ímpar e 7 é inteiro.
II: 9 = 5 ou 82 = 64.
p q p→q III: Se 7 > 5 então 14 > 16.
V V V Q IV: 9 é par, se somente se, 10 é ímpar.
P
V: Se 4 > 6 ou 7 < 8 então 9 > 5 e 8 > 1.
V F F
VI: 92 = 81 e 72 = 49, se somente se, 81 = 9 e 49 = 7.
F V V
VII: Se 7 não é par então ou 4 é par ou 10 não é par.
F F V VIII: Ou 7 é primo ou 9 é primo.

A proposição “p → q” é falsa apenas quando a primeira


Solução:
“p” for verdadeira e a segunda “q” for falsa, sendo verdadeira
nos demais casos.
I: F ∧ V = F (Falsa)
5) Conectivo “se e somente se” (↔) II: F ∨ V = V (Verdadeira)
III: V → F = F (Falsa)
p q p↔q IV: F ↔ F = V (Verdadeira)
V: (F ∨ V) → (V ∧ V) ⇒ V → V = V (Verdadeira)
V V V
VI: (V ∨ V) ↔ (V ∧ V) ⇒ V ↔ V = V (Verdadeira)
V F F VII: V → (V ∨ F) ⇒ V → V = V (Verdadeira)
F V F VIII: V ∨ F = V (Verdadeira)

F F V
Tautologia e contradição

A proposição “p ↔ q” é verdadeira quando ambas, “p” Tautologia


e “q” apresentarem as mesmas valorações. Isto é, ambas
verdadeiras ou ambas falsas. É toda proposição composta que tem o valor lógico de
verdadeiro, independente do valor lógico das partes meno-
6) Conectivo “não” (∼) ou (¬) res que a compõem.

p ¬p
Exemplo:

V F
A proposição “A ∨ ¬ A” é uma tautologia.
F V
A ¬A A∨¬A

A proposição “¬ p” e a proposição “p” sempre têm valo- V F V


rações contrárias.
F V V

Observações:
Contradição

1ª) O conectivo “não” também é conhecido como modi-


RACIOCÍNIO LÓGICO

É toda proposição composta que tem o valor lógico de


ficador lógico, pois sempre modifica a valoração da afir- falso, independente do valor lógico das partes menores que
mação.
a compõem.

2ª) Formas sinônimas do “não”: Exemplo:


• É falso que ...
• Não é verdade que ... A proposição “A ∧ ¬ A” é uma contradição.
• É mentira que ...
A ¬A A∧¬A
EXERCÍCIO RESOLVIDO
V F F
F V F
R.1. Julgue em “V” ou “F” as seguintes proposições:

41
Negação das Proposições Compostas (Leis de

A∨B
Morgan)

V
F

F
Afirmação Negação Direta Negação (Leis de Morgan)

[(A ∧ ¬ B) ∨ (B ∨ ¬ A)]
A∧B ¬ (A ∧ B) ¬A∨¬B

A∨B ¬ (A ∨ B) ¬A∧¬B

V
F

F
A→B ¬ (A → B) A∧¬B

A↔B ¬ (A ↔ B) [(A ∧ ¬ B) ∨ (B ∧ ¬ A)]

B∧¬A

V
F

F
EXERCÍCIO RESOLVIDO

R.2. Dê a negação de cada uma das proposições

A∧¬B

V
F

F
abaixo, em linguagem natural, de acordo com as Leis de
Morgan:
1. João é médico e Maria é dentista.

¬B

V
F

F
2. Mário é marceneiro ou Pedro não é pedreiro.

¬A

V
F

F
3. Se estudo tudo, passo no concurso. A↔B

V
F

F
4. Fico feliz, se e somente se, passo no concurso.
B

V
F

F
Solução:

1. João não é médico ou Maria não é dentista.


A

F
2. Mário não é marceneiro e Pedro é pedreiro.
Observe que a proposição “[(A ∧ ¬ B) ∨ (B ∨ ¬ A)]” bem
como a proposição “A ∨ B” possuem valorações contrárias ao
3. Estudo tudo e não passo no concurso.
valor lógico da proposição “A ↔ B”.

4. Fico feliz e não passo no concurso ou passo no con-


QUANTIFICADORES LÓGICOS
curso e não fico feliz.
São expressões que dão ideia de quantidade. Os quan-
JUSTIFICATIVAS tificadores se dividem em universais e particulares.

1ª) O porquê que a negação de “A ∧ B” é “¬ A ∨ ¬ B” a) Universais

A B A ∧ B ¬ A ¬ B ¬ (A ∧ B) ¬ A ∨ ¬ B ¬ A ∧ ¬ B Todos são... Qualquer um é...


ou
ROBERTO VASCONCELOS

V V V F F F F F Nenhum é... Qualquer um não é...

V F F F V V V F
b) Particulares
F V F V F V V F
F F F V V V V V
Algum é... Existe pelo menos um que seja...
ou
Observe que a proposição “¬ A ∧ ¬ B” na segunda e na Algum não é... Existe pelo menos um que não seja...

terceira linha não é a negação de “A ∧ B”, enquanto a proposi-


ção “¬ A ∨ ¬ B” é a negação da proposição “A ∧ B” em todos Negação dos Quantificadores
os casos.
Afirmação Negação
2ª) O porquê que a negação de “A ↔ B” é “ [(A ∧ ¬ B)
∨ (B ∧ ¬ A)]” Todas são... Algum não é...

42
Hipóteses:
Afirmação Negação

Nenhum é... Algum é...

Algum não é... Todas são... “P” é verdadeira

Algum é... Nenhum é...


1ª) “Q” é falsa

EXERCÍCIO RESOLVIDO “T” é falsa

R.3. Dê a negação, em linguagem natural, das proposi-


ções lógicas abaixo:
“P” é falsa
1) Todos os peixes estão vivos.
2ª) “Q” é verdadeira
Algum peixe não está vivo.
Algum peixe está morto. “T” é falsa

2) Todos os estudantes estão sentados.


Algum estudante não está sentado.
“P” é falsa
3) Nenhuma cobra é venenosa.
Alguma cobra é venenosa. 3ª) “Q” é verdadeira

4) Algum número inteiro não é par. “T” é verdadeira


Todos os números inteiros são pares.
Nenhum número inteiro é ímpar.
IMPORTANTE
5) Algum triângulo é isósceles. 1ª) A proposição “Q” teve valoração contrária a proposição
Nenhum triângulo é isósceles. “P” em todas as hipóteses, enquanto a proposição “T” só
apresentou valoração contrária a proposição “P” na primeira e
R.4. A negação de “todos os homens são bons moto- na terceira hipótese. Portanto, a proposição “Q” é a negação da
ristas” é: proposição “P”.
2ª) Os demais casos de negação dos quantificadores lógicos
a. Nenhum homem é bom motorista.
podem ser justificados de maneira análoga a ideia apresentada
b. Todas as mulheres são boas motoristas. anteriormente.
c. Algumas mulheres são boas motoristas.
d. Ao menos um homem não é bom motorista. ARGUMENTO LÓGICO

Solução: É um conjunto formado por algumas premissas segui-


das de uma conclusão. Quanto à validade um argumento se
divide em:
P: Todos os homens são bons motoristas. a) Válido: quando as premissas garantem a conclusão.
¬ P: Algum homem não é bom motorista. b) Inválido: quando as premissas não garantem a con-
clusão.
Portanto, letra “D”.
RACIOCÍNIO LÓGICO

JUSTIFICATIVA Esquema:

O porquê que a negação de “todos são ...” é “algum


não é...”. P1 : ----------------------
P2 : ---------------------- Proposições consideradas
P3 : ---------------------- verdadeiras para
Considere o exemplo:
julgarmos a conclusão.
Sejam as proposições: Pn : ----------------------

P : Todas as bolas são pretas.


Q : Alguma bola não é preta. Conc.:-------------------
T : Nenhuma bola é preta.

43
Exemplos:

1º) P1: Todos os peixes voam;


P2: Sardinha é um peixe;
Conclusão: Sardinha voa.

Considerando as premissas verdadeiras, a conclusão


é obrigatoriamente verdadeira! Portanto, trata-se de argu-
mento válido.

2º) P1: Todo atleta é forte;


P2: João é atleta;
Conclusão: João é atleta.

Considerando as premissas verdadeiras, a conclusão


não é obrigatoriamente verdadeira. Portanto, trata-se de
argumento inválido.

PROPOSIÇÃO CATEGÓRICA

É toda premissa de um argumento que apresenta uma


das seguintes estruturas:
• Todo A é B.
• Algum A é B.
• Algum A não é B.
• Nenhum A é B.

Exemplos:

• Todo político é desonesto.


• Algum atleta é intelectual.
• Algum músico não é alto.
• Nenhum estudante é atleta.

DIAGRAMAS LÓGICOS

São as representações das proposições categóricas


por meio de diagrama de conjuntos.

Premissa Diagrama
B
A
Todo A é B
ROBERTO VASCONCELOS

a b
Algum A é B

a b
Algum A não é B

a b
Nenhum A é B

44
NOÇÕES DE INFORMÁTICA

S U M ÁRI O

CONCEITOS DE INTERNET E INTRANET. ....................................................................................................390


CONCEITOS BÁSICOS E MODOS DE UTILIZAÇÃO DE TECNOLOGIAS, FERRAMENTAS, APLICATIVOS
E PROCEDIMENTOS ASSOCIADOS À INTERNET E À INTRANET. ...............................................................392
CONCEITOS E MODOS DE UTILIZAÇÃO DE FERRAMENTAS E APLICATIVOS DE NAVEGAÇÃO, DE
CORREIO ELETRÔNICO, DE GRUPOS DE DISCUSSÃO, DE BUSCA E PESQUISA. .....................................393
CONCEITOS BÁSICOS E MODOS DE UTILIZAÇÃO DE TECNOLOGIAS, FERRAMENTAS, APLICATIVOS
E PROCEDIMENTOS DE INFORMÁTICA. ....................................................................................................390
CONCEITOS E MODOS DE UTILIZAÇÃO DE APLICATIVOS PARA EDIÇÃO DE TEXTOS, PLANILHAS E
APRESENTAÇÕES. ........................................................................................................................................409
CONCEITOS E MODOS DE UTILIZAÇÃO DE SISTEMAS OPERACIONAIS WINDOWS E LINUX..........457/468
PERMISSÕES • chmod a+x texto.txt: inclui (+) a permissão de
execução do arquivo texto.txt para o dono, grupo
Quanto aos tipos de permissões que se aplicam ao dono, e outros usuários.
grupo e outros usuários, temos 3 permissões básicas: • chmod a=rw texto.txt: define a permissão de
• r – Permissão de leitura para arquivos. Caso for um todos os usuários exatamente (=) para leitura e
diretório, permite listar seu conteúdo (através do gravação do arquivo texto.txt.
comando ls, por exemplo).
HENRIQUE SODRÉ

• w – Permissão de gravação para arquivos. Caso for Comparação entre dispositivos


um diretório, permite a gravação de arquivos ou outros
diretórios dentro dele. Para que um arquivo/diretório DOS/Windows Linux
possa ser apagado, é necessário o acesso a grava- A: /dev/fd0
ção. B: /dev/fd1
• x - Permite executar um arquivo (caso seja um pro- C: /dev/hda1 ou /dev/sda1
grama executável). Caso seja um diretório, permite LPT1 /dev/lp0
que seja acessado através do comando cd. LPT2 /dev/lp1
LPT3 /dev/lp2
As permissões de acesso a um arquivo/diretório podem COM1 /dev/ttyS0
ser visualizadas com o uso do comando ls -la. As 3 letras COM2 /dev/ttyS1
(rwx) são agrupadas da seguinte forma: COM3 /dev/ttyS2
COM4 /dev/ttyS3
-rwxrwxrwx henrique users texto

Primeiro vamos entender as dez primeiras letras da


esquerda para a direita: EXERCÍCIOS
• A primeira letra informa se o item que estamos tra-
balhando é um arquivo, diretório ou link. Se apa-
recer um “d” é um diretório, um “l” um link a um Julgue os itens a seguir, a respeito dos sistemas ope-
arquivo no sistema, um “-” quer dizer que é um racionais Windows e Linux.
arquivo comum. No caso, percebemos que texto é
um arquivo. 1. (CESPE/FUB/NÍVEL SUPERIOR) Para se iniciar uma
• Da segunda a quarta letra (rwx) dizem qual é a per- pesquisa de arquivos no Windows 8.1, é suficiente
missão de acesso ao dono do arquivo. Neste caso pressionar simultaneamente as teclas .
henrique tem a permissão de ler (r - read), gravar
(w - write) e executar (x -execute) o arquivo texto. Acerca do Microsoft Office 2013, julgue os itens sub-
• Da quinta a sétima letra (rwx) diz qual é a permissão sequentes.
de acesso ao grupo do arquivo. Nesse caso, todos No que diz respeito aos conceitos e ferramentas de
os usuários que pertencem ao grupo users têm a redes de computadores e ao programa de navegação
permissão de ler (r), gravar (w), e também executar Google Chrome, julgue os itens que se seguem.
(x) o arquivo texto.
• Da oitava à décima letra obtemos as informações 2. (CESPE/FUB/NÍVEL SUPERIOR) Tanto o Ping quanto
das permissão de acesso a outros usuários. Nesse o Traceroute são ferramentas utilizadas na sondagem
caso, esses outros usuários têm a permissão de de uma rede de computadores.
ler(r), gravar(w), e também executar(x) o arquivo
texto.
Julgue os itens seguintes, no que se refere ao pro-
Exemplos de utilização do comando chmod em que
grama de correio eletrônico Mozilla Thunderbird e ao
u (user – dono do arquivo), g (group – grupo) e o (others – conceito de organização e gerenciamento de arquivos.
outros):
• chmod g+r *: permite que todos os usuários que
3. (CESPE/FUB/NÍVEL SUPERIOR) O Mozilla Thunder-
pertençam ao grupo dos arquivos (g) tenham (+) bird permite que o usuário exclua automaticamente
permissões de leitura (r) em todos os arquivos do mensagens indesejadas por meio da utilização de
diretório atual. filtros, ainda que não forneça a opção de bloquear
• chmod o-r texto.txt: retira (-) a permissão de lei- emails de um domínio específico.
tura (r) do arquivo texto.txt para os outros usuários
(usuários que não são donos e não pertencem ao Acerca dos procedimentos de segurança e de becape,
grupo do arquivo texto.txt). julgue os itens subsecutivos.
• chmod uo+x texto.txt: inclui (+) a permissão de
execução do arquivo texto.txt para o dono e outros 4. (CESPE/FUB/NÍVEL SUPERIOR) A realização de be-
usuários do arquivo. cape dos dados de um computador de uso pessoal
garante que o usuário recuperará seus dados caso
ocorra algum dano em seu computador.

46
5. (CESPE/FUB/NÍVEL SUPERIOR) A implantação de Com referência à situação mostrada na figura acima,
procedimentos de segurança nas empresas consiste que reproduz parte de uma janela do Outlook Express,
em um processo simples, não sendo necessário, por- julgue os próximos itens.
tanto, que sua estrutura reflita a estrutura organizacio-
nal da empresa. 9. (CESPE/MPU/ANALISTA DO MPU) Ao se clicar a

NOÇÕES DE INFORMÁTICA
pasta , será apresentada a lista
de todos os emails que foram enviados a partir
do Outlook Express.

10. (CESPE/MPU/ANALISTA DO MPU) Se o usuário em


questão possuísse inscrição em Grupos de discussão

ou Redes sociais, a opção — Responder a


todos — seria habilitada.

11. (CESPE/MPU/ANALISTA DO MPU) O número (310)


mostrado ao lado da opção
indica o número de amigos que o usuário em
questão possui.

Julgue os itens subsequentes, relativos a conceitos de


Na situação mostrada na figura acima, que reproduz segurança da informação.
parte de uma janela do sistema operacional Windows,
12. (CESPE/MPU/ANALISTA DO MPU) Procedimentos de
6. (CESPE/MPU/ANALISTA DO MPU) ao clicar a opção becape são essenciais para a recuperação dos dados
no caso de ocorrência de problemas técnicos no com-
, o usuário terá acesso ao banco de dados do putador.
sistema operacional Windows que apresenta as
pastas e subpastas com os arquivos de progra- 13. (CESPE/MPU/ANALISTA DO MPU) Phishing é a
mas desse sistema operacional. técnica de criar páginas falsas, idênticas às oficiais,
para capturar informações de usuários dessas pá-
7. (CESPE/MPU/ANALISTA DO MPU) a opção per- ginas.
mite localizar arquivos ou pastas no computador
14. (CESPE/MPU/ANALISTA DO MPU) O armazenamen-
local, dados na Internet ou, ainda, pessoas no to em nuvem, ou em disco virtual, possibilita o arma-
Active Directory. zenamento e o compartilhamento de arquivos e pastas
de modo seguro, ou seja, sem que o usuário corra o
8. (CESPE/MPU/ANALISTA DO MPU) a opção risco de perder dados.
possibilita que o usuário acesse informações a
respeito dos discos disponíveis localmente e na
rede, bem como das opções de computação em
nuvem.

A figura acima, que ilustra uma janela do Windows 7,


mostra o conteúdo da pasta denominada Docs. Com
referência à situação mostrada nessa figura, ao Windows
7 e a conceitos de informática, julgue o item abaixo.

15. (CESPE/PCDF/AGENTE) Para se verificar, por meio


de um programa antivírus instalado no computador,
se os três arquivos da pasta Docs contêm algum tipo
de vírus ou ameaça digital, é suficiente clicar o botão
, localizado próximo ao canto superior direito da
janela.

47
e, em seguida, teclar ; clicar a célula D2 com o
botão direito do mouse e, na lista de opções que sur-
ge em decorrência dessa ação, clicar a opção Copiar;
clicar a célula D3; pressionar e manter pressionada a
tecla e, em seguida, acionar a tecla .
HENRIQUE SODRÉ

Com relação ao Word 2010 e à figura acima, que mostra


uma janela desse software com trecho de um texto em
processo de edição, julgue os itens subsequentes.

16. (CESPE/PCDF/AGENTE) A ferramenta pode


ser usada para realçar o texto selecionado, à seme-
lhança do que se pode fazer com um marca-texto em
um texto manuscrito ou impresso sobre papel. Considerando a figura acima, que ilustra parte de uma
janela do PowerPoint 2010 com uma apresentação em
processo de edição, julgue o item abaixo.
17. (CESPE/PCDF/AGENTE) Ao se selecionar o trecho
Distrito Federal e clicar no botão , esse trecho será
excluído. O mesmo efeito ocorreria se, após a seleção 19. (CESPE/PCDF/AGENTE) A ferramenta corresponden-
desse trecho, fosse pressionada a tecla . te ao botão pode ser usada em uma sequência de
ações para se ajustar o espaçamento entre caracteres
de um texto da apresentação que for selecionado.

A figura acima mostra uma janela do Excel 2010, com


uma planilha em processo de edição. Essa planilha
hipotética contém os preços unitários de cadeiras e
mesas, assim como a quantidade de itens a serem ad- Com relação ao navegador Google Chrome e à situ-
quiridos de cada um desses móveis. Com relação a ação apresentada na figura acima, que mostra uma
essa planilha e ao Excel 2010, julgue o item seguinte. janela desse software, julgue o seguinte item.

20. (CESPE/PCDF/AGENTE) Ao se clicar o botão ,


18. (CESPE/PCDF/AGENTE) Para se inserir na célula D2 será exibida uma lista de opções, entre as quais uma
o preço total das duas mesas e na célula D3, o preço que permitirá imprimir a página em exibição.
total das oito cadeiras, é suficiente realizar a seguinte
sequência de ações: clicar a célula D2; digitar =B2*C2

48
O uso de recursos de tecnologias da informação e 27. (CESPE/PCDF/AGENTE) Os vírus, ao se propaga-
das comunicações encontra-se difundido e disse- rem, inserem cópias de seu próprio código em ou-
minado em toda sociedade. Nesse contexto, ações tros programas, enquanto os worms se propagam
de investigação criminal necessitam estar adapta- pelas redes, explorando, geralmente, alguma vulne-
das para identificar e processar evidências digitais rabilidade de outros softwares.

NOÇÕES DE INFORMÁTICA
de modo a produzir provas materiais. Para tanto,
Acerca do sistema operacional MS-Windows, julgue
existem diversos tipos de exames técnico-científicos
os itens a seguir.
utilizados em investigações. Acerca desses exames,
julgue os itens a seguir.
28. (CESPE/SERPRO/analista - SUPORTE TÉCNICO) A
opção de linha de comando da ferramenta Sysprep
21. (CESPE/PCDF/AGENTE) Computadores infecta-
para preparar uma imagem de instalação do Windows
dos com vírus não podem ser examinados em uma
7 que remova todas as informações únicas do sistema
investigação, pois o programa malicioso instalado é /unattend.
compromete a integridade do sistema operacional.
29. (CESPE/SERPRO/analista - SUPORTE TÉCNICO)
22. (CESPE/PCDF/AGENTE) Navegadores da Web po- Utilizando-se o BitLocker to Go do Windows 7, é pos-
dem ser configurados para não registrar os registros sível estender o suporte para a criptografia de unidade
(logs) de navegação ou para excluí-los automatica- de disco BitLocker aos dispositivos de armazenamento
mente. Esse tipo de ação dificulta o exame de infor- USB removíveis, o que contribui para proteger os da-
mações acerca de sítios web visitados a partir de dos desses dispositivos caso estes sejam perdidos ou
determinado sistema. roubados.

23. (CESPE/PCDF/AGENTE) Exames em mensagens 30. (CESPE/SERPRO/analista - SUPORTE TÉCNICO) O


eletrônicas, tais como emails, permitem identificar Device Stage, um recurso criado a partir do Windows
o responsável pelo envio das mensagens, uma vez Vista, mostra somente o status dos dispositivos, não
que as mensagens utilizadas nesse tipo de comuni- permitindo sincronizar dados e mídias entre o Windo-
cação sempre contêm um endereço que identifica o ws 7 e um aparelho de telefone smartphone, por exem-
plo.
remetente da mensagem.

31. (CESPE/SERPRO/analista - SUPORTE TÉCNICO) Se


Diversos protocolos são utilizados em uma comuni-
os clientes que utilizavam o Windows XP e o Internet
cação pela Internet, mas apenas alguns deles con-
Explorer 6 para acessar o website interno de deter-
tribuem para a segurança da comunicação. A esse
minada empresa criado há alguns anos, passarem a
respeito, julgue os itens seguintes. utilizar o sistema Windows 7, então a ferramenta mais
adequada para verificar se o website da empresa fun-
24. (CESPE/PCDF/AGENTE) Os protocolos TLS (Trans- cionará adequadamente no novo sistema operacional
port Layer Security) e SSL (Secure Sockets Layer) é o Windows AIK (automated installation kit).
possuem propriedades criptográficas que permitem A respeito do sistema operacional Linux, julgue os pró-
assegurar a confidencialidade e a integridade da co- ximos itens.
municação. 32. (CESPE/SERPRO/analista - SUPORTE TÉCNICO) O
25. (CESPE/PCDF/AGENTE) O protocolo DNS é usado comando ps exibe os processos em execução no com-
para traduzir um nome em um endereço IP e vice- putador e o comando ps aux exibe apenas os proces-
-versa, ao passo que o FTP é um protocolo de trans- sos em execução no computador do usuário logado.
ferência de arquivos que possui como requisito o
protocolo de transporte UDP. 33. (CESPE/SERPRO/analista - SUPORTE TÉCNICO)
Malware é qualquer tipo de software que pode cau- Um processo, em Linux, é uma entidade independente
sar algum impacto negativo sobre a informação, consistindo de process id (PID), permissões de acesso
e propriedades como o id do usuário que o criou (UID)
podendo afetar sua disponibilidade, integridade e
e o do grupo (GID). Um processo
confidencialidade. Outros softwares são produzidos
sempre é executado em kernel-mode, a fim de pos-
para oferecer proteção contra os ataques provenien-
sibilitar o acesso a partes do hardware que, de outra
tes dos malwares. Com relação a esse tema, julgue
forma, permaneceriam inacessíveis.
os próximos itens.
34. (CESPE/SERPRO/analista - SUPORTE TÉCNICO)
26. (CESPE/PCDF/AGENTE) Firewalls são dispositivos A ferramenta Keep permite realizar cópias de quais-
de segurança que podem evitar a contaminação e a quer diretórios ou arquivos escolhidos e restaurá-las,
propagação de vírus. Por outro lado, antivírus são quando necessário. Essa ferramenta também permite
ferramentas de segurança capazes de detectar e iniciar um becape instantaneamente por meio da tela
evitar ataques provenientes de uma comunicação principal, editar a lista de becape e ver o registro das
em rede. cópias de segurança.

49
35. (CESPE/SERPRO/analista - SUPORTE TÉCNICO) A 43. (CESPE/PCDF/ESCRIVÃO) Para se editar um docu-
impressão direta de um documento de texto de nome mento em formato PDF no Word 2013, é necessário
arquivo.txt, na porta de impressão lp0, pode ser realiza- que o documento seja composto exclusivamente de
texto.
da utilizando-se o comando $cat arquivo.txt > /dev/lp0.
Julgue os itens que se seguem, que dizem respeito
Com relação aos conceitos e ao uso de ferramentas e ao armazenamento de dados em nuvem e a pragas
aplicativos do Windows, julgue os itens a seguir. virtuais.
HENRIQUE SODRÉ

44. (CESPE/PCDF/ESCRIVÃO) Rootkit é um tipo de pra-


36. (CESPE/SERPRO/analista - SUPORTE TÉCNICO)
ga virtual de difícil detecção, visto que é ativado antes
Painel de Controle do Windows dá acesso a opções que o sistema operacional tenha sido completamente
como, por exemplo, instalar e desinstalar programas, inicializado.
que é a ferramenta de uso recomendado para se insta-
lar ou remover um programa adequadamente. 45. (CESPE/PCDF/ESCRIVÃO) No SkyDrive, arquivos
criados no pacote Microsoft Office podem ser direta-
mente manipulados em qualquer plataforma, sem a
37. (CESPE/SERPRO/analista - SUPORTE TÉCNICO) No necessidade de instalação de aplicativos adicionais.
Windows Explorer, a opção Propriedades, disponível
por meio de um clique com o botão direito do mouse
sobre uma pasta, é utilizada para apresentar o conte-
GABARITO
údo de uma pasta, ou seja, quais e quantos arquivos
existem dentro dela, assim como os formatos dos ar-
quivos. 1. C 40. E
2. C 41. C
3. C 42. C
38. (CESPE/SERPRO/analista - SUPORTE TÉCNICO)
4. E 43. E
No Excel, ao se selecionar uma célula que contém um
5. E 44. C
valor numérico e, em seguida, clicar o botão Estilo de
6. E 45. E
Porcentagem, o valor será multiplicado por 100 e o 7. C
símbolo % será colocado ao lado do valor resultante. 8. E
9. C
39. (CESPE/SERPRO/analista - SUPORTE TÉCNICO) 10. E
No Word, a inserção de cabeçalho ou rodapé em um 11. E
documento faz que todas as páginas do documento 12. C
tenham os mesmos dados constantes nesses campos. 13. C
Para que uma página possa receber outro tipo de ca- 14. C
beçalho, a configuração de seções diferentes deve ser 15. E
feita anteriormente. 16. C
17. E
40. (CESPE/SERPRO/analista - SUPORTE TÉCNICO) No 18. C
19. C
Word, a opção de quebra de seção do tipo contínua,
20. C
ao ser acionada, faz que o cursor seja deslocado para
21. E
a página seguinte e uma nova seção seja criada.
22. C
23. E
Com relação ao sistema operacional Windows, à edi- 24. C
ção de texto e à navegação na Internet, julgue os itens 25. E
seguintes. 26. E
27. C
41. (CESPE/PCDF/ESCRIVÃO) O modo de navegação 28. E
anônimo, disponibilizado no navegador Google Chro- 29. C
me, possibilita que o usuário navegue na Internet sem 30. E
que as páginas por ele visitadas sejam gravadas no 31. E
histórico de navegação. 32. E
33. E
42. (CESPE/PCDF/ESCRIVÃO) No Windows 8, o modo 34. C
de suspensão, por meio do qual é possível manter o 35. C
36. E
computador em estado de baixo consumo de energia,
37. E
possibilita o retorno rápido ao ponto do trabalho, sem
38. C
apresentar risco de perda de dados.
39. C

50
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

S U M ÁRI O

SEGURIDADE SOCIAL. ORIGEM E EVOLUÇÃO LEGISLATIVA NO BRASIL. CONCEITUAÇÃO.


ORGANIZAÇÃO E PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS...................................................................................478
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTEÚDO, FONTES, AUTONOMIA. APLICAÇÃO DAS NORMAS
PREVIDENCIÁRIAS. VIGÊNCIA, HIERARQUIA, INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO.....................................484
REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. SEGURADOS OBRIGATÓRIOS, FILIAÇÃO E INSCRIÇÃO.
CONCEITO, CARACTERÍSTICAS E ABRANGÊNCIA: EMPREGADO, EMPREGADO DOMÉSTICO,
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL, TRABALHADOR AVULSO E SEGURADO ESPECIAL. SEGURADO
FACULTATIVO: CONCEITO, CARACTERÍSTICAS, FILIAÇÃO E INSCRIÇÃO. TRABALHADORES
EXCLUÍDOS DO REGIME GERAL.................................................................................................................485
EMPRESA E EMPREGADOR DOMÉSTICO: CONCEITO PREVIDENCIÁRIO..................................................488
FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. RECEITAS DA UNIÃO. RECEITAS DAS CONTRIBUIÇÕES
SOCIAIS: DOS SEGURADOS, DAS EMPRESAS, DO EMPREGADOR DOMÉSTICO, DO PRODUTOR RURAL,
DO CLUBE DE FUTEBOL PROFISSIONAL, SOBRE A RECEITA DE CONCURSOS DE PROGNÓSTICOS,
RECEITAS DE OUTRAS FONTES. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. CONCEITO. PARCELAS INTEGRANTES
E PARCELAS NÃO-INTEGRANTES. LIMITES MÍNIMO E MÁXIMO. PROPORCIONALIDADE.
REAJUSTAMENTO. ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS À
SEGURIDADE SOCIAL. COMPETÊNCIA DO INSS E DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO
BRASIL. OBRIGAÇÕES DA EMPRESA E DEMAIS CONTRIBUINTES. PRAZO DE RECOLHIMENTO.
RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO: JUROS, MULTA E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.................................489
DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO......................................................................................................................498
CRIMES CONTRA A SEGURIDADE SOCIAL..................................................................................................503
RECURSO DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS.............................................................................................510
PLANO DE BENEFÍCIOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL: BENEFICIÁRIOS, ESPÉCIES DE PRESTAÇÕES,
BENEFÍCIOS, DISPOSIÇÕES GERAIS E ESPECÍFICAS, PERÍODOS DE CARÊNCIA, SALÁRIO-DE-
BENEFÍCIO, RENDA MENSAL DO BENEFÍCIO, REAJUSTAMENTO DO VALOR DOS BENEFÍCIOS...............511
MANUTENÇÃO, PERDA E RESTABELECIMENTO DA QUALIDADE DE SEGURADO....................................512
LEI N. 8.212, DE 24.07.1991 E ALTERAÇÕES POSTERIORES........................................................................531
LEI N. 8.213, DE 24.07.1991 E ALTERAÇÕES POSTERIORES........................................................................552
DECRETO N. 3.048, DE 06.05.1999 E ALTERAÇÕES POSTERIORES.............................................................571
LEI DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – LOAS: CONTEÚDO; FONTES E AUTONOMIA (LEI N. 8.742/93 E
ALTERAÇÕES POSTERIORES; DECRETO N. 6.214/07 E ALTERAÇÕES POSTERIORES)...........................649/658
1 NECESSIDADE DA PROTEÇÃO SOCIAL inicial amplamente aceito para a previdência social brasi-
leira, tanto que a contagem de idade do sistema previdenci-
A necessidade de criação de uma proteção social e ário brasileiro é feita a partir da edição desta lei.
pública vem do instinto de proteção dos mais fracos, da ten-
tativa de evitar a fome, da busca de proteção contra doen- IAP – Institutos de Aposentadoria e Pensão
ças. E como a proteção da família e a proteção espontânea Os institutos de aposentadoria e pensão eram aglutina-
(esmola, ajuda humanitária etc.) nunca foram suficientes o dos por categoria e não por empresa, tendo sido o 1º o IAPM
Estado foi obrigado a fornecer algum tipo de proteção. (marítimos) – Decreto n. 22.872 de 26.06.1933.

2 SEGURIDADE SOCIAL Constituição de 1934


Esta constituição foi a primeira que previu a forma trí-
2.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO LEGISLATIVA NO BRASIL plice de fonte de custeio (Estado/ Empregador/ Empregado),
no seu artigo 121, §1º, alínea h.
Santas Casas (1543)
A primeira Santa Casa de Misericórdia no Brasil, na Vila Constituição de 1937
de Santos, foi fundada em 1543 e como a finalidade a Medi- Essa constituição utilizou a expressão “seguro social”
cina Humanística. como sinônimo do que atualmente conhecemos como previ-
dência social, no seu art. 137.
Plano de benefícios dos órfãos e viúvas dos oficiais
da marinha (1795) Constituição de 1946
Em 02.09.1795, foi criado o Plano de beneficência dos Com esta constituição foi substituída a antiga expres-
órfãos e viúvas dos oficiais da marinha (montepio). são até então em moda “seguro social”, pela nova designa-
ção criada e hoje em pleno uso “previdência social”, no seu
Outros montepios de iniciativa estatal foram: art. 157, XVI.
• montepio para guarda pessoal de D. João VI (1808);
CONHECIMENTOS

• montepio do exército (1827); Lei n. 3.807/1960 unificou a legislação previdenciá-


• montepio dos servidores do Estado – civis e milita- ria
Esta lei ficou bastante conhecida como LOPS (Lei
GLÁUCIO DINIZ

res (1835);
Orgânica da Previdência Social) e foi outro marco impor-
• caixa de socorro para os trabalhadores das estra-
tante para a previdência social, pois veio com a intenção de
das de ferro do Estado (1888);
uniformizar a legislação dos vários sistemas previdenciários
• montepio para empregados do correio (1889);
ESPECÍFICOS

existentes.
• caixa de pensão dos operários da imprensa nacio-
nal (1889).
Lei n. 4.214/1963
Instituiu o FUNRURAL – Fundo de Assistência e Previ-
Constituição de 1824
dência do Trabalhador Rural –, prevendo a contribuição de
A Constituição de 1824 mencionava socorros públicos,
1% do valor dos produtos comercializados.
mas não regulamentava a maneira de implementá-los.
Lei n. 4.266/1963
Constituição de 1891
Instituiu o salário-família.
A constituição de 1891 previa a aposentadoria para
funcionários públicos, determinando literalmente: “Art. 75. A
Emenda Constitucional n. 11/1965
aposentadoria só poderá ser dada aos funcionários públicos
Instituiu pela primeira vez o princípio da fonte de cus-
em caso de invalidez no serviço da Nação.”
teio prévia, princípio este que foi repetido a partir de então e
que não permite a criação de benefícios e/ou serviços sem a
Decreto-Legislativo n. 3.724/1919 respectiva fonte de custeio total.
Esta foi a primeira lei acidentária criada em nosso país
e criou o Seguro de Acidentes de Trabalho. Decreto-Lei n. 72/1966
Já em 1966 existiam 6 (seis) Institutos de Aposentadoria
Lei Eloy Chaves (Decreto-legislativo n. 4.682 de e Pensão e houve a necessidade de unificá-los, sendo então
24.01.1923) criado o INPS (Instituto Nacional de Previdência Social).
Esta lei criou as caixas de aposentadorias e pensões Os IAPs que foram criados antes da unificação foram:
para os ferroviários, de âmbito nacional e por empresa. E • IAPM (Marítimos) – Decreto n. 22.872 de 29.06.1933
a já previa mais de uma fonte de financiamento para o seu • IAPC (Comerciários) – Decreto n. 24.273, de
funcionamento, tais como: contribuição dos empregados em 22.05.1934
3% do vencimento, da empresa em 1% da renda bruta e • IAPB (Bancários) – Decreto n. 24.615, de 09.06.1934
1,5% das tarifas da estrada de ferro, dentre outras. • IAPI (Industriários) – Lei n. 367, de 31.12.1936.
A Lei Eloy Chaves previa alguns benefícios como apo- • IAPTEC (Estivadores e Transportadores de Carga)
sentadoria por invalidez, ordinária (hoje seria a aposenta- – Decreto-Lei n. 288, de 23.02.1938.
doria por idade) e pensão para os dependentes (ou seja, • IAPFESP (Ferroviários e Empregados em Serviços
pensão por morte). É bom lembrar que essa lei é um marco Públicos) – Decreto n. 34.586, de 12.11.1953.

52
Constituição de 1967 Emenda Constitucional n. 20/1998
Essa constituição previa o seguro desemprego (art. • Transforma o tempo de serviço em tempo de contri-
158, XVI) e falava de fonte prévia de custeio, ou seja, que buição para fins de aposentadoria.
todo o serviço ou benefício teria ter a correspondente fonte • Determina que o salário-família e o auxílio-reclu-
de custeio (art. 158, §1º). são só devem ser pagos para os dependentes dos
segurados de baixa renda.
Lei n. 5.316/1967
Essa lei proporcionou a integração do seguro contra Lei n. 9.876/1999
acidente de trabalho na previdência social (conforme previa
• Criou o cálculo do Fator Previdenciário.
o plano de Beveridge da Inglaterra em 1942). Tendo sido um
• Mudou a sistemática da apuração da média para
retrocesso a Emenda Constitucional n. 20/1998 que permitiu
fins de aposentadoria dos 36 últimos meses de con-
a participação do setor privado neste seguro.
tribuição para todos os salários de contribuição do
LC n. 11/1971 período trabalhado desde julho de 1994, aprovei-
Instituiu o PRORURAL – Programa de Assistência ao tando os 80% maiores valores.
Trabalhador Rural e dava alguns benefícios como aposenta- • Criou a categoria chamada de contribuinte indivi-
doria, pensão e auxílio-funeral. dual, que engloba os empresários, autônomos, equi-
Sendo por exemplo a aposentadoria por velhice equi- parados a autônomo.
valente a 50% do salário mínimo e para o trabalhador rural
com 65 anos de idade. Lei n. Complementar 109/2001
• Regulamentou a Previdência Complementar do
Decreto n. 77.077/1976 RGPS.
Este decreto foi à primeira Consolidação das Leis da Pre-
vidência Social (CLPS), tendo previsões de revisões anuais, 2.2 CONCEITUAÇÃO
mas só sendo de fato revisada pelo Decreto n. 89.312/1984
e tendo deixado de ser aplicada com o advento da Lei

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
Para facilitar o entendimento dos tópicos relacionados
n. 8.213/1991. com a Seguridade Social e em particular com a Previdência
Social, iremos abordar a partir de agora de forma
Lei n. 6.439/1977
sistematizada os pontos mais importantes existentes na
Esta lei criou o SINPAS (Sistema Nacional de Previdên-
Constituição Federal de 1988, na Lei n. 8.212/1991, na
cia e Assistência Social), que integrava:
Lei n. 8.213/1991, no Decreto n. 3.048/1999 e nas demais
• o Instituto Nacional de Previdência Social –
legislações que fizeram alterações significantes no sistema
INPS;
• o Instituto Nacional de Assistência Médica da de proteção social brasileiro. Optamos por uma análise
Previdência Social – INAMPS; detalhada de cada item existente nestas legislações sem a
• a Fundação Legião Brasileira de Assistência – necessidade de repetir o texto literal de cada uma, mas caso
LBA; o leitor ache necessário ao seu entendimento aconselhamos
• a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor – o acesso na internet (http://www.presidencia.gov.br) ou
FUNABEM; em livros ao texto completo dessas legislações para tirar
• a Empresa de Processamento de Dados da Pre- dúvidas e reforçar o aprendizado.
vidência Social – DATAPREV; O conceito de Seguridade Social é colocado na nossa
• o Instituto de Administração Financeira da Previ- Constituição Federal de 1988 (art. 194), como sendo um
dência e Assistência Social – IAPAS. conjunto integrado de ações que visa assegurar os direitos
• a Central de Medicamentos – CEME. relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Daí
temos os três ramos que dão cobertura para a sociedade,
Emenda Constitucional n. 18/1981 que são a saúde, previdência e assistência social.
Instituiu a aposentadoria especial do professor com A Seguridade Social é uma rede de proteção social,
salário integral aos 30 anos se homem e 25 anos se mulher. que obriga a contribuição de todos (Estado, particulares,
Essa nova modalidade de aposentadoria foi repetida na
beneficiários), para a manutenção de um padrão mínimo de
Constituição Federal de 1988.
vida para os membros de uma sociedade. Sendo temerário
extinguir esse sistema de proteção e justiça social, quando
Constituição de 1988
o correto seria discutir ajustes no sistema que permitam a
Tratou pela primeira vez da Seguridade Social (Saúde,
Previdência e Assistência), pois foi bastante influenciada sua continuidade e ampliação para que em um futuro seja
pela marca do Estado de bem-estar social (Welfare State) possível abranger, senão todos, a maior parte dos membros
que teve origem nos Estados Unidos. da sociedade.

Lei n. 8.029/1990 Seguridade Social – Saúde


• Criou o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social),
com a fusão INPS + IAPAS. Da definição constitucional no seu art. 196 podemos
• E posteriormente foram extintas a LBA (1995), a resumidamente verificar que a saúde tem como caracterís-
FUNABEM (1995) e a CEME (1997). ticas:

53
• não possui restrição à clientela protegida. • as Constribuições Sociais têm enquadramento
• qualquer um tem direito sem contribuição. como Tributo (STF);
• de responsabilidade do Ministério da Saúde por • é Institucional ou Estatutaria (criada por lei);
meio do Sistema Único de Saúde – SUS (conforme • é Ramo do Direito Público;
CF/1988 art. 196 a 200). • possui benefícios PROGRAMADOS x NÃO PRO-
GRAMADOS, como exemplo a Aposentadoria por
Resumidamente, temos com a nossa constituição que idade x Aposentadoria por invalidez.
as ações e serviços públicos de saúde integram um Sistema
Único de Saúde (SUS), tendo como características: Dentre as características dadas acima podemos
• descentralização, com direção única em cada destacar alguns motivos para que a Contribuição Social
esfera de governo; seja compulsória.
• atendimento integral, com prioridade para as ativi- • Miopia individual (como regra geral as pessoas, em
dades preventivas, sem prejuízo dos serviços assis- particular os jovens, não pensam nas dificuldades
tenciais; que possam vir a ter no futuro).
• participação da comunidade. • A necessidade de implementação de uma solidarie-
dade na sociedade (Solidariedade Previdenciária).
• E por fim, existe uma situação muito comum que a
Seguridade Social – Assistência Social
lei busca evitar que é pretender aposentadoria sem
contribuições para o sistema.
Assistência Social
A assistência social não é para todos indistintamente,
Emenda Constitucional n. 47/2005 (Inclusão Previden-
mas exclusivamente para quem dela necessitar, e no caso ciária)
de recebimento do benefício assistencial de 1 (um) salário A Constituição Federal de 1988 prevê no seu artigo 201,
mínimo para os idosos ou portadores de deficiência que §12 que a Lei disporá sobre sistema especial de inclusão
comprovem que não possuem meios de prover a própria previdenciária para atender a trabalhadores de baixa renda
manutenção ou tê-la provida por sua família. e àqueles sem renda própria que se dediquem exclusiva-
O conceito de família utilizado nesse caso é extraído da mente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência,
CONHECIMENTOS

Lei n. 8.213/1991 no seu art. 16: desde que pertencentes a famílias de baixa renda, garan-
• o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho tindo-lhes acesso a benefícios de valor igual a um salário
GLÁUCIO DINIZ

não emancipado, de qualquer condição, menor de mínimo.


21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha defi- A possibilidade de alíquotas e carências menores para
ciência intelectual ou mental que o torne absoluta alguns segurados foi criada com a Lei Complementar n.
ou relativamente incapaz, assim declarado judicial- 123/2006 (Simples Nacional), onde o contribuinte individual
ESPECÍFICOS

mente;   (Redação dada pela Lei n. 12.470, de 2011) e o facultativo têm uma alíquota de 11% (onze por cento)
• os pais; sobre o valor correspondente ao limite mínimo mensal do
• o irmão não emancipado, de qualquer condição, salário de contribuição e o microempreendedor individual (a
menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que partir de 01.05.2011) tem alíquota de 5% (cinco por cento), ),
tenha deficiência intelectual ou mental que o torne abso- e da mesma forma tem a alíquota de 5% o segurado facul-
luta ou relativamente incapaz, assim declarado judicial- tativo sem renda própria que se dedique exclusivamente ao
mente; (Redação dada pela Lei n. 12.470, de 2011) trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde que
pertencente à família de baixa renda.
No caso do benefício de prestação continuada
de salário mínimo para o deficiente ou idoso com renda Observações pertinentes sobre uma possível priva-
tização do sistema previdenciário:
mensal per capita inferior a 1/4 (um quarto), com garantia
1. Não seria possível ou moral tornar obrigatório um
inicial para no caso dos idosso a partir de 70 anos e pos-
recolhimento das pessoas/empresas para outras
teriormente com a Lei n. 10.741, de 1º de outubro de 2003
empresas privadas.
(Estatuto do Idoso) esta idade foi diminuída para 65 anos.
2. E, do outro lado, caso o recolhimento se tornasse
facultativo, seria um verdadeiro retrocesso, pois
Outras Ações Sociais (Prestações Assistenciais) haveria uma redução drástica dos incluídos no sis-
• Bolsa escola, bolsa alimentação, auxílio-gás. tema.
• Bolsa família (Lei n. 10.836/2004). 3. Também é conveniente lembrar que o controle
• Farmácia popular. externo estatal de empresas privadas é ineficiente e
haveria uma criação de um enorme risco de exclu-
Seguridade Social – Previdência Social são de uma boa parte da sociedade.
A Previdência Social tem como objetivo principal a 4. O que se percebe claramente é que os defensores
redução das desigualdades sociais e econômicas, através da privatização buscam privatizar só benefícios pro-
de uma política voltada à redistribuição de renda. gramados, tais como a aposentadoria por idade. E,
Passando então para as características e natureza com isso, a partir dessa privatização, seria criada
Jurídica da Previdência Social, temos que: uma situação em que os benefícios não programa-
• é seguro sui generis; dos não teriam cobertura, como a aposentadoria por
• é de filiação compulsória (obrigatória); invalidez. E a partir desta situação seriam agravadas
• permite ter ingresso voluntário, para quem não tem as coberturas existentes no sistema de previdência
atividade remunerada; social, prejudicando os beneficiários do sistema.

54
2.3 REGIMES PREVIDENCIÁRIOS EXISTENTES Sendo outra maneira de aumentar a inclusão, a melho-
ria, do status econômico dos trabalhadores, esta distante da
Regimes Básicos atual realidade social.
• Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
• Regime Próprio de Previdência de Servidores Públi- 2.4 REGIMES DE FINANCIAMENTO E EQUILÍBRIO FINAN-
cos e Militares (RPPS). CEIRO/ATUARIAL

Regimes Complementares Os regimes de financiamento dos sistemas previdenci-


• Privado aberto ou fechado no RGPS. ários podem ser classificados em:
• Público fechado no RPPS.
Regime de Repartição
Entre os regimes previdenciários existentes, o Regime • Segurados contribuem para um fundo único, respon-
Geral de Previdência Social (RGPS) é o mais amplo e mais sável pelo pagamento de todos os beneficiários.
abrangente, pois possui a maior quantidade de trabalhado- • Quem trabalha hoje custeia os benefícios dos aposen-
res atingidos e está diretamente relacionado ao INSS (MPS). tados atuais.
Já o chamado regime complementar ao RGPS, possui
natureza privada, sendo regulado por lei complementar, fis- Regime de Capitalização
calizado e regulamentado pela União. • Recursos arrecadados são investidos pelos admi-
E se uma mesma pessoa exercer mais de uma ativi- nistradores dos fundos para prestações futuras ao
dade sendo uma vinculada ao RGPS e a outra vinculada ao segurado.
RPPS, podemos dizer que estará vinculado aos dois regi- • Valores variam de acordo com taxa de juros obtida e
mes, como seria um exemplo de um Professor de Univer- com a opção do investimento feito.
sidade Federal, que é também Professor de Universidade
Regime de Repartição de Capitais de Cobertura

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
Privada.
E mais ainda, essa pessoa do exemplo acima pode • Regime intermediário.
então se aposentar em ambos, outro exemplo seria um • Atuário deve dimensionar receitas não só para o
Médico que acumulasse licitamente cargo Federal, Estadual ano, mas fixar reservas para continuar pagamento
e em Clínica privada, terá direito as 3 (três) aposentadorias. até a morte do segurado ou dependente.

Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), Sistema Adotado x Regime de Financiamento (em geral)
características gerais A relação que existe entre o sistema previdenciário
adotado e o regime de financiamento do sistema é:
Para viabilizar a existência dos chamados RPPS
• Sistema de Contribuição Definida = Regime de
foram criadas as diretrizes necessárias através da Lei n.
Capitalização.
9.717/1998 (Normas Gerais), dentre as quais:
• Sistema de Benefícios Definidos = Regime de
1. A contribuição para o regime não poderá ser inferior ao
Repartição Simples.
valor da contribuição do servidor ativo, nem superior ao
dobro da contribuição.
Sendo que as características dos sistemas são:
Ex.: Servidor R$ 500 = União/Estado/Município
R$ 1.000.
Sistema de Benefícios Definidos
2. As alíquotas cobradas pela União, Estados, DF e Muni-
• Fundamental para conceder benefícios não programa-
cípios não inferiores às dos servidores titulares de
dos.
cargos efetivos da União.
• Aposentadoria por invalidez, auxílio-doença.
3. No caso de extinção de regime próprio de previdência
social, a União, o Estado, o Distrito Federal e os Muni-
Sistema exclusivo de Contribuição Definida seria
cípios assumem a responsabilidade pelo pagamento
inconstitucional
dos benefícios concedidos durante a sua vigência,
• Elimina a solidariedade do sistema.
ou cujos requisitos para a concessão já tenham sido
• Não cobre eventos não programados.
implementados.
Outro sistema (Capitalização virtual)
Regime Geral de Previdência Social (RGPS) – • Benefício pago é proporcional ao período pago e à
Inclusão de mais segurados expectativa de sobrevida.
Um avanço feito pelo legislador para incluir mais
segurados foi a Lei n. 10.666/2003, que determinou, a No Brasil em regra temos o regime de repartição sim-
partir de abril/2003, a retenção da contribuição devida pelo ples, exceto com relação à aposentadoria por tempo de con-
contribuinte individual pela própria empresa que o remunera, tribuição (na qual se aplica obrigatoriamente o fator previ-
a exemplo dos empregados e avulsos. denciário).

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2.5 ORGANIZAÇÃO E PRINCÍPIOS

PRINCÍPIOS GERAIS

Legalidade (Direito Público)


Determina o princípio da legalidade, conforme a Consti-
tuição/1988, que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de
fazer alguma coisa senão em virtude de lei.

Igualdade (tratar igual os iguais e desigualmente os


desiguais)
Embora de forma literal a Constituição/1988 determine
que todos são iguais perante a lei, entende-se que a igual-
dade pretendida ou o tratamento isonômico para as partes
significa tratar igualmente os iguais e desigualmente os desi-
guais, na medida exata de suas desigualdades.

Direito adquirido versus expectativa de direito


A expectativa de direito é uma possibilidade de adquirir
determinado direito depois de cumpridos os requisitos. Já o
direito adquirido é uma realidade, em que se cumprem todos
os requisitos exigidos pela lei.

PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS
CONHECIMENTOS

Solidariedade (CF/1988)
A solidariedade é uma necessidade social de proteger
todos os indivíduos que compõe a sociedade, evitando que
GLÁUCIO DINIZ

eles sejam deixados à própria sorte. Logo, a solidariedade


provoca a criação de um manto protetor para todos e evita a
proteção exclusivamente individual.
ESPECÍFICOS

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