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Algumas Pérolas

“Nenhuma produção de ordem superior, nenhuma invenção jamais procedeu do


homem, mas emanou de uma fonte ultraterrena. Portanto, o homem deveria
considerá-la um dom inspirado do Alto e aceitá-la com gratidão e veneração.
Nestas circunstâncias, o homem é somente o instrumento de uma Potência Su-
perior, semelhante a um vaso julgado digno de receber um conteúdo divino”.

Goethe
“O gênio, porque sabe encontrar relações novas entre as coisas, revela-nos novas
harmonias e nos aproximam do pensamento de Deus.” E = m · c2
Pietro Ubaldi
“Sois de tal modo levados a vos tomar por tipos do Universo, que credes sempre
que fora do vosso mundo não há mais nada. Pareceis verdadeiramente com
esses selvagens que nunca saı́ram de sua ilha e crêem que o mundo não vai mais
longe”.
O Livro dos Médiuns
“Apenas aqueles que pensam por metades se tornam ateus, aqueles que se
aprofundam em seus pensamentos e vêem as maravilhosas relações entre as leis
universais reconhecem um poder criador”.
Max Planck
“Um conceito é um estado vibratório individualizado e delicadı́ssimo que,
uma vez perdido, não mais se acha nem com a lógica e muito menos com a
vontade, não retornando senão quando excitado por uma conexão de idéias, isto
é, por uma nova passagem próxima num estado vibratório afim”.
Pietro Ubaldi/As Noúres
“. . . O matemático, como o pintor ou poeta, é um desenhista. Se os seus
desenhos são mais duradouros que os deles, é porque são feitos com idéias”.
G.H. Hardy
“A fusão entre fé e ciência, tão auspiciada, já se completou em meu espı́rito:
visão única na substância e de uma a outra eu passo unicamente por uma
mudança de perspectiva visual ou de focalização de meus centros psı́quicos
”. Pietro Ubaldi/As Noúres
“Não se pode imaginar que tenacidade de resistência, que massa de inércia re-
presenta o homem médio, justamente o que impõe as normas da vida social”.

Pietro Ubaldi/As Noúres


“O fenômeno baseia-se na sintonização psı́quica e a mente do observador,
se não afasta com suas emanações um objeto do microscópio, nem influencia
um fenômeno fı́sico ou quı́mico, pode paralisar, todavia, o funcionamento de
um fenômeno psiquı́co. O fenômeno tem suas defesas e se retira em face da
ameaça à sua vitalidade e, então, a ciência não consegue a observação, e sim, a
destruição”.
Pietro Ubaldi/As Noúres
“Para poder avançar na investigação cientı́fica e ver no ı́ntimo das coisas, é
indispensável a sutilização do instrumento de pesquisa - a consciência”.
Pietro Ubaldi/As Noúres

2
Números Hipercomplexos − 3D
( Uma Nova Generalização dos Números Complexos )

Gentil Lopes da Silva∗

18 de maio de 2007


www.dmat.ufrr.br/∼ gentil ∴ gentil.silva@gmail.com
Sumário

1 Os Números Hipercomplexos 7
1.1 Definição: Números Hipercomplexos . . . . . . . . . . . . . . . . 8
1.2 Propriedades das operações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
1.3 Divisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
1.4 Imersão de C em H . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.5 Imersão de H − 2D em H − 3D . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
1.6 Forma algébrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
1.6.1 Unidade imaginária/Unidade hiperimaginária . . . . . . . 21
1.7 Forma trigonométrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
1.7.1 Representação gráfica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
1.8 Potenciação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
1.9 Forma polar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
1.9.1 Interpretação geométrica da multiplicação hipercomplexa 45
1.10 Radiciação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55

2 Equações 83
2.1 Resolução da equação a · w = b . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
2.1.1 Resolução da equação b · w = a . . . . . . . . . . . . . . . 87
2.1.2 Resolução da equação a · w−1 = b . . . . . . . . . . . . . . 90
2.1.3 Resolução da equação b · w−1 = a . . . . . . . . . . . . . . 92
2.2 Resolução da equação a · w2 = b . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94
2.2.1 Algoritimo para extração de raı́zes quadradas . . . . . . . 113

3 Funções Hipercomplexas de Argumentos Hipercomplexos 117


3.1 Generalização da fórmula de Euler (26.01.07 ) . . . . . . . . . . . 117
3.2 Generalização de funções complexas elementares . . . . . 119
3.2.1 Logaritmo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119
3.2.2 Funções trigonométricas com argumentos hipercomplexos . . . 124

4 Aplicações 133
4.1 Computação Gráfica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . 133
4.2 Robótica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . 135
4.3 Um Desafio Dirigido aos Matemáticos do Planeta Terra . . . . .
. . . 135
Apêndice . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
. . . 140
• Da impossibilidade de uma multiplicação no R3 . . . . . .
. . . 140
• Programa para multiplicar hipercomplexos . . . . . . . .
. . . 141
• Programa para transformar coordenadas retangulares em polares . . 147

3
O Homem e a Eternidade

Aproveito esta oportunidade para resumir minha concepção a respeito


da relação entre Deus e o homem.
Algumas pessoas questionam se existe um limite para o homem (até onde
o homem pode crescer-evoluir- ou avançar) ou qual a natureza do homem.
A relação entre Deus e o homem pode ser entendida, parcialmente, pelo
gráfico abaixo:

h(t) h(t)
6 6
D+ε
D D
D−ε

q -t q -t
0 0 δ

“O homem é uma função do tempo e tem em Deus uma assı́ntota”


Assim como o gráfico aproxima-se indefinidamente de sua assı́ntota,
sem nunca tocá-la, da mesma forma o homem terá a eternidade para aproximar-
se de Deus, sem nunca tocá-lo, digo, jamais será igual a Deus.
Podemos resumir isto na fórmula:

lim h(t) = D
t→∞

Esta equação encerra o seguinte significado: Dado, arbitrariamente,


um
número ε > 0, existe um δ > 0 de tal modo que h(t) − D < ε, sempre que
t > δ.
Traduzindo: Fixada uma distância qualquer (ε) de Deus, sempre vai existir
um instante no tempo (δ) a partir do qual a distância do homem a Deus será
menor que aquela distância fixada.
Observe que o gráfico não parte do zero (origem), isto se deve ao fato do
homem possuir natureza divina.
Então Jesus afirmou:
− Na Lei de voces está escrito que Deus disse: “Voces são deuses”.(João, 10 : 34)
Ainda no gráfico observamos que Deus é uma função constante do tempo,
em outras palavras, é imutável.
Cada homem individualmente encontra-se sobre algum ponto do gráfico
(falando em termos evolutivos).
Agora levando em conta o conjunto dos Espı́ritos (isto é, não somente o
homem, como também outros seres) podemos dizer que Deus é um ponto de acu-
mulação para este conjunto. Isto é: a qualquer distância de Deus, encontramos
um Espı́rito.
Prefácio
Neste trabalho construimos um sistema numérico sobre o R3 : os números
Hipercomplexos−3D (uma nova generalização dos números Complexos).
Notação: H, ou ainda, H − 3D.
Nosso escopo, com este trabalho, é trazer à baila o tema números tridi-
mensionais.
O matemático irlandês William Rowan Hamilton (1805-1865) ([2]) ao per-
ceber que os números complexos poderiam ser representados por pontos no
plano, isto é, por pares ordenados (x, y) de números reais, teve a idéia de gene-
ralizá-los para pontos no espaço a três dimensões. Isto é, para ternos ordenados
(x, y, z). Por nada menos que dez anos Hamilton procurou pelos números na
terceira dimensão sem lograr sucesso.
O que significa procurar por estes números? Eles, por acaso, estariam
perdidos em algum recanto da natureza? Certamente que não; o homem − à
semelhança de Deus − também tem o poder de crear; e foi isto o que Hamilton
intentou.
E como se crea um conjunto numérico?
Respondemos: Definindo uma soma e uma multiplicação∗ . Por exemplo:
(
(a, b) + (c, d) = (a + b, c + d)
Números Complexos:
(a, b) · (c, d) = (ac − bd, ad + bc)

pronto! estão criados os números complexos. Portanto, o que Hamilton procu-


rou foi definir uma soma e uma multiplicação de ternos ordenados.
A soma nunca apresentou problemas, é fácil, veja
(
(a, b, c) + (d, e, f ) = (a + d, b + e, c + f )
Números 3 −D :
(a, b, c) · (d, e, f ) = ( ?, ?, ?)

O que Hamilton desejou foi preencher as três interrogações acima.


Posteriormente ficou provada a impossibilidade de uma tal multiplicação.
No apêndice (pág. 140) reproduzimos esta prova tal como comparece em [3].
Acontece que, para a prova de uma tal impossibilidade, assume-se a hipótese
de que a multiplicação deve ser associativa e distributiva.
Podemos ignorar uma prova matemática. Isto mesmo, um teorema não
encerra uma verdade absoluta no momento em que, não aceitando sua hipótese,
estamos desobrigados de aceitar sua tese.
Em resumo: para nós que não exigimos, da multiplicação, as propriedades
citadas anteriormente, os números tridimensionais são uma realidade.
De outro modo: Hamilton tentou preservar propriedades algébricas (da
multiplicação) e malogrou. Nós, a priori, preservamos uma única propriedade;
não algébrica, mas sim geométrica: a rotação, e tivemos mais sorte.
Ademais justificaremos, com razões geométricas (ou ainda, “razões
intrı́nsecas”), porque o “natural” é que em três dimensões (isto é, no R3 ) a
multiplicação não seja nem associativa e nem distributiva. Por exemplo, o -
clássico - problema:
∗ Existem condições adicionais sobre estas operações. Condições intrı́nsecas e extrı́nsecas,

diriamos. A mais importante, dentre estas últimas, - assim cremos - é que resultem de utilidade
nas ciências.
6

“separar o número 10 em duas partes tais que o produto destas seja 40.”,
o qual se traduz na resolução do sistema,
(
x + y = 10
x · y = 40
como se sabe, em R não possui solução, em C possui uma única solução; nos
hipercomplexos ( H − 3D ), como mostraremos, este problema possui infinitas
soluções; isto se deve a razões intrı́nsecas ao espaço R3 (quero dizer: por dis-
pormos de uma dimensão a mais que no R2 ), isto não poderia acontecer se a
multiplicação fosse associativa e distributiva.
Há de se assinalar, todavia, a existência de problemas insolúveis no corpo
complexo C e com solução em H, por exemplo o (simples) sistema a seguir
x+y =0
(−1 · x − y) · y = 2
Acontece que, como diz o velho adágio popular, “onde passa um boi, passa
uma boiada” , quero dizer: se existe um problema insolúvel em C - e com solução
em H - então pode existir uma infinidade de tais problemas.
Em nosso contexto, generalizamos a equação de Euler: eiy = cos y +i sen y,
para o R3 , assim:
eiy+jz = cos y cos z + i sen y cos z + j sen z
onde, i = (0, 1, 0) e j = (0, 0, 1). Por exemplo, e(i+j)π = e(i−j)π = 1.
Conseguimos também colocar argumentos hipercomplexos nas funções tri-
gonométricas, por exemplo,
  π π √ π π 
sen π2 , π4 , π6 = 41 (e 4 + e− 4 ) 3 − j (e 4 − e− 4 )
Quanto à primeira das propriedades em questionamento, como se sabe,
existem álgebras não associativas; quanto a álgebras não-distributivas estas po-
derão ter interêsse para a ciência, vejamos a seguinte citação ( [4], pág. 167 ):
“No tocante aos sistemas quânticos, tudo muda de figura. . . Procedendo-se
analogamente ao caso clássico, o reticulado a que se chega, conforme Birkhoff e
Von Neuman, não é a álgebra de Boole, porém um reticulado não distributivo;”.
Mais á frente (pág. 169):
“Ele observa, seguindo a trilha de Birkhoff e Von Neuman, que o reticu-
lado das proposições da mecânica quântica não é distributivo. Mas, em vez de
considerar as operações definidas entre as proposições do reticulado como novas
operações que se superporiam aos conectivos clássicos, trata de mostrar que a
posição mais sensata é a de se aceitar tais operações como as operações de uma
nova lógica proposicional, não distributiva, a qual, ao ser aplicada a proposições
relativas a fenômenos macroscópicos, recai na lógica clássica.”
Ficaremos gratos a crı́ticas e/ou sugestões.
Minha gratidão maior ao bom Deus, por ter me concedido gestar e dar à luz
este trabalho. Isto é, assentar este tijolinho em sua magnânima obra.
Gentil Lopes da Silva.
Boa Vista-RR, 02 de maio de 2007.
Capı́tulo 1

Os Números
Hipercomplexos

“Dizendo isso, gritou bem forte:


‘Lázaro, saia para fora!’ O morto
saiu. Tinha os braços e as pernas
amarrados. . . Jesus disse aos pre-
sentes: ‘Desamarrem e deixem que
ele ande’.” Jo. (43 − 44 )

Introdução: Diferença entre conjunto e estrutura


Em matemática são freqüentes conjuntos munidos de uma ou mais operações,
que gozam de certas propriedades. Esses conjuntos com tais operações e respec-
tivas propriedades constituem aquilo que denominamos estruturas algébricas.
Primeiramente observamos que quando nos referimos - na maioria das ve-
zes - aos “conjuntos numéricos” Z, R, C, por exemplo; estamos nos referindo, a
estes conjuntos com suas respectivas operações, isto é, às estruturas (Z, +, ·),
(R, +, ·), etc. Em função do exposto sugerimos a seguinte notação:
R =conjunto dos números reais; R =sistema dos números reais
C =conjunto dos números complexos; C =sistema dos números complexos
Observe que, de acordo com nossa convenção, C = R2 e C = R2 , +, · )
Definição 1 (Número). Um “elemento” de um conjunto continuará a ser cha-
mado de elemento; agora, ao construirmos uma estrutura algébrica sobre este
conjunto, este elemento terá adquirido o status de número. Por exemplo, 1 é
um elemento do conjunto dos naturais
 N = {1, 2, 3, . . .} enquanto que 1 é um
número da estrutura N = N, +, · .
Continuaremos a usar o sı́mbolo de pertinência ( ∈ ) tanto de elemento
para conjunto quanto de número para estrutura. Por exemplo,
1 ∈ N, 1 ∈ N
No primeiro caso 1 é um reles elemento do conjunto dos naturais; enquanto
no segundo caso, 1 terá adquirido o status de número do sistema numérico dos
naturais.

7
8

1.1 Definição: Números Hipercomplexos


Seja R o conjunto dos números reais. Consideremos o produto cartesiano
R × R × R = R3 :

R3 = (x, y, z) : x, y, z ∈ R

Vamos tomar dois elementos, (a1 , b1 , c1 ) e (a2 , b2 , c2 ), de R3 , para


dar três definições:
( i ) Igualdade: dois ternos ordenados são iguais se, e somente se, ocorre o se-
guinte:

(a1 , b1 , c1 ) = (a2 , b2 , c2 ) ⇔ a1 = a2 , b1 = b2 , e c1 = c2 .

( ii ) Adição: chama-se adição de dois ternos ordenados a um novo terno orde-


nado, obtido da seguinte forma:

(a1 , b1 , c1 ) + (a2 , b2 , c2 ) = (a1 + a2 , b1 + b2 , c1 + c2 )

( iii ) Multiplicação: chama-se multiplicação de dois ternos ordenados a um novo


terno ordenado, obtido da seguinte forma:




 (−c1 · c2 , 0, 0), se r1 = 0 e r2 = 0 (D1 )







 c ·c ·a c ·c ·b se r1 = 0 e r2 6= 0 (D2 )

 (− 1 2 2 , − 1 2 2 , c1 · r2 ),

 r2 r2
(a1 , b1 , c1 ) · (a2 , b2 , c2 ) =


 c ·c ·a c ·c ·b

 (− 1 2 1 , − 1 2 1 , c2 · r1 ), 6 0 e r2 = 0 (D3 )
se r1 =


 r1 r1




 
 (a1 · a2 − b1 · b2 )γ, (a1 · b2 + a2 · b1 )γ, c1 · r2 + c2 · r1 , se r1 =
 6 0 e r2 6= 0 (D4 )

Onde,
q q
c ·c
r1 = a21 + b21 , r2 = a22 + b22 e γ = 1 − 1 2
r1 · r2

Observe que,
p
r = a2 + b2 = 0 ⇒ a2 +b2 = 0 ⇒ a2 = −b2 ⇒ a = b = 0; porquanto, a, b ∈ R.

Nota: Já neste momento observe que se tomarmos c1 = c2 = 0 estamos de volta


aos complexos C.
Nota: Na pág. 141 mostramos um programa para multiplicar dois hipercom-
plexos.

Definição 2 (Números hipercomplexos). Chama-se sistema dos números hiper-


complexos, e representamos por H, ao sistema dos ternos ordenados de números
reais para os quais estão definidas a igualdade, a adição e a multiplicação con-
forme o ı́tem acima.
Gentil 9

Representaremos cada elemento genérico (x, y, z) ∈ H com o sı́mbolo w,


portanto:
w ∈ H ⇔ w = (x, y, z) ∈ ( R3 , +, ·)

Exemplos:
1o ) Dados w1 = (1, 2, 3) e w2 = (2, 0, 0), calcule: w1 + w2 , w1 · w2 e w12 .
Solução: Temos,
( i ) w1 + w2 = (1, 2, 3) + (2, 0, 0) = (1 + 2, 2 + 0, 3 + 0) = (3, 2, 3).
( ii ) w1 · w2 = (1, 2, 3) · (2, 0, 0). Então,
p √ p 3·0
r1 = 12 + 22 = 5, r2 = 22 + 02 = 2, γ = 1 − √ = 1,
5·2

como r1 6= 0 e r2 6= 0, calculamos o produto em (D4 ), assim:


√ 
w1 · w2 = (1 · 2 − 2 · 0) · 1, (1 · 0 + 2 · 2) · 1, 3 · 2 + 0 · 5 = (2, 4, 6).

( iii ) w12 = w1 · w1 = (1, 2, 3) · (1, 2, 3). Então,


p √ 3·3 −4
r1 = r2 = 12 + 22 = 5, γ = 1 − √ √ = ,
5· 5 5

como r1 = r2 6= 0, calculamos o produto em (D4 ), assim:


√ √   12 −16 √ 
w12 = (1·1−2·2)·(−4/5), (1·2+2·1)·(−4/5), 3· 5+3· 5 = , ,6 5
5 5
2o ) Dados w1 = (−1, 0, 0) e w2 = (0, 0, 1), calcule: w1 + w2 , w1 · w2 e w22 .
Solução: Temos,
( i ) w1 + w2 = (−1, 0, 0) + (0, 0, 1) = (−1 + 0, 0 + 0, 0 + 1) = (−1, 0, 1).
( ii ) w1 · w2 = (−1, 0, 0) · (0, 0, 1). Então,
p p
r1 = (−1)2 + 02 = 1, r2 = 02 + 02 = 0,

como r1 6= 0 e r2 = 0, calculamos o produto em (D3 ), assim:

0·1·0 0·1·0 
(−1, 0, 0) · (0, 0, 1) = − ,− , 1 · 1 = (0, 0, 1).
1 1
( iii ) w22 = w2 · w2 = (0, 0, 1) · (0, 0, 1). Então,
p
r1 = r2 = 02 + 02 = 0,

como r1 = r2 = 0, calculamos o produto em (D1 ), assim:

(0, 0, 1) · (0, 0, 1) = (−1 · 1, 0, 0) = (−1, 0, 0).

3o ) Dados w1 = (4, 3, 2) e w2 = (6, 7, 8), calcule w de modo que w1 + w = w2 .


Solução: Tomemos w = (x, y, z), então,
10

 
4 + x = 6,
 x = 2,

w1 +w = w2 ⇒ (4, 3, 2)+(x, y, z) = (6, 7, 8) ⇒ 3 + y = 7, ⇒ y = 4,

 

2 + z = 8. z = 6.

Portanto, w = (2, 4, 6).


4o ) Dados w1 = (1, −1, 2) e w2 = (1, 0, 3), calcule w de modo que w1 · w = w2 .
Solução: Tomemos w = (x, y, z), então,

w1 · w = w2 ⇒ (1, −1, 2) · (x, y, z) = (1, 0, 3),


temos,
p √ p
r1 = 12 + (−1)2 = 2, r2 = x2 + y 2 ,
temos dois casos a considerar,
p
( i ) r2 = x2 + y 2 = 0, isto é, x = y = 0. Neste caso calculamos o produto
em (D3 ), assim:
 2·z·0 2 · z · (−1) √ 
(1, −1, 2) · (0, 0, z) = − √ ,− √ , z· 2
2 2

Então,

√ √ 0 =√1,

(0, z · 2, z 2) = (1, 0, 3) ⇒ z · 2 = 0,
 √

z · 2 = 3.

Isto significa que não existe um número hipercomplexo w = (x, y, z), com
x = y = 0, satisfazendo a condição dada; logo este primeiro caso pode ser
ignorado.
p
( ii ) r2 = x2 + y 2 6= 0. Neste caso calculamos o produto em (D4 ), assim:
 √ 
(1, −1, 2) · (x, y, z) = (1 · x − (−1) · y) · γ, (1 · y − x · (−1)) · γ, 2 · r2 + z · 2

2z 2z
onde, γ = 1 − √ =1− . Igualando este produto a (1, 0, 3), obtemos
2 r2 r2
  √ 
2z


 (x + y) · 1 − =1 (1.1)


 r2




 √ 
 2z
(−x + y) · 1 − =0 (1.2)

 r2




 √


 2 r2 + 2 · z = 3 (1.3)


2z 1

De (1.3), temos: 1 − = 3 1− r2 , substituindo em (1.1) e (1.2),
r2
Gentil 11

obtemos
 1 
(x + y) · 3 1 − =1 (1.4)
r2
 1 
(−x + y) · 3 1 − =0 (1.5)
r2

1  1 
De (1.4) concluimos que 1 − 6= 0, então dividindo (1.5) por 3 1 − ,
r2 r2
obtemos: −x + y = 0, ou ainda, x = y. Substituindo este resultado em (1.4),
resulta:
 1   1  1
(x + x) · 3 1 − √ =1 ⇒ x· 1− √ =
x2 + x2 2 · |x| 6

Temos dois casos a considerar:


a) x > 0 (|x| = x). Sendo assim, resulta,
 √
1  1 1+3 2
x· 1− √ = ⇒ x= =y
2·x 6 6

b) x < 0 (|x| = −x). Sendo assim, resulta,



 1  1 1−3 2
x· 1− √ = ⇒ x= =y
2 · (−x) 6 6

Da equação (1.3) tiramos,

3 − 2 r2 3
z= √ = √ − 2 |x|
2 2
portanto,
3 1 + 3 √2 −2 + 3 √2

z = √ −2 =
2 6 6
e
3 1 − 3 √2 2 + 3 √2

z = √ −2 =
2 6 6
Sendo assim temos dois números que satisfazem a equação w1 · w = w2 , quais
sejam:
 1 + 3 √2 1 + 3 √2 −2 + 3 √2 
w= , ,
6 6 6
e
 1 − 3 2 1 − 3 2 2 + 3 √2 
√ √

w = , ,
6 6 6
Observe que a equação w1 · w = w2 poderia, alternativamente, ter sido
escrita como, a · x = b, com a = (1, −1, 2) e b = (1, 0, 3). Conclusão: em H,
diferentemente do que ocorre em R ou C, uma equação do 1o grau pode ter
duas soluções.
12

1.2 Propriedades das operações


Proposição 1. A operação de adição define em H uma estrutura de grupo co-
mutativo, isto é, verifica as seguintes propriedades:
A1) Propriedade associativa;
A2) propriedade comutativa;
A3) existência do elemento neutro;
A4) existência do elemento simétrico (ou oposto).

Prova: Deixamos como exercı́cio. 


Apenas observamos que, 0 = (0, 0, 0) é o elemento neutro para a adição.
Dado w = (x, y, z) temos que −w = (−x, −y, −z) é o seu oposto aditivo, isto
é,
w + (−w) = 0.

Subtração
Decorre da proposição anterior que, dados os hipercomplexos w1 = (a1 , b1 , c1 )
e w2 = (a2 , b2 , c2 ) existe um único w ∈ H tal que w1 + w = w2 . Esse número
w é chamado diferença entre w2 e w1 e indicado por w2 − w1 .
Proposição 2. A operação de multiplicação em H verifica as seguintes propri-
edades:
M1) Propriedade comutativa;
M2) não associativa;
M3) existência do elemento neutro;
M4) existência do elemento inverso;
M5) não distributiva em relação à adição.
Prova: M1) Propriedade comutativa.
Dados w1 = (a1 , b1 , c1 ) e w2 = (a2 , b2 , c2 ) em H, devemos mostrar que
w1 · w2 = w2 · w1 . De acordo com a definição de multiplicação temos quatro
casos a considerar:
( 1 ) r1 = 0 e r2 = 0 (D1 ). Nesta situação, temos:

w1 · w2 = (0, 0, c1 ) · (0, 0, c2 ) = (−c1 · c2 , 0, 0)


= (−c2 · c1 , 0, 0) = (0, 0, c2 ) · (0, 0, c1 ) = w2 · w1 .

( 2 ) r1 = 0 e r2 6= 0 (D2 ). Nesta situação, temos:


 c ·c ·a c ·c ·b 
w1 · w2 = (0, 0, c1 ) · (a2 , b2 , c2 ) = − 1 2 2 , − 1 2 2 , c1 · r2
r2 r2
q
 c2 · c1 · a 2 c2 · c1 · b 2 
= −q , −q , c1 · a22 + b22
2 2
a2 + b 2 a22 + b22
(D3 )
= (a2 , b2 , c2 ) · (0, 0, c1 ) = w2 · w1 .
Gentil 13

( 3 ) r1 6= 0 e r2 = 0. Análogo ao caso ( 2 ).
( 4 ) r1 =6 0 e r2 6= 0 (D4 ). Nesta situação, temos:

w1 · w2 = (a1 · a2 − b1 · b2 )γ, (a1 · b2 + a2 · b1 )γ, c1 · r2 + c2 · r1

= (a2 · a1 − b2 · b1 )γ, (a2 · b1 + a1 · b2 )γ, c2 · r1 + c1 · r2 = w2 · w1 .
M2) Não associativa. Tomando, por exemplo,
w1 = (0, 1, 0), w2 = (0, 0, 1), w3 = (0, 0, −1).
Resulta (confira),
(w1 · w2 ) · w3 = (1, 0, 0)
w1 · (w2 · w3 ) = (0, 1, 0)
M3) Existência do elemento neutro. Existe 1 = (1, 0, 0) ∈ H com a seguinte
propriedade: w · 1 = w, ∀ w ∈ H. De fato, considerando w = (a, b, c) temos
dois casos a considerar:

( i ) r = a2 + b2 = 0 (D2 ), então,
 c·0·1 c·0·0 
w · 1 = (0, 0, c) · (1, 0, 0) = − ,− , c · 1 = (0, 0, c) = w
1 1

( ii ) r = a2 + b2 6= 0 (D4 ), então,

w·1 = (a, b, c)·(1, 0, 0) = (a·1−b·0)·1, (a·0+1·b)·1, c·1+0·r1 = (a, b, c) = w.
Da comutatividade da multiplicação decorre a unicidade do elemento neu-
tro, assim: sejam u e ũ dois elementos neutros para a multiplicação. Sendo
assim, ter-se-à, por um lado, w · u = w, para todo w ∈ H; em particular ũ · u = ũ
(∗). Por outro lado também temos w · ũ = w, para todo w ∈ H; em particular
u · ũ = u. Esta última igualdade pode ser reescrita como ũ · u = u. Daqui e de
(∗) concluimos que u = ũ.
M4) Existência do elemento inverso. Desejamos mostrar que,
∀ w ∈ H∗ , ∃ w−1 ∈ H / w · w−1 = 1.

De fato, tomando w = (a, b, c), procuramos √ w = (x, y, z) satisfazendo
′ 2 2
w·w = p(1, 0, 0). Vamos inicialmente supor, r1 = a + b 6= 0. A possibilidade
2 2 ′
r2 = x + y = 0 (isto p é, w = (0, 0, z)) nos conduz a uma inconsistência.
Consideremos então r2 = x2 + y 2 6= 0. Sendo assim, temos,

w ·w′ = (a, b, c)·(x, y, z) = (a·x−b·y)γ, (a·y +x·b)γ, c·r2 +z ·r1 = (1, 0, 0).
Sendo assim, obtemos
  c·z 

 (ax − by) · 1 − =1 (1.6)


 r1 · r2




  c·z 
(ay + bx) · 1 − =0 (1.7)

 r1 · r2







 c · r2 + z · r1 = 0 (1.8)
14

c·z r 2 + c2
De (1.8), temos: 1− = 1 2 , substituindo em (1.6) e (1.7), obtemos
r1 · r2 r1

r12 + c2
(ax − by) · =1 (1.9)
r12

r12 + c2
(ay + bx) · =0 (1.10)
r12

De (1.9) e (1.10) concluimos que ay + bx = 0, (de r1 6= 0 ⇒ a 6= 0 ou b 6= 0)


supondo a 6= 0, resulta y = − b·x
a . Substituindo este resultado em (1.9), resulta:

bx  r2 a r2 a
a x − b (− ) = 2 1 2 ⇒ x= 2 · 2 1 2 = 2 .
a r1 + c r1 r1 + c a + b 2 + c2

Logo,
b b a −b
y =− ·x=− · 2 = 2
a a a + b 2 + c2 a + b 2 + c2
e,
r2 −c
z = −c · = 2
r1 a + b 2 + c2
portanto,

a −b −c 
w′ = , 2 , 2
2 a2
2 2 2
+b +c a +b +c a +b +c 2 2

- Vamos agora supor r1 = a2 + b2 = 0, então,
 0 −0 −c  1
w′ = , , = 0, 0, −
0 2 + 0 2 + c2 0 2 + 0 2 + c2 0 2 + 0 2 + c2 c
Temos,
1 −1 
w · w′ = (0, 0, c) · 0, 0, − = −c· , 0, 0 = (1, 0, 0)
c c
Portanto, qualquer que seja w = (a, b, c) 6= (0, 0, 0), temos que:
 a −b −c 
w · w′ = (a, b, c) · , , = (1, 0, 0).
a 2 + b 2 + c2 a 2 + b 2 + c2 a 2 + b 2 + c2

Nota: Observe que também provamos que o inverso multiplicativo é único. De
fato, o sistema w · w′ = (1, 0, 0) possui uma única solução.

1.3 Divisão
Devido a existência do inverso multiplicativo, podemos definir em H a
w w
operação de divisão, simbolizada por 1 , estabelecendo que 1 = w1 · w2′ =
w2 w2
w1 · w2−1 , onde mudamos de notação: w2′ = w2−1 .
Gentil 15

Exemplo:

(0, 1, 0)
= (0, 1, 0) · (0, 0, 1)−1
(0, 0, 1)
 0 −0 −1 
= (0, 1, 0) · , ,
02 + 02 + 12 02 + 02 + 12 02 + 02 + 12
= (0, 1, 0) · (0, 0, −1)

Em (D3 ), temos:
 0 · (−1) · 0 0 · (−1) · 1 
(0, 1, 0) · (0, 0, −1) = − ,− , −1 · 1 = (0, 0, −1),
1 1
(0, 1, 0)
portanto, = (0, 0, −1).
(0, 0, 1)
Uma observação importante é que para resolvermos, por exemplo, a equação
a · x = b em H, não é lı́cito procedermos assim:

a · x = b ⇒ a−1 · (a · x) = a−1 · b ⇒ (a−1 · a) · x = a−1 · b ⇒ x = a−1 · b,

uma vez que a multiplicação em H é não associativa. Para resolver a equação


em questão devemos proceder como no exemplo 4o ), pág. 10.
Uma outra observação é a de que, como o produto é comutativo, podemos
definir a multiplicação em H com apenas três sentenças, ao invés de quatro. A
operação de multiplicação pode ser vista (é) uma aplicação: f : R3 × R3 → R3 ,
definida por três sentenças.
M5) A multiplicação é não distributiva em relação à adição.
Tome, por exemplo, a = (1, 2, 1), b = (0, 1, 1) e c = (3, 2, 1) e mostre
que a · (b + c) 6= a · b + a · c.
16

1.4 Imersão de C em H
Consideremos agora a subestrutura C̃ de H na qual C̃ é formado pelos
ternos ordenados cujo terceiro termo é zero:

C̃ = (a, b, c) ∈ R3 : c = 0

Consideremos agora a aplicação f , de C em C̃, que leva cada (x, y) ∈ C ao terno


(x, y, 0) ∈ C̃, tipo assim:

f
C C̃
(a1 , b1 ) (a1 , b1 , 0)

(a2 , b2 ) (a2 , b2 , 0)

(a1 + a2 , b1 + b2 ) (a1 + a2 , b1 + b2 , 0)

(a1 · a2 − b1 · b2 , a1 · b2 + a2 · b1 ) (a1 · a2 − b1 · b2 , a1 · b2 + a2 · b1 , 0)

f: C C̃
(x, y) (x, y, 0)

Primeiramente notemos que f é bijetora, porquanto:


( i ) todo terno (x, y, 0) ∈ C̃ é o correspondente, segundo f , de (x, y) ∈ C (isto
quer dizer que f é sobrejetora);
( ii ) Dados (x, y) ∈ C e (x′ , y ′ ) ∈ C, com (x, y) 6= (x′ , y ′ ) os seus correspon-
dentes (x, y, 0) ∈ C̃ e (x′ , y ′ , 0) ∈ C̃ são distintos, de acordo com a definição de
igualdade de ternos ordenados (isto quer dizer que f é injetora).
Em segundo lugar, notemos que f preserva as operações de adição e mul-
tiplicação pois,
 
f (a1 , b1 ) + (a2 , b2 ) = f (a1 + a2 , b1 + b2 ) = (a1 + a2 , b1 + b2 , 0)
 
= (a1 , b1 , 0) + (a2 , b2 , 0) = f (a1 , b1 )) + f (a2 , b2 )

No que concerne à multiplicação, temos


 
f (a1 , b1 ) · (a2 , b2 ) = f (a1 · a2 − b1 · b2 , a1 · b2 + a2 · b1 )
= (a1 · a2 − b1 · b2 , a1 · b2 + a2 · b1 , 0)

Observe que (a1 , b1 ) · (a2 , b2 ) está em C e como tal verifica a regra de


multiplicação de C, isto é:

(a1 , b1 ) · (a2 , b2 ) = (a1 · a2 − b1 · b2 , a1 · b2 + a2 · b1 )


Gentil 17

Por outro lado, (a1 · a2 − b1 · b2 , a1 · b2 + a2 · b1 , 0) está em H, obedecendo,


portanto, as regras operacionais deste sistema. Devemos mostrar que,
 
(a1 ·a2 −b1 ·b2 , a1 ·b2 +a2 ·b1 , 0) = (a1 , b1 , 0)·(a2 , b2 , 0) = f (a1 , b1 ) ·f (a2 , b2 )

Para efetuar o produto (a1 , b1 , 0) · (a2 , b2 , 0) temos que analisar quatro



 em cada uma delas devemos ter: f (a1 , b1 )·(a2 , b2 ) = f (a1 , b1 ) ·
alternativas,
f (a2 , b2 ) . Vamos provar para a alternativa (D4 ) (r1 6= 0 e r2 6= 0), pois para
as demais se prova de modo análogo. Temos,

(a1 , b1 , 0) · (a2 , b2 , 0) = (a1 · a2 − b1 · b2 ) · 1, (a1 · b2 + a2 · b1 ) · 1, 0 · r2 + 0 · r1
= (a1 · a2 − b1 · b2 , a1 · b2 + a2 · b1 , 0)

Sendo assim,
 
(a1 ·a2 −b1 ·b2 , a1 ·b2 +a2 ·b1 , 0) = (a1 , b1 , 0)·(a2 , b2 , 0) = f (a1 , b1 ) ·f (a2 , b2 ) .

Devido ao fato de existir uma aplicação f : C → C̃ que preserva as operações


de adição e multiplicação, dizemos que C e C̃ são isomorfos.
Devido ao isomorfismo, operar com (x, y, 0) leva a resultados análogos aos
obtidos operando com (x, y); em razão disto, de agora em diante, faremos a
identificação que se segue:

(x, y) = (x, y, 0), ∀ (x, y) ∈ C

Em particular, pela teoria dos números complexos, podemos escrever ainda,

x = (x, 0) = (x, 0, 0), ∀ x ∈ R

Aceita estas igualdades, temos em particular que,

0 = (0, 0) = (0, 0, 0), 1 = (1, 0) = (1, 0, 0), a = (a, 0) = (a, 0, 0).

Assim o corpo C dos números complexos passa a ser considerado uma


subestrutura do sistema H dos números hipercomplexos.
Nota: Para o nosso próximo ı́tem veja [5].
18

1.5 Imersão de H − 2D em H − 3D
Consideremos agora a subestrutura H̃ de H na qual H̃ é formado pelos
ternos ordenados cujo segundo termo é zero:

H̃ = (a, b, c) ∈ R3 : b = 0

Vamos mostrar que H̃ é fechado para as operações de soma e multiplicação.


De fato, sejam (a1 , 0, c1 ) e (a2 , 0, c2 ) dois pontos em H̃, então,

(a1 , 0, c1 ) + (a2 , 0, c2 ) = (a1 + a2 , 0, c1 + c2 ) ∈ H̃

Por outro lado (ver pág. 8),

 


 − c1 · c2 , 0, 0 , se r1 = 0 e r2 = 0







 c ·c ·a 
se r1 = 0 e r2 6= 0

 − 1 2 2 , 0, c1 · r2 ,


 r2
a1 , 0, c1 ) · (a2 , 0, c2 =


 c ·c ·a 

 − 1 2 1 , 0, c2 · r1 , se r1 6= 0 e r2 = 0


 r 1




 
 (a1 · a2 )γ, 0, c1 · r2 + c2 · r1 ,
 se r1 6= 0 e r2 6= 0

Onde,
c1 · c2
r1 = |a1 | , r2 = |a2 | e γ = 1 −
|a1 | · |a2 |
De outro modo,

 


 − c1 · c2 , 0, 0 , se a1 = 0 e a2 = 0







 a 
se a1 = 0 e a2 6= 0

 − c1 · c2 2 , 0, c1 · |a2 | ,

 |a2 |
(a1 , 0, c1 ) · (a2 , 0, c2 ) =


 a 

 − c1 · c2 1 , 0, c2 · |a1 | , se a1 6= 0 e a2 = 0


 |a1 |




 a ·a 
 a1 · a2 − c1 · c2 1 2 , 0, c1 · |a2 | + c2 · |a1 | , se a1 6= 0 e a2 6= 0

|a1 | · |a2 |

Portanto,
(a1 , 0, c1 ) · (a2 , 0, c2 ) ∈ H̃
Gentil 19

Consideremos agora a aplicação f , de H − 2D em H̃, que leva cada


(x, y) ∈ H − 2D ao terno (x, 0, y) ∈ H̃, tipo assim:

f
H − 2D H̃
(a1 , b1 ) (a1 , 0, b1 )

(a2 , b2 ) (a2 , 0, b2 )

(a1 + a2 , b1 + b2 ) (a1 + a2 , 0, b1 + b2 )

(a1 · a2 − b1 · b2 , a1 · b2 + a2 · b1 ) (a1 · a2 − b1 · b2 , 0, a1 · b2 + a2 · b1 )

f : H − 2D H̃
(x, y) (x, 0, y)

Podemos mostrar que f é um isomorfismo. Devido ao fato de existir


uma aplicação f : H − 2D → H̃ que preserva as operações de adição e multi-
plicação, dizemos que H − 2D e H̃ são isomorfos.
Devido ao isomorfismo, operar com (x, 0, y) leva a resultados análogos aos
obtidos operando com (x, y); em razão disto, de agora em diante, faremos a
identificação que se segue:

(x, y) = (x, 0, y), ∀ (x, y) ∈ H − 2D

Em particular, pela teoria dos números hipercomplexos−2D, podemos es-


crever ainda,
x = (x, 0) = (x, 0, 0), ∀ x ∈ R
Aceita estas igualdades, temos em particular que,
0 = (0, 0) = (0, 0, 0), 1 = (1, 0) = (1, 0, 0), (0, 1) = (0, 0, 1) = j.
Assim o sistema H − 2D, dos números hipercomplexos bidimensionais,
passa a ser considerado uma subestrutura do sistema H dos números hipercom-
plexos tridimensionais.
Em resumo, os números H − 3D generalizam, a um só tempo, os números
complexos e os hipercomplexos−2D.
Podemos ilustrar a imersão de estruturas através de diagramas de Venn,
assim:

H−3D

C H−2D

R
20

Proposição 3. Para todo k ∈ R, a seguinte identidade


(
(k a, k b, k c), se k ≥ 0;
k · (a, b, c) = (k a, k b, |k| c) =
(k a, k b, −k c), se k < 0.

se verifica.
Prova: Temos algumas alternativas a considerar:
( i ) k = 0, trivial.

( ii ) k 6= 0 e r2 = a2 + b2 = 0. Temos (D3 ):
 0·c·k 0·c·0 
k · (0, 0, c) = (k, 0, 0) · (0, 0, c) = − ,− , c · |k| = (k 0, k 0, |k| c)
|k| |k|

( iii ) k 6= 0 e r2 = a2 + b2 6= 0. Temos (D4 ):

k · (a, b, c) = (k, 0, 0) · (a, b, c) = (k · a − 0 · b) · 1, (k · b + 0 · a) · 1, 0 · r2 + c · |k|

= (k a, k b, |k| c .


Esta proposição nos proporciona um fenômeno que não ocorre em R ou em C.
Corolário 1. Em H a seguinte identidade

−1 · x = −x

é falsa.
Prova: De fato, tomando x = (0, 0, 1), resulta,

−x = −(0, 0, 1) = (0, 0, −1)


−1 · x = (−1 · 0, −1 · 0, | − 1| · 1) = (0, 0, 1)


Sendo assim é importante estar atento para o fato de que, ao contrário
do que ocorre em R, ou em C, em H é necessário distinguir entre −x e −1 · x.
Observe que, enquanto no primeiro caso temos o oposto aditivo de x, no segundo
caso temos o produto de dois hipercomplexos: −1 = (−1, 0, 0) e x = (a, b, c).
Observe, outrossim, que em H não vale a propriedade de cancelamento
para a multiplicação; para se convencer disto considere a seguinte igualdade,

1 · (0, 0, 1) = −1 · (0, 0, 1)

Isto se deve ao fato da multiplicação não ser associativa. Prove a seguinte,


Proposição 4. Sejam a ∈ R e w ∈ H,
 w
a = j ,
 se a ≥ 0;
j·a=w ⇒ w (1.11)

a = − , se a < 0.
j
Nota: Esta proposição nos alerta quando formos “dividir” por j.
Gentil 21

1.6 Forma algébrica


1.6.1 Unidade imaginária/Unidade hiperimaginária
Chamamos unidade imaginária e indicamos por i o número hipercomplexo
(0, 1, 0). Notemos que

i2 = (0, 1, 0) · (0, 1, 0) = (0 · 0 − 1 · 1) · 1, (0 · 1 + 0 · 1) · 1, 0 · 1 + 0 · 1
= (−1, 0, 0) = −1,

isto é, a propriedade básica da unidade imaginária é,

i2 = −1

Chamamos unidade hiperimaginária e indicamos por j o número hiper-


complexo (0, 0, 1). Notemos que

j 2 = (0, 0, 1) · (0, 0, 1) = (−1 · 1, 0, 0) = −1,

isto é, a propriedade básica da unidade hiperimaginária é,

j 2 = −1

Digamos que a unidade hiperimaginária tem duas propriedades básicas, sendo


a outra dada por,
−1 · j = j (1.12)
propriedade esta que não é partilhada pela unidade imaginária.
A bem da verdade esta é apenas um caso especial da seguinte:
Vamos multiplicar j pelo número complexo z = (x, y, 0). Temos
1·0·y
 p
(0, 0, 1) · (x, y, 0) = − 1·0·x
r , − r , 1 · r2 = (0, 0, x2 + y 2 )
2 2

Portanto,
j · z = ( 0, 0, |z| )
Observe que se |z| = 1 (cı́rculo unitário) então z · j = j.

Forma algébrica
Dado um número hipercomplexo qualquer w = (x, y, z), temos:

w = (x, y, z) = (x, 0, 0) + (0, y, 0) + (0, 0, z)

Temos,
( i ) (x, 0, 0) = x.
( ii ) Temos,

y · (0, 1, 0) = (y · 0, y · 1, |y| · 0) = (0, y, 0) ⇒ y · i = (0, y, 0)

( iii ) Se z ≥ 0, então (0, 0, z) = z (0, 0, 1) = z j.


Se z ≤ 0 ( |z| = −z ), então

−j z = z·(−j) = z·(0, 0, −1) = (z·0, z·0, |z|·(−1)) = (0, 0, (−z)·(−1)) = (0, 0, z)


22

Tendo em conta estes resultados podemos escrever,


(
x + i y + j z, se z ≥ 0;
w = (x, y, z) = (1.13)
x + i y − j z, se z ≤ 0.

Assim, todo número hipercomplexo w = (x, y, z) pode ser escrito sob a


forma acima, chamada forma algébrica. O número real x é chamado parte real
de w, o número real y é chamado parte imaginária de w e o número real z é
chamado parte hiperimaginária de w.
Neste momento precisamos fazer um esclarecimento assaz importante: A
estas alturas o leitor já percebeu que a álgebra hipercomplexa é “ligeiramente”
distinta da álgebra real ou complexa. Isto nos obriga a estar (bastante) atento
quanto às notações. Por exemplo, consideremos as quatro expressões seguintes

x+iy −j z
x+iy −zj
x + i y + j(−z)
x + i y + z(−j)

Vejamos o significado da terceira parcela em cada uma delas:

−jz, significa: o oposto de j que multiplica z


−zj, significa: o oposto de z que multiplica j
j(−z), significa: o oposto de z que multiplica j
z(−j), significa: o oposto de j que multiplica z

O leitor pode mostrar, a partir da proposição 3, que

−jz 6= −zj = j(−z)

Podemos dar as seguintes denominações a alguns hipercomplexos:

w = (0, 0, c), c 6= 0, hiperimaginário puro;


w = (0, b, 0), b 6= 0, imaginário puro;
w = (a, 0, 0), real puro;
w = (a, b, 0), a 6= 0, b 6= 0, complexo puro;
w = (a, b, c), c 6= 0, hipercomplexo puro;
w = (a, b, c), a 6= 0 ou b 6= 0; c 6= 0, hipercomplexo não-singular.

Nota: Um hipercomplexo não-singular é um hipercomplexo puro com a 6= 0 ou


b 6= 0.
Gentil 23

Um milagre aos olhos dos habitantes Complexos


Se, algum dia, um matemático do Universo complexo se defrontar com a se-
guinte equação elementar: (−1·x + x)·x = −1, êle teria duas saı́das: abandonar
o “jogo”, ou consultar um matemático do “universo Hipercomplexo”∗. De fato,
esta é uma equação impossı́vel de se resolver dentro dos universos numéricos
conhecidos dos matemáticos (hodiernos), em razão de que vale:

(−1 · x + x) · x = −1 ⇐⇒ 0 · x = −1

Pois bem, vamos assumir o desafio.


Proposição 5 (Gentil/04.12.2008). A seguinte equação,

(−1 · x + x) · x = −1 (1.14)

possui solução em H.
Prova: Tomando x = (c, d, e), temos −1 · x = −1 · (c, d, e) = (−c, −d, e),
pela prop. 3, pág. 20. Portanto,

−1 · x + x = (−c, −d, e) + (c, d, e) = (0, 0, 2e)

Substituindo este resultado em (1.14), obtemos

(0, 0, 2e) · (c, d, e) = −1

O produto acima fica,



(−2e2 , 0, 0), se c = d = 0;
(0, 0, 2e) · (c, d, e) =
(−2e2 c/r , −2e2 d/r , 2e · r ), se c 6= 0 ou d 6= 0.
2 2 2

√ √
Onde: r2 = c2 + d2 . Para c = d = 0 concluimos que e = ± 2/2. Portanto,
√ 
 2 √ √ 
x = 0, 0, ± ⇒ x = 2/2 j ou x = − 2/2 j .
2
Observe que o número j foi o responsável por este milagre!
É fácil ver que para c 6= 0 ou d 6= 0 o problema não tem solução. 
A tı́tulo de curiosidade, observe que, das duas equações abaixo:

x2 + 1 = 0

(−1 · x + x) · x + 1 = 0

Com o número i resolvemos apenas a primeira, ao passo que, com o número j


resolvemos as duas.

∗ No caso eu, que por enquanto, sou o único habitante deste Universo.
24

− Considere a equação,

0 · x = b, b 6= 0 (1.15)

nos reais, ou complexos; como, nestes universos, vale

0 = −1 · x + x
0 = −1 · (−x) + (−x)

Segue-se que,

(−1 · x + x) · x = b
0·x=b ⇐⇒ (1.16)
(−1 · (−x) + (−x)) · x = b

Em H, embora não possamos resolver diretamente a equação (1.15), pode-


mos resolver suas equivalentes, dadas acima.
Se b > 0, resolvemos a segunda das equações em (1.16), caso contrário
resolvemos a primeira. Por exemplo, seja a equação 0 · x = 1, então,

0·x =1 ⇐⇒ (−1 · (−x) + (−x)) · x = 1

Tomando x = (c, d, e), temos, −x = (−c, −d, −e), logo,

−1 · (−x) + (−x) = −1 · (−c, −d, −e) + (−c, −d, −e) = (c, d, −e) + (−c, −d, −e) = (0, 0, −2e)

Então,

(−1 · (−x) + (−x)) · x = 1 ⇒ (0, 0, −2e) · (c, d, e) = 1

O produto acima fica,



(2e2 , 0, 0), se c = d = 0;
(0, 0, −2e) · (c, d, e) =
(2e2 c/r , 2e2 d/r , −2e · r ), se c 6= 0 ou d 6= 0.
2 2 2

√ √
Onde: r2 = c2 + d2 . Para c = d = 0 concluimos que e = ± 2/2. Portanto,
√ 
 2 √ √ 
x = 0, 0, ± ⇒ x = 2/2 j ou x = − 2/2 j .
2

É fácil ver que para c 6= 0 ou d 6= 0 o problema não tem solução.


Gentil 25

1.7 Forma trigonométrica


Definição 3 (Conjugado). Chama-se conjugado do hipercomplexo w = (a, b, c)
ao hipercomplexo w = (a, −b, −c), isto é:

w = (a, b, c) ⇔ w = (a, −b, −c)

Definição 4 (Norma). Chama-se norma do hipercomplexo w = (a, b, c) ao


número real
N (w) = a2 + b2 + c2

Definição 5 (Módulo). Chama-se módulo (ou valor absoluto) do hipercomplexo


w = (a, b, c) ao número real
p p
|w| = N (w) = a2 + b2 + c2

Nota: Alternativamente podemos usar a notação: ρ, para o módulo.


Deixamos como exercı́cio ao leitor, mostrar que w · w = |w|2 .
Observe que o inverso de w = (a, b, c) pode ser escrito como,
 a −b −c   a −b −c 
w−1 = , , ⇔ w −1
= , ,
a 2 + b 2 + c2 a 2 + b 2 + c2 a 2 + b 2 + c2 |w|2 |w|2 |w|2

Ou ainda,
1
w−1 = ( a, −b, −c ). (1.17)
|w|2
Definição 6 (Argumento). Chama-se argumento de um hipercomplexo w =
(x, y, z), não nulo, ao par de ângulos (θ, β) tal que
x y z
cos θ · cos β = , sen θ · cos β = , e sen β = .
ρ ρ ρ

Observe que, existe ao menos um par (θ, β) satisfazendo a definição,


pois
2 2 2  x 2  y 2  z 2
cos θ · cos β + sen θ · cos β + sen β = + +
ρ ρ ρ

x2 + y 2 + z 2
= = 1.
ρ2
Fixado o hipercomplexo w 6= 0, estão fixados cos θ · cos β, sen θ · cos β e
sen β, mas os ângulos θ e β podem assumir infinitos valores, congruentes dois
a dois (congruência módulo 2π).
Assim o hipercomplexo w 6= 0 tem argumento,

(θ, β) = (θ0 + 2kπ, β0 + 2k ′ π); k, k ′ ∈ Z (1.18)

onde (θ0 , β0 ) é chamado argumento principal de w, é tal que


x y z
cos θ0 · cos β0 = , sen θ0 · cos β0 = , e sen β0 = .
ρ ρ ρ
26

e
π π
0 ≤ θ0 < 2π, − ≤ β0 ≤ (1.19)
2 2
Por vezes trabalharemos com (θ0 , β0 ) chamando-o simplesmente argu-
mento de w.
Exemplos:
√ q√
1o ) Para w = 3 + i, temos ρ = ( 3)2 + 12 + 02 = 2, então
 √
 x 3

 cos θ0 · cos β0 = =


 ρ 2



y 1
sen θ0 · cos β0 = =


 ρ 2



 z 0

 sen β0 = = =0
ρ 2
Tendo em conta (1.19), resulta
π π
θ0 = ⇒ θ = + 2kπ
6 6
β0 = 0 ⇒ β = 0 + 2k ′ π
√ √
2o ) Para w = (0, 1, 1), temos ρ = 02 + 12 + 12 = 2, então

x 0
cos θ0 · cos β0 = ρ = √ = 0




 2


 y 1
sen θ0 · cos β0 = = √

 ρ 2




 z 1
 sen β0
 = = √
ρ 2
π
Tendo em conta (1.19), desta útima equação concluimos que β0 = 4, sendo
assim resulta
cos θ0 · cos π4 = 0 ⇒ cos θ0 = 0
π

⇒ θ0 = 2
sen θ0 · cos π4 = 2
2
⇒ sen θ0 = 1
Sendo assim, temos
π π
θ= + 2kπ, β = + 2k ′ π
2 4
√ q √
3o ) Para w = − 3 + 3i − 2j, temos ρ = (− 3)2 + 32 + (−2)2 = 4, então
 √
 x − 3

 cos θ0 · cos β0 = =


 ρ 4



y 3
sen θ0 · cos β0 = =


 ρ 4



 z −2 −1

 sen β0 = = =−
ρ 4 2
Gentil 27

Tendo em conta (1.19), desta útima equação concluimos que β0 = − π6 , sendo


assim resulta

− 3
cos θ0 · cos(− π6 ) = 4 ⇒ cos θ0 = − 21


⇒ θ0 = 3
sen θ0 · cos(− π6 ) = 3
4 ⇒ sen θ0 = 2
3

Sendo assim, temos


2π π
θ= + 2kπ, β = − + 2k ′ π
3 6
Dado um número hipercomplexo w = (x, y, z), não nulo, podemos escrever
w = (ρ cos θ0 ·cos β0 , ρ sen θ0 ·cos β0 , ρ sen β0 ). Sendo ρ > 0, podemos reescrever,

w = ρ (cos θ0 · cos β0 , sen θ0 · cos β0 , sen β0 )

chamada forma trigonométrica de w. Na forma algébrica (equação (1.13), pág.


22):
 
ρ cos θ0 · cos β0 + i sen θ0 · cos β0 + j sen β0 , se sen β0 ≥ 0;
w=  (1.20)
ρ cos θ · cos β + i sen θ · cos β − j sen β , se sen β0 < 0.
0 0 0 0 0

Observe que se β0 = 0, resulta w = ρ cos θ0 + i sen θ0 ).


28

1.7.1 Representação gráfica


As noções de módulo e argumento tornam-se mais concretas quando repre-
sentamos os números hipercomplexos w = (x, y, z) pelos pontos do espaço R3 ,
com a convenção de marcamos sobre os eixos 0X, 0Y e 0Z, respectivamente, a
parte real, a parte imaginária e a parte hiperimaginária de w.
Assim a cada número hipercomplexo w = (x, y, z) corresponde um único
ponto P do espaço X0Y Z, assim:

z

ρ= x2 +y 2 +z 2


r= x2 +y 2
P (x, y, z)
ρ
0 ≤ θ0 < 2π
y
0 Y
β0 −π π
2 ≤ β0 ≤ 2
θ0
r
x

Note que a distância entre w = (x, y, z) e 0 = (0, 0, 0) é o módulo de w:


p
|w| = x2 + y 2 + z 2 = ρ
Nomenclatura:
X0Y Z = espaço R3 ;
0X = eixo real;
0Y = eixo imaginário;
0Z = eixo hiperimaginário;
X0Y = plano complexo C;
X0Z = plano hipercomplexo − 2D;
P = afixo de w.

Observação: Gráficamente a condição r = a2 + b2 = 0 para w = (a, b, c)
significa que este número está localizado sobre o eixo 0Z.
Desta forma as sentenças que definem o produto podem ser interpretadas
como:
1a ) r1 = r2 = 0. Neste caso w1 e w2 estão situados sobre o eixo 0Z. Isto é,
dois hiperimaginários puro são multiplicados segundo D1 .
2a ) r1 = 0 e r2 6= 0. Neste caso w1 está situado sobre o eixo 0Z e w2 está
situado fora deste eixo. Observe que as condições (D2 ) e (D3 ), para o produto,
podem ser unificadas em uma única, onde fazemos r1 (ou r2 ) corresponder ao
ponto que situa-se fora do eixo 0Z.
3a ) r1 6= 0 e r2 6= 0. Neste caso w1 e w2 estão situados, ambos, fora do eixo 0Z.
Desta forma dois números que não são hiperimaginários puro são multiplicados
em D4 .
Gentil 29

Considere, novamente, o diagrama de Venn:

H−3D

C H−2D

A seguir colocamos em destaque uma versão geométrica,

Z
Z

Plano C

j
i
Y
Y
− ano
2D
Pl

R R
H

Vimos que em H temos −w 6= −1 · w. Sendo,

w = (x, y, z)
−w = (−x, −y, −z)
−1 · w = (−x, −y, z)

Geometricamente −w é uma rotação de 180o (em torno da origem) em w; en-


quanto −1 · w pode ser visto como a rotação anterior seguida de uma reflexão,
com respeito ao plano complexo. Por exemplo, assim,
30

−1·w

Y
−w

Um problema clássico no contexto dos hipercomplexos

O fato de os hipercomplexos residirem em dimensão 3, enquanto os com-


plexos em dimensão 2 isto, naturalmente, se reflete na (re) solução de um mesmo
problema trabalhado em um ou outro destes espaços. Vejamos um exemplo do
que estamos falando. Vamos resolver o clássico,
Problema: Separar o número 10 em duas partes x e y tais que o produto destas
seja 40.
Solução: Devemos resolver o seguinte sistema,
(
x + y = 10 (1.21)
x · y = 40 (1.22)

1o ) Resolução no universo C.
Tirando y na primeira equação e substituindo na segunda, obtemos:

x · 10 + (−x) = 40

Aplicando a propriedade distributiva e associativa temos 10 x − x2 = 40, ou


ainda,
x2 − 10x + 40 = 0. Sendo assim, temos
p
−(−10) ± (−10)2 − 4 · 1 · 40 √
x= = 5 ± −15
2

Sendo assim, em C, temos uma única solução para este problema:

Y √
x=5+i 15

x = 5 + i 15

y = 5 − i 15

p5 X


y=5−i 15
Gentil 31

2o ) Resolução no universo H.
Aqui vamos fazer uma mudança de notação,
(
x′ + y ′ = 10 (1.23)
x′ · y ′ = 40 (1.24)

Tirando y ′ na primeira equação e substituindo na segunda, obtemos:



x′ · 10 + (−x′ ) = 40 (1.25)

Observe que em H não podemos aplicar, na equação acima, a propriedade distri-


butiva da multiplicação em relação à adição. Devemos proceder assim: façamos

x′ = (x, y, z). Substituindo em (1.25), resulta (x, y, z) · 10 + (−x, −y, −z) =
40, de outro modo,

(x, y, z) · (10 − x, −y, −z) = 40

Inicialmente
p observamos que este problema só tem solução se considerar-
mos r1 = x2 + y 2 6= 0 (por que?). Sendo assim calculemos o produto anterior
em D4 :
   
x · (10 − x) − y · (−y) · γ, x · (−y) + (10 − x) · y · γ, z · r2 + (−z) · r1 = 40
p p
onde, r1 = x2 + y 2 , r2 = (10 − x)2 + y 2 e γ = 1 + z 2/(r1 ·r2 ). Sendo assim,
montamos o seguinte sistema
  z2 
(10x − x2 + y 2 ) · 1 +


 = 40 (1.26)


 r1 · r2




 z2 

 (−2xy + 10y) · 1 + =0 (1.27)


 r1 · r2





z · (r2 − r1 ) = 0 (1.28)

De (1.26) e (1.27) concluimos que −2xy + 10y = 0, ou ainda (−x + 5) · y = 0.


Desta equação tiramos y = 0 ou x = 5. Então:
 p
r1 = r2 = y 2 + 25
I) x=5 ⇒
 2
γ = 1 + y2z+25

As equações (1.27) e (1.28) estão satisfeitas, resta satisfazer (1.26):


 z2 
(10 · 5 − 52 + y 2 ) · 1 + = 40
25 + y 2
Donde,
y 2 + z 2 = 15 (cilindro)
Logo,
( x = 5 ) ∩ ( y 2 + z 2 = 15 ) = cı́rculo (1.29)
| {z } | {z }
plano cilindro
32

r1 = |x|, r2 = |x − 10|
II ) y=0 ⇒
 z2
γ =1+ |x|·|x−10|

A equação (1.27) está satisfeita, resta satisfazer (1.26) e (1.28):


 z2 
(10x − x2 + 02 ) · 1 + = 40
|x| · |x − 10|

z · |x| − |x − 10| = 0

Desta última equação concluimos que z = 0 ou |x| − |x − 10| = 0. Se z = 0, na


primeira equação obtemos 10x − x2 = 40, a qual não tem solução (porquanto x
deve ser real). Se |x| − |x − 10| = 0, resulta x = 5; volta ao primeiro caso.
Deste modo existem infinitas soluções para o nosso problema, todas da
forma,
x′ = (5, y, z), y ′ = (5, −y, −z), onde y 2 + z 2 = 15.

Tomando, por exemplo, z = 0, obtemos y = ± 15. Como as soluções são
“conjugadas”, resulta:
√ √
x′ = ( 5, 15, 0 ), y ′ = ( 5, − 15, 0 )

que é a solução complexa. √


Tomando, por exemplo, y = 0, obtemos z = ± 15. Como as soluções são
“conjugadas”, resulta:
√ √
x′ = ( 5, 0, 15 ), y ′ = ( 5, 0, − 15 )

que é a solução hipercomplexa (2 − D) (ver [5]).


A equação y 2 + z 2 = 15 representa um cilindro em R3 , a interseção deste
cilindro com o plano x = 5 nos dá um cı́rculo (eq. (1.29)), onde moram as
infinitas soluções do nosso problema. Geometricamente temos,

Z Z

Y Y
y′

5 5
x′
X X

No gráfico da direita temos, na cor azul, os afixos da solução complexa


e, na cor vermelha, os afixos da solução hipercomplexa (2 − D).
Gentil 33

Multiplicação na forma trigonométrica


Veremos a seguir que a multiplicação na forma trigonométrica se apre-
senta de forma mais simples (e mais estética) que na forma retangular e, o que
é melhor, nos possibilita dar uma interpretação geométrica ao produto hiper-
complexo, o que aumentará, substancialmente, o espectro de aplicações destes
números.
Proposição 6. Dois números na forma trigonométrica,

w1 = ρ1 (cos θ1 · cos β1 , sen θ1 · cos β1 , sen β1 )

w2 = ρ2 (cos θ2 · cos β2 , sen θ2 · cos β2 , sen β2 )

onde cos β1 ≥ 0 e cos β2 ≥ 0, são multiplicados da seguinte forma:



w1 ·w2 = ρ1 ρ2 cos(θ1 +θ2 )·cos(β1 +β2 ), sen (θ1 +θ2 )·cos(β1 +β2 ), sen (β1 +β2 )

Prova: Apêndice, pág. 142 


Notas:
1a ) Uma observação importante a respeito desta proposição é que, para qual-
quer número do eixo 0Z ( β = π2 + k π, k ∈ Z ) devemos tomar θ = 0 e β = π2
ou θ = 0 e β = − π2 , antes de fazer a multiplicação.
Uma vez que pontos do eixo OZ têm θ indeterminado, estamos “levan-
tando” esta indeterminação convencionando que θ = 0, não há nenhum mal
nisto, desde que estejamos todos de acordo.
2a ) Para deduzir esta fórmula para a multiplicação supomos cos β1 ≥ 0 e
cos β2 ≥ 0; esta não é uma restrição séria tendo em conta que qualquer hi-
percomplexo w pode ser escrito com cos β ≥ 0 (ver (1.18), pág. 25).
3a ) Observe outrossim que, enquanto a multiplicação em coordenadas retangu-
lares (definição) é dada em quatro sentenças, na forma trigonométrica é dada
em apenas uma. Isto se deve à restrição referida na nota anterior.
Corolário 2. O módulo do produto de dois números hipercomplexos é igual ao
produto dos módulos dos fatores. Isto é,

|w1 · w2 | = |w1 | · |w2 |

Prova: Basta ter em conta que, para quaisquer ângulos λ e γ, temos:


p
(cos λ cos γ)2 + ( sen λ cos γ)2 + ( sen γ)2 = 1


Proposição 7. Dois números na forma trigonométrica,

w1 = ρ1 (cos θ1 · cos β1 , sen θ1 · cos β1 , sen β1 )

w2 = ρ2 (cos θ2 · cos β2 , sen θ2 · cos β2 , sen β2 )

onde cos β1 ≥ 0 e cos β2 ≥ 0, são divididos da seguinte forma:


w1 ρ 
= 1 cos(θ1 − θ2 ) · cos(β1 − β2 ), sen (θ1 − θ2 ) · cos(β1 − β2 ), sen (β1 − β2 )
w2 ρ2
34

Prova: Provamos esta proposição utilizando a anterior. Pois bem, tendo


em conta (1.17) (pág. 25) escrevemos
1 
w2−1 = cos θ2 · cos β2 , − sen θ2 · cos β2 , − sen β2
ρ2
1 
= cos(−θ2 ) · cos(−β2 ), sen (−θ2 ) · cos(−β2 ), sen (−β2 )
ρ2

Realizando o produto w1 · w2−1 de acordo com a proposição 6, temos o resultado


desejado. 
Corolário 3. O módulo do quociente de dois números hipercomplexos é igual
ao quociente dos módulos dos hipercomplexos. Isto é,
w |w |
1
= 1
w2 |w2 |

Prova: Basta ter em conta que, para quaisquer ângulos λ e γ, temos:


p
(cos λ cos γ)2 + ( sen λ cos γ)2 + ( sen γ)2 = 1

1.8 Potenciação
Definição 7. Sejam w um número hipercomplexo e n um número natural.
Potência de base w e expoente n é o número wn tal que:
(
w0 = 1;
wn = wn−1 · w, ∀ n, n ≥ 1.

Desta definição decorre que:

w1 = w0 · w = 1 · w

w2 = w1 · w = w · w

w3 = w2 · w = (w · w) · w
 
w4 = w3 · w = (w · w) · w · w

Proposição 8. A seguinte identidade é válida


(
n
−1, se n é par;
j =
j, se n é ı́mpar.

Prova: Indução sobre n.


1o ) n par.
Para n = 2 já mostramos que a proposição é verdadeira. Suponhamos a
Gentil 35

validade da mesma para n = k, isto é, j k = −1. Mostremos que a proposição


continua válida para o próximo par n = k + 2:

j k+2 = (j k · j) · j = (−1 · j) · j = j · j = j 2 = −1

2o ) n ı́mpar. Análogo. 

Lema 1. Se w = (x, y, z) então,



2
(−z , 0, 0),
 se x = y = 0;
2
w =  p 
 (x2 − y 2 ) · 1 − 2z2 2 , 2 x y · 1 −
 z2

, 2z x2 + y 2 , se x 6= 0 ou y 6= 0.
x +y x2 +y 2

Prova: Seja w = (x, y, z). Para calcular w · w, temos duas alternativas,


p
1a ) r = x2 + y 2 = 0 (x = y = 0). Deste modo calculamos o produto em (D1 )
(pág. 8), w · w = (−z · z, 0, 0).
p
2a ) r = x2 + y 2 6= 0. Deste modo calcule o produto em (D4 ). 
2
Como exemplo, calculemos (i + j) . Temos

i + j = (0, 1, 0) + (0, 0, 1) = (0, 1, 1) ⇒ x = 0, y = 1, z = 1.

Sendo assim, temos


 z2  z2  p 
(i + j)2 = (x2 − y 2 ) · 1 − , 2 x y · 1 − , 2z x2 + y2
x2 + y 2 x2 + y 2
 12  12  p 
= (02 − 12 ) · 1 − , 2·0·1· 1− 2 , 2 · 1 02 + 12
02 +1 2 0 +1 2

= (0, 0, 2) = 2j

Exercı́cio: Seja w ∈ H, mostre que w · (−w) ∈ C.


Dado w = (x, y, z) ∈ H observamos que a cota de w2 tem o mesmo sinal
de z. Isto significa que ao multiplicarmos um hipercomplexo por ele mesmo o
resultado permanece no mesmo semi-espaço (z > 0 ou z < 0) de w. Vamos
mostrar que isto vale para qualquer potência de w.

Proposição 9. Seja w = (x, y, z) ∈ H. Temos,


Se wn = (x′ , y ′ , z ′ ), então sign (z ′ ) = sign (z), ∀ n ≥ 2.

Prova: Indução sobre n. Para n = 2 a proposição decorre do lema (1).


Suponhamos a proposição verdadeira para n = k. Isto é,

wk = (a, b, c), onde sign (c) = sign (z) (hipótese de indução)

E mostremos que vale para n = k + 1. Isto é,

wk+1 = (x′ , y ′ , z ′ ) ⇒ sign (z ′ ) = sign (z) (tese de indução)


36

Então,
wk+1 = wk · w = (a, b, c) · (x, y, c)

= (ax − by) γ, (ay + bx) γ, c r2 + z r1
Temos z ′ = c r2 + z r1 , donde decorre a tese, tendo em conta a hipótese de
indução. 

Definição 8 (Reflexo). Dado o hipercomplexo w = (x, y, z) definimos como o


reflexo de w o hipercomplexo (x, y, −z). Notação: ẇ = (x, y, −z).
Temos a seguinte,
Proposição 10. Seja o hipercomplexo w = (a, b, c); se wn = (d, e, f ), então
ẇn = (d, e, −f ).
Prova: Indução sobre n. Sendo, ẇ = (a, b, −c); para n = 2, temos
 c2  c2  p 
w2 = (a2 − b2 ) · 1 − 2 , 2 a b · 1 − , 2c a 2 + b2
a + b2 a2 + b 2
 (−c)2  (−c)2  p 
ẇ2 = (a2 − b2 ) · 1 − , 2 a b · 1 − , 2(−c) a 2 + b2
a2 + b 2 a2 + b 2
Sendo assim a proposição resulta verdadeira para n = 2. Suponhamos verda-
deira para n = k, isto é,
Se wk = (d, e, f ), então ẇk = (d, e, −f ) (H.I.)
Mostremos que vale para n = k + 1, isto é,
Se wk+1 = (g, h, i), então ẇk+1 = (g, h, −i) (T.I.)
k+1 k+1
Vamos calcular os números w e ẇ para efeito de comparação,
wk+1 = wk · w = (d, e, f ) · (a, b, c) = (a, b, c) · (d, e, f )

= (a · d − b · e)γ, (a · e + d · b)γ, c · r2 + f · r1 (1.30)
Onde,
p p c·f
r1 = a2 + b 2 , r2 = d 2 + e2 e γ = 1 −
r1 · r2
Por outro lado, temos
ẇk+1 = ẇk · ẇ = (d, e, −f ) · (a, b, −c) = (a, b, −c) · (d, e, −f )

= (a · d − b · e)γ ′ , (a · e + d · b)γ ′ , (−c) · r2 + (−f ) · r1

= (a · d − b · e)γ ′ , (a · e + d · b)γ ′ , −(c · r2 + f · r1 ) (1.31)
Onde,
p p (−c) · (−f )
r1 = a2 + b2 , r2 = d 2 + e2 e γ ′ = 1 −
r1 · r2
Comparando (1.30) e (1.31), e tendo em conta que γ = γ ′ , a proposição resulta
verdadeira! 
Gentil 37

Observe que,
w + ẇ ∈ C, w · ẇ ∈ C
Com o auxı́lio do lema 1 vamos deduzir uma fórmula para o cálculo de
w2 · w2 , assim: Façamos

w2 = (x2 − y 2 )λ, 2xyλ, 2zr

onde,
z2 p
λ=1− 2 2
, r = x2 + y 2
x +y
Para o cálculo de w2 · w2 , façamos,
p
r̃ = (x2 − y 2 )2 λ2 + 4x2 y 2 λ2 = |λ|r2

(2zr)2
λ̃ = 1 −
(x2 − y 2 )λ )2
+ (2xyλ)2

4z 2 r2 4z 2 r2
=1− =1− 2 4
λ2 2
(x + y ) 2 2 λ r

4z 2 4z 2
=1− 2 2
=1− 2 2
λ r λ (x + y 2 )

Deste modo, sendo w2 · w2 = (X, Y, Z), devemos ter



X = (x2 − y 2 )2 λ2 − 4x2 y 2 λ2 λ̃

Y = 2 (x2 − y 2 )λ · (2xyλ) · λ̃

Z = 2 · (2zr) · r̃

Simplificando,

X = (x2 − y 2 )2 − 4x2 y 2 λ2 λ̃

Y = 4xy(x2 − y 2 )λ2 λ̃ (1.32)


3
Z = 4zr|λ|r2 = 4z(x2 + y 2 ) 2 |λ|
38

Potenciação na forma trigonométrica


Para os números hipercomplexos vale uma versão (mais fraca) da lei de De
Moivre,

Proposição 11 (De Moivre). Dados o hipercomplexo w = ρ (cos θ ·cos β, sen θ ·


cos β, sen β), não nulo, e o natural n ≥ 2, temos:

wn = ρn (cos n θ · cos n β, sen n θ · cos n β, sen nβ) (1.33)

desde que: cos β ≥ 0, cos 2β ≥ 0, . . . , cos(n − 1)β ≥ 0.


Prova: Princı́pio da Indução Finita. Para n = 2, a proposição é verdadeira
(devido à prop. 6).
Admitamos a validade da proposição para n = k − 1:

wk−1 = ρk−1 cos(k − 1) θ ·cos(k − 1) β, sen (k − 1) θ ·cos(k − 1) β, sen (k − 1) β

onde, cos β ≥ 0, cos 2β ≥ 0, . . . , cos (k − 1) − 1 β ≥ 0.
E provemos que vale para n = k:
 
wk = wk−1 · w = ρk−1 cos(k − 1) θ · cos(k − 1) β, sen (k − 1) θ · cos(k − 1) β, sen (k − 1) β

· ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β)

Pela proposição 6 podemos escrever:


  
wk = (ρk−1 · ρ ) cos (k − 1) θ + θ · cos (k − 1) β + β ,
  
sen (k − 1) θ + θ · cos (k − 1) β + β , sen (k − 1) β + β

= ρk (cos k θ · cos k β, sen k θ · cos k β, sen kβ)

A fórmula (1.33) vale, por exemplo, para


π π π π
− ≤ (n − 1) β ≤ ⇔ − ≤ β ≤ (1.34)
2 2 2(n − 1) 2(n − 1)


Gentil 39

1.9 Forma polar


As proposições 6 (pág. 33) e 7 nos permitem adotar uma outra notação
para os números hipercomplexos: a forma polar, assim designada,

w=ρ θ β

Exemplos: Exprimir os seguintes números na forma polar:


√ √
a) i b) j c) −1 d) 1 e) 1 + 3 i f) (1, −1, − 2).
Solução: Lembramos que,
p x y z
ρ = x2 + y 2 + z 2 , cos θ · cos β = , sen θ · cos β = , sen β = .
ρ ρ ρ
Temos,

a) i = (0, 1, 0), ρ = 02 + 12 + 02 = 1, temos
z 0
sen β = = = 0 ⇒ β = 0o (−90o ≤ β ≤ 90o )
ρ 1
0
cos θ · cos 0o = 1 =0 ⇒ cos θ = 0
⇒ θ = 90o (0o ≤ θ < 360o)
o 1
sen θ · cos 0 = 1 =1 ⇒ sen θ = 1

Sendo assim, temos: i = 1 90o 0o


b) j = (0, 0, 1), ρ = 02 + 02 + 12 = 1, temos
z 0
sen β = = = 0 ⇒ β = 0o
ρ 1
0
cos θ · cos 90o = 1 =0 ⇒ θ = indeterminado.
0
sen θ · cos 90o = 1 =0 ⇒ θ =indeterminado.

Escolhendo θ = 0o , obtemos: j = 1 0o 90o

p
c) −1 = (−1, 0, 0), ρ = (−1)2 + 02 + 02 = 1, temos

z 0
sen β = = = 0 ⇒ β = 0o
ρ 1
−1
cos θ · cos 0o = 1 = −1 ⇒ cos θ = −1
⇒ θ = 180o
o 0
sen θ · cos 0 = 1 =0 ⇒ sen θ = 0

Sendo assim, temos: −1=1 180o 0o


40

d) 1 = (1, 0, 0), ρ = 12 + 02 + 02 = 1, temos
z 0
sen β = = = 0 ⇒ β = 0o
ρ 1
1
cos θ · cos 0o = 1 =1 ⇒ cos θ = 1
⇒ θ = 0o
o 0
sen θ · cos 0 = 1 =0 ⇒ sen θ = 0

Sendo assim, temos: 1 = 1 0o 0o

√ √
e) 1 + 3 i = (1, 3, 0), ρ = 2, temos
z 0
sen β = = = 0 ⇒ β = 0o
ρ 2
1 1
cos θ · cos 0o = 2 ⇒ cos θ = 2
√ √
⇒ θ = 60o
3 3
sen θ · cos 0o = 2 ⇒ sen θ = 2


Sendo assim, temos: 1 + 3i = 2 60o 0o


f) (1, 1, − 2), ρ = 2, temos

z − 2
sen β = = ⇒ β = −45o
ρ 2
x 1 √1
cos θ · cos(−45o ) = ρ = 2 ⇒ cos θ = 2
⇒ θ = 45o
o y 1 √1
sen θ · cos(−45 ) = ρ = 2 ⇒ sen θ = 2


Sendo assim, temos: (1, 1, − 2) = 2 45o −45o

Multiplicação e divisão na forma polar


Para multiplicar ou dividir dois hipercomplexos na forma polar nos valemos
das proposições 6 (pág. 33) e 7, assim:
Dados, w1 = ρ1 θ1 β1 e w2 = ρ2 θ2 β2 , temos:
M) Multiplicação
w1 · w2 = ρ1 ρ2 θ1 +θ2 β1 +β2 (1.35)
D) Divisão
w1 ρ
= 1 θ1 −θ2 β1 −β2 (1.36)
w2 ρ2
Exemplos: Realizar na forma polar as seguintes operações:
( i+1 )2 j+1
2
a) (−1) · i b) (j + 1)2 c) (j − 1)2 d) ( j+1 )2 e) j−1

f) (i + j)2 g) (i − j)2 h) (j − i)2


Gentil 41

Solução:
a) Temos,

−1 = (−1, 0, 0) = 1 180o 0o

i = (0, 1, 0) = 1 90o 0o

Então,  
−1 · i = 1 180o 0o · 1 90o 0o =1 270o 0o

b) Temos,

j + 1 = (0, 0, 1) + (1, 0, 0) = (1, 0, 1) = 2 0o 45o

Então,
√  √ 
(j + 1)2 = (j + 1) · (j + 1) = 2 0o 45o · 2 0o 45o

Portanto,
(j + 1)2 = 2 0o 90o = 2j
Observe que,
(j + 1)2 = j 2 + 2j + 1

c) Temos,

j − 1 = (0, 0, 1) − (1, 0, 0) = (−1, 0, 1) = 2 180o 45o

Então,
√  √ 
(j − 1)2 = (j − 1) · (j − 1) = 2 180o 45o · 2 180o 45o

Portanto,
(j − 1)2 = 2 360o 90o = 2j
Observe que,
(j − 1)2 = j 2 − 2j + 1
Ou ainda,
(j + 1)2 = (j − 1)2
√ √
d) i + 1 = 2 45o 0o , j + 1 = 2 0o 45o . Temos

(i + 1)2
= 2
90o 0o 2
= 2
90o −0o 0o −90o =1 90o −90o = −j
(j + 1)2 2 0o 90o

√ √
e) j + 1 = 2 0o 45o , j−1= 2 180o 45o . Então,

j+1
= √2
0o 45o
=1 −180o 0o = −1
j−1 2 180o 45o
42

Sendo assim, temos


 j + 1 2  
= 1 −180o 0o · 1 −180o 0o =1 −360o 0o =1
j−1

f) (i + j)2 = (i + j) · (i + j), temos



i + j = (0, 1, 0) + (0, 0, 1) = (0, 1, 1) = 2 90o 45o

Então,
√ √
(i + j)2 = ( 2 90o 45o ) ·( 2 90o 45o ) =2 180o 90o = 2 0o 90o = 2j
2 2 2
Observe que, (i + j) 6= i + 2 i j + j . De fato,

i2 + 2 i j + j 2 = −1 + 2 i j − 1 = −2 + 2j

Este fenômeno também ocorre na álgebra de matrizes. Lá o produto é


distributivo, mas não comutativo; aqui é comutativo, mas não distributivo.
g) (i − j)2 = (i − j) · (i − j), temos

i − j = (0, 1, 0) + (0, 0, −1) = (0, 1, −1) = 2 90o −45o

Então,

√ √
(i − j)2 = ( 2 90o −45o ) ·( 2 90o −45o )

=2 180o −90o =2 0o −90o = −2j

Observe que, (i − j)2 6= i2 − 2 i j + j 2 . De fato,

i2 − 2 i j + j 2 = −1 − 2 i j − 1 = −2 − 2j

h) (j − i)2 = (j − i) · (j − i), temos



j − i = (0, 0, 1) − (0, 1, 0) = (0, −1, 1) = 2 −90o 45o

Então,

√ √
(j − i)2 = ( 2 −90o 45o ) ·( 2 −90o 45o)

=2 −180o 90o = 2 0o 90o = 2j

Observe que (i − j)2 6= (j − i)2 .


Gentil 43

Transformação de coordenadas
As calculadoras cientı́ficas trazem as transformações de coordenadas re-
tangular para polar (e vice-versa). Estas transformações podem ser aplicadas
ao plano complexo:
(r, θ) → (x, y) (x, y) → (r, θ)
8 8

y
<x
>
= r cos θ <θ
>
> = tg−1 (y/x)
(x, y)
q r :y = r sen θ
> p
:r = x2 + y 2
>
>

0 p
x

Para o caso dos números hipercomplexos, o ângulo θ é o mesmo for-


necido pelas calculadoras; o módulo ( ρ ) e ângulo β são obtidos da seguinte
forma:

z
8

>
> = tg−1 (z/r)
(x, y, z) p
ρ :ρ =
>
>
x2 + y 2 + z 2
y
0 Y
β
θ r
x

Dado um número na forma polar, a transformação para a forma retan-


gular é obtida da seguinte forma:


 x = ρ cos θ cos β

w=ρ θ β ⇒ y = ρ sen θ cos β (1.37)



z = ρ sen β

Na verdade existem calculadoras (HP por exemplo) que já trazem estas
transformações no espaço (coordenadas esféricas).
No apêndice (pág. 147) damos um programa para a transformação de
coordenadas retangulares para polares.

Importante!
Dado um hipercomplexo w = ρ θ β com argumento (θ, β) podemos
(para efeito de cálculos, quando necessário) usar o programa citado acima para
escrevê-lo como w = ρ θ0 β0 em função do argumento principal (θ0 , β0 ).
Por exemplo, seja o hipercomplexo w = 1 45o 120o para escrevê-lo em
função do argumento principal vamos, antes, transformá-lo para coordenadas
44

retangulares, assim:


 x = 1 cos 45o cos 120o

w=1 45o 120o ⇒ y = 1 sen 45o cos 120o


z = 1 sen 120o

Levando os valores,
√ √ √
2 2 3
x=− 4 , y=− 4 , z=− 2

no programa, obtemos w = 1 225o 60o , portanto, podemos escrever

1 45o 120o =1 225o 60o

Observe a localização de w:
Z

Nota: Óbviamente que podemos escrever w em função do argumento prin-


cipal, diretamente (isto é, sem passar pelas coordenadas retangulares), assim:

1 45o 120o =1 180o +45o 180o −120o

=1 225o 60o

A versão da lei de De Moivre em coordenadas polares fica assim,

Proposição 12 (De Moivre). Dados o hipercomplexo w = ρ θ β , não nulo,


e o natural n ≥ 2, temos:
wn = ρn nθ nβ (1.38)
desde que: cos β ≥ 0, cos 2β ≥ 0, . . . , cos(n − 1)β ≥ 0.
√ √ 
Exemplo: Seja o número w = 26 , 26 , 1 , calcule w5 .
π π
Solução: Escrevendo este número em coordenadas polares temos w = 2 4 6 .
Substituindo β = π6 na desigualdade (1.34), temos

π π π
− 2(n−1) ≤ 6 ≤ 2(n−1) ⇒ n ≤ 4.

Isto significa que pela fórmula de De Moivre podemos calcular só até a quarta
potência. Então,
π π 2π
w4 = 24 4· 4 4· 6 = 16 π 3
Gentil 45

Observe que cos 2π o


3 = cos 120 < 0, razão porque não pudemos calcular w
5

diretamente por (1.38). Mas, isto não constitui nenhum empecilho uma vez que
podemos reescrever w4 em função do argumento principal, assim:
2π π
w4 = 16 π 3 = 16 π+π π− 2π
3 = 16 0 3

Observe que, θ = 2π ≃ 0. Pois bem,


π π π
w5 = w4 · w = 16 0 3 ·2 4 6

0+ π π π
3+6
π π
= 16 · 2 4 = 32 4 2

Voltando para a forma retangular, obtemos (ver (4.3), pág. 139)




 x = 32 cos π4 cos π2 = 0
π π

w5 = 32 4 2 ⇒ y = 32 sen π4 cos π2 = 0


z = 32 sen π2 = 32

Portanto, √ √ 5
6 6
2 , 2 , 1 = (0, 0, 32)
Ou ainda, √ √ 5
6 6
2 +i 2 +j = 32j

1.9.1 Interpretação geométrica da multiplicação hipercom-


plexa
Agora iremos dar uma interpretação geométrica ao produto hipercomplexo.
No caso particular dos complexos ( plano - C ) e dos hipercomplexos bidimen-
sionais ( plano H − 2D ) já sabemos o que acontece ( ver [5] ).
Adotaremos a seguinte notação:

j (2) w = j j w ⇒ j (2) w = j (j w )

j (3) w = j j j w ⇒ j (3) w = j j (j w )
················ ··· ·····················

Antes de mais nada observamos, pela multiplicação na forma polar, que a


interpretação geométrica desta operação é a de uma rotação∗ no espaço; entre-
tanto vejamos algumas situações particulares:
I ) Multiplicação de j por um número complexo z = (x, y, 0). Temos
1·0·y
 p
(0, 0, 1) · (x, y, 0) = − 1·0·x
r , − r , 1 · r2 = (0, 0, x2 + y 2 )
2 2

Portanto,
j · z = ( 0, 0, |z| )
Observe que se |z| = 1 (cı́rculo unitário no plano complexo) então j · z = j.
Conclusão: multiplicar j por um número complexo significa rotacioná-lo de 90o
na “vertical”, assim:
∗ Numa rotação não há alteração de módulo; cometeremos um abuso de linguagem igno-

rando este pormenor.


46

Z Z

Plano C Plano C
jz

j
Y Y

z z

R R

II ) Multiplicação de j por um número hipercomplexo w = (x, y, z). Temos

π π π
j = 1 · (cos 0 · cos , sen 0 · cos , sen )
2 2 2
w = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β)

Então,
 π π π 
jw = ρ cos θ · cos β + , sen θ · cos β + , sen β +
2 2 2

Conclusão: multiplicar j por um número hipercomplexo significa rotacioná-lo


de 90o “para cima”, assim:
Z
jw
Z

w
j
Y Y

X X

Nota: Óbviamente que o caso anterior ( jz ) é um caso particular deste ( jw ).


Dado w = (x, y, z) ∈ H, desejamos agora analisar o produto j ( 2 ) w, em
Gentil 47

coordenadas retangulares. Então∗,

jw = (0, 0, 1) · (x, y, z)
 
= − 1·z·x
r2 , − 1·z·y
r , r2 = − xz
r2 , − yz
r , r2
2 2

p
onde, r2 = x2 + y 2 . Observe que a aplicação,
p 
(x, y, z) 7−→ − √ xz , − √ yz , x2 + y 2
2x +y 2 2 x +y 2

é uma rotação de 90o no plano que passa pelo eixo Oz e o ponto w. Continuando,
yz

j ( 2 ) w = (0, 0, 1) · − xz
r , − r , r2 2 2

 1·r2 · −xz 1·r2 · −yz 


r r
= − r2′
2
,− r2′
2
, 1 · r2′

onde, q
xz
2 yz
2
r2′ = − r2 + − r2 = |z|

Sendo assim, resulta,  xz yz 


j (2) w = , , |z|
|z| |z|
Ou ainda,
(
(2)
 xz yz  w, se z > 0;
j w= , , |z| =
|z| |z| −w, se z < 0.

III ) Multiplicação de um complexo z por um hipercomplexo w. Temos∗

z = (cos θ1 · cos 0, sen θ1 · cos 0, sen 0)

w2 = ρ2 (cos θ2 · cos β2 , sen θ2 · cos β2 , sen β2 )

Então,
   
zw = ρ2 cos θ1 + θ2 · cos β2 , sen θ1 + θ2 · cos β2 , sen β2

Conclusão: multiplicar um número complexo z por um hipercomplexo w sig-


nifica rotacionar w de θ1 graus “para a direita”; não há rotação “para cima”,
assim:

∗ Para nossa análise vamos considerar w um hipercomplexo não-singular.


∗ Para nossa análise vamos considerar o complexo de módulo unitário, não faz mal.
48

Z Z

zw

w w

Y Y

z
θ1

X X

Vejamos esta multiplicação em coordenadas retangulares. Sejam, z =


(cos θ, sen θ, 0) e w = (x, y, z). Temos,

zw = (cos θ, sen θ, 0) · (x, y, z)



= (x cos θ − y sen θ) γ, (y cos θ + x sen θ) γ, 0 · r2 + z · r1
√ p
onde, r1 = cos2 θ + sen 2 θ = 1, r2 = x2 + y 2 e γ = 1. Então,

zw = x cos θ − y sen θ, y cos θ + x sen θ, z

O que confirma o resultado anterior.


IV ) Multiplicação e divisão de dois hipercomplexos.
Para interpretar o produto w1 · w2 , convencionaremos chamar o fator à
direita (isto é, w2 ) de indutor e o fator à esquerda de induzido.
Quando, na forma trigonométrica (ou polar) do produto (ou quociente)
comparece a soma θ1 + θ2 dizemos que houve uma rotação positiva na pri-
meira variável (variável θ); em θ1 − θ2 dizemos que houve uma rotação negativa;
análogamente com respeito à segunda variável ( β ).
A partir das proposições 6 e 7, pág. 33, (ou suas similares pág. 40)
não é difı́cil inferir o significado geométrico destas operações. Por exemplo, a
multiplicação,

w1 · w2 = ρ1 ρ2 cos(θ1 + θ2 ) · cos(β1 + β2 ), sen (θ1 + θ2 ) · cos(β1 + β2 ), sen (β1 + β2 )

pode ser interpretada da seguinte forma: o número w1 sofreu uma rotação


( +, + ) de argumento ( θ2 , β2 ). A divisão,
w1 ρ
= 1 θ1 −θ2 β1 −β2
w2 ρ2

pode ser interpretada da seguinte forma: o número w1 sofreu uma rotação


( −, − ) de argumento ( θ2 , β2 ).
Exemplos: Vejamos um exemplo concreto: multiplicar os números,

w1 = 1 30o 45o , w2 = 1 225o 60o


Gentil 49

Temos,
w1 · w2 = 1 · 1 30o +225o 45o +60o =1 255o 105o

Podemos interpretar este produto dizendo que w1 sofre uma rotação ( +, + )


de argumento ( 225o , 60o ). Graficamente, temos

Z Z

w2 w2
w1 ·w2

Y Y

X X

Temos,
w1 · w2 = 1 255o 105o =1 75o 75o
√ √ √ 
Vejamos um exemplo envolvendo divisão: No hipercomplexo 22 , 6
2 , 2
dar uma rotação (−, −) de argumento (90o , 60o ).
Solução: Por (1.36) (pág. 40), devemos realizar a seguinte divisão:
√ √ √ 
2 6
w1 2 , 2 , 2
=
w2 1 90o 60o
Temos duas alternativas para esta divisão: em coordenadas polares ou
em coordenadas retangulares. Façamos das duas formas:
a) Forma Polar. Temos

w1
= 2
60o 45o
=2 60o −90o 45o −60o =2 −30o −15o
w2 1 90o 60o

b) Forma retangular. Temos



2

6
√ 
w1 2 , 2 , 2 √ √ √  √ 
= √  = 2 6
2 , 2 , 2 · 0, − 12 , − 2
3

w2 0, 1
2, 2
3

Realizando este produto encontramos,


 √ √ √ √ √ √ 
w1
= (1+ 43 )· 6 , − (1+ 43 )· 2 , − 6−
2
2
w2

Podemos usar o programa dado no apêndice para transformar este número


para a forma polar, então
 √ √ √ √ √ √ 
(1+ 3 )· 6
4 , − (1+ 43 )· 2 , − 6−
2
2
= 2 −30o −15o

Geometricamente, temos
50

Z Z

w2 w2
w1 w1

Y Y

w
1
w2

Temos,
 √ √ √ √ √ √ 
(1+ 3 )· 6
4 , − (1+ 3 )· 2
4 , − 6− 2
2 ≃ (1, 673; −0, 966; −0, 518)

Rotação em torno da origem

Segundo a proposição 6 (pág. 33) se multiplicarmos o número


w1 = 1 · (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β) pelo ponto (número) w = (x, y, z)
obteremos uma rotação, deste último, de um ângulo (θ, β). Para atender a
referida proposição basta escolher − π2 ≤ β ≤ π2 (isto é, cos β ≥ 0).
Para obter a rotação - de argumento (θ, β) - de um ponto w = (x, y, z),
em torno da origem, devemos realizar o produto:

(cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β) · (x, y, z)

Vamos calcular este produto para o caso especial em que,


p π
r1 = (cos θ · cos β)2 + ( sen θ · cos β)2 = | cos β| = cos β 6= 0 ⇒ β 6= ± .
2

e w fora do eixo Oz. Sendo assim, multiplicamos em (D4 ):



(x·cos θ·cos β−y· sen θ·cos β)γ, (y·cos θ·cos β+x· sen θ·cos β)γ, sen β·r2 +z·cos β
p z√
sen β z
Onde, r2 = x2 + y 2 e γ = 1 − , isto é, γ = 1 − √ tg β.
cos β x2 +y 2 x2 +y 2
Façamos,

x′ =(x cos θ cos β − y sen θ cos β) γ


y ′ =(y cos θ cos β + x sen θ cos β) γ
p
z ′ = x2 + y 2 · sen β + z · cos β

Exemplos:
a ) Rotacione w = ( 1, 0, 0 ) de um ângulo (45o , 45o ).
Gentil 51

Temos,

1
x′ =(1 cos 45o cos 45o − 0 sen 45o cos 45o ) · 1 =
2
1
y ′ =(0 cos 45o cos 45o + 1 sen 45o cos 45o ) · 1 =
2

p 2
z ′ = 12 + 02 · sen 45o + 0 · cos 45o =
2

Observe que,
q 2 2 √ 2
1 1 2
|w′ | = 2 + 2 + 2 = 1 = |w|

b ) Rotacione w = ( 1, −1, 2 ) de um ângulo (135o , −30o ).


Temos,

 √ 
′ o o 6 o o
x =(1 cos 135 cos −30 − (−1) sen 135 cos −30 ) · 1 +
3
 √ 
6
y ′ =(−1 cos 135o cos −30o + 1 sen 135o cos −30o ) · 1 +
3
p
z ′ = 12 + (−1)2 · sen − 30o + 2 · cos −30o

Então,

 √ √ √ √   √ 
′ 2 3 2 3 6
x = 1 − +1 · 1+ =0
2 2 2 2 3
 √ √ √ √   √  √
′ 2 3 2 3 6 6
y = −1 − +1 · 1+ =1+
2 2 2 2 3 2
√ √
√ 1 3 √ 2
z′ = 2 · − +2· = 3−
2 2 2

Observe que,
q √
6
2 √ √
2
2 √
|w′ | = 02 + 1 + 2 + 3− 2 = 6 = |w|

Geometricamente, os exemplos anteriores ficam

Z Z

w
w′

w′
Y Y

X X
52

c ) Na figura a seguir, rotacionamos o triângulo de vértices,


1   
( 1 ): , 0, 0 , ( 2 ) : 1, 0, 0 , ( 3 ) : 1, 0, 1
2

Z Z Z

( 3 )′

(3)
( 2 )′
(3) (3)
( 1 )′
Y Y Y
(1) (2)
(1) (1)

(2) (2)

X X X

de um ângulo (90o , 45o ).


Na figura do centro temos o triângulo original rotacionado de θ = 90o e
β = 0o (triângulo “intermediário”).
Calculemos as coordenadas de cada um dos vértices do triângulo rotacio-
nado.

Vértice: ( 1 )′ . Temos ( 1 ) : 21 , 0, 0 . Então,

x′ = 21 cos 90o cos 45o − 0 sen 90o cos 45o · 1 = 0
 √
y ′ = 0 cos 90o cos 45o + 21 sen 90o cos 45o · 1 = 42
q √
z ′ = ( 12 )2 + 02 · sen 45o + 0 · cos 45o = 42
√ √ 
2 2
Então, ( 1 )′ : 0, 4 , 4 .

Vértice: ( 2 )′ . Temos ( 2 ) : 1, 0, 0 . Então,

x′ = 1 cos 90o cos 45o − 0 sen 90o cos 45o · 1 = 0
 √
y ′ = 0 cos 90o cos 45o + 1 sen 90o cos 45o · 1 = 22
√ √
z ′ = 12 + 02 · sen 45o + 0 · cos 45o = 22
√ √ 
Então, ( 2 )′ : 0, 22 , 22 .

Vértice: ( 3 )′ . Temos ( 3 ) : 1, 0, 1 . Então,

x′ = 1 cos 90o cos 45o − 0 sen 90o cos 45o · 0 = 0

y ′ = 0 cos 90o cos 45o + 1 sen 90o cos 45o · 0 = 0
√ √
z ′ = 12 + 02 · sen 45o + 1 · cos 45o = 2
√ 
Então, ( 2 )′ : 0, 0, 2 .
Gentil 53

Porque a multiplicação em R3 não poderia ser associativa


Daremos agora uma justificativa - geométrica - pela qual não se deve-
ria esperar uma multiplicação em R3 associativa. Assumiremos, únicamente,
que uma tal multiplicação, como ocorre em R2 , resulta em uma rotação. Va-
mos retomar o exemplo 4o ), pág. 10. Neste exemplo resolvemos a equação:
(1, −1, 2) · w = (1, 0, 3) e mostramos que a mesma tem duas soluções,
 1 + 3 √2 1 + 3 √2 −2 + 3 √2 

w = , , = 1, 29 45, 00o 16, 83o
6 6 6
e
 1 − 3 √2 1 − 3 √2 2 + 3 √2 
′′
w = , , = 1, 29 225, 00o 53, 70o
6 6 6
Isto significa que podemos ir do ponto a = (1, −1, 2) ao ponto b = (1, 0, 3) (ou
ainda: superpor o ponto a ao ponto b) por dois “caminhos” distintos; caminhos
estes dados por w′ e w′′ . Isto podemos ver no gráfico seguinte,
R
b

E o que aconteceria se tivéssemos resolvido a equação a · w = b supondo a


multiplicação associativa? Isto é,

a · w = b ⇔ a−1 · (a · w) = a−1 · b ⇔ w = a−1 · b

Temos,
 1 1 −2   1 1 −2 
a−1 = , , ⇒ w= , , · (1, 0, 3) = 1, 29 45, 00o 16, 83o
6 6 6 6 6 6
Uma única solução. Ou seja, estariamos perdendo “informação”. Ou ainda: se
a multiplicação fosse associativa, isto não refletiria a “realidade” ; isto é, o fato
de podermos ir de a para b por dois caminhos distintos.
De outro modo: No plano a equação a·w = b tem apenas uma solução por-
que temos uma única alternativa de irmos de a para b através de uma rotação;
agora com uma dimensão a mais (isto é, saindo do plano para o espaço) se
nos apresenta mais um caminho; isto se deve, como já vimos, ao fato de a
multiplicação não ser associativa. Ou melhor: isto vai se refletir na não associ-
atividade da multiplicação.
54

Porque a multiplicação em R3 não poderia ser distributiva


Para justificar porque o “natural” é que a multiplicação em R3 não seja
distributiva, podemos tecer comentários análogos ao do caso anterior, só que
agora invocando o problema clássico resolvido à pág. 30. De fato, vamos resolver
este problema aplicando a distributividade na equação (1.25) (pág. 31), assim

10x′ + x′ · (−x′ ) = 40

Temos,

x′ · (−x′ ) = (x, y, z) · (−x, −y, −z)



= (−x2 + y 2 )γ, (−xy − xy)γ, zr2 + (−z)r1
p p z·(−z) z2
onde, r1 = x2 + y 2 , r2 = (−x)2 + (−y)2 , γ = 1 − r1 ·r2 =1+ x2 +y 2 .
Portanto,

x′ · (−x′ ) = (−x2 + y 2 )γ, −2xyγ, 0
10x′ = (10x, 10y, 10z)

Sendo assim, resulta



10x′ + x′ · (−x′ ) = 10x + (−x2 + y 2 )γ, 10y − 2xyγ, 10z = (40, 0, 0)

Portanto,



 10x + (−x2 + y 2 )γ = 40




 10y − 2xyγ = 0




 10z = 0

Temos, z√ = 0 ⇒ γ = 1. √Prosseguindo, encontramos uma única solução:


x′ = (5, 15, 0) e y ′ = (5, − 15, 0); que é a solução complexa.
Conclusão: Estamos perdendo infinitas soluções; ou ainda: a distributivi-
dade nos “esconde” a “maioria” das soluções.
Vê-se, nestes exemplos, que a multiplicação não ser associativa e nem dis-
tributiva, redunda em vantagens.
Gentil 55

1.10 Radiciação
Definição 9.√Dado um número hipercomplexo w, chama-se raiz enésima de w,
e denota-se, n w, a um número hipercomplexo wk tal que wkn = w. Então,


n
w = wk ⇐⇒ wkn = w
Exemplos: Calcular,
√ √ √ √ √ √
a) 1 b) −1 c) j d) 1+i+j e) 1−j f) 4
1+i+j

Solução: a) Pela definição, temos



1 = (x, y, z) = w ⇔ (x, y, z)2 = 1.

Para resolver esta equação temos duas alternativas:


p
1a ) r = x2 + y 2 = 0 (x = y = 0), sendo assim, pelo lema 1 (pág. 35), resulta,

w2 = (−z 2 , 0, 0) = (1, 0, 0) ⇒ −z 2 = 1 ⇒ z 2 = −1.

Esta possibilidade está descartada, porquanto z é real.


p
2a ) r = x2 + y 2 6= 0. Pelo lema 1 devemos ter,
 z2  z2  p 
w2 = (x2 − y 2 ) · 1 − , 2xy· 1− 2 , 2z x2 + y 2 = (1, 0, 0)
x2 +y 2 x +y 2

De imediato concluimos que z = 0, no que resulta:


(
x2 − y 2 = 1
xy = 0

Da segunda equação concluimos que x = 0 ou y = 0, da primeira equação


concluimos que x 6= 0; portanto y = 0. Resultando, x = ± 1. Portanto, são em
número de duas as raı́zes quadradas de 1:
√ √
1 = (1, 0, 0) ⇒ 1 = 1.
√ √
1 = (−1, 0, 0) ⇒ 1 = −1.

b) Por definição de raiz quadrada, temos



−1 = (x, y, z) = w ⇔ (x, y, z)2 = −1.

Para resolver esta equação temos duas alternativas:


p
1a ) r = x2 + y 2 = 0 (x = y = 0), sendo assim, pelo lema 1, resulta,

w2 = (−z 2 , 0, 0) = (−1, 0, 0) ⇒ −z 2 = −1 ⇒ z 2 = 1 ⇒ z = ± 1.

Neste caso, temos duas raı́zes quadradas de -1: (0, 0, 1) = j e (0, 0, −1) = −j.
p
2a ) r = x2 + y 2 6= 0. Pelo lema 1 devemos ter,
 z2  z2  p 
w2 = (x2 −y 2 )· 1− , 2 x y · 1− , 2z x2 + y2 = (−1, 0, 0)
x2 + y 2 x2 + y 2
56

De imediato concluimos que z = 0, no que resulta:


(
x2 − y 2 = −1
xy = 0

Da segunda equação concluimos que x = 0 ou y = 0, da primeira equação


concluimos que y 6= 0; portanto x = 0. Resultando, y = ± 1. Portanto, temos
mais duas raı́zes quadradas de -1:
√ √
−1 = (0, 1, 0) ⇒ 1 = i.
√ √
−1 = (0, −1, 0) ⇒ 1 = −i.

Resumindo, temos quatro valores para −1, quais sejam:
√ √
−1 = ± i, −1 = ± j.

c) Por definição de raiz quadrada, temos


p
j = (x, y, z) = w ⇔ (x, y, z)2 = j.

Para resolver esta equação temos duas alternativas:


p
1a ) r = x2 + y 2 = 0 (x = y = 0), sendo assim, pelo lema 1, resulta,

w2 = (−z 2 , 0, 0) = (0, 0, 1)

Está possibilidade está excluida.


p
2a ) r = x2 + y 2 6= 0 (x 6= 0 ou y 6= 0). Pelo lema 1 devemos ter,
 z2  z2  p 
w2 = (x2 − y 2 ) · 1 − , 2 x y · 1 − , 2z x2 + y2 = (0, 0, 1)
x2 + y 2 x2 + y 2
Sendo assim, temos:

 z2 

 (x2 − y 2 ) · 1 − 2 =0


 x + y2




z2 
2x y · 1 − 2 =0 (1.39)


 x + y2



 p

 2z x2 + y 2 = 1

Desta última equação concluimos que z > 0 (nenhum número complexo pode
ser raiz de j; óbviamente porquanto o produto de dois complexos sempre dá um
outro complexo).
2 
Analisando este sistema concluimos que devemos ter 1 − x2z+y2 = 0. De
fato, se isto não fosse verdade a primeira e segunda equações se transformariam
em |x| = |y| e x · y = 0; donde x = y = 0, o que contradiz a última equação do
sistema.

Portanto, x2 + y 2 = z 2 . Este resultado na terceira equação nos fornece
2
z = 2 . Então, x2 + y 2 = 12 .
Gentil 57

Observe que podemos reescrever as duas primeiras equações do sistema


como:

 (x2 − y 2 ) · 0 = 0


 2x y · 0 = 0 (1.40)

O que nos diz que x e y são indeterminados.


Conclusão: as raı́zes quadradas de j são em número infinito.
√ √
2
Observe que os afixos de j, estão sobre um cı́rculo de raio 2 e a uma

altura z = 22 .

z z
j
ւ √
x j

y ) β=45o y

x x

Nota: Como teremos oportunidade de ver, somente para pontos sobre o eixo
z (isto é, pontos da forma (0, 0, z)) é que teremos infinitas raı́zes quadradas,
nos demais casos teremos no máximo quatro raı́zes (quadradas).
d) Para calcular as raı́zes quadradas de 1 + i + j = (1, 1, 1), consideremos,
p
1 + i + j = (x, y, z) = w ⇔ (x, y, z)2 = 1 + i + j.

Para resolver esta equação temos duas alternativas (lema 1, pág. 35):
p
1a ) r = x2 + y 2 = 0 (x = y = 0), sendo assim, pelo lema, resulta,

w2 = (−z 2 , 0, 0) = (1, 1, 1)

Está possibilidade está excluida.


p
2a ) r = x2 + y 2 6= 0 (x 6= 0 ou y 6= 0). Pelo lema devemos ter,
 z2  z2  p 
w2 = (x2 − y 2 ) · 1 − , 2xy· 1− 2 , 2z x2 + y 2 = (1, 1, 1)
x2 +y 2 x +y 2

Sendo assim, temos:



 z2 

 (x2 − y 2 ) · 1 − 2 =1



 x + y2



z2 
2x y · 1 − 2 =1 (1.41)


 x + y2



 p


 2z x2 + y 2 = 1

Resolver este sistema diretamente não nos parece a saı́da mais acertada.
Vamos resolvê-lo indiretamente: escrevamos w na forma trigométrica, isto é:
58

w = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β), com − π2 < β < π


2. Para β neste
intervalo temos

w2 = ρ2 (cos 2θ · cos 2β, sen 2θ · cos 2β, sen 2β)

Igualando w2 a (1, 1, 1), resulta no seguinte sistema:



 ρ2 cos 2θ · cos 2β = 1

 (1.42)


ρ2 sen 2θ · cos 2β = 1 (1.43)




 ρ2 sen 2β = 1 (1.44)

Inicialmente observamos que, nesta última equação devemos ter sen 2β > 0.
Como assumimos − π2 < β < π2 segue que, −π < 2β < π; logo, para satisfazer
(1.44), devemos ter 0 < 2β < π. Ou ainda,
π
0< β < (1.45)
2
Uma primeira conclusão é que todas as raı́zes procuradas encontram-se no semi-
espaço z > 0.
Pois bem, dividindo (1.43) por (1.42), obtemos: tg 2θ = 1. Da trigonome-
tria temos,
tg β = tg α ⇒ β = α + kπ, k ∈ Z
Sendo assim, temos
π π
tg 2θ = tg ⇒ 2θ = + kπ, k ∈ Z
4 4

Vamos impor a restrição 0 ≤ θ < 2π, ou ainda, 0 ≤ 2θ < 4π, para obter,
π
0≤ + kπ < 4π ⇒ k = 0, 1, 2, 3.
4
Portanto,  π

k = 0: 2θ = 4



 5π
π k = 1 : 2θ = 4
2θ = + kπ ⇒
4 
k = 2: 2θ = 9π

 4


 13π
k = 3: 2θ = 4

Temos as seguintes possibilidades:


P0 : Substituindo 2θ = π4 nas equações (1.42) e (1.43), obtemos
( ( √
ρ2 cos π4 · cos 2β = 1 ρ2 cos 2β = 2
⇒ √
ρ2 sen π4 · cos 2β = 1 ρ2 cos 2β = 2

Juntamos uma destas equações com (1.44) para obter,


( 2 √
ρ cos 2β = 2 1
⇒ tg 2β = √
2
ρ sen 2β = 1 2
Gentil 59

Temos,

√ 3
1 ⇒ 1
) 2β ⊡ ) 2β ⊡
√ √
2 2

Deste último triângulo tiramos,



6
cos 2β = (1.46)
3

Voltando com este resultado no último sistema obtemos ρ = 4 3.
Observe que para obtermos a raiz w0 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β),
precisamos dos senos e cossenos dos arcos θ e β. Para isto vamos utilizar as
seguintes identidades trigonométricas:
r r
x 1 − cos x x 1 + cos x
sen = ± ; cos = ±
2 2 2 2

As quais, para os nossos propósitos se transformam em,


r r
1 − cos 2λ 1 + cos 2λ
sen λ = ± ; cos λ = ± (1.47)
2 2

Substituindo (1.46) em (1.47), obtemos


s s
√ √
3− 6 3+ 6
sen β = ± ; cos β = ±
6 6
Como escolher os sinais? Usando (1.45), optamos pelos sinais positivos.
Temos ainda, √
π 2
2θ = ⇒ cos 2θ =
4 2
Utilizando (1.47), temos
s √
s √
2
1− 2 1 + 22
sen θ = ; cos θ =
2 2
Finalmente podemos escrever a primeira raiz como,

w0 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β)


p 
√ s √ p √ s √ s √
√4 2+ 2 3+ 6 2− 2 3+ 6 3− 6 
= 3 · , · ,
2 6 2 6 6

P1 : Substituindo 2θ = 5π
4 nas equações (1.42) e (1.43), obtemos
(√ √
3 cos 5π
4 · cos 2β = 1 6
√ ⇒ cos 2β = −

3 sen 4 · cos 2β = 1 3
60

Procedendo como no caso anterior, obtemos


s √ s √
3+ 6 3− 6
sen β = ; cos β =
6 6
Temos ainda, √
5π 2
2θ = ⇒ cos 2θ = −
4 2
Utilizando (1.47), temos
s √
s √
2 2
1+ 2 1− 2
sen θ = ; cos θ = −
2 2
Finalmente podemos escrever a segunda raiz como,
w1 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β)
 p 
√ s √ p √ s √ s √
√4 2 − 2 3 − 6 2 + 2 3 − 6 3 + 6
= 3 − · , · , 
2 6 2 6 6

P2 : Substituindo 2θ = 9π
4 nas equações (1.42) e (1.43), obtemos
(√ √
3 cos 9π
4 · cos 2β = 1 6
√ ⇒ cos 2β =

3 sen 4 · cos 2β = 1 3

Procedendo como no caso anterior, obtemos


s s
√ √
3− 6 3+ 6
sen β = ; cos β =
6 6
Temos ainda, ( √
2
9π sen 2θ = 2
2θ = ⇒ √
4 cos 2θ = 2
2
Utilizando (1.47), temos
s √
s √
2 2
1− 2 1+ 2
sen θ = − ; cos θ = −
2 2
Finalmente podemos escrever a terceira raiz como,
w2 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β)
 p s s s 
√ √ p √ √ √
√4 2 + 2 3 + 6 2 − 2 3 + 6 3 − 6
= 3 − · ,− · , 
2 6 2 6 6

P3 : Substituindo 2θ = 13π
4 nas equações (1.42) e (1.43), obtemos
(√ √
3 cos 13π
4 · cos 2β = 1 6
√ ⇒ cos 2β = −
13π
3 sen 4 · cos 2β = 1 3
Gentil 61

Procedendo como no caso anterior, obtemos


s s
√ √
3+ 6 3− 6
sen β = ; cos β =
6 6
Temos ainda, √
5π 2
2θ = ⇒ cos 2θ = −
4 2
Utilizando (1.47), temos
s √
s √
2 2
1+ 2 1− 2
sen θ = − ; cos θ =
2 2
Finalmente podemos escrever a quarta raiz como,
w3 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β)
p 
√ s √ p √ s √ s √
√4 2− 2 3− 6 2+ 2 3− 6 3+ 6 
= 3 · ,− · ,
2 6 2 6 6

Conclusão: são em número de quatro as raı́zes quadradas de (1, 1, 1), quais


sejam:  √ √ √ √ √ √
√ √ √ √ √ 
2+ 2 18+6 6 2− 2 18+6 6 18−6 6
w0 = 4 3 2 · 6 , 2 · 6 , 6


 √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ 
4 2− 2 18−6 6 2+ 2 18−6 6 18+6 6
w1 = 3 − 2 · 6 , 2 · 6 , 6


 √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ 
4 2+ 2 18+6 6 2− 2 18+6 6 18−6 6
w2 = 3 − 2 · 6 ,− 2 · 6 , 6

√ √ √ √ √ 

4

2− 2 18−6

6

2+ 2 18−6

6 18+6

6
w3 = 3 2 · 6 ,− 2 · 6 , 6

Enfatizamos que estas são as soluções do sistema 1.41 (pág. 57)


A seguir escrevemos estas raı́zes em coordenadas polares (com duas deci-
mais) e as plotamos no espaço:
Z
w0 = 1, 32 22,50o 17,63o

w1 = 1, 32 112,50o 72,37o

w2 = 1, 32 202,50o 17,63o
Y

w3 = 1, 32 292,50o 72,37o
X

Observamos que todas as raı́zes n−ésimas de um hipercomplexo w = (x, y, z)


estão, sempre, no mesmo semi-espaço de z (z > 0 ou z < 0), devido à proposição
9, pág. 35.
62

e) Vamos calcular as raı́zes quadradas de 1 − j = (1, 0, −1) por dois modos


distintos:
- Coordenadas retangulares:
Neste caso devemos resolver o sistema,


 2 2 z2 

 (x − y ) · 1 − =1



 x2 + y 2


z2 
 2x y · 1 − =0


 x2 + y 2



 p

 2z x2 + y 2 = −1

Da última equação observe que todas as raı́zes devem estar no semi-espaço z < 0.
2 
Da primeira equação concluimos que 1 − x2z+y2 6= 0. Da última equação
concluimos que z 6= 0 e que x e y não são simultâneamente nulos. Da segunda
equação concluimos que x = 0 ou y = 0 (nota: ou exclusivo).
Temos dois casos a considerar:
1o ) y = 0 (portanto x 6= 0). Neste caso o sistema se reduz a,

2
 x2 1 − z = 1


(1.48)
x2


 2 z |x| = −1 (1.49)

Tirando z na segunda equação e substituindo na primeira obtemos,


 1  1
x2 1 − = 1 ⇒ x4 − x2 − = 0
4 x4 4
√ √
Resolvendo esta equação obtemos x = ± 2 2 2+2 . Substituindo em (1.49) ob-
√ √
temos, z = − 2 2 2−2 .
2o ) x = 0 (portanto y 6= 0). Neste caso o sistema se reduz a,

 z2 
 y 2 1 − 2 = −1
 (1.50)
y


 2 z |y| = −1 (1.51)

Tirando z na segunda equação e substituindo na primeira obtemos,


 1  1
y2 1 − = −1 ⇒ y 4 + y 2 − = 0
4 y4 4
√ √
Resolvendo esta equação obtemos y = ± 2 2 2−2 . Substituindo em (1.51) ob-
√ √
temos, z = − 2 2 2+2 .
Gentil 63


Conclusão: Temos quatro valores para 1 − j, quais sejam:
√ √ √ √ 
2 2+2 2 2−2
w0 = 2 , 0, − 2
 √ √ √ √ 
2 2−2 2 2+2
w1 = 0, 2 , − 2
 √ √ √ √ 
2 2+2 2 2−2
w2 = − 2 , 0, − 2
 √ √ √ √ 
2 2−2 2 2+2
w3 = 0, − 2 , − 2

A seguir escrevemos estas raı́zes em coordenadas polares (com duas deci-


mais) e as plotamos no espaço.
Z
w0 = 1, 19 00,00o −22,50o

w1 = 1, 19 90,00o −67,50o

w2 = 1, 19 180,00o −22,50o
Y

w3 = 1, 19 270,00o −67,50o
X

- Coordenadas Esféricas:
Neste caso consideremos,

w2 = ρ2 (cos 2θ · cos 2β, sen 2θ · cos 2β, sen 2β)

Igualando w2 a (1, 0, −1), resulta no seguinte sistema:



ρ2 cos 2θ · cos 2β = 1



 (1.52)

 ρ2 sen 2θ · cos 2β = 0 (1.53)



 ρ2 sen 2β = −1 (1.54)

Inicialmente observamos que, nesta última equação devemos ter sen 2β < 0.
Como assumimos − π2 < β < π2 segue que, −π < 2β < π; logo, para satisfazer
(1.54), devemos ter −π < 2β < 0. Ou ainda,
π
− < β <0 (1.55)
2
Uma primeira conclusão é que todas as raı́zes procuradas encontram-se no semi-
espaço z < 0.
Pois bem, dividindo (1.53) por (1.52), obtemos: tg 2θ = 0. Da trigonome-
tria temos,
tg β = tg α ⇒ β = α + kπ, k ∈ Z
Sendo assim, temos

tg 2θ = tg 0 ⇒ 2θ = 0 + kπ, k ∈ Z
64

Vamos impor a restrição 0 ≤ θ < 2π, ou ainda, 0 ≤ 2θ < 4π, para obter,

0 ≤ kπ < 4π ⇒ k = 0, 1, 2, 3.

Portanto, 

 k = 0: 2θ = 0




k = 1 : 2θ = π
2θ = kπ ⇒


 k = 2: 2θ = 2π




k = 3: 2θ = 3π
Temos as seguintes possibilidades:
P0 : Substituindo 2θ = 0 nas equações (1.52) e (1.53), obtemos
( 2
ρ cos 0 · cos 2β = 1
⇒ ρ2 cos 2β = 1
2
ρ sen 0 · cos 2β = 0

Juntamos esta equação com (1.54) para obter,


( 2
ρ cos 2β = 1 π
⇒ tg 2β = −1 ⇒ 2β = −
ρ2 sen 2β = −1 4

Sendo assim, temos √


2
cos 2β = (1.56)
2

4
Voltando com este resultado no último sistema obtemos ρ = 2.
Observe que para obtermos a raiz w0 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β),
precisamos dos senos e cossenos dos arcos θ e β. Substituindo (1.63) em (1.47),
obtemos p √ p √
2− 2 2+ 2
sen β = − ; cos β =
2 2
Os sinais foram escolhidos usando (1.55). Temos ainda,

2θ = 0 ⇒ cos 2θ = 1

Temos,
sen θ = 0; cos θ = 1
Finalmente podemos escrever a primeira raiz como,

w0 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β)


p √ p √ !
√4 2+ 2 2− 2
= 2 , 0, −
2 2

P1 : Substituindo 2θ = π nas equações (1.52) e (1.53), obtemos


(√ √
2 cos π · cos 2β = 1 2
√ ⇒ cos 2β = −
3 sen π · cos 2β = 0 2
Gentil 65

Procedendo como no caso anterior, obtemos


p √ p √
2+ 2 2− 2
sen β = − ; cos β =
2 2
Temos ainda,
2θ = π ⇒ cos 2θ = −1
Temos
sen θ = 1; cos θ = 0
Finalmente podemos escrever a segunda raiz como,

w1 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β)


p √ p √ !
√4 2− 2 2+ 2
= 2 0, ,−
2 2

P2 : Substituindo 2θ = 2π nas equações (1.52) e (1.53), obtemos


(√ √
2 cos 2π · cos 2β = 1 2
√ ⇒ cos 2β =
2 sen 2π · cos 2β = 0 2

Procedendo como no caso anterior, obtemos


p √ p √
2− 2 2+ 2
sen β = − ; cos β =
2 2
Temos ainda, (
sen 2θ = 0
2θ = 2π ⇒
cos 2θ = 1
Ainda,
sen θ = 0; cos θ = −1
Finalmente podemos escrever a terceira raiz como,

w2 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β)


p √ p √ !
√4 2+ 2 2− 2
= 2 − , 0, −
2 2

P3 : Substituindo 2θ = 3π nas equações (1.52) e (1.53), obtemos


(√ √
2 cos 3π · cos 2β = 1 2
√ ⇒ cos 2β = −
2 sen 3π · cos 2β = 0 2

Procedendo como no caso anterior, obtemos


p √ p √
2+ 2 2− 2
sen β = − ; cos β =
2 2
66

Temos ainda, (
sen 2θ = 0
2θ = 3π ⇒
cos 2θ = −1
Ainda,
sen θ = −1; cos θ = 0
Finalmente podemos escrever a quarta raiz como,

w3 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β)


p √ p √ !
√4 2− 2 2+ 2
= 2 0, − ,−
2 2

Conclusão: Temos quatro valores para 1 − j, quais sejam:
√  √2+√2 √ √ 
2− 2
w0 = 4 2 2 , 0, − 2

√  √ √ √ √ 
w1 = 4
2 0, 2−
2
2
, − 2+ 2
2

√  √ √ √ √ 
w2 = 4
2 − 2+
2
2
, 0, − 2− 2
2

√  √ √ √ √ 
w3 = 4
2 0, − 2−
2
2
, − 2+ 2
2

Na forma retangular fica assim:


√ √4
p √ √
4
p √
1 − j = 22 · 2 + 2 − j 2
2
· 2− 2
√ √
4
2
p √ √
4
2
p √
1−j = 2 · 2− 2i −j 2 · 2+ 2
√ √4
p √ √
4
p √
1 − j = − 22 · 2 + 2 − j 2
2
· 2− 2
√ √4
p √ √
4
p √
1 − j = − 22 · 2 − 2 i − j 2
2
· 2+ 2

f) Para calcular as raı́zes quartas de 1 + i + j = (1, 1, 1), consideremos,


p4
1 + i + j = (x, y, z) = w ⇔ (x, y, z)4 = (1, 1, 1).

Vamos resolver a equação acima indiretamente, por coordenadas esféricas


(forma trigonométrica). Vamos considerar w na forma polar w = ρ θ β , ou
ainda, na forma trigonométrica,

w = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β)

Pela proposição 12 (pág. 44), temos

w 4 = ρ4 4θ 4β

Nota: A proposição exige que: ( H1 ) cos β ≥ 0 ∧ cos 2β ≥ 0 ∧ cos 3β ≥ 0.


Gentil 67

Pois bem, precisamos resolver o seguinte sistema:



ρ4 cos 4θ · cos 4β = 1



 (1.57)

 ρ4 sen 4θ · cos 4β = 1 (1.58)



 ρ4 sen 4β = 1 (1.59)

- Inicialmente vamos resolver este sistema sem considerar as restrições im-


postas pela proposição 12, o que será feito num segundo momento.
Pois bem, da última equação concluimos que
(
 (1.57),(1.58) cos 4θ > 0

 4β ∈ IQ ⇒ cos 4β > 0 =⇒ ⇒ 4θ ∈ IQ

 sen 4θ > 0
sen 4β > 0 ⇒ ou (



 cos 4θ < 0
4β ∈ IIQ ⇒ cos 4β < 0 =⇒ ⇒ 4θ ∈ IIIQ
sen 4θ < 0

Conclusão,


 4β ∈ IQ ∧ 4θ ∈ IQ
 (1.60)
 ou

4β ∈ IIQ ∧ 4θ ∈ IIIQ (1.61)

Pois bem, dividindo (1.58) por (1.57): tg 4θ = 1. Da trigonometria, temos

tg λ = tg α ⇒ λ = α + kπ, k ∈ Z

Sendo assim, temos


π π
tg 4θ = tg ⇒ 4θ = + kπ, k ∈ Z
4 4

Vamos inicialmente considerar a condição (1.60). Temos,


(1.60) : 4β ∈ IQ ∧ 4θ ∈ IQ. Temos,
π
4θ = + kπ ∈ IQ ⇒ k = 0, 2, 4, . . . k é par. (1.62)
4
Sendo assim, temos

π  π 2
cos 4θ = cos + kπ = cos =
4 4 2
Este resultado no sistema original nos fornece,
( 4 √ √
ρ cos 4β = 2 2
⇒ tg 4β =
4
ρ sen 4β = 1 2
68

1
Da identidade trigonométrica, cos2 x = 1+ tg 2 x , obtemos

6
cos 4β = (1.63)
3

Voltando com este resultado no último sistema obtemos ρ4 = 3.
Observe que para obtermos a raiz w0 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β),
precisamos dos senos e cossenos dos arcos θ e β. Para isto vamos utilizar as
seguintes identidades trigonométricas:
r r
x 1 − cos x x 1 + cos x
sen = ± ; cos = ±
2 2 2 2
As quais, para os nossos propósitos se transformam em,
r r
1 − cos 2γ 1 + cos 2γ
sen γ = ± ; cos γ = ± (1.64)
2 2
também,
r r
1 − cos 4γ 1 + cos 4γ
sen 2γ = ± ; cos 2γ = ± (1.65)
2 2
Substituindo (1.63) em (1.65), obtemos
s √ p √
3+ 6 18 + 6 6
cos 2β = =
6 6
Substituindo este resultado em (1.64), obtemos
q q
p √ p √
72 − 12 18 + 6 6 72 + 12 18 + 6 6
sen β = ; cos β = (1.66)
12 12
De (1.62) obtemos,

π 2
4θ = + kπ ⇒ cos 4θ = . (1.67)
4 2
π π kπ
Temos, 4θ = 4 + kπ ⇒ θ = 16 + 4 . Plotando θ × k, k par, obtemos

k=2, 10,... θ= 9π
16 =101, 25
o

θ θ

π
k=0, 8,... θ= 16 =11, 25o
k k

k=4, 12,... θ= 17π


16
=191, 25o

k=6, 14,... θ= 25π


16 =281, 25
o

Observamos que quatro valores de k nos fornecem soluções distintas: k =


0, 2, 4, 6. Temos,
Gentil 69

 π

 k = 0: 4θ = 4



 9π
π k = 2 : 4θ = 4
4θ = + kπ ⇒
4 
 k = 4: 4θ = 17π

 4


 25π
k = 6: 4θ = 4

Temos,

π 2
( i ) 4θ = 4. Então, cos 4θ = 2 de (1.65) obtemos
p √
2+ 2
cos 2θ =
2
Este resultado em (1.64) nos dá,
q √ √
√ √
q
2− 2+ 2 2+ 2+ 2
sen θ = 2 ; cos θ = 2

Estes resultados, juntamente com (1.66), nos fornecem a solução


w0 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β):
q √ √ q √ √ √ !
√ √ √ √ √ √
q q q
8 2+ 2+ 2 72+12 18+6 6 2− 2+ 2 72+12 18+6 6 72−12 18+6 6
w0 = 3 2 · 12 , 2 · 12 , 12


9π 2
( ii ) Temos, 4θ = 4 . Então, cos 4θ = 2 de (1.65) obtemos
p √
2+ 2
cos 2θ = −
2
Observe que,
9π 9π 8π + π π
4θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = π + ⇒ cos 2θ < 0.
4 8 8 8
Este resultado em (1.64) nos dá,
q √ q √
√ √
2+ 2+ 2 2− 2+ 2
sen θ = 2 ; cos θ = − 2

Estes resultados, juntamente com (1.66), nos fornecem a solução w2 = ρ (cos θ ·


cos β, sen θ · cos β, sen β) como,
q √ √ q √ √ √ !
√ √ √ √ √ √
q q q
2− 2+ 2 72+12 18+6 6 2+ 2+ 2 72+12 18+6 6 72−12 18+6 6
w2 = 8 3 − 2 · 12 , 2 · 12 , 12


17π
( iii ) Temos, 4θ = 4 . Então, cos 4θ = 22 de (1.65) obtemos
p √
2+ 2
cos 2θ =
2
Observe que,
17π 17π 16π + π π
4θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = 2π + ⇒ cos 2θ > 0.
4 8 8 8
70

Este resultado em (1.64) nos dá,


q √ q √
√ √
2− 2+ 2 2+ 2+ 2
sen θ = − 2 ; cos θ = − 2

Estes resultados, juntamente com (1.66), nos fornecem a solução w4 = ρ (cos θ ·


cos β, sen θ · cos β, sen β) como,
q √ √ q √ √ √ !
√ √ √ √ √ √
q q q
8 2+ 2+ 2 72+12 18+6 6 2− 2+ 2 72+12 18+6 6 72−12 18+6 6
w4 = 3 − 2 · 12 ,− 2 · 12 , 12


25π 2
( iv ) Temos, 4θ = 4 . Então, cos 4θ = de (1.65) obtemos
2
p √
2+ 2
cos 2θ = −
2
Observe que,
25π 25π 24π + π π
4θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = 3π + ⇒ cos 2θ < 0.
4 8 8 8
Este resultado em (1.64) nos dá,
q √ q √
√ √
2+ 2+ 2 2− 2+ 2
sen θ = − 2 ; cos θ = 2

Estes resultados, juntamente com (1.66), nos fornecem a solução w6 =


ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β) como,
q √ √ q √ √ √ !
√ √ √ √ √ √
q q q
8 2− 2+ 2 72+12 18+6 6 2+ 2+ 2 72+12 18+6 6 72−12 18+6 6
w6 = 3 2 · 12 ,− 2 · 12 , 12

Vamos agora considerar a condição (1.61) (pág. 67). Temos,


(1.61) : 4β ∈ IIQ ∧ 4θ ∈ IIIQ. Temos,
π
4θ = + kπ ∈ IIIQ ⇒ k = 1, 3, 5, . . . k é ı́mpar. (1.68)
4
Sendo assim, temos

π  π 2
cos 4θ = cos + kπ = − cos = −
4 4 2
Este resultado no sistema original nos fornece,
( 4 √ √
ρ cos 4β = − 2 2
⇒ tg 4β = −
4
ρ sen 4β = 1 2

1
Da identidade trigonométrica, cos2 x = 1+ tg 2 x , obtemos

6
cos 4β = − (1.69)
3
Substituindo (1.69) em (1.65), obtemos
s √ p √
3− 6 18 − 6 6
cos 2β = =
6 6
Gentil 71

Substituindo este resultado em (1.64), obtemos


q q
p √ p √
72 − 12 18 − 6 6 72 + 12 18 − 6 6
sen β = ; cos β = (1.70)
12 12
π π kπ
De (1.68) temos, 4θ = 4 + kπ ⇒ θ = 16 + 4 . Plotando θ × k, k ı́mpar,
obtemos

θ k=1, 9,... θ θ= 5π o
16 =56, 25
k=3, 11,... θ= 13π
16 =146, 25
o

k k

k=7, 15,... θ= 29π


16 =326, 25
o

k=5, 13,... θ= 21π


16 =236, 25
o

Observamos que quatro valores de k nos fornecem soluções distintas: k =


1, 3, 5, 7. Temos,


 k = 1 : 4θ = 5π
4



 13π
π  k = 3 : 4θ = 4
4θ = + kπ ⇒
4 
 k = 5 : 4θ = 21π

 4


 29π
k = 7 : 4θ = 4

5π 2
( i ) 4θ = 4 . Então, cos 4θ = − 2 de (1.65) resulta
p √
2− 2
cos 2θ = −
2
Observe que,
5π 5π 4π + π π π
4θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = + ⇒ cos 2θ < 0.
4 8 8 2 8
Este resultado em (1.64) nos dá,
q √ q √
√ √
2+ 2− 2 2− 2− 2
sen θ = 2 ; cos θ = 2

Estes resultados, juntamente com (1.78), nos fornecem a solução


w1 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β):
q √ √ q √ √ √ !
√ √ √ √ √ √
q q q
8 2− 2− 2 72+12 18−6 6 2+ 2− 2 72+12 18−6 6 72−12 18−6 6
w1 = 3 2 · 12 , 2 · 12 , 12


13π 2
( ii ) 4θ = 4 . Então, cos 4θ = − 2 de (1.65) resulta
p √
2− 2
cos 2θ =
2
72

Observe que,
13π 13π 8π + 4π + π π π
4θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = π+ + ⇒ cos 2θ > 0.
4 8 8 2 8
Este resultado em (1.64) nos dá,
q √ q √
√ √
2− 2− 2 2+ 2− 2
sen θ = 2 ; cos θ = − 2

Estes resultados, juntamente com (1.78), nos fornecem a solução


w3 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β):
q √ √ q √ √ √ !
√ √ √ √ √ √
q q q
2+ 2− 2 72+12 18−6 6 2− 2− 2 72+12 18−6 6 72−12 18−6 6
w3 = 8 3 − 2 · 12 , 2 · 12 , 12


21π 2
( iii ) 4θ = 4 . Então, cos 4θ = − 2 , de (1.65) obtemos
p √
2− 2
cos 2θ = −
2
Observe que,
21π 21π 16π + 4π + π π π
4θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = 2π+ + ⇒ cos 2θ < 0.
4 8 8 2 8
Este resultado em (1.64) nos dá,
q √ q √
√ √
2+ 2− 2 2− 2− 2
sen θ = − 2 ; cos θ = − 2

Estes resultados, juntamente com (1.78), nos fornecem a solução


w5 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β):
q √ √ q √ √ √ !
√ √ √ √ √ √
q q q
8 2− 2− 2 72+12 18−6 6 2+ 2− 2 72+12 18−6 6 72−12 18−6 6
w5 = 3 − 2 · 12 ,− 2 · 12 , 12


29π 29π
( iv ) 4θ = 4 . 4θ = 4 . Então, cos 4θ = − 22 de (1.65) obtemos
p √
2− 2
cos 2θ = −
2
Observe que,
29π 29π 24π + 4π + π π π
4θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = 3π+ + ⇒ cos 2θ > 0.
4 8 8 2 8
Este resultado em (1.64) nos dá,
q √ q √
√ √
2− 2− 2 2+ 2− 2
sen θ = − 2 ; cos θ = 2

Estes resultados, juntamente com (1.78), nos fornecem a solução


w7 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β):
q √ √ q √ √ √ !
√ √ √ √ √ √
q q q
8 2+ 2− 2 72+12 18−6 6 2− 2− 2 72+12 18−6 6 72−12 18−6 6
w7 = 3 2 · 12 , − 2 · 12 , 12
Gentil 73

Escrevendo as oito soluções (do sistema original), juntas, temos,


√ √ √ √
q √
√ √ √ √ √

q q q q
 
8 2+ 2+ 2 72+12 18+6 6 2− 2+ 2 72+12 18+6 6 72−12 18+6 6
w0 = 3 2 · 12 , 2 · 12 , 12
√ √ √ √
q √
√ √ √ √ √
√ 
q q q q

2− 2− 2 72+12 18−6 6 2+ 2− 2 72+12 18−6 6 72−12 18−6 6
w1 = 8 3 2 · 12 , 2 · 12 , 12
q √ √ q √ √ √
√  √ √ √ √ √
q q q

2− 2+ 2 72+12 18+6 6 2+ 2+ 2 72+12 18+6 6 72−12 18+6 6
w2 = 8 3 − 2 · 12 , 2 · 12 , 12
q √ √ q √ √ √
√ √ √ √ √ √
q q q
 
8 2+ 2− 2 72+12 18−6 6 2− 2− 2 72+12 18−6 6 72−12 18−6 6
w3 = 3 − 2 · 12 , 2 · 12 , 12
q √ √ q √ √ √ !
√ √ √ √ √ √
q q q
2+ 2+ 2 72+12 18+6 6 2− 2+ 2 72+12 18+6 6 72−12 18+6 6
w4 = 8 3 − 2 · 12 , − 2 · 12 , 12
q √ √ q √ √ √
√  √ √ √ √ √
q q q

2− 2− 2 72+12 18−6 6 2+ 2− 2 72+12 18−6 6 72−12 18−6 6
w5 = 8 3 − 2 · 12 , − 2 · 12 , 12
√ √ √ √
q √
√ √ √ √ √
√ 
q q q q

2− 2+ 2 72+12 18+6 6 2+ 2+ 2 72+12 18+6 6 72−12 18+6 6
w6 = 8 3 2 · 12 , − 2 · 12 , 12
√ √ √ √
q √
√ √ √ √ √

q q q q
 
8 2+ 2− 2 72+12 18−6 6 2− 2− 2 72+12 18−6 6 72−12 18−6 6
w7 = 3 2 · 12 , − 2 · 12 , 12

Análise das soluções


Para uma análise das soluções do nosso sistema, vamos escrevê-las na forma
polar (com duas decimais), assim:
Z

w0 = 1, 15 11, 25o 8, 82o w1 = 1, 15 56, 25o 36, 18o

w2 = 1, 15 101, 25o 8, 82o w3 = 1, 15 146, 25o 36, 18o

Y
w4 = 1, 15 191, 25o 8, 82o w5 = 1, 15 236, 25o 36, 18o

X
w6 = 1, 15 281, 25o 8, 82o w7 = 1, 15 326, 25o 36, 18o

No gráfico, em azul temos as soluções de ı́ndices pares: w0 , w2 , w4 , e w6 ; e,


em vermelho temos as soluções de ı́ndices ı́mpares: w1 , w3 , w5 , e w7 .
Inicialmente observamos que apenas as soluções de ı́ndices pares são raı́zes
(quartas) do hipercomplexo (1, 1, 1), isto é, satisfazem a equação (x, y, z)4 =
(1, 1, 1). Com efeito, basta observar que apenas estas satisfazem as exigências
da proposição 12 (pág. 44), isto é, cos β ≥ 0, cos 2β ≥ 0, e cos 3β ≥ 0.
Para as soluções de ı́ndices ı́mpares, temos w2 = ρ2 2θ 2β , com cos 2β ≥
0, o que significa que, pela proposição 6 (pág. 33), temos
 
w2 · w2 = ρ2 2θ 2β · ρ2 2θ 2β = ρ4 4θ 4β

Acontece que,
w4 = w3 · w 6= w2 · w2
74

devido a não associatividade da multiplicação. Vê-se daı́ que apenas as soluções


de ı́ndices pares satisfazem w4 = w3 · w = (1, 1, 1). Para as de ı́ndices ı́mpares
temos w4 = w3 · w 6= (1, 1, 1).
Nota: Podemos usar o programa para o cálculo de potências, dado no
apêndice (pág. 141) para confirmar estas afirmativas.
A propósito deixamos ao leitor o seguinte∗ :
Desafio: Resolva, em R, o seguinte sistema:
 


 (x2 − y 2 )2 − 4x2 y 2 λ2 λ̃ = 1



4xy(x2 − y 2 )λ2 λ̃ = 1



 3
4z(x2 + y 2 ) 2 |λ| = 1

onde,
z2 4z 2
λ=1− , λ̃ = 1 − 2 2
x2 +y 2 λ (x + y 2 )

Nota: Ver sistema (1.32), pág. 37.


No próximo capı́tulo mostraremos que são em número de quatro as raı́zes
quadradas de um hipercomplexo (não-singular), deste modo conjecturamos que
deve ser em número de oito as raı́zes quartas. Se esta conjectura é verdadeira,
onde estariam as outras quatro raı́zes quartas de (1, 1, 1) ?
É disto que nos ocuparemos agora.
Dado um hipercomplexo w = ρ θ β o diagrama a seguir,

ρ4 4θ 4β
( H1 )
0
β≥
1)
s3

ρ3 3θ 3β
(M
co
(M
co

0
s3

β≥ 2β
3)

ρ4 4θ
β<

os 2 P 1) ( H2 )
0

c (M
cos β≥0 ρ2 2θ 2β
w
(M P 1)
(M
ρ4 4θ 2β
co P 3 ( H3 )
s2 )
0

β<
1)

P

0 ρ3 3θ β
co
(M
(M
co

P

0
3)

ρ4 4θ
<

( H4 )
0

mostra que existem quatro possibilidades para o cálculo de w4 . Este diagrama


foi construido a partir da regra geral para a multiplicação de dois hipercomplexos
na forma polar; regra esta dada após a prova da proposição 6, pág. 146.

∗ Este desafio foi divulgado a nı́vel nacional e em nossa home-page. Demos um prazo de três

meses (a partir de 20.12.06) para sua resolução, ofertamos um prêmio acima de R$1.000, 00;
não houve vencedor.
Gentil 75

Do diagrama acima tiramos as seguintes hipóteses (possibilidades):

( H1 ) cos β ≥ 0 ∧ cos 2β ≥ 0 ∧ cos 3β ≥ 0 ⇒ w 4 = ρ4 4θ 4β

( H2 ) cos β ≥ 0 ∧ cos 2β ≥ 0 ∧ cos 3β < 0 ⇒ w 4 = ρ4 4θ 2β

( H3 ) cos β ≥ 0 ∧ cos 2β < 0 ∧ cos β ≥ 0 ⇒ w 4 = ρ4 4θ 2β

( H4 ) cos β ≥ 0 ∧ cos 2β < 0 ∧ cos β < 0 ⇒ w 4 = ρ4 4θ 0

Observemos que ( H4 ) é uma inconsistência, desta forma ficamos com três pos-
sibilidades. A primeira hipótese, ( H1 ), já foi considerada e nos forneceu quatro
raı́zes. Quanto à hipótese ( H2 ), deixamos como exercı́cio ao leitor, mostrar que
a mesma não conduz a nenhuma raiz, de sorte que nos ocuparemos de ( H3 ):
cos β ≥ 0 ∧ cos 2β < 0 ⇒ w4 = ρ4 4θ 2β .
Nestas condições devemos resolver o seguinte sistema:

 4

 ρ cos 4θ · cos 2β = 1 (1.71)


 4
ρ sen 4θ · cos 2β = 1 (1.72)




 ρ4 sen 2β = 1 (1.73)

Pois bem, da última equação concluimos que


(
 (1.71),(1.72) cos 4θ > 0

 2β ∈ IQ ⇒ cos 2β > 0 =⇒ ⇒ 4θ ∈ IQ

 sen 4θ > 0
sen 2β > 0 ⇒ ou (



 cos 4θ < 0
2β ∈ IIQ ⇒ cos 2β < 0 =⇒ ⇒ 4θ ∈ IIIQ
sen 4θ < 0

Conclusão,


 2β ∈ IQ ∧ 4θ ∈ IQ
 (1.74)
 ou

2β ∈ IIQ ∧ 4θ ∈ IIIQ (1.75)

A restrição (1.74) é incompatı́vel com ( H3 ), deve ser abandonada. Resta (1.75).


Pois bem, dividindo (1.72) por (1.71): tg 4θ = 1. Da trigonometria, temos

tg λ = tg α ⇒ λ = α + kπ, k ∈ Z

Sendo assim, temos


π π
tg 4θ = tg ⇒ 4θ = + kπ, k ∈ Z
4 4

Vamos considerar a condição (1.75). Temos,


76

(1.74) : 2β ∈ IIQ ∧ 4θ ∈ IIIQ. Temos,


π
4θ = + kπ ∈ IIIQ ⇒ k = 1, 3, 5, . . . k é ı́mpar. (1.76)
4
Sendo assim, temos
π  π 1
cos 4θ = cos + kπ = − cos = − √
4 4 2
Este resultado no sistema original nos fornece,
( 4 √ √
ρ cos 2β = − 2 2
⇒ tg 2β = −
4
ρ sen 2β = 1 2
1
Da identidade trigonométrica, cos2 x = 1+ tg 2 x , obtemos

6
cos 2β = − (1.77)
3

Voltando com este resultado no último sistema obtemos ρ4 = 3.
Substituindo (1.77) em (1.64), obtemos
p √ p √
18 + 6 6 18 − 6 6
sen β = ; cos β = (1.78)
6 6
π π kπ
De (1.76) temos, 4θ = 4 + kπ ⇒ θ = 16 + 4 . Plotando θ × k, k ı́mpar,
obtemos

θ k=1, 9,... θ θ= 5π o
16 =56, 25
k=3, 11,... θ= 13π
16 =146, 25
o

k k

k=7, 15,... θ= 29π


16 =326, 25
o

k=5, 13,... θ= 21π


16 =236, 25o

Observamos que quatro valores de k nos fornecem soluções distintas: k =


1, 3, 5, 7. 

 k = 1 : 4θ = 5π
4



k = 3 : 4θ = 13π
π 
4
4θ = + kπ ⇒
4 k = 5 : 4θ = 4
 21π





k = 7 : 4θ = 29π
4

5π 2
( i ) 4θ = 4 . Então, cos 4θ = − 2 de (1.65) resulta
p √
2− 2
cos 2θ = −
2
Gentil 77

Observe que,
5π 5π 4π + π π π
4θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = + ⇒ cos 2θ < 0.
4 8 8 2 8
Este resultado em (1.64) nos dá,
q √ q √
√ √
2+ 2− 2 2− 2− 2
sen θ = 2 ; cos θ = 2

Estes resultados, juntamente com (1.78), nos fornecem a solução


w1 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β):
√  q √ √ √ √
q √
√ √ √ √ √ 
2− 2− 2 18−6 6 2+ 2− 2 18−6 6
w1 = 38
2 · 6 , 2 · 6 , 18+6
6
6


13π 2
( ii ) 4θ = 4 . Então, cos 4θ = − 2 de (1.65) resulta
p √
2− 2
cos 2θ =
2
Observe que,
13π 13π 8π + 4π + π π π
4θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = π+ + ⇒ cos 2θ > 0.
4 8 8 2 8
Este resultado em (1.64) nos dá,
q √ q √
√ √
2− 2− 2 2+ 2− 2
sen θ = 2 ; cos θ = − 2

Estes resultados, juntamente com (1.78), nos fornecem a solução


w3 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β):
√  q √ √ √ √
q √
√ √ √ √ √ 
8 2+ 2− 2 18−6 6 2− 2− 2 18−6 6 18+6 6
w3 = 3 − 2 · 6 , 2 · 6 , 6

21π 2
( iii ) 4θ = 4 . Então, cos 4θ = − 2 , de (1.65) obtemos
p √
2− 2
cos 2θ = −
2
Observe que,
21π 21π 16π + 4π + π π π
4θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = 2π+ + ⇒ cos 2θ < 0.
4 8 8 2 8
Este resultado em (1.64) nos dá,
q √ q √
√ √
2+ 2− 2 2− 2− 2
sen θ = − 2 ; cos θ = − 2

Estes resultados, juntamente com (1.78), nos fornecem a solução


w5 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β):
√  q √ √ √ √
q √
√ √ √ √ √ 
8 2− 2− 2 18−6 6 2+ 2− 2 18−6 6 18+6 6
w5 = 3 − 2 · 6 , − 2 · 6 , 6
78

29π 29π 2
( iv ) 4θ = 4 . 4θ = 4 . Então, cos 4θ = − 2 de (1.65) obtemos
p √
2− 2
cos 2θ = −
2
Observe que,
29π 29π 24π + 4π + π π π
4θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = ⇒ 2θ = 3π+ + ⇒ cos 2θ > 0.
4 8 8 2 8
Este resultado em (1.64) nos dá,
q √ √
√ √
q
2− 2− 2 2+ 2− 2
sen θ = − 2 ; cos θ = 2

Estes resultados, juntamente com (1.78), nos fornecem a solução


w7 = ρ (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β):
q √ q √
√  2+ 2−√2 √18−6 √6 √
2− 2− 2
√ √
18−6 6
√ √ 
18+6 6
w7 = 8 3 2 · 6 , − 2 · 6 , 6

Reunindo estas quatro soluções, temos:


q √ √ q √ √ √
√  √ √ √ √ √ 
2− 2− 2 18−6 6 2+ 2− 2 18−6 6 18+6 6
w1 = 8 3 2 · 6 , 2 · 6 , 6
q √ √ q √ √ √
√  √ √ √ √ √ 
2+ 2− 2 18−6 6 2− 2− 2 18−6 6 18+6 6
w3 = 8 3 − 2 · 6 , 2 · 6 , 6
q √ √ q √ √ √
√  √ √ √ √ √ 
8 2− 2− 2 18−6 6 2+ 2− 2 18−6 6 18+6 6
w5 = 3 − 2 · 6 ,− 2 · 6 , 6
q √ √ q √ √ √
√  √ √ √ √ √ 
2+ 2− 2 18−6 6 2− 2− 2 18−6 6 18+6 6
w7 = 8 3 2 · 6 , − 2 · 6 , 6

Temos, wi4 = (1, 1, 1) para i = 1, 3, 5, 7. A seguir plotamos as oito raı́zes


quartas de (1, 1, 1):
Z

w0 = 1, 15 11, 25o 8, 82o w1 = 1, 15 56, 25o 72, 37o

w2 = 1, 15 101, 25o 8, 82o w3 = 1, 15 146, 25o 72, 37o

Y
w4 = 1, 15 191, 25o 8, 82o w5 = 1, 15 236, 25o 72, 37o

X
w6 = 1, 15 281, 25o 8, 82o w7 = 1, 15 326, 25o 72, 37o

No gráfico, em azul temos as raı́zes de ı́ndices pares: w0 , w2 , w4 , e w6 ; e,


em vermelho temos as raı́zes de ı́ndices ı́mpares: w1 , w3 , w5 , e w7 .
Gentil 79

Uma conseqüência da proposição 10 (pág. 36) é o seguinte


√ √
Corolário 4. Se n w = wk , então n ẇ = ẇk .
Prova: Com efeito, seja w = (x, y, z) e wk = (a, b, c) uma raiz n−ésima
de w. Temos, ẇ = (x, y, −z) e ẇk = (a, b, −c). Por definição de raiz n−ésima,
temos wkn = (x, y, z); pela proposição 10 resulta ẇkn = (x, y, −z), o que prova
que ẇk é raiz n−ésima de ẇ. 
Como uma conseqüência imediata deste corolário, as oito raı́zes quartas de
(1, 1, −1) são: ẇ0 , ẇ1 , ẇ2 , ẇ3 , ẇ4 , ẇ5 , ẇ6 , ẇ7 . Gráficamente, temos
Z

ẇ0 = 1, 15 11, 25o −8, 82o ẇ1 = 1, 15 56, 25o −72, 37o

ẇ2 = 1, 15 101, 25o −8, 82o ẇ3 = 1, 15 146, 25o −72, 37o

Y
ẇ4 = 1, 15 191, 25o −8, 82o ẇ5 = 1, 15 236, 25o −72, 37o

X
ẇ6 = 1, 15 281, 25o −8, 82o ẇ7 = 1, 15 326, 25o −72, 37o

Um Desafio
A equação de Pitágoras:
x2 + y 2 = z 2 (1.79)
3
possui infinitas soluções em R .
O propósito deste desafio é mostrarmos um “algoritmo” para encontrarmos
um “grande” número de soluções para esta equação. Por exemplo, vamos agora
encontrar 4 × 4 × 2 = 32 soluções.
Pois bem, tomamos
x ∈ { w0 , w1 , w2 , w3 }
y ∈ { ẇ0 , ẇ1 , ẇ2 , ẇ3 }
onde, x = wk é qualquer uma das raı́zes quadradas de (1, 1, 1); e tomamos
y = ẇk , qualquer uma das raı́zes quadradas de (1, 1, −1). Então,

x2 = wk2 = (1, 1, 1)
⇒ x2 + y 2 = (2, 2, 0)
 2
y = ẇk2 = (1, 1, −1)
Tomando z 2 = (2, 2, 0), basta encontrarmos as raı́zes quadradas de (2, 2, 0) em
C. É o que faremos agora. Temos,
√ π
(2, 2, 0) = 2(1, 1) = 2 2 4
Vamos relembrar a 2a fórmula de Moivre: Dados o número complexo z = ρ θ
e o número natural n ( n ≥ 2 ), então existem n raı́zes enézimas de z que são da
forma,
√   
zk = n ρ · cos nθ + k · 2π n + i · sen nθ + k · 2π
n
80

Sendo assim, resulta:


p
2
√  π/4 2π
 π/4 2π

zk = 2 2 · cos 2 +k· 2 + i · sen 2 +k· 2

Tomando k = 0, 1 obtemos,
√  √2+√2 √ √ 
2− 2
z0 = 4 8 · 2 + i · 2

√  √ √ √ √ 
z1 = 4
8 · − 2+
2
2
− i · 2− 2
2

Podemos escrever,
√ √ √ √ √ 
4 2+ 2 2− 2
z0 = 8· 2 , 2 , 0

√  √ √ √ √ 
z1 = 4
8 · − 2+
2
2
, − 2− 2
2 , 0

Portanto, tomando,

x ∈ { w0 , w1 , w2 , w3 , w4 }
y ∈ { ẇ0 , ẇ1 , ẇ2 , ẇ3 }
z ∈ { z0 , z1 }

obtemos 32 soluções para a equação proposta.


Plotando as soluções, temos (ver pág. 61)
Z

Ou ainda,

As bolinhas em azul representam as raı́zes quadradas de (1, 1, 1), as boli-


nhas em vermelho representam as raı́zes quadradas de (1, 1, −1) e as bolinhas
Gentil 81

em verde representam as raı́zes quadradas de (2, 2, 0); de sorte que, combinando


uma bolinha de cada cor temos as soluções da equação x2 + y 2 = z 2 .
Nota: Se usarmos as raizes quadradas de 1 − j, calculadas anteriormente, obte-
mos outras 32 soluções para a equação dada.
Vejamos mais um exemplo,
A equação de Fermat:
x4 + y 4 = z 4 (1.80)
possui infinitas soluções em R3 .
Vamos agora encontrar, seguindo o algoritmo dado, 8×8×4 = 256 soluções,
para esta equação. Pois bem, tomamos
x ∈ { w0 , w1 , w2 , w3 , w4 , w5 , w6 , w7 }
y ∈ { ẇ0 , ẇ1 , ẇ2 , ẇ3 , ẇ4 , ẇ5 , ẇ6 , ẇ7 }
onde, x = wk é qualquer uma das raı́zes quartas de (1, 1, 1); e tomamos y = ẇk ,
qualquer uma das raı́zes quartas de (1, 1, −1). Então,

x4 = wk4 = (1, 1, 1)
⇒ x4 + y 4 = (2, 2, 0)
 4 4
y = ẇk = (1, 1, −1)
Tomando z 4 = (2, 2, 0), basta encontrarmos as raı́zes quartas de (2, 2, 0) em
C. É o que faremos agora. Temos,
√ π
(2, 2, 0) = 2(1, 1) = 2 2 4
Aplicando a fórmula de Moivre, resulta:
p √   
zk = 2 2 · cos π/4 2π π/4 2π
4
4 +k· 4 + i · sen 4 +k· 4
Tomando k = 0, 1, 2, 3 obtemos,
q √ q √
√  2+ 2+√2 √
2− 2+ 2

z0 = 8 8 · 2 +i· 2
q √ q √
√  √ √ 
2− 2+ 2 2+ 2+ 2
z1 = 8 8 · − 2 + i · 2
q √ q √
√  √ √ 
2+ 2+ 2 2− 2+ 2
z2 = 8 8 · − 2 −i· 2
q √ q √
√  2− 2+√2 2+ 2+ 2
√ 
z3 = 8 8 · 2 − i · 2

Podemos escrever,
q √ q √
√  √ √ 
2+ 2+ 2 2− 2+ 2
z0 = 8 8 · 2 , 2 , 0
q √ q √
√  √ √ 
2− 2+ 2 2+ 2+ 2
z1 = 8 8 · − 2 , 2 , 0
q √ q √
√  √ √ 
2+ 2+ 2 2− 2+ 2
z2 = 8 8 · − 2 , − 2 , 0
q √ q √
√  √ √ 
2− 2+ 2 2+ 2+ 2
z3 = 8 8 · 2 , − 2 , 0
82

Portanto, tomando,

x ∈ { w0 , w1 , w2 , w3 , w4 , w5 , w6 , w7 }
y ∈ { ẇ0 , ẇ1 , ẇ2 , ẇ3 , ẇ4 , ẇ5 , ẇ6 , ẇ7 }
z ∈ { z0 , z1 , z2 , z3 }

obtemos 256 soluções para a equação proposta. Plotando as soluções, temos


Z

Ou ainda,

As bolinhas em azul representam as raı́zes quartas de (1, 1, 1), as bolinhas


em vermelho representam as raı́zes quartas de (1, 1, −1) e as bolinhas em verde
representam as raı́zes quartas de (2, 2, 0); de sorte que, combinando uma boli-
nha de cada cor temos as soluções da equação x4 + y 4 = z 4 .
Capı́tulo 2

Equações

2.1 Resolução da equação a · w = b


Vamos resolver a equação, a · w = b , onde a = (a1 , b1 , c1 ) e b = (a2 , b2 , c2 )
são dados e w = (x, y, z) é a incógnita.
Vamos assumir que (isto é, vamos resolver esta equação para o caso em
que) a e b situam-se fora do eixo 0z (hipercomplexos não-singulares).
Pois bem, calculando o produto a · w em (D4 ), obtemos

(a1 · x − b1 · y) γ, (a1 · y + x · b1 ) γ, c1 · r2 + z · r1 = (a2 , b2 , c2 )

Onde,
q p c1 ·z
r1 = a21 + b21 , r2 = x2 + y 2 e γ = 1 − r1 ·r2

Devemos resolver o seguinte sistema,





 (a1 · x − b1 · y) γ = a2 (2.1)


 (a1 · y + b1 · x) γ = b2 (2.2)




c1 · r2 + z · r1 = c2 (2.3)
q
Como, por hipótese, r2′ = a22 + b22 6= 0, vamos considerar dois casos,

1o ) b2 6= 0. Dividindo (2.1) por (2.2) e resolvendo em relação a y, obtemos,

a1 b 2 − a2 b 1
y= ·x =µ·x (2.4)
a1 a2 + b 1 b 2

Temos,
p p p
r2 = x2 + y 2 = x2 + (µ · x)2 = |x| λ, onde, λ = 1 + µ2 > 0

Ainda,
c1 · z c ·z
γ =1− =1− 1
r1 · r2 r1 · |x| λ

83
84

Tirando z em (2.3) e substituindo nesta equação, obtemos

c1 c1 c − c1 |x| λ
γ =1− ·z = 1− · 2
r1 · |x| λ r1 · |x| λ r1

c1 c2 − c21 |x| λ
= 1− (2.5)
r12 |x| λ

Este resultado em (2.2) nos dá,


 c c − c2 |x| λ 
(a1 · µ · x + b1 · x) 1 − 1 2 2 1 = b2
r1 |x| λ

Devemos considerar duas possibilidades:


1a ) x > 0, ( |x| = x ). Neste caso ficamos com,
 c c − c2 x λ 
x (a1 · µ + b1 ) 1 − 1 2 2 1 = b2
r1 x λ

Resolvendo esta equação para x encontramos,


1 b2 c c 
x= 2 r12 + 1 2
ρ1 a1 µ + b 1 λ

Ou ainda (eliminando o parâmetro λ),


1 b2 2 c1 c2 
x= r + p
ρ21 a1 µ + b1 1 1 + µ2
c2 −c1 |x| λ
Este resultado em (2.4) nos dá y e em z = r1 nos dá z.

2a ) x < 0, ( |x| = −x ). Neste caso ficamos com,


 c c + c2 x λ 
x (a1 · µ + b1 ) 1 + 1 2 2 1 = b2
r1 x λ

Resolvendo esta equação para x encontramos,


1 b2 c c 
x= 2 r12 − 1 2
ρ1 a1 µ + b 1 λ

Ou ainda (eliminando o parâmetro λ),


1 b2 2 c1 c2 
x= r − p
ρ21 a1 µ + b1 1 1 + µ2
c2 −c1 |x| λ
Este resultado em (2.4) nos dá y e em z = r1 nos dá z.
o
2 ) a2 6= 0. Dividindo (2.2) por (2.1) e resolvendo em relação a y, obtemos, o
mesmo resultado que em (2.4). Substituindo γ de (2.5) em (2.1), obtemos
 c c − c2 |x| λ 
(a1 · x − b1 · µx) 1 − 1 2 2 1 = a2
r1 |x| λ
Gentil 85

Devemos considerar duas possibilidades:


1a ) x > 0, ( |x| = x ). Neste caso ficamos com,
 c c − c2 x λ 
x (a1 − b1 · µ) 1 − 1 2 2 1 = a2
r1 x λ

Resolvendo esta equação para x encontramos,


1 a2 c c 
x= 2 r12 + 1 2
ρ1 a1 − µ b 1 λ

Ou ainda (eliminando o parâmetro λ),


1 a2 c c 
x= 2 r12 + p 1 2
ρ1 a1 − µ b 1 1 + µ2

2a ) x < 0, ( |x| = −x ). Neste caso ficamos com,


 c c + c2 x λ 
x (a1 − b1 · µ) 1 + 1 2 2 1 = a2
r1 x λ

Resolvendo esta equação para x encontramos,


1 a2 c c 
x= 2 r12 − 1 2
ρ1 a1 − µ b 1 λ

Ou ainda (eliminando o parâmetro λ),


1 a2 c c 
x= 2 r12 − p 1 2
ρ1 a1 − µ b 1 1 + µ2

Resumindo, a equação (a1 , b1 , c1 ) · w = (a2 , b2 , c2 ), do primeiro grau,


possui duas soluções, dadas assim,
     
1 a2 2 c1 c2 1 a2 2 c1 c2


 x = ρ21 a1 −µ·b1 1r + √ 

 x = ρ21 a1 −µ·b1 1r − √

 1+µ2 
 1+µ2

a2 6= 0 ⇒ y = µ · x ou y = µ·x


 √ 

 √
z = c2 −c1 1+µ2 x
 z = c2 +c1 1+µ2 x

r1 r1
(2.6)
Ou ainda,
     
1 b2 c1 c2 b2 c c


 x = ρ2 a µ+b r1
2
+ √ 2


 x = ρ12 a µ+b r12 − √ 1 2 2

 1 1 1 1+µ 
 1 1 1 1+µ

b2 6= 0 ⇒ y = µ · x ou y = µ·x


 √ 

 √
z = c2 −c1 1+µ2 x
 z = c2 +c1 1+µ2 x

r1 r1
(2.7)
Nota: se a2 6= 0 e b2 6= 0 o leitor pode constatar que os dois casos acima
nos fornecem a mesma solução.
Exemplo: Resolva a equação:

(1, −1, 2) · w = (1, 0, 3) (2.8)


86

Solução: Temos, (a1 , b1 , c1 ) = (1, −1, 2) e (a2 , b2 , c2 ) = (1, 0, 3); então


r12 = 12 + (−1)2 = 2, ρ21 = 12 + (−1)2 + 22 = 6
e,
a1 b 2 − a2 b 1 1 · 0 − 1 · (−1)
µ= = =1
a1 a2 + b 1 b 2 1 · 1 + (−1) · 0
Sendo assim temos,
     
1 1 √ 2·3 1 1 √ 2·3
x = 1−1·(−1) · 2 + x = 1−1·(−1) · 2 −

 6

 6

 1+12 
 1+12

a2 6= 0 ⇒ y = 1 · x ou y =1·x

 √

 √

z = 3−2 √1+12 x 
z = 3+2 √1+12 x
2 2

Ou ainda, 
1
√ 
1



 x= 6 (1 + 3 2 ) 

 x= 6 (1 − 32)

1
√ 
1

y= 6 (1 + 3 2 )
ou y= 6 (1 − 3 2 )

 √ 
 √

z = 1 
z = 1
6 (−2 + 3 2 ) 6 (2 + 3 2 )

Nota: Confira este resultado com o exemplo 4o ), pág. 10.

 1 + 3 √2 1 + 3 √2 −2 + 3 √2 
w= , , = 1, 29 45, 00o 16, 83o
6 6 6
e
 1 − 3 √2 1 − 3 √2 2 + 3 √2 

w = , , = 1, 29 225, 00o 53, 70o
6 6 6
Vamos conferir, temos,
a = (1, −1, 2) = 2, 45 −45, 00o 54, 74o

b = (1, 0, 3) = 3, 16 00, 00o 71, 57o

Temos,
a · w = 2, 45 −45, 00o 54, 74o · 1, 29 45, 00o 16, 83o

= 3, 16 00, 00o 71, 57o =b


Gentil 87

Também,

a · w′ = 2, 45 −45, 00o 54, 74o · 1, 29 225, 00o 53, 70o

= 3, 16 180, 00o 108, 44o ≃b

2.1.1 Resolução da equação b · w = a


Nos reais (ou complexos) temos,

a x = b ⇒ (a x) x−1 = b x−1 ⇒ b x−1 = a

Isto é, para ir de a até b multiplicamos por x. Para voltar de b para a, multi-
plicamos ( b ) por x−1 (inverso de x).
Perguntamos: e nos hipercomplexos, como fazemos para voltar? (será que
voltamos pelo mesmo caminho?). Temos,

a·w =b (2.9)

Vamos de a para b por dois caminhos (as duas soluções de (2.9)). Para voltar
de b para a basta permutá-los em (2.9), assim

b · w̃ = a (2.10)

Ou ainda,
(a2 , b2 , c2 ) · w̃ = (a1 , b1 , c1 ) (2.11)
Para resolver esta equação (isto é, para encontrar w̃) basta, na solução de (2.9)
fazer a seguinte permuta,

a = (a1 , b1 , c1 )
l l l
b = (a2 , b2 , c2 )

Isto é, basta trocarmos os ı́ndices: 1 ↔ 2. Então, a solução de (2.10) fica,


     
1 b1 c2 c1 b1 c c


 x = ρ2 a (−µ)+b r2
2
+ √ 2


 x = ρ12 a (−µ)+b r22 − √ 2 1 2
 2 2 2 1+(−µ)  2 2 2 1+(−µ)
 
b1 6= 0 ⇒ y = (−µ) · x ou y = (−µ) · x


 √ 2 x


 √ 2
 c
z = 1 2 −c 1+(−µ) z = c1 +c2 1+(−µ) x

2
r r 2

Ou ainda,
     
1 a1 2 c2 c1 1 a1 2 c2 c1

 x = 2
ρ2 a2 −(−µ)·b2 2r + √ 
 x = 2
ρ2 a2 −(−µ)·b2 2r − √

 1+(−µ)2 
 1+(−µ)2
 
6 0 ⇒ y = (−µ) · x
a1 = ou y = (−µ) · x


 √ 2


 √ 2
z = c1 −c2 1+(−µ) x
 z = c1 +c2 1+(−µ) x

r 2
r 2

Observe que,
a2 b 1 − a1 b 2
µ̃ = = −µ
a2 a1 + b 2 b 1
88

onde µ̃ diz respeito à solução de (2.10).


Resumindo, a solução da equação (2.11) é dada por
     
a1 c c a1 c c


 x = ρ12 a +µ·b r22 + √ 2 1 2 

 x = ρ12 a +µ·b r22 − √ 2 1 2

 2 2 2 1+µ 
 2 2 2 1+µ

a1 6= 0 ⇒ y = −µ · x ou y = −µ · x


 √ 2 

 √ 2
 c −c 1+µ x  c +c 1+µ x
 z= 1 2r  z= 1 2r
2 2

Ou ainda,
     
b1 c c b1 c c


x = ρ12 −a µ+b r22 + √ 2 1 2 

 x = ρ12 −a µ+b r22 − √ 2 1 2

 2 2 2 1+µ 
 2 2 2 1+µ

6 0 ⇒ y = −µ · x
b1 = ou y = −µ · x


 √ 

 √
z = c1 −c2 1+µ2 x
 z = c1 +c2 1+µ2 x

r 2
r 2

−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−−
Perguntamos: que relações devem existir entre as (duas) soluções w e as (duas)
soluções w̃? Será que w · w̃ = 1?
Vamos responder esta pergunta para o caso particular do exemplo anterior.
Vamos resolver a equação,
(1, 0, 3) · w̃ = (1, −1, 2)
“inversa” de (2.8).
Solução: Temos,
r22 = 11 + 02 = 1, ρ22 = 11 + 02 + 32 = 10
e,
a2 b 1 − a1 b 2
µ̃ = = −µ = −1
a2 a1 + b 2 b 1
Vamos tomar para solução,
     
1 b1 2 c2 c1 1 b1 2 c2 c1


 x = 2
ρ2 −a2 µ+b2 2r + √ 

 x = 2 r
ρ2 −a2 µ+b2 2 − √

 1+µ2 
 1+µ2

b1 6= 0 ⇒ y = −µ · x ou y = −µ · x


 √ 

 √
z = c1 −c2 1+µ2 x
 z = c1 +c2 1+µ2 x

r 2 r 2

Nota: poderiamos ter tomado, igualmente, a solução para o outro caso ( a1 6= 0 ).


Temos,
     
1 −1 √ 3·2 1 −1 √ 3·2


 x = 10 −1· 1+0 · 1 + 1+1 2


 x = 10 −1· 1+0 · 1 − 1+1 2
 
y = −1 · x ou y = −1 · x

 √

 √
 2  2
z = 2−3· 11+1 x z = 2+3· 11+1 x
 

Sendo assim, temos



1
√ 
1



x= 10(1 + 3 2) 

 x= 10 (1 − 3 2)

1
√ 
1

w̃ = y = 10 (−1 − 3 2)
ou y= 10 (−1 + 3 2)
 

 1
√ 
 1

10 (2 − 3 2)
z = z =
10 (2 + 3 2)
Gentil 89

Vamos repetir aqui, para efeito de comparação, a solução do “problema inverso”:



1
√  √


 x = 6 (1 + 3 2 ) 

 x = 16 (1 − 3 2 )
 √  √
w = y = 61 (1 + 3 2 ) ou y = 16 (1 − 3 2 )
 
z = 1 (−2 + 3 √2 ) z = 1 (2 + 3 √2 )

 

6 6

Quem é inverso de quem? Isto é, w · w̃ = 1?


Nota: Usando o programa dado no apêndice (para multiplicar dois hipercom-
plexos) constatamos que apenas a primeira solução de w̃ é inversa da primeira
solução de w.
Da relação,
w1 ρ
= 1 θ1 −θ2 β1 −β2
w2 ρ2
Tomando w1 = 1 = 1 0o 0o , temos que o inverso de w2 é,
1 1 −θ2 −β2
=
w2 ρ2

Vamos escrever as soluções anteriores na forma polar para ver quem é inverso
de quem:

(b → a) w̃ = 0, 77 −45, 00o −16, 83o ou w̃ = 0, 77 135, 00o 53, 70o

Vamos repetir, para efeito de comparação, as soluções w,

(a → b) w = 1, 29 45, 00o 16, 83o ou w′ = 1, 29 225, 00o 53, 70o

O que confirma a assertiva anterior. Logo, para irmos de a para b (a → b)


vamos por dois caminhos, para retornar (b → a) também retornamos por dois
caminhos. Apenas um destes é inverso de um dos caminhos da ida (por sinal
o “menor caminho” tem inverso). Portanto, retornamos por um caminho dife-
rente da ida (embora o outro seja o mesmo da ida).
De outro modo: a solução da equação b → a nos dá duas opções: ou vol-
tamos pelo “mesmo caminho” (inverso) ou voltamos por um caminho diferente
dos dois da ida.
90

2.1.2 Resolução da equação a · w −1 = b


a
Vamos resolver a equação, w = b (ou ainda a · w−1 = b) , onde a =
(a1 , b1 , c1 ) e b = (a2 , b2 , c2 ) são dados e w = (x, y, z) é a incógnita.
Vamos assumir que (isto é, vamos resolver esta equação para o caso em
que) a e b situam-se fora do eixo 0z.
Inicialmente escrevemos w−1 , assim,
1
w−1 = ( x, −y, −z ), onde ρ2 = x2 + y 2 + z 2 .
ρ2
Devemos resolver a seguinte equação,
x −y −z 
(a1 , b1 , c1 ) · , , , = (a2 , b2 , c2 )
ρ2 ρ2 ρ2

A resolução direta deste sistema torna-se extremamente difı́cil (se é que é


possı́vel). Vamos resolvê-lo indiretamente, aproveitando a solução da equação
do primeiro grau a · w = b. Resolvemos esta equação para as variáveis ρx2 , −y
ρ2 e
−z
ρ2 , assim (ver equação (2.7), pág. 85),
     
b2


x 1
ρ2 = ρ21 a1 µ+b1 r1 +
2 √c1 c2 2 

x 1 b2
ρ2 = ρ21 a1 µ+b1 r1 −
2 √c1 c2 2

 1+µ 
 1+µ
 
−y x −y x
6 0 ⇒
b2 = ρ2 = µ · ρ2 ou ρ2 = µ · ρ2


 √ 2 x 

 √ 2 x
 −z c 2 −c 1 1+µ · ρ2  −z c 2 +c 1 1+µ · ρ2

ρ2 = r

ρ2 = r
1 1

Ou ainda,
     
1 b2 c c 1 b2 c c

x= ρ21 a1 µ+b1 r12 + √ 1 2 2 · ρ2 
 x= ρ21 a1 µ+b1 r12 − √ 1 2 2 · ρ2

 1+µ 
 1+µ
b2 6= 0 ⇒ y = −µ · x ou y = −µ · x

 p 
 p
z = − c2 ρ2 +
 c1
1 + µ2 · x  z = − c 2 ρ2 −
 c1
1 + µ2 · x
r 1
r1 r 1
r1

Neste instante o leitor poderia argumentar: a equação a · w−1 = b ainda


não encontra-se resolvida devido a que ρ2 = x2 + y 2 + z 2 .
Isto é verdade. Para contornar este obstáculo usaremos de um artifı́cio.
Pelo corolário 2 (pág. 33), temos

a · w−1 = b ⇒ |a · w−1 | = |b| ⇒ |a| · w−1 = |b|

1 |a|
⇒ |a| · = |b| ⇒ ρ =
ρ |b|

Sendo assim, vamos considerar ρ como uma constante. Tendo em conta


ρ1
que ρ = |a|
|b| = ρ , resulta
2

     
1 b2 2 c1 c2 1 b2 2 c1 c2

x = 2 r
ρ2 a1 µ+b1 1 + √ 
 x = 2 r
ρ2 a1 µ+b1 1 − √

 1+µ2 
 1+µ2
6 0 ⇒ y = −µ · x
b2 = ou y = −µ · x

 

z = − c2 ρ1 2 + c1 p1 + µ2 · x
 z = − c2 ρ1 2 − c1 p1 + µ2 · x

r1 ρ2 r1 r1 ρ2 r1
Gentil 91

A outra solução fica assim (ver equação (2.6), pág. 85),


     
a2


x
ρ2 = ρ2
1
a −µ·b r 2
1
+ √c1 c2 2 

x
ρ
1
2 = ρ2 a
a2
−µ·b r1
2
− √c1 c2 2

 1 1 1 1+µ 
 1 1 1 1+µ
 
−y x −y x
a2 6= 0 ⇒ ρ2 = µ · ρ2 ou ρ2 = µ · ρ2


 √ 2 x


 √ 2 x
c2 −c1 1+µ · ρ2
 −z
 =  −z = c2 +c1 1+µ · ρ2

ρ2 r 1 ρ2 r 1

Ou ainda,
     
1 a2 c c 1 a2 c c
x =

 ρ22 a1 −µ·b1 r12 + √ 1 2 2 x =

 ρ22 a1 −µ·b1 r12 − √ 1 2 2
 1+µ  1+µ
a2 6= 0 ⇒ y = −µ · x ou y = −µ · x

 p 
 p
z = − c 2
 ρ1 2 c1 z = − c 2
 ρ1 2 c1
r ρ2 + r1 1 + µ2 · x r ρ2 − r1 1 + µ2 · x
1 1

Exemplo: Resolva a equação: (1, −1, 2) · w−1 = (1, 0, 3). Ou ainda,

(1, −1, 2) · (x, y, z)−1 = (1, 0, 3)

Solução: Temos, (a1 , b1 , c1 ) = (1, −1, 2) e (a2 , b2 , c2 ) = (1, 0, 3); então

r12 = 12 + (−1)2 = 2, ρ21 = 12 + (−1)2 + 22 = 6, ρ22 = 12 + 02 + 32 = 10

e,
a1 b 2 − a2 b 1 1 · 0 − 1 · (−1)
µ= = =1
a1 a2 + b 1 b 2 1 · 1 + (−1) · 0
Temos,
     
1 1 √ 2·3 1 1 √ 2·3


 x= 10 1−1·(−1) ·2+ 1+12


x= 10 1−1·(−1) ·2− 1+12
 
a2 6= 0 ⇒ y = −1 · x ou y = −1 · x
 


z = − √3 6 + √ 
 √
√2 1 + 12 · x z = − √3 6 − √2 1 + 12 · x
2 10 2 2 10 2

Simplificando, obtemos

1
√ 
1

x = 10 (1 + 3 2)

 x =

 2)
10 (1 −3

1
√ 
1

y = − 10 (1 + 3 2) ou y = − 10 (1 − 3 2)
 
z = 1 (2 − 3 √2) z = − 1 (2 + 3 √2)

 

10 10
92

2.1.3 Resolução da equação b · w −1 = a


Vamos resolver a equação, wb = a (ou ainda b · w−1 = a) , onde a =
(a1 , b1 , c1 ) e b = (a2 , b2 , c2 ) são dados e w = (x, y, z) é a incógnita.
Vamos assumir que (isto é, vamos resolver esta equação para o caso em
que) a e b situam-se fora do eixo 0z.
Inicialmente escrevemos w−1 , assim,
1
w−1 = ( x, −y, −z ), onde ρ2 = x2 + y 2 + z 2 .
ρ2
Devemos resolver a seguinte equação,
x −y −z 
(a2 , b2 , c2 ) · , , , = (a1 , b1 , c1 ) (2.12)
ρ2 ρ2 ρ2
A resolução direta deste sistema torna-se extremamente difı́cil (se é que é
possı́vel). Vamos resolvê-lo indiretamente, aproveitando a solução da equação
do primeiro grau a · w = b.
Inicialmente façamos uma “mudança de variáveis” , assim,
x −y −z
X= 2
, Y = 2, Z= 2. (2.13)
ρ ρ ρ
O nosso sistema torna-se,
(a2 , b2 , c2 ) · (X, Y, Z) = (a1 , b1 , c1 ) (2.14)
Para resolver esta equação (isto é, para encontrar W = (X, Y, Z)) basta, na
solução de a · w = b fazer a seguinte permuta,
a = (a1 , b1 , c1 )
l l l
b = (a2 , b2 , c2 )
Isto é, basta trocarmos os ı́ndices: 1 ↔ 2. Então, a solução de (2.14) fica (ver
equação (2.6), pág. 85),
     
a1 c c a1 c c


 X = ρ12 a −(−µ)·b r22 + √ 2 1 2 

 X = ρ12 a −(−µ)·b r22 − √ 2 1 2
 2 2 2 1+(−µ)  2 2 2 1+(−µ)
 
a1 6= 0 ⇒ Y = (−µ) · X ou Y = (−µ) · X


 √ 2


 √ 2
 c1 −c2 1+(−µ) X Z = c1 +c2 1+(−µ) X

 Z= r r
2 2

Ou ainda (ver equação (2.7), pág. 85),


     
1 b1 2 c2 c1 1 b1 2 c2 c1

 X = 2
ρ2 a2 (−µ)+b2 2 r + √ 
X = 2
ρ2 a2 (−µ)+b2 2r − √

 1+(−µ)2 
 1+(−µ)2
 
b1 6= 0 ⇒ Y = (−µ) · X ou Y = (−µ) · X


 √ 2


 √ 2
Z = c1 −c2 1+(−µ) X
 Z = c1 +c2 1+(−µ) X

r 2
r 2

Observe que,
a1 b 2 − a2 b 1 1↔2 a2 b 1 − a1 b 2
µ= =⇒ = −µ
a1 a2 + b 1 b 2 a2 a1 + b 2 b 1
Gentil 93

Vamos voltar com as variáveis iniciais (dadas por (2.13)), então,

     
a1

 x 1
ρ2 = ρ22 a2 −(−µ)·b2 r2 +
2 √ c2 c1 2 
 x 1 a1
ρ2 = ρ22 a2 −(−µ)·b2 r2 −
2 √ c2 c1 2

 1+(−µ) 
 1+(−µ)
 
−y x −y x
6 0 ⇒
a1 = ρ2 = (−µ) · ρ2 ou ρ2 = (−µ) · ρ2

 √ 
 √

 −z c 1
−c 2
1+(−µ)2 ρx2 
 −z c 1
+c 2
1+(−µ)2 ρx2
ρ2 = ρ2 =
 
r 2
r 2

Ou ainda,
     
x 1 b1 2 c2 c1 x 1 b1 2 c2 c1

 ρ2 = 2 r
ρ2 a2 (−µ)+b2 2 + √ 
 ρ2 = 2 r
ρ2 a2 (−µ)+b2 2 − √

 1+(−µ)2 
 1+(−µ)2
 
−y x −y x
6 0 ⇒
b1 = ρ2 = (−µ) · ρ2 ou ρ2 = (−µ) · ρ2


 √ 2 x


 √ 2 x
 −z = c1 −c2 1+(−µ) ρ2
  −z = c1 +c2 1+(−µ) ρ2

ρ 2 r ρ 2 r
2 2

De outro modo,
     
a1 c c a1 c c

 x = ρ12 a +µ·b r22 + √ 2 1 2 · ρ2 
x = ρ12 a +µ·b r22 − √ 2 1 2 · ρ2

 2 2 2 1+µ 
 2 2 2 1+µ
 
a1 6= 0 ⇒ y = µ · x ou y = µ · x


 √ 2 x 

 √ 2 x
 c1 −c2 1+µ ρ2  c1 +c2 1+µ ρ2
 z= r · (−ρ2 ) z= r · (−ρ2 )
2 2

Ou ainda,
     
1 b1 2 c2 c1 1 b1 c2 c1

 x = 2 r
ρ2 −a2 µ+b2 2 + √ · ρ2 
 x = 2 r
ρ2 −a2 µ+b2 2
2
− √ · ρ2

 1+µ2 
 1+µ2
 
6 0 ⇒ y =µ·x
b1 = ou y = µ·x


 √ 2 x 

 √ 2 x
z = c1 −c2 1+µ ρ2 · (−ρ2 )
 z = c1 +c2 1+µ ρ2 · (−ρ2 )

r 2
r 2

Neste instante o leitor poderia argumentar: a equação (2.12) ainda não


encontra-se resolvida devido a que ρ2 = x2 + y 2 + z 2 .
Isto é verdade. Para contornar este obstáculo usaremos de um artifı́cio.
Pelo corolário 2 (pág. 33), temos

b · w−1 = a ⇒ |b · w−1 | = |a| ⇒ |b| · w−1 = |a|

1 |b|
⇒ |b| · = |a| ⇒ ρ =
ρ |a|

Sendo assim, vamos considerar ρ como uma constante. Tendo em conta


|b| ρ
que ρ = |a| = ρ2 , resulta
1

     
1 a1 2 c2 c1 1 a1 2 c2 c1

 x = 2 r
ρ1 a2 +µ·b2 2 + √ 
 x = 2 r
ρ1 a2 +µ·b2 2 − √

 1+µ2 
 1+µ2
6 0 ⇒ y = µ·x
a1 = ou y = µ·x

 

z = − c1 ρ2 2 + c2 p1 + µ2 · x
 z = − c1 ρ2 2 − c2 p1 + µ2 · x

r2 ρ1 r2 r2 ρ1 r2
94

Ou ainda,
     
b1

x = ρ
1
2 −a µ+b r2
2
+ √c2 c1 2 
 x = ρ
1
2 −a
b1
µ+b r2
2
− √c2 c1 2

 1 2 2 1+µ 
 1 2 2 1+µ
6 0 ⇒ y = µ·x
b1 = ou y =µ·x

 

z = − c1 ρ2 2 + c2 p1 + µ2 · x
 z = − c1 ρ2 2 − c2 p1 + µ2 · x

r2 ρ1 r2 r2 ρ1 r2

2.2 Resolução da equação a · w2 = b


Vamos resolver a equação, a · w2 = b , onde a = (a1 , b1 , c1 ) e b = (a2 , b2 , c2 )
são dados e w = (x, y, z) é a incógnita.
Vamos assumir que (isto é, vamos resolver esta equação para o caso em
que) a e b situam-se fora do eixo 0z.
Pelo lema 1 (pág. 35) podemos escrever,
 z2  z2  p 
a·w2 = (a1 , b1 , c1 )· (x2 −y 2 )· 1− , 2 x y· 1− , 2z x2 + y2 = (a2 , b2 , c2 )
x2 + y 2 x2 + y 2

Realizando este produto em (D4 ), temos o seguinte sistema a resolver,


 z2  z 2 
a1 · (x2 − y 2 ) 1 − − b · 2 x y 1 − γ = a2
x2 + y 2 1
x2 + y 2
 z2  2 2 z2  
a1 · 2 x y 1 − + (x − y ) 1 − · b γ = b2
x2 + y 2 x2 + y 2 1

p
c1 · r2 + 2z x2 + y 2 · r1 = c2
q
Onde, r1 = a21 + b21 ,
q  2   2
z2 z2
r2 = (x2 − y 2 ) · 1 − x2 +y 2 + 2xy · 1 − x2 +y 2

e,

c1 ·2z x2 +y 2
γ =1− r1 ·r2

Simplificando, temos
  z2 
a1 · (x2 − y 2 ) − b1 · 2 x y · 1− · γ = a2 (2.15)
x2 + y2
  z2 
a1 · 2 x y + (x2 − y 2 ) · b1 · 1 − · γ = b2 (2.16)
x2 + y2
p
c1 · r2 + 2z x2 + y 2 · r1 = c2 (2.17)
z 2 
r2 = (x2 + y 2 ) 1 −

(2.18)
x2 + y2
q
Como, por hipótese, r2′ = a22 + b22 6= 0, vamos considerar dois casos,
Gentil 95

1o ) b2 6= 0. Dividindo (2.15) por (2.16) e simplificando, obtemos,

a1 b 2 − a2 b 1
µ ( x2 − y 2 ) − 2xy = 0, onde, µ = (2.19)
a1 a2 + b 1 b 2

Desta equação obtemos, y 2 + 2x 2


µ y −x = 0. Resolvendo esta equação, em relação
a y, temos q 
− 2x
µ ± 4 x2 1 + µ12
y= (2.20)
2·1
Simplificando,
x p
y = − ± |x| ν, onde, ν = 1 + 1/µ2
µ
Para prosseguir devemos considerar duas possibilidades:
1 ) x > 0, ( |x| = x ). Neste caso ficamos com,
x x x
y=− ± x ν ⇒ y = − + x ν, ou y = − − x ν
µ µ µ

Nota: Não podemos ter x = 0, porquanto teriamos y = 0, o que não satisfaz o


sistema.
Consideremos, em separado, cada uma destas possibilidades para y:
1.1 ) y = − µx + x ν = (− µ1 + ν)x. Vamos necessitar das somas

 1 2  1 
x2 + y 2 = x2 + (− + ν)x = x2 1 + (− + ν)2 = x2 λ (2.21)
µ µ
 1 2  1 
x2 − y 2 = x2 − (− + ν)x = x2 1 − (− + ν)2 = x2 σ (2.22)
µ µ
   
onde, λ = 1 + (− µ1 + ν)2 e σ = 1 − (− µ1 + ν)2 . Substituindo (2.21) em
(2.18), resulta,
z2
r2 = x2 λ 1 − 2 = |x2 λ − z 2 |
x λ
Este resultado em (2.17), fornece,

c1 · |x2 λ − z 2 | + 2z x λ · r1 = c2 (2.23)
√ √ √
c ·2z x2 +y 2 c ·2z x2 +y 2 r1 c ·2z x2 +y 2 ·r1
γ = 1 − 1 r ·r = 1 − 1 r ·r · r = 1 − 1 r2 ·r
1 2 1 2 1 1 2
p
2 2
De (2.17), tiramos 2z x + y · r1 = c2 − c1 · r2 , substituindo nesta última
equação, temos

c1 · (c2 − c1 · r2 ) 1  2 1
γ =1− = ρ − c · c
r12 · r2 r12 1 1 2
r2

1  2 1 
= ρ − c · c (2.24)
r12 1 1 2
|x2 λ − z 2 |
96

Substituindo γ, (2.21) e (2.22) em (2.16), obtemos,


 1    z2  1  2 1 
2a1 x − + ν x + x2 σ b1 · 1 − 2 · 2 ρ 1 − c1 · c2 2 = b2
µ x λ r1 |x λ − z 2 |

Simplificando, temos
  c1 c2  λ r12
x2 λ − z 2 · ρ21 − =  ·b
|x2 λ − z 2 | 2 a1 − µ1 + ν + σ b1 2

Ainda,
 ( x2 λ − z 2 ) λ r12
x2 λ − z 2 · ρ21 − 2 · c c =  ·b
|x λ − z 2 | 1 2
2 a1 − µ1 + ν + σ b1 2

Ou,
 λ r12
x2 λ − z 2 · ρ21 − ( ±1 ) · c1 c2 = 1
 ·b (2.25)
2 a1 − + ν + σ b1 2
µ

Sendo assim, temos


 1h λ r12 i
x2 λ − z 2 = 2 1
 · b 2 ± c1 c2 (2.26)
ρ1 2 a1 − µ + ν + σ b 1

Chamando a constante do lado direito de τ , resulta

|x2 λ − z 2 | = |τ |

Este resultado em (2.23) nos dá z em função de x, assim


√ c2 − c1 · |τ |
c1 · |τ | + 2z x λ · r1 = c2 ⇒ z = √ (2.27)
2 x r1 λ
Logo,
(c2 − c1 · |τ |)2
z2 = (2.28)
4 x2 r12 λ
Agora vamos obter a seguinte relação:

z2 1 (c − c · |τ |)2 1 (c − c1 · |τ |)2
= 2 · 2 21 2 = 4· 2
x2 +y 2 x λ 4 x r1 λ x 4 r12 λ2

Portanto,
z2 κ
= 4 (2.29)
x2 + y2 x
onde,
 c − c · |τ | 2
2 1
κ=
2 r1 λ
Temos ainda,
1  2 1  1  1 
γ= 2
ρ 1 − c1 · c2 2 2
= 2 ρ21 − c1 · c2 = γ̃
r1 |x λ − z | r1 |τ |
Gentil 97

Onde γ = γ̃, agora é uma constante.


Vamos substituir todos estes resultados em (2.16),
 1    κ 
a1 · 2x − + ν x + x2 σ · b1 · 1 − 4 γ̃ = b2
µ x
Então,
 1    κ 
x2 2 a1 − + ν + σ · b1 · 1 − 4 γ̃ = b2
µ x
Isto nos dá,
 κ  b2
x2 · 1 − 4 = 
x 2 a1 (− µ1 + ν ) + σ · b1 γ̃
Vamos chamar a constante do lado direito de α, então,
 κ 
x2 · 1 − 4 = α ⇒ x4 − α x2 − κ = 0
x
Façamos x2 = X, então, X 2 − α X − κ = 0. Sendo assim, temos

α ± α2 + 4κ
X=
2
A relação x2 = X nos diz que devemos escolher X > 0 ( veja que α − |α| ≤ 0 ),
portanto temos, √
α + α2 + 4κ
x2 =
2
Ou ainda, s √
α + α2 + 4κ
x=±
2
Lembre-se que esta é a opção 1 ) x > 0; portanto, finalmente, temos
p √
2α + 2 α2 + 4 κ
x=
2
Fazendo um resumo (parcial), temos

p √
2α + 2 α2 + 4 κ
x=
2
1 
y= − +ν x
µ
c2 − c1 · |τ | 1
z= √ ·
2 r1 λ x

Onde,
a1 b2 −a2 b1 p
µ= a1 a2 +b1 b2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + (− µ1 + ν)2 , σ = 1 − (− µ1 + ν)2
h λ r12
i  2  
1 c2 −c1 ·|τ | 1 1
τ= ρ21 1
 · b 2 ± c1 c2 , κ= 2 r1 λ , γ̃ = r12 ρ21 − c1 · c2 |τ |
2 a1 − µ +ν +σ b1
98

b2
α= 1

2 a1 (− µ +ν )+σ·b1 γ̃

Continuemos,
1.2 ) y = − µx − x ν = −( µ1 + ν)x. Vamos necessitar das somas

 1 2  1 
x2 + y 2 = x2 + −( + ν)x = x2 1 + ( + ν)2 = x2 λ (2.30)
µ µ
 1 2  1 
x2 − y 2 = x2 − −( + ν)x = x2 1 − ( + ν)2 = x2 σ (2.31)
µ µ
   
onde, λ = 1 + ( µ1 + ν)2 e σ = 1 − ( µ1 + ν)2 . Procedendo como no caso
anterior, obtemos
1  2 1 
r2 = |x2 λ − z 2 |, γ = 2
ρ 1 − c1 · c2 2 2
r1 |x λ − z |

Substituindo γ, (2.30) e (2.31) em (2.16), obtemos,


 1    z2  1  2 1 
− 2a1 x + ν x + x2 σ b1 · 1 − 2 · 2 ρ 1 − c1 · c2 2 = b2
µ x λ r1 |x λ − z 2 |

Simplificando, temos

  c1 c2  λ r12
x2 λ − z 2 · ρ21 − = 1
 · b2
|x2 λ − z 2 | −2 a1 µ + ν + σ b1

Procedendo como no caso anterior, obtemos

 1h λ r12 i
x2 λ − z 2 = 2 1
 · b 2
± c c
1 2
(2.32)
ρ1 −2 a1 µ + ν + σ b1

Chamando a constante do lado direito de τ , resulta

|x2 λ − z 2 | = |τ |

As constantes κ e γ̃ são como no caso anterior∗ .


Vamos substituir todos estes resultados em (2.16),
 1    κ 
− a1 · 2x + ν x + x2 σ · b1 · 1 − 4 γ̃ = b2
µ x

Então,
 1    κ 
x2 − 2 a1 + ν + σ · b1 · 1 − 4 γ̃ = b2
µ x
Isto nos dá,
 κ  b2
x2 · 1 − 4 = 
x − 2 a1 ( µ1 + ν ) + σ · b1 γ̃
∗ só que agora em função dos novos valores das constantes que as precedem, evidentemente.
Gentil 99

Vamos chamar a constante do lado direito de α, então,


 κ 
x2 · 1 − 4 = α ⇒ x4 − α x2 − κ = 0
x
No mais, tudo segue como no caso anterior.
Fazendo um resumo (parcial), temos

p √
2α + 2 α2 + 4 κ
x=
2
1 
y=− +ν x
µ
c2 − c1 · |τ | 1
z= √ ·
2 r1 λ x

Onde,
a1 b2 −a2 b1 p
µ= a1 a2 +b1 b2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + ( µ1 + ν)2 , σ = 1 − ( µ1 + ν)2

h λ r12
i  2  
1 c2 −c1 ·|τ | 1 1
τ= ρ21 1
 · b 2 ± c1 c2 , κ= 2 r1 λ , γ̃ = r12 ρ21 − c1 · c2 |τ |
−2 a1 µ +ν +σ b1

b2
α= 1

−2 a1 ( µ +ν )+σ·b1 γ̃

2 ) x < 0, ( |x| = −x ). Neste caso ficamos com,


x x x
y=− ± (−x) ν ⇒ y = − + x ν, ou y = − − x ν
µ µ µ

Consideremos, em separado, cada uma destas possibilidades para y:


2.1 ) y = − µx + x ν = (− µ1 + ν)x. Desenvolvimento análogo ao caso 1.1 ).
Observe que o análogo de (2.23) (pág. 95), para este caso é:

c1 · |x2 λ − z 2 | − 2z x λ · r1 = c2

donde,
c2 − c1 · |τ |
z=− √ (2.33)
2 x r1 λ
Em, s

α+ α2 + 4κ
x=±
2
optamos pelo sinal negativo, isto é,
p √
2α + 2 α2 + 4 κ
x=−
2
100

Fazendo um resumo (parcial), temos

p √
2α + 2 α2 + 4 κ
x=−
2
1 
y= − +ν x
µ
c2 − c1 · |τ | 1
z=− √ ·
2 r1 λ x

Onde,
a1 b2 −a2 b1 p
µ= a1 a2 +b1 b2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + (− µ1 + ν)2 , σ = 1 − (− µ1 + ν)2
h λ r12
i  2  
1 c2 −c1 ·|τ | 1 1
τ= ρ21 1
 · b 2 ± c1 c2 , κ= 2 r1 λ , γ̃ = r12 ρ21 − c1 · c2 |τ |
2 a1 − µ +ν +σ b1

b2
α= 1

2 a1 (− µ +ν )+σ·b1 γ̃

Continuemos,
2.2 ) y = − µx − x ν = −( µ1 + ν)x. Neste caso (os passos são os mesmos de 1.2 )),
temos

p √
2α + 2 α2 + 4 κ
x=−
2
1 
y=− +ν x
µ
c2 − c1 · |τ | 1
z=− √ ·
2 r1 λ x

Onde,
a1 b2 −a2 b1 p
µ= a1 a2 +b1 b2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + ( µ1 + ν)2 , σ = 1 − ( µ1 + ν)2
h λ r12
i  2  
1 c2 −c1 ·|τ | 1 1
τ= ρ21 1
 · b 2 ± c1 c2 , κ= 2 r1 λ , γ̃ = r12 ρ21 − c1 · c2 |τ |
−2 a1 µ +ν +σ b1

b2
α= 1

−2 a1 ( µ +ν )+σ·b1 γ̃

Podemos unificar as soluções de 1.1 ) e 2.1 ); bem como as de 1.2 ) e 2.2 )


da seguinte forma:
Gentil 101

p √
2α + 2 α2 + 4 κ
x=± (2.34)
2
1 
y= − +ν x
µ
c2 − c1 · |τ | 1
z=± √ ·
2 r1 λ x

Onde,
a1 b2 −a2 b1 p
µ= a1 a2 +b1 b2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + (− µ1 + ν)2 , σ = 1 − (− µ1 + ν)2
h λ r12
i  2  
1 c2 −c1 ·|τ | 1 1
τ= ρ21 1
 · b 2 ± c1 c2 , κ= 2 r1 λ , γ̃ = r12 ρ21 − c1 · c2 |τ |
2 a1 − µ +ν +σ b1

b2
α= 1

2 a1 (− µ +ν )+σ·b1 γ̃

e,

p √
2α + 2 α2 + 4 κ
x=± (2.35)
2
1 
y=− +ν x
µ
c2 − c1 · |τ | 1
z=± √ ·
2 r1 λ x

Onde,
a1 b2 −a2 b1 p
µ= a1 a2 +b1 b2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + ( µ1 + ν)2 , σ = 1 − ( µ1 + ν)2
h λ r12
i  2  
1 c2 −c1 ·|τ | 1 1
τ= ρ21 1
 · b 2 ± c1 c2 , κ= 2 r1 λ , γ̃ = r12 ρ21 − c1 · c2 |τ |
−2 a1 µ +ν +σ b1

b2
α= 1

−2 a1 ( µ +ν )+σ·b1 γ̃

Análise do resultado:
i ) Qualquer
√ que seja o sinal de α, x sempre resulta real. De fato, devemos ter
2α + 2 α2 + 4κ > 0. Então,
√ √
α + α2 + 4κ > 0 ⇔ α > − α2 + 4κ
Se α > 0 (ok!). Se α < 0:
√ √ 2
α > − α2 + 4κ ⇔ α2 < − α2 + 4κ ⇔ α2 < |α2 + 4κ|
o que é sempre verdade uma vez que κ > 0.
ii ) Devido a presença do termo ± c1 c2 em τ , concluimos que podemos ter até
102

oito soluções para a equação a·w2 = b. Portanto, em H, uma equação quadrática


pode ter até oito soluções.
iii ) Quando a = 1 = (1, 0, 0) então as soluções de a·w2 = b são precisamente as
raı́zes quadradas de b. Neste caso observe que, devido c1 = 0, temos um único
valor para τ , o que nos diz que são em número de quatro as raı́zes quadradas
de um hiperimaginário (não singular).
Nossa tarefa ainda não encontra-se concluida. Falta resolver a equação
para o caso a2 6= 0.
2o ) a2 6= 0. Dividindo (2.16) por (2.15) e simplificando, obtemos,

a1 b 2 − a2 b 1
−µ ( x2 − y 2 ) + 2xy = 0, onde, µ =
a1 a2 + b 1 b 2

Que é a mesma equação obtida em (2.19) (pág. 95), o que nos poupa algum
trabalho. Seguindo os mesmos passos da resolução para o caso b2 6= 0 chegamos
a seguinte solução:

p √
2α + 2 α2 + 4 κ
x=± (2.36)
2
1 
y= − +ν x
µ
c2 − c1 · |τ | 1
z=± √ ·
2 r1 λ x

Onde,
a1 b2 −a2 b1 p
µ= a1 a2 +b1 b2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + (− µ1 + ν)2 , σ = 1 − (− µ1 + ν)2
h λ r12
i  2  
1 c2 −c1 ·|τ | 1 1
τ= ρ21 1
 · a 2 ± c1 c2 κ= 2 r1 λ , γ̃ = r12 ρ21 − c1 · c2 |τ |
−2 b1 −µ +ν +σ a1
a2
α= 1

−2 b1 (− µ +ν )+σ a1 γ̃

e,

p √
2α + 2 α2 + 4 κ
x=± (2.37)
2
1 
y=− +ν x
µ
c2 − c1 · |τ | 1
z=± √ ·
2 r1 λ x

Onde,
a1 b2 −a2 b1 p
µ= a1 a2 +b1 b2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + ( µ1 + ν)2 , σ = 1 − ( µ1 + ν)2
Gentil 103

h λ r12
i  2  
1 c2 −c1 ·|τ | 1 1
τ= ρ21 1
 · a 2 ± c1 c2 , κ= 2 r1 λ , γ̃ = r12 ρ21 − c1 · c2 |τ |
2 b1 µ +ν +σ a1

a2
α= 1

2 b1 ( µ +ν )+σ a1 γ̃

O leitor pode mostrar que se a2 6= 0 e b2 6= 0, então os dois casos nos


dão a mesma solução. Ou ainda: as soluções dadas por (2.34) e (2.36) são as
mesmas; bem como as dadas por (2.35) e (2.37).
(Contra)-Exemplo: Resolver a equação: (1, 0, 1) · w2 = (−1, 0, 1).
Solução: Temos,

a = (a1 , b1 , c1 ) = (1, 0, 1)
b = (a2 , b2 , c2 ) = (−1, 0, 1)

Portanto,
a1 = 1, b1 = 0, c1 = 1
a2 = −1, b2 = 0, c2 = 1
Se tentarmos calcular µ:

a1 b 2 − a2 b 1 1 · 0 − (−1) · 0
µ= = = 0,
a1 a2 + b 1 b 2 1 · (−1) + 0 · 0

e não podemos usar a fórmula para resolver esta equação. A propósito, observe
que, para utilizar a fórmula, não podemos ter, simultâneamente, b1 = b2 = 0 e
nem a1 = a2 = 0, isto é, a, b não podem pertencer ao plano x0z ou ao plano
y0z. Este caso deve ser tratado em separado. Embora não possamos utilizar a
fórmula, a técnica de resolução da equação a · w2 = b ainda se aplica
p neste caso.
Devido a que, por hipótese, estamos considerando r1 = a21 + b21 6= 0 e
p
r2′ = a22 + b22 6= 0, se

b1 = b2 = 0 (plano x0z) ⇒ a1 6= 0, a2 6= 0;
a1 = a2 = 0 (plano y0z) ⇒ b1 6= 0, b2 6= 0.

Pois bem, vamos resolver a equação proposta. Substituindo os dados no sistema


original, temos
  z2 
1 · (x2 − y 2 ) − 0 · 2 x y · 1 − · γ = −1
x2 + y 2
  z2 
1 · 2 x y + (x2 − y 2 ) · 0 · 1 − ·γ =0
x2 + y 2
p
1 · r2 + 2z x2 + y 2 · 1 = 1

onde,
p
2

2 z 2  1 · 2z x2 + y 2
r2 = (x + y ) 1 − , γ = 1 − (2.38)
x2 + y 2 1 · r2
104

Simplificando o sistema, temos

z2 
(x2 − y 2 ) 1 − · γ = −1 (2.39)
x2 + y2

z2 
xy 1 − ·γ =0 (2.40)
x2 + y2
p
r2 + 2z x2 + y 2 = 1 (2.41)
2 
De (2.39) e (2.40) concluimos que 1 − x2z+y2 · γ 6= 0, o que implica x y = 0.
Observe que não podemos ter, simultâneamente, x = 0 e y = 0. Vamos
considerar duas hipóteses,
1a ) y = 0 (portanto x 6= 0). Com esta hipótese, obtemos

z2 
x2 1 − · γ = −1 (2.42)
x2

r2 + 2z x2 = 1 (2.43)

2

z 2  2 2 2z x2
r2 = x 1 − 2 = |x − z |, γ = 1 − (2.44)
x r2

De (2.43), tiramos 2z x2 = 1 − r2 , em γ, obtemos γ = 2 − 1/r2 . Estes
resultados em (2.42), nos dão: x2 − z 2 = 0 ou x2 − z 2 = −1. De imediato,
jogamos fora a primeira destas possibilidades (implica r2 = 0). Sendo assim,
nos resta, r2 = | − 1| = 1. Este resultado em (2.43) nos dá z = 0, mas isto
implica em x2 = −1. Logo, devemos considerar a outra hipótese,
2a ) x = 0 (portanto y 6= 0). Com esta hipótese, obtemos

z2 
y2 1 − ·γ = 1 (2.45)
y2
p
r2 + 2z y2 = 1 (2.46)

onde, p
2
z 2  2 2 2z y 2
r2 = y 1 − 2 = |y − z |, γ = 1 − (2.47)
y r2
p
De (2.46), tiramos 2z y 2 = 1 − r2 , em γ, obtemos γ = 2 − 1/r2 . Estes re-
sultados em (2.45), nos dão: y 2 − z 2 = 0 ou y 2 − z 2 = 1. De imediato,
jogamos fora a primeira destas possibilidades (implica r2 = 0). Sendo assim,
nos resta, r2 = |1| = 1. Este resultado em (2.46) nos dá z = 0; o que implica
y = ± 1. Sendo assim, temos duas raı́zes para a nossa equação: w = (0, 1, 0)
ou w = (0, −1, 0).
Nota: Um outro caso que deve ser resolvido em separado é o da equação
(1, 1, 1) · w2 = (−1, 1, 1), porquanto neste caso temos o denominador de µ anu-
lado.
Gentil 105

Exemplo: Resolver a equação: (1, −1, 2) · w2 = (1, 0, 3).


Solução: Temos,

a = (a1 , b1 , c1 ) = (1, −1, 2)


b = (a2 , b2 , c2 ) = (1, 0, 3)

Portanto,
a1 = 1, b1 = −1, c1 = 2
a2 = 1, b2 = 0, c2 = 3
Como a2 6= 0 vamos usar as fórmulas (2.36) (pág. 102) e (2.37) (pág. 102).
Temos,
r12 = 12 + (−1)2 = 2, ρ21 = 12 + (−1)2 + 22 = 6
e,
a1 b 2 − a2 b 1 1 · 0 − 1 · (−1)
µ= = =1
a1 a2 + b 1 b 2 1 · 1 + (−1) · 0
Temos,
p
ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + (− µ1 + ν)2 , σ = 1 − (− µ1 + ν)2
p √ √
ν = 1 + 1/12 , λ = 1 + (− 11 + 2)2 , σ = 1 − (− 11 + 2)2

Temos,
√ √ √
ν= 2, λ = 2(2 − 2), σ = 2(−1 + 2)
Então,
h λ r12
i
1
τ= ρ21 1
 · a 2 ± c1 c2
−2 b1 − µ +ν +σ a1

h √ i √
1 2(2−  2)·2 2
τ= 6 √ √ ·1±2·3 = 6 ±1
−2·(−1) − 11 + 2 +2(−1+ 2)·1

Temos,

2
1o ) τ = 6 + 1. Neste caso temos

 c − c · |τ | 2  3 − 2 · 2 + 1 2 1 √
κ= 2 1
= √ 6
√ = 2 ( 1 + 2 2 )2
2 r1 λ 2 · 2 · 2(2 − 2) 24

1  2 1  1 1  3 √
γ̃ = 2
ρ 1 − c1 · c2 = 6 − 2 · 3 √ = ( −1 + 3 2 )
r1 |τ | 2 2 + 1 17
6

a2
α= 1

−2 b1 (− µ +ν )+σ a1 γ̃

1 1

α= √ √  √ = 12 (7 + 4 2)
−2·(−1) (− 11 + 3
2 )+2(−1+ 2)·1 · 17 ( −1+3 2 )
106
√ √
2α+2 α2 +4 κ
Substituindo estes valores em x = ± 2 , obtemos
s r
1
√ 1
√ 2 √
2· 12 ( 7+4 2 )+2 12 ( 7+4 2 ) +4· 2412 (1+2 2)2
x=± 2

r

6
√ q √ √
x=± 12 (7 + 4 2 ) + ( 7 + 4 2 )2 + (1 + 2 2)2

Para estes valores de x, temos


1
 √ 
y= − µ + ν x= −1+ 2 x

√ √ √
c2 −c1 ·|τ |
z=± √
2 r1 λ
· 1
x = ± (3 2−2)·
24
2+ 2
· 1
x


2
2o ) τ = 6 − 1. Neste caso temos

 c − c · |τ | 2  3 − 2 · 2 − 1 2 1 √
κ= 2 1
= √ 6
√ = 2 ( 5 + 4 2 )2
2 r1 λ 2 · 2 · 2(2 − 2) 24

1  2 1  1 1  3 √
γ̃ = ρ − c · c = 6 − 2 · 3 √ = − (1 + 3 2)
r12 1 1 2
|τ | 2 2 − 1 17
6

a2
α= 1

−2 b1 (− µ +ν )+σ a1 γ̃

1 1

α= √ √  √ = − 12 (5 + 2 2)
−2·(−1) (− 11 + 2 )+2(−1+ 2)·1 · −3
17 ( 1+3 2)
√ √
2α+2 α2 +4 κ
Substituindo estes valores em x = ± 2 , obtemos
s r
√ √ 2 √
1
2· −1
12 ( 5+2 2 )+2 − 12 ( 5+2 2) +4· 2412 (5+4 2)2
x=± 2

r

6
√ q √ √
x=± 12 −( 5 + 2 2 ) + ( 5 + 2 2 )2 + (5 + 4 2)2

Para estes valores de x, temos


1
 √ 
y= − µ + ν x= −1+ 2 x

√ √ √
c2 −c1 ·|τ |
z=± √
2 r1 λ
· 1
x = ± (3 2+2)· 2+ 2
24 · 1
x
Gentil 107

√ As outras soluções são dadas por (2.37) (pág. 102), onde, µ = 1 e


ν= 2. Temos,

λ = 1 + ( µ1 + ν)2 , σ = 1 − ( µ1 + ν)2
√ √ √ √
λ = 1 + ( 11 + 2)2 = 2(2 + 2), σ = 1 − ( 11 + 2)2 = −2(1 + 2)

Temos,
h λ r12
i
1
τ= ρ21 1
 · a 2 ± c1 c2
2 b1 µ +ν +σ a1

h √ i √
1 2(2+ 2)·2 2
τ= 6 √ √ ·1±2·3 =− 6 ± 1.
2·(−1) 11 + 2 +(−2)(1+ 2)·1

Temos,

o 2
1 ) τ =− 6 + 1. Neste caso temos

 c − c · |τ | 2  3 − 2 · − 2 + 1 2 1 √
κ= 2 1
= √ 6
√ = 2 (2 2 − 1)2
2 r1 λ 2 · 2 · 2(2 + 2) 24

1  2 1  1 1  3 √
γ̃ = 2
ρ 1 − c1 · c2 = 6−2·3 √ = − (1 + 3 2)
r1 |τ | 2 − 2 + 1 17
6

a2
α= 1

2 b1 ( µ +ν )+σ a1 γ̃

1 1

α= √ √  √ = − 12 (4 2 − 7)
2·(−1) ( 11 + 2 )+(−2)(1+ 2)·1 · −3
17 (1+3 2)

√ √
2α+2 α2 +4 κ
Substituindo estes valores em x = ± 2 , obtemos
s r
√ √ 2 √
1
2· −1
12 ( 4 2−7 )+2 − 12 (4 2−7 ) +4· 2412 (2 2−1)2
x=± 2


q √ √ √ √
6 −( 4 2−7 )+ ( 4 2−7 )2 +(2 2−1)2
x=± 6 2

Para estes valores de x, temos


1
 √ 
y=− µ + ν x=− 1+ 2 x

√ √ √
c2 −c1 ·|τ |
z=± √
2 r1 λ
· 1
x = ± (3 2+2)· 2− 2
24 · 1
x

Temos,
108

2
2o ) τ = − 6 − 1. Neste caso temos

 c − c · |τ | 2  3 − 2 · − 2 − 1 2 1 √
κ= 2 1
= √ 6
√ = 2 (4 2 − 5)2
2 r1 λ 2 · 2 · 2(2 + 2) 24

1  2 1  1 1  3 √
γ̃ = 2
ρ − c 1
· c 2
= 6 − 2 · 3 √ = − (1 − 3 2)
r1 1
|τ | 2 − 2 17
6 −1

a2
α= 1

2 b1 ( µ +ν )+σ a1 γ̃

1 1

α= √ √  √ = 12 (2 2 − 5)
2·(−1) ( 11 + 2 )+(−2)(1+ 2)·1 · −3
17 (1−3 2)

√ √
2α+2 α2 +4 κ
Substituindo estes valores em x = ± 2 , obtemos
s r
√ √ 2 √
1 1
2· 12 (2 2−5 )+2 12
(2 2−5 ) +4· 2412 (4 2−5)2
x=± 2


q
√ √ √ √
6 ( 2 2−5 )+ ( 2 2−5 )2 +(4 2−5)2
x=± 6 2

Para estes valores de x, temos


1
 √ 
y=− µ + ν x=− 1+ 2 x

√ √ √
c2 −c1 ·|τ | 1 (3 2−2)· 2− 2 1
z=± √
2 r1 λ
· x =± 24 · x
Gentil 109

Agrupando as raı́zes temos,

r

6
√ q √ √
x=± 12 (7 + 4 2 ) + ( 7 + 4 2 )2 + (1 + 2 2)2

√ 
y = −1+ 2 x
√ √ √
z = ± (3 2−2)· 2+ 2
24 · 1
x

r

6
√ q √ √
x=± 12 −( 5 + 2 2 ) + ( 5 + 2 2 )2 + (5 + 4 2)2

√ 
y = −1+ 2 x
√ √ √
z = ± (3 2+2)·
24
2+ 2
· 1
x

r

6
√ q √ √
x=± 12 ( 7 − 4 2 ) + ( 7 − 4 2 )2 + (1 − 2 2)2

√ 
y =− 1+ 2 x
√ √ √
z = ± (3 2+2)· 2− 2
24 · 1
x

r

6
√ q √ √
x=± 12 ( −5 + 2 2 ) + ( −5 + 2 2 )2 + (−5 + 4 2)2

√ 
y =− 1+ 2 x
√ √ √
z = ± (3 2−2)· 2− 2
24 · 1
x
110

Vamos agrupar estas raı́zes (e seus respectivos quadrados) na forma


polar (com duas decimais exatas):

x > 0: w = 1, 14 22, 50o 8, 41o ; w2 = 1, 29 45, 00o 16, 83o

x < 0: w = 1, 14 202, 50o 8, 41o ; w2 = 1, 29 45, 00o 16, 83o

x > 0: w = 1, 14 22, 50o 63, 15o ; w2 = 1, 29 225, 00o 53, 70o

x < 0: w = 1, 14 202, 50o 63, 15o ; w2 = 1, 29 225, 00o 53, 70o

x > 0: w = 1, 14 −67, 50o 26, 85o ; w2 = 1, 29 225, 00o 53, 70o

x < 0: w = 1, 14 112, 50o 26, 85o ; w2 = 1, 29 225, 00o 53, 70o

x > 0: w = 1, 14 −67, 50o 81, 59o ; w2 = 1, 29 45, 00o 16, 83o

x < 0: w = 1, 14 112, 50o 81, 59o ; w2 = 1, 29 45, 00o 16, 83o

A seguir plotamos as oito soluções da equação: (1, −1, 2) · w2 = (1, 0, 3),


Z

A solução da equação a · w2 = b para o caso em que a e b são complexos


(isto é, c1 = c2 = 0), fica:

√ (
2p 0, se α < 0;
x=± α + |α| = √ (2.48)
2 ± α, se α > 0.

1 
y= − +ν x
µ
z=0

Onde,
a1 b2 −a2 b1 p
µ= a1 a2 +b1 b2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + (− µ1 + ν)2 , σ = 1 − (− µ1 + ν)2

λ
τ= 1
 · b2 , κ = 0, γ̃ = 1
2 a1 − µ +ν +σ b1
Gentil 111

b2
α= 1
2 a1 (− µ +ν )+σ·b1

e,

√ (
2p 0, se α < 0;
x=± α + |α| = √ (2.49)
2 ± α, se α > 0.

1 
y=− +ν x
µ
z=0
Onde,
a1 b2 −a2 b1 p
µ= a1 a2 +b1 b2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + ( µ1 + ν)2 , σ = 1 − ( µ1 + ν)2
λ
τ= 1
 · b2 , κ = 0, γ̃ = 1
−2 a1 µ +ν +σ b1
b2
α= 1
−2 a1 ( µ +ν )+σ·b1

Para o caso em que a2 6= 0, fica:

√ (
2p 0, se α < 0;
x=± α + |α| = √ (2.50)
2 ± α, se α > 0.

1 
y= − +ν x
µ

z=0
Onde,
a1 b2 −a2 b1 p
µ= a1 a2 +b1 b2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + (− µ1 + ν)2 , σ = 1 − (− µ1 + ν)2
λ
τ= 1
 · a2 κ = 0, γ̃ = 1
−2 b1 − µ +ν +σ a1
a2
α= 1
−2 b1 (− µ +ν )+σ a1

e,

√ (
2p 0, se α < 0;
x=± α + |α| = √ (2.51)
2 ± α, se α > 0.

1 
y=− +ν x
µ
z=0
112

Onde,
a1 b2 −a2 b1 p
µ= a1 a2 +b1 b2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + ( µ1 + ν)2 , σ = 1 − ( µ1 + ν)2

λ
τ= 1
 · a2 , κ = 0, γ̃ = 1
2 b1 µ +ν +σ a1

a2
α= 1
2 b1 ( µ +ν )+σ a1

Nota: Observe que não utilizaremos as constantes λ e τ .


Exemplo: Resolver a equação: (2, 1, 0) · w2 = (1, 3, 0).
Solução: Temos,

a = (a1 , b1 , c1 ) = (2, 1, 0)
b = (a2 , b2 , c2 ) = (1, 3, 0)

Portanto,
a1 = 2, b1 = 1, c1 = 0
a2 = 1, b2 = 3, c2 = 0
Como a2 6= 0 vamos usar as fórmulas (2.50) e (2.51). Temos,

a1 b 2 − a2 b 1 2·3−1·1
µ= = =1
a1 a2 + b 1 b 2 2·1+1·3

Temos, p
ν= 1 + 1/µ2 , σ = 1 − (− µ1 + ν)2
p √
ν = 1 + 1/12, σ = 1 − (− 11 + 2)2
Temos, √ √
ν= 2, σ = 2(−1 + 2)
Então,
a2
α= 1
−2 b1 (− µ +ν )+σ a1


√ 1 1+ 2
α= −2·1 (− 11 +

2 )+2(−1+ 2)·2
= 2

Sendo assim, temos


√ √ √
2+2 2
x=± 2 ; y = ( −1 + 2 ) x; z = 0.

Agora vejamos a solução (2.51): Temos,


p
ν = 1 + 1/µ2 , σ = 1 − ( µ1 + ν)2
p √
ν = 1 + 1/12 , σ = 1 − ( 11 + 2)2

Temos, √ √
ν= 2, σ = −2(1 + 2)
Gentil 113

Então,
a2
α= 1
2 b1 ( µ +ν )+σ a1


1 1− 2
α= 2·1 ( 11 +
√ √
2 )+(−2)(1+ 2)·2
= 2

Sendo assim, temos


x = 0; y = 0; z = 0.

2.2.1 Algoritimo para extração de raı́zes quadradas


A solução da equação a·w2 = b nos permite, tomando a = (1, 0, 0), extrair
as raı́zes quadradas de b. Para este caso as equações (2.34) (pág. 101) e (2.35)
(pág. 101) transformam-se em,

p √
2α + 2 α2 + 4 κ
x=± (2.52)
2
1 
y= − +ν x
µ
c 1
z = ± √2 ·
2 λ x
Onde,
b2 p
µ= a2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + (− µ1 + ν)2 , σ = 1 − (− µ1 + ν)2

c2 2 b2
κ= 2λ , α= 1
2 (− µ +ν )

e,

p √
2α + 2 α2 + 4 κ
x=± (2.53)
2
1 
y=− +ν x
µ
c 1
z = ± √2 ·
2 λ x

Onde,
b2 p
µ= a2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + ( µ1 + ν)2 , σ = 1 − ( µ1 + ν)2

c2 2 b2
κ= 2λ , α= 1
−2 ( µ +ν )
114

As equações (2.36) (pág. 102) e (2.37) (pág. 102) transformam-se em,

p √
2α + 2 α2 + 4 κ
x=± (2.54)
2
1 
y= − +ν x
µ
c 1
z = ± √2 ·
2 λ x

Onde,
b2 p
µ= a2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + (− µ1 + ν)2 , σ = 1 − (− µ1 + ν)2

c2 2 a2
κ= 2λ , α= σ a1

e,

p √
2α + 2 α2 + 4 κ
x=± (2.55)
2
1 
y=− +ν x
µ
c 1
z = ± √2 ·
2 λ x

Onde,
b2 p
µ= a2 , ν= 1 + 1/µ2 , λ = 1 + ( µ1 + ν)2 , σ = 1 − ( µ1 + ν)2

c2 2 a2
κ= 2λ , α= σ a1

Nota: O algoritmo acima aplica-se apenas quando em b = (a2 , b2 , c2 ) tivermos


a2 6= 0 e b2 6= 0.

Exemplo: Calcular 1 + i + j.
Solução: Temos, 1 + i + j = (1, 1, 1). Logo, a2 = 1, b2 = 1 e c2 = 1. Vamos
inicialmente usar (2.54), então

1
p √
µ= 1 = 1, ν= 1 + 1/12 = 2,
√ 2 √ √ √
λ = 1 + (− 11 + 2 ) = 2 (2 − 2 ), σ = 1 − (− 11 + 2 )2 = 2 (−1 + 2 )
c2 2 1
√ a2

1+ 2
κ= 2λ = 25 (3 + 2 2 ), α= σ = 2
Gentil 115

Substituindo estes resultados em (2.54), obtemos


r
√ q √
(1+ 2 )+ 3(3+2
2
2)

x=± 2

y = ( 2 − 1)x
√ √
z = ± 2+4
2 1
·x

Agora consideremos (2.55),


1
p √
µ= 1 = 1, ν= 1 + 1/12 = 2,
√ 2 √ √ √
λ = 1 + ( 11 + 2 ) = 2 (2 + 2 ), σ = 1 − ( 11 + 2 )2 = −2 (1 + 2 )
c2 2 1
√ a2

1− 2
κ= 2λ = 25 (3 − 2 2 ), α= σ = 2

Substituindo estes resultados em (2.54), obtemos


r
√ q √
(1− 2 )+ 3(3−2
2
2)

x=± 2

y = −( 2 + 1 ) x
√ √
z = ± 2−4
2 1
·x

Portanto, são em número de quatro as raı́zes quadradas de 1 + i + j.


116
Capı́tulo 3

Funções Hipercomplexas de
Argumentos
Hipercomplexos

Nosso objetivo neste capı́tulo é modesto: generalizar algumas poucas funções


das variáveis complexas para o contexto dos hipercomplexos. Não é nosso ob-
jetivo desenvolver um “Cálculo” de tais funções.

3.1 Generalização da fórmula de Euler (26.01.07 )


Consideremos a fórmula de Euler,

eiy = cos y + i sen y

para números complexos. Podemos generalizar esta fórmula, para o contexto


dos hipercomplexos, de duas formas distintas

eiy+jz = cos y cos z + i sen y cos z + j sen z

e,
eiy−jz = cos y cos z + i sen y cos z − j sen z
Observe que estas exponenciais diferem apenas na terceira parcela, que
são simétricas; o que significa que calculando uma delas temos a outra, para o
mesmo par (y, z) de argumentos, evidentemente.
Observe também que são funções pares, com respeito à segunda variável,
isto é, elas não se alteram se trocarmos z por −z.

117
118

Exemplos:
a)

y z
π π ⇒ eiπ+jπ = cos π cos π + i sen π cos π + j sen π = 1
π −π ⇒ eiπ+j(−π) = cos π cos(−π) + i sen π cos(−π) + j sen (−π) = 1
−π π ⇒ ei(−π)+jπ = cos(−π) cos π + i sen (−π) cos π + j sen π = 1
−π −π ⇒ ei(−π)+j(−π) = cos(−π) cos(−π) + i sen (−π) cos(−π) + j sen (−π) = 1

A outra exponencial nos fornece os mesmos valores. Resumindo, temos

e(i+j)π = 1, e(i−j)π = 1
e(−i+j)π = 1, e(−i−j)π = 1

Nota: Observe que aqui “ tudo se passa no R3 ” . Por exemplo,

1 = (1, 0, 0), i = (0, 1, 0), j = (0, 0, 1)

com soma ( + ) e produto ( · ) não complexos, mas sim hipercomplexos.


b)

y z
π 2π ⇒ eiπ+j2π = cos π cos 2π + i sen π cos 2π + j sen 2π = −1
π −2π ⇒ eiπ+j(−2π) = cos π cos(−2π) + i sen π cos(−2π) + j sen (−2π) = −1
−π 2π ⇒ ei(−π)+j2π = cos(−π) cos 2π + i sen (−π) cos 2π + j sen 2π = −1
−π −2π ⇒ ei(−π)+j(−2π) = cos(−π) cos(−2π) + i sen (−π) cos(−2π) + j sen (−2π) = −1

A outra exponencial nos fornece os mesmos valores. Resumindo, temos

e(i+2j)π = −1, e(i−2j)π = −1


e(−i+2j)π = −1 , e(−i−2j)π = −1

c)

y z π π
π π ei 2 +j 2 = cos π2 cos π2 + i sen π2 cos π2 + j sen π2 = j
2 2 ⇒ π π
π
2 −π
2 ⇒ ei 2 +j(− 2 ) = cos π2 cos(− π2 ) + i sen π2 cos(− π2 ) + j sen (− π2 ) = j
−π
2
π
2 ⇒ i(− π )+j π π π π π π
e 2 2 = cos(− ) cos
2 2 + i sen (− 2 ) cos 2 + j sen 2 = j
−π −π

2 2
π π
ei(− 2 )+j(− 2 ) = cos(− π2 ) cos(− π2 ) + i sen (− π2 ) cos(− π2 ) + j sen (− π2 ) = j

A outra exponencial nos fornece valores simétricos, em resumo temos


π π
e(i+j) 2 = j, e(i−j) 2 = −j
(−i+j) π (−i−j) π
e 2 = j, e 2 = −j
Gentil 119

d)

y z π
π ei 2 +j2π = cos π2 cos 2π + i sen π2 cos 2π + j sen 2π = i

2 ⇒ π
π
2 −2π ⇒ ei 2 +j(−2π) = cos π2 cos(−2π) + i sen π2 cos(−2π) + j sen (−2π) = i
−π 2π ⇒ i(− π )+j2π
= cos(− π2 ) cos 2π + i sen (− π2 ) cos 2π + j sen 2π = −i
2
e 2
−π
2 −2π

π
ei(− 2 )+j(−2π) = cos(− π2 ) cos(−2π) + i sen (− π2 ) cos(−2π) + j sen (−2π) = −i

A outra exponencial nos fornece os mesmos valores, em resumo temos


1 1
e(i 2 +2j)π = i, e(i 2 −2j)π = i
−1 −1
e(i 2 +2j)π = −i, e(i 2 −2j)π = −i

O leitor pode mostrar que,

eiπ + 1 = ejπ + 1 = 0

3.2 Generalização de funções complexas elementares


Aqui procuraremos generalizar algumas das funções complexas elementa-
res.

Definição 10 (Exponencial). Dado um hipercomplexo w = (x, y, z) a expo-


nencial de w é definida por
( 
ex cos y cos z + i sen y cos z + j sen z
ew =  (3.1)
ex cos y cos z + i sen y cos z − j sen z

Neste caso a exponencial é uma função bivalente. Isto é, a cada valor da
variável w, associa dois valores. Cada uma das expressões acima é denominado
um ramo da exponencial. Cada ramo é uma função univalente, isto é associa
um único valor à variável w. Observe que os dois ramos da exponencial diferem
apenas na terceira parcela que são simétricas, de sorte que tendo um deles,
temos também o outro. O primeiro dos ramos acima, chamaremos de ramo
“principal” da exponencial.
Observe que, |ew | = ex .

3.2.1 Logaritmo
Para definir logaritmo de hipercomplexos consideraremos (θ, β) como ar-
gumento principal, isto é, 0 ≤ θ < 2π e − π2 ≤ β ≤ π2 .
Pela definição de exponencial temos

ρ eiθ+jβ = ρ (cos θ cos β + i sen θ cos β + j sen β),

ρ eiθ−jβ = ρ (cos θ cos β + i sen θ cos β − j sen β).


120

Da forma trigonométrica de um hipercomplexo (veja pág. 27), temos


 
ρ cos θ · cos β + i sen θ · cos β + j sen β , se sen β ≥ 0;
w= 
ρ cos θ · cos β + i sen θ · cos β − j sen β , se sen β ≤ 0.

Portanto, 
ρ eiθ+jβ , π
se 0≤ β ≤ 2;
w=
ρ eiθ−jβ , π
se − 2 ≤ β ≤ 0.

- Logaritmo (Nos complexos)


Recordamos que o logaritmo complexo é definido como,

ln z = ln r + iθ, z = reiθ

- Logaritmo (Nos hipercomplexos)

Para generalizar o logaritmo aos hipercomplexos, definimos



 ln ρ + iθ + jβ, se 0 ≤ β ≤ π2 ;
ln w =
 ln ρ + iθ − jβ, se − π ≤ β ≤ 0.
2

Nota: Se deixarmos θ e β “livres” a função logaritmo resultará multivalente.


Tal como foi definida acima, resultou numa função univalente; este é o ramo
principal do logaritmo.
Exemplos:
a ) Seja w = −1 = 1 π 0 . Então,

ln (−1) = ln 1 + iπ + j 0 ⇒ iπ = ln (−1)
√ π π
b ) Seja w = i + j = 2 2 4 . Então,
√ π π
ln (i + j) = ln 2+i +j
2 4
Em outra notação,  √ π π
ln (0, 1, 1) = ln 2, ,
2 4
A localização gráfica de ln (i + j), fica assim:
Z

ln (i+j) ln (i + j) = 1, 79 77, 56o 26, 02o

X
Gentil 121

Definição de wµ
Dados os números hipercomplexos w e µ. w 6= 0, definimos wµ pela
equação
wµ = eµ ln w
Exemplos:
a ) Calcule ij . Aplicando a definição, temos

ij = ej ln i

Temos, π
i=1 2 0 ⇒ ln i = ln 1 + i π2 = i π2
Fazendo a multiplicação, j · ln i, encontramos
 
(0, 0, 1) · 0, π2 , 0 = 0, 0, π
2

Sendo assim, temos (ramo principal da exponencial),



ej ln i
= e0 cos 0 cos π2 + i sen 0 cos π2 + j sen π2 =j

Sendo assim, resulta

ij = j, ou (0, 1, 0)(0, 0, 1) = (0, 0, 1)

Pelo outro ramo da exponencial, obtemos

ij = −j, ou (0, 1, 0)(0, 0, 1) = (0, 0, −1)

Exercı́cio: Mostre que j i = j.


b ) Calcule π i . Aplicando a definição, temos

π i = ei ln π

Temos,
π=π 0 0 ⇒ ln π = ln π + i 0 + j 0 = ln π
Fazendo a multiplicação, i · ln π, encontramos
 
(0, 1, 0) · ln π, 0, 0 = 0, ln π, 0

Sendo assim, temos



ei ln π = e0 cos ln π cos 0 + i sen ln π cos 0 ± j sen 0

Simplificando, obtemos

π i = cos ln π + i sen ln π

Em outra notação fica,



π (0, 1, 0) = cos ln π, sen ln π, 0

c ) Calcule π j . Aplicando a definição, temos

π j = ej ln π
122

Temos,
π=π 0 0 ⇒ ln π = ln π + i 0 + j 0 = ln π
Fazendo a multiplicação, j · ln π, encontramos
 
(0, 0, 1) · ln π, 0, 0 = 0, 0, ln π

Sendo assim, temos (ramo principal)



ej ln π
= e0 cos 0 cos ln π + i sen 0 cos ln π + j sen ln π

Simplificando, obtemos

π j = cos ln π + j sen ln π

Em outra notação fica,



π (0, 0, 1) = cos ln π, 0, sen ln π

Para efeitos de comparação, escrevemos



π (0, 1, 0) = cos ln π, sen ln π, 0

π (0, 0, 1) = cos ln π, 0, sen ln π

Daqui, concluimos que



π (0, 1, 0) + π (0, 0, 1) = 2 cos ln π, sen ln π, sen ln π

π (0, 1, 0) · π (0, 0, 1) = cos ln π, sen ln π, tg ln π cos ln π

π (0, 1, 0) 
= cos ln π, sen ln π, − tg ln π cos ln π
π (0, 0, 1)
A seguir localizamos π i e π j no espaço:
Z

π i = 1, 00 65, 59o 0, 00o

πj

Y π j = 1, 00 0, 00o 65, 59o


πi

Observe que π i é um número complexo e π j é um H − 2D.


d ) Calcule π i+j . Aplicando a definição, temos

π i+j = e(i+j) ln π

Temos,
π=π 0 0 ⇒ ln π = ln π + i 0 + j 0 = ln π
Fazendo a multiplicação, (i + j) · ln π, encontramos
 
(0, 1, 1) · ln π, 0, 0 = 0, ln π, ln π
Gentil 123

Sendo assim, temos



e(i+j) ln π = e0 cos ln π cos ln π + i sen ln π cos ln π + j sen ln π

Simplificando, obtemos

π i+j = cos ln π cos ln π + i sen ln π cos ln π + j sen ln π

No gráfico temos,
Z

π i+j = 1, 00 65, 59o 65, 59o


π i+j

Em outra notação fica,



π (0, 1, 0)+(0, 0, 1) = cos ln π, sen ln π, tg ln π cos ln π

Observe que resultou,

π (0, 1, 0)+(0, 0, 1) = π (0, 1, 0) · π (0, 0, 1)

e ) Calcule (1 + i)(1+j) . Aplicando a definição, temos

(1 + i)(1+j) = e(1+j) ln (1+i)

Temos, √ √
π
1+i= 2 4 0 ⇒ ln (1 + i) = ln 2 + i π4
Fazendo a multiplicação, (1 + j) · ln (1 + i), encontramos
√  √ q √ 
(1, 0, 1) · ln 2, π4 , 0 = ln 2, π4 , ( ln 2)2 + ( π4 )2

Sendo assim, resulta


√  q √ q √
e(1+j) ln (1+i) = e ln 2
cos π4 · cos ( ln 2)2 + ( π4 )2 + i sen π4 · cos ( ln 2)2 + ( π4 )2
q √ 
+j sen ( ln 2)2 + ( π4 )2

Simplificando, obtemos
q √ q √ √ q √
(1 + i)(1+j) = cos ( ln 2)2 + ( π4 )2 + i cos ( ln 2)2 + ( π4 )2 + j 2 sen ( ln 2)2 + ( π4 )2

Em outra notação fica,


 q √ q √ √ q √ 
(1, 1, 0)(1, 0, 1) = cos ( ln 2)2 + ( π4 )2 , cos ( ln 2)2 + ( π4 )2 , 2 sen ( ln 2)2 + ( π4 )2
124

A localização gráfica de (1 + i)1+j , fica assim:


Z


(1 + i)1+j = 2 45, 00o 0, 86o

(1+i)1+j
X

3.2.2 Funções trigonométricas com argumentos hipercomplexos

Queremos atribuir um significado aos sı́mbolos cos w e sen w, onde w é um


hipercomplexo.
Inicialmente lembramos que na trigonometria do cı́rculo unitário, temos

p

sen x

x
X

cos x

Onde o ponto p é a interseção da reta de inclinação x com o cı́rculo unitário.


Definimos cos x como sendo a abscissa de p e sen x como sendo sua ordenada.
Pois bem, nada obsta a que generalizemos a trigonometria do cı́rculo
unitário para a esfera unitária, assim

Z

cte (x, z)
p

0 Y
z ↑
cse (x, z) x sne (x, z)

Onde o ponto p é a interseção da reta de inclinação (x, z) com a esfera de


raio unitário. Definimos cosseno esférico de (x, z), denotado cse (x, z), como
sendo a abscissa de p; definimos seno esférico de (x, z), denotado sne (x, z),
como sendo sua ordenada. Como estamos no espaço surge mais uma função
Gentil 125

trigonométrica (esférica) dada pela cota de p; à falta de um nome melhor a


batizaremos de cota esféria: cte (x, z).
Podemos mostrar a seguinte relação entre as funções esféricas e circulares,
cse (x, z) = cos x cos z
sne (x, z) = sen x cos z
cte (x, z) = sen z
É válida a seguinte identidade,
cse 2 (x, z) + sne 2 (x, z) + cte 2 (x, z) = 1
Observe que os gráficos das funções esféricas são superfı́cies. Na figura
seguinte temos o gráfico do cse (x, z) no domı́nio [0, 2π] × [0, 4π].

p p p p p p p p
p p p p p p p p
p p p p p ppp p p p p p ppp
p p p p p p p pp p p p p p p p pp
p p p p p p p p
p p p pp p p p p p p p p p pp p p p p p p pp p p p p p p p p p pp p p p
p p p p p p p p p p p p p p p pp p p
p p p p p p p p p pp p p p p p p p p p pp p p p p p p p p p p p p p p p p pp p p p p p p p p p pp p p p p p p p p p
p p pp p pp p p p p p p p p p p p p p p p p p p p p pp p pp p pp p pp p pp p p p p p p p p p p p p p p p p p p p p pp p pp p pp p p
p pppppp p p p p p p p pp p pp p pp p p p p p p p p p pp p p
pp p p p p p p p
p pp p p p p p p p p pp p p p p p p p p p p p p p pp p p p p p p p p p pp p p p p p p p
p p pp p p p p p p p pp p p p p p p
p p pp p p pp p p p p p p p p p pp p p pp p p p pp p p pp p p p p p p p p p pp p p pp p p
p p p p p p p p
p p p ppppp p p p p p p p p p p p p p p p ppppp p p p p p p p p p p p p p
p p p p p p p p
p p p p p pp p p pp p p p pp p p pp p p p p p p p p p pp p p pp p p p pp p p pp p p p p p
p p pp p p p p p p p p p p p pp p p p p p p p p p
p p p p p pp pp p p p p p p p p p p p pp pp p p p p p p p
p pp pp p p p p p p p p p p pp pp p p p p p p p p p
p p p p p p p p p p p pp pp pp pp ppp pp pp pp pp p p p p p p p p p p p p p p p p p p p p p pp pp pp pp ppp pp pp pp pp p p p p p p p p p p p
p p p p p p pp pp p p p p p p p pp pp p
p p p p p p pp p p p p pp p p p p pp p p p p p p p p p p p pp p p p p pp p p p p pp p p p p p p
p p p p pp p p p p p p p pp p p p
p p p p p pp p p p p p p p p p p p p p p pp p p p pppp p p p
p p p p p p p p p p p p p p p p
p p p p p p pp p p p p p p p p p p p
p p p p p
p p p p pp p p p p p pp p
p p p p p p p

- Gráfico do cosseno esférico: cse (x, z) = cos x cos z


.
No estudo das variáveis complexas, decorrem da equação de Euler, as se-
guintes equações
eix + e−ix eix − e−ix
cos x = 2 , sen x = 2i ,
que relacionam as funções trigonométricas circulares com exponenciais comple-
xas. As funções circulares acima (de argumentos reais) são generalizadas para
o plano complexo da seguinte forma,
eiz + e−iz eiz − e−iz
cos z = 2 , sen z = 2i ,
Agora o argumento destas funções são números complexos.
O nosso objetivo será generalizar estas funções de modo que elas aceitem
argumentos hipercomplexos. Iniciemos com as equações,
eix+jz = cos x cos z + i sen x cos z + j sen z (3.2)

eix−jz = cos x cos z + i sen x cos z − j sen z (3.3)


126

Tomando o oposto dos números (3.2) e (3.3) obtemos, respectivamente

− eix+jz = − cos x cos z − i sen x cos z − j sen z (3.4)

− eix−jz = − cos x cos z − i sen x cos z + j sen z (3.5)

Tomando o oposto de x nas quatro equações anteriores, obtemos, respec-


tivamente

e−ix+jz = cos x cos z − i sen x cos z + j sen z (3.6)

e−ix−jz = cos x cos z − i sen x cos z − j sen z (3.7)

− e−ix+jz = − cos x cos z + i sen x cos z − j sen z (3.8)

− e−ix−jz = − cos x cos z + i sen x cos z + j sen z (3.9)

Temos as seguintes somas,


eix−jz + e−ix+jz
(3.3) + (3.6) : cos x cos z = 2
(3.10)
eix+jz + e−ix−jz
(3.2) + (3.7) : cos x cos z = 2

eix+jz − e−ix+jz
(3.2) + (3.8) : sen x cos z = 2i
(3.11)
eix−jz − e−ix−jz
(3.3) + (3.9) : sen x cos z = 2i

ix+jz
− eix−jz
(3.2) + (3.5) : sen z = ± e 2j
(3.12)
ix−jz
− eix+jz
(3.3) + (3.4) : sen z = ∓ e 2j

Nota: Na primeira equação de (3.12) tome o sinal + se sen z ≥ 0 e o sinal −


caso contrário. Na segunda equação dá-se ao contrário. O duplo sinal deve-se à
“divisão” por j, veja a proposição 4, pág. 20.
Vamos necessitar dos seguintes produtos,
(
i w = (0, 1, 0) · (x, y, z) = (−y, x, z)
−(i w) = −(−y, x, z) = (y, −x, −z)
(
−i w = (0, −1, 0) · (x, y, z) = (y, −x, z)
−(−i w) = −(y, −x, z) = (−y, x, −z)
(
i (−w) = (0, 1, 0) · (−x, −y, −z) = (y, −x, −z)
−(i (−w)) = −(y, −x, −z) = (−y, x, z)
(
−i (−w) = (0, −1, 0) · (−x, −y, −z) = (−y, x, −z)
−(−i (−w)) = −(−y, x, −z) = (y, −x, z)
Gentil 127
p
Nota:Para fazer as multiplicações acima estamos assumindo r2 = x2 + y 2 6= 0.
Na forma algébrica temos
 (
 −y + ix + jz, se z ≥ 0;


 i w = (−y, x, z) ⇒ iw =

 −y + ix − jz, se z ≤ 0.
 (


 y − ix − jz, se z ≥ 0;
 −(i w) = (y, −x, −z)
 ⇒ −(i w) =
y − ix + jz, se z ≤ 0.

 (
 y − ix + jz, se z ≥ 0;


 −i w = (y, −x, z) ⇒ −i w =

 y − ix − jz, se z ≤ 0.
 (


 −y + ix − jz, se z ≥ 0;
 −(−i w) = (−y, x, −z)
 ⇒ −(−i w) =
−y + ix + jz, se z ≤ 0.

 (
 y − ix − jz, se z ≥ 0;


 i (−w) = (y, −x, −z) ⇒ i (−w) =

 y − ix + jz, se z ≤ 0.
 (


 −y + ix + jz, se z ≥ 0;
 −(i (−w)) = (−y, x, z)
 ⇒ −(i (−w)) =
−y + ix − jz, se z ≤ 0.

 (
 −y + ix − jz, se z ≥ 0;


 −i (−w) = (−y, x, −z) ⇒ −i (−w) =

 −y + ix + jz, se z ≤ 0.
 (


 y − ix + jz, se z ≥ 0;
 −(−i (−w)) = (y, −x, z)
 ⇒ −(−i (−w)) =
y − ix − jz, se z ≤ 0.

Nota: −i(−w) = −(−iw).


De posse destes resultados definimos,
 −(−iw) −iw
e

2
+e
, z ≥ 0;
cos w =

 eiw + e−(iw) ,
2 z ≤ 0.
 iw −(iw)
 e + 2e
 , z ≥ 0;
cos w =

 e−(−iw) + e−iw ,
2 z ≤ 0.
 iw −iw
e −e

 2i , z ≥ 0;
sen w =

 e−(−iw) − e−(iw) ,
2i z ≤ 0.
 −(−iw) −(iw)
e
 −e
2i , z ≥ 0;
sen w =

 eiw − e−iw ,
2i z ≤ 0.
128

 iw −(−iw)
e −e
±

2j , z ≥ 0;
cte w =

± e−(−iw) − eiw , z ≤ 0.
2j
 −(−iw) iw
e −e
∓

2j , z ≥ 0;
cte w =

∓ eiw − e−(−iw) , z ≤ 0.
2j

As funções trigonométricas, com argumentos hipercomplexos, resulta-


ram bivalentes, isto é, com dois ramos. Observe, em todas elas, que a parte de
um ramo para z ≥ 0 é igual a parte do outro ramo para z ≤ 0. A parte de
um ramo para z ≤ 0 é igual a parte do outro ramo para z ≥ 0; de sorte que,
conhecendo um dos ramos, conhecemos o outro.
Observe que quando w = (x, y, 0) = (x, y) estamos na álgebra complexa
e assim, os dois ramos de cada função, unificam-se em apenas um ramo.
Chamaremos, para efeito de referência, a primeira das definições, de cada
uma das funções, de ramo principal.
Exemplos
( a ) Encontre (no ramo principal) os seguintes números:
  
cos π2 , π4 , 0 ; sen π2 , π4 , 0 ; cte π2 , π4 , 0 .

Solução: Sendo w = π2 , π4 , 0 dado, temos

iw = (−y, x, z) ⇒ i w = − π4 , π
2, 0
π

−(iw) = (y, −x, −z) ⇒ −(iw) = 4, − π2 , 0
π

−iw = (y, −x, z) ⇒ −i w = 4, − π2 , 0

−(−iw) = (−y, x, −z) ⇒ −(−iw) = − π4 , π
2, 0
Vamos calcular,
e−(−iw) + e−iw
cos w = 2
−(−iw)
Vamos inicialmente calcular a exponencial e . Neste momento surge
uma dúvida: já que a exponencial tem dois ramos∗ em qual deles calculamos
esta exponencial? Respondemos: como z = 0 (isto é, sen z = 0) é indiferente,
porquanto os dois ramos nos fornecem o mesmo valor. No caso em que sen z 6= 0
devemos escolher o ramo (com +j ou −j) que deu origem à própria exponen-
cial. Por exemplo, neste caso, vemos pela equação (3.10) (pág. 126), que esta
exponencial se originou da exponencial eix−jz portanto em (3.1) escolhemos o
ramo com “−j”.

Então, calculemos a exponencial de −(−iw) = − π4 , π2 , 0 . Pela equação
(3.1), temos

ew = e−(−iw) = ex cos y cos z + i sen y cos z − j sen z
π π π  π
= e− 4 cos cos 0 + i sen cos 0 − j sen 0 = i e− 4
2 2
∗ Conforme equação (3.1), pág. 119.
Gentil 129

Agora vamos calcular a exponencial e−iw . Pela equação (3.10), vemos que esta
exponencial se originou da exponencial e−ix+jz
 portanto em (3.1) escolhemos o
ramo com “+j”. Então, −iw = π4 , − π2 , 0 , pela equação (3.1), temos

ew = e−iw = ex cos y cos z + i sen y cos z + j sen z
π π π  π
= e 4 cos cos 0 − i sen cos 0 + j sen 0 = −i e 4
2 2
Somando estas duas exponenciais e divindo o resultado por dois, obtemos

π π
 π π 
cos 2, 4, 0 = − 2i e 4 − e− 4

A calculadora HP − 48 trabalha com as funções elementares, com argu-


mentos complexos, ela nos forneceu:

π π

cos 2, 4 = (0, −0.868670961487)

o que confirma nosso resultado.


Agora vamos calcular,
eiw − e−iw
sen w = 2i

Não necessitamos calcular, novamente, estas exponenciais. Com efeito, como já
dissemos , devido a que w = (x, y, 0) estamos restritos à álgebra complexa e,
π
nesta, vale a identidade: iw = −i(−w). Do caso precedente, temos eiw = i e− 4
π
(−i)w
e e = −i e 4 . Fazendo a subtração e dividindo por 2i obtemos,

π π
 1 π π 
sen 2, 4, 0 = 2 e 4 + e− 4

A calculadora HP − 48 nos forneceu:


π π

sen 2, 4 = (1.32460908925, 0)

o que confirma nosso resultado.

No gráfico,
Z

cos( π π 270, 00o 0, 00o


2, 4 , 0 )=0, 87
cos( π
2,
π
4,0)
ց Y sen ( π π 0, 00o 0, 00o
2, 4 , 0 )=1, 32

sen ( π
2,
π
4,0)

Quanto à função cota esférica uma simples inspeção em sua equação


nos informa de que cte w = 0. De fato, isto se deve a que na álgebra complexa,
vale: iw = −i(−w).
130

( b ) Encontre (no ramo principal) os seguintes números:


  
cos π2 , π4 , π6 ; sen π2 , π4 , π6 ; cte π2 , π4 , π
6 .

Solução: Sendo w = π2 , π4 , π6 dado, temos

iw = (−y, x, z) ⇒ i w = − π4 , π π
2, 6

π

−(iw) = (y, −x, −z) ⇒ −(iw) = 4, − π2 , − π6
π

−iw = (y, −x, z) ⇒ −i w = 4, − π2 , π
6

−(−iw) = (−y, x, −z) ⇒ −(−iw) = − π4 , π
2, − π6
Vamos calcular,
e−(−iw) + e−iw
cos w = 2

Vamos inicialmente calcular a exponencial e−(−iw) . Como no exemplo


anterior, escolhemos o ramo de (3.1) com “−j”.

Então, −(−iw) = − π4 , π2 , − π6 , temos

ew = e−(−iw) = ex cos y cos z + i sen y cos z − j sen z
π π π π π π 1 −π √
= e− 4 cos cos − + i sen cos − − j sen − = e 4 (i 3 − j)
2 6 2 6 6 2
Agora vamos calcular a exponencial e−iw . Pela equação (3.10), vemos que
esta exponencial se originou da exponencial e−ix+jz  portanto em (3.1) escolhe-
mos o ramo com “+j”. Então, −iw = π4 , − π2 , π6 , pela equação (3.1), temos

ew = e−iw = ex cos y cos z + i sen y cos z + j sen z
π π π π π π 1 π √
= e 4 cos − cos + i sen − cos + j sen = e 4 (−i 3 + j)
2 6 2 6 6 2
Somando estas duas exponenciais e divindo o resultado por dois, obtemos
  π π √ π π 
cos π2 , π4 , π6 = 41 i (e− 4 − e 4 ) 3 + j (e 4 − e− 4 )

A calculadora HP − 48, infelizmente (melhor dizendo, felizmente) foi fa-


bricada antes do advento dos números hipercomplexos, razão porque não temos
como confirmar este resultado (a não ser, claro, revisando os cálculos).
Agora vamos calcular,
eiw − e−iw
sen w = 2i

Uma destas exponenciais já possuimos  do cálculo do cos w. Calculemos a expo-


nencial eiw , onde i w = − π4 , π2 , π6 . Esta exponencial foi originada de eix+jz
(ver equação (3.11)), portanto em (3.1) escolhemos o ramo com “+j”, assim

ew = eiw = ex cos y cos z + i sen y cos z + j sen z
π π π π π π 1 −π √
= e− 4 cos cos + i sen cos + j sen = e 4 (i 3 + j)
2 6 2 6 6 2
Gentil 131

Somando este resultado com o oposto da exponencial,


1 π4 √
e−iw = e (−i 3 + j)
2
e dividindo o resultado por 2i, obtemos
  π π √ π π 
sen π2 , π4 , π6 = 41 (e 4 + e− 4 ) 3 − j (e 4 − e− 4 )

Vamos agora calcular


iw
− e−(−iw)
cte w = ± e 2j

Como sen z = sen π6 ≥ 0, escolhemos o sinal positivo nesta equação. Observe


que já possuimos as duas exponenciais para o cálculo desta função. Então,
1 −π √
eiw = e 4 (i 3 + j)
2

1 −π √
e−(−iw) = e 4 (i 3 − j)
2
Tomando o oposto desta última equação, somando com a primeira e dividindo
o resultado por 2j, obtemos
1 π
cte w = 2 e− 4

No gráfico,

cos( π
2,
π π
4, 6 ) o 30, 00o
cos( π
2,
π π
4, 6 )=0, 87 270, 00
ց
Y sen ( π π π
)=1, 23 0, 00
o −20, 74o
cte w 2, 4, 6

o 0, 00o
cte ( π
2,
π π
4, 6 )=0, 23 0, 00
sen ( π
2,
π π
4, 6 )
132
Capı́tulo 4

Aplicações

4.1 Computação Gráfica


A multiplicação hipercomplexa pode ser vista como uma rotação no espaço.
Isto nos sugere aplicá-la nas transformações geométricas.

Rotação em torno da origem

Segundo a proposição 6 (pág. 33) se multiplicarmos o número


w1 = 1 · (cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β) pelo ponto (número) w = (x, y, z)
obteremos uma rotação, deste último, de um ângulo (θ, β). Para atender a
referida proposição basta escolher − π2 ≤ β ≤ π2 (isto é, cos β ≥ 0).
Para obter a rotação - de argumento (θ, β) - de um ponto w = (x, y, z),
em torno da origem, devemos realizar o produto:

(cos θ · cos β, sen θ · cos β, sen β) · (x, y, z)

Vamos calcular este produto para o caso especial em que,


p π
r1 = (cos θ · cos β)2 + ( sen θ · cos β)2 = | cos β| = cos β 6= 0 ⇒ β 6= ± .
2

e w fora do eixo Oz. Sendo assim, multiplicamos em (D4 ):



(x·cos θ·cos β−y· sen θ·cos β)γ, (y·cos θ·cos β+x· sen θ·cos β)γ, sen β·r2 +z·cos β
p z√
sen β z
Onde, r2 = x2 + y 2 e γ = 1 − , isto é, γ = 1 − √ tg β.
cos β x2 +y 2 x2 +y 2
Façamos,

x′ =(x cos θ cos β − y sen θ cos β) γ


y ′ =(y cos θ cos β + x sen θ cos β) γ
p
z ′ = x2 + y 2 · sen β + z · cos β

133
134

Para efeito de exemplificação vamos rotacionar um número complexo w =


(x, y, 0). Sendo assim temos γ = 1, logo,
x′ =(x cos θ − y sen θ ) cos β
y ′ =(y cos θ + x sen θ ) cos β
p
z ′ = x2 + y 2 · sen β
Observe que cos β funciona como um “fator de contração”. Na figura a seguir
rotacionamos sucessivamente um quadrado de lado unitário:

Em cada figura θ assume os valores: 0o , 5o , 10o , 15o , . . . , 60o ; enquanto


β = 30o permanece fixo. O quadrado, que inicialmente encontra-se no plano
(complexo), após a operação de rotação vai para o espaço (devido ao ângulo β),
na figura temos a projeção no plano complexo, isto é, plotamos (x′ , y ′ ).
Mais algumas figuras obtidas a partir da rotação hipercomplexa são exibidas
a seguir:

Para obter os quadrados acima existe uma relação entre o “fator de escalo-
namento” (contração) α e o ângulo θ desejado, assim:
α = (cos θ + sen θ)−1 = cos β
Gentil 135

No caso da figura aplicamos “escalonamento sobre escalonamento”. Inicial-


mente, α = (cos 10o + sen 10o )−1 = cos β = 0, 8632.
O segundo escalonamento é: 0, 8632 × 0, 8632, então: β = cos−1 (0, 8632 ×
0, 8632) = 41, 8284o , no terceiro escalonamento β = cos−1 (0, 86323) = 49, 9674o,
etc.

4.2 Robótica
Aqui queremos apenas deixar a sugestão de que se estudem a viabilidade
de aplicação dos números 3 − D na robótica, cremos que isto não será difı́cil.

4.3 Um Desafio Dirigido aos Matemáticos do Planeta Terra

Existem problemas sobre números Reais que só podem ser resolvidos com
o auxı́lio dos números Complexos, por exemplo certas equações cúbicas.
Motivados por este fato podemos elaborar problemas sobre números Complexos
que só podem ser resolvidos com o auxı́lio dos números Hipercomplexos. Dentro
deste contexto foi que elaboramos o Desafio a seguir.∗

∗ Este Desafio foi divulgado a nı́vel nacional e esteve disponı́vel em nossa home-page por

cerca de dois meses, não recebemos nenhuma proposta de resolução.


136

Um Desafio Dirigido aos Matemáticos do Planeta Terra


emio: R$ 1.000, 00.
Pr^ 24.08.07

Uma assembléia de avatares decidiu pôr à prova (conhecer) o nı́vel de de-


senvolvimento tecnológico do planeta terra. Para tanto, decidiram enviar um
desafio aos mais ilustres dentre os matemáticos do planeta terra. Seguiu-se a
esta decisão um impasse: Este desafio versaria sobre que tópico da matemática?
Após um dia inteiro de discussões concluiram: não deveriam enviar um desafio
sobre um assunto de “fronteira”, porquanto só os especialistas da respectiva
área estariam aptos a atacar o problema; os demais estariam excluidos! A fim
de que o desafio se estendesse, de fato, a todos os matemáticos do planeta terra,
é que o assunto escolhido deveria ser comum a todos eles. Após algumas re-
flexões deram o veredicto: Números Complexos!
Ah! ia esquecendo: como os terráqueos são consumidores - contumaz -
do cafézinho (ou do chá), decidiram ofertar um prêmio de R$ 1.000, 00 para
custear estes estimulantes; talvez seja necessário para as - possı́veis - noites em
claro.
O Desafio: Desejamos construir, de modo iterativo, a seqüência ( zn ) de
números Complexos dada em (4.1); onde, para isto, são dados um termo inicial
e dois parâmetros, assim:
( i ) Semente da seqüência: z0 = (1, 0);
( ii ) primeiro parâmetro: θ = −10o;
( iii ) segundo parâmetro: β = −8o .


 cos nβ, n = 1, 2, 3, . . . , 11, 12.

zn = (cos nθ, sen nθ) · cos 12β, n = 14, 16, 18, . . . (4.1)



cos 11β, n = 13, 15, 17, . . .

O Desafio consiste em: Munido apenas dos dados listados acima, e atu-
ando - de modo iterativo - dentro da estrutura números complexos, C, obter a
seqüência dada em (4.1)!

Nota Importante: Não esquecer que os termos da seqüência são números


Complexos. C = ( R2 , +, ·) é uma estrutura algébrica onde estão definidas
duas operações. Evite operações espúrias. Operações legı́timas são: adição e
multiplicação; e as que decorrem destas, tais como: subtração, divisão, poten-
ciação e radiciação. Estamos chamando a atenção para este detalhe para que se
evite operações que não se justifiquem em uma estrutura algébrica como a que
estamos tratando.
Por exemplo, a operação,

(cos −10o , sen − 10o ) · (1, 0) · cos −8o ∴ z0 → z1

é “lógicamente” válida, uma vez que se justifica na estrutura números comple-


xos. O Desafio consiste, precisamente, em: como sair do termo z1 para o termo
z2 , através de uma estrutura algébrica onde temos definida apenas uma adição
Gentil 137

e uma multiplicação? Como sair do termo z2 para o termo z3 , através. . . Como


sair do termo z3 para do termo z4 , através. . . entenderam?
Este Desafio terá validade de um mês (se estenderá até 24.09.07)∗
Mande sua resolução para: gentil.silva@gmail.com
Haverá um único vencedor: o que entregar a resolução primeiro (se por email,
vale a data e a hora do mesmo).
Nota: Uma exigência (óbvia) é que não podemos usar a resposta (seqüência
dada em (4.1)) para obter a própria resposta (uma espécie de raciocı́nio circu-
lar).
- Curiosidades acerca da seqüência ( zn )

1a ) Plotando os termos da seqüência no plano complexo, obtemos


y

z0 =(1, 0)
x
−10o

2a ) A distância - para a origem - das 12 primeiras bolinhas vale,


p
|zn | = (cos nθ cos nβ)2 + ( sen nθ cos nβ)2 = | cos nβ|

n = 1, 2, 3, . . . , 11, 12.
a
3 ) As bolinhas azuis (n = 14, 16, 18, . . .) estão em um cı́rculo de raio,
p
|zn | = (cos nθ cos 12β)2 + ( sen nθ cos 12β)2 = | cos 12β|

4a ) As bolinhas vermelhas (n = 13, 15, 17, . . .) estão em um cı́rculo de raio,


p
|zn | = (cos nθ cos 11β)2 + ( sen nθ cos 11β)2 = cos 11β

∗ Boa Vista-RR/24.08.07

Nota: O .pdf deste Desafio está disponı́vel em nossa página: www.dmat.ufrr.br/∼ gentil
138

Resolução do Desafio
Este é um problema do “plano” mas cuja resolução só pode dar-se no
“espaço”.
Na verdade este (segundo) Desafio é uma variante de um que lançamos
anteriormente. O primeiro Desafio é resolvido por “sucessivas multiplicações”
em H − 3D, enquanto este segundo é resolvido por “sucessivas divisões” em
H − 3D, assim:
Sejam w2 = 1 · 10o 8o e w1 = (1, 0, 0). Definimos,
w1 w1 w1 1 w1 w1 1 1 w1 
(1) = w2 , (2) = w2 · w2 , (3) = w2 · w2 · w2 , ...
w2 w2 w2

Utilizaremos as divisões (pág. 146),


ρ
 ρ1
 θ1 −θ2 β1 −β2 se cos β1 ≥ 0, cos β2 ≥ 0 ( DP 1 )
w1 2
w2 =
 ρρ1
 θ1 −θ2 β1 +β2 se cos β1 < 0, cos β2 ≥ 0 ( DP 3 )
2

Sendo assim, temos

= 1
w1 0o 0o
w2 =1 −10o −8o
1 10o 8o

Iterações sucessivas nos dão:

w1
= 1
·
w1
= 1 ·1 −10o −8o =1 −20o −16o
(2) w2 w2
w2
1 10o 8o

w1
= 1
· 1
·
w1 
= 1 ·1 −20o −16o =1 −30o −24o
(3) w2 w2 w2
w2
1 10o 8o

E assim sucessivamente. Note que, para efeitos das divisões ( DP 1 ) e ( DP 3 )


temos que w2 = 1 · 10o 8o está sempre fixo, enquanto os resultados parciais das
divisões é sempre colocado em w1 . Utilizamos ( DP 1 ), isto é, vamos subtraindo
β2 = 8o , enquanto cos β1 ≥ 0, após o que utilizamos ( DP 2 ), isto é, somamos
β2 = 8o e aı́ o ângulo β1 ficará oscilando entre dois valores:

−88o − 8o = −96o ; Iterações: 12, 14, 16, . . . (4.2)


−96o + 8o = −88o ; Iterações: 13, 15, 17, . . . (4.3)

Observamos que,
w1
(n)
=1 −10o ·n −8o ·n ; n = 1, 2, . . .?
w2
Gentil 139

Esta regra, para este quociente vale até que valor de n? Para responder
a esta pergunta, recorremos à condição de Moivre. Inicialmente observe que
β = −8o = − 2π
45 , então

π
− 2(n−1) ≤ − 2π
45 ≤
π
2(n−1) ⇒ n ≤ 12.

Portanto,
w1
(n)
=1 nθ nβ ; n = 1, 2, . . . 12
w2

onde θ = −10o e β = −8o . Temos,




 x = cos nθ cos nβ

w=1 nθ nβ ⇒ y = sen nθ cos nβ



z = sen nβ
Logo, a solução (parcial) do nosso Desafio é:

zn = cos nθ cos nβ, sen nθ cos nβ ; n = 1, 2, . . . , 12.

onde θ = −10o e β = −8o . De (4.2), concluimos que,



zn = cos nθ cos 12β, sen nθ cos 12β ; n = 12, 14, 16, . . .

De (4.3), concluimos que,



zn = cos nθ cos 11β, sen nθ cos 11β ; n = 13, 15, 17, . . .

Sendo assim, temos (para solução do Desafio):




 (cos nθ cos nβ, sen nθ cos nβ), n = 1, 2, . . . , 9, 10, 11.

zn = (cos nθ cos 12β, sen nθ cos 12β), n = 12, 14, 16, . . .



(cos nθ cos 11β, sen nθ cos 11β), n = 13, 15, 17, . . .

onde θ = −10o e β = −8o .

Observe que tudo se passa no “espaço”, a solução do nosso Desafio é a


“projeção” no plano Complexo de uma seqüência que encontra-se em 3 − D
(ver figura da seqüência complexa que consta no Desafio).
Para o primeiro Desafio que propomos (não para este) construimos uma
figura da seqüência no espaço, assim:

0
140

Apêndice
Da impossibilidade de uma multiplicação no R3
Existe uma prova (ver [3]) da impossibilidade dos números tridimensionais.
Vamos repetir aqui esta prova:
A impossibilidade de um número complexo tri-dimensional.
Examinaremos aqui o problema de introduzir uma multiplicação no espaço
de três dimensões R3 de maneira que resulte uma generalização natural dos
números complexos como pontos do plano (α, β) = α + β i, assim como estes
são uma generalização natural dos números reais como pontos da reta sob a
identificação (α, 0) = α. Em outras palavras, considerando os ternos ordenados
de números reais (α, β, γ) com as identificações (α, 0, 0) = α e (α, β, 0) =
α + β i, e com as operações usuais de adição e multiplicação por escalares, a
questão é: podemos definir uma multiplicação de vetores em R3 de modo que
sejam válidos todos os axiomas de um corpo?
Não é difı́cil mostrar que isto é impossı́vel.
Com efeito, seja (α, β, γ) = α + β i + γ j (onde, é claro, j = (0, 0, 1)) e
vamos supor que uma tal multiplicação está definida. Então podemos escrever

i j = α0 + β0 i + γ0 j

onde α0 , β0 e γ0 são reais. Multiplicando ambos os lados por i à esquerda,


obtemos

−j = i2 j = i (i j) = i (α0 + β0 i + γ0 j) = α0 i − β0 + γ0 i j.

Substituindo agora i j por α0 + β0 i + γ0 j, segue que

( α0 γ0 − β0 ) + ( α0 + β0 γ0 ) i + ( γ02 + 1 ) j = 0,

contradizendo o fato de que γ0 é real.


Note que para chegar a uma contradição usamos apenas a associatividade
e distributividade da multiplicação.

“Dizendo isso, gritou bem


forte: ‘Lázaro, saia para fora!’ O
morto saiu. Tinha os braços e as
pernas amarrados. . . Jesus disse aos
presentes: ‘Desamarrem e deixem
que ele ande’.” Jo. (43 − 44 )
Gentil 141

Programa para multiplicar hipercomplexos


O programa dado a seguir (calculadoras HP − 48, 49, 50) multiplica dois
hipercomplexos: (a1 , b1 , c1 ) · (a2 , b2 , c2 ).
≪ → a 1 b 1 c1 a 2 b 2 c2
p
≪ ′ (a1 ∧ 2 + b1 ∧ 2)′ EV AL ′ r1 ′ ST O

p
(a2 ∧ 2 + b2 ∧ 2)′ EV AL ′ r2 ′ ST O
IF ′ r1 == 0 AN D r2 == 0′
T HEN ′ − c1 ∗ c2 ′ EV AL 0 0
ELSE
IF ′ r1 == 0 AN D r2 6= 0′
T HEN ′ − c1 ∗ c2 ∗ a2 /r2 ′ EV AL

− c1 ∗ c2 ∗ b2 /r2 ′ EV AL

c1 ∗ r2 ′ EV AL
ELSE
IF ′ r1 6= 0 AN D r2 == 0′

T HEN − c1 ∗ c2 ∗ a1 /r1 ′ EV AL

− c1 ∗ c2 ∗ b1 /r1 ′ EV AL

c2 ∗ r1 ′ EV AL
ELSE

1 − c1 ∗ c2 /(r1 ∗ r2 ) ′ EV AL ′
γ ′ ST O

(a1 ∗ a2 − b1 ∗ b2 ) ∗ γ ′ EV AL

(a1 ∗ b2 + a2 ∗ b1 ) ∗ γ ′ EV AL

c1 ∗ r2 + c2 ∗ r1 ′ EV AL
EN D
EN D
EN D


Programa para o cálculo de potências
Dados um hipercomplexo w = (x, y, z) e um natural n ≥ 2 o programa a
seguir calcula a potência wn .
≪ → x y z n
≪ x y z 1 n 1 −
F OR I
x y z M HC3D
N EXT


Nota: M HC3D chama o programa anterior (o programa para multiplicar
hipercomplexos 3D deve ser armazenado na variável M HC3D).
142

Prova da proposição 6
(pág. 33) Nota importante: Uma observação importante a respeito desta pro-
posição é que, para qualquer número do eixo 0Z ( β = π2 + k π, k ∈ Z ) devemos
tomar θ = 0 e β = π2 ou θ = 0 e β = − π2 , antes de fazer a multiplicação.
Prova: Consideremos algumas possibilidades:
1 ) r1 = r2 = 0. Suponhamos,

w1 = (0, 0, c1 ) e w2 = (0, 0, c2 )

Na forma trigonométrica escrevemos,


 
|c1 | cos 0 cos π2 , sen 0 cos π2 , sen π2 , c1 > 0
w1 = 
|c1 | cos 0 cos −π −π −π

2 , sen 0 cos 2 , sen 2 , c1 < 0
 
|c2 | cos 0 cos π2 , sen 0 cos π2 , sen π2 , c2 > 0
w2 = 
|c2 | cos 0 cos −π −π −π

2 , sen 0 cos 2 , sen 2 , c2 < 0

Calculando (em D1 ) o produto w1 · w2 , temos w1 · w2 = (−c1 · c2 , 0, 0),


que na forma trigonométrica pode ser escrito:
1.1 ) c1 > 0 e c2 > 0 (−c1 · c2 < 0)

w1 · w2 = | − c1 · c2 | cos π cos 0, sen π cos 0, sen 0
 π π π π π π 
= |c1 | · |c2 | cos(0 + 0) cos( + ), sen (0 + 0) cos( + ), sen ( + )
2 2 2 2 2 2
1.2 ) c1 > 0 e c2 < 0 (−c1 · c2 > 0)

w1 · w2 = | − c1 · c2 | cos 0 cos 0, sen 0 cos 0, sen 0
 π π π π π π 
= |c1 | · |c2 | cos(0 + 0) cos( − ), sen (0 + 0) cos( − ), sen ( − )
2 2 2 2 2 2
1.3 ) c1 < 0 e c2 > 0 (−c1 · c2 > 0)

w1 · w2 = | − c1 · c2 | cos 0 cos 0, sen 0 cos 0, sen 0
 π π π π π π 
= |c1 | · |c2 | cos(0 + 0) cos(− + ), sen (0 + 0) cos(− + ), sen (− + )
2 2 2 2 2 2
1.4 ) c1 < 0 e c2 < 0 (−c1 · c2 < 0)

w1 · w2 = | − c1 · c2 | cos π cos 0, sen π cos 0, sen 0
 π π π π π π 
= |c1 | · |c2 | cos(0 + 0) cos(− − ), sen (0 + 0) cos(− − ), sen (− − )
2 2 2 2 2 2
2 ) r1 = 0 e r2 6= 0. Suponhamos,

w1 = (0, 0, c1 ) e w2 = (a2 , b2 , c2 )
Gentil 143

Na forma trigonométrica escrevemos,


 
|c1 | cos 0 cos π2 , sen 0 cos π2 , sen π2 , c1 > 0
w1 = 
|c1 | cos 0 cos −π −π −π

2 , sen 0 cos 2 , sen 2 , c1 < 0

w2 = ρ2 cos θ2 cos β2 , sen θ2 cos β2 , sen β2
Calculando (em D2 ) o produto w1 · w2 , temos
 c1 · c2 · a 2 c ·c ·b 
w1 · w2 = − , − 1 2 2 , c1 · r2
r2 r2

Vamos escrever este produto na forma trigonométrica, temos


q p
r2 = a22 + b22 = (ρ2 cos θ2 cos β2 )2 + (ρ2 sen θ2 cos β2 )2 = ρ2 | cos β2 |

Observação: r2 6= 0 ⇒ cos β2 6= 0. Então,


 
c ρ sen β ·ρ2 cos θ2 cos β2 c ρ sen β2 ·ρ2 sen θ2 cos β2
w1 · w2 = − 1 2 ρ 2| cos β | ,− 1 2 ρ2 | cos β2 | , c1 ρ2 | cos β2 |
2 2

Nota: Para prosseguir vamos supor cos β2 > 0; esta não é uma restrição séria
devido à equação (1.18), pág. 25.
Sendo assim, temos
2.1) cos β2 > 0 ( | cos β2 | = cos β2 ). Temos
 
c ρ sen β2 ·ρ2 cos θ2 cos β2 c1 ρ2 sen β2 ·ρ2 sen θ2 cos β2
w1 · w2 = − 1 2 ρ cos β , − ρ cos β , c 1
ρ 2
cos β 2
2 2 2 2

Então,

w1 · w2 = − c1 ρ2 cos θ2 sen β2 , −c1 ρ2 sen θ2 sen β2 , c1 ρ2 cos β2

2.1.1 ) c1 > 0 ( |c1 | = c1 )



w1 · w2 = c1 ρ2 − cos θ2 sen β2 , − sen θ2 sen β2 , cos β2
 π π π 
= |c1 |ρ2 cos(0 + θ2 ) cos( + β2 ), sen (0 + θ2 ) cos( + β2 ), sen ( + β2 )
2 2 2
2.1.2 ) c1 < 0 ( |c1 | = −c1 )

w1 · w2 = −c1 ρ2 cos θ2 sen β2 , sen θ2 sen β2 , − cos β2
 π π π 
= |c1 |ρ2 cos(0 + θ2 ) cos(− + β2 ), sen (0 + θ2 ) cos(− + β2 ), sen (− + β2 )
2 2 2
3 ) r1 6= 0 e r2 = 0. Suponhamos,

w1 = (a1 , b1 , c1 ) e w2 = (0, 0, c2 )

Na forma trigonométrica escrevemos,



w1 = ρ1 cos θ1 cos β1 , sen θ1 cos β1 , sen β1
144
 
|c2 | cos 0 cos π2 , sen 0 cos π2 , sen π2 , c2 > 0
w2 = 
|c2 | cos 0 cos −π −π −π

2 , sen 0 cos 2 , sen 2 , c2 < 0
Calculando (em D3 ) o produto w1 · w2 , temos
 c1 · c2 · a 1 c ·c ·b 
w1 · w2 = − , − 1 2 1 , c2 · r1
r1 r1
Vamos escrever este produto na forma trigonométrica, temos
q p
r1 = a21 + b21 = (ρ1 cos θ1 cos β1 )2 + (ρ1 sen θ1 cos β1 )2 = ρ1 | cos β1 |

Observação: r1 6= 0 ⇒ cos β1 6= 0. Então,


 
ρ sen β1 ·c2 ·ρ1 cos θ1 cos β1 ρ sen β1 ·c2 ·ρ1 sen θ1 cos β1
w1 · w2 = − 1 ρ | cos β | ,− 1 ρ1 | cos β1 | , c2 · ρ1 | cos β1 |
1 1

3.1) cos β1 > 0 ( | cos β1 | = cos β1 ). Temos


 
ρ sen β1 ·c2 ·ρ1 cos θ1 cos β1 ρ sen β1 ·c2 ·ρ1 sen θ1 cos β1
w1 · w2 = − 1 ρ cos β ,− 1 ρ cos β , c2 · ρ1 cos β1
1 1 1 1

Então,

w1 · w2 = − c2 ρ1 cos θ1 sen β1 , −c2 ρ1 sen θ1 sen β1 , c2 ρ1 cos β1

3.1.1 ) c2 > 0 ( |c2 | = c2 )



w1 · w2 = c2 ρ1 − cos θ1 sen β1 , − sen θ1 sen β1 , cos β1
 π π π 
= |c2 |ρ1 cos(θ1 + 0) cos(β1 + ), sen (θ1 + 0) cos(β1 + ), sen (β1 + )
2 2 2
3.1.2 ) c2 < 0 ( |c2 | = −c2 )

w1 · w2 = −c2 ρ1 cos θ1 sen β1 , sen θ1 sen β1 , − cos β1
 π π π 
= |c2 |ρ1 cos(θ1 + 0) cos(β1 − ), sen (θ1 + 0) cos(β1 − ), sen (β1 − )
2 2 2
4 ) r1 6= 0 e r2 6= 0. Suponhamos,

w1 = (a1 , b1 , c1 ) e w2 = (a2 , b2 , c2 )

Na forma trigonométrica escrevemos,



w1 = ρ1 cos θ1 cos β1 , sen θ1 cos β1 , sen β1

w2 = ρ2 cos θ2 cos β2 , sen θ2 cos β2 , sen β2
Calculando (em D4 ) o produto w1 · w2 , temos
c ·c  c1 ·c2  
w1 · w2 = (a1 · a2 − b1 · b2 ) 1 − r1 ·r2 , (a1 · b2 + a2 · b1 ) 1 − r1 ·r2 , c1 · r2 + c2 · r1
1 2

Escrevamos este produto na forma trigonométrica,

r1 = ρ1 | cos β1 |, r2 = ρ2 | cos β2 |
Gentil 145

Nota: Vamos considerar que cos β1 > 0 e cos β2 > 0.


Temos,
c1 ·c2  ρ1 sen β1 ·ρ2 sen β2  cos(β1 +β2 )
1− r1 ·r2 = 1− ρ1 | cos β1 |·ρ2 | cos β2 | = cos β1 · cos β2

Tomando w1 · w2 = (X, Y, Z), temos:


cos(β1 +β2 )
X = (ρ1 cos θ1 cos β1 · ρ2 cos θ2 cos β2 − ρ1 sen θ1 cos β1 · ρ2 sen θ2 cos β2 ) · cos β1 · cos β2

cos(β1 +β2 )
Y = (ρ1 cos θ1 cos β1 · ρ2 sen θ2 cos β2 + ρ2 cos θ2 cos β2 · ρ1 sen θ1 cos β1 ) · cos β1 · cos β2

Z = ρ1 sen β1 · ρ2 | cos β2 | + ρ2 sen β2 · ρ1 | cos β1 |

Simplificando,
cos(β1 +β2 )
X = ρ1 ρ2 cos β1 cos β2 cos(θ1 + θ2 ) · cos β1 · cos β2

cos(β1 +β2 )
Y = ρ1 ρ2 cos β1 cos β2 sen (θ1 + θ2 ) · cos β1 · cos β2

Z = ρ1 ρ2 ( sen β1 · | cos β2 | + sen β2 · | cos β1 |)

Mais ainda,

X = ρ1 ρ2 cos(θ1 + θ2 ) cos(β1 + β2 )
Y = ρ1 ρ2 sen (θ1 + θ2 ) cos(β1 + β2 )
Z = ρ1 ρ2 sen (β1 + β2 )

Nota: Aqui podemos incluir os casos anteriores:


1) r1 = r2 = 0,
2) r1 = 0, r2 6= 0,
3) r1 6= 0, r2 = 0.
Juntando este último caso (caso 4 ) com os anteriores (casos 1 ), 2 ) e 3 )) com-
pletamos a prova da proposição. 
146

Multiplicação na forma trigonométrica sem restrições


Na prova anterior supomos cos β1 > 0 e cos β2 > 0, sem estas restrições,
isto é para uma fórmula geral vale (exercı́cio):

M) Multiplicação


 ρ1 ρ2 θ1 +θ2 β1 +β2 se cos β1 ≥ 0, cos β2 ≥ 0 ( MP1 )


 −(β1 −β2 ) cos β1 ≥ 0, cos β2 < 0
 ρ1 ρ2
 θ1 +θ2 se ( MP2 )
w1 · w2 =

 ρ1 ρ2 θ1 +θ2 β1 −β2 se cos β1 < 0, cos β2 ≥ 0 ( MP3 )



 ρ1 ρ2 θ1 +θ2 −(β1 +β2 ) se cos β1 < 0, cos β2 < 0 ( MP4 )

D) Divisão



 ρ1


 ρ2
θ1 −θ2 β1 −β2 se cos β1 ≥ 0, cos β2 ≥ 0 ( DP 1 )



 ρ1
w1

ρ2
θ1 −θ2 −(β1 +β2 ) se cos β1 ≥ 0, cos β2 < 0 ( DP 2 )
w2 =

 ρ1


 ρ2
θ1 −θ2 β1 +β2 se cos β1 < 0, cos β2 ≥ 0 ( DP 3 )



 ρ1
 θ1 −θ2 −(β1 −β2 ) se cos β1 < 0, cos β2 < 0 ( DP 4 )
ρ2
Gentil 147

Programa para transformar coordenadas retangulares em polares

Vamos escrever um programa computacional para transformar um número


hipercomplexo das coordenadas retangulares para polares. Antes precisamos
rever um pouco das funções trigonométricas inversas,
1 ) y = arc sen x = sen −1 x. O domı́nio e contra-domı́nio de f = sen −1 são
dados por,
 π π
f : [ −1, 1 ] −→ − ,
2 2
Temos,
z z π π
sen β = ⇒ β = sen −1 ∴ − ≤ β≤ .
ρ ρ 2 2
2 ) y = arc cos x = cos−1 x. O domı́nio e contra-domı́nio de f = cos−1 são
dados por,
f : [ −1, 1 ] −→ [ 0, π ]
Nota: Observe que as funções sen −1 e cos−1 não cobrem o terceiro quadrante.
Para calcular 0 ≤ θ ≤ 2π, temos as seguintes possibilidades:
i ) x > 0, y > 0 ( IQ ). Neste caso podemos calcular θ por sen −1 ou cos−1 ,
indistintamente.
x y
cos θ = , sen θ =
ρ cos β ρ cos β
ii ) x < 0, y > 0 ( IIQ ). Neste caso fazemos θ = cos−1 . Isto é,
 x 
θ = cos−1
ρ cos β

iii ) x > 0, y < 0 ( IV Q ). Neste caso fazemos θ = sen −1 . Isto é,


 y 
θ = sen −1
ρ cos β

iv ) x < 0, y < 0 ( IIIQ ). Neste caso, obtemos θ com o auxı́lio da figura a


seguir:

θ φ
x −x

Para obter θ: trocamos o sinal de x, calculamos o ângulo φ e tomamos


θ = 180o + φ, assim:
 −x 
φ = cos−1 ⇒ θ = 180o + φ.
ρ cos β
O programa é dado a seguir:
148

- Retangular → Polar: (x, y, z) → ρ θ β

≪ → x y z
p
≪ DEG ′ (x ∧ 2 + y ∧ 2 + z ∧ 2)′ EV AL ′ ρ ′ ST O

ASIN (z/ρ)′ EV AL ′
β ′ ST O
IF ′ cos β == 0′
T HEN ρ ′′ ρ′′ → T AG 0 ′′ θ′′ → T AG β ′′ β ′′ → T AG
ELSE
IF ′ x ≥ 0 AN D y ≥ 0′
T HEN ′ ACOS(x/(ρ ∗ cos(β))) ′ EV AL ′ θ ′ ST O
ELSE
IF ′ x ≤ 0 AN D y ≥ 0′
T HEN ′ ACOS(x/(ρ ∗ cos(β))) ′ EV AL ′ θ ′ ST O
ELSE
IF ′ x ≥ 0 AN D y ≤ 0′
T HEN ′ ASIN (y/(ρ ∗ cos(β))) ′ EV AL ′ θ ′ ST O
ELSE

180 + ACOS(−x/(ρ ∗ cos(β)))′ EV AL ′ θ ′ ST O
EN D
EN D
EN D ρ ′′ ρ′′ → T AG θ ′′ θ′′ → T AG β ′′ β ′′ → T AG
EN D

- Polar → Retangular: ρ θ β → (x, y, z)

≪ → ρ θ β
≪ DEG ′ ρ ∗ cos(θ) ∗ cos(β)′ EV AL

ρ ∗ sen (θ) ∗ cos(β)′ EV AL

ρ ∗ sen (β)′ EV AL

Nota: entre com os ângulos em graus. Para entrar com os ângulos em radiano
troque, no programa, DEG por RAD.
Gentil 149

Resenha de trabalhos
A seguir listamos uma resenha de nossos trabalhos disponı́veis em nosso
enderêço: www.dmat.ufrr.br/∼ gentil
I - O Mito das Ambigüidades nas Representaç~
oes Decimais
Resumo: Este trabalho põe fim às intermináveis pendengas sobre as repre-
sentações decimais de reais do intervalo [ 0, 1 ]. Mostramos que as supostas am-
bigüidades de algumas destas representações, tipo: 0, 5 = 1/2 = 0, 4999 . . . são
um mito. Aqui esclarecemos, em definitivo, igualdades tais como 0, 999 . . . = 1.
II - Uma Curva de Peano Inédita ( No Quadrado [ 0, 1 [×[ 0, 1 [ )
Resumo: Não temos conhecimento de que alguém já tenha construido uma
curva de Peano no quadrado [ 0, 1 [ × [ 0, 1 [. Construimos uma e mostramos
que a mesma resulta com propriedades topológicas “absurdamente” distintas
da curva usual, isto é, da curva no quadrado [ 0, 1 ] × [ 0, 1 ].
III - Uma Sugest~
ao Para o Tratamento das Dimens~
oes na Teoria das
Supercordas
Resumo: Neste trabalho mostramos uma técnica para transitar entre dimensões
arbitrárias: seja no sentido de reduzir, quanto elevar, uma dimensão à outra.
Cremos que o mesmo possa ser útil ao entendimento de algumas questões con-
cernentes às dimensões na Teoria das Supercordas. Em resumo: provamos a
possibilidade teórica (matemática) da transposição de dimensões.
IV - Uma Modificaç~
ao na Equaç~
ao de Schröedinger
Resumo: Neste trabalho estamos sugerindo uma modificação na equação de
Schröedinger (da Mecânica Quântica) de modo a obtermos soluções reais para
a função de onda.
V - Álgebras em Dimens~
ao pot^
encia de Dois
Resumo: O objetivo deste trabalho é desenvolver os números 2N − dimensio-
nais, ou seja, números que estão em uma dimensão que é potência de dois. Por
exemplo:
( i ) 20 = 1, na dimensão 1 (reta) números reais;
( ii ) 21 = 2, na dimensão 2 (plano) números complexos;
( iii ) 22 = 4, na dimensão 4 (hiperplano) números quatérnions.
A partir destes exemplos somos levados a conjecturar que são possı́veis os
números que moram em uma dimensão que seja potência de dois.
VI - A Métrica Divina
Resumo: Este artigo nasceu de um sentimento meu de solidariedade com os
“menos favorecidos”. No caso do - clássico - paradoxo de Zenão, Aquiles, numa
atitude de puro esnobismo dá uma vantagem inicial à tartaruga. Em nosso para-
doxo a situação se inverte: a tartaruga dará uma distância inicial a Aquiles para
logo em seguida ultrapassá-lo e vencer a corrida. Mostraremos, com técnicas
matemáticas recentes, que não trata-se de um engodo - não tomariamos em vão
o precioso (e já escasso) tempo do leitor!.
150

VII - MATRIZ DIGITAL


Resumo: Neste trabalho construimos - através do algoritmo da divisão - uma
matriz e mostramos aplicações da mesma em: conversão de um inteiro positivo
para uma base numérica qualquer; cálculo de combinações; teoria dos números.
VIII - Progress~oes Aritméticas e Geométricas de ordem m
Resumo: Neste trabalho estudamos, sob uma nova ótica (isto é, a partir de
uma nova definição) as progressões aritméticas e geométricas de ordem m.
IX - Seqü^encias Aritméticas e Geométricas Multidimensionais
Resumo: Neste trabalho desenvolvemos uma outra generalização das pro-
gressões aritméticas e geométricas: as progressões aritméticas e geométricas
multidimensionais (ou em dimensão N ).
X - TRAÇADOS 3 − D ( Um auxı́lio para o traçado de figuras no LATEX )
Resumo: Neste pequeno trabalho mostramos (deduzimos) o “menor algoritmo
do mundo” para traçados 3 − D. Este algoritmo nos auxilia no traçado de
algumas figuras no LATEX.
XI - Números Hipercomplexos−2D ( Uma Nova Generalizaç~ ao dos Números
Reais )
Resumo: Neste trabalho construimos um novo sistema numérico sobre o R2 .
Este sistema resulta numa nova generalização dos números reais.
XII - Números Hipercomplexos−3D ( Uma Nova Generalizaç~ ao dos Números
Complexos )
Resumo: Neste trabalho construimos (sobre o R3 ) os números tridimensionais,
uma nova generalização dos números complexos.
XIII - O Problema do Cavalo Pastando
Resumo: Neste trabalho resolvemos, apenas com matemática do ensino médio,
o famoso problema do cavalo pastando.
XIV - O Problema da régua de combustı́vel
Resumo: Neste trabalho resolvemos, apenas com matemática do ensino médio,
o problema da régua de combustı́vel.
Referências Bibliográficas

[1] Fundamentos de matemática elementar (por) Gelson Iezzi (e outros). São


Paulo, Atual Ed., 1977- v.6
[2] Boyer, Carl Benjamin. História da Matemática. São Paulo - Edgar Blücher,
1974.
[3] Bernardo Felzenszwalb. Álgebras de Dimensão Finitas. 12o Colóquio Brasi-
leiro de Matemática. IMPA, 1979.
[4] Newton C. A. da Costa. Ensaio sobre os fundamentos da lógica. São Paulo:
HUCITEC: Ed. da Universidade de São Paulo, 1980.
[5] Silva, Gentil Lopes. Números Hipercomplexos−2D (Uma nova generalização
dos números reais). www.dmat.ufrr.br/∼ gentil
[6] Ubaldi, Pietro. As Noúres: Técnica e recepção das correntes de pensamento.
Tradução de Clóvis Tavares. 4. ed. Rio de Janeiro: FUNDÁPU, 1988.

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