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Transferência de calor e massa

MÓDULO XI

Disciplina: TRANSFERÊNCIA DE CALOR E MASSA Módulo XI /Disciplina: Nuclear

Nº de Créditos: 4 Área Científica: Termodinâmica

Carga Horária Semanal: 4 h Carga Horária do Módulo: 60 h

OBJECTIVOS
Os estudantes devem saber:
 Conhecer as várias formas de transferência de calor.
 Saber idealizar e calcular trocadores de calor;
 Conhecer a essência da radiação e sua aplicação;
 Determinar as quantidades de calor em jogo e aplicar práticas em cada caso.

PLANO TEMÁTICO

TEMA NH/T
1. Fundamentos básicos da transferência de calor por condução, convenção e radiação 06
2. Condução unidimensional em regime permanente 06
3. Condução em regime transitório 06
4. Convenção: conceitos e relações básicas 04
5. Convenção forçada no escoamento no interior de dutos 06
6. Convenção forçada no escoamento sobre corpos 04
7. Convenção livre 04
8. Radiação 06
9. Transferência de calor com mudança de fase 06
10. Termo-permutadores de calor 06
11. Transferência de massa 06
TOTAL 60
NH/T: Número de Horas por Tema

ESTRATÉGIA E MÉTODOS DE ENSINO-APRENDIZAGEM


As aulas assumirão três categorias:
 Aulas teóricas: exposição da matéria com utilização de recursos multimédia, do quadro e de
acetatos; formulação e resolução de problemas - tipo no final de cada assunto. Consulta de
fichas de apoio disponibilizados pelo docente.
 Aulas teórico-práticas que se basearão na resolução de exercícios para a consolidação dos
conhecimentos adquiridos, apresentação de vídeos e imagens relacionados ao assunto.
 Aulas laboratoriais que se basearão na execução de experiências em laboratórios ou

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demonstração de aparelhos em visitas.

BIBLIOGRAFIA

 BEJAN, Adrian (1996) Transferência de calor. São Paulo: Edgard Blucher;


 HOLMAN, Jack P. (1983) Transferência de calor. São Paulo: Macgraw – Hill;
 INCROPERA, Frank P., DEWITT, David P. (1996) Fundamentos de transferência de calor e
de massa. Rio de Janeiro: LTC;
 OZISIK, M. Necati (1990) Transferência de calor: um texto básico. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan.

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Transferência de calor e massa

TRANSFERÊNCIA DE CALOR E MASSA

1. Introdução.

Sempre que um corpo está a uma temperatura maior que a de outro ou, inclusive,
no mesmo corpo existam temperaturas diferentes, ocorre uma cessão de energia
da região de temperatura mais elevada para a mais baixa, e a esse fenômeno dá-
se o nome de transmissão de calor.
O objetivo da presente cadeira é estudar as leis e os princípios que regem a
transmissão de calor, bem como suas aplicações, visto que é de fundamental
importância, para diferentes ramos de Engenharia, o domínio dessa área de
conhecimento. Assim como o Engenheiro Mecânico enfrente problemas de
refrigeração de motores, de ventilação, ar condicionado etc. O Engenheiro
Metalúrgico não pode dispensar a transmissão de calor nos problemas
relacionados a processos piro metalúrgicos ou hidro metalúrgicos, ou nos projetos
de fornos ou de regeneradores.
Em nível idêntico, o Engenheiro Químico ou Nuclear necessita da mesma ciência
em estudos sobre evaporação, condensação ou em trabalhos de refinaria e
reatores, enquanto o Eletricista a utiliza no cálculo de transformadores e geradores
e o Engenheiro Naval aplica em profundidade a transmissão de calor em caldeiras,
máquinas térmicas, etc. Até mesmo o Engenheiro Civil e o arquiteto, especialmente
em países frios, sentem a importância de, em seus projetos, preverem tubulações
interiores nas alvenarias das edificações, objetivando o escoamento de fluidos
quentes, capazes de permitirem conforto maior mediante aquecimento ambiental.
Esses são, apenas, alguns exemplos, entre as mais diversas aplicações que a
Transmissão de Calor propicia no desempenho profissional da Engenharia.
Conforme se verá no desenvolvimento da matéria, é indispensável aplicar recursos
de Matemática e de Mecânica dos Fluidos em muitas ocasiões, bem como se
perceberá a ligação e a diferença entre Transmissão de calor e Termodinâmica. A
Termodinâmica relaciona o calor com outras formas de energia e trabalha com
sistemas em equilíbrio, enquanto a Transmissão de calor preocupa-se com o
mecanismo, a duração e as condições necessárias para que o citado sistema atinja

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o equilíbrio. É evidente que os processos de Transmissão de Calor respeitem a
primeira e a segunda Lei da Termodinâmica, mas, nem por isto, pode-se esperar
que os conceitos básicos da Transmissão de calor possam simplesmente originar-
se das leis fundamentais da Termodinâmica. Evidente também é, sem dúvida, que
o calor se transmite sempre no sentido da maior para a menor temperatura, e só
haverá transmissão de calor se houver diferença de temperatura, da mesma forma
que a corrente elétrica transita do maior para o menor potencial e só haverá
passagem de corrente elétrica se houver uma diferença de potencial; percebe-se,
de início, sensível analogia entre os fenômenos térmico e elétrico, o que é
absolutamente correto, pois que, de fato, o fenômeno é de transporte e pode ser,
inclusive, estudado de forma global, como calor, eletricidade, massa, quantidade de
movimento, etc., resultando daí a absoluta identidade entre as diferentes leis que
comandam deferentes setores do conhecimento humano.
 Transferência de calor é energia térmica em trânsito devido a uma diferença
de temperatura no espaço ou meio.

1.1 Relação entre termodinâmica e transmissão de calor;


Transmissão de Calor é o processo pelo qual a energia é transportada sempre que
existir um gradiente de temperatura no interior de um sistema ou, quando dois
sistemas com diferentes temperaturas são colocados em contacto.
A primeira lei da Termodinâmica preconiza que a energia não pode ser criada ou
destruída mas sim transformada de uma forma para outra. Esta lei governa
quantitativamente todas as transformações de energia, mas não faz restrições
quanto à direcção das referidas transformações. A primeira lei da Termodinâmica
também conhecida como lei de conservação de energia pode ser enunciada da
seguinte forma: “ a variação total da quantidade de energia (aumento ou redução)
da energia de um sistema durante um processo é igual a diferença entre a energia
total que entra e a que sai do sistema durante o processo.

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fig.1

A segunda lei da termodinâmica diz que nenhum processo é possível, cujo único
resultado seja uma transmissão líquida de calor de uma região de baixa
temperatura para outra de temperatura mais alta.

Fig.2

A termodinâmica clássica está limitada principalmente ao estudo dos estados de


equilíbrio (mecânico, químico e térmico) e sendo assim ela é de pouca ajuda na
determinação quantitativa das transformações que ocorrem devido à deficiência ou
falta de equilíbrio dos processos de engenharia. Sendo o fluxo de calor resultado de
falta de equilíbrio de temperatura o seu tratamento quantitativo deve ser baseado
em outros ramos da ciência.
Na análise de sistemas que envolvem fluxos de fluídos, frequentemente encontra -
se combinação das propriedades u e Pv. Por conveniência esta combinação é
definida com entalpia h. Ela é , h = u + Pv onde o termo Pv representa a energia do
fluxo do fluído.

Fig.3

A energia pode-se manifestar de várias formas tais como a térmica, mecânica,


cinética, potencial, eléctrica, magnética, química e nuclear. À soma de todas as
formas é chamada de energia total e designada pela letra E As formas de energia
estão relacionadas com a estrutura molecular do sistema e o grau da actividade
molecular é chamado de energia microscópica. A soma de todas as formas
microscópicas de energia é chamada energia interna do sistema e designada pela
letra U.

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1.2 Calor Específico;

O calor específico é definido como a energia necessária para elevar a temperatura


de uma unidade de massa de uma substância em um grau. Ele pode ser:
 Calor específico a volume constante Cv;
 Calor específico a pressão constante Cp.
O calor a pressão constante Cp é maior que a volume constante Cv, porque a
pressão constante o sistema expande e a energia para esta expansão deve ser
fornecida ao sistema.

Fig.4

Fig.5

1.3 Mecanismos Básicos de Transmissão de Calor;

Existem três modos básicos de transmissão de calor que são:


 Condução;
 Convecção;
 Radiação.
Todos os modos de transferência de calor requerem que haja diferença de
temperatura e em todos eles a transferência se faz da temperatura mais alta para a
mais baixa.

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Transferência de Calor por condução:
É um processo pelo qual o calor flui duma região de alta temperatura para outra de
baixa temperatura dentro de um meio (sólido, líquido ou gasoso) ou entre meios
diferentes em contacto físico directo. Na condução a energia é transmitida por meio
de comunicação molecular directa, sem apreciáveis deslocamentos das moléculas.

Fig.6

Transferência de Calor por convecção:


É um processo de transferência de energia pela acção combinada da condução de
calor e movimento da mistura e armazenagem de energia. Na prática sob
convenção subentende-se o processo de troca de calor entre corpo líquido ou
gasoso e sólido.
A causa do movimento do fluído pode ser externa em consequência dum trabalho
mecânico (ex: com ajuda de um ventilador ou bomba); neste caso tem -se
convecção forçada ou o movimento resulta espontaneamente quando causa uma
diferença de densidade dum líquido este fenómeno chama-se convecção livre.

Fig.7

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Transferência de Calor por radiação:

É um processo pelo qual o calor é transmitido de um corpo a alta temperatura para


um de mais baixa quando tais corpos estão separados no espaço ainda que exista
vácuo entre eles. Um corpo quente emite energia de radiação em todas as
direcções. Quando esta energia atinge um outro corpo uma parte desta energia de
radiação pode ser reflectida outra parte transmitida e o resto absorvido e
transformado em calor. Por outras palavras radiação é um processo de transmissão
de calor por meio de ondas electro-magnéticas.

Fig.8

1.4 Leis Básicas de Transferência de Calor;

As leis básicas de transferência de calor são:


 A Lei de Fourier que caracteriza a transferência de calor por condução;
 Lei de Resfriamento de Newton que determina a quantidade de calor
transferido por convecção; e a
 Lei de Stephan – Boltzman que serva para a determinação do calor
transferido por radiação.

1.4.1 A Lei de Fourier que caracteriza a transferência de calor por


condução;

A lei de Fourier é a lei básica de transmissão de calor por condução tendo sido J.
Fourier o primeiro a usa-la explicitamente num artigo sobre transferência de calor
no ano de 1822. Esta lei afirma que o calor trocado por condução em uma certa

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direcção é proporcional a área normal à direcção e ao gradiente de temperaturas
na tal direcção:

Introduzindo uma constante positiva chamada Condutividade Térmica (K), que é


uma propriedade termodinâmica, pode-se escrever:

Utilizando o conceito de Fluxo de Calor, que é a taxa de troca de calor por unidade
de área. [W/m],tem-se que:

O sinal negativo é posto para garantir que o fluxo de calor seja positivo no sinal
positivo de x.

Exemplo 1:
As superfícies internas e externa de uma parede de 5 x 6m e 30 cm de espessura e
condutividade térmica de 0,69 W/mºC são mantidas as temperaturas de 20ºC e 5ºC
respectivamente. Determine o calor transferido pela parede.

fig.9
Resolução:
Assume-se: 1 Regime permanente pois a temperatura da parede mantêm-se
constante nos valores especificados. 2 As propriedades térmicas da parede são
constantes.
Propriedades: A condutividade térmica da parede é dada e o valor é k = 0,69
W/m·C.

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Análise: Sob condições de regime permanente o calor transferido pela parede
calcula-se de:

A condutividade térmica é uma propriedade física do material. Ela indica a


quantidade de calor que fluirá através duma área unitária se o gradiente de
temperatura for unitário. Assim a condutividade térmica k é numericamente igual a
quantidade de calor em Joules que passa num segundo através de uma área
unitária (1m) do corpo, numa queda de temperatura de 1K, sobre o trajecto de um
metro (1m) do fluxo de calor.

1.4.2 Lei de Resfriamento de Newton que determina a quantidade


de calor transferido por convecção;

A densidade de fluxo de calor transmitida por unidade de tempo por convecção


entre uma superfície e um fluido pode ser calculada pela relação:

Esta relação foi proposta originalmente pelo cientista Inglês Isac Newton (1701),
onde A é a área superficial ou de contacto, q é a densidade de fluxo de calor, h é o
coeficiente de troca de calor por convecção. é a temperatura da superfície e
é a temperatura do fluido. A temperatura do fluido é em geral tomada num ponto
afastado da superfície.
Uma preocupação a ser resolvida é o ponto onde deve ser colocado o termómetro
que fará a medição das temperaturas. Para a temperatura Ts é simples uma vez
que por definição esta deverá ser a temperatura da superfície. Entretanto no
segundo caso a situação se complica uma vez que a temperatura próximo da peça
quente será maior que longe dela.
A quantidade total de calor transmitida é dada por:

Exemplo 2:
A temperatura de ebulição do nitrogénio a pressão atmosférica ao nível das águas
do mar (1 atm) é de -196ºC. Dai o nitrogénio ser comummente usado em estudos

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científicos a baixa temperatura, já que a temperatura do nitrogénio líquido num
tanque aberto mantém-se constante a -196ºC até o nitrogénio líquido no tanque
acabar. Qualquer transferência de calor no tanque resulta na evaporação de algum
nitrogénio líquido que temo calor de evaporização de 198 kJ/kg e a massa
específica de 810 kg/m a 1 atmosfera. Considere-se um tanque esférico de 4m de
diâmetro inicialmente cheio de nitrogénio líquido a 1 atm e a temperatura de -
196ºC. O tanque está exposto ao ar ambiente que se encontra a temperatura de
20ºC com um coeficiente de transmissão de calor de 25 W/m2·ºC. A temperatura
do tanque de paredes finas é a mesma do nitrogénio que se encontra no seu
interior. Desprezando a transferência de calor por radiação determine a taxa de
evaporação do nitrogénio líquido no tanque, como resultado da transferência de
calor do ar ambiente.

Fig.10
Resolução:
Assume-se: 1 Regime permanente. 2 As perdas de calor por radiação são
desprezadas. 3 O coeficiente de transferência de calor por convecção é constante e
uniforme em toda a superfície. 4 A temperatura das paredes do tanque é igual a
temperatura do nitrogénio no seu interior.
Propriedades: O calor de vaporização e a massa específica do nitro génio são
dados a 1 atm e são respectivamente 198 kJ/kg and 810 kg/m
.Análise: O calor transferido para o tanque calcula-se de:

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A taxa de evaporação do nitrogénio líquido do tanque determina-se de:

1.4.3 Lei de Stephan – Boltzman que serva para a determinação


do calor transferido por radiação;

A quantidade de (calor) energia que deixa a superfície como calor radiante depende
da temperatura absoluta e da natureza da superfície. Um irradiador perfeito ou
corpo negro emite energia radiante da sua superfície a razão qrad é dada por:

Onde 𝝈 é uma constante de proporcionalidade chamada constante de Stefan-


Boltzman , que tem o valor de 5,675·10 W/m2.K4

Onde:
A - é a área da superfície em m2.
T1- é a temperatura da superfície emissora em Kelvin;
T2- é a temperatura absoluta do ambiente que troca calor com o corpo dado e 𝜺 é a
emissividade do corpo dado.
Contudo os corpos reais emitem e absorvem apenas uma percentagem da energia
radiante.

Exemplo3:
Considere-se uma pessoa cuja área exposta é de 1,7 m2, a sua emissividade de
0,7 e a temperatura da sua superfície de 32 ºC. Determinar o calor que esta pessoa
perde por radiação numa sala grande
se esta tiver as paredes a:
a) 300 K
b) 280 K

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Fig.11
Resolução:
Assume-se: 1 Regime permanente. 2 As perdas de calor por convecção são
desprezadas. 3 A emissividade da pessoa considera-se constante em todo o corpo.
Propriedades: A emissividade é considerada constante de 0,7.
Análise: É de notar que o homem está completamente envolvido pela pelas
paredes da sala.

1.5 Mecanismo Combinado de Transmissão de Calor;

Até agora considerou-se, separadamente os mecanismos básicos de transmissão


de calor (condução, conveccão e radiação). Em muitos casos práticos a
transferência de calor numa superfície ocorre simultaneamente por conveccão para
o ar ambiente e por radiação para o meio circundante. Neste caso a perda de calor
por unidade de área e dada pela combinação dos dois mecanismos.

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1.6 O Balanço de Energia.


A consideração do balanço de energia, muitas vezes desempenha um papel muito
importante na análise de transferência de calor. Se delimitar-se as fronteiras do
sistema em consideração é possível igualar o fluxo de energia que está sendo
transferida de ou para esse sistema ao fluxo de energia que esta sendo
armazenado dentro do mesmo sistema.
Durante a consideração do balanço de energia as designações usadas para os
fluxos de energia transferidas ou geradas são as seguintes:

Ein - é o fluxo de energia fornecida ao sistema;


Eout- é o fluxo de energia que sai do sistema;
Eg- é o fluxo de energia gerada no interior do sistema;
Es- é o fluxo de energia que está sendo armazenada no sistema;

O balanço dos fluxos de energia através da fronteira do sistema e as mudanças


internas que podem ocorrer podem ser expressas duma forma geral como:

Fig.12

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1.6 Superfícies Estendidas ou aletadas.

1.6.1 Balanço de energia para uma face

 Alhetas com secção uniforme;


 Alheta que perde calor por convecção pela sua extremidade;
 Alheta com a extremidade isolada;
 Alheta com temperatura prescrita na sua extremidade;
 Alheta com comprimento infinito;
 Eficiência da alheta;
 Desempenho da alheta;
 Comprimento adequado da alheta;
 Transferência de Calor em Configurações Usuais.

O termo superfície estendida é comummente usado em referência a um sólido


onde há transferência de energia por condução no interior de suas fronteiras e
transferência de energia por convecção (e/ou radiação) entre suas fronteiras e
a vizinhança. Em diversas condições de engenharia usam-se superfícies
estendidas para aumentar a eficiência de troca de calor, quer na colecta de
energia (colectores solares) quer na sua dissipação (motores).

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Transferência de calor e massa

O princípio físico que justifica o uso das alhetas é simples. Baseando-se na Lei
de Newton pode-se escrever:

h – é o coeficiente de troca de calor por Convecção;


As – é a área superficial;
Ts– é a temperatura superficial;
T∞- é a temperatura do fluído ambiente.

 Para aumentar a dissipação de calor pode-se aumentar h, A e a


diferença das temperaturas;
 O aumento de h pode se conseguir com o aumento da velocidade do
fluido (convecção forçada).
 Aumentar a diferença de temperaturas pode-se conseguir com o
abaixamento da temperatura ambiente.
 A forma mais fácil de se conseguir o aumento da dissipação de calor é
aumentando a área superficial;

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Transferência de calor e massa

Condução Estacionária transmissão de calor através de uma alheta

Exemplos de funcionamento de alhetas

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Transferência de calor e massa

Supondo que a base da alheta esteja a uma temperatura superior à do meio


ambiente. Numa secção de comprimento elementar Δx localizada no meio da
alheta tem-se energia entrando por condução, no material desse elemento, e
por outro lado energia saindo também por condução e não se pode esquecer
da parcela que sai para o meio ambiente por convecção.

1.6.1 Balanço de energia para uma face

As hipóteses a serem usadas são:


 Regime permanente e ausência de fontes internas;
 Temperatura constante do fluído longe da alheta;
 As propriedades térmicas do material não variam com a temperatura;
 As alhetas são finas, assim pode-se modelar a situação como
unidimensional;
 O Coeficiente de transferência de calor por convecção é constante ao
longo da alheta;
 A temperatura da superfície da base da alheta é a mesma que a da
superfície primária.

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Transferência de calor e massa

Substituindo e dividindo-se por Δx obtém-se:

Calculando-se o limite quando Δx → 0 obtém-se:

Da lei de Fourier para a condução obtém-se:

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1.6.2 Alhetas com secção uniforme.

Então a equação geral transforma-se em:

A solução geral desta equação de segunda ordem é:

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Transferência de calor e massa

1.6.3 Alheta que perde calor por convecção pela sua extremidade.

As alhetas, na prática, são expostas ao ambiente e, portanto, a condição de


contorno adequada para a ponta da alheta é a convecção, que também inclui
os efeitos da radiação. A equação da alheta pode ainda ser resolvida, neste
caso, utilizando a convecção na ponta da alheta como a segunda condição de
contorno, mas a análise torna-se complexa e resulta em expressões da
distribuição da temperatura e da transferência de calor complicadas.
Em geral, a área da ponta da alheta é uma pequena fração da área total da
superfície da mesma, assim, as complexidades envolvidas na solução da
equação, dificilmente podem justificar uma melhora na exactidão.

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Transferência de calor e massa

logo, a distribuição das temperaturas é dada por:

O calor perdido pela alheta calcula-se de:

Uma outra forma que integra as perdas de calor por convecção é:

1.6.4 Alheta com extremidade isolada

As alhetas não são susceptíveis de ser tão longas que a sua temperatura se
aproxime da temperatura ambiente na ponta. Uma situação mais realista é a

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Transferência de calor e massa
transferência de calor da ponta da alheta ser desprezada dado que a
transferência de calor da alheta é proporcional à sua superfície e a superfície
da ponta da alheta é geralmente uma fracção insignificante da área total da
alheta. A ponta da alheta pode ser considerada como isolada.
A condição de contorno na ponta da alheta pode ser expressa por:

O perfil de temperaturas toma o seguinte aspecto:

O calor dissipado pela alheta avalia-se de:

Quando se refere a uma alheta cuja extremidade se encontra isolada, é muito


frequente usar-se o conceito de comprimento corrigido L que permite usar as
expressões relativas à alheta com convecção no seu extremo, com um erro
não superior a 8%.

Usando as relações próprias de A e p para alhetas de secção rectangular e


circular os comprimentos corrigidos ficam respectivamente:

O comprimento corrigido L é definido como o comprimento de uma c alheta


com o extremo isolado, que transfere o mesmo calor que uma alheta de
comprimento L com convecção no extremo.

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Transferência de calor e massa

Se a temperatuira da alheta no seu extremo for medida, igual a T a segunda


condição de contorno pode ser dada como: em X = L, θ = θ

1.6.5 Alheta com temperatura prescrita na sua extremidade

Da condição de contorno resulta:

O perfil de temperaturas é dado por:

O calor dissipado pela alheta é calculado de:

1.6.6 Alheta com comprimento infinito


Para a alhetas suficientemente longas com secção transversal constante
(Ac=constante), a temperatura da alheta no seu extremo tenderá para a
temperatura ambiente T∞ tenderá para zero. Isto é: e portanto θ

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Transferência de calor e massa

Da condição de contorno resulta:

O perfil de temperaturas é dado por

O calor dissipado pela alheta é calculado de:

Variação de temperatura ao longo de uma alheta longa circular de secção


constante.

1.6.7 Eficiência da alheta

Transferência de calor real e ideal em uma alheta.

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Transferência de calor e massa

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Transferência de calor e massa

Para uma situação em que se tem um arranjo de várias alhetas, tem de se


tomar em conta as áreas, com e sem alhetas, para se fazer o cálculo da
eficiência do arranjo.

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Transferência de calor e massa

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Transferência de calor e massa

1.6.8 Desempenho da alheta

Exercício 1
O tubo de um sistema de aquecimento apresentado na figura abaixo, contém
200 alhetas por unidade de comprimento. Compare o calor libertado pelo tubo
sem alhetas e com alhetas. Determine a eficiência da alheta. O coeficiente de

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Transferência de calor e massa
troca de calor por convecção é de 50 W/m·°C e a condutibilidade térmica da
alheta é de 142 W/m·°C

Assumim-se:
1. Escoamento estacionário;
2. O coeficiente de troca de calor constante em toda alheta;
3. A condutibilidade térmica é constante;
4. Desprezamos a transferência de calor por radiação.

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Transferência de calor e massa

Exercício 2

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Transferência de calor e massa

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Transferência de calor e massa

1.6.9 Comprimento adequado da alheta

Devido a perda gradual de temperatura ao longo da alheta, a região perto do


extremo da alheta contribui em pouco ou em nada para a transferência de
calor.

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Transferência de calor e massa

Exemplo.3

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Transferência de calor e massa

1.6.10 Transferência de Calor em Configurações Usuais.

Até agora, foi considerada a transferência de calor em geometrias simples,


como grandes paredes planas, cilindros longos e esferas. Isso ocorreu porque
a transferência de calor em geometrias pode ser aproximada a unidimensional
e soluções analíticas simples podem ser facilmente obtidas. Mas muitos
problemas na prática, são de duas ou três dimensões e envolvem geometrias
bastante complicadas para as quais não há soluções simples disponíveis.

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Transferência de calor e massa

1.6.11 Factor de Forma de Condução

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Transferência de calor e massa

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Transferência de calor e massa

Exercício 4

Um tanque cilíndrico 0,6 m de diâmetro e 1,9 m de comprimento, contendo gás


natural liquefeito (GNL) a -160 ° C é colocado no centro de uma barra quadrada
sólida de 1,9 m de comprimento, 1,4 m x 1,4 m de secção, feita de um material
isolante com k =0,0006 W/m °C. Se a temperatura da superfície externa da
barra for de 20 °C, determinar a taxa de transferência de calor para o tanque.
Determinar também a temperatura de GNL após um mês. Considere a massa
específica e o calor específico do GNL, 425 kg/m3 e 3,475 kJ / kg° C,
respectivamente.
Solução.
Um tanque cilíndrico contendo gás natural liquefeito (GNL) é colocado no
centro de uma barra quadrada sólida. Devem ser determinadas a taxa de
transferência de calor para o tanque e a temperatura do GNL ao fim de um
mês.
Pressupostos: 1 O regime é permanente. 2 A transferência de calor é
bidimensional (sem alteração no sentido axial). 3 A condutividade térmica da
barra é constante. 4 A superfície do tanque está a mesma temperatura que o
gás natural liquefeito.
Propriedades: A condutividade térmica da barra é dada k =0,0006 W /m .°C. A
massa específica e o calor específico do GNL são 425 kg/m 3 e 3,475 kJ/kg.°C,
respectivamente,

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Transferência de calor e massa

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