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EXCELENTISSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 2ª VARA CIVEL DA COMARCA DE

LUZIÂNIA-GO.
JUSTIÇA GRATUITA

RENATTA SUSE MONTEIRO DE MELO, devidamente


qualificado nos autos da Ação de Consignatória, que move em face de BANCO GMAC S.A,
também já identificado, vem respeitosamente perante Vossa Excelência, através de seus
Procuradores que esta subscrevem, inconformada, data vênia, com a r. sentença prolatada,
interpor o presente recurso de APELAÇÃO, como lhe faculta os arts. 1.009 usque ao 1.014
do Código de Processo Civil, aduzindo, para tanto, os seguintes fundamentos fáticos e
jurídicos, contidos nas razões que adiante seguem, requerendo sua reconsideração.

Ao final, caso entenda Vossa Excelência em manter a sentença ora


apelada, nos termos do art. 1.012 do CPC, para que seja recebida em seu efeito
suspensivo, seguindo-se vista ao apelado para a apresentação de suas contra-razões ao
teor do art. 1.010 do CPC e, posterior julgamento pela Câmara Cível do Respeitável
Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, nos termos legais.

Nestes Termos Aguarda Deferimento

Luziânia, 08 de junho de 2016.

Sebastião Ferreira Santos


OAB/GO 25.435
EXCELENTISSIMO SENHOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE
JUSTIÇA DE ESTADO DE GOIÁS.

RAZÕES

EMINENTES MAGISTRADOS

A sentença solitária proferida pelo Juízo “a quo”, não obstante a inteligência e idoneidade da
prolatora não se coaduna, todavia, com o substrato probatório contido nos autos e na
legislação pertinente.

BREVE RELATO DA SENTENÇA

O decisum do Juízo Monocrático do 1º Grau julgou extinto o processo, sem resolução de


mérito, nos termos do art. 485 inciso IV do novo CPC.

DOS FATOS

O ora apelante ingressou perante o Douto Juízo de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de
Luziânia-GO, com ação consignatória contra o ora apelado, haja vista irregularidades na
cobrança de juros.

Em sua inicial disserta acerca das irregularidades em seu contrato de financiamento,


denominado contrato de adesão, cujas cláusulas não lhe foram devidamente informadas,
elevando assim o montante da dívida contraída a valor além do permissivo legal.

Prolatada a r. sentença de 1ª instância, a mesma julgou improcedente o pedido, extinguindo o


processo com base nos Art. 485, inciso IV do Código de Processo Civil.

Contudo, o r. decidere fugiu do mérito a ser analisado, tendo extinguido o feito sem
julgamento do mérito, quando a matéria analisada trata-se estritamente de matéria de fato e de
direito, e não de questão processual.
Diante de tais, carece o r. decidere de fundamentos, devendo o mesmo ser reformado, in
totum, dando-se prosseguimento ao feito, a fim de que o mérito do mesmo venha a ser
analisado.

Tais os fatos necessários.

DO DIREITO

Como já alinhavado, entendem os apelantes que a r. sentença prolatada não abordou todos os
pontos dispostos pela inicial, apesar de serem os mesmos autônomos, sem qualquer relação de
dependência ou causalidade entre si.

Resumidamente, assim restou decidido em primeira instância:

Optou pelo indeferimento da inicial e extinção do processo, com fulcro nos artigos 485, inciso
IV do CPC.

Visto não terem sido suscitadas questões de relevância, comparecem os apelantes ao caderno
processual, a fim de conferir-lhes o indefectível reexame necessário, imputado a esta Egrégia
Corte.

A sentença é o meio pelo qual o Poder Judiciário resolve uma lide, a fim de solucionar o
conflito outrora sucitado na inicial.

Para tanto, faz-se mister a sequência de certos atos, para que os mesmos sejam tidos como
válidos, residindo nesse momento os requisitos da sentença.

Dessa forma, o juiz ao prolatar a sentença esta adstrito a verificar e cumprir determinadas
regras legais, a fim de que o r. decidere não seja eivado de nulidade.
Consoante Art. 485, IV do CPC, o juiz ao proferir a decisão deve fundamentar as questões
com os fatos e fundamentos jurídicos referentes ao caso, a fim de demonstrar ou não o
pretenso direito das partes.

No caso em epígrafe, verifica-se que a sentença carece de fundamentos de fato e de direito


que justifiquem o r. decidere prolatado, devendo a mesma ser declarada nula, já que não
atende os requisitos necessários.

Tal entendimento é o da jurisprudência:

"é nula a sentença não fundamentada", (RJTJESP 34/73, 48/44, 49/130, 62/67, JTA 90/319,
Bol. AASP 1026/150, 1031/77, 1779/38).

No mesmo diapasão:

"Bem diversa da sentença com motivação sucinta é a sentença sem fundamentação, que agride
o devido processo legal e mostra a face da arbitrariedade, incompatível com o Judiciário
democrático",/E> (Resp 18.731/PR, rel. Min. Sálvio de Figueiredo, j. 25/02/92, deram
provimento, v.u., DJU 30/03/92, p. 3993, 2ª col., em.)

Vale ressaltar que, uma vez não tendo sido apreciado o mérito da causa pelo Juízo de 2ª
instância, não pode o tribunal ad quem julgar o mérito da ação, sem antes ter sido decidido
pelo juiz de 1º grau, ferindo dessa forma o primado constitucional do duplo grau de
jurisdição.

Diante de tais, deve restar a sentença proferida em 1ª instância nula, haja vista o não
cumprimento dos requisitos formais exigidos para a decisão, assim como a não observância
do duplo grau de jurisdição.

Ocorrendo a invasão imprópria de terras de outro domínio e propriedade, caracterizado está o


esbulho ocasionando, desta forma, a privação total da posse, devendo esta restar protegida.
DOS PEDIDOS

Do exposto, a luz dos fatos e fundamentos, requer seja reformada a r. sentença para aplicar os
preceitos do artigo 359, inciso I do CPC, declarando como verdadeiro os fatos elencados na
inicial, e caso não seja este o entendimento destes nobre julgadores, requer a substituição dos
juros remuneratórios pactuados pela taxa média de mercado e ainda aplicar o INPC
como índice de correção mais benéfico ao consumidor.

Nestes Termos Aguarda Deferimento

Luziânia, 08 de junho de 2016.

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Sebastião Ferreira Santos
OAB/GO 25.435

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