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OBSERVAÇÃO DE CÉLULAS EUCARIÓTICAS AO MOC

Objetivo
Esta atividade laboratorial teve como objetivo principal a identificação das estruturas celu-
lares das células vegetais e animais com recurso ao MOC (Microscópio ótico composto).
Sendo ainda objetivo verificar o modo de atuação dos diferentes corantes sobre as estrutu-
ras celulares e qual a sua relevância para a atividade.

Introdução
A célula é a unidade básica e funcional de todos os seres vivos,
sendo todo e qualquer ser vivo constituído por células. Refletindo a
diversidade dos seres vivos que hoje conhecemos, desde os mais sim-
ples, unicelulares, até aos mais complexos, pluricelulares, as células
apresentam morfologia, tamanho, funções e constituições variadas. O
conceito de célula, que atualmente nos parece simples, teve uma ori-
gem muito remota, sendo necessário recuar até ao século XVII,
Figura 1 - Aspeto da cortiça
quando os primeiros instrumentos óticos, como o microscópio, surgi- observada por Hooke.

ram permitindo ao homem observar a realidade microscópica e celular (de dimensões mi-
crométricas). Robert Hooke, através de um microscópio composto, examinou filamentos de
cortiça sendo o primeiro a introduzir o termo de “célula”.

Mais tarde foi possível distinguir e classificar os tipos de células e realizar um estudo
muito mais detalhado dos seus constituintes e dos seus organelos. Existem dois tipos de
células: as células eucarióticas e as células procarióticas. As células eucarióticas, que cons-
tituem os seres eucariontes, compõem sistemas muito mais complexos do que as células
procarióticas e distinguindo-se destas pelo facto de possuírem o seu material genético or-
ganizado num compartimento (o núcleo) que se encontra encerrado e separado do resto
da célula por uma membrana plasmática. Por outro lado, as células procarióticas, consti-
tuintes dos seres procariontes, compõem sistemas muito mais simples do que as células
eucarióticas, não apresentando o material genético encerrado no núcleo estando este dis-
perso pelo citoplasma (formando um nucleoide). Apesar destas diferenças é de referir que
ambos os tipos de células, eucarióticas e procarióticas, possuem semelhanças entre si,
possuindo ambas membrana celular ou plasmática, citoplasma, material genético e ribos-
somas.
Figura 3 - Representação esquemática de uma
Figura 2 - Representação esquemática de uma célula procariótica
célula eucariótica.

As células eucarióticas, podem dividir-se em duas classificações: as células euca-


rióticas vegetais e as células eucarióticas animais.

As células eucarióticas animais, sendo sistemas eucarióticos, possuem uma estru-


tura organizada. São envolvidas por uma membrana plasmática que delimita o seu conte-
údo e controla a entrada e saída de substâncias, pelo que, não sendo esta rígida e não
conferindo uma forma, estas células apresentam formatos muito variáveis. No citoplasma
destas estruturas encontram-se diversos organelos celulares, como os ribossomas, o nú-
cleo, as mitocôndrias, os lisossomas, os centríolos (ausentes nas células vegetais), o com-
plexo de Golgi, o retículo endoplasmático, entres outros.

As células eucarióticas vegetais apresentam inúmeras semelhanças com as células


eucarióticas animais. No entanto estas células possuem diversas estruturas inerentes so-
mente a este tipo de células eucarióticas, como por exemplo, os vacúolos de grandes di-
mensões (dado que momentaneamente podem existir vacúolos de reduzidas dimensões
em células eucarióticas animais), os cloroplastos e a parede celular. A existência de uma
parede celular semirrígida e externa à membrana plasmática, nas células eucarióticas ve-
getais, confere a estas estruturas proteção, estabilidade e formato pouco variável, apresen-
tando estas geralmente formatos geométricos.

Figura 5 - Representação esquemática de uma


Figura 4 - Representação esquemática célula eucariótica vegetal.
de uma célula eucariótica animal.
A epiderme é um termo comum na biologia para identificar diversos tecidos celula-
res. Os seres vegetais, assim como os seres animais, possuem um tecido de revestimento
chamado epiderme que, geralmente, forma apenas uma camada de células ao seu redor.
A epiderme interior das túnicas da cebola, tal como o nome indica, é um tecido vegetal, da
zona da túnica da cebola (camada fina que reveste a cebola), apresentando células com
formato geométrico devido à existência de uma parede celular.

O epitélio constituí uma espécie de tecido celular existente nos animais, formado
por uma ou várias camadas, que limita as superfícies externas e internas do corpo. O epi-
télio lingual constituí um tecido animal que reveste a zona da língua, sendo constituído por
células arredondadas que apresentam bordas dobradas devido à ausência de parede ce-
lular, sendo somente delimitada por uma membrana plasmática.

Para uma otimizada observação de material microscópico existe um conjunto de


diversas técnicas que permitem uma melhor visualização dos seus componentes, isto por-
que, as células para além das suas reduzidas dimensões não apresentam contraste entre
os seus constituintes. Neste contexto, por vezes, surge a necessidade de utilização de uma
técnica de coloração.

A coloração constituí uma importante técnica em microscopia, permitindo evidenciar


estruturas celulares de reduzida perceção. Isto torna-se exequível devido ao facto que de-
terminadas estruturas celulares tenderem a absorver certos corantes (tornando-as mais
percetíveis e distinguíveis) enquanto que outras não usufruem dessa aptidão.

Nesta atividade laboratorial utilizámos a técnica de coloração através das soluções:


vermelho-neutro, azul de metileno e água iodada.

Por um lado, vermelho-neutro constituí um corante que, quando utilizado em redu-


zida concentração, penetra a célula sem a matar (constituindo, portanto, um corante vital,
isto é, que devido à sua baixa toxicidade permite que a célula se mantenha viva aquando a
sua interação). Aquando a sua utilização verifica-se que os organitos, bem como o cito-
plasma mantêm-se incolores, corando somente os vacúolos de um tom avermelhado. Por
outro, o azul de metileno constituí um corante básico que atua essencialmente sobre o nú-
cleo celular, atribuindo-lhe um tom azulado. Por fim, a água iodada constituí um ótimo iden-
tificador de amido (assumindo uma cor azul na presença de amido) pelo que é capaz de
corar estruturas como os amiloplastos e o núcleo.