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UNIVERSIDADE ANHANGUERA
Curso de Administração

Nome: RA´s:

EMBRIAGUEZ NO TRABALHO

Santa Barbara- SP
2018
2

Nome: RA´s:

EMBRIAGUEZ NO TRABALHO

Trabalho apresentado a faculdade anhanguera


de santa barbara d´oeste, como requisito parcial
para nota da disciplina de ?????????.

Prof:

Santa Barbara- SP
2018
3

RESUMO

A presente exposição visa tratar da embriaguez e suas consequências no direito


do trabalho, analisando as várias possibilidades que a tese possibilita, extraindo
da lei, de maneira lógica, as interpretações e aplicando-as ao substrato fático
estudado. Primeiramente, preocupou-se em estabelecer a gênese social e
antropológica do consumo de substâncias causadoras de alteração do padrão
individual de comportamento, usando-se a história para explicar a evolução
destes preparos mágicos capazes de ganhar guerras, espantar espíritos, curar
doenças, até o seu desenvolvimento final em símbolo de comemoração, tratado,
modernamente pela medicina, como ofensiva ao corpo humano. Em seguida,
delineou-se o conceito de embriaguez, passando por um estudo médico, que
ilustra os efeitos do álcool no organismo humano; as fases de um ébrio; a
embriaguez como patologia; a semelhança de reações fisiológicas de outras
substâncias equivalentes, para culminar na definição jurídica de embriaguez.
Tratou-se também da embriaguez como justa causa à rescisão do contrato de
trabalho, segundo o imperativo do art. 482, alínea f da CLT (Consolidação das
Leis do Trabalho), opondo as diversas possibilidades exegéticas, através de uma
condução lógica do raciocínio hermenêutico, vislumbrando, desta forma, outras
aplicações da norma supra aludida aos casos práticos estudados.

Palavras- Chaves: Embriaguez; CLT; Justa causa; Efeitos do álcool


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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO.................................................................................................5
2. REFERÊNCIAL TEÓRICO..............................................................................6
2.1 Conceito de Contrato de Trabalho e consolidação das Leis Trabalhistas.....6
2.2 Problemática Causada pela Embriaguez.......................................................7
2.3 Das relevâncias da embriaguez.....................................................................8

2.4 EMBRIAGUEZ X DEMISSÃO POR JUSTA CAUSA – JURISPRODÊNCIA


DOS TRIBUNAIS REGIONAIS........................................................................10
2.5 Embriaguez no serviço e a justa causa......................................................11

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................15


REFERÊNCIAS................................................................................................16
5

1. INTRODUÇÃO

Inicialmente, nesse trabalho solicitado pelo professor e necessário


Alencar que a relação entre empregados e empregadores está presente desde
muito tempo a vida de todos, relação esta que veio se intensificando e exigindo
a intervenção do Estado com muita postura dinâmica e reparadora quando
necessária, já que antigamente o trabalho era visto como uso só da força física,
deixando de lado a figura da valoração de da integridade física e moral do
empregado.

O consumo de álcool pode ser originário por problemas pessoais,


familiares, sociais ou por determinadas situações no meio laboral, ou ainda por
uma combinação desses elementos. Tais problemas não só repercutem na
saúde do trabalhador, mas também no âmbito laboral, podendo inclusive
ocasionar a rescisão contratual desse empregado dependente do uso do álcool.

Esse trabalho tem como finalidade abordar o cenário do alcoólatra, desde


sua conceituação e atuais problemas, bem como a posição da OMS, OIT e
Ministério da Saúde do Brasil sobre o tema.

Legalizando esta relação que muitas vezes o trabalhador e o empregador


não exercem seus direitos previstos em lei, por não conhecerem das normas que
lhe garantem os benefícios, como por exemplo, a dispensa por justa causa, que
muitas vezes é aplicado pelo empregador de forma incorreta, gerando para os
empregados direitos que nem sempre são pleiteados ou quando são, depois de
certo tempo, com auxílio de um defensor.
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2. REFERÊNCIAL TEÓRICO

2.1 Conceito de Contrato de Trabalho e consolidação das Leis Trabalhistas

Contrato em geral é o negócio jurídico com fundamento no acordo de


vontades entre partes, que tem por fim criar, modificar ou extinguir um direito. O
conceito de contrato de trabalho está previsto no artigo 442 da CLT:

“Art. 442 - Contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou expresso,


correspondente à relação de emprego.”

O principal objeto deste tipo de contrato é a prestação de serviço


subordinado e não eventual do trabalhador ao empregador, mediante o
pagamento de salário.

Na consolidação das Leis Trabalhistas, ART. 482;

Para a caracterização da justa causa, incumbe ao reclamado produzir


prova cabal da ocorrência de ilícito perpetrado pelo empregado e que
ele foi suficiente para quebrar a confiança depositada no trabalhador,
o que não ocorreu na hipótese dos autos. Segundo Mauricio Godinho
Delgado, “no caso de embriaguez em serviço, ela afeta diretamente o
contrato de trabalho, sem dúvida. Em conformi-dade com a função do
trabalhador (motorista ou segurança armado, por exemplo), esta
afetação pode ser muito grave, uma vez que coloca em risco a saúde
e bem-estar da própria coletividade, o que tende a ensejar a dispensa
por justa causa. Noutros casos, dependendo da atividade do
empregado, a afetação pode ser menor, propician-do o gradativo
exercício do poder disciplinar, com intuitos de ressocialização do
obreiro.1
Dessa maneira, podemos observar que a evolução dos Tribunais, bem
como do TST é surpreendente ao tratar o tema, uma vez que ao lermos as
jurisprudências abaixo elencadas, é possível observar que nas últimas decisões,
já em 1999 o alcoolismo era considerado como uma doença, no TST, mas por
estar previsto no rol da justa causa, esta deveria ser mantido como tal, o que o
tempo fez com que isso fosse superado, afinal a letra morta da lei não pode
imperar quando estamos diante de um caso onde se aplica o diálogo das fontes
como a lei civil.

1
(Curso de direito do trabalho. 3. ed. São Paulo: LTr, 2004. p. 1194/1195 ). Dessarte, o fato do
reclamante ter ingerido bebida alcóolica em serviço, por uma única vez, e, função de afetação
menor, não enseja a dispensa por justa causa. (TRT2ª R — 03481200609002003 RO — Ac.
20070984365 — 12ª T — Rel.ª Juíza Vania Paranhos — DOESP 30.11.2007)
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2.2 A Problemática Causada pela Embriaguez

A CLT autoriza o empregador a despedir o empregado por justa causa


quando ocorrer “embriaguez habitual ou em serviço (art. 482, letra f)”. Isto
significa dizer que o despedimento é autorizado quando o empregado se
apresentar habitualmente sob o efeito de álcool ou quando consumi-lo durante o
expediente. Como foi visto, a jurisprudência entendeu no caso acima que a
ingestão moderada de bebida alcoólica durante o intervalo não caracteriza a
justa causa. Mas há outros importantes aspectos a serem considerados neste
tema. Em alguns casos, o estado de embriaguez justificador da justa causa pode
ocorrer até mesmo fora do ambiente de trabalho.

Em outros, a embriaguez pode denotar a doença do alcoolismo, o que


poderia até mesmo impedir o despedimento do empregado. Portanto, é
importante distinguir inicialmente embriaguez de alcoolismo. Nem todo
embriagado é alcoólatra e nem todo alcoólatra se apresenta publicamente em
estado de embriaguez.2

Ainda que o alcoolismo não tenha origem em problemas relacionados ao


ambiente de trabalho, mesmo assim deve ser encarado como doença pelo
empregador. E isso tem importante repercussão jurídica, já que ninguém pode
ser despedido por estar doente.

A OMS em seu relatório sobre Álcool e Saúde Pública nas Américas


apresenta como resultado de suas investigações indícios de que as crianças
iniciam o consumo de bebidas alcoólicas desde os dez anos de idade. A
pesquisa apontou que o álcool é a droga preferida entre os jovens, uma vez que
eles fazem uso dela com maior frequência e intensidade.

Um problema que o futuro pode apontar é o da tranquilidade em muitos


pais e tutores por seus filhos “só” beberam, uma vez que eles acreditam que a
bebida não oferece nenhum risco como o que outras drogas oferecem, e se
esquecem ou desconhecem do perigo da ingestão da bebida alcoólica por

2
CASAGRANDE Cássio. Embriaguez e Alcoolismo no Trabalho. Disponível em: www.cis.puc-
rio.br/cis/cedes/PDF/cidadaniatrabalho/alcoolismo.pdf. Acesso em 02/03/2018
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menores, tais como pelo fato do álcool ser uma poderosa droga psicoativa ela
altera o estado de ânimo de seu usuário, podendo ocasionar acidentes de
trânsito, incluindo risco de morte, casos de incêndio, suicídio, homicídio.

Os adolescentes usuários de álcool tem mais probabilidade de sofrerem


este evento dos que os adolescente abstêmios de ser sexualmente ativos em
idades mais jovens, dessa maneira, nem sempre se protegerem, e
consequentemente pode-rem adquirir doenças sexualmente transmissíveis,
além de gestações indesejáveis.

O álcool quando ingerido por menores lhe causam problemas ainda no


desempenho escolar, com as tarefas, bem como com seu comportamento. E
estes jovens ainda têm mais probabilidade do que os demais de serem vítimas
de delitos violentos, sejam dentro ou fora da escola.

Uma questão muito importante, dentre do risco descritos já mencionados,


que logicamente valeriam a pena descrevê-los todos, mas estaríamos perdendo
o foco do tema, pauta-se na questão do menor ou adolescente em criar
dependência do consumo de bebidas alcoólicas é de quatro vezes maiores do
que quem é apresentado para a bebida em idade adulta. Dessa maneira, caso
não haja esforços conjuntos, é impossível acreditarmos que o problema do
alcoolismo acabará brevemente

2.3 Das relevâncias da embriaguez

Não existe relevância da embriaguez no trabalho, mais se Comecemos


com o estado de embriaguez eventual. O comparecimento ao trabalho neste
estado pode ou não caracterizar a justa causa, dependendo das circunstâncias
do caso. Um peão da uma fazenda de pecuária beber um pouco além da conta
numa friorenta e longa jornada de trabalho pode ser algo socialmente tolerável
se isto não o incapacita de todo para o trabalho. Já um comandante de aeronave
apresentar-se para um vôo embriagado é algo tão grave que dispensa
comentários. Claro que no primeiro caso se a embriaguez for habitual, a situação
pode mudar.
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Se a embriaguez ocorre “fora do serviço”, ainda que habitualmente, em


princípio o empregador nada tem a ver com isto, já que se trata da vida privada
do empregado. Mas também aqui pode haver circunstâncias que justifiquem uma
demissão por justa causa. É que em certas atividades e profissões o empregado
deve guardar certo decoro mesmo fora de seu horário de trabalho. Imagine-se
um professor secundarista que “encha a cara” numa festa de fim de semana de
seus alunos e acabe perdendo completamente a linha. Este comportamento
pouco discreto pode abalar a imagem do seu empregador, que poderá
considerar aquela conduta como falta grave.

De acordo com a análise médica fazer uma diferenciação entre as fases


da embriaguez torna-se difícil, muitas vezes até impossível, visto que são
processados de forma sucessória e possuindo variações de acordo com a
dosagem ingerida, a resistência de cada ser e o teor alcoólico da bebida etc. A
medicina divide a embriaguez em três estágios: subaguda, aguda e superaguda.
Na antiguidade os árabes simbolizavam estas fases comparando-as com três
animais: o macaco, o leão e o porco.

Na primeira fase encontramos um sujeito com alto nível de euforia,


irrequieto, instável, torna-se um verdadeiro brincalhão (como se fosse um
macaco). Apesar do estado de euforia é comum que em alguns sujeitos a
ocorrência de melancolia, levando o sujeito ao choro e a reclamações da vida.
Nesta fase o álcool começa a paralisar os centros nervosos, atingindo
primeiramente os centros cerebrais superiores e somente depois refletindo sobre
as funções inferiores.A memória apesar de debilitada se conserva. Esta fase é
também conhecida por embriaguez incompleta.

Na segunda fase o ébrio torna-se corajoso, não tem medo de ninguém e


interpreta qualquer comentário ou olhar como uma afronta a sua pessoa, ficando
exposto a brigas e confusões.

Como o efeito do álcool começa pelas funções superiores do cérebro e só


posteriormente atingindo as inferiores, visto que aquelas controlam estas, o
individuo fica com os seus atos regidos por impulsos, praticando agressões,
inconveniências e atos obscenos: trata-se da embriaguez completa

A jurisprudência tem se inclinado neste sentido:


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Justa causa e Embriaguez no trabalho


O passado funcional d o reclamante, reputado b o m empregado, s e
m punições disciplinares anteriores, nos termos da testemunha da
própria ré, induz ao e n tendimento de que merecia maior precaução
da empresa na aplicação da pena máxima, q ue não possibilitou sua
reabilitação, c o m advertência ou outras medidas d e prevenção, c o
m o até m e s m o a dispensa simples" 3
Despedida injusta
Embora confessada mente alcoólatra, o empregado, durante todo o
período trabalhado, ape na s u m a única vez se apresentou a o serviço
a pó s ter ingerido bebida alcóolica. O fato n ã o enseja a despedida
por justa causa, m e s m o porque u m a advertência o u suspensão,
além d e lhe proporcionar nova oportunidade, serviriam de estímulo a
que o reclamante pudesse perseverar e m sua luta contra o vício.
Afasta-se a justa cau sa, porquanto demasiadamente severa.4
Embriaguez
Estando o laborista acometido de Sindrome de Dependência do
Álcool, com sucessivos encaminhamentos ao I N S S e tratamentos e
m clínicas especializadas, se mostra injusta a despedida sumária, por
embriaguez e perda d e confiança, ainda mais sem prova de exame d
e dos agem alcoólica e tratando-se de empregado com mais de quinze
anos na empresa e um a única punição disciplinar datada de sete anos
atrás. Despedida q u e se anula, convertendo-a e m despedida s e m
justa causa,

Além das exigências de habitualidade, repercussão no trabalho,


reiteração, imediatismo, passado funcional e gradação da punição, o art. 482,
alínea da CLT, no tocante à embriaguez habitual, vem sendo aplicado com
ressalvas e até desconsiderado e m certos casos. Realmente, com o alerta
Davism , o alcoolismo constitui sério e a angustiante problema social e cuja
solução independe d e medidas simplistas.

2.4 EMBRIAGUEZ X DEMISSÃO POR JUSTA CAUSA – JURISPRODÊNCIA


DOS TRIBUNAIS REGIONAIS

Com o passar do tempo os Tribunais partilharam da ideia de que esse


tema é muito mais abrangente e preocupante do que o tratamento até então
dispensado ao tema com base nas normas Constitucionais. Por essa razão não

3
( TR T 2 a Reg., no R O n. 02950340339, ac. da 7a T. n. 02970028381, rei. Juiz Gualdo
Formica, julgado e m 27.1.1997, in D J - S P d e 6.3.1997);
4
” ( TR T 9 a Reg., no R O n. 7.207/ 1990, ac. da 3 a T. n. 2.128/1992, rei. Juiz Roberto
Coutinho Mendes, in D J - P R d e 20.3.1992);
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poderia simplesmente ser transcrito o que estava previsto em Lei, tendo a pratica
demonstrado que este problema está revestido de um enorme condão de cunho
social, emocional, psicológico e, principalmente, está diretamente ligado a saúde
do trabalhador, como abaixo será demonstrado.

A embriaguez, nome dado ao consumo e ingestão excessiva de bebidas


alcoólicas ou ainda de outras substâncias tóxicas e entorpecentes como a
maconha, cocaína etc., é um problema enfrentado com maior regularidade no
ambiente de trabalho. É comum os empregadores se depararem com um
funcionário com sinais de embriaguez e não saberem qual procedimento correto
a ser tomado nestas ocasiões.

Ocorre que, apesar do texto de lei ser taxativo quanto a possibilidade de


demissão por justa causa, seja por embriaguez habitual ou em serviço, é preciso
trazermos à baila que o posicionamento jurisprudencial atual é divergente. Para
a jurisprudência tanto a embriaguez habitual quando a em serviço não passam
de formas de incontinência de conduta ou mau procedimento, no entanto, tratam-
se de níveis e causas de embriaguez totalmente díspares e por isso não podem
ser jogadas em vala comum. De acordo com a visão jurisprudencial a
embriaguez habitual (crônica) é aquela que ocorre reiteradamente, de forma
contínua fora ou dentro do ambiente de trabalho, já a embriaguez no trabalho, é
aquela ocasional.

Nesta seara, o principal argumento é que a embriaguez habitual (crônica)


é uma doença, confirmada inclusive pela Organização Mundial da Saúde como
síndrome da dependência do álcool, e por esta razão deve ser tratada como tal,
não podendo ensejar assim a extinção do contrato de trabalho por justa causa.

Nesse sentido:

EMBARGOS. JUSTA CAUSA. ALCOOLISMO CRÔNICO. ART. 482,


F, DA CLT. 1. Na atualidade, o alcoolismo crônico é formalmente
reconhecido como doença pelo Código Internacional de Doenças (CID)
da Organização Mundial de Saúde OMS, que o classifica sob o título
de síndrome de dependência do álcool (referência F- 10. 2). É patologia
que gera compulsão, impele o alcoolista a consumir
descontroladamente a substância psicoativa e retira-lhe a capacidade
de discernimento sobre seus atos. Clama, pois, por tratamento e não
por punição. 2. O dramático quadro social advindo desse maldito vício
impõe que se dê solução distinta daquela que imperava em 1943,
quando passou a viger a letra fria e hoje caduca do art. 482, f, da CLT,
no que tange à embriaguez habitual. 3. Por conseguinte, incumbe ao
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empregador, seja por motivos humanitários, seja porque lhe toca


indeclinável responsabilidade social, ao invés de optar pela resolução
do contrato de emprego, sempre que possível, afastar ou manter
afastado do serviço o empregado portador dessa doença, a fim de que
se submeta a tratamento médico visando a recuperá-lo. Recurso de
embargos conhecido, por divergência jurisprudencial, e provido para
restabelecer o acórdão regional.5

Dispensa por justa causa ( caso concreto) Vigilante

Diante da natureza das atividades desenvolvidas pelo empregado


vigilante, portador de arma de fogo e responsável pela segurança de
várias outras pessoas, não se pode admitir a continuidade da relação
de emprego quando comprovada a embriaguez em serviço. A conduta
irresponsável do vigilante nessa situação exige do empregador uma
atitude enérgica para evitar que a falta se repita, já que os riscos a que
estariam sujeitos os funcionários, clientes e o próprio empregado são
previsíveis. Ademais, no caso em tela, nenhuma prova foi produzida
de o autor ser alcoólatra, mas, sim, de que se encontrava embriagado
em serviço.

Daí a necessidade do empregador se certificar se a embriaguez é


resultado do alcoolismo/doença ou trata-se de um caso isolado. Isso porque,
ainda que a CLT autorize a demissão por justa causa em caso de embriaguez
habitual, caso o empregador assim o faça estará assumindo o risco de
posteriormente ter revertida à justa causa ou ainda ter que arcar com uma
indenização por danos morais aplicada por meio de uma ação trabalhista, já que
para a doutrina e a jurisprudência a demissão por justa causa em caso de
embriaguez crônica é tida como ato discriminatório e atentório aos princípios
constitucionais do direito à vida, à dignidade da pessoa humana e ao trabalho.

Conforme inciso I do artigo 7º da Constituição Federal.

Aliás, cumpre ressaltar, que, na esfera trabalhista, o ônus de


comprovar a licitude da justa causa é do empregador, enquanto fato
modificativo/impeditivo do direito do autor, conforme o inciso II, do
artigo 333 do CPC c/c 818 da CLT.
Desta forma, o melhor posicionamento a ser tomado deve seguir
necessariamente estas fases quando um funcionário apresentar os sinais de: a)
embriaguez no trabalho: poderá o empregador demitir por justa causa, no
entanto, deverá cercar-se de provas que comprovem o estado etílico do

5
BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da Décima Região. Processo nº. 57200501510006 DF 00057-
2005-015-10-00-6, Relator: Desembargador Ribamar Lima Junior, Data de Julgamento: 22/06/2005, 3ª
Turma, Data de Publicação: 01/07/2005. Disponível em: . Acesso em: 26.03.2018
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empregado, seja por testemunhas, teste do bafômetro, exame médico,


laboratorial etc.

Ciente do acometimento da doença, o empregador deve buscar todas as


medidas para a recuperação do empregado, buscando soluções para o seu
tratamento, seja inscrevendo-o em programas de recuperação, ou ainda afastá-
lo e encaminhá-lo ao INSS.

Caso haja a recuperação do empregado, o mesmo retornará normalmente


a exercer a sua antiga função. No entanto, caso seja comprovada a
irreversibilidade da doença pelo INSS, deverá ser tomada as providências
necessárias para que seja aposentado. Como se vê, apesar da CLT autorizar
expressamente a demissão por justa causa em casos de embriaguez, somente
tomando todas as providências acima relacionadas é que o empregador poderá
se isentar de maiores responsabilidades, como a reversão de despedida ou
ainda uma possível indenização por danos morais.

2.5 Embriaguez no serviço e a justa causa

A CLT, em seu artigo 482, alínea f, estabelece como justa causa para a
cessação do contrato de trabalho a embriaguez habitual ou em serviço. Discorrer
sobre o que seria embriaguez não se faz necessário visto que o mote, em linhas
acima, já fora trabalhado, fazendo-se mister a distinção entre embriaguez
habitual e em serviço.

No entanto, antes de abordar a próxima temática, far-se-á a definição de


justa causa por parte do empregado. Através de uma interpretação etimológica
da expressão justa causa, tem se que justa é derivação do adjetivo justo que
contém o valor semântico de equidade, legítimo, algo que se encontra conforme
a justiça (BUENO, 1984, p. 632), já o vernáculo causa, é “aquilo ou aquele que
faz com que uma coisa exista; aquilo que determina um acontecimento; princípio;
origem; motivo; razão; pleito judicial; partido; facção”. Conclui-se, que justa
causa é aquilo que se encontra conforme a justiça.
14

A embriaguez em serviço ocorre, como o próprio nome deixa evidenciado,


durante o horário de serviço. Trata-se do empregado que se apresenta para
trabalhar embriagado ou consome a bebida durante o horário de trabalho. Não
há diferença quanto à gravidade do ato se a embriaguez se dá na apresentação
para o labor ou durante a jornada, incorre do mesmo modo na penalidade. Deixa
evidenciado o legislador, que o intuito da lei é evitar que o trabalhador tenha suas
habilidades e qualidades costumeiras comprometidas, protegendo o empregador
e a sociedade dos atos lesivos que aquele possa cometer. A gravidade do ato é
evidente, visto que um empregado com sua consciência normal comprometida
pode ocasionar sérios prejuízos ao empregador e a terceiros.

No entanto, torna-se necessário fazer uma análise social do motivo


ensejador da falta grave, pois se de um lado estão o empregador e terceiros
lesados, do outro se encontra um trabalhador na maioria das vezes doente,
sendo sua família penalizada duas vezes, pois tem diminuída suas economias e
ainda, tem que tratar do doente que tende a piorar o seu quadro patológico após
seu afastamento do labor.

Destarte, para haver a penalidade ao empregado é importante que o


empregador seja cauteloso ao analisar as razões da falta cometida. Em caso de
dúvida, que opte pela não aplicação da medida punitiva, pois sendo comprovado
que a embriaguez ocorrida no serviço é fruto de doença (embriaguez patológica
e crônica), deverá ter o empregado o seu contrato suspenso para tratamento,
mas nunca cessado. A doutrina majoritária, bem como os tribunais, tem
entendido que a responsabilidade pela recuperação do trabalhador não é
somente do estado, mas também do empregador, tendo este um papel
fundamental no encaminhamento ao tratamento, bem como a reintegração do
trabalhador ao serviço depois de assistido.

Há aí certa incompreensão, ou, quando menos, falta de caridade, de


magnanimidade para com situação grave, séria e dolorosa, do ponto de vista
pessoal e social. Convém recordar que as empresas têm também
responsabilidade social decorrente de mandamento constitucional.
15

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Muito tem se questionado acerca da demissão por justa causa no caso de


embriaguez habitual, elencada no rol taxativo do art. 482, alínea “f” da
Consolidação das Leis do Trabalho. Esse questionamento faz-se frente às
constantes mudanças no mundo contemporâneo. O alcoolismo sempre foi
repudiado no meio coorporativo por provocar toda uma desordem no ambiente
de trabalho e por constranger os demais colaboradores pertencentes ao quadro
funcional da empresa.

O alcoolismo atualmente é um problema em escala mundial, atingindo


milhões de pessoas, sejam estes trabalhadores ou desempregados, ativos ou
aposentados, pobres ou ricos, homens ou mulheres. Sua face mais dramática é
quando atinge jovens que ainda não iniciaram suas atividades laborais. Estamos,
de fato, diante de um cenário real e que se as autoridades ficarem inertes a
tendência é só piorar.

O enfoque principal parece ser tratá-lo como um problema de saúde


pública, requerendo políticas especificas, variando conforme o país e o grupo
etário. A legislação, contudo, pode também exercer um papel positivo
fundamental. Nesta perspectiva, o Poder Legiferante visa disciplinar do tecido
social uma dispensa por justa causa que é calcada em um problema social, como
é o alcoolismo, que como vimos é classificado como doença pela OMS.
Conclui-se, que para que haja justa causa como narra o aludido artigo da
CLT deve o empregador analisar cuidadosamente o caso concreto, levando em
consideração os antecedentes do trabalhador, os problemas patológicos,
familiares e sociais que este possa está enfrentando. Deve haver uma
proporcionalidade entre o ato cometido pelo trabalhador e a penalidade que ele
irá sofrer. Não há punição mais dolorosa para a alma de um trabalhador do que
a de ser demitido. Os empregadores têm responsabilidade social juntamente
com o estado, devendo estes intervir em caso de doença do trabalhador
encaminhá-lo para o tratamento e posteriormente reintegrá-lo ao seu local de
labor. Só deverá haver punição quando analisado o binômio – razoabilidade e
proporcionalidade – este indicarem ser esta a melhor solução.
16

REFERÊNCIAS

CASAGRANDE Cássio. Embriaguez e Alcoolismo no Trabalho. Disponível em:


www.cis.puc-rio.br/cis/cedes/PDF/cidadaniatrabalho/alcoolismo.pdf. Acesso em
02/03/2018

BUENO, F. da S.; PECORARO, D. da S. C.; PECORARO, G.; BRESSANE, G.


(colaboradores). Dicionário da Língua Portuguesa. 11. ed. Rio de Janeiro: FAE,
1984.

CARRION, V. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. 28. ed. atual.


por Eduardo Carrion. São Paulo: Saraiva, 2003.

GOMES, H. Medicina Legal. 30. ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1993.
JESUS, D. E. Direito Penal: parte geral. 21. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva,
1998. v.1.

MANUS, P. P. T. Despedida arbitraria ou sem justa causa: aspectos do direito


material e processual do trabalho. São Paulo: Malheiros, 1996.

MARTINS, S. P. Direito do Trabalho. 13. ed. rev. e ampl. atual. até dez/2000.
São Paulo: Atlas, 2001.

MORAES FILHO, E. de. A justa causa na rescisão do contrato de trabalho. São


Paulo: Ltr, 1996.

MIRABETE, J. F. Código Penal Interpretado. São Paulo: Atlas. 1999.

Revista dos tribunais

BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da Décima Região. Processo nº.


57200501510006 DF 00057-2005-015-10-00-6, Relator: Desembargador
Ribamar Lima Junior, Data de Julgamento: 22/06/2005, 3ª Turma, Data de
Publicação: 01/07/2005. Disponível em: . Acesso em: 26.03.2018

 ( TR T 2 a Reg., no R O n. 02950340339, ac. da 7a T. n. 02970028381, rei.


Juiz Gualdo Formica, julgado e m 27.1.1997, in D J - S P d e 6.3.1997);
17

 ( TR T 9 a Reg., no R O n. 7.207/ 1990, ac. da 3 a T. n. 2.128/1992, rei. Juiz


Roberto Coutinho Mendes, in D J - P R d e 20.3.1992); ( TR T 2 a Reg., no
R O n. 02950340339, ac. da 7a T. n. 02970028381, rei. Juiz Gualdo
Formica, julgado e m 27.1.1997, in D J - S P d e 6.3.1997);

 ( TR T 9 a Reg., no R O n. 7.207/ 1990, ac. da 3 a T. n. 2.128/1992, rei. Juiz


Roberto Coutinho Mendes, in D J - P R d e 20.3.1992);

DAVIS, Roberto. “Embriaguez habilua! c o m o justa c au sa à demissão


d o empregado". Jornal Trabalhista, Brasília, 2 0 d e fevereiro d e 1995, n. 544,
pág. 195.

Sintesenet

(Direito do trabalho. 3. ed. São Paulo: LTr, 2004. p. 1194/1195 —Dessarte, o fato
do reclamante ter ingerido bebida alcóolica em serviço, por uma única vez, e,
função de afetação menor, não enseja a dispensa por justa causa. Ac.
20070984365 — 12ª T — Rel.ª Juíza Vania Paranhos — DOESP 30.11.2007)

MONTEIRO, Maristela G. Alcohol y salud pública en las Américas. Washington:


OPS, 2007. Problemas ligados ao álcool e a drogas no local de trabalho.