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P L A N E J A M E N TO A M B I E N TA L

EDUARDO PAGEL FLORIANO

Santa Rosa, 2004.


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Planejamento Ambiental

Eduardo Pagel Floriano1

Série Cadernos Didáticos

ANORGS

ASSOCIAÇÃO DE PESQUISA, EDUCAÇÃO E PROTEÇÃO AMBIENTAL DO NOROESTE DO


ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

Fundada em 17 de maio de 2002.

A ANORGS é uma associação civil sem fins lucrativos;


Tem como principais objetivos: a pesquisa ambiental, a educação ambiental, a proteção
ambiental e a melhoria da qualidade de vida do ser humano desta e para as próximas gerações;
A ANORGS atende a todos sem discriminação, realizando e apoiando projetos ambientais.

Floriano, Eduardo Pagel


Planejamento Ambiental,
Caderno Didático nº 6, 1ª ed./ Eduardo P. Floriano
Santa Rosa, 2004.
54 p.

ANORGS.

1. Planejamento ambiental. 2. ISO 14000. 3. Metodologia.


4. Série Didática 6. II. Título.

1 Engenheiro Florestal, M.Sc.; Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal da


Universidade Federal de Santa Maria, RS; Bolsista da CAPES.
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CONTEÚDO

INTRODUÇÃO.......................................................................................... 1

PLANEJAMENTO E NÍVEL ORGANIZACIONAL.................................................... 3


IDENTIDADE................................................................................................. 4
RELAÇÕES .................................................................................................. 4
PROCESSOS ............................................................................................... 5
RECURSOS ................................................................................................. 6

CONCEITOS................................................................................................. 8

DIMENSÕES DO PLANEJAMENTO ................................................................... 9


ASSUNTO OU OBJETO ................................................................................... 9
ELEMENTOS DO PLANEJAMENTO ................................................................... 9
UNIDADE ORGANIZACIONAL......................................................................... 10
CARACTERÍSTICAS ..................................................................................... 10

CLASSES OU TIPOS DE PLANEJAMENTO ....................................................... 11


QUANTO AO OBJETO DO PLANEJAMENTO ...................................................... 11
QUANTO AO NÍVEL DE DETALHAMENTO ......................................................... 13
QUANTO AOS PRAZOS ................................................................................ 13
QUANTO AO TERRITÓRIO ............................................................................ 14
QUANTO AO NÚMERO DE CRITÉRIOS ............................................................ 14

FASES DO PLANEJAMENTO ......................................................................... 17


IDENTIFICAÇÃO E LEVANTAMENTO DE INFORMAÇÕES ..................................... 18
Ações programadas ........................................................................................................18
ANÁLISE DE SITUAÇÃO................................................................................ 19
Ações programadas ........................................................................................................19
Método dos “5i” para priorização de aspectos ambientais ..............................................22
ANÁLISE DE PROBLEMAS ............................................................................ 23
Problemas Ambientais.....................................................................................................23
Ações programadas ........................................................................................................23
ANÁLISE DE DECISÃO ................................................................................. 25
Ações programadas ........................................................................................................25
ANÁLISE DE PROBLEMAS POTENCIAIS .......................................................... 28
Ações programadas ........................................................................................................28
ELABORAÇÃO DO PLANO............................................................................. 30
As partes do plano...........................................................................................................31
Sistema de monitoramento ............................................................................................. 34
Sistema de controle ........................................................................................................ 35

ZONEAMENTO AMBIENTAL .......................................................................... 37

PLANEJAMENTO AMBIENTAL E EIA/RIMA................................................... 38

PLANEJAMENTO AMBIENTAL E AGENDA 21 ................................................. 39

PLANEJAMENTO AMBIENTAL E ISO 14000.................................................. 40

BIBLIOGRAFIA CITADA .............................................................................. 41

ANEXOS................................................................................................. 42
ANEXO I - GLOSSÁRIO ............................................................................. 42
ANEXO II – DECLARAÇÃO DO RIO SOBRE AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO .. 48
ANEXO III – MODELO DE SGA CONFORME A ISO 14001 ........................... 52
ANEXO IV – PLANEJAMENTO NA LEI ESTADUAL N° 11520/00-RS .............. 53
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INTRODUÇÃO

Tem havido uma revolução na administração desde a publicação das


normas ISO da série 9000 no final da década de 1980. Principalmente porque o
resultado da sua aplicação produz um efeito cascata, partindo da alta
administração de uma organização, atingindo seus fornecedores, além de
todos os seus níveis internos e, de alguma forma, seus concorrentes.
Posteriormente, no meio da década de 1990, as preocupações com o
ambiente, impulsionadas pela ECO-92, levaram a ISO a publicar as normas
ambientais da série 14000. Ambas as séries têm no Planejamento um de seus
requisitos para desenvolvimento de sistemas de gestão, seja da qualidade, no
caso da série 9000, ou ambiental, no caso da série 14000.
Resumidamente, procuramos definir e caracterizar o Planejamento
Ambiental e descrever uma metodologia para sua elaboração, como subsídio a
quem tenha necessidade de planejar qualquer atividade nesta área.
Há algumas décadas que nos preocupamos com o resultado de nossas
ações sobre a biosfera. Percebemos que os recursos do Planeta têm limites e
que, embora a natureza possua um grande potencial de autodepuração, isso
também é limitado. Então, percebemos a necessidade de definir até que ponto
podemos alterar a biosfera e passamos a ter certeza de que é preciso planejar
nossas ações quanto ao que fazemos com relação ao ambiente em que
vivemos.
“Planejamento Ambiental” é uma expressão recente, usada com maior
freqüência nos últimos dez anos por uma boa razão: de 3 a 14 de junho de
1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento no Rio de Janeiro, a ECO-92, foi criado o maior programa de
planejamento ambiental que já se imaginou: a AGENDA 21; que previa um
planejamento em cascata do nível global, para o nacional, regional (estadual),
até o nível local (ou municipal), com o objetivo de melhoria da qualidade de
vida do ser humano e de conservação e preservação ambiental. Neste
momento, 4 de setembro de 2002, está sendo encerrada a RIO+10 em
Joanesburgo, África do Sul, uma nova conferência promovida pela ONU com o
objetivo de avaliar os resultados obtidos com a aplicação da AGENDA 21 e de
criar um novo programa para o futuro.
Pouco depois da ECO-92, ao final de 1996, a Organização Internacional
de Padronização publicou as normas sobre padrões ambientais internacionais
ISO série 14000, que incluem o planejamento ambiental como um dos
requisitos para desenvolvimento de um sistema de gestão ambiental.
Como veremos, a caracterização de um planejamento é bastante
variada e usaremos como base o planejamento de organizações, por ser o
mais comum, embora a metodologia descrita possa ser adaptada a qualquer
situação ou propósito.

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Planejamento e nível organizacional

As normas ISO da série 9000 tratam do desenvolvimento do sistema da


qualidade em organizações e já levam em consideração o ambiente de
trabalho com alguma referência às agressões à biosfera. O objetivo dos
sistemas de gestão da qualidade são o de levar as organizações à eficiência,
eficácia e excelência. As normas ISO da série 14000 são semelhantes, diferem
somente no seu objetivo maior; enquanto as 9000 referem-se à qualidade
organizacional, as 14000 referem-se à qualidade ambiental. O planejamento,
para se atingir eficiência, eficácia e excelência, passa pela melhoria contínua
de recursos, processos, relações e identidade das organizações. Quando se
têm recursos e processos em nível ótimo, estaremos aptos a atingir a
eficiência; a eficácia será conseguida quando tivermos ótimas relações, além
de recursos e processos ótimos; mas, a excelência somente será conseguida
quando a identidade organizacional estiver de acordo com os melhores
padrões, além de já se ter conseguido ótimas relações, processos e recursos.
Em qualquer planejamento temos de nos preocupar com todos os níveis
organizacionais e muitas características de um planejamento dependem do
nível que queremos atingir.
A Figura 1, a seguir, demonstra o relacionamento do nível de
detalhamento no planejamento com o ambiente, níveis organizacionais
envolvidos e as responsabilidades em cada nível respectivo (Floriano, 1998).

Figura 1 – Relacionamentos entre responsabilidades, ambientes, níveis


organizacionais e de planejamento

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IDENTIDADE
Identidade da organização é a sua história, valores, filosofia e caráter. A
primeira coisa que identifica a organização é o que ela fornece, o que ela
produz. É o resultado da sua atividade. A seguir vem o seu mercado, a sua
forma de relacionamento com clientes e fornecedores. Em seguida, a forma
como ela trata e cuida de seus colaboradores. A sua forma de agir também é
uma característica que identifica a organização (pré-ativa ou reativa), assim
como a forma como os seus gestores definem os seus objetivos. A maneira
como a organização encara o ambiente é outro fator de sua identidade
considerado relevante na atualidade.
O planejamento estratégico é associado a este nível, que é
principalmente conceitual e onde são determinados os propósitos, objetivos e
políticas gerais da organização objeto do planejamento; estes três elementos
são as suas diretrizes estratégicas. Neste nível também são realizadas
abordagens sobre as diretrizes gerais quanto: às relações da organização com
o meio externo e dentro dela, aos seus processos e quanto aos recursos e
tecnologia, mas sem detalhamento.

IDENTIDADE DA ORGANIZAÇÃO DO SÉCULO XXI

x Produtos ou serviços excelentes.


x Cliente é fim;
x Colaborador é fim;
x Ambiente é fim;
x O desenvolvimento é sustentável;
x A organização é pré-ativa às mudanças;
x Resultados são conseqüências.

A identidade da organização está relacionada com sua alta


administração e tem influência sobre todos os demais níveis organizacionais.

RELAÇÕES
As relações na organização envolvem os sentimentos, as expectativas,
frustrações, simpatias, comunicação, liderança, integração interna e com o
meio externo. Aqui são caracterizadas as lideranças, a forma de tratamento do
colaborador, a centralização ou não do poder de decisão, a forma de
integração entre as áreas da organização, os relacionamentos entre as
pessoas e como são definidas as funções. Este é o nível de gestão executiva.
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As relações tem grande influência sobre os processos produtivos pois é o nível
das decisões táticas.
O planejamento deste nível é chamado, geralmente, de planejamento de
relações humanas ou algo do gênero e é, essencialmente, tático, onde as
áreas conceitual e técnica têm peso equivalente e a área psicológica passa a
ser de maior peso proporcional.
Quando o nível de relações é associado ao nível de processos, constitui
o planejamento de nível tático característico.
Em qualquer caso, são respeitadas as diretrizes estratégicas na
determinação de metas e dos critérios para atingi-las.

RELAÇÕES NA ORGANIZAÇÃO DO SÉCULO XXI

x Integração de seus membros com outras organizações de interesses


comuns;
x Ênfase na capacitação de colaboradores;
x A liderança é participativa;
x O trabalho é em equipe;
x Os setores tomam decisões em conjunto para satisfazer a todos;
x Os setores definem objetivos e metas em conjunto e de comum
acordo;
x As decisões são tomadas pela equipe envolvida;
x As metas são definidas pela equipe envolvida.

PROCESSOS
São os fluxos existentes na organização, seja de material, de
informação, de pessoal ou de dinheiro. Os processos são os sistemas de
produção e todos os demais procedimentos adotados pela organização para
que qualquer coisa seja realizada. Exemplos: Processo de transporte;
Processo de pagamento; Processo de fabricação; Processo de tratamento de
efluentes; etc. Consideramos como processos inteligentes aqueles em que a
burocracia é mínima e serve somente como orientação e registro do que se faz
para futuras e necessárias verificações, sem impedir ou retardar o andamento
do próprio processo.
Em conjunto com o nível das relações é o nível característico do
planejamento tático. É neste nível que são definidos os critérios para escolha
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de processos adequados à consecução das metas organizacionais, sempre
respeitando as diretrizes estratégicas na determinação de metas e dos critérios
para atingi-las.
O nível de processos quando em conjunto com o nível dos recursos, é
característico do planejamento operacional.

PROCESSOS NA ORGANIZAÇÃO DO SÉCULO XXI

x Sistema administrativo por autogestão.


x Ênfase no objetivo.
x Alta tecnologia de produção.
x Administração é instrumento.
x Capacitação do pessoal é constante.
x O ambiente não sofre impactos negativos.

RECURSOS
Os recursos de uma organização são o seu contingente de pessoal,
instalações, equipamentos e capital. Os recursos da organização são o seu
nível de base e têm influência, principalmente, sobre a qualidade e
produtividade nos processos de produção, que é o segundo nível da estrutura
organizacional de baixo para cima.
O planejamento de recursos, às vezes, é chamado de orçamento. Pode
ser físico, ou financeiro, ou ambos. Para ser realizado, é necessário que os
alvos estejam perfeitamente identificados quanto às quantidades, prazos e
qualidade.
O planejamento de recursos, quando em conjunto com o de processos,
caracteriza o planejamento operacional. Neste nível são definidos os alvos e as
necessidades físicas, financeiras e tecnológicas para alcança-los, baseando-se
em dados e projeções reais. É o nível dos planos de produção e dos planos de
prestação de serviços.

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RECURSOS NA ORGANIZAÇÃO DO SÉCULO XXI

x Pessoal altamente capacitado


x Equipamentos automatizados
x Instalações planejadas
x Patrimônio segurado
x Baixo endividamento
x Renováveis

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Conceitos

Planejar é, talvez, a principal característica que distingue as atividades


humanas das dos outros animais. Por ser racional, o homem pode analisar o
que ocorreu em situações semelhantes para prever o que é necessário fazer
no futuro, repetindo o que deu certo e evitando os erros do passado; a este
processo de organizar previamente as atividades futuras com base no
conhecimento do passado chamamos “planejamento”.
Planejamento é uma ferramenta de gestão. É um processo de
organização de tarefas para se chegar a um fim, com fases características e
seqüenciais que, em geral, estão na seguinte ordem: identificar o objeto do
planejamento, criar uma visão sobre o assunto, definir o objetivo do
planejamento, determinar uma missão ou compromisso para se atingir o
objetivo do planejamento, definir políticas e critérios de trabalho, estabelecer
metas, desenvolver um plano de ações necessárias para se atingir as metas e
cumprir a missão e objetivos, estabelecer um sistema de monitoramento,
controle e análise das ações planejadas, definir um sistema de avaliação sobre
os dados controlados e, finalmente, prever a tomada de medidas para
prevenção e correção quanto aos desvios que poderão ocorrer em relação ao
plano.
Sempre que se fala em planejar, há mais de uma pessoa envolvida.
Mesmo que se trate de um trabalho realizado por uma só pessoa, sempre
haverá alguém para lhe fornecer algo e o resultado de seu trabalho servirá para
alguém mais. Então, em planejamento, sempre se pensa em termos de
organização do trabalho de uma equipe e isso implica em alguém coordenando
pessoas que realizam tarefas para a consecução de um objetivo.
Planejamento ambiental, portanto, é a organização do trabalho de uma
equipe para consecução de objetivos comuns, de forma que os impactos
resultantes, que afetam negativamente o ambiente em que vivemos, sejam
minimizados e que, os impactos positivos, sejam maximizados.
As demais definições dos termos utilizados estão no Anexo I - Glossário.

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Dimensões do planejamento

ASSUNTO OU OBJETO
O assunto ou objeto do planejamento ambiental é o seu propósito. É o
tema central do planejamento. Em geral, faz parte do título do plano.
Exemplos de propósitos em planejamento ambiental:
x Bacia hidrográfica;
x Unidade de conservação;
x Paisagem;
x Educação ambiental;
x Sistema de gestão ambiental de empresa;
x Reciclagem de resíduos e embalagens;
x Tratamento de efluentes;
x Tratamento e disposição de resíduos;
x Redução do consumo de energia;
x Redução do consumo de água;
x Redução de impactos ambientais na fabricação de produtos;
x Redução de impactos ambientais na prestação de serviços.

ELEMENTOS DO PLANEJAMENTO
Os nove elementos de planejamento, a seguir, geralmente, são
explícitos no plano:
x Propósitos – O que fazer.
x Objetivos – Porque fazer.
x Prazos – Em quanto tempo.
x Políticas – Que regras seguir.
x Critérios – Como julgar.
x Procedimentos – Como fazer, que passos seguir (plano de ação);
x Recursos (tecnológicos e financeiros) – O que utilizar.
x Monitoramento – O que medir.
x Controle – Como analisar e revisar o que se fez.

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Em alguns casos, podem ser agrupados, em um mesmo capítulo do
plano, dois ou mais elementos semelhantes, como políticas e critérios.

UNIDADE ORGANIZACIONAL
Usualmente a unidade organizacional é caracterizada no título do plano,
ou no seu propósito. Pode ser:
x Corporativa – Envolve toda uma instituição.
x Subsidiária – Envolve um setor, ou área de uma corporação.
x Grupo ou Comissão – Envolve o trabalho de uma equipe de pessoas,
em número pré-determinado, na consecução de um objetivo comum.
x Operação – Envolve a produção de um só produto ou a realização de
um só serviço.
x Projeto – Envolve a produção de algo, com objetivos, cronograma e
orçamento próprios para sua execução, agindo como uma unidade
independente e legalmente constituída.

CARACTERÍSTICAS
Algumas características de um plano são implícitas, mas devem estar
bem definidas e ser do conhecimento de quem participar da sua elaboração,
outras estarão explícitas em algum capítulo do plano; as principais são:
x Grau de complexidade – Refere-se ao nível de detalhamento
(estratégico, tático ou operacional) e inter-relações necessárias para
se atingir os objetivos do planejamento. Tem relação com os níveis e
áreas organizacionais atingidos.
x Qualidade – Refere-se à qualidade que se pretende atingir quanto ao
propósito do planejamento. Diz respeito, principalmente, à identidade
das organizações ou ao objeto do planejamento; refere-se também
às relações internas e externas das organizações.
x Quantidade – Refere-se à quantidade que se pretende realizar ou
produzir. Relaciona-se, principalmente, aos recursos e processos
para a execução do planejamento.

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Classes ou tipos de planejamento

QUANTO AO OBJETO DO PLANEJAMENTO


x de Organizações e subsidiárias;
x de Projetos;
x de Operações;
x de Comissões.

Uma Organização é uma instituição com objetivos definidos, formada por


pessoas. O planejamento de organizações ocorre, em geral, em cascata,
iniciando pelo nível estratégico, onde se define, principalmente, os objetivos e
políticas gerais, assim como a missão organizacional, com base em uma visão
dentro do escopo das suas atividades. Os objetivos de uma organização
sempre estão ligados ao fornecimento de bens e serviços para satisfação das
necessidades humanas e a sua missão é o compromisso da organização com
a sociedade, é a sua razão de existir. A seguir, é realizado o planejamento
tático por áreas de atuação ou por departamentos, tendo-se como diretrizes o
que foi definido no nível estratégico. Por último, é realizado o planejamento
operacional, independentemente, para cada processo ou atividade realizado
em cada setor da organização.
Um Projeto, quando é uma parte das atividades de uma organização
ligado à consecução de um objetivo bem definido, geralmente, tem seu
planejamento associado ao nível tático-operacional e entra em detalhamento
quanto a processos, recursos e técnicas para sua execução, mas leva em
consideração algum tipo de planejamento estratégico organizacional. Quando
se trata de um projeto independente, o planejamento deve ser realizado em
todos os níveis como se fosse uma organização, podendo ter um documento
único como resultado final.
Uma operação é uma seqüência de ações para a produção de um bem
ou serviço e seu planejamento está no máximo nível de detalhamento quanto a
recursos e processos, sendo relacionado, principalmente, à área técnica.
Uma equipe, grupo técnico, ou comissão especial, formados com um
determinado propósito e objetivo, é objeto de planejamento em qualquer nível,
assim como os diversos níveis de uma organização.

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A NBR ISO 14.001 (1996) trata do desenvolvimento de sistemas de
gestão ambiental e tem no planejamento um de seus requisitos, que
transcrevemos (ISO 14001, 1996):
“4.3 Planejamento
4.3.1 Aspectos ambientais
A organização deve estabelecer e manter
procedimento(s) para identificar os aspectos ambientais de
suas atividades, produtos ou serviços que possam por ela
ser controlados e sobre os quais presume-se que ela tenha
influência, a fim de determinar aqueles que tenham ou
possam ter impactos significativos sobre o meio ambiente. A
organização deve assegurar que os aspectos relacionados a
estes impactos significativos sejam considerados na
definição de seus objetivos ambientais.
A organização deve manter essas informações
atualizadas.
4.3.2 Requisitos legais e outros requisitos
A organização deve estabelecer e manter
procedimento para identificar e ter acesso à legislação e
outros requisitos por ela subscritos, aplicáveis aos aspectos
ambientais de suas atividades, produtos ou serviços.
4.3.3 Objetivos e metas
A organização deve estabelecer e manter objetivos e
metas ambientais documentados, em cada nível e função
pertinentes da organização.
Ao estabelecer e revisar seus objetivos, a
organização deve considerar os requisitos legais e outros
requisitos, seus aspectos ambientais significativos, suas
opções tecnológicas, seus requisitos financeiros,
operacionais e comerciais, bem como a visão das partes
interessadas.
Os objetivos e metas devem ser compatíveis com a
política ambiental, incluindo o comprometimento com a
prevenção de poluição.
4.3.4 Programa(s) de gestão ambiental
A organização deve estabelecer e manter
programa(s) para atingir seus objetivos e metas, devendo
incluir
a) a atribuição de responsabilidades em cada função
e nível pertinente da organização, visando atingir os
objetivos e metas;
b) os meios e o prazo dentro do qual eles devem ser
atingidos.

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Para projetos relativos a novos empreendimentos e
atividades, produtos ou serviços, novos ou modificados, o(s)
programa(s) deve(m) ser revidado(s), onde pertinente, para
assegurar que a gestão ambiental se aplica a esses
projetos.”

QUANTO AO NÍVEL DE DETALHAMENTO


x Estratégico
x Tático
x Operacional

O planejamento geral de uma organização de grande porte resulta em


um programa. O plano estratégico, juntamente com os planos táticos de cada
área e os planos operacionais referentes aos processos realizados por área,
formam um conjunto de planos ao qual se denomina programa organizacional.
Já, no caso de um projeto ou micro-empresa, pode-se ter somente um plano
atingindo todos os níveis.

QUANTO AOS PRAZOS


x Curto
x Médio
x Longo

Planejamentos de curto prazo são típicos da área operacional ou de


projetos e, geralmente não passam de um ou dois anos. Os planejamentos
táticos, em geral, são previstos para prazos médios de duração entre 2 a 5
anos. Já, o planejamento estratégico, é típico de programas envolvendo vários
planos, como o de organizações de grande porte e com longa duração.

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QUANTO AO TERRITÓRIO
x Global
x Continental
x Bloco de países
x Nacional
x Estadual
x Municipal, ou local
x Área Urbana, Área Rural, Unidade de Conservação, Propriedade
Rural

Os planejamentos territoriais que envolvem mais de um país, dificilmente


conseguem descer do nível estratégico e são de prazo muito longo, mais de 5
e de até 50 anos; embora, além de 15 a 20 anos possam ser considerados
como simples especulação. Os planos envolvendo todo o território de um país,
ou de grandes regiões no casos de países extensos como o Brasil, quase
sempre são estratégicos, deixando-se as táticas para os Estados e Municípios.
Já, os planos de unidades de conservação ou propriedades rurais, podem ter
todos os níveis sem problemas e ser constituídos de um ou mais planos,
dependendo da sua complexidade e porte.

QUANTO AO NÚMERO DE CRITÉRIOS


x Monocritério ou de objetivo linear
x Multicritério ou de objetivos paralelos

O planejamento ambiental, quase sempre é multicritério. Critérios são


limites pré-estabelecidos para características e alvos. A programação
multicritério trata da otimização simultânea de mais de uma alternativa para
consecução de um objetivo, ou da otimização simultânea de mais de um
objetivo. Quando se tem mais de uma alternativa para se atingir um objetivo, é
necessário estabelecer prioridades, através de critérios, para seleção da
melhor ou das melhores alternativas. O mesmo acontece quando se tem mais
de um objetivo, é necessário priorizá-los.
Os critérios são estabelecidos conforme políticas previamente definidas.
Existem modelos matemáticos para a definição de prioridades, mas, em termos
genéricos, são atribuídos pesos para cada critério em relação às alternativas,
de forma que a média ponderada, que cada alternativa obtém frente aos

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critérios, é maior quanto mais a alternativa atende aos critérios como um todo
e, assim, pode-se escolher a melhor ou melhores alternativas.
Quando além de critérios são utilizadas políticas, objetivos e propósitos
na escolha de alternativas, estaremos utilizando diretrizes, cujo conceito
engloba todos esses elementos. Diretriz é um termo genérico para o que se
deseja, ou que é obrigatório na consecução de um objetivo ou escolha de
alternativas, independentemente de sua classificação ou conceito individual.
Pode-se dizer, portanto, que o planejamento ambiental é poli-diretivo, por
envolver múltiplas diretrizes, não é só multicritério, portanto.
Segundo SOARES (2001), a definição de critérios no planejamento
ambiental multicritério é a seguinte:
“Critérios são a expressão qualitativa ou quantitativa
de pontos de vista, objetivos, aptidões ou entraves relativos
ao contexto real, permitindo o julgamento das ações
potenciais. Em suma, eles representam as conseqüências
sobre diferentes ações que permitirão julgá-las. Em geral, a
notação atribuída ao critério é g, e a avaliação de uma ação
a será representada por g(a). A cada critério é associado
uma escala em valores ordinais ou cardinais. As
preferências obedecem a um sentido predefinido de
avaliação (decrescente ou crescente), ou seja, para um
critério, uma ação qualquer será melhor a medida que g(a)
for menor (decrescente) ou maior (crescente). O tomador de
decisão pode julgar que os critérios tenham importância
relativa diferente. Para poder exprimir sua escolha, ele pode
recorrer a dois elementos : coeficiente de ponderação e
limites de aceitação (veto).”

Muito raramente nos deparamos com planejamento ambiental que tenha


um só critério (ou diretriz), mas poderá acontecer no planejamento operacional,
mais raramente ainda no tático e, provavelmente, nunca no nível estratégico.
Algumas situações, como a rotulagem ambiental de produtos, requerem
características especiais para estabelecimento de critérios, a saber (SEBRAE,
2002):
x Os critérios ambientais de produto, devem ser capazes de
demonstrar que o seu cumprimento atinge o objetivo de redução de
impacto ambiental.
x Os critérios para o rótulo devem ter parâmetros originados da
avaliação do ciclo de vida do produto;
x Os critérios devem ser fixados de forma a serem atingíveis,
considerando os impactos ambientais relativos;

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x Os critérios ambientais para o produto, deverão ser estabelecidos de
forma a diferenciá-lo de outros em sua categoria, quando as
diferenças forem significativas;
x Os critérios deverão ser fixados para um período pré-definido;
x Os critérios deverão ser revisados num período pré-definido,
considerando novas tecnologias, novos produtos, novas informações
ambientais e mudanças de mercado, porém, revisões não
significarão, necessariamente, mudança de critérios.

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Fases do planejamento

No desenvolvimento de um plano, inicialmente, identifica-se o assunto


ou objeto do planejamento, depois é necessário levantar todas as informações
sobre o assunto e prever como serão as quatro etapas do ciclo de Deming
(Mirshawka, 1990), o conhecido PDCA (Plan, Do, Control, Act), ou seja:
Planejar, Executar, Avaliar e Agir2; é necessário, também, seguir a seqüência
do processo decisório, de acordo com a análise de situação que é obrigatória e
é a primeira fase, sendo que as demais serão realizadas, ou não, dependendo
desta. As fases do processo decisório são: Análise de Situação (AS); Análise
de Problema (AP); Análise de Decisão (AD); e Análise de Problemas Potenciais
(APP). Depois deste procedimento, pode-se passar à elaboração do plano, que
é o documento resultante do planejamento. Estas fases têm, cada uma, sua
própria metodologia de desenvolvimento e se relacionam com as etapas do
PDCA conforme a tabela 1, a seguir. Fazendo a fusão das duas metodologias:
PDCA e Processo Decisório, temos o procedimento básico para a elaboração
de um plano.

TABELA 1 – SEQÜÊNCIA DE PLANEJAMENTO:


ETAPAS DO PDCA E FASES DO PROCESSO DECISÓRIO
Fases do Processo Decisório
Etapas Análise de
Análise de Análise de Análise de
Problemas
Situação Problema Decisão
Potenciais
Identificação e
Levantamento de X X
Informações

P 1a etapa - Planejar x x
D 2a etapa - Executar x
C 3a etapa - Avaliar x x
A 4a Etapa - Corrigir x x
O planejamento é a 1ª etapa do PDCA e inclui a identificação e
levantamento de informações no método Deming e que foram separadas aqui
para fazer o cruzamento com as etapas do processo decisório. Durante o
planejamento são realizadas, também, previsões de como serão executadas as

2 Agir (Act) no PDCA, significa: agir corretivamente, ou seja, implementar ações para prevenção e correção dos
desvios que por ventura possam ocorrer em relação ao planejado.
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outras três fases (Do, Control, Act) que devem constar de qualquer plano que
pretenda ser completo.

IDENTIFICAÇÃO E LEVANTAMENTO DE INFORMAÇÕES

AÇÕES PROGRAMADAS
x Estabelecer o tema ou assunto
x Identificar o objeto do planejamento
x Levantar informações

O tema central de um planejamento é o seu propósito maior, é o objeto


do planejamento ou assunto principal. Assim, se o propósito é o planejamento
de uma unidade de conservação, a unidade de conservação envolvida é o
tema. Se o propósito é a redução de resíduos gerados em um processo de
fabricação, o tema é os resíduos gerados no processo considerado.
O objetivo de um planejamento é relacionado ao que se pretende fazer
com relação ao tema central. O objetivo é sempre uma ação sobre o objeto do
planejamento. Por exemplo, para os seguintes temas:
TEMA 1: Unidade de conservação
O objetivo pode ser o planejamento do seu manejo e gerarmos um
plano de manejo da unidade de conservação, ou pode ser a conservação
dos recursos genéticos naturais existentes na unidade e então criaremos
um plano de conservação dos recursos genéticos naturais da unidade de
conservação, ou ambos objetivos ao mesmo tempo e, então, o
planejamento resultará em um plano de manejo e de conservação dos
recursos genéticos naturais da unidade de conservação.
TEMA 2: Resíduos gerados em processo de fabricação
O objetivo pode ser a redução dos resíduos gerados e, do seu
planejamento, resultará um plano de redução dos resíduos gerados no
processo de fabricação; ou pode ser o tratamento de efluentes gerados
no mesmo processo, além da redução de resíduos, então teremos como
resultado do planejamento um plano conjunto de tratamento de efluentes
e redução de resíduos gerados no processo de fabricação considerado;
ou dois planos separados, um para cada objetivo, o que parece mais
adequado devido ao fato de que são objetivos bastante distintos.
Estando definidos o tema e o objetivo do planejamento, pode-se passar
à busca de informações sobre eles na literatura, assim como estudar e visitar

18
casos semelhantes, buscando conhecer o assunto para possibilitar e facilitar o
desenvolvimento do planejamento.
De posse de informações, com o tema e objetivo definidos, vai-se para a
fase de análise da situação.

ANÁLISE DE SITUAÇÃO

AÇÕES PROGRAMADAS
x Reconhecimento de situações
x Desmembramento de situações
x Determinação da seqüência de análise

Reconhecimento da situação - A primeira análise a fazer é definir se o


assunto merece ou deve ser objeto de planejamento. No caso de impactos
ambientais, pode-se avaliar sua importância através do método “5i” descrito no
item “Método dos 5i para Priorização de Aspectos Ambientais”. De qualquer
maneira, procure responder às seguintes perguntas: Existem normas que
obrigam, ou a legislação exige que o assunto seja objeto de planejamento? A
gestão sobre o assunto exige? As diretrizes da organização exigem? Não há
alternativas para o planejamento, por exemplo: uma instrução normativa de um
órgão ou outro documento que substitua um plano para o assunto? O assunto
é tão importante que deve ser objeto de planejamento? O impacto ambiental é
significativo? Se o planejamento não for realizado, as conseqüências podem
ser grandes o suficiente para que a alternativa de não realizá-lo seja rejeitada?
Afinal...é, realmente, necessário realizar o planejamento? – Se a resposta para
esta última pergunta for “sim”, então responda a próxima questão da análise de
situação, caso contrário, o assunto acaba aqui.
Desmembramento da situação - O segundo questionamento trata de
definir se a situação, ou assunto, é um problema. Se qualquer das perguntas a
seguir for positiva, temos uma situação problema: a) Existe um padrão e a
situação está abaixo do padrão exigido? b) A situação é um desvio de algo
esperado? c) A situação é inferior ao que se desejava? – Para essas perguntas
há quatro possibilidades de resposta:
1. Sim, a situação é um problema, mas não se conhecem as
causas:
Então, a próxima fase é a ANÁLISE DE PROBLEMAS.

19
2. Sim, a situação é um problema, as causas são conhecidas,
mas não se sabe que ação é necessária para sua correção:
A próxima fase é a ANÁLISE DE DECISÃO.

3. Não, a situação não é um problema, mas não se definiu o que


se deve fazer:
A próxima fase é a ANÁLISE DE DECISÃO.

4. Não, a situação não é um problema e já está definido o que se


deve realizar:
A próxima fase é a ANÁLISE DE PROBLEMAS POTENCIAIS.

Determinação da seqüência de análise - Reconhecida qual é a situação,


inicia-se a sua análise. Na análise de problemas identificam-se as suas causas;
conhecidas as causas, a fase seguinte passa a ser a análise de decisão, onde
se prioriza e define o que se deve fazer, ou seja, as ações a serem realizadas;
definindo-se as ações, a próxima fase passa a ser a análise de problemas
potenciais. Veja a Figura 2 a seguir:

Figura 2 – Fluxograma de análise de situação.

Procedem-se as análises de planejamento necessárias conforme o fluxo


de análise de situação e inicia-se a escolha de indicadores,
independentemente, para cada ação, com o objetivo de monitorar a execução
do plano. Depois, define-se como serão analisados os dados do monitoramento
20
e de que forma serão aplicadas as medidas mitigadoras, preventivas ou
corretivas, que se fizerem necessárias.
A NBR ISO 14.001 (ABNT, 1996) recomenda que as avaliações
ambientais em organizações tenham a seguinte abrangência:
“Recomenda-se que a avaliação ambiental inicial
cubra quatro áreas fundamentais:
a) requisitos legais e regulamentares;
b) identificação dos aspectos ambientais
significativos;
c) exame de todas as práticas e procedimentos de
gestão ambiental existentes;
d) avaliação das informações provenientes de
investigações de incidentes anteriores.
É recomendado que, em todos os casos, sejam
levadas em consideração as operações normais e anormais
da organização, bem como as potenciais condições de
emergência.
Uma abordagem apropriada da avaliação ambiental
inicial pode incluir listas de verificação, entrevistas,
inspeções e medições diretas, resultados de auditorias
anteriores ou outras análises, dependendo da natureza das
atividades.
É recomendado que o processo para a identificação
dos aspectos ambientais significativos associados às
atividades das unidades operacionais considere, quando
pertinente,
a) emissões atmosféricas;
b) lançamentos em corpos d’água;
c) gerenciamento de resíduos;
d) contaminação do solo;
e) uso de matérias-primas e recursos naturais;
f) outras questões locais relativas ao meio ambiente e
à comunidade.
É recomendado que o processo considere as
condições normais de operação e as de parada e partida,
bem como o potencial de impactos significativos associados
a situações razoavelmente previsíveis ou de emergência.

21
O processo tem por objetivo identificar aspectos
ambientais significativos associados a atividades, produtos
ou serviços, não sendo sua intenção exigir uma avaliação
detalhada de ciclo de vida. As organizações não precisam
avaliar cada produto, componente ou matéria-prima
utilizada. Podem selecionar categorias de atividades,
produtos ou serviços para identificar aqueles aspectos com
maior possibilidade de apresentar impacto significativo.”

M É T O D O D O S “5i” P A R A P R I O R I Z A Ç Ã O D E A S P E C T O S
AMBIENTAIS
Os cinco critérios para dimensionamento de impacto, a seguir, foram
baseados em estudos de vegetação (Mueeller-Dombois e Ellenberg, 1974) e
adaptados para este caso. As cinco palavras iniciadas por “i” são sinônimos de
critérios usados há muito em estatística e ecologia; foram escolhidas de forma
proposital para caracterizar um método de priorização que nunca foi usado ou
descrito desta maneira, mas é aplicável com vantagens sobre outros métodos
encontrados na literatura.

O primeiro “i” - IMPORTÂNCIA


A importância diz respeito ao valor relativo de um fato, no caso de
acontecer, em relação ao valor global do todo. A importância será tanto maior
quanto maior o valor do fato ocorrido sobre o valor do todo a que está
relacionado. É o risco de dano estimado com base no que já ocorreu.

O segundo “i” - IMINÊNCIA


A iminência diz respeito à situação temporal de um fato em si, ou seja,
se o fato já ocorreu, se está ocorrendo, se vai ocorrer, ou se poderá ocorrer. É
a premência de tempo em se tomar uma providência em relação a algo que
está acontecendo no presente. Imediato é o grau máximo, não há pressa é o
grau mínimo de urgência para que se adote alguma medida sobre o que está
ocorrendo.

O terceiro “i” - INTENSIDADE


Intensidade diz respeito ao grau com que determinado fato ocorre em
relação ao seu padrão. Quando for paramétrico, pode-se classificá-lo quanto à
média e desvio padrão, se sua distribuição for normal, ou através de outros
parâmetros que não a média e desvio no caso de outros tipos de distribuição.
Quando for um atributo não paramétrico, pode ser quantificado em
percentagens e transformado em variável contínua, se a ocorrência for maior

22
do 30 vezes, por métodos matemáticos adequados, de forma a ser tratado
como parâmetro.
Alguns indicadores podem ser usados para avaliar a intensidade como a
DL50 de agrotóxicos, ou a voltagem de uma rede de alta tensão, etc. A
intensidade é calculada pelo grau de agressão próprio de uma substância,
energia, fenômeno, etc, em relação aos níveis normais ou não agressivos dos
mesmos ou de coisas semelhantes já conhecidas.

O quarto “i” - INCIDÊNCIA


Incidência diz respeito ao número de vezes com que um fato ocorre por
unidade de tempo, ou em relação ao seu padrão de ocorrência. É a freqüência
com que ocorre.

O quinto “i” - INCLINAÇÃO


Inclinação é a prognose de algo se manter no mesmo, melhorar ou
piorar com o passar do tempo, sem que se faça nada a respeito. É o risco de
dano futuro.
É necessário criar uma escala homogênea para todos os “5i” e a soma
simples de pontos, ou a soma ponderada se forem atribuídos pesos para cada
“i”, será o índice para comparação com limites estabelecidos, das classes de
prioridade, que forem determinados em cada caso.

ANÁLISE DE PROBLEMAS

PROBLEMAS AMBIENTAIS
Problemas ambientais são os impactos negativos que as atividades
antrópicas causam ao ambiente. Os fatores de impacto (rejeitos ou
modificações) são classificados quanto ao meio físico impactado, ou quanto
aos efeitos causados no ambiente.

AÇÕES PROGRAMADAS
x Elaborar o enunciado do problema
x Especificar o problema
x Verificar que mudanças ocorreram
x Identificar as causas potenciais das mudanças
x Determinar as causas mais prováveis

23
Enunciado do problema - São o objeto e o problema (defeito, ou desvio
que o mesmo apresenta. Ao responder as duas perguntas seguintes, estará
definido o enunciado do problema: 1) Qual é o objeto? (meio físico, processo,
tarefa ou efeito); 2) Qual é o problema? (desvio do padrão normal, ou defeito
que o objeto apresenta).
Especificação do problema – Para especificar corretamente o problema,
responda o questionário: Quê, Onde, Quando e Quanto está acontecendo?
Siga o roteiro:
É problema/Está mal/Não desejamos Não é problema/Está bem/Desejamos
Que objeto apresenta problema? Que objeto não apresenta problema?
Que problema apresenta o objeto? Que problema não apresenta o objeto?
Onde o objeto apresenta problema? Onde o objeto não apresenta problema?
Onde o problema se apresenta no objeto? Onde o problema não se apresenta no objeto?
Quando o objeto apresenta problema? Quando o objeto não apresenta problema?
Quando o problema se apresenta no objeto? Quando o problema não se apresenta no objeto?
Quantos objetos apresentam problema? Quantos objetos não apresentam problema?
Quantos problemas apresenta o objeto? Quantos problemas não apresenta o objeto?
Fonte: Carvalho (1997).

As respostas ao questionário de especificação do problema é que


permitirão determinar o que é relevante.
Verificação das mudanças – É realizada através do cruzamento das
informações do questionário de especificação do problema com listas de
verificação, fluxograma de processo, etc. Neste momento vale a experiência da
equipe envolvida. Ás vezes é necessário recorrer a reuniões com
“brainstorming” até que se consiga definir o que, onde, quando e quanto
mudou.
Identificação das causas potenciais das mudanças – Uma das
ferramentas mais utilizadas para encontrar causas potenciais é o diagrama de
causa e efeito. Ao ser comparado com as mudanças ocorridas, é possível
determinar as principais causas dos problemas. O indicador das causas
potenciais é o momento em houve mudança frente à especificação do
problema. Se as mudanças aconteceram no mesmo instante em que alguma
causa possível entrou em ação e esta causa não é eliminada frente às
especificações do problema, então temos uma causa potencial.
Teste das causas – A verificação das causas pode ser factual através
dos dados disponíveis; real através de testes ou exames de laboratório; ou de
resultados, através da implantação de medidas corretivas e verificando o
resultado.

24
Encontradas as causas potenciais e testando-as, temos as causas
verdadeiras e, então, é necessário passar para a próxima fase e decidir qual a
melhor ação a ser tomada para resolver o problema, é a fase de análise de
decisão.

ANÁLISE DE DECISÃO

AÇÕES PROGRAMADAS
x Definir o enunciado da decisão
x Estabelecer diretrizes para decisão
x Encontrar e listar alternativas de decisão
x Determinar pesos e limites das diretrizes
x Comparar as alternativas frente às diretrizes
x Avaliar os riscos das alternativas escolhidas
x Determinar medidas para minimizar ou compensar os riscos

Enunciado da decisão – É formulado por uma ação referente a um


objeto e a uma ou mais limitações quanto à decisão. O propósito da decisão ou
tema central é o nosso objeto, é o foco da decisão. A ação estimula o objeto.
As limitações restringem a decisão e a identificam. Os componentes do
enunciado devem permitir que se produza um grupo de alternativas
comparáveis através de diretrizes obrigatórias ou desejáveis. A ação ou verbo
que estimula o objeto da decisão indicará como serão abordadas as
alternativas. O enunciado identifica o grupo de alternativas a considerar,
enquanto as limitações restringem o grupo de alternativas, apuram o enunciado
e justificam a necessidade de se tomar uma decisão.
Diretrizes para decisão – São as restrições que fazemos, ou seja, são os
pré-requisitos que utilizamos na escolha das alternativas para a decisão que
temos de tomar. Podem ser:
x Diretrizes obrigatórias – São eliminatórias e indispensáveis;
x Diretrizes desejáveis - São classificatórias, negociáveis e de
importância relativa (recebem pesos diferentes quanto à sua
importância).

O enunciado estando formulado, deve-se constituir um conjunto de


alternativas para decisão. Estas alternativas, de acordo com o conceito, são as
opções de escolha na tomada de decisão. Por exemplo, as áreas para
implantação de um aterro sanitário, os materiais para produção de uma

25
embalagem, os processos para eliminação de resíduos, etc. A geração de
alternativas dependem da experiência da equipe e devem basear-se,
principalmente, no enunciado da decisão, no desdobramento do enunciado,
nas diretrizes e nas conseqüências adversas da decisão (riscos da decisão).
O grupo de diretrizes deve levar em conta os efeitos causados pela
decisão. Deve-se listar todas as diretrizes possíveis e imagináveis e depois
selecionar as que apresentam coesão e que não apresentam redundância,
classificando-as como obrigatórias e ou desejáveis.
Diretrizes obrigatórias - As diretrizes obrigatórias podem ser de atributos
cuja presença ou ausência, ou cujo tipo determina que se elimine ou não uma
alternativa. Para as diretrizes paramétricas, são atribuídos limites superiores
e/ou inferiores a partir dos quais a alternativa passa a ser desejável ou
indesejável frente à diretriz.
Diretrizes desejáveis – As diretrizes desejáveis devem receber pesos de
acordo com sua ordem de importância. Os pesos para cada uma das diretrizes
desejáveis devem ser multiplicados por uma nota atribuída para cada
alternativa com relação ao atendimento ou não de cada diretriz.
Comparação das alternativas frente às diretrizes – Qualquer alternativa
que não atenda a uma das diretrizes obrigatórias deve ser eliminada.
Alternativas não eliminadas pelas diretrizes obrigatórias são comparadas frente
às diretrizes desejáveis; devem ter calculada sua média ponderada frente aos
pesos das diretrizes desejáveis para comparação entre si. As melhores
alternativas são as que atingem maior soma de pontos calculados pela soma
do resultado da nota alcançada pela alternativa referente a cada diretriz
multiplicada pelo peso da diretriz.
Avaliação dos riscos potenciais das decisões – Os riscos de qualquer
decisão dizem respeito à possibilidade de acontecer algo errado em função da
decisão tomada e da gravidade no caso de acontecer. Pode-se utilizar uma
escala de risco de 0 a 10, correspondente às probabilidades de 0% a 100% de
acontecer algo errado com relação à decisão tomada, o que deve se basear
em dados históricos e na experiência das pessoas envolvidas. A gravidade, ou
importância do fato adverso, caso ocorra, é calculado em relação ao todo
considerado, procurando-se valorizá-lo financeiramente. Uma ocorrência
adversa será tanto maior, quanto maior o prejuízo causado em relação ao todo;
por exemplo: se nossa decisão refere-se à construção ou não de uma lagoa de
contenção para o caso de transbordamento de um sistema de tratamento de
efluentes, com orçamento de 30 Mil Reais e que, caso aconteça, pode causar
um prejuízo ambiental que demandará recursos da ordem de 15 Mil Reais para
recuperação e pagamento de multas, o risco (prejuízo) representa uma
importância de 50% em relação ao todo (lagoa); neste mesmo caso, se

26
utilizarmos uma escala de 0 a 10, o risco será igual a 5. A probabilidade de
acontecer, no exemplo usado, pode ser determinada por ocorrências em
sistemas semelhantes ou, se já existir, pelo histórico do sistema ou, ainda, pela
experiência das pessoas envolvidas. Caso não exista histórico, mas tenhamos
conhecimento da existência de outros cinco sistemas semelhantes em
funcionamento, com registro de que ocorreu transbordamento em um deles, o
risco será de 20% (= 100% x 1 ocorrência / 5 sistemas), ou igual a 2 em escala
de 0 a 10. Multiplicando-se a gravidade (neste caso igual a 5) pela
probabilidade (igual a 2), temos 10 pontos de risco total. A tabela a seguir nos
dá a classificação do risco calculado:
CLASSES DE RISCO ÍNDICE DE RISCO
80 pontos ou mais ALTÍSSIMO
50 a 79 pontos ALTO
30 a 49 pontos MÉDIO
10 a 29 pontos BAIXO
menos de 10 pontos BAIXÍSSIMO
No nosso exemplo, vemos que o índice é baixo, mas nossa experiência
nos diz que algo precisa ser feito para redução dos riscos envolvidos e
aumentar nosso conforto em relação à alternativa da decisão de não
construção da lagoa de contenção.
É possível que todas as alternativas impliquem em alto ou altíssimo
risco. Nesse caso, não há conforto para a tomada de decisão e então se deve
procurar novas alternativas, ou mudar os critérios de decisão para que
alternativas eliminadas passem a fazer parte do grupo selecionado. Pode-se,
também, passar a considerar alternativas com menor pontuação. Pode ser que
seja possível adotar alguma medida em relação à alternativa para redução dos
riscos envolvidos. No caso de não se encontrar alternativas viáveis para a
decisão, e não ser possível adotar medidas para redução dos riscos, pode
acontecer de nos vermos obrigados a decidir pela eliminação de um processo,
pela não execução de um projeto, pela reengenharia de um processo de
produção, etc. É possível que a alternativa seja pela execução de algo que não
gostaríamos de fazer. Mudando-se um pouco o nosso exemplo, poderíamos ter
uma situação em que fosse necessário construir a lagoa de contenção porque
a alternativa da não construção implicasse em alto risco.
Para as alternativas com baixíssimo índice de risco, em geral, não há
necessidade de se prever ações preventivas ou protetoras. Em alguns casos, a
experiência, ou registros históricos podem nos levar a adotar alguma medida
sobre alternativas com baixo índice de risco; então, um índice de risco baixo
inspira cuidados. Alternativas com médio índice de risco sempre implicam em
ações para aumento do grau de conforto em relação às mesmas e deve-se

27
considerar como alternativas que necessitam cuidados especiais para serem
escolhidas. Alternativas com alto índice de risco, para serem escolhidas,
necessitam de justificativa e de medidas mitigadoras, protetoras ou preventivas
sobre os riscos, de forma a aumentar o grau de conforto quanto à decisão e
permitir que sejam escolhidas. Alternativas com altíssimo índice de risco devem
ser eliminadas, exceto no caso de que alguma medida possa ser adotada para
eliminar o risco.
Medidas para minimizar ou compensar os riscos – No caso da escolha
de alternativas para decisão que necessitem de medidas para redução do
índice de risco, pode-se adotar os seguintes tipos de medidas:
x Medidas de Proteção – São as medidas adotadas para reduzir a
gravidade caso aconteça algo;
x Medidas de Prevenção – São aquelas adotadas para reduzir a
probabilidade de algo acontecer;
x Medidas Mitigadoras – São as medidas adotadas para compensar
os danos possíveis e/ou certos de acontecer.

Após a adoção de medidas sobre os riscos, o índice de risco deve ser


recalculado para avaliação da necessidade ou não de medidas adicionais, ou
da eliminação da alternativa.

ANÁLISE DE PROBLEMAS POTENCIAIS

AÇÕES PROGRAMADAS
x Identificar o processo
x Identificar os problemas potenciais
x Avaliar os riscos dos problemas potenciais
x Identificar as causas dos problemas potenciais
x Determinar medidas mitigadoras, protetoras e preventivas

A previsão de possíveis problemas futuros implica em formação, ou


determinação de padrões. Toda a possibilidade de ocorrência de desvio do
padrão estabelecido ou desejado é um problema potencial a ser considerado
na análise.
Identificação do processo - Problemas potenciais referem-se à
processos e para identificação dos desvios que podem sofrer, é necessário a
elaboração do fluxograma do processo a ser analisado. O uso de diagramas de
causa e efeito, quando cruzados com fluxogramas de processos, auxiliam na
28
identificação de problemas potenciais e de suas causas e, também, auxiliam na
avaliação de riscos e de identificação de medidas a serem adotadas para
reduzi-los.
A identificação de processos é iniciada respondendo-se às cinco
questões básicas quanto ao processo a executar:
1) O que temos de fazer ou realizar? (Qual é o processo)
2) Onde? (Que ambiente e instalações estão envolvidos no
processo)
3) Quando? (Que prazos, datas e horários estão envolvidos)
4) Quanto? (Quais são as metas do processo)
5) Como? (De que maneira o processo é executado em cada
fase)
A seguir, é necessário desenhar o fluxograma do processo e identificar
nele os pontos de mudança, ou seja de início do trabalho de outra pessoa, do
início de outra etapa, início do processamento em outra instalação, ou outra
máquina, etc, separando o processo em etapas bem definidas por atividade,
local, operador, equipamento, etc.
Identificação de problemas potenciais – Concluída a identificação do
processo, estaremos prontos para identificar o que pode dar errado devido ao:
objeto do processo, instalações, prazos, metas e forma de execução. Deve-se
listar tudo o que pode ser desvio ou erro no processo e como conseqüência
dele, identificando cada etapa crítica. Em relação a cada etapa crítica devem
ser considerados três problemas potenciais, que são:
x Não conseguir fazer – é a possibilidade de se fazer algo em uma
escala de 0 a 10, por exemplo, onde 0 é a impossibilidade e 10
representa 100% de chances de realização;
x Fazer errado – refere-se ao nível de facilidade de se fazer algo;
também pode ser dado em escala de 0 a 10, onde 0 é a certeza de
fazer errado e 10 é a certeza de fazer certo;
x Demorar muito para fazer – refere-se ao prazo de execução para que
se realize algo em tempo adequado; pode-se criar uma escala de
tempo de 0 a dez, onde 0 é a certeza de não conseguir realizar em
tempo e 10 é a certeza de conseguir realizar no tempo adequado ou
programado.

Riscos dos problemas potenciais – É utilizado o mesmo procedimento


descrito na “avaliação dos riscos potenciais das decisões” da secção “7.4 -
Análise de Decisão”. Por exemplo: digamos que na análise de decisão sobre a

29
construção ou não de uma lagoa de contenção para o caso de
transbordamento de um sistema de tratamento de efluentes, tenha-se decidido
pela construção, a análise de problemas potenciais para a construção da lagoa
como um todo poderia ser a seguinte:

Problemas Potenciais Probabilidade Gravidade Índice de Risco

1 - Não conseguir fazer 1 5 5


2 - Fazer errado 3 5 15
3 - Demorar muito para fazer 5 5 25
No exemplo acima, o primeiro problema potencial apresenta baixíssimo
risco, já os demais, são baixos e inspiram cuidados, principalmente com
relação aos prazos de execução. Para a análise completa, é necessário
realizar o mesmo procedimento de determinação dos riscos para cada etapa da
construção da lagoa e verificar o que, onde, quando e quanto é necessário
fazer para redução dos riscos em cada etapa. As notas atribuídas a cada um
dos riscos dependem da situação e possíveis causas para que eles ocorram e
da nossa experiência para os avaliar.
Identificação das causas dos problemas potenciais – é realizada de
forma idêntica ao procedimento usado para identificação das causas na secção
“7.3 – Análise de Problemas”.
Determinação de medidas mitigadoras, protetoras e preventivas –
Utiliza-se o mesmo procedimento adotado na secção “7.4 - Análise de
Decisão”.
Concluída a análise de problemas potenciais, inicia-se a elaboração do
plano.

ELABORAÇÃO DO PLANO
A primeira etapa de elaboração do plano vai da identificação do objeto
do planejamento até o desenvolvimento do plano de ações. Na segunda etapa
da elaboração do plano são desenvolvidos os sistemas de monitoramento e de
controle para o plano de ações e do próprio plano global.

30
AS PARTES DO PLANO
x Propósito: o objeto do planejamento (tema ou assunto central)
x Revisão de literatura (informações)
x Visão sobre o tema (prognose)
x Objetivos
x Missão
x Políticas
x Classe do planejamento
o Unidade organizacional envolvida
o Nível de detalhamento do planejamento
o Prazo de duração
o Território de abrangência e áreas de influência na biosfera
x Problemas ocorridos, existentes e potenciais sobre o assunto
x Alternativas
x Diretrizes (obrigatórias e desejáveis)
x Metas
x Ações necessárias para atingir os objetivos e metas dentro dos
critérios e prioridades estabelecidos (tomada de decisão)
x Alvos a atingir
x Plano de ações para atingir os alvos/metas
x Sistema de monitoramento
x Sistema de controle

Propósito do planejamento
É o tema ou assunto central.

Revisão de literatura (informações)


Dados e informações encontrados na literatura que:
x formem um histórico sobre o assunto;
x auxiliem a justificar o planejamento;
x esclareçam o assunto.

31
Visão sobre o tema (prognose)
Perspectivas em relação ao assunto abordado no planejamento.

Objetivos
Descrever o que se pretende fazer em relação ao assunto abordado. É
onde se quer chegar, ou o que se quer ser em relação ao assunto.

Missão
Expressar o compromisso dos responsáveis pela execução do plano
(organização ou equipe) com relação ao assunto do planejamento. É a razão
de ser do objeto ou do objetivo do planejamento. A missão deve visar a
satisfação de alguma necessidade externa.

Políticas
Expressar as políticas para se atingir os objetivos e cumprir a missão.
A elaboração da política ambiental em organizações é o primeiro
requisito da NBR ISO 14.001, como segue:
“4.2 Política ambiental
A alta administração deve definir a política ambiental
da organização e assegurar que ela
a) seja apropriada à natureza, escala e impactos
ambientais de suas atividades, produtos ou serviços;
b) inclua o comprometimento com a melhoria contínua
e com a prevenção de poluição;
c) inclua o comprometimento com o atendimento à
legislação e normas ambientais aplicáveis, e demais
requisitos subscritos pela organização;
d) forneça a estrutura para o estabelecimento e
revisão dos objetivos e metas ambientais;
e) seja documentada, implementada, mantida e
comunicada a todos os empregados;
f) esteja disponível para o público.”

Classe do planejamento
Deixar claro o nível e tipo de planejamento e descrever suas
características principais. São as dimensões do planejamento.

UNIDADE ORGANIZACIONAL ENVOLVIDA


Definir a organização ou equipe envolvida no assunto planejado.

32
NÍVEL DE DETALHAMENTO DO PLANEJAMENTO
Definir o nível ou níveis organizacionais atingidos pelo planejamento
(estratégico, tático, operacional), áreas abrangidas (conceitual, psiclógica ou
humana, técnica), níveis organizacionais (operações, processos, relações,
identidade) e as responsabilidades pelas decisões em cada nível.

PRAZO DE DURAÇÃO
Definir o prazo de duração do plano e quem são os responsáveis pela
sua revisão.

TERRITÓRIO DE ABRANGÊNCIA E ÁREAS DE INFLUÊNCIA


Definir as áreas políticas, físicas (da biosfera) e administrativas de
abrangência e de influencia das atividades previstas no plano.

Problemas ocorridos, existentes e potenciais sobre o


assunto
Podem ser abordados na revisão de literatura.

Alternativas
Resumir a análise de decisão e listar as alternativas escolhidas neste
capítulo do plano.

Diretrizes (obrigatórias e desejáveis)


Descrever as diretrizes para escolha de alternativas.

Metas
Quantificar os objetivos para formar as metas a serem atingidas.

Ações
Listar as ações necessárias para atingir os objetivos e metas de acordo
com as diretrizes e prioridades estabelecidas (da análise de decisão).

Alvos a atingir
Priorizar e determinar prazos para atingir as metas. Definir a qualidade a
ser atingida em cada caso.

33
Plano de ações para atingir os alvos

Resultado esperado
Com que fazer?

Quando fazer?

Quanto fazer?
Porque fazer?

Como fazer?
O que fazer?

O que usar?
Onde fazer?
(instalação)

(máquinas)

Quem faz?
(materiais)

(pessoal)
(método)
(motivo)

(prazos)
(ações)

(meta)
Ação 1
Ação 2
...
Ação n

Sistema de monitoramento
Descrever o sistema de monitoramento.Ver item “Sistema de
monitoramento" a seguir.

Sistema de controle
Descrever o sistema de controle. Ver item “Sistema de controle” a
seguir.

SISTEMA DE MONITORAMENTO
Quando se chega a esta fase do planejamento necessitamos ter em
mãos um rascunho do plano para identificarmos os parâmetros e os atributos
que devem ser monitorados, os quais serão os indicadores de que o plano está
sendo executado dentro dos critérios e padrões estabelecidos, ou não.
As atividades desta fase envolvem:
x Identificação dos objetivos do monitoramento;
x Identificação e listagem de parâmetros e atributos de avaliação
necessários para atender aos objetivos do monitoramento;
x Estabelecimento de critérios para avaliação dos parâmetros e
atributos;
x Estabelecimento do sistema de medição e coleta de dados;
x Estabelecimento do sistema de análise de amostras;
x Estabelecimento do sistema de análise estatística dos dados;

34
x Estabelecimento do modelo de apresentação dos resultados do
monitoramento;
x Estabelecimento do sistema de divulgação dos resultados do
monitoramento.

Resumidamente: define-se o que, porque e como medir para ter-se o


sistema sob controle.
O monitoramento é parte do requisito “4.5. Verificação e Ação Corretiva”
da NBR ISO 14.001 (ABNT, 1996), como segue:
“4.5.1 Monitoramento e medição
A organização deve estabelecer e manter
procedimentos documentados para monitorar e medir,
periodicamente, as características principais de suas
operações e atividades que possam ter um impacto
significativo sobre o meio ambiente. Tais procedimentos
devem incluir o registro de informações para acompanhar o
desempenho, controles operacionais pertinentes e a
conformidade com os objetivos e metas ambientais da
organização.
Os equipamentos de monitoramento devem ser
calibrados e mantidos, e os registros desse processo devem
ficar retidos, segundo procedimentos definidos pela
organização.
A organização deve estabelecer e manter um
procedimento documentado para avaliação periódica do
atendimento à legislação e regulamentos ambientais
pertinentes.”

SISTEMA DE CONTROLE
Controlar, na interpretação das normas ISO das séries 9000 e 14000,
corresponde ao “Act” do PDCA, ou seja, é a análise e interpretação dos dados
do monitoramento e o estabelecimento de ações ou medidas mitigadoras,
preventivas e corretivas com o objetivo de manter o que foi planejado dentro do
padrão, ou para melhorá-lo.
A NBR ISO 14.001 (ABNT, 1996) inclui o controle como parte do
requisito “4.4 Implementação e operação”, no item “Controle Operacional”,
transcrito a seguir:

35
“A organização deve identificar aquelas operações e
atividades associadas aos aspectos ambientais significativos
identificados de acordo com sua política, objetivos e metas.
A organização deve planejar tais atividades, inclusive
manutenção de forma a assegurar que sejam executadas
sob condições específicas através
a) do estabelecimento e manutenção de
procedimentos documentados, para abranger situações
onde sua ausência possa acarretar desvios em relação à
política ambiental e aos objetivos e metas;
b) da estipulação de critérios operacionais nos
procedimentos;
c) do estabelecimento e manutenção de
procedimentos relativos aos aspectos ambientais
significativos identificáveis de bens e serviços utilizados pela
organização, e da comunicação dos procedimentos e
requisitos pertinentes a serem atendidos por fornecedores e
prestadores de serviços.”

Nesta fase é necessário estabelecer as diretrizes e a metodologia para


análise do que foi planejado e as responsabilidades com relação ao
estabelecimento de medidas de prevenção e correção de desvios. O controle
tem como função, também, a revisão dos critérios para avaliação de
desempenho na execução do plano de ações.
É parte do planejamento do sistema de controle a programação da
análise crítica e das auditorias, quando for o caso.

36
Zoneamento ambiental

Zoneamento ambiental nada mais é do que o planejamento da ocupação


espacial de forma ordenada e de acordo com suas características e
potencialidades. Nos dias atuais, utiliza-se muitas ferramentas de apoio de alta
tecnologia para realizar o zoneamento ambiental como imageamento por
satélite, sistema de posicionamento geográfico e processamento de imagens e
informações através de programas sofisticados que realizam analises, as mais
diversas, para se proceder a classificação de áreas para ocupação e para
monitoramento das ações antrópicas.
O zoneamento ambiental pode ser dividido em urbano e rural.
Planejamento físico urbano – É representado pelo plano diretor urbano
municipal e pelos planos de parques e jardins, etc.
Planejamento físico rural – É um plano com a classificação para uso dos
solos. Atualmente, fala-se em plano diretor rural municipal e alguns municípios
começam a realizar, mas é mais comum o planejamento de propriedades rurais
e unidades de conservação.

37
Planejamento ambiental e EIA/RIMA

A Resolução CONAMA Nº 001, de 23 de janeiro de 1986, estabelece as


definições, as responsabilidades, os critérios básicos e as diretrizes gerais para
uso e implementação da Avaliação de Impacto Ambiental como um dos
instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. Na verdade, a resolução
não se refere somente à avaliação dos impactos, mas a todo um conjunto de
instruções que, se ordenadas e utilizada uma terminologia mais técnica,
incorrem em um planejamento ambiental das atividades de uma organização,
ou de um projeto, de forma semelhante às normas ISO da série 14.000. Se, no
planejamento de uma atividade, projeto, ou organização, for seguido o roteiro
da ISO 14.001 (1996), que inclui a observância da legislação aplicável,
estaremos realizando o que a Resolução CONAMA Nº 001/86 prevê e
cumprindo todos os seus requisitos.

38
Planejamento ambiental e Agenda 21

A ECO-92 estabeleceu 27 princípios que ligam meio ambiente e


desenvolvimento, criando as principais diretrizes globais para proteção
ambiental em relação ao desenvolvimento. A Agenda 21 é um programa,
composto de vários planos representados pelos seus capítulos, para adoção de
medidas e ações que venham a auxiliar no desenvolvimento da civilização de
forma sustentada em suas dimensões sociais e econômicas, prevendo a
conservação e gestão dos recursos para o desenvolvimento, o fortalecimento
do papel dos principais grupos envolvidos e os meios para implementação do
programa. A Conferência determina que a Agenda 21 seja implementada em
cada país que deve elaborar seu próprio plano (Agenda 21 Nacional) e, quando
necessário, cada unidade de divisão política de cada nação deve ter sua
própria agenda. A Agenda 21 é, portanto, um programa para o planejamento
estatal em cascata atingindo todos os níveis em relação ao desenvolvimento e
preservação ambiental com o objetivo de melhoria da qualidade de vida e
sustentabilidade da civilização como um todo.

39
Planejamento ambiental e ISO 14000

As normas ISO da série 14.000 referem-se a tudo que diz respeito ao


ambiente numa organização, sendo que a ISO 14.001 é específica para
orientar o desenvolvimento de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Nesse
sentido, a própria norma é um plano que nos orienta a seguir alguns passos
seqüenciais que, resumidamente, são os seguintes:
x Identificar os aspectos ambientais envolvidos nas atividades da
organização;
x Identificar e avaliar os impactos ambientais produzidos pelas
atividades da organização;
x Identificar os requisitos legais quanto aos aspectos e impactos
ambientais;
x Estabelecer objetivos ambientais a serem atingidos;
x Criar uma política ambiental para nortear as ações a serem adotadas
para atingir os objetivos;
x Estabelecer metas ambientais;
x Identificar e selecionar as ações necessárias para se atingir as
metas;
x Estabelecer critérios internos;
x Elaborar um plano de ação;
x Prover a organização das condições e meios necessários para
cumprimento dos objetivos e metas ambientais de acordo com as
diretrizes estabelecidas;
x Estabelecer sistemas de monitoramento e controle para possibilitar a
melhoria contínua do SGA.

As demais normas da série são auxiliares para se complementar partes


do sistema em diversos casos.

40
Bibliografia citada

ABNT. Interpretação NBR ISO 14001 (1996). Rio de Janeiro: ABNT-Cb-38/Sc-01/Grupo de


Interpretação, Jul./2001.
______. NBR ISO 14001: Sistemas de Gestão Ambiental - Especificação e Diretrizes para
Uso. Rio de Janeiro, 1996.
______. NBR ISO 14004: Sistemas de gestão ambiental – Diretrizes gerais sobre
princípios, sistemas e técnicas de apoio. Rio de Janeiro, 1996a.
______. NBR ISO 14010: Diretrizes para auditoria ambiental – Princípios gerais. Rio de
Janeiro, 1996b.
AGENDA 21. Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, ONU, Rio de
Janeiro 1992. Anais... [Brasília]: IBAMA, s.d. Disponível em: <http://www.ibama.gov.br> . Acesso
em: 12/ago/2002.
CARVALHO, Humberto M. de. A Metodologia do processo Decisório. Linhares: Curso de pós-
graduação em Administração Estratégica de Recursos Humanos, FACCL, 1997.
CONAMA. Resolução CONAMA nº 001, de 23 de janeiro de 1986.
FEPAM. Manual de Análise de Riscos Industriais. Porto Alegre: FEPAM-Divisão de Controle
da Poluição Industrial, 2002. Disponível em: <http://www.fepam.rs.gov.br>. Acesso em:
18/jan./2003.
FLORIANO, Eduardo P. Efeitos de um treinamento sobre liderança em uma empresa de
médio porte em Linhares, ES, no período de dezembro de 1996 a maio de 1997. Monografia
de Especialização. Linhares: FACCL – CEPPEL, 1998.
HERSEY, Paul & BLANCHARD, Kenneth. Psicologia para administradores. S. Paulo: EPU,
1986.
MIRSHAWKA, A implantação da qualidade e da produtividade pelo método do Dr. Deming.
São Paulo: McGraw-Hill, 1990
MUEELLER-DOMBOIS, Dieter; ELLENBERG, Heinz. Aims and Methods of Vegetation
Ecology. New York: John Wiley & Sons, Inc. 1974.
SEBRAE. Princípios e Práticas para a Rotulagem Ecológica. Certificação Ambiental. Sebrae, SC,
2002. Disponível em: <http://www.sebrae-sc.com.br/sebraetib/conceitos/certificacao/
sisambiental.html>. Acesso: 23/07/2002.
SOARES, Sebastião R. Aula 04: Apoio à decisão aplicada à gestão ambiental. Universidade
Federal de Santa Catarina, Centro Tecnológico, Departamento de Engenharia Sanitária e
Ambiental, ENS 5125 – Gestão e Planejamento Ambiental, 2001. Disponível em:
<http://www.ens.ufsc.br/ ~soares/aula4.pdf>. Acesso: 13/04/2002.
______. ENS 5125 - Gestão e Planejamento Ambiental. Florianópolis: Universidade Federal de
Santa Catarina, Programa de pós-graduação em engenharia ambiental, 2002-a. Disponível em:
<http://www.ens.ufsc.br/~soares>. Acesso em: 23/nov/2002.
RODRIGUES, João R. Roteiro para apresentação de Estudo de Impacto Ambiental – EIA e
Relatório de Impacto Ambiental – RIMA. In: Verdum Roberto & Medeiros, Rosa M. V. (Org.).
RIMA, Relatório de Impacto Ambiental: Legislação, elaboração e resultados, 4ª ed. Porto
Alegre: UFRGS, 2002.

41
ANEXOS

ANEXO I - Glossário
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas.
Alternativas – Ações cabíveis, exigidas ou desejadas, para se resolver
um problema ou se atingir um objetivo.
Alvo – O ponto exato a que se quer chegar no tempo e espaço, em
qualidade e quantidade definidas.
Ambiente – (1) A biosfera terrestre. (2) Circunvizinhança em que uma
organização opera, incluindo ar, água, solo, recursos naturais, flora, fauna,
seres humanos e suas inter-relações; nota – neste contexto, circunvizinhança
estende-se do interior das instalações para o sistema global3.
Análise – Estudo de algo com o objetivo de descobrir como ocorre,

quais suas causas e conseqüências, através do registro das variações em

suas características ao longo do tempo, sejam elas paramétricas ou de

atributos.

Aspecto ambiental - Elemento das atividades, produtos ou serviços de


uma organização que pode interagir com o meio ambiente.4
Atividade – Qualquer ação.
Atributos – Características qualitativas.
Auditoria ambiental - Processo sistemático e documentado de
verificação, executado para obter e avaliar, de forma objetiva, evidências de
auditoria para determinar se as atividades, eventos, sistemas de gestão e
condições ambientais especificados ou as informações relacionadas a estes
estão em conformidade com os critérios de auditoria, e para comunicar os
resultados deste processo ao cliente (organização que solicita a auditoria).5
Auditoria do sistema de gestão ambiental - Processo sistemático e
documentado de verificação, executado para obter e avaliar, de forma objetiva,

3
NBR ISO 14004 - Sistemas de gestão ambiental – Diretrizes gerais sobre princípios, sistemas
e técnicas de apoio. ABNT, 1996.
4 NBR ISO 14004 ...
5
NBR ISO 14010 – Diretrizes para auditoria ambiental – Princípios gerais. ABNT, 1996.
42
evidencias que determinem se o sistema de gestão ambiental de uma
organização esta em conformidade com os critérios de auditoria do sistema de
gestão ambiental estabelecido pela organização, e para comunicar os
resultados deste processo à administração. 6
Bem – Coisa de valor.
Controlar - Controlar é entendido como tomar ações para manter as
operações e atividades de acordo com um padrão estabelecido e ajustar quando
necessário, a partir da comparação com o padrão (regido pelo item 4.4.6 da ISO
14001:1996).7
Correção – Alteração de um objeto, processo ou fenômeno de forma a
enquadrá-lo em padrões pré-estabelecidos.
Critério – (1) Forma de julgar o certo do errado, ou o melhor do pior. (2)
Limites pré-estabelecidos para características (parâmetros e atributos) e alvos.
Critérios ambientais - Políticas, práticas, procedimentos ou requisitos
ambientais em relação aos quais se compara evidências coletadas sobre um
objeto ou fenômeno estudado.
Desempenho ambiental - Resultados mensuráveis do sistema de gestão
ambiental, relativos ao controle de uma organização sobre seus aspectos
ambientais, com base na sua política, seus objetivos e metas ambientais. 8
Diretriz – Indicação (políticas, propósitos, critérios, etc) para se levar a
termo um objetivo, ou um plano, ou um negócio, etc.
ECO-92 - Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento, Rio de Janeiro, 1992.
Estratégia – Diretrizes de uma organização que dizem respeito à sua
identidade, objetivos e políticas.
Evidências - informações verificáveis, registros ou declarações,
qualitativas ou quantitativas.
Fim – Finalidade ou objeto de interesse maior.
Gestão – Administração.
Identidade – É o que identifica um projeto, organização, ou operação,

como a sua história, seus fornecedores e clientes, seus valores e suas

políticas.

6
NBR ISO 14004 ...
7
Interpretação NBR ISO 14001 (1996). Cb-38/Sc-01/Grupo de Interpretação, ABNT, Julho/2001.
8
NBR ISO 14004 ...
43
Impacto ambiental - Qualquer modificação do meio ambiente, adversa
ou benéfica, que resulte, no todo ou em parte, das atividades, produtos ou
serviços de uma organização. 9
Indicadores Ambientais - Parâmetros (quantitativos) ou Atributos
(qualitativos) usados para monitoramento ambiental.
Instituição – Unidade social organizada e legalmente constituída;
exemplos de instituições: associações, empresas, projetos, etc.
ISO - International Standardization Organization (Organização
Internacional de Padronização).
Manejo – Conjunto de técnicas e ações utilizadas para tratar de um
objeto, ou processo, ou fenômeno, etc.
Medidas Compensatórias – Medidas para compensar impactos
ambientais.
Medidas Mitigadoras – Medidas adotadas para reduzir impactos
ambientais.
Meta – Objetivo quantificado.
Meta ambiental - Requisito de desempenho detalhado, quantificado
sempre que exeqüível, aplicável à organização ou partes dela, resultantes dos
objetivos ambientais e que necessita ser estabelecido e atendido para que tais
objetivos sejam atingidos. 10
Missão – Compromisso.
Missão Ambiental – Compromisso de uma organização com a
conservação e preservação do ambiente.
Monitorar - É entendido como medir ou avaliar ao longo do tempo
(regido pelo item 4.5.1 da ISO 14001:1996).11
Monitoramento Ambiental – (1) Processo de levantamento periódico de
dados sobre indicadores ambientais e avaliação da sua evolução com relação
a padrões pré-estabelecidos, ou com relação à sua normalidade ao longo do
tempo. É um instrumento do controle e preservação ambiental. (2)
Determinação contínua e periódica da quantidade de poluentes ou de
contaminação radioativa presente no ambiente (Banco Mundial,1978). (3)
Acompanhamento através de análises qualitativas dos atributos ou
quantitativas dos parâmetros de um recurso natural, com o objetivo de

9
NBR ISO 14004 ...
10
NBR ISO 14004 ...
11
Interpretação NBR ISO 14001 (1996). Cb-38/Sc-01/Grupo de Interpretação, ABNT, Julho/2001.
44
determinar e avaliar suas condições ao longo do tempo. Medição repetitiva,
discreta ou contínua, ou observação sistemática da qualidade ambiental. (4) Na
avaliação de impacto ambiental, refere-se à observação e registro das
características ambientais (atributos e parâmetros) antes, durante e após o
início da implantação de um projeto, com o objetivo de avaliar as alterações ao
longo do tempo e testar as hipóteses e previsões dos impactos e as medidas
mitigadoras previstas ou necessárias.
Objetivo – Propósito que se pretende atingir.
Objetivo ambiental - Propósito ambiental global, decorrente da política
ambiental, que uma organização se propõe a atingir, sendo quantificado
sempre que exeqüível. 12
Objeto do Planejamento – É o foco do planejamento, é o tema ou
assunto central.
Operação – Processo ou seqüência de ações para produção de um bem
ou prestação de um serviço.
Organização – (1) É uma instituição constituída por uma equipe de
pessoas que trabalham para a consecução de objetivos comuns. (2)
Companhia, corporação, firma, empresa ou instituição, ou parte ou combinação
destas, pública ou privada, sociedade anônima, limitada ou com outra forma
estatutária, que tem funções e estruturas administrativa próprias13.
Parâmetros - Características quantitativas.
Parte interessada - Indivíduo ou grupo interessado ou afetado pelo
desempenho ambiental de uma organização.
Planejamento – Processo de organização previa das atividades futuras
com base no conhecimento do passado para se atingir um objetivo ou meta.
Planejamento Ambiental – Processo de organização do trabalho de uma
equipe para consecução de objetivos comuns, de forma que os impactos
resultantes que afetam negativamente o ambiente em que vivemos sejam
minimizados e que os impactos positivos sejam maximizados.
Plano – O documento escrito resultante de um planejamento.
Política – Critério estratégico.
Política ambiental - Declaração da organização, expondo suas intenções
e princípios em relação ao seu desempenho ambiental global, que provê uma
estrutura para ação e definição de seus objetivos e metas ambientais.

12
NBR ISO 14004 ...
13
NBR ISO 14004 ...
45
Prevenção – Medidas para evitar que algo aconteça no futuro.
Prevenção de poluição - Uso de processos, práticas, materiais ou
produtos que evitem, reduzam ou controlem a poluição, os quais podem incluir
reciclagem, tratamento, mudanças no processo, mecanismos de controle, uso
eficiente de recursos e substituição de materiais. NOTA - Os benefícios
potenciais da prevenção de poluição incluem a de impactos ambientais
adversos, a melhoria da eficiência e a redução de custos. 14
Princípios – Políticas básicas de ação.
Prioridades – O que é exigido ou o que se deseja mais do que outras
coisas.
Problema – (1) Qualquer coisa, fato ou fenômeno que ainda não foi
devidamente estudado e do qual não se conhece ou as causas, ou as
conseqüências, ou ambos. (2) Qualquer coisa, fato ou fenômeno indesejável.
Problemas Potenciais – Problemas que podem ser previstos como
desvios de atividades ou processos.
Processos – Seqüência de passos ou ações para: se atingir um objetivo,
meta, ou alvo, ou para a produção de um bem, ou prestação de um serviço.
Prognose – Previsão de ocorrência futura com bases estatísticas.
Programa – Grupo de projetos ou planos em um mesmo nível de
detalhamento, ou em níveis hierárquicos encadeados.
Projeto – Um plano para consecução de um objetivo com cronograma e
orçamento próprios para sua execução, agindo como uma unidade social
independente e legalmente constituída.
Propósito – O objeto de uma decisão ou plano. O que se pretende fazer
ou realizar.
Recursos – As coisas físicas disponíveis para execução de qualquer
atividade humana.
Relações – Todo tipo de fornecimento ou troca existente em uma
organização, ou entre uma organização e o meio em que atua.
Requisito – Exigência ou condição para se obter ou atingir certo objetivo.
Sistema de Gestão Ambiental (SGA) - A parte do sistema de gestão
global que inclui estrutura organizacional, atividades de planejamento,
responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para

14
NBR ISO 14004 ...
46
desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a política
ambiental. 15
Táticas – Diretrizes de uma organização que dizem respeito às suas

relações e processos.

Tema – O assunto central.


Valores – Aquilo que tem importância.
Visão – Percepção do que poderá acontecer no futuro a respeito de um
assunto ou problema, com base no conhecimento de sua história passada.
Zoneamento – Planejamento territorial, ou planejamento físico da
ocupação do espaço terrestre.

15
NBR ISO 14004 ...
47
ANEXO II – DECLARAÇÃO DO RIO SOBRE AMBIENTE E
DESENVOLVIMENTO
TRADUÇÃO16: Eduardo Pagel Floriano

RELATÓRIO DA CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE


AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO
(Rio de Janeiro, 3 a 14 de Junho de 1992)
Anexo I
DECLARAÇÃO DO RIO SOBRE AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO
A Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento,
Tendo se reunido no Rio de Janeiro de 3 a 4 de Junho de 1992,
Reafirmando a Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento
Humano, adotada em Estocolmo em 16 de Junho de 197217, e dando-lhe continuidade,
Com o objetivo de estabelecer uma nova parceria global eqüitativa através da criação de
novos níveis de cooperação entre Estados, setores chaves da sociedade e dos povos,
Trabalhando em direção a acordos internacionais com respeito aos interesses de todos e
proteção da integridade dos sistemas globais ambiental e de desenvolvimento,
Reconhecendo a natureza integral e interdependente da Terra, nosso lar,
Proclama que:

Princípio 1
Os Seres Humanos são o centro das preocupações com o desenvolvimento sustentável.
Todos têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza.
Princípio 2
Os Estados têm, em acordo com a Carta das Nações Unidas e os princípios de direito
internacional, o direito soberano de explorar seus próprios recursos de acordo com suas
próprias políticas ambiental e de desenvolvimento, e a responsabilidade de garantir que as
atividades dentro de sua jurisdição ou controle não causam prejuíso ao ambiente de outros
Estados ou de áreas além dos limites de jurisdição nacional.
Princípio 3
O direito ao desenvolvimento deve ser exercido de forma a encontrar equivalência quanto
ao atendimento das necessidades em termos de desenvolvimento e ambientais das
gerações atual e futuras.

16 Nota: Procurou-se realizar a presente tradução o mais próximo possível da forma literal por tratar-se de um
documento oficial e para manter-se o sentido do texto original em inglês.
17 Report of the United Nations Conference on the Human Environment, Stockholm, 5-16 June 1972. Anais... United

Nations publication, Sales No. E.73.II.A.14 and corrigendum), chap. I.


48
Princípio 4
Para se alcançar o desenvolvimento sustentável, a protecção ambiental deve constituir parte
integrante do processo de desenvolvimento e não pode ser considerada isoladamente
deste.
Princípio 5
Todos os Estados e todos os povos devem cooperar na tarefa essencial de erradicação da
pobreza como requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável, de forma a
reduzir as disparidades nos padrões de vida e melhor satisfazer as necessidades da maioria
das pessoas do mundo.
Princípio 6
A situação especial e necessidades dos países em desenvolvimento, particularmente ao
menos desenvovido e ao mais ambientalmente vulnerável, deve ser dada especial
prioridade. Ações internacionais no campo do ambiente e desenvolvimento devem também
ser endereçadas aos interesses e necessidades de todos os países.
Princípio 7
Os Estados devem cooperar em um espírito de parceria global para conservar, proteger e
restaurar a saúde e integridade do ecossistema da Terra. Tendo em vista as diferentes
contribuições para a degradação do ambiente global, os Estados têm responsabilidades
comuns mas diferenciadas.
Os países desenvolvidos reconhecem a responsabilidade que lhes cabe na busca do
desenvolvimento sustentável no âmbito internacional, tendo em vista as pressões que suas
sociedades fazem sobre o ambiente global e as tecnologias e os recursos financeiros de
que dispõem.
Princípio 8
Para alcançar desenvolvimento sustentável e alta qualidade de vida para todas as pessoas,
os Estados devem reduzir e eliminar sistemas não sustentáveis de produção e consumo e
promover políticas demográficas apropriadas.
Princípio 9
Os Estados devem cooperar para fortalecer a capacidade de construção endógena para
desenvolvimento sustentável por meio do incentivo ao entendimento científico através do
intercâmbio de conhecimento científico e tecnológico e por intensificação do desenvolvimento,
adaptação, difusão e transferência de tecnologias, incluindo novas e inovadoras tecnologias.
Princípio 10
As questões ambientais são melhor gerenciadas com a participação de todos os cidadãos
envolvidos, ao nível de relevância. No nível nacional, cada indivíduo deve ter acesso
apropriado à informação relacionada ao ambiente mantida pelas autoridades públicas,
incluindo informação sobre materiais e atividades perigosas em suas comunidades e a
oportunidade de participar do processo de tomada de decisão. Os Estados devem facilitar e
encorajar o entendimento e participação pública por meio da disponibilização ampla da
informação. O efetivo acesso a processos judiciais e administrativos, incluindo
ressarcimento e reparação, deve ser providenciado.
Princípio 11
Os Estados devem promulgar legislação ambiental efetiva. Normas ambientais, objetivos
gerenciais e prioridades devem refletir o contexto ambiental e de desenvolvimento aos quais
são aplicáveis. Normas aplicadas por alguns países podem ser inapropriadas e de custo
49
econômico e social não garantidos para outros países, em particular países em
desenvolvimento.
Princípio 12
Os Estados devem cooperar para promover um sistema aberto de suporte econômico
internacional que guiaria para crescimento econômico e desenvolvimento sustentável em
todos os países, para melhor direcionamento dos problemas de degradação ambiental.
Medidas de política comercial de propósitos ambientais não devem constituir meios de
arbitrárias ou injustificáveis discriminações ou uma restrição de comércio internacional
disfarçada. Ações unilaterais para tratar de questões ambientais fora da jurisdição do país
importador devem ser evitadas.
Medidas ambientais transfronteiriças ou referentes a problemas ambientais globais devem,
tanto quanto possível, ser baseadas em um consenso internacional.
Princípio 13
Os Estados devem desenvolver legislação nacional relativa à responsabilidade e
compensação para as vítimas da poluição e outros danos ambientais. Os Estados devem
também cooperar em uma pronta e mais determinada maneira de desenvolver legislação
suplementar referente à responsabilidade e compesação por efeitos adversos de danos
ambientais causados por atividades dentro de suas jurisdições ou controle para áreas além
de sua jurisdição.
Princípio 14
Os Estados devem cooperar efetivamente para desencorajar ou prevenir a relocação ou
transferência para outros Estados de quaisquer atividades e substâncias que causem
degradação ambiental severa ou ser capazes de prejudicar a saúde humana.
Princípio 15
No intuito de proteger o ambiente, o princípio da precaução deve ser amplamente aplicado
pelos Estados de acordo com suas capacidades. Onde há ameaça de danos sérios e
irreversíveis, falta de certeza em completo conhecimento científico não deve ser usada
como uma razão para adiar medidas de custo efetivo para prevenir degradação ambiental.
Princípio 16
Autoridades nacionais devem esforçar-se para promover a internacionalização dos custos
ambientais e o uso de instrumentos econômicos, levando em conta a premissa de que o
poluidor, em princípio, deve arcar com o custo da poluição, com apropriada consideração ao
interesse público e sem distorcer o comércio e investimento internacional.
Princípio 17
A avaliação de impacto ambiental, como um instrumento nacional, deve ser compromissada
com as atividades propostas que possam ter impacto adverso sobre o ambiente e estão
sujeitos à decisão da autoridade nacional competente.
Princípio 18
Os Estados devem notificar outros Estados imediatamente sobre desastres naturais e outras
emergências que possam produzir efeitos danosos repentinos sobre o ambiente daqueles
Estados. Todo esforço deve ser feito pela comunidade internacional para auxiliar Estados
assim afligidos.

50
Princípio 19
Os Estados devem providenciar prévia e oportuna notificação e informação relevante aos
Estados potencialmente afetados por atividades que podem ter um significativo efeito
ambiental adverso transfronteiriço e devem consultar aqueles Estados em um estagio
prematuro e de boa fé.
Princípio 20
A mulher tem um papel vital na gestão e desenvolvimento ambientais. Sua plena
participação, consequentemente, é essencial para alcançar o desenvolvimento sustentável.
Princípio 21
A criatividade, ideais e coragem dos jovens do mundo deve ser mobilizada para forjar a
participação global com a intenção de alcançar o desenvolvimento sustentável e assegurar
um futuro melhor para todos.
Princípio 22
Os povos indígenas e suas comunidades e outras comunidades locais têm um papel vital na
gestão e desenvolvimento devido ao seu conhecimento e práticas tradicionais. Os Estados
devem reconhecer e apoiar a manutenção de sua identidade, cultura e interesses para
habilitar sua efetiva participação na busca do desenvolvimento sustentável.
Princípio 23
O ambiente e recursos naturais dos povos sob opressão, dominação e ocupação devem ser
protegidos.
Princípio 24
A gerra é inerentemente destrutiva do desenvolvimento sustentável. Os Estados devem,
portanto, respeitar as leis internacionais, providenciando proteção para o ambiente em
épocas de conflito armado e cooperar com a promoção do seu desenvolvimento, como
necessário.
Princípio 25
Paz, desenvolvimento e proteção ambiental são interdependentes e indivisíveis.
Princípio 26
Os Estados devem resolver todas suas disputas ambientais pacificamente e por meios
apropriados de acordo com as diretrizes das Nações Unidas.
Princípio 27
Os Estados e Povos devem cooperar de boa fé e em espírito de parceria no cumprimento
dos princípios listados nesta Declaração e no desenvolvimento seqüencial de legislação
internacional no campo do desenvolvimento sustentável.
*****

51
ANEXO III – MODELO DE SGA CONFORME A ISO 14001

Fonte: ABNT, 1996.

52
ANEXO IV – PLANEJAMENTO NA LEI ESTADUAL N° 11520/00-RS
“LEI ESTADUAL N° 11520 - Código Estadual do Meio Ambiente do
Estado do Rio Grande do Sul, de 03 de agosto de 2000.
...
Capítulo II
DO PLANEJAMENTO
Art. 16 - Os programas governamentais de âmbito estadual ou municipal
destinados à recuperação econômica, incentivo à produção ou exportação,
desenvolvimento industrial, agropecuário ou mineral, geração de energia e
outros que envolvam múltiplos empreendimentos e intervenções no meio
ambiente, em especial aqueles de grande abrangência temporal ou espacial,
deverão obrigatoriamente incluir avaliação prévia das repercussões ambientais,
inclusive com a realização de audiências públicas, em toda sua área de
influência e a curto, médio e longo prazos, indicando as medidas mitigadoras e
compensatórias respectivas e os responsáveis por sua implementação.
Parágrafo único - Incluem-se entre os programas referidos no “caput”
deste artigo os planos diretores municipais, planos de bacia hidrográfica e
planos de desenvolvimento regional.
Art. 17 - O planejamento ambiental tem por objetivos: I - produzir
subsídios à formulação da Política Estadual de Controle do Meio Ambiente; II -
articular os aspectos ambientais dos vários planos, programas e ações
previstas na Constituição do Estado, em especial relacionados com: a)
localização industrial; b) manejo do solo agrícola; c) uso dos recursos minerais;
d) aproveitamento dos recursos energéticos; e) aproveitamento dos recursos
hídricos; f) saneamento básico; g) reflorestamento; h) gerenciamento costeiro;
i) desenvolvimento das regiões metropolitanas, aglomerações e microrregiões;
j) patrimônio cultural, estadual, especialmente os conjuntos urbanos e sítios
valor ecológico; l) proteção preventiva à saúde; m) desenvolvimento científico e
tecnológico. III - elaborar planos para as Unidades de Conservação, espaços
territoriais especialmente protegidos ou para áreas com problemas ambientais
específicos; IV - elaborar programas especiais com vista à integração das
ações com outros sistemas de gestão e áreas da administração direta e
indireta do Estado, União e municípios, especialmente saneamento básico,
recursos hídricos, saúde e desenvolvimento urbano e regional; V - estabelecer,
com apoio dos órgãos técnicos competentes, as condições e critérios para
definir e implementar o Zoneamento Ambiental do Estado; VI - prover a
manutenção, preservação e recuperação da qualidade físico-química e

53
biológica dos recursos ambientais; VII - criar, demarcar, garantir e manter as
Unidades de Conservação, áreas de sítios históricos, arqueológicos,
espeleológicos, de patrimônio cultural artístico e paisagístico e de ecoturismo;
VIII - incluir os aspectos ambientais no planejamento da matriz energética do
Estado; IX - reavaliar a política de transportes do Estado, adequando-a aos
objetivos da Política Ambiental.
Art. 18 - O planejamento ambiental terá como unidades de referência as
bacias hidrográficas e será executado pelo Sistema Estadual de Proteção
Ambiental - SISEPRA, através dos seguintes instrumentos: I - gerenciamento
das bacias hidrográficas; II - institucionalização dos comitês de bacias, cujas
propostas deverão ser embasadas na participação e discussão com as
comunidades atingidas e beneficiadas; III - compatibilização dos planos
regionais de desenvolvimento com as diretrizes ambientais da região,
emanadas do Conselho Estadual do Meio Ambiente - CONSEMA; IV -
realização do diagnóstico ambiental e Zoneamento Ambiental do Estado.
Parágrafo único - Os Planos Diretores Municipais deverão atender aos
dispositivos previstos neste Código.
Art. 19 - O Conselho Estadual de Energia (CENERGS) e o Conselho
Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA) promoverão reavaliação e
redimensionamento completos da matriz energética do Estado, nos termos do
artigo 162 da Constituição Estadual, dando ênfase especial às estratégias de
conservação de energia e minimização de desperdícios.
Art. 20 - O planejamento da matriz energética do Estado priorizará a
pesquisa e implementação de opções de energia alternativa descentralizada e
renovável.
Art. 21 - Compete ao Poder Público estabelecer níveis de luminosidade
e aeração adequados para os espaços internos e externos, garantindo a
saúde, conforto e bem estar da população.”

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