Você está na página 1de 6

UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ

ENGENHARIA DE BIOPROCESSOS E BIOTECNOLOGIA

Ciência dos Materiais


Professora: Lucimara Lopes

Nanocompósitos na Indústria de Embalagens

Alunos:
Alisson Roegelin
Heloísa Rodrigues
Isabella Perondi
Sara Stolfo

Dois Vizinhos
2018
1. INTRODUÇÃO
Os nanocompósitos consistem em materiais compostos por duas fases de
origens diferentes, onde pelo menos um deles está em escala nanométrica, onde as
propriedades dos constituintes são otimizadas, melhorando o desempenho do
material. Esses materiais podem conter nanopartículas metálicas ou poliméricas.
Por possuírem uma relação área/volume grande se tornam mais eficientes e
reativos quando comparados a outros tipos de materiais, por isso desenvolvimento
de nanocompósitos é importante em pesquisas e aplicações comerciais, como
exemplo na indústria automobilística, de embalagens, entre outros.
A utilização de nanocompósitos vem aumentando gradativamente nas
indústrias de embalagens em geral, a fim de melhorar ou até mesmo substituir
materiais já usados, como plásticos, derivados de petróleo, alumínio, biopolímeros,
argila, entre outros. (GARCIA, 2003).
A aplicação de nanocompósitos em embalagens traz inúmeros benefícios,
tais como o aumento das propriedades mecânicas permitindo maior elasticidade,
maior durabilidade do material e do produto embalado, e a redução do custo de
produção, visto que as propriedades são melhoradas utilizando uma associação de
compostos em menor quantidade. Outra melhoria é o aumento da barreira ao
oxigênio, trazendo vantagens para a indústria alimentícia (LOREVICE et al, 2015).
Muitas embalagens utilizadas são feitas exclusivamentes com polímeros, com
exemplo podem ser citados o polietileno, o policloreto de vinila (PVC), e o polietileno
tereftalato. Quando os polímeros são associados com nanopartículas apresentam
aumento em suas propriedades físicas e químicas, devido a interação ocorrer na
interface polímero/nanopartícula (SCHRAMM, 2012).
Essas embalagens com nanocompósitos podem ser utilizadas em indústrias
alimentícias, farmacêuticas, de bebidas, de revestimentos, entre outras.

2. APLICAÇÕES DE NANOCOMPÓSITOS EM EMBALAGENS


2.1. APLICAÇÃO DE NANOCOMPÓSITOS PARA DESENVOLVIMENTO DE
EMBALAGEM ATIVA ANTIMICROBIANA

Tendo em vista que um dos principais objetivos do mercado de alimentos é


disponibilizar produtos de boa qualidade e com maior tempo de vida útil, a
nanotecnologia tem ganhado grande espaço na indústria alimentícia, possibilitando
a melhoria de sabores e aparências, a alteração de odores, tempo de prateleira, e a
forma como os mesmos são armazenados.
No setor de embalagens alimentícias os nanocompósitos surgem como uma
alternativa aos derivados de petróleo e permitem o desenvolvimento de materiais
com diversas características como, por exemplo, materiais ativos que podem
interagir diretamente com os alimentos, modificando-os e alterando características
desejáveis (ALMEIDA, 2010). Uma das classes de materiais ativos que têm
ganhado destaque na indústria alimentícia é a das embalagens com propriedades
antimicrobianas, que impedem a proliferação e contaminação do alimento por micro-
organismos patógenos ou nocivos a saúde humana.
Essas embalagens são em maioria desenvolvidas por nanocompósitos que
possuem nanopartículas de prata em sua composição. A prata tem alta atividade
antimicrobiana devido à liberação de íons Ag+, os quais se ligam aos doadores de
elétrons existentes na membrana microbiana, e é tóxica a diversas espécies de
bactérias, como Escherichia coli, Staphylococcus aureus eepidermidis, Salmonella
enterica, entre outras (ALMEIDA et al., 2015). As nanopartículas são mais
eficientes que as partículas em escala micro pois a superfície de contato é maior,
possibilitando maior interação com os microrganismos e maior ação antimicrobiana.

2.2. APLICAÇÃO DE NANOCOMPÓSITOS A PARTIR DE FRUTAS E QUITOSANA


PARA PRODUÇÃO DE EMBALAGENS ALIMENTÍCIAS

Um exemplo da utilização de nanocompósitos para produzir embalagens que


prolonguem o tempo de duração dos alimentos, bem como ofereçam algum tipo de
proteção para possíveis danos durante o transporte, o que pode prejudicar as
vendas é a incorporação de materiais nanocompósitos em biopolímeros com o
intuito de melhorar propriedades químicas, permitindo que sejam usados para
empacotamento de alimentos. Além disso, os impactos das embalagens plásticas
que são dispensadas no meio ambiente também podem ser reduzidos através do
uso destes filmes que possuem características de serem biodegradáveis e
renováveis (LOREVICE, MOURA, MATTOSO, 2014).
A produção de filmes comestíveis também tem ganhado espaço, através de
estudos sobre adição de legumes e polpas de frutas aos filmes, buscando
propriedades nutricionais e sensoriais para os mesmos. A utilização das polpas
oferecem também sabor e cor, sendo que são usados resíduos do processamento
das frutas, assim são reduzidas perdas. O que tem dificultado a utilização destes
filmes é que os mesmos tenham qualidade ao nível daqueles que a indústria já
oferece (LOREVICE, MOURA, MATTOSO, 2014).
Diante do exposto, Lorevice, Moura e Mattoso (2014) desenvolveram um
nanocompósito de polpa de mamão e nanopartículas de Quitosana para aplicação
em embalagens, visando desenvolver um material capaz de deixar o alimento com
característica de produto fresco, além de aumentar seu tempo de duração, eles
incorporaram o purê de frutas e a quitosana aos filmes, o purê com a finalidade de
oferecer cor e propriedades nutricionais, já a quitosana que tem sido estudada por
ter propriedades de interesse para o campo das embalagens foi aplicada por ser um
agente antimicrobiano e biodegradável. Desta forma, as propriedades mecânicas,
térmicas e barreira de vapor de água foram melhoradas no filme.

2.3. DESENVOLVIMENTO DE EMBALAGENS COM NANOSENSORES

Embalagens com nanosensores são classificadas como embalagens


inteligentes, pois possuem um sistema que “percebe” alguma alteração do alimento
condicionado, e permite ao fabricante, comerciante ou consumidor do alimento ter
uma garantia da qualidade e segurança do mesmo. O propósito desta embalagem
se difere das embalagens ativas (exemplo 2.1). Embalagens ativas efetuam uma
ação para conservar o alimento (liberação de um antimicrobiano) e a embalagens
com nanosensores possuem um sistema que detecta e comunica a presença de um
ativo que afeta a qualidade do produto (por exemplo, a presença de uma espécie de
microrganismo patogênico).
A incorporação de nanopartículas reativas a uma embalagem é capaz de
responder a alterações ambientais como, temperatura, umidade, nível de exposição
a O2, presença de agentes químicos e contaminação microbiana. Essas
embalagens possuem várias vantagens sobre as embalagens convencionais, como:
maior rapidez de detecção, devido ao contato direto com o alimento, maior
simplicidade, custo efetivo e fácil reciclagem.
Um exemplo de embalagem com nanosensores é aquela capaz de detectar a
presença de O2 em um sistema a vácuo. Foi desenvolvido uma embalagem
contendo nanopartículas de TiO2 que é capaz de fotossensibilizar a redução do azul
de metileno pela trietanolamina em um meio polimérico.
Outros nanosensores que vem sendo incorporado a embalagens são os
biossensores, onde na superfície sensora é incorporada moléculas biológicas.
Dentre as vantagens destes sensores estão a elevada sensibilidade e seletividade,
praticidade de preparo de amostras, rapidez nas análises e gastos mínimos com
reagentes.
Um exemplo desses biossensores foi desenvolvido utilizando enzimas, que
monitoram o estado fisiológico e a qualidade do alimento. O sensor age com base
na oxidase e são sensíveis a detecção de e P-D-glicose, D-glicose total, sacarose e
ácido (Azevedo et al.,2018).

3. EXERCÍCIOS

3.1. Quais são as vantagens e as desvantagens de se utilizar nanocompósitos para


a produção de embalagens?
3.2 Que indústrias podem fazer o uso de embalagens com nanocompósitos? Cite
três exemplos.
3.3 Embalagens convencionais geram algum tipo de impacto ambiental? Se sim, o
que torna o uso de nanocompósitos uma alternativa para resolver este problema?
3.4 Quais são as vantagens dos alimentos serem mantidos em embalagens
inteligentes?

4. REFERÊNCIAS

ALMEIDA, A. C. S. et al. Aplicação de nanotecnologia em embalagens de alimentos.


Polímeros: Ciência e Tecnologia, n 25, p 89-97, 2015.

ALMEIDA, G. W. R. Desenvolvimento e caracterização de filme nanocompósito


de base celulósica e sua avaliação como embalagem ativa antimicrobiana.
Dissertação de Mestrado. Viçosa, MG. 2010.
Azevedo, de C. M. H. et al. Aplicação da nanotecnologia em embalagens de
alimentos. Capitulo 9. Disponível em: <ainfo.cnptia.embrapa.br/.../fundamentos-de-
estabilidade-de-alimentos-cap-90001.pdf>. Acessado em 29/05/2018.

GARCIA, Eloísa EC. Nanocompósitos: novas opções em materiais de embalagem.


Revista Pack, v. 70, p. 52, 2003.

LOREVICE, Marcos Vinicius et al. Desenvolvimento de filmes nanocompósitos


contendo purê de vegetais para aplicação como embalagem comestível. 2015.

LOREVICE, M. V.; MOURA, M. R.; MATTOSO, L. H. C. Nanocompósito de polpa de


mamão e nanopartículas de quitosana para aplicação em embalagens. Química
Nova, vol. 37, N. 6, pg. 931-936, 2014.

SCHARRAM, Alexandra Mara. Inovações no Sistema de Embalagens nas Áreas


Nanotecnologia, Radiofrequência, Design e Segurança. 2012.

RAIJI, M. et al. Nanoclay Reinforced Polymer Composites: Nanocomposites and


Bionanocomposites. Singapura, 2016.