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Perguntas Frequentes – INB

CICLO DO COMBUSTÍVEL NUCLEAR ..................................................................................... 8


O que é “ciclo do combustível nuclear”?............................................................................ 8
URÂNIO ................................................................................................................................. 9
O que é urânio? .................................................................................................................. 9
O que é urânio natural? ...................................................................................................... 9
O que é urânio empobrecido? ............................................................................................ 9
O que é urânio enriquecido? .............................................................................................. 9
Como o urânio foi descoberto? .......................................................................................... 9
Onde o urânio é encontrado?........................................................................................... 10
Onde podemos encontrar reservas de urânio no Brasil? ................................................. 10
Qual o tamanho da reserva brasileira de urânio? ............................................................ 11
Qual a diferença entre reserva medida, inferida e prognosticada? ................................. 12
O urânio é comercializado de que forma? ....................................................................... 12
Onde ficam as unidades produtoras de urânio no Brasil?................................................ 12
Quantas minas de urânio existem em operação na América Latina? .............................. 13
Que empresas extraem e processam o urânio no Brasil? ................................................ 13
O Brasil exporta urânio? ................................................................................................... 13
MINERAÇÃO ........................................................................................................................ 14
Onde é feita a mineração de urânio no Brasil? ................................................................ 14
Como é feita a mineração do urânio? .............................................................................. 14
Qual o período de duração do processo de lixiviação? .................................................... 14
Que destino tem o material lixiviado, a rocha da qual se extraiu o urânio? .................... 14
Há risco de chuva ácida com a evaporação do licor de urânio? ....................................... 14
O que é o beneficiamento? .............................................................................................. 15
O que é o yellowcake? ...................................................................................................... 15
O que é feito com esse concentrado de urânio? .............................................................. 15
Quando a mina começou a operar em Caetité? ............................................................... 16
Quanto foi investido na implantação da INB Caetité? ..................................................... 16
Quanto foi produzido de urânio, desde o início da operação da unidade? ..................... 16
Qual a produção brasileira de urânio ao ano? ................................................................. 17
Qual o tamanho total da área que pertence a INB? ......................................................... 17
Qual a previsão, em anos, da extração de urânio em Caetité? ........................................ 17
A mina de Caetité possui autorização definitiva para operar?......................................... 17
Qual o tamanho da reserva de urânio de Caetité?........................................................... 17
A INB está buscando outras reservas na região? ............................................................. 18
A mina é subterrânea ou a céu aberto? ........................................................................... 18
O que falta para o início da operação? ............................................................................. 18
Qual é a finalidade do urânio extraído em Caetité? ......................................................... 18
A atividade desenvolvida pela INB na Mina de Caetité é segura? ................................... 18
A atividade é fiscalizada? .................................................................................................. 19
Como é feito o transporte de urânio de Caetité a Salvador? ........................................... 19
Por que a INB não divulga as datas em que o urânio é transportado de Caetité até o
porto de Salvador? .............................................................................................................. 19
Já houve algum acidente durante o transporte de urânio? ............................................. 20
A radiação do urânio pode afetar a saúde da população? ............................................... 20
Por que se encontra maior concentração de urânio nas águas do município de Caetité?
.................................................................................................................................................... 20
Quais são os resultados das últimas análises? ................................................................. 20
Quantos empregos diretos são gerados na atividade de mineração e beneficiamento de
urânio em Caetité? .............................................................................................................. 21
A INB desenvolve algum trabalho social? ......................................................................... 22
ENRIQUECIMENTO DE URÂNIO .......................................................................................... 22
O que é o enriquecimento? Como ele é feito?................................................................. 22
Por que é necessário enriquecer o urânio? ...................................................................... 23
Quais os processos de enriquecimento de urânio?.......................................................... 24
Quantos países dominam a tecnologia de enriquecimento de urânio? O Brasil enriquece
urânio?................................................................................................................................. 24
O Brasil pode construir bomba atômica ou armas nucleares nessa fábrica?................... 24
Quem fiscaliza a atividade de enriquecimento de urânio aqui no Brasil? ....................... 24
Quem autoriza um país a enriquecer urânio? .................................................................. 25
Existem garantias internacionais de que o Brasil não utilizará urânio enriquecido para
outras finalidades? .............................................................................................................. 25
Qual a porcentagem de enriquecimento de urânio no Brasil? ........................................ 25
Onde são colocados os rejeitos do enriquecimento? ...................................................... 25
O enriquecimento de urânio realizado no Brasil será suficiente para abastecer Angra 1 e
2? ......................................................................................................................................... 25
Quando o país será autossuficiente na produção de urânio enriquecido? ...................... 26
Qual o valor total da implantação do Projeto de Enriquecimento? ................................. 26
Qual o estágio atual na implantação do Projeto de Enriquecimento? ............................. 26
Qual o papel da INB e do CTMSP na produção de urânio enriquecido? .......................... 26
Quanto a INB já produziu? ................................................................................................ 27
Qual a meta de produção para este ano? ........................................................................ 27
O processo de enriquecimento de urânio é secreto? ...................................................... 27
Quais são os entraves ao enriquecimento do urânio no país?......................................... 27
COMBUSTÍVEL NUCLEAR .................................................................................................... 27
O que é o combustível nuclear? ....................................................................................... 27
Todas as usinas usam o mesmo tipo de elemento combustível? .................................... 28
Quais são as etapas percorridas em sua fabricação? ....................................................... 29
Como são feitas as pastilhas? ........................................................................................... 30
Por que são chamadas “pastilhas verdes”? ...................................................................... 31
Como são montados os elementos?................................................................................. 32
Qual a capacidade de geração de energia de um Elemento Combustível? ..................... 34
Quantos elementos combustíveis são necessários para abastecer as usinas de Angra 1 e
Angra 2? E qual é a característica desses combustíveis? .................................................... 34
Qual o tempo de utilização de um elemento combustível? ............................................. 34
Como o combustível é levado às usinas de Angra? .......................................................... 34
Quem fiscaliza o transporte do combustível nuclear? ..................................................... 35
Quantos combustíveis são fabricados por ano pela INB? ................................................ 35
Como a INB Resende atua nas questões ligadas à Qualidade, Segurança e Meio
Ambiente? ........................................................................................................................... 35
Quantas pessoas trabalham na Fábrica de Combustível Nuclear?................................... 36
Quem fiscaliza as atividades da Fábrica de Combustível Nuclear? .................................. 36
Além da atividade nuclear, a INB desenvolve outros serviços na Fábrica? ...................... 36
Como é o processo de geração de energia elétrica por fonte nuclear? ........................... 36
PROJETO SANTA QUITÉRIA ................................................................................................. 38
O que é o Projeto Santa Quitéria? .................................................................................... 38
Em que ano foi descoberta a jazida de Santa Quitéria? ................................................... 38
Que pesquisas foram feitas para que se tomasse a decisão de explorar essa jazida? ..... 38
Quais são os minérios existentes na jazida de Santa Quitéria?........................................ 38
O que será produzido em Santa Quitéria? ....................................................................... 38
Qual o volume estimado de produção? ........................................................................... 39
Por que se decidiu implantar a mineração de fosfato e urânio?...................................... 39
A Galvani atua em que área? ............................................................................................ 39
E o urânio, não pode ser minerado isoladamente? Por que foi preciso formar parceria
com uma empresa de fertilizantes? .................................................................................... 40
Que passos já foram dados para a consolidação deste projeto? ..................................... 40
Quanto será investido na implantação do empreendimento? ........................................ 40
Como será implantado esse projeto? O empreendimento vai constar de quantas
unidades industriais? ........................................................................................................... 40
Como será o processo de extração na jazida? .................................................................. 41
Quantos empregos serão gerados? .................................................................................. 41
Que benefícios trará ao país o funcionamento do Consórcio Santa Quitéria? ................ 41
Quais são as instituições que fiscalizam e controlam as atividades da INB no Ceará? .... 41
De que forma o empreendimento é controlado pelos órgãos fiscalizadores? ................ 42
Que estrutura tem atualmente a INB em Santa Quitéria? ............................................... 42
Por que a mina ainda não entrou em operação? ............................................................. 42
O que é o EIA/Rima? ......................................................................................................... 42
Existe uma data prevista para a mina entrar em operação? ............................................ 43
Unidade de Tratamento de Minérios – INB CALDAS ......................................................... 43
Onde está localizada a INB Caldas? .................................................................................. 43
Quando começou a produção brasileira de urânio? ........................................................ 43
Por que foi encerrada a atividade de mineração?............................................................ 43
Como foi descoberta do urânio e da implantação da mineração? .................................. 43
O que é descomissionamento?......................................................................................... 44
Que atividades são desenvolvidas pela INB atualmente em Caldas? .............................. 44
Que rejeitos radioativos estão estocados na INB Caldas?................................................ 44
O que é torta II? ................................................................................................................ 45
A Torta II pode causar danos à saúde da população? ...................................................... 45
As águas da região podem estar contaminadas? ............................................................. 45
O que faz o Laboratório Ambiental da INB? ..................................................................... 45
Como será feito o descomissionamento da antiga unidade de mineração e
beneficiamento de urânio? ................................................................................................. 46
O que é o PRAD e qual seu objetivo? ............................................................................... 46
O que faz atualmente a INB para proteger o ambiente e a saúde da população que mora
nas vizinhanças da unidade? ............................................................................................... 46
Minerais Pesados - INB BUENA .......................................................................................... 47
O que são minerais pesados e qual a atuação da INB nessa área? .................................. 47
Para que serve a monazita? .............................................................................................. 47
A INB produz terras raras? ................................................................................................ 47
O que a INB tem feito com relação aos compostos de terras raras? ............................... 47
A INB avalia retomar a produção de terras raras no Brasil? ............................................ 48
Para que servem a ilmenita, a zirconita e o rutilo? .......................................................... 48
Qual a produção atual da INB Buena? .............................................................................. 48
Quais as consequências dessa paralisação? ..................................................................... 48
Como é o processo de lavra desses minerais? ................................................................. 49
Como é o processo de produção da Unidade de Beneficiamento Primário de Buena? .. 49
Como é feito o beneficiamento secundário dos minerais pesados? ................................ 50
Por que o Brasil não realiza o beneficiamento químico de monazita? ............................ 50
Qual é atualmente o estoque de monazita da INB? ......................................................... 50
O que a empresa tem feito com o estoque de monazita? ............................................... 50
Os minerais pesados são radioativos? .............................................................................. 51
A produção dessa unidade afeta o meio ambiente da região? ........................................ 51
Como o terreno fica depois da produção? ....................................................................... 51
Que ações de preservação ambiental são realizadas pela INB Buena? ........................... 51
Qual o objetivo da monitoração? Como ele ocorre? ....................................................... 51
Quando o Brasil começou a explorar esses minerais? ..................................................... 52
USIN – DEPÓSITO DE MATERIAIS ....................................................................................... 52
Qual é a atividade da unidade da INB em São Paulo? ...................................................... 52
Qual o material encontrado no depósito de São Paulo? .................................................. 52
O que fazia a Usina Santo Amaro? A quem pertencia? .................................................... 52
Por que esse material foi depositado no local?................................................................ 53
O que fazia a Usina de Interlagos? ................................................................................... 53
Que materiais estão ali armazenados?............................................................................. 53
O que é monazita? ............................................................................................................ 54
Como esses materiais estão armazenados? ..................................................................... 54
Quem fiscaliza a unidade? ................................................................................................ 54
Existe perigo de uma eventual explosão ou vazamento dessa radiação?........................ 54
Há planos para remover os materiais do local? ............................................................... 55
A área poderá ter outro uso? ........................................................................................... 55
Que passos foram dados nesse sentido?.......................................................................... 55
Quando o terreno começou a ser descontaminado? ....................................................... 56
Qual a previsão de término desse trabalho? .................................................................... 56
O que será feito depois disso com o terreno?.................................................................. 56
MEIO AMBIENTE ................................................................................................................. 56
Como a INB atua na preservação do meio ambiente? ..................................................... 56
A atividade de mineração de urânio da INB provoca desmatamento? ............................ 57
Qual a produção anual do Horto da INB Caetité? ............................................................ 57
Por que se encontra urânio nas águas de Caetité? .......................................................... 57
A mineração pode aumentar a concentração de urânio nas águas subterrâneas da região
de Caetité?........................................................................................................................... 58
As águas usadas no processamento do urânio vão para o meio ambiente? ................... 58
Alguns poços em comunidades próximas à mina já foram fechados por suspeita de
contaminação. Isso não pode ter acontecido por causa da atividade da INB?................... 58
Como a INB monitora as águas no entorno de sua unidade? .......................................... 59
Quais são os resultados das últimas análises? ................................................................. 59
Como o IBAMA fiscaliza as atividades da INB? ................................................................. 60
Como é feito o processo de licenciamento de uma instalação nuclear? ......................... 60
O que faz o programa de controle de emissões? ............................................................. 61
O que faz o programa de preservação ambiental desenvolvido na Fábrica de
Combustível Nuclear?.......................................................................................................... 61
Qual o tamanho da área já reflorestada? ......................................................................... 62
Existe controle sobre os processos de produção para evitar danos ao meio ambiente? 62
A INB Resende contribui para a preservação ou restauração do meio ambiente na
região? ................................................................................................................................. 62
A empresa desenvolve programa de educação ambiental?............................................. 62
A empresa recicla seus resíduos? ..................................................................................... 63
RADIAÇÃO E SAÚDE ............................................................................................................ 63
O que é radioatividade?.................................................................................................... 63
Ela é somente um fenômeno natural? ............................................................................. 63
Quanta radiação natural uma pessoa recebe por ano? ................................................... 64
Quem mora em locais onde existem reservas de urânio recebe uma dose maior de
radiação? ............................................................................................................................. 64
A exploração da mina de urânio pode provocar o aumento do número de casos de
cânceres em Caetité? .......................................................................................................... 64
Qual a dose de radiação que um trabalhador da mina de Caetité recebe por ano? ....... 65
Como a INB controla a dose de radiação que os trabalhadores recebem? ..................... 65
RESPONSABILIDADE SOCIAL ............................................................................................... 65
Qual é a atuação da INB na área de responsabilidade social? ......................................... 65
A empresa atua sozinha ou em parceria com instituições? ............................................. 66
Quais são os principais projetos na área de educação? ................................................... 66
Quais são as principais ações na área de infraestrutura? ................................................ 67
Quais são as principais ações na área da cultura?............................................................ 68
CICLO DO COMBUSTÍVEL NUCLEAR

O que é “ciclo do combustível nuclear”?


Este nome é dado ao conjunto de fases, de processos industriais que pelas
quais passa o urânio, desde a mineração até a geração de energia. As etapas
do ciclo são as seguintes:
1. Mineração e Beneficiamento: após a descoberta da jazida e feita sua
avaliação econômica (prospecção e pesquisa), inicia-se a mineração. Na
usina de beneficiamento, o urânio é extraído do minério, purificado e
concentrado numa torta de cor amarela, chamada yellowcake.
2. Conversão: depois de ter sido dissolvido e purificado, o yellowcake é
convertido em hexafluoreto de urânio (UF6), um sal que tem como
propriedade passar ao estado gasoso a baixas temperaturas (da ordem
de 60oC).
3. Enriquecimento: tem por objetivo aumentar a concentração do
isótopo 235 do urânio (U-235) no UF6 natural sob forma gasosa, de
apenas 0,7%, para valores da ordem de 3% a 5%, necessários ao uso
como combustível em reatores nucleares do tipo PWR.
4. Reconversão e Fabricação das Pastilhas: O UF6 enriquecido é
transformado em dióxido de urânio (UO2) sob a forma de pó e, em
seguida, sinterizado em pequenas pastilhas.

5. Fabricação do Elemento Combustível: As pastilhas de urânio são


colocadas em tubos de uma liga metálica especial (zircaloy), formando um
conjunto de varetas, cuja estrutura é mantida rígida por grades
espaçadoras.
6. Geração de energia: Os elementos combustíveis são colocados no
centro dos reatores das usinas nucleares, onde se inicia o processo de
geração de energia nuclear. Esta etapa do ciclo é realizada pela estatal
Eletronuclear. Saiba mais em: www.eletronuclear.gov.br

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URÂNIO
O que é urânio?
O urânio é um metal de coloração prateada, radioativo, denso, inflamável,
flexível e maleável. O elemento químico urânio (número atômico 92) possui três
isótopos principais – urânio 234; urânio 235 (físsil, usado como combustível
nuclear) e urânio 238. É um elemento razoavelmente abundante na crosta
terrestre, ocorrendo em diversas formas em vários ambientes geológicos,
sempre em combinação com o oxigênio. O principal mineral de urânio é a
uraninita (UO2). Outros minerais de urânio (variedades primárias ou
secundárias) apresentam-se em cores variadas: amarelo (uranofano, autunita),
verde (tobernita), etc.

O que é urânio natural?


É o urânio tal como é encontrado na natureza, contendo 0,7% de urânio – 235
e 99,3% de urânio- 238 e traços de urânio – 234.

O que é urânio empobrecido?


Urânio com uma percentagem de urânio – 235 menores do que 0,71%
encontrado no urânio natural. É encontrado em elementos combustíveis
irradiados e nos resíduos do processo de separação isotópica do urânio.

O que é urânio enriquecido?


É o processo físico de retirada de urânio – 238 do urânio natural, aumentando,
em consequência, a concentração de urânio – 235.

Como o urânio foi descoberto?


O urânio é um elemento bastante comum na Terra, incorporado ao planeta
durante a sua formação. No entanto, ele foi identificado em 1789 por Martin
Heinrich Klaproth, que deu a ele este nome em homenagem à descoberta do
planeta Urano. Em 1896, Henri Becquerel descobriu a radioatividade do urânio.

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O elemento tornou-se objeto de estudo intenso e de amplo interesse depois
que Otto Hahn e Fritz Strassman descobriram, em 1938, o fenômeno da fissão
nuclear no urânio bombardeado por nêutrons lentos.
No ano seguinte, Enrico Fermi sugeriu que os nêutrons deveriam ser produtos
da fissão e podiam então desencadear uma reação em cadeia, o que foi
comprovado mais tarde por outros pesquisadores.

Onde o urânio é encontrado?


Encontram-se vestígios de urânio em muitos pontos da crosta terrestre. O
minério de urânio mais comum e importante é a uraninita, composta por uma
mistura de UO2 com U3O8. (O maior depósito do mundo de uraninita situa-se
nas minas de Leopldville no Congo, na África). Outros minerais que contém
urânio são a euxenita, a carnotita, a branerita, a torbernite, e a coffinita. Os
países com maiores reservas de urânio são: Austrália, Cazaquistão, Rússia,
África do Sul, Canadá, Estados Unidos e Brasil, nesta ordem. O Brasil ocupa a
sétima posição no ranking mundial de reservas de urânio (por volta de 309.000t
de U3O8).

Onde podemos encontrar reservas de urânio no Brasil?


A reserva de aproximadamente 309.000 t de U3O8 do Brasil encontra-se
distribuída entre os estados da Bahia, Ceará, Paraná e Minas Gerais, entre
outros. As reservas geológicas brasileiras evoluíram de 9.400 toneladas,
conhecidas em 1975, para a atual quantidade, podendo certamente ser
ampliadas com novos trabalhos de prospecção e pesquisa mineral já que
apenas 25% do território nacional foi pesquisado. O país possui também
ocorrências uraníferas associadas a outros minerais, como aqueles
encontrados nos depósitos de Pitinga no Estado do Amazonas, além de áreas
extremamente promissoras como a de Carajás, no Pará. Nesses, estima-se um
potencial adicional de 300.000t. (inf. Site)

Veja o mapa com a localização das resevas prospectadas:


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Qual o tamanho da reserva brasileira de urânio?

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Qual a diferença entre reserva medida, inferida e prognosticada?
Reserva medida é a tonelagem de minério computada com base em medições
e análises detalhadas de dimensões e teores.
Reserva indicada é a quantidade e o teor de minério computados
parcialmente e medidas e amostras específicas.
Reserva inferida é a estimativa feita com base no conhecimento dos
caracteres geológicos do depósito mineral, havendo pouco ou nenhum trabalho
de pesquisa.
Reserva prognosticada é a reserva potencial estimada.

O urânio é comercializado de que forma?


O urânio é comercializado sob a forma de yellowcake (espécie de sal amarelo,
o U3O8), gás UF6 e urânio enriquecido em U 235, produtos derivados das três
principais etapas de processamento do material bruto. Seu comércio é
rigidamente controlado tanto pelos governos nacionais quanto pela Agência
Internacional de Energia Atômica (AIEA), uma vez que se trata de material
radioativo.

Onde ficam as unidades produtoras de urânio no Brasil?


A produção brasileira de urânio começou em 1982, no município de Caldas, em
Minas Gerais, onde a reserva foi explorada durante 13 anos, abastecendo a
usina de Angra 1 e programas de desenvolvimento tecnológico. Com o avanço
das prospecções geológicas, outras reservas foram descobertas e, em 1995, a
unidade da INB em Caldas encerrou a produção de urânio, entrando então na
fase de descomissionamento.

Em 1998, o urânio começou a ser explorado em Caetité, na Bahia, uma área


onde existe uma reserva de 100.000 toneladas do minério. A Unidade de
Concentrado de Caetité tem capacidade de produzir atualmente cerca de 400
toneladas/ano de concentrado de urânio, o suficiente para abastecer as usinas
Angra 1 e Angra 2.
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Com o desafio de atender a demanda das usinas nucleares que serão
construídas nos próximos 20 anos, a INB iniciou os trabalhos necessários para
aumentar a sua produção de urânio. Em Caetité, com a abertura da lavra
subterrânea e a implantação de um novo processo de beneficiamento que
resultará em maior aproveitamento do mineral, e em Santa Quitéria, Ceará,
com a parceria com a empresa privada Galvani para explorar o urânio que se
encontra associado ao fosfato.

Quantas minas de urânio existem em operação na América Latina?


A mina de Caetité, no sudoeste da Bahia, no Brasil, é a única em operação em
toda a América Latina e responde pelo suprimento das usinas Angra 1 e Angra.
A previsão é que as Indústrias Nucleares do Brasil, empresa responsável pela
mineração à fabricação do combustível, comecem as operações de extração
de urânio na jazida de Itataia, Santa Quitéria – Ceará em 2015.

Que empresas extraem e processam o urânio no Brasil?


No Brasil, apenas as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) são autorizadas pelo
Governo Federal a extrair e processar o urânio e demais minerais radioativos.
A empresa é vinculada à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), uma
autarquia federal subordinada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
(MCTI) e constituída para, em nome da União, exercer o monopólio da
mineração de elementos radioativos e da produção e comércio de materiais
nucleares.

O Brasil exporta urânio?


Não, o Brasil não exporta urânio comercialmente. O urânio é enviado ao
exterior apenas para passar pelas etapas de conversão e enriquecimento,
retornando ao país para a produção do elemento combustível.

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MINERAÇÃO

Onde é feita a mineração de urânio no Brasil?


A mineração de urânio é feita no município de Caetité, localizado no interior da
Bahia. É a única mina em atividade no país, atualmente.

Como é feita a mineração do urânio?


O minério é extraído da rocha e levado para ser britado, transformando-se em
micro pedrinhas. Elas são depositadas em pilhas, onde recebem, através de
mangueiras, uma solução de ácido sulfúrico que separa o urânio da rocha.
Esse processo é conhecido como lixiviação e dele resulta um líquido amarelo,
o licor de urânio – uma mistura de ácido sulfúrico com urânio.

Qual o período de duração do processo de lixiviação?


O processo de lixiviação em pilhas utilizado na INB Caetité dura, em média, 60
dias, distribuídos da seguinte forma: montagem da pilha de minério: 25 dias;
lixiviação, lavagem e amostragem da pilha: 25 dias; remoção da pilha lixiviada
e preparação do pátio para receber nova pilha: 10 dias.

Que destino tem o material lixiviado, a rocha da qual se extraiu o


urânio?
O material lixiviado é lavado com água para remover a acidez restante e depois
levado por caminhões para um terreno na área da unidade de mineração,
conhecido como "depósito de rejeitos sólidos". Quando esse depósito está
completo, ele é coberto com argila compactada, sobre a qual é aplicada uma
camada de solo. Ali se faz a revegetação com espécies da flora regional.

Há risco de chuva ácida com a evaporação do licor de urânio?


Certamente que não, pois o urânio é um metal pesado e não evapora. No
processo de evaporação natural do licor de urânio armazenado nas bacias ou
durante o processo de lixiviação em pilhas ocorre evaporação apenas da água.
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Não há evaporação de ácido sulfúrico, usado no processo, ou de outros tipos
de gases como o CO2 (gás carbônico), que são os responsáveis pela
ocorrência de chuva ácida. Portanto, não há o risco de ocorrência de chuva
ácida na região da INB Caetité.

O que é o beneficiamento?
Beneficiamento é o nome dado ao processo em que o licor de urânio é
purificado e tratado com diversos processos químicos e físicos de separação,
para depois gerar uma pasta amarela um concentrado de urânio, obtida na
forma de diuranato de amônia - DUA.

O que é o yellowcake?
O concentrado de urânio, também é chamado de yellowcake. A concentração
do urânio é realizada pelo processo de extração por solventes orgânicos,
seguida da separação por precipitação, secagem e acondicionamento em
tambores.Todas essas etapas são realizadas na Unidade de Mineração e
Beneficiamento de Urânio da INB em Caetité (BA).

O que é feito com esse concentrado de urânio?


Acondicionado em tambores especiais, inteiramente vedados, o concentrado
segue para outra etapa do ciclo do combustível nuclear: a conversão. De
Caetité o yellow cake é enviado até o porto de Salvador, onde é embarcado
para a Europa, onde será convertido em gás e depois enriquecido.
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Quando a mina começou a operar em Caetité?
A Unidade de Concentrado de Urânio começou a ser implantada em 1995,
sendo que a exploração efetiva do urânio só foi iniciada em 1999, em caráter
experimental, quando já possuía todas as licenças necessárias para operar,
tendo produzido concentrado de urânio comercialmente a partir do ano 2000.
Essa reserva de urânio, conhecida como Jazida da Cachoeira, foi detectada
em 1977 em uma área onde existe cerca de 100 mil toneladas do minério.

Quanto foi investido na implantação da INB Caetité? R$ 41 milhões.

Quanto foi produzido de urânio, desde o início da operação da


unidade?
Veja a quantidade produzida, ano a ano, conforme tabela abaixo.

Histórico de Produção da URA

PRODUÇÃO DE U3O8
ANO
ACUMULADA (Kg)
2000 13.389
2001 65.641
2002 328.937
2003 270.684
2004 352.054
2005 129.079
2006 230.588
2007 352.861
2008 389.631
2009 406.079
2010 174.269
2011 311.782
TOTAL 3.024.994

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Qual a produção brasileira de urânio ao ano?
Atualmente são 400 toneladas/ano. Mas o objetivo é aumentar para 800
toneladas e, três anos depois, alcançar 1.200 toneladas/ano sob a forma de
concentrado de urânio.

Qual o tamanho total da área que pertence a INB?


Toda a área da unidade da INB em Caetité tem 1.700 hectares, mas a área da
mina é de 13 hectares.

Qual a previsão, em anos, da extração de urânio em Caetité?


Essa previsão depende fundamentalmente dos projetos de expansão da
produção e da realização de novas pesquisas geológicas na região.
Considerando a expansão da produção para 800 t de concentrado de urânio
por ano e as reservas atualmente conhecidas, podemos afirmar que a extração
de urânio, em Caetité, se estenderia por mais 30 anos, no mínimo.

A mina de Caetité possui autorização definitiva para operar?


A Portaria CNEN Nº 68, de 4 de setembro de 2009, concede a Autorização de
Operação Permanente (AOP) à Unidade de Concentrado de Urânio (URA) pelo
prazo de 36 meses.

Qual o tamanho da reserva de urânio de Caetité?


As reservas são de 100.770 toneladas. A Província Uranífera de Lagoa Real
está localizada em uma área de 1.200 km 2 onde já estão identificados 33
depósitos do mineral urânio com alto grau de pureza; doze desses depósitos
foram pesquisados, passando a ser chamados de “jazidas”. Hoje é a jazida
Cachoeira que está sendo minerada.

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A INB está buscando outras reservas na região?
A retomada de prospecção em 2010 e 2011 levou à determinação de uma área
promissora, sendo que uma delas passou a ser denominada Anomalia 36.

A mina é subterrânea ou a céu aberto?


Atualmente a mineração está sendo feita a céu aberto, mas já existe todo um
planejamento para minerar as áreas subterrâneas da mesma mina que está
sendo explorada, a Cachoeira,

O que falta para o início da operação?


No momento, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) está
analisando o pedido de licenciamento enviado pelas Indústrias Nucleares do
Brasil para fazer a mineração subterrânea.

Qual é a finalidade do urânio extraído em Caetité?


A Constituição Brasileira determina que o urânio só pode ser explorado para
fins pacíficos, quer dizer, para produzir energia elétrica. A INB é a única
empresa do país que produz o minério. Com o urânio extraído de Caetité se
produz energia elétrica para abastecer os lares de mais de cinco milhões de
brasileiros durante todo o ano.

A atividade desenvolvida pela INB na Mina de Caetité é segura?


De acordo com o relatório da missão da Agência Internacional de Energia
Atômica, órgão da ONU (Organizações das Nações Unidas), as atividades das
Indústrias Nucleares dos Brasil na mina de urânio, em Caetité, são seguras e
não prejudicam o meio ambiente. Segundo os especialistas internacionais da
AIEA que analisaram todos os detalhes da operação, a unidade de produção é
bem projetada, bem cuidada, segura e eficiente. “A mineração e o
beneficiamento de urânio não provocam nenhum impacto significativo ao meio
ambiente nas áreas próximas à URA”, informa o comunicado da Agência
Internacional.

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A atividade é fiscalizada?
Para assegurar a qualidade do meio ambiente e preservar a saúde da
população, as atividades da INB Caetité são permanentemente acompanhadas
pelo IBAMA e pela Comissão Nacional de Energia Nuclear, de acordo com as
normas adotadas mundialmente. A fiscalização é feita através de inspeções na
usina e de análises das águas, do solo, do ar, dos produtos agrícolas e da
saúde dos trabalhadores.

Como é feito o transporte de urânio de Caetité a Salvador?


Os tambores especiais contendo concentrado de urânio são lacrados,
identificados e organizados dentro de contêineres e ali fixados para que não se
choquem; os contêineres são levados em caminhões que viajam em comboios.
Durante todo o percurso, o comboio é acompanhado por equipes de
especialistas em proteção física e ambiental da INB e pela Polícia Federal.

Por que a INB não divulga as datas em que o urânio é transportado de


Caetité até o porto de Salvador?
Esse tipo de material deve ser transportado seguindo rígidas normas de
segurança. As operações de transporte de urânio seguem a norma
estabelecida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear que trata da proteção
física de unidades operacionais da área nuclear, segundo a qual “o Serviço de
Proteção Física deve estabelecer medidas para que as operações do
transporte se processem sob absoluto sigilo, sem divulgação de espécie
alguma”.

A cada evento de transporte de material radioativo, é elaborado um plano


contendo todas as informações acerca da carga e do trajeto a ser percorrido.
Esse plano é submetido à aprovação da CNEN e comunicado às autoridades
envolvidas com a proteção física das populações, como os Comandos Militares
regionais, as Secretarias de Segurança Pública, a Agência Brasileira de
Inteligência e o Serviço de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro. O IBAMA
recebe um comunicado sobre as datas de deslocamento da carga.

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Já houve algum acidente durante o transporte de urânio?
Não, a INB segue todas as normas de segurança adotadas pelas entidades
fiscalizadoras do setor nuclear para proteger a saúde das populações e do
meio ambiente.

A radiação do urânio pode afetar a saúde da população?


As pesquisas já realizadas em torno desta questão em diversas partes do
mundo demonstraram que o urânio natural não contribui para o aumento do
número de casos de câncer ou de qualquer outra doença decorrente da
radiação do urânio. O urânio está presente na crosta terrestre desde a
formação do planeta Terra; a atividade de mineração não aumenta a radiação
emitida por esse mineral porque ela trabalha com o urânio em estado natural.
Saiba mais no item Radiação

Por que se encontra maior concentração de urânio nas águas do


município de Caetité?
A região de Caetité é considerada uma Província Uranífera devido à
quantidade e qualidade de suas reservas de urânio. É por esta razão que o
urânio está presente em suas águas em sua forma natural. Desde 1990, antes
da implantação de sua unidade de mineração, a INB monitora
permanentemente mais de 150 poços situados no entorno da mina e os rios da
região. Os resultados obtidos comprovam que a concentração de urânio natural
nas águas dos poços não aumentou durante todo este tempo.

Quais são os resultados das últimas análises?


As pesquisas realizadas durante todo o ano de 2011 em águas subterrâneas
de Caetité pelo Programa de Monitoração Ambiental da INB, com o apoio do
Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – IPEN - mostram que esses
mananciais estão com índices normais de urânio, ou seja, abaixo do limite
estabelecido pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). O IPEN,
que é ligado à Universidade de São Paulo e à Comissão Nacional de Energia
Nuclear, realizou análises das amostras de águas dos poços situados nas

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Fazendas Mangabeira, Gameleira e Lajedo, e nos distritos de Juazeiro e São
Timóteo. Em todos esses pontos, as médias de concentração de urânio ficaram
abaixo da do limite estabelecido para consumo humano, determinado pelo
Ministério da Saúde, em 0,03 mg/L, e pelo CONAMA, em 0,015mg/L.
O gráfico abaixo mostra a quantidade encontrada em cada ponto, com a
respectiva distância deles da mina de urânio, representada por zero. Nota-se
que não há maior concentração de urânio em poços mais próximos da mina.
Na Fazenda Mangabeira, a distância é representada negativamente, para
indicar que o poço se localiza no caminho oposto da direção do percurso da
água.

Quantos empregos diretos são gerados na atividade de mineração e


beneficiamento de urânio em Caetité?
Em Caetité, a INB possui atualmente (512 funcionários concursados), 350
terceirizados, 161 do quadro efetivo (e um estagiário , num total de 512). Além
disso, gera emprego indireto, que é composto por aqueles que prestam
serviços para a empresa, ou que conseguem montar um negócio pelo aumento
de investimentos na cidade.
Um concurso para contratação de mais pessoal foi aberto em 2012.

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A INB desenvolve algum trabalho social?
A empresa desenvolve projetos e apoia iniciativas que têm como objetivo a
melhoria da qualidade de vida da população atuando, sobretudo, nas áreas de
educação e infraestrutura. Ver mais em Responsabilidade Social.

ENRIQUECIMENTO DE URÂNIO
O que é o enriquecimento? Como ele é feito?
Enriquecimento de urânio é o processo de separação física do átomo urânio-
235 do átomo urânio-238, chamados isótopos do urânio, que são encontrados
na natureza em concentrações de 0,7% e 99,3%, respectivamente, de modo a
aumentar para 4% a concentração do urânio-235.

O urânio-235, o isótopo físsil, é que produz energia ao sofrer fissão


(rompimento) nos núcleos dos reatores nucleares. O hexafluoreto de urânio
(UF6) é o composto de urânio processado, na forma gasosa, por grupos de
equipamentos especiais empregados nos processos tecnológicos de
enriquecimento de urânio. No caso do processo de ultracentrifugação, o gás
passa por equipamentos chamados ultracentrífugas que giram em velocidade
extremamente alta, separando os dois tipos de isótopos, o urânio-235 e o
urânio-238. Por ser mais pesado, o urânio-238 se desloca para as paredes da
ultracentrífuga, enquanto que o urânio-235, por ser mais leve, se concentra no
centro, de onde são retirados.

Para entender o processo de separação da forma mais simples, cita-se o


exemplo da secagem de roupas numa máquina lavadora: análogo ao que
acontece numa ultracentrífuga, o tambor da máquina ao girar lança a roupa
contra as paredes internas, tirando a maior parte da umidade, enquanto a água
é eliminada em outra parte. Como no enriquecimento de urânio o efeito
separativo dos isótopos numa ultracentrífuga é pequeno, para conseguir-se a
concentração desejada de 4% do isótopo urânio-235, torna-se necessária a

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passagem sequencial do gás “enriquecido” por inúmeras máquinas conectadas
em série e paralelo, formando as chamadas cascatas.

A figura a seguir, de forma singela, ilustra o processo industrial do


enriquecimento de urânio, identificando na cor vermelha as concentrações dos
isótopos urânio-235 nas frações enriquecida e empobrecida, retiradas das
cascatas.

Por que é necessário enriquecer o urânio?


O urânio deve ser enriquecido em seu isótopo urânio-235, da concentração de
0,7% encontrada na natureza até a concentração de 4%, separando-o do
isótopo urânio-238, de modo a obter-se maior quantidade desse isótopo, que
ao ser fissionado nos núcleos dos reatores nucleares produz maior quantidade
de energia.

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Quais os processos de enriquecimento de urânio?
Vários processos de enriquecimento de urânio foram desenvolvidos em
laboratórios, mas somente dois deles operam em larga escala industrial: a
difusão gasosa e a ultracentrifugação. As empresas proprietárias de usinas de
difusão gasosa, por razões técnicas e econômicas, já iniciaram a sua
desativação, ao mesmo tempo em que implantam unidades industriais de
ultracentrifugação. O processo utilizado na INB é o de ultracentrifugação,
considerado o mais econômico entre os existentes. Essa tecnologia foi
desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) em
parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN / CNEN).

Quantos países dominam a tecnologia de enriquecimento de urânio? O


Brasil enriquece urânio?
A comunidade nuclear mundial reconhece 12 países como detentores de
instalações de enriquecimento de urânio com diferentes capacidades
industriais de produção. São eles: China, Estados Unidos, França, Japão,
Rússia, Alemanha, Inglaterra, Holanda, Brasil, Índia, Paquistão e Irã.

O Brasil pode construir bomba atômica ou armas nucleares nessa


fábrica?
Não. A Constituição Brasileira determina que o urânio só pode ser beneficiado
para fins pacíficos. Por consequência, adiciona-se também o fato do Brasil ser
signatário de vários acordos com países e organismos internacionais que
selam o compromisso e garantem o cumprimento de uso pacífico da energia
nuclear.

Quem fiscaliza a atividade de enriquecimento de urânio aqui no Brasil?


Além da Comissão Nuclear de Energia Nuclear - CNEN, órgão federal
responsável pelo licenciamento e fiscalização de instalações nucleares e
radioativas no Brasil, também fiscalizam as instalações de enriquecimento a

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Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais
Nucleares – ABACC e a Agência Internacional de Energia Atômica – AIEA, em
cumprimento a acordos internacionais.

Quem autoriza um país a enriquecer urânio?


No caso do Brasil, o Poder Legislativo representado pela Câmara dos
Deputados e Senado Federal, de acordo com as disposições da Constituição
Federal.

Existem garantias internacionais de que o Brasil não utilizará urânio


enriquecido para outras finalidades?
Sim. As garantias internacionais encontram-se consagradas nos termos dos
acordos internacionais assinados e cumpridos pelo Brasil com organismos e
países comprometidos com uso pacífico da energia nuclear.

Qual a porcentagem de enriquecimento de urânio no Brasil?


No Brasil, nas instalações das Indústrias Nucleares do Brasil – INB, o urânio é
enriquecido a 4% para a fabricação de elementos combustíveis usados nos
reatores nucleares, ou seja para a finalidade de geração de energia elétrica.

Onde são colocados os rejeitos do enriquecimento?


O processo de enriquecimento não produz rejeitos. Parte do urânio natural
processado nas unidades de enriquecimento é transformada em urânio
enriquecido e parte em urânio empobrecido, no isótopo urânio-235. As partes
são armazenadas em distintos cilindros especiais, que são estocados em locais
licenciados para tal finalidade e posterior uso.

O enriquecimento de urânio realizado no Brasil será suficiente para


abastecer Angra 1 e 2?
A Unidade de Enriquecimento da INB está sendo implantada em módulos.

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Quando sua primeira etapa estiver concluída em 2016, conforme previsto, será
capaz de suprir 100% das necessidades anuais das recargas do reator Angra 1
e 20% de Angra 2.
Em uma segunda etapa, a ser concluída até 2020, prevê-se a implantação de
novos módulos para atendimento das demandas 80% de Angra 2, 100% de
Angra 3 e de mais uma nova Central Nuclear de 1000 MWe. Paralelamente,
até 2015, prevê-se concluir a construção uma Fábrica de Ultracentrífugas para
acelerar a instalação na Unidade de Enriquecimento da INB.

Quando o país será autossuficiente na produção de urânio


enriquecido?
Considerando o consumo das três centrais de Angra e uma adicional de 1000
MWe, de acordo com as previsões anuais de investimentos para a ampliação
da Unidade de Enriquecimento da INB e construção da Fábrica de
Ultracentrífugas, o país alcançará a autossuficiênia por volta de 2020.

Qual o valor total da implantação do Projeto de Enriquecimento?


O valor total da implantação do Projeto de Enriquecimento, em sua primeira
etapa, iniciada em 2000, é da ordem de R$ 580 milhões.

Qual o estágio atual na implantação do Projeto de Enriquecimento?


Atualmente, na unidade da INB, em Resende/RJ, encontram-se em plena
operação três das quatro cascatas de ultracentrífugas do Módulo 1, tendo sido
atingida a capacidade de produção de 12.500 UTS/ano, que corresponde a
10% do total contratado ao CTMSP. A quarta cascata encontra-se em fase final
de montagem, com previsão de início de produção no segundo semestre do
corrente ano (2012).

Qual o papel da INB e do CTMSP na produção de urânio enriquecido?


A INB é a empresa governamental responsável pela implantação gradativa de
uma unidade industrial para produção industrial de urânio enriquecido pelo
processo de ultracentrifugação, enquanto que o CTMSP é a organização da

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Marinha do Brasil contratada pela INB para o desenvolvimento, fornecimento e
instalação das ultracentrífugas na unidade industrial.

Quanto a INB já produziu?


Na INB, ao longo do aumento gradativo da capacidade de produção até 2011,
foram produzidas cerca de 16t UTS (toneladas de Unidades de Trabalho
Separativo), que correspondem a cerca de 4,3 toneladas de UF6 enriquecido a
4%.

Qual a meta de produção para este ano?


Prevê-se para 2012 a produção de 15t UTS (toneladas de Unidades de
Trabalho Separativo), que correspondem a cerca de 4,2 toneladas de UF6
enriquecido a 4%.

O processo de enriquecimento de urânio é secreto?


O Brasil, tal como os demais países e organizações detentores dos processos
industriais de enriquecimento de urânio, protege os conhecimentos obtidos a
partir de custoso desenvolvimento tecnológico, não os repassando a terceiros.

Quais são os entraves ao enriquecimento do urânio no país?


As restrições orçamentárias têm sido as principais dificuldades para a
implantação da Usina de Enriquecimento, na Fábrica de Combustível Nuclear
da INB, em Resende, no Rio de Janeiro.

COMBUSTÍVEL NUCLEAR

O que é o combustível nuclear?


É o combustível que gera energia nas usinas nucleares. É uma estrutura
metálica, com até 5 metros de altura, formada por um conjunto de tubos,
chamadas varetas dentro das quais são colocadas pastilhas de urânio
enriquecido entre 2 a 5%.
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Todas as usinas usam o mesmo tipo de
elemento combustível?
Bocal Superior
Não, esses combustíveis seguem as tecnologias
utilizadas pelas usinas nucleares, assim, para a usina
Vareta Combustível
Angra 1 (Westinghouse), o elemento combustível –
16NGF*1, é um conjunto de 235 varetas, rigidamente
posicionadas em uma estrutura metálica, formada por
Tubo Guia
Tubo de Instrumentação
10 grades espaçadoras, 1 grade protetiva, 20 tubos
guias mais 1 tubo de instrumentação;e dois bocais, Grade Espaçadora
um inferior e um superior.
O combustível – HTP*2, utilizado na usina Angra 2 Grade Protetiva
Bocal Inferior
(Siemens) é um conjunto de 236 varetas combustíveis
rigidamente posicionadas em uma estrutura metálica, formada por 9 grades
espaçadoras, 1 grade protetiva, 20 tubos guias e dois bocais, um inferior e um
superior.

Notas:
*1
– o 16 significa q são 16 varetas em cada lado e NGF é New Generation
Fuel.
*2
– HTP = High Termal Performance
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Quais são as etapas percorridas em sua fabricação?
Depois de enriquecido, o urânio em forma de gás é transformado em pó – o pó
de dióxido de urânio. As fases operacionais para a produção do pó de dióxido
de urânio (UO2) são as seguintes:
Vaporização e alimentação do hexafluoreto de urânio (UF6): o urânio
enriquecido ate 5%, na forma de UF6, é levado para aquecimento numa
autoclave para vaporização e alimentação do processo.
Precipitação: no estado gasoso a 100°C, o UF6 é enviado para reação
em um tanque, denominado precipitador. Neste tanque pré-carregado, o
UF6 é misturado por borbulhamento em solução aquosa, com outros dois
gases reagentes: gás carbônico (CO2) e o gás amoníaco (NH3).
Filtração, Lavagem e secagem do tricarbonato de amônio e uranila
(TCAU): a reação química entre os compostos produz o TCAU, sólido
amarelo. Em seguida, o conteúdo do precipitador é bombeado para filtros
rotativos a vácuo onde o pó de TCAU é lavado e secado.

Redução química: o TCAU é, então, enviado para a fase seguinte


do processo num forno de redução química de leito fluidizado.
Neste forno, a temperatura media de 540°C, o TCAU é alimentado
juntamente com gás hidrogênio (H2) e vapor d’água, em
contracorrente.

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A reação do TCAU com o gás hidrogênio (H2) é instantânea,
liberando grande quantidade de gases (gás carbônico e amoníaco)
e calor. Os gases são aspirados para um lavador absorvedor e a
solução reconduzida para utilização em outra etapa do processo.
Estabilização do pó de UO2: o pó de UO2 é, então, resfriado até
cerca de 80-90°C onde recebe a adição de ar seco para que possa
ser estabilizado e manuseado em condições ambientes.
Completada a estabilização, a batelada de pó de UO2 é
descarregada por transporte pneumático para tambores de
geometria especial para composição de lotes maiores e controle de
qualidade físico-química.

Como são feitas as pastilhas?


Após o processo de mistura com U3O8 (produzido por oxidação de restos de
produtos que contém urânio que sobram nas diversas etapas do processo de
fabricação), o pó de UO2 é transportado para uma prensa rotativa automática,
onde são produzidas as chamadas “pastilhas verdes”.

Pó e pastilha de dióxido de urânio (UO2)

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Por que são chamadas “pastilhas verdes”?
As pastilhas verdes são ainda relativamente frágeis, e não apropriadas para
suportar as condições de operação dos reatores nucleares. Assim, são
encaminhadas para um forno de sinterização sob que se encontra em
temperatura de 1750°C onde em presença de gás hidrogênio, num processo
semelhante ao da fabricação das cerâmicas, adquirem resistência mecânica
(dureza) necessária para resistir às condições de operação a que serão
submetidas dentro do reator da usina nuclear.
As pastilhas sinterizadas passam, ainda, por uma etapa de retificação para
ajuste fino das dimensões. Após a retificação, todas as pastilhas sinterizadas
são verificadas através de medição a laser, que rejeita aquelas cuja
circunferência estiver fora dos padrões adequados. As pastilhas sinterizadas
aprovadas são acondicionadas em caixas e armazenadas adequadamente em
um depósito.

Detalhe da pastilha de UO2

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Como são montados os elementos?
Ainda em Resende, na Fabrica de Combustível Nuclear (FCN – Componentes
e Montagem), são produzidos componentes com alta precisão dimensional e
montado o Elemento Combustível, obedecendo a rigorosos padrões de
qualidade.
O Elemento Combustível dos reatores de Angra 1 e Angra 2 são constituídos
por um arranjo de varetas combustíveis (16x16 varetas) com espaçamento
definido. Os principais componentes do Elemento Combustível são:
oVareta combustível (VC);
oTubo guia (TG) da barra de controle;
oGrades espaçadoras (GE);
oBocal superior (BS) e bocal inferior (BI);
oEsqueleto.

Bocais inferior e superior de Angra 1

Bocais superior e inferior de Angra 2

Grade intermediária e esqueleto de Angra 1


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A vareta combustível contém o material físsil que são as pastilhas de UO 2
sinterizadas e enriquecidas em 235U entre 2 a 5%. A vareta combustível - um
tubo metálico - bem como os tampões terminais servem para manter
totalmente encapsuladas as pastilhas combustíveis bem como os produtos de
fissão gasosos produzidos na pastilha combustível durante a irradiação. Esses
tampões são soldados às varetas.
O material normalmente utilizado para a fabricação das varetas é uma liga de
zircônio (zircaloy) que possui boas características mecânicas, resistência à
corrosão e baixa seção de choque para absorção de nêutrons. Também é
utilizado aço inoxidável austenítico que, no entanto, possui alta seção de
choque de absorção se comparado ao zircaloy.
Algumas posições do arranjo de varetas do Elemento Combustível são
ocupadas por tubos que servem de guia para varetas absorvedoras que entram
no Elemento Combustível de forma a controlar o desenvolvimento da reação
nuclear em cadeia.
As grades espaçadoras tem a função de manter a posição das varetas
combustíveis dentro do arranjo do Elemento Combustível. Elas são elementos
estruturais rígidos e montadas numa forma reticulada por tiras metálicas
entrelaçadas.
O bocal superior e o bocal inferior do Elemento Combustível servem de
orientadores do fluxo de água para os canais de refrigeração entre as varetas
combustíveis e também como peças estruturais de ligação do Elemento
Combustível com as estruturas do reator. São feitas de aço inox austenítico e
cada projeto possui uma forma geométrica distinta que depende basicamente
de facilidade de fabricação e de detalhamento hidráulico do reator.
O Elemento Combustível possui como estrutura principal o que se denomina
“esqueleto”, sendo formado pela união rígida dos tubos guias da barra de
controle às grades espaçadoras e aos bocais superiores e inferiores. Esta
estrutura serve de suporte para as varetas e proporciona a rigidez do conjunto
Elemento Combustível.
Depois de novas inspeções, o elemento combustível já montado é armazenado
e embalado, e aguarda o transporte da INB Resende para as usinas de Angra
dos Reis.
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Qual a capacidade de geração de energia de um Elemento
Combustível?
A capacidade de geração bruta de energia (MWh) de um Elemento
Combustível é a seguinte:
- Angra 1: 23.318 MWh
- Angra 2: 52.609 MWh

Quantos elementos combustíveis são necessários para abastecer as


usinas de Angra 1 e Angra 2? E qual é a característica desses
combustíveis?
Os elementos combustíveis produzidos pela INB para as usinas de Angra 1
(projeto Westinghouse) e Angra 2 (projeto Siemens) são de diferentes
tecnologias, e por isso cada uma necessita de quantidades diferentes de
elementos combustíveis.

Angra 1: 121 elementos combustíveis, cada um deles contendo 235 varetas,


369 pastilhas por vareta, 4m de comprimento, peso total de 600 kg.

Angra 2: 193 elementos combustíveis, cada um deles contendo 236 varetas,


384 pastilhas por vareta, 5m de comprimento, peso total de 840 kg.

Qual o tempo de utilização de um elemento combustível?


Um Elemento Combustível permanece no reator durante 3 ciclos, ou seja,
aproximadamente 3 anos. Após este período eles são armazenados dentro das
Usinas, nas piscinas de combustíveis usados.

Como o combustível é levado às usinas de Angra?


Os contêineres, em que são transportados os elementos combustíveis, são
projetados testados e fabricados obedecendo a normas nacionais e
internacionais aplicáveis a embalados para transporte de materiais radioativos.
São equipados com registradores de impacto e de aceleração que indicam
qualquer alteração durante o transporte. Presos com firmeza no interior da
embalagem denominada berço, os elementos combustíveis, já na posição
horizontal, recebem dois lacres de inspeção final das áreas de Fabricação,

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Radioproteção e de Controle da Qualidade da INB. Depois disso, os
contêineres com os combustíveis são colocados em caminhões e levados até
Angra dos Reis.

Estes contêineres especiais são projetados para resistir, entre outras condições
a uma queda livre de uma altura de no mínimo nove metros, a fogo com uma
temperatura de 800ºC no mínimo durante trinta minutos, e à pressão
correspondente ao peso de 5 contêineres carregados, por no mínimo 24 horas,
sem provocar qualquer dano ao produto.

Quem fiscaliza o transporte do combustível nuclear?


Todo o processo de transporte é minuciosamente planejado pela Eletronuclear
(que administra as usinas nucleares de Angra 1 e 2) e licenciado pela CNEN e
pelo Ibama. O comboio rodoviário, que conta com o apoio logístico do Corpo de
Bombeiros e das Polícias Rodoviária Federal e Estadual, é acompanhado por
batedores dessas corporações, de Resende a Angra dos Reis. O percurso de
175 quilômetros é cumprido com toda a segurança a uma velocidade máxima
estabelecida de 60 km/h.

Quantos combustíveis são fabricados por ano pela INB?


Para Angra 1, são fabricados 40 e para Angra 2, 56, totalizando 96 Elementos
Combustíveis por ano.

Como a INB Resende atua nas questões ligadas à Qualidade,


Segurança e Meio Ambiente?
As instalações da INB são dotadas de sofisticados procedimentos e
equipamentos de segurança. A empresa oferece treinamento constante aos
seus empregados relacionados aos aspectos de qualidade e segurança. Os
requisitos de segurança industrial e nuclear, requeridos pelo setor, garantiram à
Fábrica de Combustível Nuclear várias certificações: a ISO 9001, a ISO 14001
e a OHSAS 18001.
A FCN opera com avançados sistemas de tratamento de efluentes líquidos e
gasosos e de compactação e segregação de rejeitos sólidos. Exerce ainda,
detalhado controle de suas atividades no tocante à segurança e à saúde de

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seus empregados através de programas permanentes de monitoração do
indivíduo e do meio ambiente.
Para o sistema produtivo da Fábrica de Combustível Nuclear não só a
qualidade e a segurança são fundamentais, a preservação ambiental também é
um de seus compromissos. Mais do que uma exigência pela natureza de suas
atividades, o respeito e os cuidados com o meio ambiente são a síntese da
política ambiental da INB, e o Centro Zoobotânico de Resende é o seu melhor
exemplo.

Quantas pessoas trabalham na Fábrica de Combustível Nuclear?


1200 profissionais

Quem fiscaliza as atividades da Fábrica de Combustível Nuclear?


A Agência Internacional de Energia Atômica – AIEA, a Comissão Nacional de
Energia Nuclear – CNEN, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais– IBAMA e o Instituto Estadual do Ambiente – INEA.

Além da atividade nuclear, a INB desenvolve outros serviços na


Fábrica?
Sim. Tais como usinagem de componentes mecânicos de alta precisão, soldas
especiais utilizando feixe de elétrons e análises de materiais e processos a
partir de técnicas como medição tridimensional de peças e sistemas de
medição a laser.

Como é o processo de geração de energia elétrica por fonte nuclear?


Depois da fabricação dos elementos combustíveis na Fábrica de Combustível
Nuclear da INB em Resende (RJ), estes seguem para as usinas nucleares
brasileiras de Angra 1 e 2 - localizadas em Angra dos Reis (RJ) e operadas
pela Eletronuclear.

Uma usina nuclear funciona como uma usina térmica convencional. A diferença
é que para gerar o calor, não usa combustão de carvão, óleo ou gás natural. A
matéria-prima da usina nuclear é o urânio, que é considerado um combustível
limpo.
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A geração de energia começa com a fissão dos átomos de urânio, que estão
nos Elementos Combustíveis, dentro do núcleo do reator. A fissão gera calor
que aquece a água do sistema primário. No Gerador de Vapor, a água quente
e pressurizada vinda do sistema primário aquece a água do sistema
secundário, transformando-a em vapor. Esse vapor, após movimentar a
turbina, passa pelo condensador, onde é resfriado pela água do mar (sistema
terciário) e retorna ao Gerador de Vapor. O gerador elétrico acoplado ao eixo
da turbina produz a eletricidade que abastece a rede de distribuição de energia
elétrica. É importante salientar que todos os sistemas de circulação de água
são independentes, não havendo contato direto entre eles (Fonte:
Eletronuclear).

Desenho esquemático de uma Usina Nuclear

Para saber mais sobre o processo de geração de energia elétrica por fonte
nuclear, acesse o site da Eletronuclear http://www.eletronuclear.gov.br/

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PROJETO SANTA QUITÉRIA

O que é o Projeto Santa Quitéria?


É o Projeto que visa explorar o urânio e o fosfato, encontrados de forma
associada na jazida de Itataia, que se localiza no município de Santa Quitéria,
Ceará.

Em que ano foi descoberta a jazida de Santa Quitéria?


Em junho de 1976, através de pesquisas realizadas pela antiga Nuclebrás.

Que pesquisas foram feitas para que se tomasse a decisão de explorar


essa jazida?
Depois da descoberta da jazida foi criado o Projeto Santa Quitéria,
desenvolvido segundo estudos e projetos básicos de: análises de
infraestrutura, alternativas tecnológicas associadas à economia local, bem
como seus efeitos relacionados à implantação do empreendimento. Este
projeto contempla o processo produtivo do minério de fosfato da Fazenda
Barrigas, localizada na zona rural do município de Santa Quitéria. A fase de
pesquisa durou sete anos, desde a sua descoberta até sua classificação como
jazida.

Quais são os minérios existentes na jazida de Santa Quitéria?


Nessa jazida, o urânio encontra-se associado ao fosfato. O fosfato é o minério
predominante, encontrado em maior quantidade, com reserva de 8,9 milhões
de toneladas. Já as reservas de urânio são da ordem de 80.000t.

O que será produzido em Santa Quitéria?


O principal produto será o ácido fosfórico, que será destinado tanto para a
produção do fertilizante fosfatado quanto para a produção de fosfato bicálcico,
que misturado ao sal marinho, resulta no sal mineral utilizado na ração animal.
O urânio produzido em Santa Quitéria será destinado à geração de energia
elétrica nas usinas nucleares.
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Qual o volume estimado de produção?
A previsão é de que a capacidade nominal do Projeto Santa Quitéria na fase
inicial seja de 180.000 toneladas/ano de fosfatados, e na fase final de 240.000
toneladas/ano, correspondendo para a primeira fase uma produção de 1.200
toneladas/ano de concentrado de urânio e para a segunda fase uma produção
de 1.500 toneladas/ano. O contrato entre as empresas tem duração de 25
anos.

Por que se decidiu implantar a mineração de fosfato e urânio?


Após os estudos que confirmaram a reserva mineral de Itataia e a classificaram
como reserva de fosfato, a INB fez diversas investidas na busca de um parceiro
para a implantação de um empreendimento que possibilitasse sua exploração.
No passado, devido à ausência de mercado consumidor de fertilizantes
fosfatados na região Norte/Nordeste, trabalhava-se com a hipótese de transferir
todo ácido produzido para o mercado consumidor da região sul do Brasil. Este
fator tornou inviável economicamente a implantação deste empreendimento
durante muito tempo.

Atualmente, com a expansão da fronteira agrícola para o Norte/Nordeste, a


região passou para a ser um importante mercado consumidor, que vem sendo
atendido exclusivamente com produtos importados. Este fato tornou factível a
implantação do Projeto Santa Quitéria. Assim, a INB buscou na iniciativa
privada, através do processo de carta-consulta, empresas da área de
fertilizantes para formar parceria com a INB para explorar a jazida. Em junho de
2009, o Conselho de Administração da estatal anunciou a Galvani como
parceira no Projeto Santa Quitéria. Da associação entre as duas empresas,
surgiu o Consórcio Santa Quitéria.

A Galvani atua em que área?


A Galvani é um grupo familiar brasileiro com atuação no setor de fertilizantes
desde a década de 1960. Líder de mercado no Nordeste, atualmente é a única
empresa de capital nacional a atuar em toda a cadeia de fertilizantes
fosfatados, isto é, da mineração à entrega do produto final ao cliente. Possui

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oito unidades distribuídas pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia,
Mato Grosso, Ceará e Sergipe.

E o urânio, não pode ser minerado isoladamente? Por que foi preciso
formar parceria com uma empresa de fertilizantes?
A jazida de Itataia é composta de minério de fosfato, encontrando- se o urânio
em sua estrutura cristalina, como impurezas do fosfato. Não existe um minério
específico do urânio, o que faz com que o urânio não possa ser extraído sem
que se promova, simultaneamente, a lavra e o beneficiamento do minério de
fosfato.

Que passos já foram dados para a consolidação deste projeto?


Depois que o Conselho Administrativo da INB anunciou a Galvani como
parceira do projeto, o Consórcio Santa Quitéria assinou, com o Governo do
Estado do Ceará, um protocolo de intenções, segundo o qual o Estado se
compromete a adotar providências que possam suprir as necessidades da
região para a implantação deste projeto, ou seja, a realização de obras de
infraestrutura necessárias ao funcionamento do empreendimento:
abastecimento de água, energia elétrica e acesso rodoviário.

Quanto será investido na implantação do empreendimento?


De acordo com o contrato, cabe à Galvani o investimento total para a
implantação do empreendimento, que é da ordem de R$ 800 milhões. A INB é
detentora da área da jazida e do direito de lavra e receberá da Galvani o urânio
que surgirá como resíduo da lavra de fosfato.

Como será implantado esse projeto? O empreendimento vai constar de


quantas unidades industriais?
O Projeto Santa Quitéria será constituído por instalações que funcionarão de
forma integrada entre si, no que se refere à destinação da produção de cada
unidade. As instalações serão compostas por uma Unidade de Extração
Mineral, que visa à lavra a céu aberto do minério extraído da jazida, com
estimativa de produção de 3,7 milhões de toneladas/ano; por uma Unidade de

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Fosfato, constituída de seis instalações industriais; e por uma Unidade de
Urânio, que visa à precipitação, embalagem e estocagem do urânio.

Como será o processo de extração na jazida?


O minério, depois de extraído da jazida, passará por um processo de
separação de elementos. O fosfato ficará com a Galvani, que irá utilizá-lo na
fabricação de fertilizantes, e o urânio será entregue à INB.

Quantos empregos serão gerados?


O Projeto Santa Quitéria deve gerar cerca de três mil empregos - entre diretos,
indiretos e associados, em razão da implantação das atividades básicas e de
apoio que se instalarão na região.

Que benefícios trará ao país o funcionamento do Consórcio Santa


Quitéria?
O empreendimento contribuirá para que o país produza mais alimentos e
energia, diminuindo a dependência brasileira de insumos para a agricultura e a
pecuária e aumentando a capacidade de produção de energia gerada em
usinas nucleares. A previsão é de que a operação do Consórcio Santa Quitéria
significará a quadruplicação da produção de concentrado de urânio, usado pela
INB na produção do combustível nuclear, e um aumento de 10% na produção
brasileira de fosfatados.

Quais são as instituições que fiscalizam e controlam as atividades da


INB no Ceará?
Em relação à legislação específica para a atividade de mineração, cabe ao
Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM fiscalizar e normatizar a
INB. Quanto à legislação ambiental, a competência é do IBAMA e da
Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará – SEMACE; no que diz
respeito ao licenciamento da atividade nuclear e às normas e regulamentos de
radioproteção, a INB se reporta à Comissão Nacional de Energia Nuclear –
CNEN.
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De que forma o empreendimento é controlado pelos órgãos
fiscalizadores?
De forma rotineira, por meio de relatórios de monitoração, inspeções e
auditorias. Os relatórios são encaminhados aos órgãos fiscalizadores, com os
resultados obtidos pelo monitoramento do meio ambiente e da saúde dos
trabalhadores, como parte dos Planos e Programas de Controle da INB.
As inspeções e auditorias são realizadas para fiscalizar e verificar, no local, o
cumprimento desses mesmos Planos e Programas de Controle e,
consequentemente, atestar o atendimento aos padrões de segurança
estabelecidos por ocasião do licenciamento.

Que estrutura tem atualmente a INB em Santa Quitéria?


A INB é detentora dos direitos minerários da jazida, localizada nos domínios da
Fazenda Itataia, que tem 4.042 hectares. A fazenda é toda cercada, possui um
açude com capacidade de 2.300.000 m³, um campo de pouso com 1.200 m
para aeronaves de pequeno porte e um acampamento composto de
alojamento, escritório, laboratório e barracões de testemunhos de sondagens.
Dispõe ainda de estação meteorológica e sismográfica.

Por que a mina ainda não entrou em operação?


Todas as minas do país precisam de uma licença de operação e uma
ambiental para poder operar. Quem emite a licença ambiental é o Instituto
Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA),
porém, antes de conceder a licença, o órgão exige que a empresa interessada
em explorar as riquezas naturais da região, apresente um Estudo de Impacto
Ambiental. Estamos elaborando esse estudo e só após sua conclusão é que o
IBAMA poderá emitir a licença de construção do emprendimento.

O que é o EIA/Rima?
O Estudo de Impactos Ambientais, EIA/Rima, é um documento que contém
informações e resultados das análises que são realizadas em uma determinada
região. Nele devem constar os pontos favoráveis e negativos dos meios físico,

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biótico e socioeconômico das localidades que vão abrigar uma futura mina. Ele
também serve como fonte de consultas para o IBAMA e para a empresa
produtora, que deverá manter o equilíbrio e a preservação do meio ambiente e,
quando necessário, criar projetos de melhoria para a região explorada.

Existe uma data prevista para a mina entrar em operação?


Trabalhamos com horizonte de concluir a implantação em 2015

Unidade de Tratamento de Minérios – INB CALDAS

Onde está localizada a INB Caldas?


A Unidade é localizada no Planalto de Poços de Caldas (MG) e está instalada
numa de área de aproximadamente, 18 km 2, onde funcionou a primeira
unidade de mineração e beneficiamento de urânio do Brasil..

Quando começou a produção brasileira de urânio?


A produção brasileira de urânio começou em 1982, no município de Caldas, sul
de Minas Gerais, onde uma reserva já conhecida foi explorada durante 13
anos, abastecendo a usina de Angra 1. Em 1995, as atividades da unidade
foram encerradas.

Por que foi encerrada a atividade de mineração?


Atividade de mineração foi paralisada nesta unidade, porque a exploração do
urânio ali existente não era economicamente viável.

Como foi descoberta do urânio e da implantação da mineração?


Os primeiros estudos geológicos na região foram realizados no final do século
XIX. A descoberta do urânio associado ao caldazito foi feita na década de 40
do século passado. Em 1982, foi inaugurada a Unidade de Tratamento de
Minérios (UTM) da INB em Caldas, sendo a primeira unidade de mineração e
beneficiamento de urânio do país. Ao final do ano de 1988, as operações da
unidade foram paralisadas principalmente por motivos de ordem financeira. Em
agosto de 1993, foram reiniciadas as operações de mineração sendo

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definitivamente encerradas em 1995. Em novembro de 2005 foi tomada a
decisão de encerramento de todas as atividades da Unidade, visando ao
descomissionamento da UTM.

O que é descomissionamento?
Segundo definição da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA),
descomissionar significa tomar todas as providências necessárias para a
desativação de uma instalação nuclear ao final de sua vida útil, observando-se
todos os cuidados para proteger a saúde e a segurança dos trabalhadores e
das pessoas em geral, e ao mesmo tempo, o meio ambiente.

Que atividades são desenvolvidas pela INB atualmente em Caldas?


Atualmente, a unidade da INB em Caldas está em fase de
descomissionamento. As equipes da INB monitoram continuamente as águas,
o solo, os equipamentos e fiscalizam os rejeitos radioativos armazenados,
seguindo o que determinam as normas nacionais e internacionais de
segurança do trabalhador e do meio ambiente.
A unidade de Caldas mantém as atividades de tratamento e controle das águas
que passam pelas áreas da mineração, contando com as instalações de
bombeamento, as unidades de tratamento de águas e rejeitos, e o Laboratório
de Processos. Além disso, a unidade mantém o Laboratório Ambiental de
análises químicas e radiológicas, que é referência no setor nuclear.
Também na unidade de Caldas está montada a usina piloto para testar o
processo industrial que será implantado na futura unidade de Santa Quitéria,
no estado do Ceará, para separar o fosfato e o urânio presentes no minério
daquela região.

Que rejeitos radioativos estão estocados na INB Caldas?


Em galpões estão guardados, dentro de tambores, aproximadamente 12 mil
toneladas de torta II. A área é monitorada permanentemente.

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O que é torta II?
Torta II é o resíduo proveniente do tratamento químico do minério monazita,
que era realizado pela antiga Nuclemon, na Usina de Santo Amaro, em São
Paulo. Em meados da década de 80, com a venda do terreno da Usina, parte
da Torta II foi transferida para a INB Caldas.

A Torta II pode causar danos à saúde da população?


Não. A Torta II contém urânio e tório, elementos que emitem radiações
ionizantes. No entanto, as taxas de exposição externa nas proximidades da
cerca dos galpões onde está estocada a torta II são iguais às médias
encontradas no meio ambiente natural. O vento que passa através dos galpões
não leva nenhum material radioativo, em forma de poeira ou gás, para a
população, porque o material está contido em tambores fechados.

As águas da região podem estar contaminadas?


Não. De acordo com análises realizadas pela Comissão Nacional de Energia
Nuclear (CNEN) durante o período 2010/2011, o índice de radiação das águas
do Planalto de Caldas está abaixo dos limites estabelecidos pela CNEN. Esta
pesquisa faz parte de um programa desenvolvido por seis instituições: INB,
Câmara Municipal de Poços de Caldas, Comitê da Bacia Hidrográfica dos
Afluentes Mineiros dos Rios Mogi-Guaçu e Pardo, Departamentos de Meio
Ambiente e de Água e Esgoto e CNEN. O estudo contemplou todo o ciclo
hidrológico: estação chuvosa, meia-estação e período de estiagem.

O que faz o Laboratório Ambiental da INB?


No Laboratório Ambiental da INB em Caldas são realizadas as análises
destinadas ao monitoramento do meio ambiente nas áreas onde funcionam as
unidades da INB e nas comunidades vizinhas destas unidades, na Bahia, no
Ceará, em Minas Gerais e em São Paulo. O Laboratório faz análises de
parâmetros químicos, elementos estáveis e radionuclídeos naturais em
amostras ambientais.
As matrizes analisadas são água, sedimento, poeira no ar, solo, peixe,
produtos agropecuários, entre outros.

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Como será feito o descomissionamento da antiga unidade de
mineração e beneficiamento de urânio?
Uma empresa especializada em descomissionamento de unidades de
mineração, a Golder Associates, foi contratada pela INB para elaborar o Plano
de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD), da Unidade de Tratamento de
Minérios de Caldas. No final de 2011, a empresa entregou este plano, que está
atualmente sendo analisado pelo IBAMA e pela Comissão Nacional de Energia
Nuclear.

O que é o PRAD e qual seu objetivo?


O Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) prevê a recuperação
do meio ambiente da área que abriga o antigo complexo, incluindo a cava da
mina, as instalações industriais, a barragem de rejeitos e os locais onde se
encontram pilhas de rochas das quais se retirou o urânio. O plano é o resultado
de estudos nas áreas de hidrologia, geoquímica, hidroquímica, radioproteção e
indica as obras a serem realizadas e as ações de recuperação ambiental que
devem ser desenvolvidas.

O que faz atualmente a INB para proteger o ambiente e a saúde da


população que mora nas vizinhanças da unidade?
Para proteger o meio ambiente e a saúde da população, a INB mantém todos
os controles que vêm sendo realizados, através de monitoramento ambiental,
desde a fase inicial da mineração, na década de 1980, até hoje em dia. Todas
as atividades desenvolvidas neste sentido são fiscalizadas diariamente pela
CNEN.

A INB monitora as águas que passam através da unidade de Caldas e também


monitora o meio ambiente nas suas vizinhanças, em um círculo de
aproximadamente 10 Km de raio. As matrizes monitoradas são água,
sedimento, poeira no ar, solo, peixe e produtos agropecuários. Os parâmetros
analisados são: o pH, parâmetros físicos e químicos das águas; os elementos
estáveis; e os elementos radioativos, ou radionuclídeos.

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Minerais Pesados - INB BUENA

O que são minerais pesados e qual a atuação da INB nessa área?


Minerais pesados são minerais com densidade acima de 3. Eles têm diversas
aplicações em vários setores da indústria. A Unidade de Minerais Pesados da
INB instalada em Buena, no município de São Francisco de Itabapoana (RJ),
atua na lavra, no processo de separação e na comercialização dos minerais
pesados conhecidos como ilmenita, zirconita, rutilo e monazita.

Para que serve a monazita?


A monazita é basicamente um fosfato de terras raras, urânio e tório. Esse
fosfato é matéria prima importante na produção de terras raras, que são
insumos para a fabricação de produtos como baterias recarregáveis,
televisores, catalisadores automotivos e equipamentos de craqueamento de
petróleo. O urânio é usado como combustível nas usinas nucleares e o tório
não tem aplicação.

A INB produz terras raras?


Não, a produção de terras raras exige uma grande quantidade do mineral
monazita e tecnologia adequada para produzir a um custo competitivo com o
mercado internacional. Atualmente as jazidas da INB estão esgotadas e o país
não desenvolve pesquisa nessa área há mais de 15 anos.

O que a INB tem feito com relação aos compostos de terras raras?
Em decorrência das atividades de pesquisa para produção de compostos de
terras raras, a INB implantou e operou uma unidade de demonstração em
Buena e uma unidade piloto em Caldas. Como resultado dessas operações, a
INB produziu Cloreto de Lantânio, Hidróxido de Cério, Carbonato de Samário e
de Didímio, entre outros. Esses materiais estão armazenados em Caldas.

Com o aumento da procura de compostos de terras raras e devido a restrições


à exportação recentemente estabelecidas pela China, principal produtor, a INB

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foi procurada por vários clientes interessados no produto. A empresa não tem
planos de voltar a produzir esse material.

A INB avalia retomar a produção de terras raras no Brasil?


Atualmente a INB está estudando a possibilidade de realizar pesquisa de
jazidas de minerais pesados na plataforma marinha em conjunto com a
Universidade Federal Fluminense - UFF. As pesquisas minerais são de longo
prazo. Portanto, a INB não tem como retomar a produção de terras raras em
curto prazo.

Para que servem a ilmenita, a zirconita e o rutilo?


A ilmenita (titanato de ferro), a zirconita (silicato de zircônio) e o rutilo (dióxido
de titânio) são importantes insumos para várias indústrias; a ilmenita é usada
em indústria de pigmentos, ligas metálicas e proteção do revestimento de
autoforno; a zirconita é usada em indústria cerâmica; o rutilo é usado na
fabricação de tintas e na indústria de eletrodos para solda.

Qual a produção atual da INB Buena?


Como as reservas estão praticamente esgotadas, a INB decidiu paralisar os
trabalhos de lavra. Em consequência, a produção ficou restrita à recuperação
de pequenas áreas remanescentes, ao tratamento do ROM (Run Of Mine – o
minério bruto, obtido diretamente da mina sem passar por nenhum tipo de
beneficiamento), que ficou acumulado no pátio junto à usina de beneficiamento
primário, e à mistura de vários minerais que foram estocados durante os
últimos anos.

Quais as consequências dessa paralisação?


Com a paralisação da lavra, a produção de zirconita se reduziu bastante e as
vendas, que representavam o principal item de faturamento de Buena, ficaram
prejudicadas. Com relação à ilmenita, a INB ainda tem estoque considerável e
o fornecimento para a Masterligas, que é o principal cliente, está sendo feito
sem problemas.
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Como é o processo de lavra desses minerais?
O processo de lavra é do tipo “a céu aberto” e em Buena, pelas características
da jazida, que é de pouca profundidade, a lavra é realizada da seguinte forma:
1. Retirada da camada superficial, parte rica em matéria orgânica,
importante para recompor o local.
2. Retirada do minério com uso de retroescavadeira; ele é transportado
até a unidade de beneficiamento primário, onde, por processo via úmida,
é produzido um Concentrado de Minerais Pesados – CMP, que
representa cerca de 10% da massa do minério. O restante são areias,
devolvidas à área de lavra para sua recomposição. O CMP segue para a
unidade de beneficiamento secundário.
3. Preenchimento continuado da cava - ao mesmo tempo em que se
abre uma nova cava, a anterior é preenchida.
4. Recomposição do terreno com a camada superficial.

Como é o processo de produção da Unidade de Beneficiamento


Primário de Buena?
O processo de Beneficiamento Primário é realizado em etapas:
1. Peneiramento – retiram-se as raízes e materiais com mais de 2mm
de diâmetro. O material retido pela peneira é descartado do processo e o
restante segue na forma de polpa.
2. Hidrociclonagem – nesse equipamento é feito um corte para retirar
as partículas finas (menores que 0,1 mm) e todo material argiloso. O
fluxo que sai pela parte superior do hidrociclone segue para um
espessador onde é recuperada a água que recircula pelo processo. O
fluxo inferior cai em um equipamento que repolpa o sólido e envia para
as espirais.
3. Espirais de Humphrey – são equipamentos que separam os
materiais leves dos pesados. É um processo conhecido como
hidrogravimétrico, que separa os materiais com menor densidade
daqueles que tem densidade maior em meio aquoso. Esse processo
produz dois fluxos: a) Fração mais leve - denominada na unidade

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industrial como estéril que é composta por silicatos leves com densidade
até 2,8. Trata-se de areia comum, encontrada no leito de rios ou nas
praias. b) Fração pesada - denominada na unidade industrial como
Concentrado de Minerais Pesados – CMP. Nele estão os minerais
principais: ilmenita (50%), zirconita (25%), rutilo (4%) e monazita (3%).

Como é feito o beneficiamento secundário dos minerais pesados?


O beneficiamento secundário é feito em etapas:
1. Secagem – o concentrado de minerais pesados produzidos no
processo hidrogravimétrico é seco em um forno rotativo.
2. Separação magnética – separa os minerais em função de suas
propriedades magnéticas.
3. A separação eletrostática – separa os minerais em função de suas
propriedades de condução de eletricidade.
4. Separação em mesa vibratória via seca – separa os minerais em
função da diferença de densidade.

Por que o Brasil não realiza o beneficiamento químico de monazita?


A Comissão Nacional de Energia Nuclear concedeu uma autorização para que
a INB de Caldas pudesse realizar as etapas de beneficiamento. Entretanto,
com o aumento da oferta de compostos de terras raras oriundos da China, o
projeto se tornou pouco atraente e, com o tempo, foi sendo suspenso.

Qual é atualmente o estoque de monazita da INB?


A INB possui, na unidade de Buena, cerca de 12.000 t de monazita disponíveis.
Como as reservas de minerais pesados estão se esgotando, a INB terá que
fazer o descomissionamento da área e o principal problema é como realizar o
descarte da monazita.

O que a empresa tem feito com o estoque de monazita?


Em 23 de setembro de 2009 foi assinado o contrato nº 1/9/005 onde a INB se
compromete a fornecer 10.800 t de monazita à Beijing HMC Mining Trade Co.

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Ltda. De acordo com o contrato, a cada mês são enviadas para a China 300 t
do produto. Em 2011 foram exportadas para a HMC 1.500 t de monazita.

Os minerais pesados são radioativos?


Dos minerais pesados existentes em Buena apenas a monazita e a zirconita
apresentam uma radioatividade natural, isto é, tem material radioativo na
estrutura cristalina do mineral.

A produção dessa unidade afeta o meio ambiente da região?


Por se tratar de reservas minerais formadas pela regressão do mar –
paleopraia – a lavra do minério e a recomposição do solo lavrado são
processos que se realizam ao mesmo tempo, sem causar impacto ambiental
significativo, de tal forma que não se distingue a área trabalhada das não
mineradas.

Como o terreno fica depois da produção?


Como praticamente toda a região é coberta por pastagens, em um curto
espaço de tempo, os terrenos voltam a ser utilizados da mesma forma que
eram antes da extração do minério. No caso da existência de vegetação na
área da jazida, ela é preservada.

Que ações de preservação ambiental são realizadas pela INB Buena?


Além dos programas de recuperação das áreas mineradas, a empresa
desenvolve um programa de monitoração ambiental, ações de educação
ambiental que incluem coleta seletiva de lixo e encaminhamento de material
para reciclagem, além da manutenção de um horto e distribuição de mudas a
comunidades e instituições.

Qual o objetivo da monitoração? Como ele ocorre?


O trabalho de monitoração tem como objetivo identificar e quantificar eventuais
impactos decorrentes das atividades industriais, bem como o estabelecimento
imediato de medidas corretivas, caso sejam necessárias. O monitoramento é
feito nos locais de trabalho – frente de lavra e instalações – e no ambiente

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circunvizinho à unidade. Essa é a garantia de que os trabalhos estão sendo
desenvolvidos sem qualquer risco ao trabalhador, à comunidade e ao meio
ambiente.

Quando o Brasil começou a explorar esses minerais?


Foi na década de 40, quando um grupo de imigrantes austríacos montou na
cidade de São Paulo a empresa Orquima S/A. Nessa mesma época, foram
criadas a Mibra Mineradora Brasileira S.A e a Sulba – Sociedade Comercial de
Minérios Ltda. Elas eram as responsáveis pelo aproveitamento e pelo
tratamento físico e químico das areias até o início dos anos 60, quando foram
estatizadas e deram origem à CBTN. Na década de 70, a empresa foi anexada
à Nuclebrás com o nome de Nuclemon, que foi extinta nos anos 90 e suas
atividades absorvidas pela INB.

USIN – DEPÓSITO DE MATERIAIS

Qual é a atividade da unidade da INB em São Paulo?


A instalação da INB situada na Av. Miguel Yunes, 115 é um depósito inicial de
materiais radioativos de baixa atividade específica.

Qual o material encontrado no depósito de São Paulo?


O depósito da Unidade de São Paulo é um galpão de 2.000 m2 instalado em
terreno de 60.000 m2, onde estão depositadas 1.175 toneladas de material
radioativo oriundo do descomissionamento da Usina Santo Amaro. O
armazenamento desse material no galpão na USIN ocorreu em 1998, após as
autorizações emitidas pela CNEN e CETESB.

O que fazia a Usina Santo Amaro? A quem pertencia?


No bairro do Brooklin, em São Paulo, havia uma fábrica denominada Usina de
Santo Amaro – USAM, que produzia compostos de terras raras a partir de areia
monazítica. A areia monazítica é composta de terras raras, fosfato e, em menor
238
concentração, de elementos radioativos das séries do U e 232Th.
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Por que esse material foi depositado no local?
Os materiais foram depositados na USIN pelos seguintes motivos:

1 – Material depositado no terreno - Na fase operacional da USAM,


foram transferidos para o terreno da USIN quantidades de fração leve mineral,
ou seja, sílica (areia comum). Essa fração estava contaminada com minerais
pesados, inclusive com pequenas frações de monazita, que é o contaminante
do terreno. A transferência visava aterrar áreas alagadiças encontradas ao
redor dos galpões.
2 – Material estocado no galpão – Os diversos materiais armazenados
no galpão haviam sido segregados na descontaminação da USAM e, para a
liberação da área da USAM, foi necessário definir um local para a transferência
desses resíduos e rejeitos radioativos. O galpão de Interlagos foi considerado
depósito inicial, conforme Norma CNEN 6.05.
Em 1998, após as autorizações emitidas pela Comissão Nacional de Energia
Nuclear - CNEN e Companhia Ambiental do Estado de São Paulo - CETESB, a
INB efetuou a transferência.

O que fazia a Usina de Interlagos?


A área da Usina Interlagos foi adquirida para transferência da USAM para esse
local e modernizar a fábrica, proposta não concretizada. Em 1986, a Nuclemon
instalou uma unidade de separação das terras raras na USIN e operou a planta
química até final de 1991, quando foi desativada.

Que materiais estão ali armazenados?


Os materiais armazenados no depósito da INB em Interlagos são Torta II, cerca
de 590 toneladas, e materiais diversos como equipamentos, peças e
ferramentas utilizados no processamento da monazita e contaminados por
radionuclídeos presentes no minério e que compõem a Torta II.
A Torta II é um hidróxido de tório, urânio e terras raras, produto sólido, em
pasta, com umidade de 50%.

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O que é monazita?
A monazita é um mineral natural encontrado ao longo da costa brasileira,
principalmente entre a região norte do estado do RJ e o sul da Bahia. Em
Guarapari/ES, o turismo destaca-se, principalmente devido à existência de
areia preta nas praias (areias monazíticas).
Os produtos desse mineral eram utilizados para produzir catalisadores, vidros
especiais e ligas metálicas especiais como, por exemplo, o cristal de neodímio
que gera o laser utilizado em cirurgias oftálmicas.

Como esses materiais estão armazenados?


Os materiais são armazenados em bombonas plásticas, caixas metálicas,
tambores metálicos e contêineres marítimos. As embalagens foram escolhidas
de acordo com as características físicas e químicas dos materiais.

Quem fiscaliza a unidade?


As instalações da USIN são fiscalizadas e controladas periodicamente pela
CNEN e pela CETESB. A INB mantém um Programa de Monitoração Ambiental
que inclui a monitoração radiológica do ar e da água, realizada a cada três
meses. Anualmente é emitido o Relatório de Avaliação de Impacto Radiológico
no Meio Ambiente, que é enviado para CETESB e CNEN.
Os resultados dessas monitorações comprovam não haver alterações no meio
ambiente do entorno da USIN.

Existe perigo de uma eventual explosão ou vazamento dessa radiação?


Os materiais estocados são naturais e oriundos dos minerais pesados,
conhecidos como areias monazíticas. As areias monazíticas são naturais e
encontradas nas praias da região norte dos estados do Rio de Janeiro e sul do
Espírito Santo e não são consideradas perigosas.
O material não é combustível e não há nenhum risco de explosão. As areias
monazíticas são consideradas material radioativo de baixa atividade específica,
o que permite a sua manipulação desde que sejam atendidos os critérios de
higiene, segurança do trabalho e de proteção radiológica, critérios necessários
em qualquer atividade.
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Segundo as normas da CNEN, o limite de exposição radiológica para o público
deve ser inferior a 1 mSv/ano e para o trabalhador inferior a 20 mSv/ano.
Todos os trabalhadores da USIN são monitorados com dois tipos de dosímetro:
eletrônico e termoluminescente, e o resultado mensal é, em geral, inferior ao
limite de detecção dos métodos - 0,2 mSv.

Há planos para remover os materiais do local?


A remoção desses materiais depende da construção de um repositório final
onde serão guardados todos os rejeitos radioativos gerados no país, instalação
a ser construída pelo Governo Federal.
O terreno da USIN na Av. Miguel Yunes, 115 foi adquirido em 1960, época em
que a Lei de Zoneamento indicava a região como estritamente industrial e que
era adequada à atividade.
Com as mudanças de uso do solo na região, podemos afirmar que a
continuidade do depósito nessa área não representa riscos para a população
circunvizinha.

A área poderá ter outro uso?


Sim, a área quando descontaminada poderá ser utilizada para qualquer fim. O
planejamento da INB foi descontaminar a área e liberá-la para uso irrestrito e
está trabalhando nessa descontaminação. Depois, haverá um processo de
avaliação para certificação de que a área está limpa e, a partir daí, o terreno
poderá ser utilizado para qualquer outra atividade da própria INB ou de novos
proprietários.

Que passos foram dados nesse sentido?


Em 2006, a INB efetuou estudos no local para avaliar a extensão das áreas
contaminadas, planejar as operações de descontaminação e emitir o “PLANO
DE DESCONTAMINAÇÃO - PD”. O PD foi submetido aos órgãos ambientais
para aprovação e foi aprovado em outubro de 2009.
Quando o Plano de Descontaminação foi aprovado, a INB iniciou as atividades
relacionadas à contratação de pessoal e aquisição de materiais e
equipamentos necessários ao trabalho.

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Quando o terreno começou a ser descontaminado?
O processo de descontaminação de parte do terreno 55 mil m2 começou em
julho de 2010, após autorização concedida pela Comissão Nacional de Energia
Nuclear.
O restante do terreno, cerca de 5 mil m 2, será avaliado e, se necessário,
descontaminado após transferência dos materiais estocados no galpão.

Qual a previsão de término desse trabalho?


O trabalho de descontaminação é meticuloso e demorado, depende de vários
procedimentos de campo, do clima, de procedimentos laboratoriais e de
tratamento de dados. Estes fatores dependem uns dos outros e, por isso, é
difícil prever uma data para finalização do trabalho de descontaminação do
terreno.

O que será feito depois disso com o terreno?


Enquanto o depósito não for transferido, a INB manterá a atividade de
estocagem no local. Depois disso, a INB não tem nenhuma previsão de uso e
poderá disponibilizá-lo no mercado imobiliário ou para instituições públicas. Por
exemplo, a Prefeitura Municipal de São Paulo decretou de utilidade pública
duas partes do terreno, uma com cerca de 20 mil m 2 e outra com cerca de 4 mil
m2, que serão utilizadas na ampliação do anel viário regional.

MEIO AMBIENTE

Como a INB atua na preservação do meio ambiente?


Em cada uma de suas unidades e no entorno dessas instalações, a empresa
desenvolve programas de controle de emissões, de preservação ambiental e
de segurança dos processos de produção. É um conjunto de ações e métodos
de trabalho que garantem tanto a qualidade dos produtos e do meio ambiente
quanto a segurança e a saúde dos empregados e das populações.

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A atividade de mineração de urânio da INB provoca desmatamento?
Não. A INB trabalha de acordo com os novos métodos utilizados pela indústria
de mineração. O processo segue os seguintes passos:

1. Retirada da cobertura vegetal da área a ser minerada.


2. O estéril (rochas trituradas das quais já se retirou o urânio) é
depositado em área previamente definida que é então revestida com a
cobertura vegetal.
3. Em seguida é feita a revegetação dessa área com mudas de plantas
nativas da região que são produzidos no Horto Florestal da INB.

Qual a produção anual do Horto da INB Caetité?


Em 2011 a produção foi de 35 mil mudas, que foram utilizadas para reflorestar
áreas mineradas, recuperar terrenos degradados na propriedade da empresa e
ainda distribuídas à população e entidades. Nesse ano mais de 10 hectares de
terra foram recuperados.

Por que se encontra urânio nas águas de Caetité?


Um estudo realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal
de Sergipe, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo, investigou
durante dois anos as causas da presença de urânio nas águas da região
concluiu que ela ocorre naturalmente. Segundo a pesquisa, o solo de Caetité é
muito rico em urânio, e a água da chuva, dos poços e dos rios pode arrastá-lo
para as fontes de água. Para confirmar que se trata realmente de um fenômeno
natural, o grupo pesquisou a região de Santa Quitéria, no Ceará, outra
província uranífera que ainda não começou a ser explorada. Os teores de
urânio encontrados no Ceará são muito semelhantes aos obtidos na região de
Caetité. Os pesquisadores concluíram que a presença de urânio acontece por
fenômenos naturais.

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A mineração pode aumentar a concentração de urânio nas águas
subterrâneas da região de Caetité?
Não. O “Estudo Hidrogeológico Ambiental para Caracterização do Potencial de
Contaminação dos Solos e Águas Subterrâneas na Área da Unidade de
Concentrado de Urânio”, realizado pela empresa Geoservice Engenharia, fez
um completo levantamento do sistema hidrogeológico da região, simulou o
fluxo das águas subterrâneas e identificou os tipos de rochas ali presentes. O
estudo é conclusivo: “No caso das rochas do Complexo de Lagoa Real (área
onde se localiza a unidade de mineração), ficou comprovado que o aquífero é
confinado, isto é, as fraturas (poços) não se intercomunicam. Desta forma, está
completamente descartada a hipótese de que, se algum valor anômalo
(presença maior de urânio) for encontrado em qualquer poço existente ou que
venha a ser construído no entorno da unidade da INB, possa ser vinculado ao
material emitido pela unidade de produção da empresa”.
.
As águas usadas no processamento do urânio vão para o meio
ambiente?
Não. As águas usadas no beneficiamento de urânio não têm contato com
outras fontes de água. Elas são reutilizadas no processo industrial da própria
usina, e assim o meio ambiente fica preservado e não há desperdício de água,
que é escassa na região.
As águas das chuvas que caem sobre as pilhas de minério britado são
coletadas, analisadas e só são liberadas para o meio ambiente se estiverem
sem urânio.

Alguns poços em comunidades próximas à mina já foram fechados por


suspeita de contaminação. Isso não pode ter acontecido por causa da
atividade da INB?
Não. Um estudo detalhado desenvolvido por especialistas da Comissão
Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e entregue aos órgãos ambientais do
estado da Bahia esclareceu a questão e resultou na abertura dos poços. De
acordo com o estudo, as águas que passam pela INB Caetité não chegam às
comunidades onde os poços foram fechados. No caso da comunidade de

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Maniaçu, além de estar localizada em bacias hidrográficas distinta da URA,
elas estão separadas por um importante divisor de água, um morro com
algumas dezenas de metros. O mesmo acontece com a comunidade de
Juazeiro. Já nas comunidades de Barreiro, Cercadinho e Varginha os córregos
deságuam na margem esquerda do Riacho das Vacas, em local situado antes
da INB. Portanto, as águas que passam na mina não têm como chegar àquelas
comunidades.

Como a INB monitora as águas no entorno de sua unidade?


As águas dos poços que se encontram nas áreas próximas à INB Caetité são
analisadas desde 1990, ou seja, muito antes do início das atividades de
mineração, que aconteceu em 1999. Isso permite que seja feita uma
comparação entre os dados encontrados nas fases pré e pós-operacional. São
mais de 16 mil análises por ano que monitoram mais de 150 poços situados em
Maniaçu, São Timóteo, Juazeiro, Lagoa Real e Caetité.

Quais são os resultados das últimas análises?


As pesquisas realizadas durante todo o ano de 2011 em águas subterrâneas
de Caetité pelo Programa de Monitoração Ambiental da INB, com o apoio do
Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – IPEN, mostram que esses
mananciais estão com índices normais de urânio, ou seja, abaixo do limite
estabelecido pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). O IPEN,
que é ligado à Universidade de São Paulo e à Comissão Nacional de Energia
Nuclear, realizou análises das amostras de águas dos poços situados nas
Fazendas Mangabeira, Gameleira e Lajedo, e nos distritos de Juazeiro e São
Timóteo. Em todos esses pontos, as médias de concentração de urânio ficaram
abaixo da do limite estabelecido para consumo humano, determinado pelo
Ministério da Saúde, em 0,03 mg/L, e pelo CONAMA, em 0,015mg/L.

O gráfico abaixo mostra a quantidade encontrada em cada ponto, com a


respectiva distância deles da mina de urânio, representada por zero. Nota-se
que não há maior concentração de urânio em poços mais próximos da mina.
Na Fazenda Mangabeira, a distância é representada negativamente para

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indicar que o poço se localiza no caminho oposto da direção do percurso da
água.

Como o IBAMA fiscaliza as atividades da INB?


A fiscalização das atividades da INB é feita por meio de Programas de
Monitoramento Ambiental permanentes, aprovados pelo IBAMA e executados
pela INB e pela CNEN. Para saber se a INB está trabalhando de forma correta,
são analisadas amostras das águas dos rios, córregos, poços e da chuva. São
analisadas também amostras do solo, da poeira, da lama, do pasto e de
diversos produtos como a mandioca, o leite e a farinha. Isso é feito tanto na
área próxima à mina quanto em pontos mais distantes. O IBAMA realiza
inspeções contínuas e frequentes na INB. De acordo com o IBAMA, a INB vem
cumprindo todos os quesitos de segurança ambiental e nuclear necessários e
exigidos pela legislação brasileira vigente, estando, portanto, apta a continuar
desenvolvendo suas atividades.

Como é feito o processo de licenciamento de uma instalação nuclear?


Para obter as licenças e autorizações necessárias ao seu funcionamento, a
unidade é submetida a um amplo e detalhado processo de licenciamento tanto
do ponto de vista nuclear junto à Comissão Nacional de Energia Nuclear

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(CNEN) como do ponto de vista ambiental junto ao Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Do ponto de vista do licenciamento nuclear, para uma instalação obter uma


autorização de operação é necessário submeter à CNEN um relatório de
análise de segurança, onde são avaliados, dentre outros aspectos, os
elementos de radioproteção. Nesse processo, a instalação é acompanhada
através de inspeções in loco e pela análise dos relatórios de segurança
(incluindo os programas de monitoramento ambiental e ocupacional).

O que faz o programa de controle de emissões?


A partir de análises de amostras do ar, da água e do solo, situadas nas
unidades e em áreas vizinhas, se faz o monitoramento do meio ambiente, de
modo a preservar a fauna, a flora, os cursos d´água, a produção agrícola, a
pecuária e a saúde da população.

O que faz o programa de preservação ambiental desenvolvido na


Fábrica de Combustível Nuclear?
Em linhas gerais o Programa de Restauração em Bioma Mata Atlântica tem por
objetivo a restauração ambiental da área de propriedade da empresa (cerca de
560h), que se encontrava degradada quando foi adquirida pela INB. Para
reflorestar essa área, a empresa conta com um viveiro florestal, onde são
produzidas 160 mil mudas/ano. O viveiro possui 450 matrizes de 208 espécies
diferentes da Mata Atlântica, todas marcadas e identificadas. A cada ano são
plantadas 100 mil mudas. O Programa realiza ainda a doação de mudas para
projetos afins e entidades organizadas, o monitoramento da biodiversidade e
das áreas reflorestadas e ações de educação ambiental. O Programa conta
com um Centro Zoobotânico, onde funciona um laboratório de biologia, uma
sala para a fauna e outra para flora (herbário) como unidades de estrutura
operacional.

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Qual o tamanho da área já reflorestada?
Cerca de 560 hectares.

Existe controle sobre os processos de produção para evitar danos ao


meio ambiente?
Sim. O controle é feito através do Grupo de Gestores do Sistema Integrado de
Gestão (SIG), que realiza ações preventivas de apoio ao processo produtivo,
identificando e avaliando os impactos e riscos Ambientais e Ocupacionais,
com o objetivo de implementar as medidas necessárias para evitar danos ao
trabalhador e ao meio ambiente.

A INB Resende contribui para a preservação ou restauração do meio


ambiente na região?
Sim. A empresa contribui para a preservação desenvolvendo um programa de
educação ambiental junto ao público externo e a grupos de visitantes.
Anualmente, o centro zoobotânico recebe cerca de 500 visitantes aos quais
são repassadas noções básicas sobre preservação ambiental. A INB também
faz doações de mudas a escolas e entidades que desenvolvem ações de
restauração ambiental na região. A empresa faz parte do Conselho Consultivo
do Parque Nacional de Itatiaia como representante do setor industrial da região
e também é membro do Comitê de Bacia Hidrográfica do Médio Paraíba do
Sul.

A empresa desenvolve programa de educação ambiental?


Sim. O Programa tem ações dirigidas a três públicos distintos, sendo o primeiro
o publico interno, no qual são tratados assuntos ambientais com os
funcionários e prestadores de serviço. O segundo público é externo e mais
voltado para grupos de estudantes que visitam a empresa, o centro
zoobotânico e recebem informações sobre preservação ambiental. O terceiro
público é formado por moradores da região que participam de eventos
organizados ou apoiados pela INB nos quais a questão ambiental é debatida.

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A empresa recicla seus resíduos?
Sim, todos os resíduos orgânicos são transformados em adubo que desde
2004 é utilizado na produção de mudas nativas. A empresa separa os outros
diversos resíduos recicláveis e dá a cada um deles a destinação adequada. Por
exemplo, os resíduos administrativos são doados à Cooperativa de Catadores
de Materiais Recicláveis de Resende, a Recicla Resende, que, através de um
módulo do trabalho de educação ambiental interno, implementou e mantém a
Coleta Seletiva Solidária na unidade.

RADIAÇÃO E SAÚDE

O que é radioatividade?
Radioatividade é a liberação de uma energia invisível chamada de radiação
ionizante, que atravessa o ar e as paredes, partindo de um material radioativo.
No nosso planeta existem vinte e oito elementos radioativos naturais dispersos
em todos os meios. A maioria desses elementos radioativos naturais está
dispersa no solo, associada ao urânio ou ao tório.

A radioatividade está em toda parte, sem nenhuma intervenção humana. Existe


radioatividade na terra, na água e no ar, causada pelos elementos radioativos
naturais, que estão associados ao urânio ou ao tório presentes nestes locais.
Existe radioatividade devida ao sol chamada de radiação cósmica. Existe
também radioatividade no próprio corpo humano. Nossos tecidos e ossos
possuem elementos radioativos, como o potássio 40 e o carbono 14.

Ela é somente um fenômeno natural?


Não. A radioatividade também pode ser criada artificialmente, como o Raio X,
que utilizamos há muito tempo. Elementos radioativos vêm contribuindo para a
melhoria da vida dos homens e para o avanço da ciência e das tecnologias.
Esses elementos são utilizados para diagnosticar e tratar doenças, para
combater pragas na agricultura, conservar alimentos, analisar estruturas de
engenharia, recuperar obras de arte e esterilizar uma série de produtos - de
fraldas a garrafas de refrigerantes.

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Quanta radiação natural uma pessoa recebe por ano?
Para calcular os efeitos da radiação sobre o nosso corpo, utiliza-se uma
medida chamada Sievert (sívert). Em qualquer lugar da Terra, nós recebemos
radiação proveniente de fontes como o sol, o ar, a crosta terrestre, a água e os
alimentos. É o que se chama de radiação natural. Recebemos também doses
de radiação de fontes artificiais em diversas situações, como em exames e
tratamentos médicos.

A dose média desses dois tipos de radiação que uma pessoa recebe por ano é
de 2,8 mSv (milésimos de Sievert). Hoje, 48% do total de radiação que
recebemos provêm de procedimentos médicos. Saiba mais sobre radiação no
seguinte endereço: www.cnen.gov.br

Quem mora em locais onde existem reservas de urânio recebe uma


dose maior de radiação?
Sim, porque a radiação natural nesses locais é mais elevada do que em locais
onde não existe reserva de urânio ou de outros elementos naturais radioativos,
como areis monazíticas, por exemplo.

A exploração da mina de urânio pode provocar o aumento do número


de casos de cânceres em Caetité?
Não. Uma pesquisa realizada por especialistas da FIOTEC, instituição que faz
parte da FIOCRUZ, levantou o número de mortes por câncer nos municípios
que estão próximos à mina (Caetité e Lagoa Real) e comparou-os com os de
outros municípios da Bahia, onde não há mineração de urânio. O estudo, que
analisou os dados no período entre os anos de 1990 - antes da implantação da
INB Caetité - e 2005, constatou o seguinte: “Não foi observada, até o momento,
alteração no perfil de mortalidade por câncer na população de Caetité e Lagoa
Real, nem maior probabilidade de se adquirir câncer nesses municípios, seja
por conta da radioatividade natural do local, seja por conta das atividades de
extração e beneficiamento de urânio”.
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Qual a dose de radiação que um trabalhador da mina de Caetité recebe
por ano?
Um trabalhador da INB Caetité recebe, por ano, uma dose média de 0.46 mSv,
ou seja, muito abaixo do limite estabelecido pela CNEN para os trabalhadores
em instalações nucleares, que é de 20 mSv ao ano. A dose média anual que
recebem os trabalhadores corresponde a um terço da dose que uma pessoa
recebe quando faz um Raio X de dente e um quinto da dose de uma
mamografia.

Veja as doses estimadas para algumas fontes de exposição:

Raio X de dente 1,6 mSv


Tomografia de tórax 6 a 18 mSv
Mamografia 3 mSv

Como a INB controla a dose de radiação que os trabalhadores


recebem?
A saúde de todos os empregados da INB é acompanhada pelo serviço de
saúde da empresa. A radiação recebida por trabalhadores da Unidade de
Mineração e Beneficiamento de Urânio, em Caetité, e da Fábrica de
Combustível Nuclear, em Resende, é medida através de instrumentos
chamados dosímetros, que são utilizados durante o trabalho.

RESPONSABILIDADE SOCIAL

Qual é a atuação da INB na área de responsabilidade social?


As ações que a INB desenvolve têm como objetivo contribuir para a melhoria
das condições de vida das populações moradoras no entorno de suas unidades

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e são focadas na educação, em obras de infraestrutura, na preservação do
meio ambiente, na valorização da cultura e na geração de renda.

A empresa atua sozinha ou em parceria com instituições?


Das duas maneiras. A INB define seus próprios projetos e também apoia
iniciativas de instituições governamentais e não governamentais.

Quais são os principais projetos na área de educação?


1. Projeto Saber Mais: Cursos de capacitação profissional ministrados pelo
SENAI que beneficia jovens e adultos, moradores dos municípios de
Resende, Caetité e São Francisco do Itabapoana. Nos últimos três anos,
foram oferecidas 483 vagas para oito diferentes cursos.

2. Biblioteca Casa Anísio Teixeira: Incentivo à leitura e disseminação do


conhecimento. A INB contribuiu na restauração da casa onde nasceu o
educador Anísio Teixeira, uma construção datada do final do século XIX, e
patrocina a Biblioteca Pública, que recebe mais de 60 mil pessoas por ano e
onde o público tem acesso livre à internet. A empresa também apoia a
Biblioteca Móvel da instituição, que leva a professores e estudantes da zona
rural orientações pedagógicas e livros. Ao ano, 127 escolas são atendidas.

3. Material educativo: Impressos e vídeos sobre urânio, mineração e


energia nuclear são distribuídos às escolas dos municípios situados no
entorno das unidades da empresa.

Temas dos impressos:


o “Energia Nuclear: esse vilão pode salvar a Terra” - Revista
Superinteressante.
o “Urânio, energia da Terra” – folheto sobre o ciclo do combustível nuclear.
o “O ciclo do urânio” – animação 3D sobre o ciclo do combustível nuclear.
o “O Universo do urânio” – vídeo sobre urânio, mineração, radiação e
saúde.
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4. Espaço Cidadania: Patrocínio ao trabalho desenvolvido pela Associação
das Senhoras de Caridade, que acolhe crianças abandonadas ou filhos de
famílias muito pobres. A instituição acompanha o desenvolvimento escolar
das crianças, presta assistência médica, fornece alimentação e aulas de
música e informática.

5. Espaço INB de Ciência, Tecnologia e Cultura: O Espaço está instalado


na praça principal da cidade, num casarão do século XIX restaurado pela
INB, e tem como objetivo difundir informações sobre questões ligadas às
atividades da empresa, despertar o interesse pelo estudo das ciências e
das tecnologias e valorizar a cultura local. Ali está montada uma exposição
permanente sobre energia nuclear, urânio e mineração e sobre a história
do município de Caetité. Mostras temporárias nas áreas das ciências e das
artes são promovidas regularmente no local.

Quais são as principais ações na área de infraestrutura?


1. Instalação de tratamento de água no distrito de Juazeiro – a estação
garante o abastecimento de toda a população do distrito.
2. Implantação de adutora no distrito de Maniaçu – em convênio com a
Prefeitura Municipal de Caetité, visando o abastecimento de água no
distrito de Maniaçu. Com uma extensão de 14 km, ela atende toda a
população do distrito.
3. Conservação de estradas vicinais que possibilitam a mobilidade dos
moradores do entorno da Unidade de Mineração e Beneficiamento de
Urânio em Caetité.
4. Fornecimento de água através de caminhões-pipa aos moradores de 54
localidades situadas no entorno da Unidade de Mineração e
Beneficiamento de Urânio em Caetité em épocas de seca na região. Em
2011 foram fornecidos 411 caminhões-pipa

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Quais são as principais ações na área da cultura?
A empresa apoia a realização de festividades tradicionais, iniciativas de grupos
dedicados às manifestações artísticas regionais, publicações e documentários
que tratam de temas ligados à história dos municípios onde a INB está inserida.

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