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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

C E N T R O D E T E C N O L O G I A

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL

DISCIPLINA DE PONTES

NOTAS DE AULAS (PARTE II)

ELEMENTOS CONSTITUINTES DAS PONTES

Prof. CARLOS ANTÔNIO TAURINO DE LUCENA

João Pessoa
2013
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1 - DEFINIÇÕES - ELEMENTOS CONSTITUINTES DAS PONTES

1.1 - Definições:

1.1.1 - Obras-de-Arte:
Designação tradicional de estruturas, tais como pontes, viadutos, túneis,
muros de arrimo e bueiros, necessários à implantação de uma via.

1.1.2 - Obras-de-Arte Corrente:


Construções de pequeno porte, tal como muros de arrimo de pequena altura
pontilhões bueiros e drenos que normalmente se repete ao longo da estrada,
obedecendo geralmente a projeto padronizado.

1.1.3 - Obra-de-Arte Especial:


Estrutura, menos frequente, de aparecimento eventual, tal como ponte,
viaduto, túnel e muros de arrimo de grande altura, que pelas suas proporções e
características peculiares, requer um projeto específico desenvolvido por engenheiro
qualificado.

1.1.4 - Ponte:
Obra destinada a permitir que uma estrada transponha obstáculos hídricos,
naturais ou não, como rios braços de mar, lagos represas etc.

1.1.5 - Viaduto:
Obra destinada a permitir que uma estrada transponha ferrovias, rodovias,
vales, grotas ou contorne encostas, bem como substitua aterros.

1.1.6 - Pontilhão:
Pequena ponte de comprimento inferior a uma dezena de metros.

1.1.7 - Bueiro:
Obra implantada sob o terrrapleno de uma estrada, atravessando-a e
destinada a passagem de águas pluviais ou riachos.

1.1.8 - Túnel:
Galeria subterrânea de passagem de uma via de transporte ou canalização.

1.1.9 - Viadutos de Acesso (à Ponte):


Obras de acesso, as vezes requeridas para transposição de um rio situado em
vale muito aberto, além da ponte (propriamente dita).

1.1.10 - Viadutos de Meia Encosta:


Obras construídas em encostas de grande inclinação transversal, devido ao
volume requerido pelo aterro e a dificuldade de manutenção de sua estabilidade.
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1.2 - Elementos constituintes das Pontes

As pontes, em sua maioria, sob o ponto de vista funcional, podem ser


divididas em três partes principais:

1.2.1 - Superestrutura: É a parte da ponte, também conhecida como


tabuleiro, que recebe diretamente as cargas úteis, transferindo-as para a
mesoestrutura.

1.2.2 - Mesoestrutura: É o elemento que recebe os esforços da


superestrutura e os transmite à infraestrutura, em conjunto com os esforços
recebidos diretamente de outras forças solicitantes da ponte, tais como pressões do
vento e da água em movimento.

1.2.3 - Infraestrutura: É o conjunto estrutural que fica abaixo do nível do


terreno e por meio do qual são transmitidos ao terreno (solo ou rocha) os esforços
recebidos da mesoestrutura.

Figura 1.1

Figura 1.2
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1.2.4 - Elementos da Superestrutua:

 Estrado: Leito - Pavimento (pontes rodoviárias)


- Trilhos, lastro e dormentes (pontes ferroviárias)
Suporte (laje propriamente dita)

 Vigamento Principal

 Vigamento Secundário: Transversal (Transversinas)


Longitudinal (Longarinas)

 Tímpanos ou Montantes (Pontes em Arco)

 Pendurais ou Tirantes (Pontes em Arco)

Figura 1.3 - Ponte em viga

Figura 1.4 – Ponte em arco


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1.2.5 - Elementos da Mesoestrutra

 Pilares

 Encontros
Obras que servem para apoiar as extremidades da obra e ao mesmo tempo
arrimar os aterros de acesso. Dependendo da altura do aterro, da reação de apoio, e
do valor das deformações longitudinais da superestrutura a serem compensadas,
encontramos os seguintes tipos:

1) maciços: muros de arrimo, geralmente de alvenaria de pedra


argamassada, ou concreto ciclópico, adaptado para receber a superestrutura e
complementado por abas que contém o terreno lateralmente.

2) vasados: Estrutura constituída por uma laje superior com vigamento,


parede frontal, paredes laterais, alas, pilares e fundações.

 Aparelhos de Apoio

Dispositivos usados na maioria das pontes para transmitir as cargas da


superestrutura aos pilares ou encontros, permitindo também acomodar deformações,
diminuir vibrações e definir componentes das estruturas. Permitem quando há
conveniência, por simplicidade de cálculo ou por razões econômicas, quebrar a
monoliticidade da estrutura, com a eliminação de engastamentos e a criação de
articulações. Os Aparelhos de Apoio podem ser classificados de duas maneiras:

1 Quanto ao funcionamento estrutural

1.1 Articulações fixas: Permitem apenas rotação (apoio do 2º gênero)

1.2 Articulações móveis: Permitem a rotação e os deslocamentos llineares da


estrutura em relação ao seu suporte, com esforços residuais que podem ser
desprezados

1.3 Articulações elásticas: Também permitem a rotação e os deslocamentos


lineares da estrutura, mas os esforços decorrentes não são, no caso genérico,
desprezíveis.

2 Quanto ao material utilizado

2.1 Articulações de concreto

2.1.1 Articulações de contato de superfície


2.1.2 Articulações Freyssinet
2.1.3 Articulações Mesnager
2.1.4 Pêndulos de concreto
2.2 Articulações de elastômero
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Conhecidos como aparelhos de apoio de neoprene fretado, são constituidos


de chapas finas de aço e placas de borracha sintética, a base de policloropropeno,
intercaladas e coladas por vulcanização, formando o conjunto um bloco único que
possui um envolvimento geral de elastômero, da ordem de 3mm. Os aparelhos de
apoio de neoprene, permitem movimentos, de rotação e deslocamentos, limitados.

Os aparelhos de apoio elastoméricos são adequados para:


Reações verticais até 3000 KN (300 tf)
Deslocamento horizontal até 70 mm
Rotações até 0,02 rad
Forças horizontais da ordem de 150 KN (15 tf)

2.3 Articulações com teflon

Os aparelhos de apoio com teflon, (politetrafluoretileno), podem ser usados


para permitir apenas movimentos de translação ou para permitir, simultaneamente,
movimentos de translação e rotação; no primeiro caso o teflon é usado entre placas
de aço e, no segundo, o aparelho de apoio, mais complexo, é uma associação de
placas de aço, placas de neoprene e placas de teflon.

2.4 Articulações metálicas

2.4.1 de escorregamento (permitem movimentos de translação)

2.4.2 de rolamento:

2.4.2.1 fixos (só dão à estrutura liberdade de rotação)


2.4.2.2 móveis (permitem movimento de rotação e translação)

2.5 Articulações especiais

São aparelhos de apoio de custo mais elevado e que devem ser usados,
preferencialmente, em obras de maior vulto, onde as solicitações fogem dos valores
convencionais. Como exemplo destes aparelhos temos:

2.5.1 Aparelhos de Apoio de Disco VSL - São fabricados em três tipos:

2.5.1.1 PN: Apoios Fixos


2.5.1.2 PNGE: Apoios Monodirecionais
2.5.1.3 PNGA: Apoios Multidirecionais

2.5.2 Aparelhos de Apoio de Neoprene Contido Usimec - São fabricados em


três tipos:

2.5.2.1 NCF: Neoprene Contido Fixo


2.5.2.2 NCD: Neoprene Contido Móvel em Uma Direção

2.5.2.3 NCM: Neoprene Contido Móvel


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Os Aparelhos de Apoio Especiais, tipo VSL ou USIMEC, são adequados para:

Reações verticais  50.000 KN (5.000 tf)


Deslocamento horizontal  250 mm
Rotações até 0,01 rad
Forças horizontais  2500 KN (250 tf)

* Vigas de Contraventamento e Enrijamento

1.2.6 - Elementos da Infraestrutura

 Blocos

Elementos de fundação superficial dimensionados de modo que as tensões de


tração neles produzidas possam ser resistidas pelo concreto, sem necessidade de
armaduras.

 Sapatas

Elementos de fundação superficial dimensionados com armaduras absorvendo


as tensões de tração neles produzidas.

 Estacas

Elementos estruturais de fundação, longos e esbeltos, que transferem a solos


profundos as cargas das obras.

 Tubulões

Tubulão é um elemento de fundação profunda, cilíndrico, em que, pelo menos


na sua etapa final de escavação, há descida de operário. Pode ser feito a céu aberto
ou sob ar comprimido, e ter ou não alargamento de base.

 Caixões

São elementos de fundação profunda, de forma prismática, concretados na


superfície e instalados por escavação interna; usando-se ou não ar comprimido e
podendo ter ou não alargamento de base.

 Peças de ligação de seus diversos elementos entre si e destes com a


mesoestrutura, como por exemplo, os blocos de cabeça de estacas e vigas de
enrijamento desses blocos
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Figura 1.5
10

Aparelho de apoio com teflon com Movimento apenas de Translação

Aparelho de apoio com teflon com Movimento de Translação e Rotação

Figura 1.6

Aparelhos de Apoio de Escorregamento: Somente movimento de translação


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Aparelhos de Apoio de rolamento fixo: Somente movimento de rotação

Aparelhos de Apoio de rolamento móvel: Movimentos de rotação e translação

Figura 1.7
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Fig. 1.8
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PROJETO DE PONTE RODOVIÁRIA, EM VIGA APOIADA COM BALANÇOS


Elevação geral – Planta do tabuleiro – Locação das Fundações
Fig. 1.9 (a)
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PROJETO DE PONTE RODOVIÁRIA, EM VIGA APOIADA COM BALANÇOS


Seção transversal – Vista da cortina - Detalhes
Fig. 1.9 (b)
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Fig. 1.10 – EXEMPLO DE PONTE RODOVIÁRIA EM VIGA CONTÍNUA COM EXTREMOS APOIADOS EM ENCONTROS VASADOS
2 - CLASSIFICAÇÃO DAS PONTES

2.1 Quanto à finalidade

 Para pedestres (passarelas)


 Rodoviárias
 Ferroviárias
 Rodoferroviárias. Ex: Ponte Propriá (SE) - Colégio (AL) sobre o São
Francisco.
Especiais (Pontes rolantes, pontes canais, pontes aquedutos, etc)

2.2 Quanto ao material de construção utilizado

 Pontes de madeira (hoje como pontes de serviço)


 Pontes de alvenaria de pedra ou tijolo (primitivas)
 Pontes de concreto simples ou ciclópico
 Pontes de Concreto Armado
 Pontes de Concreto Protendido
 Pontes Metálicas
 Pontes Mistas (Ponte Maurício Jopert, em Mato Grosso do Sul)

2.3 Quanto ao eixo longitudinal da estrutura em planta

 Ponte Reta (eixo longitudinal da ponte forma 90º com o eixo longitudinal
do obstáculo transposto)

 Ponte Esconsa ou Oblíqua: (eixo longitudinal da ponte forma um ângulo


diferente de 90º com o eixo longitudinal do obstáculo transposto

 Ponte Curva (Estrutura curva em planta, ou constituída de tramos


retilíneos, formando uma poligonal inscrita na curva pretendida para a via a qual
pertencem)

2.4 Quanto ao eixo longitudinal da estrutura em perfil

 Pontes Horizontais (a nível): Quando as extremidades tem a mesma cota


em relação ao eixo longitudinal

 Pontes Inclinadas (em rampa): Quando há diferença de cota entre os


pontos extremos

2.5 Quanto a mobilidade do tramo

2.5.1 Pontes Fixas


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2.5.2 Pontes Móveis ou Especiais

Quando o greide da estrada não pode ser elevado a uma altura suficiente para
atender o gabarito de navegação, é necessário a construção de uma ponte em que,
geralmente, um dos vãos apresenta movimento de translação ou rotação; daí os
seguintes tipos:

 Giratórias: Tem um vão capaz de girar em torno de um eixo vertical para


dar passagem a navios de grande porte mais altos que seu gabarito. (Ponte de
Waterloo)

 Basculantes: Tem um vão capaz de girar em torno de um eixo horizontal.

 Levadiças: São as que apresentam estrado com movimento de translação


no plano vertical. (Pontes sobre os rios Guaiba, em Porto Alegre, e São Francisco,
que liga as cidades de Propriá (SE) e Porto Real de Colégio (AL).

 Corrediças ou Deslizantes: São as que possuem deslocamento horizontal


na direção do eixo longitudinal.

 Pontes Flutuantes: Podem ser provisórias quando apoiam-se em


flutuadores constituídos por barcos ou tambores metálicos, ou não provisórias cujos
apoios são constituídos por flutuantes de aço ou concreto armado.

2.6 Quanto ao Sistema Estrutural

 Ponte em Laje: Não possuem nenhum vigamento, a estrutura principal é


a própria laje, podendo ser maciça em geral de concreto armado, ou vazada, em
geral de concreto protendido.

 Ponte em Viga Reta de Alma Cheia: A estrutura principal é formada por


uma, duas ou mais vigas no sentido longitudinal.

a) Viga simplesmente apoiada

b) Viga simplesmente apoiada com extremos em balanço

c) Viga Contínua: série de vigas unidas entre si

d) Viga Gerber: vigas contínuas e uma ou mais vigas livremente apoiadas,


estas últimas chamadas de gerber.

e) Viga Engastada

 Ponte em Viga Reta de Treliça: estrutura principal é uma treliça, estrutura


constituida de barras retas ligadas entre si, formando nós ou juntas. Ponte sobre o rio
S. Francisco (treliça metálica)
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 Ponte em Quadros Rígidos: cuja ligação estrado pilares funciona como


um todo, havendo engastamento da viga no pilar; também chamada ponte de
pórticos múltiplos.

 Ponte em Arco: a estrutura principal é um arco, e de acordo com a posição


do tabuleiro temos:

a) Com Tabuleiro Superior: o tabuleiro é apoiado no arco através de tímpanos


ou montantes. Ex: Ponte da Amizade (Paraná)

b) Com Tabuleiro Inferior: o tabuleiro é pendurado no arco através de


pendurais ou tirantes.

c) Com Tabuleiro Intermediário: quando o tabuleiro corta a curvatura do arco,


apoiando-se nas extremidades do arco e permanecendo suspenso no centro.

 Ponte Pensil: São as que tem o tabuleiro sustentado por cabos flexíveis de
aço que apoiados em torres intermediárias, tem sua extremidades engastadas em
maciços. O tabuleiro é assim apoiado nas torres e sustentado no vão pelo sistema de
cabos. Ex: Ponte Hercílio Luz (Santa Catarina).

 Ponte Estaiada: Estrutura que apresenta o estrado suspenso por meio de


cabos retos inclinados ou estais, fixados em torres intermediárias de grande altura.

2.7 Quanto a Forma da Seção Transversal

 Ponte em laje maciça

 Ponte em laje vazada

 Ponte em Viga - Moldadas no Local


- Pré-moldadas
- Mistas

 Ponte em Estrado Celular: Cuja estrutura principal é uma laje dupla, entre
as quais há um vigamento longitudinal e vigas transversais. Podem ser monocelular
ou multicelular.
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Figura 2.1
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Figura 2.2
21

Fig. 2.3
22

Fig. 2.4
23

 PONTES EM LAJE MACIÇA

 PONTE EM LAJE VASADA

 PONTES EM VIGA - Moldadas no local


- Pré - moldadas
- Mistas

LAJE

TRANSVERSINA

VIGA PRINCIPAL
VIGAS PRÉ-MOLDADAS

 PONTES EM ESTRADO CELULAR

Monocelular

Multicelular

Fig. 2.5