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LIÇÃO 10

SUBSÍDIO PARA O ESTUDO DA 10ª LIÇÃO DO 2º TRIMESTRE DE


2018 – DOMINGO, 03 DE JUNHO DE 2018

ÉTICA CRISTÃ E VIDA FINANCEIRA

Texto áureo

“Por que gastais o dinheiro


naquilo que não é pão? E o
produto do vosso trabalho
naquilo que não pode
satisfazer?” (Is 55.2a).
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE – 1º Crônicas 29.10-
14; 1ª Timóteo 6.8-10.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Meus distintos leitores, eis diante de nós a 10ª lição deste trimestre. Vamos
estudar, aqui, a Ética Cristã e a Vida Financeira, abordando os seguintes temas:
Uma Teologia para a Vida Financeira; Meios Honestos para Ganhar Dinheiro e
Como Administrar o Dinheiro.

Diante do que estamos vivenciando: uma crise econômica avassaladora, com


vários setores da sociedade em crise financeira; greves e mais greves; protestos e
querelas, nada mais oportuno do que estudarmos um tema tão oportuno.

Pois bem, diletos amigos leitores, tenham um excelente estudo!

1
I – UMA TEOLOGIA PARA A VIDA FINANCEIRA

Quando falamos em vida financeira, na verdade estamos destacando um


planejamento, neste caso – o financeiro. Mas o que significa a expressão:
planejamento financeiro?

Segundo Carlos Eduardo Rosa Lucion1:

A expressão planejamento tem em seu significado literal o ato ou


efeito de planejar; trabalho de preparação para qualquer
empreendimento, segundo roteiro e métodos determinados;
planificação, processo que leva ao estabelecimento de um conjunto
coordenado de ações (pelo governo, pela direção de uma empresa,
etc.) visando à consecução de determinados objetivos; elaboração
de planos ou programas governamentais, especialmente na área
econômica e social. Já financeiro significa, relativo às finanças, à
circulação e gestão do dinheiro e de outros recursos líquidos.
Contudo, o conceito de planejamento financeiro tem-se a junção
desses dois conceitos levados para um plano empresarial.

Evidentemente que o planejamento financeiro está associado, como dito


acima, às ações de um governo, uma empresa, etc., porém, no nosso contexto, tem
a ver com os aspectos ético-cristãos: atrelado ao orçamento familiar e equilíbrio
financeiro; em conformidade com a mordomia cristã e relacionado à nossa fidelidade
a Deus.

1. Vida financeira equilibrada.

Dado o tópico acima, eis que surge uma pergunta: como se ter uma vida
equilibrada financeiramente em plena era do consumo compulsivo? Pois bem,
vejamos.

Prestemos atenção no que diz Provérbios 21.20: “O homem de bom senso


economiza e tem sempre bastante comida e dinheiro em sua casa; o tolo gasta todo
o seu dinheiro assim que o recebe” (versão BV). Ora, depreende-se das sábias
palavras deste provérbio que para vivermos equilibradamente em termos financeiros
é importante economizar, isto é, poupar com sabedoria para quando chegar o “dia

1
Especialista em Controladoria – Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/RS).

2
mal” termos o suficiente para o nosso sustento e também para nossa família. Esta
condição perpassa pelo âmbito da mordomia, e tem a ver com o cuidado diligente
em lidar com o dinheiro. Mas o que é ser diligente, neste sentido? Para tanto, Pv
21.5 diz: “os planos do diligente tendem à abundância, mas a pressa excessiva, à
pobreza”.

Portanto, ser diligente é não ser apressado! Segundo Howard Dayton2, “a


expressão original em hebraico para “diligência” é o quadro de uma pessoa
enchendo um barril imenso, colocando uma porção de cada vez com a mão. Pouco
a pouco o barril vai se enchendo até transbordar.” Ser diligente é ser cuidadoso,
atencioso, equilibrado – e isso vale muito bem para as nossas finanças; um pouco
aqui, um pouco ali, e no final se tem uma boa porção para o sustento diário; como
diz o adágio popular: “de grão em grão, a galinha enche o papo”.

2. O perigo do amor do dinheiro.

Em I Tm 1.6,7 (ARA), assim está escrito: (v.9) “Mas os que querem tornar-se
ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas,
as quais submergem os homens na ruína e na perdição”. (v.10) “Porque o amor ao
dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se
traspassaram a si mesmos com muitas dores.”

Esse texto citado muitas das vezes é mal interpretado, levando muitas
pessoas a lidar com o dinheiro de maneira equivocada. O dinheiro em si não é o real
problema do texto exposto, o grande quê da questão, na verdade, é o “amor ao
dinheiro”, Isto é, a cobiça (no grego, pleonexia: “avareza, cobiça, ganância”) em ser
muito rico! O dinheiro, na verdade, se bem usado, torna-se bênção; o que acontece
é que muitos por ele são atraídos e dominados. Eis uma verdade: não devemos ser
escravo do dinheiro, mas o seu mordomo!

As Sagradas Escrituras ensinam que a riqueza vem de Deus e que na


verdade é proporcionada pela bênção do Senhor (Pv. 10.22; 15.6; Sl 37.33; 127.2).

2
DAYTON, Howard. O seu Dinheiro: um guia bíblico para ganhar, gastar, economizar, investir,
contribuir e livrar-se das dívidas. Tradução de Elaine Carneiro D. Sant´Anna. – 2ª Ed. Pompeia:
Universidade da Família 2015.

3
De fato, a riqueza deveria ser motivo de louvor e agradecimento a Deus. Às vezes,
Deus resolve abençoar seus filhos com riqueza. Abraão, Isaque, Salomão e até
mesmo Jó receberam riquezas como uma bênção de Deus (Gn 13.2; 26.12-14; I Rs
3.13; Jó 42.12).

Contudo, a riqueza foi dada à humanidade para que ela fosse exercida
dentro dos princípios da mordomia. Deus é o verdadeiro proprietário de tudo, e isso
inclui as riquezas, e Ele deseja que seus filhos cuidem de suas posses com
diligência (Lc 12.42) e que abençoe, também, aos seus semelhantes (2 Co 8. 1-5).

Pois bem, Paulo, advertiu contra a busca ambiciosa de riquezas e apresentou


várias consequências de semelhante ambição:

 Torna uma pessoa vulnerável a inclinar-se, constantemente, para a tentação;

 Cria uma armadilha para a pessoa;

 Este pecado (cobiça) dá à luz outros desejos ímpios;

 Este pecado (cobiça) pode lançar a pessoa aos abismos da depravação, tal
qual o chumbo afunda a rede de pesca;

 Torna-se uma raiz de muitos outros tipos de males que levariam as pessoas a
se afastarem da fé pura em Cristo;

 Torna-se uma fonte de grande culpa para a pessoa.

Destarte, riqueza material pode ser uma bênção ou maldição. Logo, o poder
da riqueza é sutil (1 Tm 6.10), mas a fonte da riqueza é segura (Mt 6. 25, 26). A
tentação da riqueza é gastá-la (Tg 4.3), mas a estratégia da riqueza é salvá-la (Mt
25.27). O propósito da riqueza é compartilhá-la (At 20.35).

Portanto, Deus deseja que seus filhos usem a riqueza adquirida para
abençoarem a outros e que todos glorifiquem a Ele e que jamais sejam avarentos3.

3
“Entendemos por avareza (pleonexia) um desejo desmesurado de acumular bens sobre bens, de possuir sempre
mais e mais, prescindido absolutamente da necessidade razoável” (Fitzmyer).

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II – MEIOS HONESTOS PARA GANHAR DINHEIRO.

1. Trabalho e emprego.

Em Eclesiastes 11.1, assim está escrito: “Lança o teu pão sobre as águas,
porque depois de muitos dias o acharás.”

O trabalho sempre foi o meio mais justo de se obter o ganho de nossas


provisões e sustento de nossas vidas; quem não trabalha não ganha o seu sustento
diário e é visto como preguiçoso. (Pv 6.6). Evidentemente, que não estamos falando
de quem quer trabalhar e por questões de recessão no país não consegue obter o
seu sustento, entre outras causas adversas; estamos falando daqueles que olham o
vento e a nuvem passar e não se dispõem a buscar o melhor para as suas vidas. (Ec
11.4). O trabalho (ou emprego, se for o caso de alguns) dignifica o homem e o
homem dignifica o trabalho.

Em dias difíceis como o nosso, viver desempregado é um tormento


incalculável para todos que desejam viver dignamente e cumprir com os seus
compromissos os mais diversos. Para tanto, devemos ter atitudes para a busca
desse fim. John Maxwell nos dá três razões diante do que já foi exposto:

 Nossa atitude determina nossas ações;

 Nossos seguidores são um espelho de nossa atitude;

 Manter uma boa atitude é mais fácil do que readquiri-la.

Logo, diante de tais advertências, busquemos ter atitudes certas no que diz
respeito à busca de nossas ideais, e nesse caso, o trabalho (emprego), deve estar
nesse propósito.

Destarte, evitemos a passividade (Ec 11.4); plantemos a semente (Ec 11.1);


escolhamos com responsabilidade (Ec 11.9); Assumamos as consequências (Ec 11.
9,10). Portanto, não se deixe abater: mexa-se, movimente-se, recicle, aprenda,
cresça, trabalhe! (Ec 11.6).

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2. Escolarização e Mobilidade Social.

Qual o conceito de Mobilidade Social? Segundo Rainer Sousa, Mestre em


História, Mobilidade Social é “um campo de estudo da sociologia bastante usado
para a compreensão das formas pelas quais os diferentes grupos humanos
diferenciam os integrantes de uma mesma cultura. De forma mais específica, a
mobilidade tem a importante função de pensar as vias e possibilidades de troca,
ascensão ou rebaixamento que um determinado indivíduo possui no meio em que
estabelece suas relações”. Nesse caso, dentre outras possibilidades, a mais ideal no
que diz respeito à ascensão de um nível de classe social para outro é a
escolarização.

Assim, segundo Luciano Mendes de Faria Filho, Walquíria Miranda Rosa e


Marcilaine Soares Inácio4 “escolarização é o processo e a paulatina produção de
referências sociais tendo a escola, ou a forma escolar de socialização e transmissão
de conhecimentos, como eixo articulador de seus sentidos e significados. Neste
caso, nossa atenção está voltada para o que temos chamado de "consequências"
sociais, culturais e políticas da escolarização, abrangendo questões relacionadas ao
letramento, ao reconhecimento ou não de competências culturais e políticas dos
diversos sujeitos sociais”

Nesse caso, todo cristão pode e deve se aprimorar intelectualmente para


buscar melhorar o seu desempenho profissional e mudar de vida, buscando uma
ideal integralização na sociedade em que vive, contudo, o que nós não podemos é
nos enredarmos em meios escusos e errantes, tais quais filosofias vãs (Cl 2.8);
prepotência descabida (Fp 2.3), dentre outros; o melhor é servir a Deus e ao Seu
Reino (Mt 6. 33,34; Fp 2. 4, 21; I Co 10. 32,33).

4
Professor de História da Educação da FaE-UFMG, Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em História
da Educação(GEPHE) e bolsista do CNPq. Professora de História da Educação da UEMG, Mestre em Educação
pela FaE-UFMG e pesquisadora do GEPHE. Aluna do Mestrado em Educação da FaE-UFMG.

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III – COMO ADMINISTRAR O DINHEIRO?

1. Fidelidade na casa do Senhor.

Quando falamos em fidelidade (I Co 4.2) na casa do Senhor, estamos


adentrando no campo da mordomia cristão, logo, penetrando no âmbito do dar e
receber, e também, na questão do dízimo. A Bíblia estabelece três princípios
básicos de Mordomia Cristã:
I. Deus é Senhor de tudo ( Sl 24.1);
II. Cada pessoa é mordomo daquilo que Deus lhe confiou (Mt 25. 14-30);
III. Cada pessoa deve dar conta da sua mordomia a Deus (Mt 25. 24-27).
Mas o que é o Dízimo afinal? Valho-me, nesse exato momento, das palavras
do saudoso Pr. Neco, quando escreveu:

“o dízimo é um hábito regular, através do qual um cristão, procurando ser


fiel a sua crença, põe à parte, pelo menos dez por cento de suas rendas,
como um reconhecimento das dádivas divinas, [...] quando tributamos a
Deus com nossos dízimos, estamos reconhecendo automaticamente seu
senhorio (I Co 10.26; Ag 2.8). Assim sendo, podemos dizer que o dízimo é o
reconhecimento de que Deus é o doador de tudo na vida. O homem
pertence a Deus, a terra pertence a Deus (Hb 11.3; Cl 1.17). A contribuição
da Igreja para a obra de Deus, através dos dízimos e ofertas, faz parte da
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adoração cristã (I Co 16. 1-4).”

Logo, o dízimo:

 Não é um meio de levantar dinheiro;


 Não é uma contribuição para cumprir uma exigência legal;
 Não é um meio para alcançar status perante a Igreja;
 Não é um meio de subornar a justiça de Deus;
 Não é luxo de quem tem mais;

5
SANTOS, José Antônio dos. Teologia Pentecostal Prática: uma perspectiva bíblica e pastoral. Ed
Mascarenhas, Maceió, 2015.

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Destarte, Dízimo é:

 Uma graça que Paulo chama generosidade;


 É uma expressão de adoração do crente;
 É o reconhecimento da soberania de Deus;
 É um indicador do nível espiritual do crente;

No tocante às coisas do Senhor, devemos, sempre, ser fiéis: fieis com todos
os nossos recursos lidando com sabedoria e conhecimento (Os 4.6); fiéis a despeito
de quanto nós temos (Mt 25. 14, 14, 21); fies nas pequenas coisas (Lc 16.10); fiéis
com as posse dos outros (Lc 16. 12). Nesse caso saibamos que a fidelidade forma o
nosso caráter e gera contentamento (Dt 8. 16-18; Rm 5. 3, 4; Fl 4.9, 19).
Portanto, como diz em 1 Cr 29. 9: “E o povo se alegrou das ofertas voluntárias
que estes fizeram, pois de um coração perfeito as haviam oferecido ao Senhor; e
também o rei Davi teve grande alegria”.

2. Estabelecendo prioridades.

Quando estamos falando de prioridades, logo surge em nossas mentes a


palavra – metas. Estabelecer metas é papel importante para quem quer servir a
Deus de maneira honesta e transparente, sem ser dispendioso (Pv 21,5). Logo,
aonde você quer chegar? Qual é a sua condição financeira atual? Você tem
poupado algo? Como está o seu orçamento diário? Essas perguntas e outras tantas
são importantes para se estabelecer prioridades. Também não devemos se
esquecer do orçamento.

Mas o que é um orçamento? De acordo com Howard Dayton, já citado,


orçamento “é um plano para se gastar dinheiro”. Devemos fazer um orçamento, pois
ele oferece a oportunidade de orar sobre decisões quanto aos gastos; sobre como
reduzir as despesas, para assim aumentar a renda. Nesse contexto, devemos
observar e atentar como estamos gastando o nosso dinheiro, a saber: em moradia,
alimentação, transporte, vestuário, seguros, saúde, entretenimento e recreação, etc.

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Estar atentos a estas e outras questões pertinentes às nossas prioridades nos
dará conforto e nos livrará de prejuízos vindouros.

3. Evitando as dívidas.

Mas o que significa esta palavra? De acordo com o dicionário Roget´s College
Thesaurus, esta palavra significa: responsabilidade, falta, dever, obrigação, penhora,
dificuldade, ônus, insolvência, apuros e estar quebrado. Ele define, portanto, dívida
como “dinheiro ou propriedade que uma pessoa é obrigada a pagar a outra”.

Logo, Howard diz que dívida inclui: “dinheiro a pagar a companhia de cartões
de créditos, empréstimos de bancos, dinheiro emprestado de parentes e
financiamento de casa própria”, etc. No tocante àquelas contas a vencer, tais como a
conta mensal de energia elétrica e outras semelhantes, segundo o mesmo autor,
não se constituem como dívidas, mas só se as mesmas forem pagas no devido
prazo.

Biblicamente falando, a dívida é considerada maldição (Dt 28. 1, 2, 12); ela


faz suposições antecipadas sobre o amanhã (Tg 4. 13-15); ela pode negar uma
oportunidade a Deus, etc.

Como se livrar das dívidas. Howard nos diz: Ore (2 Rs 4 . 1-7); Estabeleça um
orçamento por escrito; Liste o total de seus bens – e estabeleça prioridades; Liste
seus compromissos; Estabeleça um programa de pagamento para cada credor;
Liquide as dívidas pequenas e depois comece por liquidar aquelas que tiver maiores
juros; considere a ideia de obter renda extra; não acumule dívidas novas; contente-
se com o que você tem; Considere uma mudança radical em seu estilo de vida e
nunca desista dessas considerações. Certamente, fazendo isso, Deus te abençoará
de maneira extraordinária! Aleluia!

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CONCLUSÃO

Como bem escreveu o autor da lição: “o cristão deve trabalhar honesta e


diligentemente para suprir o sustento de sua família. Ele deve administrar bem seus
recursos a fim de não pecar contra Deus e não expor a sua família ao vexame moral
e privações.”

Portanto, atentemos a tudo o que já foi nos dito e escrito, para vivermos de
forma sábia, sóbria e diligentemente para com Deus e os nossos semelhantes.

Louvemos, portanto, ao nosso Bom Deus, cantando o coro do Hino da Harpa


Cristã de número 486:

Deixa encher teu vaso até transbordar;


Que Jesus tua vida possa governar,
Põe teu sacrifício hoje sobre o altar;
E verás as bênçãos descer sem cessar.

[Professor. Teólogo. Tradutor. Jairo Vinicius da Silva Rocha – Presbítero,


Superintendente e Professor da E.B.D da Assembleia de Deus no Pinheiro.]
Maceió, 02 de junho de 2018.

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