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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS PROGRAMA DE PÓS - GRADUAÇ

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BOTÂNICA

A FAMÍLIA PASSIFLORACEAE NO ESTADO DA BAHIA, BRASIL

TEONILDES SACRAMENTO NUNES

FEIRA DE SANTANA BA

2002

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS PROGRAMA DE PÓS - GRADUAÇ

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BOTÂNICA

A FAMÍLIA PASSIFLORACEAE NO ESTADO DA BAHIA, BRASIL

TEONILDES SACRAMENTO NUNES

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Botânica da Universidade Estadual de Feira de Santana como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Botânica.

ORIENTADOR: PROF. DR. LUCIANO PAGANUCCI DE QUEIROZ (UEFS)

FEIRA DE SANTANA BA

2002

Ficha catalográfica: Biblioteca Central Julieta Carteado

S???

Nunes, Teonildes Sacramento A família Passifloraceae no estado da Bahia, Brasil / Teonildes Sacramento Nunes. – Feira de Santana, Ba: [s.n.], 2002. ???f. : il

Orientador: Luciano Paganucci de Queiroz. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual de Feira de Santana – Departamento de Ciências Biológicas.

1.Passifloraceae – Bahia (BR). 2. Taxonomia de Fanerógamos. 3. Botânica sistemática. I. Queiroz, Luciano Paganucci de. II. Universidade Estadual de Feira de Santana. III. Título.

CDU: ?????

Banca Examinadora

Prof. Dr. Armando Carlos Cervi

Prof. Dr. Cássio van den Berg

Prof. Dr. Luciano Paganucci de Queiroz Orientador e Presidente da Banca

Feira de Santana – BA

2002

Aos meus queridos pais e irmãos, e a minha única e adorada filha Poliana. A vocês todo o meu amor e carinho.

“Dedico este trabalho aos amigos

Aos que se tornaram familiares Aos que nasceram familiares E aos que conheci antes de ontem.

Dedico tanto aos que me deixam louco, Quanto aos que enlouqueço.

Aos que me criticam em tudo, E a um ou outro que atura Minha “chatura”

Aos amigos que correm, Aos amigos que contemplam.

Aos que me consideram muito, E aos muitos que, com razão, fazem pouco.

Aos que conhecem o que penso, E aos que só conhecem o que faço.

Aos que passam o dia todo comigo, E aos que estão todo o tempo em mim.

Este trabalho é a soma de todos vocês. E se ele não é melhor, É por falta de memória, Mas não por falta de amigos”.

(R. B. Primack & E. Rodrigues)

AGRADECIMENTOS

Houve tempos em que me senti sozinha, mas como um presente maravilhoso de Deus, vocês surgiram em minha vida, com seu jeito especial e sua amizade verdadeira. E hoje não mais estou só, porque tenho vocês”.

Hélio Marques

Aos meus pais por terem me dado a vida e a oportunidade de alcançar

mais este degrau. Agradeço a Deus todos os dias, os sacrifícios, que vocês

fizerem para que eu pudesse chegar até aqui.

Ao meu Orientador, Mestre, "Chefe" (não me digam que quem tem chefe

é índio!!) e amigo Prof. Dr. Luciano Paganucci de Queiroz pela orientação, pela

paciência e pelo incentivo durante esta caminhada.

Aos professores da Área de Botânica do Departamento de Ciências

Biológicas da UEFS, responsáveis pela implantação do Programa de Pós-

Graduação em Botânica, em especial à Dra. Ana Maria Giulietti, por todo o

empenho em fazer desta Instituição um modelo no ensino da Botânica, e ao Dr.

Francisco de Assis e Dr. Luciano Paganucci de Queiroz, que tanto trabalharam

durante a elaboração do Projeto.

Aos Curadores dos Herbários visitados, por permitirem acesso às

coleções e pelos empréstimos enviados (ALCB, BAH, BM, CEN, CEPEC,

EBDA, HRB, HUNEBA, IPA, K, MBM, PEUFR, R, RB, SP, SPF, UB e UESC).

À UEFS, CAPES e CADCT pelo financiamento do curso.

Aos colegas do curso, pelos momentos passados juntos durante as

aulas e trabalho de campo (saudade de nossas coletas!!).

À amiga e incentivadora Dra. Daniela Zappi, pela dedicação e momentos

de descontração, e pelas bibliografias e fotografia dos tipos.

A toda equipe do HUEFS: Zezé, Milene, Patrícia, Vanilda, Kelly, Cosme,

Daniela, Alexa, Élvia, Indiara, Jefferson, Nadja, Ive, Claúdio José, Janaina e

Carliane (valeu parceiras!!), Bruno e Anderson Rocha (Tico e Teco), Anderson

Carneiro (apesar de ter me abandonado!!!), Franciane, Sabrina, Ana Karina,

Patrícia Reis e Daiane pelos momentos de descontração e por todo apoio

quando necessário.

Ao Alano Duraes pelos magníficos desenhos e também pela sua enorme

paciência, alegria e descontração (e vamos ouvir o CD das Velhas Virgens!!!).

À amiga Adriana Estrela, secretária do Programa de Pós-Graduação, por

todo o auxílio e simpatia, mesmo nos momentos mais estressantes.

Aos colegas do curso de pós-graduação: Anapaula Ferraro, Cássia

Tatiana, Jomar Jardim (Joles), Eric e Viviane e Hilder, muito obrigada por tudo.

Aos colegas do Departamento de Ciências Biológicas pelo apoio e

disponibilidade nas horas de sufoco.

Aos colegas e amigos do Projeto Guias de Campo de Biodiversidade

(Turma do ET!!!), minhas desculpas pela ausência nas muitas reuniões

realizadas, obrigada pelos momentos divertidos e gratificantes das viagens

para testes, coletas, fotografias e oficinas. Valeu: Jorge, Maitê, Anderson, Ana

Paula, Anna Lawrence, Luciano, Bob Allkin, Frans Pareyn, Marcelino, Caê,

Bené, Luciano e Miguel (motoristas) e todos os outros que participaram deste

projeto.

A você ser oculto (mistério!!!), que teve tanta paciência, nos momentos

em que tive que estar ausente, pelo seu amor, pela sua paciência, pela sua

dedicação, meu eterno muito obrigado e todo o meu carinho.

Ao Ser Supremo que criou este mundo maravilhoso, com toda esta flora

para que pudéssemos nos divertir de vez em quando e que, apesar das

dificuldades, permitiu a conclusão deste trabalho.

E, especialmente, a minha querida filha, Poliana Nunes Sena, por toda a

paciência, durante as ausências nas longas viagens e jornadas de trabalho. A

você todo o meu amor e todas as minhas conquistas eu dedico.

Teo Nunes

Sumário

1 - Índice das ilustrações

 

i

2 -

Resumo

 

01

3 -

Abstract

03

4 -

Introdução

05

4.1 - Área de Estudo

 

07

5 Metodologia

-

 

14

6 - Resultados

21

 

6.1 - Histórico

 

21

6.2

- Aspectos Morfológicos da Família

25

 

6.2.1 -

bito

25

6.2.2 -

Estípula

25

6.2.3 -

Folha

27

6.2.4 -

Inflorescência

29

6.2.5 - Flor

 

30

6.2.5.1 -

Hipanto

32

6.2.5.2 - Perianto

32

6.2.5.2.1

-

Cálice

32

6.2.5.2.2

- Corola

34

6.2.5.3 -

Corona

 

34

6.2.5.4 - Androginóforo

37

6.2.6 -

Fruto

37

6.2.7 - Semente

 

38

6.3.1

- Chave para Identificação dos gêneros

41

 

6.3.2

- Chave para identificação das espécies

41

6.3.2.1 - Chave baseada apenas nos caracteres vegetativos

 

41

6.3.2.2. - Chave baseada nos caracteres vegetativos e

 

reprodutivos

47

I. - Passiflora L.

 

51

I.1 - Subgênero Plectostemma

53

 

1

- P. suberosa

53

2

- P.

saxicola

55

2

- P.

organensis

56

4

- P.

misera Kunth

58

5

- P.

pohlii

60

6

- P.

capsularis

64

I.2 - Subgênero Tacsonioides

 

66

7

- P. luetzelburgii Harms

66

I.3 - Subgênero Passiflora

 

68

8 alata Curtis

-

P.

69

9 odontophylla Harms ex Glaziou

-

P.

76

10 - P. nitida Kunth

77

11 - P. bahiensis Klotzsch

78

12 - P. malacophylla

79

13 - P. setacea

80

14 - P. cincinnata

85

 

15 - P.

trintae Sacco

91

 

17 - P.

recurva

98

18 - P.

watsoniana

101

 

19 - P. miersii

105

20 - P. edmundoi Sacco

106

21 - P. mucronata

110

22 - P. galbana

112

23 - P. mucugeana sp. nov.

118

24 - P. amethystina Mikan

121

 

I.4 - Subgênero Dysosmia

127

 

25

- P. foetida

127

 

I.5 - Subgênero Dysosmioides

134

 

26

- P. villosa

134

 

I.6 - Subgênero Astrophea

135

 

27 - P. mansoi (Mart.)

135

28 haematostigma

- P.

139

29 rhamnifolia

- P.

141

 

II

- Tetrastylis Barb.

144

 

30

- Tetrastylis ovalis (Vell.) Killip

144

7

-

Conclusão

150

8 - Referências Bibliográficas

151

9 - Lista de material examinado

160

10 - Índice dos nomes científicos

167

11 - Índice de Nomes vulgares

169

i

Índice das ilustrações

Figura 1. A. Bioma Caatinga: Município de Irec~e; B. Bioma Campo Rupestre:

Município de

09

Figura 2. Bioma Mata atlântica, Serra da Jibóia (=Serra da Pioneira), Santa

10

Figura 3. A. Bioma Caatinga com solo arenoso: Município de casa Nova. B. Restinga:

Município de Porto

12

Figura 4. A. Hábito (P. foetida); B. Estípula (P. edmundoi); C. Folha e estípula (P. edmundoi); D. Folha (P. villosa); E. Estípula (P. foetida); F. Glândula peciolar (P.

26

Figura 5. variação de tricomas: A. ápice foliar mucronado. B. Face abaxial foliar com tricomas glandulares. C. Nó com tricomas lanosos no caule, estípula, pedúnculo e gavinha. D. Face adaxial glabra, com margem serreada-denticulada. E. face adaxial glabra com margem serreada. F. Face adaxial hirsuta, com tricomas glandulares. G. Face abaxial velutina (A. P. pohlii; B. P. foetida; C. P. malacophylla; D. P. nítida; E. P. trintae; F. P. foetida; G. P.

28

Figura 6. Tipos de brácteas: A. Bráctea pinatissecta. B. Bráctea lanceolada. C. bráctea serreada. D. Bráctea com margem lisa. E. Bráctea espatulada. (A. P. foetida; B. P. recurva; C. P. setacea; D. P. galbana; E. P. edmundoi)

31

Figura 7. A. Passiflora luetzelburgii; B. P. recurva; C. P. galbana; D. P. cincinnata: E. P. misera; F. P.

33

Figura 8. A. Passiflora foetida; B. P. cincinnata; C. P. alata

35

Figura 9. Frutos. A. Baga globosa; B. Baga elíptica 6-costada; C. baga ovóide. D. baga globosa (A. Passiflora cincinnata; B. P. rhamnifolia; C. P. suberosa; D. P.

39

Figura 10. Subgênero Plectostemma: P. capsularis; A. Ramo; B. Flor. P. suberosa; C. Glândula peciolar; D. Flor. P. capsularis; E. Fruto (P. suberosa)

52

Figura 11. Passiflora suberosa: A.ramo, B. flor. P. organensis: C. ramo, D. flor, E. base da folha mostrando as manchas ocelares. P. misera: F. ramo, G. flor (corte

longitudinal). P. pohlii: H. ramo, I. base da folha mostrando as manchas ocelares. (A:

E.Melo 2781; B: G.Hatschbach 60652; C-E: J.G.Carvalho-Sobrinho 40; R.P.Oliveira 534; H-I: L.A.Mattos-Silva 483)

F-G:

63

Figura 12. Subgênero Tacsonioides: P. luetzelburgii A. Flor; B. Fruto; C. Folha; D. Botão com brácteas; E. Estípula e glândula

65

Figura 13. Subgênero Passiflora: P. alata. A. Caule alado e estípula; B. Hábito; C. Glândula peciolar; D. Brácteas; E. Flor; F. Botão envolvido por

70

ii

Figura 14. Passiflora capsularis: A. ramo, B. flor (corte longitudinal), C. fruto. P. luetzelburgii: D. ramo, E. flor (corte longitudinal), F. bráctea. P. alata: G. ramo, H. estípula, I. flor (corte longitudinal). P. odontophylla: J. ramo, K. flor (corte longitudinal). (A-C: J.M.Silva 51; D-F: A.M.Giulietti 1710; F: L.P.de Queiroz 3723; G- I: T.S.N.Sena 38; J-K: R.P.Belém

75

Figura 15. Passiflora nitida: A. ramo, B. glândula peciolar. P. bahiensis: C. Ramo, D. glândula peciolar. P. malacophylla: E. ramo, F. flor inteira. P. setacea: G. ramo, H. flor (corte longitudinal), I. fruto (corte longitudinal). (A-B: S.A.Mori 9398; C-D: T.S.Santos 440; E-F: E.P.Heringer 10205; G-I: E.R.Souza 49)

84

Figura 16. Passiflora trintae: A. ramo. P. edulis: B. ramo, C. flor (corte longitudinal),

D. bráctea. P. watsoniana: E. ramo, F. flor (corte longitudinal). (A: R.M.Harley 20197;

B-D: T.S.N.Sena 3; E-F: L.P.de Queiroz 6462)

104

Figura 17. Passiflora mucugeana sp. nov. ined. A. ramo. (A: R.M.Harley 53589)

120

Figura 18. Passiflora edmundoi: A. ramo, B. flor. P. mucronata: C. ramo, D. flor inteira, E. flor (corte longitudinal). P. galbana: F. ramo, G. flor. P. amethystina: H.

D-E: L.A.Mattos-Silva 483; F-G: T.S.Nunes

estípula, I. ramo. (A-B: T.S.N.Sena 25; 229; H-I: G.Hatschbach

125

Figura 19. Subgênero Dysosmia: A. Flor; B. Hábito prostrado; C. Flor; D. Baga

globosa; E. Baga envolto em brácteas pinnatissectas (A-E. P.

126

Figura 20. Subgênero Dysosmioides: A. Ramo em botão com brácteas e estípulas; B.

Estípula; C. Botão; D. Fruto; E. Flor (em corte longitudinal); (A-E. P.

133

Figura 21. Subgênero Astrophea: A. Ramo; B. Fruto; C. Flor (em corte longitudinal);

D. Flor (A. P. mansoi; B-D. P. rhamnifolia)

138

Figura 22. Tetrastylis ovalis: A. Caule; B. Ramo florido; C. Flor (em corte

longitudinal); D.

143

Figura 23. Passiflora villosa: A. ramo, B. flor (corte longitudinal). P. haematostigma:

C. ramo, D. flor (corte longitudinal). P. rhamnifolia: E. ramo, F. glândula peciolar, G.

flor (corte longitudinal). Tetrastylis ovalis: H. ramo, I. flor (corte longitudinal). (A-B:

W.Ganev s.n.; C-D: (J.Cordeiro 858; E-G: M.L.Guedes 1391; H-I: F.França 1150)

149

Mapa 1. Mapa do Estado da Bahia com os principais tipos vegetacionais (Fonte:

Queiroz

13

Mapa 2. Mapa do Estado da Bahia mostrando o sistema de quadrículas adotados na distribuição geográfica (Fonte: Lewis,

16

Mapa 3. Coletas por número de espécies, da família Passifloraceae no Estado da Bahia, existentes no HUEFS, até

19

Mapa 4. Distribuição de Passiflora misera, P. organensis, P. saxicola e P. suberosa no Estado da

62

iii

Mapa 5. Distribuição de P. alata, P. capsularis, P. luetzelburgii e P. pohlii no Estado da

74

Mapa 6. Distribuição de P. bahiensis, P. malacophylla, P. nitida, P. odontophylla e P. setacea no Estado da

83

Mapa 7. Distribuição de P. cincinnata e P. trintae no Estado da Bahia

94

Mapa 8. Distribuição de P.edulis, P. recurva e P. watsoniana no Estado da

94

Mapa 9. Distribuição de P. edmundoi, P. galbana e P. mucronata no Estado da Bahia. 103

Mapa 10. Distribuição de P. amethystina e Passiflora mucugeana no Estado da Bahia. 117

Mapa 11. Distribuição de P. foetida no Estado da

124

Mapa 12. Distribuição de P. mansoi e P. villosa no Estado da

132

Mapa 13. Distribuição de P. haematostigma, P. rhamnifolia e Tetrastylis ovalis no

Estado da

140

1

RESUMO

(A família Passifloraceae no Estado da Bahia, Brasil) - O Estado da Bahia está localizado

na região Nordeste, ocupa uma área de 567.295,3 km 2 e possui grande diversidade de tipos

vegetacionais com, representação de, praticamente, todos os grandes biomas brasileiros.

Assim,

são

encontradas

formações

de

mata

atlântica,

restinga,

vegetação

de

dunas

e

manguezais, matas mesófilas, cerrados, caatinga e campos rupestres. A família Passifloraceae

é predominantemente tropical e subtropical e possui cerca de 20 gêneros e 650 espécies.

Ocorre nas áreas mais quentes da América com algumas espécies na Ásia e Austrália e uma

espécie em Madagascar. São, na maioria, plantas trepadeiras com gavinhas, apresentando

folhas

simples

ou

lobadas,

com

estípulas,

flores

vistosas,

solitárias,

raramente

em

inflorescências, com receptáculo desenvolvido em hipanto e apêndices acessórios na forma de

corona, opérculo e/ou androginóforo. No Brasil ocorrem quatro gêneros, Mitostemma Mast.,

Dilkea Mast., Tetrastylis Barb. Rodr. e Passiflora L., com cerca de 120 espécies, a maioria

subordinada ao gênero Passiflora. Para o Estado da Bahia foram registrados dois gêneros com

30 espécies de Passifloraceae, Tetrastylis ovalis (Vell.) Killip e 29 espécies do gênero

Passiflora: P. alata Curtis, P. amethystina Mikan, P. bahiensis Klotzsch, P. capsularis L., P.

cincinnata Mast., P. edmundoi Sacco, P. edulis Sims., P. foetida L., P. galbana Mast., P.

haematostigma Mast. ex Mast., P. luetzelburgii Harms, P. malacophylla Mast., P. mansoi

(Mart.) Mast., P. miersii Mast., P. misera Kunth, P. mucronata Lam., P. mucugeana sp. nov.

ined., P. nitida Kunth, P. odontophylla Harms ex Glaziou, P. organensis Gard., P. pohlii

Mast., P. recurva Mast., P. rhamnifolia Mast., P. saxicola Gontsch., P. setacea DC., P.

suberosa L., P. trintae Sacco, P. villosa Vell. e P. watsoniana Mast. Dentre as espécies

2

estudadas, três são endêmicas do Estado: Passiflora saxicola, P. bahiensis e P. mucugeana.

Além da proposição de uma nova espécie (P. mucugeana), P. caatingae L. Escobar é

sinonimizada a P. trintae Sacco. São apresentadas chaves para identificação, descrições,

ilustrações, fotos e mapas da distribuição das espécies no Estado.

3

ABSTRACT

(The family Passifloraceae in the State of Bahia, Brazil) – The State of Bahia is located in

the Northeastern region, with a extension of 567.295,3 km 2 and a high diversity of vegetation

types, with representatives of pratically all of the largest brazilians biomes. Thus, it is found

Atlantic forests, restinga, mangroves, seasonal forests, cerrado, caatinga and campos rupestres.

The family Passifloraceae is mainly tropical and subtropical and has about 20 genera and 650

species growing mostly in the warmer areas of the America with some species occurring in

Asia and Australia, and only one specie in Madagascar. They are mostly vines with tendrils

and

have

leaves

simple

or

lobed

with

stipules,

flowers

solitary,

rarely

grouped

in

inflorescences, with the receptacle modified in an hypanthium and accessory appendages like

the corona, operculum and/or androgynophore. Four genera are found in Brazil: Mitostemma

Mast., Dilkea Mast., Tetrastylis Barb. Rodr. and Passiflora L., with c. 120 species, most

belonging to Passiflora. For the State of Bahia, it was registered two genera with 30 species of

Passifloraceae: Tetrastylis ovalis (Vell.) Killip and 29 species of Passiflora: P. alata Curtis, P.

amethystina Mikan, P. bahiensis Klotzsch, P. capsularis L., P. cincinnata Mast., P. edmundoi

Sacco, P. edulis Sims., P. foetida L., P. galbana Mast., P. haematostigma Mast. ex Mast., P.

luetzelburgii Harms, P. malacophylla Mast., P. mansoi (Mart.) Mast., P. miersii Mast., P.

misera Kunth, P. mucronata Lam., P. mucugeana sp. nov. ined., P. nitida Kunth, P.

odontophylla Harms ex Glaziou, P. organensis Gard., P. pohlii Mast., P. recurva Mast., P.

rhamnifolia Mast., P. saxicola Gontsch., P. setacea DC., P. suberosa L., P. trintae Sacco, P.

villosa Vell. and P. watsoniana Mast. Three species are endemic for the State: Passiflora

saxicola, P. bahiensis and P. mucugeana. Besides the new species (P. mucugeana), P.

4

caatingae L. Escobar is proposed as a synonym of P. trintae. It is presented in this paper an

identification key, description, illustration, photos and maps with the geographic distribution

of the species in the State.

5

INTRODUÇÃO

A família Passifloraceae é predominantemente tropical e subtropical e possui cerca de

20 gêneros e 650 espécies de lianas ou trepadeiras com gavinhas, flores solitárias ou

inflorescência cimosa, com receptáculo desenvolvido em hipanto e apêndices acessórios na

forma de corona, opérculo e/ou androginóforo, com sementes ariladas (Brizyck, 1961). A

maioria das espécies está subordinada ao gênero Passiflora, o maior da família, com cerca de

400 espécies descritas, predominantemente neotropicais (Killip, 1938). A família ocorre

principalmente nas Américas, com áreas de menor diversidade na Ásia e Austrália e uma

espécie em Madagascar (Heywood, 1993). No Brasil ocorrem quatro gêneros: Mitostemma

Mast., Dilkea Mast., Tetrastylis Barb. Rodr. e Passiflora L. com cerca de 120 espécies (Cervi,

1997).

Durante muito tempo a família Passifloraceae foi considerada como relacionada às

famílias

Malesherbiaceae,

Turneraceae

e

Flacourtiaceae,

integrando

a

ordem Parietales

(Bentham & Hooker, 1865; Masters, 1871), ou ordem Violales (Cronquist, 1981). Atualmente

a família está sendo considerada como pertencente a ordem Malpighiales, através de estudos

moleculares, próximo a grupos como Euphorbiaceae, Malpighiaceae e Flacourtiaceae (APG,

1998).

De acordo com a classificação de Wilde (1971) duas tribos são distinguidas dentro da

família:

a

tribo

Paropsieae,

com

seis

gêneros,

que

têm

hábito

arborescente,

com

representantes apenas para o Velho Mundo, formado por lianas, e a tribo Passifloreae, com

cinco gêneros, formada por espécies trepadeiras com gavinhas, com sua maior representação

para a América Latina.

6

A tribo Paropsieae foi considerada por Engler (1921), Sleumer (1954) e Harms (1893)

e como uma tribo de Flacourtiaceae. No entanto, devido à presença de uma corona, assim

como dados anatômicos e palinológicos, esta tribo têm sido incluída nas Passifloraceae

(Willde, 1971).

Com a publicação da monografia na Flora Brasiliensis (Masters, 1872), foram

descritas e ilustradas 202 espécies e, ainda hoje, esta é uma das mais completas obras para a

família.

Posteriormente, Killip (1938) revisou a família para o Novo Mundo, reconhecendo

355 espécies para a América do Sul, e agrupou estas espécies em quatro gêneros e subdividiu

o gênero Passiflora em 22 subgêneros. Este sistema de classificação está sendo usado neste

trabalho.

No Estado da Bahia ocorrem, segundo Killip (1938), 18 espécies. Harley & Mayo

(1980) relataram dez espécies de Passiflora, além de Tetrastylis ovalis (Vell.) Killip. Harley &

Simmons (1986) publicaram a Florula of the Mucugê, citando três espécies da família. Para a

região do Pico das Almas, no município de Rio de Contas, Vitta (1995) relacionou quatro

espécies. Sena & Queiroz (1998) relataram quatro espécies para a região do Morro do Pai

Inácio (Palmeiras) e Serra da Chapadinha (Lençóis). Sena & Queiroz (2001) descrevem treze

espécie para a região da Chapada Diamantina na Bahia, incluindo a citação de uma provável

espécie nova.

O grupo apresenta uma grande importância econômica na agricultura e na horticultura,

sendo empregada para fins ornamentais, medicinais e alimentares (Oliveira et al., 1983).

Muitas espécies do gênero Passiflora são importantes economicamente por causa dos seus

frutos comestíveis, sua alta adaptabilidade ao cultivo (Oliveira, 1987; Sánchez et al. 1999). O

7

fruto pode ser consumido fresco ou processado como suco (Barbosa & Vieira, 1997). Muitas

espécies são utilizadas como ornamentais, principalmente na Europa e Novo Mundo (Escobar,

1980) devido a sua forma exótica e pelas suas cores vistosas. Outras espécies são muito

utilizadas por suas propriedades medicinais. A raiz pode ser usada como antiespamódica, anti-

helmíntica, inseticida e bactericida (Sánchez et al., 1999). Apresentam uma substância

química “Passiflorine” utilizada comercialmente por sua propriedade letárgica.

O presente trabalho tem como objetivo apresentar um levantamento da família

Passifloraceae no Estado da Bahia, contribuindo assim, para o conhecimento desta flora.

Área de Estudo

O Estado da Bahia ocupa uma área total de 567.295,3 km 2 , incluindo a área continental

e suas ilhas, sendo o quinto maior Estado do Brasil, após o Amazonas, Pará, Mato Grosso e

Minas Gerais (Noblick, 1991). Ocupa uma área localizada entre as longitudes 37 o e 47 o W e

latitudes 8 o e 18 o S, limitando-se, ao norte, com Alagoas, Pernambuco, Sergipe e Piauí, a

oeste, com Goiás e Tocantins, ao sul, com Minas Gerais e Espírito Santo, sendo a leste

banhado pelo Oceano Atlântico, ocupando a maior faixa litorânea do Brasil. De acordo com a

tipologia climática de Thorntwaite (SEI, 1999), a faixa litorânea, envolvendo as planícies e os

planaltos

costeiros,

apresenta

clima

variando

do

úmido

ao

subúmido.

Nas

depressões

periféricas e interplanálticas, o clima varia do semi-árido ao árido. As elevações no centro do

território baiano, correspondentes à Chapada Diamantina, apresentam características típicas do

clima tropical de altitude, com médias anuais de temperaturas variando de 18 o a 22 o C e

excedente hídrico pequeno a moderado. O oeste baiano, drenado pelo rio São Francisco,

8

região classificada como Chapadão Ocidental do mesmo rio, apresenta clima quente e seco, do

tipo semi-árido. No extremo oeste, os excedentes hídricos são maiores, caracterizando uma

tipologia que varia do subúmido ao úmido (SEI, 1999).

Ocorrem na Bahia os seguintes tipos vegetacionais (Lewis, 1987; Noblick, 1991;

Queiroz, 1998) (Mapa 1):

1 – Caatinga

Ocupa a maior área do Estado, ocorrendo com suas várias fisionomias em diferentes

regiões semi-áridas do Estado. A palavra “caatinga” significa floresta branca e refere-se a um

tipo de vegetação caracterizado pela presença de espécies arbustivo-arbóreas, com espinhos e

com folhagem decídua na estação seca. É uma área localizada predominantemente na

depressão sertaneja e bacias sedimentares internas e recobre mais de 50 % do território

estadual. A taxa anual de precipitação é de 300-400 mm por ano, com solo raso e pedregoso

ou arenoso.

Apesar da deficiência hidríca é um dos biomas mais ricos do Estado, apresentando

elevada diversidade de espécies, predominando famílias como Leguminosae, Cactaceae,

Bromeliaceae e Euphorbiaceae (Noblick, 1991; Queiroz, 1998, Giulietti et al., 2002).

2 – Campos rupestres

Formações que se estabelecem acima dos 900m e são encontrados nas serras da

Chapada Diamantina. Segundo Harley & Simmons (1986), são áreas muito ricas em espécies

endêmicas. Geralmente ocorrem isolados, tendo em seu entorno vegetações do tipo caatinga

9

ou cerrado. Apresentam uma fisionomia típica, predominando pequenos arbustos e ervas que

crescem sobre um substrato, que é muito raso por estar sobre rochas. Algumas famílias são

características

deste

ecossistema:

(Giulietti & Pirani, 1988).

3 – Mata Atlântica

Gramineae,

Cyperacae,

Eriocaulaceae

e

Xyridaceae

Distribuída em toda a faixa litorânea, as principais áreas de mata atlântica encontram-

se na região sul do Estado e compreende quatro tipos florestais (Mori et al., 1983; Thomas et

al., 1997): matas úmidas, matas mesófilas, matas de restingas e matas de cipó. Apesar de

apresentar uma grande variedade de espécies, o número de indivíduos por espécie é muito

baixo (Noblick, 1991). As matas do sul da Bahia apresentam uma elevada taxa de endemismo

(Mori et al., 1981b). Compreende um dos biomas mais degradados pela forte ocupação do

litoral, retirada de madeiras e substituição por plantações de açúcar, café e cacau.

4 – Cerrado

Encontrado principalmente na região oeste do Estado, pode ser visto também em

algumas áreas da Chapada Diamantina (Harley, 1995; Giulietti et al., 1996), em altitudes de

700-800m. Apresenta árvores geralmente baixas com troncos retorcidos, tortuosos e casca

espessa e protegida por uma camada de cortiça. As famílias bem representadas no cerrado são:

Compositae, Leguminosae e Gramineae (Goodland & Ferri, 1979).

10

5 – Restingas e Mangues

No litoral, entre a linha da costa e a mata atlântica há uma zona de vegetação de

mangues, praias e restingas. As restingas desenvolvem-se em solos com baixo teor de

nutrientes e as árvores são pequenas em alturas e diâmetro. Na faixa litorânea ocorrem

famílias como Convolvulaceae e Solanaceae, que se desenvolvem livremente na superfície do

solo. Seguindo em direção ao interior, tem-se uma vegetação constituída por indivíduos

lenhosos, representados freqüentemente por espécies das famílias Myrtaceae, Leguminosae e

Euphorbiaceae (Romariz, 1996).

Os manguezais são formados por espécies com uma alta capacidade de adaptação a

ambientes adversos, como: solo extremamente inconsistente, salgado, com baixa taxa de

oxigênio, devido aos alagamentos provocados pelo movimento das marés. Neste tipo de

ambiente são encontradas espécies de famílias como Rhyzophoraceae, Avicenniaceae e

Combretaceae (Romariz, 1996).

11

11 Mapa 1 – Mapa do Estado da Bahia com os principais (Fonte: tipos vegetacionais

Mapa 1 – Mapa do Estado da Bahia com os principais (Fonte:

tipos vegetacionais

12

METODOLOGIA

O

trabalho

foi

baseado,

principalmente

em

análise

de

espécimes

do

herbário,

complementado com observações das plantas em campo.

1. Trabalho de herbário

Foram consultadas as coleções de Passifloraceae dos seguintes herbários (acrônimos de

acordo com Holmgreen et al., 1990):

ALCB – Herbário Alexandre Leal Costa – Bahia

BAH – Herbário da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola – Bahia

BM – British Museum, Natural History – Inglaterra

BR – Herbarium Nationale Plantentuim van België – Bruxelas - Bélgica

CEN

Embrapa,

Herbário

do

Centro

Nacional

de

Recursos

Genéticos

CENARGEN.

 

CEPEC – Herbário Centro de Pesquisa do Cacau – Bahia

 

E

– Royal Botanic Gardens – Edimburgo - Escócia

 

HRB – Herbário RadamBrasil – Bahia

 

HST – Herbário Sérgio Tavares – Pernambuco

 

HUNEBA – Herbário da Universidade do Estado da Bahia – Alagoinhas, Bahia

 

IPA

Herbário

da

Empresa

Pernambucana

de

Pesquisas

Agropecuárias

-

Pernambuco

K – Royal Botanic Gardens – Kew - Inglaterra

13

MBM – Museu Botânico de Curitiba - Paraná

PEUFR – Herbário da Universidade Federal Rural de Pernambuco – Pernambuco.

R – Museu Nacional do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro

RB – Jardim Botânico do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro

RFA – Herbário do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro SP – Herbário do Instituto de Botânica de São Paulo – São Paulo

SPF – Herbário da Universidade de São Paulo – São Paulo

UB – Fundação Universidade de Brasília – São Paulo

UESC – Herbário da Universidade Estadual de Santa Cruz - Bahia

UFPE – Herbário da Universidade Federal de Pernambuco - Pernambuco

VIC - Herbário da Universidade de Viçosa – Minas Gerais.

No total foram analisados cerca de 2.500 exsicatas. Tipos nomenclaturais foram

analisados para 18 espécies, correspondendo a cerca de 60% das espécies da Bahia.

A identificação foi baseada na consulta às obras originais e por comparação aos tipos

disponíveis

As descrições foram feitas a partir de uma análise detalhada de cada espécime, e as

ilustrações foram baseadas em material de herbário e da coleção líquida, com auxílio de

estereomicroscópio acoplado a câmara clara.

Os mapas de distribuição geográfica das espécies, foram feitos a partir dos dados

retirados das etiquetas de herbário. As coletas realizadas foram geo-referenciadas com o uso

de GPS.de latitude e longitude, ou descrição da localidade obtidas nas exsicatas dos herbários

visitados, e através dos dados de coletas. O modelo de mapa utilizado foi o adotado por

14

As medidas das folhas foram baseadas no padrão proposto por MacDougal (1994).

foram baseadas no padrão proposto por MacDougal (1994). Mapa 2. Mapa do Estado da Bahia most

Mapa 2. Mapa do Estado da Bahia mostrando o sistema de quadrículas adotadas na distribuição geográfica (Fonte: Lewis, 1997).

15

Na medida das estípulas o termo comprimento é sempre aplicado para a maior

dimensão, mesmo que possa não indicar a distância entre o ponto de inserção da estípula no

caule e sua margem, devido à falta de simetria.

2. Trabalho de campo

O número de espécimes coletados e depositados no herbário HUEFS (Herbário da

Universidade Estadual de Feira de Santana) até o ano de 1999 (Mapa 3), indicou as regiões do

Oeste, Baixo Médio São Francisco, Serra Geral, Sudoeste, Litoral Sul e Extremo Sul, como as

áreas menos amostradas para a família Passifloraceae. Portanto, foi dada prioridade para a

coleta de espécimes de Passifloraceae nestas áreas (Tabela 1), totalizando 16 excursões e 55

dias em campo.

Durante estas excursões foram recoletadas 25 das 30 espécies citadas para o Estado da

Bahia.

O material coletado, foi processado segundo as técnicas atuais de herborização (Mori

et al., 1989; Bridson, 1992; Nunes, 2002), e está depositado no herbário HUEFS, com

duplicatas distribuídas nos principais herbários baianos. Além de exsicatas, foi também

montada uma coleção líquida, depositada no HUEFS, conservada em etanol 70%, e uma

coleção de fotografias.

Tabela 1 – Coletas realizadas no Estado da Bahia.

Período

Municípios

Microrregião

28-30.02.2000

Formosa do Rio Preto/Barreiras

Oeste

16

23

– 25.10.2000

Lençóis/Palmeiras/Mucugê/Andaraí

 

Chapada Diamantina

29.11

Rio de Contas

 

Chapada Diamantina

01.12.2000

 

10.06

Ipirá/Brotas de Macaúbas/Irecê

 

Oeste

11.06.2001

06-10.06.2001

 

Nova Fátima/Jacobina/Casa Nova/Campo Alegre de

Oeste

 

Lourdes/Remanso

 

13-18.06.2001

 

Senhor

do

Bonfim/Remanso/Campo

Alegre

de

Nordeste

 

Lourdes

14-18.08.2001

 

Campo

Alegre

de

Lourdes/Remanso/Casa

Nordeste

 

Nova/Senhor do Bonfim

26-28.11.2001

 

Morro do Chapéu/São Gabriel/Barro Alto/Campo

Oeste

 

Alegre de Lourdes/Remanso

 

27-30.12.2001

 

Campo Alegre de Lourdes/Remanso/Casa Nova

 

Nordeste

18-19.01.2001

 

Itiúba

Piemonte

da

 

Diamantina

01

– 09.02.2001

Feira de Santana/Itabuna/Una/Canavieiras /

 

Litoral Sul e Extremo

 

Itapebi/Belmonte/Santa Cruz Cabrália

 

Sul

14-16.02.2002

 

Ibicoara/Mucugê

 

Chapada Diamantina

18.03.2002

 

Irecê/Gentio do Ouro

 

Oeste

23.03.2002

 

Santa Terezinha

 

Paraguaçu

10-11.05.2002

 

Itiúba

Piemonte

da

17

   

Diamantina

14-18.05.2002

Mundo Novo/Gentio do Ouro/Xique-Xique

Oeste

Durante este período, outros grupos de coletas do HUEFS, foram ao campo em

diversas áreas do Estado, gerando um acréscimo significativo na coleção de Passifloraceae, e

cobrindo uma maior extensão territorial.

3. Formato

A abreviatura dos nomes dos autores está de acordo com Brummit & Powell (1992), e

todo o material examinado de cada espécie está listado em ordem alfabética de município e

ordem crescente da data de coleta.

As espécies são apresentadas de acordo o sistema de classificação adotado por Killip

(1938), com modificações propostas por Cervi (1997). As ilustrações estão

18

0-1 espécie 2-3 espécies 4-5 espécies 6-7 espécies 8-9 espécies 10-11 espécies 12-13
0-1 espécie
2-3 espécies
4-5 espécies
6-7 espécies
8-9 espécies
10-11
espécies
12-13

Mapa 3. Coletas por número de espécies, da família Passifloraceae no Estado da Bahia, existentes no HUEFS, até 1999.

19

organizadas de acordo com o aparecimento no texto, e não estão agrupadas por

subgêneros ou qualquer outro tipo de classificação.

São apresentadas, neste trabalho, duas chaves de identificação taxonômica:

uma baseada apenas nos caracteres vegetativos e outra baseada nos caracteres

morfológicos e vegetativos.

As abreviaturas usadas neste trabalho são:

alt.: altura

ca.: de cerca de

diâm.: de diâmetro

larg.: de largura

s.d.: sem data de coleta especificada

s.n.: sem número de série do coletor

s.c.: sem coletor

m.s.n.m.: metros sobre o nível do mar

compr.: comprimento.

20

RESULTADOS

HISTÓRICO DA FAMÍLIA

Segundo MacDougal (1994), a primeira publicação que fez referência a esta família foi

a de Pedro de Cieza na Historia Peruvianae em 1553. A família Passifloraceae tem sua

primeira citação datada entre os séculos XVI e XVII, descoberta pela beleza de suas flores,

que chamou a atenção dos colonizadores, pelo sincretismo religioso. Uma planta foi enviada

ao Papa Paulo V em 1605 e este mandou cultivá-la em Roma, informando que ela

representava

uma

revelação

divina.

Escritores

do

século

XVI

consideravam

bastante

simbólicas as partes da flor, cantada em prosa e verso: um deles disse que sobre o globo

(ovário), firmavam-se três folhinhas (estiletes e estigmas), representando os três cravos

utilizadas na crucificação de Cristo; três brácteas, situadas na base da flor, representavam as

três pessoas da Santíssima Trindade; a coroa de espinhos (corona), com sua cor arroxeada,

significavam a coroa de espinhos salpicada de sangue. Outros entendiam que os cinco estames

representavam os cinco guardiões; as cinco anteras lembravam as cinco chagas; as cinco

sépalas e as cinco pétalas, juntas representavam os dez apóstolos presentes na crucificação; as

gavinhas os chicotes com que os guardiões açoitaram Cristo; as brácteas lanceoladas,

lembravam as flechas dos guardiões (Escobar, 1988; Cervi, 1997; McGuire, 1999).

As primeiras descrições feitas da família eram relacionadas a este lado religioso. A

denominação

das

Passifloráceas

se

deve

a

Pluckenet

(1696),

que

publicou

na

obra

Almagestrum botanicum, a primeira descrição da família. Tournefort (1700) descreveu os

gêneros Murucuja e Granadilla, sendo estes diferenciados pela coroa de filamentos: floral em

Murucuja e tubular em Granadilla, mas, somente no ano de 1735 o gênero Passiflora foi

21

estabelecido por Linnaeus que, em 1745 que publicou 22 espécies. Com a publicação do

Species Plantarum (Linnaeus, 1753), o gênero Passiflora foi validado com 24 espécies.

Medicus (1787) reconheceu as seções Passiflora, Cieca e Murucuja. Lamarck (1789),

aumentou

o

número

de

espécies

para

35.

Porém,

foi

Jussieu

(1817)

quem

validou

taxonomicamente a família.

 

Cavanilles

(1790)

descreveu

43

espécies,

32

das

quais

foram

ilustradas,

na

Dissertation Botanica of Passiflora, separando-as segundo a presença da corola, divisão e

número de lobos das folhas. Jussieu (1805), descreveu treze novas espécies e fez uma

discussão detalhada de alguns problemas genéricos. Bory de St. Vicent (1819), descreveu os

novos gêneros: Asephananthes, Monactineirma e Anthactinia. Rees (1819), descreveu mais 55

espécies para a família.

Vellozo (1827) publicou a ilustração de 25 espécies, sem descrições. Apesar disso, as

espécies são consideradas válidas taxonomicamente, de acordo com o Art. 44.1 do Código

Internacional de Nomenclatura Botânica (Greuter et al., 2000), pois as ilustrações são

acompanhadas de análise.

De Candolle (1828), no Prodomus, descreveu 145 espécies para a família. Esta é, até

hoje, uma das principais obras de referência para o estudo da família.

Roemer (1846) na sinopse da família publicou cerca de 225 espécies do Novo Mundo.

Porém, um dos mais extensivos trabalhos na família foi o de Masters (1871), com 202

espécies para as Américas, onde apresentou uma monografia dos gêneros: Passiflora,

Astrophea, Plectostemma, Cieca, Dysosmia, Decaloba, Murucuja, Eumurucuja, Psilanthus,

Granadilla, Tacsonia, Bracteogama, Eutacsonia e Dilkea.

Triana & Planchon (1873) publicaram o Prodomus Florae Granatensis, onde foram

22

descritas 355 espécies, sendo 17 novas, incluindo P. foetida com 37 variedades, tornando-se

uma importante monografia sobre a família, incluindo pranchas e descrições de novas

espécies.

Harms (1929), citou a ocorrência dez espécies para o Estado da Bahia: P. alata, P.

amethystina, P. capsularis, P. coerulea, P. edulis, P. jileki, P. mansii, P. organensis, P.

suberosa e P. villosa.

Gonstcharow (1927), descreveu três espécies do gênero Mitostemma e 16 espécies do

gênero Passiflora, distribuídos em cinco secções: Astrophea, Dysosmia, Decaloba, Cieca e

Granadilla.

Barbosa Rodrigues (1882) publicou o gênero Tetrastylis Barb. Rodr., com uma única

espécie para o Brasil. Uma segunda espécie, da Costa Rica, foi proposta por Killip (1926).

Segundo Killip (1938) a principal diferença entre os gêneros Passiflora e Tetrastylis é o

número de estiletes: quatro em Tetrastylis e três em Passiflora, ginóforo curvado ou reto,

filamentos unidos ou livres e o número de placenta (quatro em Tetrastylis e três em

Passiflora). Posteriormente, MacDougal (1994), transferiu T. lobata Killip para o gênero

Passiflora de modo que, atualmente o gênero Tetrastylis contêm apenas uma espécie.

Killip (1938), publicou uma monografia das espécies americanas da família, incluindo

a descrição de 355 espécies, pertencentes a quatro gêneros: Dilkea, Mitostemma, Tetrastylis e

Passiflora. Posteriormente, com uma nota complementar, publica mais dez espécies para a

América (Killip, 1960).

Escobar (1980) reconheceu duas tribos para a família: Passifloreae e Paropsieae. Na

primeira incluiu todas as trepadeiras, com inflorescências axilares, cimosas e ramificação

vegetativa sempre a partir do guia acessório, com espécies restritas ao Velho Mundo. Na

23

segunda, ocorrem espécies com inflorescências axilares, racemosas e a ramificação vegetativa

é freqüentemente através de gemas axilares, com sua maior representação na América Latina.

Esta tribo, segundo alguns autores (Harms, 1893; Engler, 1921 & Sleumer, 1954), ocupa uma

posição intermediária entre Passifloraceae e Flacourtiaceae.

No Brasil, os estudos da família tiveram origem em 1966, quando Sacco deu início a

publicação de uma série de trabalhos sobre a família, inclusive algumas espécies novas. A

partir daí outros nomes surgiram como: Pessoa (1992), Cervi (1997), Bernacci (1999), em

trabalhos desenvolvidos principalmente na região sul do país. No Nordeste, os únicos

trabalhos voltados para a taxonomia da família foram os de Vitta (1995), Sena & Queiroz

(1998) e Sena & Queiroz (2001).

24

ASPECTOS MORFOLÓGICOS DA FAMÍLIA NO ESTADO DA BAHIA

1. Hábito

Trepadeiras herbáceas ou lenhosas a lianas, com gavinhas. Algumas espécies de Passiflora

subgênero Dysosmia são pequenos arbustos esgalhados.

O caule pode ser cilíndrico ou 3-5 angulado, raramente quadrangulado em algumas

espécies do subgênero Passiflora, ou subangular-achatado (P. misera). Apresenta-se delgado

(P. suberosa) ou lenhoso (P. rhamnifolia e Tetrastylis ovalis), pode ser glabro ou pubescente.

Em Passiflora subgênero Plectostemma é usualmente estriado e, às vezes, profundamente

sulcado.

A família é caracterizada pela presença de uma gavinha solitária que nasce na axila foliar.

Esta gavinha pode ser simples ou ramificada. Sendo uma estrutura axilar, a gavinha tem sido

interpretada por alguns autores (Cusset, 1968; MacDougal, 1994; Bell, 1998) como uma

modificação do pedúnculo. No entanto, nas espécies estudadas, verificou-se que a axila pode

conter apenas gavinha ou gavinha e pedúnculo, esta originando-se independentemente. Assim,

consideramos que a gavinha tem origem caulinar e independente do pedúnculo.

2. Estípulas

Devido a sua diversidade de forma e tamanho, as estípulas fornecem excelentes caracteres

diagnósticos para as espécies. As estípulas são geralmente bem desenvolvidas e algumas vezes

caem quando a folha ou o botão floral se desenvolvem.

25

Podem apresentar forma linear (P. rhamnifolia), setácea (P. alata), largamente ovada ou

reniforme (P. edmundoi, P. galbana, P. watsoniana). Sua margem é geralmente inteira, lisa

(P. galbana), denteada (P. luetzelburgii), serreada (P. edulis) ou laciniada (P. foetida e P.

villosa). Algumas vezes são glandulares (P. foetida). A venação pode ser: peninérvia ou

palminérvia, na maioria dos casos as nervuras primárias convergem até o ápice.

3.

Folha

As folhas são sempre alternas e incompletas (sem bainha). A lâmina pode se apresentar

inteira (Tetrastylis ovalis e P. galbana), bilobada (P. organensis e P. misera), trilobada (P.

suberosa, P. recurva e P. setacea) ou pentalobada (P. cincinnata). Apresentam textura

coriácea (P. trintae), membranácea (P. foetida), cartácea (P. rhamnifolia) ou papirácea (P.

recurva), às vezes terminando em um mucron.

Em algumas espécies podemos encontrar manchas ocelares, pequenas manchas circulares

na porção adaxial que se assemelham a ovos de borboletas e reduzem a oviposição de insetos

na folha (MacDougal, 1994). Isto pode ser observado em P. pohlii, P. capsularis, P.

organensis e P. misera.

Muitas espécies apresentam heteroblastia, as plantas jovens mostram folhas de forma

diferente das maduras como P. edulis, P. luetzelburgii, P. setacea e P. villosa. Alguns autores

atribuem esta diversidade à pressão seletiva exercida pelas mariposas sobre as espécies de

Passifloraceae, sendo, provavelmente, uma adaptação para evitar a herbivoria (Escobar, 1988;

MacDougal, 1994). As folhas podem ser peninérvias (P. galbana e P. rhamnifolia) ou

palminérvias

com

3

nervuras

primárias

(P.

recurva,

P.

setacea

e

P.

suberosa)

ou,

26

obscuramente, com 5 nervuras primárias (P. mucronata). No caso das folhas palminérvias, o

número de nervuras determina o número de lobos da folha. As nervuras secundárias em geral

chegam até a margem (P. galbana e P. edmundoi). Em Passiflora subgênero Astrophea e em

umas poucas espécies de outros subgêneros as folhas são peninérvias. Algumas espécies

podem apresentar folhas uninérvias ou palmatinérvias.

A margem pode ser inteira, serreada, denteada ou pectinada. Os dentes são associados com

o final das nervuras secundárias ou terciárias (MacDougal, 1994).

Nectários

extra-florais

podem

estar

presentes

e

representam

importantes

caracteres

taxonômicos. Eles podem ocorrer no pecíolo, na lâmina foliar (margem ou superfície), nas

brácteas ou nas sépalas. A distribuição destes nectários é importante para o reconhecimento

das espécies.

Os nectários podem ser sésseis ou pedunculados. Os sésseis podem se apresentar em forma

de cicatriz, crateriforme ou como uma lâmina discoidal. Os pedunculados podem ter o

pedúnculo delgado (P. amethystina, P. watsoniana e P. edmundoi) ou espesso (P. alata).

A lâmina foliar pode ser glabra ou pubescente. Os tricomas geralmente são simples,

produzindo indumento piloso, hirsutos a vilosos. Em algumas espécies podem ocorrer

tricomas

estrelados

(P.

luetzelburgii).

subgênero Dysosmia (P. foetida).

4.

Inflorescência

Tricomas

glandulares

estão

presentes

apenas

no

27

Nas Passifloraceae, as flores são, geralmente, isoladas ou pareadas na axilar foliar. Em

Tetrastylis

ovalis,

elas

estão

agrupadas

em

racemo.

Segundo

MacDougal

(1994)

a

inflorescência básica na família é um cimo dicasial, e a gavinha é o pedicelo modificado da

flor central. A redução do pedúnculo da inflorescência em muitas espécies de Passiflora deu

origem às inflorescências sésseis, com a gavinha colateral às flores na axila.

As espécies de Passifloraceae normalmente apresentam três brácteas no pedúnculo, sendo

essa uma das características diagnósticas da família. Sua forma, tamanho e posição no

pedúnculo constituem caracteres de grande importância para separar subgêneros, seções e

espécies. As brácteas podem ser decíduas, caindo logo após a abertura da flor, ou persistentes.

Podem se apresentar verticiladas na base da flor (P. galbana, P. alata e P. mucronata), ou

alternas ao longo do pedúnculo (P. edmundoi). Podem ser sésseis (P. galbana, P. mucronata),

ou pecioladas (P. edmundoi). Quanto ao formato as brácteas podem ser: lineares (P. misera e

P. suberosa), setáceas (P. galbana) ou foliáceas (P. mucronata) ou de forma ovada (P.

odontophylla e P. nitida), a ovado-lanceoladas (P. alata). Podem se apresentar sésseis (P.

mucronata) ou pecioladas (P. edmundoi). Quanto à margem, são muito variáveis: inteiras (P.

galbana),

serreadas

(P.

edulis),

denteadas

(P.

trintae),

laciniadas

(P.

luetzelburgii),

pinatissectas ou pinatipartidas em divisões filiformes e terminando em uma glândula (P.

foetida).

Segundo Sacco (1980), algumas espécies podem apresentar bractéolas, caráter não

observado em nenhuma das espécies estudadas.

5.

Flor

28

As flores apresentam 2 a 10 cm de diâmetro, permanecem abertas por ca. de 12 horas. São

basicamente

brancas

a

púrpuras,

incluindo

todas

as

cores

intermediárias.

Apresentam

diferentes odores desde os mais suaves e adocicados aos mais fortes. O eixo da flor sofre uma

variação, inclinação, cada espécie tem uma característica gravitacional na orientação das

flores mediante uma resposta dos botões ao geotropismo (MacDougal, 1994).

5.1. Hipanto

Vários autores utilizam diferentes termos para designar esta parte da flor. Masters (1870)

usou “tubo do cálice” para designar a porção inferior e soldada das sépalas. Harms (1925)

usou o termo “receptáculo. Killip (1938) considerou como “cálice” ou “tubo do cálice”, e a

parte superior livre como sépalas. Alguns autores consideram que esta estrutura tem origem

mista, a parte basal é receptacular e a distal apendicular. (Puri, 1948). A parte apendicular

pode se desenvolver para formar um longo tubo em algumas espécies. Segundo Puri (1948) e

MacDougal (1994) o uso do termo hipanto para a parte apendicular da flor de Passiflora, não

é aceitável, sendo preferível a denominação de “tubo floral” ou “taça floral” dependendo da

profundidade da estrutura. No entanto, outros autores, como Weberling (1992), todo o hipanto

é de origem receptacular, de onde partem o perianto e o androginóforo, apresentando um dos

receptáculos mais complexos das angiospermas, com o cálice e a corola partindo da margem

desse

hipanto.

Neste

trabalho

está

sendo

seguida

a

proposição

de

Weberling

(1992),

considerando como hipanto toda a estrutura que envolve e sustenta a corona e o perianto,

como sugerido, também, por Puri (1948), Cervi (1997) e Killip (1938).

29

5.2. Perianto

5.2.1. Cálice

O cálice apresenta cinco sépalas, imbricadas no botão com duas sépalas externas e duas

internas e a quinta tem uma das margens cobrindo uma sépala interna e a outra margem

coberta pela sépala mais externa. As sépalas são carnosas, ovais, lanceoladas, até amplamente

oval-deltóides. Apresentam uma arista ou carena na face abaxial, esta arista terminando ou não

em um corno sub-apical. São, geralmente, maiores do que as pétalas. Quanto à coloração são,

em geral, externamente verde-amareladas e internamente são, em geral, da mesma cor das

pétalas, sendo mais comum as cores brancas, vermelhas e púrpuras.

5.2.2. Corola

As cinco pétalas geralmente são membranáceas e alternam-se com as sépalas. Estão

ausentes em algumas espécies do gênero Passiflora subgênero Plectostemma (P. suberosa).

As pétalas apresentam coloração variável desde o branco, creme, violeta a púrpura. São

menores que as sépalas e muito mais delgadas.

5.3. Corona

Este termo é usado para designar todas as estruturas acessórias situadas entre o

perianto e os estames (Puri, 1948). Isto inclui, de fora para dentro, os filamentos da corona, o

30

opérculo, o anel nectarífero e o límen. Este conceito de corona, com várias modificações

estruturais, é reforçado pela hipótese de Weberling (1992), de que todas estas estruturas

acessórias são modificações do hipanto.

Os filamentos da corona constam de vários processos filiformes dispostos em uma ou em

várias séries, localizadas na borda do hipanto. Quando em mais de uma série, em geral os

externos são muito maiores do que os internos. Estes filamentos podem ser livres ou

concrescidos (P. edmundoi) e possuir vários tamanhos e formas que são importantes como

caracteres diagnósticos das espécies. Quanto à forma, podem ser ligulados, filiformes,

subulados, espatulados, tuberculados ou subdolabriformes. Em geral são fortemente coloridos,

freqüentemente com bandas de diversas cores. Os filamentos podem ocorrer em duas a muitas

séries.

Nas espécies polinizadas por abelhas os filamentos da corona podem ter uma cor que

contrasta com a das pétalas e sépalas ou presença de listas de cores em círculos concêntricos

(P. alata e P. cincinnata), os quais dirigem a atenção do polinizador ao centro da flor, onde se

encontra o nectário floral (Escobar, 1980).

O opérculo está situado no interior e na base do hipanto, um pouco abaixo dos filamentos

da corona. É uma pequena membrana circular, às vezes carnosa ou membranácea, lisa ou

plicada verticalmente e com margem inteira ou esculturada (denticulada ou serrulada).

Raramente

o

opérculo

é

constituído

por

um

verticilo

de

filamentos

muito

curtos

e

comprimidos, o que sugere sua origem pela fusão de uma série interna dos filamentos da

corona. Pode estar ausente em algumas espécies e sua função tem sido interpretada como a de

uma tampa sobre o nectário que evita parte do roubo do néctar por animais não polinizadores

(Escobar, 1980).

31

O anel nectarífero é um anel delgado, situado na base do hipanto, abaixo do opérculo, e

que produz néctar. Está ausente em muitas espécies nas quais o néctar é, provavelmente

produzido de forma dispersa pela parede do hipanto.

O límen é constituído por um anel ou uma membrana em forma de taça que rodeia a base

do androginóforo. Situa-se no fundo do hipanto mas pode estar ausente em algumas espécies.

Alguns autores o chamam de corona basal (Masters, 1871), mas na grande maioria dos

trabalhos publicados o termo freqüentemente utilizado é límen, o qual está sendo adotado

também neste trabalho. Pode ser uma estrutura homóloga ao disco, por isso pode ser também

chamado de disco extraestaminal (Killip, 1938; Puri, 1948).

5.4. Androginóforo

O androginóforo é uma coluna que se inicia na base central do tubo do cálice, e suporta as

partes reprodutoras. Em algumas espécies apresenta uma dilatação na altura do opérculo

chamada de tróclea (P. edulis e P. rhamnifolia).

Os estames são em número de cinco. Estão unidos pela base dos filetes formando uma

membrana aderente ao androginóforo junto à inserção do ovário. As anteras são bitecas,

dorsifixas e versáteis, o que favorece o movimento das anteras durante a polinização.

O ovário nasce no ápice do androginóforo, acima dos estames. É sempre unilocular com

três placentas parietais. Apresenta-se em formato globoso, ovóide, elipsóide, oblongo, trígono,

circular ou hexagonal com ápice truncado ou agudo. Glabro ou piloso.

Os estiletes são em número de três em Passiflora ou quatro em Tetrastylis. Nascem no

topo do ovário e podem ser livres ou parcialmente unidos. São geralmente verdes, verde-

32

amarelado ou verde-escuro, algumas vezes com manchas vináceas. Apresentam também um

movimento durante diferentes fases florais: a) estigmas sobre as anteras; b) estigmas no nível

das anteras; c) estigmas abaixo das anteras. Estão receptivos após a antese. Os estigmas são

capitados ou reniformes, de coloração verde, verde-amarelado ou verde-escuro.

6. Fruto

O fruto é uma baga indeiscente ou uma cápsula com deiscência longitudinal muito variável

em forma, tamanho e cor. Quanto à forma, o fruto pode ser globoso, ovóide, elipsóide e suas

variantes. Os frutos raramente são deiscentes, como em P. capsularis, onde o fruto é uma

cápsula, que se abre longitudinalmente no ápice, liberando as sementes quando maduras.

Apresentam coloração desde verde a roxo-escura, que pode representar um caráter importante

para o reconhecimento das espécies.

7. Sementes

São sempre numerosas, comprimidas e com uma testa dura. Apresentam diferentes

formatos, desde ovadas a obcordadas. A testa apresenta textura do tipo reticulada, estriada,

foveolada a sulcada, com ápice liso, bidentado ou tridentado (P. foetida). As sementes são

revestidas por um arilo, constituído de uma polpa ácida mucilaginosa ou aquosa.

Podem apresentar germinação do tipo epígina (germinam sobre o solo) ou hipógina

(germinam abaixo do solo).

33

126. 1817, nom. cons.

Trepadeiras herbáceas, com gavinhas, raramente ervas eretas ou plantas lenhosas. Estípulas setáceas, lineares ou foliáceas, algumas vezes caducas. Folhas alternas, pecioladas, inteiras ou lobadas; pecíolo geralmente com glândulas sésseis ou pedunculadas. Pedúnculo único ou pareado, geralmente terminando em uma ou duas flores, articulado ou não; brácteas 3, pequenas ou foliáceas, verticiladas e involucrais ou alternas no pedúnculo, algumas vezes caducas. Flores pentâmeras, geralmente isoladas ou aos pares, raramente três ou mais, em algumas espécies reunidas em racemos, hermafroditas; hipanto cilíndrico ou campanulado; sépalas 5, carnosas, subcoriáceas ou, raramente, membranáceas, às vezes dorsalmente corniculadas ou aristadas próximo ao ápice; pétalas 5, membranáceas, alternas às sépalas, raramente ausentes; filamentos da corona de uma a várias séries, distintos ou raramente unidos, formando um tubo; opérculo situado próximo aos filamentos da corona, membranáceo, plicado, inteiro, lacerado ou filamentoso, raramente ausente; anel nectarífero próximo ao opérculo, algumas vezes ausente; límen anular ou cupuliforme, situado na base do androginóforo; androginóforo alongado, raramente muito curto; estames 5, anteras dorsifixas, versáteis, lineares a oval-oblongas; ovário globoso, ovóide ou fusiforme, unilocular, tricarpelar; óvulos numerosos em três placentas parietais; estiletes 3, distintos ou unidos na base, cilíndricos ou clavados; estigmas capitados, orbiculares ou reniformes. Baga indeiscente, raramente cápsula deiscente, fusiforme. Sementes comprimidas, reticuladas, pontuadas ou transversalmente alveoladas, envolvidas por um arilo mucilaginoso. Representada na Bahia por dois gêneros e 30 espécies. No estudo, os principais centros de diversidade ocorrem na mata atlântica do sul do Estado e no complexo do Espinhaço.

34

Chave para identificação dos gêneros da família Passifloraceae no Estado da Bahia.

1. Flores solitárias ou pareadas; androginóforo reto; estames livres; estiletes três

 

I.

Passiflora

1’.

Flores

em

racemos

axilares;

androginóforo

curvado;

estames

unidos

ao

longo

do

androginóforo, somente o ápice livre; estiletes quatro

 

II.

Tetrastylis

Chave para identificação das espécies da família Passifloraceae no Estado da Bahia,

usando caracteres vegetativos e reprodutivos.

1.

Flores

em

racemos

axilares;

androginóforo

curvado;

androginóforo, somente o ápice livre; estiletes quatro

estames

unidos

ao

longo

do

30.

Tetrastylis ovalis

1’. Flores solitárias ou pareadas; androginóforo reto; estames livres; estiletes três

2.

Brácteas

verticiladas

pinatifidas

ou

(bi-)pinatissectas

com

ou

sem

segmentos

glandulares; estípulas persistentes, pinatissectas ou laciniadas, com tricomas glandulares

2'.

Brácteas

alternas

ou

verticiladas,

inteiras

ou

serreadas,

25. P. foetida

nunca

pinatifidas

ou

pinatissectas, sem segmentos glandulares; estípulas inteiras, glabras ou pubescentes, sem

tricomas glandulares, às vezes caducas

3. Folhas inteiras

4. Estípulas foliáceas, lanceoladas, oval-lanceoladas ou reniformes

5. Caule quadrangular, alado

8. P. alata

35

5’. Caule cilíndrico

6. Lâmina foliar peninérvia

7. Lâmina 7-15 cm compr.; flores ca. 6-8 cm diâm.; brácteas foliáceas, 1,5-2 cm

22. P. galbana

7'. Lâmina ca. 5,8-7 cm compr.; flores ca. 3 cm diâm., brácteas reduzidas, 0,2

cm

18. P. miersii

6'. Lâmina foliar palminérvia com 3-8 nervuras

8. Folhas com 5-8 nervuras, lâmina inteira, oval, com base cordada; flores

brancas; duas glândulas sésseis no meio do pecíolo

21. P. mucronata

8'. Folhas com 3 nervuras, lâmina inteiras a 3-lobada, sagitada, com base

hastada; flores coloridas; duas glândulas estipitadas no meio do pecíolo

4'. Estípulas lineares

23. P. mucugeana

9. Lâmina foliar com margem serreada a denteada em toda sua extensão, nunca revoluta;

ápice acuminado

10. Planta totalmente glabra; brácteas 2-3,5 cm; flores 6-8 cm diâm.

11. Sépalas e pétalas creme-rosadas; filamentos da corona azuis

9. P. odontophylla

11’. Sépalas e pétalas brancas; filamentos da corona arroxeados a púrpura

36

edulis

12’. Sépalas sem glândulas na região apical da margem

10. P. nitida

10'. Planta totalmente pubescente; brácteas 0,5-2,5 cm; flores ca. 2-6 cm diâm.

13. Pecíolo com duas glândulas pedunculadas

13’. Pecíolo com duas glândulas sésseis

12. P. malacophylla

11. P. bahiensis

9'. Lâmina foliar com margem lisa, algumas vezes revoluta, raramente serreada apenas

próximo ao ápice; ápice agudo

14. Planta totalmente glabra

15. Lâmina foliar peninérvia, lustrosa na face adaxial; duas glândulas peciolares

sésseis na base da lâmina foliar; estípulas setáceas,

29. P. rhamnifolia

15'. Lâmina foliar palminérvia, 5-nervada, glauca; duas glândulas peciolares

sésseis no meio do pecíolo; estípulas foliáceas, subreniformes, caducas

14'. Planta totalmente pubescente

23. P. mucugeana

16. Lâmina elíptica, 7-12 x 5-7,5 cm; pares de nervuras secundárias 6-7

27. P. mansoi

16'. Lâmina oval-oblonga, 8-10 x 6-6,5 cm; pares de nervuras secundárias mais

de 8

28. P. haematostigma

37

3’. Folhas lobadas ou partidas

17. Folhas 5-lobadas ou 5-partidas (às vezes 3-lobadas nas folhas jovens) 14. P. cincinnata

17’. Folhas 2-3-lobadas

18. Folhas 2-lobadas; lobos laterais divergindo em ângulo de quase 90 O da nervura

mediana

4. P. misera

18’. Folhas 3-lobadas; lobos laterais divergindo em ângulo de ca. 45 o da nervura

mediana

19.

Folhas com lobo central muito reduzido

 

20.

Lâmina foliar com manchas ocelares

 

21.

Filamentos da corona em duas séries; folhas obovadas, mais longa do

 

que larga, 3-lobada apenas no ápice

5. P. pohlii

 

21’. Filamentos da corona em uma única série; folhas obdeltóides mais

 

larga do que longa, bilobada

3. P. organensis

 

20'. Lâmina foliar sem manchas ocelares

 

22.

Flores solitárias; pecíolo sem glândulas; brácteas ausentes; flores com

 

pétalas

6. P. capsularis

 

22'. Flores aos pares na axila foliar; pecíolo biglandular; brácteas muito

 

reduzidas; flores sem pétalas

1. P. suberosa

19.

Folhas com lobo central do mesmo tamanho ou maior do que os laterais

23. Estípulas foliáceas, reniformes e persistentes

38

24. Pedúnculo ca. 5 cm compr.; filamentos da corona em várias séries

19. P. watsoniana

24'. Pedúnculo com mais de 5 cm compr.; filamentos da corona em 2-4

séries

25.

Pecíolo com quatro glândulas

20. P. edmundoi

25.

Pecíolo com seis glândulas

24. P. amethystina

23'. Estípulas lineares, às vezes caducas

26. Flores aos pares na axila foliar

27. Filamentos da corona em uma série; opérculo plicado, com ápice

denticulado; pétalas presentes

2. P. saxicola

27’. Filamentos da corona em duas séries; opérculo plicado, com ápice

liso; pétalas ausentes

26'. Flores solitárias

1. P. suberosa

28. Pecíolo sem glândulas; tricomas dourados em toda a planta; lâmina

foliar com margem serreada

26. P. villosa

28'. Pecíolo com 2-4 glândulas sésseis; tricomas brancos; lâmina foliar

com margem lisa ou serrulada

29. Folhas com margem lisa; pétalas vermelho-coccíneas

7. P. luetzelburgii

29’. Folhas com margem crenada ou serreada; pétalas brancas ou

39

vermelhas

30. Pecíolo com 2 glândulas situadas na base do pecíolo

17. P. recurva

30’. Pecíolo com 2 glândulas situadas na porção mediana ou

ápice

31. Sépelas e pétalas vermelhas

31’. Sépalas e pétalas brancas

15. P. trintae

32. Filamentos da corona em duas séries; brácteas sem

glândulas; fruto elipsóide

13. P. setacea

32’. Filamentos da corona em cinco séries; brácteas com

glândulas sésseis; fruto globoso

16. P. edulis

40

Chave para identificação das espécies da família Passifloraceae utilizando apenas

caracteres vegetativos

1. Folhas inteiras (algumas espécies ocasionalmente lobadas no mesmo indvíduo)

2. Lâminas peninérvia

3. Folhas glabras

4. Pecíolo com mais de duas glândulas; caule quadrangular, alado

8. P. alata

4’. Pecíolo com duas glândulas, caule cilíndrico, não alado

5. Estípulas reniformes ou subreniformes

5’. Estípulas lineares ou linear-setáceas

6. Planta sem espinhos axilares

22. P. galbana

30. Tetrastylis ovalis

6’. Planta com espinhos axilares ou estípulas espinescentes.

7. Lâmina foliar coriácea

8. Caule glabro

8’. Caule pubescente

7´. Lâmina foliar membranácea

29. P. rhamnifolia

28. P. haematostigma

9. Lâmina foliar de 6-8 cm compr., com 5 pares de nervuras secundárias

9. P. odontophylla

9’. Lâmina foliar de 8,5-10,5 cm de compr., com 7 pares de nervuras

secundárias

3’. Folhas pubescentes

10. Glândulas situadas na porção distal do pecíolo

10. P. nitida

27. P. mansoi

10’. Glândulas situadas na região mediana ou basal do pecíolo

41

12. Lâmina de 3-5,5 x 1,5-4 cm

12’. Lâmina de 6-8 x 2 cm

2’. Lâminas 3-5-nervadas

13. Folhas glabras

7. P. luetzelburgii

13. P. setacea

14. Folhas sem glândulas na margem ou nos sinus foliares

15.

15.

Pecíolo com glândulas sésseis na porção mediana, estípulas subreniformes .

21. P. mucronata

Pecíolo com glândulas pedunculadas na porção distal, estípulas reniformes

18. P. miersii

14’. Folhas com glândulas na margem ou nos sinus foliares

16. Pecíolo com glândulas sésseis

16’. Pecíolo com glândulas estipitadas

13’. Folhas pubescentes

16. P. edulis

23. P. mucugeana

17.

Lâmina foliar com margem lisa

1. P. suberosa

17’. Lâmina foliar com margem serreada ou denteada

 

18.

Pecíolo sem glândulas

26. P. villosa

18’. Pecíolo com duas glândulas

19. Flores aos pares na axila foliar, 2-3 cm de

19’. Flores solitárias na axila foliar, 4-6 cm de

1’. Folhas lobadas a partidas

20. Folhas bilobadas

21. Folhas sem manchas ocelares

21’. Folhas com manchas ocelares

11. P. bahiensis

12. P. malacophylla

6. P. capsularis

42

22.

Caule angulado ou achatado

4. P. misera

22’. Caule cilíndrico

3. P. organensis

20’. Folhas 3-5-lobadas

23. Folhas 5-lobadas (às vezes 3-lobadas nas folhas jovens)

23’. Folhas 3-lobadas

24. Margem foliar lisa

14. P. cincinnata

25. Folhas com lobos laterais menores que o lobo central; lobos laterais algumas

vezes ausentes no mesmo indivíduo

26. Estípulas subreniformes

26’. Estípulas linear-subuladas

23. P. mucugeana

1. P. suberosa

25’. Folhas com lobos laterais maiores ou quase do mesmo tamanho que o lobo

central; lobos laterais nunca ausentes

27. Folhas sem glândulas nos sinus foliares

28. Planta pubescente

28’. Planta totalmente glabra

29. Lâmina com 4-6 manchas

29’. Lâmina com 8 ou mais manchas ocelares

6. P. capsularis

5.P. pohlii

2. P. saxicola

27’. Folhas com glândulas nos sinus foliares

30. Pecíolo com 2 glândulas

30`. Pecíolo com 4 ou 6 glândulas

31. Estípulas com margem serreada

31’. Estípulas com margem lisa

17. P. recurva

19. P. watsoniana

32. Pecíolo com 4 glândulas pedunculadas, distribuídas ao

43

lango do pecíolo

20. P. edmundoi

32’. Pecíolo com 4-6 glândulas estipitadas situadas do meio

 

para o ápice do pecíolo

24.

P. amethystina

24’. Margem foliar serreada ou levemente denticulada

 

33.

Estípulas

pinatissectas

com

segmentos

terminando

em

tricomas

glandulares

25.

P. foetida

33’. Estípulas inteiras ou laciniadas, sem tricomas glandulares

34. Pecíolo sem glândulas

34’. Pecíolo com glândulas

26. P. villosa

35. Glândulas próximas à base do pecíolo, algumas vezes com uma

terceira glândula no meio do pecíolo

13. P. setacea

35’. Glândulas no meio para o ápice do pecíolo

36. Planta densamente pubescente

7.

P. luetzelburgii

36’. Planta totalmente glabra

37. Lâmina foliar 6-10(-13) cm compr., lobos laterais oblongos .

16. P. edulis

37’. Lâmina foliar 3,5-7 cm compr., lobos laterais oblongo-

elípticos

15. P. trintae

44

I. Passiflora L., Sp. Pl. 2: 955. 1753. Lectótipo (designado por Britton & Brown, 1913): P. incarnata L.

Trepadeiras herbáceas, com gavinhas, raramente ervas eretas ou plantas lenhosas. Estípulas setáceas, lineares ou foliáceas, algumas vezes caducas. Folhas alternas, pecioladas, inteiras ou lobadas; pecíolo geralmente com glândulas sésseis ou pedunculadas. Pedúnculo único ou pareado na axila foliar; brácteas 3, pequenas ou foliáceas, verticiladas e involucrais ou alternas no pedúnculo, algumas vezes caducas. Flores geralmente isoladas ou pareadas, raramente três ou mais; hipanto cilíndrico ou campanulado; sépalas 5, carnosas, às vezes dorsalmente corniculadas ou aristadas próximo ao ápice; pétalas 5, membranáceas, alternas às sépalas, raramente ausentes; filamentos da corona de uma a várias séries, distintos ou raramente unidos e formando um tubo; opérculo membranáceo, plicado, inteiro, lacerado ou filamentoso, raramente ausente; anel nectarífero próximo ao opérculo, algumas vezes ausente; límen anular ou cupuliforme, localizado na base do androginóforo; estames 5; anteras dorsifixas, versáteis, lineares a oval-oblongas; ovário globoso, ovóide ou fusiforme, unilocular, 3-carpelar, óvulos numerosos em três placentas parietais; estiletes 3, distintos ou unidos na base, cilíndricos ou clavados; estigmas capitados, orbiculares ou reniformes. Fruto baga, indeiscente, raramente cápsula deiscente, globoso ou ovóide, raramente fusiforme. Sementes comprimidas, reticuladas, pontuadas ou transversalmente alveoladas, envolvidas por arilo mucilaginoso. Possui cerca de 400 espécies, de distribuição Pantropical, a maioria das Américas, sendo o Brasil e a Colômbia os países com maior número de espécies, ca. 230. Na Bahia o gênero é representado por 29 espécies, com distribuição ampla, ocorrendo em praticamente todos os biomas do Estado.

45

A C E
A
C
E
B A C D F
B
A
C
D
F

Figura 10. Subgênero Plectostemma: P. capsularis: A. Ramo; B. Flor. P. suberosa: C. Glândula peciolar; D. Flor. P. capsularis E. Fruto (P. suberosa).

46

I.1. Passiflora subgênero Plectostemma Mast., Trans. Linn. Soc. 27: 626. 1871.

Trepadeiras herbáceas. Pedúnculos 1-2 floros, nunca terminando em uma gavinha; flores pequenas; hipanto pateliforme ou campanulado; pétalas ausentes ou presentes; filamentos da corona filiformes; opérculo plicado; estiletes unidos na base, projetando-se a partir do centro do ápice do ovário.

1. Passiflora suberosa L., Sp. Pl. 2: 958. 1753. Tipo: “Dominica” Antillis. (Figura 1A-B; Mapa 4).

Trepadeira, esparsamente tomentosa ou raramente glabra; caule cilíndrico a achatado, com estrias longitudinais; gavinhas presentes. Estípulas 6-8 x 5 mm, persistentes, inteiras, linear-subuladas, margem lisa. Pecíolo 1-2 cm compr., pubescente; glândulas 2, côncavas, verde-escuras, estipitadas, situadas na região distal do pecíolo; lâmina 5,5-8,5(-11) x (2-)3-6,5 cm, membranácea, 3-nervada, pubescente principalmente nas nervuras, base cuneada a cordada, margem lisa, 3-lobada ou inteira; folhas 3-lobadas com lobo mediano maior que os laterais, lobo mediano (4-)6-10(-12) x 1,2-3 cm, acuminado, lobos laterais 3-6 x 1-1,5 cm, agudos; folhas inteiras 6-12 x 1,2-2,5 cm, linear-lanceoladas a oval-lanceoladas. Pedúnculo 1- 1,5 cm compr., articulado a ca. 1 cm de compr do ápice; pubescente; brácteas ca. 5 mm compr., caducas, inteiras, pubescentes, alternas ao longo do pedúnculo, linear-setáceas, margem lisa. Flores 0,5-3 cm diâm., pareadas, raramente solitárias; hipanto 2-4 mm compr., curto-campanulado, pubescente; sépalas 6-10 x 2 mm, carnosas, pubescentes na face externa, glabras na face interna, amarelo-esverdeadas, oval-lanceoladas, ápice agudo, margem lisa; pétalas ausentes; filamentos da corona arroxeados em duas séries; série externa ca. 5 mm compr., filiforme, verde-amarelada; série interna ca. 1 mm compr., capitelada, verde-vinácea; opérculo membranoso, plicado, branco com listas magento-vináceas; límen anular; anel nectarífero presente; androginóforo 0,8-1 cm compr.; filetes glabros, verde-amarelados; anteras amarelas; ovário subgloboso ou ovóide, glabro; estiletes verdes, glabros; estigmas verde-amarronzados. Baga ca. 1,5-2 x 2 cm, verde-escura a púrpura quando madura, globosa ou ovóide, glabra. Sementes ca. 3-5 x 2 mm, achatadas, marrons, acuminadas no ápice, reticuladas.

47

Nome vulgar: Maracujá-de-cortiça, maracujá-mirim ou maracujazinho. Distribuída principalmente no leste da América tropical, atingindo o território brasileiro nos estados de Pernambuco ao Rio Grande do Sul, não havendo registro na região amazônica nem nas Guianas (Killip, 1938).