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A REVOLUÇÃO CIENTÍFICA no

SÉCULO XVII
Publicado em 8 de outubro de 2015
O Que Significam Teocentrismo e Antropocentrismo? O Que é Um
Método Científico? Qual a Relação Entre a Razão, a Fé e a Ciência?

Quando falamos em “Revolução Científica” estamos nos referindo às


mudanças significativas na estrutura do pensamento que, nessa época,
repercutiram no plano científico.

Quando queremos compreender qualquer fenômeno devemos proceder a


uma atenta observação, para posterior análise desse fenômeno. E, para tal,
devemos estabelecer um método de ação que seja científico.

E o que faz um método se tornar científico? Ele deve apresentar todo um


círculo racional e lógico, adotando uma determinada forma de tratar o objeto
de estudo e isso deve obedecer a certa sequência de procedimentos. Daí,
temos as fases de observação, análise, formulação de hipóteses,
experimentação, verificação das hipóteses e conclusões.

A frase de Shakespeare – “Que obra de arte é o homem” – evidenciava uma


mudança na estrutura mental daquela época, pois a visão de mundo da
Idade Média pela relação Deus-Homem estava sendo substituída pela relação
Homem-Natureza.

Era a passagem do teocentrismo para o antropocentrismo. Dessa forma, ao


captar seu objeto o homem deveria formular hipóteses e experimentá-las a
fim de certificar sua validade.
Em verdade, somente a Razão poderia encontrar meios de explicar os
principais fenômenos da Natureza que a Escolástica – associada à Fé e a
razão através da lógica Aristotélica – não poderia explicar.

Assim, os primeiros pensadores dessa época – Kepler e Galileu – tiveram


sérios choques com o sistema Aristotélico, que ainda predominava e servia
de base para o pensamento teológico. Dessa forma, conceber a Natureza em
constante movimento implicava perceber as instituições sociais como
suscetíveis de mudanças.

Os Métodos e as Descobertas Científicas

Foi no século XVII que assistimos à afirmação da ciência experimental, onde


a atividade científica não mais se resumia a observar os fenômenos –
partindo de dados empíricos para os princípios eternos (Deus) –, mas em
tentar descobrir e explicar os fenômenos e as leis que constituíam a
Natureza.

Sendo assim, pode-se afirmar que no referido século assistimos – de fato – a


explicações racionais do Universo, submetido a leis físicas e naturais e não a
princípios metafísicos e divinos. Essa ruptura deveu-se muito a três (3)
filósofos:

• Francis Bacon: Escreveu “O Progresso do Conhecimento” que defendia o


valor das experiências de laboratório e do método indutivo, em que o
conhecimento é adquirido partindo-se da observação a fim de atingir
uma verdade. Embora não fosse o descobridor do método indutivo, ele
valorizou-o como fundamental para a exatidão do conhecimento.
• René Descartes: Autor de “Discurso Sobre o Método” que demonstrava que
tanto a opinião tradicional como as experiências comuns da
humanidade eram guias de mérito duvidoso. Diante disso, adotou novo
método isento da influência de ambos que consistia em começar com
verdades simples – como as da Geometria – e depois raciocinar com
base nelas, até chegar a conclusões particulares.
• Isaac Newton: Escreveu “Princípios Matemáticos de Uma Filosofia da
Natureza”, partindo de estudos de Galileu e Kepler e demonstrando
matematicamente que as leis físicas aplicáveis na Terra também se
aplicavam a todo o Universo. Estava dado o golpe final à concepção
medieval de um Universo guiado por intenções benévolas.

Baseada na experimentação e na dedução matemática, a ciência fez


grandes progressos na física, na matemática, astronomia, química e biologia.
Pois foi no século XVII que se construiu a física moderna que, através de
Newton, sistematizou-se a interpretação física do Universo (Teoria da
Gravitação Universal), elaborou conceitos básicos (massa, força, inércia,
movimento, tempo) e pesquisas para o estudo da luz (análise espectral),
além de ter lançado as bases da astronomia.

Dessa forma, William Gilbert descobriu as propriedades do IMÃ, o alemão


Gottfried Leibnitz provou que o tempo e o espaço eram relativos e o
dinamarquês Roemer calculou a velocidade da luz.

Na Astronomia, o italiano Galileu Galilei construiu o 1º telescópio e


descobriu os satélites de Júpiter, as manchas solares, os anéis de Saturno e
as fases de Vênus, deduzindo que a Terra gira sobre si mesma. Johann Kepler
usou métodos comparativos – e conhecimentos matemáticos – para
comprovar e ratificar a Teoria Heliocêntrica (onde os planetas descrevem
órbitas elípticas em que o Sol é o centro de todo o sistema).

As Ciências Matemáticas sofreram enormes transformações, quando


surgiu a Geometria Analítica com Descartes, o Cálculo Diferencial com
Newton, o Cálculo das Probabilidades com Pascal e o Cálculo Infinitesimal
com Leibnitz.

A Química foi desenvolvida principalmente por Robert Boyle, apontado


como fundador da química moderna, pois iniciou a Química Orgânica e
estabeleceu uma nova distinção dos compostos, classificando-os em
“ácidos” e “sais”.
Portanto, pode-se afirmar que essas descobertas romperam com as
concepções de Aristóteles – ainda vigentes e defendidas pela Igreja – e o
cosmo, hermético e hierarquizado, foi substituído pelo Universo, aberto e
infinito, porém, ligado pela unidade de suas leis.

Em última análise, a concepção de um mundo imóvel foi suplantada pela


concepção de que o Universo estava em movimento; isto é, contra os
princípios baseados na tradição e que serviam de base à imobilidade das
instituições, firmavam-se as noções de que a Natureza – e tudo o que nela se
encontrava – estava em movimento, este significando progresso.

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