Você está na página 1de 2

A FORÇA DAS FOLHAS

O presente artigo mostrará uma das formas de identificação e de como poderá ser obtido o máximo do Asé
das Folhas, valendo lembrar que o vegetal e composto de folhas, fruto, caule e raíz e que destas partes
poderemos ter diversos tipos de forces e EJÉ DUDU (sangue preto).

ÀSE EWÉ
Uma vez preservada as nossas matas, receberemos em troca a fartura das folhas da qual retiramos o Asé.
Mas o que é Àse?
Àse é o poder de realização individual ou coletivo que dispomos. Àse é força, energia poderosa geradora e
controladora de outras forças energéticas, sendo que a sua energia pode ser transmitida para qualquer
coisa, animada ou inanimada, como contas, assentamento e outros utensílios que utilizamos nos nossos
ritos e para obtermos uma melhor utilização deste poder devem seguir alguns preceitos básicos nas
colheitas das ervas e que podem diferenciar de casa para casa, pois muitos ensinamentos continuam a ser
feitos oralmente.

UTILIZAÇÃO PARA BANHOS NA INICIAÇÃO:


Colher as folhas sempre pela manhã;
Utilizarmos, preferencialmente, os brotos mais novos e viçosos;
Uma vez colhido, devemos pô-los em uma bacia com água para mantermos a umidade;
Deixar descansar por alguns instantes antes de utilizarmos na preparação do banho.

UTILIZAÇÃO PARA BANHOS DE DESCARREGO E SACUDIMENTOS:


Podem ser colhidas em horário de maiores necessidades ou pela manhã/tarde;
Utilizarmos os galhos mais fortes e robustos, os mais velhos;
Uma vez retidos já podem ser utilizados.
Precauções:
Para qualquer um dos casos acima, devemos estar com resguardo (de mente e de corpo);
Devemos ofertar a Òsányín o pagamento necessário pelas ervas que iremos colher.
Comumente utilizamos moedas como forma de pagamento do que iremos colher nas matas, mas nas
épocas remotas da África, nossos irmãos africanos utilizavam como moeda o que tinham de melhor a
oferecer tais como: búzio, mel, fumo, bebidas... Todas as oferendas necessárias ou as que agradavam a
Òsányín.
São inúmeros os ritos que nos são ensinados e que variam de nação a nação podendo haver mudanças
entre as casas existentes e abaixo descrevo um dos ritos que podem ser utilizados.
Passa-se a moeda sobre o corpo em movimentos circulares afim de que o Asé individual seja transmitido
para a mesma moeda como parte da manutenção e equilíbrio das forças e recitam-se algumas frases, tais
como:
EWÉ Ó ÒSÁNYÍN
ÒSÁNYÍN KÉSÍ FOHÚ
ÒSÁNYÍN,
Tome providências para colocar novas folhas em seu lugar.
Uma vez de posse das folhas para macerá-las, devemos ter ao nosso lado uma vela acesa e uma quartinha
com água. Assim, entoamos as músicas, ofós do Orisá dono das folhas, fortalecendo ainda mais a nossa
ligação com o plano espiritual. Essas músicas podem diferir de ordem de utilização de terreiro em terreiro,
pois os costumes individuais do líder ou os costumes sociais da descendência do terreiro rege o processo
de maceração.
Depois de maceradas despachamos a quartinha que contém a água, pois sendo considerado o solvente
universal a mesma age como catalisador de energias negativas ou que não são importantes para o fim
desejado naquele rito. Seguidos os passos necessários e costumes, obtemos o EJÉ das folhas que nos
servirá para diversas finalidades.
De acordo com Ribeiro (1996, p. 73) o Asé encontra-se em uma grande variedade de elementos no reino
animal, vegetal e mineral. Logo estamos rodeados de Asé, o que nos resta saber é como acioná-lo, por em
movimento toda esta energia ao nosso favor e termos cuidados com os golpes de retorno no momento que
efetivamos os encantamentos.
Partindo deste princípio analisemos os quadros abaixo:
Planta Dendezeiro (Igi Òpè), Elaies guineensis jacq., Palmae.
O QUE UTILIZAMOS COMO
Folhas Ebós/Fundamentos
Frutos Epo, azeite
Sementes Jogo de ifá

Folhas
Utilizamos nos ritos de Ogum e Oya Igbalé, em ebós de limpeza e proteção do Asé, pois, é o mariwo que
afugenta os Eguns.
Frutos
Da sua polpa é feito o azeite de dendê, o qual é utilizado em diversos rituais (ejé pupa).
Sementes
As sementes são usadas no jogo de ifá e conforme, De um único vegetal aproveitamos três partes
diferentes e que são usadas diversos fins nos ritos e no nosso cotidiano. As possibilidades de combinações
são inúmeras, a questão é sabermos associá-las, para cada ocasião.
Segundo Elbein dos Santos (1986 apud RIBEIRO, 1996 p. 73), é apresentada uma classificação dos Asé, a
qual adaptei em forma de tabela.
EJÉ PUPA EJÉ FUNFUN EJÉ DUDU
Epó Seiva Sumo Escuro
Osun Sumo Wají
Mel Ìyerosun Ori - Limo da Costa
Sangue das Folhas Álcool da Palmeira
Percebemos uma movimentação/transformação do Àse.
Desta forma nossos ancestrais conseguiram sobreviver aos problemas materiais e espirituais que se
apresentaram em suas vidas, vencendo as barreiras do tempo e trazendo-nos os segredos do Asé das
folhas, mostrando-nos que cada Orisá age e reage para cada ÀSE EJÉ EWÉ de uma forma diferente.

Bibliografia:
BARROS, José Flávio Pessoa de & Napoleão Eduardo.
EWÉ ÒRÌSÀ - Uso Litúrgico e Terapêutico dos Vegetais nas casas de Candomblé Jêje-Nagô.
Editora Bertrand Brasil, 2ª edição
Rio de Janeiro, 2003
RIBEIRO, Ronilda Iyakemi.
Os Iorubas, Alma Africana no Brasil
Editora Oduduwa
São Paulo, 1996