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COMUNIDADE DE PRÁTICA VIRTUAL - BIOCOMPRÁXIS:

A EDUCAÇÃO FORMATIVA PASSA POR AQUI1.

O uso de tecnologias digitais como dispositivo de ensino em prol de aprendizagens


significativas.

XAVIER, Josilda Batista Lima Mesquita

Universidade do Estado da Bahia – UNEB

jblima@uneb.br

Resumo

Este artigo se propõe a provocar reflexões sobre a utilização de comunidade de prática -


CoP virtual, enquanto instrumento que favorece o desenvolvimento e/ou ampliação de
habilidades argumentativas e refinamento crítico em relação às temáticas atuais e
contextualizadas propostas em fóruns de discussões. No caso específico, analisa-se a CoP
virtual BioComPráxis, e a relação de estudantes de curso de Licenciatura em Ciências
Biológicas com esse espaço, a partir de suas reflexões sobre os temas trabalhados no
fórum “A educação formativa passa por aqui”, bem como das reflexões trazidas a partir
do questionário aberto que foi aplicado aos usuários selecionados da CoP enquanto
metodologia de acesso aos dados almejados. No processo verificou-se a dicotomia entre
o desejo dos estudantes e as ações metodológicas dos docentes da área, o que nos leva a
ressaltar a importância de se insistir na busca/efetivação de instrumentos que favoreçam
à diminuição/eliminação dos distanciamentos/dicotomias existentes no lócus de
permanente formação (inicial e continuada) de professores na área das Ciências
Biológicas.
Palavras-chaves: Comunidade de Prática; Práxis acadêmica; Aprendizagem
Significativa.

1 Introdução

A busca constante de caminhos que viabilizem a aprendizagem numa perspectiva


crítica e significativa, é uma constante na vida profissional daqueles que estão imersos no
processo de formação de professores. Nessa perspectiva o universo metodológico pode
ser ampliado com o uso de Comunidades de Práticas Virtuais, enquanto grupos de
indivíduos com habilidades, experiências e conhecimentos diferentes

1
Artigo apresentado no IV Colóquio de Práticas Inovadoras na Universidade / UNEB; Ano 2015.

1
trocando/compartilhando interesses, conhecimentos, perspectivas de vida e de mundo,
contribuindo para a (re)construção do conhecimento pessoal e coletivo (LAVE;
WENGER, 1991).

É nesse contexto que, observando o perfil profissional dos professores de Ciências


e Biologia, egressos de curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, com uma
profissionalidade que tem sofrido interferências desqualificantes mediante a falta de um
currículo que permita uma visão mais ampla e crítica do contexto socioambiental
contemporâneo, foi pensado e criado a Comunidade de Prática Virtual – BioComPráxis -
, na qual os estudantes da referida área/curso têm acesso a fóruns de discussões, chats
interativos, atividades, vídeos, livros, artigos etc., de modo que possam interagir,
compartilhar, buscar/trocar saberes e conhecimentos nas mais diversas áreas, tanto
metodológica/científicas quanto epistemológicas.

Assim, esse artigo pretende argumentar sobre a relevância do uso de ambientes


virtuais e comunitários por estudantes licenciandos, enquanto instrumentos funcionais
possíveis de viabilizar a superação de limites epistemológicos que dêem aos graduandos
uma visão crítica dos diversos contextos (antropológico, filosófico, sociológico, político
etc.) nos quais os conteúdos de sua área de conhecimento – Ciências Biológicas -
transitam, bem como a ampliação de suas habilidades argumentativas, tendo como base a
realização de atividades propostas no fórum da comunidade de prática virtual -
BioComPráxis - “A Educação formativa passa por aqui” -, e no compartilhamento de
opiniões, informações, saberes e conhecimentos sobre os temas propostos para a
discussão no fórum.

A ação pedagógica “A Educação formativa passa por aqui”, analisada/refletida


nesse trabalho, iniciou-se no mês de novembro de 2014, finalizando no mês de março de
2015. Nesse período, 61 (sessenta e um) bolsistas de Iniciação à Docência – ID do
PIBID/CAPES/UNEB, matriculados entre o 3º (terceiro) e o 9º (nono) semestres, tiveram
acesso à comunidade de prática virtual – BioComPráxis -, onde deveriam realizar as
atividades propostas a partir de três tópicos de discussão: Ciência x racismo; Estupro x
sociedade; O que os biólogos e biólogas pensam sobre esses fatos? A proposta desse
fórum é de promover, permanentemente, discussões/reflexões sobre questões atuais,
principalmente as que têm sido amplamente discutidas nos diversos espaços presenciais
e/ou virtuais, tais como universidade, escolas básicas, redes sociais, comunidades virtuais

2
etc., e que tenham relação com a área de conhecimento específica do curso no qual os
estudantes estão regularmente matriculados – Licenciatura em Ciências Biológicas.

Para o alcance da meta traçada, em um primeiro momento será apresentado o


conceito de comunidade de prática virtual e sua apropriação no contexto da formação
docente, bem como a essencialidade dos futuros professores de Ciências e Biologia
discutirem com propriedade sobre temas constituintes das mais diversas áreas do
conhecimento (política, sociologia, antropologia, filosofia etc.); será discriminado,
metodologicamente, como a BioComPráxis vem sendo permanentemente construída, e,
por fim, será realizada uma análise sobre os resultados dos argumentos utilizados pelos
estudantes no fórum “A educação formativa passa por aqui” e do questionário aberto
aplicado a estudantes licenciandos em Ciências Biológicas inscritos no BioComPráxis,
suas percepções sobre a atividade/ as discussões realizadas, através de suas reflexões
sobre os temas abordados no fórum de discussão in foco.

2 Comunidade de prática virtual, formação docente e aprendizagem significativa:


contextos e complementaridade.

A insistente permanência de um ensino conservador, tradicional, nos cursos de


nível superior, inclusive em instituições públicas, é considerada como resultante de uma
formação cartesiana dos professores, na qual a linearidade no uso tanto do conhecimento
quanto da metodologia é um elemento comum, inviabilizando ou mesmo dificultando a
interrelação entre as diversas áreas do conhecimento, em um processo de isolamento dos
professores em seus “pedestais epistemológicos”, ao mesmo tempo em que reproduz a
estrutura que promove a dependência e a subserviência que o sistema capitalista precisa
para manter-se hegemônico (MARINI, 2000, In: MACÁRIO et al. 2013).

No que diz respeito ao curso de interesse desse texto, o curso de Licenciatura em


Ciências Biológicas, a fragmentação e especificidades/especialidades dos conteúdos da
área, levam os sujeitos envolvidos – professores e estudantes - ao esquecimento de que o
ser humano é a um só tempo físico, biológico, antropológico, psíquico, cultural, social,
histórico, ao mesmo tempo em que a unidade complexa da natureza humana e sua
interrelação com o ambiente que o cerca, é totalmente desintegrada, resultante de uma
formação caracterizada por disciplinas isoladas e descontextualizadas. Nesse aspecto
Cachapuz et al (2004) ressalta que:

3
Importa sublinhar que a Sociedade do Conhecimento não é uma
inevitabilidade histórica, ou seja, que a sua ocorrência não é guiada por
qualquer determinismo histórico. Assim sendo, depende em boa parte de nós,
como cidadãos e como professores, o sentido das transformações que formos
capazes de, responsavelmente, imprimir tendo em vista a formação de cidadãos
cientificamente cultos. As transformações que se sugerem no âmbito da
Educação em Ciência (e muito particularmente na Ciência escolar) inscrevem-
se precisamente nessa lógica de argumentos. (p. 364)

Esse nível de preocupação e envolvimento que o autor chama a atenção remete à


busca de caminhos que viabilizem o desenvolvimento da articulação entre as diversas
áreas de conhecimento, e no caso específico dos cursos de formação de professores de
Ciências e Biologia, exige que a relação entre o conhecimento científico, as informações
e saberes que circulam no contexto societário se faça de modo que a habilidade em
articulá-los de forma crítica seja um elemento definidor do perfil profissional que se
deseja construir. Na procura de meios que permita a troca / compartilhamento de
conhecimento e saberes no contexto universitário, lócus de especialistas e isolamento
científico, a utilização de uma Comunidade de Prática – CoP pode constituir-se em um
elemento agregador que contribua para a constituição de “cidadãos cientificamente
cultos” (ibdem), hábeis no fazer pedagógico contextualizado e significativo.

Ao mesmo tempo em que se busca uma alternativa que viabilize o


compartilhamento de conhecimento e saberes no contexto universitário, há a preocupação
com os meios que serão utilizados para essa ação, e que sejam ao mesmo tempo lúdico,
agregador e estimulante. É esse o “terreno” das CoP: lugar de encontro de “grupos de
pessoas que compartilham uma preocupação, um conjunto de problemas, ou uma paixão
a respeito de algum tópico, e que aprofundam seu conhecimento e expertise nesta área
interagindo numa forma permanente” (WENGER et al, 2002, p.4).

Ainda provocando no sentido de se pensar as comunidades práticas enquanto


possibilidades reais de alterar o modus operandi das ações pedagógicas no cerne
universitário, é necessário chamar a atenção para as lacunas existentes na interrelação
entre os três eixos – pesquisa-ensino-extensão - que sustentam a práxis acadêmica,
visíveis em uma das principais lacunas entre a pesquisa e a prática, a qual segundo El-
Hani; Greca (2011),

diz respeito à percepção de que professores não usam, com


frequência, resultados da pesquisa educacional para construírem e refletirem
sobre sua prática, assim como muitas vezes não dão grande valor à
contribuição da pesquisa acadêmica para o trabalho em sala de aula. (...) Além
disso, mudanças nas práticas escolares não resultam tipicamente da pesquisa
acadêmica, mas de outras fontes, como políticas governamentais, materiais

4
curriculares, livros didáticos, nas quais os resultados da pesquisa
desempenham, quando o fazem, um papel indireto. (p. 580)

Além dos elementos explicitados pelos autores acima, considerar a produção de


conhecimento acadêmico enquanto ação também social, numa ação permanente de
compartilhamento e de valorização dos saberes oriundos do meio sociocultural, na
tentativa de superar a lacuna entre a pesquisa e as práticas de ensino e extensionistas. É
esse o contexto em que as comunidades de práticas, são concebidas por Lave e Wenger
(1991, In: EL-HANI; GRECA, 2011, como sendo grupos de pessoas com

“distintos conhecimentos, habilidades e experiências, que participam


de modo ativo em processos de colaboração, compartilhando conhecimentos,
interesses, recursos, perspectivas, atividades e, sobretudo, práticas, para a
construção de conhecimento tanto pessoal quanto coletivo” (p. 582)

Nesse aspecto é importante destacar que as CoP podem ser presenciais, virtuais
ou híbridas (presencial e virtual), dando possibilidades ao(s) grupo(s) no que se refere às
discussões, compartilhamentos, aprendizagens, de utilizarem uma ou mais dessas vias, de
acordo com a necessidade e interesse do grupo.

A CoP enfocada nesse trabalho, a BioComPráxis, surgiu do conhecimento da ideia


proposta por Greca; González (2002), sobre a necessidade de “reunir, em CoPs,
pesquisadores da área de ensino de ciências, pesquisadores especialistas nas áreas de
conteúdo específicos, estudantes e professores de ciências, para se conseguir um
aprimoramento efetivo da educação científica”. Para tanto, foi determinante a
participação no curso “As comunidades de práticas como ferramentas viáveis para reduzir
a lacuna pesquisa prática”, ministrado por Ileana María Greca (professora da Universidad
de La Laguna, Espanha), no período de 5 a 8 de julho de 2013, no Instituto de Biologia
da Universidade Federal da Bahia – UFBA.

No processo de criação da CoP virtual BioComPráxis, outra necessidade emergiu,


a participação no curso de formação de professores com base no uso das Tecnologias de
Informação e Comunicação – TIC, com o suporte da plataforma Moodle (plataforma de
aprendizagem a distância baseada em software livre), com carga horária de 60hs, no
período de março a julho de 2014, oferecido pela UFBA, possibilitando a criação da CoP
virtual BioComPráxis, com o objetivo de proporcionar aos professores e estudantes do
curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade do Estado da Bahia –
UNEB, do Campus VIII-Paulo Afonso, acesso a um ambiente de aprendizagem que
possibilite trocas e compartilhamento de conhecimento científico, de saberes oriundos da

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comunidade e de informações veiculadas pela mídia, na perspectiva de gerar discussões,
análises e reflexões sobre todos os conteúdos considerados pelo grupo como sendo de
interesse para a formação de biólogos licenciados com um perfil crítico, político, histórico
e socioculturalmente referenciado.

3 BioComPráxis – características, contexto e possibilidades.

A CoP virtual BioComPráxis nasceu, portanto, oriunda do desejo de ser colocado


à disposição dos sujeitos que constituem a comunidade acadêmica do curso de
licenciatura tratado nesse trabalho, uma alternativa de lócus para a aproximação e
compartilhamento de conhecimento e saberes entre os pares, docentes e estudantes, numa
tentativa de eliminar e/ou diminuir lacunas diversas (falta de interrelação entre as diversas
áreas de conhecimento das Ciências Biológicas, ausência de contextualização entre o
conhecimento científico e a prática, pouca reflexão crítica sobre as diversas temáticas do
cotidiano e os conhecimentos tratados na academia) da práxis acadêmica.

O processo se deu, em um primeiro momento, com a aprovação da proposta


traduzida em projeto, em plenária departamental, onde se deixou evidente a necessidade
de que houvesse participação dos docentes do curso de Licenciatura em Ciências
Biológicas, de modo que a interrelação entre os estudantes, via uma plataforma virtual,
fosse mais um instrumento de aproximação, integração e aprendizagem. Em seguida deu-
se a apresentação da CoP virtual BioComPráxis aos 61 (sessenta e um) estudantes
bolsistas de Iniciação à Docência – ID, engajados no sub-projeto do
PIBID/CAPES/UNEB – “(Com)Ciência em Sala de Aula: (Re)construindo saberes e
competências” - que toma como referência a contextualização do conteúdo de Ciências
em relação a todas as questões biológicas, biotecnológicas e ambientais que podem
contribuir para a melhoria da qualidade de vida e socioambiental dos indivíduos que
constituem a comunidade escolar.

Em sua estrutura física, a CoP virtual BioComPráxis, localiza-se no site da


PROEXEAD (http://www.proexead.uneb.br/ ), sendo constituída de “janelas” que dão
acesso a ambientes virtuais passíveis de interação e compartilhamento de saberes e
conhecimentos, quais sejam: BioPIBID; Saber & Ciência; Ser professor(a) de Ciência e
Biologia; Metodologia e Recursos Didáticos para o ensino de Ciências e Biologia;
Identidade, Memória e Territorialidade; Ecologia Humana; Jogando (com) Ciência;

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Exercite seu cérebro; e Midiateca. A criação desses ambientes virtuais na BioComPráxis,
foi pensada a partir de necessidades consideradas como sendo de alta relevância para a
formação de profissionais com um perfil crítico, reflexivo e atento às demandas da
sociedade atual, nas mais diferentes áreas de sua formação.

No que se refere aos ambientes virtuais mais específicos da área das Ciências
Biológicas (Zoologia, Botânica, Fisiologia Animal etc.) ficou ao critério de cada docente
que as ministram a sua construção. Entretanto, até o momento, nenhum docente revelou-
se interessado na criação e compartilhamento de um ambiente virtual na CoP virtual
BioComPráxis no qual disponibilizaria/provocaria estudo, análise, discussão e reflexão
sobre conteúdos de sua área de atuação específica dentro do curso de Licenciatura em
ciências Biológicas, situação essa que, segundo PACHANE (2005), é recorrente.

Para a efetivação de um dos principais objetivos da CoP virtual BioComPráxis,


foi criado na “janela” BioPIBID, o fórum de discussão, razão desse artigo, “A educação
formativa passa por aqui”, no qual no período de novembro de 2014 a março de 2015,
foram disponibilizados três blocos de discussões, selecionados a partir de temáticas que
estavam sendo discutidas nas redes sociais, e que tinham relação com o conhecimento na
área de Ciências Biológicas, a saber: A ciência e o racismo; Estupro x sociedade
“civilizada”; e O que os biólogos/biólogas pensam sobre esses fatos? É importante
destacar que as matérias jornalísticas para leitura, análise e reflexão, foram
disponibilizadas ao longo do período acima destacado, de modo que atendesse às
necessidades dos estudantes no que se refere a tempo de leitura, análise e discussão do
material disponibilizado (ver referencias).

Dos sessenta e um (61) estudantes-bolsistas ID inscritos na BioComPráxis, até a


data limite em que foi feito o recorte para a elaboração desse artigo (31/3/ 2015), quarenta
e seis (46) estudantes haviam participado das discussões propostas. A partir desse dado,
foi elaborado um questionário (vide QUADRO II) com quatro questões abertas, e enviado
para esse grupo de estudantes, de modo que, aqueles que desejassem colaborar com o
trabalho ora apresentado, poderiam responde-lo e em seguida, devolve-lo com ou sem
identificação nominal, ficando ao critério de cada estudante. A devolutiva do questionário
se deu em um momento de retorno às atividades acadêmicas, início do ano letivo de
2015.1, na qual, dos quarenta e seis (46) questionários enviados, vinte e oito (28)
estudantes fizeram a devolutiva, ou seja 60,86%, percentual significativo, que retrata a
“sede” dos estudantes em se fazerem ouvir, como também de colaborarem com a
7
(re)construção de conhecimento e saberes que permeiam o status quo acadêmico do qual
são constituintes fundamentais.

4 “A educação formativa passa por aqui”: perfil dos usuários, análise e reflexão.

4.1 Perfil dos usuários da BioComPráxis colaboradores no fórum de discussão

A CoP virtual BioComPráxis tem se constituído pelos sessenta e um (61) bolsistas


ID do subprojeto “(Com)Ciência em Sala de Aula: (Re)construindo saberes e
competências” do PIBID/CAPES/UNEB; dos professores-supervisores do mesmo
subprojeto, no caso específico, oito (8) professores egressos do curso de Licenciatura de
Ciências Biológicas, que atuam no Ensino Fundamental II em quatro (4) escolas públicas
do estado, parceiras do subprojeto acima citado; dos quatro (4) coordenadores de área do
mesmo subprojeto, que são professores do curso em questão; e por estudantes que são
matriculados nas disciplinas Estagio Supervisionado de Ciências e de Biologia, em média
com vinte (20) alunos por semestre, todos devidamente inscritos na CoP virtual
BioComPráxis, perfazendo um total de noventa e três (93) usuários permanentes.

Nesse trabalho, colaboram apenas os bolsistas ID que haviam interagido no fórum


de discussão “A educação formativa passa por aqui”, até a data limite definida
(31/3/2015), e que deram retorno ao questionário em um total de vinte e oito (28),
possuindo o seguinte perfil: quanto ao gênero são constituídos de vinte e um (21) do sexo
feminino, e sete (7) do sexo masculino, numa prevalência de 33.33.% de mulheres; quanto
a idade dos estudantes envolvidos nesse processo, há uma variância entre os 18 aos 41
anos, sendo que há um maior número de estudantes com 19 anos, num total de sete (7),
numa prevalência de 25%; no que se refere ao ano de entrada na universidade, verifica-
se que os estudantes colaboradores desse trabalho estão distribuídos em maior percentual
no anos de 2012 (6) com 21,48%, 2013 (6) com 21,48% e 2014 (10) com 35,71%; em
relação ao espectro geográfico atingindo pelo Campus VIII-Paulo Afonso, há estudantes
de três estados Sergipe (1), Alagoas (2) e Bahia (25), sendo que dos dez (10) municípios
baianos de onde os estudantes se originam, o maior número de estudantes é de Paulo
Afonso, com dezoito (18), totalizando um percentual de 68,28% (ver QUADRO I).

4.2 Análise temática das reflexões sobre as matérias do fórum

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Da totalidade de estudantes ID (61) que tem acesso à BioComPráxis, entre
22/11/2014 até o dia 31/3/2015, quarenta e seis (46) haviam lido e refletido sobre o
primeiro tema de discussão do fórum Ciência e Racismo, abordado no texto de Nádia
Conceição (2014), “O lado sujo da ciência e a consolidação do racismo científico”. De
forma surpreendente os estudantes revelaram uma visão crítica sobre a temática, tanto no
que se refere à importância do tema, quanto no que diz respeito ao distanciamento da
academia em relação à discussão sobre a temática no campo das Ciências Biológicas,
estranhando esse comportamento, principalmente em uma universidade que tem em seu
retrospecto histórico, a marca de ser uma das primeiras universidades públicas brasileira
a adotar as cotas de ingresso para estudantes afrodescendentes, como se pode observar
nas falas abaixo:

O racismo é uma das formas mais violentas de atingir a dignidade


humana principalmente quando se percebe que esta, ocasiona danos
imensuráveis. Mas, se as academias ainda não criaram mecanismos de combate
ao racismo, como os acadêmicos irão se posicionar diante desta problemática?
Isso de fato é um questionamento que nos leva a repensar tudo aquilo que até
hoje nos foi permitido vivenciar e planejar, exigindo uma mudança de postura,
de prática e pensamento. Postura por não termos um caminhar acadêmico que
nos direcione a uma ciência pautada na vida humana e nas formas de melhorar
sim, o mundo, porque não? (Estudante nº 27, Nov. 2014)

QUADRO I – Dados pessoais e acadêmicos dos estudantes sujeitos dessa investigação. (Fonte:
Questionário aberto, em anexo, elaborado por JBL.).

Questionário SEXO IDADE SEMESTRE Ano de Cidade de Origem


Número entrada
01 F 41 Remanescente 2009 P. Afonso - Ba
02 F 18 3º 2014 P. Afonso-Ba
03 M 20 3º 2014 Rodelas-Ba
04 F 20 3º 2014 P. Afonso-Ba
05 F 19 3º 2014 P. Afonso-Ba
06 M 19 7º 2012 P. Afonso-Ba
07 F 23 9º 2011 Antas - Ba
08 F 23 9º 2011 P. Afonso-Ba
09 M 25 3º 2014 P. Afonso - Ba
10 F 21 7º 2012 P. Afonso – Ba
11 F 24 5º 2013 Canindé do S.
Francisco - Se
12 F 28 Remanescente 2009 P. Afonso-Ba
13 F 40 9º 2011 P. Afonso-Ba
14 F 19 5º 2013 Sta Brígida-Ba
15 F 19 3º 2014 Chorrochó-Ba
16 F 19 3º 2014 P. Afonso-Ba
17 M 22 7º 2012 Delmiro Gouveia-Al
18 F 19 3º 2014 P. Afonso-Ba

9
19 F 19 5º 2013 P. Afonso-Ba
20 F 25 5º 2013 P. Afonso-Ba
21 M 24 7º 2012 Mata Grande - Al
22 F 23 7º 2012 Rodelas-Ba
23 F 22 5º 2013 P. Afonso-Ba
24 M 20 3º 2014 Salvador-Ba
25 M 21 7º 2012 P. Afonso-Ba
26 F 26 3º 2014 P. Afonso-Ba
27 F 31 9º 2011 Juazeiro-Ba
28 F 21 5º 2013 P. Afonso-Ba

A concepção subjacente na fala do estudante acima, nos remete ao pensamento do


antropólogo e professor congolês, Kabengele Munanga, especialista em Antropologia
Africana, quando há muito vem chamando a atenção para um dos maiores problemas da
sociedade brasileira, o racismo, perpetuando-se no mesmo contexto do período
medieval/escravocrata, tão bem explícito em sua fala:

Sem a escravização e a colonização dos povos negros da África, a


negritude, essa realidade que tantos estudiosos abordam não chegando a um
denominador comum, nem teria nascido. Interpretada ora como uma formação
mitológica, ora como um movimento ideológico, seu conceito reúne diversas
definições nas áreas cultural, biológica, psicológica, política e em outras. Esta
multiplicidade de interpretações está relacionada à evolução e á dinâmica da
realidade colonial e do mundo grego no tempo e no espaço (MUNANGA,
1988, p.5, In: SILVA, 2009, p. 78).

O Prof. Munanga, em sua fala, reforça a presença do racismo nas lacunas da


academia contemporânea, numa metamorfose perene, dificultando sua identificação e
descaracterização, desencadeando como consequência a sua cristalização nos conceitos/
preconceitos, falas, ações ou falta delas, no seio da academia, e portanto, na sociedade.

No segundo texto postado no mês de dezembro de 2014, “As consequências


físicas e psíquicas da violência no crime de estupro e no de atentado violento ao pudor”,
que aborda a questão do estupro, prática violenta que, infelizmente, as mulheres sofrem
com mais frequência do que se poderia imaginar (GESSE; AQUOTTI, 2008), quarenta e
três (43) estudantes se colocaram de forma madura sobre o problema apresentado,
contribuindo, inclusive, com dados atualizados, sobre a questão do estupro e sua
impunidade no Brasil, como é possível verificar na fala do um estudante, abaixo:

Durante os últimos messes foram noticiados diversos casos de


estupros no Brasil a fora, e dentro de festas em universidades de grande
universidade nacional, mostrando que esse tipo de crime ainda está muito
próximo de nós e provando que nossas leis estão ultrapassadas e mais uma vez
acabam sendo falhas para punir com mão de ferro aqueles que cometem essa
atrocidade, mas o pior é ler nas redes sociais que a culpa de acontecer estupro
são das vítimas usando como argumento para justificar esses atos as roupas

10
que as mulheres usam e que na verdade não tem nenhum tipo de ligação. Diante
da fala do Deputado Federal Jair Bolsonaro “Só não te estupro porque você
não merece”, causa indignação e também me fez fazer uma reflexão sobre tal
postura, ele como uma figura pública deveria pensar muito bem antes de sair
falando coisas sem nexo do qual não se tem nenhum conhecimento, para quem
já passou por esse trauma isso foi como um balde de água fria vindo de um
deputado federal colocado no poder pelo povo. (Estudante 25. Fev. 2015)

A abordagem do texto de referência, traz conceitos na área do Direito, no qual os


autores tratam das várias abordagens e consequências no Direito Penal, relacionando-os
às consequências e/ou sequelas que a vítima de estupro terá, seja no campo psicológico
ou no campo biológico. O argumento do Estudante 25, revela sua preocupação político-
sociocultural, ressaltando, inclusive, a omissão da academia em não discutir essa
problemática, favorecendo a permanência da “invisibilidade” das vítimas.

Dentre os quatro textos disponibilizados na CoP virtual BioComPráxis no mês de


fevereiro de 2015, dois se destacam: o primeiro - “Efeitos globais do bife brasileiro”
(ZOLNERKEVIC, 2009), publicada na Revista Scientific American Brasil, chama a
atenção para a ampliação do agronegócio, e como essa ampliação influencia no aumento
exponencial da devastação da floresta amazônica, e consequentemente na mudança
climática; o segundo texto – “ONU recomenda mudança global para dieta sem carne e
sem laticínios”, trata a dieta vegana, como sendo “vital para salvar o mundo da fome, da
escassez de combustíveis e dos piores impactos das mudanças climáticas (THE
GUARDIAN, 2010). Diante dessas temáticas, geradoras de grandes polêmicas, os
quarenta e um (41) estudantes que participaram do fórum, proporcionaram discussões
interessantes, reconhecendo a excessiva propaganda midiática sobre o consumo de carne
e leite bovinos, como sendo algo que deve ser melhor discutido e refletido, principalmente
pelos futuros biólogos licenciados, no seio da academia, o que infelizmente não acontece.

A mídia manipula muitas vezes as notícias, o que cabe a nós, não só


como biólogos, mas também como cidadão investigar, procurar saber das
notícias que nos rodeiam, para que quando as questões aparecerem sabermos
do que estão falando e expor nossa opinião, assim devemos procurar em vários
lugares sobre as notícias, sejam em artigos, colunas, jornais, blog, todo e
qualquer tipo de comunicação que nos apresente os fatos como realmente é. E
como pesquisadores/professores de biologia precisamos estar sempre
atualizados nesses questionamentos (...). (Estudante 10; Fev. 2015).

A fala do estudante evidencia a ânsia da comunidade discente universitária em


relação às discussões mais contextualizadas, possibilitando uma aprendizagem
significativa, o que poderá favorecer ao emponderamento e autonomia dos futuros
professores do ensino de Ciências e Biologia.

11
4.3 Análise temática das reflexões oriundas do questionário aberto

Dos quarenta e seis (46) estudantes para os quais foram enviados, via e-mail, o
questionário aberto (ver QUADRO II), vinte e oito (28) deram retorno, perfazendo um
percentual de 60,86%, o que nos permite fazer a leitura da relevância da pesquisa,
principalmente no que se refere ao interesse dos estudantes colaboradores no sentido de
tornar visível suas análises e reflexões sobre a CoP virtual BioComPráxis.

QUADRO II – Questionário aberto aplicado aos estudantes que colaboraram com a pesquisa no
mês de Abril de 2015.
Nº DA QUESTÃO PERGUNTA

1 Você considera que as atividades propostas no fórum de discussão “EDUCAÇÃO


FORMATIVA PASSA POR AQUI” possam contribuir para a criticidade e ampliação
da visão de mundo dos futuros biólogos licenciados que participaram da
atividade? (Por favor justifique sua resposta).

2 Entre as temáticas propostas qual(is) que você considerou mais importante para
a sua formação enquanto biólogo licenciado? (Por favor justifique sua resposta).

3 Como você analisa o uso da Comunidade de Prática Virtual – BioComPráxis,


enquanto ferramenta pedagógica? Você a considera um dispositivo interessante
no sentido de contribuir em prol da aprendizagem significativa dos futuros
biólogos licenciados, professores de Ciências e Biologia? (Por favor justifique sua
resposta.)

4 Diante da experiência vivida no que se refere as atividades realizadas na


Comunidade de Prática Virtual – BioComPráxis -, identifique e analise os aspectos
considerados por você como negativos. (Por favor justifique sua resposta).

No que se refere à Questão 1, os estudantes em sua maioria consideram como


positiva a contribuição do fórum de discussão via BioComPráxis, o que é possível
verificar nas falas dos colaboradores: “É de grande importância para os futuros biólogos
participar de atividades que despertem o seu olhar crítico” (Estudante 1); “mais

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criticidade acerca de temas bastante polêmicos e que estão em nosso cotidiano”
(Estudante 6); “me ajudou a descobrir coisas novas e adquirir novos conhecimentos, ajuda
a formar um novo saber” (Estudante 11); “a criatividade e ampliação da visão de mundo
dos futuros biólogos licenciados” (Estudante 17). O estudante 23, único a discordar da
relevância da CoP virtual BioComPráxis para o desenvolvimento e/ou ampliação do nível
de criticidade dos futuros professores de Ciências e Biologia, argumenta:

Não, porque essas atividades não estimulam nossa criatividade apenas servem
para nós colocarmos nossas opiniões sobre o assunto proposto. Os artigos e
experiências em sala de aula sim contribuem com nossas ideias para que
possamos elaborar formas de nos comunicarmos com os alunos e também as
pesquisas para o artigo nos ajudam a ampliar nosso conhecimento. (Estudante
23)

Em sua fala, o estudante acima corrobora com a visão dos professores-


pesquisadores/especialistas que povoam as universidades, para os quais, só a pesquisa nas
áreas específicas das Ciências Biológicas contribui para a formação dos futuros biólogos
licenciados.

Para a Questão 2, os estudantes destacaram: “como aperfeiçoamento como ser


humano foi a do racismo, do estupro e do leite” (Estudante 3); “Efeitos globais do bife
brasileiro. Pois trata de um assunto muito oculto.” (Estudante 5); “O que falava do leite e
da carne vermelha, pois nem sempre é informado o que está por traz de tanto consumo de
carne” (Estudante 8); “A ciência e o racismo” pois por mais “desenvolvido” esteja o
mundo, ainda assim os índices de preconceitos estão muito elevados” (Estudante10); “os
artigos O mundo segundo a Monsanto, e o Leite é prejudicial; considero os mais difíceis
de comentar, uma vez que não possuo um conhecimento mais aprofundado sobre o
assunto” (Estudante 13); “O ponto de vista exposto no fórum certamente ajudou na
ampliação visionária da questão bem como saber que o Racismo é real e deve ser
combatido” (Estudante 16); “A Ciência e o Racismo e Estupro X Sociedade civilizada,
pois são temas que sempre serão contemporâneos, (...) e sempre causam grande
divergência de opiniões, logo, grandes debates” (Estudante 18);

“O que os biólogos / biólogas pensam sobre esses fatos” – esta temática foi a
mais importante, não que as outras não foram de suma importância, mas está
foi a mais importante, pois eu não tinha conhecimento sobre os fatos
apresentados nessa temática, então ler o que foi apresentado nessa atividade
contribuiu bastante para a ampliação dos meus conhecimentos e me mostrou
que há muitas coisas que eu não nem imaginava existir/acontecer. (Estudante
2)

Sobre a Questão 2 o Estudante 22 afirma que “Não houve assuntos citados que
considerei individualmente mais importantes para minha formação, todos assuntos que
13
foram discutidos todos eles fazem parte do nosso círculo de vida...”. Já o Estudante 23
destaca que a CoP virtual BioComPráxis é

uma ferramenta interessante porem não totalmente necessária pois é bom


discutir os assuntos que não são discutidos muito ou que muitos nem estão
informados mas as atividades fora nos mantém mais ativos quanto a aprender
como dar aula e interagir com os alunos que é o foco no nosso curso de
licenciatura.

Na maioria das falas, a prevalência sobre a importância da contextualização do


conhecimento científico, relacionado com o cotidiano, é inquestionável. Do mesmo
modo, a continuidade do “ranço” cartesiano de fazer ciência, ainda perpassa nos
meandros acadêmicos, o que facilita a cristalização de visão de mundo elitista e
reacionária.

A Questão 3 é analisada da seguinte forma pelos estudantes: “posso dispor do


conforto da minha casa para responder as atividades solicitadas com mais facilidade e em
horário que esteja menos ocupado” (Estudante 9); “A comunidade de pratica virtual é
importante na aprendizagem por não restringir o aluno a uma sala de aula ou determinado
horário” (Estudante 14); “É um bom veículo para diminuir a distância entre os
participantes, lugar onde opiniões podem ser expressas sem “pudores”, sem vergonhas,
simplesmente serem ditas/escritas” (Estudante 19); “É uma ferramenta moderna e muito
importante, vem liberando um modo fácil de comunicação entre alunos e professores
facilitando a nossa busca de conhecimento” (Estudante 23); “A comunidade virtual
BioComPráxis deveria ser expandida no sentido de que outros pudessem ser privilegiados
com essa rica ferramenta pedagógica” (Estudante 27); por fim na opinião da ampla
maioria dos estudantes colaboradores dessa pesquisa a comunidade de prática virtual

BioComPráxis é uma ferramenta inovadora e que contribui com toda certeza


na interação entre seus participantes, promovendo assim debates quanto aos
temas disponibilizados pela professora e mostrando diferentes linhas de
pensamentos sobre o mesmo assunto por nós usuários. (Estudante 25)

A análise acima ressalta os aspectos positivos que a maioria dos estudantes


apontam sobre a comunidade de prática virtual, enquanto instrumento que viabiliza uma
formação de professores numa abordagem da aprendizagem significativa.

No que diz respeito aos aspectos negativos, constituintes da Questão 4, as análises


estão mais no contexto propositivo do que da crítica propriamente dita: “talvez seja que
esta comunidade deveria ser mais aberta.” (Estudante 3); “o mecanismo para entrar e
utilizar a ferramenta acaba dificultando um pouco” (Estudante 11); “É necessário que esse

14
espaço seja melhor explorado, e há poucas atualizações” (Estudante 13); “Seria uma boa
ideia (no meu parecer) se pudesse carregar vídeos para enriquecer o tema proposto”
(Estudante 17); “a complexidade de entrar no portal. São muitos links e páginas por onde
temos que navegar até ter acesso ao próprio. Penso que o acesso poderia ser mais direto,
se possível” (Estudante 18).

5 Algumas considerações

O acesso às análises e reflexões dos estudantes tanto no ambiente dos fóruns da


CoP virtual BioComPráxis quanto nas respostas ao questionário, permite-nos considerar
a validade do uso de tecnologias digitais, enquanto instrumento que colabora no sentido
de ampliar as habilidades argumentativas e visão crítica de mundo de estudantes do curso
de Licenciatura em Ciências Biológicas.

No que se refere às reflexões quanto aos aspectos em que a CoP virtual


BioComPráxis precisam serem revistos, um deles me chama mais atenção, no que diz
respeito a pouca atualização, aspecto esse que destaca a necessidade de maior
envolvimento de docentes no processo, já que a diversidade de olhares é elemento
fundante para que as atualizações sejam mais ricas e atendam aos anseios dos graduandos.

Em meio a todos os argumentos, um sentimento emerge em pleno vigor: a


necessidade de exercitar a paciência, no sentido de ter consciência do tempo que é
necessário para que aja mudança de mentalidade por parte de docentes enclausurados em
suas “especialidades”; ao mesmo tempo em que o desejo de continuar buscando
caminhos, alternativas, que nos leve de encontro aos anseios e necessidades dos biólogos
licenciandos, de modo que estes percebam-se cada vez mais sujeitos de seu fazer
pedagógico, de seu elaborar científico, de sua ação cidadã, é fortalecida.

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