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OPERAÇÃO BRASIL

P. 59

“Todos os itens da proposta de Marshall – em especial os três últimos – reportavam-se


diretamente ao Brasil. Todavia, excetuando o corte das relações diplomáticas, nenhuma
das requisições das Forças Armadas dos EUA foi atendida pelos brasileiros. Uma vez
colocadas em prática, elas anulariam qualquer resquícios de soberania do país. Os
militares norte-americanos poderiam locomover-se (...) sem a necessidade de dar
satisfação às autoridades locais (...)”

P. 60

“Os resultados frustrantes da conferência do Rio são essenciais para a compreensão das
relações políticas e militares entre brasileiros e norte-americanos em 1942. Vista com
má vontade tanto pelo Departamento de Estado quanto pelo Departamento de Guerra
dos EUA, a questão do fornecimento de armas ao Brasil seria um dos pivôs das
negociações entre os dois países.”

P. 62

“Os chanceleres e representantes americanos assinaram uma declaração geral de


neutralidade (...) A reunião também estabeleceu uma zona de segurança marítima ao
redor do continente, a fim de proteger a navegação costeira.”

P. 63

“Já era o quinta navio brasileiro afundado pelo Eixo (...) Entretanto, os ataques
submarinos continuariam (...) Vargas decretou o embargo as viagens de todos os navios
com destino aos EUA, mas a medida unilateral não poderia durar indefinidamente. Sem
dispor de uma única refinaria, o Brasil dependia por completo da importação de
derivados de petróleo norte-americanos (...) para movimentar a economia nacional.
Algo precisava ser feito.”

P. 64

“Os militares brasileiros e os diplomatas da Alemanha, da Italia e do Japão alertavam


Vargas de que uma vez rompidas as relações diplomáticas com o Eixo, a guerra poderia
chegar ao Brasil. Na opinião do presidente, a solução estava na proteção da navegação
brasileira pela frota de Ingram, pois a armada nacional não estava habilitada a cumprir o
seu papel em águas nacionais e, muito menos, nas internacionais.”

P. 65

“Em troca do uso das instalações portuárias em Recife, Natal e Salvador, Ingram
assumiria a responsabilidade pela proteção do tráfego marítimo brasileiro, facilitando a
remessa do equipamento naval que o Brasil solicitava ao governo dos EUA.”
“Seu plano dividia as unidades navais disponíveis em cinco forças-tarefa: duas aéreas e
três navais. Das três navais, duas seriam compostas de unidades inteiramente brasileiras.
A terceira seria inteiramente composta de navios dos EUA. Ingram montou um plano de
defesa com meios escassos, mal aparelhados e insuficientes para o conjunto das
necessidades dos dois países.”

P. 66

“As belonaves nacionais não dispunham de equipamentos modernos, como o sonar e o


radar. A maioria sequer era capaz de lançar as poucas bombas de profundidade
armazenadas nos poióis da Marinha – sobras da Primeira Guerra Mundial.”

“Patrulhas de combate compostas unicamente por unidades nacionais seriam inúteis


contra os U-boate alemães e italianos, pela quase total impossibilidade de detectá-los ou
de atacá-los quando submersos. Pelo mesmo motivo, era inviável a organização de
comboios para proteção das embarcações mercantes e de passageiros, que atrasariam o
tráfego comercial e chamariam atenção dos informantes do Eixo.”

P. 67

“No começo de Agosto, chegou a 15 o número de navios brasileiros afundados por


submarinos do Eixo. Getúlio Vargas esgotara as cartas que possuía na manga sem
conseguir aparelhar a Armada com os meios eficazes para travar a guerra submarina.
Em 5 de agosto, os apelos de Carlos Martins para que os navios brasileiros pudessem
ser protegidos por unidades navais dos EUA receberam uma resposta evasiva de Welles,
afirmando que só a estreita colaboração entre as duas marinhas poderia modificar a
situação de insegurança no mar. A “colaboração” a que se referiu Welles era a total
aceitação dos brasileiros aos planos norte-americanos em território nacional.”

P. 68

“O material chegara ao Brasil sem os reparos, os aparelhos de tiro e a munição obtida


apenas no final de 1942, comprada da Inglaterra.”

“Em contrapartida, os norte-americanos obtiveram dos brasileiros a permissão de


sobrevôo do espaço aéreo pelos seus aviões e a autorização do uso dos portos do
Nordeste por suas belonaves. Para a Aeronáutica, os únicos aviões colocados a
disposição do Brasil antes de Pearl Harbor, consistiam em aeronaves de treinamento e
de transporte de autoridades.”

P. 69

“A fragilidade da Força Naval brasileira (com um total de 54.726 toneladas) frente


às armadas das demais potências sul-americanas era gritante. A Argentina, com
extensão territorial, fronteiras marítimas, rios navegáveis e população inferior, possuía
uma Marinha de Guerra com quase o dobro do tamanho brasileiro (100.021 toneladas).”
“Sem possuir uma industria naval capaz de prover os meios necessários, restava aos
brasileiros buscar no exterior novas unidades (...) Decidiu-se, então, optar pela solução
mais econômica possível: tomar emprestadas velhas unidades navais fora de serviço.”

P. 73

“Logo após Pearl Harbor, Welles procurou o embaixador brasileiro em Washington, a


pedido de Roosevelt, trazendo um assunto da mais alta urgência. A solicitação dizia
respeito a impossibilidade de vôos para o Extremo Oriente, devido ao fechamento da
rota do Pacífico pelos japoneses. Com isso, havia a necessidade de utilizar o trajeto
EUA-Brasil-África-Extremo Oriente para o trânsito de aeronaves militares.”

P. 77

“(...) A intenção de enviar uma força norte-americana ao Brasil permaneceu firme


mesmo quando a União Soviética foi invadida em 22 de junho. Apesar da indicação
clara de que o foco da Werhmacht estava voltado para a Europa Oriental, Marshall disse
a Welles que o exército pretendia enviar avião, artilharia antiaérea, infantaria, artilharia
de campanha e elementos de serviço no total de 9.300 militares e 43 aviões para
participarem ostensivamente das manobras no saliente nordestino em agosto e setembro
– em vez das tropas de apoio informadas por Miller aos brasileiros.”

P. 91

“Durante a Segunda Guerra Mundial, nem mesmo as aeronaves com maior autonomia
de vôo eram capazes de alcançar o continente africano a partir dos EUA ou Caribe. Em
1942, a única rota aérea Aliada para a África, com origem nas Américas, passava
obrigatoriamente por Natal. Avaliando a posição geoestratégica brasileira, os
planejamentos militares norte-americanos temiam que o saliente nordeste servisse como
futura porta de entrada para a invasão do continente. Segundo as projeções dos
analistas, as Forças Armadas brasileiras seriam insuficientes para defender o Nordeste
contra uma invasão do Eixo, o que levou a Divisão de Plano de Guerra a estabelecer
medidas para deslocar grandes efetivos militares dos EUA para a região.”

P. 114

“Quando a notícia sobre os submarinos do Eixo chegou a Berlim, a reação do Comando


Naval alemão foi imediata. O Comando de Guerra Naval (Seekriegsleitung), braço
operacional do Alto Comando da Marinha (Oberkommando der Marine – OKM),
propôs ao Estado-Maior Operacional do Alto-Comando das Forças Armadas
(Oberkommando de Wehrmacht – OKW) que fosse desfechado um ataque militar
contra o Brasil.”

“O Comando de Guerra Naval considerou que um ataque repentino contra os navios de


guerra e mercantes brasileiros seria viável naquela conjuntura, pois as medidas de
defesa dos país ainda estavam incompletas.”
P. 117

“A Marinha de Guerra é constituída por dois grandes encouraçados com 19.200 t,


construídos em 1908 e 1909; dois cruzadores pequenos, igualmente dos anos 1909 e
1907; sete destróieres com menos de 1.000t, construídos antes de 1914; bem como
quatro submarinos; seis caça-minas pequenos; e cinco canhoneiras, na maior parte
abaixo de 500 t e tem como base Natal e Recife em primeiro lugar.”

“Em 1940, três destróieres modernos foram lançados ao mar e outros seis tiveram a
construção autorizada; está prevista a fabricação de mais doze. A força e o poder
combativo destas poucas unidades, na maioria velhas, são considerados mínimos.
Tendo em vista a mentalidade peculiar desse povo, o valor psicológico da sua frota é
bem maior que o real.”

P. 121

“2. Enquanto o Brasil continuar neutro, uma ação de guerra não vale a pena, pelos
seguintes motivos: como nenhum U-tanker estará a disposição, o estoque de
combustível disponível para os submarinos do tipo IX na área de operação é bastante
pequeno, devido às longas distâncias de deslocamento. Seria preciso utilizar todo o
arsenal de torpedos num intervalo de tempo reduzido, mas isso é impossível (...)”

P.122

“Eu considero que uma rápida operação contra os portos brasileiros teria uma boa
chance de sucesso. [...] É esperado um pesado tráfego naval e atividade
antissubmarina muito leve nos portos de Santos, Rio de Janeiro, Recife, Bahia e Natal.
[...] O tipo de litoral permite a operação próxima a linha costeira. [...] A primeira
operação deverá ser feita com torpedos, porque se espera que a defesa antissubmarina
permita a entrada dos U-boote nas baías e portos, onde a operação com torpedos irá
causar uma grande surpresa combinada com as operações de minagem. [...] A
minagem, certamente, promete boas chances de sucesso no futuro.”

“Doenitz era um militar pragmático, que direcionava seus meios para objetivos de valor
energético – e a Operação Brasil destoava dessa visão. A ação proposta pelo Alto-
Comando voltava-se mais para a guerra de propaganda do que para alcançar objetivos
relevantes na esfera militar. Uma vez levado a efeito, o ataque retiraria unidades
submarinas de áreas vitais, acarretando “um considerável custo para o resto da guerra no
Atlântico” e prejudicando as demais operações na costa americana. Se recebesse ordem
para deslocar seus U-boate para o distante Atlântico Sul, Donitz queria que, pelo menos,
fosse dada total liberdade de ação aos seus subordados.”

P. 124-125

“A Marinha alemã finalizou os planos da Operação Brasil, organizando uma “alcatéia”


com dez “submarinos-lobo” (dois do tipo IX e oito do tipo VII-C), que partiriam da
costa oeste da França ocidental entre 22 de junho e 4 de julho. No plano proposto,
esperava-se alcançar a máxima surpresa, reduzindo ao mínimo a reação das defesas
brasileiras. O grupo de submarinos dirigir-se-ia para uma área de espera situada entre as
latitudes de 9° e 10° sul (na altura de Alagoas), onde seriam abastecidos. Terminando o
ressuprimento, os submersíveis entrariam em posição a frente dos diferentes portos,
desfechando os ataques simultaneamente entre os dias 3 e 8 de agosto (período
imediatamente à Lua nova).”

P. 126

“Tomando como base o mudus operandi da Kriesgsmarine, o ataque aconteceria da


seguinte forma. Ao ser recebida a mensagem codificada para o início da operação, os U-
boote penetrariam submersos no interior das baías e portos, identificando os alvos de
maior valor. Não haveria a necessidade de maiores cálculos para o torpedeamento, pois
as presas estariam imobilizadas nos ancoradouros ou fundeadas nas proximidades. Um
vez lançados os torpedos prontos para o disparo (quatro na proa e dois na popa), os
tubos seriam recarregados para uma nova salva. Caso não houvesse reação defensiva, os
alvos compensadores da costa receberiam o bombardeio do armamento de convés:
canhões de 88mm (U-boote tipo VII-C) e de 105mm (U-boote tipo IX-D), atingiriam
objetivos terrestres como aeroportos e reservatórios de combustível e gás. Ao final da
ação, seriam depositada de duas a quatro minas em um dos portos, de acordo com a
capacidade de cada submarino.”

P. 127

“Segundo ele (Hitler), se fosse empreendida uma ação contra o Brasil, ela não deveria
ser um conjunto de alfinetadas”, mas um empreendimento sério (...)”

P. 128

“Na década de 1940, a Marinha do Brasil era uma pálida imagem da poderosa Armada
que fora no início do século. Inspirado na diplomacia vitoriosa do barão do Rio Branco,
o governo do presidente Rodrigues Alves (1902-1906) respaldou as ações da política
externa brasileira com o fortalecimento do poder naval. Utilizando os recursos oriundos
da exportação da borracha e disposto a reverter a inferioridade naval brasileira frente
aos vizinhos, Rodrigues Alves encomendou aos estaleiros ingleses a construção de
modernas belonaves: dois encouraçados, dois cruzadores, dez contratorpedeiros e três
submarinos.”

P-129

“Quando estourou a Primeira Guerra Mundial, as grandes unidades da Armada ainda


eram as mesmas do Programa Naval de 1906. No início da Segunda Guerra Mundial, a
situação era ainda mais crítica: dos quatro encouraçados, restavam dois em serviço; dos
seis cruzadores, apenas dois; dos dez contratorpedeiros, alguns poucos permaneciam
teimosamente em atividade. Pior. Em 1930, os últimos navios adquiridos no exterior
ainda não estavam pagos.”
P-130

“Durante as décadas de 1920 e 1930, o descaso dos governantes, somado a fragilidade


da economia brasileira, abalada pelas sucessivas crises políticas e econômicas, gerou o
quadro de obsolescência da esquadra em 1942.”

“Os dois encouraçados brasileiros estavam armados com 12 enormes canhões de 305
mm, apropriados para o duelo de superfície, mas quase inúteis para a guerra
submarina.”

P-131

“A carência de unidades antissubmarino era tão séria que obrigou a Marinha a estudar e
a empreender soluções pouco ortodoxas. Seis pequenos navios mineiros da Classe
Carioca, construídos no Arsenal de Marinha nos anos de 1930, foram promovidos a
corvetas com uma canetada. Os U-boote alemães e italianos não precisaram gastar um
único torpedo para causar baixas entre as modestas unidades. O próprio oceano
encarregou-se disso. Um delas, a Camaquã, naufragou na costa de Pernambuco em
1944, após uma sucessão de ondas.”

P-132

“Os dois primeiros caça-submarinos arrendados pelos EUA, equipados com radar, sonar
e equipamento para ataque antissubmarino, só chegariam ao Brasil em 24 de setembro
de 1942”

“Sem dispor de meios de detecção e ataques modernos, a Armada era incapaz de lutar
com eficiência contra o inimigo submerso. No lugar dos sonares, utilizavam-se
antiquados aparelhos de escuta (hidrofones) para a localização dos submersíveis pelo
ruído dos motores. Todavia, mesmo esses aparelhos eram raros (...) Até os navios de
pesca foram sugeridos para o uso como caça-submarinos (...)”

“A falta de aptidão das mais poderosas embarcações da Marinha para a guerra


antissubmarino lhes reservou uma missão pouco nobre para uma belonave. Após a
declaração de guerra brasileira, os dois encouraçados fora atuar como fortalezas de tiro
fixas na proteção dos portos de Salvador e Recife.”

P-133

“Os especialistas observaram que a estrutura naval em Belém, Natal, Recife e Salvador
dispunha de excelentes baías. Entretanto, elas estavam guarnecidas por um punhado de
tropas em fortificações da Era Colonial. Segundo a conclusão do trabalho, uma
belonave moderna poderia irromper a baía de Guanabara adentro, arrasando os fortes do
Rio e destruindo com facilidade a velha e heterogênea coleção de navios da Marinha.”
P-139

“A tarefa de estimar o potencial destrutivo da grande ofensiva naval alemã pode tomar
como base um evento que de fato aconteceu em agosto (independentemente da
Operação Brasil), quando um único U-boot matou mais de 600 pessoas no litoral do
Nordeste, destruindo seis navios sem a necessidade de entrar nos portos brasileiros.”

P-153

“O Baependy cumpria fielmente as instruções baixadas pelo Estado-Maior da Armada,


navegando a menos de dez milhas náuticas da costa (cerca de 18 quilômetros), no limite
de segurança para a navegação de cabotagem.”

P-156

“O U-507 era um dos grandes e modernos submarinos da nova classe IXC, fabricados a
partir de 1939. Tratava-se de um legítimo expoente da avançada engenharia naval
alemã. A adição de 43 toneladas de combustível em relação à classe anterior (IXB) lhe
dava o fabuloso alcance de 13.450 milhas náuticas (quase 25 mil quilômetros),
capacitando-o empreender missões de longo curso. Dois motores a diesel o
impulsionavam a velocidade de 18,3 nós (quase 34 km/h), permitindo-lhes alcançar com
facilidade o lento vapor, que se arrastava a meros 7 nós (cerca de 12 km/h).”

P- 165-166

“Após afundar os três navios brasileiros, o U-507 prossegue sua viagem em direção a
Salvador. Os ataques foram bem sucedidos, sem dar tempo para que as vítimas
pedissem socorro pelo rádio telégrafo. Sob o ponto de vista operacional, a ação se
revestiu de um sucesso absoluto, pois o maior trunfo do U-boot é o elemento
surpresa: ‘aquele que vê primeiro, vence!’. Esse era um dos princípios ensinados aos
novos comandantes. Como arma de guerra, o submarino possui a excepcional
habilidade de atacar e evadir-se sem ser detectado, mas para que isso seja possível, o
comandante habilidoso precisa assegurar que seu barco fique incógnito o maior tempo
possível.”

P- 166

“A Bahia está situada numa região onde a plataforma continental brasileira apresenta-se
excepcionalmente estreita. Pouco menos de três ilhas náuticas (5,6 km) separam as
areias da praia de Itapuã de um verdadeiro despenhadeiro submarino, que faz a
profundidade cair abruptamente de 40 para mais de mil metros. Caso fosse ameaçado
pelo ataque de aeronaves ou de navios de superfície, o U-507 poderia furtar-se
rapidamente à observação aérea e aos sonares dos navios. Abandonaria a pouca
fundura da água da plataforma continental (não mais de 40 metros junto a entrada
do canal de Salvador), onde a detecção visual e eletrônica é mais eficiente,
submergindo até cerca de 230 metros de profundidade, no limite de pressão que a
estrutura do U-boot é capaz de suportar com segurança.”
P-174

“Com a nova fase lunar oferece noites cada vez mais claras – com a Lua nascendo logo
após o crepúsculo e pondo-se apenas ao alvorecer – há cada vez menos tempo
disponível para o U-boot operar emerso com segurança. Isso acarreta um problema de
ordem técnica, pois o submarino não pode navegar submerso indefinidamente, usando
apenas as energias das baterias. É necessário emergir de forma periódica, a fim de
colocar em funcionamento os motores a diesel que recarregam o sistema elétrico.”

P- 175

“Talvez o capitão esperasse que fossem levantadas as restrições contra os ataques no


interior dos portos assim que o Brasil declarasse guerra. Contudo, a reação oficial
brasileira demorou a acontecer. Berlim não entendeu de imediato o que significava o
“estado de beligerância” anunciado pelo governo Vargas em 21 de agosto (a declaração
de guerra viria apenas em 31 de agosto”. No dia 23 de agosto, finamente o B.d.U
concedeu a esperada liberdade de manobra ao U-507 (...)”

“As mensagens do Comando de Submarinos devem ter sido recebidas com decepção
pela tripulação do U-507, pois o submarino havia pouco encerrara suas operações na
entrada da Baía de Todos os Santos. Agora era tarde demais para retornar, pois o U-boot
já estava na costa de Sergipe, com pouco combustível. A fase lunar era desfavorável,
sobrando pouco mais de uma hora e meia entre o fim do crepúsculo (18h08) e o nascer
da Lua cheia (19h44). Fosse por azar ou por precipitação de Harro Schacht, o U-507
deixara escapar uma excelente oportunidade de sucesso. Se o governo brasileiro tivesse
declarado de imediato estado de guerra em vez de estado de beligerância, a lista de
mortos, feridos e de prejuízos materiais em agosto teria sido ainda maior”