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480 ARTIGO ORIGINAL | ORIGINAL ARTICLE

Educação em saúde e promoção da saúde:


impacto na qualidade de vida do idoso
Health education and health promotion: impact on quality of life of
elderly

Janaina Pinto Janini1, Danielle Bessler2, Alessandra Barreto de Vargas3

RESUMO Objetiva-se analisar o impacto das ações de promoção e educação em saúde na busca
da qualidade de vida, na autonomia e no autocuidado da pessoa idosa. A coleta de dados deu-se
por meio de entrevistas semiestruturadas com 83 idosos, de ambos os sexos, e evidenciaram
a importância da intersetorialidade e da realização de ações educativas emancipadoras da
população. Ainda assim, faz-se necessário agregar, a esses processos, estratégias de univer-
salização e equalização das informações concedidas aos idosos. Concluiu-se que a educação
constitui uma poderosa ferramenta na promoção da saúde, na garantia da autonomia e na
qualidade de vida do idoso.

PALAVRAS-CHAVE Promoção da saúde; Educação em saúde; Autonomia pessoal; Qualidade


de vida; Idoso.

ABSTRACT It aims to analyze the impact of the actions of promotion and health education in
the pursuit of quality of life, in the autonomy and in the self-care for the elderly person. The
data collection took place through semi-structured interviews with 83 seniors, of both genders,
and emphasized the importance of inter-sector and the realization of emancipatory educational
activities of the population. However, it is necessary to add to these processes, strategies of uni-
versalization and equalization of the information provided to elderly people. It is concluded that
education is a powerful tool in promoting health, in ensuring the autonomy and in quality of life
of the elderly.

KEYWORD Health promotion; Health education; Personal autonomy; Quality of life; Elderly.

1 Universidade Gama Filho


– Rio de Janeiro (RJ), Brasil.
janapjanini@yahoo.com.br

2 Fundação Oswaldo
Cruz (Fiocruz), Escola
Politécnica de Saúde
Joaquim Venâncio (EPSJV)
– Rio de Janeiro (RJ), Brasil.
danibessler@hotmail.com

3 SecretariaMunicipal de
Saúde do Rio de Janeiro –
Rio de Janeiro (RJ), Brasil.
ale_scout@hotmail.com

SAÚDE DEBATE | rio de Janeiro, v. 39, n. 105, p.480-490, ABR-JUN 2015 DOI: 10.1590/0103-110420151050002015
Educação em saúde e promoção da saúde: impacto na qualidade de vida do idoso 481

Introdução Todavia, esse caminho é menos percor-


rido quando nos referimos à longevidade.
A promoção da saúde é uma estratégia Apesar de a PNPS possuir o incentivo à pes-
que proporciona visibilidade aos fatores quisa como diretriz (BRASIL, 2010), ainda são ne-
de risco e aos agravos à saúde da popula- cessários estudos que vislumbrem as atuais
ção, focando no atendimento do indiví- demandas básicas do longevo, a metodologia
duo (coletivo e ambiente) e elaborando aplicada pelos profissionais de saúde para o
mecanismos que reduzem as situações de alcance dos objetivos do programa e os en-
vulnerabilidade (BUSS, 2000). As origens e traves na sua implantação, bem como as ade-
concepções da promoção da saúde tiveram quações necessárias para a sua viabilização.
início com o advento da educação em O paradigma promocional maximiza a
saúde, no início do século XX, a partir necessidade de estudos no processo de pro-
da observação da alteração dos índices dução do conhecimento e das práticas no
de adoecimento decorrentes de práticas campo da saúde, para garantir uma melhor
educativas realizadas por “higienistas” da exequibilidade desse modelo. Isto posto, o
época (ENRIA; STAFOLANI, 2010, P. 173). Naquele objetivo deste estudo é avaliar o impacto da
período, então, o significado da promoção inserção dos programas de promoção e edu-
da saúde era atribuído a ações de educação cação em saúde na autonomia, na qualidade
em saúde, visando à melhoria da qualida- de vida e no autocuidado do idoso, através de
de de vida. Embora a educação em saúde investigação do conhecimento e orientação
possua caráter mais amplo, ela é conside- do mesmo acerca da percepção de mudanças
rada um dos principais dispositivos para na própria saúde; o estímulo e o desenvolvi-
a viabilização da promoção da saúde, au- mento de habilidades pessoais que garantam
xiliando no desenvolvimento da respon- a autonomia e o autocuidado; a qualidade
sabilidade individual e na prevenção de das práticas educativas e os métodos avalia-
doenças (LOPES; SARAIVA; XIMENES, 2010). tivos dentro desse processo.
Nesse sentido, a educação possui impor-
tância inegável para a promoção da saúde,
sendo utilizada como veículo transformador Método
de práticas e comportamentos individuais,
e no desenvolvimento da autonomia e da O estudo caracteriza-se como de abordagem
qualidade de vida do usuário (LOPES; SARAIVA; qualitativa, de natureza descritiva e explo-
XIMENES, 2010). ratória. As questões éticas foram observadas
Esses conceitos, associados a outras po- em todas as etapas da pesquisa, atendendo à
líticas públicas, foram devidamente ajusta- Resolução no 196/96 do Conselho Nacional
dos às demandas populacionais e inseridos de Ética, sendo a pesquisa aprovada pelo
na Política Nacional de Promoção da Saúde Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria
(PNPS), cujo objetivo está voltado à pro- Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
moção da qualidade de vida através da in- O cenário da pesquisa foi uma Unidade
tervenção “em diversos segmentos sociais Básica de Saúde (UBS) localizada na Zona
condicionantes de saúde, como trabalho, ha- Oeste do Município do Rio de Janeiro, e
bitação, ambiente, educação, lazer, cultura, tem como amostra 83 idosos atendidos na
acesso a bens e serviços essenciais” (BRASIL, instituição, sendo 48 do sexo feminino e 35
2010, P. 17). Tais condicionantes estão inega- do sexo masculino; todos com faixa etária
velmente relacionados à qualidade de vida, entre 60 e 83 anos. Os critérios de inclusão
oportunizados através de práticas promocio- no estudo foram idade superior a 60 anos e
nais e educacionais em saúde. estar cadastrado na instituição.

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Foi utilizado como instrumento de coleta contexto mostra que a qualidade de vida
de dados um roteiro de entrevista semies- não está relacionada exclusivamente às con-
truturado, contendo: 1) perfil do usuário; 2) dições de saúde, e sim à ‘preservação’ de
frequência de consultas; 3) conhecimento de valores e práticas edificados histórica e cul-
doenças ou problemas inerentes ou suscetí- turalmente (MINAYO; HARTZ; BUSS, 2000).
veis à idade; 4) conhecimento para identi- Nesse sentido, as idosas representaram a
ficar fatores de risco ou agravos à saúde; 5) maior incidência de consultas semestrais: 41
prática e orientação sobre hábitos saudáveis (85,42%), revelando o cuidado com o corpo
e autocuidado com a saúde; 6) participação através da prevenção, da detecção precoce e/
em atividades educativas: métodos, técnicas ou do controle de morbidades. O fato de as
e avaliação. mulheres recorrerem às UBS mais frequen-
Para a análise dos dados empíricos, utili- temente pressupõe uma justificativa para a
zou-se a técnica de análise temática. Durante preponderância da longevidade das mesmas
a leitura exaustiva dos discursos, buscando a em relação aos homens, vislumbrada pelo
apreensão das ideias centrais e a estrutura de percentual elevado de viúvas encontrado no
significados, originaram-se três itens temáti- grupo entrevistado: 31 (64,58%). Percebe-
cos: perfil etário, gênero e condições de vida; se, no caso das longevas, a associação direta
hábitos de vida do idoso; educação, partici- entre qualidade de vida e estado de saúde,
pação social e empoderamento. muitas vezes definidos na literatura como
A última etapa da análise constituiu-se da equivalentes (GUYATT; FEENY; PATRICK APUD SEIDL;
interpretação dos dados frente ao referen- ZANNON, 2004, P. 584).
cial teórico específico referente à promoção Já a maioria dos homens é casada 32
e à educação em saúde, à vulnerabilidade, (91,42%) e apresenta um número maior de
ao idoso, à qualidade de vida e ao empode- consultas anuais 22 (62,86%). Tal estatística
ramento, acrescidos da Política Nacional de demonstra uma busca mais intervalada e em
Promoção da Saúde e de outros manuais do menor fluxo, se comparada à das mulheres
Ministério da Saúde que se reportam a essa idosas cadastradas na mesma unidade de
temática. saúde. Isso pode ser atribuído ao baixo inte-
resse pelo autocuidado atrelado a uma ideia
de ‘imunidade ao adoecimento’. No entanto,
Resultados e discussão dados sobre a morbimortalidade dos homens
idosos desmistificam a ideia de que os
Dos 83 idosos entrevistados, 48 (57,83%) mesmos adoecem menos do que as mulhe-
pertencem ao sexo feminino e 35 (42,17%) res, mas ainda assim vivem sob tal premissa,
ao sexo masculino. Estudos apontam a influ- assumindo práticas e comportamentos me-
ência do gênero na busca pelos serviços de diante os “significados culturais construídos
saúde e indicam uma predominância dessa e atribuídos às diferenças sexuais” (KORIN, 2001,
procura pelo sexo feminino, que pode ser P. 68).
decorrente do imaginário social de que as Não se podem descartar as questões de
mulheres teriam prioridade nos estabele- gênero que hierarquizam o sexo biológico
cimentos de atenção primária, em relação e naturalizam um modelo hegemônico de
aos homens. Esse ‘status feminino’ conferi- masculinidade, na família e sociedade, pau-
do às UBS pode ser a motivação para a alta tadas na caracterização de um estereótipo
demanda de mulheres, bem como a baixa dos homens como “ativos, fortes, capazes
procura dos homens, que objetivam pre- do trabalho físico árduo, produtivos, com-
servar sua “identidade masculina” constru- petitivos e orientados ao mundo externo,
ída socialmente (FIGUEIREDO, 2005, P. 106). Esse capazes de combater em guerras e penetrar o

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corpo de uma mulher”, sendo inferiorizados adquirir tais conhecimentos em atividades


quando não apresentam tais requisitos (KORIN, em grupo, palestras dentro das unidades de
2001, P. 69). Essa imagem de força seria fragili- saúde e panfletos distribuídos como métodos
zada pela menção da preocupação do idoso educativos aplicados. Esse saber conferido
com sua saúde e com o aumento da demanda aos idosos está associado a dois conceitos
espontânea do mesmo no atendimento de envelhecimento descritos por Gottlie
dentro da atenção primária. Agregados às (2007): o biológico normal, que abrange as
questões de gênero, podem existir outros mudanças inevitáveis e comuns a todos os
fatores interferentes nesta demanda, tais idosos, decorrentes do processo de enve-
como o cenário organizacional dos serviços lhecimento; e o biológico usual, que associa
e a capacitação dos profissionais de saúde essas alterações fisiológicas à prevalência de
(ALVES ET AL., 2011). doenças crônicas. Percebe-se, nos discursos
A visão de si mesmo e sua vulnerabilidade dos longevos, um leque variado de situações
não só podem estar associadas à demanda vinculadas ao envelhecimento biológico.
de consultas nas unidades básicas, como Entretanto, as doenças relacionadas ao enve-
também funcionam como motivadoras, ou lhecimento usual mostram um apontamento
não, do cuidado com a saúde. A valorização importante, emergindo em possíveis preo-
da questão cultural que se reporta ao sexo cupações dos longevos, não somente com o
biológico deve ser levada em consideração processo de envelhecimento, mas também
nesse processo, pois a sociedade concede com o adoecimento associado.
ao homem um status de poder capaz de fo- Os coeficientes referidos de doenças
mentar uma crença de imunidade, ao passo cardiovasculares ratificam essa associa-
que as mulheres sempre estiveram vincu- ção entre a idade e adoecimento, vista por
ladas, histórica e culturalmente, à questão 38 (79,17%) dos idosos do sexo feminino e
do cuidado. Apresenta-se a necessidade de 28 (80%) do masculino, o que pode ser um
romper com essas explicações pautadas no reflexo da atuação da doença cardiovascular
biológico e superar, “no plano das ações de como uma das principais representantes do
políticas públicas, as assimetrias conceituais cenário usual de doenças associadas ao en-
que fomentam percepções equivocadas de velhecimento (GOTTLIE, 2007).
vulnerabilidade” (CARRARA ET AL., 2010, P. 19). Não se pode deixar de descartar que esse
Tendo em vista a identificação desse saber provém da massificação de práticas
cenário de assimetrias, e na tentativa de re- educativas como um incremento de políti-
verter as consequências decorrentes da traje- cas públicas de saúde, sendo um facilitador
tória histórico-cultural atrelada às questões na correlação do conhecimento informado
de gênero, o Ministério da Saúde lançou, aos fatores de riscos e do reconhecimento da
em agosto de 2009, a Política Nacional doença pelos longevos.
de Atenção Integral à Saúde dos Homens Outras narrativas podem estar agregadas
(PNAISH), com vista ao estímulo promocio- às tensões que circundam a capacidade de
nal e preventivo da saúde. gerenciamento da autonomia e de realização
Com relação ao conhecimento acerca do autocuidado pelo idoso, como é o caso das
de doenças ou problemas provenientes do oftalmopatias, dos processos neurodegene-
envelhecimento, as mulheres – 47 (97,91%) rativos e da atrofia muscular, que não estão
– se mostraram mais informadas dos que atribuídos, inicialmente, ao cenário educati-
os homens – 29 (82,85%). Ambos referiram vo ou ao estado de adoecimento.

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Tabela 1. Doenças/problemas de saúde relacionados pelos idosos entrevistados

Mulheres Homens
Doença/Problemas N % N %
Perda de cabelo 08 16,67 32 91,42
Atrofia muscular 12 25,00 01 2,86
Hiperlipidemia 06 12,50 19 54,29
Hipogonadismo 43 89,58 01 2,86
Neurodegeneração 14 29,17 01 2,86
Alterações oftálmicas 45 93,75 35 100,00
Telangiectasias 10 20,83 01 2,86
Alterações cutâneas 25 52,08 02 5,72
Câncer 10 20,83 04 11,44
Doença vascular 38 79,17 28 80,00
Diabetes Mellitus 18 37,50 21 60,00
Fonte: Elaboração própria

Essas tensões, mediadas pelo grau de cutâneas – 25 (52,08%). Assim como as mu-
adoecimento ou por aspectos fisiológicos re- lheres, os homens apresentaram percentuais
lacionados à idade, possuem um imaginário expressivos de alterações oftálmicas – 35
incapacitante e influenciam a mensuração (100%) e de doenças vasculares – 28 (80%),
da qualidade de vida pelos idosos, sendo, por como também perda de cabelo – 32 (91,42%)
sua vez, mais aplicados na autoavaliação da e diabetes mellitus – 21 (60%). Percebe-se
qualidade de vida pelos mesmos do que os a ocorrência de uma estratificação e uma
fatores não médicos (SEIDL; ZANNON, 2004, P. 582). hierarquização do conhecimento adquiri-
A transmissão do conhecimento acerca do, atribuído ao gênero: as idosas possuem
dos processos patológicos, embora não seja narrativas que dão ênfase ao conhecimen-
objeto da atenção da promoção da saúde, co- to relacionado ao corpo e à incapacitação,
labora para a capacitação individual e coleti- enquanto os homens idosos demonstram
va, e traz reflexões significativas da visão do conhecimento direcionado ao processo de
idoso sobre si mesmo, sua vulnerabilidade adoecimento. Esses achados podem ser uma
e a autonomia para desempenhar um papel justificativa para o menor número de agen-
na “prevenção dos fatores determinantes e/ damento de consultas preventivas por parte
ou condicionantes de doenças e agravos à dos homens, reiterado pelo entendimento de
saúde”, conforme reza um dos objetivos es- Alves et al. (2011), que afirma, em seus estudos,
pecíficos da Política Nacional de Promoção a negligenciação dos homens no tratamen-
da Saúde (BRASIL, 2010, P. 18). Dessa forma, as con- to preventivo e a busca do tratamento da
dições de vida devem ser evidenciadas, jun- enfermidade.
tamente à qualidade de vida, como cernes da Com relação à pergunta referente ao co-
promoção da saúde (MINAYO; HARTZ; BUSS, 2000). nhecimento de longevos e longevas quanto
As doenças ou os problemas de saúde à identificação de fatores de risco e agravos
mais descritos pelas longevas foram as à saúde, os mesmos apresentaram narra-
alterações oftálmicas – 45 (93,75%); o hi- tivas unânimes sobre a aquisição desse
pogonadismo – 43 (89,58%); as doenças saber, decorrentes das vivências individuais
vasculares – 38 (79,17%); e as alterações dentro do processo de envelhecimento e/ou

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adoecimento, ou pela transmissão de saberes imoral, do tipo que exerce práticas e compor-
por atividades educativas. Há uma hegemo- tamentos inadequados. Ambos os aspectos
nia no discurso acerca da origem da informa- podem ser determinantes no apontamento
ção, pautada no processo de envelhecimento acentuado do álcool, pelas mulheres, como
para ambos os sexos, tendo destaque as ações fator de risco (RONZANI; FURTADO, 2010).
educativas para as idosas. Os fatores de risco apontados como menos
Dentre os fatores de risco apontados, importantes foram: o estresse – 10 (20,83%)
destacaram-se, para ambos os sexos: a ali- e 1 (2,86%); e o sedentarismo – 14 (29,17%) e
mentação inadequada para 46 (95,83%) das 22 (62,86%), mulheres e homens idosos, res-
longevas e para 30 (85,71%) dos longevos; pectivamente. Esses achados, possivelmente
e o tabagismo para 16 (33,33%) delas, bem decorrentes do grau de desvalorização atri-
como para 16 (45,71%) deles. As desordens buído a tais componentes, são decodificados
alimentares podem ser decorrentes da ne- como um padrão normativo dentro da socie-
cessidade que a mulher apresenta de atender dade moderna, tornando-se ‘algo passível de
os padrões sociais de beleza. Já no caso do convivência’ no cotidiano.
tabaco, o aumento do número de mulheres Diante dessa gama de informações a
nas classes pobres, as dificuldades de acesso serem desveladas, denota-se a relevância da
à educação e, paradoxalmente, a busca pela construção e a utilização de métodos avalia-
afirmação social, utilizando o status conferi- tivos sistemáticos capazes de aferir o grau
do ao tabaco, foram determinantes para esse de conhecimento do longevo e as relações
processo (BORGES; BARBOSA, 2009). Não obstante, feitas com a qualidade de vida, desenhando
os fenômenos da feminilização – educacio- um processo educativo sensibilizado pelas
nais e da pauperização – agregam-se à ten- diferentes nuances socioculturais e etárias,
dência mundial de iniciação do uso de tabaco capazes de promover equanimidade infor-
e de bebida alcoólica, através de estímulos mativa e instrumentalizar o idoso para o
midiáticos, que associam o tabaco à indepen- alcance do empowerment, fortalecendo e
dência, à autoafirmação e à ascensão social capacitando a população para a tomada de
(BORGES; BARBOSA, 2009). Apesar da descrição do decisões e a busca de melhores condições de
tabagismo como fator de risco, ainda se faz saúde (BUSS, 2000). Todavia, apesar da incon-
necessário intensificar as ações de educação testável importância dos instrumentos ava-
em saúde para a desconstrução dessas práti- liativos da qualidade de vida, Seidl e Zannon
cas, bem como a conscientização populacio- (2004) percebem a relutância dos profissio-
nal acerca da correlação entre o tabagismo e nais de saúde em utilizá-los na assistência
a qualidade de vida. aos usuários.
Em uma avaliação de maior acurácia,
nota-se que outros fatores de risco são evi- Hábitos de vida do idoso
denciados distintamente entre os sexos,
emergindo nas influências de gênero dentro A prática de atividades saudáveis é condicio-
dos contextos sociais, históricos e culturais. nante para o alcance da qualidade de vida,
As mulheres idosas compreendem o uso de que, pela definição de WHOQOL (APUD SEIDL;
bebidas alcoólicas como algo prejudicial à ZANNON, 2004, P. 582), é algo subjetivo, interliga-
saúde, enquanto os homens não têm a mesma do à “percepção da pessoa sobre o seu estado
compreensão. O desenvolvimento do uso do de saúde e sobre os aspectos não médicos do
álcool e suas implicações para as mulheres seu contexto de vida”, sob uma ótica multi-
passam por distintos trajetos, quando com- dimensional. A percepção dos idosos possui
parados com os homens. No âmbito social, caráter reducionista frente aos conceitos de
a mulher que utiliza o álcool é considerada práticas saudáveis e de qualidade de vida,

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não sendo mencionados outros fatores inter- idosos no Sistema de Vigilância Alimentar
ferentes, tais como violência, desemprego, e Nutricional habilitado, com vistas ao de-
subemprego, falta de saneamento básico, senvolvimento de ações para a promoção
condições habitacionais e crescimento da alimentação saudável (BRASIL, 2010).
urbano, dificuldade de acesso à educação, Os dados acerca da alimentação saudável
fome, poluição, qualidade do ar e da água reforçam a ideia de distanciamento entre o
consumida. conhecimento adquirido e o conhecimento
O conceito de promoção da saúde não pode executado, sendo fundamental a massifi-
ser alcançado através de ações intrassetoriais cação de ambos por meio da educação em
isoladas, pois pertence a um projeto maior, de saúde, a fim de proporcionar aderência a
uma sociedade solidária. Permeia a unção de essa prática saudável. Embora a ativida-
diversos saberes e práticas “multi e interseto- de física tenha sido menos referida pelos
rial” sobre os problemas de saúde iminentes idosos, as narrativas relatam o seguinte
(BUSS, 2001, P. 174). Essas práticas assistenciais panorama: 42 (87,5%) idosas e 21 (60%)
devem caminhar paralelas à melhoria das idosos realizam tais atividades, sejam elas
condições sanitárias e habitacionais, à garan- externas (academia ou caminhadas); ofere-
tia do acesso a serviços, saúde e meio ambien- cidas na unidade de saúde – 37 (77,08%) e 12
te. Assim sendo, a integração e a consolidação (34,29%) longevas e longevos, respectiva-
de estratégias transversais nos diversos seg- mente; ou em parceria com programas pú-
mentos sociais torna-se indispensável para a blicos de saúde – 26 (54,17%) e 19 (54,28%)
construção de uma qualidade de vida, reduzi- delas e deles, também respectivamente.
da, atualmente, a consultas assistencialistas e A oferta da atividade física pela UBS
processos educativos. denota uma tentativa oportuna de garantir a
A alimentação foi o quesito mais aponta- efetividade da promoção da saúde ao idoso
do por 42 (87,5%) mulheres e por 27 (77,14%) e pode ser considerada como uma grande
homens, preponderantemente, como prática estratégia observada pela significativa ade-
saudável. No entanto, apesar de grande parte rência dos mesmos, o que amplia as relações
desses idosos considerar a alimentação como sociais e as oportunidades para praticá-
uma ferramenta essencial para o alcance de -las. Ademais, essa proposta oferecida, de
hábitos saudáveis, apenas um grupo reduzi- prática desportiva, não é obstaculizada por
do de mulheres – 34 (70,83%) – e de homens questões de cunho financeiro, sendo aces-
– 9 (25,71%) – referem ingerir diariamente sível a qualquer idoso, independentemente
uma dieta saudável, indicada pelo serviço de da idade e da condição socioeconômica, e
nutrição da unidade de saúde. isto promove a integração e a socialização
As dificuldades encontradas na execu- grupal (GOBBI ET AL., 2008).
ção de uma alimentação saudável podem Desses idosos, 34 (70,83%) mulheres e
ser dadas à ausência de ações específicas 13 (37,14%) homens relacionaram a prática
de setores intra e intersetoriais para a ga- de atividade física à busca de um estilo de
rantia do acesso à alimentação, levando- vida ativo e à manutenção da capacidade
-se em consideração as particularidades funcional e da autonomia, contrapondo o
culturais, regionais e locais. Faz-se neces- que Gobbi et al. (2008) definem como um dos
sária, também, a reorientação dos serviços principais entraves para a prática de exercí-
de saúde para a prevenção e o controle cios: o estado de envelhecimento, o sedenta-
de agravos e doenças decorrentes da má rismo e a existência de problemas de saúde.
alimentação, bem como a mobilização e As demais ações específicas de promoção
a capacitação profissional para a educa- da saúde como prevenção e controle do ta-
ção em saúde, além da incorporação dos bagismo, a redução da morbimortalidade

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pelo uso de álcool, outras drogas e aciden- promoção da saúde: cuidados com o corpo
tes de trânsito e o estímulo à cultura de – 21 (25,30%); alimentação saudável – 20
paz são mencionados pelos idosos somente (24,09%); prática corporal/atividade física
como conteúdos essencialmente conceitu- – 20 (24,09%); prevenção e controle do taba-
ais, dentro das atividades educacionais em gismo – 24 (28,91%); abusivo de álcool – 29
saúde, e não como exercícios de práticas pre- (34,94%); e drogas – 5 (6,02%). Esses com-
ventivas e promocionais propriamente ditas. ponentes educativos foram primariamente
relacionados aos riscos comportamentais
Educação, participação social e passíveis de mudanças, que estariam, pelo
empoderamento menos em parte, sob o controle dos próprios
indivíduos (BUSS, 2000).
A existência da educação dentro das unidades As narrativas dos entrevistados mostraram
de saúde e a participação dos entrevistados a necessidade de se utilizar a educação em
em atividades educativas foram relatadas por saúde nas consultas, em caráter esclarece-
48 (100%) longevas e 32 (91,42%) longevos, dor e conscientizador, ofertando orientações
o que mostra um possível reconhecimento específicas sobre as situações advindas do
do processo educativo como um dispositi- envelhecimento – 6 (7,23%) – ou de adoeci-
vo viabilizador da promoção da saúde e de mento – 9 (10,84%) – vivenciadas pelos idosos
mudanças paradigmáticas, concomitante a naquele momento. A promoção da saúde
profissionais de saúde e idosos, norteando as pouco é aplicada nesse estágio, pois o interes-
ações intersetoriais e os próprios longevos, se está atrelado a um modelo curativo e não
restritos, até pouco tempo atrás, a uma condi- à garantia da autonomia e do autocuidado,
ção de passividade. dentro de um modelo promocional de saúde.
O perfil de atividades educativas implan- Segundo os entrevistados, não foi realiza-
tadas apresentou um discurso homogêneo da uma investigação para avaliar o grau de
nas narrativas dos idosos, no que tange à dis- aprendizado dos mesmos em relação aos con-
ponibilização e à ocorrência do citado dis- teúdos abordados. Ademais, não são referidas
positivo, de métodos de aprendizagem e dos possíveis discussões sobre os conceitos de
conteúdos ministrados dentro desse proces- prevenção de acidente de trânsito, violência e
so. Dos 83 idosos cadastrados na unidade, os estímulo à cultura e desenvolvimento susten-
totais discriminados em seguida referencia- tável, o que mostra a necessidade de uma ca-
ram, em maior escala, as palestras, os grupos pacitação profissional e de métodos avaliativos
de apoio e a orientação durante as consul- periódicos do processo educacional, conforme
tas: 69 (83,13%), 43 (51,87%) e 12 (14,46%), rezam as especificações das diretrizes opera-
respectivamente. cionais da educação em saúde (BRASIL, 2007).
As palestras ministradas, citadas pelos Foram referidos dois métodos de ensino-
idosos, aconteciam aleatoriamente, durante o -aprendizagem na abordagem dos temas: a
aguardo das consultas ou anteriormente agen- educação em saúde tradicional, com ação
dadas, e apresentavam conteúdos fixos, previa- verticalizada e centrada no processo saúde-
mente selecionados, direcionados ao conceito, -doença, utilizada nas palestras e nos con-
ao tratamento e à prevenção de doenças crô- sultórios; e a educação em saúde dialógica,
nicas não transmissíveis – 41 (49,40%); aos focada nas ações primárias, na busca crítico-
hábitos alimentares – 20 (24,10%); ao tabagis- -reflexiva das condições de vida, possibilida-
mo – 7 (8,43%); e ao etilismo – 3 (3,61%). des e estratégias de mudanças. Este último
Os idosos informaram que os grupos de método foi massificadamente aplicado nos
apoio aconteciam quinzenalmente, oportu- grupos de apoio, priorizando a construção
nizando temas inseridos dentro da pauta de e a horizontalização do conhecimento, o

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desenvolvimento de habilidades pessoais e atento às diferenças socioculturais da po-


sociais, a sustentabilidade grupal, a autono- pulação, não se limitando às informações
mia e o empoderamento do idoso. cedidas pelos profissionais como verda-
Observa-se a utilização, nesses proces- des únicas e absolutas (BRASIL, 2007). Quando
sos, do ‘conhecimento-regulação’ e do ‘co- transportamos os mais variados estágios de
nhecimento-emancipação’ como métodos consciência para a complexidade da edu-
educativos (LOPES; TOCANTINS, 2012; SANTOS, 2001). cação em saúde, constatamos que a cons-
Embora o primeiro seja utilizado para a ciência em saúde é mediada pelo processo
transmissão da informação como fato e ele- sequencial de ação-reflexão-ação e possibi-
mento de ordem sobre as coisas e os outros, litada pelo diálogo, que predispõe o rompi-
o “conhecimento-emancipação” tem tido mento da cultura do silêncio e desperta os
maior aderência por parte dos idosos, pois os usuários para novas análises acerca da sua
torna mais participativos dentro do processo saúde (ALVIM; FERREIRA, 2007).
educativo (SANTOS, 2001). Todavia, apesar dos relatos da existência
Percebe-se que parte das estratégias de orientação acerca de hábitos saudáveis,
educativas aplicadas busca a autonomia do de cuidados com a saúde e de autocuidado,
idoso, pautada na aquisição de autorrespeito, os conteúdos proferidos na educação em
autoconfiança e autoestima, estes que estão, saúde, independentemente do método es-
por sua vez, conectados às redes de reco- colhido, devem ser ampliados, juntamente
nhecimento social. Sem elas, o longevo não com a diversificação e o aprofundamento dos
dispõe de elementos suficientes para enfren- conteúdos pré-existentes, haja vista que o co-
tar as situações de vulnerabilidade derivadas nhecimento que os entrevistados afirmam ter,
de um contexto social que tende a desvalori- para identificar fatores de risco, não fornece
zar seu modo de vida (SCHUMACHER, 2013). elementos suficientes para o empoderamen-
O grupo de apoio mostrou-se como o to pleno e a construção de habilidades, assim
método mais eficiente na transmissão de co- como para o desenvolvimento da autonomia
nhecimento, não só pelo maior número de e, consequentemente, do autocuidado.
temas descritos, mas por agregar conhecimen- Com relação ao conhecimento acerca de
to, informação e emancipação, direcionando doenças/problemas provenientes do envelhe-
esses itens a conteúdos pré-elaborados e ao cimento, as longevas – 47 (97,91%) – se mostra-
atendimento dos diferentes graus de dificulda- ram mais informadas dos que os longevos – 29
des individuais. A estes graus estão vinculados (82,85%). Esse diferencial biológico atribuído
os prejuízos e ganhos compartilhados com o ao gênero constitui um importante marcador
grupo, o que despertou, entre os idosos, a for- social e deve ser valorizado no momento da
mação de consciência crítica sobre a realidade elaboração de métodos de atuação e na abor-
social, sobre si próprios, e construiu novas dagem ao longevo, com vistas à minimização
habilidades e atitudes em benefício de sua das diferenças dicotômicas e à oportunização
saúde e sua promoção, em favor de suas vidas de condições equânimes de saúde.
cotidianas e do seu desenvolvimento pessoal e
coletivo. É no trabalho em grupo com pessoas
idosas que se permite a articulação e o debate Conclusão
das questões peculiares a uma determinada
população, como saúde, qualidade de vida, A promoção da saúde consiste em uma nova
interação social, autoestima e vulnerabilidade modalidade conceitual e prática de políticas
(LOPES; TOCANTINS, 2012; BRASIL, 2006). públicas, visando ao indivíduo e ao coletivo,
Dessa forma, a atividade grupal pode ser através da busca de qualidade de vida, auto-
considerada como um processo educativo nomia e estímulo ao autocuidado.

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Educação em saúde e promoção da saúde: impacto na qualidade de vida do idoso 489

Percebe-se que a promoção da saúde se práticas a fim de minimizar as assimetrias


expressa fundamentalmente nas unidades e oportunizar condições equânimes de
básicas através da educação em saúde, pre- saúde a todos os idosos.
sente nas práticas desenvolvidas pelos pro- Embora a transmissão de conhecimento
fissionais envolvidos. se faça presente, ela não é homogênea, o que
A educação em saúde, embora possua torna necessária a intensificação das bases
métodos e segmentos distintos, não se das políticas de promoção da saúde, incluin-
limita apenas a transmitir conhecimento do métodos de avaliação do conhecimento
à comunidade, mas estabelece vínculos oriundo do processo educativo, de detecção
entre assistidos e profissionais, e promove de possíveis falhas para a elaboração de es-
a participação ativa da comunidade, a in- tratégias de reversão, e de absorção dessas
clusão social e constantes remodelagens informações pelo idoso.
conceituais destes indivíduos, quanto a Pode-se contar com a educação em saúde
hábitos que comprometam a saúde e a como um instrumento promocional e de
qualidade de vida daquela população. No estímulo ao autocuidado, ponderando-se as
entanto, existem fortes marcadores que informações fornecidas. Diante disso, enten-
delimitam e obstaculizam as práticas edu- de-se que a educação e a promoção da saúde
cativas e de promoção da saúde, como, por caminham juntas, gerando possibilidades
exemplo, o caso das questões de gênero, para que o idoso se conscientize e empodere,
que necessitam de uma reorganização de objetivando sua qualidade de vida. s

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Recebido para publicação em abril de 2014
scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414- Versão final em fevereiro de 2015
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