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Caderno Esquematizado

Direito Penal – Parte Geral

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Direito Penal – Parte Geral

AULA 02
1. INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL
a) Quanto ao modo
 Gramatical/filológica/literal: parte da literalidade do texto.
 Teleológica: ligada a finalidade.
 Histórica: parte da origem da norma.
 Sistemática: considera o sistema em que a lei está inserido.
 Evolutiva: interpretação de acordo com a evolução do tempo.
b) Quanto ao resultado
 Declarativa: basta ao intérprete fazer mera declaração. Há consonância entre o texto da
norma e a vontade do legislador.
 Restritiva: é aquela em que é preciso restringir o alcance da norma, pois tal norma
interpretada da forma como está não se permite que se extraia o real significado. Ex.:
artigo 28, II, CP – patologia exclui sim.
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de
efeitos análogos. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

 Extensiva: admite-se em direito penal a interpretação extensiva quando eventual


interpretação restritiva causaria escândalo por sua notória irracionalidade.
Obs.: Interpretação extensiva ≠ interpretação analógica ≠ analogia
Interpretação extensiva: amplia o alcance da lei.
Interpretação analógica: é uma técnica legislativa na qual o legislador parte de uma fórmula
casuística (dar exemplos) seguida uma fórmula genérica (interpretação.
Analogia: consiste em utilizar uma lei que regula em caso semelhante a um fato não previsto em
lei. Ex.: estelionato = obter (alguém tem que entregar uma vantagem) + vítima determinada; em
2006, o uso do ponto eletrônico para fazer provas do CESPE em Brasília, não é o caso de
estelionato, pois a vítima não é determinada. Só se admite analogia “in bonam partem”.
Art. 311-A. Utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de
beneficiar a si ou a outrem, ou de comprometer a credibilidade do
certame, conteúdo sigiloso de:

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I - concurso público;
II - avaliação ou exame públicos;
III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; ou
IV - exame ou processo seletivo previstos em lei:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

2. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS PENAIS


a) Legalidade: artigo 5º, XXXIX, CF e artigo 1º, CP.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem
prévia cominação legal;

Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem
prévia cominação legal.
Reserva legal + anterioridade.
Conceito: é o direito fundamental do cidadão contra a violência arbitrária do Estado. É a real
limitação do Poder Estatal de não intervir nas liberdades individuais.
O princípio da legalidade engloba a contravenção penal e a medida de segurança.
Medida provisória pode tratar de direito penal? O artigo 62, §1º, I, “b”, CP veda a utilização de
MP em matéria penal, mas em relação ao direito penal não incriminador? Há duas correntes.
Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República
poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo
submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
I - relativa: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001)
 "Tipo penal - Normatização. A existência de tipo penal pressupõe lei em sentido formal e material.
Lavagem de dinheiro - Lei 9.613/1998 -- Crime antecedente. A teor do disposto na Lei 9.613/1998,
há a necessidade de o valor em pecúnia envolvido na lavagem de dinheiro ter decorrido de uma
das práticas delituosas nela referidas de modo exaustivo. Lavagem de dinheiro - Organização
criminosa e quadrilha. O crime de quadrilha não se confunde com o de organização criminosa,

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até hoje sem definição na legislação pátria." (HC 96.007, rel. min. Marco Aurélio, julgamento em
12-6-2012, Primeira Turma, DJE de 8-2-2013.)
 “A tipicidade penal não pode ser percebida como o trivial exercício de adequação do fato
concreto à norma abstrata. Além da correspondência formal, para a configuração da tipicidade,
é necessária uma análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso concreto, no
sentido de se verificar a ocorrência de alguma lesão grave, contundente e penalmente relevante
do bem jurídico tutelado.” (HC 97.772, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 3-11-2009,
Primeira Turma, DJE de 20-11-2009.) Vide: HC 92.411, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 12-
2-2008, Primeira Turma, DJE de 9-5-2008.

b) Direito penal, processual penal e processual civil; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32,
de 2001).

Ementa da Aula:
DIREITO PENAL. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS PENAIS. FONTES DO DIREITO PENAL.

AULA 03
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS PENAIS
c) Irretroatividade:
Medida Provisória - 417/2008 trata de direito penal não incriminador.
Medida provisória 1571 – extensão da punibilidade – reparação do dano em sede de crimes
tributários.
Tem-se a proibição da retroatividade maléfica. A retroatividade benéfica é uma garantia
fundamental.
Costume revoga crime? 1- posição liberal, sim; 2- posição radical, não; 3- posição, não revoga, mas o juiz
pode deixar de aplicar a pena por não ter reprovabilidade social.
 “A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência
é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.” (Súmula 711/STF)
 “Transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das execuções a aplicação de
lei mais benigna.” (Súmula 611/STF)
d) Culpabilidade: este princípio quer dizer que em Direito Penal o agente só responde pelos seus
atos próprios/atos queridos, ou seja, dolosos; ou culposos praticados mediante imprudência,
negligência ou imperícia.

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No direito penal não se admite responsabilidade por fato de terceiro.


A responsabilidade no direito penal é subjetiva (depende de comprovar o dolo e culpa).
 Inquéritos policiais ou ações penais sem trânsito em julgado não podem ser considerados como
maus antecedentes para fins de dosimetria da pena 2. Logo, “ante o princípio constitucional da
não culpabilidade, inquéritos e processos criminais em curso são neutros na definição dos
antecedentes criminais”3. O lançamento, no mundo jurídico, de enfoque ainda não definitivo e,
portanto, sujeito a condição resolutiva potencializa a atuação da polícia judiciária, bem como a
precariedade de certos pronunciamentos judiciais. Nesse sentido, elementos passíveis de perder
a sustentação fática não podem ser usados como reveladores de antecedentes. No entanto,
tendo em conta as manifestações proferidas e o fato de se tratar de habeas corpus, a Corte
pronunciou-se no sentido da possibilidade de rever, em recurso extraordinário a ser
oportunamente apreciado, a tese firmada no mencionado precedente em repercussão geral. HC
94.620 e HC 94.680, rel. min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 24-6-2015, acórdãos
publicados no DJE de 24-11-2015.
 DIREITO PENAL. MAIOR GRAU DE REPROVABILIDADE DA CONDUTA DE PROMOTOR DE JUSTIÇA
EM CRIME DE CORRUPÇÃO PASSIVA. O fato de o crime de corrupção passiva ter sido praticado
por Promotor de Justiça no exercício de suas atribuições institucionais pode configurar
circunstância judicial desfavorável na dosimetria da pena. Isso porque esse fato revela maior grau
de reprovabilidade da conduta, a justificar o reconhecimento da acentuada culpabilidade, dada
as específicas atribuições do promotor de justiça, as quais são distintas e incomuns se
equiparadas aos demais servidores públicos latu sensu. Assim, a referida circunstância não é
inerente ao próprio tipo penal. REsp 1.251.621-AM, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 16/10/2014.

 (DPC/AC – Delegado – 2017) “O suicídio é um crime (assassínio) [...]. Aniquilar o sujeito da


moralidade na própria pessoa é erradicar a existência da moralidade mesma do mundo, o
máximo possível, ainda que a moralidade seja um fim em si mesma. Consequentemente,
dispor de si mesmo como um mero meio para algum fim discricionário é rebaixar a
humanidade na própria pessoa (homo noumenon), à qual o ser humano (homo
phaenomenon) foi, todavia, confiado para preservação” (KANT, Immanuel, a Metafísica dos
Costumes).
A extinção da própria vida já foi objeto de sancionamento penal em diversos países. Esclarece
Galdino Siqueira (Tratado, tomo III, p. 68) que o direito romano punia com confisco de bens
o ato de suicidar-se para fugir a uma acusação ou à pena por outro delito. A mesma pena foi
aplicada em França. O confisco-segundo o autor-persistia na Inglaterra no início do século
XX, desde que o suicídio não fosse efeito de uma desordem mental provada. Tendo por base

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o confisco de bens outrora pertencentes ao suicida - que tem herdeiros - como forma de
punição penal, é correto afirmar que responsabilização de terceiros pela conduta de alguém
viola o princípio penal, denominado:
a) individualização judicial da pena.
b) taxatividade.
c) instranscendência.
d) ofensividade.
e) iderrogabilidade.

Comentário: A questão pode induzir ao erro de diversas formas. A alternativa “a)” que trata
da individualização da pena poderia gerar a ideia de que por não poder passar da pessoa do
condenado, a pena é individualizada.
Contudo, tecnicamente individualização da pena se refere ao momento em que o julgador
ao aplicar a pena deve insculpi-la conforme seja reputada conforme seja necessária a
retribuição do mal e prevenção de reincidência para o agente da infração penal.
Já a intranscendência é um termo que refere-se a impossibilidade da pena passar da pessoa
do condenado, ou seja, não pode transcender, não pode ir além. Desta forma, se relaciona
ao princípio da culpabilidade que diz que agente só responde pelos seus atos próprios e que
no direito penal não se admite responsabilidade por fato de terceiro. Tendo só o próprio
sujeito praticado o ato homicida contra si próprio, só ele poderia ser penalizado, não sua
família.
Mas daí vem o segundo ponto que pode induzir o candidato ao erro na questão. É que a
doutrina considera a obrigação de reparar o dano como uma exceção a intranscendência da
pena. É que caso o culpado morra, tendo extinta a punibilidade, seu patrimônio responderá
pela reparação do dano, nos limites da força da herança. Pela força do Princípio de Saisine, a
coisa nunca fica sem dono, e no momento da morte o patrimônio é transferido aos herdeiros.
Desta forma, em verdade, será o patrimônio dos herdeiros responsável por fato do culpado.
No caso, o candidato deve raciocinar comedida e parcimonicamente para chegar a conclusão
que a resposta correta é a alternativa “c)”.

e) Proporcionalidade: sustenta que a pena deve ser proporcional a gravidade do fato.


Dupla face do princípio da proporcionalidade: proteção ao bem jurídico; vedação de proteção
insuficiente.
 DIREITO CONSTITUCIONAL E PENAL. INCONSTITUCIONALIDADE DO PRECEITO SECUNDÁRIO DO
ART. 273, § 1º-B, V, DO CP. É inconstitucional o preceito secundário do art. 273, § 1º-B, V, do CP

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– “reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos, e multa” –,devendo-se considerar, no cálculo da


reprimenda, a pena prevista no caput do art. 33 da Lei 11.343/2006 (Lei de Drogas), com
possibilidade de incidência da causa de diminuição de pena do respectivo § 4º. De fato, é viável a
fiscalização judicial da constitucionalidade de preceito legislativo que implique intervenção
estatal por meio do Direito Penal, examinando se o legislador considerou suficientemente os
fatos e prognoses e se utilizou de sua margem de ação de forma adequada para a proteção
suficiente dos bens jurídicos fundamentais. Nesse sentido, a Segunda Turma do STF (HC 104.410-
RS, DJe 27/3/2012) expôs o entendimento de que os “mandatos constitucionais de criminalização
[...] impõem ao legislador [...] o dever de observância do princípio da proporcionalidade como
proibição de excesso e como proibição de proteção insuficiente. A idéia é a de que a intervenção
estatal por meio do Direito Penal, como ultima ratio, deve ser sempre guiada pelo princípio da
proporcionalidade [...] Abre-se, com isso, a possibilidade do controle da constitucionalidade da
atividade legislativa em matéria penal”. Sendo assim, em atenção ao princípio constitucional da
proporcionalidade e razoabilidade das leis restritivas de direitos (CF, art. 5º, LIV), é imprescindível
a atuação do Judiciário para corrigir o exagero e ajustar a pena de “reclusão, de 10 (dez) a 15
(quinze) anos, e multa” abstratamente cominada à conduta inscrita no art. 273, § 1º-B, V, do CP,
referente ao crime de ter em depósito, para venda, produto destinado a fins terapêuticos ou
medicinais de procedência ignorada. Isso porque, se esse delito for comparado, por exemplo, com
o crime de tráfico ilícito de drogas (notoriamente mais grave e cujo bem jurídico também é a
saúde pública), percebe-se a total falta de razoabilidade do preceito secundário do art. 273, § 1º-
B, do CP, sobretudo após a edição da Lei 11.343/2006 (Lei de Drogas), que, apesar de ter
aumentado a pena mínima de 3 para 5 anos, introduziu a possibilidade de redução da reprimenda,
quando aplicável o § 4º do art. 33, de 1/6 a 2/3. [...]. Quanto à possibilidade de aplicação, para o
crime em questão, da pena abstratamente prevista para o tráfico de drogas – “reclusão de 5
(cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-
multa” (art. 33 da Lei de drogas) –,a Sexta Turma do STJ (REsp 915.442-SC, DJe 1º/2/2011) dispôs
que “A Lei 9.677/98, ao alterar a pena prevista para os delitos descritos no artigo 273 do Código
Penal, mostrou-se excessivamente desproporcional, cabendo, portanto, ao Judiciário promover
o ajuste principiológico da norma [...] Tratando-se de crime hediondo, de perigo abstrato, que
tem como bem jurídico tutelado a saúde pública, mostra-se razoável a aplicação do preceito
secundário do delito de tráfico de drogas ao crime de falsificação, corrupção, adulteração ou
alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais”. AI no HC 239.363-PR, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, julgado em 26/2/2015, DJe 10/4/2015.

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 (DPE/RS – Analista – 2017) O que nos parece é que as duas dimensões do bem jurídico-penal
― a valorativa e a pragmática ― apresentam áreas de intensa interpenetração, o que origina
a tendencial convergência entre elevada dignidade penal e necessidade de tutela penal, assim
como, inversamente, entre reduzida dignidade penal e desnecessidade de tutela penal.
(CUNHA, Maria da Conceição Ferreira da. Constituição e crime: uma perspectiva da
criminalização e da descriminalização. Porto: Universidade Católica Portuguesa Editora,
1995, p. 424)
Nesse tópico, o tema central do raciocínio da jurista portuguesa radica primacialmente no
campo da ideia constitucional de
a) individualização
b) dignidade humana
c) irretroatividade
d) proporcionalidade
e) publicidade

Comentário: A referência à duas dimensões (proibição de excesso e proibição de proteção


insuficiente), bem como os dizeres acerca da “necessidade de tutela penal” e
“desnecessidade de tutela penal” devem levar o candidato a de rememorar da dupla face do
princípio da proporcionalidade e assinalar a alternativa correspondente.

 (MPE/RR – Promotor de Justiça Substituto – 2017) No direito penal, o princípio da


a) fragmentariedade informa que o direito penal é autônomo e cuida das condutas tidas por
ilícitas penalmente, sendo aplicável a lei penal independentemente da solução do problema
por outros ramos do direito.
b) irretroatividade da lei se aplica absolutamente.
c) insignificância, segundo o entendimento do STF, pressupõe apenas três requisitos para a
sua configuração: mínima ofensividade da conduta do agente, nenhuma periculosidade
social e reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento.
d) proporcionalidade fundamenta a declaração de inconstitucionalidade de parte do art.
44 da Lei Antidrogas, que veda a concessão de liberdade provisória em crimes relacionados
às drogas.

Comentário: A alternativa “a)” é incorreta por conter os dizeres “informa que o direito penal
é autônomo e cuida das condutas tidas por ilícitas penalmente, sendo aplicável a lei penal
independentemente da solução do problema por outros ramos do direito”, enquanto na

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verdade o Direito Penal é uma parte da Ordem Jurídica e se preocupa em combater condutas
não suficientemente pacificadas por outros ramos, por isso tem caráter de ultima ratio.
Já a alternativa “b)” está incorreta por ignorar que a lei poderá retroagir para beneficiar o
réu. A “c)”, por sua vez, diz ter o STF estabelecido 3 critérios para configuração da
insignificância, enquanto foram 4, tendo faltado na alternativa a inexpressividade da lesão
jurídica causada.
Por fim, a alternativa “d)” está correta pois, conforme visto da jurisprudência acima, o Poder
Judiciário pode controlar a constitucionalidade de atos legislativos que sejam
desproporcionais. Isso inclui o controle do preceito secundário, bem como da possibilidade
de aplicação ou não de medidas processuais, dentre outros elementos.

f) Humanidade das penas: artigo 5º, XLVII, CF


Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84,
XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
Vedação de penas cruéis, pois fere a dignidade da pessoa humana.
Individualização da pena: cada agente tem sua reprimenda.
STF – declarou inconstitucional o regime integral fechado.
 Sistema carcerário: estado de coisa inconstitucional e violação a direito fundamental.
Há indícios suficientes de que o sistema penitenciário nacional caracteriza- -se como “estado de
coisas inconstitucional”. No sistema prisional brasileiro, ocorre violação massiva e persistente
de direitos fundamentais decorrente de falhas estruturais e falência de políticas públicas. A
superação dessas transgressões exige a atuação não apenas de um órgão, e sim de uma
pluralidade de autoridades, bem como a adoção de medidas normativas, administrativas e
orçamentárias abrangentes.

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Com o objetivo de sanar as lesões a preceitos fundamentais sofridas pelos presos em decorrência
de ações e omissões dos Poderes da União, dos Estados-Membros e do Distrito Federal,
determinou-se, em sede de medida cautelar, as seguintes providências:
Os juízes e tribunais devem realizar, em até 90 dias, audiências de custódia, bem como viabilizar
o comparecimento do preso perante a autoridade judiciária no prazo máximo de 24 horas,
contados do momento da prisão. A medida está prevista nos artigos 9.3 do Pacto dos Direitos
Civis e Políticos e 7.5 da Convenção Americana de Direitos Humanos. Ambos já foram
internalizados no Brasil, o que lhes confere hierarquia supralegal.
Tal providência conduzirá, de início, à redução da superlotação carcerária, além de implicar
diminuição considerável dos gastos com a custódia cautelar, cujo custo médio mensal individual
seria de, aproximadamente, R$ 2.000,00. Há de se considerar ainda que, com o déficit prisional
ultrapassando a casa das 206 mil vagas, salta aos olhos o problema da superlotação.
A União deve liberar as verbas do Fundo Penitenciário Nacional (FUNPEN), abstendo-se de realizar
novos contingenciamentos.
A retenção costumeira dessas verbas explica parte do fracasso das políticas públicas existentes.
Como exemplo, pode-se citar que, apenas no ano de 2013, mais de 80% dos valores destinados a
“proporcionar recursos e meios para financiar e apoiar as atividades e programas de
modernização e aprimoramento do Sistema Penitenciário Brasileiro” deixaram de ser usados.
Os valores não utilizados deixam de custear não somente reformas dos presídios ou a construção
de novos, mas também projetos de ressocialização que, inclusive, poderiam reduzir o tempo de
cárcere.
Assim, por um lado, verifica-se que o contingenciamento de verbas mostra-se problemático,
tendo em conta “que os cortes têm atingido programas relacionados a áreas em que, para além
de qualquer dúvida, a atuação do Estado tem sido insatisfatória ou insuficiente”, como é o caso
do sistema penitenciário nacional. Por outro, há a necessidade de serem criados meios de garantir
“a segurança da população, ao mesmo tempo em que se possibilite a reinserção social daqueles
que um dia cometeram um erro”.
Posto isso, a massiva e sistemática violação da dignidade da pessoa humana e do mínimo
existencial autoriza a judicialização do orçamento, principalmente se considerado o fato de que
recursos legalmente previstos para o combate a esse quadro vêm sendo contingenciados,
anualmente, em valores muito superiores aos efetivamente realizados, apenas para alcançar
metas fiscais.
Cabe destacar que “políticas públicas são definidas concretamente na lei orçamentária, em
função das possibilidades financeiras do Estado”, de forma que “a retenção de verbas tende a
produzir, na melhor das hipóteses, programas menos abrangentes”

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Além disso, é duvidosa a possibilidade de limitar despesas dessa natureza ante o disposto no § 2º
do art. 9º da Lei Complementar 101/2000.
O caput do dispositivo trata da situação em que o Governo deixa de executar, parcialmente, o
orçamento, vindo a contingenciar os valores ordenados a despesas. Ao passo que, no § 2º, consta
exceção, consideradas obrigações decorrentes de comandos legais e constitucionais.
Portanto, tendo em vista que os recursos do Funpen têm destinação legal específica, é inafastável
a circunstância de não poderem ser utilizados para satisfazer exigências de contingenciamento:
atendimento de passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos (Lei
Complementar 101/2000, art. 5º, III, b). ADPF 347 MC, rel. min. Marco Aurélio, julgamento em 9-
9-2015, acórdão publicado no DJE de 19-2-2016.

3. FONTES DO DIREITO PENAL


a) Fonte material/produção: artigo 22, I, CF – União. O parágrafo único do mesmo artigo autoriza
os Estados por meio de Lei Complementar tratar de pontos específicos.
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário,
marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;
Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a
legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste
artigo.
b) Fonte formal/exteriorização: para doutrina moderna, temos seis fontes formais imediatas do
Direito Penal, sendo a Lei a única fonte formal imediata incriminadora.
i. Lei (incriminadora).
ii. Constituição Federal (mandados de criminalização, ex.: racismo).
iii. Tratados Internacionais de Direitos Humanos (aprovados com o quórum de emenda
constitucional, terá status constitucional, os outros tem status supralegal). Obs.: Tribunal
Penal Internacional – complementar, não é exceção ao monopólio estatal. Uma forma
de exceção é o artigo 57, Estatuto do Índio.
Art. 57. Será tolerada a aplicação, pelos grupos tribais, de acordo com
as instituições próprias, de sanções penais ou disciplinares contra os
seus membros, desde que não revistam caráter cruel ou infamante,
proibida em qualquer caso a pena de morte.
iv. Princípios: ex.: insignificância: atipicidade da conduta
 Mínima ofensividade da conduta;

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 Ausência de periculosidade;
 Inexpressividade da lesão ao bem jurídico;
 Reduzi grau de reprovabilidade da conduta;
v. Jurisprudência
 “Para a incidência do princípio da insignificância, devem ser relevados o valor do objeto do crime
e os aspectos objetivos do fato, tais como, a mínima ofensividade da conduta do agente, a
ausência de periculosidade social da ação, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento
e a inexpressividade da lesão jurídica causada. No caso dos autos, em que foi subtraída quantia
superior à do salário mínimo e o delito foi praticado dentro de estabelecimento militar, não é de
se desconhecer a presença da ofensividade e da reprovabilidade do comportamento do paciente.
Para o reconhecimento de furto privilegiado, o CPM exige que os bens subtraídos sejam
restituídos à vítima.” (HC 99.207, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 24-11-2009, Primeira
Turma, DJE de 18-12-2009.) No mesmo sentido: HC 97.254, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em
2-6-2009, Segunda Turma, DJE de 19-6-2009. Vide: HC 104.820, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento
em 7-12-2010, Segunda Turma, DJE de 8-6-2011; HC 91.726, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento
em 2-3-2010, Segunda Turma, DJE de 23-4-2010.
vi. Complemento da norma penal em branco

Hoje com a doutrina moderna a fonte formal mediata é somente a doutrina. Os costumes são fonte
informal do direito.

Ementa da Aula:
DIREITO PENAL. FONTES DO DIREITO PENAL. VELOCIDADES DO DIREITO PENAL. IMUNIDADE
DIPLOMÁTICA.

AULA 04
4. VELOCIDADES DO DIREITO PENAL
É o tempo que o Estado leva para punir uma infração penal mais ou menos grave.
a) Primeira Velocidade: vai punir com pena privativa de liberdade. Crimes graves. Observância de
direitos e garantias fundamentais.
b) Segunda velocidade: trabalha com crimes menos graves, com penas alternativas, tem a
flexibilização dos direitos e garantias fundamentais. Ex.: Lei 9.099/95.
c) Terceira velocidade: crimes apenados com pena privativa de liberdade, mas também há
flexibilização dos direitos e garantias. Celeridade. Direito penal do inimigo.

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d) Quarta velocidade: vai impor para quem é governante ou ex-governante de países signatários
de direitos humanos que a violaram; trata de direito internacional (neopunitivismo).

Ementa da Aula:
DIREITO PENAL. IMUNIDADE DIPLOMÁTICA. IMUNIDADE CONSULAR. IMUNIDADE PARLAMENTAR.
TERRITORIALIDADE. UBIQUIDADE. EXTRATERRITORIALIDADE.

AULA 05
5. IMUNIDADE DIPLOMÁTICA
A imunidade é absoluta, não atinge apenas os crimes funcionais, mas todo e qualquer crime. É
irrenunciável. O Governo pode abrir mão da imunidade, o titular não pode.
Natureza jurídica: uma causa de exclusão da jurisdição do Brasil.
Obs.: não confundir com extradição.

6. IMUNIDADE CONSULAR
Não recebe credenciais de Estado.
O cônsul trata de assuntos mercantis, comerciais. A imunidade é relativa e diz respeito aos crimes
funcionais.
Convenção de Viena diz que o cônsul só pode ser preso apenas em crimes graves.

7. IMUNIDADE PARLAMENTAR
(Ou inviolabilidade). Artigo 53, CF.
Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente,
por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos.
A imunidade parlamentar representa uma garantia aos congressistas de que poderia exercer suas
funções de forma livre, sem pressões externar que poderiam advir em razão de suas opiniões,
palavras e votos (crimes contra a honra, também são imunes civilmente, não respondem por danos
morais).
A imunidade pode ser processual em relação ao foro, prisão, processo e em relação ao testemunho
– artigo 53, §1º, CF.
§ 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão
submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal.

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Diplomação (fazer paralelo com a nomeação dos servidores públicos) – a partir da diplomação já
tema imunidade.
Deputados federais e senadores podem ser presos em flagrante de crime inafiançável dentro de 24
horas comunicar a Casa e na maioria de votos vai deliberar sobre a prisão.
§ 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso
Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime
inafiançável. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e
quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus
membros, resolva sobre a prisão. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 35, de 2001)
Artigo 53, §3º, CF – recebida a denúncia no STF, ele comunicará a casa.
Na Casa com partido nela representada (pode ser mínima) poderá até a decisão final propor a
sustação do processo (suspende a prescrição também).
§ 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado, por crime
ocorrido após a diplomação, o Supremo Tribunal Federal dará ciência
à Casa respectiva, que, por iniciativa de partido político nela
representado e pelo voto da maioria de seus membros, poderá, até a
decisão final, sustar o andamento da ação. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 35, de 2001)
Artigo 53, §4º, CF – pedido de sustentação tem que ser apreciado no prazo de 45 dias.
§ 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa respectiva no
prazo improrrogável de quarenta e cinco dias do seu recebimento pela
Mesa Diretora. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de
2001)
Artigo 53, §§5º e 6º, CF.
§ 5º A sustação do processo suspende a prescrição, enquanto durar o
mandato. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001)
§ 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados a testemunhar
sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do
mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles
receberam informações. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 35, de 2001)
 Crime de divulgação de informação falsa sobre instituição financeira e imunidade parlamentar A
Primeira Turma, por maioria, admitiu a impetração e, por unanimidade, concedeu ordem de habeas

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corpus para cassar acórdão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região que condenou parlamentar pela
prática do delito de divulgação de informação falsa ou prejudicialmente incompleta sobre instituição
financeira, previsto no art. 3º da Lei 7.492/1986 (1). No caso, o parlamentar convocou a imprensa e, no
exercício da Presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Espírito Santo, opinou sobre a
conveniência da privatização do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes), ante a existência de dívida
no valor de R$ 500 milhões. A Turma pontuou que a declaração revelou a satisfação do parlamentar com
a privatização do Banco, que implicaria desoneração de dívida do Estado. Entendeu que não ficou
configurado, na conduta do paciente, o dolo de divulgar informação falsa ou incompleta sobre instituição
financeira, pois as afirmações do parlamentar estavam ligadas a análises de operações realizadas pelo
Banestes. Nesse contexto, o Colegiado asseverou haver ligação entre o que foi veiculado e o exercício
do mandato parlamentar. Tal aspecto foi potencializado pelo fato de as declarações terem ocorrido
dentro da assembleia. Concluiu pelo não afastamento da imunidade parlamentar relativa às opiniões,
palavras e votos, prevista no art. 53 (2), combinado com o art. 27, § 1º (3), da Constituição Federal. (HC
115397/ES, rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 16.5.2017. Informativo 865, Primeira Turma)

8. TERRITORIALIDADE
Artigo 5º, §§ 1º e 2º, CP
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados
e regras de direito internacional, ao crime cometido no território
nacional. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do
território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de
natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se
encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras,
mercantes ou de propriedade privada, que se achem,
respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo
de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada,
achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no
espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do
Brasil. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)

9. UBIQUIDADE
O artigo 6º, CP vai definir competência de jurisdição, vai definir se a justiça brasileira terá atuação.

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Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a


ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu
ou deveria produzir-se o resultado. (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 1984)
10. EXTRATERRITORIALIDADE
É aplicação da lei penal brasileira a crimes ocorridos fora do território nacional. Pode ser de duas
formas: incondicionada e condicionada.
 Incondicionada: a lei penal vai ser aplicada independentemente de qualquer condição. Artigo
7º, I, CP.
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no
estrangeiro: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
I - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; (Incluído
pela Lei nº 7.209, de 1984)
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de
Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de
economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público;
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço;
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no
Brasil; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
Princípios: Justiça Universal; defesa, real, proteção; personalidade ativa; personalidade
passiva.
 Condicionada: artigo 7º, II, CP.
II - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir;
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
b) praticados por brasileiro; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou
de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não
sejam julgados. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)

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Ementa da Aula:
DIREITO PENAL. EXTRATERRITORIALIDADE. CONFLITOS DE LEIS PENAIS NO TEMPO OU DIREITO
PENAL INTERTEMPORAL.PRINCÍPIOS SOLUCIONADORES DO CONFLITO DE LEIS NO TEMPO.
EXTRATIVIDADE DA LEI PENAL. LEI TEMPORÁRIA E LEI EXCEPCIONAL.

AULA 06
EXTRATERRITORIALIDADE
 Condicionada: artigo 7º, §2º, CP.
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do
concurso das seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 7.209, de
1984)
a) entrar o agente no território nacional; (Incluído pela Lei nº 7.209,
de 1984)
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; (Incluído
pela Lei nº 7.209, de 1984)
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira
autoriza a extradição; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí
cumprido a pena; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro
motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais
favorável. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
 Hipercondicionada: artigo 7º, §3º, CP.
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por
estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições
previstas no parágrafo anterior: (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
a) não foi pedida ou foi negada a extradição; (Incluído pela Lei nº
7.209, de 1984)
b) houve requisição do Ministro da Justiça. (Incluído pela Lei nº
7.209, de 1984)

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Artigos 8 ao 12, CP
Pena cumprida no estrangeiro (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Art. 8º - A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no
Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada,
quando idênticas. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Eficácia de sentença estrangeira (Redação dada pela Lei nº 7.209, de


11.7.1984)
Art. 9º - A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira
produz na espécie as mesmas consequências, pode ser homologada
no Brasil para: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros
efeitos civis; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - sujeitá-lo a medida de segurança. (Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Parágrafo único - A homologação depende: (Incluído pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada;
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com
o país de cuja autoridade judiciária emanou a sentença, ou, na falta de
tratado, de requisição do Ministro da Justiça. (Incluído pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
Contagem de prazo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se
os dias, os meses e os anos pelo calendário comum. (Redação dada
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Frações não computáveis da pena (Redação dada pela Lei nº 7.209, de


11.7.1984)
Art. 11 - Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas
restritivas de direitos, as frações de dia, e, na pena de multa, as frações
de cruzeiro. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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Legislação especial (Incluída pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos
incriminados por lei especial, se esta não dispuser de modo diverso.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
 (MPE-MG – Promotor de Justiça Substituto – 2017) No direito brasileiro, adota-se, no âmbito espacial,
como regra, o princípio da territorialidade. Dada, porém, a relevância de certos bens, protege-os o direito
até mesmo contra crimes praticados inteiramente fora do Brasil, em respeito a certos princípios. É o que
chama a doutrina de aplicação extraterritorial condicionada ou incondicionada, conforme o caso, da lei
penal brasileira.

A esse respeito, assinale a alternativa INCORRETA:

a) A lei brasileira é aplicável, por força do princípio da justiça cosmopolita, ao crime contra a dignidade
sexual de criança praticado no estrangeiro, quando o agente ou vítima for brasileiro ou pessoa
domiciliada no Brasil, falando a doutrina, nesse caso, de aplicação extraterritorial incondicionada.
b) A lei brasileira é aplicável, por força do princípio da personalidade, ao crime praticado no estrangeiro
por brasileiro, falando a doutrina, nesse caso, de extraterritorialidade condicionada.
c) A lei brasileira é aplicável, por força do princípio da proteção, ao crime praticado no estrangeiro contra
a Administração Pública por quem está a seu serviço, falando a doutrina, nesse caso, de aplicação
extraterritorial incondicionada.
d) A lei brasileira é aplicável, por força do princípio do pavilhão, ao crime praticado a bordo de embarcação
mercante brasileira, quando em território estrangeiro e aí não seja julgado, falando a doutrina, nesse
caso, de aplicação extraterritorial condicionada.
Comentário: Quando o crime é praticado no estrangeiro contra brasileiro contra brasileiro não será
caso de aplicação da extraterritorialidade incondicionada. Muito pelo contrário, a subsunção será ao
art. 7º, § 3º, do Código Penal, caso em que além de entrar no território nacional, ser o fato punível no
país praticado, não ter sido o agente absolvido lá ou não ter cumprido pena, não ter recebido perdão
ou outra forma de extinção da punibilidade, é preciso que não haja pedido de extradição para o local
do fato e haver requisição do Ministro da Justiça. É a chamada extraterritorialidade hipercondicionada.

11. CONFLITOS DE LEIS PENAIS NO TEMPO OU DIREITO PENAL INTERTEMPORAL


Haverá conflito quando uma norma penal disciplina um crime e vem outra posterior revogando, é
preciso estabelecer qual lei a ser aplicada.
Retroatividade benéfica é direito fundamental do agente. Tem que analisar os princípios.

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Direito Penal – Parte Geral

12. PRINCÍPIOS SOLUCIONADORES DO CONFLITO DE LEIS PENAIS NO TEMPO


i. “Abolitio criminis”: artigo 2º, CP. Lei abolicionista.
Obs.: abolitio criminis apaga todos os efeitos penais da sentença condenatória, os efeitos
civis, todavia, permanecem intactos.
Abolitio criminis é a lei posterior que deixa de considerar criminosa conduta que até então o
era.
 Abolição penal (abolitio criminis) de determinadas condutas puníveis - debate que não se confunde
com incitação à prática de delito nem se identifica com apologia de fato criminoso - Discussão que deve
ser realizada de forma racional, com respeito entre interlocutores e sem possibilidade legítima de
repressão estatal, ainda que as ideias propostas possam ser consideradas, pela maioria, estranhas,
insuportáveis, extravagantes, audaciosas ou inaceitáveis (STF - ADPF: 187 DF, Relator: Min. CELSO DE
MELLO, Data de Julgamento: 15/06/2011, Tribunal Pleno, Data de Publicação: ACÓRDÃO ELETRÔNICO
DJe-102 DIVULG 28-05-2014 PUBLIC 29-05-2014)

ii. Novatio legis incriminadora: lei posterior que passa considerar criminosa conduta que até
então não era. Irretroativa. Ex.: artigo 311-A, CP.
Art. 311-A. Utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de
beneficiar a si ou a outrem, ou de comprometer a credibilidade do
certame, conteúdo sigiloso de:
I - concurso público;
II - avaliação ou exame públicos;
III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; ou
IV - exame ou processo seletivo previstos em lei:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
iii. Novatio legis in mellius: lei posterior que de qualquer forma favorece o agente.
iv. Novatio in pejus: lei posterior que de qualquer modo prejudica o agente.

13. EXTRATIVIDADE DA LEI PENAL


É a capacidade que tem a lei de se movimentar no tempo. É o gênero que comporta duas espécies:
retroatividade e ultratividade.
Em sede de conflitos de leis penais no tempo vigora o princípio do tempus regit actum (o tempo rege
a forma dos atos). A lei que será aplicada, em regra é a que estava em vigo a época do fato.

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Ultratividade da lei penal consiste na aplicação da lei a um fato cometido durante a sua vigência,
mesmo que essa lei já tenha sido revogada.
Retroatividade consiste na aplicação da lei a um fato cometido antes da sua entrada em vigor, por
ser mais benéfica ao réu.

14. LEI TEMPORÁRIA E LEI EXCEPCIONAL


Artigo 3º, CP.
Art. 3º - A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período
de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram,
aplica-se ao fato praticado durante sua vigência. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 1984)
Lei temporária é aquela em que o seu período de vigência vem previamente estabelecido em data
certa do calendário.
Obs.: vigora em Direito Penal o princípio da continuidade das leis.
Lei excepcional é aquela que vigora enquanto permanece situação de anormalidade.

Ementa da Aula:
DIREITO PENAL. LEI TEMPORÁRIA E LEI EXCEPCIONAL. CONFLITO APARENTE DE NORMAS.

AULA 07
LEI TEMPORÁRIA E LEI EXCEPCIONAL
As leis temporárias e excepcionais para terem efetividade possuem ultratividade. Elas são
autorrevogáveis, não precisam de lei posterior para serem revogada. São exceções ao princípio da
continuidade da lei. São intermitentes.

15. CONFLITO APARENTE DE NORMAS


Na verdade não existe. Soluciona através dos princípios. Tem que haver fato único e duas ou mais
leis em tese aplicáveis e todas em vigor.
O fundamento é evitar o “bis in idem” (dupla punição pelo mesmo fato).
Princípios:
 Especialidade

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Direito Penal – Parte Geral

Lei especial x lei geral.


Le especial é aquela que possui todos os elementos de uma lei geral mais alguns que torna
especializante.
Ex.: artigo 121, CP e artigo 123, CP. O infanticídio é um tipo de homicídio porém com
elementos específicos.
Art. 121. Matar alguém:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.

Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho,


durante o parto ou logo após:
Pena - detenção, de dois a seis anos.

 Subsidiariedade
Temos aqui diferentes graus de lesão ao mesmo bem jurídico.
Lei principal x lei subsidiária (soldado de reserva).
Lei subsidiária é aquela que prevê como crime fato incluído na definição da lei primária como
forma de execução ou qualificadora.
Ex.: artigo 147, CP e artigo 157, CP. A ameaça no crime de roubo é forma de execução, há
uma subsidiariedade implícita. O crime de ameaça é subsidiário ao roubo.
Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer
outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem,


mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la,
por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
Ex.2: artigo 132, CP – só será usado se não houver previsão mais grave (subsidiariedade
expressa).
Art. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime
mais grave.

 Consunção ou absorção

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Direito Penal – Parte Geral

O fato mais amplo e mais grave absorve o fato menos amplo e menos grave que funciona
como preparação, execução ou exaurimento daquele.
Ex.: lesão corporal e homicídio – crime progressivo, crime de passagem obrigatória ≠
progressão criminosa – alteração do dolo.
Súmula 17, STJ: Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é
por este absorvido.
 Entendo que a inserção de dados falsos no sistema informatizado do INSS foi tão somente o meio
que se utilizou a denunciada para a prática de estelionato contra a Previdência Social (crime-fim),
devendo ser aplicado o princípio da consunção. Ocorre, entretanto, que o estelionato é apenado
mais levemente do que o delito do artigo 313-A do Código Penal. O objetivo da consunção é
minimizar os rigores do cúmulo material, e não possibilitar a impunidade ou o apenamento mais
brando do agente que pratica mais de um crime. Por esse motivo, a pena a ser aplicada, em caso
de condenação, é a do crime-meio, ou seja, do artigo 313-A do Código Penal. (STJ - REsp: 1372676
SC 2013/0077898-0, Relator: Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, Data de Publicação: DJ
06/11/2014)

 Alternatividade
Neste princípio temos os tipos mistos alternativos. Se o agente, em um mesmo contexto
fático, pratica dois ou mais verbos previstos no tipo penal responderá por crime único.

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