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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

Ivan Marques de Toledo Camargo

Sônia Nair Báo

INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS

Mário Diniz Araújo Neto

Perci Coelho Souza

DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA

Agnaldo Cuoco Portugal


André Luis Muniz Garcia

Campus Darcy Ribeiro, Brasília, 2015


2

Cadernos de Filosofia no Brasil, especial

XXXI Encontro Nacional dos Estudantes de Filosofia – ENEFIL Brasília 2015

"PENSAR O BRASIL: FILOSOFIA, POLÍTICA E FORMAÇÃO"

18 a 24 de janeiro de 2015 - Universidade de Brasília

Coordenação Geral

Comissão Organizado do XXXI ENEFIL

Comitê Científico

Caio Gomes Macedo, Lucas Moura Vieira, Marcos Vinicius Magalhães Chagas

Realização

Comissão Organizadora do ENEFIL – C.O. XXXI ENEFIL

CAFIL UnB – Centro Acadêmico Ernani Maria Fiori

Executiva Nacional dos Estudantes de Filosofia

Cadernos de Filosofia no Brasil, especial "Pensar o Brasil: filosofia, política e formação"


Departamento de Filosofia/IH/UnB
Brasília: 1ª edição, 2015, ISSN 2359-3032
capa
Michelly Alves Teixeira
revisão e projeto gráfico
Gilberto Tedeia
impressão e acabamento
Dezinho, da Reprografia do IH/UnB
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ÍNDICE DAS COMUNICAÇÕES

JOGOS DIDÁTICOS COMO METODOLOGIA PARA O ENSINO DA FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO ............. 9
GENTE É MACACO DE ONÇA: UMA RELAÇÃO ENTRE A ONTOLOGIA DA DIFERENÇA DE DELEUZE E A
ETNOGRAFIA YAWALAPÍTI DE VIVEIROS DE CASTRO ............................................................................. 9
MORAL CARTESIANA: O CONTROLE DAS PAIXÕES DA ALMA ................................................................. 9
O MITO EM PLATÃO E A TRANSFORMAÇÃO DO HOMEM ..................................................................... 9
A FILOSOFIA DA FELICIDADE ................................................................................................................10
PONDERAÇÕES ACERCA DA CONSCIÊNCIA-DE-SI EM HEGEL ................................................................10
UMA DEFESA MORAL DA EUTANÁSIA NÃO-VOLUNTÁRIA ATIVA ..........................................................10
UM NOVO CAMINHO PARA A VOZ ......................................................................................................10
AS RELAÇÕES PROBLEMÁTICAS DO ENSINO DE FILOSOFIA NOS NÍVEIS MÉDIO E SUPERIOR DO ESTADO
DO AMAPÁ..........................................................................................................................................11
A FILOSOFIA DE GOTTFRIED LEIBNIZ E O MOVIMENTO FENOMENOLÓGICO ........................................11
A NOÇÃO DE JUSTIÇA EM ARISTÓTELES E EM TOMÁS DE AQUINO ......................................................11
O BURRINHO PEDRÊS: UMA VISÃO COSMOLÓGICA DA OBRA DE GUIMARÃES ROSA ...........................11
SOCIEDADE, ARQUITETURA E URBANISMO: UMA ANÁLISE DO MUNDO MODERNO COM BASE EM
MARSHALL BERMAN E OS SITUACIONISTAS .........................................................................................12
CONTRIBUIÇÕES “GRAMSCIANAS” PARA O PIBID DE FILOSOFIA ..........................................................12
SCHOPENHAUER E AS PRIMEIRAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A VONTADE EM O MUNDO.......................12
HOBBES E O POSITIVISMO JURÍDICO: UMA (NOVA) LEITURA DO LEVIATÃ ............................................13
LIBERDADE E DETERMINISMO EM SPINOZA.........................................................................................13
A CRÍTICA AO TEATRO: INFLUÊNCIA AO ROMANCE DO SÉCULO XVIII ...................................................13
JOHN LOCKE: DO ESTADO NATURAL À GÊNESE E FORMAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL .............................13
GILLES DELEUZE: EDUCAÇÃO E ESTÉTICA .............................................................................................14
O CONTRATO SOCIAL COMO SUBMISSÃO CONCEDIDA: A POLÍTICA NO SEGUNDO TRATADO SOBRE O
GOVERNO CIVIL...................................................................................................................................14
REALISMO MODAL: O PRINCÍPIO METAFÍSICO DOS MUNDOS EM LEWIS .............................................14
O DIZER E O DITO SEGUNDO EMMANUEL LÉVINAS ..............................................................................14
DAS IMPRESSÕES ÀS PAIXÕES EM DESCARTES .....................................................................................15
DA TUTELA FAMILIAR À LIBERDADE POLÍTICA DO INDIVÍDUO ..............................................................15
ONTOLOGIA FENOMENOLÓGICA .........................................................................................................15
ALGUNS PONTOS CONVERGENTES NA FILOSOFIA ÉTICA DE PLATÃO, ARISTÓTELES E SÊNECA..............15
AS PARTES E O TODO: INFLUÊNCIAS CONSTITUINTES DA FILOSOFIA MATERIALISTA DE BAKUNIN ........16
A FILOSOFIA E A EDUCAÇÃO ................................................................................................................16
O QUE É O AMOR PLATÔNICO? ...........................................................................................................16
CONSIDERAÇÕES SOBRE A DESUMANIZAÇÃO DA ARTE .......................................................................16
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DIFERENÇAS NA CONCEPÇÃO DE RELIGIÃO ENTRE KARL MARX E MAX WEBER ....................................17


UM OLHAR SOBRE A POÉTICA DE ARISTÓTELES E SEU USO PARA A COMPREENSÃO DA LEITURA NA
ATUALIDADE .......................................................................................................................................17
OS USOS DO ETNOCENTRISMO: O DIÁLOGO ENTRE RORTY E GEERTZ ..................................................17
A TESE DA SIGNIFICAÇÃO CORRETA DOS NOMES POR ETIMOLOGIA É FRUTO DE CONTRADIÇÃO.........17
O RESTO É LINGUAGEM: ÉTICA E SILÊNCIO NO TRACTATUS DE WITTGENSTEIN ...................................18
O PALÁCIO DE CRISTAL ........................................................................................................................18
MANOEL DE BARROS: INVENÇÃO, ENCONTROS E AFECTOS .................................................................18
UMA POSSÍVEL ÉTICA DA SECULARIZAÇÃO À LUZ DA NOÇÃO DE SOCIEDADE PÓS-SECULAR DE JÜRGEN
HABERMAS .........................................................................................................................................18
A FUNÇÃO SOCIAL DO RISO SEGUNDO HENRI BERGSON .....................................................................19
A POSSIBILIDADE DE UM CONHECIMENTO DIRETO VERSUS A NECESSIDADE DE UMA MEDIAÇÃO:
RUSSELL VERSUS FREGE ......................................................................................................................19
A EQUIVALÊNCIA ENTRE MORAL E ÉTICA EM DAVID HUME .................................................................19
AS NUVENS: UMA ANÁLISE HISTÓRICA, CULTURAL, ECONÔMICA E POLÍTICA SOBRE A PEÇA DE
ARISTÓFANES ......................................................................................................................................20
O PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PARA UMA ÉTICA AMBIENTAL ...................................................20
O CONCEITO DE CULTURA NA TEORIA CRÍTICA DE SEYLA BENHABIB ....................................................20
INJUSTIÇAS DE GÊNERO, RECONHECIMENTO E REDISTRIBUIÇÃO EM NANCY FRASER ..........................20
CRÍTICA IDEOLÓGICA E EMANCIPAÇÃO NAS COMUNICAÇÕES CONTEMPORÂNEAS .............................21
PENSANDO O ENSINO DE FILOSOFIA ...................................................................................................21
COGNITIVISMO DE NELSON GOODMAN COMO RESPOSTA AO PROBLEMA DA VALORIZAÇÃO DA ARTE
...........................................................................................................................................................21
JUSTIÇA COMO EQUIDADE: UMA CONCEPÇÃO POLÍTICA DE JUSTIÇA ..................................................21
A FILOSOFIA DO EU: UM DIÁLOGO ENTRE ARTHUR SCHOPENHAUER E AUGUSTO DOS ANJOS.............22
O PAPEL DAS EMOÇÕES NO COMPORTAMENTO MORAL SEGUNDO DAVID HUME ..............................22
INTERIORIDADE PARA A BUSCA DA FELICIDADE NAS CONFISSÕES, DE AGOSTINHO .............................22
O PROBLEMA DO AUTOCONHECIMENTO HUMANO NAS CONFISSÕES, DE AGOSTINHO .......................22
IPSEIDADE E FÉ EM KIERKEGAARD .......................................................................................................23
VIAS DE COMUNICAÇÃO E A SUBJETIVIDADE DA INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE: UM ESTUDO SOBRE
O PROCESSO DE CONHECIMENTO EM SCHOPENHAUER ......................................................................23
O USO POLÍTICO DA IMAGINAÇÃO MATERIAL NO ESPAÇO URBANO....................................................23
A DESQUALIFICAÇÃO SUBSTANCIAL DO SER HUMANO: O TRABALHADOR PARCIAL .............................23
PENSAR O BRASIL: UMA TAREFA DE ESTUDANTE .................................................................................24
PROVOCAÇÕES FILOSÓFICAS ...............................................................................................................24
A ÉTICA DO CUIDADO DE SI E A POLÍTICA NO ALCIBÍADES I, DE PLATÃO ..............................................24
A ALIENAÇÃO EM MARX: APONTAMENTOS ACERCA DA NATUREZA DO TRABALHO .............................25
5

AS CONTRIBUIÇÕES DA MÁ-FÉ E DA FUNÇÃO FABULADORA COMO POSSIBILIDADE DE FUGA DA


RESPONSABILIDADE DA EXISTÊNCIA ....................................................................................................25
ARENDT E KANT: BANALIDADE DO MAL E MAL RADICAL .....................................................................25
CONFLITO ENTRE AS LEIS HUMANAS E AS LEIS DIVINAS .......................................................................25
LUDWIG FEUERBACH: PENSAMENTOS SOBRE UMA FILOSOFIA DO FUTURO ........................................25
A QUESTÃO DO SERTÃO: UMA ONTOLOGIA A PARTIR DE GUIMARÃES ROSA .......................................26
AS ESFERAS DO PODER DO ESTADO NA CRÍTICA DA FILOSOFIA DO DIREITO DE HEGEL, DE KARL MARX26
A LOUCURA NO HUMANISMO DE ERASMO .........................................................................................26
O PAPEL DA ARTE NA FORMAÇÃO DO INDIVÍDUO E DO ESTADO NAS CONCEPÇÕES DE NIETZSCHE E
PLATÃO ...............................................................................................................................................26
REFLEXÕES ACERCA DAS REFORMAS EDUCACIONAIS NO PERÍODO DA DITADURA MILITAR E SUAS
CONSEQUÊNCIAS NO ENSINO DE FILOSOFIA ATUALMENTE .................................................................27
A AUTONOMIA E A EDUCAÇÃO EM THEODOR ADORNO ......................................................................27
A CRÍTICA DE NIETZSCHE À TRADIÇÃO FILOSÓFICA: UMA REFLEXÃO A RESPEITO DO QUE VEM A SER O
CONHECIMENTO NA PERSPECTIVA DE NIETZSCHE ...............................................................................27
RAZÕES COMO CAUSAS: SOBRE TEORIA DA AÇÃO ...............................................................................28
O ELENKHOS EM APOLOGIA DE SÓCRATES, 21A-22D: O ORÁCULO E A OBEDIÊNCIA DO HOMEM AO
DEUS ...................................................................................................................................................28
A POSSIBILIDADE DA NOÇÃO DE RECONHECIMENTO COMO UMA CATEGORIA ÉTICA NO PENSAMENTO
DE EMMANUEL LÉVINAS .....................................................................................................................28
CONSIDERAÇÕES SOB O PAPEL DE DEUS E A CONTRADIÇÃO DAS SUBSTÂNCIAS MATERIAIS NA TEORIA
IMATERIALISTA DE BERKELEY ..............................................................................................................28
NOTAS PARA UMA FILOSOFIA DESDE A AMÉRICA LATINA....................................................................29
CAPACIDADES: O REEXAME DE AMARTYA SEN SOBRE A DESIGUALDADE .............................................29
APONTAMENTOS ACERCA DO LEBENSWELT DE HUSSERL E DO MUNDO VIVIDO EM STEIN ..................29
SPINOZA E MARX: O TEMA DA LIBERDADE COMO FORMA DE PENSAR O ENSINO DE FILOSOFIA ..........29
A PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADES EM FELIX GUATTARI: MODOS DE VIDA PARA ALÉM DO DOMÍNIO
CAPITALÍSTICO ....................................................................................................................................29
A ABORDAGEM DE FREGE AOS DEMONSTRATIVOS: O PROBLEMA DA PRAGMÁTICA NA CONCEPÇÃO
SEMÂNTICA DE SENTIDO (SINN) ..........................................................................................................30
A NOÇÃO DE QUEDA OU PECADO ORIGINAL EM LEIBNIZ .....................................................................30
SERIA NIETZSCHE UM PENSADOR MACHISTA?.....................................................................................30
ACERCA DA POSSIBILIDADE DO ENSINO DE FILOSOFIA NA ESCOLA: REFLEXÕES FILOSÓFICAS SOBRE A
EDUCAÇÃO E A FILOSOFIA ...................................................................................................................31
MACABÉA: VIA DE ACESSO PARA SE PENSAR NA CRISE DA NARRATIVA LOCAL? ...................................31
EXPERIÊNCIA E RAZÃO ATIVA: CONCEITOS ESPINOSANOS E A RELEVÂNCIA PARA O ENSINO DE
FILOSOFIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA .......................................................................................................31
HOBBES VAI A PEDRINHAS (MA) ..........................................................................................................31
6

OS PRECURSORES DE DAVID HUME DA CRÍTICA À CAUSALIDADE: A IMPORTÂNCIA DE JOSEPH


GLANVILL ............................................................................................................................................32
O NADA E O ENTE – SOBRE A RELATIVIZAÇÃO E A OBJETIVAÇÃO NAS PESQUISAS CIENTÍFICAS EM
HEIDEGGER .........................................................................................................................................32
A ORIGEM DA BIVALÊNCIA DA AÇÃO JUSTA NA REPÚBLICA .................................................................32
A MARGINALIZAÇÃO DAS CIÊNCIAS HUMANAS NO CENÁRIO POLÍTICO EDUCACIONAL BRASILEIRO.....32
CORPOREIDADE E SUBJETIVIDADE: ACERCA DA FENOMENOLOGIA DA PERCEPÇÃO .............................33
A ÉTICA POLITICA SEGUNDO NIETZSCHE ..............................................................................................33
ANIMAIS NÃO-HUMANOS COMO PROPRIEDADE: O ESTATUTO MORAL E LEGAL .................................33
REFLEXÕES SOBRE VIOLÊNCIA: DIALOGANDO COM FRANTZ FANON E HANNAH ARENDT ....................33
PESQUISA DE CAMPO SOBRE O PIBID-FILOSOFIA EM CINCO UNIVERSIDADES DA REGIÃO DO GRANDE
RIO......................................................................................................................................................34
O VALOR DE UMA CÓPIA: A SIGNIFICAÇÃO E SUA RELAÇÃO COM A ORIGINALIDADE...........................34
O PROGRAMA DE PESQUISA DE ODERA ORUKA...................................................................................34
O OUTRO E A DIFERENÇA SEXUAL POSITIVA ........................................................................................34
PENSAR O INVISÍVEL: AS MULHERES NEGRAS COMO PRODUTORAS DE PENSAMENTO FILOSÓFICO .....35
AS CONDIÇÕES PARA O PROGRESSO MORAL DA HUMANIDADE EM KANT ...........................................35
IDENTIDADE PESSOAL: A QUESTÃO QUE FAZ COM QUE AS PESSOAS SEJAM NUMERICAMENTE
IDÊNTICAS AO LONGO DO TEMPO .......................................................................................................35
A NOÇÃO FOUCAULTIANA DE GOVERNAMENTALIDADE ......................................................................36
A NOÇÃO DE INFINITO EM EMMANUEL LÉVINAS E RENÉ DESCARTES ..................................................36
A REPRODUÇÃO DO ENSINO NAS ESCOLAS BRASILEIRAS .....................................................................36
A EDUCAÇÃO DE EMÍLIO NA PREPARAÇÃO PARA O CONTRATO ...........................................................36
A IGNORÂNCIA COMO ORIGINADORA DE HOMENS MAUS: A RELAÇÃO ENTRE CONHECIMENTO E
MALDADE NA OBRA AURORA, DE NIETZSCHE ......................................................................................37
SER INVISÍVEL ......................................................................................................................................37
A ORIGEM DA BIVALÊNCIA DA AÇÃO JUSTA NA REPÚBLICA DE PLATÃO ...............................................37
EMMANUEL LÉVINAS: DA ONTOLOGIA À ÉTICA ...................................................................................37
A ESCOLA E A EDUCAÇÃO DO FUTURO: UMA BREVE REFLEXÃO ...........................................................37
CETICISMO E O PROBLEMA DO CRITÉRIO ............................................................................................38
ERRICO MALATESTA (1853-1932): CRÍTICA ÀS VERTENTES ESTATISTAS DO SOCIALISMO E A
NECESSIDADE DE UMA VIA ALTERNATIVA PARA A EMANCIPAÇÃO SOCIAL ..........................................38
FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE FILOSOFIA: “A FORMAÇÃO DOCENTE ENTRE PROFESSORES E
FILÓSOFOS” ........................................................................................................................................38
O HOMEM NA CONTEMPORANEIDADE: A PÓS-MODERNIDADE E A COISIFICAÇÃO DO INDIVÍDUO
ENQUANTO SER DE NATUREZA E CARÁTER SEGUNDO ERICH FROMM .................................................39
O GOVERNO COMO REFLEXO DO POVO: UMA ANÁLISE DA CORRUPÇÃO E DA FALTA DE ÉTICA DO
“JEITINHO BRASILEIRO” .......................................................................................................................39
7

O PROBLEMA DA JUSTIFICAÇÃO NO “TRILEMA DE AGRIPA” E O FUNDACIONALISMO COMO SOLUÇÃO


...........................................................................................................................................................39
FILOSOFIA CANIBAL.............................................................................................................................39
RUI BARBOSA E A TRADIÇÃO DO “CONSTITUCIONALISMO CALVINISTA” INAUGURADA POR JOHN KNOX
E THÉODORE DE BÈZE .........................................................................................................................40
DUAS FACES DA POLÍTICA EM RANCIÈRE: COMO GESTÃO E COMO CONFLITO .....................................40
O PROBLEMA DO MAL EM CONFORMIDADE COM A VONTADE DIVINA NO PENSAMENTO DE LEIBNIZ E
A SUA POSSIBILIDADE DE RESOLUÇÃO MEDIANTE O CONCEITO DE AMOR ..........................................40
COTAS RACIAIS, UM ATRASO OU AVANÇO? .........................................................................................40
A COLOQUIALIDADE COMO MÉTODO DE ENSINO DE FILOSOFIA .........................................................41
A JUSTIFICAÇÃO DO CONCEITO DE NÃO-SER NO DIÁLOGO SOFISTA ....................................................41
AS QUATRO CAUSAS NA METAFÍSICA DE ARISTÓTELES ........................................................................41
SIMBIOSE IN CORPÓREA: POR UMA ONTOLOGIA DA ALTERIDADE .......................................................41
CRÍTICA ADORNIANA À TESE SEMÂNTICA DO IDEALISMO ....................................................................42
A FINALIDADE DA INTRODUÇÃO DAS MÁQUINAS NO TRABALHO E NA VIDA DOS OPERÁRIOS FABRIS DA
INGLATERRA A PARTIR DO FINAL DO SÉCULO XVIII ..............................................................................42
“PRA QUE RIMAR AMOR E DOR?” .......................................................................................................42
A PLURALIDADE HUMANA COMO CONDIÇÃO DA POLÍTICA SEGUNDO O PENSAMENTO DE HANNAH
ARENDT ..............................................................................................................................................43
MARY E O ARGUMENTO DO CONHECIMENTO .....................................................................................43
A ESCOLA DE FRANKFURT E A PERIFERIA DO CAPITALISMO .................................................................43
O CORPO PROVOCADOR DE ATRAVESSAMENTOS................................................................................43
A QUESTÃO DA CERTEZA SENSÍVEL NA FENOMENOLOGIA DO ESPIRITO, DE HEGEL .............................44
BENS DE CONSUMO DE MASSA ENTRE POVOS INDÍGENAS: UMA LEITURA FILOSÓFICA DA CIRCULAÇÃO
DO DINHEIRO ENTRE OS POVOS ÉTNICOS XIKRIN ................................................................................44
A ESCOLA E O PENSAR POLÍTICA ..........................................................................................................44
DO PRINCÍPIO DA IGUAL CONSIDERAÇÃO DE INTERESSES DE PETER SINGER........................................44
JEAN-PAUL SARTRE: ANÁLISE E COMENTÁRIOS DE O MURO................................................................45
AS IDEIAS FILOSÓFICAS DESENVOLVIDAS NO BRASIL COMO ADAPTAÇÕES DE DOUTRINAS
ESTRANGEIRAS À NOSSA REALIDADE ...................................................................................................45
O PROBLEMA DO CONHECIMENTO NO PRIMEIRO HOMEM SEGUNDO TOMÁS DE AQUINO ................45
PROJETO DE EXTENSÃO FILOSOFIA E JOGOS ........................................................................................45
TRAGÉDIA E PARADOXO NA GRÉCIA ANTIGA .......................................................................................46
ATOS SUPEREROGATÓRIOS SÃO POSSÍVEIS? .......................................................................................46
EDUCAÇÃO, EMANCIPAÇÃO E MARXISMO: O POTENCIAL TRANSFORMADOR E CONTRA-HEGEMÔNICO
DA EDUCAÇÃO NA VISÃO DE GRAMSCI E MÉSZÁROS ...........................................................................46
“A MISÉRIA DO MEIO ESTUDANTIL” E O MAIO DE 1968 FRANCÊS ........................................................46
8

A PSICOLOGIA NIETZSCHIANA EM PARA ALÉM DE BEM E MAL ............................................................47


CINEMA BRASILEIRO COMO CRÍTICA DO SUBDESENVOLVIMENTO.......................................................47
A EDUCAÇÃO EM PLATÃO: UM OLHAR PARA A MULHER GREGA NA ANTIGUIDADE .............................47
MITO E POLIÉTICA: SABERES ARQUETÍPICOS NA CONTEMPORANEIDADE ............................................47
ÉTICA A NICÔMACO: UMA EXEGESE ACERCA DO LIVRO I .....................................................................48
CONTRA UM MUNDO DE ABSURDOS SÓ NOS CABE A REVOLTA: DIVAGAÇÕES EM SADE E CAMUS ......48
CRÍTICA E METAFÍSICA EM TORNO DO SER DO PARA-SI .......................................................................48
O HOMEM SOCIAL EM HOBBES E KANT ...............................................................................................48
AS DUAS ACEPÇÕES DO ENTE SEGUNDO TOMÁS DE AQUINO..............................................................49
DERRUBANDO MUROS E CONSTRUINDO PONTES: O CAMINHO DA PRÁTICA FILOSÓFICA DO ENSINO
NO NÍVEL MÉDIO ................................................................................................................................49
COMUNIDADE DE INVESTIGAÇÃO E A EDUCAÇÃO PARA O PENSAR .....................................................49
O DEBATE EPISTEMOLÓGICO SOBRE O ETHOS DA CIÊNCIA: A CONTRIBUIÇÃO DE JOHN ZIMAN ...........49
“VARAL FILOSÓFICO” E O CONCEITO DE EXPERIÊNCIA EM ANÍSIO TEIXEIRA .........................................50
ENSAIO FENOMENOLÓGICO ACERCA DO INUSITADO ..........................................................................50
A EVOLUÇÃO NA RESOLUÇÃO DO PARADOXO DOS DIREITOS HUMANOS ANALISADO POR HANNAH
ARENDT ..............................................................................................................................................50
DITADURA REPUBLICANA – NOVAS FIGURAÇÕES DA ORDEM E DO PROGRESSO EM TROPA DE ELITE 2
...........................................................................................................................................................50
O MUNDO ENQUANTO RELAÇÕES DE OBJETOS ...................................................................................51
FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS NA FILOSOFIA POLÍTICA DE JOHN LOCKE .....................................51
A CRÍTICA DA RELIGIÃO EM MARX: DO REFLEXO DA CONDIÇÃO HUMANA AO PROTESTO
INCONSCIENTE ....................................................................................................................................51
O PROGRAMA DA NEOSILOGÍSTICA E SUAS CRÍTICAS ..........................................................................51
INTENCIONALIDADE: SARTRE LEITOR DE HUSSERL ...............................................................................52
NOTAS SOBRE A REVOLUÇÃO PERMANENTE EM MARX .......................................................................52
A EDUCAÇÃO E O MAL EM SADE E FREUD ...........................................................................................52
RUPTURA, O INDIVÍDUO ANTE A PÓS-MODERNIDADE .........................................................................52
EPISTEMOLOGIA POSITIVISTA E ATOMISMO HUMEANO ......................................................................53
O FATO DA HISTÓRIA DA FILOSOFIA EM MARTIAL GUÉROULT .............................................................53
A CRÍTICA DE LENIN À SOCIAL-DEMOCRACIA ALEMÃ ...........................................................................53
RELAÇÕES ENTRE LEIBNIZ E SIMONDON: MONADOLOGIA E ALLAGMÁTICA .........................................53
A PRESENÇA DO TEMA ESTUPRO .........................................................................................................54
A NOÇÃO DE EU PROFUNDO NO ENSAIO SOBRE OS DADOS IMEDIATOS DA CONSCIÊNCIA ..................54
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JOGOS DIDÁTICOS COMO METODOLOGIA PARA O ENSINO DA FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO


José Aparecido de Oliveira Lima
Graduando em Filosofia, PIBID, UFAL, aparecido.filosofia@gmail.com

O aluno de Ensino Médio não é aluno de Filosofia! Reconhecendo está dificuldade, a pesquisa, de forma pedagógica,
mostra mais um método de ensino-aprendizagem para se utilizar e facilitar o ensino da disciplina de Filosofia no ensino
médio. O jogo didático como forma de estreitar o longo caminho entre o assunto ofertado pelo professor e a
aprendizagem do aluno em sala de aula, favorecendo o conhecimento a ser adquirido pelo mesmo. Este trabalho busca
uma forma de trabalhar a disciplina Filosofia de forma atrativa, descontraída e de uma maneira prática, buscando assim,
uma melhor compreensão do assunto ofertado pelo professor. Os jogos partem de um conteúdo com especificidade
apenas da Filosofia, mas ainda contendo a forma ou essência do jogo original. Contudo a utilização dos jogos em sala
de aula deve ter sempre o acompanhamento do professor, como facilitador e mediador, para uma melhor relação entre o
jogo, o aluno e o tema desenvolvido.

GENTE É MACACO DE ONÇA: UMA RELAÇÃO ENTRE A ONTOLOGIA DA DIFERENÇA DE DELEUZE E


A ETNOGRAFIA YAWALAPÍTI DE VIVEIROS DE CASTRO
Rodrigo Noronha Pinto
Orientador: Ruy de Carvalho Rodrigues Júnior, UFC

Este trabalho expõe uma problemática que atravessa a tradição do pensamento ocidental em geral e, em particular, a
história e a formação da filosofia e da antropologia enquanto disciplinas. De Parmênides a Hegel e em muitos filósofos
e pensadores contemporâneos, o princípio da identidade entre sujeito e objeto é, ao mesmo tempo, o que permite o
conhecer quanto o que guia o conhecimento às vias do idêntico, do próximo, sendo o diferente, o que não se curva ao
modelo ou ao parecido, ignorado. A adoção e consolidação deste princípio na tradição do pensamento ocidental trouxe
algumas dificuldades em pesquisar relações sujeito-objeto que escapassem do princípio de identidade, impondo, desta
forma, uma nova perspectiva à própria relação. Foi o princípio de identidade consolidado que barrou, em grande parte e
durante alguns anos, o entendimento da cultura yawalapíti pela antropologia brasileira, e somente com os trabalhos
etnográficos de Viveiros de Castro, munido da ontologia da diferença de Deleuze, foi possível um maior entendimento
da cultura deste povo do alto Xingu.
Palavras-chave: ontologia da diferença – relação antropologia-filosofia – etnografia do pensamento – Gilles Deleuze –
Viveiros de Castro

MORAL CARTESIANA: O CONTROLE DAS PAIXÕES DA ALMA


Felini de Souza
Orientadora: Maria de Lourdes Alves Borges, UFSC

Em Paixões da alma, Descartes utiliza do estudo da natureza humana e da relação corpo e alma, a fim de conhecer suas
limitações e a causa das paixões da alma. Ele apresenta a moral com o intuito de trabalhar a razão no entendimento do
funcionamento do corpo e propõe técnicas para o controle dos excessos e faltas das paixões da alma, pois, para
Descartes, as paixões não são ruins, mas precisam ser bem utilizadas. A moral cartesiana tem como princípio a boa
conduta de vida e uma melhora na vida do homem, discernindo o bem do mal, livre dos desequilíbrios provocados pela
má administração das paixões da alma.

O MITO EM PLATÃO E A TRANSFORMAÇÃO DO HOMEM


Patrick Martins de Carvalho
Iniciação Científica, UnB
Orientadora: Loraine de Fátima Oliveira

O mito em Platão não é somente uma estratégia retórica frente às limitações da linguagem, mas, antes, o mito oferece
uma hipótese plausível e também é uma mudança do homem em um nível muito profundo, uma vez que Platão admite,
desde o início de A República, o poder que as histórias exercem sobre a alma das crianças e como essas histórias guiam
os homens para as virtudes ou para os vícios reprováveis. Logo, Platão ciente do perigo que as más histórias podem ter
sobre a conduta dos homens, não usa de maneira ingênua os mitos, pois conhece bem a polissemia que o mito admite
devido à sua estrutura que permite múltiplos quadros de leitura. Assim, Platão encontra uma saída para transcender as
barreiras da linguagem através das imagens, pois o mito se mostra um campo inesgotável de significações.
10

A FILOSOFIA DA FELICIDADE
Ravena Olinda Teixeira
Doutoranda em Filosofia, FFLCH/USP

A comunicação demonstra que a filosofia de Baruch de Espinosa é uma filosofia que busca, sobretudo, a felicidade. A
proposta de sua filosofia tanto política quanto ética não tem outra pretensão senão a plena felicidade ou que ele chama
de beatitude suprema, conforme o mesmo afirma ao iniciar o seu Tratado da reforma do intelecto. Para comprovar essa
teoria, analisamos todas as ocorrências da palavra felicidade ou beatitude que aparecem ao longo de suas obras, para
que, por meio dessa análise, seja possível definir de forma clara e distinta o que significa felicidade e como ela pode ser
alcançada pelos homens. Com efeito, no decorrer da comunicação, compreenderemos se a felicidade pode ou não ser
alcançada por homens comuns ou apenas pelo sábio que surge como personagem da quarta parte da Ética, bem como,
veremos se é possível concordar com Espinosa quando ele afirma que “A felicidade não é o prêmio da virtude e sim a
própria virtude.”
Palavras chave: filosofia – sabedoria – felicidade – Espinosa

PONDERAÇÕES ACERCA DA CONSCIÊNCIA-DE-SI EM HEGEL


Jéssica Nunes Chaves
Graduanda em Filosofia, bolsista PIBIC-CNPq, UECE

A comunicação demonstra a consciência-de-si na dialética do senhor e do escravo para que a consciência chegue a sua
verdade e, posteriormente, a sua liberdade. A consciência está interiorizada em si mesma, pois sabe que o objeto
idealizado por ela acaba sendo ela mesma, ou seja, o que antes era objeto para a consciência passa a ser a própria
consciência, então, consciência-de-si. A consciência descobrirá que a verdade que ela pensava estar no outro não era
verdadeiro conceito. A liberdade se objetivará e se efetivará nas instituições. Através do pensamento dialético
hegeliano, o trabalho irá libertar o escravo, reconhecendo-o como consciência-de-si. Compreendo que é absolutamente
necessário entender a liberdade como um processo contínuo de ações e não uma coisa acabada em sua finalidade. Hegel
relata o Estado como racionalidade em si, uma organicidade totalizante. Hegel trata dessas questões na Fenomenologia
do Espírito, e é com base na leitura dessa obra que elaboro a presente comunicação.
Palavras-chave: consciência-de-si – fenomenologia – liberdade

UMA DEFESA MORAL DA EUTANÁSIA NÃO-VOLUNTÁRIA ATIVA


Camila Añez
Mestranda do Departamento de Filosofia, CFH/UFSC
Orientadora: Milene C. Tonetto

O trabalho discute um dos problemas morais relacionados à eutanásia não-voluntária ativa (ENVA) em adultos: permitir
que indivíduos em coma irreversível, i.e., não-autônomos, sejam mortos, é moral? Para isso, abordaremos o conceito do
valor da vida do ponto de vista utilitarista de Mill. Segundo ele, há elementos como liberdade, autonomia, segurança,
prazer etc. que, uma vez contemplados, tornam a vida valiosa. Peter Singer, por sua vez, ao discutir a eutanásia, alega
que os indivíduos que querem morrer em virtude de doença incurável têm o direito de serem mortos por considerarem
que a vida perdeu o valor. O mesmo se segue para indivíduos não-autônomos, pois eles não desfrutam e não desfrutarão
mais dos elementos que tornam a vida valiosa e, consequentemente, o bem-estar não é promovido. Procuraremos
mostrar, portanto, que em determinadas circunstâncias a ENVA é moralmente permissível, pois está de acordo com a
tese utilitarista.

UM NOVO CAMINHO PARA A VOZ


Geraldo Márcio da Silva
Orientador: Renato Moscateli, PPG/UFG

O trabalho busca um novo caminho para a voz de acordo com Jean-Jacques Rousseau. Para tanto é necessário
compreender o papel conferido ao aspecto filosófico-estético com base nas paixões, no caráter ontológico (moral),
transcendida pela música, para com isso rever o papel conferido à força melódica da voz, arraigada do “amor-de-si” e a
sua possibilidade na política, contribuindo assim de forma direta à sociedade civil legítima. A filosofia de Rousseau não
aceitou o fisiologismo desembocado na razão, trabalhou para o alargamento do que é ontológico, estético e moral, na
tradição e contribuição da sua própria filosofia. Acreditamos que sua obra pode auxiliar a recolocar os problemas atuais
da perca da voz (melodia) em termos mais compreensivos e, desse modo, contribuir para a retomada de um ser sensitivo
que expressa sua melodia, ou seja, à superação. É preciso, pois, retomar seu pensamento e a sua melodia e tentar, a
partir dele, desvelar um novo caminho para a voz.
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AS RELAÇÕES PROBLEMÁTICAS DO ENSINO DE FILOSOFIA NOS NÍVEIS MÉDIO E SUPERIOR DO


ESTADO DO AMAPÁ
Luã Gonçalves de Matos
Graduando em Filosofia, Iniciação Científica, UEAP
Orientador: Paulo Roberto Moraes de Mendonça

A discussão dos problemas do ensino de Filosofia nos níveis médio e superior evidencia questões-chave relacionadas
aos métodos de ensino utilizados em sala de aula, particularmente no ensino médio. Observa-se que, em decorrência
desses problemas, há possibilidades de influenciar negativamente o aprendizado de Filosofia e o aprofundamento de
seus aspectos relevantes no nível superior. Esse estudo tem importância relevante, pois propõe nova orientação no
desenvolvimento do sistema educacional do nível médio, no sentido de possibilitar novos caminhos de investigação e
resolução dos muitos problemas inerentes a esse tipo de ensino.
Palavras-chave: ensino de filosofia – métodos – nível médio – nível superior – sistema educacional.

A FILOSOFIA DE GOTTFRIED LEIBNIZ E O MOVIMENTO FENOMENOLÓGICO


Otávio Souza e Rocha Dias Maciel
Graduando em Filosofia, PIBIC, UnB
Orientador: Marcos Aurélio Fernandes

A comunicação mostra como o pensamento de Leibniz em certa medida antecipou vários conceitos filosóficos melhor
desenvolvidos no contexto pós-kantiano do movimento fenomenológico, especialmente em Husserl e em Heidegger. As
aproximações são intrigantes e serão exploradas em cinco pontos principais: no combate que estes filósofos travaram
contra preconceitos cientificistas de suas épocas; na ideia de uma pré-organização da natureza (mônadas e
Selbstgegebenheit) e de como podemos perceber esta natureza que se dá (percepções sensíveis e insensíveis, noese-
noema e redução transcendental, concepções prévias); e no princípio da continuidade de Leibniz e a regionalização
eidética de Husserl. Por fim, a comunicação versa sobre a aproximação de Heidegger com o pensamento de Leibniz
para reformular sua concepção de subjetividade e para fazer a passagem entre a intencionalidade e a transcendência para
o fundamento. A pergunta final: pode-se falar numa monadologia fenomenológica?

A NOÇÃO DE JUSTIÇA EM ARISTÓTELES E EM TOMÁS DE AQUINO


Gustavo Santos Sousa
Iniciação Científica, Departamento de Filosofia, UnB
Orientador: Guy Hamelin

O filosofo clássico Aristóteles escreveu um importante tratado chamado de Ética a Nicômaco, no qual está presente a
questão da virtude moral de justiça. Para essa questão é dedicado um capitulo exclusivo. Isto devido a suas
características próprias, que a diferencia das outras virtudes morais. Aristóteles descreve em detalhe a natureza dessa
virtude e explica como o homem pode adquiri-la. De maneira mais precisa o nosso protagonista divide essa virtude em
justiça geral e justiça particular. Essa divisão subdivide-se, segundo a aplicação prática da justiça. Muitos séculos
depois, o filosofo medieval escolástico Tomás de Aquino retoma em parte as explicações do estagirita sobre a questão
da justiça, ao desenvolver uma noção própria sobre o tema. A comunicação explica a concepção de justiça na Ética a
Nicômaco, bem como a apresentada por Tomás de Aquino na Suma Teológica, e examina a influencia do autor clássico
no seu sucessor medieval.

O BURRINHO PEDRÊS: UMA VISÃO COSMOLÓGICA DA OBRA DE GUIMARÃES ROSA


Francisco Wylame dos Santos Filho
Graduado em Filosofia, UFC, graduando em Letras, URCA

João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo (MG), a 27 de julho de 1908. Formado em Medicina (1930), após clinicar
por algum tempo, em 1934 ingressou na carreira diplomática. Serviu em várias partes do planeta e, em 1936, ganhou o
prêmio de poesia da Academia Brasileira de Letras, com Magma. A obra de Guimarães Rosa representa atualmente um
dos mais altos pontos da ficção brasileira, ainda cedo para se avaliar devidamente o poder revolucionário de sua
produção literária, mesmo estando situada frequentemente nas fronteiras da poesia. Em 1946 estreou com Sagarana.
Desde o seu título composto (saga+rana = semelhança de sagas), coloca o leitor em face de seu intuito básico: a face do
homem do ser-tão, e suas inter-relações existenciais com a natureza cosmológica. Tomando como base a estória O
burrinho Pedrês, este trabalho aborda o particularismo cultural, filosófico e social numa visão por dentro deste homem
particular, do sertanejo (analisando-o num prisma diferente do regionalismo abordado na geração de 30) fugindo da
realidade objetiva, para evidenciar a possibilidade de ângulos que a linguagem roseana em seu germe inicial possibilita:
vivenciando a interligação do homem e o ser-tão, mostrando que o universo opera segundo uma lógica cosmológica e
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que o ser se diz apenas enquanto ser conectado visceralmente com a realidade objetiva (natureza) e realidade subjetiva
(a criação de si mesmo). A estória do Burrinho concede-nos a visão de imposição cosmológica, o Destino, como
operação necessária na realidade vivente. Em virtude de nos localizarmos na obra, esse conto nos fornece as
coordenadas centrais da geografia deste universo.
Palavras-chave: ser-tão – filosofia – realidade

SOCIEDADE, ARQUITETURA E URBANISMO: UMA ANÁLISE DO MUNDO MODERNO COM BASE EM


MARSHALL BERMAN E OS SITUACIONISTAS
Davi Galhardo Oliveira Filho
Graduando em Filosofia, PIBID-Capes, UFM, davi.galhardo@hotmail.com
Orientador: Alexandre Jordão Baptista

Analogamente a tantas cidades do mundo, Brasília desperta curiosidades e interpretações diversas entre os estudiosos
dos fenômenos urbanos – usaremos-na, portanto, como ilustração do problema que aqui se apresenta, a compreensão
das seguintes noções: modernidade, arquitetura e urbanismo, e suas respectivas “anomalias”. A leitura de algumas
reflexões esboçadas por Marshall Berman nas linhas introdutórias de Tudo que é sólido desmancha no ar e em
entrevistas posteriores – e ainda de autores “secundários” que apontam para concepções semelhantes, tais como os
situacionistas – levam-nos a uma constatação singular: o projeto piloto de Brasília, embora se propusesse a ser
grandiosamente moderno, na verdade caracteriza-se como um choque entre modernismos, pois a cidade planejada no
centro do Brasil para se tornar a capital federal soterrou: a importância da comunicação e do dialogo, pois se apresenta
como um local onde há uma ausência de espaços públicos onde as pessoas possam sociabilizar-se, expressando assim
manifestações próprias da reconfiguração do espaço urbano pelo Capital. Frente ao exposto, é de fundamental
importância a reflexão sobre tais questões que são imanentes a todos, sobretudo no atual estágio de globalização agora
vivido, buscando-se ainda a reatualização dos apontamentos levantados. Vale advertir que, do entrelaçamento dos
autores apontados aqui podem surgir resultados diversos no que diz respeito a esta mesma discussão. O convite a esta
aventura fica aqui em aberto, ou melhor, como bem constatou Berman, a aventura da modernidade é um caminho largo
e aberto.
Palavras-chave: modernidade – arquitetura – urbanismo

CONTRIBUIÇÕES “GRAMSCIANAS” PARA O PIBID DE FILOSOFIA


Brunno Amâncio Marcos
Graduando em Filosofia, PIBID-2013, UFF

O pensamento gramsciano no Brasil tem seu boom a partir da década 70, porque é neste momento que os conceitos
desenvolvidos por Antônio Gramsci são também apropriados e estudados pelos intelectuais nas universidades
brasileiras e não só pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB). O filósofo sardo nos apresenta suas ideias e conceitos
sobre temas tais como filosofia, política e história, bem como os conceitos de hegemonia, Estado (re-significado por
Gramsci mediante a teoria ampliada de Estado), sociedade civil, senso comum, e novamente a filosofia (como
superação da visão fragmentária da realidade para a produção de uma nova cultura), pensamento crítico (análise da
própria concepção de mundo); aparelhos de hegemonia (escola contra-hegemônica); reforma cultural; dimensão
superestrutural; escola unitária. entre outras ideias e conceitos que também possuem grande relevância para
repensarmos a sociedade (capitalista). Em tempo, seu pensamento ainda hoje muito acrescenta para a filosofia política
contemporânea. Objetivando apreender ainda mais as ideias deste pensador, em especial seu conceito de scuola
unitária, apresentamos introdutoriamente este conceito contido no pensamento gramsciano e o relacionamos com
apontamentos reflexivos e possíveis experimentações no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência
(PIBID), subprojeto de ensino de Filosofia no Ensino Médio em escolas públicas (em destaque o Colégio Estadual
Aurelino Leal). As iniciativas nesta instituição de ensino ainda são joviais, mas a jovialidade das realizações, não
impede de compartilhar tais reflexões e vivências.
Palavras-chave: sociedade – PIBID – ensino – filosofia – Gramsci

SCHOPENHAUER E AS PRIMEIRAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A VONTADE EM O MUNDO


Sergio William Damasceno.
Graduando em Filosofia, DFCS-UEPA
Orientador: Manoel Ribeiro Moraes Júnior

A comunicação parte da leitura do Mundo como Vontade e Representação, segundo livro, estudo norteador para a
elaboração do TCC. Mais especificamente, trabalha as considerações preliminares acerca da vontade em Schopenhauer.
Explora os conceitos introdutórios entre os capítulos XVII e XIII, onde o filósofo introduz a segunda apreensão possível
do mundo, não mais enquanto representação, mas enquanto outra dimensão livre das categorias do pensamento e os
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fenômenos enquanto atos da vontade suscitados por causas ou motivos exteriores à “vontade-em-si”. Por fim, a
comunicação trata das considerações do livro XXII pelas quais Schopenhauer mostra as diferenças entre a vontade
enquanto fenômeno e a vontade “sem fundamento”.
Palavras-chave: Schopenhauer – vontade – motivo – excitação

HOBBES E O POSITIVISMO JURÍDICO: UMA (NOVA) LEITURA DO LEVIATÃ


Julio Tomé
Graduando em Filosofia, PIBIC-CNPq, UFSC
Orientador: Delamar J. V. Dutra

A pesquisa é fruto de um projeto PIBIC na área de Filosofia do Direito e apresenta uma leitura de Leviatã, do filósofo
inglês Thomas Hobbes, por meio do positivismo jurídico. Sendo o positivismo jurídico uma corrente da Filosofia do
Direito em contraposição às teses do direito natural (jusnaturalismo), trabalho analisa trechos que evidenciam uma
leitura juspositivista da obra Hobbes. Para isso, a comunicação primeiro apresenta a concepção de estado natural e
estado civil que Hobbes descreve no Leviatã, junto com os principais conceitos de sua obra, e, em seguida, explicita
trechos que então poderiam caracterizar Hobbes como um positivista jurídico (ou que pelo menos o Leviatã possa ser
lido como tal).

LIBERDADE E DETERMINISMO EM SPINOZA


Kamilla Soares de Lima,
Graduanda em Filosofia, UFPB, kamillasoares17@hotmail.com
Orientador: Daniel Figueiredo

A comunicação analisa o conceito de liberdade em Spinoza (1632-1677), que se apresenta de forma distinta da tradição
filosófica. Para Spinoza, a liberdade consiste em atividade, ou seja, ser causa de nossas ações, diferentemente da
passividade, ou seja, ser constrangido e influenciado por outro. Neste sentido, o problema vai além da escolha, mas sim
na compreensão de que somos determinados a agir de tal forma. Spinoza define na parte I def. 7 da sua obra Ethica
Ordine Geometrico Demonstrata (1677): “Diz-se livre a coisa que existe exclusivamente pela necessidade de sua
natureza e que por si só é determinado a agir...”. Sendo assim, a liberdade em Spinoza não está relacionada à vontade,
mas à necessidade da substância. Portanto só Deus é livre, pois é causa de si, produz a si mesmo e existe pela
necessidade de sua natureza diferente dos modos que não produzem a si mesmo e existem em Deus, assim são afetados
constantemente por forças externas. Determinismo implica crer que toda ação é resultado de uma ação anterior.
Segundo Spinoza, a vontade não pode ser chamada causa livre, mas unicamente necessária.
Palavras-chave: liberdade – necessidade – natureza

A CRÍTICA AO TEATRO: INFLUÊNCIA AO ROMANCE DO SÉCULO XVIII


Taynara Pereira Silveira
Graduanda em Filosofia, PIBIC, UFMA, nara.pereira68@gmail.com
Orientador: Luciano da Silva Façanha

A comunicação é uma versão resumida da pesquisa PIBIC “Comparação da arte do romance a arte teatral: crítica à ideia
de individualização da cena nas respectivas representações”. Enquanto perspectiva acerca da obra Carta a D’Alembert,
podemos observar três visões diferentes, como: espectador, crítico e artista. Como espectador, houve a experiência de
assistir bons espetáculos. Após, escreveu uma peça e óperas. Além de seu Primeiro Discurso fazendo referência às
produções artísticas em geral, criticou-as em forma de carta e direcionando-se para os espetáculos de palco. Rousseau se
posicionou sobre o que considerava a ideia de descrição do amor nos palcos na representação daquilo que é romanesco.
Mais especificamente, na Carta a D’Alembert, Jean-Jacques se direciona à critica do teatro clássico francês e as demais
formas de espetáculo como espécie de arte para a sociedade genebrina. Dessa forma, a comunicação analisa os aspectos
sobre a sua crítica ao teatro, equiparadas ao romance por meio de suas críticas ao romance e ao teatro, argumentando de
forma coerente em suas obras, sinalizando uma linguagem que ressalta as paixões, interessa ao público.
Palavras-chave: romance – teatro – espetáculo – romanesco – crítica

JOHN LOCKE: DO ESTADO NATURAL À GÊNESE E FORMAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL


Josicleyton Araujo Dos Santos
Orientador: Alexandre Jordão Baptista, UFM

A comunicação analisa o fundamento do pensamento político de John Locke, e coloca em pauta a formação e teorização
do estado natural à sociedade civil. Tem-se como metodologia a abordagem detalhada dos dez primeiros capítulos do
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Second treatise on civil government. A importância de observar esse fundamento se dá na possibilidade de uma maior
compreensão da estrutura de formação do Estado em Locke. Conclui-se que é de fundamental importância a
compreensão de como se fundamenta o pensamento político de Locke e como se engendra o homem do Estado de
natureza ao Estado social.

GILLES DELEUZE: EDUCAÇÃO E ESTÉTICA


Patrick José S. Ribeiro
Graduando em Filosofia, UFMA

A estética é de grande importância para a formação intelectual e social humana. Os conceitos sobre a educação estética
e artística baseado no pensamento do filósofo das multiplicidades, o francês Gilles Deleuze (1925-1995), que
influenciou todo um aporte teórico que objetiva a plenitude do pensamento humano, caracterizado pela relação da
sensibilidade com a racionalidade. A analogia do complexo rizomático do pensamento filosófico idealizado pelo
filosofo em questão possibilita viabilizar ao ser uma humanidade necessária para promover mudanças sociais, ao
proporcionar uma educação estética que supere as necessidades originarias da natureza e evolua por meio de uma
cultura que revele a do eu crítico.
Palavras-chave: educação – estética – pensamento

O CONTRATO SOCIAL COMO SUBMISSÃO CONCEDIDA: A POLÍTICA NO SEGUNDO TRATADO


SOBRE O GOVERNO CIVIL
Bruna Karoline Costa Souza; Mário Bertony Ribeiro Costa
Departamento de Filosofia, UFMA, brunakarolinesouza@hotmail.com, mario.bertony@hotmail.com

Locke, na obra escolhida, aborda assuntos variados, tendo como ponto de partida a crítica que faz à obra de sir Robert
Filmer, o Patriarca, que trata da condição política/governamental como patriarcal, divina e/ou hereditária. Locke é
completamente contra essa concepção da política e pensa a necessidade de um governo como um bem necessário cujo
propósito é manter o bem-estar entre os homens e a preservação de sua propriedade, nos apresentando a questão do bem
viver, sendo ele o sentir-se seguro. Locke, em sua crítica a Filmer, trata de um contrato onde a maioria e, por assim
todos, concedem a um ou mais de seus compatriotas a autoridade de governar com base na necessidade de sua
preservação, um contrato de submissão consciente e concedida e não imposta. Para chegar neste contrato ele pensa a
natureza do homem dividindo-a em duas. Com tais concepções, Locke destaca sua teoria política a fim de apresentar os
porquês de o homem ser um ser político e também submisso de forma consentida.
Palavras-chave: contrato – preservação – propriedade

REALISMO MODAL: O PRINCÍPIO METAFÍSICO DOS MUNDOS EM LEWIS


Marcos Aurélio da Costa Souza.
Departamento de Filosofia, UFRRJ
Orientador: Alessandro Bandeira Duarte

O trabalho apresenta a teoria metafísica do realismo modal em David Lewis. Basicamente, sua tese é afirmar que o
nosso mundo é apenas um de uma pluralidade de mundos. Isso significa que os mundos possíveis existem no mesmo
sentido que o nosso mundo. A primeira parte da comunicação analisa de modo sistemático o realismo modal lewisiano e
a natureza ontológica dos mundos. A segunda apresenta uma descrição básica do seu sistema metafísico, abordando
algumas características peculiares à formação dos mundos. A terceira parte trata da aplicação do realismo lewisiano às
noções modais aléticas como a necessidade e a possibilidade.
Palavras-chave: mundos possíveis – metafísica – realismo – modalidade

O DIZER E O DITO SEGUNDO EMMANUEL LÉVINAS


Valéria dos Santos Silva
Departamento de Filosofia, UFMA, valeria.mono@yahoo.com
Orientador: Helder Machado Passos

A comunicação trata da análise do filosofo lituano-francês Emmanuel Lévinas sobre o dizer e o dito. A partir da
linguagem, como instrumento de mediação entre diferentes, o filósofo pretende indicar o dizer como movimento
próprio da ética, e o dito como ontologia, ao apresentar-se como um discurso cristalizado. Para o seu desenvolvimento,
a pesquisa retoma o percurso de Lévinas em sua crítica à ontologia. É válido lembrar que a proposta levinasiana não
consiste em destituir o lugar da ontologia, contudo o filósofo pretende apontar a anterioridade da ética frente àquela e a
forma de repensar discursos em sua maioria retóricos. Assim, o caráter original do dizer está na renovação daquilo
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anteriormente dito, garantindo a renovação do discurso e evitando a manutenção do dito, imposto pelo sentido
ontológico de permanecer dentro de uma totalidade.
Palavras-chave: linguagem – dizer – dito

DAS IMPRESSÕES ÀS PAIXÕES EM DESCARTES


Ricardo de Lima Chagas
Graduando em Filosofia
Orientadora: Juliana da Silveira Pinheiro, UFSC

A nova concepção do mundo moderno substituiu o modelo de universo orgânico para um modelo mecânico, no qual os
fenômenos e a natureza passaram a ser explicados a partir de termos matemáticos. Esta nova mentalidade de descrição
do universo físico associado a uma máquina, determinou o pensamento humano. A partir dessa concepção racional de
um modelo físico e matemático na explicação dos fenômenos, pretende-se neste artigo, demonstrar como se realiza o
movimento que se dá entre as impressões dos objetos externos às paixões da alma na doutrina de Descartes. Para tanto,
será necessário definir alguns conceitos cartesianos fundamentais, tais como: o dualismo corpo e alma, a união
substancial que compõe o homem e o movimento mecânico-fisiológico na constituição das paixões descrito na obra As
paixões da alma, de Descartes.

DA TUTELA FAMILIAR À LIBERDADE POLÍTICA DO INDIVÍDUO


Gelciano Lino Silva
Graduando em Filosofia, Iniciação Científica, UFC

A comunicação traz uma reflexão do pensamento de Hegel na sua obra Filosofia do Direito. Para levantar a questão da
liberdade política, é necessário colocar em pauta a terceira seção da obra citada, a eticidade, que é a efetivação da
liberdade, que é composta pela família, pela sociedade civil e o estado. O texto objetiva abordar o modo que o indivíduo
tem para adquirir sua liberdade política, iniciando na família, com o matrimônio, o patrimônio e com a dissolução da
família tanto natural como ética, que permite a sua ampliação na passagem da família à sociedade civil, permitindo ao
indivíduo a sua libertação, que tende partir para a sociedade civil, que por sua vez, é a sociedade autônoma, a sociedade
livre, que estabelece por si só, as suas regras de funcionamento, fazendo com que o indivíduo seja capaz de levantar
seus patrimônios na instituição social, mantendo o respeito pelas regras que a formam em meio à autonomia política
adquirida pelo cidadão.
Palavras-chave: Hegel – indivíduo – liberdade – família – sociedade civil

ONTOLOGIA FENOMENOLÓGICA
Diemmenson Miguel Maria dos Santos
Departamento de Filosofia e Ciências Sociais, UEPA
Orientador: Aniceto Cirino da S. Filho

Pretende-se abordar a questão do ser e do problema do nada, na Introdução e Primeira Parte de O Ser e o nada: ensaio
de ontologia fenomenológica, de Sartre. O fenômeno é o que se manifesta e porta um ser sem o ocultar, este é posto na
acepção do fenômeno de ser e no ser do fenômeno. Pelo cogito pré-reflexivo se estabelecerá uma prova ontológica, pois
a consciência nasce tendo por objeto um ser que ela não é. Com isso, Sartre desdobra seu pensamento no ser em-si,
incriado e pleno, diferentemente da consciência (para-si) que o interroga e exerce seu caráter de negação pelo nada
presente na realidade humana. O assunto é parte de minha pesquisa de monografia, delineada como teórico-
bibliográfica.
Palavras-chave: ser – nada – fenômeno

ALGUNS PONTOS CONVERGENTES NA FILOSOFIA ÉTICA DE PLATÃO, ARISTÓTELES E SÊNECA


Celenita Fernandes Salazar; José Maria da Silva Conceição Filho
Orientadora: Regina Nery, UEPA

A comunicação explicita de maneira sucinta a concepção ética de Platão, Aristóteles e Sêneca, filósofos clássicos que
contribuíram para a formação do modelo ético ocidental vigente até os dias de hoje. De saída, a comunicação apresenta
breve histórico de cada filósofo separadamente. Em seguida, analisa a filosofia ética dos mesmos e, por fim explicita os
pontos de convergência encontrados no pensamento dos três. Com base na leitura de A República, Ética a Nicômaco e
Sêneca filósofo estoico e tutor de Nero, observamos a semelhança entre o pensamento de ambos os filósofos no que se
refere ao modo de viver considerado por eles ético, o que pode ser exemplificado nos conceitos morais que eles tinham
e dos meios para se chegar à felicidade.
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Palavras-chave: filósofos – ética e felicidade

AS PARTES E O TODO: INFLUÊNCIAS CONSTITUINTES DA FILOSOFIA MATERIALISTA DE


BAKUNIN
Luciana Brito
Departamento de Filosofia, UNESP-Marília

O bicentenário de Mikhail Bakunin lança nova luz sobre sua vida e obra. Apesar de depreciado no meio acadêmico, as
contribuições do filósofo russo foram extremamente influentes no século XIX e sua vitalidade é notável ainda nos dias
de hoje. O esforço, deveras recente, de resgate de seus escritos revela-nos a elaboração de uma teoria bastante
complexa, de bases filosóficas e desdobramentos políticos e sociológicos. A filosofia materialista de Bakunin, que
busca compreender a totalidade dos elementos reais, analisa as ideias não como meras abstrações produto da
genialidade de seletos intelectuais, mas sim como materialidade produto de empreendimento coletivo. Nesse sentido,
apoiados pelo método legado por ele, buscamos um estudo histórico e filosófico acerca das principais influências
presentes em sua teoria, esperando contribuir, ainda que timidamente, a partir da filosofia, para a retomada da influência
determinante do bakuninismo na história da luta entre as classes.

A FILOSOFIA E A EDUCAÇÃO
Arlindo Sena
DFL, UFS

A filosofia está para a educação assim como a educação está para a Filosofia. O ensino de filosofia no Brasil por muito
tempo (1964-1985) deixou de existir e agora está às voltas com a obrigatoriedade da cadeira de filosofia no ensino
médio nas escolas públicas e particulares posta pela lei 11.684/2008. As instituições de ensino, tanto públicas como
particulares, estão obrigadas a contratar professores formados em filosofia, para ministrarem aula desta matéria.
Algumas escolas, tentando burlar a lei, estão aproveitando os professores do quadro com formação estranha à filosofia
para preencherem as vagas existentes, ao invés de contratar professor de filosofia. Até aí tudo bem, se estes professores
conhecessem o que é filosofia. Acontece que eles não têm um padrão, não têm um direcionamento, ensinam o que eles
acham que é filosofia. Com isto, os prejudicados são os alunos, pois não estudam o conteúdo que deveria haver dentro
das aulas em que se propõe trabalhá-los. Este é um trabalho de cunho particular, baseado em experiências em sala de
aula e de vivência na comunidade acadêmica, não tem financiamento de nenhuma instituição, e foi elaborado para ser
apresentado neste encontro, por achar que é de grande relevância para o esclarecimento tanto dos docentes, quanto
discentes e curiosos sobre a forma de condução de aula e avaliação de alunos.

O QUE É O AMOR PLATÔNICO?


Felipe Gustavo S. da Silva
PPG-FIL/UFPE, felipegustavopx@hotmail.com
Orientador: Anastácio Borges de Araújo Junior

A comunicação responder à pergunta: o que é o amor platônico? Dada a demasiada quantidade de interpretações no
senso comum visando responder a essa pergunta, a comunicação analisa o problema na literatura do próprio Platão a
fim de identificar os conceitos-chave da problemática do amor. Desta forma, o ponto de partida é que o mundo em que
Platão vivia, de acordo com os relatos históricos, tinha como pano de fundo a relação da pederastia, uma relação entre
um jovem discípulo e seu mestre com fins pedagógicos, onde se estabelecia uma relação entre amado e amante. Apesar
de não nos atermos ao plano histórico do problema, não o desprezamos e, desta forma, acreditamos que o amor em
Platão pode ser analisado sob esse plano de fundo, mas sobretudo com base nos conceitos de eros (Ἔρως) e philia
(φιλíα), comumente traduzidos como amor sexual e amizade. Conceitos como desejo e prazer serão observados como
relacionados à temática do amor e da amizade e de forma a contribuir para conceituação do que chamamos uma
“erótica” em Platão. Desta forma, a comunicação faz uma breve revisão do tema no Lísis, observando como nosso autor
fala sobre a amizade e suas implicações; observa como eros é descrito n’A República, a partir de sua tirania, e no Fedro,
como inspirador para alma em busca da ideia de Bem, e, por fim, no Simpósio, como ápice da conceituação erótica de
Platão, na qual temos a melhor noção filosófica do autor diante da questão do amor: a definição do eros no Simpósio
coincide com a definição do filósofo e mostra a verdadeira face do amor platônico, a partir da chamada ascética do
amor, do físico ao espiritual.

CONSIDERAÇÕES SOBRE A DESUMANIZAÇÃO DA ARTE


Anthony Christino Dutra Rodrigues, UFMT
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A comunicação aborda a perspectiva fenomenológica e de “desumanização” apresentada por Ortega no texto A


desumanização da arte. Também rememora a descrição do realismo em seu período, a fim de esclarecer a impregnação
do artista e seu meio, que servem como método de inferência para seu pensamento e para sua contraposição. O intuito
de tratar o conceito da “desumanização” ocorre pela divergência para com o autor, sendo necessário demonstrar tanto a
invalidade do conceito, quanto as perspectivas da arte atrelada aos moldes de mercado, uso da técnica e o compromisso
do artista com a obra.

DIFERENÇAS NA CONCEPÇÃO DE RELIGIÃO ENTRE KARL MARX E MAX WEBER


Paulo Eduardo de Sousa
Graduando em Filosofia, PID, ICA/UFC, pauloeduardosousa@hotmail.com
Orientador: Eduardo Ferreira Chagas

A Religião é um tema caro à Filosofia. Uma leitura imanente de textos de Karl Marx (1818-1883) e de Max Weber
(1864-1920) nos dá solidez para compreendermos esse fenômeno. Marx não sistematizou uma teoria da religião, mas
seus escritos estão permeados com ironias e sátiras religiosas. Weber dedicou parte de seus textos à análise da relação
religião ascética-capitalismo. Assim, encontramos um Marx dialético, materialista, entendendo a religião como uma
expressão já invertida do mundo invertido capitalista, no qual as mercadorias se tornam sujeitos e os sujeitos se
coisificam, quando os humanos buscam na religião a saída para outra vida. Weber, contra o determinismo marxista,
compreende a religião como uma das tipologias identificáveis no mundo, como conduta de vida. Encontramos
diferenças na concepção de mundo moderno, de ética e nas implicações políticas da religião entre o público e o privado.
Palavras-chave: Karl Marx – Max Weber – religião

UM OLHAR SOBRE A POÉTICA DE ARISTÓTELES E SEU USO PARA A COMPREENSÃO DA LEITURA


NA ATUALIDADE
Maria das Dores Andrade de Barros; Richard Romeiro Oliveira
Departamento de Filosofia, UFPE

A comunicação analisa a questão da catarse aristotélica, relacionando com as significações e efeitos produzidos pela
leitura. Reflexão filosófica nos pontos de convergência entre leitura, conhecimento e postura política, apontados por
Aristóteles na Poética. Ler passa a ser a escolha de um ponto da obra que poderá encontrar muitas maneiras de se
representar. Segundo Angélica Soares (1993), Platão foi o primeiro a tocar na questão literária do pensamento ocidental,
mas foi com Aristóteles, que a questão da arte ganhou as feições que tem hoje. Se, para Platão, a arte era apenas uma
mera imitação do real, para Aristóteles era uma poíesis, (criação). Com esta consciência criadora o artista recria o
mundo mediante seu olhar transgressor. Olhar este que só se manifesta com base em muita reflexão, leitura de outras
obras e conhecimento do mundo.

OS USOS DO ETNOCENTRISMO: O DIÁLOGO ENTRE RORTY E GEERTZ


Vitor Ferreira Lima; Evelyn Domingos Costa
Departamento de Filosofia, UFRRJ

Clifford Geertz, em seu artigo The Uses of Diversity, contrapõe-se ao etnocentrismo de Richard Rorty. Geertz defende a
tese de que “devemos aprender a apreender o que não podemos abraçar”, e o etnocentrismo dificulta essa necessária
apreensão da diversidade. Rorty responde à provocação de Geertz em On Ethnocentrism, cujo argumento principal é o
de que o “ideal liberal de justiça processual” já é suficiente para esse desiderato. Para Rorty, a vantagem de sua tese é
não recorrer a doutrinas filosóficas como “natureza humana” e somente “apontar as vantagens práticas das instituições
liberais”. Esta pesquisa explora com mais detalhes essa disputa para, ao final, alinhar-se mais à tese rortyana, dando
ênfase à noção de “justiça processual” em contraposição a de “apreensão da diversidade”.

A TESE DA SIGNIFICAÇÃO CORRETA DOS NOMES POR ETIMOLOGIA É FRUTO DE CONTRADIÇÃO


Yuri de Lima Rodrigues
Laboratório de Filosofia Antiga, UFC
Orientador: José Gabriel Trindade dos Santos; Maria Aparecida de Paiva Montenegro

A Comunicação reconstrói o itinerário argumentativo que leva das teses de Crátilo à tese das etimologias enquanto
ferramenta correta de significação, no diálogo Crátilo. Para tanto, começa com uma análise da questão da propriedade
dos nomes. Pensar a propriedade dos nomes significa dizer que, por via desse problema marcado pela problemática do
nome Hermógenes, se chega ao problema do critério de nomeação e, por fim, à relação entre o problema do critério e o
problema da contradição em Crátilo. A contradição entre as teses aponta para uma impossibilidade de pensar a tese das
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etimologias, uma vez que, se não houvesse a contradição, isto é, se os critérios de nomeação e a correção não dissessem
respeito ao nome, mas à coisa, isso nos levaria a pensar que as etimologias são irrelevantes para pensar a significação
correta dos nomes. Vale dizer de passagem que, no contexto do Crátilo, é um pleonasmo a expressão “significação
correta”. Toda significação é correta pelo fato de, por significação, estarmos nos referindo ao que Platão fala por
correção dos nomes, e também pelo fato de ser bem expresso que todo nome é nome correto se for nome – isto é, há um
princípio da correção que impossibilita haver significação incorreta. Esse princípio da correção é assim dito, sobretudo,
por todos no diálogo aquiescerem para a existência da correção do nome, embora discordem quanto aos critérios de
correção.

O RESTO É LINGUAGEM: ÉTICA E SILÊNCIO NO TRACTATUS DE WITTGENSTEIN


Daniel Temp
Graduando em Filosofia, UFSM

A comunicação explicita a relação entre linguagem e vida na primeira fase da obra de Ludwig Wittgenstein. Para tanto,
reconstrói de forma breve a ontologia desenvolvida em torno da linguagem, bem como a investigação lógica que
postula os seus limites. Em seguida, mostra como as ideias do filósofo apontam em direção à vida, demarcando como
questões relativas à ética, à estética e a religião ultrapassariam qualquer tipo de conceitualização e se dariam no campo
do inefável. Sendo assim, Wittgenstein, sempre interessado por tais questões, só estabelece critérios normativos a
respeito da estrutura da linguagem para, ao fim, mostrar que existem coisas que estão no campo do que pode ser dito e
outras no campo do que pode ser mostrado ou vivido.

O PALÁCIO DE CRISTAL
Jair Jose do Valle Filho
Graduando em Filosofia, UFSC

Dostoiévski, em seu relato Memórias do Subsolo (1864), documento com conteúdo de psicologia do ressentimento e
uma demonstração hostil contra a globalização, caracteriza a civilização ocidental como um “Palácio de Cristal”. Viu o
Palácio de Cristal em Sydenham, na primeira Exposição Mundial em 1851. A leitura da novela de Chernichevsky, O
que fazer? (1863), inspirou-lhe uma aversão ao edifício. O palácio aparece como um escudo de luxuoso aquecido, uma
eterna primavera, coexistência pacífica de todos, uma ausência de tensões, o fim da história. Identifica no poder de
consumo a certificação de habitantes do palácio de cristal. Dostoiévski percebeu que a longa paz do palácio de cristal
traria consequências na psique de seus habitantes. A ausência de tensões resultar na libertação do mal que há no
homem.

MANOEL DE BARROS: INVENÇÃO, ENCONTROS E AFECTOS


Davi de Salles Pinto
IFCH/UERJ
Orientador: Antônio Jardim

Quando Foucault anuncia que teríamos um século deleuzeano pela frente, demonstra clarividência.
Manoel de Barros, poeta brasileiro contemporâneo, traz-nos em sua poesia uma vida que por ele é dividida em três
infâncias, com uma poesia que é mergulhada em uma “invencionática” onde somos atravessados por seu empirismo e
suas invenções. Deleuze, filósofo francês contemporâneo, traz-nos em seu pensamento uma conexão intensa entre o que
é filosofia, arte, vida e invenção, relacionando esses platôs com suas ideias de multiplicidade e rizoma. Trata-se de
infinitos que convergem: os dois são empiristas, no sentido de que não separam obra e vida, mas incorporam e nos
chamam a essa “filosofia dos encontros” onde, no rizomórfico da existência, somos atravessados, nos inserindo no
movimento. A comunicação estabelece o diálogo entre essas duas forças, relacionando conceitos deleuzeanos com,
principalmente, a obra Memórias inventadas de Manoel de Barros, para que se relembre que a filosofia, assim como a
poesia, podem evocar uma mesma melodia.

UMA POSSÍVEL ÉTICA DA SECULARIZAÇÃO À LUZ DA NOÇÃO DE SOCIEDADE PÓS-SECULAR DE


JÜRGEN HABERMAS
Mayara Carvalho Santiago
Departamento de Filosofia e Ciências Sociais, UEPA
Orientador: Manoel Ribeiro de Moraes Junior

É inegável a repercussão de ideologias religiosas nos mais diversos domínios de qualquer sociedade e, por conta disto,
torna-se inevitável a existência de conflitos decorrentes das diversas cosmovisões religiosas presentes nesses mesmos
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domínios. Uma possível alternativa de solução destes conflitos se apresentaria na constituição de um Estado laico, que
visaria à equidade de direitos civis para todos os cidadãos, porém mesmo com o vigor da laicidade de Estado, como
conciliar cosmovisões religiosas que possuem ideologias controversas (e até contrárias) acerca de assuntos que
permeiam os direitos de todos os membros de uma sociedade? O objetivo da comunicação é, à luz do conceito de
sociedade pós-secular de Jürgen Habermas, analisar uma possível ética da secularização, onde cidadãos de tal estado
laico, crentes e não-crentes, se submeteriam a bases morais pré-políticas que fundamentariam uma sociedade voltada
para a dignidade humana.

A FUNÇÃO SOCIAL DO RISO SEGUNDO HENRI BERGSON


Gabriel Pirahy Martinez
Filosofia, CCNH/UFABC
Orientadora: Marinê de Souza Pereira

O que é o riso? O ser humano foi por vezes caracterizado como um animal que ri, mas o que é e o que significa esse
fenômeno? Tais questões constituem importantes temas filosóficos investigados por Henri Bergson na obra O Riso.
Trata-se de uma das mais importantes teorias a esse respeito, sendo objeto de interesse não só dos estudiosos de
filosofia, mas também de outras áreas, sobretudo das artes. A comunicação trata do que Bergson chama de função social
do riso. Ao longo da obra supramencionada, o autor deixa claro que a comicidade acontece em uma comunidade, ou
seja, não pode atingir um indivíduo isolado. O riso teria, portanto, uma gênese social e também um papel a ser
desempenhado na sociedade. Nesse sentido, começo por entender algo sobre a metodologia de investigação do tema
pelo filósofo, passando em seguida à questão do surgimento do riso – qual a sua origem –, para chegar à questão
central, a que parte da afirmação de que “o riso castiga os costumes”.
Palavras-chave: riso – comicidade – função social – Bergson

A POSSIBILIDADE DE UM CONHECIMENTO DIRETO VERSUS A NECESSIDADE DE UMA MEDIAÇÃO:


RUSSELL VERSUS FREGE
Bárbara Thaís Abreu dos Santos
Graduanda em Filosofia, Iniciação Científica-CNPq, UNICAMP
Orientador: Marco Ruffino

A comunicação apresentar a teoria do conhecimento de Bertrand Russell exposta no seu livro The Problems of
Philosophy (1912), que tem como elemento central a divisão entre duas formas de conhecimento: uma por ele chamada
de conhecimento por acquaintance e outra que ele denomina conhecimento por descrição. A primeira parte da
apresentação se concentra no conhecimento por acquaintance, que, segundo Russell, é uma forma direta de apreensão
de alguns itens epistêmicos, que não necessita de intermediação, como, por exemplo, com o conhecimento dos dados
dos sentidos. Na segunda parte, a teoria de Russell é comparada com a tese de Gottlob Frege sobre o conhecimento da
referência (Bedeutung), apresentada ao longo de sua obra, mas sobretudo no ensaio Über Sinn und Bedeutung (1892).
De acordo com Frege, é impossível um conhecimento direto da referência, tal como Russell pretendia com a sua noção
de acquaintance.
Palavras-chave: conhecimento – imediato – sentido – referência – acquaintance

A EQUIVALÊNCIA ENTRE MORAL E ÉTICA EM DAVID HUME


Gabriel Dutra
Filosofia, UFPE

A comunicação apresenta as questões da seção I da Investigação sobre os princípios da moral, de David Hume, a fim
de analisar o que significa dizer que ética e moralidade, para o filósofo escocês, significam a mesma coisa. Ele tenta dar
respostas a um debate que aconteceu em sua época acerca dos princípios da ética, a saber, se os princípios da
moralidade “derivam da razão ou do sentimento”. Ele argumenta que só um sentimento universal, inerente ao homem,
pode ser a fundamentação última da moral e da ética, por dois motivos. O primeiro, porque apenas os sentimentos
influenciam nosso comportamento, e segundo, porque nossa censura ou aprovação, com relação à moral, estão
relacionadas no fundo à estima ou ao menosprezo. Isso quer dizer, basicamente, que uma ação moral não é positiva por
sua própria natureza, mas sim porque nós estimamos tal tipo de comportamento. Entretanto, a razão também tem um
papel fundamental no estudo da Ética, pois ela é a ferramenta que permite compreender e “refinar” esse sentimento
moral. Por fim, a apresentação trata da importância da equivalência entre ética e moralidade na ética humeana.
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AS NUVENS: UMA ANÁLISE HISTÓRICA, CULTURAL, ECONÔMICA E POLÍTICA SOBRE A PEÇA DE


ARISTÓFANES
Roberta Alves Bello
Filosofia, IFCH-UERJ

Aristófanes, precursor da dramaturgia e comédia na literatura grega, oriundo de Atenas, vivencia anos de ouro na pólis
democrata, governada pelo prestigiado Péricles. Embora princípios de igualdade e união estejam cada vez mais
abraçados pela cidade-estado, Atenas enfrenta um período de crise marcado por fome e conflitos, como a Guerra do
Peloponeso. A peça As Nuvens surge, então, nessa esfera, trazendo em suas entrelinhas fortes referências ao contexto
em que o autor se encontrava, bem como suas opiniões e críticas à ordem vigente. Aristófanes, hostil e sarcástico,
possuía traços conservadores e tradicionalistas, com posição marcante e sensível ao período de crise que enfrentavam os
atenienses. Ele ataca Sócrates e os sofistas, satirizando-os e acusando-os de diminuírem o número de participantes nas
escolas de Atenas e corromperem os valores tradicionais gregos. A palavra na ágora ganha força na defesa dos
interesses do cidadão e a lei passa a ter na escrita seu poder de difusão.

O PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PARA UMA ÉTICA AMBIENTAL


Anna Karinna Scortegagna Marques
Graduanda em Filosofia, CFH/UFSC
Orientador: Darlei Dall'agnol

Considerando o desenvolvimento gerado pelos avanços tecnológicos que tanto caracterizam o início do século XXI e
que impulsionam o crescimento industrial, somos instados a refletir cuidadosamente sobre o aumento da crise ecológica
global e as implicações éticas em todo o processo. A interferência da ação humana ao longo do tempo é responsável por
boa parte dos danos causados ao meio ambiente e as crescentes medidas de preservação não só se tornaram uma questão
importante na agenda política do mundo, como estimularam a pesquisa no que refere ao desenvolvimento de soluções
tecnológicas sustentáveis. Não menos importante, tem causado uma série de reflexões filosóficas concernentes à relação
fundamental do homem com a natureza. Segundo Hans Jonas, o principal obstáculo para o desenvolvimento de relações
mais éticas para com a biosfera é a falta de um “Princípio de Responsabilidade” capaz de nortear e reformular o modelo
tecnocientífico na sociedade multifacetada e pluralista contemporânea.

O CONCEITO DE CULTURA NA TEORIA CRÍTICA DE SEYLA BENHABIB


Ana Flávia Souza Aguiar
Orientadora: Monique Hulshof, CCNH/UFABC

Seyla Benhabib, filósofa estadunidense que se autofilia à teoria crítica, no livro The claims of culture – equality and
diversity in the global era, trabalha o conflito do mundo contemporâneo entre o discurso da globalização e o
multiculturalismo. Vivemos um período de separatismos, terrorismo internacional e ao mesmo tempo um boom de
movimentos de defesa de identidade buscando reconhecimento; a que se dá esse fenômeno? Benhabib aborda os
desafios da relação teoria e prática das democracias liberais em relação à existência de uma pluralidade de movimentos
sociais e coloca em pauta as fronteiras políticas e migratórias. Como fica a homogeneização que a globalização
proporciona ante o respeito às diversidades culturais? A comunicação apresenta como a definição de cultura que
Benhabib propõe vai de encontro com sua teoria da democracia liberal cosmopolita.

INJUSTIÇAS DE GÊNERO, RECONHECIMENTO E REDISTRIBUIÇÃO EM NANCY FRASER


Lilian Ribeiro Antonio
Iniciação Científica, CCNH/UFABC
Orientadora: Monique Hulshof

A concepção de justiça de Nancy Fraser toma como necessário um diálogo entre as questões de injustiça cultural e de
status (reconhecimento) – como a desvalorização de aspectos culturalmente atribuídos ao gênero feminino – e as
questões de injustiça econômica e material (redistribuição) – como as diferenças salariais entre os gêneros. Observar a
injustiça do ponto de vista de apenas um destes prismas leva a uma visão deturpada da realidade, e, consequentemente,
a soluções ineficientes para o problema. Contudo, no que diz respeito às políticas que visam remediar estes problemas
de injustiça, Fraser aponta para uma possível contradição: enquanto o reconhecimento pede afirmação dos aspectos que
caracterizam um dado grupo social a fim de valorizá-los, a redistribuição vai no sentido de dissolver as diferenciações
destes grupos, homogeneizando-os. A autora utiliza como pano de fundo para discutir o mencionado dilema os casos de
injustiça de gênero e a atuação da segunda onda do feminismo.
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CRÍTICA IDEOLÓGICA E EMANCIPAÇÃO NAS COMUNICAÇÕES CONTEMPORÂNEAS


Alexandre Henrique Luppe de Matos
PIBIC, CCNH/UFABC
Orientador: Flamarion Caldeira Ramos

Trata-se de um estudo preliminar, tentando dar um fundamento marxista, sobre as comunicações contemporâneas (em
especial, as TICs e redes sociais), desenvolvendo-se em duas etapas. Primeiramente, procurando pensar, junto com
Marx e a tradição dele advinda conhecida como Teoria Crítica, e também com críticos contemporâneos, os contornos de
uma crítica ideológica à sociedade e cultura informacional, discutindo nesta, sobretudo, o caráter de dominação, de
manipulação partindo do surgimento do discurso da “sociedade pós-ideológica” sustentada pelas reviravoltas da ótica
das comunicações. Em uma segunda etapa, tentar traçar ainda perspectivas possíveis e problemas na ideia de
emancipação social contemporânea atrelada às comunicações, nas tecnologias e nas redes, como estratégia de
socialização e radicalização da democracia, dentro dos marcos teóricos marxistas.

PENSANDO O ENSINO DE FILOSOFIA


Maria José da Silva Alves; Martin Angelo Neil
Graduanda em Filosofia, UFPB, linda-blue19@hotmail.com; Graduando Relações Internacionais, UFPB

A comunicação problematiza as questões que impedem a concretização do ensino de filosofia no âmbito do ensino
médio. Com base em minhas experiências como aluna bolsista do PIBID, entre 2012 e 2013, vinculada à UFPB, e com
as pesquisas sobre o ensino de filosofia realizadas nestes espaços, a apresentação visa pensar a não-efetivação do ensino
de filosofia no âmbito do ensino médio. Ao entrar em uma sala do ensino médio, os professores de filosofia têm como
desafio a exposição de uma aula elaborada tendo em vista os estimados 45 minutos estipulados para sua efetivação, e
isto apenas uma vez por semana; aos alunos resta aprender o que lhes foi apresentado sem muitos questionamentos. Não
à toa, detecta-se tanto a defasagem por parte dos professores graduados em filosofia no ensino médio, quanto a falta de
interesse por parte dos alunos na disciplina de filosofia. Essa situação nos faz refletir sobre o real objetivo da lei nº 11.
684/ 2008, que torna obrigatório o ensino de filosofia nesses espaços. Sem condições mínimas para que o ensino de
filosofia no 2º grau seja uma realidade pela qual, tanto professores, quanto alunos se sintam realmente respeitados, fica
a seguinte questão: o que podemos fazer para que o ensino de filosofia seja uma realidade efetiva nesses espaços?
Palavras-chave: ensino – filosofia – ensino médio.

COGNITIVISMO DE NELSON GOODMAN COMO RESPOSTA AO PROBLEMA DA VALORIZAÇÃO DA


ARTE
Ana Carolina de Melo Coan
Departamento de Filosofia, CFH/UFSC
Orientador: Alexandre Meyer Luz

É razoável apontar que a discussão mais antiga ou, podemos dizer, fundadora da estética está em procurar qual é a
essência definidora da arte, entretanto parece que o melhor a ser feito pelo filósofo não é explorar aquilo que a arte é e
sim investigar o que é valioso na arte. Diversas teorias foram elaboradas durante anos com a tentativa de justificar o
valor da arte, dentre elas, três muito difundidas: a teoria do gosto, para a qual o valor reside no prazer que o observador
obtém ao se deparar com uma obra; o expressivismo, para o qual o valor está na capacidade de comunicar emoções; e o
cognitivismo, para o qual o valor está na capacidade de proporcionar entendimento. A comunicação defende o
cognitivismo apresentado por Nelson Goodman como a melhor resposta ao problema da valorização da arte. Para
justificar esta escolha, a comunicação retoma as demais teorias citadas e demonstra suas fragilidades com base em
exemplos na arte.

JUSTIÇA COMO EQUIDADE: UMA CONCEPÇÃO POLÍTICA DE JUSTIÇA


Leandro Rocha dos Santos
Bolsista PIBIC-CNPq, Departamento de Filosofia, UFRRJ
Orientador: Walter Valdevino Oliveira Silva

O presente trabalho fundamenta-se inicialmente na exposição da teoria da justiça elaborada pelo filósofo norte-
americano John Rawls (1921-2002), suas características e ideias principais, bem como analisa os princípios da justiça
que dela advêm: a ideia de justiça como equidade, a de igualdade democrática e o princípio da diferença. Em Justiça
como equidade: uma reformulação, Rawls propõe uma concepção de justiça em que seus princípios mais razoáveis
seriam aqueles que fossem objeto de um determinado acordo mútuo entre pessoas em condições equitativas. Nesse
sentido, a apresentação problematiza o conceito de justiça como equidade visto como uma concepção política de justiça,
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concepção que, embebida nas fontes do contratualismo, articula uma compreensão liberal, no entanto, ampla, de
liberdades e direitos básicos.
Palavras-chave: justiça – equidade – política – cooperação social

A FILOSOFIA DO EU: UM DIÁLOGO ENTRE ARTHUR SCHOPENHAUER E AUGUSTO DOS ANJOS


Douglas Elemar Cunha dos Santos
Departamento de Filosofia, UERJ
Orientador: Izabela Aquino

Um estudo comparativo entre o filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860) e o poeta Augusto dos Anjos (1884-
1914) pode parecer, à primeira vista, um tanto quanto sem sentido. Entretanto, devemos lembrar as palavras de Tomás
de Aquino quando diz que “a razão pela qual o filósofo compara-se com o poeta é esta: ambos têm a ver com
admiração”. A comunicação traz à tona algumas afinidades filosóficas que ligam ambos pensadores por meio de suas
respectivas cosmovisões pessimistas de mundo. É sabido que toda a filosofia que permeia a obra magna de
Schopenhauer, O mundo como vontade e representação, é uma filosofia profundamente pessimista na qual a vontade é
concebida como cega e irracional, gerando assim sofrimento. Por outro lado, Augusto dos Anjos fala no Eu, única obra
em vida, de um mundo onde a razão última de ser das coisas é sofrimento e dor. Dessa maneira, visa-se a articulação de
conceitos como “sofrimento”, “dor” e “impotência” nas obras de ambos pensadores.

O PAPEL DAS EMOÇÕES NO COMPORTAMENTO MORAL SEGUNDO DAVID HUME


Donisete Carlos Neu
Graduando em Filosofia, CCSH/UFSM
Orientador: Flavio Williges

A história da ética foi caracterizada por enfatizar a razão como fonte fundamental do pensamento e da prática moral. As
emoções e os sentimentos, quando não inteiramente negligenciados, ocupavam um papel secundário nas principais
teorias morais. Recentemente, esse estado de coisas passou por uma transformação importante. Emoções, como a
empatia e a preocupação cuidadosa, passaram a ocupar um lugar de destaque, especialmente na psicologia moral. O
reconhecimento da relevância das emoções para o entendimento da moralidade veio acompanhado da redescoberta das
contribuições de David Hume. Hume foi um dos primeiros filósofos a enfatizar que a razão sozinha não consegue
motivar uma ação ou comportamento moral. A razão para Hume tinha, grosso modo, um papel reflexivo e corretivo na
ação moral, mas a base fundamental era dada pelos sentimentos e paixões. Hume considera que as paixões (emoções) e
sentimentos tem uma função na motivação moral e na fundamentação de todo sistema moral. A comunicação consiste
numa caracterização detalhada do papel das emoções na filosofia moral de Hume, enfatizando especialmente as razões
que o levaram a sustentar que a razão não é capaz de motivar uma ação moral.

INTERIORIDADE PARA A BUSCA DA FELICIDADE NAS CONFISSÕES, DE AGOSTINHO


Renato Rodrigues dos Santos
Iniciação Científica CCNH/UFABC
Orientadora: Cristiane Negreiros Abbud Ayoub

A felicidade é um tema central na filosofia da Antiguidade. Em linhas muito gerais, a ética estava intimamente
relacionada com a busca do Sumo Bem, cuja posse traria a felicidade. Neste contexto, Agostinho está inserido. Na obra
Confissões, Agostinho relaciona, entre outros temas, a memória, a interioridade e a felicidade. Agostinho quer entender
por que todo ser humano busca a felicidade e por que, mesmo que de formas diferentes, todos têm o mesmo desejo, o
desejo universal de felicidade. O desejo de felicidade move uma busca que, como toda busca, exige um conhecimento
inicial com duas características: (1) que seja suficiente para incitar o desejo de busca, (2) mas não o bastante para
eliminá-lo totalmente. Assim, sem conhecer minimamente a felicidade, tal busca não seria possível. Esse conhecimento
parcial da felicidade é guardado na memória, logo, a busca por conhecê-la ocorre a partir da memória, dimensão interior
do ser humano.

O PROBLEMA DO AUTOCONHECIMENTO HUMANO NAS CONFISSÕES, DE AGOSTINHO


Robert Vagner Soares da Paixão Junior
Iniciação Científica CCNH/UFABC
Orientadora: Cristiane Negreiros Abbud Ayoub

A análise do problema do autoconhecimento é um tema abordado por Agostinho nas Confissões, sobretudo no livro X,
em que Agostinho percebe que seu espírito não se conhece inteiramente. O desejo de alcançar o conhecimento próprio
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se dá por etapas de interiorização do homem. Esse processo, no entanto, está longe de ser simples, e Agostinho procura
estabelecer um caminho possível ao homem para que possa encontrar o conhecimento pleno. Dessa forma, a memória
se torna o campo da interiorização. Nesse aspecto, o homem se depara com um problema, a busca por “si mesmo”
converte-se em uma jornada arriscada, pois a interioridade mostra-se com uma infinita extensão imensamente
diversificada. A comunicação elucida o caminho realizado por Agostinho e nele a busca pelo autoconhecimento pauta-
se em um dado problemático: o homem, ao se deparar com a imensidão do espírito, almeja se conhecer por completo.
Esse desejo de alcançar a sabedoria é também o que define a natureza humana e recebe o nome de “inquietude do
coração”. O desejo para o interior se dirige, primeiro, “para dentro na memória”, mas, depois, “para dentro da
memória”.

IPSEIDADE E FÉ EM KIERKEGAARD
Isaac Bruno da Silva Nery
Grupo de pesquisa de Filosofia da Religião, IFCH/UERJ
Orientador: Alexandre Marques Cabral

No cenário no qual o sujeito é formado por uma sociedade constituída por um conjunto de instituições, tendo como
principais delas o Estado e a Igreja, que amiúde lhe são apresentadas como superiores, poder-se-ia constatar, em última
instância, sintomas de uma crise cultural e, por conseguinte, existencial. Nesse sentido, a comunicação evidencia como
o conceito existencial de ipseidade e a questão de Deus fundamentam a crítica kierkegaardiana às instituições sociais e à
cristandade. Ou seja, em Kierkegaard o conceito de indivíduo, que é pensado plenamente no modo de ser da fé,
concepção primordial no processo de concretude existencial, fundamenta a crítica cultural e a crítica da religião cristã.
O trabalho, concomitantemente, problematiza o valor da universalidade ontológica racionalista moderna hegeliana em
contrapartida à concepção kierkegaardiana de individuação como forma de emancipação existencial do sujeito.

VIAS DE COMUNICAÇÃO E A SUBJETIVIDADE DA INTERPRETAÇÃO DA REALIDADE: UM ESTUDO


SOBRE O PROCESSO DE CONHECIMENTO EM SCHOPENHAUER
Helena Pimenta Gurgel
Iniciação científica, Departamento de Filosofia, CCHLA/UFRN
Orientador: Dax Fonseca Moraes Paes Nascimento

A comunicação aborda a relação entre o conhecimento intuitivo e abstrato em O mundo como vontade e representação,
de Arthur Schopenhauer (1819), no qual ele parte da noção kantiana de a priori, ou seja, da estrutura transcendental do
conhecimento, para desenvolver sua própria doutrina. A exposição é delimitada à crítica de Schopenhauer às doutrinas
que considera ter relações de causa e efeito entre sujeito e objeto, e aborda também sua tese sobre a inquestionabilidade
do conhecimento intuitivo. Nesse sentido, por fim, são expostas considerações acerca dos riscos do afastamento desse
conhecimento em privilégio do conhecimento abstrato.
Palavras chave: Conhecimento intuitivo – conhecimento abstrato – representação

O USO POLÍTICO DA IMAGINAÇÃO MATERIAL NO ESPAÇO URBANO


Rodrigo Martins dos Santos Neves
Orientador: Marly Bulcão, IFCH/UERJ

Podemos utilizar a imaginação para diversas coisas no mundo contemporâneo, de modo que elas podem produzir
ansiedade, medo, desmotivação, depressão e pensamentos negativos como também produzirem deleites estéticos e
éticos, aperfeiçoamento do ser, exercício do indivíduo artisticamente criativo ou sublimação pura. Nosso objetivo é
criticar o uso da imaginação formal – pautada na percepção e presente em diversos autores da tradição moderna como
Descartes, Espinosa e Leibniz – e apontar a imaginação material de Gaston Bachelard, que tem uma função positiva e
ativa com a matéria e, busca dissipar hábitos da inércia da percepção que faz do homem um ser dominado pelo vício da
ocularidade. Assim, sugeriremos que o homem deve transformar o espaço em que vive por meio de uma imaginação
material, criadora e artística.

A DESQUALIFICAÇÃO SUBSTANCIAL DO SER HUMANO: O TRABALHADOR PARCIAL


Léo Dimmy Chaar Cajú.
Graduando em Filosofia, Grupo de Estudo de Educação, Trabalho e Formação Profissional-CNPq
Orientador: Antônio Carlos do Nascimento Osório, UFMS

A comunicação analisa as consequências degradantes da manufatura relativas ao trabalho parcial, tratado no capítulo
XII, “a divisão do trabalho e manufatura”, d’O Capital: a crítica da economia política: o processo de produção do
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capital (v.1). De tal modo, expõe-se alguns elementos da precarização do ser humano advindos desta forma de
produção, já que esta configuração laboral desqualifica-o substancialmente. Isto é revelado pela realidade do mundo
capitalista, que visa adequar as relações sociais com base no capital e suas formas de produção, comprometendo, assim,
a formação física e mental do indivíduo. Ademais, nota-se a degeneração humana quando o homem é submetido a fazer
apenas tarefas parciais, perdendo a sua criatividade laboral. Logo, conclui-se que o trabalho parcial só traz benefícios ao
capitalista, que reduz os custos da produção; contrariamente, o trabalhador é agredido em sua essência, uma vez que
perde o domínio intelectual total da produção da mercadoria.

PENSAR O BRASIL: UMA TAREFA DE ESTUDANTE


Neylson Oliveira da Silva
Departamento de Filosofia, UFMA

A comunicação apresenta algumas questões presentes no nosso cotidiano como ponto de partida para considerar os
modos de se pensar o Brasil, dentro de uma perspectiva filosófica, política e mesmo de formação dos que em algum dia
serão profissionais da área de filosofia e terão importante “poder” de decisão dos novos rumos que seus educandos e
futuros cidadãos terão. Como ponto de partida considera-se que o processo formação-atuação, em nenhum momento,
está desligado entre si e que aquele (estudante/docente) que porventura compreende isso faz da sua formação um
processo cotidiano de atuação, que acontece mesmo nos próprios cursos. Sendo assim, consideramos que há uma
ferramenta importante para impulsionar essa formação-atuação, que é a participação no movimento estudantil por parte
dos estudantes em seus locais de estudo, levando-os a uma participação mais efetiva no meio acadêmico e,
posteriormente, no espaço de trabalho e, sobretudo, no meio social. É impossível que nós pensemos em apresentar uma
proposta para o país estando ela desligada de todo o contexto real e concreto do social, e o movimento estudantil,
mesmo que às vezes de forma inconsciente, apresenta uma filosofia, uma política, ou uma filosofia política aliada à
realidade capaz de nos dar o que necessitamos pra pensar o Brasil.
Palavras-chave: movimento estudantil – filosofia – política

PROVOCAÇÕES FILOSÓFICAS
Mayara Maciel dos Santos
Projeto de extensão vinculado à Pró-Reitoria de Extensão, CCNH/UFABC
Orientador: Daniel Pansarelli

O projeto Provocações filosóficas tem como objetivo levar as reflexões filosóficas para diferentes públicos, com uma
linguagem mais informal e apropriada para faixas etárias e grupos sociais distintos, tentando alterar a visão do senso
comum sobre a filosofia, como sendo algo distante e difícil de ser assimilado. O Projeto utiliza metodologia
diversificada e busca aproximar uma temática filosófica estabelecida previamente e seu público-alvo, mediante a
promoção de discussões acerca das ideias de filósofos, fazendo uma aproximação de suas ideias com o público,
mostrando que as nossas indagações cotidianas fazem parte do repertório de diferentes filósofos ao longo de mais de
dois milênios de história da filosofia. Trabalhamos em escolas, parques e demais locais com público amplo, mostrando
como a filosofia pode ser compreendida e como ela já faz parte do dia-a-dia de todos. É um desafio conseguir levar a
filosofia para fora dos muros da universidade, e esse é o maior objetivo desse projeto.

A ÉTICA DO CUIDADO DE SI E A POLÍTICA NO ALCIBÍADES I, DE PLATÃO


Carlos Eduardo Gomes Nascimento
Graduando em Filosofia, Iniciação Científica, UFBA

A comunicação analisa e repercute o problema proposto por Michel Foucault nos cursos do Collège de France A
Hermenêutica do Sujeito (1982) e O governo de si e dos outros (1983), a fim de problematizar o conceito ético do
cuidado de si (epiméleia heautou) e a política, o governo dos outros, no diálogo Alcibíades I, de Platão. Com efeito, a
problemática foucaultiana acerca do sujeito que reconhece a si mesmo no exercício filosófico do cuidado de si na esfera
política e pública. Em meio ao deslocamento da análise da estrutura do saber, poder e vigilância sobre o sujeito
moderno, temática marcante nas primeiras obras até os estudos acerca da hermenêutica do sujeito, Foucault perscruta a
filosofia antiga, identificando que Sócrates apresenta-se aos seus juízes na Apologia como um mestre da epiméleia
heautou. A comunicação avança e aprofunda a temática filosófica da ética do cuidado de si e a política, o governo dos
outros, no diálogo platônico, tendo como modo e expressão a descoberta do mundo ético-político; e do processo
socrático da cultura de si, em que o sujeito tem consigo mesmo na constituição do governo de si e dos outros. A
comunicação explicita como Sócrates conduz Alcibíades no exame da filosofia da ética do cuidado de si junto aos
outros.
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A ALIENAÇÃO EM MARX: APONTAMENTOS ACERCA DA NATUREZA DO TRABALHO


Thayna Mirele dos Santos de Santana
Departamento de Filosofia, UFPE

A comunicação trata da alienação do trabalho nos escritos de Marx, tendo como base o primeiro dos Manuscritos de 44,
“Trabalho alienado”, iniciando, assim, uma breve exposição do desdobramento que o tema teve em Marx, desde quando
anuncia que, diferente dos economistas que tanto criticara, partiria de um “fato econômico contemporâneo” (o
trabalhador contraditoriamente fica mais pobre ao produzir mais riqueza) à “solução” proposta na Introdução à crítica
da filosofia do direito de Hegel. Para Marx, o sistema capitalista desumaniza o trabalhador. Sendo detentor dos
instrumentos e dos meios de trabalho, o capitalista passa a ser detentor do resultado do trabalho alheio. Entretanto, é
indispensável salientar o fato de que o trabalho na condição de uma ação consciente (uma atividade livre, vital), além de
garantir a subsistência do indivíduo, também possibilitaria o pleno desenvolvimento de suas capacidades e
aperfeiçoamento da sua essência.

AS CONTRIBUIÇÕES DA MÁ-FÉ E DA FUNÇÃO FABULADORA COMO POSSIBILIDADE DE FUGA DA


RESPONSABILIDADE DA EXISTÊNCIA
Rosa Ilana Santos, UFRB
Orientador: Malcom Guimarães Rodrigues, UEFS

A comunicação apresenta alguns aspectos do pensamento bergsoniano em As duas fontes da moral e da religião, no que
tange ao conceito de função fabuladora, e, ao mesmo tempo, faz um paralelo com a má-fé sartreana, em O ser e o nada.
Entende-se estes dois conceitos como tendo a mesma finalidade, ou seja, fazer o homem fugir da responsabilidade da
existência. A função fabuladora aparece especificamente na religião quando o homem folcloriza seus deuses e
experiências religiosas, enquanto a má-fé está presente em todas as ações humanas, exceto em seu momento de
angústia. A partir dessa relação, subentende-se que abandonar estas ações seja praticamente impossível, pois funcionam
como motor para a busca do homem pelo sentido da vida, sua subsistência, além de garantir sua eternidade.

ARENDT E KANT: BANALIDADE DO MAL E MAL RADICAL


Edegar Fronza Junior
Orientadora: Maria de Lourdes Borges, CFH/UFSC

O primeiro filósofo a pensar o mal sem o contributo da teodicéia foi Kant. Ao tratar de tal temática, desvincula a ideia
de redenção trazida por Leibniz, Hegel e Marx. O filósofo de Königsberg lança mão do aparato divino trazendo o
problema do mal a partir da finitude humana, enfatizando que este habita o lado noumenal do ser humano, ou seja, sua
liberdade prática. Para Kant, o mal humano não é natural, mas uma disposição à escolha de máximas egoístas. Em
Origens do totalitarismo, Arendt emprega o termo mal radical, entendido como mal absoluto, referindo-se à catástrofe
dos campos de extermínio. Em Eichmann em Jerusalém, utiliza a expressão banalidade do mal para se referir à conduta
de indivíduos como Eichmann. Hanna Arendt, ao tratar do problema do mal, o faz com base em Kant e, ao mesmo
tempo, alarga a compreensão do conceito entendendo-o para além do egoísmo (amor de si). A filósofa tratará o mal
como banalidade.

CONFLITO ENTRE AS LEIS HUMANAS E AS LEIS DIVINAS


Jaldenberg Jonas de Carvalho Silva
Orientador: Narbal de Marsillac Fontes, CCHLA/UFP

A tragédia Antígona, de Sófocles, é uma obra da qual podemos extrair vários motivos para reflexão, dentre eles, a moral
que move as ações dos personagens e que traz, inevitavelmente, as suas consequências. Neste sentido, a comunicação
retoma os argumentos que cada personagem defende para mostrar que eles seguem, consequentemente, as leis que
acreditam para a realização dos seus propósitos. No entanto, antes de passar a referida tragédia, a comunicação
apresenta um breve apanhado dos fatos que antecedem a ação propriamente dita da peça, para, em seguida, discorrer
sobre a ética, no que diz respeito ao conflito entre a lei humana e a lei divina.

LUDWIG FEUERBACH: PENSAMENTOS SOBRE UMA FILOSOFIA DO FUTURO


Luís Guilherme Stender Machado
Bolsista PET Filosofia, UFC, lg.01@hotmail.com
Orientador: Eduardo Ferreira Chagas
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A comunicação investiga a noção de antropologia em Feuerbach, tendo como base o projeto de homem que o autor traz
à tona em Princípios da filosofia do futuro, oferece uma interpretação dessa questão, expõe seus pontos de cruzamento
com a religião cristã e com a natureza, e pode assim tratar dos desdobramentos da questão com os argumentos
oferecidos por Feuerbach. Trata-se de relacionar o papel da religião na vida humana questionando suas consequências
(positivas e negativas) para o homem e para a natureza. Trazendo à luz o problema religioso, poderemos entender o
projeto de uma nova filosofia defendida por Feuerbach que terá sua prioridade na humanidade em consonância com a
natureza. Destarte, poderemos realizar uma reflexão sobre a relevância desse pensamento na atualidade.
Palavras-chave: antropologia – teologia – religião – natureza

A QUESTÃO DO SERTÃO: UMA ONTOLOGIA A PARTIR DE GUIMARÃES ROSA


Saulo Matias Dourado
Mestrando em Filosofia, UFBA
Orientadora: Nancy Mangabeira Unger

Ao longo do romance Grande Sertão: Veredas, o escritor Guimarães Rosa traz definições para o sertão, para além de
um significado geográfico, o põe como uma condição de mundo, em caráter existencial: o “sertão é sem fechos”, “o
sertão é dentro da gente”, “o sertão é o mundo inteiro”. Cabe-nos tornar visto quais dimensões ontológicas podem se
mostrar neste caráter sertanejo, em que o sertão, ou ser-tão, isto é, ser-tanto, é a própria dimensão dos caminhos de
abertura. A condição do ser tanto é estar no meio de um real onde não há saída, nem chegada, mas somente travessia, e
nesta travessia o fluxo do rio, a luta do inesperado. Coloca-se assim as leituras de Benedito Nunes, na explicitação das
possibilidades de elo entre a filosofia e a literatura, em A Rosa o que é de Rosa, sob a luz da hermenêutica
fenomenológica e da ontologia existencial de Martin Heidegger.

AS ESFERAS DO PODER DO ESTADO NA CRÍTICA DA FILOSOFIA DO DIREITO DE HEGEL, DE KARL


MARX
Alan Brandão de Morais
Orientador: Mauro Castelo Branco de Moura, FFCH/UFBA

A comunicação explora as justificativas filosóficas que Hegel fornece para a soberania do Estado sobre a sociedade
civil, à luz da leitura da Crítica da Filosofia do Direito de Hegel (1843), de Marx. Nesse texto, o autor realiza seu
comentário concentrando esforços analíticos precisamente sobre as questões relacionadas à formação das esferas de
poder do Estado, a saber, poder soberano e poder governamental enquanto representações filosóficas do Estado
moderno de direito burguês, que tem como princípio a universalização de interesses particulares na soberania do
Estado.

A LOUCURA NO HUMANISMO DE ERASMO


Elias Nunes Alves Junior
Orientador: Hugo Filgueiras de Araújo
Departamento de Filosofia, ICA-Campus do Pici/UFC

A comunicação apresenta o conceito de loucura em Elogio da Loucura, de Erasmo de Rotterdam (1511). A importância
deste conceito está na quebra com a filosofia medieval aristotélico-escolástica e na inauguração do humanismo
renascentista do coração da idade moderna. A loucura, como objeto da filosofia, que numa primeira vista pode parecer
bobagem e fruto de uma brincadeira, em Erasmo cria corpo e fundamenta sua crítica à sociedade, especialmente à Igreja
e à teologia, detentoras do domínio intelectual de sua época. A ruptura com a teologia escolástica fez-se necessária para
dar novamente liberdade à filosofia, que por muitos séculos fora posta na posição de escrava da teologia. Para Erasmo
(protegido pelo escudo da sua figura mística “loucura”, uma deusa grega esquecida), tudo é obra e fruto da loucura, pois
as ações humanas não podem ser enrijecidas a tal modo de se idealizar ou estabelecer o que é são. Quem quiser ser
sábio precisará, assim, romper com a sociedade e seguir seu próprio caminho de sabedoria, livre e independente,
caminho este que o próprio filósofo traçou em sua vida.
Palavras-chave: Erasmo – loucura – humanismo – Escolástica – Renascimento

O PAPEL DA ARTE NA FORMAÇÃO DO INDIVÍDUO E DO ESTADO NAS CONCEPÇÕES DE


NIETZSCHE E PLATÃO
Alana Amancio Sousa, Aurélio Mateus Pereira Bastos
UFMA
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Desde a Antiguidade, os embates entre a filosofia e a arte geram discussões quanto à necessidade da arte e se essa tem
lugar na formação do cidadão no Estado. A comunicação retoma do pensamento de dois filósofos de distintas épocas
suas opiniões sobre esta temática. Se, por um lado, temos Platão defendendo a expulsão dos artistas da cidade pelo fato
de estes serem meros imitadores, por outro lado, temos em Nietzsche a defesa da arte como relevante no Estado, uma
vez que é por meio da arte que o indivíduo irá se modelar. A comunicação apontar os pontos de proximidade e de
diferença entre as reflexões de Nietzsche e de Platão sobre o papel da arte para o autogoverno do indivíduo e para a
autonomia e soberania da cultura e do Estado. O diálogo estabelecido entre Nietzsche e Platão no que diz respeito ao
sentido da arte para a cultura se estabelece em seu papel na autoeducação do indivíduo.

REFLEXÕES ACERCA DAS REFORMAS EDUCACIONAIS NO PERÍODO DA DITADURA MILITAR E


SUAS CONSEQUÊNCIAS NO ENSINO DE FILOSOFIA ATUALMENTE
Bruna Marcela Furlan
Departamento de Filosofia, UNESP

A comunicação investiga as reformas educacionais durante o período da ditadura militar com foco no ensino de
filosofia, expondo e estudando fatos históricos políticos de 1960 a 2014, a fim de refletir sobre as consequências do
rompimento do pensamento filosófico no ensino básico e superior no Brasil e como tal modificação interfere na
transmissão e apreensão da filosofia, na consciência política e na autonomia no pensamento do indivíduo,
problematizando a maneira que ainda hoje é pensada o ensino de filosofia no país. Como pesquisadora, faço uma
retrospectiva analisando o sistema educacional pré, durante e posterior ao golpe militar do Brasil, avaliando as políticas
educacionais que permaneceram até os dias atuais, compreendendo o período importante para elaborar uma abordagem
de ensino de filosofia que seja condizente com o interesse do aluno, sua compreensão e necessidades, com o objetivo de
suprir o desfalque que o acordo MEC-USAID causou no pensar filosofia no país.

A AUTONOMIA E A EDUCAÇÃO EM THEODOR ADORNO


Jussara Figueiredo dos Santos
Departamento de Filosofia, PIBIC, Centro de Ciências Humanas, Letras e Arte

A partir da relação entre educação e autonomia, o projeto tem por objetivo colocar estes dois assuntos em evidência
que, na comunicação, serão percorridos tendo por referência definições postas por Theodor W. Adorno (1903-1969).
Para que entendamos como se dá esta relação, precisamos apresentar como, do problema da não-autonomia, o indivíduo
poderia alcançar a sua maioridade, uma característica que só pode ser alcançado mediante a autocrítica, um princípio
valorizado pelos frankfurtianos. A comunicação tem como ponto de partida a análise do diagnóstico do declínio e a
degeneração do indivíduo, e com base nesse diagnóstico se pode entender o processo filosófico-educacional, segundo o
pensamento de Adorno. Então, antes de se começar o trabalho, teremos que ter uma previa compreensão desses
processos e diagnósticos. Tais discussões foram desenvolvidas ao longo de anos de estudo de livros de Adorno como
Educação e Emancipação e A Dialética do Esclarecimento, sendo este escrito em parceria com Max Horkheimer, nos
quais os autores desenvolvem seus pensamentos com base numa visão do século XX, mas que são bem atuais para as
discussões do século XXI.

A CRÍTICA DE NIETZSCHE À TRADIÇÃO FILOSÓFICA: UMA REFLEXÃO A RESPEITO DO QUE VEM A


SER O CONHECIMENTO NA PERSPECTIVA DE NIETZSCHE
Ray Renan Silva Santos
Iniciação Científica, UFPB
Orientador: Miguel Antonio do Nascimento

A questão acerca do conhecimento faz-se presente em toda a tradição da filosofia. Poder-se-ia afirmar que,
originariamente, a filosofia nasce com o intuito de explicar o que podemos conhecer, como conhecemos e o que
propriamente é conhecido por nós. Na filosofia de Nietzsche, ao encontrarmos uma crítica a toda a tradição da filosofia,
é preciso saber identificar o que o autor estabelece como sendo conhecimento. A comunicação apresenta a crítica de
Nietzsche à tradição filosófica, com o intuito de trazer à tona o que a tradição designou como caráter do conhecimento
fundamentando-se em uma concepção metafísica de mundo. Com base nisso, faz-se necessário explicitar aquilo que é
designado por Nietzsche como caráter de conhecimento enquanto vontade de poder em seus modos de perspectivismo.
Como problemática, surge não somente a crítica de Nietzsche à perspectiva metafísica de oposição, mas também às
concepções de conhecimento calcadas na ideia de sujeito e consciência.
Palavras-chave: crítica à metafísica – conhecimento – perspectivismo
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RAZÕES COMO CAUSAS: SOBRE TEORIA DA AÇÃO


Jones Arnon Oliveira dos Santos
Graduando em Filosofia, PIBIC-Fapesb, FFCH/UFBA
Orientador: Waldomiro José da Silva Filho

Como podemos explicar a ação? O estudo da ação e suas implicações tem sido centro de grande debate na filosofia
contemporânea nas últimas décadas e uma das mais estudadas perguntas tem sido acerca da explicação da ação. A
comunicação tem como foco esta pergunta e um tipo de resposta particular a ela, a saber, a explicação da ação por meio
de causalidade. Nessa tese, a ação é explicada mediante razões que são as causas da ação. Tal pensamento é originado
dos trabalhos do filósofo norte-americano Donald Davidson, de grande impacto, não só na área de teoria da ação, como
também em filosofia da mente, epistemologia e linguagem. A apresentação analisa essa tese e explora os seus principais
conceitos, como razão primária e sob uma descrição. Visando melhor entender tal pensamento e sua extensão no meio
filosófico, também apresenta o conceito de monismo anômalo, um excelente tema de estudo e de grande importância
para o debate aqui interessado.

O ELENKHOS EM APOLOGIA DE SÓCRATES, 21A-22D: O ORÁCULO E A OBEDIÊNCIA DO HOMEM


AO DEUS
Danilo Fitipaldi
Iniciação Científica Fapesp, EFLCH/Unifesp
Orientadora: Lúcia Rocha Ferreira

A comunicação analisa o sentido do termo elenkhos, em Apologia de Sócrates, 21b-22d, onde Sócrates põe a prova o
sentido do oráculo que o definia como o mais sábio dos homens. A partir dessa investigação da palavra oracular, a
obediência categórica ao deus de Delfos é a característica que define o modo de investigação da verdade, um modo de
vida e o despertar filosófico socrático, ou seja, sua atividade investigativa na pólis grega é fruto de sua obediência ao
deus: obediência como forma de buscar o sentido da revelação aporética délfica. Obediência que coloca saber humano e
saber divino intrinsecamente ligados ao desenvolvimento da filosofia socrática, e, como saber humano, é desprovido de
valor (23b). Assim, analisar o sentindo do elenkhos em Apologia 21b é entender a medida do valor da obediência
socrática ao deus e como tal obediência torna a palavra verdadeira de Apolo em palavra irrefutável; é entender se a
revelação divina funda a atividade filosófica socrática.
Palavras-chave: elenkhos – dialética – oráculo – mântica

A POSSIBILIDADE DA NOÇÃO DE RECONHECIMENTO COMO UMA CATEGORIA ÉTICA NO


PENSAMENTO DE EMMANUEL LÉVINAS
Nádia Maria Macedo
Departamento de Filosofia, PIBIC, UFMA
Orientador: Helder Machado Passos

A comunicação avalia as saídas para os problemas relacionados à categoria reconhecimento, que denotam as relações
humanas como eternamente conflituosas, utilizando o pensamento de Lévinas. O reconhecimento discutido por Axel
Honneth na contemporaneidade parte dos escritos do jovem Hegel, e parece preservar a impossibilidade da alteridade
em sua condição de totalmente separada – condição de aceitação sem assimilação em Lévinas. Os problemas provêm de
uma fenomenologia do desprezo que guia a reconstrução da herança de Hegel, justamente com a noção de conflito
destruidor do reconhecimento e que encontra o seu limite, devendo-se retomar a questão do papel fundador da noção de
conflito e de luta. Lévinas atribui o problema à subordinação do existente a uma existência geral, já determinada em
uma totalidade. Se o Outro é também um existente, que tem a indefinição como condição, como confiná-lo a uma
totalidade? Qual é então o “reconhecimento” que se pode identificar no pensamento levinasiano?

CONSIDERAÇÕES SOB O PAPEL DE DEUS E A CONTRADIÇÃO DAS SUBSTÂNCIAS MATERIAIS NA


TEORIA IMATERIALISTA DE BERKELEY
Augusto Lucas Valmini
Departamento de Filosofia, UFRGS

A comunicação trata de tese imaterialista de George Berkeley e mostra a existência de contradição na noção de
substância material. Para isto, reconstrói-se a tese berkeliana ressaltando as diferenças de níveis nas quais ela opera. Por
fim, a contrastamos com a crítica lançada por Bertrand Russell em seu A história da filosofia ocidental, para que, com
tal contraste, entendamos pontos que são próprios à construção da tese imaterialista, e que não permitem que a tese seja
reconstruída de determinadas formas.
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NOTAS PARA UMA FILOSOFIA DESDE A AMÉRICA LATINA


Henrique Gomes Guimarães
Graduado em Filosofia, UnB
Orientador: Julio Cabrera

A comunicação reorganiza e ordena, numa espécie de resumo devorador, as exposições da disciplina para uma filosofia
desde a “América Latina”. Caminho a tentativa de um criar emancipado (que sem dúvida é um criar e caminhar de
questões). Aqui o devorar nos aparece como ritual filosófico também, ou seja, somente por partes e fragmentos seletos
é que podemos nos apossar de algumas posições cruciais. Essa apropriação aqui é vista também como devoração
filosófica da tradição profissional. O percurso em geral é (1) uma introdução na questão de uma filosofia na América
Latina (nos safar do traiçoeiro campo minado de problemas teóricos, políticos e filosóficos que se notam logo de
início); (2) uma investigação atenta das profundidades subterrâneas (enterradas) de culturas indígenas (nossa
antiguidade “primitiva”); (3) o período das invasões coloniais e a teologia escolástica, missionária e tomista e (4) o mito
da modernidade, emancipação e libertações.

CAPACIDADES: O REEXAME DE AMARTYA SEN SOBRE A DESIGUALDADE


Rafael Chiminte
Graduando em filosofia, UFSM

A comunicação apresenta o conceito de capacidade em Armatya Sen, economista laureado com Nobel e que propõe
esse conceito como parâmetro para avaliação de uma sociedade. O conceito de capacidade representaria as liberdades
substantivas que um indivíduo tem para seguir certo modo de vida de sua preferência, dentre os mais variados tipos
possíveis pelos quais se podem apresentar razões para se valorizar. Nessa acepção, a desigualdade seria fruto da
privação das capacidades, e não apenas de renda, de uma parcela da população. O autor defende essa proposta como
sendo mais abrangente, pois nela visa-se a oportunidade de realização do que temos como o nosso fim, ao invés dos
meios para tal, como é o caso da renda. Nessa perspectiva, o autor também tece algumas críticas às teorias tradicionais
como o utilitarismo, libertarismo e o liberalismo. Embora a proposta de Sen tenha suas limitações, ela traz importantes
reflexões sobre essas abordagens mais tradicionais.

APONTAMENTOS ACERCA DO LEBENSWELT DE HUSSERL E DO MUNDO VIVIDO EM STEIN


Gionatan Carlos Pacheco
Graduando em Filosofia, UFSM

A exposição centra-se no conceito de Lebenswelt (mundo da vida) tal como Husserl o definiu no livro A crise das
ciências europeias e a fenomenologia transcendental: uma introdução à Filosofia Fenomenológica. Passo seguinte, a
apresentação traz o conceito de mundo vivido no pensamento de Ernildo Stein, mais especificamente no livro Mundo
vivido: das vicissitudes e dos usos de um conceito da fenomenologia, para finalizar com uma breve comparação e
distinção entre os dois conceitos supracitados.

SPINOZA E MARX: O TEMA DA LIBERDADE COMO FORMA DE PENSAR O ENSINO DE FILOSOFIA


Marcos Britto Corrêa
Graduando em Filosofia, UFSM

A comunicação esboça alguns caminhos possíveis ao processo de formação docente, dando enfoque para o movimento
estudantil e extensão universitária. Neste processo, pode-se perceber mais rica a formação do futuro professor de
filosofia. Com base em dois autores centrais, Spinoza e Marx, ligando-os à temática da liberdade, a apresentação reflete
sobre o papel deste professor no contexto da escola atual no Brasil. O primeiro passo se dá olhando para certas
particularidades destes dois autores, a fim de apontar onde o tema da liberdade ganha significado sobre a atividade
docente e assim, tendo-se como horizonte uma reflexão mais geral acerca da educação. Com base nesses dois autores,
pode-se pensar sobre a importância das atividades extracurriculares na formação do professor de filosofia, entendendo
estes espaços como meios para a construção de experiências transformadoras e capazes de levar o sujeito que as
vivencia a construir novas formas de se relacionar com a atividade docente.

A PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADES EM FELIX GUATTARI: MODOS DE VIDA PARA ALÉM DO


DOMÍNIO CAPITALÍSTICO
Rogério da Silva Brunelli
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IFCH-UERJ
Orientadora: Dirce Eleonora Nigro Solis

A comunicação inicia abordando como Felix Guattari trabalhou a subjetividade tratando-a como de natureza industrial,
que ele conceituou maquínica. Ou seja, não da subjetividade em si, mas de sua produção no mundo capitalista.
Questiona-se em seguida o porquê de, ao falarmos em produção de subjetividade, devermos nos referir no plural,
indicando que não há a produção de subjetividade, mas sim múltiplas produções de subjetividades. O processo de
subjetividade se dá em todos os espaços e a todo o momento e, por conta disso, o capitalismo captura as subjetividades
e as transformam em referência dominante. Por fim, apresenta em Guattari o que é o processo de singularização que
escapa desse processo dominante da subjetividade, a fim de analisar o que o autor encontrou como saída ao perceber
que existimos e produzimos subjetividade em conflitos sociais e que toda mudança passa por uma produção viva e
mutante de subjetividade.

A ABORDAGEM DE FREGE AOS DEMONSTRATIVOS: O PROBLEMA DA PRAGMÁTICA NA


CONCEPÇÃO SEMÂNTICA DE SENTIDO (SINN)
Alan René Maciel Antezana
Departamento de Filosofia, PIBIC, UnB
Orientador: Felipe Amaral

A comunicação define e explicita a proposta de sentido (Sinn) de Gottlob Frege, dando destaque sobretudo à questão da
natureza da informação veiculada por frases de identidade. Toma como ponto de partida o seu ensaio Sobre o Sentido e
a Referência, visando à reconstrução do argumento que levou Frege a elaborar seu conceito de sentido, e,
posteriormente, de pensamento (Gedanke). Na segunda parte da comunicação, é explorada a abordagem de Frege aos
indexicais em geral tal como se apresenta em O Pensamento. Visando este ensaio, a apresentação problematiza a
abordagem de Frege aos indexicais e expõe os motivos pelos quais a saída adotada por Frege não é viável, e propõe três
resoluções diferentes, tendo em vista o artigo Frege on Demonstratives, de John Perry.
Palavras-chave: Semântica – Frege – demonstrativos – filosofia da linguagem

A NOÇÃO DE QUEDA OU PECADO ORIGINAL EM LEIBNIZ


Henrique Mascarenhas Sertão.
Departamento de Filosofia, UnB

No §4 do Discurso de Metafísica [DM], Leibniz afirma: “Os insatisfeitos parecem-me, com efeito, semelhantes àqueles
descontentes cuja intenção não difere muito da dos rebeldes” (grifo nosso). A comunicação explora a noção de queda
ou de pecado original, enquanto tema da fé cristã, como viga mestre do DM e das argumentações que a razão, em
Leibniz, pode sustentar acerca de Deus e da alma. Em outras palavras, revisita-se o debate entre fé e razão na obra de
Leibniz. Para tanto, escolheu-se como ponto de partida o filósofo Ernst Cassirer, pelo seu tratamento da noção da
“queda” em suas obras A filosofia do Iluminismo e Ensaio sobre o Homem. Explorando o tema, chega-se ao final a uma
bifurcação para o problema da Teodiceia: de um lado, com Deleuze, o mal moral seria um ponto de vista de uma
mônada. No outro caminho, que não é bem uma solução, há o desenrolar da história da filosofia conforme aponta
Cassirer na recusa iluminista em se aceitar um homem mal “por natureza”, especialmente em Rousseau e sua filosofia
do direito.

SERIA NIETZSCHE UM PENSADOR MACHISTA?


Juliana Cristina Nicodemos
Graduanda em filosofia, UFU, junicodemos87@hotmail.com
Orientadora: Georgia Cristina Amitrano

O discurso nietzschiano sobre a mulher se apresenta de forma complexa, problemática e possui arestas fartamente
desagradáveis que nos faz sentir imediatamente inclinado a silenciar. Não obstante, dificilmente se poderia indicar uma
obra de Nietzsche que não contenha um número considerável de observações sobre a mulher. O autor de Zaratustra
recusa-se, na maior parte das vezes, a referir-se ao homem, a mulher em geral e isto constitui uma das mais profundas
originalidades do seu pensamento. Não só se negou a identificar o homem antigo com o homem moderno, cristão e pós-
cristão, mas inaugurou uma forma de consideração sexuada a partir da qual se tem de distinguir o homem da mulher, ou
masculino e o feminino. Um pensamento da diferença, a sutil arte das distinções, não poderia ignorar tão elementar
diversidade. Também, devido a sua forte disposição a metáfora, apresenta sua tese sobre a verdade e a filosofia
dogmática utilizando a mulher como metáfora para esta crítica. A suposição da mulher mostraria a estratégia eminente
conta o dogmatismo. A comunicação explora as várias formas que a mulher se apresenta nos escritos nietzscheanos,
buscando mostrar que o filósofo em questão não possui o pensamento machista.
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ACERCA DA POSSIBILIDADE DO ENSINO DE FILOSOFIA NA ESCOLA: REFLEXÕES FILOSÓFICAS


SOBRE A EDUCAÇÃO E A FILOSOFIA
Allana Rayssa Barros Pereira
PIBID, UFMA
Orientadora: Maria Olília Serra

A comunicação discute a escola como local de embrutecimento, investiga o papel da filosofia na escola e propõe ideias
para um ensino de filosofia. Justifica-se o presente trabalho dada a inserção, a partir de 2008, da filosofia como
disciplina obrigatória no ensino médio. A metodologia seguida é a pesquisa bibliográfica sobre o tema. Desenvolve-se o
seguinte problema: é possível ensinar filosofia na escola atual? Tem-se a seguinte hipótese: diante dos problemas da
educação, a filosofia não teria um espaço real; todavia, o reconhecimento da possibilidade de ensino efetivo de filosofia
pode ocorrer com a discussão dos elementos desse ensino.
Palavras-chave: filosofia – escola – ensino

MACABÉA: VIA DE ACESSO PARA SE PENSAR NA CRISE DA NARRATIVA LOCAL?


Douglas Rodrigues Barros
Mestrando em filosofia, EFLCH-Unifesp
Orientadora: Arlenice Almeida da Silva

Se partirmos do pressuposto de que há uma crise da narrativa, esta não deve ser entendida como algo isolado, fora do
espaço e do tempo. É antes necessário, vê-la do chão por onde se processa a transformação social. Para pensar a força
literária de Clarice em fins do século XX, tal como a importância de sua obra A hora da estrela, passamos a uma análise
cabível no espaço de uma comunicação e, com isso, esperamos vislumbrar a possibilidade de problematizá-la. Se as
ideias genéricas, juntamente com uma grave presunção sempre estão em vias de causar uma desgraça, salientamos que o
problema aqui tratado, embora faça um dialogo direto com a crítica literária brasileira, não tem a presunção de dar
resposta definitiva senão problematizar a questão e tentar adotar para esta um ponto de vista filosófico. Isso porque nos
parece que o romance de Clarice revela que as relações fetichizadas colocam cada vez maiores dificuldades de
encontrar um homem, um personagem. Se assim o é, logo se verifica que o problema estético é um problema
essencialmente ligado as estruturas sociais. O presente trabalho foi concebido como um ensaio para tentar tratar da crise
da narrativa baseando-se não somente na perspectiva lukacsiana como também seguindo algumas indicações do mestre
Antonio Candido, e faz parte das pesquisas realizadas pelo Grupo de estudo: Filosofia e Literatura, ocorrido na Unifesp
sob a batuta do professor Silvio Rosa Filho.

EXPERIÊNCIA E RAZÃO ATIVA: CONCEITOS ESPINOSANOS E A RELEVÂNCIA PARA O ENSINO DE


FILOSOFIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA
Regis Lopes Silva
Faculdade de Filosofia, UFG
Orientador: Cristiano Novaes de Rezende

A comunicação analisa a ideia de experiência no contexto da filosofia de Espinosa, sobretudo a partir da sua localização
no Tratado da Correção do Intelecto. Temos como finalidade para esta análise uma possível relevância do conceito
espinosano de experiência para o campo pedagógico no que diz respeito ao ensino de filosofia para o ensino médio.
Para tal, devemos demonstrar como a experiência não estaria fadada ao engano ou à ilusão através de um afastamento
de algumas interpretações da filosofia de Espinosa que superestimam o caráter de uma realidade na qual a substância é
una e, portanto, nenhum conhecimento verdadeiro estaria vinculado a qualquer experiência. No o percurso aqui
proposto, a apresentação localiza a noção de experiência na filosofia do autor, sobretudo quando este se refere às
doutrinas do modo de percepção. É no percalço da experiência determinada pelo intelecto que se percorre alguns
conceitos do autor e os relaciona ao ensino de filosofia na Educação Básica.

HOBBES VAI A PEDRINHAS (MA)


Gilvana Viana Silva; Luana Broni de Araújo; Otávio Vítor Vieira Ribeiro
Graduandos em Filosofia, UEPA
Orientador: Edney Silva Paiva

A comunicação resulta de pesquisa bibliográfica autônoma que estuda a teoria política de Thomas Hobbes (1588-1679),
tendo como meta tratar da dimensão estrutural das relações sociais e de poder entre o Estado e o os detentos do
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complexo penitenciário de Pedrinhas (MA), contexto em que se percebe a contemporaneidade da filosofia hobbesiana.
A comunicação analisa com maior ênfase os seguintes aspectos: o enfraquecimento da soberania do poder estatal e a
consolidação do processo de barbárie entre aqueles que estão sob a tutela do estado. A insuficiência das políticas
públicas, promulgadas pelo Estado, que, quando não garantem a ordem que assegure a vida aos detentos e os livre da
morte violenta tão apregoada por Hobbes, traduz-se no surgimento de um poder paralelo pelas facções criminosas e nos
casos de barbárie e selvageria, registrados pela mídia nacional nos últimos anos.
Palavras-chave: Estado – Hobbes – Pedrinhas – política – poder

OS PRECURSORES DE DAVID HUME DA CRÍTICA À CAUSALIDADE: A IMPORTÂNCIA DE JOSEPH


GLANVILL
Evandro da Rocha Gomes
Departamento de Filosofia, UnB
Orientador: Samuel José Simon Rodrigues

A comunicação examina os antecessores de David Hume e suas possíveis influências, no que se refere à sua concepção
de causalidade. Nesse sentido, Joseph Glanvill surge como um nome importante. Glanvill foi um escritor, clérigo e
filósofo inglês, um dos primeiros membros da Royal Society. Glanvill, em sua obra Scepsis Scientifica, aborda vários
pontos que estão na crítica de Hume de maneira direta. Nesta obra, o autor realmente trata sobre causalidade. Há uma
passagem na obra em que Glanvill fala sobre “as primeiras molas e rodas que estabeleceram ao restante um curso”, o
que aparece nas Investigações de Hume de maneira levemente modificada, mas com o mesmo sentido.

O NADA E O ENTE – SOBRE A RELATIVIZAÇÃO E A OBJETIVAÇÃO NAS PESQUISAS CIENTÍFICAS


EM HEIDEGGER
Renato Pinheiro Pinto.
UFPB

É o estado de consciência do ser que cotidianamente se dispõe em volitar pelo espaço e pelo tempo, sem se dar conta de
sua rota de “voo” e menos ainda do lugar de seu destino. Para uma questão prática sobre o ser ontológico, é necessário
passar da “ciência elaborada” para o pensamento puro, passar do conhecimento sintético e prático para algo que está
fora do empirismo, um surto, uma repreensão da realidade que transcenda-a-si e coloque a consciência em contato com
aquilo que (ela) não é. A situação ou condição empírica da consciência em detrimento prático com algo que “não é”,
considera para o pensamento puro, que exista algo que não seja, e não ser, neste caso, é negar, não ter, e não estar, é o
revés óbvio da realidade positiva; a realidade “negativa”. Martin Heidegger se coloca a fazer o questionamento – O que
é metafísica? – e, aos caminhos da hermenêutica e da dialética hegeliana, ele apresenta “o nada, a nadificação” e o
estado absolutamente negativo da relação entre a “consciência-em-si e a unidade autoconsciente”; é de fato um digladio
entre o ser (consciência, racionalidade) e o ente (inconsciência, irracionalidade) enquanto tal, presentes na atenção da
realidade e do momento, será necessário entender a questão do momento, diferente da apresentação do ser feita por
Heidegger neste questionamento sobre o ser, relativizando o ser e tornando empírico o momento, o instante da realidade
onde o confronto existencial entre o ser e o ente acontece.

A ORIGEM DA BIVALÊNCIA DA AÇÃO JUSTA NA REPÚBLICA


Angélica de F. de Almeida Lara
Graduanda em Filosofia, UNIOESTE, angelicahufflara@gmail.com

Em A República observamos as motivações de Platão para responder a uma questão do elenchos socrático: o que
caracteriza uma ação enquanto justa? No livro II, Glauco traz um novo sentido à pergunta dirigente do diálogo:
abandonando a busca do conceito de justiça, ele busca pensar o que causa a ação justa, qual é seu fundamento. O
problema emergente é o que leva o homem a agir de forma justa: as vantagens que se recebe por agir assim ou haveria
um “valor interno” à ação? Glauco alega serem as vantagens a causa das ações e Sócrates aponta para o discernimento
da causa com relação ao efeito, apontando a vantagem como o efeito da justiça. Glauco exige a demonstração do que a
justiça é para além da utilidade, i.e., se é possível uma ação desinteressada, uma ação que possa ser qualificada
moralmente. É possível considerar a justiça independente da utilidade ou vantagens dela advinda? Este problema
levantado por Glauco configura a origem da “bivalência” da ação justa refletida por Sócrates.

A MARGINALIZAÇÃO DAS CIÊNCIAS HUMANAS NO CENÁRIO POLÍTICO EDUCACIONAL


BRASILEIRO
Mozart Oliveira Alencar
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Gradando em Filosofia, PIBID, ICA/UFC

A comunicação analisa criticamente o itinerário que as ciências humanas (dentre elas, a filosofia) sofreram enquanto
áreas que apresentam uma qualidade e frequência variável no panorama educacional do Brasil, sobretudo no ensino
médio. Tal retrospectiva histórica se inicia na Era Vargas e seu primeiro Plano Nacional de Educação, passando
posteriormente às instabilidades político-educacionais advindas do começo da Guerra Fria, encontrando um “núcleo
crítico” na análise da tecnicização do ensino durante a Ditadura Militar. Apesar dos ventos neoliberais terem deixado
como resultado um forte índice de precarização da educação como um todo, quando visualizamos as duas últimas
décadas do século 20 e os primeiros anos do atual século, vemos que é possível reestabelecer a convergência de
interesses educacionais mais amplos e integrais.
Palavras-chave: políticas educacionais – precarização da educação – ensino médio

CORPOREIDADE E SUBJETIVIDADE: ACERCA DA FENOMENOLOGIA DA PERCEPÇÃO


Luana Lopes Xavier
Mestrado em Filosofia, Capes, UFG
Orientador: Fábio Ferreira de Almeida

Na Fenomenologia da percepção, Merleau-Ponty aborda temas importantes da história da fenomenologia, dentre eles a
questão do corpo, a saber, o corpo como mediador da relação homem-mundo. No tocante ao corpo, Merleau-Ponty
pensa a consciência, a percepção e o sujeito retomando conceitos husserlianos, para ele a redução fenomenológica é um
caminho que pode levar o homem à suspensão do conhecimento, a ‘colocar entre parênteses’ todas as afirmações sobre
o mundo e se desvelar no mundo da experiência. Somente o despertar ou o espanto do homem diante do mundo torna
possível o reconhecimento do homem enquanto corpo, Leib. E o mundo da vida, Lebenswelt, é a abertura do nascimento
das percepções que surgem a partir desse corpo, Leib, corpo vivente. A tentativa de Merleau-Ponty em dar uma
compreensão nova sobre a fenomenologia é também um esforço em compreender o corpo e toda a sua estrutura, o que
seria uma “volta às coisas mesmas”, isto é, o retorno ao mundo da experiência, a união entre homem-mundo está no
entrelaçamento do mundo interior com o mundo exterior, a consciência, o corpo, a subjetividade, aí está a unidade
fundamental que revela o homem como um sujeito corpóreo no mundo.
Palavras-chave: corpo – consciência – mundo

A ÉTICA POLITICA SEGUNDO NIETZSCHE


Leonardo Henrique Benone Leão Neto
Graduando em Filosofia, DFCS-UEPA, leobenone@gmail.com
Orientador: Manoel Alves da Silva

A questão central da comunicação é questionar se há de fato uma ética política que orienta as ações dos atores políticos,
e como esta ética funciona. A metodologia utilizada baseou-se em pesquisa de revisão bibliográfica do autor Friedrich
Nietzsche, analisando, não somente, mas como principal obra, o livro Genealogia da moral, no qual o filosofo
desenvolve o conceito de ética ligada à transvaloração de valores que, segundo ele, seria necessário para resgatar a
liberdade tirada por imposições religiosas fazendo com que, assim, o homem aproveite melhor a sua vida terrena, ao
invés de se sacrificar por uma vida pós-túmulo, seguindo as normas morais da sua sociedade e aproveitando ao máximo
a estada nesta vida, o que segundo ele já seria um “agir” ético.
Palavras-chave: reflexão – Nietzsche – transvaloração de valores – ética – moral

ANIMAIS NÃO-HUMANOS COMO PROPRIEDADE: O ESTATUTO MORAL E LEGAL


Nathalia Fontoura da Silva Valle
Departamento de Filosofia, UFSM

A comunicação analisa a situação moral e jurídica dos animais não-humanos e examina as questões práticas e teóricas
que envolvem o trato dos animais não-humanos pelos seres humanos. Expõe os argumentos dos abolicionistas e dos
bemestaristas. Apresenta alguns métodos de abates de animais não-humanos por parte dos seres humanos, e expõe os
argumentos abolicionistas, que defendem o fim do uso de animais não-humanos, e os argumentos bemestaristas, que
defendem uma redução de sofrimento.

REFLEXÕES SOBRE VIOLÊNCIA: DIALOGANDO COM FRANTZ FANON E HANNAH ARENDT


Claudiomiro Ferreira de Oliveira
Graduando em Filosofia, UFMA
Orientador: Raimundo Nonato Araujo Portela Filho
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A violência nos dias atuais apresenta-se como uma espécie de mercadoria para a mídia, um problema de gestão para os
governantes e uma ameaça de extinção para a espécie humana e possivelmente para a vida na terra. Nesse sentido, a
comunicação reflete sobre a violência em Frantz Fanon (1961) e Hannah Arendt (1969). Problematiza como as
concepções e perspectivas de Fanon sobre a violência, especificamente em seu trabalho intitulado Os condenados da
terra, e as de Arendt, em Sobre a violência, refletiam os contextos histórico-sociais de ambos, outrossim, resta-nos
perguntar em que medida estas concepções e perspectivas podem nos orientar na análise e compreensão da violência na
contemporaneidade. O quadro geral das reflexões sugere que a violência estratégica e intencional é uma via de
libertação ou criação social e que a violência como um fenômeno aleatório, sujeito a uma orientação ou justificação
qualquer, produz desordem e representa uma ação antissocial e destrutiva.

PESQUISA DE CAMPO SOBRE O PIBID-FILOSOFIA EM CINCO UNIVERSIDADES DA REGIÃO DO


GRANDE RIO
Dimas Augusto Martorello Fernandes
Mestrado em educação, PUC-Rio/CNPq, dimaspuc@gmail.com
Orientador: Ralph Ings Bannell

A comunicação apresenta os resultados parciais de uma pesquisa de mestrado sobre a formação para o ensino de
filosofia, intitulada: “O PIBID-Filosofia como um espaço de ligação entre escola e universidade”. Tal pesquisa objetiva
entender o impacto do PIBID-Filosofia nas aspirações de carreira dos licenciandos em Filosofia no Rio de Janeiro. Com
o surgimento do Programa Institucional de Bolsas Iniciação à Docência (PIBID), em 2007 e, no ano seguinte, com a lei
11.684, que tornava o ensino de filosofia obrigatório, houve um aumento dos cursos de licenciatura em Filosofia. Nesse
contexto, surgiram os subprojetos do PIBID-Filosofia, no Rio de Janeiro: UFRRJ (2010), UFRJ (2010), UFF (2010),
PUC-Rio (2013) e UNIRIO (2014). Apresentamos as características gerais de cinco subprojetos do PIDIB-Filosofia da
região do Grande Rio.

O VALOR DE UMA CÓPIA: A SIGNIFICAÇÃO E SUA RELAÇÃO COM A ORIGINALIDADE


Luiz Eduardo Nunes Rodrigues Fernandes do Nascimento
Filosofia, ICHF/UFF

Muito além dos diversos signos que uma imagem pode trazer, um fator importante para sua interpretação é a relação
daquela determinada figura com a originalidade. Imagens pictoricamente iguais podem trazer sentidos totalmente
diferentes que são determinados pela sua distância do objeto original nela representado. Embora tragam os mesmos
elementos gráficos, no que diz respeito à composição, cores, posicionamento, centralização e demais aspectos técnicos,
é sabido que qualquer quadro autêntico exposto em museu não é igual a uma estampa de camisa que traz a mesma
figura plástica, isto é, não tem o mesmo valor, não significa a mesma coisa. A comunicação analisa essa questão
retornando ao início do pensamento imagético no ocidente, a Grécia clássica, mas especificamente, aborda o
pensamento platônico e seu conceito de plano das ideias.
Palavras-chave: cópia – original – autenticidade – imitação – reprodução

O PROGRAMA DE PESQUISA DE ODERA ORUKA


Murilo Rocha Seabra
Orientadores: Alberto Gomes, Freya Mathews
Doutorado financiado pela La Trobe University, Philosophy, School of Social Sciences and Communications, LTU

Odera Oruka é um dos filósofos de origem africana que mais alcançou reconhecimento no cenário internacional. Em
meados da década de 1970, Oruka começou a desenvolver o programa de pesquisa conhecido em inglês como sage
philosophy e que poderia ser traduzido como “filosofia sagaz” ou “filosofia dos mestres ou sábios de sociedades
indígenas”. Em princípios da década de 1990, Oruka apresentou os resultados de sua pesquisa e estabeleceu
definitivamente que, entre os sábios das sociedades indígenas ou autóctones, há aqueles que preservam e reproduzem
para as gerações futuras a sabedoria do seu povo, mas também há aqueles que submetem a própria cultura, bem como as
crenças com as quais entram em contato por meio da expansão da civilização ocidental, a uma cuidadosa e
pormenorizada análise crítica. O programa de pesquisa de Oruka mostra que indivíduos iletrados, sem nenhuma
formação oficial em filosofia, são muitas vezes mais críticos do que aqueles que possuem formação em filosofia.

O OUTRO E A DIFERENÇA SEXUAL POSITIVA


Franciele Laura Silva
Orientador: Humberto Guido, IFILO/UFU
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A comunicação investiga, na obra de Luce Irigaray je, tu, nous: Toward a Culture of Difference, a sua proposta de
superação do processo de subjetivação produzido pela supremacia masculina, e o articula com a psicanálise de Lacan,
que nos apresenta uma noção de sexuação que faz referência ao falo como significante. Nesta incursão, se enfatiza o
limite do múltiplo, em que o gozo Outro corre o risco de ser reduzido ao uno – gozo fálico. Por fim, desmembra as
associações entre a noção de diferença sexual proposta por Irigaray e o conceito de corpo sem órgãos segundo Gilles
Deleuze, a fim de demonstrar o aspecto autoritário da organização heteronormativa e os seus modos de repressão
profundamente firmados, responsável, em última instância pelas interdições do sujeito, e consequentemente, do prazer e
do gozo.

PENSAR O INVISÍVEL: AS MULHERES NEGRAS COMO PRODUTORAS DE PENSAMENTO


FILOSÓFICO
Aline Matos da Rocha
Graduanda em filosofia, bolsista do Programa Afroatitude, UnB, matosdarochaaline@gmail.com
Orientador: Wanderson Flor do Nascimento

Temos como pressuposto, no que diz respeito à história da filosofia, uma profunda ausência e imaginário limitado sobre
mulheres negras como agentes de produção de pensamento filosófico. A evidência dessa assertiva está alicerçada no
obstáculo derivado de serem mulheres negras em um mundo branco, que tem como fundamento a manutenção da
sociedade arquitetada em sistemas de exclusão, que articulam gênero, raça e classe na subalternização de determinados
sujeitos, sendo as mulheres negras as mais atingidas em toda a estrutura social. Pretende-se focalizar a invisibilidade das
mulheres negras como produtoras de pensamento filosófico desde a perspectiva das pensadoras negras, as quais se
encontram silenciadas como expressão dissonante na história da filosofia. Romper com a lógica da exclusão consiste
também em trazer à tona as mulheres negras e suas problematizações sobre a interseccionalidade de gênero, raça e
classe, conceitos negligenciados (incultivados) na elaboração do pensamento filosófico. Considera-se precípuo forçar
que a filosofia veja as mulheres negras, saber que existem enquanto agentes de produção de pensamento filosófico.
Palavras-chave: invisibilidade – mulheres negras – pensamento filosófico

AS CONDIÇÕES PARA O PROGRESSO MORAL DA HUMANIDADE EM KANT


Evilásio Barbosa da Silva
Graduando em Filosofia, PIBIC-CNPq, UFMA
Orientadora: Zilmara de Jesus Viana de Carvalho

Kant apresenta como fim último da espécie humana alcançar uma perfeita constituição política entre as nações, de
modo que não haja mais fronteiras entre elas e de maneira que se atinja uma sociedade cosmopolita regida por uma
legislação universal, isto é, uma sociedade moral. No entanto, já se passaram mais de dois séculos e percebemos que a
humanidade ainda não atingiu o “fim kantiano”. Por isso, questionamos: será que essa demora no alcance do fim moral
é um sinal da inviabilidade de uma possível esperança no melhoramento moral da espécie? A comunicação procura
respostas para essa questão. Primeiramente, apresenta a concepção kantiana de moral; em seguida, reflete sobre a
filosofia da história no pensamento kantiano e, por fim, demonstra algumas condições propostas por Kant para o
progresso da humanidade e apresenta nossas considerações.

IDENTIDADE PESSOAL: A QUESTÃO QUE FAZ COM QUE AS PESSOAS SEJAM NUMERICAMENTE
IDÊNTICAS AO LONGO DO TEMPO
Jéssica Erd Ribas
Graduanda em Filosofia, UFSM
Orientador: Carlos Augusto Sartori

A comunicação apresenta um problema filosófico encontrado na filosofia da mente: o problema da identidade pessoal.
A análise dessa temática apresenta a questão que faz com que as pessoas sejam numericamente idênticas ao longo do
tempo. Mostrando a distinção entre identidade qualitativa e identidade numérica e perpassando pelas teorias somáticas e
psicológicas da identidade pessoal. Os filósofos refletiram muito também acerca da identidade ao longo do tempo em
relação a objetos, e, seguindo essa perspectiva, a apresentação discorre sobre a problemática da continuidade
psicológica de Bertrand Willians e a possível solução apresentada por Derek Patif, a fim de demonstrar que uma
condição conceitual mínima à identidade pessoal é que o condicionante possa ser sempre distinguido como sendo único.
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A NOÇÃO FOUCAULTIANA DE GOVERNAMENTALIDADE


César Pedrosa Soares
Graduando em Filosofia, PIBIC-CNPq, UnB
Orientador: Gilberto Tedeia

A governamentalização do Estado se mostra muito importante, suas técnicas de governo se tornaram a questão política
fundamental e o espaço real da luta política. A governamentalidade surge como uma emergência para uma política
moderna, ou de uma racionalidade própria da arte moderna de governar, se manifesta através da doutrina da “razão de
Estado”, de uma nova razão governamental no sentido de um governo racional capaz de conhecer e aumentar a potência
do Estado. A presente pesquisa apresenta como objetivo a reflexão de como o processo de governamentalização ocorreu
e foi destrinchado por Foucault, ou seja, como o conjunto constituído pelas instituições, procedimentos, análises e
reflexões, cálculos e táticas que permitem exercer esta forma bastante específica e complexa de poder levou ao
desenvolvimento de uma série de aparelhos específicos de governo e de um conjunto de saberes que tornou o nosso
Estado governamentalizado.

A NOÇÃO DE INFINITO EM EMMANUEL LÉVINAS E RENÉ DESCARTES


André Diogo Santos da Silva
Departamento de Filosofia, PIBIC, UFMA
Orientador: Helder Machado Passos

A noção de infinito em Emmanuel Lévinas (1906-1995) e em René Descartes (1596-1650), embora apresentem
diferenças em relação à abordagem e significação, podem ser relacionadas. Descartes utiliza a noção de infinito para
provar a existência de Deus; em Lévinas, a noção de infinito fundamenta uma relação ética que valorize a
transcendência do Outro. A comunicação investiga intenções de Descartes e Lévinas com a ideia de infinito e realiza
aproximações e diferenças sobre a significação da noção de infinito em ambos pensadores. A metodologia utilizada
consiste em pesquisa bibliográfica sobre o tema.
Palavras-chave: infinito – Deus – Outro – Lévinas – Descartes

A REPRODUÇÃO DO ENSINO NAS ESCOLAS BRASILEIRAS


Matheus Venquiaruti
Coletivo Práxis – Coletivo de Educação Popular, Departamento de Filosofia, UFSM

Estudar as reformas de ensino ocorridas no Brasil a partir dos anos sessenta, culminando em 1996 com a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação, requer um pouco da atenção do analista. A comunicação questiona toda a reforma no
ensino brasileiro, das leis 5.540/68 (sobre o ensino e estrutura das universidades) e 5.692/71 (sobre a educação básica) à
Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996), a fim de demarcar nelas uma antropologia que diz o que é e como deve
ser o homem. A comunicação tem por objetivo desvelar qual seria essa antropologia. Ao nos atentarmos à estrutura do
ensino no Brasil, percebe-se que o léxico da administração invadiu as discussões e resoluções acerca do ensino. Tanto
que, a partir do governo de Fernando Henrique Cardoso, os projetos políticos pedagógicos transformaram-se em um
plano de gerenciamento escolar; os diretores passaram a ser gestores; e termos como metas, eficiência, qualidade total e
diretrizes tornam-se chaves para discutir a educação. A apresentação tematiza o porquê dessa apropriação do léxico da
administração – o que ela esconde. A abordagem é guiada pela obra de Bourdieu e Passeron A reprodução.

A EDUCAÇÃO DE EMÍLIO NA PREPARAÇÃO PARA O CONTRATO


Allison Ribeiro e Silva
Graduando em Filosofia, UFMT
Orientador: Roberto de Barros Freire

A comunicação trata da relação entre educação e política, restringindo-se a questões republicanas. O autor escolhido foi
Jean-Jacques Rousseau (por julgar mais atual, quando comparado com Platão, por exemplo.). Toma-se como ponto de
partida o Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, expondo os motivos que levaram
o homem perder a sua liberdade primitiva em troca do contrato. Em seguida, aborda toda a pedagogia presente na obra
Emílio ou da educação, apontando as características que o individuo teria para viver em sociedade. Por fim, volta-se à
obra O contrato social para pensar questões como liberdade, virtude, formas de regimes políticos, corrupção, entre
outros.
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A IGNORÂNCIA COMO ORIGINADORA DE HOMENS MAUS: A RELAÇÃO ENTRE CONHECIMENTO E


MALDADE NA OBRA AURORA, DE NIETZSCHE
Aline da Costa Figueiredo
Orientador: Antonio Jorge Paraense da Paixão, UEPA

A legalização da maconha, do aborto e do casamento gay, por exemplo, geram grandes discursões, que refletem
diretamente em todos os campos da sociedade. A comunicação retoma os argumentos de Nietzsche sobre o desamor ao
conhecimento como fonte de homens imorais, ou “maus, sombrios e silenciosos”, desenvolvidos ao longo da obra
Aurora. O pensamento de Nietzsche nos possibilita equacionar que, quanto maior a ignorância, tanto maior se forja o
moralista incapaz de compreender a gênese dos preceitos morais em nosso meio. Aurora, reflexões sobre os
preconceitos morais, foi mais um escrito polêmico de Nietzsche, e teve como objetivo refletir sobre a moral altruísta, os
preconceitos morais e filosóficos. Nietzsche faz um estudo sobre a história dos costumes e da moralidade, perpetrando
uma critica ao cristianismo como religião que embute nos homens o sentimento de culpa e mal-estar.
Palavras-chave: ignorância – preconceitos morais – desamor ao conhecimento

SER INVISÍVEL
Guilherme Porto Almeida, UFSM

A comunicação trata do não cumprimento das funções do Estado com certos indivíduos e como se comportam esses
ante o Estado que os esquece. Os indivíduos cumprem o seu papel no Estado, mas que, pelas más condições de vida,
agem de acordo com as leis do estado de natureza, ou seja, roubam ou matam para sobreviver, pelo fato de o estado
civil não cumprir o seu dever; os chamarei de homens invisíveis, e os dividirei em dois tipos: o homem invisível e
passivo, que vive em um estado de natureza, porém seguindo as leis de um estado civil, e o homem invisível e ativo, o
que rouba pra sobreviver, infringindo as leis. Tratarei da virtude ética, propondo que está em qualquer decisão que seja
tomada, portanto, que essa decisão tenha um principio e um fim de benevolência, pois nenhum homem segue uma
concepção ética radicalmente, depende da educação, dos valores éticos e da situação que o sujeito se encontra, reagirá
ele da melhor maneira aceita pelo grupo social que o agrada.

A ORIGEM DA BIVALÊNCIA DA AÇÃO JUSTA NA REPÚBLICA DE PLATÃO


Angélica de F. de Almeida Lara
Graduanda em Filosofia, UNIOESTE, angelicahufflara@gmail.com

N’ A República, observamos as motivações de Platão para responder a uma questão do elenchos socrático: o que
caracteriza uma ação enquanto justa? No livro II, Glauco traz um novo sentido à pergunta dirigente do diálogo,
abandonando a busca do conceito de justiça, ele busca pensar o que causa a ação justa, qual é seu fundamento. O
problema emergente é: o que leva o homem a agir de forma justa: as vantagens que se recebe por agir assim ou haveria
um valor interno à ação? Glauco alega serem as vantagens a causa das ações, e Sócrates aponta para o discernimento da
causa com relação ao efeito, apontando a vantagem como o efeito da justiça. Glauco exige a demonstração do que é a
justiça para além da utilidade, i.e., se é possível uma ação desinteressada, uma ação que possa ser qualificada
moralmente. É possível considerar a Justiça independente da utilidade ou vantagens dela advinda? Este problema
levantado por Glauco configura a origem da bivalência da ação justa refletida por Sócrates.

EMMANUEL LÉVINAS: DA ONTOLOGIA À ÉTICA


Eduardo Simionato Salamoni
Departamento de Filosofia, UFSM
Orientador: Silvestre Grzibowski

A comunicação apresenta a crítica de Emmanuel Lévinas ao pensamento ontológico, isso porque a filosofia foi reduzida
à ontologia. Sua filosofia ética não parte de nenhuma ontologia, ela é filosofia primeira, afinal, mesmo com todo o
esforço da filosofia ocidental em sintetizar e totalizar todo o conhecimento humano, as relações entre os homens não
podem ser sintetizadas, e é nesse ponto que a moral aparece, não como uma reflexão abstrata, mas como filosofia
primeira. A exposição se divide em três partes. A primeira é uma exposição do contexto no qual se insere o pensamento
de Emmanuel Lévinas; a segunda apresenta a crítica à ontologia feita pelo filósofo, e, por fim, apresenta algumas
considerações sobre o excurso da ética como proposta de filosofia primeira.

A ESCOLA E A EDUCAÇÃO DO FUTURO: UMA BREVE REFLEXÃO


Wilder S. Souza
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Graduando em Filosofia, PIBID, UFSM, wildersouza00@gmail.com

A comunicação propõe uma análise reflexiva sobre os moldes das escolas tradicionais em contraponto com escolas
alternativas que vem surgindo atualmente no Brasil. Por escolas tradicionais entenda-se as cujo ensino enfatize matérias
e conteúdos comuns de aprendizagem, e que nem sempre valorizam a capacidade de aprendizagem do aluno fora do
âmbito escolar. Escolas alternativas seriam as centradas no desenvolvimento de capacidades do aluno em diversos
aspectos, ligando a sala de aula ao mundo exterior de modo que o professor se torne o tutor. A comunicação especula
como será a escola do futuro e sua nova pedagogia, ou seja, seu novo método que privilegiará uma maior e melhor
integração das matérias, a fim de superar o debate entre os devotos tradicionais conservadores e os progressistas da
integração. Encerra-se com uma reflexão sobre a chegada das tecnologias de informação e comunicação (TIC) na
sociedade, que evidenciam forte influência na educação em geral, e no ensino em particular.
Palavras-chave: escolas tradicionais – escolas alternativas – nova pedagogia

CETICISMO E O PROBLEMA DO CRITÉRIO


Eduardo Izoton Braga
Departamento de Filosofia, Iniciação Científica, FSB-RJ
Orientador: André Campos da Rocha

A Pirro de Élis atribui-se o mais contundente argumento em prol do ceticismo global: o argumento do critério, pelo qual
as discordâncias quanto ao critério de verdade, que difere entre as escolas filosóficas, servem como evidência de que a
verdade é impossível de se conhecer. A comunicação apresenta uma das objeções ao problema do critério, a que posta
pelo filósofo norte-americano Roderick Chisholm. A hipótese é a de que a solução de Chisholm ainda pode ser
relevante, pois ela nos oferece uma boa razão para afirmarmos que não há necessidade de saber que sabemos. A
metodologia consiste na análise do argumento central de Chisholm e das objeções que lhe são feitas (e.g. Landesman,
Williams).

ERRICO MALATESTA (1853-1932): CRÍTICA ÀS VERTENTES ESTATISTAS DO SOCIALISMO E A


NECESSIDADE DE UMA VIA ALTERNATIVA PARA A EMANCIPAÇÃO SOCIAL
Claudio Ricardo Martins dos Reis
Graduando em Filosofia, mestrando em Ecologia, UFRGS
Grupo Balduíno Rambo de Estudos em Filosofia, Ciência e Sociedade, http://adagadeoccam.blogspot.com.br

Errico Malatesta foi um militante e teórico anarquista italiano. Ingressa na Associação Internacional dos Trabalhadores
em 1871; em 1872, participa do Congresso de Saint-Imier, onde é fundada a Internacional Antiautoritária. Malatesta
traz uma importante renovação e uma contribuição substancial à ideologia anarquista. Neste sentido, ele discute
elementos fundamentais para a transformação da realidade social. Entre eles: (1) a distinção entre ciência e ideologia;
(2) a proposta de dualismo organizacional; (3) a crítica aos socialismos de Estado, tanto o reformista quanto o
revolucionário; e (4) a necessidade de uma estratégia revolucionária que envolva o desmantelamento de órgãos e
sistemas autoritários, como o Estado e o capitalismo, e que promova a solidariedade para o máximo desenvolvimento
material, intelectual e moral de todas as pessoas. Analisar a concepção de Malatesta a respeito dos elementos (3) e (4) é
o objetivo central da comunicação.

FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE FILOSOFIA: “A FORMAÇÃO DOCENTE ENTRE PROFESSORES E


FILÓSOFOS”
Alana Gabriela Alvarenga
Graduanda em Filosofia, PIBID, UnB
Orientador: Pedro Ergnaldo Gontijo

A comunicação trata da formação dos professores de filosofia, a fim de criticar algumas posturas encontradas nas
universidades que tratam a formação docente dissociada da formação filosófica e apontar melhorias para a formação do
professor, caso essa dicotomia seja superada. Muitos ainda acreditam que, quem sabe, sabe ensinar. No entanto, o que
se vê corriqueiramente é o completo descolamento entre o que se sabe e como se ensina e a falta de consciência dos
docentes de graduação em licenciatura de que ao ensinar um conteúdo também estão ensinando como se ensina esse
conteúdo. A comunicação mostra a formação docente como autoformação e, no caso dos professores de filosofia, a
importância da constante autorreflexão e autocrítica para a própria construção como docente. Afinal, a contribuição da
filosofia para pensar o próprio ofício se faz notória. Por fim, a comunicação dialoga com alguns autores, sobretudo com
Cerletti (2009), acerca da formação de professores de filosofia e da importância desta temática no campo filosófico,
demarcando algumas especificidades da formação filosófica e, por vezes, diferenciando-a das demais formações
docentes.
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O HOMEM NA CONTEMPORANEIDADE: A PÓS-MODERNIDADE E A COISIFICAÇÃO DO INDIVÍDUO


ENQUANTO SER DE NATUREZA E CARÁTER SEGUNDO ERICH FROMM
Denylson Douglas de Lima Cardoso
Especialização em Educação para a Diversidade e cidadania, DE-UnB, denylsondouglas@gmail.com

A comunicação, sob a perspectiva da antropologia, centra-se no fenômeno do pós-modernismo e na relação existente


entre o indivíduo e sua busca pela identidade e compreensão de si mesmo. Natureza e caráter são duas grandes linhas
iniciais para se pensar a problemática do homem contemporâneo, a falta e a necessidade de se compreender como ser de
amor e existente. Pensar a contemporaneidade é olhar para si, pensar o homem na contemporaneidade é buscar entender
as suas questões, o seu mundo e repensar a sua função enquanto ser não apenas de razão, mas, sobretudo, de amor.
Resgatar o sentido racional do amor é fundamental e necessário para se compreender o abismo existencial do homem
pós- moderno. O homo faber em Fromm é chamado a olhar para si, tenta se compreender e tenta desenvolver a sua
capacidade indelével de amar e de compreender a sua personalidade como totalidade de qualidades psíquicas herdadas e
adquiridas na cultura.

O GOVERNO COMO REFLEXO DO POVO: UMA ANÁLISE DA CORRUPÇÃO E DA FALTA DE ÉTICA DO


“JEITINHO BRASILEIRO”
Michael Max P. Amorim
Graduando em Filosofia, CCH/UFMA
Orientador: Marcos Antônio Muniz

Ao contrário do saber popular, a corrupção não é só política e nem sempre envolve dinheiro. A falta de ética se tornou
parte da política brasileira, como um tumor maligno ela se alojou na política partidária do país, mas não foi só ali que
obteve sucesso, em todo segmento social das terras tupiniquins se encontra corruptos e corruptas. Os políticos
brasileiros são corruptos, porque a sociedade é corrupta. Furar fila, colar na prova e sentar em assentos reservados são
alguns atos já rotineiros na sociedade brasileira; os políticos corruptos são o reflexo de uma cultura já enraizada de
crimes e pequenos deslizes, os corruptos são um sintoma da nossa cultura. Como alguém disse uma vez: “entre o
Governo que faz mal e o povo que consente há certa cumplicidade vergonhosa.” A ideia de um povo que participa da
vida política e decide o que é melhor para si é incrível, mas quais as consequências de uma democracia estabelecida em
uma sociedade sem esclarecimento, sem educação e sem ética?

O PROBLEMA DA JUSTIFICAÇÃO NO “TRILEMA DE AGRIPA” E O FUNDACIONALISMO COMO


SOLUÇÃO
Ana Stela Rossito Carneiro
Grupo de Pesquisa Epistemologia e Informação, Departamento de Filosofia, UFMT
Orientador: Tiegue Vieira

Na teoria do conhecimento, um dos maiores argumentos céticos para demonstrar que não somos capazes de
conhecimento é o Trilema de Agripa, que apresenta três questões para o problema da justificação: parada arbitrária,
circularidade e regresso infinito. Existem três respostas para o trilema: o coerentismo, o infinitismo e o
fundacionalismo; as três respostas enfrentam alguns problemas e muitas críticas, é preciso mais que uma argumentação
concisa para responder aos céticos. A comunicação apresenta o fundacionalismo neoclássico de Laurence Bonjour
como solução para o trilema, que, partindo de uma visão internalista e neocartesiana, apresenta a ideia de que as crenças
básicas são justificadas pelo conteúdo da consciência do sujeito, a fim de demonstrar, segundo o autor, que as crenças
de primeira ordem na estrutura inferencial são infalíveis.

FILOSOFIA CANIBAL
Thor João de Sousa Veras
Filosofia, UFSC, thor.verass@gmail.com

A apresentação introduz em linhas gerais o pensamento filosófico de Oswald de Andrade contida nos textos A Crise da
filosofia messiânica (1950), O antropófago (1952), A marcha das utopias (1953) e A Arcádia e a Inconfidência (1945),
mediante análise de seu conceito de antropofagia cultural brasileira e sua reapropriação no cenário intelectual
contemporâneo da reabilitação do primitivo no pensamento filosófico brasileiro, mais especificamente, o pensamento
ameríndio pelo o valor da identidade e da propriedade é posto em xeque em nome de outra relação regida pelo que
Oswald cunhou como filosofia da devoração.
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RUI BARBOSA E A TRADIÇÃO DO “CONSTITUCIONALISMO CALVINISTA” INAUGURADA POR JOHN


KNOX E THÉODORE DE BÈZE
Silvio Gabriel Serrano Nunes
Doutorando em Filosofia, CNPq, FFLCH-USP
Orientadora: Maria das Graças de Souza

A comunicação aborda as repercussões da tradição do pensamento político calvinista, também denominado de


“constitucionalismo calvinista”, nos escritos políticos de Rui Barbosa e em seu protagonismo na arquitetura das
instituições republicanas no Brasil, a fim de propor um inventário da tradição do “constitucionalismo calvinista”
inaugurado com os escritos políticos de John Knox e Théodore de Bèze, uma vez que esses autores foram os primeiros a
romperem com a ambiguidade de Calvino acerca do direito de resistência legitimado pela “teoria das magistraturas
inferiores” de afinidade constitucional. Dessa forma, trata-se de compreender a razão pela qual Rui Barbosa foi
identificado como um “calvinista” não em termos religiosos, mas políticos, em razão de seu projeto liberal para o
Brasil.

DUAS FACES DA POLÍTICA EM RANCIÈRE: COMO GESTÃO E COMO CONFLITO


Gabriella de Sousa Oliveira
Graduanda em Filosofia, PIBIC, UnB
Orientador: Gilberto Tedeia

O que é possível descobrir entre a relação: sociedade e o estado? Com base em Rancière, a política ora aparece como
certezas que se formam por opiniões vazias, que poderíamos também chamar de gestão política, ora, com algo que de
modo algum condiz com tal consenso, na medida em que se mostra arena de conflitos entre ideias e propostas opostas:
como fazer quando “duas verdades” ocupam meio espaço? Como evitar que política se transforme na gestão de meras
“soluções adequadas” pelas quais passam as imposições governamentais, religiosas ou tradicionais? Na dinâmica dos
conflitos cotidianos, certa alienação soma-se à urgência por um processo em busca da autonomia na política, e a análise
da instauração conflituosa desse diálogo é questão a ser decifrada aqui, tendo-se por objeto a concepção filosófica da
política como dissenso em Rancière, a fim de propor a reconstituição conceitual de sua argumentação acerca dessas
duas visões de política.

O PROBLEMA DO MAL EM CONFORMIDADE COM A VONTADE DIVINA NO PENSAMENTO DE


LEIBNIZ E A SUA POSSIBILIDADE DE RESOLUÇÃO MEDIANTE O CONCEITO DE AMOR
Isabella Holanda
Graduanda em Filosofia, UnB
Orientador: Márcio Gimenes de Paula

A comunicação analisa o problema do mal legado da filosofia de Santo Agostinho para o contexto de discussão do autor
da harmonia preestabelecida em Leibniz. Leibniz sustenta que o homem detém livre-arbítrio e que o mal não está
contido em Deus, dado que o mesmo é amor e bondade puros e, tampouco, o mal está nos homens. Os seres criados por
Deus possuem liberdade – caso contrário, seriam meros autómatos –, e apenas ela deve conduzi-los em suas ações a
uma aproximação cada vez maior com o ser mais amado, no caso o Criador, apenas o amor como escolha pode abster as
criaturas do mal e restituí-las ao caminho do bem. A escolha dos homens pelo bem não é imediata, ela deve seguir de
acordo com a razão, pela razão os seres alçam a um patamar de escolhas mais estratégicas e evitam cair em
arbitrariedades, dado que o acesso às verdades de Deus só podem ser mediadas através da razão.
Palavras-chave: ética – Leibniz – amor – filosofia moderna – liberdade

COTAS RACIAIS, UM ATRASO OU AVANÇO?


Natália Amaral da Rosa
Graduanda em Filosofia, UFSM
Orientador: Frank Thomas Sautter

A comunicação apresenta alguns aspectos sobre cotas raciais, os principais argumentos contrários e os favoráveis a esta
tese. O debate acerca das políticas públicas tem gerado intensas discussões sobre a sua validade e eficácia. Há relatos
que muitas vezes são adquiridos pela falta de acesso a proposta das políticas afirmativas e inquietações acerca daquilo
que, durante anos, fora dado como correto. A política de cota racial é um exemplo, há algo em seu núcleo que gera um
sentimento de rejeição em grande parcela da população. Para demonstrar os variados aspectos desta discussão, propõe-
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se breve elucidação sobre alguns pontos, apresentar o contexto histórico e social sobre a situação do negro no Brasil e
no que consiste a política de cotas raciais, propor uma análise filosófica dos principais argumentos favoráveis e
contrários pelo viés dos juristas Luis Barzzoto e Luiz Barroso, e, por fim, algumas considerações sobre os principais
pontos da discussão.

A COLOQUIALIDADE COMO MÉTODO DE ENSINO DE FILOSOFIA


Melissa Fernanda Copetti
Graduanda em Filosofia, UFSM

A comunicação expõe o método de ensino de filosofia valendo-se de teorias como a de Paulo Freire, a fim de destacar a
importância da cultura dos educandos no ambiente escolar, e a de Vigotsky, para enfatizar a relação afetiva entre
professor e aluno. Para tanto, propõe um método destaque a importância da linguagem no trabalho pedagógico. Este
método busca também interligar o ensino da história da filosofia de Hegel com o ensino do filosofar proposto por Kant.
O que significa Coloquialidade? O principal elemento, parece-nos, de inserção na cultura do aluno é a linguagem, mais
precisamente, na linguagem coloquial. O uso desse tipo de linguagem, tratado usualmente como vulgar, não é de
simples domínio. Sabe-se que o professor não tem a mesma faixa etária que seus alunos, e que, em alguns casos, sequer
pertence à sua classe social, nem compartilha dos gostos e costumes dos alunos, de sua linguagem coloquial. Assim, a
linguagem usada utiliza cotidianamente pelo professor é completamente diferente da linguagem coloquial dos alunos.
Palavras-chave: educação – ensino de filosofia – metodologia didática – Paulo Freire – coloquialidade

A JUSTIFICAÇÃO DO CONCEITO DE NÃO-SER NO DIÁLOGO SOFISTA


Elaine da Silva; José Fernando Rosa Ribeiro
Departamento de Filosofia, UFSC
Orientador: Nazareno Eduardo Almeida

A comunicação trata do conceito platônico de não-ser no diálogo Sofista, bem como da teoria dos gêneros supremos,
trazida em favor da justificação daquele conceito. A questão que se põe no início do diálogo é definir o sofista de um
ponto de vista filosófico, ou seja, captar a pura essência da arte sofística. A partir daí, os gregos são levados a debater a
questão do ser, a qual desemboca na teoria dos gêneros supremos. Uma definição filosófica precisa do sofista passa pela
resolução da impossibilidade de conciliação entre o ente sofista, que deve ser, e a necessária falsidade da sofística,
impossibilidade essa causada pelas teorias ontológicas anteriores. O fato de o sofista enunciar esses discursos que são
estranhos à verdade não é uma impossibilidade, como pareceria ser na caricatura das teorias anteriores que faz Platão.
Observamos que o conceito de não-ser é e se equipara ao de ser, ou seja, o não-ser resulta como sendo outro que o ser e
não o contrário de ser.

AS QUATRO CAUSAS NA METAFÍSICA DE ARISTÓTELES


Aurelio Oliveira Marques.
Graduando em Filosofia, PIBIC, UnB
Orientador: Guy Hamelin

O essencial desta pesquisa diz respeito ao primeiro livro alfa da Metafísica, de Aristóteles, no qual se expõe a história
das causas à luz dos principais filósofos pré-socráticos e da filosofia platônica. No mesmo livro, o estagirita apresenta a
sua própria concepção da causalidade, analisada nesta comunicação. O principal objetivo da pesquisa é tornar claro
como se dá a apreensão dos objetos no mundo por meio da investigação das causas (aitia), pois, segundo Aristóteles,
podemos conhecer as coisas no mundo somente a partir delas. Ademais, em sua Metafísica, podemos demarcar quatro
tipos de causa: a primeira – diretamente relacionada àquilo de que se constitui uma coisa; ou seja, a matéria do objeto –
é nomeada causa material. Em seguida, encontra-se a causa final, que nos dá a razão de algo existir, isto é, a finalidade
ou utilidade do objeto. A causa eficiente, por sua vez, permite estabelecer a origem da coisa; ou seja, aquilo que torna
possível a existência de um objeto. Por fim, Aristóteles – ao visitar as teorias de Platão – identifica a causa formal, que
diz respeito à forma ou essência da coisa.

SIMBIOSE IN CORPÓREA: POR UMA ONTOLOGIA DA ALTERIDADE


Carla Caroline Martins Pinheiro
Graduanda em Filosofia, UFF
Orientadora: Tania Rivera (Educadora do Departamento de Artes)

A proposta do projeto fotográfico fomentado pela Bolsa de Práticas Artísticas, custeada pela PROAES da UFF, consiste
num convite artístico-filosófico ao enleio simbiótico com o meio que culmina em mimetismos, trazendo à tona questões
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ontológicas que abarcam e tentam aprofundar uma perspectiva de construção de ser que se dá necessariamente mediante
a afirmação da exterioridade, e, portanto, da alteridade “é superação da totalidade, mas não só como atualidade do que
está em potência no sistema. É a superação da totalidade desde a transcendentalidade interna ou da exterioridade, o que
nunca esteve dentro” (Dussel, p.164-165). O trabalho artístico consiste numa tentativa de trazer aos olhos possíveis
desdobramentos reflexivos correlacionados com temáticas que enlaçam e envolvem as áreas da Filosofia Política, Artes
e Biologia que, partindo de uma estética de resistência, perpassa por questões sobre esse ser que é alter e rompe com a
construção de mundo antropocêntrico e estabelece animicamente um “em si” que necessariamente se con-funde com
outros sujeitos em formas outras de vida, compondo-o enquanto tal. Um paradoxo, em que a condição existencial
coexistiria em condição de alteridade, no qual esse fazer ser seja um “comunicar através do ser com o outro” (Beauvoir,
p.59), sempre desvendando nesse ser outras inúmeras alteridades, abrindo caminhos que permitem ao “sujeito ir mais
além dos limites intra-horizontais da sua totalidade ontológica, de modo a não ser o sujeito dos objetos, mas um sujeito
entre sujeitos também” (Dussel, 1984, p.135). A concepção animista, além de romper com a prepotente e estreita
barreira do antropocentrismo em sua acepção demasiado humana, inaugura a distinção entre sujeito e objeto,
considerando como sujeitos todas as outras formas de vida que não humanas, e objetos os utensílios inanimados que
criamos, e é partindo dessa perspectiva que este trabalho pretende, não somente enquanto corpo teórico, construto
abstrato de uma “ideia”, mas antes, enquanto prática-reflexiva registrada fotograficamente, onde, em meio a florestas e
reservas ambientais, me lanço e me “encaixo” no que chamo de “interstícios”, estabelecendo relações simbióticas e
miméticas com o meio. A apresentação do trabalho pretende se dar mediante a análise estética das imagens
acompanhadas da exposição falada do corpo teórico.

CRÍTICA ADORNIANA À TESE SEMÂNTICA DO IDEALISMO


Alan David dos Santos Tórma
Graduando em Filosofia, PNPD-Capes-CNPQ, UnB
Orientador: Erick Calheiros de Lima

Dentre os vários aspectos da reflexão filosófica contemporânea abrangidos pela obra de Theodor Wiesengrund Adorno
(1903-1969), um dos principais representantes da chamada escola de Frankfurt, crucial, ao lado de outros, para o
desenvolvimento da teoria crítica e materialista da sociedade no século XX, a comunicação aborda, na interface entre a
Dialética do Esclarecimento (1947), obra escrita em parceria com Max Horkheimer (1895-1973), e a Dialética
Negativa (1966), considerada o cerne de seus desenvolvimentos teóricos, o tópico premente da crítica à tese semântica
do idealismo.

A FINALIDADE DA INTRODUÇÃO DAS MÁQUINAS NO TRABALHO E NA VIDA DOS OPERÁRIOS


FABRIS DA INGLATERRA A PARTIR DO FINAL DO SÉCULO XVIII
Renê Ivo da Silva Lima
Iniciação Científica, DCH/UECE
Orientador: Alberto Dias Gadanha

O objetivo da pesquisa é abordar a concepção de Engels sobre as condições de trabalho à qual está sujeita a classe
trabalhadora na Inglaterra graças à introdução das máquinas a partir do final do século XVIII. Tendo como objeto de
estudo a finalidade da introdução das máquinas no trabalho e na vida dos operários fabris da Inglaterra a partir desse
período, é possível esclarecer a relação entre trabalhadores e máquinas. Assim, como referência, a comunicação se vale
da obra A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra (1845) e indaga: qual é a finalidade da introdução das
máquinas no trabalho e na vida do operário fabril? E se obtém o seguinte resultado: a finalidade da introdução das
máquinas se deu pela necessidade de diminuir os custos de produção, aumentar a produção, baixar o nível do salário do
trabalhador e elevar o lucro do capitalista. Portanto, o emprego do maquinário tem como função dispensar cada vez
mais mão de obra assalariada.
Palavras-chave: trabalho – proletariado – máquinas

“PRA QUE RIMAR AMOR E DOR?”


Francisca Andréa Brito Furtado
Mestranda em Filosofia, UFC

O amor é uma necessidade do corpo ou da alma? Minha inspiração na busca por essa resposta é Platão, mais
precisamente, o passo 34d do Filebo, o diálogo platônico sobre o prazer: “aceita que dentre as nossas afecções
corporais, algumas se extinguem no corpo antes de penetrar a alma, deixando-a impassível, outras atravessam ambos e
provocam em ambos uma espécie de abalo que é tanto peculiar a cada um quanto comum aos dois.” A leitura dos
diálogos platônicos exige de nós a capacidade de acompanhar a argumentação. Lembremo-nos que esses diálogos são
construções e que neles todos os aspectos são relevantes, inclusive os contextos dramáticos que corroboram para o
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desenvolver das teses. Sócrates não finda a construção do argumento da natureza do prazer em 34d e se questiona:
“Estaremos falando corretamente?” A abertura está dada. Ao questionar sua própria proposição, Sócrates convida
Protarco a pensar junto e admite, de antemão, que não sabe. Ambos são postos em movimento na busca pelo
conhecimento. A comunicação faz um mergulho similar, e, na discussão iniciada por Protarco e Sócrates, colhe indícios
para a discussão do lugar de Eros no corpus platônico.
Palavras chave: eros – Filebo – prazer

A PLURALIDADE HUMANA COMO CONDIÇÃO DA POLÍTICA SEGUNDO O PENSAMENTO DE


HANNAH ARENDT
Dariohana Moreira Alencar
UFCA

A pluralidade perpassa as discussões de Arendt no que concerne a sua indagação pelo sentido da política. Segundo a
pensadora, é somente na pluralidade, na multiplicidade dos homens, que podemos obter uma mediação entre o eu e o
mundo. A pluralidade como uma marca decisiva para se alçar à condição política se vincula radicalmente ao espaço
comum, espaço em que se instaura também a possibilidade da descristalização dos preconceitos, da liberdade de juízos
e do nascimento de novas ações. Para a autora, seria justamente a negação da pluralidade humana o retrato mais fiel da
destruição da política, fato plasmado na ascensão dos regimes totalitários. São os homens em sua diferença, em sua
interação nos espaços comuns, que surgem como a real possibilidade do sentido plural da política, uma vez que,
segundo Arendt, não somos iguais. Os homens que vivem em conjunto constituem uma abertura para uma diversidade
de juízos, neste sentido a possiblidade de compreensão acerca da ação humana é também ampla e complexa.
Palavras-chave: pluralidade – liberdade – política

MARY E O ARGUMENTO DO CONHECIMENTO


Bismarck Bório de Medeiros
Graduando em Filosofia, CCSH-UFSM

O objetivo deste trabalho é apresentar o argumento do conhecimento de Frank Jackson contra o materialismo, abordado
primeiramente em seus artigos Epiphenomenal Qualia e What Mary didn´t know. Baseando-se nas afirmações de que há
aquisição de conhecimento após a experiência de um qualia e da impossibilidade do aprendizado desta experiência por
meio de informações físicas, o argumento conclui a falsidade da tese materialista, que admite todos os fenômenos como
inteiramente físicos. É elucidada a importância do debate em torno destas inferências, bem como as principais críticas e
contra-argumentações opositoras e defensoras da tese dualista de Jackson.
Palavras-chave: qualia – epifenomenalismo – dualismo de propriedades – materialismo

A ESCOLA DE FRANKFURT E A PERIFERIA DO CAPITALISMO


Bruno Carvalho Rodrigues de Freitas
Psicólogo, graduando e mestrando em Filosofia, CNPq, FFLCH/USP
Orientador: Paulo Eduardo Arantes

A comunicação expõe elementos para a formulação da seguinte questão: por que os intelectuais da dita “Escola de
Frankfurt” pouco atentaram para os processos que envolveram o então chamado “terceiro mundo” na dinâmica do
capitalismo? Ou melhor, qual o lugar da periferia da acumulação capitalista nos desdobramentos históricos da
racionalidade instrumental? O ponto de partida será um comentário sobre a importância da Argentina na fundação do
Instituto de Pesquisas Sociais, como um país que foi solo para acumulação de capitais que posteriormente sustentaram
as pesquisas do Instituto. Com esse elemento sociológico acerca da origem do Instituto pretende-se reforçar a ideia
apresentada por eles mesmos, na Dialética do Esclarecimento (1947), de que as bases do próprio pensamento, a razão
ancora-se em processos de dominação imbricados ao desenvolvimento do capitalismo. Não se trata evidentemente de
invalidar a produção desses intelectuais, nem sua crítica social, mas de apontar a necessidade questionar os motivos
pelos quais a totalidade social não era pensada tendo em vista as diferenças relativas aos países no que concerne o
desenvolvimento do capitalismo.

O CORPO PROVOCADOR DE ATRAVESSAMENTOS


Nágila Rodrigues
UECE, nagilaviviane@yahoo.com.br

A comunicação trata o corpo e sua força motriz provocadora de atravessamentos e de engessamentos a que os corpos
são submetidos dentro da sociedade, construindo um pensamento reflexivo que passeia pelo território corpóreo: corpo-
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arte, corpo-social, corpo-identidade, corpo-histórico, corpo-objeto, corpo-erótico etc., e utiliza a palavra corpo para
adentrar na zona subjetiva que, por diversas vezes, é o lugar onde toda a estrutura do ser se expõe. O trabalho tem o
interesse de incitar um diálogo acerca da representação viva e pensante do corpo. Observando seu lugar e hibridez que é
o que torna o corpo propicio aos diversos estímulos, sejam sexuais, artísticos, religiosos, sociais, políticos etc. Todos os
lugares habitáveis pelo corpo podem glorificá-lo ou hostilizá-lo, aqui as questões lançadas são: onde? quem? como? por
quê? Ao analisarmos algumas proposições relacionadas ao corpo, seja na arte ou em qualquer outro meio, citamos
inúmeras possibilidades para trabalhá-lo.

A QUESTÃO DA CERTEZA SENSÍVEL NA FENOMENOLOGIA DO ESPIRITO, DE HEGEL


Rodolffo de Oliveira Alves
Graduando em Filosofia, PIBID, ICA/UFC
Orientador: Eduardo Chagas

Com o trabalho desenvolvido, almejou-se fornecer uma compreensão da certeza sensível na Fenomenologia do Espírito
de Hegel. Segundo o filósofo, esta é uma crítica a todo o saber imediato, portanto, a todos aqueles que creem que os
objetos sensíveis têm verdade absoluta para a consciência. Esse saber crê ser o mais rico e determinado, mas na
verdade, mostrar-se-á o mais pobre e indeterminado. Hegel aponta que a certeza sensível passará por três etapas a fim
de encontrar a imediatez responsável pela mais ‘rica’ verdade que ela acredita deter: o objeto, o sujeito e a certeza
sensível em sua totalidade, isto é, a relação do objeto e do sujeito em unidade, serão experimentados, porém sua verdade
não se encontrará no imediato, mas nas mediações presentes nos existentes sensíveis, ou seja, no universal atingido pela
parte que se segue, a saber, a percepção.

BENS DE CONSUMO DE MASSA ENTRE POVOS INDÍGENAS: UMA LEITURA FILOSÓFICA DA


CIRCULAÇÃO DO DINHEIRO ENTRE OS POVOS ÉTNICOS XIKRIN
Carlos Henrique Hildebrando dos Santos
Graduando em Filosofia, PIBIC/FAPESPA, UEPA
Orientador: Gustavo Soldati Reis

A comunicação apresenta como o uso do dinheiro faz-se presente no cotidiano de povos indígenas xikrin. São um grupo
étnico da família kayapó, pertencente ao tronco linguístico macro-jê, estão localizados principalmente, nas terras
indígenas cateté e trincheira bacajá. Percebe-se que há uma profunda relação dos povos xikrin com muitos bens de
consumo de massa tradicionalmente de sociedades não-indígenas, como a televisão, rádio e o aparelho celular. Entre
essas incorporações, o dinheiro pode gerar um impacto muito grande na ressignificação da identidade étnica do grupo.
Para a análise, o aporte teórico gira em torno das contribuições da noção de “filosofia do dinheiro”, tal como elaborada
por George Simmel e nos estudos etnográficos já utilizados, tais como o de César Gordon, Economia selvagem: ritual e
mercadoria entre os xikrin-mebêngôkre, uma vez que os xikrin vivem seus dilemas no contato com projetos da
Companhia Vale do Rio Doce em seus territórios.

A ESCOLA E O PENSAR POLÍTICA


Leonardo Giorno
Graduando em Filosofia, PUC-Rio
Coordenador: Edgar Lyra

O trabalho é fruto da II Semana de Filosofia realizada no Colégio Estadual Visconde de Cairú, na zona norte do Rio de
Janeiro, por alunos do PIBID, financiado pela CAPES, com alunos do Ensino Médio, sob a supervisão do professor
Luís Alberto Cabral. Cada uma das 6 turmas do professor citado ficou responsável por interpretar um filósofo,
Aristóteles, Hobbes, Rousseau, Marx, Hannah Arendt e John Rawls, que disputariam o governo de “Cairópolis”. A
atividade consistia no exercício da alteridade. Ou seja, ainda que os alunos não concordassem com pensamento do
filósofo, foi preciso que eles se colocassem no lugar dele e falassem como se fosse ele próprio. Com isso, foi motivada
uma reflexão através da prática: o desafio era fazer política ouvindo mais do que falando. O resultado foi uma
repercussão que mobilizou toda a escola em torno do debate filosófico.

DO PRINCÍPIO DA IGUAL CONSIDERAÇÃO DE INTERESSES DE PETER SINGER


Jorge Gláucio Barros Figueiredo
Graduando em Filosofia, UFMT
Orientador: Walter Gomide
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A comunicação apresenta alguns fundamentos do princípio da igual consideração de interesses do filósofo Peter Singer,
pelo qual questiona o âmbito da moralidade restringida aos seres humanos, proveniente de nossa tradição contratualista
que exige o que denominamos metodicamente como reciprocidade. Em consequência, o comportamento dos seres
humanos gera o especismo, termo cunhado por Richard Ryder e muito utilizado por Singer, que demonstra a
desconsideração da espécie humana aos interesses dos seres não humanos, os quais tem seus interesses maiores
explorados por interesses humanos menores. Singer fundamenta seu princípio no conceito de senciência, que representa
a capacidade de um ser sentir dor ou prazer, ou bem estar, sendo esta a condição básica para se pensar em igualdade,
atingindo assim os alicerces da ortodoxia instituída pela tradição religiosa atribuída à nossa gênese divina, ou à
distinção pela inteligência, advinda em grande parte da influencia cartesiana. A senciência fundamenta uma ética de
igual consideração de interesses, respeitando as devidas proporções aos interesses de cada espécie.

JEAN-PAUL SARTRE: ANÁLISE E COMENTÁRIOS DE O MURO


Rodrigo Richardson Nascimento da Silva
Graduando em Filosofia, UFC

A comunicação analisa o conto O Muro, do filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre, a fim de explicitar os aspectos
“existencialistas” do conto; embora o “existencialismo”, como será chamada a doutrina sartriana, ainda não exista como
tal, nesse primeiro trabalho do autor já se encontram questões importantíssimas para o mesmo, questões aprofundadas
em outras obras do autor e que desembocarão na doutrina existencialista. O método utilizado será um resumo do conto,
acompanhado de comentários, além de comentários após o mesmo.

AS IDEIAS FILOSÓFICAS DESENVOLVIDAS NO BRASIL COMO ADAPTAÇÕES DE DOUTRINAS


ESTRANGEIRAS À NOSSA REALIDADE
Celeste Costa de Souza
Graduando em Filosofia, PET-Filosofia, UFBA
Orientador: Jarlee Oliveira Silva Salviano

A comunicação analisa e contrapões os argumentos de Cruz Costa e Antônio Paim sobre desenvolvimento das ideias na
história da filosofia brasileira, se elas são, realmente, apenas adaptações de pensamentos estrangeiros à nossa realidade,
ou possuem, de fato, um caráter nacional ou, quem sabe, uma identidade. Enquanto Cruz Costa ressalta que nosso
desenvolvimento intelectual é marcado pelo filoneísmo e inaptidão para questionamentos metafísicos, Antônio Paim
defende que o pensamento nacional é caracterizado por problematizar a nossa realidade, sendo a concepção do homem
o principal problema. Amparado, inicialmente, pelo problema levantado no livro História da Filosofia do Brasil: o
período colonial, de Paulo Margutti, a apresentação aponta até que ponto as ideias aqui professadas são tentativas de
adaptação de concepções estrangeiras em solo brasileiro e quais suas consequências.
Palavras-chave: ideias – adaptações – realidade – Brasil

O PROBLEMA DO CONHECIMENTO NO PRIMEIRO HOMEM SEGUNDO TOMÁS DE AQUINO


Joviane Marta Santos de Jesus
Graduanda em Filosofia, PIBIC, UFBA, jovianemarta@hotmail.com
Orientador: Marco Aurélio Oliveira da Silva

A comunicação pensa o problema do conhecimento no primeiro homem. Na Suma Teológica, Questão 94, o filósofo
medieval Tomás de Aquino analisa em quatro artigos o “Estado e Condição do Primeiro Homem Quanto ao Intelecto”,
o que implica compreender a condição humana originária da alma e do corpo. O primeiro passo, foco da comunicação,
apresenta porque o primeiro homem não via a Deus em sua essência. Sob esse recorte, são tratados os pontos críticos, o
percurso argumentativo, a solução proposta pelo autor e suas implicações.

PROJETO DE EXTENSÃO FILOSOFIA E JOGOS


Bárbara Martins Gomes
Graduanda em Filosofia, CEFET/RJ-Uned NI, UERJ
Orientador: Taís Silva Pereira

A comunicação apresenta o Projeto de Extensão Filosofia e Jogos, desenvolvido no CEFET/RJ-Uned NI desde 2013,
que tem como objetivo o desenvolvimento de jogos que possam ser utilizados como material didático no ensino de
Filosofia. A apresentação expõe a trajetória do projeto, os jogos construídos em parceria aluno-professor e seus
respectivos desenvolvimentos, e discute qual é a importância de desenvolver projetos como esse no Ensino Médio e
como a dinâmica dos jogos auxiliam no aprendizado da Filosofia.
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TRAGÉDIA E PARADOXO NA GRÉCIA ANTIGA


Vinícius Bastos Ferreira Brantes Ribeiro
Graduando em Filosofia, UERJ
Orientadora: Maria Inês Senra Anachoreta

Certa vez Marx disse que o objeto artístico tem uma relação dialética, assim como o trabalho: um ofício é produzido
pelas mãos do homem, mas também cria uma nova mão humana ao modificar as relações produtivas e sociais; do
mesmo modo é o objeto artístico: a produção artística não produz apenas um “objeto para um sujeito”, mas cria um
público sensível à arte – produz um “sujeito para o objeto”. Primeiro paradoxo. Deste modo funcionou a tragédia na
Grécia Antiga: a cidade pega toda uma instituição social e faz dela teatro: a comunidade realiza concursos para as
encenações de tragédias que são julgados sob a autoridade do mais alto magistrado, o arconte; para completar, estas
disputas seguem as mesmas regras das Assembleias e dos tribunais democráticos. É a própria cidade sendo
representada. Com isso, a tragédia cria um novo público que até então não estava acostumado com a experiência de um
discurso que não se destina à verdade, mas à representação e gesticulação no palco; uma arte para ser vista e ouvida por
uma plateia. Vamos montar um cenário em que a cidade vê surgir legisladores e a dissolução do poder concentrado nas
mãos de um único indivíduo. É a queda da palavra eficaz: o “fiat lux” do rei, a potência religiosa do poeta do período
arcaico, da fama do herói e das revelações dos adivinhos. Qual o lugar desse homem (o cidadão grego) num universo
social, natural, divino? Como ser dependente da natureza, contudo se compreendermos que a natureza, ao mesmo
tempo, depende dele. Quando Édipo é reduzido a nada na sociedade, é neste momento que a natureza se faz forte. Em
outras palavras, é graças a Édipo que a natureza se faz forte, grandiosa, vitoriosa. Segundo paradoxo.

ATOS SUPEREROGATÓRIOS SÃO POSSÍVEIS?


Kariel Antonio Giarolo
Graduando em filosofia, Capes, UFSM
Orientador: Frank Thomas Sautter

A comunicação discute se os chamados atos supererogatórios existem e, se existem, como podem fazer parte de uma
teoria ética. Considera-se um ato supererogatório como uma ação que não é obrigatória, ou seja, que pode ou não ser
realizada pelo agente sem que isso implique erro moral. Feitos heroicos ou santos, tradicionalmente, são tomados como
exemplos de atos dessa espécie. A apresentação defende a existência desses atos, embora isso não implique que eles
sejam centrais dentro de uma teoria ética. A prática de um ato supererogatório não muda o status ético de quem o
realiza, uma vez que o ato não é caracterizado como um dever. Atos supererogatórios seriam periféricos com respeito a
uma teoria ética.

EDUCAÇÃO, EMANCIPAÇÃO E MARXISMO: O POTENCIAL TRANSFORMADOR E CONTRA-


HEGEMÔNICO DA EDUCAÇÃO NA VISÃO DE GRAMSCI E MÉSZÁROS
Inácio José de Araújo da Costa
Graduando em Filosofia, UFC

Apesar de Marx e Engels não terem reservado um lugar em sua obra para tratarem da questão da educação, em seus
escritos eles reconhecem a sua importância como instrumento de apoio na organização e na luta do proletariado contra a
dominação burguesa, tendo papel fundamental no processo de emancipação humana. Posteriormente, outros autores
marxistas pensariam mais profundamente na educação como instrumento emancipador da sociedade. Gramsci a
concebeu como um instrumento contra-hegemônico, uma forma de manter a unidade de classe contra os aparatos de
dominação, dando destaque para o papel do educador. Na atualidade, Mészáros critica os rumos tomados pela educação
que, segundo ele, reproduzem a lógica do capitalismo e mantém a sociedade sua refém, defendendo assim uma
educação que nos leve “para além do capital”. A comunicação aprofunda a dimensão da educação dentro do âmbito do
pensamento marxista, com destaque às teorias de Gramsci e Mészáros.

“A MISÉRIA DO MEIO ESTUDANTIL” E O MAIO DE 1968 FRANCÊS


Lauro Rocha
Graduando em Filosofia, UnB

Para tratar a questão das revoltas do maio de 1968 francês, a comunicação discute a importância dos textos da
Internacional Situacionista, mais precisamente A miséria do meio estudantil, escrito por Mustapha Khayati e revisado
por Guy Debord, publicado em 1966 a partir de uma encomenda de estudantes da Universidade de Estrasburgo – cuja
proposta única ao concorrer para a representação no Diretório Acadêmico local era de acabar com o próprio diretório. O
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fato principal é que o conteúdo do texto tornou-se um escândalo de alcance internacional. Após ter trechos divulgados
em jornais de toda Europa e dos Estados Unidos, o caso foi para a corte francesa onde, enfim, o juiz decidiu pelo
fechamento do diretório, tendo os estudantes alcançado o seu objetivo e os situacionistas ainda mais influência no seu
país e fora dele. O objetivo aqui é, então, abordar parte do pensamento político e filosófico dos situacionistas e a teoria
do espetáculo de Guy Debord que, de certa forma, adiantou e impulsionou os movimentos estudantis de contestação de
1968 na França.

A PSICOLOGIA NIETZSCHIANA EM PARA ALÉM DE BEM E MAL


Edson Cruz
Graduando em Filosofia, UnB
Orientador: André Luís Muniz Garcia

A comunicação desloca o objeto de estudo que tradicionalmente caracterizou a pesquisa nietzschiana sobre o estatuto da
sua psicologia em Para além de bem e mal – e que converge, grosso modo, para uma crítica à concepção moderna de
sujeito. Interessa-nos, em contraste, não como a psicologia do filósofo se constitui ou qual seria o seu estatuto (por meio
da crítica mencionada), mas como ela opera, metodologicamente, mediante duas análises específicas desenvolvidas
nessa obra. Em suma, apresentamos (1) um breve resumo dos impasses assumidos pela pesquisa nietzschiana sobre o
tema – o que vai nos permitir verificar, no passo seguinte, (2) como a crítica à concepção moderna de sujeito é apenas
um dos efeitos mais diretos dessas interpretações. Por fim, (3) apresentamos que a psicologia nietzschiana opera por
meio da inferência retroativa que revela o querer característico de um determinado tipo de indivíduo.
Palavras-chave: psicologia – querer – inferência retroativa – método

CINEMA BRASILEIRO COMO CRÍTICA DO SUBDESENVOLVIMENTO


Amanda Aguiar de Castro Santos; Luciano Sousa Lira
Graduandos em Filosofia, UnB
Orientador: Gilberto Tedeia

Partindo dos estudos de Paulo Emílio Salles Gomes sobre o cinema nacional, abordamos como a atividade
cinematográfica no Brasil se desenvolveu em meio às influências do cinema estrangeiro como um sistema interrompido,
a saber, a ponto de não estabelecer uma tradição. Em meio a isso, e com a criação do Clube de Cinema de São Paulo em
meados dos anos 40 e da Revista Clima na Universidade de São Paulo (USP), a comunicação trata dos motivos do
surgimento de uma geração de críticos preocupada em pensar o Brasil, um país em formação. Essa geração
compreendeu a necessidade de analisar as condições atuais e os problemas brasileiros, afirmando a necessidade de
novos valores e ideias, por meio de uma, nas palavras de Gilda de Mello, “práxis consciente”, tendo, no campo
cinematográfico, a figura do perito a sua imagem. Posteriormente, expomos como a influência do método crítico de
Paulo Emílio se perpetua até os dias atuais, tendo-se por objeto o filme A cidade é uma só? (dir. Adirley Queirós, 2011).
Palavras-chave: cinema – subdesenvolvimento – modernismo – crítica – Paulo Emílio

A EDUCAÇÃO EM PLATÃO: UM OLHAR PARA A MULHER GREGA NA ANTIGUIDADE


Janaina Barbosa da Silva, DFCS/UEP; Rogério dos Prazeres, graduado em Letras, UCDB
Orientadora: Maria Solange Norjosa Gonzaga, UEP

Platão apresenta a função das mulheres e seus filhos na cidade fundada em logos. A base da educação das mulheres
gregas era: aprender a tecer, a ler, a escrever e noções de aritmética. A mulher é apresentada como a “grande onda”. Sua
inserção na pólis ideal só era possível se os guardiões e as guardiãs recebessem a mesma educação, com base na música
e na ginástica. Algo revolucionário para a Antiguidade, até então impensável para este período histórico na Grécia
Antiga. A pesquisa trata da realidade da mulher na Antiguidade visando entender como é possível esta mesma mulher
marginalizada tornar-se capaz de se inserir em meio a esse contexto histórico hostil, no qual só o homem possuía acesso
à vida pública na cidade.
Palavras chaves: Platão – mulher – educação

MITO E POLIÉTICA: SABERES ARQUETÍPICOS NA CONTEMPORANEIDADE


Agostinho Oliveira Maciel
Departamento de Filosofia, UFMA
Orientador: Antonio Jose de Ribamar Moraes

A comunicação identifica, analisa e reflete sobre as marcas que entrelaçam mito, política e ética na contemporaneidade.
Para tanto, vale-se de referências como Joseph Campbell, Mircea Eliade, Jung e Platão, pois a abordagem será
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tautegórica e arquetípica acerca do mito em nossa literatura, no cinema e outros veículos de informação atuais. É
importante esclarecer que a poliética não constitui, o que comumente chamamos de política, mas uma atitude
consciente do indivíduo perante a sociedade. O mito aparece aqui como um delineador entre a política e a ética.
Campbell, renomado mitólogo, afirma: o mito “desperta para uma consciência mais profunda do ato de viver”. Por isso,
é fundamental refletir sobre o montante de informação mítica que diariamente aceitamos em nossa mente.

ÉTICA A NICÔMACO: UMA EXEGESE ACERCA DO LIVRO I


Gabriel Messias Melo de Amorim
Graduando em Filosofia, PIBIC, CFCH-UFAC
Orientador: João Silva Lima

A comunicação intenta analisar e compreender os eixos conceituais situados nos postulados do Livro I da obra
aristotélica Ética a Nicômaco. Nela são encontrados os conceitos que delineiam o objetivo da análise empreendida nos
demais livros. Esta exegese é fundamentada na investigação semântica dos termos empregados pelo filósofo, e, por
conseguinte, encaminha-se ao exame dos conceitos elementares ao entendimento da ética. O objetivo final da ética é o
agir humano, e é entre aquela parte racional na alma e a parte incapacitante de razão que o humano “atravessa” seu
horizonte prático. Sendo a parte intelectiva na alma do humano o que o distingue dos demais animais, é em torno dela, e
das atividades orientadas por ela, que se tenta delimitar a caracterização da função específica do humano. O
entendimento dos conceitos que esclarecem cada uma dessas atividades tem uma grande importância ao trabalho
realizado até aqui, e àquele que ainda nos cabe realizar.
Palavras-chave: Aristóteles – Ética a Nicômaco – Livro I, eixos conceituais

CONTRA UM MUNDO DE ABSURDOS SÓ NOS CABE A REVOLTA: DIVAGAÇÕES EM SADE E CAMUS


José Luiz Silva da Costa
Professor do ensino médio

Albert Camus traçou sua vida entre a revolta, o absurdo e o engajamento. A luta constante entre essas categorias fez
nascer seus textos em que luta pelo homem e pela manutenção da vida. Todas estas ideias estão expostas em suas obras
que delineiam esta sua proposta de filosofia absurda. No estrangeiro, Camus apresenta a vida de um homem (Meursault)
em uma pequena cidade em Argel, sua mãe morre e, quando é condenado à morte, percebe o choque existencial em que
se encontra e desperta para a vida e sua beleza, a partir daí muda sua postura fazendo nascer em si uma revolta. Nesse
interim, Marques de Sade propôs a libertação do indivíduo em todas as suas potencialidades, sobretudo em uma
sociedade marcada pela hipocrisia e farsa. E a chave para essa liberdade seria a ascensão da verdadeira vida sem medo e
feliz pautada nas relações prazerosas e materiais. E critica os poderes e o dogmatismo que só destrói a vida humana.
Nossos autores são heróis revoltados contra tudo o que não é vida, e se complementam numa guerra contra os matizes
que esmagam o homem.

CRÍTICA E METAFÍSICA EM TORNO DO SER DO PARA-SI


Leonardo de Sousa Oliveira Tavares
Mestrando em Filosofia, CAPES, DEFIL/UFPB
Orientador: Abrahão Costa Andrade

A comunicação examina o conceito de para-si desenvolvido no interior da obra O Ser e o Nada como uma proposta de
“superação” da subjetividade moderna. Com base na obra do próprio Sartre e dialogando com comentadores como o
Gerd Bornheim, compreendemos a função do para-si em sua relação com o em-si. Chegaremos à conclusão de que o
esforço sartreano para a superação da metafísica com sua ontologia fenomenológica acaba por se voltar, mais uma vez,
à profundidade dos pressupostos metafísicos. O projeto sartreano de atingir, por meio da fenomenologia, a dimensão
mais radical da existência, ao que tudo indica, não poderia atingir outro domínio do saber.

O HOMEM SOCIAL EM HOBBES E KANT


Patricio Sândalo de Rezende
PIBIC, UFMA
Orientador: Zilmara Carvalho

Na “guerra de todos contra todos”, Hobbes considera o homem como naturalmente agressivo e belicoso. O homem
“lobo do homem”, levado por seus desejos e paixões, não hesita em destruir e matar seu semelhante, quando esse
comportamento o leva a suspender a obrigação de cumprir as leis imposta pela sociedade. Por outro lado, vemos em
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Kant a insociável sociabilidade dos homens, o meio de que a natureza se utiliza para realizar o desenvolvimento de
todas as suas disposições como antagonismos delas na sociedade, ou seja, o homem inclina-se a associar-se e depois
tende fortemente a dissociar-se.

AS DUAS ACEPÇÕES DO ENTE SEGUNDO TOMÁS DE AQUINO


Mariluce dos Santos
Orientador: Marco Aurélio Oliveira da Silva, UFBA

A comunicação apresenta as duas acepções de ente no primeiro artigo do De ente e essência, e investiga a solução dada
por Tomás de Aquino ao problema dos universais, como pautada na distinção entre a noção de essência absolutamente
considerada, que significa o conteúdo de um conceito e a intenção de universalidade, e se refere diretamente à
existência mental de um conceito. Para essa investigação, o ponto de partida é a afirmação por Tomás de Aquino, no
primeiro capítulo de De ente, no qual Tomás, com base no quarto livro da Metafísica, de Aristóteles, afirma que o ente é
tomado em duas acepções: a primeira apresenta a noção das dez categorias, e a segunda se refere à verdade das
proposições. Portanto, a apresentação investiga o significado da essência absolutamente considerada, segundo Tomás de
Aquino.

DERRUBANDO MUROS E CONSTRUINDO PONTES: O CAMINHO DA PRÁTICA FILOSÓFICA DO


ENSINO NO NÍVEL MÉDIO
Jexdson Cândido de Lima Alves
Departamento de Filosofia, UFRN

A comunicação discute como inserir, de forma bem-sucedida, uma problemática filosófica no cotidiano do aluno do
ensino médio. Reflete sobre as práticas e ferramentas indispensáveis que o docente deve se apropriar para despertar no
aluno o interesse pelo saber. Nesse sentido, propõe a promoção de metodologias alternativas que busquem o
rompimento com o atual sistema de ensino delimitador. Como eixo, este estudo se fundamenta em uma abordagem
dialógica construída com base em uma experiência laboratorial em uma disciplina do curso de Licenciatura em
Filosofia sobre o tema hobbesiano na filosofia contratualista clássica.
Palavras-chave: filosofia – ensino – política

COMUNIDADE DE INVESTIGAÇÃO E A EDUCAÇÃO PARA O PENSAR


Alana Gonçalves
Graduanda em Filosofia, CCSH-UFSM

A comunicação trata do sentido teórico da relação entre a Filosofia e o seu ensino, que passa pela questão da
especificidade da Filosofia no ensino médio, a fim de pensar especialmente na sua finalidade e nos procedimentos
didáticos. Pensar nisso é pensar sobre o significado do filosofar na vida humana, o que está diretamente implicado na
ideia de um pensamento que orienta e qualifica as atividades práticas, tais como dizer, fazer e agir. Entre os elementos
que seriam imprescindíveis para potencializar o ensino de Filosofia, temos a racionalidade como dispositivo para a
argumentação e a capacidade de fazer bons julgamentos. Esses componentes nos levam a pensar uma nova metodologia
estruturada como uma comunidade de investigação, incorporando a noção de coletividade que potencializaria a
formação dos jovens. Esse novo olhar sobre o ensino de Filosofia nos leva a outra questão: haveria uma necessidade de
alteração no currículo dos cursos de Filosofia?

O DEBATE EPISTEMOLÓGICO SOBRE O ETHOS DA CIÊNCIA: A CONTRIBUIÇÃO DE JOHN ZIMAN


Anderson Elias
Graduando em Filosofia, UFSC, anderson-elias@hotmail.com

O ethos da ciência, tal como formulado pelo sociólogo Robert Merton (1910-2003), pode ser descrito como um
conjunto de imperativos morais que a ciência, enquanto instituição, exigiria daqueles que dela se ocupam com vistas à
produção de conhecimento válido. Nas últimas décadas, perante a crescente intervinculação entre atividade científica e
as instituições comerciais, bem como o (alegado) novo modo de pesquisa científica que daí emerge, o ethos da ciência
tem sido alvo de crítica de diversos autores. A comunicação aborda a contribuição do físico e filósofo da ciência John
Ziman (1925-2005) ao debate. Após explicar o que as normas do ethos prescrevem, bem como algumas críticas ao
mesmo, apresenta (e defende) a posição de Ziman, especialmente tal como formulada na obra Real science, segunda a
qual, embora a atividade científica esteja mudando (ou tenha mudado), o ethos científico ainda possui validade
epistemológica.
Palavras-chave: ciência e valores – ethos da ciência – Robert Merton – John Ziman
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“VARAL FILOSÓFICO” E O CONCEITO DE EXPERIÊNCIA EM ANÍSIO TEIXEIRA


Jeniffer Regina Rodrigues de Lima; Mariana de Oliveira Neves
Graduandas em Filosofia, PIBID, PROPHIL, UFMT
Orientador: Alécio Donizete

A comunicação analisa, à luz do pensamento de Anísio Teixeira, uma experiência realizada pelo PIBID
Filosofia/UFMT com alunos do ensino médio. Tendo como base a centralidade do conceito de experiência nesse autor,
a atividade proporcionou aos alunos uma experiência da diversidade cultural presente no mundo, ao mesmo tempo em
que foram feitas conexões tendo como referência a cultura ocidental. Para Anísio Teixeira, o ambiente escolar
influencia diretamente na aprendizagem, assim, trabalhamos com a metodologia do varal filosófico – cartazes, imagens,
textos – e construímos uma caverna na qual eram projetados vídeos curtos seguidos de debates. Durante a atividade,
observamos como o ambiente proporcionou aos alunos o ato reflexivo diante de seus próprios valores. Observamos que
um ambiente atrativo enfatiza a vivência do aluno, enriquece sua educação e dialoga com a realidade. Pois, conforme
Anísio Teixeira, ‘escola’ e ‘vida cotidiana’ não devem se separar.

ENSAIO FENOMENOLÓGICO ACERCA DO INUSITADO


Rafael Azevedo Lima
Departamento de Antropologia, UnB

A comunicação traz à luz, com base em uma análise fenomenológica, uma forma de receptividade específica quando
diante do inusitado. Valendo-se de diversos exemplos narrativos, como alguns postos por Júlio Cortázar, Jorge Luis
Borges e mesmo de sir James George Frazer, torna-se possível explorar esse recurso narrativo na dimensão do evento –
dada a forma como compreendemos aspectos incidentais. Tal análise perpassa a proposta fenomenológico-descritiva de
Husserl, assim como estabelece diálogos com o estruturalismo de Lévi-Strauss, na medida em que o nosso pensamento
tenta abarcar o mundo e, mesmo, o estranho – o outro.

A EVOLUÇÃO NA RESOLUÇÃO DO PARADOXO DOS DIREITOS HUMANOS ANALISADO POR


HANNAH ARENDT
Mariana Garcia de Souza
Graduanda em Relações Internacionais, PIBIC-FIL, UnB
Orientador: Gilberto Tedeia, FIL/UnB

Em Origens do Totalitarismo, Hannah Arendt realiza uma importante crítica aos direitos humanos por meio do
paradoxo analisado por ela, o qual é presente na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão e que pode ser
encontrado por meio da existência dos apátridas. A autora inicia sua análise com o fenômeno da massa de refugiados
que surgiu no entreguerras e, com isso, um grande número de apátridas é enxergado. Segundo ela, essas pessoas se
encontram na situação de terem se tornado apenas humanos, ou seja, de não possuírem nacionalidade e por isso não
possuírem os direitos humanos. Após a Segunda Guerra, vários órgãos foram criados para tentar tornar os Direitos
Humanos mais concretos, como a Organização das Nações Unidas e a Agência das Nações Unidas para Refugiados.
Aqui se percebe um avanço no tema: uma maior atenção para tentar resolver o paradoxo, a qual era escassa no período
analisado por Arendt. Entretanto, esse avanço ainda não foi o suficiente para resolver o paradoxo.

DITADURA REPUBLICANA – NOVAS FIGURAÇÕES DA ORDEM E DO PROGRESSO EM TROPA DE


ELITE 2
Christian Gilioti
Mestrando em Filosofia, FFLCH/USP
Orientador: Paulo Eduardo Arantes

O filme Tropa de Elite 2 – Agora o inimigo é outro (dir. José Padilha, 2010) conquistou a maior bilheteria da história do
cinema nacional. A consagração, para além do sucesso comercial, se deu também no plano da recepção crítica, muito
embora de modo contraditório: intelectuais e jornalistas, à “esquerda” e à “direita” (em termos de alinhamento político),
com algumas exceções, reconheceram o blockbuster como importante realização artística, dotada de excelência estética
e profundidade, por assim dizer, sociológica. Entretanto, visto em detalhe, na contramão da percepção geral, talvez o
filme de José Padilha seja realmente decisivo enquanto figuração parcial do momento político do país, cristalizando
uma sorte de imaginário que, ao reatar com elementos positivistas e militares que marcam o nascimento da República
Velha, expõe os contornos do projeto neodesenvolvimentista consolidado ao longo da última década.
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O MUNDO ENQUANTO RELAÇÕES DE OBJETOS


Kethlyn Sabrina Gomes Pippi
Graduanda em Filosofia, UFSM, kgpippi@gmail.com

No livro Tractatus Logico-Philosophicus, Wittgenstein faz uma revolução no que se entendia até então do uso da
linguagem para a compreensão do mundo e das coisas que o compõe. A tradição expusera que os signos linguísticos
possuíam uma relação direta com os objetos, p. ex., o signo “cadeira” teria ligação direta com algo no mundo e assim
compreenderíamos seu significado e poderíamos falar e fazer uso dele. Wittgenstein diz que não. Seu argumento
defende que o mundo é composto por objetos, mas que esses se apresentam para nós enquanto suas relações possíveis –
e não isolados como a tradição defendera no decorrer do tempo. Deste modo, deveríamos compreendê-los enquanto
relações decorrentes das possibilidades dos objetos e os expressar de mesmo modo. A comunicação elucida o caminho
que o autor percorreu para poder concluir e defender este ponto, passa pela explicação do que é um objeto e o que é o
espaço lógico – enquanto capacitador para a existência dos estados de coisas – e, por fim, como conseguimos falar
destes através do conceito de figuração.

FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS NA FILOSOFIA POLÍTICA DE JOHN LOCKE


Luis Henrique da Cruz Sousa
Graduando em Filosofia, UnB

A comunicação trata dos fundamentos epistemológicos de John Locke nos Dois tratados sobre o governo, partindo dos
principais argumentos do autor sobre a questão de como demonstrar que os homens são naturalmente livres,
contrariando as ideias absolutistas dos poderes naturais dos reis, como defendia Robert Filmer. Dito isso, a meta é
explicar as principais ideias de Locke tendo a noção de liberdade natural dos homens como horizonte. Em um primeiro
momento, explicamos a noção de lei natural, bem como sua evolução conceitual até o contexto histórico de John
Locke. Em seguida, elucida como a lei natural está inserida diretamente na forma com que os homens percebem sua
existência no mundo, assim como sua conduta dentro da sociedade. Em suma, propõe-se uma análise das ideias de
Locke a fim de compreender como autor fundamenta suas concepções políticas a partir da forma com que entende o
“conhecimento” humano.

A CRÍTICA DA RELIGIÃO EM MARX: DO REFLEXO DA CONDIÇÃO HUMANA AO PROTESTO


INCONSCIENTE
Willian Lincon Barbosa Ferreira
Graduação em Filosofia, PET, ICA/UFC
Orientador: Eduardo Ferreira Chagas

Segundo o filósofo alemão Karl Marx (1818-1883), a posição da religião dentro da sociedade pode ser compreendida de
três maneiras: (1) como um reflexo da totalidade das condições inumanas em que se encontra o homem na sociedade
moderna; (2) como um protesto inconsciente contra essa condição insatisfatória dada ao homem; (3) como uma ilusão
de mundo, de uma felicidade ilusória, de um mundo melhor, no qual o homem se vê livre de uma vida insuportável, de
sua situação miserável e de total estranhamento. É uma consequência da condição do homem. Nela o indivíduo se
agarra buscando alento para as dores reais, advindas de um mundo de exploração e desumanização. É a religião não
mais que “a realização fantástica da essência humana porque a essência humana carece de realidade concreta”. A crítica
ao estranhamento religioso é, para Marx, a condição preliminar, “o pressuposto de toda a crítica”, pois, ao criticarmos
tal estranhamento, estamos, na verdade, também criticando a realidade, que é o fundamento da religião. A comunicação
apresenta uma leitura de sobre cada um destes pontos em Marx, e, simultaneamente, aponta elementos de sua crítica à
teologia.
Palavras-chave: crítica – religião – Marx

O PROGRAMA DA NEOSILOGÍSTICA E SUAS CRÍTICAS


Allana Rocaia Nazário Focking
Departamento de Filosofia, Iniciação Científica, UFSM
Orientador: Frank Thomas Sautter

A neosilogística de Sommers e de Englebretsen alega que seu programa é, ao menos, tão expressivo e mais natural do
que a lógica de predicados, como por exemplo, a lógica de predicados de primeira ordem, além do processo de
formalização a formalização Fa (Aristóteles é um filósofo). Entretanto, há necessidade de regimentação (Sommers apud
Englebretsen, 1990 p.xiv). Se por antinaturalidade a neosilogística entende como a presença de elementos formativos
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lógicos que não encontramos em nossos diálogos ordinários, podemos objetar que o próprio programa da neosilogística
requer regimentação – embora, segundo seus proponentes, esta seja mais simplificada do que a utilizada pela lógica
matemática – e utiliza variáveis na forma de subíndices como, por exemplo, na simbolização de juízos categóricos
universais afirmativos.

INTENCIONALIDADE: SARTRE LEITOR DE HUSSERL


Brenda Rossi Anhanha
Graduanda em Filosofia, CCSH-UFSM
Orientador: Marcelo Fabri

A exposição mostra em que medida Jean-Paul Sartre (1905-1980) apresenta uma atenção especial ao que ele chama de
ideia fundamental da fenomenologia, a saber, a intencionalidade. A meta aqui é explicitar em que medida Sartre vê, na
fenomenologia, não apenas um método filosófico, mas também, e sobretudo, um recurso para se descrever a própria
realidade humana, pois, segundo ele, o método fenomenológico se estende para toda realidade, permitindo interpretar a
realidade humana em termos de ação. Por meio de uma análise original da fenomenologia husserliana, no escrito Uma
ideia fundamental da fenomenologia de Husserl: a intencionalidade, Sartre investiga o ser a partir de nossa relação
fundamental ao mundo; é o drama humano em sua liberdade irredutível que se encontra, aqui, em questão e, sendo
assim, a preocupação maior de Sartre será com uma interpretação ontológico-existencial da própria consciência.
Palavras-chave: Sartre – intencionalidade – liberdade

NOTAS SOBRE A REVOLUÇÃO PERMANENTE EM MARX


Michelly Alves Teixeira
Graduanda em Filosofia, UnB
Orientador: Gilberto Tedeia

Os homens, para produzirem sua vida social, entram em determinadas relações de necessidade e independentes de sua
vontade. São estas relações de produção que regulam sua existência. Foi apenas quando o homem reconheceu e
organizou as suas forças sociais, não a separando mais de si a força social na forma da força política, que se promulgou
a ideia de emancipação social. “Os proletários podem e devem aceitar a revolução burguesa como condição da
revolução proletária. Mas, jamais, por um momento sequer, devem considerá-la como o seu objetivo final” (Marx,
Vários escritos, v.2). O termo “Revolução Permanente” surgiu com Marx e Engels em um documento onde ressaltava o
propósito da revolução de manter permanente e em andamento até que todas as classes dominantes sejam desprovidas
de seu poder e a maquinaria governamental seja ocupada pelo proletariado.

A EDUCAÇÃO E O MAL EM SADE E FREUD


Manuella Mucury Teixeira
Graduada em Filosofia, PIBIC, UnB
Orientador: Herivelto Souza

Parece ter vingado ao longo da história da civilização um modelo educacional que visa obliterar a realidade do mal a
favor de metas ideais da conduta humana. O assim chamado progresso civilizatório somente pôde obter algum êxito em
sua instauração à custa da tentativa de rechaço, dentro do âmbito social, da agressividade inerente ao homem. Não sem
com isso pagar um alto preço, o de constatar que, mesmo através de caminhos desviantes, o homem fatalmente alcança
os meios de satisfação de seus impulsos destruidores. Pode-se dizer que é nesse sentido que a psicanálise freudiana
pensa a dinâmica pulsional dos sujeitos participantes da cultura, ou seja, há algo próprio à natureza das pulsões que é
incapaz de ser submetido a uma adequação social, e, portanto a uma educação efetiva. Em alguma consonância com
estas ideias encontra-se Sade, que intenta calar a hipocrisia que ronda o “sucesso moral” de sua época por meio de uma
educação dos corpos, pela qual visa à produção de um sujeito político autônomo. A comunicação expõe as peculiares
visões acerca da educação nestes dois autores.

RUPTURA, O INDIVÍDUO ANTE A PÓS-MODERNIDADE


Pedro Durão Duprat Pereira
IFCH/UERJ

Marx, no Manifesto comunista, ressaltava “tudo que é solido se desmancha no ar”, apontando a necessidade de, na
modernidade, os homens tomarem as rédeas da sua própria história. Por essa via, essa ruptura só se fez líquida
momentaneamente, o seu interesse último era a construção de uma nova ordem, tornava-se preciso “derreter os antigos
sólidos”, mas só se puder criar algo mais sólido ainda. Na pós-modernidade desvirtuou-se as velhas bases humanas, as
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noções de pontos fixos, duros e estáveis faliram. Vivemos hoje em um período marcado por contradições e ideias
antagônicas, onde tudo se confronta. Existe certa liberdade individual, mas a velha ideia de um esclarecimento kantiano
que iria tornar lúcido todos os homens e capazes de deliberar sobre a escolha certa não se efetivou. Hoje as
ambiguidades são nítidas. Apesar da crescente liberdade, o futuro ainda é incerto. Assim, o indivíduo pós-moderno é
marcado pela mais circunstancial angústia.

EPISTEMOLOGIA POSITIVISTA E ATOMISMO HUMEANO


Gabriel Cunha Hickmann
Orientador: Eros Moreira de Carvalho, UFRGS

A comunicação mostra de que forma o conceito de experiência formulado por David Hume, no Tratado Sobre a
Natureza Humana, está presente no empirismo lógico, especialmente em Carnap, bem como torna mais claras aquelas
que são pressuposições nem sempre tornadas explícitas, tanto por Hume, quanto para os empiristas modernos. A ideia
aqui é chamar atenção para a passagem feita por Hume segundo a qual, se a experiência pode ser decomposta em
átomos, então os átomos são a verdade sobre a experiência, e não há substâncias para além dos átomos. A apresentação
contrasta essa filosofia com as de Simmel, Bergson e Horkheimer e Adorno, que chamam a atenção para o papel do
tempo no conhecimento, papel que teria sido negligenciado por Hume e por seus ditos herdeiros.

O FATO DA HISTÓRIA DA FILOSOFIA EM MARTIAL GUÉROULT


Ricardo Araujo Parro
Orientador: Pedro Paulo Garrido Pimenta
Departamento de Filosofia, Iniciação Científica, FFLCH-CNPq, FFLCH/USP

Em 1946, desembarcava em São Paulo o historiador da filosofia Martial Guéroult. Dentre seus pertences, trazia consigo
um curso de Leibniz e um método rigoroso e exato de leitura de textos filosóficos. No Brasil, pouco se escreveu sobre
esse método, o método estrutural, mas dele muito se fala. O que se escreveu, no entanto, tende a marcar posição contra
ele, afastar-se de sua pretensão à verdade. Consequentemente, até hoje, pouco se deixou entregar à resistência dos textos
de Guéroult. E quando sequer se lê, vale-se da “máxima kantiana”: vamos logo às questões de direito. Assim fez-se a
fama de sua dianoematique. A comunicação, em vez disso, chama a atenção para como Guéroult enxerga o fato da
filosofia e da experiência filosófica na história, partindo do princípio de que, sem isso, se perde o fio de sua dedução:
seu princípio é não exceder a experiência. Nosso foco será exatamente a forma como o autor entende seu próprio
método e outros métodos em história da filosofia.

A CRÍTICA DE LENIN À SOCIAL-DEMOCRACIA ALEMÃ


Lucas Moura Vieira
Graduando em Filosofia, UnB
Orientador: Gilberto Tedeia

Em O Estado e a Revolução, Vladimir Lenin acusa a social-democracia alemã, representada por Karl Kautsky, de
distorcer o pensamento marxista. Lenin indica que Kautsky faz uma deturpação sutil, porém importante, na doutrina
marxista no que diz respeito à questão da revolução. Sutil porque Kautsky admite os preceitos marxianos de que o
Estado seja o órgão de dominação de uma classe e de que as contradições de classe sejam inconciliáveis, porém
omitindo ou obscurecendo o seguinte: a libertação da classe oprimida só é possível por meio de uma revolução violenta.
Pretendemos fazer uma reconstrução desta crítica, mostrando como Lenin se vale de citações de Marx e Engels para
explicitar a contradição que há entre aceitar a tese do antagonismo inconciliável de classe e defender, ao mesmo tempo,
que é possível a passagem de um Estado burguês para um Estado proletário sem rompimento violento.

RELAÇÕES ENTRE LEIBNIZ E SIMONDON: MONADOLOGIA E ALLAGMÁTICA


Marcos Vinícius de Magalhães Chagas
Departamento de Filosofia, UnB
Orientador: Hilan Bensusan

Gilbert Simondon expõe, em sua obra L’Individuation à la lumière des notions de forme et d’information, uma teoria da
individuação em contextos metaestáveis, metaestabilidade sendo um conceito emprestado da Física. Lançar mão desse
conceito ao invés de apenas o conceito de estabilidade permite que uma metafísica não separe processo ontogenético e
ser do indivíduo, mas conceba o indivíduo como parte do processo. No decurso da exposição teórica, Simondon faz
referência às mônadas leibnizeanas, mostrando parte da inspiração de seu projeto metafísico. A comunicação, após uma
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exposição de cada autor, encontra relações entre e contrasta algumas teses da monadologia de Leibniz e as teses de
Simondon, concentrando-se nas críticas que este último faz.

A PRESENÇA DO TEMA ESTUPRO


Departamento de Filosofia, UnB
Maria Carreiro Chaves Pereira
Orientadora: Ana Miriam Wuschen

Em seu objetivo principal, a comunicação aborda um problema enfrentado pelo universo feminino, uma forma de
violência, que embora repudiada pela sociedade, não parece ser tratada com facilidade. Falar de ‘estupro’ ainda hoje é
assunto espinhoso. Talvez reflexo de uma sociedade patriarcal, como saber? Perguntas ainda sem respostas. Em todo
caso, fica a certeza de que não há a possibilidade de tratar o problema de forma isolada. Seriam necessárias outras
analises para explicar um comportamento asqueroso como o estupro. Este trabalho pretende chamar atenção, propondo
uma discussão que vá além da simples constatação. Aqui a esperança que a reflexão gere a ação. Atualmente, temos
muitas campanhas e nunca se falou tanto nos direitos da mulher. Contudo, nas abordagens sobre ‘estupro’ pode-se
perceber certos melindres, que revelam visões tendenciosas, beirando a banalização do problema. O livro A cidade das
damas, de Christine de Pizan, escrito na Idade Média, relata a história de heroínas que enfrentaram a violência sexual.
Infelizmente, hoje não é conto e sim, assunto moderno. Pois muitas mulheres ainda são molestadas, da mesma forma
como outrora é descrito no livro.

A NOÇÃO DE EU PROFUNDO NO ENSAIO SOBRE OS DADOS IMEDIATOS DA CONSCIÊNCIA


Henrique Fróes
UnB

A comunicação apreende os sentidos que a noção de eu profundo adquire no âmbito do primeiro livro do filósofo
francês Henri Bergson – Ensaio sobre os dados imediatos da consciência. Por meio de tal noção, Bergson irá afirmar a
singularidade dos sujeitos e dos estados emocionais, bem como os limites da linguagem na capacidade de expressá-los.
O eu profundo constitui uma ideia fundamental na argumentação bergsoniana em favor da liberdade e da
imprevisibilidade dos atos humanos.