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Eni Puccinelli Orlandi (org) Pontes " 1998, capyright © 1998 dos Autores ‘ Coodenardo katona Ernesto Guineas Capa: Claudio Roberto Marini evade Equipe de revisor de Pontes Eacres PONTES EDITORES ua Masia Monteito 1635 13025.152 Campinas SP Brasl Fone (019) 252.6011 Fax (019) 253.0769 t 1998 Impresso no Bras INDICE Introdugte A leitura proposta ¢ os leitores possiveis, Eni Puccinelli Orlandi Aspectos da formu hist6rica do leitor atvalidade José Horta Nunes, Semtido, interpretagio € hissoria Carolina Rodriguez, Claudia Castellanos Preiffer. ‘As Teituras da/na Rocinha Bethania §. C No excesso de leitura a deftaglo de leitor Pedro de Souza. Meméria de leitura ¢ meio rural Maria Onice Payer. Gestos de leitura em linguas dk ‘Tania C. Clemente de Souza idude Referéncias de leit imprensa escrits ‘elma Domingues cla Silva a para o leitor brasileiro na 127 139 135 m A Pratica discursiva da leiturs 189 201 INTRODUCAO, A LEITURA PROPOSTA E OS LEITORES POSSIVEIS UMA PRATICA REFLEXIVA Exe liv € o resultado de umn trabalho conjunto ‘uma equipe formada tamento de Lingoistica do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. © grupo inicial que realizou esta pesquisa € compasto por pesquisadores desse nosso projeto € que se dispuseram a pat- ‘20 MEC-INEP: O pest 808 que compunham esse grupo ini realizou um evento a convite de Eliana Yunes da Casa da Leitura do Rio de Janeiro, (O tema proposto para esta pesquisa & a consti as institvigdes de ensino e esse sujet (gestos) de leitura e interpretagio. O discursivas que produzem um imagi fr, assim como para a definigao da leitura ¢ a caracte~ separago entre 0 que deve € o que nao deve ser lid, de. ‘0 & produzit uma forma de conhecimento sobre leitura © sobre sujelteleitor que dé & Escola uma sustentaclo sobre bases descritivas histrico-discursivas consistentes e que Ihe permita trabalhar com nogdes mais proximas das detetminagdes ‘propostas bem intencionadas) Isso de Discurso, 0 objetivo mais relevan a sua capacidade teérica e metodolégica na compreensio do Fendmeno da letura e suas implicagbes no que diz respeito 7 lagio de sentides em nossa formagdo so reendet, de modo particular, 0 espaca de de forma a deixar um discutir com aqueles que estavam envolvidos diretamnente na pesquisa proposta ao Mec-Inep: José Horta, Maria Onice Payer, Claudia Pfeifer ‘Telma D. da Silva, Pedro de Souza. Com isso c lum grupo de pesquisa: estabelecemos u questdes de leitura, Com a cyolucao dos ttabalhos e © convite para o evento na Casa Da Leitura, pesquisadores interessados — Freda Indursky, Maria Cristina Leandro Perreira, Tania CC. de Souza, Luiz Carlos Borges, Monica Zoppi Fontana, Carolina Rodriguez — produziram novos textos, Partcipando, todos nés, do evento da Casa Da Leitura,tivemos um contato efetivo de tra- balho com outras maneizas de refletir sobre a leitura € isto nos estimulou a alargar nosso projeto inicial, visando entio a pro- do conjunto de veflexdes realizadas, ro nio € apenas o resultado de uma pesquisa em conjunto mas da pritica de reflexio que teve um, ercurso em que nos expusemos a diferentes modos de trabalhar e a diferentes relagses com o pablico, ou melhor, com diferentes piblicos. ESTADO DA QUESTAO Uma das perguntas presentes de forma mais ou menos constante nos trabalhos sobr |, € a que incide sobre a relagio entre, de um lado, o ims sujeltovleitor para a Escola e, de outro, mente presente na Escola com suas det (hlst6rico-sociais). ‘Temos tematizado de varias manciras ess 1elaglo, tendo dado uma forma’ te6tico-metodologica a ela através da perspectiva da Anilise de Discurso, afirmando que 2 leiura € produzida, afi- ‘magio que coloca, em conseqiéncia, a necessidade do estudo das ‘condigies de sua produgio, Formulamos assim tock uma perspec liva de estudos que caracterizam 0 que ch sujeitoeitor ¢ a historia das leuras” CE. Or 8 mages concretas Além disso, jf faz parce dessa teorizagio a preocupagie em Sem esquecer prete sao relativaments respectivamente), ‘Nesse sentido, tem havido um investimento, nos trabalhos de rosso grupo, em pesquisas sobre ‘guagem, em que se confrontam oalidade e escrta de for ‘gular (histérica). Nessa digegio € que desenvolvemos pesquisas ‘que trata da formagio de um sujeito-leitor brasileiro desde 0 tempos coloniais (J, Horta Nunes, 1994). Ou seja, temos desen- volvido estudos que procuram explictar o modo como jf se con- para 0 que se pretende que seja 0 por exemplo, nos relatos de missionarios Para ating tal objetivo, analisamos exemplares de linguagem produzidos em diferentes instncias (escola formal, Escola agricol ‘Também analisamos a relagio de linguagem em sujeitos de outras cculturas, como 0s indios. Como sabemos, em Andlise do Di a historia ndo € cronologia, ndo € evolugio, nem causa-efeito, mas producio e mecanismos de distribuigz0 spretacio, em suma, como veremos, é funcio simbélico mais carecteristico da historcidade @ a inter- bretagao (land, 1990), Tm relaglo 2 produgio da/ma Escola, gostaria de observae que visamos tanto as formas ditctamente atesadas pela Bscola Como aquelas que mostram a produgio escolar sob sua forma 9 telagio do ciel ‘©.coRPUs: £ preciso dizer que 0 corpus em Anilise de Discurso inntvel «proviso itagZo do corpus ndo segue eriérios empiricas (posi- a —rtrt—s—— ‘com jé tivemos a ocasizo de dizer, adquire novas determinagdes, nsiderada em relagao. 20s & 8 temitca ¢ nio em relacio 20 mateal linguisico fico (textos) em si, em sua exienséo, Esse mater em fungio de um principio teérieo, segundo o qual centre © lingiistico ¢ 0 discutsivo nio & automitica, nio hi biunivocidade entre marcas ling de que slo 0 trago (as pistes). 2 Lingtisticn na descrigio das sistem: ‘uso0s (Orlandi, 1991). Por seu lado, as marcas lingisticas era si nfo dizem muito sobre um discuso,€ preciso considerar © modo ‘como aparecem em um discuso, ou Sela, temos de estabelecer seu modo'de existéncia em telagdo 2 propriedade do discurso que € 0 objeto da anilise, que estamos caractetizando signi. ficatvamente o discurso, em relagio is marcas que o consttvem, ‘Além disso, devemos observar que o que temos, empirice- mente, & um continuum discursivo, em que o inicio ¢ 6 fm nao sto deierminados e, logo, néo sio detectaveis perceptualmente (0 que se analisam 'sio estados de um processo discursive sem estados em si mesmos mas, antes, vendo ‘outros estados, igualmente’signifcaivos, Nessa perspectiva, os textos sio tomados como exemplares de discurso, Visamos 0 texto enquanto exemplar do disc 0 uma formagio dliscursiva que o regula e que, Juma relagio determinada com a formagio remissio ¥ ideologia que encontramos 0 que & sistematico, regu= 10 lar, constante, em selag2o a0 funcionamento do discurso. No analisamos.o sentido do texto mas como o texto produz sentidas, “Fambém nio trabalhamos com a organizacio do texto. O que nos imeressa € 0 que 0 texto organiza em sua discursividade, em relagio & ordem da lingua e a das cois unidace dscusiva, Esa" io" de relagces sign ineditismo de cada nificago, ‘0 fato do analista mas analise, na detecc2o dos screvem, Uma vez detecta- ificativo relevante para 0 tema e © objetivo dda pesquisa, ele deve ser procurado 20 longo do corpus, pelos recortes. Resta lembrar que outros processos a ele relacionados passam também a ser objelos de observacio. ‘A nogio de formacio discursiva € fundamental na determi- nagio de processos de significaglo. O discurso ndo € nem um sis- tema de idéias, nem um dispersio em suinas, mas um sistema de ide de uma enunciagéo (Foucault, € uma dispetsio de textos cujo smite definiclo como um espaco de rogularidacies enunciativas. Essas regularidades € que sto consignadas pelas formagées discursivas ‘Ainda para Foucault (idem) a nogio de discurso supde que no efinido, s6 uma parte do dizivel € acessivel forma um sistema e delimita uma id ‘curso derivamn a0 mesmo tempo da ‘As formagdes discursivas nfo tém fronteiras categoricas. Como diz Goustine (1982), 0 fechamento de uma formagio dis- ceursiva € *fundamentalmente instével, oo consistindo em um limite tragado de uma vez por todas, separando um interior ¢ um exterior co seu saber. Ela se inscreve entre diversas formagdes ‘como uma fronteira que se deslgca em fungio da Inta ideologi- u persas qu ‘da meméria (do saber discussivo}; esse domtnio constitut discusiva para 0 suj intervém no repetivel, no entanto, € 0 interdiscurso que regula os desloca das fronteiras da formacao discursiva, incorporan- (do inter € o do intradiscurso em sua relagao com as formagdes iscursivas pois € dessa relagio que deriva a possibilidade de der como funciona o sujeto, e & essa relacio que tabalham processos de identificagao que no estZo fechados em sua inscrigio em uma formagio’ discursiva determinada mas justamente nos das formagdes, que delimita 1992). uma pritica. B, m conjunto dle textos, pritica, € consttuide por pritica que o discurso, devemos comes por compreender que 2 nio existe discurso sem sujeito nem remissio do discurso a formacio dis ‘com a formagio ideol6gica que mages. Esa relagio a historiciadade do sujeito e dos sentidos. ‘Como vemos, a nocio de formacio discursiva € fundame sujeit, soja quanto &histria. AS formagbes tima posigao mas nio a preenchem dese tido, As formagdes so consituidas pelas diferengas, peas €or trades, pelo movimento, So um principio de organizacio 30 apalisia so parte da con las nao so definidas 2 pio Jizados, mas como regites de nogio de formagio discursiva como sitios de sigi (omespondentes a gestos de intespretgio), na relagio com 2 diferenga, AS. formacoes tonstante processo de recon thagio e afastamento , Mas em c texpretago, elas se esabelecem e detesminam as tidos, ainda que ‘momentaneamente, B iso que «i identidade aos sentidos © 208 Sujets, Esscs pontos de “atacagem’ (Orlandi, (199) ~ que nao Slo apenas pontos mas formagbes ~ t8m a forma hitérica dos tmecanismos Ideol6gioos que se 1do-se por aproxi- Para atingirmos este modo de constitui¢io dos sujeitos da lin- guagem e dos sentidos que produzem, cevemos fazer algumas dlstingvies com as quais operamos na delimitaga0 do corpus. So clas; universe discussiva, campo discursivo € espago discursive a, 1984). i60 discursive compreende 0 conjunto de formagdes ‘que jateragem numa conjuntura dada. £ pouet ‘operacionalmente pois s6 defini a extensfo maxis, o horizon partir do qual serio construidos os dominios suscetiveis de sserem estudados, os campos discursivos. Em nosso caso todos 05 discursos produzidos que se podem remeter 3 em qualquer época, em a regio, de qualquer tipo © campo diseursivo é © conjunto de formagbes discurivas «que se enconttam em concorténcia(alianga, confront, neut dade aparente, et), se delimitam teciprocamente com. determinada do universo discursive. E no interior do. campo discusivo que se consul um discurso © a hipdtese & a de que esta. consttvigio pode ser descrza em termos de operagdes sobre formagoes discussivas [d existentes (génese e interdiseus0). , no campo discursive, tés gem (oma posicio) em nossa sociedade atual jornais, ert espago discu produzida para o fda tanto pelas instivuigdes for- ¢ Privada) como menos formais, nas Favelas (a Rocinha no Rio de Janeiro) e nas Comunidades urais (no Espirito Santo) , assim como pelo efeito produzido fora das Escola. Podemos, enfim, para_organizar o corpus, distinguir os ‘seguintes modos de produgao de leitura: 1. O modo de produgao da teitura na escola e na imprensa; 2. 0 modo de produgao da leitura na escola e nas ruas (outdoors e pichagoes) 3. 0 modo de produedo da leitura na zona rural (escola rural, sindicato, escola agricola, etc); 4. 0 modo de producdo da leitura nas classes populares da zona urbana (favela): ‘5. modo de producéto da lettura nas propostas académicas (projetos de feitura nas Universidades). Queremos ainda observar que quanto @ natureza do corpus, teremos, como dissemos: a, materiais escritos, de imprensa; bb, materiais escritos pedagogicos; ¢. materiais orais de entrevistas, dd. materais visuais diversos. “4 ‘A cessa variedade da natureza do-corpus co fem nossa perspectiva, a heterogeneidiade i rnatureza dos sujeitos leitores. Nao Gomo 0 Discurso Pedag6gico tem como uma de suas formas de atuacio a universalizagao cas nagdes, essa contradigao marc. da pela relagio entre a heterogeneidade do Universalizagio de sua imagem nos interessa pas Para cada dominio de realidade que analisamc imprensa, eva, zona rural, cultura indigena e favela — tivemos que elaborar procedimentos a ‘que nos permitisse compree a) do corpus e a da andlise vi ‘estamos nunca dlante de um corpus inatgoral mas sempre em consimicio, A constituigio do comps jf € anlise pois € pelos pro- ‘cedimentos analticos que podemos dizer 0 que faz parte € 0 que nl faz parte do corpus. O que teré conseqliéncias cruciais para © objeto do tabalio. £ $6 q ppassamos 2 sua escrita (para os let nizagio (A adminisvada) que sj anflise, resultados, Dai que @ escria da Discurso, tem importa fundamental pois € esta es ois, nfo € nevtra como No entanto, nem por isso widade pretendem 06 cie cla deixa de se cor 15 FILIAGOES Alguns comentarios @ inscrigfo da Anélise de Discurso no 10 das cléncias nos dao indicagdes fundamentais sobre 1gdes twbriens e ideoldgicas. Poclemos distinguir duas espécies de comentitios que, na realidade, zeabam por mostrar uma s6 e mesma posigio cient corideologica 1 Alguns observam que a Andlise do Discurso tem-se pro- posto dar conta de algo para que a ciéncia da linguagem nao idade de saber. Estamos nos eferindo 20 residuo deixado por Saussure: a fala, Como sabemos, a lingua é 0 lugar da necessidade, das lade de andlise, € pr , feserva psicologi dade, do néo-controle ¢ da nao previs Deslocando a dicoromia saussureana de \ingua/fala para sgua/discuso, M. Pécheux muda o deseoho desse campo de portivel para a ciéncia ~ 0 discurso ( efeito de sentidos entre focutores) € ideologicamente marcado, logo regulivel, submetido A hist6ria, nto brotando magicamente de uma esséncia de um sujeito, expressio de uma mistica de liberdade, A liberdade nao © sagrada, Ela € his6rica. Eh é uma pritica, Bla se condigdes determinadas. Nada mais chocante para o positivismo sujeitos € dos discursos, 6 ima palavsa: determinar nao & a rigor, nem pre pio de funcioname: de poder manus designios. Posicao ambigua e di “onipotente (desarms tifcidade a Anilise de Discur "Nesse mesmo campo, hi paracloxal, que é a de rea ‘6 sujeto dono de st, aquele que inventar qualquer sentido. ‘ou se aceita um objetivo ingénuo ¢ mente © sujeito) ou negarse clen- tra sérle de observagbes, u yecer que 0 jogo da palavra ‘a orpanicidade desse poder lo*. Ao contrério, 0 que a de que cle esta & cavalo sobre a lingua e a historia, enive« neces Sidade © 0 neato, ene 4 certeza ¢ 0 equivaco, entre 9 est dade e'a movencia, enire a vontade ea indiferenga. Nao hi nem ‘um agente onipotente na origem € nem tim poder instcional todo podleroso a0 fin © sujeito se faz em um movimento de entrega e de resistén- cia. A resistencia, ais, € ela prbpria movimento do sujeo para ‘uma posigao que nfo o svbmeteintiramente coerefo. fa prt cde deslocamento desse sujeto em dierao 2 um lugar em que ele consid umn poder diver tagger, 1985). Digressio dos sen- procesio de resiténca & just. de discireo onde se posse 90. 2 Este € 0 segundo ponto em que se concentram os come) discussio: como 0 sujeito € capa’ nao haveria determinagio, Cielo que esta questio foi, desde 0 comego, objeto de reflexto. O modo que consider (patifiase) ¢ 0 da diferenca (polis: qualquer processo (discursivo) de signifieagac considerasse a diferenca entre criatvidade e produtividade (E. 1978, 1983). A produtividade, digo nduz todo dizer a0 mesmo riedade de sua produgio. Jé.a apontando para ‘vrtas posigoes do sujeito. Estes dois processos andam téo juntos: que & iimpossivet seps se evita 0 elogio da criagio subjetiva lagrosamente aparece do nada, ao mesmo tempo emt que indiferente a tansformagio, 4 ruptura, a diferenga pro- fa subjetividade. esse sentido, € preciso dizer que a Anflise do Discurso da Escola Francesa no fals, na realidade, em sentido novo ou velho. ‘quando esta & compreendida como cronologia, evolugio, Ora, na Analise de no se trabalha com esta perspectiva linear da historia, em Anal no & cronolbgi- co nem evol ide do discurso esta ligada a0 modo de funcionamento ne tem a ver coin a produgio de_sentidos, are Formagdes Discursivas. Dat prefeimmos a nocéo de sentido diferente, ja que ‘© sentido nunca esté sozinho, ado se produ de una ved so, em ‘um lugar 36, Nao € linear. © sentido se faz sentido. Em suas 18 |. quando pensamos o di ‘A nogio de novo esti ligaca a nogio de sujeito, Como viemos mostrando em nossa reflexio, : ‘rigem de si, Dat preferimmos fal ruptura, em transformagio em relagl0 resistencia, ein deslocamento © mudanga de indo falamos em ser ‘outros lugares em que cle pode estar se prod palavra, desconhecemos sua historicidade. Com efeito, o que hé Nao so nesn novos nem duzem pela exposigi0 do sujeito 4 hist Enfim, relacionadas a estes pontos que tematizamos, vem @ dade de interpretar, Ble nao pode ato inter- pretar. Esta € uma injungio. Bo homem interpreta por filiaclo, ou seja, fllando-se a este ou aquele sentido, inscrevendo-se nesta ou aquela formagio discursiva, em um provesso que € seu gesio de intespretagad, Cor . ccoisa-a-saber..s0 sempre tomadas em redes de memnéria dando os jeacloras © no a aprendizagens por € uma “interagio", e as filiacdes icas nas quais se inscrevem os individuos nao so iquinas de aprender” Imediatamente, @ pergunta que se coloca é: come fica nosse pposigdo como analistas, como prafessores? Nao podemos "ensi- linguagem enquanto analisias, como tratar a questio da interpretagl0 no proprio sujeto que fala, 9 seu dispositivo te6ri- £0, © sujito con ico que também funciona como mediagio, na_produgio dos sentidos, dando forma aos gestos de interpretacio (ef. &. Orland, questio da relagio com O sujet, para fer sentido, ent em vm ceo discurso, 08 Jue constituem os procestos discursivos. & assim a1 memoria clscursiva, Por liagio eno por spren- izagem. Ai & que ele se situa em relagio aos diferentes sentidos, isio. Ble ff (© esto de interpretacio ja vem carregado desta logico © 2 natureza Funda mentalmente dialogica (social) da linguagem). ‘de discurso, estamos inter vindo nessa relagio do sujeito com a interpretagzo (com 0 "dar" sentidas) ¢ logo com essa consciéncia que vai-se constituindo. O problema, como dissemos, € pensar que, ou pela ciéncia, ov pela rensinem” os gestos de interpretagio, se mude a idade nfo se ensina, mas podent-se trabalhar cs de identifieaglo. Pode-se alargar a capacidade de Gio do sujeito. Mas se estaxd sempre ideologicamente do. dito que somos pegos pela linguagem, Nesse sentido, somos interpretados mais do que interpretamos. Estamos de acor do com essa afirmagio, com a condicio de compreendermas que nao somos pegos pela lingua enquanto sistema formal, mas pelo 2 gua enquanto si ato, eu Fesponderia que o sujeito pode ficar indifesente 2 lingua. HS condigdes para que ela seus efeitos, Nao é s6 um jogo de significantes descarnados ‘guagem tem sua parte na lexerce sua forga inexora ‘Matraga, mas por precisio (G. Rosa, 1971). Eu resumitia isto dizendo que a escuta nao € ttansf ‘Cada um tem seu gesto que 56 sentido no seu evento. Mas 2 escuta, a interpretagio pode sei lise de Discurso € 2 que procura construir um dispositive que produza um deslocamento (Orland, 1996): 0 da produgio de um efeito de alteridade que faca © sujeito se desloque do ponto cego da transparéneia, do cevidéncia (0 sentido “nat assa ent¥o a expor seu 2 opacidade, deslocando-se para una leitura que trabalha ( apague) 0 eleito da alteridade, em que 0 sujeiio ndo se ide ‘com, mas observa, 0$ movimentos da interpretagao. ‘Tudo isso, para dizer que, na proposta da Andlise -de Discurso, A sentidos que ndo se aprendem, em termos de transmissio de sentidos (posiclo conteudista), mas se aprende tra’, estabelecer uma relag20 com 0 funcionamen- to da discusso e aprender o gesto da interpretagao. Em suma, pode-se compreender que 0 sentido sempre pode ser ovt {sto vai compor o gesto de interpretagio. Como resultado, adere a uma posigao, de forma estita, abalha-se o efeito da alteridade na lei Isso nfo significa que, para o @ boa. Os sentidos podem sempre sex re determinacio historica ‘Mais importante ainda & ref essas questOes ‘quando se toma em conta 0 que €, segundo Pécheu ‘queriamos dizer que a interpretacao, tal como a entende de Discurso, € a base mesma da definicio do dizer. O interpectivel, A interpretacio & sentido que retorna: o dizer que E assim que 0 repetivel (0 saber discursivo, sua metéria) iva_podemos entender a ideologia pela opie de simulacio . fala € ‘© 0 mesmo tempo 9 1 € 20 mesmo tempo o espaco do possivel: 0 dizer & sempre sujeito ial € sempre e 56 efeito. Em outros trabalhos, procurei fazer compreen € produzida. Neste estigio de meu conhecimento sobre di smental que se compreenda que prod ‘Tenho. procurdo mosirar como construcio da propria auloria supe necessatlamente um lugar de a 2 posigio do sujeito. Em outras ito a intespreiaco distibuido. De certo modo, 0 funcionamento discursivo tem 2 Quanto 20 trabalho preender como funciona a ei aq sparéncia, Escola, “quantos livros voce ls de romances, joa’ ~ comno existe por eXe inforalmente em tod sitacio de dizer slecer as fas que le neste volume) mis € também experimentas, seat 0 saber. Fesse % tilos, de se exporem tas efeitos, Fica-se ‘ousa saborear (provar) tenho visto estampado nos cu intelectual em geral: (Cuidado!) * Soltos", ©s resultados de nosso trabalho compdem esse livio. Que nnio deve apenas ser “usado* como mais um artefato mas que preferimos seja tecebido como um convite a pritica reflexiva. ASPECTOS DA FORMA HISTORICA DO LEITOR BRASILEIRO NA ATUALIDADE José Horta Nunes Labeurb/tinicanp Para que possamos estudar, conforme 0 nosso objetivo, o per: fil do leivor brasileiro dentro de um contexto especifico, que é 0 tagio dos sentidos, de acordo com as condigoes de pi leitura em €pocas determinadas. O sujeito se con: se a pattir de uma relagio contadit6ria teal do Novo Mundo (Nunes, 1994). Em vista disso, nao podemos deixar de levar em conta os tragos discur- sivos que, a0 longo de nossa hist6ria, vém formando 0 corpo aqui € vista nfo como uma acumu- lagio de conteddos, um espago pleno ¢ homogéneo, mas como "um espago mével de divistes, de disjungées, de deslocamentos fe de reromadas, de conflitos, ‘de regularizagio,..Um espago de 2% imentos, replicas, polémicas © cor 1x, 1983267), Desde a época da colonizaca: jos seguintes procedi lca de 1° e 2 grau ‘abservagio de priticas de leitura no espaco pal ‘com relacio outdoors, graftes © pichagoes; d) eussio com © grupo de estudos do projeto "P linghistico do leitor brasileiro na atualidade’ Focalizamos neste traballho de um lado as condigdes de pro- dugdo (ep) que envol ‘que concerne a insti diditico etc. De out 4 contextos mais amplos que constituem também as condigbes de produgio (CP) da leitura atualmente, Realizamos deste moelo um, Vaievem constante entre © discurso escolar © outros discursos ‘que intervém nete. Quando atentamos mais de perto aos termos relacionados & cexclusivamente, a0 dominio provar® que leu, tem que se sub- sm que prestar contas diante das fessores recisam. a0 espago econdmico e adm stura: acomular livios nas bil {TW ds do poy naires deste 6 recorte que distingue és instincias ideol6gicas determinantes da Teitura hoje: a instincia do juridico, a do econémico ¢ a do polit- «. Salientamos que a nogio de ideologia ni sentido de "falsidade* nem sas sim um espaco contradtério onde esto intrincadas diferentes ormagdes discursivas. ramos 2 ideologia como o mecanis- ‘mo de produzir 2 evidéncia, admitindo que se trata, conforme a cexpressio de Pécheux, de um espago paracloxal. Espago paracioxal que, em nosso iso, se maaifesta quando se fala de letura © 20 mesmo tempo de moral, de direito, de economia, de polities, de cetética. Inversamente, no campo da moral, do direito, da econc- mia, et, fala-se também de leitura, E nessa relacdo entre a pritica escolar © outtas priticas vigentes em nossa sociedade que analisamos algumas das condigoes de leitura auyalmente 10 ESPAGO JuRIDICO Para pensar 0 efeito-leitor no Brasil, propomos analisar de ‘que modo se di 0 processo de ensino, de constituicao de identi- ades lingiisticas e ao mesmo tempo nacionais em relagio & leitura, observando o ponto de contato que se trava com o espago do juridico, A questio € saber de que modo esti intsincado no funcionamento do direto no Bras pritica de letua e inter- escolar. remos, assim, a mancira como © svjeto-dedieito no fem sua forma hist6rica, se configuea enquanto letor den- 10 da escola a relacionadas. Pi seguida, do. fiun- da regra, de sua aplicagao, de sua inten ‘mente segundo pr modo anilogo aquelas que ori dizem respel regulamento interno préprio de cada escola. Ademais, existe ‘geralmente um programa de curso que orienta a nommalizagao cas atividades do professor; e também, cada professor circunsereve to de regras 2 funcionar, mais ov menos explicit seu curso. Ele pode igualmente estabelecer 0 modo. rpret-las. stemos dois pontos de interesse nesse contato entre a ica © a regulatizacio da leitura na escola, 0 {que conceme a regra grammatical, € © segundo no que concerne 4 Constructo de arquives e 2 interpretagio de textos, A regra gramatical: ensinar gramitica ou no? Pécheux (1981), analisando as diferengas entre o direito con- ramatical ¢ a regra juridica continental coincide larga- mente com aquele da gramatica ensinada, a0 paso que 0 do direito anglo-saxto € marcado pela inexisténcia de ura tradigio de ensino gramatical. No primeiro caso, terlamos um direio de regulamentarao, apotado sobre o sistema regulamentar de um texto redigido, lade a0 dominio das conjunturas da pritica juridica. Ja no Inglés, no ocorreria a aplicagao de uma regra a falos sempre jf constituidos no espago do direito, mas tratar-se-fa de *determinar em que medida os fatos ‘estado de coisas’ que se fez objeto de um julgamento anterior", Neste ca80, textos suces= sivos da série de julgamentos formariam no um ¢édigo vnifica- Ey na pritica jurc- , em sitwacio, pelo ica? Nesta seqiéncia meigo segunda graus, podemos notar que essa questao permanece atual para o meio escolar brasileiro: Pesquisador. Vocés discutem um plano de curso aqui na escola? Professor 1. O negécio é meio furado, entende, existe sim. Mas, como eu falet pra voc’, que a metodologia é livre, cada wm aplica 0 que quer, né, entdo o professor que acba importante dar gramética sistematizada desde a quinta, cle da, entende, fe detxa de dar texto, por exemplo, porque realmente pra voce dar a gramitica sistematizada ¢ fazer o aluno saber toda a ramética aié 0 final da oltava série, vocé tem que usar, di= ‘games, mais de cinglenta.por cento das aulas em gramat Alguns professores acham que se deve ensinar gramitica, ‘outros conservam esse atividade apenas parcialmente, mostrando: ‘se aceptos de outras tecnologias de ensino. Hi alguns, por fim, {que a substituer de nas como *recordac fue os akinossibam Que existe 4 uma longa tradicio de ensino de tal pritica tende a um di io de uma "Razio e 10 continental europe predomindncia da pritica escria, de estudo de gra lécnicas e procedimentos que focalizam a escrta © suas formas jem sendo renegada pela 2» izagio ¢ que frequentem« escola. Pensando o espaco do di sistema diferencial que opde 0 do procedimento; no entaato, hhaja legitimagio do altimo, Em outra parte (Nunes, 1991), mostramos © modo como as pou ‘oupenb win 9p eista ua seigo sep seonsynzene> seu ‘some 9p seyeuoig svu ‘seep seu 9seju v auodap Oxsiq “s9f9p win EE? 9p soanewosardas sauoine sop 9 sniqo sep sted 5Op OeSisodsip wu wrsisuo9 sapSnunsuod ste ‘SsoIUIS UY yvjOos9 oxxaruo 0 wind sepyaysuen > songuS:DATUN SOJOUE SOU “s3zan Sep euotew.eu ‘sepinasuao stuoar sod operpaut > Bias] 2p oport 0 ‘, SOUSA] SoUAXUTADW!, Sop OptYse ON “Ossod0Ud assa s9pUdoId «woo sourapod ‘tunyei91] ep OSzdso ou seaneradsatul sopypiane ‘sB|B sopniuas so wanayoqe%s9 ‘el 3p sopolw wauyjop sexenedso ap sodnis)‘seangid sessop opSaiyjord y as-aqaoied ‘siernyno soquuop sosionIp why 1138 anap 9 9pod on op omEURENAp “eINNO| ap waNyjod U onotitd um 9 awsg ‘oUeIpNOD ou “esUDsdusE wu “3E}0089 p einqunluo> wun wD sodeds> ap opdeut 10 sono sop OBSINQUISIP ¥ ‘ayuINAasuCN 404 “BINS WHA ap odedso Un ood uUISsE ‘OAISIRIKIP OMUTWUOP lun “Sagisanb ap odue> wn sours’ zej sins opoy mo] 2p seangsd woo o8Sejs Ens 9 oatyjed op soiuEUTWOP. 4 ‘Siodaq, 8 ted 9 so{ns Jod sooSoup ODLIyTOd OSVasA.O € o ut 2p no 0859 ap ono2H09 win 3? ontap oxswos ou 2 Yea ees nop omy oa 3 tsar ep seus 9 oq od $8 Bone Heqen osinD=yp 96 sninsur “sesarcta stasos ap fuer, ~woldutoo e soqaored ¥ nossa, sou 204 39 ‘epue ied sossaronut sow o51n9sIp 0 “soauoDe OF pep eduaa Ff OER! “orSeI2ye “opdn 2808 BY OEN “epHlasop 9 anb 9 sniueige “Rollo & mpueSedaid ep osinosip op ost Ot + @P 2 ofdeuNDe F ‘Seloy a sEmIONgH ser ea 2 wxaiduoo opepssiontp ofl wa ms 9p scueipnioo seonpid set arosut as seus spuadop ou 9]2 omy aq eI0059 o1ait ou soe jhaiamrepssie> aisjp > Eos aya EIN] 2p opous aisa steBo|s, $0 ‘Seateus sup sooorey “uepen sopepunus so opuexy “eluoN “osuiasnee aoe 8p soa} woznposd ‘srona feu set -tdso opsisodsip e ‘sooty soles pour eau ‘seispjed 9p S080 so ants luroyruBls Spepy|euaIEW ¥ aiqos a>Iax9 9s wpuesed jxsyord sop wongady“Soreyjo ‘siaBeequ ‘sexta IPH ‘Sesuas “srewiol eq us0o =p ovSnpord & IBIaF94 WD pURY eFo|s 0 49) eoseUs ¥ sopUdA, 2 Opeijnsa1 o owO> Fe ruodssp owisEIRGH Jonb anb 0 20] un vpea ovmua ‘opSyuepio02 wun Pq OPN pu ‘oss ysaL vayQnd 0989 BP SoBLD> 50 sopoL PU SOsHRDD1 | BOURID "od son" Dp "pesulesp Owo> Hts 9 ns v ans 25 opuenb s013} 119 ossnaiod Ou RMD] & sossoaid go 9 soxao go e900) 3 aero pout onb ap Jem ES sOH9, op tpezouonn| Ofsrunsvs © wed abedo seopuuee sepe, eioa ol evade epepat enya, © 2 outro wg (2a6l "xN>KDed) mem ap OG) nani 0 oss wo opesrele wig smBiaqin 9 39] opm apod ‘ses109 tte seodipto> ap no winsusa ap sagst -ueptur 30d anb *,034 LaMP] EU OWSEI9qF1 eoHugIod op oSedse win 1 Sehno 3p oysnpoxd 2 Sop oFSItnop 2p o1ssiua}aques 0 red 's © tind sua8; PUD “S04 ap sore owo> ‘omaje op op elas atodsos ap sore owor no “zoIuy oxdeiaidiolNy ep. ep ‘[esraaiun “ennaw apeptal 19 95 "saQ5e 0 fos "So1of soso ep 102 38 on nue ‘wal 2559 rezifeas ‘Buna » Skx9 ope 210282 @ SPH “Ousous poossad asosonus wogusy onb soup m9 Sul] auoaias ‘DomONGIG B LUPE 95 9 opu ‘ouLiowo Boma ‘Bien Danan amb sous sa. cu opopmiso Dior ha bude 210759 ved wera! 2p ouafo oxaoy opts roy Dagon 2 asipnie via Ou opnsa ‘onuawnpsenford sopopnes wae arb souanbixd wag sotepad ‘0190 ap sonore gos 98 Ona 119 9nBnsiod op opnsa ‘ut om op sno op uaBer5j op 2 cmmo op vfestoug op oprase On oiBsasas 9: ry eantonay 2 gnbiod ond v2 ouwpunes osin> 0 vps aif mo op 1 t0ssafoug. 29 anb manuoy ap oul ant) sopesinbsog prépria evar a0 esqueci professores, as instcionalment, sh no nag seal or timo, Ii um apagamento 20 nivel da weotoga que ted 0 espago da lect 20 dominio, por um fade de ens a sentidos — we te one fee Cpr Finalizando: formagao do discurso do leitor mos clementos dos espagos juridico, ico, deslocamos @ problemética dla leita de ‘escolar rumo a processos mais amplos af watégia de enilise nos permitia enxergar 0 ‘clagio a outras regides do complexe cenfoque esti felacionados. Hssa , que ele constoi de’ uma posicdo de tas vezes sem poder expor ¢ trabalhar a sua leitura, Desenvolve assim um discurso de Formular um discurso de leitor & uma pritica que as vez tem sido censurada na escola, tanto por excesso de autoritaismo, como por elogio 20 liberalism. Aqui procuramos mostrar que, a0 s¢ posicionar, 0 leitor se insere em uma memoria de leitura a ‘do nada, para a uigdes envolvides ‘com a prética de leitura, os modelos interpretativos, 0 trabalho de leitura, a formagio de arquivos, tudo isso inserido em um espago ideologico paracoxal, onde vimos alguns efeitos das instancias juidica, econdmica ¢ politica, Um discurso de leitor pode dizer: "esse livre € bom, gostei, ‘ndo gostei, %& interessante?, % ce fo". E ele pode dizer muito mais. Retomando 0 comentario de Orlandi em ume de nos- sas discussdes de grupo, diria que *o bom leitor € aquele que sabe que hf outs Teituras’ [REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS GADET Frangoise & PECHEUX Michel. (1981), La langue introu- able, Frangois Maspero, Paris, 5 NUNES José Horta, (199%), Formacdo do leitor brasileiro, Editors da Unicamp, Campinas NUNES José Horta. (1991), Processos de constituigdo do cidadiio brasileiro discuasividade da moral nos relatos dos vajantes to datilografado, Unicamp, Campinas i. (1988), Discurso ¢ lettura, Sio Paulo: Unicamp, PECHEUX Michel, (1982), “Lire Varchive aujourdthuit, Archives et documents de la Societé dbistoire et dépistémolagse des sciences dit langage (Saint Cloud), 235-45, PECHEUX Michel. (1983), "Réle de la mémot ‘guistique, P. Achasd, M-P. Grus | Table ronde "Langage Supérieure — Paris — 28, Sciences de !Homme, Paris, SOUZA Pedro de, (1994), *O perfil Historico do Leitor na Universidade’, mimeo, Unicamp, Campinas, in Histoire et fin- Comgs), Actes de ie" — Ecole’ Nomuale , 30 Avril 1983, Maison des SENTIDO, INTERPRETACAO E HISTORIA Carolina Rodriguez CE/Unscaamp ANTRODUGAO Na Anilise do Discurso (AD) a quest2o da bistéria & coloca. «la na base da reflexio sobre [produzidos ns ide da lingua € seu principal objet. Gostarlamos de di A noglo de interpretagio mobi definigio do papel do sujeito na. const destes com © mun relagio entte as iguagem e de , clo tempo, pois a8 formas das sociedades a 10 especifca entre do sujet chamamos dg patural-3 Sentido. 05 sentidos esti daclos por lagao, x sujetos autorizadas. 0 Pasa, 0 cle apres mente @ palavra A Igreja — mater et 95 cestabelece, a partir del devern se assujeitar, De da Igreja © seus dl ~ que traduze 48 inosalgums tipo de aprecings@ vidual por parte de_um suite acd Considerada hereby, que se afasia do verdade as veisbes inguisioras m No imtesior do rez As quais 08 sui ova fora de este «aso, bas ‘6 a IGREJA pose intorprotar (a igor, nao “interpreta, ¢FIEL) uta Intorpretagao = her (que se afasta do sentido divino) SENTINQS DIVINOS. ‘SENTIDOS NATURAIS aos por aces pola DEUS NATUREZA través da ats da REVELAGAO EXPERIMENTAGAO a sjetosautvieadoe: 2 sujet autorizadoe: Papa, clero os cients {que REPRESENTAM com ‘que TRADUZEM com FIDELIDADE ‘OBJETIVIDADE, palavea dina 05 dados naturals ‘part os qusisestabelscem | a partir dos quis estabelecom. Dogmas Les divinoe naturale seem acetos por todos 8 serom acelas por todos 4 SOCIEDADE © | SOCIEDADE @ a POLITICA a POLITICA dover se basoarneles ‘vem se basear nolas INTERPRETAGAG INEEAPRETAGAO_ descoborta do Aescoborta de SENTIDOS JA-DADOS ‘SENTIDOS JA-DADOS por pela Deus NATUREZA 36.8 CIENCIA pose interretar (argos, nfo ‘interpreta’, ‘SOBJETIVA) ‘ra ntarpretagbo = Idoologl! (eue ocutao sentido natura) lempretacdo, 0 pensamento religioso lein 0 sujeito ea histéria da consti- icagto dos sentidos © da jumana. O que 6, & como é por leis divinas ou natueras, aural ¢ dear de pensar que os stds so da dos 54 “GBI Isic €, 08 sujeitos tem um pap determinant, 1 ~Constituigao dos sentidos, mas. ¢ fescapa 20" seu ciprcaao & lela, oe fe ‘oculta’ nem se ‘afaista’ dele). A idole se delne aqui como disemos ro ney como 6 processo de produgdo de wm imagindiria, sto & produgao de uma ‘nterpretagdo particular que apareceria no entanto como a intor- protapdo necessiria e que _fixos as palavras, em que no significa negar a | mas dizer que 51 filo hf acesso direto a de/que ele & sempre ‘apres a ‘de’ uma inte ind, 1996), e nfo o real natural, aqulo wa 0 funcionamento ca Tinguagem ea. realidade C0, No momento em que se dda