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LÍNGUA PORTUGUESA – PROFª ANGELA BONBARDA

VARIEDADE LÍNGUÍSTICA
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QUESTÃO 01
"Todas as variedades linguísticas são estruturadas e correspondem a sistemas e subsistemas adequados às
necessidades de seus usuários. Mas o fato de estar a língua fortemente ligada à estrutura social e aos sistemas de
valores da sociedade conduz a uma avaliação distinta das características das suas diversas modalidades regionais,
sociais e estilísticas. A língua padrão, por exemplo, embora seja uma entre as muitas variedades de um idioma, é
sempre a mais prestigiosa, porque atua como modelo, como norma, como ideal linguístico de uma comunidade. Do
valor normativo decorre a sua função coercitiva sobre as outras variedades, com o que se torna uma ponderável
força contrária à variação."
Celso Cunha. Nova gramática do português contemporâneo. Adaptado.

A partir da leitura do texto, podemos inferir que uma língua é:

a) conjunto de variedades linguísticas, dentre as quais uma alcança maior valor social e passa a ser considerada
exemplar.
b) sistema que não admite nenhum tipo de variação linguística, sob pena de empobrecimento do léxico.
c) a modalidade oral alcança maior prestígio social, pois é o resultado das adaptações linguísticas produzidas pelos
falantes.
d) A língua padrão deve ser preservada na modalidade oral e escrita, pois toda modificação é prejudicial a um
sistema linguístico.

QUESTÃO 02
Até quando?
Não adianta olhar pro céu
Com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer
E muita greve, você pode, você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão
Virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus
Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer!

GABRIEL, O PENSADOR. Seja você mesmo (mas não seja sempre o mesmo).
Rio de Janeiro: Sony Music, 2001 (fragmento).
As escolhas linguísticas feitas pelo autor conferem ao texto

a) caráter atual, pelo uso de linguagem própria da internet.


b) cunho apelativo, pela predominância de imagens metafóricas.
c) tom de diálogo, pela recorrência de gírias.
d) espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial.
e) originalidade, pela concisão da linguagem.

QUESTÃO 03

Texto I
Antigamente
para comparecer todo liró ao copo d’água, se bem que
Antigamente, os pirralhos dobravam a língua diante no convescote apenas lambiscasse, para evitar flatos.
dos pais e se um se esquecia de arear os dentes Os bilontras é que eram um precipício, jogando com
antes de cair nos braços de Morfeu, era capaz de pau de dois bicos, pelo que carecia muita cautela e
entrar no couro. Não devia também se esquecer de caldo de galinha. O melhor era pôr as barbas de
lavar os pés, sem tugir nem mugir. Nada de bater na molho diante de um treteiro de topete, depois de fintar
cacunda do padrinho, nem de debicar os mais velhos, e engambelar os coiós, e antes que se pusesse tudo
pois levava tunda. Ainda cedinho, aguava as plantas, em pratos limpos, ele abria o arco.
ia ao corte e logo voltava aos penates. Não ficava ANDRADE, C. D. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,
mangando na rua, nem escapulia do mestre, mesmo 1983 (fragmento).
que não entendesse patavina da instrução moral e
cívica. O verdadeiro smart calçava botina de botões
Texto II
Na leitura do fragmento do texto Antigamente constata-
Expressão Significado se, pelo emprego de palavras obsoletas, que itens
lexicais outrora produtivos não mais o são no português
Cair nos braços de Morfeu Dormir
brasileiro atual. Esse fenômeno revela que
Debicar Zombar, ridicularizar
a) a língua portuguesa de antigamente carecia de
Tunda Surra termos para se referir a fatos e coisas do cotidiano.
Mangar Escarnecer, caçoar
b) o português brasileiro se constitui evitando a
Tugir Murmurar ampliação do léxico proveniente do português europeu.
Liró Bem-vestido
c) a heterogeneidade do português leva a uma
Copo d'água Lanche oferecido pelos amigos estabilidade do seu léxico no eixo temporal.
Convescote Piquenique
d) o português brasileiro apoia-se no léxico inglês
Treteiro de topete Tratante atrevido para ser reconhecido como língua independente.
Abrir o arco Fugir
e) o léxico do português representa uma realidade
Bilontra Velhaco linguística variável e diversificada.
FIORIN, J. L. As línguas mudam. In: Revista Língua Portuguesa,
n. 24, out. 2007 (adaptado).

QUESTÃO 04

“Contudo, a divergência está no fato de existirem pessoas que possuem um grau de escolaridade mais elevado e
com um poder aquisitivo maior que consideram um determinado modo de falar como o “correto”, não levando em
consideração essas variações que ocorrem na língua. Porém, o senso linguístico diz que não há variação superior à
outra, e isso acontece pelo “fato de no Brasil o português ser a língua da imensa maioria da população não implica
automaticamente que esse português seja um bloco compacto coeso e homogêneo”. (BAGNO, 1999, p. 18)
Sobre o fragmento do texto de Marcos Bagno, podemos inferir, exceto:
a) A língua deve ser preservada e utilizada como um instrumento de opressão. Quem estudou mais define os
padrões linguísticos, analisando assim o que é correto e o que deve ser evitado na língua.
b) As variações linguísticas são próprias da língua e estão alicerçadas nas diversas intenções comunicacionais.
c) A variedade linguística é um importante elemento de inclusão, além de instrumento de afirmação da identidade de
alguns grupos sociais.
d) O aprendizado da língua portuguesa não deve estar restrito ao ensino das regras.
e) Segundo Bagno, não podemos afirmar que exista um tipo de variante que possa ser considerada superior à outra,
já que todas possuem funções dentro de um determinado grupo social.

QUESTÃO 05

Vício da fala fase heroica defendiam a língua falada pelo povo


Para dizerem milho dizem mio brasileiro, considerando suas variações e registros.
Para melhor dizem mió
Para pior pió III. O poema realiza na prática o que o trecho do
Para telha dizem teia manifesto modernista propõe na teoria, ou seja, a
Para telhado dizem teiado incorporação de coloquialismos brasileiros na escrita
E vão fazendo telhados. poética nacional.
(Oswald de Andrade)
IV. Oswald, assim como os demais modernistas,
Sobre o poema de Oswald de Andrade, estão defendiam o uso de um vocabulário formal e livre de
corretas: intervenções da oralidade.

I. O escritor faz uma crítica dirigida àqueles que a) I e IV estão corretas.


cometem desvios linguísticos na oralidade,
b) II e III estão corretas.
comportamento que contraria a gramática normativa
da língua portuguesa. c) I, III e IV estão corretas.
II. O poema de Oswald de Andrade apresenta uma d) Todas estão corretas.
temática tipicamente modernista. Os modernistas da
QUESTÃO 06

Óia eu aqui de novo xaxando Vem cá morena linda


Óia eu aqui de novo pra xaxar Vestida de chita
Vou mostrar pr’esses cabras Você é a mais bonita
Que eu ainda dou no couro Desse meu lugar
Isso é um desaforo Vai, chama Maria, chama Luzia
Que eu não posso levar Vai, chama Zabé, chama Raque
Que eu aqui de novo cantando Diz que tou aqui com alegria.
Que eu aqui de novo xaxando (BARROS, A. Óia eu aqui de novo. Disponível em
<www.luizluagonzaga.mus.br> Acesso em 5 mai 2013)
Óia eu aqui de novo mostrando
Como se deve xaxar.
A letra da canção de Antônio Barros manifesta aspectos do repertório linguístico e cultural do Brasil.
O verso que singulariza uma forma do falar popular regional é

a) “Isso é um desaforo”
b) “Diz que eu tou aqui com alegria”
c) “Vou mostrar pr’esses cabras”
d) “Vai, chama Maria, chama Luzia”
e) “Vem cá, morena linda, vestida de chita”

QUESTÃO 07

“A variação é inerente às línguas, porque as sociedades são divididas em grupos: há os mais jovens e os mais
velhos, os que habitam numa região ou outra, os que têm esta ou aquela profissão, os que são de uma ou outra
classe social e assim por diante. O uso de determinada variedade linguística serve para marcar a inclusão num
desses grupos, dá uma identidade para os seus membros. Aprendemos a distinguir a variação. Quando alguém
começa a falar, sabemos se é de São Paulo, gaúcho, carioca ou português. Sabemos que certas expressões
pertencem à fala dos mais jovens, que determinadas formas se usam em situação informal, mas não em ocasiões
formais. Saber uma língua é ser “poliglota” em sua própria língua. Saber português não é só aprender regras que só
existem numa língua artificial usada pela escola. As variações não são fáceis ou bonitas, erradas ou certas,
deselegantes ou elegantes, são simplesmente diferentes. Como as línguas são variáveis, elas mudam.”
(FIORIN, José Luiz. “Os Aldrovandos Cantagalos e o preconceito linguístico”. In O direito à fala. A questão do preconceito linguístico.
Florianópolis. Editora Insular, pp. 27, 28, 2002.)

Sobre o texto de José Luiz Fiorin, é incorreto afirmar:


a) As variações linguísticas são próprias da língua e estão alicerçadas nas diversas intenções comunicacionais.
b) A variedade linguística é um importante elemento de inclusão, além de instrumento de afirmação da identidade de
alguns grupos sociais.
c) O aprendizado da língua portuguesa não deve estar restrito ao ensino das regras.
d) As variedades linguísticas trazem prejuízos à norma-padrão da língua, por isso devem ser evitadas.

QUESTÃO 08

Leia o texto abaixo:

Os amigos F.V.S., 17 anos, M.J.S., 18 anos, e J.S., 20 anos, moradores de Bom Jesus, cidade paraibana na divisa
com o Ceará, trabalham o dia inteiro nas roças de milho e feijão.
‘‘Não ganhamos salário, é ‘de meia’. Metade da produção fica para o dono da terra e metade para a gente.’’
(Folha de São Paulo, 1° jun. 2002)

Os jovens conversam com o repórter sobre sua relação de trabalho. Utilizam a expressão “é de meia” e, logo
em seguida, explicam o que isso significa. Ao dar a explicação, eles:

a) alteram o sentido da expressão.


b) consideram que o repórter talvez não conheça aquele modo de falar.
c) dificultam a comunicação com o repórter.
d) desrespeitam a formação profissional do repórter.

QUESTÃO 09

No romance “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, o vaqueiro Fabiano encontra-se com o patrão para receber
o salário. Eis parte da cena:
Não se conformou: devia haver engano. (…) Com certeza havia um erro no papel do banco. Não se descobriu o erro,
e Fabiano perdeu os estribos. Passar a vida inteira assim no toco, entregando o que era dele de mão beijada! Estava direito
aquilo? Trabalhar como negro e nunca arranjar carta de alforria? O patrão zangou-se, repeliu a insolência, achou bom que
o vaqueiro fosse procurar serviço noutra fazenda. Aí Fabiano baixou a pancada e amunhecou. Bem, bem. Não era preciso
barulho não.
Graciliano Ramos. “Vidas Secas”. 91a ed. Rio de Janeiro: Record, 2003.

No fragmento transcrito, o padrão formal da linguagem convive com marcas de regionalismo e de coloquialismo no
vocabulário. Pertence à variedade do padrão formal da linguagem o seguinte trecho:

a) “Não se conformou: devia haver engano”.


b) “e Fabiano perdeu os estribos”.
c) “Passar a vida inteira assim no toco”.
d) “entregando o que era dele de mão beijada!”.
e) “Aí Fabiano baixou a pancada e amunhecou”

QUESTÃO 12

S.O.S PORTUGUÊS

Por que pronunciamos muitas palavras de um jeito diferente da escrita? Pode-se refletir sobre esse aspecto da língua
com base em duas perspectivas. Na primeira delas, fala e escrita são dicotômicas, o que restringe o ensino da língua ao
código. Daí vem o entendimento de que a escrita é mais complexa do que a fala, e seu ensino restringe-se ao
conhecimento das regras gramaticais, sem a preocupação com situações de uso. Outra abordagem permite encarar as
diferenças como um produto distinto de duas modalidades da língua: a oral e a escrita. A questão é que nem sempre nos
damos conta disso. S.O.S Português. Nova Escola. São Paulo: Abril, Ano XXV, nº 231, abr. 2010 (fragmento
adaptado)

O assunto tratado no fragmento é relativo à língua portuguesa e foi publicado em uma revista destinada a professores.
Entre as características próprias desse tipo de texto, identificam-se as marcas linguísticas próprias do uso
(a) regional, pela presença de léxico de determinada região do Brasil.
(b) literário, pela conformidade com as normas da gramática.
(c) técnico, por meio de expressões próprias de textos científicos.
(d) coloquial, por meio de registro de informalidade.
(e) oral, por meio do uso de expressões típicas da oralidade.

QUESTÃO 13

As diferentes esferas sociais de uso da língua obrigam o falante a


adaptá-la às variadas situações de comunicação. Uma das marcas
linguísticas que configuram a linguagem oral informal usada entre
o avô e o neto neste texto é
(a) a opção pelo emprego da forma verbal “era” em lugar de “foi”.
(b) a ausência de artigo antes da palavra “árvore”.
(c) o emprego da redução “tá” em lugar da forma verbal “está”.
(d) o emprego da contração “desse” em lugar de “de esse”.
(e) a utilização do pronome “que” em lugar de frase exclamativa.

QUESTÃO 14

Antigamente

“Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não faziam anos:
completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-alferes,
arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio." (Carlos Drummond de Andrade)

Pode-se observar no texto de Drummond, exemplos de:

a- Variação histórica b- Variação regional c- Variação social d- Variação situacional