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Fichamento do texto “Algumas reflexões a respeito das classes de palavras” - PINILLA

- O estudo das classes de palavras precisa ir além da nomenclatura.

➔ Por que classificamos as palavras?

• A classificação de palavras tem razões “econômicas” (eficiência), pois é melhor criar uma
categoria única e abrangente do que várias individuais.
• A classificação de palavras é uma particularização das categorias sintáticas.
• Além do sintático e morfológico, é importante considerar o caráter semântico das palavras.

➔ Qual a frequência de estudo das classes de palavras nas escolas?

• Gramática é prioritária no ensino fundamental e médio.


• Morfologia e sintaxe são os tópicos mais abordados.

➔ Desde quando há preocupação com o estudo das classes?

• Aristóteles: nome, verbo e partícula (lógica filosófica).


• Dionísio: nome, verbo, conjunção, artigo, advérbio, preposição, pronome e particípio.

➔ Qual é a proposta de Mattoso Câmara Jr.?

• Crítica ao modelo dionisíaco (muito heterogêneo e engessado).


• Estabelecimento de três critérios:
- semântico (biossocial).
- formal (mórfico/gramatical).
- funcional (papel do vocábulo na sentença).
• O vacábulo tem, não isoladamente, forma (critério mórfico) e sentido (critério semântico).
• Subdivisão: nomes, pronomes e verbos.
- nomes: substantivos (determinado); adjetivos (determinante do nome); advérbio
(determinante do verbo).
• Conectivos: ligam dois ou mais termos.

➔ Como as gramáticas e os livros didáticos apresentam o estudo das classes de palavras?

• O privilégio de alguns critérios (sobretudo semântico e morfológico) leva a definições


confusas.

➔ Que proposta de classificação adotar?

• No quadro de classes (Mattoso Câmara Jr.), as palavras são agrupadas de acordo com os
três critérios, em: substantivos, adjetivo, pronome, artigo, numeral, verbo, advérbio e
conectivos (preposição e conjunção).
• Apesar de classe e função serem coisas distintas, ambas estabelecem uma correlação.
➔ Como os estudiosos têm considerado o estudo das classes de palavras?

• Barrenechea:
- palavras de uma função: verbos, substantivos, adjetivos, advérbios, coordenantes e
subordinantes.
- palavras de duas funções: relacionantes e verbóides.
• Schneider:
- agrupamento mórfico estrutural.
- vocábulos com derivação: substantivo, adjetivo, numeral, verbo e advérbio.
- vocábulos sem derivação: preposição, conjunção e pronome.
• Basílico:
- foco na dinâmica lexical e na mudança de classe.
• Azeredo:
- primeira divisão: palavras lexicais e gramaticais.
- divisão da função comunicativa: designação, modificação, predicação, indicação,
quantificação e condensação.
- divisão do paradigma morfológico: verbos; substantivos, adjetivos, artigos, numerais
pronomes indefinidos e relativos; pronomes pessoais, demonstrativos e possessivos;
preposição, conjunção, advérbio e interjeição.
- divisão da distribuição sintática: núcleo, adjacente, coordenante, subordinante e
demarcador.
• Neves:
- as classes de palavras precisam de análise isolada para que aja compreensão de sua
função na frase.
• Fernandes:
- divisão: nuclear, periférico e conectivo.
• Dias:
- critica a minimização do papel da gramática nas escolas e defende uma abordagem mais
abrangente da classificação de palavras.
• Travaglia:
- critica o foco classificatório e pouco prático (emprego das palavras).

➔ Como fica o ensino das classes de palavras?

• A classificação de palavras prioriza a semântica, ainda que o caráter funcional seja mais
eficaz.
• A abordagem menos superficial é a que engloba os três critérios.
• É importante correlacionar classes com a organização e produção textual também.

Fichamento do texto “Morfologia” - PETTER

Morfologia

➔ Conceito: estuda a forma das palavras.


➔ Palavras:
- forma vocabular: formas que ela assume.
- lexema: forma elementar abstrata (com significado).
➔ Tipos de línguas:

• Isolantes: as palavras não podem ser segmentadas em elementos menores.


• Aglutinantes: as palavras combinam raízes e afixos para estabelecer relações gramaticais.
• Flexionais: as palavras são formadas raízes e elementos gramaticais para determinar suas
funções.
• Polissintéticas: palavras formadas por vários morfemas reunidos.

➔ Palavra segundo o critério sintático: resposta mínima a uma pergunta (elemento mínimo
que pode construir um enunciado ou ocorrer livremente nele).
➔ Morfemas: unidades mínimas que não podem ocorrer sozinhas, mas possuem significado.
Ex.: (cont) – ar.

➔ Identificação de morfemas:

• A identificação se dá pelo processo de oposição entre palavras parcialmente semelhantes e


na comutação entre elementos para detectar se há alteração no conteúdo.

➔ Alomorfes:

São variações de um mesmo morfe.


• Podem ser fonologicamente condicionados. Exemplo: vidas – vidas; bar – bares.
• Podem ser morfologicamente condicionados

➔ Processos morfológicos (combinação para formação de palavras):

• Adição: ocorre quando afixos (prefixos, transfixos, circunfixos, infixos e sufixos) são
adicionados à raiz (base) dotada de significado.
• Reduplicação: particularidade da afixação, onde há repetição dos fonemas da base,
podendo ou não haver modificações. Exemplo: lapun – lapunpun (velho – muito velho, na
língua pidgin da Nova Guiné).
• Alternância: ocorre quando alguns segmentos da raiz são substituídos por outros de modo
não arbitrário. Exmplos: fui/foi; fiz/fez.
• Subtração: eliminação de um segmento para expressar valor gramatical. Exemplo: campeão
– campeã.

➔ Morfema zero:

Ele ocorre quando a presença de um morfema é demarcada pela ausência de um morfe distintivo.
Exemplos: falava (eu ou ele); pires (singular e plural).

➔ A ordem dos morfemas:

Por questões restritivas, a ordem dos morfemas respeita a forma e a linearidade. Exemplo: ama –
ría – mos; mos – ría – ama* é impossível de ocorrer.
➔ Morfologias Lexical e Flexional:

• Morfologia Lexical

- Formação assistématica de novas palavras com mudança de significado.


- Derivação:
> raiz: elemento irredutível e comum às palavras derivadas.
> radical: composto da raiz e elementos afixais que dão suporte a outros afixos.

Exemplo:

marinheiro → marinh – eiro; eira; a (“marinh” é o radical).


mar → es; é; isco (“mar” é a raiz).

- Alguns afixos adquiriram valor lexical, ainda que muito abstrato.


- Composição: consiste na união de duas raízes, seja por justaposição ou aglutinação, dando
origem a palavras com significados mais particulares que na derivação. Exemplos: aguardente,
pentacampeão, sofá-cama, obra-prima e beija-flor.
- Derivação regressiva: ao contrário da derivação usual, nesta há redução (sobretudo em
substantivos que vieram de verbos). Exemplos: buscar → busca; beijar → beijo; implantar →
implante.
- Derivação parassintética: adição simultânea de prefixo e sufixo. Exemplo: en+feitiço+ar, onde
“en” exerce função semântica e “ar”, função sintática.

• Morfologia Flexional

Trata dos morfemas que estabelecem relações gramaticais referentes à sintaxe.

- para nomes: gênero, número e caso.


- para verbos: aspecto, tempo, modo e pessoa.

Em algumas línguas, os parâmetros verbais seguem a ordem acima e são sufixais; se forem
prefixais, seguem a ordem inversa. OBS.: nem todas as línguas seguem esses universais
morfológicos.