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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Campus Curitiba, Sede Ecoville
Departamento Acadêmico de Construção Civil - DACOC

APOSTILA DE HIDROLOGIA

Apostila destinada aos alunos do


curso de Engenharia Civil da
Universidade Tecnológica Federal do
Paraná para a disciplina de
Hidrologia.
Profª Celimar Azambuja Teixeira e
Giuliana Protzek

Curitiba
2010
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1. INTRODUÇÃO

A intervenção dos seres humanos no meio ambiente resultou em diversas


mudanças no clima e nas condições de vida em escala global. Por esta razão são
feitos os estudos hidrológicos, pois estes são utilizados para avaliar o efeito dessas
ações antrópicas sobre os recursos hídricos, realizar previsões sobre o que pode
ocorrer no futuro, e que medidas podem ser adotadas para evitar ou reduzir as
conseqüências negativas para o bem estar da humanidade.
A hidrologia é a “ciência que trata dos fenômenos relativos à água em
todos os seus estados, de sua distribuição e ocorrência na atmosfera, na superfície
terrestre e no solo, e da relação desses fenômenos com a vida e com as atividades
do homem.” (GARCEZ, LUCAS NOGUEIRA,1988)
A US Federal Council for Sciences and Tecnology define hidrologia como
a ciência que trata da água na Terra, sua ocorrência, circulação e distribuição, suas
propriedades físicas e químicas e sua relação com o meio ambiente, incluindo sua
relação com a vida.

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2. CONCEITOS INICIAIS

2.1. HISTÓRICO

Na história recente da hidrologia pode-se observar grandes avanços a


partir de 1930, quando agências governamentais de países desenvolvidos
começaram a desenvolver seus próprios programas de pesquisas hidrológicas.
Sherman (1932), o hidrograma unitário; Horton (1933), a teoria da infiltração;
Gumbel (1941) propôs a distribuição de valores extremos para análise de freqüência
de dados hidrológicos.
A introdução da computação digital na hidrologia, nas décadas de 1960 e
1970, permitiu que problemas hidrológicos complexos fossem simulados como
sistemas completos pela primeira vez. O primeiro modelo hidrológico completo foi
desenvolvido pela Universidade de Stanford (1966). Este modelo pode simular os
processos mais importantes do ciclo hidrológico: precipitação, evapotranspiração,
infiltração, escoamento superficial, escoamento subterrâneo e escoamento em
canais. Outros modelos foram desenvolvidos em seguida, por exemplo o HEC-1
(1973) do Corpo de Engenheiros do Exército Americano; ILLUDAS (1974), e outros.
No Brasil, os primeiros textos publicados em hidrologia são de Garcez
(1961) e Souza Pinto ET al. (1973). Por ocasião do Decênio Hidrológico
Internacional, foi implantado no Rio Grande do Sul, com a participação da UNESCO,
o primeiro curso de pós-graduação em Hidrologia, junto ao Instituto de Pesquisas
Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do sul (IPH). O IPH tem sido
responsável pelo desenvolvimento de modelos de simulação hidrológica, tais como
os modelos IPH, determinísticos, tipo chuva-vazão, e os modelos MAG, para auxiliar
na gestão de bacias.

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2.2. CIÊNCIA HIDROLÓGICA

Dooge (1988) caracteriza que a Hidrologia Científica está dentro do


contexto do desenvolvimento clássico do conhecimento científico, enquanto que a
Hidrologia Aplicada estuda os diferentes fatores relevantes ao provimento de água
para a saúde e para a produção de comida no mundo.
Através do desenvolvimento de programas de observação e quantificação
sistemática dos diferentes fatores relevantes que ocorrem no ciclo hidrológico que a
Hidrologia conseguiu se tornar estável. Com isso surgiram subáreas que tratam da
análise dos processos físicos que ocorrem na bacia, são estes:
• Hidrometeorologia
É a parte da ciência que trata da água na atmosfera;
• Geomorfologia
Trata da análise quantitativa das características do relevo e bacias
hidrográficas e sua associação com o escoamento;
• Escoamento Superficial
Trata do escoamento sobre a superfície da bacia;
• Intercepção Vegetal
É a subárea do conhecimento que avalia a interceptação de precipitação
pela cobertura vegetal na bacia hidrográfica;
• Infiltração e escoamento em meio não-saturado
Trata da observação e previsão da infiltração no solo e do escoamento no
solo não-saturado;
• Escoamento em meio saturado
Envolve o estudo do comportamento do fluxo em aqüíferos, camada do
solo saturada;
• Escoamento em rios e canais
Trata da análise do escoamento em rios, canais e reservatórios;
• Evaporação e evapotranspiração

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Trata da avaliação da perda de água por evaporação de superfícies livres


como reservatórios e lagos, evapotranspiração de culturas e da vegetação natural;
• Fluxo dinâmico em reservatórios, lagos e estuários
Trata do escoamento turbulento em meios multidimensionais;
• Produção e transporte de sedimentos
Trata da qualificação da erosão de solo e do transporte de sedimento, na
superfície da bacia e nos rios, devido às condições naturais e do uso do solo;
• Qualidade da água e meio ambiente
Trata da qualificação de parâmetros físicos, químicos e biológicos da
água e sua interação com os seus usos na avaliação do meio ambiente aquático.

2.3. HIDROLOGIA APLICADA

A Hidrologia Aplicada está voltada para os diferentes problemas que


envolvem a utilização dos recursos hídricos, preservação do meio ambiente e
ocupação da bacia.
No primeiro caso estão envolvidos os aspectos de disponibilidade hídrica,
regularização de vazão, planejamento, operação e gerenciamento dos recursos
hídricos.
Dentro dessa visão os principais projetos que normalmente são
desenvolvidos com a participação significativa do hidrólogo são: aproveitamentos
hidrelétricos, abastecimento de água, irrigação e regularização para navegação.
Quanto à preservação do meio ambiente, modificações do uso do solo,
regularização para controle de qualidade da água, impacto das obras hidráulicas
sobre o meio ambiente aquático e terrestre, são exemplos de problemas que
envolvem aspectos multidisciplinares em que a hidrologia tem uma parcela
importante.
A ocupação da bacia pela população gera duas preocupações distintas: o
impacto do meio sobre a população através de enchentes e; o impacto do homem
sobre a bacia, mencionado na preservação do meio ambiente.

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A ação do homem no planejamento e desenvolvimento da ocupação do


espaço na Terra requer cada vez mais uma visão ampla sobre as necessidades da
população, os recursos terrestres e aquáticos disponíveis e o conhecimento sobre o
comportamento dos processos naturais na bacia, para racionalmente compatibilizar
necessidades crescentes com recursos limitados.
No Brasil algumas das principais áreas do conhecimento da Hidrologia
Aplicada encontram-se nos seguintes aspectos:
• Planejamento e gerenciamento da bacia hidrográfica
O desenvolvimento das principais bacias quanto ao planejamento e
controle de uso dos recursos naturais requer uma ação pública e privada
coordenada;
• Drenagem Urbana
Atualmente, grande parte da população do Brasil ocupa espaço urbano.
Enchentes, produção de sedimentos e qualidade da água são problemas sérios
encontrados em grande parte das cidades brasileiras;
• Energia
A produção de energia hidrelétrica representa 92% de toda a energia
produzida no país. O potencial hidrelétrico ainda existente é significativo. Esta
energia dependa da disponibilidade de água, da sua regularização por obras
hidráulicas e o impacto das mesmas sobre o meio ambiente;
• O uso do solo rural
A expansão das fronteiras agrícolas e o intenso uso agrícola têm gerado
impactos significativos na produção de sedimentos e nutrientes nas bacias rurais,
resultando em perda de solo fértil e assoreamento dos rios;
• Qualidade da água
O meio ambiente aquático (oceanos, rios, lagos, reservatórios e
aqüíferos) sofre com a falta e tratamento dos despejos domésticos e industriais e de
carga de pesticidas de uso agrícolas;
• Abastecimento da água
A disponibilidade de água, que apesar de farta em grande parte do país,
apresenta limitações nas regiões áridas e semi-áridas do nordeste brasileiro. A
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redução da qualidade de água dos rios e as grandes concentrações urbanas têm


apresentado limitações quanto à disponibilidade de água para o abastecimento;
• Irrigação
A produção agrícola nas regiões áridas e semi-áridas depende
essencialmente da disponibilidade de água. No sul, culturas como o arroz utilizam
grande quantidade significativa de água. O aumento da produtividade passa pelo
aumento da irrigação em grande parte do país;
• Navegação
A navegação interior é ainda pequena, mas com grande potencial de
transporte, principalmente nos rios Jacuí, Tietê/Paraná, São Francisco e na
Amazônia. A navegação pode ter um peso significativo no desenvolvimento
nacional. Os principais aspectos são: disponibilidade hídrica para calado, previsão
de níveis e planejamento e operação de obras hidráulicas para navegação.

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3. CICLO HIDROLÓGICO

3.1. INTRODUÇÃO

O ciclo hidrológico é o fenômeno global de circulação fechada da água


entre a superfície terrestre e a atmosfera, impulsionado fundamentalmente pela
radiação solar associada à gravidade e a rotação da terra.
O ciclo hidrológico ocorre em dois sentidos: No sentido superfície-
atmosfera, onde o fluxo de água ocorre fundamentalmente na forma de vapor, como
decorrência dos fenômenos de evapotranspiração (de evaporação e de
transpiração); No sentido atmosfera-superfície, onde a transferência de água ocorre
em qualquer estado físico, sendo mais significativas, em termos mundiais, as
precipitações de chuva e neve, como pode-se observar pela figura 1.

Figura 1: Ciclo Hidrológico (Fonte: Tucci, 1998)

O ciclo hidrológico só é fechado em nível global. Os volumes evaporados


em um determinado local do planeta não precipitam necessariamente no mesmo

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local, porque há movimentos contínuos, com dinâmicas diferentes, na atmosfera, e


também na superfície terrestre.

3.2. O CICLO HIDROLÓGICO

Pode-se começar a descrever o ciclo hidrológico a partir do vapor de água


presente na atmosfera que, sob determinadas condições meteorológicas, condensa-
se, formando microgotícolas de água que se mantêm suspensas no ar devido à
turbulência natural. O agrupamento das microgotícolas, que são invisíveis, com o
vapor de água mais eventuais partículas de gelo e poeira, formam um aerossol que
é chamado de nuvem ou de nevoeiro, quando o aerossol junta-se ao solo.
A precipitação acontece quando complexos fenômenos de aglutinação e
crescimento das microgotícolas, em nuvens com presença significativa de umidade
e núcleos de condensação (poeira e gelo), formam uma grande quantidade de gotas
com tamanho e peso suficientes para que a força da gravidade supere a turbulência
normal ou os movimentos ascendentes do meio atmosférico. Se na sua queda
atravessam zonas de temperatura abaixo de zero, pode haver a formação de
partículas de gelo, dando origem ao granizo. Caso a condensação ocorrer sob
temperaturas abaixo do ponto de congelamento, haverá a formação de neve.
Caindo sobre um solo com cobertura vegetal, parte do volume precipitado
sofre interceptação em folhas e caules, de onde evapora. Excedendo a capacidade
de armazenar água na superfície dos vegetais, ou por ação dos ventos a água
interceptada pode-se precipitar para o solo.
A água que atinge o solo segue diversos caminhos. Como o solo é um
meio poroso, há infiltração de toda a precipitação que chega ao chão, enquanto a
superfície do solo não satura. A partir do momento da saturação superficial, à
medida que o solo vai sendo saturado a maiores profundidades, a infiltração
decresce até uma taxa residual, com o excesso não infiltrado da precipitação
gerando o escoamento superficial. A umidade do solo realimentada pela infiltração é

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aproveitada em parte pelos vegetais, que absorvem pelas raízes e a devolvem,


quase toda, à atmosfera por transpiração, na forma de vapor de água.
O escoamento superficial manifesta-se inicialmente na forma de
pequenos filetes de água que se moldam ao microrrelevo do solo. A erosão de
partículas de solo pelos filetes em seus trajetos, aliada à topografia preexistente,
molda, por sua vez, uma microrrede de drenagem efêmera que converge para a
rede de cursos de água mais estável, formada por arroios e rios.
Com raras exceções, a água escoada pela rede de drenagem mais
estável destina-se ao oceano. Nos oceanos a circulação de água é regida por uma
complexa combinação de fenômenos físicos e meteorológicos, destacando-se a
rotação terrestre, os ventos de superfície, variação espacial e temporal da energia
solar absorvida e as marés.
Em qualquer tempo e local por onde circula a água na superfície terrestre,
seja nos continentes ou nos oceanos, há evaporação para a atmosfera, fenômeno
que fecha o ciclo hidrológico ora descrito.
O sistema da atmosfera é extremamente dinâmico e não-linear,
dificultando a sua previsão quantitativa. Esse sistema cria condições de precipitação
pelo resfriamento do ar úmido que formam as nuvens, gerando precipitação na
forma de chuva e neve (entre outros) sobre os mares e superfície terrestre.
O fluxo sobre a superfície terrestre é positivo (precipitação menos
evaporação), resultando nas vazões dos rios em direção aos oceanos. O fluxo
vertical dos oceanos é negativo, com maior evaporação que precipitação. O volume
evaporado adicional se desloca para os continentes através do sistema de
circulação da atmosfera e precipita, fechando o ciclo (figura 2).

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Figura 2: Fluxos de água entre a superfície terrestre e a atmosfera. (Fonte: Tucci,1998)

O equilíbrio médio anual, em volume, entre a precipitação e a


evapotranspiração, que são os dois fluxos principais entre a superfície terrestre e a
atmosfera, em nível global apresenta o seguinte valor:
P = E = 423 x 10¹² m³/ano
A evaporação direta dos oceanos para a atmosfera equivale a 361x10¹²
m³, representando 85% do total evaporado e 62x10¹² m³ (15%), devidos a
evapotranspiração dos continentes.
Quanto à precipitação, a atmosfera devolve aos oceanos 324x10¹² m³,
equivalente a 77% do total precipitado, e aos continentes 23% (99x10¹² m³). A
diferença entre o que é precipitado anualmente nos continentes e o que é
evapotranspirado pelos continentes corresponde ao escoamento para os oceanos
(37x10¹² m³).
Cerca de 36% da energia solar que atua sobre o sistema terrestre, é
utilizada para a evaporação da terra e do mar.
A quantidade de água e a velocidade a que esta circula nas diferentes
etapas do ciclo hidrológico, são influenciadas por diversos fatores como, por
exemplo, a cobertura vegetal, altitude, topografia, temperatura, tipo de solo e
geologia.
Dentre as quantificações dos fluxos e reservas de água do ciclo
hidrológico global apresentada por diversos autores, cita-se a proposta por Peixoto e
Oort (1990), citada por Tucci, mostrados na tabela abaixo:
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Tabela 1 – Reservas de água na Terra

Fonte Volume (m³) %


15
Oceano 1350x10 97,5
Geleiras 25x1015 1,81
Água subterrânea 8,4x1015 0,61
15
Rios e Lagos 0,2x10 0,01
Biosfera 0,0006x1015 0
15
Atmosfera 0,013x10 0
15
TOTAL 1383,61x10 100

Conforme mostra a tabela acima, 97,5% da água do planeta está nos


oceanos. Em certas regiões da Terra, o ciclo hidrológico manifesta-se de forma
bastante peculiar. Fatores como a desuniformidade com que a energia solar atinge
os diversos locais, o diferente comportamento térmico dos continentes em relação
aos oceanos, quantidade de vapor de água, CO2 e ozônio na atmosfera, a
variabilidade espacial de solos e coberturas vegetais e a influência da rotação e
inclinação do eixo terrestre na circulação atmosférica, contribuem para a grande
variabilidade nas manifestações do ciclo hidrológico nos diferentes pontos do globo
terrestre.
Nas calotas polares, por exemplo, ocorre pouca precipitação e a
evaporação é direta das geleiras. Nos grandes desertos também são raras as
precipitações, havendo água permanente disponível somente a grande
profundidade, sem trocas significativas com a atmosfera, tendo sido estocada
provavelmente em tempos remotos. A energia calorífica do Sol, fundamental ao ciclo
hidrológico, somente é aproveitada devido ao efeito estufa natural causado pelo
vapor de água e CO2, que impede a perda total do calor emitido pela Terra originado
pela radiação solar (ondas curtas) recebida. Assim a atmosfera mantém-se
aquecida, possibilitando a evaporação e transpiração naturais. Como cerca de
metade do CO2 natural é absorvido no processo de fotossíntese das algas nos
oceanos, verifica-se que é bastante importante a interação entre os oceanos e
atmosfera para a estabilidade do clima e do ciclo hidrológico.

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4. BACIA HIDROGRÁFICA

4.1. INTRODUÇÃO

A bacia hidrográfica é uma área de captação natural de água da


precipitação que faz convergir os escoamentos para um único ponto de saída, seu
exutório. A bacia hidrográfica compõe-se basicamente de um conjunto de superfícies
vertentes e de uma rede de drenagem formada por cursos de água que confluem até
resultar um leito único no exutório (TUCCI, 2009).
Segundo Viessman, Harbaugh e Knapp (1972), a bacia hidrográfica é
uma área definida topograficamente, drenada por um curso de água ou um sistema
conectado de cursos d’água, dispondo de uma simples saída para que toda a vazão
efluente seja descarregada.
Uma bacia hidrográfica compreende, então, toda a área de captação
natural da água da chuva que proporciona escoamento superficial para o canal
principal e seus tributários.

4.2. PARÂMETOS FÍSICOS DE BACIAS HIDROGRÁFICAS

Consideram-se dados fisiográficos de uma bacia todos aqueles dados


que podem ser extraídos de mapas, fotografias aéreas e imagens de satélite.
Basicamente são os fatores que influem no escoamento superficial como áreas,
comprimentos, declividades, etc.
Dentre esses fatores os mais importantes são: área da bacia, forma da
bacia, altitude média, declividade media da bacia, densidade de drenagem,
sinuosidade da bacia, sistema de drenagem e relevo da bacia.

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4.2.1. Área da Bacia

A determinação da área de drenagem de uma bacia é feita com o auxílio


de uma planta topográfica, de altimetria adequada traçando-se uma linha divisória
(figura 4) que passa pelos pontos de maior cota entre duas bacias vizinhas.

Figura 4: Bacia Hidrográfica do Riacho Faustino.

Para que haja precisão na determinação da área utiliza-se um planímetro,


com métodos geométricos de determinação de área de figura irregular ou com
recursos intrínsecos aos aparelhos de Sistemas de Informação Geográfica (SIG),
quando se trabalha com a planta digitalizada.

4.2.2. Forma

A forma da bacia influencia no escoamento superficial e


consequentemente o hidrograma resultante de uma determinada chuva.

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As grandes bacias hidrográficas em geral apresentam forma de leque ou


pêra, já as pequenas bacias apresentam formas mais variadas possíveis em função
da estrutura geológica dos terrenos.
Para expressar em forma numérica a forma de uma bacia hidrográfica
Gravelius propôs dois índices:

• Coeficiente de Compatibilidade ( )


É a relação entre os perímetros (P) da bacia e de um círculo de área (A)
igual a da bacia:

 = 0,28 ∙

Um coeficiente mínimo igual a 1 corresponderia à bacia circular. Com
isso, quanto maior o  menos propensa à enchente é a bacia.

• Fator de forma ( )
É a relação entre a largura média da bacia (L) e o comprimento axial do
cursa da água (L). O comprimento “L” é medido seguindo-se o curso d’água mais
longo desde a cabeceira mais distante da bacia até a desembocadura. A largura
média é obtida pela divisão da área da bacia pelo comprimento da bacia.

Temos que  = , mas  = .

 

Logo:

 =

Este índice também indica a maior ou menor tolerância para enchentes de
uma bacia. Uma bacia com  baixo, ou seja, com o L grande, terá menor propensão
a enchentes que outra com a mesma área, mas o  maior.

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4.2.3. Sistema de Drenagem

O sistema de drenagem de uma bacia é formado pelo rio principal e seus


afluentes. As características de uma rede de drenagem podem ser descritos pela
ordem dos cursos de água, densidade de drenagem, extensão média do
escoamento superficial e sinuosidade do curso de água.

• Ordem dos Cursos de Água


A ordem dos rios é uma classificação que reflete o grau de ramificação ou
bifurcação dentro de uma bacia. Os cursos de água maiores possuem seus
tributários, que por sua vez possuem outros até que se chegue aos minúsculos
cursos de água da extremidade.
Todos os afluentes que não se ramificam (que desembocam no rio
principal ou em seus ramos) são chamados de primeira ordem (1), como pode-se
observar na figura 5. Os cursos de água que apenas recebem afluentes e que não
se subdividem são chamados de segunda ordem (2). Já os de terceira ordem são
formados pela união de dois cursos d’água de segunda ordem e assim por diante.

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Figura 5: Ordem dos cursos de água na bacia do Rio Jaguaribe (Fonte: Carlos Dudene)

• Densidade (Índices) de Drenagem


É a relação entre o comprimento total de cursos de água de uma bacia e
a área total da mesma.
∑ 
 =

São chamadas áreas de baixa densidade de drenagem quando
constituídas por relevo plano e suave, cuja condição de alta permeabilidade permite
rapidez de infiltração de água e conseqüente formação de lençóis aqüíferos. O
regime pluvial apresenta escoamento superficial pouco significativo, gerando
mecanismos de erosão hídrica ligados ao processo inicial da gota de chuva e
provocando a erosão laminar ou em lençol, decorrente do atrito do próprio
escoamento superficial que conduz material erodido dos pontos abaixo das encostas
para as calhas fluviais. Geralmente são áreas abaixo de 5 km/km².
As áreas de alta densidade de drenagem, maiores de 13 km/km²,
apresentam terrenos com relevo de maior movimentação topográfica. O escoamento
superficial mais rápido nas encostas provoca o aparecimento da ação erosiva em
sulco ou voçoroca, que em épocas de chuvas abrem grandes fendas, por onde o
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escoamento concentrado tende a alargar a escavação, progredindo e aumentando a


voçoroca formada, até transformá-la em ravina.

• Extensão Média do Escoamento Superficial ()


Este parâmetro indica a distância média que a chuva teria que escoar
sobre os terrenos da bacia (em linha reta) do ponto onde ocorreu sua queda até o
curso d’água mais próximo.
Para isso transforma-se a bacia em estudo em um retângulo de mesma
área, onde o lado maior é a soma dos comprimentos dos rios da bacia ( = ∑  ).

Figura 6: Extensão média de escoamento superficial (Fonte: Vilela, 1975)

De acordo com a figura 6 temos que:


4 ×  = , desse modo

=
4

• Sinuosidade do Curso da Água ()


É a relação entre o comprimento do rio principal () e o comprimento do
talvegue ( ) que é a medida em linha reta entre o ponto inicial e o final do curso de
água principal. Ver figura 7.

 =


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Figura 7: Comprimento principal (L) e comprimento talvegue (Lt)

4.3. DECLIVIDADE MÉDIA DA BACIA

A declividade de uma bacia hidrográfica tem relação importante com


vários processos hidrológicos, tais como a infiltração, o escoamento superficial, a
umidade do solo e a contribuição de água subterrânea ao escoamento do curso da
água. Sendo, desse modo, um dos fatores mais importantes que controla o tempo
do escoamento superficial e da concentração da chuva, tendo uma importância
direta em relação à magnitude da enchente. Quanto maior a declividade maior a
variação das vazões instantâneas.
A declividade dos terrenos de uma bacia controla em boa parte a
velocidade com que se dá o escoamento superficial (VILELA,1975). Quanto mais
íngreme for o terreno, mais rápido será o escoamento superficial, o tempo de
concentração será menor e os picos de enchentes maiores.
A diferença entre a elevação máxima e a elevação mínima define a
chamada “amplitude altimétrica” da bacia. Dividindo-se a amplitude altimétrica pelo
comprimento da bacia obtém-se uma medida do gradiente ou declividade geral da
bacia:
∙
= ! ∙ 100

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Onde:
S é a declividade média (%)
D é a distância entre as curvas de nível (m)
L é o comprimento total das curvas de nível (m)
A é a área da bacia hidrográfica (m²)

Outra forma de se determinar a declividade da bacia é através do Método


das Quadrículas. Este método consiste em lançar sobre o mapa topográfico da
bacia, um papel transparente sobre o qual será trançada uma malha quadriculada,
com os pontos de intersecção assinalados. A cada um desses pontos associa-se um
vetor perpendicular à curva de nível mais próxima (orientado no sentido do
escoamento). As declividades em cada vértice são obtidas, medindo-se na planta,
as menores distâncias entre curvas de níveis subseqüentes; a declividade é o
quociente entre a diferença de cota e a distância medida em planta entre as curvas
de nível.

Figura 8: Método das quadrículas (Fonte: Tucci, 1998)

Após a determinação da declividade dos vetores, constrói-se uma tabela


de distribuição de freqüências, tomando-se uma amplitude para as classes. A
declividade média será:

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∑($ ∙ %)
= ∙ 100
∑ $

Onde:
S é a declividade média (%)
F( é a freqüência de ocorrência
PM é o ponto médio da classe

Quando a declividade é menor que 5% o declive é plano e suave com


escoamento lento ou médio. Não impedem o uso de máquinas agrícolas. A erosão
hídrica não é problema e exige práticas simples de conservação do solo (plantio em
nível, cobertura morta, rotação de culturas).
Quando da declividade está entre 5% e 10% obtém-se superfícies
inclinadas, geralmente em relevo ondulado nos quais o escoamento superficial é
médio. O declive não prejudica o uso de máquinas agrícolas e a erosão hídrica já
causa problemas em alguns casos, exigindo práticas simples complexas de
conservação.
Já a declividade esta entre 10% e 15% compreende áreas muito
inclinadas ou declivosas, com escoamento superficial rápido. Dificulta o uso de
máquinas agrícolas. Os solos são facilmente erodíveis. Normalmente são áreas que
só podem ser utilizadas para alguns cultivos perenes, pastagens ou
reflorestamentos.
As declividades entre 15% e 20%, por sua vez, são fortemente inclinadas,
cujo escoamento superficial é rápido. Não são apropriadas para culturas perenes
sendo próprias para pastagens ou reflorestamentos. Apresenta problemas de erosão
e impedimento ao uso de máquinas agrícolas.

4.4. HIDROGRAMA DE SAÍDA

A bacia hidrográfica pode ser considerada um sistema físico onde a


entrada é o volume de água precipitado e a saída é o volume de água escoado pelo
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exutório, considerando-se como perdas intermediárias os volumes evaporados e


transpirados e também os infiltrados profundamente (TUCCI,2009).
O limite superior de uma bacia hidrográfica é o divisor de água (divisor
topográfico), e a delimitação inferior é a saída da bacia (confluência).
Em um evento isolado pode-se considerar estas perdas e analisar estas
perdas e analisar a transformação de chuva em vazão, através do hidrograma
(saída) e do hietograma (entrada).
O papel hidrológico da bacia hidrográfica consiste em transformar uma
entrada de volume concentrada no tempo (precipitação) em uma saída de água
(escoamento), de forma mais atribuída no tempo. A gráfico 1, a seguir, mostra a
resposta hidrológica de uma bacia hidrológica.

Gráfico 1: Resposta hidrológica da bacia hidrográfica (Fonte: Tucci, 1998).

Na figura é feito uma diferença entre um escoamento mais lento e outro


mais rápido, identificável pela forte elevação das vazões em um curto espaço de
tempo que, após atingir um pico, decresce rapidamente, porém em tempo maior que
o da elevação. Ao escoamento rápido atribui-se com escoamento superficial e, ao
escoamento lento, escoamento subterrâneo. Esta diferenciação permite quantificar e
analisar separadamente o escoamento superficial, geralmente de maior magnitude
em uma cheia, explicado pela relação de causa e efeito com a precipitação.
Uma maneira consistente de explicar a dispersão do hidrograma no
tempo é considerar o efeito translação. Analisando-se uma lâmina L precipitada

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sobre uma bacia de área A em um pequeno intervalo de tempo, é razoável supor


que a precipitação ocorrida perto do exutório gerará um escoamento que chegará
mais cedo a este ponto, enquanto que o escoamento gerado em locais mais
distantes passará mais tarde pelo mesmo exutório. Desta maneira, há um
escalonamento de chegada dos volumes à seção de saída, que reproduz, em parte,
o efeito de espalhamento das vazões no tempo (TUCCI,2009).
Outro fenômeno que contribui para a conformação do hidrograma de
saída da bacia é o fenômeno hidráulico do armazenamento. Nas condições naturais,
com atrito, quanto maior o volume a escoar na bacia tanto maior é a carga hidráulica
necessária para haver o escoamento e, portanto, tanto maior é o volume
armazenado temporariamente na bacia.
Tanto a translação como o armazenamento dependem profundamente da
topologia da bacia hidrográfica, isto é, de como estão dispostos no espaço as
vertentes e a rede de drenagem. Entretanto, os métodos clássicos da hidrologia para
cálculo do hidrograma de saída não explicitam os papéis das vertentes e da rede de
drenagem, preferindo tratar a bacia como um sistema que funciona à base da
translação e/ou armazenamento.
Outra abordagem sobre a contribuição das vertentes na geração do
hidrograma de saída da bacia é dada por Beven e Kikby (1979) apud Tucci (2009),
onde a partir da constatação de que diferentes partes da bacia têm normalmente
diferentes capacidades de infiltração e teores de umidade, fazendo com que as
vertentes gerem escoamentos de diferentes magnitudes, os referidos pesquisadores
relacionaram este fato com um índice topográfico de declividade. Este índice
topográfico é correlacionado com a umidade subsuperficial do solo e, quando é
obtido para diversas partes da bacia, conduz a um diagrama que identifica a
porcentagem da área da bacia que está efetivamente gerando escoamento
superficial.

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5. BALANÇO HÍDRICO

5.1. DEFINIÇÃO E CÁLCULOS

O Balanço Hídrico é a contabilidade das entradas e saídas de água de um


sistema. Várias escalas espaciais podem ser consideradas para se contabilizar o
balanço hídrico, como a macro, a intermediária e a local.
Na escala macro, o banco hídrico é o próprio ciclo hidrológico. Desse
modo, o resultado fornecerá a água disponível em um sistema. Em uma escala
intermediária, representada por uma micro-bacia hidrográfica, o balanço hídrico
resulta na vazão (Q) de água nesse sistema. Em uma escala local, no caso de uma
cultura, o balanço hídrico estabelece a variação de armazenamento e,
conseqüentemente, a disponibilidade de água no solo.
Com isso podemos aplicar a lei da Continuidade que afirma que num
certo período de tempo, o volume de água de entrada menos o volume de água de
saída deve igualar a variação dos estoques de água na área.
Desse modo definimos as variáveis de entrada e saída de água conforme
mostra descrito a seguir:

Entrada de Água Saída de Água


P = Chuva ET = Evapotranspiração
O = Orvalho Ro = Escorrimento Superficial
Ri = Escorrimento Superficial Dlo = Escorriemnto Sub-superficial
DLi = Escorrimento Sub-superficial DP = Drenagem Profunda
AC = Ascensão Capilar

Equacionando as entradas (+) e as saídas de água (-) de água do


sistema, temos que a variação de armazenamento (∆ *%) de água no solo é:

∆ *% = + , + *- + - + . − 01 − *2 − 2 − 

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A chuva representa a principal entrada de água em um sistema, ao passo


que a contribuição do orvalho só assume papel importante em regiões muito áridas,
sendo assim desprezível. As entradas de água pela ascensão capilar também são
muito pequenas e somente ocorrem em locais com lençol freático superficial e em
períodos muito secos. Mesmo assim, a contribuição dessa variável é pequena,
sendo também desprezível. Já os fluxos horizontais de água (Ri, Ro, Dli, e DLo)
para áreas homogêneas, se compensam, portanto, anulam-se. A ET
(evapotranspiração) é a principal saída de água do sistema, especialmente nos
períodos secos, ao passo que DP (drenagem profunda) constitui-se em outra via de
saída de água do volume de controle de solos nos períodos excessivamente
chuvosos.
Com isso, podemos considerar que *- ≅ *2, - ≅ 2, O e AC são
desprezíveis, resultando na seguinte equação:

∆ *% = − 01 − 

Quando o período de tempo é muito grande (um ano ou mais) admite-se


que ∆ *% = 0, assim:
= 01 + 

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6. PRECIPITAÇÃO

6.1. DEFINIÇÃO

Precipitação é a água proveniente do meio atmosférico que atinge a


superfície terrestre. Existem várias formas de precipitação, como neblina, chuva,
granizo, saraiva, orvalho, geada e neve. Dentre estas a mais importante é a chuva
uma vez que possui capacidade de produzir escoamento.
A precipitação é caracterizada por meio de três grandezas: altura,
duração e intensidade. A altura pluviométrica é o volume da chuva precipitado
medido em milímetros (mm), mais o período de tempo. A intensidade é a grandeza
que visa caracterizar a variabilidade temporal. Medida, geralmente, em mm/h ou
mm/min.

6.2. FORMAÇÃO

A origem das precipitações está ligada ao crescimento das gotículas das


nuvens, o que ocorre quando forem reunidas certas condições. Para as gotas de
água precipitarem é necessário que tenham um volume tal que seu peso seja
superior às forças que as mantêm em suspensão, adquirindo, então, uma velocidade
de queda superior às componentes verticais ascendentes dos movimentos
atmosféricos.

6.3. CLASSIFICAÇÃO

As precipitações são classificadas como chuvas frontais, chuvas


orográficas e convectivas, definidas de acordo com o fator responsável pela
ascensão do ar úmido.

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6.3.1. Chuvas Frontais ou Ciclônica

São chuvas de duração média e longa, provenientes de choques de


massa de ar quente e frio (ver figura 10). O ar frio, mais denso, empurra a massa de
ar quente para cima, que se resfria e condensa o vapor d’água, produzindo chuvas.
Essas precipitações podem vir acompanhadas de ventos fortes com circulação
ciclônica.

6.3.2. Chuvas Convectivas

As chuvas convectivas são também chamadas de chuvas de verão.


Quando o ar úmido for aquecido na vizinhança do solo, podem criar camadas de ar
quente que se mantêm em equilíbrio instável. Essa camada sobe, sendo resfriado
rapidamente, condensando o vapor atmosférico, formando nuvens e, em muitas
vezes, precipitações. São características de regiões equatoriais, onde os ventos são
fracos e os movimentos de ar são essencialmente verticais (ver figura 11).

6.3.3. Chuvas Orográficas

As chuvas orográficas ocorrem devido à influência do relevo (ver figura


12). Quando ventos úmidos proveniente do oceano encontram barreiras
montanhosas no continente, elevando-se e resfriando-se, formando nuvens e
ocorrência de chuvas. São chuvas de pequenas intensidades e grande duração, que
cobrem pequenas áreas.

6.4. CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DAS PRECIPITAÇÕES

São necessários alguns parâmetros básicos para definir uma


precipitação: altura pluviométrica (r), duração (t) e freqüência de ocorrência ou
probabilidade (p) são as principais.
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A primeira corresponde à espessura média da lâmina da água que se


formaria no solo como resultado de uma chuva, caso não houvesse escoamento,
infiltração ou evaporação de água precipitada. As medidas realizadas nos
pluviômetros são expressas em mm de chuva.
A duração, por sua vez, é o período de tempo contado desde o início até
o fim da chuva, expresso geralmente em horas ou minutos.
A freqüência de ocorrência é a quantidade de ocorrências de eventos
iguais ou superiores ao evento de chuva considerado.
Além desses parâmetros podemos citar a intensidade de precipitação que
é a relação entre a altura pluviométrica e a duração da chuva. Expressa-se em
(mm/h) ou (mm/min).

6.5. INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO

Existem três tipos básicos de se medir a precipitação em forma de chuva:


Pluviômetros, pluviógrafos e radares meteorológicos. No Brasil a maioria das
estações de medição utiliza os pluviômetros.

6.5.1. Pluviômetro

O Pluviômetro possui uma superfície de capacitação horizontal delimitada


por um anel metálico e de um reservatório que acumula a água recolhida (ver figura
13). Esse aparelho possui uma área de captação de 400 cm², de modo que um
volume de 40 ml corresponde a 1mm de precipitação. A água acumulada no
aparelho é tirada por meio de uma torneira, em horários prefixados. Calcula-se a
precipitação da seguinte forma:
5
4 = 10 ∙

Onde: P é a precipitação em mm;
V o volume recolhido em cm³ ou ml;

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A a área da captação do anel em cm².

Figura 13: Pluviômetro. (Fonte: UFCG)

O local escolhido para a instalação do pluviômetro deve ser, de


preferência, em um terreno plano e livre de obstáculos igual ao dobro de sua altura.
As normas da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) recomendam que o
aro que delimita o pluviômetro esteja a uma altura de 1,50m do solo.

6.5.2. Pluviógrafos

Os pluviógrafos (figura 14) são aparelhos que faz o registro contínuo das
variações das alturas pluviais ao longo do tempo (ver figura 16).

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Figura 14: Pluviógrafos.

Figura 15: Pluviógrafos: Esquema de funcionamento. (Fonte: UFCG)

Existem vários tipos que armazenam a informação de forma análoga ou


digital. Os aparelhos análogos registram graficamente a chuva acumulada (nas
ordenadas) contra o tempo (abscissas), como mostra a figura 16.

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Figura 16: Registro graficamente da chuva acumulada em pluviógrafos.

6.5.3. Radares Meteorológicos

A medição de chuva por radar está baseada na emissão de pulsos de


radiação eletromagnéticos que são refletidos pelas partículas de chuva na
atmosfera, e na medição da intensidade do sinal refletido (figura 17). A relação entre
a intensidade do sinal enviado e recebido, denominado refletividade, é
correlacionada à intensidade de chuva que está caindo em uma região. Pode-se
estabelecer a distribuição espacial da chuva em cada instante e dentro de um raio
de até 200 km.
No Brasil são poucos os radares para uso meteorológico. No estado de
São Paulo é que existem alguns em operação. Em países desenvolvidos como
Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha a cobertura por radar, para estimar a chuva,
é completa.

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Figura 17: Esquema de estimativa por radar. (Fonte: Tucci, 2009)

6.6. PRECIPITAÇÃO MÉDIA SOBRE UMA REGIÃO

Para calcular a precipitação média numa superfície qualquer é necessário


utilizar das observações dentro dessa superfície e nas suas vizinhanças. Aceita-se a
precipitação média como sendo a lâmina de água de altura uniforme sobre toda a
área considerada, associada a um período de tempo dado.
Existem vários métodos para se determinar a precipitação média em uma
área. Os mais usuais são o Método da Média Aritmética; Método de Thiessen e o
Método das Isoietas, que serão vistos a seguir.

6.6.1. Método da Média Aritmética

A precipitação média é calculada como a média aritmética dos valores


médios de precipitação. É importante observar que o método ignora variações
geográficas da precipitação e, portanto, é aplicável apenas em regiões planas com
variação gradual e suave gradiente pluviométrico e com cobertura de postos de
medição bastante densa.

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Como exemplo, calcula-se a precipitação média da bacia mostrada na


figura 18:

Figura 18: bacia hidrográfica para cálculo de precipitação média por método da média aritmética.
(Fonte: Tucci, 2009)

(88 + 9: + ;; + ;:)
67 = = 9:77
;

6.6.2. Método dos Polígonos de Thiessen

O método do polígono de Thiessen, conhecido também como método do


vizinho mais próximo, é um dos mais utilizados. Nesse método define-se a área de
influência de cada posto pluviométrico dentro da bacia hidrográfica.
Tendo uma bacia hidrográfica com valores médios de precipitação (figura
19), contendo uma área total de 100km².

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Figura 19: bacia hidrográfica para cálculo de precipitação média por método de Thiessen. (Fonte:
Tucci, 2009).

Para isso traça-se, primeiramente, linhas que unem os postos


pluviométricos mais próximos (figura 20).

Figura 20: Traço de linhas unindo postos pluviométricos de uma bacia hidrográfica. (Fonte: Tucci,
2009).

Em seguida determina-se o ponto médio em cada uma destas linhas, e a


partir desse ponto traça-se uma linha perpendicular.

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Figura 21: Determinação do ponto médio e traçando linha perpendicular (Fonte: Tucci, 2009).

A intercepção das linhas médias entre si e com os limites da bacia vão


definir a área de influência de cada um dos postos. Com isso mede-se a área de
cada posto.

Figura 22: Definição da região de influência de cada posto (Fonte: Tucci, 2009).

Portanto, tem-se que:


A área sobre a influência do posto com 120mm é de 15 km²;
A área sobre a influência do posto com 70mm é de 40 km²;
A área sobre a influência do posto com 50mm é de 30 km²;
A área sobre a influência do posto com 75mm é de 5 km²;
A área sobre a influência do posto com 82mm é de 10 km²;
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Logo, a precipitação média da bacia será dada por:

∑  ∙ 
< =

Onde  é a área de influência do posto i;


 a precipitação registrada no posto i
é a área total da bacia

Desse modo:
15 40 30 5 10
< = 120 ∙ + 70 ∙ + 50 ∙ + 75 ∙ + 82 ∙
100 100 100 100 100
< = 73<<
Se o método da média aritmética fosse utilizado teríamos apenas dois
postos no interior da bacia, logo a média seria 60 mm.

6.6.3. Método das Isoietas

O método constitui de linhas que unem pontos de igual precipitação.


Depois de escrever os valores de chuva em cada posto se unem estes com linhas
retas nas quais se interpolam linearmente os valores para os quais se pretende
traçar as isolinhas. Considerando a bacia da figura X, com área total de 100km².
Primeiro traça-se linhas que unem os postos pluviométricos mais
próximos entre si (figura 23).

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Figura 23: Traço de linhas unindo postos pluviométricos de uma bacia hidrográfica (Fonte: Tucci,
2009).

Em seguida se divide as linhas escrevendo os valores da precipitação


interpolados linearmente, como mostra a figura 24.

Figura 24: Dividir as linhas escrevendo os valores da precipitação interpolados (Fonte: Tucci, 2009).

O próximo passo será em traçar as isolinhas (figura 25).

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Figura 25: Traçado das isolinhas (Fonte: Tucci, 2009).

Após a determinação das isolinhas determina-se a precipitação média na


bacia hidrográfica. Calcula-se a área Ai (figura 26), delimitada por duas isoietas e
essa área é utilizada como ponderador, segundo a seguinte equação:
∑@A  ∙ 
< =
∑@A 

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Figura 26: Determinação da precipitação média utilizando o método das isoietas (Fonte: Tucci,
2009).

6.7. ANÁLISE DOS DADOS

O objetivo de um posto de medição de chuvas é o de se obter uma série


ininterrupta de precipitações ao longo dos anos ou o estudo da variação das
intensidades de chuva ao longo das tormentas. Em qualquer caso pode ocorrer à
existência de períodos sem informações ou com falhas nas observações, devido a
problemas com aparelhos de registro e/ou com o operador do posto. Essas falhas
devem ser preenchidas por métodos estatísticos. Dentre eles, os métodos mais
comuns de preenchimento de falhas são o Método de Ponderação Regional e o
Método de Regressão Linear.

6.7.1. Método de Ponderação Regional

É um método simplificado normalmente utilizado para o preenchimento de


séries mensais ou anuais de precipitações, visando a homogeneização do período
de informações e à análise estatística das precipitações.
1 D D DF
B= C + + G ∙ BE
3 DE DE DEF
Onde: B é a precipitação do posto H a ser estimada;
D , D , DF são as precipitações correspondentes ao mês (ano) que se
deseja preencher, observadas em três estações vizinhas;
BE é a precipitação média do posto H;
DE , DE , DEF são as precipitações médias nas três estações
circuvizinhas.
A escolha dos postos a serem utilizados no método de ponderação
regional deve levar em consideração um intervalo mínimo de série (usualmente 30
anos), e estar em uma região climatológica semelhante.

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6.7.2. Método de Regressão Linear

Um método mais aprimorado de preenchimento de falhas consiste em


utilizar as regressões lineares simples ou múltiplas. Na regressão linear simples, as
precipitações de um posto com falhas (H) e de um posto vizinho (I) são
correlacionadas. As estimativas dos dois parâmetros de equação podem ser obtidas
graficamente ou através do critério de mínimos quadrados.
Correlaciona-se o posto de falhas (H) com outro vizinho (I). A correlação
produz uma equação analítica, cujos parâmetros podem ser estimados por métodos
como o de mínimos quadrados, ou graficamente através da plotagem cartesianas
dos pares de valores (I, H), traçando-se uma reta de maior eficiência que passa
pelos pontos médios de I e H. Uma vez definida a equação do tipo H = J + KI as
falhas podem ser preenchidas
Na regressão linear múltipla as informações pluviométricas do posto Y
são correlacionadas com as correspondentes observações de vários postos vizinhos
(I , I, IF …) através de equações como H = J + KI + MI + NIF + OIP + ⋯, onde
J, K, M, N, O …, são os coeficientes a serem estimados a partir dos dados.

6.7.3. Método de Ponderação Regional com base em Regressões Lineares

É um método de combinação dos dois métodos anteriores e consiste em


estabelecer regressões lineares entre o posto com dados a serem preenchidos (H) e
em cada um dos postos vizinhos (I , I , IF …). De cada uma das regressões lineares
efetuadas obtém-se o coeficiente de correlação r, e são estabelecidos fatores de
peso, um para cada posto. A expressão fica
UVST
RST =
(UVS + UVS + ⋯ + UVS@ )
Onde RST é o fator de peso entre os postos H e IT ;
UVST é o coeficiente de correlação entre os postos citados
W é o número total de postos vizinhos considerados

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A soma de todos os fatores de peso deve ser a unidade. Finalmente, o


valor a preencher no posto H é obtido por:
H = D ∙ RS + D ∙ RS + ⋯ + D@ . RS@

Na tabela X são apresentadas as precipitações totais correspondentes ao


mês de julho (período 1957-75) observadas nos seguintes postos localizados no
estado do Paraná (DNAEE, 1984): Salto Osório, Balsa do Santana, Ponte da Vitória
e Águas do Verê. Admitindo-se desconhecido o registro correspondente ao ano
1968 no posto Águas do Verê, preencha o mesmo com base nos três métodos
apresentados anteriormente.

Tabela 2 – Precipitações de julho, mm (DNAEE,1984)

Salto Balsa do Ponte do Águas do


Ano
Osório (1) Santana (2) Vitorino (3) Verê (4)
1957 (*) 329,4 304,50 326,50 355,70
1958 152,60 190,90 196,90 243,20
1959 (*) 57,3 45,30 43,30 39,70
1960 31,60 80,00 84,10 78,00
1961 23,90 59,70 26,70 31,40
1962 75,80 81,00 104,30 70,60
1963 51,80 37,90 32,40 29,50
1964 114,60 116,50 106,40 135,10
1965 84,60 232,00 289,60 216,60
1966 92,00 139,00 122,70 107,50
1967 85,80 96,60 100,20 87,80
1968 89,80 80,00 81,70 111,10
1969 129,20 124,50 108,70 68,80
1970 88,60 149,80 174,60 150,00
1971 153,20 137,30 163,40 120,40
1972 184,20 157,50 137,50 174,40
1973 98,20 86,40 95,80 79,70
1974 81,80 87,60 77,90 80,90
1975 59,00 50,10 83,70 (*) 54,9
Média 105,20 120,92 126,37 118,01
Desvio 70,18 69,14 80,14 84,71

(*) Valores estimados pelo DNAEE

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Solução:
 Método de ponderação regional

Cálculo das ponderações entre os postos:

• S. Osório – Águas do Verê:


118,01
4P = = 1,1218
105,2
• B. Santana – Águas do Verê:
118,01
4P = = 0,9759
120,92
• P. Vitorino – Águas do Verê:
118,01
4FP = = 0,9346
126,27
Cálculo do 4V :
1
B = (89,8 ∙ 1,1218 + 80,0 ∙ 0,9759 + 92,7 ∙ 0,9346)
3
B = 88,46<<

 Método da Regressão Simples

• S. Osório – Águas do Verê


B = 11,4223 + 1,0132D = 102,4<<
U = 0,839
• B. Santana – Águas do Verê
B = −24,5204 + 1,1787D = 69,77<<
U =0,962
• P. Vitorino – Águas do Verê

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B = −6,06834 + 0,9820D = 84,95


U = 0,932

 Método da ponderação Regional de regressões

• S. Osório
RS = 0,3071

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• B. Santana
RS = 0,3519
• P. Vitorino
RSF = 0,3410
• B
B = 89,8 ∙ 0,3071 + 80 ∙ 0,3519 + 92,7 ∙ 0,3410
B = 87,34 <<
Conforme os cálculos indicados observa-se que todos os métodos
produziram valores inferiores àquele registrado. A vazão básica deste
comportamento é que o valor realmente observado no ano de 1968 foi
sensivelmente maior que os registrados nos postos vizinhos.

6.8. ANÁLISE DE CONSISTÊNCIA DE SÉRIES PLUVIOMÉTRICAS

Após o preenchimento da série é necessário analisar sua consistência


dentro de uma visão regional, isto é, comprovar o grau de homogeneidade dos
dados disponíveis num posto com relação às observações registradas em postos
vizinhos.

6.8.1. Método da Dupla Massa

Um dos métodos mais conhecidos para a análise de consistência dos


dados de precipitação é o Método da Dupla Massa, desenvolvido pelo USGS United
State Geological Survey. A principal finalidade do método é identificar se ocorreram
mudanças no comportamento da precipitação ao longo do tempo, ou mesmo no
local de observação.
Esse método é baseado no princípio que o gráfico de uma quantidade
acumulada, plotada contra outra quantidade acumulada, durante o mesmo período,
deve ser uma linha reta, sempre que as quantidades sejam proporcionais. A

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declividade da reta ajustada nesse processo representa, então, a constante de


declividade.
Especificamente, devem ser selecionados os postos de uma região,
acumular para cada um deles os valores mensais (se for o caso), e plotar num
gráfico cartesiano os valores acumulados correspondentes ao posto a consistir (nas
ordenadas) e de outro posto confiável adotado como base de comparação (nas
abscissas). Pode-se também modificar o método, considerando valores médios das
precipitações mensais acumuladas em vários postos da região, e plotar esses
valores no eixo das abscissas.
O gráfico 2 exemplifica a análise de Dupla Massa para os postos 3252006
e 3252008, para um período de 37 anos de dados de precipitação mensal, onde
pode-se observar que não ocorreram inconsistências. A declividade da reta
determina o fator de proporcionalidade entre as séries. A possibilidade de não
alinhamento dos postos segundo uma única reta existe e pode apresentar as
seguintes situações:

Gráfico 2: Análise de Dupla Massa, sem inconsistências

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• Mudança de Declividade
A inconsistência pode ser causada por: alterações de condições
climáticas ou condições físicas do local, mudança de observador, ou ainda devido a
erros sistemáticos.
A seguir nos gráficos 3, 5 e 6 mostram inconsistências com mudança de
tendência, diferentes regimes e erros de transcrição, respectivamente.

Gráfico 3: Análise de Dupla Massa, com inconsistências, mudança de tendência

Para se considerar a existência mudança na declividade, é pratica comum


exigir a ocorrência de pelo menos cinco pontos sucessivos alinhados segundo a
nova tendência. Para corrigir esses valores correspondentes ao posto sob análise,
existem duas possibilidades: corrigir os valores mais antigos para a situação atual ou
corrigir os valores mais recentes para a condição antiga. A escolha da alternativa
depende das causas que provocam a mudança na declividade. Por exemplo, se
foram detectados erros no período mais recente, a correção deverá ser realizada no
sentido de preservar a tendência antiga. Os valores deverão ser acumulados a partir
do período para o qual se deseja manter a tendência da reta, e os valores
inconsistentes podem ser corrigidos de acordo com a seguinte equação:

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%J
[\\ = ]^E_ + ∙ ∆ [
%2
Onde: [\\ é a precipitação acumulada após o ajuste a tendência
desejada;
]^E_ é o valor da ordenada correspondente à interseção das
duas tendências;
%J é o coeficiente angular da tendência desejada;
%2 é o coeficiente angular da tendência a corrigir;
∆ [ é a resposta da diferença [ − ] , onde [ é o valor
acumulado a ser corrigido, e ] é o valor acumulado da tendência desejada.
Por exemplo, considerando os dados dos postos apresentados na tabela
3, fazer a consistência dos dados do posto de Indaial. Na tabela 4 é mostrado o
procedimento para o traçado da Dupla Massa.

Tabela 3 – Análise de Dupla Massa

Posto a ser
Postos Confiáveis
Ano consistido
Apiuna Blumenau Ibirama Indaial
1945 1208,1 1352,4 1111,4 1319,5
1946 1770,8 1829 1645 2002,3
1947 1502,3 1516,7 1461,4 1976,1
1948 1409,9 1493,8 1471,8 1510,2
1949 1258,8 1301,2 1145,4 1432,9
1950 1358 1403,9 1443,9 1548
1951 1044,7 1230,2 1197,7 1295,4
1952 1159,1 1322,1 1243,8 1330,9
1953 1255,6 1289,4 1249 1356,8
1954 1851,3 1652,3 1673,3 1692,2
1955 1240 1289,2 1474,3 1274,4
1956 1237 1266,5 1402,8 1246,6
1957 1854,7 1941,1 1928,6 2036,6
1958 1758 1844,6 1404,5 1893,5
1959 1204 1564,6 1025,1 1287,5
1960 1318,9 1882,5 1224,9 1583,7
1961 1751,9 1808,3 1410,6 1712,1
1962 1219,5 1274,5 1178,2 1144,1
1963 1530,9 1630 1392,4 1649

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Para análise de consistência considerou-se a manutenção do


comportamento da série para o período antigo, portanto, os dados acumulados a
partir de 1945. Os valores ressaltados na coluna 5 da tabela 4, foram obtido a partir
da aplicação da seguinte equação:
`]
[\\ = ]^E_ + ∙ ∆ [ . Os valores de precipitação apresentados na última coluna
`[

são obtidos a partir da desagregação dos dados da coluna 5.

Tabela 4 – Correção dos valores de precipitação do posto Indaial a partir da Análise de Dupla
Massa

Precipitação Precipitação Precipitação


Precipitação Precipitação
Acumulada acumulado Acumulada
Ano Média da Indaial Corrigida
Média da corrigida Indaial Corrigida
Região (mm) (mm)
Região (mm) (mm) Indaial (mm)
1945 1224 1224 1319,4 1319,5 1319,5
1946 1748,3 2972,2 3321,8 3321,8 2002,3
1947 1493,5 4465,7 5297,9 5297,9 1976,1
1948 1458,5 5924,2 6808,1 6808,1 1510,2
1949 1235,1 7159,3 8241 8241 1432,9
1950 1401,9 8561,3 9789 9789 1548
1951 1157,5 9718,8 11084,4 11084,4 1295,4
1952 1241,7 10960,5 12415,3 12415,3 1330,9
1953 1264,7 12225,1 13772,1 13772,1 1356,8
1954 1725,6 13950,8 15464,3 15508,9 1736,8
1955 1334,7 15285,5 16738,7 16905,9 1396,9
1956 1302,1 16587,6 17985,3 18272,3 1366,5
1957 1908,1 18495,7 20021,9 20504,8 2232,4
1958 1669 20164,7 21915,4 22580,3 2075,6
1959 1264,6 21429,3 23202,9 23991,6 1411,3
1960 1475,4 22904,7 24786,6 25727,6 1736
1961 1656,9 24561,7 26498,7 27604,3 1876,7
1962 1224,1 25785,7 27642,8 28858,5 1254,1
1963 1517,8 27303,5 29291,8 30666 1807,6

Os dados das tabelas 3 e 4 podem ser melhores interpretados através do


gráfico mostrado no gráfico 4 (representação em forma gráfica da terceira e quarta
coluna da tabela 4), ressaltando a mudança de tendência, bem como os coeficientes
angulares.
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Gráfico 4: Análise de Dupla Massa

• Alinhamento dos Pontos em Retas Paralelas

Esse tipo de inconsistência ocorre quando existem erros na transcrição de


um ou mais dados de precipitação, ou ainda pela ocorrência de eventos extremos de
chuva dentro de um ano (gráfico 5). A ocorrência de alinhamentos, segundo duas ou
mais retas aproximadamente horizontais (ou verticais), pode ser a evidência da
comparação de postos com diferentes regimes pluviométricos.

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Gráfico 5: Análise de Dupla Massa, com inconsistências, erros de transcrição

• Distribuição Errática dos Pontos

Esse tipo de inconsistência ocorre normalmente quando são comparados


postos com diferentes regimes pluviométricos, sendo incorreta tida associação que
se deseje fazer entre os dados dos postos plotados (gráfico 6).

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Gráfico 6: Análise de Dupla Massa, com inconsistências, diferentes regimes

6.9. ANÁLISE DE FREQUÊNCIA MENSAIS E ANUAIS

A precipitação é um processo aleatório, condicionando sua previsão a


poucos dias de antecedência. Dada essa dificuldade, a previsão da precipitação é
normalmente realizada em função dos registros antigos de eventos, associando a
freqüência de ocorrência de uma precipitação com dada magnitude a uma
probabilidade teórica de ocorrência da mesma.
Em hidrologia freqüentemente são utilizadas séries de precipitação
mensal e/ou anuais. Uma série de precipitação total mensal é obtida acumulando-se
o volume de chuva diário ocorrido no mês correspondente (adição de precipitação
diária de cada mês). Uma série de precipitação anual é obtida pela adição dos totais
mensais, ou ainda através da soma das precipitações diárias de cada ano. Na tabela
7 é apresentada uma série de precipitação total mensal e o total anual do posto
Granja Santa Marta em Rio Grande, para o período compreendido entre 1960 e
1970.

Tabela 7 – Precipitações totais mensais e anuais

Precipitação Total Mensal (mm) Total Anual


Ano Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez. (mm)
1960 99 29 238 103 6 146 272 149 164 89 81 51 1427
1961 111 87 110 39 19 215 110 107 266 113 73 54 1304
1962 65 83 181 65 29 32 100 80 148 98 36 37 954
1963 137 85 159 65 78 79 134 174 215 125 176,2 119,4 1546,6
1964 70 87,2 86,9 23,4 70,6 51,5 63,5 104,9 50,6 147 25,6 26,4 807,6
1965 8,1 35,1 181,9 114 40 52 33 217 234 79 58 66 1118,1
1966 84,9 27,7 143,5 65,8 14,1 78 200 45,4 61 63 23,2 83 889,6
1967 40,6 65,2 39,5 24,6 165,7 207,9 142 147,7 60,2 129 50,4 26,6 1099,4
1968 65,5 106,9 116,4 51,9 27,3 28,4 59,5 26,6 102,9 68,7 101,1 110,7 865,9
1969 43,1 48,4 30,5 18,7 223,7 134,4 52,7 69,2 96,7 29,2 62,3 17,3 826,2
1970 130,6 59,2 42 43,3 124,4 122,8 86,6 86,3 28,3 41,5 46,2 150 961,2
Média Anual 1072,7

Quando usado o termo precipitação média anual, significa que foi obtida uma média
a partir dos totais anuais. Por exemplo, para a série apresentada na tabela 7, a
precipitação média anual é 1072,7 mm.

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6.10. PRECIPITAÇÕES MÁXIMAS

A precipitação máxima é entendida como a ocorrência extrema, com


duração, distribuição temporal e espacial crítica para uma área ou uma bacia
hidrográfica.
O estudo das precipitações máximas é um dos caminhos para conhecer-
se a vazão de enchente de uma bacia. As precipitações máximas são retratadas
pontualmente (abrangência máxima aceitável de 25 km²) pelas curvas de
intensidade, duração e freqüência (i-d-f) e através da Precipitação Máxima Provável
(PMP), método mais utilizado para grandes obras, onde o risco de rompimento deve
ser mínimo. As características da distribuição temporal (hietograma) e espacial são
importantes para a caracterização da vazão na bacia.
Primeiramente, define-se o tempo de retorno ou recorrência de uma
determinada precipitação para que posteriormente possam ser determinadas as
curvas i-d-f.

6.10.1. Tempo de Retorno

Tempo de retorno (1\ ) trata-se do tempo médio em que dado evento, ou


para este caso, dada precipitação, probabilisticamente, acontecerá novamente. Para
melhor entendimento segue um roteiro de como se calcular o tempo de retorno:

1) Ordenar de forma decrescente a série (para análise de cheias). Obs,:


Para o caso de analisar estiagens, analisar a probabilidade
complementar.
2) Calcular a probabilidade (Pb ) de ocorrência com base na ordem (i) e no
total de dados da série (n).
(
3) Pb =
(ef)

4) Obter o tempo de retorno (Tb ), dado pelo inverso da probabilidade (Pb ).

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1
1S =
S
5) Plotar o gráfico Precipitação x Tempo de Retorno.

6.11. DETERMINAÇÃO DAS CURVAS INTENSIDADE–DURAÇÃO-FREQÜÊNCIA


(I-D-F)

A necessidade de se conhecer as três grandezas que caracterizam as


precipitações máximas (intensidade, duração e freqüência) é encontrada para
projetos de obras hidráulicas, tais como vertedores de barragens, sistemas de
drenagem, galerias pluviais dimensionamento de bueiros, entre outros, tendo em
vista a correlação existente entre chuva e vazão.
A relação entre intensidade, duração e freqüência varia entre largos
limites, de local para local e só pode ser determinada empiricamente através de uma
longa série de observações pluviográficas locais, não havendo possibilidade de
estender os resultados obtidos em uma região para diversas regiões. Os resultados
dessas análises estatísticas podem ser apresentados graficamente, através de uma
família de curvas (uma para cada período de recorrência) que ligam as intensidades
médias, máximas às durações. A intensidade pode ser substituída pela precipitação
total na duração, denominando-se curvas p-d-f.
Correlacionando intensidade e duração verifica-se que quanto mais
intensa for à precipitação, menor será a sua duração. A relação das maiores
intensidades para cada duração pode ser obtida de uma série de registros
pluviográficos de tormentas intensas do local em estudo ou estimada com base nos
dados dos pontos vizinhos.

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6.11.1. Determinação das curvas i-d-f em locais com dados

A determinação da relação entre estas três variáveis (curvas i-d-f) deve


ser deduzida das observações das chuvas intensas durante um período de tempo
suficientemente longo e representativo dos eventos extremos do local.
Para análise estatística pode-se seguir dois tipos de séries: anual ou
parciais. A escolha depende do tamanho da série e do objetivo em estudo. A
metodologia de séries parciais é utilizada quando o número de anos de dados é
pequeno (<12 anos) e os tempos de retorno que serão utilizados são inferiores a 5
anos.
A metodologia de séries anuais, por sua vez, baseia-se na seleção das
maiores precipitações anuais de uma duração escolhida. A escolha destas durações
depende da discretização dos dados e da representatividade que se deseja
alcançar. Em geral são escolhidas as seguintes durações: 5, 10, 15, 30 e 60
minutos; 1, 2, 4, 6, 12, 18 e 24 horas.
A metodologia segue a seguinte seqüência:
a) Para cada duração são obtidas as precipitações máximas anuais
com base nos dados do pluviográfico;
b) Para cada duração mencionada é ajustada uma distribuição
estatística;
c) Dividindo a precipitação pela sua duração obtém-se a intensidade;
As curvas resultantes são a relação i-d-f definida pela DMAE (1972) para
um posto em Porto Alegre, mostrado no gráfico 9.

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Gráfico 9: Curvas i-d-f (Fonte: Tucci, 1998).


Para facilitar os cálculos, procura-se ajustar as curvas a equações
matemáticas genéricas, embora haja a possibilidade de encontrar erros, da seguinte
forma:
J ∙ 1U h
-=
(i + M)
Onde: - é a intensidade em mm,/h;
1U é o tempo de retorno em anos;
i é a duração da chuva, em minutos;
J, K, M e N são parâmetros que devem ser determinados para
cada local.
O ajuste pode ser realizado linearizando a equação 5.21, através do uso
de logaritmos e utilizando a regressão múltipla para a determinação dos parâmetros.
Curvas i-d-f foram estabelecidas por PFASTETTER (1957), segundo
Tucci (2009), foram estabelecidas curvas para 98 postos localizados em diferentes
regiões do Brasil. Fazendo uso da plotagem das curvas p-d-f em escala
bilogarítmica, o autor ajustou para cada posto a seguinte equação empírica:
= * ∙ [J ∙ i + K ∙ log( + M ∙ i)]

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Onde é a precipitação máxima em mm;


i é a duração da precipitação em horas;
J, K e M constantes para cada posto ;
* é um fator de probabilidade que é definido como:
p
(of )
* = 1U q\ r

Sendo que 1U é o tempo de retorno em anos ;


s e t são valores que dependem da duração da
precipitação;
u é uma constante (u = 0,25, para todos os postos).
O fator [J ∙ i + K ∙ log( + M ∙ i)] fornece uma precipitação em mm para um
tempo de recorrência de 1 ano; o fator * permite calcular a estimativa para outros
tempos de retorno. Na tabela 8 são apresentados os valores de s para as durações
de 5 minutos e 6 dias. Na tabela 9, por sua vez, apresentam-se valores de t (função
da duração) e de J, K e M correspondente a cada um dos 98 postos.

Tabela 8 – Valores de α

Duração α
5 min 0,108
15 min 0,122
30 min 0,138
1h 0,156
2h 0,166
4h 0,174
8h 0,176
14h 0,174
24h 0,170
48h 0,166
3d 0,160
4d 0,156
6d 0,152

Tabela 9 – Valores de β, a, b e c para algumas cidades brasileiras

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Valores de β
Postos a b c
5 min 15 min 30 min 1h-6d
Aracaju - SE 0,00 0,04 0,08 0,20 0,6 24 20
Belem- PA -0,04 0,00 0,00 0,04 0,4 31 20
B. Horizonte - MG 0,12 0,12 0,12 0,04 0,6 26 20
C. do Sul - RS 0,00 0,08 0,08 0,08 0,5 23 20
Cuiabá - MT 0,08 0,08 0,08 0,04 0,1 30 20
Curitiba - PR 0,16 0,16 0,16 0,08 0,2 25 20
Florianópolis - SC -0,04 0,12 0,20 0,20 0,3 33 10
Fortaleza - CE 0,04 0,04 0,08 0,08 0,2 36 20
Goiana - GO 0,08 0,08 0,08 0,12 0,2 30 20
R. Janeiro - RJ -0,04 0,12 0,12 0,20 0,0 35 10
João Pessoa - PA 0,00 0,00 0,04 0,08 0,6 33 10
Maceió - AL 0,00 0,04 0,08 0,20 0,5 29 10
Manaus - AM 0,04 0,00 0,00 0,04 0,1 33 20
Natal - RN -0,08 0,00 0,08 0,12 0,7 23 20
Niterói - RJ 0,08 0,12 0,12 0,12 0,2 27 20
Porto Alegre - RS 0,00 0,08 0,08 0,08 0,4 22 20
Porto Velho - RO 0,00 0,00 0,00 0,04 0,3 35 20
Rio Branco - AC -0,08 0,00 0,04 0,08 0,3 31 20
Salvador - BA -0,04 0,08 0,08 0,12 0,6 33 10
São Luiz - Ma -0,08 0,00 0,00 0,08 0,4 42 10
São Carlos - SP -0,04 0,08 0,08 0,12 0,4 29 20
Uruguaiana - RS -0,04 0,08 0,08 0,12 0,2 38 10

A tabela 10 mostra os coeficientes da equação de i-d-f para algumas


cidades brasileiras.

Tabela 10 – Coeficientes da equação das curvas i-d-f para algumas cidades brasileiras (Fonte:
Adaptado de Tucci, 1998)

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6.12. DISTRIBUIÇÃO TEMPORAL

Estudos realizados mostram que existe uma grande viabilidade na


distribuição temporal das chuvas durante as tempestades. Para esta variação, não
existe um padrão definido e o processo é totalmente aleatório diferente do registro
de um pluviômetro onde se lê total precipitado em um determinado período,
conforme a gráfico 12.

Gráfico 12 – Distribuição real (a) e medida de um pluviômetro (b) (Fonte: Tucci, 2009).

Por este motivo que alguns padrões foram desenvolvidos para as


condições mais desfavoráveis ou que produzem maiores hidrogramas, com a

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finalidade de representar a distribuição temporal das chuvas. Hershfield (1962) apud


Tucci (1998) obteve estatisticamente uma curva expressa em porcentagem do total
precipitado versus porcentagem da duração da tempestade para todas as durações,
enquanto que Soil Conservation Service (1976) desenvolveu uma curva semelhante,
válida para a duração de 6 horas. As curvas são apresentadas pelo gráfico 13.

Gráfico 13 – Distribuição temporal, Hershfied e SCS (Fonte: Tucci, 2009).

Huff (1970) classificou as tempestades inicialmente em quatro grupos.


Cada precipitação intensa teve sua duração total dividida em quatro partes (quartis)
e as mesmas foram classificadas de acordo com a parte em que a precipitação
máxima caiu. As curvas para a probabilidade de 50 % dos quatro quartis são
apresentadas pelo gráfico 14.

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Gráfico 14 – Curvas de 50% de probabilidade de ocorrência para os quatro quartis (Huff)


(Fonte: Tucci, 2009).

6.12.1. Hietograma de projeto baseados nas curvas i-d-f (Método de Chicago)

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Gráfico 15 – Hietograma de projeto (Fonte: Tucci, 2009)..

O hietograma de projeto (gráfico 15) é uma seqüência de precipitações


capaz de achar a maior enchente para a qual a obra deve ser projetada. Esse
método se baseia nos parâmetros da equação i-d-f do local para estabelecer a
distribuição de uma precipitação de projeto no tempo.
Esse método é utilizado para pequenas áreas de drenagem. No caso de
regiões urbanas a área de estudo é considerada contida numa área maior. Assim, o
hietograma padrão representa uma chuva intensa de curta duração, como parte de
uma chuva de longa duração.
Existem três fatores importantes para caracterizar a distribuição temporal:
volume de precipitação que cai durante o período de chuva máxima, precipitação
antecedente e localização do pico de intensidade máxima, como mostra o gráfico 14.
As equações das curvas do hietograma, que mostram a variação da
intensidade em função do tempo de duração de chuva, podem ser escritas como:

]∙[(w@)∙(x ⁄y )fh]
-] ( v ) = [(x ⁄y )fh]{|}
, 0 ≤ v ≤ ih - antes do pico
]∙[(w@)∙(x ⁄y)fh]
- (v) = [(x ⁄y )fh]{|}
, 0 ≤ v ≤ i] – depois do pico

Onde - é a intensidade média máxima, em mm/h;


a, b e n são constantes para o local de medição de acordo com a
tabela 12;
t ƒ e t „ representa o tempo anterior e posterior, respectivamente;
i tempo de recorrência (i = ih + i] ), no pico;
u é uma medida do adiantamento do padrão de chuva (permite o
posicionamento do pico da distribuição de intensidade, conforme a tabela 13 ), u =

;

v é a duração da chuva em min;

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A área sob o hietograma define a lâmina precipitada , em mm, dado por:


1 \ˆ
(v) = ∙ ‡ -(v)Nv
60 \{
Logo, para o cálculo da precipitação antecedente (região hachurada do
gráfico 14), pode-se utilizar a seguinte equação:
1 …∗ …
(i ) = ∙ ‰‡ - (vNv ) − ‡ -(v)Nv Œ = (v = ih ∗ ) − (v = ih )
60 ‹ ‹

Onde
Com isso, o cálculo do volume precipitado no período de máxima é, em
mm:
1 … 
5EáS.Ž\. = ∙ ‰‡ - (v)Nv − ‡ - (v)Nv Œ = (v = ih ) + (v = i] )
60 ‹ ‹

Tabela 12– Coeficientes da equação das curvas i-d-f para algumas cidades brasileiras

Cidade a b N Obs.
Porto Alegre (Redenção) 1265*Tr0,052 12 0,88/Tr0,05
Porto Alegre (IPH) 509,859*Tr0,196 10 0,72
Porto Alegre (Aeroporto) 748,342*Tr0,191 10 0,803
Porto Alegre (8° D. Met.) 2491,78*Tr0,192 16 1,021
Tr=5 anos
Lages - SC - 0,465
t≤20 min
0,217
Curitiba - PR 5950*Tr 26 1,15
São Paulo - SP 29,13*Tr0,0181 15 0,89 em mm/min
0,112 0,0144
27,96*Tr 0,86/Tr t≤60min
São Paulo - SP 42,23*Tr0,15 15 0,82 t>60 min
42,23*Tr0,15 0,82 t>60 min
0,15
Rio de Janeiro - RJ 1239*Tr 20 0,74 t>60 min

Tabela 13 – Valores de ‘

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Local ou autor γ
Chicago (83 postos) 0,37
Winnipeg (60 postos) 0,31
Montreal (22 enchentes) 0,50
Hershfield (50 postos) 0,53
SCS 0,37
Los Angeles 0,56
Cleveland 0,50
Sidney 0,50
São Paulo (1 posto) 0,36
Porto Alegre (1 posto) 0,44

6.13. DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL

A variabilidade espacial de chuvas é aleatória, ou seja, sem padrões


definidos assim como na distribuição temporal. Estas informações são raras dentro
da realidade brasileira. Esta variabilidade levou a dois procedimentos básicos: a
padronização de isoietas que produzem as condições mais favoráveis, e a
determinação da curva altura pluviométrica-área-duração que permite transferir o
resultado pontual para o espacial (Tucci, 2009).
Adota-se cerca de 10 milhas² ou cerca de 25 km² onde os valores
pontuais de intensidade média máximas não se reduzem. A medida que a
intensidade aumenta esses valores podem ser reduzidos.

6.14. QUESTÕES

1. Determine a precipitação máxima com tempo de retorno de 10 anos e


duração de 1 hora para Curitiba. Para que tipo de bacia esta precipitação será
crítica.
2. Como você determina a precipitação de inundação de uma pequena
bacia urbana a partir dos dados de pluviógrafo?

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3. Qual a diferença entre o pluviógrafo e o pluviômetro? Quando são


necessários cada tipo de aparelho?

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7. ESCOAMENTO SUPERFICIAL

7.1. DEFINIÇÃO

O escoamento superficial é a fase que trata da ocorrência e transporte da


água na superfície terrestre. Isso se deve à precipitação, pois ao chegar ao solo,
parte fica retida quer seja em depressões quer seja como película em torno de
partículas sólidas. Quando a precipitação já preencheu as pequenas depressões do
solo, a capacidade de retenção da vegetação foi ultrapassada e foi excedida a taxa
de infiltração, começa a ocorrer o escoamento superficial. Inicialmente, formam-se
pequenos filetes que escoam sobre a superfície do solo até se juntarem em
corredeiras, canais e rios. O escoamento ocorre sempre de um ponto mais alto para
outro mais baixo, ou seja, sempre das regiões mais altas para as regiões mais
baixas até o mar.

7.2. COMPONENTES DO ESCOAMENTO

A água, uma vez precipitada sobre o solo, pode seguir três caminhos para
atingir o curso d’água: escoamento superficial que representa o fluxo sobre a
superfície do solo e pelos seus múltiplos canais; escoamento sub-superficial
(hipodérmico) que representa o fluxo que se dá junto às raízes da cobertura vegetal;
e o escoamento subterrâneo, que é fluxo devido à contribuição do aqüífero. Sendo
que as duas últimas modalidades sob velocidades mais baixas.
Observa-se que o deflúvio direto (gráfico 16) abrange o escoamento
superficial e grande parte do sub-superficial, visto que este último atinge o curso da
água tão rapidamente que, comumente, é difícil destingi-lo do verdadeiro
escoamento superficial.

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O escoamento de base, constituído basicamente do escoamento


subterrâneo, é o responsável pela alimentação do curso de água durante o período
de estiagem.

Gráfico 16 – Representação do hidrograma e seus principais componentes (Fonte: Porto,


2000)

7.3. FATORES QUE INFLUENCIAM NO ESCOAMENTO SUPERFICIAL

Os fatores podem ser:


a) Físicas como área, relevo, rugosidade, taxa de
impermeabilização, capacidade de infiltração, densidade de drenagem, entre outros.
b) Hidrológicas como distribuição, duração e intensidade de
precipitação.
c) Vegetativas devido à parte da chuva que fica interceptada pela
vegetação e pela própria dificuldade de transporte da água no solo vegetado.

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d) Condições iniciais de umidade do solo, principalmente nos


escoamentos gerados por precipitações de pequeno volume e de média a alta
intensidade.

7.4. GRANDEZAS QUE CARACTERIZAM O ESCOAMENTO SUPERFICIAL

7.4.1. Vazão (Q)

A vazão ou volume escoado por unidade de tempo é a principal grandeza


que caracteriza um escoamento. Normalmente é expressa em metros cúbicos por
segundo (<³ ∙ “ w) ou em litros por segundo ( ∙ “w).
Esta vazão pode ser uma vazão média diária ou uma vazão específica. A
primeira é a média aritmética das vazões ocorridas durante o dia, sendo mais
comum a média das vazões das 7h00 as 17h00. A segunda é a vazão por unidade
de área da bacia hidrográfica. É uma forma bem potente de expressar a capacidade
de uma bacia em produzir escoamento superficial e serve como elemento
comparativo entre bacias.

7.4.2. Coeficiente de Escoamento Superficial (C)

Coeficiente de escoamento superficial ou coeficiente de runoff ou


coeficiente de deflúvio é definido como a razão entre o volume de água escoado
superficialmente e o volume de água precipitado. Este coeficiente pode ser relativo a
uma chuva ou relativo a um intervalo de tempo onde várias chuvas ocorrem.
”2•<O i2iJ O“M2JN2
.=
”2•<O i2iJ 4UOM-4-iJN2
Conhecendo-se o coeficiente de deflúvio para uma determinada chuva
intensa de uma certa duração, pode-se determinar o escoamento superficial de
outras precipitações de intensidade diferentes, desde que a duração seja a mesma.

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A tabela 14 apresenta valores do coeficiente de escoamento (C), em


função do solo, declividade e cobertura vegetal.

Tabela 14 – Coeficiente de Escoamento

Declividade (%) Solo Arenoso Solo Franco Solo Argiloso


Florestas
0a5 0,10 0,30 0,40
5 a 10 0,25 0,35 0,50
10 a 30 0,30 0,50 0,60
Pastagens
0a5 0,10 0,30 0,40
5 a 10 0,15 0,35 0,55
10 a 30 0,20 0,40 0,60
Terras Cultivadas
0a5 0,30 0,50 0,60
5 a 10 0,40 0,60 0,70
10 a 30 0,50 0,70 0,80

7.4.3. Tempo de concentração (i )

O i mede o tempo gasto para que toda a bacia contribua para o


escoamento superficial na seção considerada.
O i pode ser estimado por vários métodos, os quais resultam em valores
bem diferentes. Dentre eles destaca-se a equação de Kirpich e o motivo se
evidencia pelo fato de que normalmente ela fornece valores menores para i , o que
resulta numa intensidade de chuva maior, por conseqüência, uma maior vazão de
cheia.
• Equação de Kirpich
‹,F—˜
F
i = ‰0,87 ∙ Œ
–
Onde i tempo de concentração, em h;
 comprimento de talvegue principal, em quilômetro;
– desnível entre a parte mais elevada e a seção de controle, em
metros.

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7.4.4. Tempo de recorrência

É o período do tempo médio em que um determinado evento (neste caso


a vazão) é igualado ou superado pelo menos uma vez. A recomendação do número
de anos a ser considerado é bastante variada: há a recomendação de alguns
autores para que se considere um período de retorno de 10 anos para projetos de
conservação de solos. Outros recomendam esse mesmo período somente para o
dimensionamento de projetos de saneamento agrícola, em que as enchentes não
trazem prejuízos muitos expressivos. Para projetos em áreas urbanas ou de maior
importância econômica, recomenda-se utilizar o período de retorno de 50 ou 100
anos.

7.4.5. Nível de água (h)

Refere-se à altura atingida pelo nível d’água em relação a um nível de


referência, expressa em metros.
Normalmente as palavras cheias e inundação estão relacionadas ao nível
de água atingido. Será denominada cheia uma elevação normal do curso de água
dentro de seu leito e inundação à elevação não usual do nível, provocando
transbordamento e possibilidade de prejuízos.

7.5. SEPARAÇÃO DO ESCOAMENTO SUPERFICIAL

Como foi visto no item 7.2 o escoamento é definido em superficial, sub-


superficial e subterrâneo. Para analisarmos cada escoamento é necessário separar
no hidrograma que corresponde à cada tipo de fluxo.
A parcela de escoamento superficial pode ser definida indicada
diretamente do hidrograma observado por métodos gráficos que se baseiam na
análise qualitativa. A precipitação efetiva que gera o escoamento superficial é obtida
quando não se dispõe dos dados observados do hidrograma ou deseja-se
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determinar os parâmetros de um modelo em combinação com o hidrograma


superficial. O gráfico 17 mostra três métodos gráficos para o cálculo que serão vistos
nos itens a seguir.

Gráfico 17 – Métodos de separação gráfica

7.5.1. Método 1

Neste caso, faz-se um prolongamento da depleção a partir do ponto C,


encontrando-se a reta vertical que passa pela vazão máxima, determinando-se o
ponto D, como mostra o gráfico 18. Ligando-se D a A, fecha-se a área
correspondente ao escoamento superficial direto. (UFBA)

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Gráfico 18 – Método 1 Método 2

Tucci apresenta esse método como o mais fácil dentre os três. O que
precisa ser feito é ligar os pontos A e C por uma reta, como mostra o gráfico 19.

Gráfico 19 – Método 2

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Mello descreve como proceder ao cálculo deste método, afirmando que


esta metodologia consiste em considerar o escoamento base com aumento (ou
redução) de vazão, por meio de uma reta, com alterações proporcionais à inclinação
da reta AC. O procedimento consiste em, primeiramente, separar o escoamento
base e por subtração do escoamento total, o escoamento superficial direto. A
inclinação da reta AC é dada por:
QC − QA
m = tan α = !
TC − TA
Deve-se alertar para o fato de que o valor a ser adicionado ou subtraído
(no caso do gráfico 19, adicionado) deve ser corrigido para o intervalo de tempo da
hidrógrafa (∆t = T1 − TA, T2 − T1, T3 − T2, …) e não por unidade de tempo na fórmula
acima. Assim tem-se:
j = m ∙ ∆t
Assim, se os valores de vazão estiverem sendo medido a cada 2 horas, o
valor de m deve ser multiplicado por 2, para posterior aplicação ao cálculo. As
vazões subterrâneas são dadas por:
QSB1 = QA + J;
QSB2 = QSB1 + J;
QSB3 = QSB2 + J; etc.
Se o cálculo pela equação acima estiver correto, a soma QSB9 + J será
igual a ¥.. As vazões do escoamento superficial são dadas pela diferença entre a
vazão total e vazão subterrânea:
QS1 = Q1 − QSB1;
QS2 = Q2 − QSB2;
QS3 = Q3 − QSB3; OiM.
Nota-se que nos pontos A e C, as vazões superficiais são iguais a zero,
não havendo presença de escoamento superficial direto.
O escoamento superficial direto é obtido pelo cálculo da área acima da
reta AC, e para isto, emprega-se o princípio de integração numérica conhecido como
regra dos trapézios. Assim, tem-se:

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Entre A e QS1, forma-se um triângulo, assim como entre C e QS9. Nos


pontos intermediários, são formados trapézios aproximados. Com isso tem-se que:
QS1 ∙ ∆t (¥1 + ¥2) (¥2 + ¥3) (¥3 + ¥4)
ESD = + ∙ ∆i + ∙ ∆i + ∙ ∆i
2 2 2 2
(¥4 + ¥5) (¥5 + ¥6) (¥6 + ¥7)
+ ∙ ∆i + ∙ ∆i + ∙ ∆i
2 2 2
(¥7 + ¥8) (¥8 + ¥9) ¥9
+ ∙ ∆i + ∙ ∆i + ∙ ∆i
2 2 2
∆
Colocando em evidência 
:
∆i
ESD = ∙ (2 ∙ QS1 + 2 ∙ QS2 + 2 ∙ QS3 + ⋯ + 2 ∙ QS9)
2
ª

ESD = ¨(Q ©() ∙ ∆t


(A

Onde N é o número de vazões que formam a hidrógrafa.

7.5.2. Método 3

Gráfico 20 – Método 3

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Aqui, prolonga-se a depleção a partir do ponto A até encontrar com a reta


vertical que passa pela vazão de pico. A reta DC é então determinada.

Exemplo: Separar o escoamento superficial direto do escoamento de


base (subterrâneo) na hidrógrafa a seguir.

Tabela 15 – Tabela Exemplo (Fonte UFLA)

Escoamento Escoamento
T(30 min) Q(m³s-1) K subterrâneo Superficial (m³s-
(m³s -1) 1
)
1 5 - 5,0 0,0
2 5 - 5,0 0,0
3 4,5 - 4,5 0,0
4 5 (A) - 5,0 0,0
5 10 - 6,25 (=5+1,25) 3,75 (=10-6,25)
6 15 - 7,5 (=6+1,25) 7,5 (=15-7,50)
7 18 - 8,75 9,25
8 25 - 10,0 15,00
9 27 - 11,3 15,75
10 24 - 12,5 11,50
11 20 - 13,75 6,25
12 15 (C) 0,75 15,0 (=13,75+1,25) 0,0
13 13 0,87 13,0 0,0
14 11 0,85 11,0 0,0
15 10 0,91 10,0 0,0
16 9 0,9 9,0 0,0
17 8 0,89 8,0 0,0
18 7 0,88 7,0 0,0

Solução:
Cálculo da taxa de variação da vazão (inclinação da reta de escoamento)
como mostra o gráfico 21.

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Gráfico 21 – Linigrama

∆Q 15 − 5 1,25mF«
¬{

= =
∆t 12 − 4 30min
Cálculo do deflúvio pela regra do trapézio:

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¨ Q ∙ ∆t = 69,00 ∙ 30 ∙ 60 = 124200 m³

Supondo que a bacia de área 10 km², o deflúvio, em lâmina será:


124200 m³
= 0,01242< ∙ 1000 = 12,42<<
10 ∙ 10­ m²

Tucci apresenta um método alternativo para achar a parcela do


escoamento superficial: Conforme o gráfico 22, prolongar a tendência do hidrograma
antes do ponto A até a intersecção com a vertical sob o pico (ponto B). A partir do
ponto C, pela tendência, determinar o ponto D e desenhar uma curva unindo os
pontos C e D.

Gráfico 22 – Hidrograma Tipo

O ponto A, em todos os casos é de fácil determinação, visto a forte


inflexão que ocorre durante o período de ascensão do hidrograma. No entanto, o
ponto C, que caracteriza o término do escoamento superficial e o início da recessão,

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é de determinação mais complexa. Vários critérios podem ser utilizados para a sua
determinação. Tucci apresenta três métodos os quais serão vistos a seguir.
• Linsley et al. (1975) indicam a equação:
N = 0,827 ∙ A‹,
Onde: N representa o intervalo de tempo entre o pico do hidrograma;
Ponto C, em dias;
A a área da bacia, em Km².

• Considerando que o tempo de concentração define o intervalo entre


o final da precipitação e o término do escoamento superficial, pode-se utilizá-lo para
determinar o ponto C; para tanto basta calcular o tempo de concentração por alguma
das fórmulas existentes.

• Através da inspeção visual, pode-se determinar o ponto de início da


recessão, através da plotagem das vazões observadas em papel mono-log, estando
o ponto C associado ao momento em que ocorre mudança na declividade da reta.

A separação dos escoamentos pode ser obtida, também, para


hidrogramas observados, utilizando-se o procedimento proposto pelo Institute of
Hydrology (1980): calcular a média móvel de cinco dias consecutivos das vazões
observadas e unir os pontos de mudança de tendência da curva resultante. A porção
acima desta linha representa o escoamento superficial e a abaixo, o subterrâneo
(ver gráfico 23). A média móvel serve para filtrar as maiores vazões e as pequenas
variações de vazões. Este procedimento aplica-se bem a séries longas de vazões.

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Gráfico 23 – Registro de descargas diárias do rio Tietê.

Exemplo: Na tabela 16 é apresentado o hidrograma de um evento


ocorrido na bacia do rio Meninos. A área da bacia 106,7 km² e apresenta alto grau
de urbanização. Determine o volume de escoamento superficial.

Tabela 16 – Tabela Exemplo (Fonte Tucci)

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Escoamento
Tempo Precipitação Vazão
superficial
(30min) (mm) (m³/s)
(m³/s)
1 0,9 10 0
2 0,9 10 0
3 1,6 10 0
4 1,9 10 0
5 2,2 22 11,1
6 2,2 40 28,3
7 3,8 68 55,4
8 6 108 94,6
9 5,7 136 121,7
10 52,5 138 122,9
11 1,9 124 108,0
12 1,3 100 83,1
13 1,6 78 60
14 - 58 39,4
15 - 44 24,6
16 - 34 13,7
17 - 26 4,9
18 - 22 0
19 - 18 0
20 - 16 0
21 - 15 0
Totais 32,5 1088 768

Solução:
Na figura 42 é apresentado o hidrograma e a identificação dos pontos A e
C. o escoamento superficial é estimado pela parte superior da reta ligando A e C.
estes valores podem ser obtidos graficamente ou por cálculo. Na tabela 16 são
apresentados os valores obtidos.
A vazão total superficial é 768m³/s. Para converter este valor de m³/s para
mm, divide-se pelo fator
f = 10wF ∙ A(km) ∙ 10­⁄30 ∙ 60 = 59,3
Convertendo o total de precipitação em escoamento superficial, fica:
768
P²³ = = 13 mm
59,3
O coeficiente de escoamento fica:
13
.= = 0,40
32,5
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7.6. DETERMINAÇÃO DA PRECIPITAÇÃO EFETIVA

Tucci define precipitação efetiva como a parcela do total precipitado que


gera escoamento superficial. Assim, para se obter a precipitação efetiva, deve-se
subtrair do total as parcelas relativas aos volumes evaporados, retidos ou infiltrados.
A determinação da precipitação efetiva pode ser obtida através das equações de
infiltração, de índices ou de relações funcionais. Estes procedimentos são descritos
a seguir (Tucci, 2009).

7.6.1. Infiltração

A precipitação efetiva é da seguinte forma:


a. Utiliza-se a equação de Horton (ou Green Ampt) e estime os
parâmetros;
´ = ´ + (´‹ − ´ ) ∙ O wµ
Onde ´ é a capacidade de infiltração no tempo t (<</ℎ);
´‹ é a capacidade de infiltração inicial para i = 0 (<</ℎ);
´ é a capacidade de infiltração final (<</ℎ);
 é uma constante para cada curva ( ℎw );
i é o tempo ( ℎ)
b. Determinar as perdas iniciais, descontando-as dos primeiros intervalos
da precipitação;
c. determinar a precipitação efetiva para os intervalos seguintes através
da equação:
= − i
Sendo i a infiltração calculada pelo método escolhido.
Quando existem dados de vazões observadas pode-se determinar o
escoamento superficial, que é igual à precipitação efetiva sobre a bacia, obtendo-se
então os valores das perdas iniciais e da infiltração. No entanto, quando não existem

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dados de vazões, há problemas para estimar-se os parâmetros das perdas iniciais e


da infiltração.

7.6.2. Índices

Consiste em adotar um valor constante para o desconto da precipitação


total, com o objetivo de determinar a precipitação efetiva. Dentre os métodos
existentes, Tucci descreve três (índice s, índice Φ e índice R), que pressupõem a
determinação do escoamento superficial com base em outros eventos na bacia ou
em bacias próximas com características semelhantes.

a. Índice s

Corresponde ao coeficiente de escoamento, definido pela relação entre o


total escoado e o total precipitado na bacia, resultando na precipitação efetiva.
Segundo Sokolov et al. (1976) o valor deste fator varia entre 0,8 e 0,9.

b. Índice Φ

Corresponde a uma infiltração constante, devendo ser subtraído de cada


precipitação para obter-se a precipitação efetiva e a soma destas deve ser igual ao
escoamento superficial total. Quando o valor de φ for maior que P, deve distribuir a
diferença entre os demais intervalos.

c. Índice W

Representa a infiltração média durante o tempo em que a precipitação é


superior à taxa de infiltração. Calcula-se utilizando a seguinte formulação:
[ºw»w©]
W= ¼

Sendo que P é a precipitação no período t;


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Q é o escoamento superficial no período t;


S é o volume armazenado;
t é o tempo em que a precipitação é maior que a taxa de
infiltração.
O valor de S é normalmente desconhecido e agregado como perdas
iniciais e conhecidos P e Q, calcula-se W para t onde Pi > R.

7.6.3. Relações Funcionais

Consistem em funções que estabelecem relações entre precipitação total


e precipitação efetiva. A seguir, apresentam-se as relações funcionais de Kohler &
Richards e do Soil Conservation Service.

a. Kohler & Richards

Kohler & Richards (1962) verificam que geralmente a relação entre


precipitação total e precipitação efetiva, durante uma cheia, aproxima-se da seguinte
equação:
¥ = ( @ + N @ ) − N
Onde Q é a precipitação efetiva;
P é a precipitação total;
N = − ¥ e W coeficiente empírico ajustado pela seguinte equação
empírica: W = 2 + 0,5 ∙ N onde (N em polegadas). Essa equação é representada
graficamente pelo gráfico 24.

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Gráfico 24 – Representação gráfica da equação de Kohler e Richards.

b. Soil Conservation Service (SCS)

SCS (1957) utiliza uma formulação semelhante, que significa que a


relação entre o volume infiltrado e a capacidade máxima de armazenamento é igual
á relação entre a precipitação efetiva e a total:
N ¥
=
∗
Substituindo N por − ¥ e introduzindo as perdas iniciais (J), tem-se:

¥=
+ ∗
Válido para ≥ J, pois para < J tem-se ¥ = 0. O gráfico 25 apresenta
graficamente esta equação.

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Gráfico 25 – Representação gráfica da equação do SCS.

O valor de perdas iniciais (J) é achado segundo a seguinte equação:



J =
5
Verificou-se que as perdas iniciais (J) representavam em média 20% da
capacidade máxima de armazenamento (). Substituindo esta relação na equação
anterior resulta:
( − 0,2 ∙ )
¥=
+ 0,8 ∙ 
Sendo que esta equação é válida para a situação > 0,2 ∙ . Para <
0,2 ∙tem-se ¥ = 0. A capacidade máxima de armazenamento na camada superior do
solo () pode ser determinada com base no fator . (curva número) pela seguinte
expressão:
25400
= ! − 254
.
O . retrata as condições do solo e de sua cobertura, em termos de
permeabilidade, sendo seus valores estabelecidos conforme as Tabelas 17 e 18 a
seguir.

Tabela 17 – Valores do parâmetro CN para bacias rurais (Fonte: Porto, 2000)

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Uso do solo Superfície A B C D


Com sulcos retilíneos 77 86 91 94
Solo Lavrado
Em fileiras retas 70 80 87 90

Em curvas de nível 67 77 83 87
Plantações
Terraceado em nível 64 76 84 88
Regulares
Em fileiras retas 64 76 84 88

Em curvas de nível 62 74 82 85
Plantações de
Terraceado em nível 60 71 79 82
Cereais
Em fileiras retas 62 75 83 87

Em curvas de nível 60 72 81 84
Plantações de Terraceado em nível 57 70 78 89
Legumes ou Pobres 68 79 86 89
Cultivados Normais 49 69 79 94
Boas 39 61 74 80

Pobres, em curvas de nível 47 67 81 88


Pastagens Normais, em curvas de nível 25 59 75 83
Boas, em curvas de nível 6 35 70 79

Normais 30 58 71 78
Campos Esparsas, de baixa transpiração 45 66 77 83
Permanentes Normais 36 60 73 79
Densas, de alta transpiração 25 55 70 77

Chácaras Normais 56 75 86 91
Estradas de Más 72 82 87 89
terra De superfície dura 74 84 90 92

Muitos esparsas, baixa transpiração 56 75 86 91


Esparsas 46 68 78 84
Florestas
Densas, alta transpiração 26 52 62 69
Normais 36 60 70 76

Tabela 18 – Valores de CN para bacias urbanas e suburbanas (Fonte: Porto, 2000).

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Utilização ou cobertura do solo A B C D


Zonas cultivadas: Sem conservação do solo 72 81 88 91
Com conservação do solo 62 71 78 81
Pastagens ou terrenos em más condições 68 79 86 89

Baldios Boas condições 39 61 74 80

Prado em boas condições 30 58 71 78

Bosques ou zonas cobertura ruim 45 66 77 83


Florestais: Cobertura boa 25 55 70 77

Espaços abertos, relvados, parques, campos


de golf, cemitérios, boas condições
com relva em amis de 75% da área 39 61 74 80
Com relva de 50 a 75% da área 49 69 79 84

Zonas comerciais e de escritórios 89 92 94 95

Zonas industriais 81 88 91 93

Zonas residênciais
Lotes de (m²) % média impermeável
<500 65 77 85 90 92
1000 38 61 75 83 87
1300 30 57 72 81 86
2000 25 54 70 80 85
4000 20 51 68 79 84

Parques de estacionamentos, telhados, viadutos, etc. 98 98 98 98

Arruametnos e estradas
asfaltadas e com drenagem de águas pluviais 98 98 98 98
paralelepípedos 76 85 89 91
terra 72 82 87 89

Os tipos de solos identificados nas referidas tabelas são os seguintes:

• Solo Tipo A

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Solos que produzem baixo escoamento superficial e alta infiltração. Solos


arenosos profundos com pouco silte e argila.

• Solo Tipo B

Solos menos permeáveis do que o anterior, solos arenosos menos


profundo do que o tipo A e com permeabilidade superior à média.

• Solo Tipo C

Solos que geram escoamento superficial acima da méida e com


capacidade de infiltração abaixo da média, contendo percentagem considerável de
argila e pouco profundo.

• Solo Tipo D

Solos contendo argilas expansivas e poucos profundos com muita baixa


capacidade de infiltração, gerando a maior proporção de escoamento superficial.

Exemplo: Qual é a lâmina escoada superficialmente durante um evento


de chuva de precipitação total P=70 mm numa bacia com solos tipo B e com
cobertura de floresta?
Dados:
Valores de CN para os próximos exercícios

Tabela 19– Valores de CN

Condição A B C D
Florestas 41 63 74 80
Campos 65 75 83 85
Plantações 62 74 82 87
Zonas comerciais 89 92 94 95
Zonas industriais 81 88 91 93
Zonas residenciais 77 85 90 92

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Solução:
A bacia tem solos do tipo B e está coberta por florestas. Conforme a
tabela Y o valor do parâmetro CN é 63 para esta combinação. A partir deste valor de
CN obtém-se o valor de S:
25400
= ! − 254
63
 = 149,2 <<
A partir do valor do S obtém-se o valor de J

J =
5
149,2
J =
5
J = 29,8
Como ≥ J, o escoamento superficial é dado por:
( − J)
¥=
− J + 
(70 − 29,8)
¥=
70 − 29,8 + 149,2
¥ = 8,5 <<

Exemplo: Qual é a lâmina escoada superficialmente durante o evento de


chuva dado na tabela abaixo numa bacia com solos com média capacidade de
infiltração e cobertura de pastagens?

Tabela 20– Exemplo

Tempo Precipitação
(min) (mm)
10 5
20 6
30 14
40 11

Solução:

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A bacia tem solos de média capacidade de infiltração, o que corresponde


ao tipo B. A cobertura vegetal é de pastagens. Conforme a tabela dada pelo
exemplo 1 o valor parâmetro CN é de 75 para esta combinação. A partir deste valor
de CN obtém-se o valor de S:
25400
= ! − 254
75
 = 84,7 <<
A partir do valor de S obtém-se o valor de Ia

J =
5
84,7
J =
5
J = 16,9
A chuva de cada intervalo de tempo é somada à chuva total até o final do
intervalo de tempo anterior, resultando na chuva acumulada, como mostra a tabela a
seguir:

Tabela 21– Exemplo

Precipitação
tempo Precipitação
Acumulada
(min) (mm)
(mm)
10 5 5
20 6 11
30 14 25
40 11 36

Para cada intervalo de tempo pode se usar o método do SCS para


acumular o escoamento total acumulada até o final do intervalo de tempo. Enquanto
a precipitação acumulada é inferior a Ia, o escoamento acumulado é igual a zero. A
partir do intervalo de tempo em que a precipitação acumulada supera o valor de Ia, o
escoamento acumulado é calculado por:
( − J)
¥=
− J + 
Como mostra a tabela a seguir:

Tabela 22– Resolução exercício

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Precipitação Escoamento
tempo Precipitação
Acumulada acumulado
(min) (mm)
(mm) (mm)
10 5 5 0,0
20 6 11 0,0
30 14 25 0,7
40 11 36 3,5

Observa-se que o momento de máximo escoamento superficial ocorre


entre os 30 e 40 minutos da duração da chuva. Nesses 10 minutos o escoamento é
de 3,5 mm. É interessante observar que este não é o momento de máxima
intensidade de precipitação.

Exemplo: Qual é o valor do coeficiente CN de uma bacia em que 30% da


área é urbanizada e em que 70% da área é rural? Considere que os solos são
extremamente argiloso e rasos.
Solução:
Solos rasos e muito argilosos normalmente tem capacidade de infiltração
baixa ou muito baixa, por isso pode-se considerar que os solos são do tipo D, de
acordo com a classificação do SCS.
Na área rural não esta especificado se são plantações (CN=87), campos
(CN=85) ou florestas (CN=80). Considerando que a área rural é coberta por campos,
adota-se o CN=85.
Na área urbana não esta especificado se são áreas industriais, comerciais
ou residenciais, mas os valores de CN são sempre relativamente próximos a 93, por
isso adotamos esse valor.
O CN médio da bacia pode ser obtido por:
. = 0,3 ∙ 93 + 0,7 ∙ 85
. = 87,4

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7.7. MÉTODO RACIONAL

A vazão máxima pode ser estimada com base na precipitação, por


métodos que representam os principais processos da transformação da precipitação
em vazão e pelo método racional, que engloba todos os processos em apenas um
coeficiente (.).
O método racional é largamente utilizado na determinação da vazão
máxima para bacias pequenas (≤ 2 km²). Os princípios básicos desta metodologia
são:
a) considera a duração da precipitação intensa de projeto igual ao tempo
de concentração. Ao considerar esta igualdade admite-se que a bacia é
suficientemente pequena para que esta precipitação ocorra, pois a duração é
inversamente proporcional à intensidade. Em bacias pequenas, as condições mais
críticas ocorrem devido a precipitações convectivas que possuem pequena duração
e grande intensidade;
b) adota um coeficiente único de perdas, denominado C, estimado com
base nas características da bacia;
c) não avalia o volume da cheia e a distribuição espacial de vazões.
A equação do método racional é a seguinte:
¥ = 0,27 ∙ . ∙  ∙
Onde: ¥ é a vazão máxima (m³/s);
. é o coeficiente de escoamento;
 é a intensidade da precipitação;
é a área da bacia (km²).
O coeficiente de escoamento utilizado no método racional depende das
seguintes características: solos, cobertura, tipo de ocupação, tempo de retorno,
intensidade da precipitação.
Os coeficientes de escoamento recomendado para as superfícies urbanas
estão apresentados na tabela 23.

Tabela 23–coeficiente de escoamento

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Descrição da área Valores de C


Área comercial/ Edificação muito densa
Partes cenntrais, densamente construídas, em cidades com ruas e calçadas 0,70 a 0,95
pavimentadas
Área comercial/Edificação não muito densa
Partes adjacentes ao centro, de menor densidade de habitações, mas com ruas 0,60 a 0,70
e calçadas pavimentadas
Área residencial
Residências isoladas, com muita superfície livre 0,30 a 0,50
unidades múltiplas (separadas); partes residenciais com ruas 0,50 a 0,60
macadamizas ou pavimentadas
unidades múltiplas(conjugadas) 0,60 a 0,75
lotes com > 2.000 m² 0,30 a 0,45
áreas com apartamentos 0,50 a 0,70
Área industrial
indústrias leves 0,50 a 0,80
indústrias pesadas 0,60 a 0,90
Outros
Matas, parques e campos de esporte, partes rurais, áreas verdes, superfícies
0,50 a 0,20
arborizadas e parques ajardinados
parques, cemitérios; subúrbio com pequena densidade de construção 0,10 a 0,25
playgounds 0,20 a 0,35
pátios ferroviários 0,20 a 0,40
áreas sem melhoramentos 0,10 a 0,30
Pavimento
Asfalto 0,70 a 0,95
Concreto 0,80 a 0,95
Calçadas 0,75 a 0,85
Telhado 0,75 a 0,95
Cobertura: grama/areia
plano (declividade 2%) 0,05 a 0,10
médio (declividade de 2 a 7%) 0,10 a 0,15
alta (declividade 7%) 0,15 a 0,20
Grama, solo pesado
plano (declividade 2%) 0,13 a 0,17
médio (declividade de 2 a 7%) 0,18 a 0,22
alta (declividade 7%) 0,25 a 0,35

Pode-se calcular o valor de C para uma chuva de características conhecidas, desde


que se conheça a variação de vazão correspondente.

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Exemplo: Dada a tabela 24, com dados de vazão e sabendo-se os valores da área
de drenagem (A=115 ∙ 10­ m²) e altura de chuva (h=160 mm), procede-se da
seguinte forma para calcular o coeficiente de deflúvio:

Tabela 24–Exemplo

Vazão
Dia Hora
(m³/s)
0 12,1
1 6 18,2
12 30
18 52
0 58
2 6 63,5
12 55
18 46,3
0 43,3
3 6 32,8
12 27,7
18 29,8
0 30,2
4 6 21,5
12 19,2
18 18,2
0 17,3
5 6 15,5
12 14
18 10,5

Solução:
Com os dados de vazão acima traça-se a hidrógrafa (gráfico 32), e a
partir desse gráfico traça-se a reta que separa o escoamento superficial direto do
escoamento básico (método 2 referido no item 7.5.4). Esta reta tem o seu ponto
inicial numa mudança brusca na inclinação da curva de vazão (início do escoamento
superficial) e o seu ponto final no ponto de máxima curvatura e, sempre, relativo a
um período igual a um número inteiro de dias ou pelo menos um ponto
imediatamente superior que satisfaça esta segunda condição. Obtém-se, agora, o
escoamento de base a partir de leitura direta do gráfico, conforme representado na

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tabela 25. Assim obtemos o escoamento superficial e, a partir do cálculo da área


compreendida entre a reta e o hidrograma, o volume escoado.

Gráfico 32 – Hidrograma referente aos dados da tabela 24

Tabela 25–Solução Exemplo

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Vazão Qb Qe
Dia Hora
(m³/s) (m³/s) (m³/s)
0 12,1 12,1 0
1 6 18,2 12,82 5,38
12 30 13,54 16,46
18 52 14,26 37,74
0 58 14,98 43,02
2 6 63,5 15,7 47,8
12 55 16,42 38,58
18 46,3 17,14 29,16
0 43,3 17,86 25,44
3 6 32,8 18,58 14,22
12 27,7 19,3 8,4
18 29,8 20,02 9,78
0 30,2 20,74 9,46
4 6 21,5 21,46 0,04
12 19,2 19,2 0
18 18,2 18,2 0
0 17,3 17,3 0
5 6 15,5 15,5 0
12 14 14 0
18 10,5 10,5 0

Para este exemplo obtemos o seguinte valor:


5O = 6166368,00 <³
O cálculo do volume precipitado é feito através da seguinte relação:
54 = ∙ ℎ
54 = 115 ∙ 10­ ∙ 0,160 = 18400000,00 <F
Tendo os valores do volume escoado e o volume precipitado temos:
5O
.=
54
6166368
.=
18400000
. = 0,34

7.8. HIDROGRAMA UNITÁRIO

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Hidrograma Unitário é o hidrograma resultante de um escoamento


superficial unitário (1 mm, 1cm, 1 polegada) gerado por uma chuva uniforme
distribuída sobre a bacia hidrográfica, com intensidade constante de certa duração.
Para uma dada duração de chuva, o hidrograma constitui uma
característica própria da bacia; ele reflete as condições de deflúvio para o
desenvolvimento da onda de cheia.

7.8.1. Princípios básicos

Considerando chuva de distribuição e de intensidade constantes sobre


toda a bacia temos três princípios básicos a serem considerados: Princípio da
constância do tempo de base, das proporcionalidades das descargas e da
aditividade.
• Princípio da Constância do tempo de base
Para chuvas de iguais durações, as durações dos escoamentos
superficiais correspondentes são iguais.

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Gráfico 33 – Registro de descargas diárias do rio Tietê (Fonte: UFLA).

• Proporcionalidade de descargas

Duas chuvas de mesma duração, mas com volumes escoados diferentes


resultam em hidrógrafas cujas ordenadas são proporcionais aos
correspondentes volumes escoados. Ou seja:
 ¥
= =
 ¥
Onde é o volume da chuva efetiva;
¥ é a vazão do escoamento superficial.

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Gráfico 34 – Proporcionalidade das descargas (Fonte: UFLA).

• Princípio da Aditividade
Precipitações anteriores não influenciam a distribuição no tempo do
escoamento superficial de uma dada chuva.

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Gráfico 35 – Independência dos deflúvios simultâneos (Fonte: UFLA).

• No princípio de proporcionalidade comentar sobre o fato da


convolução dos hidrogramas

A aplicação dos princípios de proporcionalidade e superposição levam à


definição da chamada equação da convolução discreta:
¥ = ∑A O´ ∙ ℎwf para t<k
¥ = ∑Awµf O´ ∙ ℎwf para t>k
Onde: ¥ é a vazão do escoamento superficial no intervalo de tempo i
ℎ é a vazão por unidade de chuva efetiva do HU;
O´ é a precipitação efetiva do bloco -;
 é o número de coordenadas do hidrograma unitário,que pode
ser obtido por  = W − < + 1, onde < é o número de pulsos de precipitação e W é o
número de valores de vazões do hidrograma.

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Gráfico 36 – Convolução dos hidrogramas (Fonte: UFLA).

Anteriormente foi visto que a equação acima representa a convolução


discreta do HU. Assim, uma vez conhecida a precipitação efetiva ( O´) e o
hidrograma (¥) de escoamento superficial da bacia hidrográfica, podem ser
deduzidas as ordenadas (ℎ) do HU mediante o processo chamado de deconvolução.
Se existirem < pulsos de precipitação efetiva e W pulsos de escoamento
superficial, podem ser escritas W equações para ¥ , W =1,2,... W, em função de
W − < + 1 valores desconhecidos do HU.
Por exemplo, se o hietograma de precipitação efetiva é formado por 3
blocos e o hidrograma de escoamento superficial é formado por 11 valores, significa
dizer que < =3 e W =11. Resultando em W − < + 1 = 9 ordenadas (ℎ) do HU. As
equações de convolução resultantes seriam, onde neste caso as variáveis
desconhecidas são os valores de ℎ.
¥ = O´ ∙ ℎ
¥ = O´ ∙ ℎ + O´ ∙ ℎ
¥F = O´F ∙ ℎ + O´ ∙ ℎ + O´ ∙ ℎF
¥P = O´F ∙ ℎ + O´ ∙ ℎF + O´ ∙ ℎP
¥˜ = O´F ∙ ℎF + O´ ∙ ℎP + O´ ∙ ℎ˜
¥­ = O´F ∙ ℎP + O´ ∙ ℎ˜ + O´ ∙ ℎ­
¥À = O´F ∙ ℎ˜ + O´ ∙ ℎ­ + O´ ∙ ℎÀ
¥— = O´F ∙ ℎ­ + O´ ∙ ℎÀ + O´ ∙ ℎ—
¥Á = O´F ∙ ℎÀ + O´ ∙ ℎ— + O´ ∙ ℎÁ
¥‹ = O´F ∙ ℎ— + O´ ∙ ℎÁ + O´ ∙ ℎ‹
¥ = O´F ∙ ℎÁ
Pode-se observar que esse sistema de equações está
sobredimensionado, já que temos mais equações que incógnitas. Essas equações
podem ser resolvidas por eliminação gaussiana, isolando cada uma das variáveis
desconhecidas e resolvendo sucessivamente. Neste caso a resolução poderia
começar de baixo para cima, ou de cima para baixo.

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7.8.2. Determinação do hidrograma unitário

Para determinar o hidrograma unitário (HU) de uma bacia hidrográfica, é


necessário dispor de registros de vazão e precipitação simultâneos. Recomenda-se
procurar no histórico, eventos causados por chuvas que tenham uma duração entre
do tempo de concentração. A seguir apresenta-se um roteiro de cálculo.
1) Calcular o volume de água precipitado sobre uma bacia hidrográfica,
que é dado por:
”[ = [ ∙
Onde ” [ é o volume total precipitado sobre a bacia;
[ é a precipitação total;
é a área de drenagem da bacia.
2) Fazer a separação do escoamento superficial, onde para cada instante
i, a vazão que escoa superficialmente é a diferença entre a vazão observada e a
vazão de base:
¥ = ¥[h − ¥h
Onde ¥ é a vazão que escoa superficialmente
¥[h é a vazão observada no posto fluviométrico;
¥h é a vazão de base, extraída do gráfico.
3) Determinar o volume escoado superficialmente, calculando a área do
hidrograma superficial, que pode ser obtida conforme a fórmula abaixo:

5 = ¨ ¥ ∙ ∆i

Onde 5 é o volume escoado superficialmente;


¥ é a vazão que escoa superficialmente;
∆i é o intervalo de tempo dos dados.
4) Determina-se o coeficiente de escoamento (definido na seção 7.4.2).
”
.=
”[
Onde ” é o volume escoado superficialmente;
” [ é o volume total precipitado sobre a bacia hidrográfica.

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5) Determinar a chuva efetiva, multiplicando-se a chuva total pelo


coeficiente de escoamento:
 = . ∙ [
Onde  é a chuva efetiva;
. é o coeficiente de escoamento;
[ é a precipitação total.
6) Determinar as ordenadas do HU
^
¥^ = ∙¥
 
Onde ¥^ ordenada do hidrograma unitário;
^ é a chuva unitária (10 mm, 1mm);
 é a precipitação efetiva;
¥ ordenada do hidrograma do hidrograma de escoamento
superficial.

7.8.3. Determinação do hidrograma unitário para uma chuva de dada duração (t)
a partir de outra duração maior (t)

O método da chuva “S” presta-se para a obtenção de um hidrograma


unitário a partir de outro da mesma bacia, porém originado de chuva de
concentração mais longa.
A curva “S” é o hidrograma que se obteria no caso de chuva hipotética
infinita.
Há uma única curva “S” para uma dada bacia hidrográfica e a partir de
chuva de cada duração.

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Gráfico 37 – Curva S (Fonte: UFLA).

Podemos observar no gráfico 37 é apresentado o gráfico de curva “S”


para uma duração específica. A ordenada “Ï ” corresponde a vazão de equilíbrio,
atingida no momento em que toda a bacia passa a contribuir para a vazão do ponto
de controle. A sua constância a partir do tempo de concentração i decorre da
hipótese da chuva ter duração infinita.
2,77 ∙
Ï =
i
Onde é a área (Km²);
i é a duração (h);
Ï é a vazão (m³/s)
O fator 2,77 decorre de uma conversão de unidades.
De posse desta curva, obtém-se facilmente o hidrograma unitário
referente a uma chuva mais curta que aquela que lhe deu origem. Para isso basta
defasar a curva “S” de i (duração pretendida). A diferença entre as ordenadas das
duas curvas – uma sem e a outra com defasagem – seria o hidrograma
correspondente a uma chuva capaz de produzir uma lâmina d’água uniforme na
bacia de 1⁄i mm, não se tratando, portanto, de hidrograma unitário. Para convertê-lo
é suficiente multiplicar todas as ordenadas pelo fator i ⁄1.
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7.8.4. Determinação do hidrograma unitário para uma chuva de dada duração a


partir de outra duração menor

Tendo em vista o terceiro princípio dos hidrogramas, ou seja, o princípio


da aditividade, é possível traçar-se um hidrograma de chuva de maior duração a
partir do de uma menor, bastando para isso encadear sucessivamente chuvas das
quais se conhecem o desenvolvimento da onda de cheia, defasados de sua duração
(sem intervalo de tempo entre elas).
A soma das ordenadas de “W” hidrógrafas unitária de duração “i”,
encadeadas, da origem ao hidrograma que resultaria de uma chuva de duração total
“W × i” e de altura de chuva “W”. O hidrograma unitário para aquela mesma bacia
produzido por uma chuva de duração “1” é facilmente obtido dividindo-se cada
ordenada por W (W = 1⁄i). Isto se justifica pelo fato de que, embora as chuvas
parciais não se superponham no tempo, assim o fazem no espaço.
O procedimento acima descrito é diretamente aplicável aos casos em que
1 é multiplicado por i, situação essa ilustrada no gráfico 38.

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Gráfico 38 – Hidrogramas (Fonte: UFLA).

Casos ocorrem em que a duração 1 não é múltiplo de i. Nessas


circunstâncias o mesmo princípio se mantém válido; no entanto, para a sua
utilização é necessário converter a chuva da hidrógrafa conhecida i em submúltiplo
de 1. Segue uns passos para proceder nesta situação.
a) Traçar a curva “S” a partir do hidrograma da chuva de duração i
b) Determinar um número divisor comum de i e 1(i′). Recomenda-se a
adoção do máximo divisor comum (MDC) para a redução posterior
da carga de trabalho.
c) Determinar a partir da chuva “S” obtida no primeiro passo, o
hidrograma unitário relativo a uma curva de duração i′.

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A conversão está completa. Procede-se a partir deste posto conforme


orientação do gráfico 38, cumprindo observar, no entanto, que a conversão no caso
presente será feita dividindo-se as ordenadas por 1⁄i′.
Exemplo:
Dado o hidrograma abaixo. Colunas (0) e (1) correspondente a uma
precipitação efetiva de duração i = 1ℎ, obter o hidrograma para uma outra chuva de
duração i _ = 2ℎ.

Tabela 26–Exemplo

Tempo (h) Vazão (m³/s)


(0) (1) (2)
0 0 -
1 5,6 0
2 18,2 5,6
3 15,7 18,3
4 10,1 15,7
5 7,9 10,1
6 4,6 7,9
7 0 4,6
8 - 0

Solução:
Para termos uma precipitação a cada 2h soma-se as colunas (1) e (2),
como foi feito na tabela 27. A coluna (4) fornece as ordenadas do hidrograma
relativo a uma precipitação excedente de duas horas.

Tabela 27–Solução Exemplo

Tempo (h) Vazão (m³/s)


(0) (1) (2) (3)=(1)+(2) (4)=(3):(2)
0 0 - 0 0
1 5,6 0 5,6 2,8
2 18,2 5,6 23,9 11,9
3 15,7 18,3 34 17
4 10,1 15,7 25,8 12,9
5 7,9 10,1 18 9
6 4,6 7,9 12,5 6,3
7 0 4,6 4,6 2,3
8 - 0 0 0

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7.8.5. Hidrograma Unitário Instantâneo

O conceito de hidrograma unitário instantâneo se origina da teoria do


Hidrograma Unitário. Isso se deve ao fato de que numa situação de precipitação
efetiva de duração infinitamente pequena, o hidrograma unitário resultante seria a
própria Hidrógrafa unitária Instantânea.
O Hidrograma Unitário Instantâneo independe da duração da chuva
efetiva, e assim só existe um HUI para dada bacia hidrográfica; de modo que
qualquer hidrograma pode ser gerado a partir dele.
Uma vez obtida o HUI, para traçarmos o hidrograma unitário de uma
chuva de duração t podemos seguir a seguinte metodologia:
a) Dividir o HUI em intervalos de t;
b) Marcar os pontos no HUI;
c) Calcular a ordenada média para cada par consecutivo;
d) Plotar a média (vazão) obtida, associando-a ao tempo (limite superior
de intervalo);
e) Ligar os pontos, procurando ajustar, a sentimento, a curva pretendida
(o hidrograma unitário de t horas).

7.8.6. Hidrograma Unitário Sintético

Na prática a situação mais encontrada é o da inexistência de dados


históricos. Por este motivo usa-se os hidrogramas unitários sintéticos (HUS). Esses
hidrogramas são obtidos a partir de características físicas das bacias.
Os HUS mais conhecidos são os de Snyder, o de Commons e o do Soil
Conservation Service que serão vistos nos próximos itens.

• Método de Snyder

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O hidrograma sintético de Snyder (1973) foi desenvolvido para bacia com


área entre 10 e 10.000 mi². Para a obtenção do hidrograma empregamos os
seguintes passos:
a) Cálculo do tempo de retardamento, tempo de pico ou “timelag” (iŽ )
iŽ = 0,75 ∙ . ( ∙ Å )‹,F
Onde  é o comprimento da bacia em km, medido ao longo do rio
principal;
Å é a distância do centro de gravidade da bacia em km, medido
ao longo do rio principal até a projeção do C.G. sobre o rio;
. é o coeficiente que depende das características da bacia
hidrográfica e que varia de 1,8 a 2,2.

b) Cálculo do tempo de duração da chuva unitária (i\ )



i\ =
5,5
Sendo i\ e iŽ medidos em horas.

c) Verificar se a chuva da chuva excedente (i ) supera a duração da


chuva unitária (iŽ ).
iŽ = i − i\
∆iŽ
iŽ_ = iŽ +
4

d) Cálculo do tempo de base (i)



i = 3+3∙ !
24
Sendo que i é em dias e iŽ em horas

e) Cálculo da vazão de pico (Î )


.Ž ∙
Î = 2,75 ∙

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Onde é a área (Km²);


.Ž é o coeficiente que varia entre 0,56 e 0,69 e que depende das
características da bacia.

f) Traçar o gráfico

• Soil Conservation Service

O Soil Conservation Service (SCS,1957) apresentou um método para


determinação do hidrograma unitário em que o mesmo é considerado um triângulo,
gráfico 39. Para o seu cálculo necessita apenas da determinação da vazão de pico e
do tempo em que ela ocorre.

Gráfico 39 – Soil Conservation Service (Fonte: Porto, 2000).

Para melhor entendimento segue um roteiro:

a) Calculo do tempo de pico iŽ (horas)

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iŽ = 0,5 ∙ ∆i + 0,6 ∙ i
Onde, ∆i é o tempo de duração da chuva (horas);
i é o tempo de concentração da bacia (horas).
Obs.: recomenda-se a adoção de i\ compreendido entre 1⁄4 O 1⁄5 de i .
‹,F—˜
F
i = 57 ‰ Œ
–
Em que, i é o tempo de concentração (min);
 é a extensão do rio principal (Km);
– é o máximo desnível ao longo de L (m).

b) Determinar o tempo de base do hidrograma ih (horas)


ih = 2,67 ∙ iŽ

c) Determinar a vazão máxima (¥Ž )


2∙ ∙
¥Ž =
ih
Onde, é a precipitação efetiva (=1<<)
é a área da bacia (km²)

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8. INFILTRAÇÃO

8.1. DEFINIÇÃO

A infiltração é a passagem de água da superfície para o interior do solo.


Infiltração também é definida como o fenômeno de penetração da água nas
camadas de solo próximas à superfície do terreno, movendo-se para baixo através
da ação da gravidade, até atingir uma camada impermeável, formando um lençol
d’água. É um fenômeno que depende da água disponível para infiltrar, da natureza
do solo, do estado da superfície, da vegetação e das quantidades de água e ar,
inicialmente presentes no seu interior.
A medida que a água infiltra pela superfície, as camadas superiores do
solo vão se umedecendo de cima para baixo, alterando gradativamente o perfil de
umidade. A camada superior atinge um alto teor de umidade, enquanto que as
camadas inferiores apresentam-se ainda “baixos” teores de umidade. Há então uma
tendência de um movimento descendente de água provocando o molhamento das
camadas inferiores, dando origem ao fenômeno que recebe o nome de
redistribuição. Na figura 28 apresenta-se o perfil de umidade do solo.

Figura 28 – Zonas do solo (Fonte: Tucci, 1998).

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Percebe-se que existem quatro zonas conforme a profundidade do solo.


Estas zonas estão descritas abaixo.

• Zona de saturação
Corresponde a uma camada com cerca de 1,5cm, isto é, próxima da
superfície, e é uma zona em que o solo está saturado, ou seja, com um teor de
umidade igual ao teor de umidade de saturação.

• Zona de transmissão
É uma zona com espessura em torno de 5cm, cujo teor de umidade
decresce rapidamente com a profundidade.

• Zona de umidade ou zona de umedecimento


É a região caracterizada por uma grande redução no teor de umidade
com aumento da profundidade.

• Frente úmida ou frente de umedecimento


Compreende uma pequena região na qual existe um grande gradiente
hidráulico, havendo uma variação bastante abrupta da umidade. A frente de
umedecimento representa o limite visível da movimentação da água no solo. Ou
seja, a mudança do conteúdo de umidade com a profundidade é tão grande que tem
a aparência de uma descontinuidade aguda entre o solo molhado acima e o solo
seco abaixo.

8.2. GRANDEZAS CARACTERÍSTICAS

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8.2.1. Capacidade de infiltração

É a quantidade máxima de água que pode infiltrar no solo, em um dado


intervalo de tempo, sendo expresso geralmente em << ∙ ℎw. A capacidade de
infiltração só será atingida durante uma chuva se houver excesso de precipitação.
Caso contrário, a taxa de infiltração de água do solo não é máxima, não se
igualando à capacidade de infiltração.
A capacidade de infiltração apresenta magnitude alta no início do
processo e com o transcorrer do mesmo, esta atinge um valor aproximadamente
constante após um longo período de tempo.

8.2.2. Taxa / Velocidade de infiltração

É a velocidade média com que a água atravessa o solo, ou seja, é a


vazão dividida pela secção reta de escoamento. A área inclui projeção dos poros por
onde escoa a água e a projeção da área dos órgãos. É a velocidade de Darcy.
Nℎ
”=∙
Ni
A taxa de infiltração depende diretamente da textura e estrutura do solo e,
para um mesmo solo, depende do teor de umidade na época da chuva ou irrigação,
a sua porosidade e da existência de camada menos permeável (camada
compactada) ao longo do perfil.
O gráfico 40 mostra o desenvolvimento típico das curvas representativas
da evolução temporal da infiltração real e da capacidade de infiltração com a
ocorrência de uma precipitação. A partir do tempo t=A o solo começa a aumentar
seu teor de umidade, conseqüentemente à capacidade de infiltração, que continua
decrescendo. No tempo t=C a chuva termina e o solo começa a perder umidade por
evapotranspiração. A partir deste momento a capacidade de infiltração começa a
aumentar até que uma outra precipitação ocorra, e o processo se repete.

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Gráfico 40 – Curvas de capacidade e velocidade de infiltração (Fonte: Tucci, 1998).

8.3. FATORES QUE INTERVÉM NA CAPACIDADE DE INFILTRAÇÃO

A infiltração é um fenômeno que depende de vários fatores. Os mais


importantes são listados a seguir.

8.3.1. Condição da superfície

Áreas urbanas apresentam menores velocidades de infiltração que áreas


agrícolas, principalmente porque elas possuem cobertura vegetal.

8.3.2. Tipo de solo

A capacidade de infiltração varia diretamente com a porosidade e com o


tamanho das partículas do solo. As características presentes em pequena camada

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superficial, com espessura da ordem de 1 cm, tem grande influência sob a


capacidade de infiltração (PINTO et al., 1976).

8.3.3. Condição do solo

O preparo do solo, geralmente, tende a aumentar a capacidade de


infiltração do solo. Se as condições de preparo do solo e manejo do mesmo forem
inadequadas, a capacidade de infiltração tende a tornar-se inferior à de um solo sem
preparo, principalmente se a cobertura vegetal presente sobre o solo for removida.

8.3.4. Umidade inicial do solo

A infiltração será maior quanto mais seco o solo estiver incialmente.

8.3.5. Carga hidráulica

Quanto maior for a espessura da lâmina de água sobre a superfície do


solo, maior será a taxa de infiltração.

8.3.6. Temperatura

A velocidade de infiltração aumenta com a temperatura. Isso ocorre


devido à diminuição da viscosidade da água.

8.3.7. Presença de fendas, rachaduras e canais biológicos originados por raízes


decompostas ou pela fauna do solo

Essas formações atuam como caminhos preferenciais por onde a água se


movimenta com pouca resistência e, portanto, aumenta a capacidade de infiltração.

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8.3.8. Compactação do solo por máquinas e/ou por animais

O tráfego intensivo de máquinas sobre a superfície do solo produz uma


camada compactada que reduz a capacidade de infiltração. O mesmo acontece em
pastos, pois o solo sofre compactação pelos cascos dos animais.

8.3.9. Compactação do solo pela ação da chuva

As gotas da chuva ou da irrigação atingem a superfície e podem provocar


compactação do solo reduzindo a capacidade de infiltração.

8.3.10. Cobertura vegetal

Uma cobertura vegetal densa como grama ou floresta possuem uma


capacidade de infiltração maior. Isso se deve ao sistema radicular que proporciona a
formação de pequenos túneis para a passagem da água.

8.4. CAPACIDADE DE INFILTRAÇÃO

Os métodos usados para a determinação da capacidade de infiltração da


água no solo são: infiltrômetro de anel, simulador de chuvas e método do índice ∅.

8.4.1. Infiltrômetro de anel

Consiste basicamente de dois cilindros concêntricos e um dispositivo de


medir volumes de água que fica no cilindro interno. Os cilindros, apresentam 25 e 50
cm de diâmetro, ambos com 30 cm de altura. Devem ser instalados
concentricamente e enterrados a 15 cm no solo.

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Coloca-se água ao mesmo tempo nos dois anéis e com uma régua
graduada faz-se a leitura da lâmina de água no cilindro interno ou anota-se o volume
de água colocado no anel, com intervalo de tempos pré-determinados. A diferença
de leitura entre dois intervalos de tempo representa a infiltração vertical neste
período.
Quando não tiver o cilindro externo pode-se fazer uma bacia ao redor do
cilindro menor e mantê-la cheia de água enquanto é realizado o teste. A função do
cilindro externo ou da bacia é evitar que a água do anel interno infiltre lateralmente.
A altura da coluna de água nos dois anéis deve ser de 15 cm, variando no máximo 2
cm. Esse valor no início do teste pode influenciar nos resultados, mas no decorrer do
tempo não irá ter muito efeito.
O teste termina quando a taxa de infiltração permanecer constante. Na
prática, isso ocorre quando num intervalo de 1 hora a taxa variar menos de 10%.
Nesse momento considera que o solo atinge a chamada taxa de infiltração estável.

8.4.2. Simuladores de chuvas

São equipamentos nos quais a água é aplicada por aspersão, com


intensidade de precipitação superior a capacidade de infiltração do solo. O objetivo
desse teste é coletar a lâmina de escoamento superficial originada pela aplicação de
uma chuva com intensidade superior à concentração de infiltração do solo.
Delimitam-se áreas de aplicação de água, com forma retangular ou quadrada, de
0,10 a 40 m² de superfície.
A taxa de infiltração é obtida pela diferença entre a intensidade de
precipitação e a taxa de escoamento resultante.

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8.4.3. Método do índice ∅

Conhecendo a precipitação e o escoamento superficial, em uma bacia


pode-se calcular por diferença, a capacidade de infiltração da mesma (VILLELA,
1975).
O método é apresentado em um roteiro, a seguir.
a) Computar, para cada intervalo de tempo a precipitação ocorrida.
b) Deduzir da precipitação total ( ) a quantidade de água escoada.
c) Dividir o valor obtido pelo tempo de duração total da chuva. Obtendo o
∅ hipotético.
d) Comparar o ∅Ç com as precipitações observadas em cada intervalo de
tempo. Caso em algum intervalo a precipitação seja inferior ao ∅Ç
deve-se excluí-lo do cálculo e repetir o processo.

Exemplo:
Durante a cheia, em uma bacia produzida por uma chuva cuja altura é de
= 76<< o escoamento superficial foi equivalente a ¥ = 33<<. A distribuição do
tempo da chuva é dado abaixo:

Tabela 28 – Exemplo

Horas 1 2 3 4 5 6 Total
Chuvas (mm) 8 18 25 12 10 3 76

Solução:
a) Recarga da bacia ( − ¥)
− ¥ = 76 − 33 = 43 <<
b) Supondo que o excesso de chuva de 6 horas:
43
íWN-MO ∅ = = 7,2 <</ℎ
6
c) Comparando com cada hora, temos que esse valor é menor que a
sexta hora, por este motivo retiramos esse valor.
− ¥ = (76 − 3) − 33 = 40 <<
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d) Supondo que o excesso de chuva foi de 5 horas:


40
íWN-MO ∅ = = 8,0 <</ℎ
5

8.5. EQUAÇÕES REPRESENTATIVAS DA INFILTRAÇÃO

8.5.1. Equação Potencial (Kostiakov - 1932)

Utilizada para infiltração para períodos curtos, comum para precipitação


de lâminas d’água médias e pequenas.
 =  ∙ 1]
Onde  é a infiltração acumulada (cm);
 é a constante dependente do solo;
1 é o tempo de infiltração (min);
J é a constante dependente do solo, variando de 0 a 1.
A velocidade de infiltração instantânea (5) é a derivada da infiltração
acumulada em relação ao tempo.
N
5 =
N1
5 =  ∙ J ∙ 1 ]w
A velocidade média (5<) de infiltração é a divisão de  pelo 1:
  ∙ 1]
5< = =
1 1
5< =  ∙ 1 ]w
A determinação dos coeficientes J e  é feita através do método gráfico
ou método analítico.
• Método gráfico
Plota-se os dados de  e 1 em um papel log-log e traça-se uma linha reta
de melhor ajuste dos pontos. O ponto de intercessão do prolongamento da linha reta
com o eixo das ordenadas será o valor de , e a declividade da reta será o valor de
J, como mostra o gráfico 41.

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Gráfico 41 – Método gráfico.

• Método analítico
Para resolver nossa equação transformaremos a equação exponencial
em linear multiplicando por log toda a equação.

 =  ∙ 1]
log  = log  + J ∙ log 1
Comparando essa equação com uma linear (H = + ÉI) temos:
- H = log 
- = log 
-É=J
- I = log 1
Aplicando o método da regressão linear temos que os valores de e É
são determinados pelas seguintes equações:
∑ I ∙ ∑ IH − ∑ I² ∙ ∑ H
=
(∑ I ) − < ∙ ∑ I²
∑ I ∙ ∑ H − < ∙ ∑ IH
É=
(∑ I) − < ∙ ∑ I²
Em que < é o número ímpar de dados  e 1.
Com isso temos que
= log ,  = JWi-2Ê , então  = 10
É = , então J = É
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Com isso resolvemos a equação.

Exemplo:
Em um teste de infiltração foram levados os seguintes dados:

Tabela 29 - exemplo

Tac (min) I(cm) X=logTac Y=log I X² XY


0 0 - - 0,0000 0,0000
4 1,5 0,6021 0,1761 0,3625 0,1060
9 2,7 0,9542 0,4314 0,9106 0,4116
14 3,7 1,1461 0,5682 1,3136 0,6512
19 4,8 1,2788 0,6812 1,6352 0,8711
24 5,6 1,3802 0,7482 1,9050 1,0327
29 6,6 1,4624 0,8195 2,1386 1,1985
34 7,6 1,5315 0,8808 2,3454 1,3489
39 8,6 1,5911 0,9345 2,5315 1,4868
44 9,4 1,6435 0,9731 2,7009 1,5993
54 11 1,7324 1,0414 3,0012 1,8041
64 12,9 1,8062 1,1106 3,2623 2,0059
74 14,4 1,8692 1,1584 3,4940 2,1652
84 16,2 1,9243 1,2095 3,7029 2,3274
94 17,8 1,9731 1,2504 3,8932 2,4672
104 19,4 2,017 1,2878 4,0684 2,5975
114 20,9 2,0569 1,3201 4,2309 2,7154
124 22,5 2,0934 1,3522 4,3824 2,8307
134 24 2,1271 1,3802 4,5246 2,9359
144 25,5 2,1584 1,4065 4,6585 3,0358
154 26,8 2,1875 1,4281 4,7852 3,1241
164 28,4 2,2148 1,4533 4,9055 3,2189
174 30 2,2405 1,4771 5,0201 3,3096
184 31,6 2,2646 1,4997 5,1294 3,3965
194 33,2 2,2878 1,5211 5,2340 3,4801
204 34,8 2,3096 1,5416 5,3344 3,5605
214 36,4 2,3304 1,5611 5,4308 3,6380
Total 47,1834 29,2123 90,9012 57,3191

Solução:
Número pares de valores TxI (m): 26
Calculando os valores de A e B:
47,1834 ∙ 75,3191 − 90,9012 ∙ 29,2123
= = −0,3578
(47,1834) − 26 ∙ 90,9012
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47,1834 ∙ 29,2123 − 26 ∙ 57,3191


É= = 0,8163
(47,1834) − 26 ∙ 90,9012
Como = log ,  = JWi-2Ê , então  = 10w‹,F˜À— = 0,4387
É = , então J = 0,8163
A forma final da equação de infiltração será:
 =  ∙ 1]
 = 0,4387 ∙ 1 ‹,—­F
A equação da velocidade de infiltração instantânea será:
5 = 0,3581 ∙ 1 w‹,—FÀ
A equação da velocidade média é:
5< = 0,4387 ∙ 1 w‹,—FÀ

8.5.2. Equação de Philip

Philip em 1957 resolveu numericamente a equação de Richards suponde


que Ë e  poderiam variar com o conteúdo de umidade no solo Ì.
$(i) = i ‹,˜ + Ëi
Onde  é a absorção, que é uma função potencial de sucção do solo;
Ë é a condutividade hidráulica.
Diferenciando a equação acima em relação ao tempo, temos:
$(i) = 0,5i w‹,˜ + Ë
À medida que t tende ao ∞, f(t) tende a K. O primeiro termo da equação
representa a altura de sucção e o segundo a altura de gravidade. Para uma coluna
de solo, a equação de Phillip se reduz a
$(i) = i ‹,˜

8.5.3. Método do SCS

Soil Conservation Service propôs uma formulação para determinar o


volume máximo de precipitação que pode ser infiltrado. Para se aplicar o método,

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consideramos que existe uma capacidade máxima de armazenamento de água no


solo, denomida  (mm). O valor de  depende do parâmetro . do método SCS,
como foi mostrado nas tabelas 17 e 18. Como foi visto o valor de  é calculado pela
seguinte fórmula:
25400
= ! − 254
.
Assim, para calcular a parcela de água infiltrada que não é infiltrada,
utiliza-se a seguinte equação:
( − 0,2 ∙ )
 =
+ 0,8 ∙ 
Onde é a precipitação acumulada em mm;
 é a precipitação efetiva.

8.6. QUESTÕES

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9. EVAPORAÇÃO E EVAPOTRANSPIRAÇÃO

9.1. INTRODUÇÃO

O conhecimento da perda de água de uma superfície natural é de suma


importância nos diferentes campos do conhecimento científico, especialmente nas
aplicações da meteorologia e da hidrologia às diversas atividades humanas.
A evaporação é o processo pelo qual a água se transforma do estado
líquido para o de vapor. Além da evaporação, o retorno da água para a atmosfera
pode ocorrer através do processo de transpiração, no qual a água absorvida pelos
vegetais é evaporada a partir de suas folhas. Evapotranspiração é o total de água
perdida para a atmosfera em áreas onde significativas perdas de água ocorrem
através da transpiração das superfícies das plantas e evaporação do solo.
Cerca de 70% da quantidade de água precipitada sobre a superfície
terrestre retorna à atmosfera pelos efeitos da evaporação e transpiração. Devido a
isso, a mensuração desses dois processos é fundamental para o hidrologista na
elaboração de projetos, visto que afetam diretamente o rendimento de bacias
hidrográficas, a determinação da capacidade do reservatório, projetos de irrigação e
disponibilidade para o abastecimento de cidades, dentre outros.

9.2. DEFINIÇÃO

9.2.1. Evaporação

É o processo natural pelo qual a água, de uma superfície líquida como


rios, lagos, reservatórios, poças e gotas de orvalho, passa para a atmosfera na
forma de vapor, a uma temperatura inferior a de ebulição.

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9.2.2. Transpiração

É a transferência da água presente no solo para a atmosfera através do


processo de transpiração vegetal. A transpiração envolve a retirada da água do solo
pelas raízes das plantas que retêm uma pequena fração e devolvem o restante
através das superfícies folhosas, sob forma de vapor d’água, pelo processo de
transpiração.

9.2.3. Evapotranspiração

Em solos com cobertura vegetal é praticamente impossível separar o


vapor d’água proveniente da evaporação do solo daquele originado da transpiração.
Neste caso, a análise do aumento da umidade atmosférica é feita de forma conjunta,
interligando os dois processos num processo único, denominado de
evapotranspiração.

9.2.4. Evapotranspiração Potencial

É a quantidade de água transferida para a atmosfera por evaporação e


transpiração, na unidade de tempo, de uma superfície extensa completamente
coberta de vegetação de porte baixo e bem suprida de água. Serve apenas como
uma referência para a evaporação máxima possível sob certas condições climáticas.

9.2.5. Evapotranspiração de Referência

É a perda de água de uma extensa superfície cultivada com grama, com


altura de 0,08 a 0,15 m, em crescimento ativo, cobrindo totalmente o solo e sem
deficiência de água.

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9.2.6. Evapotranspiração Real ou Anual

É a quantidade de água transferida para a atmosfera por evaporação e


transpiração, nas condições reais (existentes) de fatores atmosféricos e umidade do
solo. A evapotranspiração real é igual ou menor que a evapotranspiração potencial.

9.2.7. Evapotranspiração de água interceptada

É a evaporação da água interceptada por folhas, galhos e tronco das


árvores.

9.2.8. Evaporação do Solo

É a vaporização da água diretamente a partir da superfície mineral do


solo.

9.3. FATORES QUE INFLUENCIAM NA EVAPORAÇÃO E TRANSPIRAÇÃO

9.3.1. Vento

O vento é uma variável importante no processo de evaporação porque


remove o ar úmido diretamente do contato da superfície que está evaporando ou
transpirando. O processo de fluxo de vapor na atmosfera próxima à superfície ocorre
por difusão, isto é, de uma região de alta concentração (umidade relativa) próxima à
superfície para uma região de baixa concentração afastada da superfície. Este
processo pode ocorrer pela própria ascensão do ar quente como pela turbulência
causada pelo vento.

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9.3.2. Umidade

Quanto menor a umidade do ar, mais fácil é o fluxo de vapor da superfície


que está evaporando. Se o ar da atmosfera próxima à superfície estiver com
umidade relativa próxima a 100% a evaporação diminui porque o ar já está
praticamente saturado de vapor.
Quando solo está úmido as plantas transpiram livremente. Quando o solo
começa a secar o fluxo de transpiração começa a diminuir.

9.3.3. Temperatura

O aumento da temperatura torna maior a quantidade de vapor de água


que pode estar presente no mesmo volume de ar. Ar mais quente pode conter mais
vapor, portanto o ar mais quente favorece a evaporação e transpiração.

9.3.4. Radiação Solar

A quantidade de energia solar que atinge a Terra no topo da atmosfera


está na faixa das ondas curtas. Na atmosfera e na superfície terrestre a radiação
solar é refletida e sofre transformações, de acordo com a Figura 54.
Parte da energia incidente é refletida pelo ar e pelas nuvens e parte é
absorvida pela poeira, pelo ar e pelas nuvens. Parte da energia que chega a
superfície é refletida de volta para o espaço ainda sob a forma de ondas curtas.
A energia absorvida pela terra e pelos oceanos contribui para o
aquecimento destas superfícies que emitem radiação de ondas longas. Além disso,
o aquecimento das superfícies contribuem para o aquecimento do ar que está em
contato, gerando o fluxo de calor sensível (ar quente), e o fluxo de calor latente
(evaporação). Finalmente, a energia absorvida pelo ar, pelas nuvens e a energia dos
fluxos de calor latente e sensível retorna ao espaço na forma de radiação de onda
longa, fechando o balanço de energia.
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O processo de fluxo de calor sensível é onde ocorre a evaporação. A


intensidade desta evaporação depende da disponibilidade de energia. Os valores
apresentados na Figura 31 referem-se às médias globais, o que significa que a
energia utilizada para evaporação pode ser maior ou menor, dependendo
principalmente da latitude e da época do ano. Regiões mais próximas ao Equador
recebem maior radiação solar, e apresentam maiores taxas de evapotranspiração.

Figura 31 – Média global de fluxos de energia na atmosfera da Terra. (Fonte: Tucci, 1998).

9.4. EVAPORAÇÃO

A evaporação ocorre quando o estado líquido da água é transformado de


líquido para gasoso. As moléculas de água estão em constante movimento, tanto no
estado líquido como gasoso. Algumas moléculas da água líquida conseguem
energia suficiente, através da radiação solar, para romper a barreira da superfície,
entrando na atmosfera, enquanto algumas moléculas de água na forma de vapor do
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ar retornam ao líquido, fazendo o caminho inverso. Quando a quantidade de


moléculas que deixam a superfície é maior do que a que retorna está ocorrendo a
evaporação.

9.4.1. Medição da Evaporação

A medição pode ser feita por quatro formas: tanques de evaporação,


atmômetros, método da transferência de massa e balanço hídrico.

• Tanques de Evaporação

São tanques que contém água exposta à evaporação. No Brasil, o mais


comum é o tanque Classe A.
Consiste num tanque circular de aço inoxidável ou galvanizado, chapa 22,
com 121 cm de diâmetro interno e 25,5 cm de profundidade. Deve ser instalado
sobre uma plataforma de madeira, de 15 cm de altura. Deve permanecer com água
variando entre 5,0 e 7,5 cm da borda superior. A evaporação é medida com uma
régua ou, de preferência, com o micrômetro de gancho assentado sobre o poço
tranqüilizador. A Evaporação classe A é a espessura da lâmina d’água do tanque
que foi evaporada em um determinado intervalo e tempo. A leitura do tanque é feita
uma única vez ao dia, geralmente pela manhã.
Ao instalar um tanque de evaporação, deve-se dar especial atenção à
finalidade a que se destina a informação evitando, esta maneira, ampliar os erros
cometidos correntemente. O fato do tanque ser instalado sobre o solo faz com que
as paredes do mesmo sofram influência da radiação e da transferência de calor
sensível, traduzindo-se num aumento da evaporação medida. Os tanques são mais
suscetíveis à ação do vento do que, por exemplo, uma comunidade vegetal. Alguns
estudos atribuem incrementos na temperatura de 2 a 5ºC e redução na umidade
relativa de 20 a 30%, ao nível do tanque, quando instalados sobre pisos
inadequados. Quando circundados por cultivos de elevada estatura, subestimam a

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evaporação. Os valores da evaporação medida em tanques superam os obtidos em


lagos e/ou reservatórios, devido às diferenças de volume, superfície, localização e
também pelo fato do lago e/ou reservatório depender da variação do transporte de
massa e balanço de energia, que influenciam os dias subseqüentes, enquanto que
no tanque, isto não ocorre. O fator que relaciona a evaporação de um reservatório e
do tanque classe A oscila entre 0,6 e 0,8, sendo 0,7 o valor mais utilizado.

• Evaporímetros

O evaporímetro de Piche (Figura 33) é constituído por um tubo cilíndrico


de vidro, de aproximadamente 30 cm de comprimento e um centímetro de diâmetro
interno, graduado em décimo de milímetro e fechado em uma das extremidades. Na
extremidade aberta do tubo, prende-se um disco de papel de feltro, de 3 cm de
diâmetro. Enche-se o tubo com água destilada e pendura-se na vertical o aparelho.
A evaporação se dá através do disco de papel, e a quantidade d’água evaporada é
determinada pela variação do nível d’água no tubo.

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Figura 33 – Altímetro de Piché. (fonte: UFRRJ)

• Método de Transferência de Massa

São métodos baseados na primeira lei de Dalton:


0‹ = .(O“ − O)
Onde: 0‹ é a evaporação;
O é a pressão de vapor do ar;
. é o coeficiente característico de localidade;
O“ é a pressão de vapor de saturação na temperatura da
superfície.
O efeito do vento é introduzido através do parâmetro ., de acordo com a
equação a seguir:
 ∙ ´(Í) ∙ (O“ − O)
.=
´(U)
Onde:  é oparâmetro relativo à densidade e a pressão do ar;
´ (Í) é a função da velocidade do vento;
´ (U) é o parâmetro de rugosidade.

• Balanço Hídrico

O Balanço hídrico possibilita a determinação da evaporação com base na


equação da continuidade do lago ou reservatório. A referida equação pode ser
escrita da seguinte forma
N5
=  − ¥ − 0‹ ∙ + ∙
Ni
Onde 5 é o volume de água contido no reservatório;
i é o tempo;
 é a vazão total de entrada no reservatório;
¥ é a vazão de saída do reservatório;
0‹ é a evaporação;
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é a precipitação;
é a área do reservatório.
Usando as unidades padrão de cada variável, e considerando que o
volume e a área podem ser relacionar por uma função do tipo 5 = J ∙ h (5 é em hm
e em km²), a equação acima resulta em:
<< ( − ¥) [ (i + 1) − (i)]
0‹ Î Ð = 2,592 ∙ + − 1000 ∙ J ∙ K ∙ hw ∙
<ê“ ∆i
Onde é a área da superfície do reservatório no mês (km²);
(mm/mês);
 e ¥ são as vazões médias do mês (m³/s).
O uso da equação do balanço hídrico para estimar a evaporação é
teoricamente correto, pois está alicerçado no princípio de conservação de massa. O
maior problema encontrado em campo é fazer a medição das variáveis.

9.5. TRANSPIRAÇÃO

É a transferência da água presente no solo para a atmosfera através do


processo de transpiração vegetal. A transpiração envolve a retirada da água do solo
pelas raízes das plantas, o transporte da água através da planta até as folhas e a
passagem da água para a atmosfera através dos estômatos da folha, como mostra a
figura 34.

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Figura 34 – Processo de evaporação e transpiração de uma planta. (Fonte: Tucci, 1998).

9.5.1. Medição da transpiração pelo fitômetro fechado

O fitômetro fechado que é um recipiente estanque contendo terra para


alimentar a cultura. A tampa do fitômetro evita a entrada da precipitação evita a
entrada de precipitação e a evaporação da água do solo. São adicionadas
quantidades conhecidas de água.

Transpiração=(peso inicial+peso de água adicionada)- peso final

Obs.: Esse método só serve para os casos de plantas de pequeno porte.

9.6. EVAPOTRANSPIRAÇÂO

Podemos determinar a evapotranspiração por métodos diretos: lisímetros;


ou por métodos indiretos: evaporímetros, método de Blaney-Criddle, Aerodinâmico,
balanço de energia, métodos combinados, método de Penman, correlação de
turbilhões, método de Thornthwaite e método de Hargreaves.

9.6.1. Lisímetros

É considerado o método mais correto para a determinação da


evapotranspiração. São tanques enterrados no solo (volume mínimo de 1 m³),
providos de um sistema de drenagem e instrumentos de operação (medidores,
válvulas, etc.), como mostra a figura 35.

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Figura 35 – Lisímetro de drenagem. (fonte: UFBA)

O solo recebe a precipitação e é drenado para o fundo do aparelho onde


a água é coletada e medida. O depósito é pesado diariamente, assim como a chuva
e os volumes escoados de forma superficial e que saem por orifícios no fundo do
lisímetro. A evapotranspiração é obtida por meio do balanço hídrico neste sistema
de controle:
01 = − ¥Â − ¥h − ∆5
Onde: 01 é a evapotranspiração;
é a precipitação;
¥Â é o escoamento superficial;
¥h é o escoamento subterrâneo;
∆5 é a variação de volume de água medido através do peso.

9.6.2. Evaporímetros

São equipamentos usados para medir a evaporação (E) da água. Temos


2 tipos básicos de evaporímetros: um que a superfície da água fica livremente
exposta (tanques de evaporação) e o outro em que a evaporação ocorre através de
uma superfície porosa (atmômetros). De um modo geral, os tanques evaporimétricos
são bastante precisos e mais sensíveis em períodos curtos, além de serem de fácil
manuseio.
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Para converter a evaporação em evapotranspiração, é necessária se


considerar as condições meteorológicas da região e o local em que o tanque está
instalado em relação ao meio circundante. Sendo assim, a evapotranspiração de
referência, pode ser calculada com a seguinte expressão:
01 = Ž ∙ 0
Onde : 01 é a evapotranspiração
Ž é o coeficiente do tanque
0 é a evaporação no tanque (mm.d-1)

9.6.3. Fitômetro

Em razão da dificuldade de se proceder em campo medidas de


transpiração, têm-se adotados métodos laboratoriais dentre os quais aqueles em
que se emprega o fitômetro fechado, o qual consiste num recipiente no interior do
qual é colocada a planta, bem como solo para sua alimentação. A água necessária
para manter vivo o sistema é adicionada em quantidades conhecidas. Nenhuma
outra troca é permitida senão àquela advinda da transpiração do vegetal, a qual é
determinada subtraindo o peso inicial do sistema (incluindo a água adicionada) e o
peso final.

9.6.4. Balanço Hídrico

Para estimar a evapotranspiração real por balanço hídrico de uma bacia é


necessário considerar valores médios de escoamento e precipitação de um período
relativamente longo, igualmente superior a um ano. A variação de armazenamento
na bacia pode ser desprezada, e a equação do balanço hídrico fica:
01\ = − ¥

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9.6.5. Método de Blaney-Criddle

Esse método utiliza a temperatura média mensal e um fator ligado ao


comprimento do dia. Os dados são obtidos em base pela fórmula:
i∙4∙
Ñ=
100
Onde: Ñ é o uso consultivo mensal (pol);
i é a temperatura média mensal em °F;
4 é a porcentagem de horas diurnas do mês, sobre o total de
horas diurnas do ano;
 é um coeficiente empírico mensal, que depende da cultura, do
mês e da região.
Adaptando a fórmula acima para o uso das unidades do sistema métrico
decimal e a escala Celsius, obtemos:
0 = (i − 0,5 ∙ 1) ∙ 4 ∙ 
Onde E é a evapotranspiração potencial mensal (mm);
T é a temperatura média mensal (°C)
P é a porcentagem de horas diurnas do mês, sobre o total de
horas diurnas do ano;
O valor de k foi considerado igual à unidade, como mostra a
tabela 30:

Tabela 30 – Coeficientes de evapotranspiração “k” para plantas cultivadas, segundo Blaney e


Criddle

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Período de
Coeficiente de evapotranspiração "k"
Culturas crescimento
(meses ) Litoral Zona árida
Algodão 7 0,60 0,65
Arroz 3-4 1,00 1,20
Batata 3 0,65 0,75
Cereais
3 0,75 0,85
menores
Feijão 3 0,60 0,70
Milho 4 0,75 0,85
Pastos - 0,75 0,85
Citrus - 0,50 0,65
Cenoura 3 0,60 -
Tomate 4 0,70 -
Hortaliças 0,60 -

9.6.6. Método Aerodinâmico

Esse método baseia-se na difusão do vapor. Em forma simplificada, a


evaporação é obtida como função média do vento e da diferença de pressão de
vapor entre os níveis em que ele processa.
01 = (J + K ∙ 5 ) ∙ (OÂ − O)
Onde 5 é a velocidade média do vento
(OÂ − O) é a diferença entre as pressões de saturação de vapor à
superfície e no ar.

9.6.7. Método de Penman

É um método que combina o balaço de energia radiante com princípios


aerodinâmicos. É bastante preciso, mas exige a determinação de grandes números
de dados meteorológicos, os quais, na maioria das estações, não são disponíveis.
Com o passar do tempo a equação de Penman, apesar de sua boa precisão, foi
sofrendo modificações até que, na década de 60, Monteith propôs uma modificação
a fim de considerar fatores de resistência do dossel da cultura. Dessa forma, a

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equação original passou a ser denominada Penman-Monteith e é considerada como


padrão pelo FAO.
∆ 1 u 900
01‹ = ∙ (*W − Ò) ∙ + ∙ ∙ Ñ ∙ (OՋ − OÕ )
∆+u ∗ Ó Δ + u 1 + 275 

Onde: 01‹ é a evapotranspiração da cultura de referência (mm.d-1)


∆ é a declividade da curva de pressão de saturação (kPa°C-1)
u ∗ é a constante psicrométrica modificada (kPa°C-1)
*W é o saldo de saturação na superfície da cultura (MJm2d-1)
Ò é o fluxo de calor no solo (MJm2d-1)
1 é a temperatura (°C)
Ñ é a velocidade do vento a 2 metros de altura (ms-1)
(OՋ − OÕ ) é o déficit de pressão de vapor (KPa°C-1)
Ó é o calor latente de evaporação (MJKg-1)

9.6.8. Método de Thornthwaite

O método correlaciona com a variável temperatura e possibilita a


estimativa da evapotranspiração potencial. Por tratar-se de um método baseado
apenas na temperatura, este método, tende a levar a resultados errôneos, pois a
temperatura não é um bom indicador da energia disponível para a
evapotranspiração.
A 01 pode ser estimada de acordo com a equação abaixo:
10 ∙ 1 ]
01 = ´ ∙ 16 ∙ !

Onde

i- ,˜P
 = ¨C G
5
A

Onde 01 é a evapotranspiração potencial para meses de 30 dias e


dias com 12 horas diárias de insolação (mm/mês);
1 é a temperatura média do ar (°C);

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´ é o fator de correlação em função da latitude e mês do ano


(tabela 33);
i- é a temperatura do mês analisado (°C).
O valor de a é dado de acordo com uma função cúbica do índice de calor
anual:
J = 67,5 ∙ 10w— ∙  wF − 7,71 ∙ 10w­ ∙ w + 0,01791 ∙  + 0,492
Os valores obtidos pela fórmula de Thornthwaite são válidos, como já foi
dito, para meses de 30 dias e dias de 12 horas de luz por dia. Como o número de
horas luz por dia muda de acordo com a latitude e também porque há meses com 28
e 31 dias, torna-se necessário proceder correlações. O fator de correlação, ´, é
obtido pela seguinte fórmula:
ℎ W
´= ∙
12 30
Onde: ℎ é o número de horas de luz na latitude considerada;
W é o número de dias do mês em estudo.

Tabela 31 – Fator de correlação Ö do método de Thornthwaite (UNESCO, 1982)

Latitude Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
10 N 0,98 0,91 1,03 1,03 1,08 1,06 1,08 1,07 1,02 1,02 0,98 0,99
5N 1,00 0,93 1,03 1,02 1,06 1,03 1,06 1,05 1,01 1,03 0,99 1,02
0N 1,02 0,94 1,04 1,01 1,01 1,01 1,04 1,04 1,01 1,04 1,01 1,04
5S 1,04 0,95 1,04 1,00 1,02 0,99 1,02 1,03 1,00 1,05 1,03 1,06
10 S 1,08 0,97 1,05 0,99 1,01 0,96 1,00 1,01 1,00 1,06 1,05 1,10
15 S 1,12 0,98 1,05 0,98 0,98 0,94 0,97 1,00 1,00 1,07 1,07 1,12
20 S 1,14 1,00 1,05 0,97 0,96 0,91 0,95 0,99 1,00 1,08 1,09 1,15
25 S 1,17 1,01 1,05 0,96 0,94 0,88 0,93 0,98 1,00 1,10 1,11 1,18
30 S 1,20 1,03 1,06 0,95 0,92 0,85 0,90 0,96 1,00 1,12 1,14 1,21
35 S 1,23 1,04 1,06 0,94 0,89 0,82 0,87 0,94 1,00 1,13 1,17 1,25
40 S 1,27 1,06 1,07 0,93 0,86 0,78 0,84 0,92 1,00 1,15 1,20 1,29

9.6.9. Método de Hargreaves

A equação proposta por Hargreaves e Christasen (1973) é de fácil uso e


requer dados de temperatura, umidade e latitude. Ela se aproxima muito da
evapotranspiração da grama, podendo ser usada com dados climáticos do Brasil.
A evapotranspiração é dada por:
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01 = $ ∙ 1$ ∙ .–
Onde : $ fator mensal dependente da latitude (mm/mês);
1$ temperatura média em °F;
.– fator de correlação da umidade relativa média mensal.
Mas:
1$ = 32 + 1,81
.– = 0,158 ∙ (100 − Ñ)‹,˜ , com valor máximo de 1,0.
Resumindo:
01 = $ ∙ 0,158 ∙ (100 − Ñ)‹,˜ ∙ (32 + 1,81)
Onde $ é obtido pela tabela 34;
Ñ é a umidade relativa média mensal (%);
(Ñ:‹‹ + Ñ—:‹‹ + 2 ∙ ÑP:‹‹)
Ñ=
4
1 é a temperatura média mensal (°C);
(1:‹‹ + 2 ∙ 1P:‹‹ + 1E]S + 1E@ )
1=
4

Tabela 32 – Fator de evaporação potencial (F), para a ETP em mm/mês (HARGREAVES,1974)

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LAT MÊS
SUL JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
0 2.255 2.008 2.350 2.211 2.165 2.023 2.123 2.237 2.200 2.343 2.205 2.229
-1 2.288 2.117 2.354 2.197 2.137 1.990 2.091 2.216 2.256 2.358 2.234 2.265
-2 2.371 2.136 2.357 2.182 2.108 1.936 2.059 2.194 2.251 2.372 2.263 2.301
-3 2.353 2.154 2.360 2.167 2.079 1.902 2.076 2.172 2.246 2.386 2.290 2.337
-4 2.385 2.172 2.362 2.151 2.050 1.908 1.993 2.150 2.240 2.398 2.318 2.372
-5 2.416 2.189 2.363 2.134 2.020 1.854 1.960 2.126 2.234 2.411 2.345 2.407
-6 2.447 2.205 2.363 2.117 1.989 1.800 1.926 2.103 2.226 2.422 2.371 2.442
-7 2.479 2.221 2.363 2.099 1.959 1.785 1.893 2.078 2.218 2.433 2.397 2.476
-8 2.509 2.237 2.362 2.081 1.927 1.700 1.858 2.054 2.210 2.443 2.423 2.520
-9 2.538 2.251 2.360 2.062 1.896 1.715 1.824 2.028 2.201 2.453 2.448 2.544
-10 2.567 2.266 2.357 2.043 1.864 1.673 1.789 2.003 2.191 2.462 2.473 2.577
-11 2.596 2.279 2.354 2.023 1.832 1.644 1.754 1.976 2.180 2.470 2.407 2.010
-12 2.575 2.292 2.350 2.002 1.799 1.608 1.719 1.950 2.169 2.477 2.520 2.043
-13 2.657 2.305 2.345 1.987 1.767 1.572 1.684 1.922 2.157 2.484 2.543 2.075
-14 2.680 2.317 2.340 1.959 1.733 1.536 1.648 1.895 2.144 2.490 2.566 obs
-15 2.707 2.328 2.334 1.937 1.700 1.500 1.612 1.867 2.131 2.496 2.588 obs
-16 2.714 2.339 2.327 1.914 1.666 1.404 1.576 1.838 2.117 2.500 2.610 2.769
-17 2.760 2.349 2.319 1.891 1.632 1.427 1.540 1.809 2.103 2.504 2.631 2.799
-18 2.785 2.359 2.311 1.867 1.598 1.391 1.504 1.780 2.089 2.508 2.651 2.930
-19 2.811 2.368 2.302 1.843 1.564 1.354 1.467 1.750 2.072 2.510 2.671 2.859
-20 2.835 2.377 2.293 1.818 1.529 1.319 1.471 1.719 2.056 2.512 2.691 2.899
-21 2.860 2.395 2.282 1.792 1.494 1.281 1.394 1.689 2.039 2.514 2.710 2.918
-22 2.883 2.392 2.272 1.767 1.459 1.244 1.357 1.658 2.021 2.514 2.728 2.947
-23 2.907 2.399 2.260 1.740 1.423 1.208 1.320 1.626 2.003 2.514 2.747 2.975
-24 2.930 2.405 2.248 1.713 1.388 1.171 1.283 1.595 1.984 2.513 2.754 3.003
-25 2.952 2.411 2.234 1.686 1.352 1.104 1.246 1.583 1.965 2.512 2.781 3.031
-26 2.975 2.416 2.221 1.659 1.316 1.097 1.209 1.530 1.946 2.510 2.798 3.058
-27 2.996 2.420 2.206 1.630 1.280 1.001 1.172 1.497 1.924 2.507 2.814 3.085
-28 3.018 2.424 2.191 1.502 1.244 1.024 1.134 1.464 1.903 2.503 2.830 3.112
-29 3.039 2.427 2.178 1.573 1.208 0.988 1.097 1.431 1.881 2.499 2.845 3.139
-30 3.059 2.430 2.159 1.544 1.172 0.952 1.060 1.397 1.859 2.494 2.859 3.185
-31 3.079 2.432 2.142 1.514 1.135 0.916 1.023 1.364 1.836 2.493 2.874 3.191
-32 3.099 2.434 2.125 1.484 1.099 0.830 0.996 1.329 1.812 2.493 2.883 3.217
-33 3.119 2.435 2.106 1.453 1.067 0.844 0.949 1.295 1.788 2.476 2.901 3.242
-34 3.138 2.436 2.087 1.422 1.026 0.808 0.912 1.261 1.764 2.469 2.914 3.268
-35 3.157 2.436 2.068 1.391 0.999 0.773 0.876 1.226 1.739 2.460 2.927 3.293
-36 3.149 2.415 2.030 1.348 0.945 0.731 0.832 1.180 1.698 2.430 2.914 3.289
-37 3.120 2.378 1.980 1.297 0.895 0.606 0.784 1.129 1.647 2.385 2.982 3.265

9.7. QUESTÕES

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10. INTRODUÇÃO À ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

10.1. INTRODUÇÃO

A água subterrânea ocorre no interior dos vazios dos solos e rochas.


Estes vazios incluem poros, vesículas, fraturas e cavernas e podem ter diversos
formatos e dimensões – alguns são invisíveis a olho nu, como no caso dos poros de
rochas cristalinas, enquanto outros chegam a ter dimensões da ordem de vários
metros, como cavernas em rochas carbonáticas. As águas subterrâneas cumprem
uma fase do ciclo hidrológico, uma vez que constituem uma parcela da água
precipitada.
Após a precipitação, parte das águas que atinge o solo se infiltra e
percola no interior do subsolo, durante períodos de tempo extremamente variáveis,
decorrentes de muitos fatores, como:

• Porosidade do subsolo

A presença de argila no solo diminui sua permeabilidade, não permitindo


uma grande infiltração;

• Cobertura vegetal

Um solo coberto por vegetação é mais permeável do que um solo


desmatado;

• Inclinação do terreno

Em declividades acentuadas a água corre mais rapidamente, diminuindo


a possibilidade de infiltração;

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• Tipo de chuva:

Chuvas intensas saturam rapidamente o solo, ao passo que chuvas finas


e demoradas têm mais tempo para se infiltrarem.
Durante a precipitação, uma parcela de água sob a ação da força de
adesão ou de capilaridade fica retida nas regiões mais próximas da superfície do
solo, constituindo a zona não saturada. Outra parcela, sob a ação da gravidade,
atinge as zonas mais profundas do subsolo, constituindo a zona saturada (figura 36).

Figura 36 – Caracterização esquemática das zonas não saturadas e saturadas no subsolo. (fonte:
BOSCARDIN BORGUETTI, 2004)

10.2. DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA NO SOLO

10.2.1. Zona não saturada

Também chamada de zona de aeração ou vadosa, é a parte do solo que


está parcialmente preenchida por água. Nesta zona, pequenas quantidades de água
distribuem-se uniformemente, sendo que as suas moléculas se aderem às
superfícies dos grãos do solo. Nesta zona ocorre o fenômeno da transpiração pelas
raízes das plantas, de filtração e de autodepuração da água.

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10.2.2. Zona de umidade do solo

É a parte mais superficial, onde a perda de água de adesão para a


atmosfera é intensa. Em alguns casos é muito grande a quantidade de sais que se
precipitam na superfície do solo após a evaporação dessa água, dando origem a
solos salinizados ou a crostas ferruginosas (lateríticas). Esta zona serve de suporte
fundamental da biomassa vegetal natural ou cultivada da Terra e da interface
atmosfera / litosfera.

10.2.3. Zona intermediária

Região compreendida entre a zona de umidade do solo e da franja


capilar, com umidade menor do que nesta última e maior do que a da zona
superficial do solo. Em áreas onde o nível freático está próximo da superfície, a zona
intermediária pode não existir, pois a franja capilar atinge a superfície do solo. São
brejos e alagadiços, onde há uma intensa evaporação da água subterrânea.

10.2.4. Franja de capilaridade

É a região mais próxima ao nível d'água do lençol freático, onde a


umidade é maior devido à presença da zona saturada logo abaixo.

10.2.5. Zona saturada

É a região abaixo da zona não saturada onde os poros ou fraturas da


rocha estão totalmente preenchidos por água. As águas atingem esta zona por
gravidade, através dos poros ou fraturas até alcançar uma profundidade limite, onde
as rochas estão tão saturadas que a água não pode penetrar mais. Para que haja
infiltração até a zona saturada, é necessário primeiro satisfazer as necessidades da
força de adesão na zona não saturada. Nesta zona, a água corresponde ao
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excedente de água da zona não saturada que se move em velocidades muito lentas
(em/dia), formando o manancial subterrâneo propriamente dito. Uma parcela dessa
água irá desaguar na superfície dos terrenos, formando as fontes, olhos de água. A
outra parcela desse fluxo subterrâneo forma o caudal basal que deságua nos rios.

10.2.6. Nível freático

A superfície que separa a zona saturada da zona de aeração é chamada


de nível freático, ou seja, este nível corresponde ao topo da zona saturada (IGM,
2001). Dependendo das características climatológicas da região ou do volume de
precipitação e escoamento da água, esse nível pode permanecer permanentemente
a grandes profundidades, ou se aproximar da superfície horizontal do terreno,
originando as zonas encharcadas ou pantanosas, ou convertendo-se em mananciais
(nascentes) quando se aproxima da superfície através de um corte no terreno.

10.3. ÍNDICES FÍSICOS

Os solos e rochas são constituídos basicamente por três fases: solida,


onde há presença de grãos minerais; líquida, ou seja presença de água entre os
vazios; e gasosa, ou seja presença de ar entre os vazios. A figura 37 exemplifica a
explicação.

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Figura 37 – Fases do solo. (a) três fases presente no solo natural e (b) fases separadas. (fonte:
BOSCARDIN BORGUETTI, 2004)

Os índices físicos são: Porosidade (W), índices de vazios (O), grau de


saturação (), teor de umidade em peso (Ø), teor de umidade volumétrico (Ì), peso
específico total (u ) e massa específica total (Ù ), peso específico seco (u ) e massa
específica seca (Ù ), peso específico de sólidos (u ) e massa específica dos sólidos
(ÙÂ ), peso específico da água (u] ) e massa específica da água (Ù] ), densidade de
grãos (Ò).

10.3.1. Porosidade (W)


W=
5
Onde 5Ú é o volume de vazios
5 é o volume total
A porosidade mostra a quantidade de vazios que uma amostra de solo ou
rocha possui.
Nos solos controla-se pela quantidade granulométrica, a forma e o arranjo
dos grãos. Em solos uniformes a porosidade é maior, enquanto que em solos com
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maior variação de dimensões de partículas há menor porosidade uma vez que os


grãos menores tendem a preencher os espaços entre os maiores, resultando em um
menor volume de vazios. Solos com arranjos geométricos mais densos têm menor
porosidade que solos com arranjos mais soltos. A tabela X mostra valores típicos de
porosidade para vários tipos de solos e rochas.
Os poros podem estar ou não interconectados, o que influi diretamente na
ocorrência e no movimento da água subterrânea. Com isso podemos definir:
• Porosidade efetiva:
Razão entre o volume de vazios interconectados e o volume total, o que é
o equivalente a considerar os poros interconectados ou não como parte da fase
sólida.
• Porosidade total:
Razão entre o volume de vazios interconectados ou não e o volume total
do solo ou rocha.

10.3.2. Índices de vazios (O)


O=

Onde 5Ú é o volume de vazios
5Â é o volume de sólidos
O índice de vazios é outra medida da proporção de vazios no solo e se
relaciona com a porosidade pelas seguintes expressões:
@ 
O= eW=
w@Û f

10.3.3. Grau de saturação ()

5]
=

Onde 5] é o volume de ar

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5Ú é o volume de vazios
O grau de saturação é uma medida da porção dos vazios que está
preenchida com água. Pode ser representada em valores decimais ou por
porcentagem. O valor de S=1 ou S=100% corresponde a condição em que os vazios
estão totalmente preenchidos por água (material saturado). Com S = 0, o material
está seco. Se S estiver entre 0 e 1, o material é dito não saturado ou, menos
corretamente, parcialmente saturado.

10.3.4. Teor de umidade em peso (Ø)

]
Ø=
Â
Onde ] é o peso da água
 é o peso de sólidos
O teor de umidade é uma medida da quantidade de água contida no solo
ou rocha e expressa em termos de peso.

10.3.5. Teor de umidade volumétrico (Ì)

5]
Ì=

Onde 5] é o volume de ar
5Â é o volume de sólidos

10.3.6. Peso específico total (u ) e massa específica total (Ù )


u =
5
<
Ù =
5
Onde  é o peso total
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5 é o volume total
< é a massa total
O peso específico e a massa específica podem ser chamados também de
peso unitário e massa unitária. O peso específico é relacionado com a massa
específica pela expressão:
γ= Ù∙Ê
Sendo que Ê é a aceleração da gravidade.

10.3.7. Peso específico seco (u ) e massa específica seca (Ù )

Â
u =
5

ÙÂ =
5
Onde  é o peso de sólidos
5 é o volume total
<Â é a massa total

10.3.8. Peso específico de sólidos (u ) e massa específica dos sólidos (ÙÂ)

Â
u =


ÙÂ =

Onde  é o peso de sólidos
5Â é o volume de sólidos
<Â é a massa total

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10.3.9. Peso específico da água (u] ) e massa específica da água (Ù] )

]
u] =
5]
<]
Ù] =
5]
Onde ] é o peso de água
5] é o volume de água
<] é a massa de água
Os valores de massa específica da água são tabelados em função da
temperatura. Ù] = 1Ê/M<³ a 4°C.

10.3.10. Densidade de grãos (Ò)

u] ÙÂ
Ò= =
Ó] Ù]
Sendo que u] e Ù] são valores para a temperatura de 4°C.

10.4. CLASSIFICAÇÃO DAS UNIDADES GEOLÓGICAS

Podemos classificar as formações geológicas de acordo com a sua


capacidade de armazenar e transmitir a água. São elas os aqüíferos, aquitargo,
arquicludo e, aquifugo.

10.4.1. Aqüífero

Unidade saturada, permeável, com capacidade de transmitir quantidades


de água economicamente viáveis para exploração por poço ou em fontes na
superfície.

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10.4.2. Aquitargo

Unidade que pode armazenar água e transmitir lentamente de um para


outro aqüífero, mas não é capaz de transmitir quantidades economicamente viáveis
para fontes e poços de exploração.

10.4.3. Aquicludo

Unidade que pode armazenar, mas é incapaz de transmitir água; forma


limites superior e/ou inferior de um sistema de fluxo de água subterrânea.

10.4.4. Aquifugo

Unidade impermeável, incapaz de armazenar ou de transmitir água.

10.5. MOVIMENTO DA ÁGUA SUBTERRÂNEA

A água subterrânea contida nos vazios dos solos e rochas se movimenta


através dos poros e fraturas interconectados. Dependendo da granulometria dos
grãos, alguns solos são mais fáceis de ver esses vazios. Um exemplo disso são os
solos grosseiros como cascalho e areia, pois os grãos são muitos pequenos. Em
rochas percebemos mais fáceis esses vazios.

10.5.1. Fluxo de meio poroso

O fluxo em um meio poroso começou a ser estudado por Darcy em 1850.


Darcy realizou um experimento com uma amostra de solo utilizando um sistema
esquemático como mostra a figura 39. Variou-se o comprimento  e a área
transversal ( ) da amostra e as alturas das colunas de água ℎ e ℎ e medindo a

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vazão ¥, verificou-se que a vazão era diretamente proporcional à diferença de


altura da coluna de água ligadas ao topo e à base da amostra (ℎ − ℎ ) e área é
inversamente proporcional ao comprimento.

Figura 39 – Experimento de Darcy (fonte: BOSCARDIN BORGUETTI, 2004.

Onde: ¥ vazão de água através da amostra (cm³/s);


ℎ é a altura da coluna de água ligada ao topo ou à base da
amostra (cm);
ℎ é a altura da coluna de água ligada à base ou o topo da
amostra (cm);
 é o comprimento da amostra (cm);
é a área da seção transversal da amostra (cm²).
A razão entre a diferença da altura da coluna de água pelo comprimento
Ý{w݈
( = -) é chamada de gradiente hidráulico, uma grandeza adimensional. A


constante de proporcionalidade Ë é chamada de coeficiente de permeabilidade ou


condutividade hidráulica, e tem unidade de velocidade.
¥ = Ë∙-∙
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A equação acima é conhecida como a Lei de Darcy. Esta lei é sujeita a


numerosos exames e algumas experimentações, estes testes têm mostrado que a
Lei de Darcy é válida para a maioria dos tipos de fluxo de fluido através do solo.
Para fluxos líquidos a velocidades altas e para fluxos de gás a velocidades baixas ou
muito altas, esta lei começa a se tornar inválida.
A lei de Darcy pode ser escrita, também, em termos da velocidade da
água, considerando que a velocidade é igual a razão entre o fluxo com a área
transversal:
¥=∙-∙
Þ
Mas ” = , logo


”=Ë∙-
Onde ” é a velocidade do fluxo (cm/s).
Como a velocidade está sendo calculada dividindo-se a vazão pela área
total, esta velocidade da água entre dois pontos situados acima ou abaixo da
amostra, por exemplo, entre os pontos 1 e 2, como mostra a figura 39.
Esta velocidade é numericamente igual a ki. No entanto, k pode ser
interpretado como uma velocidade superficial ou velocidade de aproximação para
um gradiente unitário (i=1):
”=Ë∙-
”
Ë=
-
Mas - = 1:
=”
Da posição 3 para a 4 da figura 39, o escoamento da água através do
meio poros, é mais rápido do que da posição 1 para 2, isso porque a área média do
canal disponível para o fluxo é menor que a área total (que é igual a área dos vazios
de uma seção) e a trajetória das partículas não é retilínea, mas tortuosa, como já foi
dito anteriormente. A área reduzida do canal de escoamento é mostrada na figura
40.

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Figura 40 – Canal de fluxo (fonte: BOSCARDIN BORGUETTI, 2004).

Usando o princípio da continuidade, ou seja, a vazão que entra é igual a


vazão que passa por qualquer seção ao longo da amostra. Pode-se relacionar a
velocidade superficial (”) com a velocidade efetiva média de um fluxo através do
solo (” ) da seguinte maneira:
”=Ë∙-
Mas ¥ = ” . Utilizando o princípio da continuidade:
” ∙ = ” ∙ Ú
Onde Ú é a área média de vazios da seção transversal da amostra (cm²)

” = ” ∙
Ú
Multiplicando as duas parcelas pelo comprimento  da amostra temos:

” = ” ∙
Ú 
Mas 5 = , onde 5 é o volume de vazios da amostra em cm:
5
” = ” ∙

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ßÛ 
Temos que = , onde W é a porosidade, 5 é o volume total da amostra
ßà @

(cm³), 5Ú é o volume de vazios da amostra (cm³):


1
” = ” ∙
W
”
” =
W
Mas ” = Ë-, assim:
Ë∙-
” =
W
Como a porosidade é sempre menor que 1, temos que a velocidade de
percolação é maior que a velocidade superficial.

10.5.2. Cargas

De acordo com a lei de Darcy, temos:


¥ = Ë∙-∙
Þ
Mas à = , onde à é o fluxo de Darcy.

à =Ë∙-
Onde - é a perda de carga por unidade de comprimento, ou seja,
gradiente hidráulico (como visto na seção anterior).
Consideramos que a altura h é a altura de carga total e considerando a
direção z:
áℎ
-=−
áâ
Logo a Lei de Darcy pode ser expressa como:
áℎ
à = −Ë ∙
áâ
Esta Lei se aplica a uma seção transversal de meio poroso sempre
quando esta seção seja grande, comparada com a seção deixada pelos poros e
grãos individuais no meio. As forças atuantes que intervém no fluxo saturado não
confinado são de fricção e da gravidade. Em um fluxo não saturado intervêm essas

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duas forças, mais a força de sucção. A força de sucção é a força que une a água
com as partículas do solo através da tensão superficial.
O efeito da força de sucção pode ser avaliado colocando uma coluna de
solo seco em forma vertical sobre uma lâmina de água. A água se elevará dentro da
coluna de solo até que a força da gravidade se iguale a força de sucção. A parte da
altura de carga devido a força de sucção se chama de altura de sucção (ℎÂ ) e pode
ser desde uns poucos milímetros (areias grossas) até vários metros (argilas).
Tanto a força de sucção quanto a condutividade hidráulica variam com o
conteúdo de umidade do solo. Em um meio poroso não saturado, a altura de carga
total, ℎ, pode ser considerada igual à força de sucção mais a altura de gravidade, â.
ℎ = ℎÂ + â
Substituindo na equação de Darcy:
áℎ á(ℎÂ + â)
à = − ∙ = − ∙
áâ áâ
áℎ áÌ
à = − ∙ ∙ +
áÌ áâ
ãÝä
Mas  =  ∙ , onde  é a difusividade da água. Aplicando na equação
ãå

acima, temos:
áÌ
Ã=− ∙ + !
áâ

11. CURVA DE PERMANÊNCIA

11.1. DEFINIÇÃO

A curva de permanência é utilizada na maioria dos problemas de recursos


hídricos. Expressa a relação entre a vazão e a freqüência com que esta vazão é

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superada ou igualada. É definida, geralmente, com base em vazões diárias ou


mensais para o período da série histórica.

11.2. ELABORAÇÃO

Para a elaboração de uma curva de permanência deve-se seguir os


seguintes passos:
a) Para a série de vazões Q(t) determine o maior e o menor valor da
série;
b) Determine intervalos de classe na escala logarítma entre o maior e
menor valor;
c) Conte quantas vazões se distribuem em cada intervalo;
d) Obtém-se a distribuição de freqüência;
e) Acumulando os valores do intervalo maior para o menor;
f) Plotando com o valor do limite inferior do intervalo é obtida a curva de
permanência.
Para melhor entendimento, o gráfico 42 apresenta o hidrograma de
vazões diárias do rio Taquari, em Muçum (RS), e a curva de permanência que
corresponde aos mesmos dados apresentados no hidrograma. Observa-se que a
vazão de 1000 m³.s -1 é igualada ou superada em menos de 10% do tempo. Apesar
de apresentar picos de cheias com 7000 m³.s-1 ou mais, na maior parte do tempo as
vazões do rio Taquari neste local são bastante inferiores a 500 m³.s -1.
Para destacar mais a faixa de vazões mais baixas a curva de
permanência é apresentada com eixo vertical logarítmico, como mostra o gráfico 43.

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Gráfico 42 – Hidrograma e curva de permanência.

Gráfico 43 – Curva de permanência.

11.3. ANÁLISE

A curva de permanência auxilia na análise dos dados de vazão com


relação a perguntas como: “O rio tem uma vazão aproximadamente constante ou
extremamente variável entre os extremos máximo e mínimo?”. Ou ainda: “Qual é a
porcentagem do tempo em que o rio apresenta vazões em determinada faixa?”. Ou:
“Qual é a porcentagem do tempo em que um rio tem vazão suficiente para atender
determinada demanda?”.

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Para melhor entendimento, temos como exemplo o gráfico 44.

Gráfico 44 – Análise da curva de permanência.

A vazão de 75% da curva de permanência significa que 75% do tempo as


vazões são maiores ou iguais Q75.
O período das grandes estiagens geralmente ocorre para probabilidade
superiores a 95%, como mostra a figura.

Alguns pontos da curva de permanência recebem atenção especial:


 A vazão que é superada em 50% do tempo (mediana das vazões)
é a chamada Q50.
 A vazão que é superada em 90% do tempo é chamada de Q90 e é
utilizada como referência para legislação na área de Meio
Ambiente e de Recursos Hídricos em muitos Estados do Brasil.
 A vazão que é superada em 95% do tempo é chamada de Q95 e é
utilizada para definir a Energia Assegurada de uma usina
hidrelétrica.

11.4. CARACTERIZAÇÃO DAS BACIAS

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Gráfico 45 – Caracterização das bacias.

Como podemos ver pelo gráfico 45, percebemos que para bacias grandes
com maior regularização natural, temos uma curva mais suave. Para bacias
pequenas com pequenas regularização natural a inclinação da curva é mais
acentuada.
O gráfico 46 apresenta as curvas de permanência de vazão afluente
(entrada) e efluente (saída) do reservatório de Três Marias, no rio São Francisco
(MG). Este reservatório tem um grande volume e uma grande capacidade de
regularização, permitindo reter grande parte das vazões altas que ocorrem durante o
período do verão, aumentando a disponibilidade de água no período de estiagem.
Como resultado observa-se que a vazão Q90 é alterada de 148 m³.s-1 para 379
m³.s-1 pelo efeito de regularização do reservatório, enquanto a vazão Q95 é alterada
de 120 m³.s-1 para 335 m³.s -1.

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Gráfico 46 – Curva de permanência de vazão afluente e efluente.

Percebemos que o efeito da regularização da vazão sobre a curva de


permanência é torná-la mais horizontal, com valores mais próximos da mediana
durante a maior parte do tempo.

11.5. QUESTÕES

1. O que é curva de permanência?


2. Qual é a porcentagem do tempo em que é superada ou igualada a
vazão Q90?
3. É correto afirmar que a vazão Q90 é sempre inferior a Q95 em
qualquer ponto de qualquer rio? E o inverso?
4. É correto dizer que a vazão Q95 é igual à soma das vazões Q40 e
Q55? Explique.

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5. Qual é o efeito de um reservatório sobre a curva de permanência de


vazões de um rio?
6. Os dados de vazão do rio Descoberto em Santo Antônio do Descoberto
(GO) foram organizados na forma de uma curva de permanência, como mostra a
figura abaixo. Um empreendedor solicita outorga de 2,5 m³.s -1 num ponto próximo no
mesmo rio. Considerando que a legislação permite outorgar apenas 20% da Q90 a
cada solicitante, responda: é possível atender a solicitação?

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12. REGULARIZAÇÃO DE VAZÕES

12.1. INTRODUÇÃO

Sempre que um projeto de aproveitamento hídrico de um rio prevê uma


vazão de retirada maior que a mínima, existirá, em conseqüência, períodos em que
a vazão natural é maior que a necessária e períodos em que é menor. Como mostra
o gráfico 47.

Gráfico 47 – Hidrógrafa.

Para que não haja esse tipo de problema, escassez de água, é


necessário a construção de um reservatório para que possa reter o excesso de água
dos períodos de grandes vazões para ser utilizado nas épocas de seca.
A principal função de um reservatório é fornecer uma vazão constante, ou
não muito variável, tendo recebido do rio vazões muito variáveis no tempo.
Resumindo, sua função é a de regularização da vazão do curso d'água.

12.2. DEFINIÇÕES

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A figura 41 representa um esquema de um reservatório, para melhor


entendimento

Figura 41 – Esquema de um reservatório. (fonte: UFRGS)

12.2.1. Descarregadores de fundo

Descarregadores de fundo podem ser utilizados como estruturas de saída


de água de reservatórios, especialmente para atender usos da água existentes a
jusante.

12.2.2. Cota – Área - Volume

A relação entre nível da água, área da superfície inundada e volume


armazenado de um reservatório é importante para o seu dimensionamento e para a
sua operação. O volume armazenado em diferentes níveis define a capacidade de
regularização do reservatório, enquanto a área da superfície está relacionada
diretamente à perda de água por evaporação.

12.2.3. Volume morto e Nível Mínimo Operacional

O Volume Morto é a parcela de volume do reservatório que não está


disponível para uso. Corresponde ao volume de água no reservatório quando o nível
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é igual ao mínimo operacional. Abaixo deste nível as tomadas de água para as


turbinas de uma usina hidrelétrica não funcionam, seja porque começam a engolir ar
além de água, o que provoca cavitação nas turbinas (diminuindo sua vida útil), ou
porque o controle de vazão e pressão sobre a turbina começa a ficar muito instável.

12.2.4. Volume Máximo e Nível Máximo Operacional

O nível máximo operacional corresponde à cota máxima permitida para


operações normais no reservatório. Níveis superiores ao nível máximo operacional
podem ocorrer em situações extraordinárias, mas comprometem a segurança da
barragem.
O nível máximo operacional define o volume máximo do reservatório.

12.2.5. Volume útil

A diferença entre o volume máximo de um reservatório e o volume morto


é o volume útil, ou seja, a parcela do volume que pode ser efetivamente utilizada
para regularização de vazão.

12.2.6. Nível Máximo Maximorum

Durante eventos de cheia excepcionais admite-se que o nível da água no


reservatório supere o nível máximo operacional por um curto período de tempo. A
barragem e suas estruturas de saída (vertedor) são dimensionados para uma cheia
com tempo de retorno alto, normalmente 10 mil anos no caso de barragens médias e
grandes, e na hipótese de ocorrer uma cheia igual à utilizada no dimensionamento
das estruturas de saída o nível máximo atingido é o nível máximo maximorum.

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12.2.7. Nível Meta

Na operação normal de um reservatório costumam ser utilizadas


referências de nível de água que devem ser seguidas para atingir certos objetivos de
geração energia e de segurança da barragem. O nível meta é tal que se o nível da
água é superior ao nível meta, deve ser aumentada o vertimento de vazão, para
reduzir o nível da água no reservatório, que deverá retornar ao nível meta.

12.2.8. Curva Guia

A curva guia é semelhante ao nível meta, porém indica um nível da água


no reservatório variável ao longo do ano, que serve de base para a tomada de
decisão na operação. Uma curva guia pode indicar, por exemplo, o limite entre o uso
normal da água, quando o nível da água está acima do nível indicado pela curva
guia, e o racionamento, quando o nível da água está abaixo da curva guia.

12.2.9. Volume de Espera

O volume de espera, ou volume para controle de cheias, corresponde à


parcela do volume útil destinada ao amortecimento das cheias. O volume de espera
é variável ao longo do ano e é definido pelo volume do reservatório entre o nível da
água máximo operacional e o nível meta.
Se um reservatório tem o uso exclusivo para controle de cheias, então o
volume de espera é maximizado, podendo ser igual ao volume total, ou igual ao
volume útil. Se um reservatório tem múltiplos usos, há um conflito entre a utilização
para controle de cheias e os outros usos.

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12.2.10. Cota da crista do barramento

A cota da crista do barramento é definida a partir do nível da água


máximo maximorum somado a uma sobrelevação denominada borda livre (free
board) cujo objetivo é impedir que ondas formadas pelo vento ultrapassem a crista
da barragem.

12.3. CAPACIDADE DE UM RESERVATÓRIO

A capacidade de armazenamento de um reservatório representa o volume


total acumulado no reservatório quando o nível da água encontra-se na cota da
soleira do sangradouro.
Calcula-se a capacidade de um reservatório construído em terrenos
naturais a partir do levantamento topográfico. Deve-se traçar a curva "cota x área"
planimetrando-se as áreas delimitadas pelas curvas de nível. A integração dessa
curva dá a curva cota x volume do reservatório.

12.4. LEI DE REGULARIZAÇÃO (OU NÍVEL DE REGULARIZAÇÃO)

¥\ (i)
H (i ) =
¥
Onde: ¥\ (i) é a vazão regularizada em função do tempo;
¥ é a vazão média ponderada no período considerado.

12.5. DIMENCIONAMENTO DE RESERVATÓRIOS

Existem 3 métodos para se calcular o dimensionamento de reservatórios:


1. Empírico
Relaciona os períodos críticos da série histórica através, por exemplo, do
diagrama de Rippl.
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2. Analítico
São aqueles que seguem a Teoria dos “Range”, Teoria das Filas, ou
Teoria das Matrizes de Transação (Teoria de Moran).
3. Experimental
Método Monte Carlo, que consiste na geração de séries sintéticas de
deflúvio e posterior operação simulada do reservatório.

12.5.1. Dimensionamento de um reservatório pelo método empírico “Diagrama


de Rippl”

Período Crítico é o período no qual o reservatório vai dá condição "cheio"


para a condição "vazio". O início do período crítico se dá com o reservatório cheio; o
fim do período critico é quando o reservatório esvazia pela primeira vez dentro do
período. Assim, uma única falha pode ocorrer durante o período critico.
O diagrama de Rippl parece ter sido o primeiro método racional para a
estimativa da quantidade de armazenamento necessária para suprir uma dada
retirada.

Gráfico 48– Diagrama de Rippl.

Segue um algoritimo para a utilização desse diagrama:


a) Para o reservatório em questão, traçar o diagrama de massas das
vazões históricas;

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b) Sobrepor ao diagrama a linha correspondente a vazão retirada;


c) Traçar linhas paralelas à retirada tangentes aos maiores picos (no
gráfico 48, os pontos A e B)
d) Medir os maiores afastamentos entre as tangentes e a curva de massa
(na figura acima, pontos C1 e C2);
e) Na figura acima o maior afastamento é C2, logo esta será a
capacidade do reservatório, e o periodo crítico considerado será o EF.

12.5.2. Dimensionamento de um reservatório através de Método Analítico


Baseado na Teoria De Moran

 Descrição do Método
O modelo em questão busca solução para a equação:
æ = ´(Ë, .Ú , ç, , 0Ú , s, <)
Onde: æ é a probabilidade do reservatório esvaziar em um dada ano;
Ë é a capacidade do reservatório;
.Ú é o coeficiente de variação dos deflúvios anuais;
ç é o valor médio dos deflúvios anuais;
 é a probabilidade de um ano ser totalmente seco;
0Ú é a lâmina evaporada do reservatório durante a estação
seca;
s é o fator de forma da bacia hidráulica obtido supondo que a
relação cota volume é do tipo (5 = s ∙ ℎF );
< é a retirada anual do reservatório para fins utilitários.
Devido ao grande número de variáveis envolvidas, o autor reuniu os
parâmetros nos adimensionais:
è
´è = é
é o fator adimensional de capacidade
`
´` = é
é o fator adimensional de retirada
F∙o∙æà ⁄F
´æ = é o fator adimensional de evaporação
é∙⁄F

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Usando os fatores adimensionais na equação æ = ´(Ë, .Ú , ç, ê, 0Ú , s, <),


podemos simplificá-la para:
æ = ´(´æ , .Ú , , ´è , ´` )
Através de programa computacional o autor resolveu a equação (2) para
os casos mais usuais e colocou os resultados em forma gráfica.
O procedimento engloba 64 gráficos. Cada gráfico apresenta o valor de
PE nos eixo das ordenadas e o de fM no das abcissas: cada gráfico contém 6 curvas
correspondentes a diferentes fk.
Campo de definição dos parâmetros de entrada:
.Ú = 0,6; 0,7; 0,8; … ; 1,4
æ = 0,0 − 20,0%
´è = 1,0; 1,5; 2,0; 2,5; 3,0; 3,5
´` = 0,1 − 0,60
´æ = 0,05; 0,10; 0,15; … ; 0,40
 = 0 − 0,10%

Exemplo: Dimensionamento do Açude Várzea Alegre.

 Obtenção dos dados (Fonte: AGUASOLOS)

a) Deflúvio médio anual ç ()

A lâmina média de escoamento do Riacho do Machado foi calculado por


correlação com a bacia do rio Cariús, na estação Sítio da Conceição seguindo
metodologia do GEVJ, através da aplicação de dois coeficientes de correção,
relativos a diferença nas áreas das duas bacias e nas precipitações médias sobre
elas.
ç = 7,1 ∙ 10­ <F

b) Coeficiente de variação dos deflúvios anuais (.5)

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Tomando igual ao do rio Cariús em Sítio Conceição - Cv = 0,92

c) Evaporação

Os valores da evaporação do espelho d'água foram estimados a partir do


Tanque Classe A, multiplicados por 0,70. Foram utilizados os dados do posto de
Iguatú o qual se dispõe de uma série de 23 anos de observação.

Tabela 35 – valores médios mensais da evaporação do espelho de água calculada a partir da


correlação com a evaporação com o tanque classe A medida em Iguatú (mm). (UFC)

JAN FEV MAR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ ANO
162 133 132 137 151 172 198 206 215 204 203 2059

0Ú = 1511,00 << = 1,511 < (somatório da evaporação média durante a estação


seca: Junho a Janeiro).

d) Fator de forma da bacia (s)

É obtido através de regressão entre o volume (5) e a altura de água (ℎ),


da curva cota x volume, pela equação 5 = s ∙ ℎF
s = 2118,2

e) Fator evaporação (fì )

3 ∙ s ∙ 0Ú ⁄3
´æ =
ç ∙ 1⁄3
Como: s = 2118,2; 0Ú = 1,511 < e ç = 7,1 ∙ 10­ <F , substituindo na
fórmula acima, temos que:
3 ∙ 2118 ∙ 1,511
´æ =
7,1 ∙ 10­ ∙ 1⁄3
´æ = 0,30

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Calculo da relação volume regularizado versus capacidade de reserva


(gráfico 48) com os parâmetros ´æ = 0,30 e .Ú = 0,92 (aqui interpolamos os valores
de .Ú = 0,90 e .Ú = 1,0 e ´æ = 0,30)

Gráfico 49 – volume regularizado VS capacidade de armazenamento.

Traça-se uma linha horizontal partindo da ordenada PE=20%


(probabilidade de esvaziamento do reservatório). Essa reta corta as curvas
correspondentes a ´è = 1,0; 1,5; 2,0; 2,5 O 3,0 tira-se então o eixo das abcissas os
valores correspondentes a ´` .
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è `
Como ´è = e ´` = , sabe-se que o volume anual regularizado (%) para
é é

cada capacidade de reservatório (Ë).

Tabela 36 – Relação entre a capacidade do Açude Várzea Alegre, o volume anual regularizado
com 80% de garantia e a vazão regularização. (UFC)

fk K (hm3) M 80% (hm3) Qr (l/s)


1,00 7,10 2,70 85,60
1,50 10,65 3,34 101,90
2,00 14,20 3,83 121,50
2,50 17,75 4,05 128,40
3,00 21,30 4,12 130,60
3,50 24,85 4,12 130,60

Gráfico 50 – Curva capacidade de acumulação VS volume anual regularizado com 80% de


garantia para o Açude Várzea Alegre.

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12.5.3. Dimensionamento de um reservatório através de Método Experimental

O uso de método experimental no dimensionamento de reservatório


consiste na geração de séries sintéticas e posterior operação simulada do
reservatório através de um modelo.
A necessidade de modelagem aparece principalmente devido a
inadequação dos dados hidrológicos. Os valores observados são obviamente de
imenso valor, mais a série raramente é longa o bastante para a análise
probabilística.
O método descrito a seguir foi elaborado por Campos (1990) e se destina
também ao dimensionamento de reservatórios situados em regiões de intermitentes
sujeitos a altas taxas de evaporação, que é o caso do Nordeste Brasileiro.

 Descrição do Método

a) Geração sintética de Deflúvios

Grande parte dos rios do Nordeste apresenta regime de escoamento


concentrado durante a estação chuvosa e uma longa estação seca; sendo assim os
deflúvios anuais podem ser considerados serialmente independentes. Desta
maneira, estas séries podem ser obtidas através da geração de números aleatórios
seguindo uma dada função densidade de probabilidade. A distribuição Gama de dois
parâmetros foi a escolhido pelo autor para representar os deflúvios anuais (os
parâmetros estatísticos da série histórica foram conservados).

b) Operação simulada do Reservatório

A simulação do comportamento do reservatório para cada retirada M foi


feita através da solução da equação do balanço hídrico do reservatório através de
processo de integração numérica.
Equação do balanço hídrico:
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1
É = â + - − ! ∙ (  + 1 +  ) ∙ 0 − %
2
â + 1 =  se É > Ë
â + 1 = É se 0 < É ≤ Ë
â + 1 = 0 se É ≤ 0
A sangria é calculada por:
 = max(îf − Ë, 2)
Onde: - é o Volume afluente no reservatório durante o período t;
â é o Volume da reserva no início do tempo t;
 é a Área do lago do reservatório no início do período t;
0 é a Lâmina evaporada do lago durante o período t;
% é o Volume retirado do reservatório durante o período t
Ë é a Capacidade do reservatório;
 é o Volume perdido por sangria durante o período t.
A partir dos resultados obtidos, o autor construiu diagramas triangulares
onde o volume afluente foi dividido em três partes: percentual sangrado, evaporado
e utilizado, com uma garantia de 90%.

c) Utilização do Diagrama Triangular de regularização para


Dimensionamento de um reservatório

O uso do diagrama triangular é restrito aos casos em que se pretende


uma garantia de 90% de fornecimento de água.
Etapas:
a) Calcular da série histórica de vazões os parâmetros estatísticos:
média, desvio padrão e coeficiente de variação.
b) Calcular o fator de forma (s) com os dados da tabela cota-volume
através da reta dos mínimos quadrados (5 = s ∙ ℎF → H = s ∙ D)
F∙o∙æà ⁄F è
c) Determinar ´æ = → ´æ =
é∙⁄F é

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Ministério da Educação

PR
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Campus Curitiba, Sede Ecoville
Departamento Acadêmico de Construção Civil - DACOC

d) Selecionar o diagrama correspondente ao CV pretendido e a parte do


ponto de encontro das isolinhas de ´æ e ´è , determinar os percentuais
sangria, evaporação e utilização.
Para determinar estes percentuais, as retas devem seguir as direções
mostradas no gráfico 50.

Gráfico 51– Diagrama de Regularização.

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