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As tecnologias de propulsão da série Perry Rhodan

Escrito por César Augusto F. Maciel em dezembro de 1998


a partir de textos disponíveis na Internet de autoria de Wolfgang Kienberger e Jean-Yves Priou

I. Propulsão a jato/antigravitacional

Estes propulsores são utilizados somente para o vôo a velocidades inferiores à da luz. Por volta do
século XXV, os jatopropulsores das mais rápidas naves terranas tinham uma capacidade de aceleração de
cerca de 800 km/s2, o que permitia que as mesmas chegassem à velocidade da luz em cerca de cinco
minutos. Tal aceleração submetia as naves a mais de oitenta mil gravos de pressão, a qual era absorvida
pelos neutralizadores de pressão – caso contrário, tudo que estivesse no interior da nave seria esmagado à
medida em que esta acelerasse.
Para dar suporte às funções desempenhadas pelos jatopropulsores, as naves terranas também estão
equipadas com propulsores antigravitacionais. Estes são usados especialmente para facilitar o pouso em
superfícies planetárias, fazendo com que os jatopropulsores sejam exigidos ao mínimo durante os pousos e
decolagens. Como o dispositivo antigravitacional reduz a zero o peso da nave, basta um pequena força de
empuxo para colocar a nave em movimento. Embora propulsores antigravitacionais também possam ser
usados no espaço vazio, isso raramente é feito, pois nesse ambiente os jatopropulsores são mais eficientes.

II. Propulsão por transição

Esta era a tecnologia de vôo ultraluz predominante entre os povos galáticos no ano 1971, quando
Perry Rhodan entrou em contato pela primeira vez com os arcônidas. As naves de transição viajavam
“saltando” pelo hiperespaço, o que lhes permitia cobrir distâncias de milhares de anos-luz num tempo zero.
Tais saltos ocorriam através da transformação da nave num impulso energético pentadimensional, que
atravessava o hiperespaço em tempo zero e materializava-se novamente no espaço normal a vários anos-luz
do ponto de entrada. Para calcular as coordenadas exatas de reentrada no espaço normal eram necessárias
várias horas de cálculos complicados dos computadores positrônicos. Além disso os saltos tinham a
peculiaridade de provocarem dores intensas nos seres vivos, que eram maiores à medida em que a distância
percorrida também aumentava. A distância padrão de cada salto das naves de guerra geralmente não
ultrapassava três mil anos-luz, podendo chegar a até trinta mil em casos de emergência. Saltos a distâncias
maiores do que três mil anos-luz, além de serem extremamente dolorosos, provocavam desgaste prematuro
do material da nave e alta chance de rematerialização fora das coordenadas pré-calculadas. Naves de
pequeno porte e naves mercantes tinham um alcance menor, não superior a quinhentos ou mil anos-luz por
salto.
Além dos problemas já citados, o vôo por transição também possuía muitas outras desvantagens: os
propulsores de transição necessitavam de um longo período de descanso entre dois saltos, os saltos não
podiam ser feitos nas proximidades de estrelas ou planetas (devido ao choque estrutural provocado) e a
energia liberada em cada salto era facilmente detectável, a menos que a nave estivesse equipada com um
compensador estrutural.

III. Propulsão linear

Inventada pelo professor Arno Kalup a partir dos propulsores utilizados pelos druufs, esta tecnologia
de propulsão ultraluz é a mais utilizada entre as raças conhecidas do universo. A primeira nave linear terrana
foi a Fantasy, um cruzador de duzentos metros de diâmetro que fez seu vôo de teste em 2102. Ao contrário
das naves de transição, uma nave linear não desmaterializa-se em nenhum momento; ao invés de ser
transformada num impulso energético pentadimensional, ela viaja suavemente por uma zona de libração
situada entre a quarta e a quinta dimensão. Dessa forma a tripulação continua a ver as estrelas, apesar das
interferências energéticas desse “corredor” interdimensional transformarem o espaço e os próprios corpos
celestes em sombras cinzentas translúcidas sem forma definida. Durante o vôo linear a nave atinge

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velocidades milhões de vezes superiores à da luz, não existindo limite teórico máximo de velocidade
(durante seu vôo inaugural a Fantasy atingiu 25 milhões de vezes a velocidade da luz, equivalente a exatos
2.853,88 anos-luz por hora). A reentrada de uma nave linear no espaço normal ocorre tão logo o campo
energético que a mantém na zona de libração (campo de compensação kalupiano) é desativado, o que
provoca seu retorno imediato ao espaço normal.
Devido às suas inúmeras vantagens em relação às naves de transição, entre elas a ausência dos
efeitos colaterais da materialização/desmaterialização e a enorme simplificação dos cálculos cosmonáuticos,
a propulsão linear substituiu rapidamente a tecnologia de transição entre os terranos e os demais povos
galáticos. Durante vários séculos os conversores kalupianos foram sendo aperfeiçoados, como demonstra o
quadro abaixo:

Nave Diâmetro Ano de Autonomia Velocidade máxima


lançamento
Fantasy 200 metros 2102 300.000 anos-luz 25 milhões de vezes a da luz
Crest III 2.500 metros 2404 1.200.000 anos-luz 50 milhões de vezes a da luz
(três conversores kalup com 400.000 (podendo chegar a 100 milhões
anos-luz cada) em situações de emergência)
Marco Polo 2.500 metros 3437 12.000.000 anos-luz Não especificada; supõe-se que
(quatro conversores Waringer com seja superior a 50 milhões de
3.000.000 anos-luz cada) vezes a da luz

A única desvantagem visível da propulsão linear é o fato de nenhum vôo poder prolongar-se durante
muito tempo, sob pena de superaquecimento e desgaste prematuro dos conversores. Mesmo assim o tempo
total de viagem é muito inferior àquele gasto por uma nave de transição para percorrer um trecho
semelhante.
Durante quase dois mil anos a propulsão linear foi predominante entre os terranos e os demais povos
da Via-Láctea, sendo substituída gradualmente pela propulsão metagrav a partir do ano 420 do Novo
Calendário Galático.

IV. Propulsão dimetrans

Criada pelos antepassados dos halutenses (as bestas-feras), utilizada pelos povos assemelhados
(ulebs, policiais do tempo e construtores do centro de M-87) e assimilada pelos terranos no ano 2437, a
tecnologia de propulsão dimetrans é adequada para vôos intergaláticos. Seu princípio é parecido com o da
propulsão linear, com a diferença de que o vôo ocorre diretamente dentro da quinta dimensão, dura apenas
poucos segundos e permite à tripulação da nave a visão dos infinitos outros universos existentes no
“multiverso”. Todo vôo dimetrans termina sempre dentro do ponto de maior concentração de massa de uma
galáxia, ou seja, no centro de uma delas, o que impede sua utilização constante. Embora não haja limites para
a distância percorrida durante os poucos segundos de duração de um vôo dimetrans, os terranos nunca
tentaram chegar a galáxias muito distantes, pois uma reentrada segura no universo normal somente é possível
quando se conhece com perfeição o centro da galáxia de destino; caso contrário a nave pode ser destruída por
forças gravitacionais ao rematerializar-se nas proximidades de uma estrela não existente nos mapas estelares.
Normalmente a reentrada é o momento mais tenso de um vôo dimetrans, pois exige reflexos rápidos do
piloto e do navegador para evitar que a nave seja destruída.
Poucos povos no universo utilizam propulsores dimetrans, pois para sua construção é necessário o
domínio das tecnologias do campo paratron e dos reatores de escudo negro. Com o desenvolvimento da
propulsão dimessexta, a propulsão dimetrans lentamente deixou de ser utilizada pelos terranos.

V. Propulsão dimessexta

A propulsão dimessexta é um aperfeiçoamento terrano da propulsão dimetrans, tendo desenvolvido-


se principalmente devido ao trabalho de Geoffry Abel Waringer. Enquanto o vôo dimetrans ocorre na quinta
dimensão, dura apenas alguns segundos e termina sempre no centro de uma galáxia, o vôo dimessexta ocorre
numa zona de libração entre a quinta e a sexta dimensão, dura algumas horas e pode ser interrompido a
qualquer momento; dessa forma a nave pode retornar periodicamente ao espaço normal para reorientar-se,
além de terminar seu vôo em qualquer ponto desejado. Durante a viagem da Marco Polo à galáxia Gruelfin
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no ano 3437 a nave percorreu 35.860.000 anos-luz em apenas quatro horas, o que significa uma velocidade
de 78,5334 bilhões de vezes a da luz. Possivelmente esta foi a maior velocidade já atingida por uma nave
terrana num vôo controlado.
Infelizmente a tecnologia dimessexta foi utilizada durante pouco tempo: devido ao altíssimo custo de
produção do sextagônio (material obtido através do bombardeio do quartzo oscilante pentadimensional
hovalgônio com quintrônios), indispensável ao vôo dimessexta, apenas três naves terranas foram equipadas
com um propulsor dimessexta: a Marco Polo (lançada em 3437), a SOL (lançada em 3540) e a Base (lançada
em 3586). Como o supermutante Ribald Corello era o único que conseguia estabilizar o instável sextagônio,
após sua absorção por “Aquilo” no ano 3587 não foram mais fabricados propulsores dimessexta.
As vantagens da propulsão dimessexta eram evidentes: como permitia o vôo controlado a
velocidades bilhões de vezes superiores à da luz, mesmo as mais distantes galáxias estavam ao alcance das
três naves terranas citadas acima, proporcionando-lhes um raio de alcance teórico de bilhões de anos-luz.

Observação: De acordo com o Léxico Perry Rhodan, após a instalação de um aparelho dos keloskers
a bordo da SOL seu propulsor dimessexta passou a chamar-se septadim, pois passou a funcionar em base
heptadimensional. O Léxico também faz referência ao propulsor da Base como “transferdim”, porém este
termo parece ser apenas um sinônimo para a propulsão dimessexta.

VI. Propulsão metagrav

O conceito teórico da propulsão metagrav foi desenvolvido por Payne Hamiller nos primeiros anos
do Novo Calendário Galático após estudar a tecnologia dos lares, dos wyngers e dos orbiters. Contudo,
somente por volta do ano 420 NCG os primeiros propulsores metagrav foram construídos, sendo utilizados
pelos terranos e pelas demais raças da Via-Láctea desde então.
Para desenvolver a propulsão metagrav, Hamiller estudou a fundo a tecnologia dos sugadores
hipertrop, utilizada pelos três povos citados acima. Estes aparelhos possibilitavam a extração de enormes
quantidades de energia diretamente do hiperespaço, proporcionando uma fonte virtualmente inesgotável de
energia para suas espaçonaves. Hamiller percebeu que somente os sugadores hipertrop poderiam prover a
energia necessária para seu novo conceito de propulsão, que consistia na criação de um centro de gravidade
artificial à frente de uma nave. Esse centro de gravidade, chamado de ponto Hamiller ou ponto G virtual,
manteria uma distância constante da nave, fazendo com que ela “caísse” constantemente em sua direção;
conseqüentemente isso impulsionaria a nave na direção onde estivesse o ponto Hamiller. Uma analogia
interessante seria uma cenoura amarrada no focinho de um cavalo; embora o cavalo nunca consiga pegá-la,
ele sempre correrá para a frente com esse objetivo. Se, pensou Hamiller, o centro de gravidade atingisse uma
densidade muito alta e se transformasse num buraco negro artificial, a nave poderia então atingir velocidades
ultraluz. Embora o raciocínio de Hamiller estivesse correto, as dificuldades práticas para a construção de
projetores metagrav levaram quatrocentos anos para serem superadas.
A principal vantagem da propulsão metagrav é a completa ausência de forças sobre a estrutura da
nave, pois durante o vôo metagrav ela está constantemente em queda livre. Dessa forma, enquanto o ponto
Hamiller estiver sendo projetado, a nave estará “caindo” em sua direção, evitando as pressões titânicas
provocadas por acelerações subluz normais. Além disso, a velocidade máxima que pode ser atingida durante
a etapa ultraluz de um vôo metagrav é de dois bilhões de vezes a velocidade da luz, o que é bastante superior
às velocidades lineares convencionais. Devido a essas vantagens, a propulsão metagrav substituiu tanto os
propulsores lineares como os jatopropulsores comumente utilizados para o vôo subluz, permitindo que a
figura do “anel equatorial” onde estavam alojados os propulsores desaparecesse da engenharia astronáutica
terrana.
Após a criação do buraco negro artificial (também conhecido como vórtex metagrav, pseudo buraco
negro ou buraco negro virtual), é necessária a criação de um campo Grigoroff em torno da nave, o qual tem a
função de protegê-la das influências pentadimensionais durante a queda para dentro do buraco negro (ao
contrário da etapa subluz, durante a etapa ultraluz o ponto Hamiller permanece estacionário). Uma vez
dentro do hiperespaço, nem a velocidade nem a direção do vôo podem ser alteradas, e somente uma queda
prematura no espaço normal poderá salvar a nave caso algo saia errado. Em caso de falha do campo
Grigoroff, a nave pode ser transferida para outros universos, o que já ocorreu algumas vezes desde a adoção
da tecnologia metagrav.
Um dos maiores inconvenientes da propulsão metagrav é a interferência gravitacional causada pelo
ponto Hamiller quando naves voam próximas umas das outras ou passam próximas de planetas. Contudo,

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como isso nunca pareceu ser um problema relevante para naves metagrav, supõe-se que o ponto Hamiller
seja um campo gravitacional com propriedades semelhantes às de um campo de força. Outro inconveniente
consiste na parada periódica para “reabastecimento”: durante o tempo necessário para que o sugador
hipertrop encha os depósitos gravitraf de energia retirada do hiperespaço, o funil energético branco-azulado
criado pelo processo que envolve a nave pode ser localizado a grande distância por alguma nave inimiga.
Como o reabastecimento completo raramente dura menos do que algumas horas (de cinco a dez, dependendo
do modelo da nave), durante esse tempo a nave torna-se um alvo fácil para qualquer inimigo. Por fim, outro
problema da propulsão metagrav são as fortíssimas ondas de choque gravitacionais geradas quando a nave
entra ou sai do vórtex metagrav, o que facilita a um possível inimigo a detecção da nave.
Apesar do limite teórico de velocidade de dois bilhões de vezes a velocidade da luz, as naves terranas
raramente passavam dos 50 milhões durante os primeiros anos de uso do propulsor (com exceção da
gigantesca Base: durante seu primeiro vôo ao Rubi de Gelo, a nave atingiu a extraordinária velocidade de 1,8
bilhões de vezes a velocidade da luz). Através de aprimoramentos constantes, atualmente (1290 NCG) as
naves atingem 80 milhões de vezes a velocidade da luz durante o vôo metagrav. Para os vôos sub-luz, a
aceleração atual é de 1.200 km/s2.
Normalmente as naves terranas são equipadas com dois projetores metagrav (um principal e um de
reserva), tendo cada um deles vida útil de cem milhões de anos-luz.

VII. Propulsão enerpsi

A propulsão enerpsi era utilizada pelos povos que habitavam as doze galáxias pertencentes ao
esquema de poder de Estartu há mais de 50.000 anos quando estes estabeleceram seu primeiro contato com
os terranos (o que ocorreu em 429 NCG). Esta propulsão utilizava os trilhos de energia psiônica da imensa
rede psiônica que atravessa o universo, cujos representantes mais conhecidos são os cosmonucleotídeos.
Uma nave enerpsi conseguia atingir velocidades máximas até duas vezes superiores aos melhores
propulsores metagrav, o que dava-lhe evidente superioridade sobre a tecnologia dos galáticos. No decorrer
do tempo descobriu-se que as naves enerpsi podiam funcionar apenas dentro da área de influência do
cosmonucleotídeo Dorifer, pois somente ele havia passado por uma mutação que permitia o uso de seus
trilhos como transporte. Tal mutação ocorrera há 50.000 anos atrás, quando a ida de Estartu para o universo
Tarkan modificou sua constante psi. Entretanto, quando a galáxia Hangay materializou-se em nosso universo
no ano 448 NCG, a mutação reverteu-se, tornando impossível o vôo enerpsi. Assim como havia ocorrido
com a propulsão dimessexta, também este tipo de propulsão teve de ser abandonado.

VIII. Propulsão hiperrítmica

Este tipo de propulsão chegou ao conhecimento dos terranos no ano 1290 NCG, quando Perry
Rhodan reconquistou a lendária nave SOL, que havia permanecido durante anos em poder do sinistro
Shabazza. Ao retomar a nave, Rhodan percebeu que ela havia sido equipada pelo seu grande inimigo com
um novo tipo de propulsão, chamada de hiperrítmica. Como sugerido pelo nome, este tipo de propulsão
consiste num ritmo constante de 1.230 transições “suaves” por segundo, nas quais ocorrem materializações e
desmaterializações parciais. Quando a nave está no modo hiperrítmico, ninguém a bordo sente nenhuma dor
e nem tem consciência das transições, pois o vôo assemelha-se mais a um vôo linear do que a um vôo de
transição. As principais vantagens da propulsão hiperrítmica são sua grande velocidade (120 milhões de
vezes a da luz) e a completa impossibilidade de detecção e de destruição de uma nave que esteja no modo
hiperrítmico, mesmo se ela atravessar uma estrela – somente um buraco negro gigante ou um
cosmonucleotídeo são capazes de ameaçá-la. O modo hiperrítmico também permite um controle preciso e
suave da direção de vôo da nave (que assemelha-se a uma longa curva), embora tenha a desvantagem de
exigir uma velocidade mínima de cinqüenta por cento da da luz para que ocorra a entrada ou a saída do modo
hiperrítmico.
Como a propulsão hiperrítmica exige quantidades imensas de energia para ser levada a cabo, a SOL
também teve seu sugador hipertrop aperfeiçoado: num extraordinário salto tecnológico, ele agora extrai a
energia do hiperespaço e armazena-a nos depósitos gravitraf durante o vôo ultraluz, o que em tese faz com
que ela possa voar durante meses a fio no modo hiperrítmico. Esse avanço também eliminou a figura da
bolha de energia branco-azulada que cercava a nave durante o abastecimento energético, proporcionando
uma extração de energia completamente “silenciosa” e discreta.

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Apesar da propulsão hiperrítmica ser uma tecnologia completamente nova e estranha para os
terranos, há uma grande chance de que ela torne-se a propulsão ultraluz padrão dos terranos no futuro
próximo.