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TRANSCRIÇÕES – DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO- 1ª UNIDADE-2018.

1 – DAFNE
DORNELAS
1. Aula 1 (Aula do dia 11/04) – História do Direito Internacional
Ela começa na antiguidade, mas a história do direito internacional público vai surgir... O surgimento
daquilo que nós vamos entender como direito internacional público hoje nós vamos encontrar na
antiguidade. Então vejam que no caso específico de Nouyen Quoc Dinh e seus colaboradores, eles estão
falando do desenvolvimento do direito internacional. É diferente do Adam Watson, claro, ele tá falando
disso que nós chamamos de Direito Internacional, Público, mas ele tá se referindo a uma história da
sociedade internacional, e tem uma diferença grande aí, ele poderia, inclusive, estar falando em comunidade
internacional, mas ele está falando aí em sociedade internacional. A ideia de sociedade é a ideia de que
existe um pacto, de que existe uma organização social que acomoda ou se acomoda em função da lei, em
funço rudimentos do direito internacional, nós não vamos encontrar um direito internacional já formado,
plenamente estabelecido, vamos encontrar rudimentos. Elementos que depois vão ser dotados de
positividade, de significado. Eles vão se constituindo ao longo do tempo, muito lentamente. E aí vamos fazer
esse desenvolvimento, vamos falar desse desenvolvimento histórico ao longo dessas nossas duas aulas.
Nouyen Quoc Dinh fala então desses dois períodos, desse período de formação e de um período de
desenvolvimento. É muito questionável perante a doutrina, embora ele tenha um livro muito conceituado,
reconhecido ainda hoje como o grande livro de direito internacional no mundo, que aborda as questões do
direito internacional em uma perspectiva global, pq os exemplos são de diversas partes do mundo, eles não
estão muito interessados em uma abordagem internacional, mas sim em uma visão geral, uma visão global
do desenvolvimento e da prática relacionada ao direito internacional. Então, o primeiro período, no caso de
Nouyen Quoc Dinh, vão estar falando desse período de formação qual seja, um período longo que vai da
antiguidade até a revolução francesa, então só falando no direito da antiguidade já são alguns milênios, três
milênios, e mais mil e tantos anos, né? Então, não é pouca coisa. Muita coisa aconteceu durante esse período
todo e ainda assim os autores correm o risco de periodicizar, nesses termos, ou seja, como uma longa etapa,
um longo período. Esse período na visão dos autores é um período caracterizado por isolamentos, os
Estados, na realidade eles não trabalham com a noção de que existiam Estados, aquele seria um direito
internacional sem Estados. Estaríamos falando de uma realidade em que os rudimentos do direito
internacional, ou aquilo que nós poderíamos entender como sendo elementos do direito internacional em
formação, nós não temos propriamente Estados. Nós rudimentos nós não temos Estado, conforme entendido
nos dias atuais. Isso no entendimento dos autores Nouyen Quoc Dinh e outros.
E esses Estados, digamos que vigia entre eles um isolamento baseado naquilo que Hobbes
desenvolveu muitos séculos depois, que... Um dos elementos centrais da ideia de Hobbes é a ideia de medo.
Né? Porque que o Estado é criado? O Estado é criado porque as pessoas têm receio, têm medo da vida sem
um ente que organiza a vida em sociedade. Então tem um pacto em sociedade que é estabelecido para que a
vida seja organizada. O que existira era isso, o que existia era o medo, existia sociedades precárias, depois
nós veremos de acordo com o desenvolvimento do Adam Watson um outro elemento que vai ser importante
na caracterização dessa sociedade ou dessas sociedades, mas aqui, em termos desses autores, ou seja,
Nouyen Quoc Dihn e seus colaboradores, eles falam dessas sociedades sem Estado, isoladas, ou seja, elas
não têm grandes possibilidades interação entre elas, elas vivem com medo umas das outras, a regra
realmente será a guerra e isso será muito mais desenvolvido no livro do Adam Watson, pq a diferença entre
um e outro é que o livro de Nouyen Quoc Dihn é um livro sobre direito internacional, é um curso sobre
direito internacional, então parte dele é o desenvolvimento histórico, uma parte até longa...
Nouyen Quoc Dihn trabalha então com essa ideia, de que os Estados, na verdade não os Estados, mas
as sociedades estão isoladas com medo umas das outras e há uma guerra de todos contra todos, há uma
disputa de espaço envolvendo essas sociedades em formação, essas sociedades anárquicas, essa é uma outra
nomenclatura que nós poderíamos utilizar para caracterizar a sociedade ou as sociedades dessa época.
Apesar disso havia algumas trocas comerciais, ou seja, o que nós podemos chamas de Estados em formação,
sociedades em formação, reinos... É mais adequado falar em reinos, se não existiam Estados mas existiam
reinos, então esses reinos faziam trocas comerciais, esses reinos também faziam trocas de mensagens em
função dos interesses envolvendo sobretudo os interesses comerciais. Embora no Estado do Nouyen Quoc
Dihn não seja trabalhado muito essa ideia, isso mais do livro do Adam Watson, que é um livro
especificamente histórico, um livro sobre a história da sociedade internacional.
Então, havia comércio, apesar de toda a precariedade do sistema, que nós possamos chamar como
período de formação, nós temos algumas trocas comerciais, trocas precárias, trocas baseadas na força, em
guerras... Mas havia também algumas condições de trocas comerciais. Havia também os chamados tratados
costumeiros. Falar em tratado costumeiro é o mesmo que falar, ainda nos dias de hoje, em costume legal,
vamos dizer assim, que o que existe no Reino Unido, e em todo o mundo onde existe uma tradição
costumeira. Ou seja, o que é uma lei costumeira? Uma lei que se torna lei em função de ser antes um
costume. Que é o que acontece nessa sociedade baseada no costume. Então aqui nós vamos ter tratado
costumeiro porque o mundo é regido com base nessa forma de organizar as normas. Ou seja, era o costume
que vinha primeiro, antes da lei. Então, havia uma série de elementos que compunham os tratados. Significa
que antes de tudo existia o costume e o costume poderia ser reduzido a uma norma escrita, poderia ser
escrito.
Dentro dessa ideia de tratados costumeiros, já havia talvez não em todo esse longuíssimo período,
aliás é sempre complicado falar de um período tão longo porque ele pega desde a antiguidade, três milênios,
e pega também a idade média e parte da idade moderna, o início da idade moderna. Não é fácil nem é
facilmente justificável uma periodização tão longa. E é por isso que o outro autor, o Adam Watson, vai
trabalhar com três fases, e eu particularmente acho mais adequado, acho mais justificável. E, como falei
também na aula anterior, de toda forma, como toda periodização, como toda classificação, qualquer autor vai
estar correndo riscos, pois é sempre muito complicado, é sempre uma redução da realidade, classificar ou
periodicizar. Então, apesar de tudo isso, dessa dificuldade de periodicizar, de trabalhar com uma
periodicização tão longa, nós vamos ter também, a partir de determinado momento, o elemento chamado de
pacta sunt servanda, sobretudo em relação aos tratados, se já existia em relação à lei, vai existir também em
relação ao tratado costumeiro. A ideia de que duas partes se encontram, estabelecem um acordo e assumem o
compromisso de cumpri aquele acordo. E podem dizer uma para outra: pacta sunt servanda.
A ideia de reciprocidade, que aliás, é constitutiva do direito internacional, é constitutiva de todo
direito, mas, sobretudo, do direito internacional pq não há a possibilidade costumes, de princípios, princípios
gerais do direito internacional, ou princípios gerais do direito aplicados ao direito internacional, não há
possibilidade sobretudo de tratados, se essas fontes não forem baseadas na ideia de reciprocidade. Ou seja, o
que vale para um, deve valer para o outro. Embora, conforme nós veremos, em algumas situações no direito
internacional, não há reciprocidade. Porque sempre existe uma espécie de realismo que faz com que
determinados Estados tenham mais direitos que outros. O tratado de não proliferação de armas nucleares é
um exemplo, ou seja, alguns Estados têm direito de manter suas armas nucleares e outros não podem tê-las
por conta de um certo realismo exacerbado na ordem internacional atual.
E havia também, a ideia de uma língua comum. Ou seja, as sociedades falavam línguas diferentes,
como é nos dias de hoje, aliás, era provável que houvessem ainda mais línguas, uma variedade maior de
línguas. E era preciso que na hora de acertar os ponteiros, de fazerem acertos na sociedade, se
estabelecessem algumas línguas como sendo uma língua comum, aquilo que vai se entender depois como
uma língua franca. Ou seja, o próprio direito internacional vai se caracterizar, criar a ideia de uma língua
franca. Então, esses são, na ideia desses autores, Nouyen Quoc Dihn e outros autores, são elementos
caracterizadores desse longuíssimo período de formação.
O outro período é o do desenvolvimento, ou seja, quanto o direito internacional vai ser adensado, vai
ser dotado de maior significado, pq os próprios Estados vão ser constituídos, ou a partir da constituição dos
Estados no ambiente Europeu, nós vamos ter possibilidades de desenvolvimento de princípios, de institutos,
de instituições que vão fazer valer o direito internacional.
Então é uma fase que vai fazer viger uma ordem internacional, embora os realistas prefiram falar em
desordem internacional ou em anarquia internacional. Mas, para muitos outros autores se vai falar em uma
ordem internacional, que vai ser garantidora de diversos institutos, como por exemplo o instituto da
arbitragem, que tem suas particularidades no plano internacional, sendo utilizada como forma de solução de
controvérsias.
A arbitragem é um meio muito antigo que se usava no plano da realidade envolvendo os indivíduos,
dos conflitos entre os indivíduos e também envolvendo essas sociedades precárias que segundo Nouyen
Quoc Dihn e outros, sequer seriam organizadas em Estados. Por isso ele fala em um direito internacional
sem Estados.
Instituições, ou seja, além dos institutos nós vamos ter instituições. Antes das instituições nós vamos
ter arranjos internacionais, como o concerto da Europa que teve vigência durante o século XIX e por isso em
grande parte esse foi um século de paz, um século com poucas guerras, teve guerras localizadas, mas
digamos que foram de menor potencial ofensivo, digamos assim. E vamos ter, a partir do século XX, as
organizações internacionais enquanto propriamente instituições globais, regionais, internacionais. Nos
arranjos, como falei, a ideia de uma sociedade global internacional, ela só aparece neste momento, a liga das
nações é a primeira, depois a ONU, além das sociedades internacionais regionais, das mobilizações
regionais. A ideia de fontes do direito, que o direito internacional teria fontes, da mesma forma que o direito
moderno...
As soluções pacíficas, a ideia de que o direito internacional precisa de soluções pacíficas, para além
da guerra, a guerra caracterizou esse período de formação. Ela era o motor dessa sociedade, tudo o que se
alcançou ou deixou de alcançar foi em função da guerra. Civilizações deixaram de existir em função da
guerra, outras ascenderam a outro patamar. Em algum momento chega-se à conclusão de que é preciso ter
meios de solução pacífica de controvérsias internacionais, como a arbitragem, as negociações amistosas, a
mediação e assim por diante.
Mas aí, como falei para vocês, eu vou preferir iniciar a abordagem da história do direito
internacional, a partir do Adam Watson. O que ele vai dizer? Vai dizer que temos três fases... Ele não é
aceito pelos chineses, árabes, pelos que não são ocidentais... Pq ele conta uma história do direito
internacional que muitos vão denominar de eurocêntrica. O Nouyen Quoc Dihn também, de alguma forma,
mas ele ainda traz alguns fragmentos da china, de algumas outras sociedades da antiguidade... O Adam
Watson também faz isso em sei livro no início, mas quando ele chega nas fases ele é essencialmente um
autor eurocêntrico.
São três fases: a primeira fase é a dos sistemas de Estados antigos, diferentemente do que Nouyen
Quoc Dihn fala, o Adam Watson fala em sistema de Estados Antigos, é uma fase longa, mas menos longa
que a fase de formação de Quoc, nesse sentido ele nos ajuda mais a entender o surgimento e
desenvolvimento do direito internacional, pois duas fases é muito pouco para entender tudo isso.
Ele fala sistemas, no plural, não é um sistema, mas sim sistemas de Estados antigos, há uma
variedade enorme de conformação desses estados naquele período. E ele tá falando de estados antigos,
diferentemente também do Nouyen Quoc Dihn ele usa a expressão “Estados”, ele assume, portanto, que
haviam estados, mas que eram Estados diferentes dos que temos hoje em dia. Estados precários, com uma
conformação diferenciada ao que nós temos desde o final da idade média.
Depois temos uma segunda fase, chamada de sistema internacional Europeu, é também uma fase
longa, que dura a idade média e boa parte da idade moderna. Boa parte pq a terceira fase se inicia na idade
moderna e esse estado de hoje não se sabe mais caracterizar se é modernidade, se é pós-modernidade, o que
é. Estamos numa longa travessia para algo que já não sabemos exatamente o que vai ser, portanto os autores
tbm não têm muito como caracterizar. Então, a segunda fase é o sistema internacional europeu, a
característica desse sistema é todo centrado na Europa, por isso o autor é muito criticado, por contar uma
história do ponto de vista eurocêntrico, apesar disso eu acho que ele nos ajuda a entender a história do ponto
de vista do direito internacional, desde sua fase inicial, dos estados antigos, fase de desenvolvimento no
âmbito do capitalismo, da sociedade tipicamente europeia e a terceira fase, que ele chama de sociedade
internacional global. Se inicia com a Liga das Nações, segue com a ONU, e também nós não sabemos no
que vai dar, sobretudo nos dias atuais, dias tão complicados...
Vamos falar agora, especificamente, da primeira fase de acordo com Adam Watson. O contexto
histórico é desses Estados precários, dessas cidades-estado, e que “cidades-estado” são essas? De acordo
com os exemplos dados por Adam Watson são: a Suméria, a Síria, a Pérsia, a Grécia Clássica, a Macedônia,
a China antiga, o Império Bizantino, os Sistemas Islâmicos e ele fala de sistemas islâmicos pq é uma
variedade tão grande, sempre foi e ainda é, que não podemos caracterizar nenhum Estado como sendo um
modelo islâmico, aliás isso vale para o catolicismo também, vale para todas as religiões, mas nesse caso ele
tá falando dos sistemas islâmicos como uma variedade muito grande. Essas são todas sociedades
caracterizadas, esse é o elemento central desse mundo, é ser uma sociedade religiosa. Essa é uma sociedade
cuja lei, cujos costumes, cujas instituições, se baseiam na religião. As religiões mudam, mas é ela que dá
base, que dá fundamento a tudo. Então, esse é o contexto desses Estados precários. E aí nós podemos falar
de alguns marcos históricos desse período. Elas têm a guerra como regra, seus relacionamentos são baseados
na guerra, isso vai mudar muito durante sua evolução histórica e desenvolvimento, tem uma diferença muito
grande hoje, no direito internacional, em relação a este momento, apesar da fragilidade no direito
internacional de hoje, ou da alegada fragilidade do direito internacional europeu, mas tem uma diferença
muito grande dessa fase de sistemas precários.
Volto a chamar atenção ao fato de que o autor falava sistemas, no plural, dada a dificuldade de se
caracterizar como um único sistema, tantos grupos humanos que viviam disputando entre si, então ele
prefere chamar de sistemas de Estados antigos. Aí vocês podem me perguntar: pq haviam essas guerras de
conquista? As guerras de conquista eram para obter água, que tinha em determinado lugar e não tinha no
outro, para expandir o território, para ter acessos aos bens, além da água, outros bens da natureza, o ouro, a
prata, tudo o que a gente possa imaginar como tendo valor e que depois o capitalismo potencializou, pq
precificou e valorizou muito mais, antes até do capitalismo, com a conquista nós passamos por isso, então, a
apropriação desses bens acontecia, por que é aquilo que os racionalistas chamam de necessidade do domínio,
todos precisamos dominar o outro. O outro que tem aquilo que nós não temos, ou o outro que tem o que nós
temos mas nós queremos mais, havia uma luta permanente por afirmação, independências múltiplas, o autor
trabalha com esse conceito de independências múltiplas.
O que é que a gente pode entender como sendo essa ideia, ou esse conceito de independências
múltiplas? Vários Estados precários coexistindo, aquilo que hoje muitos chamam de equilíbrio de poder, os
realistas falam nesses termos. Então havia essa busca por sobrevivência.
Sobrevivência num contexto que era muito caracterizado pelo medo, pelo ódio, pela incerteza. Então
os Estados buscavam marcar suas independências múltiplas. Era um contexto também caracterizado pela
força em que os vencidos normalmente se tornavam escravos, não havia o respeito às normas do Direito
Internacional (DI) de hoje, que manda, por exemplo, que o vencido seja tratado como ser humano, embora
nem sempre isso seja respeitado... mas as governanças atuais dizem que o vencido deve ser preso e não mais
do que isso, né? Ele não pode ser torturado, ele não pode ser assassinado, ele deve ser tratado com
dignidade.
Dentro dessa ideia de luta permanente, estamos falando de um contexto caracterizado pela guerra.
Isso vai se perdendo ao longo do tempo, ou seja, durante o desenvolvimento histórico das partes, isso vai
sendo alterado. Hoje nós temos muito menos guerra do que nessa fase, a fase que nós estamos descrevendo é
uma fase caracterizada essencialmente pela guerra e por antagonismos que o autor chama de “antagonismos
inter e intraculturais”.
O que é um antagonismo intracultural? É um antagonismo dentro da própria cultura, como, por
exemplo, dentro da cultura grega.
Quando nós falarmos em fundamentos do DI, eu falei pra vocês que iria dar uma visão geral sobre a
teoria das relações internacionais, e aí, no realismo tem um autor, “Tucídides”, muito famoso né? Um
historiador que fala da guerra do Peloponeso. Uma guerra entre Atenas e Esparta. Então dentro de uma
mesma base cultural, temos duas cidades-estado que têm divergências e que buscam assumir o poder uma da
outra, ou ter mais poder do que a outra cidade-estado e por isso elas vão à guerra.
Então a guerra acontecia dentro da própria cultura, estamos falando então desses antagonismos
intraculturais, isso aconteceu não só na Grécia, mas também na China, a China enquanto uma variedade
grande de civilizações que vieram conformar a china de hoje; a Índia, a mesma coisa. Ou seja, sociedades
que disputaram entre si, e podemos falar até mesmo da nossa conformação histórica, embora em outros
termos, em outro tempo, com outra cultura, mas nós também tivemos os nossos antagonismos internos, ainda
os temos né? Vez por outra temos regiões do país que falam em possibilidade de independência.
E temos os antagonismos interculturais. Houve também antagonismos interculturais, por exemplo,
entre (i) a Grécia e a Pérsia que estão lá bem pertinho, tem o mar separando, e naquele tempo era muito mais
distante, evidentemente, mas hoje estão lá bem pertinho; (ii) Roma e praticamente todas as civilizações da
época; a (iii) Macedônia e a Pérsia. Então a gente pode imaginar, por exemplo, pra falar desses vestígios de
DI do passado, podemos imaginar o que pode ou poderia ter acontecido, com uma certa licença humorística,
né? A gente pode lembrar, a gente pode pensar, por exemplo, em um pedido de Alexandre... Alexandre, né?
Alexandre o Grande, né? Ele queria mais poder, e aí poderia mandar um mensageiro, que hoje é o
antecedente do diplomata, então ele poderia mandar uma cartinha para o Dario III, dizendo: “eu quero todo o
seu ouro, não precisa de guerra, eu quero todo seu ouro e toda sua prata”, e aí o Dario disse: “Coisa
nenhuma, vamos à guerra. Só não mato você e o seu mensageiro, porque eu quero que essa mensagem
chegue lá”. E aí foram à guerra e o Dario perdeu, ou seja, o Alexandre ganhou a guerra, pegou todo o ouro,
casou com uma persa, continuou namorando o namorado dele, distribuiu o ouro pra todo mundo, pra fazer
brinco pra todo mundo e pronto
Então, nesse contexto, quanto maior a integração, quanto maior a identidade cultural, se fosse num
contexto de antagonismo intra ou inter cultural, quanto maior fosse a identidade de uma cultura, melhor
forma de dominar, né? E parece ter sido um pouco o que aconteceu entre Macedônia e Pérsia, ou seja, houve
uma identificação, houve um encontro, digamos assim, entre as sociedades, entre as civilizações, elas se
aproximaram e houve trocas, embora houvesse uma dominação, não resta dúvida que era um tipo de
império, digamos assim, mas houve entendimentos, houve trocas e houve construção de cultura ou trocas
culturais, por conta dessa facilidade. É diferente por exemplo das possibilidades de encontro, hoje em dia,
entre judeus e Palestinos, ou entre norte-americanos e palestinos, porque tem uma distância grande.
As estruturas que existiam na visão do autor eram essas independências múltiplas, ou seja, houve
momentos na historia que as independências múltiplas tinham uma plausibilidade, os Estados conseguiam
ter um certo equilíbrio de poder entre eles... houve momentos em que a situação era caracterizada como de
hegemonia, que é uma outra conformação, na hegemonia tem uma prevalência de uma das culturas, mas é
uma prevalência, digamos assim, um tanto quanto tênue, é diferente do domínio que é a terceira forma. No
dominio há claramente uma definição de que alguém manda, alguém domina, já na hegemonia existe uma
prevalência de uma cultura, mas há também um certo espaço para que a outra cultura se desenvolva. Então,
no domínio, pode haver certo espaço, mas ele é reduzido, o espaço da cultura dominada é menor. E tem
propriamente a chamada “administração direta ou império” que aí é explícita a supremacia de uma cultura
sobre a outra, e a outra tem muito pouco espaço pra se desenvolver. Na visão do autor, que acho ser uma
visão muito sofisticada, a história, claro, tem suas limitações, sobretudo em função de ser uma caracterização
de períodos muito longos, depois tem a atuação de eurocentrismos e tudo mais, mas é uma caracterização
bem construída e bem fundamentada, né? Então independências múltiplas é uma possibilidade que seja essa
ideia de equilíbrio de poder...
Aluno: Na hegemonia é o que? É em sentido cultural é?
Professor: na hegemonia tem uma supremacia de uma culturas mas ela é
mais tênue.
Aluno: isso é mais ou menos como o império romano?
Professor: sim, em alguns lugares. Depende muito do lugar. Depende desse
encontro da cultura, ou seja, se a cultura ela é mais fraca, a cultura com a qual se
encontra é uma cultura menos resistente, então isso dá espaço pra que haja
hegemonia, império ou domínio... né? Na hegemonia nós temos uma prevalência de
uma das culturas, mas essa prevalência ela é um tanto quanto tênue, tem mais
espaço, tem muito espaço para também a outra cultura se desenvolver. No domínio
tem menos espaço pra cultura dominada se desenvolver, por exemplo, a língua, ou
seja, umas das questões que mais aconteceram foi a sujeição linguística, então
quando há uma hegemonia há possibilidade de convivência de línguas. Muita gente
descreve a convivência da “pax” americana como sendo uma hegemonia, né? Por
que? Porque, em pelo menos em alguns setores, é possível ter algum espaço para
que a cultura local seja respeitada. Quando há o encontro entre a cultura americana
e a cultura de outros países. Mas isso depende também do contexto, porque em
alguns lugares é Império, em outros lugares é Domínio e em outros lugares é
Hegemonia. Então quando se fala em Hegemonia do império americano, hegemonia
da cultura americana se tá dizendo que há uma prevalência daquela cultura, mas
com certo espaço para que outras culturas também se desenvolvam; quando se fala
em domínio, tem menos espaço para culturas dominadas se desenvolverem; e
quando se fala em Império, o espaço é mínimo.
Aluno: entendi. Foram três denominações agora?
Professor: Quatro. Tem também as Independências Múltiplas, que é quando
há uma espécie de equilíbrio de poderes, né? Tudo isso existiu nessa fase. Nessa fase
de desenvolvimento do Direito Internacional. Em alguns momentos, essas sociedades
se acomodaram quanto (i)independências múltiplas, tanto uma respeitava a outra,
uma tinha medo da outra e uma tinha independência ou relativa independência em
relação à outra. Em outras situações havia (ii)hegemonia, ou seja, uma cultura
tinha prevalência sobre a outra, o elemento central é a cultura, então a cultura tinha
uma prevalência, mas uma prevalência tênue, então estamos falando em
hegemonia... quando se fala de (iii)domínio, tem uma prevalência maior, portanto
um espaço menor para prevalência da cultura dominada, e no (iv)império
praticamente não há possibilidade de respeito da cultura dominada, ela é sujeitada.
Sempre há, porque não há nada que seja pleno, sempre há, então a sociedade mais
sujeita à dominação, ao império, ela vai ter também a sua capacidade de marcar, de
se marcar, ou marcar a sua cultura. [54:27]
Aluno: Professor, então a sujeição linguística é uma característica do
império e do domínio?
Professor: é isso.
Aluna: Professor, então isso quer dizer que numa mesma cultura, a depender
a localidade, a estrutura pode ser diferente? Pode haver hegemonia em uma parte...
Professor: sim, sim...
Aluna: isso justifica até os dialetos que existem, por exemplo, na Itália... em
algumas partes existem vários dialetos e aí, provavelmente, nessa localidade havia
hegemonia..
Professor: sim, exatamente... havia hegemonia.
Aluna: e nas demais localidades...
Professor: ou independências múltiplas ou hegemonia.. exatamente. Já no
império, muito provavelmente, a cultura é sujeitada.
Aluno: Isso tem a ver com o domínio mesmo do estado? O nível né? o
domínio, império? Isso tem a ver com o grau de controle maior? A capacidade do
estado?
Professor: é, então, é isso que a gente tá falando, ou seja, da capacidade de
controle cultural. Que o elemento central aí, na análise do autor, é a cultura.. é o
controle cultural. Ele fala em independências múltiplas, em hegemonia, domínio...
tudo em relação à cultura.
Aluna: Professor, e se acontecer o contrário? se a cultura dominante
absorver algum aspecto da cultura dominada? (resto da pergunta inaudível)
Professor: então, aí significa que aquele domínio ou aquele império, em
alguns momentos, pelo menos... é boa a pergunta porque mostra que em alguns
momentos essas caracterizações elas não são fixas, né? Elas podem ter variado
também no tempo... e aí em relação ao Império Romano, o que se diz é que ele foi
muito forte, muito imperial no início e depois ele foi se acomodando, né? Então
absorveu também muitos aspectos das culturas do outro.

É, esse período que é caracterizado pela prevalência religiosa, então do ponto de vista jurídico, ou
daquilo que nós entendemos como sendo as teorias que fundamentam o Direito, estamos falando de um
jusnaturalismo de base teológica ou cosmológica, o jusnaturalismo de base teológica é quando o elemento
central, a natureza da qual se está falando é o divido, o divino é o elemento central da natureza. E quando a
gente tá falando do jusnaturalismo cosmológico é quando a própria natureza é o que fundamenta o direito.
Então essas sociedades variavam um tanto quanto entre uma fundamentação teológica e uma fundamentação
cosmológica. Então ou era Deus que fundamentava o direito e a política, ou era a própria natureza, a ideia de
natureza, uma espécie de cosmologia.
Como falei anteriormente, os tratados costumeiros, enquanto parte do DI, ou seja, enquanto
elementos, vestígios, elementos de formação, eram os tratados que existiam em função do costume. Como a
lei hoje no Reino Unido e nos países de tradição costumeira, a lei só existe em função de antes ter sido
costume. Quando o costume muda, pode-se estabelecer uma lei. Então estamos falando de algo semelhante.
Tínhamos ainda a ideia de língua franca, o autor anterior falava em língua comum, este autor aqui, o Adam
Watson, está falando em língua franca que é uma ideia muito mais moderna, é uma ideia anterior à
modernidade, vai surgir, digamos, por volta da idade média, e aí aplica a esse período da antiguidade. Na
realidade, então, talvez não se falasse, não tivesse uma denominação, sabia-se que se precisava de uma
língua para redigir os tratados, mas não existia propriamente o conceito de língua franca, é algo mais pra cá
na história.
Tínhamos a figura dos mensageiros, os mensageiros poderiam não voltar da viagem que faziam pra
entregar a mensagem. Todo mundo aqui deve ter visto o filme 300 e viu o que aconteceu com o mensageiro,
né? Perde a cabeça, é uma declaração de guerra... e o mensageiro poderia voltar sem uma perna, sem um
braço, sem um olho... então não era um bom emprego, eles são o antecedente mais antigo do diplomata, que
é aquele que faz negociações amistosas a todo momento... e aí felizmente que não perde mais hoje as partes
do corpo, nem perdem os bens, que até o século XIX, trabalhavam pro governo, o governo caia em
descrédito, né? No plano mundial e aí perdia os bens... Acontecia também com os empresários, um negócio
estável e aí um determinado governo chegava ao poder e não gostava do empresário e bania, perdia os bens
todos... e pra que isso não aconteça mais, existe hoje no DI, com a conformação que nós temos visto, apesar
de todas as limitações que nós podemos verificar ainda.
Com o passar do tempo, sobretudo na sociedade romana, nós vamos ter uma certa tolerância com a
figura do estrangeiro, falei normalmente que o dominado se tornava escravo, mas com o passar do tempo
isso foi se transformando e o Direito Romano ele tratou de civilizar um pouco toda essa barbárie, pois é de
barbárie do que a gente tá falando mais do que tudo nesta Fase.
Tem o que se denominou, desde então, no Sistema Romano de “Jus Gentium” ou direitos das Gentes.
Era um direito para o cidadão não romano, se é que podíamos falar em cidadão. Cidadão é uma expressão
moderna. Mas, enfim, para a pessoa não romana, o jus gentium. E ao longo do tempo essa expressão vai
sofrer transformações, até ser comparado a algo como “Direito Internacional”. Inicialmente tem nada a ver
com o DI, é só um direito para pessoas que não eram romanas, que não eram romanos.
Com o passar do tempo, vai-se entender que vai ser provavelmente a primeira expressão relacionada
ao que nós, hoje, chamamos de DI, mas ainda muito diferente do que nós passamos a entender como sendo
DI. Direito das gentes foi utilizada até que surge Jeremy Bentham, em 1780, que escreve um livro e utiliza
pela primeira vez a expressão “Direito internacional”, em inglês: “internacional law”.
Então este autor foi o primeiro autor a utilizar a expressão “Direito internacional”. Até então se
falava em “Jus Gentium” ou “Direito das gentes”. Inicialmente direito das gentes era todo aquele “povinho”
que não era romano, mas que precisava ter alguma proteção.
E aí com o tempo passa a ser o Direito que serve ao espaço não nacional, ao espaço não estatal. E aí
tem várias obras que falam em Direito das gentes como o que nós entendemos hoje como sendo DI. Em
1780, Bentham escreve essa obra e fala de um Direito Internacional. Então passamos a ter um outro
elemento definidor desse direito que não é o direito estatal, mas o direito de nações. Alguns defenderam que
tivéssemos a denominação “Direito interestatal”, houve uma disputa teórica ao longo do tempo em torno
disso, ou seja, de um direito internacional, de um direito interestatal que terminou vingando, ou seja, se
estabelecendo essa expressão “Direito Internacional”, que também é sujeita a críticas, porque se baseia na
ideia de nação e talvez o DI seja mais do que isso, o elemento nação talvez não seja o elemento que melhor
caracterize isso que nós chamamos de DI, mas é melhor que a expressão “Direito Interestatal”, porque essa
expressão reduz o mundo, esse mundo do direito internacional ao mundo dos estados. E o DI não é só isso, é
um direito de estados, é um direito de pessoas individuais, é um direito de organizações internacionais, pelo
menos...
Aluna: professor, tem uma semelhança com o realismo né? Que tem o foco
no Estado né isso? O direito internacional é um ramo que vai organizar e regular as
relações de estados e também das organizações internacionais, que o senhor acabou
de falar...
Professor: então, o realismo é uma perspectiva teórica que se assenta na
ideia de estado, então um autor que defende a ideia de que o DI está no direito
Interestatal, ou seja, definido como Direito Interestatal, é um autor que nós podemos
considerar como sendo realista.
Então é bem interessante que não tenha vingado essa denominação “direito interestatal”. Porque a
realidade do DI é maior do que suas relações envolvendo estados. Temos pelo menos, além dos estados
indivíduos, temos organizações internacionais, hoje em dia têm empresas transnacionais que também
participam desse espaço internacional, e restam criticas evidentemente à expressão Direito Internacional,
porque a ideia de nação é uma ideia limitada pra descrever o que é o DI. Mas alguma denominação teria que
vingar, teria que se estabelecer, e toda ela seria sujeita a críticas.
Então nós estamos falando de um sistema, ou de sistemas práticos, volto a dizer, tantos estados eram
precários e os sistemas eram práticos, ou seja, claro que existiam tratados, mas existiam mais do que tudo
costumes, ou seja, existia prática. Ou seja, era um contexto, esse da primeira fase de desenvolvimento, de
acordo com Adam Watson, era um sistema de sociedades que se baseavam muito na prática. Ou seja, tinha
um conflito alí, vamos criar algo que vai resolver. Não havia muitos fundamentos, havia a necessidade de
compor certos conflitos e quando havia né? Quando não era guerra que não resolvia as coisas... mas isso
também é importante chamar atenção, porque esse DI antiquíssimo era quase que um direito da guerra. E
alguns autores, depois, nós veremos no desenvolvimento em seguida, falaremos em alguns autores que vão
trabalhar com a ideia de direito da paz e direito da guerra. Por que? Porque vai surgir a ideia de paz que vai
contrabalançar a ideia da guerra.
Mas essa primeira fase é uma fase que se caracteriza como sendo uma fase que tem como foco a
guerra.
E, já antecipando, o que nós falaremos em termos de fundamentos, tem uma corrente inteira, que é o
realismo, que se baseia na guerra. Ainda hoje, têm vários autores que baseiam tudo, explicam tudo no campo
das relações internacionais, portanto também no DI, com base na ideia de guerra.

2. Aula 2 (Aula do dia 13/04) – Segunda fase: Sistema Internacional Europeu

Contexto histórico
Então, quando a gente vai para a segunda fase, a gente vai está falando de um mundo que vai
está muito mais centrado no ambiente europeu.
Essa fase ela começa com a idade média com a queda do império romano do ocidente, e isso é
caracterizado como sendo um período muito conturbado na história. Tem um certo vácuo de poder. Ou seja,
a ausência de um poder, que no caso era o poder do estado romano, ou que se poderia entender como sendo
o estado romano, deixa uma lacuna muito grande, com muitas divisões. E certamente aquilo que caracteriza
essa fase são as invasões bárbaras e toda uma anarquia internacional muito grande. Digamos que a
caracterização do início da idade média é esse período muito conturbado, e só com o tempo se vai
adquirindo uma certa ordem, ou aquilo que se poderia entender como uma certa ordem no plano
internacional.
As guerras, que foram a regra, nós vamos ter uma mudança em relação ao padrão de guerra.
Ou seja, a primeira fase é uma fase que tem tipicamente a guerra como regra. Essas guerras continuam, só
que elas vão ter um padrão um tanto quanto diferente. Digamos que os objetivos são relativamente os
mesmos, mas elas diminuem em intensidade. Os objetivos são a expansão territorial, ou seja, aquilo que os
realistas chamam de glória. A busca da glória.
Por expansão territorial se pode entender não só a expansão do território física, mas a
aquisição também dos bens da natureza que estão no território. E, portanto, boa parte das guerras
aconteceram em função de expansão territorial.
Aconteceram também em função de definição de fronteiras. Esse é um dos elementos,
digamos assim, constituidores do direito internacional. Ou seja, o direito internacional se justifica, ou se
justificou ao longo do tempo em função da necessidade de definir fronteiras. Nós vamos ter tratados, e
sobretudo tratados bilaterais, que a ocorrência de tratados multilaterais é algo relativamente recente. Só vai
ter tratados multilaterais a partir, mais do que tudo no final do século 18, no século 19. É quando nós vamos
ter tratados multilaterais.
Então os tratados são mais como uma realidade bilateral. Ou seja, são cidades que decidem
estabelecer certos acordos. Então, imagine que era uma confusão, uma dificuldade muito grande, havia uma
desconfiança muito grande. O cenário no plano nacional e no plano internacional a política ainda era muito
caracterizada por desconfiança, mas mesmo num contexto como esse, um contexto de muita disputa bélica, e
a guerra era ou a regra ou muito recorrente, então na hora em que se fazia tratados era também muito difícil
de se chegarem a acordos.
Esses acordos tinham que ser combinados em instâncias diferentes por parte dos “conventores”.
Então, dois estados se encontravam, depois um daqueles estados se encontrava com outro estado, por
exemplo, França com Alemanha, Alemanha com a Suíça. Cada um estabelecia acordos diferentes, ou em
bases diferentes e era muito difícil, muito complicado chegar a um denominador comum nesse contexto de
muita desconfiança. Então, nesse contexto de muita desconfiança se dava também as guerras de conquista,
principalmente as guerras relacionadas à conquista do Oriente, em função de definição de fronteiras.
Mas também em função do controle político. E esse é um momento histórico em que as
disputas eram muito caracterizadas pela predominância de determinadas famílias ao lado de determinados
reis ou de determinados estados. Talvez não seja muito adequado falarmos em estados propriamente durante
toda essa fase, porque o estado, a depender evidentemente da nossa compreensão e da nossa interpretação, o
estado só vai surgir muito tempo depois. É só a partir do tratado de westfalia é que muitos autores
consideram que nós vamos ter propriamente estado, ou o estado como nos entendemos nos dias de hoje.
Então, as guerras continuam continuam em função de expansão territorial, em função de
definição de fronteiras, de controle político, esse controle político exercido mais do que tudo por famílias, e
nesse contexto todo surge uma religião que tem uma predominância, sobretudo no contexto europeu, e que é
o Cristianismo.
O cristianismo vai deixar marcas muito profundas no que diz respeito ao direito internacional,
muitos dos institutos do direito internacional, ainda hoje vigentes, ainda hoje com significados, eles foram
organizados, foram propostos, foram iniciados nessa fase. É o caso, por exemplo, de todos aqueles acordos
conhecidos como “bons ofícios” que surgiram no ambiente de “papa”. Foram os papas que propuseram os
bons ofícios.
Um grande exemplo de bons ofícios é o tratado de Tordesilhas, que o papa Alexandre VI
definiu, aí combinando uma negociação envolvendo Portugal e Espanha em torno das terras descobertas nas
américas. Ou seja, as terras em que exatamente o Brasil hoje está e que o Brasil descumpriu junto com os
portugueses, mais do que tudo portugueses e brasileiros também, e a gente tem uma conformação territorial
superior ao que está definido no tratado de Tordesilhas. Mas isso também é revelador que há algo importante
para a nossa discussão, do ponto de vista histórico que é essa disputa entre o poder temporal e o poder
religioso, que é uma característica da idade média e da idade moderna. É isso que vai fazer também que nós
tenhamos marcas no direito internacional que são resultantes desses embates. Ou seja, essa é uma fase
caracterizada por uma disputa envolvendo os papas, o poder católico ou o cristianismo, que queria exercer,
ou buscava exercer uma predominância sobre o sistema internacional, sobretudo o sistema europeu, e os reis,
os imperadores que queriam manter o controle e foram vitoriosos, ao longo do tempo foram vitoriosos e por
isso nós temos o estado-nação e nós temos as marcas do direito internacional, temos o instituto do direito
internacional. Só tem sentido falar do direito internacional porque o direito internacional surge, ou se
consolida como uma conformação a partir dos estados-nação, tanto quanto direito internacional interestatal,
é disso que nós estamos falando.
Se o estado-nação deixar de existir é muito provável o direito internacional deixar de existir ou
adquira uma outra conformação. Pode ser até que suplante os direitos nacionais, suplante o estado nacional.
Mas tudo isso está na ordem, digamos assim, do que se pode presumir, do que se pode acontecer. O autor
fala também da cisão da igreja, ou seja, a reforma ela tem um papel importante também no próprio controle
do poder religioso e no fortalecimento do poder temporal.
As guerras continuam existindo, como eu falei anteriormente, guerras também por motivações
religiosas. Ou seja, além daqueles elementos que eu falei anteriormente, que o autor faz referência, também
tem a situação religiosa. Ai, imediatamente a gente lembra das cruzadas porque os estados que dominavam
esse sistema europeu.
Professor critica a forma de estudar o desenvolvimento histórico e diz que fazer Salto da idade
média para a idade moderna é desconcertante porque não foi assim que aconteceu.
Então na idade moderna, em função dessa disputa envolvendo o poder temporal e o poder
religioso, a gente vai ter o fim da monarquia, ou melhor dizendo, do absolutismo. Ou seja, o poder
monárquico, ao mesmo tempo que se consolida ele também tem uma série de limitações, e dentro disso aí o
autor fala no conceito que é muito importante para a nossa discussão que é o equilíbrio de poder.
Porque que a gente fala em equilíbrio de poder? Ou porque o autor faz tanta questão de
mostrar a importância do equilíbrio de poder. Porque o equilíbrio de poder é um princípio que, se é que já
existia, quando o autor falava, por exemplo, naquelas independências múltiplas. Ou seja, houve momentos
na antiguidade em que os estados, ou aquilo que nós podemos entender como o início do desenvolvimento
dos estados, eles tinham alguma preocupação com a sobrevivência deles próprios e com a sobrevivência dos
outros enquanto independência múltiplas.
E quando se fala em equilíbrio de poder, que é um conceito que nasce dentro do realismo, nós
falaremos a respeito da fundamentação histórica e filosófica do cenário internacional, das questões
internacionais, das relações internacionais e eu não falaria apenas das teorias de direito, falaria também das
teorias das relações internacionais. E aí surge o realismo, e é muito caro ao realismo falar nessa ideia de
equilíbrio de poder.
Se ela já existia antes, digamos assim, não tão explicita, ela se torna muito conhecida, muito
fundamentada, muito estudada nesse período que a gente pode entender como o período de maior
desenvolvimento do direito internacional. Porque? Porque é através do equilíbrio de poder. O equilíbrio de
poder a gente pode entender como um princípio do direito das relações internacionais, por meio do qual os
estados começam a entender que eles precisam limitar o poder dos outros e deles próprios, para que seja
possível uma convivência melhor, uma convivência com mais recorrência de paz, digamos assim. Com
menos ocorrência de guerras.
O realismo potencializa muito esse princípio, mas os idealistas também trabalham com a noção
de equilíbrio de poder. Então, podemos entender esse equilíbrio como a possibilidade de limitar a ocorrência
de guerras. E num determinado momento, quem precisava ter o poder limitado era o Reino Unido e
principalmente a França (a França de napoleão que precisava ser contida).

Aluno: Professor, sobre esse equilíbrio de poder, é como se os estados que exercem uma forma de
dominação, uma hegemonia, tivessem mais (dispostos eu acho) a aceitar essas limitações diante do
equilíbrio é isso?
Professor: É isso.

Tem diferentes compreensões de equilíbrio de poder, mas numa maneira geral se pode entender
como a forma de estabelecer limite ao poder, ao excesso de poder que os estados podem ter.

Então, o equilíbrio de poder que foi estabelecido com base naqueles países que tem maior
poder econômico, mais poder militar, e que estão no conselho de segurança com poder de veto. Isso depois
da segunda guerra. Então se chama isso de equilíbrio de poder. Esses estados são como que garantidores de
uma paz, a paz possível.

Aluno: Então quando os Estados Unidos desobedecer ao conselho de segurança sobre a guerra do Iraque é
como se fosse um desequilíbrio de poder?
Professor: É. Pode se entender como sendo um desequilíbrio de pode também.

Durante a guerra fria, ou seja, durante a disputa entre os Estados Unidos e a União Soviética se
diz que também existia um equilíbrio de poder. A bipolaridade era, talvez a melhor acepção atual de um
equilíbrio de poder. Então, aquele que se orientava pela concepção (ou pretensão) norte-americana ficava
com os norte-americanos; quem pretendia ficar com os soviéticos ficava com os soviéticos e aí se garantia
uma certa paz no mundo. Mas isso também é ao mesmo tempo contraditório e sujeito a reparo porque
depende da interpretação.
Então o autor fala também de um sistema que pode ser descrito como um certo sistema de
equilíbrio. Ou seja, que é característico dessa época, sobretudo do século XIX. Esse período, não todo o
período evidentemente, mas quando o tempo vai avançando e nós vamos chegar próximo a terceira fase,
então nós vamos ter esse sistema de equilíbrio de poder baseado no princípio de equilíbrio de poder.
E o princípio do equilíbrio do poder se dá em função da consolidação dos estados nacionais, da
consolidação de um sistema internacional, garantido por esses estados europeus e que considera importante
que os Estados sejam independentes e que sejam regidos pelo princípio da soberania. Esses dois elementos:
independência e soberania, são elementos centrais para a definição desse sistema de equilíbrio de poder. Ao
mesmo tempo o autor também fala no princípio do processo de descolonização. Ha quem fala em três ondas
de descolonização.
A primeira aconteceu quando surgiram os estados nas américas, os estados da américa latina
que depois foram surgindo ao longo do século XIX; a segunda onda acontece entre a metade do século XIX
e o final do século XIX, com a criação de estados na África e na Ásia. Mais do que tudo na Ásia.
E a terceira onda acontece em meados do século XX, embora isso seja sujeito a reparo também,
porque ao longo do tempo foram criadas estado-nações. Além dos estados europeu, digamos que nunca
deixou de surgir novos estados, mas digamos que essas ondas se concentraram mais no início do século XIX,
em meados e final do século XIX que é a segunda onda, e a terceira onda em meados do século XX,
sobretudo depois da criação da ONU. Anos 60 a África cria uma série de estados e ai a gente vai tendo uma
conformação completamente diferente do sistema internacional que vai alterar o próprio padrão do sistema.
O sistema era europeu e vai deixar de ser essencialmente europeu para ser um sistema global.
Esse processo de descolonização envolve países da Ásia, África e das américas. Falando em
termos de marcos históricos o autor menciona a ideia de Pax cristiana.
É provável que eu não tenha feito referência à pax romana, já que isso é bastante conhecido, ou
seja, é um conceito que se relaciona com essa ideia de equilíbrio de poder, ou dependendo do autor, pode-se
dizer que um estado pode ser como garantidor de um certo equilíbrio de poder. Então Roma teria tido um
certo equilíbrio de poder e tanto se pode falar nesses termos que quando o poder romano ruiu, a vida social
virou um caos. Deixou de existir uma ordem porque tinha-se uma certa organização da vida social, a que se
chamava pax romana, e aí vem agora o que autores chamam de pax cristian.
Aluno: Professor, tem uma discussão sobre direito internacional que é um direito que não teria
propriamente um campo de sansão, porque no direito a gente aprende que é de fato sanção e norma e no
plano internacional não teria essa sanção dada a soberania dos próprios países então essa questão do
equilibrio de poder, funcionaria, por exemplo ‘os países hegemônicos se juntam fazendo um acordo e diz: a
gente tem que limitar o poder de todo mundo em prol do benefício geral’. Isso funcionaria como uma
sanção para o direito internacional.
Então, é um direito diferente. Não tem validade, não tem sentido ser igual ao direito nacional,
exatamente em razão da soberania. Agora não concordo inteiramente que não tenha sanção. Tem sanção,
agora elas também são de formas diferentes e dependem também da área do direito internacional.
No meu entender, quando se trata de segurança nos termos atuais, tem uma cogencia maior. O estado
que desafiar a ordem internacional, por exemplo, querendo vender/ter armas nucleares nos dias de hoje sem
ter essa permissão por parte do sistema vai ter grandes problemas. Através de sanções econômicas, por
exemplo.
Então é um contexto muito complicado de se avaliar e é isso que não pode simplificar a discussão
dizendo que em ou não tem. Depende do contexto, do momento e do tema.
Então, um tema como direitos humanos não tem tanta cogencia. Ou seja, vai variar também
dependendo do subtema. Se for algo como genocídio também não se pode dizer que é tão fácil alguém se
livrar do crime de genocídio se não for norte-americano. Se for norte-americano pode se livrar mais
facilmente porque os EUA não ratificaram o tratado que institui o Tribunal Penal internacional. Se for
colombiano também pode se livrar mais facilmente, porque a Colômbia sofreu pressões norte-americanas
para não ratificar o tratado.
Mas se for nacional de outros países, vários nacionais de outros países têm sido levados aos tribunais
penais ad hoc e ao tribunal penal internacional para serem julgados. Então, depende do tema. A gente pode
dizer que tem uma cogência, agora depende muito. Isso não é muito diferente, ao meu ver, do sistema
nacional. Estamos vendo no sistema nacional brasileiro que a lei vale mais para alguns de que para outros.
(...) domesticar as relações internacionais entre Estados cristãos, o que significava dizer que os
Estados cristãos não deveriam fazer guerra. Mas a guerra era plenamente possível e existia a noção de guerra
justa de cristãos contra cristãos e não cristãos para cristianizar. Essa é uma das dimensões da pax Cristiana.
Era possível estabelecer uma certa paz entre estados cristãos, mas eles faziam guerra e eram as cruzadas que
faziam guerra contra outros estados na busca de expandir o poder cristão na terra.
Aluno: Ou aumentar o domínio financeiro, não é?
Professor: Era, era tudo junto, é aí que nasce o capitalismo. Não era somente a intenção de
cristianizar os povos. Nos dias atuais, numa categoria chamada de pós-colonial, há quem trabalhe com a
ideia de que a cristiniazação NÃO foi essencialmente para cristianizar, mas em função de outros elementos
como, por exemplo, para consolidar o sistema econômico, ou seja, tudo o que menos se queria era
cristianizar. Queria adquirir poder, queria construir esse sistema econômico que hoje nós conhecemos como
capitalismo.
As grandes navegações são elemento muito importante no desenvolvimento do sistema e altera
a noção de mundo. O mundo era tido como uma terra plana, as pessoas não tinham a noção de que havia
planetas, ou muito poucas pessoas tinham essa noção. Ainda hoje há pessoas que pensam que a terra é plana,
infelizmente. Mas num determinado momento houve as grandes navegações e isso mudou completamente o
entendimento a respeito do mundo, entendimento geográfico mundial e aí também se amplificam os
conflitos, porque se o mundo é maior e se a própria noção do espaço terrestre é maior, se ampliam, na
verdade, começam os conflitos sobre o mar, ao mesmo tempo dos conflitos sobre o mar, desenvolve-se o
direito internacional do mar. Veja, hoje, muito recentemente, a partir de 1982, passou a existir o tribunal
do mar. O orientador do professor Jayme foi juiz do tribunal do mar, Vicente Rangel.
Aluno: O direito do mar tem aquela convenção de Montego Bay, não é?
Professor: A convenção de Montego Bay é uma convenção sobre questões ambientais e que se
relacionam com o mar também. Tem várias outras convenções como a própria convenção sobre direitos do
mar e que institui o tribunal do mar.
Mas até se chegar aí, houve um desenvolvimento muito lento do direito internacional do mar.
Quem teve prevalência em relação a isso no mundo foram os ingleses. Embora os portugueses e os
espanhóis tenham tido prevalência na conquista e tenham disputado com eles, os ingleses dominaram os
mares. E aí tem uma referência importante para Maquiavel. Maquiavel é um autor que surge para fomentar
completamente o entendimento entorno do poder. O poder passa a ser entendido... É provável que essa
mudança tem a ver com o entendimento que se tem do mundo, porque se o mundo, a terra não é plana, nós
temos que repensar a vida, as nossas compreensões e isso pouco a pouco foi possível. Com Maquiavel o que
se faz é mudar o entendimento, ou seja, se o poder era entendido como sendo um poder teológico, as pessoas
chegavam ao poder em função de uma proximidade com Deus, a partir de Maquiavel se sabe como o poder é
conquistado e como ele se mantém. Ele dá aulas de como conquistar o mundo e se manter no poder. Embora
possa chegar à conclusão que ele propriamente ensina a fazer o mal, pode-se dizer também que ele ensina
como se fazia para chegar ao poder e nele se manter. Foi ele quem mostrou, descortinou a realidade.
Pouco a pouco vai havendo uma consciência em torno do malefício das guerras, embora
ampliem esse poder entre estados e governantes, mas ela também contribui para a repercussão do
entendimento do poder econômico dos Estados. Com as guerras, o poder econômico de alguns Estados é
eliminado e outros prevalecem. Tem uma dicotomia sobre o contexto das guerras. Mas, sobretudo os
idealistas porque eles tem um papel importante nessa domesticação do cenário internacional para mudar o
entendimento das coisas. Se o mundo foi dominado entre essas concepções realistas e idealistas, os idealistas
têm razões nas coisas e os realistas tbm. Mas os idealistas tem papel importante como instituto de
instituições do direito internacional. Não seria possível ter organizações, arranjos e tratados internacionais
unilaterais sem a idealização dos idealistas. Se dependesse dos realistas nada disso existiria. O que existiria
eram somente guerras. Essa crescente consciência de que as guerras são o malefício da sociedade tem muito
a ver com os idealistas e liberais, mas não no sentido de que temos hoje entre direita e esquerda, mas liberais
no sentido dessas pessoas que acreditam que os sistemas internacionais podem ser domesticados como o
sistema nacional com base na lei, nos princípios, pode ser melhor aplicado. Ainda nesse contexto e mais para
o final do desenvolvimento dessa fase, a gente vai ver em função dessa onda de descolonização, mas
também de outros processos, a gente vai ter o surgimento de alguns Estados que vão disputar significado e
espaço na ordem internacional ou na anarquia internacional, dependendo se for um realista ou idealista que
esteja caracterizando este período. Então, EUA e Japão surgem e dizem ao sistema europeu que querem
fazer parte desse sistema. Depois outros Estados se criaram na América Latina e que também dentro do
sistema vão buscar ter significado, mas primeiramente surgiram EUA e Japão, adentraram no sistema e
pediram para ter uma voz, uma participação, ainda tímida, mas isso vai acontecendo aos poucos, e tendo a
expansão aos poucos também.
A gente vai chegando na terceira fase, que não pode ser caracterizado como um sistema
europeu, mas como um sistema global, porque não só os países da Europa faziam parte, mas Estados
independentes nas Américas, na Ásia, na África (paulatinamente no século XX). Em termos de marcos
relacionados ao direito internacional público podemos considerar: a guerra justa, uma limitação ao que
existia na antiguidade porque tudo era guerra, toda guerra era justa, possível, justificável e aqui no ambiente
europeu, ou seja, nessa fase de desenvolvimento controlado pelos cristãos (pax Cristiana), surge muito em
função dos autores católicos (santo agostinho, por exemplo), tem muito a ver com essa concepção de guerra
justa (a guerra era inaceitável entre estados cristãos, mas plenamente adequada se for contra os não cristãos)
e vai ter toda uma discussão sobre o que fazer com a população dos Estados das sociedades não cristãs, que
estavam sendo conquistadas. Boa parte dos autores justifica que deveria dominar, que, se fosse possível,
matasse, torturasse em função das concepções cristãs, ou seja, para cristianizar, fazer o bem. Digamos que o
direito internacional tem muito disso ainda hoje, defendendo que determinados sejam levados para o
caminho do bem, para a democracia, ocidentalizados.
Aqui podemos fazer referência à consolidação do Estado Nacional como sendo dotado 3
elementos. Entendemos que o Estado Nacional só existe tendo a ideia de um governo independente
(soberania), de um território definido e indivíduos. São exemplos disso Mônaco e Vaticano. O Vaticano só
se justifica em razão do poder católico no passado. Há dúvida se tem pelo menos um desses elementos. O
mais difícil de caracterizar é a população. Qual a população do Vaticano? Há quem diga que são todos os
católicos espalhados pelo mundo, mas todos os católicos do mundo têm diferentes nacionalidades, não são
cidadãos do Vaticano. Certamente tem gente que mora lá, mas são poucas pessoas. Ainda que seja pouca,
pode-se chamar de população.
É muito importante falar desses elementos porque eles vão dando sentido à noção de Estado e
de Direito internacional. Só tem sentido falar em direito internacional quando tem consolidados estados
nacionais. O princípio da soberania nasce como resultado do poder absoluto. Inicialmente era a soberania
do soberano.
Aluno: o Estado nação também entra nesse contexto de consolidação de estado nacional?
Professor: O Estado nação é produto desse processo de constituição do direito
internacional/nacional dos Estados.
Então, a soberania é princípio, elemento do soberano, o rei é quem detinha o atributo da
soberania e ao longo do tempo vai se modificando o conceito de Estado, a própria ideia de estado é
modeladora dessa mudança. Nos dias de hoje também se fala em soberania popular. Então, podemos
vislumbrar a soberania assim: do rei para o Estado, do Estado para o povo.
A consolidação do estado nação está relacionada a todos esses processos, ou seja, os processos
se cruzam: o contratualismo (o estado nasce como parte, sobretudo com Hobbes em O Leviatã, resultado de
um contrato social porque o homem, nos termos da época, é o lobo do outro homem e precisa de paz para
levar a vida em sociedade); o utilitarismo jurídico, o constitucionalismo jurídico (O Estado é
constitucionalizado, a constituição é o elemento que vai garantir a existência do Estado e depois vai garantir
a ordem internacional juntamente com os tratados. Essas coisas vão estar cruzadas; o positivismo... Ou seja,
são processos que se cruzam/comunicam e vão consolidar o Estado Nacional.
Vários foram os autores que trabalharam a ideia de paz perpétua, um deles é Kant, não é o primeiro
e nem o único, mas é o que tem trabalhos consistentes. Poderemos falar dos Idealistas ou do Liberalismo,
falaríamos também de Abbé de Saint-Pierre, que foi provavelmente o primeiro a falar na ideia de uma paz
perpétua. Mas Kant ficou conhecido pela formulação cheia de consistência, em relação a outros que
trabalharam essa ideia de paz perpétua.
Essa ideia por determinado momento dessa fase vai tendo significado, se aguçando como o que
depois se constitui como o Concerto da Europa no século XIX. Depois na prevalência do Nacionalismo
francês, nós vamos ter o Concerto da Europa que é esse arranjo de Estados europeus com o objetivo de se
domesticar no ambiente europeu, domesticar no Direito Internacional de base europeia. Esse Direito
Internacional será garantidor de uma certa paz, em especial no ambiente europeu. Provavelmente liderado
pela França, Reino Unido, Rússia, Alemanha, Holanda e certamente outros Estados também, mas
principalmente pelos mencionados, os demais eram atores menores, subalternos, em relação a esses que
entravam no sistema. Contudo, o Concerto da Europa servia muito a eles também, servia aos grandes
Estados porque eles organizavam a vida de modo a conter as pretensões de grandiosidade de alguns Estados,
principalmente o francês, mas servia a Portugal também, à Espanha.
O concerto da Europa é descrito por Adam Robinson como sendo aquele que é garantidor de
independências múltiplas, ou seja, entre 80 e 100 anos nós vamos ter essas independências múltiplas, o
mesmo conceito utilizado na fase anterior é utilizado agora e se comunica com a ideia de equilíbrio de poder
(é um arranjo definido por esta ideia). Este equilíbrio não pode ser visto no sentido apenas idealista, o qual é
relacionado à distribuição igual de poderes – que não existe –, alguns Estados (um, dois ou mais) tem uma
prevalência e garantem uma certa paz durante um certo tempo. Aqui o Concerto da Europa vai sendo
descrito pelo autor como sendo caracterizado por essas independências múltiplas, ou seja, esses Estados que
tinham pretensões integralistas, eles contém por determinado tempo essas suas pretensões para evitar a
guerra; as guerras que existiram foram mais em outros contextos, na África, América Latina.. a Europa foi
preservada de grandes guerras graças ao Concerto da Europa. Esse é um momento também caracterizado (ou
seja, o Concerto da Europa) por uma igualdade política, aquilo que vem desde Vestfália, ou seja, a ideia de
igualdade jurídica entre Estados é definidora desse momento do Direito Internacional, embora tenha uma
certa idealização nisso porque alguns são mais iguais que outros, tem paridade no plano interno.
A ideia de legitimidade do Estado que houve no espaço internacional, esse também é um elemento
definidor do que se chama Concerto da Europa, sobretudo em função da resolução de controvérsias
internacionais. Esse momento ocorreu no século XIX e, especialmente, no século XX (que vamos falar na
próxima aula do século XX, deste sistema global, vigente com todas suas limitações, é quando se tem o
grande momento das soluções pacíficas de controvérsias internacionais), notadamente foram criados e que
tinham pouco significado na Antiguidade e na Idade Média começam a ter um significado maior, a ideia de
fontes do direito é muito mais presente, é fundamentada, e tudo isso vai facilitar esse processo de solução de
controvérsias internacionais.

Como eu falei na aula anterior, a expressão “Direito Internacional Público” só vai surgir em 1780
com Jeremy Bentham, antes se falava no direito “das gentes”. Há uma disputa em torno da denominação
nessa fase, quando se chega nessa terceira fase isto está pacificado, não se tem mais grandes dúvidas que é
Direito Internacional (alguns autores, apegados ao passado, hoje se referem ao direito das gentes). Até o
século XIX não era assim e havia essa disputa em torno do direito interestatal, direito internacional ou
direito das gentes. No século XX que se pacifica essa discussão. Então, podemos entender o direito das
gentes como sendo um direito em que nós vamos ter normas e princípios jurídicos que serão consistentes
com soluções pacíficas de controvérsias internacionais. Durante boa parte desse período a fundamentação
era Jusnaturalista, nós falaremos desta fundamentação em relação ao Direito Internacional nas aulas sobre
fundamento do Direito Internacional. O autor faz referência a uma série de eventos, uma série de elementos,
incluindo as Embaixadas que não surgem aqui, mas se consolidam nesse período. Não só as embaixadas,
mas a atividade diplomática passa a ser muito mais presente, significativa, a partir do século XIX.
Portanto, no final desta segunda fase do desenvolvimento do Direito Internacional ou da Sociedade
Internacional (nos termos utilizados pelo autor) tem uma série de intervenções ou mecanismos que vão
sendo fundamentados pelos autores que são entendidos como autores do Direito Internacional; e as
arbitragens, os pós-ofícios, eles já têm uma série de características básicas já construídas pelos autores. Os
tratados, sabe-se muito melhor o que é um tratado, quando tem vigência, vários princípios que orientam os
tratados, a ideia do território/espaço territorial europeu e não europeu, tudo isso vai se consolidando.
A ideia de comércio internacional e de relações internacionais, com o início da terceira fase, daí
surge uma disciplina, trata-se das Relações Internacionais, no início do século XX, fruto do processo do
desenvolvimento da segunda fase da sociedade internacional. E, muito provavelmente, os Tratados de
Vestfália são grande parte na instituição dos Estados Nacionais e do Direito Internacional (mesmo não tendo
essa designação Direito Internacional, enquanto um direito das gentes). Vestfália é de 1648, antes do livro
de Jeremy Bentham, e é a partir daí que se legitima a ideia da Comunidade dos Estados Nacionais, esta é
baseada em dois elementos: a ideia de igualdade dos Estados, os Estados precisam garantir o que se entende
como independências múltiplas - respeitar uns aos outros/garantir a independência um dos outros-, portanto,
esses Estados têm direito à soberania. Estes dois elementos são definidores do Estado Nação e desta ordem
(ou, para os realistas, desordem) internacional.
Toda discussão em torno das fontes do direito, sobretudo estatais, ele tem uma grande guinada é que
a principal fonte do Direito Internacional ou, como mais apropriado à época, direito das gentes eram os
costumes internacionais e passam a ser os tratados a partir do século XIX, no final desta fase. O tratado
passa a ter mais significado que os usos e costumes no plano internacional.
Pergunta: Essa fase é antes da primeira Guerra Mundial?
Professor: Isso! A próxima fase começa com as Guerras e esta fase termina com, digamos assim, com o
insucesso do Concerto da Europa. Ele não garante mais a paz, surgindo a Primeira Guerra Mundial.
Depois desta, temos os elementos dessa terceira fase, ela tem significado com o fim da Primeira Guerra
Mundial, com o surgimento da Liga das Nações.

Pergunta: A segunda fase só vai surgir depois do Tratado de Vestfália né? Com relação aos Estados?
Professor: Antes existia um Estado com poucas características, com elementos não tão palpáveis. Há toda uma
consciência nacional/internacional da necessidade desses elementos dos Estados, da necessidade da
soberania, principalmente, e da ideia de independência.

Comentário do prof: Para boa parte dos autores é aí que surge o Estado Nação, em Westfália. Trazem
entendimentos de como deve ser a vida social.

Pergunta: Uma coisa, também, que eu penso a respeito é até que ponto é viável essa autonomia do Direito
Internacional? E eu digo isso porque o Direito Internacional depende de uma inter-relação entre países
soberanos e hoje, cada vez mais, a tendência é que países semelhantes se unam e possuam uma intervenção
muito grande. Aqui temos o caso da União Europeia... A criação de uma constituição única para a União
Europeia, pensando-se que esse é Direito Internacional, isso seria uma autonomia ou seria formada para
um direito global? Entende?
Professor: É um processo de formação, não é muito diferente em relação ao Direito Internacional. Por isso,
existe hoje, em alguns lugares/países, obrigações internacionais no ambiente europeu. Se vai se tornar um
direito internacional global é difícil dizer, mas digamos que há força nessa ideia.
Aluno: Eu acho interessante que são países distintos com características muito distintas, que tentam criar
normas em comum para regular tudo.

3. Aula 03 (Aula do dia 16/04) – Relações entre o DIP e as outras áreas do conhecimento e do
direito

Vocês devem ter ouvido falar nas margens de fronteiras. A antropologia tem uma série de autores que
têm trabalhado com o D. internacional, um desses autores faz estudos a como o D. internacional surgiu em
espaços que não são tidos como espaços típicos do D. internacional (como por exemplo espaços de
comunidades indígenas e comunidades não tradicionais/não importantes – na visão do autor eurocêntrico).
Os antropólogos de hoje em dia, sobretudo considerando o desenvolvimento relacionado àquilo que
podemos entender como teorias pós-modernas, têm considerado essas comunidades. Por exemplo, algumas
decisões internacionais têm considerado o valor histórico dos índios, o valor econômico. A corte
interamericana de direitos humanos já tem uma série de abordagem, produzida por antropólogos, e que
ajudam a fundamentar o D. internacional. Considerando, por exemplo, a história das mulheres em
determinado lugar. A partir daí perceberam que o D. internacional deveria considerar nas suas decisões
também essa produção social/histórica dessas comunidades antes invisíveis. A psicologia social também vai
contribuir nessa noção de multidisciplinaridade.
Cada vez mais os estudos, não só no D. Internacional, buscam ajuda de outras áreas, porque nenhum
conhecimento é pleno (como imaginava os iluministas). A ideia antiga era isolar um objeto para entendê-lo,
hoje em dia já se sabe que não há como conhecer um objeto plenamente e muito menos que isola-lo é a
solução. A psicologia aqui vai colaborar com o D. internacional quando, por exemplo, nas guerras, nos
conflitos, os estudiosos da psicologia poderão mostrar seu conhecimento/ajudar procurando entender como
determinados comandantes/governantes, como as pessoas que estão na linha de guerra, poderão desenvolver
suas ações. É claro que ai há toda uma dose de realismo (as teorias realistas nos campos do D. internacional),
imaginação e construção (numa perspectiva liberal) e poderá ser utilizada para contribuir nessa área.
A ciência política contribui na medida em que estuda a política. O Direito estuda a política internacional,
só que com uma dose de normatividade grande como em toda área do direito. Se tiver uma decisão da corte
interamericana de direitos humanos, por exemplo, um aluno de ciências políticas vai tentar entender que
processos políticos estão por trás disso. Um aluno de direito, qual a relevância normativa acima de tudo.
As relações internacionais contribuem com relação às teorias que veremos nas próximas aulas. Teorias
do direito e teorias das relações internacionais. Essas teorias foram sistematizadas pelos cientistas das
relações internacionais. Analisam todos os elementos principiológicos da política, não só do direito. Hoje se
fala em um direito constitucional internacional. São direitos nacionais que precisam dialogar com o restante
do mundo. Esse direito internacional é uma área de interseção. Vocês já devem ter ouvido falar em estudos
recentes sobre o constitucionalismo latino americano. É um constitucionalismo que envolve várias
constituições latino americanas.
O direito adm. tem uma contribuição na medida em que temos organização internacional e esses
organismos precisam do d. adm. para sua própria organização. O direito penal e processual penal se envolve
no que tange ao direito internacional penal. Não se imaginava, há algumas décadas, a possibilidade de o
direito internacional ter normas penais. O direito penal sempre foi visto como uma seara típica do direito
nacional. Rafael Lenti (não sei se o nome é esse mesmo) saiu da 1ª guerra mundial falando sobre tratados
que tratassem sobre a possibilidade de punir ações a nível internacional (por exemplo, genocídio), e hoje nós
temos 4 tipos: genocídio, crimes de guerra, agressão e contra a humanidade. Isso era inimaginável há
algumas décadas atrás, porque era transferido a punição penal à soberania nacional. Não se imaginava que o
estado pudesse se desvencilhar dessa soberania para que os seus fossem julgados na seara internacional.
Diante disso foi necessário criar normas processuais (e não só substantivas) para regular a aplicação do
direito penal.
O direito ambiental não é mais uma matéria de interesse interno. Isso porque as normas internas nem
sempre são eficazes, é preciso ter outras instâncias para fazer valer determinadas normas. O que essas
conferências internacionais fazem? Monitoram o tratado. É feito um relatório e especialistas do mundo
inteiro, com base em estudos especializados, vão estudar isso. Outra área são os direitos humanos que antes
da 2ª guerra nem se imaginava. O constitucionalismo visava dar as garantias, mas não tinha a normatividade
e arquitetura (em termos de organizações internacionais) que temos hoje. Vamos ter tratados em âmbito
global, tribunais também. O elemento mais visível quanto ao d. tributário é a evolução dos processos
económicos (em relação ao ambiente da união europeia/mercosul).
A arbitragem pode ser de direito público ou privado. Público quando são realizadas entre estados e podem
ser a nível internacional também. O que é uma arbitragem? É a constituição de uma jurisdição a doc.
Nós temos árbitros internacionais, que são conhecidos, são formados para exercerem essa arbitragem. A
arbitragem ainda é vista como uma forma de solução de controvérsia que se esgota quando o conflito é
resolvido. Mesmo existindo um árbitro, uma organização que congrega esses árbitros e tem caráter de
permanência, a arbitragem se inicia quando duas pessoas, no caso dois Estados estão em conflito e termina
quando é resolvido. Estamos falando da arbitragem internacional de direito público, envolve Estados.
O Mercosul tem uma jurisdição arbitral - judicial. Ele fala que tem mais característica de jurisdição
judicial do que arbitral.
Zé: o Tribunal pode rediscutir a decisão do árbitro? Digamos assim, é possível rediscutir a coisa. A
princípio, para que haja segurança jurídica, o tratado que dispõe sobre a arbitragem pode prever sobre
isso, no sentido de que resolvendo o litígio, não caberia recorrer ao judiciário. Mas a política é mais forte
do que certas normas. E é possível que o assunto seja rediscutido. Ele falou do caso recente entre o Chile e
o Peru, não foi redefinida os limites das fronteiras terrestres entre os países.
Em relação ao direito privado, o direito financeiro tem cada vez mais necessidade de regular as
operações no âmbito internacional, em razão da globalização. O comércio internacional sempre existiu.
Se é matéria de interesse público ou é matéria de interesse privado. No direito internacional público,
a prevalência é no interesse estatal. No caso do direito internacional privado, a prevalência dos interesses são
das empresas ou dos indivíduos.
Há outra questão também, as normas que instituem os direitos dos estrangeiros são de direito público
ou de direito privado? Boa parte da doutrina entende que é matéria de direito internacional privado (a
maioria).
Em relação às arbitragens entre empresas e Estados são tidas como matéria de direito privado.
Digamos que a Tim tem um conflito com o Estado. A arbitragem, nesse caso, é de direito privado. Envolve
uma empresa transnacional e o Estado brasileiro. A maior parte da doutrina entende que é matéria de direito
internacional privado. Porque a prevalência de interesse é privada, é comercial.
É plenamente aceito no meio internacional a utilização da arbitragem.
Quando o Estado define regras gerais e não pode se desvencilhar da posição de Estado, ali está o
direito internacional público. Isso é o que a parte da doutrina publicista defende. Mas outra parte da doutrina
defende que a definição, se será matéria de direito público ou privado, é a prevalência do interesse, se do
Estado ou do particular. Se a arbitragem for realizada entre duas empresas, é matéria de direito internacional
privado.
Hoje podemos falar em um sub-ramo do direito internacional, que é o direito das organizações. Só a
partir da criação da ONU vamos ter a criação da própria ideia de que alguns tratados representam a
constituição de uma organização internacional.
A área espacial também tem normas que definem normas. A lua e outros corpos celestes não é sujeita
à soberania. Têm tratados internacionais que regulam o que pode ser feito nos corpos celestes. O direito
internacional do mar regula algumas áreas que não são suscetíveis de soberania.
O direito internacional comunitário está relacionado às comunidades internacionais, sobretudo às
cooperações econômicas, aquilo que diz respeito a normatização e arranjos econômicos como o
MERCOSUL, UE, NAFTA, tudo isso é parte do direito internacional comunitário. A ideia de que
comunidades internacionais agregam valor.
O direito internacional dos direitos humanos reflete a ideia de que é possível ter uma jurisdição
internacional no âmbito regional para proteger contra violações de direito humanos, quando no plano interno
não se consegue determinados resultados. Isso também é novo considerando a história do direito
internacional.
O direito internacional dos refugiados é parte do direito internacional público. Surgiu na mesma
época do direito humanitário.
Alan: Está relacionado com aquela coisa do judeu é?
Resposta: Está relacionado à guerra de uma maneira geral. Mas certamente está relacionado às duas
guerras do século XX. Já no final do século XIX já haviam algumas regras de direito humanitário e de certa
maneira sobre o direito dos refugiados. A suíça tem muita contribuição nesse sentido. E por isso muitos
organismos de direito humanos e de direito humanitário estão no solo suíço.
Há diferença entre direito internacional humanitário, que tem vigência no âmbito do conflito de guerras; e
direitos humanos, que têm vigência no âmbito do estado democrático de direito.
O direito humanitário existe em situações onde há conflitos armados e guerras. Se vincula muito com
a ideia de direito internacional dos refugiados. Porque os refugiados só existem no contexto de guerra e
conflitos armados ou assemelhados.
4. Aula 4 (Dia 18/04)
Quadro:
1. Comunidade internacional
2. D.I / sociedade / comunidade internacional
1. Geral e especifico
● Carta das nações
● Carta da OEA
1. Global e regional
● Protocolo à convenção das N.U. sobre a mudança do clima
● Convenção interamericana para prevenir e punir a violência contra a mulher

DAMENTO DO DIP
1. Teorias voluntaristas
1. Autolimitação da vontade (Georg Jellinek)
2. Vontade comum ou coletiva (Hetrcch Triepel)
2. Teorias objetivas
3. Teoria da norma jurídica (Hans Kelsen)
4. Jusnaturalismo
● Teológico
● Cosmológico
● Racional (jusracionalismo)
1. Teorias ecléticas

Áudio:
A partir de agora a gente vai falar bastante a respeito dos tratados gerais, os tratados específicos, os
tratados de caráter global, os tratados de caráter regional, tudo isso vai fazer parte da nossa linguagem, e
depois começar a falar sobre o fundamento do direito internacional.
Bom, vamos lá para essa distinção entre comunidade e sociedade internacional, essa é uma distinção
que vem do âmbito interno, vem do, não diria tanto do direito, mas da sociologia, do âmbito da sociologia no
plano interno, ou seja, se aplica ao âmbito nacional, aos âmbitos locais e com a criação do direito
internacional essa noção foi levada, também, para o âmbito internacional.
Então certamente vocês já ouviram falar em comunidade internacional, como já ouviram falar em
sociedade internacional. São coisas distintas: o que que a gente entende quando fala em ‘comunidade’?
Independente, antes de falar em ‘comunidade internacional’, o que que nós entendemos quando falamos de
‘comunidade’? E o que que nós entendemos quando falamos de sociedade?

Allan: para mim, comunidade é algo específico, não sei se estou certo.

Jayme: é algo mais específico, geralmente é algo mais próximo da gente. E sociedade é algo mais
ligado ao interesse. Interesse, necessidade, ou seja, a gente faz parte de uma sociedade quando a gente tem
alguma coisa, interesse… por exemplo: a sociedade teatral, quem participa da sociedade teatral é quem tem
interesse no teatro. Seja em produzir, seja em atuar, seja em criar… Não é preciso haver uma ‘comunhão’
digamos assim.

Quando nós falamos de comunidade é justamente quando há essa aproximação. A gente fala em
comunidades eclesiásticas, ou em comunidades acadêmicas, comunidades da região metropolitana do
Recife, ou seja, tem uma ideia de aproximação. Pois bem, digamos que na sociologia alemã se fez a
distinção de que quando se fala em comunidade diz que este vínculo é mais espiritual! Essa aproximação
maior, essa necessidade de aproximação maior. Enquanto que quando se fala em sociedade se está falando
em algo relacionado a um interesse ou necessidade! A ideia de interesse-necessidade é algo que tá presente
na fundamentação do Direito.

De acordo com as teorias se fala muito em necessidade e em interesse. Interesse jurídico, o interesse
social, sobretudo o interesse jurídico. Então é muito mais apropriado falar em ‘interesses’ quando nós
estamos falando da ideia de ‘sociedade’. Que carrega também a ideia de um ‘pacto’, a ideia de um acordo,
ou seja, fazemos parte de uma sociedade quando há um acordo mínimo, uma base de acordo. Quando
falamos de comunidade é algo que independe de acordo, é algo anterior a um acordo. É muito mais
espiritual, os laços para além do interesse, para além da necessidade. Simplesmente fazemos parte de uma
comunidade por questões filosóficas, por questões que nos enchem a alma, digamos assim
Então essa discussão foi levada também para o âmbito internacional e é por isso que alguns autores
falam em comunidade internacional ou em sociedade internacional.
E a distinção que se faz é de que quando se fala em Sociedade internacional há esse PACTO, há um
ACORDO para que os Estados, sobretudo os Estados, façam parte desta sociedade. E ai vamos lembrar da
primeira designação para a LIGA DAS NAÇÕES ou SOCIEDADE DAS NAÇÕES, ou seja, a ideia de que
Estados, os mais variados, de diversas partes do mundo, com INTERESSES e com CULTURAS
JURÍDICAS DISTINTAS fazem parte de uma SOCIEDADE. Ou seja, seria mais apropriado, de acordo
com certos teóricos, para o plano internacional, falar na SOCIEDADE INTERNACIONAL envolvendo
esses Estados. E hoje em dia o Direito Internacional NÃO É formado apenas por Estados, é formado
também por INDIVÍDUOS e por ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS.
Quando Organizações Internacionais e indivíduos adentram o espaço internacional, essa questão se
COMPLEXIFICA ainda mais. Por isso certos autores dizem que é mais apropriado falar em sociedade
internacional quando nós estamos falando de culturas das mais distintas, cultura jurídica das mais distintas
entre essas culturas jurídicas, por exemplo, tem Estados que são mais voltados para uma dimensão legal,
outros que são mais voltados para uma dimensão mais costumeira, alguns aceitam mais princípios do direito,
outros aceitam menos… Portanto de acordo com certos autores seria mais apropriado falarmos em, para
disseminar, para este espaço internacional: Sociedade Internacional.
Já outros, os chamados comunitaristas, acham mais apropriado em função - como que eu poderia
chamar? - da necessidade de significado maior a esse espaço internacional, um significado de caráter
construtivista seria mais adequado falarmos em COMUNIDADE. Sabemos que tem culturas jurídicas
diferentes, culturas sociais variadas, mas em função de aproximar essas culturas seria mais adequado
falarmos em COMUNIDADE INTERNACIONAL.
Não vai haver um acordo em relação a isso, portanto se trata de uma escolha que nós temos que
fazer. A partir de agora, vocês devem fazer essa escolha, falar em sociedade ou em comunidade
internacional, se vocês têm uma ou outra aproximação, se você se identifica com uma ou outra
fundamentação. Se vocês acham que um sistema de estados formado por, por exemplo, o Haiti que é um
estado pequeno, um estado pobre com o Brasil que é um país médio, com uma população maior, depois tem
a China que tem muito mais poder econômico e uma população muito maior também, tem uma história
muito mais longa… então se você considera que apesar dessas diferenças todas é adequado, nos dias de hoje,
falarmos em comunidade internacional e que esses países, as organizações internacionais, os indivíduos
foram capazes de chegar ao espaço internacional e constituir que daqui para diante ainda vai, tem essa
pretensão de criar um espaço maior de interesses internacionais, pode ser adequado se falar em comunidade
internacional. Mas se você considera que o espaço é tão distinto, as culturas gerais, as culturas sociais, as
culturas jurídicas são tão distintas que não há esse elemento comunicado, esse elemento espiritual, essa
identidade, essa identificação entre os Estados, vocês podem falar então em Sociedade Internacional.
Quando falar em sociedade vão estar falando em um espaço muito mais orientado em função de
necessidades, interesses e de um pacto.
A gente pode falar de uma comunidade, sociedade internacional geral ou específica, global ou
regional. Eu vou explicar de uma outra forma, ou seja, se eu acho que a ONU possui a Carta das Nações
como a sua constituição, se eu acho que a constituição de ONU ela representa a possibilidade de construção
de um espaço espiritual internacional em busca da paz, é bem apropriado falar em comunidade internacional.
Agora se eu acho que este espaço nada mais é do que interesse, construção de diálogos, pacto, acordo, será
mais adequado falar em Sociedade Internacional. A ONU é uma sociedade de Estados.

A partir desta escolha (sociedade ou comunidade) nós temos essa categoria: sociedade internacional
ou comunidade internacional geral ou específica. O que é esse conceito de sociedade ou comunidade geral
ou específica? Depois nós teremos também tratados internacionais gerais, tratados internacionais específicos,
tudo dentro dessa discussão. Porque um tratado geral ou um tratado específico se refere a discussão sobre
uma comunidade ou sociedade internacional.
Vocês viram que o título do livro do autor Adam Watson é SOCIEDADE, ou seja, a evolução das
sociedades internacionais, ele está fazendo uma escolha, uma escolha teórica que é, eu acredito que ele está
dizendo de outra forma, que acredita que o que existe no âmbito internacional é o ACORDO entre estados.

A noção de paz vai variar no conceito adotado: na comunidade a ideia de paz ela é mais sentida, mais
significativa e no caso de sociedade pode ser algo simplesmente temporário, passível de acordo.

Você lembra o que se fala em comunidade do MERCOSUL, por que falar em comunidade e não em
sociedade? Porque existe um elemento ai que é o que justifica falar em MERCOSUL é um elemento ligada à
IRMANDADE entre os estados latino americanos. Tem uma história comum, tem uma língua, não
comum, mas, parecida…. então, seria justificável falar em comunidade do MERCOSUL porque tem algo
que nos vincula e que é maior do que um interesse simplesmente comercial.

Bom, então temos a sociedade ou comunidade internacional, geral ou específica.


Geral: é aquela que diz respeito a uma GENERALIDADE de assuntos, de questões. Então falando
em termos de TRATADO, um tratado geral ou um exemplo de um tratado geral é a CARTA DAS
NAÇÕES. A Carta das Nações trata da organização das nações unidas, trata de instituir a organização das
nações unidas, trata de alguns princípios, muito gerais, em relação ao funcionamento da ONU, então não
resta dúvida de que é um tratado GERAL e que diz respeito a uma sociedade ou comunidade internacional
GERAL.
E a carta da OEA trata de um tema ESPECÍFICO, ou melhor, não de um tema específico mas
de uma sociedade ou de uma comunidade específica. A comunidade geral é a comunidade da qual todos os
estados do mundo podem fazer parte, mas além disso a temática ou o conjunto de temas é de caráter
GERAL.
Enquanto que os temas da carta da OEA, são de interesse específico dos estados que fazem parte da
OEA. Se um Estado de fora das américas quiser entrar na OEA, não poderá e a resposta será porque está é
uma sociedade ESPECÍFICA, ela é RESTRITA a determinados estados do planeta que estão nas américas.
E uma sociedade ou comunidade é global ou regional de acordo com a abrangência TERRITORIAL.
Então quando a gente tá falando de uma sociedade ou comunidade GLOBAL é aquela do conjunto de
países do mundo. O conjunto dos países do mundo pode fazer parte da convenção do pacto das nações
unidas sobre a mudança do clima que faz parte ou não se não quiserem, mas é aberto a todos os estados no
âmbito global.
Já com relação a convenção interamericana, por ex., para prevenir ou punir a violência contra a
mulher, a participação está restrita ao ambiente regional, convenção de âmbito regional.

Uma sociedade ou comunidade global pode regular um tema específico. Como é o caso da
convenção, pacto das Nações Unidas sobre as mudanças do clima: ela é específica e geral. É uma convenção
sobre matéria ambiental, regula o meio ambiente internacional.
Um assunto com abrangência como a convenção internacional dos direitos humanos, convenção
internacional do meio ambiente, normalmente a convenção específica ela trata de um TEMA; vai ter
algumas que podem tratar de mais de um tema, mas o pacto GERAL trata de um tema só.

FUNDAMENTO DO DIREITO INTERNACIONAL:


E eu falei, espero que tenha deixado claro, desde a primeira aula, que eu considero que as teorias do
âmbito do direito elas explicam um pouco o que acontece no âmbito internacional. E é por isso que eu ia
trazer as teorias das relações internacionais, elas surgiram há menos tempo, tem tendências mais
contemporâneas para explicar o que acontece no âmbito internacional, embora elas também apresentem
limitações porque são TEORIAS.
Qualquer teoria é uma forma de enxergar o mundo, de explicar o mundo, de explicar um determinado
fenômeno, tem limitações nas explicações. Então não buscam a verdade, embora alguns digam que sim,
buscam acessar a verdade, buscam explicar um fenômeno como ele é, como dizem os realistas, mas antes de
falar dos realistas, vamos falar das teorias no âmbito do Direito.
Então, as teorias são: VOLUNTARISTAS e digamos que tem uma certa impropriedade no ambiente
internacional porque elas ao mesmo tempo tem uma explicação, ou seja, o motivo pelo qual elas foram
utilizadas para explicar o direito, eram usadas para explicar o direito como um todo. Tanto no direito privado
quanto no direito público. E hoje o direito que a gente conhece vê muito mais as LIMITAÇÕES dessas
teorias porque os elementos centrais delas são elementos que já não atualizam o que existe no ambiente do
Direito e do Direito Internacional.
Então se fala nas teorias voluntaristas que se subdividem em teorias: TEORIA DA
AUTOLIMITAÇÃO DA VONTADE e TEORIA DA VONTADE COLETIVA. As TEORIAS
OBJETIVISTAS, a TEORIA DA NORMA JURÍDICA que todo mundo aqui conhece, mas como é que
ela se aplica ao direito internacional? Como é que Kelsen justifica o direito internacional?
O JUSNATURALISMO que tem pelo menos essas três formas: o jusnaturalismo de base
teológica, o jusnaturalismo de base cosmológica e o jusnaturalismo de base racional que também é
chamado JUSRACIONALISMO.
E há quem fale também nas teorias ECLÉTICAS, ou seja, aquelas que juntam elementos de várias
teorias, sobretudo considerando os desenvolvimentos metodológicos, sociológicos, filosóficos do século XX
que demonstram que existem limitações dentro das teorias e que nenhuma teoria explica tudo. Se uma teoria
explicasse tudo, então seria possível nós vincularmos elementos de várias teorias e encontrar uma explicação
que nos satisfaça.
Essa é uma perspectiva, digamos que, consistente com um mundo que é muito PÓS MODERNO.
Porque há um tempo atrás isso não era possível, certamente vocês já se deram conta de que algumas teorias
disputam tanto entre si que seus expoentes são inimigos um dos outros, no passado isso era muito mais
latente. Então se alguém defendia uma posição inteiramente, ferrenhamente uma teoria diferente da outra,
ele iria com a sua teoria até o fim.
BOM... e por isso para chegarmos nas nossas teorias que não são tão abertas assim, são teorias BEM
FECHADAS, BEM MARCADAS e que procuram uma explicação para o Direito Internacional.
O elemento central das teorias voluntaristas é a ideia de VONTADE, ou se preferirem, a ideia de
AUTONOMIA DA VONTADE que é tão cara, por exemplo, ao Direito Civil. Vocês que já estudaram o
direito civil sabem que a ideia de VONTADE faz parte dos CONTRATOS e passou a fazer parte também
dos TRATADOS.
Podemos entender, inclusive, que um estado pode fazer parte de um tratado se estiver de acordo com
ele. Então, está ali presente a ideia de vontade, é a vontade do soberano ou a vontade do Estado, ou a
vontade do povo, dependendo da compreensão que se tenha da SOBERANIA. Então o Estado precisa estar
presente ou a VONTADE do Estado precisa estar presente para constituir o Direito Internacional. É com isto
que trabalha as teorias voluntaristas.
A teoria da AUTOLIMITAÇÃO DA VONTADE diz que o próprio Estado autolimita a sua vontade
para permitir o surgimento do Direito Internacional e logo apareceram aqueles que criticaram a ideia de
autonomia da vontade. Porque vão perguntar aos seus expoentes: ‘como os estados vão querer delimitar a
sua própria soberania ou a sua própria vontade?’
Entendido aqui ‘soberania’ como um elemento que se constrói a partir da vontade estatal. Porque
existe no âmbito interno a vontade do indivíduo que constrói o direito no plano interno, que constrói também
o direito que constitui o Estado, no plano internacional esta vontade é formada pelos ESTADOS, pela
VONTADE DOS ESTADOS. Então o expoente da ideia de Autolimitação é o JELLINEK. Vai trabalhar
com essa ideia da autolimitação da vontade. É o próprio estado, em função da emergência, digamos assim,
de uma outra ordem internacional, que cria, ou melhor, limita a sua própria soberania dando a possibilidade
da criação do Direito Internacional. Mas ai os críticos, eu sou muito de ouvir os críticos, dizem ‘como é que
um Estado em sã consciência vai querer limitar a própria vontade? que Estado é esse? que Soberania é essa
que faz com que o próprio estado permita, se depender do Estado, ou se dependesse do Estado ele jamais
limitaria sua própria soberania’
Não pode ser a vontade, muito menos a autolimitação da vontade o fundamento do direito
internacional, então se não pode ser a autolimitação da vontade que justifica o direito internacional, o que
será? Se for o elemento vontade, aparecem alguns autores, como é o caso de Triepel que vai falar da vontade
comum ou da vontade coletiva, então da vontade comum dos Estados, os Estados resolvem num ambiente
comunitário criar o direito internacional, limitar as suas soberanias, ai criam o direito internacional. E uma
grande crítica feita a teoria da vontade, ou voluntarista, que coloca o elemento vontade como elemento
central, para explicar o direito internacional, é que nós estamos falando de um elemento que vem do direito
privado, a ideia de vontade, ou que tem seu grande lugar no direito privado. Como é que isso pode ser
passado para o plano do direito internacional público, embora essa fundamentação alcance também o ramo
privado do direito internacional, o direito internacional aqui não é só o público, mas o privado também.
A maioria dos autores, tirando aqueles que são normativistas, trabalham com a ideia de objetividade,
e as teorias objetivas tem uma certa relação com o realismo. Então falando das teorias objetivistas, o
elemento vontade, ai cria uma disputa enorme entre os objetivistas e os voluntaristas, que os objetivistas, de
um lado, questionavam a ideia de vontade aplicada ao direito internacional, vão dizer “não, não é a vontade,
não pode ser a vontade que justifica o direito internacional”, tem que ser um elemento objetivo, como dirão
os realistas, “a realidade”, uma forma então de dizer isso, ou de explicar ou de justificar o direito
internacional é dizer “o direito internacional se impõe como uma realidade, uma necessidade, ai aqueles
elementos que aqui apareciam para descrever a sociedade vão estar muito evidentes aqui, é interesse e
necessidade que fazem com que direito internacional tenha surgimento. Interesse ou necessidade, ou seja, os
mesmos elementos que vão distinguir “comunidade de sociedade”.
Então os objetivistas vão dizer que o direito internacional existe porque se impõe como algo
necessário, e pra isso muitos jusnaturalistas vão ser um tanto fundamentais para justificar. Portanto não tem
como separar muito as teorias objetivistas das teorias do jusnaturalismo porque muitas vezes elas se
entrelaçam, sobretudo no início da formação do direito internacional contemporâneo, porque era necessário
um apoio junto a um elemento central da teoria jurídica e esse apoio, ou elemento central, era o direito
natural. Então autores, por exemplo como Triepel, vai se valer muito, embora justificando numa base um
tanto quanto objetivista, mas ele vai justificar também com base no direito natural o direito internacional.

A teoria da norma jurídica é conhecidíssima por vocês, talvez até mais do que qualquer outra teoria,
sobretudo em Kelsen, trabalha com a ideia de que as normas são fundamentadas por outras normas
superiores, até nós chegarmos na constituição. Mas quando chega na constituição, para justificar o direito
internacional? Como é que o direito internacional é justificado? Acima da constituição ou por sobre a
constituição tem algo que justifique o direito internacional?
Prof: a norma fundamental seria a constituição?
Alunos: não, acima da constituição tem uma norma hipotética que daria validade a constituição”
Prof: certo, muito bem, e a gente pode entender essa norma fundamental como o que?
Alunos: É uma norma hipotética
Prof: É uma norma hipotética, mas essa norma hipotética é o que? O direito natural?
Alunos: não sei
Prof; a quem diga que sim, que é o direito natural, porque é algo que não estar muito claramente
definido.

Na parte do direito internacional é um princípio chamado pacta sunt servanda, é o que estar por cima
das constituições, integraria essa norma geral não tão clara. Pacta sunt servanda, a ideia de que todos nós ou
sobre tudo os Estados estabelecem acordos para serem cumpridos. Portanto, é por isso, ou seria por isso, que
os Estados deveriam cumprir as normas de direito internacional, mas essa é uma, e outra uma vez eu gosto
dos críticos, ou seja, há sempre uma explicação normativa, que se serve e muito para justificar o direito
interno, ela serve menos para justificar o direito internacional, será que é só a normatividade que justifica o
direito internacional? A normatividade nacional e essa norma hipotética da qual faz parte o princípio pacta
sunt servanda?
Então a gente vê ai que são teorias que demonstram uma certa limitação na hora de explicar o direito
internacional, elas podem ser muito factíveis e justificáveis para o direito nacional, mas no âmbito do direito
internacional têm certas limitações.
E o jusnaturalismo, de todas as teorias é a base mais antiga delas. Pra falar do jusnaturalismo é
sempre bom lembrar de uma peça que tem dois mil e quinhentos anos, chamada Antígona, certamente já
ouviram falar ou já assistiram a peça. E nessa peça a heroína está em uma situação difícil. Ela cometeu uma
ilegalidade, mandou descumprir a ordem do rei, seu tio Creonte. Havia uma disputa pelo reino, pelo poder, e
o rei e os irmãos de Antígona estavam disputando em lados distintos, e o exército do rei abateu um dos
irmãos de Antígona e decretou que ele não poderia ser enterrado, que o corpo dele deveria ser colocado em
uma colina para ser consumido pelos abutres, além da morte, essa era mais uma pena. E ela disse que não ia
cumprir essa decisão, foi lá lavou o corpo, prestou todas as homenagens que era da época e enterrou, então o
rei manda chama-la e pergunta por que? Afinal de contas o que que faz com que aquela mulher descumpra a
ordem do rei? Embora sendo sua sobrinha, por que que ela descumpriu a ordem do rei, e ela vai pagar por
isso, vai terminar serrada em uma caverna para morrer de fome, mas se mata antes, mas a resposta dela é o
que nós interessa aqui, ela disse que: “descumpriu porque existe uma ordem superior a lei dos homens”, e
essa ordem superior é o que se chama de direito natural, teológico, cosmológico ou racional, nesse caso ai é
o direito natural que eu diria estar entre o cosmológico e o teológico, que ela vai dizer que é “algo superior”,
ela não diz exatamente de onde vem esse direito, se é um direito divino, se ele é um direito que vem na
natureza em si, ou seja, nós iriamos entender como cosmologia, um direito natural cosmológico, aquele que
vem da natureza em si, ou seja, a própria natureza justifica o direito.
É como dizendo assim “nós somos inteligentes suficientes para aprender com a natureza, a natureza
nós ensina o que é o bom e o certo, o que é o direito”. Aquela pessoa que acredita que o direito é
fundamentado pela cosmologia ou pelo direito natural cosmológico, tem essa tendência a acreditar que a
nossa natureza, a natureza humana, a ideia de natureza humana nós ensina como conviver em sociedade, e se
nos ensina como conviver em sociedade criando Estado, também os Estados são guiados para criar o direito
internacional. Ou então aqueles que vão dizer realmente que a divindade é que fundamenta o direito, e,
portanto o direito internacional também, ou seja, se a divindade fundamenta o direito, dirá também que os
Estados devem formar o direito internacional.
Para os jusnaturalistas, digamos assim, a história tem um papel menor na criação do direito e na
criação do direito internacional, porque tem um elemento superior, seja ele a natureza em si, a divindade ou
a razão que vai estar fundamentando o direito e o direito internacional. Então, como eu já falei pra vocês,
Triepel trata de fundamentar o direito internacional com base em elementos objetivistas, mas também com
base em elementos de direito natural. Então ele vai lançar mão do direito natural pra dizer “os Estados criam
o direito internacional porque a natureza, não é a natureza, mas o direito da gente é uma criação orientada
pelo direito natural”, porque assim é quase como dizer que é da natureza dos Estados encontrar com os
Estados e, portanto, precisar do direito internacional.
E ele será racional como o iluminismo, ou seja, o jusnaturalismo racional é aquele que surge com o
iluminismo que pretendeu retirar do centro das atenções à natureza e a divindade e colocar no seu lugar a
razão. Por isso que é chamado também de jusracionalismo, o direito natural e racional, ou jusnaturalismo
racional. E esse jusnaturalismo é baseado na razão, ou seja, aquele elemento que constitui toda natureza
humana é a razão. E se ele é constituidor da natureza humana, a razão é parte da natureza humana, é o que
nos faz diferentes dos outros animais. Todos os outros animais têm elementos que podem ser fundamentais,
importantes para a existência do mundo, mas eles não têm algo que os seres humanos têm que é a razão.
Então, a razão faz com que não só exista base para justificar o Direito de uma maneira geral, mas o
Direito Internacional também. Existe uma razão de Estado que justifica o próprio Estado, e que justifica que
se crie o Direito Internacional. O professor particularmente acredita que essas teorias jusnaturalistas são
muito datadas, pelo menos de pelo menos 2500 anos, embora o jusracionalismo seja bem mais moderno, mas
acha muito difícil nos dias de hoje essas teorias justificarem o Direito e o Direito Internacional. Porém ainda
tem muita gente, como ele falou em outras aulas, que tem justificado a própria existência humana, da ideia
de naturalismo. E ai a gente tem que fazer a distinção entre natureza, ou seja, a natureza ela existe, ela faz
parte de nós ou nós fazemos parte dela. Mas dai ela ser justificativa pra tudo? Fundamentação pra tudo,
sobretudo sobre para traduzir o que é construção humana? Enfim...
Por conta das limitações das teorias, tem aqueles que defendem o ecletismo. Então surgem as teorias
ecléticas. E esses não acreditam na possibilidade de se ter uma explicação plena, uma explicação única, uma
explicação universal. A ideia de universalidade é característica, sobretudo das teorias jusnaturalistas. A ideia
de universalizar resultados, universalizar visões.
Então, por conta dessas limitações surgem essas possibilidades de ter outras leituras. Ou seja, vai se
dizer que nenhuma teoria é capaz de explicar a realidade. Nenhuma teoria é capaz de explicar o direito, e
nenhuma teoria sozinha, por conta da limitação humana, não vemos tudo, por conta da nossa própria
limitação física, nossa própria limitação existencial, acaba que não podemos compreender tudo. E se não
podemos compreender tudo, as teorias são limitadas. Sendo limitadas, vamos aproveitar elementos dos mais
distintos que nos satisfaçam das várias teorias e explicar os fenômenos. Então, isso valeria também para o
Direito Internacional.
Entre os ecléticos há muitos relativistas em oposição ao universalismo, que vão buscar explicações
muito pontuais, muito localizadas no tempo e espaço. Então, eles vão preferir ter uma explicação pra
determinados fenômenos, pra determinadas situações. O MERCOSUL, por exemplo, temos uma explicação
única para todos os processos de cooperação regional. Cada processo de cooperação vai ter uma explicação,
vai ter uma fundamentação. Então o MERCOSUL vai ser o que? Que pode considerar elementos da vontade
e ao mesmos tempo elementos da nova jurídica porque houve um tratado de fundação, um tratado que
definiu a criação, e houve uma definição de uma vontade de estados, dois estados, o Brasil e a Argentina que
resolveram inicialmente conversar a respeito do MERCOSUL. Esse é um processo que é diferente da União
Europeia.
Não tem como explicar o Direito Internacional todo, mas os fenômenos dentro do Direito
Internacional terão explicações que são próprias para ele, que se forma no tempo e espaço.
Perguntaram como encontrar esse conteúdo no livro, resp: (no livro que ele tava na mão, o assunto
tava titulado assim:) cap. 2. Teoria do direito internacional, cada autor vai dar um título para o que ele quer
abordar, tem toda essa instrução sobre o que é o direito internacional, discutindo qual o sentido de direito
internacional, o fundamento em termos conceituais. É um livro mais detalhado, mais para mestrado, ele
aconselha para a graduação ler um manual que é mais simples, ele gosta muito do de guido soares, no drop
tem dois manuais de direito internacional.
Aluna Pergunta: prof, fiquei em Dúvida sobre as teorias objetivistas.
Resp do prof.: É um dado objetivo, não é a vontade. Não é a vontade que define o Direito
Internacional, tem certa paridade com o realismo. O realismo diz que o Direito Internacional existe porque
é um fato do mundo.
Aluna: que elemento real seria esse?
Resp: o interesse e a necessidade, porque ele é útil, necessário, porque os Estados têm interesse no
direito internacional, nós não vamos pensar em fundamentos mais espirituais do que esses, são elementos
muito concretos, a necessidade e o interesse.

5. Aula 5 ( Aula do dia 25/04)

Quadro:

TEORIA PRINCIPAI AUTORE LEGADO INSUFICIÊN SITUAÇÃ


S S CIA O
ELEMENT
OS

→ Estado: Tucídides; A força Pessimismo; Conselho


principal Maquiavel produz Força como de
sujeito; ; efeitos. argumento. Segurança
REALISMO → Anarquia Hobbes; da ONU.
internaciona Edward
l; Cam;
→ Natureza Morgentha
humana; u;
→ Guerra. Samuel
Huntingto
n.

Preocupação Hugo Utopia Estruturas Brasil;


principal: Grotius; constrói dissociadas da Liga das
Indivíduo; Kant; Direitos realidade. Nações.
Racionalism Everd Humanos?
IDEALISMO o; Voltel;
\ Organizaçõe Jeremy
LIBERALIS s Bentham;
MO internaciona Woodrow
is; Wilson;
Cooperação Thomas
Internaciona Moore;
l; Fukuyama
Paz; .
Comércio
internaciona
l livre.

Crítica ao Karl Consciência Economicismo Realpoliti


Capitalismo; Marx; de classe; . k
Luta de Eric Diferenças soviética;
classes; Hobsbaw Culturais Política de
MARXISMO Estado: m; historicame Chávez.
instrumento Samuel nte
de Pinheiro construídas.
acumulação Guimarães
de capital; ;
Exploradore Walstien.
s
X
explorados;
Anti-
imperialism
o.

Áudio:

Essas Teorias foram sendo construídas ao longo dos anos, mas só foram sistematizadas quando a disciplina de Dire
Internacional é criada, o que só acontece no início do século XX, mas existem autores da antiguidade que defendem
Realismo, o Idealismo e, os mais recentes, o Marxismo.
Além delas, vamos falar - nas próximas aulas - das teorias alternativas das Relações Internacionais, que surgiram m
recentemente, nos anos 80 do século passado, e têm o condão de atualizar as teorias mais antigas, de mostrar como o mun
vem se desenvolvendo ao longo dos anos no plano internacional.
Essas teorias alternativas são: o construtivismo, teorias críticas, pós-modernas, pós-coloniais, feministas e as teorias Qu
(dentro das teorias de gênero).
As tradicionais são o Idealismo, Realismo e Marxismo. Podemos dizer que elas disputam significado entre
principalmente o Idealismo e o Realismo. Nós vamos ver que elas vêm de longe – da Idade Média – e, naquela segunda fase
desenvolvimento do Direito Internacional, já estavam muito presentes. E mais, no séc. XIX, o Marxismo surge para dispu
espaço com o Idealismo e o Realismo.
A tabela serve para facilitar o entendimento da matéria, os principais elementos da teoria, alguns dos principais autores.
O Realismo é uma ideia que reúne diversos elementos, mas o elemento central a ser analisado nas relações internacion
é o Estado, ou seja, o Estado é o grande sujeito nas relações internacionais. O realismo é “estado-cêntrico”, digamos ass
pois coloca o Estado no centro das análises das relações internacionais.
O Realismo trabalha com a ideia de que não existe a possibilidade de uma organização da vida social entre os Estad
essa vida é anárquica. Surge a Ideia de Anarquia Internacional.
O Realismo trabalha com a ideia de que isso não vai mudar, porque o elemento central para entender o que acontece
plano internacional é a guerra, ou seja, os Estados, mesmo que busquem melhorar as condições de guerra, mesmo que
guerras] tenham sido reduzidas em seu significado, nunca haverá uma paz permanente. Haverá sempre conflitos, o q
caracteriza a vida entre os Estados.
O que caracteriza a vida social entre os Estados é a ideia de guerra. Nesse sentido, alguns autores são importantes p
entender a perspectiva do Realismo.
Tucídides talvez seja o autor mais antigo numa perspectiva realista. Ele escreveu, há cerca de 2500 anos na Grécia Anti
uma obra denominada “A História da Guerra do Peloponeso”, uma guerra entre Atenas e Esparta. É um livro denso que bu
chegar a verdade: “qual o sentido da guerra? ”
É um livro que expõe a guerra como elemento central. Ao escrever essa obra, o autor [Tucídides] diz que em todas
guerras acontece aquilo que ele viu, que ele presenciou, no livro.
Não é muito diferente da perspectiva de Maquiavel. Claro, muitos séculos depois. No livro o ”O Príncipe” de Maquiav
o ensinamento é que a política é um elemento cultural, diferente do que se entendia no passado, que a política era entend
como elemento da natureza. A partir de Maquiavel, passamos a entender que a política é uma expressão da época. De
forma, por Maquiavel, se você quer ascender, observe como a política foi feita até agora.
Ele [Maquiavel] vai consagrando uma série de elementos do passado e do presente, para demonstrar como a política
realizada, numa perspectiva tida, também, como realista. Nesse sentido, ele analisa os elementos estruturadores da ideia
Realismo Político e do Realismo Internacional.
Hobbes vem dizer, também seguindo a ideia de natureza humana, que o ser humano é essencialmente mau. Mais p
aqui, claro que dando muitos pulos, pois é uma aula expositiva focada mais no D. Internacional.
Edward Cam, no séc. passado, escreveu um livro chamado “Vinte anos de crise”. Esse livro também é uma perspect
Realista. Realista em que sentido? No sentido de que ele trabalha com uma visão contrária ao Idealismo de que o mundo n
estava indo em bom caminho. Aquilo que estava sendo criado entre o final da 1ª Guerra Mundial e a 2ª Guerra Mundial,
viu como algo que não era seguro. Ele [Cam] não via segurança nas instituições que estavam sendo criadas. O arra
internacional que estava em vigência (liga das nações) também não passava segurança para ele. Esse autor serve para qu
quer entender as relações internacionais entre as duas Grandes Guerras do ponto de vista pessimista.

Outro autor que contribuiu bastante para a teoria realista foi o Samuel Huntington. Ele escreveu um livro muito famo
chamado "O choque de civilizações". Essa obra trabalha com a ideia de que existem nove principais civilizações no mun
entre elas a civilização Ocidental, Latino-americana, portanto, a civilização Latino-americana não é parte, na visão dele,
civilização Ocidental.
Temos ainda as civilizações Africana, Sínica (Chinesa), Japonesa, cada uma delas com suas características fundamenta
O autor diz, ainda, que, a partir dos anos 80/90 do séc. passado, os conflitos que existiriam no mundo seriam entre civilizaçõ
conflitos civilizatórios. Não seriam conflitos ideológicos, políticos, e sim conflitos em função das característi
civilizacionais. Atualmente, muita gente vê pertinência no que ele falou, pois nossa política, seja no plano nacional
internacional, é muito caracterizada por elementos culturais, divergências cultura
Um autor que, também, ficou muito conhecido nesse ramo foi o Morgenthau e fundamentou a utilização do Realismo pe
norte-americanos no âmbito internacional. É, portanto, um autor de referência no estudo das relações internacionais.
Resumão do Realismo: essa é uma perspectiva que trabalha com uma ideia de que o Estado é o grande elemento
análise. Só existe política internacional porque os Estados querem e na medida que o Estados venham a querer, porque
cenário internacional é anárquico e toda tentativa que tenha havido, no sentido de domesticar o cenário internacional
limitada. Alguns vão dizer que ela é vã, não é séria e, dependendo do realista, vão achar que ela seja domesticada até ce
ponto, pois o que caracteriza o cenário internacional é uma disputa permanente, assemelhado com uma guerra. Em funç
dessa disputa os Estados podem fazer guerra. Não necessariamente uma guerra do passado, uma guerra que era permanente
relação à primeira fase do Direito Internacional, mas travestida de guerra fiscal, comercial, etc.
Um Estado vai sempre querer estar numa posição superior, nenhum Estado vai cooperar de boa-vontade. Essa id
[cooperar de boa-vontade] é uma ideia Idealista, que não convence os Realist
O grande legado do Realismo é a ideia de que a força produz sentido. Muitas vezes você pode não ter força, mas demons
ter força e consegue resultado no plano internacional. A força falada aqui é a força bélica, militar. O poder econômico-políti
militar constitui poder de dominação no plano internacion
Falando das críticas, o Realismo tem uma insuficiência, pois trabalha com uma perspectiva pessimista de que a nature
humana é má, como escrita em Hobbes. A paz é objetivo dos idealistas, o Realismo não vislumbra a paz e sim a guerra.
ideia de força como argumento também pode ser vista como uma crítica negativa ao Realismo.
Um exemplo de aplicação do Realismo é a composição do Conselho de Segurança da ONU, formado por
membros, dos quais 5 têm assento permanente e poder de veto. O poder de veto significa que um único Estado pode veta
discussão.
Ao se criar uma organização global, quem está pautando o cenário econômico é uma visão Idealista, mas o reali
pensa numa organização que desconsidere que os Estados são diferentes, politicamente, socialmente, economicamente, ele n
concebe que o mundo seja governado por iguais, e sim por um conselho desigual, com poderes diferenciados e compatív
com o seu lugar no mundo. A invasão dos EUA a Síria é uma expressão do Realismo norte-americano.
O Idealismo é, sem dúvida, a ideologia que mais disputa significado com o Realismo. Podemos chamar o Idealis
de frente liberalista. A perspectiva Liberal vem da concepção de que o indivíduo é o elemento central, e a partir dele chegam
a um Estado que vá servi-lo. O idealismo é, sem dúvida, uma expressão do Racionalismo que se expandiu a partir des
possibilidades da construção da paz.
O livro "Utopia" é uma das correntes do pensamento Idealista. Foi dele que Thomas Moore propôs uma socieda
ideal, normatizada, influenciada pelas visões das pessoas que conheceram o novo mundo (Grandes Navegações) e acharam q
tinham encontrado algo aproximado da visão de Paraíso. Vários autores passaram a teorizar a ideia de paz. O liberalis
trabalha com a ideia de que o mundo será melhor na medida em que se constituam organizações internacionais, pois facilit
o diálogo entre indivíduos e cooperam entre si. A grande agenda é a construção da paz.
Dentro disso, há a ideia de comércio internacional livre: devem ser colocadas poucas barreiras entre o comércio d
Estados, pois muitas das guerras do passado se iniciaram por conta de barreiras comerciais. Não à toa foi criada a OM
(Organização Internacional do Comércio) e tratados internacionais para evitar a guerra a partir do comércio. O liberalis
pretende domesticar a política internacional, fazer com que os Estados tenham regras e sigam essas regras.
Diante disso, temos uma série de juristas que participaram dessa concepção, como Kant, Everd Voltel e Jere
Bentham que deram a sua contribuição para a Ciência das Relações Internacionais. A sociedade onde eles viveram precisa
ser organizada, para isso o Direito natural contribuiu muito, pois havia a necessidade de uma aliança internacional para form
uma vida em sociedade de Estados. Tudo isso baseado na segurança dos Estados e na segurança dos indivíduos.
Woodrow Wilson, presidente dos USA, foi uma figura fundamental para a construção da liga das nações. S
famosos os seus 14 pontos em relação ao final da Primeira Guerra Mundial e a construção da nova ordem mundial. É a pa
daí que se faz sentido falar em nova ordem mundial. Essa nova ordem é uma criação do Liberalismo/Idealismo para
sentido ao mundo formado por organizações internacionais que vão construir a paz por meio da cooperação entre Estados.
A concepção idealista é dita utópica porque constrói, propõem arranjos internacionais no sentido de mudar a ótica
plano internacional e as práticas no campo internacional.

Francisco Ruian que escreveu livros para dizer que teríamos chegado sobretudo depois do fim do socialismo real, que n
chegamos ao ponto da organização social, dos estados e do mundo, que é a democracia liberal, que melhor se teria constru
na teoria política e na prática política, não poderíamos esperar outra coisa, mas eu particularmente vejo muita pretensão
congelar a história, a história está acontecendo, é o que o futuro vai ser, então não é possível dizer que chegamos no fim
história e que não tem outra coisa melhor além do liberalismo, mas, então o grande legado do liberalismo ou do utopismo,
plano internacional, é a ideia do que o utopismo constrói e é em função dessa construção que temos um mundo melho
organizado hoje em dia, temos organizações internacionais, tratados internacionais, princípios do direito internacional q
orientam as relações internacionais, isso não existia no passado, foi algo que foi se estabelecendo a partir do renascimento
mais do que tudo a partir do iluminismo é que se deve essa incapacidade de propostas dos idealistas.
Ai chegamos no ponto das críticas, e é exatamente isso que dizem sobre ao liberalismo no plano internacional,
utopismo ou idealismo, ou seja, o liberalismo seria capaz de criar estruturas, nas quais os autores acreditam muito, mas es
estruturas são dissociadas da realidade. É quando você lê muitas vezes um liberal, um idealista, você tem certeza que a
existe e não é propriamente dito como é escrito, então, para falar de um autor no campo dos direitos humanos, aliás, muitos
se veem aqui, como o professor Antônio Augusto você ler o tratado dele tem uma descrição muito liberal na perspectiva d
direitos humanos, então ele vai dizer que nós não tínhamos organizações internacionais, não tínhamos tratados, e agora n
temos, e você fica acreditando que o mundo dos direitos humanos é uma perfeição, eu sei que ele não acha exatamente is
porque conheço ele pessoalmente, ele tem críticas também, e o que leva a crê é que existem uma correspondência com
descrição e a realidade e não é exatamente isso que acontece, tem portanto uma grande crítica, é que eles expõem u
realidade que não tem uma correspondência exatamente como é descrito para todo mundo, ainda mais na cabeça deles.
Um exemplo é o Brasil na liga das nações, tem um livro que se chama “ O Brasil e Liga das Nações. Ele conta a histó
do Brasil na Liga das Nações, o Brasil acreditava muito que deveria ser o líder da América Latina. Esse autor estudou, foi p
os documentos, o Brasil queria um lugar na liga das nações, parecido como conselho de segurança, e ai foi feito u
campanha para que o Brasil tivesse esse assento, só que o Brasil acreditou demais, numa perspectiva muito utópica e ideali
deste lugar e não acreditava que outros países queriam boicotar a campanha brasileira, só que o México boicotou, a Argent
também, a própria América Latina não deu apoio a candidatura brasileira, o que resultou foi o Brasil ter se retirado da liga
nações, e também a liga foi perdendo forças, nas condições da segunda guerra mundial, mas no final dos anos 20 o Brasil
retirou por conta de ter feito uma campanha no plano nacional e internacional, acreditando muito no liberalismo e a capacida
de representar a América Latina e não teve esse apoio, assim se retirou da liga das nações. Isso ilustra que muitas vezes
valores liberais não andam muito de acordo com a realidade.
E ai vem o marxismo como uma terceira teoria que vai procurar explicar as relações internacionais, não vai se conten
em explicar as relações de poder interno, dentro do próprio Estado, mas as relações entre esses Estados. A grande contribuiç
do marxismo é por meio de uma crítica ao capitalismo. Luta de classes no plano interno que é levado também para o pla
internacional é o imperialismo, que é como se revela a luta de classes no ambiente internacional de acordo com a anál
marxista.
O Estado é visto como o instrumento que facilita a acumulação de capital por parte dos capitalistas, e há uma disputa en
os Estados por uma hegemonia no plano internacional. Se existe uma disputa de classes no plano interno, existem também u
luta de classes entres Estados, porque os Estados também são desiguais. Se os Estados são desiguais eles disputam e há qu
diga que o marxismo é um idealismo à esquerda, pelo fato do marxismo potencializar muito a disputa no plano internacion
Então vamos ter Estados que são exploradores e vamos ter Estados que são explorados, tem toda uma luta contra
imperialismo; como autores vamos ter Marx, Lennien que teorizou em torno do imperialismo, vai demonstrar quais são
elementos construtivos do imperialismo, vai mostrar situações em que teria plausividade para sua teoria em relação
momento que ele criou, e tem uma série de seguidores denominados como neomarxistas que tem uma visão mitigada
marxismo.
O grande legado para o marxismo é a consciência de classes, de que viemos de classes diferentes, de que é o mun
também tem sentido no plano das relações internacionais, e a ideia de que o diferentemente do que se pensava no passado
mundo é uma construção cultural histórica, fatores de que a ideia materialismo histórico é tão forte no marxismo. A anál
marxista seria concentrada na economia, na organização econômica do mundo, por isso que a ideia de luta de classes é
central.
Então as políticas internacionais de base marxista buscam articular Estados em torno de uma agenda de fortalecimento d
políticas nacionais dos Estados que se identificam nessa política. A grande disputa no campo da diplomacia, nos cursos
relações internacionais é entre o realismo e idealismo, são essas duas teorias que disputam o sentido do mundo.

6. Aula 6 (Aula do dia 30/04) – Fontes materiais do DIP - fundamentos

No campo das relações internacionais, eu já falei pra vcs que há algum tempo eu exponho também a
teoria das relações internacionais nas aulas de direito internacional pq as teorias tradicionais elas já são
muito antigas como nós vimos e elas são limitadas para explicar, embora toda teoria seja limitada para
explicar o q quer q seja e no caso das teorias das relações internacionais também, mas elas foram construídas
ao longo do século XX embora muitos autores, como nós vimos realistas, idealistas, marxistas (estes mais
recentes), mas realistas e idealistas eles produziram conhecimento nessa perspectiva desde a antiguidade,
então cabe ressaltar q tem uma produção antiga q foi sistematizada pelo autores no campo das relações
internacionais a partir do início do século XX.
Disciplinas que navegam pela filosofia do direito, - certamente já devem ter trazido pra vcs tb a
crítica feita pelo discurso a chamada virada linguística -, ou seja, a ideia de q a linguagem constitue a
realidade, ou seja, a realidade não é algo q simplesmente representa mas a própria realidade é constituída
pela linguagem, então esses autores e essas autoras e nós vamos perceber que cada vez mais vão aparecer
autoras no campo do feminismo no estudo do gênero elas vão procurar explicar e trazer uma contribuição q
certamente e sobretudo os realista vão ver com muita resistência com muitos pés atrás essas contribuições pq
certamente são todas elas teorias q vão de encontro às teorias tradicionais.
Então o realismo é entre as 3 teorias, a teoria q mais se coloca como tendo hegemonia do campo
internacional e sobretudo pelo fato de se colocar como uma teoria q expõe a verdade, é isso q o realismo
busca, expor como as coisas são e sempre serão. Em função dessa racionalidade exacerbada os teóricos no
campo dessas outras teorias vão criticar muito em grande parte o realismo, mas criticam tb o idealismo e o
marxismo.
Todas essas teorias aqui elas são alternativas também por isso, ou seja, por criticar as teorias
tradicionais, mas sobretudo o realismo. Pq elas criticam sobretudo o realismo? Porque o realismo se coloca
diante da posição de explicar o mundo, de explicar plenamente e racionalmente o mundo. Daí vem toda
aquela crítica a razão q diz que o mundo não pode ser explicado nesses termos e ,mais do que isso, q a
própria construção racional do realismo é uma ficção pq pra esses autores q têm essa visão, uma visão
orientada pela crítica a razão, pela crítica trazida no campo do discurso, as teorias não passam de construção
e portanto de ficções, como aliás muitos autores no passado e certas explicações, eram explicações
ficcionais, o próprio Estado seria uma ficção, a própria ideia de sujeito de direitos seria uma ficção.
Então comecemos a falar sobre as teorias críticas q surgem no cenário internacional sobretudo a
partir dos anos 80 do século passado e trazem uma série de novos elementos, novos temas q estavam de fora
da análise internacional. Como eu falei pra vcs nas aulas passadas, o q o realismo indica como sendo um
elemento central da análise internacional - o Estado - , ou seja, tudo gira em torno do Estado, q é o grande
sujeito, senão o único das relações internacionais ou da política internacional e os críticos vão apresentar
novos elementos, novos temas q não passsam necessariamente pela definição estatal ou pelos estados, mas tb
vão criticar a idealização feita pelo idealismo e análise marcadamente economicista do marxismo.
Então q temas são esses? Ou q novos temas são estes trazidos pelas teorias críticas? Em primeiro
lugar a segurança internacional que sempre foi vista como um elemento de preocupação apenas entre os
Estados e quando se fala em Estados, significa os poderes estatais. Então os militares, os governantes, no
máximo os deputados e senadores, porém ONGs, por exemplo, não deveriam se preocupar com isso e além
disso toda preocupação com segurança seria de caráter eminentemente militar, segurança para segurar
fronteiras, para fazer com q os Estados protegessem seu território e suas populações de ameaças estrangeiras.
E os teóricos críticos vão trazer outra ideia de segurança internacional. Entre essas ideias vai haver a
noção de soft security e hard security, esta é a segurança q diz respeito propriamente a segurança nacional e
internacional. é a segurança dura, digamos assim, mas a gente teria uma compreensão de segurança soft que
é aquela flexível, q faz com o q o Estado seja respeitado, por exemplo, pela criação de condições de diálogo,
isso também seria uma forma de trabalhar com a segurança quando, por exemplo, determinados projetos de
integração fronteiriça estabelecido entre dois ou mais Estados, essa tb seria uma preocupação com a ideia de
segurança na medida em q Estados cooperam uns com os outros vai melhorar a vida do espaço fronteiriço, aí
tá uma preocupação q é diferente da preocupação tradicional, dos atores tradicionais, sobretudo os realistas,
a ideia de hegemonia, hegemonia não em termos tradicionais do direito internacional, mas a hegemonia
como emancipação, ou seja, com a possibilidade de cooperação envolvendo Estados.

Aluno pergunta: O que significa a HARD SECURITY?


Professor: Significa a segurança em termos tradicionais, ou seja, segurança em termos militares. E a soft
security seria aquela segurança q se estabelece por meio de cooperação envolvendo Estado, envolvendo
sociedade civil organizada de forma q as pessoas se sintam partícipes no processo de prestar segurança uns
aos outros.
As questões relacionadas a cultura, esta entra como um elemento de análise internacional porque para
além da política se deve considerar também, de acordo com os autores críticos, a cultura dos Estados, a
cultura jurídica, política; manifestações sociais devem ser considerado como elementos de políticas
internacionais, por exemplo, festivais envolvendo estados q já disputaram entre si, q já fizeram guerra entre
si.
Existe até uma denominação a partir daí q é a diplomacia cultural, então os estados q têm
trabalhado nessa linha são o Chile e o Peru, que viveram uma guerra e têm uma cultura em comum, tem
outros elementos em comum, elementos religiosos em comum também, eles têm feito festivais, têm feito
iniciativas das mais variáveis, o q vai com o tempo acabando a rivalidade também outras forma de
cooperação na área econômica, social e política.
Noam Chomsky contribui com essa perspectiva (elemento discursivo) q não é vista muito
cientificamente, mas eu acho interessante colocar a teoria dele, pq o q ele faz é justamente adequar a
linguagem do discurso para analisar a política internacional, pode-se criticar o método dele pois ele usa
exatamente os discursos, recolhe uma série de expressões dos autores internacionais e nacionais tb, mas
sobretudo apreende o discurso dos governantes, dos representantes de organizações internacionais, processa
tudo isso com base numa análise discursiva e tira as conclusões de q imagina de q deve ser as mais
apropriadas para analisar o cenário internacional.
Boa Ventura de Souza Santos tb, em alguma medida, se coloca como autor crítico e q passeia entre
as teorias, é um autor um tanto quanto difícil de categorizá-lo, ele msm se coloca em alguns momentos como
pos moderno, em outros como pós colonial, ele têm livros q têm uma aproximação aí nisso tb ele é crítico do
ponto de vista metodológico, ou seja, um autor tb pode se considerar crítico do ponto de vista metodológico
e nesse caso aqui estamos falando de um autor q passeia, percorre várias perspectivas teóricas, não é um
autor q se pode classificar ou confinar para uma única teoria, então ele é um teórico crítico e pode ser visto
como um teórico crítico nesse sentido q coloca no debate vários outros temas q não são os temas tradicionais
a ótica dele tb é crítica. Ele relaciona a sua análise com o discurso dos governantes, ele tá preocupado em
entender o q está por trás do q cada autor, coloca q aliás é o q Chomsky faz tb, analisar, procurar ou
identificar melhor dizendo o q está por trás do discurso dos governantes.
E a grande conclusão de Chomsky é q por trás do discurso ,de uma maneira geral, os governantes
dizem uma coisa e fazem outra, digamos q esse é o grande achado q tá presente em toda teoria dele e em
todos os artigos dele, ele tem uma produção imensa, é só entrar no site dele q nós vamos ver a quantidade de
artigos e livros produzidos ao longo de tempo, pois bem, é esse autor q relaciona o q os analistas, o q os
políticos, o q a academia tb diz e daí ele vai analisar q existe um abismo entre o q se diz e o q se faz.
Robert Totsky é um autor q trabalha sobre a análise das organizações internacionais. Ele tem uma
inserção muito grande na OMC e faz toda uma crítica ao trabalho das pŕoprias organizações internacionais e
em particular da OIT, mostra as limitações das organizações internacionais na concretização do direito
internacional; das questões internacionais; dos tratados internacionais, então digamos q a grande
preocupação dos teóricos críticos é revelar a realidade, ou seja, fazer aquilo q a maioria não tem acesso por
trás de toda perspectiva de um autor crítico tá essa ideia de colocar a disposição da sociedade elementos q a
sociedade desconhece, enquanto os realistas de certa forma escondem a realidade dizendo: olha aí os
governantes fazem e aí tem um gosto tem uma satisfação grande dos críticos em fazerem isso.
A crítica ou a insuficiência apontada é q os teóricos críticos apenas criticam e não têm compromisso
algum em apresentar propostas até têm uma satisfação muito grande, sobretudo com a utilização de uma
linguagem irônica em todos eles em mostrar como a realidade acontece diferente do q os idealistas falam, do
q os marxistas falam, eles colocam a disposição tem aquela satisfação por exemplo do Wikileaks tudo q
todos os documentos e claro com uma análise dos documentos q ajudam a entender a realidade internacional
e não apresentam propostas e mais ainda, dizem claramente não estão preocupados em apresentar propostas
a função teórica deles é criticar é mostrar pra sociedade como a coisa acontece e se desenvolve.
Então boa parte dos estudos e aí como q a gente aplica como é q eles aplicam uma situação na qual
eles aplicam, as críticas as guerras recentes aí é uma referência muita clara em relação ao trabalho de
Chomsky sobretudo no texto q avalia guerras recentes como a guerra no Timor Lleste ou a guerra na antiga
Iugoslávia, a guerra na Colômbia, guerrilha melhor dizendo, então o q é q ele faz? considera aquela
realidade, considera o conflito ele considera tb o discurso em torno do conflito por meio de vários elementos,
de várias fontes inclusive a fonte jornalista e aí constroi toda uma compreensão em torno dessas guerras e
mostra sobretudo o q tá por trás da promoção da política internacional, então a crítica é feita a praticamente
todos, aos organismos internacionais, a mídia, aos políticos a todos os poderes, aos militares, ninguém se
salva, a própria universidade, não sobra ninguém nessa crítica feita pelos críticos.
Esses autores eles transitam tb entre as teorias e daí existe uma dificuldade de colocá-los numa única
teoria como, por exemplo, Habermas q tá no construtivismo e tá tb de acordo com alguns autores como um
autor pós moderno, Foucault está no construtivismo embora esteja na pós modernidade.
O construtivismo trabalha muito com a linguagem, ou seja, a ideia q a linguagem, atores, estruturas
tudo isso é co-constituído não existe uma anterioridade para um ou para outro, nós nos constituímos na
medida em q falamos e escrevemos, tudo isso está relacionado, a linguagem é mais do q mediadora, ela
participa da construção social e os atores e a linguagem co-constituírem.
Sobretudo este autor aqui - Alexander wenzel - trabalha com a ideia de q sendo constituído o mundo,
não cabe dizer q a anarquia é um dado puro e simplesmente. A anarquia, aquele elemento q os analistas
trabalham para dizer há um mundo internacional e um mundo anárquico no plano interno que pode-se
organizar no internacional não por conta da soberania, tem uma anarquia e aí Wenzel vai dizer q a anarquia é
interessada, os estados têm interesse sobretudo os estados e as organizações tb, as organizações
internacionais interessadas em manter essa anarquia, poderia haver uma ordem internacional, mas na
realidade não há pq os estados não querem q haja os críticos sobretudo os construtivistas e aí tem um texto
um artigo quanto num livro no plano da produção do conhecimento muitas vezes ela começa com um artigo
e depois o autor publica em livro , então foi o q aconteceu com Wenzel q ficou famoso ao dizer que a
anarquia é produzida pelos estados nos anos 80.
A anarquia a gente viu enquanto elemento do realismo, de não haver uma possibilidade de ordem
internacional. O q há é anarquia. Não uma anarquia como uma teoria sociológica, mas uma anarquia do tipo
ausência de ordem. O idealismo trabalha com uma ideia de construção da ordem internacional, enquanto q o
construtivista acreditada que sim, há possibilidade de organizar o espaço internacional, a anarquia ela é
interessada mas pode haver uma ordem internacional se os estados quiserem e o grande exemplo, e é por isso
q o Habermas aqui tem uma contribuição, quando demonstra e justifica q, por exemplo, a União Europeia
seria um grande laboratório de construção de novas relações estatais, ou seja, a Europa viveu durante séculos
em guerra, toda a segunda guerra mundial, chegou a conclusão então q existe o conselho da europa, a União
Europeia, sobretudo a união europeia vem construindo possibilidades de integração na região q antes não
tinha uma relevÂncia, mas já mudou muito em relação a 40, 50 anos atrás .
Então tudo isso é fundamentado dentro de uma perspectiva construtivista, ou seja, se o passado foi de
uma determinada forma e levava a conflitos abertos, podemos cooperar, podemos construir um mundo com
base na ideia de cooperação, não uma cooperação idealizada como se conclui os idealista, mas uma em
termos concretos então vamos pensar em distribuir poderes, como tem-se distribuído poderes pode-se
entender a UE como grande laboratório construtivista, tanto isso q aqui aparece o exemplo da UE como o
grande exemplo de unidades construtivistas da cooperação internacional em termos não idealistas pq seria
muito mais definido nos tratados e numa perspectiva construtivista lógico os tratados são importantes, mas
mais importante q tratados é a criação de exemplos de estruturas para realmente transformar a vida dos
estados e das pessoas, então tem muita cooperação, por exemplo, nos espaços de fronteira praticamente
pouco distinguíveis as nacionalidades dos espaços de fronteira no ambiente europeu e tem muito haver com
esse construtivismo.
O legado é q a possibilidade de construção das relações internacionais que em bases não realistas, em
bases não idealistas e não marxistas q seriam todas aquelas teorias q impedem ou impossibilitam
reconstrução da vida social no plano internacional, então digamos q nos construtivistas há autores q dizem q
o construtivismo não é mais uma alternativa, ascendeu a uma posição de teoria tradicional pois tem muita
contribuição no plano real de criar coisas concretas para transformar a realidade e o grande laboratório como
mencionei é a UE. Os blocos econômicos de uma maneira geral tb, o próprio Mercosul, com todas as
deficiências, teria muita contribuição dos construtivistas.
Foucault talvez seja impróprio alguns colocarem como construtivista pq ele não propõe muita coisa,
mas ele demonstra essa força, a força de q as coisas podem ser de uma outra maneira se quisermos e é isso q
os construtivistas dizem, ou seja, o mundo pode ser organizado de alguma maneira em termos construtivistas
se os estados assim quiserem.
A crítica apresentada é q a gente não conhece o outro e não sabe sua boa fé e diferentemente de uma
perspectiva realista o q é q se distribuía em termos de poder, de acordo com as condições econômicas,
militares, políticas e culturais então o máximo de distribuição iria pra quem tem esse poderes, sobretudo
poder econômico, numa perspectiva construtivista se deveria distribuir poder de acordo com as
possibilidades históricas e políticas do momento, mas de modo q nenhum o estado saísse perdendo e é isso q
mais ou menos tem acontecido. Mais ou menos pq têm as críticas, tem o Brexit, estados q há 50 anos eram
agrarios ascenderam a um país industrial e isso em função da cooperação e da distribuição relativa de
poderes e pq isso? por conta da força construtivista, a ideia de q é possível construir relações internacionais
na medida em q os estados queiram mudar essas relações, minimizam-se as críticas feitas pelos realistas para
possibilitar a construção de diálogo e propriamente construção de práticas sociais tem uma força muito
grande o construtivismo.
Pergunta: Pq essa política de insuficiência do construtivismo?
Resposta: Incerteza quanto a boa fé, ou seja, são os realistas q dizem, como é q eu vou confiar no
outro? a crítica feita pelo construtivismo é q nós imaginamos antes de uma discussão envolvendo estados pq
uma discussão envolvendo estados é muito mais complexa e de difícil apreensão, mas imaginemos um
ambiente como este em q vcs vão discutir suas pretensões e tem q se colocar pessoalmente e o q q o realista
manda? q vc esconda o jogo, vc não deve se abrir e dizer exatamente o q vc quer , enquanto q para o
construtivismo nós devemos negociar nossas pretensões, ser mais claros uns com os outros e aí as relações
entre estados, relações internacionais, o construtivismos não vê as relações internacionais apenas como
relação entre estados, portanto as organizações de outra natureza participam tb, as associações de
indivíduos, as ONGs, tudo isso participa tb do cenário internacional, participa das decisões mas sobretudo
o espaço internacional é um grande espaço de negociação de interesses para colocar claramente as nossas
pretensões o estado q quer ter essa pretensão será negociável com os outros, então cabe a gente para
definição de onde instalar determinadas indústrias no cenário nacional brasileiro isso é negociado numa
perspectiva realista.
Pergunta: Essa parte dos estados ter posições de forma clara vem de HAbermas?
Resposta: tb, pois justifica o construtivismo, embora alguém veja nele pós modernidade, eu vejo
pouco, ele é muito mais racionalista, aliás o construtivismo tem muito mais racionalismo do q as outras
teorias.
Aluno: Concorda com o realismo, da existência de uma anarquia?
Professor: Concordo que há uma anarquia. A diferença é que ela não é para sempre, a não ser que
queiramos que seja, mas se não quisermos, ela pode ser transformada. Eles concordam com o enunciado
realista, a ideia de que há uma anarquia internacional. Uma anarquia interessada no sentido de que os
Estados querem mantê-la, sobretudo os realistas.
Focault é construtivista e pós moderno (mais o Prof o enxerga mais como da pós modernidade).

PÓS MODERNOS são os que se valem da ironia mais do que qualquer outro. Fazem uma critica a
RAZÃO. Também não estão muito preocupados em propôr, e sim preocupados em criticar de forma irônica.
Criticos tem pretensão iluminista. Iluminar vocês com informações que vocês precisam para mudar o
mundo. Os pós modernos não acreditam nessa possibilidade, recuperam a ideia de anarquia interessada,
como os construtivistas.
Trabalham com ideia de que discurso serve para manter determinadas posições.
As construções pós modernas são para descentrar e apostar em algo que não se sabe exatamente o
que é mas que por meio dessa critica seja possível que venha a surgir.
Exemplo: pós modernos são aqueles que nos jogam diante de um "abismo" das ideias.
Prof divagando: O artigo que já fiz referência do Jean-Luc Godard "O mundo em pedaços"
A pós modernidade vem se constituindo ao longo das últimas décadas.
O debate entre Foucault e Chomsky é muito revelador nesse sentido, debate sobre a natureza humana
ou justiça x poder (em 1971): Entre Foucault - que lança uma serie de dúvidas sobre as instituições,
institutos, tudo que se foi construído ao longo dos ultimos tempos e Chomsky - que demonstra acreditar nas
instituições, ainda que falando em resistência e desobediência civil.. no fundo crê na justiça e que o mundo
pode ser melhor organizado com base no que se conhece.
Essa é a perspectiva pós moderna e pode se entender que Foucault como parte dos grandes
construtores da perspectiva da pós modernidade.
E no ponto de vista do Foucault, lançando dúvidas sobre as instituições, sobretudo as estatais, entre
elas o legislativo, os militares, as instituições que tratam das pessoas com doenças mentais e série de
contribuições que não são especificas de cenário internacional mas também se relacionam com ele.
A critica à insegurança total e a certeza de absolutamente nada: presente e futuro incertos.
Enquanto o realismo, idealismo mas também os construtivistas nos dão horizontes, os pôs modernos
não dão horizonte algum, tudo é incerteza, depende muito das condições politicas, e que dificilmente serão
alteradas. Mas podem ser alteradas, isto é, transformações da politica internacional, construções de diálogos
devem ser alterados, não dizem como vai acontecer.
O artigo mundo em pedaços é revelador dessa desordem caótica, certo dialogo com o realismo, uma
análise aproximada, mas não chega as conclusões (coisas acontecem dessa forma mas não necessarimente
terão que acontecer).
Muitas dúvidas e incertezas colocadas no cenário internacional.
As teorias pós coloniais estão mais interessadas em revelar e desconstruir o mundo tipicamente
europeu. Tomam como pressuposto que as instituições do mundo foram construídas com base numa lógica
que atende aos europeus, portanto, há necessidade de contar outra historia, de outro ponto de vista.
Para os pós coloniais, muitas histórias foram contadas mediante interesses, em função do lugar no
qual se olha e do lugar de onde se olhar, assim, para construir a nossa foi um olhar europeu.
Em relação a America Latina, muitos autores (Àsia e África também) percebem que na nossa história
estão presentes nos relatos dos europeus sobre questões como a própria constituição e divisão de estados, o
que significa que a soberania, democracia, toda descrição histórica, sociológica, política seria uma descrição
europeia, atendendo sobretudo interesses europeus.
Para eles é preciso contar uma nova história.
O autor Walter Mignolo em livro sobre a América Latina, surgiu com a ideia de que a América
Latina é uma construção europeia para nos diferenciar da outra América, a America branca/protestante. A
América certa em relação a que não estaria certa.
Assim, critica a ideia de américa latina, como deveria se organizar no plano geopolitico para superar
essa categorização como uma américa menor.
Outro autor do campo com vários livros na perspectiva pós colonial (Sibbas? deve ter no quadro o
nome, não deu pra entender), trabalho no campo de recuperar história dos países africanos, latino
americanos, das instituições históricas sobre a guerras sufocadas que poderiam ter gerado outras realidades
politicas, sufocadas por grandes potencias ex: Haiti
O trabalho de revelar história que não foi contada e não tem sido contada e assim entender e
fortalecer o entendimento dos povos subalternos.
Fronteiras, construção por onde passaram as guerras, por isso não são muito organizadas, com
exceção da BR/ ARG/ PARAGUAI, Foz do Iguaçu.
Em geral as fronteiras são muito desorganizadas, e o pressuposto pós colonial é de que por ali
passaram as guerras e Estados deixaram fronteiras para lá, aprenderam com os europeus a fazer guerra e por
isso não estão muito organizadas.
Fundamentação de acordo com perspectiva pós colonial, contar outra história, buscar caminho na
perspectiva de transformar a fronteira.
VOLTANDO: Mas sobretudo no ponto vista desse autor (syllamis attioli) contribuição grande,
embora muitos autores dialoguem com a perspectiva interdisciplinar nessas perspectivas alternativas, não se
ater a disciplinaridade pois consistem na critica à razao. Só que ele merece destaque porque analisa mais do
ponto de vista do direito internacional do que do jurídico, envolvendo elementos historia, lugares
subalternos, sobretudo.
TEORIAS DE GÊNERO - Teorias feministas e Queer.
Feministas = procuram colocar no devido lugar as mulheres, considerando que o mundo que nos
conhecemos é um mundo organizado em razão das necessidades masculinas.
Algumas delas, é o caso de uma professora filipina que vive nos EUA, trabalha com a perspectiva de
que existe um estado masculino que organiza o mundo no campo internacional, existe um direito estado que
atende mais do que tudo as necessidades masculinas.
Ela tece criticas ao Tribunal Penal Internacional, que apesar de avanço, reflete muito mais a visão do
mundo masculina.
Por exemplo: o crime de estupro não é um tipo penal junto ao TPI, é um elemento que se considera
em relação aos 4 tipos penais do estatuto.
Isso porque as normas são feitas por homens e atendem sobretudo aos interesses masculinos.
É complexo porque em alguamas culturas o estupro é tolerado.
Então as mulheres precisam ocupar lugares de poder, só assim algo pode mudar.
Afinal, as práticas legislativas são distanciadas das necessidades das mulheres, e a ética e legado do
feminismo no campo das relações internacionais reflete-se nessa teoria.
Entretanto, há quem desconsidere essa vertente como teoria sociológica da politica das relações
internacionais, aplicada ao cenario internacional = critica dos realistas ao feminismo, como uma concepção
geral, genérica, sociológica, e que não pode ser aplicada no campo internacional.
Sobretudo a critica a relação gênero não define o que deveria aocntecer no campo internacional, elas
não resolvem problemas relacionado as relações internacionais.
Há uma variante dessa a teoria, uma corrente mais minoritaria ainda: TEORIA QUEER. Ela
equivale às teorias feministas em relação as gays, diante de uma necessidade de abordagem diferente das
relações internacionais.
O autor Richard Miskolci, brasileiro de sobrenome russo, da UFSP, escreveu o desejo da nação.
Ponto de vista metológico: mix pós colonial, pós moderna, queer, feminista, para a sua análise. Não se atém
metodologicamente a uma única teoria / capacidade de teorias de se vincularem.
Trabalha com 3 livros do final do séc. XIX, definição do que é a nacionalidade brasileira, como foi
construída: o ateneu, o bom crioulo e dom casmurro.
Perspectiva dentro das teorias de gênero, ainda se constituindo, se dando significado com poucas
referências no plano nacional.
Muitas das teorias pós coloniais, consideram a racialização, o racismo nas suas análises.
Racismo francês, teóricos iluministas justificavam ideia de raça e racismo europeu cometidos contra
negros de várias partes do mundo: livro a conquista da américa.
Xenofobia há uma abordagem dos teóricos criticos, pós modernos, pós coloniais.
Esses autores possuem muita abertura metodológica, para não se confinar há uma área do
conhecimento, por isso certas pessoas colonizadas pelo pensamento europeu não vão ver mt plausibilidade
nessas teorias, enxergando-as como algo fora do lugar.
O feminismo reorganiza o mundo em bases que atendam as necessidades das mulheres, não só em
ocuparem espaços de poder, mas numa perspectiva de atender as suas necessidades
O pós colonial percebe um cenário alterado numa consideração aos subalternos, agenda muito ampla,
diferente do que o que trazem como propostas mais concretas.
Novo constitucionalismo dialoga muito com a pós colonialidade.

7. Aula 7 (Aula do dia 02/05) – Fontes formais do DIP


Ho
je, nós ● FONTES FORMAIS DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO
vamos ● Art. 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça
tratar do ● Anexo da Carta das Nações Unidas
tema das ● Tratados (internacionais)
Fontes do ● Costumes internacionais
Direito ● Princípios Gerais do Direito
Internaci ● Decisões internacionais (jurisprudência)
onal. ● Doutrina internacional
Essas +
fontes ● Atos unilaterais dos Estados
provêm ● Decisões das organizações internacionais
do Direito ● Fontes primárias e secundárias
como um ● Hierarquia das fontes?
todo, só ● TRATADOS
que aí nós ● 1. Definição:
vamos ver ● Art. 2º da Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (1969)
que têm ● Acordo internacional
algumas ● Escrito
fontes que ● Entre Estados
são ● Regido pelo Direito Internacional
específica ● Um ou mais instrumentos conexos
s, que ● Qualquer que seja a denominação
dizem ● 2. Pressupostos
respeito à ● 1) Agente capaz. Exceções. Cláusula federal.
vida no ● 2) Objeto lícito
plano ● 3) Consentimento mútuo
internacio ● Durante a aula, o Professor terminou os tópicos acima e, como sobrou
nal, no tempo, iniciou outra parte do assunto sobre Tratados: processo de
direito negociação dos tratados, línguas e plenipotenciários.
internacional.
Então, eu vou pedir que vocês leiam alguns tratados. Eu peço que vocês leiam, primeiro, TODA a
Carta das Nações Unidas, que é o grande tratado que institui as Nações Unidas, pode-se entendê-la como o
tratado fundação das Nações Unidas, de 1945. Incluindo, também, o seu anexo, que é o Estatuto da Corte
Internacional de Justiça.
O Estatuto da Corte Internacional de Justiça é parte da Carta das Nações, embora seja um
instrumento a ela anexo. Peço que leiam, também, pelo menos, o artigo 2º da Convenção de Viena sobre
Direito dos Tratados. E por que eu estou pedindo isso? Porque são os documentos que regem a vida
relacionada às fontes do direito e, muito em particular, aos tratados internacionais - podemos chamar
“tratados internacionais”, embora tenha aí uma impropriedade, porque só tem sentido se falar em tratado
internacional.
É diferente de costume, pois costume existe também no âmbito interno. É de lá que vêm os costumes
internacionais e outros nem vêm de lá, foram constituídos no âmbito do direito internacional. Então, cabe
falar em costume internacional, mas tratado só existe internacional.
Então, essas convenções, esses documentos internacionais regulam esse tema que começamos a ver
hoje, ou seja, fontes do direito internacional e, muito em particular, os tratados.
Pelo Estatuto da Corte Internacional de Justiça (ECIJ), nós podemos ver que existe ali uma definição
de quais são as fontes válidas no âmbito do direito internacional, embora haja, como vamos ver daqui a
pouco, uma impropriedade da definição dessas fontes. O ECIJ deixou de considerar outras fontes e nós
vamos ver o porquê.
Então, leiam a Carta das Nações Unidas, TODA, incluindo o Estatuto da Corte Internacional de
Justiça. Peço que leiam, também, a Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados, pelo menos o artigo 2º,
porque, no artigo segundo, vamos ter a definição de tratado, a definição do ponto de vista desta Convenção.
Vamos ver, também, que tem uma impropriedade, ou seja, na hora de legislar (isso vale para o plano
nacional e internacional), os legisladores podem se equivocar e, muitas vezes, equivocam-se. Então, definem
de uma maneira que não é a mais apropriada, do ponto de vista da doutrina, da jurisprudência, dos princípios
gerais do direito, do acúmulo histórico que se tem a respeito de um determinado tema e, nesse caso
específico, das fontes do direito internacional.
Então, de acordo com o artigo 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça, enumeram-se as
fontes do direito internacional, quais sejam:

a. Os tratados;
b. Os costumes internacionais;
c. Os princípios gerais do direito internacional - muitos são princípios gerais do direito
aplicados ao direito internacional e alguns são princípios específicos do direito
internacional, construídos ao longo dessa história que nós vimos de formação, de
consolidação do direito internacional;
d. As decisões internacionais, ou seja, a jurisprudência internacional. Por que se fala
aqui em decisões internacionais? Porque nem todas as decisões se tratam de decisões de
órgãos jurisprudenciais. Enquadram-se não só as decisões do âmbito dos tribunais
internacionais, mas decisões de outros órgãos, como, por exemplo, as Comissões, os
Conselhos, que muitas vezes estabelecem decisões que têm um certo grau de cogência.
Teremos, também, uma aula sobre a cogência do direito internacional, embora esse tema
esteja presente o tempo inteiro nas nossas aulas;
e. A doutrina internacional que, como vocês sabem, essa discussão vale também para o
plano interno, ou seja, há quem não veja na doutrina a capacidade de fonte do direito, no
caso do direito internacional também, mas vamos trazer as posições que existem a
respeito.

Vocês observam que essas fontes são limitadas. Há, pelo menos, duas outras fontes que hoje são,
claramente, entendidas pela doutrina e pela jurisprudência como sendo fontes do direito internacional e que
não estão previstas no Estatuto da CIJ, que são:

1. Os atos unilaterais dos Estados - alguns atos que são tomados, que são decididos, atos elaborados,
colocados em prática pelos Estados unilateralmente, como uma promessa, como um protesto, dentre
tantas outras formas e que, ainda assim, produzem efeitos no plano internacional, ou seja, embora
não sejam atos nem bilaterais, nem multilaterais, sejam atos unilaterais, mas eles produzem efeitos,
têm um significado no plano internacional. Causam, muitas vezes, constrangimento, exigem
respostas de outros Estados, de organizações internacionais, de indivíduos. Por isso, exercem efeitos
no plano internacional;
2. As decisões das organizações internacionais, ou seja, aquelas organizações internacionais que hoje
têm um caráter de um sujeito do direito internacional. Na época de formação do Direito
Internacional, não existiam organizações internacionais. Então, elas não tomavam decisões, porque
não existiam.
E aí nós vamos entender porquê… O ECIJ, de 1945, que é um anexo da Carta das Nações
(esta foi estabelecida quando da criação da ONU, é o documento que funda a ONU, com ela surge o
ECIJ), praticamente é a cópia do Estatuto do Tribunal do âmbito da Liga das Nações, ou da
Sociedade das Nações, que foi criada em 1919, o Estatuto de 1920. Então, o que a ONU fez? Adotou
o texto do Estatuto daquele Tribunal, da Corte Permanente de Justiça Internacional, era outra
denominação. Adotou como Estatuto e só mudou o nome, praticamente, do tribunal para Corte
Internacional de Justiça.

É por aí que nós podemos entender essa limitação na definição das fontes do direito internacional.
Por volta de 1919, 1920, quando a Corte Permanente de Justiça Internacional foi estabelecida, não se tinha a
compreensão de que atos unilaterais dos Estados produziam direito internacional, e essa é uma grande
limitação, porque os Estados já existiam, mas talvez a noção muito estrita de soberania não permitisse que se
entendesse os atos unilaterais dos Estados como sendo também fontes do direito internacional.
E mais grave ainda é o fato de as decisões das organizações internacionais também não serem vistas
como fontes do direito internacional. E aí a explicação é que as organizações surgiram na época do Tribunal,
as duas primeiras organizações: a Liga das Nações e a OIT (Organização Internacional do Trabalho),
instituídas em 1919. Então, naquele momento não havia a compreensão, produção de doutrina e nem de
jurisprudência que levasse à compreensão de que as decisões das organizações internacionais produziam
direito internacional.
Estamos falando, portanto, de fontes formais do direito internacional. Nas aulas anteriores, nós
falamos de fontes materiais, ou seja, aquilo que diz respeito ao fundamento do direito internacional. Quando
se fala em fonte material, é a discussão relacionada ao fundamento das coisas. Por que existe o direito
internacional? Vimos as teorias relacionados ao direito internacional e vimos as teorias relacionadas às
relações internacionais nas aulas passadas.
Nessa aula, vamos falar das fontes formais, ou seja, os meios através dos quais o direito se reveste,
ou, nos termos do que diz o NGUYEN QUOC DINH, as técnicas pelas quais o direito se revela.
Vamos observar, também, que entre as decisões de organizações internacionais têm aparecido aquilo
que se convencionou chamar de Soft Law (norma não convencional) - relaciona-se tanto com costumes
quanto com decisões de organizações internacionais. São normas NÃO CONVENCIONAIS ou normas
flexíveis.
Resposta: às vezes, elas têm mais cogência, são mais significativas do que a Hard Law (o tratado).
Ou seja, o que se espera do tratado? Que por ser obrigatório, ele tenha uma capacidade de se fazer valer
na realidade internacional, mas, muitas vezes, o tratado não é propriamente colocado em execução e uma
Soft Law é muito mais capaz de penetrar a vida social, no plano internacional, do que uma Hard Law.
Em todo livro hoje, tem, pelo menos, uma Soft Law, então vocês pegam um livro e, na contra-capa,
tem o número do livro, aquilo significa uma norma construída no âmbito da diplomacia internacional e que
foi sendo aceita ao longo do tempo. Portanto, está na fronteira entre princípios, costumes e, muitas vezes, é
algo adotado por uma decisão de organização internacional, segundo a qual, no caso em questão, os livros, a
partir de determinado momento, precisam ter um número. É a forma que o Estado e as organizações têm de
saberem quantos livros são vendidos, produzidos no âmbito nacional por ano, em tal tema. É a forma de
saber quantos livros e em que condições eles são publicados.
Todo livro, em princípio, precisa ter um número. Se alguém quiser publicar um livro sem número,
não tem nenhum problema, publica, mas não será contado e, também, como tem uma outra Soft Law que são
os currículos digitais, se você tem um currículo e precisa colocar um livro, ao colocar a autoria do livro, se
não tiver número, não registra, no caso do Brasil, no Lattes.
Então, estamos falando de uma Soft Law que tem uma capacidade de entrar na vida social muito
mais do que um tratado. Há tratados que se relacionam com uma Soft Law, mas a Soft Law tem uma vida
autônoma.
Será que existe um hierarquia em relação as fontes no âmbito do direito interno? Eu diria que a
maior parte da doutrina diz que sim, existe uma hierarquia e ela está relacionada à legislação. No direito
interno, a lei é hierarquicamente superior às demais fontes. Certamente, essa é uma discussão aberta, haverá
quem discorde.
No âmbito do direito internacional, costuma-se dizer que não existe hierarquia entre as fontes. Ao
mesmo tempo, os autores trabalham com a ideia de que existe fontes primárias e fontes secundárias. Eu acho
que tem uma certa contradição, porque se diz que não existe hierarquia entre as fontes do direito
internacional, se está dizendo que todas são iguais, há uma mesma capacidade de validação envolvendo
tratados, costumes internacionais, princípios gerais do direito, decisões internacionais, doutrina internacional
e as outras. Todas são hierarquicamente iguais, é o que a maior parte dos autores diz, o próprio NEVYEN
QUOC DINH é muito enfático, o Guido Soares também, praticamente todos trabalham com essa ideia de
que não existe hierarquia no âmbito do direito internacional. Ao mesmo tempo de que trabalham com a ideia
de que existem fontes primárias e fontes secundárias. O que, de alguma forma, implica em estabelecer certa
hierarquia entre as fontes.

1. Fontes primárias: Tratados e Costumes.


2. Fontes secundárias: as demais, princípios gerais do direito aplicados ao direito internacional ou
mesmo princípios gerais do direito internacional etc.

Pergunta: a ideia de Hard Law e Soft Law também não compromete essa ideia de que não há hierarquia
entre as fontes do direito internacional?
Resposta: eu acho que sim. Há uma idealização muito grande no direito como um todo e no direito
internacional quando se fala nessa questão de hierarquia ou não. É como se os autores quisessem que não
exista hierarquia, mas, na prática, acaba se estabelecendo.
O que seria uma fonte secundária? Uma fonte que precisa de legitimação por outras fontes. Então, os
princípios gerais do direito precisam ser reconhecidos por outras fontes, principalmente pelos tratados. As
decisões internacionais também, ou seja, têm que estar condicionadas por tratados e por costumes. Uma
decisão internacional por melhor que seja, por mais relevante que seja, se não estiver de acordo com um
tratado, com um costume internacional, ela é suscetível de questionamentos.
Pergunta: Se houver um conflito entre duas fontes primárias, quem prevalece? No caso entre
tratados e costumes.
Resposta: a resposta quanto a isso vai variar, mas uma resposta positivista seria a de que vai
prevalecer o que estiver definido no tratado.

● TRATADOS

1. Definição: tem uma definição positiva no artigo 2º da Convenção de Viena sobre Direito dos
Tratados, de 1962. Em geral, os tratados levam bastante tempo para serem negociados. Um tratado
pode levar 10, 15, 20 anos para ser estabelecido, é o tempo de maturação da discussão em torno do
objeto do tratado. Os estados podem colocar dúvidas, empecilhos, sempre que o Estado não quiser ou
se um grupo de Estados não quiser que um tratado seja decidido logo, ele colocará muitos
empecilhos, prologando o processo, o que faz com que ele demore bastante tempo para ser negociado
e concluído. No caso da referida Convenção, começou a ser negociada em 1961 e só foi adotado pela
ONU em 1969. Entre 1945 a 1970, muitos foram os tratados que foram estabelecidos no âmbito da
ONU e, também, de organizações regionais como a OEA.

“1. Para os fins da presente Convenção: a) tratado significa um acordo internacional


concluído por escrito entre Estados e regido pelo Direito Internacional, quer conste de
um instrumento único, quer de dois ou mais instrumentos conexos, qualquer que seja
sua denominação específica”.

1. Tratado é um acordo internacional, ou seja, um acordo envolvendo sujeitos do direito internacional,


que hoje se sabe que, além dos Estados, organizações internacionais também participam da produção
dos tratados, mas certamente os Estados continuam sendo os principais sujeitos interessados e
partícipes no processo de elaboração e de adoção dos tratados.
2. Tem a forma escrita. Se não tiver a forma escrita, será uma outra fonte; em particular, o costume.
Normalmente, tem um formato também. Começa com um preâmbulo, onde se diz quem são as partes que dele
fazem parte e uma série de justificativas, chamadas de considerandos (considerando isso, considerando
aquilo, ou seja, as justificativas, os motivos pelos quais o tratado é adotado). Depois vem o corpo, onde
vamos ter os artigos, com as principais formulações normativas relacionadas ao tema regulado pelo tratado.
Por fim, tem-se o fecho (a conclusão do tratado), onde tem uma série de encaminhamentos, de normas gerais
relacionadas à vida do tratado, como ele entra em vigência, possibilidades de suspensão, as possibilidades de
extinção etc. O tratado pode ter, também, anexos, que são outras partes que fazem com que os tratados
tenham especificidades a serem reguladas.

Com a criação de organizações internacionais, é no âmbito destas que os tratados são formulados.
Então, boa parte do trabalho da ONU, do trabalho da OEA, do trabalho das organizações internacionais de
uma maneira geral é na formulação de tratados, de propostas de tratados, a negociação envolvendo Estados,
negociação envolvendo outras partes, , envolvendo representantes de empresa etc. Esse é um trabalho que
tem justificado a existência das OI. Portanto, é por isso que tem, aqui, uma observação, de que não cabe
dizer que são negociados apenas entre Estados, uma vez que OI’s também podem e têm sido, inclusive,
depositários de tratados, alguém que cuida do tratado.
1. É uma matéria regida pelo Direito Internacional, ou seja, tem uma série de princípios, de condições
pelas quais o tratado deve ter a sua instalação, a sua existência e a sua morte definidas. E nós vimos que tem
uma Convenção que regula a vida dos tratados, qual seja, a Convenção de Viena sobre D. Dos Tratados, que
é, no âmbito do direito internacional, o grande instrumento que rege a vida dos tratados. Existem, também,
convenções no âmbito regional, no âmbito da OEA, no âmbito do Conselho da Europa, que também definem
regras específicas regionais relacionadas aos tratados. Mas essa é a norma de caráter geral, universal sobre os
Tratados, a mais importante definidora das regras sobre o direito internacional dos tratados. Ou seja,
significa que existem tratados que regulam os tratados, mas tem, também, os costumes internacionais,
princípios gerais do direito, têm várias fontes que são definidoras do que é o tratado e de como ele tem
existência ou deixa de existir.

A Carta das Nações tem dois instrumentos: o texto principal, que traz as normas gerais definidoras
da organização das Nações Unidas e tem o anexo, que é o Estatuto da Corte Internacional de Justiça.
Resposta do professor à pergunta inaudível: a Carta das Nações é o instrumento principal
definidor das Nações Unidas, enquanto que o Estatuto da Corte Internacional de Justiça é o instrumento
definidor do Tribunal, então as decisões do Tribunal estão diretamente relacionadas a esse documento. Não
são dois documentos, mas sim um único.
No âmbito do direito internacional ambiental, é muito comum ter um texto principal, é por isso que
se chama tratado-quadro. Ele tem listas. Então, o tratado normalmente, não necessariamente e nem apenas o
tratado de direito ambiental, mas tem acontecido muito nos tratados internacionais ambientais terem esse
formato, ou seja, um texto principal com normas muito gerais em relação à matéria regulada, como a
Biodiversidade, e tem anexos. Nos anexos, nós vamos ter listas, como a lista de animais a serem protegidos.
De tempos em tempos, essas listas são alteradas, por exemplo, para que animais entrem ou saiam das
listas. É um anexo, é um texto que é parte do tratado, mas é alterável.
Então, um tratado quadro é constituído de um texto e instrumentos anexos.
1. Qualquer que seja a sua denominação. Não importa o nome dado pelos “legisladores” no âmbito
internacional, pois será um tratado ainda que seja chamado de convenção, convenção-quadro, pacto, liga,
sociedade, protocolo (normalmente, o protocolo é uma emenda a um tratado original, mas não
necessariamente, pois pode ser um protocolo original), declaração, regras, etc. Como visto, nessa parte da
aula, o Professor lista uma série de nomes para acordos internacionais. Fala em pactos (Pacto de San José da
Costa Rica, Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, Pacto Internacional de Direitos Econômicos,
Sociais e Culturais), ligas (Liga das Nações/Sociedade das Nações), protocolos. Pelo que entendi Jayme diz
que virou passeio e a galera dá o nome "declaração" mesmo sem ser. Ele dá o exemplo da Declaração
Universal dos Direitos Humanos, que não é declaração, mas sim um princípio geral do direito, porque não
houve ratificação, podendo haver tratado com nome de declaração. Ele continua listando: convênio, acordo,
carta (Carta das Nações Unidas, Carta da OEA).

Levantam uma pergunta acerca da existência ou não de força normativa do tratado que versou sobre
a situação de Israel. De acordo com Jayme, há força normativa, mas não é um tratado. É uma decisão de
organização internacional.
Pergunta inaudível sobre os concílios. Jayme diz que os concílios eram mais frequentes no passado, e eram
uma espécie de cúpula. De acordo com ele, o concílio estava muito mais ligado ao lugar onde o acordo foi
estabelecido do que ao assunto tratado (achei meio sem sentido, mas segue o baile).
Falam nas bulas e Jayme diz que elas são caracterizadas por serem decisões unilaterais. Desse modo,
não podem ser consideradas tratados, já que estes precisam de no mínimo duas partes. As bulas seriam,
portanto, decisões.
A DUDH não é um tratado. Devido a isso, foi necessário criar dois tratados para dar obrigatoriedade às
normas trazidas pela DUDH. O princípio geral é que o próprio tratado define as regras em relação a ele
mesmo, sendo esse princípio oriundo da soberania dos Estados. Ou seja, uma vez reunidos em assembleia,
os Estados podem estabelecer as regras que quiserem dentro de certos limites.

1. Pressupostos: é nesse contexto que aparecem os pressupostos, que em linhas gerais são os mesmos
dos contratos.

2.1 Agente capaz. Exceções. Cláusula Federal: Os agentes capazes são os Estados e as Organizações
Internacionais. As "pessoas comuns" estão sujeitas ao direito internacional porque têm direitos e obrigações,
podendo inclusive serem julgados no plano internacional até por questões penais, mas não têm autonomia
para contrair obrigações em termos de tratados. Existem casos excepcionais em que estados federados têm
capacidade de construir tratados. É o caso da Califórnia, que ao entrar nos EUA definiu essa regra. É o
caso também da Cruz Vermelha, que não é uma Organização Internacional, é uma ONG que foi instituída
como organização nacional inicialmente e tem sede junto às organizações internacionais em Genebra. De
toda forma, por força da prática tem participado de tratados.
Vinculada a essa discussão, temos a chamada cláusula federal, que vai ser elemento de vários
tratados, como a Convenção (Inter)Americana Sobre os Direitos Humanos e a Carta das Nações. Essa
cláusula quer dizer que apenas o Estado enquanto união tem a capacidade para estabelecer tratados, sendo os
casos citados acima as exceções.
Se a CF ou qualquer outra constituição estabelecer que um, dois ou todos os estados podem ratificar
tratados, isso deverá ser respeitado no plano internacional. A regra geral é relacionada à cláusula federal, e
isso vale não só para a negociação, a assinatura e a ratificação de tratados, mas também para o cumprimento
das obrigações. Se o governo de Pernambuco agir de encontro a uma determinação internacional, o Brasil
tem que se responsabilizar. No exemplo do estado da Califórnia, por sua vez, o caso é diferente, como ele é
ente apartado, limpa a merda que fizer.

2.2. Objeto lícito: O objeto deve ser lícito (assim como o direito interno e direito dos contratos). Isso tem
muito a ver com uma discussão que veremos mais adiante, ou seja, não é sobre qualquer tema que o tratado
pode versar. Por exemplo, hoje (essa é uma regra um tanto quanto aberta porque depende do que se entende
no momento) se alguns Estados resolverem reinstituir a escravidão isso será visto como um objeto ilícito,
portanto não passível de ser regulado no plano internacional. É uma questão que tem certa correlação com as
cláusulas pétreas que temos no plano interno, mas voltaremos a esse tema mais adiante; por enquanto
fiquemos com a generalidade do objeto lícito.

2.3. Ademais, deve haver o consentimento mútuo; não pode ser imposto por um Estado em relação aos
outros. Deve haver um acordo entre as partes (Estados e Organizações Internacionais).

OS TÓPICOS QUE O PROFESSOR ESCREVEU NO QUADRO JÁ FORAM TRABALHADOS.


COMO SOBROU TEMPO, ELE INICIOU OUTRA PARTE DO ASSUNTO SOBRE TRATADOS.

Vamos começar a falar do processo de negociação dos tratados. Só com a ratificação é que o
tratado passa a ser obrigatório no âmbito interno.
O Pacto Internacional de Direitos Civis e Jurídicos e o Pacto Internacional de Direitos Econômicos,
Sociais e Culturais são tratados no âmbito dos direitos humanos e tornam jurídica a Declaração Universal
dos Direitos Humanos, que é de 1948. Logo depois da adoção da DUDH se iniciou o processo de discussão
em torno de um tratado (que deveria ser único e denominado "Tratado Internacional de Direitos Humanos"),
só que havia a Guerra Fria e uma forte discussão ideológica acabou apartando interesses sobre os direitos
civis e jurídicos de um lado e sobre os direitos econômicos, sociais e culturais de outro.
Perguntam se tem a ver com direito de primeira, segunda e terceira gerações. Jayme diz que é exatamente
isso; havia dúvidas quanto a essas categorias de direitos e se elas todas deveriam ser direitos humanos.
Em função dessa polarização ideológica decidiu-se que deveriam ser produzidos dois tratados; dois
pactos. Eles só foram instituídos em 1966, então se verifica esse lapso entre a DUDH (1948) e esses tratados
(1966), 18 anos de discussões relacionadas à adoção ou não de dois tratados em matéria de direitos humanos.
Ainda assim esses pactos só entraram em vigor 10 anos depois, posto que fazia-se necessária uma certa
quantidade de Estados-membros ratificando-o para que ele passasse a valer, quantidade que só foi atingida
em 1976.
A outra questão a ser considerada é a das línguas; para a definição de normas internacionais é preciso
definir em que língua será negociado e redigido o tratado. Se o tratado for bilateral entre países de mesma
língua, ela é a adotada. Normalmente em caso de línguas diversas redige-se o tratado nas duas línguas
oficiais, mas isso varia de acordo com a vontade das partes, podendo ser escolhida a de um dos dois. O
grande problema é quando os contratos são multilaterais, a depender dos entes envolvidos na negociação.
Caso haja a presença de uma Organização Internacional como a ONU, por exemplo, que tem seis línguas
oficiais (três representativas do ocidente - espanhol, inglês e francês - e três representativas do oriente -
russo, mandarim e árabe), deve-se escolher uma dessas línguas e os países que tiverem outras línguas devem
fazer versões oficiais dos tratados em seu idioma. Tratados concluídos no âmbito da OEA são redigidos nas
línguas oficiais da OEA (português, inglês, francês, espanhol). No âmbito da União Europeia, todas as
línguas oficiais dos países da Europa são línguas oficiais, então os tratados devem ser negociados e
concluídos naquelas línguas. Se o tratado for multilateral para além das organizações internacionais, devem
caminhar nas línguas oficiais dos Estados que negociam o tratado.

A tradição dos plenipotenciários vem da época dos reis absolutistas, que não podiam estar em todas
as discussões, de todos os tratados, mas se preocupavam muito com quem poderia negociar tais tratados.
Plenipotenciárias são aquelas pessoas a quem o Estado dá poderes para que negociem os termos dos tratados
e assume compromissos em relação aos tratados, muitas vezes podendo assiná-los também. Essas pessoas
recebem os chamados "plenos poderes", que têm seus limites traçados pela autoridade responsável do âmbito
nacional, podendo limitar os poderes do plenopotenciário, de modo que eles simplesmente participem da
negociação sem assinar o contrato. "Plenos poderes" também é o documento que deverá ser exibido pelo
plenopotenciário na hora de negociar o tratado. Normalmente há conferência desses representantes na qual
eles devem exibir esses documentos registrados com a assinatura de quem tem o poder de delegar tal
atribuição.

Pergunta: Eles são agentes com diplomatas ou pode ser qualquer um?
Resposta: Em geral são diplomatas, mas pode ser qualquer um, como inclusive vem acontecendo, sobretudo
no exterior.

A constituição do país vai determinar quem tem poder para constituir plenopotenciários e quais os
plenos poderes. No Brasil, isso cabe ao presidente da república. Ele pode também delegar essa atribuição ao
Ministro de Relações Exteriores, que é o que normalmente acontece, mas depende de uma lei específica.
Os plenos poderes podem ser limitados e ainda assim serão plenos poderes.
Em algumas situações, algumas pessoas de alguns cargos não precisam exibir plenos poderes (o
documento). É o caso dos chefes de Estado; eles não precisam apresentar plenos poderes porque são
reconhecidos como tais. O mesmo vale para o Ministro de Relações Exteriores, para o Chefe de Missão
Diplomática e pra representantes em conferências específicas para definição de um tratado (achei isso um
tanto confuso).
Pode-se dizer que os plenos poderes são uma "procuração internacional" dada pelo Estado para
negociar os termos de um tratado, podendo ser revogados.

8. Aula 8 (Aula extra- dia 04/05)

Estávamos falando de tratados e do processo de negociação. Inclusive, vale salientar que esse processo
se resolve normalmente em um, dois anos, porque é preciso ir se constituindo as bases do acordo e isso
demora, sobretudo, no plano multilateral. Todavia, se o tratado for bilateral, ele tende a ser mais rápido, a
negociação será mais rápida. Por outro lado, o tratado multilateral e o tratado no âmbito global, que
envolvem muitas percepções, tendem a levar mais tempo.
Para se chegar à conclusão do tratado, é necessária uma série de discussões e de reuniões. Mas,
chegando, o que fazer? Aí tem toda uma busca para dar legitimidade ao texto do tratado. Por enquanto,
sendo o texto do trabalho concluído, verifica-se que não há maiores intervenções na ordem internacional.
A próxima etapa será a assinatura do tratado. Com a assinatura, não se tem obrigatoriedade em
relação ao tratado. A única implicância da assinatura é a obrigação que os plenipotenciários têm quanto a
levar os termos do tratado para uma discussão aberta no plano interno. Cada vez mais, vê-se que esse debate
deve ser aberto, envolvendo vários segmentos da sociedade. É que se forma uma convicção de que esse
tratado deve ser ratificado. Então, antes da ratificação, há uma discussão no plano interno.
No âmbito das organizações multilaterais, normalmente, esse papel cabe a organizações.
Organizações como a ONU e como o Conselho da Europa seriam essas organizações que fazem todo o
trabalho. Não são conferências para a elaboração dos termos do tratado, mas são conferências para difundir
os termos do tratado. Quando o texto está concluído, chega-se à conclusão de que esse texto deve ser
ratificado.
Não há uma regra estabelecida. Tudo isso depende do costume, do voluntarismo dos Estados no
âmbito do Direito Internacional. Deve haver um momento em que os plenipotenciários, ou uma organização,
ou os Estados difundirão essa possibilidade de se aplicar os termos do tratado.
Quem assina o tratado? Pode ser o plenipotenciário, se ele tiver poderes para isso, ou pode ser o
representante máximo do país, de acordo com a Constituição. O que é importante para nós é ter em mente
a ideia de que, com a assinatura, não há a obrigação de cumprimento dos termos. A obrigação é de
levar a discussão ao âmbito interno, para que os Estados façam a discussão acerca da conveniência, em
relação à constitucionalidade e às conveniências políticas e econômicas com repercussões para os Estados.
É preciso verificar tudo isso para ver se o Estado se obriga ao cumprimento. Normalmente (e isso
tem sido ampliado com a criação das organizações internacionais), vêm sendo realizadas conferências para
que haja uma assinatura, a fim de que o mundo saiba que existe uma proposta em discussão de um novo
tratado. Há um compromisso de levar essa discussão no sentido de que se reflita sobre a possibilidade de
ratificação.
Vale salientar que a ratificação é um ato unilateral. Nós falaremos acerca desses atos unilaterais,
como a adesão, emendas, reservas, etc. A ratificação é um desses atos unilaterais, ou seja, é um ato que não
precisa da concordância de outro Estado para produzir efeitos; depende, apenas, da voluntariedade do
Estado.
A ratificação é definida pela Constituição de cada país. No geral, onde há um sistema
presidencial, vê-se que cabe aos presidentes. Mas isso pode ser, também, compartilhado com o Congresso:
que é o que acontece no Brasil. Depende-se da vontade desses dois poderes. O Executivo inicia o processo
de ratificação e comunica ao Congresso.
O tratado só será levado ao Congresso se o Presidente quiser. Se o presidente não encaminhar, o
processo não é aberto e não há discussão em torno da ratificação do tratado.
O processo é um ato complexo: quando se decide participar de eventos internacionais para elaborar
um novo tratado, há uma consequência em todos os poderes, que conversam entre si e podem se fazer
representados nessas conferencias. Quando o texto do tratado está formulado, deve-se fazer valer a discussão
internamente.
Depois que o Presidente encaminha essa mensagem ao Congresso, o Congresso faz discussão em
termos políticos, jurídicos e financeiros. Aí, depois, dá seu aval para que o tratado seja ratificado. E ele só é
ratificado com outra manifestação de vontade do Presidente, que é o decreto presidencial. Uma vez
publicado, o tratado está, na ordem interna e na ordem internacional, em cumprimento. Os Estados,
sobretudo os que têm mais presença internacional, por meio da diplomacia, etc., costumam levar muito a
sério esse processo de ratificação, porque se cria uma ampla discussão política caso o tratado não seja
objetivamente cumprido.
Quando o Congresso concorda, vem o decreto e o tratado entra na ordem interna, nascendo a
obrigação de cumprimento.
O próximo ponto a ser tratado é em relação à classificação: há várias, como em relação à quantidade
de partes, com relação à possibilidade de participação, quanto à amplitude normativa e quanto à matéria
regulada.
Com relação à quantidade de partes, o tratado pode ser bilateral, multilateral e plurilateral. Essa
distinção entre multilateral e plurilateral existe porque parte da doutrina considera que, quando um tratado
envolve organizações internacionais e Estados, ele seria plurilateral: há os Estados e pelo menos uma
organização. É o caso do tratado entre a União Europeia e o Chile. É um tratado que pode se entender como
plurilateral. Outro exemplo é o Mercosul e a União Europeia, que seria um tratado plurilateral, porque
envolveria duas organizações.
O bilateral é envolve dois Estados. Os multilaterais envolvem vários Estados. Quando há a ONU e
vários Estados, vê-se um tratado plurilateral.
Isso tudo depende da aceitação da doutrina. Outra parte da doutrina simplesmente reconhece a
diferença entre bilateral e multilateral.
Quanto à possibilidade de participação, o tratado pode ser aberto ou fechado. É aberto quando
qualquer Estado pode fazer parte, não há uma limitação. Porém, muitas vezes, essa condição de ser aberto ou
fechado depende de uma condição regional. Pode ser aberto regionalmente e fechado em outras regiões.
O tratado aberto é aquele em que não há habilitação para fazer parte, como a Carta das Nações.
Pode-se entender que só os Estados que são banhados pelo Atlântico Norte podem fazer parte da
OTAN, que é uma organização comprometida com a segurança desses países. Então, é um tratado fechado.
Toda organização tem um tratado para sua instituição. Cada organização é instituída por um tratado:
isso que é chamado tratado-fundação. A OTAN é aberta apenas para países do Norte do planeta. O Mercosul
é uma organização fechada ao Sul da América. De fato, é uma definição muito mais política que geográfica a
da OTAN, porque os países do Norte têm mais poder econômico e político que os do Sul da América.
Essa possibilidade de participação depende muito da região e, também, em função da temática, ou
seja, a temática também limita a participação. A temática, por exemplo, da Amazônia. Há vários tratados que
regulam a Amazônia: é uma questão geográfica e temática. O tratado é aberto a questões geográficas e
temáticas.
Quanto à amplitude normativa, o tratado é geral ou específico. O geral é o que trata de diversos
assuntos, como a Carta das Nações. A Carta das Nações é um tratado-fundação, tem caráter administrativo,
institui princípios gerais do Direito Internacional, institui um Tribunal Internacional e regras correlatas a ele,
etc.
Por outro lado, o tratado específico trata de um tema específico. Essa discussão se relaciona, por
exemplo, à Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados. A Convenção das Nações Unidas sobre
Biodiversidade é outro exemplo. A Convenção da OEA e a Interamericana para prevenir e punir a violência
contra mulher são tratados específicos.
Quanto à matéria regulada, são inúmeras as possibilidades. Alguns tratados de fundação são,
também, de paz. É o caso da Carta das Nações e, ainda, dos tratados de fundação, ou seja, que instituem
organizações internacionais: todas têm, mas pode ser que esses tratados disponham, além disso, de outras
matérias.
Nós veremos, em uma das aulas, os organismos da ONU e seus tratados de fundação. Por exemplo, a
UNESCO, a OMC, etc., além de agências, são organizações internacionais de caráter global, e todas elas têm
seus tratados de fundação.
O tratado de paz, a exemplo o Tratado de Versalhes, é aquele cujo objetivo é o de constituir a paz,
sobretudo depois de uma guerra. Então, a Carta de Nações é, também, um tratado de paz. Todos os fins de
guerras europeias que implicaram tratados ensejaram tratados de paz.
Os tratados de extradição são normalmente bilaterais, em função da matéria. Um tratado de
extradição, por exemplo, exige as mesmas condições para os países; é, normalmente, bilateral, mas nada
impede ser outro o de extradição.
Um tratado-contrato é o que estabelece condições contratuais, como o tratado que estabeleceu a
ITAIPU binacional, uma empresa brasileira no Paraguai, no qual há uma série de normas. O formato é muito
assemelhado a de um contrato, por isso o nome. Ele tem características, muitas vezes, econômicas.
Tratado de Direitos Humanos: como a Convenção das Nações Unidas para eliminação de todas as
formas de discriminação racial, contra mulher, etc. No âmbito regional, vê-se a Convenção Interamericana
para punir violência contra mulher; a Convenção Americana de Direitos Humanos também, apesar de ser
mais geral. Há, também, o Protocolo de San Salvador.
Tratados humanitários são aqueles inseridos em conflito armado ou de guerra, por exemplo: as
Convenções de Genebra sobre direito humanitário, que instituem os crimes de genocídio, contra a
humanidade. Até mesmo o Estatuto de Roma pode-se entender como tratado de direito humanitário.
As Convenções de Meio Ambiente: como a das Nações Unidas sobre a mudança de clima, que tem
um texto básico, o qual regula as possibilidades de controle do clima, das condições climáticas, para que não
tenhamos o aumento da temperatura como tem acontecido. Há outras partes, há anexos, com listas, para
convenção ambiental.
Pergunta: os elementos dessa lista podem ser alterados informalmente?
Resposta: Não diria informalmente, porque tem que haver uma conferência, mas não precisa de ratificação
dessa alteração. A ratificação diz respeito aos termos fundacionais e os anexos não são submetidos à
ratificação. Isso é objeto de crítica, mas essa tem sido uma forma de tratar as atividades para a
normatização ambiental.
A adesão. Quando se pode falar nela? Há adesão a um tratado quando não se participou do processo
da negociação. O texto do tratado está pronto, em princípio já houve a assinatura e a ratificação por parte de
uma série de Estados. Então, novos Estados querem aderir ao tratado. Por exemplo, Estados criados depois
podem aderir à Carta das Nações, que é um tratado já assinado e em curso.
Em relação a todos os tratados de Direitos Humanos instituídos na década de 80, etc., o Brasil aderiu
a eles, mais ou menos, em 1992, no governo Collor, quando o Brasil entra, de fato, internacionalmente,
quanto aos tratados de Direitos Humanos. A adesão significa isso: o país não participa das discussões
relacionadas à elaboração do tratado. O tratado está pronto, aí o Estado adere.
É possível que se estabeleçam reservas? Sim. Daqui a pouco falaremos delas.
A adesão é mais uma das atribuições relacionadas ao depositário. Qual a função do depositário? O
depositário tem uma função muito importante relacionada aos tratados, que é cuidar para que o tratado seja
cumprido. Um cuidado que é maior do que simplesmente fazer com o que o contrato seja cumprido, é ter
cuidado com o texto, com a qualidade do texto, com os procedimentos relacionados ao texto. Entre eles, o
registro, as cópias; cada Estado que fez parte daquele processo de elaboração do tratado terá que ter pelo
menos uma cópia. Essas cópias deverão ser autenticadas, registradas. O próprio texto do tratado deverá ser
registrado pela organização a qual o tratado esteja relacionado.
No passado, quando não haviam as organizações internacionais, os próprios Estados davam poderes ao
depositário. Quando a reunião se estabelecia para realizar os tratados já se definia quem seria o depositário.
E aí o Estado dava poderes ao depositário. A figura do depositário sempre foi uma figura muito importante,
ou seja, é comum que uma pessoa relevante no espaço internacional. Poderia ser um estudioso, podia ser um
diplomata, poderia ser um governante, um rei.
E com a criação das organizações internacionais, as próprias organizações são depositárias dos tratados. O
tratado fica guardado na sede da organização. Portanto, normalmente, quando o tratado é unilateral – tratado
unilateral o depositário deverá ser o representante máximo daquela organização. Então, dentre as suas
obrigações, ele tem a obrigação de guardar os documentos físicos, mas de guardar também o respeito as
condições de vigência do tratado. Então, por exemplo, tudo que acontecer em relação ao tratado, ele deverá
saber e deverá comunicar as partes. Se uma parte se retira do tratado, por exemplo, isso deverá ser registrado
em ata e deverá ser comunicado a todas as outras partes. Tudo, absolutamente tudo.
Então, o depositário tem uma função extremamente relevante em relação à vida do tratado. Se o tratado for
bilateral, então os Estados definem quem vai ser o depositário do tratado. Ou, então, uma pessoa,
representando o Estado.
Nos últimos tempos, no processo de elaboração dos tratados, de afirmação do direito internacional, era
comum definir uma pessoa especifica como depositária. Contudo, percebeu-se que as pessoas morrem.
Então, viu-se que isso não era muito adequado. Então hoje se define cargos que são ocupados por pessoas e
tem o presidente. Então, o secretário geral de uma organização é o depositário. A presidência de um
determinado país é depositária. Então, mudou o presidente, mudará também o depositário. No caso de uma
adesão, caberá ao depositário registrar essa adesão e distribuí-la as partes envolvidas no processo
relacionado àquele tratado.
Emenda
A emenda é a alteração. Normalmente uma emenda é denominada de protocolo. Há várias denominações,
tratado, segundo tratado, terceiro tratado, emenda. As partes envolvidas têm plena capacidade para dar o
nome que quiserem aos tratados e às emendas, que são nada mais do que novos tratados, só que se referem
ao tratado original. O Protocolo de Kyoto é uma emenda, a convenção 4 das nações unidas sobre o clima. Aí
tem o Protocolo de Kyoto para alterar as condições de Viena daquele tratado original. Então, trata-se do
Protocolo de Kyoto – a Convenção 4 das Nações Unidas sobre o Clima.
Em relação às reservas, o que se deve observar é que faz parte da soberania das nações estabelecer reservas.
Então, reserva é uma sinalização, a manifestação de vontade unilateral do Estado por meio da qual o Estado
diz que não se compromete com determinadas clausulas do tratado. Isso é plenamente possível na ordem
internacional, desde que não alcance os elementos fundamentais do tratado.
Imagine que num tratado sobre mudança do clima, um Estado imponha uma reserva justamente num ponto
fundamental sobre a mudança do clima, o que equivaleria a não ratificar ou ratificar só pro forme.
Certamente isso aconteceu com muitos tratados ao longo da história. Então, por isso a doutrina vem
adotando a compreensão e a jurisprudência internacional também, no sentido de limitar as possibilidades de
reserva.
Mais recentemente, alguns tratados já não permitem mais reservas, alguns tratados da área ambiental; o
tratado do tribunal penal internacional não é passível de reservas. Então, o que vem acontecendo: alguns
Estados não ratificaram e tem se organizado com outros Estados pra que outros Estados não ratifiquem. É
uma forma de tirar legitimidade ao tratado. Então, por exemplo, Estados Unidos não ratificaram, Colômbia
também não. Vários Estados que tem problemas humanitários – digamos assim – não ratificaram o Estatuto
de Roma, que institui o Tribunal Penal Internacional. Porque também só seria possível ratificar inteiramente
o tratado, ele não é passível de reservas.
Então, digamos que tem essa tendência dos dias de hoje, em função de uma busca de uma cogência maior
para o direito internacional e em função da consideração das reservas como que algo que tira o significado
de muitos tratados.
Pergunta: professor, eu não sei se o senhor já falou, mas no caso de adesão precisa de autorização de
outros Estados que já eram parte?
Resposta: Só se o tratado determinar nesses termos, mas não em princípio.
Pergunta: e no caso de emenda, como é que é? Qualquer Estado chega e propõe essa emenda?
Resposta: Quando falamos da emenda, falamos de uma séria de situações que são reguladas pelo próprio
tratado. Ou seja, digamos que a regra geral válida para o direito internacional é, no âmbito dos tratados, o
tratado define as suas regras. Claro, tem os princípios gerais do direto, tem as condições mais gerais. Em
princípio, com relação a reserva, a emenda, a adesões, tudo isso é regulado pelo tratado.
Eu falei pra vocês do formato do tratado. Ou seja, no fecho, ou a finalização do tratado, é de onde vem as
regras relacionadas a suspensão, a reserva, a denúncia. Tudo vai ser definido pelo tratado. O próprio tratado
deve dizer: tais e tais artigos não são passíveis de reservas.
A convenção de Viena tem toda a definição, as condições fundamentais sobre tratado. O que é convenção,
ratificação, etc. isso ocorre porque a convenção de Viena é sobre o direito dos tratados. Ou seja, institui as
regras fundamentais com relação aos tratados, então ela também cuidou de definir certas questões jurídicas.
Suspensão
Suspensão é a possibilidade de que o Estado não cumpra o tratado temporariamente. Digamos, por exemplo,
que o Estado está em turbulência política e por isso argumenta que não tem condições de cumprir um
determinado tratado. Ou que está em situação desvantajosa do ponto de vista econômico, que também coloca
em discussão a possibilidade de descumprir os termos do tratado. Sobretudo os tratados que tem
repercussões financeiras. Então, dependendo do tratado, ele poderá ser suspenso, ou ter a sua vigência
suspensa.
As condições de direitos humanos, por exemplo, dizem que determinados direitos não podem ser suspensos.
Por exemplo, o direito à liberdade, o direito à vida..
Denúncia
A denúncia é a retirada de um Estado ou organização internacional do tratado. É quando esse ente informa a
comunidade internacional que ele não mais fará parte do tratado. Normalmente, se exige um tempo, porque,
em função da segurança jurídica, a comunidade internacional precisa ter um tempo para saber que aquele
Estado sairá da vigência do tratado. Normalmente, o tempo mínimo de um ano. Mas se o tratado permitir
uma denúncia imediata ou exigir mais tempo, tudo vai ser regulado pelo voluntarismo jurídico, ou seja, por
aquilo que estiver determinado nas normas finais do tratado, aquelas que definem o termo final do tratado.
Pergunta: a denúncia é o ato de saída?
É o ato de anúncio de que o Estado irá se retirar do tratado
Pergunta: E o ato de saída?
Aí é a finalização do processo de denúncia.
Extinção
A extinção do tratado se dá por duas formas principais: a perda de objeto, que é quando o objetivo não foi
cumprido ou foi cumprido, aí ele deixa de existir, o tratado é extinto. Como o tratado que instituiu a liga das
nações deixou de existir quando eclodiu a segunda guerra mundial. O tratado veio para trazer a paz, aí eclode
outra guerra mundial, então ele perde seu objeto. É o que pode acontecer com a ONU se eclodir a terceira
guerra mundial. A carta das nações está extinta.
A outra possibilidade é o fim do prazo. O tratado pode ter um prazo determinado. Por exemplo, na área
cultural, é muito comum que nos tratados da área cultural os Estados estabeleçam um plano para a
cooperação cultural por um período por 3 anos, para fomentar bilateralmente ou multilateralmente a cultura
entre ambos os Estados. Ou seja, vai valer por tempo determinado. Uma vez concluído esse prazo, ele deixa
de existir.
Uma questão muito relevante com relação aos tratados é o tema da nulidade. Os tratados podem ser
declarados nulos em função de dolo, coação, erro. Aqueles elementos que já conhecemos em relação ao
direito civil, que se aplicam ao direito internacional também, talvez com uma gravidade maior. Imaginem –
como já aconteceu muito no passado – um Estado ser coagido a assinar e ratificar um tratado. Em guerras no
passado isso já aconteceu. Um rei dominava a situação e obrigava outros a assinar o tratado. Na doutrina,
esse tratado era visto como um tratado passível de ser anulado. E hoje há a clareza de que sendo alegado e
provado isso, o tratado deverá ser considerado e declarado nulo. Claro, há possibilidades de correção do
erro.
Pergunta: nulo em relação àquele Estado não a todo mundo?
Só em relação ao estado.
E muito relacionado a isso está a discussão de jus cogens ou a norma imperativa de direito internacional, que
está no artigo 53 da convenção de Viena sobre direito estatal, que diz o seguinte,
“É nulo um tratado que, no momento de sua conclusão, conflite com uma norma imperativa de Direito
Internacional geral. Para os fins da presente Convenção, uma norma imperativa de Direito Internacional
geral é uma norma aceita e reconhecida pela comunidade internacional dos Estados como um todo, como
norma da qual nenhuma derrogação é permitida e que só pode ser modificada por norma ulterior de Direito
Internacional geral da mesma natureza”.

Eu já me referi na aula anterior a essa possibilidade, ou seja, a possibilidade de nulidade em função dessa
regra geral, então, nos dias de hoje, se considera que um tratado será nulo com base nessa ideia de norma
imperativa do direito internacional geral, ou seja, plenamente aceita no plano internacional em determinadas
condições. Por exemplo, um tratado que regule ou tivesse que regular a escravidão, tivesse que normatizar a
escravidão ou a servidão, seria uma agressão ao que se entende como sendo uma norma imperativa do
direito internacional geral plenamente aceita. Ou um tratado que permitisse o genocídio seria também uma
norma que atentaria contra essa norma imperativa do direito internacional geral.
Então, a doutrina é quem preenche, digamos assim, essa interpretação, ela não está definida em um texto
legal, são os doutrinadores que vão dizer que elementos temos, estão tendo aí, sobre a norma imperativa do
direito internacional; é uma discussão um tanto quanto assemelhada a cláusula pétrea, embora as cláusulas
pétreas possam ter uma definição mais clara que, no caso do Brasil, não se tem claramente o que é uma
norma imperativa, digamos assim.
Os “comis” já foram a principal fonte do direito internacional, no final daquela segunda fase de
desenvolvimento do direito internacional, conforme nós vimos a partir do Adam Watson, ou seja, a segunda
fase ela é bastante longa, ela começa com o fim do império romano e vai até o final do século XIX, início do
século XX. Então, do meio para o final desse período, nós vamos ter uma virada em função do processo de
positivação do direito e do direito internacional.
Aliás, a esse respeito eu coloquei na pasta do Dropbox também de vocês, da outra turma e da outra turma lá
de ciência política e aqui também um artigo sobre o tratado de Vestefália, um artigo crítico. O que é que se
diz, então, sobre os tratados de Vestefália? Que ali se instituiu o estado nacional, a ideia de soberania e tudo
mais, o autor, nessas perspectivas críticas, vai procurar dizer que o processo de constituição dos estados
nacionais é anterior ao Vestefália e a definição soberana dos estados também, e se prolonga no tempo até
final do século XIX, quando a Itália, a Alemanha vão se tornar propriamente estados nação.
Então, seria esse o momento de definição do do direito internacional europeu, né? Ou seja, dessa sociedade
internacional europeia, é o momento em que nós vamos ter a mudança do padrão do direito internacional, do
direito internacional costumeiro, para o direito internacional “tratadisso”, positivo, ou seja, o direito
costumeiro vai ser objeto de positivação e, ainda assim, não vai deixar de ser costume porque o costume
independe do processo de positivação, o costume continuará sendo costume porque o que define um costume
como uma norma costumeira é o processo que é diferente de uma lei.
A lei ela é ordenada de um dia pro outro, ou mais ou menos assim, enquanto o processo de constituição do
costume é muito mais definido pela tradição, pelo recurso do tempo e forma não escrita. Forma não escrita,
não retratada, ou seja, o elemento tempo é fundamental para a constituição costumeira, seja no âmbito
nacional, seja no âmbito internacional. Conjugado ao tempo, há a reiteração tradicional, então será
importante para a definição do costume.
Os estados têm um instrumento para não permitir que um costume seja alterado e qual é esse instrumento? É
o protesto, é o ato unilateral dos estados pela qual dizem claramente num espaço internacional, pode ser
pelos jornais, pode ser por uma carta, e-mail, ele demonstra não concordar com uma prática internacional e
aí ele está dizendo ‘não aceito que essa prática vire uma prática costumeira’ como, por exemplo, quando a
uma invasão a um estado, uma intervenção unilateral, então muitos estados protestam, é uma forma de não
tornar aquela prática costumeira. Então é necessário a aceitação da comunidade para que vire costume, e,
uma vez tendo esses elementos, o costume tem tanta validade quanto o tratado em termos de
obrigatoriedade. Pode não estar em um tratado mas será uma norma internacional do mesmo jeito, ou seja,
uma norma internacional de caráter obrigatório, pois o processo de positivação, que vem acontecendo ao
longo do tempo, ele é essencial para entender o momento que nós vivemos, ou seja, que o tratado é a
principal fonte do direito internacional juntamente com o costume e tem outras fontes que são subsidiárias,
ou seja, precisam da convalidação por parte do tratado, do costume, que é o caso dos princípios gerais do
direito, é o caso da doutrina, é o caso da jurisprudência.
[Pergunta] – “Professor, o costume não tenderia a individualizar os estados? Por representar mais as
características daquele povo e tal?
Não, nesse caso, não é costume nacional, é um costume internacional. É o costume que pula os estados no
plano internacional. Muitos costumes são também princípios internacionais do direito, ‘passagem inocente’ é
um princípio internacional do direito que é um costume também. Todo mundo sabe que, por exemplo, uma
casa, ela às vezes é encostada no terreno de uma outra, então quem mora naquela casa tem o direito de
passagem pelo terreno daquele. Mesma coisa quando for levado para o plano internacional, que se chama
tecnicamente de “passagem inocente”, que é a passagem que aviões fazem sobre território de estados nação,
a passagem que os navios fazem sobre o mar territorial também, tudo isso é considerado passagem inocente,
ou seja que não oferece nenhum risco a soberania dos Estados e implica no direito, de um princípio do
direito internacional, que ao longo do tempo foi se instituindo como um princípio e como um costume.
Então, claro é preciso informar ao Estado: “vou fazer uma passagem inocente por aí (...) me comprometo, ao
fazer essa passagem, em não pousar, não estou levando armas, não estou tocando na sua soberania,
simplesmente preciso passar, seja pelo mar territorial, seja pelo ar".
Pergunta: Tem a ver com o direito positivo?
Sim, antes de ser norma prevista no tratado, era um costume. Houve o processo de positivização do
costume.
É similar ao processo do direito costumeiro inglês. Este continuou sendo costumeiro, mesmo com a
existência de uma lei. O processo de elaboração do costume foi com base no tempo, na tradição, na
aceitação: isso que levou a sua obrigatoriedade. O direito costumeiro pode estar positivado, mas isso não é
elemento fundamental. Normalmente, ele se apresenta como norma não escrita; pode ser escrito, mas antes
de ser escrito, já era uma norma.
Nós vimos anteriormente as discussões sobre as fontes materiais e sua relação com as fontes formais.
Estamos agora nas fontes formais, mas antes estávamos nas fontes materiais, ou seja, nas teorias que
embasam o direito internacional. Entre elas, o voluntarismo e o objetivismo. Aplicado aos costumes, os
voluntaristas tem dito que o costume deriva do consentimento tácito dos Estados. É o voluntarismo jurídico
que embasa a existência do costume.
Numa perspectiva objetivista, alguns autores podem dizer que é a consciência social do grupo, ou seja, um
elemento objetivo; não um elemento voluntarista. Crítica do professor: “Não sei se é tão objetivo assim, está
mais no campo de uma idealização espiritual". Esses autores trabalham com esse elemento objetivista: “a
consciência social dos Estados. Os Estados chegaram a conclusão de que deveriam validar um determinado
costume. A grande diferença em relação à validação do costume, é que no plano interno é validado pela
pratica reiterada dos indivíduos e sua aceitação por estes, no direito internacional é pelos Estados.
Pergunta: dificilmente consigo pensar em algum direito no plano internacional que não tenha sido
anteriormente um costume.
Professor: Eu acho que é relativamente fácil definir o que é costume e tem normas que nascem sem antes
terem sido costumes. Por exemplo, a ideia de que existem crimes internacionais, não era tido como um
costume. Aí houve a Convenção de Genebra de 1949, que definiram os crimes internacionais. Agora,
obviamente, há muitas situações que a norma escrita simplesmente positiva um costume anterior.
O que podemos entender como princípios gerais do direito? O conceito é o mesmo do plano interno. É uma
formulação teórica que ajuda os interpretes do direito na hora de aplicar as normas, sobretudo os tratados e
costumes, e, em certos casos, ajuda também a preencher determinadas lacunas. É uma fonte subsidiária, ou
seja, precisa ser convalidado por uma fonte dita primaria (costumes e tratados), portanto, tem uma relação
muito forte, sobretudo, com os costumes, pois não precisa estar positivado, mas precisa ser em consonância
com os costumes.
Em relação aos tratados, o preâmbulo é um local onde podemos, normalmente, identificar os princípios do
direito internacional. Podemos encontrar em qualquer parte do tratado, mas no preâmbulo será mais fácil.
Exemplos com base na CARTA DAS NAÇÕES:
“NÓS, OS POVOS DAS NAÇÕES UNIDAS, RESOLVIDOS a preservar as gerações vindouras do
flagelo da guerra, que por duas vezes, no espaço da nossa vida, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade,
e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade
de direito dos homens e das mulheres, assim como das nações grandes e pequenas, e a estabelecer condições
sob as quais a justiça e o respeito às obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do direito
internacional possam ser mantidos, e a promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de
uma liberdade ampla. E para tais fins praticar a tolerância e viver em paz, uns com os outros, como bons
vizinhos, e unir as nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais, e a garantir, pela aceitação
de princípios e a instituição dos métodos, que a força armada não será usada a não ser no interesse comum, a
empregar um mecanismo internacional para promover o progresso econômico e social de todos os povos.
Resolvemos conjugar nossos esforços para a consecução desses objetivos.
Em vista disso, nossos respectivos Governos, por intermédio de representantes reunidos na cidade de
São Francisco, depois de exibirem seus plenos poderes, que foram achados em boa e devida forma,
concordaram com a presente Carta das Nações Unidas e estabelecem, por meio dela, uma organização
internacional que será conhecida pelo nome de Nações Unidas.
CAPÍTULO I
PROPÓSITOS E PRINCÍPIOS
Artigo 1. Os propósitos das Nações unidas são:
1. Manter a paz e a segurança internacionais e, para esse fim: tomar, coletivamente, medidas efetivas
para evitar ameaças à paz e reprimir os atos de agressão ou outra qualquer ruptura da paz e chegar, por meios
pacíficos e de conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajuste ou solução
das controvérsias ou situações que possam levar a uma perturbação da paz; -> PRINCÍPIO DA PAZ E
SEGURANÇA INTERNACIONAIS; PRINCÍPIO DA RESOLUÇÃO DAS CONTROVÉRSIAS POR
MEIOS PACÍFICOS.
2. Desenvolver relações amistosas entre as nações, baseadas no respeito ao princípio de igualdade de
direitos e de autodeterminação dos povos, e tomar outras medidas apropriadas ao fortalecimento da paz
universal; -> PRINCÍPIO DA AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS.
3. Conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de caráter
econômico, social, cultural ou humanitário, e para promover e estimular o respeito aos direitos humanos e às
liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião; e -> PRINCÍPIO DA
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL.
4. Ser um centro destinado a harmonizar a ação das nações para a consecução desses objetivos
comuns.
Artigo 2. A Organização e seus Membros, para a realização dos propósitos mencionados no Artigo 1,
agirão de acordo com os seguintes Princípios:
1. A Organização é baseada no princípio da igualdade de todos os seus Membros.
2. Todos os Membros, a fim de assegurarem para todos em geral os direitos e vantagens resultantes de
sua qualidade de Membros, deverão cumprir de boa fé as obrigações por eles assumidas de acordo com a
presente Carta. -> PRINCÍPIO DA BOA-FÉ.
3. Todos os Membros deverão resolver suas controvérsias internacionais por meios pacíficos, de modo
que não sejam ameaçadas a paz, a segurança e a justiça internacionais.
4. Todos os Membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força contra
a integridade territorial ou a dependência política de qualquer Estado, ou qualquer outra ação incompatível
com os Propósitos das Nações Unidas. -> PRINCÍPIO DO RESPEITO À INTEGRIDADE
INTERNACIONAL.
5. Todos os Membros darão às Nações toda assistência em qualquer ação a que elas recorrerem de
acordo com a presente Carta e se absterão de dar auxílio a qual Estado contra o qual as Nações Unidas
agirem de modo preventivo ou coercitivo.
6. A Organização fará com que os Estados que não são Membros das Nações Unidas ajam de acordo
com esses Princípios em tudo quanto for necessário à manutenção da paz e da segurança internacionais.
7. Nenhum dispositivo da presente Carta autorizará as Nações Unidas a intervirem em assuntos que
dependam essencialmente da jurisdição de qualquer Estado ou obrigará os Membros a submeterem tais
assuntos a uma solução, nos termos da presente Carta; este princípio, porém, não prejudicará a aplicação das
medidas coercitivas constantes do Capitulo VII. ”
9. Aula 9 (Aula do dia 07/05)

A ideia de que os pactos devem ser cumpridos é algo definidor no Direito internacional. Falamos do
poluidor pagador, que diz respeito, mais especificamente, ao direito ambiental; do princípio das coisas
julgadas, e falei pra vocês que nós vamos encontrar, além do poluidor pagador, vários princípios específicos
do direito internacional ambiental, como o princípio da autodeterminação dos povos. Exemplo de pergunta
da prova: que princípios vocês poderiam indicar que são exclusivamente aplicáveis ao Direito Internacional?
Um deles é o princípio da autodeterminação dos povos.
O princípio do poluidor pagador surgiu de uma divergência no direito internacional envolvendo uma
empresa canadense e uma empresa americana. Estava-se levando poluição para o Canadá dos EUA, então se
estabeleceu uma arbitragem, que se terminou que esse princípio é definidor das relações internacionais no
direito internacional do meio ambiente. Se algum Estado polui, adquire a obrigação de pagar por isso.
O princípio do direito ao desenvolvimento também é específico do direito internacional.
Vamos seguir agora falando das outras fontes formais do direito internacional. Os atos jurídicos
unilaterais e as decisões das organizações internacionais não estão presentes no Estatuto da Corte
Internacional de Justiça, em seu artigo 38 (que elenca as fontes do Direito Internacional: tratados, costumes,
princípios gerais do direito, doutrina, jurisprudência). Com relação à doutrina, há uma divergência
doutrinária em torno da sua pertinência ou não às fontes do direito internacional. Para termos uma
compreensão a esse respeito, pergunta-se: o que é uma fonte formal? A fonte formal é uma técnica por meio
da qual o direito se revela. A dúvida com relação à doutrina se estabelece porque não existe uma única
doutrina, e sim opiniões em diversos sentidos expressadas por seus autores. Existem, portanto, posições
doutrinárias.
Parte da doutrina é negadora da ideia de que a doutrina é fonte do direito internacional, alegando
tratar-se, na realidade, de forma de expressão do pensamento dos autores, uma opinião a respeito do direito
que auxilia no processo de interpretação. Os portadores desse entendimento sustentam que a fonte do direito
é dotada de maior impositividade, devendo ser mandatória, como acontece com os tratados, costumes e
princípios gerais do direito. O professor Reseck, por exemplo, tem posições que a gente poderia entender
como sendo mais dogmáticas, conservadoras, em relação ao direito internacional. Já o professor Guido
Soares tem posições mais flexíveis, mais contemporâneas. Na hora de um julgador interpretar, ele poderá se
utilizar de uma posição ou outra.
Aqueles que defendem que a doutrina é fonte do direito internacional entendem que, apesar dessa
divergência, as opiniões dos doutrinadores constituem fontes, por serem utilizadas para fundamentar
julgamentos. Seria uma fonte sem caráter mandatório, mas que ainda sim fundamenta decisões tanto
jurídicas quanto políticas. Devemos nos posicionar quanto a uma dessas correntes.
Com relação à jurisprudência, não há dúvida: estamos diante de uma fonte clara do direito
internacional. Essa fonte veio crescendo em significado a partir do Século XX, quando podemos falar na
existência de tribunais e organizações internacionais. Já existiam algumas iniciativas anteriores, mas muito
mais enquanto experimentos e com um grau de informalidade. Eram mais assemelhadas, no século XIX, às
arbitragens. No sec. XX, temos mais propriamente tribunais internacionais, que passam a julgar casos
internacionais e constituir jurisprudência internacional, ou seja, conjunto de decisões que dão significado, no
plano internacional, a determinadas áreas. É o caso de alguns tribunais no âmbito global e regional.
Vejamos agora alguns dos principais tribunais que produzem jurisprudência no âmbito global e
regional. No âmbito global, o principal tribunal internacional é a Corte Internacional de Justiça (CIJ). A
Carta das Nações institui a Organização das Nações Unidas, estabelecendo as regras fundamentais da ONU.
Além disso, ela institui a Corte Internacional de Justiça. Eu posso perguntar a vocês: qual é a competência
da Corte Internacional de Justiça? Em primeiro lugar, a CIJ só julga Estados, e não indivíduos. Em
princípio, qualquer controvérsia envolvendo Estados pode ser encaminhada à Corte Internacional de Justiça,
a não ser que a própria ONU crie um tribunal com competência específica, a exemplo do Tribunal Penal
Internacional. O TPI, no entanto, não julga Estados, mas apenas indivíduos. Poderia haver algum pedido
para que o Estado fosse levado ao Tribunal por crimes internacionais, mas a partir do momento em que o
TPI foi criado, a competência penal foi por ele assumida.
Antes de 1982, quando foi criado o Tribunal Internacional do Mar, as questões de sua competência
eram julgadas no âmbito da Corte Internacional de Justiça. A rigor, dependendo do caso, pode haver a
competência do Tribunal Internacional do Mar ou da CIJ. Se o conflito, por exemplo, envolver definição de
fronteiras, incluindo o mar, a competência poderá ser da CIJ. É o caso de um conflito envolvendo Chile,
Bolívia e Peru. O mar faz parte desse conflito, mas a questão primordial envolve disputas territoriais,
envolvendo guerras do passado. Uma delas é a Guerra do Pacífico, na qual a Bolívia perdeu acesso ao mar
que hoje é parte do território do Chile, ao norte. Os assuntos relacionados mais propriamente ao mar, por sua
vez, estão no âmbito de competência do Tribunal Internacional do Mar, como divergências envolvendo
direito de passagem (passagem é um direito que o Estado tem de passar pelo mar ou por espaço aéreo sem
oferecer perigo à soberania de um outro Estado, desde que o informe, preenchendo determinado formulário e
esperando uma autorização para que essa passagem possa ser feita).
A competência do Tribunal Internacional Penal (TPI), por sua vez, conforme o Estatuto de Roma,
consiste em julgar pessoas que pratiquem crimes internacionais. Os crimes internacionais são quatro:
genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crimes de agressão. Comentário de aluna:
crítica de países africanos quanto à seletividade dos acusados perante os tribunais internacionais. O professor
responde que há, de fato, essa seletividade, e que isso se dá, dentre outros fatores, pelo fato de muitos
Estados não haverem ratificado o Estatuto da Corte Internacional de Justiça, como os EUA, Canadá,
Colômbia.
Existem também os tribunais ad hoc. Tem dois do passado, que já concluíram seus trabalhos, que são
os de Nuremberg e o de Tóquio, ambos instituídos pelos vencedores. Há uma crítica, portanto, quanto a isso,
por não se poder falar propriamente de tribunais globais, instituídos por uma organização global, e sim pelos
países que ganharam a Segunda Guerra Mundial, para julgar os perdedores (Nuremberg para julgar os
alemães e Tóquio para julgar alguns japoneses). Nós temos, atualmente, dois tribunais ad hoc: o Tribunal
para a antiga Iugoslávia, instituído em 1993, e o Tribunal para Ruanda, em função dos dois genocídios
ocorridos nesses dois países. Esses dois tribunais continuam julgando casos atualmente. Houve quem
quisesse instituir tribunal para julgar crimes ocorridos em Timor Leste, mas não houve consenso. Terminou-
se criando um tribunal no âmbito nacional no Timor Leste.
Enquanto cortes regionais, vale a pena mencionar as cortes comunitárias. O Direito Internacional
Comunitário regula as comunidades econômicas, que surgiram no século XX (Mercosul, NAFTA,
Comunidade Andina). São agrupamentos de Estados que buscam, por meio da cooperação econômica,
eliminar os problemas do passado, relacionados à guerra, tanto bélica quanto comercial. Cada uma delas tem
um meio de resolução de controvérsias, incluindo-se tribunais. Então o Mercosul tem um tribunal, embora
tenha características mistas em relação a outras formas de resolução de controvérsias, já que se trata de
tribunal arbitral. Há uma impropriedade na denominação, pois, ou falamos de arbitragem, ou falamos de
tribunal. A União Europeia tem seu tribunal, a Comunidade Andina tem seu tribunal. Podemos falar das
Cortes de Direitos Humanos, que são três: a Corte Europeia (Tribunal Europeu de Direitos Humanos), a
Corte Interamericana de Direitos Humanos e uma corte africana, que ainda é incipiente e de pouca
normatividade. A Corte europeia é exemplar, julgando por ano mais de mil casos há pelo menos duas
décadas. Todas essas cortes, à exceção do TPI e dos tribunais ad hoc, julgam Estados. Essas cortes
regionais de direitos humanos têm um caráter de complementariedade em relação às cortes nacionais:
quando a ordem nacional não é profícua na proteção dos direitos humanos, se aciona a ordem internacional.
Vimos as fontes formais típicas, ou seja, aquelas que estão previstas no artigo 38 do Estatuto da Corte
Internacional de Justiça, e passamos a ver as outras duas fontes que não estão previstas na CIJ, mas que a
doutrina internacional entende como fontes formais, o que pode ser revelador do pertencimento da doutrina
entre as fontes formais. Essas fontes não foram consideradas, pois o Estatuto da CIJ foi editado em 1945 e é
praticamente a reprodução do Estatuto da Corte Permanente de Justiça Internacional, criada em 1919.
Naquela época, não se tinha clareza de que os atos unilaterais dos Estados e as decisões das organizações
internacionais eram fontes do direito internacional. A doutrina, no entanto, veio preencher essa lacuna,
validando essas fontes. (
Em primeiro lugar, há os atos jurídicos unilaterais dos Estados. Isso significa que os Estados
produzem atos jurídicos unilateralmente, e esses atos produzem efeitos na realidade internacionais.
Poderíamos imaginar que só haveria sentido imaginar como fonte do direito internacional aquelas que
fossem fruto da vontade de pelo menos dois Estados, mas, mesmo quando a vontade é unilateral, estaremos
diante de uma fonte formal do direito internacional. Tem alguns elementos comuns: o primeiro deles é que
são manifestações unilaterais de Estados que produzem efeitos no direito internacional. Essa fonte é
autônoma, no sentido de que não precisa de convalidação por nenhuma outra fonte do direito, embora se
possa dizer que algumas precisam do reconhecimento por parte de outros Estados. Porém, para que elas
existam, é fundamental, antes de tudo, a própria vontade do Estado. Só há sentido essa ideia de autonomia
quando não há necessidade de uma conjugação de outras vontades para que haja validação dessa fonte. É ato
jurídico unilateral de um Estado, por exemplo, quando ele protesta contra alguma decisão de um outro
Estado. Os atos unilaterais em princípio não são formais, não havendo exigência de nenhum registro escrito.
Pode-se manifestar, por exemplo, por um discurso de um representante internacional, que poderá ser
proferido em ambiente formal ou perante a mídia. Exemplo: O presidente Trump chega diante da mídia e faz
uma declaração que tem efeitos jurídicos no âmbito internacional, como a de que a partir de determinada
data, serão tiradas as tropas de um território ocupado. A partir do momento em que um governante vai a
público, mesmo que não demonstrando sua vontade no papel, ou que essa manifestação não se dê em um
contexto formal, encontra-se caracterizado o ato jurídico unilateral. Disso decorre que esses atos prescindem
de registro, podendo ou não serem registrados. Quando se fala em registro, refere-se a documento com
carimbo ou de uma organização internacional ou de um Estado, como o registro em um cartório de
organização internacional ou em um cartório nacional ou de um espaço da diplomacia.
Exemplos de ato jurídico unilateral: quando um governo toma uma decisão, por exemplo, de não
aplicar mais determinada tarifa. Nesse caso, estamos diante de uma notificação, quando o Estado notifica o
outro de uma mudança em relação às suas decisões. Antes disso, falemos do protesto. O protesto é uma
decisão de maior importância, pois, por meio dela, o Estado impede que se forme um novo costume. O
reconhecimento é outro ato unilateral, por meio do qual se chancela determinada situação, como o
reconhecimento da soberania de um país. O Timor Leste, quando foi criado, precisava de reconhecimento
tanto dos demais Estados e da ONU (reconhecimento também ocorre por organizações internacionais). O
mesmo aconteceu com todas as ex-repúblicas da URSS e da Iugoslávia.
A renúncia é um ato unilateral por meio do qual o Estado anuncia a decisão de não mais se
comprometer, ou não mais realizar algo que era corrente na sua prática. A renúncia, por exemplo, a uma
guerra; a renúncia a um território. Ou seja, a partir de tal momento nós nos retiraríamos de tal território,
entregaríamos tal território, a partir daí cria-se uma obrigação: o Estado assume uma obrigação de cumprir,
de renunciar realmente a esse território. Então, é um tanto quanto assemelhado à promessa. A promessa é
um ato jurídico unilateral dos Estados pelo qual o Estado se compromete em fazer ou não fazer algo. Só que
no caso da renúncia, ela é no sentido negativo. Ou seja, é a decisão de se desvencilhar de um compromisso
ou de uma condição. A promessa é uma decisão ou um ato unilateral por meio do qual o Estado se
compromete a fazer ou deixar de fazer alguma coisa.
-Pergunta: Se o Estado descumpriu uma promessa é cabível algum tipo de sanção?
-Jaime: Então, digamos que a promessa, se ela é formalmente ou informalmente feita, ela pode ser
redigida nos espaços internacionais, políticos e jurídicos. Então, digamos que um Estado em relação ao qual
se comprometeu com outro Estado em relação a alguma coisa, como por exemplo: eu me comprometo a
entregar parte desse território e acabar com nossas divergências, eu faria no médio prazo, mesmo que ele não
defina um prazo, a partir dali o outro Estado pode exigir o cumprimento dessa promessa em termos morais.
Em termos jurídicos também, na medida em que ele pode abrir um processo perante a Corte Internacional de
Justiça e exigir o cumprimento, mas daí haver uma decisão em favor dele é outra coisa.
De acordo com alguns autores, os atos unilaterais podem ser: autonormativos e heteronormativos. Ele
é AUTONORMATIVO quando estabelece obrigações, sobretudo para o próprio Estado, como é o caso da
ratificação e da denúncia (EX: reino unido para com o BREXIT). Ratificação é quando o Estado se
compromete no cumprimento de um tratado e a denúncia é quando o Estado se retira de um tratado. E o
HETERONORMATIVO é aquele que institui obrigação prevalentemente para os outros Estados, a
exemplo da promessa e do protesto. Obrigações no Direito, ou seja, com a promessa se institui um direito do
outro Estado, o outro Estado adquire o direito de exigir aquela promessa. E com o protesto se coloca o
Estado que foi protestado na posição de responder de acordo com o protesto e com as normas de direito
internacional, tem repercussões sobretudo para com outro Estado, que não aquele que tomou a decisão.
E por fim as DECISÕES DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS: estas não eram vistas
como decisões que produziam efeitos no plano internacional. Por isso, não faziam parte do Estatuto da Corte
Internacional de Justiça, no art. 38, e hoje não há dúvida de que as organizações internacionais produzem
decisões e que estas produzem repercussões no plano internacional. Elas podem ser decisões jurídicas, no
âmbito de tribunais, elas podem ser decisões administrativas, dentro de uma organização internacional (a
ONU mesmo toma todos os dias decisões administrativas de repercussão no âmbito interno), e as decisões de
caráter de funcionamento, que podem envolver outras organizações internacionais e Estados. Mas o
fundamental aqui é nós entendermos que as decisões de uma organização internacional são autônomas em
relação aos Estados.
As organizações internacionais foram criadas por Estados por meio de tratado fundação, mas elas
têm uma vontade autônoma em relação aos Estados. Agora elas também são condicionadas politicamente
pela vontade dos Estados. Cabe aí toda uma discussão, a doutrina idealiza muito acerca disso, mas o
importante aqui é entender que uma coisa são as decisões dos Estados e outra são as decisões das
organizações internacionais (estas tomam decisões que em alguma medida são condicionadas pela vontade
dos Estados, mas também são decisões próprias das próprias organizações).

10. Aula 10 (Aula do dia 09/05)


O direito Internacional surge como um direito criado pelos estados (interestatal), mas ele passa a ser
caracterizado como um direito que abrange não apenas a esfera interestatal, mas também organizações
internacionais e mais recentemente os indivíduos, ou seja, a pessoa humana passa a ser sujeito do direito
internacional.
Uma boa forma de começar essa discussão, é começar a distinção entre sujeito e ator internacional,
pois existem vários outros atores participando do plano internacional, interagindo com o sujeito do direito
internacional. Basicamente, sujeitos do direito internacional são aqueles que possuem direitos e obrigações e
atores são aqueles que não tem esse reconhecimento, mas ainda assim, tem uma capacidade de intervenção
no plano internacional, participam das disputas de sentido, participam do cenário internacional, de alguma
forma interferem. Imaginem aquelas conferências que aconteceram durante a crise humanitária de 1993 na
Sérvia, antiga Iugoslávia. Uma série de organizações internacionais interagiram, organizaram conferências.
Houve uma série de mobilizações, mas eles são atores, aliás, terminaram condicionando para que eles
estabelecessem um tribunal penal internacional, para que eles criassem outras normas condicionadas por
essa discussão. Artistas famosos também se mobilizaram, existe uma música famosa que o Pavaroti e o U2
cantavam, feita neste contexto sobre o que deveria se fazer naquela situação, situação de graves violações ao
direito humanitário. Havia uma comoção muito grande, mas ainda não se sabia o que fazer, havia as
propostas relacionadas a instituição do tribunal penal internacional e a partir daí foi se constituindo essa
percepção e se mudou a ordem internacional nesse sentido, de considerar crimes internacionais passiveis de
responsabilização de pessoas. Essa ideia não era corrente, embora nós tivéssemos que os tribunais a quo do
passado, tribunais que não foram propriamente estabelecidos pelas Nações Unidas, mas que foram
estabelecidos pelas nações vencedoras como vimos na aula anterior. Aí foi se arraigando essa noção de
direito internacional. Então a doutrina faz essa diferenciação entre sujeitos de direito internacional, aqueles
que propriamente tem direito e exercem de obrigações e aqueles atores que mesmo não tendo diretos e
obrigações, participam.
Então, os grupos de pressões, as ONGS, os partidos políticos, todos aqueles que possuem
organizações internacionais, com uma série de agendas, participam da normatização internacional,
participam da discussão em torno de novos tratados e novas estratégias no plano internacional, são atores no
D.I., embora tenham uma capacidade muito grande de interação e de influência no plano internacional.
Lembramos do fórum econômico mundial, formado por empresários, ou seja, empresas multinacionais tem
um papel importante, talvez seja até maior do que deveria ter, mas essas empresas também condicionam
normas internacionais e discussões no plano internacional. Até alguns atores, como os mercenários que são
criminosos, há uma serie de tratados internacionais relacionados a proibição, a limitação das possibilidades
de atuação destes criminosos que também interfere nessa produção de normas, ou seja, cada vez os
criminosos condicionam o direito internacional, mas eles não são sujeitos do direito internacional, eles são
geralmente atores em relação aos quais há normas que regulam a sua ação/intervenção no plano
internacional. Antes disso, de serem destinatários de normas, eles participam do cenário internacional, eles
interferem no debate das questões internacionais sem ser sujeitos.
Então, hoje, sujeitos do direito internacional são os Estados, as Organizações Internacionais, o
Indivíduo, o Meio Ambiente.
Falemos, então, do estado. Partindo da ideia estudada em d. Constitucional, sabemos que existem
alguns elementos que compõe o Estado. O que é um Estado? É uma discussão da Política, da Ciência
Política e também do Direito, que também o regula, ou seja, há uma regulação no plano nacional e uma
regulação no plano internacional. A regulação no plano nacional considera, sobretudo, como elementos
definidores a sua vida doméstica e a regulação no plano internacional considera essa interação com outros
sujeitos do Direito Internacional. Uma definição importante sobre o que é o estado está na convecção pan-
americana de 1933, que dispõe sobre direitos e deveres do estado, então vocês observam que existem
convenções que regulam a vida do estado, da mesma forma que existem convenções que regulam a vida dos
tratados, que definem o que são os costumes, as fontes do D. Internacional. Então, lá nos vamos ter uma
definição que é a seguinte: O estado como pessoa do D. Internacional, deve reunir os seguintes requisitos:
população permanente, Território Determinado, Governo, capacidade de entrar em relações entre/com mais
estados. Em primeiro Lugar é preciso que o estado tenha uma população permanente, pq se o estado tiver
uma população flutuante haverá duvidas sobre a capacidade de exercer soberania sobre essa população, é
preciso que a população seja permanente, no sentido de que ela não altera com tanta facilidade, deve haver
certa regularidade, isto é importante para a estabilidade do estado e seu reconhecimento no plano
internacional. Depois nós vamos ver com relação a cada um destes elementos como vamos caracterizar os
estados, sobretudo algumas situações particulares como o vaticano, a ONB e algumas cidades no mundo que
tem um status diferenciados.
O Segundo elemento é o território que deve ser determinado, é por isso que a fronteira termina sendo
tão importante na definição do estado, não podendo haver dúvidas em torno de determinadas partes do
território sobre a atuação do poder estatal, como ocorre com Israel e Palestina, onde não se sabe se há essa
caracterização do território determinado.
Além do território determinado, há a soberania, a convenção fala em Governo como elemento
caracterizador da soberania, ou seja, se o estado não tem um governo, ele muito menos poderá ter soberania.
Então o governo é um elemento essencial na definição da soberania, então a convenção considera que este é
o elemento essencial, a presença de um governo claramente constituído, que esse governo seja respeitado no
plano interno e reconhecido no plano internacional, ou seja, a dupla definição da soberania, como se sabe.
Essa convenção de 1933, fala também num quarto elemento, para além do que normalmente se
coloca, a convenção faz referência também a capacidade de entrar em relação com outros estados.
Esse elemento é criticado pela doutrina, pois é evidente que um governo tem que ter capacidade de entrar
em relação com outros estados, é só, digamos assim, uma ênfase que a convenção colocou com relação a
esta dimensão do estado, ou seja, aquilo que podemos entender como sendo a capacidade de exercer a
soberania no plano internacional, o reconhecimento no plano internacional, como se a convenção falasse em
governo, mas relacionado a um plano interno e essa capacidade de entrar em relação com outros estados
como a relação externa da soberania e é aí que parte da doutrina diz que seria desnecessário falar desse
quarto elemento, porque é parte dessa discussão sobre soberania ou sobre governo. Só tem sentido falar em
governo se ele tiver essa dupla dimensão, ou seja, a capacidade de exercer a soberania no plano interno,
sendo reconhecido pela população e a capacidade externa, no plano internacional.
A cláusula Federal é aquela cláusula existente em alguns tratados, para mostrar que independente da
conformação do estado, é a União a quem cabe a responsabilização no plano internacional, como no caso do
Brasil, a menos que a CF diga uma outra coisa. É uma solução para a criação da federação que estabelece
responsabilidades distintas entre entes da federação, a união, os estados e onde existem os municípios, então
que fique claro, que no campo internacional, apesar desta conformidade quem responde são os estados
nação, eles podem até exigir que a responsabilidade depois seja atribuída no plano interno ao estado federal,
mas em principio a responsabilidade é do estado nação ou da união.
A cláusula federal é aquela que permite entender que mesmo o estado tendo uma conformação
federal, a responsabilidade internacional não é dos estados federados, mas do estado nação, da união.
Isso tem repercussões, por exemplo, na capacidade dos estados e a possibilidade de ser
responsabilizado por várias questões, na área ambiental, por exemplo, então, digamos que há um
desmatamento e a questão é levada a um espaço internacional e se atribui uma multa em função do poluidor
pagador, segundo o principio do poluidor pagador, quem paga? A União. Ela pode até pedir ressarcimento,
mas a obrigação é de ela pagar.
Agora também há decisão relacionada aos índios xucurus aqui de Pernambuco; houve uma
condenação do governo brasileiro a pagar aos xucurus 3.700.000,00 dólares, acerca de uma terra em
Pesqueira de onde foram retirados e o seu cacique assassinado. A obrigação que a corte interamericana
definiu foi essa, ou seja, o estado não demarcou a terra, não garantiu a titularidade da terra, então em função
disso o governo brasileiro foi condenado a pagar esse valor, que é um valor significativo. Então, cabe ao
governo brasileiro pagar, embora o governo de Pernambuco possa ser acionado pelo governo federal para
que restitua o valor, mas a obrigação é do governo federal de acordo com a cláusula federal.
Resposta Jayme: toda vez que surge um novo estado, antes de tudo cabe a ONU um reconhecimento,
mas pode ser que caiba um reconhecimento regional.
Resposta Jayme: o caso do Vaticano, do meu ponto de vista, a única explicação plausível seria a
histórica, o vaticano já regulou a vida internacional, já legislou internacionalmente na época da segunda fase
do D. Internacional, de acordo com Adam Watson; era ali ou na maior parte daquele período, era o Vaticano
quem regulava quando estabelecia tratados, resolvia conflitos, definia também a vida particular das pessoas.,
até a forma como se faz sexo hoje em dia foi regulada pela igreja, as bulas papais, tudo isso foi determinado
pela igreja, então é disso que estamos falando, ou seja, tem soberania para além do seu território, mas não se
pode dizer que seja uma população permanente ou até mesmo que se tenha uma população, pois cada um dos
padres ou das pessoas que circulam ali tem a sua própria nacionalidade, não existe nacional do Vaticano,
embora ele tenha passaporte, ou seja, da mesma forma que os nacionais de outros estados , ele tem
capacidade estatais.
Os principados são Estados, tem todas as capacidades, tem assento nas Organizações Internacionais,
assinam Tratados, são Estados pequenos, mas são Estados.
A OLP que não é, pelo menos por enquanto. Há toda uma luta no sentido de a OLP ou o Estado da
Palestina seja um dia reconhecido no plano internacional, mas por enquanto não há ou n houve essa
possibilidade. Qual o elemento que falta para a Palestina ter esse reconhecimento? Ao meu ver, falta
basicamente o Território determinado, ou seja, há uma disputa territorial, há uma duvida sobre quem tem
autoridade final sobre o território, se é Israel ou se é a Palestina, ou se é a OLP, e portanto ao mesmo tempo
que há dúvida sobre o Território, há duvida sobre o governo, se o governo é eficaz, se existe um governo
com essa capacidade, se fazer valer no plano interno e no plano internacional.
-Professor, para o senhor, o povo curdo está nessa mesma situação?
Professor: Sim, os curdos tb. E Quebec? Que tem representação em países é uma das situações
curiosas, particulares, pq não é uma cidade, mas tem um consulado, que no caso é na França. Pq? Por razões
históricas, pela razão cultural, pela proximidade, ou seja, a língua aproxima e essa condição lhe foi
outorgada.
-Em relação à questão da Palestina? O Senhor n acha que mais do que dúvida sobre a capacidade do
governo, sobre a existência de território, não existia uma vontade política?
Professor: Claro, claro. Falta o convencimento de Estados que são muito poderosos, os EUA e Israel.
Ou seja, eles n têm permitido que a Palestina tenha assento permanente no Conselho de Segurança, não
permitindo que essa discussão evolua para uma outra perspectiva. A presença dos EUA é muito forte,
sobretudo em partes governamentais.
As capacidades nos Estados, e aí é bom a gente observar que essas capacidades já foram exclusivas
dos Estados, alguns autores mais tradicionais vão falar nessa perspectiva, de capacidades exclusivas, mas
isso vem sendo alterado ao longo do sec. XX e isso vem sendo compartilhado com outros sujeitos do direito
internacional. Essas capacidades compartilhadas, a primeira delas é produzir atos jurídicos internacionais,
observamos na aula anterior, que parte da aula foi sobre atos unilaterais dos Estados, eu falei dos atos, e
ontem houve um ato unilateral de um Estado, qual foi?
-Os EUA saíram de o acordo nuclear com o Irã. Então aquele foi um ato unilateral. Qual foi o ato
unilateral? Além do tratado?
-Foi a denúncia.
-Isso mesmo. Foi uma denúncia de Tratado. Na verdade, um anúncio da denúncia. Pq ele tem que ver
o Tratado para saber a partir de qd se é feita a denúncia. Mas até então é possível, ele n vai respeitar o
Tratado msm, então se houver uma cláusula dizendo que é de um ano e ele disser que a partir de já, vai ser.
Pode até fazer greve e tudo. Produzir atos jurídicos internacionais, em princípio, era uma capacidade dos
Estados, mas hj ela é uma capacidade tb das Organizações internacionais, contudo os indivíduos n tem essa
capacidade de produzir atos internacionais. Então é uma capacidade que já foi exclusiva dos Estados, mas hj
é tb das Org. Int, a ONU, a OEA, o Conselho da Europa, que tem paridade com a OEA, é uma organização
de Tratados políticos da União Europeia, que é uma organização de caráter, a organização de caráter político
é o Conselho da Europa. Aquilo que nós falamos anteriormente, responder com responsabilidade por atos
ilícitos internacionais, na área ambiental, cabia apenas aos Estados essa capacidade, mas hj nós sabemos que
o individuo tb pode se responsabilizar por ilícitos internacionais, sobretudo a partir de meados do Séc. XX,
chegou-se a conclusão, pq falamos de Tribunais internacionais, então nós vimos que há uma capacidade
internacional de responsabilizar o indivíduo em matéria de direito humanitário, ou seja em situações que
correspondam a guerras e conflitos armados, crimes de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de
guerra, são crimes int, que demonstram essa capacidade de responsabilização do indivíduo.
A terceira capacidade: acesso aos procedimentos diplomáticos e jurisdicionais, então aqui estão
considerados os meios políticos e os meios institucionais. Ou seja, há tribunais e eles existem, sobretudo,
para fazer discussões afetas aos Estados, mas hj nós sabemos que esse acesso n é exclusivo dos Estados. As
organizações internacionais tb participam desses procedimentos diplomáticos, a própria ONU tem o que nós
podemos entender como diplomatas internacionais, até mesmo as ONGs participam do processo de
Diplomacia, embora n sejam sujeitos, elas tem essa participação.
Os indivíduos também possuem acesso aos procedimentos internacionais, diplomáticos e
jurisdicionais, sobretudo qd falamos dos procedimentos jurisdicionais, ou seja, os indivíduos podem ser
julgados, eles n julgam, mas podem ser julgados. E no âmbito diplomático, não os indivíduos e tb n
enquanto sujeitos de direito, mas cada vez mais organizações de indivíduos participam.
As org. internacionais foram criadas pelos Estados e eles são os grandes membros de org.
internacionais. Mas elas tb podem favorecer a criação de outras org. internacionais, como tb instituir espaços
internacionais entre Estados e org. internacionais. Há tratados que podem ser estabelecidos envolvendo
Estados e outras org. internacionais. Há tratados que envolvem a União Europeia e o Chile.
As org. Internacionais podem ser membros ou participar como ouvinte, não necessariamente com
direito a voto, mas como ouvintes e, portanto, interferindo nas discussões, a União Europeia está presente no
debate da ONU, por exemplo, e em diversos outros espaços como ouvintes.
A grande diferença é essa, a União Europeia é uma organização supranacional, é isso que gera tanta
divergência nos âmbitos dos Estados nacionais, pq os britânicos que já dominaram o mundo, não querem ter
sua vida regulada por esses espaços.
E a última capacidade é estabelecer relações diplomáticas e consulares com outros Estados. Essa já
foi uma capacidade exclusiva dos Estados, mas org. internacionais tb tem capacidade nos dias de hj.
Sobretudo falando de uma organização como a OMC, que é plenamente atividade diplomática e tem
participação nos Consulados e os Consulados têm capacidade muito pronunciadas, por exemplo, em relação
a capacidade econômica, potencializar a economia dos Estados. A OMC certamente tem representações em
vários Estados.
Hoje uma organização pode ter assento, ainda como status consultivo, em outras org. internacionais.

11. Aula 11 (aula do dia 14/05) - PRINCIPAIS TRATADOS INTERNACIONAIS

Organizações Internacionais
- Pacto da Sociedade das Nações (1919)
- Carta das Nações (1945) + Estatuto da Corte Internacional de Justiça (1945)
-Carta da Organização dos Estados Americanos (1948)
- Tratado de Cooperação Amazônica (1978)
- Protocolo de Emenda ao Tratado de Cooperação Amazônica (1998)

Direito dos Tratados


- Convenção de Havana sobre Direito dos Tratados (1928)
- Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados (1969)
- Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados entre Estados e Organizações Internacionais ou
entre Organizações Internacionais (1986)

Relações Diplomáticas e Consulares


- Convenção de Viena sobre relações diplomáticas (1961)
- Convenção de Viena sobre relações Consulares (1963)

Listagem incompleta

Vocês podem ver por aí que tem uma regulação do espaço internacional em dias atuais bastante
ampla. Em relação as Organizações Internacionais, que nós tivemos uma aula anteriormente, que foi sobre
os sujeitos – subjetividade internacional-, vimos que são um desses novos sujeitos criados a partir do séc.
XX. E hoje vamos tratar sobre os Tratados que regulam a atividade das Organizações Internacionais, que
fundam Organizações Internacionais.
Há uma gama enorme de Organizações Internacionais, muitas das quais vinculadas a ONU e algumas
vinculadas a outas organizações internacionais, dentro disso que nós podemos entender como “arquitetura
internacional”, que tem validade a partir do início do século XX.
Então, nós podemos falar de uma nova ordem mundial, a partir da 3ª fase (relacionada a evolução da
sociedade internacional, de acordo com Adam Watson), quando temos a inauguração de um outro momento
completamente diferente do que se tinha anteriormente, com grandes limitações do
sistema/sociedade/comunidade internacional, mas nós temos um adensamento das possibilidades de
regulação, incluídas a partir dos Tratados. Então vejamos aqui alguns desses Tratados.
Primeiro lugar, ou seja, em relação a Organizações Internacionais, tivemos o Pacto da Sociedade, de
1919, que inaugura, juntamente com a criação da OIT, as Organizações Internacionais. É o tratado que funda
a Liga das Nações.
A Carta das Nações, de 1945, nasce no momento em que o sistema tem um revés, com a eclosão da
2ª Guerra Mundial. Por isso, quando a guerra acaba nós temos o surgimento da ONU com a Carta das
Nações e o Estatuto da Corte Internacional de Justiça. Esse último é um anexo da Carta das Nações, ou
seja, faz parte daquele tratado.
A Carta da Organização dos Estados Americanos, de 1948, institui a Organização dos Estados
Americanos - OEA.
Então nesses tratados nós vamos encontrar normas, em primeiro lugar, de fundação, que instituem
esses tratados e que vão ter uma série de princípios e de normas reguladoras para a vida dessas O.I.
O Tratado de Cooperação Amazônica é de 1978. Os Estados que estão no território amazônico,
como é o caso da Colômbia, do Brasil, da Venezuela, e outros Estados da América do Sul, têm uma série de
iniciativas voltadas a cooperação no ambiente amazônico. E o Protocolo de Emenda ao Tratado de
Cooperação Amazônica, que é 1998.
Sobre direito dos tratados temos também tratados que regulam a vida e a existência dos tratados.
Então a Convenção de Havana sobre o direito dos tratados, de 1928, é anterior a ONU, feita sob a égide das
Liga das Nações.
A Convenção de Viena Sobre o Direito dos Tratados entre Estados e Organizações
Internacionais ou entre Organizações Internacionais, vemos aí a possibilidade de tratados envolvendo
organizações e estados e envolvendo as organizações internacionais, o que mais uma vez corrobora essa
ideia de que estamos diante de sujeitos típicos do Direito Internacional, as Organizações Internacionais.
Sobre as Relações diplomáticas também temos tratados sobre essa questão específica, em termos
exemplificativos temos a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961 e a Convenção de
Viena sobre Relações Consulares, de 1963.
Na área da segurança internacional, é uma área que preocupa sobretudo os Estados e as Organizações
Internacionais, então tem uma densa legislação, legislação não, mas tratados normativo internacionais a
respeito do tema, então Protocolo de Genebra sobre o emprego na guerra de gases asfixiantes, tóxicos ou
similares; Tratado de Renúncia à Guerra, de 1928; Tratado de Proscrição das experiências com armas
nucleares sobre a atmosfera, no espaço cósmico e sob a agua; Tratado de não proliferação de armas
nucleares, de 1968, tratado que a rigor conta com uma regra que diferencia os estados e é muito criticado
com isso, por que alguns estados podem ter armas nucleares e outros não podem, que fere um princípio
básico do direito internacional, o princípio da isonomia.
O espaço marítimo tem várias convenções, mas a Convenção das Nações Unidas sobre Direito do
Mar, conhecida também como Convenção de Montego Bay, é a que institui o Tribunal do mar. O espaço
cósmico também tem regulação em termo de tratado, com aquela perspectiva de o espaço cósmico não pode
ser objeto de soberania, de definição ou de declaração de soberania, então temos o Tratado sobre os
Princípios Reguladores sobre a Atividade dos Estados na Exploração e uso do Espaço cósmico,
inclusive a lua e demais corpos celestes, de 1967. A gente pode imaginar o porquê em 1967, ou seja,
durante a Guerra Fria, e podemos ver a preocupação das duas potências da época, de que se uma chegasse ao
espaço cósmico e declarasse soberania, então é isso que está por trás desse tratado. Convenção relativa às
infrações e a certos outros atos cometidos a bordo de aeronaves.
Pergunta: “Essa Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar tem a
ver com os conflitos também?
Jayme: “Tem, tem a ver com conflitos no mar. Por isso mesmo que existe o
Tribunal do Mar, para resolver os conflitos. A convenção regula e o Tribunal resolve
os conflitos, sobretudo entre Estados, mas as empresas transnacionais também
podem participar desses julgamentos”.
As zonas polares – também se busca que elas não sejam objeto de soberania, então é o caso do
Tratado da Antártida, ou seja, define que aquela região pode ser estudada, os Estados podem estar lá
presentes, desde que tenham recursos financeiros para desenvolver as pesquisas, para ter os seus
pesquisadores lá, mas eles não podem declarar soberania sobre a Antártida. Protocolo do Tratado da
Antártida sobre a proteção do meio ambiente, 1991, e a Convenção para preservação dos recursos
vivos marinhos da Antártida.
O que é que estamos vendo aqui? Que há uma busca por regular determinados espaços, como é o
caso dos espaços cósmicos e dos espaços marítimos, dentro de uma perspectiva que supera aquilo que nós
vivemos a partir de 1492, ou seja, com a conquista da América, em que aconteceu a definição desse espaço
como de dominação, que foi declarada como conquista. Busca-se que os novos espaços possam ser objeto de
estudo de chegada mas que não se venha a repetir a história da conquista.
No Comércio Internacional, o principal tratado é o que institui a Organização Mundial do Comércio,
que tem todo um sistema de solução de controvérsias específico. No âmbito da integração regional, como
nós sabemos, tem uma série de desenvolvimentos nessa área, que estão especificamente os Tratados
Relativos ao Mercosul. O Tratado para a constituição comum entre a República argentina, a República
federativa do brasil, a república do Paraguai e a república do Oriental do Uruguai, de 1991; o Protocolo
adicional ao Tratado de Assunção, o Protocolo de Ouro Preto; o Protocolo de Olivos sobre resolução de
controvérsia, que institui o Tribunal Arbitral, no âmbito do Mercosul; O Acordo de Admissão de Títulos e
Graus Universitários para o Exercício de Atividades Acadêmicas nos Estados Partes do Mercosul, de 1999,
sendo relativamente recente essa preocupação com os títulos acadêmicos cursados nos países; e o Acordo-
Quadro sobre Meio Ambiente no Mercosul, que é de 2001. Fora isso tem uma série de outros tratados no
âmbito do Mercosul.
Em direito do trabalho também tem uma normativa específica e muito abundante. Na área dos
Direitos Humanos, uma série de normas da ONU, da OEA. No âmbito da ONU, o pacto dos direitos civis e
políticos, a convenção sobre eliminação de discriminação racial, sobre eliminação de todas as formas de
descriminação contra a mulher, a convenção contra a tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou
degradantes, de 1984; a convecção sobre direitos da criança; a convenção americana sobre direitos humanos
da OEA; a convenção interamericana para prevenir e punir a tortura, a Convenção Interamericana para
prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher.
E no âmbito do direito humanitário, só algumas delas, como: o Estatuto de Roma que institui o
Tribunal Penal Internacional; o Estatuto do Tribunal Ad hoc para a Iugoslávia e o Estatuto do Tribunal ad
hoc para Ruanda. Eu deixei de fora os tribunais ad hoc que não fizeram parte da ONU, como Nuremberg e
Extremo Oriente, que são aqueles famosos tribunais instituídos pelos vencedores, mas não no âmbito de uma
organização internacional.
E sobre direito dos refugiados, a Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados, de 1951, Protocolo
sobre estatuto dos refugiados, de 1966. Direito Internacional privado, para gente não ficar só com o direito
internacional público, a Convenção de direito internacional privado, o famoso Código de Bustamante, de
1928, portanto anterior a ONU; o Estatuto da Conferência de Haia; Convenção sobre Prestação de alimentos
no estrangeiro; Convenção Interamericana sobre obrigação alimentar; entre outras.
COOPERAÇÃO SOCIAL E ECONÔMICA MUNDIAL
Fundamentos:
Jurídico -> Carta das Nações
- Preâmbulo: “promover o processo social e melhores condições de vida dentro de uma verdade mais
ampla
- Art. 1º: Objetivos
Político:
- Regulação do espaço internacional
- Superação de desníveis de desenvolvimento
- Evitar guerras por motivos econômicos

ECOSOC – arts. 62º e 64º

Agências especializadas:
1. Cooperação Econômica: BIRD; FMI, OMC, FAO, OMPI; UNIB.
2. Cooperação Social: DIT; OMS; UNESCO.
3. Cooperação em Comunicação: UPU; OAC; OMM; UIT.
4. Cooperação em Outras Áreas: OMI; AIEA; OMT; OPAQ.

Não sei se nessa aula ainda ou na próxima falaremos do Banco Mundial, FMI e OMC, que são as três
organizações que normalmente os programas de Direito Internacional pedem para a gente falar, ou seja,
dentro de uma concepção de cooperação econômica. Mas eu acho que a gente precisa entender mais do que a
cooperação econômica, entender que tem várias agências da ONU, pois estamos falando aqui de cooperação
no âmbito da ONU. Não vamos entrar na OEA, não vamos entrar no Conselho da Europa, vamos tratar
apenas da cooperação no âmbito global. Então são essas organizações aqui e começamos a falar sobre,
digamos, o fundamento jurídico-político, para que tenhamos essas organizações.
Vamos encontrar o fundamento jurídico delas (Banco Mundial, FMI e OMC) na Carta das Nações. Em
primeiro lugar, no preambulo, no qual há fundamentação para que haja a criação de organizações de caráter
econômico ou de cooperação econômica dentro da ideia de promover o progresso social e melhores
condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla. Então eu queria perguntar para vocês, dentro das
aulas que nos tivemos sobre as teorias que fundamentam o direito internacional e as relações internacionais,
como é que podemos classificar esta regulação aqui?
Resposta da sala: É o Idealismo, o liberalismo.
Ou seja, promover o progresso social, de melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais
ampla, nada é mais liberalista/liberal que essa vinculação de “liberdade mais ampla”. Aliás, essa é uma
expressão que ficou consagrada e tem um artigo do KOOFE A NAM, que foi secretário geral da ONU, que
tem esse título “dentro de uma liberdade mais ampla”, para chamar atenção dentro dessa expressão, desse
princípio, dessa ideia.
E vamos encontrar no artigo 1º da Carta das Nações os objetivos:
Artigo 1. Os propósitos das Nações unidas são:
1. Manter a paz e a segurança internacionais e, para esse fim: tomar,
coletivamente, medidas efetivas para evitar ameaças à paz e reprimir os atos de
agressão ou outra qualquer ruptura da paz e chegar, por meios pacíficos e de
conformidade com os princípios da justiça e do direito internacional, a um ajuste ou
solução das controvérsias ou situações que possam levar a uma perturbação da paz;
2. Desenvolver relações amistosas entre as nações, baseadas no respeito ao
princípio de igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos, e tomar outras
medidas apropriadas ao fortalecimento da paz universal;
3. Conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas
internacionais de caráter econômico, social, cultural ou humanitário, e para
promover e estimular o respeito aos direitos humanos e às liberdades
fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião; e
4. Ser um centro destinado a harmonizar a ação das nações para a consecução
desses objetivos comuns.
Aqui está o fundamento jurídico para a cooperação internacional “Conseguir uma cooperação
internacional para resolver os problemas internacionais de caráter econômico, social, cultural ou
humanitário, e para promover e estimular o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais
para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião”, da definição desse e de outros objetivos, a ONU
foi se organizando para ter agencias para a cooperação internacional.
E o fundamento político, em primeiro lugar, é a regulação do espaço internacional. Estamos vendo
que dentro de todo o desenvolvimento histórico do Direito Internacional ou da Sociedade Internacional não
se imaginava essa possibilidade até o séc. XIX, pois pouquíssimas foram criadas até essa data e nem o foram
como organizações internacionais, mas como organizações de direito interno, sobretudo na suíça. A suíça
tem um papel importante no desenvolvimento dessa situação, por que é um Estado que muito incialmente
desenvolveu capacidades e não é a toa que boa parte dessas organizações, dessas agencias, está sediada na
Suíça, por que se colocou como um estado aberto, e até pouco tempo se dizia como neutro e se colocou à
disposição da ONU.
Então hoje, nós temos uma série de organizações que representam essa regulação do espaço
internacional. Não se imaginava, sobretudo dos governantes, não imaginavam a possibilidade de regulação
para todas essas matérias no plano internacional, porque a soberania não permitia, ideia essa proveniente lá
do absolutismo, não permitia a regulação no plano internacional.
Em matéria de regulação na área econômica, será que uma organização internacional deve cooperar
com os Estados para que eles saiam de crise? Ou para que eles desenvolvam capacidades econômicas?
Então havia tensão, mas não havia a compreensão da necessidade de regulação do plano internacional e o
grande óbice era a soberania.
Essas organizações viriam para favorecer um desenvolvimento mais equânime dos Estados. Então
um Estado, por exemplo, o Haiti, a Costa Rica, como é que se desenvolve num conjunto onde temos estados
com muito mais capacidade? Mas isso vale para todos os Estados. Ou seja, há Estados que alcançaram um
nível de desenvolvimento econômico enquanto outros não. Então é preciso ter organizações, diziam os
liberais/ idealistas, temos organizações, pelo menos do ponto de vista formal, que o seu objetivo é favorecer
o desenvolvimento mais equânime dos Estados.
O objetivo político, que também é orientado pelo idealismo, quer evitar guerras por motivos
econômicos. Ou seja, guerras do passado todas foram orientadas, definidas, com elementos econômicos por
trás, se não todas, boa parte delas. Mas eu diria todas, pois mesmo as guerras para definir fronteiras eram, no
fundo, pautadas na discussão econômica em torno do valor do território, seja marítimo, seja solo, seja no ar,
tudo está relacionado a um valor econômico.
Tem uma referência aqui ao ECOSOC, que é o Conselho Econômico e Social da ONU. A Carta das
Nações, uma das coisas que ela faz é estabelecer os poderes da ONU, e um deles trata do Conselho
Econômico e Social, principalmente no artigo 62 e 64 a definição dos poderes desse conselho, que são a
coordenação das atividades na área da cooperação econômica e social. Portanto, em princípio, o Conselho
Econômico e Social deveria articular as agências da ONU em matéria de cooperação internacional, para
fazer com que uma contribuía com a outra, mas isso não vem sendo feito a contento. Na realidade, essas
organizações tem uma autonomia muito grande, sobretudo as de caráter econômico, e em muitas ocasiões
elas competem entre si e estabelecem objetivos conflitantes, sobretudo as de caráter social e econômico.
Então as organizações/agências especializadas são essas aqui:
Cooperação Econômica

- Banco Mundial - Numa visão geral, ao Banco Mundial, em princípio, cabe permitir cooperação
entre a ONU e os Estados, procurando permitir que as empresas e os Estados possam elevar o padrão de
desenvolvimento no âmbito nacional. Então, há uma série de projetos de desenvolvimento que são
financiados pelo Banco Mundial. Existe todo um sistema de financiamento. Vale ressaltar que esses
recursos tem um caráter diferenciado dos FMI, esses juros não são os juros altos de mercado praticados pelo
FMI. São juros menores, digamos assim. Essas duas organizações foram criadas na mesma época, 1944,
dentro dos Acordos de Bretton Woods. Foram criados dentro dessa cultura internacional e existem muitas
críticas à estrutura de modo geral. Em síntese, os Estados contribuem com esse financiamento e recebem
recursos do Banco Mundial. Esses recursos tem um teor diferenciado do financiamento do FMI que veremos
mais para frente.
- BIRD
BIRD ≠ O BID
BIRD é o Banco Internacional para Construção e Desenvolvimento e O BID é o Banco
Interamericano de Desenvolvimento. Ambas possuem o mesmo sentido: favorecer o desenvolvimento entre
Estados da Região das Américas. Existe um acordo entre esses bancos para que eles não financiem as
mesmas iniciativas. A ideia é que eles sejam complementares.
- FMI - (Fundo Monetário Internacional) possui o objetivo formal, teórico, em princípio, de ser uma
organização que reorganize as contas dos Estados que estão em crise. Ao assumir compromissos com o FMI,
o Estado fica obrigado a adotar a cartilha do FMI.
Aluno: Naquela aula de princípios, o senhor disse que um dos princípios do
direito internacional é a soberania. Fazendo o adendo com a noção de Alf Ross de
que algumas palavras do direito servem apenas como instrumento de representação e
só se baseiam em significados, essa cooperação econômica não seria uma forma de
dizer a alguns Estados que eles se submetam a certas diretrizes da OMC, Banco
Mundial, FMI, invadindo, assim, a esfera da soberania desses países? Tendo em vista
que, quando um país tá em crise, ele é obrigado a fazer ajustes, contingenciamento,
demissões, e se ele quiser sair da crise ou pelo menos um indicativo de que ele vai
sair dessa crise, ele tem que seguir essas diretrizes. Não seria uma quebra ao
princípio da soberania, a imposição dessas regras?
Prof: Se a gente colocar em termos de imposição, sim. Todas essas áreas de
cooperação são necessárias, os Estados não podem viver ilhados. Os Estados
precisam cooperar na área econômica, social, na área de comunicação. Quando a
gente chegar na área da comunicação, a gente vai ver a urgência, necessidade de
existir uma regulação acerca das cartas, aviação civil internacional.
O problema talvez esteja, no meu ponto de vista, na forma pela qual o poder é organizado. Estamos
falando de um mundo liberal, um mundo idealizado, e sobretudo do ponto de vista político, nos princípios
liberais. Aí vem o realismo e tempera com uma série de elementos.
O FMI e o Banco Mundial são extremamente hierarquizados, a OMC nem tanto. O problema não
está na regulação, e sim na organização do poder. O poder não trata os países de forma igual. Alguns
países têm mais poder econômico e isso reflete no poder político também. O FMI vai levar mais dinheiro
para quem empresta, o Bando Mundial a mesma coisa. Se mantem uma lógica aí de cooperação.
Aluno: Até porque os diretores do Banco Mundial e do FMI nunca foram
oriundos dos países emergentes, né?
Prof: Exatamente.
Aluno: O último diretor da OMC foi Bernardo Azevedo, um brasileiro, né?
Prof: Isso também é a diferença da estrutura. O diretor do Banco Mundial é
sempre um norte americano e o do FMI é sempre um europeu por conta de um
acordo entre norte americanos e europeus. Isso se relaciona com a estrutura
econômica mundial, com esse tempero realista dentro de uma proposta idealista.
- A OMC - (Organização Mundial do Comércio) já tem uma conformação política mais atual. Não
vamos dizer que seja a melhor formação ou que tem a formação mais democrática. Porém, ela tem uma
conformação mais democrática do que FMI e Banco Mundial. Há vozes, inclusive, trabalhando para que
essas duas organizações sejam revistas, modernizadas, para que os Estados mais poderosos economicamente
não possuam o poder político que tem nos dias atuais.
- A FAO - (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) trabalha com a questão
da fome e da alimentação, ou seja, também da área econômica, que é uma organização que está entre a
cooperação social e a econômica, sendo geralmente caracterizada pelos autores como econômica.
- A OMPI - (Organização Mundial da Propriedade Intelectual) é uma organização que tem como
preocupação a regulação em matéria de propriedade intelectual e a própria solução de controvérsias nesse
âmbito. A OMPI trabalha com cooperação no âmbito industrial, entre as indústrias e a ONU. Digamos que
em alguns países existem processos industriais que favorecem o desenvolvimento, então é importante que
esses processos sejam levados para outros países. É nessa lógica que a OMPI trabalha.
Muitas dessas organizações combinam a regulação na matéria que elas trabalham com a solução de
controvérsias. É o caso da OMC, a qual possui um órgão específico para isso.
Cooperação Social:

A cooperação social tem um caráter mais abrangente, estando preocupada com o desenvolvimento
social. São três organizações:
- OIT (Organização Internacional do Trabalho) foi criada juntamente com a Liga das Nações, dentro
de uma perspectiva de se estabelecer um padrão mínimo de proteção para o direito do trabalho no plano
internacional. Na época existia uma disputa ideológica muito grande. O marxismo estava muito em
evidência por causa da Revolução Russa e é nesse contexto que surge a OIT, uma organização que de certo
ponto de vista vai dar espaço para os direitos sociais e ao mesmo tempo, em uma perspectiva liberal, vai
atuar no sentido de impedir o desenvolvimento de outras perspectivas “socializantes”. Vamos ter uma série
de tratados e também teremos soft law, ou seja, com normas flexíveis ou não convencionais.
Aluna: Isso (soft law) só em relação a cooperação social?
Prof: Não. Com relação a todas elas. Aqui eu lembrei que na cooperação social elas estão muito
presentes, mas elas podem estar presentes em várias dessas normas de cooperação.
Na OIT, vamos ter tanto hard law, ou seja, tratados, quanto soft law, as normas que surgem por
meio de regulações específicas e que terminam chegando aos Estados como guias, regulamentações,
manuais, uma série de elementos que servem como guia para que os Estados possam adotar determinadas
práticas. (ATENÇÃO PRA SOFT LAW E HARD LAW!!!!) A OMS trabalha muito com soft law. Essas
normas são definidas no espaço da diplomacia.
Aluno: A OIT já se pronunciou formalmente sobre a reforma trabalhista?
Prof: Sim. Foi contra a reforma.
Aluno: O senhor pode dar algum exemplo de soft law da OMS, porque tipo,
nos outros países não tem SUS. Por que essa influência?
Prof: Um problema de saúde que temos aqui no Brasil, por exemplo, é o
grande índice de mortalidade de mulheres que morrem durante o parto. Foram feitas
várias pesquisas, vários estudos. Médicos que se reuniram em congressos com a
participação da ONU chegaram à conclusão de que para evitar a morte de tantas
mulheres é preciso fazer isso, isso e isso, ou seja, é necessário que certas
recomendações sejam adotadas.
- Unesco também tem soft law e trabalha com a manutenção do patrimônio imaterial. Vamos ver
também como a UNESCO trabalha em termos de cooperação.
A UNICEF é vista como um programa, não é entendida como uma agência,
visto que essas agencias tem certa autonomia.
Cooperação em Comunicação:
- A UCU (União Postal Universal) é aquilo que eu estava falando sobre comunicação, para que
comunicações postais cheguem aos outros países. É preciso que tenham tratados entre os Estados, convênios,
padrões mínimos. Em suma, a UCU procura garantir que as cartas cheguem ao destino.
- A OACI (Organização de Aviação Civil Internacional) faz o controle de todas as rotas aéreas para
que não haja problemas.
- O OMM (Organização Meteorológica Mundial)
- A UIT (União Internacional de Telecomunicações) regula as ondas de rádio para que exista TV,
internet.
Cooperação em Outras Áreas:

A OMI (Organização Marítima Internacional)


A EIA (Agência Internacional de Energia Atômica) regula das armas nucleares, enriquecimento de
determinados elementos como o urânio.
A OMT (Organização Mundial de Turismo)
A OPAC (Organização para a Proibição de Armas Químicas) possui essa preocupação com a
segurança internacional.
Isso se relaciona com aquela noção de cogência. Uma agência, como a Agência Internacional de
Energia Atômica, eu diria que tem cogência máxima em relação aos Estados que são controlados. Em
relação aos Estados que não são controlados, eles podem continuar tendo armas nucleares.
Vale ressaltar que os estados que tem assentos permanentes Conselho de Segurança da ONU SÃO
OS ÚNICOS que tem poderes para ter armas nucleares, porque se supõe que eles têm responsabilidade para
usar em situações muito graves. (PIADAAAAA, PORRAAAA, VAI TOMAR NO CU)
Baseado nisso que foi assinado o acordo de não proliferação de armas nucleaares.
Aluno: Como foi o caso do Paquistão?
Prof: Houve uma aceitação no contexto da guerra fria. Tanto os Estados
Unidos quanto a URSS fecharam os olhos para tal situação. Está acontecendo hoje a
mesma coisa do ponto de vista americano com o Irã. É por isso que eles estão
tentando limitar a produção das armas nucleares. A agencia realiza o monitoramento
dos países. O Brasil foi visitado várias vezes, as Usinas de Angra dos Reis.

12. Aula 12 (Aula do dia 16/05)

Os acordos de Bretton Woods (Banco mundial, FMI e OMC) instituíram o chamado Sistema
Econômico Financeiro Mundial durante o ano de 1944, pelos plenos potenciais de 44 países. Foi nessa
oportunidade de Estado que instituiu esse sistema inicialmente formado pelo Banco Mundial e o FMI, depois
se agrega a OMC. A partir desses acordos, por exemplo, nós vamos ter o padrão ouro trocado pelo padrão
dólar.

Então os acordos de bretton Woods mudaram o padrão de organização em matéria financeira e


econômica, e a partir daí nós vamos ter organização internacional procurando congregar interesses em
matéria econômica e em matéria financeira e é claro que a conformação desse sistema tem uma conformação
liberal, como nós vimos de acordo com aquelas teorias, ou seja, tem uma prevalência do liberalismo e do
realismo.

EXEMPLO: o Banco Mundial concede empréstimos para os Estados, pode, no caso, o estado ser
federal, então se pode conceder empréstimos para estados federados sabendo que a responsabilidade pelo
pagamento do empréstimo é da União, por conta daquela cláusula federal, contudo, é possível haver uma
espécie de triangulação, um acordo entre os Estados federados, o Estado Federal e o Banco Mundial.
Normalmente se exige uma contrapartida, uma parte do recurso tem que vir do caixa do próprio
Governo, no caso do estado federal, o governo federal e a outra parte é a que entrará no acordo de
empréstimo. Normalmente, também como se trata de volumes muito altos que é para instituir infraestrutura,
condições de administração, então se exige também que o projeto é produtivo, ou seja, é um porto, um
aeroporto, uma rodovia, ou seja, são iniciativas de caráter produtivo. Então essas iniciativas levam tempo pra
entrar em funcionamento e gerar lucro, é por isso que se exigem tempo ou se estabelece valor do tempo para
pagamento.

Normalmente tudo isso varia de acordo com o acordo, mas normalmente é um período de 15 a 20
para o começo do pagamento. Como eu já falei, o que caracteriza o financiamento ou os empréstimos do
Banco Mundial são os projetos de caráter produtivo.

Tem uma estrutura que vale para as duas organizações: uma estrutura de poder muito vertical que
reflete aquele momento, o final da segunda guerra e a instituição de uma organização internacional, a ONU.
Então temos uma estrutura vertical de poder, no caso das duas organizações inicialmente estabelecidas pelo
cenário econômico mundial: um conselho de governadores. Desse conselho de governadores fazem parte
todos os Estados que integram o mundo, mas quem realmente tem o poder é o Conselho de Administração
que é formado por 7 Estados, o G7, são os Estados que fazem parte do Conselho de administração do Banco
Mundial. O conselho dos governados tem um caráter legislativo, ou seja, tem uma perspectiva mais
assemelhada ao da ONU, tem a assembleia geral que tem um caráter universal e legislativo e as decisões
legislativas são tomadas no âmbito deste órgão.

O Conselho de administração tem um caráter mais controlador. O Presidente eleito pelo Conselho de
Governadores tem o caráter executivo e embora eleito pelo conselho de Governadores ele está diretamente
relacionado ao Conselho de Administração. Então o Presidente eleito aqui tem o costume aceito pela
comunidade internacional que o presidente deve ser norte-americano, então é o governo dos Estados Unidos
quem indica ao Conselho de Governadores o seu candidato (QUE ESCRACHO!!!).

Vemos que é uma estrutura bem vertical. A mesma coisa acontece no FMI. O FMI é regulado, a sua
estrutura de poder é o conselho de governadores que também dele fazem parte todos os estados que integram
o FMI. Dos governados é formado o G8, os estados que tem a maior quantidade de cotas parte (Estados
Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Japão, Arábia Saudita, China e Rússia) e mais 16 eleitos em
caráter rotativo.

Ou seja, também com base nas cotas parte e no acordo que é feito de tempos em tempos, na junta de
governadores é onde está o poder de tomar decisão, ou seja, quem toma as decisões é a junta de
governadores e o conselho de governadores legisla, estabelece as grandes normas e o diretor geral executa e
presta contas a junta de governadores e ao conselho de governadores.

O que faz o FMI? Diferentemente do Banco Mundial, empresta recursos, mas com outro objetivo.
Enquanto o Banco Mundial é pra fomentar o desenvolvimento, o FMI empresta para estabilizar as moedas
quando a moeda sofre um ataque internacional, o que é muito comum e nós vimos nos últimos dias que a
Argentina vai retornar ao FMI.

A moeda está desestabilizada, desvalorizada, então ela precisa ter choques, que são modelos
estabelecidos pela economia para que ela seja recuperada e junto a isso o ajuste, que é uma das
possibilidades do acordo, dai o FMI indica o que o governo deve fazer do ponto de vista da economia pra
promover o ajuste das contas públicas e que o empréstimo está relacionado as cotas partes. Esse é o modelo
que foi definido lá em bretton woods, ou seja, para que o empréstimo seja concedido, os estados investem no
FMI por meio de cota parte, por meio de submissões de valores que componha a sua cota parte e que vão
definir o valor máximo do empréstimo ao qual eles têm direito e também o poder de voto, que tem peso
distinto no FMI.

Nos últimos anos a cota parte mais elevada é a dos Estados Unidos, que tem 17,46%, ou seja, ele é
detentor não só do valor máximo do empréstimo e certamente se ele não precisa ir ao FMI para recuperar a
sua economia, ele vai ter recursos para investir em outros empréstimos e vai ser remunerado por isso.
Ou seja, se o Estado não precisa ir ao FMI para ter as suas contas ajustadas, ele tem mais recurso para
investir em empréstimos que vão servir para outros estados.

O Reino Unido tem 5,5% e o Brasil 2,46%, o que, aliás, tem havido um aumento nas cotas parte de
alguns países emergentes e pode ser até que isso mude, e baixe, reduza o valor da cota parte do Brasil, pq a
situação da economia brasileira não está tão bem, mas no último ano era esse o quadro.

Pergunta: o que significa a contrapartida dos países no Banco Mundial? Significa que nenhum
empréstimo é no valor de 100% da necessidade, ou seja, para o empréstimo tem que haver uma contrapartida
do Estado, o Estado tem que entrar com uma parte, normalmente é 30% do valor do contrato e o resto é o
valor do empréstimo junto ao Banco Mundial.

Pergunta: O que o Conselho de Governadores faz? Tem o papel de regular, ou seja, legislar, definir
as normas relativas ao FMI, e d o Banco Mundial. Tem um status legislativo e é o mesmo modelo
relacionado a assembleia geral da ONU, que lá regula normas, estabelece tratados, tem a capacidade
legislativa, mas quem toma a decisão. Quem toma as principais decisões é o Conselho de Segurança, em
matéria de segurança, e aqui quem tem o poder é o Conselho de Administração do Banco Mundial e a junta
de governadores no FMI.
Então, essa estrutura aqui tem que ser compreendida dentro desse contexto mais amplo político, ou
seja, é uma estrutura rígida que em algum momento ela terá que ser revista.
O Conselho Geral tem participação rotativa, ou seja, não tem membros que são definidos como parte
daquela estrutura em função das suas capacidades economicas, tem uma estrutura mais democrática e tem
um sistema de solução de controvérsias com base na arbitragem; então, por mais que se possa fazer críticas à
OMC, sobretudo que ela toma decisões que talvez não fosse as mais justas, ela tem levado ou tem
demonstrado uma capacidade de julgar casos no interesse de países que não são apenas os mais ricos;
estados médios, tem tido sua demanda também protegidas pela OMC
Então, a OMC não concede empréstimos, o que ela faz é buscar harmonizar os interesses na área
comercial, então é basicamente uma organização que regula o comércio internacional e que soluciona
controvérsias com base nessa regulação
A OMC tem sede em Genebra, e a Suíça tem, por conta de sua história, teve um papel muito
importante na própria constituição da ideia de organizações internacionais, a ideia de pacifismo, a ideia de
cooperação internacional, tudo isso é muito parte do DNA suíço; então vamos ver que tem algumas
organizações que ,embora tenham sido criadas como organizações internacionais no âmbito da ONU, o seu
antecedente histórico é do sec. 19, e foram criados por suíços, por juristas, por políticos suíços, não só suíços
mas num contexto de debate na Suíça em torno de pacifismo, de cooperação em torno desse ideal kantiano,
digamos assim, no plano internacional.
Então a OMC só foi criada, ou seja, só houve condições de se criar a OMC, embora houvesse
antecedentes, discussões, conferências na área comercial internacional, em 1994, com a ata final da Rodada
do Uruguai e o objetivo era gerenciar acordos que compõem o sistema comercial internacional e servir de
fórum para o comércio internacional e, além disso, solucionar controvérsias em matéria comercial
internacional, assim como supervisionar o acompanhamento e a adoção dos acordos.
Depois vem a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, a FAO, que tem sede
em Roma, na Itália, criada em 1945 e tem como tratado fundação a constituição da FAO, ou seja, é um
tratado, seu o objetivo é bem idealista, é erradicar a fome e a pobreza no mundo, promover a
sustentabilidade e o aproveitamento dos recursos naturais do planeta.
Em relação à algumas dessas organizações, trouxe algumas informações mais recentes que estão
disponíveis no site ou em alguns locais; então, por exemplo, em relação à FAO, a FAO tem projetos por
países, os países têm que ter uma agenda própria por meio da qual se cobra realizar o objetivo da FAO em
relação ao país, ou seja, como é que um país pode se inserir nesse processo de erradicação da fome e da
pobreza, promovendo, por exemplo, a sustentabilidade dos recursos naturais.
Então tem aqui uma lista de projetos que estão em execução no Brasil, projetos da FAO:
a) projeto de consolidação do programa nacional de florestas, tem como objetivo contribuir para a
consolidação do processo de implantação do programa nacional de florestas, que dá a entender que o projeto
é anterior a este ano, anterior alias ao período de 2011, onde, quando ele foi instituído e busca a formação de
um mercado de massa, melhoria da distribuição de renda e geração de emprego naquela região, ou seja, na
região de florestas do Brasil, na região Amazônica a partir de tudo;
b) o projeto de recuperação de áreas degradadas da Amazônia, busca apoiar a promoção da solução
agropecuária sustentável na Amazônia e contribuir para a redução do desmatamento da floresta nativa
mediante a recuperação de áreas degradadas;
c) o projeto nova organização produtiva e social da agricultura familiar brasileira, o objetivo é
promover a evolução na organização produtiva e social da agricultura familiar de forma a fortalecer o papel
estratégico do setor em desenvolvimento da ordem nacional;
d) também projeto de aprimoramento e consolidação da política nacional de segurança alimentar;
e) fora isso o projeto de cooperação internacional pedro brasileiro, apoiado pelo fundo ambiental, ou
seja tem uma serie de outros elementos…
A Organização da Propriedade Intelectual, tem sede em Genebra, criada em 1967 pela convenção de
Estocolmo e tem como objetivo promover atividades intelectuais e criativas e facilitar a transferência de
tecnologia relacionada à propriedade intelectual; então é uma organização que sobretudo fomenta o registro
da produção intelectual e supervisiona a implementação dos acordos relacionados.
Então, organização mundial da propriedade intelectual, promover atividades intelectuais e criativas e
facilitar a transferência de tecnologia da propriedade intelectual para vários países em desenvolvimento, de
forma a acelerar o seu desenvolvimento no âmbito social e cultural.
Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial foi estabelecida em 1966, a
UNIDO, a sede está em Viena, na Áustria e o tratado de fundação é a constituição da UNIDO; o objetivo -
ajudar os países em desenvolvimento e economias em transição contra a marginalização no mundo
globalizado, nós vimos que algumas dessas organizações tem os objetivos praticamente definidos para
economias em desenvolvimento.
A organização Mundial do Trabalho, criada em 1919, pelo tratado de Versalhes, além de ser um
tratado de fundação da organização, é um tratado de paz, é um tratado que selou o fim da primeira guerra
mundial e instituiu a OIT e a Liga das nações, tem sede em Genebra; pois bem, a OIT vai trabalhar muito
com indicações, com guias, com recomendações na área de direito do trabalho, o direito a saúde e com
relação a OIT tem também uma lista de projetos em relação ao Brasil, projeto de restruturação da agenda
regional do trabalho decente etc
O trabalho decente é um conceito que surgiu nos Estados Unidos e que tá sendo trabalhado também
no âmbito das relações públicas, ou seja, o projeto visa contribuir para promoção do trabalho decente através
do desenvolvimento de uma rede que engloba 39 Municípios do Sul e Sudeste do Pará, pq o Pará é que tem a
maior quantidade de problemas em relação a trabalho escravo.
Cooperação sul-sul para promoção do trabalho decente em países da América Latina. O projeto tem o
objetivo de contribuir para promoção do trabalho decente entre os países em desenvolvimento no âmbito da
América Latina.
A OMS, criada em 1948, tem sede em Genebra, o tratado de fundação é a constituição da OMS, o
objetivo é desenvolver ao máximo possível o nível de saúde de todos os povos.
Os projetos da UNESCO são relacionados para proteção de comunidades, de proteção dos direitos
humanos e também do patrimônio intelectual.
Depois, a União Postal Universal, a UPU, que tem sede em Berna, na Suíça, foi criada em 1874, uma
organização que foi criada antes da Liga das Nações, antes da OIT, que são entendidas como as primeiras
organizações de caráter global; mas essa é uma organização que pela emergência do tema, ela surgiu como
uma iniciativa de juristas, de políticos, nasceu como uma iniciativa nacional suíça e depois foi incorporada
pela ONU. Nasceu como uma organização nacional, mas de vocação internacional, uma organização que foi
registrada como uma organização suíça embora com uma competência, com objetivos internacionais e
depois incorporada à ONU.
A organização da Aviação Civil Internacional, a OACI, tem sede em Montreal, no Canadá, criada em
1944, criada pela Convenção sobre a Aviação Civil Internacional, o objetivo é desenvolver os princípios, as
técnicas de navegação aérea internacional e organizar os processos dos transportes aéreos de modo a
oferecer a segurança, a eficiência e a economia do serviço, ou seja, também para permitir que haja rotas, haja
fluxos de aeronaves e com segurança.
Organização Metereológica Mundial, é outra organização anterior à Liga das Nações mas criada
formalmente no âmbito da ONU em 1950, por uma Resolução da Assembleia Geral da ONU, o objetivo,
coordenar as atividades dos estados-membros participantes a fim de gerar trocas de informações sobre o
tempo, a água e o clima, sobre a égide de normas internacionais, ou seja, dar conhecimento de todo o planeta
sobre o que acontece ou poderá acontecer com o mundo em função das mudanças climáticas.
A União Internacional de Telecomunicações, a UIT, sede também em Genebra, criada no âmbito da
ONU por resolução da Assembleia Geral posteriormente; o objetivo é harmonizar as políticas nacionais
mediante a definição de um padrão internacional para as tecnologias de comunicação fixa, móvel, internet e
outros meios.
Organização Marítima Internacional, com sede em Londres e dá para a gente entender porque
Londres é a sede da Organização Marítima Internacional porque na época de ouro do Reino Unido eles
desenvolveram o Direito Internacional do Mar, promoveram as técnicas relacionadas ao domínio do mar,
então eles tem know how para isso, criada em 1948, e o objetivo é instituir um sistema de colaboração entre
os governos no que se refere entre as questões técnicas que interessam à navegação comercial internacional e
adotar normas relacionadas à segurança marítima e à eficácia da navegação.
A Agência Internacional de Energia Atômica, criada em 1957, portanto já tendo se iniciado a Guerra
Fria, é uma iniciativa dos EUA e da URSS para controlar eles próprios e para que outros países não venham
a ter a bomba atômica; então o objetivo é promover o uso pacífico da energia nuclear e o desencorajamento
dos usos para fins militares de armas nucleares. É uma organização que tem a capacidade de fazer um
monitoramento periódico dos países que fazem uso de energia.
A Organização Mundial de Turismo, a OMT, tem sede em Madrid; a Agência Internacional de
Energia Atômica tem sede em Viena; a OMT criada em 1974 e reformulada em 2003; o objetivo é debater
princípio de política turística mundial, ou seja tem uma organização para cooperar, para que os estados
cooperem também em matéria de turismo.
E a última, que é a Organização das Nações Unidas para Proscrição de Armas Químicas, a OPAQ,
criada em 1997, pela Convenção de Armas Químicas e o objetivo é implementar a convenção e monitorar
atividades na indústria química além de realizar pesquisas nessa área.

13. Aula 13 (aula do dia 18/05)


Tem autores, a maioria deles, que fazem uma distinção entre direito comunitário e o direito da
integração, ou seja, o direito comunitário tem caráter de supranacionalidade, tem uma autonomia ao direito
internacional, princípios próprio.
Diferente do direito da integração, que é orientado pelo interesse de recepção das normas no plano
interno, enquanto que no direito comunitário não teria esta preocupação porque possuem órgãos superiores
aos órgãos de âmbito nacional.
Muitos juristas, filósofos e teóricos buscavam uma saída para a guerra. A guerra do ponto de vista da
evolução histórica era a regra. E as criticas que eram feitas eram relacionadas ao desperdício de recursos
naturais e financeiros utilizados para se fazer guerra. Ainda hoje boa parte dos recursos dos Estados são
voltados para a Defesa, o exército.
Mesmo antes do racionalismo, iluminismo, existiam autores preocupados com as ideias de
construção da base para a paz. Desde o seculo XVI há esse projeto de paz. Kant ficou conhecido como o
criador da ideia de paz perpetua, mas antes dele esta concepção de paz perpetua foi proposta pelo Abade de
Saint Pierre.
Não era relacionado aos Estados, era relacionado ao soberano, convencer o soberano da
superioridade da ideia de paz, de acordo com o projeto que tem toda uma fundamentação baseada no direito
natural teologico. É um autor que se preocupa por uma cosmologia ligada a um direito das Gentes.
O direito das gentes surge pela dificuldade de denominar, até que Jeremy Bentham em 1780 dá o
nome de direito internacional, e aí fica conhecido desta forma. O fundamento jurídico para essas discussões
vamos encontrar nos tratados e direitos costumeiros que foram se estabelecendo ao longo do tempo mas
sobretudo em função da positivação do direito internacional nos tratados, e aí eu trago os tratados especificos
relacionados a cada uma das uniões. Cada união tem a sua conformação, o seu fundamento legal.
Se nós quisermos saber sobre os fundamentos jurídicos, é importante ter consciência que não existe
um fundamento jurídico único.
Falando de integração regional é visível a intenção de acabar ou reduzir as guerras, sabe-se que os
conflitos continuaram existindo. O Mercosul tem como propósito resolver uma serie de questões de formas
diversas, por exemplo, os meios de resolução de controvérsias. Os Estados precisam solucionar suas
controvérsias, diante de um bloco econômico de integração regional.
A primeira alternativa para a pacificação dos conflitos é a negociação para resolução do problema, se
não for possível, caberá ao tribunal de resolução de controvérsia.
Existem iniciativas de caráter regional de integração com objetivos de proteger as economias
regionais. Nelas é criado um procedimento por onde definem uma tarifa especial para alguns produtos. Se
estabelece uma tarifa diferenciada que fará com que os produtos nacionais cheguem a outro Estado com
capacidade competitiva.
O fundamento politico é a necessidade de regular a vida economica dos países, sobretudo o comércio
internacional, constituindo blocos economicos que protejam os Estados e seus produtos, suas empresas, na
medida em que um grupo de países comerciam entre si, esse bloco já esta se protegendo em relação a uma
competição mais ampla. Aqui existe uma união de grupo de países que estabelecem uma tarifa comercial
com outras regiões.
O principal projeto do Abade de st. Pierre, construiu um projeto de paz para a europa, envolvendo
elementos politicos, economico e toda uma fundamentação ideologica para instituir uma paz perpetua.
Para os autores que consideram que um bloco econômico deve ter autonomia de ser governado pela
ideia de supranacionalidade, temos como único exemplo a UE, posto que já estão ligados ao direito
comunitário enquanto que as outras regiões estão focando no direito de integração.

Zona de livre comercio: é quando Estados se unem para fazer trocas comerciais reduzindo a tarifa, é
uma união simplesmente para aumentar as trocas comerciais. Ex: NAFTA.

União aduaneira: Além das características presentes na Zona de Livre Comércio, existe uma
obrigação de pagar o mesmo valor para alguns produtos escolhidos através de uma tarifa externa comum.

Mercado comum: Além das características presentes na zona de livre comercio e União aduaneira, o
interesse deixa de ser meramente comercial e passa a ser também político, e para isso é necessário que não
só bens e produtos circulem, mas também pessoas. No mercado comum é necessário que haja facilidades
para a transição de pessoas.

União Política/Monetária: Acrescenta-se ao mercado comum a criação de uma moeda única que
substitui as moedas locais ou passa a valer comercialmente em todos os países-membros. Também é criado
um Banco Central do bloco, que passa a adotar uma política econômica comum para todos os integrantes. O
único exemplo de mercado comum e, ao mesmo tempo, de união política e monetária é a União Europeia,
que é hoje considerada o mais importante bloco econômico da atualidade, em razão do seu avançado nível
de integração. Em muitos casos, essa integração alcança até mesmo as decisões políticas que eventualmente
são tomadas em conjunto pelos países-membros.
Os grandes princípios em matéria econômica são tomadas pelo Banco Central Europeu, e os outros
países devem se adequar.
E por que isso? Em nome de uma coerência para uma política com o objetivo superior que é de uma
estabilidade que faça com que região não tenha mais conflitos, sobretudo, bélicos.
O sistema vige em relação a todas as outras iniciativas é o interestatal, ou seja, estados fazem parte de
um acordo e tudo tem que ser levado ao ambiente nacional para que haja uma recepção, discussão em torno
da conveniência de ratificação do tratado. Então, por exemplo, em relação à entrada na Venezuela no
Mercosul, o que que houve? A necessidade de submeter essa proposta a todos os congressos nacionais.
Houve tanta pressão que aceitaram.
Pedro fala sobre o golpe no Paraguai que ocasionou a entrada da Venezuela no Mercosul.
Professor: então, quando houve o golpe do Paraguai, não houve necessidade, está previsto em um dos
tratados do Mercosul a possibilidade de suspensão e não precisa, nesse caso, a suspensão pelos congressos,
os representantes podem tomar essa decisão. E aí, os presidentes tomaram a decisão e suspenderam o
Paraguai. E o Paraguai reclamou porque o Brasil não foi suspenso quando houve o impeachment. Disse que
o Brasil foi tratado de forma diferente. Tem uma diferença entre o processo no Paraguai e o processo aqui, lá
foi apenas um dia, aqui teve uma formação mais longa etc.
Então, o interestatismo é essa capacidade de os estados manterem, recepcionar os tratados, as
decisões. Tudo terá, em princípio, que passar por um processo de ratificação e a ratificação não deixa de
existir na supranacionalidade, só que ela é ampla em relação a um tratado maior, é maior tanto na
capacidade, fica mais flexibilizada a aplicação de normas no âmbito interno por ordem externa, regional.
Tem a dimensão também relacionada aos tribunais, ou seja, de que a supranacionalidade no ambiente
europeu não vale apenas para a União Europeia, mas vale também para o conselho da Europa. O CE é uma
organização política, mas não é parte da União Europeia, nem a União Europeia é parte do CE. O CE é como
se fosse a nossa OEA, organização política da região. Tem uma organização supranacional, significa que os
estados que ratificaram as convenções definidoras daqueles direitos comunitários regionais e o tribunal
europeu julga a aplicação da norma que tem que ser obrigatória para qualquer estado. Não há nenhum estado
que faça parte do Conselho da Europa que não aceite a sua atuação. E todas as decisões dos tribunais valem
para todos os estados, por exemplo, Corte Europeia de Direitos Humanos, julga casos que não estão
vinculados à UE, mas ao CE.
Há eleição para o parlamento europeu, assim como deveria acontecer no Mercosul.
Alguns países se retiraram da Unasul, o Brasil se retirou, a Argentina. É uma união que tinha como
pretensão dar mais autonomia aos países do Sul da América. Numa espécie de competição com a OEA, pois
quem manda lá é os EUA. Os países do sul tem sofrido mais pressões por parte dos EUA para deixar a
Unasul.
União política, dependendo da interpretação, nem mesmo a UE teria, ou seja, quando alguém tem
união política, além da supranacionalidade nas questões econômicas, vira uma confederação de estados. Pelo
medo disso acontecer que o Reino Unido se retirou, pelo medo disso acontecer também, outros estados têm
anunciado a possibilidade de sair ou, pelo menos, colocado muitas resistências em relação a esses processos
de integração regional.
Então, a Unasul que, como nós, tem estado com poucas possibilidades.
O NAFTA, que é basicamente troca de mercadorias, praticamente zona de livre comércio, os EUA e
Canadá não têm interesse algum de ampliar mais profundamente as relações com o México, por conta dos
problemas que eles consideram com relação à circulação de pessoas.
Entra a discussão que é de Samuel Huntington, no livro “O choque das civilizações”, em uma das
sugestões, ele tem uma apreciação segundo a qual o ocidente estaria se desvanecendo, estaria perdendo as
características do ocidente e isso teria um significado econômico e político. Então, diante disso o que seria
preciso fazer? Agregar áreas que não são consideradas ocidentais, como, por exemplo, a américa latina.
Samuel Huntington afirma que há nove grandes civilizações e a civilização latino americana é uma delas, se
diferencia do ocidente porque é católica, porque é, majoritariamente, subdesenvolvida etc. Seria necessário
conquistar essa região para fazer parte do ocidente.
E eles começaram pelo México. O México talvez seja o país que reúna maiores características de pais
latino americano, boa parte da construção do que é a américa latina está relacionada à história do México,
mas, como está ao lado dos EUA, eles pegaram o México para esse experimento de transformar aquela
realidade em uma realidade ocidental, então, tem ai uma disputa grande.
Eles, ao mesmo tempo, não querem o México inteiramente com capacidade de circulação de pessoas,
mas querem que a capacidade seja de mercadorias, mas com o tempo, quem sabe, dependendo das respostas
do México para esse processo de ocidentalização, pode ser que o Nafta tenha outro entendimento mais
político sobre a questão.
O pacto andino congrega os países que estão na região dos andes. O chile está praticamente em tudo,
é uma estratégia de política externa do chile pois possui uma população relativamente pequena e acabam por
se sentir ilhados. O Chile se entende como sendo uma ilha, tendo em vista que a cordilheira serve como uma
barreira, aí eles estão em várias dessas iniciativas. Eles possuem acordo com o mercosul, é o único país da
américa latina que possui acordo preferencial com a união europeia, com o nafta, faz parte da APEC. Só não
tem com a comunidade para desenvolvimento da África austral.
O pacto andino, dependendo da interpretação, é um mercado comum, mas pode ser que alguém
compreenda como união aduaneira. Acho que a gente pode dizer que são zonas de livre comércio a
comunidade do caribe, nafta, a comunidade centro americana e a comunidade para o desenvolvimento da
África austral, são comunidades orientadas praticamente pelo comércio entre eles, entre os estados que
fazem parte.
A Apec é uma comunidade muito poderosa, os EUA estão lá, os países banhados pelo pacífico, de
um lado ou outro, estão lá, é uma iniciativa econômica muito importante e relevante economicamente. O
mercosul também, se quiserem, claro, têm possibilidades grandes.
Quando se está como zona de livre comercio ou união aduaneira não há órgão de solução de
controvérsia, embora se solucione controvérsias, mas a solução é mais formal, são feitas processos de
arbitragem, mediação, negociações amistosas, mas não há propriamente um órgão que se assemelhe a um
tribunal. Vai haver necessidade de se criar um tribunal quando há um adensamento dessas fases. Começam
como simplesmente comércio, amplia-se a base comercial com uma tarifa comum, se chega a um mercado
comum, ou seja, livre circulação de pessoas, mercadorias, bens e capital, e, se pode chegar, embora só a
união europeia tenha chegado, a uma união econômica e monetária.
O mercosul é interestatal, a capacidade das vontades devem passar pelo interesse dos estados, a ideia
aqui, quando se fala sobre interestativo, é que a soberania tem muita importância e centralidade; quando se
fala em supranacionalidade, se relativiza muito a soberania, a soberania passa a ter um nicho de atuação em
que se definem competências em nível regional e essas competências são supranacionais e as nacionalidade
de vários estados nação têm competências mais definidas para questões mais locais, nacionais.
MERCOSUL
Primeiro tratado que instituiu o mercosul é o tratado de assunção.
Existe assimetria entre os países do Mercosul, contudo, esse problema é comum na União Europeia.
O bloco precisa ter políticas que sirvam ao bloco, precisam ter legitimação condizente com o bloco, mas,
tudo isso, esbarra na capacidade do investimento e a discussão mais importante, que na política internacional
é: quem paga pelo processo de integração?
Não resta dúvida que, no ambiente europeu, quem paga é quem tem mais recursos, isso está
pacificado. Os europeus não têm dúvidas que eles tem que pagar pela integração e eles sabem que, se não
pagar, pode ser pior, como foi pior no passado. As guerras que eles tiveram aconteceram por conta de não
haver integração.
Aí há uma grande discussão, eu publiquei um livro há uns dois anos atrás sobre isso e, sobretudo, da
visão dos países em relação ao brasil.
Há algumas iniciativas como o FOCEM – fundo para a convergência estrutural do mercosul, em que
o brasil é o maior contribuidor desse fundo e que a maior parte dos recursos devem ser utilizados para
financiamento de atividades de obras em outros países e não no brasil. Os jornais, quando se colocam contra
algumas iniciativas acabam por soltar notícias, comentários etc. (oposição), quando algumas iniciativas são
realizadas com recursos do mercosul, com mais recursos brasileiros, eles se colocam contra e se mobilizam
negativamente. Pode-se chamar isso de oposição de alguns setores, são setores economicamente
organizados, que não concordam que o brasil utilize recursos com a cooperação internacional e, nesse caso,
com o Mercosul.
Para você construir infraestrutura, por exemplo, rodoviária, é preciso que alguém pague. Não se pode
esperar que o Uruguai ou o Paraguai pague, desde de a época da ditadura, a rodovia, BR 277, que liga Foz
do Iguaçu à Curitiba e liga até São Paulo também, aquilo ali favoreceu a integração com o Paraguai. Se diz
que, até então, a proximidade era muito maior com Paraguai e a Argentina e passou então a ser muito mais
com o Brasil, ou seja, o Brasil passou a ter maior influência sobre o Paraguai a medida que construiu aquela
estrada.
A ideia seria construir ou ampliar a construção até chegar em Assunção. Quem arcaria com esse
custo? Poderia ser os chineses.
Não é só, digamos, as rodovias, mas portos, pontes, que favorecem a circulação de pessoas e de
mercadorias, a construção de aduanas, tudo isso é necessário, quem é que paga?
Num bloco como este, em qualquer bloco, na verdade, alguém tem que pagar, e paga quem tem mais
recursos econômicos.
Uma economia como a da Argentina, não é possível esperar que ela participe desses esforços e, ao
mesmo tempo, o Brasil não está mais em uma situação tão boa do ponto de vista econômico.
Esse é o imbróglio que envolve o Mercosul. Precisa criar as possibilidades de desenvolvimento,
precisa diminuir as assimetrias e só se diminuem as assimetrias investindo nos países. O modelo da união
europeia é o melhor para pensarmos.
Dois estados, Portugal e Espanha, quarenta ou cinquenta anos atrás eram estados agrários, mudaram
muito, sobretudo, Portugal, tem uma mudança fenomenal em cinquenta anos. Foi com o investimento da
União Europeia.
Essa dificuldade de entender o processo acontece em todos os países, Argentina, Paraguai, assume
condições diferentes, mas o medo e o receio está muito presente, sobretudo, em relação ao Brasil, na
Argentina, principalmente.
A Argentina vem perdendo espaço político no cenário internacional. No século XX, era um país
muito mais significativo do que o Brasil, do ponto de vista econômico e do ponto de vista político. Já teve
uma contribuição muito grande para o direito internacional, várias doutrinas foram criadas por juristas
argentinos, mas vem perdendo poder e o medo em relação ao Brasil é muito grande, então, tudo isso, joga o
Mercosul em uma incerteza muito grande.
14. Aula 14 (Aula do dia 21/05) - Solução pacífica de controvérsias internacionais

O direito internacional de alguns séculos atrás era um direito internacional com características leves e
sem limitações. A partir da criação da liga das nações, nós temos uma série de princípios que regulam, com
as limitações que nós sabemos, a ordem internacional. A ordem internacional tem idas e vindas. Tem
momentos em que é possível construir determinados programas, determinadas questões, determinadas ideias
que adentram em termos de uma paz e, às vezes, nem tanto, como aliás está acontecendo agora. Nos dias
atuais, temos um cenário muito complicado para os direitos sociais, para o direito internacional, para os
direitos humanos de uma maneira geral. Isso tanto no campo interno, como no plano internacional.
Estamos falando de um ponto que é de uma maior relevância para o direito internacional: Soluções
pacíficas de controvérsias internacionais. Primeira questão a chamar atenção aqui é que os meios que vamos
falar hoje, são facultativos. A doutrina faz essa distinção entre meios facultativos e obrigatórios. Os meios
facultativos são quatro. As soluções de controvérsias das quais estamos falando se referem, sobretudo, aos
estados. Desde que os estados nação se estabeleceram no cenário internacional, eles vieram alcançando um
significado que permitiu que esses meios fossem criados. Quando se fala também em soluções pacíficas ou
meios pacíficos de soluções de controvérsias tem aí uma renúncia orientada pelos autores idealistas/ liberais,
em relação a guerra, ou seja, aquilo que no passado, na primeira e na segunda fase do desenvolvimento do
direito internacional, era a regra.
Nós estamos no momento em que é exatamente o contrário: nós temos a paz como regra. Então, é
dentro desse ponto de vista que nós trabalhamos esse tema. Ele surge com a criação da liga das nações.
Temos personagens muito importantes, todos aqueles chamados fundadores do direito internacional vieram
contribuindo com essas ideias. A compreensão de que precisamos de meio pacíficos de soluções de
controvérsias no plano internacional. Essas controvérsias alcançam sobretudo os estados, pois, como nós
sabemos, os estados são os principais sujeitos do direito internacional, mas como já vimos, eles não são os
únicos, temos também as organizações internacionais, criadas formalmente no início do século XX e temos o
indivíduo, que é sujeito também, com limitações, no direito internacional.
Na grande maioria dos casos são os estados que vão ter as suas controvérsias resolvidas, mas, em
algumas situações, os indivíduos fazem parte, seja em quanto indivíduo, seja em quanto grupo de indivíduos,
sobretudo quando falarmos sobre tribunais. Vamos ver que os indivíduos podem ser julgados e cada vez
mais através de organizações não governamentais, mas também das próprias organizações internacionais
eles tem alguma voz, com suas demandas asseguradas no plano internacional.
A partir do momento em que as organizações internacionais foram criadas, esse tema adquiriu uma
relevância muito grande. É importante reconhecer que esses meios foram criados no decorrer da história. O
meio mais antigo de solução de controvérsia no plano internacional são as arbitragens. Como nós sabemos a
designação internacional só surge em 1780 com Jeremy Bentham, que cria a designação international law.

Esses meios tanto previnem quanto solucionam as lides entre estados, entre organizações
internacionais ou com a participação das organizações internacionais. As organizações internacionais são,
hoje em dia, grandes mediadoras, são espaços onde são construídas soluções. Elas foram muito
impulsionadas no século XX, tanto em função do processo de racionalização, do processo de criação de
organizações internacionais, processo de codificação, de positivação, tudo isso contribui para a instituição
dos princípios e os meios de soluções de controvérsias.
No tratado que institui a liga das nações, nós vamos encontrar todos os meios de solução de
controvérsia: vamos encontrar o inquérito, o tribunal e a arbitragem. Com a criação da ONU em 1945, nós
vamos ter referências (art. 33 da carta das nações) expressas aos meios admitidos para solucionar
controvérsias, que estavam anteriormente admitidos de maneira idealizada no tratado da liga das nações:
negociação, inquérito (é um meio obrigatório criado a partir das organizações internacionais, ou seja, não
tinha antes da liga das nações, sobretudo da ONU, onde temos muitos exemplos de inquérito em matéria de
segurança, financeiro, dos diretos humanos); mediação; conciliação; arbitragem (obrigatório); solução
judicial (obrigatório). A carta das nações abre espaço para qualquer outro meio pacífico e faz referência ao
papel do conselho de segurança na manutenção da paz. Esse sistema não é perfeito, mas temos avanços em
relação ao que o DIP prometia e realizava no século 19.
A proibição da guerra unilateral é um outro elemento do sistema que temos hoje, a ideia que dentro
daquela noção de que nós devemos buscar resolver conflitos pacificamente, a guerra não deve ser nem a
regra e nem definida em base individual. Ou seja, um Estado não pode unilateralmente declarar guerra, do
ponto de vista legal. A única possibilidade, no atual sistema, é ser declarada multilateralmente.
Pergunta: Então se for pra negociação, não pode declarar unilateralmente?
Prof.: Não, do ponto de vista positivo. Mas do ponto de vista prático muitos estados têm declarado
guerra unilateralmente.
Mas fiquemos com essa noção que é importante e não é uma idealização, porque de qualquer forma
quando acontece de haver uma invasão, sempre um Estado vai a um órgão internacional e diz “essa ação é
ilegal” e com isso não se legitima uma intervenção internacional. É também dessa forma que o direito
internacional se faz valer, ou seja, não é só com o uso da força, aliás cada vez menos é com o uso da forma,
mais com base nos argumentos e debate sobre o direito internacional.
E com isso podemos ir aos meios facultativos.
1) Negociação amistosa
A negociação amistosa pode ser uma negociação direta, trocas de opiniões, consulta. Ou seja, pode
utilizar outras expressões, mas estaremos falando dessa possibilidade. Hoje em dia, é o que mais acontece,
ou seja, o encontro de diplomatas, representantes dos Estados para procurar resolver ou prevenir
controvérsias.
Uma negociação amistosa acontece, hoje em dia, com a maior facilidade. Se antes tinha trocas de
fax, telex, hoje em dia é tudo por email, whatsapp. E não só os diplomatas, mas também os governantes e
funcionários das organizações internacionais. Eles estão a todo momento em contato com os outros, e
sempre que acontece alguma coisa eles podem trocar informações. É dessa forma que pode acontecer o
início de uma negociação amistosa.
Digamos que um governo esteja preocupado com a entrada excessiva de elementos da linha branca,
exemplo, algumas geladeiras. Sobretudo o Estado está num momento econômico difícil, como tem
acontecido aliás nos últimos tempos. Ai um ministro dá um discurso no jornal dizendo que não está satisfeito
com a entrada de um carro, como nos últimos anos aconteceu com a Argentina em relação aos carros
brasileiros. E nós sabemos que há essas rotas comerciais dentro do MERCOSUL, isso é acertado, ou seja, os
Estados, que estabelecem cotas para essas trocas comerciais. E aí pode-se chegar à conclusão que num
determinado momento entrou carro demais ou ar condicionado demais e aquilo tá prejudicando a economia,
a indústria nacional.
O que acontece a partir daí? O presidente do país manda que um diplomata entre, ou o próprio
ministro da economia entre em contato.
Isso tem uma rapidez muito grande. Pode ser no outro dia os presidentes dos dois países marquem
um encontro em qualquer lugar, ou os ministros da economia se encontrem também, quando eles se
encontram não se encontram sozinhos, mas com membros da diplomacia, para encontrar uma solução. Isso a
gente chama negociação amistosa, e é um meio que não tem muita formalidade, pelo contrário, um meio
INFORMAL, sobretudo, hoje em dia. Por qualquer meio de comunicação é possível iniciar o processo de
negociação amistosa e concluí-lo também.
Se diz também que pode ser admitido em qualquer momento do processo relacionado a uma
controvérsia. Então, por exemplo, durante o início de uma divergência, no meio da divergência, no final.
Mesmo que o caso já esteja num tribunal, a negociação amistosa poderá acontecer; a negociação poderá
versar sobre qualquer tema, não é só sobre o conteúdo em si, o elemento central da controvérsia, mas
também sobre os meios, até mesmo de cumprimento de uma decisão. Então imaginemos que o tribunal tome
uma decisão que é desfavorável a uma das partes, então a negociação será como executar aquela decisão.
Vejamos que se trata de um meio que poderá ser utilizado a qualquer momento da controvérsia.
A negociação amistosa é um meio pelo qual estabelece-se uma base para negociação. Observa-se que
as partes aí têm condição para negociar. Essa informação é importante porque quando chegarmos na
conciliação e, sobretudo, nos bons ofícios, as partes não estão em condições de negociar.
Quando há conflitos de fronteiras, como por exemplo Brasil e Venezuela, Brasil e Paraguai.
Imaginemos que a todo momento os diplomatas estão trocando negociações e tentando resolver, então
qualquer posição que um Estado tomar será com base nas conversas entre os representantes dos Estados. Isso
nem sempre foi assim. Só é assim a partir do século XX, com a definição da terceira fase do direito
internacional, com a criação das organizações internacionais, com a criação dos tratados, nós vamos ter essa
possibilidade mais propiciada. Claro, as negociações amistosas existem faz tempo, mas não com a presença
e rapidez de hoje.
São conduzidos segundo os costumes. O que isso quer dizer? Depende muito do costume. Se for
uma solução amistosa entre Estados, ou seja, multilateral ou bilateral, se coloca a questão de que língua será
realizada. Então, é muito de acordo com a relação de cada Estado. Normalmente, se for uma língua próxima,
cada um fala na sua língua, como acontece aqui na América Latina. Tem usos e costumes universais e usos e
costumes regionais. Se for uma negociação multilateral, com várias partes e representantes de organizações
internacionais, se for sobretudo no âmbito da organização internacional, vai se observar as línguas oficiais da
organização internacional. Exemplo, ONU, que não contempla o português. Normalmente, os diplomatas
brasileiros falam e escrevem em inglês.
É parte dessa relação do costume onde se encontram as pessoas para negociar. Pode ser que se
encontre em uma organização internacional ou estabelecerem encontros sucessivos que sejam em cada um
dos Estados se tratar de uma negociação bilateral, se for multilateral será bem razoável se encontrarem em
uma organização internacional.
Forma. Por meio de reuniões, por meio de cartas, por meio de mensagens eletrônicas. Tudo isso
também vai ser constituído com base nos usos e costumes.
Então estamos falando de um meio que, de todos, é o mais utilizado. Sobretudo, com a criação de
organizações internacionais, é certo que nesse momento há diplomatas tentando realizar a solução de
controvérsias. Questões de fronteiras, comércio internacional, direitos humanos, questões de segurança,
tudo, tudo que tem relevância no plano internacional.

2) Bons ofícios
São uns meios antigos, embora não tão antigo quanto a arbitragem. Pelo que coloca a doutrina, a
criação pode ser creditada à Igreja Católica. Por isso o nome pomposo, a ideia de “bons ofícios”, como se
fosse uma boa solução, como nem sempre foi. E também, nem sempre as decisões foram cumpridas, pois
havia uma disputa entre o poder temporal e o poder religioso, e nem sempre o poder temporal respeitou as
decisões do papa. Então estamos falando aí de uma solução de controvérsias que surge no âmbito da igreja
católica orientada pela pretensão de que não houvesse guerra entre os estados cristãos. A guerra era justa
desde que fosse para cristianizar, mas dentro da própria base cristã não cabia a guerra. Inicialmente, era uma
solução de controvérsias que cabia ao papa.
E era um meio obrigatório. Hoje, é tido como um meio de solução facultativo. O papa mandava
chamar os reis que estavam em guerra ou querendo entrar em guerra e dizia o que eles deveriam fazer para
não guerrearem.
Um grande exemplo de Bons Ofícios foi o Tratado de Tordesilhas, entre a Espanha e Portugal.
Como se sabe, o território, que hoje é o território brasileiro, era objeto dessa controvérsia. Não se sabia
exatamente se existiam, e até onde existiam, terras a oeste da América e da América do Sul, e em função
disso a briga entre Portugal e Espanha era muito grande.
Então o Papa resolveu a controvérsia traçando/passando uma linha imaginária e dizendo que a partir
dali/até ali as terras eram de Portugal e dali em diante eram da Espanha. Esse tratado foi descumprido, como
nós sabemos, por isso o território brasileiro é muito maior do que o definido no tratado.
Hoje em dia houve uma transformação nesse conceito, qualquer pessoa que seja respeitada no plano
internacional pode propor Bons ofícios. Não só o Papa, embora o Papa continue a fazer Bons Ofícios, como
por exemplo no caso da Argentina e o Chile, em torno do Canal de Beagle. Foi Bons Ofícios que o Papa
realizou.
E o que é que significa hoje em dia: significa que as partes não estão demonstrando condições de
diálogo, não tão diferentemente da origem/do início do Bons oficios, onde as partes estavam em disputa,
estavam sem condições de diálogo, ai o Papa mandava chamar e obrigar eles a cumprissem sua decisão.
Mas hoje não é isso, é alguém que vê essa controvérsia e que diante da magnitude da controvérsia e
entendendo-se como tendo uma responsabilidade internacional e entendendo-se como uma pessoa com
condições de favorecer o encontro das partes, ela se propõe perante as partes a realizar Bons oficios. O que
significa dizer: “eu estou vendo que vocês não estão dialogando, então, eu gostaria de favorecer para que
vocês sentassem a uma mesa e resolvessem o problema de vocês”. Os Bons de Oficio, portanto, não tem,
hoje em dia, nenhum compromisso com a solução do conflito em si. E se houver essa preocupação com a
solução em si, então, já deixa de ser Bons ofícios e passa a ser uma mediação, ou uma conciliação, ou outro
meio de arbitragem. Em princípio, os Bons Ofícios se cumprem quando as partes sentam a uma mesa para
resolver o seu conflito.
Houve vários Bons ofícios, por exemplo, em relação a Palestina e Israel, vários presidentes, incluindo
os presidentes norte-americanos, propuseram Bons ofícios, porque não havia diálogo entre as partes, e o que
eles fizeram (eles = os presidentes) foi dizer: “vocês precisam conversar”.
-Pergunta inaudível.
- Professor responde: começou como um Bons Ofícios e depois virou mediação, ou seja, alguns
meios podem se transformar em um outro meio. Isso acontece, ou pode acontecer, com Bons Ofícios se
convertendo em uma conciliação ou numa mediação. Então, o acordo de Camp David no Egito e em Israel
começou com Bons ofícios. O ex-presidente Jimmy Carter convidou e tinha autoridade para isso, e disse:
“olha meus amigos, vamos tentar resolver esse conflito que há tanto tempo aflige suas populações, elas não
podem continuar morrendo e matando”. Então teve o encontro, que consistiu basicamente em dizer: “eu
estou reunindo (o presidente convida e eles vão) essas duas figuras, aí ele faz uma série de discursos, aqui se
resolvam e deixam eles lá”, até aí era Bons ofícios. Ou seja, até o momento em que ele junta as partes e
essas partes estão conversando a respeito do seu conflito, estão tentando procurando resolver conflito,
estamos diante dos Bons ofícios. Se ele for convidado a permanecer na discussão e contribuir para a solução
passa a ser uma mediação.
E antes da gente passar para mediação tem a questão da recusa. É um grande risco que aquela
pessoa que se coloca na posição de realizar Bons Ofícios corre, ou seja, ela tem que ter clareza, certeza que
sua posição é de autoridade no plano internacional, sobretudo junto as partes, que ela é vista tendo
neutralidade em relação ao conflito, porque o grande risco é as partes, ou uma delas, dizer: “não aceito os
seus Bons Ofícios porque você não tem autoridade para propor ou porque você está envolvido no conflito”.
Pode ser alguém que não tenha cargo algum, mas tenha uma respeitabilidade. O importante é que
aquela pessoa que se propõe a um ato de disposição dela, ou seja, que se coloca nessa posição de propor
Bons Ofícios terá que ser aceito pelas partes. Então, vale para questões comerciais, territoriais, vale, enfim,
para qualquer situação no plano internacional.
Alguns ofícios exigem neutralidade e exige essa condição de uma pessoa reconhecida como uma
autoridade moral no plano internacional, alguém que tem condições de propor uma base de negociação, e
não uma base de acordo, ou seja, os Bons Ofícios se caracterizam por isso: por propor uma base de
negociação, “estou querendo favorecer para que as partes conversem e resolvem os seus problemas”. Se isso
acontece, se cumprem os Bons Ofícios.
Bom, se, e acontece muito, os Bons Ofícios se cumprem, ou seja, na medida em que as partes sentam
e há uma base de negociação. Então essa é a condição essencial para caracterização dos Bons Oficio: as
partes não estavam em diálogo. E a partir do momento que o agente dos Bons Ofícios reuniu essas
pessoas, então, houve o cumprimento dos Bons Ofícios. Ou seja, as partes começaram a negociar.
O agente dos Bons Ofícios pode se retirar do processo e dizer: “ a partir de agora eu não quero mais
interferir” ou pode ser que as próprias partes digam: “foi tão bom que nós gostaríamos que você estudasse
nosso caso e propusesse uma solução”, aí viraria uma mediação.
Então, a mediação é um pedido de opinião, no caso, por parte de quem tem o problema. Então,
acontece muito de Bons Ofícios virarem uma mediação. Exemplo disso é o que aconteceu com Camp David,
que inicialmente foi Bons Ofícios e depois se tornou mediação do presidente norte-americano. No caso, tem
que haver esse pedido de opinião e por isso é facultativo. O mediador não impõe uma decisão, portanto,
não se trata de uma jurisdição, ELE FOI CONVIDADO PELAS PARTES a apresentar uma opinião e se
as partes assinarem aí a gente tem um nível/grau de obrigatoriedade, mas já não é mais uma mediação.
Talvez tenha muito mais característica de uma arbitragem. A mediação também difere do Bons oficios, ou
seja, enquanto os Bons Ofícios são uma base para a negociação, a mediação é uma base para o acordo.
(DIFERENÇA ENTRE MEDIAÇÃO, BONS OFÍCIOS E NEGOCIAÇÃO AMISTOSA!!!!!)
Então, o medidor, uma vez convidado, a pessoa se coloca como tendo autoridade. Na mediação são
as partes que pedem, ou uma delas, o apoio do mediador.
Pergunta inaudível (mas o que deu para entender é que a pessoa pergunta se existe algum tipo de
acordo prévio entre as partes para escolher mediador???)
-Professor responde: tem que haver a concordância das partes, porque se não é inviável a
possibilidade de acordo. Então, as partes têm que querer realizar o acordo. Mas aí entram questões
evidentemente políticas, que tornam as soluções, ou podem tornar as soluções muito complicadas. Alguém
pode até dizer que quer uma solução, mas na verdade, não quer. Isso acontece muito. Tem muitas situações
que, é muito mais para dizer para o público que há uma inciativa, há uma intenção de fazer acordo, quando
na verdade não tem.
Voltando para as questões jurídicas, a mediação é quando há um pedido de opinião feito pelas partes
para que uma terceira pessoa dê sua opinião. Essa pessoa tem que ter neutralidade, ou seja, ninguém vai
chamar para resolver um conflito alguém sem neutralidade. As partes vão querer que seja alguém capaz de
favorecer não só o diálogo, como também o acordo.
A grande diferença da mediação para a conciliação é que nesta última não se exige neutralidade,
porque o conflito será resolvido pelas próprias partes. Os representantes das partes constituem uma
comissão, que pode ser uma comissão isenta, ou seja, que não sejam de pessoas envolvidas em relação ao
Estado. Mas em geral são do Estado que irão participar. Por exemplo, disputa territoriais, muitas delas foram
resolvidas com base em conciliação. Normalmente, seriam representantes com o mesmo número, por
exemplo, 6 membros de um lado e 6 membros do outro, que irão estudar a questão, vão ver as condições de
diálogo e vão propor a saída. Não necessariamente se exige neutralidade, mas pode ser que tenha, pois eles
(Estados) têm a liberdade de constituírem a comissão da forma que quiserem, isentos ou não.
Pergunta: Mas não descaracterizaria a conciliação, não? A comissão ser isenta?
Professor: Eu acho que não, mas vamos considerar aqui com a noção que normalmente as comissões
instituídas para fazer conciliação são participeis dos Estados, tendo, também, interesses na solução da
controvérsia, interesses relacionados aos interesses dos Estados, em geral é assim.
Muitos conflitos de território e de fronteiras foram resolvidos tanto com base em mediação como em
conciliação. As comissões da conciliação eram instituídas pelos próprios Estados, com representantes dos
próprios Estados, para resolver. E nem sempre, mesmo dessa forma, os acordos eram os melhores possíveis
para os próprios Estados.
15. Aula 15 (aula do dia 23/05)

Na área de direitos humanos tem prevalência de inquérito, nós vamos encontrar muitas relatorias
especiais que fazem exatamente isso, o trabalho de inquérito, seja visita às localidades, se for relacionado às
mulheres, por exemplo, o que vai acontecer é que a relatora sobre os direitos das mulheres vai entrar em
contato com um grupo de mulheres, representantes dos governos, polícias, órgãos públicos em geral, e vai
elaborar um relatório. Dependendo do ano da visita vocês vão encontrar o relatório específico e podem ter a
impressão que o relator tem, e o mais importante, vão encontrar as recomendações do relator. É onde se
verifica a capacidade de um inquérito, ou seja, o relator elabora além de uma apreciação sobre o que o país
tem feito ou deixado de fazer com relação ao assunto, e também indica caminhos, o que o Estado deve fazer
para o cumprimento do tratado. Esse modelo serve para todas as áreas.
No âmbito da OIT, normalmente é uma comissão, um grupo de três pessoas, que procuram verificar
em que medida o país está adotando, implementando os tratados relacionados ao Direito do Trabalho.

--Pergunta: Essas recomendações são só soft law, né?

--Resposta: É, porque o Estado cumpre ou não, se ele não quiser cumprir, não cumpre. Aliás, muitas vezes
fica sem cumprimento. Sobretudo, havia uma crença de que a ONU cresceria muito em significado com a
entrada do século XX, mas não se verificou e está muito relacionado ao que aconteceu em 2001, ao ataque às
torres gêmeas, havia uma crença de que os mecanismos da ONU seriam adensados, haveria muito mais
capacidade, sobretudo depois da 2ª Conferência Mundial de 1993, ou seja depois da Queda do Muro de
Berlim, se acreditava que haveria um adensamento em relação ao cumprimento dos tratados dos direitos
humanos. E aí com o atentado de 2001 notou-se um freio em relação a este cumprimento. Então houve um
tempo em que havia muito mais recurso, mas em relação a hoje é uma área que os relatores continuam
visitando as localidades, mas com muito menos frequência e o próprio cumprimento não tem o significado
de outros tempos. Estamos num mundo atualmente muito complicado, tanto no plano nacional como no
plano internacional, as coisas não estão funcionando como foram desenhadas na época. Então o inquérito já
teve mais significado. Anda funcionando muito mais na área de energia atômica, a AIEA (Agência
Internacional de Energia Atômica) possui inspeção com grau de cogência muito alto, que aí não é soft law,
as recomendações são devidamente cumpridas, porque é segurança coletiva. Se ela descobre que um Estado
está descumprindo, violando o tratado de não proliferação de armas nucleares, a AIEA vai indicar que o
Estado deixe de produzir energia para fins bélicos. De posse de um relatório com este teor, o conselho de
segurança poderia autorizar até uma invasão.
Pergunta: A Coreia do Norte assinou esse tratado (de energia atômica)?
Resposta: Não. Mas mesmo assim se entende que é uma área que está obrigada a cumprir, pois se trata de
segurança internacional. Entra a própria ideia de sobrevivência internacional, e também costume, é uma área
que se apela para o costume internacional, ou seja, nenhum Estado deveria estar autorizado para produzir
armas nucleares se não houver um consentimento da comunidade internacional.
Pergunta inaudível.
Resposta: Não tinha pensado nisso, mas o que se entende no âmbito da comissão interamericana de direitos
humanos é que funciona como sendo duas instâncias, né? Tecnicamente poderia ser entendido como um
inquérito. Ou seja, a comissão faz uma apreciação e ao final ela recomenda o que o Estado deveria fazer
diante da violação dos direitos humanos, ela não julga e aí a Corte realmente julga. Agora, a Corte também
tem sido muito rigorosa, pode levar muitos anos para um caso ser levado e chegar a ser aceito lá.
Bom, já que já está claro, então vamos para a arbitragem, que como se sabe é o meio mais antigo de
solução pacífica de controvérsias internacionais no âmbito internacional. Precede aos tribunais, que só são
criados no século XX, enquanto que a arbitragem está presente desde a Antiguidade. O meio de solução
tipicamente jurídico do tribunal deveria ser utilizado apenas em situações muito graves, enquanto todas as
outras já deveriam ter sido anteriormente tentadas pela arbitragem. Mas a justiça é lenta e precária, sobretudo
a ideia de que no Judiciário há um vencedor e um perdedor, é a lógica das decisões judiciais. Enquanto que
na arbitragem se busca compor uma relação vencedora a ambas as partes. A arbitragem no âmbito interno foi
recuperada de tempos pra cá, está muito em voga, no discurso de tornar o Estado mais eficiente, sendo este
utilizado apenas no Estado mínimo, nas situações devidamente necessárias.
A arbitragem no plano internacional é vista como um meio mais rápido, um meio que permite que as
partes cheguem a uma certa composição de seus interesses, e sobretudo que instituam uma jurisdição ad hoc.
Ou seja, as partes estão em condição de acordo, só não estão em condição de resolverem sozinhas, por isso
uma conciliação não resolve, precisa de um agente externo, que normalmente necessita de um conhecimento
técnico, como a demarcação de fronteiras, por exemplo.
A jurisdição ad hoc, como os tribunais ad hoc, só que em outra situação, foram instituídos pelo
conselho de segurança, com base na Carta das Nações para situações específicas. Quando todos os casos
tiverem sido julgados, o Tribunal deixa de existir, por isso são tribunais ad hoc. Então no plano da
arbitragem estamos diante de uma jurisdição específica, ad hoc.
Pergunta: Como funciona a prescrição nos casos dos tribunais ad hoc, professor?
Resposta: É um tribunal como qualquer outro, só que no caso de Ruanda, por exemplo, tem uma
competência restrita ao ano de 1994, ou seja, só casos que aconteceram neste ano, que foi quando houve o
genocídio. E em relação ao tribunal de Iugoslávia, todo e qualquer caso acontecido de 1993 em diante, desde
que relacionada a situação do genocídio.
Há a necessidade de um compromisso arbitral de definição, de que seja assumido pelas partes. É,
portanto, um procedimento necessário de substituição desta jurisdição ad hoc, e isso tá garantido por tratados
internacionais específicos relacionados à arbitragem.
Como já vimos em outras aulas, teremos também a arbitragem no plano internacional privado, que é
a arbitragem envolvendo empresas transnacionais ou empresas e Estados em matérias que dizem respeito às
questões privadas, normalmente matérias comerciais, quando o Estado é também um agente privado. Mas a
arbitragem da qual estamos falando é a do plano de direito internacional público, ou seja, arbitragem
envolvendo Estados.
Dois Estados não estão em condições de resolver um conflito, mas eles dialogam entre si, e aí
definem que um outro Estado ou que uma pessoa ou um grupo de pessoas funcionem como árbitro.
Normalmente é uma pessoa, em função do seu conhecimento, das suas habilidades, que domine algumas
línguas e tenha habilidades para compor o conflito entre as partes. E não habilidade para apenas chegar a um
acordo qualquer, mas que seja satisfatório para as duas partes, porque só aí a arbitragem terá sentido. Há
situações em que uma parte vai “ganhar mais”, ou ter mais vantagem, mas em geral não é o que se espera da
arbitragem pensando aqui no plano internacional, ou seja, espera-se que as partes saiam satisfeitas desse
processo.
Existem ainda muitos problemas envolvendo fronteiras da América Latina: Chile, Peru, Bolívia,
Venezuela. Felizmente o Brasil resolveu os problemas de fronteiras, talvez o mais grave, até mesmo em
relação ao Paraguai, inclusive com os movimentos que foram feitos no final do século passado, com a
criação de Itaipu, fica claro que ali se trata de um território que foi demarcado, uma parte é do Brasil e a
outra é do Paraguai. Mas até em relação ao Oeste do Paraná, de Santa Catarina, alguns dizem até que toda
aquela área deveria ser do Paraguai, que o Brasil teria roubado. O fato é que até a Guerra do Paraguai, aquela
região ali era mais do Paraguai do que do Brasil e da Argentina. Mas com a Guerra, o Brasil e a Argentina se
tornaram donas das cataratas e daquela região.
A Corte Permanente de Arbitragem, que existiu, estamos falando de uma experiência, ou seja, antes
da Liga das Nações, teve uma série de julgamentos mostrando justamente o significado dessa Corte
enquanto uma experiência que não estava relacionada a uma organização internacional, era um chamamento
para a importância de que existissem meios de solução de controvérsia no plano internacional, então houve
essa experiência. Depois, foi absorvida pela Liga das Nações e, sobretudo pela ONU.
O Banco Mundial tem um espaço de solução de controvérsia com base na arbitragem, ou seja, é um
meio através do qual os contratos e os acordos estabelecidos entre os Estados que não conseguem um acordo
entre si, quando os estados não estão em condições de resolver entre eles próprios, que se leva para o órgão
de solução de controvérsias que tem essa capacidade arbitral.
Um outro exemplo é o da fundição trail smelter, que é muito importante também por conta da decisão
em si, é um caso de 1941, em que disputavam os Estados Unidos e Canadá: uma fundição foi estabelecida na
fronteira entre os dois países e levava poluição aos EUA; tentaram resolver entre si e não conseguiam, até
que se chegou a conclusão de que teriam que instituir uma arbitragem. Instituiram a arbitragem e o resultado
foi a definição do plano internacional do princípio do poluidor pagador. Desde então, o princípio do poluidor
pagador foi admitido é um dos princípios do plano internacional, um dos princípios do direito ambiental
internacional.
Pergunta: Mas de quem era a fundição?
Era do Canadá, a fundição canadense levava poluição para uma cidade dos EUA e isso durou por
vários anos até que se institui a arbitragem ou seja a jurisdição ad hoc, e no final da resolução da
controvérsia se define a obrigação do Canadá de ressarcir pela poluição, o que significa a adoção do
principio do poluidor pagador. O que aliás é visto com reservas hoje em dia, porque o Estado muitas vezes
se compraz em poluir e pagar, desde de que ele esteja se desenvolvendo ele polui e paga, e é por isso que
tem outros princípios que foram adotados também para tentar frear essa ânsia pelo capital, digamos assim, e
a convenção de Montego Bay.
Aliás a arbitragem tem sido muito utilizada em áreas comerciais e na área do direito ambiental, então
são áreas que tem demonstrado muita capacidade de utilização da arbitragem: área financeira, comercial, do
direito do mar, e a obrigatoriedade da decisão está relacionada ao cumprimento do compromisso
arbitral, que é um documento que se assina, que está previsto nas convenções sobre arbitragem, que os
Estados assinam pra que a decisão que for tomada pelo arbitro, que ela seja cumprida, o que significa uma
renúncia ao poder judiciário em princípio.
Aí vocês vão perguntar, e se o Estado não renuncia? E se o Estado resolve ir ao poder judiciário?
Eu diria que o judiciário pode até aceitar a denúncia, pode aceitar o caso, mas o outro estado vai alegar que
este assumiu um compromisso arbitral e ficará muito mais difícil pra ele e para o próprio tribunal dizer que
não aceita o caso porque foi resolvido numa arbitragem.
A convenção de Montego Bay, como nós vimos também prevê a arbitragem, ou seja, muitas dessas
convenções, na hora de pensar, de regular a matéria em termos de solução de controvérsias, indicam dentre
as possibilidades, a arbitragem.
O grande problema está, também, em que os tribunais nem sempre resolvem pensando nas duas
partes, por conta da lógica do judiciário, que é dar ganho de causa a uma parte ou a outra, a menos que o
tribunal também tenha essa sensibilidade - dependendo do tribunal vai haver essa sensibilidade- mas em
geral não existe, nem no plano interno, nem no internacional, então termina a arbitragem ganhando um
incentivo entre os Estados em função disso: da capacidade do árbitro, por ser instituído pelas partes pra
tomar uma decisão.
Agora não cabe, como no plano interno, em situações em que as partes não sejam iguais, entre
Estados que não seja iguais, devendo ser iguais também na hora de estabelecer um árbitro, e devem ter
cuidados na escolha desse árbitro, mas se for entre estados que sejam muito diferentes entre si, pode ser
complicado.
Comentário: “Parece que é outro discurso de desvalorização do papel dos tribunais internacionais,
quando na verdade devia ser encaminhado no sentido de favorecimento e valorização desses tribunais, aí a
gente vê a iniciativa privada e outras empresas, enquanto os tribunais ficam simplesmente recomendatórios”.
A outra discussão é com relação a capacidade dos tribunais de processar uma quantidade muito
grande de casos, nem sempre isso corresponde porque os tribunais tem um custo, isso vale pro plano interno,
mas estamos falando aqui do plano internacional, imaginem se todos os casos fossem para os tribunais,
estamos pensando que nos caso dos tribunais internacionais então certamente as viagens são internacionais e
isso geraria um grande custo.
Pergunta: Essa convenção do Montego Bay, pode também explicar a controvérsia entre Reino Unido
e o Chile?
Resposta: Sim, pode utilizá-la também.
TRIBUNAIS = são a forma mais tradicional e a mais rápida de solucionar controvérsias. E o que é
importante aqui é chamar atenção para cláusula facultativa de jurisdição obrigatória.
A cláusula facultativa é aquela que está presente em alguns tratados, como por exemplo, a carta das
nações e também na convenção americana sobre os direitos humanos, e significa que o Estado só aceita a
jurisdição do tratado se houver uma manifestação expressa desta aceitação. Simplesmente com a ratificação
do tratado não significa que ele aceitou a jurisdição internacional. Por esta razão as decisões no âmbito da
Corte Internacional de Justiça elas não valem para todos os Estados, depende da aceitação expressa pelos
Estados. Isso explica também porque decisões em relação a Israel não são aplicadas, em relação aos Estados
Unidos também não.
O Brasil aceitou a jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos que aconteceu em 1998 e
a partir disso se juntou com outros países da América Latina, porque a Convenção Internacional de
Direitos Humanos conta com essa clausula que diz que – mais ou menos isso – o Estado só aceitará a
jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos se manifestar expressamente consentimento em
relação a esta clausula. E qual o sentido da clausula? Procura resguarda a soberania dos Estados, a
preocupação dos Estados com a perda da soberania na possibilidade de uma decisão obrigatória por parte de
um Tribunal Internacional. Estamos ainda num momento em que os Estados, sobretudo aqueles que tem
mais poder, tem preocupação em relação a isso.
Pergunta: Basta uma manifestação do Estado né? Não precisa seguir tramite de ser aprovado no
Congresso conforme os ritos de emenda constitucional né?
Resposta: Tem que haver sim a concordância por parte dos Estados. Portanto tem que haver
manifestação também por parte do Legislativo.
Pergunta: "O Brasil foi condenado no caso da Guerrilha do Araguáia? "
Jaime: "Foi".

Tem outro caso muito interessante que se chama "Women on Waves", que foi de um barco que foi alugado
por um grupo feminista para fazer campanhas pelo direito ao aborto, ai o governo de Portugal decidiu proibir
a navegação do barco. (PODE SER UM TEMA PRO MEU TRABALHO DE 2º UNIDADE)

Em outra decisão temos sobre o Al Mahdi que é o líder da Al Quaeda, que a decisão saiu não faz muito
tempo. (OUTRO TEMA MASSA!)
Pergunta: "Professor, a competência desses tribunais é absoluta? Só eles podem julgar esses casos?
Jaime: "Como assim?"
Aluna: Se nesse caso, sobre o líder da Al Quaeda, fosse submetido a outro tribunal, esse tribunal que julgou
poderia dizer: não, é minha competência.
Jaime: Não, só pode ser levado para um tribunal, é uma regra. O caso só chega no tribunal se não foi
resolvido no âmbito interno. Precisa ser uma coisa muito grave, muito flagrante e que demonstra muita
fragilidade institucional do estado, a sua justiça não funciona. Por isso que os países não precisam se
preocupar com a sua soberania se as instituições estão funcionando. Nós vemos aí casos muito sérios de
crimes contra a humanidade, de crime de genocídio, onde se busca eliminar no todo ou em parte um grupo
étnico, racial, religiosos, tem coisas assim indescritíveis. Temos também no plano interno situações muito
graves. Existem também os casos de proteção às testemunhas para que as mesmas possam depor e dar
suporte a criminalização das condutas. Um caso desses foi o do Hildebrando Pascoal, que era líder de um
grupo de extermínio que serrava as pessoas, que é uma coisa digna de tribunais internacionais, mas que foi
resolvido internamente, ele foi condenado e está cumprindo pena. Quando a justiça interna funciona, não há
motivo de se chegar ao tribunal internacional.
Aluno: Mas num caso desse, como fica pra turma buscar o cara aqui dentro, tem alguma intervenção, como é
feito isso aí?
Jaime: Tem, existem prisões hoje em dia, tanto na Holanda como na Alemanha.

Aluna: Mas os tratados não são apenas sobre os tribunais internacionais, tem vários outros aspectos.
Jaime: Um exemplo que tem uma boa relação com o que a gente ta discutindo agora é a convenção que cria
o tribunal penal internacional não admite a cláusula facultativa de jurisdição obrigatória, se não seria ainda
mais esquisito em relação aos outros tratados. Porque os outros são mais gerais, regulam a matéria, por
exemplo o estatuto da Corte Internacional de Justiça só institui uma Corte, então não caberia existir essa
cláusula, mas tem; A Convenção Americana de Direitos Humanos ela cria direitos mas institui também uma
Comissão e um Corte; Então, os Eua e o Canadá podem ser levados perante a Comissão, mas não perante a
Corte. O Brasil por muito tempo também não aceitou, ratificou a convenção em 1992 e só aceitou a
convenção em 1998. Demorou muito também por causa da Ditadura. A Corte Internacional de Justiça o
Brasil não aceitou.
Aluno: Professor, e o país pode denunciar essa cláusula facultativa, só ela, e manter o resto estabelecido?
Jaime: Pode.
Aluno: Quais seriam as repercussões desta denúncia?
Jaime: Ficaria mal visto no cenário internacional, voltaria a um momento anterior, mas pode. É só isso
mesmo, não tem nenhuma pena para o país, pois estes são diferentes de pessoas, porque se você penaliza o
país, está penalizando a população dele.

A Convenção que institui Corte Europeia de Direitos Humanos também não admite a cláusula facultativa,
tem alcance universal. Esta é uma indicação para a Corte Interamericana, que retira essa cláusula e não tem
essa competência universal, basicamente devido aos Eua e Canadá.
Aluno: Perguntaram sobre até que ponto o tribunal pode julgar. Deram o exemplo de que queriam levar o
caso do Impeachment de Dilma para ser analisado na Corte Interamericana de Direitos Humanos, se isso era
possível.
Jaime: Em princípio, é possível, existe a possibilidade, mas isso depende também da política. Hoje mesmo
saiu uma decisão sobre Lula na ONU, negando o pedido para analisarem o caso dele.

Aluno: Nesses casos, a ingerência nos estados teriam que ser muito maior. Porque uma coisa é afirmar que o
julgamento foi errado, e outra situação seria se não houvesse julgamento, a intervenção, dependendo da
situação, seria muito maior em determinado caso.
Jaime: É, no caso do Impeachment eu vejo possibilidade zero, porque houve um respeito ao rito, e isso é o
que seria visto no âmbito do tribunal. Agora no caso da decisão de Lula, se for levado a Comissão, e depois
a Corte Interamericana, depois de muito tempo pode ser que haja uma decisão, porque eu acho que
houveram decisões que foram contrárias ao que está estabelecido em lei.
Aluno: Sobre a questão da execução da pena antes do trânsito em julgado, isso poderia ser levado ao âmbito
internacional.