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10 propostas para a luta por permanência

Junto à luta contra o arrocho salarial, a 3) Aumento de 7 milhões no valor anual destinado a
batalha pela garantia do direito à bolsas estudantis, para impedir que os cotistas
permanência estudantil é central para a deixem a universidade!
Esse ano entraram 1833 estudantes cotistas via FUVEST,
mobilização dos estudantes. Pensando nisso,
que precisam de política de assistência estudantil para
humildemente buscamos contribuir para
se manter na universidade. Para contemplá-los com os
uma formulação com mais concretude de atuais Auxílio Moradia-Financeiro (R$ 400), Auxílio
propostas que consideramos necessárias e Alimentação (aproximadamente R$ 96 em créditos no
possíveis para garantirmos esse direito: bandejão) e Auxílio Livro (R$ 150), precisaríamos de R$
1) Transparência das informações sobre a 12.200.448. Esse valor é o mínimo que a reitoria
demanda de assistência estudantil e sobre precisaria aplicar para impedir a evasão desses novos
o uso dos recursos financeiros! estudantes, levando-se ainda em consideração que a
Hoje, a SAS (Superintendência de oferta de bolsas já era menor do que a demanda antes
da aprovação das cotas. Do ano passado para cá, o
Assistência Social) é responsável por
aumento nos recursos destinados para bolsas
organizar e avaliar os concorrentes para o
estudantis foi de 5 milhões. Portanto, precisamos de um
PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e aumento de no mínimo 7 milhões para garantir que os
Formação Estudantil). Entretanto, não novos alunos cotistas permaneçam na USP!
conseguimos ter acesso à informação sobre 4) Critério de até 1,5 salários mínimos para que
a quantidade de bolsas de cada tipo que é estudantes possam se inscrever para as Bolsas
disponibilizada, o número de alunos que Emergenciais da USP.
ficam sem o que demandam ou o uso dos Hoje, a USP somente aceita o cadastro para o
recursos financeiros. Por isso, reivindicamos pleiteamento de bolsas emergenciais (para os três
primeiros meses de graduação) de estudantes com
uma reunião com a SAS na qual ela
renda de até 1 salário mínimo de renda per capita na
apresente o conjunto dos números
família. Esse índice é incompatível com o custo de viver
referentes à assistência estudantil e também em SP e com os critérios da Lei de Diretrizes e Bases de
a formação de uma comissão paritária entre SP e da política de cotas sociais e raciais, que adotam a
alunos e reitoria para mapear e organizar a renda máxima de 1,5 salários mínimos.
demanda real existente. 5) Que estudantes LGBTs expulsos de casa e demais
2) Reajuste do auxílio moradia para pelo estudantes sem vínculo familiar não tenham a renda
menos R$ 535, conforme inflação de seus parentes levada em conta para o cálculo da
acumulada desde o último reajuste (de renda familiar per capita!
Hoje, toda a renda familiar é considerada, numa política
jun/2013 a abr/2018).
absurda que inviabiliza a permanência dessas pessoas
O atual valor de R$ 400,00, mantido desde
que já se encontram situação vulnerável.
2013, é totalmente insuficiente para os 6) Aceitação dos recursos dos veteranos que se
custos de morar e viver em São Paulo. inscreveram para o Edital da PAPFE 2018 até março,
Qualquer aluguel custa mais na cidade da permitindo que eles tenham acesso às bolsas de
especulação imobiliária. Quando se leva em permanência estudantil.
conta que esse auxílio é usado pelos Normalmente, as inscrições para demanda de bolsa
estudantes para outros gastos diários – já ocorrem no início de cada ano. Para 2018, a data limite
que a USP, ao contrário das universidades de inscrição se deu em novembro do ano passado, em
mudança de última hora e com pouca divulgação que
federais, não disponibiliza uma bolsa para
acarretou na não inscrição por pessoas que
esses fins – esse valor é ainda mais absurdo.
precisam de auxílio. A aceitação dos recursos desses
O reajuste, pelo menos de acordo com a estudantes é condição básica para garantir a
inflação, é urgente! permanência deles.
7) Efetivação da adoção de critério
socioeconômico para a alocação das bolsas de
PARA ALÉM DA JUSTEZA DAS PAUTAS: POR
pesquisa e extensão da universidade.
No orçamento previsto para 2018, a USP destina UM MOVIMENTO ESTUDANTIL À ALTURA DE
mais de R$37 milhões a bolsas de estudo e
pesquisa, e cerca de R$36 milhões para bolsas SEUS DESAFIOS
de permanência. Num cenário em que as bolsas
de permanência já são claramente insuficientes, Por mais justas que sejam nossas pautas, a
a própria SAS recomenda aos estudantes que
força delas se dá quando elas são apropriadas
busquem essas bolsas como complementação,
e incorporadas por amplas quantidades de
admitindo o fracasso na política de permanência
estudantes. Essa força é imprescindível para
que deveria existir. Diante disso, a adoção de
critérios socioeconômicos para bolsas de podermos impô-las às reitorias e governos.
estudo e pesquisa contribui para diminuir o Assim, precisamos fazer de nossos fóruns
tamanho do problema. espaços que verdadeiramente contribuam para
8) Devolução dos blocos K e L do CRUSP e a organização e massificação de nossas lutas.
residência estudantil em todos os campi!
A USP precisa de políticas consistentes de Para isso, precisamos construir uma nova
moradia estudantil, que não dependam da cultura política no movimento. Hoje, vemos
disponibilidade de bolsas a cada ano. Hoje, a
uma postura de guerra de todos contra todos e
maioria dos campi sequer tem residência
a todo custo, que reproduz a lógica do
universitária e, os que têm, têm uma
neoliberalismo e de fragmentação da esquerda.
disponibilidade de vagas muito abaixo da
necessária. No campus Butantã, já temos As piores consequências disso são a
prédios construídos para esse fim, os blocos K e naturalização e disseminação em nossos
L, tomados hoje pela reitoria. espaços de organização de práticas como
9) Reabertura da Creche Oeste interrupção de falas, deboches, vaias, tentativas
Apesar das orientações da justiça, a USP se de implosão da assembleia e até mesmo uso
recusa a reabrir a Creche Oeste, que garantia de força física. De diversos lados, busca-se
para muitas mães e pais estudantes o direito de ganhar a assembleia no grito, que se sobrepõe
criar seus filhos e ao mesmo tempo concluir
às possibilidades democráticas de debate.
com qualidade seu cursos.
Todos saem perdendo, e ainda mais as pessoas
10) Pela manutenção por um semestre das
menos apropriadas do movimento, mais
bolsas de permanência estudantil para
estudantes que trancam o curso diante de inseguras ou estruturalmente excluídas da
problemas de saúde física e mental. política, como mulheres, LGBTs, negritude e
Atualmente uma das condições para a juventude periférica – os que mais precisam de
manutenção das bolsas da SAS é que o permanência estudantil.
estudante esteja com a matrícula ativa, mesmo
quando este enfrenta questões de saúde física Quando somos muitos e organizados
ou mental. Isso tira dele o direito de manter suas coletivamente, podemos construir lutas e obter
condições de subsistência em momentos de
vitórias. E para sermos muitos, precisamos
maior vulnerabilidade, tornando a permanência
construir práticas políticas coerentes com
na universidade ainda mais precária.
nossos objetivos: nossos fóruns precisam ser
espaços democráticos, participativos e que
possibilitem as sínteses, o diálogo e as lutas
conjuntas. Vamos por um movimento à altura
do futuro que queremos construir!