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LÍNGUA PORTUGUESA I NOVA ORTOGRAFIA A nova ortografia entrou em vigor em 1º/1/2009, porém teremos

LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I NOVA ORTOGRAFIA A nova ortografia entrou em vigor em 1º/1/2009, porém teremos um

NOVA ORTOGRAFIA

A nova ortografia entrou em vigor em

1º/1/2009, porém teremos um período de quatro anos para a adaptação. A nova ortografia já poderá ser cobrado em seleções para cargos públicos nas questões objetivas.

O edital poderá ou não exigir que as perguntas

de português tenham como base as novas regras. De qualquer forma, o examinador precisará deixar claro no edital o que pretende, pois o que constar no

documento servirá como base para o direcionamento

da prova.

Nas provas discursivas, porém, as bancas de correção serão orientadas a aceitar ambas as formas de escrita durante o período de transição, pois as duas serão consideradas oficiais até 31 de dezembro

de 2012.

LEITURA, INTERPRETAÇÃO E ANÁLISE DE TEXTOS

– Leitura, interpretação e análise dos sig- nificados presentes num texto e relacionamento destes com o universo em que ele foi produzido.

Os concursos apresentam questões

interpretativas que têm por finalidade a identificação de um leitor autônomo. Portanto, o candidato deve compreender os níveis estruturais da língua por meio da lógica, além de necessitar de um bom léxico internalizado.

As frases produzem significados diferentes de

acordo com o contexto em que estão inseridas. Torna-

se, assim, necessário sempre fazer um confronto entre todas as partes que compõem o texto. Além disso, é fundamental apreender as informações apresentadas por trás do texto e as inferências a que ele remete. Este procedimento justifica-se por um texto ser sempre produto de uma postura ideológica do autor diante de uma temática qualquer.

Denotação e Conotação

Sabe-se que não há associação necessária entre significante (expressão gráfica, palavra)

e significado, por esta ligação representar uma convenção.

É baseado neste conceito de signo lingüístico

(significante + significado) que se constroem as noções de denotação e conotação.

O sentido denotativo das palavras é aquele

encontrado nos dicionários, o chamado sentido verdadeiro, real. Já o uso conotativo das palavras

é a atribuição de um sentido figurado, fantasioso e que, para sua compreensão, depende do contexto. Sendo assim, estabelece-se, numa determinada

construção frasal, uma nova relação entre significante

e significado. Os textos literários exploram bastante as construções de base conotativa, numa tentativa de extrapolar o espaço do texto e provocar reações diferenciadas em seus leitores. Ainda com base no signo lingüístico,

encontra-se o conceito de polissemia (que tem muitas significações). Algumas palavras, dependendo do contexto, assumem múltiplos significados, como, por exemplo, a palavra ponto: ponto de ônibus, ponto de

vista, ponto final, ponto de cruz

Neste caso, não

se está atribuindo um sentido fantasioso à palavra

ponto, e sim ampliando sua significação através de expressões que lhe completem e esclareçam o sentido.

Como Ler e Entender Bem um Texto

Basicamente, deve-se alcançar a dois níveis de leitura: a informativa e de reconhecimento e a interpretativa. A primeira deve ser feita de maneira cautelosa por ser o primeiro contato com o novo texto. Desta leitura, extraem-se informações sobre o conteúdo abordado e prepara-se o próximo nível de leitura. Durante a interpretação propriamente dita, cabe destacar palavras-chave, passagens importantes, bem como usar uma palavra para resumir a idéia central de cada parágrafo. Este tipo de procedimento aguça a memória visual, favorecendo o entendimento. Não se pode desconsiderar que, embora a interpretação seja subjetiva, há limites. A preocupação deve ser a captação da essência do texto, a fim de responder às interpretações que a banca considerou como pertinentes. No caso de textos literários, é preciso conhecer a ligação daquele texto com outras formas de cultura, outros textos e manifestações de arte da época em que o autor viveu. Se não houver esta visão global dos momentos literários e dos escritores, a interpretação pode ficar comprometida. Aqui não se podem dispensar as dicas que aparecem na referência bibliográfica da fonte e na identificação do autor. A última fase da interpretação concentra- se nas perguntas e opções de resposta. Aqui são fundamentais marcações de palavras como não, exceto, errada, respectivamente etc. que fazem diferença na escolha adequada. Muitas vezes,

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LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I em interpretação, trabalha-se com o conceito do “mais adequado”, isto é, o que
LÍNGUA PORTUGUESA I em interpretação, trabalha-se com o conceito do “mais adequado”, isto é, o que

em interpretação, trabalha-se com o conceito do “mais adequado”, isto é, o que responde melhor ao

questionamento proposto. Por isso, uma resposta pode estar certa para responder à pergunta, mas não ser a adotada como gabarito pela banca examinadora por haver uma outra alternativa mais completa. Ainda cabe ressaltar que algumas questões apresentam um fragmentodo texto transcrito para ser

a base de análise. Nunca deixe de retornar ao texto,

mesmo que aparentemente pareça ser perda de tempo. A descontextualização de palavras ou frases, certas vezes, são também um recurso para instaurar a dúvida no candidato. Leia a frase anterior e a posterior para ter idéia do sentido global proposto pelo autor, desta maneira a resposta será mais consciente e segura.

ELEMENTOS CONSTITUTIVOS

Texto Narrativo

As personagens: São as pessoas, ou seres, viventes ou não, forças naturais ou fatores ambientais, que desempenham papel no desenrolar dos fatos. Toda narrativa tem um protagonista que é

a figura central, o herói ou heroína, personagem principal da história.

O personagem, pessoa ou objeto, que se opõe

aos designos do protagonista, chama-se antagonista,

e é com ele que a personagem principal contracena

em primeiro plano. As personagens secundárias, que são chamadas também de comparsas, são os figurantes

de influencia menor, indireta, não decisiva na narração.

O narrador que está a contar a história também

é uma personagem, pode ser o protagonista ou uma

das outras personagens de menor importância, ou ainda uma pessoa estranha à história.

Podemos ainda, dizer que existem dois tipos fundamentais de personagem:

as planas: que são definidas por um traço característico, elas não alteram seu comportamento

durante o desenrolar dos acontecimentos e tendem à

caricatura;

as redondas: são mais complexas tendo uma dimensão psicológica, muitas vezes, o leitor fica surpreso com as suas reações perante os acontecimentos. • Seqüência dos fatos (enredo): Enredo é a seqüência dos fatos, a trama dos acontecimentos e das ações dos personagens. No enredo podemos

distinguir, com maior ou menor nitidez, três ou quatro estágios progressivos: a exposição (nem sempre ocorre), a complicação, o climax, o desenlace ou desfecho. Na exposição o narrador situa a história quanto à época, o ambiente, as personagens e certas circunstâncias. Nem sempre esse estágio ocorre, na maioria das vezes, principalmente nos textos literários mais recentes, a história começa a ser narrada no meio dos acontecimentos (“in média”), ou seja, no estágio da complicação quando ocorre e conflito, choque de interesses entre as personagens. O clímax é o ápice da história, quando ocorre o estágio de maior tensão do conflito entre as personagens centrais, desencadeando o desfecho, ou seja, a conclusão da história com a resolução dos conflitos.

• Os fatos: São os acontecimentos de que as

personagens participam. Da natureza dos acontecimentos apresentados decorre o gênero do texto. Por exemplo o relato de um acontecimento cotidiano constitui uma crônica, o relato de um drama social é um romance social, e assim por diante. Em toda narrativa há um fato central, que estabelece o caráter do texto, e há os fatos secundários, relacionados ao principal.

• Espaço: Os acontecimentos narrados acontecem em diversos lugares, ou mesmo em um só lugar. O texto narrativo precisa conter informações sobre o espaço, onde os fatos acontecem. Muitas vezes, principalmente nos textos literários, essas informações são extensas, fazendo aparecer textos descritivos no interior dos textos narrativo.

• Tempo: Os fatos que compõem a narrativa

desenvolvem-se num determinado tempo, que consiste na identificação do momento, dia, mês, ano ou época em que ocorre o fato. A temporalidade salienta as relações passado/presente/futuro do texto, essas relações podem ser linear, isto é, seguindo a ordem cronológica dos fatos, ou sofre inversões, quando o narrador nos diz que antes de um fato que aconteceu depois.

FORMAS DE APRESENTAÇÃO DA FALA DAS PERSONAGENS

Como já sabemos, nas histórias, as

personagens agem e falam. Há três maneiras de comunicar as falas das personagens.

• Discurso Direto: É a representação da fala das personagens através do diálogo. Exemplo:

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LÍNGUA PORTUGUESA I “Zé Lins continuou: carnaval é festa do povo. O povo é dono

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LÍNGUA PORTUGUESA I “Zé Lins continuou: carnaval é festa do povo. O povo é dono da

“Zé Lins continuou: carnaval é festa do povo. O povo é dono da verdade. Vem a polícia e começa a falar em ordem pública. No carnaval a cidade é do povo e de ninguém mais”.

No discurso direto é freqüente o uso dos verbo de locução ou descendi: dizer, falar, acrescentar, responder, perguntar, mandar, replicar e etc.; e de travessões. Porém, quando as falas das personagens são curtas ou rápidas os verbos de locução podem ser omitidos.

• Discurso Indireto: Consiste em o narrador transmitir, com suas próprias palavras, o pensamento ou a fala das personagens. Exemplo:

“Zé Lins levantou um brinde: lembrou os dias triste e passados, os meus primeiros passos em liberdade, a fraternidade que nos reunia naquele momento, a minha literatura e os menos sombrios por vir”.

• Discurso Indireto Livre: Ocorre quando a fala da personagem se mistura à fala do narrador, ou seja, ao fluxo normal da narração.

Exemplo:

“Os trabalhadores passavam para os partidos, conversando alto. Quando me viram, sem chapéu, de pijama, por aqueles lugares, deram-me bons-dias desconfiados. Talvez pensassem que estivesse doido. Como poderia andar um homem àquela hora , sem fazer nada de cabeça no tempo, um branco de pés no chão como eles? Só sendo doido mesmo”.

(José Lins do Rego)

TEXTO DESCRITIVO

Descrever é fazer uma representação verbal dos aspectos mais característicos de um objeto, de uma pessoa, paisagem, ser e etc. As perspectivas que o observador tem do objeto, é muito importante, tanto na descrição literária quanto na descrição técnica. É esta atitude que vai determinar a ordem na enumeração dos traços característicos para que o leitor possa combinar suas impressões isoladas formando uma imagem unificada. Uma boa descrição vai apresentando o objeto progressivamente, variando as partes focalizadas e associando-as ou interligando-as pouco a pouco.

Podemos encontrar distinções entre uma descrição literária e outra técnica. Passaremos a falar um pouco sobre cada uma delas:

• Descrição Literária: A finalidade maior da

descrição literária é transmitir a impressão que a coisa vista desperta em nossa mente através do sentidos. Daí decorrem dois tipos de descrição: a subjetiva, que reflete o estado de espírito do observador, suas preferências, assim ele descreve o que quer e o que pensa ver e não o que vê realmente; já a objetiva traduz a realidade do mundo objetivo, fenomênico, ela

é exata e dimensional.

• Descrição de Personagem: É utilizada para

caracterização das personagens, pela acumulação de traços físicos e psicológicos pela enumeração de seus hábitos, gestos, aptidões e temperamento, com a finalidade de situar personagens no contexto cultural, social e econômico.

• Descrição de Paisagem: Neste tipo de

descrição, geralmente o observador abrange de uma só vez a globalidade do panorama, para depois aos poucos, em ordem de proximidade, abranger as partes mais típicas desse todo.

• Descrição do Ambiente: Ela dá os detalhes

dos interiores, dos ambientes em que ocorrem as ações, tentando dar ao leitor uma visualização das, suas particularidades, de seus traços distintivos e típicos.

• Descrição da Cena: Trata-se de uma

descrição movimentada que se desenvolve progressivamente no tempo. É a descrição de um incêndio, de uma briga, de um naufrágio.

• Descrição Técnica: Ela apresenta muitas das características gerais da literatura, com a distinção de que nela se utiliza um vocabulário mais preciso, se salientando com exatidão os pormenores. É predominantemente denotativa tendo como objetivo esclarecer convencendo. Pode aplicar-se a objetos, a aparelhos ou mecanismos, a fenômenos, a fatos, a lugares, a eventos e etc.

TEXTO DISSERTATIVO

Dissertar significa discutir, expor, interpretar idéias. A dissertação consta de uma série de juízos

a respeito de um determinado assunto ou questão, e

pressupõe um exame critico do assunto sobre o qual se vai escrever com clareza, coerência e objetividade.

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LÍNGUA PORTUGUESA I A dissertação pode ser argumentativa - na qual o autor tenta persuadir o
LÍNGUA PORTUGUESA I A dissertação pode ser argumentativa - na qual o autor tenta persuadir o

A dissertação pode ser argumentativa - na

qual o autor tenta persuadir o leitor a respeito dos

seus pontos de vista, ou simplesmente, ter com finalidade dar a conhecer ou explicar certo modo de ver qualquer questão.

A linguagem usada é a referencial, centrada,

na mensagem, enfatizando o contexto.

Quanto à forma, ela pode ser tripartida em:

Introdução: Em poucas linhas coloca ao leitor

os dados fundamentais do assunto que está tratando.

É a enunciação direta e objetiva da definição do ponto

de vista do autor.

• Desenvolvimento: Constitui o corpo do texto, onde as idéias colocadas na introdução serão definidas com os dados mais relevantes. Todo desenvolvimento deve estruturar-se em

blocos de idéias articuladas entre si, de forma que

a sucessão deles resulte num conjunto coerente e

unitário que se encaixa na introdução e desencadeia a conclusão.

• Conclusão: É o fenômeno do texto, marcado pela síntese da idéia central. Na conclusão o autor reforça sua opinião, retomando a introdução e os fatos resumidos do desenvolvimento do texto. Para haver maior entendimento dos procedimentos que podem ocorrer em um dissertação, cabe fazermos a distinção entre fatos, hipótese e opinião.

- Fato: É o acontecimento ou coisa cuja

veracidade e reconhecida; é a obra ou ação que realmente se praticou.

- Hipótese: É a suposição feita a cerca de

uma coisa possível ou não, e de que se tiram diversas conclusões; é uma afirmação sobre o desconhecido, feita com base no que já é conhecido.

- Opinião: Opinar é julgar ou inserir expressões de aprovação ou desaprovação pessoal diante de acontecimentos, pessoas e objetos descritos, é um parecer particular,um sentimento que se tem a respeito de algo.

O TEXTO ARGUMENTATIVO

Baseado em Adilson Citelli.

A linguagem é capaz de criar e representar

realidades, sendo caracterizada pela identificação

de um elemento de constituição de sentidos. Os discursos verbais podem ser formados de várias maneiras, para dissertar ou argumentar, descrever ou narrar, colocamos em práticas um conjunto de referências codificadas há muito tempo e dadas como estruturadoras do tipo de texto solicitado.

Para se persuadir através de muitos recursos da língua, o que é necessário é que um texto possua um caracter argumentativo/descritivo. A construção de

um ponto de vista de alguma pessoa sobre algo, varia de acordo com a sua análise e esta se dar-se-á a partir do momento em que a compreensão do conteúdo, ou daquilo que fora tratado seja concretado. A formação discursiva é responsável pelo emassamento do conteúdo que se deseja transmitir, ou persuadir, e nele teremos a formação do ponto de vista do sujeito, suas análises das coisas e suas opiniões. Nelas, as opiniões o que fazemos é soltar concepções que tendem a ser orientadas no meio em que o indivíduo viva. Vemos que o sujeito, lança suas opiniões com

o simples e decisivo intuito de persuadir e fazer suas explanações renderem o convencimento do ponto de vista de algo/alguém.

Na escrita, o que fazemos é buscar intenções de sermos entendidos e desejamos estabelecer um

contato verbal com os ouvintes e leitores, e todas as frases ou palavras articuladas produzem significações dotadas de intencionalidade, criando assim unidades textuais ou discursivas. Dentro deste contexto da escrita, temos que levar em conta que a coerência

é de relevada importância para a produção textual,

pois nela, se dará uma seqüência das idéias, e da progressão de argumentos a serem explanadas.

Sendo a argumentação o procedimento que tornará a tese aceitável, a apresentação de argumentos atingirá os seus interlocutores em seus objetivos; isto se dará através do convencimento da persuasão. Os mecanismos da coesão e da coerência serão então responsáveis pela unidade da formação textual.

Dentro dos mecanismos coesivos, podem realizar-se em contextos verbais mais amplos, como por jogos de elipses, por força semântica, por recorrências lexicais, por estratégias de substituição de enunciados.

Um mecanismo mais fácil de fazer a comunicação entre as pessoas é a linguagem, quando ela é em forma da escrita e após a leitura, (o que ocorre agora), podemos dizer que há de ter alguém

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LÍNGUA PORTUGUESA I que transmita algo, e outro que o receba. Nesta brincadeira é que

LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I que transmita algo, e outro que o receba. Nesta brincadeira é que entra

que transmita algo, e outro que o receba. Nesta brincadeira é que entra a formação de argumentos com o intuito de persuadir para se qualificar a comunicação; nisto, estes argumentos explanados serão o germe de futuras tentativas da comunicação ser objetiva e dotada de intencionalidade, (ver Linguagem e Persuasão).

Sabe-se que a leitura e escrita, ou seja, ler e escrever; não tem em sua unidade a mono característica da dominação do idioma/língua, e sim

o propósito de executar a interação do meio e cultura de cada indivíduo.

As relações intertextuais são de grande valia para fazer de um texto uma alusão à outros textos, isto proporciona que a imersão que os argumentos dão tornem esta produção altamente evocativa.

A paráfrase é também outro recurso bastante

utilizado para trazer a um texto um aspecto dinâmico

e com intento. Juntamente com a paródia, a paráfrase

utiliza-se de textos já escritos, por alguém, e que

tornam-se algo espetacularmente incrível. A diferença

é que muitas vezes, é que a paráfrase não possui a

necessidade de persuadir as pessoas com a repetição de argumentos, e sim de esquematizar novas

formas de textos, sendo estes diferentes. A criação de um texto requer bem mais do que simplesmente

a junção de palavras a uma frase, requer algo mais

que isto. É necessário ter na escolha das palavras

e do vocabulário o cuidado de se requisitá-las, bem

como para se adotá-las. Um texto não é totalmente autoexplicativo, daí vem a necessidade de que o leitor tenha um emassado em seu histórico uma relação interdiscursiva e intertextual.

As metáforas, metomínias, onomatopéias ou figuras de linguagem, entram em ação inseridos num texto como um conjunto de estratégias capazes de contribuir para os efeitos persuasivos dele. A ironia também é muito utilizada para causar este efeito, umas de suas características salientes, é que a ironia dá ênfase à gozação, além de desvalorizar idéias, valores da oposição, tudo isto em forma de piada.

Uma das últimas, porém não menos importantes, formas de persuadir através de argumentos, é a Alusão (“Ler não é apenas

reconhecer o dito, mais também o não-dito”). Nela,

o escritor trabalha com valores, idéias ou conceitos

pré estabelecidos, sem porém com objetivos de forma clara e concisa. O que acontece é a formação de um

ambiente poético e sugerível, capaz de evocar nos

leitores algo, digamos, uma sensação

Texto Base: CITELLI, Adilson; “O Texto Argumentativo” São

Paulo SP, Editora

Scipione,

1994 - 6ª edição.

TIPOLOGIA TEXTUAL

Texto literário: expressa a opinião pessoal do autor que também é transmitida através de figuras, impregnado de subjetivismo. Ex.: um romance, um conto, uma poesia.

Texto não-literário: preocupa-se em transmitir uma mensagem da forma mais clara e objetiva possível. Ex.: uma notícia de jornal, uma bula de medicamento.

TEXTO LITERÁRIO

TEXTO NÃO-LITERÁRIO

Conotação

Figurado

Denotação Claro objetivo Informativo

subjetivo Pessoal

TIPOS DE COMPOSIÇÃO

Descrição: descrever é representar verbalmente um objeto, uma pessoa, um lugar, mediante a indicação de aspectos característicos, de pormenores individualizantes. Requer observação

cuidadosa, para tornar aquilo que vai ser descrito um modelo inconfundível. Não se trata de enumerar uma série de elementos, mas de captar os traços capazes de transmitir uma impressão autêntica. Descrever

é mais que apontar, é muito mais que fotografar. É

pintar, é criar. Por isso, impõe-se o uso de palavras específicas, exatas.

Narração: é um relato organizado de acontecimentos reais ou imaginários. São seus elementos constitutivos:

personagens, circunstâncias, ação; o seu núcleo é o

incidente, o episódio, e o que a distingue da descrição

é a presença de personagens atuantes, que estão quase sempre em conflito.

A narração envolve:

- Quem? Personagem;

- Quê? Fatos, enredo;

- Quando? A época em que ocorreram os

acontecimentos;

- Onde? O lugar da ocorrência;

- Como? O modo como se desenvolveram os acontecimentos;

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LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I - Por quê? A causa dos acontecimentos. Dissertação: dissertar é apresentar idéias,
LÍNGUA PORTUGUESA I - Por quê? A causa dos acontecimentos. Dissertação: dissertar é apresentar idéias,

- Por quê? A causa dos acontecimentos. Dissertação: dissertar é apresentar idéias,

analisá-las,éestabelecerumpontodevistabaseadoem

argumentos lógicos; é estabelecer relações de causa

e efeito. Aqui não basta expor, narrar ou descrever,

é necessário explanar e explicar. O raciocínio é que

deve imperar neste tipo de composição, e quanto maior a fundamentação argumentativa, mais brilhante será o desempenho.

PERÍFRASE

Recurso verbal que consiste em exprimir em mais palavras o que poderia ser dito em poucas. Permite conhecer um objeto por suas qualidades ou

usos e não pelo seu próprio nome. Serve para variar

a expressão, sublinhar a harmonia da frase, encobrir

alusões vulgares ou suavizar idéias desagradáveis.

Também conhecido como circunlóquio.

LÉXICO E COESÃO

A escolha lexical está relacionada à estruturação de textos. Um texto é um “tecido” de

idéias, isto é, uma rede de idéias: a uma anterior é preciso somar uma nova (que a explica, que se opõe a ela, que mostra uma conseqüência, etc.); a uma idéia expressa é preciso acrescentar mais informações; ou seja, o conjunto de informações precisa “caminhar”

e ter uma relação tal, que o texto seja manifestação

de um raciocínio (de uma seqüência de idéias). Para o leitor, devem estar claros os “laços” que se estabelecem entre o que se diz “antes” e o que se diz “depois”. Da primeira frase à última, deve haver um encadeamento, uma coesão tal que se perceba o desenvolvimento das idéias. A coesão (a “amarração” entre as idéias) é fruto, entre outras características (escolha de conectivos, advérbios, pronomes, elipse), da escolha vocabular. Optar por um sinônimo, por uma palavra de sentido mais ou menos abrangente, optar por um antônimo, fazer referência a uma idéia por meio de uma metáfora são recursos de que o falante pode lançar mão para obter coesão textual.

SINÔNIMOS E ANTÔNIMOS

A busca por uma caracterização ou definição melhor, o desejo de evitar repetições conduzem muitas vezes à escolha de sinônimos e antônimos. Ou seja, palavras de sentido próximo ou de sentido oposto são uma forma de retomar o que já foi dito. Tais empregos, no entanto, se feitos com atenção, não representam mera substituição, mas um acréscimo de informação ao leitor.

PARÁFRASE

Um texto é um conjunto de idéias organizado

e coerente. Existem dois tipos básicos de núcleo

textual: o tema e a figuração. Esses núcleos, em suas diferenças, serão estudados mais a fundo em outro momento. O importante agora é procurarmos compreender que os dois tipos mencionados necessitam igualmente de uma estrutura ordenada que permita a compreensão do leitor (sem o que, a comunicação não se estabelece).

A melhor forma de testarmos nossa capacidade de conhecer o funcionamento de uma estrutura textual e reproduzir sua organização é

fazendo uma paráfrase. Paráfrase é um texto feito

a partir das idéias de outro texto, mantendo sua

essência, mas utilizando outras palavras. Para fazer uma paráfrase, é preciso entender todas as idéias que o autor do texto original quis transmitir, em todos os seus detalhes. Veja um exemplo de paráfrase de apenas uma sentença:

“Todas as pessoas, em todos os países, adoram ter momentos de lazer.”

Paráfrase: Todo o mundo gosta demais de desfrutar dos períodos de descanso.

EXERCÍCIOS

Atenção: As questões de números 1 a 10 referem-se ao texto que segue.

No coração do progresso

Há séculos a civilização ocidental vem correndo atrás de tudo o que classifica como progresso. Essa palavra mágica aplica-se tanto à invenção do aeroplano ou à descoberta do DNA como à promoção do papai no novo emprego. “Estou

fazendo progressos”, diz a titia, quando enfim acerta

a mão numa velha receita. Mas quero chegar logo

ao ponto, e convidar o leitor a refletir sobre o sentido

dessa palavra, que sempre pareceu abrir todas as portas para uma vida melhor.

Quando, muitos anos atrás, num daqueles documentários de cinema, via-se uma floresta sendo derrubada para dar lugar a algum empreendimento, ninguém tinha dúvida em dizer ou pensar: é o

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LÍNGUA PORTUGUESA I progresso. Uma represa monumental era progresso. Cada novo produto químico era um

LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I progresso. Uma represa monumental era progresso. Cada novo produto químico era um progresso.

progresso. Uma represa monumental era progresso. Cada novo produto químico era um progresso. As coisas não mudaram tanto: continuamos a usar indiscriminadamente a palavrinha mágica. Mas não deixaram de mudar um pouco: desde que a Ecologia saiu das academias, divulgou-se, popularizou-se e tornou-se, efetivamente, um conjunto de iniciativas em favor da preservação ambiental e da melhoria das condições da vida em nosso pequenino planeta.

natural.

(B) identificado como aprimoramento tecnológico que resulte em atividade economicamente viável.

(C)

caracterizado como uma atividade que

redunde em maiores lucros para todos os indivíduos de uma comunidade.

(D)

definido como um atributo da natureza

que induz os homens a aproveitarem apenas o que é oferecido em sua forma natural.

Para isso, foi preciso determinar muito bem

(E)

aceito como um processo civilizatório que

sentido de progresso. Do ponto de vista material, considera-se ganho humano apenas aquilo que concorre para equilibrar a ação transformadora do homem sobre a natureza e a integridade da vida natural. Desenvolvimento, sim, mas sustentável:

o

implique melhor distribuição de renda entre todos os

agentes dos setores produtivos.

Questão 02

 

adjetivo exprime uma condição, para cercear as iniciativas predatórias.

o

Considere as seguintes afirmações:

 

I. A banalização do uso da palavra progresso

Cada novidade tecnológica há de ser investigada quanto a seus efeitos sobre o homem e o meio em que vive. Cada intervenção na natureza há de adequar-se a um planejamento que considere a qualidade e a extensão dos efeitos.

Em suma: já está ocorrendo, há algum tempo, uma avaliação ética e política de todas as formas de progresso que afetam nossa relação com

uma conseqüência do fato de que a Ecologia deixou de ser um assunto acadêmico. II. A expressão desenvolvimento sustentável pressupõe que haja formas de desenvolvimento nocivas e predatórias. III. Entende o autor do texto que a magia da palavra progresso advém do uso consciente e responsável que a maioria das pessoas vem fazendo dela.

é

o mundo e, portanto, a qualidade da nossa vida. Não

Em relação ao texto está correto APENAS que se afirma em

é pouco, mas ainda não é suficiente. Aos cientistas,

aos administradores, aos empresários, aos industriais

 

e

a todos nós – cidadãos comuns – cabe a tarefa

(A)

I.

cotidiana de zelarmos por nossas ações que inflectem sobre qualquer aspecto da qualidade de vida. A tarefa começa em nossa casa, em nossa cozinha e banheiro, em nosso quintal e jardim – e se estende à preocupação com a rua, com o bairro, com a cidade.

(B)) II.

 

(C)

III.

(D)

I e II.

(E)

II e III.

Questão 03

 

“Meu coração não é maior do que o mundo”, dizia o poeta. Mas um mundo que merece a atenção do nosso coração e da nossa inteligência é, certamente, melhor do que este em que estamos vivendo.

Considerando-se

o

contexto,

traduz-se

corretamente uma frase do texto em:

(A)

Mas quero chegar logo ao ponto = devo

 

me antecipar a qualquer conclusão.

 

Não custa interrogar, a cada vez que alguém diz progresso, o sentido preciso – talvez oculto - da palavra mágica empregada.

(B)

continuamos a usar indiscriminadamente

palavrinha mágica = seguimos chamando de mágico tudo o que julgamos sem preconceito.

a

 

(C)

para cercear as iniciativas predatórias =

Alaor Adauto de Mello

para ir ao encontro das ações voluntariosas. (D) ações que inflectem sobre qualquer aspecto da qualidade da vida = práticas alheias ao que diz respeito às condições de vida.

(E)) há de adequar-se a um planejamento = deve ir ao encontro do que está planificado. Questão 04 Cada intervenção na natureza

Questão 01 Centraliza-se, no texto, uma concepção de progresso, segundo a qual este deve ser (A) equacionado como uma forma de equilíbrio entre as atividades humanas e o respeito ao mundo

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LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I há de adequar-se a um planejamento pelo qual se garanta que a qualidade
LÍNGUA PORTUGUESA I há de adequar-se a um planejamento pelo qual se garanta que a qualidade

há de adequar-se a um planejamento pelo qual se garanta que a qualidade da vida seja preservada.

   

Considere as seguintes afirmações, relativas a aspectos da construção ou da expressividade do texto:

Os tempos e os modos verbais da frase acima continuarão corretamente articulados caso se substituam as formas sublinhadas, na ordem em que surgem, por

I. No contexto do segundo parágrafo, a forma plural não mudaram tanto atende à concordância com academias. II. No contexto do terceiro parágrafo, a expressão há de adequar-se exprime um dever imperioso, uma necessidade premente. III. A expressão Em suma, tal como empregada no quarto parágrafo, anuncia a abertura de uma linha de argumentação ainda inexplorada no texto.

(A)

houve - garantiria - é

(B)

haveria - garantiu - teria sido

(C)

haveria - garantisse - fosse

(D)

haverá - garantisse - e

(E)

havia - garantiu - é

 

Questão 05 As normas de concordância verbal estão plenamente respeitadas na frase:

   

Está correto APENAS o que se afirma em

(A)

I.

(B)) II.

 
 

(C)

III.

(A)

Já faz muitos séculos que se vêm

(D)

I e II.

atribuindo à palavra progresso algumas conotações mágicas.

 

(E)

II e III.

(B)

Deve-se ao fato de usamos muitas

Questão 08

 

palavras sem conhecer seu sentido real muitos equívocos ideológicos.

   

A palavra progresso freqüenta todas as bocas, todas pronunciam a palavra progresso, todas atribuem a esas palavra sentidos mágicos que elevam essa palavra ao patamar dos nomes miraculosos.

(C)

Muitas coisas a que associamos o sentido

de progresso não chega a representarem, de fato, qualquer avanço significativo.

 

(D)

Se muitas novidades tecnológicas

 

houvesse de ser investigadas a fundo, veríamos que são irrelevantes para a melhoria da vida.

   

Evitam-se as repetições viciosas da frase acima substituindo-se os elementos sublinhados, na ordem dada, por:

(E)

Começam pelas preocupações com nossa

casa, com nossa rua, com nossa cidade a tarefa de

   

zelarmos por uma boa qualidade da vida. 6. Está correto o emprego de ambas as expressões sublinhadas na frase:

 

(A)

a pronunciam - lhe atribuem - a elevam

 

(B)

a pronunciam - atribuem-na - elevam-na

(C)

lhe pronunciam - lhe atribuem - elevam-lhe

(A) De tudo aquilo que classificamos como progresso costumamos atribuir o sentido de um tipo de ganho ao qual não queremos abrir mão.

(D)

a ela pronunciam - a ela atribuem - lhe elevam

(E)

pronunciam-na - atribuem-na - a elevam

 

(B)

É preferível deixar intacta a mata selvagem

 

Questão 09

 

do que destruí-la em nome de um benefício em que quase ninguém desfrutará.

 

Está clara e correta a redação da seguinte

(C)

A titia, cuja a mão enfim acertou numa

 

frase:

 

velha receita, não hesitou em ver como progresso a

   

operação à qual foi bem sucedida.

 

(A)

Caso não se determine bem o sentido da palavra

(D)

A precisão da qual se pretende identificar

progresso, pois que é usada indiscriminadamente, ainda assim se faria necessário que reflitamos sobre seu verdadeiro sentido.

o sentido de uma palavra depende muito do valor de

 

contexto a que lhe atribuímos.

(E)As

inovações tecnológicas de cujo benefício

(B)

Ao dizer o poeta que seu coração não é maior

todos se aproveitam representam, efetivamente, o avanço a que se costuma chamar progresso.

 

do que o mundo, devemos nos inspirar para que se estabeleça entre este e o nosso coração os compromissos que se reflitam numa vida melhor.

 

(C)

Nada é desprezível no espaço do mundo, que não

Questão 07

 

mereça nossa atenção quanto ao fato de que sejamos responsáveis por sua melhoria, seja o nosso quintal,

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LÍNGUA PORTUGUESA I nossa rua, enfim, onde se esteja. (D) Todo desenvolvimento definido como sustentável

LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I nossa rua, enfim, onde se esteja. (D) Todo desenvolvimento definido como sustentável exige,

nossa rua, enfim, onde se esteja. (D) Todo desenvolvimento definido como sustentável exige, para fazer jus a esse adjetivo, cuidados

especiais com o meio ambiente, para que não venham

São Paulo de São Carlos.

A Justiça é o meio mais promissor, em longo prazo, para desestimular os protestos abusivos que param o trânsito nos horários mais inconvenientes

a

ser nocivos seus efeitos imediatos ou futuros.

(E) Tem muita ciência que, se saísse das limitações acadêmicas, acabariam por se revelarem mais úteis e mais populares, em vista da Ecologia, cujas conseqüências se sente mesmo no âmbito da vida prática.

e

acarretam variados transtornos a milhões de

pessoas. É adequada a atitude da CET de enviar sistematicamente ao Ministério Público relatórios com os prejuízos causados em cada manifestação feita fora de horários e locais sugeridos pela agência ou sem comunicação prévia.

 

Questão 10

Está inteiramente correta a pontuação do seguinte período:

Com base num documento da CET, por exemplo, a Procuradoria acionou um líder de sindicato, o qual foi condenado em primeira instância a pagar R$ 3,3 milhões aos cofres públicos, a título de reparação. O direito à livre manifestação está previsto na Constituição. No entanto, tal direito não anula a responsabilização civil e criminal em caso de danos provocados pelos protestos.

O poder público deveria definir, de preferência em negociação com as categorias que costumam

 

(A)

Toda vez que é pronunciada, a palavra

progresso, parece abrir a porta para um mundo, mágico de prosperidade garantida. (B) Por mínimas que pareçam, há providências inadiáveis, ações aparentemente irrisórias, cuja

execução cotidiana é, no entanto, importantíssima.

 

(C)

O prestígio da palavra progresso, deve-se

realizar protestos na capital, horários e locais vedados

em grande parte ao modo irrefletido, com que usamos

às

passeatas. Práticas corriqueiras, como a paralisia

abusamos, dessa palavrinha mágica. (D) Ainda que traga muitos benefícios, a construção de enormes represas, costuma trazer

e

de

avenidas essenciais para o tráfego na capital nos

horários de maior fluxo, deveriam ser abolidas.

também uma série de conseqüências ambientais que, nem sempre, foram avaliadas.

 

(Folha de S.Paulo, 29.09.07. Adaptado)

Não há dúvida, de que o autor do texto

aderiu a teses ambientalistas segundo as quais, o conceito de progresso está sujeito a uma permanente avaliação.

(E)

Questão 11 De acordo com o texto, é correto afirmar que

(A)

a Companhia de Engenharia de Tráfego não sabe

Leia o texto a seguir para responder às questões de números 11 a 24. De um lado estão os prejuízos e a restrição de direitos causados pelos protestos que param as ruas de São Paulo. De outro está o direito à livre manifestação, assegurado pela Carta de 1988. Como não há fórmula perfeita de arbitrar esse choque entre garantias democráticas fundamentais, cabe lançar mão de medidas pontuais – e sobretudo de bom senso.

mensurar o custo dos protestos ocorridos nos últimos anos. (B) os prejuízos da ordem de R$ 3 milhões em razão dos engarrafamentos já foram pagos pelos manifestantes.

(C)

os protestos de rua fazem parte de uma sociedade

democrática e são permitidos pela Carta de 1988.

(D)

após a multa, os líderes de sindicato resolveram

organizar protestos de rua em horários e locais

predeterminados.

(E)

o Ministério Público envia com freqüência estudos

 

sobre os custos das manifestações feitas de forma

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) estima em R$ 3 milhões o custo para a população dos protestos ocorridos nos últimos três anos na capital paulista. O cálculo leva em conta o combustível consumido e as horas perdidas de trabalho durante os engarrafamentos causados por protestos. Os carros enfileirados por conta de manifestações nesses três anos praticamente cobririam os 231 km que separam

abusiva.

Questão 12 No primeiro parágrafo, afirma-se que não há fórmula perfeita para solucionar o conflito entre manifestantes e os prejuízos causados ao restante da população. A saída estaria principalmente na

(A)

sensatez.

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LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I (B) Carta de 1998. De acordo com o texto, a atitude da Companhia
LÍNGUA PORTUGUESA I (B) Carta de 1998. De acordo com o texto, a atitude da Companhia

(B)

Carta de 1998.

De acordo com o texto, a atitude da Companhia de Engenharia de Tráfego de enviar periodicamente relatórios sobre os prejuízos causados em cada manifestação é

(C)

Justiça.

(D)

Companhia de Engenharia de Tráfego.

(E)

na adoção de medidas amplas e profundas.

Questão 13

 

(A)

pertinente.

 

(B)

indiferente.

De acordo com o segundo parágrafo do texto, os protestos que param as ruas de São Paulo representam um custo para a população da cidade. O cálculo desses custos é feito a partir

(C)

irrelevante.

(D)

onerosa.

(E)

inofensiva.

Questão 17

 

(A)

das multas aplicadas pela Companhia de

 

Engenharia de Tráfego (CET).

No quarto parágrafo, o fato de a Procuradoria condenar um líder sindical

 

(B)

dos gastos de combustível e das horas de

trabalho desperdiçadas em engarrafamentos.

 
 

(C)

da distância a ser percorrida entre as

(A)

é ilegal e fere os preceitos da Carta de 1998.

cidades de São Paulo e São Carlos.

(B)

deve ser comemorada, ainda que viole a

 

(D)

da quantidade de carros existentes entre a

Constituição.

 

capital de São Paulo e São Carlos.

(C)

é legal, porque o direito à livre manifestação não

 

(E)

do número de usuários de automóveis

isenta o manifestante da responsabilidade pelos danos causados.

particulares da cidade de São Paulo.

(D)

é nula, porque, segundo o direito à livre

Questão 14 A quantidade de carros parados nos engarrafamentos, em razão das manifestações na cidade de São Paulo nos últimos três anos, é equiparada, no texto,

manifestação, o acusado poderá entrar com recurso.

(E)

é inédita, porque, pela primeira vez, apesar dos

direitos assegurados, um manifestante será punido.

 

Questão18

(A)

a R$ 3,3 milhões.

Dentre as soluções apontadas, no último parágrafo, para resolver o conflito, destaca-se

(B)

ao total de usuários da cidade de São Carlos.

(C)

ao total de usuários da cidade de São Paulo.

 

(D)

ao total de combustível economizado.

(A)

multa a líderes sindicais.

(E)

a uma distância de 231 km.

(B)

fiscalização mais rígida por parte da Companhia

 

de Engenharia de Tráfego.

Questão 14 No terceiro parágrafo, a respeito do poder da Justiça em coibir os protestos abusivos, o texto assume um posicionamento de

(C)

o fim dos protestos em qualquer via pública.

(D)

fixar horários e locais proibidos para os protestos

de rua.

 

(E)

negociar com diferentes categorias para que não

 

façam mais manifestações.

(A)

indiferença, porque diz que a decisão não cabe à

Justiça.

 

Questão 19 No trecho – É adequada a atitude da CET de enviar relatórios –, substituindo-se o termo atitude por comportamentos, obtém-se, de acordo com as regras gramaticais, a seguinte frase:

(B)

entusiasmo, porque acredita que o órgão já tem

poder para impedir protestos abusivos.

(C) decepção, porque não vê nenhum exemplo concreto do órgão para impedir protestos em horários de pico. (D) confiança, porque acredita que, no futuro, será uma forma bemsucedida de desestimular protestos abusivos.

(A)

É adequada comportamentos da CET de enviar

relatórios.

 

(B)

É adequado comportamentos da CET de enviar

(E)

satisfação, porque cita casos em que a Justiça

relatórios.

 

já teve êxito em impedir protestos em horários inconvenientes e em avenidas movimentadas.

(C)

São adequado os comportamentos da CET de

enviar relatórios.

 

Questão 16

(D)

São adequadas os comportamentos da CET de

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LÍNGUA PORTUGUESA I enviar relatórios. (E) São adequados os comportamentos da CET de enviar relatórios.

LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I enviar relatórios. (E) São adequados os comportamentos da CET de enviar relatórios. Questão

enviar relatórios.

(E) São adequados os comportamentos da CET de

enviar relatórios.

Questão 20 No trecho – No entanto, tal direito não anula a responsabilização civil e criminal em caso de danos provocados pelos protestos –, a locução conjuntiva no entanto indica uma relação de

(A)

causa e efeito.

(B)

oposição.

(C)

comparação.

(D)

condição.

(E)

explicação.

Questão 21

“Não há fórmula perfeita de arbitrar esse

choque.” Nessa frase, a palavra arbitrar é um sinônimo de (A) julgar.

(B)

almejar.

(C)

condenar.

(D)

corroborar.

(E)

descriminar.

Questão 22 No trecho – A Justiça é o meio mais promissor para desestimular os protestos abusivos – a preposição para estabelece entre os termos uma relação de

(A)

tempo.

(B)

posse.

(C)

causa.

(D)

origem.

(E)

finalidade.

Questão 23 Na frase – O poder público deveria definir horários e locais –, substituindo- se o verbo definir por obedecer, obtém-se, segundo as regras de regência verbal, a seguinte frase:

(A) O poder público deveria obedecer para horários e

locais.

(B) O poder público deveria obedecer a horários e

locais. (C) O poder público deveria obedecer horários e locais.

(D) O poder público deveria obedecer com horários e

locais.

(E) O poder público deveria obedecer os horários e

locais.

Questão 24

Transpondo para a voz passiva a frase – A Procuradoria acionou um líder de sindicato – obtém-

se:

(A)

Um líder de sindicato foi acionado pela

Procuradoria. (B) Acionaram um líder de sindicato pela Procuradoria.

(C) Acionaram-se um líder de sindicato pela

Procuradoria.

(D) Um líder de sindicato será acionado pela

Procuradoria. (E) A Procuradoria foi acionada por um líder de sindicato.

Atenção: As questões de números 25 a 34 baseiam- se no texto apresentado abaixo.

O futuro do nosso petróleo

A recente confirmação da descoberta, anunciada inicialmente em 2006, de reservas expressivas de petróleo leve de boa qualidade e gás na Bacia de Santos é uma notícia auspiciosa para

todos os brasileiros. A possibilidade técnica de extrair petróleo a mais de 6 mil metros de profundidade eleva

o prestígio que a Petrobras já detém, com reconhecido mérito, no restrito clube das megaempresas mundiais

de petróleo e energia, onde é vista como a pequena,

mas muito respeitada, irmã. [

O Brasil tem uma grande oportunidade à frente, por dois motivos. Mais do que com dificuldades de exploração e de extração, o mundo sofre com a falta de capacidade de refino moderno, para produzir derivados com baixos teores de enxofre e aromáticos. Ao mesmo tempo, confirma-se em nosso hemisfério

a cruel realidade de que as reservas de gás de Bahia

Blanca, ao sul de Buenos Aires, se estão esgotando. Isso sem contar o natural aumento da demanda

argentina por gás. Estas reservas têm sido, até agora,

a grande fonte de suprimento de resinas termoplásticas para toda a região, sendo cerca de um terço delas destinado ao Brasil. A delimitação do Campo de Tupi

e outros adjacentes na Bacia de Santos vem em ótima

hora, quando estes dois fantasmas nos assombram, abrindo, ao mesmo tempo, novas oportunidades. O gás associado de Tupi, na proporção de 15% das reservas totais, é úmido e rico em etano, excelente matéria-prima para a petroquímica. Queimá-lo em usinas térmicas para gerar eletricidade ou para uso veicular seria um enorme desperdício. Outra oportunidade reside em investimentos maciços em capacidade de refino. O mundo está sedento por gasolina e diesel especiais, mais limpos,

]

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LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I menos poluentes. O maior foco desta demanda são os Estados Unidos, que consomem
LÍNGUA PORTUGUESA I menos poluentes. O maior foco desta demanda são os Estados Unidos, que consomem

menos poluentes. O maior foco desta demanda são os Estados Unidos, que consomem 46% de toda a gasolina do planeta, mas esta é uma tendência que se vem espalhando como fogo em palha. O Brasil ainda tem a felicidade de dispor de etanol de biomassa produzido de forma competitiva, que pode somar-se aos derivados de petróleo para gerar produtos de alto valor ambiental.

(Adaptado de Plínio Mario Nastari. O Estado de S. Paulo,

Questão 25 Queimá-lo em usinas térmicas para gerar eletricidade ou para uso veicular seria um enorme desperdício. (final do 2º parágrafo). A opinião do articulista no segmento transcrito acima se justifica pelo fato de que

(A) na Argentina, além de haver aumento da demanda

por petróleo, as reservas de gás encontram-se em processo de esgotamento.

(B) os Estados Unidos são os maiores consumidores

da gasolina produzida no planeta, tendência que ainda vem aumentando.

(C) as possibilidades técnicas de extração de petróleo

a mais de 6 mil metros de profundidade ampliam o prestígio mundial da Petrobras. (D) as reservas recém-descobertas na Bacia de Santos contêm gás de excelente qualidade para a indústria petroquímica.

(E) o Brasil dispõe de etanol de biomassa que, somado

aos derivados de petróleo, diminui a poluição do meio ambiente.

Questão 26 O Brasil tem uma grande oportunidade à frente, por dois motivos. (início do 2º parágrafo) Ocorre no contexto a retomada da afirmativa acima na frase:

(A) Mais do que com dificuldades de exploração e de

extração

(B) para produzir derivados com baixos teores de

enxofre e aromáticos.

(C) Estas reservas têm sido, até agora, a grande fonte

de suprimento de

resinas termoplásticas para toda a região

(D) Estas reservas têm sido, até agora, a grande fonte

de suprimento de reservas termoplásticas (E) A delimitação do Campo de Tupi e outros adjacentes na Bacia de Santos vem em ótima hora, quando estes dois fantasmas nos assombram

Questão 27

Isso sem contar o natural aumento da demanda argentina por gás. (2º parágrafo) O pronome grifado substitui corretamente, considerandose o contexto,

(A) as dificuldades de exploração e extração de

petróleo.

(B)

o esgotamento das reservas argentinas de gás.

(C)

a produção de derivados com baixos teores de

enxofre e aromáticos.

(D) a grande oportunidade comercial que o Brasil tem

pela frente.

(E) a exportação de gás da Argentina para o Brasil.

Questão 28 O emprego das vírgulas assinala a ocorrência de uma ressalva em:

(A) onde é vista como a pequena, mas muito

respeitada, irmã.

(B) que a Petrobras já detém, com reconhecido

mérito, no restrito clube

(C) de que as reservas de gás de Bahia Blanca, ao

sul de Buenos Aires, se estão esgotando.

(D)

abrindo, ao mesmo tempo, novas oportunidades.

(E)

O gás associado de Tupi, na proporção de 15%

das reservas totais, é úmido e rico em etano

Questão 29 Mais do que com dificuldades de exploração e de extração, o mundo sofre com a falta de capacidade de refino moderno, para produzir derivados com baixos teores de enxofre e aromáticos. (2o parágrafo) A afirmativa acima aparece reescrita em outras palavras, com clareza e correção, sem alteração do sentido original, em:

(A) São maiores as dificuldades de exploração e de

extração de petróleo no mundo, além da capacidade

de refino moderno, com baixos teores de enxofre e aromáticos.

(B) A necessidade de refino moderno para produzir

derivados com baixos teores de enxofre e aromáticos

iguala as dificuldades de extração e de produção.

(C) A falta de capacidade de refino moderno para a

produção de derivados com baixos teores de enxofre

e aromáticos supera as dificuldades de exploração e de extração do petróleo.

(D) As dificuldades de exploração e de extração no

mundo estão na capacidade de refino moderno, para produzir petróleo com baixos teores de enxofre e

aromáticos.

(E) A exploração e a extração de petróleo no mundo

sofre com a falta de capacidade de refino moderno,

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LÍNGUA PORTUGUESA I com aromáticos. derivados com baixos teores de enxofre e Questão 30 que

LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I com aromáticos. derivados com baixos teores de enxofre e Questão 30 que consomem

com

aromáticos.

derivados

com

baixos

teores

de

enxofre

e

Questão 30 que consomem 46% de toda a gasolina do

planeta

(3º parágrafo)

 

O

mesmo tipo de complemento exigido pelo

verbo grifado acima está na frase:

(A) o mundo sofre com a falta de capacidade de

refino moderno

(B) e outros adjacentes na Bacia de Santos vem em

ótima hora

(C) Outra oportunidade reside em investimentos

maciços em capacidade de refino.

(D) mas esta é uma tendência que se vem

espalhando como fogo em palha.

(E) para gerar produtos de alto valor ambiental.

Questão 31

O

mundo está sedento por gasolina e diesel

especiais

(3º parágrafo)

O

mesmo tipo de regência exigido pelo termo

grifado acima encontra-se na expressão:

(A)

notícia auspiciosa para todos os brasileiros.

(B)

de reservas expressivas de petróleo leve de boa

qualidade.

(C) no restrito clube das megaempresas mundiais de

petróleo e energia.

(D)

as reservas de gás de Bahia Blanca.

(E)

resinas termoplásticas para toda a região.

Questão 32

O termo grifado que poderia ser corretamente

empregado na forma de feminino plural, sem alteração do sentido original, é:

(A) A recente confirmação da descoberta, anunciada inicialmente em 2006

(B) é uma notícia auspiciosa para todos os

brasileiros.

(C) A possibilidade técnica de extrair petróleo a mais

de 6 mil metros de profundidade

(D)

sendo cerca de um terço delas destinado ao

Brasil.

(E)

de dispor de etanol de biomassa produzido de

forma competitiva

Questão 33 de que as reservas de gás de Bahia Blanca, ao sul de Buenos Aires, se estão esgotando. (2o parágrafo) A forma verbal grifada acima pode ser corretamente substituída, sem prejuízo do sentido original, por:

(A)

está para esgotar.

(B)

vai ser esgotado.

(C)

estão sendo esgotadas.

(D)

vinham sendo esgotadas.

(E)

vem esgotando.

Questão 34

A

concordância

verbo-nominal

inteiramente correta na frase:

está

(A) Urge que seja definido as metas de oferta de

energia em quantidade suficiente e preço adequado,

para impulsionar o desenvolvimento do país.

(B) É imprescindível que se cumpram os acordos

firmados em relação à oferta de energia e aos preços

adequados, e que se atenda ao aumento da demanda.

(C) Uma política fiscal aplicada sobre as ofertas de

energia devem controlar o cumprimento dos contratos

que se estabeleceu nesse setor.

(D) Os países importadores de derivados de petróleo

paga o preço estabelecido na Europa, o que gera efeitos negativos na economia.

(E) Existe metas brasileiras que foram estabelecidas

em relação à autosuficiência em petróleo e o momento oferece a oportunidade de cumpri-las satisfatoriamente.

OS GÊNEROS LITERÁRIOS

os gêneros não são espartilhos

sufocantes nem moldes fixos, mas estruturas que a tradição milenar ensina serem básicas para a expressão do pensamento e de certas formas de ver a realidade circundante. Sua função é orientado, guiadora e simplificadora.”

“(

)

(MOISÉS, Massaud. A criação literária. São Paulo: Melhoramentos,

1971. p.38.)

“Aclassificação da literatura em gêneros, como

toda classificação, é feita a partir de determinados

Um critério,

baseado no fator ritmo, permite a divisão do universo da produção literário em dois gêneros, chamados prosa e poesia; o outro, baseado no fator história, permite a divisão em três gêneros, chamados lírico, narrativo e dramático”.

critérios ou pontos de referência. (

)

(ACÍZELO, Roberto. Introdução aos termos literários. Rio de Janeiro: EdUERJ, 1999, p. 15)

CONCEITO

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LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I Percebemos que a Literatura pode ser entendida como uma expressão de arte em
LÍNGUA PORTUGUESA I Percebemos que a Literatura pode ser entendida como uma expressão de arte em

Percebemos que a Literatura pode ser entendida como uma expressão de arte em linguagem verbal. Os textos literários assumem formas diferentes, mas que podem ser organizadas a partir de características semelhantes. Ao analisarmos essas formas, estamos estudando os gêneros literários.

Gênero é a maneira pela qual os conteúdos literários organizam-se em uma forma.

A primeira divisão formal dos gêneros é grega

e foi feita por Aristóteles, em sua Arte Poética. Na obra, o filósofo delimita a presença de três gêneros: o épico, o dramático e o lírico. Ainda hoje são assim divididos os gêneros, com ressalva de uma adaptação:

o épico é, na atualidade, visto como gênero narrativo.

CLASSIFICAÇÃO DOS GÊNEROS LITERÁRIOS

Os gêneros são organizados de acordo com a expressão de determinada experiência humana. É no- tório que alguns textos literários têm por objetivo de- talhar o desenvolvimento de ações, outros exprimem os desejos e sentimentos humanos. É a partir de obje- tivos semelhantes que iremos classificar os gêneros.

O GÊNERO ÉPICO

Canto I

As armas* e os Barões* assinalados*, Que, da Ocidental praia Lusitana, Por mares nunca dantes navegados, Passaram ainda além da Taprobana*, Em perigos e guerras esforçados. Mais do que prometia a força humana,

E entre gente remota* edificaram

Novo Reino*, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas

Daqueles Reis* que foram dilatando

A Fé, o Império, e as terras viciosas*

De África e de Ásia andaram devastando,

E aqueles que por obras valerosas

Se vão da lei da Morte libertando:

Cantando espalharei por toda parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte. Cessem do sábio Grego* e do Troiano* As navegações grandes que fizeram; Cale-se de Alexandro e de Trajano

A fama das vitórias que tiveram;

Que eu canto o peito ilustre Lusitano,

A quem Neptuno e Marte obedeceram.

Cesse tudo o que a Musa antiga canta, Que outro valor mais alto se alevanta.

(Luís de Camões, Os Lusíadas)

VOCABULÁRIO

Armas- forças militares Barões- o mesmo que varões, homens assinalados - célebres. Há também conotação religio- sa: assinalados são aqueles com “sinal divino”. Ca- mões associa os feitos marítimos à expansão da fé cristã. Trapobana - ilha localizada no Oceano Índico; atual Sri Lanka. Gente remota - povos de lugares distantes. Novo Reino - Império Português na Ásia. Daqueles Reis - os reis da história de Portugal. Terras viciosas - as terras da Ásia e da África, não cristanizadas e, portanto, tidas como viciosas. Sábio Grego - referência a Ulisses. Troiano - referência a Enéias. Ao lermos o Canto I de Os Lusíadas, já podemos ter noção do que abordará o livro: narrará “a glória do povo navegador português” e a memória dos reis que “foram ditando a Fé, o Império”. Vasco da Gama, comandante da expedição marítima que “descobriu” o caminho para as Índias em 1498, é o herói da epopeia. A narrativa envolve as façanhas dos navegantes portugueses, suas lutas, os perigos enfrentados, além de abordar a história portuguesa desde a independência alcançada por Afonso Henriques até o governo de D. Manuel. Em 8816 versos, distribuídos em 10 Cantos, estamos diante da obra considerada o mais importante poema épico escrito em língua portuguesa. É a partir disso que conseguimos delinear as primeiras características do gênero épico. Nos poemas épicos, são temas os feitos grandiosos relacionados a personagens heroicos. São poemas que objetivam narrar. Além disso, é perceptível a fusão de elementos da vida terrena com elementos lendários e mitológicos. Apesar de mantida a individualidade do herói, os personagens de uma epopeia cumprem a função mais importante: a de representar sentimentos e valores coletivos. As ações heroicas são, portanto, uma simbologia dos valores e das virtudes do povo que representam. Destaca-se, ainda, que o gênero épico é bastante caracterizado por apresentação de fatos, através de descrições minuciosas. Os heróis são qualificados de maneira sublime, sempre grandiloquentes e poderosos. É também importante assinalar que as epopeias selecionam que passagens narrar de uma história maior (esse é o caso da Ilíada,

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LÍNGUA PORTUGUESA I que conta a ira de Aquiles durante a Guerra de Tróia). Os

LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I que conta a ira de Aquiles durante a Guerra de Tróia). Os principais

que conta a ira de Aquiles durante a Guerra de Tróia). Os principais exemplos de epopeia, além de Os Lusíadas, são: Ilíada e Odisseia, de Homero; Eneida, de Virgílio.

O GÊNERO NARRATIVO

Como já vimos, Aristóteles não abordou o narrativo em suas primeiras considerações sobre os gêneros. Era ele representado pelo épico. Modernamente, estuda-se o épico, porém a maior ênfase é aplicada ao gênero narrativo, que pode ser considerado uma variante do primeiro. Como gênero narrativo, entendemos a presença de um narrador que conta uma história em que personagens se envolvem em ações que transcorrem em um espaço, durante um tempo determinado. Observe o exemplo:

Seriam pouco mais ou menos onze da

manhã, quando o batelão de Augusto abordou à ilha

Embarcando às dez horas, ele designou ao seu

palinuro o lugar a que se destinava, e deitou-se para ler mais à vontade o Jornal do Comércio. Soprava vento fresco e, muito antes do que supunha, Augusto ergueu-se, ouvindo a voz de Leopoldo que o esperava na praia.

de

— Bem-vindo sejas, Augusto. Não sabes o que tens perdido

— Então

— Não: pouca; mas escolhida.

muita gente, Leopoldo?

No entanto, Augusto pagou, despediu o seu bateleiro, que se foi remando e cantando com seus companheiros. Leopoldo deu-lhe o braço, e, enquanto por uma bela avenida, orlada de coqueiros,

se dirigiam à elegante casa que lhes ficava a trinta braças do mar, o curioso estudante recém-chegado examinava o lindo quadro que a seus olhos tinha e do qual, para não sermos prolixos, daremos ideia

é tão pitoresca como

pequena. A casa da avó de Filipe ocupa exatamente

o centro dela. A avenida por onde iam os estudantes

a divide cm duas metades, das quais a que fica à

esquerda de quem desembarca, está simetricamente coberta de belos arvoredos, estimáveis ou pelos frutos de que se carregam, ou pelo aspecto curioso que oferecem. A que fica à mão direita é mais notável ainda: fechada do lado do mar por uma longa fila de rochedos, e no interior da ilha por negras grades de ferro, está adornada de mil flores, sempre brilhantes e viçosas, graças à eterna primavera desta nossa boa terra de Santa Cruz. De tudo isto se conclui que a avó de Filipe tem no lado direito de sua casa um pomar e

em duas palavras. A ilha de

no esquerdo um jardim. (

)”

(MACEDO, Joaquim Manoel de. A Moreninha)

OS TIPOS DE TEXTOS NARRATIVOS

São cinco os tipos principais de gênero

narrativo: o romance, a novela, a fábula, o conto e a crônica.

O romance é a narrativa que apresenta

um acontecimento ficcional em torno de várias personagens, vários núcleos narrativos. Pode tratar

de temas de diversas naturezas, o que irá classificá-lo

como romance policial, histórico, regionalista. Fruto da

ascensão da burguesia entre os séculos XVIII e XIX, o romance é considerado a mais importante tipologia do gênero narrativo modernamente.

Novela é uma narrativa com menos núcleos que a primeira. Essa tipologia apresenta vários conflitos

e é caracterizada pela sequência dos episódios.

Normalmente, o início de uma novela já transmite

ao leitor uma noção do que vai se desenvolver na

narrativa, o que não acontece no romance: para visualizá-lo, é necessário ler capítulo a capítulo.

Já a fábula é uma narrativa com estrutura

simples e pequena duração. O enredo por ela utilizado tem caráter moralizante, ou seja, transmite

princípios de natureza moral e ética, muitas vezes se apropriando do recurso da personificação para fazer de animais seus personagens. Se os personagens apresentados forem elementos inanimados, a fábula recebe o nome de apólogo. O conto, por sua vez, é a narrativa caracterizada por um conflito único e que apresenta poucos personagens. É a mais breves das expressões narrativas, centrada em um episódio da vida. Tem por objetivo criar um efeito em seu leitor (surpresa, dúvida, reflexão, medo) A tensão é um elemento frequente do conto, que concentra e une os fatos narrados. É preciso destacar também que esse tipo

de texto é caracterizado pela concisão.

Por último, consideremos a crônica. A derivação do radical grego crono, que significa tempo,

já nos deixa clara a principal característica da tipologia:

relato de acontecimentos do tempo de hoje, ou seja,

relato de fatos do cotidiano. Desde o Romantismo,

no séc. XIX, a crônica se caracterizou por ser uma seção de jornal ou revista, escrita em linguagem leve

e acessível, em que se comentam acontecimentos do

dia-a-dia. Para o jornalista Nilson Lage, “Crônica é um texto desenvolvido de forma livre e pessoal, a partir de acontecimentos de atualidade ou situações de permanente interesse humano. É gênero literário que

busca ultrapassar, pelo tratamento artístico, o que é

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LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I racionalmente deduzido dos fatos.” OS ELEMENTOS DA NARRATIVA A construção de um texto
LÍNGUA PORTUGUESA I racionalmente deduzido dos fatos.” OS ELEMENTOS DA NARRATIVA A construção de um texto

racionalmente deduzido dos fatos.”

OS ELEMENTOS DA NARRATIVA

A construção de um texto narrativo requer uma preocupação com elementos básicos. São eles:

• o tempo;

• o espaço;

• o enredo;

• os personagens;

• o foco narrativo;

• o narrador.

O tempo é elemento de suma importância, se

a narrativa está baseada em uma progressão. Locali-

zar o leitor quanto a esse favorece uma melhor com- preensão textual. O tempo pode ser de dois tipos:

• tempo cronológico - aquele que pode ser avaliado pelas medidas tradicionais (como o relógio ou divisão em anos, meses, semanas) ou o que é me- dido pela natureza (passagem do dia para a noite, por exemplo).

• tempo psicológico - é um tempo que pertence ao mundo interior do personagem e que, por isso, não pode ser medido racionalmente. Tem relação com a subjetividade: é relativo de acordo com as emoções (um minuto pode parecer mais longo do que um ano para o personagem, ideia que é transmitida ao leitor).

O espaço na narrativa é o lugar onde são desenvolvidas as ações da narrativa. São os

componentes físicos que servem de ambiente para

a movimentação dos personagens. A importância do

espaço é tão grande que a ambientação da narrativa pode até mesmo classificar a obra. Comentamos, por exemplo, os romances regionalistas, que são assim denominados por estarem enquadrados em uma região específica. O enredo é a trama, é o desenrolar dos acontecimentos. É a história que é contada na narrativa. No teatro greco-latino, os atores utilizavam máscaras que representavam fisicamente seus personagens, ou seja, os traços físicos no ator não se misturavam aos do personagem. Essas máscaras eram chamadas de persona. Daí surge o vocábulo personagem, que são os seres que atuam na narrativa, que vivem o enredo. O personagem principal de uma trama é chamado de protagonista. Em via de regra,

esse personagem vai se defrontar com o antagonista,

o que gera conflito. O foco narrativo pode ser entendido como a

perspectiva através da qual o enredo é contado. Pode aparecer de duas formas:

• Foco narrativo em terceira pessoa: o

narrador não participa ativamente dos acontecimentos. Esse distanciamento gera uma maior objetividade quanto ao relato.

• Foco narrativo em primeira pessoa: o

narrador participa da narrativa ou como personagem principal ou como coadjuvante, o que gera um maior envolvimento dele com o enredo. A subjetividade é marca desse tipo de foco narrativo.

Enfim, podemos mencionar o narrador. É ele o responsável pelo relato dos acontecimentos da

narrativa. O narrador pode ser comparado ao eu lírico do texto em poesia. É um elemento textual do qual

o autor do texto se utiliza para relatar aquilo que o

primeiro inventa, imagina. O narrador pode ser de três

tipos:

Quando o foco narrativo aparece em terceira pessoa, observamos um narrador onisciente ou observador. Note os trechos abaixo:

TRECHO I “Um criado trouxe o café. Rubião pegou na xícara e, enquanto lhe deitava açúcar, ia disfarçadamente mi- rando a bandeja, que era de prata lavrada. Prata, ouro, eram os metais que amava de coração; não gostava de bronze, mas o amigo Palha disse-lhe que era ma- téria de preço, e assim se explica este par de figuras que aqui está na sala, um Mefistófeles e um Fausto. Tivesse, porém, de escolher, escolheria a bandeja – primor de argentaria, execução fina e acabada.”

(ASSIS, Machado de. “Quincas Borba”)

TRECHO II

“Ninguém ali sabia ao certo se a Machona era viúva ou desquitada, os filhos não se pareciam um com os outros. A Das Dores sim afirmavam que fora casada e que largara o marido, para meter-se com um homem do comércio (

(AZEVEDO, Aluísio. O cortiço)

No primeiro, observe que o narrador conhece os fatos de que está falando. Além de contar o acontecimento, relata os sentimentos, os desejos, dos personagens. Sabemos, por exemplo, que Rubião mirava disfarçadamente a bandeja, que amava de coração os metais nobres. O narrador conhece até mesmo as prováveis opções desse personagem:

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LÍNGUA PORTUGUESA I a preferência pela bandeja de prata. Esse é o que configuramos como

LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I a preferência pela bandeja de prata. Esse é o que configuramos como narrador

a preferência pela bandeja de prata. Esse é o que

configuramos como narrador onisciente, ou seja, aquele que não participa das ações, mas que conhece até mesmo os pensamentos dos personagens. Já no segundo trecho, nota-se um narrador mais objetivo. É aquele que chamamos de observador. Ele não conhece toda a história, com

detalhes. É apenas capaz de relatar os fatos à medida que eles vão acontecendo. No entanto, quando o foco narrativo está configurado em primeira pessoa, tem se o chamado narrador personagem. Com esse tipo, a narrativa ganha maior subjetividade, pois o narrador está envolvido emocionalmente com a ação relatada. Note

a presença desse narrador no trecho abaixo:

“Uma hora mais tarde, na cama de ferro do salão azul, compenetrado da tristeza de hospital dos dormitórios, fundos na sombra do gás mortiço, trincado a colcha branca, em meditava o retrospecto do meu dia. ( ) Onde meter as máquinas dos meus ideais naquele mundo de brutalidade, que me intimidava com os obscuros detalhes e as perspectivas informes, escapando à investigação da minha inexperiência? ( )”

O GÊNERO DRAMÁTICO

(POMPEIA, Raul. “O Ateneu”.)

Aristóteles percebeu uma característica comum em alguns textos: tinham sido feitos para serem encenados. Foi a partir disso que os considerou como participantes no gênero dramático. Em grego, o termo “drama” se refere à noção de ação, o que torna mais evidente a função desses textos. Será considerado pertencente a esse gênero os textos destinados à representação, em que conste personagens, cenários, enredo

Interessante destacar que esse tipo de texto é

o utilizado no teatro. Quando assistimos a uma peça, percebemos que o enredo nos é contado a partir da

alternância das falas (o diálogo) dos personagens. Não é presente a figura do narrador. Os personagens agem na narrativa, falando e se relacionam por si mesmos. Há, muitas vezes, a descrição de ambientes

e da situação antes de cada ato. Há também nesse

gênero a presença de rubricas, que dão pequenas indicações do local em que se passa a cena, a forma como um personagem agiu, o que estavam vestindo. São características do gênero dramático. Observe o texto de José de Alencar transcrito a seguir:

ATO PRIMEIRO

CENA PRIMEIRA

“Em casa de EDUARDO. Gabinete estudo.

CARLOTINHA, HENRIQUETA CARLOTINHA -Mano, mano! (Voltando-se para a porta.) Não te disse? Saiu! (Acenando.) Vem, psiu, vem! HENRIQUETA -Não, ele pode zangar-se quando souber. CARLOTINHA -Quem vai contar-lhe? Demais, que tem isso? Os homens não dizem que as moças são curiosas? HENRIQUETA -Mas, Carlotinha, não é bonito uma moça entrar no quarto de um moço solteiro. HENRIQUETA -Sempre faz. CARLOTINHA -Ora! Estavas morrendo de vontade. HENRIQUETA -Eu não; tu é que me chamaste. CARLOTINIIA -Porque me fazias tantas perguntinhas, que logo percebi o que havia aqui dentro. (No coração.) HENRIQUETA -Carlotinha! CARLOTINHA -Está bom, não te zangues.”

O GÊNERO LÍRICO

Na Grécia Antiga, os poetas recitavam seus versos com acompanhamento de instrumentos musicais. Para cada tipo de texto, havia um instrumento específico. O preferido era a lira, uma espécie de harpa, que acompanhava as composições de cunho subjetivo. Daí deriva a nomenclatura gênero lírico, ou seja, aquele cujos textos são acompanhados pela lira. Pertence a esse gênero o texto que extravasa as emoções íntimas pela expressão verbal rítmica e melodiosa. São as manifestações da subjetividade do homem, de seus estados de alma. Trata-se de utilizar a forma poética para expressar emoções, sentimentos. Uma das principais características desse gênero é a recordação, em que o eu lírico, pleno de sentimentos, retoma uma emoção do passado. Essa retomada será feita com recursos de musicalidade, como rimas, repetições, paralelismos.

Carta

Há muito tempo, sim, que não te escrevo. Ficaram velhas todas as notícias. Eu mesmo envelheci: Olha em relevo, estes sinais em mim, não das carícias (tão leves) que fazias no meu rosto:

são golpes, são espinhos, são lembranças

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LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I da vida a teu menino, que ao sol-posto perde a sabedoria das crianças.
LÍNGUA PORTUGUESA I da vida a teu menino, que ao sol-posto perde a sabedoria das crianças.

da vida a teu menino, que ao sol-posto

perde a sabedoria das crianças.

A falta que me fazes não é tanto

à hora de dormir, quando dizias

“Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.

É

quando, ao despertar, revejo a um canto

a

noite acumulada de meus dias,

e

sinto que estou vivo, e que não sonho.

(ANDRADE, C.D. Poesia e prosa.)

Em seu soneto, Drummond retrata as emoções oriundas da lembrança de sua infância. Seus sentimentos, sua subjetividade, ficam expressos no poema. É um exemplo típico de texto lírico. Mesmo que nem todos os textos em versos sejam exemplares do gênero lírico, percebe-se que, para efeitos didáticos, a correspondência entre lirismo e poesia é aceita. Por esse motivo, é necessário que estudemos a organização poética.

O EU POÉTICO E O AUTOR

O eu poético ou eu lírico é o enunciador

do poema. É a voz presente no texto, podendo ser comparado ao narrador do gênero narrativo. Uma confusão muito comum é a que relaciona autor com eu lírico. Enquanto o primeiro é um indivíduo com existência real, o eu poético é um elemento meramente textual. Observe o texto abaixo:

Tatuagem

Quero ficar no teu corpo Feito tatuagem Que é prá te dar coragem Prá seguir viagem Quando a noite vem.

E também prá me perpetuar

Em tua escrava

Que você pega, esfrega

Nega, mas não lava. Quero brincar no teu corpo Feito bailarina Que logo se alucina Salta e te ilumina Quando a noite vem.

E nos músculos exaustos

Do teu braço

Repousar frouxa, murcha Farta, morta de cansaço.

( )

(Chico Buarque)

É verdade que, muitas vezes, a figura do eu

lírico coincide com a do autor. No entanto, note que na letra de Chico Buarque o eu lírico é feminino.

EXERCÍCIOS

Questão 01 (ENEM 2009)

Gênero dramático é aquele em que o

artista usa como intermediária entre si e o público

a representação. A palavra vem do grego drao

(fazer) e quer dizer ação. A peça teatral é, pois, uma composição literária destinada à apresentação por atores em um palco, atuando e dialogando entre si.

O texto dramático é complementado pela atuação dos

atores no espetáculo teatral e possui uma estrutura

específica, caracterizada:

1) pela presença de personagens que devem estar ligados com lógica uns aos outros e à ação; 2) pela ação dramática (trama, enredo), que

é o conjunto de atos dramáticos, maneiras de ser e de agir das personagens encadeadas à unidade do efeito e segundo uma ordem composta de exposição, conflito, complicação, clímax e desfecho;

3) pela situação ou ambiente, que é o conjunto

de

circunstâncias físicas, sociais, espirituais em que

se

situa a ação;

4) pelo tema, ou seja, a ideia que o autor (dramaturgo) deseja expor, ou sua interpretação real por meio da representação.

COUTINHO, A. Notas de teoria literária. Rio de Janeiro:

Civilização Brasileira, 1973 (adaptado).

Considerando o texto e analisando os elementos que constituem um espetáculo teatral, conclui-se que

1 - a criação do espetáculo teatral apresenta-

se como um fenômeno de ordem individual, pois não

é possível sua concepção de forma coletiva.

2 - o cenário onde se desenrola a ação cênica

é concebido e construído pelo cenógrafo de modo autônomo e independente do tema da peça e do trabalho interpretativo dos atores.

3 - o texto cênico pode originar-se dos mais

variados gêneros textuais, como contos, lendas, romances, poesias, crônicas, notícias, imagens e fragmentos textuais, entre outros. 4 - o corpo do ator na cena tem pouca importância na comunicação teatral, visto que o mais importante é a expressão verbal, base da comunicação cênica em toda a trajetória do teatro até

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LÍNGUA PORTUGUESA I os dias atuais. 5 - a iluminação e o som de um

LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I os dias atuais. 5 - a iluminação e o som de um espetáculo

os dias atuais. 5 - a iluminação e o som de um espetáculo cênico independem do processo de produção/ recepção do espetáculo teatral, já que se trata de linguagens artísticas diferentes, agregadas posteriormente à cena teatral.

Questão 02 - DISCURSIVA

Autorretrato falado

Venho de um Cuiabá de garimpos e de ruelas entortadas. Meu pai teve uma venda no Beco da Marinha, onde nasci. Me criei no Pantanal de Corumbá entre bichos do chão, aves, pessoas humildes, árvores e rios. Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar entre pedras e lagartos. Já publiquei 10 livros de poesia: ao publicá- los me sinto meio desonrado e fujo para o Pantanal onde sou abençoado a garças. Me procurei a vida inteira e não me achei — pelo que fui salvo. Não estou na sarjeta porque herdei uma fazenda de gado. Os bois me recriam. Agora eu sou tão ocaso! Estou na categoria de sofrer do moral porque só faço coisas inúteis. No meu morrer tem uma dor de árvore.

Uma obra literária pode combinar diferentes gêneros, embora, de modo geral, um deles se mostre dominante. O poema de Manoel de Barros, predominantemente lírico, apresenta características de um outro gênero. Qual?

Questão 03 (UERJ)

Este trecho faz parte do início de um conto. Seu narrador alerta o leitor para o caráter ficcional do relato que passará a ler. Isso se dá por meio do seguinte recurso:

a) assumir uma história sem princípio, meio e fim

b) construir uma frase longa com ritmo fluente de

narrativa

c) usar o verbo supor como marca de início dos

acontecimentos

d) sugerir o Tempo e a Eternidade como metáforas

humanizadas

Questão 04 (UERJ)

O início do conto Sonata estabelece

as referências para categorias importantes da narrativa. As categorias de tempo, espaço e o caráter do personagem-narrador são delimitados,

respectivamente, pelos seguintes elementos do texto:

a) outono, ruas, piano

b) tempo, rio sem nascentes, barco

c) Segunda Guerra, Paris, Beethoven

d) gramofone, cômodos, bicho-de-concha

Questão 05 (UFTM-MG)

Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro! Não levo da existência uma saudade!

E tanta vida que meu peito enchia

Morreu na minha triste mocidade! Misérrimo! votei meus pobres dias

À

sina douda de um amor sem fruto

E

minha alma na treva agora dorme

Como um olhar que a morte envolve em luto. Que me resta, meu Deus? morra comigo

A estrela de meus cândidos amores,

Já que não levo no meu peito morto

Um punhado sequer de murchas flores!

(Álvares de Azevedo, Adeus, meus sonhos!; em Lira dos Vinte Anos)

Assinale a alternativa que dá sequência à frase, fazendo citação em discurso indireto do trecho do poema, de acordo com a norma culta.

O eu lírico afirmou que:

a) ele pranteia e morre.

b) tanta vida morria na sua triste mocidade.

c) ele votou seus pobres dias

d) sua alma na terra então dormia.

e) morra comigo a estrela de cândidos amores.

Questão 06 (ENEM-2009)

Texto 1

No meio do caminho No meio do caminho tinha uma pedra Tinha uma pedra no meio do caminho Tinha uma pedra

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LÍNGUA PORTUGUESA I

LÍNGUA PORTUGUESA I No meio do caminho tinha uma pedra [ ] (ANDRADE, C. D. Antologia
LÍNGUA PORTUGUESA I No meio do caminho tinha uma pedra [ ] (ANDRADE, C. D. Antologia

No meio do caminho tinha uma pedra [ ]

(ANDRADE, C. D. Antologia poética. Rio de Janeiro/ São Paulo:

Record, 2000. (fragmento).

Texto 2

de Janeiro/ São Paulo: Record, 2000. (fragmento). Texto 2 A comparação entre os recursos expressivos que

A comparação entre os recursos expressivos que constituem os dois textos revela que:

a) o texto 1 perde suas características de gênero

poético ao ser vulgarizado por histórias em quadrinho.

b) o texto 2 pertence ao gênero literário, porque as

escolhas linguísticas o tornam uma réplica do texto 1.

c) a escolha do tema, desenvolvido por frases

semelhantes, caracteriza-os como pertencentes ao mesmo gênero.

d) os textos são de gêneros diferentes porque,

apesar da intertextualidade, foram elaborados com finalidades distintas. e) as linguagens que constroem significados nos dois textos permitem classificá-los como pertencentes ao

mesmo gênero.

Questão 07

Leia o trecho abaixo e assinale a opção que melhor o descreve.

“IV Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi:

Sou filho das selvas, Nas selvas cresci; Guerreiros, descendo Da tribo tupi. Da tribo pujante, Que agora anda errante Por fado inconstante, Guerreiros, nasci; Sou bravo, sou forte,

Sou filho do Norte; Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi.”

a) Possui características do gênero lírico e do épico.

b) Possui características do gênero épico e dramático.

do

dramático

d) Possui características apenas do épico.

c)

Possui

características

do

gênero

lírico

e

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