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UNIVERSIDADE CEUMA

COORDENADORIA GERAL DA ÁREA DA SAÚDE


CURSO DE NUTRIÇÃO
ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM NUTRIÇÃO CLÍNICA

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM NUTRIÇÃO


CLÍNICA

Débora Janielle Ferreira da Silva

São Luís
2017
Débora Janielle Ferreira da Silva

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM NUTRIÇÃO CLÍNICA

Relatório de estágio em Nutrição Clínica


apresentado ao Curso de Nutrição da
Universidade Ceuma, para obtenção de nota.

Supervisora Docente: Profa. Lívia ******

Preceptora de estágio/Supervisora técnica de


estágio: Profa. Janaína *********

São Luís
2017
SUMÁRIO

1 IDENTIFICAÇÃO................................................................................................ 4
1.1 Identificação do estagiário........................................................................... 4
1.2 Identificação do campo de estágio.............................................................. 4
2 INTRODUÇÃO................................................................................................... 5
3 CARACTERIZAÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO............................................. 6
3.1 Histórico........................................................................................................ 6
3.2 Tipo de hospital............................................................................................ 6
3.3 Tipos de clínicas.......................................................................................... 6
3.4 Estrutura organizacional............................................................................. 7
4 ATIVIDADES DESENVOLVIDADAS NO CAMPO DE ESTÁGIO................... 8
4.1 Internação..................................................................................................... 8
4.2 Ambulatório de nutrição............................................................................. 9
4.3 Outras atividades........................................................................................ 9
5 ESTUDO DE CASO......................................................................................... 9
5.1 Breve relato da fisiopatologia ................................................................... 9
5.2 Tratamento dietoterápico da patologia ..................................................... 10
5.3 Acompanhamento do paciente .................................................................. 11
5.3.1 Identificação do paciente ........................................................................... 11
5.3.2 Histórico e fatores pertinentes à doença e ao doente ............................... 11
5.3.3 Evolução clínica do paciente...................................................................... 11
5.3.4 Evolução dietoterápica do paciente............................................................ 14
5.3.5 Cálculo das necessidades nutricionais do paciente................................... 15
5.3.6 Interação droga-nutriente............................................................................ 17
6 NUTRIÇÃO MATERNA, NUTRIÇÃO INFANTIL, LACTÁRIO, BANCO DE
LEITE HUMANO................................................................................................... 17
7 TIPOS DE DIETAS UTILIZADAS NO CAMPO DE ESTÁGIO......................... 17
7.1 Características das dietas............................................................................ 17
7.2 Prescrição das dietas enterais.................................................................... 19
7.3 Tipos de sonda............................................................................................. 19
7.4 Orientação na alta hospitalar...................................................................... 20
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................. 21
3

REFERÊNCIAS...................................................................................................... 22
ANEXOS................................................................................................................ 23
4

1 IDENTIFICAÇÃO

1.1 Identificação do estagiário

1.1.1 NOME COMPLETO: Débora Janielle Ferreira da Silva


1.1.2 CURSO: Nutrição PERÍODO: 8°
CÓDIGO DE MATRÍCULA: N********* CPD: 29*****
1.1.3 ENDEREÇO POSTAL: Residencial ********/Rua 07, Casa 09, QD I,
CEP:65***-***
1.1.4 TELEFONE: (98) ****-******
E-mail: deborajanielles@gmail.com

1.2 Identificação do campo de estágio

1.2.1 NOME COMPLETO: Hospital Doutor Carlos Macieira


1.2.2 ENDEREÇO POSTAL: Av. Jerônimo de Albuquerque, S/N-Calhau
1.2.3 TELEFONE DO SETOR DO ESTAGIÁRIO: GERAL: (98) 3268-7058
1.2.4 RAMO DE ATIVIDADE: Nutrição Clínica
1.2.5 NOME DOS DIRIGENTES LOCAIS: Dr. Josué Almeida Vieira Filho
5

2 INTRODUÇÃO

É de fundamental relevância a experiência do estágio para o discente,


pois é possível compreender de forma dinâmica o conhecimento teórico obtido
através das aulas, se tornando também uma oportunidade de se preparar para
enfrentar os desafios diários encontrados na vida profissional. Possibilitando ao
discente, a certeza da escolha profissional por meio do aprendizado prático
vivenciado no âmbito hospitalar e valorizando a importância do nutricionista para
manutenção e recuperação da saúde dos pacientes (COSTA, 2015).
Com o objetivo de capacitar o discente para atenção à saúde de
pacientes hospitalizados visando melhorar o estado nutricional, identificar as
atribuições e atividades desenvolvidas por nutricionistas no âmbito hospitalar,
identificar os tipos de dietas e suas indicações de acordo com quadro clínico do
paciente, diagnosticar o estado de saúde dos pacientes através de parâmetros
clínicos, bioquímicos e nutricionais na admissão e acompanhamento semanais e
desenvolver ações de promoção e reabilitação da saúde sob supervisão (DE
FRANÇA, 2012).
De acordo com Resolução CFN Nº 418/2008, as atividades desenvolvidas
durante o estágio foram admissão nutricional e reavaliação quinzenal dos pacientes
através de questionários preenchidos de acordo com os dados fornecidos pelos
pacientes, análise de exames bioquímicos, aferição de medidas antropométricas
utilizando fita inelástica e balança digital e registro de aceitação da dieta,
supervisionadas pelas preceptoras, para diagnóstico nutricional afim de traçar metas
para o tratamento nutricional.
O período de duração do estágio curricular foi de 220 horas, do dia
03/10/2017 ao dia 20/11/2017, sendo realizado no turno Vespertino, das 13:00 horas
às 19:00 horas, perfazendo uma carga horária semanal de 30 horas e total de 200
horas no local específico, e 20 horas em atividades com orientação docente. Os
grupos de estágio de Nutrição atuaram em nos setores da cardiologia, neurologia e
clínica médica do hospital, possibilitando conhecimento amplo sobre as diversas
patologias estudadas ao longo do estágio, tratamento dietoterápico, importância da
avaliação antropométrica e exames físicos em pacientes hospitalizados pois
merecem atenção dobrada quanto a cuidado nutricional.
6

3 CARACTERIZAÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO

3.1 Histórico

Após a mudança de Hospital do Servidor do Estado para Hospital


credenciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), iniciou-se uma reforma em 2009,
para inauguração da Clínica Médica, UTI do 3º andar e Semi-intensiva, a obra foi
finalizada em agosto de 2011. Em 2012, o hospital ganha mais uma UTI adulto e
uma Clínica Médica no 2º andar.
Porém em 13 de agosto de 2012, um incêndio ocasionou a perda de 50
leitos, os pacientes foram transferidos para o Hospital Presidente Vargas e
Complexo Materno Infantil Dr. Juvêncio Matos, para suprir o atendimento foram
transferidos 100 colaboradores de Enfermagem. Após o acidente, iniciou-se a obra
de reconstrução do hospital. Em julho de 2014, inaugurou o Centro Cirúrgico, dando
oportunidade de um grande passo para desenvolvimento do hospital.

3.2 Tipo de Hospital

O hospital estadual Dr. Carlos Macieira é público e de alta complexidade,


considerado como referência estadual, atende toda população do Maranhão,
composto por uma equipe multiprofissional completa.

3.3 Tipos de Clínica

O hospital Dr. Carlos Macieira possui clínica para tratamentos cirúrgicos


com especialidades em cardiologia, neurologia, urologia, proctologia, mastologia,
plástica reparadora, cirurgias gerais e vascular, além de cabeça e pescoço.
Atendendo também a demanda de tratamento clínico em Nefrologia, realizando
diálise de segunda a sábado, nos turnos matutino, vespertino e noturno.
Além de serviços de internação hospitalar nas áreas de Clínica Médica,
Cardiologia e Neurologia, possui também 4 UTIs adulto e serviços de Hospital Dia.
Possui 284 leitos, sendo 48 leitos para UTI.
7

3.4 Estrutura organizacional

COORDENADORIA
GERAL DO
HOSPITAL DR.
CARLOS MACIEIRA

COORDENADORIA
COORDENADORIA DE NUTRIÇÃO EM
DE NUTRIÇÃO UNIDADES DE
CLÍNICA ALIMENTAÇÃO E
NUTRIÇÃO (UAN)

12
2 NUTRICIONISTAS
NUTRICIONISTAS

2 TÉCNICAS DE 6 TÉCNICAS DE
NUTRIÇÃO NUTRIÇÃO
8

4 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO CAMPO DE ESTÁGIO

4.1 Internação

Foram realizadas as seguintes atividades durante o estágio:


 Admissão nutricional
 Reavaliação nutricional
 Estudo de prontuários
 Análise de exames bioquímicos
 Exame antropométrico
 Exame físico
 Anamnese nutricional
 Elaboração do diagnóstico nutricional
 Acompanhar e registrar a aceitação da dieta dos pacientes
 Acompanhar e avaliar o estado nutricional do caso clínico semanalmente

As atividades desenvolvidas no setor de internação foram análise de


prontuários, admissão e reavaliação nutricional dos pacientes. Na admissão
nutricional, foi aplicado um questionário com perguntas relacionadas ao estado geral
e nutricional dos pacientes, onde também foi feito a aplicação da Triagem Nutricional
NRS 2002 – Nutritional Risk Screening (NRS), para avaliar o risco nutricional.
Avaliando também medidas antropométricas como circunferência da
panturrilha, circunferência do braço e altura do joelho, utilizando fita inelástica e
quando possível, o paciente é pesado em balança digital na beira do leito. No exame
físico completo é analisado a reserva de gorduras, estado dos músculos e possíveis
deficiências de micronutrientes.
Na reavaliação dos pacientes feito a cada 10 dias, são registradas as
medidas antropométricas que são novamente aferidas, a aceitação da dieta e
queixas relacionadas a sintomas gastrointestinais, como diarreia ou constipação,
vômitos ou disfagia. Posteriormente, eram feitos todos os cálculos necessários para
evolução nutricional, e se necessário aplicar uma nova conduta nutricional para
melhora do estado nutricional do paciente.
9

4.2 Ambulatório de Nutrição

O local de estágio possui 01 ambulatório de nutrição cujo atendimento


acontece somente no turno matutino, por tal motivo não tivemos acesso às
atividades desenvolvidas durante o estágio.

4.3 Outras atividades

No dia 03/10/2017 foi realizada uma visita ao setor de Unidade de


Alimentação e Nutrição do hospital Dr. Carlos Macieira, para conhecimento e
degustação das dietas orais ofertadas para pacientes, acompanhantes e
funcionários. No dia 17/10/2017 participamos da Ação Social sobre Câncer de Mama
no SESI/SENAI para funcionários e colaboradores, fornecendo orientações sobre
alimentação saudável e diagnóstico do estado nutricional através da aferição de
peso e altura.
Durante o V Congresso de Saúde e Bem-Estar, realizado pela
Universidade Ceuma, no dia 25/10/2017 participamos da apresentação do exame de
Bioimpedância, no stand, simulando e informando sua finalidade e os preparos
necessários para realização do exame. No hospital Dr. Carlos Macieira foram
realizadas visitas ao setor de nefrologia e UTI geral 02, nos dias 07/11/2017 e
08/11/2017, respectivamente, para compreender a atuação do nutricionista com
pacientes que possui patologias especificas.

5 ESTUDO DE CASO

5.1 Breve relato da fisiopatologia

Conceito: Neuroma do acústico também conhecido como neurinoma do


acústico, tumores do ângulo cerebelo-pontino, schwannoma do acústico ou
schwannoma vestibular, é um tumor benigno que se desenvolve lentamente no
nervo vestibular, responsável pelo equilíbrio do corpo, localizado no interior da
orelha e pode atingir o cérebro (CANDAU, 2015).
10

Epidemiologia: Esse tumor é relativamente raro, a taxa de incidência no


mundo é de 20 ocorrências por 1.000.000 de habitantes por ano. No Brasil, não há
registros de estimativas da sua incidência. No entanto, acredita-se que essa taxa
pode ser maior, pois esses números referem-se apenas aos casos sintomáticos
(CORONA, 2009).

Sintomas: Os primeiros sintomas relatados estão normalmente


relacionados com perda da audição, tinnitus (zumbido nos ouvidos) e falta de
equilíbrio. Apesar do crescimento lento, o tumor pode envolver nervos e causar dor
de cabeça, paralisia facial, tremor, disfagia, entre outros (FARIAS, 2015).

Fatores de risco: Mais comum em mulheres do que homens, com idade


entre 40 e 60 anos e estudos demonstram que a base genética, ligado à um defeito
em um gene do braço longo do cromossomo 22, porém não é plenamente conhecido
(BENTO, 2012).

Tratamento: Existem dois tipos de abordagem: observação/terapêutica


expectante e cirurgia. Na observação/terapêutica expectante o paciente é
acompanhado e avaliado constantemente o estágio da doença através de exames,
na cirurgia, onde é considerada a conduta mais correta, é feita a retirada total do
tumor (TORRES, 2016).

5.2 Tratamento dietoterápico da patologia

O tratamento dietoterápico em função da patologia deve ser uma


alimentação rica em vitamina C e E, pois, inibem os compostos n-nitroso que
favorecem o desenvolvimento de tumores (LUZ, 2010). Os alimentos ricos em
vitamina C são frutas como morango, laranja e limão, e fontes de vitamina E, tem
origem vegetal, como cereais integrais e oleaginosas. Porém como o paciente se
encontra em nutrição enteral, recomendaria uma dieta hipercalórica e hiperproteica
afim de atingir suas necessidades calóricas e proteicas, com adição de fibras
solúveis para controle da diarreia.
11

5.3 Acompanhamento do paciente

5.3.1 Identificação do paciente

Identificação:
Idade:
Sexo:
Data de admissão:
Procedência:
Estado civil:
Ocupação:
Escolaridade:
Renda familiar:

5.3.2 Histórico e fatores pertinente(s) à(s) doença(s) e ao doente.

R.N.F.S, adulto, 39 anos, sexo masculino, admitido para cirurgia de


retirada de um tumor cerebral, realizado um procedimento no dia 31/01/2017 para
troca de cânula traqueal devido ao tempo prolongado de traqueostomia e nas datas
31/01/2017, 03/05/2017 e 18/04/2017 foi realizado desbridamento cirúrgico nas
úlceras de decúbitos, que se caracteriza na remoção de tecidos necrosado para
promoção da cicatrização. Encontrando-se atualmente acamado, incomunicável,
respiração apresentando roncos esparsos difusos, em cuidados paliativos desde o
dia 27/07/2017, avaliado diariamente pela ficha de Palliative Performance Scale –
PPS, apresentando PPS 40%.
Segue em anexo ficha de Palliative Performance Scale – PPS.

5.3.3 Evolução clínica do paciente

Paciente admitido desde 21/12/2016 por neurosequela após 3


neurocirurgias devido a tumor cerebral, diagnosticado como neuroma do acústico,
evoluindo para perda da acuidade visual direita, em choque séptico pulmonar,
respirando em ar ambiente por traqueostomia desde 24/09/2017, com presença de
12

úlceras de pressão nas regiões trocantérica D e E (quadris), sacra e calcâneos, no


uso de fralda descartável para diurese.
Na primeira visita ao leito, no dia 16/10/2017, a acompanhante do
paciente relatou, que o mesmo apresentou episódios de diarreia por 3 semanas
seguidas, no qual ocasionou perca de peso. Foi realizado a aferição das medidas
antropométricas e posteriormente feito o cálculo das medidas de circunferência do
braço e altura do joelho para estimar peso e altura, pois o paciente é acamado.

Segue abaixo as tabelas de reavaliação realizadas no dia 16/10/2017 e


avaliação nutricional:

Parâmetros Valor encontrado Diagnóstico


Peso estimado 46,15 kg -
Altura estimada 160 cm -
IMC estimado 18,02 Kg/m² MAGREZA GRAU I
Circunferência do braço 24 cm 73% - DESNUTRIÇÃO
MODERADA
Circunferência da 23,5 cm DEPLEÇÃO MUSCULAR
panturrilha
Altura do joelho 47 cm -

Em comparação com as primeiras medidas antropométricas relatadas no


prontuário, observou-se que o paciente apresentou perda de 11,42kg.

Parâmetros Valor encontrado Diagnóstico


Peso estimado 57,57 kg -
Altura estimada 170 cm -
IMC estimado 19,69 kg/m² EUTROFIA
Circunferência do braço 25,5 cm 78% - DESNUTRIÇÃO
MODERADA
Circunferência da 25 cm DEPLEÇÃO MUSCULAR
panturrilha
Altura do joelho Não relatada -
13

No dia 18/10/2017 foi estabelecido isolamento de contato por acineto,


através do diagnóstico por hemocultura de Staphylococcus capitis, impossibilitando
as reavaliações nutricionais. Durante o período do estágio, o paciente apresentou
episódios de melhora da diarreia seguido de constipação durante 7 dias, evoluindo
novamente para diarreia, porém poucas vezes ao dia. No dia 14/11/2017 houve
melhora do quadro de diarreia.
Os exames bioquímicos alertam para diminuição constante da
hemoglobina, que indica anemia, a função renal e função do fígado permaneceram
dentro dos padrões considerados normais, porém é constante o aumento da
inflamação através da proteína C reativa.

Exames bioquímicos:
03/09/2017
Valores de referência
Hemoglobina 10,00 g/dL 12,00 a 16,00 g/dL
Hematócrito 34,60% 36,00 a 48,00%
Ureia 23,00 mg/dL 15 a 45 mg/dL
Creatinina 0,24 mg/dL 0,70 a 1,30 mg/dL
ALT 22,00 U/L 5 a 49 U/L
AST 17,00 U/L < 40 U/L
Proteína C Reativa 16,39 mg/dL < 1,0 mg/dL

12/10/2017
Valores de referência
Hemoglobina 11,00 g/ dL 12,00 a 16,00 g/dL
Hematócrito 36,10% 36,00 a 48,00%
Ureia 28,00 mg/ dL 15 a 45 mg/dL
Creatinina 0,29 mg/ dL 0,70 a 1,30 mg/dL
ALT 32,00 U/L 5 a 49 U/L
AST 17,00 U/L < 40 U/L
Proteína C Reativa 13,41 mg/ dL < 1,0 mg/dL
14

11/11/2017
Valores de referência
Hemoglobina 10,00 g/dL 12,00 a 16,00 g/dL
Hematócrito 32,60% 36,00 a 48,00%
Ureia 21,00 mg/dL 15 a 45 mg/dL
Creatinina 0,32 mg/dL 0,70 a 1,30 mg/dL
ALT 20,00 U/L 5 a 49 U/L
AST 46,00 U/L < 40 U/L
Proteína C Reativa 10,71 mg/dL < 1,0 mg/dL

5.3.4 Evolução dietoterápica do paciente

A dieta ofertada ao paciente durante o período do estágio foi SURVIMED


OPD, com densidade calórica de 1,0 Kcal/ml, sendo classificada como oligomérica,
normocalórica, hiperproteica e hipolipídica, com adição de TCM, indicada para
distúrbios disabsortivos (Síndrome de intestino curto, Doença de Crohn, Síndrome
de má absorção, Fístulas e Pancreatite) e adição de módulos de fibras solúvel uma
vez ao dia, por gastrostomia (GTT) desde 04/09/2017, 1000 ml por dia e 50ml/hora.

Segue abaixo rótulo das informações nutricionais da dieta:

Survimed OPD
Indicação Indicado para distúrbios disabsortivos
(síndrome de intestino curto, doença de
Crohn, síndrome de má absorção,
fístulas e pancreatite).
Densidade calórica (Kcal/ml) – 1,0 Kcal/ml – NORMOCALÓRICA,
classificação HIPERPROTEICA E HIPOLIPÍDICA
COM ADIÇÃO DE TCM. OLIGOMÉRICA
Distribuição calórica (PTN/CHO/LPD) 18% / 57% / 25%
Proteína (g/100ml) 4,5g
Carboidratos (g/100ml) 14,3g
Lipídio (g/100ml) 2,8g
15

Fibras (g/100ml) Isento


Fontes de proteínas Proteína do soro do leite hidrolisada
(100%)
Fontes de carboidratos Maltodextrina (100%)
TCM (51,3%)
Fonte de lipídios Óleo de canola (32%)
Óleo de açafrão (12,4%)
Óleo de peixe (4,3%)
Osmolaridade - classificação 300 mOsm/l - ISOTÔNICA
Apresentação 500 ml e 1000 ml

Antes dos episódios constantes de diarreia, o paciente fazia uso de uma


dieta polimérica, porém devido a disbiose intestinal passou a fazer uso da dieta
oligomérica com uma bolsa por dia em volume reduzido para 500ml por dia e
pequenas vazões de 30ml/hora no dia 17/10/2017, resultando em apenas 500
Kcal/dia. Evoluiu para 60ml/hora no dia 26/10/2017 e foi adicionado fibra solúvel
uma vez ao dia.
O VET ofertado através dessa dieta enteral é de 1.000 Kcal/dia e 45g de
proteínas diária, porém a meta estabelecida pela nutricionista para aporte calórico
era de 2112 Kcal/dia e 86,35g de proteína/dia, utilizando para cálculo do VET de 40
Kcal/Kg e 1,5g de proteína/Kg com peso estimado antes da disbiose de 52,8kg.

5.3.5 Cálculo das necessidades nutricionais do paciente

 Harris Benedict
TMB: 66,5 + 13,8 x peso (kg) + 5 x altura (cm) – 6,8 x idade (anos)
TMB: 66,5 + 13,8 x 46,15 + 5 x 171 – 6,8 x 39
TMB: 66,5 + 636,87 + 855 – 265,2
TMB: 1293,17 Kcal
GET: TMB x FA x FI x FT
GET: 1293,17 x 1,2 x 1,15 x 1,1
GET: 1963,03 Kcal/dia
16

 Fórmula de bolso
VET = Peso x Kcal
VET = 46,15 x 35
VET= 1615,25 Kcal/dia

 FAO/OMS
TMB: 11,472 x P + 873,1
TMB: 11,472 x 46,15 + 873,1
TMB: 1402,53 Kcal
GET: TMB x FA
GET: 1402,53 x 1,55
GET: 2173,92 Kcal/dia

Para cálculos das necessidades nutricionais recomendaria a fórmula da


FAO/OMS, pois o paciente se encontra em desnutrição e em constante catabolismo
devido as cinco escaras presentes no corpo e pelo extenso período de diarreia, que
levou o mesmo a perda de peso.

Para cálculo de infusão dieta enteral utilizado no hospital Dr. Carlos


Macieira é utilizado a fórmula de bolso e calculado utilizando peso atual, 35 kcal/kg e
1,5g de proteínas.

46,15 kg X 35 kcal = 1615,25 Kcal/dia


46,15 kg X 1,5 g/proteínas = 70 g/proteínas/dia
𝑣𝑒𝑡
Volume da dieta:
𝑑𝑒𝑛𝑠𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑐𝑎𝑙ó𝑟𝑖𝑐𝑎
1615,25 𝐾𝑐𝑎𝑙
Volume da dieta: = 1076 ml/dia
1,5 𝐾𝑐𝑎𝑙/𝑚𝑙
𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒
Vazão:
ℎ𝑜𝑟𝑎𝑠
1076 𝑚𝑙
Vazão: = 54 ml/hora
20 ℎ𝑜𝑟𝑎𝑠
17

A prescrição dietética é de 1615,25 kcal/dia e 70 gramas de proteínas por


dia afim de alcançar seu vet e aporte proteico necessário.

5.3.6 Interação droga-nutriente

O paciente faz uso de duas medicações diariamente, levofloxacina de 500


mg e cefepima de 2g. Ambos são antibióticos, indicados para tratamento de
infecções causadas por bactérias como Staphylococcus e Streptococcus. Podendo
ser administrado em jejum ou duas horas após a última refeição. Sua interação com
alimentos é devido a diminuição da absorção e a biodisponibilidade do fármaco, se
ingerido com leite ou derivados, alimentos ricos em ferro, zinco, magnésio e cálcio.

6 NUTRIÇÃO MATERNA, NUTRIÇÃO INFANTIL, LACTÁRIO, BANCO DE LEITE


HUMANO

O local de estágio não dispõe desse tipo de serviço.

7 TIPOS DE DIETAS UTILIZADAS

7.1 Características das dietas

São ofertadas dietas orais, enterais, parenterais e suplementos


nutricionais:
 As dietas orais têm diferentes consistências com o objetivo de se adequar as
condições físicas de cada paciente, em relação a deglutição:
 Branda: tem o objetivo de fornecer uma dieta com alimentos bem cozidos.
 Pastosa: exige pouco ou nenhum esforço para ser mastigada e/ou deglutida,
geralmente os alimentos são apresentados em forma de sopas ou
amassados.
 Pastosa homogênea: os alimentos são fornecidos triturados, após liquidificar
alimentos como arroz e feijão.
 Líquida completa: fornece líquidos como leite e suco de frutas, porém é
considerada inadequada se utilizada por um longo período sem a combinação
de mais elementos que ajudem a aumentar a densidade calórica.
18

 Líquida restrita: fornece líquidos translúcidos, como água, água de coco e


suco de frutas coado para evitar a desidratação, minimizando a atividade
gastrointestinal.
As deitas orais podem ser modificadas em nutrientes com as suas
respectivas características: hipossódica é uma dieta com pouco sal, assódica
sem adição de sal, obstipante rica em fibras insolúveis, laxativa rica em fibras
solúveis, hipogordurosa refeição preparada sem nenhum tipo de gordura.

 As dietas enterais são um modo de fornecer ao organismo a nutrição que ele


demanda, administrada na forma líquida através da sonda, quando o paciente
se encontra incapacitado ou com dificuldades de ingerir os alimentos:
 Com adição de fibras: compostas por fibras que regulam o trânsito intestinal.
 Oligoméricas: compostas por nutrientes previamente hidrolisados, facilitando
sua absorção no organismo.
 Poliméricas: compostas por nutrientes íntegros que exigem do trato
gastrointestinal capacidade para absorvê-los.
 Formulas específicas: desenvolvidas de acordo com a necessidade
nutricional de cada patologia.

 As dietas parenterais são administradas através de infusões intravenosa


que contém soluções composta de carboidratos, aminoácidos, lipídios,
vitaminas e minerais.
 Os suplementos enterais atuam para alcançar a meta calórica e no ganho
de peso em pacientes desnutridos.

As características utilizadas nas formas de dietas enterais, parenterais


e suplementos nutricionais são:
• Normocalórica: composta com quantidades normais de calorias, utilizada para
pacientes obesos.
• Hipercalórica: composta por quantidades elevadas de calorias, utilizado para
ganho de peso.
19

• Normoproteica: composta com quantidades normais de proteínas utilizada em


pacientes que conseguem alcançar o aporte proteico através da alimentação
oral.
• Hiperproteica: composta por altos níveis de proteínas que ajudam o paciente
a ganhar peso.

7.2 Prescrição das dietas enterais

O médico é responsável por fazer a indicação e prescrição da Terapia


Nutricional Enteral, o fonoaudiólogo avalia se o paciente tem condições de se
alimentar via oral e estabelece qual consistência será mais confortável para evitar
que o paciente sinta alguma disfagia ao deglutir, e caso não tenha possibilidade de
se alimentar via oral, a nutrição enteral por sonda será a via de alimentação
recomendada por ser mais fisiológica. Então a nutricionista realiza entrevista com
paciente, exames antropométricos e físicos para o diagnóstico nutricional, então
determina a prescrição dietética de acordo com as calorias e proteínas diárias que
particularmente cada paciente deve receber e supervisiona a aceitação da dieta.
É utilizado a fórmula de bolso para cálculo de calorias, devido a
praticidade no ambiente hospitalar, com o peso atual e o mínimo de proteínas
empregado por quilo de peso nas enfermarias é de 1,2g para evitar o risco de
desnutrição, e na UTI é no mínimo 1,5g de proteínas pois o paciente se encontra em
constante catabolismo.

7.3 Tipos de sonda

Os tipos de sonda utilizados para Terapia Nutricional Enteral são:

Nasoentérica: recomendada para pacientes que necessitam de Nutrição Enteral de


curta duração, possui técnica menos invasiva podendo ser inserida no próprio leito,
porém, tem maior risco de broncoaspiração e aumento das infecções respiratórias
hospitalares devido a sonda.
Via Nasogástrica: é a mais fisiológica pois a sonda é introduzida do nariz até o
estômago.
Via Orogástrica: a sonda é introduzida pela boca até o estômago.
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O local da administração da dieta enteral, pode ser intragástrica ou pós-pilórica, os


critérios para essa escolha são os riscos de broncoaspiração e condições de
absorção da dieta.

Ostomias: é um procedimento cirúrgico simples, indicado quando a Terapia


Nutricional Enteral é necessária por mais de 4 semanas, diminui o risco de lesões
nasais, infecções das vias respiratórias e broncoaspiração. No hospital é utilizado
somente o método contínuo, com bomba de infusão.
Via Gastrostomia: a sonda é colocada diretamente no estômago do paciente.
Via Jejunostomia: A sonda é colocada diretamente no intestino delgado.

7.4 Orientação na alta hospitalar

Instruções para Nutrição Enteral em domicílio

1. O que é Nutrição Enteral? É uma forma de alimentação completa e


balanceada, administrada através da sonda por gastrostomia, caraterizada por uma
sonda que transporta o alimento direto ao estômago, que ajudará a manter o estado
nutricional adequado e melhor qualidade de vida.
2. Como deve ser o preparo para administração da dieta?
Primeiramente lave bem as mãos com água e sabão, seque com papel toalha
descartável. É importante que as embalagens sejam mantidas em local seco, fresco
e arejado, verifique a data de validade e se a embalagem está em perfeito estado de
conservação, o líquido deve estar em temperatura ambiente.
3. Como deve ser feito a administração da dieta? Agite bem a dieta
antes de começar a administrar, coloque-a em um suporte a uma altura de 60cm
acima do paciente. Verifique se clamp do equipo está fechado antes de conectá-lo a
bolsa de dieta, então conecte o equipo na bolsa, certificando-se que esteja
totalmente encaixado. Retire o clamp e deslize para cima a roldana do regulador de
fluxo com cuidado, controlando a velocidade de gotejamento da dieta. Após
preencher o tubo do equipo com a dieta, pressione levemente a câmara gotejadora
para a entrada da dieta em seu interior, onde deverá alcançar o nível mínimo de
dieta, então conecte a outra extremidade do equipo na sonda do paciente. Por fim,
ajuste a velocidade de gotejamento conforme prescrito pela nutricionista. Após o
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consumo da dieta, você deve irrigar a sonda para evitar que a dieta solidifique no
interior do tubo, com a ajuda de uma seringa administre 20ml de água no tubo para
limpeza. A dieta tem validade de 24 horas, se o paciente não consumir toda a dieta
em um dia, deverá ser descartada e iniciada com uma nova dieta.
4. O que fazer quando o paciente apresentar complicações? No caso
de complicações como: febre, diarreia mais de 2 dias, enjoos, vômitos, confusão
mental, dor, vermelhidão, ferida ou líquido saindo do local da sonda por gastrostomia
você deve parar a Nutrição Enteral imediatamente e procurar um serviço hospitalar.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Fica aqui registrado meu agradecimento por essa oportunidade de


participar do estágio de clínica, na qual pude me encontrar, dentro dos ramos que a
Nutrição oferece. Agradeço a minha preceptora de estágio professora Janaína pelos
conhecimentos adquiridos durante a realização do estágio, agradeço também a
professora Luciana que nos acompanhou e nos ajudou, agradeço as minhas amigas
que participaram desse momento enriquecedor de eterna e boas lembranças. De
forma geral fiquei bastante satisfeita com o estágio, onde pude aprender bastante e
também pude aplicar o que já havia aprendido.
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REFERÊNCIAS

BENTO, Ricardo Ferreira et al. Schwannoma vestibular: 825 casos-25 anos de


experiência. International Archives of Otorhinolaryngology, v. 16, n. 4, p. 466-
475, 2012.

CANDAU-ALVAREZ, Alberto et al. Schwannoma del nervio facial. Revista Española


de Cirugía Oral y Maxilofacial, v. 37, n. 3, p. 169-171, 2015.

CORONA, Ana Paula et al. Fatores de risco associados ao Schwannoma do nervo


vestibular: revisão sistemática. Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, v. 75, n.
4, 2009.

COSTA, Jéssica Alves; DE SANTANA PERES, Juliane Pereira. IMPORTÂNCIA DO


ESTÁGIO SUPERVISIONADO: VIVENCIAR E REFLETIR A PRÁTICA. In:
Congresso de Educação-Câmpus de Iporá. 2015. p. 437-450.

DE FRANÇA FERRAZ, Letícia; CAMPOS, Ana Claudia Freixo. O papel do


nutricionista na equipe multidisciplinar em terapia nutricional. Rev Bras Nutr Clin, v.
27, n. 2, p. 119-23, 2012.

FARIA, Érika Fernanda et al. SCHWANNOMA DE ACÚSTICO: REVISÃO


BIBLIOGRÁFICA. Revista de Patologia do Tocantins, v. 2, n. 2, p. 16-22, 2015.

LUZ, Glaura Freaza; REGO, Marco Antônio Vasconcelos; PORTO, Lauro Antonio.
Fatores da dieta e tumores de cérebro. Salvador: Universidade Federal da Bahia,
Dissertação de Mestrado, 2010.

TORRES, Margarida Trindade Figueiredo. O papel da radiocirurgia no tratamento


do neurinoma do acústico. 2016. Tese de Doutorado.
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ANEXOS

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