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PROJETO DE CONSTRUÇÃO DE UMA BARRAGEM DE TERRA

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Sumário
1. Introdução ............................................................................................................................. 3
2. Objetivo ................................................................................................................................. 3
3. Problema Proposto ............................................................................................................... 4
4. Metodologia .......................................................................................................................... 4
4.1 Utilização do Software SEEP/W e vazões determinadas .................................................... 4
4.2 Dimensionamento dos Filtros ............................................................................................. 9
4.2.1 Cortina Drenante ........................................................................................................ 10
4.2.2 Filtro longitudinal (Tapete Drenante) ........................................................................ 10
4.2.3 Cálculo dos filtros ....................................................................................................... 11
5. Conclusão ............................................................................................................................ 14
6. Bibliografia .......................................................................................................................... 14

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1. Introdução

As barragens são estruturas construídas em vales e destinadas a fechá-los


transversalmente, proporcionando um represamento da água. O barramento de
cursos d’água para a formação de lagos artificial constitui uma das mais antigas
técnicas de aumentar as disponibilidades hídricas para atendimento de
demandas por águas pelas sociedades.

O projeto de uma barragem requer fundamentalmente a análise preliminar


da topografia, da hidrologia, da geologia e da geotecnia do local em que se
pretende construí-la. É importante, também, destacar que obras hidráulicas
como barramentos, mesmo sendo de pequeno porte, distinguem- se por interferir
nos cursos d’água e estar sujeitas ao poder destruidor das enchentes,
envolvendo riscos que jamais podem ser desconsiderados. Assim sendo, o
dimensionamento de projetos e obras necessários ao uso dos recursos hídricos
deverá ser executado sob responsabilidade de profissional devidamente.

Neste trabalho será avaliado e recalculado um dimensionamento de uma


barragem de terra homogênea que se trata do tipo de barragem mais utilizada
no Brasil, pelas condições topográficas com vales muito abertos, e da
disponibilidade de material terroso. Este tipo de barragem sofre um dos
problemas mais preocupantes para os projetistas: o piping ou erosão regressiva
tubular. Esse fenômeno consiste no carreamento de partículas de solo pela água
em fluxo, numa progressão de jusante para montante e com o passar do tempo
forma-se um tubo de erosão, que pode evoluir para cavidades relativamente
grandes no corpo da barragem, levando-a ao colapso. Para evitar esse
acontecimento, é necessário o controle da percolação com a instalação de filtros
verticais ou inclinados.

Os filtros são constituídos de areia ou material granular, com a granulometria


adequada para evitar o carreamento de partículas do solo. Eles também
colaboram na dissipação das pressões neutras construtivas, e inclusive de
rebaixamento rápido.

2. Objetivo

O artigo escolhido como base para este presente trabalho foi “Análise de
Percolação em Barragem de Terra Utilizando o Programa SEEP/W” dos alunos
de pós-graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul, José W. J. Rójas e Anderson Fonini, o qual tem objetivo utilizar o
programa computacional SEEP/W para verificar seu potencial na resolução de
problemas referentes à análise de percolação de água pelo interior de uma
barragem de terra de pequeno porte,sendo que este artigo foi baseado na
dissertação “Um estudo de percolação em barragens de terra em regimes

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permanente e transiente, com a aplicação do método de elementos finitos”
apresentado por Mauro Edson Alberti.

O objetivo deste projeto é realizar a avaliação do dimensionamento de


uma barragem realizado no artigo base já executado, utilizando o software
SEEP/W com o intuito de verificar os cálculos e de dimensionar os filtros que não
haviam sido dimensionados no trabalho em estudo e comparar com a retro
análise executada neste trabalho.

3. Problema Proposto

O dimensionamento será feito a partir da barragem de terra mostrada na


Figura 01, a mesma apresenta um comprimento total de 33 metros de talude a
montante e a talude a jusante, tendo uma altura total de 6 metros com largura de
crista de 4 metros, para a cota da crista foi considerada uma folga de 1 metro
denominada borda livre.

Figura 01. Ilustração da barragem de terra em estudo

4. Metodologia

Foi utilizado o software SEEP/W para a análise do trabalho e para o


cálculo dos filtros pelas fórmulas que o professor Wilber passou em aula.

4.1 Utilização do Software SEEP/W e vazões determinadas

Para a determinação das linhas freáticas e vazões no interior do maciço


estudado, foi utilizado o programa SEEP/W. Na configuração do software

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SEEP/W a condutividade hidráulica foi determinada a não mudar com a pressão
para ambos os solos. Todas as camadas de solo foram consideradas 100%
saturadas independentemente da pressão. Após verificação dos materiais
disponíveis para a execução do projeto, foram estabelecidas as diretrizes
apresentadas na Tabela 01.

Tabela 01. Descrição dos materiais utilizados no SEEP/W

O SEEP/W aceita malhas com elementos de dois tipos, quadrangulares e


triangulares, porém o software só gera malhas com todos os elementos de um
mesmo tipo, triângulos ou quadrados.
No artigo foram utilizadas as malhas, as quais possuem dimensões
aproximadas de 70 cm por 70 cm. Na análise feita neste trabalho, as malhas
tiveram que ser redimensionadas para 80 cm por 80 cm pois o programa
SEEP/W na versão para estudante não suporta mais de 500 elementos finitos.

Na figura 02 são mostrados como ficou a malha após dimensionadas.

Figura 02 – Malhas quadrangulares de 80 cm por 80 cm

A figura 03 apresenta o desenho retirado do software com a direção e sentido


dos vetores da análise.

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Figura 03 - Vetores de fluxo – direção e sentido da percolação

Logo após foi analisada o trajeto que a água segue em um meio saturado,
sendo designado pelas linhas de fluxo conforme figura 04.

Figura 04 - Linhas equipotenciais e linhas de fluxo

A próxima etapa foi a determinação das vazões em relação ao projeto


inicial. A seguir são apresentados os valores das vazões. Na tabela 02 os
valores de projeto e na tabela 03 os valores da análise feita pelo grupo.

Tabela 02 - Vazões determinadas para a barragem

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Região da Vazão
coleta de
dados m³/s/m
01 2.61 x 10-07
02 4.81 x 10-07
03 4.85 x 10-07
04 5.96 x 10-10
05 1.88 x 10-07
06 1.93 x 10-07
Tabela 03 - Vazões determinadas pela retro analise

As regiões utilizadas para a determinação das vazões encontram-se na


figura abaixo.

Figura 05 - Local de determinação das vazões.

Nas figuras abaixo são mostradas as figuras relacionadas as vazões


compreendidas.

Figura 06 – Vazão no ponto 1.

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Figura 07 – Vazão no ponto 2.

Figura 08 – Vazão no ponto 3.

Figura 09 – Vazão no ponto 4.

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Figura 10 – Vazão no ponto 5.

Figura 11 – Vazão no ponto 6.

4.2 Dimensionamento dos Filtros

Após a revisão dos cálculos do artigo em estudo, será dimensionada a


espessura e a faixa granulométrica da areia dos filtros que deverão ser
utilizados na barragem. Para este dimensionamento precisa-se da
quantidade de água, ou seja, da vazão, a ser captada pelos filtros com base
no traçado da rede de fluxo e do coeficiente de permeabilidade do maciço
compactado e dos maciços de fundação.

Os cálculos das espessuras (B) dos filtros são através das fórmulas
descritas a seguir. Em função dos materiais granulares disponíveis, fixaram-
se valores para os coeficientes de permeabilidade (Kp) dos filtros e
calcularam-se as duas espessuras com base na Lei de Darcy.

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𝑄 ×𝐿 (𝑄1 + 𝑄2) × 𝐿
𝐵𝑖𝑛𝑐𝑙𝑖 = 𝑒 𝐵ℎ𝑜𝑟𝑖𝑧 = √
𝐾𝑝 × ∆𝐻 𝐾𝑝

4.2.1 Cortina Drenante

Este tipo de drenagem é constituído por um dreno vertical posicionado


ligeiramente a jusante do eixo da barragem e prolongado para jusante por
um tapete drenante horizontal. Foi adotado pela primeira vez por K. Terzaghi.

O dreno vertical tem a grande vantagem de interceptar qualquer


fissuração do maciço e de coletar os fluxos que poderiam percolar através de
tais fissuras. São geralmente projetados com uma espessura variando de 0,9
a 2,0 m, sendo que, na maioria dos casos, essas espessuras são fixadas por
motivos de ordem construtiva.

Para fins do projeto considerando-se uma inclinação de 30º com um


comprimento respectivo a inclinação de 12m.

4.2.2 Filtro longitudinal (Tapete Drenante)

A escolha do comprimento do tapete drenante horizontal poderá ser a


recomendada por Creager, adotando um comprimento de (0,3 a 0,5 L), sendo
L a distância do eixo da barragem ao pé do talude de jusante. Considerando
o comprimento L = 15m, o comprimento do tapete drenante será 7,5m,
considerando (0,5 L). O comprimento do tapete filtrante baseia-se na posição
que se pretende para a linha freática, no interior do maciço, devendo-se notar
que a descarga percolada aumenta com o comprimento do tapete. Esse
aumento, entretanto, é recompensado pela melhoria na estabilidade, pois
mantem-se seco grande parte do paramento de jusante da barragem,
garantindo uma maior segurança.

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4.2.3 Cálculo dos filtros

Largura de filtros de drenagem para vazões originais

Filtro inclinado Filtro horizontal


DADOS: DADOS:
B = Largura filtro B = Larg. filtro
Q (cm³/s) = 0,000948 Q1 (cm³/s) = 0,000948
Kp = 0,035 Q2 (cm³/s) = 0,446
L (cm) = 1200 L (cm) = 750
ΔH = 600 Kp = 0,035

𝑄 𝐿 (𝑄1+𝑄2) ∗ 𝐿
𝐵= ∗ 𝐵= √
𝐾𝑝 𝛥𝐻 𝐾𝑝

B = 0,0542 cm B = 97,86 cm

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Largura de filtros de drenagem para novas vazões
calculadas

Filtro inclinado Filtro horizontal


DADOS DADOS
B = Largura filtro B = Largura filtro
Q (cm³/s) = 0,000596 Q1 (cm³/s) = 0,000596
Kp = 0,035 Q2 (cm³/s) = 0,481
L (cm) = 1200 L (cm) = 750
ΔH = 600 Kp = 0,035

𝑄 𝐿 (𝑄1+𝑄2) ∗ 𝐿
𝐵= ∗ 𝐵=√
𝐾𝑝 𝛥𝐻 𝐾𝑝

B = 0,034 cm B = 101,59 cm

Também será verificado se os materiais do filtro e os solos escolhidos


satisfazem o Critério de Filtro de Terzaghi, para se ter uma garantia de
segurança contra piping.

Figura 02. Critério de Filtro de Terzaghi

Foram escolhidas as curvas granulométricas 1A (areia fina com pouca


argila), 1B (argila silto-arenosa) e 2B (filtro de areia média a grossa)
presentes na curva granulométrica a seguir, para o cálculo do Critério de
Terzaghi.

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Através da curva granulométrica pode-se obter os seguintes valores:

D15( f) 0,18
D15 (s) 0,04
D85 (s) 0,05
Substituindo estes valores nas fórmulas do critério de Terzaghi obteve-se
3,6 o valor para evitar piping e 4,5 em relação ao atendimento da permeabilidade,
estando os ambos critérios conformes.

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5. Conclusão

Notou-se que há uma pouca diferença da vazão de projeto para a vazão


que foi calculada através da retro analise da situação. Assim sendo, este
projeto mostra que seus resultados estão em coerência com a situação
apresentada, podendo ter a sua pequena alteração no dimensionamento da
malha que não pode ser utilizada a mesma de projeto, pois teria que ser pago
o programa para a sua liberação total das funções.

Após verificação dos cálculos, pode se observar que os valores da


espessura do filtro vertical é insignificante, isso se dá pelo fato do material da
barragem ser muito argiloso e dificultando dessa forma a passagem de água,
sendo dispensado assim o uso de filtro vertical. Já para o tapete drenante,
ocorreu um aumento na nova vazão calculada, alterando dessa forma e
espessura do tapete drenante, o qual passou de 97,86 para 101,59 cm, sendo
que será utilizado 105 centímetros.

6. Bibliografia

ALBERTI, MAURO A. Um Estudo de Percolação em Barragens de Terra, em


Regimes Permanente e Transiente, com a Aplicação do Método de Elementos
Finitos. 1988. Dissertação (Mestrado em Engenharia) – Universidade Federal
do Rio Grande do Sul,1988.

CAPUTO, H. P.; Mecânica de solos e suas aplicações – vol. 2, Livros Técnicos


e Científicos Editora S. A.

MASSAD, F. Obras de Terra: curso básico de geotecnia. São Paulo: Oficina


de Textos, 2003

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