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Testamento – expressão de última vontade

O direito hereditário é definido como um complexo de princípios, pelos quais


é realizada a transmissão do patrimônio de alguém que deixa de existir,
registrando a história dos povos, os mais acalentados debates entre juristas e
filósofos, que buscavam o sentido dessa transmissão por causa da morte.
Surgiram ideias depreciativas do direito sucessório, como foram as
propagandas socialistas que pretendiam abolir a sucessão por causa da morte,
como surgiram movimentos propondo a extinção da sucessão da lei, e a
eliminação de herdeiros colaterais. O direito hereditário se impõe como um
complemento natural da geração entre os homens; decorrendo de uma cadeia
ininterrupta que une as gerações, pois a continuidade dos descendentes avança
e prospera pelo instinto de conservação e melhoramento da sua família, a
cujos sucessores busca assegurar alguma estabilidade. Parentesco e sucessão
estão intimamente unidos, e com a morte os filhos, de regra, se consolidam na
propriedade da herança de seus ascendentes e projetam a memória de seus
antepassados, de quem absorvem os bens e a posição social. Tem a sucessão,
portanto, um sentido transcendente, eis que responde ao triunfo do amor
familiar e fortifica a família constituída por aquele que morreu. O próprio
Estado tem interesse na sucessão, pois na medida em que protege a família,
assegura a sua própria economia, pois só existe um Estado forte se existem a
família e o direito à herança, pois sem herança estaria comprometida a
capacidade de produção das pessoas e seu interesse em produzir e poupar,
pois de nada adiantaria um ingente esforço e uma vida dedicada ao trabalho,
se sua família não seria a final destinatária de suas riquezas materiais. O
direito sucessório regula a sucessão legítima, cujos herdeiros são designados
pela lei e a sucessão testamentária, quando decorre da vontade do homem,
manifestada em testamento válido. A sucessão da lei garante o direito à
herança para certos herdeiros, uns na falta dos outros, preferindo como
herdeiros necessários, ou legítimos, os descendentes, ascendentes ou o
cônjuge, e qualquer um destas três classes de herdeiros tem direito à legítima,
que respeita à metade dos bens daquele que morre. Isso porque, no Direito
brasileiro há limitação à livre disponibilidade testamentária e na hipótese de
existência de algum herdeiro necessário, a sucessão testamentária é
subsidiária, só tem incidência com relação à chamada porção disponível, que
são os outros 50% dos bens deixados pelo falecido, já abstraída a meação dos
bens do cônjuge sobrevivente. Tudo isso significa aduzir que, existindo
herdeiros necessários, a herança deve ser considerada como dividida em duas
partes, uma porção pertence de direito aos herdeiros necessários e a outra
pode ser livremente disposta pelo testador e, se ausentes estes herdeiros
denominados de necessários, o testador dispõe da totalidade de seus bens para
deles dispor através de testamento. Carlos Maximiliano justifica as raízes da
sucessão legítima como sendo uma preocupação social com a unidade e com a
solidariedade familiar, assegurando a lei uma quota hereditária aos parentes de
grau mais próximo dos vínculos de sangue e de família. Portanto, subsistem
duas espécies de sucessão, uma da lei e outra que decorre do testamento, cuja
sucessão é fundada exclusivamente na vontade do testador, consoante solene
disposição que faz através de um testamento, público, cerrado ou particular e,
em cujo instrumento, como ato de última vontade, o disponente dá destino a
seus bens, sem ficar impedido de utilizar a cédula testamentária para
consignar decisões de caráter extrapatrimonial. O testamento é um ato pessoal,
unilateral, espontâneo e revogável, sendo disposição de derradeira vontade
com que a pessoa determina o destino de seu patrimônio ou de parte dele para
depois de sua morte, devendo o testamento atender as exigências formais para
não ser posteriormente invalidado, sem chance alguma de ser repetido, porque
só tem validade e pertinência depois do óbito do testador. O testamento
abrange manifestações de cunho pessoal e familiar, cuidando o testador de
reger o exato conteúdo de suas preocupações pessoais e econômicas, tratando
de dispor no plano patrimonial o pessoal o endereçamento futuro de seus bens,
para depois de seu falecimento, cercando-se com a partilha dirigida e se achar
necessário, consignando aquilo que gostaria de ter dito em vida ou que mesmo
tendo dito em vida, ainda assim gostaria de perpetuar na memória de seus
herdeiros e legatários, cientes de que valores morais e a unidade familiar são
heranças que transcendem a passagem do homem e o registro histórico de sua
construção pessoal.

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